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Numero do processo: 19515.004336/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. TRIBUTAÇÃO DECADÊNCIA. Verificado o não atendimento das condições estabelecidas no art. 434 do RIR/99 para diferimento da reserva de reavaliação, é cabível sua tributação integral, mas no período de sua formação. Transcorrido o prazo decadencial, sem que tenha ocorrido auditoria fiscal para esse fim, cabe verificar as hipóteses de realização da reserva de que tratam os artigos 435 e seguintes. RENDIMENTOS SOBRE OPERAÇÃO DE SWAP. Comprovada as perdas em operações de swap e de que tais valores foram devidamente apropriados ao resultado como redutor das receitas de renda variável cumpre cancelar a tributação que foi calcada apenas nos ganhos auferidos pelo contribuinte. AJUSTE DE INVENTÁRIO. Somente se admite a dedução de quebras ou perdas de estoques, se demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos a sua ocorrência, preferencialmente no transcurso da auditoria fiscal,. Indispensável ainda a comprovação de que estas, se decorrentes do processo produtivo, transporte e manuseio, estavam dentro do limite de razoabilidade previsto em lei. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.593
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo tão somente a tributação da glosa de perdas no valor de R$ 1.858.296,00 (IRPJ e CSLL), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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TRIBUTAÇÃO DECADÊNCIA. Verificado o não atendimento das condições estabelecidas no art. 434 do RIR/99 para diferimento da reserva de reavaliação, é cabível sua tributação integral, mas no período de sua formação. Transcorrido o prazo decadencial, sem que tenha ocorrido auditoria fiscal para esse fim, cabe verificar as hipóteses de realização da reserva de que tratam os artigos 435 e seguintes. RENDIMENTOS SOBRE OPERAÇÃO DE SWAP. Comprovada as perdas em operações de swap e de que tais valores foram devidamente apropriados ao resultado como redutor das receitas de renda variável cumpre cancelar a tributação que foi calcada apenas nos ganhos auferidos pelo contribuinte. AJUSTE DE INVENTÁRIO. Somente se admite a dedução de quebras ou perdas de estoques, se demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos a sua ocorrência, preferencialmente no transcurso da auditoria fiscal,. Indispensável ainda a comprovação de que estas, se decorrentes do processo produtivo, transporte e manuseio, estavam dentro do limite de razoabilidade previsto em lei. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo tão somente a tributação da glosa de perdas no valor de R$ 1.858.296,00 (IRPJ e CSLL), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório CIA DE GÁS DE SÃO PAULO COMGÁS recorre a este Conselho contra a decisão proferida em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por seu turno, a egrégia 23ª TURMA DA DRJ SÃO PAULO I (SP) recorreu de oficio, em observância ao art. 34 do PAF, haja vista ter exonerado valor acima de R$ 1.000.000,00. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração de fls. 226/249 para exigir os recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, além dos acréscimos legais devidos. De acordo com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 212/225), foram constatadas as irregularidades abaixo: Reavaliação de bens do Permanente não suportada por laudo emitido por peritos ou empresa especializada Rendimentos sobre operação de Hedge SWAP – não oferecidos à tributação Ajuste de inventário não amparado em certificado da autoridade fiscal exigido por lei. (...) Em 21/12/2007, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 251) e, em 18/01/2008, apresentou defesa (fls. 262/308), resumidamente, nos seguintes termos: A impugnante comprovou a elaboração do laudo em 03/1998, conforme atestam as Atas de Assembléias realizadas, cuja cópia ora se anexa ao processo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 3 3 Comprovou também a sua perda em incêndio ocorrido na empresa em 01/06/2002, bem como a adoção de todas as medidas legais cabíveis, mediante a apresentação de Boletim de Ocorrência, comunicação à JUCESP, divulgação do ocorrido em jornais de grande circulação no dia 04/06/2002 e republicação em 08/06/2002, bem como comunicação do fato à Receita Federal em 26/06/2002. Acerca da impossibilidade de reconstituição do laudo de reavaliação por inexistência dos documentos que deram base a sua composição (no caso, esses datam de 1998, ou seja, mais de 14 anos após a sua elaboração até a data do incêndio), a própria CSRF decidiu que não há necessidade de manutenção dos documentos que embasaram a sua reavaliação. Apesar disso, a empresa obteve parte da documentação que suportou a realização do laudo. Assim, antes de proceder à autuação, a autoridade fiscal deveria ter confrontado os documentos existentes com os valores por ele verificados em conta de reavaliação, a fim de identificar eventuais irregularidades para embasar sua autuação. Requerse, portanto, a realização de perícia, na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/1972; indica um assistente técnico a essa perícia e formula quesito à fl. 275. Não obstante o artigo 8º da Lei 6.404/1976 faça menção à apresentação de laudo para embasar a reavaliação patrimonial ocorrida, a fundamentação de inexistência de laudo pericial não pode ser considerada como fator determinante na adição dos valores constantes da conta de reserva à apuração do lucro real da empresa. Isto porque, a partir de 01/01/2000, com alteração introduzida pelo artigo 4º da Lei 9.959/2000, reafirmouse que o valor constante da reserva de reavaliação de bens somente será objeto de cômputo na determinação do lucro real no momento da efetiva realização do bem reavaliado, fato que não ocorreu no caso em tela. Parcela do valor autuado referese à reserva de reavaliação por aplicação do IPC/1990 (Lei 8.200/1991), que independe de laudo para a sua efetivação. Em relação à exigência do PIS e da COFINS sobre a reserva de reavaliação, pode se afirmar que tanto a Lei 9.718/1998 como a Lei 10.637/2002 são inconstitucionais, porquanto ampliam o conceito de faturamento. Seria constitucional se houvesse lei que definisse a materialidade do termo Receita Bruta, o que não há até esta data. O STF julgou inconstitucional a ampliação do conceito de faturamento dado pela Lei 9.718/1998. Pelo conceito convalidado por esse órgão, a reserva de reavaliação, ainda que se considerasse como receita da empresa, não constitui faturamento. Nem se diga que no anocalendário de 2002, quando passou a vigorar a MP 66/2002, convertida em Lei 10.637/2002, seria constitucional e/ou legal a exigência de PIS e COFINS sobre a reserva de reavaliação, posto que também esse dispositivo viola o princípio da tipicidade e o artigo 110 do Código Tributário Nacional. O procedimento adotado para o reconhecimento do resultado de operações de SWAP consiste no registro de ingresso consolidado apurado no final do período contratado e não no registro mensal das expectativas de ganho que não se materializam antes da operação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 4 4 A contratação de operação financeira de SWAP está atrelada à mitigação de variação de resultados operacionais em função da flutuação de índices do mercado financeiro, seja a taxa do dólar ou tipo de taxas de juros. Esse tipo de operação visa anular o risco potencial de resultados contábeis adversos durante um determinado intervalo de tempo. Tais operações são regulamentadas pelo BACEN, pela Res. 2.688/2000, e pelas Circulares 2.951/1999 e 2.770/1997. Por respeito aos princípios contábeis da competência e do conservadorismo, em reforço ao entendimento de se reconhecer o resultado somente ao final da operação, o IBRACON, por meio do Comunicado Técnico 02/1999, apresentou parecer orientando contabilizar as variações cambiais negativas como estorno da conta na qual foi apurada a valorização em período anterior. A IN SRF 247/2002 prescreve que as disposições contidas no artigo 30 da MP 2.15835/2001 poderiam ser aplicadas aos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. Não há como tratar as operações de SWAP de forma isolada. A companhia contrata essas operações com o intuito de proteção (hedge) contra efeitos monetários em seu balanço gerados por variações de índices financeiros. O resultado líquido de operações casadas não se confunde com o resultado puro da operação de SWAP, pois se houver ganho, este é compensado com as perdas geradas por posições a descoberto em seu balanço. Esses resultados, quando positivos, constituem receitas financeiras e não sofrem incidência do PIS e da COFINS. O ajuste de inventário em virtude de perdas no transporte e manuseio não necessita de certificado da autoridade fiscal. Imperioso o afastamento da multa aplicada em percentual equivalente a 75% do suposto crédito tributário, em função da literal violação ao direito de propriedade e ao princípio do não confisco, insculpido no artigo 5º, II e LIV, 170, II e 145, § 1º, da Constituição Federal. A aplicação de multa no patamar de 2% se afigura razoável e guarda proporcionalidade com o dano causado. O STF tem julgado inconstitucionais dispositivos da legislação infraconstitucional que cominem multa de caráter de confisco contra os contribuintes. A taxa SELIC possui natureza de juros remuneratórios, bem como de correção monetária de títulos federais. Não pode ser aplicada aos débitos tributários, uma vez que estará corrigindoos e, ao mesmo tempo, remunerandoos; além disso, em índices superiores aos permissivos em lei. Para que a lei estabeleça taxa de juros diversa da estatuída pelo artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, essa taxa deverá ser criada por lei, o que não é o caso da SELIC. Ressaltese que a inconstitucionalidade de tal aplicação já foi declarada pelo STJ. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 5 5 A decisão recorrida está assim ementada: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Rejeitase o pedido de perícia, apresentado na peça impugnatória, por se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. A reserva correspondente à reavaliação de bens, quando não lastreada por documento legal que ateste o valor contabilizado, deve ser adicionada ao lucro líquido, para efeito de apuração do imposto. Não se sustenta o argumento de que uma parcela da reavaliação seria decorrente do ajuste IPC/1990, se os elementos constantes dos autos evidenciam tratarse de reavaliação realizada de forma espontânea. RENDIMENTOS SOBRE OPERAÇÃO DE SWAP. A alegação não fundada em provas de que teriam ocorrido perdas em operações de swap e de que tais valores teriam sido apropriados ao resultado como redutor das receitas de renda variável não infirma o feito fiscal. AJUSTE DE INVENTÁRIO. Somente se admite a dedução de quebras ou perdas de estoques, se demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos a sua ocorrência. Indispensável ainda a comprovação de que estas, se decorrentes do processo produtivo, transporte e manuseio, estavam dentro do limite de razoabilidade previsto em lei. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, em que restou configurado ato infringente às normas tributárias, é exigível a multa ao percentual de 75%, por imposição legal. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, com base na taxa SELIC. AUTOS REFLEXOS. Aplicase, no que couber, aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. COFINS. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. Como, por determinação legal, a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente não sofre incidência da COFINS, por inferência lógica, o acréscimo em conseqüência da valorização do bem também não deve se sujeitar a essa tributação. PIS. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS. A tributação da reavaliação positiva de bens no momento da realização do ativo fica vinculada ao atendimento aos pressupostos previstos na legislação pertinente. Do contrário, a reserva constituída deve ser reconhecida como receita e computada na apuração do PIS, visto que representa um acréscimo do valor patrimonial da empresa. PIS E COFINS. RENDIMENTOS SOBRE OPERAÇÃO DE SWAP. As contribuições para o PIS e a COFINS são calculadas sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluídos os ganhos financeiros. Lançamento Procedente em parte. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 6 6 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto as matérias mantidas, reafirmando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os recursos voluntário e de oficio preenchem os requisitos legais e regimentais de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Tratamse de autos de infração do IRPJ e Reflexos, fls. 226250, ano calendário 2002, cujo montante do credito tributário total lançado foi de R$ 41.570.099,47 (fl.3), inclusos multa de oficio de 75% e juros a taxa Selic até nov/2007, com ciência em 21/12/2007 (fl. 251). Passo a apreciar as alegações da peça recursal. 1 Tributação da Reserva de Reavaliação. Visando uma melhor a compreensão do litígio, vejamos os fundamentos da decisão recorrida: A presente autuação foi motivada pela constatação de que a reavaliação de bens do Ativo Permanente realizada pela empresa não satisfaz aos requisitos previstos no artigo 434, caput e seus §§ do RIR/1999, por não ter sido apresentado o laudo correspondente, emitido por peritos ou empresa especializada. A impugnante alega que este foi destruído em decorrência de incêndio ocorrido na empresa em 01/06/2002 e que, na ocasião adotou todas as medidas legais cabíveis, mediante a lavratura de Boletim de Ocorrência, comunicação do ocorrido à JUCESP, divulgação em jornais de grande circulação em 04/06/2002 e 08/06/2002 e comunicação à Receita Federal em 26/06/2002 (fls. 135/148 e 364/382). Assinalese que essa documentação já havia sido analisada pela autoridade lançadora no decorrer da ação fiscal. De fato, vêse que a impugnante, em que pese não ter respeitado o prazo de quarenta e oito horas para comunicação à JUCESP e Receita Federal, previsto no § 1º do artigo 264 do RIR/1999, procurou adotar as medidas necessárias, visando atender às determinações legais em casos de perdas de livros e documentos contábeis e fiscais. Todavia, compete à empresa envidar esforços em restabelecer não somente os seus registros como os documentos a darlhe suporte. Embora seja aceitável a alegação acerca da impossibilidade de reconstituição do laudo de reavaliação por inexistência dos documentos que deram base a sua composição, que datariam de 1998, ante a ausência de esteio documental da reserva de reavaliação contabilizada, relevante a cautela em providenciar os elementos necessários para amparar a sua escrita (§ 3º do artigo 264 do RIR/1999). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 7 7 Não é demais lembrar ainda que, a teor do art 251 do RIR/1999, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter sua escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse compasso, importa transcrever parte da DELIBERAÇÃO CVM 183/1995, que aprovou Pronunciamento do IBRACON sobre Reavaliação de Ativos, cujo trecho já fora mencionado pelo autuante: “Amplitude e Periodicidade da Reavaliação 15. Uma vez que a empresa opte por realizar e contabilizar a reavaliação, o critério para avaliação do seu imobilizado deixa de ser o valor de custo corrigido e, portanto, as reavaliações serão periódicas, com uma regularidade tal que o valor líquido contábil não apresente diferenças significativas em relação ao valor de mercado na data de cada balanço. Dessa forma, devemse observar os seguintes prazos máximos: a. anualmente, para as contas ou grupo de contas cujos valores de mercado variarem significativamente em relação aos valores anteriormente registrados; b. a cada quatro anos, para os ativos cuja oscilação do preço de mercado não seja relevante, incluindo ainda os bens adquiridos após a última reavaliação; c. observados o conceito e prazos acima, a empresa pode optar por um "sistema rotativo", realizando, periodicamente, reavaliações parciais, por rodízio, com cronogramas definidos, que cubram a totalidade dos ativos a reavaliar a cada período.” Pois a COMGÁS, como sociedade anônima de capital autorizado (fl. 310), deve obediência às normas da CVM e, uma vez que a empresa optou por realizar e contabilizar a reavaliação de ativos, devia ter efetuado uma nova atualização, em atendimento não somente ao preceito acima, como também para regularizar sua situação após o sinistro ocorrido. Sobre o argumento de que uma parcela da reavaliação seria decorrente do ajuste IPC/1990, a teor da Lei 8.200/1991, atentese ao contido no item 10 das notas explicativas às Demonstrações Financeiras (fl. 19), onde se consignou que a reavaliação realizada no Ativo Imobilizado da empresa era de caráter espontâneo, o que de forma alguma pode ser confundido com o tratamento fiscal dado à correção monetária correspondente à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal. Acrescentese que na intimação de fls. 88/89, a fiscalizada foi intimada a prestar esclarecimento a respeito da reserva no montante de R$ 32.962 mil e, em resposta, esta se limitou a reproduzir o questionamento fiscal e a informar a empresa que teria elaborado o laudo, que, segundo seu entendimento, atendia às disposições contidas na Deliberação CVM acima citada. Não houve, naquele momento, contestação acerca da importância que posteriormente fora objeto de autuação ou menção sobre o que ora se afirma. De todo modo, a impugnante não carreou aos autos as provas, tais como os registros contábeis e LALUR, para atestar o alegado. Aduz a interessada que a reserva de reavaliação somente pode ser tributada quando da realização dos bens correspondentes. Ocorre que, consoante o § 3º do artigo 434, se a reavaliação não satisfizer aos requisitos do caput e demais parágrafos desse artigo, deverá ser adicionada ao lucro líquido quando da determinação do lucro real. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 8 8 No que tange ao pedido de realização de perícia formulado, cabe o seu indeferimento, nos termos dos artigos 18, caput e 28 do Decreto 70.235/1972, por se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada e por não estar configurada situação a exigir conhecimentos técnicos especializados para o deslinde da questão. Assim, uma vez que a reserva de reavaliação não se encontra lastreada por documento legal que ateste o valor ali contabilizado, a empresa deve se sujeitar ao que dispõe a norma tributária, adicionando a respectiva quantia ao lucro líquido, para efeito de apuração do imposto. Em relação a esta matéria, a contribuinte alegou em preliminar que já havia transcorrido o prazo decadencial para a administração tributária realizar auditoria na formação da reserva, que deveria ocorrer até 1994, isso porque a reserva de reavaliação foi formada em 1988, ou seja, 14 anos antes do período de apuração em que foi efetuada a tributação. Pois bem, o art. 264 do RIR/1999, cuja matriz legal encontrase no artigo 4o. do DecretoLei nº 486/1969 e art. 37 da Lei 9.430/1996, dispõe que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. No presente caso, a contribuinte não mais possuía o laudo e os documentos que ampararam seu procedimento; além disso, confirmou que não teria como reconstituir a documentação. Diante dessa constatação, vejamos qual o procedimento a ser realizado à luz da Legislação do Imposto de Renda (RIR/99): Seção II Reavaliação de Bens Subseção I Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea "h", e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). Tributação na Realização Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 9 9 Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 1º, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. (...) Consoante art. 434, §3o. RIR99, não satisfeitos os requisitos para diferimento da tributação, a reserva será adicionada ao lucro liquido do período de apuração. É evidente que se trata do período de sua formação/contabilização. Está comprovado nos autos que isso ocorreu antes de 2002. Na cópia da DIPJ/2003, apresentada tempestiva e espontaneamente pelo contribuinte, consta à fl. 67, que a Reserva de Reavalização já compunha o PL da contribuinte em 31/12/2001 pelo valor de R$ 34.443,543,73, sendo que em 31/12/2002 foi reduzida para R$ 32.962.065,06 (valor levado a tributação de oficio). Ora, à luz do art. 435, no transcurso do anocalendário de 2002 não foi registrado qualquer evento que implicasse na realização antecipada do saldo dessa reserva. Portanto, não há qualquer justificativa ou amparo para a tributação no ano de 2002. Em verdade o Fisco elegeu o fato gerador 31/12/2002 por ser o último período de apuração não atingido pela decadência, nos termos do art. 150 do CTN. Aliás, sequer verificou se o contribuinte continuou realizado parte dessa reserva nos períodos de apuração seguintes até 2007 (quando lavrou o auto de infração), o que implicaria em postergação (caso fosse correta a tributação em 2002). Diante do exposto, a que ser acolhida a preliminar de decadência para cancelar esse item da exigência (IRPJ, PIS, CSLL), pelo que cabe também negar provimento ao recurso de oficio, haja vista que a DRJ já havia cancelado a exigência da COFINS. 2 Tributação do Resultado com operaçõe swap. A exigência relativa a este item foi mantida em 1a. instancia pelos seguintes fundamentos: Primeiramente, cumpre registrar que, embora o Termo de Constatação e Verificação Fiscal mencione a terminologia hedge, os comprovantes de fls. 161/170 consignam apenas “operações de swap” e não há nos autos prova de que envolviam operações de cobertura. De todo modo, observese que a Lei 8.981/1995 fazia uma distinção entre esses dois tipos de operação, tributando na fonte os rendimentos auferidos em operações de swap, mas dispensando da retenção na fonte aqueles obtidos em operações que visavam cobertura (hedge), quando realizadas em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 10 10 Todavia, com a introdução no ordenamento jurídico do art. 5º da Medida Provisória nº 1.788, de 29 de dezembro de 1998, convertida na Lei nº 9.779/1999, sobre os rendimentos auferidos nas liquidações dessas operações utilizadas como cobertura, ainda que tenha sido contratada em data anterior à publicação da norma (Instrução Normativa SRF nº 25/01, artigo 35, §3º) passou a incidir o imposto de renda na fonte. (...) (...), para efeito do IRPJ, os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável obrigatoriamente devem compor o lucro real. Quanto ao argumento de que teria ocorrido perda cabível de ser compensada com os rendimentos apontados pela fiscalização, citese o artigo 32 da IN SRF 25/2001: Art. 32. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1º A base de cálculo do imposto nas operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap, inclusive quando da cessão do mesmo contrato. § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação ou da cessão do respectivo contrato. § 3º Para efeitos de apuração e pagamento do imposto mensal sobre os ganhos líquidos, as perdas incorridas em operações de swap não poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos em outras operações de renda variável. § 4º As perdas incorridas nas operações de que trata este artigo somente serão dedutíveis na determinação do lucro real, se a operação de swap for registrada e contratada de acordo com as normas emitidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil. § 5º Na apuração do imposto de que trata este artigo, poderão ser considerados como custo da operação os valores pagos a título de cobertura (prêmio) contra eventuais perdas incorridas em operações de swap. Ressaltese que os comprovantes de fls. 161/170 refletem a incidência de IRRF sobre o resultado positivo auferido, donde se pode inferir que eventuais perdas ocorridas já foram computadas. De todo modo, competia à impugnante a comprovação de que houve perda decorrente de operação de swap registrada e contratada de acordo com as normas emitidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, e que esses valores foram apropriados ao resultado como redutor das receitas de renda variável. Contudo, sequer a planilha que alega informariam as perdas ocorridas foi acostada aos autos. Injustificada, por conseguinte, a proposição feita pela defesa. (GRIFEI) Ao contrário do que ocorreu na impugnação, na peça recursal, a contribuinte apresentou justificativa mês a mês, a partir de junho/2002, para os valores oferecidos a tributação a titulo de ganhos nas operações de Swap/Headge (fls. 476500). Tais justificativas, a seguir transcritas, estão amparadas nos documentos de fls. 583 a 760. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 11 11 (...) Tomamos por base para análise a lista cronológica mensal de encerramento das operações de SWAP conforme apresentadas na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" (doc. 10). Para o mês de JUNHO 2002 há registro de duas operações de SWAP com o BANCO DO BRASIL, com valor de R$ 12.010.575,52 (doze milhões, dez mil, quinhentos e setenta e cinco reais e cinqüenta e dois centavos), que cobrem sucessivamente os períodos de 07 de março a 06 de junho de 2002, com aditivo para extensão do período até 10 de junho de 2002, cujas características particulares apresentamos a seguir, Para comprovação de que as duas operações financeiras refletem um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 11 a 17). Inicialmente, temos a comprovação da posição contábil passiva (devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente por meio do CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO FIXO N° 21/000158 (doc. 11), firmado em 07 de março de 2002 por BANCO DO BRASIL S.A. (financiador') e COMGÁS ('financiado'), no valor de R$ 12.010.575,52, correspondentes a R682.962.329 (seiscentos e oitenta e dois milhões, novecentos e sessenta e dois mil, trezentos e vinte e nove ienes) (cláusula primeira), com objetivo de 'reforçar o capital de giro do FINANCIADO' (cláusula segunda), indexação do valor de pagamento à taxa de conversão de reais para ienes (cláusula terceira), juros sobre valor em moeda estrangeira à taxa de 0,80% a.a. (oitenta centésimos de por cento ao ano) (cláusula quarta), e prazo de 91 dias, correspondente a vencimento em 06 de junho de 2002 (cláusula oitava). O prazo deste contrato foi estendido em quatro dias, com novo vencimento acertado para 10 de junho de 2002, por meio do ADITIVO DE RETIFICAÇÃO E RATIFICAÇÃO AO CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO FIXO No 21/000158, FORMALIZADO ENTRE BANCO DO BRASIL S.A E COMGÁS EM 07/03/2002 (doc. 15). Como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do iene japonês em relação ao real brasileiro. Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO DO BRASIL uma operação de SWAP nos termos contidos no CONTRATO DE SWAP SEM CAIXA RESOLUÇÃO 2770 IENE x Dl (doc. 12), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos do CONTRATO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 07 de março de 2002; 2. valor da operação: R$ 12.010.575,52 (cláusula primeira); 3. vencimento: 06 de junho de 2002 (cláusula segunda); 4. indexador do pólo ativo ('VCAM'): variação da cotação do iene japonês acrescido de juros a 0,80% a.a. (cláusula primeira, parágrafo terceiro, letra V e cláusula terceira); 5. indexador do pólo passivo ('VDI'): valor acumulado de 103% das taxas Dl diárias (cláusula primeira, parágrafo terceiro, letra (d' e cláusula terceira). h i Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 12 12 Clara, portanto, a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do iene japonês frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao iene japonês durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao iene japonês. Estas compensações podem ser efetivamente observadas nas Planilhas da Tesouraria (docs. 16 e 17). Simultaneamente, por conta de garantia de crédito, a Recorrente firmou a NOTA PROMISSÓRIA EM MOEDA ESTRANGEIRA No 0001 (doc. 13), no valor de ¥ 682.962.329, em favor do BANCO DO BRASIL S.A., com vencimento à vista. Em 06 de junho as partes decidiram pela extensão do período das operações por conta do Aditivo ao Contrato de Abertura de Crédito (doc. 15), supracitado, e assinatura do CONTRATO DE SWAP SEM CAIXA RESOLUÇÃO 2770 IENE x Dl (doc. 14), com características idênticas ao contrato de Swap original e vencimento em 10 de junho. Os elementos apresentados conjuntamente com o suporte documental anexo comprovam que as operações de SWAP referenciadas para o mês de Junho 2002 na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" compõem operações de cobertura de exposição financeira, i.e. HEDGE. Para o mês de JULHO 2002 há registro de duas operações de SWAP. A primeira negociada com o BANCO VOTORANTIM no valor de R$ 1.241.758,41 (um milhão, duzentos e quarenta e um mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e um centavos), cobrindo o período dè 23 de janeiro a 15 de julho de 2002. Neste caso, a documentação referente ao empréstimo específico em moeda estrangeira não foi localizada, mas a operação seguiu os moldes da política corporativa de cobertura de valores de risco de exposição em moeda estrangeira. Nesse sentido, o SWAP é parte de uma operação de HEDGE. A segunda operação de SWAP referenciada para julho foi negociada com o BANCO CITIBANK S.A. no valor de R$ 10.677.829,45 (dez milhões, seiscentos e setenta e sete mil, oitocentos e vinte e nove reais e quarenta e cinco centavos), cujas características particulares apresentamos a seguir. Para comprovação de que a operação financeira reflete um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 18 e 19). Inicialmente, temos a comprovação da posição contábil passiva (‘devedora’) indexada a moeda estrangeira da Recorrente por meio do INSTRUMENTO PARTICULAR DE RETIFICAÇÃO E RATIFICAÇÃO DE OUTRO REPASSE DE RECURSOS CAPTADOS NO EXTERIOR (doc. 18), firmado em 03 de abril de 2002 por CITIBANK N.A. e COMGÁS, no valor de US$ 4.598.548,43 (quatro milhões, quinhentos e noventa e oito mil, quinhentos e quarenta e oito dólares e quarenta e três centavos), no qual é feita referência ao QUADRO PREAMBULAR DO CONTRATO DE REPASSE DE RECURSOS CAPTADOS NO EXTERIOR, firmado pelas partes em 05 de outubro de 2001. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 13 13 Nesse sentido, embora não tenha sido possível localizar cópia do contrato original de repasse de recursos do exterior, a referência direta e explícita àquele documento feita no instrumento de aditivo indica sua existência. De mesma forma, como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o CITIBANK S.A. uma operação de SWAP nos termos contidos na NOTA DE NEGOCIAÇÃO SWAP A TERMO (doc. 19), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 03 de abril de 2002; 2. valor da operação: R$ 10.677.829,45; 3. vencimento: 07 de julho de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano acrescido de juros de 1,57% a.a.; 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 103,50% das taxas Dl diárias. Novamente observamos a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Os elementos apresentados conjuntamente com o suporte documental anexo comprovam que as operações de SWAP referenciadas para o mês de Julho 2002 na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" (doc. 10) compõem operações de cobertura de exposição financeira, i.e. HEDGE. Para o mês de AGOSTO 2002 há registro de uma operações de SWAP com o BANCO CITIBANK S.A. no valor de US$ 7.377.408,82 (sete milhões, trezentos e setenta e sete mil, quatrocentos e oito dólares e oitenta e dois centavos), cobrindo o período de 16 de maio a 14 de agosto de 2002. Para comprovação de que a operação financeira reflete um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 20, 21, 22, 23 e 24). Inicialmente, temos a comprovação da posição contábil passiva ('devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente por meio do CONTRATO DE Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 14 14 REPASSE DE RECURSOS CAPTADOS NO EXTERIOR (doc. 20), firmado em 15 de fevereiro de 2002 por CITIBANK N.A. e COMGÁS, no valor de US$ 7.377.408,82. Adicionalmente, a posição passiva pode ser comprovada por meio de ANEXO I (doc. 22) e CARTA DE CONFIRMAÇÃO DE OPERAÇÃO (doc. 23). De mesma forma, como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o CITIBANK N.A. uma operação de SWAP nos termos contidos na NOTA DE NEGOCIAÇÃO SWAP (doc. 21), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 16 de maio de 2002; 2. valor da operação: R$ 18.529.837,73; 3. vencimento: 14 de agosto de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano acrescido de juros de 7,70% a.a.; 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 103,50% das taxas Dl diárias. Novamente observamos a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria (doc. 24). Os elementos apresentados conjuntamente com o suporte documental anexo comprovam que as operações de SWAP referenciadas para o mês de agosto 2002 na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" compõem operações de cobertura de exposição financeira, i.e. HEDGE. Para o mês de SETEMBRO 2002 há registro de uma operação de SWAP com o BANCO ITAÚ no valor de US$ 15.198.574,84 (quinze milhões, cento e noventa e oito mil, quinhentos e setenta e quatro dólares e oitenta e quatro centavos), referente ao período de 11 de abril a 19 de setembro de 2002. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 15 15 Para comprovação de que a operação financeira reflete um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 25, 26, 27 e 28). Inicialmente, temos a comprovação da posição contábil passiva ('devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente por meio do CONTRATO DE REPASSE DE EMPRÉSTIMO EXTERNO (doc. 27), firmado em 16 de abril de 2001 por BANCO ITAÚ S.A. e COMGÁS, no valor de US$ 15.198.574,84, vinculado a moeda estrangeira, com taxa de juros de 7,40% a.a.. De mesma forma, como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO ITAÚ S.A. uma operação de SWAP nos termos contidos na CONFIRMAÇÃO DE OPERAÇÃO (doc. 25) e AVISO DE LIQUIDAÇÃO DE OPERAÇÃO DE SWAP (doc. 26), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 16 de abril de 2001; 2. valor da operação: R$ 32.787.885,50; 3. vencimento: 11 de abril de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano acrescido de juros de 7,40% a.a.; 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 101,30% das taxas Dl diárias. Novamente observamos a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria (doc. 28). Os elementos apresentados conjuntamente com o suporte documental anexo comprovam que as operações de SWAP referenciadas para o mês de setembro 2002 na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" compõem operações de cobertura de exposição financeira, i.e. HEDGE, Para o mês de OUTUBRO 2002 há registro de três operações de SWAP. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 16 16 A primeira com o BANCO ITAÚ no valor de US$ 5.745.712,56 (cinco milhões, setecentos e quarenta e cinco mil, setecentos e doze reais e cinqüenta e seis centavos), referindose ao período de 06 de maio a 08 de outubro de 2002. Para comprovação de que a operação financeira reflete um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 29, 30, 31 e 32). Inicialmente, temos a comprovação da posição contábil passiva ('devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente por meio do CONTRATO DE REPASSE DE EMPRÉSTIMO EXTERNO (doc. 29), firmado em 06 de maio de 2002 por BANCO ITAÚ S/A e COMGÁS, no valor de US$ 5.745.712,56, vinculado a moeda estrangeira (cláusula segunda), com juros de 1,20% a.a.. De forma análoga, como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO ITAÚ S/A uma operação de SWAP nos termos contidos no ANEXO I ÀS CONDIÇÕES GERAIS PARA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE SWAP No 20022557 (doc. 31) e na CONFIRMAÇÃO DE OPERAÇÃO (doc. 30), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 06 de maio de 2002; 2. valor da operação: R$ 13.875.321,27; 3. vencimento: 08 de outubro de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano acrescido de juros de 1,20% 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 103,00% das taxas Dl. Mantevese a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria (doc. 32). A segunda operação de SWAP referenciada para outubro de 2002 foi negociada com o CITIBANK no valor de US$ 4.420.223,08 (quatro milhões, quatrocentos e vinte mil, duzentos e vinte e três dólares e oito centavos), durante o período de 06 de junho a 15 de outubro de 2002. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 17 17 Para comprovação de que a operação financeira reflete um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 33 e 34). A posição contábil passiva ('devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente fundase em Contrato firmado em 06 de junho de 2002 por CITIBANK e COMGÁS, no valor de US$ 4.420.223,08. Como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO CITIBANK S/A uma operação de SWAP nos termos contidos na NOTA DE NEGOCIAÇÃO SWAP (doc. 33), pór meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 06 de junho de 2002; 2. valor da operação: R$ 11.753.373,17; 3. vencimento: 15 de outubro de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano acrescido de juros de 5,12756% a.a.; 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 86,10% das taxas Dl. Mantevese a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria (doc. 34). A terceira operação de SWAP foi negociada com o BANCO VOTORANTIM no valor de US$ 569.060,40, pelo período de 23 de janeiro a 15 de outubro de 2002. Para comprovação de que a operação financeira ref um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes documento 35. A posição contábil passiva ('devedora') indexada e moeda estrangeira da Recorrente se funda em Contrato firmado em 23 de janeirc de 2002 por BANCO VOTORANTIM S/A e COMGÁS, no valor de R$ 1.206.530,04, Como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 18 18 Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO VOTORANTIM S/A uma operação de SWAP nos termos contidos no DETALHE DE OPERAÇÃO DO PARTICIPANTE 76550003 (doc. 35), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 23 de janeiro de 2002; 2. valor da operação: R$ 1.206.530,04; 3. vencimento: 15 de outubro de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano; 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 122,0% das taxas Dl. Uma vez mais, observamos a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Os elementos apresentados conjuntamente com o suporte documental anexo comprovam que as operações de SWAP referenciadas para o mês de outubro 2002 na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" compõem operações de cobertura de exposição financeira, i.e. HEDGE. Para o mês de NOVEMBRO 2002 há registro de três operações de SWAP, sendo uma com o BANCO CITIBANK S.A. e duas com o BANCO DO BRASIL S.A.. A primeira operação de SWAP referenciada para novembro foi negociada com o CITIBANK S.A. no valor de R$ 23.054.806,72 (vinte e três milhões, cinqüenta e quatro mil, oitocentos e seis reais e setenta e dois centavos), cujas características particulares apresentamos a seguir. Para comprovação de que a operação financeira reflete um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 36 e 37). A posição contábil passiva ('devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente se funda em Contrato firmado em 04 de setembro de 2002 por CITIBANK N.A. e COMGÁS, no valor de US$ 7.488.244,35 (sete milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil, duzentos e quarenta e quatro dólares e trinta e cinco centavos). Como as receitas operacionais geradas pela Recorrente são referenciadas exclusivamente a moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. A jn Para minimização cieste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o CITIBANK S.A. uma operação de SWAP nos termos contidos na NOTA DE NEGOCIAÇÃO SWAP A TERMO (doc. 36), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo Fl. 18DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 19 19 em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 04 de setembro de 2002; 2. valor da operação: R$ 23.054.806,72; 3. vencimento: 25 de novembro de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano acrescido de juros de 32,01% a.a.; 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 105,50% das taxas Dl diárias. Novamente observamos a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria anexa (doc. 37). Quanto à primeira operação financeira com o BANCO DO BRASIL S.A., devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 38, 39 e 40) para comprovação de que reflete mecanismo de hedge. A comprovação da posição contábil passiva ('devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente fazse por meio do CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO FIXO N° 21/00061l(doc. 38), firmado em 05 de agosto de 2002 por BANCO DO BRASIL S.A. ('financiador') e COMGÁS ('financiado'), no valor de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais), correspondentes a ¥ 501.936.039 (quinhentos e um milhões, novecentos e trinta e seis mil, trinta e nove ienes) (cláusula primeira), com objetivo de 'financiamento para aquisição de bens e serviços realizados pelo financiado junto aos fornecedores' (cláusula segunda), indexação do valor de pagamento è taxa de conversão de reais para ienes (cláusula terceira), juros sobre valor em moeda estrangeira à taxa de 1,05% a.a. (um inteiro e cinco centésimos de por cento ao ano) (cláusula sexta), e prazo de 91 dias, correspondente a vencimento em 04 de novembro de 2002 (cláusula décima). Para minimização do risco cambial (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO DO BRASIL uma operação de SWAP nos termos contidos no CONTRATO DE SWAP SEM CAIXA RESOLUÇÃO 2770 IENE x Dl (doc. 39), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos do CONTRATO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 05 de agosto de 2002; 2. valor da operação: R$ 14.000.000,00; Fl. 19DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 20 20 3. vencimento: 04 de novembro de 2002; 4. indexador do pólo ativo ('VCAM'): variação da cotação do iene japonês acrescido de juros a 1,05% a.a.; 5. indexador do pólo passivo ('VDI'): valor acumulado de 105% das taxas Dl diárias. A estratégia da Recorrente, novamente, foi acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do iene japonês frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao iene japonês durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao iene japonês. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria anexa (doc. 40). No que tange à segunda operação junto ao BANCO DO BRASIL S.A., para comprovação de que reflete mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 41, 42 e 43). Inicialmente, temos a comprovação da posição contábil passiva í'devedora'1 indexada a moeda estrangeira da Recorrente por meio do CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO FIXO N° 21/000646 (doc. 41), firmado em 08 de agosto de 2002 por BANCO DO BRASIL S.A. ('financiador') e COMGÁS ('financiado'), no valor de R$ 6.000.000 (seis milhões de reais), correspondentes a ¥ 225.878.101 (duzentos e vinte e cinco milhões, oitocentos e setenta e oito mil, cento e um ienes) (cláusula primeira), com objetivo de 'financiamento para aquisição de bens e serviços realizados pelo financiado junto aos fornecedores' (cláusula segunda), indexação do valor de pagamento à taxa de conversão de reais para ienes (cláusula terceira), juros sobre valor em moeda estrangeira à taxa de 1,05% a.a. (um inteiro e cinco centésimos de por cento ao ano) (cláusula sexta), e prazo de 90 dias, correspondente a vencimento em 06 de novembro de 2002 (cláusula décima). Para minimização do risco cambial (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO DO BRASIL uma operação de SWAP nos termos contidos no CONTRATO DE SWAP SEM CAIXA RESOLUÇÃO 2770 IENE x Dl (doc. 42), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial, e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos do CONTRATO DE SWAP incluem: 6. data da operação: 08 de agosto de 2002; 7. valor da operação: R$ 6.000.000,00; 8. vencimento: 06 de novembro de 2002; 9. indexador do pólo ativo ('VCAM'): variação da cotação do iene japonês acrescido de juros a 1,05% a.a.; 10.indexador do pólo passivo ('VDI'): valor acumulado de 105% das taxas Dl diárias. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 21 21 A estratégia da Recorrente, novamente, foi acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do iene japonês frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao iene japonês durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao iene japonês. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria anexa (doc. 43). Os elementos apresentados conjuntamente com o suporte documental anexo comprovam que as operações de SWAP referenciadas para o mês de novembro 2002 na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" compõem operações de cobertura de exposição financeira, i.e. HEDGE. Para o mês de DEZEMBRO 2002 há registro de uma operação de SWAP com o BANCO BRADESCO no valor de R$ 9.775.918,26 (nove milhões, setecentos e setenta e cinco mil, novecentos e dezoito reais e vinte e seis centavos), cobrindo o período de 20 de setembro a 19 de dezembro de 2002. Para comprovação de que a operação financeira reflete um mecanismo de hedge, devemos considerar as informações constantes nos documentos anexos (docs. 44, 45 e 46). Inicialmente, temos a comprovação da posição contábil passiva ('devedora') indexada a moeda estrangeira da Recorrente por meio da NOTA DE CRÉDITO COMERCIAL (doc. 45), firmado em 20 de setembro de 2002 por BANCO BRADESCO S.A. e COMGÁS, no valor de R$ 9.775.918,26, com objetivo de 'financiamento de seu capital fixo e/ou de movimento', indexação do valor de pagamento à taxa de conversão de reais para dólares norteamericanos, juros sobre valor em moeda estrangeira à taxa de 20% a.a. (vinte por cento ao ano), e vencimento em 19 de dezembro de 2002. Como exaustivamente afirmado, sendo as receitas operacionais geradas pela Recorrente referenciadas exclusivamente a • moeda nacional (reais), a existência da posição contábil passiva indexada a moeda estrangeira representa uma exposição financeira em caso de volatilidade da cotação do dólar norteamericano em relação ao real brasileiro. Para minimização deste risco (mecanismo de cobertura ou hedge), a Recorrente negociou com o BANCO BRADESCO S.A. uma operação de SWAP nos termos contidos no BOLETO DE CONFIRMAÇÃO DE SWAP (doc. 44), por meio da qual a Recorrente assume posição financeira contrária ao risco originado pelo empréstimo em moeda estrangeira, ou seja, apresenta pólo ativo indexado à variação cambial e pólo passivo indexado à taxa de juros do mercado brasileiro ("taxa CDI"). Os termos da OPERAÇÃO DE SWAP incluem: 1. data da operação: 20 de setembro de 2002; 2. valor da operação: R$ 9.775.918,26; 3. vencimento: 19 de dezembro de 2002; 4. indexador do pólo ativo: variação da cotação do dólar norteamericano acrescido de juros de 20,0% a.a.; Fl. 21DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 22 22 5. indexador do pólo passivo: valor acumulado de 105% das taxas Dl diárias. Novamente observamos a estratégia da Recorrente de acertar um mecanismo financeiro de cobertura sobre sua posição contábil de exposição ao risco de volatilidade de cotação do dólar norteamericano frente ao real brasileiro. O SWAP, portanto, é parte de uma operação de HEDGE. Nesse sentido, em caso de uma desvalorização do real brasileiro frente ao dólar norteamericano durante o período do SWAP, esta variação representaria um valor de 'ganho', i.e. um acerto financeiro positivo para a Recorrente na liquidação da operação de SWAP. Ao valor de 'ganho' eqüivaleria uma 'perda' por conta de correção cambial associada à posição passiva (devedora) relacionada ao empréstimo indexado ao dólar norteamericano. Esta compensação pode ser efetivamente observada na Planilha da Tesouraria anexa (doc. 46). Os elementos apresentados conjuntamente com o suporte documental anexo comprovam que as operações de SWAP referenciadas para o mês de dezembro 2002 na planilha "Composição das Operações de Empréstimo com SWAP (com finalidade de Hedge)" compõem operações de cobertura de exposição financeira, i.e. HEDGE. Diante do exposto, resta comprovado que as operações de SWAP efetuadas pela Recorrente, objeto da presente fiscalização, constituíram efetivamente operação de cobertura (hedge) e, portanto, que a tributação dos ganhos nas operações de cobertura sem se considerar as perdas havidas nas operações que se buscou proteger é ilegal. Analisei as justificativas acima, em confronto com a documentação apresentada e formei convencimento de que cabe razão ao contribuinte, estando comprovada as perdas, bem como o atendimento ao disposto no art. 32 da Instrução Normativa SRF 25/2001, supra citada. Pelo exposto, cumpre também cancelar a tributação deste item. 3 – Ajuste de Inventário Este item da autuação foi confirmado em 1a. instancia pelas razões a seguir transcritas do acórdão recorrido: De acordo com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, no decorrer da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar a documentação probante das perdas escrituradas na conta 61110303, no valor de R$ 1.858.296,00, o que não foi feito. Diante disso, a fiscalizada foi autuada, a teor do que dispõe o artigo 291, inciso II, alínea “c”, do RIR/1999. Transcrevase o referido normativo: Art. 291. Integrará também o custo o valor (Lei nº 4.506, de 1964, art. 46, incisos V e VI): I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: Fl. 22DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 23 23 a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. Pela dicção do dispositivo acima, a legislação fiscal determina expressamente que somente as perdas reais ou efetivas podem ser consideradas como custo, sendo necessária a prova prescrita em lei, qual seja, laudo de autoridade fiscal solicitada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. Na fase impugnatória, aduz a defendente que efetuou ajuste em seu inventário em virtude de perdas no transporte e manuseio e que, nos termos do inciso I, acima, são passíveis de serem deduzidas, sem a necessidade de certificado da autoridade fiscal, como afirma o autuante. Entretanto, a fim de se caracterizar que as perdas narradas pela interessada não se inserem nas hipóteses previstas no inciso II, do artigo 291 do RIR/1999, imprescindível a sua comprovação. A dedutibilidade do valor correspondente torna se possível se demonstrada, em primeiro lugar, a presença de condições objetivas que atestem a ocorrência cabal dessa perda. Ressaltese que o valor escriturado deve ser comprovado por documentos hábeis e idôneos, nos termos do artigo 923 do mesmo regulamento. Indispensável ainda a comprovação de que as perdas se decorrentes do processo produtivo, transporte e manuseio, como alega a impugnante estavam dentro do limite de razoabilidade prevista no dispositivo legal citado. Pois, apesar da nova oportunidade oferecida na fase impugnatória, não laborou a defendente sequer em oferecer as provas materiais da ocorrência dessas perdas. Também nesse caso, a alegada planilha elaborada sobre a relação dos bens perdidos deixou de ser anexada ao processo, conquanto, frisese, tal apresentação não dispensasse a exibição de elementos comprobatórios já citados. Na peça recursal a contribuinte reafirma as alegações de que as perdas são razoáveis (R$1,8 milhões, sendo que os custos totais contabilizados chegou a 370 milhões, valor este que não foi objeto de questionamento pela fiscalização). Aduz, ainda, que a lei não exige laudo ou certificado para comprovação dessas perdas, haja vista a natureza das mesmas, conforme relação juntada à peça recursal (fls. 707 a 726 dos autos), comprovando que se enquadram no inciso I e não no inciso II do art. 291 do RIR/99. Ocorre que o contribuinte foi regularmente intimado no transcurso da auditoria fiscal a justificar e comprovar tais perdas. Todavia, conforme registrado no termo de verificação fiscal, fl. 221, sequer apresentou a discriminação desse valor. Somente agora, no recurso voluntário, a contribuinte apresenta uma relação com centenas de itens, fls. 707 a 726, cujo valor total se aproxima ao glosado. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 24 24 Analisei tal relação e formei convencimento de que não pode ser aceita para justificar as perdas, pois, tratase de uma listagem desprovida de qualquer conexão com a contabilidade da empresa, em especial ao Livro Registro de Inventário, que à luz do art. 260, inciso I e §2o., é revestido de formalidades e deve ser registrado na Junta Comercial. Não foi apresentado sequer prova da compra dos itens contidos em tais relações, ainda que por amostragem. O contribuinte deveria ter apresentado essa listagem durante a auditoria fiscal, possibilitando as verificações do fisco. O fato de haver pertinência e razoabilidade nas perdas não dispensa a comprovação, cujo ônus é do contribuinte. Mantenho, pois a glosa. 4) Multa de Oficio. Juros de Mora. Confisco. A contribuinte alega que as exigências da multa de oficio de 75% e dos juros de mora , a taxa Selic, são confiscatórios. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 24DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004336/200754 Acórdão n.º 140200.593 S1C4T2 Fl. 25 25 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, cabível a incidência de multa de oficio e a taxa Selic, sobre eventuais créditos tributários relativos aos valores remanescentes da tributação. 5 – Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento parcial ao recurso de voluntário, mantendo tão somente a tributação da glosa de perdas no valor de R$ 1.858.296,00 (IRPJ e CSLL), (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 25DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 16004.001135/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA.
O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime torna-se obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral.
PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA.
São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizar-se de evidências narradas em inquérito policial.
CRIAÇÃO DE EMPRESAS DE FACHADA COM QUADRO SOCIAL COMPOSTO DE "LARANJAS".
Representa fraude tributária a criação de pessoa jurídica optante pelo Simples, registrada em nome de "laranjas", unicamente com o fim de formalizar mão-de-obra utilizada por empresa submetida à sistemática normal de pagamento de tributos, de modo a reduzir o recolhimento das contribuições sociais.
PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE TRIBUTÁRIA. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
Verificando-se a ocorrência de fraude tributária, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
CONTRIBUIÇÕES DESTINADA AOS TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Conforme entendimento expresso na IN SRP n.º 03/2005 e na IN RFB n.º 971/2009, a responsabilidade solidária não se aplica às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.
Recursos Voluntários Providos em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência e, no mérito, dar provimento parcial aos recursos para excluir a responsabilidade solidária das pessoas arroladas pelo Fisco, permanecendo no polo passivo apenas a autuada.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime tornase obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA. São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizarse de evidências narradas em inquérito policial. CRIAÇÃO DE EMPRESAS DE FACHADA COM QUADRO SOCIAL COMPOSTO DE "LARANJAS". Representa fraude tributária a criação de pessoa jurídica optante pelo Simples, registrada em nome de "laranjas", unicamente com o fim de formalizar mãodeobra utilizada por empresa submetida à sistemática normal de pagamento de tributos, de modo a reduzir o recolhimento das contribuições sociais. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE TRIBUTÁRIA. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de fraude tributária, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 35 /2 00 8- 58 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRIBUIÇÕES DESTINADA AOS TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Conforme entendimento expresso na IN SRP n.º 03/2005 e na IN RFB n.º 971/2009, a responsabilidade solidária não se aplica às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência e, no mérito, dar provimento parcial aos recursos para excluir a responsabilidade solidária das pessoas arroladas pelo Fisco, permanecendo no polo passivo apenas a autuada. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001135/200858 Acórdão n.º 2402004.844 S2C4T2 Fl. 952 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.568 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.135.3190. Lançamento A lavratura em questão referese à exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos (terceiros). Os fatos geradores contemplados no lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à autuada no período fiscalizado. Conforme o relato do fisco, a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Alerta o fisco que as contribuições descontadas dos segurados foram recolhidas e que a cota previdenciária contida nos recolhimentos efetuados sob a sistemática do Simples foi considerada na apuração. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas João Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patrícia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãode obra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurando lhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” Impugnações As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência, que teria se dado mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade Fl. 954DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001135/200858 Acórdão n.º 2402004.844 S2C4T2 Fl. 953 5 imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía com o Grupo Mozaquatro era o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Eis a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 PRAZO DECADENCIAL. INICIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal. SIMPLES. EXCLUSÃO. IRREGULARIDADES. Eventual argüição de irregularidades ocorridas na exclusão do SIMPLES devem ser formuladas nos autos do processo que trate dessa exclusão, não importando tal possibilidade, em óbice ao lançamento de contribuições decorrentes da exclusão, nem ao prosseguimento do processo administrativo fiscal decorrente. MULTA. A multa aplicada encontrase fundamentada na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e eventuais modificações decorrentes das alterações legislativas supervenientes poderão ser realizadas no momento do pagamento ou parcelamento. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTANCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 A instancia administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo, assegurandose o contraditório e a ampla defesa aos litigantes, só se podendo falar na existência de litígio após a impugnação do lançamento. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o principio da substância sobre a forma. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo auditorfiscal da RFB. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua previsão legal e à necessidade formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001135/200858 Acórdão n.º 2402004.844 S2C4T2 Fl. 954 7 Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim, não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. As contribuições relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4.º do art. 150 do CTN. A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo ao direito de defesa da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que recolhera as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. Esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, mediante a Resolução n.º 2401000.373, de 15/05/2014. Ali requereuse que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem informasse acerca da cientificação da recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal. Foi apensado ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, que trata da exclusão da empresa do regime tributário do Simples Federal. Conforme despacho à fl. 72 do mencionado processo, a empresa foi cientificada em 01/07/2008 do Ato Declaratório de Exclusão n.º 59/2008 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), e não se manifestou dentro do prazo regulamentar. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência. Nova diligência foi determinada para que os devedores fossem cientificados da informação fiscal relativa à diligência anterior. Conforme documentos acostados pelo órgão preparador a irregularidade processual foi saneada. Não houve a apresentação de novas manifestações pela empresas arroladas no polo passivo. É o relatório. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001135/200858 Acórdão n.º 2402004.844 S2C4T2 Fl. 955 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. O lançamento Conforme relatado, o lançamento referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados a serviço da notificada. A ocorrência dos fatos geradores de contribuições é incontroversa, posto que a empresa declarou em GFIP as remunerações e recolheu a contribuição dos segurados, deixando de adimplir as contribuições da empresa, por se valer da opção pelo Simples. Do relatório se extrai que em 10/06/2008 o sujeito passivo foi excluído do regime simplificado por exercer atividade incompatível. A exclusão do Simples, com efeitos retroativos a 11/06/2003, deuse mediante o Ato Declaratório Executivo ADE n.º 59, de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), que compõe o processo n.º 16004.000454/200846, o qual foi apensado ao processo sob apreciação. Observase que a empresa foi cientificada da sua exclusão do Simples em 01/07/2008, não tendo se manifestado no prazo regulamentar. Assim, ocorreu o trânsito em julgado do processo de exclusão, não cabendo a essa turma discutir sobre as questões ali tratadas. Considerandose que a única alegação questionado as contribuições lançadas referiuse à possível falta de ciência do contribuinte do ADE n.º 59, a verificação do processo de n.º 16004.000454/200846 elimina qualquer dúvida acerca da regularidade da intimação da exclusão da empresa do Simples Federal. Tal constatação me leva a concluir que as contribuições lançadas são devidas, uma vez que o principal efeito da exclusão do regime simplificado é tornar obrigatório para o sujeito passivo o recolhimento dos tributos dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. Nulidade utilização de provas obtidas em procedimento de busca e apreensão As principais conclusões do fisco acerca da responsabilidade tributária de terceiros para com o crédito lançado foram lastreadas em provas documentais obtidas em procedimentos de busca e apreensão levados à efeito na "Operação Grandes Lagos" pela Polícia Federal, Receita Federal e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 As recorrentes alegam que essas provas seriam inválidas e contaminariam todo o procedimento fiscal, acarretando na nulidade do lançamento. Alegase que, não tendo o Poder Judiciário dado a palavra final sobre a lisura do procedimento de colheita de provas no inquérito policial, os papéis ali obtidos não poderiam ter sido utilizados para fundamentar a lavratura fiscal. Não vejo como dar razão às recorrentes, posto que o fisco federal obteve autorização para extrair cópias dos documentos relativos ao processo de busca e apreensão. Não há dúvida que se a administração tributária foi oficiada pelo juízo processante a lançar as contribuições devidas em razão da fraude descoberta a partir de diligências policiais, nada mais natural de que ao fisco, para fundamentar o lançamento, fosse permitida a utilização das provas obtidas em procedimentos de busca e apreensão. Acerca dos elementos obtidos para subsidiar a ação fiscal, o fisco assim se pronunciou no Relatório de Grupo Econômico (Anexo I): "1.2.1 DOS MANDADOS JUDICIAIS NA SEGUNDA BUSCA E APREENSÃO PROCESSO N° 2007.61.24.0012673 Em conseqüência da resistência imotivada dos responsáveis pela contabilidade (na investigação inicial foram identificados como "colaboradores") e dos contribuintes —pessoas jurídicas e físicas envolvidos no Grupo Mozaquatro, em atender as requisições do fisco federal, no curso das auditorias em andamento iniciadas por força da demanda judicial foram solicitadas buscas autorizada pelo Poder Judiciário da 16.ª Vara Federal de Jales e através do processo n° 2007.61.24.0012673 em curso, foram expedidos MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO, para cumprimento em 05/10/2007, nos seguintes locais: (...) Efetuadas as buscas e apreensões, acompanhando os Mandados e o Auto Circunstanciado, foram juntados: Termos de Retenção; Nota Técnica de Autenticação —Arquivos Magnéticos; Termo de Recibo de Arquivos Digitais; Termo de Declaração, Retirada de Elementos e Lacração, referentes informações colhidas em HD ("hard disc") de computadores e documentos retidos para análise. (União doc.fls. 918 a 941 e CM4 doc.fls. 946 a 964)." Notase assim que os elementos utilizados pelo fisco para embasar o lançamento foram obtidos regularmente, sendo lícito que, dentre as provas consideradas na acusação fiscal, algumas fossem extraídas peças do inquérito policial. Todo esse conjunto probatório foi posto à disposição das pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo do lançamento, não havendo o que se falar em atropelo ao princípio do contraditório, posto que todos os interessados puderam se contrapor aos aspectos fáticos e jurídicos apresentados no relatório fiscal. Muito bem lembrado pela decisão recorrida que o procedimento fiscal é fase que precede o contencioso e ocorre a pratica dos atos de oficio necessárias à verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo e, se cabível, a constituição do crédito tributário e/ou aplicação de penalidades. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001135/200858 Acórdão n.º 2402004.844 S2C4T2 Fl. 956 11 O procedimento fiscal caracterizase como etapa oficiosa ou não contenciosa, onde a autoridade administrativa coleta dados, examina documentos, solicita esclarecimentos do contribuinte, procede à auditagem dos dados contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária. Os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização não havendo que se falar em processo. Qualquer intervenção do contribuinte tem caráter de mero cumprimento de obrigação informativa. Com a ciência do contribuinte do lançamento tributário, encerrase a fase inquisitória e, caso o contribuinte não concorde com o resultado do trabalho fiscal, tem a faculdade de dar início ao contencioso mediante a apresentação da impugnação. Nesse sentido, somente há de se falar em cerceamento ao direito de defesa quando o fisco não apresenta ao sujeito passivo a descrição fática da situação que deu ensejo ao lançamento e as provas que foram utilizadas para tal mister, impossibilitando o contribuinte de compreender a imputação na sua inteireza. Não assiste razão ao sujeito passivo quando alega a nulidade do procedimento fiscal, em razão da utilização de prova emprestada. A jurisprudência do CARF tem afastado esse entendimento como se pode ver da ementa do Acórdão n.º 2301004.269, de 04/12/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. (...) Oportuno ainda esclarecer que o fato da ação penal contra os responsáveis pela empresa não ter tido trânsito em julgado, não invalida a citação pelo fisco de trechos de relatório do inquérito policial. Embora as instâncias penais e tributárias não se confundam, a utilização de elementos do procedimento policial para fundamentar o lançamento é plenamente aceitável, desde que todos os fatos narrados e as provas produzidas sejam apresentadas pelo fisco ao sujeito passivo, de modo que este possa se defender com amplitude. Afasto, portanto, a nulidade suscitada. Decadência Na alegação recursal acerca da decadência, afirmase que a norma a ser aplicada para contagem do prazo decadencial seria o § 4.º do art. 150 do CTN, uma vez que o fisco não teria demonstrado a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 O órgão de primeira instância não aderiu a essa tese, ao contrário, entendeu ter havido fraude, dolo e simulação, posto que o fisco teria comprovado que a empresa autuada foi criada com o intuito de absorver parte da mãodeobra de empresas sujeitas à sistemática comum de pagamento de tributos, reduzindo assim o recolhimento das contribuições. Vamos à peça de acusação. Ali o fisco mencionou explicitamente que a autuada seria integrante de um grupo econômico de fato que atuava com o intuito de fraudar a Fazenda. No caso da empresa autuada, alegase que foi criada em nome de "laranjas", exclusivamente para prestar serviços para a empresa Indústrias Reunidas CMA, que se utilizava da mãodeobra daquela para reduzir o recolhimento de contribuições sociais, uma vez que os trabalhadores eram registrados na empresa indevidamente optante pelo Simples (a autuada). Para demonstrar que a Comercial Reis era de fato uma empresa de fachada, o fisco utilizou os argumentos que agora reproduzo: a) a autuada prestava serviços exclusivamente para a Indústria CMA, conforme comprovam as notas fiscais e demonstrativos acostados; b) as informações da Comercial Reis declaradas na GFIP foram enviadas pela encarregada do Departamento de Pessoal da CMA; c) declarações de vários empregados registrados formalmente pela autuada, mas que revelaram que de fato eram vinculadas à CMA. Adicionalmente, informase que o Sr. José Roberto Barbosa, sócio da Comercial Reis, aparece como empregado da CMA antes e depois do período de atividade daquela, o que é mais um forte indício da interligação entre as empresas. Diante das evidências apresentadas, as quais não foram consistentemente rebatidas nos recursos, sou forçado a reconhecer que a situação apresentada de fato configura o tipo previsto no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, assim redigido: Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. De fato, a interposição de empresa optante pelo Simples, constituída em nome de terceiros, como forma de reduzir o recolhimento das contribuições sociais inegavelmente caracteriza a fraude tributária prevista no preceptivo acima. Tendose concluído pela ocorrência de fraude, passo a ponderar sobre a suposta perda do fisco de constituir o crédito em razão da caducidade. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Fl. 962DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001135/200858 Acórdão n.º 2402004.844 S2C4T2 Fl. 957 13 Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Assim, verificase que a DRJ, diante da constatação da fraude tributária, procedeu corretamente à contagem do prazo decadencial, fixando o marco de cinco anos do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento (inciso I do art. 173 do CTN). Esse entendimento inclusive é corroborado pelo STJ, conforme se vê do AgRg no AgRg no AREsp 451350 / MG (Primeira Turma, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 01/07/2014). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. ICMS. PARECER TÉCNICO UNILATERAL. APRESENTAÇÃO INOPORTUNA.FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ART. 173, I, DO CTN. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 1. O Tribunal de origem, para decidir que o autor não se desincumbiu do ônus probatório, assentou que a produção de prova técnica deve observar procedimento próprio, sendo inoportuna a apresentação do parecer unilateral. Esse fundamento, que é autônomo e suficiente para a manutenção do acórdão recorrido, não foi especificamente impugnado nas razões do recurso especial, o que atrai o óbice da Súmula 283/STF. 2. Constatado que a Corte de origem empregou fundamentação suficiente para dirimir a controvérsia, tal como delineada na exordial, é de se afastar a alegada violação do art. 535 do CPC. 3. "O prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso tenha havido dolo, fraude ou simulação por parte do sujeito passivo, tem início no primeiro dia do ano seguinte ao qual poderia o tributo ter sido lançado" (REsp 1.086.798/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 24/04/2013). No mesmo sentido: REsp 1.340.386/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 08/03/2013; AgRg nos EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 07/11/2011; AgRg no REsp 1.044.953/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 03/06/2009. 4. Agravo regimental não provido. (grifei) Encaminho, portanto, por afastar a decadência suscitada, uma vez que a ciência mais tardia aos devedores, efetuada por edital, ocorreu em 30/12/2008, ou seja, quinze dias após a sua publicação, conforme preceitua o inciso IV do § 2.º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/1972. Considerandose que o período do lançamento foi de 07/2003 a 12/2005, não há decadência a ser reconhecida em 30/12/2008. Responsabilidade solidária Segundo entendimento da própria administração tributária expresso na Instrução Normativa IN SRP n.º 03/2005, vigente na data do lançamento, a solidariedade relativa às contribuições previdenciárias não se estenda às contribuições destinadas aos terceiros. É o que se pode ver da redação do seguintes dispositivo: Art. 178. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. § 1º A solidariedade prevista no caput não comporta benefício de ordem. § 2º Excluemse da responsabilidade solidária: I as contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos; Fl. 964DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001135/200858 Acórdão n.º 2402004.844 S2C4T2 Fl. 958 15 (...) Essa mesma diretriz consta do inciso I do § 2.º do art. 151 da IN RFB n.º 971/2009, atualmente em vigor. Com base nas normas citadas deve ser afastada a responsabilidade atribuída a todas as pessoas físicas e jurídicas arroladas pelo fisco como devedoras solidárias, remanescendo no polo passivo apenas a autuada. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e a decadência e, no mérito, por dar provimento parcial aos recursos para excluir a responsabilidade solidária das pessoas arroladas pelo fisco, permanecendo no polo passivo apenas a autuada. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000055/2001-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1987 a 31/07/1989
QUOTAS DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÕES DE CAFÉ. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, inequívoco que o direito de o contribuinte pleitear, em 04/05/2001, restituição/compensação dos valores recolhidos a título de quota café, relativo ao período de maio de 1987 a julho de 1989, encontra-se prescrito.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado para, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado para, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, inequívoco que o direito de o contribuinte pleitear, em 04/05/2001, restituição/compensação dos valores recolhidos a título de quota café, relativo ao período de maio de 1987 a julho de 1989, encontrase prescrito. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado para, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 55 /2 00 1- 68 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13832.000055/200168 Acórdão n.º 9303003.139 CSRFT3 Fl. 275 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Nanci Gama, deixou o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para fins de formalização deste acórdão adoto o relatório e voto da Conselheira Nanci Gama, entregue à Secretaria da CSRF por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 56, inciso II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes vigente a época, combinado com os artigos 7º, inciso II, e 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face ao acórdão de nº 30239.166, o qual negou provimento ao recurso voluntário para entender que o prazo para repetição de indébito é 10 (dez anos), de acordo com o entendimento da jurisprudência do STJ. Amparado em decisões divergentes, o contribuinte insurge em seu recurso especial sustentando o seu direito de pleitear a restituição dos valores relativos a quotas de contribuição sobre exportações de café a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 28, de 21 de junho de 2005. O recurso foi devidamente admitido conforme despacho de fls. 260/261. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13832.000055/200168 Acórdão n.º 9303003.139 CSRFT3 Fl. 276 3 Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões ao recurso do contribuinte requerendo a manutenção da decisão recorrida, ressaltando decisão do STF, com repercussão geral, acerca do prazo prescricional para o contribuinte pleitear repetição de indébito antes do advento da Lei Complementar nº 118/2005. É o relatório." Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Conheço do recurso, eis que apresentado em prazo legal e devidamente demonstrada a divergência de interpretação sobre a matéria objeto do presente recurso especial. "Considerando que segundo o artigo 62A2 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que esta Relatora reproduza integralmente o teor do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 566.621, o qual foi realizado na Sessão Plenária de 04/08/2011, no sentido de entender que a Lei Complementar 118/2005 tratou de lei nova e não de lei interpretativa, cabendo a sua aplicação tão somente a partir de 09/06/2005, ou seja, apenas a partir da vacacio legis de 120 dias somada à data da sua publicação dada em 09/02/2005. Entendeu aludida decisão, ainda, que o prazo para repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deveria ser de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, tendo em vista a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto nos artigos 150, § 4º, c/c 156, VII somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, do CTN, de acordo com o entendimento do STJ refletido no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.002.932. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, 2 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13832.000055/200168 Acórdão n.º 9303003.139 CSRFT3 Fl. 277 4 tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, em que pese o entendimento pessoal desta Relatora acerca da inaplicabilidade da tese dos 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150,§ 4º, do CTN) e mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN), cumulandose num prazo de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, mister se faz, por força do atual Regimento Interno do CARF, que a mesma a reproduza integralmente, tendo em vista que se tratou do objeto de decisão repetitiva do Superior Fl. 277DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13832.000055/200168 Acórdão n.º 9303003.139 CSRFT3 Fl. 278 5 Tribunal de Justiça e que contribuição em causa estava sujeita a lançamento por homologação. Sendo certo que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação em 04/05/2001, dos valores recolhidos a título de quota café relativo ao período de maio de 1987 a 31 de julho de 1989, seu pedido encontrase prescrito, conforme entendeu a decisão recorrida. Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, voto no sentido de negarlhe provimento." Antonio Carlos Atulim Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13846.720084/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos apontados pelo Relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos apontados pelo Relator. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
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ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE Recorrente AUGUSTO SOARES PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos apontados pelo Relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 46 .7 20 08 4/ 20 15 -9 6 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13846.720084/201596 Resolução nº 2402000.522 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da DRJ/RJO, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para manter o lançamento de ofício que alterou o saldo do imposto a restituir ajustado para R$ 0,00, conforme Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, ano calendário 2009. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, o contribuinte teria omitido rendimentos do trabalho sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 87.057,56 (fl. 27), conforme DIRF apresentada pela Secretaria de Fazenda, CNPJ/MF nº 46.377.222/0001 29. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que o referido valor seria isento, pois se referiria a proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: a) o documento de fl. 8, que veicula a concessão do benefício previdenciário pela Caixa Econômica do Estado de São Paulo, em 1983, não se prestaria para comprovar a condição de aposentado pela Secretaria de Fazenda, no anocalendário 2009; b) o laudo médico de fl. 6 não preencheria os requisitos exigidos pela legislação, pois nele não constaria o número da matrícula funcional do médico perito, conforme exigiria a SCICOSITSRFB nº 11; c) o laudo explicitaria que a moléstia teria sido contraída em 1938 e que ela não teria natureza incapacitante, pois, se assim fosse, o contribuinte não teria ingressado no serviço público e se aposentado após trinta anos de serviço; d) até 2014, o contribuinte teria informado como tributáveis a totalidade dos rendimentos recebidos da referida fonte pagadora, sem indicar parcela isenta relativa a proventos recebidos por portador de moléstia grave. Notificado da decisão em 26/06/2015, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/07/2015, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando ainda que: e) teria retificado a DIRPF 2010 pleiteando a diferença do valor da restituição do imposto; f) a fonte pagadora teria declarado os rendimentos como tributáveis, mas, em função do laudo pericial, teria solicitado a retificação; g) as cópias da declaração expedida pela Economus, da CTPS, da carta de aposentadoria e dos holerites comprovariam que ele seria aposentado; Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13846.720084/201596 Resolução nº 2402000.522 S2C4T2 Fl. 4 3 h) quanto à inexistência do número da matrícula funcional do médico perito, o próprio modelo de laudo constante do site da Receita não conteria campo destinado à respectiva informação; i) estaria anexando aos autos Declaração da Prefeitura na qual constaria o número da matrícula funcional do médico; j) a sua moléstia não seria impeditiva de seu ingresso no serviço público; k) estaria providenciando a retificação das DIRPFs exercícios 2011 a 2014. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13846.720084/201596 Resolução nº 2402000.522 S2C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da controvérsia e da necessidade de diligência Conforme se observa nos autos, a DRJ julgou improcedente a impugnação, em razão de dois argumentos primordiais: a) não comprovação de que os rendimentos seriam proventos de aposentadoria; b) irregularidade do laudo médico oficial diante da inexistência do número da matrícula funcional do médico perito. Analisandose o documento de fl. 6, contudo, percebese que ele tem a forma e o conteúdo de um laudo pericial oficial, mais precisamente do Centro de Saúde do Município de Rinópolis. Com efeito, ele traz os dados essenciais do contribuinte, do médico, assim como as observações, os estudos, os exames e o registro das conclusões, descrevendo, ainda, que o recorrente é portador de moléstia grave não passível de controle (paralisia irreversível e incapacitante ) relacionada no inc. XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, e no § 2º do art. 30 da Lei nº 9.250/95. Expressandose de outra forma, o laudo de fl. 6 preenche os requisitos do art. 30 da Lei nº 9.250, com correspondência no §4º do art 39 do RIR, e contém os elementos suficientes para formar a convicção acerca da controvérsia. Vejase: Lei nº 9.250: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. RIR: Art. 39. [...]4ºPara o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). Isto é, no meu sentir, a inexistência do número da matrícula funcional do médico perito não invalida o documento. De todo modo, em seu recurso, o recorrente trouxe aos autos a declaração firmada pela responsável da divisão pessoal do Município de Rinópolis, dando conta do número da matrícula funcional. Por se tratar de documento destinado a contrapor fato novo Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13846.720084/201596 Resolução nº 2402000.522 S2C4T2 Fl. 6 5 levantado na decisão da DRJ, e considerando que se destina a reforçar conclusão atinente à documento já constante da impugnação, deve ser deferida a sua juntada. Por outro lado, e em conformidade com a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 14, de 14 de Janeiro de 2002, vislumbro que a legislação tributária não condicionou que a doença relacionada no inc. XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88 seja incapacitante para o trabalho. Veja se, respectivamente, o teor da ementa da solução e o inteiro teor do citado dispositivo legal: Moléstias passíveis de controle A legislação tributária não condicionou a isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão por portadores das doenças passíveis de controle relacionadas na Lei 7.713/88, art. 6º, inciso XIV, a que o indivíduo esteja incapacitado para o trabalho. A isenção perdurará enquanto a pessoa física for portadora da doença, devendo ser entendido por controle da doença a sua cura (Sol. 1ª RF 14/02). Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Interpretação a contrario sensu violaria o disposto no art. 111, inc II, do CTN, segundo o qual se interpreta literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção. Noutro giro verbal, e em atenção ao caso concreto, a paralisia pode ser incapacitante, muito embora possa não ser incapacitante para o trabalho especificamente. Inexistindo restrição na norma, não compete ao intérprete criála, sob pena de invadir esfera de competência do órgão do Legislativo. Destarte, a controvérsia se restringe quanto à natureza do rendimento auferido pelo recorrente, no sentido de tratarse ou não de proventos de aposentadoria. Nesse tocante, vêse na DIRPF de fl. 32, que o recorrente não tem outro rendimento, senão aquele declarado como recebido da Secretaria de Fazenda. Os demonstrativos de pagamentos de fls. 9 e seguintes, por sua vez, revelam que os rendimentos ali retratados são efetivamente devidos em função de aposentadoria, a qual teria ocorrido em 1983 (fls. 8 e 18). Já a CTPS de fl. 17 revela que o recorrente não tinha outro vínculo de emprego, senão aquele que teria dado origem à aposentadoria, de custeio da Secretaria de Fazenda. Por fim, a declaração de fl. 55, não firmada pelo instituto declarante, também daria conta da natureza do valor percebido pelo recorrente. Em resumo, há fortes indícios de que os valores são efetivamente proventos de aposentadoria. Contudo, e até porque a declaração de fl. 55 não está adequadamente firmada, não se pode fazer tal afirmação estreme de dúvidas. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13846.720084/201596 Resolução nº 2402000.522 S2C4T2 Fl. 7 6 Nessa toada, por força do princípio da verdade real, e considerando que o recorrente nem mesmo está assistido por advogado, entendo viável converter o julgamento em diligência, a fim de se apurar, com segurança, se os valores pagos pela Secretaria de Fazenda são proventos de aposentadoria. A título de sugestão, essa providência pode ser levada a cabo perante o Instituto de Seguridade Social Economus. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720059/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO.
Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. São indedutíveis as despesas com alimentação dos funcionários e do contribuinte.
GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. CORTE DE FLORESTA.
O recebimento de valores decorrentes de contrato de cessão de direitos para o corte de floresta, quando se trata de pessoa física, configura uma das hipóteses de alienação legalmente previstas e encontra-se sujeita à apuração de ganho de capital.
MULTADE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14).
Numero da decisão: 2202-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em relação à glosa das despesas da atividade rural, por unanimidade, negar provimento ao recurso; quanto ao ganho de capital, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que davam provimento nessa matéria; em relação à multa de ofício, por unanimidade de votos, dar provimento para desqualificá-la, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. São indedutíveis as despesas com alimentação dos funcionários e do contribuinte. GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. CORTE DE FLORESTA. O recebimento de valores decorrentes de contrato de cessão de direitos para o corte de floresta, quando se trata de pessoa física, configura uma das hipóteses de alienação legalmente previstas e encontra-se sujeita à apuração de ganho de capital. MULTADE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação à glosa das despesas da atividade rural, por unanimidade, negar provimento ao recurso; quanto ao ganho de capital, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que davam provimento nessa matéria; em relação à multa de ofício, por unanimidade de votos, dar provimento para desqualificá-la, reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. São indedutíveis as despesas com alimentação dos funcionários e do contribuinte. GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. CORTE DE FLORESTA. O recebimento de valores decorrentes de contrato de cessão de direitos para o corte de floresta, quando se trata de pessoa física, configura uma das hipóteses de alienação legalmente previstas e encontrase sujeita à apuração de ganho de capital. MULTADE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação à glosa das despesas da atividade rural, por unanimidade, negar provimento ao recurso; quanto ao ganho de capital, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que davam provimento nessa matéria; em relação à multa de ofício, por unanimidade de votos, dar provimento para desqualificála, reduzindoa ao percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 59 /2 01 1- 56 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório da decisão de primeira instância, que sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento. Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 2.971.241,47 (dois milhões, novecentos e setenta e um mil, duzentos e quarenta e um reais e quarenta e sete centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ATIVIDADE RURAL, GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL e OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL na alienação de bens e direitos do contribuinte acima, anoscalendário 2006 e 2007, sendo R$ 1.093.828,39 referentes ao imposto, R$ 1.407.630,82 referentes a multa proporcional e R$ 469.782,26 aos juros, conforme fundamento legal especificado em fls. 940, 941 e 943, consubstanciado no Auto de Infração de fl. 873 a 952. 2. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação Fiscal (fls 854 a 872) e nos dá conta de que: 2.1. FATOS RELACIONADOS A OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. O contribuinte não vinha atendendo às intimações feitas pela fiscalização, então, resolveram circularizar a SEFAZ de Mato Grosso, Rondônia, a LHS Participações Ltda, a Floresteca S/A, Cartórios, JBS S/A e a Sadia S/S. Quando verificouse os documentos apresentados pelo contribuinte fiscalizado referentes à atividade rural dos anos de 2006 e 2007, constatouse que algumas vendas não haviam sido lançadas nos referidos Livros, outras lançadas em períodos errados, e portanto, não declaradas na DIRPFs do ano de 2006 e 2007; 2.2. da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte fiscalizado referentes à atividade rural, constatouse que receitas omitidas no Livro Caixa bem como receitas que pertenciam a outro anocalendário, quanto as despesas, constatouse inclusão de despesas não dedutíveis, conforme justificativas em planilha de fls. 974 a 986; 2.3. foi elaborada planilha denominada “RECEITAS DECLARADAS, EXCLUÍDAS E OMITIDAS EM SEU LIVRO CAIXA DO ANO DE 2006” em que foram feitas as correções necessárias nos lançamentos das receitas do referido Livro Caixa, incluindo receitas omitidas ou excluindo receitas pertencentes ao período de 2007, resultando ao final receita total no ano de 2006 de R$ 2.939.732,79 e não R$ 2.632.415,93 conforme consta na DIRPF do ano de 2006 ou em seu Livro Caixa do Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.103 3 referido ano, ou seja, apurouse receita maior que a declarada no valor de R$ 307.316,86, que configura omissão de receita da atividade rural do ano de 2006; 2.4. foi elabora planilha denominada “LANÇAMENTOS DE DESPESAS EFETUADAS PELO CONTRIBUINTE EM SEU LIVRO CAIXA QUE FORAM GLOSADAS (EXCLUÍDOS) POR NÃO CONSTITUÍREM DESPESAS DEDUTÍVEIS DA ATIVIDADE RURAL DO ANO DE 2006”, em que foram feitas as correções necessárias nos lançamentos das despesas do referido Livro Caixa do ano de 2006, excluindo despesas, resultando ao final uma despesa total no ano de 2006 de R$ 2.388.137,11, e não de R$ 2.449.502,73, conforme consta na DIRPF do ano de 2006 ou em seu Livro Caixa do referido ano, ou seja, R$ 61.365,62 mais, o que configura infração no ano de 2006; 2.5. após as correções constantes dos dois itens anteriores, encontrouse o resultado correto da atividade rural par ao ano de 2006. À época da DIRPF/2006 até os dias presentes, os aplicativos da RFB (Livro Caixa da Atividade Rural e importação do referido livro para a DIRPF, ou mesmo preenchendose manualmente na DIRPF o anexo da atividade rural) aplicam automaticamente o regime mais benéfico ao contribuinte, dependente apenas dos valores de receitas e despesas informados, não existindo uma efetiva “opção”, portanto, foi aplicada essa mesma regra nos lançamentos, qual seja, o regime mais benéfico ao contribuinte; 2.6. pelas razões acima, para o ano de 2006, o resultado mais benéfico ao contribuinte é pela opção regime de Receita – Custo, que resultou R$ 551.595,68; 2.7. no que tange o anocalendário de 2007, também foi elaborada planilha denominada “RECEITAS DECLARADAS, EXCLUÍDAS E OMITIDAS EM SEU LIVRO CAIXA DO ANO DE 2007” em que foram feitas as correções necessárias nos lançamentos das receitas do referido Livro Caixa, incluindo receitas omitidas ou excluindo receitas pertencentes ao período de 2006 ou 2008, resultando ao final receita total no ano de 2007 de R$ 5.018.860,45 e não R$ 5.359,724 conforme consta na DIRPF do ano de 2007 ou em seu Livro Caixa do referido ano, ou seja, apurouse receita a menor que a declarada no valor de R$ 304.863,55, que configura excesso de receita da atividade rural do ano de 2007; 2.8. foi elabora planilha denominada “LANÇAMENTOS DE DESPESAS EFETUADAS PELO CONTRIBUINTE EM SEU LIVRO CAIXA QUE FORAM GLOSADAS (EXCLUÍDOS) POR NÃO CONSTITUÍREM DESPESAS DEDUTÍVEIS DA ATIVIDADE RURAL DO ANO DE 2007 OU INCLUÍDAS DESPESAS LANÇADAS POR ERRO EM 2006”, em que foram feitas as correções necessárias nos lançamentos das despesas do referido Livro Caixa do ano de 2007, excluindo despesas, resultando ao final uma despesa total no ano de 2007 de R$ 2967.052,17, e não de R$ 5.117.508,00, conforme consta na DIRPF do ano de 2007 ou em seu Livro Caixa do referido ano, ou seja, R$ 2.150.455,83 a mais, o que configura infração no ano de 2007 2.9. após as correções constantes dos dois itens anteriores, encontrouse o resultado correto da atividade rural para o ano de 2007, onde chegouse ao resultado mais benéfico ao contribuinte pelo regime de arbitramento (Receita x 20%), que resultou R$ 1.003.772,09 a título de atividade rural, portanto, o contribuinte omitiu R$ 761.556,09 (R$ 1.003.772,09 – R$ 242.216,00 – valor declarado); 2.10. FATOS RELACIONADOS AO GANHO DE CAPITAL OCORRIDO PELA VENDA, EM 30/01/2005, DE PARTE (332,75ha) DA FLORESTA DE TECA QUE FOI PARCIALMENTE RECEBIDA EM VÁRIOS ANOS INCLUSIVE 2006 E 2007. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 2.11 a Fazenda Duas Lagoas fica situada no município de Cáceres/MT e possuía uma área total de 9.738,24 hectares, consubstanciada em três matrículas, de nºs 9.161 (com 4.539,80 hectares), 9.162 (com 4.538 hectares) e 22.070 (com 660,2490 hectares); 2.12 em 12/01/2001 a LHS “arrendou” em forma de usufruto, do contribuinte fiscalizado uma área de 4.164,6 hectares da Fazenda Duas Lagoas para plantar a Floresta de Teca (madeira nobre), e em contrapartida o contribuinte fiscalizado receberia na forma de usufruto uma parte da floresta que foi plantada, a título de remuneração pelo período em que a LHS iria se beneficiar da Floresta de Teca, que possui um período longo de crescimento, por volta de 20 a 25 anos; 2.13 a LHS em 2001 e 2002 efetuou a plantação da Floresta de Teca na Fazenda Duas Lagoas, em um área de 3.711,28 hectares, dentro de uma área maior de 4.164,6 hectares. Dessa área de usufruto desmembrouse 688,5 hectares em que foram plantados a Floresta de Teca a título de remuneração (arrendamento pelo uso da terra do período da plantação até sua extração) ao contribuinte fiscalizado. Desta forma, a LHS possuía 3.002,78 hectares de Floresta de Teça e o contribuinte fiscalizado 688,5 hectares de Floresta de Teça. Toda a Floresta de Teca foi exclusivamente mantida pela LHS (fato declarado pelo próprio João Felix Pereira Neto nos referidos contratos de cessão das florestas); 2.14. em 05/03/2004, conforme Instrumento Particular – Cessão de Direitos, a Floresta S/A adquiriu parte da Floresta de Tca do contribuinte fiscalizado, ou seja, 355,75 hectares, pelo valor de R$ 6.200.000,00, a serem pagos parte à vista e parte à prazo; 2.15 o contribuinte fiscalizado não declarou e não apurou ganho de capital desta venda. Restaram apenas 332,75 hectares de Floresta de Teca a serem vendidos pelo contribuinte fiscalizado. Com essa aquisição a LHS e a Floresteca S/A possuíam juntas 3.378,53 hectares da Floresta de Teca. Nessa data (05/03/2004) ocorreu a venda parcial da Fazenda Duas Lagoas para LHS, com recebimento para janeiro de 2005, de 7.278,3081 hectares, ou seja 74,739% de toda a área da Fazenda Duas Lagoas; 2.16. posteriormente, em 30/01/2005, o contribuinte fiscalizado vendeu o restante da Floresta de Teca, ou seja, 332,75 hectares novamente à Floresteca S/A, pelo valor de R$ 11.500.0000,00, a serem pagos em 4 parcelas (iguais) de R$ 2.875.000,00 todo dia 30 de janeiro dos anos 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme contrato de cessão datado de 30/01/2005, pagamentos que posteriormente e efetivamente ocorreram em outras datas. O contribuinte, novamente, não declarou e não apurou ganho de capital destas vendas (regime de caixa recebimentos). São estes recebimentos referentes aos anos 2006 e 2007 que estão sendo tributados neste auto de infração, já tendo sido tributados os recebimentos do ano de 2005 e ainda serão tributados os recebimentos do ano de 2008; 2.17. esclarece que na venda da propriedade rural (Fazenda Duas lagoas) a Floresta de Teca plantada na área não foi negociada com a LHS (apenas foi negociada a terra nua desta área) pois pertencia a LHS, e a Floresta de Teca que pertencia ao contribuinte fiscalizado foi negociada à parte, por cessão de direitos à Floresteca S/A, que estão sendo (e será em outro período 2008) tributados como ganho de capital; 2.18. o contribuinte fiscalizado em momento algum de sua DIRPF dos anos calendário de 2005 a 2008 declara ter direito ou ter recebido valores da segunda parte da Folresta de Teca ( 332,75 hectares que foi objeto de usufruto) datado de 3101/2005 qual seja, R$ 11.500.000,00 (venda parcelada), ou seja, omitiu tais recursos de sua DIRPF, intencionalmente, Conforme “Demonstrativo de valores recebidos pela venda da propriedade rural (Faz. Duas lagoas) e pela venda da Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.104 5 Floresta de Teca”, em anexo, nos anos 2006 a 2007 ele recebeu, parcialmente, R$5.250.470,00 por esta venda. Este valor também não consta dos seus Livros Caixas da Atividade Rural. Da análise das DIRPFs dos anoscalendário de 2005 a 2008 (anos em que há recebimentos dessa venda), também não constam direito ou ter recebido valores da segunda parte da Floresta de Teca, fato que denota continuidade delitiva intencional, ou seja, essa venda de floresta, sujeita a ganho de capital, nunca seria tributada por ele. 2.19. omissão intencional que também existiu na DIRPF do anocalendário de 2004, quando da venda da primeira parte da Floresta de Teca (355,75 hectares, que também foi objeto de usufruto) que também havia sido vendida para a Floresteca S/A, pelo valor que consta do contrato, datado de 05/03/2004, qual seja, R$ 6.200.000,00 ( venda parcelada, que com os acréscimos totalizou R$ 7.058.586,98, mas totalmente paga em 2004, com descontos de adiantamentos ocorridos em 2000 e 2001), ou seja, omitiu tais recursos de suas DIRPFs dos anoscalendário 2004, 2000 e 2001, mas, para estes períodos já ocorreu a decadência; 2.20. pelo exposto, o contribuinte deveria ter tributado as vendas da Floresta de Teca como Ganho de Capital, o que não fez. Para demonstração dos valores corretos a serem tributados da segunda venda parcial da Floresta de Teca foi elaborada planilha, pela fiscalização, que demonstra o custo proporcional aplicado a referida floresta para a parte vendida (332,75 hectares) em 2005. Analisando a Escritura Pública de Instituição de Usufruto com Reserva de Áreas Rurais e Outras Avencas, datada de 12/01/2001, constatase que o valor pela Instituição do Usufruto seria de R$ 200,00 (fls. 69 a 73) por hectares plantado, lembrando que este valor foi recebido. Desta forma, a fiscalização atribuiu como custo a referida Floresta de Teca o valor de R$ 200,00 por hectare de Terra Plantado com Teca, e pertencente ao contribuinte fiscalizado, qual seja, os 688,5 hectares, que posteriormente foram vendidos à Floresteca S/A em duas vezes. Como foram tributados apenas os 332,75 hectares, já que a tributação da primeira venda está decaída, chegouse ao custo de R$ 66.550,00 (332,75 hectares * R$200,00 por hectare): A – Valor por hectare de Floresta de Teca plantada = 200,00; B – Total da área, em hectares, de Floresta Teca vendida em 2005 = 332,75; C – A*B = Custo da área de Teca vendida em 2005 = 66.550,00; D – Valor total da venda constante do instrumento particular de compra e venda de 2005, dos 332,75 hectares de Floresta de Teca = 11.500.000,00; 2.21. os cálculos dos valores dos ganhos de capital ocorridos em cada recebimento estão presentes na planilha anexa denominada de “DEMONSTRATIVO DE RECEBIMENTOS (2006 a 2008) PELA VENDA DA FLORESTA DE TECA OCORRIDA EM 30/01/2005, E DO GANHO DE CAPITAL APURADO NESSES RECEBIMENTOS MENSAIS; 2.22. MULTA QUALIFICADA, DOLO, SONEGAÇÃO E CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. Ficou demonstrado o dolo por parte do contribuinte fiscalizado ao não apurar e recolher o ganho de capital devido, pois ocultou informações a respeito da venda da Floresta de Teca, além de deixar de preencher o Anexo de Ganho de Capital, fatos que culminaram na aplicação da multa de ofício qualificada, com percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), e se deve ao dolo, onde ficou comprovada a sonegação fiscal reiterada por parte do contribuinte, num período de pelos 8 anos Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 2.23. o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, prescreve os percentuais das multas a serem aplicadas. Sendo certo que o relato acima, juntamente com as provas acostadas aos autos, demonstram e comprovam que o contribuinte fiscalizado praticou dolosamente sonegação fiscal; 2.24. o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, independentemente de outras penalidades criminais cabíveis, se refere aos crimes contra a ordem tributária que o caso também comporta, sendo certo que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais relacionada aos referidos crimes; 2.25. restou evidenciado da ação do contribuinte que o mesmo tentou impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador (conceito de sonegação) dos Ganhos de Capital devidos, ao não apresentar os documentos e esclarecimentos exigidos, ao apresentar a DIRPF dos anos de 2006 e 2007 com informações inverídicas, omitidas e inexatas, bem como suprimiu e reduziu o imposto de renda devido, omitindo informação (sobre a venda da Floresta de Teca na DIRPF e sobre os recebimentos pela mesma), enquadrandose também no conceito de Crime Contra a Ordem Tributária; 3. O Auto de Infração foi lavrado em 20/07/2011, tomando o autuado ciência em mesma data, pessoalmente (fl. 908), ingressou com a impugnação através de seu advogado (procuração de fl. 929), em 19/08/2011 (fls. 915 a 927), anexando os documentos de fls. 929 a 1049, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: 3.1. ser desnecessário ressaltar a relevância da atividade humana para desenvolvimento de atividade rurais, de modo que a subsistência dos recursos humanos certamente há que ser contabilizado para fim de se apurar o resultado tributável da atividade; 3.2. a exclusão das despesas com subsistência dos funcionários da atividade rural seria equivalente a não computar as despesas com combustível utilizado para mover os veículos de uma empresa de transporte; 3.3. na mesma lógica acima apresentada encontrase artigo 13, VII, §1º, da lei 9.249/1995, que inclui as despesas de alimentação dos funcionários das pessoas jurídicas no computo de apuração dos lucros; 3.4. perfeitamente aplicável à atividade rural, portanto, a lógica presente na norma supra sob pena de tratamento antiisonômico para com a atividade rural, eis que a tributação da mesma, também se dá por meio da apuração do binômio receita e despesas; 3.5. o Regulamento do Imposto de Renda, em sua seção VII, ao tratar da apuração dos rendimentos da atividade rural não apresenta um rol taxativo de despesas dedutíveis para apuração da base de cálculo do tributo, afirmando apenas que serão deduzidas aquelas despesas essenciais à a manutenção da fonte produtora; 3.6. resta inequívoco que as despesas com a manutenção das fazendas e a subsistência dos funcionários devem incluir o computo de apuração do resultado da atividade rural, nos moldes do artigo 63 do mesmo diploma legal; 3.7. NO TOCANTE A FLORESTA DE TECA. Ressalta que a tributação dos valores percebidos deveria se dar nos moldes de resultado da atividade agrícola; 3.8. antes de a área destinada à plantação da Floresta de Teca, denominada Fazenda Duas Lagoas, ser arrendada para a empresa LHS PARTICIPAÇÕES Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.105 7 LTDA., não era abandonada, tampouco subutilizada, possuindo grande valor comercial, e era explorada ativamente pelo contribuinte; 3.9. entretanto, movido pelo furor provocado pelo setor madeireiro, e a possibilidade de um grande retorno financeiro a longo prazo, o contribuinte viuse tentado a destinar parte de sua propriedade ao cultivo da espécie vegetal Tectona grandis (Teca) 3.10. desprovido de conhecimentos técnico sobre o assunto, o contribuinte optou por realizar uma parceria comercial para com a empresa LHS PARTICIPAÇÕES LTDA.; 3.11. em referida parceria, o contribuinte ofereceria grande área já pronta para o cultivo das espécies vegetais, eis que possuía uma fazenda formada, e , portanto, desmatada; enquanto sua parceira realizaria o plantio e manutenção da floresta; 3.12. considerando que o contribuinte não teria qualquer dispêndio financeiro, o percentual de floresta destinada à sua pessoa era significativamente menor do que aquele correspondente à empresa LHS PARTICIPAÇÕES LTDA.; 3.13. a despeito de não haver custos com a manutenção da floresta, é inequívoco que o contribuinte deixaria de exercer a atividade pecuária na área destinada ao plantio, bem como sacrificaria o investimento ali realizado a título de formação de pastagem; 3.14. resta ainda mais evidenciado o caráter de parceria da atividade ao se verificar que não há remuneração fixa pelo transcurso do prazo de 26 anos até o desmate raso da Floresta de Teca, sendo que o contribuinte e sua parceira dividiriam o resultado da atividade. O que existe é tão somente um ínfimo adiantamento da produção a título de capitalização do contribuinte; 3.15. em que pese os argumentos de que não haveria que se considerar a plantação de Teca como atividade rural do contribuinte pelo fato de que o mesmo não despenderia diretamente recursos na plantação e manutenção da Floresta, é inequívoco que este deixava de perceber os recursos provenientes da pecuária a título de possibilitar a plantação da floresta pela sua parceria mais experiente e capitalizada; 3.16. prossegue o impugnante, não se pode ouvidar (sic) ainda que o risco da atividade não era tão somente da empresa LHS PARTICIPAÇÕES LTDA., mas também do contribuinte, uma vez que esse não era remunerado pela utilização da área, mas sim teria participação somente quando do corte das árvores. Ou seja, o retorno do investimento do contribuinte estava diretamente ligado ao sucesso da plantação; 3.17. o contrato firmado entre as partes é claro no sentido de que pagamento do “arrendamento” se daria por parcela da produção, a qual já havia sido pré determinada; 3.18. a cláusula quinta do mesmo contrato ainda afirma que no caso de eventuais intempéries que impossibilitem o aproveitamento da madeira, o contrato se resolve sem direito a qualquer indenização e, assim sendo, o contribuinte está sujeito ao risco do negócio; 3.19. resta claro, diz, o caráter de parceria da atividade rural exercida entre o contribuinte e a LHS PARTICIPAÇÕES LTDA., devendo a tributação do resultado Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 da atividade ser submetida a tributação sobre o resultado da atividade rural, como bem determina o artigo 13º da lei 8.023/1990; 3.20. argumenta que, é bem sabido que a legislação tributária deve respeitar os institutos do direito civil, sendo verdade a alteração de seus conceitos para ampliar o alcance da tributação; 3.21. independente da nomenclatura utilizada pelos contratos firmados entre particulares, há que se perquerir acerca de sua real materialidade de modo a que a tributação incida de maneira mais equânime; 3.22. sem prejuízo do supra exposto Código Tributário Nacional, em seu artigo 112, preconiza que as normas tributárias devem ser interpretadas de modo mais favorável ao contribuinte quando houver dúvida quanto à materialidade dos fatos envolvidos; 3.23. destarte, em que pese a nomenclatura dos contratos firmados entre as partes não se reportem ao termos parceria, a natureza da relação jurídica firmada entre as partes deixa claro a participação mútua dos contratantes para o resultado da atividade rural; 3.24. mesmo que a manutenção da Floresta tenha se dado às expensas de apenas uma parceria, não se pode olvidar que toda a formação da área foi realizada pela outra. Ainda é imperioso se observar que a simples abdicação do resultado comercial da pecuária por um prazo de 26 anos, bem como a perda do investimentos realizado em pastagens já representa um empenho de grande monta por parte do contribuinte; 3.25. nos anos de 2004 e 2005, por razões de ordem financeira, o contribuinte se viu obrigado a se desfazer paulatinamente da parceria existente para com a empresa LHS PARTICIPAÇÕES LTDA., percebendo, portanto, o adiantamento do resultado do corte da Floresta que lhe competia em cada oportunidade. Evidentemente, o valor percebido foi proporcional a cobertura vegetal dos ao tempo de plantio; 3.26. assim, os valores recebidos em 2006 e 2007, pelo contribuinte se referem ao adiantamento proporcional da atividade rural que vinha sendo realizada em conjunto com a empresa LHS PARTICIPAÇÕES LTDA., jamais podendo ser tributada como ganho de capital; 3.27. sem prejuízo fiscal baseouse na escritura de instituição de usufruto para atribuir como valor da instituição do usufruto o valor de R$ 200,00 por hectare. Conforme já exposto acima, bem como afirmado no próprio instrumento de instituição de usufruto, o valor percebido no importe de R$ 200,00 por hectare é tão somente um parâmetro de adiantamento de parcela do pagamento do “arrendamento” da área de R$ 4.164,60 has. Pelo prazo de 26 anos; 3.28. desta feita, não se admite que o valor estipulado como parâmetro de adiantamento sirva para definir o valor do custo da floresta de Teca para o contribuinte; 3.29. com arrimo em todo o supra exposto, verificase que a Floresta de Teca cedida ao contribuinte teria sido destinada ao pagamento de um “arrendamento” de uma área de 4.164,60 has. de pastagens devidamente formadas, utilizadas em larga escala comercial para criação de bovinos; 3.30. quando da destinação da referida área para formação da Floresta de Teca, há que se admitir que tal fato se deu sob o custo de abdicação da atividade rural existente no local, bem como da inutilização das benfeitorias então existentes na Fazenda, qual sejam, pastagens e cercas; Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.106 9 3.31. o montante percebido pelo contribuinte não se deu ao custo do investimento sobre tão somente 332,75 ha. Como faz parecer o auto de infração, mas sim pela indisponibilização de uma área de 4.164,60 has., da destruição das benfeitorias ali existentes, bem como da paralisação da atividade rural outrora ali desenvolvida; 3.32. considerar que o valor do custo de 332,75 há de Floresta de Teca teria sido de R$ 66.550,00, tal como pretendido pela autoridade fiscal, seria o mesmo que afirmar que o contribuinte conseguiu multiplicar seu investimento em mais de 172X (cento e setenta e duas vezes) em um prazo de apenas 5 anos. Tal assertiva beira o absurdo, já que certamente representaria um dos investimentos mais rentáveis de toda a história econômica do Brasil. Se não o mais rentável; 3.33. a parcela de Floresta de Teca destinada ao contribuinte representa op computo existente a expectativa de lucro com o corte das árvores no período final de 26 anos, com a efetiva compensação pelas benfeitorias outrora existentes na área, bem como pela indisponibilidade do imóvel por tal período; 3.34. a título de apuração do valor das pastagens existentes, realizouse buscas em sítios especializados no assunto com o intuito de apurar a média de tais somas; 3.35. o custo com desmatamento e implantação de pastagem admitindose a média dos dados acima transcritos, pode ser estimado em R$ 1.800,00, sendo certo então que, para independentemente do custo de manutenção anual, a área utilizada para o plantio de teca valia à época da transação R$ 7.200,000,00; 3.36. somandose a este valor, o custo de manutenção, o preço da área destinada ao plantio de teca alcançaria o valor de, no mínimo R$ 10.000.000,00; 3.37. tal cômputo representa o custo efetivo da implantação da Floresta de Teca. Ressaltando ainda que tal investimentos foi realizado com expectativa de retorno em 3.38. com fulcro nos argumentos supra, em caso de não reconhecer o caráter de parceria do negócio firmado entre o contribuinte e a empresa LHS PARTICIPAÇÕES LTDA., o que ensejaria a tributação por meio da atividade rural, há que se reconhecer que o valor de implementação da Floresta de teca é muito superior ao irrisório valor de R$ 66.550,00, devendo os cálculos serem refeitos considerando o valor do custo de implementação das benfeitorias outrora existentes, bem como da atividade rural cessada; 3.39. em sendo acolhidos os cálculos supra apresentados, requer seja realizada perícia para determinar o custo de implementação das referidas benfeitorias, bem como para apurar o potencial econômico anual da área de 4.164,60 has. destinadas à plantação da Floresta de Teca; 3.40. DAS PENALIDADES. No que tange a aplicação de penalidades, observase que a autoridade fiscal apresenta, em seu demonstrativo de multa diversas considerando a legislação vigente ao tempo dos fatos geradores; 3.41. ocorre que, conforme preconiza o Código Tributário Nacional, em seu artigo 106, inciso II, alínea “c”, a legislação tributária retroagirá quando aplicar penalidade manos severa do que ao tempo do fato gerador; 3.42. sob tal prisma, é imperioso que se verifique a impossibilidade de estipular multas no patamar de 150% com fundamento no art. 44, inciso II, da lei nº 9.430/96, em virtude da redação da lei nº 11.488 de 2007, devendo tais valores serem extirpados do auto de infração; Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 3.43. com base em tais fundamentos é a presente impugnação para que seja reformado o auto de infração supra, adequandose à legislação em vigência, reduzindose o valor dos tributos e multas lançados pela autoridade fiscal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2 , por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUÇÃO. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. São indedutíveis as despesas com alimentação dos funcionários e do contribuinte. GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. Os valores decorrentes dos contratos de cessão de direitos para o corte de floresta, quando se trata de pessoa física, configura uma das hipóteses de alienação legalmente previstas e encontrase sujeita à apuração de ganho de capital, caso haja diferença positiva entre o valor de transmissão do direito e o respectivo custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. USUFRUTO. O custo de aquisição do usufruto é aquele constante na escritura de instituição do usufruto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão de primeira instância retificou o cálculo do ganho de capital apurado no lançamento de ofício, alterando o custo de R$ 66.550,00 para R$ 358.730.11, resultando em um imposto devido de R$ 763.017,62, em vez de R$ 783.012,78, o que resultou em uma exoneração de R$ 19.995,16 de imposto e R$ 29.992,69 da multa de ofício correspondente. Cientificado da decisão em 05/03/2012 (fl. 1.079), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 02/04/2012 (fls. 1080 a 1086), no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.107 11 Tratase de lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, referente aos exercícios 2007 e 2008 (anoscalendário 2006 e 2007), tendo sido constatadas as infrações de OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL, GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL e OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, com aplicação da multa qualificada (150%). O contribuinte, em sua impugnação e no seu recurso voluntário, questionou apenas parte das glosas das despesas, aquelas relativas às compras realizadas em supermercados, além da omissão do ganho de capital, não se pronunciando sobre as demais imputações, razão pela qual o litígio está limitado a essas matérias impugnadas. Glosa de despesas relativas aos pagamentos de compras em supermercados O Recorrente se insurge contra a glosa das despesas com mercadorias adquiridas em supermercados lançadas no livro caixa, pois alega que elas são essenciais ao desempenho das atividades rurais. Aduz que se deve valorar a atividade humana para o desempenho das atividades rurais, de modo que a subsistência dos recursos humanos há de ser contabilizada para fim de se apurar o resultado tributável da atividade e que nessa lógica está o artigo 13, VII, § 1º, da Lei nº 9.249/95, que inclui as despesas com alimentação dos funcionários da pessoa jurídica no cômputo de apuração dos lucros. Defende que não há que se cogitar em glosar tais despesas, por serem inerentes à atividade rural, sendo necessária à manutenção do estabelecimento em que é exercida essa atividade. Argumenta que o Regulamento do Imposto de Renda não apresenta um rol taxativo de despesas dedutíveis para apuração da base de cálculo do tributo, afirmando apenas que serão deduzidas aquelas essenciais à manutenção da fonte produtora. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/2009, dispõe. Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). § 1º As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. § 2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): I – benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos e reparos; II – culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 III – aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; IV – animais de trabalho, de produção e de engorda; V – serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI – insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como reprodutores e matrizes, girinos e alevinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII – atividades que visem especificamente a elevação sócioeconômica do trabalhador rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII – estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX – instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica; X – bolsas para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. Sobre a dedução de gastos com alimentação de funcionário na atividade rural, assim se posicionou a Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 10ª Região DISIT/10. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 29, DE 23 DE ABRIL DE 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF EMENTA: ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Para a pessoa física que se dedica à criação de eqüinos, a participação desses animais em exposições configura atividade necessária à divulgação e valorização dos animais, podendo a pessoa física deduzir da receita bruta da atividade rural as despesas necessárias à viabilização dessa participação. Consideramse dedutíveis as despesas relativas a taxa de inscrição, transporte dos eqüinos ao local da exposição e locomoção e hospedagem dos peões e do próprio contribuinte, caso a presença deste último na exposição seja imprescindível. São indedutíveis as despesas com alimentação dos peões e do contribuinte. DISPOSITIVOS LEGAIS: RIR/1999, arts. 57 a 71, 299 e 300; Instrução Normativa SRF Nº 83, de 2001, arts. 4º, inciso IX, 7º, 8º, 10 e 22; Parecer Normativo CST N º358, de 1970; Parecer Normativo CST Nº 13, de 1977; Parecer Normativo Cosit Nº 60, de 1978; Parecer Normativo CST Nº 32, de 1981. CRISTINA DE ALMEIDA ACCIOLY AuditoraFiscal p/ Delegação de Competência (DOU 25 06.2010). (grifo nosso). É fundamental que a despesa de custeio ou de investimento, para fazer jus à dedução, obedeça aos seguintes requisitos: a) ser necessária à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, e b) estar relacionada com a natureza da atividade exercida. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.108 13 Portanto, entendo que as despesas com alimentação dos funcionários não se enquadram nesses requisitos. Ademais, analisandose as provas que constam dos autos, ou seja, as notas fiscais de venda ao consumidor (fls. 727 a 738), verificase que se trata de compras efetuadas em supermercados e que a relação dos produtos adquiridos incluem, além de alimentos, diversas outras mercadorias, tais como material de higiene (papel higiênico, pasta dental, creme dental, aparelho de barbear), material de limpeza (sabão, sabonete, vassoura), toalhas, botinas, velas, lanternas, pilhas e até fumo, cigarros e bebida alcoólica (vodka). Assim, mesmo que se considerasse que a alimentação dos funcionários do estabelecimento rural era dedutível, não há provas nos autos de que os alimentos adquiridos mediante as notas fiscais apresentadas eram destinados a eles. Desse modo, deve ser mantida a glosa das despesas efetuadas em supermercados, conforme efetuada pela Fiscalização (relação das glosas à fl. 894). Omissão de ganhos de capital na alienação da floresta de teca Peço vênia para transcrever trecho do voto condutor da decisão de primeira instância, que bem resume a matéria controversa. Contextualizando a questão posta, temse que, a Fazenda Duas Lagoas, situada no município de Cáceres/MT, possuía uma área total de 9.738,24 hectares, consubstanciada em três matrículas, de nºs 9.161 (com 4.539,80 hectares), 9.162 (com 4.538 hectares) e 22.070 (com 660,2490 hectares); em 12/01/2001 a LHS Participações Ltda, “arrendou” em forma de usufruto, do contribuinte em epígrafe, uma área de 4.164,6 hectares da referida fazenda para plantar a Floresta de Teca (madeira nobre), e em contrapartida o contribuinte receberia na forma de usufruto uma parte da floresta que foi plantada, a título de remuneração pelo período em que a LHS iria se beneficiar da Floresta de Teca, que possui um período longo de crescimento, por volta de 20 a 25 anos. A LHS em 2001 e 2002 efetuou a plantação da Floresta de Teca na Fazenda Duas Lagoas, em uma área de 3.711,28 hectares, dentro de uma área maior de 4.164,6 hectares. Dessa área de usufruto desmembrouse 688,5 hectares em que foram plantados a Floresta de Teca a título de remuneração (arrendamento pelo uso da terra do período da plantação até sua extração) ao contribuinte fiscalizado. Toda a Floresta de Teca foi exclusivamente mantida pela LHS (fato declarado pelo próprio João Felix Pereira Neto nos referidos contratos de cessão das florestas). Em 05/03/2004, conforme Instrumento Particular – Cessão de Direitos, a Floresta S/A adquiriu parte da Floresta de Teca do contribuinte fiscalizado, ou seja, 355,75 hectares, pelo valor de R$ 6.200.000,00, a serem pagos parte à vista e parte à prazo. O contribuinte fiscalizado não declarou e não apurou ganho de capital desta venda. Restaram apenas 332,75 hectares de Floresta de Teca vendidos pelo contribuinte em 30/01/2005, novamente à Floresteca S/A, pelo valor de R$ 11.500.0000,00, a serem pagos em quatro parcelas (iguais) de R$ 2.875.000,00 todo dia 30 de janeiro dos anos 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme contrato de cessão datado de 30/01/2005, pagamentos que posteriormente e efetivamente ocorreram em outras datas. O contribuinte, novamente, não declarou e não apurou ganho de capital destas vendas (regime de caixa – recebimentos). São estes recebimentos referentes aos anos 2006 Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 e 2007 que estão sendo tributados neste auto de infração, já tendo sido tributados os recebimentos do ano de 2005 e ainda serão tributados os recebimentos do ano de 2008. [...] Para demonstração dos valores corretos a serem tributados da segunda venda parcial da Floresta de Teca foi elaborada planilha que demonstra o custo proporcional aplicado a referida floresta para a parte vendida (332,75 hectares) em 2005, a partir da análise da Escritura Pública de Instituição de Usufruto com Reserva de Áreas Rurais e Outras Avenças, datada de 12/01/2001, tendo sido constatado que o valor pela Instituição do Usufruto seria de R$ 200,00 (fls. 992 a 1002) por hectare plantado, lembrando que este valor foi recebido. Desta forma, atribuiuse como custo à referida Floresta de Teca o valor de R$ 200,00 por hectare de Terra Plantado com Teca. Foram tributados apenas os 332,75 hectares, já que a tributação da primeira venda está decaída, e chegouse ao custo de R$ 66.550,00 (332,75 hectares X R$200,00 por hectare). Os cálculos dos valores dos ganhos de capital ocorridos em cada recebimento estão presentes na planilha anexa denominada de “DEMONSTRATIVO DE RECEBIMENTOS (2006 a 2008) PELA VENDA DA FLORESTA DE TECA OCORRIDA EM 30/01/2005, E DO GANHO DE CAPITAL APURADO NESSES RECEBIMENTOS MENSAIS. Quanto ao impugnante, resumidamente, defende que a Floresta de Teca cedida ao contribuinte teria sido destinada ao pagamento de um “arrendamento” de uma área de 4.164,60 hectares de pastagens devidamente formadas, antes utilizadas em larga escala comercial para criação de bovinos. Diz que, quando da destinação da referida área para formação da Floresta de Teca, tal fato se deu sob o custo de abdicação da atividade rural existente no local, bem como da inutilização das benfeitorias então existentes na Fazenda, qual sejam, pastagens e cercas. Prossegue dizendo que, a despeito de não haver custos com a manutenção da floresta, é inequívoco que o contribuinte deixaria de exercer a atividade pecuária na área destinada ao plantio, bem como sacrificaria o investimento ali realizado a título de formação de pastagem. O caráter de parceria da atividade resta ainda evidenciado ao se constatar que não há remuneração fixa pelo transcurso do prazo de 26 anos até o desmate raso da Floresta de Teca, sendo que o contribuinte e sua parceira dividiriam o resultado da atividade. O que existe é tão somente um ínfimo adiantamento da produção a título de capitalização do contribuinte. O que está sendo tributado neste lançamento são os valores recebidos pelo contribuinte em 2006 e 2007, relativos à venda de 332,75 hectares de floresta de teca à Floresteca S/A, pelo valor de R$ 11.500.000,00, que havia sido ajustado para ser pago em 4 (quatro) parcelas iguais de R$ 2.875.000,00, nos dias 30 de janeiro dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009. Afirma a Fiscalização que a cessão de direitos da floresta de teca não pode ser considerada atividade rural, devendo ser tributada como ganho de capital. Às fls. 518 a 525 encontrase o "Demonstrativo de valores recebidos pela venda da propriedade rural (Faz. Duas Lagoas) e pela venda da Floresta de Teca", que discrimina todos os recebimentos pelo contribuinte, de 2000 a 2008, onde se constata que o contribuinte recebeu R$ 2.221.750,00 em 2006 e R$ 3.028.720,00 em 2007, pela venda da floresta de teca. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.109 15 O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). [...] § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). § 5º A tributação independe da localização dos bens ou direitos, observado o disposto no art. 997. [...] Art. 138. O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, § 7º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). A cessão de direitos da floresta de teca pelo contribuinte fiscalizado à empresa Floresteca S/A deve ser tributado como ganho de capital, não sendo considerado atividade rural, pelas razões já elencadas pela Fiscalização: a) sua plantação foi efetuada pela empresa LHS, conforme acerto entre as partes; b) a floresta foi recebida (688,5 hectares) pelo contribuinte a título de remuneração do arrendamento das suas terras; c) a manutenção da floresta de teca foi feita exclusivamente pela empresa LHS. Observase que o negócio foi cumprido na forma avençada na escritura de usufruto, ou seja, a plantação da floresta de teca foi executada pela empresa LHS; o valor de R$ 200,00 por hectare plantado foi pago ao contribuinte pela LHS, por conta do arrendamento; o direito aos 688,5 hectares de floresta foi transmitido ao fiscalizado, como ganho do investimento. Tudo ocorreu em conformidade com os termos ajustados na escritura. Assim, não tem razão o recorrente ao tentar descaracterizar a escritura, afirmando tratarse de uma parceria e não de arrendamento. O ganho obtido com a venda da floresta de teca deve, portanto, ser tributado como ganho de capital e tem como base de cálculo o valor da alienação e como custo o valor de sua aquisição, nos termos do artigo 138 do RIR/99. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 O valor da alienação foi de R$ 11.500.000,00, conforme Instrumento de Cessão de Direito (fls. 407 a 411), e não há o que questionar a respeito. Quanto ao custo de aquisição, a Fiscalização adotou o valor de R$ 66.500,00, obtido do seguinte cálculo: 332,75 ha x R$ 200,00/ha. No entanto, a decisão de primeira instância decidiu que o valor correto seria de R$ 358.730,11, pois, para que o contribuinte obtivesse um ganho de 688,5 ha de teca, ele teve de ceder 4.164,6 ha de terra. Como foram plantados 3.711,28 ha ao custo de R$200,00/ha, o custo total foi de R$ 742.256,00, pois foi estabelecido o valor de R$ 200,00 por hectare plantado com teca. Assim, o custo total da floresta de teca para o contribuinte foi de R$ 742.256,00, o que resultou em um custo por hectare de R$ 1.078,07 (R$ 742.256,00 / 688,5). Desse modo, o custo para o contribuinte dos 332,75 ha de floresta de teca alienada foi de R$ 358.730,11, que corresponde a R$ 1.078,07 x 332,75. O Recorrente alega que o valor de R$ 200,00 estipulado para cada hectare plantado é apenas um critério de adiantamento do pagamento sobre a produção, não podendo ser utilizado como parâmetro para definição do custo do usufruto e afirma que é necessário se calcular as despesas que ele teve com a formação da área de 4.164,6 ha, sendo essencial a realização de perícia. Nesse tema, peço permissão para transcrever parte do voto vencedor do acórdão da DRJ, o qual adoto como fundamento. É certo que o contribuinte, quando selou o acordo através da “Escritura Pública de Instituição de Usufruto com Reserva de Áreas Rurais e Outras Avencas”, levou em consideração todo o investimento que ele já efetuara na terra, conforme mencionado por ele próprio: que se tratava de área de pastagens devidamente formadas, antes utilizadas em larga escala comercial para criação de bovinos; que o contribuinte, ao ceder a área para a plantação da Floresta, deixava de perceber os recursos provenientes da pecuária; e que havia um risco em relação ao resultado final da plantação da Floresta de Teca. Não comporta uma nova avaliação no presente momento, uma vez que esse custo de cessão da terra consta devidamente registrado em Escritura Pública, qual seja, R$ 200,00 por hectare plantado. É facultado ao Sujeito Passivo o direito de pleitear a sua realização de perícia e diligência, em conformidade com o art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal PAF com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, contudo, compete à Autoridade Julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, “caput ”, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). A realização de diligências e/ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais, que, por algum motivo justificável, não é possível ao impugnante fazêlo quando de sua impugnação, fato este que não se aplica à presente situação, tendo em vista que consta do processo escritura público que registra todos os elementos da cessão por usufruto, inclusive quanto ao custo dessa cessão o que nem poderia ser diferente. Assim, esta autoridade julgadora considera como suficientes os elementos constantes dos autos para o julgamento da lide ora em discussão; as perícias e diligências devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, no caso concreto em análise, qualquer Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15868.720059/201156 Acórdão n.º 2202003.198 S2C2T2 Fl. 1.110 17 informação adicional acerca do custo da área cedida, somente poderia ser produzida por ele próprio, com a juntada de documentos adicionais. (grifos do original) Dessarte, entendo que não cabe razão ao contribuinte, devendo ser mantida a decisão de primeira instância. Multa qualificada Segundo a autoridade lançadora, ficou demonstrado o dolo pelo contribuinte fiscalizado ao não apurar e não recolher o ganho de capital devido, tendo ocultado informações a respeito da venda da floresta de teca, além de deixar de preencher o anexo de ganho de capital, caracterizando a sonegação fiscal reiterada, em um período de 8 anos. Afirma, ainda, que o fiscalizado tentou impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador dos ganhos de capital, ao apresentar a DIRPF dos anos de 2006 e 2007 com informações inverídicas, omitidas e inexatas, suprimindo e reduzindo o imposto de renda devido, o que constitui sonegação, assim como crime contra a ordem tributária. A multa qualificada foi aplicada somente em relação à infração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Inobstante respeitável entendimento da autoridade fiscal, não contemplo circunstâncias que caracterizem um evidente intuito de fraude. Entendo que a conduta adotada pelo contribuinte não se enquadra nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, constituindose mera omissão de ganhos de capital. Assim, é de se aplicar a Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11444.000335/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Oct 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Marina Iezzi Gutierrez, OAB/SP nº. 92.933.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Marina Iezzi Gutierrez, OAB/SP nº. 92.933. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Gilberto de Castro Moreira Junior. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada prevista no artigo 38, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, no valor de R$ 1.240.324,36. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança de multa regulamentar prevista no artigo 38, I, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, por não ter instalado o Sistema de Medição de Vazão (SMV) a que estava obrigada à instalação até 30/06/2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 44 .0 00 33 5/ 20 09 -7 1 Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.308 2 Cumpre destacar, por oportuno, que as folhas mencionadas neste Acórdão referemse às folhas digitais do eprocesso ora em análise. Segundo os autuantes, a empresa informou que estava estabelecendo contatos para a instalação do SMV, pois acreditava que a obrigatoriedade de instalação seria a partir de 30/06/2009, pois sua capacidade de produção ficava em torno de 6 milhões de litros por ano. Todavia, o artigo 4º, parágrafo 1º, do Ato Declaratório Executivo – COFIS nº 13, de 13/03/2006, disciplinou a forma de cálculo da capacidade instalada de produção anual, qual seja, a de multiplicar a capacidade nominal de envazamento das enchedoras, em litros por hora, por 5.694 horas por ano. Assim, a capacidade instalada de produção anual do estabelecimento importou em cerca de 71 milhões de litros, conforme Termo de Diligência e Intimação Fiscal às folhas 08/09. Os autuantes destacaram que o representante da empresa esclareceu que adquiriu recentemente uma das três enchedoras, a de menor capacidade, e que elas não trabalham concomitantemente, pois são alimentadas por um único misturador. Assim, os autuantes concluíram que a capacidade instalada de produção anual do estabelecimento enquadrase no inciso II do artigo 4º do ADE/COFIS nº 13/2006 (capacidade superior a 30 milhões e inferior a 200 milhões de litros por ano), cuja obrigatoriedade de instalação do SMV venceu em 30/06/2008, pela nova redação dada pelo ADE/COFIS nº 23, de 12/09/2007. A base de cálculo da penalidade foi apurada conforme demonstrativo às folhas 26, elaborado a partir do Livro de Registro de Apuração do IPI (fls. 27/39), sendo que, relativamente ao mês de julho/2008, foi subtraído o valor correspondente ao estoque de produtos acabados existentes em 30/06/2008 (fls. 25). Cientificada do Auto de Infração em 16/04/2009, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: 1. Tanto na MP nº 2.158, de 2001, como nas IN SRF nº 265, de 20 de dezembro de 2002, e nº 587, de 21 de dezembro de 2005, os critérios para obrigar ou desobrigar o fabricante de bebidas a instalar o SMV seriam os limites mínimos de produção ou faturamento, sem que houvesse qualquer previsão de fixação da capacidade máxima de produção como critério; 2. Portanto, o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 13, de 13 de março de 2006, criou, ao arrepio da lei, critério diferenciado às previsões constantes na referida MP e na IN SRF nº 265, de 2002, qual seja, a capacidade instalada potencial, e não os limites mínimos de produção ou faturamento como elementos condicionantes da instalação ou não do SMV; 3. O auto de infração teve por amparo o disposto no Ato Declaratório sob ataque, e, como tal, sendo referida regra normativa absolutamente ilegal, a autuação é nula de pleno direito; Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.309 3 4. Não se trata de mero esclarecimento, mas criação de uma regra absolutamente distinta da constante da MP nº 2.158, de 2001, e das IN SRF nº 265, de 2002, e nº 587, de 2005, tanto que o ADE criou, inclusive, uma fórmula absurda para encontrar a capacidade instalada, com base em suposta capacidade nominal de envazamento por enchedoras, quando, na verdade, não é só a enchedora que orienta corretamente a capacidade de produção de bebidas, devendo ser também analisado o misturador, chamado de proporcionador; 5. Após encontrado o número de litros/hora, o ADE determinou a sua multiplicação por 5.694 horas por ano para se encontrar a capacidade instalada, sendo que, para atender a exigência do fisco, a autuada teria de ter um turno de trabalho de aproximadamente 20 horas diárias, de maneira ininterrupta, o que é uma aberração; 6. Mas nenhum critério deve ter por parâmetro a capacidade em potencial, mas sim a real, pois o legislador não pode trabalhar com abstrações; 7. Ademais, o intento da regulamentação é exatamente eliminar a evasão tributária do IPI, e assim o critério balizador da data para instalação do SMV deve, dentro dessa razoabilidade e proporcionalidade, ser a produção ou, de fato, o faturamento, conforme previsto na MP e no Instrumento Normativo; 8.A própria autuação não teve por critério a capacidade instalada, mas 50% do valor das mercadorias faturadas, ou seja, dados concretos e não abstratos; 9. Portanto, a imposição da penalidade sem previsão legal, como no caso em tela, viola o Princípio Constitucional da Reserva Legal, acarretando a invalidade do ato administrativo e a impossibilidade de sua aplicação; 10. Impõese a estrita observância aos ditames legais, sem que possa a administração pública agir segundo a sua conveniência ou oportunidade, cabendo ao autuado insurgirse contra esta injusta multa; 11. Atendendo à determinação constante do artigo 3º da IN nº 587, de 2005, que caracteriza autodenúncia, com limite temporal até 31/01/2006, a autuada protocolizou junto à Receita Federal em Marília informações quanto à quantidade de estabelecimentos envasadores, o número de enchedoras e a capacidade instalada por ano (igual a 6 milhões de litros); 12. As informações foram prestadas pela autuada antes da edição do ADE COFIS nº 13, de 13/03/2006, e a COFIS não se manifestou quanto aos critérios utilizados, presumindose, por força tácita, as informações prestadas pela autuada; 13. Cumpre acrescer, por necessário, que o fiscal analisou a capacidade instalada em fevereiro de 2009, ou seja, 03 (três) anos após as informações prestadas pela autuada; Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.310 4 14. Desta forma, a multa aplicada, além de modificar critérios anteriormente estabelecidos e criar condição não prevista nas normas, inverteu a presunção das informações anteriormente prestadas, de forma intempestiva, já que poderia fazêlo até 30/06/2008, datalimite para instalação do SMV para aqueles que produzem entre 30 (trinta) e 200 (duzentos) milhões de litros, segundo calendário firmado no referenciado ADE; 15. Ao amparo de tais dados, tendo sido disparada pela contribuinte espécie de autodenúncia, caberia ao fisco, dentro do prazo legal, fiscalizar a autuada até 30/06/2008, e, dentro desse período, discordando das informações prestadas, determinar a obrigatoriedade da instalação do SMV em prazo diverso do declarado; 16. A ilegalidade do ADE também está na fórmula utilizada para se chegar à definição da quantidade de litros/ano em potencial, sendo óbvio que o critério é o faturamento, ou seja, a produção como fato gerador do IPI, tomandose por base os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; 17. O Ato Declaratório, ao indicar capacidade nominal de envase por enchedora, em litros hora, também desprezou o conjunto de operação dos equipamentos, para aferir se, de fato, resta confirmada essa capacidade real; 18. A definição da capacidade instalada não pode ser medida única e exclusivamente pela presença de enchedoras, mormente porque, em fábricas de refrigerantes, o mais importante é o número existente de misturadorproporcionador; 19. A empresa poderia até ter 02 ou 03 enchedoras, mas, uma vez acionado o único proporcionador, esse equipamento não poderia trabalhar, num só tempo, para abastecer outra enchedora, pois o que deve ser analisado é a capacidade de litros do proporcionador, e não necessariamente o número de enchedoras; 20. O ADE, ao limitar a pesquisa ao número de enchedoras, também não teve parâmetro técnico, limitando a pesquisa, numa situação de absoluto erro de valor nominal; 21. A verdade das afirmações ganha linhas definidas na medida em que, após encontrar o número de litros/hora por enchedora, o malsinado Ato Declaratório determinou a multiplicação por 5.694 horas para chegar à quantidade de litros/ano, o que imporia que a empresa autuada trabalhasse de domingo a domingo, ininterruptamente, todos os dias do ano, 15,6 horas de trabalho, numa presunção absolutamente absurda, primeiro porque a empresa nunca laborou em 02 (dois) turnos de 08 horas, segundo porque não se justificou a razão do critério utilizado de forma leviana no imputado ADECOFIS; 22. De qualquer forma, invertendo a presunção, a autuada comprova, quer pelo número (nove) de funcionários afetados no envase/engarrafamento, quer quanto ao consumo de energia, que jamais trabalhou em turno superior a 08 (oito) horas, de sorte que a presunção relativa firmada no ADE resta aquebrantada; Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.311 5 23. Portanto, é absolutamente ilegal o critério de cálculo utilizado no ADE também no que tange ao mutiplicador, sendo que, por ausência de parâmetros legais, a criação é mera abstração, numa flagrante ilegalidade; 24. O art. 113, § 2º, do CTN, disciplina que a obrigação acessória decorre de "legislação tributária", devendo ser interpretado conforme a Constituição Federal, cujo art. 5º, II, estabelece que ninguém será obrigado a fazer algo senão em virtude de Lei, isto é, as "obrigações" só podem ser impostas por leis provenientes do devido processo legislativo, e não de simples vontade do Executivo, caso contrário estaríamos aniquilando o Estado Democrático de Direito; 25. A multa aplicada é abusiva, ilegal e confiscatória, ferindo princípios constitucionais do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, citando a autuada doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 26. A multa deve ser aplicada no mesmo percentual de incidência do IPI, vindo ao encontro do intento do legislador ao criar a obrigatoriedade da instalação do SMV; 27. Da análise completa dos equipamentos que compõem o parque industrial da autuada, a questão é comprovar que nunca teria capacidade potencial superior a 30 (trinta) milhões de litros, e levantamentos efetuados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT ligado a Universidade de São Paulo demonstraram que, no caso da planta do envase da fábrica de refrigerantes, a capacidade de produção é restringida pelo equipamento chamado proporcionador, responsável pela mistura dos componentes (água, xarope e CO2), o qual só tem capacidade para abastecer uma enchedora por vez, e que revelou capacidade máxima de produção de 5.256 litros por hora; 28. Diante desse critério de ordem técnica apontada pelos peritos do IPT, mesmo se tomássemos de empréstimo a ilegal fixação no ADE do fator multiplicador de 5.694 horas por ano, ainda assim se tem uma capacidade de produção abaixo de 30 (trinta) milhões de litros ano; 29. Inúmeros outros testes, utilizando várias metodologias e equipamentos, foram levados a efeito, sendo que todos, sem exceção, apontaram limite/hora abaixo de 5.256 litros, diferente do apontado pelo fiscal, de 6 mil/litros/hora; 30. A verificação foi feita pelo IPT em abril/maio de 2009, quando a autuada já havia comprado mais uma enchedora, sendo que, quando da declaração para o fisco, nos termos da IN nº 587, de 2005, tinha apenas 02 (duas) enchedoras; 31. Dentro da projeção trazida pelo laudo do IPT, considerandose a jornada de trabalho de 8 horas, visto que a de 15,6 horas dias, em trabalho ininterrupto, apontada pelo fisco, jamais existiu, teríamos uma capacidade real e não especulativa igual a 15.347,52 (quinze milhões, trezentos e quarenta e sete mil e cinqüenta e dois) litros/ano; 32. As cópias das contas de energia anexadas aos autos comprovam que jamais houve gasto de energia com picos maiores em parâmetros Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.312 6 superiores a 08 horas diárias, de segunda a sextafeira, com 04 horas aos sábados e folga aos domingos e feriados, anexando, também, relatório do gasto de energia, a cada 15 minutos, nos meses de janfev março do ano em curso, que demonstram nunca ter havido mais de um turno de trabalho na empresa; 33. Fossem verdadeiros os números apontados pelo fisco, outro relevante aspecto é a ausência de público consumidor numa região de pequenomédio porte que possibilitasse desovar uma produção estimada em 71 milhões de litros, o que revela ser absolutamente impossível a empresa ter investido cifras consideráveis em equipamentos, salvo erros absurdos de estratégia, para manter um parque industrial com tanta ociosidade, num momento de queda nas vendas de refrigerantes, conforme artigo juntado à defesa; 34. Entendendo a autuada que o critério para instalação do SMV não é a capacidade instalada, mas sim a produção efetiva, comprovaa através das DIFS, onde consta toda a movimentação, em litros inclusive, da produção da empresa desde 2006, revelando, assim, de forma inconteste, que jamais produziu volume superior a 30 milhões de litros/ano; 35. Anexa também declaração do fabricante da enchedora de que o modelo adquirido pela autuada não produz mais do que 5250 litros/hora, em contrariedade absoluta ao levantamento da autoridade tributária; 36. Como instrumento de ilustração, também anexa estudo crítico acerca das metodologias utilizadas para medir a capacidade produtiva nas indústrias, de autoria de pesquisadora do CNPq; 37. Não se pode perder de vista que a autuada adquiriu o equipamento seguindo o calendário que havia sido estabelecido por seu limite mínimo de produção e faturamento, para 30/06/2009, prorrogado para o mesmo período de 2010 por força do Ato Declaratório nº 14, de 14/04/2009, cuja NotaFiscalFatura encontrase anexada aos autos; 38. Dentro desse critério, induvidoso que a autuada não praticou qualquer conduta dolosa e, dessa sorte, a pena merece ser relevada, porquanto o artigo 38, I, alinea "a" da MP 2.15801, expressamente consignou que a penalidade somente teria valia "em razão de impedimento criado pelo contribuinte", o que em nenhum momento aconteceu, tanto que, dentro do calendário estipulado no próprio ADE, adquiriu o equipamento SMV e encontrase dentro do prazo para instalálo; 39. Diante de tudo quanto exposto, requer a realização de perícia a fim de se afastar quaisquer dubiedades, levandose em consideração, contudo, os limites mínimos de produção ou faturamento, diante dos documentos juntados, cuja prova restou invertida pela autuada, quebrandose a presunção constante do auto de infração, indicando, ao final, o IPT como seu perito assistente. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.313 7 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1532.790, de 17/06/2013 (fls. 1038 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 SISTEMA DE MEDIÇÃO DE VAZÃO. FALTA DE INSTALAÇÃO. MULTA. Constatada a não instalação no prazo do equipamento determinado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, correta a aplicação da multa prevista no artigo 38, I, “a” da citada MP. MULTAS. CONFISCO. Não se confunde a penalidade imposta para coibir ou punir infrações à legislação tributária com a utilização do tributo com efeito de confisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1056/1086, por meio do qual alega, em síntese, além de alguns argumentos já delineados em sua impugnação, que a Instrução Normativa – IN n.º 1.040, de 2010, abrandou ou extinguiu a obrigação de instalação do SMV, de modo que é de se aplicar o art. 106 do CTN. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento destinase a constituição de crédito tributário decorrente da aplicação de penalidade isolada prevista no artigo 38, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, pois, segundo a fiscalização, a Recorrente não promoveu a instalação do Sistema de Medição de Vazão (SMV) até 30/06/2008, data estabelecida no Ato Declaratório Executivo ADE Cofis n.º 13, de 13 de março de 2006, com as alterações promovidas pelo ADE Cofis n.º 23, de 12 de setembro de 2007. Mantido, na integralidade, pela instância a quo, a Recorrente apresentou recurso voluntário, por meio do qual sustenta que a obrigação tributária em tela deixou de existir, de sorte que seria de aplicar a retroatividade benigna, em conformidade com o disposto no art. 105 do CTN. Vejamos. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.314 8 A Medida Provisória n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, previu a instalação de equipamentos medidores de vazão para os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI, na forma seguinte: Art. 36. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 38. A cada período de apuração do imposto, poderão ser aplicadas as seguintes multas: I – de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): a) se, a partir do décimo dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 36 não tiverem sido instalados em razão de impedimento criado pelo contribuinte; e b) se o contribuinte não cumprir qualquer das condições a que se refere o § 2º do art. 36; II – no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), na hipótese de descumprimento do disposto no art. 37.m (grifamos). A forma, as condições e os prazos de que fala o art. 36 da MP n.º 2.15835, de 2001, foram inicialmente previstos pela IN SRF n.º 265, de 20 de dezembro de 2002, nos seguintes termos: Art. 1 º A instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, de que trata o art. 36 da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a que estão obrigados os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n º 7.798, de 10 de julho de 1989, darseá em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2 º A CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União (DOU), deverá estabelecer: I as condições de funcionamento, bem assim as características técnicas e de segurança dos equipamentos; II os procedimentos para homologação e credenciamento dos equipamentos e respectivos fabricantes dos mesmos; Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.315 9 III os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficarão obrigados à instalação dos equipamentos; § 1 º A homologação e o credenciamento de que trata o inciso II do caput será efetuada pela Cofis, por intermédio de ADE publicado no DOU. § 2 º Os estabelecimentos industriais de que trata o art. 1 º estarão obrigados ao uso dos equipamentos no prazo de seis meses, contado a partir da primeira homologação e credenciamento de que trata o inciso II do caput, observado o disposto no § 1 º . § 3 º Órgãos oficiais especializados e entidades de âmbito nacional representativas dos fabricantes de bebidas poderão ser credenciados, mediante convênio, para, em conjunto com a Cofis, definir e participar dos procedimentos de que tratam os incisos I e II do caput, bem assim supervisionar e homologar os serviços de instalação, aferição, manutenção e reparação dos equipamentos. (grifamos) Posteriormente, a IN SRF n.º 265, de 2002, foi revogada pela IN RFB n.º 587, de 21 de dezembro de 2005, que previu, em seu art. 2º, inciso IV, que a CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União (DOU), deveria estabelecer, também, os prazos nos quais os estabelecimentos industriais envasadores dos produtos classificados nas posições 2201 e 2202 da TIPI estariam obrigados à instalação do SMV, composto pelos equipamentos e aparelhos especificados no caput do art. 1º e demais componentes necessários à sua integração e implementação. Para o estabelecimento industrial pertencente à Recorrente, com capacidade instalada, segunda afirma a fiscalização, de produção anual em torno de 71 milhões de litros, o prazo final de instalação do SMV foi fixado, pelo ADE Cofis nº 13, de 2006 (alterado pelo ADE Cofis nº 23, de 2007), em 30 de junho de 2008, data que não teria sido observada. Vejamos: Art. 1 º Os estabelecimentos industriais envasadores de cervejas e refrigerantes, classificados, respectivamente, nas posições 2203 e 2202 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n º 4.542, de 26 de dezembro de 2002 , sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n º 7.798, de 10 de julho de 1989 , estão obrigados à instalação de Sistema de Medição de Vazão (SMV) de acordo com as disposições contidas neste Ato Declaratório Executivo (ADE). (...) Art. 4 º Os prazos para instalação do SMV pelas pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes obedecerão aos seguintes critérios: I – até 30 de setembro de 2006, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 200 (duzentos) milhões de litros; Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.316 10 II – até 30 de junho de 2008, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros; (Redação dada pelo ADE Cofis n° 23, de 12 de setembro de 2007 ) III até 30 de junho de 2011, para as demais pessoas jurídicas obrigadas à instalação do SMV. (Redação dada pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 1, de 29 de janeiro de 2010 ) § 1 º Para fins do disposto neste ADE, considerase, para determinação da capacidade instalada de produção anual, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes, classificados nas posições 2203 e 2202 da Tipi, dos estabelecimentos industriais envasadores da pessoa jurídica e das coligadas, controladas e controladoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 (cinco mil e seiscentos e noventa e quatro) horas por ano. § 2 º As pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes que deixaram de atender tempestivamente à exigência do art. 3 º da Instrução Normativa SRF n º 587, de 2005, deverão instalar o SMV no prazo de seis meses, contado da publicação deste ADE. Notese que a IN RFB n.º 265, de 2002, nada dispôs a respeito dos limites de produção ou faturamento. Quanto a esta matéria, apenas atribuiu à Cofins o dever de se pronunciar a respeito, por meio de ADE a ser publicado no DOU, o que foi feito tendo como parâmetro a capacidade instalada, não a efetiva produção do estabelecimento industrial. Aliás, esse parâmetro parecenos bastante razoável. Afinal, como a produção pode variar de um momento para outro, a depender da demanda do produto no mercado, nada mais coerente que se estabelecer a obrigação com base num dado fixo – a capacidade instalada de produção. Assim, ilegalidade haveria se o ADE fizesse disposições contrárias às já encartadas na IN. Não é este o caso, porém. Sobre a alegada “autodenúncia”, cabe ressaltar que, como já observado na decisão recorrida, não há norma jurídica dispondo que as informações prestadas pela Recorrente, em atendimento ao disposto no art. 3º da IN RFB 587, de 2005, constituiriam verdade absoluta, em ordem a dispensar até mesmo a sua aferição pela Administração Fazendária. Eis a redação conferida ao aludido dispositivo: Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes dos produtos classificados nas posições 2201 e 2202 da Tipi ficam obrigados a comunicar à Cofis, até o dia 31 de janeiro de 2006: I a relação de estabelecimentos industriais envasadores e respectivo número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); II a quantidade de enchedoras em cada estabelecimento industrial informado no inciso I; e III a capacidade instalada de produção anual em cada estabelecimento envasador, em litros. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11444.000335/200971 Resolução nº 3202000.317 S3C2T2 Fl. 1.317 11 Parágrafo único. A não observância ao disposto no caput obriga os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica à instalação do SMV no prazo de seis meses, contado a partir da publicação do ADE de que trata o art. 2º, incisos I e II. (g.n.) Aqui, diz a Recorrente que, atendendo ao disposto na norma supra, protocolizou, junto à DRF de Marília, as informações requeridas quanto ao número de enchedoras e à capacidade instalada por ano, igual a 6 (seis) milhões de litros. Como não houve questionamento a respeito do volume informado, sustenta que esse deveria ter sido o volume utilizado para aplicação do disposto no ADE Cofis nº 13, de 2006. Acresce que, a despeito disso, a fiscalização analisou a capacidade instalada somente em fevereiro de 2009, vale dizer, 03 (três) anos após as informações prestadas pela autuada, sendo que, na ocasião em que prestou a declaração, contava apenas com duas enchedoras e, segundo afirma, acabou adquirindo outra. Com efeito, analisado o TERMO DE DILIGENCIA E INTIMAÇÃO FISCAL de fls. 8/9, constatase que esse procedimento foi realizado em 17/02/2009, ou seja, três anos após a publicação do ADE Cofis nº 13, de 2006 (DOU em 20/03/2006), e quase 8 (oito) meses após a data limite para a instalação, que, para a Recorrente, segundo sustenta a fiscalização, seria 30 de junho de 2008. Nesse contexto, entendemos importante identificar a capacidade instalada na data da publicação do ADE Cofins nº 13, de 2006, ou, ao menos, a capacidade instalada existente entre esta data e as que se refere o art. 4º desse ADE, uma vez que a Recorrente – ou outras empresas que se dedicam à mesma atividade – pode ter ampliado a sua capacidade instalada após a data da publicação do ADE Cofins nº 13, de 2006, mas antes da data limite para promover a instalação do SMV. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem verifique se houve ampliação da capacidade instalada entre 30/06/2008 e 17/02/2009, pronunciandose, inclusive, sobre o laudo de fls. 1226 e ss., elaborado pelo IPT, datado de 15/05/2009, atestando que a vazão média era de 5.256 litros por hora, com uma incerteza expandida de 186 litros por hora de refrigerante. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 26/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/10/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/10/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 23034.014619/2000-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 01/04/2001
DECISÃO. MOTIVAÇÃO. EXPLICITUDE INDIRETA. VÍCIO DE FORMA. NECESSIDADE DE PREJUÍZO.
O ato decisório deverá ser motivado, podendo, entretanto, a motivação explícita dar-se de uma forma indireta, por intermédio da declaração de concordância com fundamentos de parecer, informação, decisão ou proposta constante de ato anterior, que passa a integrar esse ato decisório.
O vício de forma só tem relevância quando ficar evidenciado, no caso concreto, o prejuízo para a relação processual ou para as partes envolvidas no processo.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4º, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Em relação ao lançamento de ofício da contribuição social do salário-educação, caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa dessa mesma contribuição, contando-se o prazo decadencial pela regra do § 4º do art 150 do CTN.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SISTEMA DE MANUTENÇÃO DE ENSINO FUNDAMENTAL (SME). MODALIDADES ESCOLA PRÓPRIA E INDENIZAÇÃO DE DEPENDENTES. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA.
Para fins de dedução da contribuição do salário-educação, a empresa optante do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), nas modalidades de escola própria e indenização de dependentes, deverá observará as regras e condições estabelecidas nos atos normativos expedidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob pena de glosa das deduções efetivadas.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. FATO EXTINTIVO. PROVA.
É do sujeito passivo, que alega possuir direito creditório, o ônus de comprovar a existência de fato extintivo, mediante compensação, relativamente ao crédito tributário apurado pela fiscalização.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 2401-003.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade, reconhecer a decadência quanto às competências até 06/1999, anteriores a 07/1999, e, no mérito, negar-lhe provimento na parte do crédito tributário não decaído.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 01/04/2001 DECISÃO. MOTIVAÇÃO. EXPLICITUDE INDIRETA. VÍCIO DE FORMA. NECESSIDADE DE PREJUÍZO. O ato decisório deverá ser motivado, podendo, entretanto, a motivação explícita dar-se de uma forma indireta, por intermédio da declaração de concordância com fundamentos de parecer, informação, decisão ou proposta constante de ato anterior, que passa a integrar esse ato decisório. O vício de forma só tem relevância quando ficar evidenciado, no caso concreto, o prejuízo para a relação processual ou para as partes envolvidas no processo. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4º, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Em relação ao lançamento de ofício da contribuição social do salário-educação, caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa dessa mesma contribuição, contando-se o prazo decadencial pela regra do § 4º do art 150 do CTN. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SISTEMA DE MANUTENÇÃO DE ENSINO FUNDAMENTAL (SME). MODALIDADES ESCOLA PRÓPRIA E INDENIZAÇÃO DE DEPENDENTES. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA. Para fins de dedução da contribuição do salário-educação, a empresa optante do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), nas modalidades de escola própria e indenização de dependentes, deverá observará as regras e condições estabelecidas nos atos normativos expedidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob pena de glosa das deduções efetivadas. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. FATO EXTINTIVO. PROVA. É do sujeito passivo, que alega possuir direito creditório, o ônus de comprovar a existência de fato extintivo, mediante compensação, relativamente ao crédito tributário apurado pela fiscalização. Recurso voluntário provido em parte
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LANÇAMENTO FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente S A USINA CORURIPE AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 01/04/2001 DECISÃO. MOTIVAÇÃO. EXPLICITUDE INDIRETA. VÍCIO DE FORMA. NECESSIDADE DE PREJUÍZO. O ato decisório deverá ser motivado, podendo, entretanto, a motivação explícita darse de uma forma indireta, por intermédio da declaração de concordância com fundamentos de parecer, informação, decisão ou proposta constante de ato anterior, que passa a integrar esse ato decisório. O vício de forma só tem relevância quando ficar evidenciado, no caso concreto, o prejuízo para a relação processual ou para as partes envolvidas no processo. SALÁRIOEDUCAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4º, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Em relação ao lançamento de ofício da contribuição social do salário educação, caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa dessa mesma contribuição, contandose o prazo decadencial pela regra do § 4º do art 150 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 01 46 19 /2 00 0- 18 Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.139 2 SALÁRIOEDUCAÇÃO. SISTEMA DE MANUTENÇÃO DE ENSINO FUNDAMENTAL (SME). MODALIDADES ESCOLA PRÓPRIA E INDENIZAÇÃO DE DEPENDENTES. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA. Para fins de dedução da contribuição do salárioeducação, a empresa optante do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), nas modalidades de escola própria e indenização de dependentes, deverá observará as regras e condições estabelecidas nos atos normativos expedidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sob pena de glosa das deduções efetivadas. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. FATO EXTINTIVO. PROVA. É do sujeito passivo, que alega possuir direito creditório, o ônus de comprovar a existência de fato extintivo, mediante compensação, relativamente ao crédito tributário apurado pela fiscalização. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade, reconhecer a decadência quanto às competências até 06/1999, anteriores a 07/1999, e, no mérito, negarlhe provimento na parte do crédito tributário não decaído. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.140 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), proferida com base no § 2º do art. 14 do Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999, a qual indeferiu a defesa apresentada pelo contribuinte em relação à Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) nº 00691/2004 (fls. 979/982). 2. O crédito tributário sob exame decorre de a fiscalização do FNDE constatar deduções indevidas e ausência de recolhimentos, nas competências de 03/1996 a 04/2001, relativamente à contribuição social do salárioeducação, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados (fls. 49/50, 70/71, 118/124 e 127). 2.1 À época dos fatos, a empresa era optante pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), por meio das modalidades de escola própria e indenização de dependentes, e pela arrecadação direta da contribuição social. 3. Cientificado da notificação, por via postal, em 16/7/2004, o contribuinte apresentou defesa tempestiva, em 2/8/2004 (fls. 130/132). 4. Na sequência, o débito foi retificado pelo FNDE, devido a um equívoco nas bases de cálculo das competências 12 e 13/1999, com reabertura de prazo para a nova defesa (fls. 675/677). Em 2/3/2005, a notificada aditou sua defesa (fls. 695/698). 5. Intimada em 24/5/2006, por via postal, do indeferimento da defesa junto ao FNDE, às fls. 1132, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 23/6/2006 (fls. 996/1.003). 5.1 Em síntese, reafirmando o exposto na peça inaugural, a peticionante requer a reforma da decisão de piso, pelas seguintes razões: i) nulidade da decisão de primeira instância, porquanto ausente a motivação quanto ao indeferimento dos seus argumentos relativamente ao período de 07/1999 a 04/2001, em que os débitos foram compensados com créditos reconhecidos no processo judicial nº 98.111476; ii) houve cumprimento regular das exigências para aplicação no SME, na modalidade indenização de dependentes; iii) a fiscalização não considerou a aquisição de vagas nas Escolas Tércio Wanderley e Lívio Wanderley, nem que a empresa possuía uma escola própria, denominada Guedes de Miranda; iv) a fiscalização desconsiderou o número de vagas para efeito de dedução, sendo que no período compreendido entre 01/1998 a 04/2001 sequer houve aferição dessas vagas; Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.141 4 v) houve compensação dos débitos relativos ao período de 07/1999 a 04/2001, autorizados no processo judicial nº 98.00110640, com créditos derivados de indébitos no processo judicial nº 98.111476, cuja decisão transitou em julgado em 24/10/2000. Por conseguinte, os valores compensados devem ser excluídos do lançamento, uma vez que extinta a obrigação tributária, nos termos do inciso II do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); e vi) inexistência de diferenças a serem recolhidas, conforme demonstrase por meio da documentação anexada (fls. 1.022/1.124). 6. Posteriormente, houve a transferência do controle do débito para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo em conta o disposto no art. 12 do Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006, c/c art. 4º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, onde recebeu o DEBCAD nº 49.903.6085, prosseguindose o contencioso administrativo no rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (fls. 1.129/1.133). É o relatório. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.142 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade da decisão de piso 8. A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, regula o processo administrativo no âmbito federal e tem aplicação subsidiária, naquilo que não houver contrariedade, aos processos administrativos específicos. A respeito da motivação dos atos administrativos, assim prescreve o § 1º do art. 50: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (grifouse) (...) 9. Como se vê, a lei admite a possibilidade não só da motivação direta no próprio corpo do ato administrativo decisório como também a explicitude indireta, isto é, quando a decisão faz alusão a motivo constante em outro ato anterior, mediante concordância com os fundamentos de pareceres, informações, decisões ou propostas, os quais passam, necessariamente, a integrar os fundamentos do ato posterior. 10. O pronunciamento de fls. 675/677, que culminou com a homologação da retificação do débito e reabertura do prazo de defesa, expressamente se contrapôs aos argumentos da notificada quanto à possibilidade de compensação de débitos do período de 07/1999 a 04/2001, nesses termos: (...) Consultando o SCPJ, constatamos que o processo judicial n° 98.00110640 encontrase com andamento em 28/11/2002: "à turma, por unanimidade, julgou o processo extinto sem julgamento de mérito em relação a união e negou provimento a Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.143 6 apelação. Internet"., fls. 618, esclarecemos que, as guias de depósitos judiciais apresentadas, foram devidamente consideradas. Constatamos que o processo judicial n° 98.000111476, tem como Réu apenas o Instituto Nacional do Seguro Social, razão pela qual esta Autarquia não dispõe sobre a matéria. (...) 10.1 De fato, quanto ao Processo nº 98.00110640, o órgão julgador afirma, com base na consulta ao sistema para acompanhamento de processos judiciais da autarquia, atualmente às fls. 661/662, a extinção do feito em relação à União e a negativa de provimento ao recurso de apelação. Também consta, de acordo com a consulta processual, que a ação de primeiro grau foi julgada improcedente. 10.2 No que tange ao Processo nº 98.000111476, o órgão manifestouse no sentido de que o polo passivo da demanda era ocupado apenas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 11. De tal sorte que, na decisão recorrida, cujo interessado tomou ciência, optouse em fazer apenas uma remissão às razões aduzidas no ato anterior, por entender o agente público desnecessário qualquer acréscimo nas justificativas destinadas a refutar as alegações da defesa (fls. 980). " (...) 8. No que concerne às competências compensadas, de [que] trata o processo nº 98.00110640, período compreendido entre Julho de 1999 e Abril de 2001, o assunto já foi tratado na Informação nº 2836/2004, encaminhada à empresa quando da aprovação da homologação da retificação do débito, conforme atesta o AR 401175110BR, fls. 648. (...)" 12. Alternativamente, poderseia simplesmente expressar o motivo na decisão recorrida por meio da reprodução "ipsis litteris" das palavras utilizadas no ato anterior. Todavia, uma ou outra preferência é questão essencialmente de forma, sem que fique configurada uma falta de apreciação dos argumentos por parte do julgador de primeira instância. 13. Além disso, ocasional vício formal só tem relevância quando ficar evidenciado, no caso concreto, o prejuízo para a relação processual ou para as partes envolvidas. E nesse aspecto, dado o conjunto de atos que compõem a atuação administrativa em primeira instância, entendo que permitiram à fiscalizada exercer o direito de defesa na sua plenitude. 14. Ao contrário do que pondera a recorrente, não visualizo que a conduta do julgador de primeira instância tenha resultado na impossibilidade de compreensão das razões utilizadas para não acatar os argumentos da impugnante e, por conseguinte, que tenha havido limitação material do direito de defesa. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.144 7 Decadência 15. Preliminarmente, lembro que o salárioeducação ostenta natureza tributária, como espécie de contribuição social geral.1 16. Ainda que indeterminado e aberto o conceito de "matéria de ordem pública", prevalece a noção de que a decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento. 17. Nesse passo, no âmbito do lançamento dos tributos por homologação, como ora ocorre, o pagamento antecipado parcial atrai a aplicação da regra decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN, isto é, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 18. De acordo com o quadro de apuração das aplicações no SME, confeccionado pela fiscalização, houve recolhimento parcial até a competência 06/1999. Nas competências seguintes, compreendendo o período de 07/1999 a 04/2011, não teria havido pagamento antecipado (fls. 110/112). 19. Desse modo, aperfeiçoado o lançamento em 16/7/2004, estão fulminadas pela decadência as competências até 06/1999, anteriores a 07/1999. Mérito 20. Passase à análise do mérito, exclusivamente quanto à exigência relativa ao período não decaído. a) Deduções indevidas 21. O SME consistia em um programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do salárioeducação, propiciava aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, em três modalidades: aquisição de vagas, escola própria e indenização de dependentes, deduzindose, para fins de recolhimento da contribuição do salárioeducação, os valores comprovadamente despendidos na manutenção da escola própria ou na indenização de dependentes, até os limites fixados em atos do FNDE (art. 10 do Decreto nº 3.142, de 1999). 22. Conquanto relevante a colaboração da empresa com o poder público para a disponibilização de educação básica à população, cuidavase de ato volitivo, sujeito à formalização de opção e observância das regras impostas pelo FNDE, para fins de controle e fiscalização da aplicação dos respectivos recursos. 1 Nesse sentido, entre outros, ver o Recurso Extraordinário nº 660.933/SP, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa, julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.145 8 22.1 No período de 1999 a 2001, as empresas optantes do SME deveriam observar normas expedidas pelo FNDE, dentre elas, a Instrução FNDE nº 1, de 15 de dezembro de 1998, a Resolução FNDE nº 3, de 20 de dezembro de 1999, e a Resolução FNDE nº 3, de 18 de dezembro de 2000. 22.2 Segundo essas normas regulamentares, a empresa deveria prestar contas dos recursos aplicados nas modalidades escola própria e indenização de dependentes, respeitados os prazos e procedimentos estabelecidos pela autarquia, sob pena de glosa das deduções na contribuição do salárioeducação. 22.3 Para melhor compreensão, na sequência transcrevo o art. 8º, o art. 9º e o inciso II do art. 10 da Resolução FNDE nº 3, de 18 de dezembro de 2000, cujas regras, ainda que redigidas de outra forma, já constavam dos atos normativos anteriores: Art. 8º A empresa deverá prestar contas ao FNDE, dos recursos financeiros aplicados nas modalidades Escola Própria e Indenização de Dependentes, respeitando os procedimentos e os prazos estabelecidos no art. 10 desta Resolução, sob pena de serem glosadas todas as deduções efetivadas no semestre, resultando em notificação para recolhimento de débito. Art. 9º A dedução na contribuição do SalárioEducação oriunda da aplicação na modalidade Escola Própria de que trata o inciso II do art. 6º desta Resolução, está condicionada ao credenciamento da escola, mantida pela empresa, junto ao FNDE nos prazos e de acordo com as normas estabelecidas em resolução específica. Art. 10. As informações das empresas para atualização do cadastro dos alunos beneficiários, mantido pelo FNDE, serão encaminhadas nos prazos fixados e de conformidade com as orientações fornecidas por esta Autarquia, da seguinte forma: (...) II na modalidade Indenização de Dependentes, por meio eletrônico disquete ou email para atualização semestral do sistema de Relação de Alunos Indenizados RAI, cujo envio deverá, obrigatoriamente, ocorrer até 31 de julho para os dados relativos ao 1º semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2º semestre. (...) 23. Pois bem. Quanto à dedução na contribuição do salárioeducação oriunda da aplicação de recursos na modalidade escola própria, ficava condicionada ao credenciamento da escola mantida pela empresa. 24. A Escola Guedes de Miranda, mantida pela recorrente, foi objeto de inspeção "in loco" pela fiscalização do FNDE e os resultados foram obtidos mediante conferência de vários documentos (fls. 74/98). Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.146 9 24.1 Como se nota desse resultado da vistoria, o credenciamento da unidade de ensino, na modalidade de escola própria, ocorreu tão somente até o ano de 1999, sendo que o quantitativo de alunos apurado pela fiscalização, detalhado em planilhas prévias, foi devidamente considerado para fins de dedução do crédito tributário, conforme indicado na coluna "G" do quadro de apuração de aplicações de recursos às fls. 110/112. 24.2 O número de alunos beneficiários, para fins de dedução da contribuição, levou em consideração a regularização cadastral, na forma prevista pelo FNDE, não tendo a recorrente colacionado aos autos contraprova hábil a desmentir as conclusões da fiscalização (fls. 91/95). 25. Já na modalidade de indenização de dependentes, a inspeção realizada na Escola Tércio Wanderley pelos técnicos do FNDE, segundo as fls. 50 e 70/71, apontou a ausência de cadastramento dos alunos beneficiados no sistema de Relação de Alunos Indenizados (RAI), a partir do ano de 1998. 25.1 Como transcrito acima, o direito à dedução no recolhimento do salário educação, na modalidade de indenização de dependentes, ficava condicionado, segundo os normativos, ao envio dos dados ao FNDE, pois deveria corresponder ao quantitativo de alunos beneficiários informados por meio da RAI. 25.2 A despeito de devidamente intimada de haver irregularidades ao efetuar as deduções, a recorrente permaneceu inerte, não enviando a RAI ao FNDE. 25.3 Mesmo a existência de declarações de aplicação de recursos financeiros na modalidade de indenização de dependentes não legitima as deduções para fins de recolhimento do tributo. Pensar diferente significa transformar o cumprimento das normas de controle e fiscalização, no âmbito do SME, em uma mera faculdade ao belprazer da empresa optante (fls. 344, entre outras, na sequência). 25.4 De tal modo que o descumprimento das regras e condições dispostas nos atos normativos do FNDE, por parte do optante do SME, implica considerar inexistente o direito de abatimento de valores quando do recolhimento da contribuição social relativa ao salário educação. b) Compensação 26. De acordo com os documentos juntados aos autos pela recorrente, o trânsito em julgado, em 24/10/2000, diz respeito à ação de segurança nº 98.00111476, que reconheceu o direito de a recorrente compensar os valores pagos a título da contribuição previdenciária prevista no § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994, com os valores devidos em relação às demais contribuições previdenciárias (fls. 931/946). Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.147 10 27. Por outro lado, relativamente à ação declaratória de inexistência de relação jurídica no tocante ao salárioeducação, cumulada com pedido de repetição de indébito mediante compensação, cadastrada sob o nº 98.00110640, o desfecho da demanda foi desfavorável à recorrente (fls. 950/963 e 974, respectivamente). Por sinal, em sua peça recursal, a recorrente não contesta essa informação ou apresenta quaisquer elementos de prova em sentido diverso. 28. A compensação a que alude à recorrente relacionase a este último processo judicial, em que o juízo deferiu o levantamento dos depósitos em dinheiro efetuados voluntariamente pela recorrente, com o fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário contestado na ação, e não enxergou óbice na substituição pela utilização de créditos reconhecidos em outro processo judicial (fls. 973). 29. Portanto, o pronunciamento judicial resolveu questão incidente ao processo, diversa do objeto litigioso dessa ação nº 98.00110640 (causa de pedir/pedido). Apenas as decisões que versarem sobre o mérito da causa, examinadas em cognição exauriente, estão aptas a ficar imunes com a coisa julgada. 30. Por outro giro, a recorrente não trás prova que efetivamente realizou o procedimento compensatório. Porém, ainda que o tenha efetuado mediante registro em sua escrituração contábil, a compensação afrontaria não só a decisão judicial proferida no Processo nº 98.00111476, que autorizou o uso do direito creditório tão somente com débitos de contribuições previdenciárias, como estaria contrariando a compensação de tributos sujeitos a modalidade de lançamento por homologação, conforme facultada pelo art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a seguir transcrito: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifouse) (...) 30.1 Com efeito, a compensação autorizada pela lei sem prévia manifestação da autoridade administrativa, aplicável no período em discussão, é compreendida como aquela entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional, sendo inviável o encontro de contas entre, de um lado, contribuição do salárioeducação e, de outro, contribuição previdenciária. 31. Ademais, ao exigir o recolhimento da contribuição social do salárioeducação, por meio da NRD nº 00691/2004, fica evidenciado que o FNDE, ainda que indiretamente, não homologou uma eventual compensação realizada pela recorrente. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 23034.014619/200018 Acórdão n.º 2401003.986 S2C4T1 Fl. 1.148 11 32. Dessa feita, ao não restar comprovada a existência de fato extintivo relativamente ao crédito tributário apurado pela fiscalização, conforme suscitado pela recorrente, a exigência fiscal deve ser mantida. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR a preliminar de nulidade, RECONHECER a decadência quanto às competências até 06/1999, anteriores a 07/1999, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO na parte do crédito tributário não decaído. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10855.721827/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/03/2010
PAF.SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE.
A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento, em razão de recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEM PAGAMENTO DO TRIBUTO. OPOSIÇÃO DOS CRÉDITOS AOS DÉBITOS APURADOS NÃO COMPROVADO.
A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Não constatado o pagamento, não há que se falar em homologação, regendo-se o instituto da decadência pelos ditames do art. 173, I, do CTN.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ISENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435/75 é aplicável desde que: a) o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de administração da Suframa; e c) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI.
IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS
O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
MULTAS. EXCLUSÃO. ART. 486, II, DO RIPI/2002.
Com base no art. 486, II, "a" do RIPI/2002, exclui-se a penalidade em relação àqueles que agiram de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002, quanto aos fatos geradores em relação aos quais o contribuinte se comportou segundo o entendimento firmado pela CSRF. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que consideraram que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim redigir voto vencedor; (ii) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto às demais matérias. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento ao recurso por entender que o auto de infração violou os princípios da segurança jurídica e da boa-fé. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowics, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento ao recurso por aplicarem a decisão do mandado de segurança coletivo à recorrente. A Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento, em razão de recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEM PAGAMENTO DO TRIBUTO. OPOSIÇÃO DOS CRÉDITOS AOS DÉBITOS APURADOS NÃO COMPROVADO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Não constatado o pagamento, não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173, I, do CTN. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ISENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.435/75 é aplicável desde que: a) o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de administração da Suframa; e c) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 18 27 /2 01 1- 14 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 anterior referente à entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. MULTAS. EXCLUSÃO. ART. 486, II, DO RIPI/2002. Com base no art. 486, II, "a" do RIPI/2002, excluise a penalidade em relação àqueles que agiram de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002, quanto aos fatos geradores em relação aos quais o contribuinte se comportou segundo o entendimento firmado pela CSRF. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que consideraram que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim redigir voto vencedor; (ii) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto às demais matérias. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento ao recurso por entender que o auto de infração violou os princípios da segurança jurídica e da boafé. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowics, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto que deram provimento ao recurso por aplicarem a decisão do mandado de segurança coletivo à recorrente. A Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955. Relatório Trata o presente processo de exigência de crédito tributário decorrente de infração relativa ao creditamento do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), relativo às aquisições de produtos isentos do imposto, efetuadas junto a fornecedor domiciliado na Zona Franca de Manaus (ZFM), no período de 06/2006 a 03/2010. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.148 3 Por meio do Relatório de Ação Fiscal e do Despacho Decisório de fls. 339/347, a autoridade administrativa indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações solicitadas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A fiscalização, com suporte no relatório de fls. 432 a 444, lavrou o Auto de Infração de fls. 445 a 494, exigindo da autuada o valor total de R$ 82.435.591,97, do qual R$ 40.288.356,26, referese à exigência do IPI, R$ 30.216.266,90, a título de multa proporcional e R$ 11.930.968,81, a título de juros. A autoridade fiscal solicitou à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional/Sorocaba um parecer jurídico, fls. 388 a 421, sobre o alcance e aplicabilidade da decisão proferida no Mandado de Segurança Coletivo n° 91.00477834 e recursos conexos, concluindo, pela impertinência do crédito de IPI, ora em discussão. A autuada tomou ciência do Auto de Infração no dia 13/06/2011, conforme Termo de Ciência de fls. 516/517, e apresentou sua impugnação no dia 11/07/2011, com os seguintes argumentos de defesa, em síntese, conforme fls. 528 e 529: “a) a AUTORIDADE decaiu do direito de lavrar o AUTO para exigir créditos tributários anteriores a 13.06.2006, porque NÃO efetuou o lançamento no prazo de cinco anos contados do fato gerador (art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN); b) a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI relativo à aquisição do concentrado isento por força da disposição expressa do art. 6º do Decretolei (DL) nº 1.435, de 16/12/1975; c) a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI relativo à aquisição do concentrado isento em razão do princípio da não cumulatividade, nos termos em que decidido pelo Plenário do STF no julgamento do RE nº 212.484RS e não se aplica ao presente casa o entendimento do STF no RE nº 370.682/SC, de que foi relator o Ministro ILMAR GALVÃO; d) a diferença de IPI decorrente do estorno dos créditos desse imposto relativos à aquisição de insumos isentos, adquiridos na Zona Franca de Manaus, está extinta por força da coisa julgada formada nos autos do MSC nº 91.00477834 que é plenamente aplicável à IMPUGNANTE e e) é indevida a exigência de qualquer penalidade e juros de mora, nos termos do art. 100, I, parágrafo único, do CTN, e 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64.” Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2006 a 31/03/2011 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, somente sobre os produtos adquiridos com a isenção concedida aos produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidos por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa, e empregados como MP, PI e ME na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente notificado do julgado em 08/02/2012 (fl. 997), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/03/2012 (fls. 998/1034), reiterando os argumentos expendidos na impugnação, resumidamente conforme a seguir: (i) ocorrência da decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário, uma vez que o IPI é tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto não se aplica o art. 173, I, do CTN, e que (ii) a Recorrente tem o direito aos créditos escriturais relativo à aquisição de insumos isentos, pelos seguintes motivos: a) direito ao benefício previsto no art. 6º do Decretolei nº 1.435/75; b) do direito ao crédito escritural de IPI relativo à aquisição de insumos isentos de fornecedores situado na ZFM, à luz da jurisprudência do STF aplicável ao caso; c) da matéria Julgada em Mandado de Segurança Coletivo (MSC); e d) pela impossibilidade da exigência da multa, considerando o previsto no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.149 5 Pelo todo exposto, solicita que seja dado provimento ao presente recurso voluntário para reformar a decisão recorrida e cancelar integralmente o auto de infração. Os autos então foram encaminhados a este CARF para julgamento e foi, então, apreciado pelo Colegiado, que decidiu pelo sobrestamento do recurso, por força do art. 62A, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda n° 256 de 2009 (vigente à época), bem como da Portaria do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais n° 01 de 03/01/2012, levandose em consideração o Recurso Extraordinário nº 638.710 (RS). A Resolução nº 3201000.358, foi aprovada pelos membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara/3ª Seção deste CARF, conforme texto abaixo reproduzido: "Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, aplico o art. 62A, § 1°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2°, § 2°, I, da Portaria CARF nº 001, de 2012, para sobrestar o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A controvérsia destes autos gira em torno de duas frentes: (i) da alegada decadência do lançamento e (ii) matéria de direito, referente a créditos de IPI: ilegitimidade da glosa de créditos de insumos isentos referente ao produto denominado "concentrado, sem adição de frutas naturais", NBM 2106.90 da TIPI, produzido pela fornecedora RECOFARMA, originário da Zona Franca de Manaus (ZFM). Introdução Inicialmente cumpre esclarecer que, desde o início da vigência da Portaria MF nº 545, de 2013, os membros do CARF, não estão mais obrigados a sobrestar o julgamento de recursos, de ofício ou voluntário, cujos temas sejam objeto de repercussão geral ou recurso repetitivo pendente de decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, conforme o caso. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 i) Da alegada decadência Alega a Recorrente em seu recurso que deve ser aplicado ao caso sob análise o art. 150, § 4º, do CTN, que determina que a Fazenda tem cinco anos contados do fato gerador para exigir tributos lançados por homologação. Antes de nos debruçarmos sobre a legitimidade da alegação realizada pelo sujeito passivo, examinemos, se o lançamento ocorreu dentro do prazo legalmente previsto. Para a determinação do qüinqüênio decadencial que atinge o IPI, revelase como ponto fundamental a exata compreensão acerca da modalidade de lançamento a que esse imposto (IPI) se atém. Não há duvida de que, à luz da legislação tributária, nos termos do caput do art. 150 do CTN, combinado com os arts. 110 a 113 do RIPI/98 e 123 a 126 do RIPI/2002, o IPI se encontra sujeito ao lançamento do tipo “por homologação”, no qual cabe ao sujeito passivo (contribuinte), sob a sua exclusiva iniciativa e responsabilidade, o dever de apurar e pagar, relativamente a cada período, o quantum devido desse imposto, antecipadamente a qualquer exame por parte da autoridade administrativa, e a esta cabe a homologação expressa ou tácita, após cinco anos do fato gerador. De acordo com referido artigo do CTN, para que se configure o lançamento por homologação, é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte: Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. (grifo nosso) Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, aplicável também se demonstrada fraude ou simulação (cujo conceito envolve o dolo). Em tais hipóteses, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.150 7 Essa questão, inclusive, já foi examinada pelo STJ no âmbito do REsp 973.733 (SC), acórdão o qual foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, portanto, de observação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no § 2º do artigo 62 de seu Regimento Interno RICARF. Com efeito, referido julgado está em sintonia com a fixação do dies a quo para a contagem do prazo decadencial nos termos acima defendidos, conforme se observa de seu teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (Destaques do original) Posto isto, para que esse tipo de lançamento fique consumado, é imprescindível a ocorrência de um pagamento anterior, eis que a homologação, ato exclusivo da autoridade administrativa, pressupõe obrigatoriamente a existência deste. Assim, há que se distinguir entre os fatos geradores em que houve pagamento antecipado e, portanto, passíveis de homologação e os períodos em que não houve pagamento. No caso concreto, como bem asseverado na decisão a quo, conforme se verifica nas cópias do Livro de Apuração de IPI (fls. 282/387), constatase que não houve pagamento antecipado em DARF, em nenhum dos períodos de apuração do ano de 2006, e portanto, a princípio, não haveria que se falar em homologação tácita ou expressa, e a análise da decadência deveria ser feita como no lançamento de ofício, que é regido pelo art. 173, I, do CTN. Consta dos autos que a Recorrente foi cientificado da lavratura do Auto de Infração em 13/06/2011 (fls. 516/517), ocasião em que ocorreu o lançamento do IPI para o período entre 01/06/2006 a 31/03/2010 (fls. 440/443 do Relatório Fiscal, anexo ao Auto de Infração). No presente caso, em que não houve pagamento do IPI, a regra a ser seguida é a do artigo 173, I, do CTN, o qual estabelece que o prazo para a constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser exigido. Nestes autos, o fato gerador mais antigo ocorreu para o primeiro período de junho/2006 (10/06/2006), de maneira que o prazo decadencial iniciaria em 01/01/2007. O lançamento, no entanto, aconteceu em 13/06/2011 (data da ciência no Auto de Infração às fls. 516 e 517), portanto, antes de transcorrer o prazo de 05 (cinco) anos. No entanto, temos uma particularidade que deve ser observada com cautela no caso sob análise. Vejase: Por entender que nos casos de creditamento indevido, sem acusação do cometimento de fraude, prevalece a regra definida no art. 150 do CTN, em razão da disposição específica do art. 124, III, do Regulamento do IPI (art. 183, III, do RIPI/2010), abaixo transcrita com destaque (grifouse): Art.124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art.150 e §1º, Lei nº 9.430, de1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.151 9 Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Entendo que o objetivo desse dispositivo é compatibilizar as normas de apuração do imposto, em face do princípio da não cumulatividade, àquelas do Código Tributário Nacional relativas ao lançamento por homologação. Mais claramente, dispor sobre os casos em que o contribuinte nada recolhe (em DARF) simplesmente porque entende nada ter a recolher. Registrese, por isso, que só estamos julgando a decadência sob o comando de tal dispositivo, referente ao período de apuração no exercício de 2006, conforme fica demonstrado na cópia do Livro Apuração do IPI (fls. 289/309) e nos Demonstrativos de Reconstituição da Escrita Fiscal elaborado pelo Fisco (fls. 487/494 e 497/507), em que aparentemente nada foi recolhido em DARF naquele período, dado que o montante dos créditos que o contribuinte entendia possuir eram suficiente para "liquidar" todo o débito do período. Como se sabe, muito se discutiu a doutrina acerca da necessidade de efetivo recolhimento para que a decadência se contasse na forma do art. 150, do CTN. No tentando se observa que quando de efetivo recolhimento em DARF, a situação é rigorosamente a mesma, a menos que se tenha viabilizado de forma dolosa, o recolhimento, ainda que a menor que o devido, entendo que tem a força de manter o prazo decadencial contado na forma do art.150, do CTN, por força do artigo 124, III, do RIPI. Como se vê, no caso, a fiscalização não fez acusação de atitude dolosa por parte do autuado e, coerentemente, não qualificou a multa aplicada. Contudo, o dispositivo regulamentar é de clareza vítrea: somente créditos admitidos pelo regulamento são aptos a caracterizar o pagamento antecipado. No caso concreto não ocorreu o pagamento antecipado alegado pela defesa, porque os créditos utilizados na dedução dos débitos não eram admitidos pelo regulamento, como restará demonstrado quando da análise do mérito. Com a glosa desses créditos indevidos, em lugar dos saldos credores apurados pelo contribuinte Livro de Apuração do IPI à fl. 289, surgiram saldos devedores apurados pela fiscalização, conforme demonstrativo de fl. 497. Portanto, concluise que não houve pagamento antecipado nos períodos junho a dez 2006 (que poderia estar alcançado pela decadência), devendo ser considerado hígido o lançamento em relação a esses períodos de apuração. ii) Do benefício previsto no art. 6º do Decretolei nº 1.435/75; Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 A Recorrente alega em seu recurso que teria direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos (tratase de concentrado sem adição de frutas naturais NBM 2106.90 da TIPI), elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, isenção esta fundamentada no art. 82, III, do RIPI/02, sob o seguinte entendimento: (...) "é fato incontroverso, reconhecido pelo próprio auto de infração, que constam das notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora do concentrado (RECOFARMA) a referência de que esse insumo é (e foi) beneficiado também pela isenção prevista no art. 82, III, do RIPI/02, assegurando ao adquirente (no caso, a RECORRENTE) o crédito de IPI relativo a sua aquisição (art. 6º, § 1º, do DL n° 1.435/75)". Com efeito, o art. 6º, §§ 1º e 2º, do Decreto Lei n° 1.435, de 1975, determina que os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA, são isentos de IPI para o respectivo fabricante e geram crédito de IPI para o adquirente: "Art 6o Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4o do art. 1º do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º. Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2o Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA" (grifouse). Verificase, portanto, que o benefício isencional, em análise, é devido a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental (§ 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967). No caso, tratase de um benefício regional visando o desenvolvimento urbano da região norte do Território Nacional, concessão fiscal esta em consonância com o parágrafo único do artigo 176 do Código Tributário Nacional, assim redigido: Art. 176. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em condições a ela peculiares. Ao se examinar o caput do artigo 6° do Decretolei n° 1.435/75, não deixa qualquer dúvida que estamos frente a uma isenção objetiva, uma isenção em virtude da coisa, em razão do produto, quando estatui, expressamente, que estão isentos os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária. Neste contexto, vejamos o que preceitua o Regulamento do IPI RIPI/2002, em seu art. 82, item III. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.152 11 “Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decreto lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decreto lei nº 1.593, de 1977, art. 34).” Verificase que a norma concede isenção para estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, desde que os produtos sejam elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, exigese que na composição dos produtos sejam aplicadas matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na região. A controvérsia gira em torno da interpretação da lei, mais especificamente, quanto à abrangência do vocábulo "regional", contido no art. 6º, do Decreto Lei nº 1.435/75. A Recorrente entende que esse vocábulo tem o significado/interpretação que já teria sido chancelada pela própria SUFRAMA. Por sua vez, a Resolução CAS nº 356/2007, citada em seu Recurso, reconheceu ao fornecedor do concentrado (produção da RECOFARMA), o direito à isenção do art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75, condicionado a uma série de requisitos, entre os quais, "a utilização de matéria prima regional na fabricação do produto, no mínimo conforme termos do projeto aprovado." É certo que o objetivo do Decreto Lei nº 1.435/75, foi o de fomentar a expansão econômica da região com menor desenvolvimento econômico do país e de propiciar a ocupação dessa região, ou seja: "medidas de estímulo ao desenvolvimento da agropecuária e da agroindústria, voltadas para o abastecimento local e para a utilização de matériasprimas regionais". Consta das normas, que o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (PPB), que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6° do DL n° 1.435/1975, bem como para estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos, consoante o art. 176 do CTN. Quanto a isso não resta dúvida. Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal do Brasil, órgão da Administração Tributária, a fiscalização do Imposto Sobre Produtos Industrializados, conforme o estabelecido no art. 91 da Lei nº 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, ao contrário do alegado, não há impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem o alcance do Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 vocábulo "regional" contido no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, uma vez que a Resolução CAS nº 356/2007 citada, não se pronunciou a respeito. Ainda sobre a competência da fiscalização do IPI, vejase o que reproduz os arts. 505 e 506, do RIPI atual Decreto nº 7.212. de 2010 (grifouse): Art. 505. A fiscalização do imposto compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 91,e Lei no11.457, de 2007, art. 2o). Parágrafo único. A execução das atividades de fiscalização compete às unidades centrais, da referida Secretaria, e, nos limites de suas jurisdições, às suas unidades regionais e às demais unidades, de conformidade com as instruções expedidas pela mesma Secretaria. Art. 506. A fiscalização será exercida sobre todas as pessoas, naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142 e 194, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 94). Retornando a questão do direito ao crédito, verificase que no Decreto Lei nº 1.435/75 o vocábulo "regional" só foi empregado uma única vez no art. 6º. Esse mesmo artigo 6º, remete o leitor à área definida no § 4º do art.1º do Decreto Lei nº 291/67. Art. 1º. (....). § 4º Para os fins deste Decretolei a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. E mais, tendo em vista que se trata de isenção, deve incidir o comando do art. 111, II, do CTN, que determina que as normas sobre isenção devem ser interpretadas de forma literal (grifo nosso). Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; iii) Do Alcance da isenção para produtos elaborados com matérias primas da ZFM, no caso "concentrado sem adição de frutas naturais" NBM 2106.90 da TIPI. Repisandose a Recorrente alega que constam das notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora do concentrado (RECOFARMA) a referência de que esse insumo é beneficiado pela isenção prevista no art. 82, III, do RIPI/02, assegurando ao adquirente (no caso, a Recorrente) o crédito de IPI relativo a sua aquisição (art. 6º, § 1º, do DL n° 1.435/75) e dessa forma, considerando que essas notas fiscais são documentos idôneos e têm validade fiscal, a Recorrente, na qualidade de adquirente de boafé, teria direito à manutenção do referido crédito de IPI. Por outro giro, na decisão da DRJ chegouse a conclusão que a empresa RECOFARMA utilizaria, para fabricação do concentrado, produtos intermediários, e não Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.153 13 matériasprimas agrícolas ou extrativistas vegetais de produção regional e que o beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75, não estaria incluído na Resolução do Conselho Administrativo da SUFRAMA (CAS) n° 387/93. Quanto a esse tema, no corpo de seu recurso a Recorrente reproduz parte das seguintes normas: Resolução SUFRAMA/CAS nº 201/2001, Resolução SUFRAMA/CAS nº 387/1993 e Resolução SUFRAMA CAS nº 298/2007, bem como do Parecer Técnico nº 88/93, Parecer Técnico de Acompanhamento nº 35/97, e ainda uma Declaração emitida pela SUFRAMA, com o seguinte teor (fls. 1.008 a 1.011) grifouse: "DECLARAMOS, para os devidos fins, atendendo requerimento da interessada sobre o protocolo N° 01229/95, que a empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA. obteve a aprovação através da Resolução N° 387/93CAS, de 03 de novembro de 1993, para a fabricação dos produtos concentrado e base para bebida, edulcorante e caramelo concentrado estando obrigada a atender o Processo Produtivo Básico constante do item III 20 do Parecer Técnico n° 088/93 SAP/DEPRO, conforme o exigido no item IV.1 da citada Resolução. Por fim, ressalvase que a Resolução n° 387/93CAS, concedeu à empresa o gozo dos benefícios fiscais previstos, entre outros, pelo DecretoLei N° 1.435, de 16 de dezembro de 1975." Vejase também a Resolução SUFRAMA nº 298/2007, que se encontra reproduzida nos trechos que interessa ao desinde da matéria: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA RESOLUÇÃO N.° 298 , DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007 O CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA, no uso da competência. prevista no artigo 4* inciso I, alínea c do Capitulo IV, dd Decreto N.* 4.628, de 21 de março de 2003; CONSIDERANDO os termos do Parecer Técnico de Projeto Nº 224/2007 SPR/CGPRVCOAP1, da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA;submetido a este Colegiado em sua 230ª Reunião Ordinária realizada em 11 de dezembro de 2007; CONSIDERANDO o disposto nos artigos 8° e 20 do Regimento Interno do Conselho de Administração da SUFRAMA, resolve: Art. 1° APROVAR o projeto industrial de ATUALIZAÇÃO da empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, na Zona Franca de Manaus, na forma do Parecer Técnico de Projeto Nº 224/2007 SPR/CGPRI/COAPt para produção de CONCENTRADO PAPA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9° do Decretolei Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, no Art. 6º do Decretolei N.° 1435. de 16 de dezembro de 1975, e legislação posterior. Art. 2° DEFINIR que a redução da alíquota do Imposto de Importação (II) relativo às matériasprimas, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira, utilizados na fabricação do produto constante do Art. 1° desta Resolução, será de 68% (oitenta e oito por cento), conforme parágrafo 4º do Art. 7º do DecretoLei N.° 288/67, com redação dada pela Lei nº 8.387/91. Art. 3o ESTABELECER para o produto CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS os seguintes limites anuais de importação dó insumos: 4° DETERMINAR sob pena de suspensão ou cancelamento dos incentivos concedidos, sem prejuízo da aplicação de outras cominações legais cabíveis: I o cumprimento, quando da fabricação do produto constante do Art. 1º desta Resolução, do Processo Produtivo Básico estabelecido na Portaria Interministerial nº 8 MPO/MICT/MCT, de 25 de fevereiro de 1998; II a utilização de matériaprima regional de origem vegetal na elaboração dos produtos constantes do art 1° desta Resolução, segundo o Art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75; III (...) IV (...) FLAVIA SKROBO T BARBOSA GROSSO Examinandose a Resolução acima, resta cumprido, assim, a nosso ver, o primeiro requisito exigido, qual seja, autorização da SUFRAMA. O projeto da RECOFARMA estava aprovado pela SUFRAMA, no entanto devendo ser respeitadas pela empresa as condições impostas no art. 4º da Resolução. Repisese que a expressão “produção regional” está prevista no já transcrito art. 6º, caput, do Decreto Lei nº 1.435, de 1975, posteriormente reproduzido no art. 84, inc. III, do RIPI/2002. Dentro desse contexto e para esclarecer a origem e a forma de produção do concentrado adquirido, o Fisco, conforme fls. 98 dos autos, intimou (Termo de Intimação Fiscal nº 004) a autuada a esclarecer qual seria a composição do produto "concentrado" (de coca cola e do Energético Burn), adquirido da empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, conforme item 1, alíneas “a” e “b” do referido documento. Em resposta, a Recorrente apresentou o documento (fls. 100), esclarecendo que a composição do concentrado de coca cola é: "(...) água gaseificada, açúcar, extrato de noz de cola, cafeína, corante caramelo IV, acidulante INS 338 e aroma natural, e a composição do concentrado do produto “Burn” é: água gaseificada, açúcar, glucoronolactona (250 mg), taurina (150 mg), cafeína (37 mg), inositol (30 mg) em 250 ml, extrato de guaraná, vitaminas B3 e B1, acidulante ácido Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.154 15 cítrico, regulador de acidez citrato de sódio, aroma idêntico ao natural, conservador benzoato de sódio, corante caramelo IV, corantes artificiais tartrazina e amarelo crespúculo". Constatase, portanto, que as matériasprimas utilizados na fabricação dos concentrados para bebidas não alcoólicas, são produtos (químicos) intermediários prontos, industrializados, e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condição necessária para a autuada creditarse do imposto nos termos do art. 6° do Decretolei n° 1.435/75. A fiscalização, no entanto, verificou que a condição do inciso II do art. 4º da Resolução SUFRAMA nº 298/2007, que é exatamente o requisito aqui apontado como “segundo” utilização de matériaprima regional, não havia sido cumprido. A Recorrente argumenta em seu recurso também que: "(...) na hipótese de a autoridade administrativa discordar da concessão desse beneficio, que é um beneficio condicionado, porque exigiu contraprestação por parte do industrial estabelecido na Zona Franca de Manaus, que se comprometeu a adquirir e utilizar insumos (açúcar e álcool) adquiridos de produtores da Amazônia Ocidental, deveria questionálo perante a própria SUFRAMA, para que esta, na forma do art. 57 da Resolução do CAS n° 201, de 31.08.2001 e do art. 2° da Portaria da SUFRAMA n° 160, de 17.06.2004, cancelasse o incentivo fiscal concedido, e não simplesmente desconsiderálo e lavrar auto de infração contra a RECORRENTE, adquirente de boafé do referido concentrado" (negritei). Mais uma vez entendo que a não assiste razão a Recorrente. Como se observa pelo já propalado art. 82, III, do RIPI/02 supracitado, a isenção prevista é condicionada ao atendimento dos seguintes critérios: (i) que o estabelecimento tenha projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa; (ii) que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional e (iii) que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental. Quanto ao argumento que não pode ser punida por fatos praticados por terceiros (RECOFARMA) e que ao tomar o crédito agiu de boa fé e em consonância com a jurisprudência administrativa. Aqui já se manifesta outra divergência, onde a Recorrente crê (a nosso ver, de forma equivocada) serem as manifestações da SUFRAMA insuscetíveis de apreciação pelo fisco. A SUFRAMA aprova “projetos”, como deixam claros os textos das normas aqui reproduzidos. Contudo, cabe à empresa que obtém a aprovação (no caso, à RECOFARMA) cumprir os requisitos normativos estabelecidos, entre os quais os de respeitar o PPB e de utilizar matériasprimas regionais de origem vegetal (informações prestadas às fls. 100). Assim, não está o fisco desconsiderando o projeto aprovado pela SUFRAMA (como parece entender a Recorrente), mas apreciando o respeito às normas que regem a matéria, especialmente o art. 6º do Decretolei nº 1.435/1975, de hierarquia inegavelmente superior à citada Resolução SUFRAMA, e que estabelece como requisitos para fruição não só a aprovação por aquele órgão. E mais. É a isenção um caso de exclusão ou, melhor dizendo, de dispensa do crédito tributário (artigo 175, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN). A isenção é a Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 dispensa do pagamento de um tributo devido em face da ocorrência de seu fato gerador e constitui exceção instituída por lei à regra jurídica da tributação (ADI nº 286, Min. Maurício Corrêa). É verdade também que a política tributária vigente na Zona Franca de Manaus (ZFM) é diferenciada do restante do país, oferecendo benefícios locacionais, objetivando minimizar os custos amazônicos. No entanto, compete a Administração Tributária, no exercício da fiscalização do IPI, por dever legal, avaliar os cumprimentos exigidos para a fruição das isenções de tributos produzidos naquela região. Muito embora a Recorrente alega que consta do Parecer Técnico de Acompanhamento nº 35/97 (SUFRAMA), que utiliza o açúcar liquido em sua linha de produção, adquirindo parte das matériasprimas, principalmente açúcar mascavo e álcool, dos produtores da Amazônia Ocidental, mais especificamente do Estado do Amazonas, entendo que a RECOFARMA não adquire matériaprima regional (como “açúcar mascavo e álcool”), mas sim produtos intermediários industrializados, descumprindo ainda o Processo Produtivo Básico (PPB) previsto no inciso VIII do art. 5º da Resolução nº 202, de 17/05/2006 e na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8, de 25/02/1998. No entanto, como muito bem analisou a decisão a quo, a qual me filio, ainda que fosse como alegado pela Recorrente que seriam produtos regionais, tais insumos açúcar e álcool seriam produtos já industrializados e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regionais, o que impede o gozo do benefício isencional consubstanciado no artigo 6° do Decreto lei n° 1.435/75. Da mesma forma em que não se pode interpretar de forma alargada o termo “regional”, não se pode ampliar a abrangência da expressão “matériasprimas” para contemplar algo que notoriamente não é matériaprima, mas produto intermediário industrializado. Verificase que o inciso VIII, do art. 5º da Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) n° 202 de 17/05/2006, determina que um dos requisitos para concessão de incentivo fiscal é o respeito ao Processo Produtivo Básico (PPB). Vejase: Art. 5º Os projetos submetidos à apreciação da SUFRAMA deverão atender, cumulativamente, aos seguintes objetivos e condições para a concessão e fruição dos benefícios fiscais: VIII atendimento ao Processo Produtivo Básico (PPB) exigido para seus produtos. Posto isto, concluise que as matérias primas dos concentrados, adquiridos com isenção, tratamse de produtos intermediários industrializados e não de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condição necessária para a autuada creditarse do imposto nos termos do art. 6° do Decreto lei n° 1.435/75. Portanto, se o produto adquirido pela Recorrente não é aquele cuja natureza específica está contemplado na norma isencional (art. 6° do Decreto lei n° 1.435/75), não há como pretender se creditar do imposto (IPI), como se devido fosse. iv) Do direito ao crédito ESCRITURAL de IPI aquisição de insumos isentos de fornecedores situado na ZFM jurisprudência do STF. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.155 17 Aduz a Recorrente que tem direito aos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), no produto "concentrado sem adição de frutas naturais" NBM 2106.90 da TIPI, oriundos da Zona Franca de Manaus e utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes), pelos fundamentos desenvolvidos em seu recurso. Primeiramente, fazse necessário verificar o consignado no Relatório Fiscal (fl. 440), onde o Fisco, em seus itens 9 a 11, deixa consignado o conforme abaixo reproduzido: "(...) 9 Em procedimento de fiscalização constatamos que a fiscalizada vem efetuando o registro de créditos de IPI calculado como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção de fornecedor RECOFARMA situado na Zona Franca de Manaus (concentrado sem adição de frutas naturais –NBM 2106.90 da TIPI); 10 Referente ao período de 01 de junho de 2006 a 30 de setembro de 2007, a fiscalizada destacou na coluna “Outros Créditos”, no Livro de Apuração de IPI (cópias anexas a este processo), os créditos ora glosados relativos ao fornecedor RECOFARMA. 11 A partir de 01 de outubro de 2007 a fiscalizada passou a incluir tais créditos na linha relativa ao CFOP 2.101, do livro de apuração do IPI. Assim a autuação se deu conforme a relação das notas fiscais, discriminadas no “Demonstrativo de Auditoria Fiscal – Glosa de IPI”( anexo a este processo). Como se vê, a discussão que deve ser travada diz respeito à possibilidade de aproveitamento na escrita fiscal de créditos de IPI referentes às aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Sobre crédito do IPI de produtos isentos, tal matéria foi tratada com maestria no voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 0203.029, da Segunda Turma da CSRF, que utilizo no presente voto e que também adoto como razões de decidir, conforme disposto no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999. Vejase a reprodução de partes do referido Acórdão: "(...) A solução da primeira questão cingese em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito ao ressarcimento de créditos desse tributo referente à aquisição de matéria prima isenta. A controvérsia tem como "pano de fundo" a interpretação do principio constitucional da não cumulatividade do imposto. A não cumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria prima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3°, inc. II, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: I omissis IV produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: I omissis II será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores:" (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação. “Art. 49. O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.”. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da não cumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art.146 do Decreto nº 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei nº 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da não cumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea "a" do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.156 19 "Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matérias primas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matéria prima em virtude de isenção, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a não cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como "imposto contra imposto" (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada "base contra base", (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base) é adotada, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase "a" está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregou se, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase "a" forem taxados em 5% e o da "h" em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase "a": valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase "b": valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto, adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da não cumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tão somente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o principio da não cumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.157 21 de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos tributados não constitui, absolutamente, afronta ou restrição ao princípio da não cumulatividade do IPI ou a qualquer outro dispositivo constitucional." O conteúdo desse voto demonstra o conhecimento do atual Presidente da 3ª Seção deste CARF acerca da matéria igualmente tratadas nestes autos. Traz uma minuciosa explanação teórica sobre os sistemas adotados em nossa legislação quanto ao IPI. Sabese que o crédito escritural de IPI não é crédito presumido em que são supostas incidências do imposto em cadeias anteriores e estipulada uma alíquota média para compensação do gravame. Aliás, é a própria Constituição Federal, no parágrafo 6º do artigo 150, que impõe a existência de lei específica, com exclusiva regulamentação, para que se concedam créditos ou redução da base de cálculo. Em seu recurso a Recorrente alega que o STF, em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484 (RS), em matéria idêntica a essa, já concluiu que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (portanto, com o beneficio da isenção subjetiva regional) e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do principio da nãocumulatividade, em razão da sua autoaplicabilidade. Como base nisso, solicita ao colegiado aplicação do § 2º do art. 62, do RICARF, para estender aquela interpretação ao caso concreto E prossegue afirmando que: "(...) tanto é assim que o Plenário do STF, em 22.10.2010, nos autos do RE n° 592.891(SP), reconheceu a existência de repercussão geral da questão especifica concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos beneficiados por isenção subjetiva, ou seja, oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus". Vejase: "REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 5928911. No presente recurso extraordinário, interposto com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, a União aponta violação ao art. 153, § 3", II, pelo acórdão recorrido, o qual reconheceu o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus" Entende que ã invocação previsão constitucional de incentivos regionais constante do art. 43, § Io, II, e § 2°, III, não justifica exceção ao regime da nãocumulatividade, que, no entendimento desta Corte, não daria direito ao creditamento de IPI que não tenha sido suportado na entrada. 2.A questão é relevante na medida em que o acórdão recorrido estabeleceu uma cláusula de exceção à orientação geral firmada por esta Corte quanto à nãocumulatividade do IPI, o que precisa ser objeto de análise para que não restem dúvidas quanto ao seu alcance. Relevante, ainda, porque a questão extrapola os interesses subjetivos da causa. 3.Assim, manifestome pela existência de repercussão geral da questão constitucional." Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 (DJe de 25.11.2010 grifos da RECORRENTE) Entendo que a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não beneficia a recorrente, pois com no julgamento do RE nº 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no citado RE 592.891 (SP), a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484 (RS), impedindo este colegiado de aplicar o § 2º do art. 62 do RICARF, para estender aquela interpretação ao caso concreto. Não foi por outro motivo que este colegiado sobrestou na época, o julgamento deste recurso enquanto vigeram os §§ 1º e 2º do art. 62A do antigo RICARF. Portanto, entendo inaplicáveis ao caso concreto, como alegado pela Recorrente, o contido nos RE nº 212.484 (RS) que não vincula o julgamento por este CARF. Além do mais, o STF mudou a interpretação do RE 212.484 (RS), ao julgar os RE nº 353.657 (PR) e 370.682 (RS), que ao contrário do que afirma a impugnante, ser inequívoco que o IPI relativo à aquisição de insumos isento dá direito a crédito, o STF alterou seu entendimento no sentido de que não há direito ao crédito nos casos de aquisição de insumos não onerados pelo IPI, incluída a isenção, como se constata pela citação a seguir, em recente julgado no RE nº 398.365 (RS), com Repercussão geral: 27/08/2015 PLENÁRIO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO nº 398.365 RIO GRANDE DO SUL RELATOR :MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) :MÓVEIS BENTEC LTDA ADV.(A/S) :CAROLINA FAGUNDES LEITÃO E OUTRO(A/S) Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Ministro GILMAR MENDES Relator Ainda, na mesma linha, relativamente às aquisições de insumos tributados à alíquota zero, merece ser mencionada a Súmula CARF n° 18: “A aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” Este entendimento é também corroborado por diversas decisões da 3ª Turma da CSRF, a exemplo dos acórdãos unânimes abaixo transcritos: Acórdão nº 9303001.612 3ª Turma CSRF Relator(a)HENRIQUE PINHEIRO TORRES Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.158 23 Data da Sessão: 30/08/2011 EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1991 a 31/08/1997 IPI. Glosa de Créditos Básicos. Aquisições de Insumos Isentos. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da não cumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. Acórdão nº 9303001.617 3ª Turma CSRF Relator(a) JULIO CESAR ALVES RAMOS. Data da Sessão 30/08/2011 EMENTA:IPI.CRÉDITOS. INSUMOS ISENTOS. Não há direito de crédito de IPI em relação a produtos adquiridos sem o efetivo gravame do imposto, seja a título de isenção, redução a zero da alíquota ou não tributação, desde que a CF e o CTN apenas o admitem quando haja imposto pago ou devido nas operações anteriores. Há que se repisar ainda, que restou assentado neste voto, que os produtos adquiridos pela autuada junto a empresa RECOFARMA não atende as condições e requisitos do art. 6°, § 1° do Decreto lei n° 1.435/75, por não possuírem em sua composição matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. No caso dos autos, a fase anterior foi completamente desonerada em virtude da isenção. Portanto, na esteira de raciocínio adotada, afasto a possibilidade de aproveitamento na escrita fiscal de créditos de IPI referentes às aquisições de insumos isentos. Por essa razão, além da falta de previsão legal, não é possível que seja admitido crédito de imposto que não tenha sido pago na aquisição dos insumos. v) Da coisa Julgada Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834. A recorrente alega que se superadas os argumentos anteriores, sustenta que teria odireito aos créditos de IPI em questão, porque a coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834, assegurou aos associados da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca Cola (AFBCC) o direito de se creditar do IPI relativo à aquisição de insumo isento (por norma de isenção subjetiva regional aos concentrados), adquirido de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, utilizado na industrialização dos seus refrigerantes sujeitos ao IPI, uma vez que os seguintes fatos são incontroversos: (i) que a RECORRENTE integra a Associação AFBCC; e (ii) que em 14.08.1991, com fundamento no art. 5º, LXX, da Constituição Federal de 1988, a AFBCC impetrou o MSC n° 91.00477834, requerendo MEDIDA LIMINAR, para os seus ASSOCIADOS não serem compelidos a estornar o crédito do IPI, incidente sobre as aquisições de matéria prima isenta a fornecedor situado no Zona Franca de Manaus: Vejase: "6. DO PEDIDO Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 6.1. Por todo o exposto, a IMPETRANTE requer: a) o deferimento, inaudita altera pars, de MEDIDA LIMINAR, para os seus ASSOCIADOS não serem compelidos a estornar o crédito do IPI, incidente sobre as aquisições de matéria prima isenta a fornecedor situado no Zona Franca de Manaus (concentrado código 2106.90 da TIPI) (RIPI,art. 45, XXI), utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes código 2202.90, da TIPI)), cuja saída é sujeita ao IPI) dandose ciência aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os ASSOCIADOS. b) a notificação do IMPETRADO, para que preste informações sobre prazo legal, a intimação da UNIÃO FEDERAL e que seja ouvido o Ministério Público; e c) ao final, a concessão deste mandado de segurança nos termos do item 6.1.a), supra, confirmandose a liminar então já deferida." (grifo do original). Nessa esteira, me filio ao decidido pela DRJ, que em consonância com o contido no Parecer PSFN/SOROC n° 11/2011 de fls. 388 a 421, que demonstra, muito bem, que não há coisa julgada material em favor da autuada, não sendo alcançada pelos efeitos das decisões emanadas citadas no referido Parecer. Mas se tal circunstância não bastasse, pela leitura da citação acima, referente especificamente à petição inicial no Mandado de Segurança Coletivo, temos que trata o pedido de matéria prima utilizada na industrialização de produtos classificados na TIPI sob o código 2202.90 (refrigerantes). O feito judicial é deferido na forma em que proposto, ou seja, abrange somente aquisições de matéria prima utilizada na industrialização de produto sob o código 2202.90, em face do que dispõe o artigo 460, da Lei nº 5.869/73: Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. A DRJ, elaborou consulta à DIPJ/2007 a DIPJ/2011, fichas relativas às saídas de produtos industrializados, observando que somente constam saídas de produtos com as classificações 2106.90, 2201.10, 2202.10, 2203.00 e 3923.10. A conclusão foi a de que a Ação Judicial não abrange a Recorrente, uma vez que as aquisições da matéria prima isenta oriunda da Zona Franca de Manaus não foi utilizada em produtos classificados na TIPI sob o código 2202.90. Neste ponto em específico, entendo não ter razão a DRJ, pois a ação coletiva foi proposta em 1991, na vigência da TIPI aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23/12/1988, na qual os refrigerantes produzidos pelos fabricantes se classificavam na posição 2202. Os fatos geradores objeto do presente lançamento ocorreram entre 2006 e 2010, quando estavam em vigor as Tabelas de Incidência aprovadas pelo Decreto nº 4.542, de 26/12/2002 e Decreto nº 6.006, de 28/12/2006, por meio das quais os refrigerantes passaram a ser classificados sob o código 2202.10. Tratamse dos mesmos produtos que na época do ajuizamento da ação eram classificados sob o código 2202.90 e que nas tabelas seguintes passaram a ser enquadrados no código 2202.10. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.159 25 No entanto, no tocante aos substituídos na Ação Coletiva, tais documentos comprovam que o mandado de segurança coletivo foi impetrado no Rio de Janeiro, exclusivamente em face de atos que viessem a ser praticados pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ). No caso concreto, o contribuinte está localizado no Município de Sorocaba (SP), sob a jurisdição de autoridade administrativa distinta da arrolada no polo passivo do mandado de segurança coletivo. Portanto, a decisão judicial coletiva é inaplicável à recorrente, pois ela se encontra domiciliada na circunscrição fiscal da DRFSorocaba (SP). A decisão proferida no Mandado de Segurança Coletivo somente beneficia os substituídos domiciliados na circunscrição fiscal da DRF Rio do Janeiro (RJ). Esse entendimento, quanto à inaplicabilidade da decisão coletiva aos associados com domicílio fora do Rio de Janeiro, foi ratificado pelo Supremo Tribunal Federal na Reclamação 7.7781/SP, em relação à associada localizada na cidade de Ribeirão Preto SP, cuja decisão foi publicada no DJE nº 124/11, conforme se pode verificar em consulta à página de jurisprudência do STF na internet: (https://www.stf.jus.br/arquivo/djEletronico/DJE_20110629_124.pdf.) vi) Da impossibilidade de exigência de Multa de Ofício. Alega a recorrente que a jurisprudência administrativa já reconheceu o direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com beneficio da isenção subjetiva regional) utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, em observância ao entendimento do Plenário do STF, conforme se observa dos acórdãos reproduzidos no corpo do de seu recurso e também que foram proferidos pela Segunda Turma da CSRF (Acórdão CSRF n° 02 02.357, de 24.07.2006) e pela Segunda Câmara do Terceiro CC (Acórdão n° 20216485, de 10.08.2005), respectivamente. Nesse passo, não caberia a exigência de multa no presente caso, nos termos do art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64 (atual art. 567 do RIPI, Decreto nº 7.212, de 2010). Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrivel de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado." Pois bem. A multa de ofício, proporcional ao montante do tributo devido (no caso, 75%), é a penalidade pecuniária pespegada pelo não pagamento do tributo vinculado ao fato gerador ocorrido. A multa é uma das modalidades de punição aplicáveis, isolada ou cumulativamente, às infrações à norma jurídica tributária. As irregularidades atinentes ao lançamento e recolhimento do imposto em exame são apenadas da seguinte maneira, de acordo com o art. 488, I e II, do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 2002, tendo como matriz legal a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 80, e a Lei nº 9.430, de 1996, art. 45. O fundamento legal para a multa de ofício consignado no auto de infração é exatamente o acima referido (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, com a redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996, art. 45). Mais uma vez não assiste razão a Recorrente, pois a penalidade pecuniária, que ostenta suporte legal, foi corretamente aplicada no patamar básico de 75%, em virtude da insuficiência de lançamento do imposto, que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos inexistentes, que está comprovada plenamente nos autos. Em relação ao art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, entendo que não há espaço para aplicação deste artigo, pois esse dispositivo legal não foi recepcionado pelo art. 100 do CTN, que passou a exigir que as decisões administrativas tivesse caráter normativo, com base em disposição literal de lei. Neste espeque, me filio ao posicionamento externado em voto proferido em julgamento recente, que foi acolhido de forma unânime naquela turma, Acórdão nº 3403 003.323, sessão de 15.out.2014, conforme a seguir: "(...) Embora esse dispositivo legal realmente autorizasse a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...)", ele não mais pode ser aplicado porque encontrase tacitamente revogado desde outubro de 1966. O art. 2º, § 1º da Lei de Introdução ao Código Civil, estabelece que a lei posterior revoga a anterior quando regule inteiramente a matéria que tratava a lei anterior. Ora, no caso concreto, o art. 100, II, do CTN tratou de modo totalmente diferente a dispensa de penalidade em razão da observância de decisões administrativas, passando a exigir que estas possuíssem eficácia normativa. Considerando a revogação tácita da lei anterior e também a inexistência de lei atribuindo eficácia normativa às decisões mencionadas no recurso, deve ser mantida a penalidade sobre o crédito tributário remanescente neste processo". Como se vê, posteriormente à edição da Lei no 4.502/1964, foi editado o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), recepcionado como Lei Complementar pela Constituição Federal de 1988, que assim dispôs no seu art. 100, incs. I e II e parágrafo: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; ... Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.160 27 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Logo, carece de fundamento a argumentação que visa afastar a aplicação de penalidade, devendo ser mantida a exigência de multa de ofício, conforme enquadramento legal feito no auto de infração, a saber, o art. 80, caput, da Lei 4.502/1964, com a redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996, art. 45. Concluindo, não devese, portanto, reconhecer a vigência do art. 76, II, “b”, da Lei nº 4.502/64 e sua aplicação no caso concreto. vii) Conclusão Pelo todo exposto e com tais fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente a decisão recorrida. assinado digitalmente Waldir Navarro Bezerra Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator Designado. No que concerne à exclusão da penalidade com base no art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64, por ter o contribuinte observado as decisões administrativas da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no passado reconheceram o direito de crédito sobre insumos isentos, atrevome a discordar dos meus pares conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Embora o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 realmente autorizasse a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...)", ele não mais pode ser aplicado porque encontrase em desarmonia com o art. 100, II, do CTN, que passou a disciplinar de maneira diversa a questão relativa à dispensa ou redução de penalidades. O art. 100, II, do CTN tratou de modo totalmente diferente a dispensa de penalidade, em razão da observância de decisões administrativas, passando a exigir que essas decisões possuam eficácia normativa, o que não ocorre com os julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A defesa alegou que o art. 97, VI, do CTN autoriza a lei a estabelecer hipóteses de dispensa ou de redução de penalidades, o que legitimaria sua pretensão em aplicar o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Ora, o art. 97, VI, do CTN em nada altera a conclusão de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Isso porque uma lei complementar tem a função de impedir que o legislador ordinário regule certas matérias ao seu belprazer. Admitir que o art. 97, VI, do CTN possa permitir que uma lei ordinária disponha de forma contrária ao que está estabelecido no art. 100, II, do CTN é transformar esse dispositivo em letra morta. Dessa forma, não resta nenhuma dúvida de que o art. 100, II, do CTN subtraiu do legislador ordinário a possibilidade de dispor sobre dispensa ou redução de multas em desconformidade com o que nele está previsto. Por tais motivos é que nos mantemos firmes na convicção de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico a partir do advento do CTN. Entretanto, conforme bem apontou a defesa, os Regulamentos do IPI têm considerado que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 está vigente e eficaz, conforme se pode conferir no art. 567, II, do RIPI 2012 e também no art. 486, II do RIPI 2002. Sendo assim, embora os regulamentos dos outros tributos não tenham contemplado a vigência do art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, é fora de dúvida que tal disposição foi mantida por meio dos decretos que instituíram os regulamentos do IPI, devendo tais decretos serem observados de forma obrigatória pelo CARF, a teor do que dispõe o art. 26 A do Decreto nº 70.235/72. Nesse passo, cumpre a este colegiado verificar se existia decisão irrecorrível da CSRF reconhecendo o direito de crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos na época dos fatos geradores abrangidos por este processo. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.161 29 Em pesquisa na página de jurisprudência do CARF na internet constatei que no Acórdão CSRF/021.212, de 11/11/2002, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito ficto com base na extensão administrativa dos efeitos do RE 212.484 a um caso concreto semelhante ao ora analisado, ou seja, crédito ficto de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas produzidas na Zona Franca de Manaus (DL nº 288/67). Naqueles tempos, a CSRF, por maioria de votos, realmente estendia os efeitos do RE 212.484 a todos os contribuintes para reconhecer o direito de crédito sobre aquisição de qualquer insumo isento. Esse reconhecimento ocorria de forma ampla, tanto para insumos adquiridos da ZFM, quanto para qualquer outro insumo produzido em qualquer ponto do território nacional. No que concerne ao direito ao crédito ficto pela aquisição de insumos em geral, a partir de 2008 houve alteração no entendimento da CSRF, cessando a prolação de acórdãos que reconheciam esse direito com base na extensão administrativa dos efeitos do RE 212.484, conforme se pode comprovar pelo exame dos seguintes julgados: CSRF/0202.979, de 29/01/2008; CSRF/0203.029, de 05/05/2008; CSRF/0203.071, de 05/05/2008 e CSRF/02 03.585, de 25/11/2008; 930301.274 e 930300.854, ambos de 2010; 9303001.617, 9303 001.612, e 9303001.448, todos de 2011; e 9303002.188, de 2013. No que tange ao caso específico do crédito ficto sobre matériasprimas isentas originárias da Zona Franca de Manaus, a CSRF somente alterou seu entendimento no Acórdão nº 9303003.293, de 24 de março de 2015, que foi proferido especificamente em relação à isenção concedida para empresa localizada na Zona Franca. Desse modo, se entre novembro de 2002 e março de 2015 vigeu o entendimento estampado no Acórdão CSRF/0201.212, de 11/11/2002, no sentido de que os contribuintes poderiam tomar o crédito ficto de IPI com base na interpretação contida no RE 212.484, então deve ser aplicada a restrição à imposição de penalidades previstas nos arts. 567, II, do RIPI 2012 e art. 486, II do RIPI 2002, in verbis: "(...) Não serão aplicadas penalidades: I omissis... II aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, II); (...)" Considerando que no caso concreto o período abrangido pelo auto de infração está compreendido entre novembro de 2002 e fevereiro de 2015, atrevome a divergir do ilustre relator, para votar no sentido de excluir a multa de ofício, pois mesmo que se considere ineficaz o art. 76, II da Lei nº 4.502/64, este colegiado está vinculado ao disposto no art. 468, II, do RIPI/2002 por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Antonio Carlos Atulim (assinado digitalmente). Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 Declaração de Voto 1. DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DO CONTRIBUINTE Inicialmente, é preciso esclarecer que, pelas notas fiscais juntadas aos autos, constato que fornecedora dos insumos, informava nas notas fiscais de saída que os concentrados para a produção de refrigerantes eram isentos do IPI por força dos artigos 69, incisos I e II e 82, inciso III do RIPI/2002. Isto significa que a Recofarma (fornecedor das mercadorias ao Contribuinte) usufruiu tanto da isenção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (artigo 9º do DecretoLei nº 288/67), quanto da isenção prevista para produtos industrializados na Amazônia Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75). Tendo isto em vista, antes de adentrar na discussão sobre o cumprimento ou descumprimento do regime jurídico de exoneração tributária e o consequente direito ao crédito de IPI ora sob análise (artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75), cumpre avaliar a existência ou não de coisa julgada em favor do contribuinte. Isto porque no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que o Contribuinte alega fundar seu direito, buscavase a tutela judicial para garantir o crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos estampada no artigo 9º do Decreto lei n. 288/67, haja vista que, para esta específica isenção, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à escrituração de crédito do IPI. Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende o Contribuinte que possui coisa julgada em seu favor, à medida que esta ação foi impetrada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), como substituta processual de seus associados. A seu turno a Fazenda Pública alega que a coisa julgada não beneficia o Contribuinte. Isto porque a ação foi manejada no Rio de Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte, cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise. A discussão acerca dos efeitos do julgamento do citado Mandado de Segurança Coletivo com relação às empresas associadas à AFBCC não é nova no CARF. Em julgamentos de casos semelhantes, este Conselho vem afastando a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, cuja decisão favorável aos contribuintes transitou em julgado em 02/12/1999, depois de negado o Agravo de Instrumento interposto no bojo do Recurso Extraordinário manejado pela União (e.g. Processo n. 10950.000026/201052, Acórdão n. 3403003.323, de 15 de outubro de 2014; e Processo n. 15956.720043/201316, Acórdão n. 3403003.491, de 27 de janeiro de 2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando da análise da Reclamação 7.7781/SP (apresentada por Associado da AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição do órgão prolator, vale dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.162 31 Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira, no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido: Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Assim, o limite da territorialidade pretende demarcar a área de produção dos efeitos da sentença, tomando em consideração o território dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos feitos. (grifei) Todavia, ouso, com a devida vênia, discordar do julgamento proferido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, razão pela qual entendo que esta decisão não merece guarida do CARF. Efetivamente, o julgamento da Reclamação n. 7.7781/SP recaiu em uma “vala comum” a qual não pertence, culminando em decisão totalmente dissociada do direito processual aplicável aos mandados de segurança coletivos de matéria tributária, bem como do caso concreto levado à apreciação do STF, e que agora merece uma análise mais cuidadosa deste Conselho. Neste sentido, vale salientar que, em consulta sobre o andamento processual da Reclamação n. 7.778 (apresentada por Companhia de Bebidas Ipiranga, associada que fora substituída pela AFBCC no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834) no sítio eletrônico do STF, constatase que foram opostos embargos de declaração ainda pendentes de julgamento. Assim, a decisão ainda não é final. Dito isto, passo à demonstração dos sucessivos equívocos que são cometidos ao se afastar a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834 dos membros da AFBCC. 1.1. Mandado de segurança coletivo como meio de tutela de direitos individuais homogêneos em contraposição aos instrumentos de tutela dos interesses transindividuais em juízo Desde já adianto que a confusão iniciada no julgamento da Reclamação n. 7.7781, que vem reverberando nos julgamentos do CARF, consiste em tratar o mandado de segurança coletivo (regulado pela Lei do Mandado de Segurança) como se fosse uma ação coletiva que visa provimento jurisdicional acerca de direitos transindividuais (ou coletivos em sentido lato). Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 Tal confusão tornase especialmente grave pois acarreta na indevida aplicação das regras que disciplinam a coisa julgada formada nas ações coletivas aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária, o que não se coaduna com o direito que cada uma desses instrumentos processuais visa tutelar, tampouco com a disciplina jurídica expressamente posta pelo ordenamento pátrio para cada uma dessas ações. O problema processual é de fato delicado, merecendo detida explanação. 1.1.1. Dos diferentes direitos tutelado nas Ações Coletivas e nos Mandados de Segurança Coletivos, acarretando em diferentes regimes jurídicos aplicáveis Não se deve confundir “direito coletivo” (= gênero do qual fazem partes as espécies direito coletivo em sentido estrito e direito difuso) com “defesa coletiva de direitos” (= defesa por meio de ações coletivas de direito individual homogêneo). 1 A mais abalizada doutrina sobre a matéria aponta que foi com o advento do Código de Defesa do Consumidor que insurgiu o errôneo e problemático tratamento dos direitos “individuais homogêneos” como espécie dos “direitos coletivos ou difusos”, acarretando na utilização equivocada de instrumentos processuais específicos para uma ou outra situação.2 Tal equívoco, de aplicação de regime jurídico incorreto ao mandados de segurança coletivo, como já aventado alhures, é exatamente o que aconteceu no julgamento da Reclamação n. 7.7781. Simplificando a classificação pincelada acima, temos que os direitos coletivos são direitos sem titular individualmente determinado e materialmente indivisíveis (e.g. meio ambiente, direito do consumidor, patrimônio histórico, cultural, etc). Os direitos individuais e homogêneos são totalmente distintos. Sobre sua conceituação, peço licença para fazer uso das palavras de Teori Zavaski, 3 que sintetiza o espinhoso assunto de forma didática: A expressão ‘direito individuais homogêneos’ foi cunhada, em nosso direito positivo, pelo Código de Defesa do Consumidor – CDC (Lei 8.078/90), para designar um conjunto de direitos subjetivos ‘de origem comum’ (art. 81, parágrafo único, III), que em razão de sua homogeneidade, podem ser tutelados por ‘ações coletivas’ (...). Não se trata, já se viu, de um novo direito material, mas simplesmente de uma nova expressão para classificar certos direitos subjetivo individuais, aqueles mesmo aos quis se refere o CPC no art. 46, ou seja, direitos que ‘derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito’ (inciso II) ou que tenham entre si relação de afinidade ’por um ponto comum de fato ou de direito’. (...) Tratase de direitos originados da incidência de um mesmo conjunto normativo sobre uma situação fática idêntica ou assemelhada. (grifei) O mesmo jurista, destaca então que o sistema processual brasileiro separou o tratamento desses direitos (direitos coletivos x direitos individuais homogêneos) em traçou dois 1 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 32. 2 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 33. 3 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, pp. 145 e 146. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.163 33 subsistemas distintos: i) o subsistema dos instrumentos de tutela dos direitos coletivos (ações civis públicas e ação popular), ii) subsistema processual dos instrumentos para tutelar coletivamente os direitos subjetivos individuais homogêneos (ações civis coletivas, nas quais se inclui o mandado de segurança coletivo). 4 Sendo diferentes os regimes jurídicos citados acima, igualmente diversa é a forma com que o direito processual trata a coisa julgada formada em ação de tutela de direito coletivo da coisa julgada formada em ação coletiva de tutela de direito individual, como pormenorizadamente destacado no tópico abaixo: 1.1.2. Da impropriedade de aplicação das normas relativas à coisa julgada das ações coletivas ao Mandado de segurança Coletivo sobre matéria tributária Nas ações coletivas (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) de modo geral (ação civil pública e ação popular), os colegitimados ativos da ação (Ministério Público, associações, etc) não são os titulares de interesses coletivos (direitos difusos ou direitos coletivos em sentido estrito). Os titulares destes direitos são, isto sim, as pessoas, determinados grupos sociais, ou a sociedade como um todo, que compartilham esses direitos. Os primeiros substituem os segundos ao apresentarem as ações judiciais, conforme previsão legal. Vêse que os interesses em jogo nestas ações excedem o âmbito estritamente pessoal, porém não caracterizam propriamente o interesse público. 5 Em função destas características, na tutela coletiva (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) é necessário que a imutabilidade da sentença proferida pelo Poder Judiciário ultrapasse os limites das partes que compuseram o processo, ou seja, a coisa julgada nas ações coletiva é erga omnes ou ultra partes (e.g. artigo 103 do CDC).6 Afinal, o direito é de uma determinada coletividade, devendo a toda ela surtir efeito a decisão. Neste contexto é que se insere o art. 16 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 (Lei da Ação Civil Pública), cuja redação original segue transcrita a seguir: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, exceto se a ação for julgada improcedente por deficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova (grifei) Este dispositivo, contudo, teve sua redação alterada pela Lei n. 9.494/1997 passando a ter a seguinte forma: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, 4 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 49. 5 MAZZILLI, Hugo Nigro. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. São Paulo, Saraiva, 2012, 25ª ed, p. 50. 6 Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendose de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; III erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81 Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova. (grifei) Além de modificar a redação do artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, a Lei n. 9.494/1997 trouxe nova regra às ações coletivas, em seu artigo 2ºA – que é o fundamento da decisão do STF na Reclamação n. 77781, e, portanto, o cerne da presente controvérsia , in verbis: Art. 2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (grifei) Constatase de pronto que este dispositivo veio disciplinar o “problema” relativo ao efeito erga omnes das sentenças prolatadas em ações para tutela de interesses coletivos (ação popular e ação civil pública), nas quais a eficácia subjetiva da coisa julgada não se limita às partes que compõe o processo, diferentemente do que ocorre com as ações individuais. Recordese que a ação civil pública também pode ser promovida por entidades associativas, porém, quando transitada em julgado, a coisa julgada material ali formada possuía efeitos erga omnes antes da alteração promovida pelo artigo 2ºA da Lei n. 9.494/97, acima transcrito. Com a nova redação, o efeito erga omnes ficou restrito aos substituídos localizados na jurisdição territorial em que foi prolatada a decisão. Diante destes dispositivos, o STF, ao se deparar com a Reclamação n. 7.778 1, a qual, recordese, foi apresentada por um dos membros da Associação que impetrou o mandamus, uma vez que fora autuado pela Receita Federal de Ribeirão Preto mesmo possuindo a coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834, aplicouos ao caso, decretando ser impossível a utilização da autoridade da coisa julgada pela empresa reclamante, por estar fora da competência territorial do órgão prolator da decisão. Perguntase: está correto tal entendimento? Entendo que não. Por dois motivos, tratados nos itens seguintes. 1.1.2.1. O MSC n. 91.00477834 cuida de direito individual homogêneo, específico e restrito aos membros da AFBCC, que vem sendo requerido pelas partes do processo, e não por terceiros Como esclarecido nos itens anteriores, não se deve pensar que os mandados de segurança coletivo são invariavelmente manejados para tutelar direitos coletivos (transindividuais). Não. Em regra, os mandados de segurança coletivos são utilizados processualmente para resguardar direito líquido e certo individual homogêneo de um grupo, com base no artigo 5º, inciso LXX da Constituição. 7 7 Não se está aqui a olvidar que é possível que determinada classe de indivíduos bata às portas do Judiciário não por meio de uma ação civil pública, ação popular, etc, mas sim por meio de mandado de segurança coletivo (artigo 5º, incisos LXIX e LXX da Constituição Federal), por substituição processual, sendo representados por sua associação. Teori Zavaski, em sua obra “Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos” dá o exemplo de uma associação que, em nome de seus associados (e.g. engenheiros), impetra mandado Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.164 35 Em matéria tributária tal situação é hialina, uma vez que os temas tributários poucas vezes serão enquadrados nos direitos coletivos em sentido estrito, e simplesmente não se enquadram entre os direitos difusos jamais, como observa Cleide Previtalli Cais: 8 Por sua própria natureza, caracterizados pela indivisibilidade, indeterminação de indivíduos e indisponibilidade, os direitos difusos jamais compreenderão temas tributários, marcados pela divisibilidade, identificação do titular e disponibilidade, uma vez que são dotados de cunho eminentemente patrimonial. Desse modo, quando estamos diante de mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, normalmente encontraremos um conjunto de indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas), que, por meio de associação, levam ao Poder Judiciário questões fiscais que lhe são comuns em razão de suas atividades, exatamente como ocorreu no MSC n. 91.00477834. Ou seja, os contribuintes, buscam a tutela coletiva de seus direitos (e não tutela de direito coletivo), 9 que são individuais homogêneos e, por isso, o direito processual permite que sejam resolvidos pelo Poder Judiciário em uma única ação, o mandado de segurança coletivo. Nesse sentido a Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009), que não era vigente quando sobreveio a sentença do MSC n. 91.00477834, mas que nada mais fez do que esclarecer os procedimentos que vinham sendo adotados pelos jurisdicionados, pela doutrina e pela jurisprudência, já que a antiga Lei do MS (Lei n. 1.533/1951) não disciplinava o mandado de segurança coletivo, estabelece que: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser: I coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; de segurança coletivo contra a ilegítima exclusão dos membros da classe de determinado edital de concurso público. Temos aí exemplo de mandado de segurança coletivo como ferramenta para tutela de direito transindividual, prevista no artigo 21, parágrafo único, inciso I da Lei n. 12.016/2009, que alargou a regra do artigo 5º, LXX da Constituição. Contudo, tal situação é exceção, e não a regra. A regra é que mandados de segurança coletivos sejam manejados para fazer valer “direitos individuais e homogêneos”, como visto acima. (Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 194). 8 CAIS, Cleide Previtalli. O Processo Tributário, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, 6ª ed, p. 359 9 Não por outra razão a Lei n. 7.437/85 veda expressamente o uso da Ação Civil Pública para questões tributárias (artigo 1º, §1º) Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 36 II individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. (grifei) Notase que o artigo 22, que trata da coisa julgada no mandado de segurança coletivo, dispõe que a imutabilidade da sentença abarca todos os substituídos pela associação impetrante. Tal regra se dirige às duas hipóteses de MSC do artigo 21: aquele que resguarda direitos coletivos, e aquele que resguarda direitos individuais homogêneos. Ocorre que os direitos individuais homogêneos, conforme exposto no item 1.1.1., nada mais são do que os direitos individuais que estamos acostumados, cuja disciplina consta do CPC. A única diferença é que, por terem origem comum, podem ser resolvidos numa só ação coletiva, como o MSC. Assim, o manejo do MSC para tutela dos direitos individuais homogêneos não pretende, em momento algum, qualquer expansão dos efeitos da decisão para terceiros (ultra partes). Nestes tipos de MSC os membros da associação são por ela substituídos, mas os direitos ali pleiteados são próprios dos seus membros (artigo 6º do CPC).10 Por essas razões, não se poderia nem mesmo cogitar da aplicação do regime jurídico das ações que tutelam direitos coletivos para o presente caso (artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997). Afinal no mandado de segurança coletivo, que visa tutelar direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada necessariamente se restringe aos membros do grupo ou categoria substituídos pela impetrante (legitimado ativo da ação). Pela letra do artigo 22, é evidente que "a coisa julgada, uma vez formada, restrinjase aos membros do grupo ou categoria substituídos pela impetrante; por definição, os direitos daquela tipologia pertencem a pessoas determinadas ou determináveis."11 Ou seja, não é necessária a preocupação em se reduzir eventual efeito erga omnes do julgamento, pois ele simplesmente não existe nestes casos. Não se confunde tal situação, com direitos coletivos, de maior amplitude e que possuem destinatário indeterminados, aos quais sim aplicável a regra do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, em instrumentos como a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meioambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, como claramente coloca a Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985. A permissão judicial para a escrituração de crédito de IPI decorrente de aquisição de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus é o direito individual homogêneo pleiteado pela AFBCC em nome de seus membros, que só a eles se aplica, nos termos do artigo 22 da Lei 12.016/2009. A decisão que formou a coisa julgada no MSC n. 91.00477834 tem, portanto, força de lei entre as partes, vale dizer, entre a União e os membros da AFBCC, que foram por ela representados. In casu, o Contribuinte, por estar legalmente representada pela AFBCC para a impetração do MSC n. 91.00477834, transitado em julgado em favor da Impetrante, está abarcado pela coisa julgada. Lembrese que não se trata de empresa terceira, que não fez parte da ação, e que procura indevidamente se beneficiar de suposto "efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva” (Reclamação n. 7.7781), como 10 Art. 6º Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. 11 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 133. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.165 37 precipitadamente considerou o STF. Mesmo porque não há efeito erga omnes nesse caso, como amplamente tratado acima. Desse modo, a questão do efeito erga omnes, e sua consequente restrição pelo artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, é totalmente alheia aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária em que se discutem direitos individuais homogêneos, restringindose tão somente às ações nas quais são tutelados direitos coletivos (transindividuais), que nem de perto tangenciam o MSC n. 91.00477834. 1.1.2.2. Mesmo que o MSC n. 91.00477834 tivesse por escopo tutelar direito transindividual, o artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 não se aplica aos mandados de segurança coletivos Cumpre ainda assinalar que, mesmo se não tivessem sido despendidas todas as linhas acima para comprovar que o Contribuinte está legitimamente abarcado pela coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834 (mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, para tutela de direito individual homogêneo e cuja sentença não acarreta em efeitos erga omnes, tanto pela dicção da lei como pelo pedido do writ, formulado estritamente para beneficiar os membros da AFBCC, de modo que o artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 é totalmente estranho à questão), ainda assim restaria equivocado o entendimento constante da Reclamação n. 7.7781. Efetivamente, também nos casos em que o mandado de segurança coletivo é utilizado para tutelar direitos coletivos em sentido estrito (artigo 21, parágrafo único, inciso I da Lei n. 12.016/2009) o que não é o caso, repitase , não é válida a aplicação do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, de modo a restringir a coisa julgada aos “substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. É o que ensina a doutrina do Direito Processual Tributário, da qual destaco a lição de James Marins: 12 “A Lei n. 12.016/2009 – acertadamente – estabeleceu a eficácia da coisa julgada diferente do mandado de segurança coletivo em relação às demais ações coletivas, conforme se depreende da redação dada ao artigo 22, caput, do referido diploma legal.” (grifei) Cássio Scarpinella Bueno, 13 ao abordar especificamente o tema, leciona que mesmo anteriormente à publicação da nova lei do mandado de segurança (Lei n. 12.016/2009), tanto a doutrina como a jurisprudência eram uníssonas sobre a inaplicabilidade do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo, in verbis: Sobre regras restritivas, cabe lembrar do caput do art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997, fruto da Medida Provisória n. 2.18035/2001, segundo a qual ‘“ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, 12 MARINS, James. Direito Processial Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial. Dialética, São Paulo: 5ª edição, p. 623. 13 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 136. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 38 domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator’. O dispositivo, já ensinavam doutrina e jurisprudência, não deveria ser aplicado no mandado de segurança coletivo. O silêncio da nova lei, no particular, deve ser entendido como consciente (e correto) afastamento daquela disciplina. Para estar sujeito à coisa julgada que se forma no mandado de segurança coletivo, basta que o indivíduo tenha sido devidamente substituído pelo impetrante, sendo indiferente, para tanto, o momento em que se verificou o elo associativo, que, de resto, pode até não existir tendo em conta as exigências feitas pela Lei n. 12.016/2009 e, superiormente, pela Constituição Federal, para reconhecer àqueles entes legitimidade ativa para agir em juízo. (grifei) Ratificando este entendimento, peço vênia para mais uma vez fazer uso das lições de Teori Zavaski: 14 No mandado de segurança coletivo a eficácia subjetiva está, portanto vinculada à representatividade do impetrante, sem limites de natureza territorial. É diferente o que ocorre nas ações coletivas em geral, em que há também o limite territorial estabelecido no art. 2ºA e seu parágrafo da Lei n. 9.494/1997. (...) Não há como justificar a aplicação destes limites e exigências restritivas ao mandado de segurança coletivo, que, como garantia constitucional fundamental que é, deve ter sua eficácia potencializada em grau máximo. As eventuais limitações que possa merecer, que não decorram expressa ou implicitamente da própria Constituição, supõem fundamento razoável e previsão específica em lei. Não se concebendo razão plausível da extensão da exigência do mandado de segurança coletivo, nem havendo menção expressa nesse sentido no art. 2ºA, é de se entender que suas disposições não lhe são aplicáveis. (grifei) Portanto, ainda que este Colegiado entendesse que o direito tutelado no MSC 91.00477834 é direito coletivo, e não direito individual homogêneo, por se tratar de instrumento processual com disciplina jurídica própria, além de possuir status de garantia constitucional, não pode prevalecer o entendimento de que se aplicaria a limitação territorial do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997. Por essa razão, muito embora o Contribuinte esteja fora da competência territorial do órgão prolator da decisão (Rio de Janeiro), não se pode afastar a coisa julgada ali formada em relação a eles. 1.3. Da questão da autoridade coatora Cumpre, por fim, analisar o argumento do Contribuinte no sentido de que a AFBCC teria elencado autoridade coatora no MSC n. 91.00477834 (Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro) que não abrange a autoridade que teve a competência para o lançamento tributário em questão, vale dizer, o Delegado da Receita Federal do Distrito Federal (local de Domicílio do Contribuinte, associada à AFBCC). Desta feita, legítima seria a lavratura do auto de infração. 14 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 208 Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.166 39 Pois bem. Ressalto que na petição inicial do MSC n. 91.00477834 há tópico dedicado exclusivamente a questão da utilização do mandado de segurança coletivo. Ali está ressaltado pela Impetrante (AFBCC) que, no momento da propositura do writ não havia lei disciplinando este remédio constitucional em seu caráter coletivo, mas tão somente o mando de segurança individual (Lei n. 1.533/1951). Ademais, resta esclarecido que o objetivo da AFBCC foi insurgirse, em nome de seus membros, contra eminente ato coator de qualquer um dos delegados da receita federal do domicílio de qualquer dos associados, uma vez que o objeto da ação é um tributo federal (IPI) recolhido pelas empresas associada espalhadas pelo Brasil. Inclusive, no pedido do mandamus, a Impetrante requer que seja dada ciência da decisão aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os Associados. Tudo isso de acordo com o fato de que a União Federal que é a legitimada passiva da ação, e o foro do Rio de Janeiro foi escolhido, colocandose o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro como autoridade coatora, tão somente porque ali estava situada a Associação, substituta processual dos seus associados. Não poderia ter andado melhor, em termos processuais, a AFBCC. Inclusive, nas decisões judiciais que integram o processo nunca foi contestada a exatidão do procedimento adotado pela AFBCC. Seja em primeira, seja em segunda instância, o processo correu normalmente, sem que os magistrados apontassem qualquer problema formal no writ. A autoridade coatora, devemos lembrar, é mero representante funcional do poder público que presta informações e determina a competência para a impetração do mandado de segurança. Destarte, a autoridade coatora não se confunde com a parte do Mandado de Segurança, como ensina Rodolfo Mancuso. 15 Autoridade, para fins de mandado de segurança, é o agente público investido de poder de decisão e, certa escala hierárquica, que, nessa qualidade: praticou a omissão; ordenou e/ou executou o ato guerreado. Como bem se sabe, a coisa julgada tem força de lei entre as partes que compuseram a lide. Assim, a coisa julgada oriunda da sentença do mandado de segurança coletivo atingirá a Impetrante (resvalando no direito daqueles que substitui artigo 22 da Lei n, 12.016) e a Impetrada, que é, como visto nos trechos acima destacados, a pessoa jurídica de direito público que compõe o polo passivo, e não a autoridade coatora, como pretende a Fazenda Nacional. No âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o Ministro Teori Albino Zavascki, proferiu julgamento categórico sobre o tema, afiançando que: Parte passiva no mandado de segurança é a pessoa jurídica de direito público a que se vincula a autoridade apontada como coatora. Os efeitos da sentença se operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à autoridade” (STJ, REsp 750693/GO, DJ 5.9.2005, p. 308) (grifei) Não foi de outra forma que o Supremo Tribunal Federal, por julgamento unânime do seu plenário, enfrentou a questão, como podemos constatar da ementa da decisão proferida no Ag. Reg. em Mandado de Segurança 26.662/DF: 15 MANCUSO, Rosolfo. Sobre a identificação da autoridade coatora e a impetração contra a lei em tese nos mandados de segurança. Revista de Processo, n. 44, p. 6984, ano 11. São Paulo: RT, out./dez., 1986, p. 74. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 40 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. LITISPENDÊNCIA. PLURARIDADE DE IMPETRADOS. MESMA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO DAS AÇÕES. IDENTIDADE DE PEDIDOS QUANTO À MATÉRIA SUSCEPTÍVEL DE EXAME PELA VIA MANDAMENTAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A existência de diferentes impetrados não afasta a identidade de partes se as autoridades são vinculadas a uma mesma pessoa jurídica de direito público. 2. Há litispendência, e não continência, se a diferença entre os objetos das ações mandamentais é matéria insusceptível de exame por meio de mandado de segurança. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesta oportunidade, para avaliar problema específico de litispendência entre ações, o Minitro Relator do caso, Ayres Britto, consignou que: Muito bem. Feita a radiografia das ações, verificase a identidade de partes, pois o impetrante é o mesmo e a União está no polo passivo, com legitimidade para recorrer e contra arrazoar. Isso porque as autoridades coatoras são vinculadas à mesma pessoa jurídica de direito público, que é a verdadeira parte, não cabendo a elas senão o dever de prestar informações. No mesmo sentido destacase ainda o voto do Ministro Cesar Peluso no julgamento do Ag. Reg. no Agravo de Instrumento n. 431.2644 E a razão óbvia era e é porque parte passiva legítima ad causam, no mandado de segurança, não é nem pode ser a autoridade a que, nos termos da lei, se requisitam as informações, enquanto suposto autor da omissão ou do ato impugnado, senão a pessoa jurídica a cujos quadros pertença, na condição de única destinatária dos efeitos jurídicos da sentença mandamental. (...) Transpostas essas premissas à espécie, vêse logo que não pode reputarse parte passiva legítima na ação de mandado de segurança, a autoridade a que se atribui a prática do ato supostamente lesivo a direito líquido e certo, pela razão brevíssima de que não é destinatário teórico dos efeitos da sentença definitiva. Portanto, os efeitos da sentença, bem como a sua imutabilidade (coisa julgada) do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que visava garantir direito individual homogêneo, abrangem a União e os membros da AFBCC, e não o Delegado da Receita Federal deste ou daquele estado e os membros da AFBCC. Ademais, o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro foi devidamente listado pela AFBCC como autoridade coatora, uma vez que neste estado encontravase situada a Associação, que substituía seus membros, com a finalidade de prestar informações, como destacado acima. Cumpriuse o artigo 2º da Lei n. 1533/1951, a lei do mandado de segurança então vigente, que em seu artigo 2º colocava: "considerarseá federal a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais." Não se pode deixar de notar que, caso prevalecesse o argumento levantado pela Fazenda Nacional, ou o entendimento do STF exposto na Reclamação n. 7.7781, Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402002.932 S3C4T2 Fl. 1.167 41 concluiríamos que inexiste a possibilidade de utilização do mandado de segurança coletivo para questões de tributação federal, o que certamente não é verdade, e corrobora a carência de lógica da alegação da Autoridade Fiscal. E pior, caso prevalecesse tal argumento da Fazenda Nacional, forçosamente estaríamos afastando a autoridade da coisa julgada que paira entre a União e os membros da AFBCC, sem qualquer razão jurídica para tanto, incidindo assim tanto em desrespeito à Constituição (artigo 5º, inciso XXXVI, Constituição) quanto à lei. 2. CONCLUSÃO Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito do Contribuinte, nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve ser viabilizado. Nesse sentido, voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowicz. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10480.720617/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO.
O imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de pessoa jurídica é considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos, devendo, portanto, os respectivos rendimentos financeiros serem adicionados ao lucro presumido e o imposto retido deduzido do imposto apurado ao final do período.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. INCONSTITUCIONALIDADE
Foi aplicada, em concreto, pelo fisco a multa mínima de 75% cominada na lei de regência para lançamento de ofício, pela falta de oferecimento à tributação de receitas provenientes de rendimentos de aplicações financeiras.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido.
Numero da decisão: 1301-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. O imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de pessoa jurídica é considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos, devendo, portanto, os respectivos rendimentos financeiros serem adicionados ao lucro presumido e o imposto retido deduzido do imposto apurado ao final do período. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. INCONSTITUCIONALIDADE Foi aplicada, em concreto, pelo fisco a multa mínima de 75% cominada na lei de regência para lançamento de ofício, pela falta de oferecimento à tributação de receitas provenientes de rendimentos de aplicações financeiras. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido.
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LUCRO PRESUMIDO. O imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de pessoa jurídica é considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos, devendo, portanto, os respectivos rendimentos financeiros serem adicionados ao lucro presumido e o imposto retido deduzido do imposto apurado ao final do período. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. INCONSTITUCIONALIDADE Foi aplicada, em concreto, pelo fisco a multa mínima de 75% cominada na lei de regência para lançamento de ofício, pela falta de oferecimento à tributação de receitas provenientes de rendimentos de aplicações financeiras. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 17 /2 01 2- 95 Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10480.720617/201295 Acórdão n.º 1301001.841 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra o contribuinte, pessoa jurídica acima qualificada, foi lavrado auto de infração que exige o Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no montante de R$ 3.853.026,87 e a Contribuição sobre o lucro líquido – CSLL no montante de R$ 3.404.342,41 pela constatação da existência de receita da atividade escriturada e não declarada apurada conforme Termo de Início de Fiscalização além da ausência de inclusão na base de cálculos dos tributos da totalidade dos rendimentos de aplicação financeira. No TVF, a autoridade fiscal informa que o sujeito passivo apresentou suas DIPJ relativas aos anos calendários 2007 a 2009 com opção pela forma de tributação do lucro com base no lucro presumido e não efetuou opção pelo Regime Tributário de Transição – RTT. Efetuados os batimentos entre os livros fiscais, contábeis, extratos das aplicações financeira e informes de rendimentos, e as DIPJ apresentadas à RFB, verificouse que o sujeito passivo não tributou integralmente as receitas obtidas nas aplicações financeiras do período sob análise. Por isso, as receitas tributáveis foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados nos livros fiscais e contábeis apresentados pelo sujeito passivo (receitas de serviços obtidas da Declarações de Serviços e as receitas de aplicações financeiras obtidas em aplicações de renda fixa foram extraídas dos Livros Razão, dos Informes de Rendimentos e Extratos da Aplicações, bem como das DIRF). Acrescenta que os rendimentos das aplicações financeiras foram acrescidos à base de cálculo do lucro presumido e da contribuição social por ocasião do resgate da aplicação. O sujeito passivo teve ciência em 23/01/2012, fls. 4 e 46, e impugnou o lançamento, fls. 1434/1543, em 15/02/2012, alegando em síntese o que se segue: Necessidade de dedução de imposto pago a maior Alega que declarou a receita bruta da sua atividade a maior em virtude da não observação de notas fiscais canceladas e que o valor correto corresponde ao apurado pela fiscalização, mas que apesar de a fiscalização ter constatado a existência de créditos (IRPJ = R$ 56.890,09 e CSLL = R$ 12.460,17), estes não foram compensados de ofício com o imposto e a contribuição apurados nos meses subseqüentes. Inexistência de infração em relação às receitas de aplicações financeiras Alega que não existe incidência de adicional de imposto de renda no caso de imposto retido na fonte por tratarse de tributação definitiva, nos termos da Lei 9.249/95. No caso, a hipótese dos autos é de aplicação financeira em renda fixa cujo IRPJ é retido na fonte pela instituição financeira e tem regime de tributação próprio previsto na Lei 8.981/95. Defende que o dispositivo que permitia adicionar os rendimentos de aplicação financeira à base de cálculo de incidência do adicional previsto na Lei 9.249/95, art. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 3º, § 1º, foi revogado pela Lei 9.430/96, tornando, a partir de então, o imposto de renda retido na fonte tributação definitiva para as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real. Acrescenta que os rendimentos das aplicações financeiras não fazem parte de sua atividade fim que é a da prestação de serviços de advocacia. Defende que não há base legal para a cobrança e que o auto de infração deve ser considerado nulo por essa desconformidade com a lei. Princípio da eventualidade. Exclusão de parcelas que não correspondem ao conceito de acréscimo patrimonial. Para o caso dos argumentos anteriores não serem aceitos, defende a exclusão dos supostos créditos relativos à recomposição do valor real do capital da impugnante, sob pena de transformarse o IRPJ e a CSLL, que nos termos do CTN, incidem sobre o acréscimo patrimonial, em imposto sobre o patrimônio, o que seria ilegal. Inconstitucionalidade da multa de 75%. Defende que a multa de 75% é inconstitucional por ser extorsiva e confiscatória. Pedido. Pede a invalidade da autuação fiscal e protesta pela produção de todas as provas permitidas em Direito, especialmente a perícia e juntada de novos documentos. Requer seja intimada no seu domicílio fiscal informado no preâmbulo desta impugnação. A DRJ/BELO HORIZONTE decidiu a matéria consubstanciado no Acórdão 0252.692, de 21 de janeiro de 2014, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008 e 2009 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. O imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de pessoa jurídica é considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos, devendo, portanto, os respectivos rendimentos financeiros serem adicionados ao lucro presumido e o imposto retido deduzido do imposto apurado ao final do período. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido. É o relatório. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10480.720617/201295 Acórdão n.º 1301001.841 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro: Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repete as argumentações da impugnação, quais sejam: A) A INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO NO TOCANTE À ESCRITURAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS; B) DA IMPERIOSA NECESSIDADE DE DEDUÇÃO NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO DO IMPOSTO E DA CONTRIBUIÇÃO PAGOS A MAIOR PELA EMPRESA; C) A INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO NO TOCANTE À NÃO INCLUSÃO DAS RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL; D) A NECESSIDADE DA EXCLUSÃO DE PARCELAS QUE NÃO CORRESPONDEM AO CONCEITO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL e E) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE 75%. Passo a análise. Inicialmente a ora recorrente alega que no confronto dos valores de receitas de sua atividade apurados pela fiscalização com os seus rendimentos declarados em DIPJs a diferença declarada a maior diz respeito a notas fiscais de prestação de serviços que foram canceladas (e lançadas indevidamente nas DIPJs). Aduz, mais, "resta indubitável a indevida infração apontada pela fiscalização no tocante à falta de declaração das receitas de sua atividade". Extraise do Termo de Verificação Fiscal que as receitas tributáveis (de serviços prestados) foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados nos livros fiscais e contábeis apresentados pelo sujeito passivo e as receitas financeiras foram extraídas dos Livros Razão, Informes de Rendimentos, DIRFs e extratos das aplicações, conforme demonstrativos. Da leitura dos autos constatase que a diferença apurada pela fiscalização está relacionada à ausência de tributação das receitas obtidas pelo sujeito passivo nas aplicações financeiras do período sob análise. Inclusive o contribuinte/recorrente não contesta os valores informados como receita de aplicação financeira bem como das receitas decorrentes da prestação de serviços conforme apuradas. A defesa, em síntese, centra sua irresignação ao fato da fiscalização primeiro, não ter procedido a compensação de créditos do IRPJ no valor de R$ 56.890,08 e da CSLL no valor de R$ 12.460,17 e, segundo, entende que por se tratar de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa a tributação é exclusiva na fonte e de forma definitiva e, ainda, por terceiro, entende que os resultados de aplicações financeiras não se traduz em acréscimo patrimonial, portanto, não se trata de renda para os efeitos do art. 43 do CTN. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 Pois bem. Verificase dos autos que a autoridade fiscal após apurar a base de cálculo dos tributos compensou o IR Fonte sobre receitas de venda de serviços e receitas de aplicações financeiras obtendo o resultado do Imposto de Renda a Pagar. Desse resultado foi abatido o Imposto declarado em DCTF chegando à diferença apurada conforme demonstrativo. Ou seja, foi refeita a apuração e deduzido o imposto já declarado. Com relação ao fato de os rendimentos de aplicações financeiras sujeitarem se à incidência do imposto de renda na fonte não afasta a incidência na determinação do lucro presumido, definido pelo art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996, pois que se trata de hipóteses diversas, vejamos: Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Este último dispositivo é claro ao determinar como parcela do lucro presumido os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras. Dessa maneira, a Recorrente, na condição de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido, deveria ter adicionado os valores correspondentes na determinação da base de cálculo do imposto e do adicional. A tributação na fonte, com efeito, constituise em mera antecipação, que, inclusive, é abatida do imposto ao final do período de apuração. Descabido, pois, os argumentos de defesa, inclusive com relação a exclusão de parcelas que não correspondem ao conceito de acréscimo patrimonial. Por fim a Contribuinte/recorrente entende que a multa de ofício aplicada de 75%, por meio do auto de infração, seria confiscatória, afrontando o disposto no artigo 150, IV, da Constituição Federal. A multa de ofício aplicada em concreto, está cominada, prevista abstratamente, no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996 e, é aplicada em procedimento de fiscalização (atividade repressiva do fisco). Destarte, a falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos mantidos lançados de ofício. Portanto, a cobrança dos tributos tem como supedâneo o mandamento legal conforme acima mencionado que não pode ser afastado por ato discricionário da autoridade administrativa. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10480.720617/201295 Acórdão n.º 1301001.841 S1C3T1 Fl. 14 7 O julgador administrativo está vinculado à lei, não podendo negar vigência, afastar ou deixar de aplicála se vigente, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, parágrafo único do art. 142). A lei vigente tem presunção de legitimidade e constitucionalidade. Ou seja, o órgão administrativo não tem competência para conhecer de argüição de inconstitucionalidade da lei, conforme Súmula CARF nº 02, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 11080.011632/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE.
As autuações sendo procedidas de acordo com as formalidades legais exigidas não há que se falar em nulidade.
PERÍCIA.
No caso em que o contribuinte não traz aos autos os dados que poderiam demonstrar as alegações por ele indicadas não há que se falar em realização de perícia.
PROVISÕES. NÃO DEDUTIBILIDADE.
As provisões não previstas em lei não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real e por essa razão o lançamento deve ser mantido.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco.Comprovado o direito de lançar do fisco cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá-los, comprová-los efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF,subsidiariamente.
PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS. ISSQN COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução que poderia resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, o ISSQN que estiver com a exigibilidade suspensa por contestação, nos termos do art. 151 do CTN, é indedutível para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porque evidencia provisão. A dedutibilidade desse tributo somente pode ocorrer por ocasião da decisão final da lide.
DESPESAS COM CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITOS JUDICIAIS. ATOS NÃO COOPERATIVOS
Os valores das despesas com contribuições ao PIS e à COFINS que estiverem sendo discutidas em juízo, com a exigibilidade suspensa por depósitos judiciais e reconhecidos contabilmente, devem ser adicionados na apuração do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSLL, proporcionalmente às receitas decorrentes de atos não cooperativos, porque não há permissão legal para sua dedutibilidade.
Numero da decisão: 1401-001.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade votos, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade NEGAR provimento. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (pelas conclusões) e Sérgio Luiz Bezerra Presta que reconheciam a dedutibilidade dos depósitos judiciais de PIS/COFINS na base da CSLL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE. As autuações sendo procedidas de acordo com as formalidades legais exigidas não há que se falar em nulidade. PERÍCIA. No caso em que o contribuinte não traz aos autos os dados que poderiam demonstrar as alegações por ele indicadas não há que se falar em realização de perícia. PROVISÕES. NÃO DEDUTIBILIDADE. As provisões não previstas em lei não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real e por essa razão o lançamento deve ser mantido. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco.Comprovado o direito de lançar do fisco cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá-los, comprová-los efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF,subsidiariamente. PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS. ISSQN COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução que poderia resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, o ISSQN que estiver com a exigibilidade suspensa por contestação, nos termos do art. 151 do CTN, é indedutível para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porque evidencia provisão. A dedutibilidade desse tributo somente pode ocorrer por ocasião da decisão final da lide. DESPESAS COM CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITOS JUDICIAIS. ATOS NÃO COOPERATIVOS Os valores das despesas com contribuições ao PIS e à COFINS que estiverem sendo discutidas em juízo, com a exigibilidade suspensa por depósitos judiciais e reconhecidos contabilmente, devem ser adicionados na apuração do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSLL, proporcionalmente às receitas decorrentes de atos não cooperativos, porque não há permissão legal para sua dedutibilidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE. As autuações sendo procedidas de acordo com as formalidades legais exigidas não há que se falar em nulidade. PERÍCIA. No caso em que o contribuinte não traz aos autos os dados que poderiam demonstrar as alegações por ele indicadas não há que se falar em realização de perícia. PROVISÕES. NÃO DEDUTIBILIDADE. As provisões não previstas em lei não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real e por essa razão o lançamento deve ser mantido. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco.Comprovado o direito de lançar do fisco cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF,subsidiariamente. PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS. ISSQN COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução que poderia resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, o ISSQN que estiver com a exigibilidade suspensa por contestação, nos termos do art. 151 do CTN, é indedutível para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 16 32 /2 00 6- 76 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 811 2 da CSLL, porque evidencia provisão. A dedutibilidade desse tributo somente pode ocorrer por ocasião da decisão final da lide. DESPESAS COM CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITOS JUDICIAIS. ATOS NÃO COOPERATIVOS Os valores das despesas com contribuições ao PIS e à COFINS que estiverem sendo discutidas em juízo, com a exigibilidade suspensa por depósitos judiciais e reconhecidos contabilmente, devem ser adicionados na apuração do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSLL, proporcionalmente às receitas decorrentes de atos não cooperativos, porque não há permissão legal para sua dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade votos, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade NEGAR provimento. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (pelas conclusões) e Sérgio Luiz Bezerra Presta que reconheciam a dedutibilidade dos depósitos judiciais de PIS/COFINS na base da CSLL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Relatório Fl. 811DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 812 3 Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Contra a interessada, antes qualificada, foram lavrados Autos de Infração com anexos para a exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 (fls. 0630). Também foi lavrado o Relatório da Ação Fiscal — IRPJ e CSLL (fls. 3144), detalhando a redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em decorrência das seguintes infrações: 1. Despesas com provisões indedutíveis Contabilização de despesas com a constituição de "provisão de processos trabalhistas" — item 4.1 do relatório. Fato gerador em 31/12/2002. Valor R$139.148,62 (60,83% fl. 326). Adição na apuração do IRPJ e da CSLL. Contabilização de despesas com a "provisão de processos cíveis" — item 4.2 do relatório. Fato gerador em 31/12/2002. Valor R$ 160.692,78 (60,83% fl. 326). Adição na apuração do IRPJ e da CSLL. Contabilização de despesas com a "provisão de taxa de saúde suplementar" — item 4.4 do relatório. • Fato gerador em 31/12/2002. Valor R$ 181.805,81 (60,83% fl. 326). Adição na apuração do IRPJ e da CSLL. • Fato gerador em 31/12/2003. Valor R$ 176.193,70 (64,30% fl. 349).Adição efetuada somente na apuração da CSLL. • Fato gerador em 31/12/2004. Valor R$ 165.032,61 (62,80% fl. 371). Adição efetuada somente na apuração da CSLL. Contabilização de despesas com a "provisão de processos administrativos" — item 4.5 do relatório. • Fato gerador em 31/12/2003. Valor R$ 316.026,94 (64,30% fl. 349). Adição efetuada na apuração do IRPJ e da CSLL. • Fato gerador em 31/12/2004. Valor R$ 240.295,98 (62,80% fl. 371). Adição efetuada na apuração do IRPJ e da CSLL. Enquadramento legal: IRPJ — art. 13, I, da Lei n° 9.249, de 1995, com alterações do art. 14 da Lei 'n° 9.430, de 1996. arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 299 e 335, do RIR/99. CSLL — art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 13, I, e 19 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 6° da MP n° 1.858, de 1999, e suas reedições. Art. 37 da Lei n°10.637, de 2002. 2. Impostos e contribuições não dedutíveis por estarem com a exigibilidade suspensa Contabilização de despesas com PIS e COFINS, estando com a exigibilidade suspensa por depósito judicial — item 4.6 do relatório fiscal. • Fato gerador em 31/12/2002. Valor R$ 1.543.517,00 (60,83% fl. 326). Adição na apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 813 4 • Fato gerador em 31/12/2003. Valor R$ 1.727.202,53 (64,30% fl. 349). Adição efetuada somente na apuração da CSLL. • Fato gerador em 31/12/2004. Valor R$ 1.601.031,74 (62,80% fl. 371). Adição efetuada na apuração da CSLL. Na apuração do IRPJ foi adicionada a diferença entre esse valor e o adicionado pelo contribuinte em sua DIPJ — Valor R$ 377.824,23. Enquadramento legal: IRPJ — art. 41, §§ 1° a 4°, da Lei n° 8.981, de 1995; art. 13, I, da Lei n° 9.249, de 1995. Arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 344, do RIR/99. CSLL — art. 2° da Lei n° 7.689, de 1988; art. 13, I, da Lei n o 9.249, de 1995; art. 41, § 1°, da Lei n° 3.981, de 1995. 3. Glosa de prejuízos compensados indevidamente Fato Gerador em 31/12/2003. IRPJ. Compensação indevida de prejuízo fiscal, tendo em vista a sua utilização "de ofício" para compensação na apuração do valor tributável do período anterior (2002— fl. 10). Valor R$ 990.500,88. Enquadramento legal: arts. 247, 250, III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. Também foi glosada a compensação de base de cálculo negativa da CSLL, tendo em vista a sua utilização, pela fiscalização, para a compensação com infrações apuradas nos períodos anteriores (fls. 2830). Valor R$ 881.699,09. Enquadramento Legal: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; arts. 58 da Lei n° 8.981, de 1995; art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995; art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 4. Inobservância do regime de escrituração — provisão (despesa) indedutivel Fato Gerador em 31/12/2002. Contabilização de despesa com a constituição de provisão social "ISSQN s/Faturamento — Ato auxiliar" (fl. 154), no valor de R$ 1.276.505,39. Segundo o relatório fiscal (fl. 36), somente em dezembro de 2004 houve a homologação de acordo com a Prefeitura de Porto Alegre e reconhecimento desse débito, que foi parcelado (fl. 112). Em consequência, esse valor poderia ser excluído na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por isso, foi dado o tratamento de postergação a essa despesa que se refere exclusivamente a atos não cooperativos (fl. 37). Enquadramento legal: IRPJ art. 13, I, da Lei n° 9.249, de 1995. Arts. 248, 249, II, 251, 273, 274 e 344 do RIR199. CSLL — art. 2° e §§, da Lei n°7.689, de 1988; art. 13, I, e 19 da Lei n°, 9.249, de 1995; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996. art. 6° da MP n° 1.858, de 1999 e suas reedições. No item 5 do relatório fiscal (fl. 44), temse, ainda, as seguintes informações: os valores das infrações foram adicionados ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL apurados pelo contribuinte em suas DIPJs; foram efetuadas as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, até o limite de 30%; em conseqüência, foram constatadas insuficiências de valores a compensar em períodos posteriores, gerando infrações específicas de glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 814 5 Os valores do IRPJ e da CSLL estão acrescidos da multa de ofício com o percentual de 75% e dos juros de mora. Enquadramento legal da multa: art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996; dos juros de mora art. 6°, § 2°, e 28 da Lei n° 9.430, de 1996. O total do crédito tributário do processo, até a data da autuação, é de R$3.180.255,80 (fl. 05). A autuada, por meio de seu advogado (procuração à fl. 720), impugnou os lançamentos (fls. 710718), tempestivamente (fl.747), com os documentos de fls. 721746, alegando, depois de explicitar os fundamentos da autuação, em síntese, sob os seguintes títulos/subtítulos, o seguinte: Das provisões "ISSQN sobre faturamento" e "taxa de saúde suplementar" Diz a defesa que é necessário distinguirse aquilo que consiste em "custos ou despesas de ocorrência provável ou certo no futuro" e o que consiste em "despesas apuradas pelo regime de competência e que simplesmente não foram adimplidas dentro do calendário". Ocorre que muito que estava lançado na contabilidade como provisão não se trata tecnicamente de provisão, mas de obrigações identificadas e quantificadas dentro do anobase e que apenas não foram liquidadas, ou seja, contabilização segundo o regime de competência, nos termos do art. 344 do Decreto n° 3000, de 1999 (RIR/99). A defesa ressalta que nos exercícios em questão inexistiam quaisquer das condições para suspensão da exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151, II a IV, do CTN, o que afasta, de plano, a aplicabilidade do parágrafo 1° do art. 344 do RIR199. Acrescenta que a simples constatação sobre a legalidade da exação independe de depósito judicial, recurso administrativo ou medida liminar torna aplicável o art. 344, "caput", do Decreto n° 3.000, de 1999, e não o parágrafo primeiro do mesmo dispositivo. Assim, a "provisão de taxa de saúde complementar", tributo apurado dentro do anocalendário, é dedutível do IRPJ e CSLL. Também, no que toca ao ISSQN é descabido referir que houve postergação de pagamento de tributos, uma vez que as deduções foram efetivadas dentro de cada anocalendário onde os fatos geradores foram apurados. Além disso, não estão presentes as hipóteses previstas no art. 151, II a IV do CTN. Das provisões "reclamatórias trabalhistas", "processos cíveis" e "processos administrativos" Propugna a fiscalização que ditas provisões são indedutíveis por ausência de previsão legal, no entanto, a instância administrativa não é o espaço para discussão sobre a constitucional1idade dessa previsão. O correto seria a fiscalização apurar as despesas incorridas com o pagamento de reclamatórias trabalhistas, processos cíveis e administrativos, no anobase de 2002. Diz a defesa: 3. É que no exercício em tela a impugnante ao invés de lançar os pagamentos como despesas dedutíveis, os lançava em tendo como contrapartida as respectivas provisões, posteriormente excluído do lucro real o percentual dessas mesmas provisões que correspondia ao efetivamente despendido com reclamatórias trabalhistas, processos cíveis e administrativos. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 815 6 4.A autoridade fiscal, todavia, furtouse desse exame [..]6.Desprovida de qualquer prova de que os montantes constantes das provisões de processos trabalhistas cíveis e administrativos não correspondem a gastos efetivamente incorridos no exercício de 2002, é absolutamente nulo o Auto de Infração. 7. Caso, todavia, V. Sas. Entendem que a ausência da prova não consiste em nulidade insanável, requer a impugnante seja deferida a produção de prova pericial 11.1 em homenagem, sobretudo, ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário. Dos depósitos judiciais supostamente deduzidos do IRPJ e CSLL Nesse ponto, diz a defesa, a impugnante não pode se resignar, já que a maior parte dos valores depositados consiste em receitas de atos cooperativos "principal", portanto, não compõem a base de cálculo do IRPJ e CSLL, por expressa disposição legal. Acrescenta que a assertiva constante do relatório fiscal, de que não era possível segregar com base nos DARF's do depósito judicial aquilo que era PIS e COFINS sobre ato cooperativo e o que era calculado sobre os atos auxiliares, não é suficiente para afirmar a validade do auto de infração, pois na contabilidade é possível identificar o que corresponde à receita de atos principais e o que diz com a dos atos auxiliares. Em outras palavras, a fiscalização se omitiu de um ônus de prova que lhe cabia. Dessa forma, evidenciase a nulidade do auto de infração ou, ao menos a improcedência no que tange à adição desses valores às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Conclusões e pedidos Os autos de infração devem ser anulados ou, ao menos, reconhecida a sua improcedência. As razões para anulação decorrem do fato de que a fiscalização se omitiu de ônus probatório que lhe competia. Quanto à improcedência, afirma que a exigência de adição ao lucro real e base de cálculo da CSLL dos valores relativos ao ISSQN sobre faturamento e taxa de saúde suplementar é descabida, ferindo a regra expressa no art. 344, caput, do RIR/99. Também, devem ser excluídas da cobrança as despesas incorridas com processos trabalhistas, cíveis e administrativos, no anocalendário de 2002, bem como não poderiam ter sido adicionados as bases do IRPJ e CSLL montantes referentes aos atos cooperativos principais. Por último, reitera, o pedido de prova pericial para apuração dos montantes despendidos pela autuada com reclamatórias trabalhistas, cíveis e processos administrativos no anocalendário de 2002. Em face de tais argumentos, por unanimidade de votos, os membros da 1ª Turma de Julgamento rejeitaram a preliminar de nulidade dos autos de infração, consideraram não formulado o pedido de perícia, porque não foram observados os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993, e, por fim, julgaram procedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL, acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora regulamentares. ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° Fl. 815DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 816 7 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. PERÍCIA CONTÁBIL Considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco.Comprovado o direito de lançar do fisco cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. ISSQN COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução que poderia resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, o ISSQN que estiver com a exigibilidade suspensa por contestação, nos termos do art. 151 do CTN, é indedutível para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porque evidencia provisão. A dedutibilidade desse tributo somente pode ocorrer por ocasião da decisão final da lide. PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE Para efeito de apuração do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas na legislação tributária. DESPESAS COM CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITOS JUDICIAIS. ATOS NÃO COOPERATIVOS Os valores das despesas com contribuições ao PIS e à COFINS que estiverem sendo discutidas em juízo, com a exigibilidade suspensa por depósitos judiciais e reconhecidos contabilmente, devem ser adicionados na apuração do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSLL, proporcionalmente às receitas decorrentes de atos não cooperativos, porque não há permissão legal para sua dedutibilidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL A solução dada ao litígio relativo ao IRPJ, aplicase também ao lançamento da CSLL, analisadas as peculiaridades e respectivo enquadramento legal,quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Lançamento Procedente Em face do referido acórdão de Primeira Instância a Unimed Porto Alegre — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 817 8 Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Vencido Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Da nulidade dos autos de infração A defesa alega que não está provado que os valores constantes das provisões de processos trabalhistas, cíveis e administrativos não correspondem a gastos incorridos no "exercício de 2002" e, também, que faltariam provam referentes aos depósitos judiciais de PIS e COFINS; por isso, os autos de infração seriam nulos. Vêse que as questões apresentadas pela defesa não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a incompetência de que tratam os itens I e II, e não se verifica a hipótese de preterição do direito de defesa na fase de lançamento. Além disso, as autuações foram procedidas de acordo com as formalidades legais exigidas, com ênfase no cumprimento especialmente do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações posteriores, diploma legal norteador do Processo Administrativo Fiscal. Portanto, os autos de infração, como também os demais termos e relatórios, não são nulos. Da prova pericial A recorrente, reitera no recurso a necessidade de realização de perícia contábil para obtenção de provas sobre os montantes despendidos pela autuada com reclamatórias trabalhistas, cíveis e processos administrativos, no anocalendário de 2002. Todavia, no presente caso o contribuinte não trouxe aos autos os dados que poderiam demonstrar as alegações por ele indicadas, razão pela qual não há que se falar em realização de perícia. Mérito Fl. 817DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 818 9 Conforme os registros contábeis, valores foram contabilizados para constituição de provisões não dedutíveis e como dedução de despesas de tributos com a exigibilidade suspensa por depósito de seu montante integral, mas não foram adicionados na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Instaurado o litígio, devese ter presente que somente a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados, conforme estabelece o art. 923 do RIR199. As normas de processo administrativo tributário não contêm qualquer dispositivo que regule a natureza, formação, requisitos, valor relativo e apreciação da prova, podendose afirmar que o principal meio de provar determinado ato é a prova documental, pois os documentos provam a história dos fatos econômicos e permitem a descoberta da verdade. A fiscalização demonstrou as infrações descritas, tendo como exemplo, os documentos de fl. 100 (provisão ref. reclamatórias trabalhistas), fl. 103 (provisão , ref. processos cíveis), fl. 106 (provisão de ISSQN sobre faturamento), fls. 113116 (provisão de taxa de saúde suplementar), fls. 117118 (processo ref. processos administrativos) e fls. 123 313 (contabilização de PIS e COFINS com a exigibilidade suspensa). A Recorrente, por outro lado, questiona esse entendimento do autuante, mas não apresenta novos elementos de prova para apoiar suas argumentações. Da "provisões ISSQN sobre faturamento" — postergação de pagamento do IRPJ e da CSLL Conforme o relatório fiscal, a despesa com a constituição dessa provisão é de R$1.276.505,39 (fl. 154), em 2002, mas somente em dezembro de 2004, houve a homologação de acordo com a Prefeitura de Porto Alegre, quando, então poderia ser excluída, tendo em vista disposto no § P do art. 344 do RIR/99 (exigibilidade suspensa). Por isso, foi dado à infração o tratamento de postergação para o 1RPJ e para a CSLL, nos termos do art. 273 do RIR199. A Recorrente, por outro lado, alega que, apesar de estar contabilizado como provisão, mas "não se trata tecnicamente de provisão, mas de obrigações identificadas e quantificadas dentro do anobase", registradas segundo o regime contábil da competência, segundo o "caput" do art. 344 do RIR199. De acordo com o extrato de fl. 111, não há dúvidas que ocorreu a homologação de acordo com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre (processo ISS 1993/2003), onde a autuada reconhece o débito do tributo, que foi parcelado (fl. 112). Dessa forma, com a confirmação expressa da Recorrente que havia litígio, o qual poderia resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, e as provas dos autos, o ISSQN com a exigibilidade suspensa por contestação, é indedutível para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Da provisão "taxa de saúde suplementar" Está nos autos que a autuada contabilizou despesas com a constituição da referida provisão (fls. 113116), nos anoscalendário de 2002 a 2004. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 819 10 Nos anoscalendário de 2003 e 2004, a Recorrente adicionou os respectivos valores somente na apuração do lucro real (fls. 349 e 371). No entanto, esse procedimento não foi adotado no anocalendário de 2002, para apuração do IRPJ e da CSLL, e nos anos calendário de 2003 e 2004, na apuração das bases de cálculo da CSLL, contrariando o inciso I do art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995 e o art. 2° da Lei n° 7.689, de 1988. Quanto às alegações da defesa, que os valores contabilizados correspondem a despesas efetivas, não se tratando tecnicamente de provisão, temse que os elementos dos autos não amparam esses argumentos. Primeiramente, os registros contábeis demonstram o contrário, pois a contrapartida do lançamento contábil é "provisão". Em segundo lugar, a autuada já admitiu que os valores não são dedutíveis, quando os adicionou na apuração do lucro real dos anoscalendário de 2003 e 2004. Em terceiro lugar, a defesa não prova que os registros contábeis correspondem a despesas efetivas ou incorridas. Para constar, acrescentese que, havendo a "simples contestação sobre legalidade da exação", aplicase aqui, o mesmo entendimento descrito no item anterior. Dessa forma, as razões da defesa não devem ser aceitas, pois a provisão "taxa de saúde suplementar" não está prevista em lei e por essa razão não é dedutível para fins de apuração do lucro real, devendose, por isso, manterse os lançamentos com amparo dos dispositivos legais citados. Das provisões "reclamatórias trabalhistas", "processos cíveis" e "processos administrativos" Com referência aos valores da provisão "reclamatórias trabalhistas", no ano calendário de 2002, os registros contábeis indicam a contabilização de 50% sobre os valores , demandados na Justiça do Trabalho (fl. 100). Registrese que, nos anoscalendário de 2003 e 2004, as mesmas provisões foram consideradas indedutíveis pela autuada e, por isso, adicionadas na apuração do lucro real (fls. 349 e 371). De acordo com os autos, não houve indicação por parte do contribuinte, das datas e lançamentos dos supostos pagamentos que teriam ocorrido no anocalendário de 2003. Quanto à "provisão de processos cíveis", está nos autos que o contribuinte contabilizou despesa com a constituição dessa provisão, no anocalendário de 2002 (fl. 103). Da mesma forma que a provisão anterior, nos anocalendário de 2003 e 2004, os valores contabilizados foram adicionados na apuração da base de cálculo dos tributos (fls. 349 e 371). Também, com essa provisão, não houve a indicação por parte do contribuinte, das datas e lançamentos dos correspondentes pagamentos, no anocalendário subsequente. Por último, com referência à "provisão de processos administrativos" têmse nos autos que as despesas contabilizadas, nos anoscalendário de 2003 e 2004, referemse à provisões e não, despesas efetivas ou incorridas, conforme podese conferir na demonstração de lançamentos contábeis de fls. 117118 e 120 a 122. Ainda, segundo a Recorrente a autuada ao invés de lançar os pagamentos como despesas dedutíveis, lançavaos tendo como contrapartida as respectivas provisões, posteriormente ajustadas na apuração do lucro real no percentual dessas provisões que correspondia ao, efetivamente despendido. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 820 11 Ora, conforme bem indicado pela DRJ a Recorrente foi intimada (fls. 6770) para justificar a apropriação desses valores, como está nos itens "2", "3" e "1011" da intimação, no entanto, os esclarecimentos i3restados às fls. 7273, não foram confirmados nos registros contábeis, conforme está no relatório fiscal, mas o autuante juntou ao processo os elementos que provam as infrações relatadas. Dessa forma, se foram solicitadas informações para a autuada, que dispõe de toda a escrituração contábil e respectiva documentação, não é a fiscalização que deve identificar os supostos registros contábeis e respectivos documentos. Essa obrigação é do contribuinte. Dos depósitos judiciais deduzidos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL Com relação ao Imposto de Renda, entendo que não assiste razão a Recorrente haja vista a impossibilidade de considerar como dedução os depósitos judiciais de PIS/COFINS nos termos do artigo 41 da Lei 8.981/95.. Todavia, a referida vedação expressa referente ao IRPJ não se aplica a CSLL. Notadamente a partir da Lei 8.541/92, a lei, quando quis prescrever certo tratamento para a determinação do lucro real e também para a da base de cálculo da CSLL, ela o fez expressamente. Por seu turno, os depósitos judiciais no âmbito dos tributos federais são regidos pela Lei nº 9.703/98. De acordo com o parágrafo 2º do artigo 1º da referida Lei: Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. Da leitura do referido dispositivo, podemos concluir que, efetuado o depósito pelo contribuinte o mesmo é imediatamente transferido para a conta única do Tesouro Nacional, independente do resultado da demanda, ou seja, é tratado pela União Federal como se pagamento fosse. Tal argumento se confirma também pelo que dispõe o § 4º do mesmo artigo ao afirmar que na hipótese de vitória do contribuinte no litígio “os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição”. Dessa forma e considerando que: (i) o contribuinte após o depósito somente será ressarcido se for vitorioso na demanda, (ii) a União Federal se apropria imediatamente dos depósitos dando aos mesmos tratamento de pagamento (iii) na hipótese de devolução dos valores ao contribuinte os mesmos serão debitados em subconta de restituição, não há como não se reconhecer ao contribuinte o mesmo direito. Ante o exposto, afasto as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa e dou parcial provimento ao recurso para reconhecer a dedutibilidade dos depósitos judiciais de PIS/COFINS na base da CSLL. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 821 12 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencido Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator do Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redatordesignado. Ouso divergir do eminente relator apenas no que concerne à manutenção da dedutibilidade dos valores das despesas com contribuições ao PIS e à COFINS que estiverem sendo discutidas em juízo, com a exigibilidade suspensa por depósitos, na base de cálculo da CSLL. A discussão cingese em saber se valores a título de tributos com exigibilidade suspensa em razão de ação, com ou sem depósito, podem ser deduzidos para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Inicialmente digase que para a Receita Federal do Brasil não há qualquer dúvida. Tanto é assim que foi editada a Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, onde está estampado de forma cristalina que a possibilidade de dedução não alcança tal hipótese: Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. (destaquei) E essa disposição é coerente com a norma que trata do IRPJ, pois a esse respeito também não há dúvidas e nem lide. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 822 13 Por que então apenas para a CSLL, que tem a mesma estrutura e lógica, a regra seria diferente? Não vejo razão para tal. Por que haveria de a Lei nº 8.981/1995 estabelecer o regime da dedutibilidade dos tributos e contribuições pelo regime de competência, apenas quando a exigibilidade não estiver suspensa e pelo regime de caixa em caso contrário para apenas o IRPJ e não também para CSLL? Questão prenhe de questões. Lei nº 8.981/1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Para melhor contextualizar a questão, elucidando alguns conceitos adotados pelo ordenamento jurídico (provisões, regime de caixa e competência, irrelevância do depósito judicial para efeitos de efetividade do pagamento etc) cabe transcrever abaixo a legislação anterior que estabelecia o regime de caixa: Lei n° 8.541/1992: Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. § 1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no períodobase em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. (...) Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, §5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. Como se vê, os artigos acima da Lei n° 8.541/1992, posteriormente revogados pelo art. 41 da Lei 8.981/95, adotam o regime de caixa como a regra geral para se deduzir do lucro real as obrigações referentes a tributos e contribuições, bem como multas, juros e outros encargos a eles pertinentes. Posto isso, apesar de ter se mudada o regime de caixa para competência o ordenamento não admite a exclusão de tributos e contribuições que estejam com sua exigibilidade suspensa por reclamação ou recurso (art. 151, inciso III do CTN). Porém, a Recorrente entende que a determinação prevista no § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95 não alcançaria a contribuição social, pois a norma se refere ‘a apuração do lucro real. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 823 14 Nesse caso, não se pode fazer uma interpretação literal desse dispositivo, mas sim uma interpretação sistemática. Em primeiro lugar, fazendose uma interpretação finalística rasteira se percebe que não há espaço para entender a razão de ser da exclusão apenas da base de cálculo das contribuições sociais as despesas com exigibilidade suspensa. Na verdade ou adotase o regime de caixa ou de competência, não fazendo sentido teleológico algum fazer qualquer distinção entre os referidos tributos. Outrossim, nessa interpretação sistemática cabe anda a participação importante de um dispositivo integrador de legislação que não pode ser olvidado. Tratase do art. 57 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, em que se comanda que devem ser aplicadas à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n" 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n" 9.065, de 1995) Ora, se o legislador já informou em determinada norma (Lei 8.981/95) que o regime de competência deve ser adotado de uma determinada forma, essa informação não diz respeito ‘a base de cálculo como divisam alguns, mas sim “norma de apuração e pagamento”de tributo assim como está literalmente disposto no art. 57 da Lei nº 8.9881/95 Ademais, com utilizandose apenas de uma interpretação literal os defensores dessa tese teriam ainda uma carga de esforço maior na medida em que teriam que afastar a legalidade de uma norma complementar à legislação tributária. Tratase do artigo 50 da Instrução Normativa n° 390, de 30/01/2004, que consolidou a legislação concernente à CSLL e dispõe sobre a apuração e o pagamento desta contribuição, dispõe que : Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. Por fim, se tudo isso ainda não for suficiente, cabe um argumento derradeiro que inclusive foi a base para a confecção do referido art. 41 da Lei 8.981/95. E essa razão de ser também se aplica ‘a CSLL robustecendo ainda mais uma interpretação sistemática. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 824 15 Se de fato o único texto normativo a ser interpretado fosse o § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95, ainda assim fazse mister enfrentar o dispositivo que estabelece a proibição de provisionar valores não autorizados por lei. Ora, os tributos com exigibilidade suspensa não são uma obrigação, mas sim uma provisão. O fato de a obrigação ser imposto por lei não é critério para se aferir a distinção entre obrigação e provisão, como muitos afirmam, afinal toda obrigação mesmo aquela contratual, decorre de lei em seu sentido mais lato. Obrigações são passivos que possuam o atributo da certeza sobre sua própria exigibilidade, sobre seu valor (liquidez) e sobre sua data de liquidação. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) assim conceituaram as provisões: (...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação. Estabelecidas essas premissas, podese constatar cristalinamente que os tributos, cuja exigibilidade está suspensa por medida judicial ou por recurso administrativo como é o caso, classificamse como provisões e não como obrigações. Afinal, não se pode saber com precisão se ao final da lide (administrativa ou judicial), se os tributos serão efetivamente devidos, qual a base de cálculo devida e muito menos a data de sua liquidação. Firmado o fundamento de que tais contribuições no contexto aqui descrito possuem natureza de provisões, não são dedutíveis: Lei nº 7.689, de 15/12/98 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ..... 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Lei nº 9.249, de 26/12/95 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 825 16 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (destaquei) Nesse mesmo diapasão, o doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira, em "O Alcance e o Sentido Sistemático da Indedutibilidade dos Depósitos de Tributos em Processos Fiscais A Dedutibilidade dos Depósitos em Processos de Consignação em Pagamento", traz as seguintes considerações: (...) Ora, se a pessoa jurídica não aceita o tributo que a lei ou a autoridade lhe exige, porque o considera indevido, ela não pode registrar esse tributo na contabilidade como devido, pura e simplesmente. Se assim o fizer, estará agindo incorretamente, inconsistentemente com a realidade, além de insinceramente. O que lhe compete fazer é demonstrar no balanço o risco de perder a discussão sobre o tributo, pela via da reserva ou da provisão que a lei prescreve. (...) As contas de despesas, em resultado, e as contas a pagar no passivo, decorrem da existência de relações jurídicas que impõem obrigações à pessoa jurídica, ou de situações de fato que dão origem a perdas e a prejuízos. Ora, se o contribuinte intenta qualquer ação ou procedimento administrativo, pelo qual declara não reconhecer a existência da relação jurídica tributária, não pode singelamente contabilizar a despesa que pressupõe exatamente o reconhecimento da relação jurídica tributária". Ainda nessa mesma esteira, esta Quarta Câmara julgou o recurso nº 520.135 de 24/02/2010 da relatoria de Eduardo Martins Neiva Monteiro. O referido recurso, cuja ementa abaixo se transcreve, tratou especificamente da indedutibilidade de tributos com a exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, por configurar natureza de provisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF nº 910100.592, de 18 de maio de 2010). Fl. 825DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 826 17 (...) Por abraçar sem ressalva o teor do referido voto, transcrevo abaixo razões de decidir do mesmo para serem consideradas também como fundamento do presente voto e refutam os outros argumentos trazidos pela Recorrente em seu Recurso: A discussão cingese em saber se valores a título de tributos com exigibilidade suspensa em razão de ação judicial em que se discute a constitucionalidade de determinadas incidências, com ou sem depósito, podem ser deduzidos para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Para a Receita Federal do Brasil, não há qualquer dúvida. De acordo com o entendimento exposto na Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, a possibilidade de dedução não alcança tal hipótese: Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. (destaquei) Assim, estaria vedada a dedução a tal título, a exemplo do que ocorre quando da determinação do lucro real, nos termos da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Lei nº 8.541/92 Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. § 1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no períodobase em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. ..... Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, § 5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. (destaquei) Fl. 826DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 827 18 Lei nº 8.981/951 Das Alterações na Apuração do Lucro Real Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (destaquei) De acordo com a fiscalização, os valores provisionados não seriam passíveis de dedução, nos termos da legislação de regência voltada à apuração da CSLL: Lei nº 7.689, de 15/12/98 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: ..... c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ..... 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Lei nº 9.249, de 26/12/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Ao tratar do tema “provisões”, Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) lecionam: “(...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua 1 "Não houve revogação expressa, mas o art.8º da Lei nº 8.541/92 está revogado pelo art.41, §1º, da Lei nº 8.981/95 por ter tratado da mesma matéria, mas de modo diferente. Pela nova redação, os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do inciso I do art.151 do CTN (moratória) passaram a ser dedutíveis pelo regime de competência ("Higuchi, Hiromi et al. Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2011, p.371). Fl. 827DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 828 19 liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação.” Aqueles autores complementam a exposição com esclarecimentos sobre o alcance das expressões “obrigação presente”, “evento passado”, “probabilidade de saída de recursos” e “estimativa confiável”. Quanto à obrigação presente, “...caracterizase por evidência disponível de que é mais provável que vai existir a obrigação do que não”. A respeito das demais: “Um evento passado é aquele que tem condições de criar obrigações. As obrigações são criadas quando a entidade não tem outra alternativa senão liquidar a obrigação gerada do evento, seja por imposição legal ou pelo fato do evento criar expectativas válidas em terceiros, de que a entidade cumprirá a obrigação, dada as práticas passadas da empresa, política de atuação ou declaração (...). Para o reconhecimento do passivo, além da obrigação presente, é condicionante a probabilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos futuros para sua liquidação, sendo que a probabilidade é maior de ocorrer do que de não ocorrer. As estimativas são essenciais quando se trata de provisões devido à sua característica intrínseca de incerteza. A estimativa confiável é resultante da capacidade da entidade determinar um conjunto de desfechos possíveis (...). As estimativas levam em consideração os riscos e incertezas, onde o risco representa a variabilidade dos desfechos possíveis.” Nesse contexto, não se desconhece a Norma e Procedimento de Contabilidade (NPC 22), mencionada pelo recorrente, sobre Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativas, do Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes – IBRACON (elaborada em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários), aprovada pela Deliberação CVM nº 489, de 3 de outubro de 2005, e considerada obrigatória para as companhias abertas. Em seu Anexo II contemplou exemplo (4a), a respeito da introdução de um novo tributo ou alteração da alíquota, inserido por dispositivo legal, em que a empresa entende ser inconstitucional. De acordo com a NPC 22, não se trataria de uma provisão, mas de uma obrigação legal. Vejamos: “A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC.” Exatamente tal exemplo foi objeto de tópico específico no aludido Manual de Contabilidade, em que foram tecidas críticas a respeito de sua inclusão na norma. De acordo com os autores sequer a conclusão poderia ser extraída da NPC 22. Os fundamentos empregados pelos autores são aqui integralmente acolhidos para se firmar o entendimento de que se trata de provisão. Textualmente: Fl. 828DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 829 20 “Em primeiro lugar, a NPC 22 deriva da IAS 37 emitida pelo IASB2, e esta não contém o referido exemplo, e ele não se coaduna, no nosso julgamento, com o conteúdo das próprias normas, nem com a NPC 22 e nem com a IAS 37. No corpo da IAS 37 não há qualquer distinção entre ‘obrigação legal’ e ‘obrigação não formalizada’ (constructive obligation) para fins de reconhecimento de uma provisão. Vejase na parte inicial relativa às Definições, dentro do §6º, da NPC 22: ‘(v) Um passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. (vi) Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (vii) Uma obrigação não formalizada é aquela que surge quando uma entidade, mediante práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida por parte de terceiros e, por conta disso, assume um compromisso.’ A partir dessas três definições podese construir que: ‘Um passivo é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade’. Ainda nas definições, há o conceito de provisão: ‘(ii) Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos.’ Substituindo a definição de passivo nessa da provisão, chegase então a: ‘Uma provisão é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, de prazo ou valor incertos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos.’ Com base nesses conceitos a NPC 22, tal qual a IAS 37, trata todas as obrigações com essa característica de provisões de forma igual. Nessa mesma NPC, são definidas as condições para reconhecimento de provisões: ‘Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a) uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b) é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c) o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança.’ Aqui se tem a completa e explícita corroboração da definição a que chegamos mais atrás. E, ao longo de todo o corpo da referida NPC (e da IAS 37), não mais se faz qualquer distinção entre obrigação legal e obrigação não formalizada. Porém, no citado exemplo4a, há algo diferente e afirma que: ‘ 4. Tributos 2 Internacional Accounting Standards Board, instituição responsável por emitir normas internacionais de contabilidade. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 830 21 (a) A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC.’ ..... Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. O que concordamos é com os cuidados extremos que devem ser tomados na consideração da probabilidade de exigibilidade de tributos, já que há, no Brasil de hoje, forte instabilidade no processo judiciário quanto à convergência das decisões. Mas isso não é motivo para se fugir do conceito contábil de passivo em geral, ou de provisão em particular. ..... Ratificamos nossa posição de necessidade de extremo zelo e devida prudência para essas situações aqui discutidas, mas reforçamos que a administração, em obediência ao conceito da Essência sobre a Forma, deve retratar da melhor maneira sua posição patrimonial e de resultados.” (pp.341343)(alguns grifos nossos) A propósito, cabe noticiar que o exemplo acima aludido (4a) deixou de ser contemplado na Deliberação CVM nº 5943, de 15 de setembro de 2009, que revogou a Deliberação CVM nº 489/05. A dedutibilidade, então, apenas ocorrerá no momento em que houver decisão final da lide, na hipótese de a mesma ser desfavorável ao contribuinte (Solução de Consulta SRRF 7ª RF, nº 168, de 19/06/01, DOU 18/09/01). Como o desfecho da ação judicial é incerto, deve o contribuinte aguardar a sua definição. (...) Nessa mesma esteira se posicionou recentemente a CSRF: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. 3 Aprova o Pronunciamento Técnico CPC 25 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata de provisões, passivos contigentes e ativos contingentes (correlação às Normas Internacionais de Contabilidade IAS 37). Fl. 830DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.011632/200676 Acórdão n.º 1401001.118 S1C4T1 Fl. 831 22 Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF nº 910100.592, de 18 de maio de 2010). Portanto, nego provimento ao recurso, mantendo o lançamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 831DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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