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Numero do processo: 10680.000627/2004-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105).
Numero da decisão: 9101-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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(atual denominação de MG MASTER LTDA, sucessora de ANRIL ESPORTES LTDA) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 06 27 /2 00 4- 44 Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10680.000627/200444 Acórdão n.º 9101002.740 CSRFT1 Fl. 518 2 Relatório LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. (atual denominação de MG MASTER LTDA., sucessora de ANRIL ESPORTES LTDA.) recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 373 e ss., contra o acórdão nº 1202 00.415 (de 09/11/2010, efls. 437 e ss.), que, no mérito e por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa isolada para o percentual de 50%. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA MULTA MENOS GRAVOSA. A multa por falta de recolhimento da estimativa mensal, no percentual de 50%, de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, sendo menos gravosa que a vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador, aplicase retroativamente, tendo em vista o disposto no artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. O Recurso Especial ora apreciado foi admitido por meio do Despacho de e fls. 504 e ss. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 910100.457: Ementa: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou inexistência de saldo de tributo a recolher. Acórdão nº 120100.300: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 1999 Ementa: "MULTA CARÁTER CONFISCATORIO afastar sanções pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caráter confiscatório, implicaria declarar a inconstitueionalidade de lei, o que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa. RETROATIVIDADE BENIGNA o inciso II, art. 44, da Lei 9 430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10680.000627/200444 Acórdão n.º 9101002.740 CSRFT1 Fl. 519 3 recolhimento de estimativas, bem como o inciso IV, § 1" do mesmo artigo que quali ficava a sanção para o patamar de 150"/0 em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50% Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de oficio, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento paru os atos não definitivamente julgados MULTA ISOLADA a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que os fatos que deram ensejo ao lançamento da multa de ofício e da multa isolada são os mesmos; b) que, diante da natureza provisória do recolhimento mensal por estimativa, ultrapassado o exercício financeiro, todo e qualquer lançamento de ofício de que derive a imposição de penalidade não poderá encabeçar também a segunda penalidade ("multa isolada"), sob pena de bis in idem. c) que nos dois acórdãos indicados como paradigmas, em que também a ora Recorrente figurava como sujeito passivo, a multa isolada foi cancelada, respectivamente, pela 1ª Turma da CSRF e pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja admitido, para reformar o acórdão recorrido, de forma que "reste assentada a declaração de improcedência do lançamento com o cancelamento da multa ora discutida". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 508 e ss., documento erroneamente identificado no eprocesso como "Recurso Especial"), aduzindo, em essência, o que segue: a) que a teor do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a “multa isolada” é devida em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa; b) que não há dúvida de que a contribuinte optou por recolher o IRPJ e a CSLL pelo regime de estimativa. Por outro lado, também não há dúvida de que a contribuinte descumpriu o regime, pois não recolheu integralmente o tributo; Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10680.000627/200444 Acórdão n.º 9101002.740 CSRFT1 Fl. 520 4 c) que as infrações apenadas pela chamada “multa de ofício” e pela “multa isolada” são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento de tributo peloacontribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa; d) que com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos, pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ e a CSLL, até porque, como se percebe da Lei nº 9.430/96, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos; e) que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Pede, ao final, que se mantenha incólume o acórdão atacado. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Conforme se extrai dos autos, a multa isolada foi lançada na autuação fiscal aqui discutida com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, com base na redação do art. 44 anterior à edição Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Por clareza, cumpre reproduzir a redação desse artigo antes e depois da edição da MP em tela: Art. 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação anterior à MP nº 351, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10680.000627/200444 Acórdão n.º 9101002.740 CSRFT1 Fl. 521 5 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela MP nº 351, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. De assinalar que no acórdão ora recorrido se decidiu pela redução do percentual da multa a 50%, previsto na redação desse artigo dada pela MP em questão, em razão da retroatividade benigna de que trata o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Como antes referido, a multa isolada no presente processo foi lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996. Em sendo assim, se aplica ao presente caso a Súmula CARF nº 105, aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 08/12/2014, cujo enunciado é transcrito a seguir (sublinhouse): A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10680.000627/200444 Acórdão n.º 9101002.740 CSRFT1 Fl. 522 6 Deve, portanto, ser mantida a exoneração do lançamento de multa isolada procedida pela decisão recorrida. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.720887/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA.
Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa.
USUFRUTO. NATUREZA JURÍDICA. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS.
O usufruto representa uma divisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos do bem pelo usufrutuário.
Com base na disciplina normativa afeta ao direito civil e societário, os valores a titulo de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, pagos ou creditados como resultado de participações societárias, são rendimentos que pertencem ao usufrutuário.
USUFRUTO. LUCROS/DIVIDENDOS. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado.
As normas que estabelecem exceções à tributação ordinária devem ser interpretadas de maneira estrita, não comportando ampliação de conteúdo ou emprego de analogias, assim como inviável também a utilização pelo intérprete de exegese restritiva, para o fim de distinguir onde a lei não distingue.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. USUFRUTO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Os juros pagos ou creditados a pessoa física na condição de usufrutuário de participações societárias, a título de remuneração do capital próprio, devem ser tributados exclusivamente na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), na data do pagamento ou crédito.
LUCROS OU DIVIDENDOS. USUFRUTO. ISENÇÃO.
Os valores pagos a título de lucros ou dividendos, calculados com base nos resultados da pessoa jurídica apurados a partir do mês de janeiro de 1996, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física beneficiária dos rendimentos na condição de usufrutuária de participações societárias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.567
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos a relatora e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negavam provimento ao recurso e a conselheira Maria Cleci Coti Martins que dava provimento parcial, mantendo a tributação sobre os juros sobre capital próprio. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. USUFRUTO. NATUREZA JURÍDICA. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. O usufruto representa uma divisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos do bem pelo usufrutuário. Com base na disciplina normativa afeta ao direito civil e societário, os valores a titulo de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, pagos ou creditados como resultado de participações societárias, são rendimentos que pertencem ao usufrutuário. USUFRUTO. LUCROS/DIVIDENDOS. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. As normas que estabelecem exceções à tributação ordinária devem ser interpretadas de maneira estrita, não comportando ampliação de conteúdo ou emprego de analogias, assim como inviável também a utilização pelo intérprete de exegese restritiva, para o fim de distinguir onde a lei não distingue. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. USUFRUTO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os juros pagos ou creditados a pessoa física na condição de usufrutuário de participações societárias, a título de remuneração do capital próprio, devem ser tributados exclusivamente na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), na data do pagamento ou crédito. LUCROS OU DIVIDENDOS. USUFRUTO. ISENÇÃO. Os valores pagos a título de lucros ou dividendos, calculados com base nos resultados da pessoa jurídica apurados a partir do mês de janeiro de 1996, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física beneficiária dos rendimentos na condição de usufrutuária de participações societárias. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos a relatora e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negavam provimento ao recurso e a conselheira Maria Cleci Coti Martins que dava provimento parcial, mantendo a tributação sobre os juros sobre capital próprio. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. Recorrente SASSON DAYAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. USUFRUTO. NATUREZA JURÍDICA. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. O usufruto representa uma divisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos do bem pelo usufrutuário. Com base na disciplina normativa afeta ao direito civil e societário, os valores a titulo de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, pagos ou creditados como resultado de participações societárias, são rendimentos que pertencem ao usufrutuário. USUFRUTO. LUCROS/DIVIDENDOS. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. As normas que estabelecem exceções à tributação ordinária devem ser interpretadas de maneira estrita, não comportando ampliação de conteúdo ou emprego de analogias, assim como inviável também a utilização pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 08 87 /2 01 4- 93 Fl. 1266DF CARF MF 2 intérprete de exegese restritiva, para o fim de distinguir onde a lei não distingue. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. USUFRUTO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os juros pagos ou creditados a pessoa física na condição de usufrutuário de participações societárias, a título de remuneração do capital próprio, devem ser tributados exclusivamente na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), na data do pagamento ou crédito. LUCROS OU DIVIDENDOS. USUFRUTO. ISENÇÃO. Os valores pagos a título de lucros ou dividendos, calculados com base nos resultados da pessoa jurídica apurados a partir do mês de janeiro de 1996, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física beneficiária dos rendimentos na condição de usufrutuária de participações societárias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos a relatora e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negavam provimento ao recurso e a conselheira Maria Cleci Coti Martins que dava provimento parcial, mantendo a tributação sobre os juros sobre capital próprio. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.267 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 776/786, que exige do contribuinte R$ 14.685.285,26 de imposto, com multa de ofício de 75% e juros moratórios, em razão da apuração de “RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF” como isentos e nãotributáveis e/ou rendimentos sujeitos a tributação exclusiva/definitiva. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 745/775, o contribuinte, nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, declarou ter percebido rendimentos isentos e não tributáveis e/ou rendimentos sujeitos a tributação exclusiva/definitiva, de pessoas jurídicas, conforme quadro 1. Quadro 1 Rendimentos declarados Anocalendário Rendimento valor 2009 juros sobre capital próprio Banco Daycoval R$ 18.380.198,49 lucros e dividendos Banco Daycoval R$ 22.337.308,94 reservas ao capital/bonificação de ações Daycoval Financeira R$ 187.758.687,34 2010 juros sobre capital próprio Banco Daycoval R$ 18.136.848,80 lucros e dividendos Banco Daycoval R$ 6.219.549,57 2011 juros sobre capital próprio Banco Daycoval R$ 20.509.444,13 Ainda de acordo com referido termo: a) Em março de 2007, o contribuinte e outros cinco acionistas do Banco Daycoval S/A, pertencentes à mesma família, constituíram a empresa Daycoval Holding Financeira S/A com um capital social de R$ 10.000,00, que foi aumentado para R$ 254.998.749,79 e para R$ 354.631.818,87, em 19/03/2007 e 20/03/2007, respectivamente, por meio da integralização da nua propriedade de ações do Banco Daycoval S/A, pertencentes aos únicos seis acionistas da Holding, os quais reservaram para si o usufruto dos direitos econômicos de tais ações. b) Como o contribuinte e os demais membros da família citados deixaram de ser acionistas do Banco Daycoval S/A, uma vez que a titularidade das ações passou para a Daycoval Holding Financeira S/A, não poderiam declarar os valores recebidos do Banco Daycoval como sendo distribuição de juros sobre capital próprio JCP e/ou dividendos. Esses valores teriam sido recebidos em decorrência da situação jurídica de usufrutuário e não de acionista. c) O novo titular dos direitos de acionista do Banco Daycoval S/A passou a ser a empresa Daycoval Holding Financeira S/A, sendo que os direitos econômicos percebidos pelo contribuinte, no lugar daquela holding, não se fundamentam na situação jurídica de acionista, mas sim, de usufrutuário, devendo, portanto, os rendimentos com origem nesta condição, serem tributados, por determinação legal, pelo regime de tributação de ajuste anual, que, no caso, submetese à alíquota de 27,5% dos rendimentos anuais auferidos. Fl. 1268DF CARF MF 4 d) A distribuição de JCP é dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das sociedades anônimas e que, para serem pagos aos sócios da Holding, deveriam antes ser registrados como receita financeira desta, o que não aconteceu, tendo sido pagos pelo Banco Daycoval S/A diretamente ao exsócio, sem transitar contabilmente pela Holding, legítima beneficiária dos rendimentos pagos ou creditados a título de dividendos ou JCP, que também não efetuou qualquer pagamentos a título de JCP e/ou dividendos a seus sócios. e) Não cabe ao usufrutuário de ações a percepção de rendimentos da companhia, a título de dividendos ou JCP, tendo em vista que não participa da composição do capital social da sociedade. f) O pagamento de dividendos e JCP constitui remuneração para os sócios em decorrência do capital aplicado na sociedade, enquanto os valores recebidos pelo usufrutuário decorrem de direito real sobre a coisa alheia e não da condição de investidor em uma sociedade (acionista). g) Notase que o Banco Daycoval S/A remunerou o contribuinte com valores, a título de distribuição de lucros e/ou JCP, completamente a descoberto de participação societária, em detrimento da sociedade Daycoval Holding Financeira S/A, e sem qualquer reconhecimento e controle do registro contábil desses pagamentos, nesta empresa. h) A instituição do usufruto “apenas concede ao contribuinte o direito de receber, de outro sócio, ou diretamente por parte do banco, a mando do sócio cedente do direito, ou por lei, VALORES EQUIVALENTES àqueles que seriam pagos ou creditados ao acionista” , não dando direito ao “sócio a descoberto” de “perceber os recursos econômicos e financeiros a que o sócio de direito faz jus a receber da sociedade, não transforma esse direito do sócio a descoberto no mesmo direito do verdadeiro sócio, aquele que é o real proprietário das ações/quotas que deram origem à parcela de rendimentos sem fundamentos societários recebidos por aquele, por meio de um negócio jurídico qualquer”. i) A existência de um negócio jurídico qualquer (usufruto no caso) entre as partes diz respeito somente a elas, não exime o contribuinte da responsabilidade tributária, nem implica na modificação da definição legal do sujeito passivo, assim como não pode ser oposta à Fazenda Pública, não se aceitando a realização aparentemente dissimulada de negócios jurídicos, que devem ser desconsiderados nos termos do CTN, art. 116, parágrafo único. j) No presente caso, o usufruto das ações, apenas concede ao usufrutuário o direito de receber, por parte da companhia, valores equivalentes aos que seriam pagos ou creditados ao nuproprietário (acionista), caso este não estivesse sujeito ao gravame de usufruto sobre as ações de sua propriedade. O direito do usufrutuário a receber os valores devidos ao acionista não transforma esse direito no mesmo direito do acionista da companhia. k) Não há previsão legal de equiparação entre usufrutuário e acionista, especificamente em relação à tributação do imposto de renda. l) Os valores recebidos pelo usufrutuário estão sujeitos à tributação do IR, sem direito à isenção. Esses valores foram considerados como semelhantes a alugueis e/ou royalties de bens e direitos. m) O contribuinte auferiu do Banco Daycoval S/A, no período autuado, rendimentos a título de dividendos e de juros sobre capital próprio, a descoberto de participação societária, pois não possuía qualquer participação acionária direta, na referida instituição financeira, até 29/9/11. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.268 5 n) Os valores referentes ao imposto de renda retido na fonte IRPF, declarados em DIRF foram considerados com parte do imposto de renda devido pelo contribuinte e recolhidos antecipadamente pela fonte pagadora Banco Daycoval S/A. o) Em 29/7/11 foi reduzido o capital da Daycoval Holding Financeira S/A, pela entrega aos acionistas da nuapropriedade de ações ordinárias nominativas do Banco Daycoval S/A, a partir de 60 dias da publicação da ata, ao contribuinte e seus familiares, passando esses, a serem acionistas desta sociedade. Os valores recebidos por eles, a partir de dessa data podem ser realizados a título de dividentos e JCP. Assim, não foram tributados os valores recebidos em 17/10/11, pois o contribuinte se encontrava na posição de acionista de direito do Banco Daycoval S/A. p) Os rendimentos considerados indevidamente declarados como dividendos e JCP, conforme tabelas de fls. 772/773, estão discriminados na tabela 1. Tabela 1 Rendimentos e IRRF Anocalendário Rendimento reclassificado valor IRRF 2009 juros sobre capital próprio Banco Daycoval R$ 21.622.110,35 R$ 3.243.316,55 lucros e dividendos Banco Daycoval R$ 22.337.308,94 R$ 0,00 2010 juros sobre capital próprio Banco Daycoval R$ 21.337.469,25 R$ 3.200.620,39 lucros e dividendos Banco Daycoval R$ 6.219.549,58 R$ 0,00 2011 juros sobre capital próprio Banco Daycoval R$ 20.769.029,99 R$ 3.115.354,50 Cientificado do Auto de Infração AI, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. Os rendimentos sujeitos ao ajuste anual se enquadram no conceito de lançamento por homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador: 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao exercício analisado. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS CORRETOS. DIREITO DE DEFESA EXERCIDO. Afastase a preliminar de nulidade quando o lançamento foi lavrado por pessoa competente e com informações que permitiram ao sujeito passivo exercer o direito de defesa. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais que não se enquadram dentre as hipóteses que vinculam a administração tributária Fl. 1270DF CARF MF 6 somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. INSTRUMENTO PARTICULAR. ALTERAÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DIVIDENDOS. USUFRUTO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. A celebração de contrato de usufruto de ações importa transferência do direito de percepção dos valores correspondentes aos juros sobre capital próprio e dividendos, mas não transforma o usufrutuário em acionista e, assim, os valores recebidos por não sócios em decorrência do direito de fruição das ações não se confundem com a percepção de JCP e dividendos, porque derivam de relações jurídicas distintas e, consequentemente, estão sujeitas a formas de tributação específicas, devendo o valor recebido pela pessoa física usufrutuária das ações ser tributado integralmente. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DIVIDENDOS. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. Os juros sobre capital próprio (JCP) correspondem a lucros apurados em períodos anteriores e que ficaram retidos na empresa, sendo pagos com a finalidade de remunerar o sócio/acionista pela indisponibilidade do capital que ele aplicou na sociedade; já os dividendos são pagos aos sócios/acionistas em decorrência do desempenho da empresa, expresso no lucro apurado no ano, e remuneram o investidor pelo sucesso do empreendimento no qual investiu, portanto, os dividendos e os JCP são institutos diferentes, que possuem natureza jurídica e tratamento tributário distintos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 8/7/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 1.092), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 3/8/15, fls. 1.103/1.183, que contém, em síntese: LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO Diz ter agido na legalidade ao receber JCP e dividendos do Banco em razão do ato de transferência da nua propriedade das ações para a Holding e a reserva do usufruto econômico delas para si. Explica o porquê da operação. Afirma que a Holding não ficou com a propriedade integral das ações. Com a reserva de usufruto, os direitos decorrentes da propriedade das ações do Banco se dividiram entre nuproprietário e usufrutuário. A Holding ficou com os direitos políticos, enquanto a recorrente, como usufrutuário, com o direito à percepção dos frutos (direitos econômicos). Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.269 7 Alega que em ratificação ao ato de usufruto perpetrado com as Atas das Assembleias Gerais Extraordinárias AGEs ficou determinado ter a recorrente, na figura de usufrutuário, direito à percepção de JCP e dividendos (fls. 956/1.011). Acrescenta que, nos termos da Lei 6.404/76, art. 100, o referido usufruto foi registrado no Livro de Ações Nominativas do Banco. Diz que atendeu também ao parecer CVM nº 30. Aduz que a Receita Federal do Brasil trata com naturalidade e acata seus reflexos fiscais, como se vê do PN CST nº 16/72 e do PN CST nº 4/95, os quais se aplicam ao caso por tratarem do tema usufruto. Argumenta que o CARF, ao analisar a situação formalizada em decorrência da mesma operação ora analisada, só que em face da Holding (Acórdão 1103001.123 proferido no processo 16327.720576/201113), sedimentou que o recorrente, como usufrutuário, é pessoa legalmente capaz de receber JCP e dividendos. Cita trecho do voto: É que o usufrutuário passa a figurar, ao lado do nuproprietário, como acionista da sociedade: ambos são titulares da ação. Em outras palavras, conforme a doutrina de Modesto Carvalhosa, o nuproprietário terá a titularidade primária da ação e o usufrutuário deterá a sua titularidade secundária, isto é, ambos terão direitos de acionista. Entende que o usufruto cumpriu as formalidades previstas em lei e teve finalidade própria, que justifica a classificação fiscal adotada pelo recorrente e a correta tributação em DIRPF. Afirma que o auditor fiscal e a DRJ/CTA reconhecem a legalidade dos atos, mas agem como se eles não existissem e criam uma nova realidade no qual os rendimentos percebidos pelo recorrente a título de JCP e dividendos, como usufrutuário, se tornam "alugueis" e/ou "royalties". DECADÊNCIA Explica que a decadência deve ser analisada em face da possibilidade, ou não, de se alterar a classificação do rendimento que, pela norma aplicável ao rendimento tributado exclusivamente na fonte, estaria preclusa em razão do tempo decorrido desde o fato gerador reconhecido pela fonte pagadora e pelo recorrente, até a ciência do AI. Afirma que sendo o IRPF um tributo sujeito ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deslocase da regra gerado do CTN, art. 173, para o art. 150, § 4º. Diante disso, como houve antecipação do pagamento do IRPF, devese contar os cinco anos, para efeito de lançamento de eventual diferença, a partir do fato jurídico. Acrescenta que mesmo que se considere o valor recebido como aluguel ou royalty, o IRPF foi recolhido e admitido com essa rubrica (fonte). Cita decisões do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão 10614.117 e Acórdão 10417.561, no sentido de que é do fato que gera o recolhimento do IRPF que se deve Fl. 1272DF CARF MF 8 contar o prazo de decadência, independentemente do momento da entrega da DIRPF, e que o fato gerador previsto em lei é o pagamento ou crédito. Conclui que todos os valores recebidos pelo recorrente de JCP até 9/12/09 e que foram objeto de IRPF se encontram extintos pela decadência. NULIDADE Ofensa ao artigo 142 do CTN Diz que não restou comprovado a ocorrência do fato jurídico tributário consistente no suposto recebimento de valores a título de alugueis ou royalties, ofendendo assim o CTN, art. 142. Entende que o trabalho fiscal é precário e já começa na utilização do termos "e/ou". Para reclassificar a natureza de recebimento de valores o AFRFB deveria especificar se tais valores são decorrentes de alugueis ou de royalties. Aduz que não há nos autos qualquer elemento material que indique terem as partes envolvidas no processo de fiscalização expressado qualquer elemento de vontade que embasasse acordo de aluguel ou de royalty. Critica ter a DRJ considerado irrelevante tais dados, consistentes na justificativa do reenquadramento. Conclui que a presunção absoluta do AFRFB, tida como válida pela DRJ/CTA sem justificativa plausível, que visa distorcer a realidade e criar um cenário para arrecadar, sem estabelecer os liames do fato jurídico tributário passível de tributação do IRPF, fere o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/72. Afirma que a falta de específica descrição do fato e comprovação de sua existência, são motivos de nulidade do lançamento. Cerceamento do Direito de Defesa Afirma que a consequência da falta de descrição de como teriam sido perpetrados os acordos de locação ou royalty, sem qualificar as partes, objeto e teor do pagamento e, por conseguinte, de comprovação do fato jurídico tributário acarreta a nulidade por cerceamento de defesa. Cita decisão da DRJ em Fortaleza. CONCEITO DE ALUGUEIS E ROYALTIES DESRESPEITO AO DIREITO À LIVRE CONTRATAÇÃO Cita o código civil, art. 565, que trata do contrato de locação e afirma que não há como transformar o usufruto em contrato de locação. Diz que o recorrente somente recebeu dividendo e JCP do Banco e para isso nada pagou (a título de aluguel, royalty ou qualquer outra contraprestação). Acrescenta que a DRJ/CTA ao retratar que o art. 53 do RIR/99 só "equipara" os rendimentos a "alugueis" e/ou "royalties", revela o desprezo à legalidade. Conclui que tanto a desconsideração da natureza do usufruto quanto à falta de delimitação do suposto aluguel ou royalty demonstram desrespeito às relações jurídicas, devendo o lançamento ser cancelado. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.270 9 Afirma que o lançamento de ofício é ilegal, pois não há no ordenamento jurídico pátrio norma legal que a autorize a transformação dos valores recebidos a título de JCP e dividendos pelo usufrutuário em aluguel ou royalties. Aduz que o AFRFB não descaracterizou o usufruto. Foi criada uma nova realidade, díspar da verdade material acostada aos autos. Cita decisões do CARF no sentido de que a autoridade fiscal tem o dever de provar o fato jurídico tributário (Acórdãos 310200.696 e 10417.561). Conclui que por falta de previsão legal, não há como sustentar o lançamento baseado na presunção absoluta de que os JCP e dividendos recebidos pelo usufrutuário seriam alugueis ou royalties, devendo ser afastado o acórdão proferido pela DRJ/CTA e cancelado o AI. CORRETA CLASSIFICAÇÃO DE VALORES RECEBIDOS NA DIRPF Diz que está correta a classificação do recebimento de dividendos e JCP nas DIRPFs do recorrente, haja vista o contrato de usufruto, que é legal sob o ponto de vista da legislação privada e não altera a substância dos frutos percebidos pelo usufrutuário. Disserta sobre o usufruto, citando o Código Civil (artigos 1.390, 1.394, 1.400 e 1.410) e doutrina. Reafirma estar correta a classificação dos rendimentos como JCP e dividendos e que o usufruto formalizado tornouse perfeito e acabado no momento da formalização das AGEs e do registro realizado no livro de ações do Banco. Acrescenta que não há relação de rendimento entre a Holding (nuproprietária) e o recorrente (usufrutuário). Destaca que a relação entre as partes é: i) a Holding com a nuapropriedade e os direitos políticos; e ii) o recorrente com direito aos frutos, neles incluídos os JCP e os dividendos. E, por isso, o recorrente recebeu dividendos e JCP do Banco. Cita o CC, Lei das SA, art. 205,e a Lei 9.249, art. 9º. Volta a citar o Acórdão 1103001.123 do CARF. Cita também jurisprudência e entendimento da CVM no sentido de que os JCP são dividendos. Cita decisões do CARF (Acórdãos 10709.588 e 10197.083) no sentido de que o usufruto não altera a natureza do recebimento dos dividendos pelo usufrutuário. Menciona decisões do CARF sobre usufruto de imóvel, onde consta que os rendimentos produzidos pelo bem pertencem ao usufrutuário e a ele cabe tributar o valor correspondente (Acórdãos 1329263 e 1245671). Alega que a Solução de Consulta nº 11, de 14/1/10, da RFB, ratifica que os lucros distribuídos aos usufrutuários das quotas de capital da empresa constituem rendimento não sujeito à tributação pelo imposto de renda. Conclui que considerando que os JCP foram pagos com retenção de IRPF na fonte pelo Banco e os dividendos são isentos, nos termos do art. 75 da Lei 383/91, o recorrente classificou corretamente seus rendimentos em suas DIRPFs. OFENSA AO ART. 110 DO CTN Fl. 1274DF CARF MF 10 Entende que ao desrespeitar o instituto privado do usufruto e classificar os rendimentos como "alugueis ou royalties", o AFRFB feriu o art. 110 do CTN, que determina ser defeso à lei tributária alterar os institutos de direito privado. Cita decisões do CARF nesse sentido. Repete argumentos já relatados sobre o usufruto e afirma que o lançamento deve ser cancelado. PEDIDO Requer o cancelamento integral do AI ou, quando menos, a extinção por decadência dos valores exigidos no ano de 2009. CONTRARRAZÕES DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL A PGFN apresentou contrarrazões, nos termos do RICARF, art. 48, § 2º, juntada às fls. 1.246/1.263, que contém, em síntese: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA PARCIAL Diz que a premissa básica que norteia a acusação fiscal está assentada no fato de que o recorrente não detém participação acionária no Banco Daycoval, mas apenas faz jus ao usufruto dos direitos econômicos das ações de titularidade da Daycoval Holding, não recebeu pagamentos a título de JCP. Assim, tais rendimentos estariam submetidos ao regime de tributação de ajuste anual. Afirma que como houve a reclassificação dos valores recebidos para rendimentos tributáveis no ajuste anual, é imperativo a análise da decadência considerandose essa reclassificação. Aduz que para que se proceda à contagem do prazo decadencial, é necessário perquirir o momento em que ocorreu o fato gerador quanto ao recebimento de rendimentos oriundos do usufruto e não de JCP. Cita a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, e o CTN, art. 150, § 4º, concluindo que no caso de rendimentos submetidos à tributação no ajuste anual, a data de ocorrência do fato gerador corresponde ao dia 31 de janeiro (sic) de cada anocalendário. Destaca julgados do CARF nesse sentido. Na hipótese, tendo em vista que o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/09, não há que se cogitar de decadência, pois o lançamento foi notificado ao sujeito passivo em 10/12/14. TITULARIDADE DAS RECEITAS PROVENIENTES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Descreve os atos realizados pela Daycoval Holding Financeira S/A: o capital social desta empresa foi integralizado pelos sócios apenas com a nua propriedade das ações que possuíam do Banco Daycoval, ficando estes com o usufruto das ações do Banco, enquanto a Holding exercia o controle direto sobre o Banco. Destaca que o ponto central deste processo reside em saber a quem pertencem as receitas provenientes do pagamento de JCP, feito pelo Banco Daycoval. Para o recorrente tais receitas seriam dos sócios da Holding, em virtude do usufruto; para a Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.271 11 fiscalização, tais receitas seriam da Daycoval Holding, não existindo relação societária com as pessoas físicas que justificasse o seu pagamento a título de JCP diretamente para elas. Afirma que a constituição do usufruto confere ao usufrutuário o direito a receber os resultados econômicos auferidos pela companhia. Assim, o pagamento dos dividendos está em conformidade com a Lei 6.404/76. Entende que o recorrente busca conferir aos JCP o mesmo tratamento dispensado pela Lei das SA aos dividendos. A analogia utilizada pelo recorrente é no sentido de que, tal qual os dividendos, os JCP a que teria direito a Daycoval Holding, na qualidade de acionista do Banco Daycoval, poderiam ser destinados aos sócios pessoas físicas daquela empresa. Desta maneira, os sócios escapariam ao regime de tributação mais oneroso, que recairia sobre a Daycoval Holding caso esta recebesse os rendimentos provenientes do pagamento da JCP. Entretanto, não é possível estender aos JCP a mesma disciplina legal prevista para os dividendos. Ressalta que a fiscalização não questionou a criação da Holding, nem a utilização do usufruto, mas a correta interpretação das normas tributárias e consequente apuração dos tributos. Destaca que as repercussões tributárias do pagamento de JCP e dos dividendos são distintas. Enquanto os dividendos são disciplinados pela Lei das S/A, os JCP são regidos pro legislação específica, que regulamenta seus aspectos e efeitos tributários. Cita a Lei 9.249/95, art. 9º, destacando: a) pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados; b) juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio. O primeiro trecho evidencia a pessoa jurídica que paga os JCP, enquanto o segundo, aqueles que recebem os respectivos valores. Portanto, o legislador explicitou os participantes das operações envolvendo o pagamento de JCP a sociedade paga uma remuneração a seus acionistas. Cita doutrina e entendimento exarado na decisão de primeiro grau proferida no processo envolvendo da Daycoval Holding (16327.720576/201113). Afirma que a existência de usufruto que determine a entrega de valores referentes a JCP a terceiros não tem o condão de descaracterizar a relação jurídicotributária estabelecida pelo art. 9º da Lei 9.249/96. Cita trecho do Acórdão da DRJ/CTA, ao citar o CTN, artigos 109, 116 e 123, no sentido de afastar os efeitos das convenções estabelecidas entre particulares, concluindo que as alegações referentes à validade ou ao momento em que teria sido constituído o usufruto perdem força, visto que o ponto central discutido neste processo resumese a interpretar a legislação tributária específica e apontar o titular das receitas de JCP. NATUREZA JURÍDICA DOS JCP Disserta sobre a natureza jurídica das JCP, afirmando que não têm natureza de dividendos, sendo receitas financeiras que deveriam ter sido oferecidas à tributação na pessoa jurídica. Os dividendos são valores pagos aos acionistas com base no resultado econômico da empresa, enquanto os juros sobre capital próprio são recebidos como forma de remuneração do capital investido. Fl. 1276DF CARF MF 12 Cita ementa do Acórdão 10196.692 do CARF, proferido no processo 11080.009776/200581: IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — Os juros sobre capital próprio investido pela sociedade em outra empresa não têm natureza de lucro ou dividendo, mas de receita financeira. Regime jurídico tributário diferenciado. Os juros recebidos em decorrência de aplicação capital próprio em outra pessoa jurídica compõem a base de cálculo do IRPJ. Cita outros acórdãos do CARF no mesmo sentido e decisão do STJ. SUPOSTA NULIDADE DO AI POR AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR Cita o Decreto 70.235/72, art. 59 e art. 60, e afirma que foi propiciado ao sujeito passivo o efetivo direito de defesa que apresentou longo e detalhado arrazoado, contestando o mérito da questão. A jurisprudência da Câmara Superior do CARF tem firmado entendimento de que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mostrase incabível a declaração de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Cita doutrina. Acrescenta que foram devidamente informados no AI todos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e também estão presentes os ditames do art. 142 do CTN. Explica que a fiscalização não deixa dúvidas de que os valores recebidos em virtude do usufruto devem ser apropriados com renda tributável submetida ao regime de tributação de ajuste anual. O fato de se ter mencionado que as importâncias recebidas pelo contribuinte em razão do usufruto deveriam ser consideradas como alugueis ou royalties não nulifica o lançamento, na medida em que a submissão de tais rendimentos ao regime de ajuste anual independe de tal enquadramento. Quer fossem as importâncias recebidas efetivamente alugueis ou royalties, quer fossem enquadradas pela fiscalização genericamente como rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a consequência jurídicotributária seria a mesma, submissão ao ajuste anual. PEDIDO Requer seja negado seguimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.272 13 Voto Vencido Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. INTRODUÇÃO Inicialmente, ressaltese que o cerne da questão que ora se apresenta é a reclassificação dos rendimentos recebidos pelo sujeito passivo do Banco Daycoval, declarados por ele como sendo distribuição de juros sobre capital próprio JCP e/ou dividendos, considerados pela fiscalização como rendimentos tributáveis, sujeitos ao regime de tributação de ajuste anual. A discussão sobre tal procedimento é questão de mérito que será apreciada no presente voto. DECADÊNCIA Caso o procedimento adotado pelo sujeito passivo tivesse sido considerado correto, não teria sido feito o lançamento. Entretanto, uma vez que a fiscalização reclassificou os valores declarados, a decadência deve ser avaliada em relação à forma de tributação apontada pela fiscalização. Não cabe então o argumento de que os valores de JCP estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, cujo fato gerador do imposto sobre a renda seria a data do pagamento, uma vez que tais rendimentos foram reclassificados como rendimentos tributáveis no ajuste anual. Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, parágrafo único, dispõem que: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos. Fl. 1278DF CARF MF 14 Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicandose então, para se apurar a decadência, o comando do CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso dos rendimentos submetidos à tributação no ajuste anual, a data de ocorrência do fato gerador corresponde ao dia 31 de dezembro de cada anocalendário. No presente caso, o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/09, começando nesta data a fluir o prazo decadencial de cinco anos. Assim, a fiscalização teria até 31/12/14 para efetuar o lançamento. Como a ciência do sujeito passivo ocorreu em 10/12/14 (Aviso de Recebimento AR à fl. 800), não há que se falar em decadência. NULIDADE A fiscalização ao reclassificar os valores recebidos pelo sujeito passivo, considerados por ele como JCP e dividendos, considerou que tais rendimentos devem ser tributados, por determinação legal, pelo regime de tributação de ajuste anual, que, no caso, submetese à alíquota de 27,5% dos rendimentos anuais auferidos. Consta do TVF, conforme relatado, que a instituição do usufruto “apenas concede ao contribuinte o direito de receber, de outro sócio, ou diretamente por parte do banco, a mando do sócio cedente do direito, ou por lei, VALORES EQUIVALENTES àqueles que seriam pagos ou creditados ao acionista” , não dando direito ao “sócio a descoberto” de “perceber os recursos econômicos e financeiros a que o sócio de direito faz jus a receber da sociedade, não transforma esse direito do sócio a descoberto no mesmo direito do verdadeiro sócio, aquele que é o real proprietário das ações/quotas que deram origem à parcela de rendimentos sem fundamentos societários recebidos por aquele, por meio de um negócio jurídico qualquer”. A fiscalização (fl. 779) deixa claro que a natureza do rendimento não é de JCP ou dividendos, devendo tais rendimentos serem apropriados como renda tributável, semelhantemente a alugueis e/ou royalties, nos termos do RIR/99, art. 53 Art. 53. Serão também consideradas como aluguéis ou royalties todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos bens e direitos, além dos referidos nos arts. 49 e 52, tais como [...] Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.273 15 Da leitura do TVF vêse claramente que em nenhum momento a fiscalização apurou rendimentos de alugueis ou royalties, mas apenas afirmou que os rendimentos recebidos pelo sujeito passivo são tributáveis, tal qual, os alugueis ou royalties. Assim, descabidos os argumentos de desrespeito ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto 70.235/72. Também não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, pois a recorrente demonstra na impugnação e no recurso voluntário apresentados, perfeito entendimento sobre o lançamento, fato gerador, base de cálculo, alíquotas, tributo devido e sujeito passivo da obrigação. Se não há qualquer lançamento a título de alugueis ou royalties, também não tem razão o contribuinte ao questionar a natureza destas verbas. Quanto à legalidade do lançamento, mais uma vez, descabido o argumento do recorrente, como já relatado e acima afirmado, não houve transformação de valores de JCP e dividendos em alugueis ou royalties. O que se verifica foi um pagamento realizado pelo Banco Daycoval, em valor equivalente aos devidos à Daycoval Holding a título de JCP e dividendos, a pessoa física. Tais valores recebidos pelo recorrente, que não se enquadram como JCP ou dividendos, foram, portanto, considerados como tributáveis. Se uma empresa paga a uma pessoa física qualquer valor que não se enquadre nas hipóteses de isenção ou rendimento tributável exclusivamente na fonte, nos termos da lei, tais valores possuem a natureza de rendimento tributável, independentemente do nome dado à verba. DOUTRINA, JURISPRUDÊNCIA E DECISÕES ADMINISTRATIVAS Em que pese o respeito aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais apresentados no recurso, inclusive o que consta no voto vencedor do Acórdão 1103001.123, citado no recurso, eles não têm o condão de vincular este órgão julgador. O CTN, art. 100, II, dispõe que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; [...] Conforme consta do Acórdão de impugnação, as consultas que vinculam a administração tributária são as Soluções de Consulta Cosit e as Soluções de Divergência, nos termos da Instrução Normativa IN RFB 1.396/13, art. 13. No âmbito do CARF, apenas as hipóteses descritas nos artigos 62 e 75 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Fl. 1280DF CARF MF 16 Portaria MF nº 343, de 9/6/15, na redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016, vinculam o julgamento: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Art. 75. Por proposta do Presidente do CARF, do Procurador Geral da Fazenda Nacional, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica ou profissional habilitada à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poderá atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.274 17 OFENSA AO ART. 110 DO CTN Sobre este assunto, transcrevese o conteúdo que consta no voto do acórdão de impugnação, que muito bem tratou da questão: Incabível também a alegação trazida na impugnação de que o lançamento teria ferido o art. 110 do CTN, uma vez que esse dispositivo é direcionado ao legislador, cabendo a esta instância de julgamento somente aplicar as determinações existentes na legislação tributária, conforme definido no já transcrito no art. 142 do CTN: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. MÉRITO A fiscalização não questionou o procedimento adotado pelo contribuinte quando instituiu o usufruto dos direitos econômicos das ações, muito menos os fatos que determinaram tal conduta do recorrente. Como afirmado no início deste voto, o cerne da questão que ora se apresenta é a reclassificação dos rendimentos recebidos pelo sujeito passivo do Banco Daycoval, declarados por ele como sendo distribuição de juros sobre capital próprio JCP e/ou dividendos, considerados pela fiscalização como rendimentos tributáveis. A atividade vinculada do agente administrativo não o permite interpretar a lei de forma diversa, devendo observar o disposto no CTN, art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cumpre, inicialmente, perquirir a quem cabe o recebimento de JCP e dividendos de uma empresa. Para avaliar o JCP, deve ser observada a Lei 9.249/95, art. 9º, e o RIR/99, art. 347: Lei 9.249/95: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados Fl. 1282DF CARF MF 18 individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (grifo nosso) [...] § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; [...] RIR/99: Art. 347. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP Da leitura da legislação citada, notase que o destinatário do JCP é o sócio ou acionista da pessoa jurídica, para remunerar o capital por ele investido na empresa. Quanto aos dividendos, devese observar o comando do RIR/99, art. 663: Art. 663. Estão isentos do imposto os lucros e dividendos pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassarem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica, deduzido do imposto correspondente (grifo nosso) Destacase que quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Diante da interpretação literal da legislação tributária que trata da isenção, na ausência de lei que atribua isenção aos valores recebidos em razão do usufruto, não há como aplicarlhes tal benefício. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.275 19 Como bem descrito no TVF, "a mera condição de usufrutuário não transforma o mesmo em acionista, com direito à percepção de dividendos e/ou juros sobre capital próprio". Dito isto, quem a lei confere o direito de receber os dividendos e/ou JCP é o sócio ou acionista, mas não o usufrutuário. Diante da situação apresentada, verificase que o Banco Daycoval pagou ao sujeito passivo determinados valores (em montante equivalente ao JCP e dividendos devidos à Daycoval Holding) que deveriam ter sido oferecidos à tributação do IRPF, uma vez que a tributação independe da denominação dada aos rendimentos, conforme dispõe o CTN, art. 43, e a Lei 7.713/88, art. 3º: CTN Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Lei 7.713/88 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 1284DF CARF MF 20 Citese trecho do Acórdão de impugnação, sobre os direitos do usufrutuário: Os dispositivos legais do Direito Civil definem ter o usufrutuário direito à percepção dos frutos do bem, mas essa é uma relação particular acertada entre as partes, proprietários e usufrutuário, que não pode ser oposta à definição da fonte pagadora e do sujeito passivo, empresa investida e sócio/acionista, definidos na legislação tributária para os casos de pagamento de JCP e dividendos. Essa determinação está contida nos arts. 109, 116 e 123 do CTN, que são claros ao definir: que o direito privado não pode ser utilizado na definição dos efeitos tributários de institutos nele definidos; que o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa que tem relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador e que as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; [...] Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Portanto, o instrumento de concessão de usufruto só produz efeito entre as partes que o firmaram e não geram repercussões tributárias não previstas na legislação do Imposto de Renda. Certo é que o contrato faz "lei" entre as partes, contudo, não têm validade as cláusulas que são contrárias ao disposto em lei. O fato de ter o contribuinte atendido às disposições da Lei 6.404/76, para instituir o usufruto, não lhe confere o direito de opor tal determinação à Fazenda Pública. O disposto no art. 100 de referida lei não transforma o usufrutuário em acionista. Acrescentese que o disposto no art. 205 da Lei 6.404/76 faz referência apenas aos dividendos: Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. Tal dispositivo, como descrito no TVF, não deve ser interpretado isoladamente, contrariando a legislação tributária, especialmente o RIR/99, art. 663, transcrito acima. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.276 21 Ademais, tal permissão legal para pagar dividendos ao usufrutuário não pode ser estendida para o pagamento de JCP, pois possuem natureza jurídica e tratamento tributário distintos. Sendo assim, correto o procedimento fiscal que reclassificou os valores declarados pelo sujeito passivo como dividendos (rendimento isento) e JCP (rendimento sujeito à tributação exclusiva), como rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 1286DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia a Ilustre Relatora para discordar do voto proferido, especificamente quanto ao mérito. Depreendese do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 745/775, que a fiscalização não questionou a idoneidade dos atos societários praticados pelas partes, inclusive a criação da Holding, assumindo que é perfeitamente lícita a instituição do usufruto dos direitos econômicos de participações societárias sob a ótica do direito privado. A controvérsia instaurada pela autoridade lançadora referese aos efeitos tributários decorrentes do usufruto reservado aos acionistas, dentre eles o ora recorrente, da sociedade Daycoval Holding Financeira S/A sobre os direitos econômicos das ações do Banco Daycoval S/A e a consequente apuração do imposto sobre a renda incidente sobre o acréscimo patrimonial da pessoa física. Em síntese apertada, para a fiscalização o pagamento de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio constitui remuneração para os sócios em virtude do capital aplicado na sociedade. Todavia, o usufrutuário não participa diretamente da composição do capital social da sociedade e recebe valores com origem no seu direito real sobre a coisa alheia, e não na condição de acionista da companhia. Logo, os valores recebidos pelo usufrutuário são rendimentos sujeitos ao regime ordinário de tributação no ajuste anual, sem direito à isenção e/ou tributação definitiva do imposto sobre a renda. Tal linha de raciocínio acabou sendo acatada pela decisão de primeira instância e pelo voto da I. Relatora. Pois bem. Longe de questões de fato, a matéria em debate nos autos cingese à interpretação da legislação tributária atinente à distribuição de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio diretamente ao usufrutuário, como parcelas dos rendimentos produzidos pelas participações societárias que foram objeto de usufruto. Em outros dizeres, a tarefa do intérprete consiste em pesquisar e extrair o exato conteúdo das normas jurídicas contidas no art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que trata da tributação exclusiva na fonte pagadora relacionada aos pagamentos a título de juros sobre capital próprio, assim como no art. 10 da mesma Lei, o qual dispõe sobre a isenção do imposto de renda sobre pagamentos de lucros/dividendos. Com vistas a tal análise interpretativa, cabe relembrar inicialmente o que prescreve o art. 109 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, abaixo reproduzido: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.277 23 Ao cuidar de instituto previsto no Código Civil, o significado e a extensão do usufruto são obtidos a partir do conjunto normativo do direito privado. Porém, é lícito ao legislador, e não ao intérprete, conferir efeitos tributários próprios, diversos daqueles normalmente produzidos nas relações entre particulares, os quais estarão submetidos aos princípios de direito tributário. Acontece que o legislador tributário, na matéria controversa, não atribuiu ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o hermeneuta aos efeitos típicos decorrentes do direito privado, cuja interpretação reclama, no caso do usufruto de ações, também a investigação das normas de direito societário. Segundo a definição civilista, o proprietário do bem é aquele tem a faculdade de usar, gozar e dispor, além do direito de reavêlo do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha (art. 1.228 do Código Civil, veiculado pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002). Por sua vez, o instituto do usufruto representa uma divisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, cujo direito real de obtenção dos frutos e das utilidades é conferido a outrem (arts. 1.390 e 1.394 do Código Civil). Quero dizer com isso que o usufrutuário detém a possa direta da coisa, possuindo o direito real de uso e gozo do bem, explorandoo economicamente na retirada de seus rendimentos e acessórios. O nuproprietário, por outro lado, permanece com a faculdade de dispor do bem. No âmbito da disciplina das sociedades por ações, a Lei nº 6.404, 15 de dezembro de 1976 (Lei das S/A), contém diversos dispositivos que cuidam especificamente da possibilidade de constituição do usufruto sobre participações societárias. Senão vejamos, entre outros: Outros Direitos e Ônus Art. 40. O usufruto, o fideicomisso, a alienação fiduciária em garantia e quaisquer cláusulas ou ônus que gravarem a ação deverão ser averbados: (...) Voto das Ações Gravadas com Usufruto Art. 114. O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário. (...) Direito de Preferência Art. 171. Na proporção do número de ações que possuírem, os acionistas terão preferência para a subscrição do aumento de capital. (...) Fl. 1288DF CARF MF 24 § 5º No usufruto e no fideicomisso, o direito de preferência, quando não exercido pelo acionista até 10 (dez) dias antes do vencimento do prazo, poderá sêlo pelo usufrutuário ou fideicomissário. (...) Pagamento de Dividendos Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. (...) (GRIFEI) Não é difícil perceber que a lei das sociedades por ações, em respeito ao conceito civil de usufruto, prevê o aproveitamento pelo usufrutuário dos rendimentos produzidos pelas participações societárias, consistente nas faculdades de usar e fruir das ações do capital social. Conquanto não empregue uma linguagem uniforme em todos os artigos que tratam do usufruto, a Lei S/A reconhece, ao fim e ao cabo, que tanto nuproprietário quanto usufrutuário estão legitimados a exercerem direitos de acionistas. É que conforme realçado pelo votocondutor do Acórdão nº 1103001.123, proferido pela 3ª Turma da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 21/10/2014, com base na doutrina de Modesto Carvalhosa, o nuproprietário tem a titularidade primária da ação e o usufrutuário detém a sua titularidade secundária. Salta aos olhos ainda que o art. 205 da Lei das S/A, acima reproduzido, contém expressa previsão para pagamento de dividendos ao usufrutuário. Nada menciona a Lei, contudo, a respeito dos juros sobre capital próprio, até porque é um instituto criado mais recentemente. Acentuou com lucidez a I. Relatora que dividendos e juros sobre capital próprio possuem natureza jurídica e tratamentos tributários distintos. É uma assertiva verdadeira. Entretanto, em uma acepção ontológica dos termos, ambos são formas de remuneração do acionistas pelo capital investido na companhia. Os lucros/dividendos remuneram o resultado econômico da sociedade, enquanto os juros sobre capital próprio tem por finalidade remunerar o capital do investidor que deixou de ser direcionado, por opção do acionista, a outra aplicação financeira. Em uma e outra hipótese apontada, são riquezas representativas de direitos econômicos das ações, consistindo em rendimentos a serem aproveitados pelo usufrutuário, na concepção de proveitos dos frutos e utilidades que a coisa alheia produz. Nessa linha de compreensão sobre o tema, é interessante anotar que a própria Lei nº 9.249, de 1995, que possui natureza tributária, estabelece a possibilidade de as companhias pagarem juros sobre capital próprio em substituição aos lucros/dividendos. Reproduzo o § 7º do seu art. 9º: Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.278 25 Art. 9º (...) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. (...) § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. (...) (GRIFEI) Dessa forma, levando em conta o regramento normativo exposto do direito civil e societário, é possível assegurar que, uma vez instituído o usufruto, os lucros/dividendos e os juros sobre capital próprio, pagos ou creditados como resultado produzido pelas participações societárias, são rendimentos que pertencem ao usufrutuário. No tocante à legislação tributária, cabe realçar que a subsunção do fato à regra de incidência tributária do imposto sobre a renda enseja, via de regra, a tributação do acréscimo patrimonial. Por isso, os dispositivos legais que estabelecem exceções à tributação ordinária, a exemplo daqueles que conferem isenção aos rendimentos percebidos ou estabelecem a aplicação de alíquotas mais benéficas ao contribuinte, devem ser interpretados de forma literal, tal como indica o art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; (...) Porém, o legislador não quis dizer que não se possa utilizar os critérios teleológico, histórico e sistemático na interpretação da legislação tributária que trata de regras de exceção. É que a legislação tributária, em que pese a autonomia de conceitos próprios, não pode ser examinada de maneira dissociada das demais normas que fazem parte do ordenamento jurídico, sob pena de levar a um distanciamento do alcance do texto de lei. Em verdade, a interpretação literal a que alude o CTN diz respeito aos efeitos tributários produzidos pela avaliação do hermeneuta, devendo as normas de exceção serem interpretadas de maneira estrita. Fl. 1290DF CARF MF 26 Significa que a interpretação não comporta ampliação da norma jurídica, tampouco analogias. Mas não só. Também é inviável a utilização de exegese restritiva, a qual acarreta distinção onde a lei não distingue ("ubi lex non distingui nec nos distinguere debemus"). Traçados os contornos básicos do meu ponto de vista sobre o viés interpretativo da matéria controvertida, passase ao exame dos correspondentes dispositivos legais, considerando que o recorrente declarou parte dos valores recebidos como isentos (lucros/dividendos) e outra parte como de tributação exclusiva na fonte (juros sobre capital próprio). Em ambas as situações, a autoridade lançadora reclassificou os rendimentos para fins do lançamento de ofício do crédito tributário, submetendoos à tributação no ajuste anual. Juros sobre Capital Próprio Para melhor visualização do conteúdo do dispositivo de lei, transcrevo o art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, no que interessa ao feito: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (...) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: (...) II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; (...) (GRIFEI) Esse é o mesmo teor dos arts. 347 e 668 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 347. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º). (...) Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.279 27 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto na forma prevista no art. 668 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º). (...) Art. 668. Estão sujeitos ao imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito, os juros calculados sobre as contas do patrimônio líquido, na forma prevista no art. 347 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º). § 1º O imposto retido na fonte será considerado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único): (...) II tributação definitiva, nos demais casos, inclusive se o beneficiário for pessoa jurídica isenta. (...) Em linha de aderência com o retratado neste voto, nenhum efeito tributário específico atribuiu o legislador ao usufruto. Embora o regime jurídico esteja regulado pela Lei nº 9.249, de 1995, o legislador não impôs limitações ao recebimento pelo usufrutuário de valores a título de juros sobre capital próprio, que, em razão da instituição do usufruto, a ele pertencem. Configurase restritiva a interpretação de que a expressão "acionista", tal como inserida na "cabeça" do art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, diga respeito somente ao beneficiário que detém a participação acionária direta na pessoa jurídica, na condição de proprietário pleno ou mesmo de possuidor da nua propriedade dos ativos, com exclusão das pessoas físicas usufrutuárias dos direitos econômicos. O legislador não adotou esse tipo de restrição, mesmo porque a instituição do usufruto não altera a natureza jurídica dos frutos percebidos pelo usufrutuário. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos pelo usufrutuário, em harmonia com as disciplinas previstas nas leis civil e societária, que abrange, entre outros, os juros sobre capital próprio. A condição de usufrutuário implica considerálo acionista, para fins de percepção dos juros sobre capital próprio. De fato, como dito, o usufrutuário detém a titularidade secundária das participações acionárias. À vista disso, correta a classificação dos valores recebidos pelo recorrente do Banco Daycoval S/A, no período da autuação, como rendimentos a título de juros sobre capital próprio. Os juros pagos ou creditados, a título de remuneração do capital próprio, devem ser tributados exclusivamente na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), na data do pagamento ou crédito. Logo, é improcedente o lançamento de ofício do crédito tributário na forma de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual. Fl. 1292DF CARF MF 28 Dada a insubsistência do crédito tributário lançado pela fiscalização, deixo de reavaliar, por absolutamente desnecessário, o critério para o cômputo do prazo decadencial aplicável aos rendimentos pagos a título de juros sobre capital próprio, tributados exclusivamente na fonte. Lucros/Dividendos Neste ponto controvertido, copio a redação do "caput" do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. (...) O texto de lei está reproduzido no inciso XXIX do art. 39 e no art. 692 do RIR/99: Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10); (...) Lucros ou Dividendos Apurados a partir de 1º de janeiro de 1996 Art. 692. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real ou arbitrado a pessoa física ou jurídica, domiciliada no exterior, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). De pronto, observase que a legislação de regência não faz qualquer menção à figura do titular, sócio ou acionista. Os lucros/dividendos apurados a partir de 1º de janeiro de 1996, como é a hipótese dos autos, pagos ou creditados a pessoa física ou jurídica, não estão sujeitos á incidência do imposto sobre a renda na fonte, tampouco integram a base de cálculo do imposto submetido ao ajuste anual da pessoa física. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10437.720887/201493 Acórdão n.º 2401004.567 S2C4T1 Fl. 1.280 29 Cuidase de uma verdadeira isenção tributaria de natureza objetiva, na medida em que o legislador ordinário escolheu como parâmetro um determinado fato jurídico, sem levar em consideração as condições das pessoas beneficiadas pela exceção. Em outras palavras, a isenção alcança a riqueza lucros/dividendos na sua concepção primária, ou seja, os lucros/dividendos das pessoas jurídicas apurados com base nos seus resultados e pagos ou creditados aos respectivos beneficiários dos rendimentos. E como exaustivamente afirmado, o usufrutuário, haja vista a essência do instituto do usufruto, é beneficiário dos lucros/dividendos. Além dos argumentos já deduzidos no presente voto, nessa situação é ainda mais evidente que o legislador não circunscreveu o tratamento tributário diferenciado apenas para o beneficiário que detenha participação acionária direta na pessoa jurídica, promovendo a exclusão do usufrutuário da regra de isenção. Daí porque, utilizandose de via inadequada, a interpretação da autoridade lançadora inova a norma jurídica contida no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995. Assim sendo, correta a classificação dos valores recebidos pelo recorrente do Banco Daycoval S/A, no período da autuação, como rendimentos a título de lucros/dividendos recebidos de pessoa jurídica. Os valores pagos ou creditados, a título de lucros/dividendos apurados a partir de 1996, são rendimentos isentos do imposto sobre a renda da pessoa física. Logo, também é improcedente o lançamento de ofício do crédito tributário na forma de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727999/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RETROAÇÃO DOS EFEITOS. INCIDÊNCIA DE NORMAS GERAIS E ANTERIORES.
A declaração de inconstitucionalidade de determinada norma, com alcance erga omnes e efeitos ex tunc, tem por consequência a retirada a norma do sistema jurídico, desde a data de sua veiculação, afetando todas as relações jurídicas então por ela reguladas, apresentando cenário em que se aplicam aos fatos e condutas abarcados as demais normas incidentes, mesmo que mais gerais e anteriores àquela excluída.
Os atos praticados com base na lei declarada inconstitucional, sob tais alcance e efeitos, não possuem, igualmente, a validade necessária para a produção de quaisquer efeitos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. IMPLEMENTAÇÃO OU EXPANSÃO DE EMPREENDIMENTO ECONÔMICO. PREVISÃO LEGAL DO INSTITUTO. REQUISITOS DELIMITADOS. DISTINÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL.
A incidência da norma contida no art. 443 do RIR/99 demanda a verificação se, efetivamente, os valores percebidos e seu emprego pelo contribuinte se amoldaram às características da subvenção de investimento, que primordialmente pressupõe o estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos.
Subvenções e benefícios fiscais são institutos distintos. A redução de alíquota de ICMS para determinadas atividades mercantis dos contribuintes, exigindo-se para seu gozo apenas o atendimento a condições empresariais pré-existentes (regularidade fiscal, determinado número de funcionários e montante do capital social), configura mera benesse tributária, afastando-se do conceito de subvenção para investimento.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RETROAÇÃO DOS EFEITOS. INCIDÊNCIA DE NORMAS GERAIS E ANTERIORES. A declaração de inconstitucionalidade de determinada norma, com alcance erga omnes e efeitos ex tunc, tem por consequência a retirada a norma do sistema jurídico, desde a data de sua veiculação, afetando todas as relações jurídicas então por ela reguladas, apresentando cenário em que se aplicam aos fatos e condutas abarcados as demais normas incidentes, mesmo que mais gerais e anteriores àquela excluída. Os atos praticados com base na lei declarada inconstitucional, sob tais alcance e efeitos, não possuem, igualmente, a validade necessária para a produção de quaisquer efeitos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. IMPLEMENTAÇÃO OU EXPANSÃO DE EMPREENDIMENTO ECONÔMICO. PREVISÃO LEGAL DO INSTITUTO. REQUISITOS DELIMITADOS. DISTINÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL. A incidência da norma contida no art. 443 do RIR/99 demanda a verificação se, efetivamente, os valores percebidos e seu emprego pelo contribuinte se amoldaram às características da subvenção de investimento, que primordialmente pressupõe o estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos. Subvenções e benefícios fiscais são institutos distintos. A redução de alíquota de ICMS para determinadas atividades mercantis dos contribuintes, exigindo-se para seu gozo apenas o atendimento a condições empresariais pré-existentes (regularidade fiscal, determinado número de funcionários e montante do capital social), configura mera benesse tributária, afastando-se do conceito de subvenção para investimento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RETROAÇÃO DOS EFEITOS. INCIDÊNCIA DE NORMAS GERAIS E ANTERIORES. A declaração de inconstitucionalidade de determinada norma, com alcance erga omnes e efeitos ex tunc, tem por consequência a retirada a norma do sistema jurídico, desde a data de sua veiculação, afetando todas as relações jurídicas então por ela reguladas, apresentando cenário em que se aplicam aos fatos e condutas abarcados as demais normas incidentes, mesmo que mais gerais e anteriores àquela excluída. Os atos praticados com base na lei declarada inconstitucional, sob tais alcance e efeitos, não possuem, igualmente, a validade necessária para a produção de quaisquer efeitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. IMPLEMENTAÇÃO OU EXPANSÃO DE EMPREENDIMENTO ECONÔMICO. PREVISÃO LEGAL DO INSTITUTO. REQUISITOS DELIMITADOS. DISTINÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL. A incidência da norma contida no art. 443 do RIR/99 demanda a verificação se, efetivamente, os valores percebidos e seu emprego pelo contribuinte se amoldaram às características da subvenção de investimento, que primordialmente pressupõe o estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos. Subvenções e benefícios fiscais são institutos distintos. A redução de alíquota de ICMS para determinadas atividades mercantis dos contribuintes, exigindo se para seu gozo apenas o atendimento a condições empresariais pré AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 79 99 /2 01 4- 11 Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 772 2 existentes (regularidade fiscal, determinado número de funcionários e montante do capital social), configura mera benesse tributária, afastandose do conceito de subvenção para investimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 773 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 655 a 764) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (fl. 633 a 657) que manteve as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 503 a 516). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes ao terceiro e ao quarto trimestre do anocalendário de 2009, em face do empresa Expressa Distribuidora de Medicamentos S/A, que tem como atividade empresarial a importação e a comercialização de medicamentos, cosméticos e alimentos. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à indevida exclusão das bases de cálculo de valores referentes a redução na apuração e recolhimento do ICMS, concedidos pelos Governo do Distrito Federal, sob a rubrica de subvenção de investimento. Para a D. Fiscalização, tal benesse concedida não se enquadraria no conceito de subvenção de investimento, igualmente não tendo sido atendidos os requisitos do art. 18 da Lei nº 11.941/09 e da regulamentação do PN CST nº 112/78. A redução do ICMS devido ao Distrito Federal foi promovida pela Lei Distrital nº 4.160/08, e seus Decretos regulamentadores, a qual, em resumo, implementou regime especial que permitia ao Contribuinte recolher o imposto pela alíquota fixa de 3,3% sobre a saída de mercadorias, mais 0,05% sobre seu faturamento, sendo objeto de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade em esfera distrital. Depois da suspensão judicial liminar de sua vigência, mas antes do julgamento final da Ação pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, editouse a Lei Distrital nº 4.732/11, promovendo a remissão de débitos oriundos da diferença entre a alíquota regular e a alíquota menor, anteriormente implementada pela lei debatida, garantindo o mesmo efeito redutor de carga tributária aos contribuintes. Logo depois, a Lei Distrital nº 4.160/08 foi efetivamente julgada inconstitucional, com efeitos ex tunc, pelo TJ/DF. Para o Fisco, as reduções inicialmente promovidas na alíquota do ICMS seriam mero benefício fiscal, bem como, posteriormente, com a edição dos novos normativos expurgatórios de débitos, tratarseia de típica remissão tributária, promovida pelo Distrito Federal, de forma alguma podendo se enquadrar no conceito de subvenção de investimento, prevista no art. 443 do RIR/99. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 774 4 Apontase no TVF que para o gozo desse regime especial inicialmente instituído foram impostos poucos requisitos, todos formais e pretéritos, em relação ao contribuinte, como o valor do capital social, o número mínimo de empregados e a ausência de débitos com o Distrito Federal. Não havia qualquer previsão ou exigência que implicasse em estímulo à implantação ou à expansão do negócio explorado, sendo mero favor fiscal dirigido àqueles que, no momento da edição da norma, preenchiam tais requisitos (fls. 487 a 501). Cientificada da lavratura das autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 522 a 626), alegando, em suma, a lisura de seu postura contábil, vez que o incentivo de ICMS concedido pela SEFAZDF se caracterizaria como subvenção para investimento, tendo a Empresa cumprido o determinado na legislação e que os requisitos para a fruição do benefício se amoldam aos elementos definidores desse instituto, havendo até declaração pública nesse sentido pelo Governo Distrital, em relação aos fins mediatos dessa norma, bem como teria ocorrido a aplicação de tal capital pelo Contribuinte em suas atividades, que acabaram por se expandir. Ao final alega a desproporção e a irrazoabilidade da multa de 75%, a ilegalidade da correção tributos pela Taxa SELIC, assim como sua utilização para a correção de sanções. Acosta vasta documentação, pareceres jurídicos e pugna pela realização de perícia contábil. A defesa foi encaminhada para a DRJ de São Paulo para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido, rejeitando totalmente o apelo apresentado. Confirase a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009, 01/10/2009 a 31/12/2009 IRPJ. LUCRO REAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO INDEVIDA. Não se configuram subvenções para investimento e não podem ser excluídas do Lucro Real, importâncias oriundas de diferenças de ICMS, previstas em lei, que, ao instituir regime especial de tributação do referido imposto, não as vincula a programas de estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. CSLL. ELEMENTOS DE PROVA. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 775 5 Quando a comprovação das infrações depende dos mesmos elementos de prova, aplicamse, ao Auto de Infração da CSLL, as razões de decidir pertinentes ao IRPJ. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA À TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Os tributos e contribuições administrados pela RFB, não pagos na data de vencimento, ficam sujeitos à incidência de juros de mora, calculados mediante a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065/95. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Multa de ofício sujeitase à incidência de juros de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009, 01/10/2009 a 31/12/2009 DILIGÊNCIA E PERÍCIA INDEFERIMENTO É dever do julgador administrativo indeferir pedidos de diligência e de prova pericial, quando estas se mostrem desnecessárias ou impertinentes para a solução do litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. O momento adequado para a produção de provas dáse dentro do prazo de impugnação, exceção feita às situações previstas nas normas que regem o contencioso administrativo, cabendo à Impugnante demonstrálas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 665 a 707), agora sob apreço, repisando os mesmos argumentos de sua Impugnação, fazendo alusão específica aos argumentos do v. Acórdão recorrido e alegando sua nulidade, por conta da negativa ao pedido de realização de perícia. Junta também parecer de Professor e jurista, atestando a invalidade do lançamento. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 776 6 É o relatório. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 777 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se verifica do relatório, existe matéria preliminar, referente à suposta nulidade do v. Acórdão recorrido, em razão da Instância a quo, quando do julgamento da Impugnação, ter indeferido o pedido de perícia da Contribuinte. Alega a Recorrente que tal negativa representa cerceamento do seu direito de defesa, violando o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, bem como o Princípio da Busca pela Verdade Material. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Certamente, é direito de todo o contribuinte provar na esfera administrativa seus direitos e, especificamente no processo administrativo tributário, a improcedência do lançamento de ofício, sendolhe garantido a apresentação e o conhecimento pelos Julgadores de todas as provas que corroborem e atestem suas alegações, sendo importante pilar dessa relação litigiosa com a Administração Tributária. Contudo, o próprio art. 18 do Decreto nº 70.235/781 expressamente concede à autoridade julgadora o juízo de necessidade, prescindibilidade e viabilidade da realização de perícia. Desse modo, o próprio dispositivo que, de acordo com a Recorrente, teria sido violado, fornece todo o arrimo legal para o v. Acórdão recorrido ter negado tal solicitação, fundamentando tal recusa de maneira clara e coerente (fls. 656). 1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 778 8 Em relação ao Princípio da Busca pela Verdade Material, igualmente não há afronta a tal instituo do processo administrativo. Como fundamentado no v. decisum recorrido, os I. Julgadores tinham elementos bastantes para seu convencimento e prolatação de decisão meritória, como efetivamente o fizeram, sem qualquer vício e, principalmente, sem o prejuízo do direito da Recorrente. Este Conselheiro também entende que os autos carregam documentação farta e bastante para o julgamento da contenda, não havendo dúvidas ou embargos que poderiam eventualmente ser solucionados por perícia ou novas provas, tendo inclusive a Recorrente acostado mais de duas dezenas de documentos, incluindo parecer jurídico de Professor especialista. Agora, no que tange ao mérito, o cerne do debate é a natureza jurídica da benesse outorgada pelo Distrito Federal ao Contribuinte, por meio da Lei Distrital nº 4.160/08, ainda que posteriormente revogada e declarada inconstitucional, sendo compensados seus efeitos econômicos com remissão dos débitos eventualmente advindos do seu gozo, verificando seu enquadramento no conceito de subvenção de investimento e o atendimento dos requisitos legais para a validação da exclusão contábil, então glosada. A figura das subvenções, que pode ser tida de maneira geral como um auxílio econômico prestado pelo Estado, é antiga no Direito nacional, presente já na Lei nº 4.320/64, que diferencia as subvenções sociais das econômicas, em relação à regulamentação das finanças públicas, assim como na Lei das S/A, quando esta trata do patrimônio líquido das companhias, determinando a classificação e registro como reserva de capital das subvenções de investimento percebidas nas contas das companhias. Ganhando pertinência tributária, mais especificamente para o Imposto de Renda, o DecretoLei nº 1.598/77, logo depois alterado pelo DecretoLei nº 1.730/79, previu a exclusão dos valores relativos às subvenções para investimento da apuração do lucro real, na condição de instrumento estatal financeiro de fomento econômico e de patrocínio do desenvolvimento da iniciativa privada. Tal matéria foi imediatamente regulada pelo Parecer Normativo CST nº 112/78. Muito posteriormente, tratando do Regime Tributário de Transição RTT, a Lei nº 11.941/2009 veio, mais uma vez, regular a exclusão de valores referentes as subvenções de investimento. Ambos normativos fundamentam o presente lançamento de ofício. Feita tal digressão introdutória, temos que a legislação tributária federal vigente contempla e distingue duas modalidades subvenção econômica, a de investimento e a Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 779 9 de custeio. A primeira, como mencionado, pode ser objeto de exclusão do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL devida pelos contribuintes, como tratado no art. 443 do RIR/99. A segunda tem igualmente tratamento específico, prevendo o art. 392 do mesmo compêndio a sua adição ao lucro operacional. Muito claro que fica que não se analisa aqui, em esfera federal, a validade de benefícios e subvenções estaduais per si, mas a sua natureza e a dos seus efeitos em relação ao contribuinte, para a devida verificação da efetiva subsunção ou não dos fatos e condutas ocorridas ao permissivo tributário de exclusão das bases de cálculo dos tributos federais. Nas presentes Autuações temse como base a constatação pela Fiscalização de que o regime especial concedido à Recorrente revelase mero benefício fiscal e, posteriormente, com sua declaração ex tunc de inconstitucionalidade pelo TJ/DF e edição de norma remitindo os débitos advindos desse evento, mais um favor tributário. Frisese que foi feita uma análise profunda dos normativos concedentes de tal regime especial, levando em conta os requisitos para sua fruição. Confirase o TVF (fls. 488 e 501): Com relação à legislação citada, observouse inicialmente que, como condição à fruição do benefício fiscal, ao contribuinte não eram exigidos planos de investimentos desses recursos, mas, que atendesse, em síntese, a requisitos de caráter formal, dentre eles: que não estivesse inadimplente junto ao Distrito Federal ou ao INSS; que possuísse, previamente à opção ao regime especial e, portanto, ao gozo do benefício, um capital social mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) e 15 (quinze) empregados; e que tivesse como objeto social qualquer uma das 427 (quatrocentos e vinte e sete) atividades econômicas préelencadas. (arts. 1°, 2° e 4° do Decreto 29.179/08, fls. 362 a 3931). Neste ponto, vale consignar que, anteriormente a concessão deste benefício, o contribuinte já possuía capital social no valor aproximado de R$ 47.000.000,00 (quarenta e sete milhões), fls. 88 a 93, e empregava aproximadamente 220 (duzentos e vinte) pessoas (informação extraída de sua DIRF Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). (...) Ademais, devese consignar que tais benefícios os quais, repisese, nunca tiveram a condição de "subvenções para investimentos" , passaram a ter o caráter de simples perdão de dívidas tributárias, com o advento da lei n° 4.732/11 e a declaração, em sede de controle concentrado, de Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 780 10 inconstitucionalidade com efeito ex tunc da lei n° 4.160/08 e seus decretos regulamentadores. Tais constatações factuais são depois comparadas com o teor das normas federais que regulamentam a figura das subvenções de investimento como valores a serem excluídos da apuração das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, incluindo o PN CST 112/78, que fundamenta o lançamento, concluindo que os requisitos legais necessários para a sua exclusão não estão presentes. Aqui cabe registrar, brevemente, que existe forte debate sobre os limites normativos do mencionado Parecer Normativo e sua validade, ao passo que foi utilizado como elemento da base legal invocada pela Autoridade Fiscal,. É certo que o próprio art. 38, §2º, do DecretoLei nº 1.598/78 e, posteriormente, o art. 18 da Lei nº 11.941/2009, trouxeram em seu bojo redação que claramente transparece vinculação conceitual das subvenções lá tratadas à implementação ou à expansão de empreendimentos econômicos, possuindo tais normativos legítima força de Lei. Contudo, o PN CST nº 112/78, ao veicular a necessária regulamentação da norma contida no DecretoLei nº 1.598/78, teria, então, extrapolado, de maneira proibitiva, o gozo dessa prerrogativa dos contribuintes. Ainda que expressamente não se alega haver postura fazendária ultra legem, conclusão semelhante foi alcançada no julgamento do Acórdão nº 9101.002.393, de relatoria do I. Conselheiro André Mendes de Moura, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado em 20/10/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO A TÍTULO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. REQUISITOS. A União estabelece critérios próprios para dispor sobre a concessão de benefício aplicável ao IRPJ e à CSLL, tributos sob sua competência. A mera "intenção" do legislador estadual não é suficiente para caracterizar a subvenção recebida como subvenção para investimento, na acepção do §2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/1977, e não implica na fruição automática de benefício fiscal na esfera federal. A operação de subsunção às condições previstas no referido dispositivo legal não ocorre automaticamente. As subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 781 11 concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (...). Observase que, segundo interpretação do parecer, a subvenção para investimento estaria caracterizada quando, cumulativamente, (1) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não sem sua despesas, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (2) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (3) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (4) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Entendo que cabem observações sobre os itens (1) e (2). (...) Sobre o item (1), de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidos na contabilidade. Já em relação ao item (2), a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção. (destacamos) Assim, temos que o PN CST nº 112/78 não é normativo invalido, mas deve ser analisado, interpretado e, principalmente, aplicado à luz das delimitações legais sobre tema, sem que represente violação à legalidade ou ao direito conferido aos contribuintes, apenas obtendose dessa norma infralegal aquilo que é lícito e típico de sua modalidade reguladora. O caso em tela guarda uma profunda peculiaridade, qual seja, a declaração de inconstitucionalidade (em face da LODF Lei Orgânica do Distrito Federal, que faz as vezes Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 782 12 de Constituição Estadual) pelo TJ/DF da Lei Distrital nº 4.160/08, do Decreto nº 29.179/08 e do Decreto Legislativo nº 1.527/08, que instituíram e regularam o Regime Especial de Apuração do ICMS, encarado pelo Contribuinte como subvenção de investimento. De fato, houve tal declaração, com efeitos ex tunc e eficácia erga omnes, e, atualmente, há recurso de Agravo de Instrumento contra Despacho Denegatório (ARE nº 7680832) que pleiteia a admissão de Recurso Extraordinário, tirado contra essa decisão de inconstitucionalidade. Ainda que a Recorrente alegue estar a lide judicial pendente, no sentido de que não seria definitiva a invalidade da Lei nº 4.160/08, uma vez não possuindo efeito suspensivo tal modalidade de Agravo e não havendo notícia de decisão em incidente processual capaz de suspender a eficácia da decisão proferida na ADIN distrital, o cenário jurídico da presente contenda se apresenta permeado pelos seus efeitos jurisdicionais. A decisão de inconstitucionalidade, da forma como proferida e modulada, dentro do controle abstrato de constitucionalidade das normas, ainda que em esfera distrital, tem como efeito a retirada do normativo do sistema jurídico. E, por possuir efeitos ex tunc, todas as suas consequências, percebidas desde a sua vigência, são nulas, como se a norma nunca tivesse existido. Nesse sentido, leciona o Exmo. Ministro Gilmar Ferreira Mendes3: A lei declarada inconstitucional é considerada, independentemente de qualquer outro ato, nula ipso jure e ex tunc. A disposição declarada inconstitucional no controle abstrato de normas não mais pode ser aplicada, seja no âmbito do comércio jurídico privado, seja na esfera estatal. Consoante essa orientação, admitese que todos os atos praticados com base na lei inconstitucional estão igualmente eivados de iliceidade. (destacamos) Desse modo, o registro e o aproveitamento contábil pelo Contribuinte da suposta subvenção de investimento, instituída pela Lei Distrital nº 4.160/08, é igualmente ilegítima (independentemente de terem sido atendidos ou não os requisitos das normas 2 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4454565 3 Revista da Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, v. 2, n. 3, p. 4053, jan./jun. 1994. p. 42. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 783 13 tributárias federais autorizadoras da exclusão fiscal de valores referentes a esse tipo de fomento). Uma vez afastada a validade e os efeitos do REA, a natureza jurídica dos valores aqui envolvidos é de simples e ordinários débitos de ICMS, surgidos pelo recolhimento a menor deste tributo estadual. Reforçando tal efeito e a conclusão acima expressada , o próprio Distrito Federal editou a Lei nº 4.732/11, que concedeu a remissão de todos os débitos provenientes da diferença entre os créditos apurados pelo regime normal de apuração e o tratamento tributário concedido em decorrência da Lei Distrital nº 4.160/08 e seus Decretos regulamentadores (lembrese que o Regime Especial de Apuração reduziu o montante devido de ICMS a uma alíquota fixa de 3,3% sobre a saída de mercadorias mais 0,05% sobre seu faturamento). Como se observa, o que resta válido em relação àqueles valores excluídos das bases tributáveis da Recorrente é a sua remissão posterior, na condição de débitos, instituída apenas em 2011. Analisando o texto de tal remissão tributária, esta não possui efeitos retroativos, bem como não há qualquer critério específico ou diferente de um simples e objetivo perdão tributário do Distrito Federal: Art. 1º Fica suspensa a exigibilidade dos créditos tributários do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS: (...) II – resultantes da diferença entre o regime normal de apuração e o tratamento tributário decorrente da opção do contribuinte pelo regime de apuração do ICMS previsto na Lei nº 2.381, de 20 de maio de 1999, revogada pela Lei nº 4.100, de 29 de fevereiro de 2008, que também extinguiu os Termos de Acordo de Regime Especial decorrentes da lei revogada, e da Lei nº 4.160, de 13 de junho de 2008. § 1º A suspensão de que trata este artigo regese pelo seguinte cronograma: I – até 31 de dezembro de 2013, para os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2008; Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 784 14 II – até 31 de dezembro de 2014, para os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2009; III – até 31 de dezembro de 2015, para os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2010; IV – até 31 de dezembro de 2016, para os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos de 1º de janeiro a 30 de setembro de 2011. § 2º Fica concedida remissão dos créditos tributários suspensos na forma deste artigo nos termos finais de sua suspensão. § 2º Fica concedida remissão dos créditos tributários suspensos na forma deste artigo nos termos finais de sua suspensão. (...) Art. 6º Ficam revogadas as disposições em contrário, em especial: (...) II – a Lei nº 4.160, de 13 de junho de 2008; Ora, em primeiro lugar, este benefício somente foi concedido em 2011, muito após o encerramento do anocalendário de 2009 e, uma vez claro e expresso na norma que tal benefício tratase de mera remissão, de maneira alguma poderia esta figura ser confundida com a da subvenção, principalmente com a modalidade subvenção de investimento, objeto do art. 443 do RIR/99. Ainda que a subvenção de investimento possa se dar por meio de isenção, como expressamente ressalvou o Legislador, são institutos claramente distinto e individualmente delineados, como afirma Roque Antônio Carrazza: Em apertada síntese, pois, a isenção impede que o tributo nasça e a remissão faz desaparecer o tributo já nascido. Os efeitos são os mesmos: a não arrecadação do tributo. Só que a lei isentiva é lógica e cronologicamente anterior ao nascimento do tributo (quando ele nasce), ao passo que a lei remissiva e lógica e cronologicamente posterior ao nascimento deste mesmo tributo. Portanto, a lei de isenção é um prius e a lei remissiva um posterius, no que se refere ao nascimento do tributo. (destacamos) Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 785 15 E frisese que, mesmo que o art. 344 do RIR/994 expressamente autorize a dedução na determinação do lucro real dos valores referentes a tributos devidos pelo contribuinte, tal dispositivo não socorre à Recorrente no presente caso. Isso pois, ainda que por força do regime de competência poderia ser deduzido o ICMS apurado sobre as operações efetuadas, mesmo sem seu efetivo pagamento, o valor efetivamente reconhecido pelo Contribuinte na sua contabilidade fiscal como devido à Fazenda estadual (em lançamento por homologação) no período corresponde ao tratamento dado pelo REA do ICMS: 3,3% do valor das saídas e 0,05% do faturamento, confirmando a indedutibilidade dos valores reduzidos das bases de cálculo (exatamente a diferença entre alíquotas regular e especial). Desse modo, para a dedução válida da base tributável do IRPJ e da CSLL, não basta que a Lei vigente exija determinado tributo, sob determinada alíquota, devendo ser efetivamente calculado, reconhecido e registrado contabilmente pelo contribuinte aquela obrigação fiscal e seu montante. Assim, diante de dessas análises e conclusões, estamos diante de valores manifestamente carentes de autorização legal para a exclusão tributária procedida, denotando a procedência do lançamento de ofício em tela. Apenas a título de argumentação adicional, que se aproveitará em caso de discordância dos demais I. Julgadores em relação ao raciocínio acima expedindo, analisando os termos constantes da Lei Distrital nº 4.160/08, a fim de verificar eventual identidade de suas disposições com o instituto da subvenção de investimento, alcançase a mesma conclusão de manutenção do lançamento. Nesse sentido, temos que aquela Lei foi editada de forma bastante geral (a norma possui 7 artigos, muito breves vide fls. 359 a 361), apenas instituindo o regime de apuração mais benéfico e algumas restrições gerais, de higidez fiscal, ao seu gozo. Confirase tais trechos da norma em questão: Art. 1º Os contribuintes do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS poderão optar por apurar o montante do imposto devido por mercadoria ou serviços à vista de cada operação ou 4 Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 786 16 prestação, em substituição ao regime de apuração normal, na forma desta Lei. § 1º Para o regime de apuração de que trata o caput, ato do Poder Executivo, que entrará em vigor na data de sua publicação e após homologado pelo Poder Legislativo, estabelecerá: I – as atividades econômicas, operações ou prestações, mercadorias e serviços passíveis de inclusão no regime; II – a sistemática de cálculo e o período de apuração do ICMS devido; III – a forma e os critérios de opção e permanência no regime. § 2º Na sistemática referida no § 1º, II, poderão ser estabelecidos percentuais fixos sobre o montante das operações ou prestações, de entrada ou de saída. § 3º A opção pelo regime de apuração de que trata este artigo implicará renúncia: I – dos créditos referentes a mercadorias ou serviços objetos do regime, incluindo os referentes ao estoque existente no dia imediatamente anterior à data de opção; II – de outros créditos, na proporção do valor das operações ou prestações efetuadas neste regime, sem prejuízo das disposições específicas constantes da legislação tributária. Art. 2º A opção de que trata o art. 1º não será permitida ao contribuinte que se encontre em qualquer uma das seguintes situações: I – inscrito ou que tenha titular, responsável ou sócio inscrito na Dívida Ativa do Distrito Federal; II – participe ou tenha titular, responsável ou sócio que participe de empresa inscrita na Dívida Ativa do Distrito Federal ou que tenha ou venha a ter a inscrição cadastral suspensa ou cancelada; III – esteja ou tenha titular, responsável ou sócio inadimplente com parcelamentos de débitos fiscais junto ao Distrito Federal; IV – inadimplente com obrigação tributária principal; V – optante pelo regime de que trata Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional); VI – inadimplente com as suas obrigações e encargos referentes ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS. (destacamos) Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 787 17 Outros requisitos para a sua fruição somente vieram no Decreto nº 29.179/08 (fls. 362 a 393), quais sejam: Art. 4°. A opção pelo REA/ICMS: ( ... ) II) implicará obrigatoriedade de recolher contribuição mensal em favor do Fundo de Modernização e Reaparelhamento da Administração Fazendária FUNDAF e do Fundo para a Geração de Emprego e Renda do Distrito Federal FUNGER/DF, atendido o seguinte: a) recolhimento/ para cada Fundo/ em valor correspondente a 0105% (cinco centésimos por cento) do faturamento mensal relativo às operações realizadas ao amparo do REA/ICMS; (...) (...) III obrigará o contribuinte a: a) manter quantidade mínima de empregados observandose o seguinte: 1) faturamento mensal de até R$ 480.000,00 mínimo de 5 (cinco) empregados; 2) faturamento mensal de R$ 480.000,0, até R$ 3.500.000,00 mínimo de 10 (dez) empregados; 3) faturamento mensal acima de 3.500.000,00 mínimo de 15 (quinze) empregados. b) comprovar a integralização de capital social em valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). (destacamos) Nos Anexos de tal Decreto estão incluídos os CNAES de 427 das mais diversas atividades econômicas como critério para adesão ao REA, apenas variando a alíquota fixa de ICMS incidente sobre suas saídas. Posto isso, fica muito claro que as contrapartidas ao gozo do benefício são, na verdade, condições empresariais, préexistente dos contribuintes. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 788 18 Não há qualquer elemento de exigência para que o contemplado pelo regime especial redutor de carga tributária promova a implementação ou a expansão de seu empreendimento, como previsto no art. 443 do RIR/99 e no art. 18 da Lei nº 11.941/2009. E é exatamente esse o requisito maior, incontroverso, devidamente instituído por Lei, necessário à caracterização da subvenção de investimento e a consequente permissão de exclusão do cálculo do lucro real de seu valor correspondente. Deve se observar que o debate aqui não é sobre o sincronismo da aplicação do investimento ou a sua direta vinculação à ampliação dos ativos da empresa, mas a simples e total ausência de critérios fixados pela norma estadual quanto a atos e procedimentos futuros, os quais são extraídos e implicam logicamente dos termos implementação e expansão, empregados pelo Legislador federal quando da instituição da possibilidade de exclusão dos valores de subvenção de investimento da apuração do lucro real. Frisese que a Recorrente, quando da edição do Decreto regulamentador já atendia (e superava, largamente) todos os requisitos exigidos, como número de funcionários e capital social. Ainda que em seus apelos sejam trazidos quadros demonstrando o aumento de seu faturamento após 2009, bem como a contratação de novos funcionários, essa prosperidade ulterior ocorrida não pode ser atribuída ou legalmente conectada a um aumento de investimento consequente do REA, sequer sendo parte de algum requisito previsto para o seu aproveitamento. Certamente, podese sempre alegar que uma redução de tributos permite um maior investimento nos empreendimentos da companhia, contudo, tal mecanismo não está previsto na norma concedente, afastandose diametralmente do conceito subvenção de investimento. Objetivamente, o Distrito Federal promoveu uma redução de alíquota do ICMS, chamando tal simples alívio fiscal de Regime Especial de Apuração. Posto isso, a benesse tributária contida na norma veiculada pela Lei Distrital nº 4.160/08 e seu regulamente claramente se amolda ao conceito de benefício fiscal e contraria o conceito de subvenção, principalmente o da subvenção de investimento, como mencionado. A norma contida no art. 443 do RIR/99, utilizada pela Recorrente para fundamentar a Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 789 19 legalidade da exclusão procedida, certamente não contempla tal modalidade de favor tributário, reiterando a correção da exação em tela. Em relação à multa de ofício, aplicada sob a alíquota de 75%, a Recorrente alega, textualmente, ser tal montante desproporcional, irrazoável e confiscatório. Para ilustrar a alegação traz julgado do E. Supremo Tribunal Federal. Tal arguição, feita pela simples invocação de princípios e regras, que têm guarida constitucional, não pode ser conhecida em julgamento neste E. CARF, como preconiza a sua Súmula nº 2. Quanto às alegações da adoção da Taxa SELIC e a incidência de juros sobre multa, pelo mesmo índice, está C. Turma acompanha o atual entendimento das C. Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendem ser devida a incidência de juros sobre as penalidades, bem como pela correta eleição da taxa em questão. O recente Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra este posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10166.727999/201411 Acórdão n.º 1402002.448 S1C4T2 Fl. 790 20 (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido e as Autuações combatidas na sua integralidade. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 790DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.005681/2002-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Data do fato gerador: 30/09/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO, DCTF,
Impõe-se a manutenção do lançamento de oficio decorrente de auditoria interna de DCTF, não localizado o DARF correspondente à alegada extinção do crédito tributário.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/09/1997
PROVAS. ALEGAÇÕES IMPERTINENTES.
Afastam-se as alegações impertinentes ou eminentemente proerastinatórias, destituídas de suficiente vinculação com os fatos narrados na acusação fiscal, desacompanhadas de qualquer prova acerca do litígio que compõe a lide.
Numero da decisão: 1803-000.626
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 30/09/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO, DCTF, Impõe-se a manutenção do lançamento de oficio decorrente de auditoria interna de DCTF, não localizado o DARF correspondente à alegada extinção do crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/1997 PROVAS. ALEGAÇÕES IMPERTINENTES, Afastam-se as alegações impertinentes ou eminentemente proerastinatórias, destituídas de suficiente vinculação com os fatos narrados na acusação fiscal, desacompanhadas de qualquer prova acerca do litígio que compõe a lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. d(1, W\ã)rt'Êààoiib Relator EDITADO EM: 09/11/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Selene Peneira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benício Júnior, Relatório INAM INDUSTRIA ALIMENTÍCIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Em decorrência de auditoria interna realizada na DCTF referente ao 3 0 trimestre de 1997, .foi lavrado o auto de infração de fls, 24/25, exigindo do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 4.317,64 (quatro mil, trezentos e dezessete Reais e sessenta e quatro centavos), 2. De acordo com os ANEXOS Ib — RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF (Tis, 26) e III — DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR «is, 27), que instruíram o Auto de Infração, foi apurado, relativamente à Contribuição Social sobre o LlIC.1"0 Líquido — CSLL do 30 trimestre de 1997, que o contribuinte informou em DCTF o pagamento desta exação por intermédio de DARF não localizado nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. 3. Em razão de tal irregularidade foram exigidos.: (a) CSLL no valor de R$ 1,608,00 (um mil, seiscentos e oito Reais), acrescido da multa de oficio (R$ 1.206,00— um mil, duzentos e seis Reais) c juros moratórias calculados até a data da autuação (R$ 1.503,64 — unix mil, quinhentos e três Reais e sessenta e quatro centavos). 4. O lançamento teve como enquadramento legal a legislação discriminada na ,folha de continuação do auto de infração (fls. 25)„ 5. Cientificado do auto de infração em 11/06/2002, o contribuinte apresentou, em 11/07/2002, a impugnação de fis, 01/13, aduzindo, em apertada síntese, que: 5.1, A exação em comento foi integralmente quitada, conforme comprova a cópia do DARF cuja cópia será juntada oportunamente, em face da impossibilidade da Autuada colacioná-la neste momento por motivos de mudança de sua sede administrativa, Neste diapasão, pleiteia-se a concessão do prazo de 30 (trinta) dias para a juntada aos autos deste recolhimento. 5,2.. A aplicação da multa punitiva deve ser afastada, sendo aplicável apenas a penalidade moratória prevista no art. 61 e ,sçSÇ da Lei O, 9.430/96 2,Á Processo n" 11831005681/2002-14 S1-TE03 Acórdão n ° 1803-00,626 F1, 63 5.3, Os juros moratórios equivalentes à Taxa Selic também devem ser excluídos, pois é clara a natureza renumeratória dos mesmos. Ademais, a aplicação de juros de mora em percentual superior a 12% a.a. (doze por cento ao ano) afronta à disciplina veiculada no art, 192, §3 0, da Constituição Federal, e no art. 161, §1°, do CTN 6 Em 15/03/2007, o órgão competente para a revisão de oficio do lançamento aduz, por intermédio de informação acostada aos autos (fls, 41), que ainda não consta dos sistemas informatizados da RE13 o aventado recolhimento deduzido na defesa, não havendo que se cogitar de qualquer retificação da exação. A DRJ SÃO PAULO/SP 1, através do acórdão 16-17.826, de 17 de julho de 2008 (fls. 45152), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997 AUDITORIA INTERNA EM DCTF, PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. É imperiosa a constituição do crédito tributário declarado em DCTF no exercício de 1997, especialmente nos casos em que o contribuinte imputa DARF não localizado nos sistemas informatizados da RFB ao mesmo. Ademais, se o contribuinte não comprova a regular existência deste recolhimento, resta evidenciada a procedência da autuação. JUROS DE MORA. TAr4 SELIC O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da .falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juras de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Sobre as diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF, decorrentes de pagamentos informados e não comprovados, incidem somente acréscimos moratórios, em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 2,5 da Lei 11.051/04. Inconformada a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fis. 58/60, afirmando que embora não tenha localizado o DARF relativo ao pagamento da exação, as DCTFs colacionadas demonstram que houve a compensação integral da exação exigida no auto de infração. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Relator Trata o presente processo de auto de infração decorrente de auditoria interna de DCTF, pelo qual se exige a CSLL relativa ao 3 0 Trimestre de 1997, uma vez não localizado o DARF infbrmado como pagamento. Em seu recurso voluntário a interessada afirma apenas que ainda não localizou o DARF relativo ao pagamento mas que junta a DCTF do período que demonstra que houve a extinção do débito por compensação. Não assiste razão à interessada. Com efeito, passados mais de oito (oito) anos do lançamento, a recorrente ainda não localizou o comprovante do pagamento e tampouco juntou a alegada DCTF que na verdade nada comprovaria em seu favor, pois o lançamento decorre justamente da auditoria da DCTF que constatou a inexistência do DARF informado pela contribuinte. É lamentável que a contribuinte utilizando seu legítimo direito ao recurso faça tão pouco caso deste colegiado julgador administrativo, fazendo alegações sem nexo e destituídas de qualquer prova. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. MYI ):)í. ale Adolfo mar oi,y4 sch 4h-
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730208/2013-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 02 08 /2 01 3- 53 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.936, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.730208/201353 Acórdão n.º 3201000.470 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907665/2009-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.986, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 65 /2 00 9- 11 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10675.907665/200911 Acórdão n.º 9101002.646 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10675.907665/200911 Acórdão n.º 9101002.646 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10675.907665/200911 Acórdão n.º 9101002.646 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.720784/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937 - RG. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, é devida a exclusão do ICMS e da própria contribuição, da base de cálculo do PIS/PASEP-Importação.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937 - RG. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, é devida a exclusão do ICMS e da própria contribuição, da base de cálculo do PIS/PASEP-Importação. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
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IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937 RG. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, é devida a exclusão do ICMS e da própria contribuição, da base de cálculo do PIS/PASEPImportação. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 07 84 /2 01 1- 41 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15165.720784/201141 Acórdão n.º 3301003.240 S3C3T1 Fl. 144 2 A Recorrente pleiteia a restituição dos valores recolhidos a maior de PIS Importação, no 1º trimestre de 2001, sob a alegação de alargamento inconstitucional da base de cálculo da contribuição, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004. Alega que o dispositivo é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o art.149, §2º, III, alínea “a”, da Constituição Federal; o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994 e ainda, o disposto no art. 110 CTN, por alargar o conceito de “valor aduaneiro”. O despacho decisório não reconheceu o crédito e indeferiu o pedido. Após a impugnação, o acórdão nº 0728.957, da 1ª Turma da DRJ/FNS não acatou os argumentos de inconstitucionalidade defendidos pela Recorrente, por impossibilidade da Administração Pública em reconhecer a inconstitucionalidade de lei, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteada. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu recurso voluntário, a Recorrente requer o deferimento do pedido de restituição e a homologação da compensação, reiterando que: (...) considerando que compete a administração pública o controle da legalidade dos atos por si exarados, cabe a mesma interpretar o artigo 7º, I, da Lei 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base do PIS Importação os valores correspondentes ao ICMS e as Contribuições Sociais destinadas ao PIS e a COFINS, esta é a exegese do artigo 149, 2º, III, a) da Constituição Federal, neste contexto, o ato administrativo nascerá legal, repousando no berço da constitucionalidade e legalidade, sem haver o pronunciamento sobre a inconstitucionalidade levantada. A Resolução nº 3802000.311, deste Conselho, converteu o julgamento em diligência para que os autos retornassem à Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Itajaí/SC ALF/ITJ (domicílio tributário da Recorrente), para: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DIs, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15165.720784/201141 Acórdão n.º 3301003.240 S3C3T1 Fl. 145 3 O resultado da diligência apontou o seguinte: (i) O regime de tributação adotado pelo contribuinte no ano de 2011 foi o do lucro presumido; (ii) Conforme tabela a seguir, todas as importações foram realizadas na modalidade ‘por conta e ordem de terceiros’: E (iii) Não há no processo importações por conta própria ou por encomenda. Em seguida, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A despeito do resultado da diligência apontar que todas as DIs referemse a “importações por conta e ordem de terceiros”, entendo que a Recorrente é legitimada ao pleito objeto destes autos, uma vez que o PISImportação deve ser recolhido por ocasião do registro de cada DI (art. 4º, I, da Lei nº 10.865/2004), seja na importação por conta própria ou por conta e ordem de terceiros. A importação por conta e ordem de terceiro envolve a pessoa jurídica que promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). A importação por conta e ordem de terceiros terá tratamento legal diferenciado para o importador e o adquirente, apenas nas etapas subsequentes à nacionalização das mercadorias. A Lei nº 10.865/2004, que instituiu o PIS/COFINSimportação, prescreve como contribuinte e sujeito passivo da relação jurídicotributária, o “importador”, de modo que nas operações de importação por conta e ordem de terceiro, o “adquirente” da mercadoria figura como responsável solidário: Art. 5o São contribuintes: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15165.720784/201141 Acórdão n.º 3301003.240 S3C3T1 Fl. 146 4 I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; Art. 6o São responsáveis solidários: I o adquirente de bens estrangeiros, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; Por conseguinte, a legislação tributária ao eleger como contribuinte e sujeito passivo da relação jurídicotributária o importador, então este é o legitimado para pleitear a restituição do PISImportação. Quanto à questão expressa de mérito, ou seja, o alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP trazido pelo art. 7º da Lei nº 10.865/2004, ressalte se que o Plenário do STF já declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Tratase do RE nº 559.937, julgado na sistemática de repercussão geral, no qual o STF reconheceu que o art. art. 7º da Lei nº 10.865/2004 extrapolou os limites previstos no artigo 149, §2º, III, “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional nº 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. A ementa do julgado se reproduz a seguir: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15165.720784/201141 Acórdão n.º 3301003.240 S3C3T1 Fl. 147 5 não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15165.720784/201141 Acórdão n.º 3301003.240 S3C3T1 Fl. 148 6 Este Colegiado está vinculado a essa decisão, por imperativo do art. 62, §1º, I, do RICARF. Assim, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação, o valor do ICMS e o valor da própria contribuição, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Por isso, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 28 de março de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912273/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.942
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 3/ 20 12 -2 1 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912273/201221 Resolução nº 3402000.942 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912273/201221 Resolução nº 3402000.942 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912273/201221 Resolução nº 3402000.942 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003247/2003-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
CONCOMITÂNCIA. ALCANCE DO LITÍGIO.
Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso, conforme preconiza a Súmula CARF n° 01.
Numero da decisão: 1803-001.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1998 CONCOMITÂNCIA. ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso, conforme preconiza a Súmula CARF n° 01.
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ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso, conforme preconiza a Súmula CARF n° 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10845.003247/200351 Acórdão n.º 180301.151 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico, exigindo crédito tributário relativo à falta de recolhimento de CSLL, referente ao anocalendário de 1998, cuja ciência à recorrente foi dada em 17/07/2003, por via postal. Devidamente cientificada a recorrente apresentou suas razões em seara de impugnação alegando, em apertada síntese, a nulidade do auto de infração, face à forma obscura de cálculo da aplicação da taxa de juros do imposto, dificultando a adequada defesa da recorrente. Ainda, refere as violações às garantias constitucionais, assim como à legislação federal quanto à forma do estabelecimento do contraditório e produção de provas que provoquem o suprimento de um dos requisitos (ou elementos) no lançamento, etc., que torna o auto nulo de pleno direito, pois que incompleto, não perfectibilizado, não gerando efeitos legais. Alega que as obrigações dele decorrentes nascerão do arbítrio e da ilegalidade. Aduz a recorrente que os valores dos débitos em apreço estão sendo objeto de Ação Anulatória de Débito Fiscal, sob o n. 2003.61.04.0036111. Do mesmo modo, os valores exigidos estão sendo depositados judicialmente na Ação Consignatória n° 2003.61.04.004708 0, que se encontram sub judice. Nesse caminho, salienta a recorrente que a ação judicial trata se de uma denúncia espontânea, razão pela qual indubitável que a medida justa e coerente seja a imediata suspensão do procedimento, ora impugnado, tendo em vista a legalidade da via judicial para a consignação dos valores, objeto da impugnação, de forma que este tem sido o entendimento emanado por ilustres doutrinadores, cita trecho de doutrina. Ademais, salienta que a recorrente encontrase subsumida na norma disposta na Lei Complementar 104/2001, no que se refere pagamento, pela via do parcelamento, vez que vem pagamento através da Ação de Consignação em Pagamento, antes referida. O que torna descabida a continuidade do presente feito, segundo o seu entendimento. Prossegue a mesma, em seara de impugnação, afirmando que se encontra espontânea, posto que por meio do pleito judicial competente, a empresa/contribuinte declarou à União Federal que está em débito para com esta, denunciando seu inadimplemento antes de qualquer procedimento de fiscalização. Assim, tal atitude configura denúncia espontânea, devendo ser interpretado, o citado comportamento, de forma mais benéfica ao contribuinte. Tudo segundo o artigo 138, do CTN. Nesse caminho, temse que a recorrente insurgiuse observando que os débitos estariam com a exigibilidade suspensa; que os valores dos débitos da Notificação seriam objeto da Ação Anulatória de Débito Fiscal, antes referida; que os débitos apontados no auto de infração seriam objeto de pagamento na ação consignatória já apontada nesse relatório; que o depósito judicial substituiria a denúncia espontânea, não sendo devido os juros equivalentes a Taxa SELIC, multas e demais encargos legais, bem como a multa de 20% seria Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10845.003247/200351 Acórdão n.º 180301.151 S1TE03 Fl. 113 3 confiscatória e a aplicação da taxa Selic para o cômputo dos juros de mora seria ilegal. Ainda, aduz que não poderiam incidir juros moratórios e multa moratória, pois estaria ocorrendo enriquecimento sem causa por parte da União, diante da ocorrência do bisinidem. Ao final a recorrente requereu a nulidade do auto de infração e, não sendo esse o entendimento, a nulidade da intimação fiscal, vez que se trata de débito cuja exigibilidade encontrase suspensa pelo ajuizamento das ações sob o n° 2003.61.04.0036111 e 2003.61.04.0047080, ou se assim não entenderem, a suspensão da exigibilidade do crédito fiscal até o trânsito em julgado da demanda referida, que, hierarquicamente, é superior ao processo administrativo instaurado. Da mesma forma, requereu que na hipótese de não ser considerado nulo, no mérito haja eliminação ou redução da multa por ausência de má fé ou lesão ao fisco, porque o débito cobrado é resultante de denúncia espontânea através de ações judiciais, bem como sejam reduzidas as multas moratórias aplicadas acima do percentual de 20%, eis que confiscatórias, seja ainda afastadas a incidência de juros equivalentes a Selic e da cumulação de juros e multa moratória. A autoridade julgadora de primeira instância, ao apreciar a matéria, entendeu que a recorrente deixou de insurgirse contra o quantum lançado a título de principal. No mérito, a autoridade a quo aborda as matérias sub judice observando as disposições dos artigo 1°, § 2°, do Decretolei n° 1.737/1979, e do artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, bem como do o Parecer COSIT n. 3/1996. Segundo os quais a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa ou desistência do recurso acaso interposto. Prossegue aduzindo que, com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário (artigo 467 do Código de Processo Civil) jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento fere a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, em que são soberanas as decisões judiciais. Salienta o julgador que no entanto, devese esclarecer que, mesmo nos casos em que o contribuinte esteja amparado em medida judicial, não está a autoridade tributária impedida de efetuar o lançamento do crédito tributário para prevenir a decadência. O que não se pode é dar prosseguimento à cobrança, quando o crédito está com sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, do CTN. Já no que tange a multa de ofício, a autoridade de primeira instância frisa que o art. 25 da Lei 11.051, de 29/12/2004, que deu nova redação ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003 deve ser levado em conta. Assim, tendo em conta que a recorrente havia informado o valor do principal em DCTF, a multa de oficio com essa alteração dada pela Lei 11.051, de 2004, a penalidade passou a ser cabível somente nas hipóteses dos arts. 71 a 73 da Lei 4.502, de 1964, ou do inciso II do caput ou do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, entre as quais não se enquadra o caso aqui tratado, impõese, em razão do art. 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional, a exoneração da multa de oficio aplicada, independentemente de estar ou não o principal com sua exigibilidade suspensa em razão de medidas judiciais. Por fim, entendeu por não conhecer da impugnação nas matérias levadas ao crivo do judiciário e exonerou tãosomente a multa de oficio. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10845.003247/200351 Acórdão n.º 180301.151 S1TE03 Fl. 114 4 Cientificada a recorrente apresenta recurso voluntário, de forma tempestiva, em que argüiu, de forma simplificada, o já disposto em seara de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. A discussão no presente caso cingese à admissibilidade do recurso. Isso porque a empresa recorrente ingressou com ação, junto ao poder judiciário, com o fulcro de ver anulados os débitos que entendia não serem devidos perante a União Federal e que hora são cobrados em parte e que sequer a recorrente se insurgiu no tocante ao valor. Alega a mesma que faz jus à denúncia espontânea, disciplinada no artigo 138 do CNT, bem como salienta ser nulo o auto de infração por completo, vez que os débitos estão sendo pagos face à Ação de Consignação em Pagamento interposta judicialmente. A decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância foi no sentido de não conhecer da impugnação interposta, em toda a matéria disposta nas ações judiciais propostas, e somente exonerou a multa de ofício. O meu entendimento é no sentido de manter a decisão proferida na instância anterior, haja vista que ao ingressar com as ações judiciais, cujos objetos da demandas dizem respeito aos mesmos objetos do presente processo administrativo, a empresa recorrente abriu mão da análise por essa esfera administrativa sobre o tema. Esta esfera não pode mais tomar conhecimento do que se discute no processo administrativo e também no processo judicial, abstendose de apreciar o fato e emitir juízo de valor. Corrobora o entendimento e fundamenta a decisão tanto de primeira instância, como a presente decisão, a Súmula CARF nº 01, que dispõe: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Assim, ainda que a empresa recorrente entenda que a Receita Federal esteja obrigada a aceitar os ditames determinados na sentença judicial, devendo pois cancelar o lançamento, isso somente poderá ser feito em seara de execução de sentença, através do processo judicial e não da esfera administrativa. A etapa em que se encontra o processo administrativo obriga que o recurso voluntário proposto pela empresa recorrente, tal como ocorreu com a impugnação, sequer seja conhecido, pela concomitância ocasionada com as ações judiciais propostas pela mesma junto ao poder judiciário. Diante do exposto, julgo por não conhecer do recurso voluntário proposto. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10845.003247/200351 Acórdão n.º 180301.151 S1TE03 Fl. 115 5 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 288DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10580.720394/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11).
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RESP nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, I, nas demais situações.
Numero da decisão: 2202-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RESP nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, I, nas demais situações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 94 /2 00 8- 51 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10580.720394/200851 Acórdão n.º 2202003.796 S2C2T2 Fl. 99 2 Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Tratase de impugnação de Notificação de Lançamento (fls. 3/6) que exige imposto de renda suplementar de R$ 8.173,08, no ano calendário 2006, porque detectada omissão de rendimentos relacionada a duas fontes pagadoras, no total de R$ 68.290,49. Registrase que o contribuinte pleiteou na declaração de ajuste anual a restituição da totalidade do imposto de renda retido pelas as fontes, no valor de R$ 8.134,74. O contribuinte, notificado, apresenta impugnação (fl. 2) e alega que os rendimentos considerados omitidos são isentos e assim declarados, portanto não ofereceu à tributação os valores constantes dos comprovantes de rendimentos fornecidos pelo Ministério da Defesa – Exército Brasileiro – SEF –Cpex (fl. 8) e pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros (fls. 9/12). Afirma que seu direito à isenção é comprovado com o Despacho Decisório DRF/SDR nº 254, de 21/03/2006 anexado (fls. 13/14). Requer o cancelamento do crédito tributário. O Despacho Decisório DRF/SDR nº 254, de 21/03/2006 anexado, assim como o Processo 10580.010727/200598 (fls. 36/48) que deu origem ao referido despacho constata que os documentos anexados pelo contribuinte (fls. 40/42) apenas comprovam que o cônjuge falecido recebia pensão na condição de excombatente. Por outro lado, a isenção do imposto de renda para ex combatentes somente se aplica aos proventos e pensões percebidos com base nos dispositivos legais enumerados no art. 39, inciso XXXV, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR). Daí, realizada diligência (fls. 49/50) para que as fontes pagadoras Ministério da Defesa Exército Brasileiro – SEF – CPEx, CNPJ 00.394.452/053304; Fundação Petrobrás de seguridade Social (Petros), CNPJ 34053942/000150 e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informassem os fundamentos legais do ato que concedeu pensão à Cely Martins Soares, no anocalendário 2006, assim como especificassem se a referida pensão estaria respaldada nos dispositivos legais elencados no inciso XII do art. 6º da Lei n° 7.713, de 1988, a saber: Decreto Lei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10580.720394/200851 Acórdão n.º 2202003.796 S2C2T2 Fl. 100 3 1946; Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955; Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17. As fontes pagadoras se manifestaram (fls. 69/71). A DRJ/SDR julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCOMBATENTE DA FEB. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. Mantémse a omissão relativa aos proventos de aposentadoria e pensão, quando não comprovado o direito à isenção do imposto. Cientificado dessa decisão em 19/03/2014, por via postal (A.R. de fl. 80), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 07/04/2014 (fl. 82), no qual alega apenas que o débito se encontra prescrito. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 3/6) que exige imposto de renda suplementar de R$ 8.173,08, no anocalendário 2006, tendo em vista a omissão de rendimentos relacionada a duas fontes pagadoras, no total de R$ 68.290,49, conforme abaixo: Comando do Exército: R$ 29.015,73; Fundação Petrobras de Seguridade Social Petros; R$ 39.274,76. A DRJ em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, por entender que não estão presentes os requisitos para o gozo da isenção dos rendimentos auferidos pela Recorrente, conforme excerto do voto vencedor, abaixo: Diligenciada, a Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros) informa (fl. 69) que Cely Martins Soares ingressou como participante do plano de previdência complementar em 1976, e é assistida desde 1991, esclarecendo que os rendimentos pagos pelo INSS (aposentadoria por invalidez) são pagos também pela Petros. Tais rendimentos são tributados mensalmente conforme a tabela progressiva, em cumprimento às determinações legais. Enfim, tanto os rendimentos de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10580.720394/200851 Acórdão n.º 2202003.796 S2C2T2 Fl. 101 4 aposentadoria como os de pensão recebidos pela Petros são tributáveis. Mantida, portanto, a omissão lançada, no valor 39.274,76. Quanto aos rendimentos relativos à pensão paga pelo Ministério da Defesa Exército Brasileiro decorrente do falecimento de seu cônjuge, excombatente, é submetida ano a ano à tributação na fonte. A respeito da isenção de proventos recebidos por excombatente, são necessárias algumas considerações. A Lei no 7.713/88, em seu art. 6, inc. XII, abaixo reproduzido, manteve as isenções do art. 29 da Lei no 4.862/1965, , concede isenção de imposto de renda apenas aos casos previstos nos DecretosLeis n.º 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, Lei no 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, deixando de fora outras pensões não vinculadas a incapacidades, ou não atreladas a falecimentos e desaparecimentos ocorridos no teatro de operações da Itália durante a 2º Guerra Mundial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os DecretosLeis nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, em decorrência de reforma ou falecimento de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira; (grifei) A atual Constituição Federal, no Ato das Disposições Transitórias, art. 53, passou a prever um novo benefício aos ex combatentes, concedendolhes, à sua opção, a pensão de segundotenente. Tal benefício foi regulamentado pela Lei no 8.059/90, sendo previsto, em seu art. 17, que, para aqueles que não se enquadrassem nas condições desta nova lei regulamentar, seria mantida a pensão concedida com base no art. 30 da Lei nº 4.242/1963. Portanto, a exceção do art. 17 da Lei no 8.059/90, citada no manual de instruções do IRPF como situação de isenção, nada mais é que o próprio benefício do art. 30 da Lei no 4.242/1963, que não se confunde com a pensão constitucional de segundo tenente regulamentada pela Lei no 8.059/90. Ato das Disposições Constitucionais Transitórias “Art. 53. Ao excombatente que tenha participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial, Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10580.720394/200851 Acórdão n.º 2202003.796 S2C2T2 Fl. 102 5 nos termos da Lei n.º 5.315, de 12 de setembro de 1967, serão assegurados os seguintes direitos: I –aproveitamento no serviço público sem a exigência de concurso com estabilidade; II Pensão especial correspondente à deixada por segundotenente da Forças Armadas, que poderá ser requerida a qualquer tempo, sendo inacumulável com quaisquer rendimentos, recebidos dos cofres públicos, exceto os benefícios previdenciários, ressalvado o direito de opção; (...)” Lei nº 8.059/90 “Art. 1º Esta lei regula a pensão especial devida a quem tenha participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial, nos termos da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, e aos respectivos dependentes (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 53, II e III). (...) Art. 3º A pensão especial corresponderá à pensão militar deixada por segundotenente das Forças Armadas.” “Art. 17. Os pensionistas beneficiados pelo art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, que não se enquadrarem entre os beneficiários da pensão especial de que trata esta lei, continuarão a receber os benefícios assegurados pelo citado artigo, até que se extingam pela perda do direito, sendo vedada sua transmissão, assim por reversão como por transferência.” [grifei] Portanto, as aposentadorias e pensões recebidas em virtude de outros mandamentos legais, a exemplo da pensão de segundo tenente prevista no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 53, II e III, regulamentada pela Lei n.º 8.059/90, não estão abrangidas pela referida isenção. O Título de Pensão Especial nº 089/2006 (fl. 71) comprova que a pensão concedida ao contribuite (sic) decorre das disposições do art. 53 dos ADCTCF/88, não estando presentes os requisitos para o gozo da isenção dos rendimentos auferidos pela impugnante. (os grifos são do original) A Recorrente não trata do mérito em seu Recurso Voluntário, alegando tão somente que o débito se encontra prescrito, conforme abaixo. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10580.720394/200851 Acórdão n.º 2202003.796 S2C2T2 Fl. 103 6 No entanto, não há como acolher a sua pretensão, visto que se trata de matéria objeto da Súmula CARF nº 11, que dispõe: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Ainda que o Recorrente tenha pretendido alegar decadência em vez de prescrição, também não lhe assiste razão, uma vez que ele tomou ciência da Notificação de Lançamento em 18/02/2008, por via postal (A.R. de fl. 15) e a data do fato gerador é 31/12/2006. Por quaisquer das regras aplicadas (art. 150, § 4º, ou art. 173, I, do CTN), o lançamento não foi alcançado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10580.720394/200851 Acórdão n.º 2202003.796 S2C2T2 Fl. 104 7 Fl. 104DF CARF MF
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