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Numero do processo: 13888.900065/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/07/2010
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.454
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/07/2010 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 00 65 /2 01 4- 74 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.900065/201474 Acórdão n.º 3302004.454 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14050.573. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.900065/201474 Acórdão n.º 3302004.454 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900065/201474 Acórdão n.º 3302004.454 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15959.000179/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/11/2009
COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. MULTA ISOLADA.
Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430/1996, duplicado na forma de seu § 1 0, quando for o caso, nos termos do §4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado na parte conhecida.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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MULTA ISOLADA. Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430/1996, duplicado na forma de seu § 1 0, quando for o caso, nos termos do §4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado na parte conhecida. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Transcrevese o relatório elaborado no acórdão recorrido, por bem retratar a realidade dos fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 9. 00 01 79 /2 01 0- 33 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 328 2 "Tratase de exigência de Multa Isolada, no valor de R$ 16.725.272,32, pelo fato de o contribuinte ter efetuado compensação indevida utilizandose de créditoprêmio de IPI. De acordo com o auto de infração (descrição dos fatos e enquadramento legal), a empresa solicitou, em 27/11/2009, compensação de diversos débitos com créditoprêmio de IPI, controladas no processo administrativo n° 15959.000016/2010 51. Tais compensações foram consideradas nãodeclaradas, ensejando a imputação da multa isolada fundamentada no § 4°, do artigo 18, da Lei no 10.833/2003, com a redação dada pelo artigo 18, da Lei n° 11.488/2007. Regularmente cientificada do auto de infração (AR de fl. 9), a empresa apresentou sua impugnação, na qual, em preliminar, sustentou a nulidade dos autos pela manifesta afronta aos procedimentos legais estabelecidos para o lançamento de oficio, porque a autoridade administrativa deixou de produzir elementos probatórios da suposta ilicitude praticada pela impugnante na compensação de débitos tributários, apresentando tãosomente o valor da autuação, sem apontar, contudo, os valores referentes às DCOMP julgadas indevidas e respectiva memória de cálculo, restringindo o auto de infração a alegar a ocorrência de compensação indevida, mencionando apenas o processo administrativo correspondente, o que fere o principio do contraditório e da ampla defesa. No mérito, defendeu que o AFRFB analisou as referidas DCOMP sem o conhecimento dos procedimentos adotados pela impugnante referentes ao artigo 3° da MP n° 470/2009, o qual instituiu benefícios para pagamento à vista e parcelamento de débitos decorrentes do aproveitamento indevido do crédito prêmio de IPI. Esclareceu que, em 13 de outubro de 2009, veio à tona a publicação da Medida Provisória n° 470/2009, em cujo artigo 3° havia o permissivo para o pagamento à vista ou parcelamento em 12 meses dos débitos decorrentes do aproveitamento indevido do créditoprêmio de IPI, com determinadas anistias em relação as multas e juros de mora e a possibilidade de liquidar débitos com a utilização de prejuízo fiscal e base de calculo negativa da CSLL. E que, para os procedimentos legais para adesão e consolidação dos débitos Federais para o pedido de pagamento da MP 470/2009, a empresa apresentou, em 27/11/2009, 22 (vinte e duas) Declarações de Compensação perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, com o objetivo de formalizar o aproveitamento indevido do referido credito, por meio da compensação de diversos débitos previdenciários (código receita 2100), totalizando R$ 22.300.363,09, fundamentado em direito creditório baseado no litígio do Processo administrativo n° 10840.013364/200134. Acrescentou que com o advento da MP n° 470/2009, entendimento diverso deve ser dado as Dcomp apresentadas pela impugnante, haja vista tratarse de questão atinente ao Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 329 3 aproveitamento indevido do créditoprêmio de IPI, mais atual, a qual transcende à mera consideração de "Dcomp não declarada", em conformidade com o regime jurídico criado pelo artigo 3° da referida MP. Sustentou, novamente, que as DCOMP protocolizadas em 27 de novembro de 2009 tiveram tãosomente o efeito jurídico de tornar caracterizado, de forma liquida e certa, o "aproveitamento indevido" do créditoprêmio de IPI, estando, portanto, em consonância com o artigo 3° da MP n° 470/2009, procedimento incompatível ao imputado pelo AFRFB. Repisou que as declarações foram protocolizadas 3 dias antes do encerramento do prazo final para o pagamento de débitos com o objetivo de caracterizar o "aproveitamento indevido" do credito prêmio de IPI estabelecido como requisito formal para o parcelamento ou pagamento a vista nos termos da MP 470/2009, agindo a impugnante na estrita legalidade. Questionou que, se por um lado a impugnante efetuou compensações indevidas notoriamente rechaçadas pela RFB, por outro, no dia útil seguinte, procedeu ao pagamento integral dos débitos, tudo no rigor da lei. Acrescentou ser evidente a vontade do Estado, por ocasião da edição da medida provisória, de permitir que a impugnante liquide todo e "qualquer aproveitamento indevido" de créditos oriundos do beneficio fiscal concedido pelo artigo 1° do Decretolei n° 491/1969, de modo que o Ministério da Fazenda expressou claramente o interesse do Governo Federal em encerrar, de forma definitiva e equânime, as discussões a respeito do créditoprêmio postas nas esferas administrativa e judicial, "fazendo valer o direito do contribuinte que pleiteou créditos tributários oriundos do incentivo fiscal de utilizálos na liquidação de débitos tributários federais, vencidos até a edição da referida medida provisória, instituindo, portanto, sistemática de extinção de débitos". E que, ao contrário dos contribuintes que logo após a formalização do pedido de ressarcimento do créditoprêmio de IPI efetuaram indiscriminadamente diversas compensações indevidas, obtendo na justiça provimentos que suspendessem a exigibilidade do débito tributário e por ora estaria com todos os requisitos da MP n° 470/2009 cumpridos, a impugnante assumiu posição conservadora e prudente perante a RFB, pois decidiu discutir seu crédito tributário anteriormente à compensação. A impugnante questiona se é adequado o tratamento que lhe é dispensado, uma vez que outros contribuintes que formalizaram o aproveitamento indevido gozarem dos benefícios na MP e da Lei n° 11.488/2007 sem maiores implicações e, a impugnante que cumpriu à risca o objetivo da norma, sobra a multa isolada por ter agido conservadoramente no passado. Argumentou que restaria ao AFRFB dar nova interpretação ao disposto no artigo 74, § 12, II, da Lei 9.430/96, em confronto com a permissão federal de saldar débitos federais compensados Fl. 330DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 330 4 indevidamente com créditoprêmio de IPI, justamente em razão da aplicação da norma instituída pela MP n° 470/09. Ao contrário, restaria violado o principio da isonomia. Defendeu ser suficiente para afastar a multa isolada imputada pelo AFRFB o fato de o procedimento adotado pela impugnante se caracterizar hipótese de denúncia espontânea de débito, seguida de integral pagamento por meio do pedido de pagamento de débitos formalizado em 30 de novembro de 2009. Insta notar a boafé da impugnante em pagar o débito tributário antes mesmo de qualquer procedimento ou questionamento por parte da RFB, ou seja, anteriormente ao inicio do processo administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. Por fim, em virtude da pendência de julgamento dos processos administrativos n°s 12915.002805/200919 e 10840.001812/200981 relativos ao pedido de pagamento de débitos, solicitou o apensamento deste processo àqueles, com base nos termos, fatos e provas, na forma do § 10 do artigo 9° do Decreto n° 70.235/72." A Oitava Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1431.946, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. MEDIDA PROVISÓRIA N° 470/2009. EFEITOS. 0 disposto no artigo 3° da MP n° 470/2009 não revogou nem deu nova interpretação ao § 4°, do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003 (artigo 18 da Lei n° 11.488/2007) e muito menos ao § 12, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996. 0 objetivo do artigo 3° da MP n° 470/2009 não foi abrir prazo para que os contribuintes apresentem declaração de compensação com créditos sabidamente indevidos para poder, posteriormente, se beneficiar do parcelamento ou da compensação de prejuízos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O artigo 138 do Código Tributário Nacional se refere ao chamado arrependimento eficaz e só dispensa a penalidade pecuniária quando o pagamento do tributo desfaz a irregularidade, não se aplicando, portanto, à multa Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 331 5 regulamentar cobrada isoladamente decorrente de infração à legislação, por ter o contribuinte, apresentado declaração de compensação de crédito indevido com débitos (já declarados) e cuja compensação não é permitida. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as seguintes razões: 1. Nulidade da decisão de primeira instância, por não observância do §3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e por não aguardar a decisão nos processos administrativos nº 10840.001812/200981 e n°. 12915.002805/200919; 2. Nulidade do Auto de Infração por carecer de elementos de prova indispensáveis à comprovação do ato ilícito imputado à recorrente, alegando cerceamento de defesa; 3. Que as Dcomps apresentadas foram formalizadas em conformidade com o procedimento de pagamento de débitos estabelecido pelo artigo 3º da MP nº 470/2009, cujos débitos seriam decorrentes de aproveitamento indevido de créditoprêmio de IPI; 4. Que pleiteou, de longa data, o ressarcimento de créditoprêmio de IPI no processo nº 10880.013364/200134, e que formalizou o pedido de pagamento à vista para liquidação integral dos débitos com a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, protocolizado em 30/09/2009; 5. Que o termo "aproveitamento indevido" do artigo 3º da MP 470/2009 criou a figura de DCOMP destinada a suprir a exigência formal da referida MP para se obter o benefício; 6. Que o tratamento não seria isonômico com os contribuintes que obtivessem decisão judicial suspendendo a exigibilidade dos créditos tributários e efetuando compensações indevidas e que estariam cumprindo os requisitos do artigo da MP 470/2009, ao passo que a recorrente, por ter adotado posição conservadora, preferiu aguardar a decisão definitiva judicial; 7. Que houve denúncia espontânea mediante os pedidos de pagamento integral protocolados em 30/11/2009; 8. A necessidade de apensamento aos processos administrativos nº 10840.001812/200981 e n°. 12915.002805/200919. Na sessão de 22/10/2012, esta turma, em outra composição, converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização esclarecesse: "(1) se os débitos objeto das compensações são aqueles objeto da desistência formal por parte do contribuinte; (2) caso não sejam, que intime o contribuinte para que demonstre a correlação entre tais créditos; e (3) finalmente, que informe a Fl. 332DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 332 6 esse colegiado da efetivação ou não do parcelamento requerido, por parte da autoridade competente." Em resposta aos quesitos 1 e 2, o despacho de efl. 218 informou: "Em relação ao quesito 1, já detectamos que os débitos listados nas 22 Dcomps constantes do processo nº 15959.000016/2010 51 (21 delas já constavam do presente às folhas 90 a 106 e 121 a 124; a Dcomp que faltava foi copiada do processo 15959.000016/201051 para a folha 217 do presente) constam das listagens protocoladas pelo contribuinte às folhas 79 a 82 e 112 a 119, que são vinculadas aos requerimentos às folhas 78 e 111.Consequentemente o quesito 2 tornouse sem efeito." Concernente ao quesito 3, o despacho de efl. 225 informou: "Em relação ao quesito 3, informamos que o pedido de parcelamento do contribuinte (MP 470/2009) foi indeferido, conforme cópias dos despachos proferidos no PAF 10840.001812/200981 juntadas às fls. 220224.Atendidas as solicitações, propõese o retorno do presente ao CARF/MF/DF para prosseguimento no julgamento." Em vista de tais informações, a recorrente apresentou nova petição, pugnando pela ocorrência de denúncia espontânea seguida de integral pagamento, pois que houve desistência das compensações antes mesmo de qualquer procedimento ou questionamento por parte da Administração Tributária, demonstrando a boafé da recorrente. Além disso, informou ainda que a adesão ao benefício do artigo 3º da MP nº 470/2009 foi levada ao judiciário, mediante o ajuizamento do Mandado de Segurança nº 000570042.2012.4.03.6102, não havendo que se falar em encerramento da discussão travada no processo administrativo nº 10840.001812/200981. Apresentou, ainda, cópia do recurso de apelação no referido mandado de segurança, na qual restou evidenciado que o objeto do pedido é submeter a decisão no pedido de pagamento à vista formulado no processo 10840.001812/200981 à apreciação da DRJ e não a questão meritória de adesão ao pedido de pagamento à vista, conforme efls. 295/296. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. Em preliminares, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instância, por não observância do §3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e por não aguardar a decisão nos processos administrativos nº 10840.001812/200981 e n°. 12915.002805/200919. Quanto ao §3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, o referido dispõe que "Ocorrendo Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 333 7 manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente". Ocorre que o lançamento destes autos decorreu de compensação não declarada, decidida no processo nº 15959.000016/201051, em face da qual não cabe manifestação de inconformidade, mas apenas o recurso administrativo previsto no artigo 56 da Lei nº 9.784/1999. Tal conclusão decorre do §13 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, de seguinte redação: § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O §12 trata das hipóteses em que a compensação enviada será considerada não declarada, dentre elas a que o crédito se refira a créditoprêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491/1969, conforme transcrito abaixo: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Assim, o §13 excepcionou a aplicação dos §§ 2o e 5o a 11 do artigo 74 às compensações consideradas não declaradas. Destarte, os §§ 9º ao 11, que tratam do rito processual para as compensações não homologadas não se aplicam às compensações consideradas não declaradas, conforme as disposições seguintes: § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Restava, portanto, à recorrente, a possibilidade de interposição de recurso administrativo previsto no artigo 56 da Lei nº 9.784/1999, de aplicação subsidiária ao Decreto 70.235/1972, de seguinte redação: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 334 8 § 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. § 2o Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução. § 3o Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. [...] Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. A referida conclusão está disposta no §8º1 do artigo 66 da IN RFB nº 900/2008, vigente à época dos fatos. Portanto, incabível a alegação de nulidade, pois o §3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não se aplica aos autos em julgamento. Concernente à nulidade pelo não aguardo da decisão dos processos 10840.001812/200981 e n°. 12915.002805/200919, a decisão de primeira instância entendeu que tais processos não são decorrentes ou conexos com estes autos, pois que aqui o que se discute é somente a multa isolada sobre as compensações não declaradas e não como os débitos compensados foram pagos ou parcelados. De fato, toda a argumentação desenvolvida no acórdão recorrido foi no sentido de que o discutido no processos referidos não interfere na aplicação da multa isolada, seja pelo argumento da quitação dos débitos compensados nos termos do artigo 3º da MP nº 470/2009, seja pela denúncia espontânea. Assim, as razões expostas pela DRJ levam à prescindibilidade do aguardo das decisões proferidas nos processos nº 10840.001812/200981 e n°. 12915.002805/200919. Ainda em preliminares, a recorrente alegou nulidade da autuação por cerceamento de defesa, por carecer de elementos de prova indispensáveis à comprovação do ato ilícito imputado à recorrente. Neste ponto, frisese que a recorrente demonstrou em todas peças recursais ter pleno conhecimento da imputação que lhe foi feita, não restando caracterizado qualquer cerceamento de defesa, razão pela qual não há qualquer reparo a se fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos expostos no item 1.3 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA do acórdão recorrido, adoto como razões de decidir, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/19992. 1 § 8º Não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não declarada a compensação, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1224, de 23 de dezembro de 2011) 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 335 9 No mérito, a recorrente defendeu que entregou as compensações apenas para cumprir o disposto no artigo 3º da MP nº 470/2009, sendo que toda as razões aduzidas giram em torno dos pedidos de pagamento protocolados nos processos nº 10840.001812/200981 e n°. 12915.002805/200919. Entendo que todas estas questões de mérito foram tratadas no processo nº 15959.000016/201051, que versou sobre as compensações entregues e que foram consideradas como não declaradas. Aqui se discute apenas a aplicação da multa isolada prevista no §4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito: § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) De fato, no processo nº 15959.000016/201051 decidiuse pela não declaração das compensações, conforme despacho decisório de efl. 49 do referido processo, e, em decorrência daquela decisão, pela aplicação de multa isolada, como expressamente consignado na decisão. Verificase que os argumentos deduzidos aqui relativos ao procedimento de pagamento dos débitos no âmbito do artigo 3º ad MP nº 470/2009 já haviam sido reproduzidos na petição intitulada "manifestação de inconformidade" protocolada no processo acima mencionado. Porém, tal petição não foi recebida como manifestação de inconformidade, pelas razões já expostas anteriormente, como também não foi conhecida como recurso administrativo genérico de que trata o artigo 56 da Lei nº 9.784/1999, por ter sido protocolada intempestivamente, ou seja, acima do prazo de dez dias a contar da ciência da intimação. Destarte, foi declarada a definitividade da decisão proferida no processo nº 15959.000016/201051, efls. 143 a 144 deste último. Este despacho foi parcialmente juntado à efl. 139 dos presentes autos. Constatase, ainda, que a recorrente peticionou, uma vez mais, pleiteando o recebimento da peça recursal como manifestação de inconformidade, o apensamento aos processos nº 10840.001812/200981 e n°. 12915.002805/200919, e a suspensão da exigibilidade dos débitos indevidamente compensados, em vista do pedido de pagamento integral nos moldes do artigo 3º da MP 470/2009. Por fim, o último despacho proferido no processo nº 15959.000016/201051 não tomou conhecimento desta última petição, determinando o prosseguimento do feito. De tudo o exposto, entendo que os argumentos de mérito trazidos tanto na impugnação quanto no recurso voluntário deveriam ter sido deduzidos, tempestivamente, no processo que analisou o mérito das compensações entregues, ou seja, no processo nº º § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 15959.000179/201033 Acórdão n.º 3302004.474 S3C3T2 Fl. 336 10 15959.000016/201051, cujo desfecho ocorreu com a decisão definitiva administrativa que considerou as compensações não declaradas, por utilização de créditoprêmio de IPI de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 491/1969. Desta decisão, decorre, inexoravelmente, a aplicação da multa isolada de que cuidam estes autos, não cabendo mais a discussão sobre a natureza das compensações entregues ou seus efeitos quanto à cobrança dos débitos indevidamente compensados. Aliás, a cobrança dos débitos, se por auto de infração ou por documento de confissão de dívida, independe da análise da multa isolada aqui aplicada. Assim, não cabe a este colegiado analisar a questão meritória quanto à compensação não declarada que se insere na competência das autoridades administrativas da RFB, de acordo com o §13 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com o parágrafo único do artigo 114 do Decreto nº 7.574/2011, com o §8º do artigo 66 da IN RFB nº 900/2008 e com o artigo 56 da Lei nº 9.784/1999. Salientase, a título de informação para os demais membros do colegiado, que o processo de pagamento integral dos débitos que serviram de base de cálculo para a aplicação da multa isolada, nº 10840.001812/200981, foi decidido desfavoravelmente à pretensão da recorrente, conforme efls. 220 a 224, entendendo que os débitos não decorreram de aproveitamento indevido de IPI, nos termos do artigo 3º da MP nº 470/2009. Não há, aparentemente, qualquer decisão administrativa ou judicial, que tenha reformado a decisão ali proferida. Destarte, diante do exposto, voto para rejeitar as preliminares e não conhecer das questões de mérito aduzidas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 337DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.726351/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não restando necessária a diligência pleiteada, deve o pedido ser afastado. A solicitação de diligência junto a órgãos de controle educacional para verificação do quadro de alunos da escola, com objetivo de serem calculadas as receitas decorrentes da atividade escolar a partir dos valores das mensalidades exigidas, em nada acrescentam ao julgamento da lide, visto que o lançamento fiscal decorre de depósitos de origem não comprovada. Sendo assim, além do resultado decorrente da atividade da recorrente, os demais valores remanescentes a este resultado também devem ser mantidos, por não comprovados.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A falta de apresentação de livros contábeis e fiscais e da respectiva documentação que dá suporte à auditoria tributária autoriza o arbitramento dos lucros, que será determinado mediante a aplicação de um percentual previsto em lei, sobre a receita bruta.
DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Constitui presunção de omissão de receitas os depósitos de origem não comprovada, não registrados nos livros contábeis e fiscais e nem computado na DIPJ, cabendo à outra parte o afastamento da alegação da fiscalização.
CONTRATO DE MÚTUO/CONTA-CORRENTE. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de contratos de mútuo ou de conta-corrente e a identificação das partes não afasta, por si só, a pretensão de exoneração do lançamento tributário, devendo estarem carreados de elementos comprobatórios da efetividade da operação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL.
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS DECORRENTES DA ATIVIDADE EMPRESARIAL. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO DA INTENÇÃO DO AGENTE NA PRÁTICA DA INFRAÇÃO.
A falta de escrituração e a declaração na DIPJ de valores de receitas igual a 0,00(zero), praticadas de forma reiterada, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração, mormente quando tal prática foi motivada pela sonegação de informações à Receita Federal do Brasil dos valores de receitas apuradas no desenvolvimento de sua atividade, constantes nas contas bancárias em seu nome, durante dois anos consecutivos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE LEGITIMIDADE PARA CONTESTAR.
O responsável solidário é quem deve apresentar defesa no âmbito do processo administrativo fiscal. O recurso apresentado por terceiro não deve ser reconhecido por falta de legitimidade processual.
ART. 135 III DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DO SUJEITO PASSIVO "PRINCIPAL".
O signo "pessoalmente" constante na redação do art. 135 do CTN não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o sujeito que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal, não cabendo ter sua responsabilidade afastada, mas tão somente dividida.
Numero da decisão: 1401-001.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em superar as arguições de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recuso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não restando necessária a diligência pleiteada, deve o pedido ser afastado. A solicitação de diligência junto a órgãos de controle educacional para verificação do quadro de alunos da escola, com objetivo de serem calculadas as receitas decorrentes da atividade escolar a partir dos valores das mensalidades exigidas, em nada acrescentam ao julgamento da lide, visto que o lançamento fiscal decorre de depósitos de origem não comprovada. Sendo assim, além do resultado decorrente da atividade da recorrente, os demais valores remanescentes a este resultado também devem ser mantidos, por não comprovados. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação de livros contábeis e fiscais e da respectiva documentação que dá suporte à auditoria tributária autoriza o arbitramento dos lucros, que será determinado mediante a aplicação de um percentual previsto em lei, sobre a receita bruta. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Constitui presunção de omissão de receitas os depósitos de origem não comprovada, não registrados nos livros contábeis e fiscais e nem computado na DIPJ, cabendo à outra parte o afastamento da alegação da fiscalização. CONTRATO DE MÚTUO/CONTA-CORRENTE. COMPROVAÇÃO. A apresentação de contratos de mútuo ou de conta-corrente e a identificação das partes não afasta, por si só, a pretensão de exoneração do lançamento tributário, devendo estarem carreados de elementos comprobatórios da efetividade da operação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS DECORRENTES DA ATIVIDADE EMPRESARIAL. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO DA INTENÇÃO DO AGENTE NA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. A falta de escrituração e a declaração na DIPJ de valores de receitas igual a 0,00(zero), praticadas de forma reiterada, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração, mormente quando tal prática foi motivada pela sonegação de informações à Receita Federal do Brasil dos valores de receitas apuradas no desenvolvimento de sua atividade, constantes nas contas bancárias em seu nome, durante dois anos consecutivos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE LEGITIMIDADE PARA CONTESTAR. O responsável solidário é quem deve apresentar defesa no âmbito do processo administrativo fiscal. O recurso apresentado por terceiro não deve ser reconhecido por falta de legitimidade processual. ART. 135 III DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DO SUJEITO PASSIVO "PRINCIPAL". O signo "pessoalmente" constante na redação do art. 135 do CTN não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o sujeito que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal, não cabendo ter sua responsabilidade afastada, mas tão somente dividida.
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INDEFERIMENTO. Não restando necessária a diligência pleiteada, deve o pedido ser afastado. A solicitação de diligência junto a órgãos de controle educacional para verificação do quadro de alunos da escola, com objetivo de serem calculadas as receitas decorrentes da atividade escolar a partir dos valores das mensalidades exigidas, em nada acrescentam ao julgamento da lide, visto que o lançamento fiscal decorre de depósitos de origem não comprovada. Sendo assim, além do resultado decorrente da atividade da recorrente, os demais valores remanescentes a este resultado também devem ser mantidos, por não comprovados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação de livros contábeis e fiscais e da respectiva documentação que dá suporte à auditoria tributária autoriza o arbitramento dos lucros, que será determinado mediante a aplicação de um percentual previsto em lei, sobre a receita bruta. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Constitui presunção de omissão de receitas os depósitos de origem não comprovada, não registrados nos livros contábeis e fiscais e nem computado na DIPJ, cabendo à outra parte o afastamento da alegação da fiscalização. CONTRATO DE MÚTUO/CONTACORRENTE. COMPROVAÇÃO. A apresentação de contratos de mútuo ou de contacorrente e a identificação das partes não afasta, por si só, a pretensão de exoneração do lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 63 51 /2 01 4- 45 Fl. 2976DF CARF MF 2 tributário, devendo estarem carreados de elementos comprobatórios da efetividade da operação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS DECORRENTES DA ATIVIDADE EMPRESARIAL. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO DA INTENÇÃO DO AGENTE NA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. A falta de escrituração e a declaração na DIPJ de valores de receitas igual a “0,00”(zero), praticadas de forma reiterada, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração, mormente quando tal prática foi motivada pela sonegação de informações à Receita Federal do Brasil dos valores de receitas apuradas no desenvolvimento de sua atividade, constantes nas contas bancárias em seu nome, durante dois anos consecutivos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE LEGITIMIDADE PARA CONTESTAR. O responsável solidário é quem deve apresentar defesa no âmbito do processo administrativo fiscal. O recurso apresentado por terceiro não deve ser reconhecido por falta de legitimidade processual. ART. 135 III DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DO SUJEITO PASSIVO "PRINCIPAL". O signo "pessoalmente" constante na redação do art. 135 do CTN não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o sujeito que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal, não cabendo ter sua responsabilidade afastada, mas tão somente dividida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em superar as arguições de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recuso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.976 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que, por meio do Acórdão 1055.367, de 23 de junho de 2015, manteve a autuação fiscal. O crédito tributário lançado se refere à exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) IRPJ e reflexos devidos nos anoscalendário 2010 e 2011, após apuração de omissão de receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovada, constantes nos extratos bancários da recorrente. Foi aplicada multa de ofício qualificada para os depósitos que a própria empresa indicou se tratar de receitas decorrentes de sua atividade. Também foi atribuída responsabilidade solidária aos sócios administradores Marcelo de Moraes Melo e Rodrigo Bernadelli Santos, conforme artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN. Por bem detalhado, reproduzo o relatório constante no Acórdão da DRJ/POA: (início do relatório do acórdão da DRJ/POA) A empresa teve lavrados contra si autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 3), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 61), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 77) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 36). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 20.291.232,59, calculado até agosto de 2014. O relatório da ação fiscal está às fls. 92//105. A ciência dos autos de infração ocorreu em 15/08/2014 (sextafeira). A contribuinte impugnou as exigências em 26/09/2014 (fls. 2318), através da petição de fls. 2318/2350. Aos sócios administradores Marcelo de Moraes Melo e Rodrigo Bernadelli Santos foi atribuída responsabilidade tributária solidária por terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, na forma do inciso I do art. 124, e III do art. 135 do Código Tributário Nacional. RAZÕES DE AUTUAÇÃO Fl. 2978DF CARF MF 4 A ação fiscal abrange os anoscalendário 2010 e 2011. A contribuinte apresentou, em cada um dos anos, a seguinte movimentação financeira em bancos: 2010 R$ 33.408.619,79 2011 R$ 38.575.379,59 Apesar disso, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF foram apresentadas zeradas. A primeira das declarações aponta a apuração de resultados pelo lucro presumido. A fiscalizada foi intimada para apresentar, entre outros, extratos bancários e livros contábeis. Houve uma sucessão de pedidos de prorrogação de prazo e reintimações. Parte dos extratos foi entregue. A contribuinte informou que os livros contábeis não poderiam ser disponibilizados, por irregulares. A empresa foi intimada para que comprovasse a origem dos créditos em contas bancárias. Com relação a mútuos/empréstimos houve intimação para comprovar o efetivo pagamento/recebimento dos valores alegados com tais naturezas. Foram apresentadas justificativas para alguns dos lançamentos e a informação de que não foi possível escriturar os livros contábeis. Para comprovar empréstimos a contribuinte apresentou cópias de contratos de mútuo, não aceitos pela fiscalização. O relatório do trabalho fiscal diz: Em resposta parcial ao Termo de Constatação e de Intimação nº 6, o contribuinte apresenta cópia de alguns contrato de mútuo, nenhum deles com firma reconhecida e registro em Cartório de Nota, o que os deixam sem requisitos mínimos de garantias jurídicas. Outro ponto que chama atenção aos mesmos, é os fatos que não há data definida para pagamentos, somente a citação “a partir de”, não previsão de correção monetária e semelhança tipográfica entre todos os contratos. Ainda sobre a comprovação efetiva da realização dos mútuos/empréstimos, o contribuinte alega que “como reflexo da modernidade, muitas dessas transações não são passíveis de comprovação documental”, deixando, portanto, de comprovar efetivamente as realizações de mútuos/empréstimos (resposta ao Termo de Constatação e de Intimação nº 6). Tendo em vista a falta de comprovação nos autos das transferências de numerários ao contribuinte, resultante de suposto empréstimo por ela contraído, além da não validade dos Contratos apresentados, consoante prescreve o Código Civil, artigos 219, 221 e 288 a seguir transcritos, prejudicando a caracterização de operação de mútuo. [...] Em relação aos contratos intitulados “CONTRATO DE CONTA CORRENTE”, também não há requisitos mínimos de segurança jurídica, tais como reconhecimento de firma e/ou registro em Cartório de Nota. Um ponto há se observar no citado contrato, é Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.977 5 o fato de as partes estarem obrigados a registrarem em sua contabilidade as transferências ocorridas, contudo no caso em questão, o sujeito passivo nem contabilidade possui e não há registro de rompimento dos contratos. O relatório descreve uma série de diligências, referidas como diligências de números 07 a 25, em que são resumidas as informações prestadas por terceiras pessoas que teriam emprestados recursos à autuada. As respostas, quando houve, via de regra, aludem que os pagamentos não constam da declaração de rendimentos por equívoco de preenchimento ou porque o empréstimo se deu dentro do mesmo anocalendário em que devolvidos os recursos. Também como regra há referência que a origem dos recursos estaria no recebimento de lucros distribuídos de forma isenta. Mas, em todos os casos, as declarações de rendimentos não apontam o recebimento de lucros. Há também alegação de que a origem dos recursos seria saque de cadernetas de poupança, mas o valor em conta poupança, constante da DIPF não dá suporte a tais empréstimos. Em muitos casos, nas datas de concessão dos empréstimos, informadas pelos diligenciados, não há crédito bancário correspondente nas contas da autuada. Diligenciados alegam, em alguns casos, não possuir escrituração que permita identificar os pagamentos. Em todos os casos em que houve apresentação de contratos de mútuo, o autuante refere que eles não possuem os requisitos mínimos de segurança jurídica, tais como reconhecimento de firma e/ou registro em cartório de notas. O agente do fisco também alude que nove dos diligenciados postaram suas respostas no mesmo dia e horário, o que é no mínimo uma grande coincidência. As infrações apuradas foram: 1. Omissão da receita da atividade A contribuinte, ao responder o termo de constatação e intimação nº 4, apontou vários créditos bancários como tendo origem no recebimento de mensalidades escolares. Tais valores forma considerados omissão de receita da atividade. 2. Omissão de receitas por presunção legal Os valores creditados em contas bancárias para os quais não houve comprovação da origem, foram considerados receita omitida, com base no art. 42, da Lei 9.430/1996. A forma de apuração adotada foi o lucro arbitrado, em razão da inexistência de escrituração e livros obrigatórios. Foi aplicada a multa duplicada, assim justificada (fls. 103): VI DAS MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO O contribuinte e os responsáveis solidários vêm reiteradamente omitindo receitas em Declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil, apresentado DIPJ e DCTF zerados, ou seja falsos, para tentar impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, ora demonstrado neste Auto, com o único intuito de sonegar os Fl. 2980DF CARF MF 6 tributos devidos. Portanto sua multa de ofício foi qualificada para 150%, tendo em vista o indício de crime contra a ordem tributária em relação à infração apurado no item 01 e em seus reflexos. Houve a responsabilização solidárias dos sócios administradores, assim referido no relatório do trabalho fiscal (fls. 103/104) VII – DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA De acordo com o Inciso I do Art. 124 e Inciso III do Art. 135, ambos do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66), São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme fartamente demonstrados em sua movimentação financeira em comparação às DCTF apresentadas, houve insuficiência no recolhimentos dos tributos objetos desta fiscalização. Conforme contratos social apresento pelo contribuinte, os Srs. Marcelo de Moraes Melo CPF 251.640.13886 e Rodrigo Bernadelli Santos CPF 611.874.70163 eram Sócios Administradores na época dos fatos narrados acima, portanto com total ciência do não recolhimento dos tributos devidos. DAS RAZÕES DE DEFESA A impugnante informa que é um conceituado estabelecimento de ensino que nos anos fiscalizados ministrava curso regular nas três séries do nível médio. Foram matriculados 966 e 945 alunos nos anos de 2010 e 2011, respectivamente. Os sócios são também professores no próprio estabelecimento. Tanto a pessoa jurídica, quanto os sócios não possuem outra fonte de receitas/rendimentos além da escola. O agente do fisco, do início ao fim da auditoria, não teria perscrutado os elementos essenciais relacionados à única atividade da fiscalizada, o que o conduziu a uma conclusão não consistente quanto ao volume de receitas efetivamente auferidas. Em razão da falta de estrutura contábil/fiscal e à precariedade de seus controles e arquivos, a contribuinte teria adotado, equivocadamente, a seguinte linha de ação ao responder às intimações fiscais: nos casos em que a operação estava claramente identificada e era de fácil comprovação por se referir a transferências entre contas correntes próprias, empréstimos bancários, outros empréstimos de terceiros ou qualquer origem não tributável foram informadas como tal. Quando não identificados, na falta de opção e para não deixar sem resposta à autoridade fiscal, evitandose, assim, um eventual agravamento da penalidade, foram informados como receita. O fisco teria considerado receita, tanto os valores informados como tal, como também os demais, sob a forma de receita presumida. Isso estaria totalmente dissociado da realidade, haja vista que até hoje a impugnante ainda está levantando Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.978 7 dados e documentos que comprovam a origem de créditos bancários, o que demonstra a impropriedade do procedimento. Acredita que o fato de o autuante nunca ter comparecido ao estabelecimento da autuada e não ter perquirido sobre peculiaridades da atividade desenvolvida poderiam explicar a impropriedade levada à efeito. Enfatiza que no ramo da educação os estabelecimentos estão sujeitos a múltiplos controles de vários órgãos governamentais. Traz dados de dois órgãos públicos distintos para demonstrar o número de alunos em cada ano – 966 e 945 alunos. Diz não entender porque o autuante não procurou tais elementos para firmar sua convicção. Elaborou planilha com a demonstração do quantum de receita poderia auferir no ano, no máximo: Junta planilha com relação de alunos e faturamento, com base em livro de atas e lista de assinatura de alunos. Por tais documentos as receitas seriam de R$ 9.048.096,00 e R$ 11.242.296,00. Diz: Por qualquer ângulo que se analise, a conclusão é uma só: da forma em que foi levada a efeito, a auditoria fiscal passou ao Fl. 2982DF CARF MF 8 largo da verdade dos fatos tributáveis e não tem valor algum como instrumento de justiça fiscal. [...] Isso porque, a presunção só se sustenta ante a ausência do fato concreto. Uma vez evidenciado o fato ela se enfraquece e demanda prosseguimento na investigação. Com o fato provado, decretada está sua morte. Ademais, se a presunção sugere um resultado absurdo, visivelmente impossível, seus indícios terão que ser reexaminados, reformulados. No tocante aos mútuos contratados, o autuante teria laborado com rigor excessivo. Mesmo casos de financiamento bancário foram considerados receita. Via de regra a justificativa para não aceitar os comprovantes apresentados durante a ação fiscal foi a falta de requisitos mínimos de formalidade, tais como reconhecimento de firmas e inexistência de testemunhas. Diz que a impugnante é sociedade empresária de pequeno porte e tem se socorrido de empréstimos bancários junto a pessoas físicas e jurídicas. Se vale disso por ser conhecida como boa pagadora. Daí também adviria a ínsita informalidade, até pela ignorância dos sócios em assuntos jurídicos. Diz que, embora contemptíveis, a contribuinte junta os contratos com firmas reconhecidas e assinaturas de testemunhas. Quanto ao registro em cartório, seria copiosa a jurisprudência, inclusive administrativa, no sentido de que se trata de um ato meramente formal, que foge à essência do contrato de mútuo. Diz ainda: Quanto às insinuações contidas nas aventadas coincidência de postagem e semelhança de redação, apesar da desimportância jurídica, a contribuinte não se esquiva de esclarecer. Os diligenciados são pessoas físicas ou pequenas pessoas jurídicas, às vezes de mesma família ou conhecidos entre si. O resto são ilações sem suporte. Assevera que, na maioria dos créditos bancários, a origem está plenamente identificada pela própria instituição financeira e noutros a contribuinte teria identificado claramente a saída da conta bancária de origem e a entrada em sua conta corrente. Diz que a formalidade não pode se sobrepor, em importância, à verdade material. Reclama de que empréstimos não foram aceitos porque o diligenciado não respondeu à intimação do fisco. Se houve uma insubordinação fiscal, um terceiro não pode ser penalizado por isso. Ante a omissão ou recusa de um diligenciado em lhe prestar informações de interesse processual não pode a Receita Federal quedarse inerte em relação à insubordinação e aplicar um desvalor conseqüente a outro contribuinte. Somente com a ação fiscal os sócios teriam percebido que a sociedade não possuía a escrituração necessária. Contrataram pessoal especializado e agora dispõe de escrita fiscal e livro caixa em plenas condições de serem analisados e periciados. Entende que, restando valores a tributar, esta ser restabelecida a sistemática do lucro presumido. Quanto às multas aplicadas, reclama que o autuante teria invertido as gradações das sanções, pois quando a contribuinte colaborou e informou ser a receita com origem na atividade da sociedade, a multa foi de 150%. Já para os casos em que Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.979 9 a contribuinte não logrou efetuar a prova foi aplicada a multa mínima do lançamento de ofício, de 75%. Esse ponto requer seja providenciada a correta determinação da base de cálculo. Ou seja, determinar o que realmente é receita da atividade, separar o joio do trigo. Diz que os depósitos bancários devem ser tomados como meros indícios a reclamar investigação adequada, com escopo nas peculiaridades da atividade exercida pelo fiscalizado. Diz: Esta é a situação da impugnante. A despeito de exercer uma atividade de importância impar à sociedade brasileira e, por consequência, estar sujeita a diversos níveis de controle por parte dos órgãos públicos federais e estaduais, a autoridade fiscal atropelou tudo isso e escolheu a via mais fácil e simplista de lhe aplicar a regra geral: se não apresentou documentos "hábeis e idôneos", é omissão de receitas (um juízo pessoal flagrantemente questionável). Destaca que no demonstrativo de fls. 107 a 191, foram considerados como receitas tributáveis que a contribuinte açodadamente declarou se enquadrarem como tal, mesmo que até visualmente se percebe a impossibilidade de tal ocorrência. A defesa junta planilhas e documentos para demonstrar que nem tudo que confessou serem receitas, efetivamente o são. Pede exclusão dos valores comprovados nas planilhas "alterações da base de cálculo do anexo I ao auto de infração" (fls. 2464/2465) e "alterações da base de cálculo do anexo II do auto de infração (fls. 2466/2475). Protesta pela juntada de novas provas até o término do julgamento. Reclama que o fisco deveria ter aprofundado a fiscalização. Diz: Aqui levantase uma questão FUNDAMENTAL: se a autoridade fiscal logrou diligenciar junto aos efetivos mutuantes de recursos financeiros à fiscalizada, qual a razão de não haver adotado o mesmo procedimento junto aos órgãos públicos que controlam as atividades de educação? Reclama que frente a indícios, a prova deveria ter sido aprofundada. Refere ter providenciado o reconhecimento de firmas dos contratos e providenciado a assinatura de testemunhas. Volta a referir a desnecessidade do registro dos contratos em cartório. Reclama da duplicação da multa, que somente deveria ser aplicada em casos extremos, como quando ocorre a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas, omissão de registros e não emissão dos documentos próprios da sua atividade. No caso concreto, teria havido, simplesmente, omissão de declaração de receita. Diz: Quando se constata, na escrituração do contribuinte ou outros meios de controle de suas atividades que não há omissão quanto à formalização do serviço prestado ou venda de mercadoria e que tais receitas seguiram o curso normal que lhes são próprio, tal como o depósito bancário em conta do próprio contribuinte, o fato de não as haver declarado configura simplesmente omissão de declaração de receita e, neste caso, passível da Fl. 2984DF CARF MF 10 aplicação da multa normal no lançamento pela autoridade fazendária (75%). Com respeito à responsabilidade dos sócios, diz que há dúvida quanto às reais pretensões do autuante, pois o enquadramento foi feito com base nos artigos 124 e 135 do CTN. O art. 124 alberga situações onde figuram a responsabilidade solidária, mas o art. 135 trata de uma responsabilidade pessoal. Afirma ser pacífico na jurisprudência que ambas as responsabilidades não podem coexistir, ou seja, a solidária e a pessoal. A responsabilização dos sócios com base no art. 135 excluiria a autuada da relação obrigacional. Assevera que: a) Não foi configurado, de forma inequívoca, o dolo por parte de qualquer dos sócios; b) O contrato social, manejado pelo Auditor Fiscal, deixa claro que o sócio Rodrigo Bernadelli Santos, CPF 611.874.70163, exerce a função de Diretor Pedagógico, sem poder de gestão em assuntos administrativos, financeiros ou quaisquer outros que possam ser relacionados com as infrações apontadas; c) Em nenhum momento foi sequer aventada a hipótese de ter havido proveito próprio dos sócios nas situações caracterizadoras das infrações fiscais, quanto mais provado. Nesse passo, há que se excluir a responsabilidade dos sócios porquanto sequer ficou clara a pretensão da autoridade lançadora sobre qual das modalidades pretendeu imputar, se solidária ou pessoal. Requer a realização de diligências caso entendam os Senhores Julgadores serem insuficientes as provas juntadas aos autos. Formula quesitos basicamente sobre a obrigatoriedade de apresentar declarações e manter registro sobre quantidade de alunos matriculados. Os requerimentos finais são os que seguem: III PEDIDO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para: 1) Preliminarmente Cancelar os lançamentos tributários ora guerreados, uma vez que: a) o procedimento fiscal se desenvolveu e foi concluído amparado, UNICAMENTE na presunção legal de omissão de receitas, representadas pelos créditos em contas correntes bancárias, ignorando totalmente todas as evidências de que a materialidade dos fatos reclamava providências outras para que fosse efetivamente conhecida; b) da forma em que foi conduzida e concluída a ação fiscal, mesmo que se façam as correções com as exclusões de valores pleiteados nesta peça, as bases de cálculo, ainda assim, não terão consistência e restará a insegurança quanto à correta aplicação da lei na busca do tributo justo; Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.980 11 2) No Mérito Na eventualidade de os Ilustre Julgadores considerarem que o lançamento, com todos os seus defeitos, ainda possa ser consertado, remendado, corrigido, enfim aproveitado, que determine: a) seja refeita a apuração das bases de cálculo para delas se excluir os valores plenamente justificados e comprovados pela Impugnante como sendo oriundos de operações de suprimentos de recursos com empréstimos junto a terceiros, os quais a autoridade lançadora assim os desconsiderou com os argumentos claramente inconsistentes e arbitrários, e os fez constar do demonstrativo de fls. 193/239; b) sejam as bases de cálculo reduzidas também com exclusão dos valores que a Impugnante conseguiu identificar as origens, até agora, os quais relaciona nas planilhas "ALTERAÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO ANEXO I AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM 08/08/2014" e "ALTERAÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO ANEXO II AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM 08/08/2014", ora anexadas com os respectivos comprovantes; c) sejam os cálculos dos tributos alterados para a sistemática do Lucro Presumido, quaisquer que sejam as bases de cálculo remanescentes, uma vez que a contribuinte encontrase com sua contabilidade e o Livro Caixa concluídos, cumprindo plenamente a formalidade para o exercício da opção, podendo os mesmos ser vistoriados caso necessário, embora a forma de apuração adotada pela autoridade fiscal, em termos práticos, prescinde da análise da escrituração uma vez que foram questionados todos os créditos bancários; d) sejam as multas de ofício limitadas a 75%, uma vez que não restou demonstrado e provado, nos estreitos contornos da lei, qualquer ato de tal gravidade que reclame a aplicação da multa qualificada de 150%; e) seja deferido o pedido de diligências, em órgãos públicos externos e nos registros internos, como medida assecuratória de que restará definitivamente comprovada a inadequação do levantamento fiscal frente ás peculiaridades da atividade da impugnante, bem como seu real potencial na obtenção de receitas. Os quesitos estão relacionados no item 5, do Direito; f) que seja determinada a exclusão da responsabilidade dos sócios, posto que, além de não haverem procedido de tal forma que necessitasse tal medida, o procedimento fiscal encontrase juridicamente invalidado quanto a esse respeito, uma vez que deixa dúvidas sobre qual dos institutos deve prevalecer, se o da responsabilidade solidária ou a responsabilidade pessoal; g) caso prevaleça a pretensão fiscal, então que se exima o Colégio Olimpo Ltda. do cumprimento da obrigação tributária, Fl. 2986DF CARF MF 12 uma vez que a responsabilidade do terceiro, prevista no art. 135, do CTN, exclui o contribuinte; A DRJ/POA manteve parcialmente o lançamento tributário, exonerando o montante originário de R$ 54.377,46, cujo resultado segue ementado conforme o que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEFICIÊNCIAS DA ESCRITURAÇÃO. Impõemse o arbitramento do lucro quando o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis, a escrituração dos livros Diário, Razão ou Caixa, conforme o caso. Também aplicável o arbitramento quando ausente o registro da movimentação bancária. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. ALEGAÇÃO DE MÚTUO/EMPRÉSTIMO. PROVA. Cabe à contribuinte o ônus de demonstrar que valores informados ao fisco como receita na atividade tem outra origem, no caso, mútuos/empréstimos obtidos junto a pessoas jurídicas ou físicas. A comprovação de mútuo requer a inequívoca demonstração da transferência dos recursos da mutuante para a mutuaria e a devolução deles. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A não comprovação da origem dos valores depositados em conta bancária de titularidade do sujeito passivo, após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receita. MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. Se as provas carreadas aos autos evidenciam a ocorrência de sonegação, cabível a duplicação do percentual da multa de ofício. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA (CONTRIBUINTE). ILEGITIMIDADE PARA CONTESTAR. Consoante o CPC, ninguém pode pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Como não há previsão na legislação específica do processo administrativo tributário que excepcione a regra geral estabelecida naquele código, ou seja, que autorize a substituição processual, há que se considerar que o contribuinte (pessoa jurídica autuada) não possui legitimidade para contestar a responsabilização solidária de sócios e procuradores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Insatisfeita com a decisão de piso, a empresa autuada ingressou com o tempestivo Recurso Voluntário (efl.s 2888 a 2917) ciência do Acórdão da DRJ via eletrônica, em 28/07/2015 (efl. 2.883); e protocolização do Recurso Voluntário em 25/08/2015 (efl. 2.935), solicitando que se faça uma nova análise do conteúdo da Impugnação e apresentando o seguinte pedido (efls. 2915 a 2917): Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.981 13 À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer o Recorrente seja acolhido o presente recurso para: 1) Preliminarmente Cancelar os lançamentos tributários ora guerreados, uma vez que: a) o procedimento fiscal se desenvolveu e foi concluído amparado, UNICAMENTE na presunção legal de omissão de receitas, representadas pelos créditos em contas correntes bancárias, ignorando totalmente todas as evidências de que a materialidade dos fatos reclamava providências outras para que fosse efetivamente conhecida; b) da forma em que foi conduzida e concluída a ação fiscal, mesmo que se façam as correções com as exclusões de valores pleiteados na impugnação e negaods pelos ilustres julgadores de primeira instância, as bases de cálculo, ainda assim, não terão consistência e restará a insegurança quanto à correta aplicação da lei na busca do tributo justo. 2) No Mérito Na eventualidade de os Ilustre Julgadores considerarem que o lançamento, com todos os seus efeitos, ainda possa ser saneado, então que determine: a) seja refeita a apuração das bases de cálculo para delas se excluir os valores plenamente justificados e comprovados pelo Recorrente como sendo oriundos de operações de suprimentos de recursos com empréstimos junto a terceiros, os quais a autoridade lançadora assim os desconsiderou e os incluiu no demonstrativo de fls. 193/239, posicionamento este mantido em quase sua totalidade pelos ilustres julgadores de primeira instância, com os argumentos claramente inconsistentes e arbitrários; b) sejam as bases de cálculo reduzidas também com exclusão dos demais valores que a Impugnante identificou suas origens, os quais constam das planilhas "ALTERAÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO ANEXO I AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM 08/08/2014" e "ALTERAÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO ANEXO II AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM 08/08/2014", anexadas com os respectivos comprovantes; c) sejam as multas de ofício limitadas a 75%, uma vez que não restou demonstrado e provado, nos estreitos contornos da lei, qualquer ato de tal gravidade que reclame a aplicação da multa qualificada de 150%; d) seja deferido o pedido de diligências, em órgãos públicos externos, como medida assecuratória de que restará definitivamente comprovada a inadequação do levantamento fiscal frente às peculiaridades da atividade da impugnante bem como seu real potencial na obtenção de receitas. Os quesitos estão relacionados no subitem IV, do Direito; e) que seja determinada a exclusão da responsabilidade dos sócios, posto que, além de não haverem procedido de tal forma que necessitasse tal medida, o procedimento fiscal encontrase juridicamente invalidado quanto a esse respeito, Fl. 2988DF CARF MF 14 uma vez que deixa dúvidas sobre qual dos institutos deve prevalecer, se da responsabilidade solidária ou pessoal; f) caso prevaleça a pretensão fiscal quanto à responsabilidade dos sócios, então que se exima o Colégio Olimpo Ltda. do cumprimento da obrigação tributária, uma vez que a responsabilidade do terceiro, prevista no art. 135, do CTN, exclui o contribuinte; Anexado o recurso voluntário, o processo foi remetido a este CARF, cabendo a mim sua relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Pedido de Diligência A empresa solicita que o processo seja baixado em diligência para que a fiscalização verifique juntos aos órgãos públicos externos, que indica, a inadequação do lançamento fiscal em relação às peculiaridades da atividade da empresa, bem como constate seu real potencial na obtenção de receitas. Não entendo desta forma. O caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que a autoridade julgadora poderá solicitar diligência quando entendêla necessária: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Entretanto, não vislumbro necessária a diligência pleiteada, isto porque a autuação decorre de depósitos de origem não comprovada, e não de tributação de receitas da atividade fim da recorrente. Entre uma nomenclatura e outra, há uma grande disparidade, a qual a recorrente insiste em não enxergar. Assim, é de se questionar: e se o órgão público se pronunciasse sobre a quantidade de alunos matriculados na escola, o que esta informação agregaria ao desembaraço Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.982 15 da causa? Entendo que em nada acrescentaria ao julgamento do processo, pois os depósitos não necessariamente advêm do recebimento das mensalidades dos alunos; não obstante, não deixariam de ter a natureza de receitas omitidas por presunção. Aliás, a recorrente é quem teria que comprovar que os depósitos (ou parte deles) não se tratavam de receitas omitidas, e não atribuir a um terceiro uma responsabilidade que sequer seja de sua (terceiro) competência. Como analisado no processo, a autoridade fiscal concedeu todos os meios para a recorrente comprovar a origem dos depósitos, restando improfícuas suas tentativas. Desta forma, afasto o pedido de diligência solicitado pela recorrente. PRELIMINAR Nas preliminares, a recorrente pede o cancelamento da autuação alegando que a fiscalização ignorou todas as evidências de que a materialidade dos fatos reclamava providências outras para que fosse efetivamente conhecida. Outrossim, informa que, da forma com que foi conduzida e concluída a ação fiscal, mesmo que se façam as correções com as exclusões de valores pleiteados nesta peça, as bases de cálculo, ainda assim, não terão consistência e restará a insegurança quanto à correta aplicação da lei na busca do tributo justo. Entendo que as alegações trazidas em sede de preliminar, em nada têm pertinência com o pleito de cancelamento do lançamento fiscal. O artigo 142 do CTN estabelece as condições para a validade de um lançamento tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As hipóteses da nulidade do lançamento fiscal constam no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por fim, o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 apresenta hipóteses de anulação do lançamento tributário: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 2990DF CARF MF 16 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A meu ver, não alegadas e não presentes nenhumas destas hipóteses no auto de infração lavrado, esta preliminar deve ser afastada, devendo seus argumentos serem enfrentados no mérito. MÉRITO Inicialmente, convém observar que o lançamento fiscal foi corretamente efetuado com base no arbitramento do lucro, uma vez que a recorrente, embora regularmente intimada, não apresentou à fiscalização nenhum livro ou documento contábil ou fiscal, conforme prescreve o art. 530, III, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A recorrente chegou a alegar que teria preparado livros contábeis comprovando sua real movimentação. Entretanto, a apresentação de livros e documentos após autuação pelo lucro arbitrado não pode invalidar ou alterar o lançamento efetuado. Esse é o entendimento sumulado por este CARF, conforme se verifica abaixo: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. No mesmo sentido, não cabe ajustar o lançamento do lucro arbitrado para o lucro presumido, que era o regime de apuração adotado pela recorrente. Alega que a fiscalização foi arbitrária ao afastar a pretensão da recorrente em demonstrar que parte dos depósitos de origem não comprovada decorreram de mútuos contraídos pela empresa, no período objeto da autuação. Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.983 17 A arbitrariedade havia se dado em razão da justificativa da fiscalização de que os contratos de mútuo não haviam sido devidamente formalizados e registrados em cartório, que, segundo a recorrente, é medida desnecessária para a sua convalidação. Entendo que este argumento merecer ser afastado. A fiscalização apenas utilizou mais um argumento (mas não o principal) para afastar a justificativa da origem dos depósitos com base em contratos de empréstimos. Ressalvo minha concordância com a recorrente quando afirma que não há necessidade de que os contratos tenham firma reconhecida e sejam submetidos a registro cartorário pelos contratantes. Por outro lado, entendo que o contrato assim elaborado (com as devidas cautelas) evidencia maior credibilidade na operação que se quer provar, máxime em razão da temporaneidade com que o acordo foi firmado. Desta forma, é de se questionar, a contrario sensu: Por que os contratos não foram devidamente formalizados, se o montante dos valores que se diz decorrerem de empréstimos é bem relevante? Bem, independentemente de sua formalização, o que percebo é que a recorrente se agarrou a este pequeno deslize cometido pela fiscalização para que seu pleito seja atendido, o que, no meu sentir, deve ser afastado. Ao contrário do que pretendeu transmitir a recorrente, a fiscalização formou sua convicção para efetuar o lançamento tributário quando constatou que os documentos trazidos pela recorrente não eram suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. Mas não é só isso! A origem dos recursos não pode ser comprovada somente com um recibo de depósito ou um cheque nominal. Esta operação apenas identifica o depositante. A partir daí, deve a beneficiária do depósito comprovar que o ingresso do numerário não se reveste de alguma modalidade de renda, o que a recorrente não conseguiu comprovar no autos do processo. A recorrente alega que, se a fiscalização fizesse uma análise mais percuciente, chegaria à conclusão de que alguns valores (valores redondos, por exemplo) não poderiam ser fruto de omissão. Mais uma vez se equivoca a recorrente, pois tenta desvirtuar o entendimento bem exposto pelo fisco, qual seja: todos os valores depositados nas contascorrentes da fiscalizada, cuja origem não foi comprovada, foram considerados como receita tributável. Isto é o que dita a regra estabelecida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2992DF CARF MF 18 Com base no dispositivo legal acima, a empresa é quem deve comprovar que os valores creditados em suas contas bancárias não se tratam de receitas omitidas, razão pela qual deve ser afastado tal argumento. Em relação às diligências efetuadas nos supostos mutuantes (terceiros), percebo que a fiscalização efetuou trabalho minucioso durante o procedimento de fiscalização, para que a empresa não fosse prejudicada por ser tributada por fato que não praticou. Como o lançamento decorreu de presunção de omissão de receitas, situação em que o ônus da prova é invertido e atribuído ao terceiro, talvez a fiscalização nem precisaria ser tão diligente em seu trabalho fiscal, a ponto de solicitar informação de 9 (nove) pessoas físicas e jurídicas indicadas pela recorrente como mutuante de recursos à empresa. Bastaria a fiscalização exigir a prova da própria recorrente, com base em seus depósitos bancários, pois foi a empresa quem originou essa divergência entre as receitas supostamente omitidas e as receitas declaradas (zero). Quanto aos argumentos da recorrente de que a atividade escolar (e de seus sócios) é a única fonte de rendimento, defendendo, a partir disso, que somente as receitas decorrentes do recebimento de mensalidades, apresentadas com base em planilha com número de alunos e valor da mensalidade, deveriam ser tributadas, entendo que merecem ser afastados. Como dito alhures, tal alegação não tem qualquer relevância para o julgamento deste processo, pois o processo decorre de depósitos de origem não comprovada. E, mesmo que fosse relevante tal argumento, observo que o sócio administrador Rodrigo Bernadelli Santos, CPF 611.874.70163, consta no quadro societário de 10 (dez) empresas distintas, a saber, o que apartaria a justificativa da recorrente: Quantidade de empresas pertencentes a Rodrigo Bernadelli Santos : 10 Rodrigo Bernadelli Santos é sócio de 8 empresas no estado de Goiás e 2 em Distrito Federal. Capital social das empresas de Rodrigo Bernadelli Santos: R$ 1.478.800,00 Primeira sociedade de Rodrigo Bernadelli Santos foi firmada em: 07/06/19881 Se fosse para fazer elocubrações, poderseia alegar que parte dos recursos ingressados nas contas bancárias da recorrente decorrem de movimentação financeira relativa a operação de outras empresas do citado sócio ou de atividades alheias à escolar. Desta feita, como não foi afastado pela recorrente, mantenho o lançamento fiscal quanto a este ponto. Multa Qualificada Inicialmente, observo que a multa qualificada somente foi aplicada em relação aos depósitos bancários que a empresa indicou se tratarem decorrentes de receitas de 1 Extraído do site http://www.consultasocio.com/q/sa/rodrigobernadellisantos na data de 22/06/2017 Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.984 19 sua atividade. Quanto aos demais depósitos, de origem não comprovada, a fiscalização aplicou a multa de 75%. Pois bem. Em seu recurso voluntário, a empresa apresenta a distinção entre omissão de receitas (ocultação) e omissão de declaração de receitas e alega que a autuação fiscal deveria se pautar na omissão de declaração de receitas, não cabendo a aplicação da multa qualificada. Diz que omissão de receitas se caracteriza pela conduta propositadamente praticada para que as receitas auferidas não cheguem ao conhecimento da autoridade fiscal. Citou como exemplo a movimentação bancária efetuada em conta corrente de terceiros (interpostas pessoas). Conclui alegando que, uma vez que o caso se trata de simples omissão de declaração de receitas, a multa seja reduzida para 75%. Além disso, segundo a recorrente, o auditor lhe dissera que os extratos bancários poderiam ser obtidos pela Receita Federal. Desta forma, questiona: Então aqui já se pergunta: qual a justificativa de se aplicar a pena mais gravosa se todas as informações utilizadas para se efetuar o lançamento constavam em registros de livre acesso pela autoridade fiscal. E mais, naquilo que o auditor fiscal teve dúvida o Recorrente prestou todas as informações de que dispunha. Alega, por fim, que foi punida por colaborar com a fiscalização, pois, sobre os valores informados como decorrentes de receita de sua atividade, foi aplicada a multa qualificada. Seria melhor se não informasse. Entretanto, não entendo que estes argumentos sejam suficientes para afastar a multa qualificada. Penso que a recorrente confunde as situações de agravamento com qualificação, ao alegar que não deveria padecer com a multa qualificada em razão de ter auxiliado a fiscalização na indicação das receitas decorrentes de sua atividade. O agravamento da multa é penalidade que tem como premissa impedir que contribuintes delonguem no atendimento à autoridade fiscal. Está contemplado no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação mais atual, que compreende o período dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Fl. 2994DF CARF MF 20 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.128, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Como sabido, a fiscalização não aplicou a multa de ofício agravada em 50%, e sim a multa de ofício qualificada no total de 150%. A multa qualificada, por sua vez, tem como premissa punir aqueles que se utilizam de expedientes fraudulentos para reduzirem seu ônus tributário. Também está contemplada no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, mas no seu § 1º, em sua redação mais atual, que compreende o período dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Pois bem. Como visto, a recorrente apresentou DIPJ dos anoscalendário 2010 e 2011, assim como as DCTFs desses períodos, com valores "zerados". Como restou comprovado no auto de infração, a empresa reconheceu que omitira todas as informações sobre a receita decorrente de sua atividade escolar, apresentando DIPJ com informações 'zeradas' em relação a dois anos consecutivos (anoscalendário 2010 e 2011), apesar de ter movimentado as cifras de R$ 16.187.132,32 e R$ 21.025.805,75 nos respectivos períodos. Assim, omitiu reiteradamente fatos geradores de obrigação tributária ao fisco. A reiteração aqui decorre não só da falta de informação nas DIPJs acima, mas do fato de que o IRPJ é tributo complexivo, cujo fato gerador ocorre a cada apuração de rendimento. Desta sorte, considero o período da reiteração é mais extenso que o próprio período de apuração do tributo. Desta forma, entendo que a postura da Recorrente tinha fim específico de fraudar o Fisco com objetivo de sonegar tributos, sendo cabível portanto a multa no montante aplicado pela fiscalização, que deve se manter pelos seus próprios fundamentos aqui narrados e de acordo com a norma que a regula, qual seja, arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.985 21 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Diante do exposto, mantenho a aplicação da multa qualificada. Responsabilidade Solidária Como visto, os responsáveis solidários com a recorrente pelo lançamento aqui debatido não apresentaram recurso voluntário a este CARF. Somente a recorrente apresentou recurso voluntário com fins de afastar a responsabilidade de seus sócios administradores (responsáveis solidários). Assim, em razão de falta de legitimidade processual, não conheço do recurso voluntário quanto a este ponto, e voto por manter a responsabilidade solidária dos sócios administradores Marcelo de Moraes Melo, CPF 251.640.13886, e Rodrigo Bernadelli Santos, CPF 611.874.70163. A recorrente alega que, se mantida a responsabilidade solidária, nos termos do art. 135 do CTN, que ela seja afastada do pólo passivo da obrigação tributária, uma vez que a responsabilidade constante no referido artigo 135 do CTN é pessoal e que, portanto, o lançamento deve recair somente sobre os sóciosadministradores, exonerando a empresa da obrigação fiscal. Como trata de uma pretensão da própria recorrente, passo a enfrentar a questão: Não entendo que tenha razão a recorrente. O art. 135 do CTN contém a seguinte redação: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A meu ver, a referência ao signo "pessoalmente" na redação supra não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o representante legal que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o Fl. 2996DF CARF MF 22 sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal. Eventualmente, pode ter sua responsabilidade dividida, quando, por exemplo, terceiros se aproveitam de cargos de gestão para se beneficiar. Ademais, a responsabilidade solidária também foi fundamentada no art. 124, I, do CTN, em razão da verificação do interesse comum, entre a recorrente e seus administradores, visto que ambos se beneficiaram com a redução (a "zero") da carga tributária. Vejase na redação: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Desta forma, afasto o pedido de exclusão da recorrente do pólo passivo da obrigação tributária. CSLL, PIS e COFINS Por decorrerem dos mesmos fundamentos, aplico aos referidos tributos o quanto disposto no IRPJ, mantendo, portanto, o lançamento fiscal. Conclusão Diante do exposto, SUPERO as arguições de nulidade e, no mérito, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10120.726351/201445 Acórdão n.º 1401001.982 S1C4T1 Fl. 2.986 23 Fl. 2998DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902750/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 50 /2 01 0- 55 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902750/201055 Acórdão n.º 1301002.315 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902750/201055 Acórdão n.º 1301002.315 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902750/201055 Acórdão n.º 1301002.315 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902750/201055 Acórdão n.º 1301002.315 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902750/201055 Acórdão n.º 1301002.315 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902750/201055 Acórdão n.º 1301002.315 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902750/201055 Acórdão n.º 1301002.315 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720005/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA.
As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 00 05 /2 00 7- 39 Fl. 72DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração, emitido eletronicamente, para exigência dos valores de multa de mora não recolhidos pela recorrente, por ocasião do pagamento, em 31/03/2003, de diversos débitos em atraso de Cofins do ano de 2002. A recorrente recolheu os valores principais e juros, deixando de recolher a multa de mora. Cientificado, o contribuinte impugna o lançamento, alegando que não recolheu a multa porque, conforme art. 23, III, do DecretoLei 7.661/451 Lei de Falências, e Súmulas STF 1922 e 5653, as multas administrativas ou fiscais não poderiam ser exigidas de massa falida. A certidão de ajuizamento de falência, em 25/09/1996, foi devidamente juntada (fl. 6). A DRJ/Santa Maria/RS decidiu por negar procedência à impugnação. Copio a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE MORA PAGA A MENOR. RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO. MASSA FALIDA. Com a edição da Lei n° 11.101, de 2005, ficou revogada a antiga Lei de Falências, não havendo qualquer impedimento legal a que sejam reclamadas, na falência, as multas tributárias, sejam elas as de ofício ou as de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com tal decisão, a recorrente interpõe Recurso Voluntário, acrescentando os seguintes argumentos: A Lei 11.101/2005, utilizada como fundamento de decidir pela turma a quo, não poderia ser aplicado ao caso, posto que os fatos geradores são anteriores à vigência dessa Lei; O atraso de pagamento seria devido a ausência de permissão de pagamento no processo de falência; A Lei 11.941/09, e a Portaria Conjunta PGFN/SRF 6/2009, permitiriam a exclusão de qualquer multa, se o valor for pago à vista; 1 Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: I as obrigações a título gratuito e as prestações alimentícias; II as despesas que os credores individualmente fizerem para tomar parte na falência, salvo custas judiciais em litígio com a massa; III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. 2 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa 3 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13005.720005/200739 Acórdão n.º 3301003.449 S3C3T1 Fl. 73 3 O outro fundamento da decisão a quo, de que o lançamento é devido no âmbito administrativo e excluído posteriormente pelo juiz no âmbito judicial seria prejudicial tanto ao contribuinte quanto ao Fisco; É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O recurso é tempestivo, e não verificando nenhum impedimento, dele tomo conhecimento. Um dos fundamentos da decisão recorrida, o art. 83, VII da Lei 11.101/05 nova lei de falências claramente é inaplicável, posto que não existia essa Lei ao tempo dos fatos geradores, tanto do tributo, quanto da multa de mora. Nos termos do art. 1054 do CTN, a lei aplicável é aquela vigente por ocasião do fato gerador. Todavia, além desse fundamento, há outro utilizado pela DRJ. Transcrevo excerto pertinente (fl. 34): “No caso de falência, a exigibilidade das multas fiscais de natureza tributária era questão que gerava grande controvérsia, em face, principalmente, da existência de aparente conflito, na esfera administrativa e no Judiciário, em relação à matéria. No âmbito do Judiciário, cristalizouse, ao longo do tempo, o entendimento de que, tanto a multa moratória, quanto a multa fiscal com efeito de pena administrativa não se incluiriam no crédito habilitado em falência. Na esfera administrativa, por sua vez, prevalecia o pensamento de que o tratamento dado pelo Judiciário estaria inserido apenas no âmbito do processo falimentar propriamente dito, ou seja, na fase de cobrança, e não na do exame da legitimidade do lançamento fiscal, que é objeto das atribuições dos órgãos julgadores administrativos.” Faço adesão a tal entendimento. Com efeito, ao seu tempo, o lançamento deveria mesmo ser efetuado, por obediência estrita ao art. 1425, §único do CTN. As regras de 4 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. 5 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 74DF CARF MF 4 habilitação de créditos dizem respeito ao processo de falências, e não influenciam o lançamento tributário, mesmo porque, eventualmente, a empresa pode recuperarse e sair do processo de falência, sem que se chegue à liquidação, retornando ao status quo ante. São, portanto, trâmites independentes. A recorrente aduz ainda, no Recurso Voluntário, que a Lei 11.941/09 e a Portaria Conjunta PGFN/RFB 6/2009 excluiriam as multas em caso de pagamento à vista. Com efeito, a Lei 11.941/09 permite a exclusão da multa de mora quando se efetive pagamento à vista, conforme regramento contido nos artigos 1º e 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB 6/20096. No entanto, a suscitada remissão deve ser direcionada à unidade da Receita Federal, para análise conforme regramentos. A alegação de que não havia autorização, no processo de falência, para pagamento dos tributos não foi acompanhada de qualquer comprovação, pelo que é inócua. Em conclusão, o lançamento é hígido e deve ser mantido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator 6 Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei nº11.941, de 27 de maio de 2009, poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (…) VI os demais débitos administrados pela RFB. (…) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13005.720005/200739 Acórdão n.º 3301003.449 S3C3T1 Fl. 74 5 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910093/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2007
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 93 /2 01 2- 11 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.910093/201211 Acórdão n.º 3402004.043 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.806, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.910093/201211 Acórdão n.º 3402004.043 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720365/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o feito em função da Repercussão Geral (inconstitucionalidade do RMF).
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o feito em função da Repercussão Geral (inconstitucionalidade do RMF). Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1142; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 887 1 886 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720365/200682 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.121 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 1 de fevereiro de 2012 Assunto IRPJ E REFLEXOS Recorrente COMERCIAL CASTELO BRANCO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o feito em função da Repercussão Geral (inconstitucionalidade do RMF). Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 36 5/ 20 06 -8 2 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10283.720365/200682 Resolução nº 1401000.121 S1C4T1 Fl. 888 2 A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314, sob regime de repercussão geral. Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, veja se: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Código de Processo Civil,bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Pelo exposto, entendo deva o presente feito ficar sobrestado até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10283.720365/200682 Resolução nº 1401000.121 S1C4T1 Fl. 889 3 (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente Fl. 1119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.908894/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.549
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 88 94 /2 01 2- 19 Fl. 81DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.908894/201219 Acórdão n.º 3401003.549 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 83DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10830.908894/201219 Acórdão n.º 3401003.549 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 85DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904958/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/06/2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 58 /2 01 2- 05 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10865.904958/201205 Acórdão n.º 3301003.517 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.972. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.904958/201205 Acórdão n.º 3301003.517 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.904958/201205 Acórdão n.º 3301003.517 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.904958/201205 Acórdão n.º 3301003.517 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.904958/201205 Acórdão n.º 3301003.517 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.904958/201205 Acórdão n.º 3301003.517 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902307/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.826
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 07 /2 01 1- 67 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902307/201167 Acórdão n.º 3302003.826 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.257. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902307/201167 Acórdão n.º 3302003.826 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902307/201167 Acórdão n.º 3302003.826 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902307/201167 Acórdão n.º 3302003.826 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902307/201167 Acórdão n.º 3302003.826 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 99DF CARF MF
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