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Numero do processo: 11330.000069/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços.
PROCESSO PRINCIPAL. MÉRITO. CONEXÃO.
Reproduz-se no auto de infração relativo a obrigação acessória o entendimento adotado no julgamento dos processos principais conexos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.921
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços. PROCESSO PRINCIPAL. MÉRITO. CONEXÃO. Reproduzse no auto de infração relativo a obrigação acessória o entendimento adotado no julgamento dos processos principais conexos. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 69 /2 00 7- 01 Fl. 155DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11330.000069/200701 Acórdão n.º 2301004.921 S2C3T1 Fl. 156 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 13/03/2007 em razão da omissão nas folhas de pagamento de rubricas salariais pagas a segurados empregados, assim caracterizados pela fiscalização em razão da suposta presente das características da relação de emprego, fls. 19 e s.. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 AUTODEINFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. O preenchimento de folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária, a teor do art. 32, I, da Lei 8212/91 c/c art. 225, I, § 9°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, enseja a aplicação de multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória. Lançamento Procedente ... 25. Desconsiderar a personalidade jurídica, no presente caso, não significa desconstituir a pessoa jurídica, e sim não reconhecêla como tal no que diz respeito A contribuição previdenciária, para que sejam tidos como saláriode contribuição os pagamentos efetuados As sociedades fictícias contratadas. Pois, ao contrário do que aduz a Defendente, ficaram comprovados nos Relatórios Fiscais das NFLD's relacionados no Relatório Fiscal deste Auto de Infração n a presença dos requisitos da relação de emprego, previstos no art. 30 da CLT c/c art. 12, I, "a", da Lei 8212/91, sendo que a relação de emprego ficou configurada a partir da identificação dos seus elementos caracterizadores, quais sejam: habitualidade, pessoalidade, não eventualidade e subordinação Assim, ao contrário do que aduz a Defendente, ficaram comprovados no Relatório Fiscal a presença dos requisitos da relação de emprego, previstos no art. 3° da CLT c/c art. 12, I, "a", da Lei 8212/91, sendo que a relação de emprego ficou configurada a partir da identificação dos seus elementos caracterizadores, quais sejam: habitualidade, pessoalidade, não eventualidade e subordinação. Assim sendo, não cabe a argumentação de que a autuada não tinha obrigação de lançar em folha de pagamento as remunerações das pessoas jurídicas contratadas, vez que ficou cabalmente comprovado que houve a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, os quais efetivamente não foram relacionados em folha de pagamento. Fl. 157DF CARF MF 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 4.1. Ocorreu a decadência para a constituição do crédito previdenciário, o qual deve ser o estabelecido pelo art. 150, § 4º. do CTN, a saber, 5 anos. 4.2. Não há vinculo empregatício entre os colaboradores autônomos e a empresa, não havendo obrigatoriedade de lançar valores em folha de pagamento, motivo pelo qual é inconsistente o Auto de Infração. Não cabe à autoridade administrativa arbitrar vinculo empregatício sem fundamentar e sem comprovar tal fato. 4.3. O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vinculo entre os sócios e a empresa contratante. 4.4. Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; 4.5. O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; a autuação foi feita sem ter por base uma decisão judicial; 4.6. O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. 4.7 Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; 4.8. Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; 4.9. A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11330.000069/200701 Acórdão n.º 2301004.921 S2C3T1 Fl. 157 5 dissimulação, o que não foi demonstrado nas NFLD's e neste Auto de Infração; 4.10. A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; 4.11. A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; 4.12. Durante todo o procedimento fiscal em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a adoção do método de aferição indireta, com fundamento neo art. 33, §§3° e 6° da Lei nº 8.212/91 reproduzido na defesa; 4.13. Deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo sei considerada improcedente a presente Notificação. Submetido a julgamento em 27/07/2011, a segunda turma da terceira câmara desta segunda seção converteu o julgamento em diligência para o obtenção de informações sobre os processos principais conexos, fls. 129. Assim, em relatório a fiscalização trouxe as seguintes informações, fls. 135: 4. Verificamos nos itens 3 a 6.16 do Relatório Fiscal, que as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito conexas ao presente Auto de Infração são as dezessete abaixo elencadas (nº COMPROT entre parênteses): 37.005.7740 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002545/200716) 37.005.7759 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002514/200765) 37.005.7767 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002513/200711) 37.005.7791 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002135/200775) 37.005.7805 – Baixada por Acórdão do CARF – (35582.002520/200712) 37.005.7821 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002518/200743) Fl. 159DF CARF MF 6 37.005.7848 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002517/200707) 37.005.7872 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002495/200777) 37.005.7910 – Aguardando Acórdão do CARF – (12259.000921/200895) 37.005.7996 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002490/200744) 37.005.8003 – Baixada por Acórdão do CARF – (35582.002485/200731) 37.005.8070 – Aguardando Acórdão do CARF – (12259.000879/200811) 37.056.3549 – Aguardando Acórdão do CARF – (12259.000883/200871) 37.056.4014 – Cobrança após Acórdão do CARF – (35582.002506/200719) 37.056.4081 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002515/200718) 37.056.4111 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002130/200742) 37.056.4219 – Aguardando Acórdão do CARF – (11330.000160/200718) 5. Há, portanto, quatro NFLD´s em julgamento no CARF, dez inscritas em dívida ativa da União, duas extintas por decisão de segunda instância administrativa e uma em cobrança, após ciência de acórdão; O recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência. É o Relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11330.000069/200701 Acórdão n.º 2301004.921 S2C3T1 Fl. 158 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conexão com os processos principais Nessa parte, reproduzo as manifestações no processo desde a decisão recorrida, a resolução que converteu o julgamento em diligência e sua resposta pela fiscalização. Todos os processos indicados pela fiscalização a partir das fls. 19 são relativos à obrigação principal decorrente dos mesmos fatos e, portanto, são conexos ao presente processo. O que significa deve ser adotado aqui o mesmo entendimento sobre todas as questões suscitadas pelo recorrente, que é a jurisprudência pacífica desta turma ordinária. De fato, o objeto do presente processo é a falta de inclusão em folha de salários dos pagamentos realizados à supostas pessoas jurídicas cujos sócios foram caracterizados como segurados empregados do recorrente. Cada desconsideração da personalidade jurídica foi objeto de um processo principal para a constituição do crédito tributário e todos esses processos, fls. 135, resultaram dos mesmos fatos, o que também implicou a autuação pela não inclusão desses pagamentos em folhas de salários. Resta na análise presente verificar o entendimento adotado sobre esses fatos e reproduzilo aqui. Sendo que outras questões não apreciadas serão examinadas em separado. Ressaltase que pela natureza da infração, omissão de pagamentos nas folhas de salários, basta que apenas um pagamento não tenha sido escriturado, ainda que outros possam ter sido considerados improcedentes ou tenham sido alcançados pela decadência, para que a autuação se mantenha. Passamos a análise de questões preliminares relativas a este processo. Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 161DF CARF MF 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11330.000069/200701 Acórdão n.º 2301004.921 S2C3T1 Fl. 159 9 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada através do processo principal nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 331/12/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIR/ZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel Fl. 163DF CARF MF 10 e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11330.000069/200701 Acórdão n.º 2301004.921 S2C3T1 Fl. 160 11 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial Fl. 165DF CARF MF 12 do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Como se trata de obrigação acessória, não se trata de lançamento por homologação. Assim, como o período de ocorrência dos fatos é de 01/01/2000 a 31/12/2005 e a constituição do crédito se deu em 13/03/2007, os fatos ocorridos até 11/2001, inclusive, já não constituiria infração; contudo, os fatos posteriores já são suficientes para a caracterização da infração e imposição da multa, já que bastaria um único mês em que houvesse a omissão em folha de pagamento para que a autuação fosse procedente. Assim, mesmo para períodos anteriores a cinco anos, a infração ocorreu e a multa não deve ser reduzida por falta de repercussão da decadência sobre o crédito tributário, que se mantém na integralidade em razão da natureza da infração. No mérito Nessa parte, de acordo com o documento às fls. 135, nos processos principais conexos abaixo relacionados se entendeu pelo vínculo empregatício com o recorrente e, assim, por conseqüência, ficou caracterizada a infração em não registrálos em folhas de pagamento. Também foram examinadas e decididas desfavoravelmente ao recorrente todas as demais questões, fazendo com que esse entendimento seja aqui reproduzido: 37.005.7740 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002545/200716) 37.005.7759 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002514/200765) 37.005.7767 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002513/200711) 37.005.7791 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002135/200775) 37.005.7821 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002518/200743) 37.005.7848 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002517/200707) 37.005.7872 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002495/200777) 37.005.7996 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002490/200744) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11330.000069/200701 Acórdão n.º 2301004.921 S2C3T1 Fl. 161 13 37.056.4014 – Cobrança após Acórdão do CARF – (35582.002506/200719) 37.056.4081 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002515/200718) 37.056.4111 – Inscrita em Dívida Ativa – (35582.002130/200742) Por tudo, voto negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.900063/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 63 /2 01 0- 11 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.941, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.900063/201011 Acórdão n.º 3201000.475 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721121/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
Ágio Regularmente Constituído. Incorporação de Empresa. Transferência do Ágio entre Empresas do Mesmo Grupo Econômico. Dedutibilidade.
É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio, fundado na expectativa de rentabilidade do investimento, tiver sido regularmente constituído, em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
Csll e Irpj. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Ágio Regularmente Constituído. Incorporação de Empresa. Transferência do Ágio entre Empresas do Mesmo Grupo Econômico. Dedutibilidade. É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio, fundado na expectativa de rentabilidade do investimento, tiver sido regularmente constituído, em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Csll e Irpj. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. DEDUTIBILIDADE. É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio, fundado na expectativa de rentabilidade do investimento, tiver sido regularmente constituído, em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 21 /2 01 4- 50 Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.731 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Tratase de recurso interposto por INDIANA SEGUROS S/A, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0264.072, da 2ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 1.575 a 1.587), que deu provimento parcial à impugnação, apenas para determinar a compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, em um dos anos abrangidos pelo lançamento (o ano base 2011), mantendo, no mais, o crédito tributário constituído contra a recorrente. O lançamento colheu duas infrações, descritas em detalhes no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 1.130 a 1.168. São elas: a) exclusões indevidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a título de amortização de ágio; e b) falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL mensais, apurados por estimativa, infração essa que deu ensejo à aplicação de multa isolada. Os fatos, desdobrados em quatro etapas, podem ser assim descritos: 1º) Em janeiro de 2008, a pessoa jurídica Liberty International Brasil Ltda. adquiriu a empresa Indiana Seguros S/A, da seguinte forma: a) adquiriu 100% das quotas da empresa Itaberada Participações S/C Ltda., pessoa jurídica que detinha 59,95% do capital da Indiana Seguros S/A.; e b) adquiriu do Bradesco Saúde S/A 39,96% do capital da Indiana Seguros S/A. Após tais operações, a Liberty International Brasil Ltda. passou a ser detentora de quase 100% do capital da Indiana Seguros S/A: 59,95% de forma indireta, mediante o controle da Itabera Participações S/C Ltda.; e 39,96% de forma direta, com a propriedade das ações da Indiana Seguros S/A. O preço total, pago naquela oportunidade, foi de R$ 251.641.423,91, dos quais R$ 150.984.854,35 referentes à aquisição da Itaberaba Participações, e R$ 100.656.569,57 referentes a 39,96% dos ações da Indiana Seguros S/A. Essas operações geraram ágio, cujo fundamento econômico foi a expectativa de rentabilidade, atestada pelo relatório de avaliação econômicofinanceira, elaborado em dezembro de 2008, o qual teve como database 31 de janeiro do mesmo ano. A esse respeito, consta do TVF a seguinte observação: Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.732 3 O relatório teve como database 31/01/2008, e foi elaborado para apurar o valor econômicofinanceiro da Indiana para dar suporte a contabilização do ágio gerado em sua aquisição. Conforme registrado na página 12 do relatório, o valor econômicofinanceiro da Indiana Seguros S/A, adotandose a metodologia com base no fluxo de caixa descontado foi de R$ 290.721 mil. De acordo com o demonstrativo do valor apurado de ágio na compra da Indiana apresentado na resposta de 27/08/2013, Doc. 16, o valor do ágio foi de R$ 169.158.122,11, conforme demonstrado abaixo. Assim como, a justificativa de amortização do ágio foi apresentada no Doc. 26 da resposta de 27/08/2013, cuja base legal utilizada foi: art. 385, II do RIR/99 (com redação dada pelo DL nº 1.598/77, artigo 20, § 2º, b), e Lei nº 9.532/97, art. 7º, inciso III. (g.n.) (fl. 1.134) 2º) Em novembro de 2008, a Liberty International Brasil Ltda. constituiu a holding Liberty Brasil Participações Ltda. 3º) Em maio de 2009, deuse a integralização do capital subscrito na Liberty Brasil Participações Ltda., no valor de R$ 5.000,00 seguido do aumento de capital para R$ 282.809.231,00. No mesmo mês, a Liberty International Brasil Ltda. integralizou o aumento do capital social da Liberty Brasil Participações Ltda., mediante a entrega de ações da Indiana Seguros S/A, no valor de R$ 130.851.857,00 (40%), e das quotas do capital da Itaberaba Participações Ltda. (que detinha 60% do capital da Indiana Seguros S/A), no valor de R$ 151.957.374,00. Referida operação (que consistiu em integralizar o aumento do capital social da Liberty Brasil Participações Ltda., com a entrega das ações da Indiana Seguros S/A e das quotas do capital social da Itaberaba Participações Ltda.) produziu dois efeitos: 1) transferiu para a Liberty Brasil Participações Ltda. o controle da Indiana Seguros S/A e da Itaberaba Participações Ltda.; e 2) transferiu o ágio da Liberty International Brasil Ltda. (oriundo da aquisição da Indiana Seguros S/A) para Liberty Brasil Participações Ltda. 4º) Em novembro de 2009, ocorrem as incorporações da Liberty Brasil Participações Ltda. e da Itaberaba Participações Ltda. pela Indiana Seguros S/A. A controlada incorporou suas controladoras, concretizando a figura conhecida como "incorporação reversa". Esses fatos levaram a Fiscalização a concluir que a Liberty Brasil Participações Ltda. não passava de mera empresaveículo, constituída com o único propósito de viabilizar a transferência do ágio fundado em rentabilidade futura, que se encontrava no patrimônio da Liberty International Brasil Ltda., para o patrimônio da própria investida, a empresa Indiana Seguros S/A. A Liberty Brasil Participações Ltda., durante o curto período de sua existência (dezembro de 2008 a novembro de 2009), não teria exercido nenhuma atividade empresarial, exceto a participação acionária nas empresas Indiana Seguros S/A e Itaberaba Participações Ltda. Ademais, não foi a Liberty Brasil Participações Ltda. quem originalmente desembolsou os recursos financeiros para adquirir o investimento. Eis os argumentos da Fiscalização: Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.733 4 17 Em que pese a lei não vetar a "transferência do ágio" por meio de uma empresa veículo, esse procedimento de transferência não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da adquirente e na adquirida, diversamente do que cogita a lei. (g.n.) 18 Portanto, a utilização da via indireta (constituição de empresa veículo) teve como único objetivo contornar a restrição da legislação tributária para operacionalizar a dedução da amortização fiscal do ágio, que originalmente estava registrado na companhia que realizou o investimento. 19 Na medida em que a amortização do ágio não é incentivo fiscal, são inoponíveis ao Fisco os meios adotados pelo grupo empresarial para superar os alegados obstáculos operacionais para sua fruição. (fls. 1.148 a .1.149) Ressaltou a autoridade fiscal que, em se tratando de ágio, a regra é a não dedutibilidade das quotas de amortização. Disse que a contribuinte fora intimada a justificar o propósito negocial das operações de reorganização societária. Os esclarecimentos apresentados, entretanto, não convenceram a Fiscalização, que concluiu que, após a aquisição da Indiana Seguros S/A, o único escopo do grupo passou a ser a amortização fiscal ágio. A reorganização societária, portanto, perseguia exclusivamente esse propósito. Diante da exigência fiscal formalizada no lançamento, a contribuinte apresentou impugnação à qual o órgão julgador de primeira instância deu parcial provimento, no Acórdão nº 0264.072, cuja ementa foi assim redigida: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, com o único objetivo de transferir o ágio e artificialmente criar as condições para sua amortização como dedução na apuração do lucro real. Neste caso, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora. MULTA PROPORCIONAL E EXIGIDA ISOLADAMENTE. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; e o imposto apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.734 5 A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. O prejuízo fiscal de períodos anteriores pode ser excluído na determinação do lucro real, limitado a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. A base de cálculo negativa pode ser compensada com os resultados dos períodos de apuração subsequentes, ajustados pelas adições e exclusões, observado o limite máximo de redução de trinta por cento do resultado ajustado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Afirmou que o único fundamento para as autuações foi o uso de empresaveículo para transferir, sem propósito negocial, o ágio originado da aquisição da empresa Indiana Seguros S/A. A recorrente, entretanto, insiste em que a formação do ágio foi válida e legítima, e que a transferência desse montante não tem o condão de tornar indedutíveis as contrapartidas de amortização. Além disso, a transferência do ágio foi motivada por razões extra tributárias verdadeiras, decorrentes da regulação do setor de seguros e das próprias linhas de negócios desenvolvidas pelo grupo Liberty no Brasil. Quanto à legitimidade do ágio, disse que ele teve origem em negócio realizado entre partes independentes; com efetivo fluxo de recursos e desembolso de caixa para pagamento do preço; resultou em apuração de ganho de capital para os vendedores; havia laudo de avaliação econômica preparado por empresa independente e especializada; e foi respaldado em razões empresariais verdadeiras. Ademais, consumouse a confusão patrimonial entre investidor e investida. Teriam sido, por outro lado, atendidos todos os pressupostos exigidos pela legislação em vigor para a dedutibilidade do ágio, quais sejam, aquisição de investimento relevante passível de avaliação pelo método de equivalência patrimonial; ágio com fundamento em rentabilidade futura; empresa adquirida vindo a ser objeto de posterior incorporação, fusão ou cisão com a sociedade investidora. Quanto à acusação de que a Liberty Brasil Participações Ltda. era empresa veículo, disse a recorrente que, mesmo que tal afirmação fosse verdadeira, isso não retiraria à recorrente o direito de deduzir as amortizações do ágio. Porém, insistiu na afirmação de que a Liberty Brasil Participações Ltda. fora criada para atender exigências da Superintendência de Seguros Privados SUSEP, bem como para atender a determinadas questões inerentes à organização e à exploração da atividade empresarial. Ressaltou a contribuinte, na eventualidade de ser mantido o lançamento, a necessidade de recomposição do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.735 6 Alegou, quanto às multas, a impossibilidade de aplicação cumulativa de multa de isolada e da "multa de ofício", bem como o não cabimento da multa de 75%, por ultrapassar os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a regra que veda o confisco. Acerca dos juros, questionou a incidência sobre a multa e a utilização da taxa Selic para fins de cálculo dos respectivos montantes. Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN sustentou a legitimidade do lançamento, pois não teriam sido observados os requisitos legais para a dedutibilidade da amortização do ágio. A confusão patrimonial teria sido cumprida de maneira artificial, pela interposição de empresaveículo. A Liberty Brasil Participações Ltda. teria sido constituída com exclusiva finalidade fiscal, a fim de viabilizar a dedução do ágio, que naquele contexto encontrava dois óbices. Não havia laudo de avaliação econômica a comprovar o ágio nascido da aquisição da empresa Indiana Seguros S/A; e não era interesse da recorrente promover a "confusão patrimonial" da Liberty Internacional do Brasil Ltda. (real investidora) com a Indiana Seguros S/A (empresa investida). A PFN acusa a intempestividade do laudo e questiona o próprio fundamento econômico do ágio, cuja existência não foi demonstrada quando da aquisição da empresa Indiana Seguros S/A. Nega, outrossim, ter havido confusão patrimonial. É que para atender a essa exigência, seria necessário que a pessoa jurídica que efetivamente suportou o encargo econômico do ágio, ao adquirir uma empresa, fosse a mesma a absorvêla, mediante processo de fusão, incorporação ou cisão. A confusão, portanto, deve envolver a real investidora e a real investida. Os arts. 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 não prevêem que o ágio pago por uma pessoa jurídica possa ser transferido à sua controlada e, com isso, passe a ter sua amortização deduzida, sem que haja a confusão patrimonial pela qual investidor e investimento estejam reunidos na mesma pessoa jurídica. A PFN suscitou também a possibilidade de duplicação dos efeitos fiscais do ágio, o que ocorreria com a conjugação de duas situações: a dedução das quotas de amortização, à razão de um sessenta avos por mês, e na alienação do investimento, quando o ágio pago se torna custo para fins de apuração de um possível ganho de capital. Por último, na hipótese de ser admitida a transferência do ágio e sua posterior dedução, requereu a PFN que fosse reduzida a parcela do ágio que deveria ter sido amortizado no período compreendido entre o mês de janeiro de 2008 e o mês de maio de 2009. Com a manifestação da PFN, os autos vieram a esta Turma, onde se encontram não apenas por força do recurso voluntário, mas também por força do art 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972 ("recurso de ofício"), para o reexame da decisão da DRJ BHE, na parte em que reduziu o crédito tributário, em decorrência da compensação de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Em síntese, é o relatório. Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.736 7 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de recorribilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Transferência do ágio A infração que motivou o lançamento foi a dedução indevida de ágio, que, para a Fiscalização, não era dedutível, pois irregularmente transferido de uma pessoa jurídica para outra, mediante artifício ilegítimo. O artifício foi o uso de empresaveículo, assim considerada a pessoa jurídica por meio da qual se "transporta" o ágio de uma empresa para outra. No caso dos autos, entendeu a autoridade fiscal que a empresaveículo foi criada exclusivamente com esse fim. O TVF expressa esse entendimento de foram inequívoca: 17 Em que pese a lei não vetar a "transferência do ágio" por meio de uma empresa veículo, esse procedimento de transferência não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da adquirente e na adquirida, diversamente do que cogita a lei. 18 Portanto, a utilização da via indireta (constituição de empresa veículo) teve como único objetivo contornar a restrição da legislação tributária para operacionalizar a dedução da amortização fiscal do ágio, que originalmente estava registrado na companhia que realizou o investimento. 19 Na medida em que a amortização do ágio não é incentivo fiscal, são inoponíveis ao Fisco os meios adotados pelo grupo empresarial para superar os alegados obstáculos operacionais para sua fruição. (fls. 1.148 a .1.149) A Fiscalização afirmou que, embora a lei expressamente não impeça a transferência do ágio, existe restrição legal, e por isso não seriam oponíveis ao Fisco os meios adotados para contornar esse óbice. A irregularidade, portanto, não estava no ágio em si, mas na forma pela qual se deu a sua transferência. Assim também entendeu a DRJ BHE, como se constata do voto do Relator, do qual se transcreve o trecho abaixo: No caso concreto, a formação do ágio na operação de compra da impugnante – Indiana pela Liberty Internacional Brasil Ltda. não foi questionada pela fiscalização. As partes eram independentes, houve a aquisição de participação societária, houve pagamento de preço superior ao valor patrimonial do investimento e existia fundamento econômico para a operação. No aspecto fiscal, o fundamento para o pagamento do ágio foi a rentabilidade futura e, também, não houve controvérsia quanto a isso. Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.737 8 A lide se formou em relação à operação de incorporação, pois houve a utilização de uma terceira empresa em uma operação sem propósito negocial no entendimento da fiscalização. (fls. 1.581) É certo que a Fiscalização, em nenhum instante, pôs em dúvida a existência do ágio ou a regularidade de seu registro. O vício que deu causa à autuação estava na transferência do ágio, mediante emprego de empresaveículo. Esse, portanto, é o objeto da controvérsia. A autoridade fiscal reconhece que a lei não proíbe, de forma expressa, a transferência do ágio por meio de empresaveículo. É verdade. A lei não contém nenhum dispositivo que expressamente proíba ou autorize a transferência do ágio entre entidades empresariais do mesmo grupo econômico. A questão, pois, é saber se o silêncio da lei deve ser interpretado como uma proibição ou como autorização. Diante dos princípios da livre iniciativa, da liberdade contratual, da liberdade de contratar e da liberdade de organização que se confere às entidades empresariais, o correto talvez seja reconhecer que, diante do silêncio da lei, permitese a transferência do ágio entre entidades integrantes do mesmo grupo empresarial, ainda que o seja com uso daquilo que se convencionou chamar empresaveículo. A validade dessa transferência e da posterior dedutibilidade das quotas de amortização do ágio têm como pressuposto a existência e a validade do próprio ágio, que deve ter origem em negócio celebrado entre partes independentes, com efetivo pagamento do preço, ausência de simulação e confusão patrimonial. Ademais, o ágio deve ter por fundamento econômico a expectativa de rentabilidade do investimento adquirido. Essa estimativa de lucros futuros, por sua vez, há de estar respaldada em elementos objetivos reunidos em documento (que poderia assumir a forma de laudo) contemporâneo à transação, o qual dará suporte ao registro do ágio. No caso em exame, nenhum desses requisitos foi questionado pela Fiscalização, nem mesmo o laudo, que é posterior à data de aquisição da empresa Indiana Seguros S/A (janeiro de 2008), com bem anotou a PFN. A Fiscalização considerou que não havia problemas com ágio. A preocupação da autoridade fiscal foi exclusivamente com a transferência desse ágio entre duas empresas do grupo econômico. A transferência do ágio entre empresas do mesmo grupo, desde que não haja acréscimo do valor, deve ser considerada como um comportamento lícito, que, dentre tantos outros, pode ser adotado, inclusive como forma de economia de tributo. Existe ainda, no caso em tela, questionamento acerca da confusão patrimonial, que, segundo o entendimento da Fiscalização, não teria ocorrido plenamente. A confusão patrimonial, que é requisito para dedutibilidade das quotas de amortização do ágio, consiste na reunião, na mesma pessoa jurídica, do investimento e do ágio por rentabilidade futura. Segundo esse conceito, é irrelevante, dentro do grupo econômico, qual a pessoa jurídica que originalmente pagou o ágio. Importa verificar se o investimento (em cujo preço estava embutida a expectativa de lucros futuros) e o ágio (que é a tradução em valores monetários daquela expectativa) estão reunidos na mesma entidade empresarial. É que, em regra, a legislação prima pela simetria no tratamento tributário dispensado ao lucro e ao ágio que tenha por fundamento econômico esse lucro. Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.738 9 Enquanto investimento e investidor estiverem separados, o lucro recebido por este será isento e a amortização do ágio, indedutível para fins de IRPJ e CSLL. Ao contrário, se investidor e investimento estiverem reunidos ambos na mesma pessoa jurídica (ou seja, se uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra), em decorrência de um processo de incorporação, fusão ou cisão, o lucro gerado pelo investimento se torna tributável para o investidor, e o ágio amortizado passa a ser dedutível. Seja num caso ou noutro, o tratamento tributário se mantém fiel ao critério de simetria: onde existe lucro tributável, o ágio correspondente há de ser dedutível; se o lucro é isento, as quotas de amortização do ágio não são passíveis de dedução da base de cálculo de IRPJ e CSLL. Nas duas situações aventadas, a questão é vista na perspectiva da empresa que detém o ágio. No caso concreto, o investimento é a própria empresa Indiana Seguros S/A, para a qual, em decorrência de reorganização societária, foi vertido o ágio pago na sua aquisição, caracterizando, dessa forma, a confusão patrimonial, requisito indispensável para a dedutibilidade das quotas de amortização do ágio. Em geral, a validade da transferência do ágio entre empresas de um mesmo grupo econômico, bem como o uso de empresaveículo para esse fim, vem encontrando guarida em diversas decisões do CARF, das quais, a título de exemplo, são transcritas algumas ementas, naquilo que diz respeito à matéria aqui discutida: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A reorganização empresarial, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. (Acórdão 1402001.409) ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributários. Se, no momento do lançamento, o Fisco teve acesso ao demonstrativo que fundamentava o ágio e deixou de questionálo, descabe fazêlo em momento processual posterior. (Acórdão 1302001.532) INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO REGULARMENTE CONTABILIZADO DEDUTIBILIDADE. Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.739 10 É dedutível a amortização do ágio quando ocorrido o evento societário de alienação e efetivo desembolso de capital entre partes independentes e lastreadas em expectativa real de rentabilidade futura. (Acórdão 1402001.402) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico "transfira" o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. Do mesmo modo que é necessário frear os planejamentos que criem benefícios fiscais aos quais o contribuinte não faça jus. não se deve permitir que um formalismo exacerbado impeça o uso de direito legitimamente adquirido. (Acórdão 1102001.182) Cabe ainda dizer, especificamente quanto a dois pontos levantados nas contrarrazões, que, não obstante a correção dos argumentos, tratase de matérias estranhas ao lançamento. A possibilidade de dupla dedução do ágio, considerando que ele pode vir a ser computado no custo do investimento quando de sua alienação, é uma discussão que se faz em abstrato, porque não há notícia nos autos de que o investimento tenha sido alienado. Ademais, ainda que esse fato tivesse ocorrido, não foi ele objeto do lançamento. Quanto à falta de amortização do ágio entre janeiro de 2008 e maio de 2009, é fato acerca do qual não há, no TVF, referência vaga, nem superficial. A autoridade lançadora não chegou sequer a cogitar desse problema, que, sendo uma questão menor, fora absorvida pela infração maior relativa à indedutibilidade do ágio como um todo. Portanto, não obstante as sempre precisas ponderações da PFN, neste caso não cabe exame de nenhuma das duas. Restabelecidas as deduções glosadas, fica prejudicado o exame das alegações relativas às multas e aos juros de mora. Recurso de ofício Deu ensejo ao "recurso de ofício" a decisão da DRJ BHE que determinou que se compensassem os valores remanescentes do prejuízo fiscal (R$ 5.209.261,25) e o da base de cálculo negativa de CSLL (R$ 5.209.261,25), que subsistiram ao lançamento. Ocorre que o restabelecimento das deduções glosadas acabou por restaurar integralmente a situação anterior, inclusive no que se refere aos prejuízos fiscais e às bases de cálculo negativas de CSLL, apurados nos anos de 2011 e 2012, como mostram os quadros abaixo. Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 16327.721121/201450 Acórdão n.º 1301002.239 S1C3T1 Fl. 1.740 11 IRPJ ANO BASE LUCRO/PREJUÍZO APURADO CONTRIBUINTE FISCO 2009 12.224.162,35 15.043.464,38 2010 4.518.288,12 38.349.912,48 2011 39.040.885,61 5.209.361,25 2012 12.450.779,94 21.380.844,42 CSLL ANO BASE LUCRO/PREJUÍZO APURADO CONTRIBUINTE FISCO 2009 12.224.162,35 15.043.464,38 2010 4.518.288,12 38.349.912,48 2011 39.040.885,61 5.209.261,25 2012 12.450.779,94 21.380.844,42 Com o restabelecimento das deduções de despesas com amortização de ágio, os prejuízos fiscais de IRPJ e de CSLL apurados nos anos de 2011 e 2012 retornam à situação anterior. Daí se conclui que as compensações realizadas por força do acórdão da DRJ BHE hão de ser desfeitas, liberando os prejuízos para compensações em períodos subsequentes. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer tanto do recurso de ofício, quanto do recurso voluntário, para no mérito negar provimento ao primeiro e dar provimento integral ao segundo. Roberto Silva Junior Relator Fl. 1740DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.676338/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.995
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em converter julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Roberto Domingo, OAB/SP 105.509.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora.
Diego Diniz Ribeiro - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em converter julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Roberto Domingo, OAB/SP 105.509. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora. Diego Diniz Ribeiro - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Roberto Domingo, OAB/SP 105.509. Antonio Carlos Atulim Presidente. Maria Aparecida Martins de Paula Relatora. Diego Diniz Ribeiro Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP registrada sob o nº 09451.77894.120308.1.3.046657, mediante a qual a contribuinte compensou um débito de Cofins do período de apuração de janeiro de 2008, com vencimento em 20/02/2008, no valor principal de R$ 121.655,01, valendose, para tanto, de um crédito de R$ 3.374.866,47, relativo ao DARF de Cofins nãocumulativa (código 5856), recolhido em 18/01/2008, no valor de R$ 3.671.498,78.. 2. Em 23/10/2009 foi emitido despacho decisório negando a homologação da compensação, ao fundamento que o DARF indicado na DCOMP havia sido integralmente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 76 33 8/ 20 09 -7 9 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.676338/200979 Resolução nº 3402000.995 S3C4T2 Fl. 123 2 utilizado para quitação de outro débito, relativo à Cofins do período de apuração de dezembro de 2007. 3. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 80/89, oportunidade em que aduziu, dentre outras questões: (i) o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP relativamente ao código do DARF então empregado, o qual teria sido registrado indevidamente com o código 5856 enquanto que o correto seria o código 2172; bem como (ii) a existência do crédito informado na DCOMP, vez que, em relação à Cofins do mês de dezembro de 2007, pagou o montante de R$ 20.273.062,83 em três DARFs, enquanto o débito apurado foi no valor de R$ 16.601.564,45, restando comprovado um pagamento a maior do que o devido no importe de R$ 3.374.866,45. 4. A Delegacia de Julgamento de Curitiba não acatou os argumentos da ora recorrente (acórdão n. 0645.279 fls. 91/95), julgando improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não homologada a compensação declarada. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 5. Uma vez cientificada da sobredita decisão, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 103/118. 6. É o relatório. Resolução Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 7. Na sua manifestação de inconformidade alegou a contribuinte que "a não compensação somente se deu por conta do equívoco no preenchimento do DARF, vez que constou o código de receita 5856, ao invés do correto 2172" sendo que tal erro "fez com que a Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.676338/200979 Resolução nº 3402000.995 S3C4T2 Fl. 124 3 Receita Federal não identificasse o referido DARF como pagamento de COFINS indevido relativo ao período de apuração 31/12/2007". 8. Ocorre que, à época do julgamento na DRJ, em análise das alegações da então manifestante, verificou o julgador que as informações da DCTF de dezembro/2007 haviam sido alteradas sem que, todavia, a interessada tivesse apresentado comprovação de eventuais incorreções na versão anterior da DCTF e da consequente necessidade de alteração. É o que se observa do seguinte trecho da decisão recorrida: (...) É bem verdade que, atualmente, conforme a última DCTF entregue pela interessada em 06/12/2011, não consta nenhum débito de Cofins não cumulativa declarado relativamente ao período de apuração de dezembro de 2007 (constando, entretanto, a Cofins cumulativa no valor de R$ 13.099.587,26). Contudo, verificase que a contribuinte não logrou êxito em comprovar materialmente o erro de fato cometido, ou seja, de que não houve o débito de Cofins não cumulativa do mês de dezembro de 2007 e que o pagamento informado na Dcomp é indevido. Não foram juntados ao processo cópia da documentação contábil comprovando a ocorrência do indébito tributário, e nem tampouco dos documentos que comprovam o valor da base de cálculo (e dos créditos da não cumulatividade) relativa ao citado débito de Cofins, nos termos que exige o § 1º, do art. 147, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). (...) 9. Em suma, ao se analisar a decisão recorrida e as razões recursais do contribuinte o que se observa é uma discussão quanto a existência ou não de documentos fiscais que suportem a retificação da DCTF apresentada pelo contribuinte e que, por conseguinte, validaria o crédito vindicado. 10. Assim, em face do princípio da verdade material e, em especial, em respeito aos valores eficiência e moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: (i) o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos fiscais que atestem a validade material da retificação da DCTF aqui referida, bem como a validade do seu crédito; e, ato contínuo (ii) a fiscalização apresente relatório fiscal conclusivo acerca da validade material desta retificação, bem como do crédito aqui pleiteado. 11. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para que, querendo, possa manifestarse a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 12. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Redator designado. Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002036/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1997 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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SÚMULA CARF N° 101 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TOTAL QUALITY INFORMÁTICA LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1997 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 20 36 /2 00 7- 17 Fl. 402DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão em Recurso Voluntário nº 2301002.081, de 12 de maio de 2011 e integrado pelo acórdão em Embargos n° 230102.718, de 8/04/2012, ambos proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidas as ementa e decisum de cada um dos referidos acórdãos: (a) Acórdão n° 230102.081 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1997 a 28/02/2007 Ementa:DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13896.002036/200717 Acórdão n.º 9202005.153 CSRFT2 Fl. 8 3 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (b) Acórdão n° 230102.718 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 28/02/2007 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Fl. 404DF CARF MF 4 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos propostos; b) acolhidos os embargos, em retificar o dispositivo da decisão, para deixar claro que, por voto de qualidade, decidiuse em dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, excluindo as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN. Nos termos das decisões acima, o colegiado, apreciando recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, decidiu dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, excluindo as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender não ter havido, no caso, recolhimento antecipado da contribuição, nos seguintes termos: Da análise dos autos, verificase que não houve adiantamento do tributo, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: .... (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Cumpre esclarecer ainda, relativamente à aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN, que, em que pese esta Conselheira entender que, para a competência 12/2001, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal citado acima (art. 173, I, CTN), deixei de aplicálo por ser entendimento da maioria dos membros desta Turma, na ocasião, que o disposto no art. 62A, do Regimento deste CARF, obrigava a todos os Conselheiros reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgados na sistemática do art. 543C.. Dessa forma, considerando que o STJ julgou, em maio de 2009, o Recurso Especial 973.933 – SC como recurso repetitivo, esta Turma entendeu que deveriam ser excluídos do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 12/2001, inclusive os décimos terceiros salários de 1999 e 2000. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13896.002036/200717 Acórdão n.º 9202005.153 CSRFT2 Fl. 9 5 Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão, no tocante ao critério de contagem do prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Pede, assim, que seja afastada a decadência do direito de lançar o crédito tributário referente à competência de 12/2001. Foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pelo Presidente da Câmara. Cientificado dos acórdãos, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho que o admitiu, o contribuinte não apresentou contrarrazões nem recurso especial quanto à parte da decisão que lhe foi desfavorável. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13896.002036/200717 Acórdão n.º 9202005.153 CSRFT2 Fl. 10 7 Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001915/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/10/2005, 09/12/2005, 15/12/2005, 11/01/2006, 07/02/2006, 16/06/2006, 11/07/2006, 28/07/2003, 15/09/2006, 06/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017.
O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido.
SÚMULA CARF Nº 103
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3201-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido. SÚMULA CARF Nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 19 15 /2 00 9- 91 Fl. 985DF CARF MF 2 Relatório Dada a existência de questão preliminar atinente à admissibilidade do Recurso, fazse breve relatório. Tratase de Recurso de Ofício em face do acórdão nº 0723.862, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) que anulou o lançamento tributário pela constatação de vício formal, além de julgar improcedente o lançamento de multa. O valor total exonerado foi de R$ 2.345.850,16 (dois milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, oitocentos e cinqüenta reais e dezesseis centavos). Os autos foram remetidos a este CARF por via de Recurso de Ofício (fl. 983 eprocesso) e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Existe questão prejudicial a ser apreciada quanto ao juízo de admissibilidade do presente Recurso de Ofício. Conforme Relatório do acórdão recorrido, o valor do crédito tributário exonerado foi de R$ 2.345.850,16 (fl. 934 eprocesso): Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 104) lavrado contra a empresa em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário. no valor total de R$ 2.345.850,16 (dois milhões, trezentos e quarenta e cinco mil, oitocentos e cinqüenta reais e dezesseis centavos), referente à falta de recolhimento de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e contribuição para o PIS/Pasep incidentes na importação, acrescidos de multa qualificada lançada de oficio proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios, além de multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão de subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Para o cabimento do recurso de ofício, a decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa deve suplantar o limite de alçada da autoridade judicante, que, neste caso, foi recentemente redefinido pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017: Fl. 986DF CARF MF Processo nº 12466.001915/200991 Acórdão n.º 3201002.741 S3C2T1 Fl. 986 3 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Acrescentase, por oportuno, o enunciado da Súmula CARF nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Assim, considerando que no presente caso o valor exonerado foi inferior ao limite de alçada redefinido pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso de Ofício. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 987DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917356/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.091
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 35 6/ 20 11 -4 3 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10480.917356/201143 Resolução nº 3401001.091 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.087. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10480.917356/201143 Resolução nº 3401001.091 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10480.917356/201143 Resolução nº 3401001.091 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.724065/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/11/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.393
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/11/2008 REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 40 65 /2 01 1- 42 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.724065/201142 Acórdão n.º 3401003.393 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 25/11/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08033.115. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (25/11/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10711.724065/201142 Acórdão n.º 3401003.393 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10711.724065/201142 Acórdão n.º 3401003.393 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10711.724065/201142 Acórdão n.º 3401003.393 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 11051.720453/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
ADESÃO A PARCELAMENTO. RENÚNCIA DA PRETENSÃO RECURSAL. A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário e a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e 3º do RICARF.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Acompanhou o julgamento o Dr. Rubem Mauro, OAB/DF 31.251.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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RENÚNCIA DA PRETENSÃO RECURSAL. A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário e a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e 3º do RICARF. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Acompanhou o julgamento o Dr. Rubem Mauro, OAB/DF 31.251. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 13/12/2011, contra a Recorrente, para a exigência de PISImportação e COFINSimportação às alíquotas de 1,65% e 7,6%, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 04 53 /2 01 1- 38 Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.105 2 insuficiência de recolhimento, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, no montante total de R$ 502.138,32 e R$ 2.312.881,48, respectivamente. A empresa autuada, cujo CNPJ é o de nº 03.853.896/000220, é estabelecimento filial. Foi autuada por ter registrado 77 Declarações de Importação no ano de 2007 sem recolhimento, mas com a informação “PIS/Pasep e Cofins suspenso conforme decisão judicial do Processo nº 2004.61.00.0332672 da 13ª Vara Cível da Primeira Subseção Judiciária de São Paulo (Justiça Federal)”. Foi trazido aos autos a Ação Ordinária, processo nº 2004.61.00.0332672/SP (número atual 003326735.2004.4.03.6100), na qual a matriz da Recorrente questionou a exigibilidade tributária do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, atacando a validade da Lei 10.865 de 30 de abril de 2004. A referida Ação Ordinária Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica foi intentada em 30/11/2004, seu trâmite se deu na 13ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, tendo o contribuinte obtido provimento judicial nestes termos: Face a todo o exposto JULGO PROCEDENTE os pedidos para (a) DECLARAR a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora ao recolhimento do PIS e da COFINS na importação, negando aplicação à Lei n.º 10.865, de 30 de abril de 2.004, em virtude de vício formal e, de conseguinte (b) DECLARAR o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a esse mesmo título, PIS e COFINS na importação, expressos nas Faturas números 1289NVBRA, 000100001143 e 0012.00024114, devidamente atualizados pela variação da TAXA SELIC, com os tributos Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro. Verificando no caso o preenchimento dos requisitos do artigo 461, do Código de Processo Civil, antecipo os efeitos da tutela jurisdicional, como requerido. Diante do acolhimento do pedido mais abrangente, de inconstitucionalidade da própria exação tributária, desnecessária a declaração dos direitos decorrentes dos pedidos alternativos. CONDENO a ré ao pagamento da verba honorária, que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa, devidamente atualizado quando do efetivo pagamento. Custas ex lege .P.R.I. e oficiese. São Paulo, 25 de outubro de 2005. Amparado pela concessão da antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional na ação judicial, a importadora deixou de recolher o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Assim, todas as DI listadas no auto de infração foram desembaraçadas sem o recolhimento dos tributos em questão, por entender a importadora, ou seja, a filial, estar amparada pela suspensão da exigibilidade do crédito. Por outro lado, a Fiscalização consignou que a ação judicial voltase ao estabelecimento matriz e não à filial. O entendimento nesse sentido teve como suporte o despacho em apelação, no qual o TRF da 3ª Região assim se manifestou a respeito do polo ativo da ação ordinária: Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.106 3 APELAÇÃO CÍVEL Nº 003326735.2004.4.03.6100/SP DECISÃO Cuidase de ação declaratória ajuizada por Marfrig Frigoríficos e Comércio de Alimentos Ltda. matriz, visando desonerarse do recolhimento de PIS e COFINS sobre importações, nos termos da Lei nº 10.865/04, bem como a compensação dos valores indevidamente recolhidos nas faturas nº 1289NVBRA, 0001 00001143 e 0012.00024114 com Imposto de Renda e CSSL. O pedido foi julgado procedente, vindo os autos a esta Corte por força da apelação da União. A fls. 649/650, aduz a autora que o pedido de aditamento da inicial não foi apreciado pelo Juízo a quo, requerendo a baixa dos autos em diligência a fim de que tal pedido seja analisado. Instada a se manifestar, a União discordou do pedido, uma vez que representaria afronta ao disposto nos artigos 245, 264, 294, 303, I e 462, todos do CPC, bem como ao devido processo legal, aduzindo que a autora manifestouse no processo mais de vinte vezes, não tendo requerido a apreciação da petição de aditamento em quaisquer das vezes, de forma que ocorreu preclusão consumativa. Aprecio. A fls. 97/98 consta pedido de aditamento da inicial, a fim de que fosse incluída no polo ativo da demanda a filial da empresa, sendo que tal pleito não restou apreciado pelo Juízo de primeiro grau. Entretanto, entendo não se tratar de hipótese de baixa dos autos em diligência, por força do estabelecido no art. 463 do CPC, nem tampouco de anulação do decisum, à míngua de prejuízo. Vejase. Dispõe o art. 294 do Código de Processo Civil que o autor poderá aditar seu pedido até a citação do réu. Neste caso, a requerente pretendeu agregar seu pleito em petição protocolizada em 21/2/2005, sucedendo a citação da União em 15/2/2005 (fls. 101). Naquele momento, por isso, já se caracterizava a preclusão temporal para o aditamento. Da mesma forma, preconiza o art. 264 do Código de Processo Civil. Feita a citação, é defeso ao autor modificar seu pedido ou causa de pedir, sem o consentimento do réu, pois, do contrário, estaria ofendido o contraditório e a ampla defesa. E o parágrafo único do mesmo dispositivo legal ainda estabelece que, em nenhuma hipótese, será permitida a alteração após o saneamento do processo, em razão também da economia processual, já que o Poder Judiciário não poderia ser mobilizado desnecessariamente. Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.107 4 Como se vê, a inocorrência da análise do pedido gravame algum trouxe à parte autora, uma vez que o pleito deduzido não reunia condições de prosperar. Sendo assim, a sentença não pode sujeitarse a nulidade, insuscetível de decretação quando inexistente prejuízo. Além disso, a parte compareceu aos autos inúmeras vezes, ocasiões em que teve oportunidade de aduzir a omissão do magistrado em apreciar o aditamento à inicial, utilizandose inclusive dos meios processuais cabíveis, o que não ocorreu, vindo a fazêlo tãosomente após a subida dos autos a esta Corte para julgamento do recurso da União. Ante o exposto, indefiro o pedido. Aguardese o oportuno julgamento do feito. Publiquese. Intimese. São Paulo, 25 de abril de 2011. MARCIO MORAES Desembargador Federal Em vista disso, sustenta a fiscalização que o processo de nº 0033267 35.2004.4.03.6100/SP teve como parte autora exclusivamente a MATRIZ da empresa MARFRIG ALIMENTOS S/A. Com supedâneo no art. 472, do CPC/73 (A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros), concluindo, por conseguinte, que o estabelecimento que apresentou todas as Declarações de Importação listadas (CNPJ 03.853.896/000220) não é beneficiário da sentença de procedência. Por não se tratar do mesmo estabelecimento, são devidos os recolhimentos de PIS/PASEP Importação e COFINSImportação, e diante da total ausência deles é que foi lavrado o Auto de Infração. Em impugnação, a empresa alegou, em síntese: 1. A ação fiscal foi realizada sob a alegação de que no dia 25 de abril de 2011, foi exarada decisão interlocutória no processo nº 2004.61.00.0332672, tendo como parte autora exclusivamente a matriz da empresa Marfrig Alimentos S/A. 2. A empresa ajuizou ação ordinária, cuja sentença declarou a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora ao recolhimento de Pis/Pasep e Cofins na importação, negando aplicação à Lei nº 10.865/2004. 3. A sentença se estende à matriz e às filiais da impugnante. 4. Não há que se falar em não inclusão das filiais no polo ativo da ação. 5. A fiscalização, sem justificativa, está impedindo as liberações de mercadorias relativas à filial 03.853.896/000220. 6. A empresa ajuizou medida cautelar incidental nº 0010399 19.2011.4.03.6100, por dependência aos autos suplementares nº 2006.61.00.0122467 (processo nº 2004.61.00.0332672), visando (i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constante dos autos de lançamentos relativos a Pis/Pasep e Cofins e (ii) autorizar o desembaraço das Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.108 5 mercadorias importadas sem a antecipação do pagamento dessas contribuições. 7. Foi proferida sentença na medida cautelar, concedendo à matriz e suas filiais o benefício da sentença proferida nos autos nº 2004.61.00.0332672. 8. Deste modo, o crédito está com sua exigibilidade suspensa. 9. Aduz a nulidade do lançamento efetuado. Destaca que a matéria trazida na impugnação não possui identidade com a ação judicial, mas a impossibilidade da empresa sofrer o lançamento, em face de se tratar de mera antecipação de caixa. 10. O alegado deve ser reconhecido no âmbito administrativo. Cita julgado. 11. O lançamento é improcedente. 12. A Lei 10.865/2004, decorrente da Medida Provisória nº 164/204, instituiu a incidência de Pis/Pasep e Cofins na importação. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração das contribuições internas pela sistemática da “não cumulatividade” podem descontar o valor pago em relação às importações tributadas. 13. As contribuições incidentes na importação geram créditos a serem utilizados no pagamento do Pis/Pasep e Cofins, para os contribuintes sujeitos à sistemática instituída pelas leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. 14. Se a empresa tivesse realizado o recolhimento das contribuições ora exigidas na importação, teria o direito de descontar o valor no recolhimento das incidentes sobre o faturamento. 15. Como a empresa utiliza a medida judicial citada, vem recolhendo integralmente o Pis/Pasep e a Cofins sobre o faturamento, sem qualquer desconto das contribuições incidentes sobre a importação. 16. Se não houve utilização de créditos (valores relativos a Pis/Pasep e Cofins importação) que deveriam ser descontados neste sistema, não há que se falar na presente exigência, posto que a empresa recolheu integralmente Pis/Pasep e Cofins sobre seu faturamento. 17. A ação judicial acarreta somente a não antecipação do pagamento das contribuições ao Pis/Cofins Importação. 18. Exigir o presente auto de infração equivale à exigência em duplicidade de Pis/Pasep e Cofins Importação. 19. A empresa não espera por meio deste processo que se negue vigência à Lei nº 10.865/2004. Pelo contrário, houve o recolhimento de Pis/Pasep e Cofins na modalidade de faturamento em sua integralidade, sem a utilização do desconto do crédito autorizado no artigo 15 da lei 10.865/2004. 20. Independentemente do resultado final da ação judicial, o crédito tributário ora exigido é indevido. 21. O lançamento é nulo, por acarretar duplicidade de pagamento. 22. Comprovado que o lançamento deveria ter sido lavrado apenas para fins de decadência, deve ser afastada a multa de ofício (Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso I). 23. Mesmo com a existência da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, decorrente da prestação jurisdicional, houve aplicação da multa. 24. O crédito encontrase suspenso por força das ações nº 2004.61.00.0332672 e 001039919.2011.4.03.6100. 25. Tratandose de lançamento de ofício, na pendência de medida judicial proposta pela autuada, anteriormente a qualquer procedimento do fisco, deve ser excluída a multa imputada (artigo 63 da Lei nº 9.430/1996). Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.109 6 26. A multa de 75% revelase confiscatória, inadmissível no ordenamento jurídico. A Constituição Federal veda a utilização de tributo com efeito de confisco (artigo 150, IV). 27. A exigência da multa sem proporcionalidade representa um excesso de exação porque pune exageradamente o contribuinte que age com boafé. Cita decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). 28. Requer seja julgado improcedente o auto de infração. O julgamento foi convertido em diligência por meio do despacho nº 25, de 3/10/2013 (fls. 18621871), nos seguintes termos: No que tange à não inclusão da filial no polo ativo da ação judicial processo 2004.61.00.0332672/SP (número atual 003326735.2004.4.03.6100) observase que esse tema está sendo tratado no âmbito do Poder Judiciário, conforme decisão judicial citada na descrição dos fatos do auto de infração. Além disso, o impugnante informa que ajuizou medida cautelar incidental nº 001039919.2011.4.03.6100, por dependência aos autos suplementares nº 2006.61.00.0122467 (processo nº 2004.61.00.0332672). Relata que foi proferida sentença na medida cautelar, concedendo à matriz e suas filiais o benefício da sentença proferida nos autos nº 2004.61.00.0332672. No entanto, não foi juntada à impugnação cópia da petição inicial da medida cautelar, nem cópia da citada sentença. Portanto, em face do disposto no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3/1996 e para julgamento da impugnação apresentada, os autos devem ser remetidos em diligência à repartição de origem para que o interessado seja intimado a: i) Apresentar cópia da petição inicial da medida cautelar incidental nº 001039919.2011.4.03.6100 e da respectiva sentença, mencionada em sua impugnação. ii) Esclarecer se os créditos lançados neste processo em face da filial CNPJ 03.853.896/000220 estavam com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial no momento da intimação do auto de infração. Facultase à repartição de origem apresentar manifestação em face dos documentos e esclarecimentos apresentados pelo impugnante. Nesse caso, o interessado deverá ser posteriormente intimado, nos termos do artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. O cumprimento da diligência se deu às efls. 1876 e ss. As peças acostadas aos autos comprovaram que o pedido da cautelar foi deferido para: Face ao exposto, DECLARO EXTINTO O PROCESSO, com resolução do mérito, para JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido, para efeito de CONCEDER A CAUTELAR garantindo apenas às empresas MARFRIG Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.110 7 ALIMENTOS S/A, SEARA ALIMENTOS S/A E MFB MARFRIG FRIGORÍFICOS BRASIL S/A (matriz e filiais supra relacionadas) os benefícios da sentença proferida nos autos do processo n. 2004.61.00.0332672, até o trânsito em julgado do processo principal, garantindose a expedição de Certidão Negativa de Débito (CND) ou Certidão Negativa com Efeitos de Positiva (CNEP), relativamente aos débitos de PIS/COFINS importação discriminados na lide, bem como aos que sobrevenham durante o curso da lide principal. Por sua vez, a fiscalização se manifestou na efl. 1900: “na data da emissão do Auto de Infração impugnado, a Fiscalização não tinha conhecimento da existência da referida ação cautelar; tal informação surgiu apenas no momento da impugnação, e a documentação referida a tal demanda judicial foi apresentada apenas após a conversão do julgamento em diligência”. Em seguida, a 24ª Turma da DRJ/SPO manteve a autuação na sua integralidade, acórdão nº 1666.003, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Não há previsão legal para que no lançamento em pauta seja abatido das contribuições devidas o valor correspondente às contribuições alegadamente recolhidas sobre o faturamento. Na hipótese de o Poder Judiciário vir a decidir, em definitivo, contra o interessado, o mesmo deverá proceder ao recolhimento das contribuições lançadas, o que lhe conferirá “direito de crédito”. Não há, portanto, “duplicidade de pagamento”, como alega o impugnante. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não se permite ao AuditorFiscal deixar de efetuar o lançamento em função de critérios não previstos na lei. Assim, procedeu corretamente a autoridade aduaneira ao lavrar os autos de infração com exigibilidade suspensa, para prevenir a decadência, em face da decisão favorável ao interessado, não transitada em julgado. DECISÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DOS CRÉDITOS. MULTA DE OFÍCIO. Decisão judicial não transitada em julgado contrária à Fazenda Nacional. O procedimento fiscal relativo à falta de recolhimento de Pis/Pasep e Cofins foi iniciado mediante o TERMO DE Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.111 8 SOLICITAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS, datado de 21/9/2011, do qual a contribuinte foi intimada em 29/9/2011. A decisão proferida nos autos da Medida Cautelar Incidental foi proferida em 10/11/2011, publicada no D.O.J. de 14/11/2011, após o início do procedimento fiscal. Não cabe exclusão da multa de ofício em decorrência do disposto no § 1º do artigo 63 da Lei 9.430/1996. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA CONFISCATÓRIA. Não compete ao julgamento administrativo apreciar questões de inconstitucionalidade de lei. Impugnação Improcedente A DRJ afirmou a concomitância entre o presente processo fiscal e a ação declaratória intentada pelo contribuinte, conhecendo apenas as questões não correlatas à concomitância: a nulidade do lançamento em razão da duplicidade de pagamento e o descabimento da multa de ofício. Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera os termos de sua impugnação, em especial: 1 a evidente duplicidade na cobrança de PIS/COFINS importação já que a Recorrente já recolheu o PIS e COFINS sobre o faturamento na integralidade, ou seja, sem tomar crédito das contribuições na importação previsto no art. 15 da Lei 10.865/2004; 2 não é devida a multa de ofício por estar o crédito suspenso pela ação cautelar incidental e 3 o percentual da multa é confiscatório. Em petição de fls. 19881991, a Recorrente requer a revisão de ofício dos valores autuados no presente processo administrativo, a fim de excluir o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo do PIS e COFINS devidos nas importações, com base na decisão do STF no RE 559.937, julgado na sistemática da repercussão geral. Na mesma manifestação informa a adesão a parcelamento tributário, neste incluídos todos os valores em discussão no presente processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Conforme relatado, na petição de fls. 19881991, a Recorrente requer a revisão dos valores autuados neste processo administrativo, a fim de excluir o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo do PIS e COFINS devidos nas importações, de modo a recalcular as referidas contribuições sociais com base no valor aduaneiro, com supedâneo no provimento judicial da sua ação ordinária citada nestes autos, bem como na Medida Cautelar Incidental nº 002129112.2015.4.03.0000, de 23/09/2015, e ainda no RE 559.937 RG (Decisão Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.112 9 do STF que declarou a inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação [ICMS] incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”). Ocorre que na mesma petição a empresa informa a adesão a parcelamento tributário. Observese o teor da manifestação do patrono: Em dezembro de 2013 a requerente aderiu ao referido programa de parcelamento (DOC. 06), usualmente conhecido como REFIS Reabertura, o qual abrange débitos vencidos até novembro de 2008. Naquela oportunidade, a requerente incluiu diversos débitos da contribuição ao PIS e à COFINS incidentes sobre as operações de importação com os valores majorados, inclusive os débitos vinculados ao processo administrativo ora em comento. Consequentemente, a prestação mensal calculada pela requerente com base nos valores autuados também está majorada, ocasionando um dispêndio mensal em montante superiores ao devido desde dezembro de 2013 (DOC. 07). Vale comentar que os débitos de PIS e COFINS devidos sobre as operações de importação representam aproximadamente 90% da modalidade “RFBDemais Débitos”, em consonância com as memórias de cálculo juntadas ao presente requerimento (Doc. 08), restando evidente a importância da realização do ajuste dos valores autuados no processo administrativo era em comento. Assim, considerando os fatos e documentos expostos, a requerente vem solicitar que este respeitável órgão reveja os valores autuados no presente processo administrativo, a fim de excluir o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo do PIS e COFINS devidos sobre as importações, de modo a recalcular as referidas contribuições sociais com base no valor aduaneiro. (os grifos são do original) O Documento nº 6, efl. 2056, comprova a adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. O Documento nº 7, por sua vez, efls. 20592060, comprova os recolhimentos sob o Código de Receita 3926 (Reabertura Lei nº 11.941, de 2009 RFB Demais Débitos Parcelamento de Dívidas Não Parceladas Anteriormente Art. 1º). Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 11051.720453/201138 Acórdão n.º 3301003.232 S3C3T1 Fl. 2.113 10 Por fim, o Documento nº 8, efls. 20622103, é a memória de cálculo dos débitos parcelados. Nas efls. 20732074, estão listados os débitos deste processo administrativo. Diante disso, entendo que o presente recurso voluntário não deve ser conhecido, pois a adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário e a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. É o prescreve o art. 78 do RICARF (Portaria nº 343/2015), verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Ademais, não há o que ser deferido quanto à revisão de ofício solicitada, uma vez que esta instância administrativa está esgotada. Por todo o exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário. Sala de Sessões, 28 de março de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2127DF CARF MF
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Numero do processo: 35301.011499/2007-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 14 99 /2 00 7- 55 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 208DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 210DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 212DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 35301.011499/200755 Acórdão n.º 9202005.031 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 214DF CARF MF
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