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Numero do processo: 15586.002293/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE DE LANÇAMENTO Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art.16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E INFRAÇÃO A LEI. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração a lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como seus mandatários. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Prevalecendo a constatação de dolo, conluio ou fraude, impõe-se a multa qualificada de 150%, conforme expressa previsão normativa. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com expressa previsão normativa, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1201-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA

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1201­002.338  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2018  Matéria  IRPJ ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  MONTREAL COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA.            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003, 2004  NULIDADE DE LANÇAMENTO  Constatada a  inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do  Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício.  OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA  DE COMPROVAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Caracterizam omissão de  receita, por presunção  legal, os valores creditados  em conta de depósito mantida  junto a  instituição financeira, em relação aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  deixe  de  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA.   O  imposto  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado,  quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária.  O  lucro  arbitrado,  quando  conhecida  a  receita  bruta,  será  determinado  mediante  a  aplicação  dos  percentuais  fixados  para  o  lucro  presumido,  acrescidos  de  vinte  por  cento  (Lei nº 9.249, de 1995, art.16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES.  LANÇAMENTO  REFLEXO.  Havendo  a  omissão  de  receita  tributável  pelo  IRPJ,  aplica­se  idêntico  entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência  sobre os mesmos fatos.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  INTERESSE  COMUM  E  INFRAÇÃO A LEI.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 22 93 /2 00 8- 69 Fl. 4923DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.924          2 São  solidariamente  obrigadas  pelo  crédito  tributário  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  segundo  prevê  o  art.  124,  I,  do  CTN.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  infração  a  lei,  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  bem  como  seus  mandatários.  INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  conforme  sua  Súmula nº 2.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.   Prevalecendo  a  constatação  de  dolo,  conluio  ou  fraude,  impõe­se  a  multa  qualificada de 150%, conforme expressa previsão normativa.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  De acordo com expressa previsão normativa, a partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Rafael Gasparello Lima ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (presidente),  Eva Maria Los,  José Carlos  de Assis Guimarães,  Luis Henrique Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Gisele  Barra  Bossa  e  Leonam  Rocha  de  Medeiros  (suplente  convocado  em  substituição  ao  conselheiro  Luis  Fabiano  Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.   Relatório  Trata­se de  autos de  infração de  Imposto  sobre  a Renda da Pessoa  Jurídica  (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contribuição social ao Programa de  Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS),  pertinentes  aos  1º  a  4º  trimestres  de  2003  e  2004  e  1º  trimestre  de  2005,  com  valor  total  principal de R$ 8.370.687,20 (oito milhões, trezentos e setenta mil, seiscentos e oitenta e sete  Fl. 4924DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.925          3 reais e vinte centavos), incidindo juros de mora e multa de ofício no percentual de 150% (fls.  4.184/4.236).  O lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) descreveu  as seguintes infrações:  001  ­ RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO  IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS.   Omissão  de  receitas  da  revenda  de  café,  apurada  através  de  diligências  efetuadas  nas  empresas  compradoras. Os  fatos  que  comprovam  esta  infração  estão  descritos  no  Auto  de  Infração  que, para todos os efeitos legais, é parte integrante deste Auto de  Infração.  002  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NAO  COMPROVADA.  Valor  referente  depósitos/créditos  de  origem  não  comprovada,  em relação aos quais, o contribuinte devidamente intimado, não  comprovou  com documentação hábil  e  idônea,  a  origem destes  valores.  Os fatos que comprovam esta infração estão descritos no Termo  de  Verificação  Fiscal  que,  para  todos  os  Fato Gerador  efeitos  legais, é parte integrante deste Auto de Infração.  Resumidamente,  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF)  narra  os  fatos  que  proporcionaram a imposição fiscal (fls. 4.141/4.183):  ­ apesar de nos anos­calendário 2003 a 2005 o contribuinte ter  movimentado  em  contas  correntes  o  montante  de  R$  130.419.783,92, deixou de entregar DIPJ;  ­  todas as  instituições  financeiras apresentaram  instrumento de  mandato,  no  qual  o  Sr.  Jucelino  Cunha,  sócio  formal  do  contribuinte,  constituiu  como  procuradora  a  Sra.  Marlene  Coelho  Resstel,  que  substabeleceu  algum  dos  poderes  para  Lourival  Kruger,  Paulo  André  Comério,  Antônio  Amadeu  Comério, Nildson Orige Giuliatte e Fabiana Coelho Resstel, sua  filha;   ­  da  movimentação  financeira  excluíram­se  as  transferências  entre  contas  de  titularidade  da  fiscalizada,  empréstimos,  devoluções de cheques, estornos ou qualquer outro crédito  sem  interesse tributário;  ­  os  Srs.  Paulo  André  Comério,  Antônio  Amadeu  Comério,  Nildson  Orige  Giuliatte  e  Christian  Silva  Rupf  (contador  responsável  pela  entrega  da  DIPJ/03)  prestaram  relevantes  informações à fiscalização;  ­  também  foram  ouvidos  os  seguintes  beneficiários  de  alguns  cheques e transferências bancárias, bem como os remetentes de  recursos:  Alexandre  Emílio  de  Almeida,  Nestlé  Brasil  Ltda,  Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, Cia Iguaçu  Fl. 4925DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.926          4 de Café Solúvel e Nossa Senhora da Guia Exportadora de Café  Ltda;  ­pode­se  concluir  pela  interposição  fraudulenta,  haja  vista  os  seguintes  indícios:  (a)  os  Srs.  Jucelino  Cunha  e  Edgarzito  Francisco  Chagas,  que  constam  como  sócios  formais  do  contribuinte,  possuem  domicílios  fiscais  em  municípios  do  Estado  de  Rondônia,  não  possuindo  terras,  veículos,  movimentação  financeira  ou  outros  bens;  (b)  a  Delegacia  da  Receita Federal do Brasil em Ji­Paraná (RO) não localizou tais  pessoas;  (c)  consulta  ao  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  (CNIS)  atestam  que  Jucelino Cunha  foi  admitido  como  ajudante de obras civis (3/6/03) e alimentador de linha produção  (5/6/07),  e  que  Edgarzito  Franscisco  Chagas,  como  auxiliar  administrativo (10/4/07) e ajudante de obras civis (13/6/08); (d)  nos documentos bancários (cópias de cheques e transferências),  os  sócios  formais  não  foram  beneficiados  com  recursos  movimentados  pelo  contribuinte;  (e)  não  há  cheques ou  ordens  de  transferência  por  eles  assinados;  (f)  procuração  conferindo  amplos poderes de gerência à Sra. Marlene Coelho Resstel, que  em  conjunto  com  o  Sr. Wladimir  Resstel,  foi,  conforme  provas  dos autos, a responsável pela gestão; e (g) incompatibilidade do  montante  dos  recursos  movimentados  com  a  capacidade  econômica  de  tais  pessoas;  documentos  acostados  aos  autos  e  informações  prestadas  por  várias  pessoas  permitem  concluir  pela responsabilidade tributária da Sra. Marlene Coelho Resstel  e  do  Sr. Wladimir Resstel,  tendo  em  vista  a  prática de  atos  de  gerência e administração do contribuinte;  ­ “...A apuração dos valores da receita de vendas de café se deu  através  de  diligências  nas  empresas  Nestlé  Brasil  Ltda,  Santa  Clara Industria e Comércio de Alimentos Ltda, Cia.  Iguaçu De  Café  Solúvel  e  Nossa  Senhora  da  Guia  Exportadora  de  Café  Ltda”;  ­  após  intimação,  o  contribuinte  não  comprovou  a  origem  dos  depósitos  bancários,  tendo  sido  excluídos  do  valor  apurado  a  título  de  omissão  de  receitas  os  créditos  com  origem  comprovada  nas  vendas  de  café  a  pessoas  jurídicas  identificadas;   ­ o  lucro foi arbitrado, com a aplicação do percentual de 9,6%  sobre as receitas omitidas, vez que o contribuinte não apresentou  mínimo  elemento  (v.g.,  livros  comerciais  e  fiscais,  demonstrações  financeiras)  que  possibilitasse  a  sua  apuração  nos períodos de apuração fiscalizados.  ­Qualificou­se a multa de ofício em razão dos fatos narrados no  TVF,  “...considerando  sobretudo  a  intenção  fraudulenta  do  contribuinte  em  suprimir  os  tributos  devidos,  omitindo,  de  maneira  contumaz  valores  de  receitas  além  da  utilização  de  interposta pessoa (‘laranja’)”.  Os  Termos  de  Sujeição  Passiva  (fls.  4.140/4.143)  imputaram  a  responsabilidade  solidária  às  pessoas  físicas,  Wladimir  Resstel  (CPF  nº  282.831.39720)  e  Fl. 4926DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.927          5 Marlene Coelho Resstel (CPF nº 073.477.42730), com fundamento no artigo 124, I, do Código  Tributário Nacional.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  de  ofício  pelo  Edital  nº  249/2008 (fl. 4.236). Por sua vez, os responsáveis tributários foram cientificados por via postal  em 19/12/2008  (sexta­feira)  (fls.  4.239 e 4.241). O contribuinte  e os  responsáveis  tributários  impugnaram  os  lançamentos  em  22/1/2009  e  19/1/2009  (fls.  4.245/4.294  e  4.363/4.379),  respectivamente.  O  acórdão  nº  12­24.710,  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro  (DRJ/RJ  ­  I),  negou  provimento  às  impugnações  administrativas, conforme se extrai da sua ementa:  ARBITRAMENTO.  O  imposto  será  determinado  com  base  nos  critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver  obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira, inclusive bancária.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  CARACTERIZAÇÃO.  Os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  à  instituição  financeira que não sejam decorrentes de transferências de outras  contas  da  própria  pessoa,  em  relação  aos  quais,  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil e idônea, a sua origem, serão caracterizados como receita  bruta omitida. Artigo 42 da Lei n°. 9.430 de 1996.  ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. O  lucro arbitrado,  quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a  aplicação  dos  percentuais  fixados  para  o  lucro  presumido,  acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art.16, e Lei  nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).  DIPJ. AUSÊNCIA. REITERAÇÃO. DOLO. Caracteriza omissão  dolosa de receitas quando, de forma reiterada, a pessoa jurídica  não  apresenta  declaração  de  rendimentos  e  auferi  valores  vultosos em diversos exercícios.  CONDUTA  DOLOSA.  SANÇÃO.  A  conduta  que  tenha  a  finalidade  de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  da  autoridade  fazendária  da  ocorrência  do  fato  gerador,  ou das  condições pessoais  do contribuinte,  suscetíveis  de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário  correspondente obtendo­se como resultado, a efetiva redução ou  a  supressão  de  tributo,  está  sujeita  à multa  agravada  aplicada  sobre a totalidade ou diferença do tributo omitido.  LANÇAMENTO  DECORRENTE.  PIS.  CSLL.  COFINS.  Decorrendo  o  lançamento  do  PIS,  da  CSLL  e  da  COFINS,  da  omissão  de  receita  constatada  na  autuação  do  IRPJ,  reconhecida  a  procedência  do  lançamento  deste,  procede  também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa  e efeito que os une.   Fl. 4927DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.928          6 RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  A  prática  de  atos  que  caracterizam a  detenção  de  poderes  de  gestão  e administração  em consonância com as atividades previstas no objeto social de  pessoa jurídica caracterizam o interesse comum na situação que  constitua o fato gerador da obrigação principal.  Os  responsáveis  tributários  interpuseram  recurso  voluntário  em  29/7/2009  (fls. 4.484/4.536), em resumo, argumentando:  ­  a autuação unicamente  com base  em movimentação bancária  seria  desprovida  de  legalidade,  conforme  já  decidira  o  extinto  Primeiro Conselho de Contribuintes;  ­ em razão da apresentação de impugnação, não seria possível a  elaboração de representação fiscal para fins penais;  ­  seria  ilegal  a  obtenção  de  informações  perante  instituições  financeiras diretamente pelo Fisco, sendo inconstitucional a Lei  Complementar  nº  105/01,  devendo  ser  anulado  os  autos  de  infração  e  conseqüentemente  extintas  as  sujeições  passivas  solidárias;  ­  não  teriam  sido  esgotados  os  meios  à  disposição  da  fiscalização,  antes  da  constituição  dos  créditos  tributários  por  arbitramento  e  com  base  na  movimentação  bancária  do  contribuinte, que não se constituiria em fato gerador tributário.  Os  Srs.  Jucelino  Cunha  e  Edgarzito  Francisco  Chagas  não  teriam sido procurados em seus endereços atualizados;  ­  não  haveria  “...correlação  lógica  direta  e  segura,  pois  nem  sempre  o  volume de  depósitos  injustificado  leva  ao  rendimento  omitido”,  conforme  decisões  administrativas  (acórdãos  nºs  10417.494 e CSRF/0102.741), sendo aplicável a Súmula TFR nº  182;   ­ a melhor exegese do art.42, §5º, da Lei nº 9.430/96,  levaria à  necessidade  de  intimação,  durante  o  procedimento  fiscal,  dos  responsáveis tributários para comprovar a origem dos depósitos  bancários,  vez  que  seriam  sujeitos  passivos,  conforme decidido  pelo  extinto  Primeiro  Conselho  de  Contribuinte  (acórdão  nº  10323.333);   ­  os  fatos  narrados  pela  fiscalização,  que  a  conduziram  para  imputar as responsabilidades tributárias, seriam “absolutamente  infundados”, “imprecisos” e “contraditórios”;  ­ conforme informações do Sr. Wladimir Resstel, conhecera o Sr.  Jucelino  Cunha,  que  o  procurou  para  iniciar  uma  relação  comercial  no  Estado  do  Espírito  Santo,  apresentando­se  como  grande comerciante da área cafeeira, quando aceitou a proposta  por  vislumbrar  a  possibilidade  de  lucro  e  indicou  sua  esposa  como mandatária, que teria deixado de atuar no próprio ano de  2003 e não praticara qualquer ato com excesso de poderes;  ­ o simples  fato de assinar cheques, bem como ser o “contato”  em algumas operações de café, não seria  suficiente para que a  Fl. 4928DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.929          7 fiscalização imputasse à Sra.Marlene Coelho Resstel a condição  de responsável tributária;   ­  do  universo  de  dezenas  de  pessoas  intimadas  pelo  Fisco,  apenas a Nestlé Brasil Ltda, Santa Clara  Indústria e Comércio  de Alimentos Ltda, Cia Iguaçu de Café Solúvel e Nossa Senhora  da  Guia  Exportadora  de  Café  Ltda,  teriam  prestado  esclarecimentos, “...o que compromete, sem sombra de dúvidas,  a  precisão  das  conclusões  obtidas,  no  que  tange  à  responsabilização”,  não  tendo  nenhuma  delas  informado  que  o  Sr. Wladimir Resstel  teria sido o  contato para a  venda do café  oriundo do contribuinte;  “...  a  amostragem,  como  feita  no  processo  administrativo  sub  examem,  implica  em  verdadeira  escusa  da  administração  tributária em obter o maior grau de verossimilhança possível no  alcance  da  verdade  material  que  norteia  o  processo  administrativo fiscal [...]. A amostragem, é situação excepcional,  utilizada  diante  da  impossibilidade  de  se  efetuar  a  verificação  integral.  A  utilização  da  amostragem,  como  no  processo  ora  combatido,  afigura­se  indevida,  eis  que  não  possibilitou  o  alcance da verdade material.”;  ­  documentos  acostados  pela  fiscalização  trariam  informações  inidôneas, “...provavelmente motivadas por falhas de terceiros”;   ­ a fiscalização não teria se esforçado para encontrar as pessoas  Fabiana Coelho Resstel e Lourival Kruger;   ­  os  produtores  de  café,  que  venderam  os  produtos  para  a  Montreal, não teriam sido intimados a prestar esclarecimentos;  ­ a fiscalização não teria se esforçado para encontrar as pessoas  Fabiana Coelho Resstel e Lourival Kruger;   ­  os  produtores  de  café,  que  venderam  os  produtos  para  a  Montreal, não teriam sido intimados a prestar esclarecimentos;  ­  o  segundo  depoimento  da  Sra. Marlene  Coelho  Resstel  seria  imprescindível  para  a  elucidação  dos  fatos,  não  tendo  sido  colhido  por  razões  de  saúde,  devidamente  informadas  à  autoridade fiscal e comprovadas com atestado médico;  ­  a  fiscalização,  ao  concluir  que  os  beneficiários  dos  recursos  teriam  sido  os  responsáveis  tributários,  deveria  ter  obedecido  aos comandos dos §§ 5º e 6º do art.42 da Lei nº 9.430/96;   ­  não  sendo  os  responsáveis  tributários  os  gestores  do  contribuinte,  não  subsistiria  a  multa  qualificada,  vigorando  o  princípio  da  presunção  de  inocência,  sendo  necessário  a  “...existência  de  procedimento  específico  para  aplicação  de  penalidade  de  qualquer  natureza  pela  existência  de  eventual  fraude”;   ­ seria ilegal a exigência de juros de mora calculados com base  na taxa SELIC.  Fl. 4929DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.930          8 ­ Ao final, pleitearam, com fundamento no art.16 do Decreto nº  70.235/72,  a  realização  de  diligência  “...com  o  objetivo  de  oportunizar aos Defendentes a produção de provas que jogarão  por  terra  qualquer  indicio  de  responsabilidade  pelos  créditos  lançados  contra  a  empresa  Montreal  Comércio  de  Produtos  Alimentícios Ltda”, especificamente para:  (a)  intimar os  sócios  do  contribuinte  em  seus  endereços  atuais  para  prestar  esclarecimentos;  (b)  intimar  todos  os  remetentes  de  recursos  a  fim  de  que  informem  a  natureza  da  operação  e  a  pessoa  de  contato  do  contribuinte;  (c)  intimar  a  Sra.  Fabiana  Coelho  Resstel  para  esclarecer  a  participação  de  seus  pais,  ora  Recorrentes,  nos  negócios  do  contribuinte;  (d)  agendar  nova  oitiva  da  Sra.  Marlene  Coelho  Resstel;  e  (e)  intimar  os  Srs.  Nildson  Orige  Giuliatte,  Paulo  André  Comério  e  Alexandre  Emílio  de  Almeida  para  fornecerem  a  lista  dos  produtores/vendedores  de  café  com  os  quais  transacionavam,  que também devem ser ouvidos.  Em Resolução nº 110­300.145,  a outrora 1ª Câmara da 3ª Turma Ordinária  desta 1ª Seção, converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, considerando:  Vê­se,  portanto,  que  a  intimação  por  edital  apenas  pode  ser  realizada quando a  fiscalização não  tenha sucesso na  tentativa  pessoal,  por  via  postal  ou  por  meio  eletrônico,  ainda  que  anteriormente, relativamente a  intimações  realizadas no curso  do  procedimento  fiscal,  as  correspondências  tenham  sido  devolvidas  pelos  Correios  com  a  informação  de  que  a  pessoa  não mais se encontrava no domicílio fiscal indicado no cadastro  CNPJ.  No  caso  concreto,  quanto  ao  contribuinte,  optou  o  agente  fazendário pela  intimação por Edital nº 04/2009  (fl.4.481),  sem  previamente  proceder  a  alguma  daquelas  outras  modalidades,  conforme atesta o despacho de fl.4.544.  Pelo  exposto, VOTO no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  de  origem  da  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil:  a)  cientifique o  contribuinte  do  acórdão  proferido  pela DRJ  –  Rio de Janeiro I (RJ), valendo­se  inicialmente  de  algum  dos  meios  previstos  no  Decreto  nº  70.235/72  (art.23,  incisos  I,  II  ou  III).  Em  caso  de  insucesso,  publique  Edital  nos  termos  do  art.23,  §1º,  do  Decreto  nº  70.235/72; b)  transcorrido o prazo de 30  (trinta) dias,  contado  da  ciência,  para  a  interposição  de  recurso  voluntário,  nos  termos  do  art.35,  parágrafo  único,  do  Decreto  nº  7.574/2011,  devolva os autos ao CARF para julgamento.  Finalizada  a  diligência  solicitada  pela  Resolução  nº  110­300.145  (fls.  4.911/4.916),  não  sobreveio  o  aditamento  dos  recursos  voluntários,  nem  qualquer  novo  documento.  É o relatório.  Fl. 4930DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.931          9 Voto             Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator.  Os recursos voluntários são tempestivos, havendo os demais pressupostos de  admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento.   Embora a Resolução nº  110­300.145 garantisse  o pleno  exercício da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  promovendo  nova  intimação  do  contribuinte,  não  surgiu  fato  ou  argumento jurídico novo, suficiente para infirmar a constituição do crédito tributário.  I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO  O  acórdão  nº  12­24.710  reafirmou  a  exigência  tributária,  explicitando  a  inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício.  Igualmente,  não  vislumbro  quaisquer  das  hipóteses  dos  artigos  59  e  60  do  Decreto  nº  70.235/19721,  ratificando  a  ausência  de  nulidade  e  prevalecendo  a  validade  da  constituição do crédito tributário, tal como formalizado.  Por  sua  vez,  não  é  nula  a  exigência  consubstanciada  em  informações  financeiras  da  contribuinte,  obtidas  pela  Receita  Federal  do  Brasil  sem  prévia  autorização  judicial.   Atualmente,  a  jurisprudência  do  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal,  uniformizada  pelo  acórdão  prolatado  no  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  601.314/SP,  com  efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543­B do Código de Processo Civil vigente à  época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  AO  SIGILO  BANCÁRIO.  DEVER  DE  PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF.  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  DA  NORMA  TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01.                                                              1 “Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.   §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente  dependam  ou  sejam  conseqüência.   § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao  prosseguimento ou solução do processo.   § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a  autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta.   Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em  nulidade e  serão sanadas quando  resultarem em prejuízo para o  sujeito passivo,  salvo  se este  lhes houver dado  causa, ou quando não influírem na solução do litígio”     Fl. 4931DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.932          10 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre  o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos  referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que  se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da  tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a  autonomia individual e o autogoverno coletivo.  2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é  uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em  ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências  ou  ofensas,  qualificadas  como  arbitrárias  ou  ilegais,  de  quem  quer  que  seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria  instituição  financeira.  3.  Entende­se  que  a  igualdade  é  satisfeita  no  plano  do  autogoverno  coletivo  por  meio  do  pagamento  de  tributos,  na  medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez  vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação  das necessidades coletivas de seu Povo.  4.  Verifica­se  que  o  Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de  conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu  requisitos  objetivos  para  a  requisição  de  informação  pela  Administração Tributária às instituições financeiras, assim como  manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras  do contribuinte, observando­se um translado do dever de  sigilo  da esfera bancária para a fiscal.   5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  aquela  se  encerra  na  atribuição  de  competência  administrativa  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que  evidencia  o  caráter  instrumental  da  norma  em  questão.  Aplica­se,  portanto,  o  artigo  144,  §1º,  do  Código  Tributário  Nacional.  6.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “a”  do  Tema  225  da  sistemática  da  repercussão  geral:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário,  pois realiza a  igualdade em relação aos cidadãos, por meio do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária para a fiscal”.  7.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “b”  do  Tema  225  da  sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo em vista o caráter  instrumental da norma, nos termos do  artigo 144, §1º, do CTN”.  8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  O  artigo  145,  parágrafo  primeiro,  da  Constituição  Federal,  consagra  o  princípio da capacidade contributiva, orientando que  "sempre que possível os  impostos  terão  caráter  pessoal  e  serão  graduados  segundo  a  capacidade  econômica  do  contribuinte,  Fl. 4932DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.933          11 facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos,  identificar,  respeitados  os  direitos  individuais  e  nos  termos  da  lei,  o  patrimônio,  os  rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte."  A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras  da  contribuinte,  mediante  intimação  escrita,  consoante  o  artigo  197  do  Código  Tributário  Nacional:  "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à  autoridade  administrativa  todas  as  informações  de  que  disponham  com  relação  aos  bens,  negócios  ou  atividades  de  terceiros:  (...)  II  –  os  bancos,  casas  bancárias,  Caixas  Econômicas  e  demais  instituições financeiras;"    A  Lei  Complementar  nº  105/2001  permitiu  a  requisição  de  informações  diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de  sigilo:  Art.1º  As  instituições  financeiras  conservarão  sigilo  em  suas  operações ativas e passivas e serviços prestados.   (...)   §3º Não constitui violação do dever de sigilo:  (...)  VI  –  a  prestação  de  informações  nos  termos  e  condições  estabelecidos  nos  artigos  2º,  3º,  4º,  5º,  6º,  7º  e  9º  desta  Lei  Complementar.  (...)  Art.5º  O  Poder  Executivo  disciplinará,  inclusive  quanto  à  periodicidade  e  aos  limites  de  valor,  os  critérios  segundo  os  quais  as  instituições  financeiras  informarão  à  administração  tributária  da  União,  as  operações  financeiras  efetuadas  pelos  usuários de seus serviços.  (...)  §2º As informações transferidas na  forma do caput deste artigo  restringir­se­ão a informes relacionados com a identificação dos  titulares  das  operações  e  os  montantes  globais  mensalmente  movimentados,  vedada  a  inserção  de  qualquer  elemento  que  permita  identificar  a  sua  origem  ou  a  natureza  dos  gastos  a  partir deles efetuados.  (...)  Fl. 4933DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.934          12 §4º  Recebidas  as  informações  de  que  trata  este  artigo,  se  detectados  indícios  de  falhas,  incorreções  ou  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito  fiscal,  a  autoridade  interessada  poderá  requisitar  as  informações  e  os  documentos  de  que  necessitar,  bem  como  realizar  fiscalização  ou  auditoria  para  a  adequada  apuração dos fatos.  §5º As  informações  a  que  refere  este  artigo  serão  conservadas  sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor.  Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.  Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.    Este instrumento de fiscalização foi aperfeiçoado pela Lei nº 10.174/2001 e o  Decreto  nº  3.724/2001,  com  validade  constitucional  reconhecida  pelo  Colendo  Supremo  Tribunal Federal.   Finalmente,  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  mediante  sua  Súmula  nº  2,  delimita  que  "não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária".  II. MÉRITO  De  acordo  com  artigo  57,  parágrafo  terceiro,  do  Regulamento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro  teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso  voluntário:  Da violação à Portaria nº 326, de 2005.  Não houve violação a esta Portaria uma vez que o processo de  representação foi  tão­somente formalizado e aguarda a decisão  final  do  presente  processo  no  contencioso  administrativo,  para  seguir o seu trâmite especifico, conforme determina o parágrafo  3°., do artigo 3°., da referida Portaria.  Da intimação prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996.  Inicialmente,  cabe  registrar  que  o  titular  das  contas  bancárias  objeto  da  autuação  é  a  Interessada,  Montreal  Com.  de  Prod.  Alimentícios  Ltda,  e  não  os  Srs.Wladimir  Resstel  e  Marlene  Coelho  Resstel,  que  são  os  responsáveis  arrolados  no  auto  de  infração.  Fl. 4934DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.935          13 O caput do artigo 42, da lei n".9.430, de 1996, determina que o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  é  que  é  o  destinatário  da  intimação  ali  prevista.  Os  valores  creditados  nas  referidas  contas de deposito pertencem à Interessada.   Frise­se  que  os  fatos  relatados  não  se  referem  ao  uso  de  interposta  pessoa  quanto  titularidade  da  conta  corrente,  mas,  sim,  quanto  à  titularidade  da  própria  sociedade  empresarial,  que,  por  sua  vez,  não  se  confunde  com  os  seus  sócios  quer  efetivos  ou  formais,  e  muito  menos  com  possíveis  administradores  com  poder  de mando,  que  têm  personalidades  jurídicas diferentes.   Os fatos relatados e não negados pelos impugnantes referem­se  a  operações  praticadas  pela  Interessada,  Montreal  Com.  de  Prod. Alimentícios Ltda, cujos valores foram creditados nas suas  próprias contas bancárias.  Portanto,  a  intimação  foi  corretamente  dirigida  A  Interessada,  uma  vez  que  o  presente  caso  não  versa  sobre  a  circunstância  prevista no parágrafo 5°., do artigo 42, da Lei n'.9.430, de 1996.  A  responsabilidade  tributária  solidária  será  tratada  em  tópico  certo,  uma  vez  que  tal  responsabilização  decorre  dos  atos  praticados  quando  da  ocorrência  do  fato  gerador,  sendo,  portanto,  matéria  de  fato,  tão­somente  detectável  quando  do  procedimento fiscal.  Portanto,  o  fato  de  os  responsáveis  arrolados  no  auto  de  infração não terem sido intimados para comprovarem a origem  dos  depósitos  bancários,  não  impede  que,  em  sede  própria  de  apreciação  do  mérito,  seja  verificada  a  responsabilidade  tributária solidária.  Assim, consta claramente As fls.43/69, que, via edital de 08­10­ 2007,  a  Fiscalização  intimou  a  Interessada  a  tomar  conhecimento da presunção  legal prevista no artigo 42, da Lei  n'.9.430,  de  1996,  e  a  se  manifestar  sobre  a  constatação  de  depósitos/créditos  nas  suas  contas  bancárias,  cuja  relação  foi  anexada, fls.47/67, já excluídos as transferência entre contas do  mesmo  titular,  empréstimos  e  descontos  de  duplicatas,  e  que  deveria  informar  e  comprovar  a  origem  de  cada  um  dos  depósitos listados e a que titulo os valores foram recebidos.  Também consta nos referidos documentos que a Interessada  foi  cientificada das regras que determinam o arbitramento do lucro  constantes no artigo 530, do RIR, de 1999.  Da diligência.  Os  impugnantes  requereram diligências  com o  objetivo  de  lhes  oportunizar  a  produção  de  provas.  As  fls.4.284/4.285  e  4.428/4.429, expuseram os motivos e objetivos da diligência.  Inicialmente,  cabe  registrar  que  está  claro  as  fls.1.357/1.359,  1.360/1.363 e 1.364/1.366, que, durante o procedimento fiscal, a  Fl. 4935DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.936          14 Sra.  Marlene  Coelho  Resstel  foi  intimada  para  prestar  informações sobre as operações da Interessada, mas, acabou por  não o  fazer. O Sr.Wladimir Resstel após ser intimado a prestar  os mesmos esclarecimentos, dentre outras informações, disse que  não  tinha  conhecimento  da  escrituração  contábil,  fiscal  e  financeira  da  Interessada  e  que  não  se  lembrava  a  que  titulo  recebeu  valores  no  montante  de  R$482.530,00,  fls.1.367,  advindos das contas corrente da Interessada nos anos de 2004 e  2005,  mas  que  provavelmente  tenham  sido  originárias  de  compra e venda de café.  Desta  forma,  os  impugnantes  tiveram  a  oportunidade  para  se  pronunciar  sobre  a  movimentação  financeira  da  Interessada  quando do procedimento fiscal.  Por sua vez, dispõe o artigo 14 do Decreto n°. 70.235 de 1972,  que  a  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento. Assim, é na impugnação que os autuados deverão  exercer  o  direito  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa.  Tal  regra  está em sintonia com o artigo 16, do mesmo diploma legal, que  determina que a impugnação mencionará os motivos de fato e de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância,  as  razões  e  as  provas  que  possui,  bem  como,  as  diligências,  ou  perícias que os impugnantes pretendam sejam efetuadas.   O objetivo da diligência é o de formar a convicção do julgador  no âmbito do processo. Não cabe diligência para  suprir  falhas  ou  incorreções  tanto  da  autuação  fiscal  quanto  da  defesa  dos  autuados.  Conforme  será  demonstrado  quando  do  exame  do  mérito das infrações, já constam nos autos elementos suficientes  para se concluir sobre os documentos acostados aos autos, bem  como, sobre a ocorrência ou não de responsabilização solidária.   Saliente­se  que  na  impugnação,  os  impugnantes  tiveram  a  oportunidade  de  acostar  aos  autos,  todos  os  documentos  que  entendessem  lhes  beneficiar,  e  a  Sra.  Marlene  Coelho  Resstel  poderia, finalmente ter prestado os esclarecimentos que julgasse  necessários.   Rejeito o pedido de diligência.  Da aquisição de informações financeiras.  Conforme  fls.23/37,  a  aquisição  de  informações  financeiras  foi  feito com base no artigo 6°, da LC 112 105, de 2001.  A  partir  desta  LC,  conforme  o  disposto  no  seu  artigo  6°  e  parágrafo único, as autoridades e os agentes  fiscais  tributários  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente,  e que o  resultado dos exames, as  informações e os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.   Fl. 4936DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.937          15 Cabe destacar que conforme redação dada pela Lei n°. 10.174,  de 2001, ao parágrafo 3°., do artigo 11 da Lei n°. 9.311 de 1996,  a RFB resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria,  o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para  instaurar  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  existência  de  crédito  tributário  relativo  a  impostos  e  contribuições  e  para  lançamento  do  crédito  tributário  porventura  existente,  observado o disposto no artigo 42 da Lei  n°. 9.430, de 1996, e alterações posteriores.  Consta  nos  autos  que  os  requisitos  para  a  aplicação  deste  dispositivo foram cumpridos pela Fiscalização.   O  acesso  da  autoridade  fiscal  a  informações  bancárias  não  se  constitui  em  quebra  de  sigilo  bancário,  quer  seja  do  titular  da  conta quer seja do depositante de valores constantes de cheques,  como já restou claro na decisão do Superior Tribunal de Justiça  (STJ) no Recurso Especial n° 506.232 — PR.  Até  a  presente  data,  tais  dispositivos  não  foram  declarados  inconstitucionais,  pelo  Poder  Judiciário,  quer  em  controle  incidental, quer em ação do direta de inconstitucionalidade.  Deve  ser  esclarecido  que os  órgãos  da Administração não  tem  competência  para  declarar  a  inconstitucionalidade  de  ato  normativo em vigor, visto ser tal competência exclusiva do Poder  Judiciário.  Portanto,  foi  correto  o  procedimento  fiscal  em  relação  à  aquisição  de  informações  da  movimentação  bancária  da  Interessada.  Do arbitramento.  A  Interessada  foi  intimada  várias  vezes  a  apresentar  os  livros  contábeis,  fiscais, extratos bancários, notas fiscais, declarações  e alterações contratuais.  Restou  claro  que  a  Fiscalização  esgotou  todos  os meios  a  seu  dispor frente à recusa sistemática e permanente à apresentação  de livros e documentação fiscal.  Tanto  assim  é  que,  mesmo  na  impugnação,  a  Interessada  não  acostou aos autos nenhum documento ou livro contábil ou fiscal.  Determina o artigo 530,  inciso,  III,  do RIR de 1999,  cuja base  legal  é  a  Lei  n°  8.981,  de  1995,  artigo  47,  e  Lei  n°  9.430,  de  1996,  artigo  10,  que  o  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano­calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado,  quando  o  contribuinte  deixar  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  e  documentos  da  escrituração comercial e  fiscal, ou o Livro Caixa,  se este  for o  caso.  Portanto,  correto  foi  o  procedimento  fiscal  no  que  tange  à  determinação do IRPJ com base nos critérios do lucro arbitrado.  Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.938          16 Da  infração  1.  Arbitramento  com  base  nas  vendas  de  mercadorias.  Conforme  relatado,  houve  o  arbitramento  com  base  na  receita  conhecida.  A  apuração  dos  valores  omitidos  decorreu  de  diligências  realizadas  junto  às  empresas  Nestlé  Brasil  Ltda,  Santa  Clara  Indústria  e  Comércio  de  Alimentos  Ltda,  CIA  Iguaçu  de Café  Solúvel  e Nossa  Senhora  da Guia Exportadora  de  Café  Ltda.,  que  constavam  nos  extratos  bancários  apresentados pelas instituições financeiras, como remetentes de  recursos à Interessada.   Todos  os  diligenciados  informaram  que  os  valores  depositados  nas contas da Interessada decorreram de compras de café.  A base legal para a realização do arbitramento foram os artigos  532 e 537, do RIR de 1999, abaixo transcritos:  "Art. 532. 0  lucro arbitrado das pessoas  jurídicas, observado o  disposto  no  art.  394,  §  11,  quando  conhecida  a  receita  bruta,  será determinado mediante a aplicação dos percentuais  fixados  no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei  n2 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 27, inciso  I).(Grifado agora)  Desta  forma,  o  lucro  arbitrado  é  calculado  pela  aplicação  de  percentuais  definidos  na  legislação,  sobre  a  receita  bruta  conhecida.  Deve­se  entender  por  receita  conhecida  não  só  a  declarada  pelo  contribuinte, mas  também  aquela  apurada  pelo  fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal.   Neste  sentido,  as  notas  fiscais  e  demais  documentos  e  informações  fornecidos  pelos  compradores  de  café  da  Interessada  são  instrumentos  perfeitamente  válidos  para  a  determinação do lucro arbitrado, pois, neles constam as receitas  das diversas operações realizadas pelo contribuinte no decorrer  dos diversos meses dos períodos de apuração do IRPJ.  Voto pela procedência desta autuação.   Da infração 2. Arbitramento com base em depósito bancário.   Determina o artigo 287 do RIR, de 1999,  (artigo 42 da Lei n°.  9.430 de 1996), que os valores creditados em conta de deposito  ou  de  investimento  mantida  junto  à  instituição  financeira  que  não  sejam  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria pessoa fÍsica ou jurídica, em relação aos quais o titular,  pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nestas operações, serão caracterizados como omissão  de receita ou de rendimento.  Em consonância com os artigos 43 e 44, do Código Tributário  Nacional,  o  artigo  287  do  RIR/99,  dispôs  que,  uma  vez  cumpridos os requisitos procedimentais previstos no seu caput e  parágrafos, os depósitos bancários caracterizam receita omitida.  Fl. 4938DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.939          17 Neste  sentido, os depósitos bancários,  nas  condições  reguladas  no  artigo  287  do  RIR,  de  1999,  têm,  por  presunção  legal,  natureza tributável, devendo compor a receita bruta.  Registre­se  que  é  do  titular  da  conta  corrente  o  dever  de  informar ao Fisco a natureza das operações que ocasionaram os  depósitos ocorridos, e não dos remetentes dos recursos.  A  Fiscalização  após  demonstrar  a  efetiva  existência  dos  depósitos,  comprovar  que  intimou,  por  diversas  vezes,  a  Interessada  a  esclarecer  a  origem  dos  valores  de  forma  individualizada,  fls.43/99,  ficou  autorizada  legalmente,  a  considerar  os  depósitos  como  receita  omitida,  cabendo  a  Interessada  produzir  as  provas  necessárias  a  contrapor  tal  imputação.  Do  exame  dos  demonstrativos,  constata­se  que  foram  desconsideradas  as  transferências  entre  contas,  empréstimos  e  devoluções  de  cheques,  estornos  e  demais  créditos  sem  efeito  tributário,  e  que,  somente  a  diferença  entre  o  total  dos  depósitos/créditos  selecionados  para  comprovação  e  o  total  de  depósitos oriundos da venda de café é que foi considerada como  receita omitida com base no artigo 42, da Lei n°.9.430, de 1996,  fls.4.175/4.176.  Da combinação dos artigos 530, inciso III, 532 e 287,  todos do  RIR,  de  1999,  extrai­se  a  regra  que  permitiu  6.  Fiscalização  arbitrar o  lucro com base na receita bruta conhecida, no caso,  os  créditos  em  conta  bancária  que,  por  presunção  legal,  caracterizam receita omitida.  A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, de 01­ 10­1985, refere­se à legislação anterior à Lei n°.9.430, de 1996.  Entendendo  que  esta  autuação  foi  feita  em  consonância  com  o  principio da legalidade, voto pela sua manutenção.  Da responsabilidade solidária.  Da  intimação dos  sócios  que  constam no  cadastro  da Receita  Federal.  Alegaram os  impugnantes que a Fiscalização não encontrou os  verdadeiros  sócios  da  empresa  porque  não  utilizou  o  endereço  atualizado  e  correto  dos  Srs.  Jucelino  Cunha  e  Edgarzito  Francisco Chagas que constam no contrato social acostado aos  próprios autos, fls. 9/13.  Inicialmente, cabe esclarecer A.  Interessada e aos  impugnantes  que  a  legislação  tributária  impõe  no  campo  das  obrigações  acessórias,  que  os  contribuintes  mantenham  atualizado  as  informações cadastrais nos bancos de dados dos diversos entes  detentores de competência tributária.   Mais  especificamente,  no  campo  da  legislação  do  imposto  de  renda, o artigo 30, do RIR de 1999, é claro quando determina:  Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.940          18 "Art.  30.  0  contribuinte  que  transferir  sua  residência  de  um  município  para  outro  ou  de  um  para  outro  ponto  do  mesmo  município  fica  obrigado  a  comunicar  essa  mudança  as  repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decreto­ Lei nº 2 5.844, de 1943, art. 195).  Parágrafo  único.  A  comunicação  será  feita  nas  unidades  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  podendo  ser  também  efetuada  quando  da  entrega  da  declaração  de  rendimentos  das  pessoas  físicas.   E  não  poderia  ser  de  outro  modo,  uma  vez  que  a  obrigação  tributária, quer principal ou acessória, é da espécie "portable",  qual  seja,  o  devedor  é  que  tem  a  obrigação  de  "procurar"  o  credor,  no  caso,  o  Fisco  Federal,  para  cumprir  o  dever  de,  dentre  outros,  declarar  e  manter  correto  os  dados  cadastrais  exigidos pela legislação tributária.  Desta forma, atuou corretamente a Fiscalização quando utilizou  o  endereço contido  nos  cadastros  da Receita Federal,  uma  vez  que  este  é  o  único  que  alcança  efeitos  jurídicos  no  campo  tributário.  Em  outras  palavras,  para  fins  de  aplicação  da  legislação  do  imposto  de  renda,  o  endereço  mantido  nos  cadastros  da  Receita  Federal  têm  a  presunção  legal  de  ser  o  verdadeiro, cabendo ao próprio contribuinte provar de maneira  inconteste que o endereço é outro.  No presente caso, isto não ocorreu. Quem alega que o endereço  é outro não é o próprio contribuinte, mas, sim, os impugnantes,  dentre eles, o Sr. Wladimir Resstel que conforme o seu próprio  testemunho As fls.1.364/1.266, disse que sequer conhecia um dos  sócios  que  consta  no  contrato  social,  Sr.  Edgarzito  Francisco  Chagas.  Além disto, o único documento apresentado é um contrato social  do ano de 2003, fls.9/13, e a intimação aos Sr. Jucelino Cunha e  Edgarzito  Francisco  Chagas  ocorreu  em  2008.  As  fls.4.446/4.447,  consta  que  após  a  data  da  feitura  do  contrato  social houve alteração no endereço dos referidos Senhores para  aquele  utilizado  pela  Fiscalização  quando  do  procedimento  fiscal.   Da intimação da Sra.Fabiana Coelho Resstel e do Sr.Lourival  Kruger.   Alegaram  os  impugnantes  que  a  Fiscalização  não  empreendeu  esforços  para  tomar  o  depoimento  da  Sra.Fabiana  Coelho  Resstel e do Sr.Lourival Kruger.   Às  fls.187 consta no  envelope que continha a  intimação  feita a  Sra.Fabiana  Coelho  Resstel,  a  informação  "Endereço  Insuficiente".  Contudo,  o  endereço  ali  mencionado  é  o  que  efetivamente foi fornecido pela própria contribuinte, conforme se  constata na consulta ao cadastro da Receita Federal às fls.4.448.  No mesmo cadastro consta que, bem após a data da intimação, é  que a referida contribuinte alterou o seu endereço, 27­08­2008.   Fl. 4940DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.941          19 Portanto, a própria contribuinte, Sra.Fabiana Coelho Resstel, é  que deu causa a não consumação da intimação.   Contudo,  ainda  que  assim  não  fosse,  a  Sra.Fabiana  Coelho  Resstel é filha da Sra.Marlene Coelho Resstel, fato este que, por  si só, reveste de suspeição qualquer afirmação por ela feito, uma  vez que, por certo, aquela Senhora tem interesse no litígio. Tais  afirmações têm amparo no artigo 405, parágrafo 2°., do CPC.  Do exame dos documentos e informações prestadas pelos demais  envolvidos nos fatos relatados, resta claro que o depoimento da  Sra.Fabiana  Coelho  Resstel  é  prescindível  à  elucidação  dos  fatos, uma vez que as necessárias provas puderam ser obtidas de  outro  modo,  pois,  outras  pessoas  também  foram  responsáveis  pelas  contas  correntes  da  Interessada,  bem  como,  da  mesma  forma, assinaram vários cheques.  Às  fls.189,  consta  claramente  que  a  intimação  feita  ao  Sr.Lourival Kruger  foi efetivamente  recebida. Portanto, como o  referido Senhor nada respondeu, submeteu­se aos ônus inerentes  à omissão.  Da intimação dos produtores de café.   Alegaram os impugnantes que os produtores de café não foram  intimados, sendo este fato um erro gravíssimo.  Consta  às  fls.240/427,  que  foram  feitas  diligências  junto  aos  beneficiários de recursos pagos pela Interessada, corretores que  intermediaram as compras de cafe realizadas pela própria.  Da  análise  dos  documentos  de  fls.240/427,  constata­se  que  as  compras  de  café  realizadas  pela  Interessada  eram,  na maioria  das  vezes,  feitas  via  corretores,  e  não  diretamente  com  os  produtores de café.  Da análise dos documentos restou claro que a pessoa de contato  da  Interessada  era  a  Sra.  Marlene  Coelho  Resstel,  sendo  que  uma  das  empresas  que  recebeu  recursos  da  Interessada,  portanto, lhe vendeu café, foi a Ideal Café Indústria e Comércio  Importação  e  Exportação  Ltda,  que,  pela  denominação  social  trata­se  de  produtora  de  café.  Conforme  cadastros  da  Receita  Federal, esta empresa tem como sócio o Sr. Wladimir Resstel.  Portanto,  o  que  se  constata  é  que  o  impugnante,  Sr. Wladimir  Resstel, requereu o seu próprio testemunho ...  Da atuação da Sra. Marlene Coelho Resstel.  Alegaram  os  impugnantes  que  a  Sra.  Marlene  Coelho  Resstel  tão­somente  recebeu  procuração  do  Sr.  Jucelino  Cunha  para  gerir  sob  suas  ordens  e  em  seu  nome os  negócios  da  empresa,  atuando apenas como mandatária, devendo ser responsabilizado  apenas o mandante.  Na  ficha  de  cadastro  da  instituição  financeira  Cooperativa  de  Crédito Sul ­Serrana do Espírito Santo, (Sistema de Cooperativa  Fl. 4941DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.942          20 de Crédito, SICOOB), fls.103, consta que a Sra. Marlene Coelho  Resstel e o Sr.Wladimir Resstel eram os únicos responsáveis pela  conta  corrente  da  Interessada  mantida  junto  à  mencionada  instituição financeira.  Especificamente, quanto a estas contas alegaram os impugnantes  que  houve  falha  da  Cooperativa  de  Crédito  Sul­Serrana  do  Espírito Santo, conforme comprovaria o documento de fls.4.441,  no qual a instituição financeira nega o fato do Sr.Wladimir e a  Sra.Marlene serem os responsáveis pela Interessada.   Ocorre  que  tais  informações  cadastrais  são  de  cunho  declaratório. A Cooperativa de Crédito Sul­Serrana do Espirito  Santo  não  é  entidade  ou  órgão  com  competência  para  determinar  de  maneira  definitiva  se  determinada  pessoa  é  ou  não o responsável por uma empresa. A instituição financeira dá  esta informação com base no contrato social apresentado pelos  interessados  na  informação.  E  é  justamente  a  legitimidade  das  informações  do  contrato  social  que  configura  o  litígio  ora  em  apreciação.  Tratando­se de informação de natureza declaratória, prevalecem  as informações iniciais contidas nos documentos de cadastro das  contas,  uma  vez  que  consta  claramente  a  assinatura  da  Sra.  Marlene  Coelho  Resstel  no  campo  de  responsabilização  por  informações  declaradas  nos  diversos  documentos,  conforme  fls.106.  Da  mesma  forma:  no  cartão  de  autógrafo;  no  cartão  de  matricula; na ficha de cadastro de abertura de contas; na ficha  de  matricula;  formulário  de  proposta  de  admissão;  consta  a  assinatura  da  referida  Senhora  como  responsável  pelas  contas  correntes  junto  àquela  instituição  financeira,  bem  como,  pela  informações declaradas, fls.108/115.   Continuando a análise dos demais documentos, às fls.117 e 133,  constam  procurações  lavradas  em  cartório  nas  quais  o  Sr.  Jucelino Cunha,  em  nome da  Interessada,  nomeia  e  constitui  a  Sra.Marlene Coelho Resstel com poderes especiais para abrir e  movimentar  contas  de  depósitos  em  quaisquer  agências  bancárias,  receber  quaisquer  importâncias  em  dinheiro,  tratar  de  todos  os  negócios  bancários  e  comerciais,  receber  títulos  e  valores, passar recibos, dar quitações, sacar e pagar duplicatas,  aceitar,  caucionar,  custodiar,  emitir  e  descontar  duplicatas,  cheques  e  notas  promissórias,  assinar  cartões  e  remessas,  correspondências,  papéis,  e  quaisquer  documentos,  emitir  cheques,  ordens de pagamentos,  depositar mesmo a descoberto  no  todo  ou  em  parte,  dar  conformidade  aos  referidos  saldos,  fazer  transferências  de  numerários,  títulos  e  valores,  assinar  livros,  e  folhas,  requisitar  talões  de  cheques,  solucionar  e  assumir  qualquer  negócio  bancário  e  comercial,  contratar  seguros, podendo ainda admitir e demitir empregados, recolher  FGTS,  encargos  sociais,  e  demais  contribuições,  representar  a  firma outorgante perante Repartição Pública, Federal, Estadual,  Municipal  e  Autárquica,  e  perante  os  órgãos  competentes  em  Fl. 4942DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.943          21 caso  de  necessidade,  e  ainda  junto  aos  cartórios  de  Notas,  Protestos  e  Junta  Comercial,  e,  em  suma,  praticar  todos  os  demais  atos  compatíveis  com  a  índole  do  presente  mandato,  inclusive substabelecer.   Às  fls.118  e  134,  há  instrumentos  de  substabelecimento  dos  poderes  para  abrir  e  movimentar  contas  de  depósitos  em  quaisquer  agências  bancárias,  requisitar  talões  de  cheques,  sustar  ou  contra­ordenar  cheques,  cancelar  cheques,  baixar  cheques,  movimentar  conta  corrente  com  cartão  eletrônico,  efetuar  transferências  e  ou  pagamentos,  inclusive  por  meio  eletrônico, receber quaisquer importâncias em dinheiro, receber  títulos e valores, passar recibos, dar quitação, emitir e descontar  duplicatas, da Sra. Marlene Coelho Resstel para a Sra.Fabiana  Coelho Resstel.   Às fls.139, há instrumento de subestabelecimento dos poderes da  procuração de fls.117, (ou 138), para abrir e movimentar contas  de depósitos em quaisquer agências bancárias, requisitar talões  de cheques, sustar ou contra­ordenar cheques, cancelar cheques,  baixar  cheques,  movimentar  conta  corrente  com  cartão  eletrônico, efetuar transferências e ou pagamentos, inclusive por  meio  eletrônico,  receber  quaisquer  importâncias  em  dinheiro,  receber  títulos e valores, passar  recibos, dar quitação, emitir e  descontar duplicatas, da Sra. Marlene Coelho Resstel para o Sr.  Lourival Kruger.   Às  fls.122,  há  correspondência  em  nome  da  Interessada  subscrita pela Sra. Marlene Coelho Resstel, informando valor de  receita  bruta  faturada  nos  meses  de  2004,  endereçada  à  Cooperativa de Crédito Rural de Venda Nova do Imigrante.  Às fls.123/126, consta demonstração do resultado do exercício e  balanço  patrimonial  da  Interessada  referente  ao  período  de  outubro a dezembro de 2004, subscrita pela Sra.Marlene Coelho  Resstel na qualidade de administradora.  Às  fis.148 e 161, constam sub estabelecimentos da Sra.Marlene  Coelho  Resstel  para,  em  cada  um  deles,  outorgar  poderes,  respectivamente,  para  os  Srs.  Lourival  Kruger,  Paulo  André  Comério,  Antônio  Amadeu  Comério,  Nidson  Orige  Giuliatte,  para  abrir  e  movimentar  contas  de  depósitos  em  quaisquer  agências  bancárias,  requisitar  talões  de  cheques,  sustar  ou  contra­ordenar  cheques,  cancelar  cheques,  baixar  cheques,  movimentar  conta  corrente  com  cartão  eletrônico,  efetuar  transferências  e  ou  pagamentos,  inclusive  por meio  eletrônico,  receber  quaisquer  importâncias  em  dinheiro,  receber  títulos  e  valores,  passar  recibos,  dar  quitação,  emitir  e  descontar  duplicatas.  Às  fls.165,  consta  ficha  de  cadastro  de  conta  corrente  da  Interessada  junto  ao  Banco  Bradesco,  em  que  consta  a  Sra.Marlene como outorgada pela Interessada.   Às  fls.190/195,  199,  202/204,  206/212,  215,  216/217  e  221,  constam documentos e cheques comprovando que os Srs. Paulo  Fl. 4943DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.944          22 André  Comério,  Antônio  Amadeu  Comério  e  Nidson  Orige  Giuliatte:   ­  foram  procuradores  da  Interessada  por  intermédio  da  Sra.Marlene Coelho Resstel;   ­ assinaram cheques da Interessada;   ­  não  conheciam  e  nunca  viram  os  Srs.  Jucelino  Cunha  e  Edgarzito  Francisco  Chagas,  (sócios  da  Interessada  que  constam no contrato social);  ­  afirmaram  que  o  contrato  comercial  com  a  Interessada  era  feito exclusivamente com a referida senhora;   ­  provavelmente,  efetuaram  depósitos  em  favor  do  Sr.Wladimir  Resstel ou da Sra.Marlene Coelho Resstel.   O  Sr.Antônio  Amadeu  Comério  também  reconheceu  que  foi  o  favorecido nas operações que envolveram os cheques listados as  fls.203 e 205, de emissão da Interessada.  As  fls.237/239,  consta  que  o  contador  da  Interessada,  Sr.Christian Silva Rupf, responsável pela úlltima DIPJ enviada,  referente ao ano calendário de 2002, informou que foi chamado  pelo  Sr.Wladimir  Resstel  para  ser  responsável  pela  contabilidade  da  Interessada  em  2003,  ficando  até  inicio  de  2004,  quando  a  pedido  daquele  Senhor  entregou  os  livros  e  demais documentos em abril de 2004.  Neste  documentos  também  consta  que  o  referido  contador  informou  que  o  Sr.Wladimir  Resstel  era  o  responsável  pela  gerência  administrativa  e  financeira  da  Interessada,  cuidando  também  da  compra  e  venda  de  café,  sendo  que  a  Sra.Marlene  Coelho  Resstel,  esposa  do  Sr.Wladimir  Resstel,  exercia  atividades  administrativas,  e  que  não  conhece  os  Srs.  Jucelino  Cunha e Edgarzito Francisco Chagas.  As fls.242/244, consta que o Sr.Alexandre Emilio de Almeida, um  dos beneficiários de recursos pagos pela  Interessada,  informou  que:  ­ prestou serviços de corretagem de café para a Interessada;  ­ a pessoa de contato da Interessada era a Sra. Marlene Coelho  Resstel;  ­  os  valores  dos  cheques  listados  as  fls.243  emitidos  pela  Interessada  foram depositados em sua conta corrente,  e que os  mesmos foram oriundos de transações comerciais de café.  Do  acima  exposto,  resta  claro  que  a  procuração  deu  totais  poderes para a Sra. Marlene Coelho Resstel gerir os negócios da  Interessada, e que o Sr. Wladimir Resstel recebeu em suas contas  corrente  a quantia  de R$482.350,00  transferida  da  Interessada  nos anos de 2004 e 2005, conforme fls.1.367/1.373.  Fl. 4944DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.945          23 Além  das  informações  referentes  aos  atos  efetivamente  praticados  pela  Sra.  Marlene  Coelho  Resstel,  é  bastante  elucidativo os termos das procurações feitas pela Interessada em  favor da referida Senhora.   Cumpre destacar o trecho as fls.117 e 133, que diz: ... tratar de  todos  os  negócios  bancários  e  comerciais,  receber  títulos  e  valores, passar recibos, dar quitações, sacar e pagar duplicatas,  aceitar,  caucionar,  custodiar,  emitir  e  descontar  duplicatas,  cheques e notas promissórias, assinar quaisquer documentos, ...  assinar livros, e folhas, ... solucionar e assumir qualquer negócio  bancário e comercial, contratar seguros, podendo ainda admitir  e  demitir  empregados,  recolher  FGTS,  encargos  sociais,  e  demais  contribuições,  representar  a  firma  outorgante  perante  Repartição Pública, Federal, Estadual, Municipal e Autárquica.,  e  perante  os  órgãos  competentes  em  caso  de  necessidade,  e  ainda junto aos cartórios de Notas, Protestos e Junta Comercial,  e,  em  suma,  praticar  todos  os  demais  atos  compatíveis  com  a  índole do presente mandato, inclusive substabelecer.   Portanto,  o  caso  não  tratou  de  simples  contatos  em  algumas  operações e de meras assinaturas de cheques.  Da atuação do Sr.Wladimir Resstel.  Alegaram  os  impugnantes  que  a  Fiscalização  apenas  escolheu  quatro, Nestle Brasil Ltda, Santa Clara Indústria e Comércio de  Alimentos Ltda, CIA Iguaçu de Cafe Solúvel e Nossa Senhora da  Guia  Exportadora  de  Café  Ltda.,  num  universo  de  dezenas  de  empresas identificadas, quando deveria ter intimado todas para  que informassem a natureza das operações, uma vez que, dessas  quatro,  nenhuma  informou  que  o  Sr.Wladimir  Resstel  foi  o  contato para a venda de café oriundo da Interessada.  A  identificação  da  natureza  das  operações  está  implícito  no  próprio  objeto  social  da  Interessada.  Quanto  à  natureza  dos  depósitos,  tal  informação  já  constava  nos  documentos  e  extratos  recebidos  pela  Fiscalização  das  instituições  financeiras em que a Interessada mantinha conta corrente.   A  utilização  de  amostragem  não  prejudicou  a  apuração  da  responsabilidade  do  Sr.Wladimir  Resstel  nos  fatos  relatados,  uma vez que, além do documento de fls.447, que constata que os  contatos  entre  a  empresa  Gonzalez  Comércio  de  Grãos  e  Serviços Ltda e a Interessada foram realizados por intermédio  do referido Senhor, existem outros elementos que atuam nesta  mesma direção, os quais passam agora a ser apreciados.  Conforme  termo  de  constatação  de  fls.14/15,  no  local  que  corresponde  ao  endereço  cadastral  da  Interessada,  funciona  uma  oficina  de  motos,  sendo  que  a  Interessada  não  mais  funcionava  naquele  local.  No  mesmo  documento  consta  que  o  proprietário  do  imóvel,  Sr.Fredelino  Schafel,  informou  que  o  mesmo foi alugado nos anos de 2003 e 2004, através do corretor  Fl. 4945DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.946          24 Davi Strey para o Sr.Wladimir Resstel, que era o representante  da Interessada.  Conforme termo de constatação de  fls.16117, os  representantes  da  empresa  de  corretagem  de  café,  Cristal  Brasil  Rep.  Com  .  Café  Ltda,  localizada  na  mesma  rua,  informaram  que  já  prestaram serviços de corretagem de café para a Interessada nos  anos  de  2003  e  2004,  e  que  os  contatos  comerciais  foram  realizados com o seu representante Sr.Wladimir Resstel.  Em  relação  á  conta  corrente  n'.10596­1,  da  Cooperativa  de  Crédito  Sul­Serrana  do  Espírito  Santo,  consta,  na  ficha  cadastral,  que  o  Sr.Wladimir Resstel  era  sócio  proprietário  da  Interessada, fls.103 e 107. Na conta 10520­1, na ficha cadastral,  o Sr.Wladimir Resstel consta como procurador, fls.110.  Conforme  já  mencionado,  o  documento  de  fls.4.441,  acostado  pelos impugnantes quando da impugnação não tem o condão de  elidir  as  informações  contidas  nas  fichas  de  cadastro  preenchidas  sob  pena  de  reponsabilização  civil  e  criminal,  conforme  fls.106,  uma  vez  que  a  instituição  financeira  não  é  entidade ou órgão com competência para determinar de maneira  definitiva,  se  determinada  pessoa  é  ou  não  o  responsável  por  uma empresa, mesmo porque a informação de fls.4.441 foi feita  com base no contrato social apresentado pelos interessados.  Quanto  aos  demais  elementos,  consta  as  fls.1.37411.375,  certidão  positiva  de  propriedade  de  imóvel  rural  denominado  "Fazenda  Montreal"  registrado  no  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  do  Município  de  Cocos,  Estado  da  Bahia,  de  propriedade  da  Interessada,  na  qual,  o  Sr.Wladimir  Resstel  representou a Interessada na qualidade de sócio.   Às fls.186/221, consta que os Srs. Paulo André Comério, Antônio  Amadeu  Comério  e  Nidson  Orige  Giuliatte,  procuradores  da  Interessada,  disseram  que,  provavelmente,  efetuaram  depósitos  em favor do Sr.Wladimir Resstel.   Às  fls.2371239,  consta  que  o  Sr.Christian  Silva  Rupf,  ex­ contador da Interessada, responsável pela última DIPJ enviada,  referente ao ano­calendário de 2002, informou que foi chamado  pelo  Sr.Wladimir  Resstel  para  ser  responsável  pela  contabilidade  da  Interessada  em  2003,  ficando  até  inicio  de  2004,  quando  a  pedido  daquele  Senhor  entregou  os  livros  e  demais documentos em abril de 2004.  Consta também naqueles documentos, que o Sr.Wladimir Resstel  era  o  responsável  pela  gerência  administrativa  e  financeira  da  Interessada, cuidando também da compra e venda de café, sendo  que  a  Sra.Marlene  Coelho  Resstel,  esposa  do  Sr.Wladimir  Resstel, exercia atividades administrativas.  Conforme  aqueles  documentos,  o  contador  acrescentou  que  mantinha  contato  com  o  Sr.Wladimir  Resstel  para  receber  os  honorários  contábeis  e  que  foi  orientado  pelo  referido  Senhor  Fl. 4946DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.947          25 para providenciar a abertura da empresa, e que este forneceu a  documentação necessária.   Consta  nos  documentos  de  fls.357/362,  que  a  Ideal  Café  Indústria  e  Comércio  Importação  e  Exportação  Ltda,  que  recebeu  da  Interessada  R$851.028,82,  alegou  que  não  poderia  atender à intimação por ter seus documentos fiscais e contábeis  apreendidos  pela  justiça.  Também  consta  que,  conforme  cadastros  da  Receita  Federal,  o  Sr.  Wladimir  Resstel  é  sócio  desta empresa.   Às fls.1.367/1.373, consta que o Sr. Wladimir Resstel recebeu em  suas  contas  corrente a quantia de R$482.350,00  transferida da  Interessada nos anos de 2004 e 2005.  Às fls.1.364/1.366, consta que o Sr.Wladimir Resstel após ser re­ intimado  a  prestar  esclarecimentos,  informou,  dentre  outros  fatos,  que  não  se  lembra  a  que  titulo  recebeu  os  valores  das  transferências  no  montante  de  R$482.530,00,  advindas  da  Interessada  nos  anos  de  2004  e  2005,  mas  que  provavelmente  tenham sido originárias de compra e venda de café.   Da solidariedade passiva.  Os fatos acima comprovados levam A conclusão inequívoca que  o  Sr.Wladimir  Resstel  e  a  Sra.Marlene  Coelho  Resstel  praticaram  efetivamente  atos  que  caracterizam  a  detenção  de  poderes  de  gestão  e  administração  no  que  concerne  às  atividades  da  Interessada,  restando  claro  que  aquelas  pessoas  atuaram como sócios de fato desta.  A  prática  de  atos  que  caracterizam  a  detenção  de  poderes  de  gestão  e  administração  em  consonância  com  as  atividades  previstas  no  objeto  social  de  pessoa  jurídica  caracterizam  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação tributária principal, devendo as pessoas envolvidas na  prática  dos  atos  responder  solidariamente  quanto  aos  tributos  lançados.  Revela­se,  no  campo  fático,  mais  uma  vez  correto  o  procedimento fiscal no que tange à regra de intimação prevista  no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que a presunção  legal  de  ciência  de  intimação  via  edital  abrange  os  sócios  da  intimada.  Do valor do crédito tributário.  Alegou a Interessada, por meio dos seus sócios administradores,  Sr.Wladimir  Resstel  e  Sra.Marlene  Coelho  Resstel,  que  houve  erro no lançamento quando se atribuiu a ambos o valor integral  do  crédito  tributário,  quando,  deveria  ter­se  dado  mediante  a  divisão da soma dos recursos pelo número de titulares.   Deve  ser  esclarecido  à  Interessada  que  o  presente  caso  versa  sobre  autuação  de  pessoa  jurídica  e  não  de  pessoa  física  com  conta corrente em conjunto. Portanto, não se aplica o parágrafo  Fl. 4947DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.948          26 6°, do artigo 42 da Lei 9.430 de 1996, mas, sim, os artigos 124 e  125, do CTN, que versam sobre responsabilidade solidária.  Do agravamento da multa.   Conforme já constatado, o Sr.Wladimir Resstel e a Sra.Marlene  Coelho Resstel praticaram o uso de  interposta pessoa por meio  de  pessoas  que  constavam  como  sócios  da  Interessada  tão­ somente no contrato social. A utilização de interposta pessoa na  qualidade  de  sócio  meramente  formal  constitui  meio  preparatório  notoriamente  utilizado  para  lesar  o  Fisco,  notadamente,  quando  resta  comprovada,  em  concreto,  a  capacidade do agente de antecipar e prever os próximos passos  a serem realizados, quais sejam, os atos de execução.   Também  restou  comprovado  que,  a  despeito  da  vultosa  movimentação  financeira  demonstrada  às  fls.47167  e  4.145,  a  Interessada  só  entregou  a  declaração  de  rendimentos,  DIPJ,  referente ao ano calendário de 2002, fls.4.145 e 4.449.  A  prática  daqueles  atos  preparatórios  e  destes  de  execução  culminaram  com  a  efetiva  redução  ou  supressão  de  tributo,  caracterizando,  assim,  a  orientação  para  a  realização  da  infração, isto é, o evidente intuito de reduzir ou suprimir tributo.   Neste  sentido,  a  conduta  continuada  consistente  na  omissão  reiterada  na  entrega  de  declarações  de  rendimentos  opera  no  sentido  de  se  concluir  que  houve  a  intenção  de  impedir  totalmente,  o  conhecimento por parte da autoridade  fazendária  das  circunstâncias,  condições  e  demais  elementos  expressos  no  artigo 71, da Lei n'.4.502, de 1964.   A  conduta  que  tenha  a  finalidade  de  impedir  totalmente  o  conhecimento  da  autoridade  fazendária  da  ocorrência  do  fato  gerador,  ou das  condições pessoais  do contribuinte,  suscetíveis  de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário  correspondente obtendo­se corno resultado, a efetiva redução ou  a  supressão  de  tributo,  está  sujeita  à multa  agravada  aplicada  sobre  a  totalidade  ou  diferença  do  tributo  omitido,  conforme  artigo 44, parágrafo 1°., da Lei n'.9.430, de 1996.   Voto  pelo  agravamento  da  multa  conforme  determinado  pelo  parágrafo  1°,  do  artigo  44,  da  Lei  n'.9.430,  de  1996,  com  a  redação dada pela Lei no. 11.488, de 15 de  junho de 2007, no  percentual de 150%.  Do PIS, CSLL, e da COFINS.  Reconhecida  a  procedência  do  lançamento  do  IRPJ,  procedem  também  os  lançamentos  reflexos  do  PIS,  da  CSLL  e  da  COFINS, em virtude da relação de causa e efeito que os une.  Deve­se  registrar a correta capitulação  legal que embasou  estes lançamentos conexos.  Dos juros SELIC.  Fl. 4948DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.949          27 Determina o artigo 161 do CTN:  "Art.  161  ­ O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.   § 1º  ­ Se a lei não dispuser de modo diverso, os  juros de mora  são  calculados  taxa  de  1%  (um  por  cento)  ao  mês.  "(Grifado  agora)  A Lei n° 9.430, de 27/12/1996, veio assim dispor, ao prever no  artigo 61, § 3º , o seguinte:   "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora calculados à  taxa a que  se  refere o § 3° do art.  5°, a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo ate o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês do pagamento."  0 art. 5°, parágrafo 3°, da Lei 9.430/1996 preceitua que:   "§  3º  As  quotas  do  imposto  serão  acrescidas  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custodia  —  SEL1C,  para  títulos  federais,  acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do  segundo  mês  subseqüente  ao  do  encerramento  do  período  de  apuração ate o ultimo dia do mês anterior ao do pagamento e de  um por cento no mês do pagamento."  Quer  em  controle  incidental,  quer  em  ação  direta  de  inconstitucionalidade, até a presente data,  tais dispositivos não  foram declarados in constitucionais pelo Poder Judiciário.  Mais  uma  vez,  deve  ser  esclarecido  que  os  órgãos  da  Administração  não  tem  competência  para  declarar  a  inconstitucionalidade  de  ato  normativo  em  vigor,  visto  ser  tal  competência  exclusiva  do Poder  Judiciário.  Assim,  a  cobrança  de  juros  de mora  deve  ser,  por  força  de  lei,  com base  na  taxa  SELIC.   Conclusão.  Do  exposto,  VOTO  no  sentido  de  ser  o  LANÇAMENTO  PROCEDENTE, para exigir o crédito abaixo demonstrado:  IRPJ: R$2.789.015,63 com multa de oficio de 150%;  PIS: R$767.037,26 com multa de oficio de 150%;  Fl. 4949DF CARF MF Processo nº 15586.002293/2008­69  Acórdão n.º 1201­002.338  S1­C2T1  Fl. 4.950          28 COFINS: R$3.540.172,36 com multa de oficio de 150%;  CSLL: R$1.274.462,05 com multa de oficio de 150%;  O  Recorrente  não  comprovou  a  insubsistência  do  crédito  tributário,  ocasionando sua preservação integral, nem qualquer outro argumento jurídico que eximisse a  responsabilidade solidária.   O  interesse  comum  dos  recorrentes,  pessoas  físicas,  concernente  ao  ilícito  tributário,  foi  evidenciado  pelo  Termo  de  Verificação  Fiscal,  inclusive  com  recebimento  injustificável de valor do contribuinte principal, Montreal Comércio de Produtos Alimentícios  Ltda., impondo a responsabilidade solidária.   As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo  de  qualquer  perícia  ou  outra  diligência,  segundo  o  artigo  18  do Decreto  nº  70.235/1972.  A  Resolução nº 110­300.145 garantiu o exercício do contraditório e da ampla defesa, não advindo  qualquer prova ou fundamento jurídico, que contrariassem a auditoria fiscal.   Em  virtude  da  incidência  tributária  reflexa  sobre  a  receita  omitida,  identificada  pela  autoridade  fiscal,  mantém­se  a  exigência  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  contribuição  social  ao  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS).  Isto  posto,  voto  pelo  conhecimento  dos  recurso  voluntários,  rejeitando  a  nulidade arguida e, no mérito, NEGO­LHES PROVIMENTO.  (assinado digitalmente)  Rafael Gasparello Lima ­ Relator                                Fl. 4950DF CARF MF

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Numero do processo: 10314.723192/2017-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2013 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. ÔNUS DA PROVA. É imprescindível que alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­005.599  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de dezembro de 2018  Matéria  IPI  Recorrente  ELECTRO PLASTIC LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2013  VÍCIO  NO  ATO  ADMINISTRATIVO.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO.  A  motivação  e  finalidade  do  ato  administrativo  são  supridas  quando  da  elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e  as  provas  dos  fatos  constatados. As  discordâncias  quanto  às  conclusões  do  trabalho  fiscal  são matérias  inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a  existência  de  vícios  no  auto  de  infração  deve  apresentar­se  comprovada  no  processo.   ÔNUS DA PROVA.  É  imprescindível  que  alegações  contraditórias  a  questões  de  fato  tenham  o  devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode  pretender  ser  tida  como  verdade  a  existência  do  fato  alegado,  para  fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.  Este  Colegiado  é  incompetente  para  apreciar  questões  que  versem  sobre  constitucionalidade das leis tributárias.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 31 92 /2 01 7- 01 Fl. 363DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator.    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho  Nunes,  Salvador  Cândido  Brandão  Júnior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira  Duro  e  Valcir Gassen.    Relatório    Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  primeira instância que passo a transcrever.    Trata­se  de  IMPUGNAÇÃO  contra  auto  de  infração  lavrado  para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados –  IPI,  constituindo­se  os  respectivos  créditos  tributários  em  desfavor  da  contribuinte  epigrafada,  no  montante  total  de  R$  35.427.280,93,  consolidado  na  data  do  lançamento,  conforme  demonstrativo do crédito tributário.  O lançamento de ofício decorreu das seguintes infrações:  1.  FALTA  DE  ESCRITURAÇÃO  DE  DÉBITO  DE  IPI  LANÇADO  EM  NOTA  FISCAL  (TOTAL  OU  PARCIAL)  ­  DEMAIS PRODUTOS:  O  estabelecimento  industrial  deixou  de  escriturar  os  débitos  lançados  em  suas  notas  fiscais  de  saída,  em  desrespeito  à  legislação  do  imposto,  conforme  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  ­  IPI  anexo,  que  é  parte  integrante  e  indissociável deste auto.  2.  CRÉDITOS  INDEVIDOS  ­  ENTRADAS/AQUISIÇÕES  ­  CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO ­ DEMAIS PRODUTOS:  O  estabelecimento  industrial  creditou­se  indevidamente  de  créditos  básicos,  em  desrespeito  à  legislação  do  imposto,  conforme  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  ­  IPI  anexo, que é parte integrante e indissociável deste auto.  3. CRÉDITOS INDEVIDOS ­ OUTROS CRÉDITOS ­ CRÉDITO  INDEVIDO  (DEMAIS  MODALIDADES  DE  CRÉDITO)  ­  DEMAIS PRODUTOS  O  estabelecimento  industrial  creditou­se  indevidamente  de  demais modalidades de créditos, em desrespeito à legislação do  imposto, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal ­ IPI anexo, que é parte integrante e indissociável deste auto.  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  que instrui o auto de infração, o contribuinte foi autuado face à  incompatibilidade  de  valores  informados  no  RAIPI  (SPED  Fiscal)  e  nas  NFe,  fato  que  propiciou  diferenças  entre  os  créditos  de  IPI  apropriados  pela  fiscalizada  e  os  débitos  Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10314.723192/2017­01  Acórdão n.º 3301­005.599  S3­C3T1  Fl. 3          3 verificados  nas  respectivas  notas  fiscais  eletrônicas,  tendo  sido  constatada  a  escrituração  de  créditos  em  valores  bastante  superiores aos destacados nas NFe, o que levou a saldo devedor  de  IPI  muito  superior  ao  informado  e  pago.  Essas  incompatibilidades estão assim resumidas:    1.  Créditos  extemporâneos  não  comprovados  (R$  13.029.497,36);  2.  Créditos  escriturados  como  "outros  créditos"  não  comprovados (R$ 147.087,13);  3.  IPI  destacados  em  notas  fiscais  de  entradas  em  valores  inferiores ao escriturados pelo contribuinte (R$ 352.943,42);  Da mesma forma, foram analisados os valores destacados de IPI  das Notas Fiscais Eletrônicas de saídas, comparando­os com os  valores  declarados  na  Escrituração  Fiscal  Digital,  ambos  obtidos do repositório do SPED. Foram identificados débitos de  IPI na EFD inferiores aos débitos das NFe, no montante de R$  3.682,24.  Assim,  a  escrituração  foi  refeita  e  novo  cálculo  de  IPI  e,consequentemente,  apurados  novos  saldos  devedores,  que  foram objeto do auto de infração.  Regularmente cientificada do lançamento, a interessada, não se  conformando, apresentou impugnação, aduzindo, em sua defesa,  as razões sumariamente expostas a seguir.  ...  a  presente  autuação  não  merece  prosperar,  haja  vista  que  conforme respondido à  fiscalização no  primeiro momento  todos  os  dados  que  estava  a  requerer se encontravam nos arquivos magnéticos apresentados  no  SPED  Fiscal,  razão  pela  qual  caberia  exclusivamente  a  fiscalização  realizar  a  correta  análise  dos  dados  –  principalmente  no  que  tange  ao CFOP  e CST  lançados  ­  para  verificar  que  se  encontravam  corretos  os  créditos  aproveitados  pela empresa, que agiu dentro da mais estrita legalidade.  PRELIMINARMENTE  a) Da Nulidade do Auto de Infração  É  nulo  o  auto  de  infração  em  face  da  sua  manifesta  impropriedade,  especialmente  por  inexistência  de  justa  causa  para a sua  lavratura contra a Impugnante, por  inocorrência de  qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatória.  O artigo 37 caput da Carta Magna exige  como pressuposto de  eficácia  e  validade  de  todo  e  qualquer  ato  administrativo  a  moralidade,  impessoalidade e a  legalidade,  isto é, a prática do  ato sempre de acordo com a previsão legal; legalidade esta que  é inarredável no direito tributário em face da estrita vinculação  e regramento de todos os atos à lei.  Na verdade,  é da Constituição Pátria,  a garantia dos  cidadãos  que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase  administrativa  como  na  judicial,  não  podem  ser  submetidos  a  investidas ilegais.  Inexistindo justa causa para a lavratura do auto de infração sob  impugnação,  ilegítimo  e  nulo  se  apresenta  a  proposta  de  lançamento  que  ora  se  hostiliza,  cuja  pretensão  está  eivada de  nulidade  absoluta,  imprestabilizando  por  completo  a  exação  fiscal.  Fl. 365DF CARF MF     4 Isto porque, conforme já narrado, a presente autuação tem como  embasamento  créditos  não  comprovados  e  divergências  de  débitos e créditos entre escrita e nota fiscal eletrônica.  Contudo, o que se pode certificar é que a  referida autuação se  deu por meras presunções, ao não realizar uma análise detida de  todas as informações das notas fiscais, especialmente no que se  refere ao CFOP e CST.  E  mais,  as  informações  não  dependiam  de  forma  alguma  da  Impugnante  como  tenta  fazer  crer  a  fiscalização,  pois  se  encontram no BLOCO C do SPED Fiscal.  Portanto  verifica­se  que  o  auto  de  infração  não  contemplou  corretamente  em  sua  análise  todas  as  informações  das  notas  fiscais  apresentadas  no  SPED  Fiscal,  acarretando  um  lançamento nulo.  b) Nulidade do Auto de Infração – cerceamento de defesa  Como se pode observar no Termo de Verificação e Constatação  Fiscal,  no  que  se  refere  aos  itens  2.3  e  2.4  não  se  é  possível  determinar quais foram às notas físicas objeto de glosa.  Isso  por  que,  quanto  ao  item  2.3,  a  fiscalização  singelamente  dispõe  que  foram  identificados  créditos  de  IPI  escriturados  a  maior  das  notas  fiscais,  que  intimou  a  fiscalizada  para  esclarecer e como não houve resposta efetuou a glosa.  O mesmo  se aplicou ao  item 2.4 quanto aos débitos de  valores  inferiores escriturado versus as notas fiscais.  Com  efeito,  é  nítido  que  a  fiscalização  efetivou  apenas  um  cruzamento  de  informações  entre  Nota  Fiscal  Eletrônica  e  a  escrituração  do  IPI,  de  forma  nua  e  crua,  sem  fazer  qualquer  crivo  quanto  ao  CFOP,  NCM  ou  CST  das  sobreditas  notas  fiscais.  Sendo assim,  a  análise  dos  valores  de  apuração  do  IPI  se  deu  baseada nas Notas Fiscais Eletrônicas (do repositório SPED) em  comparação  com  os  valores  informados  pelo  contribuinte  na  Escrituração Fiscal Digital, entregue em 31/03/15.  Explica­se,  em  hipótese  que  algum  desses  valores  mensais  adviesse de nota fiscal de devolução, no qual a empresa tomou o  crédito e encontrava­se com CFOP de 5202 e não de aquisição  1.101?!?!?  Dessa feita, a fiscalização realizou a glosa de valores de IPI, que  a Impugnante não possui meios de se defender.  Destarte,  como  pode  ser  a  Impugnante  penalizada  por  não  recolhimento  do  IPI,  se  sequer  é  possível  identificar  quais  as  notas fiscais que foram glosadas?!?!?!  Assim,  considerando  que  o  auto  de  infração  traz  elementos  genéricos, que não especificam com clareza a origem das glosas  realizadas, impossibilitando que a Impugnante exerça seu direito  de defesa, deve ser declarado nulo de pleno direito.  c) Nulidade da autuação por transcurso de prazo  Conforme  se  verifica  nos  documentos  anexados  a  autuação,  a  Impugnante  foi  intimada  sobre  o  início  da  fiscalização  e  solicitação de documentos em JUNHO DE 2016.  Em  resposta  a  primeira  intimação  recebida  a  Impugnante  respondeu  dispondo  que  as  informações  solicitadas  encontravam­se no SPED Fiscal.  Posterior  a  isso  advieram novas  intimações  sempre  solicitando  informações  já  declaradas  pela  empresa  em  seu  SPED  Fiscal,  mas especificamente, no BLOCO C.  Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10314.723192/2017­01  Acórdão n.º 3301­005.599  S3­C3T1  Fl. 4          5 A exemplo tem­se a intimação de nº 07 a qual solicita planilha  mês  a mês  de  débito  e  crédito  de  IPI  incluindo  data,  nº  NF­e,  CFOP  e  CNPJ  do  participante,  valor  da  NF­e,  valor  do  IPI  destacado  e  chave  da  NF­e.  Informações  essas  devidamente  registradas no BLOCO C do SPED.  Dessa forma, verifica­se que todas as intimações que ocorreram  no curso da fiscalização diziam respeito única e exclusivamente  a informações já prestadas pela empresa contribuinte constantes  da  base  de  dados  da  Receita  Federal,  Portanto,  totalmente,  inócuas!!!  Em  assim  sendo,  resta  evidente  a  total  ausência  de  motivação  para  fiscalização  perdurar  por UM ANO E  SEIS MESES  para  analisar, que se diga de forma ainda deficitária o SPED Fiscal  da Impugnante.  Nesse  diapasão,  foi  assegurado  ao  contribuinte  mediante  a  Emenda Constitucional nº 45 alterou o artigo 5º da Constituição  Federal  em  respeito  ao  princípio  constitucional  da  duração  razoável  do  processo,  dispondo  que:  “LXXVIII  ­  a  todos,  no  âmbito  judicial  e  administrativo,  são  assegurados  a  razoável  duração do processo  e os meios que garantam a  celeridade de  sua tramitação”. (grifos nossos)  Dessa forma, tem­se que o procedimento fiscal ora em combate,  é nulo de pleno de direito, pois extrapolou todos os limites legais  de duração, visto que se encerrou UM ANO E SEIS MESES após  o primeiro termo de intimação, para analisar o SPED Fiscal da  Impugnante.  Frisa­se  Nobre  Julgadores  que  o  que  a  fiscalização  exigia  em  seus  termos eram dados  que  já  possuía  em  sua  base  de  dados,  bastando para tanto analisá­los.  Assim,  de  acordo  com  o  princípio  da  vinculação  dos  atos  administrativos,  a  autoridade  competente,  quando  frente  à  imposição legal que lhe atribui um fazer, deve agir atendo­se aos  limites impostos pela norma.  Dessa  forma,  tem­se  que  pelos  princípios  norteadores  dos  atos  administrativos,  em  especial  os  da  razoabilidade,  legalidade  e  eficiência,  resta  evidente  que  a  presente  autuação  é  NULA  de  pleno direito, por ter extrapolado os limites de duração razoável  do  processo  imposto  no  artigo  5º,  inciso  LXXVII  da  Carta  Magna.  d) Do Benefício “In Dubio Contra Fiscum”  O  artigo  112  do  Código  Tributário  Nacional  expõe  um  dos  princípios mais importantes contra a atuação abusiva do Fisco,  que prescreve  exemplificadamente algumas situações “in dúbio  contra fiscum”.  A  lei em questão é a mais clara possível, estabelecendo que no  caso  de  dúvidas  a  interpretação  será  sempre  em  favor  do  contribuinte,  desrespeitando  “in  totum”  a  Autoridade  Pública  este princípio inerente às normas “stricto sensu”, que andam em  conjunto com o princípio da reserva legal.  Os fatos que deram suporte à Autuação e via de consequência a  presente Impugnação, bem como às circunstâncias materiais do  fato, levam a concluir que podem remanescer dúvidas no tocante  a  capitulação  legal  do  fato  e  suas  circunstâncias  materiais  e,  Fl. 367DF CARF MF     6 também para  o  caso  aplica­se  o  princípio  do “in  dúbio  contra  fiscum” como acima já exposto.  Como  é  de  praxe  para  na  matéria  tributária,  o  contribuinte,  considerado a  parte mais  fraca  nesta  relação,  tem ao  seu  lado  princípios  que  equilibram  a  relação  entre  as  partes,  fato  este  inerente  aos  regimes  dos  Estados  Democráticos  que  buscam  através dos Direitos e Garantias Individuais frear a atuação do  Estado em detrimento dos interesses particulares.  Assim, antes de adentrarmos no mérito e discussão de toda esta  matéria,  sempre que houver dúvida quanto à  formação de uma  idéia, deverá a mesma sempre pender para o lado favorável do  contribuinte, que é e sempre será a parte mais fraca na relação  Fisco – Contribuinte.  DO MÉRITO  a) Direito ao crédito do IPI – tributo não cumulativo – previsão  constitucional A autuação ora em combate dispõe em seus itens  2.1, 2.2 e 2.3, que a Impugnante estaria se utilizando de créditos  indevidos de IPI.  A Constituição fez do IPI e do ICMS, tributos "não­cumulativos"  exatamente  porque  os  submeteu  a  um  regime  jurídico  cujos  efeitos são produzidos em função de um determinado sistema de  abatimentos.  Verifica­se, que o princípio da não­cumulatividade não se  trata  de uma criação  legal, mas sim constitucional, portanto, não há  nada  no  plano  legal  ou  infralegal,  que  possa  afetar  o  direito  constitucional ao crédito do IPI.  O  princípio  da  não­cumulatividade,  concedido  ao  contribuinte,  não  pode  ser  alterado  ou  restringido  por  nenhum  tipo  de  lei  (complementar ou  ordinária),  e muito menos,  por  qualquer  ato  administrativo.  Desta  forma,  descabe  a  autoridade  fiscal  fazer  interpretação  extensiva  sobre  o  princípio  da  não  cumulatividade  como  fez  a  fiscalização,  exigindo  que  a  Impugnante  tenha  que  responder  pelo  pagamento  do  Auto  de  Infração  em  razão  de  haver  se  creditado  do  IPI,  visto  que  tal  ato  desrespeita  in  tontum  os  princípios constitucionais da não cumulatividade.  Portanto, com base no princípio da não cumulatividade do IPI,  insculpido  na  Carta  Magna,  não  merece  prosperar  a  presente  autuação, pelo  simples  fato da  fiscalização não concordar  com  os créditos lançados pela Impugnante.  b)  Autuação  com  bases  em  meras  presunções  –  vedação  Considerando  ainda  que  o  IPI  é  um  tributo  não  cumulativo,  verifica­se  cristalinamente  que  a  presente  autuação  se  deu  através  de  uma  análise  deficitária  das  informações  lançadas  pela  Impugnante  no  SPED  Fiscal  apresentado,  ensejando  em  uma autuação presumida.  E  isso  porque,  a  fiscalização  realizou  as  glosas  sobre  os  argumentos que verificou diferenças entre valores registrados na  apuração  e  notas  fiscais,  intimou  o  contribuinte  sobre  as  diferenças  sem  sucesso,  razão  pela  qual  os  valores  de  IPI  lançados seriam devidos.  Com efeito, resta evidente que a  fiscalização realizou de  forma  singela  somente  um  cruzamento  de  informações  sobre  a  totalidade dos  valores das notas  fiscais,  sem  fazer um crivo ou  análise  apurada  dos  demais  elementos  constantes  das  notas  fiscais, tais como NCM, CST e CFOP.  Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10314.723192/2017­01  Acórdão n.º 3301­005.599  S3­C3T1  Fl. 5          7 Cabendo ressaltar, que todas essas informações complementares  fazem  parte  do  BLOCO  C  do  SPED  Fiscal,  consignando­se  assim que a  fiscalização possuía  todos os  elementos para  fazer  esses confrontos de dados e assim não o fez.  Forma  essa  que  a  única  conclusão  que  se  chega  é  que  o Ente  Autuante elaborou uma autuação após UM ANO E SEIS MESES  com bases em meras presunções.  Sabido  se  é  que  a  presunção  de  legitimidade  do  ato  administrativo  é  relativa,  e  para  que  haja  validade  se  faz  necessário  que  o  lançamento  tenha  sido  precedido  de  todas  as  investigações  eventualmente  necessárias  e  que  o  fato  gerador  tenha  sido  identificado  nos  seus  vários  aspectos  subjetivo,  material,  quantitativo,  especial,  temporal,  pois  só  com  essa  prévia identificação é que o tributo pode ser lançado.  O que não  se vê no  caso em  tela,  pois  como dito  e  repete­se o  cruzamento  se  deu  com  os  valores  totais  de  cada  mês,  sem  verificar os demais elementos necessários da nota  fiscal  (NCM,  CST ou CFOP).  Ademais, a presunção relativa de validade do ato administrativo  não  pode  gerar  a  falsa  idéia  de  que  toda  dúvida  porventura  existente  tenha  que  ser  resolvida  favoravelmente  à  Fazenda  Pública ou mesmo de que o ônus de provar sempre recai sobre o  Autor, exigindo­se prova negativa.  Assim, não se pode admitir que seja atribuído ao contribuinte o  ônus de provar que a atividade que a atividade que poderia ser  fiscalizada pelo fisco não existe ou mesmo que deixou de existir,  sob pena de se transferir para o contribuinte o ônus de produzir  prova negativa, ou mesmo impossível.  Ressalte­se  que  a  necessidade  de  fundamentação  concreta  e  comprovada da ocorrência do  fato gerador decorre da própria  natureza  da  fundamentação  do  ato  administrativo  e  dos  elementos  necessários  ao  exercício  do  direito  de  defesa  do  contribuinte.  Não cabe ao contribuinte provar a inocorrência do fato gerador,  incumbe ao fisco, isto sim, demonstrar sua ocorrência.  Portanto, não se deve alargar as conseqüências das presunções  a  favor  do  fisco,  como  a  presunção  de  validade  do  ato  administrativo  de  lançamento,  sob  pena  de  se  exigir  do  contribuinte  prova  negativa  de  impossível  produção,  não  se  justificando  atribuir  esse  ônus  ao  contribuinte,  quando  é muito  mais fácil exigir a prova do fato positivo, por exemplo, a prova  da ocorrência do fato gerador.  Destarte,  para  que  um  ato  administrativo  gere  presunção  de  validade, fazendo com que ocorra inversão do ônus da prova em  desfavor  do  contribuinte,  é  necessário  que  esse  ato  seja  fundamentado, com motivação de sua ocorrência e embasado em  dados concretos, que têm que estar especificados.  De outra banda, caso o ato administrativo não seja devidamente  fundamentado, o contribuinte não deve ser obrigado a produzir  prova  negativa,  de  impossível  produção,  sendo­lhe  suficiente  demonstrar  que  a  ocorrência  do  fato  gerador  não  restou  comprovada  pela  Administração,  não  sendo  justo  fazer­lhe  qualquer exigência em sentido contrário. Essa demonstração por  parte  do  contribuinte  é  suficiente  para  demonstrar  que  o  Fl. 369DF CARF MF     8 processo de constituição do crédito não foi regular, refutando a  presunção de validade do lançamento tributário.  Como dito e repete­se, é exatamente o caso do auto de infração  em combate, onde a fiscalização embasa­se somente no fato que  verificou  a  diferença  de  forma  genérica  (sem  analisar  nota  a  nota, CST, CFOP e NCM), intimou o contribuinte e sem resposta  efetivou  a  glosa,  num  total  ato  de  presunção  relativa,  sem  a  fundamentação adequada e obrigando ao contribuinte produzir  provas negativas.  Ora, Nobre Julgador, vê­se que a sanção não pode ser pautada  por  mera  presunção,  deve­se  apoiar  em  fatos  reais,  ou  seja,  esses  procedimentos  adotados  sem parâmetros  legais  não  pode  ser conjeturado pelo Fisco.  Diante  o  exposto  verifica­se  que  o  auto  de  infração  não  deve  prevalecer,  pois  baseado  em  meros  indícios  sem  a  fundamentação  necessária  estando  ausentes  os  elementos  necessários  para  regular  constituição  do  crédito  tributário,  o  qual deverá ser julgado totalmente improcedente.  c) Multa Agravada – Inaplicabilidade  A autuação imposta em desfavor a Impugnante foi no percentual  de 75% agravada em mais 50% totalizando 112,5%.  Com  efeito,  resta  evidenciado  que  a  aplicação  da  multa  agravada de 50% sobre o valor da multa imposta, não encontra  supedâneo  fático  e  jurídico,  visto  que  a  fundamentação  para  tanto fora o não atendimento a alguns termos de intimações.  Contudo,  como  já  fartamente  destacado  na  presente  defesa  as  informações  requeridas  pela  fiscalização  já  se  encontravam na  base  de  dados  da Receita Federal  do Brasil  face  a  entrega  do  SPED Fiscal, bastando que a fiscalização realizasse uma análise  mais apurado do BLOCO C, ou seja, verificar os NCMS, CST e  CFOP  além  do  simples  cruzamento  sobre  os  valores  totais  mensais versus notas fiscais eletrônicas.  Os  pleitos  supra  não  deixam  dúvidas  que  a  fiscalização  transferiu  ao  contribuinte/Impugnante  o  dever  que  lhe  cabe,  solicitando  a  elaboração  de  planilhas  que  deveriam  ser  realizadas pela autoridade administrativa através da análise das  notas  fiscais  lançadas  e não ao contribuinte,  considerando que  todas  as  informações  constavam  na  base  de  dados  da  Receita  Federal.  Portanto,  considerando  que  de  acordo  com  os  preceitos  legais  trata­se de competência privativa da autoridade administrativa a  realização  do  lançamento  determinando  a  matéria  tributável,  resta  evidente  a  ausência  dos  pressupostos  necessários  para  aplicação da multa agravada em 50%, tendo em vista que todas  as  informações  requeridas  nas  intimações  realizadas  já  se  encontravam em poder da fiscalização, evidenciadas no BLOCO  C do SPED Fiscal.  d) Multa Agravada ­ Afronta aos Princípios Constitucionais  Nada  obstante,  a  inaplicabilidade  da  multa  agravada,  deve­se  constar  que  as  multas  em  patamares  exacerbados,  que  ultrapassem o valor do próprio tributo, como no caso em tela em  112,5%, ferem indubitavelmente o principio do não confisco.  A  Carta  Magna  é  clara  em  reprimir,  o  animus  predatório  do  Fisco  que,  busca  através  da  multa,  engordar  seus  cofres  públicos,  alegando  que  multa  não  é  tributo,  portando  não  é  passível da vedação do não confisco.  Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10314.723192/2017­01  Acórdão n.º 3301­005.599  S3­C3T1  Fl. 6          9 O  princípio  do  não­confisco  revela­se  corolário  cristalino  do  clássico  princípio  da  capacidade  contributiva,  que  tanta  relevância  adquiriu  em  nosso  ordenamento.  O  confisco  seria  desproporcional à capacidade contributiva, seria aniquilamento  desta, o que violaria a graduação determinada pela Lei Maior.  O  Princípio  da  Razoabilidade  que,  deve  servir  de  barreira  limitativa  à  discricionariedade  da  Administração  Pública,  especialmente  diante  de  casos  em  que  ocorre  a  aplicação  de  “sanções  desproporcionais  ou  inadequadas  em  relação  às  infrações  praticadas”,  algo  que  “ocorre  no  caso  de  penas  pecuniárias,  que  devem  ser  fixadas  em  limites  razoáveis,  de  modo  a  não  assumir  caráter  confiscatório.  Nem  onerar  excessivamente a atividade profissional exercida licitamente”.  A  Lei  nº  9.784/99  trata  das  regras  e  princípios  do  processo  administrativo e prevê os princípios elementares que devem ser  observados  em  situações  como  a  presente,  tais  como  os  da  razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º, parágrafo único,  inciso  VI),  a  fim  de  determinar  a  observância  do  critério  da  “adequação  entre  os  meios  e  os  fins”,  núcleo  central  da  razoabilidade,  e  vedar  “imposição  de  obrigações,  restrições  e  sanções em medida superior àquela estritamente necessárias ao  atendimento do interesse público”, revelando com isto o núcleo  da noção de proporcionalidade.  Posto  isto,  requer  que  seja  totalmente  extirpada  da  presente  autuação  a  multa  agravada  aplicada  em  desfavor  da  Impugnante,  tendo  em  vista  a  afronta  aos  princípios  constitucionais  da  razoabilidade,  proporcionalidade  e  não  confisco.  e) Multa agravada – inconstitucionalidade – decisão STF  Ad  argumentandum,  e  como  já  exposto  a  multa  exigida  pela  fiscalização  supera  o  valor  do  próprio  tributo  glosado,  o  que  quer dizer que tem caráter confiscatório.  Tal  assertiva  já  foi  decidida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF  em  repercussão  geral,  o  que  dizer  que  o  CARF  deve  reconhecer  a  inconstitucionalidade  da  multa  cobrada  ao  patamar de 112,5%, nos termos do Regimento Interno do CARF,  artigo  62,  e  restabelecê­la  ao  patamar  de  75%,  caso  entenda  cabível a penalidade ao caso.  Em  linhas  gerais,  resta  configurado  o  efeito  confiscatório  quando a aplicação da norma tributária excede o limite racional  e  econômico  da  fonte  de  arrecadação  a  ponto  de  colocar  sua  sobrevivência  em  risco,  ou  quando  a  sua  aplicação  não  se  justifica.  Destaque­se,  ainda,  que,  como  decorrência  dos  princípios  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade,  é  imperioso  que  nos  processos  administrativos  seja  adotado  critério  da  vedação  da  aplicação  de  multas  em  medida  superior  àquelas  estritamente  necessárias ao atendimento do interesse público.  Neste  sentido,  o  artigo  3º  do  Código  Tributário  Nacional  estabelece  que  o  tributo  é  uma  prestação  pecuniária  que  não  constitui  sanção  por  ato  ilícito.  Por  esse motivo,  o  tributo  não  pode ser utilizado para punir, da mesma  forma que as  sanções  não  podem  ser  utilizadas  como  instrumento  de  arrecadação  disfarçado.  Assim,  por  mais  grave  que  seja  o  ilícito  praticado  Fl. 371DF CARF MF     10 não  se  justifica  a  imposição  de  penalidade  que  reduza  o  patrimônio  do  sujeito  passivo  de  forma  desproporcional  à  infração.  A  questão  chegou  ao  Supremo  Tribunal  Federal  (“STF”)  ao  tomar  conhecimento  do Recurso Extraordinário  nº  582.461,  no  qual  se  discutia  o  patamar  adequado  das  multas  tributárias.  Dada  à  relevância  da  matéria,  o  Tribunal  decidiu  que  o  caso  deveria  ser  julgado  com  repercussão  geral,  consoante  decisão  publicada no Diário da Justiça Eletrônico em 05.02.2010.  Em  18.05.2011,  a  Corte  decidiu  que  (i)  uma  multa  fixada  ao  patamar  de  20%  é  adequada  à  Constituição  Federal,  mas  (ii)  uma multa maior  que  100%  deve  ser  reputada  confiscatória  e,  como tal, rechaçada do ordenamento jurídico brasileiro.  Conclui­se,  portanto,  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  julgou  inconstitucional  multas  que  superem  o  valor  do  tributo.  Não  importa  se  as  multas  digam  respeito  à  simples  falta  de  pagamento  de  tributo,  ou  se  refira  a  caso  onde  se  apresenta  fraude, conluio ou sonegação.  Em  consonância  o  exposto  acima,  tal  entendimento  deverá  ser  aplicado ao caso em tela, haja vista que o próprio artigo 62, §  2º,  do  atual  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015,  reconhece  a  necessidade  da  uniformização das  decisões  proferidas  na  forma do art.  543­B,  do  CPC/1973,  ou  do  art.  1.036  do  CPC/2015,  e  determina  a  aplicação e obediência do entendimento exarado pelos Tribunais  Superiores sob essa sistemática:  Por conseguinte, deve­se afastar a cobrança da multa agravada  no percentual de 112,5%, dado que supera o patamar de 100%  do  valor  do  tributo,  consoante  os  precedentes  jurisprudenciais  citados e do quanto disposto no Regimento do CARF.  Deve­se  notar,  por  fim,  que  não  deve  ser  aplicada  ao  caso  a  Súmula CARF nº 02, segundo a qual o CARF “não é competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária”,  dado  que  tal  entendimento  é  derrogado  pelas  disposições  regimentais  que  se  aplicam  no  caso  específico  em  análise.  f) Da Inaplicabilidade dos Juros Sobre a Multa  Nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei n.º 9.430/9614,  resta  evidente  que  somente  são  admitidos  os  acréscimos  moratórios  referentes  aos  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias.  Ademais, impede ressaltar que a multa, por sua natureza, não se  presta  para  repor  o  capital  alheio,  mas  sim  para  punir  o  não  cumprimento da obrigação. O termo "punir" deve ser entendido  no  sentido  de  conferir  eficácia  à  norma  primária,  é  dizer,  a  fixação  de  multa  adverte  o  devedor  de  que  a  inexecução  da  obrigação  sofrerá  encargos,  tornando  o  cumprimento  a  destempo mais oneroso.  Os  juros,  sim,  possuem  natureza  essencialmente  indenizatória,  tanto  que,  diferentemente  da  multa,  incidem  no  tempo,  exatamente para refletir o prejuízo do credor com a privação do  seu capital.  Assim,  não  há  como  se  admitir  a  incidência  de  juros  sobre  a  multa, na medida em que, por definição, se os juros remuneram  o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir  apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e  não foi.  Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10314.723192/2017­01  Acórdão n.º 3301­005.599  S3­C3T1  Fl. 7          11 Isto é, o único pressuposto da cobrança dos juros decorre da não  transferência  voluntária  e  dentro  do  prazo  legal  do  capital  do  contribuinte  aos  cofres  públicos.  Excetuando­se  essa  situação,  qualquer incidência de juros revela­se abusiva e arbitrária, por  ausência  de  seu  pressuposto  de  fato,  qual  seja,  a  reposição  de  capital.  Evidente  que  os  juros  não  existem  por  si  só  e  não  podem  ser  aplicados  aleatoriamente  sobre  qualquer  evento.  Decorrem,  antes de tudo, de uma obrigação principal. O mesmo ocorre em  relação  à  multa,  que  só  será  devida  se  existir  uma  obrigação  anterior não quitada no prazo legal.  Os  juros  não  podem  incidir  sobre  a  multa,  já  que  essa  penalidade  não  retrata  obrigação  principal,  mas  sim  encargo  que  se  agrega  ao  valor  da  dívida,  como  forma  de  punir  o  contribuinte.  De  fato,  a  multa  está  prevista  no  consequente  da  norma  secundária, cujo objetivo é atribuir eficácia ao cumprimento da  obrigação  estabelecida  na  norma  primária.  A  se  admitir  a  incidência  de  juros  sobre  multa  (ambos  previstos  em  norma  secundária), estar­se­ia desvirtuando completamente a natureza  e  a  própria  finalidade  da  norma  secundária  (que  não  se  volta  para  si  mesma,  mas  sim  para  a  norma  primária).  Ademais,  a  aplicação  de  tal  percentual,  de  forma  ilimitada,  sobre  o  principal  e  sobre  a  multa,  acarreta  verdadeira  afronta  ao  princípio  constitucional  do  não­confisco,  bem  como  viola  o  direito  de  propriedade,  já  que  faz  incidir  juros  exorbitantes  sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada!  DA IMPARCIALIDADE DESTE JULGAMENTO  O  Princípio  da  Igualdade,  também  deve  ser  aplicado  nos  julgamentos  de  Instância  administrativa,  promovendo  uma  análise  objetiva  e  imparcial  dos  fatos  e  meios  legais  alegados  por ambas as partes.  Um  julgamento  imparcial  é  DIREITO  DO  CONTRIBUINTE,  ORA  ACUSADO,  dentro  dos  fatos  argüidos  tanto  pela  Impugnada  como  pela  Impugnante,  aguardando­se  uma  motivação dentro do que foi pautado pelas partes.  Assim  nada  mais  justo  que  o  julgamento  improcedente  da  presente  demanda,  como  medida  de  justiça  e  aplicação  de  determinação judicial.  Ao  final, requereu que  todas as  intimações e publicações sejam  realizadas  em  nome  do  advogado  Dr.  Aguinaldo  da  Silva  Azevedo  ­ OAB/SP nº 160.198, com endereço a Rua Riachuelo,  96 4º andar, Centro ­ São Paulo/SP ­ CEP. 01007­000.    A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  manteve  integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2013  MATÉRIA NÃO CONTESTADA.  Considera­se como não contestada a matéria que não tenha sido  expressamente questionada.  Fl. 373DF CARF MF     12 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.  Não  procedem  as  argüições  de  nulidade  quando  não  se  vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59  do Decreto nº 70.235/72.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  CERCEAMENTO  DO DIREITO DE DEFESA.  Não  se  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  se  o  conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito  de  resposta  ou  de  reação  se  encontraram  plenamente  assegurados.  ÔNUS DA PROVA.  É imprescindível que alegações contraditórias a questões de fato  tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova  o  que  afirma,  não  pode  pretender  ser  tida  como  verdade  a  existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que  atenda ao pedido feito  MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  A vedação ao confisco pela Constituição Federal  é dirigida ao  legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar  a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.  ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.  Argüições  de  inconstitucionalidade  refogem  à  competência  da  instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo  Tribunal  Federal  declarando  a  inconstitucionalidade  da  lei  ou  ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora  afastar a sua aplicação.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido      Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações  apresentadas na impugnação.    É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  merecendo, por isto, ser conhecidas.    PRELIMINARES    A  Recorrente  alega  em  sua  defesa,  em  sede  preliminar,  a  existência  de  nulidade  do  auto  de  infração  em  razão  da  ausência  de  motivação  e  suporte  probatório,  Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10314.723192/2017­01  Acórdão n.º 3301­005.599  S3­C3T1  Fl. 8          13 afirmando a ausência de materialidade e dos pressupostos básicos e cerceamento do direito ao  contraditório e à ampla defesa.  Entendo não assistir razão ao recurso. A Recorrente foi intimada do auto de  infração,  das  motivações  da  fiscalização  para  o  lançamento,  da  base  legal  que  lastreia  a  exigência fiscal e os motivos para aplicação das penalidades.   A  Recorrente  protocolou  sua  impugnação  questionando  as  afirmações  da  Fiscalização  que  motivaram  o  lançamento  e  após  a  decisão  da  DRJ  apresentou  recurso  voluntário  trazendo  os  mesmos  questionamentos  que  foram  objeto  da  exigência  fiscal  e  de  julgamento pela primeira instância. Não vislumbro nenhum questão que possa levar a nulidade  da  exigência  fiscal.  As  motivações  estão  bem  delineadas  e  bem  aclaradas,  as  alegações  da  recorrente  que  não  pode  exercer  plenamente  a  sua  defesa  não  podem  prosperar  diante  dos  procedimentos  adotados  em  estrita  obediência  ao  Processo  Administrativo  Fiscal,  onde  foi  garantida  à  Recorrente  ampla  e  plena  defesa,  trazendo  as  alegações  que  questionam  o  lançamento fiscal e ainda sendo­lhe franqueado apresentar documentos que possam corroborar  e atestar a veracidade das suas afirmações.   A simples alegação de que a Fiscalização não adotou os procedimentos que  entende  a Recorrente  seriam os mais  corretos  e ainda, que não pode se manifestar durante  a  fiscalização não implica em vício no lançamento. Para discutir a exigência fiscal constante do  auto  de  infração,  basta  o  contribuinte  utilizar  os  procedimentos  previstos  no  Decreto  nº  70.235/72, e foi o que fez a Recorrente ao impugnar o lançamento, momento a partir da qual é  permitido à Recorrente apresentar seus argumentos de defesa, documentos e informações que  entende  serem suficiente para  refutar  as  conclusões da Fiscalização. A plenitude de defesa  é  assegurada  durante  o  Processo  administrativo  Fiscal,  onde  a  Recorrente  possui  todas  as  prerrogativas  necessárias  a  sua  defesa.  Assim,  não  existe  vício  no  lançamento  fiscal.  As  afirmações quanto as divergências das conclusões da Fiscalização forma o litígio fiscal que e  apreciado nos ritos previstos no Decreto nº 70.235/72. O que se mostra corretamente adotado  no  presente  processo.  Assim,  não  existe  nenhuma  nulidade  no  procedimento  fiscal  ou  no  instrumento de exigência, estando todo o procedimento dentro das normativas do PAF.    Ainda  em  preliminar  a  Recorrente  pede  a  aplicação  do  art.  112  do  CTN.  Também nesta matéria não assiste razão ao recurso. O CTN ao aplicar o entendimento de fato  em  dúvida  privilegiar  o  entendimento  do  contribuinte,  tem  aplicação  nas  situações  em  que  existe dúvida quanto a  tipificação e aplicação de penalidade. No caso em tela, a autuação foi  tipificada de forma cristalina e a motivação para a exigência fiscal está claramente identificada  no auto de infração. Ademais, a Recorrente como se verá no decorrer deste voto, não apontou  nenhuma  irregularidade  na  apuração  fiscal,  restringindo­se  a  afirmações  genéricas  sobre  o  lançamento  o  que  demonstra  de  forma  evidente  que  existe  alguma  dúvida  razoável  sobre  o  lançamento que pudesse levar a aplicação do principio insculpido no CTN, portanto para esta  matéria não pode prosperar o recurso.      MÉRITO    Fl. 375DF CARF MF     14   Quanto  ao  mérito  da  exigência,  a  teor  do  relatado,  a  Fiscalização  fez  várias  intimações  à  Recorrente  que  não  obtiveram  nenhuma  resposta.  Foram  realizadas  intimações aos sócios  responsáveis pelas empresas que  também não  responderam. Por  fim, a  Recorrente  teve  seu  endereço  atualizado  nos  sistemas  da  Receita  Federal  e  novamente  foi  intimada  a  apresentar  esclarecimento  quanto  a  apuração  do  IPI.  A  Recorrente  apresentou  informações  muita  aquém  daquelas  solicitadas  pela  Fiscalização.  Novamente  reintimada  a  esclarecer a apuração de IPI e mais uma vez a Fiscalização ficou sem respostas.   Diante de tantas intimações e sem as informações que deveriam ser prestadas  pela  auditada,  a  Fiscalização  a  partir  das  informações  obtidas  no  Sistema  Público  de  Escrituração  Digital  ­  SPED  realizou  as  apurações  do  IPI,  identificando  diversas  irregularidades  na  apuração  do  IPI  e mais  uma  vez  intimou  a Recorrente  para manifestar­se  sobre as conclusões da Fiscalização e a mais uma vez a Recorrente não se manifestou.  O histórico da Fiscalização que foi aqui resumido em apertada síntese e pode  ser verificado em detalhes no Termo de Verificação Fiscal não deixa nenhuma dúvida quanto  as  irregularidades  na  apuração  do  IPI  e  o  detalhado  trabalho  fiscal  não  foi  em  nenhum  momento questionado de forma objetiva pela Recorrente.  As  alegações  do  recurso  que  são  chamadas  de  alegações  de  mérito  pela  Recorrente nada mais são do que matérias genéricas, pois afirma que a não cumulatividade do  IPI é matéria constitucional e a partir desta afirmação conclui que o lançamento fiscal precisa  ser  cancelada,  sem  apresentar  a mínima  contestação  ao  trabalho  fiscal,  sem  apontar nenhum  erro de cálculo ou mesmo uma simples alegação quanto aos documentos fiscais utilizados pela  Fiscalização na apuração do IPI devido.  A  outra  afirmação  da  Recorrente  por  ela  considerada  matéria  de  mérito  afirma que não existe suporte probatório ao  lançamento. A alegação é de uma  inconsistência  impressionante diante de todas as intimações realizada pela Fiscalização e o trabalho detalhado  da  auditoria  fiscal,  com  a  indicação  da motivação  do  lançamento  e  dos  documentos  fiscais  extraídos do SPED. O auto de infração esta lastreado em farta documentação comprobatória e  o recurso mais uma vez limita­se a afirmações genéricas, sem apontar efetivamente nenhuma  matéria quanto a apuração e os documentos utilizados no lançamento.      A  Recorrente  tenta  omitir­se  da  sua  responsabilidade  sobre  o  procedimento  adotado  para  apuração  do  IPI,  quando  a  apuração  da  exigência  fiscal  foi  lastreada em lançamentos contábeis realizados na sua escrituração, sendo que o recolhimento  reiterado em valores inferiores aos devidos e ainda a ausência de esclarecimento após diversas  intimações da Fiscalização, configura o aumento da multa em 50% nos termos previstos no art.  44, § 2º , inciso I da Lei nº 9.430/96.    Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata:   II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal  a) na  forma do art.  8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10314.723192/2017­01  Acórdão n.º 3301­005.599  S3­C3T1  Fl. 9          15 apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  ...  §  2o  Os  percentuais  de  multa  a  que  se  referem  o  inciso  I  do  caput  e  o  §  1o  deste  artigo  serão  aumentados  de metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pela  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta Lei.      As  alegações  da  Recorrente  para  afastar  a  sua  responsabilidade  sobre  as  infrações cometidas não pode prosperar,  sendo  responsável pelos  tributos  indevidamente não  recolhidos e pelas infrações qualificadas aplicadas sobre tais procedimentos.  Quanto  as  exigências  tributárias  e  as  multas  aplicadas,  a  Recorrente  tece  diversos  argumentos  alegando  a  irrazoabilidade  da  exigência,  o  caráter  confiscatório  que  ofenderia  a  princípios  constitucionais.  Esta  matéria  não  pode  ser  objeto  de  análise  por  este  colegiado, diante da edição da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que  veda o pronunciamento sobre inconstitucionalidade de lei tributária.    “Súmula CARF nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária”      Juros sobre a multa de ofício    Alega ainda, a Recorrente, suposta ilegalidade na exigência de juros sobre a  multa de ofício. Também quanto a esta matéria não assiste razão ao recurso. A multa de ofício  é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento,  a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz  jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora,  o  crédito não  integralmente pago no vencimento,  não  existindo nenhuma determinação  legal  para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há  como separar a multa de ofício do total do crédito exigido.  A matéria já foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da Câmara Superior de  Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão nº 9101­001.350, na sessão do dia 15 de maio de 2012,  Fl. 377DF CARF MF     16 quando foi decidido pela  incidência dos  juros de mora sobre a multa de ofício. A ementa do  citado acórdão ficou assim redigida.   "JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  No  lançamento  de  ofício,  o  valor  originário  do  crédito  tributário  compreende  o  valor  do  tributo  e  da  multa  por  lançamento  de  ofício.  Sobre  a  multa  por  lançamento  de  oficio  não  paga  no  vencimento  incidem  juros  de  mora.  Em  se  tratando  de  débitos  relacionados  com  tributos  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício  incidem,  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  juros  de  mora  calculados segundo a taxa Selic, ex­vi dos arts.29 e 30, da Lei n°  10.522, de 19 de julho de 2002."    Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.     (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                               Fl. 378DF CARF MF

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7614787 #
Numero do processo: 15504.011398/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.141
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­006.141  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  31 de janeiro de 2019  Matéria  MULTA ATRASO ENTREGA DACON  Recorrente  DENTAL CAPITAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 30/04/2010  DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.  A  apresentação  do  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à  incidência da multa por atraso na entrega.  Recurso Voluntário Negado.        Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia  Elena de Campos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 13 98 /2 01 0- 96 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 15504.011398/2010­96  Acórdão n.º 3402­006.141  S3­C4T2  Fl. 0          2 Relatório  Trata­se de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de  entrega do DACON.  Inconformada,  a  empresa  apresentou  Impugnação Administrativa,  alegando  uma  indisponibilidade  no  sistema  do  RECEITANET,  que  não  concluía  a  recepção  dos  arquivos. A defesa foi julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ n.º 02­034.578.  Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo  reiterando sua alegação de defesa, afirmando que procedeu com o protocolo físico, juntamente  com  a  tela  de  indisponibilidade  do  sistema  da  RFB.  Tratando­se  o  presente  caso  de  caso  fortuito ou força maior, caberia ser excluída a responsabilidade do sujeito, que agiu de boa­fé.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­006.129,  de  31  de  janeiro  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  15504.010532/2010­31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­006.129):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  merece  ser  conhecido.  Como  relatado,  pretende  a  Recorrente  que  seja  afastada a multa aplicada de atraso na entrega do DACON em  razão  da  indisponibilidade  do  sistema  da  Receita  Federal  (RECEITANET),  que  teria  sido  devidamente  comprovado  pelas  telas anexas à Impugnação (e­fls. 06/07).  Contudo,  as  telas  anexadas  pelo  sujeito  passivo  não  evidenciam,  de  forma  contundente,  que  o  equívoco  ocorreu  no  sistema  da  Receita  Federal,  na  data  sugerida  pelo  sujeito  passivo  (08/06/2010).  Com efeito,  a  primeira  tela  anexada  aos  autos  (e­fl.  06)  não  identifica  o  sujeito  passivo  a  que  corresponde:  Fl. 35DF CARF MF Processo nº 15504.011398/2010­96  Acórdão n.º 3402­006.141  S3­C4T2  Fl. 0          3   Esta é a única tela que traz a suposta data de tentativa de  envio  (08/06/2010).  Contudo,  observa­se  que  esta  tela  não  identifica a quem ela se refere, não sendo possível confirmar que  corresponderia, apenas, à Recorrente.  Neste  aspecto,  essencial  frisar  que  exatamente  por  não  identificar o sujeito a que se refere, esta mesma tela foi anexada  em  outros  processos  administrativos,  relacionados  a  sujeitos  passivos distintos do presente,  inclusive com o mesmo horário  de  tentativa  de  envio  (21:09).  É  o  que  se  confirma,  de  forma  exemplificativa,  da  análise  de  processos  que  compõe  o  lote  de  repetitivos  do  presente  processo,  nos  quais  a  mesma  tela  foi  acostada aos autos:  Processo nº 15504.010538/2010­17 da empresa GEMAPE  MAQUINAS E PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida  foi acostada às e­fls. 10 daqueles autos;  Processo  nº  15504.011788/2010­66  da  empresa  CHARM  REPRESENTACOES  LTDA:  tela  idêntica  à  acima  reproduzida  foi acostada às e­fls. 06 daqueles autos; e  Processo  nº  13603.001542/2010­32  da  empresa  WRS  AUTO  PECAS  LTDA:  tela  idêntica  à  acima  reproduzida  foi  acostada às e­fls. 08 daqueles autos.  Por  sua  vez,  a  única  tela  que  identifica  a  empresa  por  meio  de  seu  nome  e  CNPJ  (e­fl.  07), não  identifica  a  data  de  tentativa  de  envio,  somente  um horário  da  tela  do  computador  (22:09):  Fl. 36DF CARF MF Processo nº 15504.011398/2010­96  Acórdão n.º 3402­006.141  S3­C4T2  Fl. 0          4   Assim,  as  telas  acostadas  aos  presentes  autos  não  comprovam  que  o  atraso  no  envio  poderia  ser  imputado  ao  sistema da Receita Federal.  Essencial  mencionar  que,  quando  comprovado  que  ocorreu um erro técnico que prejudicou todos os contribuintes, a  própria  Receita  Federal  procede  com  o  cancelamento  das  multas,  como  ocorreu  no  Ato  Declaratório  Executivo  n.º  90/2009,  para  as  declarações  entregues  em  outubro/2009.  No  presente  caso,  a  Receita  não  emitiu  qualquer  ato  suscetível  a  comprovar erro técnico generalizado em seu sistema. E, por sua  vez, os documentos acostados aos autos não são suficientes para  demonstrar  que  esse  erro  técnico  seria  imputável  à  Receita  Federal, ou mesmo que teria ocorrido especificamente quanto ao  sujeito passivo autuado.  Nesse sentido, cabe ser mantida a multa aplicada.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso  Voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                            Fl. 37DF CARF MF

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7606887 #
Numero do processo: 10850.902146/2013-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.599
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10850.902146/2013­67  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3401­001.599  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  11 de dezembro de 2018  Assunto  PIS/COFINS  Recorrente  GREEN STAR ­ PECAS E VEICULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  preparadora  da  RFB  analise  a  documentação  carreada  aos  autos  pela  recorrente,  e  se  manifeste  conclusivamente  quanto  à  existência  do  crédito, detalhando­o.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Tiago  Guerra Machado,  Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  e  Rosaldo  Trevisan  (Presidente).  Ausente  justificadamente  a  Conselheira Mara Cristina Sifuentes.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 14 6/ 20 13 -6 7 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10850.902146/2013­67  Resolução nº  3401­001.599  S3­C4T1  Fl. 3            2 Relatório  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  DRJ/POR,  que  considerou  improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o  pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados.  A  contribuinte  pleiteou  o  ressarcimento  e  compensação  de  créditos  tributários  decorrentes  de  supostos  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  de  PIS/Cofins.  Em  Despacho  Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não  ter  sido  comprovado  o  direito  creditório,  dado  que  grande  parte  dos  pagamentos  restava  inteiramente  vinculada  a  débito  declarado  em  DCTF,  e,  quanto  aos  pagamentos  que  evidenciaram  recolhimento  a maior,  o  respectivo  valor  fora  previamente  utilizado  em outras  compensações.   A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese,  que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada  sobre  receitas  financeiras,  e  estranhas  ao  conceito  de  faturamento,  diante  da  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1º,  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa.  Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de  recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores  pleiteados.  Sobreveio  Acórdão  da  Delegacia  de  Julgamento,  através  do  qual  não  foi  reconhecido o direito creditório requerido.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Rosaldo Trevisan  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº  3401­001.588,  de  26  de  novembro  de  2018,  proferida  no  julgamento  do  processo  16007.000043/2009­10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu na Resolução 3401­001.588:  "O  Recurso  é  tempestivo,  e,  reunindo  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, tomo seu conhecimento.   Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise  por  esse  Colegiado  a  incidência  de  COFINS  Cumulativa  sobre  a  rubrica "receitas financeiras".  Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10850.902146/2013­67  Resolução nº  3401­001.599  S3­C4T1  Fl. 4            3 Ora, nos  termos do  julgamento do RE 585235/MG,  julgado sob  efeito  de  repercussão  geral,  o  artigo  3º,  §1º,  da  Lei  Federal  9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de  determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de  empresas  que  não  exercem  atividade  de  instituições  financeiras,  não  cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto  social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º,  inciso II, b, do RICARF.  Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se  pronunciou  sobre  os  documentos  juntados  desde  a  impugnação  pela  Recorrente,  é de  se  converter o  julgamento  em diligência para que a  unidade preparadora da RFB analise a documentação e  se manifeste  conclusivamente  quanto  à  existência  do  crédito,  detalhando­o.  Em  seguida,  intime­se a Recorrente para, desejando se manifestar,  faça­o  no em prazo de 30 dias.  Após,  os  autos  devem  retornar  ao  CARF  para  prosseguir  o  julgamento."  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência  no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o  julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se  manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando­o. Em seguida, intime­se  a Recorrente para, desejando se manifestar, faça­o no em prazo de 30 dias.  Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento."  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan    Fl. 132DF CARF MF

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Numero do processo: 10920.000217/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no terceiro trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada' com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 61.755,19, referente ao terceiro trimestre de 2005. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.792, de 29/10/2010 (fls. 903 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2005 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 924 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no terceiro trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada' com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 61.755,19, referente ao terceiro trimestre de 2005. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.792, de 29/10/2010 (fls. 903 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2005 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 924 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 1.025          1 1.024  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.000217/2007­76  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­001.715  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  31 de janeiro de 2019  Assunto  COFINS. RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO  Recorrente  WRC OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)   Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  A  interessada  apresentou  pedido  de  ressarcimento  da  Cofins,  cumulado  com  compensação de débito próprio, com origem no terceiro trimestre de 2005.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  passamos  a  transcrever  o  Relatório da decisão de primeira instância administrativa:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  crédito  acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  não­cumulativa,  decorrentes das operações da interessada' com o mercado externo, por  meio  do  qual  a  contribuinte  pleiteia  a  repetição  do  montante  de  R$  61.755,19, referente ao terceiro trimestre de 2005.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 21 7/ 20 07 -7 6 Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.026          2 Do  Despacho  Decisório  Na  apreciação  do  pleito,  manifestou­se  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Joinville/SC  pelo  reconhecimento  parcial  do  direito  de  crédito  pleiteado  e  pela  homologação  da  compensação  somente  at  o  limite  do  credito  reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos),  fazendo­o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela  contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue.  1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai­se do relatório fiscal  que  foram  glosados  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumo  adotado  no  âmbito  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins  não  cumulativas:  os  gastos  com  materiais  de  consumo;  as  despesas  indiretas  com  pessoal,  entre  essas  alimentação,  transporte,  cestas  básicas,  despesas  com  viagens,  uniformes  e  equipamentos  de  segurança;  as  despesas  administrativas  indiretas  como  projetos  de  produtos,  assessoria  empresarial  ou  comercial,  honorários  advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e  vigilância de seus estabelecimentos; e  também as despesas incorridas  referentes  a  aquisições  de  "equipamentos,  partes,  peças,  máquinas,  incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer  outros  itens  que  devam  ser  incorporados  ao  ativo  imobilizado  da  empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999".  2.  Outros  Valores/Operações  com  Direito  a  Crédito  Relata  a  autoridade  fiscal  que  glosou  os  valores  informados  no Dacon  a  este  título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes,  apesar de intimada duas vezes para tanto.  3.  Despesas  de  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  locados  de  pessoas  jurídicas A  autoridade  fiscal  glosou  os  valores  informados  a  titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de  pessoas  jurídicas,  no  caso,  as  empresas  Rocha  Top  Terminais  e  Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de  Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$  7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os  anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram  que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando  elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos  equipamentos como locação de terceiros...".  Em  relação  à  empresa  Rocha  Top,  foram  glosadas  os  valores  dos  pagamentos  efetuados  entre  janeiro/2003 e abril/2004, os  quais não  foram  acompanhados  de  emissão  dos  respectivos  documentos  fiscais,  somente  de  recibos;  foram  aceitos  pagamentos  e  também  outros  referentes  a  outras  locações  de  equipamentos  semelhantes  com  a  Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de  maio/2004.  Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem.  3.1.  Obrigatoriedade  das  Notas  Fiscais  Informa,  inicialmente,  a  autoridade  fiscal  que  apesar  de  os  locadores  serem  prestadores  de  serviços,  possuindo  notas  fiscais  do  modelo  requerido,  não  houve  a  apresentação de notas fiscais de serviços.  Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.027          3 Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às  operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo  imobilizado,  a  interessada  não  o  fez,  alegando  serem  operações  dispensadas de emissão.  Afirma  então  que,  apesar  de  ser  "pacifico  entendimento  de  que  o  ISSQN  somente  é  devido  nas  locações  de  bens  móveis  com  mão­de­ obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo  de  incidência de  tal  tributo", é obrigatória a emissão de notas  fiscais  de  serviço  por  todos  os  prestadores  de  serviços,  desde  que  não  dispensados  desta  obrigação  por  meio  de  Decreto  Municipal  ou  Estadual.  Informa,  então,  que  em  consulta  à  Secretaria  de  Finanças  do  Município  de  São Francisco  do  Sul,  esta  informou  via  e­mail  que  as  empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal  fatura de serviços por aquela Secretaria.  No  mais,  afirma  que,  a  teor  do  artigo  41  da  Lei  Complementar  n.°  9/1999  do  Município  de  Sao  Francisco  do  Sul,  abaixo  transcrito,  "quem está  sujeito ao pagamento do  imposto é o contribuinte  (sujeito  passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de  nota  fiscal",  razão  pela  qual  ser  prestador  de  serviço  de  operação  portuária  ou  agenciamento  marítimo  configura  fato  suficiente  para  enquadrar  a  pessoa  jurídica  como  contribuinte  do  ISS,  e  portanto  obrigado  à  emissão  de  nota  fiscal,  mesmo  que  podendo  efetuar  prestações  abrangidas  e  outras  não  abrangidas  pelo  campo  de  incidência do tributo. Segue o artigo mencionado:  Art.  41:  Os  contribuintes  sujeitos  ao  pagamento  do  Imposto  Sobre  Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços,  ficam  obrigados  a  emitir Nota  Fiscal  de  Serviços  e  /  ou Nota  Fiscal  Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda  ­ PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças.  3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos  de  Locação  de  Equipamentos  firmados  entre  a  interessada  e  as  empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal:  Contrato  Firmado  com  Rocha  Top:  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos  firmado  com Rocha  Top...,  originariamente  pertencida  WR,  que  foi  substituída  pela  WRC  como  contratante  através  do  Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio  de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a  locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker.  Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais  do  modelo  requerido,  os  pagamentos  efetuados  entre  janeiro/2003  e  abril/2004  não  foram  acompanhados  de  emissão  dos  respectivas  documentos  fiscais,  somente  de  recibos.  A  partir  de  maio/2004  estes  pagamentos  e  também  outros  referentes  a  outras  locações  de  equipamentos  semelhantes  com  a  Rocha  Top  foram  respaldados  por  nota/iscal.  Contrato  Firmado  com  Cargolink:  O  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de  2002,  antes  do  inicio  das operações  do  interessado,  e  refere­se a  um  Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.028          4 guindaste portuário modelo HMK 300­E. O instrumento inicia dizendo  "Considerando  que  para  financiar  a  aquisição  do  Equipamento  a  CARGOLINK  contraiu,  junto  ao  Banco  Bradesco  S.A.,  empréstimo  e  que,  como  garantia  do  referido  empréstimo,  deu  o  Equipamento  em  alienação  fiduciária  em  favor  do  Banco  Bradesco  S.A...."e  continua  "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída  pela  CARGOLINK,  em  sociedade  com  a  WR  OPERADORES  PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento  conjunto de atividades de  movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..."  (grifou­ se).  A  cláusula  segunda  estipula  "Pela  Locação  do  Equipamento,  a  WRC  pagará  à  CARGOLINK  I  quantia  semestral  correspondente  às  parcelas  de  amortização  do  principal,  juros,  tributos,  prêmios  de  se  tiro,  comissão de  repasse e demais  encargos que  sejam devidos  pela  CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de  Financiamento (o "Aluguel") ...  Os  valores,  prazos  e  demais  condições  dos  pagamentos  a  serem  efetuados a  titulo de Aluguel...  serão reajustados nos mesmos termos  do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco  Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou­ se).  Quando  intimado  a  apresentar  cópia  da  nota  fiscal  de  aquisição  do  equipamento GUINDAB­0001 ­ Guindaste Móvel Portuário sob o qual  calculou  créditos  de  depreciação,  o  interessado  apresentou  um  Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado  de  08  de  março  de  2002  com  a  mesma  descrição,  e  portanto  dele  originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com  Termo  de  Cessão  e  Aditivo  onde  WR  repassa  o  direito  a  opção  de  compra  para WRC,  datado de  11  de março  de  2002, mesma data  do  Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações.  O  Contrato  de  Opção  de  Compra  estipula  que  "Em  contrapartida  à  outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a  quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena  quitação  da  quantia  ora  recebida."  e  segue  "Na  hipótese  de  a  WR  exercer  a  Opção  de  Compra,  o  preço  a  ser  pago  pela  WR  à  CARGOLINK  para  a  aquisição  do  Equipamento  fica  fixado  em  RS  10.000,00..."  (grifou­se). Esta contrapartida paga pela Cargo  link  foi  reembolsada  pela  WRC  quando  iniciou  as  operações,  considerando  que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem  em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA­000I  Guindaste  Móvel  Portuário,  com  valor  de  aquisição  R$  674.313,00,  conforme  denota­sena  planilha  de  depreciações  entregue  pelo  interessado,... Percebe­se também que este valor é muito próximo aos  15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do  contrato  de  compra  do  guindaste  firmado  entre  Cargolink  e  Demag  Mobile  Cranes  segundo  fax  de  Demag  Mobile  Cranes  ...  foi  de  C  375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e  cinco mil  euros),convertido a  taxa de  câmbio  vigente  em 20/07/2001,  data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$  717.070,85  (2,14051  REAL/BRASIL  (790)  =  I  EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central).  Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.029          5 Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos  firmado  corn WR...  foi  assinado  em  11  de  março  de  2002,  antes  do  inicio  das  operações  do  interessado,  e  refere­se  a  um  guindaste  portuário  modelo  HMK  300­E,  Mutatis  mutandis,  é  idêntico  ao  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos  firmado  com  Cargolink.  0  instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002  a WR adquiriu um  guindaste..."  (grifou­se),  num  claro  erro  de  datas  pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos  seguintes.  Prossegue  "Considerando  que  o  Equipamento  é  objeto  de  contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é  uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com  a  CARGOLINK  ARMAZÉNS  DE  CARGA  LTDA....  para  o  desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no  porto  de  São  Francisco  do  Sul..."  (grifou­se).  A  clausula  segunda  estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia  correspondente a  todas  as  obrigações  pecuniárias,  incluindo o valor  residual  garantido,  juros,  tributos  e  demais  encargos  que  sejam  devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em  decorrência  do Contrato  de Arrendamento Mercantil  (o  "Aluguel")  ..  Os  valores,  prazos  e  demais  condições  dos  pagamentos  a  serem  efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do  reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. ­  Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento  Mercantil." (grifou­se).  A  cláusula  oitava  da  o  prazo  de  vigência  de  5  anos,  terminando  em  fevereiro/2007,  enquanto  o  arrendamento  encerrou  em  outubro/2005,  juntamente com o último pagamento efetuado.  O  Contrato  de  Arrendamento  Mercantil  do  equipamento  estipula  o  valor  residual garantido "VRG Final devido no  final  (parte ou  total):  R$  69.050.02"  com  vencimento  juntamente  cOni  a  última  contraprestação  em  31/10/2005.  Este  valor,  que  seria  devido  pela  arrendatária W  R,  se  houve  mesmo  pagamento,  Ibi  pago  pela  WRC,  tanto que  imobilizou o bem ern outubro/2005 e  iniciou a depreciação  sob descrição GUINDAB­0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor  de  aquisição  R$  69.050,02  conforme  denota­se  na  planilha  de  depreciações  entregue  pelo  interessado  No  tópico  "4.3.1.4.3  Da  vineulação entre as empresas" o auditor fiscal  inicialmente destaca  que  a  WR  e  WRC  funcionam  no  mesmo  endereço,  Rua  Marechal  Deodoro,  156,  com  a  denominação  adicional  "sala  A"  para  WRC.  Relata  que  a WR  foi  sócia,  em  conjunto  com Cargolink  e outros,  da  WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros  societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi  incorporada  pela  WRC.  Resume,  então,  a  confusão  verificada  nos  quadros  societários  das  empresas,  demonstrando  as  pessoas  físicas  detentoras  das  empresas,  "atualmente  ou  no  período  sob  análise",  através do quadro que abaixo se reproduz:  (...)  Conclui  que  a  empresa WRC pertencia  fundamentalmente  a  todas  as  pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras  empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat  Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.030          6 Cia.  de  Participações,  Litoral  Investimentos  Ltda.,  Litoral  Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda.  Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal:  Todos  os  fatos  acima  descritos  levam  esta  auditoria  a  acreditar  que  todo  o  mecanismo  utilizado  foi  simulado,  visando  a  elisão  fiscal,  mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos  como  locação  de  terceiros,  tendo  como  intuito  a  geração  de  créditos  das  contribuições  objeto  desta  análise,  e,  possivelmente,  criação  de  despesas  dedutíveis  na  apuração  do  IREI  e  CSLL  e  distribuição  disfarçada  de  lucros  visto  que  se  tratam  na  verdade  das  mesmas  pessoas [os sócios das empresas].  Da  Manifestação  de  Inconformidade  Inconformada  com  as  razões  postas para as glosas efetuadas a contribuinte as  contestou por meio  dos argumentos que seguem.  No  tópico  "II.  Da  inexistência  de  obrigatoriedade  relacionada  a  emissão  de  Nota  Fiscal  por  conta  da  realização  de  operação  de  locação de  bem móvel"  a  contribuinte  inicialmente  discorre  sobre  "o  correto  tratamento  tributário  dispensado  pela  legislação  e  pelos  Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega:  (..)  resta  consolidado  no  ordenamento  jurídico  brasileiro  a  não  incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens  móveis.  Assim sendo, nota­se na legislação que a obrigatoriedade de emissão  de Nota Fiscal esta  intimamente  vinculada ao controle do calculo do  ISS  sobre  o  preço  dos  serviços  de  contribuintes  sujeitos  ao  seu  pagamento.  Logo,  se  o  tributo  em  tela  não  incide  sobre  determinada  atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade  de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza.  (. )  Se  irregularidade  alguma  houve,  aplicável  ao  caso  a  pena  pelo  descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota  fiscal  e  não  o  indeferimento  do  crédito,  que  encontra  amparo  na  legislação  tributária  federal  e  foi  apropriado  com  base  em  uma  operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte­se que o ilustre  auditor  fiscal  da Receita Federal  do Brasil  em  seu  relatório não põe  em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva  realização  das  operações,  limitando­se  o  mesmo  a  desconsiderar  as  operações  do  contribuinte  com  base  em  suposta  simulação  e  caracterização de distribuição disfarçada de lucros...  Ademais,  os  vícios  de  simulação  e  distribuição  disfarçada  de  lucros  nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras  realizada  entre  a  Contribuinte  e  a  empresa  Rochatop  Terminais  e  Operadores Portuários Ltda.  tendo  o  Auditor  Fiscal  da  RFB  desconsiderado  os  créditos  de  PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas  Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.031          7 fiscais,  como  se a despesa não  tivesse ocorrido  e  fosse necessária as  atividades da contribuinte.  Nos  tópicos  "III.  Da  inexistência  de  fraude  ou  simulação",  "IV.  Não  Caracterização  de  Distribuição  Disfarçada  de  Lucros"  e  "V.  Ainda  Sobre a Simulação:  Sua  Distinção  de  Negócio  Jurídico  Indireto  ­  Histórico  do  Negócio  Havido  entre  as Partes Contratantes  da  Locação" A  interessada  traz  argumentos  de  variada  ordem  tanto  no  sentido  de  demonstrar  a  irregularidade  do  feito  fiscal  como  em  defesa  da  regularidade  das  operações  de  locação  de  equipamentos  utilizados  em  sua  atividade  produtiva  a  fim  de  demonstrar  que  não  houve  qualquer  tipo  de  simulação  de  sua  parte  no  intuito  de  beneficiar­se  indevidamente  de  créditos  da  não­cumulatividade  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e  distribuição disfarçada de lucros.  Em relação aos  insumos aplicados na prestação de  serviços,  titulo  VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus  respectivos  fornecedores,  abaixo  reproduzida,  a  fim  de  que  "possam  ser analisados os argumentos":  (...)  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou,  no  prazo  legal,  recurso  voluntário  (arquivo  não  paginável),  por  meio  do  qual  alega,  no  que  interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com  fundamento nas seguintes razões de defesa:  Em  face  das  alegações  apresentadas  pela  empresa,  a DRJ  baixou  os  autos  em  diligência,  a  fim  de  que  a  unidade  preparadora  providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de  cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de  documentos  contábeis  e/ou  fiscais.  Na  sua  realização,  requereu­se  a  entrega do balancete de março de 2003 e orientou­se a empresa sobre  o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do  Fisco, caso requeridos.  Segue,  então,  argumentando  que  em  todos  estes  documentos  fiscais  evidencia­se  que  a  empresa  adquiriu  bens  ou  contratou  serviços  os  quais  foram  totalmente  aplicados  em  suas  atividades,  as  quais  se  relacionam  à  operação  portuária  e  envolvem  o maquinário  utilizado  para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela  autoridade  fiscal.  Afirma  que  a  glosa  dos  créditos  de  PIS/COFINS  ocorreu, portanto,  conforme  se  infere da  invocação ao artigo 301 do  RIR/99  pela  autoridade  fazenddria,  pelo  fato  de  esta  ter  considerado  todas  as  aquisições  de  produtos  como  enquadráveis  no  ativo  imobilizado e não enquanto insumos.  Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o  foram  com  a  finalidade  exclusiva  de  manter  os  seus  ativos  em  condições  operacionais  e  que,  quando  incorporados  as  respectivas  máquinas  e  equipamentos,  possuem  vida  útil  inferior  a  um  ano  e/ou  não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo  superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação  Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.032          8 ao ativo  permanente,  para  que  seja  então  depreciado  ou  amortizado.  Aduz  que  o  elevado  custo  de  aquisição  de  um  bem  não  impõe  sua  classificação  no  ativo  imobilizado  e  acrescenta  que  a  prova  do  aumento  da  vida  útil  do  bem para  além de  um ano,  para  fins  de  sua  inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões  do Conselho de Contribuintes que elenca.  Por  fim,  em  relação  aos  outros  valores/operações  com  direito  a  crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal,  forneceu  à  fiscalização  todos  os  documentos  necessários,  como  comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor  Fiscal,  indicando  o  recebimento  dos  documentos  solicitados,  e  a  consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no  Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por  não  haver  qualquer  impugnação  especifica  quanto  aos  documentos  apresentados  por  esta  contribuinte,  torna­se  impossível  à  mesma  exercer  seu  direito  de  defesa  nos  termos  asseguradOs  pela  Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa  em  vista  de  não  ser  verdadeira  a  informação  de  que  a  contribuinte  deixou  de  se  manifestar  quando  lhe  foram  solicitados  documentos  e  informações.  A 4ª Turma da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em Florianópolis  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  proferindo  o Acórdão DRJ/FNS  n.º  07­21.792, de 29/10/2010 (fls. 903 e ss.), assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE.  No  âmbito  especifico  dos  pedidos  de  restituição,  compensação  ou  ressarcimento,  é  ônus  do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação  minudente da existência do direito creditório.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  Dão  direito  a  crédito,  no  âmbito  do  regime  da  não­cumulatividade,  custos  e  despesas  com  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda.  REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.  No regime da não­cumulatividade, só são considerados como insumos,  para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação  Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.033          9 ou  produção  de  bens  destinados  A  venda;  as  matérias  primas,  os  produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros  bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Pais,  aplicados  diretamente  na  prestação  de  serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito creditório não reconhecido  Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 924 e ss., por  meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se  manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera  as  suas  razões  sobre o direito  aos  créditos  sobre  aluguéis de  equipamentos,  sobre  insumos e  serviços  de  outras  pessoas  jurídicas;  invoca,  noutros  termos,  alteração  de  fundamentos,  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de  "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade  de  exercício  de  defesa,  por  não  haver  impugnação  específica  aos  documentos  por  ela  apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN ­ in dubio pro  contribuinte.  Ao  final,  requer  a  reforma  da  decisão  de  primeiro  grau  e  o  reconhecimento  integral dos créditos.  Por meio  da  petição  de  fls.,  a Recorrente  requer  o  julgamento  conjunto  deste  processo com outros idênticos de seu interesse.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.   É o relatório.  Voto  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos  que  o  recurso  deve ser conhecido.  A  Recorrente,  pessoa  jurídica  que  presta  serviços  portuários,  notadamente  movimentação de cargas unitizadas em contêineres, apresentou diversos pedidos eletrônicos de  ressarcimento  de  créditos  de  PIS/Cofins,  os  quais  também  serão,  nesta  mesma  assentada,  julgados em conjunto.  Conferido  em  parte,  em  alguns  processos,  o  direito  reclamado  e  indeferido  noutros,  a  Recorrente  apresentou manifestações  de  inconformidade,  posteriormente  julgadas  improcedentes pela DRJ.  Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.034          10 Nos autos do processo de nº 10920.000216/2007­21,  já  julgado pela 3ª Turma  Especial  desta  3ª  Seção  do  CARF,  constatou  o  relator  do  Acórdão  nº  3803­005.250,  de  29/01/2014, conselheiro Corintho Oliveira Machado:  Em  preliminar,  cumpre  atentar  para  uma  alegação  trazida  pela  recorrente desde o início da lide ­ falta de impugnação específica aos  documentos  apresentados  pela  contribuinte,  no  mister  de  comprovar  seus  créditos  que,  de  fato,  dificultou  sobremaneira  a  defesa  da  ora  recorrente.  Esse  vício na  forma como  foram apresentadas as glosas dos  créditos  solicitados  (sem  discriminação  por  nota  fiscal,  ou  mesmo  por  fornecedor)  trouxe  não  só  dificuldade  de  defesa  para  a  contribuinte  mas também para o julgador de piso, conforme ver­se­á adiante.  Nota­se, no vestíbulo do voto, que a i. relatora elenca várias rubricas  que  teriam  sido  glosadas  pela  auditoria­fiscal  (reportadas  no  item  4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal)1 e  que não  teriam sido objeto da manifestação de  inconformidade. Nada  obstante, ao se analisar a tabela de notas fiscais glosadas do despacho  decisório,  fl.  276,  encontra­se  um  total  de  24  notas  que  são  tratadas  conjuntamente pelo Fisco, como sendo de ativo imobilizado, materiais  de  uso/consumo  e  despesas  administrativas.  Pois  bem,  essas  notas  fiscais  todas  foram  objeto  sim  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  não  sobrando  espaço  algum  para  glosas  não  manifestadas.  O tratamento das glosas no despacho decisório nesse formato genérico  trouxe ainda problemas de avaliação para o julgamento que exsurgem  nos  últimos  parágrafos  do  voto,  quando  são  tratados  os  serviços  de  “intermediação  de  negócios  comerciais”  prestados  pela  empresa  Cargotop  Participações  Ltda  e  os  serviços  de  “assistência  técnica”  prestados  pela  empresa  Demag  Granes  &  Componentes  Ltda.  O  acórdão  dá  a  entender  que  tais  valores  não  foram  informados  corretamente na linha 03 da ficha do Dacon (despesas com “Serviços  Utilizados como Insumo”) e por isso nada aqui cabe ser dito, por não  haver nenhuma glosa a esse título, entretanto, o despacho decisório é  claro  ao  mencionar  expressamente  as  notas  fiscais  relativas  a  esses  fornecedores no  item 2.2.1.1, não sendo  legítimo  ignorar a existência  das glosas expressas tão somente porque não foram informados os seus  valores  no  campo  correto  do  Dacon,  como  sentencia  o  decisum  guerreado.  Na mesma  linha  de  raciocínio  valor  não  informado no Dacon  está  a  rubrica  "Outros  Valores/Operações  com  Direito  a  Crédito",  porém  aqui  há  vício  explícito  do  despacho  decisório,  que menciona  a  glosa  dos  valores,  por  não  haver  qualquer  documento  trazido  pelo  contribuinte, mas não menciona o valor glosado a esse título.                                                              1 (...) Ressalte­se que gastos com materiais de consumo, despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação,  transporte,  cestas  básicas,  despesas  com  viagens,  uniformes  e  equipamentos  de  segurança  e  despesas  administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios,  serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  e  não  podem  ser  considerados  para  fins  de  apuração  dos  créditos  de  PIS/PASEP e COFINS não­cumulativos. (...)  Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.035          11 Ao meu  sentir,  esses  vícios  na maneira  como  foram  apresentadas  as  glosas dos créditos solicitados, ainda no despacho decisório, geraram  efetivamente  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  solicitante,  e  merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença,  pois  inquinaram  todos  os  demais  atos  processuais  deste  contencioso,  sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório)  de  forma  apropriada,  ou  seja,  com  a  necessária  discriminação  das  glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o  início a recorrente.  Posto isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário,  para declarar nulo o processo desde o despacho decisório inclusive.    Seguimos  o  voto  do  relator  na  parte  em  que  descreve  as  deficiências  do  Despacho Decisório, mas alvitramos desfecho diferente.  Entendemos que uma mera diligência poderá sanar as dúvidas a serem dirimidas  (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972).  Pelo  exposto,  voto  por  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  a  fim  de  que  a  unidade  preparadora  elabore,  para  o(s)  PER/DCOMP(s)  objeto dos autos, Relatório Fiscal detalhado sobre as razões das glosas, nos moldes em que já  realizado  quando  do  refazimento  do  Despacho  Decisório  que  acostou  ao  processo  nº  10920.000216/2007­21 (novo Despacho Decisório às fls. 1015/1041 do referido processo).  Encerrada  a  instrução  processual,  a  Recorrente  deverá  ser  intimada  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  findo  o  qual,  sem  ou  com  apresentação  de  manifestação,  devem  os  autos  serem  devolvidos  a  este  Colegiado  para  a  continuidade  do  julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                     Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10920.000217/2007­76  Resolução nº  3201­001.715  S3­C2T1  Fl. 1.036          12         Fl. 1036DF CARF MF

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Numero do processo: 12268.000217/2007-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 11/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, o cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Súmula CARF nº 119, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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Acórdão nº  9202­007.410  –  2ª Turma   Sessão de  29 de novembro de 2018  Matéria  CSP ­ AIOA ­ OMISSÃO EM GFIP ­ RETROATIVIDADE BENIGNA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  F.V. DE ARAÚJO S/A MADEIRAS, AGRICULTURA, IND. E  COMÉRCIO    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 11/12/2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  OMISSÃO  EM  GFIP.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVETIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB  Nº  14  DE  04  DE  DEZEMBRO  DE  2009.  SÚMULA CARF Nº 119  No  caso  de  multas  por  descumprimento  de  obrigação  principal  e  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  pela  falta  de  declaração  em GFIP,  associadas e exigidas em lançamentos de ofício  referentes a  fatos geradores  anteriores  à  vigência  da Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  convertida  na  Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a  comparação  entre  a  soma  das  penalidades  pelo  descumprimento  das  obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com  a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, o cálculo da  penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Súmula CARF nº 119,  se mais benéfico para o sujeito passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em dar­lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº  119.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 17 /2 00 7- 42 Fl. 381DF CARF MF   2 (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Patricia  da  Silva,  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  Trata­se  de  retorno  de  diligência  –  Resolução  nº  9202­000.200  (fls.  372),  resultado  do  julgamento  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  na  sessão  plenária  de  20/06/2018, com a seguinte decisão:  “Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  que  esta  preste  informações  acerca  do  andamento  dos  processos  que  tratam  das  obrigações principais que embasaram a presente autuação,  mais  especificamente  sobre  as  NFLDs  nºs  37.132.498­0,  37.132.494­7,  37.132.495­5,  37.132.493­9,  37.132.492­0,  indicando  inclusive  outras  NFLDs  porventura  existentes,  vinculadas ao presente AI­68, com posterior devolução dos  autos à relatora, para prosseguimento.”  No  intuito  de  contextualizar  o  caso  para  reapreciação  pelo  Colegiado  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  transcrevo,  na  integra,  o  relatório  da Resolução,  de  minha relatoria, meu voto que foi vencedor e complemento­o com as informações dadas pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Curitiba­PR  –  Serviço  de  Controle  e  Acompanhamento Tributário/SECAT.  Meu Relatório:  “Trata­se  de  auto  de  infração  de  obrigação  acessória,  DEBCAD:  37.132.4882,  consolidado  em  11/12/2007,  lavrado  contra  a  empresa  supra  identificada,  no  valor total de R$ 293.401,83 (duzentos e noventa e três mil, quatrocentos e um reais e oitenta e  três  centavos),  referente  a  multa  por  não  inclusão  em  GFIP  dos  fatos  geradores  das  contribuições previdenciárias, com período de apuração de 01/1999 a 07/2006.  Conforme Relatório fiscal da infração a empresa foi Autuada por deixar de  incluir  em  GFIP  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  elencados  nos  demonstrativos  denominados  "Empregados",  "Contribuintes  Individuais  Conselho  Fiscal",  "Contribuintes Individuais Diretores", "Contribuintes Individuais Autônomos", "Contribuintes  Individuais  Fretes",  "Remuneração  Indireta  Diretoria",  "Aquisição  de  Produção  Rural  Fl. 382DF CARF MF Processo nº 12268.000217/2007­42  Acórdão n.º 9202­007.410  CSRF­T2  Fl. 364          3 Pessoas  Físicas"  e  "Receita  Bruta  de  Comercialização  PJ"  anexos  ao  presente.  Os  beneficiários,  valores  pagos,  data  da  contabilização,  contas  onde  estão  contabilizados  os  valores e históricos dos lançamentos, estão identificados nos demonstrativos acima.  A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgado a impugnação procedente em parte, mantendo o  crédito tributário em parte.  Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/04/2012, foi dado provimento  parcial ao Recurso Voluntário, prolatando­se o Acórdão nº 280301.466 (fls. 315/326), com o  seguinte resultado: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar  provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento fiscal o levantamento "Aquisição  de Produção Rural Pessoas Físicas"  em  razão da  inconstitucionalidade decretada pelo STF  quanto à subrogação devida na aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física,  e, retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou  omissões,  devendo­se aplicar  o  disposto  no  art.  32­A,  inciso  I,  da Lei  n.  8.212/1991,  com a  redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte”.   O acórdão encontra­se assim ementado:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 01/01/1999 a 30/07/2006   GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA.  REDUÇÃO DA MULTA.  Apresentar GFIP é deve legal, sendo passível de autuação  fiscal o contribuinte que descumprir a lei.  As  multas  em  GFIP  foram  alteradas  pela  Medida  Provisória  n  º  449  de  2008,  convertida  na  Lei  n  º  11.941/2009,  sendo  benéfica  para  o  infrator.  Foi  acrescentado o art. 32­A a Lei n º 8.212/91.  Conforme  previsto  no  art.  106,  inciso  II  do  CTN,  a  lei  aplica­se  a  ato  ou  fato  pretérito,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado  quando  lhe  comine  penalidade  menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua  prática.  PRODUTOR  RURAL.  SUBROGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  PELO  PLENO  DO  SUPREMO TRIBUNAL.REPERCUSSÃO GERAL.  No  julgamento do RE 363.852/MG e 596.177/RS, em sede  de  repercussão  geral,  a  Suprema  Corte  decidiu  pela  inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que  deu  nova  redação  aos  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com  redação atualizada até a Lei nº 9.528/97.  Fl. 383DF CARF MF   4 Aplicabilidade  do  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256 de 22 de junho  de 2009. Inexistência de fato gerador.  O  processo  foi  encaminhado  à  PGFN  em  28/05/2012  (Despacho  de  Encaminhamento de  fls. 328),  para  ciência do acórdão em até  trinta dias,  de acordo com o  disposto no art.  7º,  §§ 3º  e 5º,  da Portaria MF nº 527, de 2010. A  intimação presumida da  Fazenda  Nacional  ocorreria  em  27/06/2012.  Em  06/07/2012,  tempestivamente,  portanto,  a  Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 329/347 (Despacho de Encaminhamento  de  fls.  348).  Em  seu  recurso  visa  a  reforma  do  acórdão  recorrido  em  relação  à  constitucionalidade  das  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  seguridade  social,  incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural e ao cálculo da multa  mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória.  Ao Recurso Especial  foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª  Câmara, de 25/07/2016 (fls. 350/358), considerados os acórdãos paradigmas nº 2302­001.599  e nº 2402­001.724.  O  recorrente,  em  suas  alegações,  requer  seja  dado  total  provimento  ao  presente  recurso,  para  reformar  o  acórdão  recorrido  e  determinar  que  a  análise  da  norma  mais benéfica aplicável ao caso seja verificada em cotejo com a incidência do art. 35­A, da Lei  nº 8.212/91.  Cientificado do Acórdão nº 2803­001.466, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 18/08/2016 (cópia  do AR fl. 361), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 363/370).  Em suas contrarrazões, em síntese, o contribuinte assevera que de pronto o  Resp da PGFN estaria  prejudicado, uma  vez que aquela  recorrente  sustenta que não houve  lançamento de contribuições previdenciárias e sim de multa isolada apenas.  “Antecipou­se que, ao revés do que  ilaqueia a União, nos  presentes autos não houve o lançamento de qualquer valor  a  título  de  contribuição  previdenciária;  apenas  de  multa  isolada  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  (transmissão de GFIP com omissões ou incorreções). Esse  primeiro  aspecto  derroca  toda  a  argumentação  desenvolvida pela Recorrente.”  Pondera ainda o contribuinte que o Resp da PGFN estaria  confundindo a natureza e a finalidade da multa.  “Ainda que assim não fosse, o recurso deduzido pela União  é  improcedente.  Confunde  a  natureza  e  a  finalidade  da  multa aplicada no caso (pelo descumprimento de obrigação  acessória  de  contribuições  previdenciárias)  e  lhe  confere  tratamento jurídico específico da multa de ofício do art. 35­ A da Lei nº 8.212/1991.”  É o relatório.  Meu voto, que foi vencedor:  Pressupostos de Admissibilidade  Fl. 384DF CARF MF Processo nº 12268.000217/2007­42  Acórdão n.º 9202­007.410  CSRF­T2  Fl. 365          5 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende,  em  princípio,  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  conforme  despacho  de  Admissibilidade,  fls.  350.  Assim,  não  havendo  qualquer  questionamento  acerca  do  conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito  da questão.  Das Preliminares ao Mérito  Para  se  contrapor  ao  Recurso  especial,  traz  o  sujeito  passivo  em  sede  de  contrarrazões  que  o  Resp  da  PGFN  estaria  prejudicado,  uma  vez  que  aquela  recorrente  sustenta que não houve  lançamento de  contribuições previdenciárias e  sim de multa  isolada  apenas. Pondera ainda o contribuinte, que o Resp da PGFN estaria confundindo a natureza e  a finalidade da multa.  Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela MP  nº  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  Embora  o  recorrente  entenda  ter  a  turma  a  quo  acertado  na  decisão  proferida,  colacionando  outros  argumentos  para  reforçar  a  tese,  entendo  que  não  seja  a  interpretação mais acertada. No caso, a  interpretação acerca da natureza da multa, quando  existe o lançamento de obrigação acessória e principal em um mesmo procedimento fiscal (o  que é o caso, embora em lançamentos diferentes), a natureza da multa é de ofício.  Contudo,  por  tratar­se  de  AI  de  obrigação  acessória  AIOA,  para  atribuir  certeza ao crédito, conforme podemos identificar no relatório fiscal, foram lavrados Autos de  Infração de Obrigações Principais conexos ao presente processo, quais sejam:  8.6. Conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal —  TEAF  (fls.  21/22),  foram  lavradas  8  (oito)  Notificações  Fiscais  de  Lançamento  de  Débito  —  NFLDs,  das  quais  apenas  duas  ainda  não  foram  julgadas  (DEBCAD  n°  37.132.4963  e  n°  37.132.4971).  Contudo,  essas  duas  Notificações  referem­se a período anterior ao do presente  Auto de Infração.  8.7.  Com  relação  às  Notificações  já  julgadas  (obrigação  principal), temos que: a) NFLD n° 37.132.4980, período de  04/98  a  01/99,  foi  julgada  improcedente  em  razão  do  reconhecimento  da  decadência;  b) NFLD n°  37.132.4947,  período  de  02/99  a  01/2006,  foi  julgada  procedente;  c)  NFLD W 37.132.4955,  período  de  01/2002 a  04/2006,  foi  julgada procedente em parte, em razão do reconhecimento  da  decadência  das  rubricas  EMPRESA  e  SAT/RAT  nas  competências  01,  05  e  09/2002,  ante  a  aplicação  do  art.  150,  §  4°,  do  CTN;  d)NFLD  n°  37.132.4939,  período  de  02/99 a 07/2006, foi julgada procedente em parte, também  em razão do reconhecimento da decadência em relação ao  período  de  02/99  a  11/2001);  e)  NFLD  n°  37.132.4920,  período 01/98 a 06/2006, foi julgada procedente em parte,  em  face  do  reconhecimento  da  decadência  do  período  de  Fl. 385DF CARF MF   6 01/98  a  10/2001,  em  relação  a  todos  os  levantamentos,  exceto  ao  levantamento  FAT  ­  RECEITA  BRUTA  DA  COMERCIALIZAÇÃO,  o  qual  foi  mantido  integralmente.  Portanto,  o  julgamento  das  NFLDs  (obrigação  principal)  não interfere na presente decisão (obrigação acessória).  Contudo,  não  foi  possível  identificar  qual  a  situação  de  cada  um  dos  processo, ou mesmo extrair do acórdão de impugnação e acórdão de recurso voluntário, quais  as NFLD ligadas diretamente a presente autuação, o que prejudica a continuidade do presente  lançamento.  Dessa  forma,  deve  a  DRF  prestar  informações  quanto  ao  andamento  dos  referidos  lançamentos,  identificando o número do processo atribuído a cada  lançamento em  relação ao DEBCAD, bem como os  fatos geradores  lançados e a existência de  julgamentos,  pedidos  de  parcelamento,  ou  qualquer  outra  informação  que  possibilite  identificar  a  procedência  dos  lançamentos.  Solicita­se  a  realização  de  planilha  com  as  informações  solicitadas, para que se possa decidir com clareza o resultado da multa aplicada em relação  aos fatos geradores omissos.  Conclusão  Face o exposto, voto no sentido de converter o  julgamento em diligência à  Unidade de origem para que sejam preste informações acerca do andamento das obrigações  principais que embasaram a presente autuação, mais especificamente: NFLD n° 37.132.498­0,  NFLD n° 37.132.494­7, NFLD nº 37.132.495­5, NFLD n° 37.132.493­9, NFLD n° 37.132.492­ 0, indicando inclusive outras NFLDs porventura existentes, vinculadas ao presente AI­68, com  posterior devolução dos autos à relatora, para prosseguimento.  É como voto.”  Informações  prestadas  pela Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  em  Curitiba­PR ­ Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário/SECAT.  EQUIPE DE CONTENCIOSO FISCAL/EQCOF em 15/08/2018.  1  ­  Em  atendimento  à  Resolução  nº  9202­000.200  –  2ª  Turma  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais do CARF.  NFLD  37.132.498­0  ­  PAD  12268.000206/2007­62  ­  Fatos  Geradores:  Solidariedade de Construção Civil – Situação: Homologação da Improcedência.  NFLD  37.132.494­7  ­  PAD  12268.000207/2007­15  ­  Fatos  Geradores:  Contribuição prestação serviços de empresas ­ Situação: Aguardando expedição de Acórdão.  NFLD  37.132.495­5  ­  PAD  12268.000208/2007­51  ­  Fatos  Geradores:  Contribuição  remuneração  na  execução  de  obra  construção  civil  ­  Situação:  Baixado  por  liquidação.  NFLD  37.132.493­9  ­  PAD  12268.000212/2007­10  ­  Fatos  Geradores:  Contribuição prestação serviços de empresas ­ Situação: Penhora regular e suficiente.  NFLD 37.132.492­0 ­ PAD 12268.000213/2007­64 ­ Fatos Geradores: Contr.  Empregados,  contr.  Indiv.,  aquisição prod. Rural p.  físicas,  comercialização  rural  ­ Situação:  Baixado por liquidação.  Fl. 386DF CARF MF Processo nº 12268.000217/2007­42  Acórdão n.º 9202­007.410  CSRF­T2  Fl. 366          7 NFLD 37.180.811­1 ­ PAD 14474.001021/2008­46 ­ Fatos Geradores: Contr.  Empregados,  contr.  indiv.,  aquisição  prod.  rural  p.  físicas,  comercialização  rural  ­  Situação:  Baixado p/ liquidação desm. 371324920.  É o relatório.  Fl. 387DF CARF MF   8 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora  Pressupostos de Admissibilidade  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 350.  Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos  do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão.  Do mérito  Resultado dos AIOP correlatos  Com vista a atribuir liquidez e certeza ao presente AIOA, cuja lavratura está  diretamente relacionada ao resultado dos AIOP lavrados durante o mesmo procedimento fiscal.  Conforme consta do Relatório Fiscal da INfração:  Relatório  Fiscal  da  Infração  Empresa  sob  Auditoria  Fiscal  conforme Mandado de Procedimento Fiscal n. 09375443F00, de  05/02/2007.  Autuada por deixar de  incluir em GFIP os  fatos geradores das  contribuições  previdenciárias  elencados  nos  demonstrativos  denominados  "Empregados",  "Contribuintes  Individuais  Conselho  Fiscal",  "Contribuintes  Individuais  Diretores",  "Contribuintes  Individuais  Autônomos",  "Contribuintes  Individuais  Fretes",  "Remuneração  Indireta  Diretoria",  "Aquisição de Produção Rural Pessoas Físicas" e "Receita Bruta  de Comercialização PJ" anexos ao presente.  Os beneficiários,  valores pagos,  data da  contabilização,  contas  onde  estão  contabilizados  os  valores  e  históricos  dos  lançamentos, estão identificados nos demonstrativos acima.  Conforme  consta  no  relatório  desse  voto,  o  processo  foi  baixado  em  diligência  para  que  a  DRF  prestasse  esclarecimentos  sobre  os  andamentos  dos  AI  que  ensejaram a aplicação de multa pela omissão em GFIP. Em cumprimento foram prestados os  seguintes esclarecimentos:  EQUIPE DE CONTENCIOSO FISCAL/EQCOF em 15/08/2018.  1 ­ Em atendimento à Resolução nº 9202­000.200 – 2ª Turma da  Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF.  NFLD  37.132.498­0  ­  PAD  12268.000206/2007­62  ­  Fatos  Geradores:  Solidariedade  de  Construção  Civil  –  Situação:  Homologação da Improcedência.  Fl. 388DF CARF MF Processo nº 12268.000217/2007­42  Acórdão n.º 9202­007.410  CSRF­T2  Fl. 367          9 NFLD  37.132.494­7  ­  PAD  12268.000207/2007­15  ­  Fatos  Geradores:  Contribuição  prestação  serviços  de  empresas  ­  Situação: Aguardando expedição de Acórdão.  NFLD  37.132.495­5  ­  PAD  12268.000208/2007­51  ­  Fatos  Geradores:  Contribuição  remuneração  na  execução  de  obra  construção civil ­ Situação: Baixado por liquidação.  NFLD  37.132.493­9  ­  PAD  12268.000212/2007­10  ­  Fatos  Geradores:  Contribuição  prestação  serviços  de  empresas  ­  Situação: Penhora regular e suficiente.  NFLD  37.132.492­0  ­  PAD  12268.000213/2007­64  ­  Fatos  Geradores:  Contr.  Empregados,  contr.  Indiv.,  aquisição  prod.  Rural p.  físicas, comercialização rural  ­ Situação: Baixado por  liquidação.  NFLD  37.180.811­1  ­  PAD  14474.001021/2008­46  ­  Fatos  Geradores:  Contr.  Empregados,  contr.  indiv.,  aquisição  prod.  rural  p.  físicas,  comercialização  rural  ­  Situação:  Baixado  p/  liquidação desm. 371324920.  Conforme descrito todos os processos relacionados pela DRF foram julgados,  sendo que não compete no AIOA adentrar ao mérito da procedência dos autos, por exemplo em  relação à contribuição rural, mas tão somente a correção da multa.  Aplicação da multa ­ retroatividade benigna   Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente  ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32­A, da  Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente.  Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  nº  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do  CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  Fl. 389DF CARF MF   10 c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta  a verificação da denominação atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta  do  Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão  de 23 de junho de 2016),  cuja  ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para  a  situação em que ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente do  tributo  e  (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido  das multas  previstas  nos  arts.  35,  II,  e  32,  §  5o,  ambos  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz  remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores  Fl. 390DF CARF MF Processo nº 12268.000217/2007­42  Acórdão n.º 9202­007.410  CSRF­T2  Fl. 368          11 no  sistema  de  cobrança,  a  fim  de  que,  em  cada  competência,  o  valor  da multa  aplicada  no  AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão,  a  penalidade  anterior  à  vigência  da MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a multa  do  art.  35­A da Lei  n°  8.212/91,  correspondente  aos  75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal ­ deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  Fl. 391DF CARF MF   12 e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  Fl. 392DF CARF MF Processo nº 12268.000217/2007­42  Acórdão n.º 9202­007.410  CSRF­T2  Fl. 369          13 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  ∙ Norma anterior,  pela  soma da multa  aplicada nos moldes  do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   ∙ Norma atual,  pela  aplicação da multa  de  setenta  e  cinco  por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Fl. 393DF CARF MF   14 Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os  fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12268.000217/2007­42  Acórdão n.º 9202­007.410  CSRF­T2  Fl. 370          15 cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma  do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­ A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009.  Em  face  ao  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  para  que  a  retroatividade  benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de  2009.  Note­se  que  todo  esse  entendimento  foi  acatado  pelo  CARF  ao  editar  a  súmula nª 119, não havendo mais o que se discutir a respeito, senão vejamos o texto da súmula:  Súmula CARF nº 119  Fl. 395DF CARF MF   16 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  pela  falta  de  declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de  ofício  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  à  vigência  da  Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941,  de  2009,  a  retroatividade  benigna  deve  ser  aferida mediante  a  comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento  das  obrigações  principal  e  acessória,  aplicáveis  à  época  dos  fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art.  44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Por fim, destaca­se que, independente do lançamento fiscal analisado referir­ se  a  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  (AIOP)  e  Acessória  (AIOA),  este  último  consubstanciado  na  omissão  de  fatos  geradores  em  GFIP,  lançados  em  conjunto,  ou  seja  formalizados  em um mesmo processo, ou  em processos  separados,  a  aplicação da  legislação  não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as  possibilidades,  já  que  a  tese  ali  adotada  tem  por  base  a  natureza  das  multas.  (grifos  não  presentes no original).  Contudo, importante ressaltar que tratando­se de AI de obrigação acessória ­  AI68,  cuja  lavratura  está  ligada  aos AI  de  obrigações  principais  ­  lavrado  durante  o mesmo  procedimento fiscal, conforme relatório de diligência, fls. 378 soa autos, deverá ser levado em  consideração  no  cálculo  da  multa  mais  benéfica,  os  fatos  geradores  da  contribuição  dos  segurados contribuintes individuais excluídos do AIOP.  Conclusão  Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA  FAZENDA  NACIONAL,  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO,  para  que  a  retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                            Fl. 396DF CARF MF

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7589475 #
Numero do processo: 10880.908965/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­004.640  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de dezembro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Recorrente  AGT ­ ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2011  APRESENTAÇÃO  DE  PROVAS.  PRECLUSÃO.  MOMENTO  PROCESSUAL  A  prova  documental  deve  ser  produzida  até  o  momento  processual  da  reclamação,  precluindo  o  direito  da  parte  de  fazê­lo  posteriormente,  salvo  prova  da  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  que  justifiquem  sua  apresentação tardia.  Consideram­se  preclusas  as  alegações  não  submetidas  ao  julgamento  de  primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.  DCTF.  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA.  RETIFICAÇÃO.  DESPACHO  DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO  A  DCTF  é  instrumento  formal  de  confissão  de  dívida,  e  sua  retificação,  posterior  à  emissão  de  despacho  decisório,  exige  comprovação  material  a  sustentar direito creditório alegado.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Larissa  Nunes  Girard  (suplente  convocado  para  substituir  o  conselheiro  Leonardo  Correia  Lima  Macedo),  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade  e  Laercio  Cruz  Uliana  Junior.  Ausente,  justificadamente,  o  conselheiro  Leonardo  Correia Lima Macedo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 65 /2 01 3- 61 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.908965/2013­61  Acórdão n.º 3201­004.640  S3­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da  Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte.  O  presente  processo  trata  de  Per/Dcomp  transmitida  com  o  objetivo  de  compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP.   A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de  que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou  mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não  restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim,  diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.  O  interessado  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando  que  houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho.  A  DRJ/Belo  Horizonte  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade por intermédio do Acórdão 02­056.791. A decisão foi assim ementada:  ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2011   PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  Não  se admite  compensação com crédito que não se  comprova  existente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  visando  a  reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a  sua compensação.  Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com  fundamento  nas Leis  nº  10.865/2004  e 12.546/2011,  conforme o  documento  "Demonstrativo  Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre  ativo imobilizado".  Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está  comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário.  É o relatório.  Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.908965/2013­61  Acórdão n.º 3201­004.640  S3­C2T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­004.621, de  12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/2012­04, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­004.621):  (...)  "O Recurso Voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele tomo conhecimento.  Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face  do  despacho decisório, mantido  hígido  na  decisão a quo,  que  não  homologou  a Dcomp  em  razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido.  Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito.  O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito  por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não  restando crédito disponível para a compensação informada.  Interposta manifestação  de  inconformidade,  a  contribuinte  alegou  ter demonstrado  pagamento  a  maior  na  apresentação  de  sua  DCTF  retificadora  e  DARF  de  pagamento  da  Contribuição, após a prolação do despacho decisório.  Em sede de julgamento na DRJ, o  relator assentou que as  retificações no Dacon e  DCTF  não  evidenciaram  o  suposto  pagamento  a  maior,  porquanto  apenas  informaram  um  valor  diverso  do  original.  Conquanto  os  julgadores  entenderam  que  as  retificações  após  a  ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a  redução dos débitos, porque não  tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas  declarações anteriormente transmitidas.  No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o  seu  direito  ao  crédito mediante  a  apresentação de  toda  a  documentação necessária...".  Faz  menção  ao DARF,  ao  lançamento  fiscal  da Contribuição  devida  originalmente  e  ao  valor  a  qual foi reduzido o débito.   Pois  bem;  constata­se  a  inexistência  nos  autos  de  qualquer  documento  que  demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em  função da apuração de créditos com ativo imobilizado.  A  recorrente,  agora  em  recurso  voluntário,  apresenta  quadro  demonstrativo  com  informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações)  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.908965/2013­61  Acórdão n.º 3201­004.640  S3­C2T1  Fl. 5          4 de  seu  ativo  imobilizado  e  o  documento  "Planilha  para  Credito  de  PIS/Cofins  sobre  Ativo  Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa  materializar­se nos créditos.  Como  se vê,  a esses documentos  a contribuinte  atribui  a certeza  e  liquidez de  seu  direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos  pretensos  créditos,  antes  e  após  as  retificações  de  Dacon  e  DCTF,  e  que  resultaram  em  pagamento a maior de PIS e Cofins.  A  transmissão  de  Dacon  e  DCTF  retificadoras  consignando  um  valor  de  tributo  menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de  seu  créditos.  Esse  era  o  fundamento  sustentado  pela  contribuinte  em  sua  manifestação  de  inconformidade.  Os  documentos  que pretendem  fazer  prova  do  direito  creditório, não  apresentados  em  sede  de  julgamento  de  1ª  instância,  mas  somente  em  recurso  voluntário,  são  meras  informações  sem  a  comprovação  de  lastro  na  escrita  regular  e  em  documentos  idôneos,  e  tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de  PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.  Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem  regramentos  às  declarações  retificadoras  do  contribuinte,  ao  momento  da  apresentação  da  prova,  sua  ausência  na  instauração  da  fase  litigiosa  e  ao  ônus  probatório  de  quem  alega  os  fatos  constitutivos  de  seu  direito.  As  matérias  estão  disciplinadas  nos  artigos  14  a  17  do  Decreto nº 70.235/76 ­ PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 ­ Novo CPC, e art. 147 da Lei nº  5.172/1966 ­ CTN:  Decreto n° 70.235, de 1972:  Art.  14.  A  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento.  Art.  15.  A  impugnação,  formalizada  por  escrito  e  instruída  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão  preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a  intimação da exigência.  [...]  Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]  III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir.  [...]  § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna,  por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532, de 1997)  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.908965/2013­61  Acórdão n.º 3201­004.640  S3­C2T1  Fl. 6          5 c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Art. 17. Considerar­se­á não impugnada a matéria que não tenha sido  expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº  9.532, de 1997).  Lei nº 13.105/2015 ­ CPC:  "Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II —  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo do direito do autor."  Lei nº 5.172/1966 ­ CTN:  Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito  passivo  ou  de  terceiro,  quando  um  ou  outro,  na  forma  da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.  § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes  de  notificado  o  lançamento  Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório  contra  a Fazenda Nacional  exige  a  averiguação da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  indevido ou a maior de tributo,  fazendo­se necessário verificar a exatidão das  informações a  ele  referentes,  confrontando­as  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o  tributo devido e compará­lo ao pagamento efetuado.  A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de  preclusão,  instruir  sua manifestação de  inconformidade  com os motivos  de  fato  e  de  direito  que  fundamentam  sua  pretensão,  acompanhados  dos  documentos  que  respaldem  suas  afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos.  Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em  face  de  despacho  decisório  em  que  o  tratamento  do  Perdcomp  tenha  sido  apenas  eletronicamente,  desde  que  a  apresentação  de  provas,  apenas  em  recurso  voluntário,  tenha  respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se  consubstanciam  (as  provas)  na  complementação  de  elementos  indiciários  que  indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória ­ é o que se  denomina "prova mínima" ou "início de prova".  Tratando­se de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a  redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular  e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a  maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação  declarada                                                              1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.908965/2013­61  Acórdão n.º 3201­004.640  S3­C2T1  Fl. 7          6 É dever/ônus do  contribuinte municiar  sua defesa  com os  elementos  de prova que  suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação  da  DCTF,  com  a  redução  do  valor  do  PIS  devido,  sem  qualquer  comprovação  de  erro  no  preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento  a maior  e  importa  inadmissibilidade  da DCTF  retificadora,  consoante  o  §  1º  do  art.  147  do  CTN.  Denota­se  ainda  que  as  explicações  e  demonstrativos  apresentados  no  tocante  aos  supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e  apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que  autorizariam o  afastamento  da  preclusão  de  que  trata  as  alíneas  do  §  4º do  art.  16  do PAF.  Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considera­se não  impugnada a matéria que não  tenha  sido  diretamente  contestada  pelo  impugnante,  sendo  inadmissível  a  apreciação  em  grau  de  recurso de matéria não suscitada na instância a quo.  Desse modo,  a  contribuinte não  se desincumbiu do ônus probatório do seu direito  creditório,  que  restou  incerto  e  ilíquido.  Assim,  não  vislumbro  espaço  para  reanálise  do  despacho  decisório,  tampouco  qualquer  reforma  na  decisão  recorrida,  mantendo­se  não  reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada.  Conclusão  Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  NEGOU  PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.        (assinado digitalmente)   Charles Mayer de Castro Souza                                Fl. 144DF CARF MF

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7585739 #
Numero do processo: 13851.902718/2016-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.576
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­001.576  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de novembro de 2018  Assunto  PIS/COFINS­PEDIDO DE RESTITUIÇÃO  Recorrente  ROMANOVA PRODUTOS E ALIMENTOS LTDA ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara­Terceira Seção  do CARF,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência,  nos  termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra­Presidente e Relator   Participaram do presente  julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra  (presidente  da  turma),  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado),  Pedro  Sousa  Bispo  e  Rodrigo Mineiro  Fernandes.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira  Thais de Laurentiis Galkowicz.    RELATÓRIO  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  (PER)  indeferido  em  decorrência  do  crédito  alegado  não  estar  disponível,  por  se  encontrar  o  valor  do  DARF  recolhido vinculado a um débito declarado.  Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando  a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de  apuração.  Alega  que  diversos  pagamentos  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins  “foram  recolhidos  indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de  Consulta  Cosit  de  29/06/2016,  na  qual  determina  a  redução  para  zero  das  alíquotas  incidentes”.      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 71 8/ 20 16 -3 9 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13851.902718/2016­39  Resolução nº  3402­001.576  S3­C4T2  Fl. 3            2 Ato contínuo, a DRJ­CURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade  improcedente,  face  a  ausência  de  provas  capazes  de  comprovar  a  ocorrência  do  pagamento  indevido ou a maior.  Em  seguida,  devidamente  notificada,  a Recorrente  interpôs  o  presente  recurso  voluntário pleiteando a reforma do acórdão.  Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua  Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas.  É o relatório.  .VOTO  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  n Resolução  3402­001.553  de  28  de  novembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  13851.902626/2016­59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­001.553):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer.  Conforme  se  infere  do  Relatório,  o  caso  trata  de  pedido  de  compensação  de  indeferido  pela  Autoridade  Tributária  porque  a  empresa  não  apresentou  provas  suficientes  para  demonstrar  a  existência do seu direito creditório.  Na  Impugnação,  embora  a  empresa  tenha  trazido  aos  autos  cópias  da  DCTF  e  DACON  retificadores  demonstrando  que  nenhum  valor  de  COFINS  era  devida  no  período,  a  Autoridade  Julgadora  entendeu  que  para  poder  se  aceitar  o  valor  indicado  na DCTF  e  no  Dacon  retificadores,  o  Contribuinte  deveria  provar  a  correção  das  informações  retificadas  com  base  em  documentação  hábil  e  idônea.  Informa  ainda  que  as  provas  adequadas  a  comprovar  a  correção  da  retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil  e fiscal da empresa.  No  Recurso  Voluntário,  a  Recorrente  informa  que  atua  no  comércio  de  produtos  alimentícios  em  embalagens  fechadas,  comercializando  massas  preparadas  para  pizzas,  não  recheadas,  denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais  produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota  zero  para  a  contribuição  à  COFINS,  conforme  determina  o  art.,  1°,  inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou  aos  autos  várias  notas  fiscais  eletrônicas  de  venda  das  mercadorias  citadas (fls.33 a 134).  Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13851.902718/2016­39  Resolução nº  3402­001.576  S3­C4T2  Fl. 4            3 Como  se  sabe,  no  caso  de  processos  de  compensação,  restituição  ou  ressarcimento,  cabe  ao  Contribuinte  provar  o  direito  creditório  que  alega.  Ele  deve  trazer  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes  que  demonstrem  a  liquidez  e  certeza  do  crédito.  Isso  é  o  que  se  conclui  do  art.  373,  inciso  I,  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC,  aplicado  subsidiariamente  ao  processo  administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF):  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I  ao  autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito;  [...]No  entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu  direito,  no  caso  ora  analisado,  constata­se  que  o  problema  identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se  dado  não  por  culpa  sua,  mas  de  um  terceiro,  no  caso  o  seu  fornecedor,  que  inclusive  admitiu  o  equívoco  cometido.  Dessa  forma,  não  seria  justificável  a  empresa  arcar  com  as  consequências de um possível equívoco que não teve culpa.   No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há  indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à  alíquota  zero,  entretanto  as  provas  juntadas  ainda  não  são  suficientemente  hábeis  para  se  atestar  que  todas  as  receitas  da  empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma  verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras  receitas  de  natureza  diferente  daquelas  constantes  nas  notas  fiscais  apresentadas.  Assim,  em  homenagem  ao  princípio  da  busca  da  verdade  material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com  os quesitos abaixo:  a)  juntar  a  escrituração  contábil  da  empresa  que  demonstre  o  total das receitas auferidas no período analisado;  b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de  produtos sujeitos à incidência da COFINS;  c)  elaborar  planilha  de  apuração  da  COFINS  devida  no  período;  d)  realizar  qualquer  outra  verificação  que  julgar  necessária  para atingir os objetivos da diligência;  e)  intimar  a  Recorrente  no  prazo  de  trinta  dias  para  se  pronunciar  sobre  os  resultados  obtidos,  nos  termos  do  parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011.  Concluída  a  diligência,  os  autos  deverão  retornar  a  este  Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13851.902718/2016­39  Resolução nº  3402­001.576  S3­C4T2  Fl. 5            4 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos §§  1º  e 2º  do  art.  47  do Anexo  II  do RICARF,  o  colegiado  decidiu  converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo:  a)  juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o  total das  receitas  auferidas no período analisado;  b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos  à incidência da COFINS;  c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período;  d)  realizar  qualquer  outra  verificação  que  julgar  necessária  para  atingir  os  objetivos da diligência;  e)  intimar  a  Recorrente  no  prazo  de  trinta  dias  para  se  pronunciar  sobre  os  resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011.  Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se  dê prosseguimento ao julgamento."   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra  Fl. 242DF CARF MF

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Numero do processo: 10855.724235/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2012 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. DIES A QUO. No âmbito da decadência, havendo a constatação da simulação, o marco inicial de sua contagem rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos e negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 76. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
Numero da decisão: 2202-004.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples pelas empresas RAFAEL KNOPFLER EPP, DANIEL KNOPFLER EPP, RONIT KNOPFLER EPP, RUTH KNOPFLER EPP, vencida a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), que deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor, e para redatora ad hoc do voto vencido, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira não votou nesse julgamento, por já haver a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, relatora, proferido seu voto na reunião de setembro de 2018. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada ad hoc para formalização do voto vencido e Redatora designada para redigir o voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2012 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. DIES A QUO. No âmbito da decadência, havendo a constatação da simulação, o marco inicial de sua contagem rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos e negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 76. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.

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2202­004.836  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de novembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  TÊXTIL DALUTEX LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2012  LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. DIES A QUO.  No  âmbito  da  decadência,  havendo  a  constatação  da  simulação,  o  marco  inicial  de  sua  contagem  rege­se  pelo  artigo  173,  inciso  I,  do  Código  Tributário Nacional ­ CTN, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que poderia haver o lançamento.  DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO.  A  autoridade  administrativa  pode  desconsiderar  atos  e  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  de  fato  gerador  de  tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.  MULTA QUALIFICADA.  É  cabível  a  multa  qualificada  quando  restar  demonstrada  a  intenção  de  ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco.  CONTRIBUIÇÕES  RECOLHIDAS  NA  SISTEMÁTICA  DO  SIMPLES.  DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 76.  Na  determinação  dos  valores  a  serem  lançados  de  ofício  para  cada  tributo,  após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da  mesma  natureza  efetuados  nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar  de  decadência  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  que  sejam  deduzidos  recolhimentos  da  mesma  natureza  efetuados  na  sistemática  do  Simples  pelas  empresas RAFAEL KNOPFLER EPP, DANIEL KNOPFLER EPP, RONIT KNOPFLER EPP,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 42 35 /2 01 4- 05 Fl. 1339DF CARF MF     2 RUTH KNOPFLER  EPP,  vencida  a  conselheira  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio  (relatora),  que deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor, e para  redatora ad hoc do voto  vencido, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do  RICARF, a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira não votou nesse julgamento, por já  haver a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, relatora, proferido seu voto na reunião de  setembro de 2018.  (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.  (Assinado digitalmente)  Rosy Adriane da Silva Dias ­ Redatora designada ad hoc para  formalização  do voto vencido e Redatora designada para redigir o voto vencedor.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva  Dias,  Martin  da  Silva  Gesto,  Marcelo  de  Sousa  Sateles,  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).    Relatório  Conselheira  Rosy  Adriane  da  Silva  Dias,  Redatora  designada  ad  hoc  para  formalização do acórdão.  Para  registro  e  esclarecimento,  pelo  fato  da  conselheira  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  responsável  pelo  relatório,  ter  deixado  o  Colegiado  antes  de  sua  formalização, fui designada ad hoc para fazê­lo.  Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pela conselheira nos sistemas  internos do CARF.  Feito o registro.    Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 1275/1277):  Trata­se de Auto de Infração DEBCAD nº 51.071.624­9 (fl.965),  cadastrado  no  COMPROT  sob  nº  10855.724235/2014­05,  lavrado  contra  a  empresa  TÊXTIL  DALUTEX  LTDA,  em  01/12/2014,  para  constituir  o  crédito  relativo  às  contribuições  previdenciárias  (contribuição  da  empresa,  inclusive  SAT/RAT)  referentes  ao  período  de  01/2009  a  12/2012,  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  no  valor  de  R$  5.335.453,73  (cinco  milhões  e  trezentos  e  trinta  e  cinco mil  e quatrocentos  e  cinquenta e  três  reais e setenta e três centavos).   2.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  948  a  961,  todos  os  segurados empregados e contribuintes individuais constantes das  Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.338          3 folhas  de  pagamento  e  das Guias  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIPs)  das  empresas  RAFAEL KNOPFLER EPP, DANIEL KNOPFLER EPP, RONIT  KNOPFLER  EPP  e  RUTH  KNOPFLER  EPP,  foram  considerados  vinculados  à  empresa  autuada  (Têxtil  Dalutex  Ltda),  em  face  da  constatação  de  que  se  trata  de  uma  só  empresa, com várias áreas. As empresas citadas são constituídas  por  membros  do  mesmo  grupo  familiar  do  casal  Ludovit  Knopfler  e Hanna Knopfler,  sócios  da Autuada,  não  possuindo  administração individualizada por empresa e,  sim, centralizada  no  grupo  familiar,  tendo  como  principal  responsável  o  Sr.  Ludovit Knopfler.  3. Ressalta a autoridade fiscal que as empresas mencionadas são  tributadas pelo SIMPLES NACIONAL, e funcionam, na verdade,  como um departamento ou setor da empresa TÊXTIL DALUTEX  LTDA, eis que apenas executam um determinado tipo de serviço  que  faz  parte  do  processo  de  fabricação  do  tecido  final,  que  é  comercializado pela Autuada (o que leva à conclusão de que se  trata  de  uma  só  empresa),  que  agiu  com  dolo,  no  sentido  de  diminuir  ilegalmente  sua  carga  tributária,  uma  vez  que  não  recolheu  a  contribuição  previdenciária  relativa  à  parte  da  empresa.  4. Sobre as contribuições previdenciárias devidas foi aplicada a  multa  qualificada  de  150%  (cento  e  cinquenta  por  cento),  nos  termos do art. 44,  § 1º,  da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que  identificadas  nos  atos  perpetrados  as  condutas  descritas  nos  arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, configurando, em  tese,  o  crime  de  Sonegação  de  Contribuição  Previdenciária,  tipificado no art. 337­A do Código Penal, motivo pelo qual será  formalizada  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  (RFFP)  à  autoridade competente (Processo nº 10855.724236/2014­41).  5.  Foi  lavrado  no  presente  Auto  de  Infração  (DEBCAD  51.071.624­5) o Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS) de  fls. 992/993, em nome da empresa RAFAEL KNOPFLER – EPP,  com base no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional  (CTN), em face de “evidências consistentes de atuação conjunta,  visando  interesses  econômicos  e  financeiros  comuns”,  com  ciência do responsável solidário em 15/12/2014, conforme Aviso  de Recebimento – AR de fl. 995.  6. Cientificada a empresa autuada, conforme Termo de Ciência  por Decurso de Prazo (fl. 999), apresentou a impugnação de fls.  1001 a 1025, em 08/01/2015, argumentando, em síntese, que:  a) a presente impugnação é tempestiva e deve ser regularmente  processada;  b)  há  clara  conexão  entre  o  presente  e  os  demais  autos  de  infração  lavrados  (AI  51.071.621­0,  AI  51.071.622­9,  AI  51.071.624­5  e  AI  51.071.620­0),  o  que  resta  evidente  pela  existência de um único Relatório Fiscal, devendo, portanto,  ser  Fl. 1341DF CARF MF     4 “distribuídos  sempre  a  mesma  turma  de  julgamento  e  mesmo  relator”, sob pena de nulidade do julgamento;  c)  tratando­se  de  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadencial  é  disciplinado  pelo  §  4º  do  artigo  150  do  CTN.  “Assim, pelo decurso de prazo o auto de infração é parcialmente  inexigível,  estando  extinta  a  obrigação  tributária  relativa  aos  meses 01/2009 a 11/2009;  d)  o  processo  de  terceirização,  que  “se  iniciou  com  a  contratação  da  empresa RUTH KNOPFLER  – ME,  constituída  em  30/09/1992”,  intensificando­se  em  1997  com  a  contratação  da empresa RONIT KNOPFLER ME, constituída em 17/02/1997,  e  consolidando­se  em  2000  com  a  contratação  das  empresas  RAFAEL  KNOPFLER  ME,  constituída  em  17/05/2000,  e  DANIEL  KNOPFLER  ME  em  05/04/2000.  Ressalta  que  “o  planejamento posto é muito claro e não há qualquer intenção de  burlar  o  fisco”,  afirmando que  foi  “terceirizando áreas  de  sua  empresa, e o fez para seus filhos, que são pessoas de sua inteira  confiança,  tanto  pessoal  quanto  tecnicamente.  Ou  seja,  a  Impugnante continua sob o comando do patriarca fundador”;  e)  “numa decisão  empresarial,  com  total  proposito  negocial,  a  Impugnante  subdividiu  o  seu  parque  industrial,  cedendo  o  espaço as suas terceirizadas e fazendo o comodato das máquinas  existentes, mantendo para si apenas parte da área de escritório  que até hoje é utilizada pela  Impugnante para acomodar a  sua  área administrativa”;  f) “após a mudança das terceirizadas para o complexo fabril, as  despesas  são  rateadas  entre  estas  e  a  própria  Impugnante,  porém  são  pagas  em  nome  da  Impugnante  proprietária  do  imóvel.  Impende  salientar  que  este  pagamento  pelas  terceirizadas  é  feito  mediante  a  retenção  de  valores  em  suas  faturas”, conforme planilha que anexa, sendo o processo normal  e  corriqueiro,  não  havendo  impedimento  para  tal  operação.  Ressalta que “manteve a parte fundamental do processo, que é a  criação, desenvolvimento e pesquisa de produtos”;  g) “o PPRA é um documento de prevenção de risco ambiental do  complexo  fabril,  não  sendo  relevante  para  tal  avaliação  a  existência  ou  não  de  empresas  terceirizadas  ocupando  o  espaço”;  h) “é  importante  salientar que  se  trata de uma área de 80.000  m2,  ou  seja,  grande  o  suficiente  para  abrigar  dezenas  de  empresas se fosse o caso. Como dito desde o início,  trata­se de  um  caso  de  cessão  do  espaço  para  as  terceirizadas,  inclusive  com o  comodato  do maquinário,  tudo  visando uma  redução de  custos.  Não  há  qualquer  ilegalidade  na  operação,  e  é  perfeitamente  possível,  não  sendo  motivação  válida  para  a  desconsideração da personalidade jurídica”;  i) reconhece que “há uma relação umbilical entre as empresas,  pois  são  todos  familiares”,  porém,  são  empresas  totalmente  independentes,  tanto  que  os  funcionários  das  terceirizadas  jamais  foram  empregados  da  impugnante.  Não  estão  presentes  os  requisitos  do  vínculo  empregatício  entre  os  funcionários  da  Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.339          5 terceirizada  e  a  empresa  Têxtil  Dalutex,  não  se  tratando  de  terceirização com transferência de funcionários a fim de reduzir  o valor da contribuição previdenciária, tanto que esses já foram  contratados  diretamente  pelas  terceirizadas,  o  que  demonstra  independência gerencial;  j)  o  Auto  de  Infração,  se  mantido,  deve  ser  revisto.  Todas  as  empresas são optantes pelo Simples Nacional e recolheram seus  tributos  mensalmente  sobre  as  notas  fiscais  emitidas  contra  a  impugnante  (no  período  do  AI,  mais  de  R$  4.000.000,00),  devendo  tal quantia  ser abatida do valor originário do auto de  infração;  k) em todos os autos de infração foi aplicada multa de 150% sem  fundamento,  pois  não  houve  a  intenção de  sonegar,  inexistindo  dolo ou má­fé, podendo, na pior das hipóteses, tratar­se de erro  de apuração, o que implicaria multa simples e não qualificada;  l) a aplicação da multa, seja no percentual de 150% ou 75%, é  confiscatória  e,  portanto,  inconstitucional,  afrontando  o  princípio  da  razoabilidade  e  da  livre  iniciativa,  conforme  jurisprudência  que  transcreve.  Dessa  forma,  deve  ser  “  expurgada do débito a multa de 75% sobre os créditos lançados  e  glosados”  e  reduzida  para  o  percentual  de  20%  ou  outro  percentual razoável;|  m)  requer,  ao  final,  seja  a  impugnação provida  para  afastar  o  lançamento e, caso mantida a fundamentação da autuação, seja  refeito o cálculo para abater do valor originário a integralidade  dos valores pagos pela terceirizada no Simples Nacional e para  afastar a multa excessiva indevidamente aplicada.  7.  Tendo  em  vista  o  disposto  na  Portaria  RFB  nº  453,  de  11/04/2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº  1.006,  de  24/07/2013  (DOU 25/07/2013),  e  conforme  definição  da Coordenação­Geral de Contencioso Administrativo e Judicial  da  RFB,  foi  distribuído  o  presente  processo  a  esta  DRJ  de  Curitiba/PR para julgamento da impugnação.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Curitiba  julgou  improcedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte (fls. 1273/1274):  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO.  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.  O  exame  da  legalidade  e  da  constitucionalidade  de  normas  legitimamente  inseridas  no  ordenamento  jurídico  nacional  compete  ao  Poder  Judiciário,  restando  inócua  e  incabível  qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa.  DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  Fl. 1343DF CARF MF     6 O  lapso  de  tempo  para  constituir  os  créditos  tributários  das  contribuições  previdenciárias  é  regido  pelo  Código  Tributário  Nacional, sendo que, na hipótese de ocorrência de dolo,  fraude  ou simulação, aplica­se o prazo do artigo 173, inciso I, do CTN.  DESCONSIDERAÇÃO  DE  ATOS  E  NEGÓCIOS  JURÍDICOS.  PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA.  A  fiscalização  tem o dever de desconsiderar os atos e negócios  jurídicos,  a  fim  de  aplicar  a  lei  sobre  os  fatos  geradores  efetivamente  ocorridos,  sendo  que  esse  dever  está  implícito  na  atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência  da  atividade  de  fiscalização  tributária,  que  deve  buscar  a  verdade material com prevalência da substância sobre a forma.  TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.  Comprovada  a  contratação  de  trabalhadores  por  meio  de  empresas  interpostas,  forma­se  o  vínculo  empregatício  diretamente com o  tomador dos serviços, passando a ser este o  sujeito  passivo  das  contribuições  sociais  incidentes  sobre  as  remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados.  CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS. CONTRIBUINTE DIVERSO.  IMPOSSIBILIDADE DE ABATIMENTO.  As  contribuições  recolhidas  por  meio  de  documento  de  arrecadação  identificado  com  o  CNPJ  de  determinada  pessoa  jurídica  não  podem ser  abatidas  no  lançamento  fiscal  efetuado  contra outro contribuinte.  MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO  É  cabível  a  multa  qualificada  quando  restar  demonstrado  a  intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o  Fisco  a  fim  de  se  beneficiar  de  regime  de  tributação  diferenciado.  MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  refere­se  a  tributo  e  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo  à  autoridade  administrativa  aplicar  a multa  nos moldes  da  legislação  que  a  instituiu.  DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.  As  decisões  judiciais,  à  exceção  das  decisões  do  Supremo  Tribunal  Federal,  sobre  inconstitucionalidade  da  legislação  e  daquelas  objeto  de  súmula  vinculante,  não  se  constituem  em  normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam  em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da  decisão.  Cientificado  da  decisão  acima  (AR  fls.  1310),  o  contribuinte  apresentou  o  Recurso Voluntário  de  fls.  1315  à  1333  no  qual  reitera  as  alegações  formuladas  quando  da  Impugnação.   É o Relatório  Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.340          7   Voto Vencido  Conselheira  Rosy  Adriane  da  Silva  Dias,  Redatora  designada  ad  hoc  para  formalização do acórdão.  Para  registro  e  esclarecimento,  pelo  fato  de  a  conselheira  Júnia  Roberta  Gouveia Sampaio, responsável pelo voto,  ter deixado o Colegiado antes de sua formalização,  fui designada ad hoc para fazê­lo.  Esclareço  que  aqui  reproduzo,  integralmente,  as  razões  de  decidir  da  então  conselheira, constantes dos arquivos do CARF, aproveitando para registrar minha divergência  em relação a elas, delineada no voto vencedor, o que não me vincula aos fundamentos por ela  adotados em seu voto vencido.  Feito o registro.    Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio ­ Relatora  O  recurso  preenche  os  pressupostos  legais  de  admissibilidade, motivo  pelo  qual, deles conheço.   Conforme se observa pelo Relatório fiscal o presente lançamento centra­se na  alegação de  simulação na  constituição de pessoas  jurídicas para  reduzir  custos  tributários. O  contribuinte,  por  sua  vez,  admite  a  realização  da  segregação  de  atividades  entre  empresas,  porém defende  que  tal  segregação  é  uma  forma  de  reorganização  legítima,  uma vez  que  foi  realizada dentro dos limites impostos pela legislação.   2) PRELIMINAR ­ DECADÊNCIA  O  Recorrente  alega  que  foi  cientificado  do  auto  de  infração  no  dia  11/12/2014 e  este  se  refere  ao  exercício de 01/2009 a 12/2012. Sendo assim, nos  termos do  artigo 150, §4º do CTN, o período relativo aos exercícios de 01/2009 a 11/2009  já  teria sido  alcançado pela decadência.  A  decisão  recorrida,  por  sua  vez,  rejeitou  a  alegação  de  decadência  por  entender  que,  no  presente  lançamento,  ficou  demonstrada  a  simulação  em  razão  da  reorganização societária promovida. Sendo assim, o prazo decadencial não deveria ser contado  tomando como parâmetro o artigo 150, §4º, mas o artigo 173, ambos do CTN.   A  decisão  recorrida  se  fundamentou,  essencialmente,  na  ausência  de  propósito negocial para rejeitar a reorganização promovida pela Recorrente. Todavia, a leitura  do relatório fiscal, conforme restará demonstrado a seguir, não permite identificar a prática de  atos simulados ou fraudulentos. Sendo assim, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida,  entendo que o prazo decadencial deve ser contado tomando como parâmetro a norma do artigo  150, §4º do CTN, motivo pelo qual acolho a preliminar de decadência relativa aos exercícios  de 01/2009 a 11/2009.   Fl. 1345DF CARF MF     8 3) MÉRITO  3.1) DA SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES PROMOVIDA PELA RECORRENTE    Como  já  mencionado,  o  caso  analisado  envolve  o  tema  da  segregação  operacional e societária das fontes produtoras de rendimentos (“split strategy”). Por meio desta,  em termos gerais, uma entidade empresarial é segmentada em mais do que uma pessoa jurídica,  de  forma  que  partes  cindidas  passam  a  explorar  individualmente  as  atividades  segregadas.  Geralmente,  segregam­se  “atividades  meio”  que,  em  outro  momento  e  por  variadas  razões,  decidiu­se unificar em uma entidade.  A  segregação  de  atividades  possibilita  que  alguma  das  empresas  desmembradas façam opção pelo lucro presumido, enquanto que a anterior unidade empresarial  apenas poderia ser  tributada pelo lucro real ocasionando economia fiscal. Como bem ressalta  observa Conselheiro Luís Flávio Neto, no Acórdão nº 9101­002.397, trata­se de "economia de  opção"  ou  opção  fiscal.  Tal  fato  é  especialmente  relevante,  pois  tratando­se  de  situação  expressamente  admitido  pelo  ordenamento  jurídico,  sua  adoção  depende,  unicamente,  do  cumprimento dos requisitos prescritos em lei.   Dessa forma, o importante é verificar se houve uma real e efetiva segregação  de  atividades  ou  se  foi  demonstrada  a  simulação  na  operação.  Em  outras  palavras,  sendo  a  segregação  de  atividades  lícita,  não  basta  a  demonstração  de  que  foi  realizada.  É  imperioso  demonstrar que a estrutura dela resultante é simulada. Essa vem sendo a orientação do CARF,  como se verifica pelas decisões abaixo transcritas:   Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 31/10/2001 a 31/12/2003  COFINS ­ ALÍQUOTA ­ PRODUTOS DE HIGIENE E BELEZA ­  ESTABELECIMENTOS  INDUSTRIAL E COMERCIAL  ­  ARTS.  1º E 2º DA LEI Nº 10.147/00.  Para o cálculo da Cofins incidente sobre a receita de venda dos  produtos  de higiene  e  beleza  aplica­se a  alíquota  de  10,3% no  caso  de  receita  auferida  por  pessoa  jurídica  que  proceda  à  industrialização ou importação dos citados produtos sendo que a  alíquota  é  reduzida  a  zero,  no  caso  de  receita  de  revenda  dos  referidos produtos, auferida por pessoa jurídica não enquadrada  na condição de industrial ou importador.  COFINS  ­  DESCONSIDERAÇÃO  DE  ATOS  E  NEGÓCIOS  JURÍDICOS  ­  CISÃO  PARCIAL  ­  DESMEMBRAMENTO  DE  ATIVIDADE  ­  SIMULAÇÃO  ­  INOCORRÊNCIA  ­  ART.  116,  §  ÚNICO DO CTN.  Embora  não  se  ignore  que  a  autoridade  administrativa  pode  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  a  Lei  Complementar  somente  autoriza  a  desconsideração,  desde  que  observados  os  procedimentos  a  serem estabelecidos em lei ordinária (art. 116, § único do CTN).  Assim o contrato só se transmuda em forma dissimulada quando  ocorrer violação da própria lei e da regulamentação que o rege,  donde  decorre  que  a  descaracterização  do  contrato  só  pode  Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.341          9 ocorrer  quando  fique  devidamente  evidenciada  uma  das  situações  previstas  em  lei,  sendo  que  fora  desse  alcance  legislativo,  impossível ao Fisco tratar um determinado contrato  privado  como  outro  de  natureza  diversa,  para  fins  tributários.  Não há simulação na cisão parcial através da qual se efetua o  desmembramento  de  atividades  em  várias  empresas,  objetivando  racionalizar  as  operações  e  diminuir  a  carga  tributária, não sendo lícita a pretensão fiscal de desconsiderar  as  distintas  atividades  e  respectivas  receitas  segregadas  em  diferentes  empresas  do  mesmo  grupo,  para  tributá­las  unificadamente.  (Acórdão  3402­001.908,  de  26.09.2012)  (grifamos)    Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2008  SIMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.  Simular  é  o  ato  de  fingir,  mascarar,  esconder  a  realidade,  camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendo­se de outro,  eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso,  daí  o  motivo  de  o  artigo  167  do  Código  Civil  dispor  que  o  negócio jurídico simulado será nulo.  Não  é  simulação  o  desmembramento  das  atividades  por  empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar  as operações e diminuir a carga  tributária.  (Acórdão nº 3302­ 003.138, 17/03/2016) (grifamos)    SIMULAÇÃO ­ INEXISTÊNCIA ­ Não é simulação a instalação  de  duas  empresas  na  mesma  área  geográfica  com  desmembramento das atividades antes exercida por uma delas,  objetivando  racionalizar  as  operações  e  diminuir  a  carga  tributária.   OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA  ­  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA  ­  A  reunião  das  receitas  supostamente  omitidas  por  duas  empresas  para  serem  tributadas  conjuntamente  como  se  auferidas por uma só importa em erro na quantificação da base  de  cálculo  e  na  identificação  do  sujeito  passivo,  conduzindo  a  nulidade do lançamento.(Acórdão nº 103­23357) (grifamos)  A decisão constante do Acórdão nº 103­23357 é especialmente esclarecedora.  Isso  porque,  além  de  reconhecer  e  que  a  segregação  de  atividades  é  lícita  indica  quais  os  elementos a autoridade administrativa deveria comprovar para o reconhecimento da simulação,  conforme se verifica pelo seguinte trecho abaixo transcrito:  "A  conclusão  diversa  chegaria  se  a  fiscalização  comprovasse  que  a  empresa  desqualificada  não  mantinha  registros  e  inscrições  fiscais próprias, que não possuía quadro próprio de  Fl. 1347DF CARF MF     10 empregados,  que  não  celebrava  negócios,  que  não  emitida  documentação, que não mantinha escrituração  fiscal  relativas  aos seus negócios." (grifamos)  Conforme  exposto  na  decisão  recorrida,  os  elementos  trazidos  pela  fiscalização  para  demonstrar  a  simulação  da  segregação  de  atividades  promovida  pela  Recorrente foram os seguintes:  ­  as  despesas  normais  e  necessárias  à  operacionalização  dos  serviços  das  empresas  vinculadas  (energia  elétrica,  água,  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos,  segurança,  limpeza,  uniformes,  alimentação  e  transporte  de  funcionários,  etc.)  são  suportadas  pela  Autuada  (conforme  consta  da  contabilidade/documentos de caixa e nas Respostas ao Termo de  Intimação nº 07, item 6, fls. 600 a 609);  ­  as  empresas  vinculadas  executaram  serviços  exclusivamente  para cumprimento do objeto social da Impugnante e no interesse  desta  (Livros  Caixa,  Livros  de  Saída  de  Mercadorias,  notas  fiscais);  ­ a análise para a emissão do PPRA – Programa de Prevenção  de Riscos Ambientais (item 6) e do Laudo Técnico das Condições  Ambientais de Trabalho  (fls. 508 a 596)  foi realizada em todos  os  setores  da  empresa  autuada,  como  malharia,  tinturaria,  estamparia  e  acabamento.  Embora  existam  empresas  formalizadas  para  tais  setores,  na  prática,  existe  apenas  uma  empresa – Têxtil Dalutex Ltda, que gerencia, administra e opera  todos  os  setores  e  funções  relacionados  a  sua  atividade  fim de  fabricação de tecidos;  ­  ao  verificar  as  instalações  físicas  da  empresa  autuada,  a  Fiscalização constatou que não existe separação das instalações  desta  e  das  empresas  vinculadas  (possuem  o mesmo  endereço,  sendo  acrescentado  “parte  A,  B,  C  ou  D”,  após  o  número).  Trata­se  de  uma  só  empresa  com  várias  áreas,  observando­se:  caldeira única para alimentar todos os setores;  ­ portaria única e restaurante único para todos os funcionários;  ­  as  quatro  empresas  vinculadas  pertencem aos  filhos  do  casal  Ludovit  e  Hanna  Knopfler,  sócios  da  empresa  Têxtil  Dalutex  Ltda.  Conforme  procurações  carreadas  aos  autos,  com  amplos  poderes  (movimentar  contas  bancárias,  admitir  e  demitir  empregados,  cancelar  contratos,  abrir  filiais,  assinar  documentos  fiscais/contábeis,  adquirir,  alienar  e  onerar  bens  móveis  e  imóveis,  nomear  e  constituir  procuradores),  “o  Sr.  Ludovit  e  seus  filhos  podem  executar  todos  os  poderes  sobre  todas  as  empresas  como  verdadeiros  proprietários”,  sendo  possível  concluir  que  a  administração  não  é  individualizada,  mas sim, centralizada no grupo  familiar,  tendo  como  principal  responsável  o  Sr.  Ludovit  Knopfler (Procurações e Certidões – fls. 720 a 787);  ­ existe somente um Departamento de Pessoal (RH) que gerencia  os funcionários de todas as empresas (autuada e vinculadas);  Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.342          11 ­  as  GFIPs  de  todas  as  empresas  são  enviadas  pelo  mesmo  empregado, David Vieira,  subordinado à empresa autuada  (fls.  503 a 507);  ­ em que pese existir, formalmente, uma empresa para cada setor  (tinturaria,  estamparia,  malharia  e  acabamento),  conforme  planilha CBO – Classificação Brasileira de Ocupação (fls. 698 a  719),  para  uma  mesma  função  (CBO  n°  3117­  Colorista),  existem  funcionários  registrados  em  todas  as  empresas  vinculadas e também na Têxtil Dalutex Ltda;  A  Recorrente,  por  sua  vez,  refuta  as  referidas  alegações  com  base  nos  seguintes fatos e argumentos:  a) O processo de segregação de atividades iniciado pela Recorrente há mais  de 20  anos  atrás  foi  o mesmo adotado pela maior parte das  industrias  nacionais  e mundiais,  qual seja, concentrar na detentora da marca, apenas a parte mais importante do processo que é a  aquisição  da  matéria­prima,  a  definição  do  padrão  de  qualidade,  design  e  a  posterior  comercialização do produto final;  b)  A  motivação  para  localização  das  empresas  no  mesmo  local  seria  a  seguinte. Com a contratação da primeira empresa RUTH KNOPLER ­ ME, em 1992, a parte de  estamparia passou a ser realizada fora do parque fabril, na sede da RUTH o que se intensificou  com  a  contratação  em  1997  da  empresa RONIT,  tornando  ocioso  o  parque. Dessa  forma,  a  estrutura montada visou acabar  com a ociosidade de produção do Parque Fabril  e  reduzir  os  custos das terceirizadas e, consequentemente, o preço praticado pela Recorrente.   c)  Toda  mercadoria  transita  de  uma  empresa  para  outra  devidamente  acobertada por documentos fiscais. As faturas são, ao final, emitidas contra a Recorrente que  efetua o pagamento, retendo apenas despesas comuns do Parque Fabril que ainda são mantidas  sob sua responsabilidade e rateadas entre todos os ocupantes;  d)  As  despesas  são  rateadas  entre  as  empresas  e  a  Recorrente,  porém  são  pagas em nome da Recorrente (proprietária do imóvel). O pagamento pelas terceirizadas é feito  mediante a retenção de valores em suas faturas;  e)  Todos  os  funcionários  das  terceirizadas  jamais  foram  funcionários  da  Recorrente  conforme demonstrado  nas CTP´s. Os  funcionários  das  terceirizadas  trabalham  e  respondem  ao  comando  gerencial  daquelas  que  possuem  seus  próprios  organogramas  funcionais e planos de cargos e salários.   f)  Não  se  trata  de  terceirização  visando  reduzir  o  custo  da  contribuição  previdenciária,  uma  vez  que  os  funcionários  já  foram  contratados  diretamente  pelas  terceirizadas o que evidencia a independência gerencial;  Dessa  forma,  pelos  elementos  acima  expostos,  é  possível  verificar  que  as  empresas  possuíam  quadro  próprio  de  empregados,  escrituração  e  registros  próprios,  emitia  documentação e registros próprios e mantinham escrituração fiscal relativas aos seus negócios.  Por  outro  lado,  conforme  já  demonstrado  pelas  decisões  do  CARF,  o  fato  de  estarem  localizadas  na  mesma  área  geográfica  não  é  elemento  suficiente  para,  isoladamente,  demonstrar a simulação.   Fl. 1349DF CARF MF     12 Sendo assim, conforme se verifica pela leitura da decisão recorrida, o que se  questiona é a própria segregação de atividades. Tal conclusão fica nítida na seguinte passagem:   13.10. Ressalte­se  que,  se  considerados  de maneira  isolada,  os  fatos  arrolados  pela  fiscalização  poderiam  não  configurar  necessariamente nenhuma  ilegalidade  e até  ser  justificados por  questões circunstanciais. Entretanto, considerados em conjunto,  formam  um  todo  inequívoco,  ensejando  a  convicção  a  respeito  da  verdadeira situação  fática ocorrida, na qual a prestação de  serviços pelos segurados era feita em prol da empresa autuada,  sendo  que,  na  verdade,  as  demais  empresas  apenas  intermediavam a mão de obra, com redução da carga tributária,  por serem empresas optantes pelo Simples Nacional.  Em face de todo exposto, entendo que a fiscalização não se desincumbiu do  ônus de demonstrar a simulação na segregação de atividades promovida pela Recorrente.   3.2)  DA  QUANTIFICAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  E  COMPENSAÇÃO  DOS  TRIBUTOS RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES  Pleiteia a Recorrente, como pedido subsidiário, que seja excluído da base de  cálculo  do  presente  lançamento,  os  valores  relativos  à  contribuição  previdenciária  patronal  recolhidos pelas empresas terceirizadas no sistema Simples no período autuado, a fim de evitar  dupla incidência.   Entendo corretas as alegações da Recorrente. Ao desconsiderar a existência  das  demais  pessoas  jurídicas  a  conseqüência  natural  é  admitir  que  os  pagamentos  por  elas  realizados,  foram,  na  verdade,  efetuados  pela  Recorrente.  Esse  entendimento  é  corroborado  pela Súmula CARF nº 76 que assim dispõe:  Súmula  CARF  nº  76  ­  na  determinação  dos  valores  a  serem  lançados  de  ofício  para  cada  tributo,  após  a  exclusão  do  Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma  natureza  efetuados  nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante  pago  de  forma  unificada.  Em  face  dos  exposto,  entendo  que  deve  ser  deduzidos  eventuais  recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa  sistemática,  observando­se os percentuais  previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.  3.3) DA MULTA AGRAVADA  Alega  a  Recorrente  que  não  houve,  no  caso  dos  autos,  dolo  fraude  ou  simulação,  mas  mera  divergência  quanto  a  interpretação  dos  conceitos  da  legislação  de  regência.   Como já demonstrado Entendo que ainda que não se admita os efeitos fiscais  da  reorganização  societária,  nos  termos  em que  realizada,  não  há  que  se  falar  em  fraude  ou  simulação. Como esclarece Marco Aurélio Greco, em sua obra Planejamento Fiscal:  ...é  importante  fazer  uma  depuração  nos  sentidos  que  tem  a  palavra fraude, pois é utilizada em direito para se referir a duas  realidades  diferentes:  primeiro:  no  sentido  penal,  como  no  artigo  171  do  Código  Penal  que  se  refere  a  "obter  vantagem  mediante  meio  fraudulento";  segundo:  é  o  sentido  civil,  de  Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.343          13 fraude  civil  ou  fraude  à  lei. Ou  seja,  há  dois  tipos  de  fraude:  fraude penal  quando há dolo  específico  de  enganar  alguém e  fraude civil quando o objetivo é contornar a norma imperativa  utilizando­se de outra norma jurídica  (...)  Uma  vez  que  a  mesma  palavra  pode  assumir  dois  sentidos  absolutamente distintos, é  importante esclarecer que a hipótese  de  fraude  à  lei  não  está  abrangida  pelo  pressuposto  de  incidência da multa agravada, de 150% prevista no artigo 44 da  Lei 9.430/96.  Esta é uma distinção relevante, pois, às vezes, há uma tendência  de  assemelhar  as  hipóteses  de  fraude  à  lei  tributária  às  hipóteses de fraude prevista, por exemplo, nos artigos 149, VII  e  150,  §4º  do  CTN  que  pedem  uma  reação  mais  forte  do  ordenamento.  (GRECO, Marco Aurélio  ­ Planejamento Fiscal,  Ed. Dialética, p. 217/224) (grifamos)  4) CONCLUSÃO  Em  face  do  exposto,  acolho  a  preliminar  de  decadência  e,  no  mérito,  dou  provimento ao recurso.  Foi  assim  que  a  conselheira  votou  na  sessão  de  julgamento,  conforme  registro.  (Assinado digitalmente)  Rosy Adriane da Silva Dias.    Voto Vencedor  Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias ­ Redatora designada  Cabe notar que, embora a  i. Relatora não tenha mencionado em seu voto, o  responsável  solidário  RONIT  KNOPFLER  ­  EPP  (01.804.750/0001­89)  foi  cientificado  do  acórdão da DRJ em 03/06/2016 (e­fls. 1297), entretanto, não apresentou Recurso Voluntário.  Da mesma  forma,  observo  que  o  recorrente  Têxtil  Dalutex  Ltda  nada  alegou  em  relação  à  responsabilidade solidária. Portanto, considera­se matéria não impugnada nos termos do art. 17  do Decreto nº 70.235/72.  Feito o registro.    Felicito  a  i. Conselheira  Júnia Roberta Gouveia Sampaio,  pelo  clareza  com  que  fundamentou  seu  voto. Entretanto,  peço  vênia  para  divergir  de  seu  posicionamento,  nos  termos a seguir expostos.  Fl. 1351DF CARF MF     14 Preliminar. Decadência  No que toca à preliminar de decadência, por estar vinculada à própria questão  de mérito analisarei em momento oportuno.  Mérito  A  análise  dos  documentos  constantes  nos  autos  me  leva  a  concluir  que  a  Têxtil Dalutex foi desmembrada em setores na roupagem de pessoas jurídicas, com a finalidade  de  gozar  do  tratamento  tributário  diferenciado,  simplificado  e  favorecido  dispensado  às  microempresas e empresas de pequeno porte.  Pelo relato fiscal, corroborado pelos elementos acostados aos autos, verifica­ se  que  as  supostas  pessoas  jurídicas  (setores)  não  tinham  qualquer  autonomia  gerencial,  econômica  ou  financeira,  nem  propósito  negocial,  existiam  apenas  formalmente  e  eram  totalmente  custeadas  pela  Têxtil  Dalutex.  Nesse  sentido,  alguns  trechos  do  Termo  de  Verificação Fiscal:  Foi  verificado  que  as  despesas  normais  e  necessárias  para  a  operacionalização  dos  serviços  prestados  pelas  empresas  vinculadas são custeados pela Têxtil Dalutex Ltda.  Nos  livros  Caixa  (Documentos  Comprobatórios  n°2)  das  empresas vinculadas é possível verificar que não há lançamentos  referentes  a  qualquer  despesa  relativa  à  manutenção  das  máquinas  ou  equipamentos,  água,  energia  elétrica,  segurança  predial,  portaria,  limpeza  predial,  manutenção  predial,  licença  de  software,  uniformes,  alimentação  e  outras  necessárias  para  qualquer tipo de empresa desse ramo de atividade.  Conforme  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°7  (anexo  Termo  de  Intimação  n°  7  ­  empresa  vinculada),  as  empresas  vinculadas  foram intimadas a informar como eram realizados e pagos esses  serviços. Em resposta, as empresas apresentaram as declarações  (Documentos Comprobatórios n°8)  informando que  todas  essas  despesas eram custeadas pela empresa Têxtil Dalutex Ltda.  Pela  análise  da  contabilidade  e  dos  documentos  de  caixa  da  empresa  Têxtil  Dalutex  Ltda  é  possível  verificar  que  a  mesma  lança na sua contabilidade todos os gastos efetuados com essas  despesas.  Por  amostragem,  foram  anexados  ao  processo  algumas  notas  fiscais,  recibos  e  comprovantes  de  pagamentos  relativas a essas despesas (Documentos Comprobatórios n°9).  Diante  de  tais  fatos,  é  possível  concluir  que  o  custo  para  consecução  do  seu  objeto  social,  assim  como  as  despesas  com  manutenções  em  geral,  segurança,  água,  energia  elétrica,  alimentação  e  outras,  das  empresas  vinculadas  RAFAEL  KNOPFLER  EPP,  DANIEL  KNOPFLER  EPP,  RONIT  KNOPFLER EPP, RUTH KNOPFLER EPP são arcados somente  pela empresa TÊXTIL DALUTEX LTDA.  [...]  Com base nas notas fiscais emitidas pelas empresas vinculadas e  pela  empresa  Têxtil  Dalutex,  observa­se  que,  embora  tenha  ocorrido a emissão de notas fiscais entre as empresas vinculadas  e a Têxtil Dalutex e também entre as empresas vinculadas, todos  Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.344          15 os  serviços  e  respectivos  faturamentos  ocorreram  em  virtude,  única e exclusivamente, no  interesse da empresa Têxtil Dalutex  Ltda.  É  fácil  observar,  portanto,  que  essas  supostas  empresas,  na  verdade,  funcionam  como  um  departamento  ou  setor  da  Têxtil  Dalutex  Ltda.  Elas  apenas  executam  um  determinado  tipo  de  serviço que faz parte do processo de fabricação do tecido final,  este  que  é  comercializado  pela  empresa  Têxtil  Dalutex  Ltda  e  fabricado  pelas  empresas  vinculadas  e  também  pela  própria  Dalutex.  [...]  Por  meio  do  PPRA  ­  Programa  de  Prevenção  de  Riscos  Ambientais  (Documentos  Comprobatórios  n°6)  e  do  Laudo  Técnico  das  Condiçõ  es  Ambientais  de  Trabalho  (Documentos  Comprobatórios n°7), é possível observar que foi confeccionado  um  documento  único  para  a  fábrica  Têxtil  Dalutex  Ltda,  localizada na av. Paraná, 250 ­ Sorocaba/SP.  No PPRA, item 6 ­ Antecipação e Reconhecimento dos Riscos é  possível observar que a análise foi realizada em todos os setores  da  empresa,  inclusive  malharia,  tinturaria,  estamparia  e  acabamento.  Setores  esses  que,  teoricamente,  seriam  as  empresas  vinculadas,  mas  que,  na  prática,  fazem  parte  do  complexo da fábrica Têxtil Dalutex Ltda.  No  Laudo  Técnico,  no  tópico  Avaliação  das  Condições  Ambientais  do  Trabalho,  item  5.4­  Risco  Químicos,  subitem  5.4.2­ Vapores de Compostos Orgânicos, é possível observar que  a  coleta  de  dados  foi  realizada  no  funcionário  Mareio  dos  Santos, que trabalha no setor estamparia digital. Em consulta ao  sistema GFIP, foi identificado que esse funcionário é registrado  na empresa vinculada Daniel Knopfler.  [...]  Foi realizada pela fiscalização, [...] uma visita nas dependências  da empresa, [...].  Ficou  bem  claro,  que  não  existe  separação  das  instalações  físicas das empresas vinculadas e a Têxtil Dalutex. O que muda é  apenas o tipo de máquina de cada setor. As fotos de cada setor  demonstram  bem  as  máquinas  utilizadas  em  cada  área  e  sua  localização.  [...]  · Quadros  de  avisos  espalhados  pelos  setores  que  se  referem às atividades malharia, tinturaria, estamparia e  acabamento  como  "área",  e  não  como  empresa.  Inclusive,  mencionando  a  produtividade/qualidade  de  cada área.  · Caldeira única, que alimenta todos os setores;  Fl. 1353DF CARF MF     16 · Restaurante único para todos os funcionários;  · Portaria única para todos os funcionários e/ou setores.  [...]  Todos  os  empresários  ou  empresárias  responsáveis  pelas  empresas vinculadas são filhos do casal. O Sr. Rafael Knopfler é  responsável  pela  empresa  RAFAEL  KNOPFLER  EPP.  O  Sr.  Daniel Knopfler pela empresa DANIEL KNOPFLER EPP. A Sra.  Ronit Knopfler Fischer pela empresa RONIT KNOPFLER EPP.  A  Sra.  Ruth  Knopfler  Cohn  pela  empresa  RUTH  KNOPFLER  EPP.  Pelas procurações anexadas (Documentos Comprobatórios n°11  a 17) é possível constatar que o Sr. Ludovit Knopfler  responde  por todas as empresas vinculadas. Assim como, os filhos também  respondem pelas empresas as quais os mesmos não são titulares  como  empresários  individuais  e  também  respondem  pela  Têxtil  Dalutex Ltda.  Cabe  observar  ainda,  que  os  poderes  outorgados  nas  procurações são amplos, destacando­se: movimentação bancária  total;  admissão  e  demissão  de  empregados;  cancelamentos  de  contratos;  abrir  filiais;  assinar  documentos  fiscais/contábeis;  adquirir,  alienar  e  onerar  bens  móveis  e  imóveis;  fazer  declarações de impostos; nomear e constituir procuradores. Ou  seja, o Sr. Ludovit e seus filhos podem executar todos os poderes  sobre todas as empresas como verdadeiros proprietários.  Diante de tal fato, é possível concluir que a administração não é  separada ou individualizada por empresa, e sim centralizada no  grupo  familiar,  tendo como principal  responsável o Sr. Ludovit  Knopfler.  [...]  As máquinas e equipamentos utilizados nas empresas vinculadas  são de propriedade da empresa Têxtil Dalutex Ltda.  As empresas vinculadas foram intimadas, por meio do Termo de  Intimação  Fiscal  n°  7,  item  1,  a  apresentar  as  notas  fiscais  relativas  à  aquisição  das  máquinas  e  equipamentos  que  se  encontram  em  funcionamento  nas  empresas.  Não  foram  apresentadas as notas fiscais.  Em contrapartida, a empresa Têxtil Dalutex Ltda, em resposta a  mesma intimação, apresentou notas fiscais relativas à aquisição  de diversas máquinas (Documentos Comprobatórios n°18).  Constata­se  que  a  empresa  Têxtil Dalutex  Ltda  adquiriu,  entre  outras, máquinas para a impressão digital de tecidos, máquinas  para  dosagem  de  produtos  químicos,  máquinas  de  tear,  máquinas calandra, vaporizador. Essas máquinas são utilizadas  nos  setores  de  malharia,  tinturaria,  estamparia  e  acabamento,  ou seja, por todas as empresas vinculadas.  Esses são apenas alguns trechos que relatam a conduta da Têxtil Dalutex para  se  eximir do  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  devidas,  e  que demonstram que  Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.345          17 não se tratou da denominada split strategy, como entendeu a i. Relatora, pois a despeito de esse  conceito trazer a ideia de uma entidade empresarial cindida em determinadas pessoas jurídicas,  não  se  vê  no  caso  que  aquelas  pessoas  jurídicas  (setores)  desenvolvessem  suas  atividades  individualmente.  A  única  visão  que  se  pode  ter  do  caso  apresentado  é  de  uma  empresa  desenvolvendo  atividades  de  malharia,  tinturaria,  estamparia  e  acabamento,  próprias  de  seu  ramo de negócio.  Nessa situação de desmembramento em pessoas jurídicas, que materialmente  eram  apenas  setores  da  própria  Têxtil  Dalutex,  os  segurados  daquelas  eram,  na  verdade,  empregados desta, pois todas elas formavam um único complexo industrial, e as contribuições  previdenciárias lançadas incidiram sobre os pagamentos efetuados por essas pessoas jurídicas  (setores) aos segurados que prestaram serviços para a Têxtil Dalutex.  Além disso,  a  alegação  da defendente de que  a  fiscalização caracterizou os  empregados  das  pessoas  jurídicas  (setores)  como  empregados  dela,  pela  desconsideração  da  personalidade jurídica daquelas, não se sustenta.  Conforme  se  extrai  do  relato  fiscal,  a  empresa  Têxtil  Dalutex  foi  caracterizada  como  empregadora  dos  trabalhadores  que  estavam  registrados  nas  pessoas  jurídicas RAFAEL KNOPFLER EPP, DANIEL KNOPFLER EPP, RONIT KNOPFLER EPP,  RUTH KNOPFLER EPP.  Em  nenhum momento  a  auditoria  assevera  que  tal  caracterização  teve  por  pressuposto a desconsideração de personalidade jurídica dessas empresas nos termos do artigo  50  do Código Civil,  ou  a  aplicação  do  parágrafo  único  do  artigo  116  do Código  Tributário  Nacional.  Na  situação  em  exame  a  Têxtil  Dalutex  foi  caracterizada  como  verdadeiro  sujeito  passivo  direto  do  tributo,  ou  seja,  o  verdadeiro  contribuinte  que,  de  acordo  com  a  definição  do  inciso  I  do  parágrafo  único  do  art.  121  do  Código  Tributário  Nacional,  corresponde  àquele  que  tem  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação  que  constitua  o  fato  gerador tributário.  No caso das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de  pagamento, o sujeito passivo direto da obrigação tributária principal é a empresa, definida no  inciso I do art. 15 da Lei nº 8.212/91.  Quanto à identificação desse sujeito passivo, esta não se prende às definições  formais que as partes  se atribuem. O art. 118 do Código Tributário Nacional estabelece que,  para  os  fins  de  definição  do  fato  gerador,  deve­se  abstrair  a  validade  jurídica  dos  atos  efetivamente praticados.  Tanto  é  assim  que  a  ocorrência  de  simulação  está  prevista  como  uma  das  hipóteses que ensejam o lançamento de ofício, conforme previsto no inciso VII do art. 149 do  CTN:  Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade administrativa nos seguintes casos:  (...)   VII ­ quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em  benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;  Fl. 1355DF CARF MF     18 A  constatação  pela  auditoria  fiscal  de  que  os  segurados  das  empresas  RAFAEL KNOPFLER EPP, DANIEL KNOPFLER EPP, RONIT KNOPFLER EPP, RUTH  KNOPFLER EPP prestavam serviços, na  realidade à Têxtil Dalutex, atrai o  lançamento para  esta. E tal constatação veio da conjunção de todas as provas e fatos trazidos aos autos.  Ademais, no caso em que se verifica a existência de simulação na contratação  de  segurados,  por  meio  de  pessoa  jurídica  apenas  formalmente  constituída,  não  há  a  necessidade de o Fisco demonstrar a presença dos pressupostos da relação de emprego entre os  empregados dessa  suposta  empresa  e  a Têxtil Dalutex, uma vez que,  sendo essa  contratação  fruto de simulação, o vínculo se estabelece entre aqueles empregados e esta empresa.  A questão de as empresas  serem  formalmente constituídas, não é  suficiente  para  afastar  a  apuração  fiscal.  Os  fatos  apontados  pela  auditoria,  vistos  de  forma  conjunta  levam às  conclusões  que  determinaram o  lançamento  fiscal. Como  se  pode observar,  não  se  trata de um único fato isolado. Foram várias as circunstâncias que, em conjunto, conduziram à  conclusão  de  que  as  empresas  RAFAEL  KNOPFLER  EPP,  DANIEL  KNOPFLER  EPP,  RONIT KNOPFLER EPP, RUTH KNOPFLER EPP assumiram formalmente a contratação de  mão­de­obra como um artifício da Têxtil Dalutex para se eximir da tributação.  A  defesa  tenta  desqualificar  os  fatos  como  demonstrados  pela  fiscalização,  afirmando que as operações narradas se tratam de terceirização. Entretanto, todas as empresas  operavam, na realidade, como uma única empresa.  Se  a  intenção  da  Têxtil  Dalutex  fosse  terceirizar  serviços,  ela  poderia  ter  contratado, de fato, empresas que cedessem mão de obra, ou realizassem serviços contratados,  e que fossem completamente independentes dela. Mas não foi isso que ocorreu, visto que ela  não apenas custeava todas as despesas das pessoas jurídicas (setores), mas assumiu o controle  direto destas por meio do Sr. Ludovit Knopfler e seus filhos, que respondiam por todas essas  pessoas  jurídicas,  quer  por  serem  sócios  delas,  quer  por  meio  de  procurações  com  poderes  amplos, quando não eram titulares delas, como relatado pela auditoria.  Ora,  lógico  que  não  há  vedação  para  constituir  uma  empresa,  e  manter  relações comerciais com empresas cujos sócios são filhos, parentes, etc., ou utilizar o mesmo  refeitório,  ocupar  o  mesmo  parque  industrial,  ou  compartilharem  esforços,  desde  que  seja  demonstrado, de fato, a total autonomia dessas empresas, e não amparado por formalidades que  mascaram a realidade dos fatos.  A partir do momento que as empresas foram criadas sem qualquer liberdade  comercial ou autonomia, sendo seus negócios dirigidos pela própria Têxtil Dalutex, por meio  de pessoas diretamente ligadas a ela, e diante de todos os fatos mostrados de que os segurados  delas eram, em realidade, da Têxtil Dalutex demonstrado está que elas foram constituídas para  atender aos objetivos desta empresa.  Portanto,  não  foi  unicamente  com  base  na  coincidência  de  pessoas  nos  quadros societários, na unidade de endereços, na representação comum das empresas nos atos e  negócios  e  mediante  terceiros  pelas  mesmas  pessoas,  pela  utilização  em  comum  dessas  empresas  dos  computadores  da  Têxtil  Dalutex  para  encaminhamento  de  declarações  das  pessoas  jurídicas  (setores), na utilização de mesmo refeitório, que se comprovou a existência  de uma única empresa, mas no conjunto de  todas as constatações  relatadas pela  fiscalização,  que reforçam a convicção de que houve uma simulação no procedimento adotado pela autuada.  Ademais, apesar de a defesa alegar que as máquinas eram de propriedade da  Têxtil  Dalutex  em  comodato  com  as  pessoas  jurídicas  (setores),  não  trouxe  qualquer  Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.346          19 documento  hábil  e  idôneo  que  comprovasse  tal  afirmação.  Além  disso,  o  fato  de  ter  apresentado notas  fiscais em que as despesas das pessoas jurídicas (setores) eram retidas não  tem  o  condão  de  modificar  as  conclusões  aqui  delineadas,  visto  que  o  lançamento  não  foi  efetuado por essa única e exclusiva razão, mas pela conjugação de vários fatos que encadeados  demonstram a verdade material apontada pela fiscalização.  Ao contrário do que afirma a defesa, a meu ver, as pessoas jurídicas (setores)  foram criadas pela Têxtil Dalutex com o único objetivo de deixar de recolher as contribuições  sociais sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. Senão,  vejamos, pelo quadro abaixo, a ordem cronológica com que a criação delas coincide  com as  datas de  edição das  leis  que  estabelecem o  tratamento  tributário diferenciado,  simplificado e  favorecido para as microempresas e empresas de pequeno porte:  Leis que estabelecem  tratamento tributário  diferenciado e simplificado  Data  Vigência da Lei (efeitos)  Ocorrência  Lei nº 7.256/1984  27/11/1984  27/11/1984  Tratamento diferenciado e  simplificado na tributação às  microempresas  Lei nº 8.383/1991  30/12/1991  30/12/1991 (01/01/1992)  Estabelece o limite da  receita bruta anual previsto  para isenção das  microempresas (art. 42)    30/09/1992    Constituição RUTH  KNOPFLER – ME  Lei nº 8.864/1994  28/03/1994    Tratamento diferenciado e  simplificado na tributação às  microempresas e empresas  de pequeno porte  Medida Provisória nº 1.526/1996  05/11/1996  05/11/1996 (01/01/1997)  Institui o Sistema Integrado  de Pagamento de Impostos e  Contribuições das  Microempresas e das  Empresas de Pequeno Porte  ­ SIMPLES  Lei nº 9.317/1996  05/12/1996  01/01/1997  Simples Federal    17/02/1997    Constituição RONIT  KNOPFLER ME    05/04/2000    Constituição DANIEL  KNOPFLER ME    17/05/2000    Constituição RAFAEL  KNOPFLER ME  Lei Complementar nº 123/2006  14/12/2006  01/07/2007  Institui o Simples Nacional  Portanto, a alegação da empresa de que a constituição das empresas começou  antes  da  entrada  em  vigor  do  sistema  simplificado,  não  se  sustenta,  visto  que  tais  acontecimentos  se  desenharam  no  tempo  posteriormente  aos  benefícios  dispensados  à  microempresas,  desde  1984,  anterior  a  constituição  da  primeira  empresa  em  1992,  se  acelerando  no  tempo  nas  proximidades  da  edição  da  Medida  Provisória  nº  1.526/1996,  convertida na Lei nº 9.317/1996.  A  defesa  alega  ainda  que  as  empresas  em  geral  podem  adotar  condutas  visando a  economia de  tributos  sem que  fique  caracterizada  a  ilegalidade,  a  exemplo de  sua  opção  por  terceirizar.  De  fato,  o  planejamento  tributário  comporta  tanto  “elisão  fiscal”,  legítima de economia de  tributos  representada por condutas  lícitas,  quanto  a “evasão  fiscal",  Fl. 1357DF CARF MF     20 fuga ao dever de tributar mediante a adoção de atos jurídicos fraudulentos ou simulados, que  violam a lei.  O negócio jurídico é fraudulento ou simulado, quando o praticado no mundo  fenomênico  difere  daquele  fato  descrito  documentalmente,  enganando  terceiros  acerca  da  realidade, enquanto que o negócio jurídico com finalidade econômica típica, tem a finalidade  econômico­social realizada na prática. O descompasso entre o conteúdo e a causa do negócio,  atrai a incidência da norma tributária.  Os documentos e informações do processo comprovam que no caso concreto  esse  descompasso  está  presente,  comprovam que  os  negócios  e  operações  sob  exame  foram  praticados sem qualquer outra causa ou motivo justo senão a finalidade de reduzir o pagamento  das  contribuições  exigidas,  não  se  revelando  o  propósito  negocial  defendido  pelo  sujeito  passivo, caracterizando, assim, a evasão fiscal.  Da multa qualificada  A impugnante insurge­se sobre a multa aplicada de 150%, por conta da falta  de  comprovação  do  dolo  e  intuito  de  fraude. Afirma  que  suas  operações  e  das  terceirizadas  foram  registradas  na  contabilidade  de  onde  a  fiscalização  tirou  os  dados  para  apuração,  não  havendo motivação para a multa qualificada por fraude.  A  fiscalização  acostou  ao  processo  documentos  que  suportam  os  fatos  narrados. A motivação da aplicação da multa foi plenamente demonstrada, com a descrição de  todas  circunstâncias  e  artifícios  de que  se  utilizou  a Têxtil Dalutex,  como  forma de  evitar  o  recolhimento das contribuições previdenciárias devidas.  Foi relatado todo um histórico do caso em concreto, desde a constituição das  pessoas  jurídicas  (setores),  que  como  visto  ocorreram  em  sequência  à  introdução  do  regime  tributário diferenciado e simplificado para microempresas e empresas de pequeno porte.  A  conduta  da  Têxtil  Dalutex  ao  simular  constituição  de  empresas,  que  em  realidade  não  passavam  de  seus  próprios  setores  de  produção,  para  se  beneficiar  do  regime  tributário  simplificado,  acobertando  o  verdadeiro  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  caracteriza  conduta  dolosa  tendente  a  excluir  ou  modificar  as  características  essenciais  da  obrigação  tributária  principal,  reduzindo  desse  modo  o  montante  dos  tributos  devidos  e  evitando  o  seu  pagamento,  o  que  justifica  a  imposição  do  percentual  duplicado  da  multa  prevista por falta de recolhimento.  Por  todas  as  razões  já  suficientemente  explanadas  nos  tópicos  antecedentes  deste voto, não procede, a alegação de inexistência dos requisitos para aplicação da multa de  ofício qualificada, que fica mantida porque não ocorreu a mera falta de recolhimento, mas sim  ajustes para mascarar fatos econômicos tributáveis e o responsável pelas contribuições devidas.  Da decadência  Como  visto  ao  longo  do  voto,  a  Têxtil  Dalutex  manteve  conduta  dolosa,  utilizando­se  de  simulação  e  artifícios  para  mascarar  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária, a fim de sonegar o tributo devido. Portanto, a contagem do prazo  decadencial segue o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.  No caso, a competência mais remota é 01/2009, o que daria ao Fisco o direito  de constituir o crédito tributário até 31/12/2014, como a ciência ao auto de infração ocorreu em  25/12/2014, não ocorreu a decadência alegada pela defesa.  Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10855.724235/2014­05  Acórdão n.º 2202­004.836  S2­C2T2  Fl. 1.347          21 Da  Quantificação  da  base  de  Cálculo  e  compensação  dos  tributos  recolhidos na sistemática do Simples  Em relação a este tópico, entendo, assim como a i. Relatora, aplicável ao caso  a Súmula CARF nº 76.  Conclusão  Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito,  dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos recolhimentos da mesma natureza  efetuados  na  sistemática  do  Simples  pelas  empresas  RAFAEL  KNOPFLER  EPP,  DANIEL  KNOPFLER EPP, RONIT KNOPFLER EPP, RUTH KNOPFLER EPP.  (assinado digitalmente)  Rosy Adriane da Silva Dias.                  Fl. 1359DF CARF MF

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7612033 #
Numero do processo: 11543.001294/00-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO DESCENTRALIZADA. EMPRESA QUE EFETUA TRANSFERÊNCIAS DE PRODUÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS PARA COMERCIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Empresa que possui diversos estabelecimentos produtores, e que efetua transferências da produção (produtos acabados) entre estabelecimentos, seja para exportação ou para comercialização no mercado interno, deve proceder à apuração do crédito presumido do IPI centralizada na matriz.
Numero da decisão: 9303-007.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.

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9303­007.923  –  3ª Turma   Sessão de  24 de janeiro de 2019  Matéria  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI  Recorrente  A D M EXPORTADORA E IMPORTADORA S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998  CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI.  APURAÇÃO  DESCENTRALIZADA.  EMPRESA QUE EFETUA TRANSFERÊNCIAS DE PRODUÇÃO ENTRE  ESTABELECIMENTOS  PARA  COMERCIALIZAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Empresa  que  possui  diversos  estabelecimentos  produtores,  e  que  efetua  transferências da produção  (produtos acabados)  entre estabelecimentos,  seja  para exportação ou para comercialização no mercado interno, deve proceder à  apuração do crédito presumido do IPI centralizada na matriz.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa  Marini Cecconello, que lhe deram provimento.     (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Tatiana Midori Migiyama,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos, Demes  Brito,  Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa  Pôssas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 94 /0 0- 12 Fl. 941DF CARF MF Processo nº 11543.001294/00­12  Acórdão n.º 9303­007.923  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pelo  contribuinte  em  face  do  Acórdão  nº  204­002173,  proferido  em  sessão  do  dia  27/02/2007,  o  qual  possui  a  seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998  CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI.  APURAÇÃO  DESCENTRALIZADA.  EMPRESA  QUE  EFETUA  TRANSFERÊNCIAS  DE  PRODUÇÃO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  PARA  COMERCIALIZAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Empresa que possui diversos estabelecimentos produtores, e que  efetua  transferências  da  produção  (produtos  acabados)  entre  estabelecimentos, seja para exportação ou para comercialização  no  mercado  interno,  deve  proceder  à  apuração  do  crédito  presumido do IPI centralizada na matriz.  Recurso Voluntário Negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho  de  contribuintes,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Apesar de  ter  sido proferido  em sessão de 27/02/2007, o  acórdão  recorrido  somente  foi  formalizado  em  06/01/2015,  por  meio  de  relator  nomeado  ad  hoc,  em  face  do  relator original  ter deixado o colegiado sem que  tenha formalizado o seu voto. Por sua vez a  relatora ad hoc tentou refletir o entendimento da turma que por unanimidade negou provimento  ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte.  O  contribuinte  apresentou  embargos  de  declaração  solicitando  o  cancelamento  de  referido  acórdão.  Alegou  questões  regimentais,  pois  o  acórdão  foi  formalizado mais de oito anos da sessão de julgamento, cuja relatora ad hoc sequer teria feito  parte do julgamento original. Os embargos foram rejeitados por despacho do então Presidente  Substituto da 3ª Seção do CARF, e­fls. 700/701.  Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11543.001294/00­12  Acórdão n.º 9303­007.923  CSRF­T3  Fl. 4          3 Em  seu  recurso  especial  o  contribuinte  suscita  3  matérias:  1)  nulidade  do  acórdão recorrido; 2) possibilidade de apuração descentralizada do crédito presumido de IPI e  3) possibilidade de apuração de  crédito presumido de  IPI nas aquisições de pessoas  físicas e  cooperativas.  O recurso especial somente teve seguimento em relação à matéria do item 2:  possibilidade  de  apuração  descentralizada  do  crédito  presumido  de  IPI.  O  contribuinte  apresentou agravo, os quais foram rejeitados pelo Presidente do CARF, e­fls. 867/869.  Quanto à matéria admitida é importante ressaltar que o contribuinte efetuou a  apuração  descentralizada  do  crédito  presumido  de  IPI.  Assim,  pelo  fato  do  estabelecimento  produtor  ter  efetuado  transferências  dos  produtos  acabados  para  outros  estabelecimentos  da  mesma firma, para comercialização no mercado interno, referido crédito foi indeferido em face  de que o inc. II do art. 6º da IN SRF nº 103/97 determinava que, nesses casos, a apuração do  crédito presumido deveria ser efetuado de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da  pessoa jurídica.  Em  contrarrazões  a  Fazenda  Nacional  pede  o  improvimento  do  recurso  especial.  É o relatório.  Voto               Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator.  O  recurso  especial  do  contribuinte  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento.  Como  visto  a matéria  divergente  devolvida  à  apreciação  deste  colegiado  é  quanto  à  possibilidade  de  apuração  descentralizada  do  crédito  presumido  de  IPI,  quando  o  produtor exportador transfere parte de sua produção a estabelecimentos da mesma firma para  sua  venda  no mercado  interno.  O  acórdão  recorrido  concluiu  pela  necessidade  da  apuração  centralizada nos termos do inc. II do art. 6º da IN SRF nº 103/97. Por sua vez, o contribuinte e  Fl. 943DF CARF MF Processo nº 11543.001294/00­12  Acórdão n.º 9303­007.923  CSRF­T3  Fl. 5          4 os  acórdãos  paradigmas  defende  que  referida  IN  teria  extrapolado  o  limite  estabelecido  pela  Lei nº 9.363/96.   Estou plenamente de acordo com o acórdão recorrido. Utilizo como razão de  decidir o voto vencido do ex­conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no acórdão paradigma nº  9303­001455,  abaixo  transcrito,  o  qual  no meu  ver  exaure  toda  a  argumentação  de maneira  muito didática:  (...)  A teor do relatado, a matéria trazida a debate cinge­se à questão da apuração  descentralizada do crédito presumido de IPI quando o industrial exportador transfere  parte  de  sua  produção  a  outro  estabelecimento  da mesma  firma,  e,  também,  a  da  atualização do crédito pela taxa Selic.  A meu  sentir,  o  deslinde  da  questão  relativa  à  apuração  do  crédito  é muito  simples,  por  demais  simples  eu diria.  Para  tanto,  basta  entender  a metodologia de  cálculo do benefício, e, com isso, tem­se a certeza se a apuração, no caso dos autos,  poderia haver sido feita de forma descentralizada, como defendeu a reclamante.  A  Lei  9.363/1996  instituiu  o  benefício  e  deu  as  diretrizes,  inclusive  a  metodologia a ser utilizada no cálculo do valor a ressarcir, conforme se verifica da  norma inserta no art. 2° desse diploma legal, abaixo transcrita.  Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será  determinada  mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  referidos  no  artigo  anterior,  do  percentual  correspondente  à  relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita  operacional bruta do produtor exportador.  1" O crédito fiscal será o resultado da aplicação do  percentual  de  5,37%  sobre  a  base  de  cálculo  definida neste artigo.  2°  No  caso  de  empresa  com  mais  de  um  estabelecimento produtor exportador, a apuração do  crédito  presumido  poderá  ser  centralizada  na  matriz.  A  periodicidade  inicial  de  apuração  do  crédito  era  anual,  posteriormente  passou a ser trimestral, como no período objeto destes autos.  Partindo da metodologia dada no dispositivo legal acima, encontrar o valor do  crédito  a  que  o  estabelecimento  tem  direito  não  demanda  maiores  dificuldades.  Primeiro  calcula­se  o  total  das  receitas  de  exportação  do  período,  em  seguida,  calcula­se a receita operacional bruta do trimestre. Dividindo a receita de exportação  pela  receita  operacional  bruta,  encontra­se  o  índice  a  ser  aplicado  ao  total  das  aquisições,  nesse  trimestre,  de matérias­primas,  produtos  intermediários  e material  de embalagem, para se encontrar a base de cálculo do crédito presumido. Esse índice  faz presumir que o gasto com matérias­primas, produtos intermediários e material de  Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11543.001294/00­12  Acórdão n.º 9303­007.923  CSRF­T3  Fl. 6          5 embalagem  utilizadas  nas  mercadorias  exportadas  está  para  as  Receitas  de  Exportação, assim como o  total dos gastos com esses  insumos está para a Receita  Operacional Bruta  do  estabelecimento  (receitas  decorrentes  da  venda  da  produção  do estabelecimento ).  Encontrada  a  base  de  cálculo,  é  só  multiplicá­la  pelo  percentual  (5,37%)  estabelecido no § 1º do art. 2º acima transcrito, para se chegar ao valor do crédito a  que o produtor exportador faz jus.  Para melhor compreensão do aqui tratado, vejamos o seguinte caso hipotético,  que, mutatis mutantis, aplica­se ao caso concreto sob análise.  Suponha que, em determinado período de apuração, a Receita de exportação  do Estabelecimento  industrial  exportador  tenha  sido de R$ 10.000.000,00,  e que  a  Receita Operacional Bruta desse período tenha alcançado R$ 20.000.000,00, assim  composta: R$ 10.000.000,00 referente às vendas para o exterior e R$ 10.000.000,00  referente à vendas no mercado interno. O total das aquisições de matérias­primas, de  produtos  intermediários  e  de  material  de  embalagem,  do  período,  foi  de  R$  5.000.000,00. Aplicando a metodologia de cálculo determinada na lei, tem­se que a  relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta é de 50% ou 0,5  (R$ 10.000.000,00 ­:­ R$ 20.000.000,00). Aplicando­se esse índice sobre o total das  aquisições de matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem, no  exemplo  dado,  R$  5.000.000,00  encontra­se  a  base  de  cálculo  crédito  presumido,  que  é  igual  a  R$  2.500,000,00  (R$  5.000.000,00  X  0,5  =  R$  2.500.000,00).  Por  último, para se chegar ao valor do crédito a que o industrial exportador tem direito,  basta  aplicar  a  essa  base  de  cálculo  a  alíquota  de  5,37%  determinada  na  lei.  Em  números temos: R$ 2.500,000,00 X 5,37% = R$ 134.250,00.  Analisando  os  números,  verifica­se  que  a  produção  obtida  a  partir  desses  insumos  adquiridos  pelo  estabelecimento  industrial  exportador  gerou  Receita  Operacional  Bruta  de  R$  20.000.000,00,  sendo  que  a  metade  deste  montante  é  decorrente  de  receitas  de  exportações,  com  isso,  presume­se  que  metade  das  matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem foi utilizada nas  mercadorias exportadas. Essa presunção decorre da metodologia de cálculo  trazida  na  lei  concessiva  do  benefício,  e  vale  para  qualquer  caso  concreto.  Em  outras  palavras, a apropriação dos gastos com matérias­primas, produtos  intermediários e  material de embalagem, entre a produção de mercadorias exportadas e mercadorias  vendidas  no  mercado  interno,  é  diretamente  proporcional  à  receita  de  exportação  dividida  pelo  valor  total  das  vendas  (mercado  externo  e  interno)  da  produção  do  estabelecimento no período.  Todavia,  se  parte  da produção  for  transferida para  outro  estabelecimento  da  mesma  sociedade  empresária,  para  revenda  no  mercado  interno,  essa  proporção  trazida na lei fica totalmente distorcida. No caso a relação entre o gasto de matérias­ primas, produtos intermediários e material de embalagem e a receita decorrente do  produto  da  venda  da  produção  do  estabelecimento  fica  alterada  por  essa  transferência  de  parte  da  produção.  A  receita  operacional  bruta  que  balizava  a  relação entre o gasto com insumo e a receita gerada com a venda da produção das  mercadorias deixa de refletir a realidade e distorce totalmente o cálculo do benefício.  Para melhor entendimento, partamos dos dados do exemplo acima, alterando a  Receita  Operacional  Bruta  em  decorrência  da  transferência  de  parte  da  produção  para ser comercializada por outro estabelecimento da mesma firma.  Receita  de  exportação  do  estabelecimento  industrial  exportador  R$  10.000.000,00.  Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11543.001294/00­12  Acórdão n.º 9303­007.923  CSRF­T3  Fl. 7          6 Transferência de metade da produção para comercialização interna por outro  estabelecimento  da  mesma  firma,  o  que  resulta  em  zero  de  receita  de  venda  no  mercado  interno.  Com  isso,  a  Receita  Operacional  Bruta  é  igual  a  Receita  de  Exportação. CR$ 10.000.000,00 = Receita de vendas para o mercado externo, posto  que  a  produção  destinada  a  vendas  no mercado  interno  foi  transferida  para  outro  estabelecimento).  Total  das  aquisições  de  matérias­primas,  de  produtos  intermediários  e  de  material de embalagem, do período, foi de R$ 5.000.000,00.  Aplicando a metodologia de cálculo determinada por lei, tem­se que a relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita  operacional  bruta  é  de  100%  ou  1  (R$  10.000.000,00  +  R$  10.000.000,00).  Aplicando­se  esse  índice  sobre  o  total  das  aquisições de matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem, no  exemplo  dado,  R$  5.000.000,00  encontra­se  a  base  de  cálculo  crédito  presumido,  que é igual a R$ 5.000,000,00 (R$ 5.000.000,00 X 1). Por último, para se chegar ao  valor do crédito a que o industrial exportador tem direito, basta aplicar a essa base  de  cálculo  a  alíquota  de  5,37%  determinada  na  lei.  Em  números  temos:  R$  5.000,000,00 X 5,37% = R$ 268.500,00.  Como se pode observar, a sistemática de proporções presumidas na lei para o  cálculo  do  crédito  presumido  é  totalmente  desfigurada  quando  o  estabelecimento  industrial  exportador  transfere  parte  de  sua  produção  para  ser  comercializada  por  outro  estabelecimento,  com  isso,  não  lhe  é  lícito,  nesse  caso,  apurar  o  crédito  presumido de forma descentralizada.  Observe­se que essa interpretação não está criando qualquer restrição à  fruição  do  benefício  por  parte  do  industrial  exportador,  mas  tão­somente,  atendo­se à metodologia de cálculo baseada na proporção entre as receitas de  exportação  e  a  operacional  bruta,  bem  como  entre  estas  e  a  apropriação dos  gastos com os insumos.  Diante do  exposto,  não  se pode negar que  a  Instrução Normativa,  ao dispor  que não se pode apurar descentralizadamente o crédito presumido do IPI quando o  industrial  exportador  transferir  parte  de  sua  produção  interna  a  outro  estabelecimento, está apenas  traduzindo a metodologia da norma para que ela seja  aplicada para atender a vontade do legislador.  Em  resumo,  a  recorrente,  ao  transferir  parte  de  sua  produção  para  ser  comercializada no mercado  interno por outro  estabelecimento da mesma  firma, de  fato,  inviabilizou a apuração do crédito presumido de forma descentralizada, posto  que  impediu  qualquer  possibilidade  de  se  calcular,  de maneira  válida  as  relações  entre  as  receitas  de  exportação  e  a  operacional  bruta,  bem  como  sobre  estas  e  a  individualização  da  apropriação  das  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material de embalagem utilizados na produção das mercadorias exportadas.  No  caso  presente,  a  Fiscalização  não  suprimiu  nem  restringiu  o  direito  da  autuada ao crédito presumido, até porque não o poderia fazer. mas em cumprimento  às normas regulamentadoras desse benefício, glosou a utilização o crédito, já que a  contribuinte  não  atendia  as  condições  para  fruição  do  crédito,  nos  termos  pretendidos.  Esclareça­se, por oportuno, que a lei instituidora do benefício, delega, em seu  artigo  6°,  ao  Ministro  da  Fazenda  a  regulamentação  do  benefício,  nos  termos  seguintes:  Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11543.001294/00­12  Acórdão n.º 9303­007.923  CSRF­T3  Fl. 8          7 Art.  6° O Ministro  de Estado  da Fazenda  expedirá  as  instruções  necessárias  ao  cumprimento  do  disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e  periodicidade  para  apuração  e  para  fruição  do  crédito  presumido  e  respectivo  ressarcimento,  à  definição de receita de exportação e aos documentos  fiscais  comprobatórios  dos  lançamentos,  a  esse  título,  efetuados  pelo  produtor  exportador  dos  lançamentos,  a  esse  título,  efetuados  pelo  produtor  exportador.  Para cumprir o determinado nesse dispositivo legal, o Sr. Ministro da Fazenda  baixou  a  Portaria  n°  129/1995,  posteriormente,  a  38/97  onde  estabelece  as  regras  para  fruição  do  crédito.  Além  disso,  autoriza  a  Secretaria  da  Receita  Federal  a  expedir normas complementares, necessárias à implementação do disposto naquelas  Portarias. O que  é  feito  por meio  da  Instrução Normativa  SRF  n°  103/1997,  cujo  artigo  6°  dá  a  interpretação  comentada  linhas  acima,  de  que  o  crédito  presumido  deverá ser apurado de forma centralizada, na matriz, sempre que os produtos forem  exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu ou  que o estabelecimento produtor e exportador transferir, para outro estabelecimento,  parte de sua produção para comercialização no mercado interno.  De outro lado, não se pode olvidar que a própria lei concessiva do incentivo  delegou sua regulamentação Poder Executivo. Assim, se o contribuinte não cumpre  as determinações contidas em ato normativo emanado da autoridade competente, o  resultado é o indeferimento do crédito pleiteado.  Por derradeiro, cabe ressaltar que referida IN SRF 103/97 não extrapolou os  limites  estabelecidos  em  lei,  porquanto  as  condições  nela  previstas  vieram,  tão­ somente,  atender  as  determinações  dadas  pelo  artigo  2°  da  Lei  concessiva  do  benefício.  Não se alegue que a atribuição à Receita Federal da competência para editar  essa  instrução  normativa,  na  qual  seriam  indicadas  as  condições  para  o  gozo  do  benefício, seria inconstitucional ou ilegal, pois, a possibilidade de deslegalização ou  de  degradação  do  grau  hierárquico  encontra  limites  constitucionais  nas  matérias  constitucionalmente reservadas à lei.  A  Constituição  Federal,  no  tocante  aos  incentivos  fiscais,  só  exige  lei  em  sentido  estrito,  para  sua  concessão,  nada  dispondo  sobre  as  condições  a  serem  exigidas para a fruição e gozo. Por seu turno, o CTN, no artigo 97, onde elenca as  matérias reservadas a lei, em sentido estrito, não menciona as condições para fruição  dos  incentivos  fiscais. Com  isso,  tem­se que somente a concessão dos benéficos é  reservada  à  lei  em  sentido  estrito,  a  regulamentação  não.  Assim,  se  não  existir  reserva material de lei, pode o legislador atribuir à administração competência para  disciplinar, por meio de ato normativo próprio, tais matérias. O que, na hipótese dos  autos, veio a fazer por meio da IN SRF n° 103/1997.  A deslegalização em matéria tributária não é novidade em nossos tribunais, o  STF, no julgamento do RE n° 140.699­1/Pernambuco, com base no excelente voto  do Ministro limar Galvão, julgou­a constitucional.  (...)    Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11543.001294/00­12  Acórdão n.º 9303­007.923  CSRF­T3  Fl. 9          8 O  voto  do  ex­Conselheiro  Henrique  Pinheiro  Torres,  acima  transcrito,  tratou  de  maneira brilhante a matéria. O exemplo numérico dado é definitivo, pois é evidente que não cabe ao  contribuinte, beneficiário do incentivo, o poder de inflá­lo por meios artificiosos.  Diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  contribuinte.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal                                Fl. 948DF CARF MF

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