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Numero do processo: 13807.009425/00-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA E JURÍDICA. INEXISTÊNCIA.
Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência, faz-se necessária a demonstração da identidade fática e jurídica entre o caso sob análise e o caso julgado pela (s) Turma (s) paradigmática (s). Inexistindo a identidade fática, não há como se verificar divergência, de modo que não se pode conhecer o Recurso.
Numero da decisão: 9101-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB-DF 26345, escritório Veirano Advogados Associados.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA E JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência, faz-se necessária a demonstração da identidade fática e jurídica entre o caso sob análise e o caso julgado pela (s) Turma (s) paradigmática (s). Inexistindo a identidade fática, não há como se verificar divergência, de modo que não se pode conhecer o Recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB-DF 26345, escritório Veirano Advogados Associados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
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CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA E JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência, fazse necessária a demonstração da identidade fática e jurídica entre o caso sob análise e o caso julgado pela (s) Turma (s) paradigmática (s). Inexistindo a identidade fática, não há como se verificar divergência, de modo que não se pode conhecer o Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Rafael de Paula Gomes, OABDF 26345, escritório Veirano Advogados Associados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 94 25 /0 0- 51 Fl. 466DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase na origem de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao anocalendário 1997, protocolada em 29/09/2000, tendo em vista extrato das aplicações em incentivos fiscais emitido em 20/07/2000, alertando irregularidades fiscais do Contribuinte (fls. 07). O PERC foi indeferido, tendo em vista que em nova verificação de regularidade fiscal do Contribuinte realizada quando da prolação do despacho decisório, constatouse irregularidades fiscais (fls. 240). Em sede de Manifestação de Inconformidade proposta pelo Contribuinte a DRJ manteve o indeferimento do despacho decisório, alegando que a análise de PERC por servidor público, segue procedimento definido para tal, entre eles a verificação da regularidade fiscal do contribuinte, cujo momento se entende como sendo aquele em que se está analisando o pedido e não momento pretérito, já que a concessão do benefício espelha a regularidade fiscal do contribuinte no momento da concessão. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 2ª Turma Especial a ele deu provimento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1997 INCENTIVO FISCAL FINAM / FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deve ser averiguada em relação à data de apresentação da DIRPJ, quando o Contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos, admitindose ainda a prova da quitação de débitos em qualquer momento do processo administrativo (Súmula CARF nº 37). Não havendo nos autos comprovação da existência efetiva de pendências fiscais no momento da opção, e muito menos que tais pendências ainda se encontram em aberto, descabe o indeferimento do PERC, pelos termos em que foi proferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13807.009425/0051 Acórdão n.º 9101002.709 CSRFT1 Fl. 464 3 Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, com fulcro no artigo 67, da Portaria MF 256/2009. Sobre a demonstração da divergência alega a Fazenda que o e. colegiado a quo deferiu o PERC, sob o fundamento de que caberia ao Fisco provar a falta de quitação de tributos por parte do contribuinte, na data da opção pelo fundo de investimento. Por outro lado, a Primeira e Terceira Câmara não reconhece o direito ao incentivo fiscal quando o Contribuinte, como interessado que é, deixa de demonstrar sua regularidade e quitação de tributos federais, na data da opção na declaração de renda. Em suas razões, alega a Fazenda Nacional que o momento correto para procederse à análise do cumprimento do disposto no artigo 60 da Lei 9.069/95 é a data da opção pelo benefício, que coincide com a data da entrega da DIPJ. Para se obter algum incentivo fiscal é necessário que o contribuinte satisfaça as condições legais, no momento da solicitação, para que seu pleito seja atendido. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Considerando que o paradigma atribuiu ao contribuinte o ônus da prova da regularidade fiscal até a data da DIRPJ e que a decisão recorrida foi tomada a despeito de não haver nos autos comprovação da existência efetiva de pendências fiscais no momento da opção ou, se existentes, se tais pendências ainda se encontravam em aberto, concluo que a divergência jurisprudencial está caracterizada, devendose DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (arts. Nº 67 e 68 do RICARF).” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo, em suma: ü O não conhecimento do Recurso da Fazenda, por ausência de similitude fática, pois no caso analisado pela Turma paradigmática a União apresentou provas de que no momento da entrega da DIPJ existiam pendências em nome do contribuinte, enquanto que no presente caso a União não apontou débitos que impediriam a regularidade fiscal da Recorrida, durante o período de entrega da DIPJ, esse apontamento apenas ocorreu quando do despacho decisório exarado pela DRJ; ü O não conhecimento do Recurso da Fazenda, pela falta de pré questionamento da matéria pela União; ü O improvimento do Recurso da União, na medida em que é mansa a jurisprudência desse Tribunal no sentido de que nas situações em que as autoridades fiscais apenas apontam irregularidades fiscais posteriormente à opção pelo benefício fiscal, há o reconhecimento do direito do contribuinte ao benefício pleiteado. É o relatório. Fl. 468DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Com relação à admissibilidade do Recurso da Fazenda, entendo necessário o debate. A alegação do Contribuinte de que não há similitude fática entre a decisão recorrida e os Acórdãos paradigmas merece atenção. No presente caso a irregularidade fiscal do contribuinte apenas foi verificada quando da emissão do extrato das aplicações em incentivos fiscais, em 20/07/2000. No caso do Acórdão paradigma de nº 10321478, a situação fática analisada foi referente ao PERC do exercício 1995, indeferida por pendências fiscais que foram comprovadas inexistentes. Tanto que foi dado provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Em nenhum momento se discutiu quando o Fisco deve realizar a análise de regularidade do contribuinte. Vale aqui a transcrição dos seguintes trechos do referido Acórdão: O recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, por isto deve ser conhecido. O litígio está restrito à comprovação de quitação com os tributos e contribuições devidos à União Federal. (...) Os débitos inscritos na Divida Ativa da União estão suspensos por medida judicial, conforme comprova a requerente através de Certidão Positiva com efeitos de Negativa, expedida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em Campinas, em 1999 e 2002. Quanto à obrigatoriedade de comprovação de quitação junto à Previdência Social, a recorrente apresentou Certidão Negativa expedida pelo INSS, atendendo as disposições legais. Diante do exposto, concluise que inexistem fatores impeditivos para emissão do beneficio fiscal pleiteado pela recorrente, devendo, portanto, ser restabelecido o seu pedido. Assim, oriento meu voto no sentido de Dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada.” Percebam que o que se discutiu no caso desse paradigma foi a comprovação da regularidade fiscal do contribuinte, não o momento de identificação da irregularidade fiscal pelas autoridades tributárias, como se pretende no presente caso. Logo, não vejo divergência no presente caso. No caso analisado pelo colegiado que proferiu o Acórdão 10195969 também se discutiu a comprovação da regularidade fiscal do contribuinte, admitindose certidão negativa apresentada no curso do procedimento administrativo, senão vejamos: Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13807.009425/0051 Acórdão n.º 9101002.709 CSRFT1 Fl. 465 5 In casu, observase que o contribuinte foi instado a regularizar pendências junto à Receita Federal e a Dívida Ativa da União, através da intimação de fls. 53/54, não logrando, em tempo hábil, comprovar a sua regularidade fiscal, condição essencial à fruição do beneficio fiscal. Ocorre que agora em grau de recurso, a Recorrente apresenta as fls. 140/142, Certidões Positivas com Efeito de Negativas tanto da Secretaria da Receita Federal como da Dívida Ativa da União, emitidas, respectivamente, nas datas de 23 de junho de 2005 e 24 de agosto de 2005, impondo, por conseguinte, o gozo do benefício dos incentivos fiscais, eis que os débitos junto a Receita Federal e a ausência da Certidão da Dívida Ativa que originou o indeferimento inicial, encontramse ausente no presente momento. Do exposto, comprovada a regularidade fiscal do contribuinte, VOTO no sentido de acolher o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, para restabelecer o incentivo fiscal pleiteado. Logo, não vejo divergência no presente caso, na medida em que a situação fática analisada pela Turma paradigmática distinguese da presente, já que no presente caso se discute o momento da averiguação da regularidade fiscal do contribuinte pela Fazenda Pública, enquanto que no caso paradigmático o que se discute é o momento para que o Contribuinte comprove sua regularidade fiscal. Por essas razões, voto no sentido de que não deve ser admitido o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901159/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.686
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 59 /2 00 9- 35 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901159/200935 Acórdão n.º 3201002.686 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.452. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901159/200935 Acórdão n.º 3201002.686 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901159/200935 Acórdão n.º 3201002.686 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000895/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram a presente Resolução. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram a presente Resolução. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram a presente Resolução. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto sobre Operação de Crédito, Câmbio e Seguro – IOF, explicitado a seguir, e, do Termo de Constatação de Irregularidades TCI correspondente (fls.41/78), lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, referentes a fatos geradores do anocalendário de 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 00 89 5/ 20 10 -7 3 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11052.000895/201073 Resolução nº 3402001.026 S3C4T2 Fl. 3 2 Frisese, inicialmente, que após Impugnação e respectiva decisão da DRJ, apenas um ponto está sendo discutido no âmbito deste Recurso Voluntário, qual seja, a incidência de IOF sobre os valores relativos à conta 1.2.1.01.07.001 – Agropecuária Barreto Ltda. Segundo o item VII do TCI, intimado a apresentar o contrato de mútuo relativo à conta 1.2.1.01.07.001 – Agropecuária Barreto Ltda, o interessado declarou que não existia contrato de mútuo, e, que, “como a propriedade agrícola desta empresa está garantindo dívidas da Café Solúvel Brasília S/A, existe a obrigação de manutenção da propriedade. A empresa vem pagando a manutenção da propriedade e ao invés de jogar tais valores para despesa, contabilizamos como adiantamentos, na expectativa de que um dia possa receber tais valores. Não paga, no entanto, o custo da garantia”. Para o autuante, por outro lado, “configurase a situação fática em que o contribuinte é credor dos recursos financeiros que disponibiliza à empresa Agropecuária Barreto Ltda”, conforme planilhas de cálculo às fls. 6566. Em impugnação, o interessado aduziu inicialmente que “a presente impugnação abrange apenas o item VI do Termo de Constatação de Irregularidades (IOF), sendo que os demais tópicos serão tratados em defesas distintas”, delimitando assim o escopo deste processo administrativo. Em seguida, afirma que, no caso, inexiste contrato de mútuo, mas sim, “empréstimo de bens infungíveis, caracterizandose a celebração de contrato distinto, qual seja, o comodato, tipificado no artigo 579 do Digesto Civil”, uma vez que “o bem cedido por empréstimo da Agropecuária Barreto para a Impugnante foi o imóvel rural denominado “Ilha Grande”, matriculado sob o nº R13874, no Cartório de Registro de Imóveis de Varginha (documento anexo), ou seja, bem infungível, o que descarta a existência de mútuo na operação, sendo indevido o IOF”. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, sob o fundamento de que: Os documentos que o interessado junta aos autos, às fls. 137/145 – a) escritura pública de compra e venda, de 04.06.1979, pela qual Centrais Elétricas de Minas Gerais S/A (Cemig) vende a Agropecuária Barreto Ltda (cuja razão social, conforme 5ª Alteração Contratual de 08041986, às fls.141/143, era Parque Florestal Ilha Grande Ltda), uma ilha denominada “Ilha Grande” e o terreno a ela vizinho (fls.137/143); e b) o Registro de Imóveis (fls.144/145) , não se referem a comodato e nem elidem os valores contabilizados a título de empréstimos de recursos financeiros. Irresignado, apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário, reiterando suas razões da impugnação. É o relatório. Resolução Diante dos documentos apresentados pelo Recorrente, resta claro que a Agropecuária Barreto Ltda é proprietária da chamada "Ilha Grande", imóvel descrito na documentação acostada aos autos, e que ambas são sociedades coligadas. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11052.000895/201073 Resolução nº 3402001.026 S3C4T2 Fl. 4 3 Por um lado, a fiscalização apenas constatou as transferências entre as duas empresas e presumiu serem decorrência de contratos de mútuo, a despeito do esclarecimento inicial prestado pela Recorrente, que informou se tratarem de valores relativos à manutenção da propriedade "Ilha Grande" cabendo frisar que em momento nenhum a fiscalização, mesmo ciente da resposta da autuada, solicitou a apresentação do contrato de comodato. Além disso, compulsando a Razão (fls. 3334), especificamente a Conta 1.2.1.01.07.001 AGROPECUARIA BARRETO LTDA, verificase que no período fiscalizado constam apenas registros de débitos, mas nenhum de crédito, o que não fornece subsídios lógicos para se inferir, de plano, que se trata de uma operação de mútuo. Por outro lado, os documentos apresentados pela Recorrente não se referem diretamente ao comodato, mas apenas estabelecem a propriedade em torno do objeto do suposto comodato. Diante disso, a única certeza que tenho é de uma carência probatória nos autos, para subsidiar um juízo preciso acerca da natureza das transferências em análise. Portanto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que se intime o Recorrente a apresentar: a) o Contrato de Comodato junto à empresa Agropecuária Barreto Ltda., tendo como objeto o imóvel denominado de "Ilha Grande", ou outros elementos probatórios que comprovem inequivocamente este vínculo e a causa das transferências registradas na Conta de fls. 3334. b) Comprovantes das despesas efetuadas a título de manutenção da propriedade "Ilha Grande". É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Conselheiro Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720139/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREAS ISENTAS. INTERESSE ECOLÓGICO. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. ISENÇÃO.
Para fins de isenção do ITR, considera-se de interesse ecológico a área declarada em caráter especifico para determinada área do imóvel, por órgão competente.
Afasta-se a tributação sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal existentes no imóvel e devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2401-004.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREAS ISENTAS. INTERESSE ECOLÓGICO. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. Para fins de isenção do ITR, considera-se de interesse ecológico a área declarada em caráter especifico para determinada área do imóvel, por órgão competente. Afasta-se a tributação sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal existentes no imóvel e devidamente comprovadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
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ÁREAS ISENTAS. INTERESSE ECOLÓGICO. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. Para fins de isenção do ITR, considerase de interesse ecológico a área declarada em caráter especifico para determinada área do imóvel, por órgão competente. Afastase a tributação sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal existentes no imóvel e devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 39 /2 00 8- 38 Fl. 255DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13161.720139/200838 Acórdão n.º 2401004.841 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório JOSE JACINTHO NETO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento abaixo declinada, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2006, conforme peça inaugural do feito, às e fls. 140/144, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 02/10/2008 (AR. fl. 153), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: "Área de Interesse Ecológico não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de interesse ecológico no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi alterado, tendo como base os valores informados pelo contribuinte no atendimento intimação. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.(...)" Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 109 e 110) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de interesse ecológico, devido a não apresentação do Ato do Poder Publico que declarou essa área com tal titulo, sendo que apresentou cópia da Portaria n° 263 de 02/07/1982, emitida pelo IBDF, designando a antiga área de 33.813 ha (matricula 7.861), como Refúgio Particular de Animais Nativos (ou seja, Refúgio de Vida Silvestre, conforme Lei n° 9.985/2000 art.8°,V), a qual não se confunde com Área de Interesse Ecológico, ou seja, Área de Relevante Interesse Ecológico, conforme o art.14, II, da mesma Lei; apresentou o ADA onde foi declarada a totalidade do imóvel como área de interesse ecológico; e apresentou laudo Fl. 257DF CARF MF 4 de avaliação atribuindo ao imóvel o VTN de. R$ 20.504.237,73, diferente do declarado, sendo aceito o valor apurado no laudo. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 107. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, achou por bem julgar improcedente em parte o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0420.297/2010, de efls. 235/245, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 PEDIDO DE PERÍCIA Há de ser indeferido o pedido de perícia que visa, unicamente, levantar provas que deveriam ser apresentadas pelo contribuinte e que poderiam ser por ele produzidas por outros meios. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para fins de isenção do ITR, considerase de interesse ecológico a área declarada em caráter especifico para determinada área do imóvel, por órgão competente. Afastase a tributação sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal existentes no imóvel e devidamente comprovadas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em observância ao disposto no 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Encaminhados ao CARF, os autos foram distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. Devidamente cientificado do Acórdão, o contribuinte recolheu o valor correspondente ao crédito mantido. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13161.720139/200838 Acórdão n.º 2401004.841 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise matéria posta nos autos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento em virtude da não comprovação quanto a isenção da área declarada a titulo de interesse ecológico, devido a não apresentação do Ato do Poder Publico que declarou essa área com tal titulo, sendo que apresentou cópia da Portaria n° 263 de 02/07/1982, emitida pelo IBDF, designando a antiga área de 33.813 ha (matricula 7.861), como Refúgio Particular de Animais Nativos (ou seja, Refúgio de Vida Silvestre, conforme Lei n° 9.985/2000 art.8°,V), a qual não se confunde com Área de Interesse Ecológico, ou seja, Área de Relevante Interesse Ecológico, conforme o art.14, II, da mesma Lei; apresentou o ADA onde foi declarada a totalidade do imóvel como área de interesse ecológico; e apresentou laudo de avaliação atribuindo ao imóvel o VTN de. R$ 20.504.237,73, diferente do declarado, sendo aceito o valor apurado no laudo Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado improcedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0420.297/2010, de efls. 235/245, da 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando o crédito lançado, adotando os seguintes fundamentos, in verbis: "(...) Quanto ao mérito, o lançamento ora questionado decorreu da glosa da área de interesse ecológico declarada no Exercício 2006, em razão de o fiscal autuante ter entendido que o contribuinte não apresentou ato do poder público que a declarou como tal, e da alteração do VTN tributado, com base em laudo técnico apresentado pelo contribuinte. (...) A Receita Federal, considerando o disposto no caput desse artigo, editou Instruções Normativas com descrição detalhada das áreas isentas e as exigências necessárias para seu reconhecimento, inclusive a apresentação, pelo contribuinte, do Ato Declaratório Ambiental perante o Ibama. A exigência de apresentação do ADA, além de Fl. 259DF CARF MF 6 constar de Instruções Normativas expedidas pela Receita Federal, está prevista expressamente na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1 °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1°. São comuns divergências de entendimento com relação ao enquadramento de áreas rurais nas alíneas do inciso II do parágrafo 10 do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996. Como demonstrou o contribuinte na impugnação, a divergência de entendimento quanto a esse enquadramento existe até entre os julgadores administrativos, mas, como pode ser observado no citado Acórdão desta Primeira Turma de Julgamento, o entendimento defendido pelo julgador Jorge Anibal David não é acompanhado pelos demais julgadores. Nos termos do disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional — CTN, deve ser interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Deve ser observado ainda o principio da legalidade previsto no art. 176 do mesmo CTN, o qual dispõe que "a isenção (..) é sempre decorrente de lei". O julgador com mandato nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, ao elaborar seu voto, deve observar o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme art. 7° da Portaria MF n.° 58, de 17 de março 2006. Ainda que seja possível existir confusão entre as definições de áreas de preservação permanente e de interesse ecológico indicadas nas alíneas "a" e "h" do inciso II do parágrafo 1° do art. 10 da Lei n.° 9.393/1996, não se pode pretender que toda Área rural não utilizada pela atividade rural, que, por qualquer motivo, permanece intocada, e assim resulta na preservação do meio ambiente, seja afastada da tributação pelo ITR, em desacordo com a legislação tributária. São consideradas de preservação permanente as áreas definidas nos artigos 2° e 3° do Código Florestal, e há necessidade de identificação dessas áreas por meio de laudo técnico, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado da ART,com indicação dos dispositivos legais em que se enquadram, tendo em vista que, para as indicadas no art. 3°, é exigida declaração por ato do Poder Público, consoante previsão nele contida. (...) Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13161.720139/200838 Acórdão n.º 2401004.841 S2C4T1 Fl. 5 7 Não restou comprovada a alegação de que o imóvel em questão esta localizado em parque municipal. 0 Oficio da Prefeitura Municipal de Naviral/MS, de fls. 19,se refere a imóvel diverso e se reporta a parque criado em Exercício posterior ao aqui tratado. O lançamento impugnado é relativo ao Exercício 2006, cujo fato gerador ocorreu em 01/01/2006, cabendo a comprovação da situação existente no imóvel nessa data. Em cada exercício, a realidade circunstancial é diferente e, assim, o lançamento do imposto, de acordo com o Código Tributário Nacional — CTN, devese adequar à realidade da época em que se está tributando, conforme se depreende do artigo 144 desse diploma legal. Resta verificar se é possível acolher o pedido alternativo do contribuinte para que seja aceita a distribuição das Áreas do imóvel comprovadas por meio de laudo técnico, reconhecendo seu direito à retificação dos dados declarados na DITR/2006. O interessado apresentou laudo técnico, acompanhado de ART, com informação sobre existência no imóvel de Área preservação permanente no total de 7.106,7139 ha., que estaria localizada lindeiramente ao longo dos cursos d'água existentes no imóvel e enquadrada no art. 2° da Lei n.° 4.771/1965, de Área de reserva legal no total de 3.260,9030 ha., composta de duas Áreas distintas, averbadas na matricula do imóvel, de Área de pastagem no total de 2.795,9575 ha. e de Área ocupada com benfeitorias de 26,3998 ha. Compõem o laudo técnico apresentado Memorial Descritivo das Áreas de preservação permanente e reserva legal, entre outras. Constou da Matricula do imóvel (fls. 19 a 24), na Av. 313454, de 20/11/1992, averbação da Área de reserva legal nos seguintes termos: "A requerimento dos proprietários (..) fica constando no imóvel objeto desta matricula a existência da reserva legal de 20%, correspondente a 3.260,90,30 ha. (.)". Foi Comprovada a entrega do ADA ao Ibama em 19/03/2004 (fls. 14), com informação sobre existência no imóvel de Área de preservação permanente de 9.041,8 ha. e área de reserva legal de' 2.700,7 ha., totalizando 11.742,5 ha. de Área florestal. Os documentos apresentados nos autos permitem reconhecer a existência no imóvel de Área de preservação permanente de 7.106,7 ha., como pretendido na impugnação. Quanto à Área de reserva legal, é possível reconhecer que essa corresponde a 3.260,9 ha., apesar de o averbado na matricula indicar que essa medida corresponde a 20% da Área total anterior do imóvel, de 16.238,0 ha., visto que o laudo técnico apresentado reconhece que toda a Área averbada na matricula permaneceu no imóvel, inclusive com apresentação de memorial descritivo da mesma. Caso se comprove que o laudo técnico e o memorial descritivo não corresponde à realidade da situação do imóvel, o crédito tributário pode ser revisto e o profissional pode ser responsabilizado por informação falsa, nos termos legais. Fl. 261DF CARF MF 8 É possível acolher a isenção para as citadas Áreas de preservação permanente e reserva legal visto que o total de Áreas isentas declaradas no ADA protocolado em 2004, tempestivo para o Exercício aqui tratado, é superior a soma das duas Áreas comprovadas, apesar de a informação contida no ADA diferir da contida no laudo técnico quanto ao total de cada uma dessas Áreas. O contribuinte alegou que o imóvel está localizado em áreas inundáveis do Pantanal matogrossense, porém, tal não corresponde à realidade, haja vista que seu imóvel está localizado no município de Navirai/MS e, conforme orientação de preenchimento da DITR expedida pela Receita Federal, disponível para consulta na Internet, os municípios localizados no Estado do Mato Grosso do Sul que pertencem ao Pantanal Sulmatogrossense são os seguintes: • Anastácio • Aquidauana • Bela Vista • Bodoquena • Bonito • Caracol • Corguinho • Corumbá • Coxim • Laddrio • Miranda • Porto Murtinho • Rio Negro • Rio Verde de Mato Grosso • Sonora. Ainda com base no laudo técnico, é possível atender ao pedido a s contribuinte para retificação dos dados de distribuição da área do imóvel considerados lançamento do imposto, e incluir, para cálculo do imposto, informações sobre Área de benfeitorias e de pastagens. A Área de pastagem pretendida pode ser aceita por não superar a área calculada com base na quantidade de animais de grande porte declaradas na DITR/2006 e no índice de produtividade previsto para a localização do imóvel. O Relatório Ambiental do Ministério Público, apesar de elaborado no ano de 2007, e, portanto, tratar de situação encontrada no imóvel em Exercício posterior ao aqui tratado, corrobora a informação de que o imóvel possuía Áreas ocupadas com benfeitorias e pastagens e que não era totalmente inexplorado. Diante de todo o exposto, é cabível alteração do crédito tributário apurado na Notificação de Lançamento, mediante alteração dos seguintes itens do Demonstrativo de Apuração do ITR de fls. 111: (...)" Antes mesmo de adentrarse ao mérito do litígio, cabe trazer à baila os dispositivos que regulamentam a matéria. As áreas do imóvel rural afastadas da tributação pelo ITR estão discriminadas no art. 10, parágrafo 1°, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 19/12/1996, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR considerarseá: (...) Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13161.720139/200838 Acórdão n.º 2401004.841 S2C4T1 Fl. 6 9 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;(grifei) c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, agrícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei n° 11.428, de 2006) • ' e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(1ncluido pela Lei n° 11.428, de 2006) (...) Conforme se extrai dos autos, o lançamento decorreu da glosa da área de interesse ecológico declarada no exercício 2006, pois o fiscal entendeu que o contribuinte não apresentou ato do poder público. Verificase que o ponto nodal da demanda é se realmente há comprovação quanto a existência de área de preservação permanente e área de reserva legal por parte do contribuinte. Neste ponto, conforme dispõe a decisão guerreada, o contribuinte rechaçou a pretensão fiscal, senão vejamos: " [...] O interessado apresentou laudo técnico, acompanhado de ART, com informação sobre existência no imóvel de Área preservação permanente no total de 7.106,7139 ha., que estaria localizada lindeiramente ao longo dos cursos d'água existentes no imóvel e enquadrada no art. 2° da Lei n.° 4.771/1965, de Área de reserva legal no total de 3.260,9030 ha., composta de duas Áreas distintas, averbadas na matricula do imóvel, de Área de pastagem no total de 2.795,9575 ha. e de Área ocupada com benfeitorias de 26,3998 ha. Compõem o laudo técnico apresentado Memorial Descritivo das Áreas de preservação permanente e reserva legal, entre outras. Constou da Matricula do imóvel (fls. 19 a 24), na Av. 313454, de 20/11/1992, averbação da Área de reserva legal nos seguintes termos: "A requerimento dos proprietários (..) fica constando no imóvel objeto desta matricula a existência da reserva legal de 20%, correspondente a 3.260,90,30 ha. (.)". Foi Comprovada a entrega do ADA ao Ibama em 19/03/2004 (fls. 14), com informação sobre existência no imóvel de Área de preservação permanente Fl. 263DF CARF MF 10 de 9.041,8 ha. e área de reserva legal de' 2.700,7 ha., totalizando 11.742,5 ha. de Área florestal. Os documentos apresentados nos autos permitem reconhecer a existência no imóvel de Área de preservação permanente de 7.106,7 ha., como pretendido na impugnação. Quanto à Área de reserva legal, é possível reconhecer que essa corresponde a 3.260,9 ha., apesar de o averbado na matricula indicar que essa medida corresponde a 20% da Área total anterior do imóvel, de 16.238,0 ha., visto que o laudo técnico apresentado reconhece que toda a Área averbada na matricula permaneceu no imóvel, inclusive com apresentação de memorial descritivo da mesma. Caso se comprove que o laudo técnico e o memorial descritivo não corresponde à realidade da situação do imóvel, o crédito tributário pode ser revisto e o profissional pode ser responsabilizado por informação falsa, nos termos legais. É possível acolher a isenção para as citadas Áreas de preservação permanente e reserva legal visto que o total de Áreas isentas declaradas no ADA protocolado em 2004, tempestivo para o Exercício aqui tratado, é superior a soma das duas Áreas comprovadas, apesar de a informação contida no ADA diferir da contida no laudo técnico quanto ao total de cada uma dessas Áreas. Ainda com base no laudo técnico, é possível atender ao pedido a s contribuinte para retificação dos dados de distribuição da área do imóvel considerados lançamento do imposto, e incluir, para cálculo do imposto, informações sobre Área de benfeitorias e de pastagens. A Área de pastagem pretendida pode ser aceita por não superar a área calculada com base na quantidade de animais de grande porte declaradas na DITR/2006 e no índice de produtividade previsto para a localização do imóvel. O Relatório Ambiental do Ministério Público, apesar de elaborado no ano de 2007, e, portanto, tratar de situação encontrada no imóvel em Exercício posterior ao aqui tratado, corrobora a informação de que o imóvel possuía Áreas ocupadas com benfeitorias e pastagens e que não era totalmente inexplorado. Diante de todo o exposto, é cabível alteração do crédito tributário apurado na Notificação de Lançamento, mediante alteração dos seguintes itens do Demonstrativo de Apuração do ITR de fls. 111: [...]" Partindo dessas premissas, constatase que o contribuinte rechaçou a pretensão fiscal, comprovando a existência de área de preservação permanente e área de reserva legal, acostando aos autos o ADA e provando conter na averbação do imóvel referida indicação, além de colacionar Laudo Técnico que foi adotado para retificação dos dados de distribuição da área do imóvel para cálculo do imposto, incluindo as informações acerca das benfeitorias e pastagens. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, porquanto agiu da melhor forma, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13161.720139/200838 Acórdão n.º 2401004.841 S2C4T1 Fl. 7 11 com estrita observância da legislação de regência, reconhecendo a improcedência do crédito tributário nos termos encimados. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720173/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.927
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 73 /2 01 2- 04 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11516.720173/201204 Acórdão n.º 3302003.927 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.574. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11516.720173/201204 Acórdão n.º 3302003.927 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11516.720173/201204 Acórdão n.º 3302003.927 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11516.720173/201204 Acórdão n.º 3302003.927 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11516.720173/201204 Acórdão n.º 3302003.927 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.001622/2007-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006
DECADÊNCIA. MATÉRIA DEVOLVIDA AO COLEGIADO. ANÁLISE POSSIBILIDADE. NÃO REFORMATIO IN PEJUS.
A decisão recorrida decidiu a decadência em contrário à súmula CARF e calculou o prazo do art. 173, I, do CTN equivocadamente. A Fazenda Nacional insurgiu-se quanto ao cálculo do prazo do art. 173, I, do CTN. O contribuinte, em contrarrazões, alega que pela aplicação da súmula, a decisão seria ainda mais favorável a ele.
Nesse caso, a matéria está devolvida ao colegiado, que poderá realizar sua análise e decidir respeitando, como limite, a condição de não reformatio in pejus.
Numero da decisão: 9202-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência suscitada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que restou vencido. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF N° 101. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SYNGENTA SEEDS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. MATÉRIA DEVOLVIDA AO COLEGIADO. ANÁLISE POSSIBILIDADE. NÃO REFORMATIO IN PEJUS. A decisão recorrida decidiu a decadência em contrário à súmula CARF e calculou o prazo do art. 173, I, do CTN equivocadamente. A Fazenda Nacional insurgiuse quanto ao cálculo do prazo do art. 173, I, do CTN. O contribuinte, em contrarrazões, alega que pela aplicação da súmula, a decisão seria ainda mais favorável a ele. Nesse caso, a matéria está devolvida ao colegiado, que poderá realizar sua análise e decidir respeitando, como limite, a condição de não reformatio in pejus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência suscitada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que restou vencido. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar lhe provimento, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 16 22 /2 00 7- 49 Fl. 1312DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal AIOP NFLD DEBCAD nº 37.042.7769, às efls. 202 a 218, cientificado à contribuinte acima qualificada, em 29/10/2007, com relatório fiscal às efls. 229 a 235. O lançamento visou à constituição de créditos de contribuição da empresa destinada a seguridade social, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT, para terceiros e diferença da parte do segurado não descontado na folha de pagamento. De acordo com o Termos de Verificação fiscal, foi originalmente identificada pela fiscalização a infração de não tributação de verba paga a título de participação nos lucros e resultados. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 2.061.889,75, consolidado na data de 26/10/2007, para o período de apuração de 01/01/1999 a 30/04/2006. A NFLD foi impugnada, às efls. 286 a 345, em 27/11/2007. Já a 13ª Turma da DRJ/SPOI, no acórdão nº 1617.300, prolatado em 29/05/2008, às efls. 921 a 950, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 18/08/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 955 a 1028, argumentando, em síntese que: a) a decadência do direito de constituir o crédito previdenciário em fustigo, referente ao período de 1998 a 2002; b) a Participação nos Lucros e/ou resultados não constitui, em hipótese alguma, parcela integrante da remuneração de seus segurados, pois não possui natureza de remuneração, uma vez que não é paga de forma habitual, tampouco como contraprestação dos serviços prestados; c) a CF, em seu art. 7o, excluiu do conceito de remuneração as parcelas pagas pelo empregador aos seus funcionários a título de "participação"nos lucros ou resultados; d) a decisão em vergaste desconsiderou que o programa de PLR mantido pela Recorrente constitui reflexo de amplos e prévios debates entre representantes da empresa e dos empregados em torno da formatação do programa de metas e resultados da empresa; Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 9202005.358 CSRFT2 Fl. 315 3 e) diferentemente do alegado pela r. decisão, a Lei n° 10.101/2000 não obriga a pactuação prévia do programa de metas e resultados, mas apenas sugere a adoção de tal procedimento; f) foi devidamente demonstrado que a definição das competências c objetivos sujeitos à avaliação de cada empregado estava expressa de forma clara no acordo, o que havia sido desconsiderado. Demonstrou, ainda, que a auto avaliação não retiraria a clareza e objetividade das regras constantes no acordo; g) os valores pagos a título de PLR eram feitos de forma variável, restando comprovado, assim, que tais pagamentos não podem ser considerados como salário. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da terceira câmara da Segunda Seção de Julgamento em 15/04/2011, resultando no acórdão 230102.013, às efls. 1068 a 1110, que tem a seguinte ementa: DECADÊNCIA. REGRA A SER APLICADA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELOS I, ART. 173 DO CTN OU PELO § 4o, ART. 150, DO CTN. Somente quando comprovada a ocorrência de pagamento parcial é que deve ser aplicada a regra decadência expressa no § 4o, Art. 150 do CTN. conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF). em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). no Recurso Especial 973.733. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7n, XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NORMA DF. EFICÁCIA LIMITADA. OBSERVÂNCIA DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS COMO CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES À AQUISIÇÃO DO DIREITO. O art. 7o. XI da Carta Magna prescreve a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração dos empregados, remetendo à Lei a regulamentação da matéria. Sendo norma de eficácia limitada, a norma constitucional deve ser analisada com a condição das exigências contidas na Lei n° 10.101/2000 terem sido obrigatoriamente observadas, sob pena dc os valores distribuídos aos empregados serem considerados SaláriodeContribuição (SC). Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para Fl. 1314DF CARF MF 4 excluir devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4o, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, no que tange às contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados em 2004, devido ao não atingimento de metas pactuadas, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos demais anos contidos no lançamento, na forma do voto do Relator. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanha a votação por suas conclusões. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. RE da Fazenda Nacional Cientificada, em 16/05/2012 (efl. 1111), o Procurador da Fazenda Nacional interpôs, às efls. 1114 a 1119, recurso especial de divergência RE ao citado acórdão, em 18/05/2012, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF no tocante à decadência, com efeito sobre a competência de 12/2001. Diverge o recorrido em não proceder à contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, entendimento exposto nos acórdãos paradigmas nº 240101.759 e nº 2302001.180, que levariam à manutenção do período de apuração de 12/2001 entre os alcançados pela fiscalização. Por fim, requer que o recurso especial seja conhecido e provido, reformando se o acórdão recorrido para conformálo à correta interpretação dada pelo STJ ao que fora decidido no RESP 973.733/SC, evidenciada no acórdão paradigma trazido aos autos, afastando a decadência da competência 12/2001. O RE do Procurador foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300323/2012, às efls. 1145 e 1146, em 23/05/2012. entendendo ele por lhe dar seguimento, no tocante à divergência exposta, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 1147) do despacho nº 2300323/2012, em 02/06/2012 (efl. 1149), tendo apresentado requerimento em 17/07/2012, às efls. 151 e 1152, para que também lhe fosse dada ciência do conteúdo do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, sob pena de cerceamento de defesa. RE da contribuinte Também em 17/07/2012, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência ao acórdão nº 230102.013, às efls. 1157 a 1168. Acusa divergência também em relação à decadência, entendendo que há decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF que afirmam a contagem do prazo decadencial para contribuições sociais com base no Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 9202005.358 CSRFT2 Fl. 316 5 art. 150, § 4º, do CTN, a partir da data da ocorrência do fato gerador, em claro confronto com o decidido no acórdão a quo. Indica como acórdãos paradigmas da divergência os de nº 920200.495 e nº 920200.503 todos originários desta 2ª Turma da Segunda Seção de Julgamento. O recurso especial da contribuinte foi apreciado por este relator, já então na posição Presidente da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho de efls. 1212 e 1213, em 27/10/2015, entendendo por negarlhe seguimento, por ter sido apresentado intempestivamente. Resolução Levado a julgamento o recurso especial da fazenda, foi reconhecido que a contribuinte não teria sido cientificada do inteiro teor do recurso especial da Fazenda, o que lhe impossibilitou de apresentar contrarrazões, o que aliás havia ela manifestado em requerimento às efls. 151 e 1152, acima mencionado. Em face disso, resolveram os membros desta 2ª Turma, em sessão do dia 21/01/2017, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem cientificasse o sujeito passivo do inteiro teor do recurso especial da Fazenda Nacional. Novas contrarrazões da contribuinte Ciente do conteúdo do recurso especial da Fazenda em 21/07/2017 (efl. 1293), a contribuinte apresentou contrarrazões em 06/03/2017, às efls. 1296 a 1307. Inicialmente invoca a decadência como matéria de ordem pública pretendendo que seja apreciada a tese não acatada no acórdão a quo de que a contagem do prazo decadencial aplicável ao caso deveria ser a do art. 150, § 4º do CTN. Tal entendimento deriva de a contribuição social ser tributo sujeito ao lançamento por homologação e haver provas de pagamentos das contribuições nos períodos lançados (às efls. 236 a 249) e no próprio relatório fiscal, além de inexistir qualquer acusação de dolo fraude ou simulação para que se deixe de considerar a contagem do prazo pelo citado artigo. Afirma que a decisão recorrida decidiu pela contagem com fulcro no art. 173, inc. I, do CTN por que considerou que deveria haver existência de pagamentos em rubrica específica de PLR, entendimento superado pela Sumula nº 99 do CARF. Ao contrapor o recurso especial da Fazenda, afirma que a aplicação do RICARF, em particular o § 3º do art. 67 levaria à aplicação do entendimento da mesma Súmula nº 99 e do não conhecimento desse recurso. Outrossim o próprio paradigma apresentado pela Fazenda já teria sido reformado pelo acórdão nº 9202003.598, para reconhecer que a norma aplicável àquele caso seria o art. 150, § 4º do CTN. Caso seja acatado o recurso, afirma ainda a correção da contagem pelo art. 173 realizada no acórdão a quo. Fl. 1316DF CARF MF 6 Pelas razões expostas, pleiteia o não conhecimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda e, subsidiariamente, o não provimento desse recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Desde logo, cabe analisar as contrarrazões naquilo que pretende ver como argumento para o não conhecimento do recurso especial da Fazenda. Argumenta a contribuinte que: A incidência da Súmula nº 99 sobre a matéria atrairia a incidência do § 3º do art. 67 do RICARF, sendo isso motivo suficiente para no não conhecimento. Contudo, à época da interposição do recurso da Fazenda, (18/05/2012), bem como do despacho que o admitiu (23/05/2012), nem a referida redação do § 3º do art. 67 e nem a Súmula nº 99, (aprovada pela Segunda Turma da CSRF em 09/12/2013), existiam. Logo, esse argumento não serve para que se deixe de conhecer do recurso especial da Procuradoria. No tocante a alegada reforma do paradigma, há que se atentar ao fato de a Procuradoria ter apresentado dois paradigma, sendo um suficiente para sustentar a divergência. Todavia, há que se notar que o acórdão nº 9202003.598 não reformou o acórdão 240101.759, tanto é assim que sua redação é a seguinte; Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente convocada), que votou por dar provimento ao recurso e apresentará declaração de voto Nem mesmo o voto vencido foi sobre decadência, e a redação do voto vencedor que orienta o acórdão em razão da decadência tem exatamente a mesma redação para o assunto existente no acórdão lá recorrido: No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 31/07/2007 e o período do crédito é de 05/2000 a 09/2003, assim, diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência o período de 05/2000 a 11/2001. Assim, não há argumento em contrarrazões para não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda. Da decadência A discussão sobre a decadência trazida pelo Procurador cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 14485.001622/200749 Acórdão n.º 9202005.358 CSRFT2 Fl. 317 7 Em sede de impugnação a contribuinte esgrimia que fosse aplicada a regra do art. 150, § 4º do CTN. O acórdão da DRJ/SPOI afirmou a contagem decenal do prazo, questão tormentosa no âmbito do judiciário, à época. A contribuinte volta a ela em recurso voluntário, uma vez mais tratando de lançamento por homologação. Até então, não havia qualquer discussão relativa a aplicar o critério de contagem para lançamento de ofício; inexistia também qualquer questionamento quanto a existência de pagamento para subsunção ao art. 150 do CTN. Somente no seio acórdão a quo se estabelece a discussão entre aplicação da contagem com base em um ou outro artigo, mas ainda sem que ninguém afirme a ausência ou existência de pagamentos dos tributos para tal aplicação. O voto vencedor se inclina para a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, mas, relativamente ao mês de dezembro de 2001 efetua contagem a partir do primeiro dia de janeiro, olvidando que antes de janeiro não pode ser lançado o tributo, pois não há obrigação exigível ainda. Essa posição levou ao recurso especial do Procurador, invocando tese que hoje resta cristalizada na Súmula nº 101 da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Como detalhe, podese observar que a contribuinte pretende trazer o reconhecimento da existência de pagamentos parciais do tributo que quer ver homologado apenas quando apresentou seu recurso especial de divergência, mas tal recurso não foi conhecido, por intempestivo. Feito esse relato que localiza especificamente essa matéria, há que se arguir a possibilidade ou não de as contrarrazões inovarem, no sentido de criar uma possibilidade de reformatio in pejus relativamente ao recurso especial da Fazenda, haja vista que acatar os argumentos trazidos das contrarrazões, nesse caso, implicaria que além de a Fazenda, como recorrente, não obter seu intento com o recurso, ainda teria sua situação agravada relativamente ao acórdão a quo. Tal assunto é bastante discutido na doutrina e tem mais de uma posição que possa ser seguida. Me parece que a matéria decadência foi devolvida ao colegiado podendo ser analisada, na busca da verdade material, para que se venha a realizar a exação de acordo com a norma, limitada à condição de não reformatio in pejus para a recorrente. Portanto, entendo que o efeito devolutivo nesse processo abarca a questão decadência não apenas verticalmente, mas também de forma horizontal. Não há que se tratar apenas do alcance em profundidade do art. 173, inc. I, mas da possibilidade de voltar a buscar a aplicação do art. 150, § 4º, a partir da análise total da matéria. Dito isso, passo a considerar a existência de provas de pagamento para que seja aplicado o art. 150, § 4º, do CTN na contagem decadencial. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal, à efl. 228, está indicado que foram examinados comprovantes de recolhimento e GFIP do período fiscalizado. Lá também está indicado que além da presente NFLD só existe outro lançamento relativo à descumprimento de obrigação acessória (AI DEBCAD 37.042.7777); caso houvesse falta de pagamentos haveria outra NFLD para esse mesmo procedimento fiscal, das demais contribuições não recolhidas no período. Todo esse conjunto probatório indica que a omissão foi apenas com relação a uma parcela da contribuição devida, especificamente quanto à PLR e que, portanto, houve pagamentos naqueles meses. Fl. 1318DF CARF MF 8 Por essas razões, ainda que o recurso especial da Fazenda para aplicação do art. 173, inc. I do CTN tivesse suporte em acórdãos e argumentos que hoje até mesmo se encontram cristalizados na Súmula nº 101, aprovada pelo pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, a questão não mais se resolve com base nesse artigo, mas sim no art. 150,§ 4º, e agora pela incidência da Súmula nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Dessarte, há que se negar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido conhecer, mas de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904001/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 IRPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Comprovado o erro de preenchimento da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ainda que após a instauração do Processo Administrativo Fiscal, a retificação deve ser acatada.
Numero da decisão: 1803-001.649
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 IRPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Comprovado o erro de preenchimento da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ainda que após a instauração do Processo Administrativo Fiscal, a retificação deve ser acatada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 40 01 /2 00 8- 84 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10783.904001/200884 Acórdão n.º 1803001.649 S1TE03 Fl. 189 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Armond Ferreira da Silva. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10783.904001/200884 Acórdão n.º 1803001.649 S1TE03 Fl. 190 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 64): Versa este processo sobre compensação. Através do despacho decisório nº 783762979 (fl. 16), não foram homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP nele referido. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/3. Nesta peça, alega, em síntese, que, ao constatar que os PER/DCOMP não tinham sido deferidos, verificou que, de fato, existiam inconsistências na DIPJ, que foi, então, retificada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 63): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ. A retificação da DIPJ, sem a comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Cientificada da referida decisão em 29/11/2011 (fls. 78), a tempo, em 28/12/2011, apresenta a interessada Recurso de efls. 81 e 82 (numeração digital), instruído com os documentos de efls. 83 a 186, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10783.904001/200884 Acórdão n.º 1803001.649 S1TE03 Fl. 191 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Em situação análoga à existente no presente processo, este Colegiado, por meio do Acórdão nº 1803001.469, de 11 de setembro de 2012, decidiu, à unanimidade, no seguinte sentido, acompanhando o Voto da eminente Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi: Em que pese a realização da retificação da DIPJ, entendeu a DRJ/RJ I que a mera retificação das informações constantes na aludida declaração, sem a devida comprovação do seu lastro fático, não teria o condão de comprovar a existência do direito creditório reivindicado. Pois bem, conforme relatado, a meu ver, estamos diante de questão de prova e não de direito. Abstraindose as questões de fato, os fundamentos da decisão de 1ª instância são, em tese, irretocáveis. Fosse o caso de o contribuinte ter apontado um crédito inexistente e buscasse substituílo, ou forjálo, em sede de recurso, a decisão não mereceria reparos. Todavia, na situação versada nos autos, o contribuinte reconheceu o erro de preenchimento cometido quando da entrega da DIPJ original, tendo promovido as retificações necessárias, as quais foram apontadas no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade e, melhor ainda justificadas, quando da apresentação do Recurso Voluntário ora analisado. Devese chamar a atenção para o fato de que, em virtude da ponderação feita pela DRJ no sentido de que a retificação da DIPJ deveria vir acompanhada de provas que confiram sustentação fática aos ajustes realizados, o contribuinte colacionou aos autos, em sede de recurso voluntário, cópia dos registros contábeis do período, além das notas fiscais emitidas pelos serviços prestados, ou seja, exatamente a documentação exigida pela DRJ/RJ I, através do acórdão recorrido, para comprovar a existência do crédito pleiteado. Importantíssimo esclarecer que a documentação apresentada pela Recorrente, ainda que em sede de recurso voluntário, deve ser apreciada e valorada, pois, além de garantir proteção ao princípio da verdade material – um dos norteadores do procedimento administrativo fiscal, somente se fez necessária diante da “dúvida” suscitada pela DRJ quanto à veracidade dos dados inseridos na DIPJ Retificadora. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10783.904001/200884 Acórdão n.º 1803001.649 S1TE03 Fl. 192 5 Assim, tudo evidencia que se tratou, realmente, de mero erro de preenchimento da DIPJ original, razão pela qual, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, reconhecendo o direito creditório. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 13116.720072/2008-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Demonstrado o cumprimento dos pressupostos regimentais relativamente a um dos julgados indicados como paradigmas, não há óbice ao conhecimento do Recurso Especial, ainda que o outro julgado não se preste à demonstração de divergência jurisprudencial.
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Demonstrado o cumprimento dos pressupostos regimentais relativamente a um dos julgados indicados como paradigmas, não há óbice ao conhecimento do Recurso Especial, ainda que o outro julgado não se preste à demonstração de divergência jurisprudencial. VTNVALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 00 72 /2 00 8- 87 Fl. 182DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 22/01/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2201001.945 (fls. 142 a 148), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso." O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 09/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 149) e, em 14/05/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 150 a 156 (Despacho de Encaminhamento de fls. 157), com fundamento no 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 29/10/2015 (fls. 158 a 161). Cientificada em 18/11/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 167), a Contribuinte ofereceu, em 02/12/2015, as Contrarrazões de fls. 168 a 179, contendo os seguintes argumentos: Do não cumprimento dos pressupostos formais de admissibilidade do Recurso Especial Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13116.720072/200887 Acórdão n.º 9202005.526 CSRFT2 Fl. 183 3 a admissão do Recurso Especial deve respeitar de forma fiel às determinações impostas no art. 67 e parágrafos, do Ricarf, sob pena de sequer ser conhecido; no presente caso, é flagrante o descumprimento dos requisitos basilares previstos nos §§ 1o, 5o, 9o e 10, do art. 67, do Ricarf; a Fazenda Nacional deixou de demonstrar de forma objetiva qual a legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente, ou seja, deixou de apontar expressamente a legislação que teve interpretação divergente, conduta que afronta o disposto no § 1º; outro requisito que também não foi atendido é o do § 5o, do art. 67, do Ricarf, pois a Fazenda Nacional não indicou precisamente, nas peças processuais, o prequestionamento da matéria, devendo também por este motivo não ser conhecido o Recurso Especial ora atacado; o Recurso Especial não foi instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas n° 210201664 e 210200.609, logo, também não foi atendido o disposto no § 9o do art. 67 do Ricarf; registrase que, embora a Fazenda Nacional afirme que houve a transcrição na íntegra das ementas citadas, tal afirmação é totalmente improcedente, pois sequer consta das ementas qual o recurso julgado, muito menos o seu resultado, fato que denota que as transcrições foram incompletas, além de não constar nenhuma informação de onde foram extraídas tais ementas, se do site ou do D.O.U, pois não foi declinada a data da publicação dos julgados, o que afronta ainda o § 10 do art. 67; além disso, em relação à ementa do Acórdão nº 210201.664, constou da transcrição do acórdão que ele teria sido julgado na sessão de 29/11/2011, porém tal informação está incorreta, pois não consta do site do CARF; outro fato relevante está relacionado ao Acórdão n° 210200.609, pois ao consultálo no site do CARF, não há qualquer informação de sua existência, sendo que o resultado da pesquisa remete para dois acórdãos de nºs 210201.664 e 2102001.6009, cujas matérias julgadas são totalmente divergentes, pois relacionadas ao Imposto de Renda Pessoa Física, conforme atesta o documento anexo; diante de tais irregularidades, não restam dúvidas de que o Recurso Especial da Fazenda Nacional sequer merece ser conhecido, porquanto deixou de atender de forma flagrante e inconteste os requisitos mínimos e essenciais para sua admissão, devendo ser rejeitado de pronto. Da inexistência de divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas quanto ao Acórdão n° 210201664, a ementa transcrita não detém qualquer igualdade ou similitude com o contexto fático que envolve a matéria julgada no acórdão recorrido, pois o paradigma acima transcrito analisou área de reserva legal e não loteamento, não se prestando, pois, como paradigma; Fl. 184DF CARF MF 4 no tocante ao referido paradigma, a Fazenda Nacional sequer fez a demonstração analítica da alegada divergência, com a precisa indicação dos pontos divergentes no paradigma e o acórdão recorrido, conforme determina o § 8o do art. 67 do Ricarf; ademais, a transcrição de pequeno trecho do acórdão paradigma nº 2102 01.664, denota que o julgamento se prendeu à análise subjetiva de prova documental, consistente em laudo e DITR dos imóveis do município envolvido: "Em função disso, a fiscalização não acatou o laudo e efetuou o arbitramento do valor da terra nua com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), correspondentes ao preço médio do hectare obtido nas DITRS apresentadas para os imóveis localizados no municipio de Cotriguaçu/MT, no exercício de 2002." no entanto, o acórdão recorrido analisou a questão levando em consideração o fato da fiscalização ter realizado o arbitramento única e exclusivamente no "(...)Valor do VTN médio para o Município,cuja utilização não atende às exigências legais."; vejase a ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 2201001.944) como visto, o equilibrado e jurídico acórdão aplicou a mais salutar justiça ao caso concreto, eis que almofadado em copiosa doutrina e remansosa jurisprudência, assim não merece ser acolhida o recurso, devido sua inadequação fática e jurídica ao caso concreto; nesse contexto, não há dúvida de que os arestos 2201001.945 e 2202 01.664 não tem qualquer similitude fática e muito menos em relação a legislação tributária, até mesmo porque não consta do recurso qual a legislação que teria sido interpretada de forma divergente, muito menos do acórdão paradigma, logo, a matéria citada restringese à análise subjetiva da prova, que é vedada na estreita via do Recurso Especial; já o acórdão paradigma n° 210200.609 não existe no banco de dados de jurisprudência do CARF, sendo certo que o conteúdo informado também não se presta a demonstrar a alegada divergência da legislação tributária, que repitase sequer foi citada no corpo do Recurso Especial em tela, pois no paradigma em questão a informação transcrita no bojo do recurso noticia a existência dentro dos autos a tabela do SIPT: "No caso aqui em debate, para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl.15) . . ." porém no acórdão recorrido sequer existe tal tabela, conforme consignou a relatora, verbis: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13116.720072/200887 Acórdão n.º 9202005.526 CSRFT2 Fl. 184 5 "Destaquese por oportuno, que não consta, em nenhum dos processos acima mencionados, cópia da tabela dos Sistema de Preços de Terra SIPT." ora, se sequer existe o documento utilizado pelos fiscais para se realizar arbitramento, fato que por si só configura cerceamento ao direito de defesa, sendo certo que, mesmo que existisse tal documento, a análise em questão levaria também ao exame de provas, o que não é permitido pela via estreita do Recurso Especial; importante ressaltar que a matéria em exame já foi apreciada por esta Câmara Superior, inclusive o paradigma nº 210200.609 também foi citado para respaldar a divergência, onde restou consagrado o seguinte entendimento: "Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1º., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. Recurso especial negado." (Acórdão 9202003.421, de 22/10/2014) fato é que, o acórdão recorrido não merece reparos, pois encontrase em consonância com a lei, a doutrina e a mais abalizada jurisprudência pátria, inclusive este CARF: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. (...)VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1o , da Lei n.° 9.393, de 1996." (Acórdão 2202002.900, de 02/12/2014) Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 186DF CARF MF 6 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, argumentando, em síntese, descumprimento de requisitos formais e falta de demonstração da alegada divergência. No que tange aos requisitos formais, a Contribuinte alega o descumprimento dos §§ 1o, 5o, 9o e 10, do art. 67, do Ricarf. Quanto ao § 1º, do art. 67, do Ricarf, a Contribuinte aponta a falta de demonstração objetiva da legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente. De plano, esclareçase que o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi interposto em 14/05/2013, conforme Despacho de Encaminhamento de fls. 157, portanto antes da vigência do novo Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que efetivamente chegou a exigir, por curto período de tempo, a indicação, de forma objetiva, da legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente. Ainda que se aplicasse ao apelo o atual Ricarf, importa salientar que a exigência apontada pela Contribuinte já foi mitigada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, conforme a seguir: "Art. 67................................................................................. §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente." Assim, suprimida a expressão "de forma objetiva", fica claro que a demonstração da legislação que está sendo interpretada de forma divergente não tem de estar necessariamente expressa no apelo, desde que nele se demonstre qual o arcabouço jurídico que está sendo tratado, evitandose assim a apresentação de decisões divergentes em face de arcabouços normativos estranhos à lide objeto do recurso. No mais, este CARF tem dado seguimento a apelos que, a despeito de não demonstrarem de forma expressa a legislação que está sendo tratada, essa informação é facilmente deduzida da própria demonstração dos pontos de divergência indicados nos paradigmas, portanto considerase que atendem ao comando regimental acima. E no caso do recurso em análise, fica claro que todo o litígio versa sobre a interpretação da legislação que rege o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua, mormente o art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Aliás, tal dispositivo legal está expresso logo na primeira linha do item "Dos Fundamentos para a Reforma do Acórdão Recorrido", às fls. 5 do Recurso Especial. Destarte, restou absolutamente clara no apelo a legislação sobre a qual se visava demonstrar a alegada divergência. Quanto ao § 5o, do art. 67, do Ricarf, a alegação da Contribuinte é no sentido de que a Fazenda Nacional não teria indicado precisamente, nas peças processuais, o prequestionamento da matéria. Entretanto, tal exigência é dirigida expressamente ao Contribuinte, não obrigando a Fazenda Nacional. Confirase: "Art. 67 (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração , com precisa indicação, nas peças processuais." (grifei) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13116.720072/200887 Acórdão n.º 9202005.526 CSRFT2 Fl. 185 7 Assim, a Fazenda Nacional não está obrigada a demonstrar prequestionamento, embora no presente caso, ao contrário do que assevera a Contribuinte, o tenha feito em várias passagens do apelo, em que pontuou a decisão vazada no acórdão recorrido. No que tange aos §§ 9º e 10 necessidade de instruir o recurso com cópia do inteiro teor dos acórdãos paradigmas, ou de suas respectivas ementas esclareçase que a Fazenda Nacional utilizouse da prerrogativa contida no § 11, do art. 67, do Ricarf: "Art. 67 (...) § 11 As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade." Com efeito, as ementas dos paradigmas foram transcritas no recurso na sua integralidade. Aliás, a Recorrente deixou essa opção bem clara no apelo: "Para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, nos termos do §9º do artigo 67 do RICARF, invocase o acórdão nº 210201.664, cuja ementa ora se transcreve na integralidade." "Nesse mesmo sentido apresentase o acórdão paradigma nº 210200.609, cuja ementa abaixo se transcreve na integralidade:" Quanto à ausência de informações, tais como o recurso julgado, o seu resultado ou o repositório de onde foram extraídas as ementas, não há no Ricarf qualquer exigência nesse sentido, já que ditas informações não fazem parte da ementa do julgado. Relativamente ao suposto erro quanto à data de julgamento do paradigma representado pelo Acórdão nº 210201.664, caso se confirmasse, não prejudicaria o apelo, considerandose como mero lapso formal. Entretanto, importa salientar que a data de julgamento desse paradigma é efetivamente aquela informada no recurso, qual seja, 29/11/2011, conforme consta do cabeçalho constante em sua folha de rosto. Ao que tudo indica a Contribuinte confunde a data de julgamento do aresto com a data de sua publicação, que foi em 25/04/2012. No que tange à alegada ausência, no sítio do Carf, do paradigma representado pelo Acórdão nº 210200.609, ao que tudo indica houve lapso da Contribuinte ao efetuar a consulta, já que dito julgado encontrase publicado desde 14/07/2010. Finalmente, quanto à suposta falta de demonstração de divergência, no que tange ao paradigma representado pelo Acórdão nº 210201.664, a Contribuinte assevera que a ementa não trata da matéria em tela. Com efeito, a colação da ementa pela Recorrente, como esta prevenira, visava o atendimento ao § 11, do art. 67, do Ricarf. E justamente para reforçar a divergência que não ficou demonstrada na ementa, a Recorrente reproduziu trecho do voto, juntamente com a sua conclusão, que não deixa dúvidas acerca do dissídio interpretativo: "A fim de melhor demonstrar a divergência jurisprudencial transcrevese trecho do voto condutor do acórdão: Fl. 188DF CARF MF 8 Verificase na descrição dos fatos do auto de infração que o lançamento foi motivado pela glosa da área de reserva legal e valoração do VTN do imóvel rural denominado "Gleba Cedrobom/Parque Est. Ig. Juruena", com área total de 87.523 ha, localizado no município de Cotriguaçu/MT. (...) Em função disso, a fiscalização não acatou o laudo e efetuou o arbitramento do valor da terra nua com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), correspondentes ao preço médio do hectare obtido nas DITRs apresentadas para os imóveis localizados no município de Cotriguaçu/MT, no exercício de 2002. Na mesma linha, entendo que o laudo técnico não serve para contestar o valor da terra nua, nem para comprovar as áreas de reserva legal. (...) Isto posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso." (destaques da Recorrente) Assim, restou plenamente demonstrada a alegada divergência, já que, ao contrário do que se entendeu no caso do acórdão recorrido, no paradigma a conclusão foi no sentido de que o arbitramento com base na média das DITR do Município poderia ser mantido. Relativamente às restrições apontadas pela Contribuinte quanto ao paradigma representado pelo Acórdão nº 210200.609, no que tange à ausência de similitude fática, tais óbices já foram remarcados em inúmeros julgados desta Turma, nos quais restou decidido pelo não conhecimento do apelo. Destarte, demonstrada a divergência por meio do paradigma representado pelo Acórdão nº 210201.664, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2006 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que sequer fosse anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: "A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2006, R$ 500,00 (R$ 0,34/ha), arbitrandoo em R$ 978.822,24 (R$ 674,12), com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e o item 6.8. da Norma de Execução Cofis nº 03/2006, aplicável à execução das atividades da Malha Fiscal do ITR/2006. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13116.720072/200887 Acórdão n.º 9202005.526 CSRFT2 Fl. 186 9 Esse valor corresponde ao VTN médio, por hectare, constante do Sistema de Preço de Terras – SIPT, para o exercício de 2006, tendo sido apurado com base nos valores informados pelos próprios contribuintes nas suas respectivas DITR/2006, para os imóveis localizados no município de Planaltina – GO, conforme termo de fls. 09/10." Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi apurado com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose o VTN declarado pela Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Fl. 190DF CARF MF 10 "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.928040/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2002
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.737
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2002 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 40 /2 00 9- 93 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 15374.928040/200993 Acórdão n.º 3201002.737 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.523. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 15374.928040/200993 Acórdão n.º 3201002.737 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 66DF CARF MF Processo nº 15374.928040/200993 Acórdão n.º 3201002.737 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901333/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 33 /2 01 2- 21 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10925.901333/201221 Acórdão n.º 3301003.486 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.884. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.901333/201221 Acórdão n.º 3301003.486 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.901333/201221 Acórdão n.º 3301003.486 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
