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Numero do processo: 13896.720684/2015-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. TERCEIROS MENCIONADOS NA PEÇA RECURSAL.
Pessoas que não constam da qualificação das peças não podem ser consideradas como subscritoras de tais documentos. O fato de haver menção aos nomes dos responsáveis no teor do recurso voluntário subscrito por outra pessoa não faz com que se deva interpretar que tal peça está sendo também apresentada em nome de tais responsáveis. Aplicação do art. 16, II, do Decreto 70.235/1972 c/c do artigo 1.010, I, do CPC.
DATA DE APRESENTAÇÃO DA PEÇA RECURSAL. PROVA DA TEMPESTIVIDADE.
Um recibo de venda emitido pelos Correios não é documento hábil a comprovar a data de postagem, mormente quando este contém data diversa daquela constante de extrato dos Correios que fora apresentado por ocasião do protocolo da peça recursal.
Numero da decisão: 1401-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer dos embargos por considerar ausentes os pressupostos para a sua admissibilidade.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. TERCEIROS MENCIONADOS NA PEÇA RECURSAL. Pessoas que não constam da qualificação das peças não podem ser consideradas como subscritoras de tais documentos. O fato de haver menção aos nomes dos responsáveis no teor do recurso voluntário subscrito por outra pessoa não faz com que se deva interpretar que tal peça está sendo também apresentada em nome de tais responsáveis. Aplicação do art. 16, II, do Decreto 70.235/1972 c/c do artigo 1.010, I, do CPC. DATA DE APRESENTAÇÃO DA PEÇA RECURSAL. PROVA DA TEMPESTIVIDADE. Um recibo de venda emitido pelos Correios não é documento hábil a comprovar a data de postagem, mormente quando este contém data diversa daquela constante de extrato dos Correios que fora apresentado por ocasião do protocolo da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer dos embargos por considerar ausentes os pressupostos para a sua admissibilidade. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 06 84 /2 01 5- 69 Fl. 12121DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de embargos de declaração originalmente opostos por Consultec Consultoria em Saúde Ltda. – ME e Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda., Crossville Overseas Group Inc., Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda EPP, Rentalcap Locação De Bens Móveis Ltda. ME e Efra Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Ltda. – ME. O despacho de admissibilidade de fls. 12.091 a 12.100 não admitiu os embargos opostos por Consultec Consultoria em Saúde Ltda. – ME e Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., decisão esta definitiva nos termos do art. 65, § 3º, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 39/2016. Assim, restou a apreciação dos embargos opostos por R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda., Crossville Overseas Group Inc., Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda EPP, Rentalcap Locação De Bens Móveis Ltda. ME e Efra Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Ltda. – ME. Tais embargos foram admitidos nos seguintes termos (trechos do despacho de admissibilidade): 6. No que se refere aos segundo e terceiro itens — “os Embargantes apresentaram recurso voluntário juntamente com o Sr. José Carlos dos Santos, embora não constem da qualificação (R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc.)” e “os Embargantes apresentaram recurso voluntário juntamente com os Srs. Roseli Aparecida de Brito e de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, embora não constem da qualificação” (Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda EPP, Rentalcap Locação De Bens Móveis Ltda. ME e Efra Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Ltda. Fl. 12122DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401002.169 S1C4T1 Fl. 12.122 3 ME) — assim se exprimiu a decisão embargada (destaques do original): Sob o argumento de que a autuada e os demais operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, foram lavrados Termos de Responsabilidade Solidária para as pessoas físicas e jurídicas a seguir: a. Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. – EPP, CNPJ 04.169.684/000100, com base no art. 124, I, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172/1966; [...]; c. Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda. – EPP, CNPJ 04.674.217/000138, com base no art. 124, I, do CTN; d. Hospital e Maternidade Jardins Ltda., CNPJ 69.106.904/000100, com base no art. 124, I, do CTN; e. R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ 07.034.932/000102, com base no art. 124, I, do CTN; [...]; g. EFRA Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Empresarial Ltda. – ME, CNPJ 07.688.547/0001 70, com base no art. 124, I, do CTN; h. RENTALCAP Locação De Bens Moveis Ltda. – ME, CNPJ 08.335.406/000137, com base no art. 124, I, do CTN; [...]; k. Roseli Aparecida de Brito, CPF 084.067.86817, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III, do CTN; l. Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, CPF 093.109.68800, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III, do CTN; [...]; o. CROSSVILLE Overseas Group Inc., CNPJ 17.849.945/000185, com base no art. 124, I, do CTN; p. Jose Carlos dos Santos, CPF 008.019.79811, com base nos arts. 124, I e II, e 135, II, do CTN; [...]. A planilha abaixo detalha a ciência do resultado do julgamento e a apresentação dos recursos voluntários pela contribuinte e os responsáveis: Fl. 12123DF CARF MF 4 [...]. Recurso Voluntário de R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e de Crossville Overseas Group Inc. Pleiteia inicialmente pela tempestividade do recurso. Alega que a intimação postal da decisão recorrida teria ocorrido no dia 22/02/2016, afirmando que o prazo teria expirado em 23/03/2016. A peça é datada de 21/03/2016, no entanto foi postada em 29/03/2016 (fl. 11.310). [...]. Recurso Voluntário de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e Roseli Aparecida de Brito Orlando e Roseli foram responsabilizados com base nos arts. 124, I e II, e 135, III, do CTN, sob as motivações: [...]. No recurso, afirmam que Roseli era sócia da Italtac Tecnologia na área de cobranças Ltda. EPP e que Orlando era sócio de Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria. Tais empresas são destinadas à prestação de serviços de cobrança, locação de equipamentos médicos e prestação de serviços de informática e contabilidade, respectivamente. Alegam que a Itálica Saúde era mera cliente de tais empresas, tendo contrato de prestação de serviços hospitalares com Hospital e Maternidade Jardins Ltda. e Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP e de serviços de locação, contabilidade e informática com as demais, não exercendo qualquer papel de gestão umas às outras. Afirmam que a Italtac é empresa de cobrança que, dentre outras, possui as ora autuadas/responsáveis como clientes, o que justifica que os pagamentos de umas às outras sejam feitos através dela, haja vista ser sua atividadefim. Fl. 12124DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401002.169 S1C4T1 Fl. 12.123 5 Contestam o indício de fraude e de formação de grupo econômico fundado em que os pagamentos feitos ao Hospital e Maternidade Jardins e à Ital Saúde Serviços Médicos por sua cliente Itálica Saúde foram realizados em forma de antecipações ao longo do mês, e não ao seu final, afirmando que “como grande parte de suas receitas (e também despesas) advinha de tal cliente (‘Itálica’), que possuía forte atuação junto à população menos favorecida, exatamente a atendida pelas Recorrentes, faziamse necessários adiantamentos ao longo do mês para viabilizar a manutenção das atividades, muitas vezes, o que não quer dizer que, ao final do mês, tais Recorrentes não prestavam contas dos serviços prestados”. Afirmam que, ainda que as empresas recorrentes pertencessem a tal suposto grupo econômico, esse fato não lhes retiraria sua autonomia e tampouco as tornaria responsáveis tributárias umas pelos débitos das outras. Continuam, dizendo que a relação entre as recorrentes e a Itálica Saúde sempre foi meramente negocial, por meio de contratos de prestação de serviços e aluguel, revestidos de todas as formalidades legais, em que a Itálica Saúde remunerava as Recorrentes em contraprestação, sem que houvesse qualquer participação gerencial de umas às outras. Alegam, ademais, que Orlando e Roseli sequer eram sócios ou diretores da Itálica Saúde, mas prestadores de serviços sem poder de gerência. [...]. Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos José foi responsabilizado com base nos arts. 124, I e II, e 135, III, do CTN, sob a motivação: “Participou em 2012 de aquisição de imóveis da Mar Jull Empreendimentos Imobiliários, empresa patrimonial associada à Itálica, sendo que existem evidências de que estas transações não ocorreram de fato, mas destinaramse a ocultar o patrimônio da outra empresa, como está descrito detalhadamente no Termo de Verificação Fiscal. Os imóveis foram transferidos para a R&D Empreendimentos em janeiro de 2013.” Alega que as empresas recorrentes são empresas saudáveis, idôneas, autônomas e cumpridoras de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes que não guardam qualquer relação com a Itálica Saúde. A peça recursal faz poucas menções específicas a José, limitandose a afirmar que este apenas intermediou a compra e venda de imóveis, sem deter nenhuma parte ou propriedade destes, na qualidade de representante no Brasil das sociedades investidoras R&D e Crossville. Afirma ainda que a R&D é terceiro adquirente de imóveis que, um dia pertenceram à Mar Jull, sendo que não há base legal para, Fl. 12125DF CARF MF 6 por isso, serlhe imputada responsabilidade solidária em relação ao crédito em causa. Nega a formação de grupo econômico, afirmando que, ainda que fosse este o caso, o STJ já pacificou o entendimento de que tal situação não enseja solidariedade passiva pelo artigo 124, I, do CTN (ERESP 834.044/RS, julgado em 8.09.2010). [...]. Recursos voluntários Conforme relatado, os recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc. são intempestivos, portanto não serão admitidos. Os recursos voluntários dos seguintes sujeitos passivos preenchem os requisitos de admissibilidade e serão portanto conhecidos: Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME e José Carlos dos Santos. Passo a tratar de cada um deles a seguir. [...]. Recurso Voluntário de Roseli Aparecida de Brito e de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior A decisão recorrida considera que, conforme descrito no TVF, Roseli e Orlando praticaram atos de gestão, tais como: [...]. No recurso, Roseli e Orlando reiteram que a Itálica Saúde era mera cliente de tais empresas, “não exercendo qualquer papel de gestão umas às outras”, afirmando ainda que não exerciam qualquer poder de gerência na Itálica Saúde. Não obstante tal afirmação, não é trazido qualquer fato ou argumento capaz de desqualificar os atos acima transcritos, ou seja, não se explica o que seriam tais atos ou porque não se trataria de atos de gestão. Uma vez que não foram invalidados os argumentos que levam à conclusão de que Orlando e Roseli participaram ativamente da gestão das empresas consideradas em confusão patrimonial e, uma vez confirmada sonegação, fraude e conluio, caracterizase a sua responsabilização tributária. Mantenho, portanto, a decisão recorrida nesse ponto. [...]. Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos Fl. 12126DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401002.169 S1C4T1 Fl. 12.124 7 A decisão recorrida aponta que José era representante e gerente da R&D e representante da Crossville, bem como que os imóveis da Mar Jull foram “vendidos” (via intermediários, dentre eles José) e “comprados” pelo mesmo valor, confirmando a transferência do imobilizado da Mar Jull para a R&D. [...]. Em seu recurso, José não contesta nenhuma dessas afirmações, nem traz explicações que levem a questionar as conclusões extraídas pela autoridade autuante dos fatos por ela narrados. Limitase a afirmar que “apenas intermediou a compra e venda de imóveis”. De fato, não há base legal para imputar responsabilidade solidária pelo simples fato de se atar como intermediário na compra e venda de imóveis, todavia a acusação fiscal não é esta, como parece crer o recorrente. O TVF aponta indícios suficientes de que as pessoas jurídicas (no sentido formal do termo, já que eram meras “cascas”) atuavam em conjunto, havendo uma só “atividade econômica organizada”, tendo José atuado diretamente, seja em nome próprio, seja na qualidade de representante da R&D e da Crossville, nas operações que visaram a ocultar os fatos geradores dos tributos ora cobrados. Assim, nesse ponto a decisão recorrida merece igualmente ser mantida. 7. Como visto, entendeu a decisão embargada que seria intempestivo o recurso voluntário interposto pelos Embargantes R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc. e, ainda, que não teriam sido apresentados recursos voluntários por parte dos Embargantes Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação De Bens Móveis Ltda. ME e Efra Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Ltda. – ME. 8. Porém, pela própria descrição contida no relatório do acórdão embargado do teor dos recursos voluntários apresentados pelos Srs. José Carlos dos Santos (R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc.) e Roseli Aparecida de Brito e Orlando Márcio de Melo Campos Júnior (Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação De Bens Móveis Ltda. ME e Efra Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Ltda. ME), verificase que todas essas empresas também são ali mencionadas como Recorrentes. Vejase (sublinhados da transcrição): Fl. 12127DF CARF MF 8 Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos [...]. Alega que as empresas recorrentes são empresas saudáveis, idôneas, autônomas e cumpridoras de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes que não guardam qualquer relação com a Itálica Saúde. A peça recursal faz poucas menções específicas a José, limitandose a afirmar que este apenas intermediou a compra e venda de imóveis, sem deter nenhuma parte ou propriedade destes, na qualidade de representante no Brasil das sociedades investidoras R&D e Crossville. Afirma ainda que a R&D é terceiro adquirente de imóveis que, um dia pertenceram à Mar Jull, sendo que não há base legal para, por isso, serlhe imputada responsabilidade solidária em relação ao crédito em causa. Nega a formação de grupo econômico, afirmando que, ainda que fosse este o caso, o STJ já pacificou o entendimento de que tal situação não enseja solidariedade passiva pelo artigo 124, I, do CTN (ERESP 834.044/RS, julgado em 8.09.2010). Recurso Voluntário de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e Roseli Aparecida de Brito [...]. No recurso, afirmam que Roseli era sócia da Italtac Tecnologia na área de cobranças Ltda. EPP e que Orlando era sócio de Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria. Tais empresas são destinadas à prestação de serviços de cobrança, locação de equipamentos médicos e prestação de serviços de informática e contabilidade, respectivamente. Alegam que a Itálica Saúde era mera cliente de tais empresas, tendo contrato de prestação de serviços hospitalares com Hospital e Maternidade Jardins Ltda. e Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP e de serviços de locação, contabilidade e informática com as demais, não exercendo qualquer papel de gestão umas às outras. Afirmam que a Italtac é empresa de cobrança que, dentre outras, possui as ora autuadas/responsáveis como clientes, o que justifica que os pagamentos de umas às outras sejam feitos através dela, haja vista ser sua atividadefim. Contestam o indício de fraude e de formação de grupo econômico fundado em que os pagamentos feitos ao Hospital e Maternidade Jardins e à Ital Saúde Serviços Médicos por sua cliente Itálica Saúde foram realizados em forma de antecipações ao longo do mês, e não ao seu final, afirmando que “como grande parte de suas receitas (e também despesas) advinha de tal cliente (‘Itálica’), que possuía forte atuação junto à população menos favorecida, Fl. 12128DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401002.169 S1C4T1 Fl. 12.125 9 exatamente a atendida pelas Recorrentes, faziamse necessários adiantamentos ao longo do mês para viabilizar a manutenção das atividades, muitas vezes, o que não quer dizer que, ao final do mês, tais Recorrentes não prestavam contas dos serviços prestados”. Afirmam que, ainda que as empresas recorrentes pertencessem a tal suposto grupo econômico, esse fato não lhes retiraria sua autonomia e tampouco as tornaria responsáveis tributárias umas pelos débitos das outras. Continuam, dizendo que a relação entre as recorrentes e a Itálica Saúde sempre foi meramente negocial, por meio de contratos de prestação de serviços e aluguel, revestidos de todas as formalidades legais, em que a Itálica Saúde remunerava as Recorrentes em contraprestação, sem que houvesse qualquer participação gerencial de umas às outras. 9. Patente, pois a omissão da decisão embargada, que não fez expressa referência a nenhuma daquelas empresas em seu voto condutor (R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., de um lado, e Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação De Bens Móveis Ltda. ME e Efra Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Ltda. – ME, de outro), embora se possa entender, talvez, que as razões expendidas naquela decisão também as possam alcançar (sublinhados da transcrição): Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos [...]. De fato, não há base legal para imputar responsabilidade solidária pelo simples fato de se atar como intermediário na compra e venda de imóveis, todavia a acusação fiscal não é esta, como parece crer o recorrente. O TVF aponta indícios suficientes de que as pessoas jurídicas (no sentido formal do termo, já que eram meras “cascas”) atuavam em conjunto, havendo uma só “atividade econômica organizada”, tendo José atuado diretamente, seja em nome próprio, seja na qualidade de representante da R&D e da Crossville, nas operações que visaram a ocultar os fatos geradores dos tributos ora cobrados. Recurso Voluntário de Roseli Aparecida de Brito e de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior [...]. Uma vez que não foram invalidados os argumentos que levam à conclusão de que Orlando e Roseli participaram ativamente da gestão das empresas consideradas em confusão patrimonial e, uma vez confirmada sonegação, fraude e conluio, caracterizase a sua responsabilização tributária. Fl. 12129DF CARF MF 10 Mantenho, portanto, a decisão recorrida nesse ponto. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Primeiramente, observo que de acordo com a planilha de ciência de julgamento de fls. 12.088, os embargos opostos por Hospital e Maternidade Jardins Ltda. são intempestivos e não devem ser admitidos. Vejase: Pois bem. Quanto às alegações comuns, primeiramente os embargantes em questão para os quais a decisão embargada, conforme o caso, ou não admitiu os recursos voluntários apresentados em razão de sua intempestividade ou considerou que não foram interpostos recursos voluntários sustentam que apresentaram recurso voluntário juntamente com outros responsáveis cujos recursos voluntários foram admitidos. É de se observar que tal afirmação é feita embora se admita que os ora embargantes não constaram da qualificação dos recursos voluntários então admitidos. Com a devida vênia à análise preliminar realizada em sede de despacho de admissibilidade, entendo que não houve omissão no acórdão embargado e que portanto os presentes embargos de declaração não devem ser admitidos sob tal fundamento. Isso porque pessoas que não constam da qualificação das peças não podem ser consideradas como subscritoras de tais documentos. Fl. 12130DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401002.169 S1C4T1 Fl. 12.126 11 O fato de haver menção aos nomes dos embargantes no teor das peças subscritas por outras pessoas não faz com que se deva interpretar que tal peça está sendo também apresentada em nome dos embargantes. Até porque, em se tratando de diversos responsáveis, como é o caso, não necessariamente os argumentos de defesa de um aproveitam ao outro e, inclusive, teoricamente uns poderiam buscar esquivarse da responsabilidade que lhes foi atribuída acusando os demais. A se entender pelo argumento dos embargantes então a eventual acusação feita por um recorrente aos demais importaria confissão destes, mesmo estes não tendo constado da qualificação da peça? A resposta é obviamente negativa. O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto 70.235/1972 e, supletiva e subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil nos termos do artigo 15 da Lei 13.105/2015. Embora o Decreto 70.235/1972 não traga os requisitos para o recurso voluntário, ao tratar da impugnação o artigo 16, II, é claro em determinar que a peça deverá mencionar "a qualificação do impugnante;". O atual Código de Processo Civil, este sim, estabelece no artigo 1.010, I, que, dentre os requisitos da apelação, esta conterá "os nomes e a qualificação das partes." Assim, temse como requisito essencial para que se considere que uma peça processual foi apresentada por uma pessoa que seu nome conste do respectivo intróito na qualidade de peticionante. O simples fato de a peça ser subscrita pelo mesmo advogado não faz com que se possa considerar que a peça apresentada por um aproveita o outro. Pelo contrário: se era o mesmo patrono e, supostamente, as mesmas razões de defesa, por que não apresentar peça única, mencionando o nome das embargantes na qualificação? E mais, no caso de R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., por que dividir em duas peças? De qualquer forma, se havia qualquer razão para apresentar as peças em separado, ou para não apresentar peças em nome das embargantes pessoas jurídicas, por que tal razão não foi mencionada nas peças apresentadas pelas pessoas físicas? E por que não se trouxe qualquer prova neste sentido nem mesmo agora em sede de embargos de declaração? De fato, ambos os embargos de declaração apresentados também sustentam que as embargantes foram suprimidas da qualificação da peça apresentada tempestivamente em razão de a Receita Federal se recusar a receber recursos em papel em sendo as recorrentes pessoas jurídicas. Tal alegação resta desprovida de força probatória quando se constata que, além de não se ter trazido qualquer indício de que tal fato efetivamente ocorreu, em nenhum momento no presente processo sequer nas peças apresentadas pelas pessoas físicas tal fato foi comentado. O único comentário feito na peça recursal apresentada por R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc. não prova tal fato, por observar apenas que o recurso foi protocolado em via física em virtude de o processo administrativo em questão "não estar disponível no ecac para as pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, o que impossibilita seu download para uso no Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos Fl. 12131DF CARF MF 12 (PGS), caracterizando, assim, exceção prevista na Instrução Normativa RFB no. 1.608/2016." (fl. 1.125). Já no caso das embargantes Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda EPP, Rentalcap Locação De Bens Móveis Ltda. ME e Efra Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Ltda. – ME, estas alegam que "no Recurso voluntário das Embargantes foram qualificados apenas os Recorrentes pessoas físicas, não obstante já na página 2 de tal defesa conste a informação de que as pessoas jurídicas ora Embargantes eram também Recorrentes, o que foi reforçado pelo conteúdo das razões recursais." Tal afirmação não corresponde à verdade. A peça recursal apresentada por Orlando e Roseli afirma que os recorrentes "são pessoas físicas" e depois menciona que as co autuadas pessoas jurídicas também seriam recorrentes, mas disso não necessariamente se depreende que tais pessoas jurídicas seriam recorrentes nesta mesma peça recursal. Confirase (fl. 11.204): Enfim, não há como acatar tais alegações eis que, além de não provadas, não possuem qualquer verossimilhança considerando os fatos do presente processo. Ademais, observese que, no caso de R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., estas também apresentaram peças recursais próprias. Caso se admita que tais responsáveis, embora não mencionados na qualificação do recurso voluntário apresentado por José Carlos dos Santos, devem ser considerados como recorrentes em tal peça, então se afirmaria que apresentaram dois recursos voluntários? E por que alguém apresentaria duas peças recursais com conteúdos diversos? Por fim, também quanto aos embargantes R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., estes sustentam, ainda, que o recurso foi apresentado via correios no dia 23 de março de 2016 às 18:08h, conforme "recibo de venda" anexado como doc. 2 dos embargos, e não no dia 29/03 como constou do acórdão embargado. Acontece que o dia 29/03 constou do acórdão embargado por ser a data que consta do comprovante anexado pelas próprias responsáveis ao recurso voluntário apresentado, mais precisamente a fls. 11.310 (Extrato dos Correios referente ao PE392726758BR). Não vejo como ignorar tal documento para confiar em um mero recibo de venda apresentado somente agora, o qual pode se referir a qualquer documento (ou seja, não garante que o conteúdo postado era o recurso voluntário em questão). Se o AR juntado ao recurso voluntário não era o correto, por que as ora embargantes não apresentaram o AR correto agora? Por que apresentaram um mero "recibo de venda"? Não há qualquer menção a tal justificativa, o que enfraquece ainda mais sua verossimilhança. Isso por si já seria suficiente para não admitir o tal recibo como prova. De qualquer forma, outrossim, tal recibo de venda está ilegível, vejase: Fl. 12132DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401002.169 S1C4T1 Fl. 12.127 13 Neste sentido, considero ausentes os pressupostos para a admissibilidade dos presentes embargos de declaração e portanto oriento meu voto por seu não acolhimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 12133DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.903405/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 34 05 /2 00 8- 24 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.903405/200824 Acórdão n.º 3401004.315 S3C4T1 Fl. 183 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.903405/200824 Acórdão n.º 3401004.315 S3C4T1 Fl. 184 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.903405/200824 Acórdão n.º 3401004.315 S3C4T1 Fl. 185 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.903405/200824 Acórdão n.º 3401004.315 S3C4T1 Fl. 186 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.903405/200824 Acórdão n.º 3401004.315 S3C4T1 Fl. 187 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.003375/2005-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DÉBITOS VENCIDOS ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP. O débito informado em DCTF necessita ser quitado na data de seu vencimento, sob pena de multa moratória e juros. O pedido de compensação, quando homologado, é causa de extinção do débito tributário. Todavia, enquanto não requerida a compensação não há o que se falar em causa suspensiva da incidência de juros de mora em relação a tributo vencido. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.804
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DÉBITOS VENCIDOS ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP. O débito informado em DCTF necessita ser quitado na data de seu vencimento, sob pena de multa moratória e juros. O pedido de compensação, quando homologado, é causa de extinção do débito tributário. Todavia, enquanto não requerida a compensação não há o que se falar em causa suspensiva da incidência de juros de mora em relação a tributo vencido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10280.003375/200507 Acórdão n.º 140200.804 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Versa o presente processo sobre pedido de restituição via PER/DCOMP n° 15159.41107.300904.1.2.021530 (fls.2/4) em que o contribuinte aponta crédito de saldo negativo IRPJ anocalendário 2000 no valor de R$ 679.819.37. Posteriormente. o contribuinte apresentou as declarações de compensação n's (...) Foi juntado a este, por apensação (f1.136). o processo administrativo n" 10280.722237/200946, onde o contribuinte se utilizou de parte do crédito do processo 10280.003375/200507 para compensar débitos próprios. O processo 10280.003375/200507 foi encaminhado ao SEFIS/DRF/BEL via despacho (fl.63) para que se realizasse diligência com vistas à verificação da existência do crédito de saldo negativo IRPJ anocalendário 2000 pleiteado. O Relatório de Encerramento Parcial de Diligência Fiscal (fl.103) afirma que o contribuinte possui o direito creditório pleiteado (R$ 679.819.37). Em decorrência, o Despacho Decisório (fl.106) reconheceu o direito creditório referente a saldo negativo IRPJ.1 anocalendário 2000 no valor de R$ 679.819,37. O processo foi então encaminhado ao SEORT/DRF/BEL para manifestarse acerca das compensações. Por intermédio do PARECER SEORT/DRF/BEL n° 0374 e respectivo Despacho Decisório (fls.121/124), as compensações foram parcialmente homologadas conforme abaixo discriminado: 1. As DCOMP' s (....) foram homologadas; 2. A DCOMP 28141.33253.300904.1.3.028098 foi parcialmente homologada, com débitos remanescentes de R$ 105.527.15; 3. As DCOMP' s 13637.43593.011004.1.3.020381 e 41253.19359.251104.1.3.02 6097 foram consideradas não homologadas. Tendo tomado ciência do Parecer/Despacho Decisório em 12/08/2009 (fls. 135, verso), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls 137/142) em —10/09/2009, alegando em síntese que: 1. Em 30/09/2004, a empresa enviou pedido de restituição n° 15159.41107.300904.1.2.021530 apontando créditos originados de saldo negativo de imposto de renda no montante de Id 679.819,37; 2. Na ocasião, apresentou DCOMP's indicando débitos de IRRF, 0561, apuração semanal; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10280.003375/200507 Acórdão n.º 140200.804 S1C4T2 Fl. 0 3 3. A despeito de haver a empresacontribuinte procedido de maneira correta, somente foram homologadas 11 (onze) DCOMP' s, além de 110 outra parcialmente homologada, uma vez que segundo a fiscalização havia crédito insuficiente para tais compensações; 4. Consoante o art.165 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável; 5. O art.26, §1° da INSRF600/2005, bem como o art.74 da Lei 9.430/96, que disciplinam a utilização de créditos a serem restituídos e/ou compensados. demonstram claramente que a ALUNORTE utilizouse do crédito sub examine da forma como determinam as referidas normas; (transcreve as normas citadas) 6. Não há o que se contestar na compensação realizada pelo contribuinte, vez que tal compensação foi feita com supedâneo na legislação tributária vigente, não havendo razão para a fiscalização não homologála; 7. O direito que assiste a manifestante de ter seus PER/DCOMP's integralmente aproveitados resta mais cristalino ao compulsarse a planilha e PER/DCOMP's, anexos a esta manifestação; 8. A fiscalização, desconsiderando a necessidade de motivação dos atos administrativos, não deixou evidenciada, de forma inequívoca, as razões das não homologações e homologações parciais a que procedeu, vez que comprovado pela empresa, inclusive com documentação anexa, que havia crédito suficiente para a integral homologação das compensações; 9. Tal atitude, por parte da fiscalização, dificulta sobremaneira a defesa da manifestante que, em tendo apurado a legalidade de seu procedimento e a existência de crédito suficiente para tanto, não teve vários de seus PER/DCOMP's homologados de forma integral, apenas sob o fundamento de o crédito da empresa ser insuficiente para ter a homologação em sua totalidade; 10. Requer a homologação total das compensações. Requer seja a decisão motivada, possibilitando o contraditório e a ampla defesa da manifestante. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: 1 ela do PROFISC com a listagem dos débitos compensados (f1.62. frente e verso). Demonstrativos de Compensação e Listagem de Débitos e Crédito (fls.110/120) e Planilha de Utilização do Saldo Negativo (fls.149/150). A decisão recorrida está assim ementada: DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Tendo sido o direito creditório pleiteado integralmente reconhecido e parcialmente homologadas as compensações, é decorrência lógica que o crédito foi insuficiente para compensar os débitos informados nas declarações de compensação, restando descabida a alegação de ausência de motivação do ato administrativo. SALDO NEGATIVO IRPJ. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E INSUFICIENTE PARA COMPENSAR TODOS OS DÉBITOS. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10280.003375/200507 Acórdão n.º 140200.804 S1C4T2 Fl. 0 4 OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Nos termos da legislação vigente quanto aos procedimentos de compensação, o crédito sofre correção de juros de mora e os débitos, multa de mora quando o débito for compensado após o vencimento e juros de mora quando a compensação ocorrer a partir do mês seguinte ao vencimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido No voto condutor do acórdão colhese os seguintes fundamentos: (...) De acordo com o artigo 40 da INSRF323/2003, referida norma entrou em vigor na data de sua publicação, isto é, 28/05/2003, sendo aplicável ao presente caso uma vez que todos os PER/DCOMP' s foram apresentados após essa data. No caso em tela, o contribuinte apresentou 13 (treze) PER/DCOMP's em 30/09/2004, um PER/DCOMP em 01/10/2004 e outro em 25/11/2004. Os débitos compensados (IRRF) possuem período de apuração e vencimento variando de fevereiro/2001 a janeiro/2002. Assim, todos os débitos foram compensados após os seus respectivos vencimentos. Nesse caso, cm relação a todos os débitos compensados houve a exigência de multa de mora (art.61 dá Lei 9.430/96. caput e §§l° e 2') e juros de mora (art.61 da Lei 9.430/96, §3°). Essa foi a razão para o crédito de R$ 679.819.37, totalmente reconhecido, não ser suficiente para compensar todos os débitos. O demonstrativo de compensação (fis.110/118) indica a incidência de multa de mora e juros de mora sobre todos os débitos compensados. Ainda a respeito da incidência de multa e juros de mora, as normas citadas no parágrafo anterior dizem: (...) Ainda com relação à incidência de multa de mora e juros de mora sobre os débitos compensados após o vencimento, notase que o texto do art.28 da INSRF210/2002. 011 com a redação dada pela INSRF323/2003, é claro ao determinar a incidência dos acréscimos moratórios até a data de entrega da DCOMP quanto aos débitos compensados após o vencimento. Pagamento e compensação possuem semelhanças. Nos termos do art.156. 1 e 11. ambos extinguem o crédito tributário: (...) Vale ressaltar que a incidência de multa de mora e juros de mora na compensação efetuada após o vencimento do débito segue n mesmo raciocínio aplicado ao pagamento de débito após a data limite para pagamento. Para demonstrar a semelhança entre Os dois institutos citamos, como exemplo, o disposto no §2° do art.28 da INSRF460/2004 ao estabelecer que a redução da multa de ofício prevista no art.6° da Lei 8.218/91 (pagamento efetuado dentro do prazo para impugnação) também aproveita a hipótese de compensação dentro do prazo para impugnação. Quanto à planilha juntada pelo contribuinte à manifestação de inconformidade ela realmente demonstra que o crédito reconhecido foi suficiente para compensar todos os débitos, estes considerados em seus valores originais. Todavia, como já demonstramos, débitos compensados após o vencimento devem sofrer os acréscimos legais previstos até a data de entrega da DCOMP. A respeito do crédito reconhecido, nos termos do capta do art.28 da INSRF 210/2002, com a redação dada pela INSRF32312003, deve sofrer a correção de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10280.003375/200507 Acórdão n.º 140200.804 S1C4T2 Fl. 0 5 juros de mora até a data de entrega da DCOMP. O demonstrativo de compensação (fls.110/118) indica que para a operacionalização de cada uma das compensações o crédito sofreu correção de 65.85% correspondente aos juros de mora acumulados entre janeiro/2001 e setembro/2004. Da Conclusão Isto posto. voto no sentido de declarar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendose a decisão da unidade de origem e os procedimentos de compensação. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que (verbis): (...) Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição de crédito proveniente de Saldo Negativo de Imposto de Renda, anocalendário 2000, cumulado com declaração de compensação. Assim, em 30.09.2004, a empresa — contribuinte enviou, eletronicamente, Pedido de Restituição de n° 15159.41107.300904.1.2.02 1530, apontando créditos originados de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica no montante de R$ 679.819,37 (Seiscentos e setenta e nove mil, oitocentos e dezenove Reais e trinta e sete centavos). Na ocasião apresentou eletronicamente PER/DCOMP(s) indicando débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, sob o código 0561, apuração semanal, quais Sejam: (...) Ocorre que, a despeito de haver a empresacontribuinte procedido de maneira correta, somente foram homologados, dos acima referidos, os PER/DCOMP(s) de n°(s) 1 a 11, tendo tido o de n° 12 homologação parcial, e os demais não tendo sido homologados, remanescendo o suposto débito de R$ 111.021,31 (Cento e onze mil, vinte e um Reais e trinta e um centavos), vez que, segundo a fiscalização, havia 41/ crédito insuficiente para tais compensações. Em 03.02.2010, a ora recorrente tomou ciência do acórdão de n° 0115.715 — DRJ/BEL, de 27 de novembro de 2009, o qual, por unanimidade, julgou totalmente improcedente a manifestação inconformidade. (...) O artigo 26, §1° da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, bem como, o artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, que disciplinam a utilização de créditos a serem restituído e/ou compensados, demonstram claramente que a ALUNORTE utilizouse do crédito sub examine da forma como determina as referidas IN e Lei, in verbis (...) Assim, desde que configurado o crédito passível de restituição, o direito à compensação decorre do mandamento legal contido na mencionada legislação. Data vênia, mas não há o que se contestar na compensação realizada pela contribuinterecorrente, vez que, tal compensação, fora feita com supedâneo na legislação tributária vigente, não havendo razão para I.fiscalização não homologá la. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10280.003375/200507 Acórdão n.º 140200.804 S1C4T2 Fl. 0 6 O direito que assiste a recorrente de ter seus PER/DCOMP(s) integralmente aproveitados resta mais cristalino ao compulsarse a planilha e PER/DCOMPS, constantes nos autos, os quais foram juntados pela ora rIcecorrente visando colaborar com a N. fiscalização, bem como aclarar o fato. Repisase, mais uma vez, que a legislação é clara quanto ao direito que assiste a recorrente, devendo ser repudiada qualquer tentativa de desvirtuar a legislação aplicável à peticionária. Demais disso, de crucial importância mencionar que os PERDCOMP'S foram entregues e transmitidos posteriormente, consoante orientação da própria Receita Federal, vez que somente prestariam à formalização da compensação, razão pela qual os argumentos aduzidos no acórdão re , rido .‘carecem de subsídios legais para sua sustentação. Deste modo, em tendo a ALUNORTE, atendido às determinações constantes na legislação que regulamenta a matéria, digase tempestivamente, realizando a compensação em conformidade com o que determina a legislação, bem como tendo verificado a possibilidade da homologação integral de seus PER/DCOMP(s), por haver crédito suficiente para tanto; requer que esse Conselho reveja a decisão exarada no acórdão, tendo em vista estarem as alegações da recorrente baseadas em sólida documentação. 3,. DO PEDIDO.. Ante o exposto, requer a postulante que seja acolhido integralmente o presente recurso, sendo este conhecido e provido, a fim de homologarse, em sua totalidade os PER/DCOMP(s): 28141.33253.300904.1.3.028098; 13637.43593.011004.1.3.020381; 41253.19359.251104.1.3.026097. Sendo, consequentemente, desconstituído o suposto débito no valor de R$ 111.021,31 (Cento e onze mil, vinte e um Reais e trinta e um centavos), possibilitandose, desta forma, o aproveitamento, em sua totalidade, do pedido de restituição de crédito proveniente de Saldo Negativo de Imposto de Renda, ano calendário 2000, operandose, assim, a pronta reforma do acórdão 0115.715 DRJ/BEL, o qual manteve o PARECER SEORT/DRF/BEL N° 0374, DE 19.06.2009. (...) É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10280.003375/200507 Acórdão n.º 140200.804 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, no presente caso, não há litígio quanto ao crédito e sim em relação à incidência de multa de mora sobre os débitos uma vez que as DCOMP foram apresentadas após o vencimento dos tributos. Consoante asseverado na decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou 13 (treze) PER/DCOMP's em 30/09/2004, um PER/DCOMP em 01/10/2004 e outro em 25/11/2004. Os débitos compensados (IRRF) possuem período de apuração e vencimento variando de fevereiro/2001 a janeiro/2002. Portanto, todos os débitos foram compensados após os seus respectivos vencimentos. Nesse caso, cm relação a todos os débitos compensados houve a exigência de multa de mora (art.61 dá Lei 9.430/96. caput e §§l° e 2') e juros de mora (art.61 da Lei 9.430/96, §3°). Essa foi a razão para o crédito de R$ 679.819.37, totalmente reconhecido, não ser suficiente para compensar todos os débitos. O demonstrativo de compensação (fls.110/118) indica a incidência de multa de mora e juros de mora sobre todos os débitos compensados. Registrese que quanto aos juros de mora a incidência é irrelevante, pois, o crédito também é corrigido pelos mesmos índices até a data do encontro de contas. Frisese que o contribuinte apresentou o pedido eletrônico de compensação/restituição do Saldo Negativo de Recolhimento do IRPJ (anocalendário 2000) apenas em 30/09/2004, sendo que não havia qualquer impedimento para que apresentar pedidos em papel, a partir de janeiro/2001 com fundamento nas Instruções Normativas SRF nº 21 e 73 de 1997. Em seus fundamentos, o voto condutor do acórdão recorrido, fls. 255V, 256, 256V, 257 e 257v, transcreveu todas as normas (legais e infralegais) que regem a matéria, sendo desnecessário transcrever novamente. De igual forma o aludido voto identificou com precisão o motivo pelo qual o crédito pleiteado foi insuficiente. Logo, a decisão atacada não merece reparos, devendo ser plenamente confirmada, adotandose aqui seus fundamentos. Por seu turno, o recorrente contesta a não homologação de parte das DCOMP mas não aponta a norma legal que apararia sua pretensão de que as compensações sejam efetuadas sem a incidência de multa de mora, sabendose que os débitos já estavam informados/confessados em DIRF e DCTF (Imposto de Renda Retido na Fonte). O débito informado em DCTF necessita ser quitado na data de seu vencimento, sob pena de multa moratória e juros. O pedido de compensação, quando homologado, é causa de extinção do débito tributário. Todavia, enquanto não requerida a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10280.003375/200507 Acórdão n.º 140200.804 S1C4T2 Fl. 0 8 compensação não há o que se falar em causa suspensiva da incidência de juros de mora em relação à tributo vencido. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10735.904437/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE.
Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1402-002.902
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento do indébito no valor de R$ 64.036,97, conforme decidido no bojo do processo 10735.904263/2009-03.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE. Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento do indébito no valor de R$ 64.036,97, conforme decidido no bojo do processo 10735.904263/200903. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 44 37 /2 00 9- 20 Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 868 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 869 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em sessão de 11 de agosto de 2011 (fls. 63/66)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta e manteve o Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação declarada (nº de rastreamento 831661561 – 20/04/2009 fls. 6) e PER/DCOMP nº 18373.26039.260707.1.7.04 6966 (fls. 2/5), referente ao código de receita 236201 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal período de apuração fevereiro/2006. Irresignado, o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade (fls. 7/17) onde alegou erro material no preenchimento da DCFT do mês de março/2006 (IRPJ) que 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 870 4 deveria apontar valor devido de R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15; que a DIPJ do período confirma o primeiro valor; que recolheu R$ 249.713,63 (DARF) e compensou R$ 141.163,52, de modo que recolheu a maior R$ 64.036,97, montante (parcial) do qual se utilizou para efetivar a compensação não homologada. Juntou cópia da DCTF retificadora do 1º trim/2006, cópia da DIPJ do ano calendário/2006 e cópia do DARF pago. Apreciando a MI, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento ao pedido por entender (fls. 66): “A DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto 6, as informações nela prestadas não configuram confissão de divida – a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6 0, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O darf foi alocado conforme DCTF. A DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 25/26, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório. Eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa”. O Acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada em 28/09/2011 (“AR” – fls. 73)), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) no qual rebate a decisão recorrida e basicamente repisa a argumentação expendida na manifestação de inconformidade. Subindo os autos ao Colegiado de 2º Piso, a então 2ª Turma Especial da 1ª Sejul converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1802000.342, de 08/10/2013 – fls. 120/128). Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 871 5 Com a Informação Fiscal de 01/10/2015 (fls. 855/861 e documentos juntados), os autos retornaram para julgamento e foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da Turma original (2ª Turma Especial da 1ª Sejul). É o relatório do essencial. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 872 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 28/09/2011 – “AR” – fls. 73 e protocolização da peça recursal em 27/10/2011 – fls. 74), a representação da contribuinte está corretamente formalizada (fls.102/109) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. O tema em discussão prendese em definir se as alegações da recorrente de que teria recolhido a maior o valor de estimativa mensal de IRPJ de março/2006 restaria confirmado em razão de equívoco no preenchimento da DCTF e se este montante poderia ser utilizado na compensação de débito de sua responsabilidade perante a Fazenda Nacional, ou se, como assentado pelo DD e decisão recorrida, inexistiu tal comprovação e o eventual pagamento a maior estaria alocado a débitos confessados. Mais ainda, que, “o darf foi alocado conforme DCTF”; que “ a DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 25/26, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório”, e que, “eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito” (decisão recorrida – fls. 66). Já a recorrente sustenta ter cometido equívoco ao preencher e transmitir a DCTF com o valor da estimativa de março/2006 apontando débito de R$ 390.877,15, devidamente recolhido ou compensado (R$ 249.713,63 e R$ 141.163,52, respectivamente), quando deveria declarar como valor devido o montante de R$ 326.840,18. Com isto, no dizer da recorrente, seria detentora de crédito, por pagamento a maior e indevido, de R$ 64.036,97, que utilizou (parcialmente) na compensação não homologada e objeto deste litígio. Pois bem, em casos de estimativas mensais, como se sabe, a) os recolhimentos estimados são obrigatórios para os contribuintes que optam pelo Lucro Real e devem ser feitos tendo como base de cálculo a receita bruta e acréscimos; b) tais recolhimentos podem ser reduzidos ou mesmo dispensados em casos de levantamento de balanços ou balancetes de suspensão; e, c) o demonstrativo da base de cálculo e dos valores apurados são informados pelos contribuintes na DIPJ do período (no caso de IRPJ, na Ficha 11). A compulsação dos autos mostra que a recorrente, nos doze meses, utilizou se da receita bruta e acréscimos para apuração das estimativas, ou seja, a pessoa jurídica, em tese e a princípio, não quis ou não conseguiu se utilizar da prerrogativa legal de, mediante “balancetes de redução ou suspensão”, adequar o recolhimento dos valores estimados ao “lucro real”, preferindo a via mais simples de calcular o montante a ser recolhido sobre sua receita. Nesse ponto, segundo a recorrente assevera e encontrase transcrito na DIPJ – Ficha 11 (fls. 31), a “estimativa” de março/2006 seria de R$ 326.840,18 (já com a dedução dos incentivos fiscais), conforme abaixo demonstrado: Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 873 7 Ocorre que, CONTRARIAMENTE ao acima estampado, a recorrente informou em DCTF o valor devido de R$ 390.877,15 (fls. 27), quitado da seguinte forma (DARF – R$ 249.713,63 – fls. 32) e “compensação” de R$ 141.163,52 (fls. 28), tudo como abaixo reproduzido: Ø DCTF (fls. 27): Ø DARF (fls. 32): Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 874 8 Ø COMPENSAÇÃO (fls. 28): Nestas condições, não haveria ressalva a fazer ao decidido no Despacho Decisório (fls. 6) isto porque, à época, o confronto das informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB revelava que o DARF discriminado para fins de compensação já se encontrava integralmente utilizado para quitação de débitos do Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 875 9 interessado, não restando crédito disponível. Em outras palavras, o recolhimento feito em DARF foi alocado à DCTF transmitida pelo sujeito passivo. Mesmo entendimento esposado na decisão recorrida, acrescido ao fato de que, segundo a Relatoria de 1º Grau, a interessada não se desincumbiu do dever de comprovar o equívoco que alegou no preenchimento da DCTF. Todavia, não se pode olvidar e este é o pensamento deste Relator e, na mesma linha, do voto condutor da Resolução da então 2ª Turma Especial da 1ª Seção que apreciou inicialmente estes autos e converteu o julgamento em diligência , o processo administrativofiscal é regido pelo “princípio da busca da verdade material”, de modo que, em face do quanto alegado no recurso voluntário e à vista dos documentos juntados com o procedimento diligenciador, os argumentos expendidos pela contribuinte devem ser analisados, ainda que a decisão de 1º pugne, de forma diversa e em sentido oposto, que “eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito” (Ac. DRJ – fls. 66). Nesse sentir, pareceme induvidoso que regramentos de cunho acessório que se fazem presente nas informações prestadas pelos contribuintes aos Órgãos Tributários não podem ser imutáveis, até por força da falibilidade humana. De outro lado, claro, ao Poder Tributante é lícito, mais ainda, é imperativo sejam dadas condições legais e normativas para que possa impor aos jurisdicionados a obrigatoriedade da prestação de informações de interesse do Órgão, até porque envolve o interesse público, em última análise, a própria sociedade organizada. Dito isto, é certo que as informações de natureza tributária que devem prestar ao Fisco as pessoas jurídicas que adotem o Lucro Real baseiamse, sempre e sempre, na sua escrituração, nos seus livros e nos documentos que os lastreiem, vale dizer, “DIPJ”, “DCTF”, “DACON” e outros e que, no fundo, nada mais são que verdadeiras “FERRAMENTAS”, melhor, são meios, jamais fim em si mesmo, não podendo ser INTOCÁVEIS. Em outras palavras, o que alimenta tais demonstrativos, declarações e informações é a escrituração (tida em seu aspecto amplo) e esta é a que deve prevalecer em última análise. Foi dentro dessa linha de pensamento que a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção, pelo voto do Relator original, Conselheiro Nelso Kichel, expresso na Resolução nº 1802000.342, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, na forma abaixo reproduzida (destaques do original): “No caso, a recorrente efetuou compensação tributária, sob condição resolutória, do débito informado na DCOMP, com utilização de pretenso crédito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, conforme DCOMP retificadora transmitida eletronicamente em 26/07/2007, mediante programa gerador PER/DCOMP (fls.02/05). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal do P.A. março/2006. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 876 10 Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que o crédito pleiteado existe, aduzindo: que o valor principal do débito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, confessado na respectiva DCTF, está equivocado; que houve erro material no preenchimento da DCTF; que o débito correto é o informado na DIPJ respectiva, e não o valor constante da DCTF; que não houve retificação da DCTF para ajustar o valor débito, para coincidir com o valor informado na DIPJ, pois o erro material foi constatado após ciência do despacho decisório, o qual impede transmissão eletrônica de DCTF retificadora, pela perda de espontaneidade. Compulsando os autos, consta que atinente ao P.A março/2006, houve os seguintes desdobramentos: a) a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal no valor de R$ 390.877,15, conforme DCTF transmitida eletronicamente em 30/07/2008, cuja cópia consta das fls.27/28; b) que esse débito confessado na DCTF teria sido adimplido do seguinte modo: b1) pagamento por DARF no valor de R$ 249.713,63, data de recolhimento 28/04/2006, cópia do DARF (fl. 32); b2) – outras compensações no valor de R$ 141.163,52, mediante utilização de crédito do IPI (DComp: 09231.74003.270406.1.3.018112 e DComp: 07398.18112.270406.1.3.015150) – informação constante da cópia da DCTF (fls. 28/29); c) que, entretanto, o débito apurado e informado na DIPJ, quanto ao PA março/2006, seria menor, em relação débito informado na DCTF, quanto ao mesmo PA. Vale dizer, a contribuinte informou débito do IRPJ estimativa mensal, P.A. março 2006, no valor de R$ 326.840,18, na DIPJ 2007, anocalendário 2006, Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 31), transmitida eletronicamente em 29/06/2007, conforme recibo de entrega (fl. 29); d) que, quanto ao PA março/2006, teria adimplido IRPJ estimativa mensal a maior, ou indevidamente, no valor de R$ 64.036,97 (original) e que, desse valor, utilizou parcela de crédito original de R$ 23.069,07 para compensar débito informado na compensação objeto destes autos. Ainda constato pela cópia da DIPJ que, em princípio, a contribuinte não alterou critério de apuração do IRPJ estimativa mensal de receita bruta e acréscimos para balancete de suspensão/redução. Então, em tese é plausível a alegação de erro material quanto ao débito informado na DCTF. Além do mais, a DCTF foi transmitida eletronicamente, praticamente, 01 (um) ano após a entrega da DIPJ, o que reforça a tese do erro material, quanto ao real valor do débito. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 877 11 No âmbito da DRF/Nova Iguaçu (unidade de origem), não houve intimação da contribuinte para comprovação, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte idôneos dos registros contábeis, a apuração do IRPJ do PA março/2006 e dos demais meses desse anocalendário, para que houvesse esclarecimento cabal, se houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. Simplesmente a unidade de origem da RFB emitiu despacho decisório do qual consta que o direito creditório demandado é inexistente, pois os valores adimplidos foram consumidos pelo respectivo débito confessado na DCTF, não restando crédito disponível. Na decisão recorrida, consta que a DRJ/Rio de Janeiro I, embora a contribuinte tivesse pleiteada a realização de diligência, entendeu não ser cabível, conforme fundamentação constante do voto condutor (fls. fls. 64/65), in verbis: (...) Pelo entendimento exarado na decisão recorrida, existindo divergência entre DCTF e DIPJ quanto ao débito apurado e informado, prevalece aquela e não está, pois somente a DCTF tem caráter de confissão de dívida. Esse entendimento não merece prosperar. Embora a DCTF seja o instrumento por excelência para confissão de débito tributário (mas, não sendo o único!), não tem caráter absoluto essa confissão em DCTF, se houver erro material nos valores confessados e, ainda, não prescrito o direito de repetição do indébito tributário. A decisão recorrida refutou o protesto de produção de todas as provas admitidas em direito, fundamentada no entendimento de que as provas deveriam ter sido juntadas aos autos junto com a impugnação e não o foram; que a faculdade processual restou preclusa; que a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; que, no processo de compensação tributária, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito contra o fisco é do autor do pedido. Mas, tanto o despacho decisório, quanto a decisão recorrida, pecam por não apontarem, de forma clara e objetiva, à contribuinte qual o elemento de prova necessário para a comprovação do direito creditório pleiteado, em face do alegado erro material de preenchimento da DCTF. Em momento algum nos autos o fisco solicitou à contribuinte a apresentação da escrituração contábil, para dirimir a dúvida sem houve, ou não, o alegado erro material no preenchimento da DCTF. Apenas o fisco aduziu que, no caso, preponderam os dados constantes da DCTF. As cópias da DCTF, da DIPJ e do DARF, sem a apresentação da respectiva escrituração contábil, não têm o condão de comprovação do direito creditório pleiteado, pois é necessário cotejar a escrituração contábil e a escrituração fiscal, para demonstração do alegado erro material. Embora no processo de compensação tributária o ônus probatório do fato constitutivo do direito (da liquidez e certeza do crédito demandado) seja da contribuinte, pois ela é a autora da demanda nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro e do art. 170 do Código Tributário Nacional, entendo que esse rigor probatório deve ser mitigado, com base no princípio da verdade material, pois a unidade de origem da Receita Federal, bem como a DRF/Rio de Janeiro I, em relação Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 878 12 ao alegado erro material deixaram de intimar a contribuinte para apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos idôneos de suporte dos registros contábeis. Como visto, a instrução processual dos autos está incompleta, não permitindo a formação de convicção do julgador quanto ao direito creditório demandado. Além disso, se restar comprovado o alegado erro material de preenchimento da DCTF é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis. (...) Em face disso, justamente para afastar eventual prejuízo à defesa (aos princípios do contraditório e da ampla defesa), propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: a) se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006; b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29); c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse ano calendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir); d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos”. Para concluir: “No término da diligência fiscal, a unidade de origem da RFB (DRF/Nova Iguaçu) deverá elaborar relatório circunstanciado com resultado conclusivo, devidamente fundamentado e demonstrado, quanto ao crédito demandado”. Diligência cumprida, com ela vieram a Informação Fiscal (fls. 855/861) e documentos juntados no procedimento (fls. 132/854). Antes de tudo, ressalto a lamentável forma com que foram juntados aos autos os documentos relativos à escrituração contábil e fiscal da recorrente, sem um mínimo de ordenamento lógico que permitisse aferir e contrapor rapidamente as provas juntadas com o alegado nos autos e, mais ainda, sem que a interessada tivesse feito sequer um índice racional para manuseio de tal documentação; ao contrário, referidas provas – cujo maior interesse em vêlas aceitas, presumese, seja da recorrente – foram acostadas dispersa e aleatoriamente. Nesse sentido: Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 879 13 IRPJ – PROVA – Cumpre à impugnante demonstrar o efeito modificativo ou extintivo do crédito constituído pelo lançamento. Não basta ao impugnante juntar documentos aos autos, sendo indispensável que ele demonstre o efeito probatório por eles produzido. (Acórdão nº 10707882) Este fato levou ao exaustivo trabalho elaborado pela autoridade fiscal diligenciadora em parcimoniosa e detalhada Informação e exigiu não menos esforço deste Relator para que pudesse se chegar o mais próximo possível da “verdade material” tão reclamada. Consignada a ressalva acima, passo às conclusões do voto. Segundo a Informação de Diligência (fls. 856), no que tange ao “quesito a” da Resolução nº 1802000.342 (“se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006”): “Quesito a) Considerando que não foram encontrados no processo, documentos juntados pelo contribuinte que comprovassem as suas argumentações relativamente ao erro material alegado, não obstante o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e tendo em vista, principalmente, as solicitações do CARF em diligência, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que respaldassem suas alegações de erro material no preenchimento da DCTF, conforme intimação juntada ao processo. Em análise aos documentos apresentados pela contribuinte, podese dizer que aparentemente não houve erro material no preenchimento da DCTF, na medida em que os documentos apresentados, notadamente o seu “Livro Diário Geral” e demais documentos, não nos permitem aferir que a contribuinte tenha, de fato, apurado e contabilizado suas estimativas mensais nos valores e períodos por ele sustentados, posto que, nos lançamentos contábeis apresentados, não consta os valores das estimativas “mês a mês”. Ressaltese ainda que, posteriormente à resposta da intimação, a contribuinte foi contatada, por telefone, sendo solicitado os documentos contábeis que embasassem tais lançamentos, sendo que, os documentos apresentados não identificam lançamentos de provisão de IRPJ e CSLL mês a mês, não contemplando, dessa forma, o que foi solicitado, referente à estimativa de IRPJ de março de 2006, o que não serviu para aferir o que por ela foi alegado. Vêse na manifestação da autoridade que presidiu a diligência a ratificação do que já dito neste voto acerca da dispersão das provas, juntadas aleatoriamente e sem nenhuma concatenação lógica, tanto que a Informação Fiscal é clara ao dizer que não permitiram “aferir que a contribuinte tenha, de fato, apurado e contabilizado suas estimativas mensais nos valores e períodos por ele sustentados”; que, “nos lançamentos contábeis apresentados, não consta os valores das estimativas “mês a mês”; e, que, “os documentos apresentados não identificam lançamentos de provisão de IRPJ e CSLL mês a mês, não contemplando, dessa forma, o que foi solicitado, referente à estimativa de IRPJ de março de 2006”. Mais ainda, “podese dizer que aparentemente não houve erro material no preenchimento da DCTF”. De fato, como este Relator teve oportunidade de confirmar ao analisar minudentemente os autos, visàvis, lançamento a lançamento, os Livros Diário e Razão, a Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 880 14 recorrente não teve por hábito contabilizar a “provisão de IRPJ e CSLL mês a mês” (como ressaltado pela diligência), procedimento que contemplaria, sem dúvida, maior técnica contábil, quando os montantes provisionados são lançados no passivo e posteriormente baixados contra o circulante. Tivesse assim procedido a contribuinte, a visão dos fatos se faria sem maior esforço. Todavia, o fato de a recorrente ter adotado método mais simplificado de escrituração, debitando uma conta de ativo (tributos a recuperar) e creditando diretamente o circulante (Caixa/Bancos) pelo pagamento, SEM PROVISIONAMENTO anterior, não desnatura a contabilização nem traz reflexos tributários. Vejase a forma de contabilização assumida, naquilo que interessa (estimativa de IRPJ – março/2006): Ø Livro Diário (fls. 761/762): Ø Livro Razão (fls. 432): Ø Conferindo: ESTIMATIVA IRPJ MARÇO/2006 1. Pagamento (DARF) 249.713,63 2. Compensação DCOMP nº 07398.18112.270406.1.3.015150 7.103,35 3. Compensação DCOMP nº 09231.74003.270406.1.3.018112 134.060,17 4. Estimativa IRPJmarço/2006paga/compensada (1+2+3) 390.877,15 Parece induvidoso que, na contemporaneidade dos fatos, a recorrente, de uma forma ou outra, preliminarmente, apurou como “estimativa de IRPJ de março/2006”, o valor de R$ 390.877,15 que buscou adimplir mediante o pagamento (DARF) de R$ 249.713,63 e compensações de R$ 7.103,35 e R$ 134.060,17 e só POSTERIORMENTE, quando da elaboração da DIPJ (em junho/2007) é que chegou definitivamente ao débito de R$ 326.840,18 (DIPJ – Ficha 11 – Linha 12 fls. 164). Então cabe a pergunta: por que a recorrente recolheu/compensou R$ 390.877,15 em 28/04/2006 (DARF – código de receita 2362 fls. 32), gerando um recolhimento em excesso de R$ 64.036,97? Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 881 15 A resposta, até pelo longo lapso de tempo (cerca de dez anos...), óbvio, passa por um verdadeiro exercício de imaginação e muitas suposições. Porém, conhecendo o universo das empresas, é lícito presumir que, em 30 de abril de 2006, quando vencia o prazo para recolhimento da estimativa de março/2006, a escrituração da recorrente ainda não tinha sido “fechada”, ou seja, provavelmente faltavam alguns documentos para serem contabilizados e, neste contexto, até para evitar penalidades e acréscimos moratórios, a contribuinte apurou “estimadamente” o valor “devido” e o recolheu/compensou. Somente depois, passado mais de um ano, por ocasião da elaboração e transmissão da DIPJ do anocalendário de 2006 (ex/2007) em 29/06/2007 (fls. 29) é que a empresa teria chegado ao montante correto devido (R$ 326.840,18), de forma que, recolhido/compensado o valor de estimativa de R$ 390.877,15 nada restaria a pagar e, ao contrário, a contribuinte se tornaria credora da Fazenda Pública em R$ 64.036,97. Então, cabe a segunda pergunta: qual o motivo da não homologação da compensação? Por três pontos principais: a) porque, quando da emissão do Despacho Decisório, o valor pago de R$ 390.877,15 estava totalmente declarado em DCTF e integralmente alocado; b) porque a Turma a quo, que analisou a manifestação de inconformidade, concluiu que a contribuinte não teria conseguido comprovar o alegado equívoco (erro material) no preenchimento da referida DCTF; e, c) a impossibilidade da retificação de DCTF após a emissão do Despacho Decisório. Entretanto, com a conversão em diligência, vieram aos autos, ainda que dispersa e aleatoriamente, documentos e escrituração que deram às alegações da recorrente, maior robustez, exigindo aprofundamento da análise. Nesse cenário, a conjunção de vários fatores leva a algumas conclusões relevantes e favoráveis à tese da recorrente, o primeiro deles o fato de, à época, a contribuinte já possuir direito contra a Fazenda Pública Federal em razão de “ressarcimento de IPI” no valor de R$ 141.163,52 e, ainda assim, recolher mais R$ 249.713,63 em moeda corrente, chegando ao total de R$ 390.877,15 (estimativa de março/2006). Tivesse condições de apurar naquele instante corretamente a estimativa do mencionado mês, R$ 326.840,18 (o que só veio a ocorrer depois), certamente iria recolher R$ 185.676,66 e não R$ 249.713,63. Em outras palavras, não desembolsaria, por mera liberalidade, R$ 64.036,97 (R$ 390.877,15 – R$ 326.840,18). Se assim fez, parece óbvio ter apurado (no instante em que teve de efetuar o recolhimento, em 28/04/2006), ainda que estimadamente, o valor de R$ 390.877,15, justificando o “erro material” alegado. Depois, o fato de a recorrente haver assumido como base de cálculo das estimativas mensais durante todo o anocalendário de 2006 a “receita bruta e acréscimos” e não “balanços ou balancetes de redução ou suspensão”, sendo de se presumir que os valores apurados e recolhidos ainda eram “estimados” e não definitivos (assim fosse, certamente recolheria/compensaria R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15. Em exprimir diverso, se os “balanços ou balancetes de redução ou suspensão” tivessem sido elaborados à época dos fatos, já com conotação de definitividade, obviamente a contribuinte apuraria R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15 e aquele seria o montante devido e não este. Se fez o inverso, a conclusão plausível é que este último montante, em 28/04/2006, data do recolhimento, ainda era Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 882 16 meramente uma estimativa e não o valor final devido, o que dá sustentação a alegação de que teria cometido “erro material” quando do preenchimento da DCTF. Mais, a contabilização, em 31/07/20072, do valor definitivo da estimativa de março/2006 no importe de R$ 326.840,18 (Livro Razão – fls. 462), escrituração que se fez cronologicamente: i) depois que a estimativa de março/2006 já havia sido recolhida em 28/04/2006, reforçando o argumento de que, nesta data (abril/2006), não se conhecia o valor final a pagar, o que só veio a ocorrer em 2007, quando da preparação da DIPJ a ser entregue (em junho); ii) praticamente no mesmo momento da elaboração da DIPJ do exercício de 2007 (transmitida em 29/06/2007) corroborando o pensamento de que, neste estágio, já se havia chegado ao importe correto, tanto que incluído na Ficha 11 da citada DIPJ; iii) antes da entrega da DCTF (30/07/2008 – fls. 27); iv) quase no mesmo dia de transmissão do PER/DCOMP nº 18373.26039.260707.1.7.046966 (26/07/2007 fls. 2/5), de modo que, neste instante, presumivelmente, já se conhecia o montante efetivamente apurado; e, v) muito antes do Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação (nº de rastreamento 831661561 – 20/04/2009 fls. 6) ter sido exarado. Esta cronologia demonstra que, como a recorrente não conhecia em 28/04/2006 (quando efetuou o recolhimento), o valor definitivo da estimativa de março/2006, optou por assumir a “receita bruta e acréscimos” para encontrar, naquele momento, o quantum a ser pago (R$ 390.877,15), só chegando ao montante depurado e conciliado (R$ 326.840,18) no ano seguinte. Fatores que reforçam seus argumentos e levam à comprovação do equívoco cometido e, em última análise, do alegado “erro material”. Fortalece ainda mais este raciocínio a manifestação da própria autoridade que presidiu a diligência quando, depois de ressalvar a dispersão das provas, acaba por concluir, em relação ao questionado valor de R$ 64.036,97 – quesito “d”3, que (Informação Fiscal – fls. 860): “Ante todo o exposto, em relação ao quesito (d), onde é questionado se o montante requerido pelo contribuinte, no valor de R$ 64.036,97, 2 3 “d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos”. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 883 17 relativo suposto recolhimento a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (2362), alusivo ao período de apuração de março de 2006, recolhido em 28/04/2006, no valor de R$ 249.713,63, encontrase disponível para efetuar a compensação objeto dos autos, temos que, fazendo uma análise restrita ao período de apuração de março, se for considerado somente o IRPJ referente à estimativa de março/2006, aceitando o erro material alegado pelo contribuinte no preenchimento da DCTF, considerando o valor de R$ 326.840,18, e tendo sido esse valor parcialmente quitado através de duas DCOMP que remontam: 141.163,52, que foram homologadas, resta a pagar somente R$ 185.676,66. Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97. Ressaltese no entanto que, conforme já dito em resposta ao quesito “a”, não foram apresentados documentos contábeis com lançamentos mensais das estimativas que nos permitam aferir se efetivamente houve o erro material alegado no preenchimento da DCTF”. (o negritado foi acrescido). Pois bem, informado na diligência que, “Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97”, confirmase o crédito alegado pela recorrente que estaria, assim, “disponível para efetuar a compensação objeto destes autos”. Sobre a ressalva presente no final da manifestação (“Ressaltese no entanto que, conforme já dito em resposta ao quesito “a”, não foram apresentados documentos contábeis com lançamentos mensais das estimativas que nos permitam aferir se efetivamente houve o erro material alegado no preenchimento da DCTF”), disso já se tratou exaustivamente neste voto, pelo que superada. Porém, há mais informações vindas com a diligência (quesitos “b” e “c”) que merecem apreciação. A respeito ao primeiro deles4 (fls. 856): “Quesito b) A DCOMP nº 09231.74003.270406.1.3.018112 foi retificada pela DCOMP nº 07978.09220.220410.1.7.019848. Esta última foi analisada e parcialmente homologada, restando quitado mediante pagamento a diferença do débito compensado, conforme telas extraídas dos sistemas RFB, juntadas ao processo. A DCOMP nº 07398.18112.270406.1.3.015150 foi retificada pela DCOMP nº 19917.09797.200410.1.7.012030. Esta última foi analisada e parcialmente homologada, restando quitado mediante pagamento a diferença do débito compensado, conforme telas extraídas dos sistemas RFB, juntadas ao processo. Com a resposta positiva ao quesito, fica ratificado o procedimento da recorrente, destacandose, por relevante, que estas duas DCOMP (posteriormente retificadas, mas igualmente homologadas) referemse exatamente à compensação da estimativa de 4 “(...) propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: (...) b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29)”; Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 884 18 março/2006 com crédito de IPI (ressarcimento) que a recorrente possuía e utilizou para compensar parte do débito. As informações relativas quesito “c”5 vinculamse com a posição final do IRPJ devido em 31/12/2006 e sua contraposição com os recolhimentos/compensações de estimativas e outras deduções legais permitidas (PAT/PDTI, etc.) e se tal saldo remanescente restaria adimplido. Ou seja, cuidase do valor devido no “ajuste anual”. Segundo a DIPJ do período, Ficha 12A (fls. 822), os valores estão assim retratados: De acordo com resposta da contribuinte, a quitação deste valor deuse da seguinte forma (planilha elaborada por esta Relatoria, à vista da informação de fls. 801 e dos lançamentos presentes no Livro Diário juntado aos autos – cf. fls. indicadas): DATA LACTO. FLS. AUTOS DATA PAGTO. MEIO DE PAGTO. VALOR 30/03/2007 781 30/03/2007 DARF 175.470,03 29/07/2007 782 30/07/2007 PER/DCOMP 6.821,08 01/08/2007 789 30/07/2007 PER/DCOMP 9.408,04 01/08/2007 789 30/07/2007 PER/DCOMP 6.791,47 29/09/2007 783 29/03/2007 PER/DCOMP 1.167,26 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 2.578,70 5 “(...) propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: (...) c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse anocalendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir)”; Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 885 19 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 1.041,74 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 1.318,80 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 1.350,68 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 5.104,17 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 5.246,28 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 5.425,24 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 6.079,81 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 6.215,95 29/09/2007 782 30/03/2007 PER/DCOMP 8.431,00 29/09/2007 782 30/03/2007 PER/DCOMP 22.819,98 29/09/2007 782 30/03/2007 PER/DCOMP 45.552,51 29/09/2007 782 30/03/2007 PER/DCOMP 55.504,83 30/03/2007 790/791 25/07/2007 PER/DCOMP 240.309,52 29/09/2007 782 29/03/2007 PER/DCOMP 12.055,34 TOTAL 618.692,43 Significa dizer que, admitidas como corretas as informações acima, o valor devido (residual) no ajuste anual corresponderia a R$ 618.692,41, estando totalmente resgatado. Destaquese, por relevante que, neste caso, o valor considerado das estimativas mensais (DIPJ Ficha 12A – Linha 16 – R$ 3.078.609,35) foi o somatório do informado na Ficha 11 da Declaração, consignandose no mês de março/2006 o importe de R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15: jan/06 234.134,64 fev/06 223.355,19 mar/06 326.840,18 abr/06 191.972,70 mai/06 221.685,51 jun/06 275.355,38 jul/06 307.741,40 ago/06 347.928,52 set/06 291.113,20 out/06 206.212,15 nov/06 250.383,48 dez/06 201.887,00 TOTAL 3.078.609,35 Pois bem, se os valores “apurados e devidos” no final do exercício “fecham” quando contrapostos com as deduções legais e estimativas mensais e esta, no mês de março/2006, foi considerada como R$ 326.840,18 (ver acima), parece certo que a diferença entre este montante e o que foi pago/compensado pela recorrente no referido mês (R$ 390.877,15), ou seja, R$ 64.036,97 se constitui em legítimo indébito tributário, exteriorizado na forma de “direito creditório” e passível de restituição/compensação. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 886 20 É o que deflui dos autos e do resumo da posição final em 31/12/2006, conforme planilhas abaixo, da lavra deste Relator, à vista dos documentos acostados ao processo: 1. Com a estimativa informada na DIPJ: APURAÇÃO DO IRPJ EM 31/12/2006 CONSIDERANDO ESTIMATIVA DE MARÇO/2006 INFORMADA NA DIPJ 1. IRPJ DEVIDO À ALIQUOTA DE 15% 2.337.089,13 2. ADICIONAL DE IRPJ 1.534.059,42 3. TOTAL DO IRPJ APURADO (1 + 2) 3.871.148,55 () DEDUÇÕES 4. OPERAÇÕES DE CARÁTER ART./CULTURAL 84.552,00 5. PAT 57.989,00 6. IRRFONTE 31.305,79 7. ESTIMATIVAS MENSAIS 6 3.078.609,35 8. TOTAL DAS DEDUÇÕES (4 +5 + 6 + 7) 3.252.456,14 9. IRPJ A PAGAR AJUSTE ANUAL (3 8) 618.692,41 10. PAGTOS/COMPENSAÇÕES AJUSTE ANUAL 618.692,41 11. VALOR RESIDUAL A PAGAR (9 10) 0,00 2. Com a estimativa efetivamente paga/compensada: APURAÇÃO DO IRPJ EM 31/12/2006 CONSIDERANDO ESTIMATIVA MARÇO/2006 RECOLHIDA EM ABRIL/2006 1. IRPJ DEVIDO À ALIQUOTA DE 15% 2.337.089,13 2. ADICIONAL DE IRPJ 1.534.059,42 3. TOTAL DO IRPJ APURADO (1 + 2) 3.871.148,55 () DEDUÇÕES 6 Valor da estimativa considerado – R$ 326.840,18 Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 887 21 4. OPERAÇÕES DE CARÁTER ART./CULTURAL 84.552,00 5. PAT 57.989,00 6. IRRFONTE 31.305,79 7. ESTIMATIVAS MENSAIS7 3.142.646,32 8. TOTAL DAS DEDUÇÕES (4 +5 + 6 + 7) 3.316.493,11 9. IRPJ A PAGAR AJUSTE ANUAL (3 8) 554.655,44 10. PAGTOS/COMPENSAÇÕES AJUSTE ANUAL 618.692,41 11. VALOR RESIDUAL A PAGAR (9 10) (64.036,97) Em resumo, se o débito do IRPJ do período, aí incluído o “ajuste anual” foi totalmente adimplido (planilha 1) nada haveria a ser recolhido. Entretanto, como foi recolhida/compensada a estimativa de março/2006 em valor maior que o devido, a recorrente passou a dispor de direito creditório (indébito) em face do Poder Público Federal no valor de R$ 64.036,97 (planilha 2). Até aqui, não há controvérsia, restando apenas aferir se o saldo a pagar apurado no ajuste anual (R$ 618.692,41) teria sido efetivamente recolhido/compensado como assenta a recorrente. Acerca desse ponto, a Informação Fiscal da diligência, depois de longo e detalhado trabalho de composição de valores e de compensações manejadas pela recorrente, resume o tema (fls. 857/860) nos seguintes termos, respondendo ao quesito “c” da Resolução (“se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse anocalendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir”): Quesito c) O contribuinte anexou tabela em que lista a forma de quitação das estimativas de IRPJ. Para efeito de verificação e batimento dos valores informados em DIPJ com aqueles declarados em DCTF, foi procedida a análise a seguir: (...) Assim, o total quitado na apuração anual é de R$ 620.133,30 (R$ 444.663,27 + R$ 175.470,03), sendo suficiente à quitação do IRPJ a pagar informado em DIPJ. No entanto, não será suficiente à quitação do IRPJ a pagar encontrado, considerando as DCOMP que não foram homologadas ou que se encontram inscritas em Dívida Ativa da União, posto que, uma vez considerado que houve DCOMP não homologadas e inclusive DCOMP cujo débito foi inscrito em DAU, o saldo de IRPJ a pagar seria de R$ 783.728,00. E ainda, caso considere a diferença de recolhimento requerida em DCOMP, o saldo de IRPJ a pagar passaria a ser de R$ 847.765,97, como já descrito. (...)”. 7 Valor da estimativa considerado – R$ 64.036,97 Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 888 22 Portanto, em relação ao saldo remanescente a pagar (ajuste anual – 31/12/2006 – R$ 618.692,41), a diligência conclui que, a princípio, o valor pago seria “suficiente à quitação do IRPJ a pagar informado em DIPJ”, deixando de sêlo quando se leva em conta compensações não homologadas ou já inscritas em dívida ativa. Com a devida vênia, não vejo como estas pendências das compensações utilizadas no ajuste anual possam afetar o valor de R$ 64.036,97, direito creditório aqui discutido, isto porque, tais compensações, se não homologadas, como algumas parecem não ter sido, permanecem em discussão em outros processos e, caso confirmado suas não ratificações, o crédito tributária já estará constituído (pelas DCOMP) e poderá ser objeto de execução pela Procuradoria Fazendária, não tendo qualquer relação com o direito creditório aqui discutido. Em outro dizer, a única ressalva feita pela Autoridade Fiscal relacionouse ao saldo do ajuste anual, não havendo qualquer contraposição ao montante sob questionamento nestes autos, ou seja, o eventual direito creditório de R$ 64.036,97, nascido de recolhimento/compensação (devidamente homologada) de estimativa de março de 2006 e incluído no cálculo do ajuste anual (R$ 326.840,18 frente a recolhimento/compensação de R$ 390.877,15). Nesse eito, a Informação Fiscal é clara ao definir que “fazendo uma análise restrita ao período de apuração de março, se for considerado somente o IRPJ referente à estimativa de março/2006, aceitando o erro material alegado pelo contribuinte no preenchimento da DCTF, considerando o valor de R$ 326.840,18, e tendo sido esse valor parcialmente quitado através de duas DCOMP que remontam: 141.163,52, que foram homologadas, resta a pagar somente R$ 185.676,66. Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97”. (destacouse). A propósito e por relevante, impende registrar que situação fática do mesmo teor já foi enfrentada profundamente pela então Conselheira Edeli Pereira Bessa (Ac. 1101 000.330 – 09/07/2010) valendo a reprodução de excertos de seu esclarecedor voto naqueles autos, em tudo aqui aplicáveis (os destaques foram acrescidos por este Relator): “Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. (...) Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: (...) Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 889 23 Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei n" 9,250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou. da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução”. Ora, no caso aqui tratado, como no acórdão adotado, i) a contribuinte não modificou em nenhum momento a sua forma de apuração (mantevese estável nos doze meses com base na “receita bruta e acréscimos” e, ii) comprovouse o erro no cálculo e/ou no recolhimento do mês de março/2006. Mais a mais, a matéria, por força de reiteradas decisões das diversas Turmas do Colegiado (dentre elas, além da acima citada, os Acórdãos nº 120100.404, de 23/2/2011; nº 120200.458, de 24/1/2011; nº 910100.406, de 02/10/2009 e nº 10515.943, de 17/8/2006), acabou por ser sistematizada pela Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nestas condições, considerando i) que, caso as compensações utilizadas para quitação do valor devido de IRPJ no ajuste anual (R$ 618.692,41) venham a ser, total ou parcialmente, não homologadas, Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 890 24 o crédito tributário de responsabilidade da recorrente já estará declarado e consequentemente constituído, não afetando o direito creditório aqui discutido; ii) que, restando comprovado o alegado erro material de preenchimento da DCTF é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração, nos termos da Súmula CARF nº 84; e, iii) o que mais consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador (conforme pacificado no CARF)8 e nos documentos com ela juntados, entendo comprovado o equívoco no preenchimento da DCTF e confirmado o “erro material” alegado. Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário ofertado pela recorrente para HOMOLOGAR as compensações pleiteadas, conforme decidido no bojo do processo nº 10735.904263/200903, até o limite do direito creditório aqui reconhecido. É como voto. Brasília (DF), em 21 de fevereiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone 8 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10735.904437/200920 Acórdão n.º 1402002.902 S1C4T2 Fl. 891 25 Fl. 891DF CARF MF
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Numero do processo: 13681.000178/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2007
SIMPLES NACIONAL. INGRESSO. CONCOMITÂNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Não se conhece do recurso que trata da mesma matéria que está em discussão na esfera judicial, em mandado de segurança, nos termos da súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 1402-000.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em razão de concomitância da discussão na esfera judicial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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INGRESSO. CONCOMITÂNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA Nº 1 DO CARF. Não se conhece do recurso que trata da mesma matéria que está em discussão na esfera judicial, em mandado de segurança, nos termos da súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em razão de concomitância da discussão na esfera judicial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13681.000178/200765 Acórdão n.º 140200.680 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que indeferiu o ingresso no Regime do Simples Nacional, em razão de vedação da atividade econômica (provedores de acesso às redes de comunicação), conforme LC 123/2006, art. 17, inciso IV (serviço de comunicação). Na manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que não presta serviço de comunicação e sim, serviço de valor adicionado à telecomunicação, ou seja, prestação de serviços de provimento de acesso à rede internet, conforme contrato social de fls. 2/3. A Turma Julgadora consigna que à época da opção pelo Simples Nacional, 15.08.2007, vigia a Resolução CGSN nº 6, de 18.06.2007, Anexo I, a qual, relacionava a atividade atrelada ao código 61906/01 previsto no CNAE, como vedada no âmbito do Simples Nacional. Esse código se refere à atividade de “Provedores de acesso às redes de comunicação”. Destaca que posteriormente, pela Resolução CGSN nº 50/2008, essa atividade passou a ser permitida, entretanto, segundo o disposto no art. 9º § 4º, I, da Resolução CGSN Nº 4/2007, se uma determinada atividade econômica deixar de ser considerada impeditiva ao Simples Nacional, as ME e as EPP que exerçam essa atividade passarão a poder optar por esse regime de tributação, a partir do anocalendário seguinte ao da alteração desse código, desde que não incorram em nenhuma das vedações do art. 12. Concluiu que somente para o anocalendário a empresa poderia ingressar no Simples Nacional, como o fez, com efeitos a partir de 01.01.2009. A ciência da decisão foi dada em 23.03.2009, e o recurso foi postado em 20.04.2009. Com o recurso voluntário, o sujeito passivo apresentou a decisão do Juiz Federal Substituto da 3ª Vara/DF, em substituição na 8ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, de 29.08.2007, na qual é deferida a liminar pleiteada pela Associação Brasileira das Prestadoras do Serviço de Comunicação Multimídia, processo nº 2007.34.00.0308276, que determina a admissão no Simples Nacional, com efeito retroativo a 01.07.2007, das empresas associadas à ABRAMULTI, que exerçam atividade de provimento de acesso à internet e que manifestem interesse pela adesão. Salienta que nessa decisão está o embasamento jurídico invocado para ter seu pedido acatado pela Receita Federal. A decisão mencionada se refere a mandado de segurança coletivo, com pedido de liminar, contra o Presidente do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Consta na parte final dessa decisão o seguinte: Fl. 64DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13681.000178/200765 Acórdão n.º 140200.680 S1C4T2 Fl. 3 3 Oficiese à autoridade impetrada, ou quem suas vezes fizer, encaminhandolhe cópia da presente decisão, para que a cumpra e faça cumprir, imediatamente, sob as penas da lei Também foi juntada declaração da ABRAMULTI, de 25.03.2009, na qual consta que, a empresa NORTECNET, CNPJ 05.340.946/000110, que a mesma integrou o quadro de associados em 01.10.2005, tornandose associada convidada. Em 24.12.2009, a DRF de Montes Claros encaminhou a este Conselho, documentos apresentados pela recorrente que consistem principalmente em: cópia do recurso, comprovantes anuais de retenção do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP do anocalendário de 2007, cópia de documento de informações cadastrais emitido pela Receita Federal, por meio de serviço de atendimento virtual. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de pedido de inclusão no Regime do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01.07.2007. O pedido não foi aceito pela autoridade administrativa e pela Turma Julgadora em razão do exercício de atividade vedada, de que trata a Lei Complementar 123/2006, art. 17, IV e Resolução CGSN nº 6, de 18.06.2007, Anexo I, sendo que a atividade exercida é de “provedores de acesso à rede internet”. Com o recurso voluntário, o sujeito passivo apresentou a decisão do Juiz Federal Substituto da 3ª Vara/DF, em substituição na 8ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, de 29.08.2007, na qual é deferida a liminar pleiteada pela Associação Brasileira das Prestadoras do Serviço de Comunicação Multimídia, processo nº 2007.34.00.0308276, que determina a admissão no Simples Nacional, com efeito retroativo a 01.07.2007, das empresas associadas à ABRAMULTI, que exerçam atividade de provimento de acesso à internet e que manifestem interesse pela adesão. No recurso consignou que nessa decisão está o embasamento jurídico invocado para ter seu pedido acatado pela Receita Federal. Também apresentou declaração dessa Associação, emitida em 24.12.2009, onde consta que a recorrente integra o quadro de associados desde 01.10.2005, tornandose associada convidada. Portanto, verificase que a contribuinte desistiu da via administrativa para discutir sua adesão ao Simples Nacional, razão pela qual o recurso não deve ser conhecido, nos termos da Súmula nº 1 do CARF, a seguir transcrita: Fl. 65DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13681.000178/200765 Acórdão n.º 140200.680 S1C4T2 Fl. 4 4 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Cabe à Unidade de origem adotar as medidas cabíveis ao cumprimento da decisão judicial. Do exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso voluntário, em razão de concomitância da discussão na esfera judicial. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 66DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900428/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE
Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte.
Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 1° trimestre de 2010.
Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri (Relator) e Luiz Augusto do Couto Chagas.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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VÍCIO MATERIAL. NULIDADE Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte. Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 1° trimestre de 2010. Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 28 /2 01 1- 25 Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10315.900428/201125 Acórdão n.º 3301004.122 S3C3T1 Fl. 413 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri (Relator) e Luiz Augusto do Couto Chagas. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10315.900428/201125 Acórdão n.º 3301004.122 S3C3T1 Fl. 414 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos declarados. A autoridade competente, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pedido em razão de o produto que a empresa produz e comercializa ser água mineral natural (sem gás) classificada como NT (nãotributado) na TIPI, não podendo portanto creditarse do IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na produção de tal produto. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em primeira Decisão, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ao apreciar Recurso Voluntário, o Colegiado do Carf, em primeira assentada, deliberou por anular a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. O processo retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10315.900428/201125 Acórdão n.º 3301004.122 S3C3T1 Fl. 415 4 Direito Creditório Não Reconhecido" Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório, na essência do que interessa ao julgamento. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10315.900428/201125 Acórdão n.º 3301004.122 S3C3T1 Fl. 416 5 Voto Vencido Conselheiro José Henrique Mauri Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda resumese à pretenso direito aos créditos previstos na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, pelas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME), utilizados na produção de mercadorias nãotributadas (NT) pelo IPI. 1 Do Crédito de IPI Produto NT Assim dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Em atenção à prerrogativa disposta no final do art. 11, suso transcrito, a RFB, então SRF, publicou a IN SRF nº 33, de 1999, disciplinando a apuração e a utilização de créditos do IPI, na espécie. Posteriormente o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) consolidou e ratificou o entendimento constante da IN/SRF nº 33/99, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. E mais, o mesmo RIPI de 2002, art. 164, inciso I, replicado no Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), art. 226, inciso I, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10315.900428/201125 Acórdão n.º 3301004.122 S3C3T1 Fl. 417 6 [...] Do trabalho fiscal realizado, consubstanciado em informações colhidas relativas aos anos de 2006 a 2009, restou concluso que a atividade da empresa é a produção exclusivamente de água mineral, sem gás, classificada na TIPI como "NT". Isso é incontroverso. A própria recorrente declarou que os produtos de sua fabricação limitamse a quatro itens, todos referentes a água mineral natural, sem gás: (i) Garrafão de 20 L. (ii) Garrafão de 10 L, (iii) Garrafas de 500 ML e (iv) Garrafas de 1.500 ML. Ademais, à exceção dos Garrafões (10L e 20L) que são incorporados ao Ativo Permanente da empresa, os demais produtos adquiridos com incidência de IPI são utilizados como insumos na fabricação de água mineral natural. Do suso exposto, resta concluso que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os "insumos" adquiridos são integralmente destinados à fabricação de produtos "NT". Portanto, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não há que se apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não por outra razão, dispõe o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), art. 251, § 1º, repetindo o texto constante do Decreto nº 4.544/2002, art. 190, § 1º: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Por derradeiro, pondo uma pá de cal na celeuma, o Carf publicou a Súmula CARF n° 20, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Por oportuno, em face de questionamentos emergidos no transcorrer do presente julgamento, relativamente à eventual erro material no lançamento, posto que fora subsidiado em documentos fiscais relativos a períodos diversos daquele de que cuida o presente processo, tenho que tal vício não prospera. Conforme explicitado, tratase de empresa não contribuinte de IPI, em face de fabricar exclusivamente produto "NT". Seu objeto social evidencia essa natureza contributiva, razão pelo qual mantémse hígidas as constatações iniciais identificadas pela fiscalização, ainda que realizadas com base nas informações e registros contábeis de 2006 a Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10315.900428/201125 Acórdão n.º 3301004.122 S3C3T1 Fl. 418 7 2009, refletindoas nos períodos de apuração posteriores, alcançando inclusive o período de que cuida o presente processo, posto que aquelas circunstâncias apresentamse inalteradas, no tempo e espaço. 2 Constitucionalidade de Lei Sustenta a recorrente, em exaustivas divagações, que o indeferimento de seu direito aos créditos de IPI, além de fundamentarse em Decreto que entende inconstitucional, afronta aos princípios constitucionais da não cumulatividade, seletividade e isonomia. Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, sejam pelos fundamentos suso expostos ou por seus próprios fundamentos, nos termos da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), art. 27, § 3º, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário É como voto. Conselheiro José Henrique Mauri Relator. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10315.900428/201125 Acórdão n.º 3301004.122 S3C3T1 Fl. 419 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator designado A contenda seria de simples deslinde, posto que gravita em torno do tema objeto da Súmula CARF n° 20: possibilidade de registro de créditos de IPI, derivados de compras de insumos para fabricação de produtos não tributados pelo IPI classificação fiscal "NT". Assim dispôs esse Conselho: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Entretanto, o presente processo não pode ser concluído com base nessa Súmula. O contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER n° 22466.82445.130410.1.1.016486, relativo a créditos de IPI do primeiro trimestre de 2010, no montante de R$ 52.312,37 (Anexo III da Representação Fiscal, fl. 70). Por meio do Despacho Decisório n° 154/2011 (fls. 249), o PER foi indeferido e não homologadas as vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP) n° 04393.72436.140410.1.3.010381 e 02806.64023.240910.1.3.018247. Ocorre que, conforme consta no referido despacho decisório, a decisão foi baseada na ação fiscal desenvolvida em cumprimento do MPF n° 03.1.02.002011003620, cujo escopo foi a revisão dos créditos de IPI registrados no quarto trimestre de 2006 e nos anos de 2007 a 2009. Concluise, portanto, que o Despacho Decisório n° 154/2011 (fl. 249) contém vício material e deve ser anulado, com base no art. 50 da Lei n° 9.784/99, pois foi lastreado em documentação não atinente ao primeiro trimestre de 2010, período em que foram registrados os créditos de IPI objeto dos Pedidos de Ressarcimento PER n° 22466.82445.130410.1.1.01 6486 e que suporta os Pedidos de Compensação DCOMP n° 04393.72436.140410.1.3.01 0381 e 02806.64023.240910.1.3.018247. Desta forma, voto por declarar nulo o despacho decisório, por conter vício material. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000086/2002-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para afastar a prejudicial de decadência/prescrição, com retorno dos autos a unidade de origem para análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para afastar a prejudicial de decadência/prescrição, com retorno dos autos a unidade de origem para análise do mérito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para afastar a prejudicial de decadência/prescrição, com retorno dos autos a unidade de origem para análise do mérito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 86 /2 00 2- 08 Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13832.000086/200208 Acórdão n.º 9303006.532 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 340100.969, de 27 de agosto de 2010 (efolhas 232 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1995 a 30/04/1996, 01/06/1996 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 12/95 A 02/96. MP N° 1.212, DE 28/11/95. PAGAMENTOS A MAIOR. ADI N° 1.417. LIMINAR DEFERIDA EM 07/03/96 E PUBLICADA EM 24/05/96. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA O PEDIDO. CINCO ANOS A CONTAR PUBLICAÇÃO DA LIMINAR. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamentos a maior do PIS nos períodos de apuração 10/95 a 02/96, realizados de acordo com a MP n° 1.212, de 28/11/95, extinguese em cinco anos, a contar de 24/05/96, data de publicação da liminar deferida pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.417, julgada em 07/03/96. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 03/96. MP N° 1.212, DE 28/11/95. REEDIÇÕES. LEI N° 9.715, DE 25/11/98. EFEITOS. Consoante jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, medida provisória afinal convertida em lei após reedições tem eficácia preservada desde a sua primeira edição, Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13832.000086/200208 Acórdão n.º 9303006.532 CSRFT3 Fl. 4 3 pelo que a MP n° 1.212, de 28/11/95, convertida após reedições na Lei n° 9.715, de 25/11/98, ao dispor sobre a Contribuição para o PIS Faturamento aplicase aos períodos de apuração a partir de março de 1996, com obediência à anterioridade nonagesimal própria das contribuições para a Seguridade Social, estatuída no art. 195, § 6o , da Constituição Federal. Recurso negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 247 e segs) diz respeito ao dies a quo do prazo decadencial/prescricional para repetição do indébito. A seguir excerto extraído do corpo do recurso especial efolhas 249. A Recorrente busca a restituição dos indébitos das contribuições para o Programa de Integração Social PIS, oriundos de recolhimentos efetuados no período de novembro de 1995 a dezembro de 1996, decorrente da declaração de inconstitucíonalidade pelo STF, na ADIN n° 1.4170 até a vigência da Lei 9.715/98. Para tanto, sustenta o entendimento que o prazo para pleitear a restituição é de 10 (dez) anos, no caso de tributos lançados por homologação. Observase que no presente processo o pedido de restituição do PIS abrangia os períodos de 11/1995 a 02/1999. A inconformidade trazida no recurso especial delimitase ao período de 11/1995 a 12/1996, não havendo mais qualquer controvérsia em relação aos períodos de 01/1997 a 02/1999, cujo indeferimento tornouse definitivo diante das decisões administrativas precedentes. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 265 e segs. A Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13832.000086/200208 Acórdão n.º 9303006.532 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito Discutese o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito. O despacho de admissibilidade do recurso retratou a divergência nos seguintes termos. De fato, os arestos paradigmas, inclusive confirmados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, concluíram que o termo inicial da indigitada restituição é data de publicação da decisão final exarada na ADIN n° 1.1470/DF, ocorrida em 16/08/1999, e não a data da publicação da liminar que suspendeu os efeitos do dispositivo julgado inconstitucional, como decidiu o acórdão reclamado, de maneira que a data final para formalização do pleito seria 16/08/2004. Como é de sabença, o art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Desta forma, segundo o entendimento que prevaleceu, não há razão para discussão sobre os efeitos da Resolução n° 49/95 na contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição. O prazo contase sempre ou da data do pagamento do tributo/contribuição ou, como mais tarde ficou definido, do correspondente fato gerador da exação, a depender da data do protocolo do pedido. De fato, em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13832.000086/200208 Acórdão n.º 9303006.532 CSRFT3 Fl. 6 5 lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13832.000086/200208 Acórdão n.º 9303006.532 CSRFT3 Fl. 7 6 estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. Neste mesmo sentido temos o disposto na súmula CARF nº 91, abaixo transcrita: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13832.000086/200208 Acórdão n.º 9303006.532 CSRFT3 Fl. 8 7 Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. O pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 22/04/2002, como consta à efolha 36. Concluise que não está decaído/prescrito o direito à repetição do indébito dos recolhimentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos depois do dia 22/04/1992, que compreende os fatos geradores ainda em discussão no presente processo. Afastada a prejudicial de exame de mérito, caberá à Unidade Preparadora atestar o efetivo direito ao crédito reclamado em relação aos fatos geradores de 11/1995 a 12/1996. Por economia processual, no cálculo de eventual indébito tributário, a unidade administrativa deverá adotar o disposto na Súmula CARF nº 15, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte apenas para afastar a prejudicial de decadência/prescrição. A concessão do direito ficará sujeita à análise do mérito do pedido pela autoridade administrativa de origem. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901244/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 12 44 /2 00 9- 99 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10835.901244/200999 Acórdão n.º 1302002.585 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1431.903, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 04398.73378.150205.1.3.047470, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de maio de 2003, com débito(s) relativo(s) à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) , período de apuração de janeiro de 2005. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10835.901244/200999 Acórdão n.º 1302002.585 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10835.901244/200999 Acórdão n.º 1302002.585 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10835.901244/200999 Acórdão n.º 1302002.585 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10835.901244/200999 Acórdão n.º 1302002.585 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10835.901244/200999 Acórdão n.º 1302002.585 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08 de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.000807/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA.
Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontrava-se ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontrava-se ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado
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CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a máfé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 08 07 /2 00 9- 21 Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 3 2 Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 12060.497 da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo Contribuinte para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem que, inicialmente, indeferira o pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa (PIS ou Cofins). Anteriormente, o contribuinte havia impetrado mandado de segurança e obtido liminar determinando que a repartição de origem procedesse à análise e proferisse decisão, no prazo de 30 dias, quanto aos pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (PIS/Cofins) por ele formulados. Quando da análise do pedido de ressarcimento, a autoridade administrativa intimou o contribuinte a comprovar o crédito pleiteado, tendo sido constatadas diversas discrepâncias e inconsistências nos documentos apresentados, decorrendo daí a decisão denegatória do pleito, prolatada no prazo de 30 dias fixado pela decisão judicial. A decisão da Delegacia de Julgamento foi no sentido de não conhecer em parte a Manifestação de Inconformidade, em virtude da opção do contribuinte pela via judicial (relativamente à preliminar de nulidade e ao pedido de reexame dos autos pela repartição de origem), e, na parte conhecida, indeferir o pedido de diligência requerido. Cientificado da decisão de primeira instância, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Enquanto isso, na esfera judicial, o Contribuinte interpôs agravo de instrumento, em razão do seu entendimento de que o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, sem exame do mérito, deturpara a determinação judicial transitada em julgado, agravo esse provido, com a determinação de que o processo administrativo fosse devidamente instruído. Em atendimento à ordem judicial, a repartição de origem procedeu à realização de diligência, tendo solicitado ao interessado a apresentação de livros, planilhas e outros documentos necessários à análise e, ao final, decidido por reconhecer em parte o direito creditório pleiteado. No Parecer da autoridade fiscal, registrouse o seguinte: a) em 2009, a repartição de origem analisara diversos processos de ressarcimento, no prazo de 30 dias estabelecido em decisão judicial, análise essa ocorrida anteriormente à conclusão da operação fiscal denominada "Tempo de Colheita" (robustecida, posteriormente, pela “Operação Broca”), quando se detectou o uso de empresas laranjas para fins de geração de créditos fictícios, créditos esses utilizados pelo Contribuinte com base em notas fiscais emitidas por essas empresas, usadas como intermediárias na compra de café junto a produtores/maquinistas; Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 4 3 b) dentre os supostos fornecedores de café, Relacafé e Triscafé eram controladas pelo Contribuinte; c) a motivação da Operação "Tempo de Colheita" foi o flagrante descompasso entre as movimentações financeiras e os valores insignificantes das receitas declaradas pelos envolvidos, tendo sido detectado que a imensa maioria das pessoas jurídicas diligenciadas encontravase omissa na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, inativa; d) ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupavam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispunham de funcionários para operar como atacadistas; e) os documentos apreendidos junto ao Contribuinte, bem como na outra empresa do Grupo (Realcafé), durante a aludida Operação, não deixavam a menor dúvida de que os dirigentes da empresa tinham total conhecimento da existência do esquema fraudulento, que proporcionava vantagens tributárias de créditos ilícitos do PIS/Cofins; f) algumas da empresas diligenciadas demonstraram o modus operandi do esquema; g) declarações prestadas por corretores e documentos apreendidos demonstraram a participação do Contribuinte na prática fraudulenta; h) os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café, pois negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança (corretores, maquinistas e empresas da sua região), sendo que, no momento da retirada do café, surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; i) a fraude e o seu modus operandi foram corroboradas nas oitivas colhidas no curso das investigações perante os produtores/maquinistas e corretores, juntamente com a vasta documentação apresentada por eles, inclusive documentos apreendidos durante a “Operação Broca” no próprio estabelecimento do Contribuinte e de outra empresa do grupo; j) o controle eletrônico do Contribuinte, intitulado “folha de compra”, extraído da mídia eletrônica apreendida durante a "Operação Broca", comprovava que ele tinha total controle e domínio do que compravam de cada produtor/maquinista e por qual empresa de fachada a negociação era falsamente documentada; k) as confirmações de pedidos anexadas identificam o maquinista por meio de anotação manuscrita em venda para o Contribuinte por meio de empresas laranjas. A Tristão exigia que os produtores/maquinistas, verdadeiros vendedores do café, assinassem as confirmações dos corretores, conforme comprovam os emails extraídos das mídias apreendidas na Tristão e reproduzidos; l) anexa tabela “Relatório de Vendas para Entrega Futura – TRISTÃO Cia de Comércio Exterior”, onde constam os dados das confirmações de pedidos e os dados das notas fiscais; m) são citados diversos depoimentos de corretores de café confirmando que as empresas do Grupo Tristão tinham conhecimento de que nas suas compras de café havia a interposição fictícia de empresa laranja; Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 5 4 n) no mesmo sentido foram citados depoimentos de produtores rurais contendo esclarecimentos sobre o esquema de troca de notas fiscais e outros detalhes da operação; o) Ricardo Schneider, comprador da Tristão, comunicava por email as compras diárias de café para os diversos setores do GRUPO TRISTÃO. Para cada pedido de compra, indicava, entre outros dados, o nome da empresa laranja seguido do nome do produtor/maquinista e o corretor. Foram dezenas de emails extraídos das mídias apreendidas, com data desde 2004. Alguns exemplos foram reproduzidos no parecer; p) os representantes da Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão, respondendo às indagações dos AuditoresFiscais, asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas dessas empresas laranjas eram operadas por exfuncionário das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências efetuadas em MG; q) foram efetuadas diligências nas cidades de Manhuaçu, Manhumirim, Divino e Espera Feliz, de MG. Repetindo o quadro constatado no ES, o que se viu foram hipotéticas empresas ocupando espaços acanhados situadas uma ao lado da outra, desprovidas de patrimônio e capacidade operacional necessários ao seu objeto, tentando transparecer atacadistas de café, só que próximas, às vezes lado a lado, dos escritórios de compras das grandes exportadoras e torrefadoras, o que tornou a moldura mais emblemática; r) o mesmo modus operandi foi constatado em diligências efetuadas em Varginha e outros municípios no sul de MG; s) a prática rotineira que consiste em guiar café do produtor para o comprador utilizando uma empresa fictícia é corroborada nos emails trocados pela direção da própria TRISTÃO, reproduzidos em parte no Parecer, demonstrando a verdade irrefutável de que era também de conhecimento da alta direção da empresa o esquema fraudulento de intermediação fictícia de empresa laranja na compra de café de produtor; t) os emails transcritos comprovam de forma incontestável o esquema montado no mercado de café que foi a inserção de empresas laranjas como intermediárias fictícias entre o produtor e o exportador; u) a verdade é que o modus operandi era sempre o mesmo, qualquer que fosse a região do país. TRISTÃO, portanto, tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento, como dele se beneficiou, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas, gerados por empresas atacadistas de fachada, o que afastava por completo a alegação de adquirente de “boafé” ; v) os AuditoresFiscais constataram, na escrituração contábil da TRISTÃO, infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas PIS (1,65%) e Cofins (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos pelas aquisições diretamente de pessoas físicas, produtores rurais, ou cerealistas; Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 6 5 w) foram elaboradas tabelas a partir das planilhas de memória de cálculo apresentadas pela TRISTÃO, consolidando as tais aquisições, cujos valores compõem a base de cálculo mensal para a glosa dos créditos integrais indevidamente apropriados; x) a TRISTÃO preenchia os requisitos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004; y) em sua resposta, a TRISTÃO reconheceu ter se apropriado indevidamente, por equívoco, de crédito presumido sobre operações de aquisições com fim específico de exportação (CFOP 1501), bem como notas fiscais de simples faturamento (CFOP 1922), conforme tabela no Parecer. Em relação às notas fiscais da Exprinsul Comércio Exterior e da Cocamar – Cooperativa agroindustrial, referentes a 12/2006 e 03/2008, tais valores deviam ser excluídos da base de cálculo do crédito integral, conforme memória de cálculo; z) analisando a Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO, verificouse que a empresa incluiu indevidamente na base de cálculo do crédito presumido operações de venda com fim específico de exportação; aa) após análise da cópia das notas fiscais, constatouse que havia outras operações de venda com fim específico de exportação para as quais a empresa apropriara indevidamente de crédito integral, conforme citada Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO. Foram relacionados os valores levantados pela fiscalização; bb) foi elaborado o Demonstrativo de Cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, anexo ao Parecer; cc) foram efetuadas as seguintes glosas de crtéditos: a) NF de empresas de fachada; b) aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido; c) apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; dd) o rateio dos créditos a descontar foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços: receita mercado interno (tributada) e receita de exportação; ee) demonstrouse que o Saldo de Crédito de Meses Anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação era zero tanto para o PIS quanto para a Cofins; ff) a fiscalização limitou o valor do pedido de ressarcimento ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do mercado externo (crédito passível de ressarcimento); gg) conforme mostrado no demonstrativo de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, a recomposição dos créditos a descontar resultou no reconhecimento parcial do valor dos créditos pleiteados no pedido de ressarcimento. Cientificado do Parecer Fiscal e do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 7 6 1) o direito creditório objeto das DComps somente foi analisado em virtude da decisão proferida pela egrégia Turma do TRF da 2ª Região, no Agravo de Instrumento 2012.02.01.0070963. A ciência do Impugnante se dera em 05/07/2013, quando já decorridos mais de cinco anos, resultando na homologação tácita de parte dos créditos compensados; 2) não fora indiciado na denominada “Operação Broca”, o que retificava que as investigações realizadas não alcançaram suas operações, uma vez que não traduziam os atos comerciais praticados por ele rotineiramente; 3) na qualidade de adquirente de boafé, era exclusivamente o destinatário das mercadorias, não sendo provada a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização; 4) em nenhum momento foi citado nos depoimentos colhidos na Operação Broca como estando envolvido na criação ou manutenção das pseudo pessoas jurídicas, mas apenas como destinatária do café, o que ratificava a sua boafé; 5) inexiste prova robusta e inequívoca nos autos, mas apenas meras alegações e conjecturas difusas e contraditórias entre si; 6) a conduta da fiscalização revelou a busca pelo acesso irrestrito às informações internas e gerenciais do impugnante, sem amparo em nenhuma autorização judicial para tal procedimento, o que transgride o direito fundamental ao sigilo de dados, insculpido no art. 5º, X e XII, da CF/88; 7) também não se verifica a aptidão das provas testemunhais juntadas aos autos, pois referidos testemunhos não comprovam qualquer vínculo do Impugnante, seus diretores, ou mesmo funcionários, nas práticas ilícitas imputadas às empresas consideradas como de fachada; 8) o art. 112 do CTN faz eco ao princípio universal do in dubio pro reo; 9) trouxe os seguintes elementos de prova que atestam a sua boafé: certidões que atestam a ausência de indiciamento em decorrência da Operação Broca; ação de cobrança por parte da W.G. Azevedo – Brazil Coffee; emails que comprovam a preocupação em realizar operações apenas com empresas em situação regular perante o Fisco; 10) cabe ao fisco o ônus da prova do fato tributário como também o da suposta conduta ilícita; 11) em momento algum a autoridade administrativa outorgou ao impugnante o direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa; 12) o conhecimento acerca da origem do café não é indício de que o Impugnante tenha agido de comum acordo com as empresas de fachada, mas sim a necessidade de que se tenha ciência do produtor rural e da região em que foi colhido o grão, para se atestar a qualidade do café adquirido; 13) o Impugnante sempre adotou todas as providencias legalmente exigidas para proceder aos créditos de PIS e Cofins decorrentes das aquisições de café; Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 8 7 14) devia ser considerado o que dispõe o parágrafo único do art. 82 da Lei 9.430/96. No caso, não restou qualquer dúvida quanto ao recebimento e pagamento das mercadorias por parte da Recorrente; 15) a boafé foi demonstrada pelo zelo de se fazerem consultas ao Sintegra e ao próprio banco de dados da RFB, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; 16) nesse sentido, a 5ª Turma da DRJ/RJOII já se pronunciou em situação idêntica, no processo 13771.000356/200315, Acórdão 1324.918, de 25/05/2009; 17) os atos que declararam as empresas como inapta, baixada ou nula ocorreram posteriormente às compras realizadas pelo Impugnante, sendo que para algumas das empresas sequer foi localizado qualquer procedimento neste sentido; 18) os lançamentos contábeis das operações também fazem prova em favor do Impugnante; 19) a atuação do fisco é contraditória, em afronta à segurança jurídica, uma vez que num primeiro momento assumiu a existência das agora “pseudo” empresas interpostas, inclusive cobrandoas, através da instauração de procedimentos administrativos fiscais e, agora, inovando sua ótica, questiona os seus documentos fiscais de venda de café para terceiros; 20) trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos. O direito fundamental do estado de inocência proíbe a antecipação dos resultados finais do processo criminal; 21) os mesmos auditores fiscais que prolataram o despacho decisório também lavraram o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, processo 15586.000956/201025, em face de outra empresa do Grupo Tristão, no caso a Realcafé Soluvel do Brasil, no qual afirmaram a possibilidade de crédito integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas. Ao examinarem a mesma hipótese no presente pleito, adotaram posicionamento completamente oposto; 22) o Impugnante revende o insumo café cru em grão no mercado externo e, em alguns casos, também realiza o processo de rebeneficiamento. A atividade de revenda é preponderante; 23) em se tratando de compras para posterior revenda, o Recorrente apurou créditos integrais do PIS e da Cofins; 24) o impugnante sempre adquiriu o insumo de sociedade cooperativa que exercia a produção agroindustrial e a compra foi sempre feita com a incidência do PIS e Cofins; 25) nas aquisições de café cru em grão pelo Impugnante não há a suspensão obrigatória do PIS e Cofins, visto que as sociedades cooperativas fornecedoras exerceram atividade agroindustrial, na forma do § 6º do art. 8º da Lei 10.925/2004 e, portanto, estas é que possuem o direito ao crédito presumido, relativo à compra de café in natura; Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 9 8 26) não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição em duas etapas da cadeia produtiva do café; 27) por fim, requereu fosse reconhecida a homologação tácita de parte das compensações e, se superada a preliminar, requereu fosse reconhecido o direito creditório de modo integral com a homologação das compensações formalizadas nos autos. Em sua decisão, a DRJ Rio de Janeiro I/RF fundamentou o não reconhecimento do direito creditório (i) na desconsideração dos negócios fraudulentos, em decorrência da comprovação da ocorrência de fraude e dissimulação por meio de interpostas pessoas, (ii) na inocorrência de desqualificação do regime de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, beneficiadas com o crédito presumido, (iii) na inocorrência de homologação tácita da compensação e (iv) na preclusão das matérias não contestadas. No Recurso Voluntário, o Contribuinte reiterou os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.414, de 26/02/2018, proferido no julgamento do processo 15578.000805/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.4141): O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) Inicialmente, cumpre pontuar que o presente feito tem por objeto 3 (três) grupos de glosas: a) NF de empresas de fachada. Os valores consolidados mensalmente pela fiscalização constam das tabelas mostradas no item II.7.1; b) Aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido, conforme listado no item II.7.2; c) Apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/COFINS – fim específico de exportação. Valores consolidados no item II.7.3; 1 A decisão do acórdão paradigma reproduzida na sequência é composta da parte do voto da relatora originária que restou mantida, por unanimidade, no julgamento do Recurso Voluntário e do voto elaborado pelo redator designado, que se restringe à preliminar suscitada pelo Recorrente, afastada pelo voto de qualidade. Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 10 9 O Recurso apresentado é bastante extenso e dividido em diversos tópicos. Tendo em vista que as razões expostas em cada tópico repetemse e confundemse, passo a analisálos de acordo com a correlação existente entre estes, e não necessariamente na ordem apresentada pela recorrente. (...) "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO, ACERCA DAS AVENTADAS OPERAÇÕES QUE ALEGA TEREM SIDO "AUSPICIADAS" PELA RECORRENTE" "DA ILEGÍTIMA INOVAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA GLOSA CONSUBSTANCIADA ATRAVÉS DA DECISÃO ORA RECORRIDA" "DA INSUBSISTÊNCIA DAS PROVAS APRESENTADAS PELA FISCALIZAÇÃO" "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO ACERCA DA PARTICIPAÇÃO CONJUNTA DA RECORRENTE COM AS DENOMINADAS "EMPRESAS DE FACHADA"." "DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DE VALIDADE E CORREÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS AUFERIDOS PELA RECORRENTE" "A CONTABILIDADE (AQUISIÇÕES DEVIDAMENTE REGISTRADAS) COMO MEIO DE PROVA EM FAVOR DA RECORRENTE A ESSÊNCIA SOBRE A FORMA" "DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS SOB A "OPERAÇÃO TEMPO DE COLHEITA". DA AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE PARA COM AS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA RECORRENTE" "DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO EM FACE DA RECORRENTE DOS EFEITOS DOS ATOS PRATICADOS NO ÂMBITO DA DENOMINADA "OPERAÇÃO BROCA"." Como relatado, a questão dos autos se refere à possibilidade de tomada de créditos integrais de PIS e COFINS sobre as aquisições de pessoas jurídicas tidas por fictícias, conforme operações Tempo de Colheita e Broca, realizadas de forma conjunta pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. Assim resume a DRJ: A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos integrais calculados pelo contribuinte em relação a aquisições de café de pessoas jurídicas. O cerne da controvérsia, com base no que os auditores afirmam pode ser resumido em dois pontos: (1) existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas, consistentes em creditamento ilícito de PIS e Cofins; (2) participação da contribuinte, ora manifestante, nesse esquema. Preliminarmente a interessada contesta os elementos de prova trazidos aos autos junto ao Parecer Fiscal. Argumenta que as provas são ilícitas porque as interceptações telefônicas e de dados só podem ser realizadas com autorização judicial, que as provas Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 11 10 testemunhais não são aptas e não comprovam vínculo da empresa interessada com o suposto esquema. Assim, a controvérsia se resume, efetivamente, à existência ou não de provas nos autos acerca da participação da Recorrente na criação das pessoas jurídicas fictícias vendedoras de café. Em diversas oportunidades já me manifestei acerca de situações bastante similares à presente, sempre no sentido de que, para que o contribuinte possa ser penalizado em razão das supostas fraudes identificadas, é necessária a comprovação de que esta participou das operações tidas por fraudulenta. Com base em jurisprudência já pacificada no âmbito do STJ, não vejo como imputar a terceiros quaisquer consequências advindas de operações fraudulentas das quais não participou. Até porque, é princípio básico constitucional que a pena jamais poderá ultrapassar a pessoa do condenado. O entendimento supra já foi por mim formalizado em sede de Declaração de Voto Vencido (Acórdão nº 3201.002.083, de 25/02/2016), em Voto Vencedor por unanimidade (Acórdão 3201003.038, de 25/07/207) e, mais recentemente, na condição de Relatora Designada para o Voto Vencedor (Acórdãos 3201003.202, 3201003.203 e 3201003.204, todos de 24 de outubro de 2017). Neste último, a mim incumbiu apresentar o entendimento vencedor da Turma quanto à questão: Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, fui designada para a redação do voto vencedor quanto às glosas dos créditos correspondentes às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inaptas, baixadas ou suspensas. Como já salientado pelo Relator, é sabido que, comprovada a efetividade das operações, o contribuinte, agindo de boafé faz jus a manutenção dos créditos fiscais. E como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça por meio da Súmula nº 509. Em outras palavras, a boa fé é sempre presumida, cabendo àquele que alega a existência de má fé a comprovação nesse sentido. Na hipótese dos autos a divergência se instaurou quanto à afirmação fiscal de que não teria sido comprovada a efetividade das operações realizadas junto às pessoas jurídicas tidas como inaptas, baixadas ou suspensas, em face das alegações e documentos trazidos aos autos pela Recorrente no intuito de comprovar as aquisições realizadas Entendeu a Turma Julgadora, por sua maioria, que, em fato, na logrou a Fiscalização demonstrar que a Recorrente teria qualquer participação nos atos que levaram às declarações de inidoneidade das Pessoas Jurídicas vendedoras das mercadorias passíveis de geração de crédito no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Desse modo, não se pode manter as glosas efetuadas pela Fiscalização, na hipótese específica dos autos, uma vez que ausente demonstração fiscal quanto à participação da Recorrente em qualquer ato ensejador da pretendida descaracterização das aquisições realizadas, devendo se manter a presunção de boa fé do adquirente. Assim, entendo que, para que a glosa pretendida pela Fiscalização tenha suporte, é necessário não apenas comprovar a existência de fraude na criação das empresas vendedoras de café o que efetivamente foi realizado por meio das Operações Tempo de Colheita e Broca. Se faz imprescindível que se comprove a ciência da Recorrente acerca desses fatos e a sua participação no dito "esquema". Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 12 11 Isso porque, não obstante a aparência de legalidade das operações, como alega a Recorrente, em razão de que (1) todas as empresas citadas como fictícias possuíam CNPJ válidos no momento da aquisição do café; (2) fora verificada a regularidade dessas empresas no CNPJ e no SINTEGRA, e nenhuma tinha sido declarada inapta; (3) as mercadorias adquiridas entraram no estoque da recorrente e foram pagas diretamente aos emitentes das notas fiscais, uma vez comprovada a máfé na realização desses negócios jurídicos, é plenamente válida a sua desconstituição. É o que dispõe o parágrafo único do art. 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) E, não obstante o Relatório Fiscal não tenha mencionado expressamente o referido dispositivo legal, citado apenas no Acórdão da DRJ, não há falar em inovação. Os fundamentos de fato e de direito que levaram à desconsideração dos negócios jurídicos são os mesmos e deles decorre logicamente a aplicação do referido dispositivo legal. Não houve qualquer tentativa de alteração quanto à fundamentação legal do lançamento. Ademais, não compete a este CARF afastar a aplicação de disposição expressa de lei. Não obstante, entendo que a ausência de regulamentação do referido dispositivo legal não impede a sua aplicação. O dispositivo legal é autoaplicável, embora passível de regulamentação pela legislação ordinária. E, nesse sentido, tenho que a legislação processual tributária vigente no âmbito federal cumpre a necessária regulação do tema. Em conclusão desse aspecto, manifesto minha integral concordância com a tese defendida pela Recorrente no sentido de que, uma vez comprovada a ocorrência da operação de compra e venda, sendo que essas revestiamse da aparência de legalidade, o adquirente de boafé não pode ser penalizado pela posterior desconsideração do negócio jurídico. Todavia, a hipótese dos autos, como se verá, afasta a presunção de boafé da Recorrente. Não basta que a operação tenha a aparência de legalidade para que seja válida. Uma vez comprovado nos autos que a Contribuinte possuía ciência do fato de que as pessoas jurídicas eram criadas de modo fraudulento tão somente para legitimar a geração do crédito de PIS e COFINS, resta caracterizada a máfé do adquirente. Quanto ao argumento de que os emails que comprovam que a Tristão questionava a origem do café apenas para fins de averiguar a qualidade do produto, tenho que não prospera. Existem emails e mensagens trocadas que demonstram claramente a exigência de que as pessoas jurídicas estivessem regulares tão somente em razão da possibilidade de geração de crédito. Tanto é assim que em determinado momento, o comprador da Tristão se Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 13 12 nega a efetuar o pagamento de determinada compra exclusivamente em razão da irregularidade do CNPJ da empresa vendedora. Adentrando, portanto, ao cerne da controvérsia instaurada, entendo ser desnecessário tecer maiores comentários acerca da existência e funcionamento dos chamados esquemas de triangulação, criação dos "maquinistas". Nesse sentido, me reporto ao bem detalhado relatório fiscal e ao próprio acórdão proferido pela DRJ, que demonstram o funcionamento de tais empresas de fachada com o fito exclusivo de garantir ao adquirente a tomada de créditos de PIS e COFINS em valor integral, ao substituição ao crédito presumido que seria gerado na aquisição direta da pessoa física. É imprescindível, outrossim, analisar de forma detida as provas apresentadas de modo a averiguar a efetiva ciência e participação da Recorrente. Para tanto, remetome ao extenso Parecer Fiscal (...). Como de costume, o Parecer Fiscal relata de forma detalhada a criação e operacionalização dos esquemas, trazendo diversas informações e provas relativas aos Maquinistas, comprovando a existência do esquema. O Parecer Fiscal, ainda, cuidou de demonstrar diversos dados extraídos da operação e que tem ligação direta com a Recorrente, tais como: depoimentos de maquinistas que alegam ter vendido o café à Tristão com a ciência desta; registros de mensagens trocadas com dirigentes da Tristão; cópias de emails trocados com sócios, diretores e empregados da Tristão; Pedidos de Compra da Tristão com o nome das pessoas físicas produtoras, embora com notas fiscais emitidas pelas Pessoas Jurídicas fraudulentas, dentre outros. Ademais, a Tristão, na condição de adquirente, foi uma das empresas fiscalizadas durante a Operação Tempo de Colheita. Assim, grande parte dos elementos colhidos durante a operação, o foram diretamente obtidos da Recorrente. Logo, vêse que, na hipótese dos autos, há, efetivamente, robusta prova documental que comprova a participação, ou, quando menos, a plena ciência da Recorrente quando ao fato de que o café era adquirido de pessoas jurídicas inexistente de fato, criadas com o fim exclusivo de geração de crédito de PIS e COFINS. Nesse aspecto, pontuo, quanto às alegação da Recorrente no sentido de que não haveria prova da sua participação na Operação Broca, sendo que não foi indicada criminalmente no âmbito da referida, o que tornaria insubsistente toda a autuação fiscal. Com efeito, a maior robusteza probatória é relativa à Operação Tempo de Colheita. E, quanto à esta, a Recorrente não trouxe qualquer alegação. Não obstante, consta, sim, nos autos, provas de que a Recorrente estava ciente que nas operações descortinadas por meio da Operação Broca, o modus operandi era exatamente o mesmo daquelas objeto da Operação Tempo de Colheita. Existe nos autos cópia de nota fiscal guiada e emails trocados por funcionários da Tristão com corretores sabidamente operadores do esquema fraudulento, inclusive com a expressão "Como sabemos os cafés são guiados com nota de firma" (fl. 1251), dentre outros elementos. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 14 13 Ademais, é cediço que a instrução criminal se dá de forma diversa da investigação tributária. Ainda que ambas devam se pautar no princípio da legalidade estrita, seus escopos são bastante distintos. E, nesse seara, cabe averiguar se os elementos apresentados pela Fiscalização são suficientes para fundamentar o lançamento tributário, o que, a meu ver, logrouse. Se, no âmbito criminal, entendeuse não haver elementos caracterizados de ilícito penal, não há influência direta no lançamento tributário. Os elementos do tipo penal são distintos dos elementos do tipo tributário. Ainda assim, as decisões judiciais trazidas aos autos como justificativa de invalidar o lançamento dizem respeito à ilegitimidade de colheita de prova testemunhal, e quando esta é o único meio de prova admitido na denúncia. Na hipótese dos autos, as provas testemunhais são apenas indiciárias. Há outros elementos que comprovam a ciência da Recorrente acerca das operações fraudulentas. E, quanto à alegação de que tais provas documentais foram obtidas com base em colheita ilegal, com a devida vênia às razões esposadas, compete ao Poder Judiciário a eventual declaração de ilegalidade na obtenção das provas. Inexistindo tal declaração, falece competência a este órgão administrativo para tal. Assim, o fato de a Recorrente não ter participado do processo investigativo realizado no âmbito das Operações Tempo de Colheita e Broca não contaminam o devido processo legal tributário, com o pleno exercício da ampla defesa. Com efeito, a ampla defesa no processo administrativo tributário é exercida a partir da apresentação da defesa (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), Recurso Voluntário e Recurso Especial. Ressalto, ainda, que, na hipótese dos autos, a ampla defesa foi inclusive assegurada por decisão judicial que determinou o refazimento do lançamento tributário original, que deixou de fundamentar a glosa de créditos. Quanto à alegação de que a Fiscalização não poderia ter equiparado as compras realizadas de cooperativas às compras procedentes de pessoas físicas, também não assiste razão à Recorrente. Não houve uma alteração acerca da forma de se apropriar os créditos oriundos de compras realizadas de cooperativas. Ou ainda, não houve a glosa dos créditos pelo fato de as vendedoras serem cooperativas. O que efetivamente ocorreu, e valido nesse voto, foi a exclusão da figura do "atravessador", seja este constituído na forma de sociedade comercial ou cooperativa, uma vez que se comprovou que sua criação se deu com o fim exclusivo de simular um negócio jurídico. A Recorrente ainda alega violação ao princípio da segurança jurídica pelo fato de a Fiscalização, alegadamente, ter pronunciado entendimento diverso em processos decorrentes da mesma operação, contudo em face de pessoas jurídicas distintas. Tal fato, a meu ver, apenas corrobora todo o exposto com relação à existência de prova efetiva em face da Recorrente. Não há como se pretender vincular esta decisão à processo formalizado em face de pessoa jurídica diversa, notadamente quando este é decorrente essencialmente de material probatório. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 15 14 "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. (...) Voto Vencedor O Presidente da Turma designoume para redigir o voto vencedor quanto ao afastamento da preliminar suscitada pela recorrente, relativa à homologação tácita de parte da compensação. A Conselheira Relatora entendeu que o primeiro Despacho Decisório restara nulo, porque o Poder Judiciário determinara a prolação de novo Despacho Decisório, e também, porque não haveria a devida motivação e fundamentação. E porque o primeiro seria nulo, o segundo Despacho Decisório seria posterior ao prazo hábil, de 5 anos, tendo como consequência a homologação tácita dos pedidos de compensação anteriores. Todavia, não se vislumbra a nulidade do primeiro Despacho Decisório. Com efeito, tratase de ato administrativo com todas os requisitos de validade, inclusive a motivação, a qual foi a falta de apresentação de arquivos digitais corretos, que fossem coerentes com as informações do Dacon e com as notas fiscais físicas. Vejase excerto do referido documento (...): De posse da mesma [documentação intimada], a primeira providência foi aferir a correção e consistência dos arquivos magnéticos e planilhas de apuração em confronto com os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) e livros fiscais. Desta verificação constatouse que as diferenças existentes entre eles são enormes, inviabilizando por completo o estabelecimento de um parâmetro de conferência. Observouse em cotejo perfunctório que os arquivos magnéticos também possuem inconsistências frente aos documentos fiscais que os maculam indelevelmente, ou seja, o arquivo eletrônico contendo rol de notas fiscais de aquisição não reflete com correção os dados constantes dos documentos físicos. Como exemplo, citemse as notas fiscais de venda com o fim específico de exportação, que não geram crédito da não cumulatividade, registradas como aquisição para revenda/insumo; aquisições de cooperativas, que tem tratamento tributário diferenciado a partir de abril/2006, registradas como efetuadas de pessoas jurídicas comuns; o arquivo eletrônico exigido pelo termo de intimação impunha a entrega da relação de toda as notas fiscais de entrada, independente de gerar crédito ou não, com a marcação daquelas aproveitadas no cálculo, todavia o arquivo apresentado não trouxe a integralidade de tais documentos; há casos em que constam aquisições no arquivo magnético e não foram apresentadas as notas fiscais, como exigido no termo; grande quantidade de notas fiscais de cerealistas e pessoas jurídicas agropecuárias com informação, em seu corpo, de saída com suspensão, entretanto, arroladas na relação eletrônica como garantidoras de crédito com cômputo integral; notas fiscais de Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 15578.000807/200921 Acórdão n.º 3201003.429 S3C2T1 Fl. 16 15 retorno de mercadoria computadas como aquisição de produtos; o arquivo apresentado não trouxe a indicação da filial onde ocorreu a operação. Ressalte se que todos os vícios detectados e acima apontados impedem a validação das informações perante os livros fiscais e o próprio DACON. Portanto, os arquivos digitais diferiam em grande medida das informações do Dacon, e assim, impedido de analisar o detalhamento dos créditos, e ainda, impedido de conceder prazo maior para que o contribuinte corrigisse tais arquivos, em vista da comando judicial no âmbito do Mandado de Segurança 2009.50.01.0049781, o qual determinara o prazo de 30 dias para conclusão da decisão, o Fisco, corretamente, não homologou as compensações. Verifico que essa decisão foi revista pelo Poder Judiciário, que determinou o aprofundamento da análise de mérito dos créditos. Não há, desse modo, a anulação do primeiro Despacho Decisório, mas o retorno do processo para sua correção. Tal procedimento é assaz comum em decisões do Carf, quando se ultrapassam questões preliminares e se determina a análise do mérito. Com esses fundamentos, afastei a preliminar suscitada, tese que restou vencedora por voto de qualidade. Registrese que os fatos apurados no processo paradigma correspondem aos mesmos fatos constantes dos processos dos recursos repetitivos, fato esse que possibilita o julgamento em conjunto. Além disso, destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar a preliminar de decadência parcial, relativamente à homologação tácita de parte da compensação declarada, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1769DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.908754/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.112
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o pagamento indevido informado no Per/Dcomp decorrera da exclusão das receitas relativas à Conta de Consumo de Combustíveis – CCC e à Conta de Desenvolvimento Energético – CDE, destinadas, respectivamente, a reembolsar parte do custo total de geração para atendimento ao serviço público de energia elétrica nos Sistemas Isolados e à promoção de desenvolvimento energético dos estados, com projetos de universalização dos serviços de energia elétrica, programa de subvenção aos consumidores de baixa renda e expansão da malha de gás natural. Segundo o então Manifestante, esses ingressos não são considerados receitas do contribuinte, não podendo incidir sobre eles o PIS e a Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 75 4/ 20 12 -9 9 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10983.908754/201299 Resolução nº 3201001.112 S3C2T1 Fl. 70 2 Requereu, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na devida incidência da contribuição não cumulativa sobre referidas receitas e na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado, tendo sido negada a realização de diligência, por se controverter nos autos tão somente sobre questão de direito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores que foram oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.908754/201299 Resolução nº 3201001.112 S3C2T1 Fl. 71 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.908754/201299 Resolução nº 3201001.112 S3C2T1 Fl. 72 4 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.908754/201299 Resolução nº 3201001.112 S3C2T1 Fl. 73 5 a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF
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