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Numero do processo: 11065.004467/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RITZEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 44 67 /2 00 5- 11 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 9303005.355 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380302.437. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 9303005.355 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 9303005.355 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 9303005.355 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 13016.000030/2005-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.370
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 00 30 /2 00 5- 10 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13016.000030/200510 Acórdão n.º 9303005.370 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.845. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13016.000030/200510 Acórdão n.º 9303005.370 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13016.000030/200510 Acórdão n.º 9303005.370 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13016.000030/200510 Acórdão n.º 9303005.370 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 11131.000334/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 19/07/2001 a 20/11/2002
CAPATAZIA. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Para fins de base de cálculo do Imposto sobre a Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional.
A inclusão no valor aduaneiro dos "gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação", conforme dispõe o parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, depende da vontade de cada país membro do Acordo. No caso do Brasil, o Decreto n° 92.930/86, que promulgou o Acordo sobre a Implementação do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Código de Valoração Aduaneira) e seu Protocolo Adicional, previu que tais itens deveriam ser incluídos no valor aduaneiro.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor.
(assinado com certificado digital)
Jorge Lock Olmiro Freire - Presidente
(assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
(assinado com certificado digital)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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II. Recorrente M.DIAS BRANCO IND.E COM. DE ALIMENT. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/07/2001 a 20/11/2002 CAPATAZIA. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Para fins de base de cálculo do Imposto sobre a Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional. A inclusão no valor aduaneiro dos "gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação", conforme dispõe o parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, depende da vontade de cada país membro do Acordo. No caso do Brasil, o Decreto n° 92.930/86, que promulgou o Acordo sobre a Implementação do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Código de Valoração Aduaneira) e seu Protocolo Adicional, previu que tais itens deveriam ser incluídos no valor aduaneiro. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. (assinado com certificado digital) Jorge Lock Olmiro Freire Presidente (assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 03 34 /2 00 6- 16 Fl. 258DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora (assinado com certificado digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração para cobrança da diferença de Imposto de Importação (II), acrescido dos juros de mora e de multa de ofício, por ter deixado a empresa de incluir na base de cálculo do imposto o valor da capatazia, referente ao manuseio da carga no desembarque da mercadoria no Porto de Fortaleza. A autuação envolve importações de trigo realizadas entre 19/07/2001 a 20/11/2002. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão n.º 0824.671 da 5ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/07/2001 a 20/11/2002 DESPESAS DE CAPATAZIA. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. No valor aduaneiro, base de cálculo do imposto de importação, são incluídos todos os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação, conforme art. 2º do Decreto nº 92.930/86. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. IMPOSIÇÃO LEGAL. Por imposição legal, nos casos de lançamento de ofício, aplicase a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. CRÉDITO PAGO APÓS VENCIMENTO. ACRÉSCIMO DE JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente para fatos geradores a partir de 01/01/1995. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 170) Intimada desta decisão em 12/04/2013, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 13/05/2013 (efls. 185/203) reiterando suas razões trazidas na Impugnação, alegando, em síntese: (i) a inaplicabilidade do Decreto n.º 4.543/2002, de 26/12/2002, indicado como fundamento da autuação para fatos geradores ocorridos antes da sua vigência (07/2001 a 11/2002); Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11131.000334/200616 Acórdão n.º 3402004.339 S3C4T2 Fl. 259 3 (ii) a inexistência de previsão legal para a inclusão dos fatos com descarregamento de mercadoria na base de cálculo do imposto de importação, uma vez que as despesas com capatazia não integram o conceito de valor aduaneiro dos artigos 1 e 8º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (AVA/GATT). Isso porque as despesas com capatazia são incorridas após a chegada no porto; (iii) a inaplicabilidade de decreto como meio de instituição da base de cálculo dos tributos à luz do princípio da legalidade; (iv) a desproporcionalidade e arbitrariedade da multa de ofício aplicada; e (v) a impossibilidade de se computar juros de mora pela taxa SELIC. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, adentrando em suas razões. Como relatado e como se depreende do Relatório Final de procedimento fiscal anexado ao Auto de Infração, o único fundamento para a autuação é a não inclusão pelo contribuinte dos valores relativos às despesas com capatazia na base de cálculo do Imposto de Importação (II). Como descrito pelo fiscal: "Ao verificarse a composição da base de calculo do Imposto de Importação, observouse que a importadora havia adicionado ao preço da mercadoria, trigo, ncm 1001.90.90, o valor do frete e do seguro, esquecendose de incluir o valor da capatazia referente ao manuseio da carga no desembarque da mercadoria no Porto de Fortaleza, conforme preceitua o Acordo de Valoração Aduaneira, aprovado pelo Decreto 1.355 de 30/12/94 e o art. 89, inciso II, do Decreto 91.030/1985." (efl. 15 grifei) Observase pela descrição acima e pelo enquadramento legal trazido no Auto de Infração que a fiscalização respaldou o auto de infração no Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos geradores autuados (Decreto n.º 91.030/85), e não no Decreto n.º 4.543/2002, como aduziu o Recorrente em seu tópico preliminar. Contudo, ainda que inexista inconsistência formal na autuação, entendo que no mérito assiste razão ao Recorrente. Isso porque inexiste fundamento legal para a inclusão das despesas com capatazia na base de cálculo do Imposto de Importação vez que essas despesas não estão incluídas no conceito de valor aduaneiro trazido no Acordo de Valoração Aduaneira Fl. 260DF CARF MF 4 (AVA/GATT), aprovado pelo Decreto 1.355/94, por serem incorridas após a chegada das mercadorias no porto nacional. Com efeito, consoante o próprio fundamento legal trazido na autuação, a base de cálculo do Imposto de Importação, quando da utilização de alíquota ad valorem, é o valor aduaneiro, na forma definida pelo Acordo de Valoração Aduaneira no Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (AVA/GATT), aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 30/1994 e promulgado pelo Decreto 1.355/94, que incorporou os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT. É o que expressa o art. 2º, II, do Decretolei n.º 37/66, reproduzido no art. 89, inciso II, do Decreto 91.030/85 indicado no relatório fiscal da autuação: Decretolei n.º 37/66 "Art.2º A base de cálculo do imposto é: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)" Regulamento Aduaneiro/1985 Decreto n.º 91.030/85 "Art. 89. A base de cálculo do imposto é (Decretolei n.º 37/66, art. 2º e Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), art. VIII): (...) II quando a alíquota for ad valorem, o valor aduaneiro definido no artigo VII do Acórdo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), no qual o Brasil é parte." (grifei) Atentandose para a disciplina do AVA/GATT, observase que o conceito de valor aduaneiro é o valor de transação da mercadoria, sendo passível de serem incluídos os valores despendidos com o custo, o transporte e o seguro (preço CIF) despendidos até o porto de destino (local da importação). Nos termos do Artigo 8 do Acordo sobre a implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994: “Artigo 8 (...) 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transportes de mercadoria importadas até o ponto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) o custo do seguro (…)” (grifei). Insta frisar que a análise do conceito de valor aduaneiro já foi enfrentada pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento no Recurso Extraordinário n.º 559.937 em sede de repercussão geral1, sendo identificado como o preço CIF da mercadoria 1 Trata do julgamento quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS impostação, cujo voto da ministra relatora Ellen Gracie foi acompanhado pela unanimidade dos Ministros. Em razão de sua saída do tribunal, a redação do acórdão foi atribuída ao Ministro Dias Toffoli. (RE 559937, Relatora Ministra Ellen Gracie, Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11131.000334/200616 Acórdão n.º 3402004.339 S3C4T2 Fl. 260 5 (custo, seguro e frete). Esse conceito foi bem elucidado no voto da Ministra relatora Ellen Gracie e no manifestação de voto do Ministro Luiz Fux, este último abaixo reproduzido: "O Conceito de valor aduaneiro é o mesmo corrente no âmbito do comércio exterior, com referências expressas na legislação, de modo que se deve considerar a previsão constitucional como dizendo respeito ao sentido técnico da expressão constante do próprio GATT. Nesta linha de pensar, a base de cálculo é o preço CIF (Cost, Insurance and Freigt), ou seja, referência ao preço para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País, considerando o seu custo, o seguro e o frete, nada mais!" (grifei) Sob esta perspectiva, o valor aduaneiro considera o preço da mercadoria até a chegada no porto (preço CIF), não abrangendo aqueles dispêndios ocorridos após a chegada no porto de destino, como é o caso das despesas com capatazia. Com efeito, como consignado pela própria fiscalização, as despesas com capatazia são incorridas após a chegada das mercadorias no porto, tratandose daqueles valores despendidos no desembarque e armazenagem da mercadoria quando de sua chegada no país de destino, dentro das instalações do porto. A definição deste serviço foi elucidada pela Lei n.º 12.815/2013, denominada de lei dos portos: "Art. 40. O trabalho portuário de capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações, nos portos organizados, será realizado por trabalhadores portuários com vínculo empregatício por prazo indeterminado e por trabalhadores portuários avulsos. § 1o Para os fins desta Lei, consideramse: I capatazia: atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário;" (grifei) Assim, como despesas incorridas após a chegada no porto, a capatazia não compõe o valor aduaneiro das mercadorias, não integrando, portanto, a base de cálculo do Imposto de Importação. Esse raciocínio é igualmente depreendido do Decreto n.º 2.498/19982, vigente à época dos fatos geradores, que indica que somente os gastos de carga e descarga incorridos até a chegada no porto podem ser incluídos no valor aduaneiro: "Dos elementos que integram o valor aduaneiro Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; Relator p/ Acórdão Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, Repercussão Geral Mérito DJe 206 Divulg. 16/10/2013 Public. 17/10/2013). 2 Dispõe sobre a aplicação do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994. Fl. 262DF CARF MF 6 II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II." (grifei) Dessa forma, o conceito de valor aduaneiro não inclui as despesas com capatazia, incorridas após a chegada no porto de destino. Esse é o entendimento vem sendo aplicado de forma reiterada pelo Superior .Tribunal de Justiça STJ, como se depreende, a título exemplificativo, dos seguintes julgados das primeira e segunda turmas: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS DE CAPATAZIA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 4º, § 3º, DA IN SRF 327/2003. ILEGALIDADE. PRECEDENTES. 1. Ambas as Turma da Seção de Direito Público desta Corte já se manifestaram no sentido de que o §3º do art. 4º da IN SRF n° 327/2003 acabou por contrariar tanto os artigos 1º, 5º, 6º e 8º do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira) quanto o art. 77, I e II, do Regulamento Aduaneiro de 2009, ao prever a inclusão no valor aduaneiro dos gastos relativos à descarga no território nacional, ampliando ilegalmente a base de cálculo dos tributos incidentes sobre o valor aduaneiro, uma vez que permitiu que os gastos relativos à carga e à descarga das mercadorias ocorridas após a chegada no porto alfandegado fossem considerados na determinação do montante devido. Nesse sentido: REsp. n. 1.239.625SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4.9.2014; e AgRg no REsp. n. 1.434.650 CE, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26.5.2015. 2. Recente julgado desta Segunda Turma seguiu essa orientação (REsp nº 1.528.204, Rel. p/ acórdão, Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 9.3.2017, DJe 19.4.2017). 3. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1066048/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 23/05/2017, DJe 30/05/2017 grifei) "RECURSO ESPECIAL. ADUANEIRO. TRIBUTÁRIO. CONCEITO DE VALOR ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO CUSTO DOS SERVIÇOS DE CAPATAZIA PRESTADOS NO PAÍS DE IMPORTAÇÃO APÓS A CHEGADA NO PORTO OU LOCAL DE IMPORTAÇÃO. 1. Para uma correta interpretação do art. 8º do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira), é necessário analisar o sistema de valoração aduaneira como um todo. Decerto, há seis maneiras distintas de se chegar ao valor aduaneiro que devem ser usadas nessa ordem: 1ª) valor de transação; 2º) valor de mercadorias idênticas; 3º) valor de mercadorias similares; 4º) valor pelo método dedutivo; 5º) valor pelo método computado e 6º) valor pelo método residual. Muito embora façam uso de métodos distintos, todas buscam chegar a um resultado que seja uniforme. 2. Não faz sentido algum imaginar que os custos com o serviço de capatazia no país importador não façam parte da valoração aduaneira pelos métodos dedutivo e computado e o façam pelo método do valor de transação. A conclusão correta é que, em todos os casos, a solução há que ser uniforme excluindo tais custos da valoração aduaneira. 3. Assim, o §3º do art. 4º da IN SRF n° 327/2003, acabou por contrariar tanto os artigos 1º, 5º, 6º e 8º do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11131.000334/200616 Acórdão n.º 3402004.339 S3C4T2 Fl. 261 7 quanto o art. 77, I e II, do Regulamento Aduaneiro de 2009, ao prever a inclusão no valor aduaneiro dos gastos relativos à descarga no território nacional, ampliando ilegalmente a base de cálculo dos tributos incidentes sobre o valor aduaneiro, uma vez que permitiu que os gastos relativos à carga e à descarga das mercadorias ocorridas após a chegada no porto alfandegado fossem considerados na determinação do montante devido. Nesse sentido, já decidiram ambas as Turmas do Superior Tribunal de Justiça no REsp. n. 1.239.625SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 04.09.2014, e no AgRg no REsp. n. 1.434.650 CE, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26.05.2015. 4. Recurso especial não provido." (REsp 1528204/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Rel. p/ Acórdão Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 09/03/2017, DJe 19/04/2017 grifei) "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS DE CAPATAZIA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 4º, § 3º, DA IN SRF 327/2003. ILEGALIDADE. 1. Cingese a controvérsia em saber se o valor pago pela recorrida ao Porto de Itajaí, referente às despesas incorridas após a chegada do navio, tais como descarregamento e manuseio da mercadoria (capatazia), deve ou não integrar o conceito de "Valor Aduaneiro", para fins de composição da base de cálculo do Imposto de Importação. 2. Nos termos do artigo 40, § 1º, inciso I, da atual Lei dos Portos (Lei 12.815/2013), o trabalho portuário de capatazia é definido como "atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário". 3. O Acordo de Valoração Aduaneiro e o Decreto 6.759/09, ao mencionar os gastos a serem computados no valor aduaneiro, referemse à despesas com carga, descarga e manuseio das mercadorias importadas até o porto alfandegado. A Instrução Normativa 327/2003, por seu turno, referese a valores relativos à descarga das mercadorias importadas, já no território nacional. 4. A Instrução Normativa 327/03 da SRF, ao permitir, em seu artigo 4º, § 3º, que se computem os gastos com descarga da mercadoria no território nacional, no valor aduaneiro, desrespeita os limites impostos pelo Acordo de Valoração Aduaneira e pelo Decreto 6.759/09, tendo em vista que a realização de tais procedimentos e movimentação de mercadorias ocorre apenas após a chegada da embarcação, ou seja, após a sua chegada ao porto alfandegado. 5. Recurso especial não provido." (REsp 1.239.625/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 04/09/2014, DJe 04/11/2014) Cumpre mencionar que a Instrução Normativa n.º 327/2003, declarada ilegal pelos julgados acima ementados por determinar expressamente a inclusão das despesas com capatazia na base de cálculo do II, sequer estava vigente à época dos fatos geradores autuados (07/2001 a 11/2002). Desta forma, entendo que agiu corretamente o contribuinte ao deixar de incluir as despesas com capatazia na base de cálculo do imposto de importação, por se tratarem de valores que não compõem o valor aduaneiro na forma do AVA/GATT, devendo ser cancelada a autuação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 264DF CARF MF 8 É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11131.000334/200616 Acórdão n.º 3402004.339 S3C4T2 Fl. 262 9 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento do presente processo ousei divergir do voto da Ilustre Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, eis que entendo que os gastos a título de capatazia integram o valor aduaneiro que serve de base de cálculo para o Imposto sobre a Importação. O Artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira assim estabelece: Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (......) 2. Ao elaborar sua legislação, cada membro devera prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguinte elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) o custo do seguro. Dessa forma, a inclusão dos "gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação" no denominado "valor aduaneiro", conforme dispõe o parágrafo 2 do artigo 8 do AVA, depende de cada país membro, ao elaborar a sua legislação, prever a inclusão ou a exclusão deles, no todo ou em parte. No caso do Brasil, o Decreto n° 92.930/86, que promulgou o Acordo sobre a Implementação do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Código de Valoração Aduaneira) e seu Protocolo Adicional, previu que tais elementos deveriam ser incluídos no valor aduaneiro, na seguinte forma: Art. 2º Na base de cálculo do imposto de importação, definida de conformidade com o acordo que com este decreto se promulga, serão incluídos os elementos a que se referem as alíneas a, b, e c, do parágrafo 2, de seu artigo oitavo. [grifei] A base de cálculo do Imposto sobre a Importação foi estabelecida, com força de lei, pelo art. 2º, II do Decretolei nº 37/66, na redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, como "quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT". Dessa forma, resta evidente a opção do legislador ordinário nacional de adotar a base de cálculo do imposto apurada nos termos do Código de Valoração Aduaneira tal como promulgado no País pelo Decreto n° 92.930/86, ou seja, com a opção brasileira de Fl. 266DF CARF MF 10 inclusão no valor aduaneiro dos "gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação". Mais tarde veio o Decreto nº 2.498/98, em seu art. 17, deixar ainda mais explícito esse entendimento, nestes termos: Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II. Assim, ao contrário do que alega a recorrente, é legítima a inclusão dos gastos com capatazia no valor aduaneiro para fins de incidência do Imposto sobre a Importação. O Conselheiro Rosaldo Trevisan já analisou essa questão, sob outra ótica, tendo concluído nesse mesmo sentido, conforme exposto no seu Voto no Acórdão nº 3401 003.138 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 17 de março de 2016, abaixo transcrito: (...) E o AVA prevê que a base de cálculo do imposto de importação será o "valor aduaneiro", estabelecido segundo seis métodos sequenciais e sucessivos, consagrandose o primado do valor da transação, com os ajustes (obrigatórios e facultativos) previstos no acordo. Um dos ajustes facultativos está previsto no Artigo 8,2 do Acordo:3 "(...) 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (...)." (grifo nosso) (...) Da mesma forma, quando dizemos que podem (a critério dos países membros) ser incluídos custos de transporte, e de carga (ou carregamento), descarga (ou descarregamento) e manuseio a ele associados, "até o porto", que é uma área, e não um ponto (aliás isso resta claro no art. 3º, I "a" do Regulamento Aduaneiro brasileiro Decreto no 6.759/2009), estamos nos referindo inclusive a gastos incorridos no porto, como a descarga? E uso, na pergunta, a descarga (ao invés da carga e do manuseio), propositalmente, porque é pouco provável que venha a existir descarga no porto de embarque, no exterior. Estaria o legislador internacional disciplinando, com o termo "descarga", presente em todos os idiomas do AVA, somente os Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11131.000334/200616 Acórdão n.º 3402004.339 S3C4T2 Fl. 263 11 casos em que a mercadoria sofresse a operação em ponto intermediário do transporte? Entendemos que não, e estamos, com tal visão, na companhia de um dos maiores especialistas do mundo em valoração aduaneira, o argentino Daniel ZOLEZZI, que foi presidente do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial das Aduanas (Conselho de Cooperação Aduaneira), e, em sua conhecida obra sobre o tema, revelou: "Los gastos de descarga, por lo general, sólo tienen lugar en el puerto o lugar de importación, hecho que los redactores del Acuerdo conocían bien. Si hubieran pensado incluir en la base de valoración únicamente a los gastos de descarga en los que se incurre en puertos o lugares intermedios, la redacción del Artículo 8 del Acuerdo hubiera sido otra".4 (...) Também a União Europeia, em suas três codificações, tratou do tema, cabendo aqui mencionar a última Regulamento UE no 952/2013, especificamente em seu artigo 71, 1, "e", que considera, no valor aduaneiro: "e) As seguintes despesas, até ao local onde as mercadorias são introduzidas no território aduaneiro da União: i) as despesas de transporte e de seguro das mercadorias importadas, e ii) as despesas de carga e de manutenção conexas com o transporte das mercadorias importadas." Ausente, também aí, a "descarga". Entretanto, patente a restrição ao Art. 8,2 do AVA, com a menção a "introdução no território aduaneiro da União". O MERCOSUL, por seu turno, resolveu simplesmente transformar a faculdade outorgada no Art. 8,2 do AVA em obrigatoriedade, como resta claro do Artigo 5º da "Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias", Anexa à Decisão do Conselho do Mercado Comum (CMC) nº 13/2007 (incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 6.780/2009): "Artigo 5. Ao valor aduaneiro serão incluídos os seguintes elementos: a) os gastos de transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; b) os gastos com carga, descarga e manuseio, ocasionados pelo transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; c) o custo do seguro das mercadorias." (grifo nosso) (...) Em síntese, o MERCOSUL fez exatamente o que o Brasil já havia feito ao incorporar o acordo de valoração aduaneira resultante da Rodada Tóquio do GATT, basicamente com as mesmas disposições, no Decreto no 92.930/1986 (art. 2º). No mesmo sentido, a Argentina editou o Decreto no 1.026/1987 (com a inclusão no art. 5º). Há que se destacar, assim, na análise internacional, que não há qualquer comando em tratado internacional vigente que obrigue expressamente nem a inclusão nem a exclusão das despesas com Fl. 268DF CARF MF 12 operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional. (...) Incorreto, assim, afirmarse que a vedação à inclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional encontra expressa vedação no AVA. (...) Não é preciso muito esforço para concluir que o Brasil adotou base mais próxima do CIF (com seguro e frete) nas importações, ao incluir os ajustes que o AVA considerou facultativos (Art. 8,2).10 Mas o que buscamos é destacar que também aí, no INCOTERM "CIF", está presente a expressão "até o porto de destino". Vejamos, então, como é entendida, na única tradução efetuada no Brasil, por especialista em publicações da CCI: "O vendedor deve pagar todas as despesas relativas às mercadorias, até que tenham sido entregues ao transportador, a bordo do navio, mais o frete o outros custos para enviar a mercadoria até o local de destino, incluindo as despesas de descarregamento".11 (...) A análise nacional, no Brasil, inicia com o Decreto no 2.498/1998, primeira disciplina brasileira da matéria na era pósOMC, que se limitou a copiar o texto do Art. 8,2 do AVA em seu artigo 17:12 (...) Em relação à disciplina procedimental, a primeira norma da era pósOMC a tratar da matéria, no Brasil, foi a Instrução Normativa SRF nº 16/1998, em seus arts. 2º e 3º: "Art. 2o Na apuração do valor aduaneiro, qualquer que seja a condição de entrega da mercadoria negociada entre o importador e o exportador, bem como o método de valoração utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações indicadas nos incisos anteriores." "Art. 3o O valor aduaneiro não abrangerá os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e (...)" Veja que a norma trabalha com as expressões "até a chegada aos locais" (ao se referir ao excerto do AVA que usa "até o porto ou local" Art. 8,2) e "a partir dos locais" (ao se referir ao Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11131.000334/200616 Acórdão n.º 3402004.339 S3C4T2 Fl. 264 13 excerto do AVA que faz menção a custos de transporte "após a importação" Nota Interpretativa ao Artigo 1,3). (...) No Brasil, somente nos portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados (conhecidos como locais de "zona primária") poderá efetuarse a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas (art. 8º do Regulamento Aduaneiro). Assim, objetivou a Instrução Normativa esclarecer que ficava vedada a inclusão, no valor aduaneiro, de qualquer custo incorrido "do portão para fora" do porto, por exemplo. E tal fórmula se repetiu em normas posteriores, chegando aos Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009. E dela decorre o Ato Declaratório da Coordenação Geral de Administração Aduaneira (AD COANA) nº 3/2000: "Os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada". No Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002), a matéria foi disciplinada nos artigos 77 e 79: "Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994):(Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II." (grifo nosso) "Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994): (...) II os custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77." (grifo nosso) (...) Não se vê, pelos textos aqui transcritos, nenhuma incompatibilidade entre os dispositivos normativos apontados. A utilização da expressão "até a chegada ao" (presente, v.g., no art. 77, II do Regulamento Aduaneiro e no art. 4º, II da Instrução Normativa SRF no 327/2003) não é incompatível com o teor do Ato Declaratório COANA nº 3/2000, ou com o § 3º do art. 4º da Fl. 270DF CARF MF 14 Instrução Normativa SRF no 327/2003, visto que todos fazem parte de uma mesma contextualização nacional do AVA, historicamente construída, dentro da faculdade outorgada no âmbito do acordo. Da análise nacional do tema, então, não brota dissonância interna, nem em relação ao AVA. Podese até discordar da decisão do país em optar por incluir as despesas com descarga no valor aduaneiro, ou afirmar que a maioria dos países do mundo segue linha diversa, mas não há fundamento, com a legislação hoje vigente, para dizer que isso afronte o AVA, internacionalmente, ou mesmo o Regulamento Aduaneiro brasileiro. (...) Nessa esteira também esclarece o Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, em Voto vencedor no Acórdão nº 3302003.177– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de abril de 2016, "(...) Logo, revelase apropriado asseverar que o ato de transporte internacional das mercadorias importadas não se esgote com o seu mero carregamento, no país de origem, mas abranja, por imperativo lógico, também o descarregamento no local de destino, sob pena de não se concretizar a efetiva introdução da mercadoria no recinto alfandegado do local de chegada no território nacional. Induvidosamente, tratase de um conjunto de atos que precedem os atos de formalização da entrada da mercadoria no território aduaneiro, que se encerra com ato de desembaraço aduaneiro". Quanto à alegação da recorrente de que o art. 77, II do Regulamento Aduaneiro não estaria vigente na data de algumas importações, há de se esclarecer que tal dispositivo somente consolidou disposições já vigentes sobre o Acordo de Valoração Aduaneira e sua promulgação no Brasil, no que não lhe resultou qualquer prejuízo. No que concerne à multa de ofício não qualificada, a mera falta de recolhimento, como ocorreu no caso, é motivo suficiente para sua incidência no percentual de 75%, conforme previsto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, não sendo lícita a sua exclusão pelo agente administrativo por questões de proporcionalidade ou razoabilidade. Por fim, quanto à taxa Selic, a sua legitimidade já é matéria sumulada neste CARF, sendo de aplicação obrigatória pelos seus membros a teor de seu Regimento Interno, nestes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11131.000334/200616 Acórdão n.º 3402004.339 S3C4T2 Fl. 265 15 Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720020/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008, 2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas, aí incluídas aquelas veiculadas por decreto, havendo expressa vedação legal inserta no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/09.
IMUNIDADE OBJETIVA. IPI. DERIVADOS DE PETRÓLEO. RIPI.
Nos termos do art. 18, IV e § 3º do Decreto nº 4.544/02, que regulamenta o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, são imunes do imposto os derivados de petróleo, assim entendidos os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos, não englobando o asfalto diluído e o cimento asfáltico, obtidos em etapas subseqüentes da cadeia produtiva, a partir da mistura de diversos componentes e substâncias.
Numero da decisão: 3401-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator, quanto à existência de imunidade, no caso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas, aí incluídas aquelas veiculadas por decreto, havendo expressa vedação legal inserta no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/09. IMUNIDADE OBJETIVA. IPI. DERIVADOS DE PETRÓLEO. RIPI. Nos termos do art. 18, IV e § 3º do Decreto nº 4.544/02, que regulamenta o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, são imunes do imposto os derivados de petróleo, assim entendidos os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos, não englobando o asfalto diluído e o cimento asfáltico, obtidos em etapas subseqüentes da cadeia produtiva, a partir da mistura de diversos componentes e substâncias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator, quanto à existência de imunidade, no caso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 20 /2 01 2- 24 Fl. 1007DF CARF MF 2 LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase auto de infração, situado às fls. 324 a 341, que formaliza a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em decorrência de saída de produtos do estabelecimento da contribuinte com emissão de nota fiscal sem lançamento do imposto por entender que seus produtos gozam da imunidade tributária prevista no § 3º do artigo 155 da CF, de 1988, formulado em 09/10/2008, no valor histórico de R$ 5.474.935,58. 2. A contribuinte, cientificada pessoalmente em 03/04/2012, conforme termo situado à fl. 349, apresentou, em 03/05/2012, impugnação, situada às fls. 100110, argumentando, em síntese, que: (i) a imunidade das mercadorias discutidas no presente processo não são objeto de ação judicial; (ii) os derivados do petróleo estão imunes de IPI, nos termos do §3º do art. 155 da Constituição de 1988 com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 03/1993; (iii) a imunidade é regulamentada pelo art. 18 do Regulamento do IPI, o Decreto nº 4.544/2002; (iv) a Resolução ANP nº 02/2005 dispõe que os asfaltos são derivados do petróleo; (v) os cimentos asfálticos de petróleo e os asfaltos diluídos objetos da autuação correspondem a produtos in natura obtidos no processo de refinação, nos termos da Solução de Consulta SRRF da 7ª Região Fiscal nº 374/2003, que afasta do âmbito da imunidade apenas as emulsões asfálticas, questão essa tratada em ação judicial movida pela empresa contra a União Federal; (vi) as mercadorias revendidas pela contribuinte autuada são produzidas e vendidas diretamente pela Petrobrás sem incidência do IPI e revendidas sem qualquer valor agregado no produto, pois o estabelecimento da recorrente é apenas administrativo, e não industrial; (vii) o Decreto nº 6.006/2006 não pode limitar o âmbito da imunidade tributária; e (viii) a possibilidade de manter créditos de IPI referentes às aquisições de matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas com alíquota zero, conforme entendimento do STF exarado no RE 357.277/RS. 3. Em sessão de 09/09/2013, foi proferido o Acórdão DRJ nº 14 44.592, situado às fls. 471 a 486, e proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sob a relatoria e presidência da AuditoraFiscal Marcela Cheffer Bianchini, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a manifestação de inconformidade intentada, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13864.720020/201224 Acórdão n.º 3401003.855 S3C4T1 Fl. 1.008 3 AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE SAÍDAS COM ERRO DE APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. A Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto n° 97.410, de 1988 e alterações, registrou, em todo o período abrangido pela autuação, interpretação restritiva para a expressão “derivados de petróleo”. Em decorrência disso, as posições tarifárias 2713.20.00 e 2715.00.00, vinculadas ao capítulo destinado aos derivados de petróleo e onde se encontram os produtos cimento asfáltico, asfalto diluído e emulsões asfálticas acusaram alíquotas de 4% e 5% para fins de incidência do IPI, o que confirma a legitimidade do imposto lançado no auto de infração. CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÕES SEM DESTAQUE DO IPI. O direito ao aproveitamento do crédito de IPI condicionase, a que seja efetivamente onerada pelo imposto a aquisição do insumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese os pedidos de perícia, por prescindíveis, quando a matéria técnica passível de análise em tal procedimento, não interferir nas questões de direito que determinaram a convicção do julgador, bem como na formação de seu juízo valorativo acerca do litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. A contribuinte interpôs, em 05/11/2013, recurso voluntário, situado às fls. 742 a 761, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação quanto à imunidade e manutenção dos créditos em aquisições sem destaque do IPI. Fl. 1009DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Necessário, (i) em primeiro lugar, e antes de se adentrar no mérito da vexata quaestio, verificarse a existência ou não de concomitância entre o presente processo administrativo e o Processo nº 2006.34.00.0192504 (Processo nº 0019016 47.2006.4.01.3400), que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com decisão todavia não transitada em julgado: 7. Verificase, a partir da análise das peças constantes dos presentes autos, assentindose com a análise realizada tanto pela autoridade fiscal como pela decisão recorrida, que o processo judicial em referência trata especificamente de “emulsões asfálticas”, enquanto que o presente processo administrativo discute o asfalto diluído (código NCM nº 2715.00.00) e o cimento asfáltico (código NCM nº 2713.20.00), não se reconhecendo, portanto, a concomitância entre os processos. 8. Em (ii) segundo lugar, necessário se analisar a alegação da recorrente de não ser contribuinte de IPI, por se tratar de estabelecimento administrativo que não realiza qualquer industrialização, uma vez que as mercadorias por ela revendidas, sem qualquer valor agregado, são adquiridas de refinaria da Petrobrás – Petróleo Brasileiro, que as produz. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 13864.720020/201224 Acórdão n.º 3401003.855 S3C4T1 Fl. 1.009 5 9. Depreendese, da leitura do relatório fiscal e dos documentos constitutivos da empresa, que a contribuinte tem, como atividade econômica, a “produção, armazenamento, distribuição e comercialização de asfaltos, emulsões asfálticas de código de classificação fiscal da TIPI 2713.20.00 e 2715.00.00” (g.n.). Acrescese a este fato que, da análise da DIPJ do anobase 2008, o código informado pela autuada para o estabelecimento é “01 – industrial/transformação”. O código nacional de atividade econômica (CNAE) informado no sistema CNPJ, por sua vez, é 2099199, referente a “Fabricação de outros produtos químicos não especificados anteriormente” (g.n.), havendo, ainda, um CNAE Secundário, código nº 4684299, referente a “Comércio atacadista de outros produtos químicos e petroquímicos não especificados anteriormente”, sendo o tipo de unidade 00 unidade produtiva. Por fim, no curso do procedimento de fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração em análise, em 26/07/2011 a contribuinte apresentou à autoridade fiscal uma relação descritiva com os principais produtos industrializados que produz, na qual consta nome, classificação fiscal e alíquota respectiva, entre os quais se encontram o asfalto diluído, a emulsão asfáltica e o cimento asfáltico. Tampouco deve prosperar o argumento da contribuinte no sentido de que a coincidência dos CFOPs na entrada e na saída comprovariam não ter havido industrialização, pois não se preocupou em realizar a comparação dos códigos nas notas de entrada e de saída, tendo apresentado, tão somente, o código das saídas. 10. Há de se esclarecer, não obstante os argumentos acima, que tais produtos são matériasprimas e, logo, por decorrência do art. 519 do RIPI/2002, devem ser considerados como bens de produção. O art. 9º do diploma em referência, por sua vez, vaticina que a saída de bens de produção equipara, nos termos do art. 9º do RIPI/2002, o estabelecimento a industrial. Assim, por todos os ângulos que se observe a questão, flagrantemente improcedente o argumento da contribuinte no sentido de que se trataria de estabelecimento meramente administrativo e, logo, não sujeito ao recolhimento do IPI. 11. Necessário se perscrutar se o asfalto diluído (CM30) e o cimento asfáltico de petróleo (CAP 30/45 e 50/70), são ou não derivados de petróleo à luz da legislação tributária federal, e, portanto, imunes ao IPI. 12. Inexiste dúvida quanto à classificação adotada para os produtos em referência: tanto contribuinte como autoridade fiscal são uniconcordes ao entender que a matéria se volta à análise dos seguintes produtos: (a) asfalto diluído, sob o código NCM nº 2715.00.00, sujeito, segundo a TIPI, a uma alíquota de IPI de 5%; e (b) cimento asfáltico, sob o código NCM nº 2713.20.00, sujeito, segundo a TIPI, a uma alíquota de IPI de 4%. 13. Alega a contribuinte em suas razões recursais estar o aplicador diante de regra de imunidade, nos termos do §3º do art. 155 da Constituição de 1988 com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 33/1993, cujo preceptivo normativo estabelece a impossibilidade de cobrança do IPI sobre derivados do petróleo nos seguintes termos: Constituição de 1988 – Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II [ICMS] do caput deste artigo e o art. 153, I e II [tributos aduaneiros], nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País – (seleção, grifos e colchetes nossos). Fl. 1011DF CARF MF 6 14. Assim, estáse diante de imunidade do tipo objetiva: salvo no caso de ICMS ou de tributos aduaneiros, escapa da competência do Estado a cobrança de quaisquer outros impostos sobre aqueles produtos derivados do petróleo. 15. A autoridade fiscal, no entanto, autuou a contribuinte com base na existência de uma alíquota indicada na TIPI, decisão mantida pelo acórdão de primeira instância administrativa sob o fundamento de que "(...) a indicação de uma alíquota aplicável é justamente demonstração absoluta de que o legislador entendeu o produto como tributável". O julgador a quo prossegue seu esclarecimento no seguinte sentido: "Não haveria qualquer sentido em se determinar uma alíquota aplicável em se tratando de produto que é objetivamente imune. Aliás, aos imunes, a tabela a nota a sigla 'NT' (nãotributável) (...) Dito isso, concluise que o Executivo Federal houve por bem interpretar a norma constitucional de forma restritiva" – (seleção nossa). 16. Antes de se rechaçar a afirmação acima, em (iii) terceiro lugar, necessário perquirir a competência deste Conselho para a análise da matéria, de índole supostamente constitucional, máxime diante do quanto predicado tanto pela Súmula CARF nº 02 como pelo caput do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972. A decisão recorrida toma de empréstimo, como lastro positivo de sua disposição, o Decreto nº 6.006/2006, que, por sua vez, representa o entendimento do Poder Executivo acerca dos limites à imunidade estabelecida pelo texto constitucional, o que, em um primeiro momento, ceifa a jurisdição deste colegiado. No sentido do enfrentamento entre texto executivo e texto constitucional, entendeu o julgador de primeiro piso nos seguintes termos: “A questão posta então seria: o que devemos tomar por prevalente, a tese do cabimento incondicional da ótica da literalidade, defendida pela contribuinte, ou o posicionamento do Executivo para quem impõese a visão restritiva do texto constitucional? Porém tal debate é estéril na esfera administrativa, na qual o julgador subsumese à vinculação que lhe é imposta pelo princípio da presunção de legitimidade dos textos normativos em vigor, ou seja, decidese administrativamente partindose do pressuposto de que todos os comandos normativos em vigência foram recepcionados pelo ordenamento jurídico pátrio” – (seleção e grifos nossos). 17. Tal entendimento, no entanto, não é correto, pois o conflito aparente de normas objeto da apreciação deste colegiado não deve ser entre o Decreto nº 6.006/2006 e Constituição, mas entre o Decreto nº 6.006/2006 e Decreto nº 4.544/2002, ou, em outras palavras, entre a Tabela e o Regulamento do IPI, que explicita a seguinte determinação: Decreto nº 4.544/2002 (RIPI) Art. 18. São imunes da incidência do imposto: (...) IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição, art. 155, § 3º). 18. Confirmada a competência deste Conselho para a análise da matéria, dois passam a ser os desdobramentos sucessivos a serem enfrentados: (iv) se deve ser aplicada, Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13864.720020/201224 Acórdão n.º 3401003.855 S3C4T1 Fl. 1.010 7 à espécie, a regra veiculada pelo RIPI ou pela TIPI; e (v) se os produtos objeto da presente autuação são ou não derivados do petróleo. 19. Quanto ao item (iv), a antinomia entre normas de idêntica hierarquia em regra é resolvida por meio do critério cronológico, segundo o qual "lex posteriori derrogat lex anteriori", ou por meio de especialidade, uma vez que “lex specialis derrogat generali”. No entanto, ao menos no direito brasileiro, a aplicação do direito deve ser feita de acordo com regras de competência em razão da matéria, o que não é novo ao âmbito da aplicação: tal raciocínio possibilitou ao Supremo Tribunal Federal descortinar a existência, e.g., de leis complementares "materialmente ordinárias", como se teve notícia, em 2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 377.4573/PR (“Cofins incidente sobre sociedades civil de profissões regulamentadas”). Assim, os regulamentos, tais como o Regulamento Aduaneiro (R.A.), o Regulamento do Imposto de Renda (RIR), o Regulamento do IPI (RIPI), o Regulamento do IOF (RIOF), o Regulamento do ITR (RITR), o Regulamento da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, o Regulamento do Processo Administrativo Federal (PAF) ou o Regulamento da CPMF têm, como fundamento de validade não o fundamento geral dos decretos executivos presidenciais, mas, na condição de reunião de leis federais (aprovadas pelo Congresso Nacional), o art. 13 da Lei Complementar nº 95/1998: Lei Complementar nº 95/1998 – Art. 13. As leis federais serão reunidas em codificações e consolidações, integradas por volumes contendo matérias conexas ou afins, constituindo em seu todo a Consolidação da Legislação Federal. § 1º A consolidação consistirá na integração de todas as leis pertinentes a determinada matéria num único diploma legal, revogandose formalmente as leis incorporadas à consolidação, sem modificação do alcance nem interrupção da força normativa dos dispositivos consolidados. 20. Assim, a redação de um decreto deve preservar o conteúdo normativo original dos dispositivos consolidados, tornandoos unicamente orgânicos e sistematizados. Não é diverso o objetivo do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI) que, por seu turno, deve se valer das especificações da TIPI: especificações, esclareçase, que não podem evidentemente se chocar com aquelas do regulamento, que consolida posição majoritária, em detrimento da TIPI, que veicula disposição executiva, regulamentar ou administrativa. Neste sentido, a tarefa dos Regulamentos encontra fundamento na própria ordem constitucional, cujo art. 59, que se volta a tratar do processo legislativo, determina, em seu parágrafo único, que a lei complementar deverá dispor sobre a consolidação das leis, tarefa que, como se viu, coube à Lei Complementar nº 95/1998. Logo, aquilo que inicialmente mereceria tratamento indistinto na forma de "decretos", nomen iuris generalizante, revela natureza jurídica diversa, pois, em que pese o idêntico rótulo, como se sabe desde a publicação da clássica obra de 1975 de autoria de José Souto Maior Borges1, devem tais instrumentos ser separados ratione materiae. O regulamento, portanto, ao expressar força de lei, sob os auspícios da disciplina integrativa veiculada pela norma complementar de fundamento constitucional, afasta a TIPI naquilo em que for contrária às suas disposições, prevalecendo, portanto, a previsão do art. 18 do Decreto nº 4.544/2002, tornando forçoso, portanto, a este colegiado reconhecer a regra de aplicação da imunidade dos derivados de petróleo. 1 BORGES, José Souto Maior. Lei Complementar Tributária, São Paulo: Editora RT, 1975. Fl. 1013DF CARF MF 8 21. Cabe, por fim, responder à indagação sobre (v) serem ou não os produtos em análise derivados do petróleo. Nesta direção, a contribuinte argumenta que a Resolução ANP nº 02/2005 dispõe que os asfaltos são derivados do petróleo e realiza explanação no sentido de que os cimentos asfálticos de petróleo e os asfaltos diluídos objetos da autuação correspondem a produtos in natura obtidos no processo de refinação, nos termos da Solução de Consulta SRRF da 7ª Região Fiscal nº 374/2003, que afasta do âmbito da imunidade, na verdade, apenas as “emulsões asfálticas”, questão essa tratada em ação judicial movida pela empresa contra a União Federal e que, conforme análise supra, não faz parte do presente processo administrativo. 22. Entendemos, no entanto, que a argumentação da contribuinte, em que pese se reconhecer a robustez de tais argumentos, é falha ao não enfrentar a questão a partir das NESH, sobremaneira ao se ter em conta que a classificação fiscal se trata de matéria incontroversa entre os ora jurisdicionados. Assim, para se alcançar a classificação correta, é necessário se recorrer a um quadro de referências normativas bastante específico, a começar pelas regras gerais de interpretação (RGI) estabelecidas no anexo da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias firmada em 1983, à qual o Brasil veio a aderir três anos depois, e que dão base à Tarifa Externa Comum (TEC) e internalizadas ao direito brasileiro por meio do Decreto Legislativo nº 71/1988 e promulgada por meio do Decreto nº 97.409/1988. Para tal análise, deverá o aplicador considerar, ainda, as notas explicativas do sistema harmonizado (NESH) que servem de orientação interpretativa até o nível das subposições, aprovadas pelo Decreto nº 435/1992, bem como as regras gerais complementares (RGC) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por seu turno, é fonte para a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) aplicáveis aos itens e subitens. 23. A análise foi realizada de maneira competente pelo julgador a quo e, por este motivo, reproduzimos abaixo o seu raciocínio: “O capítulo 27 da Tabela de Incidência do IPI foi dedicado aos combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação, matérias betuminosas e ceras minerais. Vejamos a exposição presente nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a respeito da subposição 2713.20: O betume de petróleo (também designado "asfalto", "breu" ou "pez de petróleo") é habitualmente obtido como resíduo da destilação do petróleo bruto. É um produto de cor castanha ou negra, mole ou quebradiço, empregado para revestimento de estradas, para impermeabilização, etc. O betume de petróleo ligeiramente modificado por insuflação de ar, e semelhante ao betume não insuflado, permanece classificado nesta posição.” E para 2715.00 “As misturas betuminosas, compreendidas nesta posição, são, entre outras, as seguintes: 1) Os cutbacks, que são misturas geralmente constituídas, pelo menos, por 60% de betumes com um solvente e que se empregam para revestimento de estradas. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 13864.720020/201224 Acórdão n.º 3401003.855 S3C4T1 Fl. 1.011 9 2) As emulsões ou suspensões estáveis em água, de asfalto, de betumes, de breu ou de alcatrões, dos tipos utilizados principalmente para revestimento de estradas. 3) Os mástiques de asfaltos e outros mástiques betuminosos, bem como as misturas betuminosas semelhantes obtidas por incorporação de matérias minerais, tais como a areia ou o amianto. Estes produtos empregamse, conforme os casos, para calafetagem, como produtos para moldação, etc.” – (seleção nossa). 24. O julgador de primeira instância administrativa, a partir da transcrição das notas acima, concluiu, de maneira peremptória e de forma a não demonstrar qualquer hesitação, nos seguintes termos: “É indubitável que o capítulo em comento é aquele que abarca strictu sensu os chamados derivados de petróleo. Dúvidas não há de que os produtos classificados nas posições 27.13 e 27.15 são derivados de petróleo, porém, cumpre analisar se ambos os produtos são derivados de petróleo abrangidos pela imunidade e para tanto, buscase a exegese dada pelo Executivo Federal ao comando constitucional que conferiu imunidade aos derivados de petróleo” – (seleção e grifos nossos). 25. Tanto o julgador como este Relator não têm dúvidas acerca de os produtos sob análise se tratarem de derivados do petróleo. Nossa discordância, no entanto, iniciase com a suposição, em tudo equivocada, de que o Poder Executivo poderia conferir interpretação restritiva ao texto constitucional da imunidade objetiva conferida, de maneira irrestrita, a qualquer “derivado do petróleo”, ou, ainda, ao texto consolidado pelo Regulamento do IPI, de estatura legal. Supor tal possibilidade configuraria autorizar a União Federal a extrapolar o espaço de sua competência, tanto sob a perspectiva legal como constitucional. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto, restando, portanto, prejudicados os demais argumentos. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Fl. 1015DF CARF MF 10 Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com as vênias habituais, divirjo do i. Relator no que tange à pretensa antinomia entre o art. 18 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), ao dispor que são imunes do IPI os derivados de petróleo, e o Decreto nº 6.006/06 (TIPI/06), ao estabelecer alíquotas positivas para os produtos objeto da autuação, asfalto diluído e cimento asfáltico. Antes, porém, registro não ser possível, neste sodalício, discutir a constitucionalidade de normas legais vigentes, aí incluídas aquelas veiculadas em decreto, por força do art. 26A, caput, do Decreto nº 70.235/72: “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...)” (destacado) Então, o exame cingirseá à prefalada contradição entre ambos os instrumentos. Nesse passo, simultaneamente à remissão de imunidade, o art. 18 do Decreto nº 4.544/02, em seu parágrafo terceiro, definiu o alcance da expressão “derivados de petróleo”, circunscrevendoos “aos produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos”, como bem apontado pela decisão recorrida. No caso vertente, os produtos altercados são o asfalto diluído e o cimento asfáltico, que, pela sua natureza, não são obtidos do refino/refinação de petróleo, mas da composição de várias substâncias, de tal maneira que, segundo o mesmo Decreto nº 4.544/02, não estariam albergados pela imunidade do imposto e, por conseqüência, a partir da verificação da existência de processo industrial, poderiam sofrer a incidência do tributo, com estabelecimento de alíquotas positivas, implicando reconhecer que não haveria qualquer contradição ou antinomia entre os decretos em tela. Se aludida delimitação (conceito) desbordou do papel constitucional destinado à espécie legislativa – decreto – é questão que refoge à competência ordinária decisória das turmas componentes do CARF, em função do já mencionado art. 26A, caput, do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2. Tocante ao mérito, valhome da prerrogativa prevista no art. 57, § 3º do RICARF/15, introduzida pelo Portaria nº 329/2017, e reproduzo a decisão de primeiro grau administrativo acerca da matéria: “As razões de discordância da contribuinte se respaldam na consideração de que seus produtos, por serem derivados de petróleo, se encontram contemplados pela imunidade e que, sendo inquestionável a classificação fiscal adotada, o que restaria incorreto seria o decreto instituidor da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), ao adotar as alíquotas acima indicadas para derivados de petróleo que, segundo texto constitucional, estariam imunes. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 13864.720020/201224 Acórdão n.º 3401003.855 S3C4T1 Fl. 1.012 11 A empresa traz, para respaldar seu entendimento a RESOLUÇÃO ANP N° 2, o Livro INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE MATERIAIS ASFÁLTICOS, doutrina e jurisprudência judicial. Em que pesem o entendimento exposto nos atos acima citados, o fato é que não cabe aos órgãos da Administração Tributária, nem a esta autoridade julgadora, negar eficácia a normas editadas ou sancionadas pelo Presidente da Republica, sob pena de subversão dos princípios da hierarquia e da vinculação, tão caros ao funcionamento da Administração Pública. É que o assunto em discussão já passou pelo filtro interpretativo da regulamentação legal e a solução já foi positivada, no artigo 18, §3º, do Regulamento do IPI RIPI Decreto 4.544/2002 (idêntico dispositivo do anterior Decreto 2.637/1998), que regula o que se deve entender por derivados de petróleo, para fins da imunidade em apreço. Art. 18. São imunes da incidência do imposto: (...) IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição, art. 155, § 3º). (...) § 3º Para fins do disposto no inciso IV, entendese como derivados do petróleo os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos.” Desta forma, para fins da imunidade objetiva consignada no artigo 155 da Constituição Federal –CF, só se consideram derivados de petróleo aquelas substâncias que decorrem do refino, vale dizer, que decorrem da operação física ou química diretamente realizada sobre o petróleo para a sua decomposição, ficando afastadas da imunidade as substâncias obtidas em fases subseqüentes, como a que se cuida nos presentes autos, como a reunião ou mistura de várias substâncias. Em outras palavras, a idéia de ‘derivado’ está subordinada a uma relação de imediata com o petróleo e tem definição legal para fins de tributação do IPI. Tanto é assim, que a Tabela de Incidência do IPI (Decreto 4.542/2002) aponta, para os códigos dos produtos produzidos (2715.00.00 e 2713.20.00), as alíquotas de 5% e 4% respectivamente. A indicação de uma alíquota aplicável é justamente demonstração absoluta de que o legislador entendeu o produto como tributável. Não haveria qualquer sentido em se determinar uma alíquota aplicável em se tratando de produto que é objetivamente imune. Aliás, aos imunes, a tabela anota a sigla ‘NT’ (nãotributável). Explicase: O capítulo 27 da Tabela de Incidência do IPI foi dedicado aos combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação, matérias betuminosas e ceras minerais. Fl. 1017DF CARF MF 12 Vejamos a exposição presente nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a respeito da subposição 2713.20: ‘O betume de petróleo (também designado ‘asfalto’, ‘breu’ ou ‘pez de petróleo’) é habitualmente obtido como resíduo da destilação do petróleo bruto. É um produto de cor castanha ou negra, mole ou quebradiço, empregado para revestimento de estradas, para impermeabilização, etc. O betume de petróleo ligeiramente modificado por insuflação de ar, e semelhante ao betume não insuflado, permanece classificado nesta posição.’ E para 2715.00 ‘As misturas betuminosas, compreendidas nesta posição, são, entre outras, as seguintes: 1) Os cutbacks, que são misturas geralmente constituídas, pelo menos, por 60% de betumes com um solvente e que se empregam para revestimento de estradas. 2) As emulsões ou suspensões estáveis em água, de asfalto, de betumes, de breu ou de alcatrões, dos tipos utilizados principalmente para revestimento de estradas. 3) Os mástiques de asfaltos e outros mástiques betuminosos, bem como as misturas betuminosas semelhantes obtidas por incorporação de matérias minerais, tais como a areia ou o amianto. Estes produtos empregam se, conforme os casos, para calafetagem, como produtos para moldação, etc.’ É indubitável que o capítulo em comento é aquele que abarca strictu sensu os chamados derivados de petróleo. Dúvidas não há de que os produtos classificados nas posições 27.13 e 27.15 são derivados de petróleo, porém, cumpre analisar se ambos os produtos são derivados de petróleo abrangidos pela imunidade e para tanto, buscase a exegese dada pelo Executivo Federal ao comando constitucional que conferiu imunidade aos derivados de petróleo. Tarefa simples: basta que se verifique, no capítulo 27, o posicionamento tarifário quanto aos produtos dele constantes e que possam ser tomados pelos derivados excluídos da incidência do IPI nos termos do § 3º do art. 155 da Constituição Federal, de 1988 e art. 18 do RIPI, de 1998. Tal verificação mostrará que, embora a maior parte dos produtos venha com a notação NT (não tributados), alguns são inseridos no campo da tributação e possuem alíquota maior que zero. É o caso das posições tarifárias colocadas em confronto no presente processo que possuem alíquotas de 5% (2715.00.00) e 4% (2713.20.00). Dito isso, concluise que o Executivo Federal houve por bem interpretar a norma constitucional de forma restritiva, ou seja, foram eleitos condicionantes para reconhecimento da aplicação do texto constitucional que jungiu com a imunidade os derivados de petróleo. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 13864.720020/201224 Acórdão n.º 3401003.855 S3C4T1 Fl. 1.013 13 Quer dizer, nem todos os derivados de petróleo abrigados no capítulo 27 teriam sido atingidos pela imunidade, como por exemplo os líquidos para transmissões hidráulicas, os óleos para isolamento elétrico, os demais óleos que devem ser enquadrados na posição residual ‘outros’ e, ainda, a vaselina. Retomando o raciocínio: o questionamento da contribuinte está focado justamente na aplicação das alíquotas existentes onde se encontram enquadrados os seus produtos (2713.20.00 e 2715.00.00), posições estas que foram objeto de interpretação restritiva pelo Poder Executivo. Nesse sentido, quer a contribuinte que os produtos objeto da lide, sejam considerados derivados de petróleo abrangidos pela imunidade e, em conseqüência, sejam postos à margem da tributação, pugnando a interessada pela ótica de que o comando constitucional não admitiria qualquer interpretação que não fosse a chamada interpretação literal ou declaratória, posicionamento esse contrário à atitude interpretativa do Poder Executivo que entendeu não ser da vontade do legislador agasalhar no instituto da imunidade determinados derivados de petróleo. A questão posta então seria: o que devemos tomar por prevalente, a tese do cabimento incondicional da ótica da literalidade, defendida pela contribuinte, ou o posicionamento do Executivo para quem impõese a visão restritiva do texto constitucional? Porém tal debate é estéril na esfera administrativa, na qual o julgador subsumese à vinculação que lhe é imposta pelo princípio da presunção de legitimidade dos textos normativos em vigor, ou seja, decidese administrativamente partindose do pressuposto de que todos os comandos normativos em vigência foram recepcionados pelo ordenamento jurídico pátrio. Não é permitido ao julgador administrativo apreciar questão que venha a perquirir ofensa a princípios constitucionais, tais como o da legalidade, o da isonomia ou da hierarquia das leis, competindo tão somente aplicar o direito tributário positivado na legislação tributária de regência, desde que pautado no entendimento da Secretaria da Receita Federal e enquanto não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Então, a competência do julgador administrativo de 1ª instância está restrita a averiguar a conformidade dos atos praticados pelos agentes administrativos às normas da própria Administração, as quais são veículos de transmissão do conteúdo e sentido das leis.” Com estas considerações, nesse ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário manobrado. Robson José Bayerl Fl. 1019DF CARF MF 14 Fl. 1020DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.936492/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 64 92 /2 01 1- 00 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.936492/201100 Acórdão n.º 3302004.564 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02057.483. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.936492/201100 Acórdão n.º 3302004.564 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.936492/201100 Acórdão n.º 3302004.564 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.936492/201100 Acórdão n.º 3302004.564 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.936492/201100 Acórdão n.º 3302004.564 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.936492/201100 Acórdão n.º 3302004.564 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720481/2006-00
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ - LUCRO PRESUMIDO - COEFICIENTE DE APURAÇÃO - SERVIÇOS HOSPITALARES - NÃO CARACTERIZAÇÃO As clínicas que prestam serviços médicos, sujas atividades não contemplam aqueles executados por entidades hospitalares devem apurar a base de cálculo do IRPJ com base no coeficiente de 32%, nos termos do artigo 15, §1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95.
Numero da decisão: 1802-000.978
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ LUCRO PRESUMIDO COEFICIENTE DE APURAÇÃO SERVIÇOS HOSPITALARES NÃO CARACTERIZAÇÃO As clínicas que prestam serviços médicos, sujas atividades não contemplam aqueles executados por entidades hospitalares devem apurar a base de cálculo do IRPJ com base no coeficiente de 32%, nos termos do artigo 15, §1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 184 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, conforme auto de infração de fls. 109 a 111, no valor de R$ 195.160,33, incluindose nesse montante a multa de 75% e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0111.340, fls. 155 a 157: De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração (fls. 109111), o contribuinte incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro presumido. Os motivos que levaram ao lançamento estão abaixo sintetizados: 1. O contribuinte apurou o IRPJ, anocalendário 2002, utilizando o coeficiente do Lucro Presumido de 8%. Todavia declarou, na DIPJ 2003, que exercia a atividade prestação de serviços de clínica médica, sujeita ao coeficiente de 32% (art. 519, § 1º, III, "a", RIR/99); 2. Para que pudesse se beneficiar da alíquota de 8%, decorrente da prestação de serviços hospitalares (art. 519, § 2°, RIR/99), seria necessário que as atividades: (1) fossem prestadas por estabelecimentos com estrutura física condizente e que estivessem diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, conforme critérios estabelecidos pela resolução RDC n° 50/2002 da ANVISA; (2) fossem prestadas por sociedades empresárias ou por empresários, além de não se referir, unicamente, ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, segundo o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18/2003; 3. O contribuinte, mediante intimação, apresentou o Livro Caixa e Contrato Social, todavia, deixou de apresentar a relação de seu corpo médico funcional e os esclarecimentos adicionais sobre sua atividade; 4. No ano 2002, a folha de pagamentos da empresa ficou em torno de R$ 2.000,00 mensais, de acordo com o Livro Diário e balancetes; 5. A médica Adelaide Machado Portela é o único profissional de saúde da clínica, segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do MS; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 185 3 6. O quadro social da empresa é integrado pela Sra. Adelaide Machado Portela, a quem compete administrar isoladamente a sociedade, e seu filho, representado pela primeira. O (a) contribuinte apresentou sua(s) impugnação(ões) ao(s) lançamento(s) em 31/01/2007 (fls. 126143), na(s) qual(is) alegou em síntese que: 1. Nos termos do art. 519, § 1°, III, “a” e § 2° c/c o art. 224 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), o coeficiente do Lucro Presumido para as atividades de serviços hospitalares é de 8%; 2. O art. 519 do RIR199, bem como o art. 15 da Lei n° 9.249/95, não vinculou a atividade de prestação de serviços hospitalares ao modo como seria realizada se pelo sócio ou por profissionais contratados; 3. Se a lei não traz nenhum comando no sentido de que o tratamento específico para a prestação de serviços hospitalares depende de quem executa, não pode o aplicador da lei querer entender de outra forma; 4. Para tanto cola aos autos ementas do TRF 4ª Região. Como mencionado, a DRJ Belém/PA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. SERVIÇOS HOSPITALARES. CRITÉRIOS. O ADI SRF n° 18/2003 estabeleceu a definição e os critérios de serviços hospitalares para efeito de determinação do coeficiente do lucro presumido. Se a atividade do contribuinte não atende aos requisitos ali determinados, não há como prosperar a aplicação do coeficiente de que trata o art. 519, § 2°, do RIR/99. Lançamento Procedente Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 186 4 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 14/08/2008, a Contribuinte apresentou em 28/08/2008 o recurso voluntário de fls. 163 a 179, alegando que o percentual a ser aplicado pelas prestadoras de serviços hospitalares para a apuração da base de cálculo de imposto de renda é de 8% (oito por cento). A Recorrente discorre sobre a supremacia constitucional, a importância dos princípios, o princípio da segurança jurídica e o princípio da legalidade tributária, para, em seguida, desenvolver os seguintes argumentos: A leitura do artigo 519 do Decreto n. 3.000/1999, bem como do artigo 15, da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, dispositivo que deu origem ao artigo do RIR, revelam que o legislador baseou a aplicação do percentual geral de 32% (trinta e dois por cento) como do percentual específico de 8% (oito por cento) na figura da prestação de serviço em geral e na prestação de serviços hospitalares, sem fazer alusão de que como a prestação de serviço seria realizada, pelo próprio sócio ou por outros profissionais contratados pelos sócios da pessoa jurídica. (...) Ora, se a prestação de serviço é uma ação voltada a um fim, obviamente que esta ação é desempenhada por uma pessoa, cuja identificação não foi importante para o legislador, cuja liberação da vontade externada no texto legal mostra que seu foco foi a prestação de serviço, resultado, e não quem executou esta ação. Para ele quem executou, se o sócio com auxiliares, o sócio sem auxiliares, outros profissionais contratados pelo sócio e etc., são irrelevantes, tanto que não fez qualquer menção sobre eles. Se quem executaria os serviços hospitalares fosse fundamental para aplicação do percentual específico de 8% (oito por cento) o legislador textualmente diria, mas não disse e se não disse é porque seria irrelevante para aplicação da norma. Se a lei não traz nenhum comando no sentido de que o tratamento específico para a prestação de serviços hospitalares depende de quem executa, não pode o aplicador da lei querer entender de outra forma: onde o legislador não disse, o aplicador da lei não pode dizer. (...) A autoridade fiscal nunca questionou se a Recorrente não estaria prestando serviços hospitales. Na verdade reconheceu que ela prestava serviços hospitalares, mas não reconheceu o direito de aplicar o percentual de 8% (oito por cento) porque a atividade era praticada diretamente por sócio da pessoa jurídica, o que não descaracteriza o comando legal. (...) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 187 5 É por isso que os Tribunais Pátrios rejeitam a posição traduzida pelo agente autuante e inapelavelmente negam a aplicação do percentual geral. Este é o Relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 188 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio submetido a esse Conselho diz respeito ao coeficiente aplicável para a apuração da base de cálculo do IRPJ, na sistemática do Lucro Presumido. Em sua DIPJ, a Contribuinte utilizou o coeficiente de 8%, por entender que é uma prestadora de serviços hospitalares, enquanto que a Fiscalização afirma que o coeficiente correto é o de 32%, aplicável aos serviços em geral, aí incluídos os de atividade intelectual, de natureza científica, referentes ao exercício de profissão regulamentada (Clínica Médica). O auto de infração exige a diferença a título de IRPJ nos trimestres do ano calendário de 2002. A Contribuinte argumenta que o legislador, ao estabelecer os mencionados coeficientes para a presunção do lucro, não fez qualquer alusão à forma como a prestação de serviço deveria ser realizada, se pelo próprio sócio, ou por outros profissionais contratados pela pessoa jurídica. Segundo o seu entendimento, se a lei não traz nenhum comando no sentido de que o tratamento específico para a prestação de serviços hospitalares depende de quem executa, não poderia o aplicador da lei entender de outra forma. Ela ainda afirma que a autoridade fiscal reconheceu sua condição de prestadora de serviços hospitalares, mas não acatou o coeficiente de 8% (oito por cento) porque a atividade era praticada diretamente pelo sócio da pessoa jurídica. Para a análise desta questão, é interessante verificar o conteúdo do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18/2003, citado entre os fundamentos da autuação: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12 de março de 2003, e o Processo n° 13819.000897/9921, declara: Art. 1° Para fins do disposto no art. 15, §1°, III, “a” da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2° Para fins do disposto no art. 1°, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 189 7 considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. (grifos acrescidos) Este ADI foi editado porque o texto inicial da Lei 9.249/1995 não trazia qualquer parâmetro para a compreensão do que seriam os “serviços hospitalares”, submetidos ao coeficiente de 8%. No contexto das controvérsias sobre a matéria, a própria Lei 9.249/1995 foi alterada, e passou a trazer alguns elementos adicionais esclarecedores: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) (grifos acrescidos) Vêse que a alteração implementada pelo legislador incorporou de certo modo o entendimento já manifestado anteriormente no ADI expedido pela Receita Federal. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 190 8 É importante perceber que o sentido das modificações na Lei 9.249/1995 não foi propriamente o de incluir outras atividades no coeficiente de 8%, e nem de estabelecer novos requisitos para a aplicação deste coeficiente, muito embora, quanto aos requisitos, esta tenha sido uma das conseqüência da Lei 11.727/2008 (quando menciona apenas a forma de “sociedade” empresária, excluindo a figura do empresário individual). No que toca às atividades, há, inclusive, decisões desta Turma de Julgamento considerando a referida alteração legislativa como de natureza meramente interpretativa, com o entendimento de que as “novas” atividades trazidas pela Lei 11.727/2008 já estavam abrangidas na expressão “serviços hospitalares” e, portanto, submetidas ao coeficiente de 8% antes mesmo daquela lei. O fato é que tanto o ADI SRF n° 18/2003, quanto a alteração promovida pela Lei 11.727/2008 no texto da Lei 9.249/1995 visaram principalmente estabelecer parâmetros para distinguir a atividade de “serviço hospitalar” dos serviços prestados pelos médicos (clínica médica) e demais profissionais autônomos da área de saúde, que se enquadram nos serviços gerais e, como tal, ficam submetidos ao coeficiente de 32% para a presunção do lucro. Nesse mesmo passo, vale também registrar que a decisão da Delegacia de Julgamento não foi motivada especificamente pela forma como a atividade é exercida (se o serviço é prestado pelo próprio sócio ou por outros profissionais contratados pela pessoa jurídica), mas sim pelo próprio objeto desta atividade, senão vejamos: Adentrando ao mérito, é certo que o Decreto n° 3.000/99 e a Lei n° 9.249/95 não opuseram qualquer ressalva quanto ao modo como os “serviços hospitalares” deveriam ser prestados para que o contribuinte pudesse utilizar o coeficiente de determinação do lucro dessa atividade. Todavia o cerne do problema não passa pela existência ou não desses requisitos nas normas retro citadas, e sim ao conceito da atividade. Observese que o legislador nem sempre, ou quase nunca, traz ao corpo legal o conceito de todas as expressões ali empregadas. Assim, ao se deparar com uma expressão não definida no texto legal, deve o aplicador do direito, mediante atividade hermenêutica, buscar a definição desejada nas normas infralegais, na doutrina, na literatura científica, na jurisprudência e até nos costumes. O Decreto n° 3.000/99, ao determinar a aplicação do coeficiente de 8% para as atividades de serviços hospitalares, e de 32% para os serviços gerais, não definiu estas atividades, tampouco estabeleceu a linha divisória entre elas. Logo, cabe ao Auditor Fiscal, e aos demais aplicadores do direito, extrair das fontes disponíveis o conceito de “serviços hospitalares” aplicável ao caso concreto. E foi o que aconteceu no caso concreto. A unidade de origem entendeu que as atividades do contribuinte não se enquadram no conceito de serviços hospitalares, mas sim de clínica médica. Para tanto utilizou os critérios estabelecidos pela Agência de Vigilância Sanitária, através da Resolução n° 50/2002, e pela própria RFB, por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18/2003. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 191 9 (grifos acrescidos) O ADI SRF n° 18/2003 serviu apenas como um parâmetro de referência para averiguar se a atividade da Recorrente configurava ou não a prestação de “serviços hospitalares”, e, na seqüência, a decisão recorrida apresentou os seguintes fundamentos: As provas trazidas aos autos pela fiscalização, em especial os gastos revelados nos balancetes mensais e o registro CNES (fls. 31106), revelam que a Sra. Adelaide Machado Portela, médica oncologistaclínica, sócia da empresa, é a única pessoa que prestou serviços de saúde pela sociedade empresária, aliás, serviços de atividade intelectual e de natureza cientifica. No mais, a própria impugnante declarou em sua DIPJ 2003 que exerceu, no anocalendário 2002, atividade de clínica médica (clinicas, consultórios e ambulatórios), o que não se confunde com serviço hospitalar. E mais, notese que a impugnante se limitou a contestar a existência de empecilhos para a utilização do coeficiente de serviços médicos, em nenhum momento refutou o fato de ser a Sra. Adelaide Machado Portela, sócia da empresa, o único profissional de saúde a prestar serviços na clínica. No caso, a forma de execução da atividade não foi utilizada como um requisito formal para o enquadramento no coeficiente de 8%, mas sim como um parâmetro que permite distinguir os “serviços hospitalares” daqueles que abrangem especialmente a atividade intelectual, de natureza científica, referentes ao exercício de profissão regulamentada (clínica médica). Isto porque os hospitais são normalmente estabelecimentos onde atuam médicos de várias especialidades, assim como outros profissionais da área de saúde, onde há estrutura para a realização de cirurgias e internação, serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, serviços de laboratório e radiologia, etc., enfim, onde há toda uma organização para o desenvolvimento conjunto de atividades que vão além de uma específica atividade intelectual, de natureza científica. Esta estrutura resulta para os hospitais em elevados custos de pessoal, de equipamentos e de manutenção, gerando uma margem de lucro bem menor do que a obtida com a prestação de serviços em geral, o que justifica a presunção do lucro com o coeficiente de 8%, em vez de 32%. Essas características também implicam em uma complexa organização dos fatores de produção (capital, insumos, mão de obra e tecnologia) que acabam por configurar o caráter empresarial, como definido no atual Código Civil, Lei n° 10.406/2002: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720481/200600 Acórdão n.º 180200.978 S1TE02 Fl. 192 10 Nestes termos, a forma empresarial não configura apenas requisito formal. Antes disso, ela representa um pressuposto lógico, pois não é razoável admitir que “serviços hospitalares” possam ser oferecidos num local em que atue somente um profissional da área de saúde. Com efeito, as atividades que configuram “serviços hospitalares” não se confundem com a atividade de clínica médica, caracterizada essencialmente pelo exercício de uma específica profissão intelectual, de natureza científica. Foi com esses fundamentos que a Delegacia de Julgamento manteve o auto de infração ora combatido. No recurso, a Contribuinte insiste na tese de que não se poderia exigir uma forma específica para a prestação dos serviços, alegando que o coeficiente de 8% independe de o serviço ser prestado pelo próprio sócio ou por outros profissionais contratados pela pessoa jurídica. Mas como já mencionado, não é esse o fundamento da decisão recorrida. O fato de a sócia ser a única profissional de saúde a prestar os “serviços hospitalares” não configurou falta de requisito formal (porque os fatos são anteriores às modificações implementadas na Lei 9.249/1995), mas apenas implicou na conclusão de que estamos diante da prestação de serviços médicos (clínica médica). Em sede de recuso, a contribuinte não trouxe novos elementos que pudessem refutar essa conclusão. Diante do exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19515.722545/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
Ementa:
EMBARGOS. OBSCURIDADE E OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão quanto a parte dos argumentos apresentados em sede recursal pela contribuinte, que a decisão deixou de apreciar, bem como para sanar a obscuridade entre a decisão e seus fundamentos nos pontos levantados pela Embargante.
Numero da decisão: 1301-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos para sanar o vício apontado e, no mérito, negar-lhes provimento
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos para sanar o vício apontado e, no mérito, negar-lhes provimento (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 Ementa: EMBARGOS. OBSCURIDADE E OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão quanto a parte dos argumentos apresentados em sede recursal pela contribuinte, que a decisão deixou de apreciar, bem como para sanar a obscuridade entre a decisão e seus fundamentos nos pontos levantados pela Embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos para sanar o vício apontado e, no mérito, negarlhes provimento (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 45 /2 01 3- 21 Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.708 2 Relatório Cuidase de glosa de despesas relativas a pagamentos de royalties decorrentes de licença de uso e de distribuição de software, sendo lavrados autos de infrações de IRPJ e CSLL no montante de R$ 364.277.065,87 e R$ 131.139.743,72, respectivamente. referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1195/1207), em procedimento de fiscalização foi constado que a maior parte dessas remessas se referem a pagamento de licença de direito de uso e distribuição de programas de computador, “software”, efetuado à matriz. Os pagamentos residuais tratamse de pagamento de serviços de consultoria e treinamentos efetuadas à matriz, bem como as demais subsidiárias do grupo econômico e terceiros. Nos anos fiscalizados, 2008 e 2009 a empresa realizou as seguintes remessas, de acordo com as informações disponibilizadas pela empresa às fl. 973 a 1003, a saber: Os pagamentos efetuados aos beneficiários foram classificados em seis diferentes tipos, conforme a natureza da contraprestação e o destinatário, como demonstra o quadro abaixo: Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.709 3 A fiscalização entendeu que os pagamento tipo 1 a 4, objeto desses autos, são considerados como despesas indedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, por não atender os requisitos legais. O contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/JFA, mantendose os lançamentos fiscais em sua integralidade (fls. 1523/1532). Contra esta decisão, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 1540/1605), alegando que: (i) a decadência dos créditos tributários referentes ao período entre janeiro a novembro de 2008; (ii) a dedutibilidade dos pagamentos pelo licenciamento de software (levantamento 5 do AIIM); (iii) a dedutibilidade das remessas ao exterior como pagamento pela pestação de serviços puros (levantamento 6 a 8 do AIIM); (iv) a improcedência da multa e os juros aplicados; (v) a ilegalidade da aplicação do juros selic; e (vi) ilegalidade da aplicação de juros SELIC sobre a multa de ofício. Ao final, requer seja acolhido e julgado procedente o Recurso Voluntário e cancelada integralmente a exigência fiscal (principal, multa e juros). Por fim, a PGFN apresentou Contrarazões ao Recurso Voluntário às fl. 1609/1633. Contra decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração (fl. 1663) para que sejam sanadas omissões e obscuridades no acórdão proferido por este colegiado. Em despacho às fls. 1679/1688 os embargos foram admitidos em parte com amparo nas disposições do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno (Portaria MF nª 343/2015). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Primeiramente, impende destacar que os embargos de declaração são cabíveis quando for constatada obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.710 4 fundamentos, ou caso seja omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. Os embargos de declaração são tempestivos, portanto, deles conheço. Feitas essas considerações iniciais, passase à análise dos argumentos aduzidos pelo Embargante, nos seguintes pontos admitidos: 1. Com referência aos pagamentos à SAP AG pelo licenciamento de software (levantamento 5 do Auto de Infração) 1.1. Omissão acerca dos argumentos dos itens 88 a 104 do recurso voluntário. A Embargante alega que houve omissão no que tange a análise da acerca dos argumentos dos itens 88 a 104 do Recurso Voluntário, conforme excertos a seguir: 3. Na tentativa de refutar as alegações trazidas no Recurso Voluntário quanto à diferenciação existente entre as figuras dos royalties e direitos autorais, o V. Acórdão embargado se valeu da citação ao artigo 22 da Lei 4.506/1964 para (supostamente) fundamentar sua conclusão sobre o fato de que os pagamentos feitos ao exterior pela Embargante se enquadram como royalties. 4. Porém, considerando (i) que o próprio artigo 22 da Lei n° 4.506/64 reconhece, em seu inciso "d", que direitos autorais, quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra, não representam royalties e (ii) que, no presente caso, a SAP AG é autora e criadora do software objeto do CONTRATO firmado entre ela e a Embargante, resta evidente a omissão do Acórdão embargado em relação à argumentação exaustivamente exposta ao longo do caso (vide itens 75 a 91 da Impugnação e 88 a 104 do Recurso Voluntário), que indica que a correta aplicação do artigo 22, inciso "d", da Lei 4.506/64 ao caso concreto levará à conclusão diametralmente oposta daquela constante do Acórdão embargado. Primeiramente cumpre registrar que a fiscalização entendeu que as despesas relativas aos pagamentos de licença de uso e distribuição de matriz são indedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, enquandradoos nas seguintes hipóteses de indedutibilidade: (i) art. 71 da Lei 4506/64, inciso "d", pois os pagamentos referemse a royalties pagos à sócio. (ii) art. 71 da Lei 4506/64, alínea 2 do inciso "e", pois se referem a royalties pelo uso de tecnologia patenteado em processo de fabricação e desenvolvimento de software e pelo uso da marca SAP, pagos à pessoa com domicilio no exterior que mantém o controle do capital com direito a voto. Além da fiscalização entender que não se tratam de despesas necessárias aos meios de produção da empresa, com base no art. 299 do RIR/99. Pois bem, a Recorrente defende que a natureza de tais pagamentos correspondem à direitos autorais, e não royalties. Isso porque a SAP AG é autora e criadora do software licenciado, o que descaracterizaria a natureza do pagamento como royalties, nos termos do próprio art. 22 da Lei nº 4.506/64, in verbis: Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.711 5 Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties". (g.n.) No entanto, a fiscalização entendeu que tais pagamentos se tratam de licenças de uso de tecnologia patenteada em processo de fabricação e desenvolvimento de software e pelo uso da marca SAP, o que direcionaria a alínea "c" do artigo supra. No caso em questão, tratase de uma licença de uso de marca, a qual independentemente de haver ou não a transferência de tecnologia, não descaracterizaria o conceito de uso, fruição ou exploração de direitos, os quais abarcam o conceito de royalties. No caso concreto tal licenciamento de uso de marca ocorre no âmbito internacional, compreendendo a empresa alemã e a brasileira, em que conceituação a título de royalties é reforçada pelo art. 12 do Acordo para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital, entre o Brasil e a República Federal da Alemanha. Confirase "Art. 12. — (...) 3. O termo "royalties" empregado neste artigo designa es remunerações de qualquer natureza pagas pelo uso ou pela concessão do uso de um direito de autor sobre uma obra literária, artística ou cientifica (inclusive os filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiodifusão), qualquer patente, marcas de indústria ou comércio, desenho ou modelo, plano, fórmula ou processos secretos, bem como pelo uso ou pela concessão do uso de um equipamento industrial, comercial ou cientifico e por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou cientifico" (g.n.) Nesse sentido, destaco que a própria OCDE conhece pagamentos de software sendo royalties, conforme comentários do art. 12 de sua convençãomodelo. Com efeito, diferentemente do posicionamento da Recorrente, entendo que não se trata de uma mera distribuição de software desenvolvido de propriedade da SAP AG à título não oneroso. Isso porque, conforme a análise dos autos, resta evidente que a Recorrente licencia para seus clientes os produtos desenvolvidos pela SAP AG, de sorte que os clientes só adquirem seus produtos por força da marca SAP, mundialmente difundida. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.712 6 Ademais, ressalto que este Conselho de Contribuintes já enfrentou a matéria de forma extensa em processo idêntico ao presente, tendo como parte a Embargante, conforme ementa a seguir: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Constatada a omissão quanto a ponto sobre o qual deveria a Turma ter se pronunciado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a omissão. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Uma vez que, diante de situações fáticas análogas, os julgados confrontados deram à lei tributária interpretações distintas, deve ser conhecido o recurso especial para uniformizar a jurisprudência. ROYALTIES INDEDUTIBILIDADE . Os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria, que atendam as normas gerais de necessidade, usualidade e normalidade são dedutíveis, exceto se pagos por filial no Brasil em benefício de sua matriz no exterior, ou por sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto. Quaisquer outros royalties, se pagos a sócio, pessoa física ou jurídica, são indedutíveis.” (CSRF. Acórdão nº 9101001.908. 1T. Rel. Cons. VALMIR SANDRI. Julgado em 13 de maio de 2014) Note que nos autos desse processo também foi enfrentada a questão da natureza do pagamento de taxa de licenciamento e comercialização de software, o qual restou enquadrado como royalties, a saber: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: SOFTWARE. CESSÃO DE DIREITO AO USO E COMERCIALIZAÇÃO. A contraprestação decorrente de licença para uso, comercialização e sublicenciamento de software tem natureza de pagamento de royalties. ROYALI7ES. PAGAMENTO. A SÓCIO. O pagamento de royalties a sócio não deve ser considerado despesa dedutível, para fins de apuração do imposto de renda. Lançamento Procedente." A autoridade julgadora em primeira instância refutou a citação legal da alínea "d" do artigo 22 da Lei n° 4.506/64, bem como a alegação de que os direitos autorais percebidos pelo autor não são royalties.Vejamos o ponto do voto que traz essa passagem, conforme fls 338 a 341 daquele processo, o qual passo a adotar, in verbis: Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.713 7 21. A Lei n° 9.609/98 que versa acerca da proteção da propriedade intelectual de programa de computador, em nenhuma passagem define o objeto do pagamento em questão como sendo direito de autor, para fins de tributação do IRPJ. 22. O trecho destacado pelo interessado: "O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País" (art. 2° _ Lei n° 9.609/98), apenas ressalta que o regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é similar ao conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais, jamais determina que o tratamento fiscal deveria ser idêntico. Igual conclusão se chega ao analisar o art. 9° do mesmo diploma legal. 23. Por sua vez a Lei n° 9.179/96 que regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, também não define o que venha a ser o termo royalties. 24. Em diversas passagens de sua impugnação, o interessado reafirma que o contrato firmado não necessita ser registrado no INPI, porém este fato não torna inquestionável que a remessa efetuada ao exterior não tenha a natureza de royalties. Idêntica conclusão se chega ao se ler o teor da Consulta INPI n° 26042 (fl. 274). 25. Prossegue o impugnante, afirmando que a alínea "d" do artigo 22 da Lei n° 4.506/64 determina que não são royalties os direitos autorais percebidos pelo autor. Trancrevese o texto legal: (...) 26. Entretanto, a exegese correta é no sentido que os direitos autorais são royalties, porém para fins de tributação do imposto de renda da pessoa física, o legislador criou uma exceção, qual seja, os valores pagos ao autor não terão o tratamento de royalties. E, de fato esta interpretação só deve se restringir à pessoa física, já que este texto legal consta do RIR/99 artigo 51, no Livro I que trata da Tributação das Pessoas Físicas. 27. O artigo 19, III, da Lei n° 4.506/64, suscitado pelo interessado, também versa acerca da tributação da pessoa física. 28. Igual entendimento deve ser concedido à INSRF n° 252/02, que trata especificamente de imposto de renda retido na fonte e à Lei n° 9.430/96, que versa sobre preço de transferência. 29. Concluise do acima exposto, que não há na legislação fiscal do imposto de renda da pessoa jurídica qualquer norma que distingua royalties de direito autoral. 30. Por outro lado, o PNC.57' n° 37/74 definiu o termo royalty como sendo: 'qualquer royalty ou outra importância paga em retribuição pelo uso ou privilégio de usar qualquer direito autoral patente, desenho, processo ou fórmula secreta, marca de fábrica ou propriedade semelhante mas não inclui nenhum royalty ou importância paga em retribuição à exploração de uma mina, jazida ou por qualquer outro tipo de extração de recursos naturais (g. n.) 31. Este Parecer trouxe uma definição para o termo royalty e não se confronta com as Leis n's 9.609/98 e 9.279/96, já que estes dispositivos legais não trouxeram definição legal distinta. (...) Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.714 8 43. No caso, o contrato de fls. 69/102, previa expressamente na cláusula 7.3.1 que a SAPAG concederia à SAPND "licença para usar as marcas e marcas de serviços cujo registro foi pedido e/ou registradas e/ou usadas pela SAPAG juntamente com o Software" 44. Fica claro que por qualquer que seja o prisma que analisemos a questão a conclusão é idêntica: os pagamentos efetuadas pela empresa autuada decorreram de royalties. Por todo exposto, entendo que as licenças de uso e comercialização de software não se trata de direitos autorais, mas sim de royalties. 1.3. Obscuridade/contradição ao aplicar à hipótese dos autos o tratamento dado a royalties pelo uso de marca e ao fazêlo com base no inciso "d" do art. 71 da Lei nº 4.506/64. Nesse ponto a obscuridade a ser sanada é em relação ao art. 71, § único, alínea "d", da Lei nº 4.506/64, ao mencionar que em tal artigo abarcaria em sua textualidade as "pessoas físicas ou jurídicas". De fato, a lei não menciona tais termos no que tange a indedutibilidade dos royalties da pessoa física ou jurídica, trantandose de um equívoco textual. Todavia, tal lapso não afetou a conclusão do voto condutor nesse ponto, no sentido da aplicação do art. 71, § da Lei nº 4.506/64, regulamentado pelo art. 353 do Decreto nº 3.000/1999 ao caso concreto. Ressaltase que a expressão "sócio" no referido artigo não se restringe apenas as pessoas físicas, como faz crer a Recorrente. Tal conclusão pode ser percebida, conforme o seguinte trecho do acórdão: No entanto, entendo que não cabe fazer o uso da interpretação restritiva, em sede de processo administrativo, para afastar a aplicabilidade da norma presente no ordernamento jurídico. Nesse mesmo sentido, este Colegiado já se manifestou quanto a restrição à dedução dessa despesa de royalties aos pagamentos a esse título realizados a pessoa jurídica sócia da entidade pagadora, a saber: (...) ROYALTIES. INDEDUTIBILIDADE. PAGAMENTO. SÓCIO PESSOA JURÍDICA. É indedutível o pagamento de royalties pelo uso de marca feito A pessoa física ou jurídica, vinculada societariamente A fonte pagadora. (1a Seção 3a Câmara 1a Turma Ordinária, Acordão 1301000.817, Rel. Guilherme Pollastri Gomes da Silva . Julgado em 02 de fevereiro e 2012) Vejase também: INDEDUTIBILIDADE . Os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria, que atendam as normas gerais de necessidade, usualidade e normalidade são dedutíveis, exceto se pagos por filial no Brasil em benefício de sua matriz no exterior, ou por sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto. Quaisquer outros royalties, se pagos a sócio, pessoa física ou jurídica, são indedutíveis.”(CSRF. Acórdão nº 9101001.908. 1T. Rel. Valmir Sandri. Julgado em 13 de maio de 2014) Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 1301002.557 S1C3T1 Fl. 1.715 9 Reforço tal conclusão, destacando que o artigo 1.052 e seguintes do Código Civil se referem à palavra “sócio” sem distinção no que tange o sócio pessoa física e o sócio pessoa jurídica. Ante todo o exposto, acolho os embargos e, no mérito, negolhes provimento, mantendose a decisão proferida pro este colegiado no Acórdão nº 1301002.200. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 1715DF CARF MF
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Numero do processo: 11853.001734/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/11/2002
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. REFORMA DE DECISÃO
Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1°, I, da Lei Complementar n° 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-005.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto.
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SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. REFORMA DE DECISÃO Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1°, I, da Lei Complementar n° 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 17 34 /2 00 7- 76 Fl. 453DF CARF MF 2 Relatório Em 10/11/2003, foi emitida a Decisão Notificação nº 23.401.4/0523/2003 (fls. 281 a 287), que cancelou a isenção do contribuinte enquanto entidade beneficente de assistência social e que recebeu a seguinte ementa: "ENTIDADE BENEFICENTE. CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. A pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social deverá atender, cumulativamente, os requisitos do art. 55, da Lei n.° 8.212/91, sob pena de cancelamento da isenção. • CANCELAMENTO DE ISENÇÃO.." Na mesma data, foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 23.401.4/0002/2003 (fl. 288). Diante de tal cenário, foi lançado crédito tributário contra o contribuinte no montante de R$ 2.503.533,11 que, conforme relatório fiscal (fls. 198 a 200), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais, transportadores autônomos, por serviços prestados no período de 09/1999 a 11/2002. Nos termos do Relatório Fiscal, o valor da contribuição lançada foi apurado com base nos lançamentos contábeis da notificada, sendo que, em razão dos registros de fatos geradores de contribuição previdenciária não estarem contabilizados em títulos próprios, foram excluídos do lançamento os valores dos registros apontados pela notificada como não relacionados a fato gerador de contribuição previdenciária. A notificada apresentou defesa (fls. 250 a 254), na qual alega, em síntese: (i) o cerceamento de defesa em razão de falta de clareza do Relatório Fiscal, ausência de informações, no Relatório Fiscal, quanto aos questionamentos sobre a isenção da cota patronal e as razões de desconsideração do FPAS no qual se autoenquadra a empresa; (ii) a nulidade do lançamento, em razão de estar pendente de julgamento administrativo, por ocasião de sua lavratura, o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 23.401.4/0002/2003, sendo que somente após o julgamento definitivo em segunda instância é que o crédito poderia ser constituído; (iii) que a Portaria MPS n° 520/2004, em especial o §2° de seu artigo 23, pelo qual não seriam mais admitidos recursos que envolvessem discussões relacionadas às premissas dos incisos I, II e III do art. 206 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, não pode ser aplicada retroativamente, eis que o recurso administrativo foi apresentado na vigência da Portaria MPAS n° 357/2002; e (iv) que parte dos autônomos caracterizados como segurados empregados nesta NFLD estão com suas contribuições (de autônomos) incluídas na NFLD 35.360.5824, em duplicidade. Acrescenta que o lançamento carece de exata identificação dos transportadores autônomos, pois a denominação da conta contábil é insuficiente para caracterizar seus registros como serviços de transportador autônomo, no que deverá ser saneada a NFLD. Ao final, requer o cancelamento da NFLD em questão. Em 12/05/2006, foram os autos devolvidos à fiscalização para emissão de Relatório Fiscal Complementar contendo as justificativas do reenquadramento de FPAS. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 11853.001734/200776 Acórdão n.º 2301005.053 S2C3T1 Fl. 3 3 Em resposta, foi emitido Relatório Fiscal Complementar (fls. 272 a 2714), no qual é informado que a empresa adotava o FPAS 639, próprio de entidade beneficente de assistência social com isenção concedida pela Previdência Social. Entretanto, conforme determinado pela Decisão Notificação 23401.4/0523/2003, de 10/11/2003, foi emitido Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 23.401.4/0002/2003, com efeitos a partir de janeiro de 1998. Sendo assim, considerando a atividade preponderante da empresa, seu FPAS correto é o 515, referente a prestador de serviços e cessão de mão de obra. O Relatório Fiscal Complementar ainda traz informações sobre a distribuição dos empregados da notificada em cada atividade, visando demonstrar que a maioria dos segurados a serviço da empresa atua na prestação de serviços com cessão de mão de obra. Em 20/10/2006, foi emitida a Decisão Notificação nº 23.401.4/0415/2006 (fls. 316 a 321), que julgou procedente o lançamento e que recebeu a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1°, I, da Lei Complementar n° 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Após a emissão da decisão supracitada, foi juntada aos autos manifestação da notificada (fls. 324 a 355) informando que não foi cientificada do despacho de encaminhamento à diligência fiscal. O mesmo expediente reitera argumentos da defesa em relação à pendência de julgamento do Ato Cancelatório de Isenção Previdenciária no CRPS, por ocasião do lançamento fiscal, em relação à validade dos contratos de gestão e em relação à cobrança em duplicidade nos levantamentos "A" e "AU" da NFLD 35.360.5824. Alega também a notificada que o lançamento, feito com base na contabilidade, não identifica corretamente os transportadores autônomos. Dentro do prazo recursal, em face de seu inconformismo, a notificada impetrou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS (fls. 359 a 362), sem efetuar o depósito recursal, exigido pelo art. 126, da Lei n.° 8.213/91 c/c art. 306, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Constatado o vício de falta de intimação adequada a notificada, foi emitida Carta SRP/DRP/DF n° 009/2007, em 11 de janeiro de 2007 (fl. 365), cientificando o contribuinte do documento de fls. 270 e reabrindo prazo de defesa para manifestação. Em relação à Carta 009/2007, a notificada apresenta manifestação em 07/02/2007 (fls. 366 a 376), reiterando argumentos da defesa e informando que os vícios ali narrados não restaram corrigidos após emissão de Relatório Fiscal Complementar. Tendo em vista que no âmbito previdenciário, a autoridade julgadora de primeira instância poderá reformar sua decisão de ofício ou por provocação do sujeito passivo (interposição de recurso), conforme previsão do § 3° do art. 305 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99; no art. 25, caput, da Portaria MPS n.° Fl. 455DF CARF MF 4 520/04; e no art. 32 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Portaria MPS n.° 88/04, houve reformada decisão anterior mediante emissão da Reforma de Decisão Notificação nº 23.401.4/0116/2007 (fls. 380 a 387), que julgou procedente o lançamento e que recebeu a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. REFORMA DE DECISÃO Incide contribuição das empresas em geral sobre a remuneração dos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, conforme artigo 1°, I, da Lei Complementar n° 84/96, até 02/00 e, a partir de 03/00, conforme artigo 22, III, da Lei 8.212/91. A decisão emitida com preterição do direito de defesa do sujeito passivo pode ser reformada, de ofício, pela Administração Pública. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Em 09/04/2007, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 391 a 394) reiterando as alegações feitas anteriormente nas impugnações e manifestações. Em 20/01/2015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.514 (fls. 405 a 410), que converteu o julgamento em diligência uma vez que faltavam informações sobre o resultado final do processo (trânsito em julgado) e dessa forma, para evitar atos que pudessem, de alguma forma, prejudicar o exame do litígio, entendo que o processo deveria ser baixado em diligência para que o fisco se manifestasse sobre as seguintes questões: a) a data do trânsito em julgado da decisão (de primeira ou segunda instância) que tornou definitivo o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais; b) as rubricas objeto de lançamento na “NFLD 35.360.5824”, bem como o período abrangido pela autuação fiscal, para a verificação de duplicidade de levantamentos, aduzida pelo contribuinte. Segundo a Informação Fiscal (fls. 414 a 418), a data do trânsito em julgado da Decisão que cancelou a isenção das contribuições é a data da ciência do Ato Cancelatório, ou seja 24/11/2003. No tocante às rubricas objeto de lançamento na “NFLD 35.360.5824”, a contribuição cobrada na NFLD 35.360.5824 decorre da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, que neste caso não são os transportadores autônomos, sendo que na Informação Fiscal concluise que não há duplicidade de lançamentos / levantamentos na NFLD 35.360.5824 e entre esta NFLD e os lançamentos / levantamentos da presente NFLD 35.588.7452. Em 11/12/2015, o escritório Advocacia Najjarian Batista protocolou petição (fls. 424 a 425, 429 a 430 e 434 a 435) informando que seus profissionais não mais atuam em processos vinculados ao contribuinte desde os idos de 2007, não possuindo qualquer contato ou informações sobre o paradeiro do contribuinte, sendo que em consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil, o referido contribuinte tem sua situação cadastral baixada desde 2010, tendo como motivo a extinção por encerramento em liquidação judicial. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 11853.001734/200776 Acórdão n.º 2301005.053 S2C3T1 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O Relatório Fiscal e seus anexos, em conjunto com o Relatório Fiscal Complementar, informam, com clareza e precisão, todos os aspectos do Lançamento Fiscal. Destacase o Relatório de Lançamentos (fls. 42 a 139), no qual constam os registros contábeis em que foram identificados fatos geradores de contribuição previdenciária. Não há, portanto, que se falar em cerceamento de defesa ou ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. A empresa teve cancelada a isenção das contribuições previdenciárias em 10 de novembro de 2003, conforme Ato Cancelatório de Isenção de fls. 288, do qual teve ciência em 24 de novembro de 2003, por infração aos incisos II, IV e V do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, combinado com os incisos III, V e VI, do artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99. Em razão do cancelamento da isenção e, considerando a distribuição dos trabalhadores dentre as atividades exercidas pela empresa, concluise que o correto FPAS da mesma é o 515, referente a prestador de serviços e cessão de mãodeobra. As informações e o quadro constantes do Relatório Fiscal Complementar demonstram que a atividade preponderante da empresa é a cessão de mãodeobra, sendo que as informações contidas na defesa não têm o condão de modificar as conclusões nesse sentido. O presente lançamento é de 12 de julho de 2004, data em que o Ato Cancelatório estava pendente de julgamento no Conselho de Recursos da Previdência Social em relação ao descumprimento aos incisos IV e V do artigo da Lei n° 8.212/91, que correspondem aos incisos V e VI, do artigo 206, do RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99. Vale notar, entretanto, que a Decisão Notificação nº 23.401.4/0523/2003 e o correspondente Ato Cancelatório de Isenção, ambos de 10 de novembro de 2003, são decisões administrativas definitivas em relação ao cancelamento de isenção com base no descumprimento do inciso III do artigo 55 da .Lei n° 8.212/91, e que, desde então, a fiscalização da Previdência Social está apta a lançar os valores devidos e não recolhidos das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91. Nesse sentido, cumpre notar que na Informação Fiscal (fls. 414 a 418), ficou constatado que a data do trânsito em julgado da Decisão que cancelou a isenção das contribuições é a data da ciência do Ato Cancelatório, ou seja 24/11/2003. Fl. 457DF CARF MF 6 No que tange ao mérito, melhor sorte não assiste à defendente. No âmbito da Decisão Notificação nº 23.401.4/0116/2007 (fls. 380 a 387), já havia sido observado que em comparação efetuada entre o Relatório de Lançamentos da presente NFLD e o Relatório de Lançamentos da NFLD 35.360.5824, verificase que as contas utilizadas para apuração de seus respectivos valores não coincidem na maioria absoluta das competências. Somente nas competências 11 e 12 de 2001 constam lançamentos retirados da mesma conta. Entretanto, ainda que retirados da mesma conta, uma análise detalhada dos registros dessas competências nas duas NFLDs demonstram que não há lançamentos em duplicidade. Ademais, diante da conversão em diligência do julgamento no âmbito do CARF, na Informação Fiscal (fls. 414 a 418) concluiuse que não há duplicidade de lançamentos / levantamentos na NFLD 35.360.5824 e entre esta NFLD e os lançamentos / levantamentos da presente NFLD 35.588.7452. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 458DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720196/2008-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação não foi realizada de forma tempestiva.
Numero da decisão: 9202-005.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ARL AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA Recorrente INDUMA S/A INDÚSTRIA DE PAPEL E PAPELÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação não foi realizada de forma tempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 96 /2 00 8- 82 Fl. 246DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2005, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Ribeirão Pequeno, localizado no Município de TaióSC. Conforme descrição dos fatos (efl. 03) a autuação foi assim resumida pelo órgão fiscal: Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da Área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: Glosa da área de 400 hectares declarada como sendo de Reserva Legal, tendo em vista que, em que pese constar a averbação da área na matricula 9607 do Registro de Imóveis da Comarca de Taió/SC, esta só se deu em 21/12/2006 (averbação AV59607), portanto em data posterior ao fato gerador do imposto. Exercício ARL Declarado ARL Apurado Averbação ADA 2005 400ha 0ha 27/09/2007 (efls. 46/48) 2008 (efls. 45) Irresignado com a autuação o Contribuinte apresentou Impugnação (efls. 71/92), que foi julgada improcedente conforme o acórdão n° 0420.967, proferido pela DRJ em 02/07/2010, possuindo a seguinte ementa (efls. 108/116): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 RESERVA LEGAL. REQUISITOS. AVERBAÇÃO Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 247 3 Devidamente intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 121/140). Em sessão plenária de 03/12/2014, foi julgado o recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102003.209 (efls. 156/164), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Recurso Voluntário Negado Cientificada do acórdão em 04/02/2015 (efls. 169), o Contribuinte interpôs, no dia 18/02/2015, o Recurso Especial de efls. 172/178, com fundamento no artigo 64, II c/c artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, visando rediscutir o restabelecimento da ARL – Área de Reserva Legal declarado, alegando contrariedade à lei nº 9.636, de 1996 e ao art. 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965 (com redação dada pela Lei n° 7.803/89). Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial, conforme o Despacho s/n, de 30/09/2015 (efls. 206/208). O paradigma indicado pela Contribuinte possui a seguinte ementa: Fl. 248DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Recurso especial negado. O contribuinte peticionou reiterando os fundamentos já apresentados em sede do Recurso Especial (efls. 210/212). A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões sustentando que “a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada “a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área” (Art. 16 § 2°)” considerando, portanto, a averbação da ARL à margem da matricula do imóvel de caráter constitutivo. (efls. 222/237). Ao final, a Fazenda Nacional pede seja negado provimento ao Recurso Especial, mantendose o inteiro teor da decisão recorrida. O Contribuinte, às efls. 240/244, apresenta petição na qual apresenta argumentação de que ocorreu prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, razão pela qual pede o reconhecimento da extinção do crédito fiscal em discussão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial do Contribuinte, contra decisão por maioria dos votos proferida em 03/12/2014, foi interposto na modalidade de divergência jurisprudencial previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Destarte, sendo tempestivo e estando de acordo com os demais requisitos do Regimento Interno, o Recurso Especial deve ser conhecido. Antes de adentrar no mérito da questão acerca da intempestividade da averbação no caso de ARL, é preciso enfrentar o tema suscitado pelo Contribuinte acerca da ocorrência de prescrição intercorrente neste processo administrativo fiscal. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 248 5 Para enfrentar esse tema vale destacar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que pode ser verificado nos seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 174, DO CTN. MINISTÉRIO PÚBLICO. ILEGITIMIDADE PARA RECORRER. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. INOCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão ou sentença, omissão, contradição ou obscuridade, nos termos do art. 535, I e II, do CPC, ou para sanar erro material. 2. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Deveras, consoante assente, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 3. O recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastandose a incidência prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. [...] 14. Recurso especial desprovido. (REsp n° 1113959/RJ, Min. Rel. Luiz Fux, Primeira Turma, unânime, DJe 11/03/2010)(Grifei). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE AUTORIZATIVO LEGAL. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. POSSIBILIDADE. REVISÃO DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. JUROS DE Fl. 250DF CARF MF 6 MORA DEVIDOS DURANTE O TRÂMITE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. INCIDÊNCIA. ARTS. 161 DO CTN E 5º DO DECRETOLEI Nº 1.736/1979. 1. Afastada a alegada ofensa ao art. 535 do CPC, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre a matéria posta em debate na medida necessária para o deslinde da controvérsia. 2. Impossibilidade de conhecimento do recurso especial relativamente à alegada violação aos princípios da igualdade e da isonomia tributária (arts. 5º, caput, e 150, II, da Constituição Federal), sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal no âmbito do recurso extraordinário. 3. O acórdão recorrido se manifestou no mesmo sentido da jurisprudência desta Corte adotada em sede de recurso especial repetitivo, na sistemática do art. 543C, do CPC, (REsp nº 1.113.959/RJ), quanto à inexistência de dispositivo legal a autorizar a prescrição intercorrente na pendência de julgamento de impugnação administrativo após notificação de lançamento do crédito tributário através de auto de infração, uma vez que o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III, do CTN. 4. A jurisprudência deste STJ já se manifestou no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001. É que a Lei n. 8.021/90 já albergava a hipótese de lançamento do imposto de renda por arbitramento com base em depósitos ou aplicações bancárias, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Outrossim, revisar a ocorrência ou não de comprovação da origem dos recursos em questão é providência incompatível com este apelo extremo, haja vista o óbice da Súmula nº 7 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt n° REsp 1638268/MG, Min. Rel. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, unânime, DJe 01/03/2017)(Grifei). Além do posicionamento que vem mantendo o STJ, este Conselho também possui posicionamento semelhante, inclusive, sendo assunto sumulado. A Súmula n° 11 do CARF dispõe que “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Desta forma, diante da referida súmula e persistindo a ausência de previsão legal estipulando a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, não merece ser acolhido o pedido formulado pelo Contribuinte para que seja extinto o crédito fiscal pela ocorrência de prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Passando à análise da exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista glosa de 400ha relativos a ARL – Área de Reserva Legal, uma vez que a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel ocorrera em data posterior à do fato gerador. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 249 7 No acórdão recorrido, negouse provimento ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que a averbação é intempestiva, razão pela qual se sustentaria a glosa realizada pelo Fisco e a consequente manutenção do crédito fiscal. Adentro o tema a ser rediscutido utilizandome dos preciosos conhecimentos do Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Acórdão n.º 9202003.474. Neste aspecto, cumpre trazer breve digressão acerca da incidência do ITR bem como das hipóteses de sua isenção. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal nº 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Fl. 252DF CARF MF 8 Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal nº 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 250 9 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Fl. 254DF CARF MF 10 Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/ 2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 251 11 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinquenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos Fl. 256DF CARF MF 12 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 252 13 § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a ideia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental nº 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% Fl. 258DF CARF MF 14 previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. O caráter não constitutivo da averbação pode ser ratificado pelo fato de que atualmente está positivada na legislação não ser uma exigência a averbação da Reserva Legal junto ao Cartório de Restrito de imóveis. Ora, se para que uma reserva legal atualmente exista não precisa de averbação, apenas um raciocínio contraditório poderia afirmar que a averbação é elemento constitutivo, afinal o conceito de Reserva Legal continua o mesmo. Desta forma, não tendo sofrido alteração o conceito de reserva legal, não assiste razão dizer que em 2005, uma área não era considerada reserva legal por ausência de averbação, e hoje, 2017, ressaltese novamente, sem nenhuma alteração de conceito, uma determinada área é considerada reserva legal mesmo que não averbada em cartório. Assim voto por DAR PROVIMENTO ao recurso do Contribuinte, para reformar o acórdão recorrido, e desconsiderar a glosa referente à área de reserva legal ante o caráter declaratório que possui a averbação dessa área de utilização limitada, extinguindose o crédito fiscal. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto aos requisitos para fins de exclusão da área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR. Acerca do tema, alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal/Utilização Limitada junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 253 15 de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, Fl. 260DF CARF MF 16 cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 254 17 diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" Quanto à necessidade de apresentação ou protocolização do ADA também abranger a área de Reserva Legal, ressalto que entendo que a averbação da Reserva Legal, pública e de natureza constitutiva, na forma acima defendida, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação, considerado aqui, ainda o elemento volitivo do proprietário na eleição de tal área. Todavia, independentemente do ADA, no caso em questão, conforme se depreende da averbação de efl. 48, a área de Reserva Legal em litígio só restou averbada em 27/09/2007, assim, após o fato gerador em questão, ocorrido em 01/01/2005, não sendo, assim, passível de exclusão da base de cálculo do ITR. Diante do exposto, a partir do entendimento acima esposado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001795/2005-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano - calendário: 2004 Ementa: OPÇÃO PELO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DO IMPEDIMENTO LEGAL. Havendo nos autos prova de que a pessoa jurídica tenha ultrapassado o limite legal da receita bruta em 31/12/2003 torna-se cabível a sua exclusão do Simples a partir do o ano calendário subseqüente, ou seja, 01/01/2004, por restar configurado o impedimento legal de que trata o inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano - calendário: 2004 Ementa: OPÇÃO PELO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DO IMPEDIMENTO LEGAL. Havendo nos autos prova de que a pessoa jurídica tenha ultrapassado o limite legal da receita bruta em 31/12/2003 torna-se cabível a sua exclusão do Simples a partir do o ano calendário subseqüente, ou seja, 01/01/2004, por restar configurado o impedimento legal de que trata o inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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COMPROVAÇÃO DO IMPEDIMENTO LEGAL. Havendo nos autos prova de que a pessoa jurídica tenha ultrapassado o limite legal da receita bruta em 31/12/2003 tornase cabível a sua exclusão do Simples a partir do o ano calendário subseqüente, ou seja, 01/01/2004, por restar configurado o impedimento legal de que trata o inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, André Almeida Blanco e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever a lide adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.57/60) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo, formalizado em 10/06/2005 pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, de exclusão da contribuinte do Simples. 2. Relata o Auditor Fiscal da Receita Federal autor do procedimento, em despacho exarado em 09/06/2005, que no curso do procedimento fiscal instaurado contra a contribuinte foi constatado, conforme "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta" (fl. 2), que a fiscalizada, enquadrada na condição de empresa de pequeno porte no Simples, auferiu, no ano calendário 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido para permanecer no regime em questão, no valor de R$ 1.988.927,71, sendo cabível sua exclusão da sistemática simplificada com efeitos retroativos a partir de 01/01/2004, com fulcro no art. 14, inciso I, e 15, inciso ,IV, da Lei n°9.317, de 05/12/1996 (fls. 2 e 3). . 3. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo emitiu o Ato Declaratório Executivo Dicat/Derat/SPO n° 26, em 06/07/2005, para excluir a autuada do Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2004 (fl. 5). 4. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9°, inciso II, 12, 14, inciso I, e 15, inciso IV, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; art. 6° da Lei n° 9.779, de 19/01/1999;artigos 20, inciso II, 21, 23, inciso I, 24, inciso IV e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003. 5. Consignouse, ainda, no art. 2° do ADE em, comento, que a exclusão surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da , Lei n° 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 6. Cientificada do ADE em 21/07/2005 (fl. 5 verso), a interessada apresentou manifestação de inconformidade, com razões á fls. 6 a 18 e anexos às fls. 19 a 31. Alega, em síntese, que: 6.1. Preliminarmente, registrese a tempestividade do presente contraditório. 6.2. A defendente não concorda com os efeitos retroativos do ato de exclusão tendo em vista que o anocalendário 2004 já havia se encerrado quando da emissão do ADE, o mesmo tendo ocorrido com o prazo para entrega da Declaração' de Imposto de Renda Pessoa Jurídica para aquele anocalendário. Assim,, os efeitos da exclusão devem se materializar a partir da ciência do ADE em comento. Violação ao direito adquirido e ao princípio da irretroatividade. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 2 3 6.3. De acordo com os artigos 5°, inciso XXXVI, e 150, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal de 1988, "os efeitos da legislação só poderão surtir após sua vigência, devendo ser respaldados os direitos já adquiridos dos cidadãos, de tal sorte que quaisquer outros atos também devem observar essa restrição constitucional". 6.4. Portanto, o direito pátrio veda que a legislação, assim como demais atos administrativos, dentre eles o ADE, tenham efeitos retroativos à data de sua emissão, em afronta aos direitos e fatos perfeitamente concluídos, como demonstra o caso que se discute. 6.5. O Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), prevê em seu art. 103, inciso I, que os atos administrativos só entram em vigor e, por conseqüência surtem seus efeitos, após a data de sua publicidade. 6.6. O art. 146 do CTN determina que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução 6 17. O art. 105 do CTN registra que a legislação tributária aplicase i im1 ediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles suja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Entretanto, necessário ressaltar que o anocalendário 2004, atingido retroativamente elo ADE emitido em julho de 2005, encontrase encerrado, de modo a não se encontrar /na esteira dos fatos pendentes. 6.8. Este é o entendimento de nossos tribunais em casos análogos, nos quais foi reconhecida a impossibilidade de retroação dos efeitos da exclusão da Simples (transcreve ementas de julgados do Tribunal Regional Federal da/ Primeira Região à fl.10). Violação ao princípio da hierarquia das normas. 6.9. Os efeitos retroativos do ADE foram determinados pela autoridade fiscal com base no art. 15, inciso IV, da Lei n°9.317/1996, e no art. 24, inciso IV da IN SRF n° 355/2003, em total afronta a dispositivos de Lei de categoria normativa superiores, desrespeitando, assim, o princípio da hierarquia das normas, ainda mais porque o Código Tributário Nacional tem caráter de Lei Complementar, ante sua recepção pela CF/1988. 6.10. Assim, é de se imaginar que se as Leis emanadas do Poder Legislativo devem obedecer a uma hierarquia, não há que prevalecer uma Instrução Normativa editada pelo Secretário da Receita Federal, que visa apenas interpretar uma Lei, patentemente violadora das normas hierarquicamente superiores, quais sejam a CF/1988 e o CTN, este último com Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 eficácia de Lei Complementar (transcreve doutrina e ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça às fls. 13 e 14, em apoio à sua tese de que o CTN, aprovado pela Lei n° 5.172/1966, tem natureza de Lei Complementar). i 6.11. Desta forma, é inegável o caráter de Lei Complementar do CTN, de modo que a Lei n°9.317/1996 e a IN SRF n°355/2003 não podem contrariar a irretroatividade nele prevista. 6.12. Asseverese que se extraiu direitos intocáveis da defendente, eis que no anocalendário de 2004 a empresa . estava inscrita nó Simples e procedeu ao recolhimento dos tributos devidos em conformidade com a legislação pertinente. Violação ao princípio da isonomia. 6.13. A Lei n° 9.317/1996 viola por completo o princípio da isonomia tributária abrigado no art. 150, inciso II, da CF/1988, que proíbe o legislador tributário de instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. 6.14. Isto porque o art. 15 da Lei n° 9.317/1996 estabelece "formas alternativas" para os efeitos da exclusão de contribuintes do Simples. 6.15. No caso que se discute, como a exclusão da contribuinte ocorreu por suposta extrapolação do limite de receita bruta permitido para permanência no Simples, o comando da legislação prevê que a exclusão surta efeito a partir do ano calendário subseqüente à ocorrência deste fato. 6.16.Por outro lado, acaso a recorrente tivesse sido excluída do regime simplificado nas hipóteses previstas no art. 9°, incisos XV e XVI, da Lei n°9.317/1996, a exclusão surtiria efeitos a partir do anocalendário subseqüente ao, ciência do ADE, nos termos do art. 15, inciso VI, da mesma Lei, com a redação dada pela Medida Provisória n° 252, de 15/06/2005. 6.17. Nesta seara, visando averiguar afronta ao princípio constitucional da isonomia, devemos indagar se os diferentes motivos ensejadores da exclusão são fatores capazes de efetivamente diferenciar as pessoas, o que de fato, ocorreu no caso em comento. 6.18. Também devese analisar se os referidos critérios eleitos pelo legislador possuem correlação lógica e justificável com o tratamento jurídico diverso entre tais pessoas, dispostas pela mesma norma que, neste caso, confere a um contribuinte o direito de se beneficiar do Simples até o anocalendário subseqüente ao da ciência do ADE, e a outro, como a defendente, suprime todo o seu direito em relação a um fato jurídico perfeito e acabado, ao retroagir seus efeitos para um anocalendário "completamente encerrado". 6.19. A Lei n° 9.317/1996 não poderia, jamais, veicular normas diferentes para cada contribuinte, tendo em vista que as microempresas e empresas de pequeno porte são iguais entre si, não podendo ser tratadas deforma desigual: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 3 5 Conclusão. 6.20. À vista de todo exposto, demonstrada a abusividade do ADE no tocante aos seus efeitos, em razão de estar pautado em Lei e Instrução Normativa que contradizem normas hierarquicamente superiores e violam os princípios da irretroatividade e da isonomia, requer que seja acolhida a presente defesa, para o fim de determinar que a exclusão da recorrente do Simples se opere tão somente a partir da ciência do ato de exclusão em comento, a qual ocorreu em 20/07/2005, afastandose por completo sua retroatividade para o ano calendário de 2004. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPOI), decidiu pelo indeferimento da solicitação do Contribuinte mediante o Acórdão nº 1620.714, de 12/03/2009 (fls.56/64), assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL. EXCLUSÃO. Constatado que a receita bruta, no ano calendário de 2003, ultrapassou o limite legal, é cabível a exclusão da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN) APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. Incabível a discussão acerca da data de vigência do ato administrativo, da aplicação da legislação a fatos geradores futuros ou pendentes e da alteração em critério jurídico adotado na atividade de lançamento, nos termos dos artigos 103, 105 e 146 do CTN, posto que os termos retroativos da exclusão discutida nos autos estão fundamentados em Lei que autoriza a sua aplicação. DECISÕES L ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda PRINCÍPIO DA ISONOMIA. APLICABILIDADE. O princípio da isonomia tributária tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para ¡empresas que se encontram em situação distinta. A empresa foi cientificada da decisão acima, conforme o Aviso de Recebimento (AR, fl.68), de 28/01/2010 (5a.feira), e, interpôs o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 01/03/2010 (2a feira), fls.69/82, com os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade em sede de primeira instância, acima relatados, portanto, desnecessário repetilos. Finalmente requer que a exclusão do SIMPLES se opere tão somente a partir da ciência do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DICAT/DERAT/SPO N° 26, de 06 de julho de 2005, a qual se deu no dia 20 de julho e 2005, afastandose por completo sua retroatividade para o ano calendário de 2004. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 4 7 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins De Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. Verificase da Representação Fiscal, fl.02, que foi constatado, conforme o "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (receita declarada e/ou adicional apurada pela fiscalização), que a recorrente enquadrada na condição de empresa de pequeno porte, auferiu, no decorrer do ano calendário de 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido para ingressar no Simples no valor de R$ 1.988.927,71. Conforme relatado, tanto na manifestação de inconformidade apresentada em sede de primeira instância, quanto na peça recursal, o contribuinte se insurge contra a retroatividade dos efeitos do Ato Declaratório Executivo nº 26, de 06, de 2005, para o ano calendário de 2004. A Recorrente não nega que tenha auferido, no anocalendário 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido para permanecer no regime do Simples, no valor de R$ 1.988.927,71, portanto, ultrapassado o limite legal de R$ 1.200.000,00,e que, incorreu na vedação à opção pelo Simples, disposta no inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. No entanto, discorda que os efeitos da exclusão possam retroagir ao ano calendário de 2004 mas, tão somente a partir, da ciência do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DICAT/DERAT/SPO N° 26, de 06 de julho de 2005, a qual se deu no dia 20 de julho e 2005, no que afastaria por completo sua retroatividade para o ano calendário de 2004. É inegável que a recorrente auferiu, no ano calendário 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido em lei para permanecer no regime em questão, no valor de R$ 1.200.000,00 sendo cabível sua exclusão da sistemática simplificada com efeitos retroativos a partir de 01/01/2004, com fulcro na Lei n°9.317, de 05/12/1996, que assim dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$720.000,00 (setecentos e vinte mil reais); II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória no 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória no 275, de 2005) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei no 11.307, de 2006) (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Destaquei) Desse modo, ainda, que constatada a situação excludente, prevista no inciso IV do artigo 9º, referente ao ano calendário de 2003, e, expedido o Ato Declaratório somente em 2005, os efeitos da exclusão retroagem ao tempo em que incorrida tal situação excludente, surtindo os efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido na Lei 9.317/96, vigente à época do fato gerador da exclusão. Aduz a Recorrente que o procedimento de exclusão fere o direito adquirido e o princípio da anterioridade, na medida em que se determinou fossem os efeitos do ADE de exclusão do SIMPLES retroativos ao ano calendário já encerrado de 2004. Tratase pois, de respeito ao princípio da legalidade, pois, de acordo com o inciso IV do art. 15 da Lei no 9.317, de 1996, a exclusão do SIMPLES na condição de que trata o presente processo (inciso II do caput do art. 9o da Lei 9.317/96) tem efeito retroativo a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, ou seja, a partir Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 5 9 de 01/01/2004, e, não a partir de 20 de julho e 2005, data da ciência do Ato Declaratório como pretende a recorrente. Assim, ultrapassado o limite em 2003, indubitavelmente a exclusão darseá em 01/01/2004. Insiste a Recorrente que o art. 15 da Lei 9.317/96 padece de inconstitucionalidade, pois, retroagindo o Ato Declaratório de exclusão do Simples, cientificado ao contribuinte em 2005, fere o princípio da irretroatividade da lei tributária, previsto no art. 150, inciso III, alínea "a", bem como contradiz normas, hierarquicamente superiores e viola o princípio da isonomia. No que tange a alegada ofensa da lei à carta constitucional, não cabe aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicar a lei dita ofensiva, encontrando óbice, inclusive, na Súmula nº 2 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, consolidada no Anexo III da Portaria nº 106 de 21/12/2009, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 22/12/2009, verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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