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Numero do processo: 10508.000037/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PIS. COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS DE PRATICAGEM.
Inexistindo nos autos provas de que a contribuinte atendeu aos requisitos necessários para caracterização da isenção da Cofins e da contribuição para o PIS, indefere-se o pedido de restituição.
É imprescindível que o contribuinte demonstre os valores dos créditos que teria a fim de comprovar o direito líquido e certo à restituição/compensação.
Numero da decisão: 3201-005.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS DE PRATICAGEM. Inexistindo nos autos provas de que a contribuinte atendeu aos requisitos necessários para caracterização da isenção da Cofins e da contribuição para o PIS, indefere-se o pedido de restituição. É imprescindível que o contribuinte demonstre os valores dos créditos que teria a fim de comprovar o direito líquido e certo à restituição/compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela contribuinte às fls. 252/255, contra o Despacho Decisório n° 17 da IRF/Ilhéus/Ba. (fls. 248/250), que, com base nos artigos 30, 33 e 34 da Lei n° 10.833, de 2003, indeferiu o AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 00 37 /2 00 7- 65 Fl. 316DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.475 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000037/2007-65 pedido de restituição do PIS e da Cofins retidos na fonte, código de receita 5952, constante das fls. 01/03. A Manifestação de Inconformidade tem o seguinte teor sintetizado a seguir. • diz, inicialmente, em resumo, que o indeferimento de seu pedido restituição pela IRF/Ilhéus, baseou-se; a) no fato do pedido ter-se • referido a retenções de tributo do código 5952, conforme consta do requerimento inicial (fl. 01); b) o valor pleiteado ter sido o total das retenções dos tributos, e não o das diferenças "entre o total retido/recolhido (independentemente do código utilizado) e o total devido no período"; • esclarece que o pleito de restituição dos valores retidos pelas fontes pagadoras da empresa nas operações solicitadas baseou-se no seu direito à isenção de PIS e Cofins, reconhecido através do processo de consulta n° 10508.000318/2005-56 (Solução de Consulta n° 06, de 12/04/2006), por isso que, os valores cuja restituição foi pleiteada neste processo são restituíveis em sua integralidade, pois sendo o imposto a restituir o resultante da diferença entre o imposto pago e o devido, e sendo o devido igual a zero (dada à reconhecida isenção) o valor do imposto a restituir será igual ao valor do retido; • que a tabela que está apresentando (fl. 254) trás o resumo dos valores • pleiteados em restituição, destacando, ainda, que todos os clientes de sua empresa, no período do pedido, foram armadores estrangeiros, motivo pelo qual, todas as operações da empresa no período foram alcançadas pela isenção; • que a menção do código 5952 na inicial do pleito de restituição deu-se pelo fato de ter sido este código o utilizado no recolhimento pelas fontes pagadoras, bem como o que figura nos demonstrativos fornecidos a sua empresa por essas mesmas fontes, passando, em seguida, a questionar: se este código não pode ser utilizado, qual deveria sê-lo?; que mesmo considerando a utilização deste código como um vício do processo, não seria possível saneá-lo mediante uma simples intimação para esclarecimento ?; • requer, a vista do exposto, e com base no art. 48, da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, a reforma do Despacho Decisório da IRF/Ilhéus/Ba. (fls. 248/250), de forma a reconhecer o seu direito à restituição dos valores pleiteados. Em face do despacho de fl. 256, o processo veio a esta DR.I/SDR, para julgamento." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PIS. COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS DE PRATICAGEM. Inexistindo nos autos provas de que a contribuinte atendeu aos requisitos necessários para caracterização da isenção da Cofins e da contribuição para o PIS, indefere-se o pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) o Pedido de Restituição formulado se ampara na Solução de Consulta n° 6, de 12 de abril de 2006 (processo administrativo 10508.000318/2005-56), onde se reconheceu a não incidência de PIS e de COFINS sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoas residentes ou domiciliadas no exterior; (ii) o que motivou a ingressar com a Consulta é o fato de que, embora sua atividade econômica consista na prestação de serviços de praticagem (atividade de Prático) para embarcações de bandeira estrangeira pertencentes a empresas com domicilio no exterior Fl. 317DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.475 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000037/2007-65 (exportação de serviços), nos termos da Lei 9.537/97, vinha sofrendo, reiteradamente, as retenções das citadas contribuições sociais; (iii) apresentou o presente Pedido de Restituição, em formulário, anexando os documentos que acreditava serem suficientes: Notas Fiscais; Planilhas; Comprovantes de Retenções; e posteriormente, em conseqüência de intimação da Receita Federal (fl. 248 a 250) apresentou as respectivas DACON e outras Notas Fiscais; (iv) o Despacho Decisório IRF/Ilhéus n° 17/2007, indeferiu o pedido de restituição sob o fundamento de que não fora formulado nos moldes da legislação aplicável, visto que (a) foi solicitada a restituição sob o código específico das retenções (5952) e (b) o valor pleiteado seria a totalidade das retenções ao invés das diferenças entre o valor recolhido e o valor devido; (v) o Despacho Decisório pautou seu fundamento em erro formal; (vi) toda a sua receita/faturamento advém de exportação de serviço que, segundo a Solução de Consulta, é isenta de PIS e de COFINS. (vii) se não há outra fonte de receita/faturamento, resta evidente que toda a retenção sofrida (e diga-se, indevida) consiste em pagamento a maior e está sujeita ao pedido de restituição; (viii) a RFB poderia ter solicitado novos documentos, esclarecimentos ou ainda, determinar uma diligência, nos termos do artigo 4º da IN n° 600/05; (ix) o fato de solicitar a restituição no código 5952 (retenções) decorre de um equívoco formal dado, principalmente, pela confusão entre os valores de retenções e débitos, que como mencionado, são exatamente iguais em função de o débito corresponder a zero; (x) o equívoco na informação do código, é plenamente passível de correção pela Recorrente, ou até mesmo de ofício, pois deve prevalecer e verdade material sobre a formal; (xi) na Instrução Normativa n° 459/2004 (vigente até junho de 2007, embora afirmasse que as retenções de PIS e COFINS consistissem em pagamentos antecipados, ao não reconhecer à possibilidade de restituições nos casos de pagamentos a maior em função destas retenções, a RFB descaracterizava a própria natureza jurídica aplicada aos pagamentos antecipados e determinava um tratamento diferencial; (xii) embora a RFB atribuísse como denominação "pagamento antecipado", o tratamento aplicado às retenções era de "créditos de regime não-cumalativo", pois o pagamento a maior resultante destas retenções (saldo credor) somente podia ser compensado com os débitos dos períodos subseqüentes; (xiii) há inovação dos fundamentos utilizados no acórdão da DRJ, pois enquanto no Despacho Decisório fora utilizado como único fundamento o fato do pedido não ter sido formulado nos termos da legislação aplicável em função do requerimento de restituição de tributo de código 5952, o Acórdão da DRJ foi além ao questionar o direito da Recorrente em face do teor da Solução de Consulta SRF n° 04/2006; (xiv) segundo a DRJ, a Solução de Consulta que teria amparado o pleito não teria reconhecido "o seu direito à isenção de PIS e COFINS, mas sim evidenciadas as premissas para o reconhecimento dessa isenção" de maneira a estabelecer condições necessárias para tal benefício fiscal; Fl. 318DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.475 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000037/2007-65 (xv) o Acórdão da DRJ é ilegal por ferir frontalmente o (a) princípio da legalidade, por julgar fato que não é objeto do processo (teor da Solução de Consulta) de modo a extrapolar a sua competência legal, (b) o princípio do contraditório, pois, ao amparar o acórdão em novos argumentos, amputou-se o direito da Recorrente em examiná-los e contestá-los, suprimindo-lhe uma das fases do processo administrativo, o que resulta também na (c) afronta do princípio do duplo grau de jurisdição; (xvi) o objeto do Processo de Consulta formulado consiste em conhecer a interpretação do Fisco sobre a isenção na exportação de serviços em face da peculiaridade da atividade econômica exercida: ocorrência de pagamento em moeda nacional por meio de agentes/ representantes do tomador de serviço (transportador estrangeiro); (xvii) somente após analisar o teor da Solução de Consulta e compará-la com os fatos e, principalmente, constatada o cumprimento das condições exigidas na interpretação dada pelo Fisco, é que requereu a restituição do pagamento a maior do tributo em decorrência das retenções sofridas indevidamente em face da isenção fiscal; (xviii) o Pedido de Restituição não está diretamente vinculado com a Solução de Consulta, pois nesta não houve qualquer reconhecimento de isenção (mesmo porque não é necessário), mas sim, sobre a interpretação da legislação por parte do Fisco; (xix) o fato do Acórdão da DRJ indeferir o pedido de restituição sob o argumento de que o teor da Solução de Consulta n° 06/2006 não concedera o direito, demonstra a total insubsistência desta decisão; (xx) o indeferimento do Pedido de Restituição amparado no argumento de que a Solução de Consulta não reconheceu o direito da Recorrente é insubsistente, razão pelo qual se deve reformar o Acórdão da DRJ para deferir a restituição, ou subsidiariamente, anular o citado Acórdão para que se determine uma diligência para a constatação dos cumprimentos das exigências estabelecidas no Processo de Consulta; (xxi) considerando que pairassem dúvidas quanto à isenção ou ao cumprimento das exigências estabelecidas na interpretação legal (Solução de Consulta), caberia ao Fisco, in caso DRJ, requerer a apresentação de documentos comprobatórios ou ainda, determinar uma diligência para conferir os seus documentos contábeis e fiscais; e (xxii) por total ausência de norma específica sobre o pedido de restituição de PIS e COFINS, não se pode exigir a apresentação de toda a documentação fiscal que confirme a isenção. Na sequência, a DRJ de Ilhéus proferiu novo despacho decisório de n° 274/2010, não homologando as compensações contidas nas Dcomps enumeradas. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator. A decisão recorrida indeferiu o pedido de restituição formulado pela Recorrente pela ausência nos autos de provas de que atendeu aos requisitos necessários para caracterização da isenção da Cofins e da contribuição para o PIS. Fl. 319DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.475 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000037/2007-65 Compreendo que a decisão recorrida não merece reforma. A Recorrente alega que o Pedido de Restituição não está diretamente vinculado com a Solução de Consulta, pois nesta não houve qualquer reconhecimento de isenção (mesmo porque não é necessário), mas sim, sobre a interpretação da legislação por parte do Fisco. Ocorre que, em sede de Manifestação de Inconformidade, de modo expresso, a Recorrente defende o contrário, in verbis: "Cabe, aqui, esclarecer que o pleito de restituição dos valores retidos pelas fontes pagadoras da empresa nas operações solicitadas baseou-se no seu direito à isenção de PIS e COFINS, reconhecido através do processo de consulta n°. 10508.00031812005-56 (Solução de Consulta n°. 06, de 12/04/2006). Como consequência direta desse reconhecimento, temos que os valores cuja restituição foi pleiteada neste processo são restituíveis em sua integralidade, pois sendo o imposto a restituir o resultante da diferença entre o imposto pago e o devido e sendo este (o devido) igual a ZERO (dada à reconhecida isenção) o valor do imposto a restituir será igual ao do valor retido." (nosso destaque) A Solução de Consulta nº 6/2006 dispõe: "Conclui-se que, sendo o contratante a empresa estrangeira a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) — v.g., Carta-Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a referida isenção, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior." Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Como se vê, não foi reconhecido na referida consulta o seu direito à isenção do PIS e da Cofins, mas sim, evidenciadas as premissas para o reconhecimento dessa isenção, já que a atuação do agente e/ou representante não descaracteriza tal operação, no entanto, para que o pagamento recebido pela prestação de seus serviços represente ingresso de divisas, torna-se necessária o cumprimento de outras condições como as citadas acima, ou seja: que a contribuinte seja signatária de contrato de direito privado com pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; que totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior." Como visto, não houve inovação na decisão proferida pela DRJ, pois a Recorrente embasou sua Manifestação de Inconformidade na assertiva antes transcrita de que o pedido baseou-se no que fora reconhecido através do processo de consulta n°. 10508.00031812005-56 (Solução de Consulta n°. 06, de 12/04/2006). Acrescente-se que não trouxe a Recorrente aos autos nenhum dos documentos mencionados na Solução de Consulta e na decisão recorrida. A própria Recorrente tinha ciência da necessidade de apresentação dos documentos, tanto que, no recurso consigna: "Desta forma, o acórdão da DRJ deve ser reformado para deferir o Pedido de Restituição pelas razões a serem apresentadas, ou subsidiariamente, que se anule o citado acórdão e determine uma diligência para a constatação das "condicionantes" da Fl. 320DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.475 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000037/2007-65 Solução de Consulta que estabelece a isenção da Recorrente, pelos fatos e direitos a seguir." Diz ainda: "Somente após analisar o teor da Solução de Consulta e compará-la com os fatos e, principalmente, constatada o cumprimento das condições exigidas na interpretação dada pelo Fisco, é que a Recorrente requereu a restituição do pagamento a maior do tributo em decorrência das retenções sofridas indevidamente em face da isenção fiscal." Ora, se analisou o teor da Solução de Consulta e constatou o cumprimento das condições exigidas na interpretação conferida pela Fiscalização, deveria a Recorrente ter colacionado aos autos a documentação apontada na própria Solução de Consulta. Tivesse ao menos, colacionado tal documentação com o Recurso ora em análise, poder-se-ia cogitar em eventual conversão do julgamento em diligência, mas restando omissa a Recorrente no cumprimento do seu dever instrumental, tal providência processual não é cabível. É ônus da Recorrente provar que preenche os requisitos para fazer jus a isenção alegada. Inexistindo a prova, o pleito deve ser indeferido. Neste sentido tem decidido o CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 24/09/2008 COFINS. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. PROVA. Cabe ao contribuinte demonstrar no processo de restituição, que verse sobre incidência alegadamente indevida sobre exportação de serviços, as condições sobre a isenção das operações, especificamente no que diz respeito a se tratar de prestador residente ou domiciliado no exterior e a haver efetivo ingresso de dívidas no País. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 10283.005935/2008-72; Acórdão nº 3302- 002.158; Relator Conselheiro José Antonio Francisco; sessão de 25/06/2013) Repita-se: junto com a peça recursal a Recorrente não trouxe nenhum elemento probatório apto a derruir a decisão recorrida. Deve-se levar em consideração que a necessidade de comprovação do crédito alegado é condição imperiosa, para que se proceda a restituição/compensação de valores. Não é devida a autorização de restituição/compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. A própria Recorrente averba que: "Vale novamente mencionar, que por total ausência de norma específica sobre o pedido de restituição de PIS e COFINS, não se pode exigir da Recorrente a apresentação de toda a documentação fiscal que confirme a isenção. Há que se considerar ainda, além de se tratar de enorme volume de documentos, a possibilidade de diligência por parte do Fisco em atenção ao princípio da verdade material positivado, principalmente, no artigo 4° da IN n° 600/2005." Em havendo o reconhecimento por parte da Recorrente que se trata de enorme volume de documentos, confirma-se temerário o reconhecimento do direito postulado sem qualquer apreciação de tal documentação. Fl. 321DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.475 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000037/2007-65 Ainda, se é sabedora do volume documental, deveria, ao menos por amostragem, ter trazido aos autos elementos probatórios da existência do crédito pleiteado. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do seu crédito. Nesses casos, quando é negado o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensina que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) Sobre a questão assim se posiciona o CARF: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2012 a 28/02/2014 (...) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO INDEVIDO. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. É imprescindível que o contribuinte demonstre os valores dos créditos que teria a fim de comprovar o direito líquido e certo à compensação. (...)" (Processo nº 10510.721577/2014-66; Acórdão nº 2202-003.840; Relatora Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio; sessão de 10/05/2017) Por fim, com relação ao argumento recursal com relação ao código de receita 5952 (Retenção Contribuições Pagt de PJ a PJ Dir Priv - CSLL/Cofins/PIS), e de que poderia proceder a correção do erro formal do pedido, reporto-me ao consignado na decisão atacada como razões de decidir: "Ademais, verifica-se que improcedem o seu questionamento com relação ao código de receita 5952 (Retenção Contribuições Pagt de PJ a PJ Dir Priv - CSLL/Cofins/PIS), constante do seu pedido de restituição às 11s. 01/03, posto que, conforme consta do Despacho Decisório da IRF/Ilhéus ( fls. 248/255), seu pleito foi indeferido, porque refere-se a restituição de valores retidos na fonte, na forma dos artigos 30, 33 e 34 da Lei n° 10.833, de 2003, os quais serão considerados, de acordo com o art. 36 desta mesma lei, como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e às respectivas contribuições. Além do mais, conforme já esclarecido no referido despacho decisório, o pedido de restituição deve ter por objeto o total das contribuições recolhidas ou retidas a maior, ou seja, a diferença entre o total retido/recolhido (independentemente do código utilizado) e o total devido no período." Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 322DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.475 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000037/2007-65 (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 323DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721482/2017-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
AQUISIÇÃO DE MP, PI E ME COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. DESTINAÇÃO DIVERSA. EXTINÇÃO DO REGIME. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PELO FORNECEDOR.
É do adquirente a responsabilidade do recolhimento dos tributos que deixaram de ser pagos pelo fornecedor, diante da suspensão concedida na venda de matéria prima para industrialização de produtos a serem exportados, quando constatada destinação diversa.
A falta ou insuficiência de declaração e recolhimento apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
PROVAS.
De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito alegado ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3302-007.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DESTINAÇÃO DIVERSA. EXTINÇÃO DO REGIME. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PELO FORNECEDOR. É do adquirente a responsabilidade do recolhimento dos tributos que deixaram de ser pagos pelo fornecedor, diante da suspensão concedida na venda de matéria prima para industrialização de produtos a serem exportados, quando constatada destinação diversa. A falta ou insuficiência de declaração e recolhimento apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. PROVAS. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito alegado ao sujeito passivo. TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 14 82 /2 01 7- 63 Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 144 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo dos Autos de Infração, lavrados em 06/07/2017, para exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, no regime de incidência não cumulativa, relativa aos períodos de 01/2013 a 12/2013, no valor total de R$ 3.976.831,47, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 07/2017, em virtude da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, diante do não cumprimento das condições para fruição da aquisição com suspensão de matéria prima, produto intermediário e embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, conforme Termo de Verificação de Infração III, abaixo: 1. Considerações Iniciais Trata o presente trabalho de expor as conclusões do procedimento fiscal na verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins ao longo do ano calendário 2013 do contribuinte Evolution Comercial Exportadora Ltda., CNPJ 05.699.094/000152, em operações de compra de matériaprima com suspensão dos tributos. Segundo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2014/2013, o contribuinte optou como forma de tributação o lucro real trimestral, sujeito então à sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Segundo seu contrato social, tem por objeto “a exploração comercial das seguintes atividades: exportação, importação e industrialização de mercadorias na categoria de empresa comercial exportadora, fomento comercial e mercantil.” Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 145 3 Através da Intimação nº 1/2017000277 (fls. 186/218) o contribuinte foi cientificado em 21/02/2017 no seu Domicílio Tributário Eletrônico via dossiê de atendimento digital n.º 10010.015826/021782 do início do procedimento fiscal e intimado a apresentar documentos da pessoa jurídica e responsável, indicação de procurador, informação sobre a existência de ações judiciais, Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), Escrituração Contábil Digital (ECD), justificativa para as divergências entre as receitas declaradas e a movimentação financeira e informações sobre produtos adquiridos com suspensão de tributos. A resposta foi protocolada em 13/03/2017 (fls. 220/1586). Em nova Intimação nº 2/2017000277 (fls. 1587/1590) requereuse em 29/03/2017 a apresentação de planilha de cálculo referente a lançamentos consolidados em conta contábil, justificativa para existência de saldos credores de caixa e esclarecimentos adicionais acerca de produtos adquiridos com suspensão de tributos. A resposta foi protocolada em 19/04/2017 (fls. 1592/1774). A Intimação nº 3/2017000277 foi feita para instrução do processo administrativo de arrolamento de bens já existente da fiscalizada, n.º 10920.720287/201635. Efetuaramse consultas ao CNPJ (fls. 3/5), à Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2014/2013 (fls. 6/92), aos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON (fls. 93/117), às Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF (fl. 142), às Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fl. 143), às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP (fls. 144/145), ao Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX (fls. 164/179), às notas fiscais eletrônicas NFe emitidas pelo contribuinte e seus fornecedores, às informações transmitidas ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED da Escrituração Contábil Digital ECD e da Escrituração Fiscal Digital EFDICMS/ IPI, arquivos transmitidos pelo contribuinte com hashcodes listados abaixo: (...) No decorrer do procedimento fiscal foram identificadas diversas hipóteses para exigência de crédito tributário. Em vista disso, considerando o disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 Regulamento do PAF e na Portaria RFB nº 1.668/2016, foram formalizados processos administrativos fiscais distintos para os lançamentos de ofício, com seus respectivos Termos de Verificação de Infração, listados abaixo: (...) Estes processos administrativos fiscais e o dossiê de atendimento podem ser acessados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC). Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 146 4 2. Fundamentação De início cabe delimitar o objeto deste Termo de Verificação de Infração III: expor as conclusões que resultaram no lançamento de ofício de Contribuição ara o PIS/Pasep e de Cofins, em decorrência de fatos apurados ao longo do rocedimento fiscal, sobre os quais se discorrerá à frente. Segundo consta em sua Escrituração Fiscal Digital EFD ICMS/IPI e nas notas iscais eletrônicas emitidas pelos fornecedores Sudati Painéis Ltda., CNPJ 08.803.452/000113 e Berneck S.A Painéis e Serrados, CNPJ 81.905.176/001409, a fiscalizada Evolution adquiriu daquelas empresas ao longo de 2013 o montante de R$ 19.477.991,76 em painéis de fibras de madeira classificados na posição NCM 44.11 da TIPI, conhecidos popularmente como painéis de MDF. Tais aquisições foram feitas com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme consta no campo Observações dos documentos: “SUSP DE IPI ART 29 1, II DA LEI 10637 DE 30/12/02 INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB 948 DE 15/06/09. SUSP DE PIS/PASEP E COFINS ART 40 DA LEI 10685 DE 30/04/04 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N 595 DE 27/12/04 (sic)” (Sudati) e “Saída com suspensão do IPI conforme Art.29 da lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 Conforme Ato Declaratório Executivo nº 201 de 21 de junho de 2010. Saída com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS conf. art.40 da lei 10.865 de 30 de abril de 2004 conforme Ato Declaratório Executivo nº 204 de 22 de junho de 2010” (Berneck) ou variações destes textos. Verificouse que Evolution encontrase habilitada ao regime de suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previsto no art. 40 da Lei nº 10.865/2004, na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desde 06/07/2010 pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 204/2010 (fl. 163). In verbis: Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) ... § 2º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente. Na Intimação nº 1/2017000277 foi apresentada a listagem daquelas aquisições e solicitouse à fiscalizada que informasse o destino dado aos produtos adquiridos e, se utilizadas em industrialização, que fosse apresentada relação de produtos produzidos, acompanhada de descrição dos processos Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 147 5 produtivos utilizados e indicação dos locais de estocagem e do parque fabril, ou se exportados diretamente, fosse apresentada listagem dos Despachos de Exportação, além de conhecimentos de frete de algumas notas fiscais. Em resposta, o contribuinte afirmou que “todas as mercadorias eram transportadas e deslocadas para o galpão de alvenaria com área de 650m2, edificado em terreno localizado na cidade de São Bento do Sul (SC) ... de propriedade da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda. ... As mercadorias foram utilizadas em processo de industrialização, cuja relação de produtos está em anexo aos extratos dos despachos aduaneiros. A estocagem e parque fabril eram no mesmo lugar onde a mercadoria era entregue ... Parte das mercadorias foram diretamente exportadas em seu estado original e parte foi utilizada em processo de industrialização, como componente de móveis acabados ... Não há conhecimento de frete, a Evolution tinha contrato de transporte com empresas encarregadas de efetuar as cargas de caminhão próprio ou arrendado, ou contratar frete de terceiros” (fls. 220/221). Anexou à resposta certidão de inteiro teor da matrícula do imóvel citado, um contrato de transporte de cargas, entre outros (fls. 1306/1320). Apresentou também cópias de notas fiscais de exportação e despachos de exportação referentes (fls. 1322/1578). Considerando a resposta vaga, sem suporte na contabilidade e desacompanhada de elementos suficientes, na Intimação n.º 2/2017000277, afirmando que conforme os Livros Razão e os arquivos digitais de registros contábeis entregues (Sinco4.1.1 emp00039501122013.txt e demais), não há na contabilidade registro de aluguéis, prestação de serviço, ou qualquer tipo de transação com aquela empresa (Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda.), requereuse a apresentação de esclarecimentos adicionais acompanhados de documentação hábil e idônea a comprovar o alegado e a efetiva industrialização. A fiscalizada limitouse a responder que “Conforme informado anteriormente, as mercadorias eram transportadas e deslocadas para o galpão de alvenaria de propriedade da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda, cujas matrículas já foram juntadas. Não existe contrato de locação, uma vez que essa propriedade é de empresa que tem sócio em comum com a Evolution ... se justificando essa utilização no intuito de evitar burocracias de criação de filiais, pedidos de alvarás, taxas de bombeiros e demais exigências burocráticas” (fl. 1592). Em suma, as alegações da fiscalizada referentes aos painéis de MDF comprados com suspensão de tributos são listadas abaixo, as quais serão abordadas individualmente a seguir: • Não há conhecimentos de frete pois os serviços foram feitos por contrato; Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 148 6 • A industrialização – fabricação dos móveis – foi feita em galpão de outra empresa, Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda.; • Parte dos painéis foi empregada em industrialização de móveis posteriormente exportados, parte foi exportada diretamente. 2.1 Fretes Em todas as notas fiscais emitidas por Sudati e Berneck consta que o transportador foi ERR Transportes Ltda. ME e que o frete é por conta do destinatário, ou seja, cabia à fiscalizada providenciar o transporte até o destino e às suas custas. Segundo o contrato de transporte de cargas apresentado, ERR Transportes Ltda. ME prestaria serviço genérico de transporte, sem especificação de preço, locais de carga e descarga, prazos ou qualquer outro item normalmente encontrado em instrumentos deste tipo, a fim de individualizar cada prestação, condição de validade do negócio jurídico segundo o art. 104, II, do CC (objeto determinado ou determinável). Não há sequer a identificação de quem o assinou em nome de ERR Transportes. O contrato apresentado não permite a vinculação àqueles transportes entre LagesSC, localidade das fornecedoras, e o local indicado pela fiscalizada em que teriam sido descarregados os painéis, na cidade de São Bento do SulSC, distante 300km. Na contabilidade de Evolution não há registro de qualquer operação ou pagamento a ERR Transportes Ltda. ME pelos supostos serviços de transporte prestados. 2.2 Industrialização Afirmou o contribuinte que com os painéis de MDF comprados produziu móveis em galpão de outra empresa, Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., CNPJ 07.327.085/000166. A fiscalizada Evolution Comercial Exportadora Ltda. funciona num edifício de escritórios no centro da cidade de São Bento do SulSC e tem uma filial em avenida de grande circulação em CuritibaPR, ambos locais sem condições de armazenagem ou de executar operações industriais. Seu quadro societário é composto pelo sócio administrador Afonso Henrique Maia Bastos com 99% do capital e sua mãe Regina Célia Maia com 1% restante (fls. 224/225). Segundo dados das GFIPs, ao longo do ano 2013 a Evolution empregou apenas uma funcionária, a atendente Silvana Tamanine Richter, com salário mensal equivalente a 2 salários mínimos. Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda. funciona no mesmo endereço da fiscalizada, um edifício de escritórios no centro de São Bento do SulSC, tem por objeto contratual “serviços de recepção, planejamento financeiro, contabilidade, preparação de material para envio de correspondência”, não tem filiais nem qualquer atividade no citado galpão. Seu quadro societário é composto pelo mesmo sócio administrador Afonso Henrique Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 149 7 Maia Bastos com 96% do capital e seu filho menor de idade Alexandre Henrique Maia Bastos com 4% restante (fls. 146, 147, 1593, 1594). No ano de 2013, segundo suas Declarações de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS ao Simples Nacional faturou em torno de R$ 20 mil por mês (fls. 148/154), não emitiu notas fiscais eletrônicas (fl.159) e segundo as GFIPs empregou três funcionárias administrativas Roseli de Fátima da Silva, Cristina Mallon e Elaine Cristina Mengarda Oszika com remuneração de 1 a 2 salários mínimos e a advogada Sibeli Schlickman, OAB 19671/SC (fls. 144, 145 e 162)2. Na contabilidade de Evolution não há registro de aluguéis, prestação de serviço, ou qualquer tipo de transação com a empresa Maia Bastos, tampouco pagamentos a outras empresas por industrialização, armazenamento ou despesas de energia elétrica. No Ativo Imobilizado não existem máquinas de corte, lixamento, torno ou pintura, equipamentos de exaustão ou de proteção (fls. 1793/1974). Não é crível que o quadro de funcionários das empresas, as quatro auxiliares administrativas e a advogada, tenha sido incumbido de manufaturar 15 mil toneladas de MDF para produção de móveis. Assim, sem local propício, empregados, maquinário ou dispêndios de energia elétrica compatíveis com atividade fabril, a menos que os móveis tenham sido produzidos por fantasmas em máquinas imaginárias movidas a vento, Evolution não destinou os painéis de MDF adquiridos com suspensão de tributos como matériasprimas à industrialização de produtos. 2.3 Exportação de móveis Os fatos relatados acima – em relação ao transporte e à industrialização – já demonstram que a destinação dos produtos não obedeceu a condição imposta por lei para fruição da suspensão dos tributos: utilização como matériasprimas em industrialização de bens para exportação. Entretanto, sendo uma empresa comercial exportadora, poderia a fiscalizada ter comprado os painéis com fim específico de exportação e exportado diretamente sem processálos, caso em que a sua compra estaria sob não incidência das contribuições (Lei nº 10.637/2002, art. 5º, III, e Lei nº 10.833/2003, art. 6º, III), e teria havido simples erro de fundamentação legal, mas com o mesmo efeito prático. Por esta razão o contribuinte foi intimado para que informasse o destino dado aos produtos adquiridos, respondendo que parte das mercadorias foram diretamente exportadas em seu estado original e parte foi utilizada em processo de industrialização, como componente de móveis acabados, indicando que ambos os regimes, suspensão e não incidência, teriam sido utilizados. Para confirmar o alegado, efetuouse então consulta ao SISCOMEX buscando os produtos exportados por Evolution em Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 150 8 2013, 2014 e 2015. Foram encontradas apenas 6 exportações de painéis de madeira de eucalipto e pinus classificados nas NCMs 4409.10.003 e 4418.90.004 (Registros de Exportação n.º 130298335001, 130510384001, 130847668001, 131055929001, 131285595001, e 131689075001). Nenhum registro com painéis de MDF da posição NCM 4411 foi encontrada, afastando assim qualquer alegação de que os bens comprados com suspensão foram diretamente exportados. Houve ainda exportações de móveis de madeira que, a princípio, sustentaria o argumento de que os painéis teriam sido empregados em sua fabricação, mas como já visto nos itens 2.1 e 2.2 retros nenhuma industrialização foi executada pela fiscalizada ou pela outra empresa pertencente ao mesmo proprietário. Buscouse então a origem dos bens efetivamente exportados pela fiscalizada em sua escrituração fiscal e contábil, quando encontradas nos registros de entradas centenas de notas fiscais de compra de móveis prontos com fim específico de exportação junto a outros fornecedores: Buddemeyer S/A 86.047.198/0001 84, Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda. 95.756.110/000194, Construtora Implantec Ltda. 80.709.876/000736, Gromoveis Indústria e Comércio Ltda. 04.647.957/000185, Sincol SA Indústria e Comércio 83.053.660/000168, Móveis Katzer Ltda. 78.854.072/000193, Evandro Felini & Cia. 06.108.123/000127 e Meg Móveis Ltda. ME 82.864.695/000114. Para confirmar o escriturado, no repositório nacional da Nota Fiscal Eletrônica NFe do SPED obtiveramse as notas fiscais emitidas por aquelas empresas e as notas fiscais de exportação emitidas pela fiscalizada e, com seus dados, efetuouse cruzamento entre os produtos faturados por aqueles fornecedores contra Evolution e os produtos faturados por Evolution ao mercado externo, demonstrado na planilha Cruzamento Notas Fiscais Evolution x Fornecedores (fls. 1820/1827). O resultado da verificação foi a confirmação de que todos os móveis exportados pela fiscalizada foram adquiridos daqueles fornecedores. Ora, se os painéis de MDF adquiridos com suspensão de tributos não foram diretamente exportados nem empregados em industrialização de produtos, pois o que exportado foi comprado pronto e acabado, fica patente a inconsistência da argumentação e justificação apresentada pela fiscalizada. 2.4 Estoques Conquanto não possua local apto a armazenagem de 22.000m3 de painéis de MDF – a menos que o tal galpão de 650m2 de Maia Bastos tenha 34m de altura livre – poderiam os painéis terem permanecido em estoque, como dá a entender o Estoque Final na Demonstração do Resultado em 31/12/2013 de R$ 22.147.853,62 (fl. 813) e a movimentação da conta 131 Mercadorias para revenda cujos saldos inicial e final de 2013 foram de R$ 0,00 e R$ 22.147.853,62 (fls. 896 e 1265). Repisase Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 151 9 que a justificativa trazida pela fiscalizada foi outra, mas, ad argumentandum tantum, analisemos esta suposição. Esta mesma conta 131Mercadorias para revenda registra como saldo inicial de 2015 o valor de R$ 2.526.154,03 (fl. 181), portanto a diferença de R$ 19.621.699,59 em painéis de MDF teria deixado o estoque ao longo de 2014. No repositório nacional da Nota Fiscal Eletrônica NFe do SPED obtiveramse as notas fiscais emitidas por Evolution, donde consolidouse a lista de bens a que deu saída ao longo do ano 2014 (fl. 183), que demonstra haver dado saída a apenas R$ 8.240,75 em itens classificados sob a posição NCM 4411 de painéis de MDF. 2.5 Síntese Como explicitado nos itens 2.2 a 2.4 acima, as alegações apresentadas pelo contribuinte quanto ao destino dado aos bens adquiridos com suspensão dos tributos não encontram suporte em sua contabilidade, em seu ativo imobilizado, em seus registros de empregados, nos documentos apresentados, nas exportações efetuadas, nas notas fiscais próprias e de terceiros. Alegar não é provar. Oportunizada uma segunda vez a que comprovasse e esclarecesse o ocorrido, o contribuinte não trouxe nada de novo. Ficou claro que Evolution não tinha condições de armazenar ou industrializar os painéis de MDF, nem lhes deu regular saída em exportação ou no mercado interno. Tampouco o serviço de transporte contratado permitiu identificar seu real destino. Desta feita, refutadas todas as possibilidades, têmse como patente o destino incerto dos painéis de MDF adquiridos por Evolution ao longo de 2013. 3. Infrações verificadas Concluindose que os painéis de MDF adquiridos pela fiscalizada com suspensão de tributos não tiveram a destinação prevista para resolver a condição suspensiva, qual seja, o emprego como matériaprima em industrialização de produtos destinados à exportação, aquela mesma Lei nº 10.865/2004 dispõe que: Art. 40 ... § 5º A pessoa jurídica que, após adquirir matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com o benefício da suspensão de que trata este artigo, derlhes destinação diversa de exportação, fica obrigada a recolher as contribuições não pagas pelo fornecedor, acrescidas de juros e multa de mora, ou de ofício, conforme o caso, contados a partir da data da aquisição. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) E a Lei n.º 11.945/2009 que: Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 152 10 Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse. Outrossim, cabível o lançamento de ofício dos tributos suspensos contra quem deu causa ao fato, a fiscalizada Evolution Comercial Exportadora Ltda., na condição de responsável (art. 121, II, CTN). Como os fornecedores Sudati Painéis Ltda. (08.803.452/0001 13) e Berneck S.A Painéis e Serrados (81.905.176/001409) estavam sujeitos à apuração nãocumulativa das contribuições sociais (fls. 184/185), as alíquotas de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins eram de 1,65% e 7,6% respectivamente. A base de cálculo é o valor mensal das aquisições listadas na planilha Produtos adquiridos com suspensão de IPI/PIS/Cofins (fls. 1828/1848). Os montantes para lançamento de ofício estão detalhados abaixo: (...) Em lançamento de ofício, cabível a imposição de penalidade de multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. (destaques acrescidos) A interessada foi cientificada dos lançamentos, por intermédio de seu representante legal, em 18/07/2017 (ciência pessoal). Também tomou ciência dos autos de infração, mediante acesso aos documentos em sua caixa postal, em 27/07/2017. Inconformada, em 17/08/2017 a contribuinte apresentou impugnação, acompanhada de documentos, consoante Termo de Solicitação de Juntada no eprocesso. Em “Considerações Iniciais”, faz um breve resumo dos fatos, entendendo ser indevida a autuação, bem como inconstitucionais e ilegais as exações levantadas, as quais carecem de amparo jurídico. Aborda a questão da “Formação do Processo”, dizendo ter contribuído com os esclarecimentos necessários e farta documentação necessária à comprovação de seu direito, os quais foram desconsiderados pela autoridade fiscal ensejando o lançamento com supedâneo na alegação de que os painéis de MDF adquiridos com suspensão não tiveram a destinação prevista para resolver a condição de isenção das contribuições. Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 153 11 Acusa que o Termo de Verificação Fiscal é falho, pois, não obstante relatar as constatações fiscais, não aponta com clareza o dispositivo legal infringido defeito que perdura nos próprios autos de infração, bem como deixa clara a inexistência de base de cálculo para o lançamento das contribuições. Sob o tópico “Da Preliminar de Nulidade – Erro na Tipificação do Fato”, aponta erro na tipificação do fato, que julga insanável. Primeiro, no tocante ao enquadramento legal, posto que os dispositivos legais invocados não discriminam e não se coadunam com o suporte fático concreto, de onde resulta a inocorrência de fato imputável à impugnante. Segundo, porque a descrição dos fatos, além de não observar a melhor técnica, foi imprecisa, deixando dúbio os fatos, não observando a legislação vigente aplicável à matéria. Nestes termos, entende inafastável o erro formal, pois a tipificação foi incorreta, obscura e imprecisa, com erro na apuração do valor tributável. Julga ter havido, na verdade, meramente a descrição da imposição de multa, deixando de caracterizar objetivamente a infringência eventualmente cometida pela contribuinte, o que acarreta o cerceamento do direito de defesa. Fundamentase na ofensa ao princípio da legalidade previsto no art. 5º, II, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Passando ao tópico "Ofensa ao Princípio da Legalidade Inexistência de Vedação Legal à Operação", alega que, analisando a fundamentação adotada de que os painéis de MDF adquiridos com suspensão não tiveram a destinação prevista, "para que se possa caracterizar a simulação é indispensável que o ato praticado, que se pretende dissimular sob o manto do ato ostensivamente praticado, não pudesse ser realizado por vedação legal ou qualquer outra razão. Como as partes realizaram o negócio não restou caracterizada a declaração enganosa de vontade, essencial na simulação". Acusa que a fiscalização fez mera referência superficial dos fatos, deixando de apontar a ocorrência do fato gerador e de identificar qual ilícito tributário que ensejou a aplicação da penalidade. Também acusa, em complemento à arbitrariedade praticada, que "os ilustres fiscais são controversos, pois reconhecem a existência das operações, a efetiva produção de mercadorias, os pagamentos corretos e a realização das exportações". Afirma que não cabe à autoridade fiscal estabelecer as "vedações" ao aproveitamento de crédito de IPI e demais tributos federais, procedendo ilegalmente aquele que assim aplica penalidades, com abuso de autoridade. Entende que "se o fisco, através de seu agente fazendário exerceu ato ilegal, utilizandose da máquina administrativa, como meio de se obter o pagamento de imposto e multa por Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 154 12 descumprimento da obrigação legal, antes mesmo do término do processo administrativo, deve ser compelido a reparar o seu erro administrativo, consubstanciado pelo abuso de poder e de autoridade", devendo "ser objeto de apuração de responsabilidade interna, sob pena de a Administração abolir a aplicação da lei". E que a negação desta atitude colide frontalmente com os Princípios da Segurança Jurídica e da Certeza do Direito. E continua, em suas palavras: Assim, a segurança jurídica visa à manutenção das expectativas na regular positivação do direito. E essas expectativas somente são atendidas se houver certeza do direito, ou seja, a exata determinação do conteúdo jurídico aplicável pelas autoridades legitimamente constituídas pelo direito para tanto, e manutenção da igualdade de tratamento nesses atos de aplicação. Sendo assim, a atitude da autoridade fiscal, além de arbitrária, revestese de afrontosa ilegalidade, pois contraria os mais comezinhos princípios de direito, posto que, possui a Fazenda Federal, outros meios eficazes e legais para obter aumento de arrecadação para as exações supostamente devidas. Não satisfeito com a arbitrariedade praticada, tenta ainda o ilustre agente fiscal, onerar o Contribuinte, aplicando ao arrepio da lei, a multa de 75% sobre o mesmo fato supostamente tido como infrator. Assim, insurgese a Impugnante não só contra o ato de fiscalização, que ocorreu com excesso, mas também contra a narrativa constante no relatório da infração fiscal. Para o nascimento da obrigação tributária não basta só a descrição pela lei da "hipótese de incidência", também é preciso que alguém pratique ou realize em concreto o fato ou a situação fática que se encaixe perfeitamente com a forma ou hipótese de incidência que previamente a lei modelou ou instituiu. Somente depois que alguém realiza o fato ou situação enquadrável na hipótese de incidência é que pode nascer a obrigação. O fato para ser gerador jurídico tributário precisa ser um casamento ou uma adequação entre a hipótese de incidência descrita na lei com a situação realizada in concreto pela pessoa física ou jurídica, e só assim produz o efeito jurídico correto. O Estado não deve possuir qualquer interesse subjetivo nas questões analisadas, principalmente no processo administrativo fiscal. Desta feita, sempre devem ser respeitados os dois pressupostos basilares do direito público que regulamentam a matéria, ou seja, o princípio da legalidade objetiva e o da verdade material. Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 155 13 Em face disso, a Notificação Fiscal é nula, por não haver penalidade sem lei anterior que a defina, nem infração sem disposição expressa que o tipifique. (destaques do original) Passa a discorrer “Da Legitimidade das Operações”. Explica que é empresa comercial exportadora e que sua atividade não se confunde com a de produção para exportação ou de representação comercial internacional, caracterizandose, especialmente, pela aquisição de mercadorias no mercado interno para posterior exportação. Afirma que adquire produtos e insumos, os quais são utilizados tanto na composição das mercadorias que fabrica e vende, como em seu ativo fixo para seu uso e consumo próprio; bem como adquire mercadorias para revenda. E que, no decorrer de suas atividades, adquiriu mercadorias de algumas empresas e, posteriormente, revendeu para o mercado externo, apropriando se dos respectivos créditos. Diz que "as transações de compra e venda foram perfectibilizadas, com a tradição das mercadorias para a comercial exportadora, pois os produtos devem ser remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora". E continua, em suas palavras: Como se percebe, alegam os agentes fiscais – sem provas que as operações praticadas pela Evolution são inexistentes. Conforme já explanado, os próprios agentes fazendários confirmam a existência e efetividade das operações, sendo assim, não se enquadram nas hipóteses de duvidosa legalidade. A simulação não é matéria a ser apenas alegada, mas deve ser provada por quem queira se beneficiar da anulabilidade do ato. Cita jurisprudência acerca da simulação e afirma ser referido instituto pertinente ao direito privado, que lhe dá contornos definitivos, limites legais e as fronteiras intransponíveis, não podendo ser alterado pela legislação fiscal, a teor dos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional. Com supedâneo no conceito de ato simulado constante do art. 167 do Código Civil conclui que não cabe à Fazenda considerar simulada operação, por mera preferência pessoal e sem qualquer prova, que para todos efeitos continua sendo legal. Acrescenta que no direito tributário o dolo deve ser provado por quem alegue, não se tratando de matéria em que mera suspeita sirva de embasamento para o considerar existente. Cita jurisprudência e afirma que, “no caso das empresas notificadas as operações não só existiram (conforme reconhecido pelos próprios fiscais), como foram realizadas dentro do rigorismo formal exigido, bem como representam operações de compra e Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 156 14 venda, com lucro não tributável obtido nos termos da legislação privada e tributária vigente”. Sob o tópico “Da Comprovação das Exportações”, alega: Durante o período de fiscalização, a ora Impugnante apresentou toda a documentação possível que comprovam as efetivas exportações, todos os extratos de exportações retirados do Siscomex. É lógico que quando há industrialização de painel de MDF, ou como no presente caso que os painéis eram usados como complemento nos móveis exportados ocorrem quebras e perdas, motivo pelo qual surgem discrepâncias entre o estoque de painéis de MDF e os móveis exportados. E sob o tópico “Da Armazenagem”, explica: Conforme já informado ao Auditor fiscal as mercadorias adquiridas eram transportadas e deslocadas para o galpão de alvenaria de propriedade da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., sem contrato de locação, uma vez que essa propriedade é de empresa que tem sócio em comum com a Evolution Comercial Exportadora, se justificando essa utilização no intuito de evitar burocracias de criação de filiais, pedidos de alvarás e outras exigências dos órgãos públicos. Em tópico específico “Da Verdade Material e Ônus da Prova”, acusa: Desde o início do processo administrativo fiscal, teve a autoridade pública a oportunidade de buscar elementos que comprovassem a suposta simulação das operações que desencadearam a lavratura do auto de infração. Na verdade os Autos de Infração foram lavrados através de irreais suposições, presunções e algumas supostas evidências. Diante da importância da função administrativa, devemos ressaltar que é dever da autoridade pública fazendária buscar a verdade material. A conclusão fiscal baseada em dados equivocados e imprecisos é totalmente improcedente, pois assentada em levantamento fiscal incorreto, não podendo o mesmo servir de embasamento legal para a formação do lançamento tributário. O artigo 333, inciso I do Código de Processo Civil assim dispõe: (...) Ademais, o lançamento do crédito tributário requer prova segura do fato gerador, caso contrário, havendo incertezas, a autoridade deve absterse de praticar o lançamento, conforme dispõe o artigo 112 do CTN: (...) Portanto, para que pudesse haver autuação o fisco deveria estar embasado em provas robustas e não em meras SUPOSIÇÕES e CONCLUSÕES PRÓPRIAS. Observase que não há como justificar a manutenção da autuação da maneira inicialmente proposta, pois, a obrigação de comprovar as alegações sempre Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 157 15 será do Fisco, sob pena de invalidar todo o procedimento administrativo fiscal. Discorre sobre o nascimento da obrigação tributária e o lançamento, concluindo pela “anulação dos objurgados itens, uma vez que, no caso em tela, o direito líquido e certo da Impugnante, está materializado em face da constante Ilegalidade e Abusividade dos atos praticados pela autoridade fiscal”. Passa a tratar do tópico “Inexistência de Responsabilidade Solidária”, nos seguintes termos: Com base no artigo 121, inciso II do Código Tributário Nacional que determina que haverá solidariedade passiva tributária quando a obrigação decorrer de lei, a Fiscalização fez o lançamento contra a Evolution, alegando que a empresa deu causa ao fato. A Evolution não deu causa a nenhum fato gerador, comprova através de documentação apresentada a fiscalização que todas as exportações ocorreram de fato. E acerca do “Direito a Suspensão do Pis e da Cofins”, alega: O valor ora exigido a título de PIS e COFINS, não é devido, conforme demonstra o Contribuinte minuciosamente seu direito material e formal em ser tributado de forma correta, no escopo de sanar todas as irregularidades fiscais praticadas até o momento, e concomitantemente, requerer seja extinta qualquer aplicação de penalidade. As exportações são isentas do PIS, de acordo com o artigo 14, § 1º, da MP 2.15835/2001. Com relação ao PIS não cumulativo, instituído pela Lei 10.637/2002, o artigo 5º da mesma estipula a não incidência sobre as receitas decorrentes das exportações de mercadorias ou serviços. O artigo 7º da Lei Complementar 70/1991 concedeu isenção de COFINS sobre as receitas oriundas da exportação de mercadorias, mesmo quando realizadas através de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes, bem como às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei 1.248/1972, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior. Com relação à COFINS não cumulativa, instituída pela Lei 10.833/2003, o artigo 6º da mesma estipula a não incidência sobre as receitas decorrentes das exportações de mercadorias ou serviços, admitido, ainda, o crédito das referidas aquisições. Classificamse como vendas com fim específico de exportação, as saídas (vendas) de produtos industrializados pelo estabelecimento ou adquiridos de terceiros, remetidos com fim específico de exportação a "trading company", empresa comercial exportadora, empresa exportadora ou outro Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 158 16 estabelecimento do remetente situado dentro do país, sem que estes realizem “nenhum” processo de industrialização sobre os produtos e os revendam ao exterior do país. Consideramse ainda adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora. Ou seja, a Nota Fiscal de venda com fim específico de exportação terá como destinatário a empresa exportadora, mas no campo de Informações Complementares constará o local de efetiva entrega será o local do embarque de exportação ou o recinto . Com efeito, o legislador complementar, visando dar maior competitividade aos produtos brasileiros destinados ao mercado internacional e atendendo aos objetivos da política governamental de incentivo às exportações, concedeu suspensão da PIS e COFINS. Repisando, todas as operações constantes na relação são legítimas, todos os atos negociais foram realizados com transparência, sem fraude a Fisco, pois em nenhum momento se pretendeu enganar, ocultar o elidir a atuação fiscal, o que afasta a tese de que houve simulação, elisão ou evasão fiscal. Sendo assim é ilegítimo o lançamento referente a PIS e COFINS. Continua, abordando a questão “Da Necessidade de Apuração do Valor Correto do Imposto e do Descabimento de Juros e Multa”. Ressalta ter agido dentro dos ditames legais, ficando afastada, de plano, qualquer possibilidade de sanção à impugnante, sendo vedado à União utilizar tributo com efeito de confisco, nos termos do art. 150, “b”, IV, da CF/88, cuja tema passa a discorrer, questionando ao final: “onde está a ilicitude da parte do contribuinte, no presente caso?”. E, na seqüência, afirma que “o contribuinte somente está obrigado a fazer ou deixar de fazer algo em virtude de lei que o estabeleça. Portanto, inaplicável é a sanção em comento”. Acusa que, “no caso concreto, a norma sancionante atribuiu uma penalidade ao hipotético “ilícito”, ou seja, a multa sobre o valor total dos créditos, legal e licitamente aproveitados, em conformidade com a legislação em vigor”. Cita jurisprudência e doutrina que julga balizar sua tese, concluindo: Portanto, a penalidade pressupõe a existência da infração, prevista em lei, e deve respeitar a capacidade contributiva do sujeito passivo, sempre se tendo em mente a impossibilidade de enriquecimento sem causa do ente público. Sem estas condições, deve a penalidade ser afastada. Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 159 17 Tornase assim, imperioso como medida da mais pura justiça, a anulação dos objurgados Autos de Infração, uma vez que, no caso em tela, o direito líquido e certo Impugnante, está materializado em face da Ilegalidade e Abusividade dos atos praticados pela autoridade fiscal, para impor o pagamento de multa e juros, em face de eventual lançamento equivocado do contribuinte. Referindose ao tema “Do Enriquecimento Ilícito”, reitera que em momento algum descumpriu os mandamentos legais, sendo completamente descabida a exigência fiscal. Cita doutrina, a qual, no seu entender, “exprime com rigor a situação sub exemem, na qual a autoridade coatora procura, sem qualquer causa jurídica justificada, receber valores da Impugnante, com o nítido escopo de obter vantagem indevida”. Reafirma inexistir motivo lícito para a exigência de multa, do que decorre o enriquecimento ilícito do Erário Público em detrimento da contribuinte, vedado pela legislação e pelos princípios gerais do direito. Ao final, requer prova pericial e encerra, nos seguintes termos: 16 – DA NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL Para demonstração do erro do lançamento do PIS e COFINS, necessária se faz a produção de prova pericial, para análise detida da documentação e cálculo das receitas financeiras obtidas, nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, indicando para tanto, como perito, o Sr. Gilson George Zipperer, com endereço na Rua Senador Nereu Ramos, nº 85, Centro, na cidade Rio Negrinho (SC) – Telefone: 47 – 363442060. 17 DO REQUERIMENTO Posto isto, requerse a Vossa Senhoria, o que abaixo segue: a) Primeiramente, o acolhimento da preliminar retro, para reconhecer a decadência dos débitos tributário, com o conseqüente cancelamento (arquivamento); b) Requer seja reconhecida a inexistência de responsabilidade da empresa Evolution Comercial Exportadora e do seu sócio, por trataremse de exportações efetivamente ocorridas; c) A produção da prova pericial nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto n°70.235/72 e demais provas permitidas em lei, especialmente a juntada de documentos a qualquer momento. d) Ainda, no mérito, reconheça a IMPROCEDÊNCIA dos presentes Autos de Infração, declarandose extinta a pretensão fiscal, excluindose a aplicação das penalidades, pelos fundamentos de fato e de direito anteriormente expendidos; Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 160 18 A 11ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1475.468, de 19 de dezembro de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação, bem como quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NEGAÇÃO GERAL. DECADÊNCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal não se admite a negação geral, considerandose não questionada a matéria a qual não tenha sido expressamente contestada, pois a defesa deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 161 19 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2013 AQUISIÇÃO DE MP, PI E ME COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. DESTINAÇÃO DIVERSA. EXTINÇÃO DO REGIME. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PELO FORNECEDOR. É do adquirente a responsabilidade do recolhimento dos tributos que deixaram de ser pagos pelo fornecedor, diante da suspensão concedida na venda de matéria prima para industrialização de produtos a serem exportados, quando constatada destinação diversa. A falta ou insuficiência de declaração e recolhimento apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2013 AQUISIÇÃO DE MP, PI E ME COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. DESTINAÇÃO DIVERSA. EXTINÇÃO DO REGIME. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PELO FORNECEDOR. É do adquirente a responsabilidade do recolhimento dos tributos que deixaram de ser pagos pelo fornecedor, diante da suspensão concedida na venda de matéria prima para industrialização de produtos a serem exportados, quando constatada destinação diversa. A falta ou insuficiência de declaração e recolhimento apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. Impugnação Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados quando da interposição da impugnação. Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 162 20 É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Conforme já mencionado, a acusação fiscal pesa sobre o fato de que os painéis de MDF adquiridos pela fiscalizada com suspensão de tributos não tiveram a destinação prevista para resolver a condição suspensiva, qual seja, o emprego como matéria prima em industrialização de produtos destinados à exportação (móveis), fato o qual, nos termos da legislação de regência (art. 40 da Lei nº 10.865/2004 e art. 22 da Lei nº 11.945/2009), implicou ao adquirente (ora autuada), na condição de responsável (art. 121, II, do Código Tributário Nacional), a obrigação de recolhimento dos tributos suspensos que deixaram de ser pagos pelos respectivos fornecedores, com os acréscimos legais cabíveis (juros e multa de ofício). Não há discussão acerca da aplicação da legislação e sim se houve ou não observância das regras previstas na legislação para fins de fruição da suspensão prevista na legislação. Portanto, caberia a fiscalização provar os motivos determinantes que lastrearam o lançamento tributário e à recorrente apresentar provas de sua antítese. Ocorre que a fiscalização provou de forma cabal suas alegações, enquanto a recorrente ficou no plano da argumentação. Dito isso, e após a análise das questões preliminares de nulidade e de mérito postos no recurso voluntário, fica evidente que a recorrente reproduziu todas as razões recursais da impugnação, não apresentou um único elemento probatório novo no recurso voluntário. Como o recurso voluntário versa sobre as mesmas questões apresentadas na impugnação, e por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: Conforme relatado, tratase da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, diante do não cumprimento das condições para fruição da suspensão na aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, por pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Diante das razões de defesa apresentadas, importante delimitar o objeto da autuação, o que se faz mediante o breve resumo, abaixo, do Termo de Verificação de Infração III, transcrito no relatório. Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 163 21 A auditoria buscou verificar, especificamente, as operações de compra de matériaprima com suspensão dos tributos, pois, conforme Escrituração Fiscal Digital EFDICMS/IPI e notas fiscais eletrônicas emitidas pelos fornecedores Sudati Painéis Ltda., CNPJ 08.803.452/000113, e Berneck S.A Painéis e Serrados, CNPJ 81.905.176/001409, a fiscalizada adquiriu daquelas empresas, ao longo de 2013, o montante de R$ 19.477.991,76 em painéis de MDF, com o referido benefício de suspensão das contribuições, sendo atestado tal regime pelos seguintes dispositivos descritos no campo Observações dos documentos fiscais: art 40 da Lei nº 10.865, de 30/04/04, Instrução Normativa SRF nº 595, de 27/12/05, e Ato Declaratório Executivo nº 204, de 22/06/2010. A fiscalização destacou que a contribuinte tem por objeto “a exploração comercial das seguintes atividades: exportação, importação e industrialização de mercadorias na categoria de empresa comercial exportadora, fomento comercial e mercantil”, segundo o contrato social; bem como que é habilitada ao regime de suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previsto no art. 40 da Lei nº 10.865/2004, na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, desde 06/07/2010, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 204/2010. A acusação fiscal pesa sobre o fato de que os painéis de MDF adquiridos pela fiscalizada com suspensão de tributos não tiveram a destinação prevista para resolver a condição suspensiva, qual seja, o emprego como matériaprima em industrialização de produtos destinados à exportação (móveis), fato o qual, nos termos da legislação de regência (art. 40 da Lei nº 10.865/2004 e art. 22 da Lei nº 11.945/2009), implicou ao adquirente (ora autuada), na condição de responsável (art. 121, II, do Código Tributário Nacional), a obrigação de recolhimento dos tributos suspensos que deixaram de ser pagos pelos respectivos fornecedores, com os acréscimos legais cabíveis (juros e multa de ofício). Confiramse os dispositivos legais tomados como base pela fiscalização". Lei n.º 10.865/2004: "Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)(Vigência) ... § 5º A pessoa jurídica que, após adquirir matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com o benefício da suspensão de que trata este artigo, derlhes destinação diversa de exportação, fica obrigada a recolher as contribuições não pagas pelo fornecedor, acrescidas de juros e multa de mora, ou de ofício, conforme o caso, contados a partir Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 164 22 da data da aquisição". (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (destaques acrescidos) Lei nº 11.945/2009: Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse. (destaques acrescidos) Lei nº 5.172/1966 (CTN): "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (destaques acrescidos)" A autoridade fiscal explicou os cálculos dos tributos que deixaram de ser pagos pelos fornecedores, cuja obrigação do recolhimento restou aqui à contribuinte, esclarecendo que, estando aqueles fornecedores sujeitos à apuração não cumulativa das contribuições sociais (fls. 184/185), as alíquotas de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins seriam de 1,65% e 7,6%, respectivamente, correspondendo a base de cálculo ao valor mensal das aquisições listadas na planilha Produtos adquiridos com suspensão de IPI/PIS/Cofins (fls. 1828/1848). E a auditoria culminou com a conclusão da destinação incerta dos painéis de MDF, adquiridos pela autuada com suspensão da contribuição para o Pis e da Cofins na condição de matéria prima em industrialização de produtos (móveis) destinados à exportação. A legislação na qual se fundamenta a fiscalização, acima transcrita, é clara no sentido de atribuir ao adquirente a responsabilidade do recolhimento dos tributos que deixaram de ser pagos pelo fornecedor, diante da suspensão concedida na venda de matéria prima para industrialização de produtos a serem exportados, quando constatada destinação diversa. E a IN SRF nº 595, de 2005, devidamente mencionada no campo Observações das notas fiscais de aquisição dos painéis de MDF, dispõe expressamente que: (i) a venda no mercado interno, seja das MP, PI e ME adquiridos com suspensão e/ou do produto ao Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 165 23 qual tenham sido incorporados; bem como (ii) a ocorrência de furto, roubo, inutilização, deterioração, destruição em sinistro ou incorporação a produto que tenha tido um desses fins, implica a obrigação do pagamento, pelo adquirente, das contribuições suspensas, com os acréscimos e multa cabíveis (de mora ou de ofício, conforme o caso). Ainda, faculta à pessoa jurídica habilitada ao regime, a seu critério, efetuar aquisições de MP, PI e ME fora do regime, não se aplicando, neste caso, a suspensão, fato que deve ser comunicado pelo adquirente ao vendedor, que, nesse caso, deixará de fazer constar nos documentos fiscais a saída com suspensão. Confirase: " DO REGIME DE SUSPENSÃO Art. 1º Fica suspensa a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas de vendas de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), efetuadas a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Art. 2º Somente a pessoa jurídica previamente habilitada ao regime pela Secretaria da Receita Federal (SRF) pode efetuar aquisições de MP, PI e ME com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na forma do art. 1º. (...) Art. 8º A suspensão da exigibilidade das contribuições ocorrerá, em relação às MP, aos PI e aos ME, quando de sua aquisição por pessoa jurídica preponderantemente exportadora habilitada ao regime de que trata esta Instrução Normativa, observado que: I a pessoa jurídica adquirente deve declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos, bem assim indicar o número do ADE que lhe concedeu o direito; e II nas notas fiscais relativas às vendas de MP, PI e ME, deve constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", acompanhada da especificação do dispositivo legal correspondente, bem assim do número do ADE a que se refere o art. 6º. Art. 9º A aplicação do regime, em relação às MP, aos PI e aos ME adquiridos com suspensão, se extingue com qualquer das seguintes ocorrências: I exportação, para o exterior, ou venda à pessoa jurídica comercial exportadora: a) de produto ao qual a MP, o PI e o ME, adquiridos no regime, tenham sido incorporados; b) da MP, do PI e do ME no estado em que foram adquiridos; Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 166 24 II venda no mercado interno da MP, do PI e do ME ou de produto ao qual tenham sido incorporados; e II venda no mercado interno da MP, do PI e do ME; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1424, de 19 de dezembro de 2013) III furto, roubo, inutilização, deterioração, destruição em sinistro ou incorporação a produto que tenha tido um desses fins. III furto, roubo, inutilização, deterioração, destruição em sinistro ou incorporação a produto que tenha tido um desses fins; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1424, de 19 de dezembro de 2013) IV venda no mercado interno de produto ao qual tenham sido incorporados a MP, o PI ou o ME. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1424, de 19 de dezembro de 2013) § 1º Nas hipóteses de extinção referidas nos incisos II e III, deve ser efetuado o pagamento, pela pessoa jurídica de que trata o art. 3º, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não pagas em decorrência da suspensão, acrescidas de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, na forma da lei, calculados a partir da data da aquisição da MP, do PI e do ME no regime. § 2º O pagamento das contribuições, efetuado em decorrência do disposto no inciso II, gera direito ao desconto de créditos apurados na forma do art. 3ºda Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Art. 10. No caso de não ser extinta a aplicação do regime de suspensão na forma dos incisos I a III do caput do art. 9º, após decorrido um ano contado da data de aquisição das MP, dos PI e dos ME, a pessoa jurídica beneficiária do regime deverá efetuar o pagamento das correspondentes contribuições, acrescidas de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, na forma da lei, calculados a partir da data da aquisição das referidas mercadorias. Parágrafo único. O pagamento das contribuições efetuado na forma deste artigo gera direito ao desconto de créditos apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3ºda Lei nº10.833, de 2003. (...) Art. 14. A pessoa jurídica habilitada ao regime poderá, a seu critério, efetuar aquisições de MP, PI e ME fora do regime, não se aplicando, neste caso, a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na venda daquelas mercadorias. Parágrafo único. As MP, os PI e os ME adquiridos sem o benefício da suspensão geram direito ao desconto de créditos Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 167 25 apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003". (destaques acrescidos) Como se observa dos autos, foi perfeito o trabalho desenvolvido na auditoria, eis que a autoridade fiscal buscou analisar os dados da escrituração da pessoa jurídica e os documentos de suporte, as notas fiscais, as operações de transporte e de armazenagem, as exportações realizadas, as dependências físicas da contribuinte e do local indicado como de armazenagem e fabricação de móveis, bem como o respectivo corpo funcional de ambas empresas, não logrando confirmar as justificativas apresentadas pela pessoa jurídica ao longo da auditoria, de que os painéis de MDF teriam sido diretamente exportados e/ou utilizados na industrialização de móveis destinados à exportação. Com efeito, da análise da escrituração, do repositório de notas fiscais e do SISCOMEX, bem como da verificação dos estabelecimentos da contribuinte e da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda, a fiscalização observou que: a interessada adquiriu, ao longo de 2013, o montante de R$ 19.477.991,76 em painéis de MDF, com suspensão, sendo que a parcela de R$ 19.621.699,59 teria deixado o estoque ao longo de 2014, restando comprovada, mediante emissão de nota fiscal, a saída apenas de R$ 8.240,75 em itens classificados sob a posição NCM 4411 painéis de MDF. não se confirmaram pagamentos a outras empresas por industrialização, armazenamento ou despesas de energia elétrica; nem se confirmaram a existência de corpo funcional especializado, de estrutura física e de bens materiais no Ativo Imobilizado da autuada, necessários e suficientes a indicar capacidade de industrialização e armazenamento próprios de 15 mil toneladas de MDF para produção de móveis, conclusão a qual também chegou em relação à empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda, na qual supostamente teriam funcionado a armazenagem e parque fabril da autuada. não se confirmou o frete, nem mediante o contrato apresentado e nem mediante análise da contabilidade da impugnante. não se confirmou a exportação direta de painéis de MDF da posição NCM 4411, mas apenas 6 exportações de painéis de madeira (eucalipto e pinus) de outra classificação NCM (4409 e 4418). constatada a exportação de móveis de madeira, buscouse na escrituração a origem dos bens efetivamente exportados pela fiscalizada, apurandose, nos registros de entradas, centenas de notas fiscais de compra de móveis prontos com fim específico de exportação, confirmandose, mediante circularização, que todos os móveis exportados pela fiscalizada foram adquiridos daqueles fornecedores. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 168 26 O lançamento, portanto, não se baseou em presunção, como alega a impugnante, mas sim em fatos concretos apurados mediante profundo e detalhado procedimento de auditoria, que aqui não cabe repetir minuciosamente, pois já devidamente transcrito no relatório, no qual foram refutadas todas as possibilidades plausíveis no sentido de confirmar as alegações da contribuinte oferecidas durante o trabalho fiscal, quais sejam, de que os painéis de MDF teriam sido diretamente exportados e/ou utilizados na industrialização de móveis destinados à exportação. Ainda, vêse, de todo relato fiscal transcrito no relatório, que a fiscalização formalizou a exigência com a imputação da penalidade de 75%, sem a qualificação de fraude e/ou simulação e sem a imputação de responsabilidade solidária dos sócios da contribuinte, restando sem objeto, portanto, as razões de defesa apresentadas nesse sentido na impugnação. Também, como se observa do breve resumo dos fatos, a exigência não pesa sobre "vedações" ao aproveitamento de crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, restando, igualmente aqui, sem objeto as razões de defesa apresentadas nesse sentido na impugnação. Tão pouco recai sobre as receitas financeiras eventualmente obtidas pela pessoa jurídica, sobre as quais requer a contribuinte, equivocadamente, a realização de prova pericial. Não obstante, acerca do pedido de perícia formulado, indefere se (art. 18 do Decreto nº 70.235/72), pois se entende incabível a perícia, em se tratando de prova a ser apresentada no momento da impugnação, não logrando a contribuinte demonstrar ter cumprido as condições para apresentação da prova em outro momento processual (art. 16, III, e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72). Ademais, encontramse presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção desta julgadora. Prosseguindo, particularmente à alegada decadência, nada pontuou a contribuinte, restando genérica e evasiva a afirmação assim feita no requerimento final da impugnação, questão, portanto, não considerada contestada, a rigor das disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que não admite a negação geral no âmbito do contencioso administrativo: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (destaques acrescidos) De toda forma, não se vislumbra transcorrido o prazo fatal para a formalização da exigência, eis que o fato gerador corresponde aos meses de jan/2013 a dez/2013, tendo sido a pessoa jurídica cientificada dos lançamentos em 18/07/2017, dentro, portanto, do prazo qüinqüenal previsto tanto no art. 150, § 4º, quanto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. A contribuinte insurgese contra a incidência de disposições que integram a legislação tributária, aduzindo, ainda que Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 169 27 indiretamente, a inconstitucionalidade e a ilegalidade de tais disposições normativas. Contudo, à autoridade administrativa não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia de preceitos normativos. Com efeito, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Nesse mesmo sentido, a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, a qual disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, determina em seu artigo 7º, V, que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil expresso em atos normativos. Por sua vez, o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhe deu a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, prescreve que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, como já dito, falta às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, competência para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos normativos em que se fundamenta a atuação fiscal. Em síntese, como as disposições normativas em vigor gozam da presunção de legalidade e constitucionalidade, resta ao agente da Administração Pública aplicálas, salvo quando incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, ou quando haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte. Também, advirtase que resultam improfícuos os julgados administrativos referidos pela contribuinte, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Neste sentido, o inciso II do art. 100 do CTN determina que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 170 28 II – as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (destacamos) A este respeito, vejase também o Parecer Normativo CST nº 390, de 31 de maio de 1971: Entendase aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Deste modo, as decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa da DRJ, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Da mesma forma, exceto quanto ao disposto no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, as Soluções de Consulta proferidas em casos concretos específicos não podem ser estendidas genericamente a outras hipóteses, eis que se devem observar seus limites objetivos e subjetivos. Em relação às decisões judiciais, cabe ressaltar que os entendimentos manifestados pelos Tribunais em regra não vinculam o julgamento administrativo, já que também não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Deveras, a obrigatoriedade de que a decisão administrativa reproduza os entendimentos expressos nos julgados dos Tribunais Superiores, para além dos casos concretos a que se refiram tais julgamentos, se verifica somente quanto às súmulas vinculantes de que trata a Emenda Constitucional n° 45, de 2004, às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade (artigo 102, § 2°, da CF/1988), bem como nos casos previstos no art. 19 da Lei nº 10.552, de 19 de julho de 2002, conforme disciplinados pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de janeiro de 2014, que assim dispõem: Lei nº 10.552, de 2002: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 171 29 fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4º A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013). Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014: Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 172 30 termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. (...) § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543B e 543 C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. (...) § 6º Para fins do disposto neste artigo, ratificamse as Notas PGFN/CRJ nº 1.114, de 30 de agosto de 2012, PGFN/CRJ nº 1.155, de 11 de setembro de 2012, PGFN/CRJ nº 1.582, de 7 de dezembro de 2012, e PGFN/CRJ nº 1.549, de 3 de dezembro de 2012. No presente caso não se verifica nenhuma das situações acima referidas e, portanto, as decisões judiciais e administrativas colacionadas pela interessada não têm o condão de afastar a aplicação da legislação em vigor. Continuando, observase que o procedimento fiscal atendeu às disposições do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 142 do CTN, tendo sido formalizada a exigência instruída com todos os termos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, permanecendo os autos na repartição, no prazo de impugnação, de modo a permitir à pessoa jurídica o exercício da faculdade do direito de vista processual e obtenção de cópia. Depreendese que os fatos foram perfeitamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas pertinentes. Consubstanciamse no entendimento da Autoridade Fiscal acerca das infrações apontadas, resumida no início do relatório. Além disso, a fiscalização elaborou um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos, demonstra cabalmente a forma como foi apurado e calculado o crédito tributário, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, pelo que não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. Durante os trabalhos fiscais a contribuinte foi regularmente intimada a prestar os esclarecimentos necessários para elucidação dos fatos apurados pelo Fisco, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 94, de 24 de dezembro de 1997. Desta feita, não há de se falar da nulidade do lançamento, mesmo porque não se mostraram atendidos os requisitos constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina a matéria: “Art. 59. São nulos: Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 173 31 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)” Sendo, os atos e termos, lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, ante a perfeita descrição dos fatos e enquadramento legal específico e a abertura de prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. A impugnante, em sua defesa, traz argumento distinto daquele oferecido ao longo da ação fiscal. Explica ser empresa comercial exportadora e que sua atividade não se confunde com a de produção para exportação ou de representação comercial internacional, caracterizandose, especialmente, pela aquisição de mercadorias no mercado interno para posterior exportação. Afirma que adquire produtos e insumos, os quais são utilizados tanto na composição das mercadorias que fabrica e vende, como em seu ativo fixo para seu uso e consumo próprio; bem como adquire mercadorias para revenda. E que, no decorrer de suas atividades, adquiriu mercadorias de algumas empresas e, posteriormente, revendeu para o mercado externo, apropriando se dos respectivos créditos. Diz que "as transações de compra e venda foram perfectibilizadas, com a tradição das mercadorias para a comercial exportadora, pois os produtos devem ser remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora". Destaquese que a impugnante deixou de comprovar suas alegações mediante apresentação de documentação hábil e idônea, logrando apenas trazer em sua defesa cópia de alteração contratual. Conforme já esclarecido neste voto, o lançamento não se reporta à glosa de créditos apropriados pela impugnante, mas sim à exigência das contribuições para o Pis/Pasep e à Cofins que deixaram de ser recolhidas pelos fornecedores de painéis de MDF, diante da venda com suspensão à ora autuada, que se Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 174 32 tornou responsável por aqueles tributos por ter dado destinação diversa daquela condicionada ao benefício fiscal (exportação). De outro lado, a própria impugnante reconhece na defesa que destinou produtos e insumos ao ativo fixo para seu uso e consumo próprio, ou seja, que teria dado destinação diversa da exportação aos painéis de MDF adquiridos com suspensão. Ademais, acerca da utilização dos painéis de MDF na composição das mercadorias que a impugnante alega fabricar e vender, convém repetir que a fabricação não logrou ser comprovada no procedimento de auditoria, como fartamente descrito nos autos, não sendo possível atestar eventual quebra e perda ocorrida em industrialização, que poderia justificar a discrepância entre o estoque escriturado. Da mesma forma acerca da alegação de que teria revendido os painéis de MDF adquiridos com suspensão para o mercado externo, pois a fiscalização diligenciou nesse sentido, não confirmando a exportação de painéis de MDF pela contribuinte. No que concerne à venda dos bens como empresa comercial exportadora, a fiscalização cogitou referida possibilidade, destacando que, se comprovada, a compra estaria sob não incidência das contribuições e teria havido simples erro de fundamentação legal, mas com mesmo efeito. Porém, tal hipótese também não restou comprovada. Nesse contexto, nada há de reparar no procedimento de auditoria. Em relação à multa de lançamento de ofício, sua aplicação decorre de expressa determinação legal (art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430, de 1996) e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Assim, afastada a espontaneidade da contribuinte mediante procedimento fiscal regularmente instaurado, nos termos do art. 7º, §1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, verificada a falta e/ou insuficiência de recolhimento da contribuição devida, impõese a exigência do crédito tributário correspondente, acrescido da multa de lançamento de ofício. De todo modo, é cabível a redução da multa de lançamento de ofício se adotada pela contribuinte qualquer uma das providências previstas no art. 6º, III e IV, da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. No que se refere à aplicação dos juros de mora, o Código Tributário Nacional CTN, aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu art. 161, dispõe: Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 175 33 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifouse) Portanto, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. No tocante à taxa Selic, a utilização desta como juros de mora está fundamentada no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. E acerca da cobrança de juros à taxa Selic, já foi editada Súmula do CARF, validando a respectiva exigência, com efeito vinculante à Administração Tributária. Confirase o teor da Súmula citada: “Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” A contribuinte ainda acusa que o agente fazendário utilizouse da máquina administrativa como meio de se obter o pagamento de imposto e multa por descumprimento da obrigação legal, antes mesmo do término do processo administrativo, cometendo excesso de exação. Oportuno recordar que ao ser verificada a ocorrência do fato gerador nasce com ela a obrigação tributária principal, impondose a sua satisfação pelo sujeito passivo, sob pena da constituição do crédito tributário mediante lançamento feito pela autoridade fiscal, cuja atividade é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN. Isso se dá, porque o lançamento visa prevenir a decadência do crédito tributário, pelo transcurso do prazo fatal para a sua constituição. E nessa atividade inexiste o excesso de exação, mormente quando atendida a legislação vigente, como se verifica no caso concreto. Não há, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal (PAF), regido pelo Decreto nº 70.235/1972, previsão alguma que contemple a suspensão do prosseguimento do processo, pois este é regido por princípios, dentre os quais, o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10920.721482/201763 Acórdão n.º 3302007.275 S3C3T2 Fl. 176 34 A lei prevê apenas a possibilidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (cobrança), se presente alguma das hipóteses contidas no art. 151 do CTN, e não a suspensão do Processo Administrativo Fiscal ou de sua apreciação. Forte nestes argumentos, afasto as preliminares de nulidade e nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 2037DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.900730/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 60 a 88) interposto contra o Acórdão nº 09- 35.997, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 53 a 55), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .9 00 73 0/ 20 11 -3 8 Fl. 224DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.645 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.900730/2011-38 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pela contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que só é possível com a apresentação de elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Versa o presente processo de PER/Dcomp Retificadora, de n° 24581.38786.240308.1.7.04-4689 (fls. 2 a 7), na qual busca-se a compensação de débitos de Pis e Cofins, período de apuração nov/2007, nos valores, respectivamente, de RS 2.360,73 e RS 12.831,05, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL, período de apuração l ü trimestre/2006, DARF no valor de RS 22.624,34. A DRF/CFN/MG, em 07/10/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 13), atestando que "... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp". Inconformada, a contribuinte apresenta sua manifestação, alegando, em síntese (fl. 16): - Que, a empresa efetuou pagamento "a maior" de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, código 2372, no período de Janeiro de 2005 a Dezembro de 2006 e 1º trimestre de 2007, conforme p/anilha em anexo, gerando um crédito de pagamento a maior no valor de R$101.593,79. - Que, a empresa entregou as respectivas DCTF 'S com os valores que foram pagos à época, ou seja, "a maior", não procedendo posteriormente às Retificações devidas. - Que, no oportuno, a empresa entregou as DCTF'S Retificadoras (em anexo) referente ao primeiro e segundo semestres de 2006, podendo aí constatar o valor do crédito do contribuinte, que foi compensado." O acórdão de primeira instância rechaçou os argumentos da Interessada sob o fundamento de que esta não teria apresentado provas que demonstrassem a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise explicando que o seu direito ao crédito surge do equívoco que cometeu a utilizar o coeficiente de 32%, ao invés de 12%, para a determinação de seu Lucro Presumido, em razão da atividade de serviço de obra com fornecimento de materiais. Para comprovar o alegado, junta uma série de novos documentos e demonstrativos. Fl. 225DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.645 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.900730/2011-38 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação da DCOMP (fl. 03 a 13) apresentada pela Recorrente sob o argumento de que o recolhimento que ampararia o crédito a ser utilizado já teria sido integralmente alocado para quitação de outro débito. Por sua vez a Recorrente alega que é tributada pela modalidade do Lucro Presumido e vinha aplicando o percentual equivocado de 32% para determinação de sua base tributável, quando o correto seria de 12%, vez que alega prestar serviço de construção civil com fornecimento integral dos materiais. Desta diferença se originaria seu direito creditório. Escora sua pretensão nos dispostos da IN 480/2004 que determinou a base da CSLL de 12% para as receitas provenientes das atividades de construção civil e na Solução de Consulta n° 077 SRRF/6ªRF/Disit de 15 de Junho de 2007, relativa ao processo nº 13629.000405/2007-97 (interessado: Engecel Construções e Comércio Ltda – CNPJ: 17.840.083/000120). Por oportuno, replico a conclusão da mesma: "(...) Conclusão 11. À vista do exposto, respondo à consulente que, a partir da vigência da IN SRF nº 480/2004, as receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, sendo que tais materiais devem ser incorporados à obra. Na hipótese de o material ser fornecido, em parte ou no todo, pelo contratante da obra, o percentual a ser aplicado será de 32% (trinta e dois por cento)." Conforme narrado a Decisão de piso bem apontou que a Recorrente falhou em carrear aos autos elementos que demonstrassem a subsunção de suas atividades aos requisitos supra expostos para o gozo do percentual de presunção reduzido. Diante deste cenário, a Recorrente solicita que sejam consideradas como provas neste feito os documentos apresentados no bojo do processos 13629.901731/2009-85, autos Fl. 226DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.645 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.900730/2011-38 correlatos ao presente que também é objeto desta mesma sessão de julgamento. Entendo, portanto, que não há óbice para a apreciação de todos os documentos solicitados. Neste esteio, tendo a presente lide desembocado em questões exclusivamente fáticas e probatórias, a Recorrente busca se utilizar de diversos documentos novos para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários. São eles: Contrato Social, Livro Diário, Livro Razão, Contratos de Empreitadas e Declarações Fiscais, todos referentes ao período do crédito apontado. Os contratos apresentados (fls. 146 a 265 do Processo nº 13629.901731/2009-85) se compreendem em uma série de obras contratadas por licitação com as Prefeituras Municipais de Coronel Fabriciano/MG, Baixo Guandu/ES e Piúma/ES, incluindo diversas obras de construção, manutenção e reparos em vias, prédios e demais componentes da infra-estrutura pública. Outrossim, também há contratos com a Paróquia São Sebastião / Comunidade Santa Rita, em Coronal Fabriciano/MG, para a construção de um prédio anexo. Dos contratos citados pode-se depreender que há o dever de fornecimento dos materiais necessários para a consecução de cada objeto por parte da Recorrente, havendo, inclusive, menção expressa na maioria deles. Ainda, apresenta a Recorrente os seus livros Diários (arquivo-fl.276 do Processo nº 13629.901731/2009-85) e Razão Analítico (arquivo-fl.277 do Processo nº 13629.901731/2009-85) visando demonstrar tanto a aquisição dos materiais utilizados em cada empreitada, quanto as origem das receitas obtidas. Os Livros Diários e Razão apresentados mostram vultuosas quantias gastas com diversos fornecedores de materiais e insumos típicos da construção civil. Igualmente, há registros de receitas provenientes de seus contratantes. Em primeira análise as comprovações trazidas pelo Interessado parecem corroborar com suas pretensões. Contudo, penso que a DRF de origem possui melhor condições para realizar a verificação de todos os novos documentos, cotejar com seus próprios registros e cálculos e, por fim, opinar quanto ao eventual direito creditório do Contribuinte. Outrossim, insta salientar que, se tratando de documentação trazida pela Recorrente apenas nesta fase recursal, deve-se proporcionar ao Fisco a oportunidade do contraditório. Portanto, para maior convicção e segurança da decisão, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para verificações e confirmação dos novos elementos carreados ao processo. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes de todo material probatório apresentado pela Recorrente no bojo do Recurso Voluntário, bem como do Processo nº 13629.901731/2009-85, e elabore termo circunstanciado esclarecendo quanto a suficiência dos materiais adquiridos e receitas obtidas dos contratos de empreitada em relação aos declarados ao fisco para a determinação do direito ao percentual reduzido para presunção de receita tributável. Fl. 227DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.645 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.900730/2011-38 Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920329/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/02/2005
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.128
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 29 /2 01 2- 06 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.128 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920329/2012-06 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.128 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920329/2012-06 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 78DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.128 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920329/2012-06 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 79DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
score : 1.0
Numero do processo: 10855.902042/2010-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2005
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Tendo sido interrompida a análise do julgado, em sua origem, por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRF para nova apreciação da DCOMP.
Numero da decisão: 1001-001.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa para fins de compensação, conforme Súmula CARF nº 84, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora competente para análise do crédito declarado em DCOMP.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado, em sua origem, por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRF para nova apreciação da DCOMP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa para fins de compensação, conforme Súmula CARF nº 84, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora competente para análise do crédito declarado em DCOMP. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 142 1 141 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.902042/201060 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.273 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de junho de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MULTI METAS FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado, em sua origem, por premissa afastada em sede de recurso voluntário, devese retornar o processo à DRF para nova apreciação da DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa para fins de compensação, conforme Súmula CARF nº 84, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora competente para análise do crédito declarado em DCOMP. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 20 42 /2 01 0- 60 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10855.902042/201060 Acórdão n.º 1001001.273 S1C0T1 Fl. 143 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 31/10/2005 através da PER/DCOMP nº 23115.94055.311005.1.3.043423, que apresentou como crédito pagamento indevido ou maior de IRPJ, efetuado em 30/09/2005, referente ao período de apuração de 08/2005, no valor de R$ 13.338,46 (DCOMP às fls. 02 a 04). A declaração não foi homologada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, com fundamento no despacho decisório eletrônico de nº 863998602, de 07/06/2010 (fls. 06 a 08). O Despacho Decisório alegou a improcedência do crédito por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração anual, ou para compor o saldo negativo do período anual. Que, diante disso, não homologava a compensação declarada, restando em aberto o débito declarado, no valor de R$ 13.471,84, referente ao IRPJ estimativa do período de apuração de 09/2005, com vencimento em 31/10/2005. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fl. 09, alegando que a DCOMP havia sido enviada indevidamente, já que o débito nela informado havia sido quitado por pagamento. Assim, pediu o cancelamento da DCOMP e do referido débito. Anexou à Manifestação de Inconformidade relatório da Receita Federal com a lista dos pagamentos de estimativa de IRPJ efetuados pela empresa em 2005 (fl. 12). Ali consta que para o período de apuração de 08/2005 há dois pagamentos efetuados em 30/09/2005, um no valor de R$ 6.246,15 e outro no valor de R$ 13.338,46 (objeto da DCOMP), totalizando R$ 19.584,61. E que para o período de apuração de setembro de 2005 há um pagamento, efetuado em 31/10/2005, no valor de R$ 3.446,47. Anexou, ainda, parte da Ficha 11 da DIPJ do período, referente ao cálculo de estimativa de IRPJ (fl. 13), onde foi informado IRPJ a pagar, nos meses de agosto e setembro, nos exatos valores dos pagamentos efetuados (R$ 19.584,61 e R$ 3.446,47). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, no Acórdão às fls. 30 a 35 do presente processo (Acórdão 1436.631, de 15/02/2012), julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2005 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10855.902042/201060 Acórdão n.º 1001001.273 S1C0T1 Fl. 144 3 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu nãoreconhecimento, mantendose o despacho decisório. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A glosa do indébito, na qual há concordância expressa na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa e insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e, sem prova em contrário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. No voto, ponderou que, segundo a própria manifestação de inconformidade, estaria descaracterizado o objeto da DCOMP, tendo sido um equívoco sua transmissão, pois o débito informado no período de apuração já se encontrava quitado, conforme DIPJ. Que, assim, a manifestação do contribuinte objetivava o cancelamento da compensação, evitando a cobrança do débito informado em DCOMP. Argumentou que a desistência do pedido de compensação não podia ser realizada indiscriminadamente, pois se tratava de procedimento formal somente admitido para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa, como determinava o artigo 82 da IN RFB nº 900, de 30/12/2008. Que caso a declaração do débito de IRPJ, período de apuração setembro de 2005, no valor de R$ 13.471,84, tenha sido um equívoco, tal fato somente poderia ser firmado mediante apresentação de provas, contábeis e fiscais, para comprovação do erro. Considerando que a empresa não havia apresentado qualquer documentação com a intenção de comprovar o erro alegado além da DIPJ, e que a DCOMP é confissão de dívida, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/03/2012, sextafeira (Aviso de Recebimento à fl. 41), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (recurso às fls. 42 a 46, carimbo aposto na primeira folha). Nele repete as alegações da Manifestação de Inconformidade, de que apresentou equivocadamente a DCOMP, uma vez que o débito do período informado foi quitado por pagamento. Que correta seria a desconsideração da DCOMP pela inexistência do débito. Que, para provar o erro, junta: 1 DARF de IRPJ referentes ao ano de 2005 (fls. 47 a 58); 2 Apuração do IRPJ do ano de 2005 (fl. 60); 3 Razão analítico do ano de 2005 (fls. 62 e 63); 4 Balancetes analíticos dos períodos de 08 e 09/2005 (fls. 65 a 76); 5 Livro Diário nº 4 do período de 02 a 12/2005 (fls. 78 a 100) 6 DIPJ do anocalendário 2005 (fls. 102 a 129). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10855.902042/201060 Acórdão n.º 1001001.273 S1C0T1 Fl. 145 4 É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba (fls. 06 a 08) alegou a improcedência do crédito por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração anual, ou para compor o saldo negativo do período anual. Tal entendimento foi superado pela Súmula CARF nº 84, revisada, conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018 – DOU de 11/09/2018, e vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019 – DOU de 02/04/2019: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Assim, para que não haja supressão de instância no julgamento, deve o processo retornar à DRF que originalmente proferiu o Despacho Decisório para que, afastada a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações, seja a DCOMP apreciada na íntegra naquele órgão. Para auxílio da nova análise a ser feita, cabe ressaltar que: (i) o objetivo dos recursos apresentados em primeira e segunda instância era o cancelamento da DCOMP e do débito nela informado; (ii) para comprovar a inexistência do débito, o contribuinte juntou os documentos elencados no relatório acima; (iii) a análise dos documentos demonstra, de fato, que a empresa contabilizou IRPJ a pagar referente a agosto de 2005 no valor de R$ 19.584,61, e referente a setembro de 2005 no valor de R$ 3.446,47 (Livro Razão à fl. 62, Balancete de 08/2005 à fl. 72 e de 09/2005 à fl. 66, Livro Diário às fls. 84 e 85), quitando ambos através de pagamento (comprovantes de arrecadação de fls. 53 a 55); (iv) não consta no processo DCTF referente ao período do débito. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10855.902042/201060 Acórdão n.º 1001001.273 S1C0T1 Fl. 146 5 crédito de indébito de estimativa para fins de compensação e determinando o retorno dos autos à unidade preparadora competente para análise do crédito declarado em DCOMP. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13897.000117/2003-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese.
Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação.
Ademais, na forma da Nota COSIT n.º 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS.
Numero da decisão: 9303-008.561
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Ademais, na forma da Nota COSIT n.º 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 4.002 1 4.001 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13897.000117/200349 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.561 – 3ª Turma Sessão de 14 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃOCONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LEVI STRAUSS DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 01 17 /2 00 3- 49 Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.003 2 Ademais, na forma da Nota COSIT n.º 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3301002.313, de 24 de abril de 2014 (fls. 3919 a 3928 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação, protocolada em 31/01/2003, referente a créditos provenientes de Fl. 4003DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.004 3 recolhimentos efetuados a maior a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativa aos períodos de apuração de agosto/1990 a setembro/1995. Posteriormente foram apresentadas outras declarações de compensação relativas ao mesmo crédito, por meio dos seguintes processos administrativos, todos juntados a este por anexação:13897.000150/200379, 13897.000207/200330, 13897.000273/200318, 13897.000352/200311,13897.000428/200316,13897.000468/200350,13897.000855/2003 96, 13897.000917/200360, 13897.001037/200319, 13897.001115/200377, 13897.001218/200337, 13897.000003/200480, 13897.000045/200411, 13897.0000099/200486, 13897.000134/ 200467, 13897.000173/200464, 13897.000178/200497, 13897.000268/200488 e 13897. 000312/200450. Nos termos do despacho decisório, as compensações efetuadas pelo Contribuinte não foram homologadas. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: o art. 170A somente foi introduzido no CTN em 10/01/2001, pela Lei Complementar n.º 104, de 2001. Por sua vez, a ação judicial, cuja sentença reconheceu seu direito creditório foi ajuizada em 30/08/2000, ou seja, anteriormente à introdução do referido artigo e, consequentemente, à vedação da compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Nesse sentido também é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Logo, não há que se cogitar se a sentença que reconheceu o direito da contribuinte já havia ou não transitado em julgado quando da realização da compensação; volvendo especificamente para a legislação que rege a compensação, temos que esta modalidade excepcional de extinção do crédito tributário foi introduzida no ordenamento pelo art. 66 da Lei n.º 8.383/91, limitada a tributos e contribuições da mesma espécie. Todavia como é sabido, a Lei n.º 9.430/96, vigente entre 1º de janeiro de 1997 a 30 de dezembro de 2002, e cujo artigo 74 foi devidamente regulamentado pelo Decreto 2.138, de 29 de janeiro de 1997, estendeu a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas. (...) Para repetir, no caso em tela a ação judicial data de 30 de agosto de 2000 e, assim, tendo em vista o regime normativo vigente à época da postulação – Lei 9.430/96 – não há dúvidas sobre a possibilidade da compensação de tributos de espécies diversas. Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.005 4 Ao final, o Contribuinte ainda esclarece que, de fato, equivocouse na informação do valor de seu crédito, mas que as compensações foram feitas tendo como base um valor devidamente apurado, nos termos da planilha que foram juntadas aos autos. Além disso, ela esclarece que: a compensação do valor creditório apurado teve início em fevereiro de 2002, através da compensação de PIS com PIS realizada diretamente na DCTF. Assim, computadas as atualizações pertinentes, à época do início das compensações o crédito montava R$ 3.024.614,12. Em consequência, em janeiro de 2003, ou seja, quando da realização da primeira compensação de PIS com Cofins, o crédito remanescente da Levi Strauss, após deduzidas todas as compensações feitas diretamente na DCTF, era de R$ 2.751.151,31 e a partir do mesmo é que foram sendo feitas as compensações que ora se questiona; por base do referido equívoco, apesar de regularmente protocolizada a declaração de compensação sob o n.º 13897.000312/ 200450, no valor de R$ 208.390,03, quando da revisão dos valores se deu conta a Levi Strauss que aquele montante excedia o seu crédito e, assim, em data de 30 de dezembro de 2004 promoveu ela o devido recolhimento, com incidência de juros e multa, tudo a demonstrar a sua boafé. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial para que os autos voltem à origem e seja analisado o mérito das compensações efetuadas pelo Contribuinte, observando a possibilidade de compensação com quaisquer débitos tributários, ainda, que fosse verificado, se não houve alteração no provimento judicial em relação à Ação Judicial n.º 2000.61.00.0341266, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170A DO CTN. APLICABILIDADE. Fl. 4005DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.006 5 Conforme decisão do STJ no RESP nº 1.164.452, que foi julgado sob o regime do art. 543C do CPC, a vedação prevista no art. 170A de compensação tributária somente após o trânsito em julgado da decisão judicial, não se aplica para as ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. DCOMP. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS. Embora a decisão judicial, que reconheceu o direito à repetição/compensação do crédito financeiro tenha limitado a compensação com débitos tributários da mesma espécie, inexiste impedimento legal para sua compensação com quaisquer débitos fiscais do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 3930 a 3938) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional foi em razão da decisão recorrida ter permitido a compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, e também por ter permitido a compensação com tributos diversos. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de n.º 380201.131, para comprovar a divergência em relação à compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, o acórdão paradigma n.º 0202.839, para comprovar a divergência em relação à compensação com tributos diversos. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi parcialmente admitido, conforme despacho de fls. 3959 a 3962, sob o argumento que a divergência jurisprudencial somente foi comprovada em relação a compensação entre diferentes tributos. Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.007 6 No reexame de admissibilidade (fls. 3963/3964) foi decidido por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto à compensação entre diferentes tributos, e não deu seguimento ao recurso especial em relação a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial do Contribuinte O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 3973 a 3983, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 3959 a 3962, que admitiu somente a divergência jurisprudencial em relação a compensação entre diferentes tributos. Do Mérito O caso em tela diz respeito ao direito à compensação de créditos do PIS com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Observa se que o pleito embasase em medida judicial (Ação Ordinária n.º 2000.61.00.0341266), ajuizada em 30/08/2000, conforme informado nas declarações de compensação subseqüentes – fl. 25 (Quadro 3) e fl. 26 (Quadro 2). Foram anexadas cópias da sentença judicial (fls. 47/70) e da respectiva petição inicial (fls. 73/104). Fl. 4007DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.008 7 Analisandose o teor da r. decisão (fls. 47/70), constatase que o pedido de antecipação de tutela formulado na inicial foi indeferido, bem como negado seguimento ao respectivo Agravo de Instrumento interposto pelo autor. Observase, ainda, que foi proferida sentença em 19/11/2001 autorizando o autor a efetuar compensação dos créditos de PIS com os débitos relativos à própria contribuição ao PIS, ressalvados ao Fisco a fiscalização e o controle das compensações. No presente caso a decisão judicial proferida na Ação Ordinária foi em 19 de novembro de 2001 (fls 70). Relevante destacar que a sentença, foi proferida em data anterior a entrada em vigor da Lei n.º 10.637/02 (01/10/2002), que alterou o art. 74 da Lei n.º 9.430/96 para permitir a compensação com tributos diversos. O art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, citado na consulta, regula o instituto da compensação tributária nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser realizada após a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela Receita Federal do Brasil vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.009 8 A Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei n.º 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. E a Receita Federal do Brasil, quanto ao tema, em 2003, se posicionou nos termos da Solução de Consulta n.º 244/2003 que o sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente, senão vejamos: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 10ª REGIÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2003 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é admitida, entretanto, a compensação desses créditos com débitos de terceiros, a exemplo dos débitos dos fabricantes e dos importadores de veículos, oriundos da obrigação, relativamente às vendas que fizerem, de cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelos comerciantes varejistas, ainda que o detentor dos créditos seja o contribuinte substituído. Fl. 4009DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.010 9 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966, arts. 128, 170 e 170 A; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 9.250, de 1995, art. 39; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 10.637, de 2002, art. 49; Lei nº 10.677, de 2003; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43; Medida Provisória nº 135, de 2003, art. 17; IN SRF nº 210, de 2002, art. 30; IN SRF nº 360, de 2003. VERA LÚCIA RIBEIRO CONDE Chefe da Divisão de Tributação Posteriormente, esta posição foi ratificada por meio da Solução de Divergência n.º 2/2010, que assim decidiu: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 2 de 22 de Setembro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Como se pode ver de seu texto, a solução de divergência n.º 2/2010 aplicase perfeitamente ao presente caso. Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.011 10 Posteriormente, em 2016 a Receita Federal publicou a Solução de Consulta 29/COSIT/SRF, segundo a qual “como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie”. Solução de Consulta nº 29 Cosit Data 30 de março de 2016 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. Sobre o tema ainda, encontrei diversos posicionamentos esclarecendo que as sentenças transitadas em julgado posteriormente à Lei n.º 10.637/2002 — mesmo na hipótese de terem autorizado apenas a compensação entre tributos da mesma espécie — poderiam ser utilizadas pelos contribuintes para a compensação com débitos próprios relativos a quaisquer Fl. 4011DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.012 11 tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Prevaleceu, assim, a aplicação da norma contida em lei a despeito de restrição eventualmente estabelecida em sentença. Tal se justifica na medida em que o contribuinte pode ter requerido o reconhecimento do seu indébito em juízo de forma mais restritiva antes da alteração legislativa que veio a permitir a compensação ampliada. A alteração na legislação e no procedimento de compensação poderia, portanto, ser aplicada posteriormente. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. EXECUÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. Tendo o contribuinte iniciado a execução na via judicial e posteriormente dela desistido, o direito de compensar prescreve no prazo de cinco anos contados a partir da homologação da desistência pelo Juízo da execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.013 12 O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativo, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF06 Nº 6035, DE 12 DE JULHO DE 2017 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB – exceção feita às contribuições previdenciárias e aos tributos apurados na sistemática do Simples Nacional – quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE Fl. 4013DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.014 13 RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal de 1988. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. DISPOSITIVOS LEGAIS: CF, de 1988, art. 100, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 e IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 41, 81 e 82. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n.º 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido a compensação de Cofins com parcelas da própria Cofins. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Verificase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 13897.000117/200349 Acórdão n.º 9303008.561 CSRFT3 Fl. 4.015 14 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 4015DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000316/2008-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/10/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO - ALIMENTAÇÃO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Integram a base de cálculo das contribuições sociais destinadas à Previdência Social os valores referentes a ajuda alimentação em desacordo como os Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
O auxílio-alimentação pago em pecúnia ou creditado em conta-corrente integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior votou pelas conclusões
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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SALÁRIO INDIRETO ALIMENTAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Integram a base de cálculo das contribuições sociais destinadas à Previdência Social os valores referentes a ajuda alimentação em desacordo como os Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. O auxílioalimentação pago em pecúnia ou creditado em contacorrente integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior votou pelas conclusões. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301 00.602, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 28/09/2009 (fls. 295/300verso), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 304/320). A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, por considerar que: “2. Neste ponto, entendo que o auxílio alimentação pago aos empregados segurados, mesmo que em espécie não tem caráter de remuneração e, por conta disso, não incide a contribuição previdenciária sobre estas rubricas. 3. Isto porque, com tal atitude o recorrente visa apenas proporcionar o aumento da produtividade e eficiência laborai dos seus empregados. É dizer, a verba paga se aproxima muito mais de um instrumento para o próprio trabalho, já que não se admite que um trabalhador possa trabalhar seguidas horas diárias sem se alimentar. Noutras palavras, a alimentação é concedida "para" e não "pelo" trabalho, ou seja, como meio de tomar viável a própria prestação de serviços, em beneficio do trabalhador. 4. Além do mais, é bom que se diga que ambiente de trabalho é reconhecido como um local estratégico de promoção da saúde e alimentação saudável e, nesta linha de raciocínio, há que se acrescentar que a alimentação vem proteger a própria segurança e a saúde do empregado. 5. Ademais, seria completamente desprovido de sentido entender que o legislador isenta da contribuição previdenciária o auxilio fornecido em vales alimentação e tributa o que é pago em dinheiro, porquanto em ambas situações buscase a mesma Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000316/200895 Acórdão n.º 920201.533 CSRFT2 Fl. 2 3 finalidade para o trabalhador, ou seja, o reembolso pelos valores pagos para o exercício do próprio trabalho. 6. É dizer não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica de um beneficio. Até porque, o pagamento em dinheiro não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação especifica, qual seja a de ajudar no custeio da alimentação. 7. Ainda sobre a matéria, é bom que se diga que tais valores não integram o patrimônio do trabalhador, visto que todos os empregados da empresa necessitam de alimentação. De maneira que as importâncias pagas se aproximam muito mais a uma forma de ressarcimento, pois diz respeito a verdadeira compensação de despesas que o trabalhador efetua com a sua alimentação, em decorrência da execução do trabalho. 8. Frisese, que qualquer ser humano e não só o trabalhador, precisa se alimentar para o exercício de suas atividades, sendo certo que sem alimentação tomase inviável, quiçá impossível, o exercício de qualquer atividade profissional. 9. Quanto à necessidade de inscrição no PAT, não vejo reprimenda legal para aquelas empresas que não tiverem inscrição no respectivo programa. O próprio Superior de Tribunal de Justiça — STJ tem firmado entendimento que tal inscrição é dispensável, mitigando os ditames do artigo 3° da Lei n° 6.321/76 (RESP 110977238; DJ 29.11.2007 p. 257; Rel.: Ministro José Delgado).” Em seu recurso, a recorrente afirma que os paradigmas que apresenta entenderam pela incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílioalimentação sempre que não forem observadas a legislação previdenciária, sobretudo quando tal verba for paga em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Por outro lado, entende que a decisão recorrida decidiu pela não incidência da contribuição previdenciária, mesmo havendo o descumprimento à legislação de regência pelo contribuinte, que realizou o mencionado pagamento em desacordo com o PAT. Explica que, inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que a verba para a título de auxílioalimentação sem adesão ao Programa não está incluída na hipótese legal de isenção, prevista na alínea ‘c’, §9º, art. 28 da Lei 8212/91. Além disso, ressalta que a alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT. Pondera que, ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em pecúnia, afrontando os dispositivos legais que regulamentam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, §9º e seus incisos, o que vai de encontro com a legislação tributária. Ao final, requer seja conhecido e provido o presente recurso especial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Nos termos do Despacho em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 321/325), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 327/334. Em síntese, alega que a natureza do auxílioalimentação é indenizatória, não integrando o salário do trabalhador para nenhum fim, nem mesmo para fins rescisórios, pouco importando se pago através de vale, em pecúnia ou in natura. Salienta que o auxílioalimentação foi pago em pecúnia apenas para cumprir o pactuado em Acordo Coletivo de Trabalho firmado entre trabalhadores e a CAESB, tendo sido realizado por curto período de tempo, ou seja, não houve habitualidade de pagamento em pecúnia. Ao final, requer que se negue provimento ao recurso, para confirmar a decisão ora atacada em todos os seus termos. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, não integra a base de cálculo das contribuições sociais destinadas à Previdência Social (art. 28, §9º, alínea ‘c’ da Lei nº 8212/91) . O Programa de Alimentação do Trabalhador PAT foi instituído pela Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, e regulamentado pelo Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991. O programa tem por objetivo melhorar as condições nutricionais dos trabalhadores, prioritariamente daqueles de baixa renda. As pessoas jurídicas beneficiárias poderão incluir no Programa trabalhadores de renda mais elevada, desde que esteja garantido o atendimento da totalidade dos trabalhadores que percebam até cinco salários mínimos. Desde que o benefício concedido aos trabalhadores que percebam até cinco salários mínimos não poderá, sob qualquer pretexto, ter valor inferior àquele concedido aos de rendimento mais elevado. Para a execução do PAT, a pessoa jurídica beneficiária poderá: a) manter serviço próprio de refeições; b) distribuir alimentos, inclusive não preparados (cestas básicas) e c) firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades sejam credenciadas pelo Programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000316/200895 Acórdão n.º 920201.533 CSRFT2 Fl. 3 5 Nos Programas de Alimentação do TrabalhadorPAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho, a parcela paga "innatura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador (art. 6o do Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991). A adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e, uma vez realizada, terá validade por prazo indeterminado, podendo ser cancelada por iniciativa da beneficiária ou pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em razão da execução inadequada do Programa. A jurisprudência administrativa firmou entendimento no sentido de que integram a base de cálculo das contribuições sociais destinadas à Previdência Social os valores referentes a ajuda alimentação sem a competente inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, ainda que fornecida in natura aos trabalhadores. Confira os seguintes precedentes: “(...) ALIMENTAÇAO FORNECIDA IN NATURA. NÃO INSCRIÇAO NO PAT. INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIARIA. (...) II – A ajuda alimentação, ainda que fornecida in natura, para não ter natureza salarial para fins previdenciários, deve estar inscrita no Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos da alínea C do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso negado.” (Acórdão nº 20600004 da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, Relator: conselheiro Rogério de Lellis Pinto) “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. NÃO INSCRIÇAO NO PAT. INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIÁRIA. 1. A ajuda alimentação, ainda que fornecida in natura, para não ter natureza salarial para fins previdenciários, deve estar inscrita no Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos da alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. (...).Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 20600303 da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, Relator: conselheiro Daniel Ayres Kalume Reis) “(...) PREVIDENCIÁRIO SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO INSCRIÇÃO NO PAT – AUSÊNCIA BASE DE INCIDÊNCIA. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de ajuda alimentação fornecidos sem a competente inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 20600317 da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, Relator: conselheira Ana Maria Bandeira) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Ademais, o STJ tem considerado que quando o auxílioalimentação for pago em pecúnia ou creditado em contacorrente, integrará a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, colaciono os seguinte precedentes: “TRIBUTÁRIO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO. SALÁRIO IN NATURA. NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo feição salarial. Deveras, afastase a exação tributária quando o pagamento é efetuado in natura; vale dizer: quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes. 2. Recurso Especial provido.” (REsp 510.070/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 31/05/2004 p. 186) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. PAGAMENTO EM CONTACORRENTE. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. I Em se tratando de depósitos em dinheiro na conta de funcionários do Banco do Brasil, não há que se falar em caráter in natura; prevalecendo, ao contrário, a natureza salarial de tais valores, havendo sobre eles a incidência da contribuição previdenciária. II Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 498983 / CE, Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJ 22/03/2004 p. 212) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR – PAT. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº 6.321/76. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005; EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000316/200895 Acórdão n.º 920201.533 CSRFT2 Fl. 4 7 Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido.” (REsp 641791 / CE, Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 03/04/2006 p. 233) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EFEITOS INFRINGENTES. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. CABIMENTO. I A decisão embargada partiu da falsa premissa de que o pagamento do auxílio alimentação estava sendo feito in natura, quando, na verdade, conforme confessado pelo recorrente, em suas razões de recurso especial, o pagamento se deu mediante depósito em conta corrente dos empregados. II Em se tratando de auxílioalimentação pago em espécie, incide contribuição previdenciária. III Embargos acolhidos, com efeitos modificativos, a fim de negar provimento ao recurso especial.” (EDcl no AgRg no REsp 235134 / CE, Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJ 17/05/2004 p. 109) Por todo o exposto, voto dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13629.901730/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 60 a 66) interposto contra o Acórdão nº 09- 35.998, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 53 a 57), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .9 01 73 0/ 20 09 -3 1 Fl. 95DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.648 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901730/2009-31 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pela contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que só é possível com a apresentação de elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Versa o presente processo de PER/Dcomp Retificadora, de n° 20573.63664.240308.1.7.04-5455 (fls. 2 a 7), na qual busca-se a compensação de débitos de IRPJ e CSLL, período de apuração 4o trimestre/2007, nos valores, respectivamente, de R$ 10.075,37 e RS 1.081,51, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL, período de apuração 3 o trimestre/2006, DARF no valor de RS 26.625,42. A DRF/CFN/MG, em 07/10/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 13), atestando que "... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp". Inconformada, a contribuinte apresenta sua manifestação, alegando, em síntese (fl. 16): - Que, a empresa efetuou pagamento "a maior" de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, código 2372, no período de Janeiro de 2005 a Dezembro de 2006 e 1º trimestre de 2007, conforme p/anilha em anexo, gerando um crédito de pagamento a maior no valor de R$101.593,79. - Que, a empresa entregou as respectivas DCTF 'S com os valores que foram pagos à época, ou seja, "a maior", não procedendo posteriormente às Retificações devidas. - Que, no oportuno, a empresa entregou as DCTF'S Retificadoras (em anexo) referente ao primeiro e segundo semestres de 2006, podendo aí constatar o valor do crédito do contribuinte, que foi compensado." O acórdão de primeira instância rechaçou os argumentos da Interessada sob o fundamento de que esta não teria apresentado provas que demonstrassem a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise explicando que o seu direito ao crédito surge do equívoco que cometeu a utilizar o coeficiente de 32%, ao invés de 12%, para a determinação de seu Lucro Presumido, em razão da atividade de serviço de obra com fornecimento de materiais. Para comprovar o alegado, junta uma série de novos documentos e demonstrativos. Fl. 96DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.648 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901730/2009-31 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação da DCOMP (fl. 03 a 13) apresentada pela Recorrente sob o argumento de que o recolhimento que ampararia o crédito a ser utilizado já teria sido integralmente alocado para quitação de outro débito. Por sua vez a Recorrente alega que é tributada pela modalidade do Lucro Presumido e vinha aplicando o percentual equivocado de 32% para determinação de sua base tributável, quando o correto seria de 12%, vez que alega prestar serviço de construção civil com fornecimento integral dos materiais. Desta diferença se originaria seu direito creditório. Escora sua pretensão nos dispostos da IN 480/2004 que determinou a base da CSLL de 12% para as receitas provenientes das atividades de construção civil e na Solução de Consulta n° 077 SRRF/6ªRF/Disit de 15 de Junho de 2007, relativa ao processo nº 13629.000405/2007-97 (interessado: Engecel Construções e Comércio Ltda – CNPJ: 17.840.083/000120). Por oportuno, replico a conclusão da mesma: "(...) Conclusão 11. À vista do exposto, respondo à consulente que, a partir da vigência da IN SRF nº 480/2004, as receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, sendo que tais materiais devem ser incorporados à obra. Na hipótese de o material ser fornecido, em parte ou no todo, pelo contratante da obra, o percentual a ser aplicado será de 32% (trinta e dois por cento)." Conforme narrado a Decisão de piso bem apontou que a Recorrente falhou em carrear aos autos elementos que demonstrassem a subsunção de suas atividades aos requisitos supra expostos para o gozo do percentual de presunção reduzido. Diante deste cenário, tendo a presente lide desembocado em questões exclusivamente fáticas e probatórias, a Recorrente trouxe em seu recurso diversos documentos novos para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários. São eles: Contrato Social, Livro Diário, Livro Razão, Contratos de Empreitadas e Declarações Fiscais, todos referentes ao período do crédito apontado. Fl. 97DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.648 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901730/2009-31 Os contratos apresentados (fls. 146 a 265) se compreendem em uma série de obras contratadas por licitação com as Prefeituras Municipais de Coronel Fabriciano/MG, Baixo Guandu/ES e Piúma/ES, incluindo diversas obras de construção, manutenção e reparos em vias, prédios e demais componentes da infra-estrutura pública. Outrossim, também há contratos com a Paróquia São Sebastião / Comunidade Santa Rita, em Coronal Fabriciano/MG, para a construção de um prédio anexo. Dos contratos citados pode-se depreender que há o dever de fornecimento dos materiais necessários para a consecução de cada objeto por parte da Recorrente, havendo, inclusive, menção expressa na maioria deles. Ainda, apresenta a Recorrente os seus livros Diários (arquivo-fl.276) e Razão Analítico (arquivo-fl.277) visando demonstrar tanto a aquisição dos materiais utilizados em cada empreitada, quanto as origem das receitas obtidas. Os Livros Diários e Razão apresentados mostram vultuosas quantias gastas com diversos fornecedores de materiais e insumos típicos da construção civil. Igualmente, há registros de receitas provenientes de seus contratantes. Em primeira análise as comprovações trazidas pelo Interessado parecem corroborar com suas pretensões. Contudo, penso que a DRF de origem possui melhor condições para realizar a verificação de todos os novos documentos, cotejar com seus próprios registros e cálculos e, por fim, opinar quanto ao eventual direito creditório do Contribuinte. Outrossim, insta salientar que, se tratando de documentação trazida pela Recorrente apenas nesta fase recursal, deve-se proporcionar ao Fisco a oportunidade do contraditório. Portanto, para maior convicção e segurança da decisão, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para verificações e confirmação dos novos elementos carreados ao processo. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes de todo material probatório apresentado pela Recorrente no bojo do Recurso Voluntário e elabore termo circunstanciado esclarecendo quanto a suficiência dos materiais adquiridos e receitas obtidas dos contratos de empreitada em relação aos declarados ao fisco para a determinação do direito ao percentual reduzido para presunção de receita tributável. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Fl. 98DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.648 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901730/2009-31 Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.906886/2008-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não deve ser conhecido recurso especial em que não esteja comprovado que, frente a situações fáticas similares, os paradigmas tenham aplicado a legislação de regência, de forma diversa daquela aplicada pelo recorrido. Hipótese em que o paradigma tratou de situação fática bem como de legislação de regência distintas daquelas do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-008.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser conhecido recurso especial em que não esteja comprovado que, frente a situações fáticas similares, os paradigmas tenham aplicado a legislação de regência, de forma diversa daquela aplicada pelo recorrido. Hipótese em que o paradigma tratou de situação fática bem como de legislação de regência distintas daquelas do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 68 86 /2 00 8- 99 Fl. 331DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3402-001.628, de 26 de janeiro de 2012 (fls. 250 a 266 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte de ressarcimento de IPI referente ao primeiro trimestre de 2004, no valor de R$ 205.245,35. A delegacia de origem deferiu parcialmente o pleito, no valor de R$192.661,05, concluindo pelo reconhecimento parcial do crédito pleiteado, em razão da glosa dos valores referentes à aquisição de utilitários (formas, navalhas e matizes, assim como pela desconsideração tanto da Receita de Exportação quanto da Receita Operacional Bruta dos valores correspondentes a "AJUSTE CAMBIAL ATÉ EMBARQUE". Inconformado com o deferimento parcial, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: - a autoridade preparadora deverá abster-se de proceder a cobrança, bem como tomar os procedimentos necessários para a suspensão de exigibilidade, estipulados no art. 151, III do CTN e na própria IN SRF n.º 900/2008 em seu art. 66, § 5º; - não se deve questionar a integração de formas, matrizes e navalhas no processo industrial de calçados, tendo em vista ser tema pacificado pelas instâncias administrativas desta Receita Federal; - se deve notar que a empresa para fim de determinação da base de cálculo do imposto e de sua efetiva apuração de crédito presumido de IPI, levou em consideração os valores vinculados aos insumos que efetivamente integraram os produtos fabricados, tudo em conformidade com o contido na lei federal n.° 9.363/96 e nas diversas orientações da SRFB; - no que se refere às empresas fabricantes de calçados e mais especificamente daqueles calçados que serão dirigidos ao mercado externo não pode ser obstado o direito de considerar para fins de estabelecimento da base de cálculo de seu imposto, deixando tais custos Fl. 332DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 produtivos de integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores decorrentes de formas, navalhas e moldes, os vinculados aos serviços prestados por terceiros e os oriundos do consumo de energia elétrica; - há primeiramente o contato com o cliente externo que encomenda pedido prévio com a quantidade determinada e com modelos definidos de calçados e seus respectivos tamanhos. Daí providencia a compra de fôrmas e moldes para a fabricação dos calçados, sendo considerados os usos e costumes locais do cliente que solicitou a encomenda e inclusive a época do ano (coleção primavera/verão, outono/inverno), bem como poder aquisitivo do mercado consumidor que se está satisfazendo, bem como seu poder aquisitivo e nível de exigência do próprio mercado; - se deve salientar a impossibilidade de reaproveitamento dos moldes e formas para outros tipos de calçados, onde os materiais utilizados no calçado "A" não podem ser utilizados no calçado "B", podendo ser utilizados apenas para o lote da encomenda prevista; - sendo então considerados os custos e sendo tais materiais como insumos consumidos no processo fabril, os custos dos mesmos são incorporados ao produto final, devendo então ser considerados para fins de compensação; - o mesmo argumento deverá ser considerado para considerar o custo de seus insumos em relação ao insumo "navalhas" utilizado para cortar os moldes na fabricação do calçado, pois, como vimos, utilização de insumos para consideração da base de cálculo do crédito do IPI presumido interfere na compensação de forma favorável ao contribuinte, conforme a própria administração em suas reiteradas decisões; - não se pode de maneira alguma se proceder com a desconsideração de tais argumentos, mesmo porque estará incorrendo em atitude que contraria os desejos do próprio legislador que estabeleceu a regra da não cumulatividade, forçando a empresa requerente nesta manifestação a acumular um prejuízo de grandes proporções em seu caixa; - tal ato contraria inclusive os preceitos estabelecidos na Lei Federal n.º 9.363/96, onde toda a matéria prima deverá ser considerada para fins de cálculo da presunção do tributo, não importando, fazemos questão de repetir, de maneira alguma se tais insumos e matérias primas farão parte do produto final acabado; k) Como reforço a esse nosso entendimento, nos reportamos ao tratamento contábil/fiscal que é determinado para esses encargos, no âmbito do imposto de renda, pela instrução Normativa SRF n.° 104, de 29 de Fl. 333DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 julho de 1987, cuja orientação é no sentido de que deve ser "integrante do custo de produção da indústria calçadista, o valor de aquisição de fôrmas para calçados e o de facas e matrizes (moldes) estas últimas utilizadas para confecção de partes de calçados"; - não há razão de se exigir que o contribuinte prove que os insumos são plenamente utilizados no processo, pois o tema já é decidido, tendo em vista a presunção de desgaste dos materiais; m) Quanto ao ajuste cambial argumenta que, conforme Portaria MF n.° 356, de 1988, a qual define critérios de conversão de moeda estrangeira para efeito de registro da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais, a variação cambial ativa integra a receita bruta. A DRJ em Belém/PA julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para assegurar exclusão das variações cambiais do montante da receita de exportação, e proclamar a legitimidade dos créditos presumidos de IPI relativos às aquisições de formas, navalhas e matrizes utilizados no processo de produção de calçados “nos termos do o Parecer Normativo CST n.º 65/79, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – BASE DE CÁLCULO – PERCENTUAL DE APURAÇÃO - RECEITA DE EXPORTAÇÃO – VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS – EXCLUSÃO - IMPOSSIBILIDADE - ART. 9º DA LEI N. 9.718/98 – INAPLICABILIDADE - PRECEDENTES STJ. As variações cambiais ativas integram as receitas de exportação, para fins de determinação do percentual a ser aplicado sobre o total das aquisições, na apuração da base de cálculo do benefício instituído pela Lei 9.363/96, eis que o contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo Fl. 334DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 indispensável à sua efetivação, pelo que não pode ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei nº 9.718/98. Jurisprudência consolidada no E. STJ. IPI – CREDITO PRESUMIDO - LEI Nº 9.363/96 – PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS - PROCESSO INDUSTRIAL DE CALÇADOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO - FORMAS, NAVALHAS E MATRIZES – DIREITO DE CRÉDITO . Embora não se integrando nos produtos industrializados (calçados), as formas, navalhas e matrizes não ativados utilizados na produção de calçados, que são consumidos pelo desgaste ou obsolescência em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre os produtos em fabricação, ou por estes diretamente sofrida, caracterizam-se como produtos intermediários (Parecer Normativo CST nº 65/79), cujas aquisições fazem jus ao crédito presumido do IPI, nos termos arts. 1º e 2º da Lei nº 9.363 de 13/12/96. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 271 a 280) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao tratamento das variações cambiais como receita de exportação: exclusão das variações cambiais do montante da receita de exportação. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de n.º 3403-001.524. A comprovação do julgado firmou- se pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 281 a 296. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 281 a 296, sob o argumento que decisão recorrida se adotou o entendimento de que o contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, fazendo parte das receitas de exportação, para fins de apuração do crédito presumido do IPI. Por sua vez, no acórdão paradigma considerou-se as variações cambias ativas, uma espécie do gênero receita financeira, não receita de exportação, contudo, mencionadas receitas compõem a receita bruta total. Ou seja, parcela da variação Fl. 335DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 cambial integra o montante do denominador (receita operacional bruta), para fins de estabelecimento da relação percentual (RE/ROB) que será aplicada sobre o montante dos insumos e determinará a base de cálculo do crédito presumido do IPI. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 311 a 324, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora. Da Admissibilidade O Recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. A matéria analisada e decididas na Câmara Baixa foi que: As variações cambiais ativas integram as receitas de exportação, para fins de determinação do percentual a ser aplicado sobre o total das aquisições, na apuração da base de cálculo do benefício instituído pela Lei n.º 9.363/96, eis que o contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação, pelo que não pode ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei n.º 9.718/98. Jurisprudência consolidada no E. STJ. Fl. 336DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 Para comprovar a divergência a Fazenda Nacional, apresentou como paradigma o Acórdão n.º 3403-001.524. Por sua vez o acórdão paradigma dispõe: A isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição. A sua ementa foi assim redigida: Ementa(s) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. DISTINÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CALCULO. A isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição. O paradigma, dispõe que a isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição do Pis e Cofins, a luz do art. 6º da Lei n.º 10.833/200. Fl. 337DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 Verifica-se que o acórdão paradigma tem situação fática totalmente diferente do acordão recorrido, e versam sobre legislação totalmente diversas. No acordão recorrido trata-se de base de cálculo do crédito presumido, da Lei n.º 9363/96 e no acordão paradigma de base de cálculo da COFINS não cumulativa do art. 6º da Lei n.º 10.833/200. Verifica-se que os fatos analisados não tem correlação alguma. Assim, o paradigma apresentado não servem para comprovar a suscitada divergência, em relação ao acórdão recorrido. Assim, demonstrado e comprovado a falta de similitude entre a matéria decidida no acórdão recorrido e a decidida no acórdão paradigma, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. Considerando o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 338DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.738 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.906886/2008-99 Fl. 339DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.901419/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual.
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, o ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório alegado contra a Fazenda Nacional é do contribuinte.
Apenas créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional podem ser compensados com créditos tributários, nos termos do art.170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1301-003.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar o óbice de que trata o artigo 10 das IN SRF nºs 460/2004 e 600/2005 - em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância -, pela aplicação da Súmula CARF nº 84 que possibilita a repetição do indébito tributário relativo a pagamento de estimativa mensal desde que comprovado erro de fato, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente),
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, o ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório alegado contra a Fazenda Nacional é do contribuinte. Apenas créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional podem ser compensados com créditos tributários, nos termos do art.170 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar o óbice de que trata o artigo 10 das IN SRF nºs 460/2004 e 600/2005 - em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância -, pela aplicação da Súmula CARF nº 84 que possibilita a repetição do indébito tributário relativo a pagamento de estimativa mensal desde que comprovado erro de fato, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente),
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PER/DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, o ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório alegado contra a Fazenda Nacional é do contribuinte. Apenas créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional podem ser compensados com créditos tributários, nos termos do art.170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar o óbice de que trata o artigo 10 das IN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 14 19 /2 00 9- 98 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 123 2 SRF nºs 460/2004 e 600/2005 em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância , pela aplicação da Súmula CARF nº 84 que possibilita a repetição do indébito tributário relativo a pagamento de estimativa mensal desde que comprovado erro de fato, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 124 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 85/102) em face do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 77/81). Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 25/08/2008, mediante programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu eletronicamente a DCOMP nº 02316.96956.250808.1.7.043115 (Retificadora), informando compensação tributária sob condição resolutória (efls. 55/60) com os seguintes dadios: a) débito compensado: IRPJ Estimativa Mensal PA março/2005, vencimento 29/04/2005, código de receita 5993, valor R$ 138.978,74 (Principal, valor original). b) crédito utilizado: Pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa Mensal, PA 31/01/2005, vencimento e pagamento em 28/02/2005, código de receita 5993, valor do recolhimento R$ 407.804,01. Comprovante de Arrecadação (efl. 54). Crédito utilizado R$ 136.884,41. Em 18/02/2009, a DRF/Brasília emitiu o Despacho Decisório Eletrônico, rejeitando o crédito informado (efl. 53). Embora confirmado o pagamento de R$ 407.804,01 em DARF, porém como se trata de antecipação de pagamento de estimativa mensal do imposto não pode ser restituído, mas somente saldo negativo do imposto, caso apurado/existente no encerramento do anocalendário (declaração de ajuste anual). Ciente desse despacho em 05/03/2009 (efl. 66), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 03/04/2009 (efls. 01/37), cuja irresignação, em síntese, é a seguinte: que à exceção das vedações previstas nas leis específicas de cada tributo e daquelas elencadas no parágrafo 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996, é permitida a compensação de crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal com débitos próprios do sujeito passivo relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão; que a IN SRF 600/2005 é ilegal porque prevê restrições além das que foram previstas pela lei; que é inconstitucional (contraria o art. 5º, inciso II, princípio da Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 125 4 legalidade privada – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei); que a vedação posta pela MP 449, de 03.12.2008, não pode retroagir (art. 74, inciso IX da Lei 9.430/96); que, ante o exposto, requer a reforma da decisão para que seja homologada a compensação tributária em sua integralidade. Na sessão de 31/03/2011, a 4ª Turma da DRJ/Brasília julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, ao não reconhecer o direito creditório pleiteado, conforme Acórdão (efls. 77/81), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Compensação – IRPJ – Apuração Anual – Pagamento por Estimativa– Impossibilidade. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 15/07/2011 (sextafeira), por via postal Aviso de Recebimento AR (efls. 83/84), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/08/2011 (segundafeira) (efls. 85/102), cujas razões, em síntese, são as seguintes: (...) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 126 5 (...) (...) (...) (...) (...) (...) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 127 6 (...) (...) É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 128 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. A Recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário (direito creditório). Compensação tributária de débitos próprios, vencidos ou vincendos: O contribuinte tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento indevido ou a maior (CTN, art. 165). O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizar na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Lei 9.430/96, art.74). Ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório: No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional. O encontro de contas, informado na declaração de compensação tributária transmitida eletronicamente , extingue o débito confessado, sob condição resolutória, pois depende de ulterior verificação expressa ou tácita da liquidez e certeza do direito creditório utilizado. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 129 8 o ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório alegado contra a Fazenda Nacional é do contribuinte, autor do pedido de crédito, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art.170 do Código Tributário Nacional. No processo administrativo fiscal, o momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda pendente de ulterior verificação pelo Fisco, enquanto não decorrido o prazo para homologação expressa ou tácita. Os requisitos ou atributos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente: a) quanto ao direito creditório argumentou: que tem direito à repetição do que pagara indevidamente (arts. 156, II, 165 e 167 do CTN) e que também tem direito à compensação tributária (CTN, art. 170 e Lei 9.430/96, art. 74); que Instrução Normativa, ato normativo infralegal, não pode estabelecer restrição ou obrigação ao arrepio da lei (CF art. 5º, II): "Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei"; que é ilegal a Instrução Normativa que determina a devolução do pagamento indevido de estimativa mensal apenas como saldo negativo na declaração de ajuste anual; que, ademais, a MP nº 449/2008 (art. 29), que incluiu o inciso IX no art. 74 da Lei 9.430/96, não se aplica ao caso (princípio da irretroatividade). Vide Lei nº 13.670/2018 (art. 6º). b) quanto aos fatos e provas: juntou cópia do comprovante de arrecadação, no valor de R$ 407.804,01 quanto PA janeiro/2005, pagamento em 28/02/2005 (efl. 54); juntou cópia do recibo de transmissão eletrônica de DIPJ (retificadora), de 24/02/2009, e cópia da Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, débito do PA janeiro/2005, saldo a pagar, após as deduções: R$ 225.888,78 (efls. 63/64). crédito utilizado na DCOMP, objeto dos presentes autos, R$ 136.884,41 valor original (efls. 55/60); cópia da DCTF (efls. 61/62). Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 130 9 Data venia a mera cópia da DIPJ (retificadora) e cópia do comprovante de arrecadação não têm o condão de provar o alegado erro de fato. É necessário cópia da escrituração contábil (livros Razão e Diário) e os do cumentos de suporte dos registros contábeis, pois a DIPJ tem caráter meramente informativo (não tem caráter constitutivo). É preciso comprovar a existência de registros contábeis nas duas situações, antes e após a correção do alegado erro de fato, ou seja, demonstrar que realmente ocorreu o erro de fato e o que o teria gerado. A contribuinte, como já dito, não juntou aos autos cópia do livro Diário e cópia do livro Razão, quanto à apuração do anocalendário 2005. Também não juntou cópia aos autos dos balancetes de suspensão/redução de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que estatui, in verbis: Art. 35.A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. §1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a)deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b)somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) No caso, as decisões anteriores proferidas nestes autos não enfrentaram, no mérito, a questão do erro de fato e a formação do direito creditório, bem como a liquidez e certeza do crédito alegado para encontro de contas com débito (s) confessado (s) na DCOMP objeto dos autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da INSRF460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/04, reiterado na IN SRF nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, ou depois, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 131 10 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, superado o óbice, necessária, entretanto, a comprovação do erro de fato. É condição sine qua non para configuração do pagamento indevido de estimativa mensal e repetição imediata do indébito tributário a demonstração, comprovação do alegado erro de fato. Porém, como já demonstrado, o mérito da lide, matéria de fato, até agora, não foi julgado ou enfrentado pelas decisões anteriores, nestes autos. Ainda, sequer os autos do processo estão saneados, como já demonstrado alhures, necessitando instrução processual complementar. Não constam dos autos cópia dos livros Razão, Diário e dos balancetes de suspensão/redução. Para evitar prejuízo à defesa, supressão de instância de julgamento, entendo que os autos do processo devem retornar à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Brasília, para julgamento do mérito da lide, matéria de fato e de direito, mediante despacho complementar. Reiterando, a recorrente tem o ônus probatório de comprovar o fato constitutivo do seu direito alegado, ou seja, comprovar o pretenso erro de fato que teria gerado pretenso crédito pleiteado, para efeito de restituição da estimativa mensal paga indevidamente. A recorrente deverá ser intimada a produzir prova, ou seja, fazer a juntada de cópia de sua escrituração contábil (livros Diário e Razão) e balancetes de suspensão/redução de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Urge, destarte, o saneamento do processo, a complementação de provas. Caso a contribuinte não comprove nos autos o alegado erro de fato, temse as estimativas pagas como mera antecipação de pagamento do imposto na forma da legislação de regência (Lei 9.430/96, art. 2º), podendo as antecipações pagas do imposto somente ser utilizadas na declaração de ajuste anual para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo caso o somatório das antecipações superar o imposto apurado. Assim, afastado o óbice das citadas IN é possível a devolução de pagamento indevido de estimativa mensal desde que comprovado o alegado erro de fato e desde que o crédito não tenha sido utilizado ou computado o respectivo valor no saldo negativo do imposto (ajuste anual). Como demonstrado, nesta instância recursal não há como julgar o mérito da lide, ainda que os autos fossem baixados em diligência fiscal, pois implicaria, em tese, julgamento em instância única, implicaria supressão de instância de julgamento, caso o resultado da diligência fosse desfavorável à contribuinte, pois as decisões anteriores não adentraram no mérito quanto à matéria de fato e quanto à formação do pretenso crédito. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10166.901419/200998 Acórdão n.º 1301003.965 S1C3T1 Fl. 132 11 Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação do entendimento da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, afastar possível supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, à DRF/Brasília para que, após reaberto prazo a partir da ciência da intimação da contribuinte a complementar as provas instrução processual complementar e transcorrido o lapso temporal proceda análise de mérito quanto ao alegado erro de fato e quanto à formação do direito creditório pleiteado pela contribuinte à luz da legislação de regência e jurisprudência citados, mediante emissão de despacho complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 132DF CARF MF
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