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Numero do processo: 10580.914403/2009-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ.
A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento.
Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 3002-000.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 44 03 /2 00 9- 54 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.914403/200954 Acórdão n.º 3002000.433 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 27/29) exarado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 06007.07617.290909.1.7.048330, transmitida em 29 de setembro de 2009, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 44.160,00, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), mediante Darf código 5856, em 15 de março de 2006, no valor de R$ 74.549,62, relativo ao período de apuração de 28 de fevereiro de 2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 20 de novembro de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o valor do crédito pleiteado é proveniente de serviços de administração de obra, conforme notas fiscais que junta aos autos, os quais estão sujeitos ao regime cumulativo até 31 de dezembro de 2006. A contribuinte informa que não retificou a DCTF e o Dacon referente ao período de apuração do crédito porém, após a constatação do erro (com a ciência do Despacho Decisório) transmitiu as declarações retificadoras, em relação aos períodos de apuração de fevereiro, março e abril de 2006, conforme documentação que anexa." Importante ressaltar que apesar do relatório da DRJ ter mencionado que fora juntado documentos, da análise dos autos verificase que nada foi juntado. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08), alegando, em resumo, que deveria ser reconsiderado o r. Despachos Decisório uma vez que juntou todas as notas fiscais, declaração retificadora da DCTF, bem como da Dacon, planilha de apuração da base de cálculo do tributo pleiteado e, por fim, cópia dos pagamentos por regime não cumulativo a fim de reconhecer a totalidade do crédito compensado, com base na Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ votou por indeferir a manifestação de inconformidade, por considerar que o contribuinte "na data de apresentação Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.914403/200954 Acórdão n.º 3002000.433 S3C0T2 Fl. 4 3 da Dcomp, não havia retificado a DCTF", conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 33/39) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) o direito subjetivo à compensação, o qual não se pode ser afastada por mero erro formal da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. De inicio, é valido observar que a DRJ deixou de analisar a certeza e liquidez do crédito tributário alegando que "ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF, esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp" afirmando que "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida" e, por fim, "que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem.". Contudo, em razão da retificação da DCTF que só foi feita após o despacho decisório (fls. 07), o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada, entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Do transcrito acima, extraise que a DRJ ao assim proceder, ou seja, deixando de analisar à DCTF retificada, por considerar "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF." prejudicou o sujeito passivo, pois, tendo em vista a adoção de premissa equivocada (impossibilidade de análise de DCTF retificadora), deixou de apreciar o mérito da contenda Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.914403/200954 Acórdão n.º 3002000.433 S3C0T2 Fl. 5 4 (existência ou não do crédito tributário). E, uma vez constatada tal falha, tornase imperativa a sua correção, com amparo no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, "in verbis": "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por oportuno, é válido mencionar que ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho Decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Outrossim, por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/15, a administração tributária se manifestou favoravelmente quanto à possibilidade de retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação e depois do indeferimento do pedido, exarado nos seguintes termos: "RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. (...) Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010." Corroborando com o entendimento acima disposto, conforme Acórdão nº 9303006.266 da CÂMARA SUPERIOR de 25/01/2018, "in verbis": "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).". Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer a possibilidade de análise da DCTF retificadora enviada após a DCOMP, e, por consequência, determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira nova decisão, em que seja analisada a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. É como voto. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.914403/200954 Acórdão n.º 3002000.433 S3C0T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008269/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 26/06/2008
MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 34
Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições
da empresa e os totais recolhidos.
Numero da decisão: 2201-004.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 26/06/2008 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 34 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
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CFL 34 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 82 69 /2 00 8- 97 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 03 29.045 5ª Turma da DRJ/BSA, fl. 57 a 68, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória AIOA: n° 37.115.2186, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia GO, contra a empresa em epígrafe, consolidado em 26/06/2008, em razão de infração ao dispositivo previsto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99. (CFL 34). A ação fiscal foi instituída pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF nº. MPF n'.0120100.2008.00042. Segundo o Relatório Fiscal, de fls. 19/26, o sujeito passivo, Construtora e Incorporadora Merzian Ltda., não lançou mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias referentes à obra de construção civil matrícula CEI: 32.560.00668/78 (Ed. River Side). Esclarece que essa obra foi iniciada pela empresa Moraes Construtora Ltda, que realizou a execução da obra até a estrutura da 8° laje, das dezessete previstas, desistindo da mesma. Posteriormente, após a adjudicação da obra pelos condôminos que contrataram a sua execução, essa obra inacabada foi adquirida dos Condôminos pela empresa Construtora e Incorporadora Merzian Ltda., em 07/10/2003, sem que as partes fizessem prova da regularidade contributiva previdenciária, pois a Certidão Negativa de Débito —CND 04117200308001080, apresentada durante a lavratura da escritura pública de compra e venda; tinha a finalidade para quaisquer daquelas previstas nas Lei 8.212/91, exceto para averbação de construção civil em imóvel. Em exame ao sistema CCOR Consulta contacorrente de Estabelecimento, não foi efetuado nenhum recolhimento com relação a esta obra pela empresa Moraes Construtora Ltda. CEI inicial 08.902.01772/78, no período sob sua responsabilidade. Informa que a empresa Construtora e Incorporadora Merzian Ltda, antes de adquirir a obra inacabada (Ed. River Side), deveria ter exigido a Certidão Negativa de Débito — CND, com a finalidade expressa para averbação de construção civil em imóvel, fazendo prova da regularidade contributiva previdenciária, conforme determinado pelo artigo 465 da IN 3/2005. E que se a empresa tivesse se orientado no dispositivo acima, teria, dentro do valor pago pela Obra inacabada de R$ Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10120.008269/200897 Acórdão n.º 2201004.519 S2C2T1 Fl. 88 3 220.000,00, discriminado a parcela paga relativa aos encargos previdenciários. Como não procedeu a esta orientação, ao contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil .3.1.1.01.0001 — Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios. Os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do 'custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS; 1.3.1.1.01.009. Durante a ação fiscal, não foi apresentado nenhum documento de quitação de recolhimento ou de dívida previdenciária relativa a períodos anteriores a janeiro de 2004. Desse modo, a escrituração contábil da empresa autuada, por si só, não possibilita a apuração do montante da mãodeobra utilizada na edificação da Obra como um todo. Da Penalidade Em decorrência do fato acima descrito, foi aplicada a multa cabível, no valor de R$ 12.548,77 (Doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), conforme disposto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373.Valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF n°. 77, de 11/03/2008. Consigna que a empresa autuada não apresentou circunstâncias agravantes, nem atenuantes. Cientificado do lançamento em 01/07/2008, o contribuinte apresentou defesa em 30/07/2008, alegando em apertada síntese: assevera que os lançamentos contábeis estão conforme os parâmetros exigidos, que o autodeinfração é bastante obscuro e não faz maiores comentários acerca de alguns pontos considerados imprescindíveis à constituição dos créditos previdenciários; como a obra comporta período anterior a aquisição por parte da autuada, cobrando tributos até a 8' laje, engloba período superior a 5 (cinco anos), que já estaria prescrito; a impropriedade da multa aplicada, ao afirmar que a escrituração contábil não possibilitava a apuração do montante da mãodeobra utilizada na edificação como um todo. Indaga, quais foram as dificuldades? quais os pontos equivocados? Simplesmente afirmar, de forma genérica, que a escrituração contábil não possibilitou verificar a mãodeobra utilizada é por demais arbitrário e sem respaldo jurídico; Fl. 89DF CARF MF 4 que a autuação trata apenas de mera irregularidade formal, da qual não decorreu prejuízo ao Erário. Questiona por que os dados contidos na contabilidade servem para calcular o IRPJ a CONFINS e não servem para calcular as contribuições previdenciárias; requer a relevação da penalidade, nos termos do artigo 291 do RPS, ou a redução da penalidade a um parâmetro compatível com a ausência de lesão ao Erário; requer, por fim, a anulação ou improcedência da autuação, ou, alternativamente, a sua relevação ou redução. Foi proferido acórdão com os seguintes fundamentos: Primeiramente tornase salutar destacar que a empresa impugnante adquiriu obra de construção civil inacabada (execução da obra até a estrutura da 8' laje), sem que as partes fizessem prova da regularidade contributiva previdenciária, pois a Certidão Negativa de Débito—CND 04117200308001080, apresentada durante a lavratura da escritura pública de compra e venda, tinha a finalidade para quaisquer daquelas previstas nas Lei 8.212/91, exceto para averbação de construção civil em imóvel. No caso de obra inacabada, deverá ser apresentado pelo contribuinte laudo de avaliação técnica de um profissional habilitado pelo CREA, acompanhado da Anotação de Responsabilidade TécnicaART, a fim de que seja informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total. O percentual informado será utilizado para conversão em área equivalente para a apuração das contribuições devidas, efetuandose o enquadramento de acordo com a área total do projeto. Sendo que, no caso, para regularização da obra inacabada, a Certidão Negativa de Débito CND deveria ter sido expedida com expressa menção da área parcialmente regularizada. Contudo, a obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser regularizada em nome do adquirente e emitida a CND com a área total da obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições correspondentes, apuradas com base na área construída total, verbis: (...) Dessa forma, como a autuada não providenciou a regularização da obra inacabada, foi que a fiscalização, por meio do Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP n°: 37.115.2178, constituiu, através de aferição indireta, considerando a área edificada proporcional ao Custo Unitário Básico — CUB, o crédito previdenciário com base na área construída total. Outrossim, não há que se falar em período prescrito, já que cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência, e a impugnante não traz aos autos nenhum dos documentos Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10120.008269/200897 Acórdão n.º 2201004.519 S2C2T1 Fl. 89 5 elencados no artigo 482 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 2005. Ao não ter providenciado a regularização da obra inacabada, a impugnante impossibilitou a comprovação de qualquer período eventualmente prescrito. Salientese que, na própria DISO Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil, elaborada pela empresa construtora, às fls. 116/117, é declarado como data de início da obra: jul/2005 e término: maio/2007, bem como tratarse de obra nova. No que concerne à contabilidade da empresa, como é cediço, a mesma deve atender, entre outros, aos requisitos previstos no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, destacandose a utilização de centros de custo distintos para cada obra, e, dentrodestes, a contabilização de forma discriminada, das contas que são fatos geradores de contribuição previdenciária, verbis: (...) Dessa forma, como inequivocamente demonstrado pela fiscalização, a empresa, ao contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil 1.3.1.1.01.0001 — Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios, pois parte do custo de aquisição se refere ao custo da obra inacabada (até a estrutura da 8' laje); como bem assinalado pelo nobre auditor, os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS; 1.3.1.1.01.009. Despiciendo acrescentar que, ao não regularizar a parte da obra inacabada, conforme a determinação legal, a fim de que fosse informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, não contabilizando esses valores, fica impossível determinar o valor total da obra, pois, no custo contabilizado pela empresa adquirente, falta o custo inicial até a estrutura da 8ª laje, o que, a propósito, responde a indagação da impugnante ( ...quais foram as dificuldades? quais os pontos equivocados?). Portanto, faltando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil em qualquer período da sua execução (considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão), está a fiscalização, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN, obrigada a efetuar o lançamento, nos moldes do parágrafo 4° do artigo 33 da Lei 8.212/91, sob pena de responsabilidade funcional. Como visto, constitui infração à legislação previdenciária (inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado Fl. 91DF CARF MF 6 pelo Decreto 3.048/99.), cabendo a emissão de autodeinfração, a contabilização de verbas incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária abrigadas em uma mesma conta contábil, estando a autuação em epígrafe respaldada pelos aspectos fáticos e jurídicos acima demonstrados, o que enseja ao crédito constituído o caráter de certeza e liquidez. Em que pese o pedido de relevação ou de atenuação da penalidade feito pela autuada, o mesmo não pode ser acatado, haja vista que, entre os requisitos elencados pelo artigo 291 do RPS, está o de correção da infração, o que não foi feito pela impugnante, abaixo: (...) Por fim, o autodeinfração analisado encontrase revestido de todas as formalidades legais pertinentes, tendo sido lavrado de acordo com o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não tendo sido constatada a existência de vícios que pudessem ensejar sua nulidade. Do exposto, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE, a presente autuação, mantendo o crédito tributário lançado no valor original de R$ 12.548,77 (Doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos). Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 88 a 105, alegando em breve síntese: a) preliminar pelo lançamento de crédito tributário decaído e quanto ao mérito: a) impropriedade da multa imposta e b) inexigibilidade da multa imposta redução ou relevação das penalidades. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Decadência Não há que se falar em decadência no presente caso, tendo em vista que o período de apuração, conforme relatório fiscal é de 01/01/2004 a 31/05/2008 e o contribuinte foi cientificado pessoalmente do lançamento em 01/07/2008, portanto, dentro dos 5 (cinco) anos previsto tanto no artigo 150, § 4º, quanto no artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. Sendo assim, rejeito esta preliminar. Mérito Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10120.008269/200897 Acórdão n.º 2201004.519 S2C2T1 Fl. 90 7 Conforme foi devidamente relatado, a Recorrente adquiriu obra de construção civil inacabada sem que fizesse prova da regularidade referente ao pagamento das contribuições previdenciárias, a teor do que dispõe o artigo 465 da Lei nº 8.212/91: Art. 465. No caso de obra inacabada, deverá ser solicitado ao responsável pela sua regularização o laudo de avaliação técnica de profissional habilitado pelo CREA, acompanhado da respectiva ART, no qual seja informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, observandose, quanto à matricula, o disposto no § 3ºdo art. 471. § 1º O percentual informado no laudo de avaliação técnica será utilizado para determinação da área que constará na CND de obra inacabada e que servirá de base para a apuração da remuneração sobre a qual incidirão as respectivas contribuições, efetuandose o enquadramento de acordo corn a área total do projeto, e apurandose as contribuições proporcionalmente à área correspondente à obra inacabada, na forma dos inciso 11 e III do § 1 "do aiI. 464. (Nova redação dada pela INMr/RrB n"819, de 2010312008) Devidamente intimada com o ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/127 e não tendo providenciado a regularização da obra inacabada a fiscalização, utilizandose do expediente da aferição indireta, considerando a área edificada proporcional ao Custo Unitário Básico CUB, constituiu o crédito previdenciário com base na área construída total. Além disso, auxilia na fundamentação da utilização da Aferição Indireta o fato de que a Recorrente também foi autuada por descumprimento de obrigação acessória AIOA nº 37.115.2186, pois deveria atender ao disposto no inciso 11 do artigo 32 da Lei nº 8.212/91 e no inciso 11 do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, destacandose a utilização de centros de custo distintos para cada obra, e, dentro destes, a contabilização de forma discriminada, das contas que são fatos geradores de contribuição previdenciária, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) 11 lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os lotais recolhidos; ____________________________________ Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Fl. 93DF CARF MF 8 (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: 1 atender ao principio contábil tio regime de competência; e II registrar; em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição,bem copio as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Como devidamente demonstrado pela fiscalização, a empresa, deveria contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil 1.3.1.1.01.0001 — Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios , pois parte do custo de aquisição se refere ao custo da obra inacabada (até a estrutura da 8" laje); como bem assinalado pelo nobre auditor, os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de' aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS: 1.3.1.1.01.009. Caso descumpridos os artigos acima elencados, o Recorrente fica sujeito à infração à obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/91. artigos 92 e 102 e do artigo 283, inciso II, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e do artigo 373, atualizada nos termos da Portaria interministerial MPS/RF nº 77, de 11 de março de 2008. Em que pese o pedido de relevação ou atenuação da penalidade feito pela Recorrente, não dá para ser acolhido, tendo em vista que não preencheu os requisitos do disposto no artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social — RPS descrito a seguir: Art. 291. Constitui circunstancia atenuante da penalidade aplicada, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifei) Sendo assim, inaplicável a requerida relevação. Conclusão Por todo o exposto, rejeito as preliminares arguídas e no mérito, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10120.008269/200897 Acórdão n.º 2201004.519 S2C2T1 Fl. 91 9 (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724557/2014-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA.
O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, ocorrendo a sua efetivação na entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado.
Numero da decisão: 3401-005.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, ocorrendo a sua efetivação na entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado.
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INCIDÊNCIA. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, ocorrendo a sua efetivação na entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 45 57 /2 01 4- 40 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 506 2 Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 02 a 10, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro IOF, referente ao período de apuração compreendido entre 2009 e 2010, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 292.286,38. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 11 a 16, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou falta de recolhimento do IOF sobre operações de: (i) saldos diários dos contas correntes registrados na contabilidade; e (ii) crédito, amparadas por contratos de mútuo. 3. A contribuinte, intimada em 10/06/2014, apresentou, em 07/07/2014, impugnação, situada às fls. 382 a 391, na qual argumentou, em síntese: (i) operouse a decadência do direito de a Fazenda Pública proceder à constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 10/06/2009, tendo em vista o transcurso do prazo de cinco anos entre a ocorrência deles e a ciência do auto de infração dada em 10/06/2014, pois, tratandose o IOF de tributo sujeito a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se dá conforme o §4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional. Acrescenta que, conforme o art. 7º, §1º da Lei nº 9.779, de 1999, o fato gerador do IOF ocorre na data de concessão do crédito. Assim, a parcela do lançamento referente a período anterior a 10/06/2009 estaria atingida pela decadência; (ii) artigo 13 da Lei nº 9.779, de 1999, ao incluir no campo de incidência os empréstimos entre empresas que não compõem o sistema financeiro, estaria extrapolando os limites da regra matriz de incidência desenhados pelo Código Tributário Nacional e pela Constituição Federal, conforme definição do inciso V do art. 153, não sendo possível o IOF incidir sobre operações realizadas por instituições sem índole financeira, conforme previsto pela Lei 9.799/99; (iii) por meio do conta corrente empresas e acionistas do mesmo grupo econômico reuniram valores, em massa homogênea, pagando duplicatas, tributos, honorários, dentre outros, utilizandose de recursos pertencentes a elas mesmas, sem que sejam considerados empréstimos, representando a simples grafia da movimentação recíproca de valores, facilitando o registro de tudo que uma usou da outra, para posterior encontro de contas, mediante lançamentos de débitos e créditos quando ocorreram liquidações por suas coligadas e aqueles acionistas e, ainda, a coligada/acionista não tinha a obrigação de devolver a coisa do mesmo gênero: ora devolveu com a cessão de bens ou serviços, ou realizou pagamentos por conta da impugnante, estando, eventualmente devedora ou credora, conforme o caso, inexistindo assim as características utilizadas pelo Código Civil para definir o mútuo; (iv) a recorrente, mediante ajuste tácito, assumiu a condição de gerenciadora financeira do grupo, administrando e controlando os recursos financeiros, provendo suas coirmãs e acionistas de numerário suficiente para pagamentos de suas obrigações pecuniárias, e por elas sendo provida com as mesmas finalidades. As empresas ligadas e acionistas, por sua vez, faziam movimentação inversa, pagando obrigações da empresa recorrente (e eventualmente se tornavam credoras), que por sua vez os alocava à outra que dele necessitava; (v) a recorrente gerenciava o caixa único do grupo, controlando por meio de contas correntes os valores transitados entre as empresas, mediante partidas de débito e crédito, visando o controle gerencial: um único contacorrente usado para controlar as disponibilidades do grupo, inexistindo a figura de "terceiros" e o objetivo de lucro, vez que não são cobrados encargos tal como instituição financeira, não existindo uma relação jurídica de mútuo e sim de prestação de Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 507 3 serviço administrativo, para que os recursos sejam utilizados de forma condizente com os seus objetivos. 4. Em 04/05/2015, a 14ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), proferiu o Acórdão DRJ nº 1458.413, situado às fls. 448 a 458, de relatoria do AuditorFiscal Fernando Cesar Tofoli Queiroz, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE LANÇAR. DECADÊNCIA. PRAZO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. No caso de ausência de pagamento, o prazo do direito de a Fazenda Pública efetivar o lançamento começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido lançado extinguindose cinco anos após esta data. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, independentemente da forma pela qual os recursos sejam entregues ou disponibilizados ao mutuário. Dessa forma, ocorre o fato gerador do imposto nas operações de crédito dessa natureza também quando realizadas por meio de conta corrente, sendo irrelevante ainda a relação de controle ou coligação entre as pessoas jurídicas envolvidas. 5. A contribuinte, intimada da decisão em 25/05/2015, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 465, interpôs, em 15/06/2015, em conformidade com o carimbo aposto pela unidade local à fl. 467, recurso voluntário, situado às fls. 467 a 478, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 508 4 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Denotase, do termo de verificação fiscal, que a contribuinte apresentou cópia dos contratos de mútuo com as empresas ESSENCIS MG SOLUÇÕES AMBIENTAIS S.A. e CEC COMPANHIA ENERGÉTICA CHAPECÓ, enquanto que, para as demais contas do ativo (2009, 2010 e 2011) relativas a mútuo não houve apresentação de contratos: 8. Assim, para os contratos de mútuo com as pessoas jurídicas ESSENCIS MG SOLUÇÕES AMBIENTAIS S.A. e CEC COMPANHIA ENERGÉTICA CHAPECÓ, a autoridade fiscal, não vislumbrando recolhimento do IOF respectivo, entendeu que, como os prazos foram estipulados pelos instrumentos particulares com duração determinada, aplicou a alíquota de 0,0041%, tomando por base de cálculo o valor do principal multiplicado pelos dias do contrato, limitado à trezentos e sessenta e cinco dias, tomando o cuidado de expurgar, ainda, o contrato celebrado em 2008 entre a recorrente e a CEC COMPANHIA ENERGÉTICA CHAPECÓ, em virtude da decadência. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 509 5 9. Para os mútuos com as pessoas físicas e jurídicas, discriminados nas planilhas acima, sem definição de valor ou contrato, realizou o cálculo pelos saldos diários, fazendo a ressalva de que, relação às pessoas físicas, houve alteração das alíquotas no curso do ano de 2011, conforme alínea "a" do inciso I do Art. 7º do Decreto n°6.306/2007 (RIOF). Tratase daqueles valores registrados na contabilidade da empresa autuada no "ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO / CRÉDITOS E VALORES A RECEBER / VALORES A RECEBER E ADIANTAMENTOS / MUTUO COLIGADAS". 10. Os saldos levantados foram somados por mês, sendo os valores consolidados nas planilhas intituladas "Apuração do IOF Saldos Diários" para os anos de 2009 a 2011. Da somatória dos saldos diários, obteve a autoridade lançadora a base de cálculo do IOF e aplicou a alíquota prevista no dispositivo ora referido do RIOF, acrescida da alíquota adicional de 0,38% nos termos do §16 do regulamento, tendo lançado de ofício o imposto devido. 11. Em primeiro lugar, quanto à questão da decadência, o prazo previsto para o lançamento por homologação de que trata o artigo 150, § 4º do CTN não se aplica nos casos em que o sujeito passivo não exerceu o ato de antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa. Na situação dos autos, os recursos financeiros movimentados para outra pessoa jurídica ou entre ela e pessoas físicas não foram tratados pela autuada como sujeitos à incidência do IOF, o que levou ao não recolhimento do imposto. Assim, não havendo pagamento de tributo, a regra para a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento é a contida no inciso I do artigo 173 do CTN, começando a fluir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido efetuado o lançamento. Assim, considerando que, para os fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de 2009, os lançamentos correspondentes poderiam ser realizados no próprio ano de 2009, temse que a contagem do prazo de cinco anos inscrita no mencionado art. 173 do CTN iniciase no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01/2010, findandose cinco anos depois, em 31/12/2014. Como a ciência do auto de infração é datada de junho de 2014, nenhuma parcela do crédito tributário foi alcançada pela decadência, sob este aspecto. Vale lembrar que os valores movimentados à empresa CEC Companhia Energética Chapecó com relação a contrato de mútuo firmado no ano de 2008 não foram alvo de lançamento por ter a autoridade fiscal já na origem reconhecido a perda, por decadência, do direito do Fisco exigir o IOF correspondente. A interessada constrói ainda argumento visando desconstituir o crédito apurado segundo o cálculo que leva em conta os saldos devedores diários das rubricas contábeis de mútuo ou conta corrente pelo viés da decadência. Diz a interessada que, sendo o fato gerador do IOF a concessão de crédito, todos os lançamentos sobre os saldos diários relativos a empréstimos efetuados em data anterior ao prazo de cinco anos que antecedem a formalização do lançamento, também estariam atingidos pela expiração do prazo para o exercício do direito de lançar. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 510 6 O argumento não prospera. Primeiro porque contraria a própria disposição inscrita no estatuto que regulamenta o IOF, o Decreto de nº 6.306, de 2007. Citado regulamento, transcrito pela auditoria no Termo de Verificação Fiscal, assim estabelece quanto a forma de apuração do IOF devido nos casos de empréstimos sem que haja a estipulação do principal a ser utilizado pelo mutuário, caso das movimentações em conta corrente apuradas pela fiscalização. (...) Em segundo lugar, porque, como inclusive sobressai da leitura do comando acima transcrito, nas situações em que não há definição de prazo ou de valor do contrato de mútuo, o crédito é concedido ou renovado diariamente, não cabendo a alegação de que o fato gerador ocorreria somente na data de concessão do crédito e que apenas esse marco temporal seria relevante na fixação do prazo de decadência. 12. Em segundo lugar, quanto ao mérito, o tributo em apreço encontra disciplina na alínea 'c' do inciso I do art. 2º e nos arts. 11 a 13 do Decreto nº 6.306/2007 (RIOF), que preceitua a sua incidência em operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, devendo ser considerado o fato gerador a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado e o aspecto temporal de sua exteriorização a data da entrega, o momento de liberação de cada parcela, a data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito, a do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior ou da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e assemelhados, ou do lançamento contábil em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. Por fim, nos termos do inciso I do art. 150 da Constituição Federal, é necessário lei ordinária para a instituição ou majoração de tributos, salvo nos casos de exigência de lei complementar, e, no caso do imposto sobre operações de crédito (IO/Crédito), coube à Lei nº 8.894/1994 tal incumbência. Constituição de 1988 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) V. operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários. Código Tributário Nacional Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 511 7 a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros. Decreto nº 6.306/2007 (RIOF) Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; II operações de câmbio; III operações de seguro realizadas por seguradoras; IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários; V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial. (...) Art.3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 512 8 I. na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II. no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III. na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV. na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V. na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI. na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII. na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. §2o O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I. empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II. alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III. mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física 13. Argumenta a contribuinte que, na verdade, não está o aplicador diante de mútuos, mas sim de contratos de conta corrente, em que empresas e acionistas do mesmo grupo econômico reuniram valores, em massa homogênea, pagando duplicatas, tributos, honorários, dentre outros, utilizandose de recursos pertencentes a elas mesmas, não podendo tais quantias serem consideradas empréstimos, representando a simples grafia da movimentação recíproca de valores, facilitando o registro de tudo que uma usou da outra, para posterior encontro de contas e, ainda, que não há incidência do imposto entre pessoas jurídicas não financeiras, o que, concessa venia, não é o que se extrai da legislação em vigor, como ora se demonstra. Na verdade, a leitura desinente do termo de verificação fiscal revela que as Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 513 9 operações objeto do lançamento de ofício foram ora reduzidas a termo mediante contratos típicos de mútuo, ora registradas na contabilidade da própria autuada em contas de "ADIANTAMENTOS/MÚTUOS". 14. Descabe indagar, assim, se as contas correntes operaram ou não com as atividades típicas que lhes são próprias, pois segundo as provas fornecidas pela própria contribuinte, foram praticadas operações de crédito correspondentes a mútuo, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, cujo preceptivo normativo se voltou a estatuir a categoria jurídicoeconômica específica do mútuo como núcleo material da incidência: Lei nº 9.779/1999 Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. 15. Observese que, após a publicação da Lei nº 9.779/1999, foi expedido o Ato Declaratório SRF nº 07/1999 consolidando entendimento da Receita Federal a respeito de mútuos realizados por meio de contacorrente: Ato Declaratório SRF nº 07/1999 1. No caso de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem prazo, realizado por meio de contacorrente, o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, devido nos termos do art. 13 da Lei n ° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: a) incide somente em relação aos recursos entregues ou colocados à disposição do mutuário a partir de 1 ° de janeiro de 1999; 16. A título de complemento, o ato declaratório em referência revogado pela Instrução Normativa RFB nº 907, de 09/01/2009, também anterior aos fatos geradores em disputa, que passou a dispor nos seguintes termos: Instrução Normativa RFB nº 907, de 09/01/2009 Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. § 1º O imposto de que trata o caput tem como: I contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica; II fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 514 10 III base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. § 3º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente em que fique definido o valor do principal, a base de cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à disposição do mutuário. (...) § 5º É responsável pela cobrança e pelo recolhimento do IOF a pessoa jurídica mutuante. 17. Assim, não se está diante da questão acerca da natureza contratual subjacente à operação, questão esta que apenas aparece, de maneira inaugural, na instauração do contencioso, com a impugnação do auto lavrado, pois até este momento o que se verifica é que a empresa emprestava tratamento de crédito rotativo a tais recursos, i.e., voltadas a financiar as contratantes, e, como tal, merece ser oferecido à tributação do IO/Crédito, com ancoramento positivo no art. 13 da Lei nº 9.779/1999 e no RIOF. 18. Neste sentido, é possível se trazer à colação o art. 923 do RIR, que dispõe que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Não pode nem deve ser desconsiderada sem uma produção probatória prévia a escrita fiscal utilizada, inclusive, para lastrear a própria fiscalização, sob pena de se incorrer em um jogo de relativismo cético que colocaria em disputa os próprios valores utilizados como base da imposição. 19. E isto porque os dois sentidos da presunção de veracidade/legitimidade dos registros contábeis emergem de legislação de caráter nacional, conforme se depreende da leitura do art. 417 da Lei nº 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, segundo o qual "os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos". Assim, tendo a autoridade fiscal tomado como ponto de partida para a sua interpretação do direito a escrita contábil e fiscal da contribuinte, não apenas se presume verdadeiro o quanto declarado (art. 408) como também se prova o não questionado (art. 428), pois, como se extrai do art. 419, a escrituração é una, tanto para o favorável como para o desfavorável: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) Art. 419. A escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. 20. Por outro lado, nada impede a autoridade fiscal de descortinar, por meio de provas, a intenção simulatória perpetrada pelo particular, o que, conforme se Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 515 11 demonstrou acima, não se faz necessário. Estáse diante de operações de mútuo que devem produzir os efeitos tributários que lhes são típicas. 21. Por fim, necessário se verificar o argumento referente à apuração do tributo devido que se fia no Acórdão CARF nº 3401002.862, proferido em sessão de 28/01/2015, de relatoria da Conselheira Ângela Sartori, que contou com a riquíssima divergência entre o posicionamento vazado no voto vencedor, de lavra do Conselheiro Robson José Bayerl, redator designado, e o entendimento contrário, reduzido a termo em declaração de voto, pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que integraram composições pretéritas deste colegiado, e cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008 MÚTUO. VALOR INDEFINIDO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Nas operações de transferência de recursos entre pessoas jurídicas integrantes de um mesmo grupo econômico, onde não há contrato de mútuo e as operações que dão ensejo à incidência do imposto são presumidas como tal, não há como enquadrálas como sendo de “valor definido”, para o desiderato do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007, devendo a base de cálculo, no entanto, corresponder aos saldos devedores diários verificados no último dia de cada de mês, sem o cômputo de valores referentes a operações anteriores àquelas abrangidas pelo procedimento fiscal. 22. As razões externadas no voto vencedor do Conselheiro Robson José Bayerl são, no entendimento deste relator, irreprocháveis, açambarcando a legislação pertinente à matéria de forma a perscrutar a base de cálculo do IOF incidente sobre operações de crédito: "Nesta senda, entendo que razão assiste à recorrente, não sendo possível a interpretação extraída pelas autoridades recorridas. Com efeito, nos termos do art. 7º, I, “a”, em hipóteses como dos autos, a base de cálculo compreende o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, todavia, não se pode confundir os fatos jurídicos tributáveis com as correspondentes bases de cálculo determinadas pela legislação, como fez o lançamento e a decisão recorrida. Isto porque, consoante art. 3º do Decreto nº 6.306/2007, o fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado, em linha com o disposto no art. 13, § 1º da Lei nº 9.779/99; logo, se o período de apuração tomado pela autuação abrange apenas os fatos geradores referentes ao anocalendário de 2008, não é possível adotar, como base de cálculo, os saldos Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 516 12 devedores diários apurados no último de cada mês existentes anteriormente às operações fiscalizadas. Neste processo a primeira remessa de valores ocorreu no mês de junho/2008, de maneira que não se pode principiar o cálculo do tributo a partir do mês de janeiro/2008, como efetivado pela autuação, tomandoo como termo inicial da autuação, sob pena de se tributar operações (fatos geradores) anteriores àquelas verificadas, sem exame de seus aspectos fáticos, notadamente a ocorrência de decadência. Com estas considerações, o cálculo do imposto deve ser reajustado para nele conter apenas os saldos devedores diários apurados no último de cada mês que envolvam as operações identificadas no anocalendário de 2008, que foram objeto específico da fiscalização realizada, sem considerar os montantes referentes a períodos anteriores. Por derradeiro, destaco que aludido ajuste da base de cálculo do lançamento não equivale à alteração de critério jurídico, não o inquinando de nulidade, mas tão somente adequandoo à legislação, porquanto o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da classificação legal que se lhes dá" (seleção e grifos nossos). 23. No entanto, a argumentação, em que pese sua robustez, tratase de vera inovação realizada pela contribuinte em sede recursal, não tendo sido vertida em sua impugnação, o que implicaria a supressão de instância caso analisada neste momento processual. Neste contexto é que, com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993, o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 determina que será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, operandose, portanto, sobre ela, a preclusão consumativa na esfera administrativa. Tampouco se vislumbra qualquer das hipóteses do art. 342 do Código de Processo Civil que torne lícita a dedução de novas alegações, motivo pelo qual não conheço tais razões. 24. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15504.724557/201440 Acórdão n.º 3401005.389 S3C4T1 Fl. 517 13 Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951078/2015-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
Numero da decisão: 1302-003.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Shirlei Schanaider Borelli Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.905520/201671, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 10 78 /2 01 5- 74 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.951078/201574 Acórdão n.º 1302003.197 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende quitar débitos próprios com suposto crédito, cuja origem seria um pagamento indevido ou a maior de IRPJ Lucro Presumido (código 2089). Em Despacho Decisório eletrônico proferido, não houve o recohecimento do direito creditório, uma vez que foi identificada a utilização integral do crédito invocado no pedido de compensação para quitar outros débitos do contribuinte. Ao ser cientificado do despacho proferido, o contribuinte, ora Recorrente, Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda., apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que, "em razão da elevada carga tributária do país e das particularidades para apuração de todos os tributos que está obrigada a recolher mensalmente” efetuou recolhimento indevido e/ou a maior de IRPJ no período de 06/2010, razão pela qual possui o direito subjetivo à tomada de crédito. Como bem relatado no acórdão recorrido, a Recorrente alega que cumpriu todos os ditames impostos pela legislação para a formulação dos pedido de compensação. Invoca dispositivos do CTN, do Código Civil e da Constituição Federal para respaldar o seu direito subjetivo de utilizar créditos de tributos pagos indevidamente ou a maior. Para comprovar o seu direito, a Recorrente acostou aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o pedido de compensação, comprovante de arrecadação, DCTF e DIPJ. Ao final, requereu a procedência do pedido, para que reste reconhecido o direito creditório e, por consequencia, reste homologada a compensação pretendida. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.951078/201574 Acórdão n.º 1302003.197 S1C3T2 Fl. 4 3 Diante dos meios de prova ofertados e dos dados presentes nos sistemas informatizados da Administração Tributária, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado da decisão proferida em 05/10/2017, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 01/11/2017, no qual, em síntese, repisa os argumentos anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.193, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.905520/2016 71, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.193): "DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/10/2017 (fl. 104), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2017 (comprovante de fl. 106), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.951078/201574 Acórdão n.º 1302003.197 S1C3T2 Fl. 5 4 Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ Lucro Presumido. Para comprovar a totalidade do seu direito creditório, posto que no Despacho Decisório expedido foi identificada a utilização de parte do crédito no pagamento de outros débitos, do próprio contribuinte, este trouxe aos autos apenas as declarações que havia prestado ao fisco federal. Em brilhante trabalho, contudo, aquela DRJ de Ribeirão Preto demonstrou de forma irretocável que o direito creditório invocado foi utilizado em 03 diferentes pedido de compensação apresentados pelo contribuinte, sendo um deles o que discutido. Demonstrou ainda, o julgador a quo, que o contribuinte retificou a sua DIPJ e DCTF, ressalvando a disparidade entre o débito apurado na "DIPJ retificadora (R$ 1.237.522,71) e o débito declarado em DCTF (R$ 63.549,58), esta última também retificadora". Contudo, houve a constatação que o crédito invocado no presente pedido de compensação foi, de fato, alocado em parte no pagamento de outros débitos do próprio contribuinte. Vejase a conclusão que chegou aquela Turma de Julgamento, que analisou de forma detida as declarações e pagamentos apresentados pela Recorrente. Ressaltase, ainda, que se adota na presente decisão as razões de decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF: 26. Foram efetuados três recolhimentos pela interessada, referidos ao terceiro trimestre do ano calendário de 2010, entre os quais o que daria origem ao direito creditório sob apreciação, ou seja, recolhimento no valor de R$ 53.348,31, sob código de receita 2089: (...) 27. Do recolhimento no valor total de R$ 53.348,31, a quantia de R$13.288,90 encontrase alocada ao débito declarado em DCTF, para o 3º trimestre de 2010, conforme vinculação efetuada pela contribuinte nas informações complementares da DCTF. 28. Houve também a alocação da quantia de R$ 30.712,05 ao mesmo débito declarado em DCTF, valor este correspondente ao “Saldo a Pagar do Débito”. 29. O montante restante, de R$ 9.347,36, deu suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado por meio da Dcomp sob apreciação (R$ 53.348,21 menos R$ 13.288,90 menos R$ 30.712,05 = Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.951078/201574 Acórdão n.º 1302003.197 S1C3T2 Fl. 6 5 R$ 9.347,36). Vejamse as alocaçõesefetuadas ao débito de IRPJ do terceiro trimestre, declarado em DCTF: (...) 30. Enfim, o recolhimento efetuado, no valor de R$ 53.348,41, indicado como origem do direito creditório, foi integralmente aproveitado, mediante: alocação parcial ao débito declarado em DCTF e como suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação objeto deste processo. Em conseqüência, o recolhimento efetuado já se esgotou integralmente, isto é, não há saldo residual, e, portanto, não há direito creditório adicional a ser reconhecido. 31. Portanto, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Devese pontuar que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe aos autos qualquer comprovação do direito creditório. Trouxe apenas argumentos genéricos que, data venia, em nenhum momento foram referendados com documentação comprobatória. Por outro lado, de forma temerária, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ "não apreciou a DCTF retificadora de 06/11/2013, a qual faz alusão rapidamente no item 23 do acórdão." Contudo, desde as premissas que foram fixadas previamente no acórdão proferido, o julgador a quo deixa claro que aquela Turma de Julgamento "tem reiteradamente se manifestado pela aceitação de provas e documentos a qualquer tempo, desde que apresentados antes de iniciado o julgamento". Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, a análise dos argumentos apresentados partiu das declarações da DIPJ e da DCTF retificadoras. Assim, caberia à Recorrente demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, eventual erro nas duas declarações, até mesmo porque, reiterese, toda a análise do direito creditório por parte da DRJ se deu com base nas declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte. E não há no apelo da Recorrente qualquer tentativa de se desconstruir o que restou demonstrado no acórdão proferido. Os argumentos apresentados são genéricos e sem qualquer lastro probatório. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.951078/201574 Acórdão n.º 1302003.197 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721069/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 69 /2 01 1- 66 Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10283.721069/201166 Acórdão n.º 1402003.490 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10283.721069/201166 Acórdão n.º 1402003.490 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 657DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000650/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade dos autos de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN.
PERÍCIA. REQUISITOS. NÃO ATENDIMENTO.
Não se conhece do pedido para realização de perícia quando desatendidos os requisitos constantes do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1976 e alterações.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada.
Numero da decisão: 1202-000.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação, não conhecer do pedido de perícia, em considerar definitivamente julgada a matéria não expressamente contestada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade dos autos de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. PERÍCIA. REQUISITOS. NÃO ATENDIMENTO. Não se conhece do pedido para realização de perícia quando desatendidos os requisitos constantes do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1976 e alterações. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade dos autos de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. PERÍCIA. REQUISITOS. NÃO ATENDIMENTO. Não se conhece do pedido para realização de perícia quando desatendidos os requisitos constantes do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1976 e alterações. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação, não conhecer do pedido de perícia, em considerar definitivamente julgada a matéria não expressamente contestada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 06 50 /2 00 6- 43 Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.000650/200643 Acórdão n.º 1202000.880 S1C2T2 Fl. 2.996 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o processo de lançamento fiscal formalizado em Auto de Infração do IRPJ, relativo ao ano de 2001, com a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora, com base na taxa Selic.. De acordo com a Descrição dos Fatos expostos no Auto de Infração, a autuação decorreu face a glosa de prejuízos compensados indevidamente saldos de prejuízos insuficientes, fls. 06: “001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Glosa de valores compensados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, a titulo de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s) em período(s)base anterior(es), tendo em vista a insuficiência de saldos apurados e informados nas respectivas declarações de períodos anteriores.” O prejuízo compensado na DIPJ/2002 foi de R$ 922.359,80, enquanto o valor do saldo dos prejuízos de períodos anteriores seria de R$ 722.096,36, resultando em uma diferença compensada indevidamente de R$ 200.263,44. Após ter tomado ciência do Auto de Infração, a empresa apresentou sua impugnação, de fls.18 a 30, com as seguintes alegações, nos termos do que consta no relatório do Acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 248 a 253, que a seguir transcrevo e adoto: “0 interessado apresentou impugnação (fls. 18/30), em 20/02/2006, na qual alega, em síntese, que: 8 — deseja exame pericial contábil, ante o que dispõe o art. 5°, LV da Constituição Federal (contraditório e ampla defesa); 9 — o motivo da diligência pericial se apresenta revestido de uma simplicidade notória como se poderá verificar, analisando a DIPJ retificadora anexa; 10 — possui memória de cálculo do procedimento para a escrituração do LALUR ignorados pelo fisco que preferiu basearse única e exclusivamente nos controles eletrônicos da Receita Federal; Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.000650/200643 Acórdão n.º 1202000.880 S1C2T2 Fl. 2.997 3 11 — o auto de infração "consigna procedimentos eivados de nulidade, por parte da autoridade fiscal, bem como não encarta preceito legal correspondente h. sanção aplicável"; 12 — inexiste dolo ou culpa por parte do interessado; 13 — a falta de penalidade invalida a peça representativa do procedimento administrativo, por ser ato vinculado; 14 — o auto de infração tem que atender ao conteúdo do art. 142 do C.T.N., como ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A autoridade administrativa desatendeu alguns itens; 15 — faltam elementos comprobatórios daquilo que se encontra supostamente materializado na peça impositiva; 16 — "um relato incompleto pode ensejar contradição com o enquadramento legal e restrição ao pleno conhecimento, pelo autuado, dos fatos que motivaram a ação fiscal, protelando a solução da lide pela necessidade de diligências para aclarar dúvida, refazimento do lançamento, devolução de prazo para impugnar a decisão que aperfeiçoou o lançamento, ou mesmo anulação da exigência”; 17 Encerra requerendo perícia, indicando profissional à fl. 30, e a procedência da impugnação, arquivandose o processo administrativo. 18 Acosta ao processo documentos às fls. 31/212.” Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1222.545 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 248 a 253, com o seguinte ementário: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. SALDO INSUFICIENTE. Mantémse o lançamento se comprovada insuficiência de saldo na compensação de prejuízo fiscal. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido se resumem nos seguintes pontos, trazidos pelo voto condutor: o lançamento tributário, efetuado pela autoridade administrativa, ao contrário do que o interessado alega, preenche todos os requisitos do art. 142 da Lei 5.172, de 1966 (CTN): de igual sorte, o auto de infração atende o disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), assim como os atos e termos da ação fiscal foram lavrados por pessoa competente, não comportando a aplicação do art. 59 do mesmo Decreto, devendo a preliminar de nulidade ser rejeitada; no que tange ao pedido de perícia, verificase que o interessado não atendeu ao requisito do inciso IV, do artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 1972 (com a redação da Lei n° 8.748, de 1993), deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados; Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.000650/200643 Acórdão n.º 1202000.880 S1C2T2 Fl. 2.998 4 além disso, a perícia se reserva a elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos, como no presente caso. a ampla defesa e o contraditório foram assegurados ao interessado, quando da ciência do auto de infração, onde lhe foi fixado o prazo de trinta dias para apresentação da impugnação, a qual deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir", conforme dispõe o art. 16, inciso III do Decreto 70.235, de 1972 (com redação da Lei 8.748, de 1993). se o interessado discorda dos valores apurados pela fiscalização, não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de prova pericial. de acordo com os saldos de prejuízos fiscais constantes do SAPLI, os quais foram extraídos da própria DIPJ do interessado, verificase que no anocalendário 2000, o interessado detinha o saldo de prejuízo fiscal a compensar de R$ 722.096,36 (fl. 226). Entretanto, no anocalendário 2001, o interessado compensou prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$ 922.359,80 (fl. 245), o que ensejou a correta glosa de R$ 200.263,44. a insuficiência de saldo de prejuízos a compensar decorre dos próprios valores informados pelo contribuinte nas declarações de períodos anteriores, tal qual descrito pela autoridade administrativa à fl. 06. na impugnação, a autuada alega que apresentou DIPJ retificadora do ano calendário 2000. Ocorre que a retificação teria sido efetuada em 29/12/2005, depois da emissão do Auto de Infração, ocorrido em 28/12/2005. além disso, a alteração na DIPJ retificadora seria totalmente indevida, uma vez que o prejuízo fiscal não é excluído do lucro líquido; mas compensase com o lucro real. Em se tratando de prejuízo fiscal nãooperacional, a compensação só poderia ser feita com resultado da mesma natureza. Irresignada com a decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, de fls.256 e seguintes, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: nulidade do lançamento por desatender aos preceitos do art. 142 do CTN, em especial, a falta da descrição precisa dos fatos e da respectiva correspondência com o enquadramento legal; a recorrente faz a nomeação de perito, indicando o nome e dados profissionais do mesmo. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.000650/200643 Acórdão n.º 1202000.880 S1C2T2 Fl. 2.999 5 O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente alega em sua defesa, em síntese, a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, uma vez que a descrição dos fatos não estariam claramente descritos, o que acarretaria a nulidade do lançamento, com violação ao art. 142 do CTN. Para isso, nomeia perito, com o objetivo de buscar a verdade material do processo. Deixa, assim, de contestar expressamente em seu recurso o mérito do lançamento fiscal, de modo que o mesmo deve ser considerado definitivamente julgado, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Passo ao exame das preliminares de nulidade e do pedido de perícia. Inicialmente, cumpre registrar que ao analisar o Auto de Infração, fls. 04 e seguintes, verificase que o mesmo possui todos os elementos exigidos pelo art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e alterações (CTN) e pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações. Além disso, podese verificar que a descrição dos fatos do Auto de Infração encontrase perfeitamente clara, ou seja, menciona a insuficiência de prejuízos fiscais de períodos anteriores levados a compensação no ano da autuação, 2001, bem como encontra correspondência com os dispositivos legais lá transcritos, fls. 06. Não bastasse isso, no Termo de IntimaçãoRevisão DIPJ, constante dos autos e de livre acesso à defesa, também foram expostos outros detalhes a respeito das infrações apuradas, fls. 02/03. Assim, não há como concordar que teria havido cerceamento no direito de defesa por falta de clareza na exposição dos motivos da autuação, tendo o contribuinte apresentado a sua impugnação, demonstrando estar perfeitamente ciente dos motivos da autuação. Na sequência, foilhe entregue decisão a respeito, por ocasião da emissão do Acórdão nº 1222.545 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 248 a 253, o qual encontrase devidamente fundamentado nas suas razões de decidir. Dessa forma, não vejo como prosperar a alegação do cerceamento do direito de defesa, devendo a mesma ser rejeitada por este órgão julgador. Quanto à nomeação de perito para proceder na busca da verdade material, deve ser esclarecido ao recorrente que no pedido para a realização de diligências e perícias devem estar expostos os motivos que justifiquem tal procedimento, bem como, no caso de perícia, deve a requerente formular quesitos e indicar a qualificação profissional do seu perito, com o nome e o endereço, nos exatos termos do que dispõe o art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1976 e alterações. Assim dispõe o citado art. 16, inciso IV: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.000650/200643 Acórdão n.º 1202000.880 S1C2T2 Fl. 3.000 6 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifei) No presente caso, para a devida análise do julgador, a defesa deixou de expor claramente os motivos que justificariam a realização de perícia, bem como deixou de formular quesitos, de modo que o seu pedido deixou de atender os requisitos estabelecido no dispositivo legal acima transcrito, não podendo, dessa forma, ser conhecido por este órgão julgador. Em face do exposto, voto para que seja rejeitada a preliminar de nulidade da autuação e que não seja conhecido do pedido de perícia, que seja considerada definitivamente julgada a matéria não expressamente contestada e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10783.906591/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, á Unidade de Origem, para que elabore relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, á Unidade de Origem, para que elabore relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
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Por bem descrever os fatos, adoto os dizeres do Relatório do Acórdão nº 09 49336, exarado pela 2ª Turma da DRJ/JUIZ DE FORA : O interessado transmitiu os Pedidos de Ressarcimento (PER) e/ou Declarações de Compensação (Dcomp) relacionados no Despacho Decisório, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 06 59 1/ 20 12 -6 6 Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.809 2 visando a compensação dos débitos nelas declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep nãocumulativo referente ao 4º trimestre de 2008; A DRFVitória/ES emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que : a) em preliminar: a.1) da imprecisão da apuração fiscal; a.2) da legitima desconsideração de negócios jurídicos. Da ausência de previsão legal para os procedimentos adotados pela fiscalização; b) do mérito: b.1) dos fundamentos jurídicos de validade e correção dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos auferidos pela impugnante; b.2) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização; b.3) da ausência de comprovação por parte da fiscalização, acerca da participação conjunta da impugnante com as empresas laranjas citadas nos itens II.4 e II.5, do Parecer Fiscal; b.4) a contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da impugnante – a essência sobre a forma; b.5) da patente contradição do fisco frente a atuação pretérita e atual; b.6) das diligências efetuadas sob a denominação “Operação tempo decolheita”. Da ausência de nexo de casualidade para com as operações realizadas pela recorrente; b.7) da impossibilidade de extensão em face da impugnante dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca”; b.8) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas; b.9) sem dúvida, um dado curioso; b.10) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela impugnante; b.11) do restabelecimento integral dos créditos informados pela impugnante; É o breve relatório. 4. Assim restou ementada a decisão da DRJ/JUIZ DE FORA, materializada no retrocitado Acórdão : Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PIS/PASEP COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ILEGITIMIDADE. PESSOA JURÍDICA IRREGULAR. A realização de transações com pessoas jurídicas irregulares, com fortes indícios de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de gerar crédito na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa, sendo insuficiente para afastála, nesse caso, a prova do pagamento do preço e do recebimento dos bens adquiridos. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.810 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Irresignada com tal decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, onde, em suas razões de defesa, repisa os argumentos expendidos na impugnação como segue : 01 – FATO RELEVANTE a) aquisições de fornecedores b) aquisições de cooperativas 02 – PRELIMINARES a) da nulidade absoluta do procedimento fiscal, face ao inequívoco cerceamento ao direito de defesa da recorrente b) da descaracterização dos negócios jurídicos – situação tributária de todas as pessoas envolvidas 03 – DO MÉRITO a) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização b) da contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da recorrente – a essência sobre a forma c) da patente contradição do Fisco frente á atuação pretérita e atual d) das diligências realizadas sob a denominação “ Operação Tempo de Colheita”. Da ausência de nexo de causalidade para com as operações realizadas pela recorrente e) da impossibilidade de extensão em face da recorrente dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca” f) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas g) sem dúvida, um dado curioso h) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela recorrente i) do restabelecimento integral dos créditos informados pela recorrente 04 – CONCLUSÃO se contornadas a s questões anteriores, o que se cogita apenas como argumento, entende a Recorrente que deve ser dado provimento integral ao presente recurso, visto que de todo corretos os seus procedimentos, em especial, pelos seguintes motivos : Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.811 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 6. Peço vênia para reproduzir alguns excertos do voto do julgador da DRJ, constante do processo administrativo nº 15586.720765/201326, ao qual este se encontra apenso, que bem sintetizou as complexas operações envolvidas na autuação Os autos de infração foram lavrados tendo em vista que a empresa apurou créditos indevidos para as contribuições em Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.812 5 comento e usou parte desses créditos como dedução do valor a pagar no mês respectivo. A autoridade administrativa glosou parte dos citados créditos e indeferiu o pedido de ressarcimento respectivo e/ou não homologou as compensações correspondentes. Assim, as contribuições devidas foram declaradas a menor na DCTF relativa ao mês de apuração tendo em vista as deduções efetuadas com os créditos glosados. Essas diferenças foram lançadas nos autos de infração ora em análise. Registrase que os PER/Dcomps que deram origem às citadas glosas, constam dos processos abaixo;. PROCESSO CONTRIBUIÇÃO PERÍODO 10783.906589/201297 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2008 10783.906590/201211 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2009 10783.906593/201255 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2009 10783.906594/201208 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2009 10783.906597/201233 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2009 10783.906599/201222 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2010 10783.906601/201263 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2010 10783.906603/201252 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2010 10783.906605/201241 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2010 10783.906588/201242 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2008 10783.906591/201266 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2009 10783.906592/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2009 10783.906595/201244 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2009 10783.906596/201299 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2009 10783.906598/201288 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2010 10783.906600/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2010 10783.906602/201216 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2010 10783.906604/201205 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2010 As manifestações de inconformidade apresentadas pela empresa em face dos processos acima, foram julgadas nesta mesma sessão de julgamento tendo sido prolatados acórdãos que as consideraram improcedentes, conforme voto deste mesmo relator (fls. 1.611 dos autos digitais) ............................................................................................................... Desde a implantação do regime de apuração nãocumulativa doPIS/Pasep e da Cofins, temos notícias de que grandes empresas do ramo cafeeiro vêm realizando operações irregulares com o objetivo de apurar e acumular créditos das citadas contribuições que poderão ser ressarcidos e/ou usados em compensação se o produto for exportado. A estratégia adotada passa pela criação de empresas intermediárias,caracterizadas como agroindústrias. O café adquirido por essas empresas tem origem em produtores rurais (pessoas físicas) ou em cerealistas que ao vender seus produtos conferem ao adquirente o direito de descontar créditos presumidos com percentual de 3,238% do valor das aquisições, ou seja, 35% do crédito ordinário (normal). Posteriormente, empresas exportadoras e/ou grandes atacadistas adquirem o café dessas empresas intermediárias, apurando créditos no Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.813 6 montante de 9,25% (1,65% + 7,6%) de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativa. Até este momento, pelo menos aparentemente, não existe nenhuma ilegalidade. O grande problema está no fato de que essas “empresas intermediárias”, criadas com a conivência de grandes exportadoras e/ou grandes atacadistas, são, em regra, constituídas por interpostas pessoas, e não pagam os tributos devidos (muitas delas sequer apresentam as declarações a que estão sujeitas). Significa dizer: são empresas de fachada ou empresas laranjas. Em geral, essas empresas de fachada apresentam algumas características em comum. A saber: não possuem estrutura física condizente com as atividades que dizem exercer, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café; os endereços que fornecem como sendo o de sua sede, quando existem, não passam de simples “portas de garagem” e não raro os vizinhos nunca ouviram falar de tal empresa; seus sócios, quando encontrados, não possuem capacidade econômica financeira para serem proprietários de empresa deste porte. Muitas vezes não possuem sequer qualificação profissional e/ou intelectual para tal;incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acompanhado de situação de omissão contumaz. Quando apresentam as declarações exigidas pela legislação muitas delas declaram não estar em atividade ou apresentam todos os quadros zerados. Resumindo, são empresas criadas unicamente com o objetivo de gerar créditos indevidos sem pagar os tributos correspondentes. A aplicação do regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins no setor agropecuário é complexa. A maior parte das operações com o café é multifásica. A primeira fase ocorre quando um produtor (pessoa física) vende seus produtos a uma pessoa jurídica (comercial atacadista, comercial varejista, agroindustrial ou cooperativa). Se a pessoa jurídica adquirente dos produtos estiver submetida ao regime de apuração nãocumulativa, deveria ter direito de apurar e deduzir os créditos do PIS/Pasep e da Cofins, que corresponderão, via de regra, às mesmas contribuições pagas na fase anterior. Ocorre que o produtor rural (pessoa física) não é contribuinte, e sendo assim não havia pagamento de contribuições que permitisse apurar crédito a ser descontado na fase posterior. Portanto, as compras de produtos e mercadorias de pessoas físicas não geravam o direito de creditamento. A aplicação do regime da forma acima relatada provocava uma distorção no mercado agropecuário. As pessoas jurídicas desse setor, que estivessem inseridas no regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, rejeitavam a aquisição de produtos e mercadorias diretamente dos produtores pessoas físicas, porque estas aquisições provocavam um aumento do custo tributário de suas operações. Para tentar corrigir essas distorções, o art. 25 da Lei nº 10.684/2003, inseriu os § 10 e 11 no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, instituindo crédito presumido para o setor agropecuário. Ao criar este tipo de crédito, o legislador buscou equilibrar,ou pelo menos reduzir, as pressões mercadológicas produzidas pelo novo regime de apuração. Esse Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.814 7 crédito presumido foi aperfeiçoado quando da publicação da Lei nº 10.833/2003, cujo § 5º do art. 3º possibilitava a apuração destes créditos também em relação à Cofins. Por fim, a Lei nº 10.925/2004 revogou os dispositivos acima mencionados, e em seus arts. 8º e 9º disciplinou a matéria, verbis: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) I – (...) II – (...) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.815 8 I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o (...) § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 8o (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O citado art. 9º suspendeu a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos relacionados no art. 8º, quando efetuada por:cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; ou pessoas jurídicas que desenvolvam atividades agropecuárias e cooperativas de produção agropecuária, nas vendas de insumos para produção das mercadorias mencionadas no caput do art. 8º. Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.816 9 Em conseqüência, a possibilidade de apuração e desconto dos créditos presumidos foi expandida para as aquisições efetuadas com a suspensão de incidência estabelecida pelo art. 9º.Vale ressaltar o fato de que o crédito presumido, além de ser em valor inferior ao chamado crédito ordinário, não pode ser objeto de ressarcimento e nem de compensação, sendo especificamente destinado à dedução com débitos tributários da mesma espécie contributiva apurados em fases posteriores. Este entendimento foi formalizado por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005, cujos arts 1º e 2º não permitem a compensação ou ressarcimento. Uma vez que o crédito presumido, além de ser em valor menor que o normal, não pode ser ressarcido e nem compensado, a exportação dos produtos adquiridos com esse tipo de crédito deixa de oferecer a possibilidade de ressarcimento ou compensação que ocorre em relação aos créditos normais, e, assim, ao final, os grandes prejudicados são o pequeno produtor rural e a pessoa jurídica que vende produtos com suspensão de incidência. Assim sendo, as grandes empresas exportadoras passaram à prática de adquirir produtos e mercadorias de empresas “intermediárias” (que na sua grande maioria, como já se disse, são empresas de fachada) porque essas são (em tese) contribuintes da do PIS/Pasep e da Cofins em relação às receitas de vendas desses produtos e mercadorias. E as contribuições que deveriam ser pagas por essas “intermediárias”, na fase anterior, geram o crédito ordinário de 9,25% ao invés do crédito presumido de 3,238% sobre o valor das aquisições. Os pequenos produtores, para não ficar fora do mercado, são compelidos a vender para estas “intermediárias”, cuja única finalidade é produzir créditos apurados com base no percentual de 9,25%, os quais serão ressarcidos nas exportações. No ramo do café, onde as exportações atingem um grande percentual da produção, este fato produz montantes realmente muito elevados de créditos que podem ser ressarcidos e/ou compensados. Os expedientes até aqui descritos trazem para as empresas que deles se valem duas vantagens cumulativas: além da majoração indevida do crédito gerado, permitem a burla da restrição à compensação e ao ressarcimento imposta aos créditos presumidos. Outra estratégia usada consiste no fato de se adquirir o café de cooperativas e cerealistas como se fossem para revenda. Assim, nos termos da legislação de regência, as vendas devem ser efetuadas sem a suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins prevista no art. 9º acima, ou seja, o vendedor fica obrigado ao pagamento dessas contribuições. No entanto, a empresa vendedora (muitas vezes uma cooperativa), mesmo informando na nota fiscal que efetuou a venda “sem suspensão”, ao preencher o Dacon respectivo considera a venda como se fosse “com suspensão”, ou seja, como se fosse para industrialização e não para revenda, não pagando a contribuição devida. Quando questionada por uma autoridade fiscal ela simplesmente responde que errou ao emitir a nota fiscal. A questão é que esse fato se repete em praticamente todas as notas fiscais emitidas para um determinado grupo de empresas, todas elas grandes exportadoras, o que induz a se acreditar na existência de acordo escuso entre vendedores e compradores no sentido de se produzir ilegalmente créditos a serem ressarcidos, o que gera enorme prejuízo aos cofres públicos. Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.817 10 Tais conclusões ultrapassam a condição de meras conjecturas na medida que as irregularidades apuradas demonstram no caso concreto semelhante modus operandi ao constatado em esquema de vantagens tributárias ilegais entre empresas comerciantes, exportadoras e torrefadoras de café do Espírito Santo (ES) e em Minas Gerais (MG). Esquema desvendado por operações deflagradas pela Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal (Tempo de Colheita e Broca), amplamente divulgado na mídia conforme excerto abaixo, extraído da Revista Cafeicultura, reportagem de 02/06/2010 (http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=3284 3): Na manhã desta terçafeira (1º), foi deflagrada uma operação, no Espírito Santo, baseada em investigações que sobre um esquema de obtenção de vantagens tributárias ilícitas por parte de empresas especializadas na exportação e na torrefação de café. A fraude teria resultado em um prejuízo aos cofres públicos de R$ 280 milhões. Documentos, computadores e armas foram apreendidos. As investigações apontam 39 empresas exportadoras, ao menos 23 atacadistas laranjas envolvidas no esquema. Na operação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão em 74 locais. Já foram 25 prisões na operação até o momento, dos 32 mandados expedidos Sete pessoas ainda não foram encontradas. Buscas foram realizadas em 74 endereços entre empresas e residências dos investigados, nos municípios de Colatina, Domingos Martins, Linhares, São Gabriel da Palha, Viana, Vila Velha Vitória e também em Manhuaçu (MG). Cerca de 20 homens foram ao Palácio do Café, na Enseada do Suá, em Vitória, de onde a operação foi desdobrada para outros dois prédios, o Arábica e o Conilon, também na Enseada. No Palácio do Café oito salas foram vistoriadas. Por volta das 9h agentes saíram com dois malotes contendo documentos apreendidos. A operação, denominada \"Broca\", conta com 337 homens da Polícia Fedral, com apoio de agentes de outros estados, além de 107 fiscais da Receita Federal Esquema. As firmas de exportação e torrefação envolvidas no esquema utilizavam empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra do café dos produtores. As empresas beneficiárias da fraude eram as verdadeiras compradoras da mercadoria, mas formalmente quem aparecia nessas operações eram as empresas laranjas, que na verdade tinham como única finalidade a venda de notas fiscais, o que garantia a obtenção ilícita de créditos tributários. As empresas exportadoras conseguiam, por meio de criação de empresas laranjas, créditos de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Essas empresas de exportação e torrefação usavam esses créditos para quitar seus próprios débitos tributários ou até mesmo para pedir ressarcimento junto ao Fisco. As empresas fictícias, no entanto, não recolhiam esses impostos, até porque não tinham lastro econômico para isso, uma vez que eram laranjas, criadas somente para \"guiar\" com suas notas fiscais o café para os verdadeiros compradores e gerar os créditos tributários. O creditamento para exportadores e torrefadores, portanto, era indevido, Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.818 11 já que eram ressarcidos de valores que jamais entraram nos cofres públicos. As empresas, apesar de registradas como atacadistas, não tinham armazéns e funcionavam em pequenas salas. Para o Ministério Público Federal (MPF), está claro que as empresas exportadoras não só tinham conhecimento da fraude, mas também ditavam suas regras. Ao todo existem 300 empresas no Espírito Santo registradas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) como atacadistas de café. Segundo a delegada da Receita Federal, Laura Gadelha, grande parte delas foi criada para o esquema de fraudes. Algumas, inclusive, com vida útil em torno de um ano. ................. Crimes seriam praticados desde 2003 As investigações, realizadas em conjunto pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, pelo MPF e pela PF, começaram em outubro de 2007 com a deflagração da Operação Tempo de Colheita, quando auditores fiscais da Receita fiscalizavam o setor de comércio de café, inicialmente em empresas localizadas nas regiões Noroeste e Norte do estado. A prática criminosa, ainda segundo o MPF, vem ocorrendo desde 2003. Há indícios consistentes da existência dos crimes de formação de quadrilha, crime contra a ordem tributária, falsidade ideológica e estelionato. Mais recentemente, foi desencadeada a operação denominada de “Robusta”, que culminou na prisão de sete empresários, tendo em vista que “as investigações do MPES e da Receita Estadual apontam que empresas utilizavam notas fiscais irregulares e simulavam a compra de café de outras 25 empresas de fachadas, localizadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro”. (notícia extraída do Portal G1/RJ de 09/04/2013). Ao constatar o tamanho da evasão de divisas em funçãonesse tipo de esquema fraudulento, e, segundo noticiado pela imprensa nacional, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), e visando acabar com essas operações de geração de créditos irregulares foi editada a Medida Provisória nº 545/2011,convertida na Lei 12.599/2012 que introduz nova sistemática de apuração de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nos casos de exportação de café. Reportagem sobre a citada MP nº 545/2011 publicada no jornal Valor Econômico, edição de 10/02/2012, de autoria de Carine Ferreira, relata que “segundo os defensores do novo regime, como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a tributação anterior gerava fraudes, irregularidades e favoreciam algumas poucas empresas”. Quando autuadas pela Receita Federal do Brasil ou quando o pedido de ressarcimento dos créditos apropriados indevidamente é indeferido, via de regra, as beneficiárias apresentam defesa nas quais alegam basicamente as mesmas razões: são compradoras de boa fé; não tinham conhecimento que as vendedoras eram “laranjas” e não podiam apurar esse fato; e a operação mercantil foi realizada. Ora, mesmo tendo em mente a presunção de boa fé das adquirentes, causa profunda estranheza o fato de, ao comprar café de fornecedores estabelecidos em cidades não muito grandes, essas empresas não saibam que aquelas das quais compram grande parte do café que exportam são empresas de fachada. Afinal, Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.819 12 considerando o volume das operações efetuadas, para se concretizar a compra seus dirigentes precisariam ir até a sede da vendedora quando e onde certamente constatariam a precariedade ou inexistência de suas instalações. Da mesma forma teriam que se relacionar com os funcionários dessas “laranjas” e se cientificariam de que na verdade não existem. Também, é de se supor, iriam querer ter contato com os sócios das intermediárias e poderiam certamente ver que, quando encontrados, são pessoas sem as mínimas qualificações necessárias para atuar na direção de uma empresa. ................................................................................................................... ......................... Pelo contrário; no presente caso, a autoridade fiscal demonstra, por meio do PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013 anexo, que a manifestante adquiriu o café que exporta de empresas que se enquadram perfeitamente na descrição das empresas de fachadas acima. ................................................................................................................. No entanto, como a autoridade fiscal explica no citado PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013, “entre os documentos que fundamentam o presente Parecer estão aqueles carreados ao longo da investigação TEMPO DE COLHEITA .– como declarações prestadas a termo por produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada. 7. Tanto nas preliminares da sua impugnação, como nas suas razões recursais a recorrente alega que " a autoridade fazendária não trouxe aos autos os elementos necessários para demonstrar como foram apurados os ‘rateios’ dos valores por ela discriminados nas Tabelas constantes do referido Parecer, os quais foram utilizados pela mesma como base para a aplicação dos percentuais das glosas sobre as aquisições efetuadas pela Impugnante, falha esta que a prejudica em seu regular e legítimo direito de defesa, inclusive impossibilitando a de infirmar com precisão os supostos débitos indicados pela fiscalização 8. Verificando o Parecer Fiscal GAB903/DRF/VIT/ES nª 007/2013, (fls. 1.095 a 1.344 dos autos digitais do processo 15586.72765/201326), encontramos ás fls.1.331 o item II.6.4 RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR APÓS GLOSAS EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO, E ÁS FLS. 1.333 encontramos a LETRA (G) RATEIO DO CRÉDITO PASSÍVEL RESSARCIMENTO, onde os Auditores Fiscais esclarecem ; " o rateio dos créditos a descontar da linha (F) foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços : receita mercado interno (tributada) e receita de exportação" 9. Ás fls. 1.077 do processo 15586.72765/201326 encontrase o Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10783.906591/201266 Resolução nº 3301000.893 S3C3T1 Fl. 1.820 13 10. Entendemos assistir razão á recorrente quando afirma não estar claro o critério utilizado pela fiscalização para o rateio dos créditos a serem descontados, pois que examinando os quadros citados não se vislumbra o critério adotado de forma clara detalhadamente demonstrada, o que pode ser interpretado pela recorrente como um cerceamento de defesa, pois esta alega que teria dificuldade em entender tal rateio. 11. Diante destas considerações, proponho que os autos sejam encaminhados á DRF/VITÓRIA/ES para que, em diligência fiscal : a) seja elaborado relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados, especificando os detalhes de como foram encontrados os valores do demonstrativo Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . b) seja dada ciência deste relatório á recorrente, facultandolhe manifestação em até 30 dias da data da ciência 12. Após, sejam os autos retornados a este CARF para julgamento dos recursos voluntários apresentados neste e nos processos em apenso. 13. É como voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1821DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13131.720054/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2016
IPI. ISENÇÃO. AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEL. DEFICIENTE FÍSICO. MAL DE ALZHEIMER. REQUISITOS PREENCHIDOS.
Faz jus à isenção do IPI na aquisição de veículo, a beneficiária portadora de deficiência física demonstrada por meio de laudo médico, que atende aos requisitos e preenche todos os critérios estabelecidos pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-005.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ISENÇÃO. AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEL. DEFICIENTE FÍSICO. MAL DE ALZHEIMER. REQUISITOS PREENCHIDOS. Faz jus à isenção do IPI na aquisição de veículo, a beneficiária portadora de deficiência física demonstrada por meio de laudo médico, que atende aos requisitos e preenche todos os critérios estabelecidos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 1. 72 00 54 /2 01 6- 17 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 136 2 Relatório A Sra. Ana Barbara de Jesus, por meio de sua representante legal, pleiteia a isenção de IPI na aquisição de veículo para pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental, severa ou profunda, ou autista, nos termos da Lei nº 8.989/1995 e da Instrução Normativa da RFB nº 988/2009 (efls. 03/19). O Despacho Decisório de efl. 30 indeferiu o pedido diante da constatação de que a manifestação da doença mental não se deu anteriormente aos 18 anos, conforme exigido pela legislação para os casos de deficiência mental. No mais, a decisão informou que a Requerente cumpriu os demais requisitos dispostos na Instrução Normativa RFB nº 988/2009. Em manifestação de inconformidade (efls. 49/60), a curadora da Requerente alegou que o Decreto nº 3.298/1999, art. 4ª, V, para a deficiência física não faz qualquer exigência de comprovação da existência da patologia antes dos 18 anos de idade. Entende que essa exigência é apenas para os casos de deficiência mental. Acrescentou que, devido ao grau de anomalia, a Requerente adquiriu também deficiência física. A 3ª Turma da DRJ/RPO, acórdão nº 1462.733, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ISENÇÃO. DEFICIENTE MENTAL. MANIFESTAÇÃO. O benefício da isenção do IPI na aquisição de veículo por portador de deficiência mental só alcança aquele que, segundo atestado em laudo médico que atende os requisitos normativos, apresente a deficiência nos níveis severo/grave ou profundo, manifestada antes dos 18 anos de idade. Em recurso voluntário, a curadora anexa novo laudo, o qual aponta a deficiência física da Recorrente. Sustenta: Donde concluise que, já temos a configuração verificada pela perícia de duas deficiências, caracterizadora da deficiência múltipla, conforme conceitua e dá o direito ao benefício, nos termos do Decreto n. 3.298/99, no seu artigo 4°, incisos I e V, pois, não obstante, a deficiência mental profunda e a doença física das Recorrente, enquadramse em todos os seus critérios, haja vista que foi assim, que declaram os 2 (dois) laudos emitidos pela Clínica COOMEP, em seus ilustres pareceres. Requerse, portanto, que seja reavaliado e modificado a decisão do acórdão proferido e que seja DEFERIDO o peido de isenção de IPI na aquisição de veículo automotor que pretende a Recorrente comprar, posto que todas as exigências legais, já foram preenchidas. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 137 3 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, tomo conhecimento. A Lei nº 8.989/1995 dispõe sobre a isenção do IPI na aquisição de automóveis por pessoas portadoras de deficiência, verbis: Art. 1º Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. § 2º Para a concessão do benefício previsto no art. 1° é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. § 3º Na hipótese do inciso IV, os automóveis de passageiros a que se refere o caput serão adquiridos diretamente pelas pessoas que tenham plena capacidade jurídica e, no caso dos interditos, pelos curadores. § 4º A Secretaria Especial dos Diretos Humanos da Presidência da República, nos termos da legislação em vigor e o Ministério da Saúde definirão em ato conjunto os conceitos de pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 138 4 autistas, e estabelecerão as normas e requisitos para emissão dos laudos de avaliação delas. A autoridade fiscal socorreuse do Decreto nº 3.298/1999, que trata da política nacional para a integração da pessoa portadora de deficiência, para a conceituação de deficiência mental: Art. 3° Para os efeitos deste Decreto, considerase: I deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; (sublinhouse) II deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e III incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bemestar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (...) IV deficiência mental funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: a) comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização da comunidade; d) utilização dos recursos da comunidade; e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer; e h) trabalho; Ademais, apontou a Portaria Interministerial do Ministério da Saúde e Secretaria Especial de Direitos Humanos MS/SEDH nº 02, de 21/11/2003, que prescreve: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 139 5 Art. 3º A condição de pessoa com deficiência mental severa ou profunda, ou autismo será atestada em conjunto por médico e psicólogo, nos formulários específicos citados no parágrafo único do art. 2º, seguindo os critérios diagnósticos constantes desta portaria, os quais foram estabelecidos no Decreto nº 3.298/99 e no DSMIV Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. § 1º O preenchimento do laudo referente à deficiência mental deverá atender a definição contida na Classificação Internacional de Doenças (CID10), contemplandose, única e exclusivamente, os níveis severo/grave ou profundo da deficiência mental. (…) Art. 4º Para os efeitos desta Portaria, considerase pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (...) III deficiência mental funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação anterior aos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: a) comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização da comunidade; e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer; e h) trabalho.” O laudo apresentando na oportunidade do requerimento apontou a seguinte patologia: A partir disso, entendeu o autoridade na origem que a Requerente não atende ao disposto na Lei nº 8.989/1995, pois a deficiência mental não se deu anteriormente aos 18 anos, diante do Laudo de Avaliação que apontou uma síndrome demencial com retardo mental profundo oriunda do Mal de Alzheimer, doença degenerativa típica de pessoas idosas, o que estaria compatível com a idade (83 anos). Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 140 6 Ocorre que o recurso voluntário trouxe novo laudo, que apontou ser a Sra. Ana Barbara de Jesus idosa portadora da Doença de Alzheimer no estágio IV (final), que tem como consequência: o retardo mental profundo e a total ausência de autonomia na mobilidade (paraparesia funcional). Observese que o laudo indica a deficiência física: Cumpre salientar que o laudo que instruiu o requerimento, aponta não apenas para quadro de retardo metal, mas também quadro de deficiência física. Confirase: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 141 7 O laudo juntado ao recurso voluntário é da mesma clínica (habilitada perante a RFB) que emitiu o primeiro, com a mesma descrição da patologia, mas desta vez com indicação do código G82.2. Ademais, a interdição judicial da Sra. Ana Barbara (efl. 116) e as fotos dela também encerram a controvérsia quanto à acentuada degeneração das suas funções vitais (efls. 61 e s.). Assim, citese novamente o art. 1°, IV, § 1o da Lei n° 8.989/95: IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Por sua vez, o inciso I do art. 4° do Decreto n° 3.298/99 dispõe: Art.4o É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: Ideficiência físicaalteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 142 8 nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (...) V deficiência múltipla – associação de duas ou mais deficiências. Concluo que o novo laudo direciona o direto à isenção do IPI, por deficiência física, nos termos dos dispositivos supracitados. Ademais, acolho os fundamentos do voto do Conselheiro Francisco José Barroso Rios, acórdão n° 3802004.089, que aborda a temática, considerando que as deficiências físicas elencadas no §1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 não são taxativas, em virtude da conjunção "também" utilizada no texto legal "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]: Assim, se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, notadamente no caso presente, em que o interessado, portador de espondilite anquilosante, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Refirome a "disfunções motoras" porque são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária – e não o acometido de toda e qualquer deficiência –, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no §1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Com efeito, monoparesia, paraparesia, tetraparesia e hemiparesia designam a paresia – disfunção, funcionamento comprometido – respectivamente, em um membro, em ambos os membros (geralmente inferiores), em todos os membros, ou nos membros de um lado do corpo. Na mesma toada, quando os prefixos mono, para, tetra e hemi são associados ao sufixo plegia – que diz respeito à perda total da força muscular, paralisia – temos designadas as deficiências físicas que causam a paralisia dos membros do corpo, conforme o prefixo adotado (monoplegia, tetraplegia, triplegia, triparesia, hemiplegia). Já quando há amputação ou ausência de um membro, o comprometimento da função motora é evidente. O mesmo se diga em relação à paralisia cerebral ou à existência de membros com deformidade congênita ou adquirida.Como se vê, TODOS os exemplos elencados pelo legislador, destinados a guiar o intérprete no que concerne ao alcance do conceito de deficiência física que buscou amparar pela norma, dizem respeito a deficiências que causam comprometimento das funções motoras do indivíduo. Logo, seria equivocado defender que o uso do termo "também", empregado no início do § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 – Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13131.720054/201617 Acórdão n.º 3301005.187 S3C3T1 Fl. 143 9 "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, daria guarida à aplicação da isenção do IPI a toda e qualquer deficiência. Os exemplos de deficiências físicas discriminadas no aludido dispositivo não permitem interpretação nesse sentido. E isso é reforçado pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções" (grifei), o que reforça a exegese que defendemos no sentido de que a deficiência física amparada pela isenção de que trata o § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 é aquela que causa comprometimento das funções motoras do indivíduo. Logo, diante das provas carreadas aos autos, entendo que a Sra. Ana Barbara de Jesus faz jus à isenção de IPI, nos termos da Lei n° 8.989/95, por ser deficiente física. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910585/2015-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/06/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 85 /2 01 5- 12 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910585/201512 Acórdão n.º 3301005.270 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.468. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910585/201512 Acórdão n.º 3301005.270 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910585/201512 Acórdão n.º 3301005.270 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910585/201512 Acórdão n.º 3301005.270 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910585/201512 Acórdão n.º 3301005.270 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910585/201512 Acórdão n.º 3301005.270 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721447/2015-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EVIDENTE OCORRÊNCIA. CONHECIMENTO E ACOLHIMENTO.
Devem ser conhecidos e acolhidos os Embargos de Declaração opostos para sanar omissão contida nas razões de decidir dos Acórdãos, quando confirmada a presença de tal lapso jurisdicional.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL CSLL. CÁLCULO DE REDUÇÃO E SUSPENSÃO. INCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. MÊS DE DEZEMBRO. IDENTIDADE COM A MONTA TRIBUTÁVEL DO PERÍODO. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 93/1997. PROCEDÊNCIA.
À luz da norma contida no §4º do art. 230 do RIR/99, a Instrução Normativa SRF nº 93/1997 deixa claro que no cálculo constante dos balancetes de suspensão e redução das estimativas mensais estão inclusas todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, abrangendo, assim, as bases de cálculo negativas registradas pelo contribuinte. É certo que tais dispositivos também informam a apuração e adiantamento mensal da CSLL.
Especialmente em relação ao cálculo do mês de dezembro, não existe previsão da exclusão de quaisquer elementos ou parcelas da base de cálculo da Contribuição devida. Não obstante, as exceções prevista, aplicáveis aos meses de janeiro a novembro, referem-se aos lucros apurados no exterior, às parcelas excedentes aos cálculos referente a preços de transferência e regras de subcapitalização e ao lucro inflacionário, não abarcando prejuízos/bases de cálculo negativas.
Numero da decisão: 1402-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, retificando o Acórdão nº 1402-002.888, para sanar as omissões apontadas, esclarecendo a negativa de provimento ao Recurso de Ofício, bem como dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar o valor referente à multa isolada pelo não recolhimento da estimativa de CSLL de dezembro de 2010, na monta de R$ 74.975,28.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
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anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EVIDENTE OCORRÊNCIA. CONHECIMENTO E ACOLHIMENTO. Devem ser conhecidos e acolhidos os Embargos de Declaração opostos para sanar omissão contida nas razões de decidir dos Acórdãos, quando confirmada a presença de tal lapso jurisdicional. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL CSLL. CÁLCULO DE REDUÇÃO E SUSPENSÃO. INCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. MÊS DE DEZEMBRO. IDENTIDADE COM A MONTA TRIBUTÁVEL DO PERÍODO. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 93/1997. PROCEDÊNCIA. À luz da norma contida no §4º do art. 230 do RIR/99, a Instrução Normativa SRF nº 93/1997 deixa claro que no cálculo constante dos balancetes de suspensão e redução das estimativas mensais estão inclusas todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, abrangendo, assim, as bases de cálculo negativas registradas pelo contribuinte. É certo que tais dispositivos também informam a apuração e adiantamento mensal da CSLL. Especialmente em relação ao cálculo do mês de dezembro, não existe previsão da exclusão de quaisquer elementos ou parcelas da base de cálculo da Contribuição devida. Não obstante, as exceções prevista, aplicáveis aos meses de janeiro a novembro, referem-se aos lucros apurados no exterior, às parcelas excedentes aos cálculos referente a preços de transferência e regras de subcapitalização e ao lucro inflacionário, não abarcando prejuízos/bases de cálculo negativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, retificando o Acórdão nº 1402-002.888, para sanar as omissões apontadas, esclarecendo a negativa de provimento ao Recurso de Ofício, bem como dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar o valor referente à multa isolada pelo não recolhimento da estimativa de CSLL de dezembro de 2010, na monta de R$ 74.975,28. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.815 1 1.814 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721447/201586 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402003.601 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria OMISSÃO/REDUÇÃO E SUSPENSÃO DE ESTIMATIVAS Embargante GE POWER & WATER EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE ENERGIA E TRATAMENTO DE AGUA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EVIDENTE OCORRÊNCIA. CONHECIMENTO E ACOLHIMENTO. Devem ser conhecidos e acolhidos os Embargos de Declaração opostos para sanar omissão contida nas razões de decidir dos Acórdãos, quando confirmada a presença de tal lapso jurisdicional. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL CSLL. CÁLCULO DE REDUÇÃO E SUSPENSÃO. INCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. MÊS DE DEZEMBRO. IDENTIDADE COM A MONTA TRIBUTÁVEL DO PERÍODO. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 93/1997. PROCEDÊNCIA. À luz da norma contida no §4º do art. 230 do RIR/99, a Instrução Normativa SRF nº 93/1997 deixa claro que no cálculo constante dos balancetes de suspensão e redução das estimativas mensais estão inclusas todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, abrangendo, assim, as bases de cálculo negativas registradas pelo contribuinte. É certo que tais dispositivos também informam a apuração e adiantamento mensal da CSLL. Especialmente em relação ao cálculo do mês de dezembro, não existe previsão da exclusão de quaisquer elementos ou parcelas da base de cálculo da Contribuição devida. Não obstante, as exceções prevista, aplicáveis aos meses de janeiro a novembro, referemse aos lucros apurados no exterior, às parcelas excedentes aos cálculos referente a preços de transferência e regras de subcapitalização e ao lucro inflacionário, não abarcando prejuízos/bases de cálculo negativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 47 /2 01 5- 86 Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.816 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, retificando o Acórdão nº 1402002.888, para sanar as omissões apontadas, esclarecendo a negativa de provimento ao Recurso de Ofício, bem como dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar o valor referente à multa isolada pelo não recolhimento da estimativa de CSLL de dezembro de 2010, na monta de R$ 74.975,28. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.817 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte (fls. 1761 a 1772), em face do v. Acórdão nº 1402002.888, proferido por esta C. 2ª Turma Ordinária, de relatoria do I. Conselheiro Demetrius Macei Nichele (fls. 1713 a 1749), no qual, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso de Ofício oposto e, igualmente, negouse provimento ao Recurso Voluntário da ora Embargante. Em resumo, o presente recurso incidental manejado pela Contribuinte aponta para a suposta existência de omissões e de erro material, quais sejam: A) omissão quanto aos argumentos de ausência de dispositivo legal para a glosa das despesas na base da CSLL; B) omissão quanto aos argumentos contábeis da embargante; C) omissão quanto ao pedido de recálculo da multa isolada pela embargante e D) omissão da análise da ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; já erro material resumiriase a menção ao auto de infração de CSLL (SIC) [IRPJ] no voto vencedor sobre a multa isolada, que é objeto de outro feito. Os presentes Declaratórios foram objeto de r. Despacho de Admissibilidade, subscrito pelo I. Presidente dessa C. Turma Ordinária (fls. 1775 a 1784), cujo preciso teor passase a reproduzir e adotar, complementarmente, como relatório, evitandose desnecessária duplicidade: O presente despacho trata do juízo de admissibilidade dos Embargos de Declaração opostos por GE POWER & WATER EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE ENERGIA E TRATAMENTO DE ÁGUA LTDA (fls. 1761) contra o Acórdão nº 1402002.888, de 20/02/2018 (fls. 1713). O processo tem origem em ação fiscal em que a fiscalização concluiu que o contribuinte fez exclusões indevidas na base de cálculo ajustada da CSLL (amortização de ágio) nos anos de 2010 a 2013. Em consequência, foi lavrado auto de infração para exigir CSLL e multa isolada (estimativas), bem como multa de ofício (75%) e juros de mora (fls. 432). A mesma ação fiscal resultou no lançamento de IRPJ e multa isolada (estimativas), bem como multa de ofício (75%) e juros de mora, pelos mesmos fatos, o que foi formalizado por meio do processo nº 10882.723180/201481. Instaurado o contencioso administrativo, o julgamento de primeira instância considerou a impugnação parcialmente procedente, reduzindo o valor exigido a título de multa isolada Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.818 4 (fls. 1426), o que deu ensejo a recurso de ofício e a recurso voluntário (fls. 1472). A mesma decisão recomendou o julgamento em conjunto do supracitado processo nº 10882.723180/201481. O julgamento dos recursos no presente processo foi levado a efeito por meio do acórdão ora embargado pelo contribuinte, pelo qual o colegiado negou provimento ao recurso de ofício e negou provimento ao recurso voluntário. O processo conexo acima referido (10882.723180/201481) já havia sido julgado, por meio do Acórdão nº 1402002.692, contra o qual também foram apresentados embargos de declaração pendente de julgamento. O acórdão aqui embargado adotou a seguinte ementa (fls. 1713): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 CSLL. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. LIMITES DE EQUIVALÊNCIA ENTRE AS BASES DE CALCULO Como não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação em mais de uma oportunidade determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL. deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. PRAZO INICIAL O prazo decadencial para o lançamento decorrente de glosa de amortização de ágio é contado da data em que se dá a amortização e não da data em que o ágio é formado ou em que o contribuinte adquire o direito à amortização. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, "b", da Lei n° 9.430/1996. ainda que encenado o anocalendário. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A incidência de juros sobre a multa de ofício não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa. A Fazenda Nacional foi cientificada dessa decisão e não apresentou recurso (1751). Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.819 5 O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 08/06/2018 (fls. 1758). Os presentes embargos foram apresentados em 15/06/2018 (fls. 1759), portanto, dentro do prazo previsto no art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Os embargos de declaração contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis apenas quando estas contiverem obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. O embargante opõese ao referido acórdão em face de alegadas omissões, a seguir analisados. 1. CSLL glosa de despesa previsão legal omissão A primeira reclamação do embargante diz respeito a alegada omissão em relação ao argumento trazido no recurso voluntário de que não existiria previsão legal que autorize a glosa da dedução de despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL, conforme o seguinte excerto (fls. 1764): 17. O primeiro argumento que foi absolutamente ignorado pelo Acórdão Embargado diz respeito ao artigo 13, inciso III da Lei n° 9.249/95. Tal artigo veda, para fins de apuração da CSLL, as deduções de despesas de amortização de bens móveis ou imóveis, exceto se relacionados à produção ou comercialização de bens e serviços. O ágio pago na aquisição de participação societária, como no caso em tela, não se amolda a nenhum espectro desse enquadrado como bem móvel ou imóvel. [...] 22. Ainda no que se refere à dedução das parcelas de amortização de ágio da base de cálculo da CSLL, a Embargante alegou ainda, tanto em sede de Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, que apenas a partir da edição da Lei n° 12.973/2014 passou a haver algum tipo de restrição à dedutibilidade do ágio para fins de CSLL. O artigo 50 da Lei n° 12.973/2014 prevê expressamente a aplicação também para a CSLL das normas legais que impõem que o ágio pautado em expectativa de rentabilidade futura somente poderá ser amortizado pela pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra na qual detinha participação societária. 23. Fica evidente que não havia, até a edição da Lei 12.973/2014, previsão legal que vedasse a possibilidade de amortização do ágio para fins de CSLL antes das operações de incorporação, cisão ou fusão, ou determinasse sua adição ao lucro líquido na hipótese de eventual indedutibilidade do lucro real. Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.820 6 24. O Acórdão Embargado também não se pronunciou sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei n° 12.973/2014, sendo omisso quanto a essa linha de argumentação aduzida pela Embargante. Transcrevese o trecho do acórdão embargado que trata da presente questão (fls. 1731): Em síntese, a Recorrente centra toda a sua argumentação na decisão formalizada através do v. Acórdão 9101002.310, pelo qual a CSRF entendeu, por maioria de votos, pela inocorrência de identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pela inaplicabilidade do art. 57 da Lei 8.981/95 para a CSLL e, consequentemente, pela legalidade da amortização de ágio para fins de apuração da base de cálculo da referida contribuição. Vejamos, inicialmente, o quanto disposto no caput do art. 57, da Lei 8.981/95, parte final, quanto à definição da base de cálculo da referida contribuição. Vejase: [...] A Lei n° 8.981/95 trouxe inovações na apuração da base de cálculo do IRPJ e, no já transcrito art. 57, estende, textualmente, a aplicação, para a CSLL, das mesmas normas de apuração do IRPJ, mantida a base de cálculo prevista na legislação em vigor, que é o resultado do períodobase apurado com a observância da legislação comercial ajustado ou, a teor do contido no § 3o, do citado art. 57, "o lucro líquido ajustado". A Lei n° 9.430/96. por sua vez, especificamente em seu art. 28, na redação original, garante que "aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 desta Lei." Especificamente o art. 2º da Lei n° 9.430/96 reforça a observância das alterações introduzidas pela Lei n° 8.981/95 na apuração da base de cálculo do IRPJ, extensível para a CSLL. Desta forma, a legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelos expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas. Ou seja. se não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação, como acima demonstrado, determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. Verifico que o embargante não aponta onde, em seu recurso voluntário, teria abordado a aplicação do artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.249, de 1995, como fundamento para acolher a amortização do ágio por ele realizado. Nem mesmo uma Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.821 7 verificação naquela peça processual permitiu localizar o argumento alegadamente trazido. Assim, entendo que essa primeira parte da reclamação de omissão não possui fundamento fático, uma vez que a turma julgadora não está obrigada a se manifestar sobre argumento que não consta do recurso voluntário. Verifico, também, que a decisão embargada entendeu que a amortização do ágio não poderia ser deduzida da base de cálculo da CSLL por força de dispositivo legal vigente desde o ano 1995 (art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995). Com isso, entendo que ficou prejudicado o argumento aventado no recurso voluntário de que apenas a partir da edição da Lei n° 12.973, de 2014, passou a haver algum tipo de restrição à dedutibilidade do ágio para fins de CSLL. Se em 1995 essa despesa já não podia ser deduzida, não poderia ser uma lei de 2014 que iria inaugurar essa restrição. Em outras palavras, o contribuinte pegase ao fato de que a lei de 2014 proíbe expressamente a dedução em tela e interpreta essa lei, a contrário senso, para dizer que antes não existia a mesma restrição. Todavia, a decisão embargada afirma expressamente que tal restrição já existia desde 1995, portanto, prejudicando o argumento do contribuinte. Destarte, considerando que o argumento do contribuinte ficou prejudicado pela construção adotada na decisão embargada, entendo que o colegiado não estava obrigado a abordar expressamente esse argumento, de forma que não está caracterizada a omissão requerida, pelo que os presentes embargos não devem ser admitidos quanto a este tópico. 2. Regularidade da escrita contábil omissão Em sua segunda reclamação, o embargante alega que a decisão embargada deixou de apreciar os argumentos de natureza contábil suscitados no recurso voluntário, conforme o seguinte excerto (fls. 1766): 26. O principal argumento trazido pela acusação fiscal para a glosa das amortizações do ágio foi construído com base na despropositada premissa de que o ágio em debate não poderia ser amortizado para fins fiscais, uma vez que, por ter sido gerado internamente, sequer poderia ser registrado contabilmente. 27. Assim, para constituir o crédito tributário ora combatido a Autoridade Lançadora firmou como necessários dois requisitos concomitantes, quais sejam (i) o atendimento às normas contáveis vigentes e (ii) o cumprimento das condições impostas pela legislação fiscal e, no que fosse aplicável, também as da legislação societária. [...] 29. Como se observa, a constituição do crédito tributário foi pautada tão somente em argumentos contábeis, eis que a Autoridade Lançadora entendeu que a amortização para fins Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.822 8 fiscais não seria possível, uma vez que a contabilidade não reconheceria a existência de ágio em questão. [...] 34. Quando do julgamento do Recurso Voluntário, este E. CARF, tal como feito anteriormente pela DRJ, desconsiderou por completo os argumentos relativos às questões de ordem contábil, adotando como razões de decidir fatores completamente alheios a essa defesa, requalificando os fatos trazidos aos autos segundo sua própria visão e suscitando a invalidade do ágio a partir de argumentos próprios. [...] 37. Aliás, é de se notar que a Embargante apresentou vasta fundamentação contra as acusações trazidas no AIIM, como se bem pode observar dos tópicos sobre os erros na aplicação das normas contábeis trazidos em suas defesas administrativas, que não foram endereçados no Acórdão Embargado. Vejase: (a) Erro contábil: inaplicabilidade das normas contábeis utilizadas pela Autoridade Lançadora. (b) Erro contábil: inaplicabilidade do conceito de ágio interno ao caso concreto. (c) Erro contábil: reconhecimento do ágio interno como reavaliação espontânea nas demonstrações financeiras individuais é permitido até mesmo pelas normas contábeis atuais. 38. Adicionalmente, a Embargante acostou aos autos parecer da lavra do renomado Professor contabilista Sr. Eliseu Martins acerca dos aspectos relativos ao registro do ágio decorrente de reestruturação societária no Grupo GE, parecer este que é apenas brevemente mencionado ao final do relatório do Acórdão Embargado (fl. 1729), tendo a sua linha de argumentação absolutamente ignorada. [...] 40. Nesse contexto, resta cristalina a mudança de critério jurídico a omissão do Acórdão Embargado ao não analisar os argumentos contábeis trazidos pela Embargante em seu Recurso Voluntário. A leitura do acórdão embargado permite verificar que a turma julgadora entendeu que o ágio sob exame decorreu de reorganização societária levada a efeito no âmbito do próprio grupo econômico GE (ágio interno), e que, no caso desse processo, o ágio foi gerado artificialmente, conforme o seguinte excerto (fls. 1739): Como se observa, confirmando as constatações do TVF, houve uma movimentação circular entre as empresas do Grupo GE, criando circunstância final em que o Contribuinte passou a se valer de ágio oriundo d a sua própria aquisição (ainda que processado por inúmeros rearranjos internos). Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.823 9 Claramente, nessas operações internas não pode se falar em efetivo sacrifício econômico, pois o ágio é extraído das variações de valorações meramente escriturais, sem fluxo financeiro. O próprio Contribuinte afirma que não houve geração de riqueza qualquer em tais operações (fls. 1570): [...] Assim, resta indubitável a presença de artificialidade na geração intragrupo desses valores de ágio, a qual, como já demonstrada, é rechaçada e não se adequa à permissão normativa de dedução das bases tributáveis do IRPJ. Posto isso, para que não haja omissão, frisese que restam prejudicadas e inertes as alegações de cunho meramente contábil aduzidas pela Recorrente em relação a erros contábeis cometidos pela Fiscalização (emprego no TVF de normas contábeis não aplicáveis aos fatos colhidos, conceituação de ágio interno apenas como aquele decorrente de reavaliação de ativos e autorização contábil do reconhecimento desse ágio interno). As alegações de mérito referentes aos erros fiscais, supostamente presentes na Autuação (independência do conceito de ágio para fins tributários e contábeis, ausência de proibição legal expressa do aproveitamento do ágio gerado entre parte relacionadas, cogência das normas fiscais de registro do desdobramento do ágio, precificação entre partes relacionas e comprovação do pagamento do ágio), foram devidamente enfrentadas e afastadas ou logicamente prejudicadas, em face dos termos antes expostos e a conclusão alcançada. Assim, a turma julgadora entendeu que o ágio foi gerado artificialmente, não havendo razão para que viesse a enfrentar as demais alegações que defendiam a dedutibilidade do ágio, inclusive aquelas de natureza contábil, pois isso em nada alteraria a sua conclusão de que a artificialidade do ágio desautoriza sua amortização. E, conforme jurisprudência pacífica, inclusive expressamente confirmada após o advento do novo CPC, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todas as alegações suscitadas pelas partes quando já houver encontrado razão suficiente para sustentar a sua decisão. Revelase, portanto, manifestamente improcedente a presente alegação de omissão. 3. Multa isolada recálculo omissão Em sua terceira reclamação, o embargante alega que a decisão embargada deixou de apreciar os argumentos relativos ao cálculo do valor da multa isolada, conforme o seguinte excerto (fls. 1769): 42. Conforme amplamente demonstrado pela Embargante e por bem reconhecido pela decisão da DRJ, a Autoridade Lançadora Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.824 10 incorreu em grave erro no cálculo da multa isolada, erro este que gerou um valor de penalidade a maior de aproximadamente R$ 9 milhões. 43. Isto porque, os valores relativos à multa isolada não foram calculados de acordo com o que dispõe o artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96. Em síntese, a Autoridade Lançadora não contemplou em seu cálculo, realizado de forma acumulada, as estimativas de CSLL apuradas, devidas e recolhidas em meses anteriores dos mesmos anoscalendário. [...] 45. Entretanto, embora a decisão da DRJ tenha dado parcial provimento à Impugnação apresentada para reduzir o respectivo valor de R$10.819.638,21 para R$1.941.664,37, o valor reduzido pela decisão da DRJ ainda é diferente daquele calculado pela Embargante, no montante de aproximadamente R$75 mil. 46. Esta diferença de R$74.975,28 referese exatamente ao valor da multa isolada relativa ao mês de dezembro de 2010, o qual foi desconsiderado pela Embargante em seus cálculos e considerado pela Autoridade Lançadora. 47. O voto vencido do Acórdão Embargado concluiu pelo cancelamento integral da multa isolada e, ao analisar o Recurso de Ofício, foi expresso ao mencionar que, caso a Turma não entendesse pelo afastamento completo da multa isolada, que o valor da multa fosse retificado, sendo aplicado tudo aquilo decidido pela DRJ quanto ao erro de cálculo da multa isolada, não se manifestando sobre a diferença acima citada. 48. O voto vencedor do Acórdão Embargado, por sua vez, ao analisar a possibilidade de cumular a multa de ofício e a multa isolada, manteve integralmente a aplicação da multa isolada, sem, no entanto, proceder à ratificação da parcela da multa isolada cancelada pela decisão da DRJ e sem apreciar o pedido quanto ao recalculo da multa isolada feito pela Embargante quanto à diferença de R$74.975,28. 49. Sendo assim, a ausência de apreciação dos argumentos acima listados acerca do necessário recalculo da multa isolada, bem como a ausência de menção do voto vencedor sobre a parcela de multa isolada já afastada pela DRJ, constitui clara omissão do Acórdão Embargado, a qual deve ser necessariamente suprida. Verifico que o contribuinte, conforme assinalado nos embargos, questionou em seu recurso voluntário o cálculo da multa isolada realizado pela decisão de primeira instância, nos seguintes termos (fls. 1528): 237. Entretanto, embora a r. decisão recorrida tenha dado parcial provimento à Impugnação apresentada para reduzir o respectivo valor de R$2.374.632,82 para R$1.941.664,37, o valor reduzido pela r. decisão recorrida ainda é diferente daquele calculado pela Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.825 11 Recorrente, diferença esta que ainda perfaz aproximadamente R$74 mil. 238. Esta diferença de R$74.975,28 se refere exatamente ao valor da multa isolada relativa ao mês de dezembro de 2010, o qual foi desconsiderado pela Recorrente em seus cálculos e considerado pela Autoridade Lançadora. 239. Vale notar que em se tratando da apuração do mês de dezembro de um determinado anocalendário, quando o cálculo da CSLL é realizado com base na sistemática de suspensão c redução, não há que se falar em estimativa de pagamento, mas sim de apuração definitiva da contribuição. Por este motivo, é equivocado o lançamento da multa isolada em dezembro de 2010. Verifico que o voto vencido propugnou pela exoneração total da multa isolada por questões de legalidade, sem abordar o seu valor. Já o voto condutor da decisão superou as questões de legalidade apontadas pelo relator do acórdão, mantendo a exigência da multa isolada, mas deixou de se manifestar sobre o seu valor. Assim, o voto vencedor deixou de se manifestar sobre o objeto do recurso de ofício e sobre a questão supracitada contida no recurso voluntário (fls. 1749): Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei n° 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no inundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula u° 105 do CARP. posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. No mais, acompanho integralmente o I. Relator em relação às demais matérias tratadas nestes autos. Assim, entendo que os embargos de declaração devem ser admitidos para que a turma julgadora esclareça o resultado do julgamento do recurso de ofício e se manifeste sobre a alegação de erro no cálculo da multa de ofício que existiria na decisão de primeira instância. 4. Juros de mora sobre multa de ofício omissão A quarta reclamação do embargante diz respeito a alegada omissão em relação a imputação de ilegalidade da incidência de Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.826 12 juros de mora sobre a multa de ofício, conforme o seguinte excerto (fls. 1770): 50. O Acórdão Embargado justificou a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio com base exclusivamente no entendimento de um acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais e um precedente do Superior Tribunal de Justiça, os quais defendem que a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte., integra o crédito tributário9. 51. No entanto, ao assim decidir, o Acórdão Embargado foi omisso ao deixar de apreciar, com o devido zelo, que a única interpretação possível sobre o conceito de "crédito" e "débito decorrente de tributos e contribuições", previsto nos artigos 113, 139 e 161 do Código Tributário Nacional e artigo 61 da Lei n° 9.430/96, é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada. 52. A multa de oficio tem caráter de sanção pelo inadimplemento da obrigação, de modo que não é legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício quando os juros, por definição, remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, devendo incidir tão somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal. 53. Diante do exposto, a Embargante requer que este E. CARF supra a referida omissão para constar as razões pelas quais a penalidade pecuniária (multa de ofício) integraria o conceito de "crédito" e "débito decorrente de tributos e contribuições" para fins da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O exame do acórdão embargado permite verificar que a turma julgadora examinou, sim, a questão da incidência dos juros sobre a multa de ofício, conforme o seguinte excerto (fls. 1742): Por fim, quanto à aplicação de juros (Taxa Selic) sobre multas, a Recorrente está se antecipando a uma situação, alegando que a PGFN, ao corrigir os créditos tributários, adota essa sistemática. A respeito do tema, curvome ao entendimento consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho, e refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.827 13 Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. O que se percebe do trecho dos embargos acima reproduzidos é que, em que pese alegar omissão, a embargante, em verdade, apenas insiste em sua alegação segundo à qual "a única interpretação possível sobre o conceito de 'crédito' e 'débito decorrente de tributos e contribuições', previsto nos artigos 113, 139 e 161 do Código Tributário Nacional e artigo 61 da Lei n° 9.430/96, é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada". Ocorre que o mero inconformismo da parte frente às razões de decidir presentes no acórdão recorrido não autoriza o manejo dos embargos declaratórios, conforme doutrina e jurisprudência pacíficas: Inconformismo com a solução jurídica dada pelo acórdão embargado. A irresignação com a solução jurídica dada à causa não é hipótese de cabimento dos aclaratorios, que se limitam à análise de existência de omissão, obscuridade ou contradição (STJ, 3." T, EDclAgRgAgRgAREsp 181354PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Vieira SanseverinoJ. 3.4.2014, DJUE 10.4.2014). Revelase, portanto, manifestamente improcedente a presente alegação de omissão. 5. Menção à tributação de IRPJ erro material A quinta reclamação do embargante diz respeito a alegado erro material relativamente à exigência de multa isolada sobre falta de recolhimento de estimativas de IRPJ,a qual sequer foi lançada, conforme o seguinte excerto (fls. 1771): 55. O voto vencedor do Acórdão Embargado expressamente menciona que a divergência quanto ao voto vencido se dá única e exclusivamente em relação à imposição da multa isolada nos casos de ausência ou insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. 56. No entanto, como é sabido, o presente processo administrativo diz respeito tão somente ao AIIM de CSLL. 57. Nesse contexto, deve o Acórdão Embargado ser revisitado, mais especificamente o voto vencedor, para sanar o erro material sob análise, tendo em vista que o presente processo administrativo referese apenas ao crédito tributário de CSLL. Os créditos tributários de IRPJ estão em discussão em autos independentes, no bojo do processo administrativo n° 10882.723180/201481, O exame do voto vencedor permite verificar que inexiste o alegado erro material. De fato, no voto vencedor, desenvolveuse a tese segundo a qual é cabível a exigência de multa isolada pela falta de pagamento Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.828 14 de estimativas mensais tanto de IRPJ como de CSLL, quando houver também a exigência de multa de oficio pela falta de pagamento do correspondente tributo apurado no final do respectivo anocalendário. Em outras palavras, a construção jurídica apresentada se aplica a ambos os tributos. Todavia, a partir do desenvolvimento dessa tese no voto vencedor, não é possível concluir, como pretende o embargante, que o acórdão embargado está a exigir, no presente processo, multa isolada pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ. Revelase, portanto, manifestamente improcedente a presente alegação de erro material. Conclusão Diante do exposto, acolho em parte os embargos de declaração em tela, para que a Turma Julgadora: (i) esclareça se foi dado provimento ao recurso de ofício (conforme o dispositivo do voto vencedor) ou foi negado provimento (conforme a proclamação do resultado) e qual a correspondente fundamentação; (ii) manifestese sobre a alegação de erro no cálculo da multa de ofício que existiria na decisão de primeira instância; tudo nos termos exarados no item 3 acima. Ademais, rejeito as outras alegações do embargante, em caráter definitivo, nos termos exarados nos itens 1, 2, 4 e 5 acima, em conformidade com o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). Verifico que os embargos de declaração apresentados no processo nº 10882.723180/201481, a este conexo, já foi distribuído ao Conselheiro Caio Cesar Nader Quintela, com equivalentes pedidos e idênticas causas de pedir, de forma que o presente processo também deve ser distribuído ao Conselheiro Caio Cesar Nader Quintela, nos termos do §5º do artigo 49 do RICARF, para relatar. Em suma, como se observa acima, foram afastadas por meio de tal r. Despacho três omissões apontadas e o suposto erro material aventado, restando admitidos tais Aclaratórios apenas no que tange à omissão quanto ao pedido de recálculo da multa isolada pela embargante e sobre a ausência de manifestação no voto sobre a negativa de provimento ao Recurso de Ofício, como registrado em Ata. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.829 15 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como já analisado no r. Despacho a quo, os Embargos Declaratórios são tempestivos. Registrese, inicialmente, que analisando a peça dos Declaratórios em confronto com o v. Acórdão questionado, o Recurso Voluntário da Contribuinte e mesmo o v. Acórdão da DRJ a quo, extraise a mesma conclusão sobre a admissibilidade do recurso sob julgamento, ratificandose, integralmente, na presente oportunidade processual, o teor do r. Despacho de Admissibilidade de fls. 1775 a 1784. Dito isso, este Conselheiro conhece dos Embargos de Declaração, apenas para reconhecer a presença de omissão, tão somente, em relação 1) à ausência de manifestação no voto sobre a negativa de provimento ao Recurso de Ofício, correspondente ao registro de resultado de julgamento em Ata e 2) ao pedido de recálculo da multa isolada pela embargante. Frisese que, tendo em vista que será apreciada questão de omissão de argumento e pedido recursal não apreciado anteriormente, certificada a ausência de apresentação de Contrarrazões ao Recurso Voluntário que continha tal pleito, entende este Conselheiro, excepcionalmente, pela desnecessidade de concessão de vista, prévia ao presente julgamento, à Fazenda Nacional. Primeiramente, em relação à manifestação do I. Relator do v. Acórdão questionado sobre o Recurso de Ofício, é certa sua ausência, a qual passase a sanar. Registre se, preliminarmente, que este apelo fazendário foi conhecido em face da constatação de preenchimento dos requisitos estabelecidos na Portaria MF nº 63/2017, ainda que oposto antes de sua vigência respeitando o teor da Súmula CARF nº 103. E, exatamente como decidido por este mesmo N. Colegiado no v. Acórdão nº 1402002.692, prolatado em sessão de 26 de julho de 2017, na análise e julgamento do presente feito, quando foi proferido o v. Acórdão nº 1402.002.888, em sessão de 20 de fevereiro de 2018, deliberouse e acordouse, de forma unânime, pela plena concordância com a motivação Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.830 16 e cálculos da DRJ a quo em relação à matéria de Impugnação acolhida, mantendo, pelos seus próprios termos, a parcela daquele r. decisum que cancelou parte das multas isoladas aplicadas. Nesse sentido, concordando com a retificação das penalidades da Autuação lá promovida, como fundamento complementar àquilo já registrado no Acórdão nº 1402.002.888, invocase e aplicase o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para adotar as razões de decidir da 1ª Instância administrativa, que, inclusive, serão reproduzidas mais adiante no presente voto. Restam, assim, suprido tal primeiro lapso. Já em relação ao pedido de recálculo das multas isoladas lançadas sobre as montas do suposto não recolhimento das estimativas dos meses abrangidos no período colhido pela Fiscalização, este foi originalmente feito em sede Impugnação, momento em que a ora Embargante apontou, com base em estudo contábil suportado pelas suas DIPJs acostadas ao feito (fls. 732 a 736 vide fl. 733 DIPJ das fls. 751 a 1323), que os valores relativos à multa isolada não foram calculados com o que dispõe o artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96. Em síntese, a Fiscalização não contemplou em seu cálculo, realizado de forma acumulada, as estimativas de CSLL devidas e recolhidas em meses anteriores dos mesmos anoscalendário. O seguinte quadro resumo esclarece os valores obtidos como corretos na aplicação de tais sanções autônomas: Apreciando tal alegação, a DRJ a quo deu provimento apenas parcial a tal pleito, reduzindo o valor total das penalidades para R$ 1.941.664,37. Confirase a sua fundamentação para tanto e o respectivo cálculo: Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.831 17 3.4.3 Multa isolada. Erro de Cálculo. 130. O litigante reclama que os valores relativos às multas isoladas não foram calculados de acordo com o que dispõe o artigo 44, II, b, da Lei n° 9.430/96, pois a Fiscalização não contemplou cm seu cálculo, realizado de forma acumulada, as estimativas de IRPJ apuradas, devidas e recolhidas em meses anteriores dos mesmos anoscalendário; apresenta o Doc 4, págs. 731/736, com a apuração que considera correta. 131. Verificase às págs. 488/490, no Termo de Verificação Fiscal, a demonstração, pelo autuante, dos valores de multa isolada, por período de apuração: a. 12/2010: o valor da despesa de ágio glosada foi somada à base de cálculo acumulada informada pelo contribuinte em DIPJ; sobre o total, apurou a CSLL novalor de R$3.509.952,59, subtraiu R$24.135,35 de CSLL retida na fonte e R$3.335.866,69 de CSLL acumulada apurada em meses anteriores, apurando a CSLL a pagar de estimativa mensal de 12/2010 no valor de R$149.950,55, em relação à qual a multa de 50% perfaz R$74.975,28; o litigante no doc 4, págs. 733, concordou com as deduções que o autuante efetuou, mas reduziu a base de cálculo da CSLL, mediante compensação de, aparentemente, base de cálculo negativas; contudo, não há previsão para esta dedução na apuração da estimativa mensal do mês de dezembro, mas apenas na apuração anual – Assim, a apuração fiscal está correta e se mantém neste voto. b. 01/2011 a 12/2013: verificouse que o autuante deixou de considerar o valor do saldo acumulado anterior, na apuração das estimativas mensais com base em balaços/balancetes de verificação/exclusão, conforme se demonstra a seguir, cabendo razão ao contribuinte; o Manual de Preenchimento determina, na apuração da estimativa mensal de CSLL apurada com base em balanço/balancete de suspensão redução: Informar o somatório do imposto de renda devido nos meses anteriores do mesmo anocalendário, abrangidos pelo período em curso compreendido na demonstração. Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.832 18 Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.833 19 Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.834 20 Como se observa de tal trecho do v. Acórdão da DRJ, com a precisa exceção do valor da multa isolada referente à estimativa de dezembro de 2010, na monta de Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.835 21 R$74.975,28, os demais cálculos foram plenamente aceitos (sendo, então, objeto do Recurso de Ofício, negado por esta C. 2ª Turma Ordinária no v. Acórdão 1402002.888, como anteriormente esclarecido). O fundamento da N. Relatora da DRJ a quo para a rejeição da demonstração da inexistência de estimativa a ser recolhida naquele mês de dezembro fica claro no seguinte trecho, que se repete a seguir: apurando a CSLL a pagar de estimativa mensal de 12/2010 no valor de R$149.950,55, em relação à qual a multa de 50% perfaz R$74.975,28; o litigante no doc 4, págs. 733, concordou com as deduções que o autuante efetuou, mas reduziu a base de cálculo da CSLL, mediante compensação de, aparentemente, base de cálculo negativas; contudo, não há previsão para esta dedução na apuração da estimativa mensal do mês de dezembro, mas apenas na apuração anual – Assim, a apuração fiscal está correta e se mantém neste voto. (destacamos). Desse modo, em sede de Recurso Voluntário, a ora Embargante se insurgiu contra tal acatamento parcial, reiterando sua demonstração de equívoco no cálculo das multas, e afirmando, especificamente, que em se tratando da apuração do mês de dezembro de um determinado anocalendário, quando o cálculo da CSLL é realizado com base na sistemática de suspensão e redução, não há que se falar em estimativa de pagamento, mas sim de apuração definitiva do imposto. Por esse motivo, é equivocado o lançamento da multa isolada em dezembro de 2010. Apenas por hipótese, ainda que se entende ela (SIC) existência de estimativa em dezembro de 2010, deveria ser realizada a compensação da base negativa de CSLL. Exatamente tal matéria e alegação pontual do Recurso Voluntário foi objeto da omissão ora tratada no v. Acórdão combatido, passandose, a seguir, a apreciála devidamente, suprindo tal lapso jurisdicional. Pois bem, notase na decisão da DRJ que, mesmo muito sucinta nesse ponto, é certa e incontroversa a legalidade da manobra do cálculo da Contribuinte para obter a redução da estimativa de dezembro de 2010, considerando a opção de promoção de suspensão e redução, prevista no art. 230 e do RIR/991, que estendese à apuração mensal da CSLL, por 1 Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. §1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: I deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do anocalendário. §2º Estão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. §3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do anocalendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV. §4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.836 22 consequência do disposto nos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430/96 e orientação histórica da Receita Federal do Brasil2. A única discordância da I. Relatora foi a inclusão em tal cálculo mensal de saldo de bases de cálculo negativas; em relação aos quais afirmou textualmente que não há previsão para esta dedução na apuração da estimativa mensal do mês de dezembro, mas apenas na apuração anual. Conforme alegado pela Recorrente, assim como analisando a questão de um ponto de vista prático, dentro da prerrogativa de suspensão e redução, a estimativa mensal dos meses de dezembro dos anoscalendário mostrase sempre coincidente com a efetiva apuração anual, vez que o balancete específico de tal cálculo abarca os eventos de todo o período, valendose dos mesmos elementos e método da obtenção da base de cálculo do anocalendário (levantada também com base em 31 de dezembro) as pontuais exceções referentes a lucros auferidos no exterior, preços de transferência, regras de subcaptalização e o antigo lucro inflacionário, aplicamse somente para os meses de janeiro a novembro. Ou seja, em dezembro, os cálculos do balancete de suspensão e redução devem ser idênticos à apuração anual. Assim, já opondose respeitosamente à afirmação de que não há previsão para a inclusão de base de cálculo negativas nos cálculos do balancete de suspensão e redução (seja de dezembro ou de outro mês), ainda que o art. 230 do RIR/99 não faça tal previsão expressamente, o seu §4º esclarece que a aplicação de tal dispositivo poderá/deverá ser regulada pelo Poder Executivo, por meio de instruções. E, exatamente sob a luz de tal verdadeira determinação de competência, a Instrução Normativa nº 93/1997, vigente à época dos fatos agora apurados, regulou tal aspecto do cálculo em seus artigos 12, § 1º e 13: 2 http://idg.receita.fazenda.gov.br/acessorapido/tributos/CSLL#apura2 Efeito dos Balanços de Suspensão ou Redução no Pagamento da CSLL A mesma forma de tributação adotada, pela pessoa jurídica, para fins de apuração do imposto de renda, deve ser empregada para fins de apuração da CSLL. Assim, a pessoa jurídica que levantou balanço ou balancete para suspender ou reduzir o pagamento do imposto de renda, em determinado mês do anocalendário, deve apurar a base de cálculo da CSLL sobre o resultado do período apurado nesse mesmo balanço, ajustado pelas adições determinadas, pelas exclusões permitidas e pelas compensações de base de cálculo negativa da CSLL, observados os limites definidos na legislação pertinente. Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.837 23 Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: I considerase período em curso aquele compreendido entre 1º de janeiro ou o dia de início de atividade e o último dia do mês a que se referir o balanço ou balancete; II considerase imposto devido no período em curso, o resultado da aplicação da alíquota do imposto sobre o lucro real, acrescido do adicional, e diminuído, quando for o caso, dos incentivos fiscais de dedução e de isenção ou redução; III considerase imposto de renda pago, a soma dos valores correspondentes ao imposto de renda: a) pago mensalmente; b) retido na fonte sobre receitas ou rendimentos computados na determinação do lucro real do período em curso, inclusive o relativo aos juros sobre o capital próprio; c) pago sobre os ganhos líquidos; d) pago a maior ou indevidamente em anoscalendário anteriores. §1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, exceto, nos balanços ou balancetes levantados de janeiro a novembro, as seguintes adições: a) os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior; b) as parcelas a que se referem os arts. 18, § 7º; 19, § 7º e 22, § 3º da Lei Nº 9.430/96. §2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao lucro inflacionário realizado segundo o disposto no art. 6º. §3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". §4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou no encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. §5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.838 24 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. §6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário; Art. 13. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 12, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário; II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. (destacamos) Resta muito claro que, para o mês de dezembro dos anoscalendário, deve ser adotado, exatamente o resultado do período em curso [deverá ser] ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda sem quaisquer exceções e considerando, aqui, a sua aplicação também para a CSLL. E, por mero apreço ao debate, concluise também que, uma vez que prejuízos fiscais/bases de cálculo negativas, inclusive acumuladas, não são tratadas nas exceções das alíneas "a" e "b" do § 1º do art. 12, sendo elemento de compensação da monta tributável dessa Contribuição (compreendendose aqui o Lucro Líquido, com os ajustes próprios para a obtenção da base de cálculo da CSLL), mencionado no art. 13, tal elemento estará sempre abarcado em tal prerrogativa alternativa ao recolhimento de estimativas, mesmo em meses que não o de dezembro. Posto isso, uma vez clara a existência de permissão normativa para a adição do valor das bases de cálculo negativas da CSLL, ainda que acumulado, ao cálculo da suspensão e redução do mês dezembro de 2010, mostrase improcedente a fundamentação do v. Acórdão da DRJ e da Autuação para exigir a multa isolada correspondente ao seu não recolhimento, apresentandose procedentes e corretos os cálculos oferecidos pela Recorrente, devendo ser afastada tal penalidade. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10882.721447/201586 Acórdão n.º 1402003.601 S1C4T2 Fl. 1.839 25 Desse modo, resta sanada a omissão apontada e agora conhecida, devendo tais argumentos expostos complementar o v. Acórdão recorrido. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração, retificando o v. Acórdão n º 1402002.888, para sanar as omissões apontadas e conhecidas, esclarecendo a negativa de provimento ao Recurso de Ofício, bem como dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar o valor referente a multa isolada pelo suposto não recolhimento da estimativa de CSLL de dezembro de 2010, na monta de R$74.975,28. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1839DF CARF MF
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