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Numero do processo: 10830.913626/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 62 6/ 20 09 -1 3 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10830.913626/200913 Resolução nº 3302000.842 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10830.913626/200913 Resolução nº 3302000.842 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10830.913626/200913 Resolução nº 3302000.842 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001898/2008-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 15/05/2003
Classificação fiscal. Identidade. Classificação.
O produto identificado pela análise laboratorial como sendo uma Preparação Medicamentosa constituída de Fosfomicina (antibiótico) e excipientes (derivado de celulose e substâncias inorgânicas) não se classifica no código TEC 2941.90.99, classifica-se, conforme as RGI/SH 1 e 6, a RGC-1, os textos da Posição 30.03, da Subposição 3003.20, do Item 3003.20.9 e do Subitem 3003.20.99, a Nota "3" letra "a" item "2", do Capítulo 30 e a NESH da Posição 30.03 da NCM, no código TEC 3003.20.99.
Multa por Falta de Licenciamento. Descrição Incorreta/Incompleta.
Cabível a multa do controle administrativo das importações, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo Cosit 12, de 21.01.1997.
Numero da decisão: 3001-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 15/05/2003 Classificação fiscal. Identidade. Classificação. O produto identificado pela análise laboratorial como sendo uma Preparação Medicamentosa constituída de Fosfomicina (antibiótico) e excipientes (derivado de celulose e substâncias inorgânicas) não se classifica no código TEC 2941.90.99, classifica-se, conforme as RGI/SH 1 e 6, a RGC-1, os textos da Posição 30.03, da Subposição 3003.20, do Item 3003.20.9 e do Subitem 3003.20.99, a Nota "3" letra "a" item "2", do Capítulo 30 e a NESH da Posição 30.03 da NCM, no código TEC 3003.20.99. Multa por Falta de Licenciamento. Descrição Incorreta/Incompleta. Cabível a multa do controle administrativo das importações, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo Cosit 12, de 21.01.1997.
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Identidade. Classificação. O produto identificado pela análise laboratorial como sendo uma Preparação Medicamentosa constituída de Fosfomicina (antibiótico) e excipientes (derivado de celulose e substâncias inorgânicas) não se classifica no código TEC 2941.90.99, classificase, conforme as RGI/SH 1 e 6, a RGC1, os textos da Posição 30.03, da Subposição 3003.20, do Item 3003.20.9 e do Subitem 3003.20.99, a Nota "3" letra "a" item "2", do Capítulo 30 e a NESH da Posição 30.03 da NCM, no código TEC 3003.20.99. Multa por Falta de Licenciamento. Descrição Incorreta/Incompleta. Cabível a multa do controle administrativo das importações, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo Cosit 12, de 21.01.1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 18 98 /2 00 8- 89 Fl. 161DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração A recorrente submeteu a despacho aduaneiro por meio da DI de nº 03/08848262, de 14/10/2003, a mercadoria descrita como "FOSBAC REG. M. A. DFA/SP21052/008975/200211 validade: 16/05/2005 PRODUTO: ANTIBIÓTICO DE USO VETERINÁRIO", classificando a no código 2941.90.99 da Nomenclatura Comum do Mercosul, com alíquotas de 0,00% (zero por cento) para os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados. Com isso, a fiscalização ao entender que a autuada praticou a classificação errônea, imputoulhe a multa de controle administrativo, prevista no artigo 633, do Decreto 4543/02 — Regulamento Aduaneiro no valor de R$ 25.798,78, bem como multa proporcional ao valor aduaneiro, prevista no art. 84, I da MP 2158/01 no valor de R$ 859,95. Impugnação Apresentada a Impugnação, a impugnante alegou, em síntese: A autuada praticou a classificação 2941.9099, pois desde 28/08/03, de acordo com entendimento da fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, passou a adotála, apesar de que sempre praticou a classificação 3003.2099, e que, inclusive, concorda com a classificação ora exigida na presente autuação. Ressaltou que não há diferença de imposto a recolher e, portanto, não houve intenção, por parte da autuada de burlar o fisco, tendo ocorrido apenas uma adequação à classificação determinada pela Alfândega de Viracopos. Contudo, insurgese apenas contra a cobrança da multa do controle administrativo, tendo em vista que efetuou o pagamento do Darf relativo ao pagamento da multa proporcional ao valor aduaneiro (art. 84, I da MP 2158/01). Dessa forma, aduz que descreveu corretamente o produto, ou seja, de acordo com a classificação que adotara: "FOSBAC REG. M.A. DFA/SP 21052/008975/200211, validade 16/05/2005 PRODUTO: ANTIBIÓTICO DE USO VETERINÁRIO", não havendo qualquer intenção de burlar o fisco, ou seja, de trazer um produto por outro, visando qualquer vantagem. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.001898/200889 Acórdão n.º 3001000.524 S3C0T1 Fl. 153 3 DRJ/SP1 A Impugnação foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 16049.463 11ª Turma da DRJ/SP1 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/10/2003 Classificação fiscal. Penalidades. O produto identificado pela análise laboratorial como uma Preparação Medicamentosa constituída de Fosfomicina (antibiótico) e excipientes (derivado de celulose e substâncias inorgânicas) não se classifica no código 2941.90.99. Multa por erro de classificação. Correta a aplicação da multa de ofício, por declaração inexata, prevista no art. 84, I da MP nº 26.15835/2001. Multa por falta de licenciamento. Cabível a multa do controle administrativo das Importações, capitulada na alínea “a” do inciso II do art. 633 do Decreto 4.543/2002 (DecretoLei nº 37/66, art.. 169, inc. I, alínea “b” e § 6º, com a redação dada pela pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78), por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. A DRJ/SP1 entendeu em seu Acórdão, julgar correta a classificação da mercadoria objeto deste processo no código 3003.20.99, por aplicação da regra de interpretação nº 1 do Sistema Harmonizado (posição), da regra nº 6 (subposição) e da RGC1 (item e subitem). Acerca da multa por falta de licença da importação, alega que toda mercadoria está sujeita a um licenciamento prévio. Se o licenciamento é automático, isto significa que não existem, no momento, restrições ou requisitos a serem cumpridos à importação da mercadoria que está sendo declarada. Deferida uma LI, concedida está a importação do produto nela descrito. Se a descrição feita na LI não traz todos os elementos necessários para identificação do produto efetivamente importado, obviamente, não existe uma LI para amparálo, infração perfeitamente tipificada no inciso II, alínea “a”, do artigo 633 do Decreto nº 4.543/2002. Sendo que, conforme consta dos autos, a interessada descreveu na DI o produto como: "FOSBAC REG. M. A. DFA/SP21052/008975/200211 validade: 16/05/2005 PRODUTO: ANTIBIÓTICO”. De acordo com o laudo técnico o produto importado tratase de “Preparação Medicamentosa, contendo Fosfomicina (Substância Medicamentosa com Ação Antibiótica), Derivado de celulose e Substancias Inorgânicas a base de Cálcio e Fosfato, Preparação Medicamentosa contendo Outro Antibiótico.”. Ou seja, estas informações, que não constam da descrição da mercadoria, são fundamentais para a correta classificação do produto. Concluiu a DRJ/SP1 que, assim, esta multa administrativa é perfeitamente aplicável, à medida que, as mercadorias entraram em circulação no país sem a respectiva licença de importação do órgão competente. Fl. 163DF CARF MF 4 Recurso Voluntário A recorrente repisa os argumentos da Impugnação, reforçando, em síntese, que: passou a adotar a classificação 2941 conforme entendimento da fiscalização da alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos em 28/08/2003, que foi onde ocorreu o desembaraço da mercadoria que pretendia importar. Alega que pela análise da autoridade fiscalizadora desse Aeroporto, não restou dúvida de que o produto se tratava de um antibiótico e que deveria ser classificado na posição 2941, por considerála mais específica que 3003, com isso, reclassificou a mercadoria importada, passando a adotar tal classificação. Contudo, a autoridade competente a Alfândega do Porto de Santos, em 17/03/03, houve por bem, lavrar o auto de infração em discussão, por entender que a classificação do produto em questão seria NCM 3003.2099. A recorrente aduz que concorda com a classificação 3003 e que, inclusive, se utilizava da mesma até agosto de 2003. Ademais, salienta que não há diferença de imposto entre as duas classificações, sendo ambas incidentes de alíquotas de zero por cento. Aduz que não teve intuito doloso ou agiu de máfé, uma vez que já praticava a classificação ora exigida e que só passou a adotar a outra classificação por conta do entendimento do Aeroporto Internacional de Viracopos, conforme comprova pela retificação da DI , bem como recolhimento da respectiva multa. Por fim, pelos motivos já esmiuçados na Impugnação da recorrente, busca pelo afastamento da Multa de Controle Administrativo, com fulcro no ADN COSIT n° 12/97, haja vista que alega estar correta a descrição da mercadoria importada, bem como comprovada a inexistência de intuito doloso ou máfé da mesma. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão da Impugnação em 12.09.2013, conforme Termo de Ciência, fl. 91, nos termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.001898/200889 Acórdão n.º 3001000.524 S3C0T1 Fl. 154 5 Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 07.10.2013, conforme comprova o carimbo da DERAT, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS A empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro por meio da DI de nº 03/08848262, de 14/10/2003, a mercadoria descrita como "FOSBAC REG. M. A. DFA/SP21052/008975/200211 validade: 16/05/2005 PRODUTO: ANTIBIÓTICO DE USO VETERINÁRIO", classificandoa no código 2941.90.99 da Nomenclatura Comum do Mercosul, com alíquotas de 0,00% (zero por cento) para os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados. O importador juntou, para fins de instrução da D.I. 03/08848262, o Licenciamento de Importação (L.I.) nº 03/10733356, o qual ampara importações de "outros antibióticos" com NCM 2941.90.99. No entanto, segundo a fiscalização, respostas dadas pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP nº 0017.01/2003, fls. 20/22, revelam que referido produto não pode ser enquadrado no Capítulo 29, conforme resposta ao quesito para identificar a composição do produto: “Não se trata somente de Fosfomicina e nem de Qualquer Outro Antibiótico. Tratase de Preparação Medicamentosa, contendo Fosfomicina (Substância Medicamentosa com Ação Antibiótica), Derivado de celulose e Substancias Inorgânicas a base de Cálcio e Fosfato, Preparação Medicamentosa contendo Outro Antibiótico, na forma de grânulos, destinada as fabricas de rações.” Portanto, entendeu a autoridade fiscalizadora do Porto de Santos que a recorrente importa mercadoria diversa, ou seja, "preparação medicamentosa", motivo pelo qual considerou a fiscalização que a mercadoria importada está desamparada de licença de importação. Com isso, lavou Auto de Infração, imputandolhe a multa de controle administrativo, prevista no artigo 633, do Decreto 4543/02 — Regulamento Aduaneiro no valor de R$ 25.798,78, bem como multa proporcional ao valor aduaneiro, prevista no art. 84, I da MP 2158/01 no valor de R$ 859,95, a qual foi extinta pelo pagamento. MÉRITO Alega que auto de infração imputa à autuada a conduta de ter procedimento a importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Contudo, a autuada obteve o documento necessário à efetivação da importação, pois se assim não o fosse, não teria desembaraçado a mercadoria, o que efetivamente ocorreu. Fl. 165DF CARF MF 6 É claro que, em função do erro de classificação, o documento obtido não possui a mesma classificação determinada pela RFB quando da lavratura do auto de infração e nem poderia ser diferente. Portanto, aduz ser incabível a aplicação do artigo 633, do Decreto 4543/02 De fato, a mercadoria importada pela recorrente, e de forma alguma contestada pela autoridade aduaneira, e, além disso, corroboradas Laboratório de Análises da FUNCAMP nº 0017.01/2003, fls. 20/22, que revelou que referido produto não pôde ser enquadrado no Capítulo 29, e sim na NCM 3033.2099, tendo em vista que identificoua mercadoria como uma Preparação Medicamentosa, contendo Fosfomicina (Substância Medicamentosa com Ação Antibiótica) e excipientes (Derivado de celulose e Substâncias Inorgânicas a base de Cálcio e Fosfato), Preparação Medicamentosa contendo Outro Antibiótico, na forma de grânulos, destinada as fabricas de rações, submetida, portanto aos ditames da legislação sanitária, como de fato obtido foi. A recorrente solicita, acertadamente, a aplicação do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97, o qual tem a função de atenuar o rigor do disposto no artigo 526 do antigo Regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/85), desde que os produtos estejam corretamente descritos, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado e que não se constate, em qualquer caso, intuito doloso ou má fé, por parte do declarante. A partir do documento acostado em fls. 19, trazido a tona como o memorando 857/03 da Receita Federal, foi confirmada a conferência documental efetuada, que resultou no Laudo de Análise, em fls. 21, com a devida identificação química do produto. Da mesma forma, encontramse nos autos, em fls. 24, tela do SISCOMEX demonstrando a identidade da carga. Telas seguintes inelegíveis, mas, a princípio, desnecessárias para a formação de convicção. Pois bem, das telas referentes à DI, existe completo preenchimento nos campos, em especial na DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA. 1575 KGS DE FOSBAC REG MA DFA/SP 21052/008975/200211. Expostos estes fundamentos, importa trazer à tona a ementa resultado da 2.a. Turma Extraordinária deste CARF, na qual, após os debates de praxe, concluiuse pela aplicação da ADN / COSIT para aquele caso posto em julgamento, justamente por preencher os requisitos relativos à informação e descrição da mercadoria. Seguese a trechos voto vencedor: Acórdão 3202000.808 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/12/2003 MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.DESCRIÇÃO DA MERCADORIA NA DI. EXISTÊNCIA DE ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS À IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO. APLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº. 12/97. Constando na DI a descrição do produto com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.001898/200889 Acórdão n.º 3001000.524 S3C0T1 Fl. 155 7 e enquadramento tarifário, aplicáveis as disposições contidas no ADN/COSIT nº. 12/97, segundo o qual é exonerada a aplicação da multa do controle administrativo prevista no art. 633, II,”a”, do Regulamento Aduaneiro/2002, quando a mercadoria for corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação. Recurso voluntário provido. Voto Vencedor : Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Redator Com o devido respeito, entendo que o caso dos autos se adequa as disposições do ADN/COSIT nº. 12/97, que assim estabelece: “(...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a DI de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque “EX” exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado (negritei), e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante.” (grifo não constante do original) Como bem destacado no respeitável oto da ilustre Relatora, a mercadoria foi assim descrita na DI nº. 03/11123761 (fl. 29) Diflubenzuron VC90. Diflubenzuron 1(4chlorophenyl) 3(2,6difluorbenzoyl) urea 90% inert materials 10%. No meu entender, a recorrente indicou todos os elementos da mercadoria, tendo havido, apenas, divergência quanto identificação de tais dados para fins de classificação fiscal. Enquanto para a contribuinte os elementos identificariam a mercadoria como Diflubenzuron em sua forma primária, para fiscalização os mesmos dados configuravam uma preparação intermediária inseticida. Forte nessas razões, voto para DAR provimento ao recurso voluntário. É o voto. Adoto, portanto, mesmo entendimento nos autos em questão. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe provimento Fl. 167DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos argumentos do I. Conselheiro Relator e concessa venia aos meus pares que entenderam em sentido contrário, esclareço que o presente prestase tão somente para expor meu entendimento acerca do cabimento da multa do controle administrativo das Importações, por falta de Licença de Importação, em face da incorreta descrição na declaração de importação, portanto, pela inaplicabilidade do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21.01.1997, conforme suscitado em sede de Recurso Voluntário e corroborado no Voto Vencido. Entendem os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante serem aplicáveis as disposições contidas no ADN/Cosit nº 12, de 1997, segundo o qual é exonerada a aplicação da multa do controle administrativo prevista no artigo 633, inciso II, alínea "a", do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador do produto químico importado em comento, por concluírem que o mesmo foi corretamente descrito, ou seja, com todos os elementos necessários à sua identificação. Dos fundamentos da autuação O contribuinte Ilender do Brasil Laboratórios Ltda., por meio da Declaração de Importação DI 03/08848262, registrada em 14.10.2003, submeteu a despacho aduaneiro de importação a mercadoria assim descrita como sendo 1.575 quilos de "FOSBAC REG. M. A. DFA/SP21052/008975/200211 validade: 16/05/2005 PRODUTO: ANTIBIOTICO DE USO VETERINÁRIO", classificandoa no código 2941.90.99 da NCM, com alíquotas de zero por cento, tanto para o Imposto de Importação II quanto para o Impostos sobre Produtos Industrializados IPI. Referida DI foi parametrizada, pelo sistema pelo Siscomex, para o canal de verificação "Amarelo", sujeitandose, portanto, à conferência documental da mercadoria, que, posteriormente, em face do Memorando nº 857/03GCOD, foi conduzida para o canal de verificação "Vermelho", a fim de possibilitar a realização da conferência física, cujo objetivo era esclarecer qual sua correta classificação fiscal, tendo em vista que no Conhecimento de Carga BL constava mencionado para referida mercadoria o código de classificação fiscal 3004.20.99 da NCM. Por ocasião da referida conferência física solicitouse a realização de exame laboratorial, é o que depreendese do "Pedido de Exame LAB nº 2659/03GCOF". Examinada a amostra retirada em razão do pedido de exame, o Laboratório de Análises, por meio do Laudo Funcamp nº 0017.01, de 08.01.2004, com supedâneo nas respostas aos quesitos formulados, concluiu que "Tratase de Preparação Medicamentosa, contendo Fosfornicina (Substância Medicamentosa com Ação Antibiótica), Derivado de Celulose e Substâncias Inorgânicas it base de Cálcio e Fosfato, na forma de grânulos". Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11128.001898/200889 Acórdão n.º 3001000.524 S3C0T1 Fl. 156 9 Neste sentido, considerando o (i) resultado do laudo de análise expedido pela Funcamp, o (ii) que determinam as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 1 e nº 6, a (iii) Regra Geral Complementar RGC nº 1, o (iv) texto da Posição 30.03, da Subposição 3003.20, do Item 3003.20.9, do Subitem 3003.20.99, a (v) Nota "3" letra "a" item "2", do Capítulo 30, e a (vi) Nota Explicativa NESH da Posição 3003 da Nomenclatura Comum do Mercosul, a autoridade aduaneira fiscal competente concluiu que "a mercadoria importada, através da Declaração de Importação nº 03/08848262, classifica se no código 3003.20.99 da Tarifa Externa Comum, sendo incidentes as alíquotas de 0,00% (zero por cento) para os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, conforme determinam, respectivamente, a Resolução Camex nº 42/01 (publicada no D.O.U. em 29/12/2001), alterada pelas Resoluções Camex nºs 18 e 35, de 2002, e nºs 8 e 19, de 2003, e o Decreto nº 4.542/02 (publicado no D.O.U. em 27/12/2002)". Em face da conclusão acima transcrita, o Sefia/Eqrev/ALF/Porto de Santos, lavrou em 11.03.2008, o questionado auto de infração MPF 0817800/05409/08, para exigir do importador (i) a multa do controle administrativo, em face da importação desamparada de licença de importação e (ii) a multa proporcional ao valor aduaneiro, em face da classificação incorreta da mercadoria importada na NCM. Dos fundamentos da decisão recorrida A decisão recorrida Acórdão 1649.463, da 11ª Turma da DRJ/SP1, de 15.08.2013, analisando os termos da impugnação apresentada concluiu por sua improcedência, mantendo o respectivo crédito tributário lançado, cuja síntese está expressa na ementa a seguir transcritas, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/10/2003 Classificação fiscal. Penalidades. O produto identificado pela análise laboratorial como uma Preparação Medicamentosa constituída de Fosfomicina (antibiótico) e excipientes (derivado de celulose e substâncias inorgânicas) não se classifica no código 2941.90.99. Multa por erro de classificação. Correta a aplicação da multa de ofício, por declaração inexata, prevista no art. 84, I da MP nº 26.15835/2001. Multa por falta de licenciamento. Cabível a multa do controle administrativo das Importações, capitulada na alínea “a” do inciso II do art. 633 do Decreto 4.543/2002 (DecretoLei nº 37/66, art.. 169, inc. I, alínea “b” e § 6º, com a redação dada pela pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78), por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 169DF CARF MF 10 Do recurso voluntário Não conformandose com parte dos fundamentos da decisão de primeira instância, haja vista que textualmente salienta que "concorda com a classificação 3003.20.99, a qual era usualmente praticada pela empresa, até o advento de agosto de 2003", o recorrente, insurgese contra a acusada "conduta de importar produto desamparado de guia de importação ou documento equivalente", alegando que tal imposição "não merece prosperar", notadamente porque entende que no caso em apreço devese observar "a mitigação do rigor com que tal questão vem sendo interpretada, a qual é realizada em virtude do ADN COSIT nº 12/97, bem como da Jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atualmente, CARF)", uma vez que entende que "descreveu corretamente o produto, ou seja, de acordo com a classificação que adotada, não havendo qualquer intenção de burlar o fisco, ou seja, de trazer um produto por outro, visando qualquer vantagem", "uma vez que já praticava a classificação 3003.20.99, ora exigida e só passou a praticar a classificação 2941.90.99, entendida como errônea pela presente autuação, haja vista que a fiscalização de Viracopos entendia que esta última era a correta, conforme se comprova pela retificação efetiva na DI, bem como pelo recolhimento da respectiva multa". Do litígio Desta feita, resta evidenciado que o recorrente insurge contra a exigência da multa do controle administrativo das importações, por falta de Licença de Importação; porém, tão somente quanto ao fato de a autoridade lançadora, corroborada pela decisão recorrida, não ter aplicado ao caso sob exame o disposto no ADN Cosit nº 12, de 1997, que mitigou o rigor da referida norma tributáriopenal, sob o fundamento da descrição correta do produto químico importado, haja vista que, ao que diz respeito à sua classificação fiscal, textualmente admite que esta se dá efetivamente no código NCM 3003.20.99 da TEC, tal como sempre fez uso, até o mês de agosto de 2003. Do mérito desta decisão Conforme veremos, não assiste razão ao recorrente. A descrição da mercadorias na Adição 001 da DI nº 03/08848262 é a que segue, verbis: “FOS13AC. REG. MA DFA/SP21052/008975/200211 validade: 16/05/2005 PRODUTO: ANTIBIOTICO DE USO VETERINARIO Qtde: 1575 KILO” Consta ainda na referida adição que referida mercadoria foi importada da Argentina, tendo o importador adotado inadvertidamente, como admite, a classificação tarifária no código NCM 2941.90.90 da TEC, próprio para "Outros Antibióticos", obtendo, para tanto a Licença de Importação nº 03/10733356. A fim de elucidar, do que se tratava efetivamente o produto importado, uma vez que a expressão "FOS13AC" nada informava, e se realmente tratavase apenas de um antibiótico de uso veterinário, providenciouse a elaboração de exame laboratorial, efetuado em amostra adredemente colhida, realizado pela "FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP", que emitiu, em face do convênio IQ/ALF PORTO DE SANTOS/FUNCAMP, o Laudo de Análise nº 0017.01 Lab.: 2659/GCOF. Vejamos as respostas aos quesitos formulados pela fiscalização: RESPOSTAS AOS QUESITOS: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11128.001898/200889 Acórdão n.º 3001000.524 S3C0T1 Fl. 157 11 1. Não se trata somente de Fosfomicina e nem de Qualquer Outro Antibiótico. Tratase de Preparação Medicamentosa, contendo Fosfornicina (Substcincia Medicamentosa com Ação Antibiótica), Derivado de Celulose e Substancias Inorgânicas a base de Cálcio e Fosfato, Preparação Medicamentosa contendo Outro Antibiótico, na forma de grânulos, destinada as fábricas de rações. 2. Tratase de Preparação Medicamentosa especificamente elaborada para ser administrada por meio de sua adição nas rações. 3, De acordo com Literatura Técnica (cópia anexa), Preparação Medicamentosa contendo Fosfomicina é utilizada na medicina veterinária no tratamento de infecções bacterianas causadas por Salmoneloses, Colibaciloses, Cólera e Listerioses. 4. Consideramos que a Fosfomicina é um composto orgânico contendo ou não impurezas, de constituição química definida desde que se apresente sem nenhuma adição de excipientes. A mercadoria em epígrafe é uma preparação contendo Fosfomicina (Substancia Medicamentosa com Ação Antibiótica) e Excipientes (Derivado de Celulose e Substâncias Inorgânicas à base de Cálcio e Fosfato), intencionalmente adicionados, para facilitar o manuseio como a sua incorporação nas rações animais, em quantidade adequada para fins terapêuticos e/ou profiláticos. Por se tratar de preparação contendo um antibiótico, consultar Órgão Competente (Ministério da Agricultura), quanto as indicações e modo de uso. Com fundamento na análise laboratorial realizada na amostra do "FOSBAC", a Funcamp conclui que o produto importado tratase de "Preparação Medicamentosa, contendo Fosformicina (Substância Medicamentosa com Ação Antibiótica), Derivado de Celulose e Substâncias Inorgânicas à base de Cálcio e Fosfato, na forma de grânulos". Após discorrer sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, sobre as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), as Regras Gerais Complementares (RGC) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a autoridade aduaneira sustenta que a mercadoria se classifica no código NCM 3002.20.99 da TEC, por aplicação das RGI 1 e 6, RGC 1 e NESH da posição 3003, fato, como já evidenciado, não contestado pelo recorrente, pelo contrário, admitido textualmente. Em decorrência dos fatos apurados, a autoridade fiscal e esclarece, verbis: Considerando que todo registro de Declaração de Importação junto ao SISCOMEX encontrase vinculado A concessão de Licenciamento de Importação LI, automático ou não automático (no caso presente NÃO automático), e tendo em vista que erro de classificação tarifária decorrente de insuficiência, na descrição, de todos os elementos necessários A sua Fl. 171DF CARF MF 12 identificação e ao enquadramento tarifário da mercadoria, implica na obtenção de licenciamento para uma mercadoria diversa da que foi importada (Ato Declaratório Normativo COSIT/SRF nº 12/1997), mediante o Laudo Funcamp n] 0017.01, de 08/01/2004, e a descrição incorreta/incompleta da mercadoria no campo "Descrição Detalhada da Mercadoria" na adição 001 da Declaração de Importação nº 03/08848262 (não se trata SOMENTE de "antibiótico de uso veterinário"), proponho a aplicação, ao importador, da multa por falta de Licenciamento de Importação (L.I.) ou documento de efeito equivalente para a mercadoria amparada pela ADIÇÃO/DI: De fato, as informações fornecidas pelo laudo pericial elidem de quaisquer dúvidas o fato de que o produto importado "FOSBAC" é, na verdade, uma preparação medicamentosa, contendo fosformicina, ou seja, uma substância medicamentosa com ação antibiótica) contendo também excipientes derivado de celulose e substâncias inorgânicas à base de cálcio e fosfato, intencionalmente adicionados, para facilitar o manuseio como a sua incorporação nas rações animais, em quantidade adequada para fins terapêuticos e/ou profiláticos. Portanto, o código NCM 2941.90.90 da TEC, dada pelo contribuinte, não se afigura adequada. Por outro lado, a classificação código NCM 3002.20.99 da TEC, próprio para "outros antibióticos", é perfeitamente adequada à hipótese, por espelhar literalmente a composição e a natureza do produto desembaraçado. Impende destacar que a multa do controle administrativo das importações, capitulada na alínea “a” do inciso II do artigo 633 do Decreto nº 4.543/2002 (DecretoLei nº 37, de 1966, artigo 169, inciso I, alínea “b” e § 6º, com a redação dada pela pelo artigo 2º da Lei nº 6.562, de 1978), não é aplicada nos casos em que se verifica, tão somente, descrição inexata de mercadoria em declaração de importação, porém, especificamente, incide tal multa nos episódios de ausência de licença de importação ou guia de importação. No regime de licenciamento, em vigor desde a incorporação da Rodada do Uruguai, em 1994, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Assim caso se demonstre erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (por exemplo, o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Ocorre, por outro lado, que se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Especificamente no presente caso, para ambas as classificações Contribuinte e Fisco o tratamento administrativo era de licenciamento não automático. Apesar de a importação em tela ter sido cursada com LI, a autoridade fiscal entendeu que deveria aplicar a multa de 30%, pois a licença teria sido obtida para a NCM incorreta e houve descrição inexata da mercadoria nas DI informou tratar de antibiótico, quando se tratava de uma preparação contendo também um antibiótico. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.001898/200889 Acórdão n.º 3001000.524 S3C0T1 Fl. 158 13 Dadas as citadas incorreções, a fiscalização considerou inaplicável o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 1997, verbis: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. O recorrente sustenta que a mercadoria foi perfeitamente identificada, tal como entenderam alguns de meus nobres pares, tanto que pela descrição constante da DI não permitiu que o Fisco realizasse a classificação fiscal, fato que demandou exame físico e, por conseguinte, análise laboratorial de sua amostra. Por fim, colacionou decisões administrativas, no sentido de que o erro na classificação fiscal não ensejaria a aplicação da multa por falta de LI, caso a mercadoria tenha sido corretamente descrita nas DI. Também neste caso, os argumentos de defesa não merecem prosperar. O ato de omitir que se tratava de uma "preparação" vacina e informar que era um "antibiótico", induziu a erro no processo de classificação fiscal o incorreto NCM 2941.90.90 e consequente de licenciamento de importação. O assunto foi muito bem abordado na decisão de primeira instância, verbis: (. . .) Conforme consta dos autos, a interessada descreveu na DI o produto como: "FOSBAC REG. M. A. DFA/SP21052/ 008975/200211 validade: 16/05/2005 PRODUTO: ANTIBIÓTICO. De acordo com o laudo técnico o produto importado tratase de “Tratase de Preparação Medicamentosa, contendo Fosfomicina (Substância Medicamentosa com Ação Antibiótica), Derivado de celulose e Substancias Inorgânicas a base de Cálcio e Fosfato, Preparação Medicamentosa contendo Outro Antibiótico.” Estas informações, que não constam da descrição da mercadoria, são fundamentais para a correta classificação do produto, ou seja, a descrição, tal qual como feita pela interessada na Declaração de Importação, é incompleta. Assim, esta multa administrativa é perfeitamente aplicável, à medida que, as mercadorias entraram em circulação no país sem a respectiva licença de importação do órgão competente. Observese, uma vez mais, que a descrição feita pelo contribuinte/importador tanto foi insuficiente que, com base nela, não foi possível efetuar a classificação da mercadoria, Fl. 173DF CARF MF 14 havendo necessidade de instauração de um procedimento fiscal, que culminou na sua análise laboratorial com vista à obtenção de esclarecimentos que permitissem a correta identificação da mercadoria. No caso, a mercadoria importada não corresponde à indicada na Licença de Importação nº 03/10733356, pois o recorrente importou mercadoria diversa da que foi licenciada. Portanto, tudo contribui para que se possa afirmar que, a importação da mercadoria está efetivamente desamparada de Licença da Importação LI, uma vez que o licenciamento obtidos pelo importador acoberta mercadoria de espécie diferente daquela efetivamente importada. Em termos concretos, significa que o importador, por meio da DI/Adição nº 03/08848262/001, fez adentrar no território nacional produto químico, para uso em ração animal sem o licenciamento governamental da importação, afetando o controle aduaneiro, inclusive, para fins estatísticos; de outra forma dizendo, a mercadoria efetivamente importada não obteve o Licenciamento Não Automático do órgão competente, tendo em vista que o licenciamento de fato ocorrido recaiu sobre a mercadoria classificada no código NCM 2941.90.90, havendo sido concedido com base em descrição incorreta da mercadoria, elaborada pelo contribuinte. Assim, o recorrente efetuou importação da mercadoria sem licença de importação a que estava obrigada. Diante dessas considerações verificase que o caso concreto não se enquadra na hipótese de que trata o Ato Declaratório Normativo Cosit 12, de 1997, porque a mercadoria não foi corretamente descrita pelo importador, com todos os elementos necessários a sua perfeita identificação e classificação tarifária. Portanto, ficou configurada a infração administrativa ao controle das importações, pela importação de mercadoria sem licença de importação, sujeitando o importador à multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea "b", do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978. Por essas razões, entendo inaplicável o ADN Cosit n° 12, de 21.01.1997, motivo pelo qual mantenho a aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada por meio da DI/Adição nº 03/08848262/001. É como penso. Da conclusão Dessa forma, ao que concerne à matéria sobre apreço, restando demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade dela decorrente, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto, para manter, nos exatos termos da decisão recorrida, o crédito tributário objurgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.001898/200889 Acórdão n.º 3001000.524 S3C0T1 Fl. 159 15 Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.013136/99-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de pedido de restituição apresentado por meio de formulário (efls. 3) em que se informa como natureza do crédito valores concernentes ao IRRF recolhido nos anos calendário de 1997 e 1998, demonstrados a partir do documento de efls. 5. O valor total postulado alçava a monta de R$ 232.626,06. Posteriormente, a empresa apresentou um pedido de compensação com débitos de terceiros e que foi autuado sob o nº 16327.002590/9994. Este pedido específico, contudo, não é objeto de discussão neste feito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 13 13 6/ 99 -3 1 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 448 2 Ao analisar a pretensão afeita à restituição noticiada acima, a DIORT/SP (efls. 225 e ss), não obstante mencionar a apresentação pelo contribuinte de documentos, em especial, os informes de rendimentos e notas de negociação de títulos, juntados à efls. 4 a 6 e 14 a 26, além de DARFs de recolhimento, centrou a sua análise, exclusivamente, na informação extraídas das DIRPJs, AC97/98, de que os valores relativos às estimativas pagas em tais anos estariam com a sua exigibilidade suspensa. Vejam, neste passo, que, num primeiro momento, a Unidade de Origem, mesmo que não o diga explicitamente, deu ao pedido deduzido pela recorrente tratamento próprio de pedidos de restituição de "saldo negativo de imposto" e apreciou o pleito creditório como tal. Em seguida menciona, de fato, a juntada de documentos que comprovam a propositura de um mandado de segurança1, pela empresa, e a posterior desistência da demanda, noticiando, expressamente, que o contribuinte teria optado por, em 30/07/99, pagar o crédito tributário objeto da discussão judicial. Curiosamente, todavia, conclui o despacho decisório com as seguintes considerações: Assim, tendo em vista que o crédito objeto da presente solicitação tem como origem créditos relativos aos AnoCalendário de 1997 e 1998, .e ,que nas declarações correspondentes dos Exercício de 1998 e 1999, respectivamente, estão declarados valores. de Imposto de Renda e de • Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com EXIGIBILIDADE SUSPENSA; fato.esse a ser apreciado pelo órgão competente ,da Secretaria.: da Receita .Federal, PROPONHO a VSa., o INDEFERIMENTO do Pedido de Restituição de fl. 01 do presente processo, por improcedência do seu pleito. Ou seja, ainda que mencione o IRRF e os respectivos comprovantes, a Unidade de Origem limitou a sua decisão ao problema dos valores declarados pelo contribuinte com a exigibilidade suspensa. A recorrente, então, manejou a usa manifestação de inconformidade, sustentando, num primeiro momento, um erro incorrido pela DIORT ao apontar como valores com exigibilidade suspensa, respeitantes ao IRPJ, nos anos 97 e 98, as importâncias de R$ 272.638,96 e R$ 1.159.300,26, respectivamente, quando, em verdade, em razão de balancetes de suspensão, tais montantes alçavam as quantias de R$ 117.785,15 e R$ 189.406,66. A justificativa para tal alegação é que nos períodos em testilha teria optado por apurar o imposto por meio de balancetes de suspensão. Passo seguinte, afirma que a suspensão da exigibilidade do crédito não obstaria o pedido de restituição e que, de mais a mais, a própria Autoridade Administrativa teria atestado o pagamento dos valores declarados, com a desistência da ação mandamental proposta. Ao fim de sua peça impugnatória, se opõe, ainda, à sugestão proposta pela DIORT, de se exigir os créditos declarados pelo contribuinte, objetos do já citado mandado de segurança, por meio de auto de infração, a fim de obstar a decadência... como semelhante discussão é absolutamente despropositada, não me estenderei aqui. 1 Ação autuada sob o nº 97.00204200 em que a Instituição Financeira discutia a trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 449 3 A DRJ/SP, instada à decidir o caso, optou, num primeiro momento, por converter o julgamento em diligência a fim de que o recorrente esclarecesse, por meio de demonstrativos, a composição do saldo (devedor ou negativo) do IR nos anos de 1997 e 1998, declinando os valores que foram pagos mediante DARF e aqueles que não foram objeto de pagamento em razão da suspensão de sua exigibilidade. Nesta esteira, determinou, ainda, à empresa, que apresentasse os DARFs que comprovariam o pagamento destes últimos valores (com exigibilidade suspensa) e, ainda, os dados relativos à ação mandamental supra referida. Após requerer uma dilação de prazo, o recorrente apresentou, a efls. 281 e ss, a sua resposta à intimação proferida pela DRJ, ocasião em que juntou o demonstrativo de efls. 287 (apuração do IRPJ, AC 1997), acompanhado dos DARFs de efls. 288 a 292, e a planilha de efls. 306 (apuração do IRPJ, AC 1998), acompanhado de um extrato de pagamento (efls. 317), realizado com base no parcelamento descrito na MP 38/02, e respectivos DARFs (efls. 318/319). Notem que deixei de constar, deste relato, propositadamente, os documentos apresentados relativos à CSLL, dado que o respectivo, e pretenso, saldo negativo não foi objeto do pedido de restituição ora analisado. Cumprida a diligência, a DRJ/SP, então, julgou o pleito deduzido pela recorrente, considerando improcedente a manifestação de inconformidade então manejada, conforme ementa que, abaixo, reproduzo: IRRF. COMPOSIÇÃO. 0 imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituidos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Solicitação Indeferida. Em apertada síntese, o acórdão recorrido considerou apenas parcialmente comprovados os valores concernentes ao IRRF (R$ 10.756,21), quanto ao ano de 1997 (o que revelaria saldo de imposto a pagar e não saldo negativo). Quanto ao ano 1998, afirma, com base na respectiva DIPJ, a não apuração de saldo negativo, justificando a sua decisão, com base nas seguintes alegações: a) de que o contribuinte não teria comprovado a existência de qualquer decisão que tivesse determinado a suspensão da exigibilidade dos créditos tratados na ação mandamental; Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 450 4 b) de que os DARFs apresentados em resposta à diligência realizada "representam justamente obrigações devidas pela impugnante" (efls. 354, penúltimo parágrafo do voto) e que "ademais, a contribuinte não provou que os valores em litígio e informados na declaração de rendimentos como de exigibilidade suspensa tratavamse de recolhimentos a maior ou indevidos" (efls. 354, último parágrafo do voto). Tendo sido cientificado do teor do acórdão supra em 23/05/2007 (efls. 355), interpôs o seu recurso voluntário em 20/06/2007 (carimbo de recebimento de efls. 356) em que, além de sustentar a desconsideração, pela DRJ, dos documentos trazidos em resposta à diligência proposta, reprisa os demais argumentos contidos em sua manifestação de inconformidade. Chegando o processo à este CARF, instaurouse, inicialmente, uma discussão sobre a competência da 1ª Seção para análise do feito, declinandoa à 2ª Seção. Por meio do acórdão de efls. 441/445, a 2ª Seção decidiu por declinar, novamente, a competência, desta feita, para esta 1ª Seção. Os autos, então, me foram distribuídos para análise e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de cabimento, razões pelas quais, dele, tomo conhecimento. I Prefacialmente. Vale destacar, desde logo, que nem o despacho decisório, nem o acórdão recorrido e nem, tampouco, as razões de insurgência trazidas pelo recorrente primaram pela clareza e fundamentação... em verdade, estabeleceuse, no feito, uma discussão de tal sorte incongruente, e mal posta, que este julgador teve consideráveis dificuldades para compreender, até mesmo, o objeto do processo. Com efeito, a balbúrdia se inicia com o próprio contribuinte, que apresenta um pedido de restituição de IRRF sem estabelecer quaisquer razões para comprovar o indébito, mas em seguida instrui a pretensão com documentos necessários á identificação de saldo negativo de imposto de renda, dentre estes, as DARFs de recolhimento de estimativas e outros documentos relativos à apuração da CSLL que, como já dito no relatório acima, sequer compõe o objeto do pedido de restituição... Tendo em conta que o IRRF, de per si, não é restituível, salvo exceções específicas, a Unidade de Origem fez, de fato, o que se esperava e recebeu o aludido pedido como restituição de saldo negativo... Ao assim proceder, contudo, proferiu despacho absolutamente desprovido de fundamentação hábil e sem se ocupar de melhor instruir o processo para exigir, por exemplo, do contribuinte, a apresentação de cópias da decisão que teria suspendido a exigibilidade do crédito ou, mesmo, sem lhe requerer quaisquer esclarecimentos adicionais, limitando a afirmar que os débitos com exigibilidade suspensa não Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 451 5 dão azo a pedidos de restituição, não obstante afirmar que o contribuinte teria quitado tais valores! Mais que isso, a Unidade de origem não fez qualquer crítica aos documentos concernentes ao IRRF... verdade seja dita, a DIORT nem mesmo os analisou.. A DRJ compreendeu tal falha e instou o recorrente a melhor esclarecer a origem do crédito, mais um vez, todavia, limitando o questionamento ao problema dos créditos tributários com exigibilidade suspensa, sem nada pedir, perquerir ou discutir sobre o IRRF... Em resposta à esta intimação, o contribuinte apresentou os documentos tal como requeridos pela DRJ. Ao decidir a questão, aprofundou a análise sobre os documentos já trazidos, sponte propria, quanto ao IRFonte e concluiu pela comprovação, apenas, parcial destes para o fim de determinar a apuração de saldo negativo; de forma absolutamente ininteligível, entretanto, desconsiderou os DARFs de recolhimento apresentados sob argumento menos compreensível ainda: 20. A interessada não comprovou que os valores informados como de exigibilidade suspensa nas declarações de rendimentos dos anoscalendário de 1997 e 1998 estavam amparados por liminar em mandado de segurança, antecipação de tutela, liminar em medida cautelar ou depósito de seu montante integral. Apresentou apenas cópias dos DARF de fls.324/325 visando provar que efetuou os pagamentos objeto da lide. No entanto, os montantes recolhidos por DARF (fls.324/325) representam justamente obrigações devidas pela impugnante. Prova disso é a renúncia da impugnante de recorrer da sentença proferida pelo Judiciário. Venia concessa, mas porque, então, se intimou o contribuinte para comprovar o pagamento dos valores pretensamente suspensos por uma, até então não comprovada, decisão judicial? Qual a relevância desta prova? A falta de comprovação do fato jurídicoprocessual (liminar, cautelar, antecipação de tutela) já não seria suficiente para comprovar a incorreção dos lançamentos realizados nas DIRPJs e, ato contínuo, a possível iliquidez do crédito postulado? Há, ainda, outras inconsistências no predito julgado, mormente quando o acórdão recorrido afirma não ter sido apurado saldo negativo no anocalendário de 1998, sem qualquer explicação adicional para semelhante assertiva (a DIRPJ, Ficha 13, linha 26, juntada à efls. 158, inclusive, contanos outra estória). Lado outro, a DRJ nem de longe se posicionou sobre a alegação trazida na manifestação de inconformidade, concernente ao problema da divergência entre os valores considerados pela Unidade de Origem, cuja exigibilidade estava pretensamente suspensa, e aqueles declinados pelo recorrente... Em suma, se o despacho decisório não motivou de forma suficiente as suas conclusões, o acórdão da DRJ pecou, inegavelmente, pela falta de clareza... e, nada obstante, semelhantes problemas sequer foram aventados pelo recorrente, que não ajudou nem um pouco na correta compreensão do objeto em litígio... Feitas tais críticas, e a par da pobreza franciscana instrutória e de fundamentação das decisões proferidas no feito, restanos verificar se há elementos suficientes para se decidir o caso e, a partir daí, solucionálo da melhor forma possível. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 452 6 II Da liquidez e certeza do crédito e da análise dos elementos conformadores do saldo (positivo ou negativo) do IRPJ nos anos calendário de 1997 e 1998. Até para entender, efetiva e concretamente, o quid pro quo, é quando menos prudente que façamos, agora, uma análise detida das DIRPJs e dos valores que compuseram o saldo negativo pleiteado pelo recorrente. Neste passo, atentem para os valores descritos, principalmente, nas fichas 09, das DIRPJs dos anoscalendários de 1997 e 1998. DIRPJ/AC97 Estimativas Mês Imposto devido(linhas 2 e 3) Imp. pago. comp. ant. Deduções (IRRF) Crédito com exig. suspensa Valor a pagar DARFe fls. Janeiro R$ 50.517,95 0,00 0,00 0,00 R$ 50.517,95 288 Fevereiro R$ 1.537,81 R$ 50.517,95 0,00 0,00 R$ 1.537,81 289 Março R$ 67.090,38 R$52.055,76 0,00 0,00 R$ 15.034,00 290 Abril R$ 69.164,61 R$ 67.090,38 R$ 2.074,23 0,00 0,00 Maio R$ 77.677,35 R$ 69.164,62 R$ 3.645,98 sem informações2 R$ 4.866,75 Junho R$ 96.778,06 R$ 72.810,60 R$ 3.152,20 R$ 6.048,39 R$ 14.766,87 291 Julho R$ 77.308,00 R$ 90.729,68 R$ 101,81 R$ 5.070,05 0,00 Agosto R$ 86.592,46 R$ 72.237,95 R$18.174,64 R$ 5.701,99 0,00 Setembro R$ 106.734,02 R$ 80.890,48 R$ 20.466,54 R$ 6.941,91 0,00 Outubro R$ 126.862,07 R$ 99.792,12 R$ 2.094,20 R$ 8.181,09 R$ 16.794,66 292 Novembro R$ 70.295,27 R$ 118.680,99 R$ 154,90 R$ 5.125,31 0,00 Dezembro R$ 117.785,13 R$ 118.680,99 R$ 370,40 R$ 117.785,15 0,00 Estimativas totais pagas R$ 103.518,04 Pelo que se extrai, lado outro, da Ficha 8 (apuração anual do imposto), a empresa teria apurado um valor de imposto devido no importe de R$ 117.785,13, informando um valor de estimativas pagas no importe de R$ 119.051,39; como declarou, também, como suspensa a exigibilidade do predito montante de R$ 117.785,13, apurou um saldo negativo de, exatamente, R$ 119.051,39. Cabem, aqui, algumas observações... Pelos documentos constantes dos autos, mormente os DARFs de efls. 288 a 292, o valor total de estimativas pagas alçou a monta de R$ 103.518,04; neste momento, então, já seria possível sustentar que, se saldo negativo houve, ele o foi apenas no importe de R$ 103.518,04. Lado outro, na apuração anual do imposto, a empresa não declarou nenhum valor a título de IRRF. Assim, se ela suportou retenções que ultrapassam os totais apropriados na apuração mensal, teria, de fato, uma parcela a ser acrescida ao predito saldo negativo. Em relação ao ano de 1998, vejamos o que se sucedeu: DIPRJ/AC98 Mês Imposto devido(linhas 2 e 3) Imp. pago. comp. ant. Deduções (IRRF) Crédito com exig. suspensa Valor a pagar DARFe fls. Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril R$ 32,865,98 0,00 0,00 R$ 32.865,98 0,00 2 A Ficha 9, juntada ao feito, está incompleta. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 453 7 Maio R$ 8.625,13 0,00 0,00 R$ 8,625,13 0,00 Junho R$ 39.972,20 0,00 0,00 R$ 39.972,20 0.00 Julho R$ 65.510,60 0,00 0,00 R$ 69.510,60 3 0,00 Agosto R$ 128.052,23 0,00 0,00 R$ 128,052,23 0,00 Setembro R$ 164.097,37 0,00 0,00 R$ 164.097,37 0,00 Outubro R$ 185.945,43 0,00 0,00 R$ 185.945,43 0,00 Novembro R$ 151.418,00 0,00 0,00 R$ 151.418,00 0,00 Dezembro R$ 189.406,66 0,00 0,00 R$ 189.406,66 0,00 Estimativas totais pagas R$ 0,00 A partir da ficha 13, observase que o contribuinte informou um valor de estimativas pagas no importe R$ 26.357,00 (linha 16, efls 157), fato não comprovado por meio de DARFs e incondizente com as informações extraídas da Ficha 9, sumarizada no quadro acima. Há informações de pagamento de imposto de renda nas linhas 11, da predita ficha 9; como dito, todavia, não foram juntadas quaisquer guias de recolhimento que comprovem estes pagamentos. O saldo negativo apurado no período (R$ 160.385,76), descrito na ficha 13, demais a mais, é resultado exclusivo do lançamento do valor de R$ 189.406,66 como parcela do imposto devido com exigibilidade suspensa. Lado outro, observase que o contribuinte não deduziu nenhuma parcela do IRRF do cômputo das estimativas mensais, informando, outrossim, na Ficha 13, um importe de R$ 134.028,44. Assim se, porventura, houve retenções comprovadas, estas deverão compor o saldo negativo do período. II.2 Do problema da formação dos saldos negativos a partir de registro de parcelas do tributo com exigibilidade suspensa. Deixarei para apreciar a questão relativa ao IRFonte, se assim for necessário, em momento posterior... isto porque, a depender do resultado da análise que ora se propõe, apenas o IRRF poderá demonstrar, eventualmente, algum montante de saldo negativo a ser compensado. As parcelas do imposto lançadas com exigibilidade suspensa, são, a toda monta, prejudiciais (ou imprescindíveis) ao acolhimento (ou desacolhimento) do pedido deduzido pelo contribuinte. E, neste ponto, a celeuma poderia ter sido resolvida de outra forma, tanto pela Unidade de Origem, como pela DRJ... As alegações, das duas instâncias, de que tributos com exigibilidade suspensa não geram restituição, digase, são tecnicamente impróprias, já que o contribuinte não pleiteia a restituição de tais importâncias, mas, isto sim, de eventual saldo negativo de imposto (ou, assim assentaram a DIORT e o próprio acórdão recorrido). A discussão é, tão só, se eventual tributo com exigibilidade suspensa poderia compor o predito saldo. E, de fato, em estando suspensa a exigibilidade do IRPJ, em princípio não se admitiria o seu uso na composição do saldo, a despeito de minha posição pessoal, já que por lógica sistêmica, as respectivas parcelas gerarão, sim, e potencialmente, saldo negativo ou, de outra sorte, acaso o contribuinte se veja compelido a pagálas em momento posterior, por cassação, v.g., da decisão liminar ou cautelar ou ainda antecipatória dos efeitos da tulela, suportará exigência em dobro daqueles valores. 3 Este valor, provavelmente, foi inserido com erro de digitação, já que o valor correto seria de R% 65.510,60 e não R$ 69.510,60. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 454 8 O problema, todavia, é que o caso concreto tem particularidades que impõem uma análise mais detida... Neste particular, como se extrai do documento juntados à efls. 217 e ss, a empresa realmente obteve decisão liminar, proferida nos autos do Mandado de Segurança de nº 97.00204200, garantindolhe a compensação de prejuízos: Portanto, hei por bem deferir medida .liminar parcial, presentes seus pressupostos, autorizando as impetrantes a • deduzirem do seu lucro real, o prejuízo compensável, desde que devidamente apuradO e registrado no L.A.L.U.R., relativo ao períodobase de 1994, conforme documento.s juntados às ft. 154 e 179, na apuração do Imposto de Renda e contribuição social sobre o lucro referente ao.períodobase encerrado em Janeiro de 1995 e demais períodos subseqüentes, até que ocorra sua total compensação, afastando, por inconstitucional, a limitação em 30% retroativa, como acima referido, decorrente dos artigos 42 e 58 da Lei n6 8.981/95, com vigência ampliada até 31 de dezembro de 1995, por força do art 12, da Lei 9.065195, observado prazo decadencial de 4 (quatro) anos. Destaquese, porque importantíssimo, que tal decisão não determinou a suspensão da exigibilidade do IR em relação ao períodos em que tais prejuízos tenham sido apurados; contudo é inegável que, enquanto semelhante ordem perdurasse, as parcelas "compensadas" não poderiam ser objeto de cobrança pelo fisco. Daí, o lançamento, pelo contribuinte, de montantes do IRPJ com exigibilidade suspensa. Assim, não reconhecer a possibilidade dos valores por ele lançado como "suspensos", seria contrariar a ordem inicialmente proferida e, por isso, rechaço, de plano, semelhante premissa, adotada pelas instâncias a quo. Há contudo, aqui, vários problemas a se considerar. Primeiramente, esta decisão limita seus efeitos somente à parcela relativa à compensação dos prejuízos apurados em relação ao ano de 1994, indeferindo o pleito do recorrente quanto aos prejuízos observados nos anos de 1995 e 1996: Com relação aos períodos seguintes. (1.995 e 1.996), incluídos no pedido inicial, INDEFIRO o liminar, por entender que a Medida Provisória 812/94, publicada no final de 1.994, teve vigência e eficácia para o exercício de 1.995; quando foi convertida na Lei 8.981, em 20/01/95 e, portanto, válida a limitação imposta por ela à redução do lucro liquido noS exercidos subsequentes. Como consequência, não há nos autos, nenhuma prova que demonstre, efetiva e concretamente, o valor do prejuízo apurado no ano 1994 (não foi juntado ao processo, por exemplo, o LALUR do período em testilha) e, nesta senda, não tenho como verificar se os valores lançados nos anos de 1997 e 1998 estavam, de fato, corretos ou, mesmo, se ainda eram existentes. De outro turno, não foram apresentados, também, elementos que demonstrem que a citada liminar tenha perdurado ao longo dos exercícios de 1997 e 1998... o contribuinte trouxe, como determinado pela DRJ, a cópia da medida que teria suspendido a exigibilidade do crédito, mas não cuidou de apresentar nada mais... não foram trazidas cópias da sentença proferida no aludido Mandado de Segurança... não há, nem mesmo, uma certidão "de objeto e pé" do feito que possa descrever, ainda que de forma minudente, o que ocorreu naquela demanda. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 455 9 Ou seja, não tenho como afirmar se, durante os anos de 1997 e 1998, a medida acima transcrita ainda estava em vigor. O problema que agora se põe é o seguinte: podemos, neste momento processual, promover uma nova instrução do feito, ou, considerandose que o onus probandi aqui, a teor do art. 170 do CTN, é do contribuinte e que tais provas deveriam constar, desde logo, destes autos? Ora, ainda que o ônus probatório quanto a existência, liquidez e certeza do crédito seja deu quem o postula, a Administração Pública está obrigada a embasar o seu ato quando menos num lastro fático inerente à justificação dos mesmos motivos porventura declinados para a sua prática. A verdade material é um princípio, ainda que implícito, porquanto não positivado textualmente na CF/88 ou, mesmo, na legislação ordinária ou infralegal (salvo algumas exceções), que contêm em seu núcleo semânticonormativo premissas que revelam a sua decorrência lógica do próprio sistema jurídico, calcado num Estado Republicano, Democrático e de Direito. Vale, aqui, trazer o escólio de Márcio Luiz de Oliveira que, ao discorrer sobre a natureza dos princípios jurídicos, assim pontua: Como normas jurídicas nocionais em sua composição e expressão normativas, os princípios podem ser constituídos pro premissas e/ou diretrizes de lógica jurídica mais precisa ou de lógica jurídica mais genérica. Por essa razão, princípios jurídicos mais específicos (ex.: princípio da presunção de inocência) são constituído de menos premissas e diretrizes, se comparados a princípios mais genéricos (ex.: princípio do devido processo legal). Mas, independentemente da generalidade generalidade ou da especialidade de um princípio jurídico, o seu núcleo semânticonormativo será sempre dedutível da lógica fenomênicosistêmica do Direito4. Vale destacar que a Administração Pública está compelida aos primados da publicidade, eficiência e legalidade (art. 37 da CF/88) e, nesta esteira, está jungida ao dever de motivar os seus atos. Consentaneamente, os motivos declinados devem, obrigatoriamente, ter lastro fático apreensível (até para se demonstrar a efetiva existência destes motivos) e, ainda, descrito na lei como suficiente à justificação de sua prática. Num Estado Republicano, pois, todos os atos da administração devem ser publicizados, corretamente justificados e calcados nas autorizações legais, pena de nulidade, justamente por lhes retirar a necessária eficiência (pois, a míngua destes requisitos, não operarão seus efeitos). E, a eficiência, a publicidade e a legalidade são, em essência, decorrências lógicas de uma superpremissa do sistema jurídico a segurança jurídica: Paralelamente, percebemos, ainda, que, ao longo de todo o processo civilizatório, o Direito sempre se construiu, desconstruiuse e se reconstruiu sob três importantes paradigmas: a segurança das relações humanas, o ideal de justiça e o senso de alteridade. Esses três paradigmas, aliados ao objetivo de minimização dos conflitos humanos e ao da viabilização do bem comum, constituem a 4 OLIVEIRA, Marcio Luiz. Constituição Juridicamente Adequada. Ed. Belo Horizonte: Editora D´Plácido, 2016, p. 331. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 456 10 essência do fenômeno e do sistema jurídicos. Consequentemente, a premissa ou conjunto de premissas lógicas que, fundamentalmente, decorrem dessa essência do Direito poderão vir a ser classificados como princípio jurídico (princípio como indício/elemento primordial de manifestação ou de pressuposição do fenômeno, ainda que em algumas especificidades) 5 Considerandose, outrossim, que a correta motivação dos atos encontra na garantia da ampla defesa a sua própria razão de ser, também esta última conforma uma premissa da verdade material, já que motivar, sem lastrear a motivação em fatos concretos a demonstrar a sua própria existência, significa não motivar. O princípio da verdade material, portanto, não encerra a sua significância semânticonormativa no dever de perscrutar os fatos inerentes aos motivos determinantes do ato, mas, considerandose as suas premissas (publicidade, eficiência, legalidade e garantia da ampla defesa como decorrências da segurança jurídica), na necessidade de se garantir o efetivo lastro fático justificante da prática do ato de sorte a permitir a inteligência de seus motivos, a sua adequação à lei e a possibilidade de, a eles, se contrapor o administrado por meio de provas e argumentos suficientes à defesa de seus interesses, afetados pelo próprio ato administrativo. Por esta razão, insistase, ainda que em procedimentos/processos tributários administrativos em que, inicialmente, o ônus probandi seja da parte querelante (contribuinte), um início de prova a ser produzida pela fiscalização é, verdadeiramente, premente até para que se possa identificar a situação normativojurídica que imponha a predita inversão do ônus da prova. V.g., cabe à administração tributária demonstrar e provar as situações de fato que permitam assumir a ocorrência de omissão de receitas; igualmente, impõese à autoridade fiscal demonstrar, provar, que o crédito pleiteado não encontra, de início, lastro documental suficiente a lhe emprestar liquidez e certeza e, apenas então, invertendo o ônus probandi, instar o contribuinte a provar o contrário. No caso presente, a Unidade de Origem se limitou a afirmar que tributos com exigibilidade suspensa não desafiam a restituição, pressuposição esta, totalmente desconectada do caso concreto já que, o que se postula, aqui, insistase é a recuperação de saldo negativo de imposto. A DRJ, noutro norte, não obstante confirmar o erro da DIORT (reafirmando a impossibilidade de se perquerir a restituição de tributo com exigibilidade suspensa), teve a oportunidade de corretamente instruir o feito e até mesmo deu início à semelhante instrução, mas o fez, assim como a Unidade Origem. de forma incompleta. Não cuidou de intimar o contribuinte para apresentar documentos que atestassem o montante do prejuízo fiscal apropriável, nem tampouco se preocupou com a situação da ação judicial, causa e motivo de toda a celeuma aqui discutida. Com efeito, no despacho de efls. 255. frisese. a DRJ limitou a diligência à seguinte providência: (...) Processo não se encontra devidamente instruído para o julgamento da manifestação de inconformidade interposto, razão pela qual o contribuinte deverá ser intimado a: (...) 5 Op. cit. p. 282. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13807.013136/9931 Resolução nº 1302000.699 S1C3T2 Fl. 457 11 5.3deverá ser informado a medida judicial (número do processo) que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Enfim, a luz de tudo o que expus e, principalmente, em face da pobríssima instrução do feito, não me resta alternativa senão converter o julgamento em diligência a fim de solicitar à Unidade de origem que: a) intime o contribuinte a, em prazo razoável: a.1) trazer ao feito a cópia do LALUR/94 ou de qualquer outro documento que comprove o montante de prejuízo fiscal observado naquele anocalendário; a.2) trazer aos autos certidão de "inteiro teor" do Mandado de Segurança de nº 97.00204200, a ser obtida junto à Justiça Federal de São Paulo (1ª instância), da qual deverá, obrigatoriamente, constar as datas e dispositivos da decisão liminar tratada linhas acima e da sentença porventura proferida naquele feito, providenciando, ainda, a cópia deste último decisum; b) consulte o sistema SAPLI, juntando aos autos os respectivos extratos, a fim de verificar a existência efetiva e o valor do citado prejuízo, apurado em 1994, e a existência de eventual saldo apropriável nos anoscalendários de 1997 e 1998. Cumprida ou não a intimação, pedimos ainda que seja elaborado o competente relatório conlusivo, intimadose o contribuinte de seu conteúdo para, querendo, manifestarse. Após, retornem os autos à este Colegiado para apreciação e julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.720023/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PROVA PERICIAL. REJEIÇÃO.
Indefere-se o pedido para a realização de perícia.
O contribuinte trouxe na impugnação documentação hábil a comprovar parcialmente suas alegações, de modo que a prova pericial se mostra despicienda.
RECEITA SUPOSTAMENTE OMITIDA. CRÉDITOS COM ORIGEM COMPROVADA COM A IMPUGNAÇÃO. VERDADE MATERIAL.
A existência de recursos de origem comprovada não autoriza a presunção de omissão de receitas dentro da extensão da comprovação efetiva.
GLOSA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Glosa mantida, inércia na comprovação da propriedade do ativo imobilizado.
AFASTADA A MULTA QUALIFICADA.
Ausência de configuração das hipóteses previstas nos art. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 28, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência da Representação Fiscal para Fins Penais formalizado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PROVA PERICIAL. REJEIÇÃO. Indefere-se o pedido para a realização de perícia. O contribuinte trouxe na impugnação documentação hábil a comprovar parcialmente suas alegações, de modo que a prova pericial se mostra despicienda. RECEITA SUPOSTAMENTE OMITIDA. CRÉDITOS COM ORIGEM COMPROVADA COM A IMPUGNAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A existência de recursos de origem comprovada não autoriza a presunção de omissão de receitas dentro da extensão da comprovação efetiva. GLOSA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Glosa mantida, inércia na comprovação da propriedade do ativo imobilizado. AFASTADA A MULTA QUALIFICADA. Ausência de configuração das hipóteses previstas nos art. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 28, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência da Representação Fiscal para Fins Penais formalizado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.720023/201577 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.620 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente PROTECO CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PROVA PERICIAL. REJEIÇÃO. Indeferese o pedido para a realização de perícia. O contribuinte trouxe na impugnação documentação hábil a comprovar parcialmente suas alegações, de modo que a prova pericial se mostra despicienda. RECEITA SUPOSTAMENTE OMITIDA. CRÉDITOS COM ORIGEM COMPROVADA COM A IMPUGNAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A existência de recursos de origem comprovada não autoriza a presunção de omissão de receitas dentro da extensão da comprovação efetiva. GLOSA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Glosa mantida, inércia na comprovação da propriedade do ativo imobilizado. AFASTADA A MULTA QUALIFICADA. Ausência de configuração das hipóteses previstas nos art. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 72 00 23 /2 01 5- 77 Fl. 1452DF CARF MF 2 Nos termos da Súmula CARF nº 28, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência da Representação Fiscal para Fins Penais formalizado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Tratase do lançamento tributário consubstanciado no auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$2.855.356,91 e tributação reflexa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$1.027.928,47, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora, relativamente ao anocalendário de 2011, conforme tabela abaixo: Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 14120.720023/201577 Acórdão n.º 1201002.620 S1C2T1 Fl. 3 3 A autoridade autuante indicou os seguintes valores como sendo decorrentes de créditos recebidos de origem não comprovada: Com efeito, os valores acima contemplados foram minuciosamente descritos, a saber: A autoridade fiscal fundamenta que não encontrou documentação hábil, idônea e capaz de ilidir a presunção colacionada no lançamento fiscal, e, ato contínuo, apurou infração decorrente de utilização de despesas com encargos de depreciação como não comprovadas. Fl. 1454DF CARF MF 4 Em relação a esta segunda infração a autoridade reputou não ter o contribuinte realizado a escrituração contábil de acordo com a legislação contábil em vigor em 2011 e ressaltou a falta de registro dos bens nas contas do ativo imobilizado, além do registro de despesas com encargos de depreciação sem a devida comprovação. Concluiu, por fim, ter o contribuinte lançado mão de expedientes ilegais consubstanciados no lançamento de dispêndios falseados, tão somente para reduzir a base de cálculo dos tributos e consequentemente obter benefícios tributários. Ante a conduta aferida pelo Fisco autuante, fora aplicado ao contribuinte, com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela constatação de fraude, nos termos do arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, multa qualificada de 150%. E face a ocorrência de crime contra a ordem tributária, ainda que em tese, a autoridade com supedâneo na Portaria RFB nº 2.439/2010, formalizou representação fiscal para fins penais. Dentro do prazo legal, o contribuinte ofereceu impugnação alegando que não houve a omissão de receitas trazida no auto de infração, ainda que os créditos recebidos da empresa “SOCENGE CONSTRUTORA LTDA” (atual “LD Construções Ltda”) identificados no extrato bancário decorrem de venda de bens do ativo imobilizado, a saber: a) Um imóvel alienado ao sócio majoritário da “Socenge”, o qual ato contínuo foi utilizado na integralização de capital da empresa “Socenge”, no importe de R$2.225.000,00, cujos depósitos são identificados no exercício de 2011; b) Além do imóvel, a autuada alienou outros bens do ativo imobilizado e que igualmente foram integralizados ao capital social da “Socenge Construtora Ltda”. O contribuinte trouxe à impugnação, a matrícula do referido bem imóvel comprovando as alegações, bem como as alterações societárias da empresa “Socenge” trazendo a integralização ao capital através do imóvel e de outros bens do ativo imobilizado da contribuinte. Em relação aos depósitos realizados pela empresa “Sanches Tripoli”, de R$1.700.000,00, o contribuinte informa e comprova ser decorrentes da locação de máquinas e equipamentos do interessado, bem como destaca que tais valores foram corretamente lançados como receita operacional e levados à tributação. Considerando não ter perpetrado nenhum expediente fraudulento com o escopo de beneficiarse tributariamente o contribuinte destaca a impossibilidade de enquadramento nas condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64 e, portanto, não há justificativa para a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em relação às despesas com encargos de depreciação não comprovadas no ano de 2011, o contribuinte esclarece que no exercício fiscalizado houve a alteração de regime do lucro presumido para o lucro real. Destaca que em relação à conta “Caminhões e Basculantes” foi levantado o balanço comum ativo de R$64.604.371,10, a partir do “laudo de avaliação de bens com valor de mercado”. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 14120.720023/201577 Acórdão n.º 1201002.620 S1C2T1 Fl. 4 5 E, em relação aos bens consubstanciados em “Caminhões e Basculantes” a contabilidade partiu de R$23.458.748,66 relativo exclusivamente aos bens da conta “Caminhões e Basculantes”. Ainda, em relação à multa qualificada de 150% o contribuinte autuado reitera que nos termos acima, não tendo havido conduta tipificada como sonegação, conluio ou fraude, elementos que autorizam a imputação da referida multa, deve esta ser de plano afastada, pelos seguintes motivos: a) Em relação a suposta infração descrita como depósitos de origem não comprovados, a origem foi trazida e comprovada juntamente com a impugnação e; b) Em relação à segunda infração, descrita como a depreciação de origem não comprovada, traz o impugnante a justificativa para o descabimento, tendo em vista que promoveu a depreciação de ativos do imobilizado a partir do laudo de avaliação realizado (reavaliação para a mudança de regime). Tendo desconstruído as duas infrações não haveria que se falar na multa qualificada punitiva de 150% adequada para àqueles que adotam conduta sonegatória e fraudulenta. Por fim, quanto à representação fiscal para fins penais, o contribuinte fundamenta o descabimento com supedâneo na sumula do STF nº 24, “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Considerando o processo administrativo ainda não ter sido concluído não há que se falar em lançamento definitivo do tributo, não podendo sequer aferir a existência de crime em tese. Por fim, requereu o provimento da impugnação, devendo ser reconhecidas as nulidades arguidas e caso não seja, pela improcedência do auto de infração pelas razões de mérito apontadas. Acórdão da DRJ/RJO A 3ºTurma da DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação apresentada, afastando a preliminar arguida e no mérito, mantendo o crédito tributário lançado a título de IRPJ do anocalendário de 2011, bem como com relação à CSLL, PIS e COFINS, por se tratar de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejam o lançamento do imposto de renda. Recurso Voluntário A Recorrente repisa ipsis litteris todas alegações anteriormente ventiladas na impugnação, tanto na linha preliminar, quanto nos lindes de mérito. Fl. 1456DF CARF MF 6 Em suma, reitera: a) que não há que se falar em omissão de receita vez que comprovou os ingressos de forma contundente, inclusive, refutando a alegação da autoridade autuante que ampara a manutenção da desconsideração da alienação de bens trazidos na integralização de capital da “LD Construções Ltda” pela ausência de registro da respectiva alteração societária, com o registro na Junta Comercial; b) esclarece que o laudo da engenharia trazido na impugnação tem o objetivo de comprovar a existência da reavaliação, expediente utilizado com amparo legal, que permite, se observado os requisitos, a avaliação do ativo imobilizado para fins de depreciação; c) sustenta não ter havido conduta dolosa a justificar a multa qualificada de 150% e tampouco a representação para fins penais sem que houvesse lançamento definitivo do credito tributário, a teor da legislação vigente. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Preliminares De plano, a luz do conjunto probatório traduzido nos documentos acostados anteriormente é forçoso concluir que a prova pericial se mostra despicienda, tendo o conjunto probatório cumprido seu desiderato no sentido de fornecer subsídios suficientes para o julgamento do presente caso à luz da verdade material. Tal pretensão recursal não prospera. Mérito Há duas questões primordiais a serem analisadas no presente caso, por primeiro a suposta omissão de receitas decorrentes de depósitos sem as respectivas origens comprovadas, por segundo a glosa decorrente do lançamento das despesas com encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado que foram lançadas na mudança de regime com base na reavaliação feita por empresa de engenharia. Decorrente dos fatores que fundamentaram a lavratura fiscal fora aplicada a multa de ofício de 150%, além da representação fiscal para fins penais, com o objetivo de tipificar a conduta do contribuinte, após investigação, como sonegatória e fraudulenta. 1 Depósitos realizados pela empresa “Socenge Construções Ltda” Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 14120.720023/201577 Acórdão n.º 1201002.620 S1C2T1 Fl. 5 7 Em relação ao lançamento decorrente da suposta omissão de receitas pela ausência de documentação apta a comprovar as respectivas origens dos depósitos realizados pela “Socenge Construções Ltda”, vejamos: A autoridade autuante destacou os seguintes créditos realizados pela Socenge: R$1.100.000,00 07/01/2011 R$ 200.000,00 22/03/2011 R$ 100.000,00 24/03/2011 R$2.200.000,00 25/03/2011 R$ 320.000,00 25/09/2011 R$ 400.000,00 07/01/2011 Quanto aos depósitos que perfizeram o valor de R$4.320.000,00, identificados pelas instituições financeiras como tendo sido efetivados pela “Socenge ora LD Construções”, a Recorrente desincumbiuse do ônus probatório ante as seguintes constatações e documentos acostados: A uma, porque a Recorrente trouxe a matrícula de imóvel comprovando a alienação de bem imóvel, sequencialmente aos depósitos realizados ao sócio majoritário da empresa “Socenge Construções Ltda” (“LD Construções Ltda”), que em ato contínuo integraliza o capital social da “Socenge” (depositante). Com efeito, nesta linha, ressaltase que o imóvel alienado estava preteritamente escriturado no ativo imobilizado da Recorrente. Extraise da certidão da matrícula que a alienação ocorreu pelo preço de R$2.225.000,00, alienado pela Recorrente ao sócio majoritário da empresa, depositante dos valores supra descritos, ato contínuo, o adquirente integralizou o bem em forma de capital social da “Socenge”, além de outros bens, os quais foram detidamente analisados a partir da 9ª alteração contratual da empresa “Socenge” (itens 1 a 17) e, comparados com a escrituração contábil para o fim de identificar que dos bens utilizados na integralização além do imóvel, àqueles (veículos e máquinas) que possuem origem no ativo imobilizado do Recorrente, assim descritos: Identificação placa ou chassi Valor HSF 2615 R$125.000,00 HSF 2616 R$125.000,00 HSF 2878 R$125.000,00 Fl. 1458DF CARF MF 8 HSE 7723 R$125.000,00 HRO 8836 R$125.000,00 KSW 8244 R$ 25.000,00 HQT 5494 R$ 30.000,00 Chassi 32C01317 R$100.000,00 Chassi 5MD02832 R$ 320.000,00 Chassi N5AE00494 R$ 210.000,00 Chassi N5AE00507 R$ 100.000,00 Chassi VAP 725300108 R$ 100.000,00 CHASSI VAP 705200684 R$ 100.000,00 Pá Carregadeira R$ 210.000,00 Rolo Chapa VAP 70 R$100.000,00 Rolo Chapa / Vap 72 R$100.000,00 Caminhão Basculante Semi Reboque R$65.000,00 Volkswagen Saveiro R$11.000,00 Total R$2.096.000,00 É possível, sem maiores esforços, constatar que a Recorrente alienou no período, além do imóvel (R$2.225.000,00), outros bens identificados na alteração societária da “Socenge” retro descrita (R$2.096.000,00), perfazendo o valor total de R$4.321.000,00. Os documentos trazidos juntamente com a impugnação têm o condão de justificar os ingressos com solar clareza, afinal tratamse de documentos emanados e conferidos por órgãos que possuem fé pública, além de serem oponíveis a terceiros. Apenas para corroborar com o entendimento esposado, quanto à alienação ter sido feita à pessoa física e o pagamento ocorrido pela empresa da qual o comprador é sócio não retira qualquer validade ao negócio, consoante dispõe o diploma civil em seu artigo art. 304, Código Civil, pois qualquer interessado na extinção da dívida pode pagála, portanto não há que se invalidar o negócio jurídico tampouco descaracterizar que os ingressos se deram para a finalidade aquisitiva. A fundamentação adotada pelo Fisco recorrido para manter incólume o lançamento quanto a este item, sob a alegação de ter sido a escritura posterior aos pagamentos, merece imediato reparo, afinal é de curial sabença que via de regra não se transmite a propriedade por escritura pública sem antes ter recebido o valor correspondente a venda, no caso concreto a empresa comprovou que após o recebimento do importe com a consequente Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 14120.720023/201577 Acórdão n.º 1201002.620 S1C2T1 Fl. 6 9 quitação realizada através de depósitos bancários na conta de titularidade da alienante, ora Recorrente, transmitiuse a propriedade por escritura pública. No tocante à transação imobiliária impugnada e não aceita pelo fisco como válida, mister considerar que não causa efeitos estando a operação amparada pela lógica. Uma vez realizada a compra e venda existe um segundo ato que é o registro imobiliário. Este não precisa a rigor ser de imediato, podendo ocorrer a posteriori, como de fato ocorreu. O registro no sistema nacional em última análise, como no Direito germânico tem o fim último de dar publicidade à transação, já ocorrida no instrumento público, concretizando com o segundo ato, o aperfeiçoamento do direito real, para os fins civis. Não há, salvo melhor juízo, nenhum prejuízo ao fisco, inclusive porque o Recorrente lançou e levou à tributação os recursos como receita não operacional, sempre ressaltando, que o registro fora sequencial, como corolário nas compras e vendas imobiliárias. No caso concreto, pela lógica jurídica, o preço da compra e venda já estava totalmente quitado no momento da escritura, pois, se assim não fosse, por óbvio, constariam modalidades de clausulamento que preveriam o pagamento em momento posterior ao ato da lavratura, como a cláusula resolutiva de que se não houver o pagamento do valor total ou parcela(s) do montante acordado, poderá o vendedor exigir a totalidade do preço ou desfazer a venda, ou ainda, apontamento de notas promissórias emitidas e vinculadas ao negócio. E mais, como é cediço na legislação civil pátria, qualquer terceiro interessado ou não pode realizar o pagamento ainda que em seu próprio nome. Destarte, os depósitos contestados pelo Fisco não resistem aos fatos tipificados e patenteados pelo Recorrente. Por uma análise percuciente da documentação e escrituração contábil colacionada com a impugnação apresentada é possível o encontro de contas além da identificação clara e precisa das operações narradas na impugnação e reiteradas no recurso voluntário, bem como se certificar da origem dos depósitos de forma inequívoca. Tais fatos estão gravados em arcabouço documental hábil e não podem ser desprezados, sendo induvidoso que todos esses bens pertenciam a Recorrente, e os frutos das alienações geraram entradas registradas como receitas não operacionais e levadas regularmente à tributação. 2 Depósitos realizados pela “Sanches e Tripoloni” Em relação aos depósitos realizados pela “Sanches e Tripoloni” (R$1.000.000,00 e R$700.000,00) a Recorrente acostou contrato de locação de máquinas e equipamentos contemporâneo aos depósitos, bem como recibos com identidade de valores. Em relação aos valores supra descritos, a estes foram atribuídas a natureza de receita operacional e submetidos à tributação. Fl. 1460DF CARF MF 10 O Fisco entendeu por bem refutar as provas ofertadas pelo contribuinte em decorrência da ausência de emissão de notas fiscais correspondentes, afinal o instrumento destaca que os pagamentos seriam feitos mediante a apresentação da nota fiscal. Acerca do contrato de locação e consequência valores recebidos, ponderase, mais uma vez, que desassiste razão ao fisco, senão vejamos: a locação é válida, desde sempre até pela forma oral, sendo o contrato apenas ponto de partida apto a representar as manifestações de vontade. O ajuste das cláusulas, e o cumprimento contratual, portanto, pode ser flexibilizado em atenção aos interesses privados, não sendo simulação ou dolo emitirse recibo ao invés de nota fiscal. A forma de quitação que prova o pagamento pode ser aceita da forma adotada, não sendo da essência do ato a emissão de nota fiscal. Valese o adágio “[...] onde a lei não distingue não devemos distinguir [...]” e aqui é irrito ao direito a forma da quitação, que não exige forma solene. Presumir que não há lastro ou que se afasta da realidade, é mera presunção que no caso não resiste ao exame, ainda que forma perfunctória. A presunção de origem de depósitos não identificadas são afastadas, a uma pela identificação do depositante, a duas pela declaração dos recebimentos como receitas operacionais levadas à tributação, a três pela apresentação do instrumento contratual e recibos com correspondência de valores. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 preconiza que caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, devidamente intimado, quedase inerte em justificar suas origens, no caso concreto, na ocasião da fiscalização os documentos comprobatórios estavam na posse da Polícia Federal por conta de operação investigativa deflagrada, no entanto, no primeiro momento, ou seja, na apresentação da impugnação o Recorrente trouxe todos os documentos que lastreiam os argumentos expendidos em sede de sua defesa, não podendo serem simplesmente descartados, por questão formal que nos atuais dias não pode sobrepujar a verdade material. Quanto a este item, o lançamento fiscal merece reparo para afastar do enquadramento de omissão de receitas pelas razões destacadas no parágrafo anterior. 3 Glosas decorrentes de despesas com depreciação do ativo imobilizado No auto de infração, a autoridade lançadora aponta que a glosa de encargos de depreciação da conta “Caminhões e Basculantes”, do ativo imobilizado, deuse em face da constatação que o Recorrente teria inserido o saldo inicial na conta no valor de R$29.578.740,09, sem comprovar a propriedade dos referidos bens e a sua regular escrituração. A autoridade acompanhada pela DRJ consigna que o Recorrente efetuou o registro de despesas com encargos de depreciação sem a devida comprovação, afetando a apuração do lucro real. O Recorrente até o exercício de 2010 estava sob o regime tributário do lucro presumido e no exercício de 2011 passou para o regime do lucro real, justificando com fundamento legal no art. 8, da Lei 6404/76 o expediente da denominada “reavaliação”. Em que pese as alegações do Recorrente guardarem relativa coerência, para ilidir a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 o Recorrente deveria ter se valido do momento processual adequado para colacionar as comprovações de propriedade, o que Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 14120.720023/201577 Acórdão n.º 1201002.620 S1C2T1 Fl. 7 11 certamente não seria tão difícil haja a identificação de chassi e placa de cada caminhão/basculante. Neste ponto quedouse inerte na produção de prova capaz de aniquilar qualquer dúvida acerca da propriedade dos bens pelo Recorrente contemporaneamente ao exercício autuado. A Lei 6.404/1976, também conhecida como a Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 8º, admite a possibilidade de se avaliarem os ativos de uma companhia pelo seu valor de mercado, classificando tal operação como reavaliação. No âmbito da referida reavaliação, abandonase o custo do bem original, corrigido monetariamente até 31/12/1995, e utilizase o novo valor econômico do ativo, que deverá ser obtido por meio de um laudo de avaliação. O CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis,) define que existem dois métodos de mensuração do valor de um bem do ativo imobilizado, são eles: o Método de Custo, como anteriormente descrito, e Método de Reavaliação. Apesar da existência de previsão do método de reavaliação, o parágrafo 29 do CPC 27 determina que a opção pelo método de reavaliação somente poderá ser utilizada quando for permitido por lei, uma vez que esse método foi eliminado pela nova redação dada a Lei das Sociedades por Ação, em seu art. 178, da Lei 6.404, §2º, item III: “Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. (...) § 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos: (...) III – patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados”. Basicamente, o Método de Reavaliação consiste na possibilidade de ajustar o valor contábil de um bem por um novo valor correspondente ao seu valor justo na data da reavaliação deduzido de respectiva depreciação e perda por redução ao valor recuperável. Como parte do processo de convergência com as normas internacionais de contabilidade, introduzido pela Lei nº 11.638/07, em 2009, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis concluiu que o valor contábil do ativo imobilizado da maioria das empresas brasileiras não representava o real valor útil e econômico, em decorrência da utilização de vidas úteis definidas pela legislação tributária ao invés de vidas úteis reais aplicáveis a cada tipo de negócio e pelas distorções dos índices oficiais de correção monetária utilizado em um momento que nosso país vivia uma econômica hiperinflacionária. Como resultado desta análise foi emitido a Interpretação Técnica “ICPC 10 – Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao Fl. 1462DF CARF MF 12 Ativo Imobilizado e à Propriedades para Investimentos dos Pronunciamentos Técnicos CPC’s 27, 28, 37 e 43”, pelo CPC, estabelecendo que a administração na adoção inicial do CPC 27 deve realizar avaliação com a finalidade de verificar se os valores contábeis do ativo imobilizado da empresa estão aquém do seu real valor útil econômico e, caso a conclusão seja positiva (o valor contábil não refletir o valor útil econômico) deverá ser realizado o registro desta adição de valores por meio do custo atribuído constatado, devendo o novo valor contábil corresponder ao seu valor justo na data de transição da adoção do CPC 27, tendo como contrapartida a conta de “Ajustes de Avaliação Patrimonial” no patrimônio líquido. Concluise, portanto, em termos práticos, que no Brasil desde o início de vigência das alterações instituídas pelas Leis 11.638/07 e 11.941/09, existe apenas a opção de mensuração do custo do ativo imobilizado pelo método de custo de aquisição. No caso concreto, a avaliação teve como base o valor de mercado, deste modo, não tendo o Recorrente se desincumbido do ônus de provar a propriedade dos bens, lado outro ter a perícia mensurado o ativo imobilizado pelo valor de mercado para fins de depreciação, a glosa deste item deve ser mantida. 4 Multa de 150% A autoridade fiscal, acompanhada pela DRJ aplicou de plano a multa qualificada de 150%, ao meu ver, sem comprovar o evidente intuito de fraude do Recorrente, em afronta a Sumula 14 e 25 do CARF. A qualificação da multa ora adotada somente poderia ser confirmada se comprovadas uma das hipóteses dos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, neste sentido palmilham os julgados Acórdão nº CSRF/0400.883, de 27/05/2008 Acórdão nº CSRF/04 00.762, de 03/03/2008 Acórdão nº 10423659, de 17/12/2008 Acórdão nº 10423697, de 04/02/2009 Acórdão nº 340200.145, de 02/06/2009 Acórdão nº CSRF/0400.883, de 27/05/2008 Acórdão nº CSRF/0400.762, de 03/03/2008 Acórdão nº 10423659, de 17/12/2008 Acórdão nº 10423697, de 04/02/2009 Acórdão nº 340200.145, de 02/06/2009. Para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa, tanto no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito) quanto no aspecto subjetivo (vontade ou intenção de lesar o fisco). Essas situações normalmente são identificadas através de uso de meios inidôneos para acobertar fatos que dão origem ao crédito tributário ou pela prática de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização. Tratamse dos ditos atos dolosos ou fraudulentos, que levam ao caminho da sonegação ou evasão fiscal, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de favor”, contabilidade paralela, conta bancária não declarada (“Caixa 2”), interposição fraudulenta de pessoas (“laranjas” ou “testas de ferro”), falsidade ideológica, declarações adulteradas, documentos falsos etc. São essas as condutas previstas nos artigos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64, dispositivos estes que conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo do elemento dolo à sua caracterização. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 14120.720023/201577 Acórdão n.º 1201002.620 S1C2T1 Fl. 8 13 Os ensinamentos da Conselheira Lívia De Carli Germano (relatora designada para redigir o voto vencedor no Acórdão CSRF nº 9101002.189, em Sessão de 21 de janeiro de 2016), são esclarecedores: “Como ensina Brandão Machado, na noção de dolo se insere a idéia de contrariedade ao direito, ou seja, da prática de um ilícito (“Um caso de elusão de imposto de renda”. In: Direito Tributário Atual, vol. 9, São Paulo: Resenha Tributária, 1989, p. 2209). [...] É que para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito. Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ato típico. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo. No caso em questão, entretanto, não se verifica norma imperativa que tenha sido contrariada”. Em outro julgado do CSRF, a multa qualificada foi afastada justamente em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Veja se a ementa do julgado referido: “MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada”. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012) Fl. 1464DF CARF MF 14 O ilícito tributário pode compreender apenas um ou dois elementos: (i) elemento objetivo, que corresponde propriamente ao ilícito tributário (não pagamento, pagamento a menor ou postergação de pagamento de tributo); e (ii) elemento subjetivo, identificado pelo conhecimento prévio de utilização de atos ou negócios ilícitos para reduzir ou não pagar tributos, isto é, dolo específico. Todo lançamento parte de um ilícito tributário (elemento objetivo). Contudo, somente o ilícito praticado em evidente intenção de fraudar o fisco apresentará o dolo (elemento subjetivo), elemento que dá azo à qualificação da multa. Não se pode, portanto, colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito tributário com a intenção em praticálo (dolo), conforme, aliás, prescrevem as Súmulas do CARF n.º 14 e 25: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de e uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”. Faltalhe, a toda evidência, a comprovação do elemento subjetivo inerente à qualificação da multa, a intenção das partes de esconder o fato gerador do tributo, o que é diferente do seu não pagamento. Nessa situação particular, não há nenhum registro ou indício de utilização de qualquer tipo de medida simulada ou fraudulenta por parte do Recorrente. Pelo contrário, os valores considerados receitas omitidas foram lançados nos livros contábeis e fiscais da própria empresa, livros estes que foram espontaneamente entregues por ela ao fisco em atendimento à fiscalização. E, digase, os depósitos foram identificados e possuíam correspondência documental, a exemplo da certidão de matricula comprovando a alienação de bem imóvel a pessoa jurídica que realizou a maior parte dos depósitos. No que tange à realização da reavaliação utilizada para fins de valorar o ativo imobilizado para a ulterior depreciação e consequente beneficio fiscal, por um esforço poderíamos até atribuir a realização de uma conduta contraria à moral, aliás a poderia até decorrer de desconhecimento contábil, mas jamais ato simulado a ensejar a multa qualificada. Outro fato que chama atenção nesses autos é que o ilícito tributário praticado de não declarar tributos ou fazêlo de forma inexata, possui tipificação legal própria no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, a seguir transcrito. “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 14120.720023/201577 Acórdão n.º 1201002.620 S1C2T1 Fl. 9 15 Como se percebe, o não pagamento de tributos e a apresentação de declaração inexata são hipóteses tipificadas que ensejam a aplicação de multa de 75% em face de disposição legal expressa. Assim também já decidiu o CARF, conforme atesta a ementa abaixo: “DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS IMPOSTO NÃO CONSIGNADO SEGUNDO A INDICAÇÃO DOS REGISTROS FISCAIS INFORMAÇÃO INSUFICIENTE. Cabível o lançamento de ofício com a respectiva multa ao percentual de 75%, quando a Fiscalização verifica que o sujeito passivo apresenta Declaração de Rendimentos sem a consignação das receitas por ele apuradas nos seus registros contábeis”. (Acórdão 10321.676 . Data da decisão: 09/07/2004) Ante o retro exposto, entendo pela redução da multa ao patamar de 75%. 5 Representação Fiscal para Fins Penais Com relação aos argumentos que questionam a emissão de Representação fiscal para fins penais, aplicável à Súmula nº 28 do CARF, in verbis: “Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais”. Assim, nada a deliberar acerca deste ponto questionado. 6 CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, relativos à CSLL, PIS e COFINS, e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. A conclusão tornase irretorquível, então, no sentido de considerar que não há qualquer respaldo no ordenamento jurídico para a presente autuação prosseguir integralmente nos termos entabulados no lançamento fiscal. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) cancelar o lançamento fiscal quanto à omissão de receita e Fl. 1466DF CARF MF 16 (ii) afastar a qualificação da multa, devendo esta ser reduzida de 150% para 75%. É como voto! (assinado digitalmente) Luís Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731125/2012-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 11 25 /2 01 2- 57 Fl. 200DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2008, anocalendário de 2007, em que foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 16.000,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 95/99 Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 110/115. Em síntese, alega que apresentou todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Entende que a documentação apresentada é suficiente para comprovar suas alegações. Argumenta que apresentou extratos bancários e planilhas de vinculação dos saques aos pagamentos de despesas médicas, que comprovam o efetivo desembolso. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Analisando a documentação acostada pela contribuinte, entendo ser suficiente para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das despesas médicas efetuadas. Consta da fundamentação do lançamento que a recorrente apresentou extratos de contas de sua titularidade. Entretanto, entendeu a autoridade lançadora que não foi possível estabelecer uma correspondência entre os saques e os pagamentos de despesas médicas. A decisão da DRJ utilizou o mesmo argumento e indeferiu a aceitação das despesas. Neste ponto, divirjo do entendimento manifestado na decisão de primeira instância. É certo que a comprovação das despesas não pode se restringir a meros recibos, devendo o contribuinte fazer prova do efetivo pagamento das deduções pretendidas. A contribuinte alega que efetuou saques de contas e efetuou o pagamento dos profissionais em dinheiro. A análise dos extratos não deve ser efetuada de forma tão restritiva, de modo a só aceitar correspondência exata de datas e valores. Há de ser frisado que a contribuinte apresentou os extratos, realçando estar agindo de forma colaborativa com a fiscalização. Ademais, sua defesa não se baseia em negativas genéricas e em um suposto valor absoluto dos recibos. A recorrente trouxe elementos suficientes para firmar a convicção no sentido de que houve o efetivo desembolso dos valores declarados a título de despesas médicas. Os extratos bancários e as planilhas de vinculação apresentadas constituem fortes indícios de que suas alegações são procedentes. A planilha de f. 116 demonstra que foram efetuados, no decorrer do anocalendário, saques em montante que se mostra compatível com o que foi declarado. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 12448.731125/201257 Acórdão n.º 2001000.763 S2C0T1 Fl. 3 3 Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções com despesas médicas, devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.010207/2001-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1997 a 31/03/1997
ANULAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA PELA DRJ.
Deve ser anulada a decisão que reconhece a concomitancia entre o Processo Administrativo e Processo judicial quando eles tratam de matérias distintas.
Numero da decisão: 3302-006.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a concomitância declarada na decisão recorrida e retornar os autos à primeira instância para apreciar as demais matérias da impugnação, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Paulo Guilherme Deroulede que davam provimento integral ao recurso voluntário. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Diego Weis Junior na reunião de outubro/2018.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Junior.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Deve ser anulada a decisão que reconhece a concomitancia entre o Processo Administrativo e Processo judicial quando eles tratam de matérias distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a concomitância declarada na decisão recorrida e retornar os autos à primeira instância para apreciar as demais matérias da impugnação, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Paulo Guilherme Deroulede que davam provimento integral ao recurso voluntário. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Diego Weis Junior na reunião de outubro/2018. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 01 02 07 /2 00 1- 14 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10283.010207/200114 Acórdão n.º 3302006.116 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo no bojo do qual discutese a exigência de COFINS no período entre 28/02/1997 a 31/03/1997. Quando da Impugnação ao Auto de Infração (fls. 03) a Recorrente apontou para a existência de Ação Declaratória por meio da qual, perante o Poder Judiciário,"... solicita a compensação dos valores em questão." (fls. 03) Submetida a questão à DRJ de Belém, foi reconhecida a concomitância, que implica a renúncia ao processo administrativo (fls. 78). A Recorrente manejou Recurso Voluntário (fls. 88) ao então Conselho de Contribuintes alegando que o objeto da Ação Judicial não se confunde com o do Processo Administrativo, bem como, no mérito, que o fato de haver informado em DCTF "suspensão de exigibilidade" constitui um mero erro formal em relação ao termo "compensação judicial." Finalmente, esclarece que o valor exigido está pago e "... que o procedimento efetuado pela empresa baseouse em decisão judicial...", requerendo ainda que se determine " ... a retificação das DCTFs a fim de fazer constar a expressão que o Fisco Federal entenda mais apropriada ao presente caso." (fls. 92) O Recurso Voluntário protocolizado tempestivamente em 2004 (efls. 87 a 92) tratou de três pontos específicos, quais sejam: I. A COFINS relativa a janeiro de 1997 já foi paga conforme DARF apresentado as fls. 123. II. Não existe concomitância pois os assuntos debatidos na esfera judicial e administrativa são distintas. III. O não recolhimento da COFINS relativa a fevereiro e março de 1997 decorreu do fato da Recorrente haver confundido as expressões "suspensão de exigibilidade" e "compensação judicial". Submetida a questão à análise pelo então Conselho de Contribuintes (efls. 132), foi identificado que a "conta corrente do faturamento" foi realizado com o CGC da matriz, mas o lançamento levado a efeito se deu na filial de Manaus. O julgamento foi convertido em diligência, em 2006 para que: · 1) confirme ou infirme o pagamento efetuado através de DARF, cuja cópia encontrase às fls. 123. · 2) confirme ou infirme a ocorrência da compensação alegada pela recorrente. Às fls. 138 o SECAT afirmou que o pagamento apresentado pelo Contribuinte às fls. 123 não foi utilizado para fins de vinculação a nenhum fato gerador. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10283.010207/200114 Acórdão n.º 3302006.116 S3C3T2 Fl. 4 3 " Em atendimento a solicitação de diligência de fls. 131 e 132 item 1, anexei ao processo tela do pagamento apresentado pelo contribuinte à fls. 123, Informo ainda que o pagamento está disponível nos nossos sistemas e não foi utilizado pra fins de vinculação a nenhum saldo devedor (fls. 134)" (efls. 138) Às fls. 141 há Termo de Intimação Fiscal por meio do qual o Contribuinte foi intimado a (i) demonstrar a compensação da COFINS e apresentar os livros. Às fls. 144 há informação por meio da qual a fiscalização afirma que a Recorrente não apresentou informações. "O Contribuinte, intimado e reintimado; através de seus representados, atendeu cordialmente à fiscalização, prontificou a atender as exigências do fisco, na intimação fiscal, na reintimação, através de contatos telefônicos, porém, na prática, não fez qualquer manifestação oficial, demonstrando total desinteresse." É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator O Recurso Voluntário (efls. 87 a 92) é tempestivo, preenche os requisitos de Admissibilidade e já foi, inclusive, objeto de julgamento por este colegiado, que o converteu em diligência em 27 de abril de 2006. Às fls. 27 dos autos há Certidão que demonstra que a Ação Judicial proposta pela Recorrente (e por outras empresas) foi interposta em 1993 com o objetivo de declarar a inconstitucionalidade de diversos dispositivos legais que majoraram a alíquota do FINSOCIAL e requerendo a suspensão da exigibilidade dos créditos até o limite dos pagamentos indevidamente realizados a título de FINSOCIAL. Em conformidade com a Certidão de fls. 28 admitese que desde o ano de 1993 a Recorrente já havia buscado o Poder Judiciário para a declaração incidental de inconstitucionalidade de norma jurídica, que teria o condão de lhe gerar créditos compensáveis, e que encontramse, segundo a DRJ, abrangidos pela Ação Judicial. Em sede de diligência, às fls. 138 há informação de que o débito de janeiro de 1997 foi pago. " Em atendimento a solicitação de diligência de fls. 131 e 132 item 1, anexei ao processo tela do pagamento apresentado pelo contribuinte à fls. 123, Informo ainda que o pagamento está disponível nos nossos sistemas e não foi utilizado pra fins de vinculação a nenhum saldo devedor (fls. 134)" (efls. 138, pode ser constatado que a COFINS relativa a janeiro de 1997 já foi paga conforme DARF Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10283.010207/200114 Acórdão n.º 3302006.116 S3C3T2 Fl. 5 4 Instada a fornecer maiores informações acerca da compensação (fls. 142 e 143) a Recorrente silenciouse (fls. 144), abrindo mão de colaborar para com a produção da prova de fato que lhe competia. Efetivamente, é de se admitir que não existe a alegada concomitância entre a Ação Judicial, cujo objetivo foi declarar incidentalmente a inconstitucionalidade do tributo, e o presente Processo Administrativo, que decorre de Auto de Infração referente à suposta inexecução do que foi determinado judicialmente, razão pela qual deve ser reformada a decisão proferida pela DRJ. Por este motivo, o processo deve retornar à DRJ, que por sua vez deverá proferir nova decisão levando em consideração a inexistência de concomitância e o pagamento da DCTF posteriormente identificada. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad. Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.003035/98-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992
IRPJ. POSTERGAÇÃO. EMPREITEIRA. LONGO PRAZO
A empreiteira deve obedecer ao princípio contábil do emparelhamento das despesas e custos com as receitas correspondentes, sob pena da quebra do regime de competência na apuração dos resultados.
A adoção da - sistemática de apuração dos resultados disponibilizada pelo artigo 10 do Decreto-lei n° 1.598/77 implica na elaboração, pela empresa, dos demonstrativos e procedimentos contábeis adequados ao estrito controle dos resultados líquidos, não sendo oponível ao lançamento de ofício o simples argumento de que a emissão posterior de notas fiscais relativas a medições anteriores decorre de praxe do setor, cujo fato, reconhecidamente, provoca postergação dos tributos incidentes.
PIS-REPIQUE
Deve subsistir o lançamento decorrente da própria exigência do IRPJ, e aplicada a base de cálculo e alíquota previstos na LC 7/70.
ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA.
Deve subsistir o lançamento decorrente da exigência do IRPJ.
Ademais, se na data do encerramento do período-base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA E TAXA SELIC.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inteligência Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 1301-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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OBRA GRANDE. EMPREITEIRA Recorrente UNITEC UNIDADE TÉCNICA DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 IRPJ. POSTERGAÇÃO. EMPREITEIRA. LONGO PRAZO A empreiteira deve obedecer ao princípio contábil do emparelhamento das despesas e custos com as receitas correspondentes, sob pena da quebra do regime de competência na apuração dos resultados. A adoção da sistemática de apuração dos resultados disponibilizada pelo artigo 10 do Decretolei n° 1.598/77 implica na elaboração, pela empresa, dos demonstrativos e procedimentos contábeis adequados ao estrito controle dos resultados líquidos, não sendo oponível ao lançamento de ofício o simples argumento de que a emissão posterior de notas fiscais relativas a medições anteriores decorre de praxe do setor, cujo fato, reconhecidamente, provoca postergação dos tributos incidentes. PISREPIQUE Deve subsistir o lançamento decorrente da própria exigência do IRPJ, e aplicada a base de cálculo e alíquota previstos na LC 7/70. ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Deve subsistir o lançamento decorrente da exigência do IRPJ. Ademais, se na data do encerramento do períodobase de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. JUROS DE MORA E TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 30 35 /9 8- 25 Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.603 2 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inteligência Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 01.071, de 26 de junho de 2002, proferido pela 7ª Turma da DRJ/SPO1, que, ao apreciar a impugnação apresentada, por maioria de votos, julgoua improcedente. A decisão recorrida manteve a exigência formalizada, relativamente ao Imposto de Renda, assim como os créditos do ILL e PIS/Repique (reflexos), todos do ano calendário de 1992. A exigência foi formalizada com base no relatório de fls. 793, cientificando à recorrente em 29.05.1998, assim produzido: Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.604 3 "1 AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. ADIÇÕES INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS. Falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica nos períodosbase relativos aos meses de setembro e Outubro, do anocalendário de 1992, fato este apurado através de ajustes efetuados nos lucros líquidos dos referidos períodosbase, e, conseqüentemente, dos respectivos lucros reais, tendo em vista a constatação de postergação de receitas operacionais, consoante apurado nos Quadro Demonstrativos 01 02, 11 e 12 e explicitado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, anexo. EXERCÍCIO OU FATO GERADOR VALOR APURADO % MULTA 09/92 3.709.108.477, 12 75,0 Falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica nos períodosbase relativos aos meses de setembro e Outubro, do anocalendário de 1992, fato este apurado através de ajustes efetuados nos lucros líquidos dos referidos períodosbase, e, conseqüentemente, dos respectivos lucros reais, tendo em vista a constatação de postergação de receitas operacionais, consoante apurado nos Quadro Demonstrativos 01 02, 11 e 12 e explicitado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, anexo. EXERCÍCIO OU FATO GERADOR VALOR APURADO % MULTA 10/92 1.116.518.821,15 75,0 A manutenção da exigência se deu da análise da sistemática de apuração dos resultados tributáveis em empreitadas de longo prazo. Reproduzo fragmentos da decisão recorrida, que bem explica suas razões (fls. 836838): "Como se pode notar, a interessada deveria ter reconhecido como receita de cada período aquele correspondente ao percentual realizado de cada uma das obras para as quais foi contratada para fazer, independentemente de qualquer outro fator. Portanto, irrelevante que o faturamento dependesse de aprovação das medições por parte do contratante. O reconhecimento da receita deveria ser feito ao final de cada período observado os critérios estabelecidos pela lei. Caso houvesse alguma divergência apurada posteriormente quando da aprovação do trabalho técnico de medição, é sabido que a nota fiscal emitida com erro pode ser alterada através de carta de correção ou nota fiscal complementar. A contabilidade também é dotada dos recursos necessários para reservar receitas não auferidas bem como receitas auferidas e não contabilizadas, Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.605 4 como, por exemplo, no estorno e na complementação do lançamento contábil, Assim sendo, não se justifica a postergação do reconhecimento da receita. Como regra geral temos que as receitas são sempre obrigatoriamente reconhecidas e quanto aos custos e despesas há verdadeira faculdade do contribuinte em considerálos ou não. Assim sendo, desconsiderados demais fatores da apuração do resultado, se o contribuinte posterga custos ele adianta a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, pois está, num primeiro momento, adiantando à ocorrência de lacro. Por certo que essa faculdade encontra limites, pois se a postergação teve por fim a redução de tributos, ou seja, se houve prejuízo para Fazenda Pública, o procedimento não será considerado correto. " Em breve síntese, alega o contribuinte ter ocorrido decadência do lançamento, caracterizando a necessária homologação do lançamento e conseqüente impedimento para a Fazenda Pública constituir crédito tributário; em sede de preliminares, defende a tese da semestralidade para a cobrança do PIS, em face do previsto na LC 07/70, que define que "a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente" (art. 6º, da LC 07/70), e que a fiscalização, mesmo desatendendo à semestralidade, adotou o percentual de 0,75% que somente seria cabível se tivesse ela sido obedecida; quanto ao ILL, faz alusão à inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 7.713/88, já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, recorrente alinha argumentos que afirmam a inexistência da figura da postergação de receitas; que a forma como reconhece suas receitas é normal e usual para todo o setor; que, na linha de terceirização procede à subempreitada da quase totalidade de seus contratos, passando, portanto, a figurar mais na administração do que na execução das obras; dessa forma, pelo mesmo raciocínio, a maior parte dos custos estariam sendo postergados; que está certa que se verifica que também custos e despesas estão "postergadas", na mesma proporção e que, pleiteando a aplicação do princípio da moralidade pública acreditava que o processo seria objeto de diligência para que a fiscalização aperfeiçoasse o lançamento. Pleiteia que "se pela interpretação do trabalho fiscal se conclui pela postergação de receitas, que o mesmo critério adotado pela Fiscalização seja utilizado com relação aos custos e despesas da recorrente.". Por fim, pleiteia o afastamento da Taxa Selic para parametrar a cobrança de juros moratórios, por ser inconstitucional o seu uso. Em uma primeira apreciação, o colegiado da antiga 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, acolheu a preliminar de decadência, para cancelar as exigências formalizadas. Inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, argumentando que ao decidir pelo acolhimento da tese da decadência com base no artigo 150, §4º do CTN, a Câmara julgadora contrariou o artigo 173, I, do CTN, uma vez que inexistindo pagamento, não poderia ser aplicada legislação que trata de lançamento por homologação. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.606 5 Apreciando a questão, a Primeira Turma do CSRF negou provimento ao referido recurso especial, assentando o entendimento de que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), mesmo nos casos de ausência de pagamento antecipado do tributo. A decisão restou assim ementada: “IRPJ DECADÊNCIA Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150 do CTN), o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em 05 (cinco) anos, contados da data de ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento da prestação devida não altera a natureza do lançamento, já o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo. Negado provimento ao Recurso Especial. Negado provimento ao recurso especial " Irresignada com o teor deste acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário, sendo suas razões apreciadas pelo Pleno, que lhe deu provimento, para afastar a argüição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso voluntário. Esta última decisão ainda foi objeto de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, porém, por Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido em 10/09/2016, não se conheceu de suas razões, por intempestividade, determinando, enfim, a remessa dos autos à Primeira Seção do CARF, para julgamento das demais razões do recurso voluntário, nos termos do acórdão do Pleno da CSRF (fls. 1122/1132) É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminares As alegações preliminares apontadas nos item "II2" e "II3" se confundem com o mérito, e serão analisadas na seqüência, quando de sua apreciação. Apenas para consignar, conforme relatório, a alegação de decadência já foi examinada por este Conselho, havendo decisão definitiva, no sentido de que ela não se consumou. Assim, passo a apreciar as razões de mérito alegadas pela recorrente. Mérito Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.607 6 IRPJ A infração apurada pela fiscalização pode ser descrita como postergação de tributo em decorrência do reconhecimento de receita em período posterior àquele em que deveria ter sido feito. Conforme conta do processo, as infrações foram apuradas tendo em vista que a autuada efetuava o faturamento dos trabalhos realizados em determinado mês ou anos ulteriores e foi capitulada nos artigos 155, 157, e parágrafo 1º, 171, 172, 173, 280 e 387, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 85.450/80 (RIR/80). Em síntese, a recorrente suscita dois argumentos, são eles: que seu procedimento quanto ao reconhecimento das receitas é comum a todas as empresas do ramo de atividade, ou seja, no caso de contratos de longo prazo, somente são faturados seus serviços após a aprovação da empresa contratante das medições realizadas na obra, e aduz, nesse particular, que é nesse momento que ocorre a entrega dos seus serviços e o habilita a emitir a nota fiscal respectiva; o segundo argumento diz respeito ao momento de reconhecimento dos custos, ao sustentar que terceiriza quase toda a execução da obra e seus custos correspondem ao faturamento dos subempreiteiros, que também ocorrem em períodos posteriores ao da execução do serviço, pois também se submetem à aprovação da medição. Pois bem. De início, quanto ao pedido de diligência, de fato, constam do processo quatro volumes de documentos, porém, é de se observar que estes documentos estão simplesmente juntados, sem qualquer correlação com as obras e, examinando tais documentos concluo que sua utilização somente seria possível para o intento buscado pela recorrente a partir de planilhas que ela deveria produzir e juntar aos autos, constando a correlação de cada despesa ou custo com a obra correspondente e com a receita dela decorrente. A diligência não se presta para fazer prova em favor das partes, quando estas que possuem o ônus de comprovar suas alegações. A recorrente traz alegações genéricas e aponta quatro provas em que os custos que, embora tenham sido apropriados em mar/1992, referemse a períodos anteriores, que não são objeto do lançamento, que apenas exige IRPJ relativamente aos meses de setembro e outubro de 1992. Assim, a diligência se referia a uma situação genérica que serviria simplesmente para reabrir novas discussões e produzir prova que a recorrente se omitiu em produzir, mesmo decorridos vários anos (20 anos!!), desde o início do procedimento administrativo. Assim, rejeito o pedido de diligência. Por outro lado, merece relevo a metodologia adotada pela fiscalização, que elaborou demonstrativo individualizado das notas fiscais e considerou as somas de cada período mediante adição no período em que houve a medição e conseqüente período de apuração da receita e exclusão no período em que a receita foi considerada pela recorrente em sua contabilidade e conseqüentemente também em sua declaração de rendimentos. As adições foram efetuadas pelo valor das notas fiscais, sem ajustes. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.608 7 As exclusões foram efetuadas também pelo valor bruto das notas fiscais e acrescidas com o valor da correção monetária entre o período da medição e o período em que a empresa o considerou, ajustado o seu valor no tempo. Esse mecanismo afasta a necessidade de reconhecer os efeitos da reserva oculta provocada pela apropriação das receitas em período posterior, dando equilíbrio ao levantamento fiscal e tornandoo neutro com relação aos efeitos da sistemática de correção monetária do balanço, no período de sua vigência. Com essas considerações, resta apreciar se houve a postergação e se a fiscalização realmente quebrou a sistemática fiscal que a recorrente alega lhe ser favorável. Relativamente ao lucro real, a sistemática de apuração dos resultados de empreitadas de longo prazo, como é o presente caso, está regulado no artigo 10 do DecretoLei nº 1.598/77, traduzido no artigo 280 do RIR/80, em vigor na data da autuação: Art. 280. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada períodobase (Decretolei n.° 1.598/77, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorrido durante o períodobase; II parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no períodobase. Parágrafo único. A percentagem do contrato ou da produção executada durante o períodobase poderá ser determinada (Decretolei n.° 1.598/77, art. 10, § 1°): a) com base na relação entre os custos incorridos no períodobase e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou b) com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. Assim, de acordo com a legislação à época, estão previstas duas formas especiais de apuração, e nenhuma delas foi observada pela recorrente. Em síntese, a primeira, levando em consideração o custo de construção ou de produção dos bens e serviços incorridos durante o períodobase, a qual exige o planilhamento tendo como referencial o montante de custos incorridos diante do total dos custos orçados e contratados, estimandose a receita correspondente. Visivelmente esse não foi o procedimento da recorrente que apropriou a receita com base no faturamento procedido e contabilizado. Tanto que somente tem o Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.609 8 faturamento como parâmetro e referencial de receitas. Se tivesse adotado este método, teria as receitas estimadas em valores diferentes daqueles faturados, parametradas no montante dos custos realizados. Nenhum demonstrativo foi produzido nesse sentido e nem qualquer prova aduzida pela empresa indica este procedimento. A segunda, por outro lado, considera o montante da receita auferida e considera como custos os valores proporcionais a ela, mediante planilhamento que considera o percentual da execução da obra no período considerado. Esse procedimento exige elaboração de demonstrativo da relação estabelecida, através de laudo técnico. Nenhum desses cuidados restou demonstrado pela recorrente, não fazendo, inclusive, a eles referência em sua defesa. Quando ao procedimento adotado pela recorrente, embora possa parecer usual, segundo o qual as empresas efetuam a medição dos serviços prestados e somente emitem as notas fiscais correspondentes posteriormente, tem como efeito principal provocar o diferimento da apropriação da receita, quebrando a concomitância necessária entre a consideração de tal receita e das despesas e custos correspondentes. Se bem, é possível que o mesmo emitindo a nota fiscal posteriormente, isso ainda ocorra no mesmo período de apuração, em cujo caso a distorção não apresenta significado no cálculo do tributo correspondente. De outra forma, é procedimento atribuído à empresa efetuar o controle estatuído no artigo 280 do RIR/80 (art. 10 do DecretoLei nº 1.598/77), cujo benefício combinado de postergação da tributação do lucro embutido nas receitas oriundas de obras públicas, exige rigoroso controle de apuração e diferimento. Como se viu, nenhum desses controles ou mecanismos foram constatados na escrituração contábil ou fiscal da recorrente, e muito menos a eles se fez referência em sua defesa. Sem dúvida, a constatação da emissão das notas fiscais em períodos posteriores, nas quais estão claramente indicados os períodos de execução dos serviços, provoca o distanciamento entre a apropriação dos custos e das receitas que devem ser atrelados. O exame da documentação acostada indica, outrossim, casos em que a emissão da nota fiscal é feita rigorosamente em consonância com o período de execução das obras, como é o caso da NF nº 2961 (efls. 662) quando a nota fiscal foi emitida no dia 04.01.94 e corresponde à execução de serviços do período de 05.12.93 a 04.01.94, enquanto outras, como a NF nº 3022 (efls. 708), a emissão da NF foi em 18.07.94 e corresponde a execuções do período de 01.06.94 a 30.06.94. Como se vê, embora os exemplos acima esteja fora de abrangência do lançamento em questão, é possível verificar, e inclusive é prática em alguns casos pela recorrente, a emissão concomitante entre a medição (execução dos serviços) e a emissão da nota fiscal correspondente. Sem dúvida, segundo a legislação vigente, as receitas e despesas devem ser emparelhadas no mesmo período, e mais, no período correspondente à modificação patrimonial elas devem ser consideradas, em obediência ao regime de competência. Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.610 9 Dessa forma, as receitas devem ser consideradas no período a que corresponderem a execução dos serviços prestados ou obras realizadas, ou, se de forma diferenciada a empresa pretender tributar seus resultados, deve se submeter aos controles preconizados no artigo 10 do Decretolei nº 1.598/77, mantendo controles claros e detalhados em consonância com os resultados fiscais espelhados no LALUR. Logo, considero correto os fundamentos e demonstrativos que instruíram o auto de infração, devendo ser mantida a decisão recorrida, quanto a este ponto. PIS REPIQUE Segundo a fiscalização, lavrouse o lançamento com exigência de PIS com base no Imposto de Renda devido, o chamado "PisRepique, utilizandose como base capitulada o § 2° do art. 3°. da Lei Complementar 7, de 7 de setembro de 1970. O contribuinte se defende, sustentando que a fiscalização desconsiderou por completo, em relação ao ano de 1992, as disposições da Lei Complementar nº 7/70; que aplicou a alíquota de 75% sobre o faturamento mensal da recorrente, e ao assim proceder, não considerou o faturamento do sexto mês anterior para determinação da base de cálculo, utilizandose da base de cálculos dos DecretosLei 2445 e 2449, ambos de 1988, julgados inconstitucionais pelo STF. Equivocase a recorrente. De acordo com o Auto de Infração (efls 800/804, o lançamento decorre da própria exigência do IRPJ, e foi aplicada a base de cálculo e alíquota previstos na LC 7/70. Assim, subsistente a infração do IRPJ, por decorrência, devese manter o lançamento do PISRepique. ILL A recorrente faz expressa menção à Lei nº 7.713, de 29 de dezembro de 1988, que criou o ILL, e sustenta que desde sua criação, entende inconstitucional sua cobrança. Aduz que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da exigência do ILL, quando do julgamento do Recurso Extraordinária nº 172.0581: "Ementa omissis IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE ACIONISTA. O artigo 35 da Lei n° 7.713/88 é inconstitucional , ao revelar como fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte", relativamente aos acionistas, a simples apuração, pela sociedade e na data do encerramento do período base, do lucro líquido, já que o fenômeno não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no artigo 43 do Código Tributário Nacional, isto diante da Lei n° 6.404/76." Afirma ainda que em face dessa decisão, o Senado Federal publicou a Resolução nº 82, em 22 de novembro de 1996: "Art. 1°. É suspensa a execução do art. 35. da Lei n° 7.713, de 29 de dezembro de 1988, no que diz respeito à expressão "o acionista" nele contida. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.611 10 Art. 2 º . Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3 1 . Revogamse as disposições em contrário." Diante disso, conclui que possui o direito de ver cancelada a exigência. A controvérsia, portanto, cingese ao reconhecimento, ou não, da inconstitucionalidade da cobrança do ILL, com fundamento no art. 35, da Lei nº 7.713/88 (abaixo transcrito), de “sócio quotista” à vista da Resolução do Senado nº 82, de 18 de novembro de 1996, que suspendeu a execução do referido art. 35 no que diz respeito à expressão “o acionista” nele contida: Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. (sublinhamos) A questão em exame passa pela análise do contrato social da pessoa jurídica geradora do lucro, pois se, na data do encerramento do períodobase de apuração, o sócio quotista tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do art. 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. Analisando o contrato social da Recorrente vigente à época, extraise da Cláusula Oitava (fl. 903), a seguinte redação: Como se observa da Cláusula Oitava do Contrato Social da Recorrente, acima transcrito, os resultados da sociedade serão atribuídos aos sócios, sendo distribuídos a estes proporcional ao capital de cada sócio. Há, no caso, indiscutível disponibilidade jurídica (ao menos) para dispor dos lucros como melhor lhes aprouver, como um direito no qual os sócios se encontram irrecusavelmente investidos. Esse entendimento está em consonância com o posicionamento do E. STF quanto do reconhecimento da constitucionalidade do art. 35, da Lei nº 7.713/88 em relação aos “sócios quotistas”, firmado pelo Plenário daquela Corte ao julgar o RE 172.058/SC, de relatoria do Exmo. Min. Marco Aurélio Mello, em cujo voto ficou consignado que “o artigo 35 da Lei nº 7.713/88 guarda sintonia com a Lei Básica Federal, na parte em que disciplinada a situação do sócio cotista, quando o contrato social encerra, por si só, a disponibilidade imediata, quer econômica, quer jurídica, do lucro líquido apurado.” Reconhecida, no presente caso, a disponibilidade jurídica do lucro líquido apurado em favor do sócio quotista, a incidência do ILL é constitucional. Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 13808.003035/9825 Acórdão n.º 1301003.466 S1C3T1 Fl. 1.612 11 Sendo o lançamento de ILL decorrente dos mesmos fatos que resultaram na exigência relativa ao IRPJ, e, afastada a argüição acima, deve ser mantido o lançamento desse imposto. Da Aplicação da Taxa SELIC No que pertine ao uso da taxa SELIC, em sua variação, para parametrar a cobrança de juros moratórios, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito do CARF, onde há, inclusive, a edição Súmula CARF 04 a este respeito: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”, Desta forma, rejeitase a argumentação da recorrente. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1612DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004015/2010-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
Numero da decisão: 9202-007.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 15 /2 01 0- 55 Fl. 225DF CARF MF 2 Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.004016/201008 37.313.4789 (AI 35) Obrig. Acessória Execução Fiscal 19515.003957/201016 37.313.4797 (AI 68) Obrig. Acessória Execução Fiscal 19515.004011/201077 37.313.4800 (Emp) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004015/201055 37.313.4819 (Seg. C.I.) Obrig. Principal Recurso Especial O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.313.4819, referente às Contribuições Previdenciárias não descontadas pela empresa, devidas pelos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre o valor a eles pago a título de remuneração, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 18 a 26. Em sessão plenária de 20/11/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302002.888 (efls. 172 a 187), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 19515.004015/201055 Acórdão n.º 9202007.423 CSRFT2 Fl. 226 3 As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96)." O processo foi encaminhado à PGFN em 07/01/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 388 do processo principal) e, em 28/01/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 188 a 199 (Despacho de Encaminhamento de efls. 400 do processo principal). O apelo está fundamentado nos arts. 64, inciso II, e 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; ou b) multa aplicada de ofício, nos termos do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 31/05/2016 (efls. 200 a 204). Fl. 227DF CARF MF 4 Cientificada em 11/08/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 206/207), a Contribuinte ofereceu, em 21/11/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 209), as Contrarrazões de efls. 211 a 223. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A Contribuinte foi intimada em 11/08/2016, quintafeira (AR de efls. 206/207), e teria até 26/08/2016, sextafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 21/11/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 209), portanto já fora do prazo de quinze dias. Assim, as Contrarrazões não podem ser conhecidas, por intempestividade. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.313.4819, referente às Contribuições Previdenciárias não descontadas pela empresa, devidas pelos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre o valor a eles pago a título de remuneração, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 18 a 26. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, considerandose incabível o somatório das sanções decorrentes de descumprimento de obrigação principal e acessória. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Conforme o quadro demonstrativo constante do relatório, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração em GFIP, portanto a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14, de 2009, e a Súmula CARF nº 119: "Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19515.004015/201055 Acórdão n.º 9202007.423 CSRFT2 Fl. 227 5 Fl. 229DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.900206/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2004
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2004 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 06 /2 00 9- 13 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13819.900206/200913 Acórdão n.º 3301005.139 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.691. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13819.900206/200913 Acórdão n.º 3301005.139 S3C3T1 Fl. 4 3 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13819.900206/200913 Acórdão n.º 3301005.139 S3C3T1 Fl. 5 4 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16511.720548/2011-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente JURACI LOPES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 05 48 /2 01 1- 19 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16511.720548/201119 Acórdão n.º 2002000.384 S2C0T2 Fl. 119 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 31/35), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$6.098,75 para saldo de imposto a pagar de R$11.651,36. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$20.191,32, consignando: Impugnação Cientificada à contribuinte em 4/8/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 16/8/2011, à fl. 2/22 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: Recapitula os fatos, apresenta os recibos e informa que pagou os serviços médicos por meio de moeda em espécie, sem que haja qualquer proibição legal de fazêlo nesse sentido. Pondera que os gastos com o plano de saúde foram informados na declaração de ajuste anual com base na declaração fornecida pela Associação dos Servidores da Justiça do Trabalho de Santa Catarina e que é permitida a dedução dos gastos com filhos ou cônjuge que constam do plano e apresentam declarações em separado desde que não seja utilizada como dedução nas declarações deles. Por fim, protesta pela juntada de novas provas. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente em decisão assim ementada (fls. 99/103): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTES. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16511.720548/201119 Acórdão n.º 2002000.384 S2C0T2 Fl. 120 3 As despesas médicas tidas com tratamento de terceiros, não incluídos como dependentes ou alimentantes na Declaração de Ajuste Anual do sujeito passivo, por falta de previsão legal, não podem ser aceitas como dedução da base de cálculo do Imposto de Renda. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DA PROVA. Mantémse a glosa de dedução a título de despesas médicas quando o sujeito passivo é intimado a comprovar a efetividade dos desembolsos e deixa de apresentar documentos aptos a fazêlo. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de dilação probatória quando não se ampara em quaisquer das hipóteses previstas no ordenamento jurídico que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 1/6/2016 (fl. 106), o contribuinte, em 17/6/2016 (fl. 107), apresentou recurso voluntário, às fls. 107/115, no qual alega, em apertado resumo, que: a exigência fiscal não teria como prosperar, eis que formulada em desconformidade com os atos legais e os fatos efetivamente ocorridos. teria atendido prontamente o termo de intimação, no qual lhe fora solicitada a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, apresentando recibos e comprovantes, relativos aos profissionais Vera Lúcia, Michel e Thiago, no total de R$15.000,00. Ressalta que teria efetuado os pagamentos em espécie, inexistindo impedimento legal para assim proceder ou determinação no ordenamento jurídico pátrio de se efetuar pagamentos por meio de cheque, cartão de crédito ou transferência bancária. a comprovação se daria também pelas declarações do profissional, confirmando o efetivo recebimento dos numerários declarados pelo contribuinte. seria incabível a exigência de saques compatíveis em data/valor com os pagamentos realizados, uma vez que o cidadão pode concretizar saques de acordo com sua conveniência. após citar jurisprudência administrativa acerca do tema, aponta que o Fisco não teria ventilado quaisquer provas para refutar, eivar de vícios ou caracterizar eventual ausência de veracidade, quanto aos pagamentos ou a prestação dos serviços referentes aos recibos apresentados e, por consequência, não poderia desconsiderar os recibos apresentados. ao final, requer a declaração de nulidade da autuação, por absoluta falta de respaldo fático e legal. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 16511.720548/201119 Acórdão n.º 2002000.384 S2C0T2 Fl. 121 4 protesta ainda pela juntada de novas provas, documentos, notas fiscais, recibos, demonstrativos e outros elementos que venham a se demonstrar necessários à comprovação das suas alegações. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide Em seu recurso voluntário, o recorrente não se manifesta acerca da glosa efetuada com plano de saúde de não dependentes (Unimed R$5.191,32). Dessa feita, não cabe a este colegiado se manifestar acerca dessa glosa. Preliminar de nulidade Ao final de seu recurso, o recorrente suscita a nulidade da autuação. A notificação de lançamento está devidamente motivada, contendo descrição dos fatos e enquadramento legal da infração. Por seu turno, o contribuinte demonstrou entender perfeitamente a acusação fiscal e apresentou sua defesa, tendo sido garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa. O argumento de que a autoridade fiscal não poderia exigir comprovação de efetivo pagamento das deduções declaradas, ainda que verdadeiro, não ensejaria a nulidade do lançamento e será analisado como argumento de mérito. Assim, a preliminar de nulidade suscitada não merece acolhida. Pedido para juntada posterior de provas No tocante ao pedido de complementação da defesa, mediante a juntada de novos documentos, cumpre lembrar que o momento oportuno para sua apresentação é por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação acrescida pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997. É de salientar, ainda, que cabe ao contribuinte o ônus da comprovação de incidir em algumas destas hipóteses. Entretanto, não logra o recorrente demonstrar a ocorrência de quaisquer destes fatos previstos no Decreto nº 70.235/72, o qual permitiria o deferimento do pedido. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 16511.720548/201119 Acórdão n.º 2002000.384 S2C0T2 Fl. 122 5 Assim, o pedido deve ser indeferido. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 16511.720548/201119 Acórdão n.º 2002000.384 S2C0T2 Fl. 123 6 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. É preciso registrar que no presente lançamento o interessado não está sendo acusado de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16511.720548/201119 Acórdão n.º 2002000.384 S2C0T2 Fl. 124 7 eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamentos seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimado a fazer a prova do efetivo pagamento (fl.43), só foram juntados pelo recorrente os recibos de fls. 6/15, já apresentados no curso da ação fiscal (fls. 45/76 e 79/95). Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16511.720548/201119 Acórdão n.º 2002000.384 S2C0T2 Fl. 125 8 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 125DF CARF MF
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