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Numero do processo: 13502.001115/2009-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
"A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 11 15 /2 00 9- 59 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 3 2 Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à manutenção da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL nos anos calendário de 2005 e 2006. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 130100.640, de 04/08/2011, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por maioria de votos, manter a multa isolada por falta de estimativa mensal. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007 APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, impõese a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: BREVE RESUMO DA LIDE. a Fiscalização lavrou contra a Recorrente, em 11/11/2009, auto de infração para cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no período de janeiro de 2005 a maio de 2006, aplicando, de forma acumulada, a multa de ofício e a multa isolada previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96; Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 4 3 é importante salientar, desde já, que a matéria examinada pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento diz respeito, unicamente, à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada após o término do exercício e sobre a mesma base de cálculo; isto porque a ora Recorrente aderiu ao parcelamento de que trata a Lei n° 11.941/2009 e desistiu parcialmente de seu recurso voluntário, pleiteando o seu seguimento unicamente para exame e exclusão da multa isolada, ante a duplicidade de penalidades; da mesma forma, o presente recurso especial é interposto visando à reforma do entendimento do v. acórdão recorrido, tendo em vista que ele diverge da orientação de outras Câmaras e dessa E. Câmara Superior sobre o tema, pois entendeu ser legítima a cobrança das duas multas antes referidas; CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. os acórdãos paradigmas foram apreciados pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção do Conselho de Contribuintes e por essa Câmara Superior de Recursos Fiscais; não há dúvida de que a matéria foi devidamente prequestionada pela Recorrente, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, e foi abordada explicitamente no acórdão recorrido, como destacado nos tópicos a seguir; a Recorrente instrui este recurso com cópia da íntegra dos acórdãos paradigmas, obtidas no site do CARF, conforme lhe faculta os §§7° e 8º do art. 67 do Regimento Interno do CARF, e os subscritores deste recurso declaram, sob as penas da lei, serem cópias autênticas; DA DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. o entendimento do v. acórdão recorrido foi o de que estariam a ocorrer duas infrações distintas, de forma a acarretar duas penas sobre o mesmo fato e base de cálculo, que não se confundiriam; de outro lado, a 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho de Contribuintes, no recurso n° 506.228 (processo 11030.000096/200679), apreciado na sessão de 11 de outubro de 2011, decidiu afastar a multa isolada por acórdão cujo inteiro teor segue anexo, em razão da identidade das penalidades: "Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento de estimativas, sobre os valores apurados em procedimento fiscal, em razão da infração de omissão de receitas, implicaria admitir que sobre o imposto apurado de ofício, aplicarseia duas punições, o que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido". a ementa do citado paradigma não deixa dúvida sobre o entendimento daquela 2ª Câmara sobre a impossibilidade de aplicação cumulativa das multas em auto de infração: Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 5 4 "PENALIDADE MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA. Não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício incidente sobre a contribuição social sobre o lucro apurada e da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, §1º, inciso IV, quando calculada sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos". a divergência é evidente, haja vista que em ambos os casos as Câmaras apreciaram a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício sobre a mesma base de cálculo, tendo o acórdão recorrido decidido pela possibilidade da cobrança cumulativa e o acórdão paradigma pela inviabilidade de cumulação; vale notar que o Exmo. Conselheiro Waldir Rocha, relator do acórdão, destacou que a matéria é controvertida, mas a verdade é que essa Câmara Superior tem, reiteradamente, afastado a cumulação da multa isolada em casos idênticos ao destes autos; no julgamento do recurso especial n° 157.705, interposto pelo Representante da Fazenda Nacional nos autos do processo n° 13502.000918/200643, julgado em 25 de janeiro de 2010, essa Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas sob exame, mantendo o acórdão do Conselho de Contribuintes que havia decidido neste sentido; notese que no referido precedente a Recorrente, Braskem S.A., figurou como Recorrida, tratandose de caso idêntico ao presente; e naquele julgado essa C. Câmara Superior decidiu o seguinte: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. notese que o acórdão recorrido entendeu que a obrigação de recolhimento das estimativas subsistiria mesmo após o encerramento do anocalendário sob fiscalização, como se vê do trecho abaixo transcrito: "Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, entendo que a obrigação de recolher estimativas não se confunde com a Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 6 5 apuração do tributo ao final do período de apuração", (fl. 203 fl. 5 do acórdão recorrido) de outro lado, no acórdão paradigma proferido no recurso especial n° 157.705, essa Câmara Superior destacou que o recolhimento das estimativas é apenas ato preparatório ao recolhimento anual, sendo imperioso adotarse o princípio da absorção; tanto no paradigma quanto no presente caso a autuação se deu após o encerramento do exercício, e não no curso do ano como pena pela ausência da estimativa; diante disso, é inegável a identidade fática dos casos, nos quais as autuações aplicaram aos contribuintes duas multas sobre a mesma base de cálculo, em razão da falta de recolhimento das estimativas mensais e, também, do tributo apurado no fim do anocalendário. E é este o cerne do acórdão recorrido, que notadamente contraria a orientação dessa C. Câmara Superior; portanto, resta claro, absolutamente claro, repitase, que o voto da maioria dos Conselheiros no acórdão recorrido foi pela possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, ainda que a autuação tenha ocorrido após o fim do exercício fiscalizado e que as multas incidam sobre a mesma base de cálculo; e também é incontestável que os acórdãos citados neste recurso como paradigmas entendem que: (a) a multa isolada é indevida se aplicada após o fim do exercício e incidente sobre a mesma base de cálculo da multa de ofício, pois isto configura duas multas sobre a mesma base e mesmo fato; (b) o objetivo da multa isolada é compelir o contribuinte à estimativa, no curso do ano, mas ultrapassado este a sua aplicação não mais faz sentido, ocorrendo os fatos descritos na alínea precedente. portanto, o recurso é cabível, estando o dissídio demonstrado para os fins do art. 67 do Regimento Interno do CARF; DO MÉRITO. como já se disse no recurso voluntário, não há dúvida de que a redação da Lei n° 9.430/96 é obscura e pouco feliz. No entanto, não é possível ignorarse que, sobre uma mesma infração a falta de recolhimento de um tributo, não se podem lançar duas multas, simultaneamente. E esta tese, como se viu, já foi acolhida por essa C. Câmara Superior; a multa pelo não recolhimento do tributo poderá ser exigida quando da cobrança de tributo supostamente devido e não pago, ou, isoladamente, quando, não sendo o caso de se exigir o tributo, pela verificação de base negativa no ano fiscal, o contribuinte houver deixado de recolher o tributo por estimativa, nos meses em que teria ele sido devido; a lei, portanto, define uma única ilicitude e se refere apenas a duas formas diversas de se cobrar a mesma multa de ofício: uma juntamente com o tributo devido e outra isoladamente, quando não houver tributo a recolher, no momento da imposição, mas tiver o contribuinte deixado de recolhêlo anteriormente, antes do ajuste, quando seria devido, embora Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 7 6 passível de posterior compensação. Esta multa isolada tem características de multa formal, uma vez que o seu próprio "isolamento" já demonstra a inexistência da ilicitude definida no caput, qual seja, a falta de recolhimento do tributo; a única hipótese em que a multa isolada faz algum sentido é quando ela é aplicada no curso do anocalendário, como forma de compelir à antecipação, mas não quando o ano está findo, como ocorre no caso vertente; a licitude da multa isolada é passível de discussão, ante as normas do CTN e da Constituição. No entanto, o objeto da presente discussão é, tão somente, a impossibilidade de que, sobre uma mesma infração alegada o não recolhimento de um tributo incida, em duplicidade, a mesma e única multa estabelecida no art. 44 da Lei n° 9.430/96; por se tratar de hipótese extravagante, a aplicação de duas multas sobre a mesma base de cálculo pressuporia, ao menos, uma autorização expressa da lei, o que não existe; cumpre ressaltar que a multa tributária tem natureza punitiva, isto é, revela se como uma sanção ao contribuinte que comete uma infração. Por conta disso, é evidente que, além de ser imperioso interpretarse a Lei de forma sistemática, é necessário terse em vista o Princípio da Absorção/Consunção; a sanção no caso sob exame está incidindo de forma concomitante (ou sobreposta) a outra sanção idêntica e, nesse contexto, é impossível desviar os olhos dos princípios informativos da aplicação de sanções, que têm origem no Direito Penal e se refletem no Direito Tributário; desta forma, não há razão para se segregar ou limitar a aplicação de princípio tão importante ao Direito Tributário; ora, o Direito Tributário, tal qual o Direito Penal, é baseado numa concretude material absoluta, tendo como fundamento o fato gerador do tributo. Da mesma forma que no Direito Penal, o foco é o ilícito penal; daí resulta a conclusão de que não há fato gerador ficto, assim como não existe crime ficto; é preciso que o fato gerador ocorra, que o crime ocorra, no mundo real e precedido de lei anterior definidora, de forma explícita, de que esse fato gera, num caso, a obrigação de pagar tributo e, no outro, a pena, mas somente uma dessas obrigações sobre o mesmo fato; e é exatamente isto o que o acórdão paradigma resultado do julgamento do recurso n° 157.705 destacou, citando precedente anterior dessa C. Câmara Superior: [...]; o Direito Tributário é um ramo independente do Direito, mas não é refratário aos princípios básicos informativos do Direito e do Estado Democrático. A rigor, sequer no Direito Penal o princípio da subsunção ou conjunção ou absorção está positivado de forma literal; antes disso, supõese que esse princípio é inerente ao Estado Democrático de Direito, sob pena de implicar numa multiplicação de sanções; o princípio da consunção é utilizado sempre que uma conduta se ajusta a dois tipos legais, porém, um deles é o meio necessário para prática do outro; ou quando, para se Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 8 7 atingir um crime, temse que passar por outro menos grave. Nesse caso, o crime meio é absorvido pelo crime fim; em outras palavras, o fenômeno da consunção ocorre quando se está diante de uma ação que, se é única no seu todo, aparece como cindível em vários atos que violam, cada um deles, uma disposição de lei penal. Todavia, ao invés de punir cada ato isoladamente, consideramse absorvidos pelo fatofim os atos que constituíram fatos meio para a prática daquele; qualquer sanção deve ser razoável e, havendo uma única ação ou omissão, como ocorre nestes autos, não é lícito à Administração iniciar uma busca frenética para dividir a conduta de forma a apenar mais o administrado. Direito Tributário e Direito Penal se assemelham em inúmeros pontos, especialmente em tema de sanção, repitase; é evidente, portanto, o acerto da orientação reiterada dessa C. Câmara Superior, seja pela impossibilidade de aplicação de 2 penalidades sobre a mesma base, seja pela aplicação do princípio da consunção; apenas a título ilustrativo, tendo em vista o cabimento de arguição de apenas 2 paradigmas para formalização do presente recurso especial, a Recorrente cita, ainda, outros precedentes que encampam a tese aqui exposta: [...]; CONCLUSÃO. ante o exposto, acredita a Recorrente que será dado provimento ao seu recurso especial, para reforma do v. acórdão que diverge da orientação dessa Câmara Superior de Recursos Fiscais, em prestígio às suas decisões reiteradas. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 132/2014, exarado em 19/08/2014, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Tratase da mesma matéria analisada nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que é incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício sobre o tributo apurado ao final do ano calendário. O acórdão recorrido, por seu turno, traz entendimento que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é devida pelo descumprimento do dever de antecipar a estimativa mensal por imposição legal, e não se confunde com outra penalidade, a ser aplicada pela insuficiência do recolhimento do tributo ao final do período de apuração anual. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 9 8 Em 10/11/2014, a PFN declarou nos autos que estava ciente do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005 e 2006, e também para exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais no mesmo período. De acordo com a descrição dos fatos constante no auto de infração (fl. 04 a 06), foram apontadas as seguintes infrações: 1 – Falta de recolhimento da CSLL . O contribuinte auferiu base tributável positiva de Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no período de janeiro de 2005 a maio de 2006. Porém, apesar de apurar e declarar o IRPJ, não efetuou pagamento ou declaração da CSLL. Intimado a explicar o motivo do não pagamento/declaração, o contribuinte informou que possui trânsito em julgado favorável ao mandado de segurança nº 89.00.044699, que declarou inconstitucional a CSLL instituída nos termos da Lei nº 7.689/88. Apesar do contribuinte possuir decisão favorável no processo judicial, foi constatado que a União ingressou com a ação rescisória nº 93.01.328119, visando desconstituir a ação anterior, onde obteve acórdão favorável que rescindiu a decisão, conforme acórdão da Segunda Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, por unanimidade, julgou procedente a ação rescisória. Tal decisão foi objeto de Recurso Especial no Superior Tribunal de Justiça, que negou provimento ao recurso. Atualmente, estão pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal alguns Agravos de Instrumentos impetrados pela empresa. Esta situação não obsta a constituição do crédito tributário via lançamento de ofício. 2 – Multas Isoladas – Falta de recolhimento da Contribuição Social sobre a base estimada. No período de janeiro de 2005 a maio de 2006, a empresa optou pela apuração do lucro Real com estimativas mensais; assim, estava obrigada a recolher mensalmente a CSLL por estimativa quando da apuração de base de cálculo positiva, conforme artigos 2º e 28 da Lei nº 9.430/96. Como não efetuou tais recolhimentos deverá ser lançada de ofício a multa isolada no percentual de 50% do imposto devido, conforme dispõe o artigo 44, §1º, IV da lei nº 9.430/96. Os valores da multa estão expressos no demonstrativo de apuração da multa isolada, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. Desde a fase de recurso voluntário, o litígio passou somente a abranger a exigência da multa isolada por falta de estimativas. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 9101003.811 CSRFT1 Fl. 11 10 No recurso especial, a própria Recorrente informa que aderiu ao parcelamento de que trata a Lei n° 11.941/2009, e que desistiu parcialmente de seu recurso voluntário, pleiteando o seu seguimento unicamente para exame e exclusão da multa isolada, ante a duplicidade de penalidades. Esta é, portanto, a matéria objeto do recurso especial sob exame. A controvérsia que remanesce neste processo diz respeito à possibilidade de concomitância de multas (multa isolada por falta de estimativa mensal e multa relativa ao tributo no ajuste). Vêse, no caso, que a mesma infração que ensejou o lançamento da CSLL no ajuste de 2005 e 2006 (com multa de ofício), também ensejou o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL nesses mesmos períodos. Registrese também que está confirmada a exigência da própria CSLL no ajuste (controvérsia encerrada na segunda instância administrativa, e que não está mais em questão nessa fase de recurso especial). Para os anoscalendário de 2005 e 2006, não há mais dúvida quanto ao que deve ser decidido sobre a concomitância das referidas multas. O CARF, inclusive, já editou súmula a respeito do assunto: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Assim, por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de CSLL, que está sendo exigida nos presentes autos. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901906/2008-33
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/05/2002
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A época de transmissão da declaração de compensação estava em vigor a IN-SRF-460/2004, a qual vedava a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal IRPJ. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual do IRPJ.
Numero da decisão: 1003-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS. A época de transmissão da declaração de compensação estava em vigor a IN-SRF-460/2004, a qual vedava a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal IRPJ. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual do IRPJ.
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ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS. A época de transmissão da declaração de compensação estava em vigor a IN SRF460/2004, a qual vedava a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal IRPJ. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 19 06 /2 00 8- 33 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.901906/200833 Acórdão n.º 1003000.266 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0118.716, de 06 de agosto de 2010, da 1ª Turma da DRJ/BEL, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 20/08/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 755470792, emitido em 18/07/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 05421.23249.291004.1.3.049536. Em sua impugnação, a contribuinte defendeu a regularidade da compensação realizada e informou ter ocorrido erro no preenchimento da DCTF, ao invés de indicado o valor apurado na DIPJ fora indicado o valor do DARF recolhido, fato que gerou a não conformidade. A DRJ/BEL julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconhecei o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual do IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. A época de transmissão da declaração de compensação era vedada a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal IRPJ. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. NORMAS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A aplicação do principio da verdade material deve se compatibilizar com os demais princípios processuais existentes e As determinações legais especificas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.901906/200833 Acórdão n.º 1003000.266 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) a origem do crédito como sendo facilmente verificável a partir da DIPJ e do DARF recolhido. Da análise da DIPJ/2003 e do DARF temse: valor recolhido= R$ 2.183.015,47; valor apurado em DIPJ= R$ 2.165.919,12; saldo a compensar= R$ 17.096,35; (ii) que a suposta diferença nas fichas 11 e 12A, apontado no acórdão da DRJ, o crédito a compensar seria maior; (iii) que eventual equívoco no preenchimento da DCTF não impede o aproveitamento do crédito, vez que poderia ser corrigido de oficio, conforme disposto no artigo 32 do Decreto nº. 70.235/72; (iv) os princípios da moralidade e da eficiência que devem reger a atividade da administração pública. Por fim, requereu a reforma do acórdão da DRJ/POA e a conseqüente homologação da compensação declarada, bem como solicitou que as intimações e notificações referentes a esse processo sejam enviadas a seus procuradores. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, cumpre esclarecer que o patrono requereu que as intimações inerentes a esse processo fossem publicadas em nome dos Drs. José de Paula Júnior, Luiz César Silva Franco da Rosa e Kelly Iuras Pressler, contudo tal pretensão de intimações, publicações e ou notificações dirigidas aos Patronos da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte não poderá ser atendida, tendo em vista o §4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. No r.acórdão, a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório referente ao pagamento indevido ou a maior de IRPJ, com base em dois fundamentos principais: a) Pela falta de liquidez do crédito; b) Por expressa vedação da legislação. O recurso voluntário contesta apenas um dos fundamentos, defendendo a liquidez do crédito, porém foi omisso em relação à vedação legal. O processo está relacionado à PER/DCOMP nº 05421.23249.291004.1.3.04 9536 pagamento a maior de IRPJ, código, 2362, recolhido em 28/06/2002. Estimativa do período de apuração de maio de 2002 (fls. 01 a 05). Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.901906/200833 Acórdão n.º 1003000.266 S1C0T3 Fl. 5 4 O DARF acostado (fls. 54) demonstra o recolhimento no valor de R$ 2.183.015,47. A DIPJ/2003 (fls. 50 a 53), por sua vez, indica como estimativa de IRPJ a pagar o valor de R$ 2.165.919,12. A Recorrente defende a homologação da declaração de compensação em razão da diferença entre o valor recolhido e o valor apontado na DIPJ. Em despacho decisório (fls 06), destacouse que, "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensar os débitos informados no PER/DCOMP". A decisão da DRJ, acertadamente, fundamentou o seguinte: Na DIPJ/2003 consta a informação de débito estimativa IRPJ maio/2002 de R$ n 2.165.919,12. Todavia, não restou comprovado que foi esse o valor da estimativa IRPJ maio/2002 levado ao cálculo do IRPJ (Ficha 12A). Nesse sentido, verificamos que o somatório das estimativas IRPJ informadas na DIPJ (Ficha 11 — fls.50/53) perfaz R$ I 32.934.556,53. Adicionandose a esse valor o IRRF (R$ 8.663.593,48) e o IRRF Órgãos Públicos (R$ 40.812,48) chegamos ao montante de R$ 41.638.962,49 a título de estimativas IRPJ efetivamente pagas, enquanto que à Ficha 12A temos "IRPJ Mensal Paga Por Estimativa" de R$ 42.455.877,73 (fl.58), donde podemos concluir que os pagamentos a maior de estimativas IRPJ, embora não constantes da Ficha 11, foram adicionados para fins de informação à Ficha 12A da DIPJ/2003, razão pela qual fica patente a inexistência do direito creditório pleiteado. De fato, não restou comprovado nos autos que foi esse o valor da estimativa IRPJ maio/2002 levado ao cálculo do IRPJ (Ficha 12A). Nesse sentido, verificase que o somatório das estimativas IRPJ informadas na DIPJ (Ficha 11 fls. 50/53) perfaz R$ 32.934.556,53, vide abaixo: Meses/Ano IRRF IRRF Órgão Público Pagamentos janeiro de 2002 324.223,72 0 1.900.889,07 fevereiro de 2002 253.301,60 0 1.612.131,79 março de 2002 166.100,82 0 1.924.454,68 abril de 2002 381.856,02 0 2.677.251,23 maio de 2002 993.256,90 40.812,48 2.165.919,12 junho de 2002 770.960,02 0 1.893.057,44 julho de 2002 1.872.075,68 0 2.270.725,08 agosto de 2002 435.557,55 0 2.208.435,90 setembro de 2002 2.234.551,76 0 3.433.899,43 outubro de 2002 523.427,43 0 3.608.498,84 novembro de 2002 272.298,17 0 3.969.625,45 dezembro de 2002 435.983,81 0 5.269.668,50 Totais 8.663.593,48 40.812,48 32.934.556,53 Somando os totais do valor do IRPJ e do DARF chegase a importância de R$ 41.638.962,49. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.901906/200833 Acórdão n.º 1003000.266 S1C0T3 Fl. 6 5 Às fls. 58, ficha 12A, verificase que o imposto de renda mensal pago por estimativa difere do valor da DIPJ, qual seja, R$ 42.455.877,73, fato que demonstra que os pagamentos a maior de estimativas foram para compor o saldo negativo (apuração anual), o qual, conforme o mesmo documento, perfaz o valor de R$ 816.915,24. Ou seja, os pagamentos a maior realizados estão sendo usados para gerar o saldo negativo e, uma vez usados como créditos para pagamentos a maior de cada estimativa, estariam sendo utilizados em duplicidade. Daí a conclusão da DRJ no sentido de defender a inexistência de crédito. Ocorre, porém, que não se verifica nos autos a comprovação de ter a Recorrente se utilizado do valor do saldo negativo apurado em 2002 no importe de R$ 816.915,24. Contudo, o pedido da Recorrente foi no sentido de utilização da estimativa de apuração do mês de maio de 2002. Sendo esse inclusive o cálculo que a mesma demonstra no recurso voluntário. Tal pleito, porém, encontra obstáculo em razão vigência da Instrução NormativaSRF460/2004, a qual foi publicada em 26/10/2004, cuja vigência iniciou na data de sua publicação. Até 25/10/2004, a Instrução Normativa que disciplinava a restituição e compensação era a de nº 210/2002. Essa IN não estabelecia qualquer vedação com relação a utilização de crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ para compensação de débitos próprios. Com a entrada em vigor da INSRF460/2004, a qual revogou a INSRF 210/2002, o cenário foi alterado, visto que a nova IN determinou que somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período (art. 10º). Com isso, a sistemática anterior foi alterada e não mais se pode utilizar o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ em compensação, mas poderá ser utilizado na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo do período. A declaração de compensação ora em análise foi transmitida em 29/10/2004, posterior, portanto, a data de publicação na INSRF460/2004 (26/10/2004 data na qual entrou em vigor). Em razão disso, a compensação está submetida ao preenchimento das determinações dispostas nessa IN. Assim, mesmo não havendo comprovação de ter a Recorrente se utilizado do valor do saldo negativo apurado em 2002, a declaração de compensação transmitida utilização de crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ para compensação de débitos próprios já não poderá ser homologada em razão da impossibilidade legal pela vigência de INSRF460/2004, que veda essa possibilidade. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.901906/200833 Acórdão n.º 1003000.266 S1C0T3 Fl. 7 6 Isto posto, voto pelo indeferimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017036/2009-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF. EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar a DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração.
IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ILEGALIDADE DE NORMA INFRALEGAL.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo.
Numero da decisão: 1003-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF. EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar a DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ILEGALIDADE DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF. EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar a DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ILEGALIDADE DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 70 36 /2 00 9- 75 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15504.017036/200975 Acórdão n.º 1003000.335 S1C0T3 Fl. 88 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 0227.178, de 16 de junho de 2010, proferido pela 3a Turma da DRJ/BHE, às fls. 5153, julgando procedente o lançamento (fls. 11) da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1° Semestre do ano calendário de 2008 (fls. 12), em razão de sua exclusão do SIMPLES Nacional, nos moldes da ementa abaixo transcrita: Assunto:OBRIGAÇOES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado enseja a aplicação da multa de oficio prevista na legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 6065, requerendo sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese, que: (i) teve ciência de sua exclusão do SIMPLES Nacional em 27/08/2009, fls.32, e que todas as suas obrigações acessórias foram cumpridas no mês subsequente a tal ato, portanto, dentro do período para interpor recurso; (ii) a ilegalidade da Instrução Normativa RFB 789/2007 por determinar que os efeitos da exclusão do SIMPLES alcancem, retroativamente, o cumprimento das obrigações acessórias, posto que violaria o princípio constitucional da segurança jurídica, consubstanciado na garantia da irretroatividade das normas; (iii) a aplicação do art. 112, II do CTN, para fundamentar seu requerimento acerca da interpretação mais favorável, ao acusado, da lei que define infração ou comine penalidades; (iv) o lançamento, por fim, deve ser julgado improcedente, pois a obrigação da entrega da DCTF somente teria início após a notificação do contribuinte acerca de sua exclusão do SIMPLES. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15504.017036/200975 Acórdão n.º 1003000.335 S1C0T3 Fl. 89 3 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário, de fls. 60/65, apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/ 72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Inicialmente, cabe destacar que a Recorrente, optante pelo Simples Nacional, entregou a Declaração Anual do Simples Nacional do ano calendário de 2008, dentro do prazo legal em 24.04.2009, fls. 33/41. Porém, fora excluída do Simples Nacional através de comunicado, datado de 19/08/2009, tomando conhecimento em 27/08/2009, fls. 32, com efeitos retroativos a 01/01/2018. Após tal ato, a Recorrente apresentou a DCTF, referente 1° Semestre do ano calendário de 2008 (fls. 12) em 25/09/2009, e, alega que, como a entregou dentro do prazo de 30 dias da ciência do referido comunicado de exclusão, quando ainda caberia recurso, não seria justificável a cobrança da multa por atraso. Contudo, não merece reforma o acórdão recorrido, fls. 51/53, ante a impossibilidade de prevalecer quaisquer dos argumentos elencados pela Recorrente para exclusão da multa de aplicada por atraso na entrega da DCTF. Ora, na condição de excluída do Simples Nacional, a Recorrente passou a estar sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 32 e art. 39 da Lei Complementar nº 123/ 2006), com efeitos retroativos a 01/01/2008. Vale esclarecer que a dita exclusão, bem como a retroatividade de seus efeitos, foi determinada pela municipalidade, no Processo Administrativo de n° 01.120464.09.68, conforme Comunicado da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte de fl. 31. E, uma vez, discordando de tal decisão, a Recorrente, deveria têla questionado naquele processo específico e não nos presentes autos, cujo objeto é outro. Comprovado, assim, que a Recorrente não estava enquadrada no Simples no período autuado, face aos efeitos retroativos da exclusão a 01/01/2008, não se admite que a mesma possa se eximir da multa pelo envio em atraso da DCTF/ 1° Semestre/2008, ainda que essa entrega tenha se dado no mês subsequente à data de ciência da decisão que a excluiu do regime tributário diferenciado. Ademais, a aplicação da multa em questão teve como base a LC 123/2006 e a Instrução Normativa RFB 789/2007, vigente à época dos fatos, cuja legalidade desta última infralegal foi questionada pela Recorrente. Ocorre que, não se admite, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou de atos infralegais, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos a sua Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15504.017036/200975 Acórdão n.º 1003000.335 S1C0T3 Fl. 90 4 validade. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade da Instrução Normativa RFB 789/20071. Também não encontra guarida o argumento da Recorrente ao pugnar pela aplicação do art. 112, II do CTN, afinal, não é o caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou, à natureza ou extensão dos seus efeitos. Ao contrário, o procedimento fiscal foi efetuado nos estritos termos legais, ao qual agente público está plenamente vinculado, nos termos do art. 3° e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 37 da Constituição Federal. Portanto, como a Recorrente, de fato, descumpriu a obrigação de entregar a DCTF no prazo regulamentar, e, como não existe na lei dispensa do pagamento de multa por atraso na entrega da referida declaração, in casu, restou claro que a sanção foi aplicada de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente e que fundamentou o lançamento. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 1 Fundamentação: Art. 26A do Decreto n° 70.235/72 e Súmula CARF n° 2. Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720193/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE DA DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade da decisão atacada quando a análise se baseia nos elementos de acusação e defesa apresentados pelas partes. Eventual erros na transcrição dos valores do crédito a excluir e remanescente não implica em nulidade da decisão e podem ser corrigidos em grau de recurso.
PRELIMINAR. ERROS DAS INFORMAÇÕES DOS VALORES EXONERADOS NA DECISÃO DE PISO. ACOLHIMENTO.
Acolhe-se a preliminar aventada quando constatado que a decisão atacada apresentou falhas na indicação dos valores que foram objeto de exoneração pela mesma.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo
ATIVAÇÃO DE GASTOS. PROJETO ABANDONADO SOMENTE EM EXERCÍCIO POSTERIOR. DESCABIMENTO.
Descabe a obrigatória ativação dos gastos com projetos que foram posteriormente abandonados. Tratam-se, neste caso, de despesas de prospecção de negócios que são objeto de ativação apenas em caso de início da implementação do projeto a que se referiam.
ATIVAÇÃO DE VALORES CONTABILIZADOS COMO ATIVOS MAS DECLARADOS COMO DESPESAS. CABIMENTO.
Cabe o lançamento para ativação de gastos quando os valores referentes às mesmas tenham sido declarados em DIPJ como despesas, independente de terem sido contabilizados como ativos.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Configura-se a postergação por erro temporal no registro de receitas ou despesas quando, em períodos-base posteriores, ocorre o pagamento espontâneo do tributo, ou quando, no momento do reconhecimento da receita ou despesa postergada, for apurado lucro real. Verificando-se, em pelo menos um ano-calendário o pagamento de tributos sobre valores de despesas que deveriam ser postergadas, cabível o recálculo da postergação.
DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO NO CASO DE ATIVAÇÃO DE DESPESA. CABIMENTO.
Ocorrendo procedimento de ofício para ativação de despesas, pertinente também o reconhecimento da depreciação e amortização respectivas a estas despesas ativadas nos exercícios autuados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término.
OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO NA APRESENTAÇÃO DA RECEITA BRUTA. CORREÇÃO. CABIMENTO.
Exclui-se do lançamento por omissão de receitas os valores que comprovadamente foram apresentados incorretamente pelo contribuinte quando do procedimento de fiscalização.
PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Sendo insuficientes os saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores e de base de cálculo negativa de CSLL passíveis de compensação, porquanto absorvidos por infrações apuradas em procedimentos de ofício, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado.
Devem, no entanto, ser recalculados os valores dos prejuízos utilizados a maior quando se comprova a existência de DIPJ retificadora, relativa a períodos posteriores, apresentada antes do lançamento relativo às glosas, devendo, quando do recálculo do valor da glosa, ser considerada a nova base de cálculo das deduções ajustadas e os valores dos saldos dos prejuízos constantes à época do recálculo.
MULTA POR INFORMAÇÕES INCORRETAS EM ARQUIVO DIGITAL. CABÍVEL SOMENTE SOBRE INFORMAÇÕES SOLICITADAS E APLICADA INDIVIDUALIZADAMENTE POR ESTABELECIMENTO. EXCLUSÃO DOS VALORES DUPLICADOS DAS BASES.
Descabe a exigência de multa por informações incorretas em arquivos digitais que não tenham sido solicitados, sendo corretas as exigidas sobre cada estabelecimento que tenha prestado informações incorretamente, uma vez que as mesmas devem ser individualizadas. Devem ser excluídas das bases de cálculo das multas os valores correspondentes a operações que inexistiram e foram corretamente informadas em outras filiais.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO - BASE LEGAL - CABIMENTO
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic.
RECURSO DE OFÍCIO. ANÁLISE COMPATÍVEL COM A REALIDADE DOS FATOS E EM CONFORMIDADE COM AS NORMAS. IMPROVIMENTO.
Nega-se provimento ao recurso de ofício em todos os seus itens quando se verifica que a decisão recorrida baseou-se nas normas legais e de acordo com a correta interpretação dos fatos processuais.
Numero da decisão: 1401-002.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) negar provimento ao recurso de ofício; (ii) com relação ao recurso voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento, tão somente, nos seguintes pontos: (ii.a) acatar as preliminares vinculadas a erros cometidos na redação da decisão recorrida, mais especificamente na determinação dos valores remanescentes da exigência, relativos à omissão de receitas de venda e serviços, ajustando-os para R$196.920.350,09, no caso do Período de Apuração 2007, e R$91.684.141,75 no Período de Apuração 2008; (ii.b) excluir a glosa de custos do fornecedor JPNOR ENGENHARIA, no montante de R$ 1.701.258,58, no ano calendário de 2007; (ii.c) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços do período de apuração de 31/12/2007, no importe de R$119.151.633,83, relativo à diferença entre o valor do faturamento do mês de janeiro/2007, da filial 0068 - UBERABA, efetivamente ocorrido, e o valor anteriormente apontado pela fiscalização; (ii.d) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços, no importe de R$ 11.704.411,75, do período de apuração 31/12/2007 e R$ 13.255.027,69, do período de apuração de 31/12/2008, relativos à omissão de receitas - realocação caixa PIONEER; (ii.e) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços, no importe de R$ 3.244.037,52, do período de apuração 31/12/2007 e R$4.617.540,11, no período de apuração de 31/12/2008, relativos ao ICMS e frete indevidamente informados como receita de venda - realocação caixa GRIFFIN; (ii.f) excluir da autuação o valor relativo à infração 0002 - Omissão de Receitas de Vendas e Serviços, os valores de frete indevidamente informados como receita de venda nos montantes de R$ 3.501.550,07, no período de apuração de 31/12/2007 e R$2.705.422,85, no período de apuração de 31/12/2008, conforme informado pela fiscalização; (ii.g) excluir da autuação a glosa de despesas de distribuição de produtos acabados e frete, nos valores de R$ 388.808,09 e R$494.551,71; (ii.h) excluir da autuação a glosa de R$32.738.252,71, do período de apuração de 2007, e R$15.673.963,73, do período de apuração de 2008, relativos à diferença de estoques; (ii.i) excluir da base de cálculo das multas lançadas pela existência de erros no preenchimento dos arquivos magnéticos, os valores de R$ 125.275.241,40, relativos ao período de 2007 e R$ 257.863.107,64, do período de 2008, operações de estoque da matriz 0001, consideradas inexistentes; (ii.j) com relação às glosas de despesas da empresa SERTENCO, foi dado parcial provimento para cancelar o percentual da glosa no montante de 20%, relativo ao período de apuração de 2007, e determinar o cálculo dos efeitos da postergação para os seus 80% restantes, com a aplicação de imputação proporcional e multa, tendo em vista a existência de apuração de IRPJ e CSLL devidos em anos subsequentes. Prefacialmente, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso para declarar nula a autuação deste ponto específico, vencidos as conselheiras Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Letícia Domingues Costa Braga; (ii.k) Com relação ao saldo insuficiente do estoque de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, determinar a retificação dos valores dos prejuízos existentes, considerando a existência de DIPJ retificadora, apresentada antes do início do procedimento fiscal, verificando-se o reflexo destas modificações nos períodos subsequentes e realizando os ajustes porventura necessários
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) negar provimento ao recurso de ofício; (ii) com relação ao recurso voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento, tão somente, nos seguintes pontos: (ii.a) acatar as preliminares vinculadas a erros cometidos na redação da decisão recorrida, mais especificamente na determinação dos valores remanescentes da exigência, relativos à omissão de receitas de venda e serviços, ajustando-os para R$196.920.350,09, no caso do Período de Apuração 2007, e R$91.684.141,75 no Período de Apuração 2008; (ii.b) excluir a glosa de custos do fornecedor JPNOR ENGENHARIA, no montante de R$ 1.701.258,58, no ano calendário de 2007; (ii.c) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços do período de apuração de 31/12/2007, no importe de R$119.151.633,83, relativo à diferença entre o valor do faturamento do mês de janeiro/2007, da filial 0068 - UBERABA, efetivamente ocorrido, e o valor anteriormente apontado pela fiscalização; (ii.d) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços, no importe de R$ 11.704.411,75, do período de apuração 31/12/2007 e R$ 13.255.027,69, do período de apuração de 31/12/2008, relativos à omissão de receitas - realocação caixa PIONEER; (ii.e) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços, no importe de R$ 3.244.037,52, do período de apuração 31/12/2007 e R$4.617.540,11, no período de apuração de 31/12/2008, relativos ao ICMS e frete indevidamente informados como receita de venda - realocação caixa GRIFFIN; (ii.f) excluir da autuação o valor relativo à infração 0002 - Omissão de Receitas de Vendas e Serviços, os valores de frete indevidamente informados como receita de venda nos montantes de R$ 3.501.550,07, no período de apuração de 31/12/2007 e R$2.705.422,85, no período de apuração de 31/12/2008, conforme informado pela fiscalização; (ii.g) excluir da autuação a glosa de despesas de distribuição de produtos acabados e frete, nos valores de R$ 388.808,09 e R$494.551,71; (ii.h) excluir da autuação a glosa de R$32.738.252,71, do período de apuração de 2007, e R$15.673.963,73, do período de apuração de 2008, relativos à diferença de estoques; (ii.i) excluir da base de cálculo das multas lançadas pela existência de erros no preenchimento dos arquivos magnéticos, os valores de R$ 125.275.241,40, relativos ao período de 2007 e R$ 257.863.107,64, do período de 2008, operações de estoque da matriz 0001, consideradas inexistentes; (ii.j) com relação às glosas de despesas da empresa SERTENCO, foi dado parcial provimento para cancelar o percentual da glosa no montante de 20%, relativo ao período de apuração de 2007, e determinar o cálculo dos efeitos da postergação para os seus 80% restantes, com a aplicação de imputação proporcional e multa, tendo em vista a existência de apuração de IRPJ e CSLL devidos em anos subsequentes. Prefacialmente, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso para declarar nula a autuação deste ponto específico, vencidos as conselheiras Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Letícia Domingues Costa Braga; (ii.k) Com relação ao saldo insuficiente do estoque de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, determinar a retificação dos valores dos prejuízos existentes, considerando a existência de DIPJ retificadora, apresentada antes do início do procedimento fiscal, verificando-se o reflexo destas modificações nos períodos subsequentes e realizando os ajustes porventura necessários (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente)
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE DA DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade da decisão atacada quando a análise se baseia nos elementos de acusação e defesa apresentados pelas partes. Eventual erros na transcrição dos valores do crédito a excluir e remanescente não implica em nulidade da decisão e podem ser corrigidos em grau de recurso. PRELIMINAR. ERROS DAS INFORMAÇÕES DOS VALORES EXONERADOS NA DECISÃO DE PISO. ACOLHIMENTO. Acolhe-se a preliminar aventada quando constatado que a decisão atacada apresentou falhas na indicação dos valores que foram objeto de exoneração pela mesma. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo ATIVAÇÃO DE GASTOS. PROJETO ABANDONADO SOMENTE EM EXERCÍCIO POSTERIOR. DESCABIMENTO. Descabe a obrigatória ativação dos gastos com projetos que foram posteriormente abandonados. Tratam-se, neste caso, de despesas de prospecção de negócios que são objeto de ativação apenas em caso de início da implementação do projeto a que se referiam. ATIVAÇÃO DE VALORES CONTABILIZADOS COMO ATIVOS MAS DECLARADOS COMO DESPESAS. CABIMENTO. Cabe o lançamento para ativação de gastos quando os valores referentes às mesmas tenham sido declarados em DIPJ como despesas, independente de terem sido contabilizados como ativos. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Configura-se a postergação por erro temporal no registro de receitas ou despesas quando, em períodos-base posteriores, ocorre o pagamento espontâneo do tributo, ou quando, no momento do reconhecimento da receita ou despesa postergada, for apurado lucro real. Verificando-se, em pelo menos um ano-calendário o pagamento de tributos sobre valores de despesas que deveriam ser postergadas, cabível o recálculo da postergação. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO NO CASO DE ATIVAÇÃO DE DESPESA. CABIMENTO. Ocorrendo procedimento de ofício para ativação de despesas, pertinente também o reconhecimento da depreciação e amortização respectivas a estas despesas ativadas nos exercícios autuados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO NA APRESENTAÇÃO DA RECEITA BRUTA. CORREÇÃO. CABIMENTO. Exclui-se do lançamento por omissão de receitas os valores que comprovadamente foram apresentados incorretamente pelo contribuinte quando do procedimento de fiscalização. PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficientes os saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores e de base de cálculo negativa de CSLL passíveis de compensação, porquanto absorvidos por infrações apuradas em procedimentos de ofício, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. Devem, no entanto, ser recalculados os valores dos prejuízos utilizados a maior quando se comprova a existência de DIPJ retificadora, relativa a períodos posteriores, apresentada antes do lançamento relativo às glosas, devendo, quando do recálculo do valor da glosa, ser considerada a nova base de cálculo das deduções ajustadas e os valores dos saldos dos prejuízos constantes à época do recálculo. MULTA POR INFORMAÇÕES INCORRETAS EM ARQUIVO DIGITAL. CABÍVEL SOMENTE SOBRE INFORMAÇÕES SOLICITADAS E APLICADA INDIVIDUALIZADAMENTE POR ESTABELECIMENTO. EXCLUSÃO DOS VALORES DUPLICADOS DAS BASES. Descabe a exigência de multa por informações incorretas em arquivos digitais que não tenham sido solicitados, sendo corretas as exigidas sobre cada estabelecimento que tenha prestado informações incorretamente, uma vez que as mesmas devem ser individualizadas. Devem ser excluídas das bases de cálculo das multas os valores correspondentes a operações que inexistiram e foram corretamente informadas em outras filiais. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO - BASE LEGAL - CABIMENTO A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. RECURSO DE OFÍCIO. ANÁLISE COMPATÍVEL COM A REALIDADE DOS FATOS E EM CONFORMIDADE COM AS NORMAS. IMPROVIMENTO. Nega-se provimento ao recurso de ofício em todos os seus itens quando se verifica que a decisão recorrida baseou-se nas normas legais e de acordo com a correta interpretação dos fatos processuais.
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INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade da decisão atacada quando a análise se baseia nos elementos de acusação e defesa apresentados pelas partes. Eventual erros na transcrição dos valores do crédito a excluir e remanescente não implica em nulidade da decisão e podem ser corrigidos em grau de recurso. PRELIMINAR. ERROS DAS INFORMAÇÕES DOS VALORES EXONERADOS NA DECISÃO DE PISO. ACOLHIMENTO. Acolhese a preliminar aventada quando constatado que a decisão atacada apresentou falhas na indicação dos valores que foram objeto de exoneração pela mesma. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo ATIVAÇÃO DE GASTOS. PROJETO ABANDONADO SOMENTE EM EXERCÍCIO POSTERIOR. DESCABIMENTO. Descabe a obrigatória ativação dos gastos com projetos que foram posteriormente abandonados. Tratamse, neste caso, de despesas de prospecção de negócios que são objeto de ativação apenas em caso de início da implementação do projeto a que se referiam. ATIVAÇÃO DE VALORES CONTABILIZADOS COMO ATIVOS MAS DECLARADOS COMO DESPESAS. CABIMENTO. Cabe o lançamento para ativação de gastos quando os valores referentes às mesmas tenham sido declarados em DIPJ como despesas, independente de terem sido contabilizados como ativos. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Configurase a postergação por erro temporal no registro de receitas ou despesas quando, em períodosbase posteriores, ocorre o pagamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 93 /2 01 2- 45 Fl. 47949DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.950 2 espontâneo do tributo, ou quando, no momento do reconhecimento da receita ou despesa postergada, for apurado lucro real. Verificandose, em pelo menos um anocalendário o pagamento de tributos sobre valores de despesas que deveriam ser postergadas, cabível o recálculo da postergação. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO NO CASO DE ATIVAÇÃO DE DESPESA. CABIMENTO. Ocorrendo procedimento de ofício para ativação de despesas, pertinente também o reconhecimento da depreciação e amortização respectivas a estas despesas ativadas nos exercícios autuados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO NA APRESENTAÇÃO DA RECEITA BRUTA. CORREÇÃO. CABIMENTO. Excluise do lançamento por omissão de receitas os valores que comprovadamente foram apresentados incorretamente pelo contribuinte quando do procedimento de fiscalização. PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficientes os saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores e de base de cálculo negativa de CSLL passíveis de compensação, porquanto absorvidos por infrações apuradas em procedimentos de ofício, mantémse a glosa do valor indevidamente compensado. Devem, no entanto, ser recalculados os valores dos prejuízos utilizados a maior quando se comprova a existência de DIPJ retificadora, relativa a períodos posteriores, apresentada antes do lançamento relativo às glosas, devendo, quando do recálculo do valor da glosa, ser considerada a nova base de cálculo das deduções ajustadas e os valores dos saldos dos prejuízos constantes à época do recálculo. MULTA POR INFORMAÇÕES INCORRETAS EM ARQUIVO DIGITAL. CABÍVEL SOMENTE SOBRE INFORMAÇÕES SOLICITADAS E APLICADA INDIVIDUALIZADAMENTE POR ESTABELECIMENTO. EXCLUSÃO DOS VALORES DUPLICADOS DAS BASES. Descabe a exigência de multa por informações incorretas em arquivos digitais que não tenham sido solicitados, sendo corretas as exigidas sobre cada estabelecimento que tenha prestado informações incorretamente, uma vez que as mesmas devem ser individualizadas. Devem ser excluídas das bases de cálculo das multas os valores correspondentes a operações que inexistiram e foram corretamente informadas em outras filiais. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO BASE LEGAL CABIMENTO A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. Fl. 47950DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.951 3 RECURSO DE OFÍCIO. ANÁLISE COMPATÍVEL COM A REALIDADE DOS FATOS E EM CONFORMIDADE COM AS NORMAS. IMPROVIMENTO. Negase provimento ao recurso de ofício em todos os seus itens quando se verifica que a decisão recorrida baseouse nas normas legais e de acordo com a correta interpretação dos fatos processuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) negar provimento ao recurso de ofício; (ii) com relação ao recurso voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento, tão somente, nos seguintes pontos: (ii.a) acatar as preliminares vinculadas a erros cometidos na redação da decisão recorrida, mais especificamente na determinação dos valores remanescentes da exigência, relativos à omissão de receitas de venda e serviços, ajustandoos para R$196.920.350,09, no caso do Período de Apuração 2007, e R$91.684.141,75 no Período de Apuração 2008; (ii.b) excluir a glosa de custos do fornecedor JPNOR ENGENHARIA, no montante de R$ 1.701.258,58, no ano calendário de 2007; (ii.c) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços do período de apuração de 31/12/2007, no importe de R$119.151.633,83, relativo à diferença entre o valor do faturamento do mês de janeiro/2007, da filial 0068 UBERABA, efetivamente ocorrido, e o valor anteriormente apontado pela fiscalização; (ii.d) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços, no importe de R$ 11.704.411,75, do período de apuração 31/12/2007 e R$ 13.255.027,69, do período de apuração de 31/12/2008, relativos à omissão de receitas realocação caixa PIONEER; (ii.e) excluir da autuação o valor lançado a título de omissão de receitas de vendas e serviços, no importe de R$ 3.244.037,52, do período de apuração 31/12/2007 e R$4.617.540,11, no período de apuração de 31/12/2008, relativos ao ICMS e frete indevidamente informados como receita de venda realocação caixa GRIFFIN; (ii.f) excluir da autuação o valor relativo à infração 0002 Omissão de Receitas de Vendas e Serviços, os valores de frete indevidamente informados como receita de venda nos montantes de R$ 3.501.550,07, no período de apuração de 31/12/2007 e R$2.705.422,85, no período de apuração de 31/12/2008, conforme informado pela fiscalização; (ii.g) excluir da autuação a glosa de despesas de distribuição de produtos acabados e frete, nos valores de R$ 388.808,09 e R$494.551,71; (ii.h) excluir da autuação a glosa de R$32.738.252,71, do período de apuração de 2007, e R$15.673.963,73, do período de apuração de 2008, relativos à diferença de estoques; (ii.i) excluir da base de cálculo das multas lançadas pela existência de erros no preenchimento dos arquivos magnéticos, os valores de R$ 125.275.241,40, relativos ao período de 2007 e R$ 257.863.107,64, do período de 2008, operações de estoque da matriz 0001, consideradas inexistentes; (ii.j) com relação às glosas de despesas da empresa SERTENCO, foi dado parcial provimento para cancelar o percentual da glosa no montante de 20%, relativo ao período de apuração de 2007, e determinar o cálculo dos efeitos da postergação para os seus 80% restantes, com a aplicação de imputação proporcional e multa, tendo em vista a existência de apuração de IRPJ e CSLL devidos em anos subsequentes. Prefacialmente, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso para declarar nula a autuação deste ponto específico, vencidos as conselheiras Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Letícia Domingues Costa Braga; (ii.k) Com relação ao saldo insuficiente do estoque de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, determinar a retificação dos valores dos prejuízos existentes, considerando a existência de DIPJ retificadora, apresentada antes do início Fl. 47951DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.952 4 do procedimento fiscal, verificandose o reflexo destas modificações nos períodos subsequentes e realizando os ajustes porventura necessários (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente) Relatório O procedimento de fiscalização objeto deste processo iniciou com a fiscalização de IRPJ e CSLL referente a dedução de despesas de ágio. O procedimento foi parcialmente encerrado resultado no auto de infração que tornouse objeto do processo 13896.722004/201118. Em continuidade do procedimento, e visando esclarecer os números apresentados pela empresa em sua DIPJ, os responsáveis pela fiscalização informaram que após diversas intimações as respostas da empresa se restringiam a dizer que valores haviam sido informados incorretamente nas linhas da DIPJ. A empresa realizou então uma realocação completa das informações da DIPJ onde tencionava indicar as linhas corretas das linhas de custos e despesas das DIPJ relativas aos anos 2007 e 2008. Entretanto destaca que estas realocações não surtem efeitos em relação às DIPJs originais, visto que não havia espontaneidade no procedimento da empresa. Destacou a fiscalização que em abril/2007houve uma alteração na estrutura contábil dos registros, sendo que foi verificada a transferência dos saldos das contas antigas existentes em março/2007 para as novas contas abertas em abril/2007. No entanto, informa que não houve o encerramento das contas de origem, permanecendo seus saldos inalterados. Feitas estas considerações foram realizados os seguintes lançamentos: 1) Glosa Prestador de Serviço JPnor Valor Glosado R$ 1.701.258,58 Conforme entendido pela fiscalização estes serviços referiamse à elaboração de projetos de instalação para a produção de Bromacil e, assim, tais despesas não constituíriam em custo do exercício, mas sim em registro no imobilizado para depreciação futura. Fl. 47952DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.953 5 2) Glosa SERTENCO Construtora e Incorporadora Valor Glosado: R$ 5.037.437,48 Neste caso os serviços prestados referiamse a acompanhamento e gerenciamento de obras de reforma do prédio administrativo da empresa. Da mesma forma, com relação ao item acima a fiscalização entendeu que estas despesas não constituíriam despesas normais da atividade, mas sim gastos que deveriam ser registrados e depreciados ao longo do tempo. A justificativa da fiscalização é que referida glosa deve ser efetivada, em razão de as despesas com estes serviços se enquadrarem no art. 301, § 2º, do Regulamento do Imposto de Renda, conforme abaixo: 2) Omissão da Receita Bruta, conforme glosas abaixo: A fiscalização informou que esta omissão de receitas se deve da diferença entre os valores da receita bruta obtidos pelos livros de apuração do ICMS e os valores informados pela empresa em sua DIPJ. O valor das omissões lançadas foram ajustados pelas devoluções de vendas e retirada do IPI que não deveria ser incluído na receita bruta. 4) Dedução a maior do ICMS da Receita Bruta Glosa do ano de 2008 R$ 4.346.846,13 Neste ponto foram glosados os valores de dedução do ICMS que superaram os valores apurados pela fiscalização a partir dos livros de apuração do ICMS. 5) Devolução de Vendas a maior Glosa de R$ 413.036,79 Neste item a fiscalização realizou uma glosa da devolução de venda contabilizada a maior em razão da devolução de notas de exportação cujo valor de saída foi de R$ 4.326.449,21 e cujo valor de devolução foi de R$ 4.739.846,00. A justificativa da empresa em relação à diferença foi um possível ajuste comercial entre as partes, sem comprovação documental e levandose em consideração que se tratavam de empresas do mesmo grupo. Fl. 47953DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.954 6 6) Outros Custos Despesas não comprovadas Glosa de R$ 394.422,29 Despesas que teriam sido justificadas pela empresa como despesas de viagem pagas à empresa Flytour que, no entanto, não foram comprovadas com documentação hábil, conforme solicitado pela fiscalização. 7) Outras Despesas Operacionais 7.1 Glosa de despesas de transportes da empresa Transportador Luft cujas notas fiscais não foram apresentadas pela fiscalizada. R$ 826.934,78. 7.2. Glosa de outras despesas de distribuição de produtos acabados. Valor glosado de R$ 494.551,71. Notas fiscais comprobatórias não foram apresentadas à fiscalização. 7.3. Diferenças de estoques registrados e consequente redução do valor dos CMV no exercício. Foram apurados, por meio da análise dos livros de inventário e registros de estoques do ICMS. Foi refeito pela fiscalização a apuração dos valores dos estoques considerados que resultou na seguinte glosa, relativa às diferenças de estoques: ano de 2007 Glosa de R$ 32.738.252, 71 ano de 2008 Glosa de R$ 15.673.963,73 8) PIS e COFINS sobre as receitas omitidas. Foram lançados os valores de PIS e COFINS incidentes sobre os valores das omissões de receitas constatadas pela fiscalização. 9) Multa Isolada não recolhimento estimativa Foi lançada a multa isolada em relação aos meses em que foi apurado IRPJ ou CSLL a pagar por estimativa mensal, decorrentes dos valores das omissões e glosas lavrados pela fiscalização. 10) Glosa da utilização de Prejuízos fiscais e Bases de Cálculos negativas de CSLL maiores do que os valores existentes. Com o lançamento das glosas e omissões e o recálculo do IRPJ e CSLL foram considerados nas apurações, para fins da dedução d lucro tributável, as deduções relativas a até 30% do IRPJ e CSLL devidos. Assim, foram recompostos os saldos dos prejuízos fiscais e BC negativas, resultando nos seguintes valores de glosa: IRPJ anocalendário 2009 R$ 16.652.709,14 IRPJ anocalendário 2010 R$ 102.177.307,33 CSLL anocalendário 2010 R$ 68.678.176,23 Fl. 47954DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.955 7 11) Multa por informações incorretas na DIPJ Lançamento de R$ 500,00 por exercício tendo em vista que as multas por infração calculadas foram inferiores ao mínimo estabelecido por lei. 12) Multa por informação incorreta em arquivo digital. Nesta caso foi lavrada multa sobe as informações incorretamente prestadas em arquivo digital, tendo em vista que as informações incorretas dos valores de estoques obtidas pelas comparações com os livros de apuração do ICMS. O cálculo do valor da multa foi feito pelo valor das incorreções detectadas nos estoques. Sendo lançados os seguintes valores por anocalendário. Cientificado da autuação o contribuinte apresentou impugnação de fls. 39.219 em diante. Foi determinada a realização de diligência fiscal cujo resultado foi retratado no Termo de Diligência Fiscal de fls. 46204 em diante. O contribuinte, desta se manifestou às fls. 46227. Da análise de todos os fatos e documentos a Delegacia de Julgamento lavrou a seguinte decisão: Fl. 47955DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.956 8 Fl. 47956DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.957 9 Fl. 47957DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.958 10 Fl. 47958DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.959 11 Foram exonerados pela decisão da DRJ os autos de infração de PIS, COFINS, e os autos de infração relativos a multa isolada de IRPJ e CSLL. Da exoneração destes valores a DRJ recorreu de ofício de sua decisão. Quadro de composição do auto de infração Inconformado o recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 46447 em arquivo digital não paginável, apresentado as seguintes alegações: PRELIMINARES 1) Erro na implantação dos valores exonerados => Alega erro no cálculo das exonerações dos seguintes itens: 1.1) Omissão de receita Bruta. Fls. 60 da Decisão DRJ 0002 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Fato Gerador Valor Autuação Valor Exonerado Valor Ajustado Item TVF 31/12/2007 266.479.923,93 56.695.197,60 209.784.726,33 Pte Item 3 31/12/2008 134.987.051,56 25.322.674,89 109.664.376,67 Pte Item 3 Fls. da Decisão da DRJ 3.4 Conclusão: Face a todo o exposto, deve ser excluído do item 3 os valores de R$ 69.559.573,84 (R$ 56.695.197,60 do item 3.1 e R$ 12.864.376,24 do item 3.3) em 2007 e R$ 43.302.909,81 (R$ 25.322.674,89 do item 3.1 e R$ 17.980.234,92 do item 3.3) em 2008, resultando nos valores tributáveis mantidos de R$ 196.920,350,09 (R$ 266.479.923,93 – R$ 69.559.573,84) em 2007 e R$ 91.684.141,75 (R$ 134.987.051,56 – R$ 43.302.909,81) em 2008. 1.2) Exoneração das multas por erros nos arquivos magnéticos ano 2006 Fls. 53 da Decisão DRJ Tendo o Termo de Intimação nº 22, em seu parágrafo 12, solicitado à interessada somente os arquivos digitais do Registro de Inventário dos anoscalendário de 2007 e 2008 (fl. 19168), não há que se falar em multa por informação incorreta em arquivos digitais do ano de 2006, uma vez que não solicitada informações sobre tal ano, conforme expressamente determinado pelo inciso II, do art. 12, da Lei nº 8.218/1991, devendo o valor da multa de R$ 732.169,65, relativa ao mesmo, ser exonerada. Fls. 63 da Decisão da DRJ DEVIDOS: . A Multa por omissão/erro nos dados fornecidos em meio magnético, no valor de R$ 38.350.976,81; e, Fl. 47959DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.960 12 1.3. Necessidade de recálculo dos prejuízos fiscais utilizados a maior em razão da exoneração de diversas parcelas da autuação que reduziriam os valores utilizados a maior. 2) Nulidade do Lançamento em função da necessidade de recomposição do lucro tributável Alega que houve valor a restituir de IRPJ e CSLL, mas que mesmo assim teria de haver o recálculo Alega que mesmo tendo sido solicitada a compensação do IRPJ e CSLL pagos a maior tais valores deveriam ser considerados enquanto não homologadas as compensações. Seria nulo o lançamento por falta de liquidez e certeza do crédito tributário que deveria ser recalculado. Apresenta precedentes da jurisprudência. MÉRITO 1. Serviços Prestados Pessoa Jurídica 1.1. Fornecedor JPNOR Engenharia Alega que as despesas não deveriam ser glosadas nem poderiam ser ativadas pois os recursos dispendidos para análise da implantação do projeto Bromacil configuram despesas regulares da atividade e, como o projeto foi abandonado e comprovado, não haveria necessidade de tais gastos serem ativados. 1.2. Fornecedor SERTENCO Construtora Incorporadora Ltda Alega que, conforme parecer da PWC os gastos não foram totalmente informados como despesa na DIPJ. Conforme este parecer a maior parte do valor foi registrado em conta de imobilizado e apenas a menor parcela foi deduzida como despesa, devendo ser revista a autuação neste item. Fl. 47960DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.961 13 1.3. Nulidade do lançamento por não ter levado em conta a postergação das despesas e, também pelas aparentes contradições da decisão da DRJ. 2. Omissão da Receita Bruta 2.1. Consideração em duplicidade da Receita de 2007 da Filial 68 Uberaba Aponta disparidade do valor do mês de janeiro/2007, que seria incompatível com a análise dos outros meses da apuração. Entende que o valor correto do mês de janeiro/2007 seria de R$ 7.598.221,50. Deveria, portanto, ser excluída a diferença de R$ 119.151.633,86. 2.2. Realocação dos Valores da DIPJ desconsiderada pela autuação Alega que apesar da DRJ ter admitido a correção de alguns equívocos conforme indicado pela diligência, devem ser considerados os seguintes valores que não foram admitidos pela decisão da DRJ: 2.2.1. Em relação à unidade Pioneer os valores de deduções de vendas foram indevidamente incluídos como receitas tributáveis. Entende que a realocação neste ponto serviu apenas para corrigir tal equívoco e que esta realocação não foi considerada pelo fiscal. Alega que apresentou algumas notas fiscais (doc. 09 anexo à impugnação) cujos valores constam no anexo C da planilha da realocação. Alega que a diligência reconheceu os equívocos apontados. que seriam de R$ 11.704.411,75 no ano de 2007 e R$ 13.255.027,69 em 2008. 2.2.2. Em relação à unidade Griffin alega que foram consolidados na receita de vendas valores líquidos de ICMS e Frete e que, por isso, a realocação neste caso foi realizada para corrigir estes equívocos, conforme demonstrado nas planilhas D e E da planilha de realocação. Alega que em relação a esta unidade, foram reconhecidos os seguintes valores. Fl. 47961DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.962 14 Alega, no entanto, que os valores da conta frete não correspondem à realidade. Alega que a conta 50501000 (Frete) não foi considerada porque a fiscalização entendeu que as despesas escrituradas não eram redutoras da receita bruta por não terem constado das linhas 01 a 08 da Ficha 06A da DIPJ. O recorrente volta a alegar que a fiscalização incorreu em erro posto que na realocação tais valores teriam sido informados na linha 01, da Ficha 06A da DIPJ. Seriam os seguintes os valores informados da referida linha. Com isso informa que seriam os seguintes os valores de frete e ICMS consolidados indevidamente pelo valor líquido nas contas de receita o que contribuiu para os valores apurados como omissão de receita (conclusão nossa, não do recorrente). 2.2.3. Utilização de despesas de Frete como Redutoras das Receitas; Alega que o erro cometido na unidade Griffin também ocorreu em outras unidades, conforme parecer da PWC abaixo. Fl. 47962DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.963 15 Alega que apesar de reconhecer a falha a DRJ não acatou a realocação. Segue a justificativa da DRJ para a não consideração. Alega então que seria errado este entendimento de desconsiderar a alocação vez que, conforme alegado nas contrarrazões ao termo de diligência, estas não influíram no resultado do exercício, conforme demonstrado no parecer da PWC abaixo. Fl. 47963DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.964 16 2.2.4. Não exoneração da Omissão dos Valores de venda de sucata, descartes de milho e sementes e descarte de soja da filial 61.064.929/000845. Alega que em relação a esta filial estes valores não foram exonerados porque teriam composto o valor da receita bruta informado na DIPJ, mas entende que não é essa a verdade. Alega que estes valores constaram nas linhas de outras receitas operacionais e não na composição da receita bruta, conforme o seguinte trecho do parecer da PWC. Requer que seja desonerada a autuação com relação a este item. 3. Dedução do ICMS da receita bruta Fl. 47964DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.965 17 Com relação a este item, apesar de a autuação ter sido exonerada em sua maioria, restando a manutenção apenas do valor de R$ 202.387,62, o recorrente se irresigna ao alegar que tal valor também deveria ser expurgado. Alega que, conforme apurado pela PWC existiram valores de estornos de créditos e cancelamento de débito do imposto que não foram considerados pela DRJ. Requer que sejam excluídos também os valores mantidos pela DRJ. 4. Outros Custos 4.1. Glosa de R$ 394.422,29 referente despesas de viagem A decisão da DRJ considerou que os custos não foram comprovados pois as notas apresentadas não guardam coincidência com as datas dos registros lançados. A recorrente alega que as notas fiscais apresentadas comprovam as despesas realizadas e justifica o pedido de cancelamento da glosa com o parecer da PWC abaixo. Fl. 47965DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.966 18 4.2. Conta 5380444 Despesas de Distribuição de Produtos Acabados FRETE Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 835.146,83. Alega que as glosas decorreram da pretensa não comprovação das despesas com a documentação hábil e que apresentou, juntamente com a impugnação as notas fiscais e conhecimentos de transporte até então localizados. Alega que apresentou declaração da Transportadora Luft relacionando as notas que baseariam as glosas e que teriam sido ratificadas pelo parecer da PWC.Não apresenta as notas. Fl. 47966DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.967 19 4.3. Conta 5380444 Despesas de Distribuição de Produtos Acabados FRETE Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 388.808,09, Alega que às fls. 38244/38543 e 40463/40773 apresentou os documentos que comprovariam as despesas no montante de R$ 388.808,09. Assim, deveria ser cancelada a glosa. 4.4. Conta 5375444 Outras despesa de Distribuição de Produtos Acabados Transferência Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 494.551,71 Alega que apresentou as notas da Transportadora Luft que comprovariam as despesas juntamente com o comprovante da transferência bancária feito de uma única vez para três notas. Apresenta um comprovante de transferência e informa que já havia apresentado as alegações que não foram consideradas pela DRJ às fls. 23786. 5. Diferença de Estoques A recorrente alega que em relação às diferenças de estoques lançadas a fiscalização partiu da diferença existente no saldo final dos estoques do ano de 2006 que, influindo na apuração de 2007, resultou na diferença deste ano e na do ano subsequente. Na decisão da DRJ esta não aceitou a alegação por entender que a verificação do saldo de estoque do ano de 2006 foi necessária para verificar o real valor do estoque de abertura do ano de 2007. Assim, não houve nenhum lançamento relativo ao ano de 2006, mesmo que tenham ocorrido lançamentos decorrentes da revisão dos estoques do ano de 2006. Alega também que a diferença de estoques relativo às contas 23112210 Estoque Produtos Acabados variável Reclassif, 23122230 Estoque prod. acababosCusto fixo reclassif, 23202210Estoque de prod. acabadosUTP reclassif, no valor total de R$ 22.572.283,73 foram desconsideradas na apuração dos estoques. Alega que demonstrou conforme doc. 15, anexo à impugnação, que tais valores consistem em produtos em trânsito, conforme documentação comprobatória. 5 Saldo Insuficiente de Estoque de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas de CSLL Fl. 47967DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.968 20 A recorrente alega que com relação a este item existem dois processos anteriores, de nº 13896.722004/201118 e 16561.000045/200662, ainda pendentes de julgamento, os quais ao efetuar lançamentos de IRPJ e CSLL reduziram os montantes de prejuízos fiscais e BCN de CSLL. Deveria então ser sobrestado este feito para aguardar o deslinde daqueles processos que, em caso de sucesso dos recursos, poderiam recompor os saldos considerados insuficientes pela fiscalização. 6. Multa por Informação Incorreta em Arquivos Digitais Alega a recorrente que os valores lançados neste itens, mesmo que mantidos deveria ser recalculados posto que lançados sobre uma base de cálculo duplicada. Alega que a fiscalização utilizou como base de cálculo o valor informado nos estoques da filial 001 e, também, os valores informados das outras filiais dos quais a empresa informou que tinha apresentado na filial 001. Assim, seria necessário o recálculo da multa. Alega que a multa imposto representa mais de 20% dos valores lançados e, assim, juntamente com a multa de ofício lançada, representa uma ofensa ao princípio da proporcionalidade por impor penalidade desproporcional aos valores do lucro da empresa no exercício. Alega também a necessidade de utilização do princípio da equidade para o cancelamento da multa verificado que restou que esta, na forma e valores lançados, ofende ao princípio da proporcionalidade. 7. Da Dedutibilidade dos Valores Lançados de PIS e COFINS Concomitantemente à lavratura do Presente Auto Neste ponto, apenas por precaução o recorrente solicita que, acaso sejam revertidos os cancelamentos dos lançamentos de PIS e COFINS determinados pela Delegacia de Julgamento, que estes lançamentos sejam utilizados no abatimento do IRPJ e CSLL acaso mantidos por este CARF. 8. Da não Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício Neste ponto alega a impossibilidade e incidência de juros sobre a multa de ofício por entender não haver disposição legal que atenda a esta aplicação. Decisão a ser tomada após retorno da diligência. Fl. 47968DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.969 21 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Para realizar a análise dos itens de discordância apresentados pelo contribuinte em seu recurso voluntário, dada a grande quantidade de itens, iremos realizar a análise individualizada dos mesmos, de acordo com cada item informado no recurso e conforme análise realizada em diligência solicitada por esta turma e alegações da empresa em razão destas considerações. PRELIMINARES 1) Erro na implantação dos valores exonerados => Alega erro no cálculo das exonerações dos seguintes itens: 1.1) Omissão de receita Bruta Fls. 60 da Decisão DRJ 0002 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Fato Gerador Valor Autuação Valor Exonerado Valor Ajustado Item TVF 31/12/2007 266.479.923,93 56.695.197,60 209.784.726,33 Pte Item 3 31/12/2008 134.987.051,56 25.322.674,89 109.664.376,67 Pte Item 3 Fls. 41 da Decisão da DRJ 3.4 Conclusão: Face a todo o exposto, deve ser excluído do item 3 os valores de R$ 69.559.573,84 (R$ 56.695.197,60 do item 3.1 e R$ 12.864.376,24 do item 3.3) em 2007 e R$ 43.302.909,81 (R$ 25.322.674,89 do item 3.1 e R$ 17.980.234,92 do item 3.3) em 2008, resultando nos valores tributáveis mantidos de R$ 196.920.350,09 (R$ 266.479.923,93 – R$ 69.559.573,84) em 2007 e R$ 91.684.141,75 (R$ 134.987.051,56 – R$ 43.302.909,81) em 2008. Tendo em vista que, neste ponto o único erro é de simples cálculo nos valores exonerados pela DRJ da autuação, entendo assistir razão ao recorrente, devendo ser corrigidos os valores exonerados e a serem mantidos conforme tabela abaixo: 0002 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Fato Gerador Valor Autuação Valor Exonerado Valor Ajustado Item TVF 31/12/2007 266.479.923,93 69.559.573,84 196.920.350,09 Pte Item 3 31/12/2008 134.987.051,56 43.302.909,81 91.684.141,75 Pte Item 3 Fl. 47969DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.970 22 1.2) Exoneração das multas por erros nos arquivos magnéticos ano 2006 Fls. 53 da Decisão DRJ Tendo o Termo de Intimação nº 22, em seu parágrafo 12, solicitado à interessada somente os arquivos digitais do Registro de Inventário dos anoscalendário de 2007 e 2008 (fl. 19168), não há que se falar em multa por informação incorreta em arquivos digitais do ano de 2006, uma vez que não solicitada informações sobre tal ano, conforme expressamente determinado pelo inciso II, do art. 12, da Lei nº 8.218/1991, devendo o valor da multa de R$ 732.169,65, relativa ao mesmo, ser exonerada. Fls. 63 da Decisão da DRJ DEVIDOS: . A Multa por omissão/erro nos dados fornecidos em meio magnético, no valor de R$ 38.350.976,81; e, De acordo com a intimação de ciência do acórdão da impugnação, que foi acompanhada do extrato de débitos a serem cobrados, verificase que do valor total da multa lançada, que montava em R$ 38.350.976,81, na cobrança, após a decisão da DRJ, não houve retificação do valor para excluir a multa relativa ao ano de 2006. Desta forma, há de se reconhecer a falta de ajuste do valor do débito aos valores excluídos pela decisão da DRJ, razão pela qual neste ponto entendo assistir razão ao recorrente devendo, em relação ao valor da multa administrativa lançada, ser reduzido o montante lançado para R$ 37.618.807,16 (R$ 38.350.976,81 R$ 732.169,65). Fl. 47970DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.971 23 1.3. Necessidade de recálculo dos prejuízos fiscais utilizados a maior em razão da exoneração de diversas parcelas da autuação que reduziriam os valores utilizados a maior. Neste ponto também entendemos assistir razão à empresa, no entanto, não iremos fazer aqui os cálculos da diferença visto que, na análise deste recurso outros itens de glosas serão analisados e, assim, somente ao final do julgamento poderão ser apurados todos os valores exonerados pela Decisão da DRJ e por este acórdão. Por isso, rejeito a preliminar, para apenas deixar em destaque a necessidade de apuração dos novos valores dos prejuízo fiscais utilizados a maior, posto que este cálculo deverá ser realizado quando do cumprimento do presente acórdão, visto não haver prejuízos ao contribuinte. 2) Nulidade do Lançamento em função da necessidade de recomposição do lucro tributável Alega que houve valor a restituir de IRPJ e CSLL, mas que mesmo assim teria de haver o recálculo Alega que mesmo tendo sido solicitada a compensação do IRPJ e CSLL pagos a maior tais valores deveriam ser considerados enquanto não homologadas as compensações. Seria nulo o lançamento por falta de liquidez e certeza do crédito tributário que deveria ser recalculado. Apresenta precedentes da jurisprudência. Entende o recorrente, neste ponto, que a autuação não poderia ter sido realizada apenas pela aplicação das alíquotas do imposto sobre os valores das glosas. Haveria de ter sido realizada uma total recomposição do lucro tributável para apurar os valores efetivamente devidos, por entender que, mesmo existindo pedidos de compensação dos saldos negativos, enquanto não houvesse a homologação das compensações estes valores não estariam disponíveis para utilização como dedução do auto de infração. Compulsando as DIPJ apresentadas pela empresa temos as seguintes informações: DIPJ/2008 AC/2007 fls. 16739 IRPJ e CSLL a pagar DIPJ/2009 AC/2008 fls. 17199 Prejuízo no exercício Não foi apurado IRPJ nem CSLL devidos O valor dos saldos negativos apurados referese aos pagamentos e retenções na fonte realizados no exercício. Fl. 47971DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.972 24 DIPJ/2010 AC/2009 fls. 17551 IRPJ e CSLL apurados a pagar. Com a dedução dos valores recolhidos por estimativa e as retenções na fonte, ao final restou valores de saldos negativos e IRPJ e CSLL objetos de pedidos de compensação do contribuinte. Em relação a estes argumentos apresentados pelo contribuinte temos a considerar que, em relação aos anoscalendário de 2007 e 2009 houve a apuração de IRPJ e CSLL a pagar, assim, a realização do lançamento pela aplicação das alíquotas sobre o valor das glosas não tem reparos, ainda mais, quando foi feita a devida dedução dos prejuízos ficais existentes. Em relação ao anocalendário 2008, apesar de ter ocorrido prejuízo no exercício (R$ 344 milhões) o valor das glosas realizadas (R$ 162 milhões) não seria suficiente para reverter o prejuízo para lucro no exercício. Assim a precaução a ser adotada neste caso era a de realizar a recomposição da utilização dos prejuízos fiscais para reduzir o valor da apuração. Conforme podemos verificar no excerto do auto de infração abaixo, este procedimento foi realizado pela fiscalização. Maior prova disto é que o valor dos tributos lançados correspondeu a menos de 10% dos valores tributáveis. Assim, entendo não assistir razão ao contribuinte quanto à falta de recomposição das bases de cálculo. Com relação à alegação de que nos anos de 2008 e 2009 houve a apuração de saldos negativos de IRPJ e CSLL e que, assim, estando eles em processos de compensação, os valores das estimativas poderiam ser utilizados para reduzir o valor dos lançamentos. Neste ponto entendo não assistir razão ao contribuinte. Com a utilização dos saldos negativos para a apresentação de declaração de compensação na qual o contribuinte utiliza estes créditos para compensar outros tributos devidos, deixa de existir a disponibilidade dos créditos utilizados, haja vista que os mesmos Fl. 47972DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.973 25 servem de suporte à extinção dos créditos tributários declarados e confessados na declaração de compensação. Esta lição se extrai nas normas do art. 74, da Lei nº 9.430/96, conforme abaixo. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Ora, de acordo com as normas acima, ao contrário do que pretende o recorrente, durante o prazo de homologação os créditos não se encontram disponíveis para a fiscalização os utilizar no abatimento de lançamentos. Se assim o fizesse estaria desconstituindo declaração legalmente realizada pelo contribuinte o que, isso sim, seria vedado pois somente o contribuinte detém o direito de decidir como quer utilizar os seus créditos, com apenas poucas exceções não aplicáveis ao caso. Teorizando o caso, apenas para aclarar a situação, estes créditos que tenham sido objeto de utilização em declaração de compensação somente poderiam ter sido utilizados se, ainda durante o procedimento de fiscalização, a empresa tivesse solicitado o cancelamento das declarações de compensação, tornando novamente líquidos os créditos, e solicitado, junto ao agente fiscal, a utilização destes valores no abatimento dos valores de lançamento. Não o fazendo, não poderia o fiscal utilizar estes créditos em prejuízo da declaração e confissão de dívida regularmente apresentadas pelo contribuinte. Neste sentido, entendo inexistir a nulidade apontada pelo recorrente relativa à necessidade de recomposição do lucro tributável, razão pela qual voto por rejeitar também esta outra preliminar aventada. MÉRITO 1. Serviços Prestados Pessoa Jurídica 1.1. Fornecedor JPNOR Engenharia Alega que as despesas não deveriam ser glosadas nem poderiam ser ativadas pois os recursos dispendidos para análise da implantação do projeto Bromacil Fl. 47973DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.974 26 configuram despesas regulares da atividade e, como o projeto foi abandonado e comprovado, não haveria necessidade de tais gastos serem ativados. Nesta glosa a fiscalização entendeu que as despesas realizadas tratavam de despesas de projeto a serem implantados e, assim, estas despesas não poderiam ser abatidas de imediato, mas sim serem ativadas na conta do projeto para amortização/depreciação posterior a partir das entrada em funcionamento do mesmo. Ou seja, seriam custos ativáveis. Na decisão da DRJ esta manteve a glosa, apesar de reconhecer que o projeto foi abandonado, sob o argumento de que houve uma renovação do contrato em janeiro de 2008 e, assim, em 2007 o projeto ainda não havia sido abandonado, razão pela qual, os custos deveriam ter realmente sido ativados. Entendo as razões de decidir da DRJ, entretanto, tendo sido realizado o lançamento no ano de 2012 e existindo a comprovação de que o projeto foi realmente abandonado, haja vista o reconhecimento pela Delegacia de Julgamento e o laudo informando inexistirem saídas do Bromacil ou de produtos dele originados até 2012, me parece excessiva a exigência de glosar estes custos para determinar sua ativação a projeto que sequer foi concluído. Notese, em benefício do recorrente, que a realização de estudos de viabilidade para implantação de unidades produtivas é tarefa dispendiosa e visa ao planejamento estratégico da empresa. Se o projeto fosse implantado teríamos uma redução das importações e implantação de novos empregos no país. Mas, tudo decorre de muitas horas de planejamento e estudos que são dispendidos com esperança de retorno e lucro mas que, logicamente, podem ser abandonados quando demonstrado que não seriam viáveis ou rentáveis o suficiente. A partir do momento em que a Receita Federal passa a impedir a dedução dos custos com planejamentos estratégicos da empresa, encarando estes custos como gastos ativáveis, está, de maneira atravessada, limitando o direito das empresas de se planejar. Veja se, este tipo de planejamento é atividade de risco. Gastase para analisar tudo o que vai ser dispendido na implantação do projeto para, a partir daí analisar a viabilidade de sua implantação. Se esses gastos que são realizados em atividade de risco, posto não se saber a viabilidade final de antemão, não puderem ser deduzidos de pronto provavelmente haverá menos interesse das empresas em realizar implantação de novos projetos com receio ou de realizar custos a fundo perdido, visto que nem deduzidos podem ser, ou, em caso de deduzílos serem autuados. Meu entendimento em relação a este tipo de gastos é que os gastos que devem ser ativados são os gastos relativos à efetiva implantação do projeto a partir do momento em que a empresa inicia efetivamente a atividade de implantação, seja por meio de solicitação de permissões junto aos órgãos reguladores (prefeitura, órgãos ambientais, etc), seja por meio de contratação de empresa para a implantação do projeto. Antes de iniciada qualquer uma dessas atividades, os gastos devem ser encarados como custos de análise de oportunidade que não são ativáveis, haja vista que decorrem da necessidade de se avaliar a viabilidade empresarial de um projeto. Fl. 47974DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.975 27 Do exposto, entendo, neste ponto que assiste razão ao recorrente, devendo ser excluída a glosa de custos da empresa JPNOR ENGENHARIA no montante de R$ 1.701.258,58 no ano de 2007. 1.2. Fornecedor SERTENCO Construtora Incorporadora Ltda Alega a recorrente que, conforme parecer da PWC os gastos não foram totalmente informados como despesa na DIPJ. Conforme este parecer a maior parte do valor foi registrado em conta de imobilizado e apenas a menor parcela foi deduzida como despesa, devendo ser revista a autuação neste item. A decisão da DRJ manteve a autuação com base nos seguintes argumentos: Quanto aos serviços prestados pela empresa Sertenco Construtora e Incorporadora Ltda., a interessada alega em sua impugnação que os mesmos não foram deduzidos como despesa no ano de 2007, mas sim devidamente ativados como exigido na autuação, utilizando para comprovação de telas extraídas do seu sistema contábil e folhas do Livro Razão. No entanto, independente da forma de contabilização, conforme consta do TVF, de acordo com o demonstrativo de fls. 8173 e resposta ao Termo de Intimação nº 10 (fl. 75751), o valor de R$ R$ 5.0374.437,58, ativado, referente aos serviços prestados pela Sertenco Ltda. em 2007, foram parte declarados na linha 4 da ficha 05A “Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica” (R$ 407.958,99) e parte na linha 31 da mesma ficha – “Outras Despesas Operacionais” (R$ 4.629.478,59) da Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ do exercício de 2008, anocalendário 2007, apresentada pela interessada. Destarte, tendo sido tais valores oferecidos à tributação como despesas, independente da forma de contabilização alegada pela interessada, correta foi a glosa dos mesmos para ativação no anocalendário de 2007, objeto do lançamento. Analisando as informações apresentadas pela fiscalização e pela auditoria externa, verificamos que a fiscalização afirma, com base nas informações prestadas pela empresa, que os valores glosados foram informados pela empresa nas fichas 04 e 05, ou seja como custos e despesas dedutíveis. Fl. 47975DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.976 28 Por seu turno a auditoria externa informa que os valores antes haviam sido lançados como custos e depois foram reclassificados para contas de valores ativáveis e que o resultado contábil não foi alterado por estes ajustes. Para escoimar as dúvidas relativas a estes dois entendimentos busquei localizar os documentos apresentados junto com o relatório da auditoria externa a fim de comprovar que a alteração da contabilização efetivamente não trouxe influência no resultado apurado. Infelizmente localizei as cópias das notas fiscais da SERTENCO, registros dos razões contábeis das contas indicadas no relatório mas não encontrei nenhuma planilha demonstrando que a contabilização dos valores como custos não afetou a apuração do resultado do período. Ora, se os valores foram informados na DIPJ como custos, para que não pudessem afetar o resultado do exercício deveriam ter sido incluídos e informados, na linha do lado da mesma DIPJ como custos não dedutíveis, só assim, não influenciariam no resultado apurado. Importa destacar que o fato de terem sido contabilizados na empresa como custos e posteriormente terem sido realocados como gastos ativáveis, apesar de a auditoria informar que estas alterações não alteraram o valor do resultado apurado não parece correto. Se os valores foram contabilizados como custos e assim apurado o resultado na DIPJ original, obrigatoriamente eles reduziram o resultado do período. Se, posteriormente, estes custos foram reclassificados para o ativo imobilizado então o resultado após a reclassificação haveria de ter sido obrigatoriamente majorado pela redução dos custos dedutíveis. Por isso, para demonstrar o alegado, faltou ao recorrente apresentar informações a embasar a justificativa de que estes gastos, incluídos como custos e despesas na DIPJ não reduziram indevidamente o resultado do exercício. Pelo exposto, por não entender ter sido devidamente comprovado que os custos em questão não afetaram o resultado do exercício para considerar que a glosa foi indevida, entendo por manter a glosa relativa ao fornecedor SERTENCO, haja vista que os valores indicados nas fichas de custos e despesas deveriam ter sido ativados e abatidos como depreciação em cada período de apuração. 1.3. Nulidade do lançamento por não ter levado em conta a postergação das despesas e, também pelas aparentes contradições da decisão da DRJ. Em relação a este ponto a Delegacia de Julgamento entendeu não ser cabível o cálculo da postergação em razão de não ter sido apurado resultado tributável no ano subsequente de 2008. Por seu turno o recorrente alega que apenas em 2008 não foi apurado lucro tributável e que nos anos subsequentes houve resultado tributável o que não foi levado em conta pela fiscalização. Entende que se a própria fiscalização entende que as despesas deveriam ser ativadas e que, a partir daí poderiam ser depreciadas, então as despesas glosadas deveriam ter reduzido o resultado tributável dos anos subsequentes e que, por isso, estaria caracterizada a nulidade do auto pela incorreta apuração do valor devido. Fl. 47976DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.977 29 Neste ponto entendo assistir parcial razão ao recorrente. Embora entenda que deveria ocorrer o cálculo da postergação dos tributos em face das normas abaixo transcritas, na verdade não parece certo a aplicação de nulidade quanto ao não atendimento a esta sistemática de apuração. Cabível apenas a correção do procedimento adotado determinandose o refazimento dos cálculos considerandose o valor das postergação dos tributos relativos aos períodos subsequentes em que os valores das despesas poderiam ter sido depreciados e onde foi apurado resultado tributável. Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. ....... § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Desta forma temos que, no presente caso, constatandose que nos anos calendário de 2009, 2010 e 2011, conforme demonstrado nas DIPJ de fls. 39330 a 39412, houve a apuração de resultado tributável, há de se realizarem os cálculos de postergação do tributo para que sejam reduzidos os montantes relativos aos tributos que foram pagos a mais em razão das despesas que, glosadas no ano de 2007, poderiam ser abatidas como despesas dedutíveis dos anos subsequentes. Assim, para a realização dos cálculos da imputação proporcional, deverão ser apurados os efeitos relativos aos pagamentos realizados a maior nos anos subsequentes em razão da postergação dos pagamentos e deduzidos dos valores tributáveis apurados, aplicando Fl. 47977DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.978 30 se, para tal fim os acréscimos de multa e juros moratórios aplicáveis aos tributos pagos em atraso. Assim, entendendo assistir parcial razão ao recorrente, voto no sentido de determinar que sejam recalculados os valores dos tributos devidos em relação à glosa das despesas da empresa SERTENCO do ano de 2007 a fim de se abaterem os valores que foram pagos nos anos subsequentes em que foram apurados tributos devidos e onde as despesas objeto de glosa poderiam ter sido depreciadas, além de considerado o efeito da dedução da depreciação no percentual proporcional do próprio anocalendário da glosa. 2. Omissão da Receita Bruta 2.1. Consideração em duplicidade da Receita de 2007 da Filial 68 Uberaba Aponta disparidade do valor do mês de janeiro/2007, que seria incompatível com a análise dos outros meses da apuração. Entende que o valor correto do mês de janeiro/2007 seria de R$ 7.598.221,50. Deveria, portanto, ser excluída a diferença de R$ 119.151.633,86. Neste ponto a discussão prendese ao valor da receita bruta apurada da filial Uberaba 0068, no qual o valor apontado pela fiscalização é bem superior ao valor que a empresa diz ser o correto. Realizando a diligência a fiscalização informa que o valor apurado está correto conforme os livros de apuração de ICMS acostados ao processo e que, na própria decisão da DRJ está consignado a exatidão dos valores apresentados. Conforme abaixo: Na impugnação ao lançamento é que o contribuinte apresenta contestação aos valores de receita bruta dessa filial. Porém, alegou apenas que o valor da receita bruta de janeiro de 2007 obtido no Livro de Apuração de ICMS é na verdade correspondente ao valor acumulado no período de janeiro a outubro de 2007. Afirma que isso poderia ser comprovado pela diligência que requereu. Entretanto, a diligência solicitada pelo fiscalizado foi indeferida pelo julgador da 5ª Turma da DRJ/RJ 1. A decisão da DRJ a esse respeito diz o seguinte: “(...) não procede, uma vez que a fiscalização corretamente considerou o valor de R$ 126.749.855,33, constante do Registro de Apuração do ICMS, fl. 14445, códigos 7101 (R$ 80.018,70), 6101 (R$ 110.714.676,85) e 6111 (15.955.159,78). No mesmo Registro de Apuração do ICMS do ano de 2007 (fls. 14443/14491) é possível constatar que as receitas do mês de janeiro de 2007 foram bastante superiores às receitas dos demais meses do ano, não Fl. 47978DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.979 31 havendo que se considerar, portanto, qualquer discrepância quanto a isso, apontada pela impugnação”. O contribuinte, ao apresentar suas alegações em relação ao resultado da diligência, novamente discorda da fiscalização e apresenta as seguintes razões: Contudo, e apenas comprovando o seu equívoco cometido desde a lavratura do auto de infração em questão, em momento algum o Sr. Fiscal atentou para o fato de que o referido documento 287 (fls. 14443/14539) não trata do Livro de Apuração do ICMS da filial de Uberaba (CNPJ 61.064.929/0068 86) do mês de janeiro, MAS SIM DO PERÍODO ACUMULADO DE 01/01/2007 A 31/10/2007, como abaixo se reproduz: Consultando os documentos acostados ao processo, verificamos, às fls. 14443/14539 que constam os livros de apuração de ICMS da filial 0068 UBERABA. Constam, nestes documentos o período de 01/01/2007 a 31/10/2007 (fls. 14443/14447) no início do livro e, depois, mês a mês, são apresentados os valores dos meses de fevereiro/2007 a dezembro/2008. Percebese, então, que o valor do faturamento do mês de janeiro/2007 apurado pela fiscalização está incorreto, posto que o trecho do livro de ICMS utilizado refere se a todo o período de janeiro a outubro/2007 e não apenas ao mês de janeiro/2007. Além disso, conforme havíamos vislumbrado quando da solicitação da diligência, o valor do faturamento do mês de janeiro/2007 muito provavelmente não poderia ser dez vezes maior do que o faturamento normal mês a mês, daí aparecendo os indícios de incorreção quando da apuração. Assim, comprovandose que realmente a apuração do faturamento do mês de janeiro/2007 da filial 0068 UBERABA, está incorreto, posto ter utilizado todo o valor dos meses de janeiro a outubro do mesmo ano, entendo que deve ser corrigido o equívoco e excluído da autuação o valor de R$ 119.151.633,83, relativo à diferença entre o valor apontado Fl. 47979DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.980 32 pela fiscalização (R$ 126.749.855,33) e o valor do faturamento correto do mês de janeiro/2007, conforme obtido do registro de saídas (R$ 7.598.221,50), de acordo com o documento apresentado pelo recorrente em seu recurso voluntário. Neste sentido voto por excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 OMissão de Receitas de Vendas e Serviços do período de apuração de 31/12/2007 o valor de R$ R$ 119.151.633,83, relativo à diferença entre o valor do faturamento do mês de janeiro/2007 da filial 0068 UBERABA efetivamente ocorrido e o valor anteriormente apontado pela fiscalização. 2.2. Realocação dos Valores da DIPJ desconsiderada pela autuação No que tange à realocação da DIPJ apresentada pela empresa, há de se informar que a empresa, com base em sua escrituração realizada por meio do sistema SAP, apresentou as informações na DIPJ contendo incorreções em relação aos valores de receita bruta e deduções de vendas que deveriam ser indicados. Nestes erros a empresa informou como receita bruta a receita líquida auferida, já deduzida dos impostos incidentes sobre as vendas e outros itens. Quando apresentou a DIPJ com a realocação a empresa reorganizou os valores, apresentando a receita bruta correta, as deduções de vendas e os demais valores de custos e despesas. Entretanto neste realocação não houve modificação nos valores dos lucro líquido e bruto apurados originalmente, A fiscalização, de posse desta DIPJ realocada reconheceu a procedência de diversos itens, entretanto, em face das justificativas da empresa deixou de considerar outros pontos que foram objeto de autuação e que agora passaremos a analisar. Alega o recorrente que apesar da DRJ ter admitido a correção de alguns equívocos conforme indicado pela diligência, devem ser considerados os seguintes valores que não foram admitidos pela decisão da DRJ: 2.2.1. Em relação à unidade Pioneer os valores de deduções de vendas foram indevidamente incluídos como receitas tributáveis. Entende que a realocação neste ponto serviu apenas para corrigir tal equívoco e que esta realocação não foi considerada pelo fiscal. Alega que apresentou algumas notas fiscais (doc. 09 anexo à impugnação) cujos valores constam no anexo C da planilha da realocação. Alega que a diligência reconheceu os equívocos apontados. que seriam de R$ 11.704.411,75 no ano de 2007 e R$ 13.255.027,69 em 2008. Neste ponto o que se discute é o fato de o contribuinte, em relação ao caixa "pioneer", ao fazer as transferências de contas para o encerramento do exercício, informou as contas redutoras da receita bruta relativas a ICMS, PIS e COFINS como sendo contas de receita e não de redução destas. Fl. 47980DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.981 33 Ao realizar a diligência solicitada por este CARF a fiscalização entendeu que a divergência dos valores apresentados pelo contribuinte na DIPJ e na planilha de realocação apresentada durante os trabalhos de fiscalização realmente foi comprovada e assim constou na primeira diligência realizada a pedido da DRJ: “2. Verificar se, conforme alega a interessada às fls. 27/28 de sua impugnação, quando foi consolidada em sua contabilidade os valores das diversas unidades de negócio (as "caixas"), relativamente à "caixa" Pioneer”, teria ela transferido para a conta de receitas de vendas os valores de ICMS, PIS e COFINS incidentes sobre as mesmas, reduzindo, desta forma, a sua receita bruta. “2.2. Se confirmado, levantar tais valores mês a mês, bem como determinar se e como os mesmos influíram na divergência apurada na planilha anexa ao Termo de Intimação n° 36 (Doc. 864). “ Fl. 47981DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.982 34 Quando da conclusão das informações solicitadas na diligência do CARF, a fiscalização teceu inúmeras considerações acerca da apresentação, por parte do contribuinte, da planilha de realocação na qual pretendeu demonstrar os equívocos cometidos na apresentação das informações em sua DIPJ, haja vista estar legalmente impedido de retificar a declaração em vista da fiscalização. Pelo que pudemos depreender das explicações da empresa o que se tentou demonstrar foi que, em verdade, as omissões de receita apuradas pela fiscalização não seriam do montante levantado. Tentou por meio das planilhas de realocação demonstrar que, com relação a este ponto, os valores de PIS, COFINS e ICMS foram indevidamente informados como receitas de vendas em vez de exclusão de vendas. Assim, na planilha de realocação a recorrente pretende demonstrar que as realocações não tiverem influência na apuração do resultado do exercício, mas apenas na composição das contas. A fiscalização, apesar de estar correta em relação ao fato de que a DIPJ não poderia ser retificada e que essa planilha de realocação não tem valor legal, deixa de observar que a própria fiscalização baseouse na referida planilha para retificar diversos valores lançados entendendo que as informações da DIPJ são imprecisas quando comparadas aos registros contábeis. Por isso, neste ponto, não se trata de se analisar a possibilidade ou não de a empresa retificar sua declaração para fins de apuração da fiscalização, mas sim o de, em obediência ao princípio da Verdade Material, se verificar se as informações da DIPJ realmente representam o que se encontra demonstrado nos registros contábeis. Assim, inobstante as considerações apontadas pela fiscalização em sua nova diligência, constatandose que os valores do ICMS, PIS e COFINS, oriundos do "caixa pioneer" foram indevidamente computados como receita bruta na apuração realizada pela fiscalização entendo que, em obediência ao princípio da verdade material há de se excluir da infração os valores relativos ao PIS, COFINS e ICMS incidentes sobre a receita bruta que foram indevidamente informados como receita bruta. Neste sentido voto por excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 Omissão de Receitas de Vendas e Serviços os valores de R$ 11.704.411,75 no P.A. 31/12/2007 e R$ 13.255.027,69 no P.A. 31/12/2008. 2.2.2. Em relação à unidade Griffin alega que foram consolidados na receita de vendas valores líquidos de ICMS e Frete e que, por isso, a realocação neste caso foi realizada para corrigir estes equívocos, conforme demonstrado nas planilhas D e E da planilha de realocação. Alega que em relação a esta unidade, foram reconhecidos os seguintes valores. Fl. 47982DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.983 35 Alega, no entanto, que os valores da conta frete não correspondem à realidade. Alega que a conta 50501000 (Frete) não foi considerada porque a fiscalização entendeu que as despesas escrituradas não eram redutoras da receita bruta por não terem constado das linhas 01 a 08 da Ficha 06A da DIPJ. Na verdade o que a fiscalização entendeu é que somente a conta 50101000 foi indicada na DIPJ e na realocação como Receita Bruta. A conta 50501000 foi indicada nas linhas da DIPJ relativas a outras receitas operacionais e, assim, por isso, não houve influência na apuração da omissão de receitas. O recorrente volta a alegar que a fiscalização incorreu em erro posto que na realocação tais valores teriam sido informados na linha 01, da Ficha 06A da DIPJ. Seriam os seguintes os valores informados da referida linha. Com isso informa que seriam os seguintes os valores de frete e ICMS consolidados indevidamente pelo valor líquido nas contas de receita o que contribuiu para os valores apurados como omissão de receita (conclusão nossa, não do recorrente). Respondendo à diligência deste CARF e rememorando o que já foi argumentado na diligência determinada pela DRJ, assim se pronunciou a fiscalização a respeito: No Termo de Diligência Fiscal de 15/07/2014, resultado da diligência determinada pela DRJ/RJ 01, houve a conclusão de que o valor da receita bruta foi informado líquido do ICMS. Apenas em fevereiro de 2007 o valor foi informado liquido também de frete, como transcrito: Item 3.1: Os valores de ICMS influíram na divergência mensal e anual apurada na planilha anexa ao Termo de Intimação nº 36 ao reduzirem o valor da receita de vendas apurada pela conta contábil 5010000/50101000. Fl. 47983DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.984 36 No caso dos valores dos fretes, não há qualquer valor de venda transferido pelo montante liquido do valor recebido a título de frete para contas que compõe a receita bruta, uma vez que os valores de frete foram contabilizados na conta 50501000 (conta 5050000 no período de janeiro a março de 2007), que não compõe a receita bruta da empresa (conforme os docs. 912 e 913) e não compôs a receita bruta considerada na divergência apurada na planilha anexa ao Termo de Intimação nº 36 (doc. 864). Há uma única exceção no mês de fevereiro de 2007 no caso da conta 5010020 (conta 50101800 a partir de abril de 2007), que compõe a receita bruta considerada na divergência apurada na planilha anexa ao Termo de Intimação nº 36. Entretanto, houve erro com relação aos valores constantes da conta 50501000, uma vez que esta conta foi informada como receita de vendas (receita bruta) na DIPJ original, como demonstrado no anexo C do doc. 06 (doc. C3 Impugnação Du Pont 4 doc 6), embora essa conta contábil não tenha composto a receita bruta, de acordo com a contabilidade do contribuinte. Os valores de frete incidentes sobre as receitas de vendas da “caixa” Griffin são os seguintes: Entretanto, como já constou da diligência anterior requerida pela DRJ, não se pode afirmar que tais despesas de frete não tenham sido também deduzidas em outra(s) linha(s) da DIPJ, reduzindo em duplicidade o resultado do exercício, em vista de que o contribuinte se negou a informar a composição das linhas das DIPJ original dos anoscalendário 2007 e 2008. Assim, apesar de reconhecer que os valores de frete e de ICMS oriundos do "caixa griffin" foram informados incorretamente como receitas na DIPJ, a fiscalização entende que não há como se constatar que não foi realizada a redução em duplicidade tendo em vista que o contribuinte não apresentou a composição de todas as contas informadas na DIPJ. Fl. 47984DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.985 37 A DRJ, por sua vez, ao analisar este ponto entende que apesar de estar reconhecido a falha na contabilização não há como se comprovar que não houve a dedução em outras linhas da DIPJ. Em seu favor a recorrente apresenta parecer da PWC no qual aduz: Em relação ao resultado do exercício, no qual alega não ter havido influência na realocação, assim se manifesta o mesmo parecer: Havemos de considerar, conforme já indicado no item precedente, que a influência das realocações no resultado e a possibilidade de sua exclusão em duplicidade poderiam ser facilmente escoimados pela comparação dos valores do resultado apurados. Conforme pudemos constatar da planilha de realocação apresentada em comparação à apuração da DIPJ, o resultado do exercício mantevese inalterado, assim entendo que assiste razão ao contribuinte quando à necessidade de exclusão das omissões de receitas relativas à indevida inclusão dos valores de ICMS e frete em contas de receita. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 Omissão de Receitas de Vendas e Serviços os valores de ICMS e frete indevidamente informados como receita de venda nos montantes de R$ 3.244.037,52 no P.A. 31/12/2007 e R$ 4.617.540,11 no P.A. 31/12/2008. Fl. 47985DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.986 38 2.2.3. Utilização de despesas de Frete como Redutoras das Receitas; Alega o recorrente que o erro cometido na unidade Griffin também ocorreu em outras unidades, conforme parecer da PWC abaixo. Alega que apesar de reconhecer a falha a DRJ não acatou a realocação. Segue a justificativa da DRJ para a não consideração. Alega então que seria errado este entendimento de desconsiderar a alocação vez que, conforme alegado nas contrarrazões ao termo de diligência, estas não influíram no resultado do exercício, conforme demonstrado no parecer da PWC abaixo. Fl. 47986DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.987 39 Com relação a estas contas ocorreu o mesmo fato verificado nas duas "caixas" anteriormente analisadas. As despesas relativas às vendas realizadas pela empresa apesar de contabilizadas em separado, quando da informação na DIPJ eram deduzidas da receita bruta total e, assim, a receita bruta da empresa era informada pelo valor líquido. A fiscalização, com algumas ressalvas, entendeu que a contabilização efetivamente foi feita de forma equivocada e que na planilha de realocação os valores haveriam sido adequadamente informados. Ocorre que, novamente, informa que as referidas despesas podem ter sido informadas em outras linhas da DIPJ e que isto impossibilitaria o reconhecimento dos erros e a redução da autuação. Na linha do entendimento acima adotado, entendo que, conforme demonstrado pela empresa, não havendo modificação no montante do lucro líquido apurado, e verificandose que o encerramento das contas de despesas como redutora das contas de receitas afetou a informação da receita bruta do exercício, deve ser revisto o montante da autuação para excluir as despesas de frete constantes nestas outras caixas. Neste sentido voto por dar provimento para excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 Omissão de Receitas de Vendas e Serviços os valores de frete indevidamente informados como receita de venda nos montantes de R$ 3.501.550,07 no P.A. 31/12/2007 e R$ 2.705.422,85 no P.A. 31/12/2008, conforme informado pela fiscalização. 2.2.4. Não exoneração da Omissão dos Valores de venda de sucata, descartes de milho e sementes e descarte de soja da filial 61.064.929/000845. Alega que em relação a esta filial estes valores não foram exonerados porque teriam composto o valor da receita bruta informado na DIPJ, mas entende que não é essa a verdade. Fl. 47987DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.988 40 Alega que estes valores constaram nas linhas de outras receitas operacionais e não na composição da receita bruta, conforme o seguinte trecho do parecer da PWC. Requer que seja desonerada a autuação com relação a este item. Neste ponto assim se manifestou a fiscalização a respeito: Como se sabe, o conjunto das linhas 01 a 05 da Ficha 06 formam a receita bruta que foi declarada. Para cada uma dessas referencias há um demonstrativo da sua composição. No caso da conta contábil 67401070, com a descrição de Receitas Diversas de Venda Material Sucata Ext, vêse que ela compunha a receita bruta da DIPJ original, mas não na realocação, o que teria gerado uma diferença de R$ 577.653,04. Essa diferença é demonstrada na referência I: E nesse demonstrativo I, se observa que a conta interna 5010910 estava consolidada na conta 67401070, com o montante de R$ 7.489.106,55. Como se constata, o próprio contribuinte informa que a conta contábil 67401070 compunha a receita bruta da DIPJ original e, portanto, não implica na redução do valor lançado relativo a omissão da receita bruta. Assim, o que ocorre é que, ao contrário dos itens anteriores, o valor destas despesas já foi informado na DIPJ e, assim, não procedem as alegações de que o valor teria influído indevidamente na redução da receita bruta e gerado a omissão de receita apontada pela fiscalização. Fl. 47988DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.989 41 Ainda em relação às demais alegações da empresa de que deveria ter sido recomposto o valor devido a título de IRPJ e CSLL em face das considerações deste item, entendo ser inaplicável a este caso. Ora o item de lançamento referese, pura e simplesmente, à omissão de receita bruta. Assim, o procedimento correto a ser adotado foi o utilizado pela fiscalização para lançar diretamente o valor omitido e sobre estes aplicar as alíquotas devidas de IRPJ e CSLL. Por isso, com relação a este ponto voto por negar provimento ao recurso. 3. Dedução do ICMS da receita bruta Com relação a este item, apesar de a autuação ter sido exonerada em sua maioria, restando a manutenção apenas do valor de R$ 202.387,62, o recorrente se irresigna ao alegar que tal valor também deveria ser expurgado. Alega que, conforme apurado pela PWC existiram valores de estornos de créditos e cancelamento de débito do imposto que não foram considerados pela DRJ. Requer que sejam excluídos também os valores mantidos pela DRJ. Realizada a diligência, assim se pronunciou a fiscalização a respeito: Por fim, consultando a conta contábil 50101000 na contabilidade existente no Sped, verificase que os valores demonstrados no arquivo C8 item 6.1 doc 10 da impugnação efetivamente constam dessa conta contábil. Dessa forma, concluise que os valores em questão, R$ 157.969,06, relativo à Estorno de crédito de ICMS ajuste período de jun/03, e R$ 163.194,46, relativo à Cancelamento do ICMS, foram informados na realocação como fazendo parte da F 06 / L 10 e, portanto, foram considerados na autuação de excesso de dedução de ICMS da receita bruta. O recorrente, analisando a informação, entendeu que, ao contrário do que a fiscalização concluiu, não houve dedução a maior do ICMS sobre a receita bruta. No entanto os valores não batem. No entanto, neste item, verificandose que a maior parte do valor já foi objeto de revisão quando da decisão pela Delegacia de Julgamento e, em relação a esta parte remanescente a fiscalização concluir que o valor já foi revertido na realocação e considerado pela fiscalização, entendo que inexiste fundamento para a reversão desta parte lançada. Fl. 47989DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.990 42 Assim, neste ponto, entendo por negar provimento ao recurso. 4. Outros Custos 4.1. Glosa de R$ 394.422,29 referente despesas de viagem A decisão da DRJ considerou que os custos não foram comprovados pois as notas apresentadas não guardam coincidência com as datas dos registros lançados. A recorrente alega que as notas fiscais apresentadas comprovam as despesas realizadas e justifica o pedido de cancelamento da glosa com o parecer da PWC abaixo. Fl. 47990DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.991 43 Vejamos, no entanto, o que apresenta a fiscalização em seu Termo de Verificação na diligência solicitada por esta turma: ...... Aqui o contribuinte diz que “o lançamento do valor de R$ 394.359,29, que havia sido efetuado no R2 na conta contábil 7550000 e que, ao final, foi transferido para o GP1 na conta 75501000”. Ocorre que a conta 75501000 da caixa GP1 corresponde apenas à conta contábil consolidada 75501000 – Despesas de Viagem (conta PARA), e não à conta consolidada 56701000 — Despesa de Manufatura Amortização Semiacabado. O segundo aspecto é que as notas fiscais apresentadas na Impugnação (doc. 12 da impugnação), apresentam no seu cabeçalho uma informação bastante contraditória, ao trazer como data de emissão o dia 11/01/13, sendo uma nota fiscal referente ao ano de 2008: A data de 11/01/13 é posterior ao lançamento do Auto de Infração, efetuado em 21/12/2012, e anterior a apresentação da Impugnação, que ocorreu em 22/01/2013. Dessa forma, os lançamentos glosados no montante de R$ 394.422,29 não foram comprovados. Perfeita a análise realizada na diligência pela fiscalização. Além dos problemas da realocação não terem sido verificados, constatou a fiscalização que o documento comprobatório da despesa apresentado é datado de 2013, enquanto que a despesa em questão referese ao ano de 2008. Desta forma, entendeu a fiscalização que deve ser mantido o valor da glosa. Assim, neste ponto nego provimento ao recurso. 4.2. Conta 5380444 Despesas de Distribuição de Produtos Acabados FRETE Fl. 47991DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.992 44 Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 835.146,83. Alega que as glosas decorreram da pretensa não comprovação das despesas com a documentação hábil e que apresentou, juntamente com a impugnação as notas fiscais e conhecimentos de transporte até então localizados. Alega que apresentou declaração da Transportadora Luft relacionando as notas que baseariam as glosas e que teriam sido ratificadas pelo parecer da PWC.Não apresenta as notas. Tendo em vista que neste ponto a matéria a ser discutida é eminentemente probatória, mesmo diante dos argumentos apresentados, não entendo ser possível a exoneração da glosa sem a comprovação documental dos serviços. Por isso, neste ponto nego provimento ao recurso. 4.3. Conta 5380444 Despesas de Distribuição de Produtos Acabados FRETE Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 388.808,09, Alega que às fls. 38244/38543 e 40463/40773 apresentou os documentos que comprovariam as despesas no montante de R$ 388.808,09. Assim, deveria ser cancelada a glosa. Em relação a estes dois itens a fiscalização limitouse a informar a não apresentação de algumas notas, o que foi contestado e comprovado pelo recorrente. Que haviam algumas divergências na contabilização e que não foram localizados alguns lançamentos. Por seu turno o recorrente, em suas informações, justifica com a apresentação dos conhecimentos de transporte e notas os valores não encontrados pela fiscalização e informa que a divergência alegada decorre de falhas de digitação e que o valor destas diferenças é ínfimo em relação aos valores lançados. Analisando a documentação apresentada pelo recorrente e as alegações juntadas, entendo que assiste razão ao contribuinte em relação à comprovação das despesas destes dois itens. As notas apresentadas juntamente com a impugnação são mais do que suficientes para demonstrar a regularidade das despesas. As divergências constatadas são de dias e valores muito pequenos que não justificam a glosa completa de todas as despesas. Desta forma, voto no sentido de excluir da autuação a glosa de despesas dos valores de R$ R$ 388.808,09 Fl. 47992DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.993 45 4.4. Conta 5375444 Outras despesa de Distribuição de Produtos Acabados Transferência Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 494.551,71 Alega que apresentou as notas da Transportadora Luft que comprovariam as despesas juntamente com o comprovante da transferência bancária feito de uma única vez para três notas. Apresenta um comprovante de transferência e informa que já havia apresentado as alegações que não foram consideradas pela DRJ às fls. 23786. Na diligência realizada a fiscalização informa que o contribuinte não apresentou a comprovação durante a fiscalização e que, após intimado, ainda não comprovou as despesas. Por seu turno o contribuinte informa que às fls. 23710 apresentou os lançamentos que comprovariam o pagamento das despesas. Apesar de, neste ponto, verificar que a composição do pagamento demonstrado às fls. 23710, apresenta uma lógica bastante acurada. O que, em verdade, a fiscalização está alegando é que não houve a apresentação das notas fiscais que comprovem a realização das despesas. Os lançamentos apresentados, apesar de comprovarem a composição do pagamento não comprovam a realização da despesa, mercê da ausência da apresentação do respectivo documento fiscal. Por isso, inexistindo os documentos comprobatórios das despesas não há como se contestar a glosa por falta de comprovação destas mesmas despesas. Em relação a este ponto, em se considerando que a comprovação da coerência entre os registros de pagamentos e os valores contabilizados,entendo que cabe aceitar estes elementos como comprovação da realização das despesas. Assim, entendo que, neste ponto, deve ser dado provimento ao recurso para excluir do valor da glosa o montante de R$ 494.551,71 5. Diferença de Estoques 32.738.252,71 2007 e 15.673.963,73 2008 A recorrente alega que em relação às diferenças de estoques lançadas a fiscalização partiu da diferença existente no saldo final dos estoques do ano de 2006 que, influindo na apuração de 2007, resultou na diferença deste ano e na do ano subsequente. Na decisão da DRJ esta não aceitou ao por entender que a verificação do saldo de estoque do ano de 2006 foi necessária para verificar o real valor do estoque de abertura do ano de 2007. Assim, não houve nenhum lançamento relativo ao ano de 2006, mesmo que tenham ocorrido lançamentos decorrentes da revisão dos estoques do ano de 2006. Fl. 47993DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.994 46 Alega também que a diferença de estoques relativo às contas 23112210 Estoque Produtos Acabados variável Reclassif, 23122230 Estoque prod. acababosCusto fixo reclassif, 23202210Estoque de prod. acabadosUTP reclassif, no valor total de R$ 22.572.283,73 foram desconsideradas na apuração dos estoques. Alega que demonstrou conforme doc. 15, anexo à impugnação, que tais valores consistem em produtos em trânsito, conforme documentação comprobatória. A DRJ não acatou as alegações por entender que estas contas, pela própria nomenclatura, não constituíam estoques de mercadorias em trânsito. A recorrente apresenta parecer da PWC realisando análise destas contas e atestando que seriam contas de controle de estoque de mercadorias em transito, conforme abaixo. Em relação a este ponto, a própria auditoria já demonstra que a conta 23222210 não deve compor o valor dos estoques, vez que esta conta, conforme a própria auditoria informa, representa a expectativa de lucro das mercadorias adquiridas entre companhias do mesmo grupo. Ora, expectativa de lucro não é estoque e, assim, esta conta não deve ser considerada. Quanto às outras duas contas verificando as informações do próprio parecer da PWC constatase que tratamse de valores de mercadorias que não ingressaram no estoque na empresa adquirente, posto que, na data de encerramento do exercício, se encontravam em trânsito entre o país de origem e o de destino. Ora, se as mercadorias não tinham ainda nem chegado ao país de destino não podem, por decorrência lógica, compor o estoque destes produtos. Na verdade não se pode considerar estas contas de mercadorias como mercadorias em trânsito posto que as mercadorias em trânsito são aquelas que entraram no estoque da empresa e daí saíram, por exemplo, para outra filial. Acontece, entretanto, que durante os debates realizados na sessão de julgamento foi levantado um argumento bastante coerente em favor do recorrente. Fl. 47994DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.995 47 Se o valor dos estoques iniciais do período que servem de base para a apuração do CMV são reduzidos em razão das mercadorias não terem chegado ao domicílio do recorrente, como se apresentou no caso, consequentemente o valor das compras do período será majorado em igual montante relativo ao valor do estoque inicial que foi glosado em razão de, durante o exercício, ter se completado o trânsito das mercadorias. Assim, não haveria nenhum prejuízo ao fisco pela não alteração dos valores iniciais dos estoques. Saliento, ainda, que a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga aduziu que a prática de registro de estoques antes da chegada do material na empresa é comum em grandes empresas que fazem importação posto que é necessário o registro da operação para fins de pagamento das despesas de importação nos sistemas de controle de centros de custo. Sendo assim, à vista do exposto, considerando que não houve prejuízo ao fisco em relação ao registro incorreto do valores dos estoques iniciais de mercadorias, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto para excluir os valores das glosas de diferenças de estoques nos montantes de R$ 32.738.252,71 2007 e R$ 15.673.963,73 2008. 5 Saldo Insuficiente de Estoque de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas de CSLL A recorrente alega que com relação a este item existem dois processos anteriores, de nº 13896.722004/201118 e 16561.000045/200662, ainda pendentes de julgamento, os quais ao efetuar lançamentos de IRPJ e CSLL reduziram os montantes de prejuízos fiscais e BCN de CSLL. Deveria então ser sobrestado este feito para aguardar o deslinde daqueles processos que, em caso de sucesso dos recursos, poderiam recompor os saldos considerados insuficientes pela fiscalização. Quanto a este ponto não assiste razão à requerente. não podemos sobrestar este feito à espera do julgamento de outros processos. No entanto, não haverá prejuízos à empresa no eventual caso de algum dos recursos ser provido em seu benefício. Caso ocorra tal fato após até mesmo a conclusão deste processo, os saldos serão revertidos e a empresa poderá, requerer à delegacia de origem que, de ofício, realize o recálculo dos valores dos débitos pela restauração dos prejuízos fiscais. Nos precedentes apresentados traz ao debate a possibilidade de sobrestamento de um feito que este dependa, para sua solução, da decisão a ser proferida em outro processo. Ocorre que este não é o caso que se apresenta. Apesar de a decisão dos outros processos poder influenciar em parte os valores lançados neste, este não depende totalmente daquelas decisões, posto que os valores dos prejuízos podem ser recompostos e recalculados individualizadamente, sem qualquer prejuízo ao recorrente. Assim, entendo que não é cabível o sobrestamento deste processo no presente caso. Fl. 47995DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.996 48 Em outro turno, alega o recorrente que deveria ser recalculado o valor da autuação tendo em vista que como ocorreu a desoneração de parte dos valores lançados, haveria de se realizar o recálculo dos valores lançados no presente item, posto que, reduzido o lançamento, há de se reduzir também os prejuízos fiscais e BCN utilizados e, em consequência, restaurados os saldos existentes. Neste ponto, tendo em vista a necessária diligência para alguns itens da autuação, há de se realizar o recálculo do valor lançado neste ponto a partir da exclusão dos valores lançados no presente auto, além de valores que possam ser excluídos na análise da própria diligência. Ocorre, no entanto, que durante a realização da diligência a fiscalização informou que não é sua atribuição regimental a realização do recálculo dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Neste ponto até entendo a posição da fiscalização, no entanto, não sendo competente, deveria ter remetido o processo para o setor competente para a realização do recálculo. Entretanto, em vista do Princípio da Economia Processual e em se verificando que diversos valores da autuação já foram objeto de revisão neste mesmo voto, de toda forma haveria a necessidade de novo recálculo quando do retorno deste processo, após a conclusão do julgamento, para a cobrança dos valores devidos mantidos. Por isso, entendo que deva ser realizada a conclusão do julgamento do recurso e que, sem prejuízo à defesa, quando laboração dos cálculos dos novos valores devidos, serão refeitos os cálculos de utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas e apresentados ao contribuinte, ocasião em que este poderá os verificar e se manifestar a respeito. Destaquese, também, que conforme declinado pelo recorrente desde a sua impugnação, quando da realização do recálculo dos valores dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL utilizadas a maior, devem ser considerados os valores dos saldos existentes com base nas DIPJ retificadoras apresentadas pela empresa ainda antes da autuação cujas alterações não guardaram identidade com os objetos da autuação. As referidas retificadoras estão acostadas às fls. 39349 (DIPJ/2010) e 39369 (DIPJ/2011) e 39389 (DIPJ/2012) e, estando devidamente recepcionadas pelos sistemas de controle, devem ter seus valores de prejuízos considerados no recálculo deste ponto. Assim, entendendo que os cálculos de recomposição e de utilização dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas podem ser realizados ao final do julgamento sem prejuízo à defesa, voto no sentido de apenas determinar que, quando do retorno do processo à Delegacia de origem para fins de recálculo dos valores devidos, devem ser considerados os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas existentes à época da realização dos novos cálculos a fim de poderem ser utilizados na apuração dos valores dos tributos devidos após a conclusão do julgamento, devendo, neste ponto também serem considerados as DIPJs retificadoras apresentadas pela empresa, conforme parágrafos acima, na apuração dos prejuízos compensáveis. Fl. 47996DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.997 49 6. Multa por Informação Incorreta em Arquivos Digitais Alega a recorrente que os valores lançados neste itens, mesmo que mantidos deveriam ser recalculados posto que lançados sobre uma base de cálculo duplicada. Alega que a fiscalização utilizou como base de cálculo o valor informado nos estoques da filial 001 e, também, os valores informados das outras filiais dos quais a empresa informou que tinha apresentado na filial 001. Assim, seria necessário o recálculo da multa. Alega que a multa imposta representa mais de 20% dos valores lançados e, assim, juntamente com a multa de ofício lançada, representa uma ofensa ao princípio da proporcionalidade por impor penalidade desproporcional aos valores do lucro da empresa no exercício. Alega também a necessidade de utilização do princípio da equidade para o cancelamento da multa verificado que restou que esta, na forma e valores lançados, ofende ao princípio da proporcionalidade. Em relação ao valor deste multa lançada, verificase que o fato gerador da multa é a prestação de informações incorretas em arquivos digitais, tipificada, à época, na Lei nº 8.218/91, art. 12, II. Referido dispositivo foi posteriormente alterado conforme informações abaixo: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; I multa equivalente a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração aos que não atenderem aos requisitos para a apresentação dos registros e respectivos arquivos; (Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, Fl. 47997DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.998 50 limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II multa equivalente a 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações referentes aos registros e respectivos arquivos; e (Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) Percebese que, mesmo após algumas alterações legislativas o valor da multa permaneceu inalterado em 5% sobre o valor da operação correspondente, no caso, o do registro dos estoques da empresa, acrescentandose, apenas uma limitação do total a ser lançado, que não pode ser superior a 1% do valor da receita bruta da empresa no período. A Decisão de Piso assim se manifestou a respeito deste ponto: Tendo o Termo de Intimação nº 22, em seu parágrafo 12, solicitado à interessada somente os arquivos digitais do Registro de Inventário dos anos calendário de 2007 e 2008 (fl. 19168), não há que se falar em multa por informação incorreta em arquivos digitais do ano de 2006, uma vez que não solicitada informações sobre tal ano, conforme expressamente determinado pelo inciso II, do art. 12, da Lei nº 8.218/1991, devendo o valor da multa de R$ 732.169,65, relativa ao mesmo, ser exonerada. Com relação aos arquivos dos anos de 2007 e 2008, discordo da impugnante quanto a não ser a conduta descrita no TVF compatível com a prevista no inciso II do art. 12 da Lei nº 8.218/1991. Ao informar o CNPJ da matriz com valores elevados de estoques, quando o mesmo não os movimenta, deixando de informar valores em filiais que o fazem, incorreu a interessada em informações incorretas conforme previsto na Lei nº 8.218/1991. E não somente uma informação incorreta, como tenta fazer crer, mas em tantos quantos foram os CNPJs informados incorretamente, uma vez que tais informações devem ser individualizadas. Assim, correta foi a imposição da penalidade como exigida na autuação. Com relação à equidade, carece este órgão administrativo de competência para relevação de penalidades com base, tão somente, em tal princípio jurídico, se a mesma foi corretamente exigida com base na legislação pertinente. Já com relação às argüições quanto à pertinência do princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e do nãoconfisco, cabe repetir que as mesmas refogem à competência deste órgão para julgamento. Em relação a excluir, do valor da autuação a multa do ano de 2006, por não ter havido intimação expressa, não há o que se rever. Fl. 47998DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 47.999 51 No entanto, quanto à argumentação de que, no mínimo o valor da multa encontrase duplicada em face das informações da matriz da empresa 0001 estarem em duplicidade com as das outras filiais, não concordo com o pronunciamento da Delegacia de Julgamento. Ora, se a multa é aplicada em relação ao valor da operação e, sabidamente, o valor dos estoques da filial 0001 são inexistentes, apesar de ser uma informação incorreta, não existe em termos de realidade a operação de manutenção de estoques da matriz, pelo simples fato de esta não operar como estabelecimento. Por isso, as operações que efetivamente ocorreram e que deram azo à apresentação de incorreções, são as operações relativa aos estoques das inúmeras filiais da empresa que eram operacionais e que, com o registro indevido de estoques na matriz, tiveram os estoques gerais de estoques da empresa majorados. Assim, como efetivamente não ocorreram os estoques registrados na matriz e por isso inexistiram essas operações, não sendo possível, no meu entendimento, que os erros cometidos pela empresa que causaram a duplicidade de registro dos estoques sejam mantidos para caracterizar operações que sabidamente não existiram. Concluo por entender assistir razão ao recorrente, devendo se excluir das bases de cálculos do valor da multa por arquivos incorretos os montantes de R$ 125.275.241,40 (2007) e R$ 257.863.107,64 (2008), relativos às inexistentes operações de estoque da matriz 0001 da empresa. Quanto às demais alegações do recorrente em relação a aplicação da equidade e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade no sentido de se excluírem essas multas, concordo com a Decisão de Piso em razão de se constatar a incompetência deste CARF de relevar penalidade sem a existência de norma expressa a militar neste sentido. 7. Da Dedutibilidade dos Valores Lançados de PIS e COFINS Concomitantemente à lavratura do Presente Auto Neste ponto, apenas por precaução o recorrente solicita que, acaso sejam revertidos os cancelamentos dos lançamentos de PIS e COFINS determinados pela Delegacia de Julgamento, que estes lançamentos sejam utilizados no abatimento do IRPJ e CSLL acaso mantidos por este CARF. Deixo de analisar este ponto neste momento, em razão de ser objeto de análise do recurso de ofício. 8. Da não Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício Neste ponto alega a impossibilidade e incidência de juros sobre a multa de ofício por entender não haver disposição legal que atenda a esta aplicação. Fl. 47999DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.000 52 Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 48000DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.001 53 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com Fl. 48001DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.002 54 base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. DO RECURSO DE OFÍCIO Reconhecimento da Amortização relativa ao ano de 2007 das despesas da JPNOR Engenharia, no montante de 20%, redução de R$ 340.251,72. Em relação a este item, como este voto já se postou no sentido de excluir a autuação relativa a esta glosa de despesas, resta prejudicada a análise do recurso de ofício. Reconhecimento da realocação de despesas baseada em diligência Quanto a este item, assim se posicionou a Decisão da Delegacia de Julgamento: Já com relação ao item 4 da Diligência, tendo o Termo da mesma atestado que os valores de venda de sucata e de descarte de milho e sementes e de descarte de soja influíram na divergência mensal que originou a autuação referente a este item, apurada na planilha anexa ao Termo de Intimação nº 36 ao não constarem no valor da receita bruta contabilizada, devem os mesmos ser excluídos da autuação, à exceção dos valores referentes à filial 61.064.929/000845 que teria composto o valor da receita bruta informada na DIPJ. Com base na planilha de fl. 15 do Termo de Diligência Fiscal (fl. 46218 do processo), devem ser excluídos os seguintes valores: Em 2007: R$ 37.187,48 de “Sucata Caixa Pioneer”; R$ 10.428.995,36 de “Descartes Caixa Pioneer (da conta 3.1.01.001.0001 para 58101000/60101110)”; R$ 505.784,90 de “Descartes Caixa Pioneer (da conta 3.1.01.001.0001 para 60101110)”; e R$ 1.892.408,50 de “Descartes Fl. 48002DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.003 55 Caixa Pioneer (da conta 3.1.01.002.0001 para 60101110)”, totalizando R$ 12.864.376,24. Em 2008: R$ 25.918.38 de “Sucata Caixa Pioneer”; R$ 3.583.037,25 de “Descartes Caixa Pioneer (da conta 3.1.01.001.0001 para 58101000/60101110)”; R$ 513.466,80 de “Descartes Caixa Pioneer (da conta 3.1.01.001.0001 para 60101110)”; e R$ 13.857.812,49 de “Descartes Caixa Pioneer (da conta 3.1.01.002.0001 para 60101110)”, totalizando R$ 17.980.234,92. Tendo em vista que o reconhecimento parcial da procedência da impugnação decorreu da constatação dos itens conforme apurado em diligência, entendo que não há incorreção no entendimento da Decisão de Piso, razão pela qual há de se negar provimento ao recurso de ofício neste ponto. Dedução a maior do ICMS na receita bruta Neste item assim se pronunciou a DRJ com base no resultado da diligência solicitada: Os itens 5 e 6 da Diligência confirmaram que: . O valor dos “débitos do imposto – estorno de crédito”, no montante total de R$ 2.819.840,31 no ano de 2008 constaram do montante de R$ 215.608.848,08 do quadro do parágrafo 91 do TVF (linha 10 da ficha 06A da DIPJ) , logo influindo na autuação. . Que o valor de R$ 1.324.618,20, referente a provisões para fazer face a prováveis estornos de créditos futuros também constou do valor transcrito na linha 10 da ficha 06 A da DIPJ, influindo na autuação. . Que tal valor de provisão, de R$ 1.324.618,20, foi adicionada na apuração do lucro real a na linha 06 da ficha 09A. Assiste razão à interessada que o fato do valor dos estornos de crédito do ICMS terem sido declarados em linha equivocada da DIPJ (linha 10 da ficha 06A), não justifica a glosa, uma vez que tais valores são dedutíveis. Da mesma forma, tendo a interessada já adicionado ao lucro líquido para apuração do Lucro real o valor de R$ 1.324.618,20, descabe o lançamento sobre tais valores, evitandose desta forma a duplicidade de tributação. Face ao exposto, voto pela redução do valor tributável do item 4 do TVF (R$ 4.346.846,13) em R$ 4.144.458,51 (R$ 2.819.840,31 + R$ 1.324.618,20), Fl. 48003DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.004 56 remanescendo o valor tributável de R$ 202.387,62 neste item de IRPJ e CSLL. Da mesma forma como já mencionamos no item anterior, não merece reparos a Decisão de Piso quando apenas referenda as conclusões apontadas pelo relatório de diligência. Neste sentido também entendo por negar provimento ao recurso de ofício. Devolução de Vendas A respeito deste ponto assim se pronunciou a Delegacia de Julgamento: Como já exposto, as devoluções se originaram da remessa de mercadoria para formação de lotes, o que não se caracteriza como operação de venda que gere receita. Além disso, o valor da devolução foi idêntico ao da remessa para formação dos lotes, anulandoo. Assim, temse que o efetivo valor das exportações foi de R$ 4.326.449,21, e não de R$ 4.739.486,00. A diferença entre os mesmos, s.m.j., não representa omissão de receitas, uma vez que a fiscalização não apontou qualquer legislação que determinasse a obrigatoriedade de serem idênticos os valores das notas fiscais de remessa para formação de lote, sua devolução e de exportação, o que, aí sim, suscitaria um indício de omissão de receitas. Além disso, inexiste qualquer previsão legal de presunção de omissão de receitas com base na diferença entre os montantes das notas de remessa para formação de lotes e as de efetiva exportação. Assim sendo, julgo que os fatos narrados no TVF não se consubstanciam sequer em devolução de vendas, como foi intitulado, quão menos em omissão de receitas, devendo ser exonerado o valor de base de cálculo de R$ 413.036,79, em 31/12/2007, referentes ao presente item. Não há reparos a se realizar na decisão de Piso. Verificandose que os procedimentos adotados pelo recorrente não implicaram em indevidas devoluções de vendas, há de se manter a decisão que cancelou as glosas realizadas pela fiscalização. Custos não Comprovados Diferenças de estoques Neste ponto a Decisão de Piso apenas determinou a correção da base de cálculo do ano de 2007 em função do seguinte: Assiste razão à interessada que o valor transcrito na linha “Total dos Custos da Atividade em”, coluna “fiscalização”, do parágrafo 150 do TVF, deveria ter sido de R$ 1.762.938.933,01, e não de R$ 1.761.434.855,75, resultado da Fl. 48004DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.005 57 não inclusão na soma do valor de R$ 1.504.077,26 da linha “custos dos serviços vendidos”. Desta forma, como a base de cálculo da autuação, no valor de R$ 32.738.252,71, resulta da diferença entre o valor do total de custos das atividades apurado pela fiscalização e o transcrito na DIPJ 2008, encontrase o mesmo equivocado, uma vez que apurado sobre o valor de R$ 1.761.434.855,75 e não o correto valor de R$ 1.762.938.933,01, resultando na diferença a maior de base de cálculo, no montante de R$ 1.504.077,26. ......... Destarte, cabe quanto a este item somente o ajuste já visto no valor tributável do anocalendário de 2007, de R$ 32.738.252,71 para R$ 31.234.175,45. Correta a decisão de piso quando reconheceu o equívoco apontado. Assim noto por negar provimento ao recurso de ofício. Lançamentos de PIS e COFINS Com relação aos lançamentos de PIS e COFINS estes foram considerados improcedentes com base nas seguintes conclusões, obtidas a partir do relatório de diligência fiscal elaborado. 9.1 Com relação aos autos de infração de PIS e COFINS de fls. 37692/37698 e 37685/37691: 9.1.1 – Da mesma forma que no item 3, supra, devem ser excluídos da autuação os valores mensais das receitas dos CFOP 5501, 5922 e 6922 constantes da planilha de fls. 46224 (item 10 da Diligência), por refletirem operações que não dão origem a receita: 31/12/2007 – R$ 240.835,74 (CFOP 6922) 30/04/2008 – R$ 12.652.300,95 (CFOP 5922 e 6922) 31/10/2008 – R$ 2.326.566,64 (CFOP 5922 e 6922) 31/12/2008 – R$ 2.563.725,01 (CFOP 5922 e 6922) 9.1.2 – Considerando que os valores apurados a partir do Livro do ICMS corresponderiam ao valor total das notas fiscais de saída, inclusive IPI (que não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS) e que os valores declarados no DACON como receita já correspondem a valores líquidos de IPI, devem ser excluídos da autuação os valores referentes ao “IPI sobre todas as vendas do período” constante do quadro do parágrafo 69 do TVF, nos montantes de R$ 4.501.172,98 em dezembro/2007, R$ 5.267.635,11 em abril/2008, R$ 6.269.040,39 em outubro/2008 e R$ 3.477.136,05 em dezembro/2008. Fl. 48005DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.006 58 9.1.3 Devem ser excluídos da base de cálculo também os valores referentes ao ICMSSubstituição Tributária apurados no item 9 da Diligência: Dezembro de 2007 R$ 1.505.489,71 Abril de 2008 R$ 975.585,47 Outubro de 2008 R$ 1.170.833,04 Dezembro de 2008 R$ 1.099.837,05 9.1.4 Os valores das receitas brutas da filial nº 06Barra Mansa nos meses de dezembro de 2007 e dezembro de 2008 devem ser ajustadas para os corretos valores mensais apurados na Diligência (item 7): Dezembro de 2007: de R$ 122.255.622,53 para R$ 8.292.739,78; e, Dezembro de 2008: de R$ 125.807.214,08 para R$ 10.102.395,26. Não devem haver ajustes para os valores apurados pela Diligência nos meses autuados de abril e outubro de 2008, uma vez que representariam agravamento da autuação de PIS e Cofins naqueles meses. 9.1.5 Deve ser excluído da autuação, no mês de outubro de 2008, o valor de R$ 60.731.740,69, apurado na Diligência, referente às receitas da filial 46 Brasília que não constaram do DACON, aumentando neste montante a diferença que motivou a autuação, e cuja omissão não gera exigência de crédito tributário de PIS e Cofins, uma vez tratarse de receitas pela venda de soja para semeadura (NCM 12010010), sujeitas à alíquota zero, por força do art. 1º, inciso III, da Lei nº 10.925/2004. Face aos ajustes acima, restou sem diferença a planilha de fl. 33 do TVF (fl. 37622 do processo), devendo, por conseguinte, ser julgado improcedentes os autos de infração de COFINS e PIS de fls. 37692/37698 e 37685/37691, nos valores de R$ 21.107.231,90 e R$ 4.582.491,13. 9.2 – Com relação à arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa, deve a mesma ser superada, uma vez que a interessada se defendeu plenamente da matéria autuada com as razões que julgou convenientes, demonstrando conhecimento da autuação imputada. Além disso, no mérito a matéria será decidida a favor da contribuinte, como segue: 9.2.1 – Com relação ao valor referente a devolução de vendas, em dezembro de 2007, no valor de R$ 413.036,79, deve ser repetido o julgamento do item 5 do TVF, resultando na exoneração do mesmo também nos autos de infração de PIS e Cofins. 9.2.2 O inciso III, do art. 10 do Decreto nº 70,235, de 06 de março de 1972, Processo Administrativo FiscalPAF determina que o auto de infração conterá, obrigatoriamente, a descrição do fato. Fl. 48006DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.007 59 No caso dos valores tributáveis de R$ 10.581.940,21 e R$ 6.293.688,16 que deram origem à autuações de PIS e Cofins, apesar da interessada concluir que se tratam dos valores citados no parágrafo 76 do TVF, certamente por terem seus valores idênticos, em nenhum documento consta as razões de fato e de direito que levaram à glosa dos mesmos para apuração de valores tributáveis de PIS e Cofins. Tais valores constam naquele parágrafo, como protesta a interessada, citados como constantes de linhas das DIPJ (original e realocada), e referentes a devolução de vendas, no caso anuais, não existindo qualquer descrição, justificativa ou motivação pelo qual tais valores possam ter se tornado base de cálculo de PIS e Cofins, mormente quando estas contribuições têm períodosbase mensais e seus valores constariam declarados, não em DIPJ, mas em DACON. Destarte, só posso votar pelo descabimento dos valores de PIS e Cofins oriundos de tais glosas de $ 10.581.940,21 e R$ 6.293.688,16. Face ao exposto, portanto, julgo também como improcedentes os autos de infração de COFINS e PIS de fls. 37665/37671 e 37672/37678, nos valores de R$ 1.313.938,55 e R$ 285.262,97. Não merece reparo a decisão de PISO. A exclusão dos valores lançados decorre de falhas na apresentação das informações pela empresa, suja retificação foi devidamente validade pela fiscalização e, assim, restou pela inexistência de base tributável das duas contribuições. Por isso, entendo que deve ser negado provimento ao recurso de ofício neste ponto. Aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício Assim decidiu a DRJ a respeito deste ponto: "..... O caso que ora se examina é peculiar, pois, além da multa proporcional incidente sobre o IRPJ e a CSLL apurada de ofício, está sendo exigida da interessada multa “isolada” pela falta de recolhimento de estimativas nos meses de janeiro, novembro e dezembro de 2007 e janeiro e fevereiro de 2008. Ou seja, além da exigência de multa de ofício de 75% (acompanhando a exigência de tributo), há a cobrança concomitante da multa dita isolada. Entretanto, a cobrança da multa isolada concomitante com a multa genérica acompanhando o tributo destoa do próprio nome “multa isolada”, que indica que, obviamente, a multa é cobrada desacompanhada de tributo. Assim, sua cobrança em face de uma base tributária apurada de ofício simultaneamente com o tributo correspondente e mais outra multa de ofício que o acompanha revelase incoerente. Na verdade, a exigência da multa proporcional deve excluir naturalmente a multa isolada, ainda que Fl. 48007DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.008 60 calculadas diversamente, sob pena de se impor uma dupla penalização sobre um mesmo fato apurado pelo Fisco, configurandose uma situação impensável em face do ordenamento jurídico nacional. Notese ainda que, diferente da multa de ofício prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, a multa isolada que ora se analisa, prevista no inciso II, “b”, do mesmo artigo, não prevê sua aplicabilidade sobre diferença de imposto ou falta e inexatidão de declaração, mas tão somente sobre o pagamento mensal que deixar de ser efetuado, corroborando o raciocínio até aqui desenvolvido de que a mesma não se aplica a diferenças apuradas em ação fiscal após o encerramento do exercício, como no caso em litígio. Correlacionadas ao assunto, vale a leitura de algumas ementas do Primeiro Conselho de Contribuintes, que abaixo reproduzo: AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (Ac. 10321275, sessão de 12/06/2003, publicado no D.O.U. nº 154 de 12/08/03) MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE – CONCOMITÂNCIA – Incabível a aplicação da multa isolada, quando já exigida a penalidade específica incidente sobre o tributo apurado através de lançamento ex officio. (Ac. 10194491, sessão de 29/01/2004) PENALIDADES MULTA ISOLADA Inexigível, por "bis in idem", penalidade de ofício isolada em lançamento de tributo acrescido de cominações de ofício. (Ac. 10419575, sessão de 15/10/2003). IRPF – MULTA DE OFICIO REGULAMENTAR E ISOLADA – CONCOMITÂNCIA – IMPROCEDÊNCIA – FALTA DE AMPARO LEGAL – É inaplicável a multa isolada prevista nos incisos II e III do § 1º, do art. 44, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cumulativamente com a multa genérica prevista no inciso I do referido dispositivo legal, exigível juntamente com a contribuição ou tributo devidos, nas hipóteses de falta de pagamento de antecipação do imposto (carnê leão) e de não inclusão dos respectivos rendimentos na declaração anual de ajuste. A multa isolada de que tratam os dispositivos legais supracitados é aplicada apenas nas hipóteses ali previstas, ou seja, quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora, e quando o contribuinte, sujeito ao pagamento da antecipação do imposto (carne leão), deixar de fazêlo, mas incluir o rendimento na declaração anual de ajuste, ainda que não tenha apurado imposto a pagar. A imputabilidade da multa genérica exclui as referidas multas isoladas, sob pena de se impor dupla penalização sobre um mesmo fato jurídico, não admitida pelo ordenamento jurídico nacional. Acórdão 10246185, sessão de 05/11/2003. Pelo acima exposto, considero que deve ser cancelada a exigência das multas isoladas de IRPJ e CSLL, também por já ter sido aplicada sobre o valor apurado de ofício a multa prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, no percentual de 75%. Na verdade não comungo do mesmo entendimento da DRJ, mas no presente caso meu entendimento termina, por conclusão, a situarse no mesmo sentido da decisão de Piso. A Multa isolada aplicada pela falta do recolhimento por estimativa somente seria cabível Fl. 48008DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.009 61 em caso de não apuração de resultado anual tributável ou quanto o resultado apurado fosse inferior ao valor devido pelas multas. Por isso, conforme já tenho me pronunciado em diversas outras oportunidades acolho a tese de quem quando da aplicação concomitante a multa isolada somente poderia ser mantida na parte em que superasse o valor da multa de ofício aplicada em face do Princípio da Consunção. Assim, como no presente caso a multa de ofício é bastante superior à multa isolada aplicada, entendo que deve ser negado o recurso de ofício quanto a este item. CONCLUSÃO: Por todo o exposto voto no sentido de: 1) Rejeitar as preliminares de nulidade. 2) Acatar as preliminares relativas a erros na implantação dos valores exonerados: 0002 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Fato Gerador Valor Autuação Valor Exonerado Valor Ajustado Item TVF 31/12/2007 266.479.923,93 69.559.573,84 196.920.350,09 Pte Item 3 31/12/2008 134.987.051,56 43.302.909,81 91.684.141,75 Pte Item 3 3) Acatar a preliminar relativa a erro na recálculo do lançamento Exoneração das multas por erros nos arquivos magnéticos, devendo, em relação ao valor da multa administrativa lançada, ser reduzido o montante lançado para R$ 37.618.807,16 (R$ 38.350.976,81 R$ 732.169,65). Mérito, dar parcial provimento ao recurso em relação aos seguintes itens: 1) Glosa de custos fornecedor JPNOR ENGENHARIA: devendo ser excluída a glosa de custos da empresa JPNOR ENGENHARIA no montante de R$ 1.701.258,58 no ano de 2007. 2) Glosa de despesas da empresa SERTENCO: a) Rejeitada a preliminar de nulidade em relação ao item. No mérito dado parcial provimento para cancelar o percentual da glosa no montante de 20% relativo o respectivo período de apuração e determinar o cálculo dos efeitos da postergação para os 80% restantes da glosa mantida com a aplicação de imputação proporcional e multa, tendo em vista a existência de apuração de IRPJ e CSLL devidos em anos subsequentes. 3) Omissão de receita Valor da omissão da filial Uberaba: excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 OMissão de Receitas de Vendas e Serviços do período de apuração de 31/12/2007 o valor de R$ R$ 119.151.633,83, relativo à diferença entre o valor do faturamento do mês de janeiro/2007 da filial 0068 UBERABA efetivamente ocorrido e o valor anteriormente apontado pela fiscalização. Fl. 48009DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.010 62 4) Omissão de Receitas Realocação caixa PIONEER: excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 Omissão de Receitas de Vendas e Serviços os valores de R$ 11.704.411,75 no P.A. 31/12/2007 e R$ 13.255.027,69 no P.A. 31/12/2008. 5) Omissão de Receitas Realocação caixa GRIFFIN: excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 Omissão de Receitas de Vendas e Serviços os valores de ICMS e frete indevidamente informados como receita de venda nos montantes de R$ 3.244.037,52 no P.A. 31/12/2007 e R$ 4.617.540,11 no P.A. 31/12/2008. 6) Omissão de Receitas Despesas de Fretes como redutoras de receitas: excluir do valor da autuação relativo à infração 0002 Omissão de Receitas de Vendas e Serviços os valores de frete indevidamente informados como receita de venda nos montantes de R$ 3.501.550,07 no P.A. 31/12/2007 e R$ 2.705.422,85 no P.A. 31/12/2008, conforme informado pela fiscalização. 7) Glosa de Despesas de Distribuição de produtos acabados e frete: excluir da autuação a glosa de despesas dos valores de e R$ 388.808,09 e R$ 494.551,71. 8) Diferença de estoques Rejeitar a preliminar de decadência em relação à impossibilidade de revisão do valor do estoque final de 2006. No mérito, dar provimento ao recurso em razão de a redução do saldo final do ano de 2006 implica no acréscimo do valor das compras do ano subsequente, o torna nulo o efeito da glosa. Assim, não havendo prejuízo ao fisco em relação ao erro na indicação do período de apuração das despesas, cancelase as glosas nos montantes de R$ 32.738.252, 71 (2007) e de R$ 15.673.963,73 (2008) 9) Redução das bases de Cálculo das multas por incorreções em arquivos digitais: devem se excluir das bases de cálculos do valor da multa por arquivos incorretos os montantes de R$ 125.275.241,40 (2007) e R$ 257.863.107,64 (2008), relativos às inexistentes operações de estoque da matriz 0001 da empresa 10) Saldo insuficiente do estoque de prejuízos fiscais de IRPJ e bases de cálculo negativas de CSLL . Constatando a existência de DIPJ retificadora apresentada antes da fiscalização, determinar a retificação dos valores dos prejuízos existentes para a realização do referido cálculo realizado quando da fiscalização e, também, que seja verificado o reflexo desta modificação nos períodos subsequentes e realizados os ajustes necessários em relação ao IRPJ e à CSLL, tanto em relação ao que já foi decidido pela DRJ e quanto ao que foi excluído no presente acórdão. 11) Por fim, quando da elaboração dos cálculos de cobrança, os valores acima excluídos devem ser refletidos nos demais tributos a eles vinculados. Por fim, quanto ao recurso de ofício, voto por negar provimento ao mesmo. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 48010DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Acórdão n.º 1401002.948 S1C4T1 Fl. 48.011 63 Fl. 48011DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002449/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, 31/01/2006
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÒRIA. CSLL.
Se o contribuinte envia Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento e anteriormente à transmissão da DCTF, deverá ser afastada a multa de mora, pois está caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que a Declaração de Compensação equivale a pagamento. Conquanto, se a Declaração de Compensação não for homologada, não há que se falar na aplicação do instituto da denúncia espontânea e tampouco na exclusão da multa moratória
Numero da decisão: 1201-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados da PFN e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencido o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÒRIA. CSLL. Se o contribuinte envia Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento e anteriormente à transmissão da DCTF, deverá ser afastada a multa de mora, pois está caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que a Declaração de Compensação equivale a pagamento. Conquanto, se a Declaração de Compensação não for homologada, não há que se falar na aplicação do instituto da denúncia espontânea e tampouco na exclusão da multa moratória Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados da PFN e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencido o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 24 49 /2 00 6- 12 Fl. 385DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação em que a contribuinte acima identificada utiliza como crédito saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL do anocalendário de 2004, exercício de 2005. O montante de crédito pleiteado é de R$ 11.394.921,11. Por meio do Despacho Decisório de fls. 85 a 92, as compensações foram parcialmente homologadas, sendo reconhecido direito creditório no valor de R$ 3.576.882,29 a titulo de saldo negativo de CSLL. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a esta Delegacia de Julgamento, tendo sua 4° Turma proferido o Acórdão n° 0710.746/2007 (fls. 221 a 223) em que declarou nulo o Despacho Decisório e determinou que nova decisão fosse proferida. A contribuinte havia aproveitado as bases de cálculo negativas de CSLL apuradas pela incorporada Centrais Geradoras do Sul do Brasil S/A — Gerasul, CNPJ n° 02.311.139/000181, nos anoscalendário 1997 e 1998. No referido Despacho Decisório não havia sido considerada a compensação de base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$52.155.802,72, realizada em 2004. Entretanto, a autoridade julgadora (4° Turma) acatou a utilização da base de cálculo negativa da CSLL, por entender que a vedação prevista na Medida Provisória n° 2.158 35/2001 aplicase somente às incorporações posteriores à sua vigência, diferentemente do caso em análise em que a incorporação ocorreu em 24/04/1998. Os autos foram devolvidos à repartição de origem para elaboração de nova decisão. Em atendimento, foi proferido o Despacho Decisório de fls. 238 a 243. Houve alteração do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo de CSLL — SAPLI, com a inclusão das bases de cálculo negativas da incorporada. Com isso o novo saldo de bases de cálculo negativas de CSLL foi suficiente para a compensação de R$ 52.155.802,72 realizada no anocalendário de 2004 (fls. 228). Conforme DIPJ do anocalendário de 2004, o saldo negativo apurado no ajuste anual decorre do excesso das estimativas mensais sobre a CSLL devida no ano calendário. Nos meses de janeiro, fevereiro e outubro, parte da CSLL apurada foi paga por intermédio de compensações. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11516.002449/200612 Acórdão n.º 1201002.619 S1C2T1 Fl. 3 3 As compensações das estimativas mensais que constam de outras DCOMP foram tratadas em outros processos. Algumas dessas DCOMP tiveram suas compensações homologadas, outras não. A tabela de f. ls78 resume as compensações feitas e o resultado da apreciação das DCOMP. Com isso, o montante considerado pago por estimativa mensal a ser levado ao ajuste anual é de R$ 19.233.623,10, inferior ao apurado pela contribuinte de R$22.347.639,68. O Demonstrativo de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do anocalendário 2004 (f. 239) indica a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$8.280.904,42, que é inferior ao apurado pela contribuinte (R$ 11.394.921,11). A autoridade recorrida relata ainda que a DCOMP n° 40204.44855.280205.1.3.037668, entregue em 28/02/2005, com valor de débito de R$1.694.061,45, foi retificada pela DCOMP n° 06165.18607.271005.1.7.030180, entregue em 27/10/2005, com a elevação do valor do débito para R$ 3.316.269,49. Entretanto, este procedimento não seria permitido pelo disposto no art. 59 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005. Idêntica previsão estaria contida no art. 58 da IN SRF n° 460/2004 e também no art. 8' da IN SRF n° 360/2003, que tratavam do assunto antes da entrada em vigor da IN SRF n° 600/2005. Nos extratos de fls. 229/231 foi refeita a vinculação do crédito aos débitos compensados. As tabelas a seguir reproduzem o resultado obtido: Foi informado na DCTF de janeiro de 2005, que a parcela de R$ 1.622.208,04 foi compensada pela DCOMP n° 02980.89512.280205.1.3.037071. Fl. 387DF CARF MF 4 Posteriormente a contribuinte procedeu o cancelamento desta DCOMP, pela DCOMP no 13082.11321.281005.1.8.034711. Assim a parcela de R$ 1.622.208,04 permanece sem vinculação, porque a DCOMP indicada na DCTF encontrase cancelada. Deste modo, no Despacho Decisório recorrido foram: (a) homologadas as DCOMP n° 40204.44855.280205.1.3.037668, 22413.94675.281005.1.7.036542 e 25330.79134.250106.1.3.032779; (b) homologada em parte a DCOMP n°28597.90396.250106.1.3.035013; e (c) determinada a cobrança das parcelas compensadas indevidamente no importe de R$ 1.571.193,84 do débito de IRPJ de dezembro de 2005, e de R$ 1.622.208,04 do débito de CSLL de janeiro de 2005. Irresignada com o feito fiscal, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 128 , a manifestação de inconformidade as fls. 247 a 267, na qual alega que: Requer, preliminarmente, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários não compensados com fundamento no art. 74, § 11, da Lei ri° 9.430/1996; Contesta a incidência de multa de mora. Argúi que os indébitos associados a saldos de imposto sobre a renda e de contribuição social sobre o lucro líquido, decorrentes de pagamentos indevidos, já estavam em poder da União, de modo que não se pode falar em mora quando da utilização destes créditos para pagamentos de débitos com vencimento posterior ao recolhimento do indébito, pois os valores pecuniários já eram disponibilidades da Fazenda Nacional há muito tempo; A Instrução Normativa n° 210/2002 previa em seu art, 28, inciso I, que a compensação é considerada realizada na data do pagamento indevido ou a maior que o devido. Entretanto, a mudança da disciplina determinada pelo art. 1° da Instrução Normativa n° 323/2003, que alterou o citado art. 28, teria o único propósito de fazer incidir acréscimo da multa, sendo editada ao arrepio do art. 5°, inciso II, e 150, inciso I, da Constituição Federal. Deste modo, sustenta que deve ser considerada como data da compensação a data do pagamento indevido ou a maior que o devido; Está amparado pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional, já que promoveu a compensação de debito antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Em seu auxilio, menciona precedentes judiciais e administrativos; Contesta a negativa fiscal em aceitar as DCOMP retificadoras. Sustenta que a IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, não pode retroagir para alcançar retificação efetuada em 27 de outubro de 2005, ou seja, um mês antes de sua vigência. A Além disso, a retificação de declaração do contribuinte poderia ser perfeitamente modificada até a notificação do lançamento, a teor do que prescreve o § 1° do art. 147, do CTN; art. 21 do Decretolei n° 1.967/1982 e art. 832 do RIR/99; Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11516.002449/200612 Acórdão n.º 1201002.619 S1C2T1 Fl. 4 5 A própria Superintendência da 9° Região já decidiu que é hígida a retificação de declaração de imposto de renda, conforme Decisão n° 160, de 28 de setembro de 1998. Da mesma forma tem se manifestado o Conselho de Contribuinte e o Tribunal Regional Federal da 4° Região; A alegação de que com isto a contribuinte estaria se furtando do pagamento de acréscimos legais, seria inepta, porque o sujeito passivo teria atualizado tanto o débito quanto o crédito com juros moratórios respectivos, e porque essa assertiva é uma forma de a administração tributária desviarse da situação que importa, concernente à não adição ao débito da multa de mora, de onde efetivamente decorreria o erro incorrido pela contribuinte; Pugna pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, hábeis a provar a verdade dos fatos em que se funda a defesa. Decisão DRJ Em sessão de 27/06/2008 a 3°Turma da DRJ/FNS deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada para reduzir a parcela nãohomologada na DCOMP n° 28597.90396.250106.1.3.035013, correspondente a R$1.571.193,84, para o montante de R$ 1.460.318,49. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, 31/01/2006 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. CONDIÇÕES. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação a SRF. O sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, 31/01/2006 Fl. 389DF CARF MF 6 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas a observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Recurso Voluntário Foi apresentado Recurso Voluntário pela contribuinte no qual são ratificados os termos de sua Manifestação de Inconformidade. Embargos Inominados da PGFN Em razão de juntada equivocada aos presentes autos de acórdão pertencente a outro processo administrativo (processo n. 11516.001259/200769), a PGFN apresentou Embargos Inominados para que fosse corrigido o erro. Em despacho de admissibilidade, a ilustre Conselheira Ester Marques Lins de Sousa admitiu os Embargos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Tendo em vista o equívoco cometido nos autos e a ausência de julgamento de mérito no presente caso, acolho os presentes EMBARGOS INOMINADOS e passo a analisar o RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado pelo contribuinte. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11516.002449/200612 Acórdão n.º 1201002.619 S1C2T1 Fl. 5 7 Mérito Denúncia Espontânea O Recurso Voluntário ora em análise fixase exclusivamente na defesa da aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) como bastante para a extinção da cobrança da multa moratória e também como permissivo da retificação de DCOMP para aumento do valor do débito. Destacase, as DCOMPs tratadas no presente processo administrativo de fato foram apresentadas a destempo, ou seja, após o vencimento dos tributos. No entanto, restou comprovado que a maioria do crédito nestas veiculado era insuficiente, nos moldes das assertivas que se sucederam e que agora serão reiteradas. Desta sorte, o foco da discussão trazida ao CARF é concernente à aplicação concreta do art. 138 do CTN. De pronto devese concluir que a aplicação do supracitado dispositivo legal, em um contexto em que não há suficiência de direito creditório para a realização das compensações pleiteadas, não tem quaisquer efeitos fáticos capazes de validar a retificação da DCOMP no afã de aumento do débito ali objetivado, razão pela qual não deve ser enfrentada esta questão. Veja, a denúncia espontânea tem razão de ser pelo pagamento. A ausência deste pressuposto basilar enseja, inequivocamente, a impossibilidade de aplicação do instituto. Uma vez que não há aplicabilidade ao art. 138 do CTN, não há que se falar que este teria força para permitir a retificação de DCOMP. Ainda mais quando percebese que a retificação se dera no sentido de aumentar o montante a ser compensado: o crédito já era quase totalmente insuficiente para a compensação dos débitos originais, o que dirá se houver um aumento dos débitos imputados nas DCOMPS. O aumento do débito, em si, por meio de retificação, não impacta na resolução da lide, sendo que esta última deve nortear a todo momento a comprovação da existência do direito creditório do ora recorrente. Superado este ponto, passase a análise da incidência da multa moratória. Insta salientar que a aplicação do art. 28, caput, da Instrução Normativa n° 210/2002, com a redação atual dada pelo art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012, não deve restar comprometida: incidem acréscimos moratórios aos débitos até a data de entrega da DCOMP. Eis a dicção legal do supracitado artigo legal: “Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.” Fl. 391DF CARF MF 8 Portanto, há a incidência da multa moratória contada da data de vencimento do tributo até a apresentação em atraso da DCOMP, limitado ao percentual de 20%. Conquanto, o questionamento que decorre naturalmente deste caso concreto é se seria possível o aproveitamento das beneficies da denúncia espontânea e a conseqüente exclusão desta penalidade tributária. Em tese, para a materialização deste instituto, exigemse, como requisitos: i) que não tenha sido iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionadas com a infração; e ii) por óbvio, que tenha havido o pagamento dos tributos e dos juros de mora (ou depósito). O primeiro requisito fora preenchido, pela análise dos autos e dos fatos cronológicos dali subsumidos e diante da apresentação de DCOMP anteriormente à declaração do débito em DCTF. Quanto ao segundo requisito, se instala certa insegurança jurídica, no que cabe a possibilidade de equiparação da compensação tributária ao pagamento, para fins de extinção do credito tributário. Há total instabilidade jurisprudencial e doutrinária acerca do exercício do direito creditório perante à Administração Tributária, por meio de compensação, como forma de gozo dos benefícios da denúncia espontânea. De um lado, a própria Receita Federal do Brasil tem divergido quanto ao tema. Através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceuse que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizar a denúncia espontânea. Cumpre a transcrição de parte da Nota Técnica nº 1 COSIT, de 18/01/2012: “(...) Aplicabilidade da denúncia espontânea no caso de compensação 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como conseqüência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11516.002449/200612 Acórdão n.º 1201002.619 S1C2T1 Fl. 6 9 a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicase o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; (…) Revisão de ofício do lançamento 19. Uma vez identificadas pelas unidades da RFB as situações em que se configuram a denúncia espontânea, não deve ser exigida mais a multa de mora. (...) 20. Resumindo o acima exposto, e em face do posicionamento atual da jurisprudência do STJ sobre a denúncia espontânea, é de se concluir que: (...) b) tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação: b1) não se configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o crédito tributário (tais como DCTF, DIRPF, GFIP e Dcomp) e em momento posterior quitam o débito, mediante pagamento ou compensação; b2) configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte efetua o pagamento ou a compensação do débito (tributo, acrescido dos juros de mora), antes ou concomitantemente à apresentação das declarações que constituem o crédito tributário, e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração; (...)” Contudo, a própria Receita Federal do Brasil por meio da Nota Técnica nº 19 COSIT, de 12 de junho de 2012 alterou seu entendimento e cancelou a Nota Técnica nº 1 COSIT, de 18 de janeiro de 2012, nos seguintes termos: “(...) 5. Em consequência, concluise: Pelo cancelamento da Nota Técnica COSIT nº 1, de 18 de janeiro de 2012;que se considera ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b.1) quando o sujeito passivo confessa a infração, inclusive mediante a sua declaração em DCTF, e até este momento Fl. 393DF CARF MF 10 extingue a sua exigibilidade com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 20 de dezembro de 2011; b.2) Quando o contribuinte declara a menor o valor que seria devido e paga integralmente o débito declarado, e depois retifica a declaração para maior, quitandoo, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 8, de 20 de dezembro de 2011; c) não se considera ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; c.1) quando o sujeito passivo paga o débito, mas não apresenta declaração ou outro ato que dê conhecimento da infração confessada; c.2) quando o sujeito passivo declara o débito a menor, mas não paga o valor declarado e posteriormente retifica a declaração, pagando concomitantemente todo o débito confessado; c.3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; c.4) quando o sujeito passivo declara o débito, mas paga a destempo; d) que os eventuais pedidos de revisão de lançamento, restituição e/ou compensação dos créditos já constituídos nas situações do item ‘b’ acima devem ser analisados com base no entendimento exarado nos Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, de 2011. (...)” Também neste sentido se deu a Solução de Consulta nº 384/2014, assim ementada: “(...) DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. Considerase ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, quando o sujeito passivo confessa a infração, e até este momento extingue a sua exigibilidade mediante pagamento. Inocorre a denúncia espontânea quando o sujeito passivo compensa o débito já confessado. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para cumprimento de obrigações acessórias. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, arts. 11, 22A e 89, Lei nº 10.256, de 2001, art. 1º; Lei nº 10.522, de 2002, art. 19; Decreto nº 70,235, de 1972, art. 7º; IN RFB nº 740, de 2007, arts. 1º e 2º; IN RFB nº 1.300, de 2012, art. 1º; IN RFB nº 1.396, de 2013, arts. 1º, 2º, 3º, 11, 18 e 23; IN RFB nº 1.529, de 2014.” Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11516.002449/200612 Acórdão n.º 1201002.619 S1C2T1 Fl. 7 11 Deste modo o posicionamento exarado definitivamente pela RFB é o de que a compensação não teria sido expressamente contemplada pelo art. 138 do CTN, o qual somente se referiria ao pagamento como hipótese permissiva da denúncia espontânea. Ocorre que, de outro lado, o STJ já decidiu em sentido diametralmente oposto ao entendimento mais recente da RFB, alocando a compensação como uma espécie do gênero “pagamento”: “TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9º. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. (...) 3. É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. (STJ REsp 1.122.131 / SC, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma, j. em 24/05/2016).” Inclusive o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou especificamente acerca da situação que ora se delineia concretamente: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instâncias ordinárias, referese a tributo Fl. 395DF CARF MF 12 sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos” (STJ, EDcl no AgRg no REsp 1375380 / SP, Relator Ministro Herman Benjamin, 2ª Turma, j. em 20/08/2015, DJe de 11/09/2015). “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido” (AgRg no REsp 1136372 / RS, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, 1ª Turma, j. em 04/05/2010, DJe de 18/05/2010). E o CARF também já se posicionou quanto ao tema, de maneira dominante, mas não uníssona: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11516.002449/200612 Acórdão n.º 1201002.619 S1C2T1 Fl. 8 13 “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Recurso parcialmente provido” (Acórdão nº 3403003.6284 ª Câmara/3ª Turma Ordinária – Sessão de 18/03/2015).” “COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte” (Acórdão nº 3801005.2251 ª Turma Especial Sessão de 26/02/2015).” “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. COMPENSAÇÃO EQUIPARADA AO PAGAMENTO. NOTA COSIT Nº 01/2012. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. CABIMENTO. Admitese a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação desde que haja pagamento integral do tributo e juros anteriormente à ação fiscal (art. 138, do CTN). Se o contribuinte envia Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento e anteriormente à transmissão da DCTF, deverá ser afastada a multa de mora, pois está caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que a Declaração de Compensação equivale a pagamento, nos termos do art. 28, da Lei 11.941 e da Nota Técnica COSIT nº 01/2012 (Acórdão nº 3402002.5304ª Câmara/2ª Turma Ordinária Sessão de 15/10/2014).” Aliás, a presente Turma de Julgamento também já julgou neste sentido, conforme ementa que trago abaixo do acórdão n. 1201001.748 de relatoria do presente julgador: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004, 31/01/2005, 31/12/2005 Fl. 397DF CARF MF 14 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÒRIA. CSLL. Se o contribuinte envia Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento e anteriormente à transmissão da DCTF, deverá ser afastada a multa de mora, pois está caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que a Declaração de Compensação equivale a pagamento. Conquanto, se a Declaração de Compensação não for homologada, não há que se falar na aplicação do instituto da denúncia espontânea e tampouco na exclusão da multa moratória. Existem julgados contrários tanto no âmbito do STJ quanto do CARF e o tema está longe de ser pacífico. O entendimento que quer se demonstrar, no entanto, é o de que a compensação de fato deve ser equiparada ao pagamento e sua homologação deve garantir a exclusão da multa moratória, fazendo jus o contribuinte ao instituo da denúncia espontânea. A interpretação literal do art. 138 do CTN compromete a mens legis. Essencial que se direcione uma interpretação extensiva, que necessariamente conduza a equiparação da compensação ao pagamento, para que se atinja o objetivo essencial do instituto que é (ou deveria ser) a regularização dos débitos dos contribuintes. Independente do instrumento utilizado para a concretização desta intenção do legislador, esta última deve ser atendida em sobreposição à finalidade meramente arrecadatória. O fato da compensação estar sujeita a posterior homologação também não deve ser um óbice à tese aqui sustentada e defendida, uma vez que tal cenário não traz qualquer alteração, até porque o pagamento também está sujeito à homologação no prazo de 5 (cinco) anos e mesmo assim é considerada como a principal forma de satisfação do art. 138 do CTN. A única diferença entre o recolhimento e a compensação reside no fato de que, na compensação, o contribuinte se vale do excesso de um recolhimento que realizou anteriormente em valor maior que o devido, ou seja, utiliza parte de um recolhimento (pagamento) que já existe, mas que fez indevidamente ou em valor maior do que deveria. Portanto o raciocínio que aqui se firma é o de que a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Desta forma, a compensação atende à exigência do artigo 138 do CTN e, diante do preenchimento de outros requisitos já destacados na concretude deste caso, o contribuinte faz jus ao benefício da denúncia espontânea. Veja que referido dispositivo legal imputa como finalidade fática a exclusão da responsabilidade tributária, o que retira o objeto sobre o qual incide a multa moratória, falecendo, por consequência lógica, esta última. Destaquese que não está a se negar a legalidade ou constitucionalidade do art. 28, caput, da Instrução Normativa n° 210/2002. A multa moratória de fato se materializa e incide sobre o valor principal, mas o benefício da denúncia espontânea acaba por eximir o contribuinte, posteriormente, do pagamento desta. Portanto, concluo devese ser afastado o valor da multa moratória na análise das compensações ora em discussão. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11516.002449/200612 Acórdão n.º 1201002.619 S1C2T1 Fl. 9 15 Conclusão Diante do exposto, ACOLHO DOS EMBARGOS INOMINADOS para CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO para o fim de afastar a cobrança da multa moratória nos casos em que a declaração de compensação embora entregue após o vencimento do débito compensado fora antes da entrega da DCTF ou do início de qualquer ação fiscal. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 399DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.906535/2015-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/04/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/04/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 35 /2 01 5- 22 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.906535/201522 Acórdão n.º 3301005.253 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06057.216. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.906535/201522 Acórdão n.º 3301005.253 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.906535/201522 Acórdão n.º 3301005.253 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.906535/201522 Acórdão n.º 3301005.253 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.906535/201522 Acórdão n.º 3301005.253 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.906535/201522 Acórdão n.º 3301005.253 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903327/2015-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.728
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 27 /2 01 5- 16 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.118 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminares A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 5 Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 6 Mérito Do Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 7 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903327/201516 Acórdão n.º 3402005.728 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002732/2001-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1992, 1993
SÚMULA CARF nº 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
SÚMULA CARF nº 91
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 2401-005.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para exame dos demais aspectos da compensação.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1992, 1993 SÚMULA CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. SÚMULA CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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SÚMULA CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para exame dos demais aspectos da compensação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 27 32 /2 00 1- 92 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10735.002732/200192 Acórdão n.º 2401005.910 S2C4T1 Fl. 305 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro. A interessada apresentou em 28/08/2001, PEDIDO DE COMPENSAÇÃO dos valores recolhidos nos anos de 1992 e 1993, a título de Imposto de Renda na Fonte Sobre o Lucro Líquido, ILL, sob o código – 2497. Junta, para corroborar sua solicitação, planilha de pagamento efetuados do ILL (fl 11) e cópias das guias de recolhimento do imposto, sob o código 2497 (DARF de fls. 13/27) correspondentes. No Despacho Decisório proferido em 23/12/2003, pela DRF – NOVA IGUAÇU – Serviço de Orientação e Análise Tributária / SEORT, com base no Parecer nº 880/2003, consta (fls. 135/141) que a solicitação foi indeferida por não haver crédito a favor do contribuinte, pois teria caducado o direito de pedir restituição e compensação (CTN, arts. 165, I, e 168, I; AD SRF n° 096, de 1999; IN/SRF n° 201, de 2002, art. 21, § 1°; e MP n° 17, de 2003, art. 17, §§ 6º a 9°). Cientificada do Despacho Decisório, a interessada protocolizou manifestação de inconformidade alegando, segundo síntese veiculada no relatório do Acórdão da DRJ: DOS FATOS O servidor, responsável pela análise do pedido de compensação, ignora o direito de ressarcimento dos valores recolhidos, indevidamente, e considerados inconstitucionais pelo STF, acrescenta que tal decisão não pode prosperar, pois, se baseia em interpretação errônea da legislação tributária, (arts. 165 e 168 do CTN); DOS PRAZOS PRESCRICIONAIS Assevera que o instituto da compensação é o meio mais adequado à reparação dos danos advindos pelos recolhimentos indevidos. Acrescenta que o direito à compensação por meio da repetição do indébito a qualquer tempo, e para reforçar o seu ponto de vista, traz à colação Acórdãos do STJ. Assim, afirma que a fluência do prazo decadencial, constante do art. 168, do CTN, somente se verifica após a extinção do crédito tributário (art. 168, I), desta feita, para os tributos sujeitos à homologação é imprescindível que ela seja expressa ou tácita, consoante o art.156, VIICTN. Findo o prazo estipulado pelo art.150, § 4º do mesmo diploma legal, 5 (cinco) anos, para que promova a homologação, a partir do fato gerador, começará, então, o prazo de cinco anos, art. 168, caput, do CTN. Cita, então, os arts. 150 e 156, ambos do CTN. Nesta mesma linha de entendimento, menciona trecho, acerca do assunto, no entendimento de HELY LOPES MEIRELLES, trazendo, outrossim, Acórdão do Conselho de Contribuintes; DO PEDIDO Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10735.002732/200192 Acórdão n.º 2401005.910 S2C4T1 Fl. 306 3 Finalmente, requer: · Seja declarado válido e pertinente o processo de compensação administrativa, protolizado sob o nº 10735.002732/200192; · Se reconheça o direito aos créditos, decorrentes do recolhimento excessivo, a título de ILL, no período referente aos dez anos anteriores à interposição do processo administrativo de compensação como requerido na Petição Inicial do Pedido de Compensação; · Se anule o despacho decisório de nº 880/2003, por total desconformidade com os instrumentos legais de regência. Por unanimidade de votos, a 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro indeferiu a solicitação da interessada, eis que tendo efetuado pagamentos nos anos de 1992 a 1993 (DARFs, fls 13/27), e havendo solicitado a respectiva restituição/compensação destes, apenas em 28/08/2001, após, portanto, o decurso do prazo de 5 anos contados do último pagamento (no caso 31/03/1993), decaiu o direito de pedir compensação/restituição (CTN, arts. 168, I, 150, caput e § 1°, e 156, I e VII; e Ato Declaratório SRF n° 96, de 1999, I). A seguir, a ementa do julgado em tela: Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear compensação/repetição do indébito de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Intimado em 13/05/2009, o contribuinte interpôs em 26/05/2009 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestividade. Apresenta o recurso tempestivamente, após ser cientificada em 13 de maio de 2009. b) Preliminar. Decorreu mais de cinco anos entre a manifestação de inconformidade e o Acórdão, logo houve homologação tácita (Lei n° 9.430, de 1996). c) Segundo a jurisprudência do STJ, o art. 4° da Lei n° 118, de 2005, não tem aplicação imediata, tendo reconhecido a inconstitucionalidade da parte final do mesmo.Além disso, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes conta o prazo da data de publicação da Resolução do Senado n° 82, de 1996, não havendo igualmente a decadência. d) Pede o reconhecimento do direito aos créditos, uma vez anulado o Acórdão atacado. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10735.002732/200192 Acórdão n.º 2401005.910 S2C4T1 Fl. 307 4 Tempestividade. Intimado em 13/05/2009, o recurso interposto em 26/05/2009 é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Preliminar. Ao alegar homologação tácita pelo transcurso de mais de cinco anos entre a manifestação de inconformidade e o Acórdão de primeira instância, a empresa almeja, em última análise, o reconhecimento da ocorrência de prescrição intercorrente. Contudo, a jurisprudência é pacifica no sentido de não haver amparo normativo para a caracterização da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF n° 11). Logo, não prospera a preliminar. Prazo para a compensação. Pondera a recorrente que o termo inicial do prazo em exame contarseia a partir da publicação da Resolução nº 82, de 1996, do Senado Federal. Tal discussão mostrase superada, pois a jurisprudência atual é firme no sentido de a declaração de inconstitucionalidade, proferida em controle concentrado, ou de a publicação da Resolução do Senado Federal, quando no controle difuso, não influírem na contagem do prazo para repetição ou compensação. O direito subjetivo do sujeito passivo não se origina da decisão do STF, nem da Resolução do Senado, porquanto tais atos não têm caráter constitutivo. A pretensão à repetição do indébito nasce com o pagamento indevido. A recorrente acrescenta ainda que, até o advento da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do fato gerador. O entendimento em questão corresponde ao enunciado do verbete sumulado nº 91, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo transcrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. O crédito utilizado pela empresa envolve pagamentos de ILL relativos aos anoscalendário de 1992 e 1993, fatos geradores ocorridos, respectivamente, em 31/12/1992 e 31/12/1993 (DARFs, fls.13/27) e, assim, não estavam atingidos pela prescrição decenal, ao apresentar pedido de compensação em 28/08/2001. Dessa maneira, reformando a decisão de piso, cabe dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que a compensação realizada pelo contribuinte se deu dentro do prazo legal. No entanto, a análise da compensação efetuada pela unidade da RFB restringiuse tão somente ao aspecto preliminar da decadência/prescrição do direito creditório pleiteado. Uma vez superado esse ponto, a homologação da compensação depende da existência e suficiência do crédito utilizado. É mister, portanto, determinar o retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para análise dos demais aspectos da compensação, sob pena de supressão de instância. Neste ponto, não se acolhe o pedido de apreciação do mérito. Parcial, portanto, o provimento ao recurso. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10735.002732/200192 Acórdão n.º 2401005.910 S2C4T1 Fl. 308 5 Isso posto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário por se reconhecer que o pedido de compensação foi efetivado dentro do prazo legal e se determinar o retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para exame dos demais aspectos da compensação. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.900742/2008-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 07 42 /2 00 8- 27 Fl. 75DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 10751.61171.191103.1.3.042766, de 19/11/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (janeiro de 1999). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 757692855, de 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 13/14), alegando que declarou na DCTF 1° trimestre/1999 ter a pagar (e pagou) de IRPJ o valor de R$ 172.191,39; que após a formalização da DIPJ, constatouse ter havido um prejuízo anual no valor de R$ 370.525,10; mas que de forma equivocada não foi retificada a DCTF, o que gerou a vinculação de um débito inexistente ao DARF pago. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0116.701 1ª Turma da DRJ/BEL, e fls. 46/50) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/04/2010 (efl. 56) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 13/05/2010 (efl. 57), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: Com relevo, cediço que as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão, No entanto, a alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.253/72, abre a oportunidade para apresentação em outro momento processual quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Tal é a hipótese vertente. De fato, tratase de argumento novo o aduzido pela lª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Belém, no sentido de indeferir o pleito de compensação devido ao crédito tratarse de Saldo Negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior como declarado na DCOMP. Diante disso, abrese a oportunidade para a Recorrente, com espeque na alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.235/72, apresentar, neste momento processual, a DCOMP alusiva e comprobatória do credito deduzido. Sendo tal DCOMP de retificação/substituição da original, haja vista ter ocorrido o preenchimento equivocado da DCOMP original, por parte da requerente. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10283.900742/200827 Acórdão n.º 1001000.878 S1C0T1 Fl. 76 3 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fl. 07). Ou seja, não se trata de argumento novo à negativa de crédito cujo pagamento correspondeu a débito devidamente declarado, conforme decisão da Unidade de Origem e de primeira instância (efls. 07 e 46/50). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (estimativa paga em valor indevido) e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 13/14) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não se comprovou que a liquidez do alegado direito creditório (estimativa de fevereiro de 1999). Observamos que a apresentação de DCTF retificadora (somente) não demonstra a liquidez do crédito pleiteado, correspondente ao trimestre citado: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que não cabe nesta instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Fl. 77DF CARF MF 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10283.900742/200827 Acórdão n.º 1001000.878 S1C0T1 Fl. 77 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Adiciono que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Ou seja, o fato do contribuinte ter apurado na DIPJ/2000 prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Pagamento indevido ou a maior, portanto, é o saldo negativo apurado na DIPJ/2000, e não foi esta a natureza do crédito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.927784/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 77 84 /2 01 1- 50 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11080.927784/201150 Acórdão n.º 3301005.197 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição para o PIS, em virtude de o pagamento informado estar totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado a ocorrência de decadência para a análise do PER, uma vez que fora transmitido havia mais de cinco anos, pleiteando a aplicação do prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/1996, para reconhecimento da ocorrência de homologação tácita. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10042.214, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de previsão legal e por ausência de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando praticamente os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11080.927784/201150 Acórdão n.º 3301005.197 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.190, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 11080.927782/201161, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.190): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Cabe esclarecer que a prova do recolhimento indevido não foi objeto de defesa da empresa. A Delegacia de origem emitiu Despacho Decisório que indeferiu o pleito diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Sustenta a contribuinte que entre a data de transmissão do PER, 11/11/2005, até a ciência do despacho decisório, 21/12/2011, transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos também diversos. Assim, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação. Como bem apontado pela DRJ, a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Não há como se acolher a pretensão da Recorrente, porquanto a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Observese que neste processo não houve qualquer Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11080.927784/201150 Acórdão n.º 3301005.197 S3C3T1 Fl. 5 4 vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 60DF CARF MF
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