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Numero do processo: 10660.724592/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ ANALISADA. REJEIÇÃO.
Não restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se a rejeição dos Embargos de Declaração, sobretudo quando objetiva rediscutir matéria já devidamente debatida por ocasião do julgamento atacado e devidamente inserta no decisum em comento, não prosperando o suposto vício argüido.
EMBARGOS DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ACOLHIDOS. CORREÇÃO. ESCLARECIMENTO.
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos para sanear o lapso manifesto quanto ao equivoco no valor do VTN.
Numero da decisão: 2401-005.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los em parte para o fim de corrigir o erro material no Valor da Terra Nua (VTN), atribuindo o VTN de R$ 1.575.00, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ ANALISADA. REJEIÇÃO. Não restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese a rejeição dos Embargos de Declaração, sobretudo quando objetiva rediscutir matéria já devidamente debatida por ocasião do julgamento atacado e devidamente inserta no decisum em comento, não prosperando o suposto vício argüido. EMBARGOS DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ACOLHIDOS. CORREÇÃO. ESCLARECIMENTO. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos para sanear o lapso manifesto quanto ao equivoco no valor do VTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 45 92 /2 01 1- 08 Fl. 890DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos em parte para o fim de corrigir o erro material no Valor da Terra Nua (VTN), atribuindo o VTN de R$ 1.575.00, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401005.157 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA MELHORAMENTOS DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado autuação referente ao Imposto sobre Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2008, conforme Auto de Infração e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 04/07/2017, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401004.977, com sua ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. VTN. LAUDO TÉCNICO. PREVALÊNCIA. O Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, prevalece sobre o valor arbitrado para o Valor da Terra Nua VTN. Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, à efl. 808/812, com fulcro no artigo 64 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude da omissão a seguir exposta. Fl. 892DF CARF MF 4 Explicita não ter havido a detida apreciação de alguns aspectos relevantes para que um documento desta natureza seja considerado apto a justificar um VTN em montante sobremaneira inferior ao menor SIPT por aptidão agrícola da região (pastagem/pecuária R$ 6.000,00/ha, cultura/lavoura R$ 8.000,00/ha, matas R$ 2.500,00/ha), ao VTN médio do município de Camanducaia/MG (R$ 3.155,77/ha) ou qualquer outro a que se compare com idênticas características. Aduz haver uma grande desproporção entre os VTNs existentes e o indicado no laudo, devendo a contribuinte apresentar documento que demonstrasse de forma clara e precisa as especificidades do imóvel que o diferenciem e muito bem justifiquem o valor indicado, o que não ocorreu no caso analisado. Traz excerto da decisão da DRJ em que aponta deficiências que acarretam a desconsideração do laudo apresentado. Afirma ter, o voto condutor, sido omisso no tocante aos fundamentos que justifiquem considerar o documento apresentado pela contribuinte como apto à comprovação de VTN em montante inferior ao existente. Insurgese também quanto a retificação do valor da terra nua indicado no acórdão embargado, uma vez que o VTN constante do laudo é de R$ 1.575,00/ha e não R$ 1.175,00/ha, conforme laudo técnico considerado. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração. Submetido à análise de admissibilidade, por parte da nobre Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, esta entendeu por bem acolher o pleito da PGFN inscrito nos Embargos de Declaração, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a omissão apontada, nos termos do Despacho de efls. 816/821. Distribuídos os presentes Embargos a este Relator, já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401005.157 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitadas pela nobre Procuradoria, corroboradas quanto ao conhecimento dos Embargos pela ilustre Presidente desta Turma, peço vênia para manifestar entendimento divergente, quanto a suposta omissão no Acórdão Embargado, capaz de ensejar o conhecimento do pleito da PFN, como passaremos a demonstrar. Em suas razões recursais, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam conhecidos seus Embargos, de maneira a sanear pretensa omissão no decisum guerreado relativamente a analise do Laudo Técnico para justificar a aplicação do VTN ali constante. Com mais especificidade, explicita não ter havido a detida apreciação de alguns aspectos relevantes para que um documento desta natureza seja considerado apto a justificar um VTN em montante sobremaneira inferior ao menor SIPT por aptidão agrícola da região (pastagem/pecuária R$ 6.000,00/ha, cultura/lavoura R$ 8.000,00/ha, matas R$ 2.500,00/ha), ao VTN médio do município de Camanducaia/MG (R$ 3.155,77/ha) ou qualquer outro a que se compare com idênticas características. Aduz haver uma grande desproporção entre os VTNs existentes e o indicado no laudo, devendo a contribuinte apresentar documento que demonstrasse de forma clara e precisa as especificidades do imóvel que o diferenciem e muito bem justifiquem o valor indicado, o que não ocorreu no caso analisado. Traz excerto da decisão da DRJ em que aponta deficiências que acarretam a desconsideração do laudo apresentado. Afirma ter, o voto condutor, sido omisso no tocante aos fundamentos que justifiquem considerar o documento apresentado pela contribuinte como apto à comprovação de VTN em montante inferior ao existente. Não obstante o esforço da ilustre representante da Fazenda Nacional, os presentes Embargos de Declaração não merecem ser acolhidos, senão vejamos. Conforme se depreende da análise das alegações e documentos que instruem o processo, constatase que, muito embora a Embargante procure demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido utilizandose dos mais variados argumentos, a bem da verdade discute se, novamente, o mérito da questão (VTN aplicado), o qual já foi objeto de análise da colenda Turma embargada, inclusive com remissão expressa ao tema sob análise, como segue: (...) Pois bem, da análise do laudo técnico de avaliação, efls. 359/390, penso que o mesmo fornece elementos que devem ser considerados para a finalidade a que se propõe, pois individualiza as áreas do imóvel, quantificandoas e Fl. 894DF CARF MF 6 classificandoas, bem como demonstrando as benfeitorias existentes no imóvel, além de fazer referência, também, ao processo avaliatório empregado métodos e critérios utilizados e nível de precisão, tendo apurado para o imóvel um VTN de R$ 1.175,00 por hectare. Portanto, o documento de prova além de ter sido emitido por profissional habilitado (Engº Agrônomo), devidamente acompanhado de ART’s, anotadas no CREA – MG, atende aos principais requisitos da norma da ABNT, a NBR 14.6533 e NBR 14.6531, em vigência desde 30/06/2004, indicando o método e apresentando os tratamentos estatísticos pertinentes. Extraise do voto condutor do Acórdão embargado que o Conselheiro Relator fez referência à questão da adoção pelo Laudo de uma publicação, para fins de levantamento do Valor da terra Nua, segue: Observase que o laudo adotou a publicação da "renomada" revista Agrianual, por esta fazer uma média/levantamento sobre o Valor da Terra Nua de cada região do território nacional. Saliento que a publicação não se dá por contra prestação específica, tornandose documento hábil e idôneo. Assim sendo, devese adotar para o imóvel denominado “Fazenda Levantina" o VTN de R$ 1.175,00 por hectare, em substituição ao VTN arbitrado pela fiscalização. Verificase das transcrições acima de partes do voto condutor do Acórdão atacado que o Conselheiro Relator e, por conseguinte, a Turma recorrida, de fato, adentrou plenamente e literalmente à análise do Laudo Técnico e os critérios e métodos utilizados para elaboração deste. E mais, certo é que a Turma, à sua unanimidade, adotou o VTN constante do Laudo, em razão de considerar que preencheu os requisitos legais e ser documento hábil e idôneo pra tanto. Tratase, portanto, de análise fática da questão posta nos autos e não simples questão de direito. Com efeito, ao contrário das argumentações da Fazenda Nacional, não vislumbramos qualquer omissão capaz de macular o Acórdão Embargado, mormente quando se mostrou claro em sua fundamentação e conclusão. Vêse, pois, inexistir vício no decisum guerreado, mas tão somente entendimento contrário da ilustre Procuradora e da decisão da DRJ, a qual simplesmente pretende rediscutir matéria já devidamente analisada por este Colegiado. E, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, os Embargos de Declaração não se prestam a atingir tal finalidade. Dessa forma, inobstante as alegações utilizadas pela digna representante da Procuradoria da Fazenda Nacional, seus Embargos de Declaração não merecem prosperar, tendo em vista a inobservância dos requisitos necessários ao seu conhecimento insculpidos no artigo 65 e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim preceitua: “Dos Embargos de Declaração Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10660.724592/201108 Acórdão n.º 2401005.157 S2C4T1 Fl. 5 7 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. § 4º Do despacho que não conhecer ou rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5º Somente os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6º As disposições previstas neste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. § 7º Não poderão ser incluídos em pauta de julgamento embargos de declaração para os quais não haja despacho de admissibilidade. § 8º Admitese sustentação oral nos termos do art. 58 aos julgamentos de embargos. [...]” Como se verifica, a PFN ao formular seus Embargos utilizou como fundamento à sua empreitada o dispositivo legal encimado, especialmente o caput, sem conquanto demonstrar a pretensa omissão, contradição ou obscuridade incorrida no Acórdão atacado, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Assim, escorreito o Acórdão atacado devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso na forma decidida pela Turma Embargada, uma vez que a Embargante não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório combatido, especialmente no que diz respeito aos requisitos para o conhecimento dos Embargos de Declaração. Fl. 896DF CARF MF 8 Portanto, quanto a este aspecto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Já em relação a retificação do valor da terra nua indicado no acórdão embargado, a PFN aduz constar um erro material, uma vez que o VTN constante do laudo é de R$ 1.575,00/ha e não R$ 1.175,00/ha, conforme laudo técnico considerado. Nesse sentido, procedem os Embargos de Declaração, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludida inexatidão seja devidamente saneada. Com efeito, por este acórdão devese prover a correção da inexatidão material devida a lapso manifesto de erro de escrita quanto ao valor da terra nua atribuído e constante do laudo, questão objetiva sobre a qual não paira dúvida. Conforme verificamos no acórdão efl. 804, onde se lê: Assim sendo, devese adotar para o imóvel denominado “Fazenda Levantina" o VTN de R$ 1.175,00 por hectare, em substituição ao VTN arbitrado pela fiscalização. Leiase: Assim sendo, devese adotar para o imóvel denominado “Fazenda Levantina" o VTN de R$ 1.575,00 por hectare, em substituição ao VTN arbitrado pela fiscalização. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO e, no mérito, acolhêlos em parte para o fim de corrigir o erro material constante do Acórdão n° 2401004.977, atribuindo o VTN de R$ 1.575,00 conforme Laudo, nos termos da fundamentação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 897DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.732183/2014-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2015
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE. ASSISTÊNCIA MÉDICA. AUTOMÓVEL PARA LOCOMOÇÃO. PRESTAÇÃO CONTINUADA. VEDAÇÃO.
Não se insere no conceito de assistência médica o automóvel utilizado na locomoção de portador de deficiência no intuito de enquadrar-se numa das hipóteses de exclusão à vedação do recebimento de benefício de prestação continuada de assistência social, a fim de possibilitar-lhe o direito à aquisição de veículo com isenção de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
assinado digitalmente
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2015 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE. ASSISTÊNCIA MÉDICA. AUTOMÓVEL PARA LOCOMOÇÃO. PRESTAÇÃO CONTINUADA. VEDAÇÃO. Não se insere no conceito de assistência médica o automóvel utilizado na locomoção de portador de deficiência no intuito de enquadrar-se numa das hipóteses de exclusão à vedação do recebimento de benefício de prestação continuada de assistência social, a fim de possibilitar-lhe o direito à aquisição de veículo com isenção de IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
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ISENÇÃO. DEFICIENTE. ASSISTÊNCIA MÉDICA. AUTOMÓVEL PARA LOCOMOÇÃO. PRESTAÇÃO CONTINUADA. VEDAÇÃO. Não se insere no conceito de assistência médica o automóvel utilizado na locomoção de portador de deficiência no intuito de enquadrarse numa das hipóteses de exclusão à vedação do recebimento de benefício de prestação continuada de assistência social, a fim de possibilitarlhe o direito à aquisição de veículo com isenção de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 46/49) contra o Acórdão nº 1457.081, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 21 83 /2 01 4- 38 Fl. 65DF CARF MF 2 RPO), da sessão de 05.03.2015 (fls. 42/43), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo patrono da requerente (fls. 27/39), que, na ocasião, não reconheceu o direito ao benefício de aquisição de veículo com isenção de IPI por deficiente (mental). Do Pedido de Isenção À época, a requerente efetuou, à vista da documentação apresentada, pedido de reconhecimento à fruição da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), na aquisição de automóvel de passageiros ou de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da tabela de incidência do IPI (TIPI), por entender que preenchia os requisitos exigidos pela Lei nº 8.989 de 24.02.1995 e alterações posteriores. Do Despacho Decisório Em face da análise do referido requerimento, foi exarado o respectivo despacho decisório, que assim concluiu: DESPACHO DECISÓRIO DRF/REC/PESSOA FÍSICA/IPI 2014 No uso da competência delegada no anexo da portaria MF nº 206, de 24 de julho de 2013, e concordando com os fundamentos expostos na INFORMAÇÃO FISCAL, que passa a integrar este ato, conforme o artigo 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, RESOLVO: 1. INDEFERIR o pedido do interessado referente à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI para compra de veículo novo, para portadores de deficiência física, pela impossibilidade de acumulação de mais de um benefício por parte do beneficiário/interessado, com o supedâneo no art. 20 da Lei nº 8.742/93, e no art. 111, inciso II, 176 e 179 do CTN (Lei nº 5.172/1966), art. 3º, inciso II, da IN SRF nº 988, de 2009, e nos termos constantes da Lei nº 10.690, de 2003, art. 5º. 2. CIENTIFICAR o interessado da presente decisão. 3. O interessado poderá apresentar Manifestação de Inconformidade, junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), contra a presente decisão, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência. Da Manifestação de Inconformidade Diante do não reconhecimento da isenção pleiteada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade à época. Que sumarizo: (...) Tratase de evidente equivoco na análise e interpretação hermenêutica da referida legislação combinada com o CTN em vigor, pois, "datíssima vênia" não há acumulo de benefícios por parte da interessada, como quer fazer crer a decisão ora questionada, senão vejamos: A menor impúbere é portadora de deficiência física conforme laudo médico anexo ao presente processo administrativo, e, por conseguinte é submetida regularmente a sessões de fisioterapia Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10480.732183/201438 Acórdão n.º 3001000.002 S3C0T1 Fl. 55 3 semanalmente (...), bem como, tal doença é permanente e a qualidade de sua vida depende imperiosamente deste tratamento contínuo e de avaliação médica, periódica, exigindo, da sua genitora custos financeiros crescentes; (...) Todas as questões levantadas acerca da concessão da isenção perseguida é vertiginosamente clara sua possibilidade jurídica segundo preceitos CF. 1988, bem como, frente as condições de disponibilidade financeira para aquisição e a manutenção do veículo pleiteado, reconhecido pelo órgão administrativo inferior; Contudo, entende o ilustre julgador que se trata de acumulo de benefícios por receber à menor amparo social em cujos recursos é que contraditoriamente viabiliza a sua possibilidade de aquisição do veículo, na forma prevista na própria lei. Nestas condições, o seu indeferimento de isenção tributária perquerida datíssima vênia não alcança a inteligência da legislação específica, que pelos seus próprios fundamentos em toda a sistêmica menção, não há presença de acumulo conforme descrito na lei; Em assim sendo, requer a reforma do decisum primário, (...), haja vista que o referido pedido encontra guarida face a natureza da assistência médica que a interessada prescinde para sua sobrevivência, inclusive, com respaldo na lei maior. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no Acórdão nº 1457.081, da 3ª Turma da DRJ/RPO, da sessão de 5 de março de 2015, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2015 ISENÇÃO. DEFICIENTE. BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA. O recebimento de benefício de prestação continuada de assistência social impede a fruição do benefício de aquisição de veículo com isenção de IPI por deficiente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: A requerente limitouse a defender que não há referido acúmulo. A Lei nº 8.742, de 1993, art. 20, § 4º, estabelece: Fl. 67DF CARF MF 4 Art. 20. O benefício de prestação continuada é garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de têla provida por sua família. (Redação dada pela Lei nº 12.435, de 2011) (...) § 4º O benefício de que trata este artigo não pode ser acumulado pelo beneficiário com qualquer outro no âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo os da assistência médica e da pensão especial de natureza indenizatória. (Redação dada pela Lei nº 12.435, de 2011) (grifei) Ora referida lei é bastante clara em vedar a acumulação do benefício assistencial recebido pela interessada com qualquer outro, não fazendo distinção de natureza. A requerente não nega receber o benefício de que trata essa lei. De acordo com o dispositivo citado, enquanto a requerente estiver recebendo o benefício de amparo social pago a pessoa com deficiência, não faz mesmo jus à isenção do IPI para aquisição de veículo. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário Irresignada, a requerente interpôs recurso voluntário, que veio a reprisar o argumento apresentado na manifestação de inconformidade que restou não acolhido pela decisão de primeiro grau; em especial, os seguintes: 2. Ora Lei 8.742, de 1993, art. 20, par. 4º não deixa margem de dúvida ao alcance que o legislador intencionalmente quis proteger, senão vejamos: (...) 4. A referida norma infraconstitucional que serviu de alicerce no acordão, negando o provimento à manifestação de inconformidade para adquirir veículo automotor, com a isenção do imposto produtos industrializadosIPI é seguramente para tratamento de saúde da menor JULIA VITORIA DA SILVA LIMA, reconhecido, literalmente, contudo, entenderam de modo inequívoco que o parágrafo quarto, veda acumulo de benefícios de isenções tributáveis; 5. Permissa vênia, tal posicionamento não corresponde a vontade da lei, sob o caso em concreto, pois, não se trata absolutamente de repetição de benefícios, sob a égide da seguridade social, como reza o referido inciso legal, até porque logo em seguida salva guarda o direito dos indivíduos que necessitam de assistência médica e da pensão especial; 6. Todas as questões levantadas, acerca da concessão da isenção perseguida é vertiginosamente clara sua possibilidade jurídica, sobretudo porque a norma infraconstitucional, jamais poderia ferir preceitos amplos e irrestritos garantidos na CF. 1988, tanto que não o fez respeitando a Lei 8.742/1993, os ditames Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10480.732183/201438 Acórdão n.º 3001000.002 S3C0T1 Fl. 56 5 hermenêuticos e doutrinários do direito assegurado pelos constituintes de outrora; (...) 8. Assim sendo, o dispositivo legal sob análise não veda a concessão por hipótese alguma à isenção do IPI, para aquisição do veículo com fim de atenção a assistência médica, és que o pedido de isenção não se repete no âmbito da seguridade social ou de outro regime, como bem frisado na norma, e, o que ademais se pode extrair de todo conjunto probatório, estampado nos autos, em cuja sua inobservância subtrai direito liquido, certo e exigível da RECORRENTE; E conclui: 9. Em face do exposto, requerse o PROVIMENTO AO RECURSO, e, com fundamento na legislação em vigor na forma acima esposada, espera a reforma do "decisun" do órgão "a quo" reconhecendo a inexistência como acima demonstrado, de acumulo de benefícios, conforme reza na própria lei em discursão, determinando a concessão da isenção do IPI para aquisição do veículo, tudo como medida de máxima Justiça. É o relatório. Voto Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado no CAC/ARF/CSA/PE (04.1.01.111) em 06.05.2015 (quarta feira). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme termo de ciência pessoal (fl. 45), ocorreu em 07.04.2015 (terçafeira). Portanto, nos termos do art. 73 do Decreto nº 7.574 de 29.09.2011, combinado com o art. 33 do Decreto nº 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Do Mérito Em face da manutenção integral dos fundamentos do despacho decisório efetuada pela DRJRPO, a questão em litígio no presente recurso restringese à análise, por essa Turma de Julgamento, em definir se o "recebimento de benefício de prestação continuada de assistência social impede a fruição do benefício de aquisição de veículo com isenção de IPI por deficiente". Neste sentido, dispõe o artigo 203 da Constituição Federal de 1988: Fl. 69DF CARF MF 6 Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei. Ainda, dispõem os artigos 111 e 176 do CTN (Lei nº 5.172 de 1966): Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Decerto, o parco argumento de ordem constitucional levantado pelo patrono da recorrente não pode ser analisado por esse tribunal em obediência à Súmula CARF nº 2, de modo que não nos cabe negar a vigência de norma legal sob a alcunha ser inconstitucional. Tampouco é o caso de interpretação conforme, como pretende aduzir a recorrente, haja vista não subsistir matéria a ser interpretada, mas sim a disposição da norma aplicável ao caso sob exame. Não é surpresa, ao verificarmos que o artigo 111 do CTN positivou, em sede infraconstitucional, a interpretação restritiva da lei tributária que versa acerca da outorga de isenção. Da mesma forma, o artigo 176 do CTN, reforça que a isenção sempre decorre de lei, impondolhe que a norma especifique as condições e os requisitos exigidos para a sua concessão, bem como o tributo a que se aplica. A Lei 8.989 de 24.02.1995, que trata da isenção do IPI, na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas portadoras de deficiência física, em seu artigo 1º e inciso IV, com redação dada pela Lei 10.690 de 16.06.2003, dispõe que "ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10480.732183/201438 Acórdão n.º 3001000.002 S3C0T1 Fl. 57 7 quando adquiridos por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal". A Lei 8.742 de 07.12.1993, que trata da organização da Assistência Social, no parágrafo 4º do seu artigo 20, com redação dada pela Lei 12.435 de 06.07.2011, dispõe que "o benefício de que trata este artigo não pode ser acumulado pelo beneficiário com qualquer outro no âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo os da assistência médica e da pensão especial". De plano, a vedação da acumulação do benefício assistencial recebido pela recorrente com qualquer possui um conteúdo alheio às previsões constitucionais, permitindo nos avaliar se o pleito está aderente com o que preconiza a norma acima referenciada. Como visto, o referido benefício de assistência social preconizado pela "Lei Orgânica da Assistência Social LOAS", regulamentado pelo Decreto 6.214 de 26.09.2007, estabelece os seguintes requisitos para sua concessão: a)Ser portador de deficiência ou ter idade mínima de 65 (sessenta e cinco) anos para o idoso nãodeficiente; b)Renda familiar mensal (per capita) inferior a ¼ do salário mínimo; c)Não estar vinculado a nenhum regime de previdência social; d)Não receber benefício de espécie alguma, salvo o de assistência médica; e)Comprovar não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê la provida por sua família; Para análise do direito ao Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPCLOAS) serão consideradas como: a)idoso: aquele com idade de 65 (sessenta e cinco) anos ou mais; b)pessoa portadora de deficiência (PPD): aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas; c)incapacidade: fenômeno multidimensional que abrange limitação do desempenho de atividade e restrição da participação, com redução efetiva e acentuada da capacidade de inclusão social, em correspondência à interação entre a pessoa com deficiência e seu ambiente físico e social; d)família: conjunto de pessoas composto pelo requerente, o cônjuge, o companheiro, a companheira, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto; e)família incapacitada de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa: aquela cuja renda mensal bruta familiar dividida pelo número de seus integrantes seja inferior a um quarto do salário mínimo. Fl. 71DF CARF MF 8 f)família para cálculo da renda per capita, conforme disposto no § 1º do art. 20 da Lei nº 8.742: a família é composta pelo requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto; g)renda mensal bruta familiar: a soma dos rendimentos brutos auferidos mensalmente pelos membros da família composta por salários, proventos, pensões, pensões alimentícias, benefícios de previdência pública ou privada, segurodesemprego, comissões, prolabore, outros rendimentos do trabalho não assalariado, rendimentos do mercado informal ou autônomo, rendimentos auferidos do patrimônio, Renda Mensal Vitalícia e Benefício de Prestação Continuada, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 19 do Decreto 6.214, de 2007, o qual transcrevemos na íntegra: "O valor do Benefício de Prestação Continuada concedido a idoso não será computado no cálculo da renda mensal bruta familiar a que se refere o inciso VI do art. 4º, para fins de concessão do Benefício de Prestação Continuada a outro idoso da mesma família." Como se vê, a Assistência Social tem embasamento legal no artigo 203 da Constituição Federal de 1988 em seu artigo 203, que evidencia que a natureza da assistência social não é contributiva, sendo assim engloba como beneficiários os contribuintes e os não contribuintes. Ocorre, no entanto, que o legislador constitucional foi muito genérico neste dispositivo, dando margem a dúvida para os aplicadores da norma, posto que o conceito de necessidade tem caráter discricionário e subjetivo, tornando a norma constitucional refém de muitas críticas, o que necessitou uma especificação concreta dos requisitos para concessão da Assistência Social. Nesse sentido, o legislador obrigouse a criar uma lei que melhor especificasse alguns conceitos, razão pela qual foi publicada a Lei Orgânica da Assistência Social LOAS (Lei 8.742 de 1993) para regulamentar a norma constitucional (artigo 203). A lei, inicialmente, cuidou de conceituar o instituto da assistência, como: “a assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que prove os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas”. Os “mínimos sociais”, assim descritos em seu artigo 1º, se refere aquilo que seria necessário para existência com dignidade. Para isso o benefício da assistência social é uma prestação continuada, ou seja, uma renda mensal concedida àquelas pessoas portadora de deficiência e ao idoso. A lei trouxe claramente os requisitos, mas não na sua forma original. Cumpre ressaltar que o texto original sofreu significativas mudanças pelas Leis 9.720 de 1998 e 12.470 de 2011. Inicialmente em 1998 o legislador não trouxe significativas mudanças, apenas acrescentou os parágrafos 7º e 8º visando dar cumprimento a assistência e esclarecendo o aspecto probatório do requisito do § 3º respectivamente. Já as modificações trazidas pela Lei 12.470 foram mais significativas, posto que alterou quase a totalidade do artigo 20 supracitado. No caput houve uma mudança no requisito para concessão do benefício, o legislador diminuiu em 5 anos a idade do idoso. Logo a lei especificou o que seria a família limitando o que antes era muito genérico. Outro ponto que deve ser salientado é que a lei possibilitou que o benefício fosse cumulado com a pensão de natureza indenizatória. De uma maneira geral a nova redação deu abertura para que mais pessoas possam ser beneficiadas com a assistência social. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10480.732183/201438 Acórdão n.º 3001000.002 S3C0T1 Fl. 58 9 Dito isso, importanos definir, em face do litígio posto, se o parágrafo 4º do artigo 20 da Lei 8.742 de 07.12.1993, quando ressalva que os benefícios da assistência médica e da pensão especial, não estão abrangidos ou não na vedação à cumulatividade, pela beneficiária, de quaisquer outros, seja no âmbito da seguridade social ou de outro regime isentivo. A norma em apreço é cristalina ao dispor que o benefício de prestação continuada da LOAS (BPC) não pode ser acumulado com outro benefício no âmbito da Seguridade Social (como, por exemplo, o seguro desemprego, a aposentadoria e a pensão) ou de outro regime, exceto com benefícios da assistência médica, pensões especiais de natureza indenizatória e a remuneração advinda de contrato de aprendizagem, tanto que impõe ao beneficiário o dever de declarar que não recebe outro benefício no âmbito da Seguridade Social. Por seu turno, tenho por mim que a expressão "assistência médica" define o conjunto de ação que tem por objetivo permitir o tratamento de doenças e a preservação da saúde, através de serviços médicos, farmacêuticos, enfermagem e demais profissões relacionadas com a saúde do cidadão. Neste sentido, é impertinente a pretensão da requerente quando aduz que, na condição de pessoa portadora de deficiência física, faz jus a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI prescrita na Lei 8.989 de 1995, ao interpretar que referido bem (automóvel) afigurase como instrumento que asseguralhe o tratamento de saúde que necessita. Tal conclusão é descabida, pois ao extrapolar a definição da norma e especificamente o conceito de assistência médica, ainda nega vigência ao artigo 111 do CTN, que impõe a interpretação restritiva da lei tributária que versa sobre isenção. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721349/2013-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 13 49 /2 01 3- 39 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13819.721349/201339 Acórdão n.º 1001000.248 S1C0T1 Fl. 50 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS), mediante o Acórdão nº. 0439.573, de 02/06/2015 (efls. 27/29), objetivando a reforma do referido julgado. Em 10/01/2013, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 08/04/2013 (efl. 04) sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa na data limite: Lista de Débito: 1)Débito: 406384142. Débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria–Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. 1)Débito Código da Receita: 8822 Nome do Tributo: SIMPLES Processo: 13819400224200819 Número da Inscrição: 8041000870200 Data da Inscrição: 30/09/2010 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando, em síntese, que requereu parcelamento da dívida que deu causa ao indeferimento, em 31/01/2013, entretanto, o débito previdenciário não foi incluído. Apresenta comprovantes. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 11/06/2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 32, a recorrente apresentou recurso voluntário em 03/07/2015 (efls. 34/46), conforme carimbo aposto à efl. 34. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13819.721349/201339 Acórdão n.º 1001000.248 S1C0T1 Fl. 51 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que débito previdenciário, "não fora incluído no parcelamento, pois, fora liquidado assim que a RFB dera a oportunidade para pagamento e emissão da guia". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13819.721349/201339 Acórdão n.º 1001000.248 S1C0T1 Fl. 52 4 recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 (grifos não constam no original): Conforme despacho de fls. 24, o débito previdenciário, único motivo do impedimento do contribuinte pela opção pelo Simples Nacional, encontrase em cobrança na PGFN. Às fls. 22, encontrase juntada tela extraída do sistema Sicob, datada de 25/09/14, onde se pode ver que o processo 406384142 encontrase em cobrança pela P.G.F.N. desde 21/12/2012. Portanto, resta comprovado que à época do indeferimento o contribuinte possuía débito, cuja exigibilidade não estava suspensa. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção (31/01/2013), voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903552/2013-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN.
O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário".
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO.
Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.
IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO.
Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reporta-se ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP".
DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN.
Numero da decisão: 3001-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 35 52 /2 01 3- 98 Fl. 111DF CARF MF 2 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE. Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reportase ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 92 a 109) interposto contra o Acórdão 01 31.571, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL, em sessão de julgamento realizada em 03.03.2015 (fls. 77 a 79), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 02 a 14), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação" PER/DCOMP 12414.44104.061011.1.1.019014, na qual informa possuir um saldo credor de IPI no montante de R$ 36.842,02, em que solicita o ressarcimento do tributo, referente ao 3º trimestrecalendário do ano de 2011. Vinculou ao citado ressarcimento, o PER/DCOMP 24914.47878.240212.1.3.016235 (fls. 44 a 73). Do Despacho Decisório Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10783.903552/201398 Acórdão n.º 3001000.071 S3C0T1 Fl. 112 3 Em face do referido pedido, foi exarado despacho decisório Número de Rastreamento 076068250 que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado pelo ora recorrente. Para uma melhor compreensão, transcrevo, a seguir, seu item 3 (fl. 66): 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 36.842,02 Valor do crédito reconhecido: R$ 35.393,34 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 24914.47878.240212.1.3.016235 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 12414.44104.061011.1.1.019014 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/02/2014. PRINCIPAL MULTA JUROS 972,09 194,41 165,74 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Fl. 113DF CARF MF 4 Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 25.03.2014, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese: Em preliminar, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN. No mérito: (a) discordando da argumentação da autoridade fiscal, quando esta afirma que para se aproveitar, na apuração da base de cálculo do tributo, dos valores referentes à industrialização por encomenda e combustível (gás), deveria o impugnante ter optado pela apuração do crédito presumido através do regime instituído pela Lei 10.276/2001, aduz que para seu aproveitamento nem mesmo se faz necessário ser contribuinte do imposto, consoante prescreve a súmula 494 do STJ, entendimento, inclusive, já pacificado pela CSRF, conforme dispõem as ementas dos acórdãos CSRF/0201.905, CSRF/0201.857 e CSRF/0201.754; (b) quanto a acusação de descumprimento dos prérequisitos estipulados na legislação de regência, para que determinada operação seja aceita como venda para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, aduz que sobressai incontroverso, não obstante admitir não ter seguido "passoapasso" as normas que a legislação impõem para a caracterização desta modalidade de exportação, que, consoante a documentação apresentada à fiscalização, comprovou que encaminhou sua produção para exportação por meio de empresa comercial exportadora, bem como que referidas mercadorias foram efetivamente exportadas, razão pela qual reafirma seu direito a homologação do crédito de IPI que apropriara em decorrência das exportações realizadas. Em face do exposto, requer seja acolhida a provida a manifestação de inconformidade para ver declarada as compensações realizadas, vez que se encontram de acordo com os preceitos legais e regulamentares de regência; e a inclusão no benefício em questão dos valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como as aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como antes explicitado. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do acórdão recorrido, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR Comprovado que o saldo credor de período anterior foi objeto de pedido de ressarcimento, inexiste valor a ser transferido para aproveitamento no período seguinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10783.903552/201398 Acórdão n.º 3001000.071 S3C0T1 Fl. 113 5 Do Recurso Voluntário Irresignado com a decisão formalizada pelo acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário, reprisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Para demonstrar a absoluta identidade das alegações suscitadas em ambas as peças recursais, é suficiente transcrevermos o trecho denominado "3 DO PEDIDO": (...) À vista do exposto, demonstrada a insubsistência da autuação fiscal em comento, requer que seja acolhido e provido o presente Recurso para: 3.1 declarar que as compensações realizadas se encontram de acordo com os preceitos legais e normatização de regência; e 3.2 incluir no benefício em questão os valores referentes às exportações indiretas e industrialização por encomenda. Nestes Termos, Pede Deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.074 de 31 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 15586.721132/201254, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.074): "Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preâmbulo 1 Contextualizando o presente litígio, cabe ressaltar que, como já explicitado no relatório supra, o contribuinte reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, defende a possibilidade de utilização dos custos de serviços de industrialização por encomenda e, no caso das vendas para comercial exportadora, alega que embora não tenha cumprido com as normas administrativas e procedimentais impostas pela legislação de regência, entende ser inconteste o direito pleiteado, haja vista ter comprovado a exportação das mercadorias. Fl. 115DF CARF MF 6 Preâmbulo 2 O cotejo entre a manifestação de inconformidade e a presente peça recursal, ora examinada, revela que, quando da apresentação do primeiro recurso, é induvidoso que o contribuinte em nenhum momento se defendeu quanto a desconsideração, quando da elaboração do cálculo da base de cálculo dos valores referentes aos combustíveis (gás); tal como efetuada pela fiscalização. É o que se depreende do subitem 4.2 do item 4 "DO PEDIDO" da sua manifestação de inconformidade, na medida em que requer, tal como está escrito, "incluir no benefício em questão os valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como explicitado na presente peça". Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972, bem como aos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC). Cumpre, destarte, não conhecer da inconformidade baseada na referida divergência, por estar tal razão recursal preclusa, por força de expressa disposição legal. Preâmbulo 3 Sem embargo, embora neste processo não se aprecia qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, tratarei do tema, em breves linhas, tendo em vista a preocupação demonstrada pelo recorrente, a fim de não dar margem a eventual alegação de cerceamento de defesa. É fato que a partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833 de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, dispõe que: as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Nestes termos, reafirmo a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente litígio. Mérito Das vendas para comercial exportadora. Fim específico de exportação O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse pelo descumprimento do “fim específico de exportação” na venda para a comercial exportadora. Alega o recorrente em seu recurso premissas que diz consistirem de aspectos não controvertidos no caso concreto os quais seriam capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que realizou a exportação, mesmo que, sem cumprir com os ditames legais e regulamentares que regem a matéria e de forma indireta, por meio da venda com fim específico. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10783.903552/201398 Acórdão n.º 3001000.071 S3C0T1 Fl. 114 7 A fiscalização, com base nas notas fiscais apresentadas e demais informação prestada pelo contribuinte, verificou que nas respectivas operações de vendas os produtos eram enviados para o estabelecimento do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado. Esclarecendo que juntamente com a relação das exportações feitas através de comerciais exportadoras e das notas fiscais que comprovassem estas vendas, o contribuinte apresentou “memorandos de exportações”, a fim de comprovar a efetiva exportação das mercadorias. Diante dos fatos apontados, o Fisco constatou que o contribuinte descumpriu o disposto no artigo 42, inciso V, alínea "a", parágrafo 1º, do Decreto 4.544 de 2002 RIPI, bem como o artigo 39, inciso I, parágrafo 2º, da Lei 9.532 de 1997, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, para avaliar se as operações de venda efetuadas pelo “produtor/vendedor” estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se perquirir as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Adianto desde já que o benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do artigo 149, da CF) para as operações de exportação, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, assim dispõem: Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados A exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) § 1º No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º). (grifei) Destacase que os dispositivos acima citados, regulamentaram o artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, que estabelece: Fl. 117DF CARF MF 8 Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Para melhor deslinde da presente questão, trago, por oportuno, a manifestação da Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit 8 de 25.08.2004, da qual transcrevo, com as devidas adaptações, alguns excertos, adotandoas como razão de decidir, com fundamento no § 1º do artigo 50 da Lei 9.784 de 1999. Pois bem. Observase que o artigo 14, inciso VIII, da Medida Provisória 2.15835 de 2001, ao tratar das empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei 1.248 de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso isto, e se valendo, ainda, da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre na norma antes referenciada), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei 1.248 de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos da mencionada norma legal, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no artigo 2º do citado DecretoLei, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10783.903552/201398 Acórdão n.º 3001000.071 S3C0T1 Fl. 115 9 Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria/MF 438 de 26.05.1992; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução/Banco Central do Brasil 1.928 de 26.05.1992. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitamse às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo 42 de 1975, reconhecia que o DecretoLei 1.248 de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o que segue: (...) 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra. (...) Assim sendo, no presente caso, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deveria remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei 1.248 de 1972 (trading), ela (a indústria) poderia enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o artigo 14 da IN SRF 241 de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997 não deixa margem de dúvidas. Vejase. Fl. 119DF CARF MF 10 Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifei) Nesse sentido, o § 1º do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no artigo 14 da MP 2.15835 de 2001. Portanto, foi o próprio artigo 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (§ 2º do inciso VI do artigo 40 do Decreto 2.637 de 1998 (RIPI/1998), e § 2º do inciso V do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado, infringindo a determinação legal. Em que pese a seu pleito, não há como prosperar a argumentação do recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o artigo 111 do CTN, não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como defende o recorrente. Serviços de industrialização por encomenda O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse ao fato de o contribuinte não ter optar pelo regime alternativo instituído pela Lei 10.276 de 2001, cujos incisos I e II do § 1º do seu artigo 1º traz textualmente quais os custos que poderão ser aproveitados na base de cálculo do crédito presumido. Alega o recorrente, basicamente, que faz jus ao aproveitamento desses créditos, pois além de a norma não exigir sequer que seja contribuinte do IPI, para gozar do Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10783.903552/201398 Acórdão n.º 3001000.071 S3C0T1 Fl. 116 11 referido benefício, a questão já foi pacificada, a seu favor, no âmbito do STJ, consoante prescreve a súmula 494 daquela corte. Esta matéria, qual seja, a da possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996, os valores pagos a título de industrialização por encomenda, não é nova no âmbito do processo administrativofiscal. Neste sentido esclareço, desde já, que me filio à corrente de que no regime estatuído pela citada norma tal apropriação não encontra amparo legal. Como antes já manifestado, entendo que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Para tanto, esclareço que discordo do entendimento segundo o qual as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no artigo 175 do CTN, pois, partilho da opinião de que referida prescrição somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não podem ser consideradas as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, intuo que a redação do artigo 111 do CTN seria, no mínimo, inaplicável quando prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Vejamos a redação do artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É neste sentido que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe a norma retro reproduzida. Em verdade, entendo que a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção, na medida em que escampa às regras do que seria o tratamento tributário ordinário. Me permito, a fim de corroborar meu entendimento quanto ao tema, transcrever, a seguir, trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua Fl. 121DF CARF MF 12 interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (grifei) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido a presente premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei 9.363 de 1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8 de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifei) Portanto, a interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Logo, ainda que nessa prestação de serviço Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10783.903552/201398 Acórdão n.º 3001000.071 S3C0T1 Fl. 117 13 possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, concluo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto que posteriormente à edição do referido benefício fiscal sobreveio, com a edição da Lei 10.276 de 2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal, na parte que interessa ao presentes exame: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Evidente que se o contribuinte quisesse se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda, obrigatoriamente, deveria ter feito a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei 10.276 de 2001, o que, como sabido, não fez. Logo, ao ter optado pela fórmula de cálculo da Lei 9.363 de 1996 impossível fazer uso desse benefício, por absoluta falta de previsão legal. Então é de se afastar a tese defendida pelo recorrente de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no seu processo produtivo. Noutros termos, rechaçasse a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no artigo 1º da Lei 9.363 de 1996. Fl. 123DF CARF MF 14 Da Súmula 494 do STJ Por fim, o recorrente avoca, em assento aos seus argumentos de defesa, a aplicação dos ditames contidos no enunciado da súmula 494 do STJ, relativamente a não aceitação, para fins do aproveitamento na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos custos inerentes a prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda. No entanto, o que foi sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da mencionada súmula, diz respeito a tema diverso do tratado nos presentes autos. Vejamos, pois seu enunciado: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Naquela oportunidade o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, quanto a sistemática do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, quanto ao condicionamento para fins de aplicação de incentivo fiscal aos insumos adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/Pasep, na apuração do cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996. Portanto, descabida a pretensão do recorrente, no que se refere a Súmula 494 do STJ, o que torna impossível suscitar a cominação da alínea "b" do inciso II do § 1º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721564/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
SIGILO BANCÁRIO. ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial.
RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A receita da atividade rural, por estar sujeita à tributação mais benigna, subordina-se, por lei, à comprovação de sua origem, por meio de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte,transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA.
A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2201-003.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares arguídas e no mérito, por voto de qualidade, após votações sucessivas, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Assinado digitalmente.
EDITADO EM: 31/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 SIGILO BANCÁRIO. ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A receita da atividade rural, por estar sujeita à tributação mais benigna, subordina-se, por lei, à comprovação de sua origem, por meio de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte,transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares arguídas e no mérito, por voto de qualidade, após votações sucessivas, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Assinado digitalmente. EDITADO EM: 31/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A receita da atividade rural, por estar sujeita à tributação mais benigna, subordinase, por lei, à comprovação de sua origem, por meio de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte,transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 64 /2 01 4- 54 Fl. 2752DF CARF MF 2 devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares arguídas e no mérito, por voto de qualidade, após votações sucessivas, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Assinado digitalmente. EDITADO EM: 31/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Adoto, no que for cabível, o Relatório da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo (SP), nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 1273/1277, acompanhado da planilha de fls. Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.679 3 1266/1271, dos demonstrativos de fls. 1278/1290 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1237/1265, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas dos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 7.667.250,33, composto de: (...). Conforme descrições dos fatos e enquadramentos legais às fls. 1275/1277, a exigência decorreu de constatação de rendimentos recebidos classificados indevidamente na DIRPF e omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal em anexo. Cientificado do lançamento por via postal em 07/04/2014 (AR às fls. 1295/1296), o contribuinte apresentou, em 07/05/2014, a impugnação de fls. 1298/1346, acompanhada dos documentos às fls. 1347/2236, aduzindo as razões sintetizadas a seguir:(...) A síntese dos argumentos apresentados na impugnação encontrase nas fls. 2.289 a 2.297 (relatório da decisão de primeira instância). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou procedente em parte a impugnação, restando mantido parcialmente o auto de infração, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. Preliminar rejeitada. ATIVIDADE RURAL. Evidenciado, pelos elementos acostados aos autos, que não houve o efetivo exercício de atividade rural pelo Fl. 2754DF CARF MF 4 contribuinte, deve ser mantido o procedimento adotado pela fiscalização de deslocar os rendimentos declarados a este título, como isentos, para a tributação normal, sujeitos à tabela progressiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente, quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. Por outro lado, comprovada a origem, mediante documentação hábil e idônea, de valores depositados em conta de depósito ou investimento, deve ser revisto o lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a situação prevista na legislação de regência como motivo para a sua aplicação, mantémse a multa qualificada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, fls. 2.467 a 2.546, no qual a contribuinte sustenta, em síntese: a) duplicidade de exigência sobre valores já devidamente declarados pelos demais cotitulares em suas DIRPFs; b) inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário em autorização judicial; c) independente da inconstitucionalidade ou não da quebra de sigilo bancário por RMF, a prova é ilícita, porquanto não havia o requisito da sua necessidade, afigurandose nulo o lançamento, viciado na origem pelo procedimento fiscal e pela ilicitude da prova que o contaminou; d) vício do lançamento, pois a documentação que teria suportado a presunção legal aplicada atigo 42 da lei n.º 9.430/96 não foi juntada aos autos; e) os extratos bancários teriam sido colhidos nos autos do processo administrativo relacionado à irmã do recorrente. Assim, ainda que o fiscal tenha utilizado tais extratos para Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.680 5 confeccionar as planilhas de fls. 1.201/1.206, as provas que teriam servido de base para confeccionar as aludidas planilhas consubstanciaramse em prova emprestada daqueles autos, além de não terem sido juntadas aos presentes autos, não foram produzidas sob o crivo do contraditório em relação ao recorrente, o que é condição sine qua non para validade da prova; f) nulidade do lançamento ante a eleição de base de cálculo equivocada; g) somente os depósitos efetuados na conta 3.004P devem ser considerados na presente autuação, sendo certo que os depósitos referentes à conta 00030023 devem ser excluídos e ofício do presente lançamento, visto que em nenhum momento a fiscalização questionou os depósitos efetuados nessa conta e o recorrente, tampouco, foi intimado a comprovar a origem desses valores; h) o lançamento deve ser cancelado quanto aos valores depositados na conta do recorrente, decorrentes do resgate de aplicações nos clubes de investimentos, visto que ficou comprovado que tais depósitos efetivamente referemse a resgates de aplicação em clubes e a legislação determina tributação na fonte pagadora; i) não há como subsistir o lançamento realizado pela D. Autoridade Fiscal, visto que a origem dos créditos da conta n.º 3.004P foi devidamente comprovada pelo Recorrente, inviabilizandose o lançamento motivado pela existência de rendimento com origem não comprovada; j) o simples depósito bancário não constitui fato gerador do imposto de renda, na medida em que não representa, necessariamente, acréscimo patrimonial; k) erro na metodologia adotada na apuração do IRPF e da comprovação do exercício de atividade rural; l) parte dos custos e das despesas relacionadas à produção agrícola do recorrente foi paga por seu pai, o Sr. Luiz Estevão Oliveira Neto, pela sua mãe, Cleucy Meireles de Oliveira e Fernanda Meireles Estevão de Oliveira Resende, sendo certo que estes custos foram escriturados nos respectivos livros caixa, como comprovam os documentos de fls. 2007/2.154; m) todos os funcionários utilizados na exploração das atividades rurais nas Fazendas objeto da fiscalização estavam registradas, à época, em nome do espólio do avô do Recorrente, o Sr. Lino Martins Pinto (fls. 2.155/2.167), salientandose, neste aspecto, que o Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto é inventariante do espólio do Sr. Lino (fls. 2.168/2.171); n) as vendas do ano de 2010 se referem aos produtos plantados em 2009 e as vendas do ano de 2011 se referem á produção Fl. 2756DF CARF MF 6 agrícola do ano anterior e que se encontrava estocada nos armazéns da Fazenda; o) o lançamento nos moldes em que foi efetuado só teria legitimidade se houvesse a comprovação pelo fisco de que as receitas auferidas pelo recorrente no período fiscalizado têm origem em atividade diversa (não rural) submetida à tributação normal; p) comprovada a nulidade do lançamento em razão da comprovação acerca da efetiva existência de atividade rural, não comprovação pelo Fisco de que as receitas tem origem em atividades submetidas à tributação normal e da utilização de critério de lançamento não previsto na legislação, mesmo sabendo da existência de previsão específica da possibilidade de lançamento por arbitramento; r) cancelamento da multa de ofício e qualificada; s) incorreta aplicação da multa e seu caráter confiscatório; t) inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício; u) necessidade de apreciação de todas as provas apresentadas, em obediência ao princípio da verdade material. Em apreciação do recurso voluntário interposto, entendeu o colegiado pela conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução n.º 2201000.223 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária do CARF, a fim de que fossem juntadas aos autos as intimações dos co titulares de conta bancária envolvida no procedimento fiscal para análise do cumprimento do Enunciado de Súmula CARF n.º 29 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29 (VINCULANTE): Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em 16 de agosto de 2016, foi anexada Informação, em resposta à diligência apresentada, fls. 2.697 a 2.698. Posteriormente, verificouse que o contribuinte não fora intimado do resultado da diligência apresentado, sendo novamente o julgamento convertido em diligência para, por meio da Resolução n.º 2201000.258, para intimação do recorrente. Em seguida, manifestouse o contribuinte alegando, em síntese, que: a) a diligência apenas reforçou as nulidades suscitadas pelo Recorrente; b) a diligência não trouxe aos autos qualquer elemento que afaste a aplicação da súmula 29 do CARF; c) não há RMF específico para o recorrente, havendo inobservância ao que decidiu o STF; d) o recorrente demonstrou a efetividade das origens dos recursos movimentados, ainda que tenha partido de planilha elaborada pela fiscalização. Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.681 7 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. A exigência em questão decorreu de constatação de rendimentos recebidos classificados indevidamente na DIRPF e omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.237 a 1.265. Acerca do resultado da diligência que determinou a juntada das intimações dos cotitulares, cabe esclarecer que o auditor responsável colacionou as informações sobre a realização das intimações, de modo que resta evidenciado o cumprimento do disposto no Enunciado de Súmula CARF n.º 29. Cumpre esclarecer que as informações trazidas pelo auditor gozam de presunção de veracidade e legitimidade, sendo desnecessária a juntada da intimação da co titular, pois a indicação da sua existência é suficiente, inclusive em razão da constatação da lavratura do processo nº 10166.722.067/201473, relativo a Ilca Maria Estevão de Oliveira Lira, e dos processos nos quais contam como sujeitos passivos os demais cotitulares com abrangência da conta bancária sob análise, o que corrobora o disposto pela informação fiscal. Considerando que a nova diligência foi proposta apenas para a averiguação da intimação dos cotitulares, como dito acima, apreciei a manifestação posterior do recorrente, apenas no que se refere ao cumprimento da Súmula CARF n.º 29, passando, assim, a análise dos argumentos expostos em sede de recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal. 1. Do sigilo bancário Sustenta o recorrente a nulidade do lançamento, em razão da ilicitude da prova obtida por quebra de sigilo bancário, por meio de Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMFs) emitidas pela autoridade fiscal sem autorização judicial. Acerca do tema, a Lei Complementar n.º 105, de 10 de janeiro de 2001, ao dispor sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, assim determinou: Art 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 2758DF CARF MF 8 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Em 24 de fevereiro de 2016, o Supremo Tribunal federal concluiu importantíssimo julgado no qual se discutiu a possibilidade de a Administração tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes mesmo sem autorização judicial. Essa possibilidade está prevista no dispositivo citado e lá não exige autorização judicial. Logo, a lei autoriza que a Receita Federal requisite diretamente das instituições financeiras informações sobre as movimentações bancárias dos contribuintes. O STF entendeu que esse repasse das informações dos bancos para o Fisco não pode ser chamado de quebra de sigilo bancário, pois as informações são passadas para o Fisco em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa na Administração Tributária. Assim, o que ocorre é uma tramitação sigilosa entre os bancos e o Fisco e, por não ser acessível a terceiros, não pode ser considerado violação do sigilo. Para a consideração da constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001, foram expostos também os seguintes argumentos: a) o sigilo bancário não é absoluto e deve ceder espaço ao princípio da moralidade nas hipóteses em que transações bancárias indiquem ilicitudes; b) prática prevista na LC 105/2001 é comum em vários países desenvolvidos e a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo questionado seria um retrocesso diante dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para combater ilícitos como a lavagem de dinheiro e evasão de divisas e para coibir práticas de organizações criminosas; c) a identificação de patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte pela administração tributária dá efetividade ao princípio da capacidade contributiva, que, por sua vez, sofre riscos quando se restringem as hipóteses que autorizam seu acesso às transações bancárias dos contribuintes; d) a LC 105/2001 não viola a CF/88. Isso porque o legislador não estabeleceu requisitos objetivos para requisição de informação pela administração tributária às instituições financeiras e exigiu que, quando essas informações chegassem ao Fisco, ali mantivessem o dever de sigilo. Com efeito, o parágrafo único do art. 6º preconiza que o resultado dos exames, as informações e os documentos deverão ser conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, não há ofensa a intimidade ou qualquer outro direito fundamental, pois a LC 105/2001 não permite a "quebra de sigilo bancário", mas sim a transferência desse sigilo dos bancos ao Fisco; e) o art. 6º da LC 105/2001 é taxativo e razoável ao facultar o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras somente se houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.682 9 A decisão da Suprema Corte foi proferida no julgamento das ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 (repercussão geral). Desse modo, rejeito a preliminar suscitada, tendo em vista a existência de decisão definitiva do STF sede Ação Direta de Inconstitucionalidade e de Recurso Extraordinário com repercussão geral, de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF, conforme dispõe o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2. Da alegação de nulidade do lançamento por falta de instrução probatória e por utilização indevida de prova emprestada Aduz o recorrente que a RMF emitida em face da Sra. Ilca Maria Estevão de Oliveira Lira e os extratos bancários fornecidos pela instituição bancária não foram juntados aos autos, apenas foram anexadas as planilhas elaboradas pelo fiscal. Além disso, alega o contribuinte a ausência de contraditório com relação à prova emprestada, o que a invalida. Acerca das alegações, cabe destacar, consoante se extrai da documentação acostada aos autos que, conforme Termo de Verificação Fiscal, em procedimento de fiscalização de Ilca Maria Estevão de Oliveira Lira, CPF n.º 008.785.40156, foi verificada a existência de conta conjunta desta com o interessado, conta 3.004P da agência 0707/2 do Banco Bradesco S/A. Intimada a Sra. Ilca a comprovar a origem dos recursos creditados na citada conta, respondeu que a conta foi aberta em conjunto com seus irmãos e que a responsabilidade pela movimentação no ano de 2010 é deles, pois não a teria movimentado. Durante o restante do procedimento fiscal, a Sra. Ilca não apresentou justificação de origem dos valores, de forma que foram abertos procedimentos de fiscalização dos demais cotitulares da conta. Conforme informação de fls. 2.698, quanto aos cotitulares, após intimações e reintimações a respeito dos créditos ocorridos na conta n.º 3.004P, agência n.º 0707/2, Banco Bradesco, não houve qualquer resposta, sequer apresentação de alegações a respeito da origem dos créditos ocorridos no anocalendário de 2010. O procedimento fiscal relativo ao interessado foi iniciado com a emissão de Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 36/37), que lhe foi enviado por via postal (cópia de AR às fls. 38/39). No decorrer deste procedimento, o contribuinte foi intimado (fls. 1199/1208) e reintimado (fls. 1209/1218) a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias no anocalendário 2010, não apresentando resposta. Assim, os créditos constantes das planilhas anexas à intimação e reintimação foram considerados como não comprovados, sendo seu valor dividido entre os 4 correntistas da conta bancária em referência (Luiz Estevão de Oliveira, Fernanda Meireles Estevão de Oliveira Resende, Ilca Maria Estevão de Oliveira Lira e Cleuci Meireles Estevão de Oliveira). Portanto, como bem destacado na decisão recorrida, o procedimento fiscal no qual foi constatada omissão de rendimentos por parte do contribuinte foi efetuado em conformidade com a legislação de regência, com obediência ao devido processo legal. O contribuinte teve, ainda, diversas oportunidades de se manifestar a respeito dos créditos bancários, ao longo do procedimento de fiscalização e por ocasião da impugnação, a qual foi Fl. 2760DF CARF MF 10 recebida e conhecida e na qual o impugnante demonstrou pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada, rebatendoa minuciosamente no corpo da impugnação e item por item nas planilhas que apresenta às fls. 1369/1379 e 2275/2280 – não se caracterizando, pois, cerceamento do direito de defesa do contribuinte e do exercício de contraditório. Desse modo, observase que os autos foram devidamente instruídos e foi oportunizado o contraditório ao recorrente, inclusive as planilhas realizadas pela autoridade fiscal gozam de presunção de legitimidade e veracidade e, mesmo com a ausência de juntada dos extratos, não há prejuízo ao contribuinte, que detém o poder sobre as informações a respeito das suas atividades bancárias. 3. Da duplicidade do lançamento Assevera o contribuinte que; ao incluir na base de cálculo do Item 002 (omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada no ano de 2010) do lançamento a totalidade das movimentações financeiras mantidas pelo Recorrente e, no item 001 (glosa de receitas de atividade rural), tributar todas as receitas declaradas como de atividade rural já declaradas como se receitas normais fossem; incorreu em duplicidade do lançamento. Assiste razão ao recorrente sobre a existência de duplicidade da exigência, considerando que foram confirmados os recursos reclassificados (que haviam sido declarados como atividade rural, mas que foram tributados normalmente, em razão da descaracterização do exercício da atividade rural). Destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Portanto, sobre tal alegação, dou provimento ao recurso para que sejam excluídos da base de cálculo da omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada os rendimentos efetivamente declarados como tributáveis, não tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte. 4. Da atividade rural Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.683 11 Conforme se observa do Termo de Verificação fiscal, foi constatado pela autoridade fiscal que, nas DIRPFs relativas aos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011, não há despesas da atividade rural, apenas receitas. E, nos livroscaixa da atividade rural apresentados pelo contribuinte, constam despesas apenas em 2009 (95, 36% das quais se referem à aquisição de adubo e defensivos agrícolas). A Folha de Pagamento dos funcionários das fazendas estavam registradas em nome do falecido avô, Lino Martins Pinto, proprietário da maior parte dos imóveis rurais que alega o contribuinte ter utilizado em sua atividade rural. Ademais, foram também apresentados documentos de aquisição de equipamentos agrícolas, mas a maior parte está em nome de terceiros, assim como o contrato de financiamento apresentado. Também salientou o referido Termo que os imóveis utilizados pelo contribuinte na suposta atividade rural, declarados nas DIRPFs dos exercícios de 2010, 2011 e 2012, não são de propriedade do contribuinte e a área utilizada por ele para a produção rural é de 100%, em cada imóvel, o que indica que não há parceria. Em síntese a autoridade identificou indícios de irregularidade, nos termos seguintes: Dessa forma, a atividade rural declarada nas DIRPF’s exercícios 2010, 2011 e 2012, anoscalendário 2009, 2010 e 2011, possui indícios fortes de irregularidade, como por exemplo, a inexistência de desenvolvimento de atividade por parte do contribuinte, dos rendimentos declarados, na verdade, serem provenientes de atividade diversa que não a rural. Isso porque as receitas auferidas nos três anos são bastante significativas (cerca de R$ 8,6 milhões), contudo, não houve qualquer despesa, isto é, não precisou ser custeada a atividade rural, não houve sequer pagamento de despesas com pessoal ou simplesmente de manutenção das fazendas, houve apenas venda de produção e auferição de receitas; também não houve qualquer investimento, mesmo a produção tendo mais que dobrado do anocalendário de 2009 para o anocalendário de 2010 (de R$ 2 milhões para R$ 5 milhões, aproximadamente); ainda, não houve a tomada de empréstimos ou financiamentos rurais, não há dívidas vinculadas à atividade rural sendo/a serem pagas; não há compensação de prejuízos de exercícios anteriores; a produção foi inteiramente gerada sem a existência de qualquer bem relacionado à atividade rural; por fim, nenhum dos imóveis declarados como tendo sido utilizados na atividade rural é de propriedade do contribuinte. Apenas por meio da análise das DIRPF’s apresentadas pelo contribuinte, exercícios 2010, 2011 e 2012, anoscalendário 2009, 2010 e 2011, são fortes os indícios de que as receitas de atividade rural nelas declaradas seriam provenientes de outra atividade, isto é, devido à inexistência de despesas necessárias e imprescindíveis à produção, condição essencial para que os rendimentos declarados sejam considerados atividade rural, os Fl. 2762DF CARF MF 12 rendimentos não poderiam ser considerados como provenientes de atividade agrícola. Assim, podese até conjecturar que o contribuinte assuma, na verdade, a condição de “atravessador”, ou seja, comerciante que adquire e revende produção rural de terceiros. (...). Deixando de lado o fato, bastante incoerente, de praticamente 100% das despesas terem sido realizadas apenas com defensivos agrícolas e adubo, somente observando o gráfico acima, notase enorme falta de lógica: os picos de receitas e despesas são inversos, na primeira parte do ano se aufere a maioria das receitas, para só então, no segundo semestre, ocorrerem a maior parte das despesas. O maior pico de receitas, no anocalendário de 2009 ocorre no mês de maio, sendo que as maiores despesas ocorrem apenas em outubro. Se a situação fosse inversa, seria compreensível, primeiro grandes despesas para, posteriormente, surgirem as grandes receitas. Porém, da maneira que se encontra, não há qualquer lógica entre despesas e produção agrícola no anocalendário de 2009. Também deve ser considerada outra situação bastante incongruente que ocorreu relativamente à produção de milho em 2009. As receitas da produção de milho ocorrem por praticamente todo o ano de 2009, totalizando R$ 1,7 milhão, aproximadamente. O mês de maio é onde ocorre a maior receita deste produto, tendo se auferido cerca de R$ 550 mil. Entretanto, houve apenas aquisição de sementes de milho, num universo de despesas de mais de um milhão de reais, da ordem de cerca de R$ 30 mil, ocorridas nos meses de outubro e novembro! Teria sido produzido milho, que propiciou receitas de R$ 1,7 milhão, antes sequer da aquisição de sementes para o plantio! Nesse sentido, ainda se faz importante atentar que não houve qualquer aquisição de sementes de soja, porém, houve produção e receitas da ordem de R$ 300 mil desse produto, além de que, como já dito anteriormente, não houve uma despesa sequer relacionada à cultura de feijão, cuja produção em 2009 gerou receitas de aproximadamente R$ 130 mil. Nos anoscalendário de 2010 e 2011, há batimento entre informações declaradas nas DIRPF’s e livros caixas respectivos. Houve apenas receitas auferidas, sem qualquer contrapartida de despesas de custeio/investimento na atividade rural. As receitas totais do ano de 2010, provenientes da produção de milho e soja, foram da ordem de R$ 5,5 milhões, e as receitas de 2011, advindas da produção de milho e feijão, atingiram o patamar de R$ 1,1 milhão, aproximadamente. Foram produzidos em 2010, 11,35 mil toneladas de milho e 4,47 mil toneladas de soja, enquanto que em 2011 houve produção de 3,18 mil toneladas de milho e 280 toneladas de feijão (informações constantes dos livros caixas 2010 e 2011, às fls. 44 a 1.056). (...). Verificando o sistema Sintegra (fls. 1.232 a 1.234), cadastro de contribuintes perante as fazendas estaduais, o contribuinte encontrase inscrito como produtor rural em dois cadastros, Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.684 13 fazenda Santa Prisca Gleba 3 e fazenda Manga ou Estiva. Não há cadastro junto à fazenda Poço Claro ou Lamarão. Assim, o contribuinte não estaria autorizado a produzir na fazenda Poço Claro ou Lamarão, ou pelo menos, não estaria autorizado a comercializar eventual produção de tal imóvel rural, pois não se encontra cadastrado junto à fiscalização fazendária estadual. (...). Com relação às fazendas Manga ou Estiva, declaradas pelo contribuinte nas DIRPF’s do período sob fiscalização, informação idêntica à constante dos NIRF’s (fls. 1.219 a 1.225), encontramse todas em Planaltina – DF; já, nas notas fiscais cujo de venda emitidas pelo contribuinte, quando relacionadas à fazenda Manga ou Estiva, a mesma se encontra localizada em São Sebastião – DF. Diante dessa situação, a fiscalização entendeu pela impossibilidade do contribuinte ser enquadrado como produtor rural, devido a inexistência de despesas necessárias e imprescindíveis à produção, a qual é condição essencial para que os rendimentos declarados sejam considerados atividade rural. Alega o contribuinte que, após ser intimado, apresentou petição juntando o seu livro caixa e notas fiscais de venda da produção agrícola e compra de insumos, comprovando as receitas obtidas e as despesas incorridas no período objeto da fiscalização. Além disso dispõe o recorrente que as vendas do anos de 2010 se referem aos produtos plantados em 2009 e colhidos e vendidos em 2010 e as vendas do ano de 2011 se referem à produção colhida em 2010 e que estavam estocada nos armazéns das Fazendas, o que também justifica a ausência de despesas contabilizadas em nome do Recorrente nestes anos. Aduz também o contribuinte que foi realizada parceria com familiares, sendo que parte dos custos e despesas relacionadas à produção agrícola foi paga por seu pai, sua mãe e irmãs, sendo certo que estes custos foram escriturados nos respectivos livros caixa, como comprovam os documentos de fls. 2007/2154. Sobre a situação dos funcionários relacionados à atividade rural desenvolvida, o contribuinte salientou que, por questões operacionais, administrativas e da proximidade das propriedades rurais, os funcionários estavam registrados em nome do avô do recorrente, já falecido, representado pelo inventariante, Luiz Estevão de Oliveira Neto. A respeito da matéria, cabe citar os seguintes dispositivos da Lei 8.023/90: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; Fl. 2764DF CARF MF 14 IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. Embora se tenha como pressuposto a noção de renda estabelecida pela Constituição e pelo CTN, a tributação da atividade rural para a pessoa física possui características específicas que, além do diploma legal citado, estão disciplinadas pelas Leis n. 7.713/88, 8.023/90 e 9.250/95, bem como o Decreto n.º 3.000/99 (art. 57 a 72) e Instrução Normativa n.º 83/2001. O artigo 11 da IN 83/2001 enuncia que se considera como resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas de custeio e dos investimentos pagos no anocalendário, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa física. Assim, o resultado da exploração rural deve ser apurado mediante escrituração em livro caixa, abrangendo receitas, bem como as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. No caso em análise, diante do conjunto das provas carreadas aos autos, verificase que os argumentos trazidos pelo recorrente esclarecem as inconsistências identificadas pela fiscalização, de modo que resta evidente a ocorrência do desenvolvimento da atividade rural, nos termos exigidos pela legislação para fins de tributação favorecida, inclusive considerando as Notas Fiscais do Produtor apresentadas. Destacase que o recorrente comprovou a origem das receitas auferidas e das despesas incorridas, assim como a relação de parceria mantida com seus familiares. Não há como negar, no presente caso, a existência de uma parceria familiar que, embora carente de certas formalidades, tem como objetivo a exploração da atividade rural. Além disso, a autoridade fiscal não apontou vícios nas notas fiscais de venda de produtos rurais emitidas pelo recorrente, bem como eventual inexistência dos clientes para os quais foram emitidas as notas. Pelas informações, documentos e esclarecimentos prestados pelo contribuinte, verificase a existência da atividade rural, embora, em razão da parceria e distribuição de despesas, não tenha ocorrido a escrituração da forma devida. Não entendo pela descaracterização do desenvolvimento da atividade, pois inexistiu comprovação da inidoneidade das provas apresentadas pelo contribuinte, bem como a Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.685 15 autoridade fiscal não vislumbrou a desvinculação da receita com relação à atividade rural desenvolvida. Observase que no relato do Termo de Verificação há descrição de que, nos anos em questão, não houve despesa com a atividade rural, contudo, no decorrer dos autos foi demonstrada a existência de despesas incorridas pelo recorrente e seus parceiros. A autoridade fiscal asseverou que as fazendas, onde eram desenvolvidas as atividades, não pertencem ao recorrente, mas ao Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto, seu pai, e que as despesas lançadas em nome das Sras. Cleucy Meireles de Oliveira e Fernanda Meireles Estevão de Oliveira Resende, mãe e irmã do recorrente, seriam inaptas para comprovar a existência de despesas na atividade rural. Ocorre que o Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto e as Sras. Cleucy Meireles de Oliveira e Sra. Fernanda Meireles Estevão de Oliveira Resende haviam celebrado contrato de parceria com o contribuinte para explorar a atividade rural nas fazendas, conforme contrato anexo, fls. 2002 a 2004, o que justifica o pagamento de algumas despesas relacionadas à atividade rural desenvolvida, pois parte dos custos e das despesas relacionadas à produção agrícola do recorrente foi paga por estas pessoas, escriturados nos respectivos livros caixa, fls. 2008 a 2154. Este cenário explica o motivo pelo qual boa parte das despesas incorridas pelo contribuinte se refere a despesas com defensivos agrícolas, pois cada parte no contrato se responsabilizava pela maior parte da aquisição de determinado insumo, o que fez com que houvesse a falsa impressão de que o impugnante apenas adquiriu determinados insumos agrícola. Salientase que o fato de o imóvel não ser de propriedade do recorrente não impede o exercício da atividade em questão, sendo a propriedade pertencente a seu pai, que juntamente com seus irmãos declaram atividade rural e mantém livro caixa com despesas de atividade rural. Com relação aos funcionários, por razões operacionais, administrativas e em razão da proximidade entre as propriedades rurais, estavam todos registrados em nome do espólio do avô do recorrente, Sr. Lino Martins Pinto, do qual o seu pai é inventariante, folhas de pagamentos anexas às fls. 2156 a 2167 e comprovante da nomeação do inventariante às fls. 2.169. Corroborando a alegação da exploração de atividade rural, foi juntado aos autos o comprovante de Inscrição de situação no cadastro fiscal do DF DIF, fl. 2.593, para recolhimento do ICMS, que qualifica o contribuinte como Produtor Agropecuário. Dessa forma, o contribuinte esclareceu e comprovou cabalmente que explorou atividade rural no período fiscalizado, vez que as alegações lançadas pelo fiscal autuante acerca da ilegitimidade de parte das despesas incorridas foram totalmente esclarecidas e rebatidas, comprovando que efetivamente o desenvolvimento de atividade rural em pareceria com seu pai e irmãs. Assim, deve ser reformada a decisão recorrida para que seja mantida a classificação descrita na Declaração de Ajuste com relação aos rendimentos da atividade rural, devendo, em razão da irregularidade da escrituração ser procedido o arbitramento à base de 20% da receita bruta. 5. Da omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada Fl. 2766DF CARF MF 16 Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, em procedimento de fiscalização de Ilca Maria Estevão de Oliveira Lira, em razão de possuir conta bancária em conjunto com o autuado – conta nº 3.004P da agência 0707/2 do Banco Bradesco –, foi intimada a comprovar a origem de créditos na conta e assim respondeu: “Quanto à conta corrente 3004P a mesma foi aberta em conjunto com meus irmãos Fernanda Meireles Estevão de Oliveira Resende e Luiz Estevão de Oliveira, sendo a movimentação do ano de 2010 de responsabilidade dos mesmos, visto que não a movimentei.” Portanto, a senhora Ilca não apresentou justificação de origem dos valores selecionados pela fiscalização da RFB relativamente à citada conta. Os demais titulares da Conta (Fernanda Meireles Estevão de Oliveira Resende, Luiz Estevão de Oliveira e Cleuci Meireles Estevão de Oliveira) também foram intimados e reintimados, porém não apresentaram resposta ou esclarecimento nem fizeram contato com a fiscalização, de forma que os créditos relativos a esta conta sem comprovação de origem foram lançados divididos igualmente pelos 4 correntistas. Aduz o contribuinte que os depósitos em questão se referem a três grupos de operações: a) rendimentos oriundos de Resgates de Aplicações em Clubes de Investimento; b) rendimentos oriundos da prática de atividade rural pelos irmãos do recorrente; e c) outros rendimentos oriundos tanto de estornos bancários como de transferência entre contas de mesma titularidade. Sobre os Rendimentos oriundos de Resgates de Aplicações em Clubes de Investimento (Coinvalores CCVM), a decisão de primeira instância consignou que houve transferência de valores entre contas de mesma titularidade, devendo tais valores ser excluídos da autuação, a teor do inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, fl. 2.325. Com relação aos documentos emitidos pela Coinvalores CCVM Ltda, tão somente aqueles relativos ao Recorrente foram considerados como de origem comprovada. Quanto aos resgates efetuados pelos demais cotitulares (Ilca, Cleuci e Fernanda), a D. Autoridade Julgadora considerou como de origem não comprovada, pois os históricos das operações, supostamente, indicariam transferência de recursos para contas diversas da c/c 3.004P. Além disso, a fiscalização considerou como de origem não comprovada os resgates efetuados pelo Sr. Luiz Eduardo Estevão de Oliveira e Luíza Meireles Estevão, irmão do recorrente, em razão deles não serem cotitulares da conta corrente. Não obstante tal consideração, compulsandose os autos, observase que os valores dos Certificados de Aplicação e Resgate realizados em nome de Luiz Eduardo coincidem com os valores dos depósitos ocorridos entre 02/02/2010 e 12/02/2010, sendo justificada a ausência da cotitularidade, em razão de ser menor de idade, à época, e não manter conta em instituições financeiras, doc. 03. Sobre os resgates efetuados por Luíza M.E. de Oliveira, restaram comprovados, mas na conta 0003.0023, que não foi objeto da presente fiscalização, devendo, portanto, ser excluídos no presente lançamento. Desse modo, os valores aos resgates realizados em nome de Luiz Eduardo e de Luíza M.E. devem ser excluídos da autuação. Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.686 17 Foi elaborada planilha pelo recorrente na qual constam os depósitos indevidamente incluídos na Planilha anexa ao TVF, fls. 1.266 a 1271, conforme constam das fls. 2.489 (TEDTRANSF ELET DISPON REMET. COINVALORES CCVM LTDA). Nesse contexto, também devem ser excluídos os valores constantes da planilha realizada pela fiscalização referentes a conta bancária diversa da conta 3.004P. Além disso, cabe salientar que deve ser considerada comprovada a origem dos Resgates de Aplicações depositados na conta 3.004P relativos aos cotitulares, pois anexa a documentação comprobatória das aplicações e resgates coincidentes com datas e valores constantes dos extratos bancários. No que se referem aos depósitos bancários vinculados à atividade rural, cabe destacar que os depósitos relativos ao recorrente já serão excluídos, em razão da alegação de duplicidade do lançamento, considerando os valores declarados como decorrentes da atividade rural. Já no que se referem aos depósitos relacionados à irmã do recorrente, Sra. Fernanda Meireles Estevão de Oliveira, considero não comprovada a origem dos depósitos, com base na documentação comprobatória apresentada (comparação dos valores e datas das Notas Fiscais de venda de soja, milho, trigo, sorgo e feijão, bem como dos créditos lançados, fls. 2.244 a 2.280). Por amostragem, cabe mencionar o item 196 da Planilha, conforme segue: 12/08/2010 R$ 50.000,00 RECEBIMENTO MEGA ALIMENTOS VENDA SORGO FERNANDA M. E. DE OLIVEIRA NOTAS FISCAIS 2359; 2360; 2361; 2362; 2363; 2364; 2365; 2366. Observase que os valores das notas referidas perfazem a quantia de R$ 49.397,50 e não coincidem com as datas dos depósitos. Assim, não há como afirmar que os valores dispostos nas Notas do Produtor referente à Sra. Fernanda vinculamse aos depósitos constantes dos extratos bancários, tendo em vista que não há coincidência entre datas e/ou valores. Quanto aos arrendamentos, a Delegacia de Origem não considerou a justificativa dos créditos bancários do recorrente com base apenas em recibos, fls. 2.262 a 2.266, por se mostrarem insuficientes para a comprovação. Contudo, assevera o recorrente que também foi colacionada aos autos a Declaração retificadora da Sra. Cleuci (cotitular) que demonstrou o oferecimento dos valores à tributação (itens 254, 255, 257, 258 e 259 da Declaração Retificadora). Nesse contexto, considero comprovada a origem dos depósitos relativos aos arrendamentos. Sobre o depósito de R$ 110.000,00 (resultado da venda de um pulverizador Jacto, modelo Uniport 2.000), a decisão recorrida consignou que, não sendo o recibo emitido por um dos cotitulares da conta 3.004P, resta ausente a comprovação da origem. Fl. 2768DF CARF MF 18 Não obstante tal fundamento, observase que a Nota Fiscal de venda do pulverizador pela empresa Máquinas Agrícolas Jacto S.A ao Sr. Lino, no valor de 230.425,50; foi emitido recibo pelo espólio do Sr. Lino em 2010, comprovando o recebimento da quantia de R$ 110.000,00 pela venda da mesma máquina, com as mesmas características descritas na Nota Fiscal; e comprovante de depósito do Banco Bradesco. Portanto, com a análise das datas, é possível concluir que o valor de R$ 110.000,00 é oriundo da venda do pulverizador, de modo que se mostra comprovada a origem do mencionado depósito. Ademais, sobre os estornos bancários, transferências de mesma titularidade e cheques devolvidos, impõese a exclusão da planilha de depósitos de origem não comprovada. Acerca dos alegados contratos de mútuo, verificase que foram juntados os seguintes documentos (fls. 1418/1438; doc. 06; doc. 07; doc. 08 e doc. 09): a) extratos bancários da conta do recorrente e de seus irmãos; b) comprovantes das transferências efetuadas pelas empresas Palma, BSB Administração e Participações LTDA ME, LCC Construtora e Participações S.A e KBR Construções e Participações S.A; c) extrato bancário da conta das empresas constando o depósito da quantia emprestada; d) contrato de mútuo entre a irmã do recorrente e a empresa Palma no montante de R$ 1.500.000,00; e) contrato de conta corrente contábil entre a empresa Palma e as demais. Desse modo, pelo conjunto das provas apresentadas, fls. 2638 a 2.665, foi demonstrada a transferência dos valores e várias devoluções. Ressalto que não foi possível fazer um cotejamento de valores exatos, mas, pelos documentos apresentados, inferese que houve, de fato, o mútuo alegado. Sobre a adução relativa ao caráter confiscatório da multa, que esbarra em alegação de inconstitucionalidade, afasto a apreciação, considerando o Enunciado de Súmula CARF n.º 2 abaixo transcrito: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à aplicação dos juros de mora e da multa de ofício, cumpre esclarecer, conforme destacou a Delegacia de Origem que o valor dos juros foi calculado apenas sobre o imposto exigido, não incidindo sobre a multa de ofício, fl. 1.290. Sobre a multa de ofício e os juros de mora, fazse relevante elucidar: Multa de Ofício A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, cujo teor é o seguinte: Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.687 19 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Juros de Mora Os juros de mora cobrados no lançamento (fl. 123) equivalem à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, estando em consonância com a Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, assim descrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, deve ser mantido o lançamento nesta seara. Apenas pelo debate, cabe destacar a possibilidade de incidência dos juros sobre a multa de ofício, considerando que a multa integra o crédito tributário. A respeito da qualificação da multa, como incidia apenas sobre os rendimentos reclassificados, situação na qual dei provimento ao recurso, a discussão perdeu o objeto. 6. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: a) reconhecer a comprovação da caracterização do desenvolvimento da atividade rural, tal como declarada pelo recorrente, devendo ser considerado o arbitramento de 20% da receita bruta, consoante legislação de regência; b) reconhecer a comprovação da origem dos valores depositados em conta relativos aos Resgates de Aplicações do Sr. Luiz Eduardo e Luíza M. E. de Oliveira; dos Resgates de Aplicações depositados na conta 3.004P relativos aos cotitulares; dos depósitos relativos aos arrendamentos, do depósito no valor de R$ 110.000,00 referente à venda de um pulverizador e dos depósitos a título de mútuo; c) excluir da planilha de depósitos objeto da autuação os estornos bancários, transferências de mesma titularidade e cheques devolvidos, os valores constantes da planilha realizada pela fiscalização referentes a conta bancária diversa da conta 3.004P; d) excluir da base de cálculo da omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada os rendimentos efetivamente declarados como tributáveis, não tributáveis e exclusivamente na fonte. Fl. 2770DF CARF MF 20 Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem a fundamentação e a logicidade do voto da ilustre Conselheira Relatora, ouso, com a devida vênia, dela discordar quanto à comprovação dos mútuos realizados. Antes de fundamentar minha discordância, necessário aclarar minha nução com os demais pontos do voto da insigne Relatora. Não verifico a comprovação dos contratos mútuos alegados. Reproduzo o trecho que exprime meu desacordo com a motivação adotada. "Acerca dos alegados contratos de mútuo, verificase que foram juntados os seguintes documentos (fls. 1418/1438; doc. 06; doc. 07; doc. 08 e doc. 09): a) extratos bancários da conta do recorrente e de seus irmãos; b) comprovantes das transferências efetuadas pelas empresas Palma, BSB Administração e Participações LTDA ME, LCC Construtora e Participações S.A e KBR Construções e Participações S.A; c) extrato bancário da conta das empresas constando o depósito da quantia emprestada; d) contrato de mútuo entre a irmã do recorrente e a empresa Palma no montante de R$ 1.500.000,00; e) contrato de conta corrente contábil entre a empresa Palma e as demais. Desse modo, pelo conjunto das provas apresentadas, fls. 2638 a 2.665, foi demonstrada a transferência dos valores e várias devoluções. Ressalto que não foi possível fazer um cotejamento de valores exatos, mas, pelos documentos apresentados, inferese que houve, de fato, o mútuo alegado." Esse o ponto do dissenso. Como sempre externalizo, em meus votos e verbalmente nas sessões, me filio àqueles para quem o contrato de mútuo em dinheiro, pela sua inerente falta de formalidade e infelizmente, inegável desvirtuamento de uso por muitos, exige que se comprove, como matéria de defesa, o fluxo de numerário. Isto é, o efetivo empréstimo e e devolução. Para mim, mesmo sendo um contrato jurídico válido, o mútuo de dinheiro atrai um ônus probatório mais custoso para quem dele se utiliza, justamente por ele se prestar muito facilmente à simulação e como dito, infelizmente, ser muito utilizado para tanto ou seja, o mútuo deve ser efetivamente comprovado pelo interessado, não bastando a mera Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 10166.721564/201454 Acórdão n.º 2201003.973 S2C2T1 Fl. 2.688 21 apresentação de seu instrumento de constituição ou alguns documentos comprobatórios do empréstimo alegado. Como ressalta a Relatora, não foi possível um cotejamento do valores que externasse o empréstimo e sua necessária devolução. Ao contrário daqueles que entendem que em um negócio entre familiares as comprovações se tornam despiciendas, vejo, no caso em concreto, um atividade empresarial robusta, ensejadora de controles mais profissionais, típicos dos negócios jurídicos de vulto, ainda que entre parentes. Assim, havendo o aludido contrato, seria totalmente plausível a apresentação do fluxo financeiro que o comprovaria. Mera planilha, indicando os empréstimos e as respectivas devoluções seria suficiente. Como dito pela Relatora, não houve tal comprovação. Nesse sentido, não soube o Recorrente se desvencilhar do ônus da prova que afastaria a presunção da receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Não houve a comprovação do mútuo alegado, e portanto, não houve a comprovação da origem dos recursos movimentados na conta corrente. Diante do exposto, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Por força dos argumentos e fundamentos apresentados, por mim e pela Conselheira Relatora, concluo, unindo os votos, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: a) reconhecer a comprovação da caracterização do desenvolvimento da atividade rural, tal como declarada pelo recorrente, devendo ser considerado o arbitramento de 20% da receita bruta, consoante legislação de regência; b) reconhecer a comprovação da origem dos valores depositados em conta relativos aos Resgates de Aplicações do Sr. Luiz Eduardo e Luíza M. E. de Oliveira; dos Resgates de Aplicações depositados na conta 3.004P relativos aos cotitulares; dos depósitos relativos aos arrendamentos e do depósito no valor de R$ 110.000,00 referente à venda de um pulverizador; c) excluir da planilha de depósitos objeto da autuação os estornos bancários, transferências de mesma titularidade e cheques devolvidos, os valores constantes da planilha realizada pela fiscalização referentes a conta bancária diversa da conta 3.004P; d) excluir da base de cálculo da omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada os rendimentos efetivamente declarados como tributáveis, não tributáveis e exclusivamente na fonte. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Fl. 2772DF CARF MF 22 Fl. 2773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910763/2008-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2000
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.718
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2000 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente FLEURY S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2000 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 63 /2 00 8- 11 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.910763/200811 Acórdão n.º 9303005.718 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.008, de 24/09/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora, após o Despacho Decisório e no prazo da Manifestação de Inconformidade, para a comprovação do direito creditório alegado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 1302001.423 (possibilidade de homologação da PER/DCOMP em face da apresentação de DCTF retificadora após o Despacho Decisório) e 3401002.744 e 3401002.128 (necessidade de conversão do julgamento em diligência caso não seja reconhecido o direito à homologação com base na DCTF retificada). Por meio do exame de admissibilidade do recurso, propôsse o seu não seguimento, o que, embora acatado pelo Presidente do CARF em despacho de reexame, foi revertido por medida liminar em mandado de segurança, determinando o seguimento do recurso especial. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.910763/200811 Acórdão n.º 9303005.718 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.708, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10880.910755/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.708): "Em face do provimento judicial que determinou a este Colegiado Administrativo o seguimento do recurso especial, ultrapassamos a análise de sua admissibilidade e passamos ao mérito do litígio. Neste, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nesse contexto, ainda que não se tenha concordado com o argumento de que a falta de DCTF retificadora não seria óbice ao deferimento do pedido (coisa com a qual também concordamos), não se poderia, pura e simplesmente, dar provimento ao recurso especial, mas retornar os autos à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a questão, enfrentasse o mérito do litígio, mediante a análise da documentação fiscal ou contábil por meio da qual se pudesse comprovar o crédito a ser restituído. Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria suficiente para a demonstração do crédito, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que, no caso ora em exame, não se verificou, daí porque absolutamente impertinente converter o julgamento em diligência, como pretende a Recorrente1. Ante o exposto, conheço do recurso especial em face do provimento judicial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também "limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito". 1 Segundo o relator do acórdão recorrido: "No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição". Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.910763/200811 Acórdão n.º 9303005.718 CSRFT3 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido em face do provimento judicial e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721181/2015-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 11 81 /2 01 5- 93 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10120.721181/201593 Acórdão n.º 1001000.174 S1C0T1 Fl. 83 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza (CE), mediante o Acórdão nº 0836.000, de 23/05/2016 (efls. 38/40), objetivando a reforma do referido julgado. Em 07/01/2015, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 11/02/2015 (efl. 04), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita : 8109 Nome do Tributo: PIS Período de Apuração: 03/2011 Saldo Devedor: R$ 70,18 2)Débito Código da Receita : 8109 Nome do Tributo: PIS Período de Apuração: 05/2011 Saldo Devedor : R$ 51,13 3) Débito Código da Receita : 8109 Nome do Tributo: PIS Período de Apuração: 12/2011 Saldo Devedor: R$ 54,83 Débito inscrito em Divida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita : 1804 Nome do Tributo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Número do Processo: 10120502479201415 Número da Inscrição: 1161400148564 Data da Inscrição : 07/03/2014 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando, em síntese, que não houve falta de pagamento, mas sim um erro no preenchimento do DARF, para o qual apresentou REDARF (pedido de retificação do DARF). A DRJ considerou que não restou comprovado que todos os débitos apontados no Termo de Indeferimento foram tempestivamente regularizados, pois "o débito inscrito em Divida Ativa da União apontado no Termo de Opção, foi objeto de pedido de parcelamento junto à Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 32/34) em 19/01/2015, contudo, a solicitação de parcelamento foi rejeitada (fl. 34), permanecendo o débito exigível." O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10120.721181/201593 Acórdão n.º 1001000.174 S1C0T1 Fl. 84 3 Anocalendário: 2015 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO REGULARIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Deve ser mantido o Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional quando não regularizadas as pendências impeditivas à opção por aquele regime de tributação. Ciente da decisão de primeira instância em 08/06/2016, conforme Aviso de Recebimento à efl. 46, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/07/2016 (efls. 48/49), conforme Termo de Solicitação de Juntada à efl. 47. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10120.721181/201593 Acórdão n.º 1001000.174 S1C0T1 Fl. 85 4 § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que não houve falta de pagamento, mas sim um erro no preenchimento do DARF, para o qual apresentou pedido de retificação do DARF (REDARF), e anexa "Resultado de Consulta Inscrição Localizada", emitido pela PGFN, em 18/07/2016 (efls. 73/76). Como se observa na nova consulta aos débitos, emitida pela PGFN, o pagamento da primeira parcela, efetuado em 22/01/2015, foi devidamente incluído no sistema em 19/02/2015, após o deferimento do pedido de retificação do DARF (REDARF), porém o efetivo pedido de parcelamento somente ocorreu em 17/06/2016, portanto, após o prazo legal de regularização para inclusão no Simples Nacional no ano de 2015, situação esta ratificada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF de Goiânia, mediante o despacho à e fl.77. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.728448/2013-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
INCREMENTO NO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO. LUCROS E RESERVAS DE LUCROS.
É possível o incremento no custo de aquisição participação societária, mediante a incorporação de lucros ou reservas constituídas com esses lucros.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001.
Numero da decisão: 2402-006.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja realizado o recálculo do lançamento considerando as capitalizações de lucros e de reservas constituídas com esses lucros. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima (Relator), que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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CAPITALIZAÇÃO. LUCROS E RESERVAS DE LUCROS. É possível o incremento no custo de aquisição participação societária, mediante a incorporação de lucros ou reservas constituídas com esses lucros. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 84 48 /2 01 3- 44 Fl. 594DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja realizado o recálculo do lançamento considerando as capitalizações de lucros e de reservas constituídas com esses lucros. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima (Relator), que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 482/493) em face do Acórdão n. 12 67.173 21ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJO (fls. 465/472), que julgou improcedente a impugnação de fls. 357/365 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnoCalendário 2012 Períodos de Apuração (P.A): 01/2012 e 07/2012 no montante de R$ 11.023,86 sendo R$ 5.854,10 de imposto Cód. Receita 2904 , R$ 779,18 de juros de mora calculados até 01/2014 e R$ 4.390,58 de multa proporcional passível de redução (fls. 329/334) com fulcro em apuração de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 335/344. De acordo com o TVF (fls. 335/344) o procedimento fiscal visou à verificação de rendimentos sujeitos a ganho de capital na alienação de ações da Clínica MédicoCirúrgica Botafogo S/A Hospital Samaritano CNPJ 33.171.638/000144, ocorrida em 01/02/2011. O recorrente impetrou Mandado de Segurança Preventivo n. 2011.51.01.0033915 (fls. 500/512) contra atos do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro I e do ProcuradorChefe da Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado do Rio de Janeiro postulando fosse concedida a segurança a fim de não ser compelido a pagar Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação de 1.317.380.526 ações, as quais haviam sido adquiridas no período de 25/04/1972 a 28/04/1983, considerando as respectivas bonificações (em 30/04/1987 houve grupamento de ações com exclusão dos últimos três dígitos, isto é, tratase de 1.317.381 ações). Argumentava na ação judicial a existência de direito adquirido à isenção em relação à venda da maior parte das ações prevista na alínea “d”, do art 4º, do Decreto n. 1.510/76. Em 17/06/2011, foi exarada decisão de primeira instância 23ª. Vara Federal do Rio de Janeiro (fls. 513/516) favorável ao recorrente, “para determinar às autoridades coatoras que se abstenham de exigir o Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação das 1.317.381 de que era titular”. A União Federal/Fazenda Nacional apresentou recurso de apelação ao TRF2 (fls. 517/526), que negou provimento, mantendo a decisão de primeiro grau que concedeu a segurança e determinou que as autoridades coatoras (Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I e II) se abstivessem de exigir o Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação das ações de que o embargado era titular, em face da isenção prevista no art 4º, alínea "d" do Decreto n. 1.510/76. A União Federal/Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que teve negado provimento (fls. 527/533). Fl. 596DF CARF MF 4 Em seguida, a União Federal/Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial REsp (n. 1.588.793RJ), que foi admitido pelo TRF2 e julgado pelo STJ, que negou seguimento, ocorrendo trânsito em julgado em 22/11/2016 (fls. 536/545). O Recurso Extraordinário RE apresentado pelo recorrente não foi admitido pelo TRF2 (fls. 534/535). O recorrente efetuou depósito judicial dos valores em lide (fls. 114/117), confirmados pela Fiscalização da RFB e atestado a DRJ/RJO (fl. 467). Os fatos vinculados à autuação em litígio podem ser assim resumidos: "Custo de Aquisição Considerado pelo Contribuinte: O contribuinte informou como custo de aquisição para as ações alienadas o valor de R$ 2.276.326,60. Segunda informa, tal valor representa o custo das ações constantes de sua DIRPF 2010 (1.676.588,60) acrescido de capitalização de lucros de 2010 (R$ 599.738,09). Tal valor também corresponde à quantidade de ações possuída pelo contribuinte à época da alienação (1.445.335) multiplicada pelo valor de cada ação (R$1,5749), considerados o valor do capital social (R$28.014.841,05) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A – Hospital Samaritano e a quantidade de ações que o compunham (17.787.794), de acordo com ata de assembléia geral ordinária e extraordinária. Custo de Aquisição Apurado pela Fiscalização: A sistemática utilizada pelo contribuinte para apuração do custo de aquisição das ações não encontra amparo na legislação. O contribuinte adquiriu ações antes e após 31/12/1991, dessa forma, em obediência à legislação regente, a fiscalização apurou o custo de aquisição para as ações adquiridas até 31/12/1991 e este foi adicionado ao custo de aquisição das ações adquiridas após essa data. Para o cálculo do custo de aquisição das ações adquiridas antes de 1991, foi feita a comparação entre o custo de aquisição calculado pelos incisos I e II do art 126, do Decreto Lei 3.000/99, sendo que para o inciso II a fiscalização considerou o valor de R$ 492.479,20, para as 1.445.335 ações, valor este declarado da DIRPF (Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física), exercício 1999, visto que não foi apresentada a declaração de bens do exercício 1992. Para as 44.353 ações adquiridas em 1996, a fiscalização considerou como custo de aquisição o valor de R$19.875,00. A fiscalização não considerou o aumento do custo de aquisição constante das DIRPF 2004, 2010 e 2011, pois essas majorações foram feitas sem emissão de novas ações, não sendo permitidas pela legislação. Valor de Alienação: O valor estabelecido no contrato celebrado em 01/02/2011 para a venda era de R$ 10,1193 por ação, totalizando para o contribuinte o valor de R$ 14.625.778,47. O contribuinte considerou como valor de alienação R$14.797.045,75, valor este acrescido de R$ 171.267,27, correspondentes a honorários advocatícios (valores também constantes do mesmo contrato). Ainda de acordo com o contrato, o valor da venda seria recebido em 7 parcelas nas datas, a saber: 02/02/2011, 01/04/2011, 11/07/2011, 10/01/2012, 10/07/2012 (essas objetos de análise do presente procedimento) e 10/01/2013 e 10/07/2013 (fora do escopo do presente procedimento fiscal). Ganho de Capital e Imposto Devido: Apuração procedida pelo contribuinte Conforme planilha em resposta apresentada à fiscalização em 25/07/2012, o contribuinte dividiu as ações entre aquelas por ele consideradas abrangidas pela alínea “d” do art. 4º do Decreto Lei nº 1.510/76 (quantidade de 1.317.381 – percentual de 91,147%), daquelas que considerou não Fl. 597DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 103 5 abrangias pela citada norma (quantidade de 127.954 – percentual de 8,853%). Em seguida procedeu à apuração do ganho de capital e do imposto devido quando do recebimento de cada uma das parcelas estabelecidas no contrato de alienação na proporção dos recebimentos, conforme Planilha 04. A fiscalização confirmou os depósitos relativos ao imposto incidente sobre 91,147% do ganho de capital, foram confirmados nos valores acima, bem como os recolhimentos relativos aos restantes 8,853%, feitos por DARF. Em paralelo, e de forma contraditória ao fato de ter impetrado ação judicial para discutir o valor do ganho de capital, o contribuinte declarou a alienação das ações e apurou o ganho de capital como se não estivesse discutindo judicialmente o valor do imposto incidente sobre a operação. Apuração da Fiscalização Ganho de capital não discutido judicialmente – a fiscalização considerou custo de aquisição de R$492.479,20, dessa forma confeccionou novo Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital – Participações Societárias (em anexo) utilizandose o custo de aquisição apurado pela fiscalização, chegandose ao ganho de capital total na alienação das ações de R$14.304.566,54 (Valor de Alienação R$14.797.045,74 – Custo de Aquisição R$492.479,20). A fiscalização apresenta a Planilha 05, fls 342, na qual acosta os valores advindos do Demonstrativo apurado pela fiscalização, com a divisão dos valores do IR devido em “sub judice” e “não contestado”. Os cálculos deste auto de infração, relativos ao imposto devido quanto à parcela a lançar com multa de ofício de 75% e juros, se referem apenas à parte não contestada (8,853% do total apurado) e, portanto, são menores do que os valores já declarados pelo contribuinte para 2011. Não há, portanto, lançamento de imposto sobre esta parcela para o ano calendário 2011. Com relação a 2012, no entanto, não foi apresentado o anexo do ganho de capital na alienação das ações com a declaração do imposto devido sobre as parcelas recebidas naquele ano calendário. Quanto às parcelas recebidas no ano calendário 2012 (10/01/2012 e 10/07/2012), portanto, não houve declaração prestada pelo contribuinte e o imposto apurado, relativo à parte não contestada (8,853%), está sendo lançado através deste auto de infração, com cobrança regulamentar de multa de ofício de 75%, conforme planilha 06, fls 343, com dedução dos valores do IR pago. Ganho de capital sub judice: Tratase da parte da alienação relativa às ações (91,147%) que, segundo o contribuinte, estão abrangidas pelo DL 1.510/76, sendo discutida judicialmente através do processo nº 2011.51.01.0033915. Como já explicitado, o contribuinte realizou depósitos judiciais do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, sob o código 7416, nas datas e valores relativos às parcelas recebidas. Houve decisão judicial favorável ao contribuinte e os créditos deste auto de infração são constituídos com exigibilidade suspensa, para garantia dos créditos tributários até o trânsito em julgado do processo judicial. No entanto, como já exposto, o cálculo do custo de aquisição das ações utilizado pelo contribuinte para apurar o ganho de capital, e, consequentemente, o valor do imposto de renda incidente sobre as parcelas, não está amparado pela legislação de regência e o custo das ações foi reduzido, de acordo com a apuração desta fiscalização, gerando novos valores de ganho de capital e de imposto devido, Planilha 07. Todavia, em atendimento à decisão judicial, os créditos foram constituídos sem cobrança de multa e juros e com exigibilidade suspensa. Fl. 598DF CARF MF 6 Conclusão: O crédito tributário apurado para o presente processo, n. 12448.728448/201344, foi de R$11.023,86 sendo R$5.854,10 de imposto, R$779,18 de juros e R$4.390,58 de multa proporcional passível de redução. O crédito tributário apurado para o processo nº 12448.728447/201308 foi de R$1.472.454,71 de imposto." É relevante destacar que as ações consideradas no lançamento de fls. 329/334 referemse a 8,853% do total das ações (127.954 de 1.445.335 ações) que o recorrente detinha à data da alienação (01/02/2011), não estando assim abrangidas pela decisão judicial transitada em julgado (fls. 542/551) isenção nos termos do alínea “d”, do art 4º, do Decreto n. 1.510/76 , em conformidade com planilhas apresentadas pelo recorrente à fl. 113, cujos percentuais informados (91,147% e 8,853%) não foram questionados pela Fiscalização da RFB. Cientificado do Auto de Infração (fls. 329/334) em 29/01/2014 (fl. 350), o recorrente apresentou impugnação (fls. 357/365) em 07/02/2014, aduzindo em síntese: "Da tempestividade; dos fatos e do Auto de Infração – discorre sobre os fatos. Da possibilidade de discussão, na via administrativa, de matérias não tratadas na via judicial – Cita jurisprudência e entende que o MS nº 2011.51.01.0033915 tem como objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o argumento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea “d”, do DL nº 1.510/76. Já na presente impugnação, o que está sendo questionado nos autos são os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações. Assim, resta claro que o disposto na letra “b” do ADN COSIT nº 03/96 dá respaldo à apreciação na via administrativa da matéria que será tratada na presente impugnação. Dos erros cometidos pela fiscalização na determinação do custo de aquisição das ações – entende que a fiscalização cometeu um equivoco ao desconsiderar o custo de aquisição utilizado pelo impugnante para fins de apuração do ganho de capital. Informa que a fiscalização deixou de considerar no custo de aquisição das ações os valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridos nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, devidamente comprovadas por meio de documentação apresentada por petição protocolada em 25.07.2012. Apresenta suas razões e entende que há a possibilidade de incremento do custo de aquisição de ações em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro/1996 já foi objeto em Soluções de Consulta pela própria Receita Federal do Brasil (RFB), como segue. Cita trecho das Soluções de Consulta nºs 53, 54, 55, 56, 57, 58 de 08/05/2008. Têmse, portanto, que os valores proporcionais das capitalizações realizadas pela Clínica nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, que totalizam 1.431.593,82, também devem compor o custo de aquisição das alienadas pelo impugnante para fins de apuração de eventual imposto de renda sobre ganho de capital. Por fim, devese destacar que o efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo o ganho de capital deve ser de apenas R$ 14.625.778,47, e não de R$ 14.797.045,74. De fato, conforme se depreende pelo Contrato de Compra e Venda das Ações (apresentado no curso da fiscalização e ora reapresentado – doc 03), o valor efetivo da venda das ações do Impugnante foi de R$ 14.625.778,47, sendo que o valor de R$ 171.267,27, corresponde a honorários advocatícios, pagos te pelos compradores. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 104 7 Pelo exposto, pede e espera o impugnante a retificação do valor lançado no auto. Recepcionada a impugnação de fls. 357/365, a DRJ/RJO exarou decisão abrigada no Acórdão n. 1267.173 (fls. 465/472), sumarizada na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001. ÔNUS DA PROVA. Havendo incongruência entre as informações declaradas à RFB e informadas pelo contribuinte, este deve apresentar documentos hábeis e inequívocos para refutar a base de cálculo do imposto de renda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do teor do Acórdão n. 1267.173 (fls. 465/472) em 22/08/2014 (fl. 474) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 18/09/2014 (fls. 482/493), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de fls. 357/365. É o relatório. Fl. 600DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (fls. 482/493) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, a autuação em lide recai sobre o ganho de capital decorrente da alienação de 8,853% das ações (ou seja, 127.954 ações) de titularidade do recorrente, referentes à Clínica MédicoCirúrgica Botafogo S.A, as quais não são abrangidas pelo Mandado de Segurança por ele impetrado visando elidir a incidência de imposto de renda com fulcro na isenção prevista no art. 4º, “d”, do DecretoLei n. 1.510/76. A Fiscalização da RFB informa da ocorrência de recolhimento de DARF sobre o ganho de capital considerado pelo recorrente relativo à alienação das 127.954 ações (8,853%). Foi desconsiderado pela Fiscalização da RFB a capitalização de lucros e reservas de lucros, nos 1996, 1997, 2009 e 2010, feita pelo recorrente para aumentar o custo de aquisição, por ausência de previsão legal. Dessa forma, foi apurado imposto de renda sobre o ganho de capital calculado com base no custo de aquisição levantado pela Fiscalização, deduzindose, todavia, os valores recolhidos através de DARF. Em sua peça recursal de fls. 482/493, o recorrente denuncia que houve equívoco por parte da Fiscalização ao não considerar o custo de aquisição por ele utilizado para fins de apuração do ganho de capital ao fixar o valor de R$ 492.479,20, ressaltando que a possibilidade de incremento do custo de aquisição das ações já existentes, em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro/1996, já foi reconhecida em Soluções de Consulta pela própria Receita Federal do Brasil (RFB). Neste ponto é oportuno destacar que soluções de consultas exaradas pela RFB são desprovidas de qualquer efeito vinculante para o julgador de segunda instância, constituindose, quando for o caso, mero elemento a ser considerado na formação de sua convicção, tendo em vista que não constam do rol de dispositivos (legais e infralegais) de observância obrigatória elencados no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015, e alterações posteriores. A pretensão do recorrente no sentido de aumentar o custo de aquisição das ações já existentes, em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro/1996, não encontra guarida na legislação, não podendo assim prosperar. Com efeito, a Lei n. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital, verbis: Fl. 601DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 105 9 Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo." (grifei) Ou seja, somente se os lucros e reservas incorporados ao capital tivessem sido tributados na fonte IRRF à alíquota de 8% sobre o Lucro Líquido, na forma do art. 35 da Lei n. 7.713/88, o custo de aquisição da participação societária seria incrementado em valor equivalente à parcela dos lucros ou reservas capitalizados correspondente à participação do sócio beneficiado. Caso esses lucros e reservas capitalizados não tivessem sido oferecidos à tributação, o aumento no custo de aquisição seria zero. Entretanto, a Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, revogou tacitamente o art. 35 da Lei n. 7.713/88, ao isentar do imposto de renda os lucros distribuídos, e, em razão disso, autorizou o incremento no custo de aquisição da participação societária somente da parcela capitalizada dos lucros e das reservas constituídas com esses lucros correspondente ao sócio beneficiado: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (grifei) Fl. 602DF CARF MF 10 Ad argumentadum tantum, vez que não se aplica ao caso concreto em virtude de a este não ser contemporânea, a Lei n. 12.974, de 13 de maio de 2014, introduziu novos parágrafos no art. 10 da Lei n. 9.249/95, mas manteve o texto anterior: "§ 1° No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996,ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (Incluído pela Lei n. 12.973, de 2014)." (grifei) Noutro giro, o Decreto n. 3.000/99 (RIR/99) assim estabelece: "Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei n. 7.713, de 1988, art. 16, § 2°). § 1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei n. 7.713, de 1988, art. 16, § 3°, e Lei n. 8.383, de 1991, art. 75). (grifei) § 2º O custo é considerado igual a zero (Lei n. 7.713, de 1988, art. 16, § 4°): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; II no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; III quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior.” "Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei n. 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único)." (grifei) A bonificação de ações está diretamente relacionada ao aumento do capital social por meio da capitalização de reservas, sem que haja incremento do patrimônio líquido, ocorrendo apenas movimentação contábil. Tratase, pois, de aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas, assim decorrendo alteração do valor nominal das ações ou distribuições de ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem, conforme previsão do art. 169 da Lei n. 6.404/76. Na letra exata da legislação art. 10, § 1°., da Lei n. 9.249/1995 e art. 135 do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99) apenas as quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Repisando: a legislação é clara e expressa ao referirse às ações distribuídas e não às existentes. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 106 11 Com efeito, a regra plasmada no art. 10, § 1°., da Lei n. 9.249/1995 e art. 135 do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99) não deixa dúvidas que é aplicável apenas quando há distribuição de novas ações nos casos em que a pessoa jurídica (sociedade anônima) aumenta seu capital mediante capitalização de lucros e de reservas de lucros. Sem adentrar no mérito (jurídico, econômico, fiscal ou contábil) no que tange à sua pertinência e acerto, o entendimento esposado nas soluções de consulta referenciadas pelo recorrente extrapola o comando legal insculpido no art. 10, § 1°., da Lei n. 9.249/1995, reproduzido no art. 135 do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99), ao estender o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento às ações já existentes, quando a legislação é expressa em restringilo apenas àquelas distribuídas. Não há que se discutir na presente análise, até por fugir ao seu escopo, se os dispositivos legais em apreço são anacrônicos e dissociados da realidade econômica, fiscal e contábil, como sugere a argumentação desenvolvida pelo recorrente na peça recursal de fls. 482/493. É fundamental resgatar os termos do art. 142, parágrafo único, do CTN quando estabelece que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nessa perspectiva, a Fiscalização, ao observar a regra do art. 10, § 1°., da Lei n. 9.249/1995, reproduzido no art. 135 do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99), agiu nos estritos limites da lei, não havendo por que dela se desviar para atender a entendimento esposado em soluções de consulta isoladas e desprovidas de qualquer força vinculante. Por outro lado, não obstante as atas de assembléias acostadas às fls. 237/260 informarem a capitalização dos lucros nos períodos e nos montantes pretendidos pelo recorrente, não restam evidenciados nos autos elementos de prova contábeis/fiscais vinculados à Clínica MédicoCirúrgica Botafogo S/A CNPJ 33.171.638/000144, com a devida autenticação nos órgãos competentes, que atestem e respaldem a concretização daquelas capitalizações. No que tange ao efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo do ganho de capital, não há previsão legal para dedução de honorários advocatícios no respectivo valor de alienação, na forma pleiteada pelo recorrente. O art. 19, § 4°. da Instrução Normativa SRF n. 84/2001 prevê apenas a dedução, no valor de alienação, do valor da corretagem (instituto previsto no art. 722 do Código Civil), que não se aplica ao caso concreto. Assim, não obstante o contrato de compra e venda de ações de fls. 371/459 informar valor de alienação de R$ 14.625.778,47, restou caracterizado na planilha de fl. 103, acostada aos autos pelo próprio recorrente, que o valor total de alienação o valor de R$ 14.797.045,74 (R$ 14.625.778,47 + R$ 171.267,27 de honorários advocatícios pagos diretamente pelos compradores das ações e descontados dos valores devidos ao recorrente). Com efeito, na planilha de fl. 103 o recorrente assim informou: Total de ações à venda: 1.445.335 % ações sob DL 1510: 91,147% % ações fora do DL 1510: 8,853% Preço total de venda: R$ 14.797.045,74 Preço do contrato (R$ 10,1193 por ação): R$ 14.625.778,47 Honorários UCRG: R$ 171.267,27 Fl. 604DF CARF MF 12 Desta forma, não parece razoável, uma vez caracterizado venire contra factum proprium, que em sede de recurso voluntário o recorrente venha contestar as informações que ele mesmo apresentou à Fiscalização da RFB e que subsidiaram a apuração de ganho de capital que ele mesmo efetuou, conforme afirma nos tópicos 2.2 e 2.5 da peça recursal de fls. 482/493, verbis: ... Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 482/493) e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Fl. 605DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 107 13 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado A decisão contestada, ao examinar a legislação aplicável, assim se pronunciou: Notese que os parágrafos 1o e 2°, inciso I, do artigo 130 e o artigo 135 do RIR/1999 tratam da determinação do custo de aquisição relativo às quotas ou ações recebidas em bonificação. Vejase o conceito de “bonificação em ações”, colhido na rede mundial de computadores, no endereço “http://www.shopinvest.com.br/Acoes/ativos.asp”: Advém do aumento de capital de uma sociedade, mediante a incorporação de reservas e lucros, quando são distribuídas gratuitamente novas ações a seus acionistas, em número proporcional às já possuídas. No caso concreto, não houve recebimento de bonificações a partir do ano calendário de 1996, conforme documentos apresentados durante a fiscalização e demonstrados por esta através da Planilha 01 do Termo de Verificação Fiscal. Logo, correto o entendimento da fiscalização que desconsiderou o custo de aquisição incrementado através da capitalização de lucros e reservas de lucros feita nos 1996, 1997, 2009 e 2010. Em outras palavras, entendeu que apenas no caso de distribuição de bonificação de ações é que poderia se considerar a majoração do custo de aquisição em virtude de capitalização de lucros ou reservas de lucros; no mesmo sentido, orientou o seu voto o D. Relator. Necessário, para verter outra compreensão sobre a matéria, transcrever novamente os arts. 130 e 135 do RIR/99: Art.130.O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §2º). §1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). Fl. 606DF CARF MF 14 §2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §4º): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; II no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; III quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior. (...) Art.135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único).(grifei) A leitura das disposições supra revela que a prescrição do artigo 130, § 1º, que tem por base legal o artigo 16, § 3º, da Lei n° 7.713/88, aplicase até o anocalendário de 1993. Ressaltese que a tributação do lucro “na forma do art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988”, mencionada no referido parágrafo 1°, não mais vigorou a partir do anocalendário de 1993, por força do disposto no artigo 75 da Lei n° 8.383/91. Já o artigo 135 do RIR/99, cuja matriz legal é o artigo 10, parágrafo único, da Lei n° 9.249/95, aplicase a partir de janeiro de 1996. Na verdade, tratamse de regras que concernem a períodos distintos, pois anteriormente a 1996 o lucro distribuído era passível de tributação, inclusive na fonte, não sendo alterado o custo de aquisição da participação societária quando da capitalização dos lucros pela pessoa jurídica. Sendo tal participação alienada, o lucro dantes capitalizado sofria a incidência "cheia" do ganho de capital. Com o advento do art. 10º da Lei nº 9.249/95, os lucros passaram a ser tributados somente na pessoa jurídica. A partir de então os dividendos passaram a ser isentos, o que poderia ensejar a preferência pela sua distribuição frente à sua retenção e reinvestimento, dando azo à descapitalização das empresas. Para evitar tal situação, e estimular a retenção dos lucros de modo a possibilitar a realização de investimentos e formação bruta de capital sem endividamento perante terceiros, com o consequente crescimento da economia e geração de empregos, o regramento do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 (art. 135 do RIR/99, acima reproduzido) previu uma "compensação" para que os sócios não decidissem priorizar a distribuição de lucros. Com efeito, para que os lucros não fossem distribuídos como dividendos aos sócios mas sim incorporados mediante aumento de capital da empresa, foi possibilitado o ajuste no custo de aquisição das participações societárias dos acionistas, na proporção em que fossem aqueles capitalizados, balizandose assim o alcance do benefício legal da isenção dos dividendos. Assim, adicionouse ao natural efeito diferimento do ganho de capital na postergação da alienação das ações, a vantagem de que esse ganho sujeito à tributação verseia diminuído do montante dos lucros que foram capitalizados e não distribuídos aos sócios. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 108 15 Destarte, ainda que o art. 135 do RIR/99 refirase tãosomente às quotas e ações distribuídas em razão da capitalização de lucros ou reservas constituídas com esses lucros, sob o ponto de vista teleológicosistemático não há motivo para que essa capitalização não reflita, igualmente, acréscimo do custo de aquisição de ações já detidas pelos sócios. Tragase à colação as ponderadas palavras de Paulo Cezar Aragão e Fernanda Mattar Mesquita a respeito do tema: Em outras palavras: se o acionista receber ações com base em reservas e lucros cuja capitalização não seria tributada, por haverem sido apurados a partir de janeiro de 1996, a parcela de tais lucros ou reservas que caberia ao acionista não apenas está isenta de tributação para a pessoa jurídica que os capitalizar, como também atualizará a base de custo do acionista pessoa física ou jurídica, para uma eventual apuração futura do ganho de capital tributável. Dessa forma, sem descapitalizar a companhia com distribuições de dividendos acima do obrigatório, o acionista vê aumentado o seu custo de aquisição que serve de base para a apuração do ganho de capital em caso de venda de ações. Uma leitura literal do texto da lei, reproduzida no RIR, que alude a “quotas ou ações distribuídas”, tem feito com que algumas companhias abertas, ao capitalizarem lucros ou reservas, adotem ainda a prática, até certo ponto ultrapassada, de distribuírem novas ações aos seus acionistas (por exemplo, as aqui tratadas bonificações), que na reforma se buscou desestimular, para evitar uma “ilusão de ganho” característica de um mercado de capitais incipiente e de uma economia inflacionária. Sempre foi objeto de análise a possibilidade de que esta capitalização de lucros ou reservas fosse feita sem a distribuição de novas ações, pelos custos de implantação que as bonificações representam e, acima de tudo, pelo custo adicional que geram, principalmente, nos casos das companhias brasileiras com certificados de depósito de ações no exterior (“ADRs”), para os titulares dos referidos ADRs, já que, no mercado externo, o número de ações alienadas usualmente impacta o custo de transferência junto aos bancos depositários (uma vez que novos ADRs serão emitidos, fazendo com que uma mesma operação passe a envolver um número maior e custos de transação aumentados), tornando as operações mais onerosas para os investidores estrangeiros de portfólio (por exemplo, feitos com base na Resolução CMN nº 2.689), que estariam, em qualquer caso, isentos de tributação sobre ganho de capital. Para esses investidores de portfólio, desse modo, a distribuição de novas ações em bonificação não tem real sentido econômico, apenas aumentando o custo de transação. Nos últimos anos, contudo, a Receita Federal do Brasil divulgou Soluções de Consulta com base nas quais se reconhece que, em ambos os casos (por exemplo, na capitalização de reservas com Fl. 608DF CARF MF 16 ou sem a emissão de novas ações), o custo (fiscal) de aquisição dos acionistas pode sofrer ajuste. Assim, segundo esse novo entendimento, a distribuição de novas ações não é necessária para o gozo do benefício de aumento do custo (fiscal) de aquisição para as pessoas físicas ou jurídicas, ainda que os citados arts. 135 e 383, parágrafo único, do RIR aludam a esse fato, uma vez que – como lembrado – com ou sem a emissão de novas ações, estão sendo incorporadas, ao capital social, reservas que, se distribuídas como dividendos e imediatamente capitalizadas, resultariam em um aumento da base de cálculo do investimento total realizado, também sem tributação. E, como visto acima, é perfeitamente justificável que assim seja, já que não apenas o resultado econômico é o mesmo para o acionista, com ou sem emissão de novas ações, como também não há razão para que a capitalização de reservas nessas circunstâncias tenha tratamento menos favorecido, se a companhia pode proceder a essa capitalização de suas reservas sem alterar o número de ações (inclusive aumentando o valor nominal das existentes, quando for o caso).1 (grifos do original). Como observado pela contribuinte e no excerto acima, o entendimento ora partilhado vem ao encontro de diversas manifestações da Receita Federal do Brasil acerca do assunto, como a Solução de Consulta nº 45/13 da Disit SRRF 4ª Região, e a Solução de Consulta nº 53/08, da Disit da SRRF 6ª Região. Mais recentemente, foi exarada a Solução de Consulta Cosit nº 10/16, consolidando o posicionamento do órgão fazendário sobre o tema, dado seu caráter vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil por força do art. 9º da IN RFB nº 1.396/13, com a redação dada pela IN RFB nº 1.424/2013: CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. Vejase que a possibilidade de capitalização de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros não foi restringida à situação em que fossem emitidas ações em bonificação, ao contrário do que defende o acórdão guerreado. Logicamente, a Solução de Consulta em comento alertou que: Deste modo, a incorporação ao capital social das reservas de capital não permite o aumento do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital. Admitir essa possibilidade traria como conseqüência a redução da base de cálculo do ganho de capital apurado no negócio. Há que se recordar que a redução de base de 1 Cfr. Considerações a respeito da capitalização de reservas e lucros à luz da lei das sociedades por ações. In: WALD, Arnoldo; GONÇALVES, Fernando; SOARES DE CASTRO, Moema Augusta (coord.); FREITAS, Bernardo Vianna; CARVALHO, Mário Tavernard Martins de (org.). Sociedades anônimas e mercado de capitais. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 79104. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 12448.728448/201344 Acórdão n.º 2402006.004 S2C4T2 Fl. 109 17 cálculo de tributos é matéria reservada exclusivamente a dispositivo de lei, conforme determinação do art. 150, § 6º, da Constituição Federal, e do art. 97, inciso IV, do CTN. Em harmonia com essas manifestações da própria autoridade fazendária, deve ser permitido o incremento do custo de aquisição da participação societária do recorrente, levandose em conta as capitalizações de lucros ou reservas constituídas com esses lucros, efetuadas no período posterior a 1996. Ante o exposto, voto no sentido de que seja realizado o recálculo do lançamento considerandose as capitalizações de lucros ou reservas de lucro. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 610DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000467/2003-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECEITA PROVENIENTE DE SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIRO. ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos não-cooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela não-incidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso Especial da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9101-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FISCAIS, dar provimento ao recurso especial, por unanimidade de votos, com retorno a Câmara a quo.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FISCAIS, dar provimento ao recurso especial, por unanimidade de votos, com retorno a Câmara a quo. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECEITA PROVENIENTE DE SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIRO. ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos nãocooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela nãoincidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, dar provimento ao recurso especial, por unanimidade de votos, com retorno a Câmara a quo. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 67 /2 00 3- 20 Fl. 689DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 3 2 JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto). Relatório Com base nos permissivos do art. 64, do art. 67, e parágrafos, e do art. 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: “Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ SOCIEDADES COOPERATIVAS ATOS COOPERADOS ISENÇÃO São isentos as sobras computadas pelas sociedades cooperativas nos atos cooperativos, dentre os quais se incluem a venda de serviços dos cooperados a pessoas jurídicas não cooperadas.” O caso foi assim relatado pelo E. Colegiado a quo, verbis: “Em 31/03/2003 foi lavrado lançamento tributário de imposto de renda da pessoa jurídica — IRPJ —, dos anoscalendários de 1998, 1999, 2000 e 2001, contra a recorrente, no valor principal de R$ 47.760,01 (fls. 189), acrescido de juros SELIC e multa de oficio de 75%. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 175 a 188), a fiscalização entendeu que a cooperativa exerce, como atividade, a prestação de serviços a terceiros não associados por meio de cessão de mãodeobra de associados. A cooperativa havia declarado à fiscalização: "esclarecemos que a cooperativa presta serviços a seus cooperados, pessoas físicas, viabilizando os serviços profissionais que estes prestam diretamente a terceiros, pessoas jurídicas, contra quem a Comprove emite as notas fiscais." (fls. 174) A autoridade também verificou que, periodicamente, a cooperativa faz pagamentos aos cooperados a título de remuneração dos serviços prestados. Por fim, a autoridade entendeu que só são caracterizados atos cooperados nos termos do artigo 70 da Lei n° 5.764, de 16/12/1971 os serviço que a cooperativa presta para os associados e não a terceiros. Assim, os serviços prestados pela cooperativa às pessoas jurídicas não associadas, a título de cessão de mãodeobra dos associados, estão sujeitos à tributação, conforme artigo 111, combinado com artigo 86, da Lei n° 5.764/71, e demais pressupostos legais, extensamente descritos no Termo de Verificação Fiscal. Já que a cooperativa entendeu que a integralidade de seu resultado era não tributável, a autoridade considerou que ela fez exclusão não autorizada na apuração do lucro real, enquadramento pelo qual foi efetuado o lançamento de oficio correspondente (fls. 190). Cientificada da exigência em 31/03/2003, a interessada apresentou, em 17/04/2003, por intermédio de seu representante legal, sua impugnação, na qual alega, em síntese (de fls. 224 a 250) que é uma sociedade civil, sem fins lucrativos. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 4 3 Disse que opera exclusivamente com seus associados, para que eles possam aumentar os serviços que prestam diretamente a terceiros, e, para realizar o seu objetivo social, é mister que haja a contratação de serviços a fim de que seus sócios cooperantes exerçam a atividade cooperativista. A contratação dos serviços junto aos terceiros é uma mera atividade meio para que o fim cooperativista seja atingido. Segundo a interessada, o cooperado sempre está presente na relação tripartite: cooperativa, associado, pessoa jurídica tomadora de serviços; e isso é o que faz com que essa relação jurídica distanciese de um ato não cooperativo e enquadre se do ato cooperativo. A cooperativa afirmou que não aufere receita como pessoa jurídica, porque ela age junto aos terceiros tomadores dos serviços em nome e como se mandatária fosse dos seus associados, praticando atos de exclusivo interesse dos últimos. Esses atos seriam então parte do ato cooperado, que não tem natureza de compra e venda. A essência da atividade da cooperativa não envolveria retorno financeiro para ela, isto porque, segundo a doutrina, o objetivo final da cooperativa é a mutualidade, logo, a cooperativa não teria capacidade contributiva. Por isso, não caberia nessa relação qualquer tributação superior à própria tributação do cooperado no tanto que recebe pela prestação do serviço ao terceiro pessoa jurídica. Afirmou a interessada que o próprio INSS reconhece sua atividade como ato cooperativo, conforme IN n° 87/2003, que reproduz. A impugnante, dentro de sua contabilidade, declarou que pratica o ato verdadeiramente cooperativo, pois atende aos pressupostos nos art. 40 e 15 ° da Lei n° 5.764/71, e não poderia contabilizar seus atos cooperativos em separado. Alegou ainda que o ato cooperativo é fundamental para o bom funcionamento da ordem econômica e por isso está imune da tributação conforme artigo 146, III, c, da CF/88. Apesar do artigo ainda não ter sido regulado por lei complementar, a Lei 5.764/71, anterior à CF/88, dela faz as vezes. Esclareceu a impugnante ainda que as cooperativas prestam serviços, em regra, exclusivamente aos associados, praticando os atos inerentes à sua finalidade. Esses atos cooperativos classificamse em três tipos: (1) atos principais, que se circunscrevem à realização final da atividade econômica dos sócios, ou seja, do objeto da cooperativa; (2) atos auxiliares, pelos quais os associados obtêm, por intermédio da cooperativa, as condições para que possam realizar o trabalho inerente à atividade econômica composta pela cooperativa e; (3) atos acessórios, pelos quais a sociedade, indiretamente, atinge a sua finalidade. Para caracterizarse o ato não cooperativo, a atuação da cooperativa deveria estar voltada para a prestação de serviços a uma pessoa (física ou jurídica', não cooperada, proporcionandolhe os meios para realizar os atos principais da sociedade, sem o envolvimento dos cooperados. A impugnante reclamou ainda que a autoridade autuante tomou como base de cálculo a receita escriturada pela cooperativa, sendo certo que essa receita corresponderia a atos cooperativos na forma preconizada pelo art. 79 e parágrafo único da Lei n° 5.764/71. Isso porque as receitas recebidas dos tomadores de serviços destinarseiam aos sócios cooperantes e por isso não haveria qualquer fato gerador de ato cooperativo. Em19/12/2006 a Turma recorrida da DRJ proferiu sua decisão mantendo o lançamento tributário integralmente, por unanimidade de votos. Basicamente, a DRJ entendeu que, de acordo com esse mesmo artigo 79, é requisito essencial dos atos cooperativos que sejam praticados entre cooperativa e cooperado ou então entre Fl. 691DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 5 4 cooperativas associadas para atingir os fins cooperativos. Qualquer ato praticado entre a cooperativa e terceiro não qualifica como ato cooperado, é um ato comercial ou civil sujeito à tributação, ainda que ligado aos fins sociais da cooperativa. A lei e a constituição favoreceram o cooperativismo, mas também a livre concorrência em igualdade de tratamento tributário, no caso, entre cooperativa e empresas nos contratos não cooperativos. Quanto à apuração da base de cálculo do IRPJ, a DRJ esclarece que, conforme Termo de Verificação Fiscal e declaração da interessada (fls. 174 e seguintes), os atos nãocooperativos não são marginais na atividade da cooperativa, mas sim respondem pela integralidade das receitas auferidas decorrentes exclusivamente de serviços prestados a terceiros não cooperados. Nessa linha, a integralidade dos resultados deve ser considerada renda tributável. Intimada da decisão em 16/11/2006 a interessada apresentou recurso voluntário em 13/12/2006, tempestivamente, reproduzindo os argumentos trazidos em sua impugnação. Em síntese, diz que é sociedade auxiliar, sem fins lucrativos, que tem como objetivo prestar serviços aos cooperados, atuando como mandatária e representando os na promoção de seu trabalho, para alcançar o fim cooperativo. Explica que o ato que envolve a cooperativa, o cooperado e terceiro não pode ser visto como um ato não cooperado, pois para a cooperativa ele é um ato de mandato e não um ato mercantil e praticar esse ato é a própria finalidade da cooperativa de trabalho, que ela persegue. Esclarece que são os cooperados que prestam serviços aos terceiros com o auxílio da cooperativa, que a cooperativa não presta serviços aos terceiros, apenas ajuda os cooperados a contratarem com esses terceiros e repassalhes o provento correspondente. A interessada afirma que não aufere nenhum lucro e que a integralidade dos valores que recebe dos terceiros é transferida para os cooperados, pelos atos cooperados, na forma repasse de proventos recebidos dos terceiros ou retorno das sobras no final do exercício proporcionalmente às operações por eles realizadas. A cooperativa retém parte dos valores cujo recebimento intermedia para cobrir suas despesas mensais operacionais e, no final do ano, o valor que sobra depois dessas retenções é retornado aos próprios cooperados. Informa que por isso mesmo não aufere lucro e que todos os valores que são repassados às associadas pessoas físicas são tributáveis na declaração de imposto de renda delas como rendimento. Por tudo isso, entende a interessada que não aufere nem renda e nem lucro tributáveis. Segue dizendo que o objetivo da cooperativa é dar melhor acesso das categorias ao mercado de trabalho, que a cooperativa de trabalho deve ser favorecida pela isenção tributária, conforme a Lei e também os artigos 174 e 5 °, XVIII da Constituição Federal (CF88), e que, se o fisco tributar duplamente esses negócios, não há mais razão para que as pessoas se associem ao redor da cooperativa. Cita relevante jurisprudência judicial sobre o assunto. A interessada protesta ainda contra a natureza confiscatória da multa de oficio de 75%, consoante artigo 150 da CF88, já que a multa é desproporcional. Insurge se depois contra a aplicação da Taxa SELIC à atualização do crédito tributário, pois esses juros têm natureza remuneratória e não compensatória da mora, são calculados na forma de juros sobre juros, o que não é admissível para fins tributários, além de que é o próprio Poder Executivo que define a Taxa SELIC, o que fere o princípio da legalidade em matéria tributária, citando jurisprudências judiciais favoráveis.” Fl. 692DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 6 5 O acórdão impugnado deu provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, sob o fundamentos de que a atividade da cooperativa de vender a terceiros serviços de seus cooperados caracterizase como ato cooperativo e, portanto, as receitas respectivas estariam isentas do IRPJ. Por sua relevância, citese trecho do voto: “É bem verdade que a cooperativa de trabalho existe justamente para promover a cooperação de esforços na colocação dos serviços dos cooperados junto a terceiros, de forma organizada e profissional. Assim, todos os atos realizados nesse bojo são atos cooperados, nos termos inclusive da melhor jurisprudência acima citada. Dessa maneira, afasto o entendimento da DRJ para determinar que é ato cooperado a venda dos serviços dos cooperados associados à COMPROVE para pessoas jurídicas terceiras deles tomadoras, sendo que os proventos e as sobras dessa venda são isentos de imposto de renda nos termos da Lei n° 5.764/71.” Em recurso especial, a Fazenda Nacional sustenta divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos nº 20215678 e 10515962, os quais assentam o entendimento de que “consideramse atos não cooperativos os praticados com terceiros não associados, embora objetivem atendimentos sociais e a finalidade da sociedade cooperativa, por faltar lhes o requisito básico de estar em ambos os lados da relação negocia!, a cooperativa e seus associados, para consecução dos seus objetivos”; e “atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas para a consecução de objetivos sociais”. Em síntese, segundo a Fazenda Nacional, os acórdãos apontados como paradigma divergiriam do acórdão recorrido na medida em que, naqueles, restou consignado que os atos com terceiros não são atos cooperados, ao passo que, nesse, firmouse que o serviço oferecido a terceiro pela cooperativa pode ser caracterizado como ato cooperado. O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente da 4a Câmara da Primeira Seção do CARF (Despacho n. 1400000.061 (fls. 675/677)), ante a caracterização da alegada divergência jurisprudencial em cada uma das matérias acima referidas. A Contribuinte não apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator O recurso especial atente aos pressupostos de admissibilidade previstos na lei de regência, pelo que dele se toma conhecimento. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 7 6 Cingese a controvérsia em saber se é legítima a tributação da integralidade das receitas da Contribuinte proveniente da comercialização com terceiros de serviços prestados por cooperados. Nada obstante se entenda adequada a conclusão do acórdão recorrido no sentido de que seriam cooperativos os atos praticados por cooperados com terceiros não associados que objetivem atendimentos sociais e a finalidade da própria cooperativa, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que apenas são atos cooperados aqueles celebrados diretamente entre cooperados, entre cooperativas, ou entre cooperados e cooperativa. Verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." Fl. 694DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 8 7 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111); III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos não cooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 58.265/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Como observado pelo voto condutor do AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.221.603 – SP, da lavra do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, cuja ementa abaixo se transcreve, embora se estivesse apreciando no caso hipótese de “resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”, nas razões de decidir daquele precedente restou estabelecido o pressuposto de que “[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda” (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). Fl. 695DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 9 8 Não por outro motivo a E. Turma do E. STJ reconheceu no AgRg em AI citado que “a questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros diz respeito a tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, não havendo mais dúvidas quanto ao seu julgamento, sejam terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde, sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados, motivo pelo qual a tributação do IRPJ e CSLL deverá ocorrer normalmente sobre tais atos negociais.” Vejase, nesse sentido, teor da ementa do precedente da E. Segunda Turma da Corte de Justiça, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido. (grifos nossos) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃO COOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada assim a sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, Fl. 696DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 10 9 por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros nãoassociados caracterizase como ato nãocooperativo, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. Precedentes: REsp. Nº 237.348 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 17 de fevereiro de 2004; REsp 418.352/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 23.09.02; REsp 215.311 / MA, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 10/10/2000; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006. 3. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009 – grifos nossos) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ASSEMELHADOS PIS E COFINS ATOS PRATICADOS COM NÃO ASSOCIADOS: INCIDÊNCIA PRECEDENTES. 1. É legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF e mais recentemente, dos Recursos Extraordinários 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, dentre outros. 2. De igual maneira, na linha da jurisprudência da Suprema Corte, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, a que se refere o art. 146, III, “c”, da Carta Magna e o tratamento constitucional privilegiado a ser concedido ao ato cooperativo não significam ausência de tributação. 3. Reformulação do entendimento da Relatora nesse particular. 4. A partir dessas premissas, e das expressas disposições das Leis 5.764/71 e LC 70/91, e ainda do art. 111 do CTN, não pode o Poder Judiciário atuar como legislador positivo, criando isenção sobre os valores que ingressam na contabilidade da pessoa jurídica e que, posteriormente, serão repassados a seus associados, relativamente às operações praticadas com terceiros. 5. Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ. 6. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 635.986/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/08/2008, DJe 25/09/2008 – grifos nossos) No mesmo sentido, decidiu a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. COFINS. COOPERATIVA MÉDICA. ATO NÃO Fl. 697DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 11 10 COOPERATIVO. TERCEIROS NÃOASSOCIADOS. EXIGIBILIDADE. ACÓRDÃO ASSENTADO EM MATÉRIA DE PROVA. SÚMULA 7/STJ. 1. Os argumentos tecidos pela recorrente em sua peça regimental não se mostram capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada, apenas demonstram mero inconformismo com o resultado do julgado impugnado. 2. A jurisprudência assente do STJ é no sentido de que apenas os atos praticados nos termos encartados no art. 79 da Lei n. 5.764/71, ou seja, os tipicamente cooperativos, é que gozam do benefício da nãoincidência tributária. Nos demais casos, ou seja, nas operações/intermediações realizadas por sociedades cooperativas médicas a terceiros não cooperados ou nãoassociados, a tributação é realizada normalmente. 3. No caso, o aresto a quo concluiu pela natureza nãocooperativa dos serviços celebrados pela Cooperativa de Trabalho Médicos com terceiros nãoassociados. Tal premissa não pode ser desconstituída por demandar revolvimento do substrato fático. Pleito que encontra óbice no enunciado Sumular n. 7 do STJ. 4. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 1322625/GO, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/10/2010, DJe 25/10/2010) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CONCEITO DE FATURAMENTO MATÉRIA CONSTITUCIONAL. EXAME NA VIA DO RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos que não são tipicamente cooperativos, tais como os serviços prestados por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência do PIS. 2. A matéria relativa à validade da cobrança do PIS com base na Lei n. 9.718/98 – especificamente no ponto concernente à definição dos conceitos de receita bruta e faturamento e à majoração de suas bases de cálculo – é questão de natureza constitucional, razão pela qual refoge do âmbito de apreciação do recurso especial. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 746.382/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/09/2006, DJ 09/10/2006, p. 279 – grifouse) Diante de todos os precedentes acima, a interpretação dos arts. 79, 86, 87 e 111 da Lei nº 5.764/71 conferida pelo Superior Tribunal de Justiça é no sentido de incluir as receitas obtidas pela cooperativa com terceiros na apuração dos tributos incidentes sobre a renda. Por tais razões, curvandose à jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria, orientase voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para darlhe provimento, determinandose o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das demais questões de mérito aduzidas no recurso voluntário. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 18471.000467/200320 Acórdão n.º 9101002.110 CSRFT1 Fl. 12 11 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Fl. 699DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.904710/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO. CONFIRMAÇÃO DE EXISTÊNCIA E NÃO UTILIZAÇÃO ANTERIOR PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO.
Se a própria Fiscalização atesta a lisura da postura fiscal e contábil do contribuinte, confirmando a origem, a existência e a disponibilidade do direito creditório, precisamente nos valores efetivamente inseridos nas DCOMPs, a compensação pretendida deve ser integralmente homologada.
Numero da decisão: 1402-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 38.720,77; homologando-se as compensações ainda pendentes até esse limite.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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CRÉDITO. SALDO NEGATIVO. CONFIRMAÇÃO DE EXISTÊNCIA E NÃO UTILIZAÇÃO ANTERIOR PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO. Se a própria Fiscalização atesta a lisura da postura fiscal e contábil do contribuinte, confirmando a origem, a existência e a disponibilidade do direito creditório, precisamente nos valores efetivamente inseridos nas DCOMPs, a compensação pretendida deve ser integralmente homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 38.720,77; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 47 10 /2 00 9- 08 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 412 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 413 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 153 a 157) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I/RJ (fls. 102 a 107) que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 02 a 80), reconhecendo apenas a homologação tácita, por decurso de prazo, de parte das compensações expressas DCOMPs, antes rejeitadas pelo r. Despacho Decisório (fls. 81 a 88). Tendo em vista que tratase de retorno de diligência, anteriormente determinada através do v. Resolução nº 1803.000.052 (fls. 389 a 397), exarada pela extinta C. 3ª Turma Especial da 4ª Câmara dessa 1ª Seção, adoto, a seguir, o seu completo e preciso relatório: Trata se o presente processo de diversas Dcomp, em que os créditos, nelas declarados são oriundos de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, exercício de 2003, no montante de R$ 44. 647,77. No despacho decisório a não homologação das Dcomp. se deu em virtude do crédito reconhecido ser insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. No despacho refere que: “• Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 44.674,77. • Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 44.674,77. • IRPJ devido: R$ 0,00 • valor original do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 38.720,77. • Estimativas confirmadas: R$ 44.674,47 • Valor do saldo negativo disponível" (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) ( IRPJ devido) (Utilizações em compensações anteriores) R$ 5.953,70. Nas fl. 83 e 84, consta a análise do crédito, sendo informado o seguinte: Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 414 4 • Estimativas compensadas na contabilidade com saldo negativo de períodos anteriores Ano calendário de 2000= R$ 34.357,97 •Parcelas confirmadas parcialmente não confirmadas Mai/2002 créditos dos anos calendários de 1998 e 2001 valor confirmado: R$ 903,34 valor não confirmado –RS 0,30. • Estimativas de Out/2002, Nov/2002 e Dez/2002 compensadas com o PER/Dcomp 13866.000059/200311 = R$ 9.213,46. •Saldo negativo utilizado em compensações anteriores à transmissão da Dcomp "Saldo negativo" informado no PER/Dcomp =R$ 44.674,77. "Crédito original na data de transmissão" informado no PER/Dcomp = RS 5.954,00 Compensações com anos anteriores à transmissão da Dcomp = 44.674,77 5.954,00= R$ 38.720,77” Devidamente cientificada a recorrente apresentou manifestação de inconformidade e juntou documentação. A autoridade de primeira instância ao apreciar o feito, reconheceu a homologação tácita das Decomp. de n° 13900.09037.260204.1.3.028605 transmitida em 26/02/2004, 357856289.310304.1.3.027900 transmitida em 31/03/2004; 13713.15991.120504.1.3.022085 transmitida em 12/05/2004; 28151.02446.310504.1.3.025068 transmitida em 31/05/2004, em função do decurso de prazo, disposto no artigo 74, §5°, da Lei 9.430/96, vez que a ciência do Despacho Decisório ocorreu após 5 anos das datas de transmissão. No mérito, a autoridade julgadora a quo entendeu que, em conformidade com a ficha 12 A da DIPJ/2003, o saldo negativo da recorrente seria de R$ 44.674,77 e decorre de estimativas de IRPJ, contudo, o Despacho Decisório reconheceu um saldo negativo de R$ 44.674,47, decorrente da confirmação das estimativas, assim, somente R$ 0,30 não foi reconhecido. No referido Despacho Decisório, consta que houve utilizações do crédito em outras compensações anteriores à transmissão dos PER/Dcomp no montante de R$ 38.720,77, o que reduziria o saldo disponível para a compensação para o valor de R$ 5.953,70, seguindo informações da própria recorrente constante na Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987. Tal fato resultou na homologação somente desta Dcomp, não restando crédito para as compensações expressas nas demais declarações. Atenta a autoridade que a recorrente, em sua manifestação de inconformidade, a apresentou os seguintes: cópia de contrato social, cópia de DCTF, cópia de Despacho Decisório proc. 13866.000059/200311 e demonstrativos. Quanto as DCTF, verificase que os dados declarados foram utilizados no cálculo do crédito pela SRFB, ou seja, o crédito apurado baseouse nas informações da recorrente, não restando qualquer controvérsia. Ainda, salienta o julgador que com relação ao Despacho Decisório relativo ao proc. 13866.000059/200311, verificase Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 415 5 que o crédito concedido se refere aos anoscalendário de 2000 e 2001 e já foram considerados na apuração do crédito em análise, conforme consta na "Análise do Crédito" (fl. 83 e 84). Prossegue: quanto aos demonstrativos de fl. 40 a 81, há que se considerar que são documentos produzidos pela própria recorrente, não tendo qualquer valor probante e entende que a empresa deveria apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse que não utilizou em compensações anteriores o crédito de R$ 38.720,77 e que a diferença de R$ 0,30 na apuração do saldo negativo de IRPJ era realmente seu crédito, o que não ocorreu, posto que conforme sua compreensão a documentação apresentada não serve para tal finalidade. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a empresa recorrente apresenta recurso voluntário de forma tempestiva em que argumenta, em apertada síntese, o que segue: Inicialmente apresenta, a recorrente, a demonstração da apuração e quitação do saldo credor do IRPJ apurado na ficha 12 A da DIPJ anocalendário 2002, exercício 2003, no valor de R$ 44.674,77 e explica que a diferença de R$ 0,01 apurada a maior nos meses de 09/02 e 12/02 na ficha 11 da DIPJ de 2003/2002 para o valor calculado pela empresa para o recolhimento foi ocasionada pelo ajuste de calculo do próprio programa da DIPJ. Prossegue demonstrando as quitações do saldo credor do IRPJ apurado na DIPJ anocalendário 2002, exercício 2003 por ter sido apurado prejuízo fiscal. Salienta que para efetuar a quitação do I.R.P.J. apurado por estimativa no ano calendário de 2002, primeiramente foi utilizado parte do saldo credor do I.R.P.J. constante da ficha 12 A, da DIPJ exercício 2002, ano calendário 2001, no valor de R$ 81.378,17, o qual, foi devidamente corrigido mensalmente pela taxa Selic e compensado nos vencimentos conforme se apurava os IRPJ por estimativa, a partir de janeiro de 2002 até agosto de 2002, com exceção de parte do IRPJ apurado por estimativa no mês maio de 2002 no valor de R$ 903,34, restando após as atualizações do crédito e compensações em 17/03/2003 um saldo atualizado no valor de R$ 61.345,74, sendo R$ 51.438,65 do valor original e R$ 9.907,09 do valor dos juros acrescidos pela taxa Selic. Observa a empresa recorrente que o controle para as compensações foi efetuado em planilhas elaboradas pela empresa recorrente, obedecendo as normas legais estabelecidas pela legislação (junta cópia) e que não podem ser descartas, como citado no acórdão, posto que para o período em questão ainda não havia os PER/Dcomp, e os créditos e débitos apurados eram informados para a Receita Federal através das DCTF e da DIPJ, e estes documentos foram entregues pela recorrente (junta cópia), comprovando os valores questionados. Aduz que a empresa se via na obrigação de elaborar estas planilhas para poder efetuar as devidas atualizações, compensações e contabilização. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 416 6 Refere que em 17/03/2003, após as compensações já mencionadas e como restava ainda um saldo atualizado no valor de R$ 61.345,74, referente ao saldo credor no valor original de R$ 81.378,17 apurado na DIPJ exercício 2002, ano calendário 2001, a empresa recorrente, através de exigência da própria Receita Federal, ingressou com o processo administrativo para compensação de tributos sob o n°. 13866.000059/200311, o qual informava os valores dos débitos sem a devida atualização e em 13/02/2004 foi entregue os PERD/COMP retificando os valores dos débitos a serem compensados e se efetuou compensação dos valores dos IRPJ apurados por estimativas a partir de setembro de 2002 na seguinte ordem: “Em 17/03/2003, compensou os IRPJ apurados por estimativa nos meses de outubro de 2002, novembro de 2002, dezembro de 2002 e janeiro de 2003; Em 02/04/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa no mês de fevereiro de 2003; Em 08/05/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa no mês de março de 2003; Em 22/07/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa nos meses de abril de 2003, maio de 2003 e junho de 2003; Em 11/11/2003, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa nos meses de julho de 2003, agosto de 2003 e setembro de 2003; Em 13/02/2004, após atualização do saldo remanescente do crédito compensou o IRPJ apurado por estimativa nos meses de setembro de 2002, outubro de 2003 e parte do IRPJ apurado por estimativa no mês 11/2003, onde ficou totalmente compensado o credito apurado na DIPJ2002/2001” Observa a recorrente que como comprovação, segue em anexo ao presente processo, planilhas demonstrando as devidas atualizações e compensações do saldo do crédito mencionado, a qual, obedece as regras previstas para este procedimento, acompanhada de cópia do processo administrativo n°. 13866.000059/200311 e da cópias dos PERD/Comp considerados nas compensações. Salienta que para a compensação de parte do IRPJ apurado por estimativa no mês de maio de 2002, no valor de R$ 903,34, foi utilizado para a compensação do mesmo, parte do saldo credor do IRPJ apurado na ficha 13 A da DIPJ exercício 2000, ano base 1999, no valor original de R$ 36.148,78, compensação esta, que está sendo comprovada pela planilha de controle da empresa (anexada), a qual obedece as normas da legislação para as atualizações e compensações dos créditos e também através das cópias das DCTF (anexada), pois, não havia PER/Dcomp para o período. Assim, como no ano de 2002, a Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 417 7 empresa apurou prejuízo fiscal, o crédito de R$ 44.674,77 constante da FICHA 12 A, da DIPJ2003, foi constituído pelos IRPJ apurado por estimativa no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2002 e quitados conforme as compensações efetuadas com os créditos apurados em anos calendários anteriores, conforme as explicações constantes deste documento e comprovações em anexo. Por essa razão entende a recorrente que diante das comprovações, não se justifica o não reconhecimento de parte do crédito no valor de R$ 0,30 pelo Despacho Decisório constante do mérito do acórdão de primeira instância, pois, o mesmo não demonstra e nem deixa esclarecido o motivo do seu não reconhecimento. A empresa depois de explanar sobre a constituição do crédito no valor de R$ 44.674,77, passa a expor e provar como não utilizou o mesmo em outras compensações anteriores à transmissão dos PER/Dcomp no montante de R$ 38.720,77, onde segundo o Despacho Decisório reduziria o saldo do crédito disponível para R$ 5.953,70. baseado na Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987. Refere: “Ao analisar o saldo credor apurado na Ficha 12 A, da DIPJ exercício 2002, ano calendário 2001, no valor de R$ 81.378,17, verificouse que o mesmo foi utilizado para as compensações dos IRPJ apurados por estimativa referente aos meses de janeiro a dezembro de 2002, com exceção de parte o IRPJ apurado por estimativa no mês 05/2002 no valor de R$ 903,34 e também para as compensações dos IRPJ apurados por estimativa nos meses de janeiro de 2003 outubro de 2003 e parte do mês 11/2003 para se zerar o saldo credor daquele ano calendário, conforme comprovações em anexo. Esta colocação se faz necessária para demonstrar que este saldo credor em pauta foi suficiente para compensar os IRPJ apurados durante o ano de 2002 e quase que a totalidade do IRPJ apurados em 2003, e assim a empresa só passou a se utilizarse do crédito apurado na ficha 12 A, da DIPJ/2003, no valor de R$ 44.674,47, em 13/02/2004 para a compensação de parcial do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro de 2003 e o valor integral do IRPJ apurado por estimativa no mês de dezembro de 2003, momento em que elaborou o PER/Dcomp 34875.12879.130204.1.3.029870 com incorreções, o qual, foi retificado em 29/11/2004 pelo PER/Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987, sendo que neste PER/Dcomp consta corretamente os valores dos créditos constituídos durante o ano calendário de 2002, no valor original de R$ 44.674,77, e ascompensações dos débitos originais, sendo R$ 2.111,08 referente parte do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro de 2003 e R$ 3.842,92 referente ao IRPJ apurado por estimativa no mês de dezembro de 2003, totalizando a compensação no valor original no valor de R$ 5.954,00, conforme discriminação a seguir: SALDO ORIGINAL DO CRÉDITO Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 418 8 DIPJ/2003................................................................. R$ 44.674,77 () COMPENSAÇÃO VALOR ORIGINAL PARTE IRPJ 11/2003.............................................................. (R$ 2.111,08) () COMPENSAÇÃO VALOR ORIGINAL PARTE IRPJ 12/2003 ...........................................................................(R$ 3.842,92) SALDO ORIGINAL DO CRÉDITO APÓS A COMPENSAÇÃO ......................................................................... R$ 38.720,77” A empresa recorrente conclui que após a transmissão deste PER/Dcomp um saldo no valor original de R$ 38.720,77, para ser utilizado em compensações futuras o que ocorreu conforme cópia da planilha de atualizações e compensações e cópias dos PER/Dcomp elaborados por ela para compensar o valor dos IRPJ apurados por estimativa no período de janeiro de 2004 a outubro de 2004 e parte do IRPJ apurado por estimativa no mês 11/2004 e também um pequeno saldo remanescente do IRPJ apurado no mês de dezembro de 2003, onde se zerou o saldo deste crédito apurado no ano calendário de 2002. Aduz que a empresa somente utilizou os créditos das DIPJ de anoscalendários anteriores, conforme já demonstrados anteriormente e só passou a utilizar este crédito no valores de R$ 44.674,77, em 13/02/2004, a partir da entrega do PER/Dcomp 25376.35290.291104.1.7.022987. Contrapõese a empresa recorrente quanto ao fato do Despacho Decisório tão somente mencionar, mas não comprovar em que períodos e com quais débitos a empresa já teria utilizado anteriormente o saldo deste crédito no valor de R$ 38.720,77 com outras compensações. De igual modo, esclarece que o motivo das compensações se deu pelo fato da empresa em anos calendários bem anteriores ao ano calendário em pauta, apurou e recolheu os IRPJ por estimativa e como foi apurado prejuízo fiscal naquele ano e nos anos posteriores o crédito apurado em um ano era usado para compensar os IRPJ apurados por estimativas nos meses do anos posteriores e como nestes anos também se apurou prejuízos fiscais os valores dos IRPJ compensados tornavamse créditos na DIPJ e assim sucessivamente. É o relatório Foram estes os termos da v. Resolução determinada: Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 419 9 O sujeito passivo apresentou Pedido de Restituição e Declaração de Compensação indicando um saldo credor na quantia de R$ 44.674,77 a titulo de saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, apurado na Ficha 12 A da Declaração do Imposto de Renda do períodobase de 2002, exercício de 2003, com o objetivo de compensar vários débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto São Paulo, reduziu o crédito informado na Declaração de Compensação – DCOMP, arguindo que o sujeito passivo já havia utilizado parte do total do crédito de R$ 44.674,77 em outras compensações anteriores à transmissão das presentes Declarações de Compensações no montante de R$ 38.720,77. Reduziu, assim, o crédito indicado na DCOMP de R$ 44.674,77 para um saldo de crédito disponível de apenas R$ 5.953,70. O sujeito passivo argui que não utilizou o crédito no montante de R$ 38.720,77 em outras compensações anteriores à transmissão dos presentes PER/Dcomp nos seguintes termos que transcrevo: [trecho já reproduzido neste Relatório] Feita esta explicação, concluise que a empresa ainda possuía após a transmissão deste PER/Dcomp um saldo no valor original de R$ 38.720,77, para ser utilizado em compensações futuras o que ocorreu conforme cópia da planilha de atualizações e compensações e cópias dos PER/Dcomp elaborados pela empresa para compensar o valor dos IRPJ apurados por estimativa no período de janeiro de 2004 a outubro de 2004 e parte do IRPJ apurado por estimativa no mês 11/2004 e também um pequeno saldo remanescente do IRPJ apurado no mês de dezembro de 2003, onde se zerou o saldo deste crédito apurado no ano calendário de 2002. Assim, com base nas explicações contidas neste documento, como também, com base em toda documentação aqui citada, as quais, segue cópias em anexo, concluise que no mérito do acórdão em pauta, onde consta que de acordo com Despacho Decisório, a empresa só teria um crédito no valor de R$ 5.953,70 e que a mesma já teria utilizado anteriormente o valor do crédito no montante de R$ 38.720,77, este fato não se comprova, pois, a mesma só utilizou anteriormente os créditos oriundos das DIPJ de anos calendários anteriores, conforme já demonstrado anteriormente e só passou a utilizar este crédito no valor de R$ 44.674,77, em 13/02/2004, a partir da entrega do PER/Dcomp nº 25376.35290.291104.1.7.022987, fato este, já demonstrado e comprovado anteriormente neste documento. Diante do narrado, o colegiado assentou o entendimento de converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa, do domicilio fiscal do sujeito passivo, demonstre em que períodos a empresa já havia utilizado parte do crédito, no valor de R$ 38.720,77, indicando as compensações anteriores e informando os débitos que teria utilizado anteriormente às presentes declarações de compensações, e, bem assim, a Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 420 10 verificação da atualização realizada pelo contribuinte dos saldos negativos do período de 2002 e períodos anteriores, com base na SELIC. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. Devidamente encaminhado o processo à Unidade Local, mediante consulta aos sistemas e programas da Receita Federal do Brasil, prontamente a Fiscalização elaborou o Relatório solicitado (fls. 384 a 385), concluindo que a parcela do crédito não homologado não foi reconhecido por erro de preenchimento de declarações do próprio Contribuinte, averiguando não ter havido, anteriormente, a utilização de fração do direito creditório, como antes alegado pela Fiscalização. Na sequência, por simples e claro equívoco, foi juntada, novamente aos autos, a v. Resolução nº 1803.000.052 (fls. 389 a 397), o que ocasionou o indevido retorno dos autos, mais uma vez, à Unidade Local, que, por sua vez, esclareceu já ter sido atendida a Diligência determinada por este E. CARF (fls. 399). Não consta dos autos a ciência do Contribuinte sobre o resultado da diligência. Na sequência, os autos foram retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 421 11 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já verificado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Ainda que o presente processo, originalmente, tenha sido objeto de conhecimento e deliberação por Turma dessa mesma Câmara, em face da sua extinção e renúncia do mandato da I. Conselheira Relatora, o julgamento meritório por essa C. 2ª Turma Ordinária não representa afronta ao disposto no RICARF/MF vigente. Mesmo não tendo sido ofertado prazo ao Contribuinte para se manifestar após a elaboração e juntada do Relatório de Diligência, fato que, ordinariamente poderia ensejar nulidades processuais, diante do desfecho do presente voto, a seguir aduzido, entende se que restará superado qualquer prejuízo à Parte, sendo de seu próprio interesse a resolução da demanda na presente oportunidade. Como se observa, a controvérsia que permanece na presente contenda gira em torno da utilização de crédito, na monta de R$ 38.720,77, em compensações anteriores à transmissão da DCOMP nº 25376.35290.291104.1.7.022987 (primeira daquelas que utilizou o crédito apurado no anocalendário de 2002). Do valor total de R$ 44.674,77 pleiteado, o r. Despacho Decisório apenas reconheceu R$ 5.953,70 como saldo negativo efetivamente disponível, tendo em vista a suposta utilização do valor restante em outras operações anteriores de compensação. Por sua vez, o v. Acórdão, entendeu que tal fundamento do r. Despacho Decisório não foi elidido pela ora Recorrente, sendo seu ônus tal prova, mantendo tal posição: Quanto aos demonstrativos de fl. 40 a 81, há que se considerar que são documentos produzidos pela própria interessada, não tendo qualquer valor probante. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 422 12 No caso em comento, a interessada deveria apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse que não utilizou em compensações anteriores o crédito de R$ 38.720,77 e que a diferença de R$0,30 na apuração do saldo negativo de IRPJ era realmente seu crédito. Contudo, tal fato não ocorreu, a documentação apresentada não serve para tal finalidade. (destacamos) Diante de tal resultado, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente acostou planilhas explicativas e cópias de suas declarações, demonstrando e explicando detalhadamente (como já colacionado no Relatório) como se deu a utilização de seu crédito do anocalendário de 2002, concluindo, após a prolatação do r. Despacho Decisório, ainda restarlhe exatos R$ 38.720,77. Quando da apreciação do feito pela I. Relatora Meigan Sack Rodrigues, esta aparentemente entendeu ser plausível e lógica as razões apresentadas, determinando a confirmação pela Unidade Local da utilização ou não de tal valor, em compensações anteriores. Confirase: Diante do narrado, o colegiado assentou o entendimento de converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa, do domicilio fiscal do sujeito passivo, demonstre em que períodos a empresa já havia utilizado parte do crédito, no valor de R$ 38.720,77, indicando as compensações anteriores e informando os débitos que teria utilizado anteriormente às presentes declarações de compensações, e, bem assim, a verificação da atualização realizada pelo contribuinte dos saldos negativos do período de 2002 e períodos anteriores, com base na SELIC. Por sua vez, sem requerer qualquer documentação adicional ao Contribuinte, assim se manifestou, conclusivamente, a Autoridade Fiscal: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 423 13 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10850.904710/200908 Acórdão n.º 1402002.767 S1C4T2 Fl. 424 14 Primeiramente se observa que a Autoridade Fiscal identifica que a constatação pelo sistema da RFB de que tal crédito já teria sido utilizado anteriormente deuse, exclusivamente, por erro do próprio Contribuinte no preenchimento de sua primeira DCOMP, que se valeu do montante total de R$ 44.674,77. Logo depois, sem mais considerações, objetivamente afirma que verificou que aquele mesmo crédito, originário do anocalendário de 2002, não fora utilizado em outras compensações, validando todo o argumento da Recorrente em seu Recurso Voluntário. Uma vez que era este o único argumento, em toda esta contenda, que obstava a utilização integral do crédito pretendido, e sendo relatado por parte do Contribuinte mero erro, banal e formal, no preenchimento de sua declaração, não subsiste mais fundamentação para a sua não homologação. Posto isso, não só é cristalino o direito da Recorrente à integralidade do crédito utilizado nas compensações, como tal fato foi comprovado e atestado pela própria Unidade Local. Diante do exposto, voto no sentido de dar total provimento ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 38.720,77; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 424DF CARF MF
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