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Numero do processo: 16327.902612/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.104
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 145 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 47 a 58) apresentado em 28 de outubro de 2008 contra o Acórdão no 1618.532, de 15 de setembro de 2008, da 10ª Turma da DRJ São Paulo I / SP (fls. 38 a 42), cientificado em 26 de setembro de 2008, que, relativamente a declaração de compensação de PIS do período de maio de 2003, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não havendo nos autos comprovação do erro alegado, não se reconhece direito creditório em favor do contribuinte. Solicitação Indeferida O pedido foi apresentado em 13 de junho de 2003 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 3. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 13/06/2003(fls. 07/12) para utilização de crédito de PIS apurado na DIPJ/2003, com o valor devido a título de PIS, código. 4574, vencimento em 13/06/2003, no valor de R$ 28.210,27(fl.11). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório foi proferido pela DEINF nos seguintes termos (fls.03): ‘Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP : R$ 27.930,96. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.’ ... Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 02 de maio de 2008, conforme AR de fls.04, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 146 3 protocolizada em 30 de maio de 2008, com os argumentos de fls. 01 e 02, como segue: Não poderá prevalecer o Despacho Decisório de não reconhecimento de crédito declarado de R$ 28.210,27 (doc. 02). Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda, foi recolhido a maior o valor, porém como não houve a retificação da DCTF não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP, conforme documento em anexo. Ao considerarmos o valor acima apontado na DCTF retificadora, perceberseá que o Requerente tinha crédito para liquidar o débito do mês de Maio de 2003, código 4574. Diante do exposto, é a presente para requerer que seja (i) retificada a DCTF de ofício, de modo que conste o valor explicitado no quadro retrocitado, (ii) bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista que a compensação procedida por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála." No recurso, a Interessada alegou o seguinte: Após promover os ajustes da base de cálculo do PIS, por equívoco, a Recorrente deixou de retificar a DCTF do 2° trimestre de 2003, de modo que permaneceram como exigíveis os valores declarados naquela oportunidade. Certamente, por essa razão, a Recorrida não visualizou o crédito utilizado nas PER/DCOMP enviadas e não homologou a compensação pretendida. Ao entregar a DCTF referente ao 2° trimestre de 2.003 (doc. 7), a Recorrente constituiu e adimpliu o crédito tributário de PIS (abril) no valor de R$ 64.109 94. A auditoria constatou que a Recorrente havia erroneamente lançado uma reversão de provisão no COSIF n° 7.3.9.99.007 Outras Rendas , não Operacionais quando o correto seria na conta n° 7.1.9.90.998 Reversão de Provisões Operacionais. Esse erro de fato resultou no aumento das receitas tributáveis e, consequentemente, no valor do PIS apurado e recolhido no mês de abril de 2003. Apenas para elucidar, vejamos o quadro abaixo: DCTF 2° TRIMESTRE DE 2003 antes da revisão depois da revisão Tributo Abril Abril PIS R$ 64.109,94 R$ 36.178,98 Assim, ao apurar os saldos de pagamentos a maior, a Recorrente procedeu à atualização da diferença, e na data do vencimento da obrigação realizou a compensação com débito de PIS de maio de 2003, conforme informado na DCTF do 2° trimestre/03 (doc. 8) e na declaração de compensação anteriormente mencionada (doc. 9). Em que pese a lisura dos procedimentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve a decisão exarada Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 147 4 pela DEINF e apontou como pendência exatamente o valor compensado (PIS no valor histórico de R$ 27.930,96 e atualizado de R$ 28.210,27). A seguir, afirmou que seria necessário analisar os documentos contábeis juntados ao recurso para respeitar a ampla defesa, citando entendimento da doutrina. Por fim, esclareceu o seguinte, antes de defender a legalidade da compensação realizada: Ao apurar a base de cálculo do PIS, equivocadamente, a Recorrente considerou como receita o montante atinente a reversão de provisão na Conta COSIF n° 7.3.9.99.007 Outras Rendas não Operacionais do balancete mensal e do razão contábil, efetuando pagamento dessa contribuição em valor manifestamente superior ao que séria efetivamente devido. Na realidade, o lançamento contábil da reversão deveria ter sido realizado na Conta COSIF no 7.1.9.90.998 Reversão de Provisões Operacionais/Outras, conforme demonstrado no Balancete Analítico (doc. 13) e no Livro_Razão (doc. 12) acostados aos autos. Pois bem. Como é possível observar do Razão (planilha de apuração da base de cálculo do PIS) de abril de 2003, facilmente constatamos que na conta n° 7.3.9.99.007 a Recorrente lançou o valor de R$ 4.297.070,20 como se receita fosse. Por se tratar de reversão de provisão não operacional, esse montante deveria integrar as contas de EXCLUSÕES do livro razão e não as contas de RECEITAS como informado inicialmente. Requereu que, diante de eventual impossibilidade de deferir o pedido, fosse realizada diligência. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Do que foi relatado, concluise que o indeferimento do crédito da Interessada baseouse no fato de a Interessada não teria retificado a DCTF. Requereu a retificação de ofício da DCTF, o que é impossível, uma vez que se trata de declaração sempre de iniciativa do sujeito passivo. Como obrigação acessória, a falta de retificação não pode, por si só, restringir o direito de restituição. Entretanto, para ser possível a restituição, é imprescindível a demonstração do direito de crédito. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 148 5 No caso dos autos, a Interessada alegou que teria efetuado uma inclusão indevida na base de cálculo, relativamente a uma reversão de provisão de receita não operacional. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização verifique exatamente a que tipo de provisão referiuse o lançamento contábil e se, de resto, a Interessada tem razão em relação à alegação, no tocante aos valores e ao direito alegado, devendo, ao final, lavrar relatório de diligência, dando ciência à Interessada para manifestação no prazo de trinta dias. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000979/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RECURSO DE OFÍCIO.
Não merece revisão a decisão de primeiro grau administrativo que aplica com propriedade as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC), destacando os detalhes técnicos de cada produto e justificando a adoção e/ou afastamento das posições na NCM empregadas pelo contribuinte e/ou autoridades administrativas.
Recurso de ofício negado.
A majoração da multa de ofício, no percentual de 50% (cinqüenta por cento), destina-se àqueles que, mediante comportamento omissivo renitente, objetivam tumultuar e dificultar a realização do procedimento fiscal, não se estendendo às hipóteses de inobservância de prazo episódicas ou justificadas pela quantidade de informações e documentos exigidos pelas autoridades administrativas, o que, todavia, não desincumbe o sujeito passivo de comunicar tais situações àqueles.
Numero da decisão: 3401-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RECURSO DE OFÍCIO. Não merece revisão a decisão de primeiro grau administrativo que aplica com propriedade as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC), destacando os detalhes técnicos de cada produto e justificando a adoção e/ou afastamento das posições na NCM empregadas pelo contribuinte e/ou autoridades administrativas. Recurso de ofício negado. A majoração da multa de ofício, no percentual de 50% (cinqüenta por cento), destina-se àqueles que, mediante comportamento omissivo renitente, objetivam tumultuar e dificultar a realização do procedimento fiscal, não se estendendo às hipóteses de inobservância de prazo episódicas ou justificadas pela quantidade de informações e documentos exigidos pelas autoridades administrativas, o que, todavia, não desincumbe o sujeito passivo de comunicar tais situações àqueles.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2006 DECADÊNCIA. TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR. TERMO INICIAL. Consoante art. 138, parágrafo único do DecretoLei nº 37/66, tratandose de exigência de diferenças de tributos, contarseá o prazo decadencial a partir do pagamento efetuado, em linha com as disposições do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. ATENDIMENTO DE EXIGÊNCIAS FISCAIS. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO A majoração da multa de ofício, no percentual de 50% (cinqüenta por cento), destinase àqueles que, mediante comportamento omissivo renitente, objetivam tumultuar e dificultar a realização do procedimento fiscal, não se estendendo às hipóteses de inobservância de prazo episódicas ou justificadas pela quantidade de informações e documentos exigidos pelas autoridades administrativas, o que, todavia, não desincumbe o sujeito passivo de comunicar tais situações àqueles. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RECURSO DE OFÍCIO. Não merece revisão a decisão de primeiro grau administrativo que aplica com propriedade as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC), destacando os detalhes técnicos de cada produto e justificando a adoção e/ou afastamento das posições na NCM empregadas pelo contribuinte e/ou autoridades administrativas. Recurso de ofício negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 09 79 /2 00 8- 71Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Alberga o presente processo auto de infração para exigência de diferenças de Imposto de Importação – II e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, vinculado à importação, período janeiro/2002 a setembro/2006, decorrente de reclassificação fiscal de mercadorias importadas, com inflição da multa de ofício majorada (112,5 %) em razão de inobservância de prazo para atendimento às intimações efetuadas. Registrou a fiscalização que o termo inicial do lapso decadencial, tomado no procedimento fiscal, observou as disposições do parágrafo único, art. 173 do CTN. Em impugnação o contribuinte, preliminarmente, pugnou pela apensação do PA 10074.000976/200838, que trataria dos mesmos fatos jurídicos, porém, versando sobre tributos distintos, e a decadência parcial do lançamento, por força do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, contestou algumas classificações fiscais aplicadas pela fiscalização no procedimento e reputou despropositado e improcedente a majoração da multa. A DRJ Florianópolis/SC manteve em parte a autuação, em decisão assim ementada: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tornandose definitivo o lançamento. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A constituição de crédito tributário, no caso de exigência de diferença de tributo sujeito a lançamento por homologação, deve observar o prazo de cinco anos, contado a partir do fato gerador. Somente nos casos Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.000979/200871 Acórdão n.º 3401002.944 S3C4T1 Fl. 11 3 de ausência de declaração/pagamento ou na ocorrência de fraude, dolo ou simulação, a contagem darse do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a devida reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação.” Da parte exonerada houve interposição do recurso de ofício. Cientificado da decisão em comento, o contribuinte apenas comunicou a quitação, através de pagamento, da parcela mantida do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Diante da ausência de interesse do contribuinte em prosseguir o contencioso administrativo, resta o exame do recurso de ofício. Nesta senda, temse que os seus requisitos de interposição foram observados pelo órgão julgador a quo. Preambularmente, tocante à decadência, nada obstante a perspicácia do raciocínio engendrado pela fiscalização para justificar a inocorrência do interregno extintivo do direito de constituir o crédito tributário, entendoo incompatível com o instituto, na linha trilhada pela decisão sub examine. Para melhor demonstração do entendimento, reproduzo o dispositivo em debate: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” (destacado) É certo que a proposição do lançamento encontra respaldo textual, porquanto está inserto no preceptivo que o termo inicial do prazo qüinqüenal pode ser a “notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento”, entretanto, e Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 aí talvez resida o equívoco, aplicar a interpretação pretendida pelo autuante ocasionaria situações anômalas, onde a Fazenda Nacional disporia de prazos superiores aos 05 (cinco) anos estabelecidos para constituição do crédito tributário, em afronta ao próprio texto legal, e, pior, resultaria em verdadeira interrupção do prazo decadencial, com reinício de sua fluência por ato unilateral da Fazenda Nacional, o que não é admissível em direito tributário. A leitura mais adequada do indigitado art. 173, parágrafo único, a meu sentir, é aquela exposta por Luciano Amaro1 , consoante o qual “se aquela notificação é feita antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ela antecipa o início do prazo decadencial”, ou seja, arrola hipótese de definição de dies a quo do lançamento. Demais disso, como bem observado pela decisão recorrida, o dispositivo aplicável ao caso é o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, uma vez que se cuida de exigência de diferenças de tributo, conforme, aliás, dispõe o art. 138, parágrafo único, do DecretoLei nº 37/66: “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado.” (destacado) Portanto, o termo inicial da decadência, para situações como a dos autos, é a data dos pagamentos efetuados, não se lhes aplicando o art. 173 do CTN. No caso vertente, como a ciência do lançamento ocorreu em 23/06/2008, os fatos geradores anteriores a 22/06/2003, inclusive, estão alcançados pela decadência, cabendo, então, negar provimento ao recurso de ofício. Na seqüência, já adentrando o mérito, tocante ao exame da reclassificação fiscal realizada pelas autoridades administrativas, também não merece qualquer reparo a decisão que, com extrema propriedade e percuciência, detalha as características físicoquímicas dos produtos envolvidos, discorre sobre as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC) e promove sua subsunção, por assim dizer, aos produtos objeto do procedimento. Nesta senda, revisei as correções promovidas pela decisão nas classificações fiscais empregadas na autuação e concluí pela sua integral procedência, mormente quando exonerou os tributos lançados nos casos onde o enquadramento proposto pela fiscalização mostrouse incorreto, ainda que aquele adotado pelo contribuinte também tenha se mostrado equivocado. Por derradeiro, respeitante à majoração da multa de ofício aplicada, devido à inobservância do prazo para atendimento às intimações, a par de acentuar as especificidades da situação, que envolvia um semnúmero de informações, a decisão pontuou a impossibilidade de cumprimento dos prazos assinalados. Além do que, acrescento eu, a majoração da multa, em que pese a objetividade do texto legal, almeja compelir o sujeito passivo renitente a prestar os esclarecimentos necessários ao exame do cumprimento das obrigações tributárias, principal e 1 Direito tributário brasileiro. 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 386. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.000979/200871 Acórdão n.º 3401002.944 S3C4T1 Fl. 12 5 acessórias, a seu cargo, colaborando com as autoridades fiscais, de tal modo que exige o intuito subjacente de dificultar o desenvolvimento do procedimento fiscal. Ou seja, o desiderato da majoração é inibir a rebeldia do sujeito passivo, daí porque não pode estendida de maneira indistinta a todas as situações, exigindo fundamentação adequada e demonstração clara do intuito doloso do administrado, por parte das autoridades fiscais. Não fosse assim, dado o caráter vinculado da atividade arrecadatória, aí incluída a fiscalizatória, bastaria que o contribuinte atrasase um único dia no atendimento às exigências fiscais ao longo das verificações, mesmo que empenhado em colaborar, para ensejar a majoração da multa a ser porventura aplicada, o que, a meu ver, não se compagina com o escopo da medida. Neste processo, o elevado volume de documentos exigidos, aliado ao posterior atendimento a contento das determinações da autoridade fiscal, o que inclusive propiciou a realização dos trabalhos, respalda o afastamento da majoração, ainda que reconheça a falha do contribuinte em não comunicar formalmente, por ocasião da primeira intimação, a impossibilidade de seu atendimento na data aprazada. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso de ofício e manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Robson José Bayerl Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001341/00-13
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:16/05/1990 a 16/05/1990
EMBARGOS. REQUISITOS.
Atendidos os requisitos regimentais previstos no art. 65 do RICARF, os embargos devem ser conhecidos e acolhidos a fim de sanar o erro na data do fato gerador.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 9900-000.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, quanto à data de ocorrência do fato gerador, nos termos do voto do Relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:16/05/1990 a 16/05/1990 EMBARGOS. REQUISITOS. Atendidos os requisitos regimentais previstos no art. 65 do RICARF, os embargos devem ser conhecidos e acolhidos a fim de sanar o erro na data do fato gerador. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, quanto à data de ocorrência do fato gerador, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 13 41 /0 0- 13 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados em 7 de maio de 2013 contra o Acórdão no 9900000.663 Pleno, de 28 de agosto de 2012, do Pleno, que, relativamente a pedido de restituição, deu provimento ao recurso extraordinário do Procurador, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:16/05/1990 a 16/05/1990 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido. A embargante alegou haver "patentes contradições quando do julgamento do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da fazenda Nacional" e anexa o próprio acórdão ora embargado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Assiste razão à embargante quando aponta o erro referente à parte que interpôs o recurso especial e em relação à data do fato gerador. O recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional e não pelo contribuinte conforme descreve o voto do recurso extraordinário, e foi negado o seu provimento, por isso a PGFN voltou a recorrer por meio do presente recurso extraordinário. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10855.001341/0013 Acórdão n.º 9900000.944 CSRFPL Fl. 3 3 Também a data de ocorrência do fato gerador está equivocada. Foi colocada como sendo a data da ocorrência do fato gerador, 21/06/1990. Ocorre que o DARF que representa o pagamento supostamente indevido foi recolhido no dia 16/05/1990. Não há como haver o recolhimento antes do fato gerador, obviamente. A declaração de ativos financeiros e IOF referente do ano de 1990 foi entregue a RFB em 09/05/1990. O erro apontado referente à parte que interpôs o recurso especial poderia ser considerado uma inexatidão material e ser corrido por simples despacho. Porém o erro na data do fato gerador faz com que seja necessário um novo julgamento para que seja acertado o acórdão proferido. Como foram atendidos os requisitos regimentais previstos no art. 65 do RICARF, conheço os presentes e acolho sem efeitos infringentes a fim de reratificar o acórdão ora embargado nos termos acima. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011298/2003-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matéria-prima que não são consumidas no processo produtivo.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA.
Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA.
Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 01/02/2004.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matéria-prima que não são consumidas no processo produtivo. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA. Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA. Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 01/02/2004. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2240; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.011298/200361 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.363 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2015 Matéria PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente SM PESCADOS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matériaprima que não são consumidas no processo produtivo. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA. Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA. Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 01/02/2004. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 12 98 /2 00 3- 61 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido, na parte que interessa a este julgamento, por descrever suficientemente a lide: “Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa – Exportação (art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002), relativo ao 4º. trimestre de 2002, no valor de R$ 11.372,91 (onze mil, trezentos e setenta e dois reais e noventa e um centavos). O ressarcimento pleiteado se refere a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo da interessada. Da análise do processo produtivo e seus insumos Conforme a informação fiscal, a contribuinte tem por objetivo a importação e exportação em geral, especialmente de produtos alimentícios, secos e molhados, bem como a indústria e comércio de produtos pesqueiros em geral. Adota a industrialização por encomenda (beneficiamento), não possuindo parque industrial próprio, apenas salas comerciais. A atividade industrial consiste na aquisição de camarão in natura diretamente dos fornecedores, mediante processo de despesca manual. Nesta fase, são adquiridos e fornecidos pela interessada caixas de isopor, gelo e metabissulfito de sódio (conservante), para acondicionamento e conservação do camarão in natura. As caixas de isopor (contendo o camarão, o gelo e o conservante) são transportadas até a empresa terceirizada (frigorífico) responsável pela industrialização (beneficiamento), a qual produz o camarão inteiro congelado (camarão com cabeça) e camarão em partes congeladas (camarão sem cabeça), classificação NCM/TIPI 0306.1391 e 0306.13.99, respectivamente. O produto é acondicionado em embalagem primária e, posteriormente, agrupado em embalagem secundária. Todos os bens utilizados na produção são fornecidos pela interessada. O produto acabado é transportado diretamente da empresa terceirizada para o porto de exportação através de transportadora (pessoa jurídica domiciliada no país), contratada pela interessada. Com base no conceito de insumo contido no inciso I do § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº. 247/2002, a atividade industrial da contribuinte permite enquadrar no conceito de insumo os seguintes bens utilizados e consumidos diretamente na elaboração dos produtos exportados (camarão com cabeça e sem cabeça congelados): gelo, metabissulfito de sódio (conservante), camarão in natura, saco plástico, película, embalagem primária, bem como o serviço de beneficiamento pago aos frigoríficos especializados. Quanto ao serviço de frete contratado, a cópia da respectiva nota fiscal (fl. 95) não possibilita a vinculação desse serviço à condição de insumos no processo produtivo, ainda que o ônus tenha sido suportado pela interessada, em razão do valor do frete não poder ser computado como custo de aquisição dos insumos (matérias primas) adquiridos, tal como definido no art. 289, §1º. do Decreto nº. 3.000/99 (RIR/99). Em relação às caixas de isopor, considerou o fisco que estas não se enquadravam no conceito de insumo (nãocumulatividade) por não serem Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 5 4 consumidas no processo produtivo, mas tãosomente utilizadas (e reutilizadas) para fins de acondicionamento provisório da matériaprima para o transporte até o frigorífico no qual era beneficiada. Remete ao art. 6º. do Decreto nº. 7.212 de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPIRIPI/2010). Nos itens seguintes, o Termo Fiscal detalha as rotinas aplicadas no processo de beneficiamento do camarão, onde conclui que o saco plástico, a película e a embalagem primária (“caixinha”) compõe a embalagem de apresentação do produto; que a embalagem secundária (“Master Box”), a fita adesiva, a fita de arquear, a fivela e a etiqueta compõem a embalagem para transporte do produto; e que esta última, por ser embalagem para transporte, bem como os seus acessórios, afastamse do conceito de insumos, nos termos da legislação afeita à nãocumulatividade. Das aquisições de insumos realizadas com o fim específico de exportação Da análise das cópias das notas fiscais referentes às aquisições de camarão, verificouse que as notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica Aquarium Aqüicultura do Brasil Ltda. possuíam a notação “venda com fins específicos para exportação”. Foram desconsideradas pela auditoria as notas fiscais referentes às aquisições de bens com o fim específico de exportação, em face do comando do inciso I do art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002, bem como do §4º. do art. 6º. da Lei nº. 10.833/2003, pelo qual a contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das vendas de mercadoria para o exterior, ou sobre as receitas das vendas efetuadas à empresa exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III do artigo em comento. Do Resultado da Auditoria Em decorrência das glosas, foi apurado o crédito para o PIS/Pasep – Exportação no valor de R$ 4.117,06. Após efetuada a dedução com a contribuição devida no período (R$ 535,30), o valor a ser ressarcido resultou em R$ 3.581,76. Da Decisão O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente no valor de R$ 3.581,76 (três mil, quinhentos e oitenta e um reais e setenta e seis centavos), sem o acréscimo de juros compensatórios, a título do crédito da contribuição para o PIS/Pasep – Exportação apurado no 4º. trimestre de 2002. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em síntese, a contribuinte inicialmente remete aos fatos que remontam ao seu pedido de ressarcimento, à data de 12/11/2003, quando instruiu o pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep do regime não cumulativo, à extrema demora na análise da demanda, ao Mandado de Segurança onde teria obtido a liminar para que fossem apreciados os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins no período e ao despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade pelo qual se insurge, com as alegações que se traz abaixo, em resumo. 1. Das aquisições de Insumos com fim específico de exportação: (...) 2. Aquisições de outros insumos: embalagem secundária; caixa de isopor; fretes no transporte de matériasprimas (camarão); fretes. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 6 5 A contribuinte alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Pasep nãocumulativo é mais amplo do que aquele previsto para o IPI e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionado no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. 3. Da atualização monetária do ressarcimento: Em síntese, a contribuinte entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigandoo a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Alega ser incontestável a atualização monetária do valor do crédito, seja para fins de ressarcimento, seja para fins de compensações permitidas em lei. 4. Do pedido: Requer, por fim: que seja reconhecido o direito ao crédito do PIS/Pasep nãocumulativo relativamente à aquisição de camarão “in natura”, junto à Aquarium Aqüicultura do Brasil Ltda.; que seja reconhecido o direito aos créditos relativamente às aquisições de “material de embalagem secundária”, “caixa de isopor para acondicionamento provisório de matériaprima”, “fretes na aquisição de matériaprima”, “frete na venda de produto”; que o ressarcimento do crédito seja efetivado com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização, seja em moeda corrente, seja através de compensações deste crédito na liquidação de débitos tributários da Manifestante administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; que o valor de R$ 3.581,76 (três mil. quinhentos e oitenta e um reais e setenta e seis centavos) reconhecido e aprovado no Despacho Decisório seja atualizado monetariamente pelas mesmas razões acima indicadas;” Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 7 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. A ementa do acórdão é a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES.VENDA. O aproveitamento de créditos das contribuições para o PIS/Pasep sobre as despesas de fretes de mercadorias só foi possível a partir da vigência do inciso IX do art. 3º. da Lei nº. 10.833/2003, referentes às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 8 7 compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.” Contra a decisão da DRJ/FNS a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que: A) Preliminarmente: i) No acórdão recorrido há contradição entre a ementa e o voto, pois ficou consignado no “Assunto” da ementa “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins”, quando o processo trata de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep; e, no fechamento do acórdão consta intimação para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, quando o correto seria constar determinação à DRF em Fortaleza para tomar providência para o ressarcimento do valor reconhecido no julgamento realizado. ii) A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB não poderia efetuar glosas em seu pedido, pois este foi apreciado muito tempo após o prazo de 360 dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, após o prazo decadencial para o lançamento de tributos e após o prazo previsto para homologação tácita de declarações de compensação. B) No mérito: i) Ratificou e reforçou seu posicionamento na manifestação de inconformidade em relação às aquisições dos insumos: embalagem secundária, caixa de isopor, fretes no transporte de matériasprimas, fretes de venda. ii) As embalagens de transporte são essenciais a suas atividades, sendo as vendas efetuadas em caixas (máster box) de 20 kg de camarão, logo, estas caixas não podem ser consideradas apenas embalagens de transporte. iii) As caixas de isopor são utilizadas na fase operacional de despesca e de transporte de matériaprima (camarão in natura) entre a fazenda de criação e a indústria (frigorífico), sendo contabilizada como custo de produção e não como imobilizado. iv) Os fretes são contratados para levar gelo, utilizado para conservar o camarão in natura a ser despescado e, uma vez realizada a despesca, para levar o camarão para o frigorífico, que providenciará a industrialização do pescado. Estes serviços são repetidos várias vezes até a conclusão da despesca de um tanque de criação, de modo que o serviço de frete transporta os bens adquiridos com mais de uma nota fiscal de gelo e mais de uma nota Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 9 8 fiscal de camarão. Apenas ao final da despesca, o fornecedor do frete emite sua nota fiscal de serviço, baseandose na quantidade de camarão transportado, sem identificar as notas fiscais, de modo que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. v) Quanto às despesas com fretes nas operações de vendas, não é verdade que a possibilidade de estes gastos darem direito ao crédito da contribuição apenas surgiu com a entrada em vigor do art. 93, I, da Lei nº 10.833, de 2003. Esta norma corrobora os argumentos de que todas as despesas necessárias à sua atividade são passíveis de geração de crédito. vi) O ressarcimento deve ser efetivado com atualização monetária em decorrência da demora injustificável do Fisco em analisar o pedido, não se aplicando ao caso a vedação contida no art. 13, da Lei nº 10.833, de 2003. Ao final, requer que: o pedido de ressarcimento seja deferido tacitamente; ou seja reconhecido o pleito para ressarcimento em sua integralidade e seja atualizado pela taxa Selic entre a data do protocolo do PER/DCOMP e a data do efetivo ressarcimento ou utilização. Em 3/2/2015, a recorrente protocolou requerimento, por meio do qual informou ter interposto ação ordinária contra a União com o objetivo de ter reconhecido seu direito à atualização monetária em vários processos administrativos, entre os quais este se inclui. A ação ordinária transitou em julgado em 11/12/2014 em favor da recorrente, motivo pelo qual solicita seja observado o princípio da coisa julgada e reconhecido o direito à atualização monetária pela taxa Selic. Foram juntadas cópias das decisões judiciais e Cerdidão de Trânsito (2º Grau). É o relatório Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Paulo Sérgio Celani Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento por esta Turma Especial. Preliminares. Erros de escrita no acórdão recorrido. O fato de constar no acórdão da DRJ incorretamente intimação para pagamento e, como assunto, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, quanto o correto seria Contribuição para o PIS/Pasep, não é causa de nulidade. Não há previsão legal ou regimental de embargo da decisão de primeira instância administrativa, nem de retificação do acórdão recorrido pelo CARF. A recorrente não alegou nem demonstrou ter sofrido prejuízo com os erros de escrita e não houve cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, o acórdão decorrente do presente julgamento sobreporseá ao acórdão da DRJ/FNS, de modo que não há necessidade de retificar o acórdão recorrido. Sobre a demora na apreciação do pedido. É desejável que os pedidos administrativos demorem pouco para serem analisados e decididos, porém não é razoável que todo pedido administrativo relativo a tributo, direito indisponível do Estado, seja automaticamente deferido se o prazo não for atendido. O art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, ao estabelecer que “é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte” não diz que a conseqüência do descumprimento deste prazo acarreta o deferimento tácito do pedido. O prazo de cinco anos para homologação de declaração de compensação, sob pena de ser considerada homologada tacitamente, não se aplica a pedidos de ressarcimentos. Assim, por falta de previsão legal, não se pode considerar homologado o pedido de ressarcimento pleiteado neste processo. Acrescentese que, conforme a própria recorrente afirma, ela obteve provimento judicial determinando a atualização monetária dos valores ressarcidos ou que vierem a ser ressarcidos neste processo, o que diminui os efeitos da demora na apreciação do pedido. Mérito. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 11 10 Atualização monetária. Conforme documentos juntados em 3/2/2015, a recorrente impetrou ação ordinária, processada sob o número 080038359.2013.4.05.8100, que transitou em julgado, com decisão favorável a seu pedido. Pelo princípio da unicidade da jurisdição, a decisão judicial prevalece sobre a decisão administrativa, logo, não cabe a este Colegiado pronunciarse sobre esta matéria. Com base neste princípio, foi editada a Súmula CARF nº 1, cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O que fundamenta esta súmula é o fato de a interessada submeter ao Poder Judicial a mesma matéria discutida em processo administrativo e o fato de as decisões judiciais se sobreporem às administrativas. Logo, seja no caso de concomitância seja no caso de coisa julgada, o CARF só pode apreciar matéria distinta da constate de processo judicial, por força da Súmula CARF nº 1 e do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARFRICARF. Por estas razões, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à matéria atualização monetária dos valores ressarcidos ou a ressarcir, assentando que a decisão judicial deverá ser observada pela Unidade da RFB. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. Com fundamento em doutrina e jurisprudência do CARF, a recorrente argumenta que o conceito de insumo utilizado na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep é mais amplo que o utilizado na legislação do IPI. É verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento do conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 12 11 conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 13 12 Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 14 13 Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 15 14 em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9/9/2003, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 16 15 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifei) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn) Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 17 16 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 18 17 exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa. Assentada a abrangência do conceito de insumo, passamos aos gastos glosados pela fiscalização. Gastos com embalagens, caixas de isopor, fretes de camarão in natura e gelo, fretes de vendas. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os seguintes, já tratados na manifestação de inconformidade: embalagem secundária, em especial caixas (máster Box) com capacidade para 20 kg de camarão, caixa de isopor utilizadas na despesca e de transporte de camarão in natura entre a fazenda de criação e o frigorífico, que faz a industrialização do pescado, fretes pagos no transporte de gelo e camarão e fretes de vendas. Para gerarem direito a crédito, as embalagens devem ser utilizadas na produção do bem, caracterizandose como tal aquelas que, ao envolverem o produto, alteram a sua apresentação, conforme se verifica no art. 4º, inc. IV, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Se forem incorporadas após o produto estar pronto, como é o caso das embalagens de transporte, não se caracterizam insumo, não sendo passíveis de gerarem crédito da contribuição não cumulativa. No presente caso, agiu com acerto a fiscalização ao considerar apenas as embalagens de apresentação do produto, aqui chamadas embalagens primárias, como capazes de gerar o direito ao crédito e glosar as aquisições das chamadas embalagens secundárias, embalagens que contêm um conjunto de produtos acondicionadas nas embalagens primárias, pois são embalagens de transporte do produto já acabado e embalado. As caixas de isopor usadas para transportar gelo e camarão in natura não são consumidas no processo produtivo, logo, não se enquadram no conceito de insumo adotado Quanto aos gastos com fretes, tendo em vista que a lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de bens adquiridos para revenda e de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda; e que incluem o custo dos bens adquiridos e dos insumos, os gastos com o transporte destes bens e insumos, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; então, em princípio, poderiam ser admitidos os créditos com estes gastos. Porém, para tal aproveitamento, tendo em vista que o crédito deve ser líquido e certo, conforme artigos 165 e 170 do CTN, e que incumbe àquele que alega um direito o ônus de provar os fatos em que se funda, art. 333 do Código de Processo Civil, a contribuinte deveria comprovar que os gastos com fretes decorreram do transporte de insumos, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011298/200361 Acórdão n.º 3801005.363 S3TE01 Fl. 19 18 Destaquese que a própria recorrente, após explicar como é feito o transporte do camarão in natura e do gelo utilizado na despesca e como são emitidas as notas fiscais, conclui que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. Quanto ao frete das vendas, tratase de gasto com transporte efetuado após o bem ter sido produzido, logo, não pode ser considerado insumo. Por outro lado, conforme assentado na decisão recorrida, os gastos com fretes sobre vendas passaram a dar direito ao crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas a partir de 1º/02/2004, quando entrou em vigor o inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, por força do disposto no art. 93, inciso I, da mesma lei, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Uma vez que foram glosados os gastos com fretes de vendas suportados pelo vendedor anteriores a 1º/2/2004, não há reparos a serem feitos. Por estas razões, devem ser mantidas as glosas referentes aos gastos com caixas (máster box), caixas de isopor, fretes de vendas referentes a transportes realizados antes de 1º/02/2004 e fretes que não tenham sido comprovados como vinculados a aquisições de insumos segundo o conceito adotado neste voto. Conclusão. Pelas razões expostas, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados, assentando que a Unidade da RFB deverá cumprir a decisão judicial transitada em julgado. Na parte conhecida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11128.000590/2007-35
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/01/2002
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA.
Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-005.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39.387.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/01/2002 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39.387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OABDF 39.387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 05 90 /2 00 7- 35 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF nº 600/05. Desse pedido consta: Informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); Que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 02/00716519, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 24/02/2002. Que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA. Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil deuse com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. A contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação Fl. 240DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.000590/200735 Acórdão n.º 3803005.994 S3TE03 Fl. 9 3 adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls. 75/78). A contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 26.694,26 (fls. 114/115), havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 134/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls. 125/127), sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TO353, doc de fl. 21, foram descarregadas em solo americano em 19/12/2001 (doc. fl. 21) e, no dia 07/01/2002 foi emitida a fatura comercial PC 06049 (fls. 15/17) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas para o Brasil em 02/01/2002, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL) de fls. 22/23, portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/20111 pelo Servido de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls. 135/137), que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o sujeito passivo interpôs a sua manifestação de inconformidade (fls. 130/ ), protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito (fls. 01/ ), para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894 (fls. 174/175), a título de precedente. Conclusos foram os autos submetidos ao pronunciamento da 1ª Turma da DRJ/SP2, que por através do Acórdão nº 1757.678, de 16/02/2012 (fls. 186/194) proferiu decisão, cuja ementa transcrevese adiante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/01/2002 Solicitação de RECONHECIMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO, em virtude de mercadoria produzida no México, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 país integrante da ALADI, pleiteando o direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal. A alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999, impõe três condições simultâneas para que se contemplem a redução do Imposto. A interessada não logrou êxito em justificar que a mercadoria transitou pelos Estados Unidos da América do Norte por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O entendimento vazado na decisão em comento segue a mesma linha daquele profligado no Despacho Decisório nº 134/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls. 125/127), de que a mercadoria em questão foi faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), e que não foram atendidas as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do artigo 1º da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos “I” e “II”, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimento de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Acerca da Decisão nº 203, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª RF, pautouse o entendimento exarado no acórdão suso mencionado, que a mesma se refere a INTERMEDIAÇÃO DE EMPRESA DE TERCEIRO PAÍS NÃO MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO, não refletindo a situação em comento, ou seja, mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes. Além disso, não faz qualquer concessão quanto às exigências solicitadas pelo artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. No que atine às duas decisões proferidas na instância superior administrativa e colacionadas aos autos pela interessada, o voto condutor assinalou que ambas possuem o mesmo teor e, em que pese o respeito ao entendimento esposado e suas razões, não é essa a conclusão que se depreende das exigências da alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. É explicita a exigência de que as únicas justificativas para trânsito por um ou mais países não participantes são por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país, o que a interessada não comprovou. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 15/03/12 e protocolou o seu recurso voluntário na DRF em Campinas/SP, em 12/04/12, reiterando as mesmas razões de fato e de direito expendidas na exordial, entretanto de maneira pormenorizada, haja vista que a operação de importação foi realizada nos moldes da Resolução nº 252, art. 1º, item quatro, alínea ‘b’, “I” e “II” e item nono, do Comitê de Representantes da ALADI, ex vi do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99. Aduziu, inclusive, que no âmbito da ALADI admitese que a mercadoria produzida em um determinado País (ex: México) seja embarcada para o Brasil com trânsito em terceiro País que não seja membro da referida associação (ex: Estados Unidos), devendo, nesta situação, indicar no campo “observações” do Certificado de Origem que a mercadoria será faturada por terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do exportador (“que em definitivo será o que fature a operação a destino”). Fl. 242DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.000590/200735 Acórdão n.º 3803005.994 S3TE03 Fl. 10 5 Persiste na defesa de que o trânsito das mercadorias por território de país não membro da ALADI se deu por conveniência geográfica, implicando inclusive em redução de custos operacionais; que apesar de o México ter acesso ao Oceano Atlântico, como consignado na decisão recorrida, o Porto de Houston oferece condições infinitamente melhores que os portos mexicanos com saída para esse oceano. Ressalta que se trata de uma questão de logística, em razão de maior facilidade e conveniência, motivos o bastante para todas as empresas do mesmo grupo adotar esse caminho para o transporte das mercadorias: México – EUA – Brasil, sem que haja qualquer benefício outro para a Recorrente. Tanto é assim que a própria documentação já indicava o destinatário final. Enfatizou a Recorrente que a eventual falta de justificativa para a operação ter como etapa os EUA antes do destino final (Brasil), alegada no acórdão combatido, não serve como referência para a mitigação do direito creditório, ora pleiteado, pois toda a documentação que acompanhava a DI, já anexada ao pedido de restituição, faz prova do direito a redução tarifária que, não foi concedida no desembaraço por exclusiva impossibilidade técnica do próprio SISCOMEX, inclusive o doc. 10 anexo ao pedido de restituição que menciona como destino final das mercadorias a PANASONIC DO BRAZIL LTDA, restando demonstrado portanto, que desde a entrada das mercadorias nos EUA já havia a consignação de que seu destino final seria o Brasil. Consubstanciou o alegado mencionando a Decisão nº 203, DOU de 15/09/1999, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, que foi ratificada pelo Ofício nº 2006/00263 da COANA, além de jurisprudência administrativa na qual é parte interessada, por meio dos Acórdãos nº CSRF/0304.584 (11128.000691/0050) e CSRF/03 04.585 (11128.000687/0082), cuja ementa se reproduz: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ACORDO ALADI – REDUÇÃO TARIFÁRIA – TRIANGULAÇÃO – não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante, por inteligência do art. 4º, alínea ‘b’, e seus itens, do Regime Geral de Origem, da Resolução 78, firmado entre o Brasil e a Associação Latino americana de Integração – ALADI, aprovado pelo Decreto nº 98.874/90. Recurso especial provido. Cumpridas as exigências requer o provimento do recurso e a declaração de nulidade do acórdão recorrido pelo cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 243DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese ao atendimento ou não das condições elencadas na Resolução ALADI nº 252, para fazer jus ao beneplácito da redução em 20% da tarifação do imposto de importação, na operação realizada. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.18). No mesmo sentido o documento de fl. 21, denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em 19/12/01, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN (fl. 22), informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Do ponto de vista da legislação temse que o Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99, dispõe sobre a execução da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI. Assim dispõe o art. 1º dessa Resolução: Art. 1º. A Resolução nº 252, que aprova o texto consolidado e ordenado da Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da Associação Latinoamericana de Integração, apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contem. Por sua vez o item quarto dessa Resolução estabelece: Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase com expedição direta: (...); As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.000590/200735 Acórdão n.º 3803005.994 S3TE03 Fl. 11 7 não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Finalmente, o item nono do mesmo normativo assim registra: Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: (i) As mercadorias importadas sob o amparo da DI nº 02/00716519, de 24/01/02, efetivamente tiveram como origem o País do México, transitaram pelos EUA, e tiveram como destino final o Brasil; (ii) A operação de importação em comento seguiu de acordo com as orientações contidas no item ‘b’ e alíneas ‘i’ e ‘ii’ do artigo 1º da Resolução nº 252; Em razão do tipo de operação de importação por ela realizada, a Recorrente alegou que teria direito à redução do imposto de importação de 20% sobre a alíquota normal, bem assim que por ocasião do registro da DI no SISCOMEX, o referido sistema não reconheceu esse direito. O imbróglio ensejou a realização de consulta pela ora Recorrente formulada à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10 (fls. 75/78). Seguindo a orientação contida no ofício suso mencionado a Recorrente protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 26.694,26 (fls. 114/115). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo nº 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Ainda em Relação ao tema a Recorrente trouxe à baila a Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Ressaltese que o Despacho Decisório nº 134/2011, apenas analisou os mesmos documentos colacionados aos autos e concluiu que as mercadorias não podem ser beneficiadas com a redução pretendida, pois supostamente foram transacionadas com uma empresa sediada nos EUA, mediante fatura comercial TO 353, foram descarregadas em solo americano em 19/12/2001 e depois foi emitida fatura comercial PC06049 (fls. 15/17), ou seja, em razão da mercadoria haver sido faturada por operador em terceiro país, não integrante da ALADI. Data vênia, consoante o disposto na legislação pertinente já mencionada, não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. São precedentes o Acórdão CSRF/0304.584 e CSRF/0304.585, mencionados pela Recorrente. Ante todo o exposto oriento meu voto para dar provimento ao recurso interposto, para reconhecer o direito creditório. É assim que voto. Sala de Sessões, em 23 de abril de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.003664/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULARIDADE DA APLICAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA.
Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA BRUTA. PRESUNÇÃO LEGAL
A aplicação das informações bancárias para a apuração das movimentações realizadas - não regularmente contabilizadas pela contribuinte -, e a sua consideração como efetivas receitas omitidas, não representa, por si só, a desconsideração do critério jurídico de incidência dos tributos relacionados, mas apenas, e tão somente, a aplicação da hipótese legal de presunção fiscal, nos termos apontados.
LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. INSS
Por se tratar de consideração de receitas omitidas, os montantes indicados na apuração do montante principal aplica-se, como decorrência, aos demais tributos indicados, de acordo com as regras a eles aplicáveis.
SIMPLES. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE DE RECEITA.
Em conformidade com a legislação de regência (Lei nº 9.317, de 1996), o fato de a contribuinte optante pelo SIMPLES auferir receita em determinado ano superior ao limite previsto para permanecer no regime, não constitui hipótese de exclusão nesse mesmo ano, mas, sim, no ano subseqüente, eis que, neste caso, uma das condições para optar pelo SIMPLES, qual seja, ter auferido receita bruta no ano anterior até um determinado limite, não mais será atendida.
PRÁTICA REITERADA. ARGUIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA.
O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostra-se ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 1301-001.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier, (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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REGULARIDADE DA APLICAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA. Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA BRUTA. PRESUNÇÃO LEGAL A aplicação das informações bancárias para a apuração das movimentações realizadas não regularmente contabilizadas pela contribuinte , e a sua consideração como efetivas receitas omitidas, não representa, por si só, a desconsideração do critério jurídico de incidência dos tributos relacionados, mas apenas, e tão somente, a aplicação da hipótese legal de presunção fiscal, nos termos apontados. LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. INSS Por se tratar de consideração de receitas omitidas, os montantes indicados na apuração do montante principal aplicase, como decorrência, aos demais tributos indicados, de acordo com as regras a eles aplicáveis. SIMPLES. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE DE RECEITA. Em conformidade com a legislação de regência (Lei nº 9.317, de 1996), o fato de a contribuinte optante pelo SIMPLES auferir receita em determinado ano superior ao limite previsto para permanecer no regime, não constitui AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 64 /2 00 7- 33 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 731 2 hipótese de exclusão nesse mesmo ano, mas, sim, no ano subseqüente, eis que, neste caso, uma das condições para optar pelo SIMPLES, qual seja, ter auferido receita bruta no ano anterior até um determinado limite, não mais será atendida. PRÁTICA REITERADA. ARGUIÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. O conceito de PRÁTICA REITERADA revela certo grau de indeterminação, de modo que descabe falar em invalidade do lançamento na circunstância em que a autoridade fiscal, identificando omissão de receitas em períodos sucessivos, promove a tributação na sistemática diferenciada e mais benéfica para o fiscalizado. O fundamento para a decretação do cancelamento do lançamento mostrase ainda mais insubsistente quando se constata que a questão sequer foi suscitada em sede defesa, restando evidente que, no caso, não se está diante de matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier, (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 732 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias fáticas contidas nos autos, adoto, aqui, o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, onde destaco: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada e intimada a recolher o crédito tributário relativo ao IRPJSimples, no valor de R$ 195.227,17 (fls. 457); à contribuição para o PISSimples, no valor de R$ 195.227,17 (fls. 465); à CSLLSimples, no valor de R$ 303.225,41 (fls. 473); à CofinsSimples, no valor de R$ 606.451,07 (fls. 481); à Contribuição para a Seguridade SocialINSS Simples, no valor de R$ 1.297.255,28 (fls. 133), j á incluídos multa proporcional de 7 5% e juros de mora calculados até 31.10.2007, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003. O enquadramento legal do lançamento está consignado nos campos próprios do auto de infração e é o que se segue: IRPJ, com base nos artigos 186, 188 e 199 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2 o , § 2 o , 3 o , § I o , alínea "a", 5o , 7o , § I o , e 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 3o da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998; PIS, com base no artigo 3o, alínea "b" da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo Io , parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2o , inciso I, 3 o e 9 o da Medida Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2o , § 2o , 3o , § Io, alínea "b", 5o , 7o , § I o , e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3 o da Lei n° 9.732/1998; CSLL, com base nos artigos I o da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2 o , § 2 o , 3 o , § I o , alínea "c", 5o , 7o , § 1o , e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3 o da Lei n° 9.732/1998; Cofins, com base nos artigos 1o e 2o da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, 2 o , § 2 o , 3 o , § I o , alínea "d", 5o , 7o , § I o , e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3 o da Lei n° 9.732/1998; e Contribuição para a Seguridade Social INSS com base nos artigos 2o , § 2o , 3 o , § Io , alínea "f, 5o , 7o , § Io , e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3 o da Lei n° 9.732/1998. O demonstrativo de apuração do imposto e contribuição sobre as diferenças apuradas encontrase às fls. 442/452. A base legal da multa está assentada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996 e, dos juros de mora, no artigo 6 1 , § 3 o , da Lei n° 9.430/1996 (fls. 104, 110, 116, 117, 123 e 130). O "Termo (07) de Verificação Fiscal e de Devolução de Livros Fiscais" (fls. 435/439) aponta que a contribuinte, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, no ano calendário 2003, cometeu a infração de omissão de receitas, em razão de verificação de existência de depósitos bancários cuja origem e regular tributação não foram comprovadas, consignando que o montante desses valores é muito superior àqueles informados como receita na declaração de rendimentos, resultando na exigência dos Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 733 4 tributos incidentes sobre essa diferença. Foi constatada, ainda, insuficiência de recolhimento decorrente de mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento do valor da receita bruta acumulada ocorrido com o cômputo da receita omitida. Notificada dos lançamentos referentes ao Simples em 28/11/2007 (fls. 495), a contribuinte apresentou impugnação (fls. 497/531), em 27/12/2007, alegando, em síntese, o seguinte: (i) Sua movimentação bancária não constitui fato gerador do IR, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição ao INSS, a teor do disposto no artigo 43 do CTN, artigos 1o e 2o da Lei n° 7.689/88, artigo 2o da Lei n° 9.718/99 e artigo 20 da Lei n° 8.212/91; (ii) O conceito de receita bruta do art. 31 da Lei n° 8.981/91 c/c art. 279 do RIR199, é distinto da omissão de receita, art. 281 do RIR199, sendo que a aplicação dos percentuais da sistemática do SIMPLES, previstos no artigo 5° da Lei n° 9.317/96, sobre a indigitada omissão é incabível por falta de previsão legal, violando assim o artigo 142 do CTN; (iii) Em relação especificamente ao IR e CSLL, sendo inaplicável a sistemática do SIMPLES, a Impugnante teria direito à tributação de eventual diferença apurada pela fiscalização com base no lucro presumido, conforme artigos 44 do CTN c/c 15 da Lei n° 9.249/95, bem como art. 20 da Lei n° 9.249/95; (iv) A legislação do SIMPLES não prevê hipótese para arbitramento das bases de cálculo do IR, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição ao INSS, sendo incabível a aplicação dos percentuais previstos no artigo 5o da Lei n° 9.317/1996 sobre a movimentação bancária realizada em 2003 em razão da ausência de fundamento legal e por configurar violação aos artigos 5o , inciso II, c/c 150, inciso I, da Constituição Federal; (v) Especificamente em relação ao IR e CSLL o artigo 535 do RIR199 não contempla a movimentação bancária como uma das hipóteses para arbitramento quando desconhecida a receita bruta; (vi) Na remota hipótese de ser mantido o arbitramento, o valor da suposta omissão de receita não poderia ser utilizado em sua totalidade sob pena de violação aos artigos 3o e 43 do CTN; (vii) Tendo em vista a impossibilidade de aplicação dos percentuais relativos ao Simples, fica prejudicada as exigências do Pis e da Cofins, tendo em vista que o artigo 42 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 assegura ao revendedor varejista, tal como a Impugnante, a alíquota zero para o PIS e para a COFINS; e (v) Da mesma maneira, não sendo aplicáveis as alíquotas do Simples, a Contribuição ao INSS deveria ser calculada com base na folha de salários paga pelo Impugnante no ano de 2003, nos termos do artigo 20 da Lei n° 8.212/91; Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 734 5 Tendo sido constatado que o sujeito passivo incorreu em excesso de receita bruta para o anocalendário 2003, o autuante efetuou representação para sua exclusão do Simples, mediante formalização do processo n° 19515.003705/200791 (fls. 494). Apreciando as razões trazidas na impugnação, concluiu a douta 1a Turma da DRJ/SP1 pela procedência do lançamento, mantendoo, inclusive, em todos os seus termos, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de presunção por lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, ainda que apurado em razão de caracterização de presunção legal de omissão de receitas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício, deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 735 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, aduzindo, para tanto, o seguinte: Que, apesar de regularmente intimada para a apresentação de informações a respeito das movimentações bancárias no importe de R$ 10.653.385,00 (Dez milhões, seiscentos e cinqüenta e três mil, trezentos e oitenta e cinco reais), tais informações não foram apresentadas por conta de “extravio de documentos”. Que a movimentação bancária não é fato gerador do IR, CSLL, PIS, COFINS e Contribuições do INSS. Que o conceito legal de “receita bruta” não se equipara ao de “omissão de receitas”, sendo, assim, inaplicável a legislação do SIMPLES. Que a incidência do PIS e da COFINS, no caso, estaria submetida à incidência monofásica, sendo indevida assim a sua exigência na presente vertente. Por se tratar a recorrente de empresa atuante na atividade de revenda varejista de Gás Liquefeito de Petróleo – GLP, toda a tributação relativa ao PIS e à COFINS estaria restrito à fonte produtora, sendo indevida a sua cobrança da recorrente. Que é inválida a exigência de contribuição ao INSS sobre a receita omitida, tendo em vista que a sua base não é a receita, mas sim a folha de salários. É o que se tem a relatar. Passo ao meu voto. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 736 7 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. Conforme aqui destacado, tratase de efetivação de lançamento fiscal com base na aplicação de presunção legal de omissão de receitas (Art. 42 da Lei 9.430/96), tendo em vista que, apesar de devidamente intimada, não apresentou a contribuinte qualquer fundamento, registro ou explicação a respeito dos vultosos recursos movimentados em sua conta corrente (cerca de R$ 10.653.385,00), que contribuinte, em suas razões, simplesmente destaca ter sido causada por força de “extravio de documentos”. Passemos então à análise dos argumentos apresentados no recurso interposto. Da presunção legal de omissão de receitas O primeiro ponto de análise necessária nos presentes autos, referese à validade da presunção de omissão de receitas pelos agentes da fiscalização. Inicialmente, é importante destacar que, obtidas as informações das vultosas movimentações financeiras realizadas na conta bancária do contribuinte, a partir das informações obtidas a partir da cobrança da CPMF, foi ela então devidamente intimada para a apresentação de documentos, registros e comprovações a respeito da origem, destino e natureza dos referidos recursos, intimação essa que em momento algum fora cumprido pela contribuinte. A partir dessas circunstâncias fáticas, verificase que, aplicando as disposições próprias do Art. 42 da Lei 9.430/96, consideraram os agentes fiscais a presença da hipótese de omissão de receitas, e, a partir daí, promoveram o lançamento respectivo. O procedimento realizado, portanto, encontra previsão legal nos mandamentos do seguinte dispositivo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 737 8 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaques nossos) De acordo com o que se verifica nos presentes autos, efetivamente incontestável se mostra a ausência de atendimento, pela contribuinte, da específica intimação fiscal a respeito das informações relativas à movimentação dos apontados valores em sua contacorrente, sendo, assim, perfeitamente regular a aplicação da presunção na espécie. A partir dessas considerações, verificase que, a rigor, toda a oposição construída pela recorrente no sentido de que a “omissão de receita” não seria fato gerador de qualquer tributo apontado (IR, CSLL, PIS, COFINS, etc.) apresentase como completa e integralmente equivocada, sobretudo porque, no caso, não se trata de considerálas em si como “fatos geradores”, mas sim, de expressa autorização legal de que os referidos valores sejam presumidamente reconhecidos como “receitas”, sendo daí, então, decorrente todas as conseqüências tributárias respectivas. Por essas razões, entendo completamente desarrazoada a discussão pretendida pela recorrente em relação à invalidade da aplicação da presunção, sendo certo que, verificandose a existência da hipótese fática especificamente prevista nas disposições legais de regência (movimentações financeiras não devidamente comprovadas/esclarecidas), perfeitamente válida se apresenta, assim, a aplicação da presunção. Da aplicação da presunção e a necessária exclusão da sistemática do SIMPLES Ultrapassada a consideração aqui apresentada de que, de fato, regular se apresenta a aplicação da presunção legal de omissão de receitas (Art. 42 da Lei 9.430/96), cumpre observar que, no presente caso, tratase a contribuinte de empresa optante pelo SIMPLES (Lei 9.317/96), e, nessas circunstâncias, o montante apurado a título de receitas omitidas apresentamse no valor de aproximadamente R$ 10.653.385,00 (Dez milhões. Seiscentos e cinqüenta e três mil, trezentos e oitenta e cinco reais). Considerando esse montante como de efetivas “receitas auferidas e não submetidas à tributação”, os agentes da fiscalização, ao que se verifica, supostamente aplicando as disposições do art. 24 da Lei 9.249/95, simplesmente aplicaram sobre os referidos montantes as alíquotas próprias aplicáveis ao referido regime simplificado de tributação, apurando, assim, o montante então supostamente devido pela contribuinte. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 738 9 Entretanto, em que pese todos os fundamentos e razões apresentadas, é de se destacar que as determinações contidas no referido Art. 24 da Lei 9.249/95 não impõe a simples a aplicação cega de alíquotas regularmente aplicáveis às pessoas jurídicas em caso de verificação de omissão de receitas, mas sim, diversamente, a obrigatoriedade de que os referidos montantes sejam considerados como “receitas auferidas”, e, a partir daí, com todas as conseqüências legais a ela aplicáveis como se efetiva e regularmente registradas tivessem sido. No caso das empresas submetidas à sistemática do Simples Federal (Lei 9.317/96), é de se observar o necessário respeito aos limites legais estabelecidos para o tratamento, sendo, também, conseqüência legal a sua exclusão de ofício, nas hipóteses em que restar verificada a extrapolação de receita. Senão, vejamos: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); ( Redação dada pela Lei n o 11.307, de 2006 ) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); ( Redação dada pela Lei n o 11.307, de 2006 ) (...) rt. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; b) ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. ( Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006 ) § 1º A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. (...) Art. 16º A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Da análise dessas disposições, verificase que, sendo considerado o montante de R$ 10.653.385,00 (Dez milhões. Seiscentos e cinqüenta e três mil, trezentos e oitenta e cinco reais) como valor de receitas efetivamente auferidas pela contribuinte e não contabilizadas, a conseqüência legal necessária, no presente caso, seria a de determinação de Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 739 10 sua exclusão de ofício da sistemática do SIMPLES, apurandose os montantes devidos, então, a partir das regras aplicáveis a todas as demais pessoas jurídicas. Nessa linha, entendo que, no caso, a apuração do montante devido, simplesmente, a partir da aplicação das alíquotas do SIMPLES FEDERAL sobre o montante de das receitas tidas por omitidas não observou, no caso, o adequado tratamento legal determinado pelas disposições de regência, devendose, ao revés, efetivamente, ser efetivamente promovida a exclusão de ofício da contribuinte da sistemática própria do Simples (Lei 9.317/96), apurandose o montante devido de acordo com as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, que, no caso, seria, necessariamente, pela efetivação do lançamento com base no Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, a ser então verificado em cada caso. Observese que, neste ponto, inúmeros precedentes deste Conselho já se verificam em sua jurisprudência, sobretudo porque, caracterizada a prática reiterada de omissão de receitas pela contribuinte, a determinação legal é a consideração de sua exclusão daquela sistemática com efeitos, inclusive, contados a partir do primeiro mês, apurandose, assim, os tributos devidos pelas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Senão, vejamos: Número do Processo 16004.000716/200953 Contribuinte FRIGOPOTI FRIGORIFICO POTI LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) GERALDO VALENTIM NETO Nº Acórdão 1202001.038 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DONASSOLO – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) GERALDO VALENTIM NETO Relator. EDITADO EM: 22/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan (Suplente convocado) e Geraldo Valentim Neto. Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005, 2006 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DECADÊNCIA NOTAS FISCAIS “FRIAS” DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTOS JÁ RECOLHIDOS PELO SIMPLES MULTA QUALIFICADA Nas situações em que for constatada conduta dolosa do contribuinte na prática de infrações tributárias, o prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É correta a imputação ao contribuinte das receitas auferidas em operações por ele realizadas e ocultadas por meio de notas fiscais frias emitidas por terceiros. Presumemse receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Uma vez demonstrado que a escrituração contém vícios que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, correto é o arbitramento do lucro. Devem ser deduzidos dos créditos tributários apurados os valores já recolhidos pela sistemática do SIMPLES. A aplicação de multa qualificada foi devidamente fundamentada, pois o contribuinte informou na DIPJ do anocalendário 2003 somente valores referentes a prestação de serviços, não declarou débitos em DCTF, não comprovou a origem dos créditos ingressados em suas contas bancárias e utilizou notas fiscais frias emitidas por terceiros para a comercialização de produtos decorrentes do abate de bovinos, com o objetivo de não recolher os tributos devidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AUTO REFLEXO. Aplicamse à CSLL as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AUTO REFLEXO. Aplicamse à COFINS as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 740 11 Aplicamse ao PIS/PASEPas mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: EXCLUSÃO DO SIMPLES PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Uma vez constatada a prática reiterada de infração à legislação tributária, impõese a exclusão do SIMPLES, com efeitos retroativos ao mês da ocorrência das infrações, nos termos do art. 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Não há previsão legal de efeito suspensivo para a manifestação de inconformidade apresentada contra ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. O art. 151 do CTN não se aplica por analogia, pois trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Em face dessas considerações, entendo, no presente caso, assistir razão à contribuinterecorrente, sobretudo porque, devendo as autoridades fiscais efetivamente considerar os montantes apurados como de receitas verdadeiramente auferidas e omitidas, e, sobretudo, a prática reiterada da referida infração à legislação tributária, a sua inclusão na contabilidade da contribuinte importaria na sua necessária e imediata exclusão de ofício da sistemática do Simples Federal, impondo, por conseqüência, a apuração dos montantes devidos a partir das regras normais aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, conforme o caso), e não, absolutamente, da forma como aqui considerado. Nesses termos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, reconhecendo, no caso, a efetiva insubsistência do lançamento efetivado, desconstituindoo, assim, em todos os seus termos, com base nos fundamentos aqui então regularmente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 741 12 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Embora tenha rendido homenagens ao pronunciamento do Ilustre Relator, o Colegiado decidiu de forma diversa, relativamente aos fundamentos por ele esposados para considerar “inválido” o lançamento”. O Ilustre Conselheiro Relator declina o seguinte entendimento, in verbis: [...] em que pese todos os fundamentos e razões apresentadas, é de se destacar que as determinações contidas no referido Art. 24 da Lei 9.249/95 não impõe a simples a aplicação cega de alíquotas regularmente aplicáveis às pessoas jurídicas em caso de verificação de omissão de receitas, mas sim, diversamente, a obrigatoriedade de que os referidos montantes sejam considerados como “receitas auferidas”, e, a partir daí, com todas as conseqüências legais a ela aplicáveis como se efetiva e regularmente registradas tivessem sido. No caso das empresas submetidas à sistemática do Simples Federal (Lei 9.317/96), é de se observar o necessário respeito aos limites legais estabelecidos para o tratamento, sendo, também, conseqüência legal a sua exclusão de ofício, nas hipóteses em que restar verificada a extrapolação de receita. Senão, vejamos: ... Da análise dessas disposições, verificase que, sendo considerado o montante de R$ 10.653.385,00 (Dez milhões. Seiscentos e cinqüenta e três mil, trezentos e oitenta e cinco reais) como valor de receitas efetivamente auferidas pela contribuinte e não contabilizadas, a conseqüência legal necessária, no presente caso, seria a de determinação de sua exclusão de ofício da sistemática do SIMPLES, apurandose os montantes devidos, então, a partir das regras aplicáveis a todas as demais pessoas jurídicas. Nessa linha, entendo que, no caso, a apuração do montante devido, simplesmente, a partir da aplicação das alíquotas do SIMPLES FEDERAL sobre o montante de das receitas tidas por omitidas não observou, no caso, o adequado tratamento legal determinado pelas disposições de regência, devendose, ao revés, efetivamente, ser efetivamente promovida a exclusão de ofício da contribuinte da sistemática própria do Simples (Lei 9.317/96), apurandose o montante devido de acordo com as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, que, no caso, seria, necessariamente, pela efetivação do lançamento com base no Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, a ser então verificado em cada caso. Observese que, neste ponto, inúmeros precedentes deste Conselho já se verificam em sua jurisprudência, sobretudo porque, caracterizada a prática reiterada de omissão de receitas pela contribuinte, a determinação legal é a consideração de sua exclusão daquela sistemática com efeitos, inclusive, contados a partir do primeiro mês, apurandose, assim, os tributos devidos pelas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Senão, vejamos: ... Fl. 756DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 742 13 Em face dessas considerações, entendo, no presente caso, assistir razão à contribuinterecorrente, sobretudo porque, devendo as autoridades fiscais efetivamente considerar os montantes apurados como de receitas verdadeiramente auferidas e omitidas, e, sobretudo, a prática reiterada da referida infração à legislação tributária, a sua inclusão na contabilidade da contribuinte importaria na sua necessária e imediata exclusão de ofício da sistemática do Simples Federal, impondo, por conseqüência, a apuração dos montantes devidos a partir das regras normais aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, conforme o caso), e não, absolutamente, da forma como aqui considerado. Observase, pois, que, em apertada síntese, o fundamento em que se baseia o Relator para ter como inválido o lançamento dos tributos e contribuições na sistemática do SIMPLES está representado pelo fato de que, em virtude da extrapolação do limite de receita bruta e da prática reiterada de infrações, a contribuinte não poderia ter sido submetida à tributação com base no referido regime simplificado. O Colegiado, contudo, não entendeu dessa forma. No que diz respeito à extrapolação de receita, equivocase o Relator, pois, considerada a legislação de regência (Lei nº 9.317, de 1996), o fato de a contribuinte, optante pelo SIMPLES, auferir receita em determinado ano superior ao limite previsto para permanecer no regime, não constitui hipótese de exclusão nesse mesmo ano, mas, sim, no ano subseqüente, eis que, neste caso, uma das condições para optar pelo SIMPLES, qual seja, ter auferido receita bruta no ano anterior até um determinado limite, não mais será atendida. Não era por outra razão que a Lei nº 9.317, de 1996, estabelecia: Art. 23 [...] § 2º A pessoa jurídica, inscrita no SIMPLES na condição de microempresa, que ultrapassar, no decurso do anocalendário, o limite a que se refere o inciso I do art. 2º, sujeitarseá, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, aos percentuais e normas aplicáveis às empresas de pequeno porte, observado o disposto no parágrafo seguinte. § 3º A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do anocalendário, exceder ao limite a que se refere o inciso II do art. 2º, adotará, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, os percentuais previstos na alínea "e" do inciso II e nos §§ 2º, 3º, inciso III ou IV, e § 4º, inciso III ou IV, todos do art. 5º, acrescidos de 20% (vinte por cento), observado o disposto em seu § 1º. Cabe registrar que a norma referenciada pelo Ilustre Relator (alínea “b” do inciso II do art. 13 da Lei nº 9.317, de 1996) diz respeito à pessoa jurídica que inicia as suas atividades, não sendo esse o caso da Recorrente. No que tange à alegada prática reiterada de infrações, a tese acolhida pelo Ilustre Relator diz respeito ao fato de que, considerados os elementos reunidos ao processo, estaria caracterizada a PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES, o que implicaria em tributação nos moldes aplicados às demais pessoas jurídicas, e não na sistemática do SIMPLES. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003664/200733 Acórdão n.º 1301001.586 S1C3T1 Fl. 743 14 A argumentação foi rejeitada, primeiramente porque a questão sequer foi suscitada em sede de recurso, não cabendo, no caso, a arguição de que tal matéria seria de ordem pública, obrigando, assim, o Colegiado a conhecêla de ofício. Com efeito, o conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não sendo pacífico o entendimento de que ela resta caracterizada na circunstância versada nos autos. No mais, restou consignado que o agente fiscal não detém competência para, a partir da caracterização de uma suposta prática reiterada de infrações, decretar a exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES. Nos termos do parágrafo 3º do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a exclusão de ofício, para que possa surtir os efeitos jurídicos que lhe são próprios, deve ser promovida por meio da expedição de ato declaratório da autoridade fiscal da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurandolhe o exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos das normas processuais em vigor. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado, afastar a preliminar de invalidade do lançamento suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10680.020620/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 30/11/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 31/07/2004
Base de Cálculo
Na vigência das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/11/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 31/07/2004
Compensação. Operacionalização.
Após a modificação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 10.637, de 2002, a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.219
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/11/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 31/07/2004 Base de Cálculo Na vigência das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 31/07/2004 Compensação. Operacionalização. Após a modificação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 10.637, de 2002, a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Recurso Voluntário Negado
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 31/07/2004 Compensação. Operacionalização. Após a modificação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 10.637, de 2002, a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.020620/200791 Acórdão n.º 310201.219 S3C1T2 Fl. 356 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Lavraramse contra o contribuinte identificado os Autos de Infração de fls. 04/10 e 12/18, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e à Contribuição para Programa de Integração Social – PIS , totalizando o crédito tributário de R$ 1.725.292,28 para a Cofins e R$ 186.853,42 para o PIS, incluindo multa de ofício de 75% e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 06 e 14. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 06 e 14. Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 19/23, elaborado pela Fiscalização: Foi constatada insuficiência de declaração das contribuições para o PIS e Cofins. As bases de cálculo foram levantadas com base nos balancetes mensais apresentados pela fiscalizada. Através de uma análise mais apurada na forma de levantamento das bases de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), identificamos que as parcelas das variações monetárias cambiais poderiam gerar diferenças nos valores declarados pela empresa, pela forma de abordagem das mesmas na contabilidade. Conferências foram, então, realizadas e chegamos às diferenças acima expostas. Ressaltamos que a metodologia adotada consistiu em apurar as bases de cálculo das contribuições, excluir os valores referentes às variações cambiais integrantes do grupo Outras Receitas Operacionais, que estão ali registrados pelo regime de competência, e adicionar os valores apurados pelo regime de caixa. As receitas a serem incluídas pelo regime de caixa foram fornecidas pela empresa, numa planilha que se encontra anexada a este auto de infração. Outro procedimento adotado diz respeito às receitas com saldos mensais negativos que foram encontrados nos balancetes mensais, normalmente dentro do grupo das Outras Receitas Operacionais. Como a regra geral para explicar tais saldos são estornos fora do período de competência, os mesmos não foram considerados por esta fiscalização, cabendo à empresa, apresentar demonstrativo dos estornos efetuados, dentro dos períodos de competência corretos a serem considerados. A fiscalizada não se pronunciou a esse respeito. Na fase final da ação fiscal, foi o contribuinte solicitado a fazer uma breve revisão do trabalho executado, através do Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 17/12/2007, com a finalidade de Fl. 365DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.020620/200791 Acórdão n.º 310201.219 S3C1T2 Fl. 357 3 cientificálo dos resultados atingidos, e intimálo a exibir qualquer elemento novo que tenha sido desconsiderado anteriormente, e que possa modificar as conclusões até o presente momento. A empresa não se manifestou por escrito por entender que não tem mais nenhum dado a nos fornecer. Cientificado, em 26/12/2007, o interessado apresentou, em 25/01/2008, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 261/272, acompanhado dos documentos de fls. 273/283, com as suas razões de defesa, resumidas a seguir: Tanto a Lei nº 10.637/02, quanto a Lei nº 10.833/03, padecem do vício da inconstitucionalidade por eleger critério diverso daquele estabelecido no § 9º do art. 195 da Constituição da República. Uma vez que o valor apurado no TVF se funda em lei inconstitucional, o cancelamento do referido Termo e do Auto de Infração é medida que se impõe. Ao diferenciar a cobrança da Cofins e do PIS/Pasep com base no critério eleito para apuração do Imposto de Renda, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 acabaram por afrontar o texto constitucional, extrapolando os seus limites. Tal se dá porque, conforme demonstrado, a Constituição da República somente prevê alíquotas diferenciadas nos casos específicos de utilização intensiva de mãodeobra ou em razão da atividade econômica. Não se pode olvidar ainda, que tanto a Lei nº 10.637/02, quanto a Lei nº 10.833/03, ao igualar o conceito de faturamento ao de receita bruta, acabou por ferir o art. 110 do CTN. Partindose da conclusão de que por meio de legislação tributária não se podem alterar conceitos e formas de direito privado para definir ou limitar competências tributárias, sob pena de se violar o citado dispositivo, não há como se afastar do entendimento de que, no caso em tela, variações cambiais não se enquadram no conceito de faturamento previsto como a receita auferida pelas vendas de mercadorias e/ou serviços realizados pela pessoa jurídica. Aduz o TVF que: “outro procedimento adotado diz respeito às receitas com saldos mensais negativos que foram encontrados nos balancetes mensais, normalmente dentro do grupo das Outras Receitas Operacionais”. Neste caso, data vênia, o procedimento adotado pela COPASA MG não se configura como irregular. A operação se deu da seguinte forma – em determinado mês foi reconhecida uma receita, que foi tributada normalmente. Nos meses seguintes, através de análises contábeis, foi detectado que os lançamentos efetuados anteriormente estavam incorretos, gerando lançamentos a débito nas contas de receita. Este fato pode acarretar saldo devedor em alguns meses, embora o saldo acumulado da conta permaneça credor. Conforme já mencionado, tal procedimento é perfeitamente legal e não acarreta qualquer prejuízo aos recolhimentos Fl. 366DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.020620/200791 Acórdão n.º 310201.219 S3C1T2 Fl. 358 4 efetuados à Receita Federal, configurandose apenas como uma compensação de valores recolhidos a maior anteriormente. Requer o acolhimento da impugnação para que se proceda ao cancelamento do Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 31/07/2004 Inconstitucionalidade A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Conceitos do Direito Privado. Base de Cálculo. O art. 3° da Lei n° 9.718/98 e o artigo 1º da Lei nº 10.833/2003, quando estabeleceram que faturamento corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, não alteraram a definição e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado para definir ou limitar competência tributária, mas apenas definiram a base de cálculo da Cofins, também não configurando infringência ao art. 110 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003, 28/02/2004, 31/03/2004 Inconstitucionalidade A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Conceitos do Direito Privado. Base de Cálculo. O art. 3° da Lei n° 9.718/98 e o artigo 1º da Lei nº 10.637/2002, quando estabeleceram que faturamento corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, não alteraram a definição e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado para definir ou limitar competência tributária, mas apenas definiram a base de cálculo da Contribuição para o PIS, também não configurando infringência ao art. 110 do Código Tributário Nacional. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.020620/200791 Acórdão n.º 310201.219 S3C1T2 Fl. 359 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O litígio, como é possível perceber, está focado em dois pontos: a inconstitucionalidade da base de cálculo fixada na Lei nº 10.833, de 2003, e a possibilidade de se compensar tributos recolhidos em montante superior ao devido mediante ajuste do valor da receita oferecida à tributação. Analiso separadamente cada um desses fundamentos. 1 Base de Cálculo da Cofins Fato que já restou devidamente consolidado pela jurisprudência deste Colegiado é a decretação da inconstitucionalidade do “alargamento” da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins levada a efeito pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998. Sabidamente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal fixou jurisprudência no sentido de que, antes da Emenda Constitucional nº 20, não seria possível tributar rendimentos que não se incluíssem no conceito de faturamento. Ocorre, entretanto, que tal raciocínio não se estende à base de cálculo instituída pelo § 1º do art.1º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 20031, editadas sob a égide da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Nesse aspecto, importa registrar que os dispositivos entraram em vigor, respectivamente, em 1º de dezembro de 2002 e 1º de fevereiro de 2004. No caso concreto, restando demonstrado que a recorrente se sujeita ao pagamento do imposto de renda calculado com base no Lucro Real e, consequentemente, ao pagamento das contribuições sob a sistemática nãocumulativa e que, até o presente momento, não se tem notícia do reconhecimento da inconstitucionalidade da base de cálculo instituída por esses dispositivos legais, não há como afastar a incidência das contribuições sobre as demais receitas não operacionais, sob pena de violação ao art. 26A do Decreto nº 70.235, de 19722. Assim, tendo em mente que as alegadas receitas com variações cambiais dizem respeito a períodos em que a legislação que ampliou a base de cálculo já estava em vigor, ou seja, os meses de 02/2004, 03/2004 e 07/2004, não há como afastar a incidência sob o argumento da inconstitucionalidade. 1 Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 2 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.020620/200791 Acórdão n.º 310201.219 S3C1T2 Fl. 360 6 Notar que, nos termos do demonstrativo de fl. 23, a diferença apurada no mês de novembro de 2003 não diz respeito à receita financeira em questão, mas exclusivamente aos ajustes que serão melhor explicitados a seguir. 2 Compensação por Meio do Cômputo de Resultados Negativos Aponta a autoridade fiscal irregularidade na contabilização de “resultados negativos” nas contas de resultado do sujeito passivo. Este, por sua vez, defende a regularidade do procedimento, adotado no intuito de compensar as contribuições computadas e recolhidas em montante superior ao devido. Com o devido respeito, não vejo como reconhecer a higidez desse procedimento. A compensação tributária, como é cediço, encontra seu fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional3 e será levada e efeito nos termos do art. 74, caput e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, assim redigidos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados Ora, se não se tem notícia da apresentação de declaração em tais moldes, forçoso é reconhecer que o procedimento contábil adotado não encontra guarida na legislação. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 6 de outubro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10680.020620/200791 Acórdão n.º 310201.219 S3C1T2 Fl. 361 7 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10814.006063/2005-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/11/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-000.978
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 09/11/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/04/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 00/10765047, em 09/11/2000 (fls. 6/9), no valor de R$ 3.137,39 (Três mil, cento e trinta e sete reais e trinta e nove centavos). O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER/DCOMP de n° 17724.91512.101005.1.3.043764, cujo extrato está anexado às fls. 155/156 dos autos, transmitida em 10/10/2005. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias n's. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício conste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, portanto, recolhido tributos a maior que o devido, vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 09/11/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 00/10765047, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 03/08/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 3.137,39 (Três mil, cento e trinta e sete reais e trinta e nove centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 19 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou, inicialmente, pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.006063/200571 Acórdão n.º 310200.978 S3‐C1T2 Fl. 218 3 Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 72/74). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 72/74) — Despacho Decisório IRF/SPO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação i da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, Processo 10814.006063/200571 que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 109/113— Despacho Decisório IRF/SPO n° 044/2009, de 10 de março de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado pronunciamento da DIANA/SRRF08, de 14 / 04 / 2009 (fls. 14/115), cujo texto segue parcialmente transcrito: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 "O rito processual para o caso especifico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF n° 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I — de oficio, na unidade da SRF onde for apurada (..) II — mediante solicitação do importador, formalizada em processo (..) §4° Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de1999. Entretanto não há amparo legal para nova apreciação do assunto, já que a esfera administrativa se esgotou na decisão do InspetorChefe, conforme se conclui do parágrafo 4° do artigo da IN SRF 680/2006, acima transcrito."(grifei) PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento de seu pleito quanto à retificação da DI, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte , nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, foi a apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e conseqüências. Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 118/120) — Despacho Decisório IRF/SPO n° 100, de 24/08/2009.. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO — NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER/DCOMP n° 17724.91512.101005.1.3.043764, cujo extrato encontrase anexado às 155/156 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT n° 42/2010,de 18 de janeiro de 2010 (fls. 160/162). Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 123/136 — 164/179, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.006063/200571 Acórdão n.º 310200.978 S3‐C1T2 Fl. 219 5 imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99. 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. 06 — Entende que, sendo legitimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 123/136 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/11/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito creditório não reconhecido, o que implica na não homologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CND's POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.006063/200571 Acórdão n.º 310200.978 S3‐C1T2 Fl. 220 7 o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.006063/200571 Acórdão n.º 310200.978 S3‐C1T2 Fl. 221 9 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de abril de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10380.727678/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
LIMITES DA COISA JULGADA.
Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações no ordenamento jurídico que origina a obrigação tributária. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei n° 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, quando esta foi refutada por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1401-001.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro. O Conselheiro Antonio Bezerra Neto votou pelas conclusões
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Carlos Mozart Barreto Vianna e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações no ordenamento jurídico que origina a obrigação tributária. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei n° 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, quando esta foi refutada por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro. O Conselheiro Antonio Bezerra Neto votou pelas conclusões (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Carlos Mozart Barreto Vianna e Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 76 78 /2 01 2- 10 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que integra a decisão recorrida, fls. 274277: Trata o presente processo de auto de infração realizado para exigir crédito tributário oriundo da falta de recolhimento/declaração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativa ao ano calendário 2009, no montante de R$ 4.871.603,30, acrescido de juros de mora no valor de R$ 1.201.337,37 e multa de ofício (75%) no valor de R$ 3.653.702,48, totalizando R$ 9.726.643,15 (fls. 3/10). O auto de infração traz a seguinte fundamentação fática: Juntamente com os demonstrativos acima referidos, o contribuinte, mediante expediente datado de 18/04/2012, na pretensão de justificar os fatos acima relatados, argumenta, por meio de documentação própria, a sua desobrigação fiscal perante a CSLL, uma vez que se encontra sob o respaldo de decisão transitada em julgado, em sede de Mandado de Segurança Preventivo (proc. original n° 89.00925466), a qual o exonera da exigência tributária em foco, por considerar, incidenter tantum, inconstitucional a norma originária dessa contribuição, no caso, a lei n° 7.689/88. Apesar da relevância jurídica motivadora da pretensa desobrigação fiscal, tal fato não se vislumbra com efeitos ad eternum, uma vez que tal matéria, após o devido exame de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (RE n° 1382848/CE), considerou a questionada lei como constitucional, excetuandose apenas o seu art. 8º por ofensa ao princípio da irretroatividade, em vista da sua inexigibilidade dentro do prazo de 90 (noventa) dias de sua publicação, fato este ratificado quando do julgamento do ADI n° 15/DF de 2007, o qual inova apenas na exceção de constitucionalidade, incluindo, nesse caso, o art. 9º por ofensa ao art. 195 da CF/88 e o art. 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Assim, tais fatos, corroborado com a edição do Parecer PGFN/CRJ N° 1.277/94, emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que veio com o objetivo de viabilizar, sob o ponto de vista legal, a exigência tributária foco do presente lançamento, amparandoo, vez que firma defesa que os fatos subseqüentes à promulgação da lei n° 7.689/88, ou seja, sua já referida declaração de constitucionalidade e as suas demais alterações subsequentes, exemplificadas pelos seguintes atos legais: artigo 41, parágrafo 3o e 44 da Lei n° 8.383/91; o artigo 11 da Lei Complementar n° 70/91 c/c os artigos 22, parágrafo 1o e 23, parágrafo 1o, da Lei 8.212/91 e mais as Leis n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, n° 9.065, de 20 de junho de 1995, n° Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 4 3 9.249, de 16 de dezembro de 1995, n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, n° 9.718 de 27 de novembro de 1998, n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, n° 9.959, de 27 de janeiro de 2000, n° 10.426, de 24 de abril de 2002, n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, n° 10.684, de 30 de maio de 2003, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e as Medidas Provisórias n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e n° 2.15970 de 24 de agosto de 2001, motivam, a exigência fiscal da CSLL dos anos que sucederam as devidas alterações, por deixar evidente a ausência da força de coisa julgada em relação a fatos geradores posteriores as ditas alterações legislativas. É de se acrescentar, por encontrar a pertinência devida, as considerações constantes no Recurso Especial n° 893.863CE, cujas partes envolvem a Fazenda Nacional (recorrente) e a Nacional Gás Butano (recorrido), que, favorável ao primeiro, expressa, dentre outras, o seguinte: "4. Quanto à extensão dos efeitos da coisa julgada, ante o reconhecimento da inexigibilidade da CSLL sob a égide da Lei 7.689/88 por sentença transitada em julgado, reportome ao votovista proferido no Resp 599.764/GO, DJ de 01/07/2004, julgado pela 1a Turma: 3. Quanto à matéria de fundo, a questão a ser enfrentada relacionase ao tema da eficácia temporal da sentença proferida no mandado de segurança coletivo que, reconhecendo incidentalmente a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição social instituída pela Lei 7.689/88, desobrigou os contribuintes de recolher a referida contribuição. É incontroversa a premissa segundo a qual a força vinculante da coisa julgada atua rebus sic stantibus, isto é, enquanto se mantiverem íntegras as situações de fato e de direito existentes quando da prolação da sentença, cessando, porém, com a alteração do quadro fático ou, como no presente caso, do quadro normativo componente do silogismo do fenômeno de incidência por ela apreciado." Como reforço da linha embasadora da exigência tributária em foco, destacase ainda o Parecer PGFN/CRJ N° 492/2011, que trata dos "reflexos gerados pela alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à coisa julgada em matéria tributária", onde deixa pacificada a dita exigência, afirmando que "A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão,esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária." Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificado pessoalmente do presente auto de infração em 29/06/2012 (fl. 4), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 135/186, em 27/07/2012. Em sua peça de defesa, o impugnante, em resumo, alega que o lançamento é totalmente improcedente, uma vez que a Impugnante é beneficiária de uma decisão judicial transitada em julgado que a exclui da incidência da legislação que rege a CSLL. Essa alegação pode ser depreendida dos seguintes excertos: No citado Mandado de Segurança, a ora Impugnante, juntamente com outras empresas, requereu provimento judicial no sentido da declaração incidental da inconstitucionalidade da Lei n°. 7689/88 e também de que o Delegado da Receita Federal se abstivesse de fazer qualquer exigência contra a Impugnante e as demais empresas, com fundamento nesta Lei, em razão de sua inconstitucionalidade no que diz com a identidade da base de cálculo da CSLL e do IRPJ e com a necessidade de lei complementar para instituição da referida contribuição. ... Ocorrendo o fenômeno da coisa julgada em relação ao Mandado de Segurança n° 89.00925466, no qual foi reconhecida a inconstitucionalidade da legislação de regência do tributo sob comento, não deveria a Impugnante se sujeitar à exigência formulada pela Receita Federal do Brasil no que diz com o recolhimento da CSLL. ... Portanto, mesmo que haja modificação no posicionamento sobre determinada matéria pelos tribunais, uma vez que não fora proposta a competente ação rescisória, deverá prevalecer para as partes a r. sentença transitada em julgado que apontou a inconstitucionalidade do tributo. ... A decisão prolatada em sede mandamental, embora a discussão envolva relação jurídica tributária de natureza continuativa, pode, dependendo do que está sendo posto à apreciação do Poder Judiciário, operar efeitos para o futuro sem que o decisum adquira caráter normativo. ... O trânsito em julgado da sentença que concede a segurança, com a produção dos efeitos da coisa julgada, projeta a sua força para além do processo em que a sentença foi prolatada, impedindo a discussão da matéria já julgada, inclusive em outros processos. A decisão que beneficiou a Impugnante somente poderia ter sido desconstituída através de ação rescisória, nos termos do artigo 485 do Código de Processo Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 6 5 Civil, porque já está acobertada pelos efeitos da coisa julgada, vide decisão do E. Supremo Tribunal Federal neste sentido. ... A Súmula 239 do E. Supremo Tribunal Federal, invocada pelas autoridades fiscais federais para afastar a coisa julgada que protege a pretensão da Impugnante, diz que "a decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos exercícios posteriores". A interpretação desta Súmula deve sempre levar em consideração o pedido albergado pela coisa julgada, este poderá estar delimitado a uma cobrança específica, num determinado exercício financeiro; ou estar relacionado ao próprio tributo. ... Daí depreendese que, quando há menção específica da decisão se dirigir a um determinado exercício fiscal, é plenamente aplicável a Súmula n°. 239 do E. Supremo Tribunal Federal. Isto, porém, não se verifica no presente caso, já que a ordem judicial não restringiu seus efeitos a um determinado exercício financeiro, atendendo a um pedido abrangente, consistindo no reconhecimento da inconstitucionalidade do próprio tributo em si. ... A partir daí, é possível concluir que, se a sentença foi proferida em relação jurídica de caráter permanente (uma vez que a Impugnante continua desenvolvendo as mesmas atividades de quando foi proferida a decisão do mandado de segurança), a sua eficácia poderá se protrair no tempo, atingindo fatos geradores futuros, até que haja alteração no estado de direito e/ou estado de fato do momento em que foi prolatada a sentença. ... Todavia, impende ressaltar que não é toda e qualquer alteração legislativa referente à matéria tributária alcançada pela coisa julgada que terá o condão de afastar os seus efeitos. É imprescindível que a modificação enseje uma nova relação jurídicotributária, ou seja, atinja todos os elementos. Ressalte, por oportuno, que também não cabe, neste caso, a aplicação do artigo 471, inciso I, do CPC, sob o fundamento da ocorrência das sucessivas alterações introduzidas pelas Leis n°. 7738/89, 7799/89, 7856/89, 7988/89, 7988/89, 8114/90, 8383/91 e Lei Complementar n°. 70/91, uma vez que estas não proporcionaram alterações significativas na estrutura da CSLL e nem conseguiram expurgar os vícios de inconstitucionalidade contidos na Lei n°. 7689/88. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 7 6 A 4ª Turma da DRJ Fortaleza, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 273: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LIMITES DA COISA JULGADA. Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações no ordenamento jurídico que origina a obrigação tributária. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei n° 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, quando esta foi refutada por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do referido Acórdão em 18/01/2013 (fls. 286), a contribuinte apresentou em 18/02/2013 o recurso voluntário de fls. 288338, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a contribuinte, ora recorrente, reconhece a ocorrência dos fatos geradores que ensejaram o presente lançamento. No entanto, entende a recorrente que os tributos em apreço não são exigíveis pelo Fisco, tendo em vista que a contribuinte é titular de ação judicial transitada em julgado que declarou, em sede de controle difuso, a inconstitucionalidade da regra matriz da CSLL, contida na Lei nº 7.689, de 1988. O Fisco, por sua vez, reconhece a existência da retrocitada ação judicial. Considera, porém, que a referida decisão não pode alcançar fatos geradores ocorridos após Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, que decidiram pela constitucionalidade da referida Lei (RE n° 1382848/CE e ADI n° 15/DF). O entendimento do Fisco encontra apoio nos Pareceres PGFN/CRJ/N/1.277/94 (fls. 84/87) e PGFN/CRJ N° 492/2011 (fls. 88/122). Como facilmente se percebe, o julgamento da presente lide resumese à análise do confronto entre os efeitos da coisa julgada que declarou a inconstitucionalidade da CSLL e posterior decisão do STF, proferida em sede de controle concentrado, que declarou a sua constitucionalidade. Delimitada a lide, passo a decidir. Conforme visto, é fato inquestionável que o STF, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, antes mesmo do período alcançado pelo presente lançamento, declarou a constitucionalidade da CSLL exigida conforme a Lei nº 7.689, de 1988. É a seguinte a ementa do Acórdão proferido na ADI nº 15, de 14/06/2007: [...] III. ADIn: não conhecimento quanto ao parâmetro do art. 150, § 1º, da Constituição, ante a alteração superveniente do dispositivo ditada pela EC 42/03. IV. ADIn: L. 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação em lei da Medida Provisória 22, de 1988. 1. Não conhecimento, quanto ao art. 8º, dada a invalidade do dispositivo, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal, em processo de controle difuso (RE 146.733), e cujos efeitos foram suspensos pelo Senado Federal, por meio da Resolução 11/1995. 2. Procedência da arguição de inconstitucionalidade do artigo 9º, por incompatibilidade com os artigos 195 da Constituição e 56, do ADCT/88, que, não obstante já declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 150.764, 16.12.92, M. Aurélio (DJ 2.4.93), teve o processo de suspensão do dispositivo arquivado, no Senado Federal, que, assim, se negou a emprestar efeitos erga omnes à decisão proferida na via difusa do controle de normas. 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 9 8 exaustão, pelo Supremo Tribunal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela alínea b do permissivo constitucional, que devolve ao STF o conhecimento de toda a questão da constitucionalidade da lei. O acórdão recorrido analisou com grande precisão a natureza e o alcance da decisão judicial obtida pela contribuinte, fls. 278279: Inicialmente, devese frisar a natureza do objeto da decisão judicial em tela. Essa decisão não veio para proteger um direito subjetivo, estabelecido em relação jurídica pessoal e concreta, como é o comum nas ações declaratórias. Tratandose de ação mandamental preventiva, ela veio para proteger um direito hipotético, o de não ser admoestado por determinada norma, geral e abstrata, na eventual ocorrência futura da sua hipótese normativa. Assim, o dispositivo da decisão é tão abstrato quanto a norma que pretende afastar, concretizandose apenas pela ocorrência, eventual, de situação futura. O fato gerador futuro, não ocorrido, apenas previsto hipoteticamente, não possui o condão de criar uma relação jurídica tributária, não existe e, por isso, não há cabimento em falar que é atingido pela decisão judicial. É nesse sentido que a Suprema Corte emitiu a Súmula nº 239, com o seguinte enunciado: DECISÃO QUE DECLARA INDEVIDA A COBRANÇA DO IMPOSTO EM DETERMINADO EXERCÍCIO NÃO FAZ COISA JULGADA EM RELAÇÃO AOS POSTERIORES. É certo que a ocorrência do fato gerador, no mesmo contexto fático e jurídico apreciado pelo juiz, faz concretizar o dispositivo mandamental e impede a criação da relação jurídica. Contudo, se o fato gerador ocorrer em situação, fática ou jurídica, diversa daquela que fundamentou a decisão judicial, o dispositivo não se concretiza e não pode afetar os efeitos jurídicos do referido fato gerador. Embora a decisão judicial continue válida e eficaz, ela não alcança o fato. Assim, não há que se falar em violação de coisa julgada, pois se trata de determinação do alcance da decisão judicial. Em sua peça recursal, assim como em sua peça impugnatória, a contribuinte reconhece a limitação do alcance da decisão judicial que a favoreceu, ao afirmar afirma que a mesma deve alcançar fatos futuros “até que haja alteração no estado de direito e/ou estado de fato do momento em que foi prolatada a sentença”. Aqui reside outra divergência de interpretação entre a contribuinte o Fisco. A contribuinte, ora recorrente, considera que não houve alteração no seu estado de fato, posto que: a) continua a exercer as mesmas atividades; b) não houve alteração no seu estado de direito, uma vez que as alterações legais ocorridas após a decisão judicial não atingiram o núcleo da regra matriz de incidência da CSLL. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 10 9 Por sua vez, o Fisco considera que o estado de direito não é determinado apenas pela legislação, mas também pelas decisões judiciais de natureza erga omnes, as quais criam normas gerais e cogentes, alterando substancialmente o ordenamento jurídico. Analisando esta questão, entendo que a razão situase ao lado do Fisco. Por concordar com o entendimento expresso na decisão de piso, adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 279: [...] Não há como negar o efeito normativo de uma súmula vinculante ou ainda o efeito modificativo sobre o ordenamento jurídico causado por uma ação direta de inconstitucionalidade. Em relação à decisão judicial em tela, caso a lei então declarada inconstitucional fosse formalmente revogada pelo Congresso Nacional, essa decisão não mais atingiria os eventos que ocorressem no futuro e não há que se falar em violação à coisa julgada. O mesmo ocorreria se o Supremo Tribunal Federal a declarasse inconstitucional em sede de ação direta de inconstitucionalidade. Da mesma forma, se o Congresso Nacional promulgasse nova lei substituindo totalmente aquela declarada inconstitucional, a referida decisão judicial também perderia o seu efeito e também não há que se falar em violação à coisa julgada. Seguindo esse raciocínio, a conclusão imediata é que uma declaração de constitucionalidade da Suprema Corte teria o mesmo efeito para os eventos que a sucedessem. Isso porque essa declaração tem efeito normativo e altera substancialmente o estado de direito, não ocorrendo, portanto, violação à coisa julgada, considerando que atinge apenas os fatos futuros que venham, eventualmente, a ocorrer. Vale dizer que tal entendimento foi adotado, no âmbito da Administração Tributária Federal, por meio do parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, por meio do despacho de 24/05/2011, publicado no DOU de 26/05/2011. Seguese a transcrição da ementa e de alguns excertos do retrocitado Parecer: DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE DISCIPLINA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO/JURÍDICO. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE PRECEDENTE OBJETIVO/DEFINITIVO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE DE VOLTAR A COBRAR O TRIBUTO, OU DE DEIXAR DE PAGÁLO, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS. [...] (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente,, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 11 10 concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. O entendimento de que a decisão judicial transitada em julgado alcança apenas os fatos geradores da CSLL ocorridos nos limites da mesma situação jurídica em que foi prolatada essa decisão, também já foi consagrado no âmbito da Câmara Superior de Recurso Fiscais, conforme se observa por meio do seguinte julgado da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº 0105.402, em 20/03/2006): CSLL — LIMITES DA COISA JULGADA — Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que, a imutabilidade diz respeito, apenas, aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei n° 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando o pronunciamento posterior ao definitivo do STF, em sentido contrário, cuja eficácia tomouse 'erga omnes' pela edição de Resolução do Senado Federal. Tal decisão tem sido seguida por diversas Turmas deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme demonstram os seguintes julgados recentes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005. LIMITES DA COISA JULGADA. Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que, a imutabilidade diz respeito, apenas, aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei n° 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando o pronunciamento posterior ao definitivo do STF, em sentido contrário, cuja eficácia tomouse "erga omnes" pela edição de Resolução do Senado Federal (Acórdão nº 120200031, Segunda Turma/Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento, 13 de maio de 2009). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2005 COISA JULGADA. ALCANCE. A decisão judicial transitada em julgado, Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 12 11 amparando a contribuinte a não recolher a CSLL com base na Lei nº 7.689/88, considerada inconstitucional, não alcança a exigência da contribuição fundada em diplomas legais promulgados após a referida lei (Acórdão nº 120100393, Primeira Turma/Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento, 27 de janeiro de 2011). A recorrente faz referência a algumas decisões em sentido contrário, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob o rito do artigo 543C do CPC, tais como a que foi proferida no julgamento do REsp 1118893/MG. Tal fato, contudo, foi corretamente enfrentado pela decisão de piso. Por esta razão, em relação a este tema, mais uma vez adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 280281: [...] Contudo, tais decisões não vinculam o julgamento administrativo de primeira instância, devendo prevalecer a orientação administrativa contida no referido Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e as decisões de segunda instância do âmbito do processo administrativo tributário, que lhes são contrárias. Ademais, apenas a título de conhecimento, a cessação da coisa julgada foi reconhecida em recente decisão monocrática do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do STJ, ao decidir Embargos de Divergência no Resp nº 841.818 – DF, com a seguinte ementa: 2. A eficácia da coisa julgada tributária cessa automática e imediatamente (sem a necessidade de sua rescisão ou de sua anulação), se lhe sobrevém decisão adversa do STF, ressalvandose, porém, os efeitos jurídicos produzidos até então; a partir desse pronunciamento, o tributo pode ser exigido; aplicase, por similaridade, a teoria rebus sic stantibus, para preservar e igualmente assegurar a supremacia das decisões do STF, quando contrapostas a pronunciamentos das instâncias judiciais anteriores. 3. O instituto da coisa julgada conservase como pilastra irremovível do sistema normativo (art. 5º., XXXVI da Carta Magna), mas é imperativo ajustar os seus efeitos às mudanças jurídicas e fáticas que lhe são posteriores, quando se trata de relação obrigacional que se distende no tempo (qual a exigência da CSSL, Lei 7.689/88), dado o seu trato sucessivo, e sobre a qual o STF expendeu interpretação definitiva. 4. Embargos de Divergência parcialmente acolhidos, para proclamar a cessação ad futurum da eficácia da coisa julgada tributária a que se refere o Acórdão na REO 89.01.161516DF, do TRF da 1ª. Região, a partir do julgamento do RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), com a preservação dos efeitos consolidados, acolhendose a tese da Fazenda Pública Nacional, exposta no Parecer PFN 492, de 24 de maio de 2011 (DOU 26.05.2011). Conclusão Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10380.727678/201210 Acórdão n.º 1401001.382 S1C4T1 Fl. 13 12 Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS
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Numero do processo: 11516.008125/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO
Constatado o evidente intuito de fraudar o Fisco, aplica-se a multa por infração qualificada, conforme art. 44, II, da Lei n°9.430, de 1996.
COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPROCEDÊNCIA.
A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do Superior Tribunal de Justiça.
Numero da decisão: 1201-001.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos,afastaram a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado que a acolhia parcialmente, e no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O conselheiro Rafael Correa Fuso acompanhou as divergência pelas conclusões Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro o Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO Constatado o evidente intuito de fraudar o Fisco, aplicase a multa por infração qualificada, conforme art. 44, II, da Lei n°9.430, de 1996. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPROCEDÊNCIA. A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do Superior Tribunal de Justiça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos,afastaram a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado que a acolhia parcialmente, e no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O conselheiro Rafael Correa Fuso acompanhou as divergência pelas conclusões Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro o Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 81 25 /2 00 8- 50 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em face de decisão da DRJ/RPO, que manteve os autos de Infrações lavrados e negou provimento à Impugnação apresentada pela Recorrente. Em suma, a ação fiscal realizada no estabelecimento da ora Recorrente constatou a omissão de receitas ou receitas não escrituradas e insuficiência de recolhimento de tributos, no anocalendário de 2003, sendo que o crédito tributário lançado totalizou o valor de R$189.551,02 (cento e oitenta e nove mil e quinhentos e cinqüenta e um reais e dois centavos). Na mesma ação fiscal, para os anoscalendário de 2004 e 2005, constatouse também a omissão de receitas caracterizada pela falta ou insuficiência de escrituração, sendo que o crédito tributário lançado totalizou R$ 2.835.459,87 (dois milhões e oitocentos e trinta e cinco mil e quatrocentos e cinqüenta e nove reais e oitenta e sete centavos). A Recorrente apresentou Impugnação onde alega: Prescrição em relação aos tributos do anocalendário de 2003, parcialmente (janeiro a outubro), visto que passados mais de cinco anos de seu lançamento; Exclusão da parcela referente ao pagamento do ICMS da base de cálculo da Cofins, pois, a matéria vem sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda não há decisão definitiva; Excesso e onerosidade desproporcional na aplicação de multa de 150%, tendo em vista que a Recorrente atendeu totalmente as intimações do Fisco; Que a Recorrente apresentou espontaneamente os valores não declarados na época; Por fim, requereu o reconhecimento do instituto da prescrição/decadência em relação aos tributos lançados relativos ao anocalendário de 2003, o direito à exclusão da base de cálculo da Cofins os valores pagos a titulo de ICMS, e a reconhecida ilegalidade e excesso de onerosidade do agravamento da multa aplicada de 150%, reduzindose para 75%. Em decisão de fls. 523, a DRJ rejeitou a preliminar e no mérito julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário na integralidade e ainda, declarando definitiva a exigência dos tributos relativos aos meses de novembro e dezembro de 2003, e do IRPJ, CSLL e PIS dos anoscalendário de 2004 e 2005, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. Mais uma vez, inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário com as seguintes alegações: ocorrência de prescrição em relação aos tributos do anocalendário de 2003, parcialmente (janeiro a outubro), visto que passados mais de cinco anos de seu lançamento; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 5 4 exclusão da parcela referente ao pagamento do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS, pois a matéria vem sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda não há decisão definitiva; excesso e onerosidade desproporcional na aplicação de multa de 150%, tendo em vista que a Recorrente atendeu totalmente as intimações do Fisco; apresentação espontânea dos valores não declarados na época; Por fim, requereu o reconhecimento do instituto da prescrição/decadência em relação aos tributos lançados relativos ao anocalendário de 2003, o direito à exclusão da base de cálculo da Cofins os valores pagos a titulo de ICMS, e a reconhecida ilegalidade e o excesso de onerosidade do agravamento da multa aplicada de 150%, reduzindose para 75%. O presente recurso foi distribuído para a relatoria do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, anterior componente desta Turma, que em resolução de 02/03/2012, não conheceu as razões aduzidas no recurso relativamente ao PIS, uma vez que a ora Recorrente não havia formulado tal pretensão em sua peça inaugural de defesa, sendo, portanto, considerada matéria não impugnada, e ainda, determinou o sobrestamento do julgamento do feito quanto às demais matérias até que o Supremo Tribunal Federal proferisse decisão definitiva de mérito quanto à exclusão do ICMS da base da COFINS, em observância ao então vigente texto dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Isso porque, por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo Supremo Tribunal Federal, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62 A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Todavia, com a publicação da Portaria MF nº 545/13, que revogou o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62 A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, devem ser incluídos em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado. Em vista do exposto, o presente processo foi novamente sorteado para relatoria, tendo em vista que o Conselheiro que determinou a suspensão do processo não faz mais parte desta Turma. É o Relatório. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator. O presente recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Decadência A Recorrente alega em sede de preliminar, a decadência do direito do Fisco de proceder o lançamento de ofício em relação aos fatos geradores dos tributos ocorridos no ano calendário de 2003, pois havia transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, conforme previsto no art. 150, §4º do CTN. Pois bem, aplicase a contagem do prazo decadencial disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional aos casos em que o Recorrente antecipa os pagamentos dos tributos sem prévio exame da Autoridade Tributária, apurando e recolhendo o devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Por sua vez, a Autoridade Tributária, com base no mesmo artigo, têm o prazo de cinco anos para homologar ou não homologar o pagamento realizado pelo Recorrente, contados do fato gerador, sob pena de ocorrência da decadência, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Embora o caso em tela seja caso de lançamento por homologação, não se aplica o disposto no artigo 150 do Código Tributário Nacional. Isto porque ficou caracterizada a ocorrência de fraude, como ficará demonstrado mais adiante desta decisão, na análise da multa qualificada, o que obriga o deslocamento da contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do mesmo diploma legal, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em tela, em que os tributos cobrados no ano de 2003, têm fato gerador e período de apuração mensal, devemos analisar com cautela a aplicação do mencionado art. 173, I, do CTN. Isso porque, segundo tal dispositivo legal, o prazo decadencial tem o seu termo final após 05 (cinco) anos contados “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Assim, se o termo início da contagem do qüinqüênio se inicia neste evento – o exercício – é necessário avaliarmos a fundo o seu conceito. O termo “exercício” pode representar diversos conteúdos semânticos e, conseqüentemente, resultar em unidades distintas de tempo para medilo. Ao fazer menção ao exercício social, por exemplo, o artigo 175 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A) dispõe que, em regra, sua duração será de 1 (um) ano, mas poderá ter outra duração a depender do estatuto da sociedade. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, o artigo 150, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, referese ao termo exercício financeiro para regulamentar o princípio constitucional da anterioridade e, neste caso específico, a jurisprudência dominante equiparou o conceito de exercício financeiro ao de exercício civil, de modo que, para tais fins, será compreendido entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de cada ano. Contudo, o exercício mencionado no art. 173, I CTN, não deve ser considerado como aquele tratado na Lei das S.A e, tampouco, o exercício financeiro mencionado no artigo 150, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal. Passo então a caracterizálo da forma devida. Podemos reparar na redação do 173, inciso I, do CTN que o exercício lá referido é o seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em outras palavras, o conceito de exercício, para os fins do prazo decadencial, está relacionado ao período de apuração de determinado tributo e, em função de seu encerramento, à possibilidade de o Fisco efetuar o lançamento de ofício após analisar as informações prestadas pelo contribuinte em suas declarações. Desta feita, temos que ao aplicarmos tal conceito ao tributos com apuração mensal, como são o PIS e COFINS ou mesmo as parcelas mensais do sistema SIMPLES, o prazo decadencial tem início no exercício (mês) subseqüente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso concreto, ao aplicarmos o conceito acima e considerando a data da notificação do Auto de Infração (08 de dezembro de 2008), temos que os tributos referentes aos meses de janeiro à novembro de 2003, foram alcançados pela Decadência. Assim reconheço a ocorrência da Decadência em relação aos tributos de apuração mensal, referentes aos meses de janeiro à novembro de 2003. Multa Qualificada A Recorrente defende que a aplicação da multa de 150% foi excessiva, que sua onerosidade foi desproporcional, afrontando e violando diversos princípios constitucionais e tributários. Alegou que a Recorrente atendeu todas as intimações e que faltou previsão legal para o agravamento da multa. Contudo, conforme constou no demonstrativo de multa e juros de mora de todos os autos de infração, bem como na decisão de primeira instância administrativa, a exigência da multa qualificada, no percentual de 150%, teve como amparo legal o art. 44, II, da Lei n°9.430, de 1996, in verbis: Art. 44 – Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II— 150% (cento e cinquenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 8 7 Equivocada está a Recorrente ao alegar que a aplicação da multa qualificada se dá somente nos casos de não atendimento à fiscalização. Destacase que no presente caso, a multa foi aplicada porque a Recorrente omitiu receitas, não escriturou todas as receitas e recolheu à menor seus tributos, de forma sucessiva e reiterada, durante três anos consecutivos. Além disso, os primeiros arquivos magnéticos apresentados pela Recorrente estavam com inconsistências de informações, sem preenchimento ou preenchimentos incoerentes, com um simples “S”, o que levou o Fisco reiterar as intimações. Tais eventos levaram, com acerto, à convicção de que os fatos relatados constituem, em tese, crime contra a ordem tributária. Desta feita, comprovado o evidente intuito de fraude da Recorrente, deve ser mantida a multa qualificada no percentual de 150%. Exclusão do ICMS da base de Cálculo da Cofins. A Recorrente alega que é inconstitucional a inclusão da parcela referente ao pagamento do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS, pois a matéria vem sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda não há decisão definitiva. Ainda que a Portaria MF nº 545 de 18 de novembro de 2013 nos leve à conclusão de que não há mais causa para suspender o julgamento deste ponto, entendo que não cabe a este Conselho se posicionar acerca dos argumentos de inconstitucionalidade trazidos pela Recorrente para fins de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS, para tal conslusão, todo por fundamento a Sùmula CARF n° 2 que assim dispõe: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, salvo por obtenção de decisão judicial em ação própria ou após pronunciamento do STF em sede de Repercussão Geral, não cabe à Recorrente excluir as parcelas pagas do ICMS da base de cálculo da COFINS. Matéria não Impugnada – Supressão de Instância Em relação à alegação de exclusão da parcela paga do ICMS da base de cálculo do PIS, ressalto que tal argumento é novo, não tendo sido objeto de Impugnação. Desta forma, com relação a este ponto, não conheço da matéria suscitada pela Recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e no mérito DOU PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a decadência dos tributos de apuração mensal referentes aos meses de janeiro à novembro de 2003. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 9 8 Voto Vencedor Apesar dos bem construídos argumentos do Ilustre Relator, tenho entendimento distinto no que tange ao tema da decadência. Com a publicação do Recurso Especial n. 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, que teve como relator o Ministro Luiz Fux, a matéria encontrase definida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e deve, portanto, ser seguida neste Colegiado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 10 9 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Portanto, na esteira do que restou assentado pelo Pretório Excelso, entendo que, no caso sob análise, o conceito de exercício deve ser entendido como o anocalendário, e não como o mês subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ademais, a qualificação da multa, mantida pelo Relator, forçosamente desloca o dies a quo do prazo decadencial para o artigo 173, I, do CTN, afastando a possibilidade de aplicação dos prazos de apuração do tributo, como seria na hipótese do artigo 150, §4º, do mesmo diploma legal: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (grifamos) Quis o legislador conferir à Fazenda Pública prazo superior ao normal para o exercício do direito de lançar, notadamente quando o agente opera mediante fraude, dolo ou simulação, condutas que normalmente têm por escopo dificultar ou obstaculizar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fiscais. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11516.008125/200850 Acórdão n.º 1201001.073 S1C2T1 Fl. 11 10 Como restou demonstrado que a empresa efetivamente incorreu em tais práticas, com a manutenção da multa qualificada de 150%, entendo ser de rigor a contagem do prazo nos termos anuais previstos pelo artigo 173, I, do CTN. Dado que a interessada tomou ciência dos Autos de Infração em 08 de dezembro de 2008, resta claro que os créditos relativos a todo o anocalendário de 2003 ainda não estavam fulminados pela decadência, razão pela qual não vislumbro a possibilidade de afastálos. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de decadência, mantendo integralmente os créditos lançados. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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