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Numero do processo: 10675.902585/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 85 /2 00 9- 61 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902585/200961 Acórdão n.º 1801001.593 S1TE01 Fl. 107 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11037.45423.280306.1.3.042021 em 28.03.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$2.414,95 do valor total R$4.850,76 de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em outubro de 2005, código nº 2362, efetuado em 29.11.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de IRPJ determinado a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de IRPJ no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de IRPJ. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902585/200961 Acórdão n.º 1801001.593 S1TE01 Fl. 108 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.319, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.101, de 10.05.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de IRPJ, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 04.12.2012, fl. 102, e permaneceu silente. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902585/200961 Acórdão n.º 1801001.593 S1TE01 Fl. 109 4 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902585/200961 Acórdão n.º 1801001.593 S1TE01 Fl. 110 5 reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902585/200961 Acórdão n.º 1801001.593 S1TE01 Fl. 111 6 IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. 98100, a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 180100101/2012 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 180100102/2012 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 180100103/2012 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 180100108/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de IRPJ, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de IRPJ (código 2362), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$ 7.161,57, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de IRPJ do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD. DATA PGTO PA 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2.414,95 IRPJ 2362 29/11/2005 31/10/2005 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2.038,42 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 936,23 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 1.771,97 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO IRPJ 7.161,57 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 12 A o Imposto de Renda sobre o Lucro Real devido de R$35.040,18, que deduzido das 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902585/200961 Acórdão n.º 1801001.593 S1TE01 Fl. 112 7 estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$42.201,75) resultou no saldo negativo anual de IRPJ no valor de R$7.161,57. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$7.161,57. Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701818 2362 28/02/2005 2.636,88 0208825456 2362 28/03/2005 3.562,13 0209761906 2362 29/04/2005 3.328,67 5072607948 2362 31/05/2005 4.762,16 5116279058 2362 28/06/2005 3.286,40 5167127548 2362 26/07/2005 2.903,37 1892652971 2362 26/08/2005 3.641,93 1987429031 2362 28/09/2005 4.014,45 2076652641 2362 28/10/2005 4.017,65 2133582461 2362 14/11/2005 140,34 2133582641 2362 14/11/2005 310,39 2155698471 2362 29/11/2005 4.850,76 2.414,95 2246085411 2362 29/12/2005 4.746,62 4.746,62 [TOTAL DO CRÉDITO IRPJ] 42.201,75 7.161,57 Dessa forma, confirmada a existência do crédito de saldo negativo de IRPJ para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$7.161,57 (sete mil cento e sessenta e um reais e cinqüenta e sete centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$7.161,57 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. VALOR SITUAÇÃO DCOMP 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2362 01/2006 24/02/2006 2.301,27 Homologada Total 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2362 01/2006 24/02/2006 1915,28 Homologada Total 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 2362 02/2006 31/03/2006 969,75 Homologada Total 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 Homologada Parcial Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902585/200961 Acórdão n.º 1801001.593 S1TE01 Fl. 113 8 Concluindo, remanesceria com saldo devedor o débito abaixo discriminado, a ser exigido do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Cód. P. A Venc. Vr. original do débito (R$) Vr .extinto por compensação (R$) Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 1.824,56 36,01 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de IRPJ no valor de R$2.414,95 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$2.414,95 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10315.000931/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 09 31 /2 00 5- 31 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Luis Sergio Barbosa Rebouças foi lavrado o auto de infração de fls. 58/64, objetivando a exigência do Imposto de Renda de Pessoa Física em decorrência de omissão de receita em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. A Primeira Câmara da Segunda Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 210200.394, que se encontra às fls. 748/774 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercícios: 2000, 2001. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N°. 10.174, DE 2001. É legitimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa fisica é tributo sob a modalidade de lançamento por Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10315.000931/200531 Acórdão n.º 9202002.755 CSRFT2 Fl. 8 3 homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o que não ocorre no presente caso. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não é nulo o lançamento quando o contribuinte alega cerceamento de defesa, mas demonstra ter pleno conhecimento das acusações formuladas. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC no. 02). NULIDADE — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PERÍCIA — Constitui prerrogativa do julgador tributário decidir pela presença de esclarecimentos técnicos de terceiros, na forma do artigo 18, do Decreto n°.70.235, de 1972, de maneira que não caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento justificado do pedido de perícia. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, afastou as preliminares e, no mérito, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário relativo ao anocalendário de 1999. Intimada do acórdão em 02/12/2010 (fls. 775), a Fazenda Nacional interpôs, em 03/12/2010, o recurso especial de fls. 778/807, em que pleiteia seja afastada a decadência reconhecida pela decisão recorrida e demonstra divergência entre o acórdão recorrido e paradigmas quanto à aplicação do art. 173, inciso I, do CTN para situações em que não houve a antecipação de pagamento de tributo (Acórdãos n° CSRF/0103.103 e 105.14259). O recurso especial foi admitido pelo Despacho nº 210000.251/2011, de 11/05/2011 (fls. 808/810). Intimado por edital (fls. 817) da decisão proferida pelo CARF e do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar suas contrarazões. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A Recorrente sustenta divergência no tocante à decadência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº CSRF/0103.103 e 105.14259. Os acórdãos paradigmas encontram se assim ementados: “Acórdão n° CSRF/0103.103: IRPJ LANÇAMENTO EX OFFICIO PRAZO DECADENCIAL Tratandose de lançamento de oficio, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional.” “Acórdão n° 20218684: De acordo com as normas contidas no CTN., nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, o que se pressupõe o seu pagamento antecipado; na inexistência de antecipação, já não semi o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no seu artigo 173, 1.” Verifico que os paradigmas apontados pela Procuradoria da Fazenda Nacional consideram que a decadência dos tributos lançados por homologação se submete à regra do art. 173, inciso I, do CTN quando não houver antecipação de recolhimento do tributo por parte do sujeito passivo, enquanto o acórdão recorrido concluiu que o prazo de decadência relativo a esses tributos se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN independentemente da existência de pagamento antecipado. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, no tocante à decadência, já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10315.000931/200531 Acórdão n.º 9202002.755 CSRFT2 Fl. 9 5 na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso do que sempre adotei, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, a contagem do prazo se inicia na data do fato gerador. O crédito tributário que teve a decadência reconhecida é relativo a depósitos bancários de origem não comprovada referentes ao exercício de 2000, anocalendário de 1999. Compulsando os autos, verifico pela cópia da declaração de ajuste anual do exercício de 2000 (fls. 43/45) que durante o ano calendário de 1999 não houve qualquer recolhimento de imposto de renda pelo contribuinte. Logo, aplicase no presente caso, a teor da exigência regimental acima referida, o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, sendo que o início do prazo de decadência deve se dar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que os fatos geradores ocorreram durante o anocalendário de 1999, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1º/01/2001. Assim, quando o contribuinte foi notificado do lançamento em 16/12/2005 (fl.136) não havia transcorrido o prazo de decadência de cinco anos. Afastada a decadência, cabe verificar se haveria outras alegações no recurso voluntário que ainda não teriam sido examinados pela segunda instância, hipótese em que os autos deveriam retornar para seu exame. No presente caso, o contribuinte apontou em seu recurso voluntário diversos argumentos que, a seu ver, implicariam a nulidade/ilegitimidade do lançamento, bem como questionou a suposta omissão de rendimentos ante a sua situação econômica e financeira. O v. acórdão recorrido, no entanto, enfrentou todas as questões postas ao analisar a legitimidade do lançamento para os demais exercícios objeto da autuação, razão pela qual entendo desnecessária a devolução dos autos à segunda instância para novo julgamento. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10315.000931/200531 Acórdão n.º 9202002.755 CSRFT2 Fl. 10 7 Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para afastar a decadência relativa ao anocalendário de 1999. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10830.900354/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 54 /2 00 8- 01 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Por bem explicitar os fatos ocorridos até o presente momento processual, adotase o relatório formulado pela autoridade julgadora de primeira instância nos seguintes termos: “ Cientificada desse despacho em 30/04/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 02/06/2008, referenciando os Despachos Decisórios n° 757865913, 757865944, 757865900 Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofíns do período de apuração 06/2003, no montante de R$ 2.595,74 (DARF recolhido em 15/07/2003, no montante de R$ 68.061,54). A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando (n° de rastreamento 757865958 fl. 18): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 6.817,26 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, maS integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada., 757865935, 757864958, 757865927, 757895961, alegando: DOS FATOS A requerente recebeu despacho decisório pelo motivo de não localização de créditos informados em PER/DCOMP nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais referentes ao Io e 2o trimestres de 2003. DA PRELIMINAR Informamos que diante destas notificações efetuamos as devidas retificações das DCTF's em 26/05/2008 sob recibos de entrega n" 3144095668 e 3354076946, respectivamente. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10830.900354/200801 Acórdão n.º 3802001.471 S3TE02 Fl. 6 3 DO MÉRITO Segue anexo, cópia do Processo e Petição devidamente protocolada, onde fica esclarecido que tais retificações foram efetuadas e que de fato os créditos utilizados são verídicos. A CONCLUSÃO A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelándose o débito fiscal reclamado e a não inscrição em Dívida Ativa da União para cobrança executiva. Na fl. 01 a DRF de origem informa que a referida manifestação de inconformidade foi formalizada originalmente nos autos de n° 10830.005175/200850 indevidamente, pois que a interessada deveria ter efetuado protocolos auxiliares aos processos que controlam cada DCOMP, apontado no Despacho Decisório. Diante disso, procedeu aquela unidade à instrução com originais e cópias da manifestação original aos processos, e ao arquivamento do de n° 10830.005175/200850. A cópia da manifestação de inconformidade foi por mim anexada aos autos à fl. 25, a partir da manifestação original, anexada aos autos de n° 10830.900338/200818.” A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Campinas/SP, em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis para tanto, tal como o é a escrituração contábil, ou os documentos que a subsidiam. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Irresignado com a decisão, recorre o contribuinte, aduzindo que a manifestação de inconformidade apresentou sim a prova suficiente para comprovar a materialidade do crédito, bem como que, caso a DRJ entendesse que a prova não era suficiente, caberia a ela “determinar maiores esclarecimentos”. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. O contribuinte, em suma, busca comprovar a materialidade de seu crédito mediante apresentação de DCTF retificadora, bem como junta à sua manifestação de inconformidade cópias do “livro razão parcial”. No seu entender, referida documentação é suficiente para demonstrar a existência do seu crédito. A simples transmissão da DCTF retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Assim, ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo venha para ilidir a detecção, em sede de despacho decisório, que o crédito pleiteado já houvera sido integralmente utilizado para extinção anterior de débito confessado pelo contribuinte, sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Nesse sentido, destaco o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão da DRJ, que precisamente dispôs: As cópias simples "Razão Parcial, período 01/04/2003 a 31/07/2003" (cópias extraídas do processo n° 10830.900337/200865, juntadas a estes autos às fls. 27/44), nada comprovam em favor da interessada. Como ela não explicita em sua manifestação de inconformidade de que forma esse documento evidenciaria seu suposto direito ao crédito, a análise limitouse à leitura do documento de forma a identificar se constavam claramente escriturados os valores apurados e pagos para o período, bem como o registro do indébito. Contudo, aquelas cópias apenas demonstram os valores registrados nas contas "IRRF a recolher", "PIS a recolher" e "Cofins a recolher", e nelas a interessada assinala os registros que supostamente (já que não está claro que o seja) se referem ao pagamento dos Darfs. Observese que, em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, venha a se ter a nãohomologação das compensações efetuadas. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10830.900354/200801 Acórdão n.º 3802001.471 S3TE02 Fl. 7 5 De fato, a interessada não anexou ao processo qualquer documentação hábil e idônea para comprovar a existência e disponibilidade do crédito reclamado. As cópias do “livro razão parcial” não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, devendo ser acompanhadas de outros documentos que confirmem as informações ali aduzidas – documentos fiscais, cópia do Dacon, DARF contendo o valor indicado na DCTF retificadora etc. Sem essa documentação, resta precária a comprovação da materialidade do crédito. Assim sendo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10183.005264/2005-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO.
De conformidade com os artigos 2o e 53 da Lei n° 9.784/1999, a Administração deverá anular, corrigir ou revogar seus atos quando eivados de vícios de legalidade, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a multa de ofício aplicada no lançamento não encontra sustentáculo na legislação de regência.
A atividade judicante impõe ao julgador a análise da legalidade/regularidade do lançamento em seu mérito e, bem assim, em suas formalidades legais. Tal fato, pautado no princípio da Legalidade, atribui a autoridade julgadora, em qualquer instância, o dever/poder de anular, corrigir ou modificar de ofício o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito, sobretudo quando se referir à matéria de ordem pública (ilegalidade/irregularidade do lançamento), hipótese que se amolda ao caso vertente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. De conformidade com os artigos 2o e 53 da Lei n° 9.784/1999, a Administração deverá anular, corrigir ou revogar seus atos quando eivados de vícios de legalidade, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a multa de ofício aplicada no lançamento não encontra sustentáculo na legislação de regência. A atividade judicante impõe ao julgador a análise da legalidade/regularidade do lançamento em seu mérito e, bem assim, em suas formalidades legais. Tal fato, pautado no princípio da Legalidade, atribui a autoridade julgadora, em qualquer instância, o dever/poder de anular, corrigir ou modificar de ofício o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito, sobretudo quando se referir à matéria de ordem pública (ilegalidade/irregularidade do lançamento), hipótese que se amolda ao caso vertente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 52 64 /2 00 5- 25 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório WILSON COELHO ESPÓLIO, contribuinte, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 10/11/2005 (AR fl. 26), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Acori”, localizado no Barão do Melgaço/MT, inscrita na RFB sob nº 23305398, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0410.432/2006, às fls. 65/76, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 26/07/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2202 00.617, sintetizados, na parte que nos interessa nesta oportunidade, na seguinte ementa: “[...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 ESPÓLIO, RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 10183.005264/200525 Acórdão n.º 9202002.904 CSRFT2 Fl. 355 3 O ordenamento jurídico estabelece que a responsabilidade do sucessor a qualquer titulo, do cônjuge meeiro e do espólio é pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha, da adjudicação ou da abertura da sucessão, não havendo dispositivo legal que autorize a exigência de multa de oficio em casos como este, no qual a ciência do auto de infração se deu em momento posterior à morte do de cujus.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 291/296, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 20401.199, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez assentar ser incabível ao CARF se pronunciar acerca de multa, não tendo tal questão sido suscitada no Recurso Voluntário pelo contribuinte, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, a qual firmou tese no sentido de que, por se tratar de questão de ordem pública, aludida matéria pode ser analisada de ofício. Em defesa de sua pretensão, assevera que o julgamento deverá ficar adstrito ao pleiteado pela parte, em face do princípio da congruência consagrado pelos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil, sob pena de manifesto julgamento extra petita, atropelando o devido processo legal e a mais comezinha norma processual. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220200.415/2010, às fls. 300/302. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 315/337, repisando as razões de fato e de direito esposadas no recurso voluntário, sobretudo quanto à validade do laudo apresentado, tendente a revisar o VTN, bem como comprovar a existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, não tendo, porém, observado o prazo recursal de 15 (quinze) dias para apresentação de aludido recurso, razão pela qual não fora conhecido, nos termos do Despacho n° 220000.517/2011, de fl. 350. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada em razão da glosa das áreas declaradas em sua DITR/2001 como de preservação permanente e de utilização limitada, o que ensejou o aumento da área tributável e a rejeição do VTN adotado por ocasião da declaração, subavaliado, no entendimento da fiscalização, que acabou por levar a efeito o VTN arbitrado para a região com base no SIPT. Interposta impugnação, a 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS achou por bem rechaçar a pretensão do autuado, decretando a procedência do feito, nos termos do Acórdão nº 0410.432/2006, às fls. 65/76. Ainda irresignada, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual fora submetido à análise pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SJ do CARF que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial para excluir do lançamento a multa de ofício aplicada em face do espólio, ou seja, após a morte do de cujus (contribuinte), como restou devidamente assentado no Acórdão n° 220200.617, ora recorrido. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência, sustentando que o decisório recorrido contrariou a jurisprudência administrativa traduzida no Acórdão paradigma nº 20401.199, o qual contempla a impossibilidade do CARF se pronunciar acerca de multa, não tendo tal questão sido suscitada no Recurso Voluntário pelo contribuinte, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, a qual firmou entendimento no sentido de que, por se tratar de questão de ordem pública, aludida matéria pode ser analisada de ofício. A fazer prevalecer sua tese, assevera que o julgamento deverá ficar adstrito ao pleiteado pela parte, em face do princípio da congruência, inscrito nos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil, sob pena de manifesto julgamento extra petita, atropelando o devido processo legal e a mais comezinha norma processual. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em analisar a possibilidade de exclusão de ofício da multa aplicada no lançamento promovido em face do espólio, ou seja, após o falecimento do contribuinte de cujus. De um lado, a Turma recorrida, com base no princípio da legalidade, por entender se tratar de matéria de ordem pública, afastou a multa de ofício aplicada no presente lançamento, mesmo a contribuinte não tendo se insurgido contra referida penalidade. Em outra via, a Procuradoria da Fazenda Nacional defende ser incabível a análise de ofício de aludida questão, devendo o julgamento ficar adstrito ao pedido formulado pela contribuinte, mormente por não se estar diante de mera formalidade legal, mas, sim, de decorrência do princípio dispositivo, não cabendo ao v. acórdão ora recorrido se manifestar sobre uma questão que nem fora objeto do Recurso Voluntário. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 10183.005264/200525 Acórdão n.º 9202002.904 CSRFT2 Fl. 356 5 Verificase, portanto, que não se discute nesta oportunidade o mérito contemplado no Acórdão recorrido, qual seja, a aplicabilidade da multa de ofício no lançamento de ITR efetuado em face de espólio, mas, sim, a possibilidade de as autoridades julgadoras afastar, de ofício, tal penalidade. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Destarte, de início é de bom alvitre salientar que a atividade judicante impõe ao julgador a análise da legalidade/regularidade do lançamento em seu mérito, e bem assim em suas formalidades legais. Tal fato, pautado no princípio da Legalidade, atribui a autoridade julgadora, em qualquer instância, o dever/poder de anular, corrigir ou modificar de ofício o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito, especialmente quando se referir à matéria de ordem pública (ilegalidade/irregularidade do lançamento), hipótese que se amolda ao caso vertente. Com mais especificidade, o artigo 2° da Lei n° 9.784/1999 é por demais enfático ao estabelecer que a atividade do agente administrativo deve obedecer, dentre outros, o princípio da legalidade, senão vejamos: “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito;” A corroborar esse entendimento, o artigo 53 do mesmo Diploma Legal retro prescreve que a Administração poderá anular, revogar ou corrigir seus atos, quando maculados por vício de legalidade, como segue: “Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogalos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direito adquiridos.” In casu, observese que o ilustre representante da Fazenda Nacional, ao interpor o Recurso Especial em comento, utilizou como fundamento à sua empreitada os artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil, aduzindo que o Acórdão recorrido adentrou a questão extra petita, olvidandose, porém, dos ditames insertos nas normas acima transcritas, bem como no artigo 131 do CPC, nos seguintes termos: “ Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 6 Consoante de infere dos dispositivos legais supratranscritos, além da livre convicção contemplada no artigo 131 do CPC e do dever da Administração de anular, corrigir ou revogar seus atos, quando eivados de vícios de legalidade, o Acórdão recorrido encontra sustentáculo, ainda, na farta e mansa jurisprudência administrativa e, bem assim, no fato da multa de ofício aplicada nos autos malferir o princípio da legalidade, uma vez inexistir dispositivo legal a contemplando, nos casos de lançamento promovido em face de espólio, como se extrai do voto condutor do Acórdão recorrido, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] 5 Multa de ofício Embora o contribuinte não tenha se manifestado em relação a inaplicabilidade da multa de ofício, tal fato não dispensa esta instância de julgamento administrativa de declarála de ofício, em obediência ao princípio da estrita legalidade dos atos fiscais, Explicase. Tratase de lançamento de ITR, referente ao exercício 2001, formalizado em nome do de cujas, Sr. Lourival Louza e cientificado à inventariante. É certo que o espólio é pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujas até a data da abertura da sucessão (art. 131, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN), bem como os herdeiros e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujas até a data da partilha ou adjudicação (art. 131, inciso II, do CTN). Esta responsabilidade abrange não só os créditos tributários definitivamente constituídos até a abertura da sucessão, mas também os em curso de constituição ou posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas antes da morte do contribuinte, no caso do espólio, e antes da data da partilha, no caso dos herdeiros e meeiros, nos termos do art. 129 do CTN. Conjugandose o princípio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa do infrator (art. 5, inciso XLV, da Constituição Federal) com o art. 112 do CTN, segundo o qual, no caso de dúvida, a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte, entendo que a responsabilidade do espólio, assim como dos sucessores, prevista no art. 131, incisos II e III, não se estende à penalidade quando o Auto de Infração for lavrado após a abertura da sucessão, sendo exigível, apenas, acrescido os encargos moratórios. Tampouco existe dispositivo legal que autorize a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nesses casos, ou seja, quando o contribuinte faleceu antes da ciência do lançamento. Assim, a multa de ofício só seria transferida ao sucessor quando o Auto de Infração fosse cientificado antes da abertura da sucessão, pois o crédito tributário já estaria definitivamente constituído, conforme previsto no art. 129 do CTN. A jurisprudência deste Conselho tem se firmado no sentido de que a responsabilidade do espólio, assim como dos herdeiros Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 10183.005264/200525 Acórdão n.º 9202002.904 CSRFT2 Fl. 357 7 e do cônjuge meeiro, previstas no art. 131, incisos II e III, do CTN não se estende à penalidade, conforme os precedentes que ora se transcreve: [...] Ressaltese, por fim, que no caso do Imposto de Renda, existe multa de mora específica de 10% sobre o imposto devido pelo de cujus e exigido do espólio, conforme disposto no art. 49, do DecretoLei 11 0 5.844, de 23 de setembro de 1943. Já a Lei o' 9,393, de de 1996, que dispõe sobre o ITR, ao se referir a responsabilidade dos sucessores reportase aos arts. 128 a 133 do CTN, sem estabelecer uma multa a ser aplicada nesses casos. Destarte, uma vez que o presente lançamento foi cientificado à inventariante, há que se afastar a aplicação da multa de ofício. [...]” Partido dessas premissas, sobretudo inexistindo fundamento legal que escore a aplicabilidade da multa de ofício no presente caso, impõese reconhecer que sua exigência afronta o princípio da legalidade que deve amparar o ato administrativo, passível, portanto, de reconhecimento de ofício por parte da autoridade julgadora administrativa. Mais a mais, tratase de matéria que contempla a legitimidade passiva para suportar a multa aplicada (penalidade), podendo, dessa forma, se entender como questão de ordem, passível, portanto, de reconhecimento de ofício, fundamento determinante para aqueles Conselheiros que acompanharam o voto pelas conclusões. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES
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Numero do processo: 13931.000227/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2003
MULTA ISOLADA - COMPENSAÇÃO INDEVIDA COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA - RETROATIVIDADE BENIGNA - ART. 90 DA MP n° 2158-35. Uma vez descrita a situação fática, subjacente ao lançamento da multa isolada com base no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, por compensação indevida com crédito de natureza não tributária e advento da Lei n° 11.051/2004, que deixou de definir tal hipótese como infração sujeita a multa isolada, é de se reconhecer a aplicação do art. 106, II, "a" do CTN, para cancelar a exigência pela retroatividade benigna infracional
Recurso provido.
Numero da decisão: 3301-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade não se conhecer do recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Guillherme Dérouléde.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Maria Teresa Martinez López - Relatora.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 22/01/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros RODRIGO DA COSTA POSSAS, JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, PAULO GUILHERME DÉROULÈDE E ANDRÉA MEDRADO DARZÉ.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RECURSO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. LIMITE DE ALÇADA. Não é passível de reexame obrigatório, a decisão que exonerar o sujeito passivo de pagamento do encargo em valor inferior ao limite de alçada Recurso de ofício não conhecido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA RETROATIVIDADE BENIGNA ART. 90 DA MP n° 215835. Uma vez descrita a situação fática, subjacente ao lançamento da multa isolada com base no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, por compensação indevida com crédito de natureza não tributária e advento da Lei n° 11.051/2004, que deixou de definir tal hipótese como infração sujeita a multa isolada, é de se reconhecer a aplicação do art. 106, II, "a" do CTN, para cancelar a exigência pela retroatividade benigna infracional Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade não se conhecer do recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Guillherme Dérouléde. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 02 27 /2 00 5- 17 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 2 Maria Teresa Martinez López Relatora. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 22/01/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros RODRIGO DA COSTA POSSAS, JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, PAULO GUILHERME DÉROULÈDE E ANDRÉA MEDRADO DARZÉ. Relatório Contra a empresa nos autos qualificada foi lavrado auto de infração exigindo lhe a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, respectivos consectários legais e a multa isolada em razão da realização de compensações indevidas, referente ao mês de Setembro de 2003. O presente processo foi formalizado com a finalidade de desmembrar a cobrança da multa exigida isoladamente do PIS do processo administrativo nº 10940.001710/200422. A contribuinte é cessionária de crédito contra a União Federal, oriundo de decisão judicial proferida pelo TRF da 1ª Região, nos autos da Ação Ordinária de indenização nº 96.167613, transitada em julgado em 02/12/2000. A citada ação foi movida pela S/A Leão Irmãos Açúcar e Álcool, S/A Usina Coruripe Açúcar e Álcool e S/A Usina Ouricuri Açúcar e Álcool e se refere à indenização de todos os prejuízos diretos e indiretos decorrentes da fixação do preço do açúcar e do álcool abaixo dos custos de produção. A pessoa jurídica S/A Usina Ouricuri Açúcar e Álcool cedeu, em 24/12/1992, por meio de escritura pública de cessão de direitos para o Sr. Roberto de Cerqueira Celestino, todos os direitos decorrentes da ação judicial que movia contra a União Federal. Posteriormente, em 22/11/2002, o Sr. Roberto de Cerqueira Celestino cedeu por meio de Instrumento Particular de Cessão de Direitos parte de seu direito sobre a referida ação para o Sr. Múcio Rodrigues Poranga, e este cedeu seus direitos para Méier Automatizações Ltda. Finalmente, em 25/06/2003, a empresa Méier Automatizações Ltda. Transferiu seus direitos sobre a ação para Cia. de Força e Luz o Oeste por meio de Escritura Pública de Cessão de Crédito. Em requerimento dirigido ao Juiz Federal da 15ª Vara de Brasília/DF, processo nº 2002.34.00.3172636, a Cia. Força e Luz do Oeste requereu a desistência da execução do julgado para utilizar seu crédito na compensação com tributos federais vencidos em conformidade com o estabelecido na IN n° 210/02 da Receita Federal e com o que prescreve o artigo 170 do CTN. Em decorrência, a contribuinte apresentou Declarações de Compensação com tributos administrados pela Receita Federal a fim de consumir o crédito adquirido. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13931.000227/200517 Acórdão n.º 3301001.661 S3C3T1 Fl. 212 3 Sob o fundamento de que não existe previsão legal para compensação de crédito não tributário com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, e que não há decisão judicial que expressamente conceda à contribuinte o direito de efetuar referida compensação, as compensações efetuadas pela contribuinte não foram homologadas. Em conseqüência disso, foram lavrados autos de infração para cobrar os respectivos tributos e multas isoladas. Em cumprimento ao que determina o § 3º do artigo 18 da Lei n° 10.833/20031, todos os processos de compensação e de multa isolada foram anexados ao PAF nº 13931.000557/200332 para que somente uma decisão fosse proferida. Para melhor esclarecer sobre a anexação dos processos administrativos, extraio da decisão recorrida o seguinte relato constante às fls. 61 a 62: “197. Inicialmente, convém observar que o presente processo, originariamente, foi formalizado para a discussão do reconhecimento de direito creditório (pedido de restituição de fl. 01), que derivaria de um pretenso crédito adquirido de terceiro (Meier Automatizações Ltda.), o qual, por sua vez, adviria de uma discussão judicial travada no âmbito do processo judicial n.o 96.167613 (indenização, pela União Federal, de prejuízos em razão de fixação do preço do açúcar e do álcool, movida por usinas desses produtos). 198. Ao pedido de fl. 01, cujo direito creditório não foi reconhecido, vincularamse, expressamente, conforme consta do despacho decisório de fis. 788/791, as declarações de compensação de fls. 5476, 5124, 5412, 4777, 5808 e 4795 (protocolizadas, originária e respectivamente, nos PAF n.ºs 13931.000564/200334, 13931.000012/200415, 13931.000013/200451, 13931.000014/200404, 13931.000015/200441 e 13931.000033/200422, que, conforme relatado, foram anexados aos presentes autos), as quais, no mencionado despacho decisório, não foram homologadas. 199. Em razão de também se entender que há vinculação entre a indicação do mesmo suposto direito creditório (ação judicial de indenização), com a pretensão de sua utilização nas compensações de débitos tributários da interessada, conforme discussão travada nos PAF n.ºs 13931.000398/200376, 13931.000421/200322, 13931.000422/200377, 13931.000468/200396, 13931.000469/200331, 1 “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007). (...) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. (...)” Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 4 13931.000540/200385, 13931.000546/200352, 13931.000553/200354, 13931.000075/200463, 13931.000076/200416, 13931.000077/200452, 13931.000078/200405, 13931.000079/200441, 13931.000080/200476, 13931.000096/200489, 13931.000097/200423 e 13931.000098/200478, nos quais, da mesma forma, e pelas mesmas razões, foram indeferidos pedidos de restituição e nãohomologadas as compensações declaradas, e em função do princípio de economia processual, promoveuse a anexação de tais autos ao processo ora em discussão, conforme consta do relatório do presente voto. 200. Assim, os pedidos de restituição e/ou as declarações de compensação da e interessada, os despachos decisórios de indeferimento/nãohomologação e as manifestações de inconformidade, que constavam dos precitados processos aqui anexados, são, a partir da anexação aos presentes autos, os que seguem: Nº do processo administrativo originário Pedidos de restituição às fls. Declaração de compensação às fls. Despacho decisório às fls. Manifestação de inconformidade às fls. 13931.000398/200376 835/837 1590/1593 1596/1600 13931.000421/200322 3950 3961/3962 3966/3970 13931.000422/200377 4258 4269/4270 4274/4278 13931.000468/200396 4442 4454/4455 4459/4463 13931.000469/200331 3548 3560/3561 3565/3569 13931.000540/200385 1689 1679/1688 2417/2421 2426/2431 13931.000546/200352 2501 2495/2499 3119/3123 3128/3133 13931.000553/200354 5514/5518 5530/5531 5533/5539 13931.000075/200463 5429 5440/5441 5445/5450 13931.000076/200416 5141 5152/5153 5157/5162 13931.000077/200452 3194 3205/3206 3210/3215 13931.000078/200405 3244 3255/3256 3260/3265 13931.000079/200441 3294 3305/3306 3310/3315 13931.000080/200476 3344 3355/3356 3360/3365 13931.000096/200489 3396 3408/3409 3413/3418 13931.000097/200423 3445 3457/3458 3462/3467 13931.000098/200478 3494 3506/3507 3511/3516 201. Convém observar, ainda, que nos presentes autos, já com os demais processos aqui anexados, originariamente concernentes apenas à indeferimento de pedidos de restituição e a não homologação de declarações de compensação, contestados por meio de manifestações de inconformidade, foram recebidos, por anexação, os documentos que compunham os PAF n.os 13931.000226/200564, 10940.001714/200419, 10940.001712/200411, 13931.000227/200517, 13931.000229/200506, 10940.000017/200513, 10940.000227/200510, 10940.000229/200509 e 10940.000236/200501, que tratavam de multa de ofício isolada, por compensação indevida, e suas correspondentes impugnações, para dar cumprimento ao disposto no § 3° do art. 18 da Lei n.o 10.833, de 2003: “Art. 18. (...) ( ...) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13931.000227/200517 Acórdão n.º 3301001.661 S3C3T1 Fl. 213 5 § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente.” (Grifouse)” Por meio do Acórdão DRJ/CTA nº 0610.707, proferido nos autos do PAF nº 13931.000557/200332, os Membros da 3ª Turma decidiram: (a) por unanimidade, não acolher as manifestações de inconformidade contra os despachos decisórios de fls 788/791, 1590/1593, 3961/3962, 4269/4270, 4454/4455, 3560/3561, 2417/2421, 3119/3123, 5530/5531, 5440/5441, 5152/5153, 3205/3206, 3255/3256, 3305/3306, 3355/3356, 3408/3409, 3457/3458 e 3506/3507 (que se encontravam originária e respectivamente nos Processos Administrativos n.ºs 13931.000557/200332, 13931.000398/200376, 13931.000421/200322, 13931.000422/200377, 13931.000468/2003 96, 13931.000469/200331, 13931.000540/200385, 13931.000546/200352, 13931.000553/200354, 13931.000075/200463, 13931.000076/200416, 13931.000077/2004 52, 13931.000078/200405, 13931.000079/200441, 13931.000080/200476, 13931.000096/200489, 13931.000097/200423, 13931.000098/700478), mantendo os correspondentes indeferimentos de pedidos de restituição e nãohomologações de declarações de compensações; (b) dar parcial provimento às razões de impugnação contra a aplicação das multas isoladas, exigidas conforme demonstrativos de apuração de fls. 3734, 3918, 4226, 4418, 4605, 4728, 5077, 5363 e 5761 (que se encontravam originária e respectivamente nos Processos Administrativos n.ºs 10940.001713/200466, 10940.001714/200419, 10940.001712/200411, 10940.001710/200422, 10940.001715/200455, 10940.000017/2005 13, 10940.000227/200510, 10940.000229/200509 e 10940.000236/200501), reduzindo, por unanimidade de votos, a penalidade aplicada de 150% para 75%, e mantendo, por maioria de votos, o lançamento de R$ 2.226.332,40 de multa de oficio isolada. Vencida a Julgadora Tânia Mara Paschoalin, que votou pelo cancelamento da multa isolada em relação às declarações de compensação entregues anteriormente a 31/10/2003. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: “Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL DE INDENIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. À Secretaria da Receita Federal, por falta de previsão na legislação, não compete restituir valores que tenham sido eventualmente deferidos em ação judicial que discutia indenização, pela União Federal. De eventuais prejuízos na comercialização de açúcar e de álcool. Solicitação Indeferida. AÇÃO JUDICIAL DE INDENIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 6 Por falta de previsão legal, não pode ser homologada a compensação de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal com créditos supostamente deferidos em ação judicial em que, não se referindo à compensação tributária perante a SRF, discutiuse direito indenizatório por eventuais prejuízos na comercialização de açúcar e de álcool. Compensação não Homologada. Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE NATUREZA NÃOTRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE E PERCENTUAL. Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida em face da pretensão de utilização de crédito de natureza nãotributária, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% na hipótese de ser caracterizado o "evidente intuito de fraude" referido pela legislação. Lançamento Procedente em Parte” Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresentou, nos autos do presente processo relativo ao auto de infração de multa isolada, Recurso Voluntário, no qual, em síntese e fundamentalmente alega: Que é indevido o lançamento da multa uma vez que as compensações consignadas no processo administrativo que deu origem à autuação fiscal ainda não foram definitivamente decididas em sede administrativa. Se foi instaurado processo contencioso administrativo acerca dos créditos tributários compensados, nos termos do artigo 74, § 11 da Lei nº. 9.430/96, houve suspensão da sua exigibilidade. A multa, na condição de acessório, somente haverá de ser exigível quando o principal assim o for, uma vez que o acessório acompanha o principal; Que a multa isolada fixada em 75% viola os princípios da moralidade, legalidade, proporcionalidade e razoabilidade. O processo entrou em julgamento mas foi convertido em Diligência (RESOLUÇÃO N. 20201.120/2007). Consta dos autos que a contribuinte requereu a desistência dos valores compensados, não das multas de ofício. Seguem excertos: Assim, diante da edição da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, que introduziu modalidade de Parcelamento Excepcional PAEX, manifesta a Requerente a DESISTÊNCIA PARCIAL, nos termos do art. 1°, §3 0, da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 002, de 20 de julho de 2006, do Pedido de Restituição formulado e das Declarações de Compensação a ele vinculadas; bem como sua RENÚNCIA a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundamentam os referidos pedidos administrativos. Ressalta, contudo, que tal desistência e renúncia não abrangem a discussão administrativa relativa à multa de 150% aplicada à Requerente em face das compensações realizadas e que, originariamente, foram formalizadas por meio dos processos abaixo relacionados: (...) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13931.000227/200517 Acórdão n.º 3301001.661 S3C3T1 Fl. 214 7 Retorna a recorrente, solicitando a exclusão da multa de ofício. Traz aos autos, precedentes que tratam da aplicação retroativa (retroatividade benigna) do art. 24, da Lei n° 11.051/2004, que, ao dar nova redação ao art. 18, da Lei n° 10.833/03, não mais previu a hipótese de aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, às compensações indevidas realizadas pelos contribuintes. Nova Diligência foi efetuada, em razão de: “Ocorre que, como é de conhecimento, o cancelamento da multa isolada em razão de falta de previsão legal ainda é controverso nesta Câmara. Sendo assim, como a sua manutenção depende do deslinde do processo no qual se discute a restituição/compensação (se procedente a compensação, inexiste multa, se improcedente a compensação, a matéria concernente à aplicabilidade da multa será votada por este Conselho), para que a contribuinte não sofra nenhum prejuízo, voto no sentido de converter novamente o presente julgamento em diligência para que: a) a DRF junte fotocópia da manifestação do órgão administrativo sobre o pedido de desistência/renúncia apresentado naquele processo administrativo, que com este possui dependência; b) seja apresentado demonstrativo sobre quais débitos foram confessados, assim como quais daqueles que eventualmente permanecem no pedido de restituição/compensação relacionam se com o presente processo; c) em havendo débito que permanece no pedido de compensação/restituição e que serviu como fato gerador do presente auto de infração, há que se aguardar a decisão definitiva daquele processo (PAF n. 13931.000557/200332), para que seja juntada a respectiva fotocópia a este processo; d) seja apresentada pela DRF manifestação conclusiva sobre o impacto da desistência/renúncia para o presente processo, e/ou de eventual débito que remanesça em discussão no pedido de restituição/compensação (manifestação essa adstrita às considerações sobre os fatos, e não sobre entendimentos, caso em que se estaria julgando novamente o feito); e) seja dado conhecimento à contribuinte para, querendo, se manifestar a respeito das conclusões da diligência realizada.” Retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora Conforme exposto, o presente processo foi formalizado com a finalidade de desmembrar a cobrança da multa exigida isoladamente do processo de AI n° 109400017151200455. (Pedido de Restituição apresentado em 04/12/2003, em relação ao qual Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 8 a Requerente apresentou e vinculou diversas Declarações de Compensação de Tributos e Contribuições Federais, nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430/96). O processo desceu em diligência, sobretudo porque o Colegiado ainda tinha dúvidas sobre a interpretação das normas que dispunham sobre a evolução legislativa da multa isolada. Feita essa observação, passo adiante. Tratase de análise de 2 recursos: (i) Recurso de Ofício: Em decorrência de compensações efetuadas pela contribuinte e não homologadas, houve o lançamento da respectiva multa de ofício isolada no percentual qualificado de 150%, a qual foi reduzida pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR para 75%. (II) Recurso voluntário: Em síntese, cingese a matéria discutida no Recurso Voluntário sobre a aplicabilidade ou não da multa isolada. Quanto ao recurso de ofício, o artigo 34, I, do Decreto no 70.235/72, com a redação dada pelo artigo 67, da Lei no 9.532/97, estabelece que a autoridade julgadora em primeira instância deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos no valor total (lançamento principal e decorrentes)2 a ser fixado pelo Ministro da Fazenda. De conformidade com o artigo 1o, da Portaria MF no 375/01, o limite de alçada estava fixado em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Atualmente, com a publicação da Portaria MF nº. 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de ofício da decisão tomada passou de R$ 500.000,00 para R$ 1.000.000,00 o que impede o conhecimento de recurso de ofício em que a desoneração do contribuinte tenha sido inferior a este valor. Assim, considerando que o presente recurso de ofício não atende às exigências dos referidos dispositivos legais, dele não tomo conhecimento. Passo à análise dos recursos de voluntário, eis que presentes as condições de sua admissibilidade.. Recurso Voluntário Em síntese, cingese a matéria discutida no Recurso Voluntário sobre a aplicabilidade ou não da multa isolada. Tratase de lançamento de multa isolada de compensação indevida de débito do PIS do período de set/03. Em primeiro lugar cabe esclarecer que, muito embora o Colegiado tenha convertido em diligência o julgamento para verificar fatos relacionados ao processo principal, isto porque á época não havia ainda posicionamento sobre a multa isolada de ofício, face as alterações legislativas, atualmente o cenário se mostra diferente. A um, porque o contribuinte optou por pagar (parcelamento) o débito principal, e a dois, porque a jurisprudência já possui um melhor entendimento sobre a aplicabilidade da legislação que envolve a multa isolada de ofício. Assim, tenho que, o resultado do presente processo independe do resultado daqueles, decorrente da análise da evolução das leis que fundamentam o auto de infração. 2 Houve no caso desanexação de processos. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13931.000227/200517 Acórdão n.º 3301001.661 S3C3T1 Fl. 215 9 Podese observar que, de acordo com o auto de infração, a multa isolada de 150% foi aplicada de acordo com o artigo 44, § 1º, inciso II da Lei nº. 9.430/96, artigo 18 da Lei nº. 10.833/03 e artigo único do ADI nº 17/02. A decisão de primeira instância, por entender que não assistia razão à fiscalização uma vez que a hipótese descrita para aplicação da multa de ofício qualificada – compensação indevida em face da utilização de crédito de natureza nãotributária – era circunstância para a qual a lei prevê a multa de 75%, a multa foi reduzida. Muito embora a contribuinte discuta a exclusão da multa isolada sob diferentes linhas de argumentação (i suspensão da exigibilidade do principal e, ii viola os princípios da moralidade, legalidade, proporcionalidade e razoabilidade), a solução racional está na análise da evolução legislativa. Explico. À época da lavratura do auto de infração (12/08/2004), o artigo 18, § 2º da Lei 10.833/2003 e o artigo 44, II e § 1º, II da Lei nº 9.430/96 tinham a seguinte redação: “Lei nº 10.833/2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. (...)” (grifei) “Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (...)” Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 10 Compulsando os autos, verificase que o julgador encontrou respaldo, para a aplicação da multa isolada de 75% no mesmo artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e no artigo 44, I da Lei 9.430/96. Assim vigiam citados dispositivos à época da decisão: “Lei nº 10.833/2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. (...)” (grifei) “Lei nº 9.430/96 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...)” Notese que, à época da decisão de primeira instância 26/04/2006, a imposição de multa pela compensação com crédito de natureza não tributária já não encontrava guarida. De acordo com o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 (acima transcrito), a multa isolada era cabível “em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 19643”. Constatase que o próprio julgador de primeira instância concluiu: “não há, no caso, presunção legal de atribuir ao fato o caráter de evidente intuito de fraude”. E mais, já com a posterior redação dada pela MP nº 351/2007, melhor sorte não resta à fundamentação legal indicada: 3 “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13931.000227/200517 Acórdão n.º 3301001.661 S3C3T1 Fl. 216 11 “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (grifei) Portanto, se não há capitulação legal para fundamentar a multa isolada em caso de compensação com crédito de natureza não tributária, se a contribuinte não praticou ato fraudulento e se não ficou comprovada a falsidade da declaração apresentada, conforme as posteriores redações dadas ao artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não há como sustentar a manutenção da multa isolada. Outrossim, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado primeiramente pelo art. 18 da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Posteriormente o dispositivo legal (art. 44) foi alterado pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, que passou a regular a matéria da seguinte forma: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IIde cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b)na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2oOs percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; IIapresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38.” Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 12 Desta forma, examinando as hipóteses de imposição de multa de ofício isolada referidas tanto no dispositivo acima reproduzido, como no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, constatase que a discutida no presente processo não mais possui previsão legal. Observo que a Lei n. 11.488 de 15 de junho de 2007 (nova redação ao art. 18 da Lei n. 10.833/03) não se aplica, eis que os fatos geradores são anteriores á data da vigência. Destarte, com fundamento no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), a contribuinte deve ser exonerada da totalidade da multa de ofício lançada isoladamente, pela aplicação retroativa do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, e do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhes foram dadas, respectivamente, pelos artigos 18 e 14 da Medida Provisória nº 351/2007. Ante o todo exposto, voto no sentido de: i não conhecer do recurso de ofício em face do valor de alçada (inferior a R$ 1.000.000,00) e, ii dar provimento ao recurso voluntário de forma a cancelar a multa de ofício imposta. Maria Teresa Martinez López Relatora Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10783.917232/2009-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 72 32 /2 00 9- 39 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.917232/200939 Acórdão n.º 1801001.554 S1TE01 Fl. 699 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 16589.35532.280607.1.3.040809 em 28.06.2007, fls. 3639, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$74.312,32 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, referente ao fato gerador ocorrido em julho de 2006, efetuado em 29.09.2006, fl. 05. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. A Recorrente foi cientificada em 19.10.2009, fls. 35, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10.11.2009, fls. 0203, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. Conclui Diante desses fatos [...] entendendo justificado o equivoco ocorrido, o qual, culminou com a ausência de dados no sistema da Receita Federal, acarretando a impossibilidade de comprovação do crédito pelos competentes serventuários federais, requer, a Peticionária, seja declarada nula e sem efeito a cobrança, objeto da presente, em face da insubsistência da mesma diante dos documentos apresentados. Segue ainda, como documento comprobat6rio do quanto alegado e pleiteado, via compensação, planilha de créditos por pagamento indevido ou a maior e utilização em PER/DCOMP, mês a mês desde janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2008. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.357, de 11.08.2011, fls. 4143:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Conta no Voto condutor Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.917232/200939 Acórdão n.º 1801001.554 S1TE01 Fl. 700 3 Restou ementado ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Notificada em 31.08.2011, fl. 48, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, fls. 5064, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que os atos administrativos são nulos, uma vez que houve preterição do seu direito de defesa, haja vista que a DCTF retificadora deve ser considerada para fins de compensação, porque ela tem a mesma natureza daquela originalmente apresentada e a substitui integralmente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, vem a ora Recorrente requerer: I. Preliminarmente, diante da evidente nulidade do Despacho Decisório, que desconsiderou as informações prestadas (na DIPJ, na retificação da DCTF), o que inverteram integralmente o ônus de provar o que está devidamente declarado e o único argumento utilizado para tanto reside no fato de que a retificação da DCTF apresentada não surtiu efeito algum já que perpetrada posteriormente ao Despacho Decisório, a decretação de nulidade total do Despacho Decisório e a homologação das compensações efetuadas, diante do flagrante cerceamento da defesa e ofensa ao princípio da verdade material é medida que se impõe. II. No mérito, o acolhimento de todas as argumentações e provas apresentadas desde a manifestação de inconformidade, assim como a consideração de todas as informações já constantes nos sistemas da própria SRF que comprovam a existência do crédito em favor da Recorrente, capaz de amparar as compensações pleiteadas e a reconsideração do Despacho Decisório [...] com a homologação das compensações efetuadas. III. Requer ainda a exclusão definitiva dos débitos lançados no [conta corrente] da empresa pela não homologação das compensações. Por fim a Recorrente informa que tem interesse em realizar sustentação oral perante este [CARF]. Termos em que, Pede deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.917232/200939 Acórdão n.º 1801001.554 S1TE01 Fl. 701 4 com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.116, de 12.06.2012, fls. 7882, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: 1) A autoridade preparadora deve instruir os autos com: 1.a) as cópia das DCTF, original e retificadoras, se houver; 1.b) as cópias das DIPJ, original e retificadoras, se houver. 2) A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior. A Recorrente às notificações fiscais e apresentou os documentos às fls. 443/696, bem como foi intimada da Informação Fiscal, fls. 671672, em 18.10.2012, fl. 676, e apresentou o arrazoado em 09.11.2012 às fls. 677683, concluindo: Desta feita, diante da constatação de que o crédito aqui pleiteado existe, que o contribuinte não teve débito de estimativa de IRPJ no mês de julho/2006, que a escrituração fiscal da empresa está absolutamente de acordo com o que alegado, e que, portanto, o valor registrado na DCTF retificadora encontra amparo na contabilidade da Requerente, a mesma poderia, sem dúvida, escolher em manter os recolhimentos a maiores ou indevidos para compor o ajuste anual da declaração ou, conforme ocorreu no caso em tela, requerer a restituição ou compensação dos referidos valores. [...] Desta feita, requer a empresa, o encaminhamento de seu recurso ao CARF, para que aquele D. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dê total provimento ao seu Recurso Voluntário, reconhecendose, por fim, o crédito aqui discutido, e, em consequencia, seja homologada a compensação realizada e excluídos os débitos lançados no c/c da empresa pela não homologação da compensação. Termos em que, pede e espera deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.917232/200939 Acórdão n.º 1801001.554 S1TE01 Fl. 702 5 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.917232/200939 Acórdão n.º 1801001.554 S1TE01 Fl. 703 6 para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência4. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período5. Tem cabimento a análise da situação fática. Na DCTF nº 33.03.12.63.9210, original/cancelada, do 2º semestre de 2006, recepcionada em 27.03.2007, consta confessado o débito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada referente a julho de 2006, código nº 5993 no valor de R$67.208,40 extinto por pagamento em DARF, fls. 219221. Na DCTF nº 29.26.83.52.7619, retificadora/ativa, do 2º semestre de 2006, recepcionada em 11.11.2009, não consta confessado qualquer valor a título o débito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada referente a julho de 2006, código nº 5993, fls. 365367. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 5 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.917232/200939 Acórdão n.º 1801001.554 S1TE01 Fl. 704 7 No Livro Diário registrado na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo em 24.09.2007 está escriturado no Balancete Analítico do período de 01.07.2006 a 31.07.2006, fls. 452459: Receita R$2.567.187,18C Despesa/Custo R$2.385.307,11D Lucro R$181.880,07 Na Parte A – Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício do Lalur consta a Demonstração do Lucro Real em 31.07.2006 o valor de (R$11.370,46), fls. 449451. Na DIPJ original do anocalendário de 2006 nº 1112063 apresentada em 28.06.2007 pelo regime de tributação com base no lucro real anual, fls. 407439, consta que no mês de julho de 2006 foi apurada a base de cálculo de IRPJ no valor de (R$11.370,46). No Livro de Apuração de ICMS do período 01.07.2006 a 31.07.2006 consta como saída em valor contábil nos códigos 5102 e 6102 o somatório de R$3.472.480,04, fls. 460466. No Livro Razão de Custo de Mercadorias para Revenda, conta nº 4.1.01.01.01.0001, do período 01.07.2006 a 31.07.2006 consta o somatório no valor de R$2.060.577,54 (R$9.988.570,82 – R$7.927.993,28), fls. 467468. No Livro Razão de Receita de Venda de Mercadorias, conta nº 3.1.01.01.02.0001, do período 01.07.2006 a 31.07.2006 consta o somatório no valor de R$3.426.262,17 (R$15.004.601,81 – R$11.578.339,64), fls. 469473, de acordo com as Notas Fiscais de Saída, fls. 474667. Consta na Informação Fiscal DRF/VIT/ES, fls. 671672, a qual deve ser acolhida como correta nessa segunda instância de julgamento: Não há [...] indício de irregularidade na escrituração, e portanto, foram consideradas válidas. Nesta linha realizouse uma auditoria no mês de julho, comparandose as notas fiscais de entrada (fls. 474/525) e saída (fls. (526/667) com os valores escriturados de mercadorias (fls. 467/468) e vendas (fls. 469/473), não tendo sido encontrada discordância entre os valores. Da mesma forma, a verificação dos valores escriturados mostrou coerência entre os livros. Nesta linha, o balancete analítico acumulado até julho, obtido no livro diário do 3º trimestre de 2006, confirma que não foi apurado imposto de renda a pagar acumulado até julho/2006. Confirmase a apuração de prejuízo de R$11.370,46. [...] O livro registro de saídas, por sua vez, mostra receita de vendas compatível com a receita registrada na apuração do resultado até junho/2006. [...] Desta forma, com base nos registros contábeis apresentados, confirmase que o contribuinte não teve débito de estimativa de IRPJ no mês de julho/2006, portanto o valor registrado na DCTF retificadora encontra amparo na sua contabilidade. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.917232/200939 Acórdão n.º 1801001.554 S1TE01 Fl. 705 8 Examinando todas essas informações temse que houve pagamento a maior no valor total de R$74.312,32 de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, referente ao fato gerador ocorrido em julho de 2006, efetuado em 29.09.2006, fl. 05, uma vez que no período a Recorrente comprovadamente apurou o prejuízo fiscal no valor de R$11.370,46. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao pagamento a maior no valor total de R$74.312,32 de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, referente ao fato gerador ocorrido em julho de 2006, efetuado em 29.09.2006, fl. 05, para fins de homologar a compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13830.900941/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-001.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 09 41 /2 00 9- 61 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900941/200961 Acórdão n.º 1803001.756 S1TE03 Fl. 170 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900941/200961 Acórdão n.º 1803001.756 S1TE03 Fl. 171 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 83 e 84): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de nº 00244.43181.061006.1.3.04 0640, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código de receita: 5993) e de CSLL (código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado, “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/19, acompanhada dos documentos de fls. 20/80, na qual alega, em síntese, que: a) a PER/Dcomp tem como objeto a compensação de valores recolhidos indevidamente na competência de junho de 2006; b) tal pedido foi requerido em razão do equívoco da contribuinte quando da emissão da guia para pagamento do tributo; c) o valor foi recolhido indevidamente, pois como a apuração do referido período foi realizada por balancete de suspensão/redução, não haveria saldo de tributo a recolher; d) como estipula a legislação vigente, a impugnante requereu a compensação de valores para suprir os débitos relativos ao IRPJ (código de receita: 5993), do mês de fevereiro de 2006, e à CSLL (código de receita: 2484), dos meses de julho e agosto de 2006; e) enviouse a Dcomp em questão à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo esta indeferido a alegada compensação; f) transcreve os artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, que foram citados no despacho decisório; g) reproduz também os artigos 10 da IN/SRF nº 600/2005, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96; h) ratifica que a compensação requerida foi amparada por legislação em vigor na época da compensação; i) cita e transcreve o artigo 2º da IN/SRF nº 360/2003; j) conclui que os créditos objeto de compensação referemse a pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL, e não de saldo negativo de IRPJ e CSLL, conforme se comprovam com as cópias do Livro Lalur e DIPJ apresentados. Ao final, requer o afastamento da referida decisão de indeferimento, por falta de amparo legal, julgando o PER/Dcomp aqui guerreado como legal, homologando as referidas compensações. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 82 e 83): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 27/07/2006 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900941/200961 Acórdão n.º 1803001.756 S1TE03 Fl. 172 4 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais da IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição social sobre o lucro líquido da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro, poderá resultar saldo de contribuição a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subsequente. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/07/2006 ILEGALIDADE DOS ATOS NORMATIVOS TRIBUTÁRIOS. A discussão sobre legalidade dos atos normativos tributários é matéria reservada ao Poder Judiciário. O julgador deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil expresso em atos tributários. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 18/02/2011 (fls. 94 numeração digital ND), a tempo, em 19/03/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 95 a 104 (ND), instruído com os documentos de fls. 105 a 166 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o pagamento não se refere a pagamento por estimativa (apuração do lucro real), e sim a um pagamento “solto” que, por um erro no sistema de informática, gerou a referida guia, que foi recolhida pelo contribuinte e, depois de verificado o erro e levantado o seu crédito, efetuou a referida compensação; e b) que o pedido administrativo de PER/DCOMP, apresentado para a compensação do imposto, tratase, simplesmente, de um DARF, recolhido indevidamente, sob um código de DARF que confundiu o julgamento da Delegacia da Receita Federal de Primeira Instância, levandoos a julgar como improcedente. Em mesa para julgamento. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900941/200961 Acórdão n.º 1803001.756 S1TE03 Fl. 173 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 5. Observo, contudo, a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 6. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 7. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 8. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900941/200961 Acórdão n.º 1803001.756 S1TE03 Fl. 174 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10980.015939/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2003
AUTO DE INFRAÇÃO - NOTIFICAÇÃO - SÓCIO DO SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE DE SÓCIO - LEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR E RECORRER - ARTS. 9º, INCS. I E II E 58, INCS. I E II DA LEI N° 9.784/99 .
A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. O fato de o Auto de Infração, embora formalizado em nome da empresa (contribuinte), ter sido notificado na pessoa de seu sócio, a par de não configurar erro na identificação do sujeito passivo, não ilide a eventual responsabilidade tributaria do sócio por liquidação irregular da sociedade de pessoas (art. 134, inc. VII do CTN), razão pela qual o sócio, na qualidade responsável tributário e interessado, tem legitimidade para integrar a lide e apresentar impugnação e recursos administrativos cabíveis (arts. 9º, incs. I e II e 58, incs. I e II da Lei n° 9.784/99), cuja competência para julgamento em primeira instância pertence às DRJs (art. 233, inc. I da Portaria MF nº 203 de 14/05/12), não sendo lícito a estas últimas declinar de seu mister, sob pena de cerceamento ao exercício legítimo do direito à defesa constitucionalmente assegurado (art. 5º inc. LV da CF/88).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. TEMAS NÃO ENFRENTADOS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO - IMPUGNAÇÃO DE RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO.
Toda a matéria suscitada na impugnação de contribuinte ou responsável tributário deve ser enfrentada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte (arts. 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72). A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância (art. 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72).
Numero da decisão: 3402-002.052
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para anular a decisão da DRJ nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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Recorrida DRJ CURITIBA PR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2003 AUTO DE INFRAÇÃO NOTIFICAÇÃO SÓCIO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE DE SÓCIO LEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR E RECORRER ARTS. 9º, INCS. I E II E 58, INCS. I E II DA LEI N° 9.784/99 . A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. O fato de o Auto de Infração, embora formalizado em nome da empresa (contribuinte), ter sido notificado na pessoa de seu sócio, a par de não configurar erro na identificação do sujeito passivo, não ilide a eventual responsabilidade tributaria do sócio por liquidação irregular da sociedade de pessoas (art. 134, inc. VII do CTN), razão pela qual o sócio, na qualidade responsável tributário e interessado, tem legitimidade para integrar a lide e apresentar impugnação e recursos administrativos cabíveis (arts. 9º, incs. I e II e 58, incs. I e II da Lei n° 9.784/99), cuja competência para julgamento em primeira instância pertence às DRJs (art. 233, inc. I da Portaria MF nº 203 de 14/05/12), não sendo lícito a estas últimas declinar de seu mister, sob pena de cerceamento ao exercício legítimo do direito à defesa constitucionalmente assegurado (art. 5º inc. LV da CF/88). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. TEMAS NÃO ENFRENTADOS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO IMPUGNAÇÃO DE RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Toda a matéria suscitada na impugnação de contribuinte ou responsável tributário deve ser enfrentada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte (arts. 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72). A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 59 39 /2 00 8- 00 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância (art. 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso para anular a decisão da DRJ nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recursos Voluntários da contribuinte (fls. 380/402) e de seu sócio gerente (fls. 372/379) contra o v. Acórdão DRJ/CTA nº 0622.048 de 06/05/09 (fls. 360/364) exarado pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR que, por unanimidade de votos, houve por bem “rejeitar a prejudicial de decadência e considerar procedentes os lançamentos originais no valor total de R$ 12.166.679,14 relativos a Contribuições de COFINS e COFINSNÃO CUMULATIVO (MPF nº 0910100/00256/08 fls. 86/104; ; COFINS R$ 1.205.604,05; juros R$ 881.493,18; Multa 75% R$ 904.202,98; COFINS NÃO CUMULATIVO R$ 10.966.588,88; Juros R$ 4.159.223,83; multa 75% R$ 8.224.941,53) e para o PIS (MPF nº 0910100/00256/08 fls. 66/84; PIS R$ 2.994.486,21; Juros R$ 1.431.166,91; Multa 75% R$ 2.245.864,47), notificados em 12/11/08 (fls. 78 e 98), que acusaram a ora Recorrente de”insuficiência de recolhimento” das contribuições nos períodos de 30/01/03 a 30/11/06, conforme explicitado no TVF (fls. 105/108) nos seguintes termos: “5. CONTEXTO Ao processar as informações constantes de nossos arquivos na Receita Federal do Brasil, constatamos indícios que o contribuinte acima identificado havia omitido o recolhimento das contribuições PIS e da COFINS, nos anos calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006, em operações documentadas pela Empresa junto A Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná, em especial as informações constantes da GIA, documento pelo Fl. 431DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.015939/200800 Acórdão n.º 3402002.052 S3C4T2 Fl. 3 3 qual se presta àquela as informações do Imposto de Circulação de Mercadoria ICMS. Com base nas análises preliminares, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 09.1.01.2008.002561 ( * ), o qual, neste Termo, é parcialmente encerrado, notadamente no que diz respeito àquelas contribuições, e dentro das informações hoje constantes para análise, que são os livros fornecidos pelo Contribuinte e os valores da referida GIA —ICMS, estando os mesmos dentro deste Processo Administrativo Fiscal n° 10980.015939/2008 00 e seu Anexo. Várias correspondências foram emitidas para solicitação de esclarecimentos e informações contábeis, todas neste processo, sendo que, em uma das respostas, a datada de 15 de outubro de 2008, o Contribuinte declara que não entregara as Declarações DIPJ; DCTF; e DACOM apenas por não o ter feito (fl. 65). Tanto assim, que forneceu todos os livros contábeis solicitados, cujas cópias por mim autenticadas estão contidas no Anexo deste. Da análise aos livros, constatase que, em 2003, 2004, 2005 e 2006, registrou vendas pelo estabelecimento Matriz, tanto no Livro de Saída, quanto no de ICMS, em ambos os valores iguais ao constante da GIA. Já para a sua filial em Ponta Grossa, CNPJ 05.416.026/0002 10, nada consta em GIA com seu CNPJ, e seus Livros não foram apresentados à esta Fiscalização. Foi identificada a não compatibilidade entre os dados da GIA e o dos Livros em alguns meses. Da análise, constatouse terem informado, ao ICMS, alguns deles com os valores sem as vendas à outros estados, e até sem as devoluções, sendo que no presente trabalho estão considerados. Desta forma, tomandose como base os valores das vendas, informados no Livro de Saída apresentado e os dados da GIA ICMS, sendo que àquele prevaleceu sobre os valores desse, procedeuse ao presente lançamento da PIS e da COFINS, considerandose, como base de cálculo, os valores fornecidos pelo próprio Contribuinte e a sua confissão, conforme quadro abaixo, elaborado até dezembro de 2006, último mês identificado com movimentação e dentro do presente MPF. Competência Matriz Filial Total 2003 37.075.889,96 0,00 37.075.889,96 Jan 2.789.891,61 0,00 2.789.891,61 Fev 2.372.555,06 0,00 2.372.555,06 Mar 2.189.495,08 0,00 2.189.495,08 Abr 2.256.172,84 0,00 2.256.172,84 Mai 2.330.079,24 0,00 2.330.079,24 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Jun 2.285.424,17 0,00 2.285.424,17 Jul 2.954.533,67 0,00 2.954.533,67 Ago 2.860.026,52 0,00 2.860.026,52 Set 3.355.083,67 0,00 3.355.083,67 Out 4.602.738,25 0,00 4.602.738,25 Nov 4.480.585,17 0,00 4.480.585,17 Dez 4.599.304,68 0,00 4.599.304,68 2004 46.593.423,85 0,00 46.593.423,85 Jan 3.110.913,50 0,00 3.110.913,50 Fev 2.793.302,12 0,00 2.793.302,12 Mar 3.296.672,66 0,00 3.296.672,66 Abr 3.199.059,63 0,00 3.199.059,63 Mai 3.619.198,22 0,00 3.619.198,22 Jun 3.656.375,79 0,00 3.656.375,79 Jul 3.708.805,82 0,00 3.708.805,82 Ago 3.951.187,09 0,00 3.951.187,09 Set 4.146.199,99 0,00 4.146.199,99 Out 4.296.074,92 0,00 4.296.074,92 Nov 4.166.952,04 0,00 4.166.952,04 Dez 6.648.682,07 0,00 6.648.682,07 2005 49.361.564,77 0,00 49.361.564,77 Jan 4.295.761,51 0,00 4.295.761,51 Fev 3.493.464,25 0,00 3.493.464,25 Mar 3.737.685,14 0,00 3.737.685,14 Abr 3.429.122,54 0,00 3.429.122,54 Mai 3.895.961,44 0,00 3.895.961,44 Jun 3.834.758,08 0,00 3.834.758,08 Jul 3.202.508,14 0,00 3.202.508,14 Ago 3.501.614,50 0,00 3.501.614,50 Set 4.299.426,53 0,00 4.299.426,53 Out 5.097.490,16 0,00 5.097.490,16 Nov 4.659.504,32 0,00 4.659.504,32 Dez 5.914.268,16 0,00 5.914.268,16 2006 48.453.148,97 0,00 48.453.148,97 Jan 3.944.627,39 0,00 3.944.627,39 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.015939/200800 Acórdão n.º 3402002.052 S3C4T2 Fl. 4 5 Fev 3.176.031,34 0,00 3.176.031,34 Mar 3.197.956,56 0,00 3.197.956,56 Abr 3.253.624,18 0,00 3.253.624,18 Mai 3.591.080,59 0,00 3.591.080,59 Jun 3.741.714,75 0,00 3.741.714,75 Jul 3.683.206,25 0,00 3.683.206,25 Ago 4.691.559,16 0,00 4.691.559,16 Set 4.221.445,67 0,00 4.221.445,67 Out 4.836.680,80 0,00 4.836.680,80 Nov 4.557.206,10 0,00 4.557.206,10 Dez 5.558.016,18 0,00 5.558.016,18 Assim, foi emitido o Auto de Infração do qual este Termo é parte integrante, cujo demonstrativo consolidado encontrase na folha 01 (um) deste processo, considerando lançamentos a titulo de Cumulativo e não Cumulativo, dependendo da vigência da Legislação da época, e em conformidade com Lucro Real, já que o contribuinte, ao não entregar suas declarações, e mesmo ter procedido a qualquer recolhimento correspondente, não manifestou a sua opção ( Art. 25 Lei 9.430, de 27/12/1996 ). Também a salientar o fato de que, por não ter entregue as declarações antes do presente procedimento de fiscalização, o presente processo apenas decairá no prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do ano seguinte em que deveria ter entregue as mesmas (Inciso I, Artigo 173, Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (CTN), ratificado pelo Inciso I do Artigo 45, da Lei n° 8.212 de 24/07/1991). Finalmente, considerando o retorno de correspondência anterior enviada ao endereço da matriz desta Empresa constante em nosso cadastro, e constatado em visita ao local que ela não mais lá se localiza, o presente está sendo entregue diretamente ao seu representante legal junto a RFB.” Reconhecendo expressamente que as impugnações oportunamente apresentadas atendiam aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 360/364 da 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR, houve por bem “rejeitar a prejudicial de decadência e considerar procedentes os lançamentos originais de Contribuições de COFINS e de PIS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2003 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência estabelecido no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, quando não houver pagamento antecipado pelo obrigado. Período apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BASE DE CALCULO. PIS. COFINS. RECEITA APURADA COM BASE NO LIVRO DE REGISTRO DE SAÍDAS. Mantémse na integra a receita apurada com base no Livro de Registro de Saídas, por não ter sido produzida pelo sujeito passivo prova quanto a devolução de vendas. PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. A faculdade estabelecida para o aproveitamento de créditos básicos e presumido do PIS e da COFINS, na sistemática de nãocumulatividade, deve ser exercida pela pessoa jurídica e demonstrada em instrumento próprio. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADES. A autoridade administrativa é vedado manifestarse sobre questões de constitucionalidade e ilegalidades de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa oficio e juros de mora pelos percentuais legalmente determinados. Lançamento Procedente” Nas razões de Recursos Voluntários da contribuinte (fls. 380/402) e de seu sócio gerentes (fls. 372/379) oportunamente apresentados, os ora Recorrente sustentam a insubsistência da r. decisão e dos lançamentos por ela mantidos, tendo em vista: a) preliminarmente a decadência do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro a outubro de 2003, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN bem como a exclusão do sócio por ausência dos pressupostos legais que autorizariam sua inclusão no pólo passivo; b) no mérito alega que o fisco não deduziu da base de cálculo os valores relativos às vendas canceladas (art. 10, § 3°, V, "a", das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como não considerou os créditos básicos do PIS e COFINS não cumulativos (art. 3° da Lei n° 10.637/2002, art. 3° da Lei n° 10.833/2003), além do crédito presumido decorrente do estoque de abertura (art. 11 da Lei n° 10.637/2002, art. 12 da Lei n° 10.833/2003); c) a ilegalidade da aplicação dos juros à Taxa SELIC e a confiscatoriedade da multa de 75%. Em 25/02/10 a contribuinte protocolizou pedido de desistência parcial do Recurso (fls. 404/405) solicitando inclusão dos valores objeto da desistência no parcelamento da Lei 11.941/2009, sendo que através de r. despacho de fls. 411 a d. Fiscalização da DRF de São José dos Pinhais PR transferiu os valores solicitados para o processo 10912.000303/201083 para fins de consolidação naquele parcelamento. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.015939/200800 Acórdão n.º 3402002.052 S3C4T2 Fl. 5 7 É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Recursos Voluntários preenchem os requisitos de admissibilidade razão pela qual deles conheço e, no mérito merece parcial provimento o Recurso do responsável tributário para anular a r. decisão ora recorrida. Realmente, desde logo constato que a r. decisão recorrida deixou de apreciar a impugnação do sócio da autuada, aos fundamentos de que: Por fim, quanto à pretensa exclusão do sócio Angelo Setim Neto do pólo passivo da presente autuação, em face do recebimento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, cuja lavratura é mencionada no Termo de Verificação e Encerramento Fiscal (fl. 108), esclareçase que às Delegacias de Julgamento compete julgar os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários. Desta forma, este órgão de julgamento não é apto a se manifestar quanto à matéria referente à responsabilização de terceiros, que é afeta ao órgão responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos. Em outras palavras, a qualificação dos prováveis responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, e não ao de controle de sua legalidade que compete A instancia administrativa. Destarte, falece competência a esta DRJ para o julgamento de defesa apresentada a Termo de Responsabilização, em consonância, aliás, com o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal): "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como ás razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências (Redação dada pelo art. 12 da Lei n..2 8.748/1993)" (grifouse) Conforme se observa do dispositivo transcrito, a competência desta DRJ se limita ao julgamento de razões de defesa suscitadas, pela contribuinte autuada (inequivocamente indicada nos respectivos campos dos autos de infração, às fls. 79 e 99) contra exigências constituídas. Logo, não pode esta repartição, sem qualquer amparo legal, decidir acerca de matéria estranha à formalização do lançamento, atinente apenas a quem caberia, na hipótese de manutenção final da exigência fiscal e de seu nãopagamento pelo sujeito passivo autuado, se sujeitar à respectiva cobrança. É certo dispor o art. 5º, LV, da Constituição Federal que "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados Fl. 436DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". É o caso de se perguntar: no processo administrativo fiscal, quem são os litigantes? A resposta se depara, também, no Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), quando dispõe, em seu art. 14, que: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento." (grifouse) É dizer: a impugnação a qualquer outra matéria que não seja a da exigência fiscal propriamente dita, posta a exame da Delegacia de Julgamento, não instaura qualquer litígio e, em conseqüência, não tem o condão de exigir o seu pronunciamento. E o que ocorre, por exemplo, com a lavratura, por parte da Fiscalização, e na mesma época da constituição do crédito tributário, de Representação Fiscal para Fins Penais. Essa Representação, como se sabe, tem como finalidade auxiliar o Ministério Público Federal na formalização de denúncia na esfera criminal. Analogamente, o Termo de Sujeição Passiva Solidária cujos indicados, de regra, são os mesmos apontados naquela Representação, quando existente destinase a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) quando de eventual execução judicial de crédito fiscal não pago pelo sujeito passivo autuado. Tratase, pois, de matéria que extrapola a competência desta DRJ, conquanto lavradas por ocasião da autuação, e que nada têm a ver com o lançamento propriamente dito, sendo objeto, ambas, de acolhimento, ou não, por parte daqueles órgãos, em momento processual distinto deste. Destaquese, por oportuno, que nada impede que a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), no exercício de suas atribuições constitucionais (art. 131, § 3 2, da Lei Maior), direcione a execução judicial contra terceiras pessoas que não tenham sido apontadas pela Fiscalização, ou que o faça apenas com relação a algumas por esta indicadas, nos limites de seu poder discricionário. Assim, pretenderse discutir o conteúdo e o alcance do Termo de Sujeição Passiva Solidária, sem, ao menos, se ter a certeza de seu futuro aproveitamento pela PFN, reputarseia inócuo, porquanto não vedaria que aquele órgão, alicerçado em seu próprio convencimento, e de forma autônoma, viesse a orientar a execução judicial contra quem entendesse de direito. Por óbvio, esse é um juízo de valor dos Procuradores da Fazenda Nacional, em face dos elementos carreados para os autos pelo Fisco, ou de outros a que vierem ter acesso. Assim sendo, não estão, eles, vinculados a entendimentos anteriormente emanados a respeito, seja das Delegacias de Julgamento, seja dos Conselhos de Contribuintes, não se tratando, portanto, de matéria que deva ser apreciada por qualquer dessas instancias julgadoras. Do que se deflui que os aspectos relativos à responsabilização de terceiros pelos créditos tributários da pessoa jurídica constituem matéria estranha ao processo administrativo fiscal regularmente instaurado contra esta Ultima, podendo ser apresentada a defesa pertinente em caso de eventual execução judicial do credito tributário. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.015939/200800 Acórdão n.º 3402002.052 S3C4T2 Fl. 6 9 Nesse contexto, descabe conhecer da matéria trazida pela petição de Angelo Setim Neto (fls. 113/117).” (sic r. decisão ora recorrida) Nesse ponto não subsiste a r. decisão recorrida e deve ser anulada, por violação aos direitos de defesa do sócio Recorrente, responsável tributário pelo crédito tributário em discussão. Como é curial e esclarece a Suprema Corte: “A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela”, razão pela qual “não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada” (cf. AC. do STF Pleno no RE 562276PR, em sessão de 03/11/010, Rel(a) Min. ELLEN GRACIE, in DJU027 de 09022011 publ. em 10/02/11 EMENT VOL0246102 PP00419). Derivando diretamente da Constituição e da lei, as relações intersubjetivas de Direito Tributário, seja no seu aspecto substantivo, seja no seu aspecto adjetivo, qualificamse como relações de direito e não de poder, de tal modo que ambas as partes da relação jurídico tributária estão igualmente submetidas à lei e à jurisdição, e a atribuição ou imputação da obrigação e responsabilidade tributárias a pessoas direta ou indiretamente vinculadas à mesma obrigação, não é um ato arbitrário ou discricional do legislador ou da autoridade lançadora, mas muito ao revés obedece necessariamente a critérios racionais de vinculação jurídica, que vinculam e direcionam a pretensão fiscal contra as pessoas e os patrimônios do obrigado e responsáveis. Realmente, ao fixar os critérios de atribuição ou imputação da obrigação e da responsabilidade tributárias, o Código Tributário Nacional claramente distingue entre a figura do contribuinte, atributo de quem realiza o fato típico ou cerne do fato gerador (art. 121, § único, inc. I do CTN), da figura do responsável tributário, qualificado como aquela terceira pessoa que, embora sempre vinculada ao fato gerador, sem revestir a condição de contribuinte, a lei atribui de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário, atribuindolhe em caráter exclusivo ou supletivo, o cumprimento total ou parcial, da referida obrigação (art. 121, § único, inc. I e art. 128 do CTN). Em suma, distinguese claramente a responsabilidade patrimonial por dívida própria, atribuída a quem realiza o fato típico ou cerne do fato gerador, denominado contribuinte, da responsabilidade patrimonial por dívida alheia, atribuída à terceira pessoa que, embora sempre vinculada ao fato gerador, sem revestir a condição de contribuinte, a lei obriga a responder também pela mesma prestação jurídico tributária, em caráter exclusivo ou supletivo. Da mesma forma a Lei Complementar expressamente autoriza à lei ordinária do ente tributante competente, a “atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação” (art. 128 do CTN). Na primeira hipótese (exclusão da Fl. 438DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 responsabilidade do contribuinte) substituise a responsabilidade do contribuinte, devedor original do tributo, pela do responsável vinculado ao fato gerador da obrigação tributária original, que passa a ser o substituto tributário; na segunda hipótese (responsabilidade em caráter supletivo), por estarem vinculados e terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, as pessoas do contribuinte e responsável, são solidariamente obrigadas, sendo que a referida solidariedade das pessoas, sempre expressamente designadas por lei, “não comporta benefício de ordem” (art. 124 do CTN). No caso concreto resta evidente que, tratandose de responsabilidade tributária solidária supletiva, por ter interesse comum (art. 124 do CTN) e participação direta na dissolução irregular da sociedade (arts. 134, inc. VII e 135, incs. I do CTN), o sócio responde solidária e patrimonialmente pela obrigação tributária da contribuinte (pessoa jurídica) autuada e, consequentemente tem legitimidade para integrar a lide na qualidade de interessado e para apresentar impugnação ao lançamento e os recursos administrativos cabíveis desde que regularmente intimado e configurados os pressupostos legais de sua responsabilidade, tal como ocorre no caso concreto. Nessa ordem de ideias a Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e se aplica subsidiariamente ao PAF (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ no MS nº 7045DF, em sessão de 22/11/2000, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, pub. In DJU de DJ 05/03/01 p. 119; AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 764.111RS, em sessão de 15/05/07, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 12/11/07 p. 160), expressamente dispõe em seus arts. 9º, incs. I e II e 58, incs. I e II que: “Art. 9º. São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; (...)” “Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: 1 os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; (...)” Nesse sentido a Jurisprudência Administrativa do antigo Conselho de Contribuintes como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA POSSIBILIDADE. É possível a apresentação de impugnação ou recurso voluntário por pessoa incluída no rol dos responsáveis Fl. 439DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.015939/200800 Acórdão n.º 3402002.052 S3C4T2 Fl. 7 11 solidários com vista à discussão de aspectos não somente do crédito tributário em si, mas, também em relação à responsabilização que a cada um foi atribuída no lançamento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos por DICARNE COMERCIAL DE ALIMENTOS DERIVADOS DE CARNES LTDA. ACORDAM os membros da TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por voto de qualidade TOMAR CONHECIMENTO do recurso, vencidos os Conselheiros Paulo Jacinto do Nascimento (Relator), Leonardo de Andrade Couto, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Antonio Carlos Guidoni Filho e, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para que os autos retomem à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE para apreciação da questão relativa à sujeição passiva, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir/o voto vencedor o Conselheiro Antônio Bezerra Neto.” (cf. Acórdão nº 10323.365 da 3ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 148.851, Proc.nº 11618.001496/200358, em sessão de 24/01/08, Rel. Des. Cons Antônio Bezerra Neto). Ressaltese que na “Prestação de Esclarecimentos” (fls. 54/55) o próprio Recorrente esclarece que: “Durante o período de funcionamento desta empresa o ramo de comercialização de carnes e derivados passou por grande turbulência, causando problemas de margem operacional, inadimplência e dificuldades financeiras, o que nos levaram a paralisar atividade antes de nos tornarmos insolventes por possíveis passivos vindouros. Considerando estes problemas a Indústria e Pecuária São Jose Ltda. paralisou suas atividades operacionais em março de dois mil e sete. A última nota fiscal emitida foi a de número 117136 em trinta e um de março de dois mil e sete. Junto a Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Paraná foi solicitado a baixa no cadastro de contribuintes do ICMS em dezoito de julho de 2007, conforme Documento Único de Cadastro — DUC emitido eletronicamente via internet em 25 de julho de dois mil e sete, comprovante número 357.100.18824.” Por seu turno no TVF (fls. 105/108) a d. Fiscalização esclarece que: “(...) Várias correspondências foram emitidas para solicitação de esclarecimentos e informações contábeis, todas neste processo, sendo que, em uma das respostas, a datada de 15 de outubro de 2008, o Contribuinte declara que não entregara as Declarações DIPJ; DCTF; e DACOM apenas por não o ter feito (fl. 65). Tanto assim, que forneceu todos os livros contábeis solicitados, Fl. 440DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 cujas cópias por mim autenticadas estão contidas no Anexo deste. Da análise aos livros, constatase que, em 2003, 2004, 2005 e 2006, registrou vendas pelo estabelecimento Matriz, tanto no Livro de Saída, quanto no de ICMS, em ambos os valores iguais ao constante da GIA. Já para a sua filial em Ponta Grossa, CNPJ 05.416.026/0002 10, nada consta em GIA com seu CNPJ, e seus Livros não foram apresentados à esta Fiscalização. (...) Assim, foi emitido o Auto de Infração do qual este Termo é parte integrante, cujo demonstrativo consolidado encontrase na folha 01 (um) deste processo, considerando lançamentos a titulo de Cumulativo e não Cumulativo, dependendo da vigência da Legislação da época, e em conformidade com Lucro Real, já que o contribuinte, ao não entregar suas declarações, e mesmo ter procedido a qualquer recolhimento correspondente, não manifestou a sua opção ( Art. 25 Lei 9.430, de 27/12/1996 ). (...) Finalmente, considerando o retorno de correspondência anterior enviada ao endereço da matriz desta Empresa constante em nosso cadastro, e constatado em visita ao local que ela não mais lá se localiza, o presente está sendo entregue diretamente ao seu representante legal junto a RFB.” O fato de o Auto de Infração, embora formalizado em nome da empresa, ter sido notificado na pessoa de seu sócio, a par de não configurar erro na identificação do sujeito passivo (cf. Acórdão nº 10514257 da 5ª Cam. do 1º CC, Rec. nº 134988, Proc. nº 13851.001128/0068, em sessão 05/11/2003, Rel. Cons. Daniel Sahagoff), não ilide a responsabilidade tributaria do sócio que pode decorrer não apenas de “excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos”(art. 135, incs. I e III do CTN), mas também por “liquidação irregular da sociedade de pessoas” (arts. 134, inc. VII e 135, incs. I do CTN) , donde resulta sua legitimidade para apresentar impugnação e recursos no processo administrativo fiscais, cuja competência para julgamento em primeira instância, pertence às DRJs (cf. art. 233, inc. I da Portaria MF nº 203 de 14/05/12), não sendo lícito a estas últimas declinar de seu mister, sob pena de cerceamento ao exercício legítimo de direito à defesa constitucionalmente assegurado (art. 5º inc. LV da CF/88). Omitindose sobre ponto fundamental do contraditório instalado, quando deixa de apreciar as razões de impugnação do sócio responsável tributário, a r. decisão recorrida desatende aos requisitos essenciais que os artigos 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72 enumeram como condição de sua validade, ensejando nulidade por preterição aos direitos da defesa, como tem reiteradamente proclamado a Jurisprudência da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes como se pode ver das seguinte ementas: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Configurandose omissão de ponto sobre o qual a Turma devia se pronunciar, é de se acolher os Embargos interpostos, conforme determina o art. 27, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.015939/200800 Acórdão n.º 3402002.052 S3C4T2 Fl. 8 13 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE NULIDADE Tendo a câmara recorrida deixado de decidir sobre matéria trazida no recurso voluntário do contribuinte, configurase preterição do direito de defesa e, conseqüentemente, a nulidade do acórdão recorrido. Embargos de declaração acolhido.” (Ac. da 3ª Turma da CSRF no Recurso de Divergência nº 301122696, Proc. nº 13149.000230/9605 em sessão de 17/05/05 Acórdão de CSRF/0304.421, Rel. Cons. Paulo Roberto Cucco Antunes, em nome de VIAÇÃO XAVANTE LTDA.) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. TEMA NÃO ENFRENTADO PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. IMPUGNAÇÃO DEDUZIDA POR CONTRIBUINTE. Toda a matéria suscitada em impugnação deve ser enfrentada pela delegacia da receita federal de julgamento, pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela delegacia da receita federal de julgamento implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.” (cf. Ac. n. 20309919, da 3ª Câm do 2º CC, Rec. n. 122925, Proc. nº 10830.005027/9776, Rel. Cons. César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUIMÍCAS) Decisão: Por unanimidade de votos, anulouse o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NULIDADES A OMISSÃO NO EXAME DE MATÉRIA POSTA NA PEÇA IMPUGNATÓRIA DETERMINA A NULIDADE DA DECISÃO ASSIM PROFERIDA. Preliminar acolhida, declarada nula a decisão de primeiro grau. (DOU 11/10/01)” cf. Ac. n. 10320570, da 3ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 124874 Proc. nº 10820.000854/0004, Rel. Cons. Márcio Machado Caldeira, em sessão de 19/04/2001, em nome de COLOR VISÃO DO BRASIL INDÚSTRIA ACRÍLICA LTDA.) Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para, acolhendo a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão "a quo" e determinar a remessa dos autos à repartição para que nova decisão seja prolatada. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Ives Gandra da Silva Martins, inscrição OAB/SP nº 11.178. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 “PROCESSO ADMINISTRATIVO – NULIDADE – OMISSÃO DO JULGADOR NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Caracterizase cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora acerca de documentos e argumentações apresentadas na impugnação pelo sujeito passivo, implicando na declaração de nulidade da decisão, com fundamento no art. 59, II, do Decreto 70235/72. Declarada nula a decisão singular. “ (cf. Ac. nº 10805949, da 8ª Câm. do 1º CC, Rec. n. 120305, Proc. n. 13971.000266/9868, Rel. Cons. José Henrique Longo, em sessão de 08/12/1999) Decisão: Por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeiro grau. Finalmente, também já assentou a Jurisprudência Administrativa que, a nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, implica em retorno do processo administrativo para o órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância (cf. Ac. n. 20309919, da 3ª Câm do 2º CC, Rec. n. 122925, Proc. nº 10830.005027/9776, Rel. Cons. César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUÍMICAS). Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para anular a r. decisão recorrida, a fim de que outra seja proferida com a análise pormenorizada da impugnação do sócio Recorrente, retomandose o devido processo legal. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 443DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726354/2011-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Numero da decisão: 1803-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 54 /2 01 1- 14 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica (fl. 25) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0639.991, de 27 de março de 2013 (fls. 45/49), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 54), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726354/201114 Acórdão n.º 1803001.845 S1TE03 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou as DCTFs antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009117/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO DE IPI. DEFICIENTE FÍSICO.
Nos termos do art. 1º, inc. IV, § 1º da Lei nº 8.989/95, é isenta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis de passageiros, a pessoa portadora de deficiência física consubstanciada em alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, que acarreta o comprometimento de sua função física.
Recurso Voluntário Provido
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3301-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausência momentânea da conselheira Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010 ISENÇÃO DE IPI. DEFICIENTE FÍSICO. Nos termos do art. 1º, inc. IV, § 1º da Lei nº 8.989/95, é isenta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis de passageiros, a pessoa portadora de deficiência física consubstanciada em alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, que acarreta o comprometimento de sua função física. Recurso Voluntário Provido Sem Crédito em Litígio
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DEFICIENTE FÍSICO. Nos termos do art. 1º, inc. IV, § 1º da Lei nº 8.989/95, é isenta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis de passageiros, a pessoa portadora de deficiência física consubstanciada em alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, que acarreta o comprometimento de sua função física. Recurso Voluntário Provido Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausência momentânea da conselheira Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 91 17 /2 01 0- 08 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.009117/201008 Acórdão n.º 3301001.992 S3C3T1 Fl. 92 2 Relatório A contribuinte requereu, fls. 1 e 2, em 15/10/2010, o reconhecimento para fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, e sobre Operações Relativas a Títulos e Valores Mobiliários – IOF, para aquisição de automóvel de passageiros por ser portadora de deficiência. A DRF/Brasília, por meio do Despacho Decisório de 08/4/2011, fls. 28/34, indeferiu o pleito do contribuinte. Em relação à isenção de IPI porque nos laudos apresentados não consta nenhuma das deficiências que estão contempladas no § 1º, inc. IV, da Lei 8.989/95. Em relação ao IOF, porque faltou o ateste do DetranDF explicitando o tipo de defeito físico e a total incapacidade da requerente para dirigir automóveis convencionais. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada pela DRJ/Juiz de ForaMG, fls. 51/55, a qual proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 01/01/2010 ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. ISENÇÃO.IOF.DEFICIENTE FÍSICO A exclusão do IOF para deficientes físicos darseá nos estritos termos do art.72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91, ou seja, deverá estar atestado no laudo emitido pelo Detran de residência permanente o tipo de defeito físico e a total incapacidade para a condução de automóveis convencionais, e ainda a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais. Presentes tais requisitos, é de se deferir o pleito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Por meio do citado acórdão, a DRJ manteve o indeferimento da isenção da IPI, porém reconheceu o direito à isenção do IOF. Não concordando com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 81, no qual relata o histórico de sua doença bem como as suas necessidades de aquisição de um veículo especial para a sua deficiência juntando novos laudos e atestados e reforça os argumentos do seu direito ao benefício. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.009117/201008 Acórdão n.º 3301001.992 S3C3T1 Fl. 93 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais, por isto dele tomo conhecimento. Como relatado, restou controvertido nos presentes autos somente o direito à aquisição de veículo automotor com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados. A isenção do IPI encontrase disciplinada em lei nos seguintes termos: Lei 8.989/95 Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Da leitura do dispositivo legal supra transcrito é possível inferir que o único requisito previsto na lei para a fruição do benefício da isenção é a aquisição de veículo por Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.009117/201008 Acórdão n.º 3301001.992 S3C3T1 Fl. 94 4 pessoa portadora de deficiência física, não havendo qualquer exigência adicional e nem mesmo remissão a posterior regulamentação pela administração tributária. A lista de deformidades constante do § 1º do art. 1º da Lei 8.989/95 é exemplificativa e não exaustiva, pois iniciase com a palavra “também” e ao citar “membros com deformidade congênita ou adquirida” abre também o leque para uma série de deformidades, sendo claro a não restrição do benefício a determinados CID – Código Internacional de Doenças. Nos termos do art. 3º supra, a Receita Federal deve reconhecer a isenção nas hipóteses em que o interessado preencha os requisitos previstos naquela mesma Lei, de forma que, atendidas as exigências determinadas, a isenção deve, obrigatoriamente, ser reconhecida pela Administração tributária federal. A DRJ/Juiz de ForaMG fundamenta o indeferimento da manifestação de inconformidade utilizando de uma interpretação integrativa entre a Lei nº 8.989/95, concessiva da isenção, com o Decreto 3.298/99 que regulamentou a Lei nº7.853/89, instituidora da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Esta decisão afirma que a lei (instituidora da isenção) teria deixado para as normas de regulamentação a busca de um dispositivo legal que determinasse com precisão e clareza o conceito de deficiente físico e, neste sentido, a IN SRF nº 988/2009, estipulou que tal conceito fosse buscado exatamente no Decreto nº 3.298/99. Com todo respeito à referida decisão, não consigo perceber esta necessidade de integração dos dispositivos legais. A Lei nº 8.989/95, ao conceder a isenção, o fez de forma direta e autônoma, sem estabelecer nem um vínculo com qualquer dispositivo regulador. Até mesmo, porque na época da edição da Lei isentiva, já existia a Lei nº 7.853/89, sendo que se o legislador quisesse, já poderia ter feito alguma referência de que o conceito de deficiente físico estaria vinculado à regulamentação daquela lei. No presente caso a recorrente apresentou o Laudo da Junta Médica Especial do DETRANDF, fl. 9, o qual conclui de forma bem objetiva que a recorrente, em função de deficiência funcional do joelho direito, necessita de utilização de veículo adaptado e especifica as adaptações necessárias: “direção hidráulica ou elétrica, inversão do pedal do acelerador para a esquerda (acelerando e freiando com o pé esquerdo), câmbio de marchas automático ou hidramático. Liberada credencial de estacionamento para condutor com deficiência física...” A DRF/Brasília, entendendo que este laudo não era suficiente, intimou a contribuinte a apresentar um novo laudo de avaliação no modelo do anexo IX da IN RFB nº 988/2009. Assim foi apresentado o laudo de fl. 20, o qual atesta deficiência física, com Código Internacional de Doenças M 17.9 (Gonartrose não especificada). No recurso voluntário, foi apresentado um relatório médico, fls. 82/83, no qual o médico confirma e relata todo o histórico da doença do joelho direito da recorrente e afirma que ela é portadora de osteoartrite. A recorrente apresenta também um outro laudo nos termos do anexo IX da IN RFB nº 988/2009, fl. 85, o qual atesta novamente a deficiência física com CID nº M 17.9 e Z966 e acrescenta “dor e limitação de movimento do joelho direito, artrose, submetida a artroplastia total do joelho. Todos os elementos probatórios apresentados no presente processo convergem no sentido que a recorrente tem, efetivamente, deficiência física em seu joelho Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.009117/201008 Acórdão n.º 3301001.992 S3C3T1 Fl. 95 5 direito. Tanto é assim que a DRJ/Juiz de Fora reconheceu a isenção do IOF, cujo normativo legal é mais restritivo, pois o art. 72, inc. IV da Lei nº 8.383/91, exige a comprovação de que o defeito físico incapacite totalmente a pessoa à condução de automóveis convencionais. Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: (...) IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; (...) Portanto, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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