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Numero do processo: 10640.004848/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificando-se
o acórdão prolatado por ocasião do julgamento.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2401-001.993
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão no 240101.631,
sem alteração do resultado do julgamento.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificandose o acórdão prolatado por ocasião do julgamento. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão no 240101.631, sem alteração do resultado do julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, fls. 288/289, apresentados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG), desafiando o Acórdão n.º 2401 01.631 de Lavra da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF. No decisum embargado, decidiuse: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em por I) rejeitar a preliminar de nulidade apontada; e II) no mérito, dar provimento parcial do recurso para que a penalidade seja fixada conforme os ditames do inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Ocorre que o órgão responsável por dar cumprimento ao acórdão, ao fazer o cálculo da penalidade pelo art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, verificou que a multa ali fixada seria mais gravosa que aquela originalmente calculada no AI. Nesse sentido, a embargante entendeu que o decisum do CARF seria contraditório. É o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade De fato, a decisão embargada não poderia resultar num agravamento da penalidade aplicada, assim, o resultado do julgamento mostrase contraditório, na medida em que o comando para recalculo da multa tinha por desiderato exatamente promover a imposição de penalidade mais benéfica. Esse fato levame a reconhecer que os embargos são cabíveis, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Também reconheço que a Delegacia da Receita Federal do Brasil possui legitimidade para apresentar o recurso, além de que o fez dentro do prazo regimental. Merecem conhecimento os embargos, dada a verificação de contradição no aresto. Mérito Fl. 293DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.004848/200891 Acórdão n.º 240101.993 S2C4T1 Fl. 293 3 Com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quando havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Na situação sob enfoque, atualmente se aplica o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, posto que a falha não deu ensejo a lançamento de contribuições. Todavia, para infrações punidas com base na legislação revogada, devese perquirir, com esteio no art. 106, 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 294DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 II, “c”, do CTN , qual penalidade beneficiaria o contribuinte, aquela vigente na data da ocorrência da infração ou a que atualmente encontrase em vigor. Verifico que a parte dispositiva do acórdão embargado determinou a aplicação da multa prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, a qual, na prática, mostrouse mais gravosa. Nesse, sentido o acórdão deve ser modificado, de forma que passe a assumir no voto e na parte dispositiva a seguinte redação: Quanto à aplicação dos dispositivos relativos à aplicação da multa trazidos ao ordenamento pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, fazse necessário que se investigue se a mesma é mais vantajosa ao sujeito passivo. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, verificando se o critério atual é mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, aplicar, se mais benéfica ao sujeito passivo, a penalidade com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, incluído pela Lei n.º 11.941/2008. Conclusão Diante de todo exposto, voto por reratificar o Acórdão n.º 240101.631, sem alteração do resultado do julgamento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 295DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903110/2009-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU
INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.02.2003 a 28.02.2003.
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.216
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.02.2003 a 28.02.2003. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.02.2003 a 28.02.2003. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator . Fl. 58DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário que visa modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS, relativo ao período de apuração de 01.02.2003 a 28.02.2003. O suposto crédito que se pretende ver compensado seria decorrente de procedimento fiscal que teria incluído à base de cálculo receitas distintas do faturamento, vez que, a empresa estaria submetida ao regime cumulativo, impondo recolhimento superior ao devido. Diz a recorrente que o seu direito ao crédito decorre da decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a norma do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei n° 9.718, de 28 de novembro de 1998, que alterou a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS. Encontram anexada aos autos cópia do Despacho Decisório que indeferiu o pleito e Declarações de compensações – DCOMP e Pedido de Ressarcimento e Compensação. O julgado de piso rechaçou o pleito sob os argumentos: que a decisão do STF em recurso extraordinário não possui efeito erga omnes; a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS a partir de fevereiro de 1999 é o somatório de todas as receitas auferidas pela empresa, permitida apenas as exclusões previstas em Lei; e, ausência de prova da existência do crédito. Na fase recursal a Interessada reprisa os argumentos tecidos em sua peça de Inconformidade, trazendo à colação os mesmos documentos juntados inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. A Recorrente visa compensar crédito com débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, aduzindo, para tanto, que está submetida à Fl. 59DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903110/200985 Acórdão n.º 340301.216 S3C4T3 Fl. 2 3 sistemática prevista pela Lei n° 9.718/96, regime cumulativo, cujo pagamento a maior decorreu da inclusão à base de cálculo de outras receitas distintas do faturamento pela fiscalização. Da simples leitura da peça recursal se tem a certeza que a controvérsia gira em torno da inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional a norma daquele parágrafo. No caso sub examine a matéria é de fato, precisase identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo da inclusão à base de cálculo de receita diferente do faturamento da empresa pó imposição de procedimento fiscal, isso encontra bem delineado. Precisase, ter certeza que esse fato ocorreu, para tanto, impõe não só a demonstração de que tenha ocorrido, mas se faça a comprovação por meio de documentos hábeis. Se decorre de procedimento fiscal, a prova pode ser inferida através da cópia do documento oriundo da fiscalização. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. Além do que, também, inexiste uma linha sequer mencionando o número do processo administrativo onde teria ocorrido à imposição fiscal, bem como, a prova de que o pagamento dessa exigência tivesse acontecido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende, impõe, no caso deste caderno, aquele que deseja ser restituído o ônus de provar. Portanto, assiste razão a Administração Fazendária, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a cópia do documento de onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Fl. 60DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 61DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11080.007357/2007-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO – FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS
SOLICITADOS.
DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. SEM
MODIFICAÇÃO DA VALOR DA MULTA. CRÉDITO COM
EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EX VI LEGE. O CONTRIBUINTE DEVE
PRODUZIR SUAS NO MOMENTO DA IMPUGNAÇÃO, SALVO
EXCEÇÕES LEGAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA E
CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL
ESTABELECIDO E CUMPRIDO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.125
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO – FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS SOLICITADOS. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. SEM MODIFICAÇÃO DA VALOR DA MULTA. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EX VI LEGE. O CONTRIBUINTE DEVE PRODUZIR SUAS NO MOMENTO DA IMPUGNAÇÃO, SALVO EXCEÇÕES LEGAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL ESTABELECIDO E CUMPRIDO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 70 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.074.0440, CFL.38, deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2º e 3º da referida lei, combinado com os artigo 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048, de 06.05.99, objetiva a aplicação de multa punitiva em razão do descumprimento do dever instrumental, referente ao período de apuração 04/1997 a 01/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 06. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, em 19/06/2007, conforme, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, de fls. 01. As faltas justificadoras da autuação estão descritas, no Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 14, as quais estão assim discriminadas, conforme abaixo transcrito. 1 Não apresentou: a) Livros Diário das competências janeiro/2001 a janeiro/2007. A empresa apresentou impugnação, em 19/07/2007, conforme espelho de protocolo do SIPPS, fls. 19, a impugnação foi acostada os autos, as fls. 20 a 25 tal impugnação não foi acompanhada de documentos. A impugnação fora considerada tempestiva, fls. 26; 27 e 35. Posteriormente, a impugnante apresentou a petição, de fls. 29, acompanhada dos documentos, de fls. 30 a 34. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 1014.805 7ª Turma DRJ/POA, em 28/12/2007, conforme fls. 37 a 39, no qual o lançamento foi considerado procedente. O sujeito passivo foi cientificado desta decisão, em 16/04/2009, AR, de fls. 48. O contribuinte interpôs recurso voluntário, petição de interposição recebida em 18/05/2009, fls. 50, com razões recursais, as fls. 51 a 58, desacompanhada de documentos. Posteriormente, a impugnante apresentou a petição, de fls. 62, acompanhada dos documentos, de fls. 63 a 64. As razões recursais em resumidíssima síntese são as seguintes. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 71 3 Preliminarmente. • Que a interposição da impugnação e do presente recurso suspendem a exigibilidade do crédito por força de lei, o que deve ser aplicado pela autoridade administrativa; Mérito. • Que a empresa foi multada por não te apresentado à fiscalização o Livro Diário e o Razão, sendo impugnado o auto, inclusive, com pedido de dilação de prazo para cumprimento da exigência, porém considerada improcedente; • Que a empresa pediu prazo para sanar a falta, uma vez que compreende 10 anos 1997 a 2007, mas que o julgador a quo não se manifestou, apenas disse que a falta deveria ter sido corrigida no prazo da impugnação; • Que a empresa não deixou de apresentar os livros, pois solicitou prazo justificandoo, mas que a fiscal de forma simples e arbitrária negou o pedido e lançou a multa; • Que tal atitude do fisco cerceou o direito da empresa, pois não teve prazo para apresentar os livros, o que contrária a posição do CC, transcreve decisões, sendo a falta de prazo evidente, devendo ser o acórdão reformado; • Que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material e que o § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72 faculta ao contribuinte a apresentação de documentos na fase instrutória, fazendo tal pedido ignorado pelo julgador de primeiro grau nos termos do artigo 291, §1º do RPS, o que causou prejuízo a recorrente, cita doutrina; • Que cabe a administração apurar e lançar com base na verdade material, sendo que fisco e contribuintes têm deveres próprios, tudo em busca da verdade, sem prejudicar o contraditório e ampla defesa, transcreve decisões administrativas; • Que o contraditório e ampla defesa estão garantidos pela CF, inclusive no processo administrativo, situação esta absoluta na seara tributária, pois nesta o fisco invade o direito patrimonial do contribuinte; • Requer ao final: a) reforma da decisão a quo; b) manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito até a decisão final. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 67. Os autos subiram ao CARF, fls. 68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 72 4 É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 73 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme consta, as fls. 67, e comprovam o, AR, de fls. 48, e a Petição Recursal, com carimbo de recepção do recurso, em 18/05/2009, fls. 50. A autoridade preparadora, também, reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 67. Presente o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. Preliminar. A suspensão da exigibilidade do crédito está definida no artigo 151, III da Lei 5.172/66 e sua ocorrência nos lançamentos fiscais em matéria previdenciária se dá pelo simples registro da apresentação da impugnação tempestiva e recurso tempestivo no Sistema SICOB, aliás, como consta nestes autos, as fls. 26, em relação a impugnação e, as fls. 67, em relação ao recurso. Não cabendo a este Colegiado se pronunciar sobre questão superada, bem como por faltar interesse de agir por parte do contribuinte. Em verdade o contribuinte foi autuado por não ter apresentado o Livro Diário, o agente fiscal autuante em seu REFISC, de fls. 14, não faz referência ao Livro Razão como justificativa da autuação. Não há dúvidas de que o contribuinte impugnou o auto, mas até o momento não resta demonstrada qualquer mácula na decisão a quo. A exigência fiscal ter compreendido o período de dez anos, 1997 a 2007, em nada socorre ou altera o fato da solicitação não ter sido atendida pelo contribuinte. Os livros fiscais devem ser formalizados e registrado anualmente para acompanhar o ano social ou fiscal, isto é, devem eles estarem prontos e acabados. Como a fiscalização iniciouse em 18/04/2007 todos os livros devidamente concluídos e registrados deveriam estar a disposição do fisco, salvo o de 2007 que bastaria estar apenas escriturados os lançamentos de janeiro, uma vez que este exercício estava em curso. A alegação da recorrente não é consentânea com os autos se o julgador de primeiro grau asseverou que a falta deveria ter sido corrigida até a apresentação da impugnação este não deixou de se pronunciar ao contrário foi expressa sua manifestação e não ficou silente como alega a empresa, o fato é que está manifestação não agradou o contribuinte. Pedir prazo e não apresentar os livros que o contribuinte tem a obrigação de apresentar não satisfaz a exigência fiscal e em verdade representa o não atendimento ao solicitado. No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, de fls. 07 e 08, a agente fiscal pediu de forma expressa o livro dando prazo até 23/04/2007, ou seja, o contribuinte fiscalizado teve cinco dias para reunir o livros e entregar, sendo está a primeira oportunidade. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, de fls.09 e 10, dá conta que a fiscalização só se encerrou em 18/06/2007, sendo que o auto, também, só foi emitido em 18/06/2007, ou seja, teve a recorrente todo este tempo para apresentar o livro, perdeu sua segunda oportunidade. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 74 6 O artigo 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, o que abaixo transcrevo. Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) Aliás, o artigo 16, parágrafo 4º do Decreto 70.235/72, diz o que segue. Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Teve o contribuinte mais está oportunidade, embora o livro não mais atendese a finalidade desejada, pois o procedimento fiscal já estava concluído. Verificase que teve o contribuinte três oportunidades e três meses e dois dias para apresentar o livro que deveria estar pronto e disponível à fiscalização, desde o início do procedimento fiscal, porém este pretendia mais tempo e nada apresentou. Não há que se falar em cerceamento de defesa ou de violação ao contraditório, pois a recorrente teve todas as oportunidades de agir não o fez, porque não quis. O agente fiscal agiu dentro do que determina a lei, uma vez constatada a infração à legislação cabe ao agente nos termos do artigo 37, caput da CRFB/88 c/c o artigo 142, parágrafo único da Lei 5.172/66 exercer seu dever. É certo que o artigo 291, caput do RPS e o parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72 permitem a apresentação de documentos na fase contenciosa do procedimento fiscal. Entretanto, apesar de ter sido intimado quatro vezes: uma quando do lançamento; outra vez quando da impugnação deficiente: uma terceira vez quando do recebimento do Acórdão de primeiro grau e finalmente a quarta vez quando da apresentação de recurso deficiente ele contribuinte nunca apresentou o livro e do início do procedimento fiscal, 18/04/2007, até a última intimação, fls. 61 e 62, recebida em 26/06/2009, a recorrente teve 02 anos 02 meses e 09 dias para apresentar o livro e intimada em quatro momentos distintos nada fez. O fisco fez exatamente aquilo que lhe determina a lei intimou o contribuinte a apresentar os documentos que este tem o dever de apresentar e sob o manto do artigo 37, caput da CRFB c/c o142 da Lei 5.172/66 lançou o crédito em razão do descumprimento da lei pelo contribuinte. Quem deixou de cumprir os seus deveres foi o contribuinte que faltou com o dever de colaboração ao não apresentar aquilo a que estava obrigado por lei. Não cabe ao fisco se substituir ao contribuinte para produzir prova que é obrigação deste produzir e apresentar. Como ficou consignado, acima, quando da impetração da impugnação o contribuinte não apresentou documento algum para acompanhar esta. Apresentado dias após, nova petição, as fls. 29, mas apenas para corrigir a representação processual, com a apresentação de Contrato Social, Procuração e nada mais. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 75 7 Quando da apresentação do presente recurso o mesmo se deu, ou seja, nada apresentou na interposição e dias após atravessou nova petição, fls. 62, onde apenas traz o documento de identificação do procurador e novo mandato procuratório e mais nada. O contribuinte teve no mínimo quatro oportunidades e 04 anos 03 meses e 09 dias até a distribuição deste, para juntar suas provas e nada fez, isso é suficiente para demonstrar o caráter procrastinatório, e evasivo do pedido, que busca apenas retardar o feito, pois não há documentos juntos a estes autos que prove a correção da falta. O agente lançador deixou claro no Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 14, que as infrações ocorram, uma vez que a recorrente não apresentou os livros solicitados e a recorrente não nega o fato apenas diz que pediu prazo. Na realidade quem não fez provas de sua verdade material foi a empresa e o fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do fisco, compete ao contribuinte provar nos termos do artigo 333, II da Lei 5.869/73. A decadência, embora, leve a julgamento de mérito deve ser apreciada antes das demais matérias por ser antecedente lógico, pois caso reconhecida de maneira parcial ou total pode inviabilizar o conhecimento das questões suscitadas, também, de forma parcial ou total. A alegação de decadência encontra eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a quo o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplicase o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 76 8 a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso a meu ver a regra a ser aplicada é a do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, pois estamos no campo do auto de infração por descumprimento de dever instrumental e neste caso não há antecipação de pagamento, pois se tivesse havido pagamento o crédito estaria extinto e não haveria o presente julgamento. No presente caso aplicouse o Precedente da Primeira Seção do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC RESP 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009), nos termos do artigo 62A da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. No entanto, é necessário compatibilizar este norma com o período de fiscalização possível de ser autorizado pelo MPF, de fls. 06, tendo sido tal autorização entregue ao contribuinte em 18/04/2007 a autorização de fiscalização só vai até 19/04/2002, ou seja, desta data para traz não há autorização para a realização do procedimento fiscalizatório e se não foi fiscalizado, não pode haver configuração de infração. Desta forma, segundo explicitado pela agente fiscal autuante, no REFISC, de fls. 14, conforme supramencionado, as faltas justificadoras da infração que estão neste consignadas, referem se ao período de janeiro/2001 a janeiro/2007. Contandose a decadência pela regra do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido lançado e compatibilizando esta com o prazo retroativo de cinco anos do MPF, que foi recebido, em 18/04/2007, para o período que foi fiscalizado, terseia como marco inicial da decadência como sendo 19/04/2002, assim, as faltas ocorridas entre 01/2001 a 03/2002, inclusive, estão decadentes e não justificam a infração, embora não haja repercussão monetária nestes autos, pois o valor da multa é fixo e basta subsistir uma falta para permanecer a multa. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGAR PROVIMENTO, embora reconheça de ofício a decadência em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 03/2002, inclusive, apesar deste reconhecimento não afetar o valor do presente auto. Não acatando todas as teses da recorrente, bem como Não Conhecendo do pedido de suspensão da exigibilidade, como exposto. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.007357/200777 Acórdão n.º 2803001.125 S2TE03 Fl. 77 9 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10166.008748/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS DE CSLL, PIS E COFINS, RETIDOS INDEVIDAMENTE E OS DÉBITOS DESSAS MESMAS CONTRIBUIÇÕES RETIDOS E CONFESSADOS ESPONTANEAMENTE: A Associação é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos a ela, pois além dela não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide as contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos as referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas e passíveis de restituição. A Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96.
DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS. Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada.
Numero da decisão: 1102-000.580
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negavam provimento.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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A Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS. Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada. 1 Processo n° 10166.008748/2005-34 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negavam provimento. JOA iT AVIO OPPERMANN TH É — Presidente em Exercício JOÃO CARLOS I E LIMA IOR — Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, João Carlos de Lima Júnior, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Eduardo Martins Neiva Monteiro (Substituto convocado). Relatório Em 24/08/2005 a Recorrente protocolou pedido de homologação de declaração de compensação de créditos retidos na fonte a titulo de CSLL, PIS e COFINS sofridas em julho de 2005 no valor total de R$ 44.919,39 com débitos de retenção na fonte dessas mesmas contribuições feitas pela Recorrente na segunda quinzena de agosto de 2005, no código da receita 5952 no montante total de R$ 44.919,39. Todavia, o referido pedido de homologação de compensação de créditos de PIS, COFINS e CSLL com débitos da mesma espécie foi julgado como NÃO HOMOLOGADO pela DIORT/DRF/DF, uma vez que em relação ao PIS e a COFINS a Recorrente não observou o disposto no caput no parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008, já que de acordo com este dispositivo s6 é possível a compensação do crédito da retenção na fonte quando ocorrer a impossibilidade da dedução da retenção. Assim, tomando- se a DCTF apresentada pela Recorrente no referido período, constam débitos de PIS e COFINS referente ao mesmo período de apuração do crédito indicado de retenção na fonte dessas contribuições, constata-se que a Recorrente pagou PIS e COFINS, mediante DARF. Ou seja, como houve necessidade de pagamento dessas contribuições, conclui-se que não foi atendido o disposto no artigo 5, caput e parágrafo primeiro da MP 413/2008. Já no que tange a CSLL, caso as retenções sejam em valor superior ao devido, o contribuinte pode optar por apresentar a declaração de isenta do IRPJ e preencher no programa gerador da declaração o campo que indica que ele é contribuinte da CSLL, informando as retenções sofridas de CSLL a cada mês ou trimestralmente, conforme sua forma de apuração para que estas possam ser somadas e gerar um saldo negativo ao final do período, 2 Processo n° 10166.008748/2005-34 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 3 que dai sim poderá ser utilizada na compensação com outros tributos e contribuições. Em suma o motivo da não homologação foi de que é incabível a compensação diretamente da CSLL retida na fonte com o valor a recolher de retenções de CSLL, PIS e COFINS feitas sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos. A legislação permite deduzir da base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS os valores retidos, sendo esta dedução feita diretamente na escrituração contábil da pessoa jurídica ou mediante a entrega da Declaração de Isenta ou DACON. Em 21/02/2008 a Recorrente foi intimada sobre a decisão de não homologação. Em 20/03/2008 a Recorrente protocolou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese que: Embora a Recorrida tenha reconhecido expressamente o direito da Recorrente à compensação de valores retidos indevidamente a titulo de CSLL, PIS e COFINS, houve por bem não homologar a compensação, fundamentando sua decisão no fato de que a Recorrente ao efetuar a compensação não observou os preceitos normativos contidos no parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008 e o artigo 5 da Instrução Normativa 600/2005. Os dispositivos normativos invocados não eram aplicáveis A. compensação em tela, seja pelo fato de simplesmente não estarem em vigor no instante em que se deu a operação (caso da MP 413/2008), seja pelo fato de desconsiderarem especificidades fundamentais da situação tratada, seja, ainda, pelo fato de somente poderem ser cumpridos mediante a apresentação de declaração inexata da Recorrente ao Fisco (caso da IN 600/2005, se interpretada de acordo com a sugestão constante do parágrafo 13 do Despacho Decisório). 0 direito subjetivo A compensação tributária é assegurado pelo artigo 74 da Lei 9.430/1996, como reconhecido no próprio despacho decisório ora atacado, que entendeu pela não homologação. Ao assim proceder, o Fisco deixou de lado o principal aspecto da controvérsia, a saber, a existência de um direito legalmente assegurado, qual seja a compensação que enquanto direito subjetivo integra o patrimônio da Recorrente e que deve ser viabilizado e não obstado pelas autoridades públicas. A Recorrente é Associação que congrega os médicos que exercem sua profissão no Distrito Federal , colocando diversas facilidades A disposição de seus associados, dentre os quais destaca-se a intermediação de contratos de prestação de serviços médicos celebrados entre os seus associados médicos e os planos de saúde na condição de tomadores, inclusive no que tange ao recebimento dos honorários devidos e do seu repasse aos seus associados figurando como mera intermediária. Nessa operação os planos de saúde fazem o depósito da remuneração devida aos médicos associados diretamente à Recorrente, registrando a retenção de tributos como se fora pagamento para a Associação, o que tornava confusa a relação com os planos de saúde. Dessa maneira, em relação A CSLL, ao PIS e a COFINS a Recorrente sofre nos pagamentos que recebe como mera intermediária de seus associados, retenções conjugadas dessas contribuições, pelo código 5992, no percentual de 4,65% nos termos do artigo 30 da Lei 10.833/2003. 3 Processo n° 10166.008748/2005-34 5 1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 4 Diante dessa confusão o Superior Tribunal de Justiça- um dos tomadores dos serviços médicos prestados pelos associados da Recorrente, por seu intermédio, formulou consulta à SRF, solicitando manifestação sobre a forma pela qual deveriam ser realizadas as retenções. Em reposta A. referida consulta foi proferida a So lução de Consulta COSIT número 5, de 30 de março de 2004 que esclareceu que as retenções de CSLL, PIS e COFINS só eram cabíveis se os serviços médicos fossem prestados por pessoa jurídica, o que não é o caso, uma vez que os serviços médicos são prestados pelos médicos associados e não pela Recorrente, conforme a seguir transcrita: "Analisando-se o documento de fls. 30 dos autos (Estatuto da Associação Médica de Hospitais Privados do Distrito Federal), verifica-se que os serviços são prestados direta e unicamente pelos associados, por conta e risco próprios, corno pessoas fisicas e jurídicas, evidenciando a condição de mera intermediária da Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal (AMHPDF) na prestação de serviços. 1 1 . Estabelece a Cláusula Nona que os valores devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas corn discriminação dos serviços prestados para cada beneficiário no prazo de 30 (trinta) dias, e o 5S' 3 prevê que os pagamentos serão recebidos pela Credenciada na qualidade de representante de seus associados, que poderá em nome destes envidar todos os esforços para a sua cobrança. 12.. Encontram-se ainda acostados aos autos: cópia de Declaração de Isenção, a que se refere o inciso IV art. 26 da IN SRF n2 306, de 2003, firmada pelo Diretor Presidente da AMIIPDF, datada de 25 de março de 2003; cópias de Ternos de Filiação e Compromisso, a associação, de pessoas fisicas e de unia pessoa jfiridica; e do Estatuto da Associação. 13. A IN SRF 112 306, de 2003, tem seu fundamento legal no art. 64 da Lei n 9.430, de 1996, estabelecendo o art. 1 2 da mencionada Instrução Normativa: "Art. 1 2 Os órgãos da administração federal direta; as autarquias e as fundações federais reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (JRPJ), bem assim a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para ,o PIS/Pasep sobre OS pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa." 14. Dentre as hipóteses em que não haverá retenção, o art. 25, inciso IV, da referida Instrução Normativa arrola as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações civis, a que se refere o art. 15 da Lei IV 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Estabelece o art 26 a obrigatoriedade de 4 Processo n° 10166.008748/2005-34 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 5 as entidades que se 'enquadrem no inciso IV do art 25 apresentarem declaração, informando que preenchem os requisitos ali exigidos... 15. De sua vez estabelece o art. 15 da Lei n2 9.532, de 1997, o seguinte: "Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis que prestem; os serviços para os quais houverem sido instituidas e os coloquem a disposição do grupo de pessoas a que se -destinam, sem fins lucrativos. 6S. 1 A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro liquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 22 Não esteio abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável; sç 32 as instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, 6Ss 2 2, alíneas "a" a "e" e sç 32 e (o)s arts. 13 e 14." 16. Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n 306, de 2003, a questão a ser solucionada cinge-se ao 'correto enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a cons ulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação corno mera intermediária. 17. 0 art. 20, da IN SRF 306, de 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos as associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções prevista no art. 22, quais sejam: a) imposto de renda na fonte a aliauota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizando-se do código de arrecadação 3280; b) CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, as aliquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o valor total das notas fiscais ou faturas, utilizando-se o código 8863. 18. Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado it AMHPDF, eis que os pagamentos efetuados pelo ST.! tem 5 Processo n° 10166.008748/2005-34 5 1-C1T2 Adorn° n.° 1102-00580 Fl. 6 natureza distinta dos pagamentos realizados a Outras associações que prestem serviço em nome próprio. 19.A AMHPDF atua Como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto "a intermediação permanente de serviços médicos e paramédicos", e a sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. 20.. Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapêuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas fisicas ou jurídicas associados da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMLIPDF. Os pagamentos são efetuados a Associação, como intermediária, mas referem-se a pagamentos efetuados à conta de serviços prestado. diretamente por pessoas fisicas ou jurídicas, mediante a identificação do beneficiário do serviço '(servidor do STJ). 21. Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados às pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado, diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. 22. Esclareça-se que a incidência prevista no art. 652 do RIR, de 1999 alcança apenas associações de profissionais, ou seja, aquelas que possuem unicamente associados pessoas físicas. Assim, como a AMHPDF é uma associação que congrega tanto associados pessoa fisica como pessoa jurídica, os pagamentos efetuados por órgãos públicos aos seus associados estão sujeitos às retenções do art. 628 do RIR de 1999, no caso de profissional pessoa física; e as retenções de que trata a IN SRF 306 de 2006, no caso de pagamentos efetuados às pessoa jurídicas. Nessas hipóteses, a obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento por força do disposto no art. 64, § 1 , da Lei 9.430, de 1996. Em que pese a existência da solução de consulta os planos de saúde continuaram realizando as retenções como se a Recorrente fosse a própria prestadora de serviços médicos, alegando dificuldades operacionais em implementar a referida solução. Diante dessa situação e das retenções indevidas que a Recorrente vinha sofrendo, uma vez que boa parte dos serviços que intermedeia são prestados por médicos pessoas físicas e, na condição de associação sem fins lucrativos é isenta da incidência do PIS, da COFINS e da CSLL sobre suas próprias atividades, nos termos do que dispõem o artigo 13, IV e do artigo 14 ambos da MP 2.158-34/2001 e do artigo 15, parágrafo primeiro da Lei 9.532/1997, passou a apurar créditos tributários e compensá-los com tributos que deveria reter Processo n° 10166.008748/2005-34 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 7 na fonte, como o PIS a COFINS e a CSLL incidentes sobre os repasses de honorários pagos pelos planos de saúde As clinicas, na qualidade de pessoa jurídica, prestadoras de serviços médicos, visto que estas é que são os contribuintes que realizam o fato gerador que motiva as retenções. Ou seja, no presente caso a compensação pleiteada refere-se à retenções indevidas de PIS, COFINS e de CSLL sofridas pela Recorrente como se ela fosse pessoa jurídica prestadora de serviços médicos, quando na verdade é apenas intermediadora, e os valores que a Recorrente deveria reter dos seus associados estes sim na qualidade de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos, no momento em que repassa As clinicas os honorários recebidos por ela na condição de intermediadora, sem qualquer redução nos valores das contribuições incidentes sobre a operação. Fato que em nenhum momento foi observado pela autoridade julgadora. A Recorrente ao proceder a compensação entre os créditos oriundos de retenção indevida e débitos relativos a retenções a serem realizadas nada mais fez do que seguir os dispositivos normativos que tratam da matéria, inclusive o artigo 7 da IN da SRF 480/2004 e o artigo 5 da IN 600/2005, ou seja, realizou os abatimentos devidos de créditos apurados em um período mensal, já que a retenção é feita mês a mês com os débitos correspondentes ao período seguinte também mensal, relativo a retenções mensalmente exigidas. Ao assim proceder a Recorrente possibilitou ao Fisco a solução que melhor permite o monitoramento dos tributos incidentes e dos valores efetivamente recolhidos, isso porque todas as etapas do procedimento foram formalizados, inclusive por meio de Declarações de Compensação (DCOMP's) e registros específicos na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). A forma de proceder da Recorrente não causou qualquer lesão ao Fisco, mas ao contrário, permitiu um controle e acompanhamento pelo Fisco muito maior do que se a Recorrente tivesse procedido As deduções apenas em sua contabilidade como deu a entender o Despacho Decisório ora combatido. Tanto a compensação quanto a dedução efetuada diretamente na escrituração fiscal do contribuinte são formas de extinção de obrigações tributárias a partir da contraposição de créditos que o sujeito passivo tenha em face do Fisco, sendo a compensação gênero, uma vez que contempla qualquer débito e crédito administrado pela SRF, nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/1996, enquanto a dedução é uma espécie, visto que envolve apenas alguns tributos e em determinadas condições. Em relação As compensações de PIS e da COFINS não merece qualquer reprimenda o procedimento adotado pela Recorrente, pois a desqualificação da compensação promovida pelo Despacho Decisório DRF/BSA/DIORT, fundamentou-se em ilegal aplicação retroativa da MP 413/2008, procedimento de todo inviável em face dos artigos 105 e 106 do CTN e do artigo 150, inciso III, "a" da CF/88, visto que como ressaltado na própria decisão guerreada, a compensação em tela foi realizada em agosto de 2005, ou seja, muito antes do dia 03 janeiro de 2008, data em que foi publicada a MP 413/2008, não podendo, portanto, esse dispositivo legal ser invocado pelo Fisco para não homologar a compensação. 7 Processo no 10166.008748/2005-34 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 8 Se não bastasse isso, ainda em relação a não homologação das compensações de PIS e de COFINS não poderia ser aplicado o artigo 5 da MP 413/2008, uma vez que esse dispositivo regulamenta a incidência das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, enquanto que no presente caso os créditos de PIS e da COFINS apurados pela Recorrente não decorrem do seu faturamento, mas dos rendimentos auferidos sobre as suas aplicações financeiras, que no caso das entidades sem fins lucrativos não se configuram como espécie do gênero faturamento. Esses tributos, muito embora tenham o mesmo "nomem juris" não são os mesmos juridicamente, pois de acordo com o previsto no artigo 4 do CTN o que define a natureza do tributo não é a sua denominação, mas o seu fato gerador. Nem mesmo a primeira parte do "caput" do artigo 5 da MP 413/2008 se aplica ao caso em tela. Isso porque a norma que trata das retenções de PIS e de COFINS a serem deduzidas dos valores apurados das contribuições a pagar no período, sendo claro que esse procedimento diz respeito as retenções devidas, que, naturalmente, são consideradas antecipações do pagamento devido ao final do período. Todavia, no caso em debate a Recorrente sofreu retenções indevidas que, portanto, não são antecipações do que é devido ao final do período, mas crédito tributário em sentido próprio, uma vez que ao final de cada período não possui valores de PIS nem de COFINS a pagar, não sendo necessário que se faça a dedução antes de proceder a compensação. Por fim, em relação ao PIS e a COFINS, ainda que se admita a aplicação da MP 413/2008 ao caso dos autos o comando normativo que deveria ser observado pelo Fisco é o contido no parágrafo primeiro do artigo 5 da referida MP e não a regra geral contida no "caput", pois os valores registrados pela autoridade fiscal como recolhidos no mesmo período em que foi apurado o crédito objeto da compensação são claramente inferiores aos montantes dos créditos. Assim, interpretando-se o parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008 em conjunto com o parágrafo segundo do mesmo artigo, tem-se que, havendo excesso na comparação entre o montante retido e a contribuição a pagar no mês em que houve as retenções na fonte, configura-se a "impossibilidade de dedução de que trata o "caput". Essa situação por sua vez, faz com que seja possível nos termos do referido "caput" a compensação tributária efetuada. Quanto as razões que fundamentaram a não homologação da compensação em relação à CSLL, consubstanciada na alegação de que a Recorrente deveria ter apurado primeiramente o saldo negativo da CSLL é inaplicável ao caso em tela, pelo simples fato de que a Recorrente, na qualidade de Associação Civil sem fins lucrativos, é entidade isenta do IRPJ e da CSLL, não podendo apurar saldo negativo de CSLL nem proceder a declaração, como sugerida no despacho decisório, de que seria contribuinte da CSLL, devendo ser ressaltado mais uma vez que as retenções sofridas pela Recorrente são indevidas, sendo claramente descabido exigir que ela, não sendo contribuinte da CSLL em sua forma ordinária, apure os tributos incidentes no mês para que chegue à conclusão de que haveria saldo negativo. Não há saldo negativo de CSLL, mas crédito desse tributo oriundo de retenção indevida. Assim, é correto dizer que a disposição do artigo 5 da IN 600/2005, invocada na decisão para fundamentar a não homologação das compensações não é aplicável ao caso em tela, nem exclui a regularidade do procedimento adotado pela Recorrente, uma vez,que se 8 Processo IV 10166.008748/2005-34 S1 -C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 9 refere a obrigação do contribuinte da CSLL de apurar o valor do saldo negativo de CSLL antes de requerer a sua restituição. Ao fim explica que possui outros processos administrativos que tratam da mesma matéria, qual seja, de compensação não homologada referente ao PIS, a COFINS e a CSLL relativos a períodos diversos e pede que o presente processo administrativo seja julgado em conjunto com os seguintes: 10166.008138/2005-31 10166.010080/2005-95 10166.008748/2005-34 10166.010081/2005-30 10166.011080/2005-11 10166.013142/2005-11 10166.001565/2006-79 10166.002417/2006-71 10166.004116/2006-82 10166.005076/2006-96 10166.006081/2006-16 10166.012290/2006-07 10166.001364/2007-52 10166.002384/2007-41 10166.002385/2007-95 10166.002566/2007-11 10166.012231/2005-40 10166.013141/2005-76 10166.003398/2006-09 10166.006925/2006-29 10166.008182/2006-21 10166.009380/2006-11 9 Processo n° 10166.008748/2005-34 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 10 10166.010220/2006-14 10166.011326/2006-27 10166.003302/2007-85 10166.004219/2007-23 10166.005505/2007-14 10166.006615/2007-95 Em 22/12/2008 a Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ que, por unanimidade de votos indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente deduzindo em síntese que: Dentre os dispositivos legais que regem a matéria não existe previsão legal que permita a pessoa jurídica compensar diretamente valores de tributos ou contribuições sociais retidos na fonte com débitos dessas contribuições, como pretende a Recorrente. Para deduzir ou compensar os valores das contribuições retidas, a Recorrente primeiramente deveria ter registrado na sua escrituração contábil ou informado na declaração de isenta ou DACON. A declaração de compensação não é instrumento hábil para deduzir valores de contribuições retidos na fonte. Ademais, a Recorrente não é a real contribuinte dos valores retidos na fonte, razão pela qual indeferiu a manifestação de inconformidade. Ao interpretar a Solução de Consulta COSIT concluiu que no caso concreto a Recorrente na condição de intermediária não é contribuinte dos valores retidos na fonte, pois a retenção deveria ocorrer sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado diretamente com os profissionais pessoas fisicas ou jurídicas. Nos termos do artigo 7 da IN SRF 600/2005, a restituição de quantia recolhida a titulo de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo ou no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. De outro lado, consoante o artigo 8 da citada IN somente a pessoa jurídica que promoveu retenção indevida do tributo ou contribuição no pagamento ou crédito a pessoa física poderá efetuar a compensação desse valor, com o mesmo tributo ou contribuição devidos pela pessoa física, a titulo de retenção, em período subseqüente de apuração, desde que a quantia retida indevidamente tenha sido recolhida. 0 fato de as fontes pagadoras terem retido na fonte valores de contribuições em nome da Recorrente quando o correto seria em nome dos reais prestadores de serviços, não autoriza A. compensação realizada na declaração de compensação, pois, um erro não pode servir de justificativa para se cometer outro. Ademais as controvérsias existentes entre a Recorrente e os planos de saúde tomadores dos serviços dos médicos A. ela associados não podem ser solucionados pelo Fisco, devendo a solução ser obtida na seara privada. Vi--/ 10 Processo n° 10166.008748/2005-34 5 1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 11 Na solução de consulta a Recorrente, na condição de intermediária, foi orientada a emitir notas fiscais em nome dos associados reais prestadores de serviços médicos e apresentar as fontes pagadoras informando o CNPJ (pessoa jurídica), o CPF (pessoa fisica) e os valores a serem pagos, facultando as pessoas prestadoras dos serviços compensarem os valores dos tributos e contribuições retidos comprovados mediante comprovante anual de retenção fornecido pelas fontes pagadoras (Lei 7.450/85, art. 55, matriz legal do artigo 943 do RIR/1999 e IN SRF 306 de 2003, art. 28). Para provar o crédito compensado, a Recorrente junta apenas ao presente processo demonstrativos de contribuições retidas na fonte. Contudo esses documentos não servem de provas, pois o documento hábil para provar os valores retidos na fonte é o comprovante de rendimentos e de retenção fornecido pela fonte pagadora. A isenção alegada pela Recorrente não a desobriga a efetuar a escrituração fiscal e a apurar a base de cálculo da CSLL e as demais contribuições. Com relação a MP 413/2008 não houve qualquer prejuízo a manifestante, uma vez que a autoridade fiscal apenas informou que a partir da entrada em vigor da referida MP poderia ser compensado o saldo dos valores retidos na fonte a titulo das contribuições para o PIS e da COFINS apurados em períodos anteriores ou ser também restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela SRF. Deixou de analisar os demais argumentos deduzidos pela Recorrente por considerá-los inapropriados para o deslinde da questão. Em 20/01/2009 a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. o Relatório. Voto Versam os presentes autos sobre retenções indevidas sofridas pela Recorrente, na condição de associação civil sem fins lucrativos que apenas intermedeia os contratos e os pagamentos efetuados por tomadores de serviços aos médicos e as clinicas reais prestadoras dos serviços médicos, ou seja, erro quanto a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, bem como, sobre a possibilidade de a Recorrente pleitear a compensação desses valores retidos indevidamente com os valores que ela reteve dos seus associados a titulo de pagamento de honorários médicos. Ao analisar a impugnação apresentada pela Recorrente a DRJ manteve a decisão que não homologou as compensações, fundamentando sua decisão no fato de que a Processo n° 10166.008748/2005-34 S 1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 12 Recorrente não é o sujeito passivo da obrigação tributária e, portanto, não pode pleitear a compensação, bem como, no fato de inexistir norma administrativa que regulamente a compensação pleiteada pela Recorrente, qual seja, entre os valores que lhe foram retidos indevidamente pelos tomadores de serviços médicos, com os valores que ela reteve ao repassar os pagamentos aos seus associados, reais prestadores de serviços médicos. 0 primeiro ponto que deve ser ressaltado é que a responsabilidade pela retenção do recolhimento das contribuições ao PIS à COFINS e a CSLL é atribuida por lei aos tomadores de serviços para antecipar os referidos tributos, bem como, para facilitar a sua fiscalização. Ocorre que no caso em tela entre a tomadora dos serviços médicos e os reais prestadores de serviços existe a Recorrente que atua como intermediadora tanto dos contratos firmados, quanto dos honorários a serem recebidos pelos seus associados. Nesta condição o cerne da questão está em saber quem é que deve reter e recolher as contribuições sociais ao PIS, COFINS e 6. CSLL incidentes sobre a prestação de serviços médicos, e em nome de quem devem ser feitos esses descontos. A fim de melhor elucidar a questão imperioso se faz transcrever parte do Parecer COSIT número 5 na solução de consulta suscita pelo STJ à SRF, conforme a seguir transcrito: 16. Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n 306, de 2003, a questão a ser solucionada cinge-se ao 'correto enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a consulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação corno mera intermediária. 17. 0 art. 20, da IN SRF 306, de 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos as associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções prevista no art. 22, quais sejam: a) imposto de renda na fonte a aliquota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizando-se do código de arrecadação 3280; b) CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, as aliquotas de I% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o valor total das notas fiscais 014 faturas, utilizando-se o código 8863. 12 Processo n° 10166.008748/2005-34 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 13 18. Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado AMHPDF, eis que os pagamentos efetuados pelo STJ tem natureza distinta dos pagamentos realizados a Outras associações que prestem serviço em nome próprio. I9.A AMHPDF atua Como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto "a intermediação permanente de serviços médicos e paramédicos", e a sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. 20.. Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapêuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas fisicas ou jurídicas associados da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMIIPDF. Os pagamentos são efetuados Associação, como intermediária, mas referem-se a pagamentos efetuados a conta de serviços prestado diretamente por pessoas físicas ou jurídicas, mediante a identificação do beneficiário do serviço '(servidor do STJ). 21. Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados as pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado, diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. 22. Esclareça-se que a incidência prevista no art. 652 do RIR, de 1999 alcança apenas associações de profissionais, ou seja, aquelas que possuem unicamente associados pessoas físicas. Assim, como a AMHPDF é uma associação que congrega tanto associados pessoa física como pessoa jurídica, os pagamentos efetuados por órgãos públicos aos seus associados estão sujeitos eis retenções do art. 628 do RIR de 1999, no caso de profissional pessoa física; e as retenções de que trata a IN SRF 306 de 2006, no caso de pagamentos efetuados as pessoa jurídicas. Nessas hipóteses, a obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento por força do disposto no art. 64, § 1, da Lei 9.430, de 1996. Ora pelo que se depreende do acima transcrito apesar da Recorrente agir como intermediadora dos contratos firmados entre os seus associados e os tomadores de serviços, bem como, intermediar o repasse dos honorários pagos por esses aos seus associados, a própria SRF considerou que a única relação jurídica a ser tributada, é a efetiva prestação de serviços médicos que ocorre entre os médicos associados e os tomadores de serviços. Nesse passo, o referido parecer ainda deixa claro que quem deve efetuar a retenção e o recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a efetiva prestação de serviços médicos são os tomadores de serviços e, essa retenção deve ser feita em / nome do 13 (1.-Á Processo n° 10166.008748/2005-34 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 14 médico pessoa física e ou da clinica pessoa jurídica que efetivamente prestou o serviço, sem mencionar a Recorrente. Ocorre que no caso em tela não é isso que as tomadoras de serviços estão fazendo, pois estas estão procedendo a retenção e ao recolhimento das contribuições incidentes sobre a efetiva prestação de serviços em nome da Recorrente, como se ela fosse o contribuinte, quando na verdade os contribuintes são os médicos associados da Recorrente que efetivamente prestaram serviços as tomadoras. Entretanto, as tomadoras de serviços ao identificarem a Recorrente, associação, como se fosse o contribuinte das contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL incidentes sobre a prestação de serviços médicos, além de procederem indevidamente ao desconto desses valores do pagamento efetuado à Recorrente, ainda informam ao Fisco que o contribuinte desta retenção é a Recorrente, quando na verdade os contribuintes são os médicos associados da Recorrente que efetivamente lhe prestou os serviços médicos. Dessa prática advém duas consequências, primeiro a retenção errada por parte das tomadoras de serviços sobre os valores pagos à Recorrente. como se esta fosse contribuinte o que da causa ao indébito e, portanto, a Recorrente se torna credora do Fisco, uma vez que o serviço que ela presta não es -LI sujeito a retenção na fonte, a segunda consequência é que deixa de informar a ocorrência dos reais fatos geradores das contribuições sociais retidas, ou seja, simplesmente não constitui o crédito tributário incidente sobre os serviços médicos efetivamente prestados pelos associados. Passemos a análise da primeira consequência decorrente do erro das tomadoras de serviços em identificar a Recorrente como sendo a beneficiária das contribuições retidas e recolhidas sobre os serviços prestados pela Recorrente, os quais consistem somente na intermediação de contratos de prestação de serviços médicos e no repasse de valores recebidos a este titulo, que não se confunde com o fato gerador das referidas contribuições, qual seja, a efetiva prestação de serviços médicos pelos médicos associados. 0 erro das tomadoras de serviços em identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, como sendo a Recorrente, gera a distorção do fato jurídico tributário, pois a Recorrente é identificada como se fosse a real prestadora de serviços médicos, sobre os quais as tomadoras estão efetuando a retenção e o recolhimento indevido nos termos do inciso II do artigo 165 do CTN. Neste caso, é forçoso concluirmos que a Recorrente possui sim legitimidade para pleitear a devolução dos valores que lhe foram indevidamente retidos pelas tomadoras dos serviços, pois os serviços que a Recorrente presta consiste apenas na intermediação de contratos e valores firmados entre os tomadores de serviços e os seus médicos associados, os quais não estão sujeitos a essas retenções. Passemos agora a análise da segunda consequência que o erro das tomadoras de serviços acarreta, ao deixar de informar a ocorrência dos serviços efetivamente prestados e correlacionar com os reais prestadores, simplesmente não constitui o credito tributário incidente sobre os serviços medicos prestados pelos associados. 14 Processo n° 10166.008748/2005-34 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 15 Ou seja, assim que a Recorrente efetuar o repasse aos seus associados dos valores recebidos a titulo de honorários pelos serviços medicos efetivamente prestados. esses caso não tenham oferecido a totalidade dos rendimentos à tributação, ficam sujeitos à autuação do Fisco, uma vez que não houve a correta imputação pelas tomadoras de serviços das contribuições sociais incidentes sobre os serviços medicos prestados, nesse caso ainda haverá bitributação dos serviços médicos prestados. Assim, no caso em tela, corno as tomadoras não identi ficaram qual prestação de serviço sobre a qual estão procedendo a retenção e ao recolhimento das contribuições ao PIS. a COl'INS e a CSI,L, bem como. à qual prestação de serviço e z't qual sujeito passivo especifico aquele pagamento se refere, o Fisco não tern corno imputar corretamente aquele pagamento. A Recorrente ciente das consequências que o erro das tomadoras podem acarretar, apesar de ser mera intermediária dos contratos e dos valores recebidos em razão da prestação de serviços médicos prestados por seus associados as tomadoras, optou por cumprir ela a obrigação tributária imputada as tomadoras, qual seja, de reter e identificar com minúcias as contribuições sociais que estavam sendo retidas, em razão de qual prestação de serviço, identificando inclusive qual o associado que o havia prestado. Donde se constata que no caso em tela quem cumpriu a obrigação tributária imputada as tomadoras de serviços médicos foi a Recorrente e em razão dela ter assumido este ônus, tornou-se devedora do Fisco no valor das contribuições sociais informadas e retidas de seus associados. Deve ser ressaltado ainda que o ordenamento pátrio não veda a possibilidade de um terceiro interessado no cumprimento de uma obrigação em assumi-la para si, tal prática não é comum, mas não é vedado pela legislação. Ou seja, por todo o exposto até aqui podemos concluir que a Recorrente é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos a Recorrente, pois além da Recorrente não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide as contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos as referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas e passíveis de restituição. E apesar de não ser a Recorrente quem deve cumprir a obrigação legal de reter e de informar ao Fisco os valores das contribuições sociais devidas em razão de cada prestação de serviço médico, identificando as minúcias de cada operação, não se pode olvidar que no presente caso foi a Recorrente quem adimpliu a obrigação e, portanto, tornou-se devedora do Fisco em razão dos valores informados e retidos de seus associados. Donde se conclui que a Recorrente é credora e devedora do Fisco em relação ao mesmo valor do crédito tributário, razão pela qual ela pleiteou a sua compensação nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Todavia, o pedido de compensação foi indeferido pela autoridade administrativa sob o fundamento de que a Recorrente não seria contribuinte das contribuições 15 Processo n° 1 0 1 66.008748/2005 -3 4 81-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 16 ao PIS, a COFINS e a CSLL incidentes sobre os serviços médicos prestados pelos associados, bem como, pela inexistência de dispositivo legal que regulamente tal hipótese. 0 primeiro fundamento utilizado pela autoridade administrativa de que a Recorrente não seria o contribuinte das retenções e recolhimentos não merece prosperar, visto que como já salientamos foi a Recorrente quem cumpriu a obrigação tributária imputada aos tomadores de serviços médicos, ou seja, foi ela quem constitui o crédito tributário e se tornou devedora do Fisco em relação A. esses valores declarados e retidos. 0 segundo argumento utilizado pela autoridade administrativa de que inexiste norma legal que regulamente a compensação pleiteada também não merece prosperar, uma vez que tal possibilidade está expressamente prevista tanto no artigo 170 do Código Tributário Nacional quanto no artigo 74 da Lei federal n° 9.430/96. Ademais, a inexistência de norma secundária a regulamentar o procedimento de compensação expressamente previsto no CTN e no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 que regulamente tal procedimento não pode ser utilizado como fundamento pela autoridade administrativa para embasar o indeferimento da compensação, uma vez que se trata de direito subjetivo, previsto em normas primárias. Deve ser ressaltado por fim, que as normas secundarias existentes em nosso ordenamento jurídico que dispõe sobre determinado procedimento a ser observado pela autoridade administrativa vinculam apenas essas para que procedam dentro desses limites, não podendo a inexistência de norma que regulamente determinado procedimento ser alegada como razão de indeferir um direito subjetivo assegurado pelo contribuinte por normas primárias, quais sejam as leis complementares e ordinárias. Por fim, quanto a alegação de que a Recorrente não observou os preceitos normativos quanto a forma para proceder a compensação, forçosa é a conclusão de que a Recorrente agiu de boa-fé nos presentes autos, uma vez que o procedimento adotado por ela, possibilitou ao Fisco apurar a veracidade de todas as informações prestadas, tais como a origem do débito e a origem do crédito, o período do débito e do crédito, os valores do débito e do crédito, os juros, dentre outros, isso porque todas as etapas do procedimento foram formalizados, inclusive por meio de Declarações de Compensação (DCOMP's) e registros específicos na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), atingindo, assim, o fim para o qual foram criados, não podendo ser afastados apenas em razão do formalismo exarcebado. 16 Processo n° 10166.008748/2005-34 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00580 Fl. 17 Isso posto, e tendo em vista que a Recorrente é credora e devedora do Fisco no mesmo montante voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da Recorrente para homologar a compensação. como voto. João Carlos de Li Júnior 17
score : 1.0
Numero do processo: 10540.001428/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 2004
IRPF. RENDIMENTOS EM DIRF. NÃO COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO COM FONTE PAGADORA.
Notificação de lançamento baseada unicamente em DIRF, desprovida de
prova e sem vinculação com fonte pagadora, quando contestada a veracidade da fonte, não merece prosperar.
Numero da decisão: 2102-001.658
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
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RENDIMENTOS EM DIRF. NÃO COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO COM FONTE PAGADORA. Notificação de lançamento baseada unicamente em DIRF, desprovida de prova e sem vinculação com fonte pagadora, quando contestada a veracidade da fonte, não merece prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator. EDITADO EM: 26/12/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPO 2 Relatório Contra o contribuinte já qualificado nestes autos foi lavrado o imposto de renda pessoa física – suplementar, exercício 2004, no valor de R$ 2.621,81, conforme Notificação de Lançamento (fl. 3), por omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva no valor de R$ 28.724,11. Impugnado o lançamento do imposto de renda, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR considerou a impugnação improcedente, tendo em vista a vinculação do contribuinte com a fonte pagadora e a não apresentação de provas hábeis para desqualificar o lançamento. O contribuinte foi cientificado em 28 de abril de 2011 (fl. 25) e apresentou o recurso voluntário em 27 de maio de 2011, argumentando que não tem vínculo com a empresa EMC – Representações e Serviços Ltda. Anexa como prova a cópia da Certidão Simplificada da Junta Comercial do Estado da Bahia – (Juceb), da referida empresa, na qual constam como responsáveis os sócios Edvan Menezes da Cunha e Euclécio Alves Fernandes. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O Contribuinte interpôs recurso tempestivo para contestar o lançamento do IRPF exercício 2004, no que se refere à omissão dos rendimentos declarados na DIRF da empresa EMC – Representações e Serviços Ltda, CNPJ (MF) nº 04.993.289/000148. O requerente nega que tenha trabalhado, prestado serviço, ou qualquer participação na empresa EMC – Representações e Serviços Ltda. Para comprovar sua não vinculação, apresenta uma Certidão Simplificada da Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb). A certidão não comprova a não prestação de serviço, e sim que não há relação de sociedade com a empresa. Por outro lado, a notificação de lançamento baseouse unicamente em Dirf apresentada pela empresa declarante. Não há nos autos qualquer informação adicional que reforce o lançamento ou prove que, de fato, ocorreu a prestação do serviço. A DRJ Salvador informa em sua decisão que “O extrato de fl. 06 atesta que a EMC Representação e Serviços Ltda. tem como sócio responsável, desde 25/07/2002, a empresa Alcântara Fernandes Comércio e Serviços Ltda., de propriedade do autuado”. E acrescenta: “Presente o vínculo entre o contribuinte e a fonte pagadora, a informação, prestada por esta última, de que lhe pagara rendimentos tributáveis em 2003, não pode ser afastada sem que o impugnante apresente provas hábeis.” Entretanto, não se vê nos autos essa informação. Não foram juntados aos autos provas sobre a suposta vinculação da empresa EMC Representação e Serviços Ltda. com o recorrente. As pesquisas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, disponíveis no processo, registram apenas que o contribuinte é sócio da empresa Fl. 36DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPO Processo nº 10540.001428/200881 Acórdão n.º 210201.658 S2C1T2 Fl. 32 3 Alcântara Fernandes Comércio e Serviços Ltda. Portanto, apesar do registro na Dirf, não elementos suficientes para sustentar o lançamento. Diante do exposto, conheço o recurso e voto no sentido de darlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 37DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903115/2009-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU
INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.09.2001 a 30.09.2001.
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.219
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.09.2001 a 30.09.2001. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.09.2001 a 30.09.2001. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator . Fl. 58DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário que visa modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS, relativo ao período de apuração de 01.09.2001 a 30.09.2001. O suposto crédito que se pretende ver compensado seria decorrente de procedimento fiscal que teria incluído à base de cálculo receitas distintas do faturamento, vez que, a empresa estaria submetida ao regime cumulativo, impondo recolhimento superior ao devido. Diz a recorrente que o seu direito ao crédito decorre da decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a norma do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei n° 9.718, de 28 de novembro de 1998, que alterou a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS. Encontram anexada aos autos cópia do Despacho Decisório que indeferiu o pleito e Declarações de compensações – DCOMP e Pedido de Ressarcimento e Compensação. O julgado de piso rechaçou o pleito sob os argumentos: que a decisão do STF em recurso extraordinário não possui efeito erga omnes; a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS a partir de fevereiro de 1999 é o somatório de todas as receitas auferidas pela empresa, permitida apenas as exclusões previstas em Lei; e, ausência de prova da existência do crédito. Na fase recursal a Interessada reprisa os argumentos tecidos em sua peça de Inconformidade, trazendo à colação os mesmos documentos juntados inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903115/200916 Acórdão n.º 340301.219 S3C4T3 Fl. 2 3 A Recorrente visa compensar crédito com débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, aduzindo, para tanto, que está submetida à sistemática prevista pela Lei n° 9.718/96, regime cumulativo, cujo pagamento a maior decorreu da inclusão à base de cálculo de outras receitas distintas do faturamento pela fiscalização. Da simples leitura da peça recursal se tem a certeza que a controvérsia gira em torno da inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional a norma daquele parágrafo. No caso sub examine a matéria é de fato, precisase identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo da inclusão à base de cálculo de receita diferente do faturamento da empresa pó imposição de procedimento fiscal, isso encontra bem delineado. Precisase, ter certeza que esse fato ocorreu, para tanto, impõe não só a demonstração de que tenha ocorrido, mas se faça a comprovação por meio de documentos hábeis. Se decorre de procedimento fiscal, a prova pode ser inferida através da cópia do documento oriundo da fiscalização. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. Além do que, também, inexiste uma linha sequer mencionando o número do processo administrativo onde teria ocorrido à imposição fiscal, bem como, a prova de que o pagamento dessa exigência tivesse acontecido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende, impõe, no caso deste caderno, aquele que deseja ser restituído o ônus de provar. Portanto, assiste razão a Administração Fazendária, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a cópia do documento de onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 61DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002784/2004-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE.
O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada
à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade
estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal.
Numero da decisão: 9202-001.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Ronaldo Lima de Macedo, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da isenção tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Ronaldo Lima de Macedo, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Giovanni Christian Nunes Campos – Redator Designado EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório FAZENDA DA GLORIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 06/12/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda da Gloria Ltda.”, cadastrado na SRF sob o nº 25368141, localizado no município de Volta Grande/MG, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/06, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 16.906/2006, às fls. 75/82, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 20/05/2008, pelo voto de qualidade, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30239.483, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGA. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, as áreas de reserva legal precisam ser averbadas à margem da matrícula do imóvel. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 150/157, com arrimo no artigo 7°, inciso II, do então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº CSRF/0304.476, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada à divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, sobretudo quando lastreada em Laudo Técnico com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica ART, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, defendendo que as áreas de reserva legal, conquanto que devidamente comprovadas mediante Laudo Técnico, devem Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ser excluídas da base de cálculo do Imposto Territorial Rural, mormente quando o laudo em comento não foi objeto de contestação pela autoridade lançadora e/ou julgadora, conforme se extrai da jurisprudência administrativa transcrita em sua peça recursal. Infere que o contribuinte, em que pese ter declarado aludida área no Ato Declaratório Ambiental, não procedeu à averbação junto à matrícula do imóvel, tendo em vista não ter interesse de suprimir qualquer quantidade de floresta ou vegetação nativa de sua propriedade, o que torna desnecessária a providência em debate. Assevera que no lançamento o ônus da prova incumbe ao Fisco, o qual deverá comprovar que a área indicada como de reserva legal pela contribuinte, de fato, não se caracteriza como tal, especialmente quando a autuada corrobora sua argumentação com documentos hábeis e idôneos, quais sejam, laudos técnicos. Em defesa de sua pretensão transcreve doutrina e jurisprudência em sua peça recursal. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho nº 21000033/2010, às fls. 184. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 186/203, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº CSRF/0304.476, ora adotado como paradigma, determina que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, não depende de prévia averbação à margem da matrícula do imóvel, mormente quando lastreada em Laudo Técnico com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e, bem assim, Ato Declaratório Ambiental – ADA, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento constante do voto condutor do Acórdão atacado. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte e sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão recorrida e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 4 7 defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, incisos I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, com a devida vênia, não merece prosperar o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao compartilhar com o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal, como aqui se vislumbra a partir do Laudo Técnico de fls. 23/27, com a devida ART, bem como do Ato Declaratório Ambiental – ADA de fls. 26, delimitando precisamente a reserva legal declarada pela contribuinte. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à averbação tempestiva da reserva legal junto a matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 5 9 Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Vencedor Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Designado A controvérsia, neste voto vencedor, se resume a decidir quanto à pertinência da averbação da área de reserva legal à margem do registro imobiliário do imóvel rural, como condição para fruição de exclusão de tal área da incidência do ITR. Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1º, § 2º, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 6 11 homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp nº 1.060.886/PR, na sessão de 1º/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp nº 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Já no âmbito da Segunda Turma do STJ, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, recentemente se firmou uma posição pela necessidade da averbação como condição para fruição da benesse no âmbito do ITR, como se pode ver no Recurso Especial nº 1.027.051 – SC (STJ, 2011 C), sessão de 07/04/2011, por maioria (relator vencido), com a seguinte ementa no votovista do Ministro Castro Meira: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 TRIBUTÁRIO. AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. LEIS 8.971/91 E 9.393/96. RESERVA LEGAL FLORESTAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O Código Florestal exige a aprovação dos órgãos ambientais quanto à localização da reserva legal, bem como a sua averbação no registro de imóveis. A imprescindibilidade da averbação justificase não apenas para facilitar o controle do Poder Público, mas também em razão do caráter propter rem da obrigação de manter a reserva legal que, em regra, não se altera nos casos de transmissão, desmembramento ou de retificação da área. 2. O imposto territorial rural ITR possui inequívoco propósito extrafiscal, sendo utilizado para combater o latifúndio improdutivo e para incentivar e proporcionar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Caracterizase, portanto, como um imposto que auxilia o Estado no disciplinamento da propriedade rural, tendo como norte a função social da propriedade. 3. Os incentivos fiscais assumem considerável relevância na consecução dos objetivos constitucionais, o que implica reconhecer, sob a ótica da proteção ao meio ambiente, que a interpretação da norma instituidora da isenção tributária não pode se afastar dos valores e princípios veiculados na Constituição e na legislação ambiental. 4. Apesar de o art. 111 do CTN consignar que se interpreta literalmente a norma que outorga isenção, isso não significa que seja vedada a utilização dos critérios teleológico, histórico e sistemático. O hermetismo do ordenamento jurídico não prescinde da atuação do intérprete, cumprindolhe buscar uma identidade lógicojurídica do deverser. Assim, é impossível conferir à lei uma aplicação em descompasso com o sistema normativo no qual esteja inserida. 5. Quando as Leis nºs 8.171/91 e 9.393/96 isentam o tributo referente à área de reserva legal prevista na Lei nº 4.771/65, significa que apenas se sujeitam à exclusão do crédito tributário as áreas que estiverem em consonância com a legislação de proteção ao meio ambiente, visto que não é possível conferir um benefício fiscal àqueles que descumpriram a própria lei que serve de base para a isenção. Entender o contrário seria desconsiderar o modelo de proteção ambiental contemplado no Texto Maior, bem assim o princípio cooperativo insculpido no art. 225 da CF. 6. A previsão contida no § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96, segundo a qual o contribuinte não precisa comprovar a regularidade das deduções efetuadas em decorrência da isenção, apenas disciplina a forma de constituição do crédito tributário, que se dá por meio do autolançamento, em nada interferindo quanto à exclusão do crédito tributário, ou seja, sobre os requisitos para obtenção do benefício fiscal. 7. Recurso especial provido. (grifouse) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 7 13 Claramente se vê que a Segunda Turma do STJ, com supedâneo no caráter extrafiscal do ITR, albergou a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Observese que se trata de Acórdão em que a Turma debateu a matéria com profundidade, como se comprova pela existência de voto vencido. Por tudo, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, a Segunda Turma do STJ asseverou sua necessidade, não havendo ainda concordância no âmbito da Primeira Turma. Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, como se vê pelas decisões conflitantes no âmbito da Primeira Turma do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001 (que pode ser aplicada desde o exercício 1997, pois a legislação que passou a obrigar a averbação de tal área remonta à Lei nº 7.803/89), em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão nº 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão nº 30134475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão nº 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão nº 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4. área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão nº 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 6. comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão nº 302 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão nº 30239866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: • averbação após a publicação do Decreto nº 4.382/2002 (1ª Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1ª, 2ª, 3ª Câmaras e 3ª TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1ª Câmara); averbação cartorária intempestiva (1ª Câmara); averbação e ADA tempestivos (2ª, 3ª e 3ª TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante à necessidade da averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita (apesar da matéria aparentemente ter sido pacificada na Segunda Turma, como já visto neste artigo). Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1º, II, “a” a “f”, da Lei nº 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio aqui é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da exclusão da tributação do ITR. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 8 15 Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área tributável da propriedade (área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de utilização limitada2), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal, cumpridos os requisitos formais, que se verá a seguir. Assim, para a fruição de isenção tributária, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, o art. 4º, V, da Lei nº 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstas em contratos de transferência de tecnologia, desde que averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. 2 As áreas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN, cobertas por floresta nativa e alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nº 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. E aqui não se diga que, por se tratar de isenção tributária, estarseia obrigado a fazer uma interpretação literal, na forma do art. 111, II, do Código Tributário Nacional, sem qualquer observação da teleologia visada pelo legislador. Não Fl. 16DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 9 17 obstante a interpretação restritiva, nada impede a busca da concretização das finalidades previstas pelo legislador, como se pode ver no precedente do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – movimentações financeiras – não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (STF; RE 566259; Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski; Tribunal Pleno; julgado em 12/08/2010; Repercussão Geral Mérito; DJe179: 24092010) – Destacouse. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho3: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – Linguagem e Método. 2ª ed., São Paulo: Noeses, p. 241. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 No dizer de José Marcos Domingues Oliveira4 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei nº 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei nº 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei nº 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado5, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei nº 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante 4 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2ª ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 5 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.002784/200461 Acórdão n.º 920201.500 CSRFT2 Fl. 10 19 requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei nº 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão nº 9202001.348, sessão de 09 de fevereiro de 2011, por maioria, que restou assim ementado: (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir dos isentivos tributários. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Com as considerações acima, entendo que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é condição imperativa para exclusão dela da incidência do ITR, devendo ser procedida antes do início do procedimento fiscal, o que não restou comprovado nestes autos, devendo, por conseqüência, ser negado provimento ao recurso do contribuinte. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 20DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 13/05/2011 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , 16/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.010711/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR
A contratação de trabalhadores transportadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.”
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.027
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Fl. 139DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010711/200854 Acórdão n.º 240102.027 S2C4T1 Fl. 140 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.131.6537, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados contribuintes individuais não recolhidos na época própria, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2004 a 12/2004, sendo que os fatos geradores incluídos neste AI compreendem as contribuições dos carreteiros autônomos que não foram descontadas dos segurados, nem informadas em GFIP. Segundo a fiscalização previdenciária, durante a fiscalização a empresa apresentou folhas de pagamento, livros Diário e Razão, porém não apresentou todos os conhecimentos de transporte rodoviários de carga emitidos. A base de cálculo corresponde a 20% dos valores informados no livro Razão – conta “Fretes Carreteiros”. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 27/06/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/07/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 38 a 54. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 108 a 115, tendo inclusive sido ajustado o valor da multa aos termos da Lei 11.941/2010.. 1. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 120 a 136. Em síntese, a recorrente em seu recurso traz as mesmas alegações da impugnação, senão vejamos: 2. Nulidade da autuação, tendo em vista a imprecisão e incompletude das informações lançadas, importando cerceamento do direito de defesa, já que o DAD – Discriminativo Analítico de Débito (fls. 07/08) não indicou as bases de cálculo que foram utilizadas quando do cálculo do tributo; 3. Omissão da fiscalização, ao lançar tributos relativos à retenção legal de 11% a ser feita sobre a remuneração dos carreteiros autônomos, sem que fosse verificada previamente a existência de recolhimentos feitos pelos mesmos, o que caracterizaria o recolhimento em duplicidade; 4. Incorreção da base de cálculo utilizada pelo Fisco, uma vez que o valor deve ser apurado com base na remuneração ou retribuição efetivamente paga ao carreteiro autônomo, e não sobre o valor do frete, com base no artigo 195 da Constituição Federal e artigos 11 e22 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 141DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 5. A aplicação de multa que ofende os princípios da proporcionalidade, da capacidade contributiva e do nãoconfisco; 6. A aplicação de juros SELIC de juros inconstitucionais e ilegais, ante o disposto no artigo 161, § 1.0 do Código Tributário Nacional. 7. Requer o reconhecimento da improcedência da autuação, ante a possibilidade da duplicidade em face da necessidade de averiguar o recolhimento do autônomo e, caso não acatadas as razões apresentadas, que a multa seja modificada para valor menor. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010711/200854 Acórdão n.º 240102.027 S2C4T1 Fl. 141 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 119 a 120. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação das bases de cálculo no documento DAD, não lhe confiro razão. Observamos que o relatório DAD descreve por competência os valores das contribuições dos segurados contribuintes individuais descritos no relatório de Lançamentos fls. 9 a 11, inclusive com a indicação do livro em que foram apurados os valores. Ademais, o relatório fiscal da infração, fls. 24 a 27 descreve de forma detalhada, como foi realizado o lançamento, indicando inclusive sobre qual base foram apuradas as contribuições, e anexando tabela demonstrativa de todos os valores de fretes, com indicação da página os mesmos foram contabilizados por data. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO Fl. 143DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 No recurso em questão, o contribuinte ataca a validade do procedimento fiscal, já apreciada em sede de preliminar, bem como erro na indicação da base de cálculo, duplicidade de exigência das contribuições e exorbitância da multa e juros aplicados. DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n° 4.032/2001: “Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) § 4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.032/01). A base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração auferida pelo segurado, conforme previsto no art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Acontece, que na atividade de transporte nem tudo o que o segurado recebe corresponde à remuneração da mãodeobra; há outras despesas envolvidas como peças e combustível. Assim sendo, foi estabelecido pela Previdência Social, para o período compreendido até a competência 06/2001, o percentual de 11,71%, e após a edição do Decreto n° 4.032/2001 o valor do frete passou a 20% corresponde à mãodeobra, percentual este aplicado no caso em questão. Caso não houvesse tal previsão, o ônus que o segurado e a empresa teriam que suportar seria muito maior, pois a base de cálculo corresponderia a 100% do frete. Destacase, ainda, as alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: Fl. 144DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010711/200854 Acórdão n.º 240102.027 S2C4T1 Fl. 142 7 “Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.” Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Assim, não fazse necessário primeiramente identificar a existência de recolhimentos por parte do transportador autônomo pessoalmente, uma vez que a lei atribuiu ao contratante o dever de reter a parcela da contribuição do segurado, sendo que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada. QUANTO AO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA A multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 145DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 146DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010711/200854 Acórdão n.º 240102.027 S2C4T1 Fl. 143 9 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Notese que a própria autoridade julgadoral já ajustou a multa de acordo com a lei 11.941/09, não havendo mais o que ser feito a respeito, tendo em vista a atividade vinculada e o disposto na legislação previdenciária. Senão vejamos trecho da declaração de voto da Decisão Notificação. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da ° Lei 8.212, de 1991, quanto do artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente pode ser feita por ocasião desse pagamento. Diante das alterações da legislação previdenciária, o órgão preparador deverá, quando do trânsito em julgado administrativo dos processos acima listados, efetuar a comparação das multas aplicadas. Caso se conclua que a legislação atual seja mais benéfica ao contribuinte, ela deve retroagir, devendo o valor da multa ser revisto, e, se for o caso, eventuais retificações serão processadas no auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias correlato. QUANTO AO JUROS SELIC Nesse sentido, o próprio CARF já se posicionou quando da aprovação da súmula n 03. do CARF, aprovadas nas sessões do Pleno em 08/12/2009 e 29/11/2010 (Portaria CARF nº 49 de 01/12/2010) com os correspondentes acórdãos paradigmas, enfatizandose as súmulas vinculantes, aprovadas pela Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010, senão vejamos: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO: Fl. 147DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade pelo cerceamento do direito de defesa e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 148DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16327.000748/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. PAF — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária.
PAF APURAÇÃO CONTÁBIL A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir: comercial a Lei 6404/1976; contábil Resolução 750/1993 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo a critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil, como determina a lei, torna-se norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário, faz prova contra.
MÉRITO. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS. ACORDO JUDICIAL. RECEBIMENTO EM PARCELAS. REGIME CONTÁBIL COMPETÊNCIA O TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
As normas que regulam a exigência do IRPJ, aplicam-se, a CSLL, PIS e COFINS, quando reflexas regime de competência é prevalente. Adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. O regime de Caixa é a exceção na qual não se inclui a recuperação de créditos baixados, mediante acordo homologado judicialmente para o seu recebimento em parcelas.
TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
As normas que regulam a exigência do IRPJ, aplicam-se, a CSLL, PIS e COFINS, quando reflexas.
Numero da decisão: 1102-000.653
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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PRELIMINARES. PAF — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. PAF APURAÇÃO CONTÁBIL A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir: comercial a Lei 6404/1976; contábil Resolução 750/1993 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo a critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil, como determina a lei, tornase norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário, faz prova contra. MÉRITO. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS. ACORDO JUDICIAL. RECEBIMENTO EM PARCELAS. REGIME CONTÁBIL COMPETÊNCIA O regime de competência é prevalente. Adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. O regime de Caixa é a exceção na qual não se inclui a recuperação de créditos baixados, mediante acordo homologado judicialmente para o seu recebimento em parcelas. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 617 2 TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. As normas que regulam a exigência do IRPJ, aplicamse, a CSLL, PIS e COFINS, quando reflexas. . ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente e Relatora EDITADO EM:23/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Leonardo de Andrade Couto Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente convocada) Gilberto Batista (Suplente Convocado) Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 618 3 Relatório Tratase de exigência constituída em 09/05/2007 (fls. 171 a 194), e re ratificado em 28/05/2007 (fls. 216 a 241), para o Imposto De Renda Da Pessoa Jurídica – IRPJ, decorrente de omissão de receitas, adições não computadas na apuração do lucro real e inobservância do regime de escrituração – postergação de receitas, e de tributos reflexos (CSLL , COFINS e PIS), relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/2002. Enquadramento legal nos respectivos termos No Termo de ReRatificação de Constatação da Infração Fiscal (fls. 200/ 214), a autoridade noticia que: (...) o autuado, em atendimento à legislação das autoridades bancárias, procedeu à baixa contábil, em 28/06/2002, do valor de R$ 10.684.321,49, relativa a perdas com operações de repasse de linha de crédito Resolução 63 e de Adiantamento de Contrato de Câmbio, realizadas com a empresa MARCHESAN IMPLEMENTOS E MÁQUINAS AGRÍCOLAS TATU S/A; posteriormente, em 17/10/2002, celebrou acordo em juízo, em ação de execução, fixando o valor da dívida em R$ 19.274.476,20, à data de 30/09/2002, para ser recebido em 5 parcelas, sendo a primeira na data do acordo, a segunda em 17/12/2002, a terceira em 17/02/2003, a quarta em 17/04/2003 e a última, em 17/05/2003; ficou avençado, também, que, caso os pagamentos fossem realizados nas respectivas datas de vencimento e com os acréscimos, o executado ficaria dispensado do pagamento da última parcela, de 17/05/2003; terminou por receber, em 2002, o montante de R$ 8.210.413,38, que inclui as parcelas devidas mais correção e juros, e, em 2003, o montante de R$ 5.079.644,14, que também inclui as parcelas devidas mais correção e juros, montantes esses que ofereceu à tributação nos respectivos anos, sob, portanto, o regime de caixa; em conseqüência dos pagamentos feitos, a última parcela, com vencimento em 17/05/2003, de R$ 7.074.476,20, ficou como desconto condicional concedido; comentando a regulação legal da matéria, a autoridade observa que o artigo 10, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, ao regrar os acordos realizados e homologados por sentença judicial, para solução de créditos objeto de perda presumida, cuida de indicar o aspecto temporal da tributação, fixando o momento em que deve ser efetuado o estorno ou a adição ao lucro real, como sendo o da concretização do acordo, in casu, em 17/10/2002; além disso, estabelece que o valor a ser estornado é a soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado; tal norma, inclusive, seria compatível com as regras do BACEN, em específico, a Resolução do BACEN 2682/99, artigo 8º; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 619 4 por outro lado, o parágrafo 1º, do citado artigo 10, da Lei 9.430/96 não autoriza a conclusão de que a parcela renunciada em acordo judicial possa implicar dedutibilidade, dado que, se assim fosse, estarseia negando eficácia ao artigo 9º, parágrafo 1º, inciso I, da Lei 9.430/96; desta forma, constata a autoridade,com base no artigo 10, parágrafos 1º e 3º, da Lei 9.430/96,a omissão de receitas operacionais no anocalendário de 2002, no montante de R$ 2.684.321,49, resultante da diferença do valor de R$ 10.894.734,87, relativo ao estorno do crédito de R$ 10.684.321,49 baixado como perda, em 28/06/2002, mais os rendimentos de R$ 210.413,32, de juros e correção recebidos sobre as parcelas vencidas no ano , e o montante total recebido no ano, oferecido à tributação, de R$ 8.210.413,38; apura, ainda, postergação de receita de 2002 para 2003, no valor de R$ 4.200.000,00 – que correspondem às parcelas vencidas, recebidas e reconhecidas como receitas em 2003; verifica, por fim, falta de adição ao Lucro Real de 2002, do valor de R$ 4.390.154,77, correspondente à diferença entre o valor de R$ 8.590.154,77 (= R$ 19.274.476,26, renegociado, menos, R$ 10.684.324,49, perda baixada) que deveria ter sido registrado em 2002, e o valor de R$ 4.200.000,00, que registrou como receita operacional em 2003. Cientificado do lançamento, a Contribuinte ofereceu a impugnação, com os seguintes argumentos (nos termos do relatório do acórdão recorrido): em PRELIMINAR, o lançamento seria nulo, por falta de fundamento legal, já que não se teria configurada hipótese de descumprimento das obrigações tributárias previstas nos dispositivos legais referidos pela autoridade, relativas ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, pois oferecera à tributação os acréscimos patrimoniais obtidos nos anoscalendário de 2002 e 2003, decorrentes das receitas de créditos recuperados; no MÉRITO, alega que a autoridade lançadora teria distorcido o sentido dos artigos 9º ao 12, da Lei 9.430/96, em especial o do artigo 10, parágrafo 3º, ao considerar que os acordos realizados e homologados por sentença judicial deveriam ser objeto de tributação no momento de sua contabilização, não do recebimento dos valores acordados, não levando em conta os efeitos do artigo 8º, parágrafo 2º, da Resolução do BACEN 2.682/99, que determina o reconhecimento de créditos baixados pelas instituições financeiras somente quando do efetivo recebimento; desta forma, teria feito incidir tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre valor que não representaria acréscimo patrimonial ou receita da pessoa jurídica, por não ter se concretizado o recebimento; tal interpretação, com base em distinção que faz entre perda presumida e perda efetiva em recebimento de crédito, sem fundamento em prescrição legal, seria equivocada, pois que é Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 620 5 feita sob a presunção de que os valores acordados estariam disponíveis para o autuado, o que não condiria com a realidade de Proposta (fls. 296 a 302) do acordo realizado, e, assim, violaria a matriz constitucional do Imposto de Renda, prevista no artigo 153, inciso III, da CF, que trata da tributação dos acréscimos na capacidade contributiva; a referida Proposta não teria o condão de conferir liquidez e certeza ao adimplemento do devedor, porque este já não tinha honrado negociações anteriores, inexistindo, assim, fundamento para considerar recuperado o crédito em momento distinto do seu recebimento; a Resolução do BACEN, ao tratar da renovação de operações ativas e daquelas baixadas em prejuízo, determina que o mesmo nível de risco da operação original deverá ser mantido nas renegociações, o que significa que a existência de acordo judicial não é garantia inequívoca de que o devedor irá liquidar a dívida; a intenção seria a de evitar que se melhore a classificação de risco de uma operação em função de uma renovação, o que automaticamente diminuiria o nível da provisão requerida, com o conseqüente aumento patrimonial; a Resolução 2.682/99 não conteria interpretação diversa da Lei 9.430/96, que não estabelece o momento para tributação, nem que tal instante deveria ser o da renegociação, mas apenas estabelece o procedimento a ser seguido quando do recebimento do crédito; ambas as normas seguem o mesmo raciocínio quanto ao momento do reconhecimento das receitas; o autuado não poderia antecipar o reconhecimento de uma receita em razão de acordo judicial, pois correria o risco de antecipar a existência de um ativo, que, no momento, não seria mais que uma expectativa de direito; a sociedade que assim age pode estar ludibriando terceiros de boafé e comprometendo sua capacidade financeira; não havendo recebimento de recursos,não se realizaria fato gerador de tributos, e, assim, a tributação, se houvesse, incidiria sobre o patrimônio não sobre o acréscimo patrimonial; desta forma, tendo reconhecido as receitas quando do seu recebimento, não existiriam omissão de receita, postergação de tributação ou não inclusão das receitas de recuperação de crédito, nas bases de cálculo do IR e da CSLL; a autoridade teria desconsiderado, ainda, o desconto concedido, que é prática comercial comum, entendendo que deveria haver tributação de todo o valor da Proposta (fls. 296 a 302), independentemente do seu recebimento, considerando o citado desconto como renúncia ao valor a receber; tendo em conta o valor efetivamente recebido, de R$ 13.290.057,52, e o valor considerado como saldo em aberto de Operação de Crédito, de R$ 10.864.321,99, o autuado recebeu a mais R$ 2.605.735,53, já considerado o desconto concedido, o qual, desta forma, seria uma despesa operacional, necessária à atividade da sociedade; assim, jamais teria desistido ou Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 621 6 renunciado a qualquer valor, não se tratando de hipótese de desistência de cobrança por via judicial prevista no texto legal, como entendeu a autoridade; há julgados do Conselho de Contribuintes, que colaciona, que mostram a inconsistência do entendimento da autoridade; como demonstração da correção dos procedimentos adotados, destaca que a parcela provisionada do saldo em aberto da operação de crédito em questão, foi devidamente adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando de sua constituição, e somente foi fiscalmente revertida na sua totalidade em 2003, quando do término do recebimento do crédito, observando que poderia ter efetuado a reversão proporcional da parcela do crédito recebido em 2002 e somente o fez em 2003, postergando o aproveitamento dessa dedução. Sobrevém o acórdão 1620.804, de 20/03/2009, fls. 370/389, que julga procedente o lançamento e está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o enquadramento legal das infrações apuradas está consignado no lançamento, mostrase improcedente o pleito do contribuinte por declaração de nulidade da exigência, por pretensa falta de fundamentação legal. MÉRITO. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS. ACORDO JUDICIAL. RECEBIMENTO EM PARCELAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO CABIMENTO DO REGIME DE CAIXA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a recuperação de créditos baixados, mediante acordo homologado judicialmente para o seu recebimento em parcelas. DESCONTO CONDICIONAL. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. O ordenamento legal tributário vigente impõe que os descontos condicionais devem integrar as bases de cálculo dos tributos, somente dispensando de tributação os descontos incondicionais. TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. As normas que regulam a exigência do IRPJ, aplicamse a CSLL, PIS e COFINS, no que cabíveis. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 622 7 Ciente da decisão em 07/05/2009, irresignada a Contribuinte oferece razões de recurso, em 05/06/2009, fls.396/434, onde narra os fatos e se contrapõe às exigências. Informa que a autuação decorrera das seguintes suposições: i) omissão de parcela de receita operacional correspondente a R$2.684.321,49 em 2002, (ii) não teria adicionado às bases de cálculo do IRPJ e CSLL diferença de R$4.390.154,77 e (iii) que teria postergado a apropriação de receita no valor de R$4.200.000,00 que deveria ter sido registrada em 2002 e que somente o foi em 2003. No relatório Fiscal a origem da exigência fiscal se fundamenta em operações realizadas, pelo então Banco Europeu para a América Latina S/A., com o seu cliente Marchesan Implementos e Máquinas Agrícolas Tatu S/A. ("Marchesan"), a saber: (...) (i) 25/11/1994: Contrato de Repasse de Empréstimo Externo n° 31.300.024, no valor de US$1.000.000,00 (um milhão de dólares norteamericanos), com vencimento inicial em 14/11/1995, nos termos da Resolução n° 63 do Banco Central do Brasil ("BACEN"); (ii) 05/12/1994: Contrato de Repasse de Empréstimo Externo n° 31.300.026, no valor de US$1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil dólares norteamericanos), com vencimento inicial em 14/11/1995, nos termos da Resolução n°63 do BACEN; (iii) 10/11/1997: Contrato de Repasse de Empréstimo Externo n° 31.970.047, no valor de US$1.400.000,00 (um milhão e quatrocentos mil dólares norteamericanos), com vencimento inicial09/11/1998, nos termos da Resolução n° 63 e Circular n° 180 do BACEN; (iv) 05/01/1998: Contrato de Repasse de Empréstimo Externo n° 319(0052, novalor de US$1.000:000,00 (um milhãode dólaresnorte americanos), com vencimento inicial em 16/11/1998, nos termos da Resolução n° 63 e Circular n° 180 do BACEN; (v) 22/01/1999: Contrato de Adiantamento de Câmbio de Compra Tipo 01 n° 99/000232, no valor correspondente em moeda nacional de R$400.661,00 (quatrocentos mil e seiscentos e sessenta e um reais); (vi) 22/01/1999: Contrato de Adiantamento de Câmbio de Compra Tipo 01 n° 99/000233, no valor de R$400.000,00 (quatrocentos mil reais). Como houve inadimplência realizou a provisão do valor total dos contratos em referência correspondente a R$10.864.321,99, adicionandoa na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 623 8 Em 16/11/2000, celebrou o "Instrumento Particular de Confissão de Dividas e Outras Avenças" (Doc. 03 da Impugnação), atualizando o valor da dívida confessada para R$13.726.885,54 , bem como estabeleceu a sistemática para pagamento. Em função de novo descumprimento do acordo por parte de seu cliente, ajuizou a correspondente Execução por Quantia Certa, processo n° 000.01.302.3560, perante a Comarca da Capital. Em 17/10/2002 é assinada em Juízo uma "Proposta" (Doc. 04 da Impugnação) visando o pagamento da dívida nos seguintes termos: a) em 17/10/2002: pagamento da 1a. parcela no valor de R$6.000.000,00 ; b) em 17/12/2002: pagamento da 2a.parcela no valor de R$2.000.000,00 acrescida de correção peloIGPM e juros de mora, que totalizou, quando do recebimento, a importância de R$2.210.413,38 ; c) em 17/02/2003: pagamento da 3a.parcela no valor de R$2.000.000,00 (dois milhões de reais), acrescida de correção pelo IGPM e juros de mora, que totalizou, quando do recebimento, a importância de R$2.374.242,74; d) em 28/03/2003: pagamento da 4a.parcela no valor de R$2.200.000,00, acrescida de correção pelo IGPM e juros de mora, que totalizou, quando do recebimento, a importância de R$2.705.401,40 ; e) em 17/05/2003: pagamento da 5a. parcela no valor de R$7.074.476,20 (sete milhões setenta e quatro mil quatrocentos e setenta e seis reais e vinte centavos). Nos termos do item 5 da aludida "Proposta", sua cliente , a Marchesan, ficaria dispensada do pagamento da parcela a vencer em 17/05/2003, caso efetuasse o pagamento tempestivo das demais parcelas, incluindo os acréscimos moratórios. Tal fato efetivamente ocorreu. Deste modo tributou o valor de R$8.210.413,38 quando do recebimento da 1a. e 2a.parcelas, isto é, no ano base de 2002, bem como o valor de R$5.079.644,14 no ano base de 2003, momento do recebimento da 3a. e 4a. parcelas. Com isto, de uma dívida que era de R$10.684.321,99 recuperou o valor de R$13.290.057,52 ,valor oferecido à tributação. Embora a lisura do seu procedimento o fiscal distorcera, de forma a criar um embasamento para as autuações firmadas, os dispositivos legais aplicáveis ao caso, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ("Lei 9430/96"), artigos 9o.a 12, e a Resolução do BACEN n° 2.682/99, artigo 8°, §2° , que determinam o reconhecimento de créditos pelas instituições financeiras somente quando do efetivo recebimento. Pretendera o fisco tributar a importância total objeto da "Proposta" (Doc. 04 da Impugnação) ofertada pelo seu cliente em Juízo, ignorando a determinação legal de que o reconhecimento de crédito recuperado se dá com o efetivo recebimento e não com uma proposta, que pode sempre não ser honrada. Com esta inovação estaria impingindo tributação Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 624 9 do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre valor que não representa acréscimo patrimonial ou receita da pessoa jurídica, na medida em que sequer restou concretizado o seu recebimento. Descreve o enquadramento legal, a saber: a) IRPJ: artigos: 10, § 30 , da Lei n° 9.430/96; 24 da Lei n° 9.249/95;249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; b) CSLL: artigos: 2° e parágrafos da Lei n° 7.689/88; 1° da Lei n° 9.316/96; 28 da Lei n°9.430/96; 7° da Medida Provisória n° 1.807/90 6° da Medida Provisória n° 1.858/99; c) COFINS: artigos: 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 o Decreto n° 4.524/02; d) PIS: artigos: 24, § 2°, da Lei n° 9.245/95; 2°, inciso 1, alínea "a" e § único, 3°, 10, 26, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. Reproduz os dispositivos, repisa os argumentos oferecidos em sede de impugnação, para dizer que sob qualquer ângulo a pretensão fiscal não prosperaria, pelos seguintes motivos: (...) (i) nulidade do auto de infração, consubstanciado na falta de fundamentação legal para a imposição de multa, haja vista a inexistência de descumprimento de qualquer obrigação tributária; (ii) inexistência de omissão de receitas, falta de adição de diferença na base de cálculo dos tributos, nem, tampouco, postergação da tributação da receita. Comenta que embora a clareza de suas razões a Impugnação foi integralmente rechaçada pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, decidindo pela manutenção total do Auto de Infração, sob o argumento de que: (i) o Auto de Infração estaria fundamentado, uma vez consignado o enquadramento legal das infrações apuradas; (ii) a Recorrente deveria ter respeitado o regime de competência para a declaração e pagamento dos tributos incidentes sobre a recuperação de créditos; e (iii) a dispensa do pagamento da 5a parcela concedida pela Recorrente à sua cliente — Marchesan — deteria natureza de desconto condicional, estando sujeita à tributação. Comenta que a decisão não merece prosperar, na medida em que ignora a perfeição do seu procedimento, posto que observara a legislação tributária, tendo tributado os respectivos acréscimos patrimoniais auferidos nos anos de 2002 e 2003, consoante demonstrara. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 625 10 II— DO DIREITO 11.1 — Da necessidade de reforma da r. decisão recorrida Transcreve a ementa do acórdão combatido e trechos do voto condutor para comentar que, no seu caso , a recuperação dos créditos baixados não constituiu receita que acresceu seu patrimônio por ocasião no acordo judicial homologado, de forma diversa da conclusão do autuante que elegeu aquele momento para ocorrência do fato gerador, pois jurídica e economicamente, adquirira a titularidade do direito de crédito de R$19.274.476,20. A decisão concluira, de forma incorreta, que o direito de crédito “fora incorporado definitivamente ao seu patrimônio por força jurídica do acordo homologado, acordo este firmado em 17/10/2002 (fls. 296 a 301), no qual o devedor confessa 'ser líquido, certo e exigível' a proposta de pagamento do montante referido. O fato de ter recebido em pecúnia apenas parte do montante no momento do acordo e, o restante, como crédito a receber em parcelas com vencimento futuro, não desnatura a ocorrência do efetivo incremento do seu patrimônio líquido , sujeito, então, à tributação, nos moldes das normas fiscais de regência.” Ainda, o desconto da última parcela do acordo, com vencimento em 17/05/2003, considerada “desconto condicional” e, portanto “liberalidade”, também se fizera de forma equivocada. A proposta (Doc. 04 da Impugnação) não confere certeza quanto ao recebimento da dívida, até porque já ocorrera a inadimplência de outros dois contratos pelo mesmo devedor, bem como que o desconto concedido após o vencimento do título teve tão somente o condão de viabilizar a recuperação do crédito, em consonância com a atividade econômica desenvolvida. II. 2 — Da correição da tributação levada a efeito pela Recorrente O cerne da exigência lavrada no presente caso está relacionado ao entendimento equivocado de que haveria a necessidade da inclusão de importância relativa ao acordo realizado em relação ao crédito devido pelo seu cliente, na base tributável, à época de sua celebração. Contrapõe a este entendimento o fato de que a devedora já havia inadimplido suas obrigações por duas vezes,quanto à referida divida novamente pactuada, inexistindo razão para sua contabilização no momento da celebração de novo acordo – Proposta (Doc. 04 da Impugnação) —, já que tal documento não traz qualquer certeza do recebimento, constituindo mera expectativa de direito – o que não configura fato gerador do Imposto de Renda . A pretensão do fisco em tributálo quando do registro da repactuação da dívida não teria respaldo legal, além de violar a matriz constitucional do Imposto de Renda, prevista no artigo 153, inciso III, da Constituição, que é a tributação dos acréscimos na capacidade contributiva, no dizer do Professor Roque Antonio Carrazza. Discorre sobre o artigo 43 do CTN, transcreve doutrina de Leandro Pausen, no sentido de que “ o Imposto de Renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, ou seja, "não alcança a mera expectativa de ganho futuro ou em potencial". Compreender que o momento da tributação dos créditos não recebidos ocorreria no momento da realização do acordo judicial, parte de uma premissa equivocada, porque estava diante de uma simples “proposta”. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 626 11 A doutrina já tratara de casos em que o título, apesar de existente, não conferia nenhuma certeza quanto ao recebimento do crédito, e, por tal motivo, não configurava a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda. Transcreve de CALIENDO, Paulo. Imposto sobre a Renda Incidente nos Pagamentos Acumulados e em Atraso de Débitos Previdenciários. Interesse Público 24/101, abril de 2004, o seguinte texto: (...) "Dessa forma, não basta a mera aquisição da renda, esta deve estar desembaraçada de ônus ou limitações, melhor dizendo, disponível. A disponibilidade será, assim, a qualidade daquilo que não possui impeditivos ao seu uso. Se existirem obstáculos a serem removidos, não haverá disponibilidade, mesmo que exista ação ou execução. Mesmo que exista um direito oponível ao devedor, não ocorrerá a situação capaz de permitir a incidência do imposto de renda. Não basta ser credor de renda indisponível, nem possuir ação, execução, expectativa de direito, promessa ou estar vinculado à condição suspensiva ou resolutiva. É absolutamente necessária a presença atual de disponibilidade de renda que se incorporou a título definitivo do contribuinte. Renda disponível, é, portanto, renda realizada. Por isto o embasamento da decisão combatida não resistiria a uma análise mais acurada dos fatos.Porque, mesmo ausente o fato gerador do imposto de renda , a decisão com base no artigo 10, §§ 1° a 3°, da Lei n°, 9.430 de 27 de dezembro de 1996 criou o incorreto raciocínio de que "o reconhecimento das receitas de recuperação de crédito devese operar no período de apuração em que se der o acordo judicial quando então deve ser feita a competente contabilização e seu oferecimento à tributação. Para justificar esta conclusão , asseverou que “se pelo parágrafo 1o. que contempla a hipótese de solução de cobrança desses créditos por desistência via judicial , o estorno ou a adição ao lucro líquido para a determinação do lucro real deve se dar no período de apuração em que se der a desistência, não há razão para não se concluir que o mesmo não deva ocorrer no mesmo exercício em que a solução de cobrança se dá por acordo judicial, com recuperação do crédito como é o caso dos presentes autos." Diz incorreta esta conclusão, na medida em que há razão para não estender a solução do §1°, do artigo 10, da Lei 9.430/96, à hipótese do § 3°, do mesmo artigo, por vedação legal. O parágrafo 3°, do artigo 10, da Lei 9.430/96, é expresso quanto à inaplicabilidade, por analogia, do §1°, do artigo 10, da Lei 9.430/96, transcreve os dispositivos e comenta que “as situações tratadas entre ambos são completamente distintas”: Nos §§1° e 2°, o credor renuncia ao crédito, e por isso a perda deve ser adicionada no momento de sua desistência; enquanto que, na hipótese do §3°, o credor persiste na cobrança de seu crédito, tanto que realiza acordo judicial, mesmo que isso signifique uma perda parcial de seu crédito. Assim, evidente que tais circunstâncias, tão diferentes, não poderiam ter a mesma solução, o que foi prontamente atendido pelo legislador, que, expressamente, impediu tal raciocínio extensivo. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 627 12 Destaca que do artigo 10, § 3°, da Lei 9.430/96, aplicável ao caso, não se pode depreender que o reconhecimento da receita, para fins fiscais, deve ocorrer no momento do acordo judicial. A norma legal apenas determina a sistemática de como o valor de um dado acordo deve ser tratado na contabilidade e prescreve a inaplicabilidade dos parágrafos anteriores. Em hipótese alguma o aludido preceito legal determina o momento da tributação de tal valor. Esses os motivos que impossibilitam evocar o artigo 10, §1°, da Lei 9.430/96, para fundamentar a pretensão do fisco, na medida em que o panorama é completamente diverso à hipótese tratada pelo referido dispositivo legal, além de haver vedação expressa nesse sentido. Ressalva, também, a Resolução do Banco Central do Brasil n°. 2.682/99, que corrobora seu ponto de vista, quando estabelece como padrão o procedimento que adotou.Transcreve da Resolução o artigo 8° assim vazado: Art. 8º A operação objeto de renegociação deve ser mantida,no mínimo, no mesmo nível de risco em que estiver classificada,observado que aquela registrada como prejuízo deve ser classificada como de risco nível H. Parágrafo 1º Admitese a reclassificação para categoria de menor risco quando houver amortização significativa da operação ou quando fatos novos relevantes justificarem a mudança do nível de risco. Parágrafo 2º O ganho eventualmente auferido por ocasião da renegociação deve ser apropriado ao resultado quando do seu efetivo recebimento. Parágrafo 3º Considerase renegociação a composição de dívida, a prorrogação, a novação, a concessão de nova operação para liquidação parcial ou integral de operação anterior ou qualquer outro tipo de acordo que implique na alteração nos prazos de vencimento ou nas condições de pagamento originalmente pactuadas. Desse modo, com base nesta normativa, se verifica que ela trata da renovação de operações ativas e daquelas já baixadas em prejuízo, determinando também que o mesmo nível de risco da operação original deverá ser mantido nas renegociações. Ou seja, não é pelo fato da existência de um acordo judicial que haverá a garantia inequívoca de que um cliente inadimplente irá liquidar a dívida. Comenta a preocupação do BACEN em evitar que as instituições financeiras melhorem a classificação de risco de uma operação em função de uma renovação, o que automaticamente diminuiria o nível da provisão requerida, com o conseqüente aumento patrimonial. E que o texto legal emanado pelo BACEN não tem interpretação diversa da Lei 9.430/96. Ao contrário, segue a mesma linha e por isso o artigo 15, da Resolução 2.682/99 do BACEN não se mostra aplicável ao caso. A Lei 9.430/96 referese ao procedimento a ser seguido quando do recebimento, ou seja, não há imposição legal quanto ao momento da tributação, e tampouco que tal instante deveria ser quando da renegociação. Por outro lado, a Resolução 2.682/99 do Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 628 13 BACEN, em seu artigo 8°, §2°, prescreve que as instituições financeiras devem apropriar ao resultado o ganho auferido em renegociação no momento de seu efetivo recebimento. Ou seja, não há contradição que afaste, por força do artigo 15, da Resolução 2.682/99 do BACEN, a aplicabilidade do artigo 8°, §2°, do mesmo diploma legal. Aponta que, com fundamento na Lei 9.430/96 e com base na Resolução BACEN 2682/99, não poderia antecipar o reconhecimento de uma receita por conta de um acordo judicial, sob o risco de antecipar a existência de um ativo, que, na verdade, naquele momento era uma expectativa de direito. E, como tal, não constitui fato gerador do Imposto de Renda e que ambas as normas Resolução BACEN 2682/99 e a Lei 9.430/96, seguem o mesmo raciocínio quanto ao momento do reconhecimento destas receitas. Para reforço a sua tese diz que se uma sociedade resolvesse contrariar as normas em referência, que determinam o reconhecimento da receita somente quando do recebimento, e fizesse o reconhecimento no momento do acordo judicial, no incorreto entendimento da r. decisão, poderia esta sociedade ludibriar terceiros de boafé, e até mesmo seus acionistas, e comprometer seriamente sua capacidade financeira. Isto porque, tal posicionamento afetaria seu equilíbrio econômico e a sociedade não teria a disponibilidade dos recursos, pois de fato ainda não recebeu e talvez nem recebesse o valor acordado na justiça. Além do mais, a Lei 9.430/96 apenas determina como deve ser feita a contabilização e o tratamento fiscal da receita oriunda da recuperação de perda no recebimento, nunca o momento de sua tributação, enquanto que a Resolução 2.682/99 do BACEN determina que o ganho auferido em renegociações deve ser apropriado ao resultado quando do seu efetivo recebimento. A Resolução 2.682/99 do BACEN fundamentase em outros Princípios Contábeis, tão pertinentes quanto o regime de competência, para a contabilização dos rendimentos provenientes de renegociação de créditos, Conservadorismo, por exemplo. Tal princípio deve ser respeitado quando da contabilização de receitas, tem como enunciado: "Entre conjuntos alternativos de avaliação para o patrimônio, igualmente válidos, segundo os Princípios Fundamentais, a Contabilidade escolherá o que apresentar o menor valor atual para o ativo e o maior para as obrigações (...)". O Princípio do Conservadorismo, considera seu aspecto operacional, pressupõe entre os possíveis entendimentos quando do registro contábil a menor das avaliações igualmente relevantes para o ativo, e a maior para as obrigações. Isto é, para o reconhecimento da receita, não se pode restringir somente na avaliação do montante envolvido, devendo observar ativos com histórico de incerteza, que não podem ser registrados. O acordo judicial, à evidência, não tornou o ativo em algo recebível, motivo pelo qual não poderia ser registrado. Ainda dentro da Ciência Contábil, devese ressaltar também, o conceito de receita existente na Norma e Procedimento de Contabilidade do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), NPC n° 14, em pronunciamento aprovado pela Diretoria Nacional em reunião realizada em 14 de janeiro de 2001, na qual define que receita "é a entrada bruta de benefícios econômicos durante o período que ocorre no curso das atividades ordinárias de uma empresa, quando tais entradas resultam em aumento do patrimônio líquido, excluídos aqueles decorrentes de contribuições dos proprietários, acionistas ou quotistas." Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 629 14 Também sob este enfoque o acordo judicial efetuado não garante que os valores ali presentes são uma receita líquida e certa, ou mesmo que existiria uma alta probabilidade de se receber o total acordado, ainda mais se considerando a persistente inadimplência do devedor. Devese, em consonância com o Princípio do Conservadorismo, considerar um ativo pelo seu maior valor se houver a certeza de que ele vai se materializar, que haverá um benefício econômico futuro. Por todos esses motivos inquestionável o acerto do seu procedimento, que com base no artigo 8°, § 2°, da Resolução 2.682/99 do BACEN, se utilizou de outro princípio contábil para melhor contabilizar os fatos ocorridos à época Princípio do Conservadorismo , consubstanciado na premissa de que: mais do que atender ao princípio da Competência, é ter a certeza de que a receita tem um fundamento econômico. Lembra que o Colegiado administrativo de 2o. grau já se debruçara sobre a matéria e excepcionara do regime de competência as receitas oriundas de renegociações de créditos com devedores inadimplentes, tendo em vista a incerteza do recebimento dos valores, como seria exemplo o acórdão 10195285 de 11/11/2005, cuja ementa reproduz: "1RPJ JUROS COMPLEMENTARES REGIME DE COMPETÊNCIA REGIME DE CAIXA CONTABILIZAÇÃO PERANTE CIRCUNSTÂNCIA ESPECÍFICAS DO CASO CONCRETO Uma vez pendente de condição necessária e indispensável perante a aprovação de órgão oficial do BACEN, o FIRCE, a contabilização dos juros complementares, como exceção à regra aplicável sob o regime de competência e repactuada a dívida, comprovadamente, por novas negociações, procede a adoção do regime de caixa para a escrituração dos mesmos e, com efeito, a dedução no período efetivo desse mesmo procedimento, em estrita respeito ao princípio contábil da realização da receita." Impertinente falar em omissão de receita operacional no ano de 2002 no montante de R$2.684.321,49, tal como imputado pelo Auto de Infração. Isto porque tal montante advém da subtração do saldo em aberto da operação de crédito no montante de R$10.864.321,99 (dez milhões oitocentos e sessenta e quatro mil e trezentos e vinte e um reais e noventa e nove centavos) e o valor recebido, no ano de 2002, R$8.210.413,38 , valor corretamente tributado, o que afasta a tese de omissão de receita. Igualmente deveria ser afastada a suposta "falta de adição" na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL do valor de R$4.390.154,77 , por se tratar de premissa errada. Decorre da subtração do montante de R$19.484.889,58, total contido na "Proposta" (Doc. 04 da Impugnação) acrescido dos encargos de mora relativos a 2002, e do saldo em aberto da operação de crédito também acrescido dos encargos moratórias, perfazendo o montante de R$10.894.734,87. Do resultado de tal subtração, R$8.590.154,77, o Auto de Infração deduziu a receita recebida e tributada pela Recorrente no valor de R$4.200.000,00 (quatro milhões e duzentos mil reais),chegando no valor de R$4.390.154,77. Comenta que tributou o montante de R$8.210.413,38 quando do recebimento, isto é, no ano base de 2002, bem como o valor de R$ 5.079.644,14 no ano base de 2003, momento do recebimento. Logo, não há que se falar em eventual diferença "fabricada" pela premissa equivocadamente adotada pela fiscalização. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 630 15 Ainda insubsistente a alegada postergação de receita no montante de R$4.200.000,00 que segundo o entendimento equivocado da r. decisão, deveria ter sido registrada em 2002. Esta receita de R$4.200.000,00 foi recebida em 2003, razão pela qual, seguindo os procedimentos previstos na Lei n° 9.430/96 e na Resolução BACEN n° 2.682/99, ofereceu à tributação neste ano. Repisa que o lançamento pretende criar novas hipóteses de incidência para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ao exigir a incidência de tais tributos sobre acréscimos patrimoniais e receitas não recebidas no ano de 2002, o que não condiz com a matriz constitucional de tais tributos, ferindo, portanto, o princípio constitucional da legalidade tributária, previsto no artigo 150, inciso I, da Constituição. 11.3 — Da Dispensa de Pagamento Reclama do lançamento dizendo ir além da lei pois desconsiderou o desconto concedido pelo pagamento do débito vencido, argumentando que não haveria base legal para a dedução de tal parcela. Ou seja, além de não considerar dedutível a parcela referente ao desconto concedido, a fiscalização entendeu que haveria a tributação de todo o valor da "Proposta" (Doc. 04 da Impugnação), independente do seu efetivo recebimento. Contudo, o desconto concedido é uma prática comercial comum usada para tentar reaver um crédito de difícil recebimento. Lembra que, comparando o valor efetivamente recebido , R$13.290.057,52 e o valor considerado como saldo em aberto de Operação de Crédito a contabilidade referente a esta operação, R$10.864.321,99, recebeu a mais R$ 2.605.735,53 . Dessa forma, independente de ter havido ou não ganho nesta operação de recebimento, podese afirmar que este desconto concedido é sim uma despesa operacional, necessária à atividade da sociedade. Tratase de uma despesa que teve como propósito manter o funcionamento da sociedade e permitir a sua continuidade no negócio. Aponta que a operação ocorreu entre empresas distintas, não havendo qualquer ligação entre elas, apenas um negócio comercial. Isto prova, mais uma vez, que o desconto concedido buscou receber um crédito de um devedor inadimplente. Afirma que o desconto concedido não teria a característica de liberalidade, na medida em que estaria condicionado à pontualidade do pagamento das parcelas anteriores e que seria dedutível igualmente aos descontos incondicionais. Manter o entendimento da decisão de 1o. grau de que “renunciara”ao crédito seria esquecer que de uma dívida de R$10.864.321,99 , recebeu R$13.057,52 , computando um ganho de R$2.605.735,53. E para que não restasse dúvidas sobre as inconsistência do entendimento da fiscalização, transcreve ementa do acórdão 10700.204, de 10/05/1993; 10195469;10706506; 10306614, que mostram a posição do Colegiado administrativo, no sentido de enquadrar como despesas, e a conseguinte possibilidade de dedução, os descontos concedidos na renegociação de créditos, com intuito de viabilizar o recebimento destes ativos, como atos de negócio, não implicando em qualquer liberalidade.Sentido no qual transcreve doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira: Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 631 16 "Ao contrário, a despesa é não necessária quando ela envolveu liberalidade, mas a liberalidade no sentido objetivo legal, isto é, é ato de favor, estranho aos objetivos sociais, contrário aos estatutos sociais, além dos poderes conferidos à administração da empresa." (Guia IOB 3 — Imposto de Renda Pessoa Jurídica — Agrupamento. V. 3. fls. 7) Para concluir que não houve qualquer ato de favor ou liberalidade, na medida em que agiu visando o melhor para seus negócios, sendo os descontos uma despesa necessária e dedutível, nos termos do artigo 299, §1°, do RIR E para que não restassem dúvidas quanto a lisura do procedimento adotado destacou que a parcela provisionada do saldo em aberto desta operação de crédito,devidamente adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando da sua constituição, somente foi fiscalmente revertida na sua totalidade em 2003, quando do término do recebimento do crédito, postergando o aproveitamento de sua dedução. 11.4 Da nulidade do auto de infração: falta de fundamento legal Neste item diz que o auto de infração não obedeceu ao comando do “art.142 do Código Tributário Nacional ,por falta dos pressupostos legais à constituição do crédito. À análise dos dispositivos legais “supostamente” violados levaria a conclusão de que o lançamento não dispunha de fundamento legal. Porque no reconhecimento das receitas objeto da presente exigência observara atentamente a legislação de regência da matéria, não cabendo, imputação de nenhum gravame. III — DO PEDIDO Como adotara os procedimentos determinados pela Resolução BACEN 2682/99 e pela Lei 9.430/96, pede que seja recebido, conhecido, processado e inteiramente provido o Recurso Voluntário, para reforma da decisão proferida de forma a “declarar a insubsistência da exigência fiscal firmada em face da inexistência de a)omissão de receitas, b) falta de adição de diferença na base de cálculo dos tributos e c) postergação da tributação de receita, bem como tendo em vista a inocorrência de descumprimento de obrigação tributária.”Protesta, ainda, para realizar sustentação oral. Despacho de fls.467 encaminha os autos para o CARF. Por sorteio os recebo. É o Relatório. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 632 17 Voto O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Conforme anteriormente relatado, tratase de exigência para o IRPJ e a CSLL, decorrente das seguintes infrações: a) omissão de receitas; adições não computadas na apuração do lucro real e inobservância do regime de escrituração – postergação de receitas, e de tributos reflexos (CSLL , COFINS e PIS), relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/2002. Os lançamentos estão suportados pelos seguintes dispositivos: a) IRPJ: artigos: 10, § 30 , da Lei n° 9.430/96; 24 da Lei n° 9.249/95;249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; b) CSLL: artigos: 2° e parágrafos da Lei n° 7.689/88; 1° da Lei n° 9.316/96; 28 da Lei n°9.430/96; 7° da Medida Provisória n° 1.807/90 6° da Medida Provisória n° 1.858/99; c) COFINS: artigos: 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 o Decreto n° 4.524/02; d) PIS: artigos: 24, § 2°, da Lei n° 9.245/95; 2°, inciso 1, alínea "a" e § único, 3°, 10, 26, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. Nos argumentos de defesa oferecidos se contem a preliminar, de nulidade, por “carência de fundamento legal”. Aduz a Recorrente que não descumpriu as obrigações tributárias previstas nos diversos dispositivos legais referidos nos lançamentos, pois tributou os acréscimos patrimoniais, nos anos 2002 e 2003, decorrentes das receitas de créditos recuperados. A rigor, esta preliminar não prospera. O contribuinte ao tempo em que diz padecer o lançamento de falta de fundamento legal, que é vício, de natureza formal, alega que não infringiu nenhum dos dispositivos legais supostamente violados, incorrendo em flagrante contradição. Nos autos não se encontram motivos que justifiquem a nulidade do lançamento realizado pela Autoridade Fiscal, nos moldes estabelecidos pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e com observância do artigo 59 do Decreto n°70.235/1972. O Prof. Souto Maior Borges em seu Livro Lançamento Tributário, Malheiros Editores, SP. 2 8 ed.1999, p. 120/121 leciona, que o "procedimento administrativo de lançamento é o caminho juridicamente condicionado por meio do qual a manifestações jurídicas de plano superior a legislação produz manifestação jurídica de plano inferior o ato administrativo do lançamento. (...) E, porque o procedimento de lançamento é vinculado e obrigatório, o seu objeto não é relegado pela lei à livre disponibilidade das partes que nele intervêm. É indisponível, em principio, a atividade de lançamento e, portanto insuscetível de renúncia". O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 633 18 ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. Na última sessão o processo veio a julgamento e o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé elaborou um quadro onde demonstra a correção do lançamento, a quem peço vênia para a transcrição seguinte: Conforme fls. 213 e 214 do Termo de ReRatificação de Constatação de Infração Fiscal (itens 54 a 60 do Termo), podese demonstrar abaixo como foram apurados os valores lançados no auto de infração: 2002 2003 Total A. Valor tributável (por competência) 19.484.889,64 *1 879.644,14 *3 20.364.533,78 B. Valor tributado (por caixa) 8.210.413,38 *2 5.079.644,14 *4 13.290.057,52 C. Diferença tributável (= A B) 11.274.476,26 4.200.000,00 7.074.476,26 *1 Valor renegociado (19.274.476,20) + juros incorridos em 2002 (210.413,38) *2 Valor recebido (8.000.000,00) + juros incorridos em 2002 (210.413,38) *3 Valor dos juros incorridos em 2003 (879.644,14) *4 Valor recebido (4.200.000,00) + juros incorridos em 2003 (879.644,14) Observase pelo quadro acima que a diferença tributável total (soma dos anos 2002 e 2003) corresponde exatamente ao valor da 5ª parcela, não oferecida à tributação, ou seja, 7.074.476,26. Ocorre que este valor também é fruto da diferença entre a receita tributada a menor em 2002 (de 11.274.476,26) e a receita tributada a maior em 2003 (4.200.000,00), conforme também se verifica no mesmo quadro. A diferença tributável de 2002, assim, compõese de duas parcelas, totalizando 11.274.476,26: 1. Omissão de receitas de 2.684.321,49 (diferença entre o valor da perda a ser estornada, de 10.684.321,49, e o valor reconhecido, de 8.000.000,00); e 2. Falta de adição ao Lalur de 8.590.154,77. Contudo, como o contribuinte reconheceu um valor tributável a maior em 2003 de 4.200.000,00, a parcela ‘2’ acima referida, na verdade foi desdobrada em duas, totalizando os 8.590.154,77: 2.a. Falta de adição ao Lalur de 4.390.154,77; 2.b. Postergação de receita de 4.200.000,00. Pelo exposto, o lançamento deve ser mantido integralmente, nos seus exatos termos. Vejase ainda que a diferença tributável total (7.074.476,26, valor da 5ª parcela), também pode ser demonstrado pela soma da omissão de receita (2.684.321,49) com a falta de adição ao Lalur não vinculada à postergação (4.390.154,77). Ou, então, vide o esclarecedor resumo abaixo (em negrito são os valores lançados): Valor tributado em 2002 8.000.000,00 + Valor receita omitida 2.684.321,49 = Perda a estornar 10.684.321,49 + Falta adição Lalur 4.390.154,77 + Postergação para 2003 4.200.000,00 = Valor tributável em 2002 (Acordo) 19.274.476,26 Assim resta demonstrada a correção também dos valores lançados. Mérito: Os eventos que tipificaram o ilícito fiscal decorreram de contrato de Repasse de Empréstimo externo , que foram descumpridos, correspondente a R$10.864.321,99.Em 16/11/2000, celebrou o "Instrumento Particular de Confissão de Dividas e Outras Avenças" (Doc. 03 da Impugnação), atualizando o valor da dívida confessada para R$13.726.885,54 , bem como estabeleceu a sistemática para pagamento. Houve novo descumprimento, que o levou a ajuizar a Execução por Quantia Certa, processo n° 000.01.302.3560, perante a Comarca da Capital. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 634 19 Em 17/10/2002 assinou em Juízo uma "Proposta" (Doc. 04 da Impugnação) visando o pagamento da dívida nos seguintes termos: a) em 17/10/2002: pagamento da 1a. parcela no valor de R$6.000.000,00 ; b) em 17/12/2002: pagamento da 2a.parcela no valor de R$2.000.000,00 acrescida de correção peloIGPM e juros de mora, que totalizou, quando do recebimento, a importância de R$2.210.413,38 ; c) em 17/02/2003: pagamento da 3a.parcela no valor de R$2.000.000,00 (dois milhões de reais), acrescida de correção pelo IGPM e juros de mora, que totalizou, quando do recebimento, a importância de R$2.374.242,74 • (dois milhões trezentos e setenta e quatro mil duzentos e quarenta e dois reais e setenta e quatro centavos); d) em 28/03/2003: pagamento da 4a.parcela no valor de R$2.200.000,00, acrescida de correção pelo IGPM e juros de mora, que totalizou, quando do recebimento, a importância de R$2.705.401,40 ; e) em 17/05/2003: pagamento da 5a. parcela no valor de R$7.074.476,20 (sete milhões setenta e quatro mil quatrocentos e setenta e seis reais e vinte centavos). Nos termos do item 5 da aludida "Proposta", sua cliente a Marchesan, ficaria dispensada do pagamento da parcela a vencer em 17/05/2003, caso efetuasse o pagamento tempestivo das demais parcelas, incluindo os acréscimos moratórios. Tal fato efetivamente ocorreu. Deste modo tributou o valor de R$8.210.413,38 quando do recebimento da 1a. e 2a.parcelas, isto é, no ano base de 2002, bem como o valor de R$5.079.644,14 no ano base de 2003, momento do recebimento da 3a. e 4a. parcelas. Com isto, de uma dívida que era de R$10.684.321,99 recuperou o valor de R$13.290.057,52 ,valor oferecido à tributação. O lançamento, com base no artigo 10, parágrafos 1º e 3º, da Lei 9.430/96, imputou a omissão de receitas operacionais no anocalendário de 2002, no montante de R$ 2.684.321,49, resultante da diferença do valor de R$ 10.894.734,87, relativo ao estorno do crédito de R$ 10.684.321,49 baixado como perda, em 28/06/2002, mais os rendimentos de R$ 210.413,32, de juros e correção recebidos sobre as parcelas vencidas no ano , e o montante total recebido no ano, oferecido à tributação, de R$ 8.210.413,38; apura, ainda, postergação de receita de 2002 para 2003, no valor de R$ 4.200.000,00 – que correspondem às parcelas vencidas, recebidas e reconhecidas como receitas em 2003; verifica, por fim, falta de adição ao Lucro Real de 2002, do valor de R$ 4.390.154,77, correspondente à diferença entre o valor de R$ 8.590.154,77 (= R$ 19.274.476,26, renegociado, menos, R$ 10.684.324,49, perda baixada) que deveria ter sido Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 635 20 registrado em 2002, e o valor de R$ 4.200.000,00, que registrou como receita operacional em 2003. A contribuinte, em seu socorro diz que não descumpriu normas de regência dos tributos lançados, pois incorreta seria a causa material da constituição dos créditos tributários, conforme noticia a autoridade lançadora. A exigência se fez, em primeiro lugar, por inobservância ao princípio da competência dos exercícios, um dos postulados da ciência contábil.A Contribuinte opõe a este o princípio do Conservadorismo, o que lhe justificaria se respaldar na Resolução BACEN 2682/99. Contudo, tal pretensão não encontra amparo na ciência contábil. Renato Romeu Renck, em seu Livro Imposto de Renda da Pessoa Jurídica , quando aborda a Questão Relativa à Apuração Contábil (fls. 119 a 146), explica que a ciência contábil é formada por uma estrutura única, composta de postulados e orientada por princípios, cuja produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. Aponta que a apuração contábil deve observar as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir: comercial a Lei 6404/1976; contábil Resolução 750/2003 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo a critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. A Resolução 750/1993, assim dispõe: (...) O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. (...) O regime contábil é procedimental. Em sendo norma de estrutura prescreve como deve ser processada a transformação dos fatos em linguagem jurídica, dos valores referentes aos direitos patrimoniais, aí contidos as mutações quantitativas e qualitativas ocorridas dentro do universo patrimonial da empresa. Os registros contábeis são realizados segundo leis comerciais, por outorga de competência. A obtenção do lucro e da renda tem na ciência contábil a preocupação com a quantificação e qualificação dos direitos patrimoniais de natureza econômica. Enquanto ciência está em constante evolução. A legislação societária instituiu procedimentos para apuração de resultados periódicos, preservando a verdade material que é o objeto da ciência. A quantificação da renda tributável parte de um resultado comercial, nos termos do artigo 7º do DL 1598/77. O cálculo final da base impositiva é ajustado em consonância às normas ordinárias específicas de apuração, que devem estar em sintonia com as regras constitucionais, conforme inciso I do artigo 8º do mesmo citado DL 1598/77. O Fl. 635DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 636 21 resultado comercial é a quantificação da base impositiva. Esta não seria sustentável se a elas não fosse agregada a ciência contábil, através da qual se estuda, cientificamente, as variações quantitativas do patrimônio. O artigo 280 do RIR/1999, conceitua o que vem a ser receita líquida de vendas e serviços. Por sua vez, o parágrafo 1º do artigo 187 da Lei das S.A, também determina que na apuração do lucro do exercício social serão computadas as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentes de sua realização em moeda e os custos e despesas, encargos e perdas pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas, devidamente escriturados. A legislação que suportou o lançamento, a seguir vai reproduzida: Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1º do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. (...)§ 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorrido cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. § 3º Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. Conjugandose os postulados e princípios contábeis com o artigo 10§ 3° da Lei 9.430/96, concluo pelo acerto do lançamento quando recompõe, no tempo, o fato gerador da obrigação tributária, o que leva a confirmar o item 002 – do auto de infração – Inobservância do Regime de Escrituração – Postergação de Receitas, no valor de R$ 4.390.154,77. 249, inciso II, 251, 273, 274, 843, 957, parágrafo único, inciso II, do RIR/99. Concordar com a decisão combatida quando afirma que a recuperação dos créditos baixados constituiu receita que acresceu ao patrimônio da Recorrente por ocasião no acordo judicial homologado, pois naquele momento, juridica e economicamente, houve a titularidade de direito de crédito de R$ 19.274.476,20, sem que por conta disso tivesse sofrido redução no ativo ou aumento de passivo. O direito de crédito oriundo do acordo foi incorporado definitivamente ao patrimônio da Contribuinte em decorrência da força jurídica do acordo homologado, acordo este firmado em 17/10/2002(fls. 296 a 301), no qual o devedor confessa “ser líquido, certo e exigível” a proposta de pagamento do montante referido. Assim, aqui está o momento da ocorrência do fato gerador. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 637 22 Também é fato que o artigo 10, da Lei 9.430/96, nos seus parágrafos 1º, 2º e 3º, estabelece que o reconhecimento das receitas de recuperação de crédito deve se operar no período de apuração em que se der o acordo judicial, quando, então, deve ser feita a contabilização e o oferecimento à tributação. Isto porque, se pelo parágrafo 1º, que contempla a hipótese de solução de cobrança desses créditos por desistência via judicial , o estorno ou a adição ao lucro líquido para determinação do lucro real deve se dar no período de apuração em que se der a desistência, não há razão para não se concluir que o mesmo não deva ocorrer no mesmo exercício em que a solução de cobrança se dá por acordo judicial, com recuperação do crédito, que é o caso dos presentes autos. O artigo 10, da Lei 9430/1996, ao regular o Registro Contábil das Perdas, estabeleceu o regime de competência para fins de tributação de receitas decorrentes de recuperação de perdas de créditos, via acordo judicial, não autorizando, assim, o entendimento defendido pelo Recorrente , quanto à utilização do regime de caixa para a hipótese. Também não tem razão a Recorrente quando invoca a Resolução do BACEN como suficiente para respaldar seu procedimento. A resolução aponta no sentido de assegurar que a lei fiscal seja cumprida. Diante do quadro legal e jurídico no qual se formatou o referido acordo, mostrase irrelevante, para fins tributários, a incerteza, de natureza subjetiva, que o Recorrente levanta quando argui que a Proposta de pagamento que materializou o acordo não representaria inequívoca garantia do devedor de liquidar a dívida e, que, assim, poderia estar ludibriando terceiros de boafé com antecipação de existência de ativo. O regime de competência é prevalente e adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. Nessa ordem de juízos nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000748/200744 Acórdão n.º 110200.653 S1C1T2 Fl. 638 23 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000878/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2001, 2002
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As argüições que, direta
ou indiretamente, versem sobre matéria de inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
LANÇAMENTO DE OFICIO. BASE DE CÁLCULO. MÉTODO DE APURAÇÃO. A falta de detalhamento da metodologia empregada pela fiscalização, para se apurar a base de cálculo da contribuição social sobre o
lucro líquido, impede a pessoa jurídica autuada de exercer o pleno direito de defesa, razão pela qual os lançamentos devem ser cancelados, sumariamente.
LANÇAMENTOS COM BASE EM VALORES ESCRITURADOS. AC2002. Se a contribuinte não logra comprovar erro cometido no preenchimento
da declaração de informações econômico fiscais, relativo ao ano calendário de 2002, a contribuição social a pagar, apurada no período, deve ser objeto de lançamento de ofício, com os acréscimos legais pertinentes.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos,
correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se
a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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IRPJ E REFLEXOS Recorrente TALUDE COMERCIAL E CONSTRUTORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria de inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTO DE OFICIO. BASE DE CÁLCULO. MÉTODO DE APURAÇÃO. A falta de detalhamento da metodologia empregada pela fiscalização, para se apurar a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, impede a pessoa jurídica autuada de exercer o pleno direito de defesa, razão pela qual os lançamentos devem ser cancelados, sumariamente. LANÇAMENTOS COM BASE EM VALORES ESCRITURADOS. AC 2002. Se a contribuinte não logra comprovar erro cometido no preenchimento da declaração de informações econômicofiscais, relativo ao anocalendário de 2002, a contribuição social a pagar, apurada no período, deve ser objeto de lançamento de ofício, com os acréscimos legais pertinentes. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 461DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, João Carlos de Figueiredo Neto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TALUDE COMERCIAL E CONSTRUTORA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de autos de infração, relativas ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em 25/04/2007 contra a contribuinte em epígrafe, constituindose os créditos tributários totais e respectivos de R$201.744,46 e R$1.342.259,75, abrangendo os principais lançados, dos anoscalendário de 2001 e 2002, multa de ofício de 75% e juros de mora, estes calculados até março/2007. A infração apurada, referente ao IRPJ, está caracterizada no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 96, no seguinte teor: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, o qual se constitui em parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) Fl. 462DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 3 31/12/2001 R$70.233,44 75,00 31/12/2002 R$ 7.232,43 75,00 (...) O aludido Termo de Verificação Fiscal está acostado às fls. 85/87, dele constando a descrição dos procedimentos de auditoria, que resultaram nos lançamentos efetivados nos autos de infração, objeto do presente processo: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99), procedemos à presente ação fiscal junto ao contribuinte acima identificado, conforme determinação contida no MPF n° 08113002006000665, em atendimento ao programa de fiscalização denominado OUTRAS EXCLUSÕES, combinado com a operação ADIÇÕES AO LUCRO REAL e VERIFICAÇÕES PRELIMINARES. O presente Termo é lavrado especificamente para constatar as irregularidades em relação à Operação 91121 Verificações Preliminares. Ressaltamos que as verificações alcançaram o período compreendido entre 01/04/2001 a 28/02/2007. Em 14 de março de 2006, lavramos o Termo de Início de Fiscalização, bem como um Termo de Intimação específico para as Verificações Obrigatórias. Em 15 de março de 2006 o contribuinte tomou ciência dos mesmos, bem como do Mandado de Procedimento Fiscal. O mencionado Termo continha intimação para que o contribuinte apresentasse vários elementos. As diferenças apuradas entre os valores declarados em DIPJ quando comparados com aqueles declarados em DCTF, no anocalendário sob auditoria, foram apresentadas ao contribuinte através de planilhas anexas ao Termo de Solicitação de Esclarecimentos, cuja ciência do mesmo ocorreu em 09 de maio de 2006. Em 17 de maio de 2006 o contribuinte compareceu à DRF/Osasco protocolando correspondência no SEFIS, na qual tenta argumentar que tais diferenças teriam ocorrido provavelmente do fato das referidas contribuições informadas na DIPJ terem sido apuradas com base no regime de competência, enquanto que as contribuições da DCTF foram elaboradas pelo regime de caixa, uma vez que a empresa exerce a atividade de construção civil. Nesta ocasião entregou, também, cópias das DCTF; relativas ao ano calendário de 2005. Como ainda não havia sido atendido integralmente o Termo de Intimação em relação às Verificações Obrigatórias, lavramos, em 12 de junho de 2006, Termo de Reintimação no sentido de que fossem apresentados os elementos faltantes. Somente em 21 de julho de 2006 o contribuinte atendeu à solicitação, ocasião em que protocolou na secretaria do SEFIS/DRF/OSASCO as planilhas de Informações Prestadas à SRF, em disquetes e impressas, desde abril de 2001 até o mês de maio de 2006. Apresentou, também, cópias das folhas dos livros Razões em que foram escrituradas as apurações dos respectivos tributos e contribuições. Em 11 de setembro de 2006 lavramos o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n° 002, no sentido de que o contribuinte explicasse as Fl. 463DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 4 diferenças tributáveis apresentadas nas planilhas demonstrativas geradas pelo Sistema Papéis de Fiscalização, as quais fizeram parte integrante do citado Termo. Desta feita os demonstrativos englobaram não só o ano calendário sob fiscalização, mas, também, todo o período abrangido pelas Verificações Obrigatórias, atingindo até o mês de maio de 2006. Também solicitamos ao contribuinte, no mesmo Termo acima citado, informações sobre as ações judiciais que porventura a empresa tenha impetrado, uma vez que, em suas planilhas, o contribuinte apresenta referência a uma Liminar em relação à Cofins, questionando a majoração de alíquota para 3%. Transcorrido o prazo concedido ao contribuinte sem que o mesmo tivesse se manifestado a respeito, lavramos, em 26 de setembro de 2006, Termo de Reintimação Fiscal. A fiscalizada protocolou resposta às 14:33hs do dia 04 de outubro de 2006, sob n° 000530, no SEFIS/DRF/OSASCO, anexando cópia de decisão concedendo a segurança requerida nos autos do processo n° 1999.61.00.250347 movido pelo Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo SINICESP, assim como Certidão de Objeto e Pé expedida em 05 de setembro de 2006 pelo TRF 3a Região. Já em relação às diferenças tributáveis apresentadas nas planilhas que acompanharam o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n° 002, o contribuinte nada apresentou, limitandose a informar que entregou declarações de compensação PER/DCOMP, porém não foram efetuadas as devidas compensações em sua contabilidade. Quanto à ação judicial acima mencionada, lavramos, em 28 de novembro de 2006, Termo de Intimação Fiscal para que o contribuinte apresentasse planilha específica, conforme modelo fornecido pela fiscalização, contendo os valores relativos à COFINS de forma discriminada, a qual possibilitaria identificar possíveis depósitos judiciais realizados. Como a fiscalizada não se manifestava a respeito lavramos, em 11 de janeiro de 2007, Termo de Reintimação Fiscal concedendo prazo adicional para que a mesma providenciasse o quanto solicitado. Em 19 de março de 2007 o contribuinte solicitou prazo adicional para o atendimento de nossa reintimação. Somente em 10/04/2007 apresentou as planilhas referentes ao PIS e à COFINS, discriminando os valores que teria considerado como amparados pelo Mandado de Segurança (COFINS) e aqueles que teria declarado em DCTF. Complementou, também, os demonstrativos de tributos devidos com base em sua escrituração até o mês de fevereiro de 2007 para as duas contribuições citadas, restando as informações referentes ao IRPJ e CSLL, alegando que ainda estava procedendo ao levantamento do resultado e encerramento do balanço do ano calendário de 2006. Desta forma, além das planilhas apresentadas pelo contribuinte, juntamos cópias das páginas dos Livros Razão da fiscalizada, nas quais constavam as escriturações dos tributos administrados pela SRF, comprovando as diferenças destes valores para aqueles efetivamente informados em DCTFs, diferenças estas que serão objeto de lavratura dos respectivos autos de infração. Na apuração das diferenças das contribuições objeto dos presentes lançamentos foram excluídos os valores retidos na fonte pelas empresas Fl. 464DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 5 públicas, sociedades de economia mista e demais entidades previstas na legislação de regência. Não foram considerados eventuais saldos credores decorrentes de créditos oriundos do período em que a fiscalizada estava sujeita ao regime da nãocumulatividade. Esclarecemos que estão sendo elaborados processos em separado: PIS e COFINS sem suspensão, COFINS com suspensão e outro abrangendo o IRPJ e CSLL, também sem suspensão. O presente termo foi elaborado em 3 (três) vias de igual forma e teor, sendo assinado por AuditorFiscal da Receita Federal e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias.” Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 25/04/2007, conforme assinatura aposta nos autos de infração (fls. 88 e 95), além de Termo de Encerramento (fls. 101) a contribuinte, por seu representante legal, interpôs, em 25/05/2007, impugnação de fls. 143/157, acompanhada dos documentos de fls. 158/182, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) faz, inicialmente, uma breve descrição do auto de infração e afirma que a exigência fiscal não merece prosperar, como se propõe a demonstrar; 2) em caráter preliminar, alega nulidade dos autos de infração, pela ausência dos demonstrativos dos cálculos que determinaram o “quantun” exigido, com violação ao princípio da motivação dos atos administrativos, conforme ensinamento de doutrinadores, que elenca; 3) essa falta de motivação dos lançamentos, além de ferir os princípios da moralidade administrativa, da legalidade dos atos praticados e da garantia constitucional ao contraditório, prejudica o direito de defesa da contribuinte, que não tem como contestar os valores lançados pela fiscalização, sem a demonstração dos cálculos que serviram para a determinação do montante exigido; transcreve jurisprudência; 4) argúi a decadência do direito de o Fisco promover os lançamentos de IRPJ, em relação ao anocalendário de 2001, porquanto teria decorrido prazo superior a 5 (cinco) anos, entre a ocorrência do fato gerador, em 31/12/2001, e a lavratura do auto de infração, que aconteceu em 25/04/2007; 5) reproduz o artigo 150, § 4º, do CTN, que trata dos lançamentos por homologação, categoria na qual se inclui o IRPJ, e cita doutrina e jurisprudência, para embasar a argumentação da decadência; 6) no mérito, além de repisar no argumento da decadência, com relação ao ano calendário de 2001, contesta a exigência fiscal, cujos valores se revelam incompatíveis com a escrituração da empresa; 7) aduz como exemplo o valor de R$70.233,44, a título de IRPJ do períodobase findado em 31/12/2001, para afirmar a sua inexistência na contabilidade, exceto que a dita importância figura como Contribuição Social a pagar e que foi compensada com saldo negativo do anocalendário de 1999; 8) e continua: “Outrossim, com relação à exigência relativa ao período de apuração 31 de dezembro de 2002, no valor de R$7.232,43, tratase de provisão contábil desse valor, sendo que, após as exclusões na apuração na determinação do lucro real, o resultado fiscal da Impugnante foi saldo negativo de IRPJ, não havendo nenhum valor a recolher.”; Fl. 465DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 6 9) destaca que as referidas exclusões na apuração do lucro real estão sendo discutidas no processo administrativo fiscal nº 10882.000881/200719, ainda pendente de decisão de primeira instância, sendo cristalino afirmar que, se há algum valor devido a título de IRPJ, esse deve ser exigido no citado processo e não no presente feito; 10) mesmo que se entenda pela manutenção da exigência do IRPJ apurado pela fiscalização, o auto de infração merece reforma no que tange à multa proporcional aplicada, no percentual de 75%, com caráter confiscatório, devendo ser reduzida; 11) discorre sobre as razões políticas que impuseram a fixação da multa de 75%, prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, lembrando da inexistência de distinção entre multa punitiva e moratória, conforme jurisprudência, que transcreve; 12) tece considerações sobre a capacidade contributiva dos contribuintes, transcreve ensinamentos de diversos doutrinadores e apela para que o Fisco se utilize do bom senso e da lógica, pleiteando a aplicação da multa moratória, em lugar da de ofício, de 75%; 13) rebelase contra a utilização da Taxa Selic, como juros de mora, protestando pela aplicação do percentual que não ultrapasse 1% ao mês, reproduzindo ementa de julgado do STJ, contendo determinação nesse sentido; 14) requer, ao final, seja julgada procedente a impugnação interposta, declarandose insubsistente o auto de infração lavrado, com o conseqüente cancelamento da exigência fiscal. A contribuinte apresentou, também, impugnação específica contra o auto de infração referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que se acha acostada às fls. 103/117, acompanhada dos documentos de fls. 118/142, na qual repete praticamente toda a argumentação expendida com relação ao IRPJ, destacandose apenas as inovações a seguir descritas: 1) afirma que o valor de R$171.092,88, exigido para o anocalendário de 2001, não consta da contabilidade da empresa, na qual está escriturada a importância de R$70.233,44, que foi compensada com saldo negativo de CSLL, relativo ao ano calendário de 1999; 2) já para o anocalendário de 2002, o valor escriturado é da ordem de R$7.732,43, divergente do lançado pela fiscalização, no importe de R$366.277,81, equivocadamente informado na DIPJ/2003; 3) esclarece que no anocalendário de 2002, a empresa apurou prejuízo fiscal, em razão de exclusão efetuada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, que está sendo discutida no processo administrativo nº 10882.000881/2007 19; 4) entende ter ficado demonstrado que os valores exigidos pela fiscalização estão incorretos, carecendo o auto de infração de liquidez, sendo imperioso o cancelamento das exigências fiscais nele consubstanciadas. A decisão recorrida está assim ementada: LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do Fl. 466DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 7 imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Não comprovado qualquer recolhimento de IRPJ, referente ao período de apuração autuado, a decadência passa a se reger pelo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, que prevê a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetivado. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4º, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. Não comprovado qualquer recolhimento de CSLL, referente ao período de apuração autuado, a decadência passa a se reger pelo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, que prevê a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetivado. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. MÉTODO DE APURAÇÃO. A falta de detalhamento da metodologia empregada pela fiscalização, para se apurar a base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica, impede a contribuinte de exercer o pleno direito de defesa, razão pela qual os lançamentos devem ser cancelados, sumariamente. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. MÉTODO DE APURAÇÃO. A falta de detalhamento da metodologia empregada pela fiscalização, para se apurar a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, impede a pessoa jurídica autuada de exercer o pleno direito de defesa, razão pela qual os lançamentos devem ser cancelados, sumariamente. LANÇAMENTOS COM BASE EM VALORES ESCRITURADOS. AC2002. Se a contribuinte não logra comprovar erro cometido no preenchimento da declaração de informações econômicofiscais, relativo ao anocalendário de 2002, a contribuição social a pagar, apurada no período, deve ser objeto de lançamento de ofício, com os acréscimos legais pertinentes, uma vez que aquela declaração não constitui confissão de dívidas, desde o ano calendário de 1998. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de ofício. A multa moratória de 20% se aplica aos casos de recolhimento espontâneo, bem como à exigência de tributos já declarados e não recolhidos. MULTA DE OFÍCIO. JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONA LIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância Fl. 467DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 8 administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto a parte mantida, repisando as alegações da peça impugnatória, a seguir coladas, e ao final requer provimento, vejamos: (...) Fl. 468DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 9 (...) (...) Fl. 469DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 10 (...) (...) Fl. 470DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 11 É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte foi autuada em procedimentos de fiscalização externa, tendose apurado diferenças, na tributação de IRPJ e CSLL, para os anos calendário de 2001 e 2002, relativamente aos valores escriturados e os declarados/pagos. A Decisão de 1a. instância já recolheu, corretamente, a decadência quanto ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001, restando apenas a cobrança da CSLL de 2002 (vide demonstrativo à fl. 237). Logo, são incabíveis as alegações da recorrente quanto a decadencia dos fatos geradores de 2001. No que tange as demais matérias, os fundamentos do voto condutor da lavra do ilustre julgador Hilosi Higa, não merecem reparos pelo que peço vênia para transcrevêlos, adotandoos como razões de decidir: (...) No que tange ao lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, o valor exigido pela fiscalização foi extraído da ficha 17, da DIPJ/2003 (fls. 66verso), que parte do lucro líquido apurado de R$4.069.753,46, para se chegar ao valor devido de R$366.277,81, com a aplicação da alíquota de 9%. A mencionada ficha 17 não contém registros nem de adições, nem de exclusões, contrariando a provisão efetivada na ficha 09A de contribuição social de apenas R$7.732,43. A contribuinte alega que as exclusões discutidas no processo administrativo fiscal nº 10882.000881/200719, se consideradas para o cálculo da contribuição social devida, reduziriam a exigência para o valor provisionado. No entanto, além de não preencher as linhas das “Exclusões” na ficha 17, a impugnante também não discrimina em qualquer demonstrativo como se apurou o valor provisionado de R$7.732,43. Somese a isso a circunstância de a glosa das ditas “Exclusões”, discutidas naquele processo, ter sido mantida integralmente, motivo pelo qual não há como se aceitar as ponderações da interessada, para revisão do lançamento efetivado pela fiscalização. O acórdão proferido no processo administrativo nº 10880.000881/200719, na mesma sessão de julgamento, está anexado por cópia ao presente feito (fls. 211/219). Relativamente à multa de ofício, foi ela aplicada no percentual de 75,00%, com base no art. 44, inciso I, parágrafo 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por apuração de diferenças entre os valores escriturados e os declarados/pagos, que deu motivação ao lançamento de ofício, com os acréscimos legais pertinentes, entre os quais a aludida penalidade. A legislação referida assim dispõe: Fl. 472DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 13 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60, da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal.” A exigência da multa de ofício, como se percebe da leitura do dispositivo retrotranscrito, é bastante ampla, abrangendo os casos de falta de pagamento, falta de declaração, insuficiência de recolhimento e, inclusive, hipóteses de declaração inexata. Desde que apuradas pela autoridade fiscal, quaisquer casos de inadimplemento da obrigação tributária e que ensejem o lançamento de ofício motivará a exigência da multa de ofício, no patamar mínimo de 75%, o qual pode ser elevado nos casos de nãoatendimento de intimações, bem como qualificado na ocorrência de fraude, dolo ou simulação. De outro giro, a atividade de lançamento tem natureza vinculada e obrigatória, conforme disposto no artigo 142, do CTN, que se transcreve: Fl. 473DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 14 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Em relação à possível pretensão da contribuinte, para substituição da multa de ofício pela de mora, confirase a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a respeito de multa de ofício: “MULTA DE OFÍCIO Após o início do procedimento fiscal, há a perda da espontaneidade do sujeito passivo, de modo que o crédito tributário apurado será acrescido da multa de ofício, de acordo com o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Se o percentual da multa aplicada está em consonância com a legislação vigente, não cabe à esfera administrativa afastar a sua aplicação. Nesse sentido, foi publicada a Súmula nº 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". (Acórdão 10196782, Sessão de 30/05/2008). Com relação ao argumento de que, com a aplicação de referida multa, estaria configurado o confisco, por ser aquela abusiva e indevida, bem como ferimento ao princípio da capacidade contributiva, cumpre considerar que referidos princípios constitucionais, antes de tudo, são dirigidos aos legisladores ordinários, que devem respeitálos no processo de elaboração legislativa, cabendo às autoridades administrativas o papel de aplicar as determinações legais emanadas do poder competente. O princípio da vedação ao confisco, previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal, conforme o nome já sugere, veda a utilização do tributo pelos entes tributantes com efeito de confisco, ou seja, impede que, a pretexto de cobrar tributo, se aposse o Estado dos bens do indivíduo. O princípio atua em conjunto com o da capacidade contributiva, artigo 145, § 1º, que também visa preservar a capacidade econômica do contribuinte. Conforme acima explanado, é critério informador da atividade do legislador e é, além disso, preceito a ser apreciado pelo Poder Judiciário, que, à vista das características da situação concreta, verificará se um determinado tributo ou penalidade invade ou não o território de confisco. No entanto, é mister que se frise que, tendo em vista a vinculação funcional da autoridade administrativa, este não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas cuja validade está sendo questionada, em observância ao artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Relativamente à questão dos juros de mora, devese ressaltar que a cobrança com utilização da taxa Selic decorre de expressa determinação legal, descrita nos demonstrativos que acompanham o Auto de Infração. Fl. 474DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 15 Esclareçase que, por estar devidamente fundamentada a exigência quanto à cobrança de juros à taxa Selic, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, “a” e III, “b” e § 1º da Constituição Federal. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a Administração Pública. Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. E acrescentese que o dever de observância das normas abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Receita Federal do Brasil– RFB, conforme expressa disposição da Portaria nº 58, de 17 de março de 2006, in verbis: “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos.” Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Confirmando esse posicionamento, a Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, instituiu o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, em seu art. 62, assim dispõe: “Artigo 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Assim, ante a impossibilidade de se apreciar qualquer aspecto relativo à constitucionalidade da lei que fixa o cálculo dos juros com base na taxa SELIC, cumpre apenas esclarecer que o art. 161 do Código Tributário Nacional outorga à lei Fl. 475DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 16 a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o parágrafo 1 o do referido artigo que os juros serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se não for fixada outra taxa. E a taxa SELIC tem previsão de aplicabilidade no artigo 61, parágrafo 3º, da Lei 9.430, de 1996. Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” “Art. 5º O imposto de renda devido..... (.......) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Acrescentese que, em que pese o questionamento do impugnante, a cobrança dos juros de mora em percentuais fixos é injustificável, pois é sabido que, no mercado financeiro, buscase o capital onde for menos oneroso. Portanto, em matéria tributária, a exigência dos juros de mora com base em taxas flutuantes aos níveis de mercado atua como fator dissuasório da inadimplência fiscal ao impedir que o particular, como meio de fugir das taxas de mercado, utilize o expediente de atrasar o cumprimento de suas obrigações tributárias e, por conseguinte, de se beneficiar à custa do Erário. Finalmente, ainda em relação aos juros de mora, devese esclarecer à impugnante que o percentual de 12%, que constava do artigo 192, da Constituição Federal, foi cancelado pela Emenda Constitucional nº 40, de 29 de maio de 2003, afastandose, definitivamente, qualquer óbice à aplicação da legislação que prevê a utilização da taxa Selic, para os casos de inadimplemento no cumprimento de obrigações tributárias. Aos fundamentos acima transcritos acrescentese: Quanto a exigência da multa de oficio esclareço que apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos Fl. 476DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10882.000878/200703 Acórdão n.º 140200.825 S1C4T2 Fl. 0 17 termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 477DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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