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Numero do processo: 10830.004954/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL
A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindo-se a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37).
Numero da decisão: 1301-000.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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Bebidas das AmaricasAmbev) Recorrida FAZENDA NACIONAL INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório A recorrente, já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão do julgamento em primeira instância, recorre voluntariamente a este colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao anocalendário de 2003, protocolizado em 28/09/2006 pelo contribuinte acima identificado (fls. 01/02). Conforme dados constantes da ficha 36 — "Aplicações em Incentivos Fiscais — Valor Declarado" da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2004 (fls. 474.), o contribuinte optou por destinar parcela do IRPJ para aplicação no FINOR, num montante de R$ 31.438.162,69, equivalente a 18% do valor do IRPJ apurado a alíquota de 15%, excluídas as deduções e reduções (fls. 474). Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme se verifica no extrato de fls. 2, sob os seguintes argumentos: • "01 — Redução de Valor por Opção Acima Limite Legal Fundo"; • "04. — Redução de Valor por Recolhimento Incompleto do Imposto" • "05 — Redução de valor por Erro na Apuração da BC na Declaração"; • "11 — Contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei 9069/95); • "12 — Contribuinte com Pendências junto ao INSS", e; • "13 — Contribuinte com Pendências junto ao FGTS". Referidas pendências motivaram a apresentação do mencionado PERC, que veio a ser indeferido, em 22/09/2008, por meio do Parecer/Despacho Decisório de fls. 426/427, sob a seguinte fundamentação, verbis: Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório pagina 426. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art 60), proponho que o processo de PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2004, seja indeferido. E citado Parecer/Despacho Decisório veio a ser levado a conhecimento do contribuinte em 28/11/2008 (fls. 428v) que, com o mesmo não concordando, apresentou em 16/12/2008, por meio de seus representantes legais (fls. 447/449), Manifestação de Inconformidade (fls. 434/4.68), alegando, em síntese, que: • a proposta de indeferimento da concessão do beneficio se lastreou na alegada existência de pendências junto a SRF e a PGFN, fundamentandoa no disposto pelo art. 60 da Lei n° 9065/95. Em verdade, os supostos créditos estão com a exigibilidade Fl. 538DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.004954/200676 Acórdão n.º 1301000.720 S1C3T1 Fl. 2 3 suspensa, conforme prescreve os artigos 14, 15 e 16 do Decreto n° 70.255/72, combinados com o artigo 145, III, combinado com o inciso VIII, do artigo 140, todos do Código Tributário Nacional.; • tal alegação, além de amparada nos dispositivos retro, também se encontra escorada em jurisprudência do Conselho de Contribuintes (reconhecimento deferido a empresa do mesmo grupo econômico que a manifestante), que não vem aceitando o alcance do artigo 60 da Lei n 9.069/95, que a Receita Federal quer dar em suas decisões. E se a exigibilidade se encontra suspensa, não se pode falar em débito. Menciona, ainda, decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP; • a decisão ora recorrida contraria, portanto, o entendimento majoritário da jurisprudência administrativa. Dessa forma, a concessão do beneficio se impõe, visto que o presente se assemelha aqueles referidos acima, tendo a mesma causa e o mesmo incentivo fiscal; • e a situação da manifestante, tanto perante a Receita Federal como junto a Procuradoria Fazendária está regular, conforme se constata pela CERTIDÃO CONJUNTA POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA, expedida em 31/10/2008. • o Parecer que indeferiu a aplicação, portanto, nulo, visto que manifestado sem que tenha dirimido ponto relevante da questão, ou seja, a existência de garantias dadas nas exigências apontadas, o que, certamente, dariam outro rumo à decisão.; • aquele ato decisório não pode, e nem deve ser convalidado, uma vez que fere diretamente os princípios constitucionais, ao privar a manifestante de seu legitimo direito garantido pela CF/88. Cita doutrina, concluindo por repetir que o citado despacho decisório, que obstou a aplicação da manifestante em Fundo de Investimento, não pode, nem deve receber guarida, porque a priva de seu direito, além de conflitar com jurisprudência do CC, ao limitar a interpretação da abrangência do art. 60 da Lei n° 9.069/95.” Foi prolatada a seguinte ementa no julgamento de primeira instância: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, bem como das contribuições previdenciárias, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida É o relatório. Passo ao voto. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Nesta fase,a recorrente reitera os argumentos já expostos na impugnação. A questão posta ao conhecimento do Colegiado cingese ao exame do indeferimento do pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais — PERC em razão da situação irregular da contribuinte perante a RFB e PGFN. Ressaltese que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos, com o direito aos certificados correspondentes, a partir do momento da concordância da SRF com a opção formalizada. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou não da opção pelos incentivos fiscais. O art. 60 Lei n° 9.069/95 estabelece como condição para a concessão do incentivo a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. O dispositivo está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. No caso em tela, a autoridade julgadora em primeira instancia, manteve o indeferimento nos termos pleiteado, sob a argumentação de que o contribuinte deixou de cumprir os requisitos dispostos no art. 60 da Lei n° 9.069/95, posto que não comprovou a inexistência de pendências junto a RFB e a PGFN, até o momento da expedição do Despacho Decisório, transcrevo a seguir, trecho da decisão recorrida: “De acordo com o mencionado dispositivo legal, a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é obrigatória para a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Assim, a análise deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que confere ou reconhece o beneficio, pois a decisão deve espelhar a situação fiscal do contribuinte no momento em que ela é proferida.” Para a solução da lide fazse necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que esta matéria encontrase pacificada , através da Súmula CARF n° 37, publicada no DOU em 17/07/2010, de aplicação obrigatória, haja vista seu caráter vinculante, nos termos abaixo transcritos: “Súmula CARF no. 37: IRPJ – Incentivos Fiscais Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos fiscais (PERC), a exigência de comprovação de Fl. 540DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.004954/200676 Acórdão n.º 1301000.720 S1C3T1 Fl. 3 5 regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto no. 70.235/72.” Importante ressaltar que, na ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o recorrente comprovou sua situação regular junto á. PGFN e RFB uma vez que apresentou certidões positivas com efeitos de negativas e, novamente junta as certidões nesta fase de recurso. Pelo exposto, voto por DAR Provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 541DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002366/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. GFIP.
Constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91 deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-002.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.002366/200716 Recurso nº 259.053 Voluntário Acórdão nº 2301002.261 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria Contribuições Precidenciárias Recorrente THEMA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. GFIP. Constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91 deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10640.002366/200716 Acórdão n.º 2301002.261 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa THEMA VEÍCULOS LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento por não cumprimento de obrigação acessória para com a Seguridade Social pelo período de 01/1999 a 12/2006. 2. De acordo com o Relatório do Auto de Infração, o contribuinte deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como esclarecimentos necessários a fiscalização, infringindo o artigo 32, inciso III da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso III do Decreto nº 3.048/99. 3. A decisão de primeira instãncia restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/07/2007 INFORMAÇÕES À FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL. DESCRIÇÃO DO FATO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. RETROATIVIDADE DE OBRIGAÇÃO. DEFICIÊNCIA DE INFORMAÇÃO. A empresa está obrigada a fornecer à administração tributária todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma além dos arquivos digitais utilizados em sistema de processamento de dados na forma normativamente estipulada. Não há cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal expõe os fatos que ensejaram a aplicação de penalidade. O contraditório é efetivado em consonância com as disposições reitoras do processo administrativo fiscal. Não há que se falar em retroatividade da obrigação de fornecer arquivos digitais a partir da Lei 10.666/2003 e Decreto 4.729/2003. A deficiência na informação equivale, para a presente autuação, à não informação Lançamento Procedente.” (fl 69). 4. O contribuinte, por sua vez, em suas razões recursais, insurgese contra os seguintes pontos da decisão recorrida: a) preliminarmente, aduz que cumpriu todas as exigências solicitadas pelo fisco, porém o relatório fiscal não foi claro e nem objetivo cerceando, assim, o direito de defesa; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 b) no mérito, alega que as informações solicitadas pelo fisco foram prestadas na forma do artigo 8º da Lei 10.666/2003 e Decreto 4.729/2003 e a autuação envolve o período de janeiro de 1999, quando não existia nenhuma normatização sobre arquivos digitais; c) os dados quanto ao período das informações solicitadas e das normas tidas como objeto de infração falam por si e não deixam dúvidas de que estão sendo aplicadas normas do ano de 2006 para possível ilícito relativo ao ano de 1999; d) não houve falta de entrega das informações, e que o Auditor fiscal alegou deficiência nos dados mostrados, porém a norma não prevê aplicação de penalidade para informações prestadas com deficiência; e) por fim, declara que não existe no Regulamento da Previdência Social norma impositiva para detalhar na folha de pagamento percentual de comissão e assim, não pode a autoridade administrativa aplicar multa punitiva. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10640.002366/200716 Acórdão n.º 2301002.261 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO 2. Narra o relatório fiscal que o lançamento se deu devido ao fato de a empresa ter apresentado as informações requeridas no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, em desacordo com o “layout” estabelecido pelas Portarias “INSS/DIREP n.º 42, de 24/06/2003 e MPS/SRP n.º 58, de 28/01/2005 e alterações previstas na Instrução Normativa MPS/SRP n.º 12 de 20/06/2006”, referentes ao período de 07/2003 a 12/2006. (f. 17) 2. Além disso, também foi solicitado por intermédio do mesmo TIAD “que a empresa detalhasse os percentuais das comissões pagas por centro de custo e período, por meio de documento escrito e assinado por sócio responsável (...), a memória de cálculo dos valores pagos ou creditados a título de comissões, a documentação comprobatória de tais feitos, tendo como parâmetro as receitas realizadas através de: venda de veículos novos – direta e internet; venda de veículos usados; venda através de consórcios; venda para frotistas e órgãos públicos; venda de peças – balcão e oficina; venda de seguros; venda de acessórios – balcão, oficina e loja; e, receita de serviços”. 3. E segundo a fiscalização, “a empresa não atendeu tal solicitação, alegando que o ‘procedimento para o pagamento de comissões, é alterado em razão da oferta, do início da negociação da venda e outros fatores que interferem diretamente na apuração do cálculo da comissão’.” 4. Sobre o lançamento, alegou o contribuinte que “não existe falta de entrega das informações, o que alega o Auditor Fiscal é que as informações foram prestadas com deficiências” (f. 82), mas tal assertiva não merece prosperar. 5. Isso porque, conforme disposto no inciso III, do artigo 32, da Lei 8.212/91 a empresa é obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis pertinentes à fiscalização, na forma por eles estabelecidos, in verbis: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” 6. Nesse mesmo sentido, o inciso III, do artigo 225, do Decreto 3.048/99 dispõe que: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;” 7. Não bastasse isso, o parágrafo 22 do dispositivo legal supracitado, acrescentado pelo Decreto n.º 4.729/03, diz que “a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização”. 8. Além disso, cumpre ressaltar que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos para auxiliar e facilitar a ação fiscal, sendo que será por meio das obrigações acessórias que a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. 9. E a obrigação acessória encontrase posta na legislação tributária, conforme disposto no art. 113, §2º do CTN, verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” 10. Oportuno frisar, ainda, que os valores aplicados em decorrência da omissão se justificam pela importância dos esclarecimentos para a administração previdenciária. Não bastasse isso, destacase que as informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas pela Previdência Social. 11. Assim, não obstante o arrazoado trazido pela empresa recorrente, mantenho a decisão vergastada. CONCLUSÃO 12. Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10640.002366/200716 Acórdão n.º 2301002.261 S2C3T1 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 19679.009457/2005-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo:
Numero da decisão: 1801-000.786
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo:
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Numero do processo: 14098.000199/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006
SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO
STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da
pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006
ERROS MATERIAIS NA LAVRATURA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ADMINISTRADO OU LESÃO AO INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há de se declarar a nulidade de procedimento fiscal em razão de erros materiais que não provoquem prejuízo ao contribuinte ou lesão ao interesse público.
MPF. PRORROGAÇÃO. COMANDO NO SISTEMA INFORMATIZADO.
DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET.
Com a edição do Decreto n. 6.104/2007 e da Portaria RFB n. 4.066/2007 abriu-se a possibilidade da Administração Tributária efetuar a prorrogação do MPF mediante simples comando no sistema informatizado, podendo o contribuinte visualizar a prorrogação mediante consulta na internet.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.969
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 ERROS MATERIAIS NA LAVRATURA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ADMINISTRADO OU LESÃO AO INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há de se declarar a nulidade de procedimento fiscal em razão de erros materiais que não provoquem prejuízo ao contribuinte ou lesão ao interesse público. MPF. PRORROGAÇÃO. COMANDO NO SISTEMA INFORMATIZADO. DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET. Com a edição do Decreto n. 6.104/2007 e da Portaria RFB n. 4.066/2007 abriu-se a possibilidade da Administração Tributária efetuar a prorrogação do MPF mediante simples comando no sistema informatizado, podendo o contribuinte visualizar a prorrogação mediante consulta na internet. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 ERROS MATERIAIS NA LAVRATURA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ADMINISTRADO OU LESÃO AO INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há de se declarar a nulidade de procedimento fiscal em razão de erros materiais que não provoquem prejuízo ao contribuinte ou lesão ao interesse público. MPF. PRORROGAÇÃO. COMANDO NO SISTEMA INFORMATIZADO. DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET. Com a edição do Decreto n. 6.104/2007 e da Portaria RFB n. 4.066/2007 abriuse a possibilidade da Administração Tributária efetuar a prorrogação do MPF mediante simples comando no sistema informatizado, podendo o contribuinte visualizar a prorrogação mediante consulta na internet. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000199/200812 Acórdão n.º 240101.969 S2C4T1 Fl. 159 3 Relatório A autuação Tratase do Auto de Infração n.º 37.184.0678, mediante o qual são exigidas contribuições devidas à Seguridade Social retidas pelo adquirente, na condição de subrogado, incidentes sobre o valor da comercialização do produto rural adquirida de pessoa física e segurado especial, cujos recolhimentos não foram comprovados ou foram efetuados a menor. O crédito, consolidado em 04/09/2008, assumiu o montante de R$ 1.243.454,01 (um milhão, duzentos e quarenta e três mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e um centavo). O sujeito passivo foi cientificado do mesmo em 25/09/2008, fl. 41. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 37/40, o fato gerador das contribuições foi a aquisição, pela autuada, de produtos rurais comercializados por produtor pessoa física ou por segurado especial. Relata o Fisco que as bases de cálculo, consistente no valor bruto da operação de aquisição dos produtos rurais, foi extraída de arquivos digitais fornecidos pela empresa, informações essas confrontadas com lançamentos contábeis e com os Livros de Registro de Entrada de Mercadorias. Informase que foram emitidas duas Representações Fiscais para Fins Penais, a primeira motivada pela omissão de declaração na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP dos fatos geradores dos quais decorreram as contribuições lançadas no presente AI e a outra pela falta de recolhimento do total das contribuições retidas do empregador rural pessoa física e do segurado especial. A impugnação A autuada apresentou impugnação, fls. 44/67, na qual, em apertada síntese, alegou que o procedimento fiscal é nulo uma vez que o Termo de Início da Ação Fiscal foi lavrado em 19/05/2005 e o Mandado de Procedimento Fiscal MPF somente foi emitido em 30/04/2008. Afirma que o encerramento da ação fiscal se deu em 17/09/2008, portanto mais de três anos após a lavratura do TIAF e a mais de 120 dias da emissão do MPF, portanto a expiração desse, como se verifica em consulta realizada no sítio da Administração Tributária. Alega ainda que a multa, no patamar imposto, ofende aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco. Na seqüência, sustenta que a aplicação da taxa de juros SELIC para fins tributários é a um só tempo inconstitucional e ilegal. Ao final, pede: a) o reconhecimento da nulidade do procedimento em razão da expiração do MPF; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 b) o afastamento dos acréscimos de multa e juros aplicados no lançamento; e c) que as intimações do presente PAF sejam encaminhada para a empresa e também para sua patrona. A decisão de primeira instância A Delegacia de Julgamento em Campo Grande (MS) declarou, fls. 101/114, procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. JUROS E MULTA São devidos juros e multa sobre as contribuições em atraso, ambos de caráter irrelevável. Os juros e a multa foram calculados de acordo com os dispositivos legais vigentes, não cabendo, à Administração, manifestarse sobre ilegalidade das normas em vigor. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N° 11.941/2009 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA A análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 123/136, no qual, alem dos argumentos apresentados na defesa, aduziu que o Supremo Tribunal Federal se pronunciou pela inconstitucionalidade dos dispositivos que dão guarida ao lançamento, ao julgar o Recurso Extraordinário RE 363852/MG, apresentado pelo Frigorífico Mataboi S/A. Pede então que o CARF afaste a aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Pretório Excelso no julgamento acima mencionado. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000199/200812 Acórdão n.º 240101.969 S2C4T1 Fl. 160 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da nulidade do procedimento Argüiu a recorrente que o fato do TIAF ter sido lavrado no ano de 2005, bem como do procedimento fiscal ter sido encerrado somente após a expiração do MPF, seriam causas de nulidade do procedimento fiscal, em razão de tais situações terem prejudicado o seu direito de defesa. De fato, está estampada no TIAF, fls. 31/32, a data de lavratura como o dia 19/05/2005. Esse fato, no entanto, passa longe de caracterizar vício insanável. Não é necessário grande esforço elucubrativo para se descobrir que a mácula apontada decorreu de erro de digitação. É pertinente que se pergunte como um documento do ano de 2005, no caso o TIAF, poderia mencionar outro documento no caso o MPF n. 1.3.01.002008002566, com data de emissão em 30/04/2008? De outra banda verificase também que o TIAF somente produz efeitos legais quando assinado pelo representante da empresa. Essa cientificação encontrase aposta no próprio documento com data de 19/05/2008. Não há o que se falar em nulificação do procedimento em razão do erro apontado. Na sistemática aplicável ao processo administrativo fiscal pátrio não tem lugar a declaração de nulidade de atos ou conjunto de atos quando não se revela qualquer prejuízo ao administrado nem lesão ao interesse público. É assim que dispõe a Lei n. 9.784/1999, a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Não seria razoável supor que um mero erro de digitação pudesse acarretar lesão ao interesse público. Também devo admitir que a falha trouxe prejuízo à contribuinte, na medida que o TIAF cumpriu o seu papel de dar ciência à mesma que estava sob fiscalização. Ainda mais quando se percebe o representante legal da empresa tomou ciência do termo, lançando a data correta no campo próprio. Nesse sentido, não devo dar razão ao sujeito passivo quanto a esse aspecto preliminar. Equivocase ainda a recorrente ao afirmar que quando a ação fiscal teve fim, o MPF já estaria extinto. Para abordar essa questão, vale a pena tecer um breve relato desde a legislação que tratava do MPF desde o período anterior a criação da Secretaria da Receita Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Federal do Brasil RFB, órgão que resultou da fusão das Secretarias da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, até os dias atuais. As atividades de fiscalização das contribuições previdenciárias eram regidas pelo Decreto n. 3.969/2001, que ao tratar, no seu capítulo III, do MPF, previa, no caso de fiscalização, o prazo máximo de validade 120(dias), o qual poderia ser prorrogado mediante a emissão de MPF complementar. Com a criação da RFB, pela Lei n. 11.457/2007, o Decreto acima referido foi revogado pelo de n. 6.104/2007, atualmente em vigor, o qual delegou ao Secretario da RFB a prerrogativa de estabelecer a normatização relativa ao MPF. Foi então editada a Portaria RFB n. 4.066/2007, a qual tratou do prazo de vigência e da prorrogação do MPF nos seguintes termos: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Como se pode ver do § 1. do art. 13, não há mais a necessidade de emissão de emissão de MPF complementar em meio papel para a prorrogação do mandato original, mas apenas o registro no sistema informatizado, o qual fica acessível ao contribuinte no sítio da RFB. A recorrente alega que em sua consulta à internet, a qual foi juntada, não havia indicação de MPF válido. Compulsando os autos não deve ser acatada essa tese, uma vez que se verifica a fl. 92, que a consulta foi efetuada em 23/10/2008, quando a ação fiscal já havia sido concluída. Diante dessas evidências não há como se acolher a preliminar de nulidade do lançamento sob cuidado. Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 863.352/MG No RE em questão discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuição social prevista no art. 25, I, da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000199/200812 Acórdão n.º 240101.969 S2C4T1 Fl. 161 7 8.540/1992. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 17 de março de 2011. Uma vez não caber mais recurso contra o RE em tela e tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve o referido julgado ser observado nos julgamentos do CARF, nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Verifico então que tendo o crédito em questão sido edificado sobre a legislação declarada inconstitucional, em decisão plenária, pelo STF, entendo que o mesmo não deve prosperar, devendo ser decretado o seu cancelamento. E não me convenço de que os pressupostos para a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo atualmente já estejam superados pelo fato da questão ter sido contemplada pela Lei n.º 10.256/2001, esta editada já sob a égide da Emenda Constitucional n. 20/1998. É que a subrogação do adquirente nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial pelo recolhimento das contribuições sobre a receita bruta da comercialização foi objeto da declaração de inconstitucionalidade uma vez que introduzida pelo art. 1. da Lei n. 8.540/1992, ao dar redação ao inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Eis os textos desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.528/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n. 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30, da Lei n. 8.212/1991, não foi alterado pela Lei n. 10.256/2001, a declaração de inconstitucionalidade o atingiu, não podendo subsistir o crédito tributário arrimado nesse dispositivo. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000199/200812 Acórdão n.º 240101.969 S2C4T1 Fl. 162 9 Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, por darlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10845.001620/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
Ementa: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para
comprová-las em parte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.246
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções com despesas médicas e odontológicas, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas em parte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções com despesas médicas e odontológicas, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 159DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10845.001620/200924 Acórdão n.º 2101001.246 S2C1T1 Fl. 150 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 117/145) interposto em 25 de janeiro de 2011 (fl. 117) contra acórdão proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 104/112), do qual a Recorrente teve ciência em 6 de janeiro de 2011 (fl. 116), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 23/27, lavrado em 29 de junho de 2009, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, bem como omissão de rendimentos, verificadas no ano calendário de 2005. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ONUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da relação de dependência do beneficiário dos serviços e o declarante, da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. A não comprovação por meio de documentação hábil, obsta a dedução. RENDIMENTOS DO TRABALHO. OMISSÃO. Os rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser declarados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual. GLOSA DE DEDUÇÕES. ONUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Havendo dúvidas quanto à regularidade de deduções pleiteadas, cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em impugnação oposta, que deve ser instruída com provas hábeis como fundamento dos argumentos de defesa. Assim, não configura afronta ao principio da legalidade a exigência de comprovação da Fl. 160DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10845.001620/200924 Acórdão n.º 2101001.246 S2C1T1 Fl. 151 3 efetividade do pagamento de despesas médicas / odontológicas consignadas em recibos e declarações unilaterais, por decorrer de expressa disposição legal. EXCESSO DE EXAÇÃO. A atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não tem caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fls. 104/105) Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 117/145), alegando em síntese, que inexistem razões para rejeitar os recibos apresentados, pois gozam de presunção de veracidade e autenticidade, trazendo legislação que supostamente o dispensa de apresentar outro meio de prova senão o recibo. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Considerandose que o Recorrente não se insurgiu em relação à omissão de rendimentos, a presente controvérsia é relativa à glosa de despesas médicas e odontológicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma o Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: Fl. 161DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10845.001620/200924 Acórdão n.º 2101001.246 S2C1T1 Fl. 152 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas ou odontológicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: Fl. 162DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10845.001620/200924 Acórdão n.º 2101001.246 S2C1T1 Fl. 153 5 "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Como se extrai dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado em virtude da suposta dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, constantes de recibos emitidos no exercício de 2006 por Regina G. Pinho, Claudia M. C. Soares, Cláudio S. Mussi e Marion M. L. Monteiro, e do plano de saúde de Ana Luiza, não dependente do Recorrente, totalizando o valor de R$ 30.380,72. Dessa forma, entendo que os recibos, declarações dos médicos e as fichas constantes de fls. 51/66 dos autos cumprem com os requisitos previstos na legislação já citada, autorizando a dedução pleiteada, pois, nesse caso, competiria ao Fisco a prova de que os recibos seriam inidôneos, utilizandose de “elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão”, o que não foi feito. No que se refere à glosa das despesas com o plano de saúde de Ana Luiza, verificase que a legislação apenas permite a dedução em relação ao contribuinte e seus dependentes. Nesse sentido, o art. 77 do RIR/99 estabelece os critérios e limites para fins de inclusão de dependentes na declaração de ajuste anual, nos seguintes termos: “Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º).” Fl. 163DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10845.001620/200924 Acórdão n.º 2101001.246 S2C1T1 Fl. 154 6 Assim, considerandose que a Sra. Ana Luiza P. de Pinho não constou como dependente do Recorrente em sua declaração de ajuste anual e que tal fato não foi impugnado, de rigor a manutenção da glosa relativa ao plano de saúde. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer as deduções com despesas médicas e odontológicas. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 164DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
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Numero do processo: 13851.001132/2002-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
SÚMULA CARF Nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Súmula CARF nº 48
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração.
SÚMULA CARF Nº 26
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Súmula CARF nº 48 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes. Recurso Voluntário Negado Fl. 423DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 409 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 320 a 344 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 103/111, relativo ao ano calendário 1998, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 107.904,80, conforme abaixo: A A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 79, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O contribuinte foi intimado, mediante Termo de Início de Fiscalização, fls. 03, a apresentar relação de todas as contascorrentes, poupanças e investimentos, acompanhada dos respectivos extratos mantidos em seu nome, do cônjuge e de seus dependentes, no Brasil e no exterior, no ano de 1998. No dia 10.05.2002, o contribuinte encaminhou o extrato anual da conta 0023774 – Agência 0024 do Banco Banespa, de onde foram levantados todos os valores creditados na referida conta, intimandose o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua contacorrente, conforme relação que seguiu anexa ao termo, fls. 90/97. Imposto R$ 47.239,65 Juros de Mora (calculados até 28.06.2002) R$ 25.235,42 Multa Proporcional R$ 35.429,73 Fl. 424DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 410 3 Em 10.07.2002, o contribuinte encaminhou um documento, datado de 08.07.2002, informando que a solicitação de documentos com referência à movimentação bancária baseada na CPMF veio afrontar diversos dispositivos constitucionais previstos na Carta Política de 1988. Dessa Forma, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, de natureza preventiva, na 1ª Vara da Subseção Judiciária de Araraquara – Feito nº 2002.61.20.0025142 para obstar o termo de intimação fiscal, alegando que somente após o trânsito em julgado do mesmo, daria cumprimento ao que fosse sentenciado. Diante da informação prestada pelo contribuinte e do fato de que a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito não foi comprovada através de documentação hábil e idônea, a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 14.08.2002, fls. 117/245 e, em 23.08.2002, apresentou documentos, de fls. 247/304, alegando em breve síntese que: PRELIMINARMENTE Subjúdice o Auto de Infração O presente processo encontrase totalmente subjúdice, estando desqualificado qualquer ato administrativo, inclusive, a lavratura do ato fiscal, em face da interposição de Medida Judicial adequada; São nulos de pleno direito qualquer andamento do feito administrativo, visto a impetração de medida judicial estar em grau de apreciação junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região São Paulo, passível, ainda, de recurso extraordinário junto ao STF, por violação de cláusula pétrea; Cerceamento de Defesa O Auto de Infração achase subjúdice e desse modo a fiscalização não poderia ter dado prosseguimento ao ato administrativo por faltarlhe conhecimento técnico jurídico dos diversos dispositivos constitucionais ofendidos; A realização das provas em direito admitidas será indispensável para que o Nobre Julgador possa verificar a veracidade das alegações que ora apresentamos, inclusive com prova pericial contábil, com o acompanhamento do assistente técnico e mediante resposta aos quesitos apresentados ao final desta; IR – Depósitos Bancários – Prova de Utilização dos Valores – Imprescindibilidade Em qualquer ângulo que se analise a questão, o auto de infração lavrado não resiste a qualquer análise jurídica, mormente, in casu, com desobediência a diversos princípios constitucionais, não tendo sido outra a farta jurisprudência administrativa da Secretaria da Receita Federal; Documento Novo Em decorrência do cerceamento de defesa, que se verificou durante o processo de fiscalização, por motivo de força maior, protesta desde já o Recorrente pela juntada de documentos novos, requerendo, um prazo mínimo de 30 dias, em Fl. 425DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 411 4 face da necessidade dos mesmos para a comprovação da veracidade dos fatos aqui alegados; DO MÉRITO E DO DIREITO Declaração de I.Renda – Pessoa Física O Recorrente através de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao AnoCalendário de 1998 / Declaração de Ajuste Anual Simplificada, apurou rendimentos tributáveis no valor de R$ 11.120,00, que deverá ser, obrigatoriamente, excluído do montante apurado, face ter ocorrido a tributação de IRRF; Da firma TRIQUES & MORAES LTDA ME O Recorrente é titular da empresa Triques & Moraes Ltda. ME, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob n° 69.242.303/000117, e toda a movimentação de caixa da empresa, ou seja, a entrada de receita bruta da firma Triques & Moraes Ltda. ME, relativo ao ano calendário de 1998, por não possuir conta corrente bancária, foi efetuada na pessoa do titular, tendo a Declaração de IR da Pessoa Jurídica sido efetuada dentro das normas legais, inclusive com pagamento do imposto de renda devido, sendo assim, o valor constante de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, com saldo final de caixa e bancos de R$ 24.592.28, deverá ser excluída da base de cálculo do Recorrente. Da Administração e Construção de Residências O Recorrente, cuja profissão é Arquiteto, desenvolve suas atividades profissionais notadamente para pessoa físicas, e possui diversos projetos arquitetônicos desenvolvidos com esse "sistema de trabalho", todavia, é impossível a indicação de seus clientes, pois, o Recorrente não possui autorização para tal, haja vista que tal procedimento implicaria numa quebra de sigilo fiscal das pessoas envolvidas, porém, como comprovação do procedimento acima descrito, o Recorrente anexa cópia do Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviço Autônomo utilizado no desenvolvimento de seu trabalho, quando é contratado, constatandose que o valor movimentado na conta corrente do Recorrente, referese a desembolsos financeiros que por vezes foram adiantados pelo cliente, e outras reembolsados, conforme contrato em vigor entre as partes; Na movimentação financeira do ano calendário de 1998 estão incluídas: declaração de imposto de renda da pessoa física; declaração de imposto de renda da pessoa jurídica e a administração técnica de construções de residências, incluindo a movimentação financeira da compra de materiais, e contratações de empreiteiros, não representando acréscimo patrimonial e/ou numerário de sua propriedade, com incidência de receita tributável; Do Sigilo Fiscal É inconstitucional a quebra de sigilo bancário oriundo da cobrança da CPMF porque a Lei n° 9.311/96 é ordinária e a Constituição Federal de 1988 determina que somente por Lei Complementar poderseá regular matéria referente à quebra do sigilo bancário ou de dados; As disposições contidas no § 2° do artigo 11 da Lei n° 9.311/96 violam o princípio constitucional que assegura ao indivíduo a proteção à sua privacidade; Fl. 426DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 412 5 Somente o Poder Judiciário pode determinar tais quebras; Apenas o Poder Judiciário (e somente ele) pode eximir as instituições financeiras do dever que lhes 'incumbe em tema de sigilo bancário. Caso não haja ordem judicial, não se impõe à instituição financeira o dever de fornecer legitimamente as informações que lhe tenham sido requisitadas; Da Indevida Utilização Da Taxa Selic No Cálculo Do IRPF A utilização da SELIC para fins de atualização de cobrança de tributos é manifestamente ilegal, e inconstitucional; Multa Confiscatória Não poderá prevalecer a aplicação da multa de mora, face ao seu nítido caráter confiscatório, o qual tem sido repelido com todo rigor pelo Poder Judiciário; O dispositivo da Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso I, combinado com o artigo 106, inciso 11, alínea "c", da Lei n° 5.172/66, totalmente inconstitucional na medida em que conflita com o art. 150, inciso IV da Constituição; Das Provas Está requerendo, desde já, a produção de todas as provas em direito admitidas, notadamente a de Perícia Contábil, e especialmente a juntada de novos documentos, para a comprovação dos fatos, sob pena de nulidade, em face da aplicação do preceito constitucional supracitado (art. 5°. inciso LV). também vinculado aos processos administrativos; Fica desde já requerida a constatação do recolhimento do IRPJ devido atinente ao período fiscalizado, obstando com isso a aplicação da multa que decorreu de mera aplicação acessória; É imprescindível a realização de prova pericial contábil, e em atendimento ao disposto no artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235 de 06/03/72 e alterações posteriores, nomeia para perito, o Sr. Sinomar José Silvestre. brasileiro, casado, Auditor/Contador, devidamente inscrito no Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo CRC n° 1 SP 178251/09, com escritório sito na Rua Raimundo Corrêa, n° 208 na cidade de São Carlos SP, CEP 13570000 Telefone: (OxxI6) 3368.3141, e, desde já, apresenta os quesitos relacionados na Impugnação apresentada; Do Efeito Suspensivo A presente impugnação administrativa, nos termos da Lei n° 5.172 de 25/1 0/1966 Código Tributário Nacional, suspende a exigibilidade do crédito tributário, assim sendo, não poderá o Ministério da Previdência e Assistência Social INSS Instituto Nacional de Seguro Social obstar qualquer fornecimento de CND Certidão Negativa de Débito, visto o diploma legal em referência, bem como, vasta jurisprudência do STJ Superior Tribunal de Justiça, conforme decisões abaixo, sob pena de serem tomadas as devidas medidas judiciais; Do Pedido Requer, ante o exposto, a extinção do processo administrativo, sem julgamento do mérito, em face das matérias preliminares já argüidas e, caso sejam Fl. 427DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 413 6 ultrapassadas as alegações preliminares, seja declarado nulo o Auto de Infração em face da fundamentação jurídica expendida. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. Cabe efetuar o lançamento do imposto, ainda que a sua incidência esteja sendo questionada judicialmente, permanecendo, porém, suspensa a sua exigibilidade, quando assim a lei determinar. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, naquilo em que houver identidade de objetos. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. SIGILO BANCÁRIO. PRELIMINAR. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. RETROATIVIDADE a Lei 10.174/2001, por ampliar os poderes conferidos à fiscalização federal, aplicase ao ato de lançamento realizado após sua publicação, mesmo que este se reporte a fato gerador pretérito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.Não se configura cerceamento do direito de defesa se ao contribuinte é concedido direito e oportunidade de apresentar defesa e documentos e provas relacionados ao pleito nela contido. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS E DOCUMENTOS. A legislação ressalva da preclusão as provas apresentadas a destempo, somente quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação nas hipóteses ali elencadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove ou apenas comprove em Fl. 428DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 414 7 parte, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. IMPUGNAÇÃO. PROVAS.A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. É desnecessária a perícia que objetiva responder a questões que não dependem de conhecimento técnico especializado não dominado pela autoridade julgadora. JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 350 a 363, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. O contribuinte insiste nos aspectos discutidos na esfera judicial, quais sejam, a possibilidade ou não da quebra do sigilo bancário pela fazenda pública e a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e sua constitucionalidade; II. Diferentemente do que alega o relator, ocorreu sim o cerceamento de defesa quando não foi permitida a produção da prova pericial, justificandose sua necessidade, não pelo fato de que os julgadores não têm conhecimento técnico para concluir, mas sim pela possibilidade de se compor e apurar os valores que simplesmente circularam pela conta corrente do Recorrente, sem nenhum acréscimo patrimonial, nem qualquer sinal exterior de riqueza ou exageros. Os depósitos bancários em conta do Recorrente, como já afirmado, trataramse de mera circulação de valores que não significam disponibilidade econômica de renda e proventos e III. Quanto a apresentação de novas provas, podemos constatar que não analisálas foi muito favorável ao fisco, ou seja, foram anexadas várias decisões favoráveis ao contribuinte de casos idênticos, decisões estas da Primeira, da Segunda, da Quinta Câmara, todas a corroborar as alegações apresentadas pelo Recorrente. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 429DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 415 8 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Alega a recorrente cerceamento ao amplo direito de defesa na decisão de primeira instância por ter indeferido pedido de diligência, eivandoa de nulidade. Na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus depósitos bancários durante a fiscalização, como se vê, na intimação à fl.: 90, contudo, pela ausência de resposta e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento da diligência pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA Fl. 430DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 416 9 Registro que julgados administrativos ou judiciais somente tem efeito vinculantes às partes e não vinculam o presente processo, especialmente, pelo fato que estamos diante de análise de provas que são distintas em cada caso. MATÉRIAS SUMULADAS Em relação as questões da possibilidade da quebra do sigilo bancário pela fazenda pública e a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e possibilidade de lançamento com base nos depósitos bancários, declaro que são matérias que não mais suscitam dissídio jurisprudencial, tratadas em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. Ainda, considerando que o lançamento foi efetivado quando o contribuinte detinha um Mandado de Segurança importante ressaltar o que diz a Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. MÉRITO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Especificamente sobre a origem dos depósitos bancários, o contribuinte, nessa oportunidade recursal, mais uma vez, nada trouxe de substância. Nenhuma alegação ou prova que demonstre a origem dos recursos autuados. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Fl. 431DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13851.001132/200250 Acórdão n.º 210201.611 S2C1T2 Fl. 417 10 Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 432DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 13127.000402/96-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício:1995
ITR NOTIFICAÇÃO FISCAL FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE RESPONSÁVEL NULIDADE.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 21 “É nula, por vício
formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.327
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 21 “É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 25/02/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13127.000402/9636 Acórdão n.º 920201.327 CSRFT2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório O litígio em apreço teve início com a notificação de lançamento de fls. 02, que envolve o imposto sobre a propriedade territorial rural do exercício 1995, através da qual se majorou o VTN declarado pelo contribuinte Aluizio José de Almeida. É possível constatar que tal exigência retifica lançamento anterior, suspenso pela Instrução Normativa n° 16/96. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) indeferiu a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (fls. 1822). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, na sessão de 15/03/2000, proferiu o acórdão n° 20306.429, que se encontra às fls. 5559, cuja ementa é a seguinte: ITR VTNm BASE DE CÁLCULO — RETIFICAÇÃO Requisitos do § 4° do artigo 3° da Lei n° 8.847/94 e do item 12.6 da NE SRF n° 02/96 inexistentes. Incabível a retificação do VTNm tributado pela ausência de Laudo Técnico de Avaliação elaborado na forma dessa NE. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Colegiado o julgamento sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária, competência reservada exclusivamente ao Judiciário — BASE LEGAL O embasamento legal das Contribuições Sindicais Rurais (CNA/CONTAG) está disposto no DecretoLei n° 1.166/71, art. 4°, c/c o § 2°, do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da CF188. Recurso a que se nega provimento. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Intimado do acórdão em 05/01/2001 (fls. 64), o contribuinte, devidamente representado, interpôs recurso especial às fls. 6474, acompanhado dos documentos de fls. 75 80, onde se insurgiu contra o VTN utilizado no lançamento, sob o fundamento de que o Laudo Técnico apresentado atende ao disposto no § 4°, do artigo 3°, da Lei n° 8.847/94, trazendo como paradigma o acórdão n° 20172.885. Através do despacho de fls. 86 o recurso não foi admitido, em razão da ausência de apresentação de cópia autenticada do acórdão paradigma. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13127.000402/9636 Acórdão n.º 920201.327 CSRFT2 Fl. 3 3 Inconformado com esta decisão, o sujeito passivo interpôs agravo às fls. 90 91, informando que o acórdão paradigma está autenticado pelo Primeiro Tabelionato de Notas da Comarca de Jataí (GO). Aduziu, ainda, que a notificação não contém o nome, o cargo, o número da matrícula e assinatura do AFTN, sendo portanto nulo de pleno direito. Por intermédio do despacho de fls. 100, considerouse procedente o agravo, com a admissão do recurso especial. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões (fls. 105108), pugnou, basicamente, pela manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. O recorrente defendeu que o Laudo Técnico apresentado atende ao disposto no § 4°, do artigo 3°, da Lei n° 8.847/94, sendo injustificada a majoração do VTN declarado. Não obstante a discussão travada nestes autos até o momento gire em torno do VTN, não posso deixar de destacar que a notificação de lançamento de fls. 02 não contém, entre outros elementos, a identificação da autoridade que a expediu. Muito se poderia escrever sobre a regra prevista no artigo 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 21 tem o seguinte conteúdo: “É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu”. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13127.000402/9636 Acórdão n.º 920201.327 CSRFT2 Fl. 4 4 Tal Enunciado, aliás, tornouse Súmula Vinculante perante a Administração Tributária Federal, com o advento da Portaria MF n° 383 (DOU de 14/07/2010). Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser reformada, pois o lançamento é nulo por vício formal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, em razão da Súmula CARF n° 21. Gonçalo Bonet Allage Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10580.009640/2003-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
FATO GERADOR DO IRPF. OCORRÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário Súmula CARF nº 38.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário,
o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1998 e terminado em 31/12/2003 Como o lançamento se deu em 07/10/2003, o crédito tributário ainda não havia sido fulminado pela decadência.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-001.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para afastar a decadência do lançamento com relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1998, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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OCORRÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário Súmula CARF nº 38. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1998 e terminado em 31/12/2003 Como o lançamento se deu em 07/10/2003, o crédito tributário ainda não havia sido fulminado pela decadência. Recurso Especial do Procurador Provido. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.009640/200314 Acórdão n.º 920201.791 CSRFT2 Fl. 250 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a decadência do lançamento com relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1998, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. EDITADO EM: 01/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro Convocado), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O Acórdão nº 10616.013, da 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes (fls. 197 a 218), julgado na sessão plenária de 06 de dezembro de 2006, deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, por maioria de votos, para reconhecer a decadência do lançamento no que tange os fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1998. Transcrevese a ementa do julgado, na parte de interesse à discussão: (...) IRPF — DECADÊNCIA 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. (...) Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial por contrariedade à lei e à evidência de prova (fls. 223 a 228), com fulcro no artigo 15 do vetusto Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55, Fl. 253DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.009640/200314 Acórdão n.º 920201.791 CSRFT2 Fl. 251 3 de 16 de março de 1998, alegando que a decisão contrariava os artigos 1o, 2o, 9o e 11 da Lei n° 8.134/90 e o artigo 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96. O Presidente da 6a Câmara da 1o Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial por meio do despacho de fls. 229 a 231. Aduz o recorrente que o fato gerador do IRPF ocorre em 31 de dezembro de cada ano e que, no caso em comento, o fato concretizouse em 31/12/1998, correndo o prazo para a constituição do crédito tributário até 31/12/2003, mas, tendo o lançamento se efetuado em 07/10/2003, não ocorreu a decadência. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: Fl. 254DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.009640/200314 Acórdão n.º 920201.791 CSRFT2 Fl. 252 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 255DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.009640/200314 Acórdão n.º 920201.791 CSRFT2 Fl. 253 5 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os acórdãos a seguir transcritos: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) Fl. 256DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.009640/200314 Acórdão n.º 920201.791 CSRFT2 Fl. 254 6 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois existiu antecipação de pagamento na forma de imposto de renda retido na fonte, como demonstram as informações da declaração de ajuste do exercício de 1999 (fl. 14), não tendo sido imputada a existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. O ponto da discórdia está em outra discussão que já provocou debates acalorados no antigo 1o Conselho de Contribuintes: o momento de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física. Enquanto alguns defendiam que o fato gerador ocorria no mês em que se auferiu os rendimentos, tese adotada no acórdão recorrido, outros afirmavam que ele se completava apenas em 31 de dezembro do ano calendário, interpretação adotada pelo recorrente. Entretanto, essa matéria se encontra pacificada no âmbito do CARF, no sentido oposto do adotado na decisão atacada, desde a publicação da Súmula CARF nº 38: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10580.009640/200314 Acórdão n.º 920201.791 CSRFT2 Fl. 255 7 Assim, no presente caso, a contagem do prazo decadencial se iniciou em 31/12/1998 e terminou em 31/12/2003. Como a ciência do lançamento se deu em 07/10/2003 (fl. 110), o crédito tributário ainda não havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para afastar a decadência do lançamento com relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1998, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 258DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 10166.722950/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
NULIDADE LANÇAMENTO. LEVANTAMENTOS “VA1” E “VT1”. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, bem como os fundamentos legais, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação da obrigação tributária principal e da aplicação da multa.
LANÇAMENTO. LEVANTAMENTO “SP”. OCORRÊNCIA FALTA DE CLAREZA. FATO GERADOR E BASE CÁLCULO. NULIDADE.
A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus valores, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade.
É nulo o lançamento efetuado se a base de cálculo do fato gerador da obrigação principal não for devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos.
SUCESSÃO COMERCIAL. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA ADQUIRENTE. PREVISTA ART. 133 DO CTN. NÃO DEVIDAMENTE DEMONSTRADA. NÃO OCORRÊNCIA.
Da leitura do Relatório Fiscal e dos demais documentos que constam nos autos, constata-se que os elementos fáticos, isoladamente, sem outros elementos probatórios, são insuficientes para caracterizar a sucessão empresarial da responsabilidade tributária do art. 133 do CTN.
Os elementos fáticos não demonstram que houve a efetiva alienação de estabelecimento comercial ou do fundo de comércio.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei
nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar para afastar a responsabilidade subsidiária da empresa LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda e, por maioria de votos, em reconhecer a existência de vício insanável no levantamento SP, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira e Julio Cesar Vieira Gomes que davam provimento parcial para que a alíquota fosse reduzida para 11%. Prosseguindo o julgamento quanto à natureza do vício, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Ana Maria Bandeira e Lourenço Ferreiro do Prado, dar provimento parcial para excluir do lançamento por vício material o levantamento SP Serviços
Prestados por Contribuintes Individuais. Apresentará voto vencedor o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PARCELA SEGURADOS Recorrente MAX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 NULIDADE LANÇAMENTO. LEVANTAMENTOS “VA1” E “VT1”. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, bem como os fundamentos legais, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação da obrigação tributária principal e da aplicação da multa. LANÇAMENTO. LEVANTAMENTO “SP”. OCORRÊNCIA FALTA DE CLAREZA. FATO GERADOR E BASE CÁLCULO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus valores, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se a base de cálculo do fato gerador da obrigação principal não for devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos. SUCESSÃO COMERCIAL. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA ADQUIRENTE. PREVISTA ART. 133 DO CTN. NÃO DEVIDAMENTE DEMONSTRADA. NÃO OCORRÊNCIA. Da leitura do Relatório Fiscal e dos demais documentos que constam nos autos, constatase que os elementos fáticos, isoladamente, sem outros elementos probatórios, são insuficientes para caracterizar a sucessão empresarial da responsabilidade tributária do art. 133 do CTN. Os elementos fáticos não demonstram que houve a efetiva alienação de estabelecimento comercial ou do fundo de comércio. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Fl. 5053DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar para afastar a responsabilidade subsidiária da empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda e, por maioria de votos, em reconhecer a existência de vício insanável no levantamento SP, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira e Julio Cesar Vieira Gomes que davam provimento parcial para que a alíquota fosse reduzida para 11%. Prosseguindo o julgamento quanto à natureza do vício, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Ana Maria Bandeira e Lourenço Ferreiro do Prado, dar provimento parcial para excluir do lançamento por vício material o levantamento SP Serviços Prestados por Contribuintes Individuais. Apresentará voto vencedor o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 5054DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, concernentes às contribuições previdenciárias não recolhidas e não descontadas dos segurados contribuintes individuais (corretores de imóveis) que lhe prestaram serviços, para as competências 01/2004 a 12/2007. O Relatório Fiscal (fls. 28/44) informa que os fatos geradores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: 1. LEVANTAMENTO “VA1” (vale alimentação pago em dinheiro). Os pagamentos efetuados aos segurados empregados em pecúnia a título de alimentação (rubrica 99400), conforme contabilidade e folhas de pagamento, e que não foram declaradas em GFIP; 2. LEVANTAMENTO “VT1” (vale transporte pago em dinheiro). Os pagamentos efetuados aos segurados empregados em pecúnia a título de transporte (rubrica 99600), conforme contabilidade e folhas de pagamento, e que não foram declaradas em GFIP; 3. LEVANTAMENTO SP SERVIÇOS PRESTADOS POR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (corretores de imóveis). Serviços prestados por contribuintes individuais (corretores de imóveis) na venda de imóveis de terceiros sob a responsabilidade da autuada e cujas remunerações pagas, devidas ou creditadas foram aferidas indiretamente com base em 100% dos valores das comissões de vendas recebidas pela empresa já deduzidas as vendas canceladas e registradas na conta contábil código 30152, no período 01/2004 a 12/2007 conforme dados constantes do Relatório de Lançamento (RL), e no arquivo BC SPC. PDF. O Relatório registra que a participação do corretor de imóveis na intermediação da venda de imóveis entre o vendedor (a autuada) e o comprador tem sustentação no art. 3o da Lei 6.530/1978, e também nos seguintes fatos: 1. toda a operação comercial de compra e venda e feita nos stands de venda da autuada e/ou sua supervisão conforme atestam documentos em anexo. Na proposta de compra e venda com recibo do sinal tem a participação obrigatória de seus funcionários na conclusão da operação; 2. as comissões pagas aos corretores ( segundo recibos e cheques em anexo) são superiores aos valores das comissões de vendas recebidas pela empresa através das Notas Fiscais (NF’s) de serviço 573 e 814, sendo portanto o critério de aferição utilizado razoável e justificável ( comissões devidas aos corretores = comissões de venda recebidas Fl. 5055DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pela autuada), tendo em vista a divisão de comissão entre o corretor e/ou empresa imobiliária que é de 50% para cada um, de acordo com o previsto na tabela de honorários dos corretores aprovado na AGE do sindimóveis/DF homologada pelo CRECI 8a Região/DF. Esse Relatório Fiscal informa, ainda, que o procedimento da aferição indireta se justifica pelo fato da empresa deixar de apresentar documentos (relação com os valores de venda de cada imóvel de terceiros por empreendimentos, por competência e os correspondentes comprovantes de pagamento de comissões recebidas e/ou pagas aos corretores) ou apresentá los de forma deficiente (planilhas com a relação parcial dos corretores, sem NIT, sem data de saída, sem a remuneração mensal, dentre outros). Como a empresa não apresentou os valores mensais das remunerações pagas devidas ou creditadas aos corretores de imóveis como contraprestação pelos serviços prestados na obtenção dos expressivos valores de receitas lançados na conta contábil 30152, não restou outra alternativa à fiscalização lançar mão do previsto na tabela de honorários extraída do site do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8 Região (CRECIDF) que prevê a divisão de comissão entre corretores e/ ou empresa imobiliária em 50% para cada parte. O Relatório Fiscal acrescenta ainda que – considerando as alterações introduzidas pela Lei no 11.941/2009 e o art. 106, inciso II, do CTN – concluise que a multa mais benéfica foi calculada pela legislação vigente, ou seja, multa de ofício de 75%. Esse mesmo Relatório Fiscal (fls. 28/44) registra que a Fiscalização entendeu ser mais prudente o lançamento do crédito tributário no contribuinte Max Empreendimentos Imobiliários (período 01/2004 a 12/2007) e como responsável subsidiário a empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda, conforme previsto no art. 133, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN). O Relatório Fiscal finaliza informando que formalizou Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP) por ter o contribuinte praticado atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, conforme disposto no art. 337A do DecretoLei no 2.848/1940 (Código Penal). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 04/01/2010 (fls. 01 e 425), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR) no SK397387985BR. A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. DA PRELIMINAR. A nulidade formal do Auto de Infração tendo em vista que a unificação da Receita Federal do Brasil ocorreu meramente no âmbito administrativo, não ocorrendo alteração dos procedimentos relacionados com a forma de constituição do crédito fiscal. Por conseguinte a constituição de crédito previdenciário (tributo) por intermédio de Auto de Infração é impróprio, tendo em vista que a Lei determina que no caso de lançamento de contribuições sociais (tributos) devese utilizar a Notificação Fiscal, e não Auto de Infração, pois este referese à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória; 2. ocorreu a decadência do direito de efetuar o lançamento fiscal no período 01/2004 a 12/2004, pois a presente notificação foi entregue a Fl. 5056DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 3 5 autuada na data de 04/01/2010, conforme termo de recebimento em anexo; 3. DA SUBSIDIARIEDADE. Não se conseguiu comprovar a ligação entre a Max empreendimento e a LPS Brasília a ponto incluíla como responsável subsidiária, salvo a MAX EMPREENDIMENTO possuir atualmente o mesmo endereço que possuía a LPS Brasília. Não ficou claro se a sucessão referese ao fundo de comércio ou do estabelecimento comercial. O fato do sócio majoritário da Max Empreendimento exercer o cargo de Diretor Geral da LPS Brasília não comprova a aquisição. Ambas as empresas continuam suas atividades; 4. DO MÉRITO. A atuação da impugnante representa uma das etapas no processo de venda em massa de unidades imobiliárias, ficando a cargo do corretor o procedimento de venda final com a apresentação do adquirente do imóvel à impugnante; 5. inexiste relação entre a autuada e os corretores autônomos, pois a autuada não efetua o pagamento os corretores autônomos, sendo estes remunerados diretamente pelos compradores das unidades imobiliárias. O fato gerador de contribuição previdenciária é o pagamento ou crédito de valores aos contribuintes individuais. O mero entendimento da autoridade lançadora de que a autuada remunera os corretores não ampara o lançamento; 6. considerar o total das receitas obtidas com comissão de vendas foge à razoabilidade; 7. a multa aplicada esta incorreta por não ter sido aplicada a multa mais benéfica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0337.734 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 4985/5001) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ocorreu a decadência tributária para os valores apurados até a competência 12/2004, inclusive. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 5057DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. QUESTÃO PREJUDICIAL: Na linha prejudicial do processo e em decorrência dos princípios da autotutela administrativa e da legalidade objetiva, verificase que o lançamento fiscal, concernente ao levantamento SP (serviços prestados por contribuintes individuais), deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a base de cálculo (salário de contribuição) dos valores lançados, nem a alíquota aplicada. Ou melhor, pelos fundamentos a seguir delineados, a alíquota aplicada e base de cálculo do fato gerador não estão em conformidade com a legislação previdenciária. Os motivos para a aplicação da alíquota e base de cálculo foram descritos no Relatório Fiscal da Infração nos seguintes termos: “[...]6. O objeto do lançamento é a apuração dos créditos correspondentes às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, referentes às parcelas, que a priori, deveriam ser descontadas dos segurados contribuintes individuais (alíquota de 20% a partir de 04/2003) e arrecadadas aos cofres públicos pela empresa, cujas alíquotas foram aplicadas sobre as bases de cálculo oriundas de tais remunerações pagas, devidas ou creditadas a estes segurados. No caso, também compõem os créditos apurados os juros e a multa de mora, assim como, a multa de ofício de 75% aplicada sobre as contribuições devidas, em cada competência, após a comparação com a multa anterior (AI 68 + 24% de multa) e sendo escolhida a mais benéfica ao contribuinte. Estes créditos constituídos encontramse discriminados no relatório Discriminativo de Débito, DD, em anexo, de acordo com os códigos de levantamento citados no item 18 a seguir. 6.1 Quanto à contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais foi empregada a alíquota de 20% (art. 21 da Lei n° 8.212/91) em f unção da ocorrência de situações impeditivas à aplicação da alíquota de 11% (isto é, redução de 45% da contribuição da empresa recolhida ou declarada, limitada a dedução à 9% do respectivo saláriodecontribuição), conforme previsto no § 4° do art . 30 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.876/99, que diz: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: § 4o Na hipótese de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá deduzir, da sua contribuição mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa, Fl. 5058DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 4 7 efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a nove por cento do respectivo saláriode contribuição.(grifamos) 6.2 No caso concreto, a empresa não recolheu (GPS) e nem declarou (GFIP) as contribuições próprias com base nos valores das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos prestadores de serviços pessoas físicas, portanto, não é devida a dedução de 9% na alíquota de contribuição dos contribuintes individuais (20% 9% = 11%). Também não foi observado o limite máximo do saláriodecontribuição devido a empresa não apresentar a remuneração mensal de cada contribuinte individual (corretor de imóveis) que lhe prestou serviços, portanto, a base de cálculo destes profissionais foi obtida por aferição indireta com base em 100% das receitas obtidas pela empresa com a venda de imóveis de terceiros (conta 30152).[...]” (g.n.) Contudo, entendo que o procedimento de auditoria fiscal, acima descrito (item 6 e subitens 6.1/6.2), não está em conformidade com a legislação previdenciária que disciplina tal conteúdo, pelas seguintes razões: 1. a alíquota aplicada para o levantamento “SP” foi de 20%, mas deveria ser aplicada a alíquota de 11%; 2. a base de cálculo do fato gerador foi estimada sem obedecer os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Tais limites estão estabelecidos pelo art. 28, §§ 3o e 5o, da Lei no 8.212/1991. Com relação ao entendimento da aplicação da alíquota de 11%, esclareço que – a partir da competência 04/2003, conforme art. 4o da Lei no 10.666/2003 – o contribuinte individual prestador de serviços à pessoa jurídica, que é o caso sub examine, deixou de ser responsável tributário pelo recolhimento da sua contribuição previdenciária, que passou a ser de responsabilidade da pessoa tomadora do serviço (a Recorrente), à razão de 11% sobre o salário de contribuição, e não mais alíquota de 20%. Para o recolhimento realizado pelo contribuinte individual, a contribuição previdenciária de sua parcela como segurado obrigatório do RGPS será de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, nos termos do art. 21, da Lei no 8.212/1991, in verbis: Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por sua vez, na situação de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, o art. 30, §4º, da Lei n° 8.212/1991, prevê a aplicação da alíquota de 11%. Art. 30. (...) § 4o Na hipótese de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá deduzir, da sua contribuição mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa, Fl. 5059DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a nove por cento do respectivo saláriode contribuição.(grifamos) Posteriormente, o art. 4o da Lei no 10.666/2003 estabeleceu a responsabilidade tributária para a empresa reter e recolher os valores das contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Lei 10.666/2003: Art. 4o. Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Da leitura da regra acima estabelecida, apenas quando o tomador do serviço for empresa, que é o caso do presente processo, o segurado contribuintes individual gozará da presunção absoluta de recolhimento das suas contribuições, não admitindo prova em contrário (Cf. VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Comentários à lei do custeio da seguridade social, p. 264), tal qual o segurado empregado e trabalhador avulso, devendo a pessoa jurídica, que é a Recorrente, responder exclusivamente pelo pagamento dos valores, caso não os tenham retidos ou não os repassados ao Fisco, na forma do art. 33 da Lei no 8.212/1991, in verbis: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifamos) Percebese, então, que os segurados contribuintes individuais que prestam serviços à empresa não sofrerão prejuízo na concessão dos benefícios previdenciários, mesmo que não tenham sido descontadas as contribuições previdenciárias, bastando aos segurados comprovar o vínculo laboral e o valor da remuneração percebida. Nesse linha de raciocínio, prevê o Enunciado no 18 de Súmula do Conselho de Recursos da Previdência Social: “Não se indefere benefício sob fundamento de falta de recolhimento de contribuição previdenciária quando esta obrigação for devida pelo empregador”. No mesmo caminho da aplicação da alíquota de 11% para a empresa que contrata segurados contribuintes individuais, bem como a presunção dos seus recolhimentos, prevê o art. 216, §§ 5o e 26, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.028/1999, transcritos abaixo: Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: (...) Fl. 5060DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 5 9 § 5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. (...) § 26. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário decontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Com isso, entendo que a aplicação da alíquota correta para o presente deveria ser de 11% e não de 20%, esta delineada pela auditoria fiscal. No que tange à apuração da base de cálculo do fato gerador, sem obedecer os limites mínimo e máximo do salário de contribuição, cumpre esclarecer que, consoante o art. 28 da Lei no 8.212/1991, o salário de contribuição é a base de cálculo sobre a qual incidirá a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, dentre outros segurados estabelecidos pela legislação previdenciária, normalmente formada por parcelas remuneratórias do labor, observados os limites mínimos e máximos legais. Lei no 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (...) § 3º O limite mínimo do saláriodecontribuição corresponde ao piso salarial, legal ou normativo, da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Extraise da leitura do inciso III do art. 28, acima transcrito, que a base de cálculo sobre a qual incidirá a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual Fl. 5061DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 deverá obedecer ao limite máximo estabelecido pelo § 5º desse mesmo artigo. Tal limite não foi observado pelo Fisco. Sem a observância do limite máximo para a apuração da base de cálculo dos segurados contribuintes individuais, a auditoria fiscal apurou, na mesma competência, o valor da contribuição previdenciária do segurado (Recorrente enquadrada como responsável tributário) igual ao valor da parte patronal (Recorrente enquadrada como contribuinte, processo 10166.722949/200971). Isso ocasiona no lançamento fiscal um afronto ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, consubstanciado pela sua vertente excessiva, eis que a cota patronal (alíquota de 20%, sem observância dos limites legais) não pode ser igual, nem inferior, a parcela dos segurados (alíquota de 11%, com observância dos limites legais). Em outro giro, o limite mínimo foi estabelecido pelo art. 5o da Lei no 10.666/2003, in verbis: Art. 5o. O contribuinte individual a que se refere o art. 4o é obrigado a complementar, diretamente, a contribuição até o valor mínimo mensal do saláriodecontribuição, quando as remunerações recebidas no mês, por serviços prestados a pessoas jurídicas, forem inferiores a este. Nessa mesma linha de entendimento, prevê o art. 216, § 27, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.028/1999, transcritos abaixo: § 27. O contribuinte individual contratado por pessoa jurídica obrigada a proceder à arrecadação e ao recolhimento da contribuição por ele devida, cuja remuneração recebida ou creditada no mês, por serviços prestados a ela, for inferior ao limite mínimo do saláriodecontribuição, é obrigado a complementar sua contribuição mensal, diretamente, mediante a aplicação da alíquota estabelecida no art. 199 sobre o valor resultante da subtração do valor das remunerações recebidas das pessoas jurídicas do valor mínimo do saláriode contribuição mensal. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Com isso, entendo que o procedimento de auditoria fiscal para estimar a base de cálculo do fato gerador, incidente sobre a prestação de serviço dos segurados contribuintes individuais à Recorrente, deveria obedecer os limites mínimos e máximos legais, e não aplicar 100% das receitas obtidas pela empresa com a venda de imóveis de terceiros (conta 30152), conforme foi estabelecido pela auditoria fiscal. Diante desse contexto de vícios constatados, seja na aplicação de alíquota equivocada (20% quando deveria ser 11%), seja na apuração de uma base de cálculo sem a observância dos limites legais, isso ensejou um lançamento fiscal com valores que englobou o valor concernente ao fato gerador devido pela Recorrente e o valor não devido pela Recorrente, que são: os valores decorrentes da alíquota de 9% (20% 11%) e do excedente da base de cálculo (100% das receitas obtidas base de cálculo com observância dos limites). Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Fl. 5062DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 6 11 O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade das contribuições previdenciárias. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei no 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei no 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento fiscal realizado pela auditoria fiscal. Nesse sentido, verificase que os valores apurados foram excedentes aos valores devidos pela Recorrente, ora provenientes da alíquota excessiva, ora proveniente da base de cálculo excessiva. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da Fl. 5063DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa de seu fato gerador. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza formal, pois a auditoria fiscal delineou uma base de cálculo e uma alíquota equivocadas, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Este Conselho possui julgados confirmando a ocorrência de vício formal e a possibilidade de novo lançamento em casos análogos. Citese os seguintes acórdãos: ERRO DE DIREITO INADEQUAÇÃO DA DESCRIÇÃO FÁTICA COM A DESCRIÇÃO LEGAL NULIDADE FORMAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO INSUBSISTENTE. Uma vez verificado o descompasso ou erro de descrição dos fatos auditados perante o dispositivo legal invocado como infringido pela autoridade lançadora, não se pode dar guarida a tal vício formal, que contamina, irremediavelmente, o lançamento, em dissonância ao quanto determinado pelo art. 10, inciso IV do Decreto 70.235/72. Portanto, insubsistente o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 10809705 de 17/09/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE – VÍCIO FORMAL. É nulo o ato administrativo eivado de vício de forma, já que devendo ser editado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o motivou. Inobservados os requisitos formais, há de ser considerado nulo, não acarretando nenhum efeito (Processo Administrativo Fiscal arts. 10 e 11). (Acórdão CSRF/0304.924 de 21/08/2006) LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. DETERMINAÇÃO DA EXIGÊNCIA. É nulo, por vício formal, o lançamento que, embora identifique a infração tributada, não atenda, adequadamente ao disposto no artigo 10, Inciso V, do Decreto 70.235/1972, quanto a determinação da exigência. (Acórdão 140200.538 de 24/05/2011) Há de se perceber que o vício ora evidenciado, que é a inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasiona o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo e não decorre do conteúdo do lançamento fiscal. Com isso, o vício caracterizase no seu aspecto formal e não material do lançamento fiscal. Tal vício formal está nitidamente constatado no momento em que a auditoria fiscal delineou no Relatório Fiscal um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 5064DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 7 13 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Em respeito ao art. 59, § 2º, do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve verificar a ocorrência ou não da infração à legislação, que não foi comprovada na presente autuação, e tomar as devidas providências. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Nesse sentido dispõe o art. 173, II, do CTN que o direito potestativo de o Fisco constituir novamente o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados da data em ocorrer o trânsito em julgado a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional (CTN), Lei no 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Por todo o exposto, em face da prejudicial, declaro a nulidade do lançamento fiscal oriundo do LEVANTAMENTO SP Serviços Prestados por Contribuintes Individuais (corretores de imóveis), restando prejudicado neste levantamento as demais preliminares e o exame de mérito. Com isso, é oportuno registrar que as demais alegações da Recorrente, expostas na peça recursal, serão tratadas neste Voto como questões pertinentes exclusivamente aos levantamentos: (i) “VA1” vale alimentação pago em dinheiro; e (ii) “VT1” vale transporte pago em dinheiro. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega nulidade do auto de infração por erro de fundamentação, já que haveria uma ilegalidade formal, tendo em vista que a Receita Federal do Brasil utiliza Auto de Infração para efetuar o lançamento de contribuições sociais, Fl. 5065DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 quando, por determinação legal, deveria valerse da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD). Cumpre esclarecer que, após promulgação e vigência da Lei nº 11.457/2007 – diploma normativo que dispõe sobre a Administração Tributária Federal –, a Secretaria da Receita Federal (SRF) passou a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 1o dessa Lei. Esta recebeu a atribuição de planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, além daquelas competências originalmente atribuídas à SRF. Lei no 11.457/2007: Art. 1o. A Secretaria da Receita Federal passa a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão da administração direta subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda. Art. 2o. Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) § 3o As obrigações previstas na Lei n ° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o capta deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Art. 4o. São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Em decorrência dessas disposições, nos termos do artigo 25, inciso I, dessa Lei, a partir de 1o de abril de 2008, passouse a ser aplicado aos processos administrativos fiscais de determinação e exigência dos créditos previdenciários o disposto no Decreto no 70.235/1972 – diploma que dispõe sobre o Processo Administrativo Federal (PAF). Lei no 11.457/2007: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: (g.n.) I a partir da data fixada no § 1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; Fl. 5066DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 8 15 II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2o desta Lei. Com isso, os documentos de constituição de crédito previdenciários, lançamento de ofício, emitidos em procedimento fiscal pela auditoria tributária da RFB passaram a denominarse Auto de infração, em cumprimento ao determinado no artigo 9o do Decreto no 70.235/1972, in verbis: Art. 9o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (g.n.) Percebese pela redação do art. 9o do Decreto no 70.235/1972, acima mencionada, que existem dois documentos para a exigência do crédito tributário, que são: auto de infração e notificação de lançamento. Esta será emitida no âmbito interno do órgão da Receita Federal do Brasil que administra o tributo, conforme art. 11 desse decreto; enquanto aquele deverá ser lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, nos termos do art. 10 do mesmo decreto. Decreto no 70.235/1972 (PAF): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (...) Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico. O presente caso tratase de auto de infração em que se verificou, nos documentos apresentados durante o procedimento de auditoria fiscal, a ocorrência de fatos geradores não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Sócia (GFIP). Logo, o procedimento de formalização do documento por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), utilizado pelo Fisco, está em consonância com a legislação vigente. Dessa forma, afasto a alegação da Recorrente de que inexiste fundamentação legal para a constituição do lançamento fiscal por meio do documento cognominado de AIOP. A Recorrente alega que o lançamento fiscal seja declarado nulo, pois haveria erro de fundamentação legal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do valores lançados, bem como da legislação aplicável, e não há erro na sua fundamentação. Fl. 5067DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Em outro giro, verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõem o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 28/44) e seus anexos são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo do Débito (DD) e o Relatório de Lançamentos (RL), dentre outros, que contêm todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Fl. 5068DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 9 17 Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias da parte patronal, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade, e não serão acatadas. Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação à responsabilidade subsidiária, cumpre esclarecer que a auditoria fiscal considerou a empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda como responsável subsidiária pelos débitos constituídos em face da Recorrente no presente processo. Nos termos do Relatório Fiscal – registrados no item 2 e seus subitens 2.1 a 2.8 –, a responsabilidade subsidiária estaria demonstrada pelos seguintes elementos fáticos, em síntese: 1. em 24/10/2007, foi assinado pelos sócios (Wildemir Antonio Demartini e Marco Antonio Demartini) o contrato da empresa LPS Brasília Empreendimentos Imobiliários Ltda – com capital social de R$2.000,00 e cujo objeto social será a prestação de serviços técnicos de planejamento, organização, compra, venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios –, sendo o sócio Wildemir Antonio Demartini (majoritário) responsável por 99% do capital integralizado. O contrato foi registrado em 14/12/2007, com início de atividades previstas para 03/12/2007; 2. em 27/11/2007, a empresa LPS BrasilConsultoria de Imóveis S/A (CNPJ 08.078.847/000109) deliberou segundo ata de Reunião do Conselho de Administração sobre a assinatura de contrato de transferência de quotas, visando a aquisição parcial das atividades e operações da então empresa Royal Empreendimentos Imobiliários Ltda (atual MAX Empreendimentos Imobiliários Ltda), localizada em Brasília e a expansão de negócios da CIA LPS Brasil dentro da região Centro Oeste. Como resultado, foi aprovado a assinatura do contrato de cessão e transferência de quotas, que traz como consequência a aquisição de 51% das quotas representativas do capital social da LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda; 3. em continuidade as negociações, em 21/12/2007, foi assinada pelos novos sócios a primeira alteração contratual da LPS Brasília Empreendimentos Imobiliários Ltda, trazendo as seguintes alterações: Fl. 5069DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 a) aumento do Capital Social; b) cessão e transferência de quotas e ingresso de novo sócio (LPS BrasilConsultoria de Imóveis Ltda), ficando esta como novo sócio majoritário; c) mudança da razão social da sociedade que passará a ser LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda e alteração parcial do objeto da empresa; d) manutenção de endereço da sede da sociedade no setor de Edifícios de utilidade pública Sul, entrequadra 705/905, Conj. A, Salas 442 e 444. 4. quanto à empresa Royal Empreendimentos imobiliários Ltda, efetuou alteração e consolidação contratual registrada em 23/04/08, conforme segue: a) alteração de denominação para MAX Empreendimentos Imobiliários Ltda; b) alteração do endereço no Setor Comercial Norte, SCN, Quadra 05, bloco A, número 50, sala 617, Asa Norte, Brasília, para a sala 620 do edifício Brasília Shopping and Towers; 5. posteriormente (23/11/2008), a empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda efetuou alteração contratual do endereço e passou a funcionar no mesmo endereço da empresa Max Empreendimentos Imobiliários Ltda, ou seja, Setor Comercial Norte, SCN, Quadra 05, bloco A, número 50, sala 617, Asa Norte, Brasília, edifício Brasília Shopping and Towers; 6. com base nas informações prestadas em GFIP, verificase que, a partir da competência 01/2008, houve a transferência de quase a totalidade dos empregados da empresa Royal Empreendimentos Imobiliários para a empresa LPS Brasília (código de movimentação N1), sendo que, na GFIP de 03/2008 da Royal foram feitas as rescisões sem justa causa dos empregados restantes, permanecendo na empresa somente os 02 sócios. Ao contrário, a empresa LPS Brasília continuou a contratar mais empregados. Como reflexo direto das mudanças em sua estrutura social, a empresa Royal Empreendimentos Imobiliários Ltda teve uma queda acentuada das receitas obtidas pelos serviços prestados na venda de imóveis conforme pode ser verificado através dos lançamentos na conta contábil 30152, mas não encerrando suas atividades; 7. destaca ainda que em todo o período fiscalizado, a administração da empresa Royal/Max Empreendimentos Imobiliário Ltda coube isoladamente ao sócio majoritário Wildemir Antonio Demartini e que o mesmo exerce o cargo de Diretor Geral/Técnico na LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda. Fl. 5070DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 10 19 O Relatório Fiscal, após delineamentos do elementos fáticos para caracterizar a responsabilidade tributária subsidiária, informa que: “3. Da análise dos fatos supracitados, a fiscalização entende que é mais prudente o lançamento dos créditos tributários no contribuinte Max Empreendimentos Imobiliários Ltda (01/04 a 12/07) e como responsável subsidiário a empresa LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda que responde pelos tributos, relativos ao fundo de comércio ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato (período de 01/04 a 12/07) respaldado no enunciado do inciso II do artigo 133 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966, (CTN), in verbis: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: (...) II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.” (g.n.) Contudo, entendo que os elementos fáticos, expostos no Relatório Fiscal (itens “2”, composto pelos subitens 2.1 a 2.8, e “3”) e nos demais documentos que constam nos autos, não são suficientes nem demonstram que ocorreu efetivamente a alienação do fundo de comércio ou de estabelecimento comercial, industrial ou profissional da Recorrente (Royal Empreendimentos Imobiliários Ltda, atual MAX Empreendimentos Imobiliários Ltda) para a empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda. Esses elementos fáticos, isoladamente, sem outros elementos probatórios, são insuficientes para caracterizar a sucessão empresarial da responsabilidade tributária do art. 133 do CTN. Os elementos probatórios expostos nos autos não direcionam se ocorreu de forma efetiva a alienação do fundo de comércio ou estabelecimento da Recorrente para outra empresa; pelo contrário, tais elementos demonstram que ocorreu uma reorganização societária, com alteração e remanejamento de cotas do capital social, bem como demonstram a ocorrência de mudanças de endereços das sociedades empresárias constantes do Relatório Fiscal. Entendo ainda que a regra estabelecida no caput do art. 133 do CTN trata da hipótese de alienação de um conjunto de bens materiais (imóvel, mercadorias, semoventes, parque industrial, dentre outros) ou imateriais (ponto comercial, aviamento) de uma pessoa jurídica, ou empresa individual, para outra continuar a respectiva exploração. Isso não ficou demonstrados pelos elementos fáticos expostos nos autos, especificamente os itens “2” e “3” do Relatório Fiscal. Na seara da responsabilidade tributária, é vedada a transferência implícita do encargo a outrem, pois os casos de responsabilidade deverão estar devidamente delineados em lei, nos termos do art. 128 do CTN, in verbis: Fl. 5071DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (g.n.) Não é suficiente um raciocínio lógico, estabelecido pela auditoria fiscal, para definir determinada pessoa jurídica como responsável pelo pagamento das contribuições sociais ora apuradas no presente processo. Sempre é necessária expressa disposição legal atribuindo a alguém tal condição, e o art. 133, II, do CTN determina que, para caracterizar a responsabilidade tributária subsidiária, deverá haver atos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento. Tais atos não ficaram comprovados nos autos. Logo, quando se trata de fundo de comércio ou de estabelecimento, não se pode adotar entendimento de que quem porventura veio a se instalar no mesmo local em que anteriormente funcionava a Recorrente, ou possuem os mesmos sócios, passa a ser sucessor tributário de forma subsidiária, nos moldes do art. 133, inciso II, do CTN. Não se tratando de efetiva alienação do fundo de comércio ou de estabelecimento, não haverá responsabilidade da empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda. O entendimento de que o mesmo local não transfere a responsabilidade do art. 133 do CTN ficou consubstanciado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na Ementa de Acórdão proferido no Recurso Especial 108.873/SP: “Ementa: TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A responsabilidade prevista no artigo 133 do Código Tributário Nacional só se manifesta quando uma pessoa natural ou jurídica adquire de outra o fundo de comércio ou o estabelecimento comercial, industrial ou profissional; a circunstância de que tenha se instalado em prédio antes alugado à devedora, não transforma quem veio a ocupálo posteriormente, também por força de locação, em sucessor para os efeitos tributários. Recurso especial não conhecido.” (STJ, Resp. 108.873, Rel. Min. Ari Pargendler, j. 04.03.1999, DJ. 12.04.1999, p. 111). Ademais, da leitura do art. 133, inciso II, do CTN, deflui que a responsabilidade do adquirente somente existe no que concerne aos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, e não com relação a todos os tributos devidos pelo alienante. Assim, por exemplo, se foi alienada a filial “ALFA1”, o adquirente responderá somente pelas contribuições sociais oriundas dessa filial, e não responderá por todas as contribuições sociais do alienante. Os fatos e documentos inseridos nos autos não demonstram se houve alienação, total ou parcial, do fundo de comércio. Dessa forma, verificase o procedimento adotado pela auditoria fiscal – ao considerar a responsabilidade subsidiária da empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda – não se coaduna com as regras estabelecidas pelos arts. 128 e 133, inciso II, do CTN, eis que não ficou caracterizada se ocorreu efetivamente a alienação do fundo de comércio ou de estabelecimento da Recorrente para a empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda. Com isso, esta deverá ser excluída do polo passivo da relação jurídicotributária do presente lançamento. Fl. 5072DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 11 21 No que tange à multa aplicada, a Recorrente alega que não foi aplicada a multa mais benéfica, e que houve erro na fundamentação, pois apontou um dispositivo legal e acabou aplicando outro mais prejudicial. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse Fl. 5073DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº Fl. 5074DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 12 23 8.212/1991 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Alguns sustentam a aplicação quando, embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei no 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Fl. 5075DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 (acrescentado pela Lei nº 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lei nº 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Fl. 5076DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 13 25 Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) em decorrência da falta de demonstração da efetiva alienação do fundo de comércio ou estabelecimento, seja retirada do polo passivo da relação jurídicotributária a empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda; (ii) em face da constatação de nulidade por vício formal, sejam excluídos integralmente os valores apurados no levantamento “SP” (serviços prestados por contribuintes individuais); e (iii) seja aplicada a multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 vigente à época dos fatos geradores. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 5077DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Voto Vencedor Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Redator Designado Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange à discussão acerca do vício aplicado em razão da adoção de alíquota e base de cálculo equivocada, peço licença para divergir do exposto acima, pois entendo que não é caso de anulação por vício formal, mas sim por vício material. É o que passo a expor. Cumpre inicialmente esclarecer que a discussão do tema é bastante relevante, pois, dependendo da natureza imputada ao defeito encontrado no lançamento, as autoridades fiscalizadoras terão o prazo decadencial “reiniciado” para constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, inc. II, do CTN. Para que a controvérsia seja devidamente dirimida, devese delimitar os conceitos de vício formal e material, assim como os motivos que dão ensejo ao reconhecimento dessas duas espécies de vícios, que igualmente ensejam a nulidade do lançamento, porém com diferentes efeitos. No que tange ao vício formal, assim conceitua De Plácido e Silva1: “É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisitos, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessário à sua validade ou eficácia jurídica.” Assim, vislumbrase que o erro de forma deve estar relacionado com o descumprimento dos requisitos e solenidades necessários à criação do ato jurídico, bem como que importe na sua invalidade ou ineficácia jurídica, presentes na medida em que há preterição do direito de defesa do sujeito passivo, situação que leva ao insucesso de se atingir a finalidade do ato administrativo. Vale dizer, num primeiro momento, que o vício de forma está intimamente ligado com o alcance da finalidade do ato administrativo. Nesse mesmo sentido expõe Marcos Vinicius Neder2: “O vício processual de forma só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.” Cabe ressaltar também o entendimento de Manoel Antonio Gadelha Dias3: “O ato administrativo é ilegal, por vício de forma, quando a lei expressamente a exige ou quando determinada finalidade só pode ser alcançada por determinada forma.” 1 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 25ª edição. Ed. Forense. Rio de Janeiro, 2004. p. 1482. 2 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 416. 3 Tôrres, Heleno Taveira et al (coordenação). Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 340. Fl. 5078DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 14 27 No campo prático, as “solenidades” formais do lançamento se referem a todos os requisitos complementares necessários para se compor a linguagem para a comunicação jurídica4, ou seja, para que o ato administrativo possua todos os elementos necessários à efetiva interação com o sujeito passivo, permitindo que este compreenda todas as motivações que o levaram a ser autuado, tais como a descrição dos fatos, a exposição da capitulação legal infringida, a menção ao local, data e hora da lavratura, etc. Esses requisitos compõem os elementos extrínsecos/formais do lançamento, os quais, para que importem na invalidade jurídica do ato administrativo, devem estar maculados a ponto de preterir o direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo. Desta forma, ao se identificar que houve falha na exposição de um requisito complementar no auto de infração, e que, em virtude disso, houve deficiência na comunicação jurídica do ato administrativo, preterindo o direito de defesa do sujeito passivo, estarseá diante de um vício formal, que pode ser regularizado pela autoridade fiscal através de um novo lançamento, dentro do prazo decadencial previsto pelo art. 173, inc. II, do CTN. Cabe ainda ressaltar que, como é cediço, nesses casos, a permitida regularização do vício formal realizada por lançamento superveniente não poderá alterar os elementos materiais do ato administrativo previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo), tendo em vista que apenas aperfeiçoará a forma de sua constituição para possibilitar que haja comunicação jurídica, permitindo que o contribuinte conheça as efetivas razões de autuação, bem como que realize a devida defesa, caso entenda ser necessário. Expostas minhas considerações acerca do conceito de vício formal, passo a analisar as características do vício material. Analisando o procedimento adotado pelo Código Tributário Nacional para se constituir o ato administrativo – lançamento – (art. 142 do CTN), verificase que a fiscalização deve “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Tais procedimentos, embora façam parte do lançamento, resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário. Destarte, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”5 do ato, resultando na sua nulidade. 4 Tôrres, op. cit. p. 346. 5 “VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...)” (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Acórdão n° 10248700, Sessão de 08/08/2007) Fl. 5079DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Não obstante, quando a fiscalização não aplica os elementos intrínsecos como deveria, ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen6: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Outra questão que bem delimita os casos de vício formal e material é o efeito que seria presenciado caso fosse permitido um novo lançamento, realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior. Caso o vício seja formal, o novo lançamento exigirá: (i) a mesma matéria tributável, (ii) o mesmo montante apurado no lançamento anterior, (iii) que o lançamento abranja os mesmos fatos geradores, (iv) que o sujeito passivo seja o mesmo, e (v) que seja a mesma multa aplicada, tendo em vista que, com o novo lançamento, apenas se ajustará os elementos extrínsecos do ato administrativo. Em se tratando de vício material, o novo lançamento acabará alterando os elementos substanciais do lançamento, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situação que não pode se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) Nessa mesma linda de entendimento, peço vênia para destacar também trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo 6 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 5080DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 240202.106 S2C4T2 Fl. 15 29 lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) – destacouse Feitas essas considerações acerca da aplicação do vício formal e do vício material, passo a analisálas à luz do presente caso. Como bem destacado pela i. Conselheiro Relator, o auditor fiscal aplicou “alíquota equivocada (20% quando deveria ser 11%)” bem como “base de cálculo sem a observância dos limites legais”, ensejando em ”um lançamento fiscal com valores que englobou o valor concernente ao fato gerador devido pela Recorrente e o valor não devido pela Recorrente, que são: os valores decorrentes da alíquota de 9% (20% 11%) e do excedente da base de cálculo (100% das receitas obtidas base de cálculo com observância dos limites)”. Destarte, restou evidente que o montante autuado não corresponde àquilo que o contribuinte deveria ter pago, o que leva ao entendimento de que o cálculo do montante devido – elemento intrínseco do lançamento – não foi devidamente realizado, o que enseja em patente ofensa à legislação que rege a hipótese de incidência do presente débito, situação esta passível de anulação por vício material, e não por vício formal. Não sendo permitido verificar o montante efetivamente devido pelo contribuinte, fato imprescindível para a constituição do presente débito, é certo que o lançamento não concretizou a comunicação jurídica necessária para que o mesmo tenha validade, devendo, assim, ser extirpado do mundo fenomênico. Portanto, verificase que não houve equívocos no preenchimento dos requisitos formais do lançamento, de forma a preterir o direito de defesa da Recorrente, posto que esta apresentou, inclusive, defesa tendente a demonstrar a nulidade do ato administrativo. O que houve, in casu, foi a adoção de alíquota e base de cálculo equivocada, alterando os elementos substanciais/intrínsecos do lançamento, qual seja, o cálculo do montante devido, incorrendo em flagrante vício material. Cabe ressaltar que eventual lançamento passível de ser constituído posteriormente em virtude desta anulação seria totalmente dissociado da presente NFLD, posto que demandaria uma nova fiscalização e apuração dos montantes porventura devidos, levando se em consideração o que restou aqui consignado, certamente com valores diversos da presente autuação, e não um mero aperfeiçoamento formal, razão pela qual entendo estarmos diante de um vício material. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir, tornandoas parte integrante deste voto. Fl. 5081DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 Ante todo o exposto, mais uma vez pedindo vênia ao i. Conselheiro Relator, voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) em decorrência da falta de demonstração da efetiva alienação do fundo de comércio ou estabelecimento, seja retirada do polo passivo da relação jurídicotributária a empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda; (ii) em face da constatação de nulidade por vício material, sejam excluídos integralmente os valores apurados no levantamento “SP” (serviços prestados por contribuintes individuais); e (iii) seja aplicada a multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 vigente à época dos fatos geradores. É como voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 5082DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.916558/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
Pedido de Compensação. Ônus da Prova.
0 pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equivoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.191
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.916558/2009 -29 Recurso n" 912596 Voluntário Acórdão n° 3102-001.191 — r Camara / r Turma Ordinária Sessão de 1 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Recorrente IFORTIX INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Pedido de Compensação. Onus da Prova. 0 pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equivoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Alvaro Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: DI- CARI: Ml • Fl. 43 A empresa citada identificada por IFORTLV INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA transmitiu declaração de compensação (Dcomp) em 20/01/2005, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de contribuição para a PIS/Pasep, sendo que o valor total do pagamento é R$ 759,33 .. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre pelo Despacho Decisório não reconheceu o direito pleiteado e não homologou a compensação declarada, afirmando que o DARF foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos infOrmados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato. o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso as planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de primeira instancia pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF - PAGAMENTO A DESTEMPO - IMPROCEDÊNCIA - Pacifico o entendimento tanto no cimbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia esponteinea o pagamento de valores declarados cm DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. RESTITUIÇÃO/COMPENSA0b - Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Impugnação Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1a instancia, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. 6ftl rn 2!3;10r2011 pot LUiti pc;r (..;UERRA DE CAS 1 RC, 2 )1 1 peic, Min,s!erin d razencia DI \RI- Processo n° 11080.916558/2009-29 5342112 Acórdão n.° 3102-001.191 Fl. 2 o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Aduz a recorrente, que tanto o Orgdo de jurisdição quanto o julgador de primeira instancia não cumpriam o dever de investigar a liquidez e certeza dos créditos em que se fundaria o pedido de compensação litigioso. Quanto à alegação, é preciso recordar o que dizia o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, (original não destacado): Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com tránsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizei-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgdo,(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) Como é possível perceber, a apuração do crédito, tarefa a ser empreendida pelo sujeito passivo nos termos do dispositivo transcrito, é o ponto de partida para formulação de declaração de compensação. Ora, compulsando os autos, o que se verifica é que não foi colacionado qualquer elemento que demonstre o indébito. Aliás, não foi trazido sequer urn demonstrativo que discrimine quais foram os parâmetros utilizados para sua apuração. Com efeito, o sujeito passivo aduz que os pagamentos eram indevidos, de acordo com determinado norte jurisprudencial, mas não traz ao processo sequer elementos que permitam aferir se os fundamentos invocados seriam os mesmos que foram considerados para o afastamento da multa em outros processos. Noutro giro, levando a discussão para o plano processual, de acordo com o art. 16, III do Decreto n° 70.235 1 , de 1972, caberia ao sujeito passivo carrear ao processo os elementos respaldassem suas alegações. Assim, considero prejudicada a discussão acerca do higidez da incidência de multa moratoria sobre tributos recolhidos espontaneamente em atraso. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões. em 1 de setembro de 2011 I Art. 16. A impugnagdo mencionará: 111 (...) - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (Redaeilo dada pela Lei n° 8.748, de 1993) 1 3 1)1. CAR] MI 1.1. :15 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator TLId digitalniente em 25/10,2C1 I pea LUIS MARCELO GUERHA LE CASTRO Agsnitin iii..,3ilalrnentc, em 2 - • i•.•:2 ,:11 I ory LUIS MARCELO OJERRA DE CASTRO 4 I iidj :Ii 1/10/2011 pelo Ministério da F4.1zend.F1
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