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Numero do processo: 19679.003894/2004-87
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RESTITUIÇÃO INDEVIDA. DEVOLUÇÃO.
Comprovado que o contribuinte recebeu restituição indevida do imposto de renda, deve-se manter o lançamento que exige a devolução do valor restituído indevidamente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 RESTITUIÇÃO INDEVIDA. DEVOLUÇÃO. Comprovado que o contribuinte recebeu restituição indevida do imposto de renda, deve-se manter o lançamento que exige a devolução do valor restituído indevidamente. Recurso Voluntário Negado.
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DEVOLUÇÃO. Comprovado que o contribuinte recebeu restituição indevida do imposto de renda, devese manter o lançamento que exige a devolução do valor restituído indevidamente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento relativa ao imposto de renda de pessoa física do anocalendário 2002, pela qual se exige o crédito tributário no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 38 94 /2 00 4- 87 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.003894/200487 Acórdão n.º 2801003.799 S2TE01 Fl. 111 2 montante de R$ 6.797,68, sendo R$ 5.991,34 de imposto, R$ 688,83 de restituição indevida a devolvida e R$ 117,51 de juros de mora sobre a restituição recebida indevidamente (calculados até 03/2004). O contribuinte, em sua impugnação, alegou que já efetuou o pagamento do imposto exigido mediante DARF em anexo, defendendo que não deve mais nada ao Fisco, uma vez que não reconhece a quantia de R$ 688,83, exigida a título de restituição recebida indevidamente, pois tal valor nunca foi sacado, seja no Banco do Brasil ou qualquer outra agência bancária. A decisão de primeira instância manteve a exigência da "Restituição Indevida a Devolver” no valor de RS 688,83. Regularmente cientificado daquele acórdão em 23/07/2009 (fl. 39), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 40/41 em 31/07/2009. Em sua defesa, alega: O valor de R$688,83 (Seiscentos e oitenta e oito reais e trinta e três centavos), fora devidamente recolhido como Imposto Retido na Fonte, conforme comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte (Doc. 01) e Notificação de Lançamento (Doc. 02). Referido valor fora somente recolhido e nunca levantado pelo contribuinte. A agencia 9998 do Banco do Brasil informada por V. Sas. no Acórdão de n° 1722.270 da 5ª Turma da DRJ/SPOII não existe em todo o território Brasileiro, portanto, não podendo o contribuinte levantar nenhum valor de uma agencia inexistente, conforme documentos comprobatório em anexo. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Recorrente insiste em defender que a quantia de R$ 688,83 exigida a título de restituição recebida indevidamente nunca foi recebida/sacada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.003894/200487 Acórdão n.º 2801003.799 S2TE01 Fl. 112 3 Ocorre que, consoante extrato de fl. 19, a referida restituição foi resgatada em 14/07/2003. O extrato de fl. 31confirma o resgate da restituição referente ao exercício de 2003. Assim, não se sustenta o argumento do Recorrente, devese considerar procedente a exigência da devolução da restituição recebida indevidamente de R$ 688,83. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002508/00-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/2005
DECADÊNCIA - Pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplica-se somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC n.118/2005, ou seja, até 09 de junho de 2005. A Recorrente que pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo decadencial.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 3101-001.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência do seu pedido e em determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciar as demais questões de mérito.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amora Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/2005 DECADÊNCIA - Pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplica-se somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC n.118/2005, ou seja, até 09 de junho de 2005. A Recorrente que pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo decadencial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/2005 DECADÊNCIA Pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplicase somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC n.118/2005, ou seja, até 09 de junho de 2005. A Recorrente que pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo decadencial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência do seu pedido e em determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciar as demais questões de mérito. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amora Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 25 08 /0 0- 18 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 52 2 O processo está bem relatado no Relatório de fls. 256 a 257 dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto do relator Pedro Luis de Godoy Machado, que poderá ser lido em sessão se necessário. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0526.512 de fls. 256 traz a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/1995 Restituição de Indébito. Extinção do Direito. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. Base de cálculo. Semestralidade. A base de cálculo do PIS na vigência da Lei Complementar nº 7, de 1970, era o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Solicitação Indeferida. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 262 a 299) em longo arrazoado e finalmente requer: a) Seja reformado o acórdão recorrido para, afastandose a ocorrência parcial da decadência, seja, reconhecido o direito da Recorrente à restituição integral dos valores recolhidos a maior a título de PIS, objeto deste processo, com a homologação de todas as compensações realizadas, até o limite dos créditos apurados, nos termos da legislação aplicável. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase o presente processo de Pedido de Restituição (fl.1) protocolado em 29/09/2000, no valor de R$ 445.182,74, correspondente a recolhimentos feitos a título de Programa de Integração Social PIS valores recolhidos à maior, no período de outubro de 1994 a setembro de 1995, em conformidade com os DecretosLeis 2445/88 e nº 2.449, de 21 de julho Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 53 3 de 1988, declarado inconstitucionais pelo STF e com efeito suspensivo ratificado pela Resolução nº 49/95 do Senado Federal. O Pedido de Restituição foi protocolado em 29.09.2000 e, portanto, a questão principal desse processo é a contagem do prazo decadencial. Assim, é imprescindível analisarse o prazo para repetição do indébito tributário, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. O mencionado artigo 165 do CTN prescreve: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for à modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Da leitura dos dispositivos citados acima, verificase que no presente caso o Recorrente pleiteia sua restituição com base no inciso I do artigo 168 do CTN, cujo prazo para repetição é de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Visando definir o termo a quo do prazo para repetição do indébito, já que a jurisprudência considerava que a extinção ocorria no momento do transcurso do prazo 5 (cinco) anos para homologação do Fisco – tese dos 10 (dez) anos contados do fato gerador , foi editado o artigo 3º da Lei complementar nº 118/2005: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 54 4 Quanto à aplicabilidade do artigo 3º, o artigo 4º da mesma Lei Complementar definiu a norma como interpretativa, atribuindolhe sentido retroativo, nos termos do artigo 106, I do CTN: Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Diante do questionamento sobre o caráter interpretativo do artigo 3º da LC nº 118/2005, já que inovou no ordenamento jurídico ao prescrever um novo prazo para repetição do indébito, a questão foi levada ao judiciário que, recentemente, foi definida pelo Supremo Tribunal Federal em julgado realizado em sede de Repercussão Geral (art. 543B, §3º do CPC), nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 55 5 aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relatora: Ministra ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULGAÇÃO 10/10/2011 PUBLICAÇÃO 11/10/2011 EMENTA VOL02605 02 PP00273) Nestes termos, restou pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplicase somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC nº 118/2005, ou seja, somente até 09 de junho de 2005. Quanto ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, o regimento interno do CARF determina que decisões proferidas em sede de Repercussão Geral deverão ser seguidas pelo órgão administrativo recursal1. Assim, definido que o prazo para repetição do indébito é de 5 (cinco) anos do pagamento indevido para os pedidos formulados após 09/06/2005, e que a Recorrente pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo para restituição dos créditos de PIS da Recorrente. Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a Decadência do pedido da Recorrente, devendo o processo retornar a DRJ para análise das demais condições de mérito. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 56 6 É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723856/2011-80
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 38 56 /2 01 1- 80 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 641 2 que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 530544, com a exigência do crédito tributário no valor de R$163.700,41 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2008. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores zerados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 185199, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem qualquer valor de débito confessado, fls. 3236 e aqueles escriturados no Livro Razão, fls. 218222 e no Livro Diário, fls. 223301. Ainda foram examinadas as informações prestadas pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), e nas Notas Fiscais correspondentes, fls. 303511, em conformidade com o Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529. O lucro presumido pertinente à prestação de serviços de monitoramento de sistemas de segurança, de zeladoria, de portaria e de limpeza, fls. 202210, foi calculado pelo coeficiente é de 32% (trinta e dois por cento) incidente sobre a receita bruta auferida. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 518, art. 519 e 528, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 642 3 II – O Auto de Infração às fls. 545550 com a exigência do crédito tributário no valor de R$38.175,24 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º, e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005 e art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. III – O Auto de Infração às fls. 551562 a exigência do crédito tributário no valor de R$73.600,58 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. IV O Auto de Infração às fls. 563568 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.271,38 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 572576, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: Impende destacar que crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, conforme previsão da Lei penal (artigo 18, inciso I). Ocorre que a Impugnante jamais pretendeu o resultado em comento, uma vez que não possui o conhecimento técnico para processar e avaliar as informações a serem enviadas a este órgão. Ademais quando instada a prestar esclarecimentos, a Impugnante apresentou os livros: diário e razão. Momento em que, em tese, restou constatada a existência de registros contábeis no ano de 2008. Tal conduta exercida pela Impugnante demonstra a sua boafé objetivando sanar qualquer irregularidade, portanto, não pode ser punida por fato aleatório a sua vontade e/ ou conhecimento, motivo pelo qual, não pode a atitude desta, incorrer em alguma das hipóteses tipificadas que majoram o percentual de multa a ser aplicada. Assim, em que pese, o acervo documental juntado ao processo administrativo, associado às informações divergentes apuradas, convergem para a tese trazida no Auto de Infração acerca do dolo da Impugnante, tal entendimento não corresponde a Fl. 642DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 643 4 realidade fática do caso em tela, a um porque a empresa não tem capacidade técnica para realizar os cálculos contábeis necessários para a devida informação junto a este órgão, a dois porque quando solicitada a manifestarse sobre o fato, logo atendeu ao chamado demonstrando sua boafé para esclarecer quaisquer fatos, bem como solucionálos. Impende ainda destacar que a multa ora aplicada possui caráter confiscatório e, se aplicada no percentual almejado por este órgão pode inviabilizar o negócio comercial da Impugnante. [...] Portanto, firmase o convencimento que no caso em tela, tratase de multa confiscatória que ofende aos princípios basilares da razoabilidade e vedação ao confisco, em suma, ofensa direta aos princípios preconizados pela Constituição Federal da capacidade contributiva e da arguição do confisco, que pode inviabilizar o negócio comercial da empresa. [...] Seguindo esta orientação, asseverase que a multa aplicada ademais de inviabilizar os negócios da Impugnante, empresa idônea, tratase de caso isolado, resultando o incidente ora ocorrido, em multa que possui caráter confiscatório. Desta forma, insurgese a Impugnante contra a forma de aplicação da multa, entendendo não poder haver a majoração do percentual aplicado, vez que não incorreu em nenhuma das práticas referidas no relatório apresentado, que ensejasse na majoração. Portanto, na situação em exame, fosse o caso de aplicação de multa, deveria haver a incidência da multa de 75%, porque os fatos em tese cometidos pela Impugnante, foi não ter recolhido os tributos na data certa. No caso, restou demonstrado que a Impugnante, muito embora em tese tenha omitido rendimentos no período de 2008, não agiu com dolo na prática de tal fato, vez que não tinha capacidade técnica para o exercício do cômputo das informações a este órgão, ademais agiu com boafé quando instada para prestar esclarecimento apresentando os documentos necessários para apuração do fato. Por fim, ressaltase ainda que se aplicada a multa no percentual de 150% ocorre afronta aos princípios constitucionais da vedação ao confisco e da razoabilidade, motivo pelo qual, espera e requer o Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de desconstituir a multa a ser aplicada no percentual razoável para fins de elidir toda e qualquer espécie de multa e/ou, alternativamente, a aplicação máxima da multa simples referida no relatório, no patamar de 75%, e, via de conseqüência, anulandose o débito fiscal excedente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto requer a Impugnante seja acolhida a presente impugnação para desconstituir a multa aplicada e, se assim não for o entendimento deste respeitável órgão federal, pugna pela redução da multa aplicada para multa simples, no patamar de 75%, ou seja, o montante da penalidade aplicada seja reduzido em 50% e, via de conseqüência, anulandose o débito fiscal excedente, (de 150% para 75%). Fl. 643DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 644 5 Outrossim, informa a Impugnante que o debito principal indicado está sendo objeto de parcelamento, nos termos da legislação especifica. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 35.753, de 24.11.2011, fls. 620625: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. O julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo apresenta a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica sem informar a receita obtida e não declara os débitos correspondentes em DCTF, pois impede ou retarda o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 08.12.2011, fl. 630, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.01.2012, fls. 632636, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal discordando do entendimento exarado pela autoridade de primeira instância de julgamento: Ora, Excelências, tais argumentos não merecem ser acolhidos, tendo em vista que, diversamente do apontado pelo julgador administrativo, em momento algum a Recorrente agiu com o dolo no que tange a omissão de receitas. Se tal fato ocorreu não o foi conforme aduzido pelo julgador, o caso em tela não retrata o modus operandi da hipótese prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502, uma vez que, tendo em vista a necessidade de adequação contábil para o próximo exercício fiscal, fatos ocorreram que resultaram na conseqüência arguida no processo em epígrafe. Contudo, não significa que a Recorrente tenha tido o dolo na prática de tal fato e/ou omissão, pois, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, conforme previsão da Lei penal (artigo 18, inciso I). Ressaltase que jamais a Recorrente pretendeu o resultado em comento, ademais de não possuir o conhecimento técnico para processar e avaliar as informações a serem enviadas a este órgão, ainda incorreu em tarefas administrativas para o processamento das informações a este órgão. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 645 6 O órgão julgador da Impugnação oferecida [...]. aduz que a Recorrente quando instada a prestar esclarecimentos, apresentou documentos fiscais que possibilitaram a apuração dos valores principais devidos a título de IR. Esta conduta, adotada pela Recorrente, por si só demonstra a boafé objetivando sanar qualquer irregularidade, e o pronto pagamento de débitos apurados, contudo, o pronto pagamento dos valores corretamente devidos. Neste sentido, não pode, a Recorrente ser punida por fato aleatório a sua vontade e/ou conhecimento, de tal modo que não pode esta incorrer em alguma das hipóteses tipificadas que majoram o percentual de multa a ser aplicada. Portanto, depreendese do noticiado no caso dos autos, que em hipótese alguma a Recorrente pretendeu omitir receitas do fisco, se tal fato ocorreu, o foi sem a intenção da mesma, motivo pelo qual, não se pode atribuíla dolo no tocante as informações não prestadas. Importante destacar o caráter confiscatório da multa aplicada, uma vez que, caso, aplicada no percentual almejado por este órgão, pode inviabilizar o negócio comercial da Impugnante. O caso que resultou no processo em comento, tratase de fato isolado [...] em face desta empresa, diante disso, merece acolhida os argumentos expendidos por esta. Poderia se tecer inúmeras considerações sobre o tema: limitações ao poder de tributar, todavia, entendese que esta colenda turma já dispõe de farta jurisprudência, ademais de entendimento técnico sobre o assunto, motivo pelo qual, requer seja a atenção direcionada paia o fato de que não houve dolo por parte da Recorrente, e que esta, prontamente se dispôs ao fornecimento de informações para a apuração do ocorrido. Diante disso, firmase o convencimento que no caso em tela, não deve ser aplicada a multa de ofício majorada, uma vez que o sinistro ocorreu na sua forma simples, o que resulta na aplicação da multa de 75%. Caso, contudo, não seja este o entendimento desta turma, referese que aplicada multa confiscatória, ofendendo diretamente os princípios basilares da razoabilidade e vedação ao confisco, em suma, ofensa direta aos princípios preconizados pela Constituição Federal da capacidade contributiva e da vedação do confisco, que pode inviabilizar o negócio comercial da empresa. Fato este que acarretará na inviabilidade dos negócios da Recorrente, e via de regra, rescisão de contrato de trabalho de [...] empregados, ademais de não aferição de [...] receitas ao fisco. Desta forma, insurgese a Recorrente contra a forma de aplicação da multa, entendendo não poder haver a majoração do percentual aplicado, vez que não incorreu em nenhuma hipóteses tipificadas [...] Portanto, na situação em exame, em havendo a aplicação de multa, deverá incidir tão somente no percentual de 75%, porque os fatos em tese cometidos pela Recorrente, foi não ter recolhido os tributos na data certa. Conclui que: Fl. 645DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 646 7 ANTE O EXPOSTO requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para desconstituir o valor majorado pela multa administrativa aplicada, o que enseja no valor devido, a título de multa, simples, qual seja, no patamar de 75%, ou seja, o montante da penalidade aplicada seja reduzido em 50% e, via de conseqüência, anulandose. o débito fiscal excedente, (de 150% para 75%). Frizase ademais que o débito principal indicado já foi objeto de parcelamento nos termos da legislação especifica, restando apenas a discussão acerca da multa de ofício aplicada a Recorrente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 647 8 conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 530568 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1035.753, de 24.11.2011, fls. 620625, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 648 9 A Recorrente discorda da multa de ofício proporcional qualificada. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente6. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 649 10 Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores zerados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 185199, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem qualquer valor de débito confessado, fls. 3236 e aqueles escriturados no Livro Razão, fls. 218222 e no Livro Diário, fls. 223301. Ainda foram examinadas as informações prestadas pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), e nas Notas Fiscais correspondentes, fls. 303511, em conformidade com o Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529. O lucro presumido pertinente à prestação de serviços de monitoramento de sistemas de segurança, de zeladoria, de portaria e de limpeza, fls. 202210, foi calculado pelo coeficiente é de 32% (trinta e dois por cento) incidente sobre a receita bruta auferida, em conformidade com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2008 Períodos (A) Valores Informados nas DIPJ R$ (B) Valores Informados no Livro Diário, no Livro Razão, nas DIRF e nas Notas Fiscais Receita Bruta de Prestação de Serviços Lucro Presumido – Coeficiente de 32% R$ (C) 1º Trimestre 0,00 187.082,59 2º Trimestre 0,00 223.111,27 3º Trimestre 0,00 266.330,20 4º Trimestre 0,00 481.614,43 Total 1.158.138,49 Está registrado no Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em análise preliminar das informações da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano de 2008 verificouse que a pessoa jurídica indicara a adoção pela tributação com base no lucro presumido, fl. 3. Intimada (Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 1, fls. 30/31), confirmou a adesão a esta sistemática de tributação, fls. 21/22. Portanto, considera se ter a Fiscalizada optado, pela entrega da DIPJ do ano de 2008, à tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido. Todavia, constatouse nas informações das fichas 14A e 18A daquela Declaração, transmitida em 24/08/2009, que a Fiscalizada consignara, para todo o ano de 2008, a ausência de receitas e rendimentos (valores zerados), e, também, de valores de IRPJ e CSLL a pagar [...]. Além disso, entregou, em 07/10/2008 e 07/04/2009, Declarações de Débitos e Créditos tributários Federais (DCTF) sem confessar quaisquer débitos, fls. 32/36. Também não foram localizados, nos sistemas de arrecadação da RFB, recolhimentos correspondentes a débitos de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep relativos ao anocalendário de 2008. Por outro lado, consulta às informações das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) transmitidas por fontes pagadoras apontou o auferimento de receitas em todos os meses do ano de 2008, indicandose, inclusive, a retenção de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), CSLL, Cofins e Pis/Pasep, incidentes sobre receitas da Fiscalizada. Notificada a apresentar comprovantes de Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 650 11 rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, a contribuinte juntou demonstrativo de informações prestadas em Dirf, fls. 121/122, coincidentes com as previamente obtidas pela Fiscalização. Ainda em atendimento ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 1, trouxe os livros diário e razão, fls. 21 e 37/120, e cópia do contrato social, em cuja cláusula 3° são enumerados como objetivos sociais da pessoa jurídica a prestação de: serviços de monitoramento de sistemas de segurança; serviços de zeladoria; e serviços combinados de portaria, limpeza e manutenção, fl. 25. Cabe referir que consoante o artigo 224 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) a receita bruta, para fins de apuração do Imposto sobre a Retida das Pessoas Jurídicas, compreende, entre outras receitas, o preço dos serviços prestados pela contribuinte, inseridos em seu objeto social. [...] Portanto, considerando os objetivos descritos no contrato social e o previsto na norma legal, concluise que as receitas brutas da Fiscalizada decorrem essencialmente da prestação de serviços de monitoramento de sistemas de segurança, serviços de zeladoria e serviços combinados de portaria, limpeza e manutenção. Análise, por amostragem, procedida nos livros diário e razão, em especial da conta de Resultado "3.01.01.01 Prestação de Serviços", fls. 38/40, revelou que, durante o ano de 2008, ocorreram reiterados lançamentos a crédito descritos como "Prestação de Serviço" ou "Vir Rec Cfe Nf”, tendo como contrapartida registros a débito das contas do Ativo Circulante "1.01.01.01 Caixa" e "1.01.02.01 Clientes Diversos", verificados no livro diário, fls. 43/115. Portanto, restaram verificados, no ano de 2008, sucessivos registros contábeis dando conta do auferimento de receitas, decorrentes da prestação de serviços, e, por conta destes, do recebimento de valores, lançados à conta "1.01.01.01 Caixa" ou de importâncias a receber, [...]. Paralelamente, realizaramse diligências a fontes pagadoras, com vistas a confirmar, por amostragem, as informações presentes nas Dirf e a buscar subsídios esclarecedores da origem dos valores faturados pela Fiscalizada, fls. 123/330. Em resposta, as fontes pagadoras ratificaram as informações das Dirf, encaminhando cópias de notas fiscais emitidas pela Fiscalizada, indicativas, grosso modo, do auferimento de receitas de prestação de serviços de "monitoramento c/ guarda", correspondentes aos objetivos assinalados no contrato social, juntando, ainda, comprovantes de quitação dos valores faturados. Assim, a despeito da ausência de recolhimentos a débitos de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep do ano de 2008, das informações na DIPJ, assinalando a ausência de receitas, e na DCTF, ciando conta inexistência de débitos de tributos confessados, concluise que a Fiscalizada, no período em questão, de fato, auferiu receitas decorrentes da prestação de serviços. Tal constatação decorreu das informações prestadas por fontes pagadoras em Dirf; da confirmação, por essas, da efetividade da prestação dos serviços e da quitação dos valores faturados pela Fiscalizada contra estas; da quantidade significativa de notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Fiscalizada no período; da existência de sucessivos lançamentos contábeis a crédito à conta "3.01.01.01 Prestação de Serviços" no ano de 2008, a título de receitas auferidas, que totalizaram R$ 1.158.138,49; de lançamentos contábeis a débito de contas do Ativo Circulante, indicando, como contrapartida às receitas, o recebimento de valores correspondentes. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 651 12 As referidas constatações, juntamente com a cópia dos registros da conta "3.01.01.01 Prestação de Serviços", foram remetidos à Fiscalizada para apreciação (Termo de Constatação Fiscal n° 1, fls. 331/336). Em resposta, a Fiscalizada anotou estar ciente das divergências verificadas pela Fiscalização (fl. 337). Portanto, considerando a análise dos documentos e informações obtidas inicialmente de terceiros (DIRF de fontes pagadoras) e, após a instauração do procedimento fiscal, da própria Fiscalizada, resta caracterizado o não oferecimento à tributação, em relação a todos os meses do ano de 2008, das receitas registradas nos livros diário e razão referidas na Tabela 1, tornando cabível o lançamento fiscal do IRPJ pela omissão de receitas, nos termos dos artigos 519, parágrafo Io , inciso III, e 528, ambos do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e também, de forma reflexa, da CSLL, da Cofins e do Pis/Pasep, com fulcro no disposto artigo 24, § 2º , da Lei n° 9.249/1995. Cumpre referir que os valores retidos a título de IRRF, CSLL, Cofins e Pis/Pasep, declarados em Dirf pelas fontes pagadoras, serão considerados pela Fiscalização como antecipação dos tributos devidos [...]. Em relação à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada, via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações7. Está registrado no Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: A multa de ofício qualificada está prevista no artigo 44, § Io , da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007. A aplicação da 7 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 652 13 multa de 150% está relacionada às circunstâncias previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, verbis: Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 68. Na fixação da pena de multa, a autoridade atenderá ao conjunto de circunstâncias atenuantes e agravantes constantes do processo. § 1o São circunstâncias agravantes, quando não constituam ou qualifiquem a infração: I a sonegação, a fraude e o conluio; (...) Arí. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendáría: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Cabe destacar que o conceito de dolo, para fins de tipificação dos artigos transcritos, encontrase inscrito no artigo 18, inciso I, do Código Penal, ou seja, conforme a lei penal, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Com base nos documentos reunidos no curso da ação fiscal, temse que as informações das declarações DIPJ e DCTF são manifestamente distintas das constantes das DIRF transmitidas por fontes pagadoras, que indicam o auferimento sistemático de receitas pela Fiscalizada e a existência de débitos ao longo do ano de 2008. Posteriormente, como resultado de diligências às fontes pagadoras, houve a confirmação da prestação de serviços pela Fiscalizada, da emissão de notas fiscais, e, por conta destas, de recebimentos decorrentes. Não obstante, as informações das declarações DIPJ e DCTF da Fiscalizada também destoam dos fatos contábeis escriturados nos livros diários e razão, indicativos dos sucessivos lançamentos de receitas ao longo do ano de 2008 a crédito de conta de resultado (3.01.01.01 Prestação de Serviços) e que vieram a compor receita bruta anual omitida de R$1.158.138,49. Concluise, portanto, que a Fiscalizada, além de não ter recolhido valores aos tributos devidos ao ano de 2008, declarou, de forma contumaz, informações inverídicas ao Fisco por meio da entrega da DIPJ e das DCTF (transmitidas entre 07/10/2008 e 24/08/2009) nas quais houve a afirmação da ausência de receitas auferidas e a inexistência de débitos a declarar/recolher para todo o \o de 2008. A adoção de tal artifício lhe possibilitou não apenas evitar a notificação por parte do Fl. 652DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 653 14 Fisco pela eventual omissão da entrega das declarações DIPJ e DCTF, mas h legalmente impedir o conhecimento da autoridade fiscal acerca do auferimento de receitas por parte da Fiscalizada, e, por consequência, cia ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e dos referentes aos tributos reflexos (CSLL, Pis/Pasep e Cofins). Neste sentido, temse que o Fisco só veio a tomar conhecimento da inveracidade das informações da DIPJ e das DCTF da Fiscalizada após o cotejo com declarações prestadas por terceiros (DIRF, nas quais se indica o auferimento de receitas pela Fiscalizada), a conseqüente realização de diligências fiscais a fontes pagadoras e a análise da escrituração contábil da Fiscalizada, levadas a efeito no desdobramento de procedimento fiscal. Portanto, não há como crer se tratar de conduta involuntária, acidental ou associável a mero erro material, tendo em vista que se estendeu ao longo do tempo e que trouxe, indubitavelmente, benefícios significativos a quem dela fez uso. Resta, assim, verificada a intenção deliberada da Fiscalizada em impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, conduta classificada como sonegação fiscal, prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502/1964. Assim, aplicase multa de ofício de 150%, sobre os valores de IRPJ e, de forma reflexa, a outros tributos (CSLL, Pis/Pasep e Cofins). [...]: No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata com intenção de omitir sistematicamente a totalidade dos rendimentos escriturados em seus assentos contábeis nos quatro trimestres do anocalendário de 2008. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 654 15 O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 10. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10882.904891/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/05/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 91 /2 01 2- 92 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/201292 Acórdão n.º 3801003.696 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/201292 Acórdão n.º 3801003.696 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/201292 Acórdão n.º 3801003.696 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/201292 Acórdão n.º 3801003.696 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/201292 Acórdão n.º 3801003.696 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/201292 Acórdão n.º 3801003.696 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000003/2002-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
AUDITORIA DE DCTF. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. ERRO NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Cancela-se o lançamento de ofício fundamentado na ocorrência de Comp. c/pagto não Localizado, quando o sujeito passivo comprova erro na informação consignada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUDITORIA DE DCTF. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. ERRO NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Cancelase o lançamento de ofício fundamentado na ocorrência de “Comp. c/pagto não Localizado”, quando o sujeito passivo comprova erro na informação consignada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 00 03 /2 00 2- 01 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 [Clique aqui para iniciar o Relatório] O estabelecimento industrial de FAMEX COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 5 e 6, para formalizar determinação e exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 158.263,80. A autuação decorreu de procedimento de auditoria interna sobre informação da contribuinte declarada em DCTF, tendo como fundamento a ocorrência “Comp. c/pagto não Localizado”, cfe. Anexo IaRelatório de auditoria interna de pagamentos informados em DCTF, fl. 08. Em impugnação (fl. 02), o autuado alegou que seu contador preencheu de forma incorreta a DCTF relativa ao 1o trimestre de 1997, "... preenchendo o campo de compensações com DARF enquanto deveria ter sido preenchido apenas a subficha de pagamentos. Em decorrência destes erros no preenchimento, informamos que não existe o valor na linha compensações com DARF e o total do débito apurado também foi informado errado, o que está regularizado na DCTF retificadora anexa". Juntou à impugnação as cópias das DCTF's Original e Retificadora. Posteriormente a contribuinte foi intimada a apresentar documentação comprobatória relativa aos débitos que deram origem à autuação. Foram requeridos os seguintes documentos: a) Demonstrativo de apuração do IPI, relativo aos débitos constantes do Auto de Infração DCTF nº 0001185, emitido em 30/10/2001, identificando o período de apuração, a base de cálculo e a alíquota aplicada, com carimbo de CNPJ da empresa e assinado pelo representante legal da empresa; b) cópia autenticada dos livros contábeis/fiscais, identificando os valores informados para a base de cálculo do IPI. A solicitação não foi atendida. A 3ª Turma da DRJ/JFA julgou o lançamento parcialmente procedente, apenas para cancelar a aplicação da multa de lançamento de ofício, em decorrência de retroação de norma penal mais benigna. O Acórdão nº 0916.983, de 23 de agosto de 2007, fls. 54 a 60, teve ementa lavrada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendárío: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível o lançamento sobre a parcela do IPI, declarado em DCTF e não recolhido. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11543.000003/200201 Acórdão n.º 3403003.335 S3C4T3 Fl. 1.191 3 em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Lançamento Procedente em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA. O arrazoado de fls. 69 a 77, após síntese dos fatos relacionados com a lide, argúi, em preliminar, nulidade da decisão recorrida, por cerceamento de seu direito de defesa que se teria consumado na falta de ciência da Solicitação de Documentos nº 0068/2004, fl. 50. Aduz que somente teve conhecimento de sua existência ao tomar ciência da decisão ora recorrida, e que de outro modo teria demonstrado a improcedência do lançamento. No mérito, insiste que o IPI devido no período foi integralmente recolhido, tendo havido erros atribuíveis ao contador na elaboração da DCTF original. Tais erros teriam sido corrigidos na DCTF retificadora, de modo que, quando muito, essa seria sua infração. Instrui o recurso com cópia do livro de apuração de IPI do período, demonstrativo do IPI apurado por decêndio, cópias de notas fiscais, de extratos de Declaração de Importação e comprovantes dos recolhimentos efetuados fornecido pela própria SRF. A 2ª TO desta 4ª Câmara houve por bem em converter o julgamento do recurso. A Resolução nº 340200.068, de 29 de abril de 2010, fls. 1.180 e 1.181, requereu que a unidade de origem, responsável pelo lançamento, examinasse os documentos juntados e concluísse pela sua legitimidade ou não e, por conseqüência, pela manutenção ou não do lançamento perpetrado, dando ciência de suas conclusões à interessada com abertura de prazo para apresentação de recurso. A diligência requerida foi atendida ns termos da Informação Fiscal das fls. 1.184 e 1.185. Após análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, a Autoridade Diligenciante atestou que as alegações de defesa são corroboradas pela escrita fiscal e contábil, além de serem ratificadas pelas cópias da notas fiscais apresentadas e concluiu que houve efetivamente um equívoco do contribuinte na apresentação da sua DCTF do 1 o trimestre de 1997 ao colocar valores de compensações com DARF sem processo, quando estes valores referiamse na verdade aos abatimentos dos créditos vinculados às entradas das mercadorias, sendo indevido o lançamento perpetrado. Devidamente intimado dessa Informação Fiscal, o recorrente anuiu, fls. 1.190 e 1.191. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 69 a 77 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJJFA3ª Turma nº 0916.983, de 23 de agosto de 2007. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Conforme relatado, a Autoridade Lançadora chancelou as razões de defesa e opinou pela improcedência do lançamento. Portanto o litígio materialmente extinguiuse. Resta chancelar essa conclusão e extinguilo formalmente. Dou provimento ao recurso paro o efeito de cancelar integralmente o lançamento. Sala de sessões, em 15 de outubro de 2014 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000661/2001-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto, ementa e dispositivo, o que exige o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62-A DO RICARF.
Nos termos do 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Eduardo Amorim OAB/RS 40.881.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto, ementa e dispositivo, o que exige o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62-A DO RICARF. Nos termos do 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. Embargos acolhidos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13052.000661/200161 Recurso nº 138.402 Embargos Acórdão nº 3401002.760 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Embargante COMPANHIA MINUANO DE ALIMENTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto, ementa e dispositivo, o que exige o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO RICARF. Nos termos do 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Eduardo Amorim OAB/RS 40.881. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 06 61 /2 00 1- 61Fl. 980DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Cuidavase, originariamente, de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, referente ao período de apuração janeiro/2001 a setembro/2001. A 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL, através do acórdão 3402 001.120, de 03/05/2011, negou provimento ao recurso voluntário em decisão assim ementada: “INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS) Excluise da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no fornecimento ao produtorexportador. DESPESAS Havidas com combustíveis (sic) E ENERGIA ELÉTRICA. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis e energia elétrica não caracterizam matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. CUSTOS HAVIDOS NA CRIAÇÃO DE FRANGOS POR TERCEIROS. Os custos havidos na criação de frangos por terceiros não podem ser incluídos na base de calculo do beneficio, mesmo a titulo de industrialização por terceiros, exatamente por não ser a atividade de criação de frangos um processo de industrialização. FRETE. Não restando comprovado que o frete tenha sido incluso no valor da mercadoria, deve ser excluído da base de calculo do credito presumido.” A Fazenda Nacional apontou contradição entre o voto/ementa e o dispositivo da decisão, ao passo que, neste, registrase que foi dado parcial provimento ao recurso para admitir a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas na apuração do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, enquanto a fundamentação do voto e a ementa negam a inclusão de tais valores no cálculo. É o relatório. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13052.000661/200161 Acórdão n.º 3401002.760 S3C4T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O presente embargo de declaração foi distribuído com fulcro nos arts. 49, § 7º e 65 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09. Neste passo, a peça recursal é tempestiva e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando as alegações do embargante e confrontandoas com a decisão indagada é possível concluir pela sua procedência, sendo clara a contradição assinalada. Diante do quadro, revendo o tema debatido, inferi não ser possível fazer prevalecer o voto e ementa sobre a parte dispositiva, pois não se trata de simples acerto de lapso manifesto, como parece à primeira vista, tendo em conta que, por ocasião da prolação do aresto, já fora publicado o REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática do recurso repetitivo, o que impossibilita a recomposição do julgado e impõe o reexame da questão. Respeitante à possibilidade de inclusão de aquisições não oneradas pelo PIS/Pasep e Cofins no cálculo do benefício regido pela Lei nº 9.363/96, já tive oportunidade de manifestarme no sentido que seu art. 1º garantiu às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais um crédito presumido do IPI, como ressarcimento de aludidas contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Por este motivo, inclusive, não vislumbro qualquer ilegalidade na IN SRF 23/97, haja vista que a vedação lá consubstanciada é mera decorrência lógica desta interpretação, não havendo inovação indevida do ordenamento. Como extraio do preceito, a incidência das exações sobre as aquisições é pressuposto inarredável para fruição do crédito presumido em tela, o que sabidamente não ocorre com as compras efetuadas de pessoas físicas, que não compõem o universo de sujeição passiva das exações. Entendo que o adjetivo “presumido” constante da redação legal diz respeito não à sua incidência, que vem contemplada como exigível no preceito, mas sim em relação às etapas da cadeia produtiva sujeitas às contribuições cumulativas que se pretende ressarcir, isto é, a presunção recai sobre a quantidade de “vezes” que serão ressarcidas as contribuições que gravam a cadeia econômica. Na hipótese o legislador optou por considerar duas etapas, sem maiores indagações acerca de setores econômicos específicos, tanto assim que o somatório das alíquotas dos tributos em epígrafe, à época da publicação da legislação de regência do crédito, equivalente a 2,65% (2% da Cofins e 0,65% do PIS/Pasep), correspondia ao coeficiente legal de 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos percentuais). Fl. 982DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 Assim, a presunção de que tenha havido alguma espécie de incidência de PIS/Pasep e Cofins ao longo da cadeia de produção, mesmo nas aquisições de matériasprimas de pessoas físicas, reflexo da cumulatividade destes tributos, não poderia prevalecer sobre o texto de lei, que é expresso neste sentido, verbis: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (destaquei) Demais disso, tratandose o crédito presumido de clara renúncia fiscal, subsumirseia à categoria dos benefícios desta mesma natureza, de modo que sua interpretação deveria ser literal e restritiva, ex vi do art. 111 do Código Tributário Nacional. Hodiernamente, contudo, mostrase despiciente tal debate, vigorando o entendimento pacífico do egrégio Superior Tribunal de Justiça que, em sede de recurso repetitivo, assim julgou a matéria, por intermédio do REsp 993.164/MG, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 983DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13052.000661/200161 Acórdão n.º 3401002.760 S3C4T1 Fl. 12 5 REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” Consoante art. 62 A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, há expressa previsão de observância, por parte de suas Turmas julgadoras, dos precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça julgados sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, respectivamente, a repercussão geral e o julgamento de recursos repetitivo, como no caso vertente. Com estas considerações, proponho que a ementa do acórdão 3402001.120, de 03/11/2011, passe a ostentar a seguinte redação: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO RICARF. Nos termos do 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. DESPESAS HAVIDAS COM COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis e energia elétrica não caracterizam matéria Fl. 984DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. CUSTOS HAVIDOS NA CRIAÇÃO DE FRANGOS POR TERCEIROS. Os custos havidos na criação de frangos por terceiros não podem ser incluídos na base de calculo do beneficio, mesmo a titulo de industrialização por terceiros, exatamente por não ser a atividade de criação de frangos um processo de industrialização. FRETE. Não restando comprovado que o frete tenha sido incluso no valor da mercadoria, deve ser excluído da base de calculo do credito presumido. Recurso voluntário provido em parte.” O dispositivo do aresto, por seu turno, deverá manter os mesmos termos, quais sejam: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito ao creditamento de insumos adquiridos de pessoas ficas e cooperativas.” Em face de todo o exposto, voto por acolher o embargo de declaração interposto, sem efeito infringente no seu resultado, para promover as modificações necessárias na fundamentação e na ementa do acórdão, nos termos do voto. Robson José Bayerl Fl. 985DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10814.019798/2007-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/09/2007
MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTROLE ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes à chegada de aeronave procedente do exterior. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação.
PENALIDADE. PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA.
A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato ou à natureza e às circunstâncias materiais do fato.
Numero da decisão: 3803-006.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração de infração. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTROLE ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes à chegada de aeronave procedente do exterior. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. PENALIDADE. PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato ou à natureza e às circunstâncias materiais do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração de infração. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 97 98 /2 00 7- 27 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/200727 Acórdão n.º 3803006.371 S3TE03 Fl. 99 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ São Paulo II/SP que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informação sobre o veículo procedente do exterior, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa SRF n° 102, de 1994. Consta do auto de infração que, em consulta efetuada no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento (MANTRA), às 20h45min do dia 27/09/2007, 3h43min após a chegada efetiva da aeronave no Aeroporto Internacional de São Paulo, constatouse a inexistência do Termo de Entrada, consistente no registro, a cargo da empresa de transporte, da chegada do veículo procedente do exterior. Ainda segundo a Fiscalização, posteriormente, verificouse a lavratura do Termo de Entrada nº 07/0234400, em horário não determinado, indicando horário da chegada efetiva como sendo 18h30min. Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que nenhuma responsabilidade lhe cabia pelo fato de que todos os dados do registro haviam sido inseridos no sistema Siscomex, em conformidade com o contido no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994. Alegou o então Impugnante que, em documento anexo, seria possível verificar que as inserções haviam ocorrido dentro do prazo estipulado de três horas, conforme objeto da Consulta Administrativa feita à COANA, que ainda não havia sido analisada pelo órgão. A DRJ São Paulo II/SP julgou improcedente a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/09/2007 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação aduaneira pela sua falta. Impugnação Improcedente Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/200727 Acórdão n.º 3803006.371 S3TE03 Fl. 100 3 Crédito Tributário Mantido Argumentou o julgador de piso que, diferentemente do alegado pelo contribuinte ao invocar o art. 37 da IN SRF 28/94, a penalidade, objeto do auto de infração, não se referia aos dados relativos ao embarque da mercadoria e sim à ausência do registro de chegada da aeronave. Aduziu, ainda, o julgador que a alegação do contribuinte de que obedecera ao prazo de 3 horas (prazo esse objeto de consulta administrativa feita à COANA, pendente de análise) não se encontrava acompanhada de documentos ou qualquer outro elemento de prova relativos ao processo de consulta, razão pela qual não seria objeto de análise. Segundo o julgador, nos termos do art. 9° da IN SRF n° 102/94, bastava que a interessada deixasse de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que executasse, no momento da sua chegada, para se ter por configurada a infração ali descrita e, consequentemente, para se aplicar a pena prevista no parágrafo único do artigo 107, IV, "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Cientificado da decisão em 26/05/2010, o contribuinte interpôs, no dia 25 de junho do mesmo ano, Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão de primeira instância, com a declaração de nulidade do auto de infração, alegando (i) espontaneidade e boa fé no registro das informações em tempo razoável, (ii) necessidade de observância dos princípios constitucionais da eficiência, da finalidade, da razoabilidade e da legalidade, (iii) inexistência de definição do que seja o registro imediato das informações, (iv) inexistência de prazo para cumprimento da regra, (v) ausência de tipicidade e (vi) o art. 9º da IN SRF nº 102, de 1994 é ilegal e inconstitucional. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre auto de infração lavrado em decorrência da prestação intempestiva de informações relativas à chegada de aeronave procedente do exterior. De início, registrese que, por se tratar de inovação dos argumentos de defesa, o que contraria os preceitos contidos no art. 16, inciso III, e no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não serão objeto de análise neste voto as alegações do Recorrente trazidas aos autos somente em grau de recurso, alegações essas que 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/200727 Acórdão n.º 3803006.371 S3TE03 Fl. 101 4 não se constituem em matéria de observância obrigatória por parte do julgador administrativo, independentemente de provocação da parte. A norma que fundamenta o lançamento de ofício é o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102, de 1994, que assim dispõe: Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, cabendolhe, simultaneamente, a entrega à fiscalização aduaneira dos manifestos e dos respectivos conhecimentos de carga e, quando for o caso, dos documentos de trânsito aduaneiro. (grifei) § 1º A falta de informações sobre carga procedente do exterior previamente à chegada de veículo ou sobre carga procedente de trânsito, associada à não entrega dos documentos de que trata o "caput" deste artigo, implicará na configuração de declaração negativa de carga, nos moldes do previsto pelo parágrafo único do art. 46 do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985. § 2º Quando não atendido o disposto neste artigo, o AFTN deverá proceder ao respectivo registro da chegada, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. (grifei) § 3° A chegada do veículo caracterizará, para efeitos fiscais, o fim da espontaneidade prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Do excerto supra, verificase que o prazo estipulado para o registro da informação é definido na instrução normativa como sendo o “momento da chegada do veículo”. Indagase: esse momento corresponde à exata hora em que a aeronave toca o solo nacional ou à hora em que ela estaciona e desliga os motores? Há alguma tolerância de segundos, minutos ou horas? Essas indagações levam à conclusão de que se está diante de um conceito aberto, passível de diferentes interpretações, não se configurando um prazo estipulado objetivamente em horas, dias, meses ou anos. Notese que o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 5º, ao versar sobre os prazos no âmbito do processo administrativo fiscal, bem como a Lei nº 9.784, de 1999, em seu art. 66, reportam aos prazos fixados em dias, meses ou anos, adotandose, portanto, valores objetivos na fixação dos seus termos inicial e final. No presente caso, a Fiscalização constatara que, após mais de três horas da chegada efetiva da aeronave, o registro da informação ainda não havia sido efetuado, o que veio a ocorrer posteriormente sem identificação da hora. O art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN) estipula que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato (inciso I) ou à Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/200727 Acórdão n.º 3803006.371 S3TE03 Fl. 102 5 natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (inciso II). Nesse sentido, dada a vagueza do termo utilizado pela instrução normativa na fixação do prazo, mostrase imperativa a adoção de uma interpretação mais favorável ao sujeito passivo, não se lhe imputando a penalidade em razão da existência de dúvidas quanto à capitulação legal do fato. Além disso, mostrase relevante analisar a possibilidade de se aplicar ao caso o instituto da denúncia espontânea. Eis o teor do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo exceção em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informações relativas à chegada da aeronave no território nacional. A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/200727 Acórdão n.º 3803006.371 S3TE03 Fl. 103 6 Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido2 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase formalmente, considerando os termos previstos na alínea “b” do § 1º do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, após o registro do Termo de Entrada pelo contribuinte, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, o que torna, a princípio, o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. 2 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/200727 Acórdão n.º 3803006.371 S3TE03 Fl. 104 7 O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 3. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 4 A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, a sua disciplina abrange as declarações periódicas a que os contribuintes se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de sujeito passivo ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. Contudo, necessário se torna analisar, uma por uma, as exceções impostas pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber: a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); b) não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); c) não se considera espontânea a denúncia relativamente a penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto lei nº 37, de 1966); 3 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/200727 Acórdão n.º 3803006.371 S3TE03 Fl. 105 8 d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro). Considerando que o registro do Termo de Entrada do veículo foi efetuado pelo Recorrente antes de qualquer atividade efetiva da fiscalização, e que não se trata de despacho aduaneiro, nem de perdimento de mercadorias, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso. Tratase de mero controle administrativo que não guarda qualquer relação com a verificação de ocorrência de fatos geradores de tributos, ou seja, com a obrigação tributária principal. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10830.720139/2007-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/07/2007
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO.
A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema.
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL.
No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/07/2007 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO O prazo para lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido lançado, quando da ausência de recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/07/2007 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 39 /2 00 7- 39 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório O transportador aéreo FEDERAL EXPRESS CORPORATION teve lavrado contra si os autos de infração das fls. 2 a 5 e 12 a 14, para formalizar e a constituição e a exigência de crédito tributário referente ao Imposto de Importação – II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e para aplicação da multa cominada no art. 106, inciso II, alínea “d”, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, no valor total de R$ 99.920,12, em decorrência do extravio de mercadoria manifestada, apurado em procedimento fiscal de conferência final de manifesto de carga. O Termo de Descrição dos Fatos das fls. 18 a 25 relata as cargas declaradas pelo autuado no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento – MANTRA, instituído pela INSRF nº 102, de 1994, que não foram armazenadas, e as providências tomadas a partir dos esclarecimentos fornecidos por transportador aéreo, agente de carga e consignatário da mercadoria: 1. 01 (um) volume, peso 1680,000 Libras, sob o Termo de Entrada n° 020002424, de 17/01/2002, com o documento de carga AWB 0236963 5193, no vôo FDX0040; 2. 01 (um) volume, peso 6,800 kg, sob o Termo de Entrada n° 020003633, de 24/01/2002, com o documento de carga MAWB 0236968 0601 HAWB 30899764090, no vôo FDX0040; 3. 01 (um) volume, peso 1,800 kg, sob o Termo de Entrada n° 020003633, de 24/01/2002, com o documento de carga MAWB 0236968 0601 HAWB 62520932807, no vôo FDX0040; 4. 01 (um) volume, peso 1,500 kg, sob o Termo de Entrada n° 020003633, de 24/01/2002, com o documento de carga aérea MAWB 0236968 0601 HAWB 91920481717, no Vôo FDX0040; 5. 01 (um) volume, peso 5,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020007213, de 17/02/2002, com o documento de carga MAWB 0233421 5193 HAWB 4060228731, no vôo FDX0042; Fl. 530DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720139/200739 Acórdão n.º 3403003.382 S3C4T3 Fl. 530 3 6. 01 (um) volume, peso 2,200 kg, sob o Termo de Entrada n° 020009470, de 03/03/2002, com o documento de carga MAWB 0236994 8281 HAWB 29603588693, no vôo FDX0042; 7. 01 (um) volume, peso 1,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020009470, de 03/03/2002, com o documento de carga MAWB 0236994 8281 HAWS 31059156260, no vôo FDX0042; 8. 01 (um) volume, peso 4,900 kg, sob o Termo de Entrada n° 020013701, de 29/03/2002, com o documento de carga MAWB 0236015 2061 HAWB 29608816135, no vôo FDX0040; a carga foi armazenada zerada e que, posteriormente, foi manifestada em outro Master 023 6019 9860 (Termo de Entrada 020014589, dia 04/04/2002) quando, então, foi despachada como remessa expressa pela DREI 20020009244 9. 01 (um) volume, peso 4,500 kg, sob o Termo de Entrada n° 020015186, de 07/04/2002, com o documento de carga MAWB 0236022 1136 HAWB 20889926678, no vôo FDX0042; 10. 02 (dois) volumes, peso 48,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020018371, de 28/04/2002, com o documento de carga MAWB 0236037 8802 HAWB 33957354110, no vôo FDX0042; 11. 01 (um) volume, peso 1,600 kg, sob o Termo de Entrada n°020020910, de 17/05/2002, com o documento de carga MAWB 0236052 3131 HAWB 31061073318, no vôo FDX0040; 12. 01 (um) volume, peso 0,400 kg, sob o Termo de Entrada n° 020023014, de 06/06/2002, com o documento de carga MAWB 0236066 7353 HAWB 34365589780, no vôo FDX0040; a transportadora aérea informa que a carga foi despachada como remessa expressa, sem informar Master de Remessa Expressa ou número de DREI, e como o Máster em questão não é Máster de Remessa Expressa, acredita que a carga foi manifestada duplamente. 13. 01 (um) volume, peso 3,600 kg, sob o Termo de Entrada n° 020023014, de 06/06/2002, com o documento de carga MAWB 0236066 7353 HAWB 35082032815, no vôo FDX0040; a transportadora aérea informa que a carga foi despachada como remessa expressa, através do Master 023 6067 1586, apesar de o HAWB 35082032815 não estar presente na DREI 2002000076 correspondente, conforme verificado em arquivo da Receita Federal. Como o Máster em questão não é Máster de Remessa Expressa, acredita que a carga foi manifestada duplamente. 14. 01 (um) volume, peso 2,000 kg, sob o Termo de Entrada n°020044690, de 29/11/2002, com o documento de carga MAWB 0236207 7234 HAWB 11397016677, no vôo FDX0040; a transportadora aérea informa que a carga foi despachada como remessa expressa, através do Master 023 6207 8450, apesar do HAWB 11397016677 não estar presente na DREI 2002202575 correspondente, conforme verificado em arquivo da Receita Federal. Como o Máster em questão não é Máster de Remessa Expressa, acredita que a carga foi manifestada duplamente. 15. 01 (um) volume, peso 0,100 kg, sob o Termo de Entrada n° 020047452, de 20/12/2002, com o documento de carga MAWB 0236225 4124 HAWB 36231535896, no vôo Fl. 531DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN 4 FDX0040; a transportadora aérea informa que a carga foi despachada como remessa expressa, através do Master 023 6226 3331, apesar do HAWB 36231535896 não estar presente na DREI 2002202877 correspondente, conforme verificado em arquivo da Receita Federal. Como o Máster em questão, 0236225 4124 difere do Master de Remessa Expressa correspondente ao despacho, acredita que a carga foi manifestada duplamente. Procedeuse à valoração das mercadorias consideradas extraviadas, utilizando, conforme o caso, ou o Decreto nº 2.861, de 1998, artigo VII, que internalizou o art. 22 da Convenção de Varsóvia, ou o art. 67 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e informações dos conhecimentos aéreos, conforme discriminação das fls. 25 a 27. O feito foi impugnado às fls. 289 a 298. As razões de defesa foram as seguintes: Em sede preliminar, argüiuse a nulidade do lançamento por vício formal, uma vez que a apuração dos valores referentes aos impostos exigidos se deu com base na Lei 10.833, publicado no DOU de 30/12/2003. Porém, todas as importações objeto do presente auto de infração ocorreram nos anos de 2001 e 2002, ocasião em que a Lei nº 10.833, de 2003, sequer estava vigente. Ademais, o fundamento legal para justificar a incidência do IPI sobre as remessas mencionadas na autuação, RA/2002 não corresponde à legislação vigente à época dos fatos, qual seja, o RIPI/98, o que evidencia erro na capitulação legal, em ofensa ao art. 155 do CTN Quanto ao lançamento referentes à importação das mercadorias amparadas pelos conhecimentos aéreos i) MAWB 023 6963 5139, Termo de Entrada 020002424, de 17/01/2001, ii) MAWB 023 6968 0601 HAWB 308 9976 4090, Termo de Entrada 020003633, de 24/01/2002; iii) MAWB 023 6968 0601 – HAWB 625 2093 2807, Termo de Entrada 020003633, de 24/01/2002 e iv) MAWB 023 6968 0601 HAWB 919 2048 1717, Termo de Entrada 020003633, de 24/01/2002, argúi decadência, pela regra do art. 150, § 4°, do CTN. Afirma que a mercadoria importada sob o MAWB 023 6015 2061 — HAWB 8296 0881 6135 foi liberada por meio do regime de Remessa Expressa, conforme demonstra a DREI que anexa, regulamentado à época do embarque pela INSRF nº 122, de 2002, com recolhimento dos tributos devidos conforme comprova o DARF que anexa; As mercadorias amparadas pelos conhecimentos aéreos i) MAWB 023 6066 7353HAWB 343 6558 9780; ii) MAWB 023 6066 7353 HAWB 350 8203 2815; iii) MAWB 023 6207 7234 HAWB 113 9701 6677 e iv) MAWB 023 6225 4124 HAWB 8362 3153 5896, foram desembaraçadas sob o regime de remessa expressa, o qual previa a não incidência do II, nos termos do art. 33, § 3°, da INSRF nº 122, de 2002. Também não há incidência do IPI, uma vez que não se trata de produtos industrializados; A 24ª Turma da DRJ/SP1 julgou a impugnação parcialmente procedente. O voto condutor da decisão entendeu que, em relação aos TE 242 AWB 0236963 5193 TE 363 MAWB 0236968 0601 HAWB 30899764090 TE 363 MAWB 0236968 0601 HAWB 62520932807 TE 363 MAWB 0236968 0601 HAWB 91920481717 TE 1837 MAWB 0236037 8802 HAWB 33957354110 TE 2091 MAWB 0236052 3131 HAWB 31061073318, TE 947 MAWB 0236994 8281 HAWB 29603588693 TE 947 MAWB 0236994 8281 HAWB 31059156260 o lançamento apoiouse em legislação revogada, embora o extravio se tenha caracterizado. Quanto aos TE 1370 MAWB 0236015 2061 HAWB 29608816135, TE 2301 MAWB 0236066 7353 HAWB 34365589780 TE 2301 MAWB 0236066 7353 HAWB 35082032815 TE 4469 MAWB 0236207 7234 HAWB 11397016677 TE 4745 MAWB 0236225 4124 HAWB 36231535896, julgou que não houve o extravio presumido. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720139/200739 Acórdão n.º 3403003.382 S3C4T3 Fl. 531 5 O Acórdão nº 1651.974, de 24 de outubro de 2013, fls. 395 a 420, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 19/07/2007 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do Sistema MANTRA que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. Todavia, diante da comprovação da duplicidade de registro no sistema, não há que se falar em extravio. EXTRAVIO. CÁLCULO DO IMPOSTO. DATA DO FATO GERADOR. Para efeito de cálculo do imposto de importação, considerase ocorrido o fato gerador de mercadoria constante de manifesto, cujo extravio for apurado pela autoridade aduaneira, na data do correspondente lançamento. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 67, § 1º, DA LEI Nº 10.833/2003. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, aplicase o disposto no artigo 67, § 1º, da Lei 10.833/03. Não estabelecida nos preceitos do texto legal em que se ampara, a base de cálculo arbitrada deve ser considerada indevida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/07/2007 DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. O prazo para lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando da ausência de recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 24ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 426 a 446, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, assente expressamente ao lançamento referente ao MAWB 023 6022 1136 HAWB 20889926678. Controverte no entanto o lançamento referente ao MAWB 023 3421 5193 HAWB 4060228731, uma vez que carece de fundamento jurídico válido, seja pela Fl. 533DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN 6 completa inexistência dos fatos geradores dos tributos ou pela decadência (cfe. Art. 669 do RA/2002) Retoma o argumento de que as mercadorias não ingressaram no território nacional, razão pela qual não ocorreu o fato gerador dos tributos. Argúi ainda a sua ilegitimidade passiva, já que inexiste base legal para a responsabilização do transportador em caso de extravio de mercadoria manifestada.. Rechaça a retroação da norma do art. 67 da Lei nº 10.833, de 2003, à vista do disposto no art. 106 do CTN. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 426 a 446 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP124ª Turma nº 1651.974, de 24 de outubro de 2013. Controvertese exclusivamente o lançamento referente ao Manifesto/Termo de Entrada (TE) nº. 721. A arguição de decadência não prosperará. No âmbito da legislação aduaneira, o art. 138 do DL nº 37, de 1966, dispõe, que o direito de exigir o tributo extinguese em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado e que, em se tratando de exigência de diferença de tributo, esse prazo passa a fluir da data do pagamento efetuado. Assim, no caso concreto, diante da inexistência de qualquer recolhimento, a regra a ser aplicada é justamente essa e que coincide com a do inc. I do art. 173 do CTN. Cuidandose da entrada de mercadorias em 17/02/2002, o termo inicial do prazo decadencial é 01/01/2003. E em 19/07/2002, data da lavratura dos autos de infração de que se trata, o direito de constituição do crédito tributário estava hígido. Conforme relatado, o transportador foi intimado a esclarecer o que aconteceu com a carga referente ao MAWB 0233421 5193 HAWB 4060228731. Em sua resposta, reconheceu que as mercadorias foram extraviadas, não tendo sido entregues aos destinatários. A consignatária ASGA S/A confirmou o extravio. O procedimento fiscal de conferência final de manifesto, consubstanciado pelo confronto do manifesto com os registros de descarga, extrai tanto as informações do manifesto como aquelas da descarga do Mantra. Apurado sob qualquer forma o extravio, incide a norma do § 2º do art. 1º do DL nº 37, de 1966, que presume entrada no território aduaneiro a Fl. 534DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720139/200739 Acórdão n.º 3403003.382 S3C4T3 Fl. 532 7 mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira, a menos que haja prova cabal de sua inocorrência. Se a mercadoria manifestada faltou na descarga, como o transportador tem contra si a prova de seu recebimento e a obrigação legal de sua entrega no lugar de destino, dele é a responsabilidade tributária pelo extravio verificado. Se alguma excepcionalidade há contrária à irrepreensível lógica do raciocínio acima v.g., caso fortuito ou de força maior, essa deve ser provada pelo transportador, conforme se depreende da leitura sistemática dos artigos 591, 592, inciso VI, parágrafo único, e 595, caput, do RA/2002, já transcritos na decisão recorrida. Como essas provas não vieram aos autos, restam caracterizados o extravio e a responsabilidade do transportador, ora recorrente. Irrepreensível o lançamento, inclusive quanto à base de cálculo arbitrada com base no art. 67, § 1º, da Lei nº 10.833, de 2003, e a decisão recorrida, que o ratificou. Nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 11 de novembro de 2014 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 14041.000186/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 86 /2 00 9- 71 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000186/200971 Acórdão n.º 2402004.420 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 11610.000868/2007-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO.
Não configurada a alegada omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.
Numero da decisão: 1802-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Não configurada a alegada omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 08 68 /2 00 7- 22 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, às efls. 221 a 224, interpostos pela Contribuinte acima identificada, visando sanar alegado vício de omissão presente no Acórdão nº 1802002.245, proferido por este colegiado na sessão de 30/07/2014, às efls. 194 a 202. No presente processo, a Contribuinte questionou decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 26/01/2007, na qual utilizou um alegado crédito de R$ 591.971,53, decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ do mês de abril/1999, recolhida em 30/06/2000, no valor total de R$ 6.147.775,01. O acórdão embargado, que negou provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO O direito de o Contribuinte pleitear restituição ou compensação de crédito que entenda possuir junto à Fazenda Pública extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário, que no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, é o momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN (art. 168, I, do CTN c/c art. 3º da LC 118/2005). Ao julgar o RE 566.621/RS como matéria de repercussão geral, o STF, ao mesmo tempo que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para os procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/ realizados a partir de 9 de junho de 2005. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO EM TEMPO HÁBIL A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, o aproveitamento de saldo negativo, ainda que para a quitação de tributo de mesma espécie (IRPJ com IRPJ, p/ ex.), não pode mais se dar mediante simples dedução, como autorizava o art. 23 da IN SRF nº 93/1997. Pela sistemática da Lei 10.637/2002, já vigente quando da apuração do débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2003 (objeto da presente compensação), o aproveitamento de saldo negativo (mesmo de períodos anteriores) dependia não apenas de apresentação de declaração de compensação, mas de apresentação de declaração em tempo hábil, o que não ocorreu. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 4 3 A Contribuinte seria considerada intimada do mencionado acórdão em 27/08/2014, segundo as regras contidas no inciso III do § 2º do art. 23 do Decreto 70.235/1972 – PAF, e os Embargos foram apresentados em 26/08/2014. A Embargante alega que o acórdão proferido por esta Turma Julgadora incorreu em omissão e apresenta os seguintes argumentos: a Segunda Turma Especial deveria ter se manifestado acerca de questão essencial a qualquer discussão concernente aos institutos da decadência e da prescrição, a existência ou inexistência de inércia por parte daquele que o direito socorre; é de se perceber que a Embargante, em janeiro de 2003, cometeu equívoco ao proceder à compensação do saldo negativo em sua própria escrita fiscal, sem apresentar declaração de compensação, na medida em que, desde outubro de 2002, o procedimento correto a ser adotado, mesmo quando relacionado a tributos da mesma espécie, era a apresentação da referida declaração. Tanto que, em 26/01/2007, apresentou a DCOMP ora sob análise, com o objetivo de formalizar/regularizar o aproveitamento realizado lá atrás, em janeiro de 2003; não obstante o erro cometido, fazse imperioso reconhecer que não houve inércia por parte da Embargante, apta a ensejar a aplicação da prescrição ou da decadência; no presente caso, percebese que não há que se falar em inércia, pois o contribuinte exerceu seu direito dentro do prazo de cinco anos, compensando seu crédito na própria escrita fiscal, mesmo que erroneamente; para a caracterização da prescrição/decadência, não basta o transcurso do tempo, sendo necessária, além da presença concomitante da possibilidade de exercício de uma ação que tutele o direito ou do próprio direito, e da inércia do seu titular, a mora do credor decorrente de incúria, negligência ou desídia; no caso dos autos, a Embargante não se quedou inerte, tendo sido deduzida, oportunamente (janeiro de 2003), pretensão relativa ao direito de aproveitamento do saldo negativo em sua escrita fiscal. Percebese, pois, inexistência de incúria e/ou desídia por parte da empresa, mas na verdade um erro totalmente escusável, na medida em que, à época, com a mudança da sistemática (Lei n° 9.430/1996 para a Medida Provisória n° 66/2002), diversos outros contribuintes cometeram o mesmo equívoco; o que se observa é a boafé da Embargante, que, percebendo o erro no exercício de sua pretensão, apresentou a DCOMP ora sob análise, com o objetivo de formalizar/regularizar o aproveitamento realizado lá atrás, em janeiro de 2003; também levando como referência a inércia do titular, é preciso perceber que a existência de uma ação exercitável (actio nata) somente surgiu com a mudança da sistemática do aproveitamento de saldo negativo para tributos da mesma espécie (Lei n° 9.430/1996 para a Medida Provisória n° 66/2002); vale dizer, eventual prazo prescricional somente começou a correr contra a Embargante a partir de outubro de 2002, porque antes disso não havia: (a) a existência de uma ação exercitável (actio nata); e (b) a inércia do titular da ação pelo seu nãoexercício, Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 5 4 mormente considerandose que inexistia a figura da DCOMP para compensação de saldo negativo com tributos da mesma espécie; como o novo regime se iniciou em outubro de 2002, o prazo de cinco anos deve ser contado a partir desse marco. Assim, não há que se falar em decadência do direito da Embargante de pleitear compensação, pois o prazo final se encerrou em outubro de 2007 (cinco anos contados a partir de outubro de 2002). Tendo a empresa apresentado o pedido de compensação em janeiro de 2007, seu direito se encontra intacto; esta Turma há que reconhecer que o direito ao crédito é um verdadeiro direito potestativo do contribuinte, que não admite contestações pelo mero descumprimento de requisitos formais da legislação de regência (apresentação de DCOMP), sendo que a decadência/prescrição é norma que vem para dar operabilidade ao referido direito, determinando até que momento ele poderá ser exercido; tais institutos não fulminaram a pretensão da empresa, haja vista a ausência de inércia por parte da Embargante e o surgimento da actio nata anos depois do marco considerado pela Fiscalização como marco inicial da contagem do lapso de cinco anos; pelas razões expostas, a Embargante pede que esta Turma se manifeste sobre (a) a inexistência de inércia por parte da Embargante; (b) o marco inicial da actio nata de aproveitamento do saldo negativo; (c) o direito creditório agora em debate como um direito potestativo, que não pode ser contestado por mero descumprimento de formalidade (compensação realizada na escrita e não por meio de DCOMP). Este é o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Os embargos são tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento Conforme relatado, o processo versa sobre declaração de compensação apresentada em 26/01/2007, na qual a Contribuinte utiliza um alegado crédito de R$ 591.971,53, decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ do mês de abril/1999, recolhida em 30/06/2000, no valor total de R$ 6.147.775,01. O débito compensado corresponde à estimativa de IRPJ do mês de janeiro/2003. A negativa da Delegacia de origem foi motivada pela decadência do crédito (prescrição para alguns), em razão do transcurso do prazo estabelecido no art. 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN, eis que haviam se passado mais de cinco anos entre a data de extinção do crédito tributário e a data de apresentação da declaração de compensação. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a negativa em relação à compensação por esse mesmo motivo, refutando a conhecida tese dos “5+5” defendida até então pela Contribuinte. Além disso, esclareceu que o débito objeto da compensação corresponde a fato gerador ocorrido em 31/01/2003, e não nos meses de novembro e dezembro de 2002 como afirmava a interessada, observando ainda que o procedimento citado pela requerente (compensação apenas em DCTF) deixou de ser permitido com a edição da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Na fase recursal, a Contribuinte abordou a ocorrência de erro no preenchimento da declaração de compensação, por ela ter indicado que o crédito decorria de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, em vez de saldo negativo do período anual; defendeu a possibilidade de retificação desse erro no decorrer do processo administrativo; e trouxe jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o direito à restituição/compensação de saldo negativo não caduca enquanto o contribuinte permanecer no lucro real nos períodos seguintes (que seria o seu caso). Ao examinar o recurso voluntário da Contribuinte, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF registrou que o exame do erro no preenchimento da declaração de compensação, bem como da possibilidade de sua retificação de ofício, nos termos do dispositivo citado pela Recorrente § 2º do art. 147 do CTN, ficava prejudicado porque, seja o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa referente a abril/1999 (realizado em 30/06/2000), ou de saldo negativo do ano de 1999, já havia ocorrido a sua prescrição na data de apresentação da declaração de compensação, em 26/01/2007. Em relação a esse ponto foram feiras as seguintes considerações: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 7 6 O debate na primeira instância administrativa envolvia ainda a conhecida tese dos “5+5”, que resultava num prazo de dez anos para a repetição de indébito. Ocorre que na Sessão Plenária de 04/08/2011, ao julgar o RE 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão geral, o STF por maioria de votos – ao declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, validou a chamada “tese 5+5” do STJ apenas para os procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005, ou seja, antes da vigência da referida LC nº 118/2005, publicada em 9 de fevereiro de 2005. O entendimento manifestado foi no sentido de que o prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo estabelecido na LC nº 118/2005, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Assim, ao mesmo tempo em que foi reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, considerouse válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso aqui examinado, a declaração de compensação foi apresentada em 26/01/2007, portanto após 09/06/2005, e nessa data já estava prescrito o alegado direito creditório por restar ultrapasso o prazo de 5 anos previsto no art. 168, I, do CTN c/c art. 3º da LC nº 118/2005. Quanto às alegações de que o direito à restituição/compensação de saldo negativo não caducava enquanto o contribuinte permanecesse no lucro real nos períodos seguintes, e às decisões do CARF trazidas como embasamento desse entendimento, o voto que orientou o acórdão embargado apresentou os seguintes fundamentos: É importante destacar que tais decisões abrangem o aproveitamento de saldo negativo no contexto da redação original do art. 74 da Lei 9.430/1996, com a regulamentação dada pelas Instruções Normativas SRF nº 21/1997 e nº 93/1997. É que até as alterações introduzidas pela Lei 10.637/2002, a compensação entre tributos de mesma espécie era regida pelo art. 66 da Lei 8.383/1991, e não se exigia nem mesmo apresentação de pedido de compensação quando o saldo negativo de IRPJ era utilizado para a quitação de estimativas ou ajustes subseqüentes também relativos ao IRPJ. Essa dinâmica da redação original do art. 74 da Lei 9.430/1996 com o disposto no art. 66 da Lei 8.383/1991 resultou na regulamentação das referidas instruções normativas, cujas normas inspiraram as referidas decisões da CSRF. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 8 7 Contudo, a Lei 10.637/2002 introduziu profundas modificações no art. 74 da Lei 9.430/1996, alterando toda a sistemática de compensação vigente até então. A partir daí, o aproveitamento de saldo negativo, ainda que para a quitação de tributo de mesma espécie (IRPJ com IRPJ, p/ ex.), não pode mais se dar mediante simples dedução, como autorizava o art. 23 da IN SRF nº 93/1997. A sistemática da Lei 10.637/2002, já vigente quando da apuração do débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2003 (objeto da presente compensação), previa todo um procedimento para aproveitamento de saldo negativo (mesmo de períodos anteriores), tanto que a Contribuinte ingressou com a declaração de compensação ora analisada, mas o fez a destempo. Realmente, a partir de 01/10/2002 (dada de vigência das referidas alterações promovidas pela Lei 10.637/2002), a realização da compensação pretendida pela Contribuinte dependia não apenas de apresentação de declaração de compensação, mas de apresentação de declaração em tempo hábil, o que não ocorreu. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Em sede de embargos de declaração, a Contribuinte aponta omissão no acórdão, alegando que esta Segunda Turma Especial deveria ter se manifestado acerca de questão essencial a qualquer discussão concernente aos institutos da decadência e da prescrição, isto é, a existência ou inexistência de inércia por parte daquele que o direito socorre. Nesse passo, ela desenvolve uma série de argumentos na tentativa de demonstrar que não se manteve inerte, aduzindo em síntese: que cometeu um erro totalmente escusável; que não há que se falar em inércia, pois ela exerceu seu direito dentro do prazo de cinco anos, compensando seu crédito na própria escrita fiscal, mesmo que erroneamente; que embora tenha, em janeiro de 2003, cometido equívoco ao proceder à compensação do saldo negativo em sua própria escrita fiscal, sem apresentar declaração de compensação, agiu com boafé; e que à época, com a mudança da sistemática (Lei n° 9.430/1996 para a Medida Provisória n° 66/2002), diversos outros contribuintes cometeram o mesmo equívoco. Não identifico a alegada omissão no acórdão deste colegiado. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 9 8 Ficou bastante destacado no acórdão embargado que “a realização da compensação pretendida pela Contribuinte dependia não apenas de apresentação de declaração de compensação, mas de apresentação de declaração em tempo hábil, o que não ocorreu.” O Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/1966, estabelece que a lei estipulará condições para a realização de compensação tributária: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos acrescidos) Nesse contexto, observadas as regras legais para a realização da compensação, e que estão mencionadas no acórdão embargado, a constatação foi de que a contribuinte só venceu a inércia em 2007, quando o direito de reivindicar o alegado crédito já estava fulminado pela prescrição. Vale registrar que a chamada autocompensação, ou compensação na própria escrita fiscal, não tem o condão de modificar essa circunstância, eis que configurava procedimento que não mais era autorizado à época dos fatos, em janeiro/2003. O fato é que o procedimento de compensação tributária só se configura como tal se for realizado na forma determinada pela lei. Situação semelhante se dá com o ato de lançamento, que efetivamente configura o exercício de um direito potestativo pelo ente público. Se realizado de uma forma totalmente diferente da que está determinada na lei, ele é ato inválido, e também não produz qualquer dilação do prazo decadencial que corre contra o Fisco. No embalo da alegação sobre a ausência de inércia, a Contribuinte ainda traz novos argumentos, sustentando: que o prazo prescricional somente deveria começar a correr contra a Embargante a partir de outubro de 2002, quando houve a mudança na sistemática de compensação entre tributos de mesma espécie; e que o direito ao crédito é um verdadeiro direito potestativo do contribuinte, que não admite contestações pelo mero descumprimento de requisitos formais da legislação de regência (apresentação de DCOMP). Nesse passo, a Embargante pede que esta Turma se manifeste também sobre: o marco inicial da actio nata de aproveitamento do saldo negativo; e o direito creditório agora em debate como um direito potestativo, que não pode ser contestado por mero descumprimento de formalidade (compensação realizada na escrita e não por meio de DCOMP). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/200722 Acórdão n.º 1802002.389 S1TE02 Fl. 10 9 É importante destacar que a questão envolvendo o transcurso do prazo estabelecido no art. 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN (que no meu entendimento é prazo prescricional), está colocada desde o despacho decisório da Delegacia de origem. Também cabe consignar que os embargos de declaração não servem para provocar a apreciação de novos argumentos, que não haviam sido apresentados anteriormente pela parte interessada. De qualquer modo, vale registrar que nem mesmo o STF, quando julgou o já referido RE 566.621/RS, tratando da inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, fez qualquer tipo de dilação do prazo prescricional para repetição de indébito em razão da alteração legal promovida pela referida Lei Complementar, mesmo para indébitos que fossem anteriores a ela. Quanto à abordagem do direito creditório como um direito potestativo, isso também não modifica o fato de que a Contribuinte só realizou efetivamente o procedimento de compensação, na forma que a lei autoriza, em 26/01/2007, quando já transcorrido o prazo estabelecido no art. 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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