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Numero do processo: 10240.001614/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/08/1998, 01/05/2000
EMENTA APRESENTAR GFIP EM DESACORDO AO ARTIGO 32, IV, DA LEI
8.212/91 CONSTITUI INFRAÇÃO. PRAZO REQUERIDO NO RECURSO
VOLUNTÁRIO PARA APRESENTAR GFIP RETIFICADA IMPOSSIBILIDADE.
ATENUAR E RELEVAR A PENALIDADE DEPOIS DA IMPUGNAÇÃO IMPOSSIBLIDADE.
DECADÊNCIA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA
Numero da decisão: 2301-002.242
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Recorrida DRJBELÉM/PA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/08/1998, 01/05/2000 EMENTA APRESENTAR GFIP EM DESACORDO AO ARTIGO 32, IV, DA LEI 8.212/91 CONSTITUI INFRAÇÃO. PRAZO REQUERIDO NO RECURSO VOLUNTÁRIO PARA APRESENTAR GFIP RETIFICADA IMPOSSIBILIDADE. ATENUAR E RELEVAR A PENALIDADE DEPOIS DA IMPUGNAÇÃO IMPOSSIBLIDADE. DECADÊNCIA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA Presidente Wilson Antonio de Souza Correa Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ADRIANO GONZALES SILVERIO,BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES . Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) materializada pelo n° 37.064.1302, consolidada em 14/09/2007, em desfavor da empresa Recorrente por deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições a que se refere o art. 70 da Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST e ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete, conforme disposto no art. 2°, §3°, alínea "a", do Decreto n° 1.007, de 13 de dezembro de 1.993, combinado com o art. 33, §50 da Lei n°8.212, de 1991, no período de agosto/1998 a maio/2000. Adiante, consta no Relatório Fiscal da multa aplicada (fls. 27/28) que a empresa está sendo autuada pela infração supramencionada, motivo pelo qual enseja a aplicação da multa disposta no artigo 283, "caput" e §3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, atualizada na forma do art. 373 do RPS, pela Portaria MPS n°142, de 11/04/2007, no valor mínimo de R$ R$ 1.195,13 (um mil e cento e noventa e cinco reais e treze centavos). No entanto, prevê o relatório fiscal da multa que existem autos de infração contra a Recorrente, resultante de ação fiscal anterior. Sendo assim, a empresa incorreu em reincidência de que trata o artigo 290, inciso V, do Regulamento da Previdência Social. Segundo o que dispõe o relatório fiscal, caracterizase reincidência quando: “A reincidência é definida como a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver decisão administrativa e definitiva condenatória ou homologatória referente infração anterior, nos termos do artigo 290, parágrafo único do RPS.” Em decorrência disso, dáse o valor do auto de infração de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos). Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua Defesa tempestiva (fls.87/92) onde, em síntese, pleiteia a anulação do Auto de Infração por carência de fundamentação legal, nos seguintes pontos: Preliminarmente: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10240.001614/200714 Acórdão n.º 230102.242 S2C3T1 Fl. 130 3 Dúvida sobre a autenticidade do auto, sob o fundamento de que apesar de ter recebido o fiscal auditor, ao acessar a internet para confirmar se o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF era legal, foi informado que não existe ação fiscal, tão pouco mandado de procedimento fiscal disponível para o CNPJ da empresa. Mérito: Aduz que no auto em questão, não constou a identificação e qualificação da pessoa que ficou ciente da infração; Impossibilidade da incidência de multa, uma vez que não consta a discriminação clara e precisa da penalidade aplicada e os critérios de sua gradação. Não especificou as alíquotas aplicadas para se chegar aos valores das contribuições não declaradas. Nulidade da autuação, por vício insanável, nos termos da Ordem de Serviço n° 214 de 10 de junho de 1999. No entanto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão n° 0110.398, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BEL (fls. 104/111), julgou o lançamento fiscal procedente, conforme ementário abaixo: Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, Pedido de Reconsideração (fls. 116/121) alegando, em síntese, o que se segue: A reconsideração da decisão proferida, dando provimento às razões já mencionadas para anular o Auto de Infração; Requer prazo posterior para juntar as retificadoras da GFIP, em decorrência disso, vênia para relevação da multa prevista no artigo 219, do RPS. E, caso não seja reconsiderada a decisão, que seja recebido como razões do recurso voluntário encaminhados ao Conselho de Contribuintes. Por fim, a Receita Federal se manifestou (fl. 123) no sentido de inexistir previsão legal para a apresentação do "Pedido de Reconsideração" da decisão proferida pela DRJ. Sendo assim, recebe o documento como razões do Recurso Voluntário. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Eis o relato dos fatos. Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação ‘a quo’ sem o recolhimento do depósito ou arrolamento, o que permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF, ‘in verbis’: STF Súmula Vinculante nº 21 PSV 21 DJe nº 223/2009 Tribunal Pleno de 29/10/2009 DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009 DOU de 10/11/2009, p. 1 Constitucionalidade Exigência de Depósito ou Arrolamento Prévios de Dinheiro ou Bens para Admissibilidade de Recurso Administrativo. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. GN Como dizem os latinos: ‘na clareza da lei cessa sua interpretação’. Estando a impugnação e o recurso voluntário tempestivos, não havendo a necessidade de recolhimento de depósito recursal e tão pouco arrolamento de bens, em razão de Súmula Vinculante, os pressupostos extrínsecos encontramse adequados, merecendo avaliação o exame do mérito. Quanto ao pedido de reconsideração direcionado à DRJ/Belém/PA, acertada a decisão onde não a recepcionou por falta de previsão legal, tornandoo Recurso Voluntário. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10240.001614/200714 Acórdão n.º 230102.242 S2C3T1 Fl. 131 5 Referente a anular o AI, visto que impregnado de imperfeições, conforme reza o artigo 28 da Portaria 357/02, não vejo como prosperar, já que nos autos não há ao menos indícios de que tenha ocorrido qualquer afronta ao mencionado dispositivo. Ao contrário, foi obediente à legislação e seguiu a sua regular tramitação. Portanto improcede o pedido de anulação ao AI. Também impossível a requerida anulação por outros possíveis erros generalizados, pelas mesmas razões acima exposta, mormente porque o Auto de Infração lavrado obedeceu todas as determinações legais. Quanto ao pedido de prazo aviado no Recurso Voluntário para elaborar e juntar retificadora da GFIP e, por conseguinte, relevar a multa prevista do artigo 219 do RPS, tem que impossível dada a ausência de previsão legal, eis que precluso este direito, que poderia ser exercício até a impugnação. DECADÊNCIA A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Assim, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, cedo à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, seja pelo artigo 150, § 4° ou 173, I, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10240.001614/200714 Acórdão n.º 230102.242 S2C3T1 Fl. 132 7 já que havendo ou não recolhimento transcorreu mais de cinco anos o Auto de Infração (AI) materializada pelo n° 37.064.1302, consolidada em 14/09/2007 com o período de apuração que foi de agosto/1998 a maio/2000. Diante disto, urge dizer que se encontram atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência setembro de 2002, inclusive esta. ‘Ex positis’, e tudo mais que dos autos consta, tenho que o Recurso Voluntário aviado deva ser recepcionado, dado que obediente a todos os requisitos extrínsecos, para julgálo procedente diante da decadência apontada. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de julho de 2011 Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002051/2003-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBSCURIDADE – DEFEITO NO RESULTADO DE JULGAMENTO.
Ausência de esclarecimentos quanto ao posicionamento e extensão dos votos divergentes.
Numero da decisão: 1102-000.468
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara da Segunda Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão 101-96693, para esclarecer que toda matéria vencida naquele acórdão o foi por maioria de votos, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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ementa_s : OBSCURIDADE – DEFEITO NO RESULTADO DE JULGAMENTO. Ausência de esclarecimentos quanto ao posicionamento e extensão dos votos divergentes.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-30T19:14:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-03-30T19:14:27Z; Last-Modified: 2012-03-30T19:14:27Z; dcterms:modified: 2012-03-30T19:14:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0860133a-1ab3-4f73-81e6-4862b4dd2309; Last-Save-Date: 2012-03-30T19:14:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-03-30T19:14:27Z; meta:save-date: 2012-03-30T19:14:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-03-30T19:14:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-03-30T19:14:27Z; created: 2012-03-30T19:14:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2012-03-30T19:14:27Z; pdf:charsPerPage: 1316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-03-30T19:14:27Z | Conteúdo => IVETEN4 / IASTESSOA MONTEIRO – Presidente - —1,--- - \ , JOÃO CARLOS D LIM IOR – Relator S1-C1T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SECA() DE JULGAMENTO Processo n° 18471.002051/2003-46 Recurso n° 157.967 Voluntário Acórdão n° 1102-00.468 – la Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria IRPJ - Lucro Inflacionário - Ano-Calendário de 1991 Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida PRIMEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OBSCURIDADE – DEFEITO NO RESULTADO DE JULGAMENTO. Ausência de esclarecimentos quanto ao posicionamento e extensão dos votos divergentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Camara da Segunda Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão 101-96693, para esclarecer que toda matéria vencida naquele acórdão o foi por maioria de votos, nos termos do voto do relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Leonardo de Andrade Couto, João Carlos de Lima Júnior, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Suplente convocado) e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. 1 Processo n° 18471.002051/2003-46 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.468 Fl. 2 Relatório Trata-se de Embargos de Declaração (fls. 245/247) opostos pela Fazenda Nacional em 13.11.2008, face ao Acórdão n.° 101-96.693 da extinta Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 233/241) que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário. Naquela ocasião, o Acórdão restou assim decidido: "ACORDAM os Membros da Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para manter somente a tributação das parcelas de CR$ 711.118.030,00 (setecentos e onze milhões, cento e dezoito mil e trinta cruzeiros reais) e CR$ 1.876.451.465,00 (um bilhão, oitocentos e setenta e seis milhões, quatrocentos e cinqüenta e um mil e quatrocentos e sessenta e cinco cruzeiros reais), relativas ao lucro inflacionário, e excluir a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, SANDRA MARIA FARONI, JOSÉ RICARDO DA SILVA, CAIO MARCOS CÂNDIDO, ALOYSIO JOSÉ PERCiNIO DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO." Alega a Embargante que pela redação do dispositivo, não houve como averiguar o posicionamento e extensão do(s) voto(s) divergente(s), bem como se os Conselheiros que não acompanharam o Relator teriam negado provimento ao recurso, ou dado provimento em maior ou menor dimensão. Afirmou, ainda, a autoridade Fazenddria, que o suprimento da obscuridade fazia-se necessária para a delimitação de eventuais recursos cabíveis à Camara Superior de Recursos Fiscais, conforme disposição do art. 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.°147/2007. Ou seja, caso o(s) voto(s) divergente(s) for(forem) no sentido de negar provimento ao recurso, a insurreição fazenddria seria por maioria, e no caso do(s) voto(s) divergente(s) for(forem) no sentido de dar provimento em maior extensão, então o recurso especial da Fazenda dar-se-ia por divergência. É o relatório. 2 Processo n° 18471.002051/2003-46 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.468 Fl. 3 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Face à tempestividade dos Embargos Declaratórios, deles tomo conhecimento. Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com a finalidade de sanar a obscuridade apontada, visando a. interposição de eventual recurso cabível à Camara Superior de Recursos Fiscais, previsto nos incisos I e II, do art. 7°, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.°147/2007. No presente caso, a Fazenda Nacional afirma ter havido obscuridade no acórdão proferido quanto ao posicionamento e extensão do(s) voto(s) divergente(s), bem como se os Conselheiros que não acompanharam o Relator teriam negado provimento ao recurso, ou dado provimento em maior ou menor dimensão. Vejamos: "ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para manter somente a tributação das parcelas de CRS 711.118.030,00 (setecentos e onze milhões, cento e dezoito mil e trinta cruzeiros reais) e CRS 1.876.451.465,00 (um bilhão, oitocentos e setenta e seis milhões, quatrocentos e cinqüenta e um mil e quatrocentos e sessenta e cinco cruzeiros reais), relativas ao lucro inflacionário, e excluir a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, SANDRA MARIA FARONI, JOSÉ RICARDO DA SILVA, CAIO MARCOS CÂNDIDO, ALOYSIO JOSÉ PER CINJO DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO." Na demanda sob análise, entendo que assiste razão a Embargante no que tange a obscuridade apontada em relay -do à especificação dos votos dos Conselheiros. A fim de sanar a obscuridade apontada, esclareço que, ao formalizar o resultado da decisão proferida no acórdão n.° 101-96693, optou-se por constar a parcela do lançamento que foi mantida — "(..) as parcelas de CRS 711.118.030,00 (setecentos e onze milhões, cento e dezoito mil e trinta cruzeiros reais) e CRS 1.876.451.465,00 (um bilhão, oitocentos e setenta e seis milhões, quatrocentos e cinqüenta e um mil e quatrocentos e 3 JOÃO CARLOS 1-- .A JUNIOR Processo n° 18471.002051/2003-46 S1 -C1T2 Acórdão n.° 1102-00.468 Fl. 4 sessenta e cinco cruzeiros reais), relativas ao lucro inflacionário (.)", que foi decidida por maioria de votos. Por consequência, o resultado da decisão proferida no acórdão n.° 101-96693 ostentou a matéria vencida, que foi decidida por maioria de votos. Outrossim, não constou na formalização do resultado da decisão proferida no acórdão n.° 101-96693 as demais teses aventadas pela contribuinte, que foram acolhidas por unanimidade de votos. Destarte, toda a matéria vencida, aquela em que a contribuinte foi derrotada, foi por maioria de votos, ao passo em que as matérias as quais a contribuinte saiu vencedora foram decididas por unanimidade de votos. Nesse sentido, conheço os embargos de declaração para julgá-los procedentes, para esclarecer que a parte do auto que foi cancelado naquele acórdão o foi por unanimidade de votos. É como voto. / Brasilia (DF), em 30 de junho de 2011. 4
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Numero do processo: 10508.000862/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
INCENTIVO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE DÉBITOS.
Sema a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, não pode ser reconhecido o incentivo fiscal relativo a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1103-000.507
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE DÉBITOS. Sema a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, não pode ser reconhecido o incentivo fiscal relativo a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata o presente processo de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Primeiramente, o despacho decisório nº 145 de 23/10/2008 (fls. 31 a 33), da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em IlhéusBA, indeferiu a solicitação do contribuinte acima identificado, referente ao reconhecimento do incentivo fiscal (ADENE). Conforme decisão (fl. 32), tal direito foi indeferido ao concluir que a empresa interessada “deixa de fazer jus ao direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), calculados com base no lucro de exploração, por encontrarse em situação irregular”. O contribuinte tomou conhecimento do indeferimento do seu pedido, via AR (fl. 34 verso) e, em 28/11/2008, apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a) a D. Autoridade Fiscal indeferiu o pedido de benefício fiscal alegando que o Requerente não apresentou os comprovantes de sua regularidade fiscal em relação aos tributos federais e previdência social, bem como Certidão de Regularidade do FGTS; b) inicialmente, a Requerente acosta aos autos Certidão de Regularidade Fiscal do FGTS (Doc.03Certidão do FGTS). Por seu turno, a Requerente também acosta aos autos documentos comprovando sua regularidade fiscal em relação a débitos previdenciários (Doc. 04 – Documentos comprovando a inexistência de débitos previdenciários em nome da Requerente); c) quanto à regularidade fiscal em relação aos tributos federais, “a requerente optou pelo Parcelamento Excepcional (PAEX), previsto na Medida Provisória nº 303/06, incluindo todos os seus débitos no aludido parcelamento (Doc 05 – Documentos referentes à opção pelo parcelamento); d) no entanto, posteriormente à opção pelo parcelamento, a Requerente fez uma minuciosa análise em seus livros fiscais, demonstrações contábeis e Declarações de Rendimentos e constatou que os valores por ela declarados estavam equivocados, razão pela qual apresentou retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON); e) assim, os valores consolidados no PAEX não correspondem ao efetivamente devido, razão pela qual a Requerente passou a efetuar o recolhimento do parcelamento de acordo com os dados corretamente apresentados nas declarações retificadoras” e que “ressaltese que a Requerente, em nenhum momento, deixou de recolher as parcelas do PAEX, mas apenas recolheuas de acordo com os débitos efetivamente apurados nas declarações retificadoras (Doc 06 – extrato do PAEX comprovando o recolhimento mensal do acordo de parcelamento); f) não obstante o exposto, a D. Autoridade Fiscal, ao invés de efetuar a nova consolidação dos débitos da Requerente no PAEX, ou seja, apurar os valores efetivamente devidos, simplesmente excluiua do parcelamento sob alegação de inadimplemento (Doc. 07 – Decisão excluindo a Requerente do PAEX); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10508.000862/200841 Acórdão n.º 110300.507 S1C1T3 Fl. 2 3 g) assim, a requerente interpôs Recurso Administrativo pleiteando sua manutenção no PAEX e a nova consolidação dos débitos (Doc. 08 – Recurso Administrativo), o qual foi indeferido, mantendo a exclusão da Requerente no aludido programa de parcelamento (Doc. 09 – decisão do recurso administrativo mantendo a decisão que excluiu a Requerente do PAEX); h) diante do exposto, não restou alternativa à requerente senão o ajuizamento de Ação Declaratória pleiteando sejam declaradas extintas todas as execuções fiscais decorrentes dos débitos que foram incluídos no PAEX e que continua sendo pago mensalmente pela Requerente (Doc. 10 – Ação Declaratória); i) nesse passo, podese depreender que a Requerente só não consegue sua certidão pelo fato de a Receita Federal não efetuar a nova consolidação de débitos no PAEX (contendo apenas os valores efetivamente devidos) e assim, atestar sua regularidade fiscal; j) a requerente não pode ser prejudicada e ter indeferido seu pedido de incentivo fiscal por falha, única e exclusivamente, da Receita Federal que se omite em efetuar nova consolidação de cálculos de débitos no PAEX, pelo simples fato de que vai apurar o valor efetivamente devido, que será inferior ao montante consolidado inicialmente. Finaliza a sua defesa, requerendo a reforma do Despacho Decisório e que seja deferido o pedido do beneficio fiscal pleiteado. A DRJ decidiu (ementa): “INCENTIVO FISCAL. RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE DÉBITOS. Na ausência de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, não deve ser reconhecido o incentivo fiscal relativo a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” A contribuinte, recorre (resumo): Da regularidade fiscal em relação ao tributos federais Com relação aos tributos federais, a Recorrente ressalta que quando optou pelo Parcelamento Excepcional ("PAEX"), previsto na Medida Provisória n° 303/06, incluiu todos os seus débitos no aludido parcelamento (Doc. 05 da Impugnação), parcelandoos em 120 meses e outros, em 130 meses. No entanto, posteriormente à opção pelo parcelamento, a Recorrente fez uma minuciosa análise em seus livros fiscais, demonstrações contábeis e Declarações de Rendimentos e constatou que os valores por ela declarados estavam equivocados a maior, razão pela qual apresentou retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF"), Declaração de Informações EconômicosFiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais ("DACON"). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Assim, verificou que os valores consolidados no PAEX não correspondiam ao efetivamente devido. Dessa maneira, passou a efetuar o recolhimento do parcelamento de acordo com os dados corretamente apresentados nas declarações retificadoras. Ressaltese que a Recorrente, ao contrário do aludido na decisão recorrida, e nenhum momento, deixou de recolher as parcelas do PAEX, mas apenas, recolheuas de acordo com os débitos efetivamente apurados nas declarações retificadoras (Doc. 06 da Impugnação). Assim, a Recorrente interpôs Recurso Administrativo pleiteando sua manutenção no PAEX e a nova consolidação dos débitos (Doc. 08 da Impugnação), o qual foi indeferido, mantendo a exclusão da Recorrente no aludido programa de parcelamento (Doc. 09 da Impugnação). Diante do exposto, não restou alternativa à Recorrente senão o ajuizamento da Ação Declaratória n° 2008.33.01.0007567 pleiteando que fossem declaradas extintas todas as Execuções Fiscais decorrentes dos débitos que foram incluídos no PAEX e que continua sendo pago mensalmente pela Recorrente (Doc. 10 da Impugnação). Desta forma, a Recorrente não pode ser prejudicada e ter indeferido seu pedido de incentivo fiscal por falha, única e exclusiva, da Receita Federal, que se omite em efetuar nova consolidação de cálculos de débitos no PAEX, pelo simples fato de que vai apurar o valor efetivamente devido que será efetivamente inferior ao montante consolidado inicialmente. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O contribuinte requereu em 06/10/2008 (fl. 01), perante a Receita Federal do Brasil (RFB), o benefício da redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), porém seu pedido foi indeferido pela Inspetoria da RFB de Ilhéus, mediante o Despacho Decisório nº 145 de 23/10/2008 (fls. 31 a 33). O contribuinte, inconformado com o despacho decisório, apresentou manifestação de inconformidade, alegando que optou pelo Parcelamento Excepcional (PAEX), previsto na Medida Provisória nº 303/2006, porém, “posteriormente à opção pelo parcelamento, a Requerente fez uma minuciosa análise em seus livros fiscais, demonstrações contábeis e Declarações de Rendimentos e constatou que os valores por ela declarados estavam equivocados, razão pela qual apresentou retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON)” e assim “os valores consolidados no PAEX não correspondem ao efetivamente devido”. Ou seja, alega que teria se equivocado quando efetuou o parcelamento dos seus débitos (PAEX) e em conseqüência retificou as DCTF, DIPJ e DACON com novos valores, que, no seu entender, seriam os realmente devidos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10508.000862/200841 Acórdão n.º 110300.507 S1C1T3 Fl. 3 5 Verificase nos autos que o contribuinte foi excluído do Parcelamento Excepcional (MP nº 303/2006), através das Representações para fins de exclusão do PAEX nºs 16/2008 (fls. 119 a 122) e 17/2008 (fls. 114 a 116), emitidas em 08/02/2008 e 11/02/2008 respectivamente, elaboradas pela Inspetoria de Ilhéus, visto que a empresa impugnante “encontrase irregular nos recolhimentos das parcelas do parcelamento”, com base nos artigos 1º e 8º da MP 303/2006. O contribuinte foi cientificado da sua exclusão do PAEX em 19/02/2008 (fls. 117 e 123) e apresentou recursos administrativos em 28/02/2008 (fls. 125 a 156) requerendo, em síntese, que fosse revisado o parcelamento, “em face da retificação dos valores declarados, para que, ao fim e ao cabo, seja efetivado outra consolidação dos débitos, agora sim, com os valores corretos, passíveis de serem efetivamente parcelados e pagos, bem como a Recorrente reincluída no PAEX, face aos pagamentos demonstrados (efetuados de acordo com os valores efetivamente devidos) e ausência de interrupção”. Em resposta aos recursos administrativos, relativos aos pedidos de revisão de lançamento e manifestação da exclusão do PAEX, foram emitidas em 17/04/2008 as Informações SORAC nº 35/2008 e (fls. 159 a 160) e nº 40/2008 (fls. 162 a 163), indeferindo os aludidos requerimentos do interessado, aduzindo que “na petição de fls. 01/16, que inaugura o presente pedido de revisão dos débitos declarados em DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais não há informação de qual seja o erro que fundamenta o pedido de revisão – não há descrição de nenhum fato – há apresentação de uma série de demonstrativos retificadores da DACON e DIPJ desconstituída de qualquer documento ou demonstração dos fatos que lhe dêem sustentação”. O impugnante foi notificado pela Procuradoria da Fazenda Nacional da sua exclusão do PAEX em 07/05/2008 (fl. 176), conforme Notificação e Despacho emitidos em 10/04/2008 (fls. 168 e 169), onde consta que “a parte executada interrompeu os pagamentos do parcelamento, caracterizando inadimplência absoluta por período superior a dois meses, implicando a exclusão do parcelamento, conforme determina o art. 7º da MP nº 303/2006”, determinando assim, a conseqüente exclusão do PAEX. Desta forma, os requerimentos do impugnante no sentido de revisão dos débitos confessados no PAEX foram indeferidos na esfera administrativa, e assim o requerente ajuizou de Ação Declaratória nº 2008.33.01.0007567 (fls. 60 a 108) perante a Justiça Federal, pleiteando que “sejam declaradas extintas todas as execuções fiscais decorrentes dos débitos que foram incluídos no PAEX e que continua sendo pago mensalmente pela Requerente (Doc. 10 – Ação Declaratória)”. Ademais, no presente recurso, também não foi apresentado qualquer documento hábil a comprovar os alegados erros no preenchimento da DCTF e DIPJ, de forma que pudessem sustentar os argumentos da defesa. Quanto a legislação que rege a matéria começo com a Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, que estabeleceu que o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício, relativo aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais, in verbis: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. E, conforme o art. 124 da IN SRF nº 267/2002, nas hipóteses de concessão de incentivos ou benefícios fiscais, necessário que o contribuinte apresente as certidões negativas de débitos dos tributos e contribuições federais, in verbis: Art. 124. Nos casos em que for necessária concessão ou reconhecimento expressos pelos órgãos ou entidades da Administração Pública Federal dos incentivos ou benefícios fiscais de que trata esta Instrução Normativa, serão exigidas as Certidões Negativas de Débitos relativamente aos tributos e contribuições federais. Em relação à fruição do benefício de redução do IRPJ no percentual de 75% requerido pelo contribuinte, o pedido de reconhecimento foi instruído com o Laudo Constitutivo nº 0268/2005, às fls. 03 a 06, expedido pelo Ministério da Integração Social – Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE), de acordo com o estabelecido no art. 3º do Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002: Art. 3º. O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. O citado Decreto 4.213, de 2002, além de estabelecer o que já era previsto no art. 16 da Lei nº 4.239, de 1963, quanto à competência para o reconhecimento do benefício da redução prevista no artigo 14 da mesma Lei (à época o reconhecimento do direito das empresas ao benefício tributário era feito pelo Diretor da Divisão do Imposto de Renda, hoje Secretaria da Receita Federal), e quanto à instrução do processo de reconhecimento por meio de declaração de que a empresa satisfaz as condições exigidas para o beneficio, dita outras normas processuais a serem observadas quanto ao Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ: Art.3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. §1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. (...) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10508.000862/200841 Acórdão n.º 110300.507 S1C1T3 Fl. 4 7 §3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. §4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. §5o Na hipótese do §4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. (...). A IN SRF nº 267/2002, por sua vez, dispõe, além da regras já dispostas no Decreto nº 4.213, de 2002, que o pedido de que trata este artigo deve estar completo em todos os requisitos formais e materiais, sem o que não será admitido, conforme abaixo: Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. (...) §3º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente o pedido da requerente, caberá manifestação de inconformidade, para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. (...) §7º. O pedido de que trata este artigo deve estar completo em todos os requisitos formais e materiais, sem o que não será admitido, podendo o requisitante, depois de sanado o vício, peticionar novamente. (grifei) §8º. Na hipótese de não admissibilidade do pedido não fluirá o prazo de que trata o §1º , enquanto não sanado o vício. No caso em comento, por não ter apresentado a documentação solicitada no momento da apresentação do Pedido de Reconhecimento do direito à redução do IRPJ (dentre elas, a certidão negativa de débitos federais) e constatada a pendência de débitos com a RFB conforme certidão emitida em 23/10/2008 (fls. 18 a 30), consoante descrito no Despacho Decisório nº 145 de 23/10/2008, o pedido do sujeito passivo não atendeu aos requisitos necessários e conforme preceitua o art. 60, § 7º da IN SRF nº 267/2002. Assim, na ausência de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, não deve ser reconhecido o incentivo fiscal relativo a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Haja vista sua exclusão do PAEX. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005688/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, todo o período constante da autuação foi alcançado pela decadência quinquenal.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, todo o período constante da autuação foi alcançado pela decadência quinquenal. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Leoncio Nobre de Medeiros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.005688/200725 Acórdão n.º 230101.901 S2C3T1 Fl. 139 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CASA DOS IMPERMEABILIZANTES SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA em face de decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal por descumprimento de obrigação acessória no período de 1/1/1996 a 31/12/1998. 2. A ementa do julgado restou vazada nos seguintes termos que ora transcrevo: “AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Constitui infração ao disposto no art. 33, §2º, da lei 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 232 do regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições sociais previdenciárias. DECADÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos somente extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme art. 45 da Lei nº 8.212/91. Os documentos e livros contábeis da empresa devem ficar arquivados na empresa durante dez anos à disposição da fiscalização. Lançamento Procedente.” (fl. 74) 3. Por sua vez, a empresa se contrapõe ao entendimento do fisco aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados em sede impugnativa com ênfase na regra de decadência quinquenal ditada pela súmula vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal – STF, conforme se depreende de trecho do acórdão 1514.147 prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Salvador transcrito a seguir: “Que o auto de infração é desprovido de Razoabilidade e de Proporcionalidade em sua aplicação citando entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre o assunto. Argúi ainda prescrição com fundamento na Lei Complementar n°. 118, de 09 de fevereiro de 2005 que trouxe nova disposição em tema de prazo prescricional determinando que se considere o prazo de cinco anos a contar da antecipação a cargo do contribuinte. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Argumenta que o legislador se reporta à regra do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, preceito a autorizar a aplicação da lei a fato pretérito, salvo nos casos em que há aplicação de penalidade, em sua disposição final, que estabelece que o novo diploma legal somente entrará em vigor no prazo de cento e vinte dias, citando entendimento jurisprudencial sobre o assunto. Pede que seja anulado o lançamento tratado no Al/DEBCAD n° 37.043.2282 para tornar insubsistente a constituição da multa em tela pelo princípio da razoabilidade e da proporcionalidade.” (fl. 76) 4. O fisco, em contrapartida, não apresentou contrarrazões, sendo os autos remetidos a esta Câmara. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10380.005688/200725 Acórdão n.º 230101.901 S2C3T1 Fl. 140 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, tendo em vista que atende aos pressupostos legais de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Conforme alegação da empresa recorrente, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário é de cinco anos nos termos do Código Tributário Nacional CTN. 3. E no que se refere a esse instituto, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 143DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 5. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante nº 08. 6. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 7. Compulsando os autos, constatase que independentemente da regra a ser aplicada, artigos 173, inciso I ou 150, §4º, encontramse decaídas as parcelas ora discutidas. No caso em apreço, a ação fiscal teve início no dia 22/11/2006 e a recorrente foi cientificada do auto de infração em 26/12/2006, referente às contribuições das competências 01/1996 a 12/1998, ficando alcançado pela decadência quinquenal todo o período fiscalizado. 8. Feitas essas considerações, acato a preliminar de decadência. CONCLUSÃO 9. Assim, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 144DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000984/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INTIMAÇÃO POR EDITAL APENAS PARA COMPARECIMENTO À REPARTIÇÃO. Se o contribuinte não tomou ciência do conteúdo do Termo de Início de Fiscalização, não se pode acusá-lo
de não ter atendido à intimação para prestar esclarecimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INTIMAÇÃO POR EDITAL APENAS PARA COMPARECIMENTO À REPARTIÇÃO. Se o contribuinte não tomou ciência do conteúdo do Termo de Início de Fiscalização, não se pode acusá-lo de não ter atendido à intimação para prestar esclarecimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INTIMAÇÃO POR EDITAL APENAS PARA COMPARECIMENTO À REPARTIÇÃO. Se o contribuinte não tomou ciência do conteúdo do Termo de Início de Fiscalização, não se pode acusálo de não ter atendido à intimação para prestar esclarecimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Odmir Fernandes, José Evande Carvalho Araujo, Walter Reinaldo Falcão Lima e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1516.834, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 72), que, por unanimidade de votos, julgou Fl. 94DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 procedente em parte o lançamento, que efetuou glosas nas deduções com dependentes, despesas com instrução e despesas médicas. Foi aplicada a multa agravada de 112,50% pela falta de atendimento às intimações durante a fiscalização. Em seu apelo ao CARF, à fl. 80, o recorrente requer a redução da multa de ofício de 112,5% ao percentual da multa de mora, argumentando que todas as correspondências enviadas para o seu endereço são recebidas normalmente. Este fato causou estranheza e foi um caso isolado – em nenhum momento em toda sua vida deixou de atender a qualquer fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato – é o que dispõe o artigo 136 do CTN. A redução indevida do recolhimento, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é causa para a aplicação da multa de ofício em seu percentual básico de 75% (setenta e cinco por cento), e não há previsão na legislação tributária para a sua redução ao percentual da multa de mora, conforme pleito do recorrente: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 95DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13558.000984/200830 Acórdão n.º 210101.050 S2C1T1 Fl. 87 3 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos acrescidos) Por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade nela prevista. Do exame das peças processuais, verificase que duas intimações foram endereçadas ao domicílio eleito pelo contribuinte, sendo recusadas o seu recebimento, conforme anotação efetuada pelo agente postal às fls. 07 e 08. Por não ter havido intimação ao contribuinte, foi utilizada a via editalícia (fls. 09/10) – procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, quando improfícuas as tentativas de notificação pessoal ou por via postal. Com efeito, o referido Edital/DRF/ITA/SAFIS/ N° 09, de 16 de maio de 2008, intimou o contribuinte, indicado em relação anexada, tãosomente a comparecer no endereço citado para tomar ciência de Termo de Início de Fiscalização. Sendo assim, somente poderia se cogitar em não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, se este houvesse comparecido à repartição e tomado ciência do Termo de Início de Fiscalização, pois até aquele momento nada sabia sobre o conteúdo e período fiscalizado. Ademais, cabe ressaltar que a intimação por edital é ficta e, portanto, não serve de suporte à aplicação da multa agravada. Por fim, resta consignar que a autoridade fiscal não indicou na descrição dos fatos do auto de infração (fls. 18/20) os motivos que o levaram a agravar a multa de ofício, majorandoa de 75% para 112,5%, o que impõe seja esta reduzida ao percentual de 75%. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 96DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Fl. 97DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 16045.000537/2007-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o
dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo
para o contribuinte, que pode refutála
mediante oferta de provas hábeis e
idôneas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplicase
à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal
em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1103-000.511
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003, 2004 Ementa:MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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LOCAÇÃO EQUIPAMENTOS PAINEIS ELETRON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 Ementa:MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75% Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário da decisão da DRJ de Campinas/SP que julgou procedente o lançamento. Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 25 de setembro de 2007, no valor total de R$ 190.882,59, conforme demonstrativo de fl. 03, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 05/07: “001. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Valor referente a depósitos bancários junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no subitem 4.4 (Informação 4) do Termo de Informação Fiscal n.º 002, em anexo, e que faz parte integrante deste auto de infração. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2003 a 31/12/3003, valor tributável ou imposto e percentual da multa (75%)] Enquadramento legal: arts. 25 e 42 da Lei n.º 9.430/96; art. 528 do RIR/99. 002. RECEITAS DA ATIVIDADE. A PARTIR DO AC 93. RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Receita da prestação de serviços escriturada/lançada e não declarada, apurada conforme item 4.3(INFORMAÇÃO 3) e seus subitens do Termo de Informação Fiscal no. 002, que faz parte integrante deste auto de infração. A multa de ofício está sendo qualificada (150%), tendo em vista os motivos expostos no item 5 do Termo de Informação Fiscal no. 002. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, no ano calendário de 2003, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 150%] Enquadramento legal: arts. 224, 518 e 519, & 1º, inciso III, alínea “a”, e §§ 4º a 7º, do RIR/99. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 2 3 003. APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. A PARTIR DO AC 93. APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. Aplicação incorreta do coeficiente de 16% sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando o correto seria 32%, conforme apurado no item 4.1 (INFORMAÇÃO 1) do Termo de Informação Fiscal no. 002, que faz parte integrante deste auto de infração. A multa de ofício está sendo qualificada (150%), tendo em vista os motivos expostos no item 5 do Termo de Informação Fiscal no. 002. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, no ano calendário de 2003, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 150%] Enquadramento legal: arts. 518 e 529 do RIR/99.” 2. Em 25 de setembro de 2007, por meio do Termo de fl. 258, foram juntadas as peças que compõem os autos de infração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, referentes ao ano calendário de 2004, decorrentes da exclusão do Simples sofrida pela contribuinte, formalizando um crédito tributário total de R$ 58.629,33, incluídos juros de mora e multa de ofício, a saber: 2.1. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ: R$ 34.673,63; 2.2. Contribuição para o PIS/PASEP: R$ 3.372,13; 2.3. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS: R$ 8.140,26; 2.4. Contribuição Social s/Lucro Líquido – CSLL: R$ 12.443,31. 3. Na descrição dos fatos de fl. 263, auto de infração do IRPJ relativo ao ano calendário de 2004, estão detalhadas as infrações ocorridas, nos seguintes termos: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos do art. 926, do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 (...), tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento no(s) período (s): 03/2004 06/2004 09/2004 12/2004 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do lucro real, em virtude do que está descrito a seguir. O contribuinte foi excluído de ofício pelo regime de tributação pelo SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo no. 10, de 31/07/2007, com efeito, a partir de 01/01/2004. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 O contribuinte foi formalmente intimado a apresentar a escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis comerciais e fiscais, que possibilitasse a apuração do lucro real, conforme subitem 6.1.1 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001 em anexo a este auto de infração. No entanto, em sua resposta datada de 07/05/2007, o contribuinte declara que “... devido ao fato de o profissional que realizava a escrita contábil/fiscal não ter entregue diversos documentos quando da rescisão do contrato, a empresa não possui documentos que comprovem seu enquadramento.” E que “... por estar, à época, enquadrada no regime do SIMPLES, não possuía escrituração contábil de acordo com a legislação do lucro real.” Enquadramento legal: a partir de 01/04/1999 – art. 530, inciso II, do RIR/99. 001. RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS. Valor apurado conforme item 6 e seus subitens do Termo de Informação Fiscal no. 002 em anexo que faz parte integrante deste auto de infração. Contribuinte excluído do SIMPLES através do Ato Declaratório executivo no. 10, de 31/07/2007, com efeito a partir de 01/01/2004. [Demonstrativo com fatos geradores em 31/03/2004 e 31/12/2004, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 75%] Enquadramento legal: art. 532, do RIR/99. 002. RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. Valor apurado conforme item 6 e seus subitens do Termo de Informação Fiscal no. 002 em anexo e que faz parte integrante deste auto de infração. Contribuinte excluído do SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo no. 10, de 31/07/2007, com efeito a partir de 01/01/2004. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais anocalendário de 2004, valor tributável ou imposto e percentual da multa – 75%] Enquadramento legal: art 532, do RIR/99.” 4. Consta nos autos o Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal n.º 01, fls. 57/67, por meio do qual a contribuinte é intimada da seguinte forma: “Fica o contribuinte intimado a, no prazo de 20 (vinte dias) a contar do recebimento deste termo, sob as penas previstas na Lei 8.137/90 que trata dos crimes contra a ordem tributária: 5. Em relação ao anocalendário 2003, exercício 2004 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 3 5 5.1. Justificar a diferença tributável na receita de prestação de serviços, apurada e constatada no subitem 4.1.5. Essa diferença é caracterizada pela divergência entre os valores escriturados nos livros Caixa e livros fiscais e os constantes da DIPJ/2004. 5.2. Comprovar a origem dos recursos que justifique as diferenças existentes entre os créditos efetuados na C/C e o faturamento declarado na DIPJ/2004 ou escriturados nos livros Caixa/Saídas (dos três valores de faturamento, o maior), conforme apuradas e constatadas no subitem 4.1.7. Todo crédito/depósito bancário cuja origem dos recursos não seja comprovada poderá ser considerado como sendo de receita tributável e omitida. 5.2.1. Apresentar documentos comprobatórios da origem desses recursos, separando os originados de prestação de serviços daqueles de vendas/revendas de mercadorias. 6. Em relação ao anocalendário 2004, exercício 2005 6.1. Justificar as diferenças tributáveis na receita bruta conforme apuradas e constatadas nos subitens 4.2.5 e 4.2.6. Comprovar o correto enquadramento para o SIMPLES, uma vez que a sua comprovação poderá ensejar o seu desenquadramento pelos motivos já observados anteriormente. 6.1.1. Caso não haja comprovação do seu correto enquadramento ao regime do SIMPLES, apresentar escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais que possibilite a apuração do lucro real. Caso contrário, poderá a tributação ser feita pelo lucro arbitrado. 6.2. Em relação aos valores informados na PJSI 2005 – SIMPLES, itens 01 e 02 da ficha 04A e consolidados no quadro do subitem 4.2.4, fica evidente a inversão desses valores, influenciando diretamente no cálculo do percentual entre a receita bruta acumulada da prestação de serviços e a receita bruta acumulada total, e conseqüentemente, na correta aplicação do percentual de determinação do SIMPLES. (...) 6.3. Comprovar a origem dos recursos que justifique as diferenças existentes entre os créditos efetuados na C/C e o faturamento escriturado nos livros Caixa/Saídas (dos valores de faturamento, o maior), conforme apuradas e constatadas no sub item 4.2.8. Todo crédito/depósito bancário cuja origem dos recursos não seja comprovada poderá ser considerado com sendo de receita tributável e omitida. 6.3.1. Apresentar documentos comprobatórios da origem desses recursos, separando os originados de prestação de serviços daqueles de venda/revenda de mercadorias. (...)” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 5. Em resposta a tal documento, cientificado à contribuinte em 19 de abril de 2007, a contribuinte apresentou a petição de fls. 299/305, datada de 07 de maio de 2007, nos seguintes termos: 5.1. Tratando da diferença existente entre seu Livro Caixa e a DIPJ do ano calendário de 2003, reitera não ser possível detectar a razão de a escrita fiscal/contábil não estar conciliada, afirmando que: “...frente ao completo desconhecimento do ocorrido, restanos impossível justificar as divergências existentes.” 5.2. Afirma que celebrou contrato de prestação de serviços com entidade desportiva autorizada a explorar jogos de bingo, repetindo parcialmente seus argumentos anteriores, acrescentando que: “Ressaltese, por importante, que todos os recolhimentos foram feitos (e são, ainda hoje) em nome (e com o CNPJ) da entidade desportiva, uma vez ser dela a responsabilidade pela exploração do jogo, sendo, a contratada, simplesmente uma prestadora de serviços de administração. (...) Desta forma, é a entidade desportiva que está obrigada a escriturar os valores relativos à exploração do jogo de bingo, uma vez que, nos termos da legislação da regência do jogo, é dela a responsabilidade pela exploração. Quanto à fiscalizada, na condição de prestadora de serviço, simplesmente contabilizava sua receita, ou seja, o valor referente ao pagamento pelo serviço prestado (28% do valor total arrecadado) de acordo com as notas fiscais emitidas, conforme determina o artigo 519, do Regulamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica.” 5.3. No que se refere aos valores depositados na conta corrente mantida no Banco Real, esclarece: “• R$ 346.534,60 (...) se referem à receita bruta da fiscalizada (composta pelo valor recebido pela administração do jogo de bingo e por outros valores referentes a outras prestações de serviços, devidamente escrituradas no Livro Caixa; • R$ 128.426,87 (...) se referem aos pagamentos feitos aos jogadores (incluídos os impostos), à União, à CEF e à Liga Valeparaibana de Ciclismo (entidade desportiva) (documento anexo); Por fim, em relação ao valor remanescente ingressado na mencionada conta corrente, esclarece a fiscalizada que, devido ao decurso do tempo, não se recorda a razão da diferença.” 5.4. Repete que não tem como explicar as diferenças levantadas entre a escrituração efetuada no Livro Caixa e os montantes declarados, no anocalendário de 2004, acrescentando que não possui os documentos necessários a comprovar seu enquadramento no SIMPLES, pois o profissional que realizava sua escrita fiscal não os entregou. Ademais, por estar, à época, enquadrada naquele programa, não possuía escrituração contábil de acordo com a legislação do lucro real. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 4 7 5.5. Por fim, assim diz: “Em relação ao valor remanescente ingressado na mencionada conta corrente, esclarece a fiscalizada que, devido a decurso do tempo, não se recorda a razão da diferença. Nestes termos, espera o fiscalizado ter atendido satisfatoriamente o solicitado e, de outra parte, se coloca à disposição para novos esclarecimentos que se façam necessários.” 6. No Termo de Informação Fiscal n.º 002, fls. 41/48, referente às infrações detectadas nos dois anoscalendário (2003 e 2004) a autoridade fiscal faz um histórico e detalha os fundamentos da autuação: “1. Termos lavrados anteriormente: Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal n.º 001, de 11/04/2007. 2. Informações prestadas pelo Contribuinte: 2.1. Informações prestadas pelo contribuinte, por escrito, em 07/05/2007. 3. Outras fontes de informações: 3.1. DIPJ/2004 3.2. PJSI 2005 SIMPLES 3.3. Ato Declaratório Executivo n.º 10, de 31/07/2007, da DRF/TAUBATÉ/SP, excluindo a empresa CDN (...), do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), a partir de 01/01/2004. 4. As informações a seguir prestadas foram baseadas nas constantes dos itens 1 a 3, e se referem ao anocalendário 2003, exercício 2004. 4.1.1. O contribuinte aplicou o coeficiente de determinação do lucro presumido de 16% em relação à prestação de serviços, ao invés de 32%, em todos os trimestres do anocalendário 2003. A aplicação do coeficiente reduzido de 16% só é permitida para as pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviços e, mesmo assim, com receita bruta anual de até R$ 120.000,00. 4.1.2. No caso, o contribuinte, além da prestação de serviços, obteve receita bruta sobre a revenda de mercadorias, tendo atividade mista durante todo o anocalendário de 2003, fato este corroborado pelas informações contidas nos livros fiscais e contábeis e na DIPJ/2004. 4.1.3. E, mesmo que fosse prestadora exclusiva de serviços, a sua receita bruta superou o limite de R$ 120.000,00 no ano calendário de 2003, conforme demonstra o quadro 1 a seguir: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 [Quadro 1 – onde constam os totais de receitas, anocalendário de 2003, a saber – revenda: R$ 1.899,04; P. Serviço: R$ 178.494,39; Total: R$ 180.393,43] 4.1.4. A diferença de coeficiente de 16% (32% 16%) será objeto de lançamento de ofício, e aplicado sobre os valores referentes à prestação de serviços informados na DIPJ/2004 (Fichas 14A). 4.2. Informação 2. Aplicação indevida do percentual para a apuração da base de cálculo da CSLL, a partir de 01/09/2003. 4.2.1. O contribuinte aplicou o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL em 12% em relação à prestação de serviços, ao invés de 32%, a partir de 01/09/2003. As pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral, enquadradas no inciso III, do parágrafo 1º, do art. 15, da Lei n.º 9.249/95, estão sujeitas ao percentual de 32%, a partir de 01/09/2003, conforme art. 20, da Lei n.º 9.249/95, com redação data pelo art. 22, da Lei n.º 10.684/2003 e IN SRF n.º 390/2004, art. 89. 4.2.2. Para o mês de setembro/2003 e para o 4º trimestre/2003, será lançado de ofício a CSLL de 9% sobre o percentual de 32% aplicado sobre a receita de prestação de serviços, conforme quadro 2, e compensada a CSLL declarada na DIPJ/2004, conforme quadro 3 [Demonstrativos: Quadro 2 CSLL com base de cálculo a 32%, incidente sobre a prestação de serviços; Quadro 3 CSLL a compensar (declarada pela contribuinte) e Quadro 4 – Diferença de CSLL a ser lançada de ofício, relativa aos meses de setembro a dezembro de 2003, num total de R$ 926,56] 4.3. Informação 3: Receita Operacional de Prestação de Serviços lançada e não declarada. 4.3.1. Foram constatadas diferenças de valores entre a receita bruta proveniente da prestação de serviços escriturada nos livros fiscais e/ou livro contábil (Caixa) e a informada na DIPJ/2004 e que não foram oferecidas à tributação, conforme subitens 4.1.1 a 4.1.5 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001. 4.3.2. Em resposta ao termo acima mencionado, o contribuinte alegou que “... frente ao completo desconhecimento do ocorrido, restanos impossível justificar as divergências existentes, conforme se pode verificar em sua correspondência datada de 07/05/2007.” Quadro 5 – Diferença tributável da receita operacional lançada e não declarada mês/ano DIPJ/2004 Livro Caixa Dif. Tributável jan/03 16.091,67 28.591,67 12.500,00 fev/03 15.323,69 23.523,69 8.200,00 mar/03 17.156,33 26.800,00 9.643,67 1º trim 48.571,69 78.915,36 30.343,67 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 5 9 abr/03 16.473,53 18.300,00 1.826,47 mai/03 28.171,03 28.171,03 jun/03 12.872,08 22.572,08 9.700,00 2º trim 29.345,61 69.043,11 39.697,50 jul/03 18.698,53 9.698,53 0,00 ago/03 13.784,61 43.084,61 29.300,00 set/03 16.617,40 27.917,40 11.300,00 3º trim 49.100,54 80.700,54 40.600,00 out/03 15.187,53 29.387,53 14.200,00 nov/03 15.839,55 33.939,55 18.100,00 dez/03 20.449,47 43.649,47 23.200,00 4º trim 51.476,55 106.976,55 55.500,00 Totais 178.494,39 335.635,56 166.141,17 4.3.3.As diferenças (vr. Escriturado e não tributado) apuradas conforme o quadro 5 acima serão objeto de lançamento de ofício. 4.4. Informação 4: Depósitos Bancários não contabilizados e cuja origem não foi justificada. 4.4.1. O contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos relacionados e consolidados no Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001, subitens 4.1.6 e 4.1.7, uma vez que: 4.4.1.1. Em sua resposta contida na carta datada de 07/05/2007, subitem II.IV, o contribuinte deixa claro que não escriturou no seu livro Caixa a totalidade de sua movimentação financeira, inclusive bancária, mas apenas 28% do valor arrecadado. 4.4.1.2. Apresentou uma planilha de movimentação mensal, com valores de arrecadação e pagamentos efetuados no ano calendário 2003, sem, no entanto, comprovar a vinculação desses valores com os créditos e débitos bancários. 4.4.1.3. Não há lançamentos a título de pagamento de prêmios, IRRF s/prêmio e repasses no seu livro Caixa, do anocalendário de 2003. Se houvesse lançamentos a esses títulos no livro Caixa, estes seriam deduzidos dos créditos bancários a serem justificados, a exemplo do que ocorreu no anocalendário de 2004. Quadro 6 – Depósitos bancários de origem não justificada Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 10 4.4.2. Os valores constantes da coluna “Créditos não Justificados” serão objeto de lançamento de ofício como omissão de receitas, de acordo com o art. 42, da Lei n.º 9.430/96. 4.4.3. E o coeficiente de presunção do lucro presumido sobre esta omissão será de 32%, uma vez que os valores registrados como entradas (CFOP 1.102) no livro Registro de entradas no. 06, subitem 4.1.3 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal no. 001, não justificam considerar o montante de créditos não justificados como sendo de saídas com revenda de mercadorias (presunção de 8%). 4.4.4. O contribuinte também não comprovou a origem desses recursos e tampouco os separou em originados de prestação de serviços de venda/revenda de mercadorias, como foi intimado a fazêlo através do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001, subitem 5.2.1. 5. Os fatos relatados nos subitens 4.1, 4.2 e 4.3 analisados em seu conjunto, com os valores declarados nas DCTF dos quatro trimestres de 2003, cujos valores coincidem com os declarados na DIPJ/2004, denotam omissão ou prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, cujo resultado é a supressão ou redução do valor dos tributos devidos, razão pela qual será aplicada a multa qualificada de 150% no lançamento dos créditos tributários apurados conforme subitens 4.1, 4.2 e 4.3, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. 6. As informações a seguir prestadas foram baseadas nas constantes dos itens 1 a 3, e se referem ao anocalendário de 2004, exercício 2005. mês Receita declarada/escriturada Pagamentos (Livro Caixa) Créditos Créditos ano revenda prest. Serv. total prêmios IRRF s/prêmios Repasses Bancários não justif. jan/03 691,09 28.591,67 29.282,76 0,00 0,00 0,00 73.227,21 43.944,45 fev/03 95,98 23.523,69 23.619,67 0,00 0,00 0,00 68.808,60 45.188,93 mar/03 26.800,00 26.800,00 0,00 0,00 0,00 66.810,24 40.010,24 1º trim 787,07 78.915,36 79.702,43 0,00 0,00 0,00 208.846,05 129.143,62 abr/03 18.300,00 18.300,00 0,00 0,00 0,00 93.669,77 75.369,77 mai/03 336,85 28.171,03 28.507,88 0,00 0,00 0,00 48.525,22 20.017,34 jun/03 775,12 22.572,08 23.347,20 0,00 0,00 0,00 75.457,89 52.110,69 2º trim 1.111,97 69.043,11 70.155,08 0,00 0,00 0,00 217.652,88 147.497,80 jul/03 18.698,53 18.698,53 0,00 0,00 0,00 73.414,06 54.715,53 ago/03 43.084,61 43.084,61 0,00 0,00 0,00 42.020,12 0,00 set/03 27.917,40 27.917,40 0,00 0,00 0,00 76.968,62 49.051,22 3º trim 0,00 89.700,54 89.700,54 0,00 0,00 0,00 192.402,80 103.766,75 out/03 29.387,53 29.387,53 0,00 0,00 0,00 70.289,81 40.902,28 nov/03 33.939,55 33.939,55 0,00 0,00 0,00 87.253,23 53.313,68 dez/03 43.649,47 43.649,47 0,00 0,00 0,00 52.029,64 8.380,17 4º trim 0,00 106.976,55 106.976,55 0,00 0,00 0,00 209.572,68 102.596,13 Totais 1.899,04 344.635,56 346.534,60 0,00 0,00 0,00 828.474,41 483.004,30 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 6 11 6.1. Tendo em vista que o contribuinte foi excluído do Sistema SIMPLES a partir de 01/01/2004, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo no. 010, de 31/07/2007, e publicado no Diário Oficial da União em 02/08/2007, e não apresentou, mesmo sob intimação (vide subitem 6.1.1. do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001) os livros contábeis e fiscais elaborados de acordo com as leis comerciais e fiscais que possibilitassem a apuração do lucro real, será adotado o LUCRO ARBITRADO para o anocalendário de 2004, exercício 2005, tendo como base de cálculo dos tributos a soma da receita bruta declarada/escriturada com a receita omitida devida a depósitos bancários não justificados, conforme demonstrado no quadro 7 a seguir. Quadro 7 – apuração da base de cálculo do Lucro Arbitrado para o anocalendário 2004, exercício 2005. 6.1.1. A receita declarada/escriturada é a que foi demonstrada nos subitens 4.2.1 a 4.2.6 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001. 6.1.2. A receita omitida corresponde à coluna “Diferença a Justificar” constante do quadro inserido no subitem 4.2.8 do Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal no. 001, e que foi intimado a justificar conforme subitem 6.3 do mesmo Termo. Mês Receita declarada/escriturada Receita Base cálculo Lucro Arbitrado Ano Revenda Prest. Serviços Omitida Revenda Prest. Serviços jan/04 3.634,00 22.281,04 0,00 3.634,00 22.281,04 fev/04 9.342,26 0,00 9.342,26 mar/04 15.740,00 0,00 15.740,00 1º trim 3.634,00 22.281,04 25.082,26 3.634,00 47.363,30 abr/04 2.084,00 0,00 2.084,00 mai/04 2.712,56 0,00 2.712,56 jun/04 29.051,88 0,00 0,00 29.051,88 2º trim 0,00 29.051,88 4.796,56 0,00 33.848,44 jul/04 25.757,47 0,00 0,00 25.757,47 ago/04 24.534,56 0,00 0,00 24.534,56 set/04 37.883,56 0,00 0,00 37.883,56 3º trim 0,00 88.175,59 0,00 0,00 88.175,59 out/04 210,00 36.908,32 0,00 210,00 36.908,32 nov/04 37.302,67 0,00 0,00 37.302,67 dez/04 725,00 37.681,88 0,00 725,00 37.681,88 4º trim 935,00 111.892,87 0,00 935,00 111.892,87 Totais 4.569,00 251.401,38 29.878,82 4.569,00 281.280,20 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 12 6.1.2.1. Em sua resposta datada de 07/05/2007, o contribuinte informa que “...devido ao decurso de tempo, não se recorda a razão da diferença.” 6.1.2.2. Como o contribuinte não comprovou a origem desses recursos e nem informou se de revenda ou de prestação de serviços, a receita omitida foi adicionada à receita declarada/escriturada referente à prestação de serviços, por corresponder ao percentual mais elevado de arbitramento do lucro (parágrafo 1º, do art. 24, da Lei n.º 9.249/95). 6.2. O SIMPLES recolhido no anocalendário de 2004 será compensado, após partilha de cada qual com o imposto ou contribuições, conforme quadros demonstrados a seguir: 6.2.1. A partilha do SIMPLES em seu imposto e contribuições abrangidos, será efetuada conforme quadro abaixo. [Quadro 8 – demonstrativo dos percentuais utilizados na partilha do SIMPLES, relativo ao IRPJ e demais contribuições] 6.2.2. De acordo com o SIMPLES declarado na PJSI 2005 – SIMPLES, a compensação do imposto e contribuições recolhidos como SIMPLES será efetuada conforme quadro a seguir. Quadro 9 – partilha do SIMPLES para compensação do imposto e contribuições. [Demonstrativo com os montantes de cada tributo e contribuição, mês a mês, recolhidos como Simples, para o anocalendário de 2004] 6.3. A apuração do PIS a lançar, após compensação do PIS partilhado do SIMPLES está demonstrada no quadro a seguir. [Demonstrativo de apuração do PIS a lançar, mês a mês, descontado dos montantes declarados no SIMPLES] 6.4. A apuração da COFINS a lançar, após compensação da COFINS partilhada do SIMPLES, está demonstrada no quadro a seguir. [Demonstrativo de apuração da COFINS a lançar, mês a mês, descontado dos montantes declarados no SIMPLES] É A INFORMAÇÃO.” 7. Inconformada com as exigências fiscais, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls.166/194, em 24 de outubro de 2007, com as seguintes razões de defesa. 7.1. Afirma que, intimada em 04 de agosto de 2006, apresentou prontamente os documentos solicitados. 7.2. Por sua vez, no que se refere à intimação de 30 de novembro de 2006, relativa às diferenças encontradas em sua escrituração e sobre a razão de seu enquadramento no SIMPLES, informou que nos anos de 2003 e 2004 sua escrituração era efetuada por profissional diferente do atual, razão pela qual não foi possível detectar o motivo de sua escrita Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 7 13 não estar conciliada, sendo impossível justificar as divergências levantadas pela autoridade fiscal. 7.3. E continua: “Esclareceu, ainda, como prestava serviços de administração de jogos de bingo para a Liga Valeparaibana de Ciclismo, pelo qual recebia 28% do valor total arrecadado, somente estava obrigada a escriturar (e oferecer à tributação) tal percentual, pois os demais valores não eram suas receitas. Em relação aos créditos remanescentes, esclareceu que, devido ao decurso do tempo, não se recordava a razão da diferença. Por fim, esclareceu que, em relação ao enquadramento no SIMPLES, devido ao fato de o profissional que realizava a escrita contábil/fiscal não ter entregue diversos documentos quando da rescisão do contrato, a impugnante não possuía os documentos que comprovassem a razão do seu enquadramento. Feitos os esclarecimentos, a fiscalização entendeu como receita omitida todos os valores, referentes aos anos de 2003 e 2004, que a impugnante, devido ao decurso de tempo, não se recordava a origem.” 7.4. Insurgese contra a multa de ofício qualificada, por não encontrar no processo provas capazes de demonstrar qualquer conduta dolosa assumida pela empresa, ou seja, em nenhum momento a fiscalização comprovou, de forma inequívoca, que a impugnante determinava ao seu contador agisse dessa maneira. Em suas palavras: “Vale dizer que não comprovou porque jamais conseguiria! Ora, a impugnante sequer entende de contabilidade! Somente se limitava a entregar toda a documentação para o escritório de contabilidade. Em assim sendo, não tinha conhecimento de que as declarações eram feitas de maneira incorreta.” 7.5. Transcreve jurisprudência sobre a multa qualificada, do Conselho de Contribuintes. 7.6. Sobre a exploração de jogos de bingo, entende que, a teor da Lei nº 9.615, de 1998, e do Decreto n.º 3.659, de 2000, a responsabilidade era exclusiva das entidades desportivas, podendo, entretanto, a administração ser entregue à empresa comercial idônea, acrescentando que: “Verificase, portanto, que, se a entidade desportiva optasse por ceder a administração do jogo à empresa comercial idônea, deveria repassar 28% do valor total arrecadado, para que a mesma cobrisse as despesas de operação, divulgação e, ainda, retirasse seu lucro. (...) Conforme se depreende da leitura do contrato social da fiscalizada, tem, a mesma, como um de seus objetos sociais, a administração especializada para “Bingos Permanentes” e afins. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 14 Desta forma, celebrou com a Liga Valeparaibana de Ciclismo, inscrita no CNPJ/MS (...) um contrato de prestação de serviços, cujo objeto era a administração do jogo, mediante o recebimento de 28% do valor total arrecadado, nos termos da legislação de regência dos jogos de bingo. (...) Resta comprovado, portanto, que, dos valores que circularam pela contacorrente da impugnante, nos anoscalendário de 2003 e 2004, somente 28% podem ser considerados como seus, um vez que, todos os demais valores foram repassados, nos termos da legislação. Requer, pois, desde já, a anulação do lançamento ora guerreado, tendo em vista a utilização de base de cálculo não correspondente à receita operacional da impugnante.” 7.7. Faz ampla dissertação sobre o artigo 43, do Código Tributário Nacional, citando doutrina a respeito, para concluir que somente é considerada renda tributável a riqueza que gere acréscimo patrimonial e esteja disponível para ser disposta livremente por quem a detenha. 7.8. Continuando sua exposição sobre a regra matriz de incidência do IRPJ, afirma que somente ocorre o fenômeno da subsunção de um fato à previsão hipotética descrita em lei, se o contribuinte auferir receita que, após passar pelas etapas legais se transforme em renda, assim entendida como a riqueza que gerou acréscimo patrimonial e pode ser disposta livremente. 7.9. Em suas palavras: “Ocorre que, os depósitos bancários, por si próprios, apesar de indicar recebimento de renda, não se prestam a demonstrar se houve acréscimo patrimonial (critério material da hipótese de incidência da regramatriz do Imposto sobre a Renda). Sendo assim, de forma alguma podem ser tomados como base de cálculo do imposto sobre a renda. Por conseqüência, cabe à fiscalização, demonstrar a existência do nexo de causalidade entre os depósitos e a omissão de receitas. Em outras palavras, cabe a ela demonstrar se os depósitos bancários resultaram em acréscimo patrimonial e, ainda, qual o montante do acréscimo. Se assim, não proceder, não poderá efetuar o lançamento.” 7.10. Menciona jurisprudência a fundamentar seus argumentos, fls. 188/193. 7.11. Conclui, requerendo a improcedência do lançamento. 8. Foi juntado, por apensação, nos termos do despacho de fl. 164, o processo administrativo n.º 16045.000538/200712, em 27 de setembro de 2007, relativo à Representação Fiscal para Fins Penais. 9. Em 01 de novembro de 2007, esta DRJ, por meio do despacho de fl. 209, retornou o processo à DRF de origem, para que se atendesse o disposto na Portaria SRF n.º Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 8 15 6.129, de 02 de dezembro de 2005, e juntado por anexação o processo de número 16045.000379/200756, de exigência de crédito tributário, relativo ao anocalendário de 2004. 10. Consta dos autos a Representação elaborada pela DRF/Taubaté, fl. 210, onde se propõe a exclusão de ofício do SIMPLES, abrangendo o período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 11. Há também nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo n.º 10, de 31 de julho de 2007, editado pela DRF/Taubaté, por meio do qual a contribuinte é excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), fl. 254, publicado no DOU de 02 de agosto de 2007, fl. 255. 12. Foi também anexado o processo administrativo n.º 16048.000047/2007 41, relativo à exclusão do SIMPLES. 13. Em 12 de fevereiro de 2008, esta Delegacia de Julgamento encaminhou os autos à DRF de origem, por meio da Resolução de n.º 1.927, para que a contribuinte fosse cientificada de sua exclusão do Simples, facultandolhe a apresentação de Manifestação de Inconformidade. 14. Intimada e cientificada por meio do documento de fl. 494, a contribuinte não se manifestou. A DRJ decidiu: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ANO CALENDÁRIO DE 2003. A forma de tributação utilizada no Lucro Presumido, a partir de percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, considera a maior parcela dos depósitos bancários não identificados como custos ou despesas, respeitando os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. ANO CALENDÁRIO DE 2003. É cabível a exigência dos tributos e contribuições incidentes sobre as receitas escrituradas pela contribuinte, mas não Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 16 oferecidas à tributação, seja por meio da declaração de rendimentos ou da DCTF. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ANOCALENDÁRIO DE 2003. Comprovado que a contribuinte, optante do Lucro Presumido, na qualidade de Empresa de Pequeno Porte, obteve receitas sobre a revenda de mercadorias, além da prestação de serviços, que superaram o limite de R$ 120.000,00, correta a utilização do coeficiente de 32% sobre todas as receitas omitidas, para fins de apuração do imposto devido. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO. ANOCALENDÁRIO DE 2004. A empresa optante pelo SIMPLES, por restar desobrigada legalmente da manutenção de escrituração regular completa, está sujeita ao arbitramento do seu lucro, nos períodos em que se operarem os efeitos da exclusão, mormente quando não comprova manter facultativamente a escrituração requerida para a apuração do lucro real. O fato gerador do tributo é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, comprovada, no presente caso, pela apresentação da Declaração Simplificada e pela apuração de omissão de receitas relativa aos depósitos/créditos bancários não justificados. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 ATIVIDADE VEDADA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. Comprovado o exercício de atividades cuja inclusão no SIMPLES encontrase vedada pela legislação aplicável, seguese a exclusão dessa forma de tributação, com efeitos desde o início do anocalendário em que efetuada a opção, quando a interessada sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 MULTA QUALIFICADA. Diante da escrituração de receitas operacionais, não declaradas e não oferecidas à tributação, temse caracterizada a omissão ou prestação de declarações falsas à Administração Tributária, cujo resultado foi a supressão ou redução dos tributos e contribuições devidos, suficiente para o agravamento da multa no percentual de 150%. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 9 17 Anocalendário: 2003, 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.” A contribuinte recorre fls. 522/548: DA MULTA AGRAVADA EM RELAÇÃO AO ANOCALENDÁRIO DE 2003: Notase que, ao decidir sobre a aplicação da multa agravada, limitouse a Turma Julgadora em aduzir que "em vista da aplicação de coeficiente de determinação do lucro presumido da base de cálculo da CSLL, bem como da escrituração de receitas operacionais de prestação de serviços, não declaradas e não oferecidas à tributação, mostra se correta a exigência de multa qualificada no percentual 150%, pois plenamente caracterizada a omissão ou prestação de declarações falsas à autoridade fazendária, cujo resultado foi a suspensão ou redução dos montantes dos tributos e contribuições devidos" Apóiase o Acórdão ora guerreado nas informações constantes no Termo de Informação, onde alega a fiscalização ter agravado a multa de ofício por entender que o fato de a contabilização não estar conciliada, ou seja, as informações constantes do livro caixa não estarem de acordo com as informações constantes na DIPJ/2004, "denotam omissão ou prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, cujo resultado é a supressão ou redução do valor dos tributos devidos". Contudo, imperioso ressaltar, novamente, que não encontramos no processo provas capazes de demonstrar qualquer conduta dolosa assumida pela empresa, ou seja, em nenhum momento a fiscalização comprovou, de forma inequívoca, que a recorrente determinava ao seu contador que agisse desta maneira. Resta comprovado, portanto, que a fiscalização simplesmente presumiu uma conduta dolosa praticada pela recorrente, o que, de forma alguma, se admite em direito tributário. Anexa jurisprudência. DA RECEITA OPERACIONAL DA RECORRENTE NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003 E 2004: EXPLORAÇÃO DOS JOGOS DE BINGO: DO OBJETO SOCIAL DA FISCALIZADA E DO SEU CONTRATO COM A ENTIDADE DESPORTIVA: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 18 Conforme se depreende da leitura do contrato social da fiscalizada, tem, a mesma, como um de seus I objetos sociais, a administração especializada para "Bingos Permanentes" e afins. Desta forma, celebrou com a Liga Valeparaibana de Ciclismo, inscrita no CNPJ/MF sob n° 50.437.789/000110 (entidade desportiva autorizada a explorar jogos de bingo) um contrato de prestação de serviços, cujo objeto era a administração do jogo, mediante o recebimento de 28% do valor total arrecadado, nos termos da legislação de regência dos jogos de bingo. Conforme demonstrado no item anterior, a fiscalizada somente prestava serviços de administração do jogo para a entidade desportiva, recebendo, para tanto, 28% do valor total arrecadado. Resta comprovado, portanto, que, dos valores que circularam pela conta corrente da recorrente nos anoscalendários de 2003 e 2004, somente 28% podem ser considerados como de seus, uma vez que, todos os demais valores foram repassados, nos termos da legislação. Requer, pois, desde já, a anulação do lançamento ora guerreado, tendo em vista a utilização de base de cálculo não correspondente à receita operacional da recorrente. DO ARTIGO 43, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: DO SENTIDO E ALCANCE DAS DEFINIÇÕES CONTIDAS NO I ARTIGO 43, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: DO SENTIDO E ALCANCE DA DEFINIÇÃO "RENDA E PROVENTO, , DE QUALQUER NATUREZA": Desta forma, fixarmos o sentido e o alcance das definições de "renda e proventos de qualquer natureza", contidas no artigo 43, do Código Tributário Nacional, frente aos princípios constitucionais que informam a incidência do Imposto, concluímos, facilmente, que, no Brasil, somente será considerado "renda" e "provento", para fins de tributação, a riqueza que revelar acréscimo patrimonial, ou seja, um plus que se juntou ao patrimônio, obtido através da diferença entre os ingressos e os gastos tidos com a sua obtenção. DO SENTIDO E ALCANCE DA DEFINIÇÃO "AQUISIÇÃO" DO SENTIDO E ALCANCE DA DEFINIÇÃO "DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA" DA CONSTRUÇÃO DA REGRAMATRIZ DE INCIDÊNCIA: DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO NEXO CAUSAL ENTRE OS DEPÓSITOS E A OMISSÃO DE RECEITA: Os depósitos bancários, por si próprios, apesar de indicar recebimento de renda, não se, prestam a demonstrar se houve acréscimo patrimonial (critério I,, material da hipótese de incidência da regramatriz do Imposto , sobre a Renda). Sendo assim, de forma alguma podem ser tomados, como base de cálculo do imposto sobre a renda. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 10 19 Anexa jurisprudência Vale dizer que, no presente caso, em momento algum a fiscalização logrou provar que os depósitos bancários realizados nos anoscalendários de 2003 e 2004 caracterizaram aumento do patrimônio da recorrente, fato que demonstra a não ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. DA MULTA AGRAVADA EM RELAÇÃO AO ANOCALENDÁRIO DE 2003: Quanto a este item, a justificativa para a qualificação da multa foi apenas a infração em sí, ou seja, a diferença entre os valores escriturados e os declarados, e a diferença de alíquotas na determinação do lucro presumido. No caso, mesmo sendo em todos os períodos de 2003, entendo que não foi caracterizado o caráter doloso das infrações deste ano calendário de 2003. Assim, não vejo como manter a qualificação da multa para este ano calendário. DA RECEITA OPERACIONAL DA RECORRENTE NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2003 E 2004: EXPLORAÇÃO DOS JOGOS DE BINGO: DO OBJETO SOCIAL DA FISCALIZADA E DO SEU CONTRATO COM A ENTIDADE DESPORTIVA: Do acórdão da DRJ transcrevo: “23 Sobre a argumentação da autuada, no caso da exploração dos jogos de bingo, de que a Entidade Desportiva é que estava obrigada a manter em boa e devida forma a escrituração, cabendolhe apenas contabilizar os 28% do total arrecadado, previsto em legislação específica, equivocase novamente a contribuinte. 24. Isso porque após o advento da Medida Provisória n.º 1.926, de 1999, no caso de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, a responsabilidade pelo pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas rendas e receitas obtidas com a exploração do jogo de bingo, passou a ser, exclusivamente, da empresa comercial contratada, observadas as bases de calculo previstas na legislação, tão bem detalhadas pela contribuinte. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 20 25. No entanto, enfatizese, competia à autuada escriturar todas as receitas auferidas, com as necessárias repartições, nos percentuais previstos. 26. Ressaltese que a autuação só alcançou fatos geradores do anocalendário de 2003, ocorridos após a edição da Medida Provisória n.º 1.926, de 1999. 27. Nesse sentido, assim dispunha o Decreto n.º 3.659, de 14 de novembro de 2000, ao regulamentar a autorização e a fiscalização dos jogos de bingo, em vista do disposto nas Leis n.º 9.615, de 24 de março de 1998, e 9.981, de 14 de julho de 2000: “Art. 12. A entidade desportiva autorizada e a sociedade comercial contratada para administrar o sorteio deverão manter à disposição da CAIXA, durante cinco anos, toda a documentação relativa à prestação de contas, com os nomes dos respectivos ganhadores, endereço completo e CPF, assim como o original dos recibos de entrega dos prêmios, qualquer que seja sua natureza ou espécie.”[grifouse] 28. Dessa forma, como a administração do jogo de bingo foi entregue à autuada, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as rendas e receitas auferidas no jogo de bingo, inclusive o IRPJ, as Contribuições para o PIS, COFINS e a CSLL, bem como a escrituração não só do percentual de 28%, previsto em legislação específica, mas de todas as receitas, inclusive para a apuração, retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, também da responsabilidade da empresa administradora. 29. Portanto, não prospera a pretensão da impugnante de atribuir à entidade desportiva a responsabilidade exclusiva pelo controle e escrituração da movimentação financeira correspondente à exploração dos jogos de bingo.” Como bem votado no acórdão da DRJ, a responsabilidade é da contribuinte, de acordo com a MP n.º 1.926, de 1999, não tendo , pois, razão a recorrente neste item. Quanto às argumentações restantes, notadamente conceito de disponibilidade, definição de renda e proventos, ou ainda, nexo causal entre depósitos e omissão de receitas, tudo foi lançado de acordo com a legislação em vigor não tendo como definições alterar, neste caso, o alcance da lei. Quanto ao nexo entre os depósitos e a omissão de receitas pedido pela recorrente, este é presumido pela lei, não precisando a fiscalização provar este nexo. Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reduzir de 150% para 75% a multa para o ano calendário de 2003. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16045.000537/200778 Acórdão n.º 110300.511 S1C1T3 Fl. 11 21 Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 13727.000476/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.179
Decisão: Acordam os Membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termo do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e di ntes autos. Acordam os Me por unani 'dade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termo do voto da Rei t,t a . Gio idente Acd EDITA 0 1 Participaran a sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Nilbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. i Relatório Assim, contra MARIA DO CARMO MARQUES DE SOUZA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 02/06, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano-calendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatou-se omissão de rendimentos sujeitos A. tabela progressiva, no valor de R$ 12.372,16 percebido das fontes pagadoras; sendo que na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 10 da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 07/21. A DRJ em acordão tombado sob o no. 13-18.907 - P. Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 28/02/2008, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 28/32, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificado, por AR em 22/10/2008, fls. 35v, o contribuinte apresentou, em 30/10/2008, recurso voluntário, fls. 36/37, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É 0 RELATÓRIO. Voto Conselheira Acacia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. 2 Processo n° 13727.000476/2007-81 S2-C I T2 Acórdão n.°2102-01.179 I' I. 64 De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: "C..) O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, Ill, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa ffsica. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155,978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 3 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, a. mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências Desta fo merecendo reparos a debisã o correto o lançamento e, por conseguinte, não nstância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. kasugi - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000796/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
E cabível excluir de ofício do Simples Nacional a microempresa ou a
empresa de pequeno porte que possua débito inscrito em Dívida Ativa da União, em fase executória, ainda que tenha ocorrido nomeação de bens à penhora
Numero da decisão: 1401-000.459
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exclusão do SIMPLES efetivada pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BHE n° 53.649, de 22 de agosto de 2008.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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E cabível excluir de ofício do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito inscrito em Dívida Ativa da União, em fase executória, ainda que tenha ocorrido nomeação de bens à penhora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter a exclusão do SIMPLES efetivada pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BHE n° 53.649, de 22 de agosto de 2008. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 38DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 33 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Viviani Aparecida Bacchmi, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0225.003, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: A interessada foi excluída de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) por força do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BHE n° 53.649, de 22 de agosto de 2008, como segue: (A) DELEGADO(A) DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL [...] declara: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa [...]: Nome Empresarial: GARDENHOTEL LTDA CNPJ: 00.056.238/000139 Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia I" de janeiro de 2009, conforme disposto no inciso IVdo art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica sejam pagos ou parcelados no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo (ADE). [...] Ciente em 9 de setembro de 2008 (fls. 14), a interessada apresentou, em 29 de setembro de 2008, a manifestação de inconformidade de fl. 1, em que alega: A empresa [...] foi excluída do simples nacional por possuir débito previdenciário, conforme consta no sítio da Secretaria da Receita Federal, cujos débitos estão inscritos em Dívida Ativa da União. Os débitos são da Previdência Social que estão sendo discutidos judicialmente. Os dois débitos inscritos na União cuja inscrição são 6050600212598 e 6050600212679 foram executados num só processo na Ia vara do trabalho de João Monlevade, conforme número de processo 01154200706403006, distribuído em nov/2007. O processo encontrase em andamento e foram dados bens em penhora. Com base nisto, a empresa diz contestar sua exclusão e requerer o cancelamento do ADE DRF/BHE n° 53.649, de 2008. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 34 3 Juntaramse cópias dos relatórios de consulta tanto dos débitos que fundamentaram o ADE acima (fls. 17), quanto do valor remanescente destes mesmos débitos, decorrido o prazo para sua regularização (fls. 18), que mencionam expressamente aqueles números de inscrição citados pela interessada em sua peça de defesa. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Exclusão E cabível excluir de ofício do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito inscrito em Dívida Ativa da União, em fase executória, ainda que tenha ocorrido nomeação de bens à penhora. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, nos seguintes termos: foi excluído de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidas pelas Microempresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) por força do ato declaratório Executivo de 22 de agosto de 2008, em virtude de possuir débito com a Fazenda Pública Nacional, com exigibilidade não suspensa. porém, tal decisão merece reproche, eis que, o requerente não possui débitos Previdenciários, ou seja, o processo de n° 01154200706403006 da 1ª Vara do Trabalho de João Monlevade foi devidamente quitado, conforme se denota dos despachos do processo ora referenciado. o requerente necessita continuar no SIMPLES NACIONAL e a sua exclusão seria injusta, tendo em vista o pagamento do seu débito junto à União, portanto, o requerente pugna pela conhecimento do presente recurso e, que o mesmo seja julgado procedente, por ser medida da mais lídima e escorreita justiça. Anexa aos autos dois despachos do Juiz da 1a Vara do Trabalho de João Monlevade, nos autos do processo 01154200706403006: às fls. 26, despacho de 22/09/2009 extraído do sítio do TRT da 3ª Região1, com seguinte teor: “Oficiese à_CAIXA, solicitando a conversão em pagamento definitivo da União, o numerário existente na conta única do tesouro, código 7525, Identificador do Depósito no. 4045635.245 , efetuado nos presentes autos, conforme documento de f. 129.” às fls. 27, despacho de 05/10/2010 extraído do sítio do TRT da 3ª Região, com seguinte teor: “Oficiese à Fazenda Pública solicitando que proceda à averbação no Registro da Divida Ativa, face ao Pagamento transformado em definitivo, conforme documento de fl. 158, encaminhandose os autos.” É o relatório. 1 http://as1.trt3.jus.br/consulta/detalheProcesso1_0.htm?conversationId=153050 Fl. 40DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 35 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe ressaltar que o cerne da questão, encontrase na exclusão de contribuinte que tendo optado pelo simples, tenha tido débito inscrito em Dívida Ativa junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, ou junto ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. A exclusão do contribuinte se deu por meio de Ato Declaratório nº 053649, de 22 de agosto de 2008 (fl.02), emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG e trouxe como motivo, “em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa”. No caso, conforme relatado, tratase da constatação da existência de dois débitos inscritos na União cuja inscrição são 6050600212598 e 6050600212679 foram executados num só processo na 1ª vara do trabalho de João Monlevade, conforme número de processo 01154200706403006, distribuído em nov/2007. A infração em consonância com o art. 17, V da Lei Complementar n.º 123/06, foi enquadrada no art. 9º, XV da Lei n° 9.317/96: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:: ... XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; De fato, como muito bem esclareceu a DRJ, a nomeação de bens a penhora em sede de execução fiscal não implica na suspensão da exigibilidade dos débitos: No caso ora em exame, constatase que a interessada admite, textualmente, a existência de processo de execução fiscal em seu desfavor, correspondente aos débitos que motivaram a lavratura do ADE DRF/BHE n° 053649, de 2008, afirmando, porém, que sua exigibilidade encontrarseia suspensa por força de nomeação de bens à penhora. Entretanto, tal nomeação não tem efeitos suspensivos, limitandose a indicar quais haveres o devedor prefere sejam entregues em garantia do pagamento da dívida, em louvor ao princípio de sua menor onerosidade. Acrescentese, por oportuno, que a interessada não comprovou acharse beneficiada por decisão judicial que lhe outorgasse a suspensão destes débitos A Recorrente traz dados novos que ensejam uma melhor análise. Anexa aos autos dois despachos do Juiz da 1a Vara do Trabalho de João Monlevade, nos autos do processo 01154200706403006: Fl. 41DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13605.000796/200807 Acórdão n.º 140100.459 S1C4T1 Fl. 36 5 às fls. 26, despacho de 22/09/2009 extraído do sítio do TRT da 3ª Região2, com seguinte teor: “Oficiese à_CAIXA, solicitando a conversão em pagamento definitivo da União, o numerário existente na conta única do tesouro, código 7525, Identificador do Depósito no. 4045635.245 , efetuado nos presentes autos, conforme documento de f. 129.” às fls. 27, despacho de 05/10/2009 extraído do sítio do TRT da 3ª Região, com seguinte teor: “Oficiese à Fazenda Pública solicitando que proceda à averbação no Registro da Divida Ativa, face ao Pagamento transformado em definitivo, conforme documento de fl. 158, encaminhandose os autos.” Em pesquisa ao sítio do TRT da 3ª Região atesto a autenticidade das informações acima. Resta claro, portanto, que a interessada só comprovou a liquidação dos débitos que motivaram a exclusão, no bojo do processo judicial posteriormente ao prazo de 30(trinta dias) contados a partir da ciência do Ato Declaratório em comento.Sem prejuízo, é claro, de o contribuinte solicitar nova inclusão no Simples a partir do exercício (2010) em que ficou demonstrado que o presente impedimento não mais subsiste, salvo haver outro impedimento legal. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto 2 http://as1.trt3.jus.br/consulta/detalheProcesso1_0.htm?conversationId=153050 Fl. 42DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 15954.000192/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS.
Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Segundo dispõem os arts. 43, XIV e 633 do RIR/99, o resgate de
contribuições à previdência privada sujeita-se à incidência de imposto de renda retido na fonte (IRRF) a título de antecipação, razão pela qual os valores devem ser informados, oportunamente, na declaração de ajuste do anual do contribuinte. Não tendo sido tais rendimentos oferecidos à tributação, cabível a exigência in casu.
MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. MANUTENÇÃO.
A aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, com fulcro no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, decorre da atividade vinculada de lançamento, uma vez constatadas as hipóteses no dispositivo previstas. Não há que se cogitar de ofensa a princípios constitucionais, nem de inaplicabilidade da taxa SELIC,
porquanto foram editadas as seguintes súmulas por este Conselho:
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.224
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Segundo dispõem os arts. 43, XIV e 633 do RIR/99, o resgate de contribuições à previdência privada sujeita-se à incidência de imposto de renda retido na fonte (IRRF) a título de antecipação, razão pela qual os valores devem ser informados, oportunamente, na declaração de ajuste do anual do contribuinte. Não tendo sido tais rendimentos oferecidos à tributação, cabível a exigência in casu. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. MANUTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, com fulcro no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, decorre da atividade vinculada de lançamento, uma vez constatadas as hipóteses no dispositivo previstas. Não há que se cogitar de ofensa a princípios constitucionais, nem de inaplicabilidade da taxa SELIC, porquanto foram editadas as seguintes súmulas por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Apurada diferença entre os valores recebidos e os declarados, a exigência fiscal deve ser mantida. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Segundo dispõem os arts. 43, XIV e 633 do RIR/99, o resgate de contribuições à previdência privada sujeitase à incidência de imposto de renda retido na fonte (IRRF) a título de antecipação, razão pela qual os valores devem ser informados, oportunamente, na declaração de ajuste do anual do contribuinte. Não tendo sido tais rendimentos oferecidos à tributação, cabível a exigência in casu. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. MANUTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, com fulcro no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, decorre da atividade vinculada de lançamento, uma vez constatadas as hipóteses no dispositivo previstas. Não há que se cogitar de ofensa a princípios constitucionais, nem de inaplicabilidade da taxa SELIC, porquanto foram editadas as seguintes súmulas por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Fl. 158DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 155 2 Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado) e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 136/153) interposto em 14 de outubro de 2010 (fl. 135) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 124/132), do qual o Recorrente teve ciência em 23 de setembro de 2010 (fl. 134v), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 33/39, lavrado em 04 de março de 2008, em decorrência de (i) omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício; (ii) omissão de rendimentos de aluguéis; (iii) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada e (iv) compensação indevida de IRRF, verificadas no anocalendário 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 159DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 156 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO COM OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Cabível a revisão do lançamento, quando o sujeito passivo comprova que não incorreu na infração, por ter informado os rendimentos com identificação equivocada da fonte pagadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. Comprovado nos autos que os rendimentos de aluguel de imóveis pertencentes ao casal foi tributado na declaração da esposa, cabível a revisão do lançamento, para manter tão somente a diferença não declarada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Constitui rendimento tributável, sujeito à incidência do imposto de renda retido na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, o valor dos benefícios mensais recebidos de entidades de previdência privada. GLOSA DE FONTE. Restabelecese a compensação do imposto de renda retido na fonte, objeto de glosa pela fiscalização, quando o contribuinte logra comprovar ter sofrido o ônus durante o anocalendário, com documentação hábil e idônea. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 124). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 136/153, no qual basicamente repisa os argumentos ventilados em sua impugnação, quanto ao débito remanescente. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, cumpre salientar que, em que pese ao fato de a decisão recorrida ter exonerado o Recorrente de grande parte do crédito tributário exigido, o valor Fl. 160DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 157 4 combatido não atinge o valor de alçada de R$ 1.000.000,00, estipulado na Portaria MF n.º 03/2008, não se sujeitando, portanto, a recurso de ofício, no termos de seu artigo 1º.: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).” Os motivos de insurgência do Recorrente cingemse, essencialmente, à análise dos seguintes tópicos: (i) diferença subsistente de R$ 612,14, relativa à omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, no que tange à fonte pagadora Instituto de Previdência dos Municipiários de Ribeirão Preto; (ii) diferença dos rendimentos de aluguéis constantes da declaração da esposa do Recorrente, Sra. Marilena Porto Vianna Roseiro, no valor de R$ 814,96; (iii) responsabilidade exclusiva da fonte pagadora de proceder à retenção e recolhimento dos rendimentos derivados de resgate de contribuições à previdência privada, pagos pelo Bradesco Vida e Previdência S/A; (iv) incidência da taxa SELIC sobre os juros de mora e (v) caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. Com relação ao primeiro tema apontado, qual seja, omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, alega o Recorrente ter incorrido em erro com relação à identificação da fonte pagadora, porquanto indicou o recebimento de R$ 42.227,92 da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (CNPJ 56.024.581/000156) em sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 84), quando na verdade a quantia correta – R$ 42.840,06 – proveio do Instituto de Previdência dos Municipiários de Ribeirão Preto (CNPJ 00.118.735/000114), consoante se comprova da DIRF acostada à fl. 42, resultando na aludida diferença de R$ 612,14. Nesse esteio, havendo recolhimento a menor de tributo e, igualmente, sendo a atividade de lançamento plenamente vinculada, à luz do que dispõe o art. 142 do CTN, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento uma vez constatada inexatidão da declaração, mantendose, por conseguinte, a exigibilidade da multa de ofício, prevista na forma do art. 44, I da Lei n.º 9.430/96. No que tange à alegada omissão de rendimentos de aluguéis, de fato parte da tributação se deu com base na declaração entregue pela esposa do Recorrente, Sra. Marilena Porto Vianna Roseiro. Ocorre, entretanto, que, cotejandose as declarações apresentadas pelo Recorrente e por sua cônjuge, verificase, no que concerne aos rendimentos provenientes da fonte R.G.W. Indústria e Comércio Ltda., uma divergência com o valor informado em DIRF (fl. 67). De fato, enquanto a esposa do contribuinte declarou (fl. 29) o valor de R$ 10.827,28, esta última aponta o montante de R$ 11.642,24, fl. 67, restando diferença no importe de R$ 814,96, igualmente exigível. Já com relação à omissão de rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada, breves esclarecimentos devem ser tecidos. Segundo o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), mais especificamente em seu art. 633, a tributação do resgate dos rendimentos pagos por entidades de previdência privada se dá por meio de retenção na fonte, mas tal tributação não é definitiva, sujeitandose à necessária inclusão na declaração de ajuste anual, o que nos remete para o art. 43, XIV, do mesmo diploma legal, com a ressalva da hipótese do art. 39, XXXVIII, que isenta “o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa Fl. 161DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 158 5 física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995”, o que não se amolda ao caso em tela. Por oportuno, transcrevemse os dispositivos ora aludidos: “Art. 633. Os benefícios pagos a pessoas físicas, pelas entidades de previdência privada, inclusive as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, ressalvado o disposto nos incisos XXXVIII e XLIV do art. 39 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33). Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33);” Esse é o entendimento perfilhado por este CARF: “IRPF. PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. ISENÇÃO Sujeitamse à incidência do Imposto sobre a Renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. DECISÕES JUDICIAIS Conforme determinação contida nos artigos 1º e 2º do Decreto nº 73.529/74, vinculam apenas as partes envolvidas no processo, sendo vedada a extensão administrativa dos efeitos judiciais contrária à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ou ordinários. Recurso negado.” (1º Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Acórdão n.º 10614.056, Relatora Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto, DOU de 23/09/2004) Na realidade, o Recorrente não ofereceu os R$ 12.000,00 recebidos do Bradesco Vida e Previdência S/A (fl. 47) à tributação, porquanto não o informou em sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 83/87). O Recorrente muito embora alegue que sofreu retenção na fonte, não traz elementos hábeis a refutar os documentos de fls. 47 e 82, que apontam para o fato de estarem os montantes no limite de isenção para o anocalendário 2004 (R$ 1.058,00, ex vi da IN SRF n.º 118/2002). De fato, consoante se infere do Parecer COSIT n.º 01/2002, no caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. A situação em tela, como se salientou adrede, não se sujeita à tributação exclusiva na fonte, devendo ser os valores recebidos oferecidos à tributação, constando, por conseguinte, da declaração de ajuste apresentada pelo contribuinte, sendo certo que eventual penalidade atribuível à fonte pagadora pela falta de retenção só é cabível quando há efetivo descumprimento desse dever legal, o que não ocorreu in casu, posto que tanto o Bradesco Vida e Previdência S/A e a Caixa Vida e Previdência S/A não efetuaram, acertadamente, a retenção, haja vista os limites isentivos legalmente previstos. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 159 6 Por derradeiro, imperioso analisar os pleitos de inaplicabilidade da taxa SELIC para remunerar os juros moratórios, assim como eventual caráter confiscatório da multa de ofício. A aplicação da multa de ofício, com supedâneo no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, é dever da autoridade fiscal uma vez constatada alguma das hipóteses nela previstas, in casu a falta de recolhimento do imposto incidente sobre a diferença declarada, por parte do contribuinte, em consonância com o art. 142 do CTN, que aduz ser o lançamento uma atividade vinculada e obrigatória. Confirase, neste esteio, a redação do dispositivo em comento: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Situação diversa do inciso I, entretanto, é a retratada pelo §1º do mesmo dispositivo legal, em que a comprovação da existência de dolo, fraude ou simulação enseja a aplicação de multa qualificada de 150%, o que não ocorreu no presente caso, tanto é que a multa foi corretamente aplicada no percentual de 75%. A jurisprudência deste Conselho se pacificou no sentido de afastar a multa de ofício apenas quando se tratar de erro escusável incorrido pelo contribuinte, em situações provocadas pela própria fonte pagadora, que o leva a classificar indevidamente os rendimentos recebidos como isentos e não tributáveis. Confirase, por oportuno, o seguinte precedente da a 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 IRPF MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15954.000192/200818 Acórdão n.º 210101.224 S2C1T1 Fl. 160 7 Tendo a fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) prestado informação equivocada aos deputados estaduais com relação à natureza dos valores pagos a título de ajuda de custo, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento das declarações de ajuste anual é escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de ofício. Recurso negado” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Recurso Especial n° 10.414.5376, Acórdão n. 920200.007, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 17/08/2009). Tal situação, contudo, não se amolda ao presente caso, uma vez que não houve qualquer erro imputável à fonte pagadora, e sim única e exclusivamente à Recorrente, com a divergência entre os valores declarados e recebidos. Ad argumentandum tantum, ao CARF é vedado se pronunciar sobre matéria de cunho constitucional, motivo pelo qual as alegações no sentido de que a multa de ofício ofende os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e legalidade não podem ser analisados, cumprindo trazer à baila a Súmula n.º 02: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por derradeiro, não remanescem quaisquer dúvidas quanto à aplicabilidade da taxa SELIC, tendo motivado inclusive a edição de outra súmula deste Conselho: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 164DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 14041.001452/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Constitui infração a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme previsto na alínea “a” , inciso I, do art. 30 da Lei n.º 8.212/91 e Lei nº10.666, de 08/05/2003.
PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme previsto na alínea “a” , inciso I, do art. 30 da Lei n.º 8.212/91 e Lei nº10.666, de 08/05/2003. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso Voluntário Negado
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PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14041.001450/200722 Acórdão n.º 230201.205 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 05/12/2007, por infração ao art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, contra o sujeito passivo acima referido por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, no período de 05/2004 a 12/2006, relativamente às remunerações recebidas através de cartões de premiação, operacionalizados pela empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. A multa pela infração praticada é a prevista no capítulo III DAS INFRAÇÕES do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu art. 283, inciso I, alínea “g”, reajustada na forma do art. 373 do citado Regulamento, em conformidade com a Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007. O Relatório Fiscal, de fls.08/09, diz que a premiação era concedida sob a forma de valores em espécie, comissões e pontos de fidelização pagos diretamente pela CEF, por intermédio de empresas de marketing e endomarketing, para o público interno. Aduz o relatório que também eram pagos aos funcionários, pelas empresas do GRUPO CAIXA (formado pelas empresas CAIXA CONSÓRCIOS S/A, CAIXA VIDA PREVIDÊNCIA S/A, CAIXA CAPITALIZAÇÃO S/A E CAIXA SEGURADORA S/A ) e a FENAE CORRETORA DE SEGUROS E ADMINISTRAÇÃO DE BENS S/A, comissões creditadas em contacorrente ou por cartões de crédito/débito ou ainda de outros tipos, relativas aos produtos comercializados das empresas do GRUPO CAIXA, cuja atividade de corretagem está a cargo da FENAE Corretora, responsável pelo repasse dos valores aos empregados da CEF. Os funcionários também recebiam pontos de fidelização nos programas de incentivo de marketing das empresas do GRUPO CAIXA denominados como “Programa PAR e Programa de Relacionamentos do Grupo Caixa Seguros – Sempre Ao Lado”, creditados em conta fidelidade administrada pela empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. O resgate dos pontos ocorria pela aquisição de bens junto a empresas como : Produtos Americanas.com; CVC; Pão de Açúcar; C&A; Cinemark; Abril e Carta Capital. Após a impugnação, Acórdão de fls. 293/301, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega que a multa deve ser excluída, pois a obrigação principal ainda está pendente de julgamento e que deve ser deferido o pedido de perícia porque dele pode resultar o cancelamento do auto de infração. Por fim, requer o provimento do recurso para cancelar o auto de infração ou que seja reconhecida a nulidade apontada. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. .A recorrente foi autuada por ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, pagas a título de prêmio incentivo, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, no período de 05/2004 a 12/2006. Tal conduta, infringiu o disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 8.212/91 : Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n.º 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de sofrem o desconto da contribuição previdenciária relativa a parte do segurado, por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14041.001450/200722 Acórdão n.º 230201.205 S2C3T2 Fl. 3 5 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, devendo constar das GFIP’s, nas competências correspondentes ao pagamento efetuado, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade. Ademais, os fatos geradores da obrigação principal já foram objeto de julgamento por este colegiado, que os entendeu como passiveis de incidência contributiva previdenciária, em sessão realizada em dezembro de 2010. Em razão da natureza do lançamento e dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Quanto ao mérito do lançamento, já é matéria pacificada por este colegiado que a premiação recebida através de cartões operacionalizados por empresa de marketing, se constitui em salário de contribuição, sendo totalmente prenscindível a realização de perícia para a convicção do julgado. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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