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Numero do processo: 10886.720268/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. RESERVA REMUNERADA.
Conforme se denota do teor do Enunciado de Súmula CARF nº 63, diante da existência de laudo médico pericial elaborado por peritos oficiais com o reconhecimento da moléstia grave e decorrendo os proventos de reserva remunerada, o contribuinte faz jus à isenção do Imposto sobre a Renda.
Numero da decisão: 2201-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. RESERVA REMUNERADA. Conforme se denota do teor do Enunciado de Súmula CARF nº 63, diante da existência de laudo médico pericial elaborado por peritos oficiais com o reconhecimento da moléstia grave e decorrendo os proventos de reserva remunerada, o contribuinte faz jus à isenção do Imposto sobre a Renda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 01/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. RESERVA REMUNERADA. Conforme se denota do teor do Enunciado de Súmula CARF nº 63, diante da existência de laudo médico pericial elaborado por peritos oficiais com o reconhecimento da moléstia grave e decorrendo os proventos de reserva remunerada, o contribuinte faz jus à isenção do Imposto sobre a Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 01/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 02 68 /2 01 5- 91 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2012, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 4 a 9, em que foi apurada omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 153.840,96. Em virtude dessa infração, foi alterado o valor de imposto a restituir de R$ 26.839,28 para R$ 1.951,66. Após tomar ciência da notificação de lançamento de fls. 4 a 8 em 02/03/2015 (fl.30), o Contribuinte apresentou em 27/03/2015 a impugnação de fl. 2, alegando, em síntese, ser portador de moléstia grave e fazer jus à isenção do imposto de renda sobre os proventos recebidos do Comando do Marinha no ano calendário de 2012. Foi solicitada prioridade na análise da impugnação, com fulcro no art. 69 A, IV, da Lei nº 9.784, de 1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preencher os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e a existência da moléstia tipificada no texto legal, comprovada por laudo médico pericial oficial. Impugnação Improcedente. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que é portador de adenocarcinoma da próstata, CIDC C61 (neoplasia maligna), desde 30/04/2009, doc. 04/05, bem como que foi transferido para a reserva remunerada por meio da Portaria n.º 0006, de 03/12/2002, do DPMM, doc. 06, de modo que faz jus a isenção requerida. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10886.720268/201591 Acórdão n.º 2201003.280 S2C2T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 153.840,96. Segundo o Fisco, o Interessado, depois de intimado, não apresentou cópia autenticada da publicação do ato de reforma, pensão ou aposentadoria para poder gozar da isenção por moléstia grave. O acórdão de primeira instância não analisou a prova referente ao acometimento de moléstia grave, considerando que o contribuinte não comprovou o requisito referente à natureza dos rendimentos, consoante se extrai dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao primeiro requisito, o Interessado não comprovou receber do Comando da Marinha proventos de aposentadoria, reforma ou pensão no anocalendário de 2012, condição sine qua non para a isenção prevista em lei. Frisese que o Contribuinte comprovou à fl. 29 sua transferência para a reserva remunerada em 2002, porém não demonstrou que em 2012 encontravase reformado. É imperativo destacar que os rendimentos recebidos a título de reserva remunerada não configuram proventos de reforma. (...). Deixase de analisar a outra condição exigida pela lei, relativa à prova da moléstia grave, haja vista que os rendimentos recebidos do Comando da Marinha não correspondiam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, descartandose, assim, a isenção pleiteada pelo Contribuinte. Sobre da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Salientase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Dessa forma, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Nesse contexto, considerando o teor da Súmula CARF n.º 63, que dispõe expressamente sobre a isenção do portador de moléstia grave, observase que os proventos decorrentes de reserva remunerada também ensejam o direito à isenção, quando cumulativamente considerados com a comprovação de moléstia grave, como segue: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10886.720268/201591 Acórdão n.º 2201003.280 S2C2T1 Fl. 4 5 devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acerca da comprovação do acometimento de moléstia grave pelo recorrente, consta nos autos o laudo médico oficial emitido pela Marinha do Brasil, no qual fica atestado o acometimento de neoplasia maligna, desde 30/04/2009, fls. 14 e 63. Portanto, inferese dos documentos acostados aos autos que o recorrente recebe proventos de reserva remunerada desde o ano de 2002, como reconheceu o acórdão de piso, bem como, desde 30/04/2009, está acometido de neoplasia maligna, de modo que faz jus a isenção em questão. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720155/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AUSÊNCIA DE NULIDADES.
Não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte e o lançamento se encontra devidamente motivado e enquadrado nos dispositivos legais pertinentes.
COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS.
O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.
No âmbito da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação ou da circunstância de não se tratar de receita ou de se tratar de receita não tributável ou isenta. Contudo, no caso, a intimação fiscal não deixou claramente definido quais os depósitos que a fiscalizada deveria comprovar, referindo-se apenas à necessidade de comprovação da diferença entre o total dos valores creditados/depositados e o montante das receitas declaradas em DIPJ, e, ademais, não analisou corretamente a resposta da contribuinte à intimação fiscal, em que foi apresentada a comprovação da escrituração e da origem de montante inclusive superior àquele que foi objeto da intimação.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
Aplica-se ao lançamento da CSLL, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar integralmente as exigências decorrentes da infração 0001 do auto de infração. Vencido o Relator que dava parcial provimento em menor extensão para afastar apenas parte da infração 0001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé.
(assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto Relator.
(documento assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luís Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 AUSÊNCIA DE NULIDADES. Não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte e o lançamento se encontra devidamente motivado e enquadrado nos dispositivos legais pertinentes. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. No âmbito da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação ou da circunstância de não se tratar de receita ou de se tratar de receita não tributável ou isenta. Contudo, no caso, a intimação fiscal não deixou claramente definido quais os depósitos que a fiscalizada deveria comprovar, referindo-se apenas à necessidade de comprovação da diferença entre o total dos valores creditados/depositados e o montante das receitas declaradas em DIPJ, e, ademais, não analisou corretamente a resposta da contribuinte à intimação fiscal, em que foi apresentada a comprovação da escrituração e da origem de montante inclusive superior àquele que foi objeto da intimação. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Aplica-se ao lançamento da CSLL, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar integralmente as exigências decorrentes da infração 0001 do auto de infração. Vencido o Relator que dava parcial provimento em menor extensão para afastar apenas parte da infração 0001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luís Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
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Não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte e o lançamento se encontra devidamente motivado e enquadrado nos dispositivos legais pertinentes. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. No âmbito da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação ou da circunstância de não se tratar de receita ou de se tratar de receita não tributável ou isenta. Contudo, no caso, a intimação fiscal não deixou claramente definido quais os depósitos que a fiscalizada deveria comprovar, referindose apenas à necessidade de comprovação da diferença entre o total dos valores creditados/depositados e o montante das receitas declaradas em DIPJ, e, ademais, não analisou corretamente a resposta da contribuinte à intimação fiscal, em que foi apresentada a comprovação da escrituração e da origem de montante inclusive superior àquele que foi objeto da intimação. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Aplicase ao lançamento da CSLL, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 55 /2 01 3- 17 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar integralmente as exigências decorrentes da infração 0001 do auto de infração. Vencido o Relator que dava parcial provimento em menor extensão para afastar apenas parte da infração 0001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto – Relator. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luís Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto. Relatório Em apertada síntese, tratase de auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ e CSLL no valor de R$ 6,6 milhões, mais multa de 75%. Entendeu o Sr. AuditorFiscal (AFRF) que a ora Recorrente: i) não comprovou a origem de R$ 18 milhões depositados em sua conta bancária; e ii) considerou como ato cooperado o que não é. Pois bem. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 683/703) interposto contra o Acórdão nº 1656.331 (fls. 648/667), proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), na sessão realizada em 21/03/2014, que, por Fl. 897DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 4 3 unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, julgou improcedente os pedidos constantes na impugnação protocolada pela UNIMED DE GUARULHOS. Em suma, em 08/02/2012 (Fls. 03/04), a Contribuinte foi intimada do início do procedimento fiscal, cujo objetivo era verificar a regularidade das obrigações principais e acessórias no anocalendário 2009. Nesse mesmo termo, o Sr. AFRF, dentre outros, solicitou os “extratos bancários de todas as contas em sua titularidade em que ocorreram movimentação financeira, inclusive aplicações, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009” – fl. 03. Após o protocolo de petições por parte da Contribuinte, contendo, dentre outros documentos, os “extratos bancários de todas as contas de sua titularidade” (fls. 05120 e 127133), em 22/01/2013, o Sr. AFRF enviou novo Termo de Intimação Fiscal, desta vez listando supostas inconsistências encontradas nas contas bancárias da Cooperativa, que totalizavam R$ 18.226.630,51. Nesse documento a Autoridade também fez constar: “Segue anexo a esta intimação, arquivo digital que contém planilha no formato Excel de todos os depósitos identificados individualizadamente, devidamente autenticado pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA. Tal planilha deverá preenchida pelo contribuinte na coluna determinada ‘justificativas dos valores que não foram computados na Base de Cálculo do Imposto e Contribuições’, devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneos, cujo arquivo deverá ser devolvido ao AuditorFiscal signatário” – fl. 246. Em petição datada de 05/02/2013 (fl. 352/354), a UNIMED DE GUARULHOS alegou: “Constatamos que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ, não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Essa receita foi registrada como redutora na Linha 43 – Ficha 04A” – fl. 352 (...) “Além do mais, constatamos divergência no preenchimento da linha 43 – Ficha 04A e Linhas 17 e 32 –Ficha 05A. Onde os valores foram registrados parcialmente em ambas as linhas [Ou seja, a empresa a alega que deixou de contabilizar R$ 7,7 milhões a título de Despesa Operacional]” – fl. 353. (...) Portanto, conforme demonstrado no quadro, o valor da receita é maior que os valores da movimentação bancária apresentada. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 5 4 Quanto às outras divergências referentes a recebimento e receita, acreditamos que a receita foi contabilizada pelo período de cobertura do plano de saúde, que é o procedimento estabelecido pela Agência Nacional de Saúde. Desta forma, os valores de cruzamento entre receita e crédito bancários serão divergentes devido aos critérios de registro” – fl. 354. Em 13/02/2013, a Contribuinte peticionou novamente, juntando aos autos “CDR contendo i) Esclarecimento com planilha com demonstrativo” – fl. 355/356. Novo protocolo foi feito em 02/04/2013 (361/2): “Primeiramente, informamos que a receita decorrente de intercâmbio, nas constas contábeis 4.1.2.7.1.01.01 é oriunda de Ato Cooperativo. (...) Frisase ainda que para demonstrar a própria relação de intercâmbio entre Cooperativa e outras Unimeds, demonstramos também no CD todas as faturas emitidas no ano de 2009 (origem dos recursos utilizados)” – fls. 361/2. Em 28/05/2013, o Sr. AFRF intimou a Contribuinte para “Manifestar com relação aos ‘Demonstrativos de Cálculo de Percentual para Segregação dos Atos Cooperados e NãoCooperados’ que seguem anexos ao presente” – fl. 369. A resposta foi apresentada em petição datada de 24/06/2013 (fl. 378). Por fim, em 27/08/2013 foi lavrado “Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade” – fl. 382/399, que assim relatamos: MONTANTE DE DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA “Após a execução dos procedimentos mencionados nos itens “a’ e “b” [exclusão de transferências interbancárias da mesma titularidade e expurgos de créditos] acima, resultouse na apuração dos valores dos depósitos a serem comprovados pelo contribuinte [R$ 18.226.630,51]” – fl. 385. DA ORIGEM DOS RECURSOS SEGUNDO A CONTRIBUINTE “O contribuinte apresentou em 05/02/2013 em resposta a intimação acima (22/01/2013), os esclarecimentos com demonstrativos em papel e arquivos digitais alegando que tais inconsistências apontadas pela Fiscalização, no valor de R$ 18.226.630,51, seriam Fl. 899DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 6 5 recursos movimentados à título de ‘Intercâmbio C.O – Intercâmbio Custo Operacional” com outras Unimeds” – fl. 386. (...) “No entanto, não houve atendimento nos moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal por parte da empresa, ou seja, para ‘comprovação de créditos/depósitos individualizadamente das diferenças apuradas’, nem apresentação de documentos comprobatórios” – fl. 386. (...) “Na data de 01/04/2013, em atendimento a intimação de 28/02/2013, a fiscalizada esclareceu conforme a descrição que segue abaixo, in verbis, que o evento ‘Intercâmbio C.O.’ é oriundo de Ato Cooperativo” – fl. 387. (...) “Até a presente data, não houve resposta satisfatória a fim de firmar convicção deste Auditor que os recursos apontados pelo contribuinte, a título de ‘Intercâmbio C.O’ tenham transitado integralmente nas movimentações bancárias conforme alega o mesmo. Também não houve atendimento das intimações nos moldes solicitados no Termo de Verificação Fiscal” – fl. 388. (...) “Diante dos fatos acima, somos autorizados a presumir omissão de receitas conforme a tabela abaixo [R$ 18.226.630,51]” – fl. 388. DO ERRÔNEO ENQUADRAMENTO DE TODAS AS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS COMO SENDO ATOS COOPERATIVOS “Verificamos em sua contabilidade que o contribuinte não destacou em sua escrituração as receitas não compreendidas no conceito de ato cooperativo, bem como os correspondentes custos, despesas e encargos, a fim de permitir a apuração do lucro a ser tributado, ou seja, ele escriturou todas as movimentações financeiras como sendo atos cooperativos” – fl. 390. DO RATEIO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA “Utilizamos o rateio nos moldes dos art. 80 e seu parágrafo e art. 81 desta mesma Lei que define o cooperativismo” – fl. 393. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 7 6 “Calculamos a média trimestral dos percentuais de rateio conforme tabela 6 abaixo, utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte, nas tabelas acima [1º Tri. 58%; 2º Tri. 65%; 3º Tri. 62%; e 4º Tri. 71%]” – fl. 396. DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA “Compensamos o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa os períodos anteriores, extraídos do nosso sistema de informação – Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI) e Demonstrativos de Compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SACS), nos valores de R$ 2.077.417,23 e R$ 2.161.033,47, respectivamente” – fl. 399. Foram lavrados Autos de Infração (fl. 400/439), para constituição de IRPJ e CSL, referente ao anocalendário de 2009, nos seguintes valores: Tributo Multa Total IRPJ R$ 4.924.982,61 R$ 3.693.736,96 R$ 8.618.719,57 CSLL R$ 1.774.108,28 R$ 1.330.581,21 R$ 3.104.689,49 TOTAL R$ 6.699.090,89 R$ 5.024.318,17 R$ 11.723.409,06 Assim foram descritas as infrações no auto de infração (fl. 402): “001 – RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS RECEITAS OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Receitas operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades em anexo. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95 Art. 247,248, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279e 280 do RIR/99.” “002 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 901DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 8 7 RESULTADOS DE SOCIEDADE COOPERATIVAS – INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS Valores relativos ao resultado de sociedade cooperativas excluídos indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, em razão da inobservância de requisito (s) legal (is) autorizador (es) da não incidência do imposto, conforme Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidade em anexo. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95 Art. 182, 247, e 250 do RIR/99.” Com idêntica descrição, apenas alterando a fundamentação legal, foi lavrado auto de infração de CSL. A intimação do auto de infração ocorreu em 29/08/2013 (fl. 442), uma quintafeira. Em seguida, à fl. 445, foi lavrado Termo de Revelia. Todavia, em 17/12/13 a Contribuinte peticionou informando o erro do Fisco (447/567), juntando documentos, dentre eles, a cópia da Impugnação protocolada em 30/09/2013 (fl.461). Em 08/01/2014 (fl. 646) o Fisco reconheceu o erro e juntou aos autos a impugnação e os documentos acostados pela Contribuinte (fls. 569/643). A defesa assim foi relatada pelo d. Relator da DRJ (fls. 651/653): “a) A Unimed não presta serviços médicos (que são próprios dos médicos cooperados), mas tem por escopo precípuo ‘a geração de condições para o exercício das suas atividades profissionais, disponibilizandolhes serviços especializados e complementares para a saúde, como recursos próprios ou contratados.’ (art.2º do Estatuto). b) A Impugnante presta serviço por meio seus médicos cooperados e também através dos hospitais, laboratórios e clínicas de sua rede credenciada, ou seja, todo valor arrecadado por esta Cooperativa é revertido aos seus associados, devendo ser procedidas as deduções relativas aos atos exercidos entre a mesma e seus associados, os quais inserem no chamado do ato cooperativo. c) Em verdade, as operadoras de planos de saúde (e também essa impugnante) tem o faturamento quase que integralmente destinado a sua reversão em benefício dos usuários do plano de saúde. Daí porque a identificação da taxa de administração da Fl. 902DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 9 8 operação é o parâmetro adequado (seria o ato não cooperativo) para a definição do percentual relativo à sobra, critério para apuração do IRPJ e do CSLL. d) Quanto ao recolhimento de PIS/COFINS, o Auditor Fiscal havia acolhido a dedução do valor relativo ao ato cooperativo (reconhecendo, portanto, o ato não cooperativo, que se identifica com a taxa de administração) promovida pela Impugnante, entretanto cometeu equívoco no que se refere à análise a tal dedução, entendendo de forma errônea que a mesma ocorreu em duplicidade, o que não é verídico. e) No que tange ao recolhimento de IRPJ/CSLL, o Fisco não compreendeu as demonstrações contábeis promovidas pela Impugnante, a qual as efetuará de forma minuciosa, especificando os valores recolhidos, e os decorrentes do ato cooperativo (ou seja, da taxa de administração), a fim de demonstrar que não houve qualquer inconsistência nas informações prestadas por meio da DIPJ. (...) k) A Impugnante esclareceu que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receita, e sim como redução da despesa (conta 4.1.2.1.7.01.01.01). l) A impugnante apresentou demonstrativo com as reclassificações, bem como o envio dos ratões contábeis e faturas. m) Ocorre que deve haver a dedução dos atos cooperativos praticados pela Impugnante, uma vez que os valores deles decorrentes são revertidos em prol do usuário da própria Cooperativa/Impugnante. Ou seja, a apuração da sobra tributável deve seguir o percentual relativo à taxa de administração. n) Tal regime é adotado também para as atividades de agência de viagens e para as imobiliárias. Na hipótese da agência, esta deduz as despesas contraídas, atinentes às passagens, e prestação de serviços efetuada por hotéis, afigurandose desta forma como intermediária das atividades praticadas pelos prestadores de serviços. o) A ora impugnante, na qualidade de cooperativa. não presta serviços médicos (que são próprios dos médicos cooperados), mas tem por escopo simplesmente reunir recursos para prestar serviços ao seu corpo social, o que a caracteriza como intermediária dos serviços prestados pelos seus médicos cooperados, laboratórios, clínicas e hospitais. p) O IRPJ e a CSLL são apuráveis mediante a aplicação de percentual da taxa de administração sobre sobra (se existente). Desta forma o IRJP e a CSLL não podem incidir sobre o Fl. 903DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 10 9 faturamento, ou parcela dele, como quer o fisco no presente procedimento fiscal. q) As receitas de uma operadora de planos de saúde, mormente cooperativa, não integram o seu patrimônio, nem configuram lucro ou sobras, razão pela qual podese inferir veementemente que elas são transitórias. r) Frisase assim que esta relação existente entre a ora impugnante e seus associados (médicos, laboratórios, clínicas e hospitais) insere no conceito de ato cooperativo, nos termos do artigo 79 da lei 5764/71, a qual dispõe sobre o sistema cooperativo, vale dizer, a incidência do IRPJ E CSLL tem como base de cálculo a relação decorrente da apuração de percentual relativo à taxa de administração sobre eventual sobra. s) Requer que seja reconhecido que não houve dedução em duplicidade em relação ao recolhimento de PIS/COFINS; e no que tange ao IRPJ/CSLL que deve haver a redução da base de cálculo para contemplar tão somente as atividades que não se inserem no ato cooperativo.” Em 21/03/2014, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do acórdão nº 1656.331 (fls. 648/667), por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. O aludido acórdão restou assim ementado à fl. 648: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COOPERATIVA DE TRABALHO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei n° 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades Fl. 904DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 11 10 cooperativas. Nas relações jurídicas firmadas entre as cooperativas e terceiros, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), ou de credenciados para prestarem serviços aos cooperados, incide normalmente o IRPJ e a CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” As razões que levaram a essa conclusão podem ser assim resumidas: DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO “A contribuinte foi cientificada em 29/08/2003 (fls. 442). A impugnação foi protocolada em 30/09/2013, logo, é tempestiva e deve ser conhecida” – fl. 654. DO NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DA IMPUGNAÇÃO: AUTO DE INFRAÇÃO DE PIS E COFINS “Neste processo apenas serão apreciadas as alegações relativas à tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que os lançamentos envolvendo a legislação específica de PIS e COFINS serão objeto do processo administrativo nº 16095.720156/201361” – fl. 654. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA “A impugnante afirma que o Fisco não compreendeu as demonstrações contábeis apresentadas e que não houve qualquer inconsistência nas informações prestadas por meio da DIPJ. Podemos exemplificar a situação encontrada pela fiscalização a partir do confronto do Livro Razão com o extrato bancário da conta corrente nº 15.566X, na agência 32220, do Banco do Brasil” – fl. 657. (...) “Eventual erro na classificação da conta Intercâmbio C.O não explica a falta de registro de valores creditados na conta corrente e não contabilizados. Seja a que título ocorreu o depósito – receita ou despesa – os montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 12 11 Os demonstrativos com as reclassificações apresentados pela contribuinte apenas se referem aos valores contabilizados, e não àqueles que ficaram à margem da escrituração” fl. 660. DO CRITÉRIO DE ESCRITURAÇÃO ESTABELECIDO PELA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE “Segundo a contribuinte as outras divergências – no caso o montante de R$ 20.078.817,70 (154.168.399,35 – 134.089.581,65) – seriam explicadas pelo procedimento contábil estabelecido pela Agência Nacional de Saúde, qual seja, o critério de registro pelo período de cobertura do plano de saúde resultaria na divergência entre a receita e os créditos bancários. (...) Verificase que o critério do registro pelo período de cobertura do risco aplicase apenas aos contratos com preços préestabelecidos. A contribuinte possui também contratos na modalidade de custo operacional, onde o cliente paga à operadora pelos serviços efetivamente prestados. Cabe à contribuinte demonstrar a existência de tais diferenças, não bastando a alegação genérica de sua ocorrência, desacompanhada de qualquer demonstrativo ou discriminação das diferenças em relação às modalidades de pagamentos adotadas” – fl. 660. (...) “A discussão relativa ao ato cooperado não se aplica aos valores não contabilizados. Aliás, como não há contabilização é difícil saber qual a natureza do numerário recebido” – fl. 660. (...) “Por fim, também não são procedentes as alegações de que a incidência do IRPJ e CSLL tem como base de cálculo a relação decorrente da apuração de percentual relativo à taxa de administração sobre eventual valor. Isto porque, a origem dos depósitos não foi comprovada, não sendo possível verificar a natureza dos valores mantidos à margem da escrituração contábil. Por conseguinte, a exigência relativa a este tópico deve ser integralmente mantida” – fl. 663. DO ATO COOPERADO “Além dos depósitos bancários de origem não comprovada, a fiscalização constatou que a cooperativa excluiu do lucro real e da base de cálculo negativa da CSLL Fl. 906DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 13 12 integralmente o valor do lucro líquido apurado nos quatro trimestres – linha 53 da Ficha 09A – Result. Não Trib. De Soc. Cooperativas e linha 46 da Ficha 17 – Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas” – fl. 663 (...) “A contribuinte recebe contraprestações dos usuários dos planos de saúde, presta serviços por meio de seus laboratórios e hospitais credenciados, e realiza aplicações financeiras, ou seja, fornece bens e serviços a não associados. Em outras palavras realiza atos não cooperativos” – fl. 664. (...) “Ou seja, são atos cooperativos apenas aqueles praticados entre a Cooperativa e seus médicos, ou com outras cooperativas” – fl. 664. (...) “Conforme já relatado a fiscalização calculou a média trimestral dos percentuais de rateio utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte. (...) “Na impugnação a contribuinte não contestou os percentuais de rateio utilizados. Além disso, não apresentou alegação específica em relação à glosa da exclusão efetuada pela fiscalização. Também não identificou o montante da ‘taxa de administração’ que considera o parâmetro adequado como critério para apuração do IRPJ e da CSLL” – fl. 666. DA JUNTADA DE DOCUMENTOS “Por fim, quanto ao pedido genérico de anexar aos autos ‘tantos documentos quanto foram necessários para o esclarecimento do aqui exposto’, deve ser mencionada a regra do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972” – 666. Em 16/04/2014 (fl. 680) a Contribuinte foi intimada da decisão, da qual recorreu em 15/05/2014 (fl. 683/703 e anexos fls. 706/836). Foram apresentados os seguintes argumentos para a reforma do acórdão: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA “Insta registrar que referidos documentos (os quais seguem anexo ao presente recurso), ainda não estavam em posse da ora Recorrente, uma vez que a Unimed sofreu a Fl. 907DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 14 13 fiscalização concernente à competência de 2009, e os documentos estavam arquivados, sendo certo que demandou tempo considerável para estarem sob posse da ora Recorrente” – fl. 686. (...) “Os valores relativos aos intercâmbios verificamse por meio de encontro de contas, documento este que a Recorrente não teve a oportunidade de apresentar perante o fisco federal, em notável violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, consagrados pela nossa carta Magna” – fl. 687. (...) Diante do exposto acima, requer a recorrente seja integralmente anulada a decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento, posto que violadora dos princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal” – fl. 688. DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS “A Impugnante esclareceu que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receia, e sim como redução de despesa. Constatou a Recorrente que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ (abaixo descrita), não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Esta receita foi registrada como redutora de despesa, na Linha 43 – Ficha 04A, conforme quadros demonstrados abaixo” – fl. 688/9. (...) Portanto, conforme demonstrado no quadro, o valor da receita é maior que os valores da movimentação bancária apresentada” – fl. 690. (...) “A Recorrente havia apresentado demonstrativo com as reclassificações, bem como envio dos razões contábeis e faturas no início do procedimento de fiscalização instaurado pela Receita Federal, entretanto tanto as considerações tecidas, como as aludidas documentações restaram preteridas pelo órgão” – fl. 691. (...) “Ora, à guisa de exemplo, se a Recorrente deve R$ 10.000,00 para outra Unimed e tem a receber R$ 80.000,00, ela deixa de pagar os R$ 10.000,00 e recebe R$ 70.000,00, entretanto não necessariamente constará em seu registro contábil o valor de R$ Fl. 908DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 15 14 80.000,00 em razão de ter sido efetuada a compensação, a qual encontrase prevista em lei [Lei nº 9.430/1996, art. 2º, §4º]” – fl. 694. (...) “O único valor que constará no registro contábil é o valor final que a Recorrente recebeu em razão de ter efetuado o intercâmbio com as outras Unimeds, e após ter sido efetuada a compensação. Todas as quantias relativas ao intercâmbio encontramse descritas no encontro de contas (o qual segue anexo), e que a Recorrente não teve a oportunidade de exibir quando da fiscalização. Outro ponto que deve ser levado em conta, reside na questão de ter havido um erro de critério por parte da delegacia de julgamento, uma vez que as faturas (anexas ao procedimento administrativo instaurado), por meio das quais a Unimed receberia valores não demonstra que tal crédito ocorreria no mês em que a mesma foi emitida, até mesmo porque há valores que a Recorrente recebe prorata, ou seja, de forma dividida! Em 20/01/2009, a Recorrente emitiu uma fatura no valor de R$ 66.305,26, sendo certo que no livrorazão, constou o crédito em 11/02/2009, ou seja, em fevereiro do aludido ano ocorreu o efetivo recebimento do montante ao qual a recorrente fazia jus” – fl. 696. (...) “Segue abaixo tabela em que consta o montante que a Recorrente entende devido a título de IRPJ, mesmo se desconsiderados os valores atinentes ao ato cooperativo (R$ 3.061.658,55)” – fl. 701. DO ATO COOPERATIVO “Os valores recebidos a título de intercâmbio não integram o patrimônio da recorrente, pois são receitas transitórias, razão pela qual inferese que a mesma declarou inclusive valor a maior perante o Fisco Federal, pois contemplou justamente os recebimentos concernentes ao aludido sistema. (...) Ora, a própria Delegacia de Julgamento consignou na Decisão ora hostilizada que devem ser excluídos os valores recebidos de outras cooperativas” – fl. 697. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 16 15 Voto Vencido Conselheiro Relator João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Passemos à análise dos pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09/06/2015, doravante denominada “Novo Regimento Interno do CARF” (ou RICARF). Nos termos do art. 2º, incisos I e II, do Regimento Interno do CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de IRPJ e CSLL. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado (fl. 703) habilitado nos autos por meio de procuração (fl. 640) outorgada pelo Diretor Presidente da pessoa jurídica recorrente (fls. 594 e 622). Quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/SP1 em 21/03/2014 (fl. 648/667) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 16/04/2014, uma quarta feira (fls. 680/1), e o recurso foi interposto em 15/05/2014, uma quintafeira (fl. 683), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/72, afinal o dies ad quem era 16/05/2014, uma sextafeira. Nesse caminho, recebo o recurso voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, seguem os pontos controvertidos: 1. O Fisco impediu a Contribuinte de juntar documentos? Caso isso tenha ocorrido, houve cerceamento do exercício do direito de defesa? 2. A Contribuinte provou a origem dos depósitos bancários apontados pelo Fisco no valor de R$ 18.226.630,51? 1 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 910DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 17 16 3. Caso tenha sido decidido que a Contribuinte não provou a origem dos depósitos bancários, tal montante deve ser classificado como ato cooperativo? 4. Há fundamento legal para o Sr. AFRF oferecer à tributação parte da receita da cooperativa? III. DO ALEGADO CERCEAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA A Contribuinte pede que seja decretada a nulidade da decisão prolatada pela e. DRJ, argumentando o seguinte: “Frisase ainda que os valores relativos ao sistema de Intercâmbio podem ser constatado por intermédio do ENCONTRO DE CONTAS, o qual a Recorrente não teve a oportunidade de acostar ao Procedimento Administrativo, o que enseja inclusive a NULIDADE do decisão ora guerreada, em razão de operar o CERCEAMENTO DE DEFESA!!!” (sic)– fl. 685. (...) “Inicialmente, cumpre apontar que a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento padece de flagrante vício de NULIDADE, uma vez que foi prolatada sem que tenha sido dada a devida oportunidade à empresa autuada de juntar os documentos comprobatórios de seu direito, manifestado expressamente quando da impugnação protocolizada!!!” (sic) – fl. 685. A decisão à qual a Contribuinte se refere à seguinte: “Por fim, quanto ao pedido genérico de anexar aos autos ‘tantos documentos quanto forem necessários para o esclarecimento do aqui disposto’, deve ser mencionada a regra do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972” – fl. 666. Essa decisão da e. DRJ apreciou o seguinte pedido que constou na Impugnação, o qual segue transcrito abaixo integralmente: “Por fim, requer prazo suplementar a fim de que possa juntar ao presente Processo Administrativo as planilhas que demonstram os valores recolhidos pela Impugnante a título de IRPJ/CSLL. Requer a oportunidade de realizar prova e levar aos autos tantos documentos quanto forem necessários para o esclarecimento do aqui disposto” – fl. 586. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 18 17 Não assiste razão à contribuinte. A Contribuinte foi intimada do início da fiscalização em 08/02/2012 (fls. 03/04) e em 29/08/2013, ou seja, dezoito meses depois, tomou ciência da lavratura do auto de infração (fl. 441/2). A Impugnação, por sua vez, foi protocolada em 30/09/2013 (fl. 569) e apenas seis meses depois foi prolatado o Acórdão DRJ nº 1656.331 (fl. 648). Vejam que a despeito de a decisão do d. colegiado da Delegacia de Julgamento só ter ocorrido seis meses depois do protocolo da impugnação, a contribuinte não juntou aos autos “os documentos comprobatórios de seu direito”. Ademais, não é razoável que documentos do anocalendário de 2009 “demandem tempo considerável para estarem sob a posse da Recorrente”, afinal a fiscalização se iniciou em fevereiro de 2012. Em suma, deve ser rejeitado o pedido referente à decretação de nulidade da decisão da d. DRJ sob o argumento de cerceamento do exercício do direito de defesa. Todavia, os documentos acostados ao Recurso Voluntário serão apreciados por esta d. Turma do e. CARF, nos termos do art. 16, § 6º, do DL 70.235/722. IV. DA PRESUNÇÃO SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS CONTIDA NO ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96 No termo de início do procedimento de fiscalização, dentre outros documentos, o Sr. AFRF solicitou à Contribuinte os “extratos bancários de todas as contas em sua titularidade em que ocorreram movimentação financeira, inclusive aplicações, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009” – fl. 03. Após a apresentação de tais documentos pela Contribuinte (fl. 383), o Sr. AFRF afirma ter consolidado os lançamentos, excluído as transferências bancárias entre contas da mesma titularidade e expurgado diversos créditos, tendo, por fim, apurado “valores dos depósitos a serem comprovados pelo contribuinte [R$ 18.226.630,51]” – fl. 385. Em 22/01/20013 (fl. 247) a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem de parte dos depósitos bancário. Dessa intimação deve ser transcrita a seguinte passagem: 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 912DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 19 18 “Segue em anexo a essa intimação, arquivo digital que contém planilha no formato Excel de todos os depósitos identificados individualizadamente, devidamente autenticado pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA. Tal planilha deverá ser preenchida pelo contribuinte na coluna determinada ‘justificativas dos valores que não foram computados na Base de Cálculo do Imposto e Contribuições’, devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneas, cujo arquivo deverá ser devolvido ao AuditorFiscal signatário” – fl. 246. Pois bem. Antes de prosseguirmos, vejamos o fundamento legal apresentado pela autoridade administrativa no TVF (fl. 388), qual seja, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Da análise do aludido dispositivo, extraise que a lei criou uma presunção de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. É dizer, após a intimação do contribuinte para que ele comprove a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes, passa a ser ônus dele a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar tudo aquilo que não foi justificado como omitido. Igualmente por ser ônus da Contribuinte, não cabe a alegação de que a Fiscalização deveria ter analisado, meticulosamente, cada um dos depósitos bancários efetivados na conta da pessoa jurídica, bem como analisado os livros contábeis e fiscais, como afirma a Cooperativa em seu Recurso Voluntário: “Isso porque todas as documentações exibidas pela Recorrente, a saber livrorazão, planilhas, demonstram o efetivo recebimento e as despesas contraídas pela Recorrente” – fl. 691. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 20 19 (...) “Consignese que no livrorazão, que encontrase sob poder da Receita Federal consta a data do efetivo recebimento dos valores pela recorrente, não podendo a autoridade fiscal pautarse apenas pelas informações prestadas por intermédio da declaração de imposto Pessoa Jurídica (DIPJ)” – fl. 696. A despeito de a legislação impor à Contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos, o que temos nos autos são alegações genéricas e documentos meramente anexados, sem nenhuma explicação consistente por parte da pessoa jurídica. A linha de defesa da Contribuinte é “que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receita, e sim como redução da despesa” – fl. 689. Em passagem mais adiante a Contribuinte “exemplifica” o erro: “Convém assinalar ainda que no que se refere às comprovações de recebimentos dos valores, no sistema de intercâmbio, o crédito da Recorrente é compensado com o débito em relação as outras UNIMEDS, razão pela qual o que a mesma tem a receber não encontrase contemplado na DIPJ. Ora, à guisa de exemplo, se a Recorrente deve R$ 10.000,00 para outra Unimed e tem a receber R$ 80.000,00, ela deixa de pagar os R$ 10.000,00 e recebe R$ 70.000,00, entretanto não necessariamente constará em seu registro contábil o valor de R$ 80.000,00 em razão de ter sido efetuada a compensação, a qual encontrase prevista em lei [Lei nº 9.430/1996, art. 2º, §4º]” – fl. 694. Ou seja, segundo a Contribuinte, a origem dos R$ 18 milhões é “receita com intercâmbio” – fl. 689 – entre cooperativas. Defende também que esse montante foi escriturado, já que “o único valor que constará no registro contábil é o valor final que a Recorrente recebeu em razão de ter efetuado o intercâmbio com as outras Unimeds, e após ter sido efetuada a compensação” – fl. 695. Não discorreremos sobre a regularidade do procedimento contábil supostamente adotado pela Recorrente, pois este não foi questionado no TVF / auto de infração. Todavia, quanto ao lançamento contábil alegado pela Contribuinte, não há provas nos autos. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 21 20 Caberia à Contribuinte provar que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ, não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Essa receita foi registrada como redutora na Linha 43 – Ficha 04A, conforme quadros demonstrados abaixo (fl. 352): Vejam que pela planilha acima não é possível ter certeza que os R$18,0 milhões foram considerados “como redutora na Linha 43 – Ficha 04A” – fl. 352. Em suma, o ônus de analisar os livros contábeis e fiscais e relacionálos com os valores indicados pelo Sr. AFRF, nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, é da UNIMED Guarulhos. Quanto aos documentos acostados ao Recurso Voluntário (fls. 706/836), eles não têm valor probante, pois: i) não estão assinados; e ii) não foi feita correlação com os R$ 18 milhões apresentados pelo Sr. AFRF, ou seja, não provou que o valor constante no “encontro de contas” é o mesmo montante apresentado pelo Sr. AFRF. Vejamos um exemplo: Fl. 915DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 22 21 Em suma, a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a origem dos R$ 18 milhões, o que inviabiliza considerálo proveniente de ato cooperado. Desse modo, com fundamento no disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, correto está o procedimento adotado pela Administração Tributária, para considerar os valores creditados/depositados na conta corrente da Contribuinte como omissão de receita. V. DO ATO COOPERATIVO Antes de analisarmos o conceito legal de ato cooperativo, necessário se faz discorrer sobre as duas infrações impostas à Contribuinte, quais sejam: 1) Omissão de receita no valor de R$ 18.226.630,51 e, por consequência, considerar tal montante fruto de ato não cooperado, incluído, integralmente, à base de cálculo do IRPJ e da CSLL; e 2) Não destacou em sua escrituração contábil as receitas não compreendidas no conceito de ato cooperativo, bem como correspondentes custos, despesas e encargos (fl. 390), o que levou o Sr. AFRF a ratear as despesas e custos da sociedade, “utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte” – fl. 396. A partir dos dados constantes nas DIPJ, na movimentação bancária e no percentual de rateio informado pela Cooperativa, a autoridade administrativa recalculou o lucro Fl. 916DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 23 22 antes da compensação com o prejuízo fiscal (saldo de R$ 2.077.417,23) e com a base de cálculo negativa da CSLL (saldo de R$ 2.161.033,47) – fl. 399: Conta % Rateio CSP 58% 65% 62% 71% Outras Receitas Financeiras 100% 100% 100% 100% Outras Receitas Operacionais 58% 65% 62% 71% Despesas Operacionais 58% 65% 62% 71% Outras Despesas Financeiras 100% 100% 100% 100% Rubrica 1T 2T 3T 4T Receita Líquida R$ 21.235.736,79 R$ 24.276.648,50 R$ 24.592.443,92 R$ 24.543.759,24 Receita omitida R$ 2.673.169,09 R$ 4.521.278,64 R$ 4.847.646,14 R$ 6.184.536,64 CSP R$ 12.316.727,34 R$ 15.779.821,53 R$ 15.247.315,23 R$ 17.426.069,06 Outras Receitas Financeiras R$ 821.117,33 R$ 476.797,54 R$ 562.602,47 R$ 745.409,67 Outras Receitas Operacionais R$ 16.569.575,74 R$ 18.502.457,90 R$ 17.997.875,37 R$ 21.158.401,87 Despesas Operacionais R$ 4.040.164,81 R$ 2.420.372,35 R$ 2.137.792,54 R$ 2.907.424,43 Outras Despesas Financeiras R$ 98.886,62 R$ 51.156,84 R$ 483.304,81 R$ 278.485,17 Lucro Operacional R$ 3.608.083,40 R$ 5.249.183,37 R$ 5.539.711,40 R$ 7.476.369,51 Analisemos agora os argumentos da Cooperativa. No que tange à parcela do auto de infração referente ao ato cooperativo, a Contribuinte, em seu Recurso, fundamenta: “Ora, o intercâmbio inserese no conceito de ato cooperativo, razão pelas quais as despesas e créditos provenientes do referido sistema não podem ser levadas para fins de tributação, sob pena de preterir o cooperativismo, no qual se assenta a Recorrente...” – fl. 697. Pois bem. Este capítulo do acórdão deve decidir o que consiste “ato cooperativo” e determinar se o montante fruto de depósito bancário de origem não comprovada deve ser enquadrado como ato cooperativo. Lembro que a Unimed não recorreu do critério de rateio adotado pelo Sr. AFRF. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp. nº 58.265/SP, submetido ao rito do art. 543C, da Lei nº 5.869/66, pacificou o entendimento que “as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam ‘atos nãocooperativos’”. Esse entendimento, sem nenhuma surpresa, vem sendo adotado pela Corte, e, Fl. 917DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 24 23 em razão da semelhança com o caso em análise, merece transcrição a ementa do AgRg no AI nº 1.221.603/SP: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AI nº 1.221.603/SP, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 06/06/2013, T2 SEGUNDA TURMA) Fl. 918DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 25 24 Ademais, a então 2º Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, ainda na vigência do antigo RICARF (Portaria MF nº 256/2009), em respeito ao art. 62A do citado regimento, reproduziu, pelo menos em dois julgados recentes, o entendimento do STJ, sendo um, inclusive, da relatoria deste conselheiro: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado”. (Acórdão nº 1102001.150, julgado em 30/07/2014, Relatoria Cons. João Carlos de Figueiredo Neto. Decisão por unanimidade) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 COOPERATIVAS. OPERAÇÕES REALIZADAS COM TERCEIROS. Em face da decisão contida no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, as situações que constituam operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 1102001.319, julgado em 24/03/2015, Relatoria Cons. Ricardo Marozzi Gregório. Decisão por unanimidade) Em suma, nos termos da decisão proferida pelo eg. STJ no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 26 25 Sendo assim, a Unimed deveria ter escriturado em separado o “Os resultados das operações com não associados”, nos termos do art. 87, da Lei nº 5.764. Não o tendo feito, o Sr. AFRF agiu nos termos dos arts. 80 e 81 dessa Lei. Vejamos: Art. 80. As despesas da sociedade serão cobertas pelos associados mediante rateio na proporção direta da fruição de serviços. Parágrafo único. A cooperativa poderá, para melhor atender à equanimidade de cobertura das despesas da sociedade, estabelecer: I rateio, em partes iguais, das despesas gerais da sociedade entre todos os associados, quer tenham ou não, no ano, usufruído dos serviços por ela prestados, conforme definidas no estatuto; II rateio, em razão diretamente proporcional, entre os associados que tenham usufruído dos serviços durante o ano, das sobras líquidas ou dos prejuízos verificados no balanço do exercício, excluídas as despesas gerais já atendidas na forma do item anterior. Art. 81. A cooperativa que tiver adotado o critério de separar as despesas da sociedade e estabelecido o seu rateio na forma indicada no parágrafo único do artigo anterior deverá levantar separadamente as despesas gerais. (...) Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Decidida a questão atinente ao “ato cooperativo”, resta determinar se o montante fruto de depósito bancário de origem não comprovada deve ser enquadrado como ato cooperativo. Como fundamentado no tópico anterior, o ônus de provar a origem dos montantes depositados na conta bancária é da contribuinte. E, no caso, a Recorrente não trouxe as provas necessárias aos autos. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 27 26 Todavia, parte do valor omitido deve ser considerado como ato cooperativo, haja vista a presunção legal, desta vez em benefício da Cooperativa. Ora, como sabido, a Lei do Cooperativismo impõe a escrituração em separado dos “resultados das operações com não associados”, (art. 87, da Lei nº 5.764); quando isso não é feito, a separação deve ser feita por meio de rateio. No que toca à omissão de receita, o art. 288 do RIR/99 dispõe que “Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão”. Aqui, regime de apuração não deve ser interpretado apenas como “Lucro Real Trimestral, Anual, Presumido, Simples ou Arbitrado”. Entendo que “regime de apuração” está em um sentido mais amplo. Tomemos as cooperativas como exemplo. A legislação determina a escrituração separada de receitas de atos cooperados e de atos não cooperados; desrespeitado esse comando, deve ser adotado o rateio. Interpretando esse dispositivo legal em cotejo com o art. 288 do RIR/99, resulta no dever de a autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pelo Sr. AFRF. Em razão do exposto, deve ser desprovido o pedido para considerar a integralidade do valor omitido como ato cooperativo, mas os percentuais de rateios devem ser aplicados sobre o montante considerado omitido, fruto de depósito bancário de origem não comprovada. VI. CONCLUSÃO Dado o exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, haja vista o dever de a autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pela autoridade fiscal. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 921DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 28 27 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Em que pese o bem fundamentado voto do ilustre relator, ouso discordar de sua fundamentação e conclusão no que toca à parte do lançamento que trata dos depósitos bancários de origem não comprovada (infração 0001, também identificada no Termo de Verificação Fiscal, assim como nos autos de infração, como "receitas operacionais escrituradas e não declaradas"). De fato, conforme bem destacado no seu relatório e voto, o lançamento abrangeu duas infrações, sendo que, com relação à outra mencionada infração (infração 002, exclusão indevida do lucro real de resultados de sociedade cooperativa considerados pela fiscalizada como não tributáveis), consoante se verifica da exposição feita pelo relator, a fiscalização efetuou o rateio utilizando dados apresentados pelo próprio contribuinte (o contribuinte considerara todo o resultado como integralmente não tributável), sendo que o contribuinte não contestou, sequer em sede de impugnação, os fundamentos deste lançamento. Neste aspecto, confirase o seguinte parágrafo contido no acórdão da decisão recorrida, ao norte transcrito pelo relator: "Na impugnação a contribuinte não contestou os percentuais de rateio utilizados. Além disso, não apresentou alegação específica em relação à glosa da exclusão efetuada pela fiscalização. Também não identificou o montante da “taxa de administração” que considera o parâmetro adequado como critério para apuração do IRPJ e da CSLL. (fl. 666)" Assim, tendo em conta o quanto constou da defesa apresentada, correto o entendimento conferido pelo o i. relator ao destacar que deve ser "desprovido o pedido para considerar a integralidade do valor omitido como ato cooperativo", e a correção do trabalho fiscal, neste aspecto, posto que é "dever da autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pelo Sr. AFRF". Contudo, com relação aos depósitos bancários de origem não identificada, entende o i.relator que o valor da omissão de receita assim configurada pela fiscalização (e confirmada pelo relator) deveria ser objeto de proporcionalização, tendo em conta os mesmos percentuais já apurados pelo fisco no procedimento de ofício. Discordo deste posicionamento. No âmbito da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96, é do contribuinte o ônus da prova em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada, em todos os seus aspectos. Assim, por exemplo, cabe ao contribuinte comprovar o correto oferecimento da respectiva receita à tributação, no caso de se tratar de receita tributável, ou então comprovar que aquela receita considerada omitida corresponde a uma receita não tributável ou isenta, não havendo espaço na lei para a adoção de uma presunção, em favor do contribuinte, para se proceder a um eventual rateio das receitas omitidas em razão da proporção apurada com relação a outras receitas devidamente contabilizadas. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 29 28 No caso concreto, contudo, entendo que o valor integral das receitas lançadas pelo fisco como omitidas, tendo por fundamento o art. 42 da Lei 9.430/96, deva ser exonerado, pelos motivos expostos a seguir. Analisando atentamente a autuação levada a efeito, entendo, com a devida vênia, que não foram seguidos os procedimentos normalmente adotados em casos de lançamento fiscal tendo por fundamento o mencionado dispositivo. Em autuações fundadas no art. 42 da Lei 9.430/96, determina o dispositivo legal em questão que os créditos sejam analisados individualizadamente, ou seja, há de haver uma perfeita identificação de quais são os créditos cuja origem foi considerada não comprovada, até mesmo para que o contribuinte possa adequadamente contestar a imputação fiscal, buscando eventuais elementos de comprovação da origem daqueles específicos depósitos bancários que compõe a acusação fiscal. A fiscalização até chegou a fazer uma intimação na qual, em anexo ao termo, estão relacionados, de forma individualizada, cada um dos depósitos que compõe o montante de R$ 134.089.581,65 de movimentação bancária. Entretanto, no corpo do referido termo, a autoridade fiscal intima o contribuinte a "justificar e comprovar a diferença apurada no valor de R$18.226.630.51 (ver planilha 3), que se resultou do confronto dos valores creditados/depositados, após os expurgos dos valores que em tese não fazem parte das receitas tributáveis (ver planilha 1), e das outras receitas operacionais (ver planilha 2) informadas na linha 37, da Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2010, anocalendário 2009." Ou seja, a autoridade fiscal não identificou quais seriam os depósitos que comporiam o montante de R$18.226.630.51 cuja comprovação da origem deveria ser feita. Neste contexto, dado o caráter amplo e genérico da intimação feita, entendese perfeitamente o motivo de as respostas do contribuinte também terem se dado de forma ampla e genérica, sem uma exata vinculação a cada depósito bancário havido em suas contas. Não se pode condenálo por isto, nem entender que o fato de não têlo feito ensejaria a concretização da presunção legal de omissão de receitas em comento, em face da inversão do ônus da prova, encargo do qual não se teria desincumbido adequadamente. Observese, ademais, que o próprio anexo à intimação continha uma coluna em branco, após a discriminação do depósito bancário, a ser preenchida pelo contribuinte, a qual continha o seguinte cabeçalho: "Comprovar a origem dos créditos/depósitos que não foram computados na Base de Cálculo do impostos e contribuições" (grifei). Ora, segundo a resposta ofertada pelo contribuinte, conforme se demonstrará a seguir, na verdade não haveria nenhum crédito/depósito que não tenha sido computado na base de cálculo do imposto e contribuições. Assim, a rigor, de fato nada haveria a preencher na referida coluna. Em síntese, alegou o contribuinte que foi equivocada a análise fiscal calcada na análise da DIPJ em confronto com os depósitos bancários, pelos seguintes motivos: (i) no que toca às receitas de intercâmbio, estas se encontravam registradas na sua contabilidade não como receitas, mas sim em conta redutora de despesas; e (ii) os efetivos ingressos de numerário referentes ao intercâmbio, recebidos de outras Unimeds, são, em regra, inferiores aos valores faturados contra aquelas outras Unimeds, em face do prévio procedimento de compensação existente entre as cooperativas. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 30 29 Pelo primeiro motivo, demonstrou a contribuinte que o montante de lançamentos a crédito na conta de despesas, relativo ao intercâmbio, seria de R$ 40.883.812,63, valor este que é muito superior à reclamada diferença de R$18.226.630.51, identificada pelo fisco, entre a DIPJ e os extratos bancários. Já o segundo motivo, aliado ainda a diferenças intertemporais entre o reconhecimento da receita (embora em conta de despesa) e o seu efetivo recebimento (apenas pela diferença) justificaria a aparente incongruência decorrente do fato de a receita total ser, afinal, superior à própria movimentação bancária. Conforme dito, tal resposta encontrase em perfeita consonância e sintonia com o teor e a forma da intimação fiscal que lhe fora feita. Não se encontra na acusação fiscal, por outro lado, qualquer efetiva análise acerca das alegações acima mencionadas, as quais, ressaltese, haviam sido feitas pela fiscalizada ainda durante o procedimento fiscal. A autoridade fiscal apenas registra que "até a presente data, não houve resposta satisfatória a fim de firmar convicção deste Auditor que os recursos apontados pelo contribuinte, a título de 'Intercâmbio CO', tenham transitado integralmente, nas movimentações bancárias conforme alega o mesmo", e que "não houve atendimento das intimações nos moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal por parte da empresa." Na verdade, o contribuinte não alegou que todos os recursos a título de intercâmbio haviam transitado pela movimentação bancária, ao contrário, pelo teor de suas alegações, o total da receita contabilizada (assim considerada a receita contabilizada como tal somada à receita contabilizada como redução de custo) seria superior à movimentação bancária, em razão dos dois motivos já anteriormente citados. E, por outro lado, conforme já antes referido, devese entender que as intimações foram sim atendidas, quando considerado exatamente os "moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal." Restaria ainda analisar a questão da efetiva prova quanto ao teor das alegações feitas pela fiscalizada. Neste aspecto, recorro à análise feita pela DRJ, nada obstante a sua conclusão tenha se dado em sentido contrário ao que aqui se propõe. Referida análise contém, como se verá a seguir, de um lado, uma patente inovação em termos da acusação fiscal, e, de outro, em boa medida, a ratificação das alegações da fiscalizada quanto à sua forma de contabilização. Confirase: "Podemos exemplificar a situação encontrada pela fiscalização a partir do confronto do Livro Razão com o extrato bancário da conta corrente nº 15.566X, na agência 32220, do Banco do Brasil. Analisamos os lançamentos efetuados no dia 15 de junho de 2009: Lançamentos na conta 1.2.1.2.1.9.01.01.04 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 31 30 Confronto entre valores creditados na conta corrente e os registrados na contabilidade Podemos tecer as seguintes considerações a partir dos elementos constantes dos autos: • A contribuinte não registrou em sua contabilidade dois depósitos bancários com o histórico “631Desbloqueio de deposito”. • Como podemos notar, os valores recebidos a título de intercâmbio (relação da Unimed de Guarulhos com outras Unimeds) eram contabilizados da seguinte forma: 1) Pela emissão da fatura (exemplo do lançamento da FAT. 3125733/ 09 – U.Três Corações) D – 1.2.3.7.3.9.01.01.01 – Intercâmbio entre Unimeds a receber Fl. 925DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 32 31 C – 4.1.2.1.7.1.01.01.01 – Intercâmbio C.O. 126,00 Fatura Conta debitada Conta creditada 2) Pelo recebimento da fatura D – 1.2.1.2.1.9.01.01.04 – Banco do Brasil C – 1.2.3.7.3.9.01.01.01 – Intercâmbio entre Unimeds a receber Conta debitada Fl. 926DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 33 32 Conta creditada • Eventual erro na classificação da conta Intercâmbio C.O. não explica a falta de registro de valores creditados na conta corrente e não contabilizados. Seja a que título ocorreu o depósito – receita ou despesa – os montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão. • Os demonstrativos com as reclassificações apresentados pela contribuinte apenas se referem aos valores contabilizados, e não àqueles depósitos que ficaram à margem da escrituração. (...)" Da transcrição acima, percebese: 1. A inovação, com relação à acusação fiscal, quando tenta a autoridade recorrida demonstrar que os créditos na conta bancária nos montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão, mas não teriam sido ("... ficaram à margem da escrituração"). Ora, a acusação fiscal: (i) em nenhum momento identificou precisamente quais seriam os depósitos que comporiam o montante da receita omitida, não se podendo afirmar que os referidos créditos bancários de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 integrassem este montante; (ii) na verdade, em nenhum momento sequer se referiu objetivamente ao fato de que depósitos tivessem ficado à margem da escrituração (aliás, a infração 0001 do auto de infração é de "receitas operacionais escrituradas e não declaradas"), portanto, a acusação fiscal não contempla, em absoluto, a falta de escrituração de depósitos bancários. Para arrematar, não é sequer verdade que não tenha havido lançamento no Razão destes valores. Basta verificar o Razão contido nos autos digitais (fls. 114, "envelope digital", "contendo: 3(três) Arquivos PDF “RAZÃO” de Abr a Jun de 2009 [2º Trimestre]"), com relação à escrituração da conta 1.2.1.2.1.9.01.01.04 – 1014 BANCO DO BRASIL. Ali consta, no dia 12/06, o seguinte registro (a débito) na conta contábil do Banco do Brasil, pelo recebimento do mencionado valor de R$ 41.842,55. Portanto, não deixou de ser contabilizado o referido ingresso, apenas que este foi feito no dia 12/06, e não no dia 15/06, data esta em que ocorreu tão somente o chamado "desbloqueio de depósito" pelo banco, conforme contido no extrato transcrito pela autoridade recorrida. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 34 33 2. O minucioso detalhamento da forma de contabilização adotada pela recorrente com relação ao intercâmbio, feito pela autoridade recorrida a partir de um exemplo relativo ao faturamento de R$ 126,00 contra a Unimed Florianópolis, e acima transcrito, na verdade apenas serve de elemento de confirmação e ratificação do quanto alegado pela fiscalizada, ou seja, de que o valor recebido das outras Unimeds a título de intercâmbio, embora não tenha sido contabilizado em conta de receita, o foi em conta de despesa (a crédito). Ora, o registro a crédito em conta de despesa, se considerado o lucro real — forma de tributação adotada pela recorrente e que foi mantida pela fiscalização no lançamento — possui os mesmos efeitos que um lançamento a crédito em conta de receita, ou seja, desta forma de registro contábil não decorre qualquer efeito nocivo à apuração do lucro real, o qual permanece rigorosamente o mesmo. Portanto, insubsistente o lançamento que se ampara apenas em diferença constatada entre o montante dos depósitos bancários e o montante escriturado a crédito em conta de receita, sem considerar que parte dos depósitos bancários foram na verdade contabilizados a crédito de conta de despesa. Em síntese e conclusão, temse um lançamento fiscal, nesta parte, completamente carente de sustentação. Ao contrário de todo o quanto foi aduzido pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instância — e em que pese divergentes entre si os argumentos daquelas autoridades — não houve, ou ao menos não restou demonstrada, a falta de escrituração de qualquer um dos créditos bancários, sendo que a forma de escrituração adotada pela recorrente — a qual restou, ao fim e ao cabo, devidamente corroborada pela análise feita pela própria decisão recorrida — não gera qualquer efeito nefasto sobre a apuração do lucro real, e, assim, descaracteriza por completo a acusação de que teria havido omissão de receitas. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento relativo à infração 0001 do auto de infração (receitas operacionais escrituradas e não declaradas), a qual estava fundamentada, dentre outros dispositivos legais, no art. 42 da Lei 9.430/96. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Fl. 928DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15504.002157/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DOCUMENTOS OBTIDOS POR MEIO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADO POR JUIZ COMPETENTE. LEGALIDADE.
É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF.
Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE.
O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora.
Numero da decisão: 2201-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Relator.
EDITADO EM: 20/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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LEGALIDADE. É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE. O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 21 57 /2 01 0- 56 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator. EDITADO EM: 20/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira Relatório Tratase de crédito previdenciário referente ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas relativo aos anoscalendário 2005 e 2006, decorrente de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, consoante demonstração de folhas 10 a 24 do processo digitalizado. O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, MPF nº 06.1.01.002209010521, do qual o contribuinte teve ciência em 05 de junho de 2009 (AR efls 28). O contribuinte foi cientificado do lançamento tributário, relativo ao IRPF dos exercícios 2005 e 2006, em 10 de fevereiro de 2010, conforme se verifica pelo AR de folhas 10. Os presentes autos retornam a este Conselho por ter sido cumprida a diligência determinada pela Resolução 2802000.222 da 2ª Turma Especial, em sessão de 07 de outubro de 2014. Pela clareza e exatidão, adoto e reproduzo o Relatório constante da mencionada Resolução para explicitar os atos processuais ocorridos até o primeiro pronunciamento deste Colegiado (fls 349): "A fiscalização teve inicio após seleção da contribuinte pela Equipe Especial de Fiscalização de que trata a Portaria Copes n° 01, de 12/03/2009. Foi realizada análise dos autos do processo judicial n° 2008.38.00.038500 e dos documentos apreendidos durante a denominada "Operação Castelhana" deflagrada pela Policia Federal, tendo como alvo empresas do grupo que integram o escritório de advocacia "Juvenil Alves Advogados Associados" e respectivos advogados, além de terceiros a eles relacionados, conforme denúncia formalizada pelo Ministério Público Federal, do que decorreu a constatação que a contribuinte declarou ter auferido rendimentos em 2005 no montante de Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 554 3 R$3.600,00, encontrandose, porém, omissa na entrega de DIRPF no anocalendário de 2006 e tendo sido verificada a informação na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias D1MOB de que a contribuinte adquiriu no ano de 2005 um imóvel pelo valor de R$529.095,17. Na impugnação a contribuinte alega que agiu de boa fé, uma vez que como pensionista do INSS não poderia ter comprado o dito imóvel e que foi o Sr. Abelardo de Lima Ferreira, exmarido de sua filha, que teria pedido para usar seu nome na compra de um imóvel que seria revendido com lucro. Atribui ao Sr. Aberlado a responsabilidade pelos ilícitos praticados e alega que foi na residência deste que foram apreendidos os documentos alusivos à Operação castelhana. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese, de que se trata de presunção legal cuja desconstituição é ônus da contribuinte, há provas dos pagamentos efetuados pela contribuinte (fls. 128/173 e 187/198), que ela foi a adquirente do imóvel (fls.84/85 e 97/119) e que ela constou como vendedora do mesmo (fls. 120/127), sendo inócua a alegação de que não foi a verdadeira proprietária do imóvel, todavia a impugnante não comprovou o que alegou. A ciência do acórdão ocorreu em 19/04/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 12/05/2011. O recurso voluntário, em resumo, constituise das alegações abaixo: a) nulidade do auto de infração decorrente do emprego de provas obtidas por meios ilícitos, pois foram colhidas de processo judicial em que a recorrente não é parte, portanto a decisão judicial de compartilhamento de dados com a Receita Federal não alcança a recorrente; b) a ordem de busca e apreensão visava colher elementos de prova relativos à prática de crimes relacionados a um esquema de blindagem patrimonial, não poderiam essas provas serem empregadas para fins de lançamento tributário, logo foi ilegal a apreensão sem autorização judicial para a Receita Federal; c) falta de comprovação da suposta omissão de receita, pois não basta indício, o Fisco tem o dever de provar o acréscimo patrimonial; além do que o suposto acréscimo patrimonial adveio de doação; e a autoridade fiscal não apontou motivação para a qualificar a multa de ofício; não comprovou ter existido dolo da contribuinte. Juntou resultado de pesquisa processual alusiva ao processo judicial 2008.38.00.0038500 (fls. 331) com a relação dos réus e Certificação de “Nada Consta” da Justiça Federal Seção Judiciária de Minas Gerais (fls. 333)." (destacamos) A 2ª Turma Especial, em face das considerações abaixo transcritas, converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução acima mencionada (fls. 351): "Rejeitadas as preliminares. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 No mérito, o Acréscimo Patrimonial a Descoberto foi demonstrado pela autoridade lançadora, adotando como premissa que a contribuinte teve como dispêndios os valores empregados na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club, pagos à Construtora Brascan Imobiliária Incorporações, cuja denominação foi alterada para Brookfield Rio de Janeiro Empreendimentos. A documentação comprova adequadamente a aquisição em nome da contribuinte. Em situações normais, estaria suficientemente comprovado o Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Essa modalidade de autuação é uma espécie de presunção legal, que inverte o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o ônus de comprovar as suas alegações. A recorrente desde a fase de fiscalização alega que não efetuou os dispêndios e sim seu exgenro, réu em processo penal, decorrente da denominada Operação Castelhana. Não obstante a presunção legal – relativa, digase, excepcionalmente neste caso, não se pode negar que há uma série de indícios de verossimilhança nas alegações da recorrente que, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, justificam maiores esclarecimentos para deixar inequívoca a ocorrência do fato gerador, sob o risco de pactuar com o esquema criminoso de blindagem patrimonial apurado na Operação Castelhana e no qual o Sr. Abelardo foi um dos investigados e que usava, dentre outros estratagemas, a interposição de pessoas. Eis os indícios: b) o sinal (R$18.613,33) para aquisição do apartamento foi pago com cheque nº SG0008, Banco 341, agência 0262 (fls. 44); o ITBI (R$12.600,00) foi pago com transação 507611217 junto ao Banco 341, agência 0262 (fls. 96); c) o Sr. Aberlado foi o procurador da recorrente na promessa de venda e compra para cessão dos direitos sobre o referido imóvel (fls. 120); cujo sinal foi dado em 12/11/2007, por meio dos cheques nº 131 e 134 do Banco Bradesco S/A, ag. 1837, no valor total de R$22.000,00; d) nas contas correntes da recorrente não há registro de débitos ou créditos relacionados aos cheques apontados nos dois itens acima; e) em sendo verídica a alegação da recorrente, a aquisição do imóvel em seu nome caracterizaria interposição de pessoa, uma das práticas investigadas na Operação Castelhana, que foi divulgada pela Receita Federal na mídia, conforme disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/automaticoSRFSinot/2006/11/ 23/2006_11_23_09_02_49_6 37850936.html, que dificultam a produção de provas imposta à contribuinte. f) também não há registro nas contas correntes da recorrente relativo ao pagamentos dos 12 boletos apreendidos na Operação Castelhana (fls. 187/198), dos quais somente dois tem na Fl. 556DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 555 5 autenticação bancária signos indicativos de pagamento em dinheiro; e g) não há qualquer outra evidência de gastos da contribuinte ou saldos bancários compatíveis com o perfil de adquirente do referido imóvel. Notesse que, além de investigado nos esquemas de blindagem patrimonial e uso de interpostas pessoas, o Sr. Abelardo foi fiscalizado e autuado pela Receita Federal, porém no presente processo não consta que a Receita Federal tenha adotado providências para verificar se a recorrente foi uma interposta pessoa. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem providencie: 1. intimação à recorrente para informar a forma de pagamento dos boletos e, em tendo sido pagos por meio de cheques, a identificação dos mesmos, ou ao menos o emitente; 2. intimação à Construtora para identificar o emitente do cheque relativo ao Sinal na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club; 3. intimação aos Cartórios para obtenção da procuração lavrada no 16° Tabelião de Notas de São Paulo SP, Livro 2.957, fls. 311, outorgada ao Sr. Abelardo, que foi usada na promessa de venda e compra do imóvel; bem como cópia dos cheques, que segundo o instrumento integrariam o contrato; 4. intimação à adquirente do imóvel, Srª Susana Aparecida Tomazela Herndl, CPF n° 159.506.53858, para informar a quem foi pago o sinal pela compra do apartamento e apresentar cópia microfilmada dos cheques, a fim de indicar a conta em que foram depositados; 5. intimação ao corretor de imóveis, Sr. Adriano Silva, CRECI 59.373 F,para informar se as tratativas para venda do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club eram feitas pelo Sr. Abelardo ou pela Srª Mercês Amaral Batista; e como e por quem foi paga a comissão de R$37.800,00 pactuada na referida alienação (fls. 125/126); 6. identificar outros elementos, se houver, que contribuam na obtenção da verdade material acerca das alegações da recorrente; e 7. intimar a recorrente da faculdade de manifestarse no prazo de trinta dias sobre o resultado da diligência." (negritamos) Em cumprimento, a DRF de origem apresentou o resultado da diligência determinada, respondendo aos quesitos como resumidamente segue (fls 356): Fl. 557DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 · Quanto à intimação da Recorrente para que informasse a forma de pagamento dos boletos, não houve nenhuma resposta da contribuinte, aqui recorrente, não obstante as três intimações enviadas com comprovação da ciência realizada. · Quanto à intimação da Construtora para que identificasse o cheque relativo ao sinal da compra do apartamento, esclareceu: Em 31/03/2015, a construtora Brookfield apresentou Termo de Resposta ao Termo de Intimação Fiscal no 002/2015, no qual informou que não localizou qualquer documento que indicasse quem é o titular do cheque no SG0008, Banco 341, agência 0262, no valor de R$18.613,33, utilizado como pagamento da primeira parcela. Ressaltou ainda que, conforme resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal no 322/2009, em 20/12/2007, a Sra Mercez Amaral Batista cedeu os direitos e obrigações inerentes à escritura a terceiros mediante “Escritura Pública de Transmissão de Direitos sobre a Consolidação da Propriedade Fiduciária”, extinguindose toda a relação jurídica entre aquela senhora e a Brookfield há mais de 7 anos. · Quanto à intimação ao Cartório para que apresentasse a procuração utilizada na promessa de compra e veda do imóvel, tal procuração foi apresentada e tem cópia anexada às folhas 359. · Intimouse a adquirente do imóvel para que identificasse para que foi pago o sinal no valor de R$ 22.000,00, relativo a compra do apartamento,e que apresentasse cópia microfilmada dos cheques utilizados nessa compra. Tais microfilmagens constam das folhas 363 a 365. Informou ainda que pagou R$ 35.800,00 ao Sr Adriano Soares da Silva, por meio de cheque nominal a Elizangela Silva, sua conjuge. Além disso, em resposta, esclareceu: "Foram feitos dois cheques nos valores de R$2.000,00 e R$20.000,00 (totalizando R$22.000,00) como pagamento da entrada da compra do apartamento 153C situado na Av. Jurema, 200, bairro Indianópolis em São Paulo. Tais cheques foram entregues ao senhor Abelardo de Lima Ferreira, como procurador, representando a senhora Mercez Amaral Batista; · O corretor de imóveis, Adriano Silva, devidamente intimado, informou que o Sr Abelardo atuou, como procurador, na negociação do imóvel e que a responsável pela comissão foi a Sra Mercez A Batista. Porém, esclarece a Autoridade Fiscal que o cheque emitido em 20/12/2007, pela Adquirente Susana Herndl e por ela afirmado que se tratava de despesa com corretagem, foi depositada na conta da conjuge do corretor. · Por fim esclarece que a Recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência, embora regularmente intimada para tanto. É o relatório do necessário. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 556 7 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator As condições de admissibilidade do presente recurso voluntário já foram analisadas na Resolução proposta e portanto, passamos a apreciálo. Como dito tratase de lançamento relativo ao IRPF, por acréscimo Como consta do relatório, em preliminar a Recorrente alega nulidade do lançamento em razão do mesmo ter sido fundado em provas obtidas por meio ilícito, uma vez que decorrente de Mandado de Busca e Apreensão não emitido em desfavor da Recorrente que, inclusive, não é ré em processo criminal algum (acostou Certidão Negativa Criminal). Tais alegações não merecem prosperar. Como bem mencionado no voto condutor da Resolução da 2ª Turma Especial (fls 351): "Parte substancial do recurso voluntário referese à alegação de que a autuação baseouse em provas obtidas por meio ilícito, o que acarretaria a nulidade do lançamento. Essa alegação não procede. Não há ilegalidade no emprego de documentos obtidos por meio de mandado de busca e apreensão, ainda que a recorrente não seja ré no processo criminal, o que independe da finalidade da referida apreensão. Ademais, essencialmente, as provas da autuação foram a Declaração de Operação imobiliária emitida pelo Cartório, a escritura de compra e venda de imóvel, a informação prestada pela Construtora do apartamento atestando os pagamentos e os boletos bancários, somente estes últimos foram obtidos por meio de busca e apreensão." Não se pode observar ilegalidade em ato emanado de autoridade, no caso Juiz de Direito competente, cuja finalidade estava suficientemente comprovada e cujo resultado foi, novamente por decisão judicial, partilhado com órgão de Estado, no caso a Receita Federal do Brasil, demandada a executar o seu mister, no caso a Fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias. Em acréscimo, como bem apontado pela distinta 2ª Turma, as provas do lançamento tributário foram obtidas diretamente no procedimento fiscalizatório, devidamente instaurado, e junto aos interessados nos negócios jurídicos que ensejaram fatos geradores tributários desencadeadores das obrigações tributárias que se buscava fiscalizar. Rejeitadas as preliminares, passemos ao mérito. A Recorrente alega falta de comprovação de omissão de receita, uma vez que devese provar o acréscimo patrimonial. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Segundo consta do recurso, a aquisição de um imóvel é mero indício de que houve aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, devendo o Fisco promover a adequada apuração dos fatos, cumprindo assim os ditames do artigo 142 do CTN. São seus argumentos (fls 319): "Ou seja, no desespero de fazer o lançamento tributário ora impugnado, o Fisco terminou por conduzilo à nulidade, já que não juntou aos autos nenhuma comprovação de que tenha havido efetivo acréscimo patrimonial, mas tãosomente documentos obtidos por meios ilícitos que, ainda, que fossem obtidos por meios lícitos, por si só não comprovam acréscimo patrimonial e, portanto, não demonstram a realização do fato gerador da obrigação tributária. Foi totalmente desconsiderado o fato de o imóvel ter sido adquirido de forma graciosa, ou seja, em decorrência de doação. Com efeito, o genro doou o imóvel e portanto não existe sequer presunção de que tenha havido omissão de receita para aquisição do imóvel, que de resto não resultou em dispêndio financeiro por parte da Recorrente. Diante disto, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, posto que não houve omissão de receita capaz de gerar a tributação ora combatida" (negritos nossos) Não se pode concordar com os argumentos da Recorrente. Vejamos os motivos. O imposto sobre a renda tem supedâneo constitucional no artigo 150, III que outorga competência à União para a instituição do tributo. Tal competência foi exercida pela Lei nº 7.713/88, que emoldurada pelas disposições constantes do Código Tributário Nacional, em especial pelo artigo 43, determina no artigo 3º: "Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados." (destaques não constam do texto da Lei 7.713/88) Cumprindo sua função regulamentar, o Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda, explicita: "Art.55.São também tributáveis: (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 557 9 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;" (destacamos) Da simples leitura das normas tributárias acima colacionadas, podemos inferir que equivale ao conceito de rendimento bruto, sendo portanto considerado renda, todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes ao rendimentos declarados. Ao recordamos a imputação fiscal, voltando os olhos ao Termo de Verificação Fiscal constante de folhas 13, encontraremos a motivação da ação fiscal: 1. A contribuinte em epígrafe, aposentada do INSS, sogra de Abelardo de Lima Ferreira, CPF: 789.577.88620 (irmão de Juvenil Alves Ferreira Filho), foi selecionada para a fiscalização por ter auferido rendimentos, em 2005, no montante de R$ 3.600,00 e encontrase omissa na entrega de DIRPF no ano calendário de 2006. Consta informação na DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) de que a contribuinte adquiriu, em 2005, da BRASCAN IMOBILIÁRIA INCORPORAÇÕES S/A, CNPJ 29.964.749/000130, um imóvel pelo valor de R$ 529.095,17. Em decorrência havia indícios de variação patrimonial a descoberto, caso não se confirmasse a origem dos recursos para a aquisição do imóvel." (destacamos) Tal constatação pela Administração Tributária se amolda com perfeição ao tipo tributário constante do RIR acima transcrito, acréscimo patrimonial não correspondente aos rendimentos declarados, vez que com se observou a compra de um imóvel de mais de meio milhão de reais com renda anual declarada de R$ 3.600,00. Devidamente intimada a comprovar a origem dos recursos que permitiram a compra do imóvel, a Contribuinte que se tratava de um presente dado pelo genro. Vejamos (fls 14): 3. Com relação ao item referente ao imóvel adquirido da BRASCAN IMOBILIÁRIA E INCORPORAÇÕES S/A, tendo como financiador o HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo, vem informar que, primeiramente o referido imóvel foi um presente dado pelo genro ABELARDO DE LIMA FERREIRA e que o pagamento das parcelas de sinal e prestações, até a sua venda, foram realizadas por ele. 4. Informou ainda que o imóvel já foi vendido em 12 de novembro de 2007, com a transferência do saldo devedor ao comprador Sra Susana Aparecida Tomazela Hemdl, sendo que o valor dela recebido foi diretamente para pagamento de parcelas em atraso devidas 6 BRASCAN/HSBC, pagamento de parcelas em atraso do IPTU, pagamento de parcelas em atraso devidas ao condomínio, pagamento dos serviços de corretagem e o saldo foi utilizado pelo genro para abatimento/quitação dos valores que lhes devia em razão da aquisição do imóvel." Dessa resposta duas conclusões devem ser retiradas. Primeira, há explicito reconhecimento por parte da contribuinte que houve a compra do imóvel, corroborando as Fl. 561DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 provas documentais. Segunda, a justificativa sobre a origem dos recursos empregados no negócio jurídico é a doação, o presente, dado pelo genro. Importante que tal afirmação, o reconhecimento da doação, é reiterada no recurso que aqui se analisa, conforme se observou no trecho da defesa acima transcrito. Instada, pela autoridade fiscal, a apresentar todos os comprovantes bancários dos pagamento efetuados para a aquisição do imóvel, a contribuinte alegou não possuílos, uma vez que, como dito, tratouse de um presente dado pelo genro. Embora houvesse, como fruto da Busca e Apreensão realizada no ambiente de trabalho do genro, os recibos de parte dos pagamentos realizados pela contribuinte junto à Brascan Imobiliária (item 9 do TVF, fls 15), a Fiscalização houve por bem intimar a vendedora a comprovar os pagamentos, por meio de documentação hábil e idônea, realizado pela Recorrente. Em resposta foi apresentada uma planilha com os valores efetivamente pagos, valores esses que incluíam os recibos mencionados. Tal planilha consta do item 11 do TVF (fls.16). De posse dos extratos bancários da contribuinte e das planilhas dos pagamentos efetuados, a Autoridade Fiscal elaborou Planilha de Fluxo de Caixa mensal (fls 20 a 22), com apuração de excesso de dispendios/aplicações em relação às origens de recursos., embasando o lançamento tributário realizado. De todo o exposto, verificase acertado o procedimento fiscal. Não houve, como mencionado pela Fiscalização, demonstração da origem dos recursos utilizados na compra do imóvel. A única justificativa apresentada, ausência de renda para aquisição uma vez que tratouse de presente não foi, nem indiciariamente, comprovada. Tratandose de efetiva doação, de ato de liberalidade do genro, esperase, no mínimo que haja demonstração de tal ato. Embora a mesma tese conste do recurso não houve por parte da Recorrente nenhuma iniciativa de mesmo que, superficialmente, comprovar a alegação. Recordemos que na impugnação os argumentos foram diversos, voltados ao engodo praticado pelo genro junto a contribuinte. O que comprovadamente se extrai dos autos é que: · houve compra do imóvel por parte da Recorrente; · não se comprovou origem dos recursos para a aquisição do imóvel · houve venda do imóvel por parte da Recorrente; · os cheques relativos a venda do imóvel, únicos comprovantes de pagamento efetivo existentes nos autos tem por favorecido a Recorrente; · O corretor que assessorou a venda do imóvel asseverou que o genro da recorrente atuou como seu procurador; Fl. 562DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 558 11 Desses fatos se pode afirmar que houve a compra de imóvel por parte da Recorrente, sendo tal fato comprovado e reconhecido pela Recorrente. Tal fato é fato gerador tributário nos termos da legislação ensejando a tributação do imposto sobre a renda da pessoa física. O fato impeditivo do direito do Fisco de lançar, trazido à discussão pela Recorrente, a existência de doação dos recursos, não teve comprovação nem indiciária. O recurso alega, preliminarmente, nulidade do AI e a não incidência tributária em face da doação ocorrida porém sem comprovar sua alegação. Mister recordar que, embora devidamente notificado da diligência efetuada, momento em que novamente suas alegações poderiam ser contrapostas aos esclarecimentos realizados pela Autoridade Fiscal, a Recorrente se quedou inerte. Assim, o que se encontra nos autos é a comprovação do direito do Fisco em constituir o crédito tributário. Tal crédito foi constituído segundo as regras do artigo 142 do CTN. Logo, o recurso deve ser negado nessa parte. Quanto a aplicação da qualificadora da multa, consta do recurso a seguinte argumentação (fls 323): "Os auditores fiscais impuseram multa de 150% sem nenhum fundamento fático ou jurídico. Não ressai do trabalho fiscal nenhuma motivação, explicação, alegação ou palavra que seja para sustentar a imposição de multa no percentual de 150%. Não se dignaram a tecer um único comentário, a dar uma única explicação, a fazer uma única alegação que seja para demonstrar onde reside o fato ensejador da multa qualificada. Diante disso, a defesa da Recorrente restou prejudicada, posto que não é possível saber o porquê da aplicação da multa qualificada. Todas as vezes que foi intimada a prestar esclarecimentos, a Recorrente se manifestou. Se o fisco entendeu que não eram satisfatórias, isso o levou a tributar como variação patrimonial a descoberto. Ou seja, a conseqüência pelos esclarecimentos não prestados a contento, levou o Recorrente a ter sobre si uma tributação exacerbada. Mas se o fisco entendeu que não eram satisfatórios seus não pode qualificar ou agravar a multa. Pode tão somente levar os fatos à tributação. Assim a conseqüência já foi a tributação, não pode concomitantemente apenar com multa qualificada e agravada" Consta do Termo de Verificação Fiscal, página 18, somente tal motivação para a qualificadora aplicada: Considerando que, a conduta da fiscalizada enquadrase na definição da sonegação e fraude, consoante definição contida Fl. 563DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, ao lançamento de oficio foi imputada a multa de oficio qualificada, em conformidade com art. 44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, in verbis: (...) A multa qualificada está prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que apresenta a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Os artigos mencionados da Lei nº 4.502/64, apresentam os seguintes casos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Em resumo, podemos afirmar que havendo fraude, sonegação ou conluio por parte do contribuinte, e sendo tais fatos comprovados pelo Fisco, a multa prevista para o lançamento de ofício deve ser dobrada. Não comprovou a Fiscalização a ocorrência da intenção, do dolo, da Recorrente em sonegar, fraudar ou atuar em conluio, com fins específicos de mitigar ou esconder os tributos devidos. E mais, a Autoridade Fiscal nem ao menos especificou a conduta praticada pela contribuinte, mencionando genericamente que tal conduta se enquadra na definição de sonegação e fraude, aproximando de maneira desleixada, duas ações que a lei fez questão de diferenciar. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 559 13 Importante ressaltar que a conduta reprovável praticada, já foi devidamente apenada pela multa de ofício aplicável ao caso. Não se está aqui, de maneira alguma, deixando de se aplicar a pena legalmente prevista no caso de descumprimento de obrigação tributária, ao reverso, buscase a penalização prevista na legislação. Nesse sentido, corroborase o entendimento da ínclita Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que em recente julgado da CSRF ( Ac. 9202003.764, de 16 de fevereiro de 2016), asseverou sobre o tema: Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizando subterfúgio s escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. É nesse ponto, que não concordo como o posicionamento adotado pela Fazenda Nacional em seu recurso. No presente caso, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte acercado art. 135 do RIR, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do imposto a ser pago. O procedimento adotado pelo contribuinte deuse de forma aberta, inclusive com a prestação dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal." Diante da falta de comprovação de atitude dolosa do contribuinte, no sentido de sonegar ou fraudar, dou provimento ao recurso do contribuinte nessa parte, excluindo do lançamento a multa qualificada. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso para afastada as preliminares de nulidade, no mérito darlhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa qualificada aplicada. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 565DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720511/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDO. MANUTENÇÃO DA GLOSA.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Segundo o art. 80, § 5º, do RIR, as despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AJUSTE. GLOSA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDOS Recorrente AUGUSTO ANTONIO DUARTE Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Segundo o art. 80, § 5º, do RIR, as despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 72 05 11 /2 01 4- 27 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13784.720511/201427 Acórdão n.º 2402005.225 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório O contribuinte sofreu Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2013, anocalendário 2012. Segundo a fiscalização, teria sido constatada: a) dedução indevida de previdência privada, no valor de R$ 3.934,44, pois referente a contribuições à carteira de pecúlio, que não são dedutíveis para fins de apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual da pessoa física; b) dedução indevida a título de despesas médicas, no valor de R$ 12.058,82, pagas à CASSI, pois relativas ao alimentando, sem provas de que este ônus houvesse sido estabelecido em sentença, acordo judicial ou escritura pública; Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: c) concorda com as glosas de despesas com previdência privada, mas que a glosa de despesas médicas se refere à sua ex mulher Marilda de Araújo, pagas em face das normas de Direito de Família, em virtude de sentença judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública em divórcio consensual, e que, por essa razão, é sua dependente. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: d) deve ser mantida a glosa da dedução das despesas médicas do alimentando, pois não comprovada que foram pagas em virtude de sentença, acordo judicial ou escritura pública; e) o oficio que determinou o desconto, em folha, de pensão alimentícia, dirigido à PREVI (fls. 39), nada estabelece quanto às despesas médicas do próprio alimentando, mas apenas menciona as contribuições para o plano de saúde CASSI, para esclarecer que estas parcelas, ao contrário das consignações obrigatórias e das contribuições devidas à própria PREVI, não deveriam ser excluídas para fins de determinação da base de calculo da pensão. Notificado da decisão em 15/01/2015, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/02/2015, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando ainda que: f) a despesa de saúde com a alimentada foi noticiada na petição inicial do processo de divórcio consensual que tramitou perante a Vara de Família Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 e Menores da Comarca de Resende (RJ), sob o n.º 8004/96, com sentença transitada em julgado em 23/07/1996 (fls. 53) É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13784.720511/201427 Acórdão n.º 2402005.225 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Glosa das despesas médicas Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80, caput, do RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (“) (destacouse) Para que seja possível a dedução dos gastos em comento, devem ser preenchidos os requisitos impostos pela legislação. O tema é tratado pelos §§ 1º e 5º do artigo supra mencionado, in verbis: § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (…) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Ainda, o artigo 73 do RIR/99 estabelece que: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Portanto, em análise aos dispositivos acima expostos, concluise que o contribuinte está obrigado a comprovar à autoridade lançadora, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as despesas médicas dedutíveis que foram informadas na Declaração de Ajuste Anual, devendo satisfazer as seguintes condições: a) tratarse de prestação de serviços na área da saúde realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) o beneficiário da prestação ou produto deve ser o contribuinte ou dependentes; c) servir como quitação da obrigação por meio de pagamento realizado pelo contribuinte; d) quanto a despesas médicas dos alimentandos, o pagamento pelo contribuinte deve decorrer de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. No caso dos autos, foi glosada despesa médica no valor total de R$ 12.058,82, paga à CASSI, pois relativas ao alimentando, sem, contudo, haver provas de que este ônus houvesse sido estabelecido em sentença, acordo judicial ou escritura pública (§ 5º do artigo 80 do RIR). Ocorre que, como dito acima, a dedução de despesa médica do alimentando deve decorrer do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ao passo que o acordo de divórcio consensual faz menção apenas à pensão alimentícia, nada especificando quanto às despesas médicas da alimentanda. No âmbito deste Conselho, essa questão tem sido decidida da seguinte forma: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM ALIMENTANDOS. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO JUDICIAL APÓS O LANÇAMENTO FISCAL. A dedução de despesas médicas de alimentandos somente é permitida quando referidos gastos são realizados pelo alimentante em cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente. A homologação que ratifica pagamentos de despesas médicas realizados pelo alimentante em favor do alimentando não constitui direito, na esfera tributária, à dedução da base de cálculo do imposto de renda apurado em data anterior à celebração do aditivo de acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário negado. (Número do Processo 10680.723491/200878, Recurso Voluntário, Data da Sessão 14/08/2014, Relator(a) JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Acórdão nº 22802003.073 (destacou se) Nesse sentido, verificase que a despesa médica em comento não decorreu do cumprimento do acordo homologado judicialmente, conforme argumentado pelo contribuinte, mas sim de mera liberalidade. Ademais disso, os ofícios determinando os descontos dirigidos à PREVI e ao INSS não se referem às despesas médicas, mas à pensão. Por fim, os recibos de fl. 35 são relativos a serviços prestados ao próprio recorrente, e não ao alimentando. Mais ainda, não são relativos à CASSI. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13784.720511/201427 Acórdão n.º 2402005.225 S2C4T2 Fl. 5 7 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 10783.010462/98-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Redatora designada
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Redatora designada (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Redatora designada (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .0 10 46 2/ 98 -1 5 Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1244.466 da 1ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:1998 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vale a transcrição do voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: “O direito creditório em análise nestes autos se refere ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A – pois é este o direito creditório pleiteado neste processo e nos processos anexos, conforme documentos às fls. 687/693. Registrese que, no Parecer Seort nº 018/2003, às fls. 219/243, foram analisados diversos processos de restituição/compensação do interessado (e, portanto, houve a análise de outros créditos que não integram a presente lide). A DRF/Vitória, através do Parecer Seort Despacho Decisório nº 866/2011 (fls. 699/714), elaborado em face da declaração de nulidade da decisão anterior, reconheceu saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A, no valor de R$11.570.082,52. Na manifestação de inconformidade, o interessado não questiona o referido direito creditório. O saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A, tem repercussão em períodos posteriores, como reconhecido nos itens ii e seguintes do Parecer Seort Despacho Decisório nº 866/2011. No entanto, o fato de o saldo de IRPJ apurado em 31/10/1998 afetar o saldo negativo do período de 01/01/1999 a 28/06/1999 (no que diz respeito a dedução do saldo negativo de períodos anteriores) não permite que se estenda a lide a apuração deste, como pretende o interessado, com o exame do IRRF deduzido na apuração do saldo negativo em 28/06/1999. Pelo exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO à manifestação de inconformidade, mantendo o Parecer Seort Despacho Decisório nº 866/2011 (fls. 699/714), posto que não elididos os fatos que lhe deram causa.” A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1244.466 em 23/04/2012 (AR a fls. 920), interpôs, em 21/05/2012, recurso voluntário (doc. a fls. 927 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: “O presente feito e os demais processos a ele ligados representam diversos pedidos de compensação, vinculados a pedidos de restituição de saldos negativos de Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 4 3 IRPJ e de CSLL dos anoscalendario 1997, 1998 e 1999 e de pagamentos indevidos e/ou a maior, que foram inicialmente analisados pelo Parecer Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT n° 18/2003 (fls. 219 e ss.), mediante apreciação dos seguintes processos: (i) 11543.004185/200108; (ii) 10783.003378/9891; (iii) 10783.010462/9815; (iv) 10880.030991/9864; (v) 13808 001348/9830; (vi) 10880.001583/9995 (vii) 11831 000639/9904; (viii) 11543 006996/9931; (ix) 11543 000963/0075; (x) 11543 000153/200125; e (xi) 11543 002089/0029. Em razão do reconhecimento de apenas parte do saldo negativo pleiteado (Retenções de IRPJ e outras deduções que totalizavam R$ 2.796.958,89 fls. 227), o Despacho Decisório que aprovou referido Parecer foi objeto de Manifestação de Inconformidade, rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão atacada por Recurso Voluntario. Ao analisar o feito, o então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, declarou a nulidade da decisão de primeira instância de julgamento e determinou o retorno dos autos a repartição fazendária de origem para que fosse devidamente apurado o direito creditório da ora Recorrente. Assim é que o SEORT expediu os Termos de Intimacao Fiscal n.°s 01/2010 e 02/2010 nestes autos (fls. 570 e 578, respectivamente), os quais foram devidamente atendidos pelo Contribuinte e culminaram no Relatório de Diligência Fiscal de 17/12/2010 (fls. 633), devidamente analisado pela Recorrente em arrazoado apresentado em 29/12/2010. A DRJ/RJ1, por meio de acordão proferido em 24/02/2011 (fls. 683), declarou nulo o Despacho Decisório proferido, bem como todos os demais atos dele decorrentes, dado que não reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado com base nas informações advindas da diligência (fls. 633), além de representar inovação em relação ao despacho decisório anterior aquele, cabendo a repartição de origem nova análise do crédito e pronunciamento inicial a respeito do deferimento ou não dos pedidos de restituição/compensação. Com essa decisão, retomaram os autos ao SEORT da DRF/Vitória para nova apreciação do direito creditório da Recorrente e homologação das compensações realizadas. Ocorre que, afastandose da sabedoria tão peculiar daquele órgão, foi proferido novamente despacho imperfeito (fls. 699), desta vez por omissão, já que apreciou o direito creditório de modo incompleto, ou seja, analisou apenas os créditos formados pelos recolhimentos efetuados e pelos saldos negativos dos anosbase de 1997 e de 1998, silenciandose, erroneamente, quanto ao direito creditório da Recorrente, desde início tratado nestes autos e já parcialmente deferido (fls. 227 e 635/637), relativo ao saldo negativo de IRPJ suportado no primeiro semestre do anocalendario 1999, originariamente de titularidade de Cotia (BR) Serviços e Comércio S/A, sociedade incorporada pela Recorrente em 28/06/1999. Assim, a despeito da sabedoria daquela fiscalização local, e do seu trabalho tão árduo já realizado nestes autos, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade pois não pode se conformar com tal omissão quanta a apreciação de parte do seu direito creditório, pois não há qualquer fundamento que a sustente, tampouco precede a negativa generalizada que foi posta naquela decisão. Entretanto, para a surpresa da ora Recorrente, a D. DRJ, em acordão com voto de meia lauda, houve por bem negar provimento à Manifestação de Inconformidade, mantendo o Parecer SEORT de fls. 699/714, nos seguintes termos: Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 5 4 "O direito creditório em análise nestes autos se refere ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A pois é este o direito creditório pleiteado neste processo e nos processos anexos, conforme documentos às fls. 687/693. Registrese que, no Parecer Seort n° 018/2003, às fls. 219/243, foram analisados diversos processos de restituição/compensação do interessado (e, portanto, houve a análise de outros créditos que não integram a presente lide). (...) No entanto, o fato de o saldo de IRPJ apurado em 31/10/1998 afetar o saldo negativo do período de 01/01/1999 a 28/06/1999 (no que diz respeito a dedução do saldo negativo de períodos anteriores) não permite que se estenda a lide a apuração deste, como pretende o interessado, com o exame do IRRF deduzido na apuração do saldo negativo em 28/06/1999." Ocorre, julgadores, que não há como aceitar a negativa de provimento constante da decisão da DRJ ora recorrida, pois nestes autos, desde a primeira análise do direito creditório da ora Recorrente, a D. Fiscalização, "ex officio", procedeu à análise do seu direito creditório, haja vista ser ele decorrente de incorporação de parte do patrimônio de outra sociedade anteriormente cindida, o que está cabalmente demonstrado, tratado e provado nestes autos, conforme será demonstrado a seguir. Reitera a ora Recorrente que concorda com o crédito já reconhecido até o momento, relativamente aos anos de 1997 e 1998, no que também peca a r. decisão recorrida, que entende se tratar de análise de crédito relativo unicamente ao ano de 1998. DO DIREITO Dos erros em que incorre a decisao recorrida e do merito recursal Primeiramente, cumpre a Recorrente delimitar o objeto de controversia tratada neste recurso. Como ja ficou evidenciado desde a manifestacao de inconformidade apresentada em face do Parecer Seort n° 866/2011, o unico credito de titularidade da Recorrente e que ainda demanda analise nestes autos e aquele concernente ao saldo negativo suportado por pessoa juridica cindida, no primeiro semestre de 1999, cuja parcela de patrimonio foi incorporada pela Recorrente. Ocorre que a decisao da DRJ ora rebatida, alem de ter se equivocado quanto a necessidade de apreciacao do credito relativo ao primeiro semestre de 1999, tambem se equivoca em outros dois momenta, quais sejam: (i) ao delimitar que nestes autos se tratou unicamente do saldo negativo do ano de 1998, quando, em verdade, o Parecer Seort de fls. 699 e seguintes, expressamente, trata do crédito de titularidade da Recorrente relativo aos anos de 1997 e 1998 (vide fls. 706/707 dos autos), bem como que (ii) os documentos acostados às fls. 687/693, retratariam que seria objeto deste feito apenas o saldo negativo de IRPJ apurado em 1998, quando, em verdade, tais páginas retratam cópias extraídas de outros processos, conforme atesta observação manuscrita nas mesmas, além do fato de que, as fls. 128/131 dos autos, a D. Fiscalização capixaba intima a Recorrente para apresentar documentos relativos às compensações e aos créditos referentes aos anos de 1997 a 2000. Diante do quanto ficou fixado acima, acerca dos pontos que não foram compreendidos pela DRJ, passa a Recorrente a demonstrar a necessidade de reforma da decisão recorrida, bem assim a necessidade de se reconhecer, nestes autos, o direito creditório da Recorrente, também relativamente ao primeiro semestre do ano de 1999. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 7 6 VOTO VENCIDO Conselheiro Relator, Alberto Pinto Souza Junior O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 961, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, cabe ressaltar que a questão posta em julgamento reside em saber se o SNIRPJ do período compreendido entre 01/99 a 06/99, reclamado pelo recurso voluntário em tela, é objeto deste processo ou não. Caso entendamos que o SNIRPJ de 01/99 a 06/99 seja objeto deste processo, os autos devem retornar à DRJ, para prosseguimento do feito, caso contrário, a presente decisão deverá concluir pela improcedência do recurso voluntário, por questionar matéria que desborda os limites objetivos da lide. Sustenta a recorrente em sua peça recursal que: “Às fls. 227 destes autos ficou apurada a existência de um saldo negativo de IRPJ no ano de 1999, no montante de R$ 4.870.088,87, este integrado por retenções suportadas no mesmo anocalendário de 1999, no montante de R$ 1.768.382,88, saldo negativos de períodos anteriores e outras deduções. Já na primeira manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente em 09/05/2003, o não reconhecimento de parte do direito creditório em comento residia na demonstração dos saldos credores de IRPJ e CSLL havidos em nome de Cotia (BR) e incorporados pela Recorrente em 28/06/99. Ficou lá evidenciado que o direito creditório pleiteado era composto por retenções de IRPJ, não no valor de R$ 1.768.382,88, mas sim de R$ 7.663.550,20”. Assim, o que a recorrente pleiteia é que se reconheça um IRRF no valor de R$ 7.663.550,20, em vez de R$ 1.768.382,88, no cálculo do SNIRPJ apurado no período de 01/99 a 28/06/1999 (vide tabela a fls. 227). Caso reconhecido o valor do IRRF pleiteado pela recorrente, o SNIRPJ em 28/06/1999 passaria de R$ 4.870.088,87 para o montante de R$ 10.765.256,20. A fls. 2 e segs. destes autos, constam pedidos de compensação/restituição, objetos do presente processo, quais sejam: a) pedido a fls. 2, cujo o crédito a compensar declarado é no valor de R$ 12.840.673,64, mas o contribuinte não informa o código do tributo relativo ao indébito a compensar; b) pedido de restituição a fls. 4, apresentado em 30/12/1998, no qual o contribuinte reclama a restituição de imposto de renda retido a maior e informa que junta, em anexo, cópia das declarações de IRPJ, sendo que a fls. 17, consta o recibo da declaração do AC 1998; Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 8 7 c) pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros a fls. 51, no qual o contribuinte informa que o crédito é objeto de pedido de restituição nos autos do PAFs 10783010462/9815 (estes autos) e 10783007734/9845. Por sua vez, cabe salientar que, como ressaltado pelo próprio recorrente, o Parecer SEORT n° 18/2003 não apreciou apenas o direito creditório de que trata este processo, mas também aqueles discutidos nos seguintes processos: 11543.004185/200108; 10783.003378/9891; 10880.030991/9864; 13808 001348/9830; 10880.001583/9995; 11831000639/9904; 11543 006996/9931; 11543 000963/0075; (x) 11543 000153/200125; e 11543 002089/0029. Cada um desses PAF foi objeto de um capítulo do Parecer Seort, sendo que vale a transcrição do seguinte excerto do Parecer Seort n° 18/2003, in verbis: a) quanto a estes autos, diz o referido Parecer: “ANÁLISE I/B – Processo nº 10783.010462/9815 – Crédito de IRPJ de Cotia (BR) Serviços e Comércio S/A – DIRPJ/99 – AnoCalendário 1998 14. À fl. 01, a empresa pleiteia um crédito de IRPJ, no valor de R$ 12.840.673,64, originado da apuração de resultado, por ocasião da cisão parcial de seu patrimônio, em favor de Cotia Trading S/A, conforme dado a conhecer na fase introdutória deste documento, para compensação com os débitos abaixo:...” b) quanto ao PAF nº 11831.00639/9904, o Parecer informa que: “41. Neste processo, à fl. 1, a interessada alega, para a compensação, um crédito no valor de R$ 5.245.767,77 (...), decorrente de recolhimento indevido da COFINS apurada em 03/99, com vencimento em 09/04/99, no valor de R$ 5.010.762,99...Para a compensação de tais valores, além do crédito de R$ 5.010.762,99, referente à COFINS de 03/99, adicionouse o saldo remanescente de CSLL apurada em 31/12/98, após as compensações do processo nº 10880.001583/9995, no valor de R$ 555.840,93 (vide parágrafos 47 e 48), bem como os saldos credores de IRPJ/CSLL pertecentes à COTIA (BR) SERV COM S/A, apurados em 06/99 – momento de sua incorporação – nos valores respectivos de R$ 4.870.088,87...”. Diante do exposto, fica evidente que o SNIRPJ apurado entre 01/99 a 06/99 não é objeto deste processo e que só poderia ser discutido nos autos do PAF nº 11831.00639/9904, conforme acima evidenciado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 9 8 VOTO VENCEDOR Conselheira Ana de Barros Fernandes, redatora designada Em que pese a convicção formada do Conselheiro Relator no fato de que a recorrente está a pleitear nos presentes autos crédito tributário objeto de outro processo administrativo, especificamente nos autos nº 11831.000639/9904, tratandose, portanto, de matéria estranha a lide, este colegiado ponderou sobre a possibilidade efetiva de aquele crédito, inicialmente tratado em outro processo administrativo fiscal, de haver sido transferido e tratado pela autoridade administrativa a quo nos presentes autos. Pela segurança jurídica a ser aplicada nesta decisão, deliberou a maioria, então, sobre a conveniência de remeter os presentes autos à unidade da jurisdição da recorrente para que: 1) esclareça sobre o resultado final, no mérito, do litígio tratado no processo administrativo fiscal nº 11831.000639/9904; 2) remetase o referido processo a esta turma julgadora, procedendose à sua apensação a este, a fim que se prossiga ao julgamento deste litígio. A autoridade designada ao cumprimento das diligências deverá lavrar um Relatório Fiscal explicitando à recorrente o resultado final, no mérito, do litígio tratado no processo administrativo fiscal nº 11831.000639/9904. A recorrente deverá tomar ciência deste Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo regulamentar para se manifestar, se desejar. Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar ao Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13603.723589/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF 13603.720845/201210, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 32, de 08/06/2012.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 644 1 643 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.723589/201212 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.495 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de março de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ARTEFATOS DE SERVIÇOS LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF 13603.720845/201210, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 32, de 08/06/2012. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 23 58 9/ 20 12 -1 2 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 645 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data de lavratura do Auto de Infração: 06/11/2012. Data da ciência do Auto de Infração: 21/11/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.342.4698, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, contratados, porém, por intermédio de interposta pessoa, optante do Simples Nacional, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 675/703. De acordo com a Resenha Fiscal, mediante procedimento de auditoria realizada na empresa Autuada Artefatos Serviços Ltda, doravante Artefatos, optante do Simples Nacional, a Fiscalização constatou que os sócios desta constituíram a Pessoa Jurídica Artefatos de Chapas Indústria e Comércio S/A, sem nenhum empregado, para abrigar o faturamento do grupo econômico constituído pelas duas empresas em realce. Consta dos autos que o sujeito passivo foi excluído do Simples Nacional, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 32, de 8/6/2012, a fl. 161 do PAF nº 13603.720.845/201210, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, publicado no Diário Oficial da União em 22/6/2012, nos autos do Processo Administrativo nº 13603.720.845/201210, com efeitos retroativos a 01/01/2007, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V e artigo 17, inciso XII, ambos da Lei Complementar 123 de 14/12/2006. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da empresa Artefatos de Chapas Indústria e Comércio S/A, a fl. 63/64, por ter a Fiscalização constatado a existência de grupo econômico de fato, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa, a fls. 164/180. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0245.381 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 255/262, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi intimado da Decisão de 1ª Instância no dia 15/07/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 264. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 646 3 Inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo principal interpôs Recurso Voluntário a fls. 269/277 e 459/467, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade da Decisão de 1ª Instância, pela necessidade de análise dos fundamentos do lançamento; · Que interpôs Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 32, de 8/6/2012, no Processo Tributário Administrativo n° 13603.720.845/201210, e que o presente lançamento deveria aguardar o desfecho do julgamento da Exclusão do Simples Nacional para ser levado a cabo, quando muito ser efetuado o lançamento e, imediatamente, sobrestado até o desfecho daquele feito na esfera administrativa; · Que a exclusão do Recorrente do Simples Nacional somente pode surtir efeitos a partir de Janeiro de 2009; · Que os valores utilizados pelo Auditor Fiscal como base de cálculo do lançamento ora combatido são muito superiores aos valores constantes da documentação da Recorrente; Ao fim, requer o provimento do Recurso Voluntário . Fl. 647DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 647 4 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 15/07/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 12/08/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO O Recorrente argumenta ter interposto Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 32, de 8/6/2012, no Processo Tributário Administrativo n° 13603.720.845/201210, e que o presente lançamento deveria aguardar o desfecho do julgamento da Exclusão do Simples Nacional para ser levado a cabo, quando muito ser efetuado o lançamento e, imediatamente, sobrestado até o desfecho daquele feito na esfera administrativa; A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O Ato Declaratório Executivo nº 32/2012 acima referido foi impugnado pela Interessada, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13603.720.845/201210, no qual se analisa o mérito do ADE nº 32/2012, bem como a manutenção da empresa em tela ao albergue do mencionado sistema simplificado de tributação. Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento PAF nº 13603.720.845/201210, no qual se debate a manutenção da empresa em tela no SIMPLES NACIONAL. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pugnamos pela conversão do julgamento do presente feito em diligência fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13603.720845/201210, suso citado, devendo a diligência ora requestada ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado. PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS, A PRESENTE DILIGÊNCIA FISCAL DEVE SER CONCLUÍDA SOMENTE APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTERPOSTA PELO AUTUADO EM FACE Fl. 648DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 648 5 DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 32/2012, E OS PRESENTES AUTOS RETORNADOS A ESTE COLEGIADO, TÃO SOMENTE, COM A JUNTADA AO VERTENTE PROCESSO DE CÓPIA DA DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Nº 13603.720845/201210. Em segundo lugar, o Recorrente fez acostar a fls. 480/642 cópias de resumos de folhas de pagamento, mediante as quais ele pretende demonstrar que a base de cálculo utilizada no lançamento foi superior àquela efetivamente paga pela empresa. Em razão da impossibilidade deste subscritor de apurar a fidedignidade das alegações ora suscitadas, pautamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal para que a Fiscalização se manifeste, DE MANEIRA CONCLUSIVA, a respeito das alegações de defesa acima apontadas, bem como a respeito dos documentos acostados pelo Autuado a fls. 480/642. Além disso, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13603.720845/201210, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço, bem como para que a Fiscalização se manifeste, de maneira conclusiva, a respeito das alegações de defesa e dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 480/642. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000428/2010-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%.
Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado.
MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. REsp nº 932.012 STJ representativo de controvérsia. Súmula STJ nº 554.
Recurso Especial da Fazenda Provido.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, conhecer, por unanimidade, o Recurso Especial do Contribuinte, e conhecer, por voto de qualidade, o Recurso Especial da Fazenda, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura. No mérito, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros, Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão Declaração de Voto.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ MENDES MOURA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. REsp nº 932.012 STJ representativo de controvérsia. Súmula STJ nº 554. Recurso Especial da Fazenda Provido. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer, por unanimidade, o Recurso Especial do Contribuinte, e conhecer, por voto de qualidade, o Recurso Especial da Fazenda, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura. No mérito, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 28 /2 01 0- 61 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 633 2 vencidos os Conselheiros, Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão Declaração de Voto. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA Relatora (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES MOURA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL pela compensação de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativas, à ocasião da cisão total da VBC Participações S.A., seguida da incorporação de um terço da empresa cindida pela Camargo Correa Energia S/A, sem a observância do limite de 30% (trinta por cento) em 28/11/2006. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo julgou procedente o lançamento tributário, em acórdão assim ementado (fls. 516/523): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006' Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 634 3 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CALCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO EMPRESARIAL. A sucessora responde pela multa de oficio decorrente de infração cometida pela sucedida quando se tratar de empresas do mesmo grupo econômico, ainda que lançada posteriormente ao evento societário, já que tinha conhecimento prévio da situação que levou à autuação fiscal. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho deu parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a multa de ofício, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial em 26/08/2014 requerendo a manutenção da multa de ofício imposta à sucessora, apontando como paradigmas os acórdãos: (i) 9303001863, que consignou entendimento que “Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades)”; (ii) CSRF/0202.396, do qual se extrai: “Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O Fl. 634DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 635 4 direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada”. A Camargo Corrêa Energia S/A apresentou contrarrazões a este recurso, requerendo o não conhecimento do recurso, pois (i) a matéria estaria superada pela Súmula CARF nº 47; (ii) o "primeiro acórdão paradigma" (CSRF 0202396) trataria de caso em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida, fato distinto do presente; (iii) o acórdão 9303001863 não serviria para demonstração de divergência, tendo em vista que ainda não publicado, ou sequer sua ementa; (iv) mesmo se considerado o acórdão 9303001863 (publicado depois da interposição do recurso), não haveria similitude fática entre os casos; (v) não teria havido prequestionamento da matéria alegada em recurso; (vi) no mérito, sustenta a improcedência do recurso, pleiteando a aplicação do artigo 76, da Lei nº 4.502/64; (vii) requer o afastamento dos juros sobre a multa de ofício. Sendo intimada em 23/06/2015 quanto a este acórdão, a Camargo Corrêa Energia S/A interpôs recurso especial em 07/07/2015, no qual sustenta divergência quanto à limitação de 30% na compensação de prejuízo fiscal, indicando como paradigma os seguintes acórdãos (i) 110300619, do qual consta que “Diante da ‘morte’ da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo” e (ii) 0003001093, no qual foi decidido que “a regra da ‘trava’, portanto, tem seu sentido equacionado na persistência da periodicidade e, assim, da interperiodicidade – no tempo, jamais no não tempo da empresa.”. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial, requerendo fosse negado provimento ao recurso especial (fls. 621/629). Os recursos especiais foram admitidos, conforme despacho às fls. 320/322 e 615/619. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Recurso Especial da Camargo Corrêa Conheço do recurso especial da contribuinte, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Passo à análise do seu mérito. A possibilidade de compensação de prejuízos fiscais é regulada pelo artigo 6º, §3º, alínea c, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 636 5 a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. A Lei nº 8.981/1995 estabeleceu que a redução a ser procedida estaria limitada ao máximo de 30%, tratando também da possibilidade de utilização dos prejuízos acumulados nos anoscalendário subsequentes: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. A Lei nº 9.065/1995 também delimitou a compensação do prejuízo fiscal, para definir como limite máximo 30% do lucro líquido ajustado: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. A limitação de 30% na compensação de prejuízos é reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), verbis: Art. 250.Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): (...) III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, Fl. 636DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 637 6 cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1ºO disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2ºOs saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3ºO limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. Outrossim, sobreleva considerar que a hipótese de incorporação, há outros dispositivos legais relevantes a serem considerados, como o artigo 33, do DecretoLei nº 2.341/1.987, que expressamente autoriza que a sucessora por incorporação compense os prejuízos fiscais da sucedida: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Referida disposição legal, foi também reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999, artigo 514), nos exatos termos constantes do Decreto Lei. A autorização para compensação integral dos prejuízos, na hipótese de incorporação, tem relação com a sucessão de direitos e obrigações da incorporada pela incorporadora, como tratam os artigos 227, da Lei nº 6.404/1964 e 1.116, do Código Civil. Afinal, se a incorporadora não puder aproveitar todo o prejuízo detido pela incorporada, não haverá a plena sucessão de direitos e obrigações. A garantia da integral compensação de prejuízos à incorporadora respeita, ainda, o conceito de lucro firmado no artigo 43, do Código Tributário Nacional, impossibilitando que patrimônio da incorporada seja objeto de tributação pelo Imposto sobre a Renda. Portanto, entendo que a compensação de prejuízos fiscais, no caso de incorporação, não está limitada ao percentual de 30%. É importante lembrar que o Supremo Tribunal Federal analisou a limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais, concluindo pela sua constitucionalidade, no acórdão cujas ementas são a seguir reproduzidas: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO Fl. 637DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 638 7 DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Tribunal Pleno, DJe 27/08/2009) DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. (RE 545.308, Tribunal Pleno, DJe 25/03/2010) Ademais, há decisão do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a repercussão geral da matéria: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (RE 591.340, DJe 06/11/2008) Não obstante o reconhecimento de repercussão geral, inexiste decisão definitiva que tenha reconhecido a constitucionalidade da limitação de 30%, para compensação de prejuízos fiscais, submetida ao rito do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Acrescentese que as decisões anteriormente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal não são vinculantes para os julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, além disso, estas decisões não trataram da incorporação de pessoa jurídica, situação peculiar que há de ser enfrentada de forma distinta daquelas apreciadas pelo Supremo Tribunal Federal, conforme transcrição supra. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 639 8 Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso especial da Camargo Corrêa Energia S/A para reconhecer a legitimidade da compensação de prejuízos fiscais em percentual superior aos 30% (trinta por cento), reformando a decisão recorrida e cancelando o auto de infração. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional A contribuinte Recorrida requer o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, tendo diferentes argumentos, que serão analisados a seguir. Primeiramente, rejeito o pedido de não conhecimento do recurso especial por falta de prequestionamento, eis que o Regimento Interno deste Conselho (Portaria 343/2015) expressamente apenas exige a "demonstração precisa" do prequestionamento com relação aos recursos interpostos pelo contribuinte: Art. 67 (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Em sentido similar, previa o Regimento Interno anterior (Portaria 256/2009): Art. 67. (...) § 3º O recurso especial interposto pela contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Em que pese não seja exigida a "demonstração precisa" do prequestionamento pela Procuradoria da Fazenda Nacional, é fundamental que a questão tratada em seu recurso conste das decisões de instâncias inferiores. Afinal, não seria possível a inovação a respeito dos temas debatidos nos autos em sede de recurso especial, nem mesmo pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No caso destes autos consta do acórdão recorrido expressa análise da responsabilidade tributária da sucessora, verbis: "Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." Diante disso, rejeito o requerimento de não conhecimento do recurso por falta de prequestionamento da matéria. Passo à análise do conhecimento quanto aos dois primeiros acórdãos paradigmas identificados no recurso especial, qual sejam, 9303001863 e 201125461. Acórdão 9303001863 A Recorrida alega que o Acórdão 9303001863 não serviria para demonstração de divergência, tendo em vista que ainda não publicado. Além disso, que não haveria similitude fática entre os casos, tendo em vista que a multa de ofício teria sido aplicada à sucessora que era do mesmo grupo econômico que a sucedida. Destaquese a ementa do citado paradigma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 22/12/2000 a 16/01/2001 IOF CÂMBIO OPERAÇÕES COM TBILLS. INCIDÊNCIA Fl. 639DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 640 9 O tipo tributário do IOFCâmbio não restringe a incidência do imposto à entrega física de moeda estrangeira ou nacional, tampouco exige que haja liquidação de contrato de câmbio. O campo de incidência é mais amplo e alcança as operações em que a entrega da moeda é feita por meio de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado. Inegavelmente, TBills são títulos representativos de moeda estrangeira. Sua compra e venda, portanto, configura operação de câmbio, tributada por esse imposto federal. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades). Rejeito o argumento de que não haveria publicação do acórdão, eis que este paradigma foi devidamente autenticado em 27/12/2012, assinado digitalmente em 18/04/2013 pelo então Presidente da CSRF. De toda forma, pondero que até a presente data este acórdão não consta no acesso ao sítio do CARF, como tampouco sua ementa. No entanto, não conheço da divergência apontada em recurso especial, diante da alegada falta de similitude fática, tendo em vista a relevância como será melhor explicitado ao longo deste voto da existência de controle comum para atribuição de responsabilidade à sucessora. Ressalvo que este não é o entendimento majoritário desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme julgamentos realizados nas sessões de julgamento de janeiro e fevereiro deste ano. Acórdão CSRF 0202396 A Recorrida sustenta que o acórdão (CSRF 0202396) trataria de caso em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida, fato distinto do presente. O acórdão acima referido foi proferido nos autos do processo nº 10675.003550/200271. É importante contextualizar referido julgamento. Este acórdão identificado como paradigma foi proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contendo a seguinte ementa: COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporada conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. Recurso especial negado. A falta de similitude fática apontada pela Recorrida eis que este acórdão trata de situação fática em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida é Fl. 640DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 641 10 bastante relevante para o julgamento da demanda, mas não me parece seja o entendimento predominante desta Turma. Afinal, em julgamentos precedentes, decidiuse que para o julgamento da responsabilidade da sucessora é irrelevante a existência de controle comum. De toda forma, ressalvo meu entendimento pessoal pela impossibilidade de conhecimento de recursos em que o acórdão paradigma trata de pessoas jurídicas com controle comum, quando o acórdão recorrido expressamente reconhece que: "o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." Diante disso, não conheço da divergência apontada quanto ao acórdão CSRF 0202396. Mérito do Recurso Especial da Procuradoria Caso conhecido o recurso a esse respeito, passo a apreciar o seu mérito. A respeito da discussão sobre a possibilidade de responsabilização tributária do sucessor pelas multas da empresa incorporada, entendo que este Conselho está adstrito à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial regido pelo artigo 543C, do Código de Processo Civil, por força do artigo 62, II, b, do Regimento Interno deste Conselho (Portaria nº 343/2015). Sobreleva destacar o teor da decisão do Superior Tribunal de Justiça a esse respeito, que teve trânsito em julgado em 04/06/2013: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/Jimmy1995 11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas Fl. 641DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 642 11 de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) 3. A base de cálculo possível do ICMS nas operações mercantis, à luz do texto constitucional, é o valor da operação mercantil efetivamente realizada ou, consoante o artigo 13, inciso I, da Lei Complementar n.º 87/96, "o valor de que decorrer a saída da mercadoria". 4. Desta sorte, afigurase inconteste que o ICMS descaracteriza se acaso integrarem sua base de cálculo elementos estranhos à operação mercantil realizada, como, por exemplo, o valor intrínseco dos bens entregues por fabricante à empresa atacadista, a título de bonificação, ou seja, sem a efetiva cobrança de um preço sobre os mesmos. (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 923.012, Primeira Seção, DJe 24/06/2010) A questão foi ainda consolidada em Enunciado nº 554 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. É importante anotar que a Turma a quo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais explicita que não comprovado pela fiscalização o controle comum entre a sucedida e a sucessora, como se verifica em sua ementa: SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. A questão foi formalizada na Súmula nº 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que prescreve: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Lembrese que os Conselheiros do CARF são obrigados a observar as suas súmulas, como também as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgadas na sistemática do artigo 543C, nos termos dos artigos 45, VI e 62, § 2º, do Regimento Interno atual: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 643 12 VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Art. 62.. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse panorama, fazse necessário apreciar a aplicabilidade da decisão do Superior Tribunal de Justiça que atribui ao sucessor a responsabilidade tributária ou da súmula deste Conselho que afasta a responsabilidade do sucessor considerando o caso dos autos. Pondero que a decisão do Superior Tribunal de Justiça, embora tenha analisado a responsabilidade tributária tratada pelo artigo 132, do CTN, não avaliou a relevância do controle comum para atribuição desta responsabilidade; enquanto a Súmula CARF 47 fundase exatamente na presunção de responsabilidade quando há controle comum. E, a contrariu sensu, a Súmula CARF afasta a responsabilidade tributária quando inexiste controle comum, como também interpretou a Turma Ordinária prolatora do acórdão recorrido. É importante também consignar que o julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça tem devolutividade limitada ao quanto decidido pelo acórdão recorrido, observandose o prequestionamento da matéria. E de acordo com o relatório do acórdão cuja ementa se transcreveu acima, aparentemente não foi tratada a questão do controle comum para julgamento a respeito da responsabilidade regida pelo artigo 132, do CTN, tanto pelo acórdão recorrido, quanto em recurso apresentado pela responsável naquele processo. Com efeito, está transcrito no relatório do acórdão do STJ trecho do acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: Apelação. Ação ordinária. Pretensão de não incluir na base de cálculo do ICMS os valores dados em bonificação. Não comprovado que as bonificações foram incondicionais, devem ser incluídos os respectivos valores na base de cálculo. Impõese à sucessora a obrigação de pagar as multas impostas à antecessora. Ação improcedente. Sentença mantida Também foram sintetizadas as razões do recurso especial: Nas razões recursais, alegouse violação dos arts. 12 e 13 da LC 87/96, porquanto os valores não recebidos efetivamente pela recorrente, como são os descontos incondicionais, não podem integrar a base de cálculo do tributo, porquanto não correspondem ao preço praticado na operação mercantil. Nesse ponto, mostrase ilegal a legislação estadual que prevê contrariamente ao disposto na LC 87/96, havendo conflito entre as referidas leis. Outrossim, alegou que o Tribunal não atentou para as provas produzidas nos autos quanto ao fato de que as bonificações concedidas não se subordinam a qualquer evento futuro ou incerto. Aventou dissídio jurisprudencial com arestos deste Tribunal Superior. Alternativamente, postulou pela exclusão das multas punitivas aplicadas à empresa incorporada, porquanto a empresa sucessora apenas deve responder pelos tributos da sucedida, consoante precedentes Fl. 643DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 644 13 jurisprudenciais trazidos à colação para fundamentar o dissídio alegado. Nesse contexto, a decisão do Superior Tribunal de Justiça não avaliou a questão fulcral que fundamenta a Súmula CARF 47, que é a existência ou não de controle comum para justificar a responsabilização tributária na forma do artigo 132, do CTN. Assim, entendo aplicável a Súmula CARF 47 ao caso dos autos, para o fim de negativa de provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional neste ponto. É importante anotar que o E. Superior Tribunal de Justiça julgou embargos de declaração nos autos do Recurso ESpecial nº 923.012, rejeitandoos, conforme ementa transcrita a seguir: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo que o recurso de embargos de declaração, desafiado contra decisão judicial monocrática ou colegiada, se subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um destes requisitos: (a) obscuridade, (b) contradição ou (c) omissão, querendo isso dizer que, se a decisão embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido. Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade da observância rigorosa desses chamados pressupostos processuais, muito menos usar o recurso como forma de reversão pura e simples da conclusão do julgado. 2. As omissões e contradições apontadas, em verdade, não ocorreram; o que se constata é que o contribuinte pretende reverter o resultado do julgamento, tentando fazer prevalecer seu ponto de vista sobre os temas discutidos. 3. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do ICMS das mercadorias dadas em bonificação, restou assentado pelo acórdão recorrido, consoante trecho transcrito no aresto ora embargado, que somente os descontos incondicionais estão livres de integrar a base de cálculo do imposto, e que a empresa não fez qualquer prova de que as bonificações concedidas foram dadas dessa forma, ou seja, sem vinculação a qualquer tipo de condição; esse entendimento não diverge daquele assentado em inúmeros julgados desta Corte. 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que Fl. 644DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 645 14 se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. (EDcl no REsp 923012, DJe 24/04/2013) Notese que os embargos declaratórios foram rejeitados, por entender a Primeira Seção do STJ que inexistiria omissão ou contradição no acórdão embargado. A respeito do assunto, são precisas as lições de Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery: "Providos os embargos fundados na omissão da decisão, está é completada pela decisão de acolhimento dos embargos, que passa a integrála. Quando a questão for de direito dispositivo, a cujo respeito se exige a iniciativa da parte, e não tiver sido arguída na forma e prazo legais, o juízo ou tributal não tem, em princípio, dever de pronunciarse sobre ela. Assim, neste último caso, são inadmissíveis os Edcl porque nõa houve omissão" (Código de Processo Civil Comentado, 13ª edição, 2013, RT, p. 1084). A decisão de embargos de declaração que os rejeita como ocorrido nos autos do Recurso Especial nº 923.012 , por não ser reconhecida qualquer omissão ou contradição, não integra a decisão embargada; diferentemente daquela decisão que acolhe os embargos. Aliás, nos termos do Código de Processo Civil, não se atribui os efeitos da coisa julgada aos motivos da decisão: Art. 469. Não fazem coisa julgada: I. os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença Também por isso, os motivos que levaram a Primeira Seção do STJ a decidir pela rejeição dos embargos de declaração são irrelevantes para o fim de determinar o alcance do acórdão prolatado no Recurso Especial nº 923.012 na forma do artigo 543C. Se o Código de Processo Civil explicitamente veda que os motivos da decisão façam coisa julgada (em princípio entre as partes, conforme artigo 472, do CPC), com mais razão não se admite a atribuição de tais efeitos a terceiros, por força do artigo 543C. Diante disso, a menção na motivação de acórdão de embargos de declaração à irrelevância do fato de já estar "formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa" serviu apenas para justificar, pela Primeira Seção do STJ, a inocorrência de omissão ou contradição no acórdão. E, assim, confirmar o entendimento manifestado no presente voto: que aquela fundamentação não altera o julgamento do recurso especial e apenas confirma que a existência de controle comum não foi tratada naquele processo pelas vias cabíveis. Por fim, aplico ao presente caso a disposição do artigo 76, da Lei nº 4.502/1964, que dispõe: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) Fl. 645DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 646 15 II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; Extraio do voto vista do Conselheiro Luis Flávio Neto, nos autos do processo nº 19515.006116/200846, acórdão n. 9101002.226, trecho relevante para análise do tema: No âmbito do CARF, é possível divisar dois momentos distintos em sua jurisprudência. A primeira compreende o período entre 2001 e 2009, enquanto que a segunda teve início em meados de 2009/2010. No acórdão n. 10806682, de 20.9.2001, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, julgou ser válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “INCORPORAÇÃO — DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA — LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a . norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Ainda em 2001, o acórdão n. 10193438, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou que a compensação dos prejuízos, mesmo na hipótese de extinção por incorporação, deveria respeitar a “trava dos 30%”: “IRPJ COMPESAÇÃO DE PREJUÍZOS A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIAPOSTERGAÇÃO — Não há previsão legal para exigência de multa de mora sobre o imposto postergado MULTA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO — Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação.” A incipiente divergência foi sufragada logo em 2002, quando a CSRF julgou a questão. Assim, no acórdão n. 0104258, de 2.12.2002, a CSRF, por maioria, julgou válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 647 16 “COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada.” As decisões que se seguiram, tanto das Turmas Ordinárias quanto da CSRF, navegaram em águas tranquilas, firmes na compreensão de que seria válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação. Por unanimidade, o acórdão da CSRF n. 01 05100, de 19.10.2004, confirmou tal entendimento: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal.” (...) Em 02.10.2009, por voto de qualidade, a CSRF alterou esse entendimento até então corrente, como se observa no acórdão n. 910100401: IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Por fim, no julgamento do recurso especial objeto desta declaração de voto, realizado em fevereiro de 2016, novamente a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) pela não observância da “trava de 30%”, ainda que o contribuinte tenha sido extinto por incorporação. Com efeito, o acórdão n. 910100401, proferido nos autos do processo n. 13807.003133/200436, alterou o entendimento da última instância administrativa para então julgar indevida a compensação de prejuízo fiscal acima do limite de 30 por cento na hipótese de encerramento das atividades. Este acórdão foi publicado em 02/10/2009, segundo informações do sitio do CARF. Depois deste julgamento, não foi publicado nenhum outro acórdão entre a data de sua publicação e a ciência do auto de infração em 17/03/2010. Especificamente quanto ao julgamento nos autos do processo n. 13807.003133/200436, alega a Recorrida que teriam sido apresentados embargos de declaração e que, portanto, este julgamento não produziria efeitos antes do julgamentos destes embargos. Efetivamente, consultando o site do CARF, confirmo que não foi proferido julgamento quanto a tais embargos até 17/03/2015, assistindo razão ao Recorrido. Sobre efeito suspensivo dos embargos, destaco doutrina: "A eficácia da deisão embargada fica suspensa pela sua recorribilidade por EDcl, vale dizer, não se admite a execução da decisão que pode ser embargada pelo recurso de EDcl. Com Fl. 647DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 648 17 muito maior razão, não se pode executar a decisão que foi efetivamente impugnada pelo recurso de EDcl." Nery Junior, p. 1091 "Sendo da própria índole dos EDcl o aperfeiçoamento da decisão embargada, não se pode executála antes da correção porque de difícil compreensão e, se executada, disso poderiam advir 'perigosos efeitos práticos'" (Humberto Theodoro Júnior, RF 355/79, n. 7) Diante disso, entendo que entre a ocorrência dos fatos geradores em discussão nestes autos e a ciência do auto de infração (17/03/2010) inexistia decisão de última instância administrativa irrecorrível EFICAZ, razão pela qual aplico o artigo 76, da Lei 4502. Por tais razões, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, aplicando a Súmula CARF 47 e o artigo 76, da Lei nº 4.502. Conclusão Pelas razões expostas, voto por não conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo. No mérito, voto por dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo, reconhecendo a legitimidade de compensação da integralidade de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas e negar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional aplicando a Súmula CARF 47 e o artigo 76, da Lei 4502, para afastar a multa de ofício imposta à sucessora. Caso vencida quanto ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, voto por baixar os autos à Turma Ordinária para julgamento da alegação de não incidência de juros sobre a multa. É como voto. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes Mora, Redator Designado Não obstante as considerações da I. Relatora, tão bem expostas ao Colegiado, no qual a acompanho para conhecer o recurso especial da Contribuinte, peço vênia para divergir das demais conclusões do voto, sobre os seguintes pontos: (1) admissibilidade do recurso da PGFN; (2) análise do mérito do recurso da Contribuinte, sobre aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais no evento de incorporação e (3) análise do mérito do recurso da PGFN sobre a aplicação de multa de ofício à sucessora por infração cometida pela sucedida. 1. Admissibilidade do Recurso da PGFN Votou a I. Relatora no sentido de não conhecer o Recurso da PGFN. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 649 18 Foram apresentados dois paradigmas, acórdãos nº 9303001.863 e CSRF 02 02.396, a respeito da matéria "multa de ofício na sucessão empresarial com lançamento fiscal posterior ao evento societário". Em relação ao voto vencido, remanesceram pontos dos quais entendo que devem ser enfrentados sob uma outra perspectiva: (1) que a matéria estaria superada pela Súmula CARF nº 47; (2) que os acórdãos paradigma tratariam de situações sem similitude fática com a decisão recorrida, inclusive envolvendo caso em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida. Em relação à Súmula CARF nº 47, restou claro que foi aplicada a contrario sensu na decisão recorrida. Vale transcrever excerto do voto: 3) Da Responsabilidade sobre a Multa de Ofício No que concerne à multa de ofício há que se notar que seu lançamento foi efetuado somente após o evento da cisão total da empresa VBC Participações S/A. Como é cediço, este Conselho pacificou entendimento segundo o qual, havendo o lançamento sido realizado somente após a ocorrência da sucessão, a sucessora não responde pela multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, exceto se restar provado que ambas estavam sob controle comum, ou que pertenciam a um mesmo grupo econômico, fato que, no caso sob exame, sequer chegou a ser levantado, seja pela autoridade lançadora, seja pela PGFN em suas contrarrazões ao recurso voluntário. Em sendo assim, incide no caso, a contrario sensu, o disposto na Súmula nº 47 de Colegiado, que assim estabelece (DOU de 09/12/2010): (...)” (grifei) Ora, não há qualquer previsão regimental para vincular interpretação do caso concreto que entende pela aplicação sumular em via inversa, não direta, a contrario sensu. Mostrase clara disposição do RICARF, Anexo II, art. 67, §3º: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vale transcrever a redação da súmula: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado Fl. 649DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 650 19 que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. O entendimento da súmula reflete o que se encontra pacificado no Tribunal, qual seja, que é cabível a aplicação da multa de ofício em debate quando restar comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. A aplicação do direito em tal situação encontrase consolidada. Por outro lado, não há nada que possa infirmar que se encontra pacificada interpretação tratando de cenário no qual as sociedades não estejam sob controle comum ou pertençam ao mesmo grupo econômico. Tanto que a situação não é abrangida pela súmula, que o debate no âmbito do CARF permanece, no âmbito dos presentes autos, na decisão recorrida e nos paradigmas apresentados. Entendo, portanto, superado óbice levantado em relação à Súmula CARF nº 47. Em relação à pretensa falta de similitude fática entre a decisão recorrida e os paradigmas, os argumentos da Contribuinte não procedem. O que se aprecia é se a decisão recorrida deu legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, conforme caput do art. 67, Anexo II do RICARF. A norma em apreciação é o art. 132 do CTN, e sobre ela devese debruçar a análise que, conforme interpretação a ser dada, poderá recorrer a outros dispositivos legais. Tomandose por base o acórdão paradigma CSRF/0202.396, constatase que a decisão que considerou que a sucessora responde por multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida antes da sucessão, sem mais nenhuma condição para a responsabilização pela multa de ofício aplicada. Por sua vez, ao discorrer sobre situação no qual sucessora e sucedida são do mesmo grupo empresarial, entendeu que tal cenário só serve para ratificar a responsabilização tributária. Basta observar o excerto do voto paradigma: Melhor sorte não merece os argumentos de defesa no tocante à responsabilidade da sucessora (incorporadora) por infrações fiscais cometidas pela sucedida, pois o direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades). Esta questão foi muito bem enfrentada por Marcus Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso que deu origem ao Acórdão 202.11845, transcrito pela Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no voto condutor do Acórdão n° que, em virtude da similitude com a questão aqui tratada, com os devidos agradecimentos aos ilustres conselheiros, peço licença para transcrever e adotar excertos do desse acórdão como minhas razões de decidir: (...) Não fossem as razões aposta linhas acima suficientes para demonstrar a procedência da multa de oficio na empresa incorporadora, a ata sumária da assembléia geral extraordinária realizada em 30 de agosto de 2.002, cópia às fls. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 651 20 213 a 219, põe, a meu ver, pá de cal na discussão, pois, conforme consta desse documento, a incorporadora era acionista controladora da incorporada, com participação superior a 99,99% das ações do capital dessa empresa, o que implica em dizer que todos os atos praticados pela incorporadora era, ao menos indiretamente, de responsabilidade da hoje incorporadora, a qual detinha o controle total da administração da incorporada. Diante disso, não consigo vislumbrar qualquer possibilidade de excluir a reclamante do pólo passivo da obrigação tributária ora em exame. (grifei) E, demonstrada a divergência entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma CSRF 0202396, tornase prescindível apreciação do outro paradigma 9303 001.863. Assim sendo, preenchidos os requisitos para exame de admissibilidade, demonstrada a divergência entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma CSRF 0202396, voto no sentido de conhecer o recurso de PGFN. 2. Mérito do Recurso da Contribuinte. Aplicação da Trava de 30% no Evento de Incorporação. Votou a I. Relatora no sentido de dar provimento ao recurso da Contribuinte, posicionamento do qual peço vênia para discordar. Isso porque, sobre a matéria aplicação da trava de 30% de prejuízos fiscais no evento de incorporação, há que se observar o disposto nas Leis nº 8.981, de 1995, e na Lei nº 9065, de 1995: Lei nº 8.981, de 1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, poderá ser reduzido em, no máximo trinta por cento. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. .................................................................. Lei nº 9.065, de 1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, Fl. 651DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 652 21 observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Verificase que nos comandos legais não há nenhuma disposição no sentido de que a regra que estabelece o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado apurado pela empresa, albergue a exceção alegada pela recorrente, qual seja, de que em razão da extinção da pessoa jurídica por conta da incorporação, ou qualquer outro evento de reorganização societária, o prejuízo fiscal poderia ser aproveitado integralmente. Inclusive, quando o legislador pretendeu estabelecer exceções à aplicação da trava dos 30%, tal medida foi realizada de maneira expressa, conforme aduziu com precisão o voto proferido no Acórdão nº 910100.401, da sessão de 02 de outubro de 2009, da Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando dois exemplos. Primeiro, no que diz respeito às empresas inscritas no regime BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995: Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficias Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. Inclusive, o art. 510 do RIR/99 contempla expressamente a hipótese: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, Fl. 652DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 653 22 cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. ............................................... Art. 470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação Comissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (DecretoLei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): I compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º); (...) (grifei) Segundo, quando o legislador tratou do aproveitamento de prejuízos fiscais referentes à atividade rural, na Lei nº 8.023, de 1990. De acordo com o diploma legal e as instruções normativas da Receita Federal sobre o tema (IN SRF nº 39, de 28/06/1996 e nº 257, de 11/12/2002), mediante o atendimento de determinadas condições, não se aplica o limite de 30% à compensação de prejuízos de atividade rural com (1) lucro apurado pela mesma atividade, em qualquer anocalendário, e (2) lucro apurado pelas atividades em geral, desde que no mesmo período de apuração. Também se pode utilizar o saldo de prejuízos de atividade rural, acumulados de períodos anteriores, para compensar lucro apurado de atividades em geral, e viceversa, casos em que se aplica a trava dos 30%. Como se pode observar, o aproveitamento de prejuízos fiscais, quando recebeu tratamento de exceção, foi mediante dispositivo legal próprio, específico para a situação positivada pela norma. Em relação à jurisprudência administrativa, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também se mostra interessante apreciar a evolução da questão, sob uma perspectiva histórica. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 654 23 A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nas sessões de 02/12/2002 (Acórdão nº 0104.258), e de 19/10/2004 (Acórdão nº 0105.100), decidiu no sentido de que o limite de utilização de 30% não seria aplicado nos casos de extinção de pessoa jurídica. Ocorre que tal posicionamento foi modificado, conforme o já mencionado Acórdão nº 910100.401, de 02/10/2009, pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja publicação ocorreu em 02/01/2011: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (grifei) E, em oportunidade posterior, o entendimento foi ratificado, nos Acórdãos nº 9101001.337 e 9101001.760: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. (Acórdão nº 9101001.337, 1ª Turma/CSRF, sessão de 26 de abril de 2012, redator do voto vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A mesma limitação se aplica à compensação de bases negativas da CSLL. (Acórdão nº 9101 001.760, 1ª Turma/CSRF, sessão de 16 de outubro de 2013, redator do voto vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão) No que concerne ao voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, na decisão proferida no Acórdão nº 9101001.760, peço vênia para transcrever excerto no qual rebate, com precisão, argumento de que o não aproveitamento do prejuízo fiscal implicaria em tributar o patrimônio: O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estarseia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a Fl. 654DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 655 24 devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contraargumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativocontábil, não transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repisese, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo Fl. 655DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 656 25 contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. Enfim, no Supremo Tribunal Federal, em 25/03/2009, ao julgar o RE 344.9940/PR (ocasião em que foi vencido relator Ministro Marco Aurélio), prevaleceu entendimento do Ministro Eros Grau, que redigiu o voto vencedor, conforme ementa a seguir. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2009, DJe 162 DIVULG 27082009 PUBLIC 28082009 EMENT VOL 0237104 PP00683 RDDT n. 170, 2009, p. 186194) Na mesma direção foi proferido o acórdão no RE 545.308/SP (em que foi vencido o relator Marco Aurélio), no qual o voto vencedor da Ministra Carmen Lúcia foi assim ementado: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 657 26 Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido.(RE 545308, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2009, DJe055 DIVULG 25032010 PUBLIC 26032010 EMENT VOL0239505 PP01244 RTJ VOL00214 PP00535) Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte. 3. Mérito do Recurso da PGFN. Aplicação da Trava de 30% no Evento de Incorporação. Votou a I. Relatora no sentido de negar provimento ao recurso da PGFN, posicionamento do qual peço vênia para discordar. A matéria em debate, relativa a aplicação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, já foi apreciada recentemente pelo presente Colegiado, em decisão formalizada no acórdão nº 9101002.225 (em fevereiro de 2016). Sendo assunto já analisado e debatido pelo Colegiado, tomo a liberdade de utilizar os fundamentos, objetivos e precisos, apresentados no mencionado voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que inclusive enfrentou com propriedade argumento trazido pela Contribuinte a respeito da aplicação do art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964 no caso concreto. Passando a enfrentar o mérito da questão trazida no recurso fazendário, tenho que é a sucessora, sim, responsável pela multa de ofício aplicada pela fiscalização por infração cometida pela sucedida antes do evento da sucessão. Neste sentido vem decidindo o STJ, havendo recentemente sido publicada a Súmula 554, julgada em 9/12/2015, DJe de 15/12/2015, nos seguintes termos: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Contudo, como a súmula é silente quanto ao fato de a sucessão ocorrer entre pessoas jurídicas integrantes ou não do grupo econômico, esclareço que o meu entendimento é no sentido de que a "responsabilidade dos sucessores" é tratada na Seção II do capítulo do Código Tributário Nacional CTN que trata da responsabilidade tributária. Logo no primeiro artigo dessa seção (art. 129) consta regra geral de interpretação que se aplica a todas as disposições da seção (inclusive ao art. 132), estabelecendo que "o disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data" (sublinhei). Como se vê, o mandamento geral de interpretação faz referência à expressão "créditos tributários", que abarca, a toda evidência, tanto o tributo em si, quanto a multa por infração à legislação tributária. Dessa maneira, fazendose uma interpretação sistemática do CTN, só se pode interpretar o art. 132 sob a orientação da regra interpretativa do art. 129, daí defluindo que, quando o art. 132 estabelece a Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 658 27 responsabilidade da sucessora "pelos tributos devidos" até à data da sucessão pela sucedida, incluise aí a multa. É desnecessário para aplicação dessa regra, portanto, qualquer vinculação entre empresa sucedida e sucessora, visto que tal multa é a básica de 75%, tem natureza objetiva, e se liga ao crédito tributário. No que diz respeito ao pleito da contribuinte, em contrarrazões, para ver afastada a multa na sucessora por força do art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, entendo que não merece prosperar porque tal dispositivo legal, genérico para penalidades, em lei que trata do imposto sobre consumo, não tem o condão de afastar o repetitivo do STJ julgados no RESP Nº 923.012/MG, que, por força do art. 62 do Anexo II do RICARF, deve ser observado. Por oportuno, transcrevo parte da ementa dessa decisão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) Fl. 658DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 659 28 Como também, transcrevo parte do voto do julgamento dos embargos desse repetitivo, para deixar claro que para o repetitivo do STJ é indiferente o fato do evento sucessório ter ocorrido antes ou após o fato gerador: 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: [...] 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 9. Todos esses aspectos foram bem examinados no acórdão embargado, in verbis: [...] 11. Ante o exposto, rejeitamse os Embargos Declaratórios. Além disso, também entendo que o art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado à luz do próprio CTN, que foi publicado quase dois anos depois, e cujo art. 100 assim dispõe: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 659DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 660 29 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ou seja, aqui temos uma lei complementar, publicada após uma lei ordinária, afirmando que decisões administrativas somente podem excluir a imposição de penalidades se a lei lhes atribuir eficácia normativa. Ocorre que não existe, em nosso ordenamento jurídico, nenhuma lei que atribuiu eficácia normativa às decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes, a ponto de afastar o que dispõe as leis vigentes, que no caso seriam as leis que determinam a trava de 30% para a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL, respectivamente arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 . Neste sentido também entendeu o Parecer Normativo Cosit nº 23, de 6 de setembro de 2013, por sua vez atualizou o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971 (apenas para substituir Conselho de Contribuintes por CARF), nos seguintes termos: Relatório Cuidase da atualização do Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, que, embora tenha vigorado até a presente data, faz referências a normas já revogadas ou modificadas. 2. Trata o presente Parecer Normativo sobre a prevalência ou não de acórdãos prolatados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ou pelos extintos Conselhos de Contribuintes (CC) do Ministério da Fazenda, em que se declara a classificação fiscal de produtos na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, ou quaisquer outras matérias, sobre decisões que venham a ser fixadas pelas diversas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em situações que versem sobre a mesma matéria. Fundamentos 3. Resumese a questão na delimitação do âmbito de eficácia das decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ou pelos extintos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 4. O inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional determina que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 661 30 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (...) 5. Necessário esclarecer que, embora o acima reproduzido diploma legal, em seu inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões prolatadas nos acórdãos dos Conselhos, a sua eficácia limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 6. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral, a decisão em processo fiscal proferida pelo Conselho (CARF ou CC) não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 7. Há que se ressalvar, por oportuno, que, nos termos do caput e parágrafo 2º do art. 75 do Regimento do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o Ministro da Fazenda poderá atribuir às súmulas editadas por aquele conselho efeito vinculante em relação à administração tributária federal, mediante edição de portaria específica. Somente em tal hipótese fica a administração tributária federal sujeita à observância do entendimento esposado na súmula a que se atribua tal efeito (súmula vinculante) mediante portaria da autoridade competente. 8. Por conseguinte, ao pretender orientação no sentido de conhecer a classificação de produtos na TIPI ou sobre interpretação da legislação tributária federal, caberá ao contribuinte formular consulta específica à autoridade competente na forma do que lhe facultam os art. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, e os art. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 1996, ressalvandose, todavia, o disposto no art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502, de 1964. 9. Entretanto, não prevalece a guarida deste dispositivo legal art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502, de 1964 quando sobrevenha ato normativo emanado pela autoridade competente, versando sobre a mesma matéria e de forma distinta da solução apresentada no processo de consulta, porquanto este ato se insere entre as normas complementares da legislação tributária, conforme dispõe o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 662 31 10. Esclareçase, finalmente, que o Parecer Normativo do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil é ato administrativo de natureza normativa, por força do disposto no art. 1º, inciso III, combinado com o art. 280, inciso III, todos do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 2012, incluindose, portanto, entre os atos normativos apontados no art. 100, inciso I, do CTN. Conclusão 11. Diante do exposto, concluise que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. Aliás, o Regulamento do IPI vigente ao tempo do fato gerador (como também o atual), no caso o Decreto nº 4.543, de 2002, em seu art. 610, reproduziu esse dispositivo, porém o aplicou apenas aos casos em que o interessado seja parte da decisão administrativa: Art. 610. Não será aplicada penalidade enquanto prevalecer o entendimento, a quem cumprir as obrigações acessória e principal (Decretolei nº 37, de 1966, art. 101): I de acordo com interpretação fiscal constante de decisão de qualquer instância administrativa, proferida em processo de determinação e exigência de créditos tributários ou de consulta, em que o interessado seja parte; ou II de acordo com interpretação fiscal constante de ato expedido pela Secretaria da Receita Federal. Ou seja, a penalidade deixará de ser aplicada, se o sujeito passivo pagou o imposto em observância a uma decisão administrativa do qual foi parte. Ademais, ainda que houvesse decisões administrativas, ao tempo do fato gerador, permitindo a compensação além da trava de 30% nos casos de extinção de pessoa jurídica, havia também outras em sentido contrário, a exemplo do acórdão 10515908, de 16/8/2006, do acórdão 10708562, de 24/5/2006 e do acórdão 10708607, de 21/6/2006. Nesse sentido, voto no sentido de dar provimento ao recurso da PGFN. 4. Conclusão Pelas razões expostas, acompanho a relatora para conhecer o Recurso Especial da Contribuinte, e voto no sentido de conhecer o Recurso Especial da PGFN. No mérito, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte e por dar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) André Mendes Moura Fl. 662DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 663 32 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Durante o julgamento foi ventilado na sustentação oral, e via memorial, um interessante argumento que afastaria a aplicação da multa no presente caso, e que merece maiores considerações. O argumento consiste na ideia de que o art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 teria o condão de afastar a aplicação da multa em um lançamento de ofício quando o contribuinte tiver agido em conformidade com decisão irrecorrível de última instância administrativa. Eis o dispositivo mencionado: Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: I aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, procurarem espontâneamente, a repartição fazendária competente, para denunciar a falta e sanar a irregularidade, ressalvados os casos previstos no art. 81, nos incisos I e II do art. 83 e nos incisos I, Il e III do art. 87; II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; c) de acôrdo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes. (Destaques nossos). Seguindo esta linha, a argumentação considera que se o contribuinte seguiu a jurisprudência consistente em “decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal" existente à época do fato gerador, não poderia contra ele ter sido lançado multa de ofício, e para tanto traz o histórico da jurisprudência do CC/CARF sobre o mérito da questão (trava dos 30% no encerramento de atividades). Argumenta que à época do fato gerador (novembro de 2006, mês em ocorreu a cisão total da sucedida seguida de incorporação pela autuada, sendo a DIPJ corresponde te entregue em dez/2006) havia uma decisão unânime da CSRF (Ac. 0105100), de 19/10/2004, no sentido de afastaria a ‘trava dos 30%”, e que a decisão em sentido contrário da CSRF só surgiria em 02/10/2009 (caso Bunge – Ac. 9101 00401), sendo que as outras decisões (conforme pesquisa do recorrente) seriam todas no sentido de afastar a trava nessas situações, exceto a do caso Bunge em recurso voluntário (Ac. 10515.908, de 16/10/2006), mas ainda sujeita à revisão na CSRF.1 1 Na verdade, havia pelo menos mais uma decisão dando pela aplicação da trava nesses casos. Tratase do Ac. 101093 438, da 1ª C. do 1º CC, julgado em 19/01/2001, que transitou em julgado, não sendo objeto de recurso especial, tornandose, portanto irrecorrível. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 664 33 Pois bem, ainda que se aceite o conceito de decisão definitiva, como sendo uma única decisão ainda que haja outra(s) contrária(s), ou seja, poderseia admitir uma decisão definitiva ainda que a matéria fosse controvérsia (e no caso, sempre o foi, tanto é que os casos continuaram a subir à CSRF), ou mesmo que a decisão definitiva seja somente a CSRF entendo que esta norma (art. 76 da Lei 4.502/1994) não se aplica ao caso presente. Primeiro porque havia pelo menos uma decisão definitiva no âmbito do CARF, ainda que não da CSRF, quando ocorreu o fato gerador, contrário à pretensão do contribuinte (Ac. 101093 438, da 1ª C. do 1º CC, decidido em 19/01/2001). Assim, qual decisão definitiva deveria o contribuinte seguir? É questão que se resolve a partir de uma intepretação histórica. À época da edição da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, havia sido recentemente editado o Decreto n. 54.767, de 30 de outubro de 1964 que regulava a organização e o funcionamento do Conselho de Contribuintes e Conselho Superior de Tarifas. Este Regulamento, que fazia parte de um conjunto de medidas ligadas à tributação da época, trazia em seu art. 27 a possibilidade do representante da Fazenda interpor recurso de decisão do CC, pedindo ao Ministro da fazenda a reforma da decisão. Ou seja, àquela época, uma decisão definitiva contrária à política tributária ou fazendária poderia ser revista pelo Ministro, daí que atribuirlhe força normativa era consentânea com o sistema, e isto é relevante, pois, pelo menos em tese, não coexistiam decisões definitivas discrepantes. Contudo, de há muito a possibilidade de revisão superior não mais prevalece e, portanto deixou de existir a lógica inicial do dispositivo do art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964. Porém, este dispositivo nunca foi formalmente revogado, e assim seguindo o brocardo verba cum effectu sunt accipienda há que se lhe dar um significado, mas, agora, do ponto de vista evolutivo, promovendo a denominada adequação normativa. E a melhor intepretação do dispositivo remete ao caput do inciso II do art. 76, que diz “enquanto prevalecer o entendimento”, ou seja, a jurisprudência deve ser mansa e pacífica, sem decisões em sentido contrário (uma que seja). Assim não poderia ser avocado hodiernamente o dispositivo do art. 76 da Lei n. 4.502/1964 para afastar a aplicação da multa com base em uma decisão da CSRF que era definitiva à época do fato gerador, mas que convivia com outra decisão definitiva em sentido contrário (e no caso há pelo menos uma, conforme já mencionado), a menos, por óbvio, que a decisão que foi obedecida tenha sido proferida em processo do qual o contribuinte seja parte. Somente por este fundamento já se afastaria a incidência do o art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 ao presente caso. Porém há outros argumentos, conforme seguem. A questão é que após a edição da Lei n. 4.502/1964, sobreveio o Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1996), editado sob a forma de lei ordinária, mas que veicula normas gerais de Direito Tributário, sendo lei nacional (é consenso está assentado na jurisprudência do STF que o CTN foi recepcionado pela Constituição de 1988 como o status de lei complementar). Deve ser considerado que o CTN estabelece em seu art. 96 quais as fontes do Direito Tributário nacional e em seu art. 100, quais são essas fontes na categoria de normas complementares. Dizem os dispositivos: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ... Fl. 664DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 665 34 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Primeiramente devese descartar, de plano, qualquer possibilidade de aplicação do inciso III do art. 100 aos casos semelhantes ao presente, eis que não se está tratando de “práticas reiteradas”, mas de decisões de órgãos de jurisdição administrativa, que é tratada em dispositivo específico. Pois bem, a primeira questão que surge é se o dispositivo do art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 teria sido recepcionado pelo CTN, pois este lhe é posterior. Há um argumento no sentido da recepção com base no princípio do lex specialis derogat legi generali. Porém, esta orientação hermenêutica se presta apenas para resolver conflito de normas de mesmo nível hierárquico e no caso, a rigor não se teria conflito de normas, há que se discutir, portanto, recepção. Isto porque a Lei n. 4.502/1964 não é norma de mesmo nível hierárquico do CTN, que é norma geral, conforme diz seu art. 1º e como preconizava o artigo 5º, inciso XV, alínea “b”, da Constituição Federal de 1946 (vigente quando de sua edição) e, póstemporalmente, o art. 146, inciso III, da Constituição de 1988. O argumento de que a Lei 4.502/1964 teria sido recepcionada pela Constituição de 1988 como lei complementar carece de mínima fundamentação plausível. Primeiro que a teor da Constituição vigente à época, a Lei 4.502/1964 foi editada como lei específica do Imposto de Consumo (depois transformada em normativa do IPI, por força do Decretolei n. 34/1966), segundo porque as normas editadas como sendo normas gerais (caso do CTN), remetem ao artigo 5º, inciso XV, alínea “b”, da Constituição Federal de 1946, o que não é o caso. Não é por outro motivo que os dispositivos da Lei n. 4.502/1964 se referem internamente, em todos seus dispositivos a “este impôsto” (grafia original). Qual imposto? O IPI, nenhum outro. O fato de alguns de seus dispositivos serem referidos em outras leis (caso paradigmáticos de seus arts 71, 72 e 73 referidos no art. 44 da Lei n. 9.430/1996) corresponde ao fenômeno da referenciação normativa, de forma a evitar repetir termos já existentes previamente, e aproveitarse da jurisprudência já formada em torno daquelas normas. Só isso, nada mais. Ou seja, a Lei n. 4.502/1964, enquanto tal, só se aplicaria ao IPI (âmbito da discussão do mencionado PN Cosit n. 23, de 05/09/2013). Improcedente, pois, o entendimento que estaria havendo violação ao princípio nemo potest venire contra factum proprium. Assim, caso se entenda que houve a recepção pelo CTN e pela Constituição de 1988, o dispositivo em discussão só se aplicaria ao IPI. Tratase de norma especial, especialíssima, sendo certo, absolutamente certo, que não se aplica ao IRPJ e à CSLL, tributos sob discussão no presente caso. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 666 35 Outro argumento trazido á baila nas discussões e que demanda também alguma contradita, ainda que em menor escala, é a possibilidade de se aplicar ao caso o art. 112 do CTN. Diz o dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ora, ao discutir a aplicação do art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 não estamos falando de lei que define infrações ou comina penalidades, mas de aplicação de precedentes, i.e., de uma norma que trata de aplicação de precedentes (stare decisis et non quieta movere) – portanto foge completamente do escopo do art. 112, bastando, para tanto, uma leitura mais atenta do seu caput. Ademais, in casu, não há nenhuma dúvida em relação à capitulação legal do fato ou punibilidade, eu, pelo menos, não tenho dúvida. E esta norma é dirigida ao intérprete, e eu não tenho dúvidas aqui em relação à aplicação de nenhum dos incisos do art. 112 do CTN. Na verdade, a única questão que ensejaria alguma discussão sobre a imputabilidade ou punibilidade, reside nalguma controvérsia que envolve a aplicação do art. 132 do CTN – mas também em relação a este ponto, não tenho dúvida de que a sucessora responde pelas infrações da sucedida em casos como os dos presentes autos, pelos exatos fundamentos que expus no Acórdão da 1ª T. da CSRF, de n. 9101002.212, de minha relatoria, decidido em 3 de fevereiro de 2016. Do exposto, tenho que é inaplicável ao caso presente o dispositivo contido no art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964, bem assim que é inaplicável ao caso o art. 112 do CTN, e considero viável a imputação da multa à sucessora. Assim, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Na sessão de março de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou os recursos especiais interpostos por CAMARGO CORRÊA ENERGIA S/A. (doravante “CAMARGO CORRÊA” ou “contribuinte”) e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”) no processo n. 19515.000428/201061, em face do acórdão n. 1201000.803 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 2 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”), assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 667 36 COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No julgamento dos recursos especiais interpostos pela, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) levada a termo no AIIM, bem como a cobrança de multa e juros de mora. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo cancelamento da autuação, os quais serão divididos em duas partes: 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável, considerada legítima pelo CARF à época dos fatos (proibição de venire contra factum proprium). 1. O MÉRITO PRINCIPAL DO RECURSO ESPECIAL: A “TRAVA DOS 30%” O núcleo do recurso especial ora em exame consiste em saber se, na hipótese de uma pessoa jurídica, submetida ao lucro real, apresentar lucros no exercício em que vier a ser extinta por incorporação (art. 227, § 3º, da Lei n. 6.404/64), poderá compensar integralmente, em sua última declaração de rendimentos, o seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa (CSL) acumulado de exercícios anteriores, sem a “trava de 30%” que seria aplicável caso a sua existência fosse continuada (arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95). Para a melhor compreensão do tema, suponhase, por hipótese, que uma empresa inicie as suas atividades no “ano 1”, com o capital social integralizado pelos sócios de $4.000, obtendo prejuízo no “ano 2” de $ 1.000, prejuízo no “ano 3” de $1.000 e lucro no “ano 4” de $3.000. O gráfico a seguir ilustra essa sequência de resultados: Fl. 667DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 668 37 0 1 2 3 4 5 6 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Figura 01. Formação de prejuízos fisc a is seguida de período lucra vo. Nos anos “1”, “2” e “3”, naturalmente não haveria IRPJ ou CSL devidos sob a sistemática do lucro real. Tais tributos, por sua vez, poderiam incidir no “ano 4”, para a tributação dos resultados positivos obtidos. No entanto, para a apuração do referido resultado positivo, o contribuinte poderia considerar os resultados negativos obtidos nos exercícios anteriores, tendo em vista a necessária comunicação entre estes. Conforme a sistemática estabelecida pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, no “ano 4” e também em todos os próximos exercícios em que obtivesse resultados positivos, o contribuinte poderia compensar até 30% de seus lucros com os prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) apurados naqueles anos “1”, “2” e “3”. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Saldo de prejuízos acumulados compensáveis em exercícios futuros (“ano 5”, “ano 6” etc) Compensação de prejuízos fis c a is Figura 02. “Trava de 30%”. Aplicação às empresas em con nua a vidade. Não há dúvida que legislador garantiu ao contribuinte o direito de compensar a totalidade do prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), mas diluiu o seu exercício durante o tempo de atividade da empresa. A questão que se coloca no presente recurso especial consiste em saber como deve proceder o contribuinte quando não houver a aludida continuidade em suas atividades, especialmente em face de extinção por incorporação. Assim, no caso concreto ora em análise, a empresa CAMARGO CORRÊA possuía saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL) acumulado de exercícios anteriores. No ano em que foi extinta em razão de incorporação (2003), o contribuinte havia obtido lucros e, em sua última declaração de rendimentos, os compensou com o aludido saldo. Diante da impossibilidade prosseguir compensando prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL) em exercícios futuros (pois, com a extinção, estes não existiriam), a contribuinte compreendeu inaplicável a “trava dos 30%”. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 669 38 A interpretação sustentada pelo contribuinte conduziria à tributação da renda, dos lucros obtidos durante o exercício de suas atividades, de tal forma que apenas o efetivo acréscimo patrimonial seria tributado pelo IRPJ e da CSL, deixando a salvo desses tributos aquilo que corresponderia efetivamente ao seu patrimônio (o que, de fato, não é hipótese de incidência do IRPJ e da CSL). Com vistas ao exemplo exposto nas figuras “1”, “2” e “3”, acima, a interpretação sustentada pelo contribuinte pode ser representada da seguinte forma: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Compensação de prejuízos fisc a is sem a “trava de 30%” Lucro tributável Patrimônio inicial Figura 03. “Trava de 30%”. Interpretação do contribuinte. Por um lado, é muito diferente a interpretação adotada pelo i. agente fiscal na lavratura do AIIM, bem como pela PFN em sua manifestação perante esta CSRF. Por esta, na hipótese de incorporação, fusão ou cisão, o contribuinte perderia até 70% do saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), de tal forma que referidos tributos incidiriam sobre o patrimônio da empresa. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Parcela do patrimônio tributada pelo IRPJ e CSL. Compensação de prejuízos fisc a is com “trava de 30%" Figura 04. “Trava de 30%”. Interpretação da PFN. É importante sublinhar que o presente caso não trata de “incorporação às avessas” ou de compensação de prejuízos da empresa incorporada contra os lucros da empresa incorporadora, as quais são tuteladas pelos arts. 513 e 514 do RIR/99. No presente caso, o saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e de base negativa (CSL), apurado pela empresa incorporada foi Fl. 669DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 670 39 compensado com os lucros obtidos por ela, em sua última declaração de rendimentos entregues em função de sua extinção por incorporação. 1.1. A tributação dos “acréscimos patrimoniais” do contribuinte Na Constituição brasileira, há expressa e detalhada repartição de competências tributárias entre os entes federados, a qual estabelece quais signos presuntivos de capacidade contributiva podem ser onerados privativamente por cada um dos entes federados. A “renda” e o “lucro”, no caso, podem ser tributados exclusivamente pela União. Saber o sentido de “renda” e “lucro” é, então, essencial para a boa aplicação das normas constitucionais de distribuição de competência tributária e das normas de incidência tributária em sentido estrito. Isso explica as constantes discussões ao seu respeito, especialmente em torno de teorias como da “renda como acréscimo patrimonial” e da “renda produto (ou “teoria fonte”). A teoria da renda como acréscimo patrimonial pode ser compreendida a partir do caso Antártica2, julgado pelo Supremo Tribunal Federal cinco anos após a promulgação da Constituição de 1988, em que esteve em foco o conceito de “renda” presente no sistema tributário de 19643. Acompanhando o voto do Min. Carlos Velloso, houve unanimidade no Plenário do Tribunal quanto ao entendimento de que “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. Notese que, caso se adote um conceito de “renda” que a identifique como o produto (“teoria da rendaproduto” ou “teoria da fonte”), apenas o fruto, o produto dos bens de capital ou do trabalho poderiam ser considerados “renda”. Sob tal perspectiva, estaria excluído do conceito de renda quaisquer ganhos e perdas de capital obtidos pela alienação da fonte produtora da renda, já que, metaforicamente, a tributação alcançaria apenas os frutos da árvore, mas não a alienação da árvore em si.4 1.1.1. O papel da lei complementar para a definição de “renda” tributável No atual sistema jurídico brasileiro, o debate sobre qual o conceito de renda tributável deve considerar que o art. 146 da Constituição Federal atribui à lei complementar a competência para estabelecer normas gerais, especialmente sobre a definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados no texto constitucional. Assim, embora não haja delimitação expressa na Constituição quanto ao signo “renda” para fins tributários, o art. 43 do CTN veicula norma que permite que o legislador ordinário se valha ao menos de duas significações possíveis: (i) o inciso I, ao se referir à “renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, se aproxima da teoria da rendaproduto; (ii) o inciso II, ao se referir a “proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior”, se aproxima da teoria da renda acréscimo patrimonial. Em ambos os casos, o conceito estabelecido pelo CTN exige que haja a aquisição de disponibilidade econômica ou 2 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDA CONCEITO. Lei n. 4.506, de 30.XI.64, art. 38, C.F./46, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. I. Rendas e proventos de qualquer natureza: o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso. C.F., 1946, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. II. Inconstitucionalidade do art. 38 da Lei 4.506/64, que institui adicional de 7% de imposto de renda sobre lucros distribuídos. III. R.E. conhecido e provido. (STF, RE 117887, Relator Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/1993, DJ 23041993) 3 Anterior ao atual Código Tributário Nacional. 4 Vide, sobre o tema: LANG, Joachim. The influence of tax principles on the taxation of income from capital, p. 1821; BELSUNCE, HORACIO GARCÍA. El concepto de rédito en la doctrina y en el derecho tributario. Depalma : Buenos Aires, 1967, p. 88 e seguintes. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 671 40 jurídica sobre a renda, a fim de que seja possível a tributação. O legislador complementar exige que haja a “aquisição de disponibilidade”, pouco importando ser ela “econômica” ou “jurídica”. O legislador ordinário deve eleger hipóteses de incidência do imposto de renda que estejam compreendidas nos referidos moldes estabelecidos pela Constituição e pelo CTN. 1.1.2. A decisão do legislador ordinário: a lógica da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL e a não tributação de situações que não geram acréscimo patrimonial. Independentemente das predileções doutrinarias quanto ao mais adequado conceito de “renda” e embora se possa argumentar que a Lei Complementar tenha outorgado possibilidades mais amplas, não há dúvida que o legislador ordinário utiliza sistematicamente, como diretriz central para a tributação da renda, a teoria da renda enquanto acréscimo patrimonial. A constatação é pragmática: as regras do imposto de renda brasileiro, de forma geral, conduzem a uma base tributável que tende ao acréscimo patrimonial realizado pelo contribuinte em um determinado intervalo de tempo. Na sistemática do lucro real, aplicável no caso, a base de cálculo adotada pelo legislador ordinário corresponde ao lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. O lucro líquido, no caso, será apurado com observância das disposições das leis comerciais. É o que prescreve o art. 247 do Decreto 3.000/99 (doravante “RIR/99”), que veicula o Regulamento do Imposto de Renda, com a sistematização de toda a legislação esparsa: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). (...) Por meio das “adições”, são incluídos à base de cálculo do tributo valores deduzidos na apuração contábil e que não são dedutíveis para fins fiscais, a exemplo de uma despesa indedutível de multa de trânsito. Com as “exclusões”, são excluídos da base de cálculo do tributo as receitas apuradas pela contabilidade que não sejam passíveis de tributação, a exemplo de dividendos isentos recebidos. Finalmente, pela “compensação”, o resultado tributável passível de tributação no período de apuração é diminuído pelos resultados negativos apurados em períodos anteriores. Especialmente em relação aos prejuízos fiscais, o RIR/99 reflete em seus arts. 519 e 510 das regras vigentes sobre a matéria: CAPÍTULO XIV COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Disposições Gerais Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de Fl. 671DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 672 41 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). § 2º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 3º). Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. A sistemática do lucro real, portanto, cristaliza a diretriz adotada pelo legislador ordinário de tributar os acréscimos patrimoniais, ainda que ajustes sejam realizados à apuração contábil. 1.2. A evolução legislativa a respeito da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa (CSL) Na sistemática do lucro real, a compensação de prejuízos fiscais é elemento essencial da diretriz erigida pelo legislador para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A investigação da evolução legislativa sobre a matéria nos últimos 80 anos demonstra que o legislador ordinário jamais negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) ou de base negativa (CSL). Nos idos de 1947, a Lei n. 154 regulou a compensação de prejuízos fiscais, nos seguintes termos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá se deduzido, para compensação total ou parcial, no caso da inexistência de fundos de reserva ou lucros Fl. 672DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 673 42 suspensos dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. A norma então estabelecida prescreveu que: i) o lucro apurado em um determinado exercício poderia ser integralmente compensado com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 3 anos para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Em 1976, o DecretoLei n. 1.493 trouxe ligeira alteração na regulamentação da matéria, estendendo o prazo prescricional de aproveitamento dos prejuízos fiscais: Art. 12. O prejuízo verificado num exercício a partir do período base relativo ao exercício de 1977 poderá ser compensado total ou parcialmente, com os lucros contábeis apurados dentro dos 4 (quatro) exercícios subseqüentes. § 1º Entendese como prejuízo, para os fins de Imposto de Renda o verificado na apuração contábil da pessoa jurídica no período base, diminuído dos custos despesas operacionais e encargos não dedutíveis. § 2º Decorridos 4 (quatro) exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes de prejuízos porventura não compensados. A norma em questão vigorou no sistema jurídico brasileiro até 1995, alterou pouco a sistemática anterior, prescrevendo que: i) lucro apurado em um determinado exercício poderiam ser integralmente compensados com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 4 anos (e não mais 3 anos) para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Notese que, sob a égide da norma vigente até 1995, inexistia discussão quanto à possibilidade de compensação integral dos prejuízos acumulados na última declaração de rendimentos da empresa extinta por incorporação. Afinal, a possibilidade de compensação integral, em um único período, era garantida inclusive às empresas em continuidade. Em 1987, o DecretoLei n. 2.341 regulou operações como as chamadas “incorporações às avessas” e situações específicas de aproveitamento de prejuízos fiscais em restruturações societárias, com a limitação, em especial, da compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora. Aludidas normas estão refletidas nos ars. 513 e 514 do RIR/99: Mudança de Controle Societário e de Ramo de Atividade Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Incorporação, Fusão e Cisão Fl. 673DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 674 43 Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Em 1991, diante do novo cenário econômico e da sistemática então adotada de apuração mensal do IRPJ, a compensação de prejuízos fiscais foi objeto de nova regulação pela Lei n. 8.383/91: Art. 38. A partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas deverão apurar, mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. (…) § 7° O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. § 8° Para efeito de compensação, o prejuízo será corrigido monetariamente com base na variação acumulada da Ufir diária. A Lei n. 8.383/91, como se vê, manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas deixou de prescrever prazo de prescrição ao seu exercício. Mas, logo em 1992, foi enunciada a Lei n. 8.541, que também manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas estabeleceu prazo para o seu exercício: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1° de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. Finalmente, em 1995, foi editada a nova tutela à compensação de prejuízos fiscais, que permanece vigente até a atualidade e é aplicável ao presente caso. Sucedendo a 8.981/95, a Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veicula norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos em sua totalidade, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 675 44 Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Como se pode observar da evolução dos dispositivos legais que regulam a matéria nos últimos 80 anos, em nenhum momento o legislador negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu prejuízo fiscal. A ordenamento jurídico: Em alguns períodos da história, embora tenha estabelecido prazos ao exercício do direito, garantiu ao contribuinte o aproveitamento integral de prejuízos fiscais acumulados em ato único, inclusive (norma revogada); Vedou a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora, sem restringir de qualquer forma a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros (norma vigente); Garantiu ao contribuinte o aproveitamento da totalidade dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) acumulados de exercícios anteriores, mas diluiu o exercício desse direito no período de existência do contribuinte, sem prazo de prescrição (norma vigente). A Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veiculam norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos integralmente, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: 1.3. A “trava dos 30%”: norma de diferimento da compensação dos prejuízos fiscais. A norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 regula a compensação de prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), sopesando os interesses de caixa da União com a diretriz central para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. Com vistas aos interesses de caixa da União, a norma postergou, adiou, diferiu o exercício do direito do contribuinte à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base negativa (CSL), de forma a manter um fluxo arrecadatório mais contínuo. Sob essa perspectiva, a sua explicação tem raízes mais no Direito financeiro e na necessidade de superávit nos orçamentos públicos anuais do que necessariamente no Direito tributário. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 676 45 Houvesse o legislador cumulado a “trava de 30%” a algum prazo de prescrição para a compensação dos prejuízos fiscais acumulados (por exemplo, 4 ou 5 anos), poderíamos ter, aí, um problema sistêmico. Ocorre que, nessa hipótese, o legislador poderia entrar em contradição com a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial. O diferimento em questão, contudo, não nega o direito do contribuinte ao aproveitamento da integralidade de seus prejuízos acumulados. Pelo contrário, ao afastar a limitação temporal ao seu aproveitamento, garantindo ao contribuinte valerse do tempo que for necessário até esgotar todo o seu estoque de prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), o legislador ordinário justamente reconhece que o aludido saldo poderá ser esgotado em sua totalidade. O legislador ordinário prescreveu norma pela qual os prejuízos fiscais acumulados serão diluídos nos períodos de apuração em que o contribuinte apresentar lucros, indefinidamente, até que se esgote todo o seu saldo de prejuízos. O pressuposto de incidência da norma é, então, a continuidade da pessoa jurídica, pois somente assim o diferimento e o aproveitamento integral diluído no tempo seria possível. A exposição de motivos da medida provisória posteriormente convertida na Lei n. 9.065/95 é relevante para essa análise, in verbis: “Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n. 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje ‘vacatio legis’ em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. (negrito acrescido) Também é de grande relevância a análise desenvolvida pelo TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.5 em face da eludida exposição de motivos, in verbis: “O recurso à E.M. é um importante indício da chamada mens legis. De um lado, ali se evidencia o objetivo do legislador: limitar, quantitativamente, sem retirar o direito de compensar até integralmente num mesmo ano. O exercício do direito à compensação do prejuízo, pela E.M., é que sofre uma limitacã̧o quantitativa. Não o próprio direito. Tanto que, como não há limite temporal para esse exercício do direito, e se trata até expressamente de prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de um ano (1995), que poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados em anos anteriores (até 31 de dezembro de 1994), com lucros auferidos em anos subsequentes, a simples postergacã̧o, à eviden̂cia, abrese espaço para a consideração de um âmbito de inferen̂cia ilocutiva: não poder haver perda ou eliminacã̧o do 5 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 677 46 direito à compensacã̧o. É a lei que estabelece a garantia da plena utilização do saldo de prejuízos. Tratase de significado indireto (ilocucã̧o), isto é, por meio de uma elocuca̧õ (asserção do direito de compensar, com limite quantitativo) o legislador assevera algo expressamente. Mas mediante essa asserção também realiza uma ação que não chega a asseverar: sem limitacã̧o de tempo, a garantia de utilização é plena”. (negrito acrescido) No entanto, diante da ausência de continuidade da pessoa jurídica, tornase jurídica e faticamente impossível a diluição dos prejuízos fiscais em exercícios, sendo lícito ao contribuinte concentrar a sua compensação pelo término do diferimento. Nesse caso, o único limite aplicável à compensação de prejuízos fiscais acumulados, na hipótese de extinção da sociedade por incorporação, consiste nos lucros auferidos pela empresa no ano de sua extinção. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $2.000 venha a obter, no ano de sua extinção, lucro de $ 1.000, restaria um saldo de prejuízos acumulados de $1.000, que não poderia vir a ser aproveitado por mais ninguém, incluindose a incorporadora (DecretoLei n. 2.341/87, art. 33). Ocorre que, em termos gerais, dois fatores interferem na velocidade e na grandeza com que se dará o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado: Prosperidade do contribuinte: Quanto maiores forem os lucros líquidos obtidos pelo contribuinte, proporcionalmente maior será a fatia do prejuízo que poderá ser compensada. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $100 obtiver desempenho que lhe proporcione lucro líquido de $1.000 após adições e exclusões previstas na legislação, tenha ela perspectiva de continuidade ou não, poderá compensar em um único ato todo esse seu estoque de prejuízos. Vitalidade do contribuinte (ou continuidade da pessoa jurídica): A diluição dos prejuízos fiscais acumulados nos períodos de apuração futuros pressupõe que a vitalidade do contribuinte proporcione a continuidade de suas atividades (aliada à sua prosperidade, que lhe garantirá lucros passíveis de compensação). Conjugando tais fatores, a norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 poderá apresentar as seguintes consequências em variados cenários: baixa prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será consumido mais lentamente e até que os lucros gerados sejam suficientes para a sua compensação integral, sem limite temporal; elevada prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será rapidamente consumido em face dos lucros gerados; elevada prosperidade vs. extinção da entidade: o saldo de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta; Fl. 677DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 678 47 baixa prosperidade vs. extinção da entidade: o estoque de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta, mas como não seriam suficientes para absorver todo o prejuízo de exercícios anteriores, haverá saldo residual não aproveitado. Para a solução do caso concreto, devemos verificar qual interpretação dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 – a do contribuinte ou a da PFN – melhor se amolda a esse arcabouço normativo e, em especial, à diretriz da renda enquanto acréscimo patrimonial adotada pelo legislador. É forçoso reconhecer que a interpretação sustentada pelo contribuinte realmente se alinha à diretriz da tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A “Figura 03”, acima, evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade das atividades da empresa por conta de sua extinção por incorporação, deve haver o acerto final de contas, com a compensação do saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) da incorporada contra os seus próprios lucros. Tal interpretação coincide com aquela adotada pelo e. STJ em uma série de julgados (vide no tópico “1.4”, abaixo). Assim, por exemplo, nos acórdãos do REsp 516849/CE, do AgRg no REsp 944.427/SP e do AgRg no REsp 516.849/CE, a Primeira Turma daquele Tribunal reconheceu como pressuposto de legitimidade da “trava dos 30%” exatamente a manutenção do direito do contribuinte à compensação da totalidade de seus prejuízos, ainda que o seu exercício seja diluído no tempo: o legislador “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada”. Na mesma linha, a Segunda Turma do e. STJ, em acórdãos como do REsp 993.975/SP e do REsp 1.132.256/SP, concluiu que a norma em questão “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN”, bem como que “a legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem” (grifamos). Nos termos adotados pelo e. STJ, ao diferir o aproveitamento integral dos prejuízos acumulados (IRPJ) e da base negativa (CSL), o legislador estabeleceu um escalonamento, de forma que as empresas que apresentem continuidade – como ocorre em geral – devem observar a “trava dos 30%”. Coerentemente, esse percentual poderá ser superior na hipótese de não haver continuidade da pessoa jurídica, como se dá com a sua extinção por incorporação, fusão ou cisão. É digno de nota o voto da i. Min. Eliana Calmon, no REsp 993.975/SP, in verbis: “Pela legislação do imposto de renda, vigente até 30∕12∕94, era possível às empresas contribuintes compensar integralmente os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas apuradas e registradas no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), como previsto nos arts. 6º e 64 do DL nº 1.598∕77 e art. 12 da Lei 8.541∕92. Em 31∕12∕94, pela MP nº 812∕94, convertida na Lei nº 8.981∕95, limitouse a autorização da dedução do prejuízo compensável ao percentual de 30%, a partir de 1º de janeiro de 1995, conforme se observa dos arts. 42 e 58 do mencionado diploma legal. Apesar de limitada a dedução de prejuízos para o exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem Fl. 678DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 679 48 abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. O diferimento da dedução, a meu ver, não descaracterizou o crédito, tendo sido somente manipulado pelo fisco, segundo critérios de política econômica e fiscal arrecadatória. A limitação, que no meu ponto de vista, constitui em empréstimo compulsório, é aquela que obsta a devolução de um valor tomado do contribuinte injustamente, como ocorreu em relação à correção monetária das demonstrações financeiras, quando a Lei 8.200∕91, em reconhecendo a ilegalidade da correção estipulada no balanço de 1989, permitiu a devolução escalonada. Na hipótese dos autos, diferentemente, não tomou o fisco valor do contribuinte. O contribuinte é que teve frustrada uma expectativa de ganho com o desenvolvimento de sua atividade empresarial e suportou prejuízos, tendo direito de abater as perdas nos anos posteriores, dentro de um limite que não seja devastador para o fisco, que já contava com exações vindas da atividade empresarial. (...) Uma outra argumentação, comum nas ações onde é defendida a tese do direito à dedução integral dos prejuízos, é a de que foi vulnerado o art. 110 do CTN, eis que não poderia a Lei nº 8.981∕95 subverter o conceito de renda. Como visto no início deste voto, entretanto, não houve subversão alguma, porque não se olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que se tornou escalonado.” Por sua vez, a “Figura 04” acima evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade, com a extinção da pessoa jurídica por incorporação, a interpretação sustentada pela PFN conduziria à tributação do patrimônio e não da renda. Caso essa interpretação seja adotada, não se tributária o acréscimo patrimonial (teoria da rendaacréscimo patrimonial), mas o próprio patrimônio; não se tributaria o produto do capital (teoria da renda produto), mas o próprio capital investido pelos sócios. Das duas interpretações apresentadas, apenas a sustentada pela PFN tem o condão de desvirtuar a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial eleita pelo legislador ordinário e, em afronta aos arts. 43 e 44 do CTN, transformar o IRPJ e a CSL em tributos incidentes sobre a propriedade. Tudo isso à revelia de decisão do Congresso Nacional, pois o legislador ordinário não pode ser acusado de ter cerceado o direito do contribuinte ao aproveitamento da totalidade de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) quando, na verdade, apenas diluiu o seu exercício no tempo de existência da pessoa jurídica. Esse também é o entendimento majoritário da doutrina. Destacase trecho do erudito estudo publicado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.6 sobre o tema, in verbis: 6 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 680 49 “Assim, de um lado, a opção do legislador é garantir/autorizar a compensação de prejuízos à condição de uma limitação quantitativa (asserção expressa), manifestando um direito de compensar prejuízos, sem limitação temporal (asserção implícita). Promover esse bem (direito de compensar prejuízos até o seu limite total, sendo integral a dedução) constitui, de outro, o objetivo, cujo fundamento, que Schauer (ver acima) chama de justificação da regra, aponta para respeito à isonomia, na medida em que se observa que uma periodicidade estanque, que terminaria por impedir a compensação de prejuízos anteriores com lucros posteriores, conduziria a um tratamento mais oneroso de determinados contribuintes (que praticassem atividades de maior risco, a exigir período maior de investimento até o surgimento de resultados positivos), o que violaria a igualdade. Aparece aqui aquela tensão (ver Schauer anteriormente citado) entre a regra (ao limite de 30%, prejuízos fiscais poderão ser compensados) e sua justificacã̧o (princípio da isonomia), que conduz, mediante teleologia, a novas generalizacõ̧es. Isto é, ao teor da norma “é autorizado compensar prejuízos fiscais, desde que não ultrapasse o limite de 30%”, a generalização que a fundamenta (seu telos, seu objetivo: compensaçaõ de prejuízos até seu esgotamento total por exigência da isonomia) faz surgir significados indiretos, ali presentes em forma ilocutiva: a restrição quantitativa não deve implicar perda do direito de compensar prejuízos, até porque a ausen̂cia de restrição temporal significa possibilidade de transferen̂cia para períodos posteriores até o seu esgotamento. Ou seja, partese da exigen̂cia de uma periodicidade estanque (até 30% no período) para uma nova generalizacã̧o da regra por força da sua justificação: a periodicidade anual dos tributos não impede, ao contrário, autoriza a compensação de prejuízos acumulados, em períodos subsequentes. Pois bem, e dessa nova generalização (que atende, com base em isonomia, à diferença entre contribuintes) segue outra: o aproveitamento integral dos prejuízos, num único período, por sociedade incorporada, dada a impossibilidade de seu aproveitamento integral, diferido no tempo. Notese, na tensão regra/fundamento, passamos de uma generalizacã̧o (direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo) para uma segunda (não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução) e dessa, para uma terceira (ressalvada a situacã̧o dos que de fato ou de direito estão impedidos ou impossibilitados de realizar o diferimento no tempo). Nos termos de Schauer, antes referidos, na segunda generalização temos uma sobreinclusão, na terceira, uma subinclusão, ambas dentro da mesma ratio legis.” (grifos do original) Fl. 680DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 681 50 Sequer é possível sustentar que sustentar que o princípio da legalidade exigiria disposição expressa quanto à possibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais na hipótese em análise: o referido princípio, aplicado em conjunto com muitos outros na maior medida possível, como o da capacidade contributiva, justamente corroboram à norma da não aplicação da trava dos 30% nos casos em que a continuidade da pessoa jurídica resta impossibilitada pela extinção da pessoa jurídica. Na mesma linha, ao examinar a questão, IVES GANDRA DA SILVA MARTINS7 concluiu, in verbis: “a) não há lacuna na lei que limitou a 30% a compensação de prejuízos fiscais, pois apenas dedicada a empresas em funcionamento, como o STJ e a exposição de motivos das MPs e projetos de conversão em lei resultantes esclareceram; b) a lei objetivou, exclusivamente, distender, no tempo, o aproveitamento de prejuízo, MAS NÃO eliminálo, em havendo lucros; (...) A lei que permite a compensação do prejuízo determina QUE TODO O PREJUÍZO SERÁ COMPENSADO, DISTENDIDO NO TEMPO (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS DA LEI). A conclusão lógica é que se não há mais tempo para aproveitálo, em havendo lucros na extinção, a lei permite seu aproveitamento, de uma só vez, para que não haja tributação sobre um “não acréscimo patrimonial” vedado pelo CTN (arts. 43 e 44) e pelo artigo 150, inciso I, da Lei Suprema, que impõe o princípio da legalidade para a incidência tributária”. No presente voto, então, não se afastam os arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95, bem como não se infirma a constitucionalidade8 de tais dispositivos no presente voto. Pelo contrário, aplicase ao caso concreto a norma prescrita pelo legislador ordinário, que encerra o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) com a extinção da pessoa jurídica. Interpretação diversa, tal qual a sustentada pela PFN, macularia a cobrança tributária de flagrante ilegalidade. 1.4. A jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário sobre o tema. O e. STF ainda não possui decisões a respeito do tema em análise. Não se pode confundir o presente caso com a discussão existente perante aquele Corte, afetada inclusive pelo rito da repercussão geral9, quanto à (in)constitucionalidade da “trava de 30%” em todos e quaisquer casos. Como foi dito, neste processo administrativo, inclusive por 7 SILVA MARTINS, Ives Gandra da. Incorporação de empresa com extinção da incorporada Possibilidade de aproveitamento do prejuízo além de 30%, acesso em: http://www.fiscosoft.com.br/a/4qc6/incorporacaodeempresacom extincaodaincorporadapossibilidadedeaproveitamentodoprejuizoalemde30ivesgandradasilvamartins 8 Não cabe no bojo deste processo administrativo analisar possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicaçaõ ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” 9 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (STF, RE 591.340 RG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 09/10/2008) Fl. 681DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 682 51 respeito ao RICARF10, assumese como legítima a “trava dos 30%” nos termos estabelecidos pelo legislador ordinário, o qual não prescreveu a sua aplicação às hipóteses de extinção da pessoa jurídica por incorporação, fusão ou cisão. Por sua vez, na linha da jurisprudência do e. STJ, a legalidade da “trava dos 30%” pressupõe a garantia ao contribuinte de que poderá aproveitar a totalidade dos seus prejuízos fiscais (IRPJ) ou de sua base negativa (CSL). No âmbito da 1a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 10 RICARF, art. 62. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 683 52 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 25/05/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. MP 812/94. LEIS 8.981/95 E 9.065/95. LIMITAÇÃO DE 30%. LEGALIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Esta Corte, em diversas oportunidades, manifestouse no sentido da legalidade da limitação de trinta por cento (30%) na compensação de prejuízos fiscais, sob o fundamento de que a Lei 8.981/95, que estabeleceu essa limitação, não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada. 2. É legal essa limitação, em relação à compensação de prejuízos fiscais verificados até o dia 31.12.1994, a partir do exercício de 1995, não havendo contrariedade ao princípio da anterioridade. 3. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 516.849/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 03/04/2006, p. 228) No âmbito da 2a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC NÃO CARACTERIZADA – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – Fl. 683DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 684 53 DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981/95: LEGALIDADE. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981/95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 993.975/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 2. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 3. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 4. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 5. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 1.132.518/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do recurso extraordinário 232.0849, relator o Ministro Relator Ilmar Galvão, decidiu que Medida Provisória nº 812∕94, convertida na Lei 8.981∕95, foi publicada no dia 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado financeiro do exercício, encerrado no mesmo dia, sendo irrelevante, para tanto, que o último dia do ano Fl. 684DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 685 54 de 1994 tenha recaído num sábado, se não se acha comprovada a nãocirculação do Diário Oficial da União naquele dia. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido. (STJ, REsp 1.132.256/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2009) No âmbito do CARF, é possível divisar dois momentos distintos em sua jurisprudência. A primeira compreende o período entre 2001 e 2009, enquanto que a segunda teve início em meados de 2009/2010. No acórdão n. 10806682, de 20.9.2001, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, julgou ser válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “INCORPORAÇÃO — DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA — LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a . norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Ainda em 2001, o acórdão n. 10193438, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou que a compensação dos prejuízos, mesmo na hipótese de extinção por incorporação, deveria respeitar a “trava dos 30%”: “IRPJ COMPESAÇÃO DE PREJUÍZOS A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIAPOSTERGAÇÃO — Não há previsão legal para exigência de multa de mora sobre o imposto postergado MULTA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO — Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação.” A incipiente divergência foi sufragada logo em 2002, quando a CSRF julgou a questão. Assim, no acórdão n. 0104258, de 2.12.2002, a CSRF, por maioria, julgou válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 686 55 “COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada.” As decisões que se seguiram, tanto das Turmas Ordinárias quanto da CSRF, navegaram em águas tranquilas, firmes na compreensão de que seria válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação. Por unanimidade, o acórdão da CSRF n. 0105100, de 19.10.2004, confirmou tal entendimento: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal.” Destacamse as seguintes decisões das Turmas Ordinárias que se seguiram, boa parte por unanimidade de votos: IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão n. 10807456, de 2.7.2003, da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. (Acórdão n. 10194515, de 17.3.2004, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — EMPRESAS EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL A jurisprudência do Conselho que afasta a limitação só alcança a compensação feita na declaração final de extinção.” (Acórdão n. 10195856, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% – EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, Fl. 686DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 687 56 temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. (Acórdão n. 10195872, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão CSRF/0105.100, em Sessão de 19 de outubro de 2004, publicado no DOU de 28/02/2002). (Acórdão n. 10709.243, de 05.12.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) CSL — INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM PROCESSO DE EXTINÇÃO (REGIME DE LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA) — TRAVA. DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE — A denominada trava de 30% na compensação de prejuízos, que pressupõe o principio de continuidade da empresa, não pode ser aplicada quando a sociedade se encontra em processo de extinção em razão do regime de liquidação ordinária em que se encontra. (Acórdão n. 10707.856, de 11.11.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, vez que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. (Acórdão n. 10709.447, de 13.8.2008, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – TRAVA – CISÃO – Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela do prejuízo proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30% do lucro líquido ajustado. (Acórdão n. 10196509, de 22.1.2008, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade). Em 02.10.2009, por voto de qualidade, a CSRF alterou esse entendimento até então corrente, como se observa no acórdão n. 910100401: IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido Fl. 687DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 688 57 lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Por fim, no julgamento do recurso especial objeto desta declaração de voto, realizado em março de 2016, novamente a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) pela não observância da “trava de 30%”, ainda que o contribuinte tenha sido extinto por incorporação. Permissa venia, conforme se procurou demonstrar, tal decisão destoa de todo o ordenamento jurídico. 1.5. Conclusão quanto ao mérito principal do recurso especial. O caso ora em análise envolve a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros, todos apurados antes do evento de extinção por incorporação, ocorrido em 2006. Pelo que foi exposto e em linha com meu voto proferido no julgamento do presente recurso especial, entendo que o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL), tal como prescrito pelos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 (“trava dos 30%”), encerrouse com a extinção da contribuinte pela incorporação realizada, não sendo legal a glosa levada a termo no AIIM. 2. A PUNIÇÃO DO CONTRIBUINTE PELA PRÁTICA DE CONDUTA RAZOÁVEL CONSIDERADA LEGÍTIMA PELO CARF À ÉPOCA DOS FATOS: PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E PROIBIÇÃO DE VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM. O contribuinte requer seja afastada a cobrança multa punitiva que lhe foi imposta pela compensação de seu saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), sem a observância da “trava dos 30%”, em sua última declaração de rendimentos entregue em razão de sua extinção por incorporação, ocorrida em 2006. Alega que teria agido de boafé, acompanhando o entendimento consolidado deste Tribunal à época dos fatos, o que reclamaria a aplicação, inclusive, da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. A análise da questão demanda que se compreenda: Se há proteção à confinça do contribuinte em relação à atuação da administração fiscal brasileira; Se há, no sistema jurídico brasileiro, proteção ao contribuinte que, de boa fé, age de forma razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento; Se existente, qual seria a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose a possibilidade de cobrança do débito principal e das penalidades pecuniárias que o acompanham; Por fim, caso existente a referida proteção ao contribuinte, se o caso concreto se adequa às situações que reclamam a sua aplicação. 2.1. A proteção da legítima confiança do contribuinte. Mais do que nunca o respeito às instituições deve ser reafirmado no Brasil, não apenas por meio de argumentos de autoridade, mas com fundamentos e demonstrações de que o cidadão pode realmente lhes depositar confiança. Como parte desse reclamo, é essencial Fl. 688DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 689 58 que o cidadãocontribuinte tenha condições de pautarse de boafé na forma como a administração fiscal interpreta e aplica reiteradamente uma certa norma jurídica para, assim, organizar as suas atividades e os seus investimentos, sem o risco de vir a ser punido por adotar tais diretrizes da administração. Em sua obra sobre Segurança Jurídica, HUMBERTO ÁVILA11 foi preciso ao afirmar que “O essencial é que, tendo o indivíduo atuado em razão do ato administrativo, aquele não possa ter a sua confiança simplesmente frustrada. Do contrário, o seu investimento, em vez e orientado e respeitado pelo Direito, transformarseia em jogo de azar”. Ocorre que “a exigência de legalidade não decorre apenas do princípio democrático mas igualmente do princípio do Estado de Direito, que justifica a proteção daqueles que utilizaram o Direito como fundamento para o planejamento, ainda mais considerando que os atos provenientes da Administração são muitas vezes necessários, devido à indeterminação legal e à carência de uniformização administrativa”. Mais adiante, concluiu o referido professor: “O princípio da segurança jurídica é um princípiocondição, garantidor, de um lado, de um estado de respeitabilidade dos direitos fundamentais do cidadãocontribuinte e, de outro, de um ideal de moderação da atuação estatal. A sua definição como um princípio preservador da respeitabilidade da ação e da argumentação do contribuinte como cidadão racional, provoca uma extraordinária mudança na própria análise do Direito Tributário: a validade, a vigência e a eficácia das normas tributárias não podem mais ser analisadas sob o ângulo exclusivo da sua estrutura formal, do seu alcance semântico ou da sua relação intertemporal; esses elementos precisam ser investigados, em vez disso, sob uma perspectiva que conjugue equilibradamente o modo, o ritmo e a intensidade do exercício dos direitos fundamentais com o modo, o ritmo e a intensidade da atuação estatal”.12 Tal substrato teórico tem enorme pertinência ao caso concreto, pois segurança jurídica, nessa condição de princípiocondição, torna essencial a preservação da confiança e da nãosurpresa quanto aos às decisões administrativas: “o Estado não pode nem se afastar injustificadamente das suas próprias posições, bem pode deixar de atribuir tratamento uniforme a todos os cidadãos”13, afinal, “como os atos administrativos se revestem de força normativa, também a confiança daqueles que acreditaram na sua sua aparência de legitimidade deve ser protegida”14. Nesse seguir, a premissa que deve ser adotada neste julgamento é de que há, sim, proteção à confinça do contribuinte em relação à atuação da administração fiscal brasileira. 11 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 48795. 12 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 765. 13 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 491. 14 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 486. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 690 59 2.2. O sistema jurídico brasileiro protege o contribuinte que, de boafé, age de maneira razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento? Essa análise possivelmente representa um dos temas mais relevantes da teoria do Direito tributário, pois suscita posicionamentos relacionados à justiça e à sua efetiva concretização em um dado sistema jurídico, o que requer, para isso, igualdade, segurança jurídica e boafé nas relações entre fisco e contribuinte. KLAUS TIPKE15 oferece um bom ponto de partida para a compreensão do presente caso, in verbis: “As Constituições dos Estados de Direito não permitem que o Direito Positivo seja dissociado da Ética. Elas partem do pressuposto de que é possível reconhecer o que é justo e o que é injusto. A Constituição Brasileira declarase por ‘uma sociedade livre, justa e solidária’. A Constituição Alemã não contém qualquer declaração expressis verbis em favor da justiça, mas estatui – assim como a Constituição Brasileira – o direito fundamental à igualdade perante a lei. Tratamento isonômico como corolário da justiça pressupõe, porém, um critério adequado de comparação, um tertium comparationis orientado pela justiça. Contudo, é amplamente aceito que o princípio da igualdade seja um produto da justiça. Não existe um critério uniforme para todo o Direito. Muito mais correto é que cada ramo do Direito tenha seu próprio critério. Em outras palavras, deve ser decidido qual princípio ou qual critério é adequado para o particular ramo do Direito, tal como o Direito Tributário. Na Alemanha falase, portanto, em justiça adequada à matéria. O que é adequado à matéria depende da finalidade da regulamentação do particular ramo do Direito. O Direito Penal orientado pela culpabilidade mede a pena justa segundo o grau de culpa. Subvenções são medidas segundo a necessidade ou segundo um mérito especial. Por isso se fala em princípio da necessidade e principio de mérito. Para o Direito Tributário é amplamente reconhecido que este deve ser orientado pelo princípio da capacidade contributiva. Isso não vale, porém, para normas extrafiscais.” A justiça naturalmente também deverá ser observada na lei tributária que define infrações. Mas nessa seara há peculiaridades especiais, pois, como bem observa MARIA ÂNGELA L. PAULINO PADILHA16, “é preciso ter em mente que os interesses punitivos não se confundem com os interesses arrecadatórios do Estado, sob pena de desvirtuarse o sistema repressivo de seus propósitos”. E não se espera apenas que o legislador imprima justiça ao sistema jurídico, cabendo esse dever também ao aplicador do Direito. MORIS LEHNER17 constata que o “princípio fundamental da tributação justa” não deve ser observado apenas na edição das leis, mas 15 TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo : Melhoramentos, 2002, p. 21. 16 PAULINO PADILHA, Maria Ângela Lopes. As Sanções no Direito Tributário. São Paulo : Noeses, 2015, p. XXIX. 17 LEHNER, Moris. Consideração econômica e tributação conforme a capacidade contributiva. Sobre a possibilidade de uma interpretação teleológica de normas com finalidades arrecadatórias. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; ZILVETI, Fernando Aurélio (coords.). Direito tributário: estudos em homenagem a Brandão Machado. São Paulo: Dialética, 2001, p. 1436. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 691 60 também quando de sua aplicação, de forma que a interpretação da lei também deve ser orientada por esse “princípio normativo diretivo”. O Direito brasileiro não se furtou de tais constatações, o que se comprova pela análise do CTN, especialmente em seus arts. 100 e 112. O art. 112 do CTN se dirige diretamente aos aplicadores do Direito tributário, inclusive aos Conselheiros do CARF, pois trata da interpretação da legislação ordinária. O Legislador Complementar, imbuído da competência que lhe foi outorgada pelo art. 146 da CF/88, torna mandatório ao intérprete considerar fatores como a “natureza ou às circunstâncias materiais do fato” e a sua “punibilidade”. Em caso de “dúvida” que circunde os referidos fatores, a norma deve ser aplicada “da maneira mais favorável ao acusado”. Eis a redação do dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Parece claro que tal norma persegue a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé nas relações entre o fisco e o contribuinte. Entre outras variáveis fáticas alcançadas por essa norma, as condutas praticadas pelo contribuinte que apresentem dúvida razoável quanto à sua legitimidade devem ser escusadas de penalização. Tratase de norma de escusa de penalidade à conduta razoável, que encontra fundamento na proibição de venire contra factum proprium, com paralelo no Direito penal no consagrado “erro de proibição”. A pedra de toque para a sua aplicação é a aferição, pelo intérprete, da razoabilidade da conduta praticada pelo contribuinte, o que reclama por critérios para a outorga dessa proteção. A seleção de critérios para a identificação de condutas razoáveis, que imponham dúvida quanto à sua legitimidade capaz de amenizar ao máximo possível a aplicação de penalidades tributárias, não é tarefa das mais simples, como observa a doutrina. Nesse sentido, leciona LUÍS EDUARDO SCHOUERI18, in verbis: “À primeira vista, o dispositivo acima [CTN, art. 112] poderia ser visto como de difícil aplicação prática, ou pelo menos de difícil controle, já que seu pressuposto – a dúvida – carrega extremo grau de subjetividade. Aquilo que para um é duvidoso surge no espírito de outrem com clareza. Entretanto, a peculiaridade do processo brasileiro – tanto o administrativo quanto o judicial – em que preveem órgãos colegiados de julgamento, com sessões públicas, oferece um controle objetivo da dúvida. Não é incomum, com efeito, que decisões sejam tomadas em estreita maioria, ou até mesmo por voto de qualidade do presidente do presidente órgão julgador. Em tais casos, a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida”. Entre os critérios que podem ser adotados para aludida aferição, o caso concreto nos impõe decidir se é ou não fator relevante a constância de um determinado 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 692 61 entendimento pela a administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento, acompanhada da adoção, pelo contribuinte, de conduta trilhada nessa mesma direção. As decisões do CARF, produzidas para o controle da legalidade dos lançamentos tributários, são públicas e influenciam a tomada de decisões do mais cauteloso dos contribuintes. De fato, o particular que, de boafé, se preocupar em ser diligente e cumprir com todos os seus deveres perante o fisco brasileiro, sem dúvida precisará contar com o auxílio de um consultor tributário (“compliance cost”), que terá como parte fundamental de seu trabalho verificar diligentemente como a administração fiscal, especialmente por seus órgãos decisórios, aplicam os enunciados legais que influenciam o caso sob a sua análise. Para bem localizar a questão, suponhase, por hipótese, que decisões reiteradas do CARF afirmem, de forma irrecorrível para variados contribuintes, que uma determinada conduta seria plenamente legítima (“permitido”), como ilustrado na representação gráfica a seguir: Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 05. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. A representação gráfica suscita propositadamente situação de ausência de homogeneidade absoluta das decisões, exatamente para evidenciar que esta não é uma exigência para a aplicação do art. 112 do CTN. Para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável, o Legislador Complementar exige que exista “dúvida” (CTN, art. 112, caput), o que não é afastada simplesmente por uma decisão divergente (“não permitido”) de uma série constante de decisões em um mesmo sentido (“permitido”). Bem compreendidos, julgados de Turmas Ordinárias do CARF, que destoem de uma série constante de decisões, tem um papel fundamental no processo de estabilização do Direito tributário, em que o Tribunal administrativo, no âmbito de sua competência, esclarece à sociedade qual o seu entendimento quanto à legítima aplicação das normas tributárias: tais decisões divergentes (“não permitido”) ensejam a atuação da CSRF para a uniformização da jurisprudência administrativa. Diante de uma decisão da CSRF, a sociedade pode compreender com mais certeza quais condutas são (ou têm sido) legitimadas pela administração fiscal, como um aceno de segurança jurídica àqueles que seguirem o mesmo caminho. Nos moldes de nosso sistema jurídico, a decisão da CSRF apresenta elevada eloquência para a transmissão de mensagem à sociedade que, de boafé, poderá compreender como deverá agir para estar em conformidade com o entendimento da administração fiscal. Graficamente, em continuidade à ilustração acima, poderíamos ter a seguinte imagem como decorrência de uma decisão da CSRF: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 693 62 Permi do Permi do Permi do CSRF: PERMITIDO!!! Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 06. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Nesse seguir, independentemente de decisão divergente isolada (“outlines”), caso o contribuinte trilhe o mesmo caminho indicado por uma constância de decisões do CARF, confirmada por decisão ou decisões da CSRF, a sua conduta deve ao menos ser considerada razoável pela administração fiscal. Caso esse tribunal administrativo posteriormente altere o seu padrão de entendimento sobre o tema em questão, então será preciso reconhecer que haveria, ao menos, a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Essa questão foi analisada pelo CARF, por exemplo, em face da guinada de sua jurisprudência a respeito do planejamento tributário. Assim, no acórdão n. 10195.537, este Tribunal compreendeu que não seria legítimo punir o contribuinte que teria sido induzido, à época dos fatos, pela jurisprudência pretérita: PENALIDADE QUALIFICADA — INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE — ERRO DE PROIBIÇÃO — ARTIGO 112 DO CTN — SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI — Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudenciais contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Recurso provido parcialmente. (Acórdão n. 10195.537, Processo n. 11065.001589/200467, sessão de 24/05/2006) A aludida norma também encontra reforço no art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 693DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 694 63 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Como se observa, o art. 100 do CTN deixa clara a necessidade de exclusão de penalidade pecuniária caso o contribuinte obedeça normas complementares consubstanciadas, por exemplo, em decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inciso II) ou, ainda, em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). É preciso compreender claramente a relação estabelecida entre os arts. 100 e 112 do CTN. Se, por um lado, o art. 112 deixa em aberto quais critérios podem ser utilizados para que o aplicador verifique se há a “dúvida” que lhe obriga a interpretar a penalidade da forma mais favorável ao acusado, por outro, o art. 100 do CTN não exclui das decisões administrativas colegiadas a serventia de se prestarem à aferição da referida “dúvida” e da razoabilidade da conduta adotada pelo contribuinte. Também é preciso observar que constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal pode ser compreendido como práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, abarcadas pelo art. 100, III, do CTN. Tais normas encontram fundamento de validade na Constituição Federal. Entre outras normas constitucionais que podem ser citadas, merece destaque a que prescreve a observância no “princípio da razoabilidade”, explicitado por REGINA HELENA COSTA19 do seguinte modo ao lecionar sobre “princípios gerais do direito sancionador”: “Merece referencia, outrossim, o princípio da razoabilidade. No direito brasileiro, a razoabilidade encontra fundamento expresso no art. 5o, LIV, CR, segundo o qual “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. A razoabilidade é medida em relação ao interesse público específico. A razoabilidade deve ser tomada como aquilo que a sociedade pode admitir como uma das soluções possíveis para o caso concreto; é o padrão social a respeito de certas condutas e, portanto, só pode ser aferida em função da realidade, de um contexto determinado. Pensamos, assim, que razoabilidade e proporcionalidade sejam termos fungíveis, a significar diretriz implícita fundamentada nas ideias de devido processo legal substantivo e de justiça, com vistas à proteção da arbitrariedade” 19 COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 305 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 695 64 Desse modo, os aplicadores do Direito tributário, entre eles os Conselheiros do CARF, possuem uma bússola prescrita pelo ordenamento jurídico para que, no caso de conduta razoável do contribuinte que suscite “dúvida” quanto à sua punibilidade, trilhem a interpretação mais favorável ao contribuinte. Não se pode deixar de observar que o art. 100, II, do CTN, erigiu “as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa” com status de normas complementares, desde que a lei lhes atribua “eficácia normativa”. Notese que o ordenamento atribui juridicidade às normas “gerais e abstratas”, “gerais e concretas”, “individuais e abstratas” ou “individuais e concretas”20. A todos esses enunciados prescritivos o sistema jurídico atribui “eficácia normativa”. E os acórdãos enunciados pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes, que compõem a série constante referida nas ilustrações acima, possuem “eficácia normativa”, de natureza individual e concreta. A atribuição de eficácia normativa individual e concreta às referidas decisões é suficiente para os propósitos da norma de escusa de penalidade à conduta razoável: evidenciar que outros contribuintes, mesmo que estranhos ao procedimento administrativo, poderiam ter justificáveis “dúvidas” sobre a vedação de uma conduta. 2.3. Qual a relevância ao presente caso do art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64? O art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64 também atribui eficácia normativa às decisões dos tribunais administrativos para afastar a aplicação de penalidades aos contribuintes que lhe adotarem como diretriz para a condução de seus atos, o que reforça a subsunção à norma do art. 100, II, do CTN. O referido dispositivo possui a seguinte redação: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...) A adoção da norma em questão pode ser observada em precedentes como o seguir, proferido pelo Conselho de Contribuintes no acórdão 220200142: “DECISÃO IRRECORRÍVEL DE ÚLTIMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. Na constituição de crédito tributário relativo ao IPI, é incabível a exigência da multa prevista no art. 80 da Lei n°4.502, de 1964, quando comprovado que o sujeito passivo agira ou pagara o 20 É o que leciona PAULO DE BARROS CARVALHO, in verbis: “Por fontes do direito havemos de compreender os focos ejetores de regras jurídicas, isto é, os órgãos habilitados pelo sistema para produzirem normas, numa organização escalonada, bem como a própria atividade desenvolvida por essas entidades, tendo em vista a criação de normas. O significado da expressão fontes de direito implica refletirmos sobre a circunstância de que regra jurídica alguma ingressa no sistema do direito positivo sem que seja introduzida por outra norma, que chamaremos, daqui avante, de “veículo introdutor de normas”. Isso já nos autoriza a falar em “normas introduzidas” e “normas introdutoras”. Pois bem, nos limites desta proposta, as fontes do direito serão os acontecimentos do mundo social, juridicizados por regras do sistema e credenciados para produzir normas jurídicas que introduzam no ordenamento outras normas, gerais e abstratas, gerais e concretas, individuais e abstratas ou individuais e concretas. Agora, tais ocorrências serão colhidas enquanto atos de enunciação, já que os enunciados consubstanciam as próprias normas. Tratase de um conceito sobremaneira relevante porque a validade de uma prescrição jurídica está legitimamente ligada à legitimidade do órgão que a expediu, bem como ao procedimento empregado na sua produção.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000.pg 45) Fl. 695DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 696 65 imposto em conformidade com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida anteriormente à ocorrência dos fatos geradores.” É preciso, então, verificar a relevância ao presente recurso especial do art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64. Analisadas as normas do CTN sobre a matéria, é possível avançar na análise do ciclo de positivação do Direito tributário para cogitar, por hipótese, três possíveis reações do legislador ordinário: i) regular, sem restringir, a fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável; ii) restringir ou mesmo proibir que a interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida na penalização de conduta razoável; iii) quedarse silente, tendo em vista que os aplicadores do Direito tributário já se encontram suficientemente tutelados sobre a questão. O art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, como se vê, cuida da fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. O legislador ordinário requereu decisão da CSRF como requisito para a demonstração da razoabilidade da conduta do acusado capaz de evidenciar “dúvida” que lhe garanta a mais favorecida das interpretações e o afastamento de penalidades (“decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal”). Além disso, o legislador ordinário não exigiu qualquer constância de entendimento do Tribunal, valendose do singular (“decisão irrecorrível”) para fazer referência àquilo que serviria de escusa à aplicação de penalidade, enfatizando que o contribuinte não necessita ser parte do procedimento administrativo que deu origem à decisão paradigmático (“seja ou não parte o interessado”). Assim, perece correto compreender que a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, apresenta três espectros normativos. Primeiro, apenas declara a norma de escusa de penalidade à conduta razoável já prescrita pelo CTN, ao que se poderia chamar de meramente pedagógica ou didática21. Segundo, ao tornar prescindível a pluralidade das decisões de mesmo sentido, satisfazendose com uma única decisão irrecorrível da CSRF, o legislador ordinário tornou mais objetiva a aferição da “dúvida” que garante ao acusado a mais favorecida das interpretações. Por fim, ao exigir decisão irrecorrível da CSRF, o enunciado prescritivo por ser considera restritivo, pois tais condições não foram requeridas pelo legislador complementar. São controvertidas algumas questões sobre a eficácia da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Seria possível, por exemplo, questionar se haveria proporcionalidade na suposta distinção do legislador, em agraciar exclusivamente as relações jurídicotributárias atinentes ao IPI com uma norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Porque o legislador garantiria apenas em relação às relações em torno do IPI a aplicação de tal norma que, afinal, vivifica a segurança jurídica, a justiça fiscal e a boafé? Tais questões poderiam ser solucionadas, por exemplo, considerandose o caráter geral da Seção II da Lei n. 4.502/64, que trata “Da aplicação e graduação das penalidades”, com eficácia normativa sobre todos os tributos federais. No entanto, não me parece necessário enfrentar tais questionamentos, pois o presente caso seria igualmente solucionado com ou sem a aplicação direta da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. 21 Há no sistema jurídico normas cuja função é meramente pedagógica, declaratória, didática. Tais normas não são, em absoluto, imprescindíveis, já que não lhes cabe mais do que repisar de forma mais clara e eficaz à sociedade algum mandamento já existente no ordenando jurídico. A importância de normas gerais e abstratas meramente pedagógicas pode estar relacionada com a necessidade de se lembrar aos aplicadores do Direito a sua cogência, de modo que, quanto menor a eficácia social das normas do sistema jurídico, mais pertinência pode vir a ter enunciados prescritivos meramente pedagógicos, didáticos. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 697 66 Ocorre que, na hipótese da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ser aplicável apenas ao IPI e, assim, não poder ser suscitado aos casos envolvendo IRPJ e CSL, o art. 112 do CTN possui eficácia suficiente para vincular o julgador. Se o legislador ordinário quedouse silente ao voltar as suas atenções à tributação sobre a renda, o seu silêncio transmite a mensagem eloquente de que a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé administrativa foram adequada e suficientemente prestigiadas pelo CTN, não sendo necessário mais qualquer atividade legislativa para dar eficácia à norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Da mesma forma, não é aplicável ao caso concreto o Parecer Normativo COSIT n. 23, de 6 de setembro de 2013, que trata da força vinculante de um acórdão administrativo em relação a terceiros. Ocorre que, no caso concreto, não se trata simplesmente de aplicar, com força de norma complementar, o teor de um acórdão do CARF, emanado em relação a um terceiro, com a consequente exclusão de penalidades (CTN, art. 100, II). Tratase de reconhecer se há ou não a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN decorrente da constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal, que se aproxima mais da hipótese do art. 100, III, do CTN. 2.4. Qual a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose o débito principal das penalidades pecuniárias que o acompanham? Na análise da obrigação tributária objeto do presente processo administrativo, é preciso distinguir o crédito tributário da penalidade pecuniária (CTN, art. 113, §1º). Ocorre que a norma de escusa de penalidade à conduta razoável apenas tem eficácia sobre a penalidade pecuniária, sem afetar a cobrança do tributo (CTN, art. 3o). O art. 146 do CTN tutela os casos em que a administração fiscal altera o seu entendimento quanto à correta aplicação de uma norma de incidência tributária. Para os contribuintes que tiveram as suas condutas já fiscalizadas para averiguação de subsunção a uma norma tributária no período em que a administração mantinha, por exemplo, entendimento de não incidência, o referido dispositivo do CTN prescreve a inalterabilidade da situação jurídica estabelecida. Em relação aos exercícios ainda não fiscalizados, no entanto, a novel interpretação poderia ser legitimamente adotada, não havendo direito adquirido desse contribuinte à interpretação pretérita. Por sua vez, a ressalva “em relação a um mesmo sujeito passivo”, contida no art. 146 do CTN, não estende a terceiros a garantia de que serão observados, pela administração fiscal, idênticos critérios jurídicos para o lançamento do tributo. Assim, se duas empresas concorrentes forem fiscalizadas pela primeira vez, para a averiguação de fatos semelhantes, em um mesmo período, pelo mesmo agente fiscal, não há, a priori, garantia a nenhuma delas de que lhes seja aplicada homogênea interpretação jurídica. Da mesma forma, ainda que todos os concorrentes de uma empresa obtenham da administração fiscal um mesmo entendimento (não cobrança de um tributo, por exemplo), não poderia esse contribuinte, apenas por esse fundamento, exigir da administração fiscal não ser cobrado desse tributo. Ocorre que “as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, que por qualquer razão venham a ser alteradas, tem relevância para afastar penalidades, mas não afetam a cobrança do tributo em si (CTN, art. 100, III e parágrafo único). Como se constata, o ordenamento jurídico proíbe que o fisco castigue, com penalidades pecuniárias, o contribuinte que agiu, à época dos fatos, em conformidade com a interpretação então mantida pela administração fiscal. Mas a proteção em exame não proíbe a administração fiscal de alterar o seu entendimento e realizar a cobrança de certo tributo dentro do prazo de 5 anos, contados conforme o art. 150 ou 173 do CTN. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 698 67 Assim, se aplicável ao presente caso, a norma de escusa de penalidade à conduta razoável afastaria apenas a cobrança da multa imposta no AIIM. 2.5. O caso concreto se adequa às situações que reclamam a proteção da norma de escusa de penalidade à conduta razoável? No presente caso, é preciso aferir se, em 2006, quando a conduta do contribuinte foi concretizada, haveria uma padrão nas decisões deste Tribunal administrativo que indicasse como legítimo o caminho então trilhado. Já se verificou, na análise do mérito do presente recurso especial (vide tópico “1.4”), a evolução da jurisprudência do CARF atinente à “trava dos 30%”. A representação gráfica abaixo ilustra a constância do entendimento mantido pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes quando o contribuinte, em face de sua extinção por incorporação, realizou a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. Ac. 108‐06682, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐93438, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes CSRF, Ac. 01‐04258 Ac. 108‐07456, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2001 2002 2003 CSRF, Ac. 01‐05100 2004 Ac. 101‐94515, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95856, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2004 2006 Figura 06. Constância de decisões do CARF sobre a “trava dos 30%”. 2006 ANO DA EXTINÇÃO POR INCORPORAÇÃO E COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO ACUMULADO Ac. 105‐15908, 5ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95872, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09243, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐96509, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐07.856, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09447, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2006 2007 2008 2009 2007 2008 CSRF, Ac. 9101‐00401 2016 JULGAMENTO DO CASO CONCRETO PELA CSRF: POR VOTO DE QUALIDADE, DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE (…) Como se observa, em 2006, o contribuinte estava imerso em um sistema jurídico no qual as decisões enunciadas pelo CARF, inclusive por sua CSRF, manifestavam com constância que, em face de extinção da pessoa jurídica por incorporação, seria legítima a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 699 68 A CSRF se manifestou sobre a matéria em 2002 e em 2004, considerando legítima tal conduta, sem destoar da imensa maioria dos acórdãos proferidos pelas Turmas Ordinárias. É muito coerente a observação de ROBERTO DUQUE ESTRADA22 a respeito do cenário instaurado à época da conduta praticada pelo contribuinte (2006), in verbis: “Qualquer consultor em matéria tributária, entre dezembro de 2002 e outubro de 2009, quando indagado por clientes se uma pessoa jurídica, no período base de sua extinção, em virtude de cisão, fusão ou incorporação, poderia compensar integralmente o saldo de prejuízos fiscais acumulados, isto é, sem observar o limite de 30% de redução do lucro líquido, teria respondido afirmativamente à questão e classificado como muito remota a probabilidade de perda em eventual discussão administrativa. O consultor tributário fundamentaria sua resposta na jurisprudência consolidada da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), inaugurada pelo Acórdão CSRF/0104.258, de 1o de dezembro de 2002, da relatoria do conselheiro Celso Alves Feitosa, assim ementado: (…)” Apenas a partir de 2009 (ou agosto de 2010, quando foi formalizado o acórdão n. 910100401, da CSRF) é possível identificar uma mensagem diferente transmitida pelo órgão máximo de julgamento da administração fiscal quanto à legitimidade da conduta em questão. Dessa forma, caso se compreendesse aplicável o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, para situações envolvendo a tributação da renda (e não apenas IPI), então será forçoso concluir que há substrato fático para a sua incidência ao caso concreto: o dispositivo exige uma única decisão irrecorrível da CSRF para suscitar o afastamento de penalidade, mas o contribuinte possuía, à época dos fatos, dois acórdãos da CSRF que reconheciam a legitimidade de seu agir. Não obstante, ainda que por qualquer razão se considere inaplicável ao presente caso a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ainda assim deve ser reconhecida a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. No presente caso, o padrão da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte à época da conduta praticada pelo contribuinte, inclusive em face das decisões da CSRF, demonstra que os atos praticados apresentavam elevada razoabilidade e não seriam, a priori, considerados como sujeitos à punibilidade. Quando muito, haveria “dúvida” (CTN, art. 112, caput) quanto à sua “punibilidade” (CTN, art. 112, III). Tais normas do CTN, que tratam da interpretação da legislação ordinária, se dirigem diretamente aos agentes fiscais e aos julgadores (administrativos ou judiciais), não havendo discricionariedade quanto à sua obediência. Notese que a aferição da “dúvida”, no presente caso, se torna manifesta pelo próprio julgamento do presente recurso especial, ocorrido em 2016. Neste, houve empate entre os julgadores, pois 5 deles entenderam como legítima a conduta praticada pelo contribuinte, embora outros 5 tenham entendido pela ausência de permissivo expresso no sistema para a sua realização. Por voto de qualidade do i. Presidente da Turma, considerouse como não permitido o aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas sem a “trava dos 30%”. 22 ESTRADA, Roberto Duque. Não há segurança jurídica sem decisões estáveis, in CONJUR. Acesso em: http://www.conjur.com.br/2012nov21/consultortributarionaosegurancajuridicadecisoesestaveis Fl. 699DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 700 69 Assim, se em 2003, quando a conduta foi praticada, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte indicava para a legitimidade dos atos praticados pelo contribuinte, em 2016 apenas um voto, em meio a um colegiado composto por 10 julgadores, seria suficiente para que a conduta em questão fosse considerada perfeitamente legítima. Nesse caso, como adverte a doutrina acima analisada, “a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida” 23. 2.4. Conclusões finais quanto à imposição de multa contra o contribuinte. Por todos os fundamentos expostos, entendo que deve ser afastada a imposição da multa imposta no AIIM contra o contribuinte. No presente no caso, seria coerente que o contribuinte conduzisse os seus atos em conformidade com o padrão estabelecido pela constância das decisões do CARF, especialmente diante das decisões da CSRF que apontavam para a mesma direção. Se duas interpretações seriam possíveis, mas o órgão máximo de julgamento da administração fiscal confirmou que uma deles seria a correta, é razoável esperar que o contribuinte trilhasse por esse caminho, não sendo legítimo ao Estado lhe penalizar por agir de tal maneira. Certa vez, REGIS FERNANDES DE OLIVEIRA24 asseverou que “O contribuinte não pode se convencer da justiça da tributação a que se vê submetido porque não encontra racionalidade na tributação nacional. Registrase grande imoralidade fiscal no país”. Se a constatação desse professor estiver minimamente correta, urge que os operadores do Direito, especialmente os agentes fiscais e os membros dos tribunais administrativos e judiciários, empenhem os seus maiores esforços para que a justiça fiscal, a segurança judicia e a boafé nas relações entre fisco e contribuinte façam parte da realidade brasileira. Se no Brasil o contribuinte pode ter a confiança de, hoje, pautarse de boafé na forma como a administração fiscal interpreta e aplica reiteradamente uma certa norma jurídica, então nossa nação já terá evoluído para um Estado democrático de Direito que garante a segurança jurídica aos seus administrados. Contudo, se um particular corre o risco de amanhã vir a ser punido por ter agido exatamente da forma como a administração fiscal, por seu órgão máximo de julgamento, afirmava ser legítima à época dos fatos, então ainda falhamos vergonhosamente em termos de justiça fiscal, segurança jurídica e boafé nas relações mantidas entre fisco e contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Declaração De Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum Na sessão de março de 2016, essa Câmara se debruçou sobre Recursos apresentados pelo Contribuinte e pela PGFN em face de acórdão proferido pela r. 1a T.O. da 2 a Câmara desta 1 a Seção, assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. 23 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. 24 OLIVEIRA, Regis Fernandes de. Contribuições sociais e desvio de finalidade. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; (coord.). Direito Tributário: Homenagem a Paulo de Barros Carvalho. São Paulo: Quartier Latin, 2008. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 701 70 COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No julgamento dos recursos especiais, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) levada a termo no AIIM, bem como a cobrança de multa e juros de mora. Em relação à possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL sem observância da denominada “trava de 30%”, defendi sua inaplicabilidade em situações de extinção da pessoa jurídica que carrega em seus livros fiscais o prejuízo e/ou base negativa. Nessa matéria, corroboro os argumentos expostas pela d. Relatora. Outra argumentação, aduzida pelo Contribuinte, se refere à aplicabilidade do Art. 76, II, “a” da Lei 4.502/64. Embora a Lei tenha sido promulgada há mais de 4 décadas, podemos dizer que sua pertinência à situação em discussão é matéria nova no âmbito dessa Câmara. Alega que deveria ocorrer a exclusão de penalidade por ter agido de boafé, acompanhando o entendimento consolidado deste Tribunal à época dos fatos. Em primeiro lugar, cumpre transcrever a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: I aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, procurarem espontâneamente, a repartição fazendária competente, para denunciar a falta e sanar a irregularidade, ressalvados os casos previstos no art. 81, nos incisos I e II do art. 83 e nos incisos I, Il e III do art. 87; II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; c) de acôrdo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes. Defende o Contribuinte, baseado nesse artigo e inciso mencionados, que à época dos fatos interpretou o dispositivo legal em conformidade com interpretação constante Fl. 701DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 702 71 de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, portanto, irrecorrível dentro da sistemática aplicável ao processo administrativo. Em relação à vigência e aplicabilidade desse dispositivo nos tempos atuais, utiliza como argumentação a expedição do recente Parecer RFB 23/2013 como fundamento da aplicabilidade desse artigo. Nesse ponto, ouso discordar frontalmente do Contribuinte, já que o Parecer não se presta a essa finalidade, apenas mencionando o artigo em questão e não reforçando sua validade. Todavia, entendo que tal discussão não é relevante, já que o art. 76 da Lei 4.502/64 encontrase em sua plena vigência. Baseiome no fato de que a legislação do IPI (origem do dispositivo) passou por diversas mudanças e sua última regulamentação (Decreto 7.212/10, art. 567) ainda reproduz tal regra. Portanto, em minha opinião, não há dúvidas sobre sua vigência e aplicabilidade. E o Poder Executivo corrobora esse entendimento. Mas remanesceu a dúvida desse fato em razão da evolução legislativa no tempo. Isso porque o Código Tributário Nacional, recepcionado como Lei Complementar e posterior à Lei 4.506/64, traz regras específicas a respeito da matéria. Durante o julgamento, foi suscitado o art. 100 do Código, que, em seu inciso II, claramente menciona que as decisões dos órgãos administrativos somente podem ser encaradas como regra universal e posta se houver Lei que atribua caráter normativo à decisão. Senão vejamos: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ora, a leitura desse inciso do art. 100 do Código Tributário Nacional não coloca dúvidas a respeito sobre a continuidade do art. 76 da Lei. Especificamente em relação ao inciso III, que dá natureza de norma complementar às práticas reiteradas das autoridades administrativas, quantas seriam as decisões desse Conselho necessárias para considerar uma prática como reiterada? Não se trata de equação de simples solução, já que estamos navegando em um sistema tributário altamente complexo e de difícil compreensão. Contudo, a argumentação de que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 100, disciplinou as situações em que as condutas das autoridades fiscais possuem força normativa, ainda que complementar, não explica a existência da ressalva do artigo 76, II da lei 4.502/64. A saída não está no artigo que dispõe sobre a força dos atos de autoridade, mas sim naquele que disciplina a aplicação de penalidades. E, nesse ponto, adentro na análise do art. 112 do Código. Fundamentado na outorga de competência dada pelo art. 146 da CF/88, determina ao intérprete que deve considerar fatores como a “natureza ou às circunstâncias materiais do fato” para interpretar as Fl. 702DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 703 72 regras tributárias que definem penalidades. Em caso de “dúvida”, a norma deve ser aplicada “da maneira mais favorável ao acusado”, conforme se depreende: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. As decisões do CARF, quando vacilantes e finalizadas de forma pouco unânime (aliás, como no caso aqui em discussão), são verdadeiras demonstrações da existência de dúvidas quanto à extensão dos efeitos da aplicação de determinada regra jurídica. Quando falamos da CSRF, esse quadro é ampliado, já que os julgamentos dessa Câmara são fartamente utilizados por todos os aplicadores do Direito Tributário no Brasil. Enquanto não houver consolidação da jurisprudência na CSRF, haverá sempre dúvida razoável. No presente caso, podemos dizer que no ano de 2006 havia dúvida razoável sobre a aplicabilidade da limitação de 30% aos casos de extinção da pessoa jurídica? O Conselheiro Luis Flávio Neto, durante o julgamento, demonstrou de forma bastante eloquente a existência de decisões do CARF e também da CSRF favoráveis à tese defendida pelos Contribuintes. Esse quadro apenas se estabilizou a partir de 2009, quando foi formalizado o acórdão n. 910100401, dessa Câmara Superior. Somente a partir daí era possível identificar uma mensagem diferente transmitida pelo órgão máximo de julgamento da administração fiscal quanto à legitimidade da conduta em questão, de forma clara e evidente. Por tais razões, entendo que no caso em apreço deve ser afastada a aplicação de penalidade sobre as parcelas dos tributos que deixaram de ser recolhidas pela inobservância do limite de 30% estabelecido pela legislação. Em nome de verdadeira justiça fiscal e homenagem à proteção trazida pelo art. 112 do Código Tributário Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Fl. 703DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM
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Numero do processo: 13808.000993/95-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 09 93 /9 5- 83 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3201001.567, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. Incabível o lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência cuja exigibilidade encontrar se suspensa por medida judicial.” Não obstante a decisão acordada pelo Colegiado, importante trazer parte do voto do relator, que contempla a particularidade do caso concreto (Grifos meus): “Constatase que o tributo exigido neste Auto de Infração foi objeto de questionamento, pela recorrente, junto ao Poder Judiciário, que teve decisão transitada em julgado no sentido da exigência do Finsocial à alíquota de 0,5%, considerando inconstitucionais as majorações de alíquota da contribuição. A matéria submetida ao Poder Judiciário não foi conhecida pela instância a quo, tendo sido julgada parcialmente procedente a impugnação em relação a multa de ofício, que teve seu percentual reduzido para 75%. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA Processo nº 13808.000993/9583 Acórdão n.º 9303003.823 CSRFT3 Fl. 295 3 Em seu recurso voluntário, a recorrente contesta a exigência da multa de ofício, que entende indevida tendo em vista a mesma possuir, à época do lançamento, decisão judicial que lhe concedia a suspensão da exigibilidade da contribuição, bem como cartas de fiança bancária que garantiriam o débito. Delimitada a lide, observase que a recorrente, à época do lançamento (05/12/1995), possuía decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, nestes termos: Ante o exposto, julgo PROCEDENTE a medida liminar requerida, com eficácia provisória durante toda a pendência do processo principal, em relação fiança bancária apresentada nestes autos. (sentença fls. 62) (grifo nosso) Observese que, em que pese a decisão liminar obtida em 21/01/1992 (fls. 36) ter restringido a suspensão da exigibilidade do crédito ao “depósito em dinheiro ou fiança bancária da integralidade do quantum ora em discussão”, a sentença datada de 12/08/1992, ao conceder a medida liminar, a vinculou as cartas de fiança bancária apresentadas nos autos. Desta forma, sob pena de descumprimento de decisão judicial, não é permitido a este órgão administrativo invalidar as cartas de fiança devido a não acobertarem a totalidade do crédito tributário. Assim sendo, mostrase aplicável a disposição prevista no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, que determina a não aplicação da multa de oficio nos casos em que houver a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência da concessão de liminar ou de tutela antecipada: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 4 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a exigência da multa de ofício. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Relator” Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso especial, requerendo a exclusão da incidência dos juros moratórios exigidos no lançamento impugnado, aduzindo, entre outros, que: · Três anos antes da lavratura do Auto de Infração, a recorrente já havia recolhido a contribuição e ajuizado a ação de repetição do indébito, justamente pelo fato de que recolhera com base na alíquota de 2%, ao passo que a decisão judicial lhe garantiu o recolhimento com base na alíquota da 0,5%; · A ação judicial foi julgada totalmente procedente; · Dessa forma, não há que se falar também em aplicação dos juros de mora por falta de recolhimento, eis que o débito encontravase integralmente garantido e com a exigibilidade suspensa, sob pena de ser desconsiderada a própria sentença judicial; reconhecendo, assim, não ser devida qualquer quantia pela recorrente. O apelo do sujeito passivo foi admitido nos termos do despacho de fls. 282 de fls. 285. A Fazenda Nacional tomou conhecimento do Despacho de Admissibilidade, apresentando Contrarrazões, alegando ser correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que lançou o crédito tributário, com a incidência dos demais encargos legais como a multa de ofício e juros, pois entender de outra forma resultaria na declaração da inconstitucionalidade dos artigos 141 c/c art. 151, inciso II, do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96, violados com a decisão a quo, o que é defeso pelo CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA Processo nº 13808.000993/9583 Acórdão n.º 9303003.823 CSRFT3 Fl. 296 5 Depreendendose da análise do Recurso interposto pelo sujeito passivo é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, eis que a divergência apontada foi descrita adequadamente em seu recurso interposto. Eis que o confronto das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma 2401003.510 evidencia a divergência jurisprudencial sobre a inclusão ou não dos juros de mora, quando efetuado o depósito do montante integral do tributo. Neste passo, conheço do Recurso Especial do contribuinte. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado. Pelo voto de qualidade, a Turma não conheceu do recurso por falta de similitude fática entre o paradigma e a decisão vergastada. Essa conclusão se deu porque foi entendido que não se pode comparar depósito integral, previsto no inciso II do art. 151 do CTN, com carta fiança, para fins afastar a aplicação dos juros de mora. Neste momento, oportuno se faz discorrer acerca do significado extraído inciso II do art. 151 do CTN: O referido artigo 151 do CTN assim prescreve: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 6 V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Inciso incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001)” O depósito é o ato de o contribuinte depositar, voluntariamente, o valor integral do tributo supostamente devido. Pode ser definido também como a quantia debatida em juízo que, para fins de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, poderá ser entregue a uma instituição financeira determinada que fará a guarda do numerário (dinheiro) até o final do processo. O depósito, segundo o artigo 151, II do Código Tributário Nacional, constitui em uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Porém, para tanto, diz a súmula 112 do STJ, que é necessário que o contribuinte o realize de maneira integral e em dinheiro. O artigo 151, II do CTN, mencionado acima, também aduz à necessidade de o depósito ser feito de modo integral para que possa ocorrer a suspensão. Esse depósito tem a finalidade de evitar a aplicação de multa pelo atraso no recolhimento do tributo, bem como dos juros de mora. Segundo o art. 111 do CTN devese interpretar literalmente a legislação que disponha sobre suspensão do crédito tributário, mandamento que objetiva afastar qualquer ampliação do comando legal, e que, forçosamente, levanos à conclusão de que o depósito de montante integral não pode se equipara com carta fiança e, por conseguinte, suspender a exigibilidade do crédito tributário. Por derradeiro, a melhor lição a respeito do caráter dos juros de moratório é encontrada no voto do ilustre Professor Moreira Alves, nos autos do RE nº 906568, julgado pelo Pleno do STF. Diz ele: Os juros são, portanto, uma compensação que aufere o credor pela privação em que fica e também pelo risco que corre com o empréstimo de seu capital: sob este aspecto, podese dizer que os juros de qualquer espécie são compensatórios. Mas pode também acontecer que os juros não representem essa compensação, mas antes constituam sob uma forma precisa e fixa o equivalente legal das perdas e danos que nas dívidas de dinheiro ou coisa fungível podem resultar da mora no cumprimento da obrigação; chamamse moratórios, por isso são devidos pela mora. No direito tributário os juros de mora são regulados pelo art. 161 do CTN: Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Acerca da natureza penal dos juros de mora, ouçamos a doutrina de Bernardo Ribeiro de Moraes: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA Processo nº 13808.000993/9583 Acórdão n.º 9303003.823 CSRFT3 Fl. 297 7 Do ponto de vista do direito tributário, a natureza jurídica dos juros de mora é de sanção pecuniária em razão da impontualidade do sujeito passivo no cumprimento da obrigação, objetivando não retardar o recolhimento da respectiva dívida. Os juros de mora são devidos independentemente da prova de prejuízo do credor pela demora do devedor. Os juros de mora são, portanto, uma sanção (conseqüência do ilícito) pecuniária que tem causa jurídica na impontualidade em relação ao adimplemento da obrigação. Assim, os juros de mora serão devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual for o motivo determinante da falta. Na verdade, a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo do lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, o atributo da exigibilidade. Na forma da legislação em vigor, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decretolei nº 1.736/79, art. 5º), de sorte que a pretensão da interessada, ao alegar que os juros não incidem quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não pode prosperar. Por outro lado, a Norma de Execução Csar/CST/CSF nº 02, de 14/01/1992, determina, em seus itens II.B. 2 e II.B. 5, que o depósito judicial é considerado um pagamento na data em que efetivado, vale dizer, se o depósito foi efetuado após o prazo de vencimento do tributo devem ser exigidos juros moratórios. No caso de depósito efetuado dentro do prazo de vencimento, o DARF de conversão em renda da União Federal deve corresponder aos depósitos atualizados desde a data da efetivação até a data da conversão. Portanto, havendo conversão em renda da União Federal, e tratandose de depósito judicial efetuado dentro do prazo de vencimento do tributo, o crédito tributário está extinto, como, aliás, determina o art. 156, inciso VI, do CTN, pois o valor depositado é considerado, na amortização do débito, como um DARF pago, na data do depósito. Com a edição da Lei nº 9.703, de 17/11/1998 (conversão da Medida Provisória nº 1.721, de 28/10/1998), o depósito judicial passou a ser, obrigatoriamente, efetuado em dinheiro e junto à Caixa Econômica Federal, que, por sua vez, os repassa para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para o recolhimento dos tributos e das contribuições federais. Além disso, que, mediante ordem judicial, após o encerramento da lide, é devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável, ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, ou transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Portanto, a conversão do depósito em renda em favor da União, se for o caso, equivale a um pagamento, que deve ser confrontado com o valor do débito devido à data em que efetuado o depósito, de modo que essa é a razão pela qual, quando realizado no seu montante integral, deve inibir o lançamento de juros de mora por meio de auto de infração, ainda que para se prevenir o Fisco quanto à ocorrência da decadência. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 8 Na linha do raciocínio desenvolvido, o valor do depósito efetuado tempestivamente pelo contribuinte afasta qualquer discussão acerca dos juros de mora. Como dito alhures, o que afasta o juros de mora é o adimplemento da obrigação dentro do prazo estabelecido por lei. No caso de carta fiança, não houve depósito do crédito, apenas uma garantida para uma eventual ação de execução fiscal. Cravada a premissa que carta fiança não faz as vezes de depósito integral para fins de suspensão do crédito tributário e para o afastamento da incidência dos juros moratórios, retorno aos autos, analisando a decisão reclamada e o paradigma. No acórdão recorrido a suspensão se deu por existência de uma liminar, condicionada a apresentação de carta fiança. Já no paradigma, a suspensão teve supedâneo no depósito integral por parte do sujeito passivo. Uma simples operação metal de abstração conduz à claríssima percepção de falta de similitude entre as matérias fáticas discutidas na decisão combatida e na paradigmática. Ex positis, não conheço do recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720015/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DA INOVAÇÃO INCORRIDA PELA DRJ.
Acrescentando um fundamento diverso do Auto de Infração para manter a autuação, é evidente que a DRJ incorreu em inovação, razão pela qual este argumento deve ser desconsiderado por este e. CARF.
CANA-DE-AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição.
REFLEXOS: CSL
Aplica-se à CSL a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques, que lhe negava provimento. Fez sustentação oral, por parte do sujeito passivo, o Dr. Roberto Quiroga, OAB 83.755/SP.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Acrescentando um fundamento diverso do Auto de Infração para manter a autuação, é evidente que a DRJ incorreu em inovação, razão pela qual este argumento deve ser desconsiderado por este e. CARF. CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. REFLEXOS: CSL Aplicase à CSL a mesma solução que foi dada ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques, que lhe negava provimento. Fez sustentação oral, por parte do sujeito passivo, o Dr. Roberto Quiroga, OAB 83.755/SP. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 15 /2 01 4- 32 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 628/667) interposto contra o Acórdão nº 1451.823 (fls. 593/621), proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO, na sessão realizada em 24/07/2014, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação e manteve os autos de infração de IRPJ e CSL, lavrados em virtude da dedução integral pela Contribuinte dos gastos com o plantio do canavial, como se ela fizesse jus à depreciação acelerada incentivada. Tendo sido contextualizada a lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Em 24/02/2012, foi formalizado Termo de Início de Fiscalização (fls. 3/4), intimando a Contribuinte a apresentar, no prazo de vinte dias, o LALUR do anocalendário de 2009 e cópia do contrato social e de suas alterações. Cientificada em 24/02/2012 (fl. 4), a Contribuinte cumpriu com a fiscalização (fls. 5/33). Após diversas intimações, solicitando diversos documentos e/ou esclarecimentos, os quais foram devidamente cumpridos pela Contribuinte (fls. 34/333), finalmente, em 22/01/2014, a Fiscalização elaborou Relatório de Fiscalização (fls. 334/341 e docs. anexos fls. 342/348), cujos principais pontos podemos resumir assim: DO TRIBUTO “Desse modo, como a plantação de canadeaçúcar não se extingue com o primeiro corte, mas permite cortes adicionais, deve ser objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados), não se aplicando a depreciação incentivada concedida pelo art. 314 do RIR/99 [A Fiscalização sustentou essa conclusão no Parecer Normativo CST nº 18/79, nos ensinamentos de José Carlos Marion e Silvio Aparecido Crespaldi e no NBC T 10.14.5.6]. Neste caso, não se tem a extração de frutos, mas a própria cultura é ceifada, cortada ou extraída do solo. (...) Diante do exposto, considerando que os gastos com a formação do canavial do anocalendário de 2009 (plantio de cana conforme o Anexo I do Relatório de Fiscalização) são objeto de exaustão, dedutível gradualmente na apuração do resultado operacional da Fl. 672DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 672 3 exploração da atividade ao longo dos anos, ao invés depreciação acelerada rural integral no próprio ano de ocorrência, foi procedida a recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL e exigência de ofício das diferenças devidas.” – fl. 341. DA POSTERGAÇÃO “Ao se considerar as cotas dedutíveis de exaustão ao invés das cotas depreciação acelerada rural integral empregados pelo contribuinte na apuração do IR e da CSLL no anocalendário fiscalizado (2009) e subsequentes (2010 a 2012), verificase expressivo aumento no valor da base de cálculo do IR e CSLL (vide Anexo II do Relatório de Fiscalização), por conseguinte aumento no IR e CSLL devidos superiores ao originariamente declarados. Assim, não há que se falar, até o momento, de compensação no períodobase fiscalizado de valores pagos a maior nos exercícios seguintes. Verificase, desse modo, que o imposto de renda do anocalendário de 2009, a princípio postergado, não foi objeto de recolhimento em períodos subsequentes, pelo contrário, ao se considerar a base de cálculo do IR e CSLL declarada pelo contribuinte sem o excesso de dedução de depreciação integral, os valores a pagar nos períodos subsequentes são maiores, cabendo a autuação por redução indevida do lucro líquido” – fl. 340. DA MULTA ISOLADA “A fiscalizada optante pelo lucro real anual pagou a menor, mensalmente, no anocalendário de 2009, o IRPJ e a CSLL devidos por antecipação calculados com base em balancetes mensais, por deduzir em excesso na determinação do lucro real cotas de exaustão, conforme relatado anteriormente, sujeitandoa à multa isolada lançada de ofício no percentual de 50% sobre o valor que deixou de ser antecipado (vide Anexo III deste Relatório de Fiscalização), nos termos da Lei nº 9.430/1996, art 44, in verbis.” – fl. 341. Em 22/01/2014, a autoridade lançadora lavrou Autos de Infração, para constituição de IRPJ e CSL (fls. 349/368), referentes ao anocalendário de 2009, acrescidos de multa de ofício e isolada, compondo os seguintes valores: MEMÓRIA DE CÁLCULO IRPJ CSL TRIBUTO R$ 20.413.882,13 R$ 7.348.997,57 MULTA PROPORCIONAL R$ 15.310.411,60 R$ 5.511.748,18 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 MULTA ISOLADA R$ 7.771.442,79 R$ 2.779.583,31 TOTAL R$ 43.495.736,52 R$ 15.640.329,06 TOTAL R$ 59.136.065,58 A infração ao IRPJ foi assim descrita no auto de infração (fls. 352/353): “001 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS O contribuinte reduziu indevidamente o Lucro Real em virtude de antecipação no reconhecimento de custos ou despesas dedutíveis referentes à formação da lavoura de cana de açúcar, resultando no recolhimento a menor do IRPJ, conforme descrito no Relatório de Fiscalização, que integra o presente Auto de Infração. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251,273 e 274 do RIR/99 arts. 250 e 314 do RIR/99 002 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ POR ANTECIPAÇÃO MENSAL Falta de pagamento antecipado do Imposto de Renda Pessoa Jurídica calculado com base em balancetes mensais, conforme relatado no Relatório de Fiscalização. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2009 e 31/07/2009: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07” Com idêntica descrição, apenas alterando a fundamentação legal, foi lavrado o auto de infração de CSL (fls. 361/362). Em 27/01/2014, foi formalizado Termo de Devolução de Documentos (fl. 369), devolvendo o LALUR, o Livro Diário e os Balancetes para a Contribuinte. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 673 5 Intimada em 27/01/2014 (fls. 370/371 e 375/376), a Contribuinte, em 25/02/2014, apresentou impugnação (fls. 378/417 e docs. anexos – fls. 418/588), cujos principais argumentos foram muito bem sintetizados no Recurso Voluntário à fl. 634, razão pela qual transcrevemonos: “i) a discussão ora enfrentada diz respeito a uma cultura específica, qual seja, a canadeaçúcar. Por isso, o ponto de partida foi a indicação das características agronômicas da cana de açúcar, tarefa empreendida com base em parecer emitido por Professores da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ), vinculados ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA); ii) tendo em conta as características da canadeaçúcar, foram analisados(sic) as definições legais de depreciação e de exaustão, o que indicou que a cultura somente pode ser encartada como sujeita a depreciação; iii) com base em pareceres de estudiosos da FEAUSP e da FEA USP de Ribeirão Preto, essa solução foi confirmada pela análise da normatização contábil. Ou seja, a partir dessa perspectiva também se verifica que a depreciação é a classificação mais adequada para qualificar os custos da formação do canavial; iv) sucessivamente, promoveuse a interpretação do dispositivo que prevê a depreciação acelerada incentivada, para se chegar na norma jurídica que disciplina este assunto e, com isso, verificar que, diante do conteúdo e o alcance desta regra, é irrelevante, para os fins de fruição deste benefício, a distinção entre depreciação e exaustão; v) demonstrouse que as conclusões destacadas nos itens precedentes estão em conformidade com a jurisprudência desta Colenda Corte Administrativa. vi) por derradeiro, por força da regra da eventualidade, foram apontadas as imprecisões relativas à aplicação da multa isolada e à determinação da base imponível.” Em 24/07/2014, a 3ª Turma da DRJ/RPO, por meio do acórdão nº 1451.823 (fls. 593/621), votou, à unanimidade, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Aludido acórdão restou assim ementado à fl. 593: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. CANADE AÇÚCAR. EXAUSTÃO. DEPRECIAÇÃO. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6° da Medida Provisória n° 2.15970, de 2001. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela de imposto relativa a determinado anocalendário somente quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, fato que deve ser comprovado e não apenas alegado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” As razões que levaram a essa conclusão podem ser assim resumidas: DA POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE E DA FORÇA DOS PRECEDENTES “Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de aspectos de sua validade, não cabendo manifestarse sobre eventual ferimento a princípio insculpido na Constituição Federal. Quanto aos julgados do CARF, sabese que seus efeitos não são vinculantes, ante a inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa (art. 100 do CTN).” – fl. 612. DA NECESSIDADE DE SER ATIVIDADE RURAL Fl. 676DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 674 7 “Portanto, no caso em análise, no qual temos empresa com atividade rural de cultivo de cana, que fornece insumo para atividade agroindustrial, deve a contribuinte apresentar contabilidade por departamentos, apurandose de forma segregada o resultado do ‘departamento de atividade rural – cultivo de cana’ que será base para cálculo do insumo cana deaçúcar a ser utilizado pelo ‘departamento Agroindústria’. Entender de forma diversa seria estender o benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício [o que se extrai dos arts. 58 do RIR e 2º da IN SRF nº 257/02]” – fl. 615. DEPRECIAÇÃO X EXAUSTÃO “Concluise, portanto, que somente poderá ser deduzido no mesmo ano da aquisição o valor dos bens sujeitos à depreciação, de que trata o art. 305 do RIR, de 1999. A dedução integral não se estende aos ativos sujeitos à amortização e exaustão” – fl. 615. “Assentada essa premissa fundamental, passase a perquirir sua relação com a cultura da canadeaçúcar, a ver se esta estaria sujeita à depreciação ou à exaustão.” – fl. 616. Com base na obra “Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ”, de José Carlos Marion, no PNCST 18/79, no item 10.14.5.6 das Normas Brasileiras de Contabilidade, no art. 183, § 2º, da Lei nº 6.404/76 e em julgado do CARF, a DRJ defendeu que “(...) custo de formação de florestas ou de plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas voltam a produzir novos troncos ou ramos e permitem um segundo ou até um terceiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, ao longo do período total de vida útil do empreendimento, efetuandose os cálculos em função do volume extraído em cada período, em confronto com a produção total esperada que engloba os diversos cortes” – fl. 617. Nesse sentido, a DRJ destacou que, “Ao informar que ‘no caso dos ciclos da cultura canavieira, a touceira/soqueira é a parte subterrânea da canadeaçúcar que permanece viva, com suas raízes, corte após corte da planta, sendo que somente após quatro, cinco cortes a cultura da cana se torna economicamente inviável’ ou seja, se exaure a contribuinte também reforça o entendimento fiscal de que o método aplicável é o da exaustão.” – fl. 618. Por fim, reforçando esse entendimento, a DRJ questionou “(...) qual seria a quota de ‘depreciação’ aplicável à lavoura de canadeaçúcar em formação escriturada pela autuada? Inexiste norma que trate do tema, pois sobre recursos florestais e minerais se calcula a ‘exaustão’, na forma descrita no art. 334 do RIR/99 e não com base em percentual estabelecido, como no caso de depreciação.” – fl. 619. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 MULTA ISOLADA “Verificase, assim, que a multa isolada é devida pela falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais devidas, ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do anocalendário.” – fl. 620. POSTERGAÇÃO “A fiscalização, ao lavrar o auto de infração, analisou a ocorrência de postergação dos tributos e concluiu que eles não foram objeto de recolhimento em períodos subsequentes, ‘pelo contrário, ao se considerar a base de cálculo do IR e CSLL declarada pela contribuinte sem o excesso de dedução de depreciação integral, os valores a pagar nos períodos subsequentes são maiores, cabendo a autuação por redução indevida do lucro líquido’. Ademais, caberia à contribuinte demonstrar a tese da postergação tanto por meio de escrituração contábil e respectiva documentação comprobatória, quanto por intermédio de demonstrativos e planilhas, nos quais ficasse comprovada de maneira inequívoca a existência da postergação, o que não foi feito.” – fl. 620. Por sua vez, cientificada em 31/07/2014 (fl. 625), a Contribuinte, em 26/08/2014, interpôs Recurso Voluntário (fls. 628/667), aduzindo, em síntese, que: DA INOVAÇÃO INCORRIDA PELA DRJ “(...) [no acórdão proferido pela DRJ] apresentase fundamento não contemplado no auto de infração, o que, obviamente, não pode ser admitido. E mais. Nesse novo fundamento, desconsiderouse o perfil da agroindústria que, sem receio repetir de óbvio, conjuga atividades rural e industrial e ainda que a Recorrente apenas usufruiu o benefício tendo em conta os custos advindos da formação do canavial, que, ninguém ousaria duvidar, constitui atividade rural. Assim sendo, não há qualquer sentido a assertiva na direção de que haveria extensão do ‘benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício’.” – fl. 637. NÃO HOUVE CONTRADIÇÃO NA IMPUGNAÇÃO “(...) consoante se extrai da leitura isenta da impugnação, a Recorrente não sustentou que as touceiras ou soqueiras se exaurem após quatro ou cinco cortes. Na realidade, escorada no parecer de especialistas, disse que ‘a canadeaçúcar é uma planta que, em Fl. 678DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 675 9 condições ambientais normais, não sofre esgotamento após sucessivos cortes. Para que a planta deixe de produzir colmos é necessário que suas raízes sejam retiradas do solo’.” – fl. 640. DO PARECER NORMATIVO CST Nº 18/1979 O Parecer Normativo CST nº 18/1979, ao ampliar o conceito de recurso mineral ou florestal contido no artigo 183, § 2º, da Lei nº 6.404/76, para abarcar também as espécies vegetais de menor porte, violou o princípio da legalidade, deixando de atuar de forma vinculada à lei. Mesmo que fosse válido, o que se admite apenas para argumentar, o Parecer Normativo CST n° 18/1979, ele não poderia ser aplicado para justificar a qualificação dos custos de formação do canavial como sujeitos à exaustão, pois “(...) não é viável, destarte, igualar a cultura da canadeaçúcar às ‘plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem no primeiro corte, voltando, depois deste, a produzir novos troncos ou ramos, permitindo um segundo, ou até terceiro corte” – fl. 644. Nesse sentido, fez alusão a trecho da Solução de Consulta nº 33/87 da Receita Federal. DO ENQUADRAMENTO DA CANADEAÇÚCAR “Nos termos da Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 10.14 Entidades agropecuárias, as culturas agrícolas dividemse em temporárias, que se extinguem pela colheita, sendo seguidas por um novo plantio, e permanentes, que são aquelas com duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre colheita.” – fl. 645. Por sua vez, o Pronunciamento VII do IBRACON, interpretando o quanto disposto no artigo 179, IV, da Lei n° 6.404/1976, destacou se classificarem “(...) no imobilizado os direitos representados por bens tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil econômica, em praticamente todos os casos seja igual ou superior a um ano e que não estejam destinados a venda ou a transformação em numerário” – fl. 646. Por fim, “Na linha do disposto no § 2o do artigo 186 da Lei n° 6.404/1976, amplamente debatido no item precedente, o Pronunciamento VII do IBRACON prescrevia que ‘devem ser depreciados os bens tangíveis sujeitos a desgaste ou deterioração pelo uso e/ou ação da natureza, ou por obsolescência’. Já ‘o conceito de exaustão está ligado com bens tangíveis sujeitos a esgotamento por exploração (minas, jazidas, florestas), ou seja, recursos naturais que, Fl. 679DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 através de mineração, extração, corte ou outro procedimento, perdem a sua substância que se transforma em matériasprimas’.” – fl. 646. Com base nos dispositivos acima e nos pareceres colacionados com a Impugnação, a Contribuinte defendeu que a cultura de canadeaçúcar, por proporcionar mais de uma colheita, durar mais de um ano e não se esgotar, se enquadraria como cultura agrícola permanente, se classificaria como ativo imobilizado e deveria ser depreciada. Exercendo atividade rural e enquadrando a cultura de canadeaçúcar como ativo imobilizado, a Contribuinte faria jus ao benefício do artigo 6º da MP nº 2.15970/01, ou seja, ao reconhecimento integral, no próprio ano da aquisição, da perda econômica, por meio da depreciação, dos custos relativos ao bem adquirido. Ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, analisando o artigo 6º da MP nº 2.15970/01, constatou que “(...) a única interpretação compatível com o princípio da igualdade é aquela que autoriza a fruição do benefício da depreciação incentivada, independentemente do tipo de atividade rural, o que torna irrelevante a distinção entre depreciação e exaustão” – fl. 659. Quanto aos pareceres colacionados, destacou ainda que “Destarte, a solução empregada pela Recorrente recebeu o apoio, seja da academia, seja de empresa de auditoria e consultoria independente, intencionalmente reconhecida, sendo que tais elementos nem mesmo foram analisados pela Turma Julgadora.” – fl. 662. Ademais, a Contribuinte colacionou diversos julgados do CARF no sentido que o cultivo de canadeaçúcar se sujeita a depreciação acelerada e concluiu que “Enfim, a Turma Julgadora divergiu do posicionamento da jurisprudência administrativa” – fl. 666. DA MULTA ISOLADA “A multa isolada não pode prevalecer, porquanto, como longamente defendido, a Recorrente tem o direito de usufruir do benefício da depreciação acelerada” – fl. 666. DA POSTERGAÇÃO “No entanto, o que se deve ter em mente é que, neste caso, a postergação decorre da própria funcionalidade do mecanismo da depreciação acelerada incentivada. Ou seja, ao aplicar a depreciação incentivada, integralmente no primeiro ano, nos anos subsequentes a depreciação será adicionada no cálculo do lucro real, ou aumentando o lucro ou reduzindo o prejuízo. Consequentemente, pela conformação da depreciação acelerada incentivada, somente pode existir a postergação do pagamento do tributo.” – fl. 667. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 676 11 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do artigo 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos voluntários interpostos em face de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação relativa ao IRPJ e de CSL, quando reflexa ao IRPJ, razão pela qual é patente a competência desta C. Turma para apreciação do presente caso. No que tange à legitimidade, este requisito se faz presente, já que o recurso da Contribuinte está assinado por advogado (fls. 628 e 667) devidamente habilitado por procuração (fls. 418/419), que foi outorgada por pessoa habilitada para tanto (fl. 449), conforme demonstra o artigo 13, “a”, do estatuto social (fl. 437). Quanto à tempestividade, este requisito também se faz presente, vez que a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/RPO em 24/07/2014 (fl. 593) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 31/07/2014, uma quintafeira (fl. 625), e o recurso foi interposto em 26/08/2014, uma terçafeira (fl. 628), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, afinal o dies ad quem era 30/082014, que, por ser um sábado, seria prorrogado para o dia 01/09/2014. Nesse caminho, recebo o Recurso Voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS 1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos podem ser assim resumidos: 1. Houve inovação por parte da DRJ? Em se entendendo pela inexistência de inovação, somente faria jus ao benefício da depreciação acelerada a empresa que auferisse receitas de venda de sua produção rural? 2. A cultura da canadeaçúcar está sujeita a depreciação ou a exaustão? Poderia a Contribuinte ter se utilizado do benefício da depreciação acelerada contido no artigo 6º da MP nº 2.15970/01? 3. Em sendo negativa a resposta anterior, houve postergação do pagamento dos tributos? 4. Deve ser afastada a multa isolada? III. DA INOVAÇÃO INCORRIDA PELA DRJ Dispõe o artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001, transcrito no artigo 314 do RIR/99, que: Art. 6°. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Da leitura do aludido dispositivo, extraise que, para se valer do benefício da depreciação acelerada, o contribuinte deve explorar a atividade rural e os bens do ativo permanente imobilizado usados na atividade rural devem ser passíveis de depreciação. No que tange ao cumprimento do primeiro requisito exigido pelo artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001, ou seja, a exploração de atividade rural pela Contribuinte, a 3ª Turma da DRJ/RPO, por meio do acórdão nº 1451.823, afirmou que: “(...) no caso em análise, no qual temos empresa com atividade rural de cultivo de cana, que fornece insumo para atividade agroindustrial, deve a contribuinte apresentar contabilidade por departamentos, apurandose de forma segregada o resultado do ‘departamento de atividade rural – cultivo de cana’ que será base para cálculo do insumo canadeaçúcar a ser utilizado pelo ‘departamento Agroindústria’. Entender de forma diversa seria estender o benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício” – fl. 615. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 677 13 Refutando esse argumento, a Contribuinte asseverou que o aludido acórdão: “(...) apresentase fundamento não contemplado no auto de infração, o que, obviamente, não pode ser admitido. E mais. Nesse novo fundamento, desconsiderouse o perfil da agroindústria que, sem receio repetir de óbvio, conjuga atividades rural e industrial e ainda que a Recorrente apenas usufruiu o benefício tendo em conta os custos advindos da formação do canavial, que, ninguém ousaria duvidar, constitui atividade rural. Assim sendo, não há qualquer sentido a assertiva na direção de que haveria extensão do ‘benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício’.” – fl. 637. Realmente, da análise do Relatório Fiscal, constatase que a Fiscalização não questionou o cumprimento do primeiro requisito pela Contribuinte; apenas questionou o segundo requisito: se os bens seriam passíveis de depreciação. Confirase: “Desse modo, como a plantação de canadeaçúcar não se extingue com o primeiro corte, mas permite cortes adicionais, deve ser objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados), não se aplicando a depreciação incentivada concedida pelo art. 314 do RIR/99. Neste caso, não se tem a extração de frutos, mas a própria cultura é ceifada, cortada ou extraída do solo. (...) Diante do exposto, considerando que os gastos com a formação do canavial do anocalendário de 2009 (plantio de cana conforme o Anexo I do Relatório de Fiscalização) são objeto de exaustão, dedutível gradualmente na apuração do resultado operacional da exploração da atividade ao longo dos anos, ao invés depreciação acelerada rural integral no próprio ano de ocorrência, foi procedida a recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL e exigência de ofício das diferenças devidas.” – fl. 341. Assim, considerando que foi trazida nova discussão pela DRJ, é inconteste que ela, ao assim proceder, excedeu sua competência, que estava limitada a verificar a adequação do lançamento em face da legislação nele indicada, ou seja, a efetuar o controle da legalidade do ato administrativo do lançamento. A autoridade julgadora também desobedeceu aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, prescritos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, pois, no caso, Fl. 683DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 não pôde a Contribuinte presumir qual seria a fundamentação legal utilizada pela DRJ e, consequentemente, se defender dela em sede de impugnação. Nesse sentido, sustentando a impossibilidade de inovação do lançamento pela autoridade julgadora, há precedentes das três Seções deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quais sejam: Acórdão nº 9101001.638, da 1ª Turma do CSRF, Sessão de 18 de abril de 2013; Acórdão nº 9202002.879, da 2ª Turma do CSRF, Sessão de 11 de setembro de 2013; e Acórdão nº 9303001.690, da 3ª Turma da CSRF, Sessão de 05 de outubro de 2011. Desse modo, concluise que, confrontando o relatório fiscal com o acórdão proferido pela DRJ, foi trazido um novo fundamento para a manutenção da autuação, razão pela qual esse argumento não pode ser analisado por este e. CARF, por evidente inovação. Como o Sr. AFRF apresentou outro fundamento para a manutenção da autuação, a anulação do capítulo do Acórdão da DRJ fruto da inovação não é suficiente para o provimento do Recurso Voluntário, razão pela qual se passa a análise do outro fundamento. IV. DO BENEFÍCIO DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA Conforme visto no tópico anterior, para se valer do benefício da depreciação acelerada, o artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001 exige que o contribuinte explore a atividade rural e os bens do ativo permanente imobilizado usados na atividade rural sejam passíveis de depreciação. Demonstrada a impossibilidade de discussão quanto ao cumprimento do primeiro requisito, em virtude da inovação, quanto ao segundo requisito, a Fiscalização entendeu que ele não restou cumprido, uma vez que a lavoura de canadeaçúcar seria passível de exaustão e, não, de depreciação, de acordo com o PN CST nº 18/1979. Nada obstante, segundo o artigo 183, parágrafo 2º, letras “a” e “c”, da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A), o decréscimo do ativo permanente pode ser representado contabilmente com base numa das seguintes alternativas: §2° A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado registrada periodicamente nas contas de a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 678 15 Da mesma forma, o Pronunciamento VII do IBRACON salientou que “devem ser depreciados os bens tangíveis sujeitos a desgaste ou deterioração pelo uso e/ou ação da natureza, ou por obsolescência” e “o conceito de exaustão está ligado com bens tangíveis sujeitos a esgotamento por exploração (minas, jazidas, florestas), ou seja, recursos naturais que, através de mineração, extração, corte ou outro procedimento, perdem a sua substância que se transforma em matériasprimas”. Da leitura do aludido artigo e do pronunciamento, extraise que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão ocorre quando, durante o processo, o próprio bem é extinto. Assim, concluise que o que diferencia a exaustão da depreciação é o esgotamento ou desaparecimento físico do ativo. Devidamente diferenciada a exaustão da depreciação, cumpre verificar como se enquadra a lavoura da canadeaçúcar. Sobre o tema, a antiga 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, em sessão de 15/03/2012, no acórdão nº 140200.914 (processo nº 13855.003821/200854), defendeu que o canavial não desaparece, mas se desgasta. Vejamos: “O produtor da canadeaçúcar, a exemplo de outras culturas, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando, então, a baixa qualidade se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento. Após esse decurso o canavial tornase economicamente inviável pelo seu desgaste, deterioração do seu uso e por ações da natureza de onde se destacam o empobrecimento do solo e a superficialização do sistema radicular da planta, que diminuem a qualidade da sacarose.” (destacamos) De igual modo, a antiga 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF, em sessão de 12/06/2012, no acórdão nº 1202000.795 (processo nº 13116.002967/200755), asseverou que a lavoura de canadeaçúcar, diferentemente das árvores, não se exaure, permanecendo viva após cada plantio. Confirase: " De fato, o plantio da canadeaçúcar se dá através de mudas (toletes), que se fixam na terra e se denominam touceiras (os toletes com as suas raízes). Essas mesmas touceiras se desenvolverão e se tornarão colmos, que serão os "caules" da cana a serem cortados para a produção, dentre outros produtos, Fl. 685DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 16 de açúcar e álcool. O que se corta da canadeaçúcar, pois são os colmos, safra a safra, até que eles se tornem pobres em sacarose por conta dos sucessivos cortes e torne inviável, economicamente a lavoura anteriormente constituída, devendo o produtor, nesse momento, constituir uma nova lavoura para a respectiva exploração. Mas, durante toda a existência da lavoura, a cana plantada subsiste, invariavelmente, com a sua touceira (que, após o primeiro corte, se chama soqueira), ainda que um indivíduo eventualmente margeie a lavoura sem vêla, visto que a cana está fincada e enterrada sob a terra. O que se cortou, na verdade foi o seu colmo, a cana, todavia, lá permanece, viva, com sua touceira/soqueira enraizada na terra, pronta para crescer novamente. A lavoura de canadeaçúcar, assim, enquanto formada, safra a safra, permanece o tempo todo na terra — diferentemente do que ocorre com a exploração econômica de uma floresta, em que as árvores são cortadas e mortas, para plantação de outras, se for o caso (aqui, sim, caso de exaustão). A canadeaçúcar permanece viva, com suas raízes, corte após corte da planta, da mesma forma que uma árvore permanece viva após cada colheita de frutos e podas." (grifamos) Também nesse sentido, é o parecer dos Srs. Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, Mirian Rumenos Piedade Bacchi, Heloisa Lee Burnquist e Lucilio Rogério Aparecido Alves (fls. 489/499), in verbis: “A canadeaçúcar é uma cultura perene que não se exaure ou se esgota com o corte de seus colmos, componentes de sua aérea, que correspondem aos frutos desta cultura. Assim é que, na sua parte subterrânea (soqueira), a cana continua fisiologicamente ativa, mesmo após sucessivas colheitas de seus colmos para a extração do caldo e posterior transformação deste em açúcar e etanol, sendo que a reforma do canavial tem como justificativa essencial fatores econômicos inerentes a sua exploração. Dessa maneira, a canadeaçúcar é uma planta que, em condições ambientais normais, não sofre esgotamento após sucessivos cortes. Para que a planta deixe de produzir colmos é necessário que suas raízes sejam retiradas do solo” – fls. 495/496. Ainda nesse sentido, é o parecer da PWC (fls. 500/517): “A cada corte da canadeaçúcar não irá desaparecer a soqueira, o que se corta são os colmos, os quais rebrotam após o corte. A perda econômica do canavial não implica no desaparecimento físico do mesmo, diferente do cultivo de florestas para a comercialização e das jazidas de minério e de petróleo, onde o Fl. 686DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 679 17 próprio bem é utilizado ou consumido na atividade final da pessoa jurídica. Portanto, nosso entendimento é que os custos com a formação da lavoura de canadeaçúcar sujeitaramse à depreciação” – fl. 509. Corroborando com a linha acima exposta, foram ainda os pareceres da FUNDACE (fls. 518/545) e do Sr. Ariovaldo dos Santos (fls. 547/579). Portanto, com base nos acórdãos e pareceres acima, verificase que a lavoura de canadeaçúcar propriamente dita nunca se esgota ou acaba, pois, quando cortada, brota novamente e, assim, sucessivamente até que, após vários cortes, perde a produtividade, devendo ser arrancada, e, consequentemente, que ela é objeto de depreciação. Nesse sentido, é a Solução de Consulta n° 33, de 1987, segundo a qual “o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação”. Nesse mesmo sentido, é o Parecer MF/SRF/Cosit/Ditir n° 1.383/1995: “Os bens do ativo imobilizado (dispêndios aplicados na formação de canaviais), exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados, integralmente, no próprio períodobase da aquisição”. Por todos os motivos expostos acima, entendo que a Contribuinte preencheu o segundo requisito para fazer jus ao benefício da depreciação acelerada, previsto no artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001. Ainda que se enquadrasse a lavoura de canadeaçúcar como exaustão, como defendido pela Fiscalização, o que se admite apenas para argumentar e o que não é, destacase, o entendimento deste Relator, a Contribuinte faria jus ao benefício da depreciação acelerada. Semelhante entendimento é esposado pelo d. Conselheiro Marcelo Cuba Netto, como pode ser lido no Acórdão nº 1201001.243, publicado em 06/01/2016 e cujo julgamento ocorrera em 10/12/2015: “Em relação à primeira questão entendo que sim, os custos ativáveis na lavoura de canadeaçúcar, incorridos por pessoa que exerce atividade rural, submetemse à depreciação acelerada. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 18 É importante notar que embora seja possível defenderse, como fez a Solução de Consulta nº 05/2004, da DISIT da 4º Região, que a lavoura de canadeaçúcar sujeitase à exaustão e não à depreciação, o fato é que, a meu ver, o termo ‘depreciados’ contido no abaixo transcrito art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 (revogado em 1995 e, após, devolvido ao mundo jurídico pelo art. 6º da Medida Provisória nº 2.15970/2001), não deve ser interpretado em seu sentido técnicojurídico (o conceito de depreciação encontrase estabelecido no art. 183, § 2º, "a", da Lei nº 6.404/76): (...) Isso porque o art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 foi criado com a finalidade de conceder incentivo tributário à atividade rural como um todo, tal como definida em seu art. 2º, e não apenas às atividades rurais submetidas à depreciação em sentido técnicojurídico. Então, segundo uma interpretação finalística da lei, o termo ‘depreciados’ contido em seu art. 12, § 2º, deve ser compreendido como ‘deduzidos como despesa’.” Realmente, analisando o artigo 6º da MP nº 2.15970/01, constatase que, segundo uma interpretação finalística, é indiferente o bem do “ativo permanente imobilizado” ter o seu valor diminuído por exaustão ou depreciação, já que o benefício visa incentivar a atividade rural como um todo. Desse modo, seja porque a lavoura de canadeaçúcar está sujeita a depreciação, seja porque o art. 6º da Medida Provisória nº 2.15970/01 adota o conceito amplo de depreciação, correto foi o procedimento adotado pela Contribuinte e deve ser afastada a glosa da exclusão do valor relativo a canadeaçúcar. V. DA POSTERGAÇÃO DO TRIBUTO Diante do reconhecimento de que a Contribuinte faz jus ao benefício previsto no artigo 6º da MP nº 2.15970/01 e, por conseguinte, do provimento do Recurso Voluntário, deve ser reconhecido que restou prejudicada a questão relativa à postergação do tributo. VI. CONCLUSÃO Por fim, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e darlhe integral provimento, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 688DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 680 19 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10783.723297/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO. DOCUEMNTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS.
Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos.
PEDIDO DE RESTIUIÇÃO. SOBRE 13º SALÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS. EXISTÊNCIA DA MOLÉSTIA TIPIFICADA NO TEXTO LEGAL.
Para o gozo da isenção pleiteada, motivo dos pedidos de restituição, os valores recebidos, devem ser oriundos de aposentadoria ou reforma e pensão e que a moléstia existente deve ser comprovada por existência de doença grave, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
O laudo apresentado pela contribuinte foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e comprova a existência de doença grave.
No presente caso, ficou comprovado nos autos que a contribuinte aposentou-se em 19/05/2010, cumprindo o requisito, motivo do provimento parcial do recurso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório referente ao décimo terceiro de 2010.
Ronaldo de Lima Macedo Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO. DOCUEMNTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. PEDIDO DE RESTIUIÇÃO. SOBRE 13º SALÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS. EXISTÊNCIA DA MOLÉSTIA TIPIFICADA NO TEXTO LEGAL. Para o gozo da isenção pleiteada, motivo dos pedidos de restituição, os valores recebidos, devem ser oriundos de aposentadoria ou reforma e pensão e que a moléstia existente deve ser comprovada por existência de doença grave, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O laudo apresentado pela contribuinte foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e comprova a existência de doença grave. No presente caso, ficou comprovado nos autos que a contribuinte aposentou-se em 19/05/2010, cumprindo o requisito, motivo do provimento parcial do recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PRECLUSÃO. DOCUEMNTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. PEDIDO DE RESTIUIÇÃO. SOBRE 13º SALÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS. EXISTÊNCIA DA MOLÉSTIA TIPIFICADA NO TEXTO LEGAL. Para o gozo da isenção pleiteada, motivo dos pedidos de restituição, os valores recebidos, devem ser oriundos de aposentadoria ou reforma e pensão e que a moléstia existente deve ser comprovada por existência de doença grave, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O laudo apresentado pela contribuinte foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e comprova a existência de doença grave. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 32 97 /2 01 1- 30 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 No presente caso, ficou comprovado nos autos que a contribuinte aposentou se em 19/05/2010, cumprindo o requisito, motivo do provimento parcial do recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório referente ao décimo terceiro de 2010. Ronaldo de Lima Macedo – Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF SOBRE 13º SALÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A comprovação de moléstia grave, para fins de isenção do imposto de renda pessoa física, é feita através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou do Município devendo o laudo se revestir de detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes e conter diversos elementos que o embasam para se tornar um meio capaz de formar a convicção da autoridade. A Solução de Consulta Interna nº 11 Cosit, de 21 de junho de 2012, define que o laudo médico oficial deve conter elementos, entre os quais, a descrição do diagnóstico da moléstia, os elementos que o fundamentaram, a data em que a pessoa é considerada portadora, em caso de moléstia passível de controle o prazo de validade do laudo, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) e o número de registro no órgão público do médico oficial responsável. Sem conter o laudo médico os requisitos necessários, não se confirma a existência de moléstia grave prevista no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, não cabendo isenção do Imposto de Renda, nem a sua restituição de imposto retido na fonte pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 21ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sendo mantida a Decisão de fls. 74/79 que indeferiu o pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte, por não reconhecer o direito à isenção pleiteada. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Trata o processo de pedido de restituição indeferido pela autoridade preparadora. Em síntese, a contribuinte solicitava em seu pleito a restituição de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), sobre os décimos terceiros salários nos anos calendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, devido a doença incapacitante, conforme laudo médico apresentado pelo seu empregador, o Governo do Estado do Espírito Santo. A recorrente anexou decisão judicial que lhe deu direito à aposentadoria, por ser considerada, por perícia médica oficial, inválida para o trabalho. Ao analisar o caso, a fiscalização solicitou da recorrente, por termo próprio, a seguinte documentação, em síntese: 1) Laudo Pericial emitido por Serviço Médico Oficial que, nos termos da Informação Cosit nº 75, de 28 de novembro de 2003, contenha: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia compreendendo: I a descrição; II – o código correspondente à Classificação Internacional de Doenças (CID); III – os elementos que o fundamentaram; IV – a data a partir da qual o paciente deve ser considerado portador da moléstia; e) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial, ao fim do qual o paciente provavelmente esteja assintomático; f) a assinatura e a qualificação do(s) profissional(is) responsável(is) pela emissão do laudo pericial, sendo indispensável constar o nome completo e o número do registro no respectivo Conselho Regional de Medicina (CRM). Em 31/01/2012, conforme aviso de recebimento, a recorrente recebeu o termo acima. Como resposta, a recorrente apresentou a documentação que lhe serviu de fundamento para a aposentadoria por invalidez, com laudos e decisão judicial, já citados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) indeferiu o pleito, em síntese, nos seguintes termos: Assunto: Restituição de IRPF. 13º Salário. Exercícios 2008, 2009, 2010 e 2011 – Anos Calendário 2007, 2008, 2009 e 2010. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 138 5 Ementa: Pedido de Restituição. 13º Salário. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de Renda Pessoa Física, os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, quando o contribuinte for portador de moléstia grave, identificada em Laudo Médico Pericial. Dispositivos Legais: Artigo 39 do Decreto 3000/1999, artigo 6º, XIV da Lei nº 7.713/1988, artigo 47 da Lei 8.541/1992 e artigo 30, § 2º da Lei 9.250/1995. Pedido Indeferido. ... 10. Da análise do texto legal, depreendese que dois são os requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal que deve ser comprovada mediante laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial, conforme o dispositivo legal. 11. Com relação à natureza dos rendimentos da contribuinte, o documento de fls. 41, comprova que correspondem a proventos de Aposentadoria, com vigência a desde 01/10/2009, implicando assim, que este requisito está satisfeito a partir de tal data. 12. Entretanto, com relação ao fato do laudo médico em conformidade com a lei, não ter sido apresentado, implica assim, que o segundo requisito não está satisfeito. 13. Em que pese o fato da Declaração de Incapacidade para o Trabalho, emitida pela Perícia Médica da Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos do Governo do Estado do Espírito Santo ( fl. 52), informar que o interessado é portador de moléstia profissional, classificada no CID 10 M 65 9, (Sinovite e Tenossinovite), não foi constatado no referido documento, a informação de que a referida moléstia é passível de controle ou não, e em caso de ser passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial, bem como não foi mencionada a data de início da doença. 14. Portanto, não está o referido documento em consonância com o Laudo Médico Pericial solicitado, que deve ser emitido em conformidade com o texto legal (artigo 30, da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995), não podendo se considerado, portanto, documento hábil para análise da isenção em questão. 15. Nesse giro, é importante ressaltar também, que a essência de um laudo médico pericial, é uma exposição técnica e conclusiva, com base em fatos identificáveis, verificados e mencionados pelo profissional no exercício de sua função de perito. Tal se deve ao fato de o laudo pericial ser mais preciso e mais detalhado, precisão e detalhamento, estes, necessários à formação da convicção de seu destinatário, qual seja, a Receita Federal. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 CONCLUSÃO/PROPOSIÇÃO 16. Em face de todo o exposto, manifestome pelo indeferimento dos pedidos de restituição de fls. 03, 06, 09 e 12, com o não reconhecimento do direito à isenção de Imposto de Renda, uma vez que não foi comprovado mediante laudo pericial, nos termos que a lei estabelece, que a contribuinte é portadora de moléstia grave. Em 30/07/2014, conforme aviso de recebimento, a recorrente recebeu a decisão sobre o indeferimento. Em 12/08/2014, tempestivamente, a recorrente apresentou seu inconformismo com a decisão, alegando, em síntese, que, como bem relatado pela decisão a quo: "O texto lançado na declaração de incapacidade para o trabalho utiliza como fundamento legal, para deferimento da aposentadoria, o art. 195, I, da Lei Complementar 46/94 ( Lei Estadual), transcrito na impugnação. A norma em referência toca aos casos de invalidez permanente, ou seja, sem prazo determinado, em razão da moléstia que acometeu a Recorrente, moléstia não passível de controle. Não há que se falar em irregularidade do laudo médico por ausência de indicação do prazo de validade do laudo, por se tratar de moléstia não passível de controle. Em língua portuguesa o conceito de invalidez tange a qualidade ou estado de inválido e o conceito de permanente é “o que fica, contínuo”. Reproduz o art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, concluindo que se enquadra na hipótese legal de isenção fiscal. Outro ponto é a suposta ausência de indicação do início da moléstia incapacitante, sendo que o laudo pericial, em sua parte final, informa que a aposentadoria teve início em 13/04/2000. O ato que deferiu a isenção do imposto de renda, publicado no Diário Oficial do Estado em 11 de fevereiro de 2011, informa que o início dos sintomas da doença remonta à data de 14/05/1997, esclarecendo tratarse de incapacidade com data de validade indeterminada, não tendo respaldo a informação da SEORT de que teria inexistido indicação da data do início da moléstia. Evidente que a patologia foi iniciada antes do ato que reconheceu a incapacidade permanente para o trabalho. Transcreve decisões judiciais que amparam a tese de que o direito à isenção deve retroagir à data do início da doença. Preenchidos, portanto, os requisitos previstos na Lei nº 9.250/1995, Lei nº 7.713/88 e no Decreto 3.000, impõese a reforma da decisão proferida em desacordo com a legislação aplicável. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 139 7 Pelo exposto, requer a reforma do Despacho Decisório proferido pelo SEORT, reconhecendo o direito creditório postulado. A DRJ analisou os autos e julgou, como já assinalado, improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa transcrita, e com base, em síntese, nos seguintes argumentos: "Em análise ao documento apresentado, fls. 05, constatase que este carece de força probante para comprovação da existência de moléstia profissional, uma vez que se trata de uma declaração voltada especificamente para a aposentadoria da servidora, não constando a descrição da moléstia, os elementos que fundamentaram o laudo (exames médicos, conclusões, observações, esclarecimentos sobre a doença), especificação se a doença tratase de moléstia profissional, se é ou não passível de controle, se tem prazo de validade, a data do início da doença e o número de registro no órgão público do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial. Para se concluir pela validade de um documento como laudo médico pericial é necessário que tal instrumento se revista do detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes para se tornar um meio capaz de formar a convicção da autoridade fiscal, o que não acontece no laudo apresentado. ... Ressaltese que, ainda que a Contribuinte apresentasse um laudo médico hábil a comprovação da moléstia grave, somente seriam considerados isentos os rendimentos auferidos após a publicação da aposentadoria que se deu em 19/05/2010. Em 02/06/2015, conforme aviso de recebimento, a recorrente recebeu a decisão expressa no acórdão da DRJ. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 10/06/2015, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, os mesmos fundamentos já expressos nos autos. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, como já exposto nos autos, a legislação exige requisitos para o deferimento de isenção de IRRF oriundos de proventos e pensões: Lei 7.713/1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ... Decreto 3.000/1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ... XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão; ... Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 140 9 XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ... § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. A recorrente, em 30/01/2015, anexou documentação, em que consta laudo médico pericial, de 19/12/214, onde constam, de forma clara a descrição da moléstia, os elementos que fundamentaram o laudo, especificação de a doença tratarse de moléstia profissional, que a doença está ativa, que não há necessidade de retorno do paciente para reavaliação, que o prazo de validade do laudo é permanente, que a data do início da doença é de 14/05/1997, consta, por fim, o número de registro no órgão público do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial. Conforme já esclarecido nos autos para a recorrente, há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: 1. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS, devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão; e 2. EXISTÊNCIA DA MOLÉSTIA TIPIFICADA NO TEXTO LEGAL, sendo a comprovação da doença grave feita obrigatoriamente através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Nesse sentido, verificase que o segundo ponto está de acordo com a Lei. Não desrespeitamos o § 4º, Art. 16, do Decreto 70.235/1972, pois mesmo com laudo apresentado após a emissão da decisão a quo, esse se mostra válido para a solicitação do litígio, pois foi somente um detalhamento de outros laudos já apresentados, emitidos por órgão da administração pública estadual. A utilização dessa documentação para a solução da questão está em consonância com decisões já proferidas pelo CARF. Sobre a questão, muito bem desenvolve a questão da preclusão o nobre conselheiro Ronnie Soares Anderson, que no acórdão 2802003.088 assim se pronuncia: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 "A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativo tributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boa fé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizando se assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários." A documentação apresentada soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados, desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. Portanto, por todo exposto, o segundo requisito foi cumprido. Ocorre, na questão do primeiro requisito, natureza dos valores recebidos, consta dos autos que a recorrente somente se aposentou em 19/05/2010. Portanto, seu direito à isenção, fundamentada na documentação apresentada, somente ocorre após a publicação da aposentadoria, o que acarreta seu direito à restituição para o décimo terceiro salário de 2010. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 141 11 Nesse sentido, parcial o direito à restituição pleiteada. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer o direito creditório referente ao décimo terceiro de 2010, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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