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Numero do processo: 10831.000853/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 13/09/1999 a 07/01/2004
MULTA. ART. 633, II, "A", do Decreto 4:543/2002. REGULAMENTO ADUANEIRO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ADN COSIT Nº 12/97
Não é cabível a multa do art. 633, II, “a”, do RA, quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante.
MULTA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ART. 84 da MP 2.158-35/2001 E ART. 636, I, DO RA/2002.
Constatado o erro na classificação fiscal, é aplicável a multa do art. 84, I, da MP 2.158-35/2001.
PENALIDADES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2.
Os argumentos, que passam pela defesa da inconstitucionalidade da legislação utilizada para fundamentar o auto de infração, por ofensa ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2:
Conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3202-000.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Thiago Moura de Albuquerque Alves
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/09/1999 a 07/01/2004 Ementa: MULTA. ART. 633, II, "A", do Decreto 4:543/2002. REGULAMENTO ADUANEIRO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ADN COSIT Nº 12/97 Não é cabível a multa do art. 633, II, “a”, do RA, quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. MULTA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ART. 84 da MP 2.15835/2001 E ART. 636, I, DO RA/2002. Constatado o erro na classificação fiscal, é aplicável a multa do art. 84, I, da MP 2.15835/2001. PENALIDADES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. Os argumentos, que passam pela defesa da inconstitucionalidade da legislação utilizada para fundamentar o auto de infração, por ofensa ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2: Conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 91 16 /2 00 4- 17 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A fiscalização considerou ter ocorrido importação sem guia ou documento equivalente e com classificação fiscal diferente da correta que, em seu entendimento, deveria ser na posição 3002.30.90, relativa às "Outras vacinas para medicina veterinária”, e não na posição 3002.90.91 adotada pela empresa, alusiva a "Outras toxinas, culturas de microrganismos e produtos semelhantes’. Desta forma, foi lavrado o auto de infração às folhas 01 a 31 e cobradas a multa de controle administrativo (R$ 5.115.583,35), multa proporcional ao valor aduaneiro (R$ 97.818,98) e multa regulamentar (R$ 1.204,36), previstas respectivamente no artigo 526, II, do Decreto 91.030/85, com nova redação dada pelo artigo 633, II, "a", do Decreto 4:543/2002 e 636, I, do mesmo Decreto 4.543/2002; no art. 84 da MP 2.15835/2001; e no art. 84 da MP 2.15835/2001 c/c o art. 69 e 81, IV, da Lei nº 10.833/2003. Inconformada com a autuação, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgado totalmente improcedente a autuação (fls. 68 e ss.). Conclusos os autos, a DRJ julgou parcialmente procedente o auto de infração (fls. 91 e ss.). De fato, o acórdão recorrido rejeitou a alegação da contribuinte quanto à classificação do seu produto, na seguintes palavras: A interessada declara a mercadoria como sendo um antígeno e traz em suas razões de defesa a alegação de que o antígeno é o nome técnico utilizado para vacina. [...] Se considerarmos a mercadoria como vacina, sua classificação se dá na posição 3002.30, relativa a “Vacinas para medicina veterinária”. Já no caso de não ser considerada uma vacina, a mercadoria seria classificada na posição 3002.90, pretendida pela interessada e relativa a “Outras toxinas e culturas semelhantes”. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3202000.805 S3C2T2 Fl. 154 3 De qualquer forma, do ponto de vista merceológico, é inconteste que o produto declarado é uma vacina. Resta saber, da forma que se encontra, é suficiente para classificarse na posição 3002.30. A Regra Geral nº 2 “a’ de Interpretação do Sistema Harmonizado assim dispõe: “2.a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo, completo ou acabado. Abrange, igualmente, o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar”. Analisando o laudo técnico e as próprias declarações da interessada em sua impugnação, resta claro que a mercadoria importada, da maneira que se encontra, possuí todas as características essenciais de uma vacina, exceto em razão de seu envase em ampolas próprias para a aplicação nos animais. O produto químico em si já está fabricado, restando apenas à importadora a operação de esterilização dos recipientes, envase e acondicionamento em embalagens comerciais. Não se trata aqui de avaliar se o procedimento realizado é de natureza industrial ou não. Para fins merceológicos o que importa é que o produto importado já possui as características essências de vacina acabada e deve ser classificada como tal. Assim, considero correta a reclassificação das mercadorias em questão na posição 3002.30.90 por tratarse de uma outra vacina de uso veterinário. Em conseqüência, é devida a multa prevista no artigo 636, I, do Regulamento Aduaneiro. Porém, quanto à multa de controle administrativo (R$ 5.115.583,35), prevista no artigo 526, II, do Decreto 91.030/85, o acórdão recorrido acolheu as assertivas da empresa, para anular a referida penalidade, nos termos do ADN COSIT nº 12/97, porque “a interessada possibilitou o detalhado conhecimento do produto que estava sendo importado, bastando a um perito a mera análise dos elementos constitutivos para concluir que se tratar de vacina pronta”. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para julgar improcedente a autuação (fls. 102 e ss.). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido conjuntamente com o recurso de ofício. Em primeiro lugar, apreciou o recurso de ofício contra a anulação realizada pela DRJ da quanto à multa de controle administrativo (R$ 5.115.583,35), prevista no art. 633, II, “a” do Regulamento Aduaneiro de 2002, antigo artigo 526, II, do Decreto 91.030/85. In verbis: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): [...] II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e b) pelo embarque de mercadoria antes de emitida a licença de importação ou documento de efeito equivalente (Decretolei no37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); Como narrado no relatório, o acórdão recorrido destacou que a referida penalidade não é aplicável, por força do ADN COSIT nº 12/97, quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Observese: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e noart. 112, inciso IV, do Código Tributário NacionalLei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3202000.805 S3C2T2 Fl. 155 5 Examinado o presente processo, ratifico o entendimento da DRJ, de que a mercadoria importada foi corretamente descrita pela recorrente. Colhase, nesse aspecto, o seguinte excerto do acórdão recorrido: A interessada não declarou textualmente tratarse de produto de um produto que, no aspecto químico, não iria ser mais benefeciado. No entanto, informou todos os elementos que compõem a preparação analisada (anatoxina de clostridium tetani, hidróxido de alumínio, formaldeido e solução de cloreto de sódio e anacultutra de clostridium chauvoel e anatoxinas de clostridium perfringens (beta epsilon) do clostridium novyl e do clostidium sordelli). [...] Entendo que exigir do contribuinte o detalhamento do processo produtivo no campo “descrição de mercadoria” na DI seria um exagero, tendo em vista que estavam presentes todos os elementos necessários a correta identificação e classificação da mercadoria. Pelas mesmas razões acima transcritas, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo o acórdão recorrido nessa parte. No que diz respeito às demais multas, objeto do recurso voluntário e mantidas pelo acórdão recorrido, estão disciplinadas no art. 84 da MP 2.15835/2001 e do art. 69 e 81, IV, da Lei nº 10.833/2003: Art.84.Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1oO valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2oA aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. ****** Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. ****** Art. 81. A redução da multa de lançamento de ofício prevista no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, não se aplica: [...] IV às multas previstas nos arts. 67 e 84 da Medida Provisória nº2.15835, de 24 de agosto de 2001; À luz dos enunciados normativos acima reproduzidas, é preciso verificar se o pressuposto da sua cominação (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul) ocorreu ou não, para saber da correção das multas aplicadas. A DRJ entendeu que houve classificação equivocada, uma vez que a vacina (antígeno) importada está pronta para uso. Se considerarmos a mercadoria como vacina, sua classificação se dá na posição 3002.30, relativa a “Vacinas para medicina veterinária”. Já no caso de não ser considerada uma vacina, a mercadoria seria classificada na posição 3002.90, pretendida pela interessada e relativa a “Outras toxinas e culturas semelhantes”. Contra a assertiva do acórdão recorrido, de que se tratava de vacina com suas características prontas para o uso, a recorrente alegou o seguinte: ...Ocorre que os antígenos são recebidos do exportador, em bombonas de 50 litros e técnicocientificamente é impossível retirarse pequenas doses do produto dessas bombonas e aplicá lo diretamente nos animais. Esse procedimento (retirada direta da bombona para uso direto e imediato) implicaria na perda total do produto constante da bombona por pura e simples contaminação. Por esse motivo é que se torna absolutamente imprescindível, todo o procedimento Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3202000.805 S3C2T2 Fl. 156 7 industrial citado nas páginas 3 a 6 do Termo de Constatação, ou seja, esterilização externa das bombonas, esterilização dos equipamentos por onde circula o antígeno, envase asséptico, acondicionamento em embalagens comercial, de transporte, e controle de qualidade a ser certificada pelo MAPA (Ministério da Agricultura Pesca e Abastecimento) sem o qual o produto está proibido de ser colado no mercado. De acordo com a recorrente, portanto, o processo produtivo realizado pela empresa é imprescindível para não haver contaminação do produto. Ou seja, como bem assentou a decisão recorrida, o beneficiamento é feito, justamente, para manter as características essenciais da mercadoria, o que, ipso facto, atrai a classificação da posição 3002.30, por força da Regra Geral nº 2 “a’ de Interpretação do Sistema Harmonizado que assim dispõe: 2.a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo, completo ou acabado. Abrange, igualmente, o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Notese, ademais, que o fato de o processo produtivo se enquadrar ou não como industrialização é desimportante para os fins da classificação fiscal sob análise. O que interessa, como visto, é a mercadoria ter ou não as características essenciais do artigo completo e acabado – o que foi reconhecido no presente voto. Por fim, os argumentos da recorrente, que passam pela defesa da inconstitucionalidade da legislação que lastreia o auto de infração, por ofensa ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13609.902943/2011-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto.
MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgastade no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 29 43 /2 01 1- 32 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgastade no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. No cálculo da Cofins Não Cumulativa somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. REFRATÁRIOS. Materiais refratários são bens que se incorporam ao Ativo Imobilizado da empresa, ficando sujeitos à depreciação própria Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902943/201132 Acórdão n.º 3802003.577 S3TE02 Fl. 97 3 dos bens imóveis, não sendo considerados insumos para fins de creditamento. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. TAXA FLORESTAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Valores recolhidos a título de Taxa Florestal não integram o custo de aquisição dos produtos e subprodutos de origem florestal e não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao crédito relativo ao pagamento de taxas florestais, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 67 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 06/08/2013 (fls. 65), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 04/09/2013 (fls. 67), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902943/201132 Acórdão n.º 3802003.577 S3TE02 Fl. 98 5 A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de instalações; peças/manutenção elétrica, gastos com consultorias, material de laboratório, assistência técnica, alimentação, assistência médica e social, treinamento de pessoal, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança; gastos com telefone; material de escritório, gastos com bens de natureza permanente (carrinhos de mão, marretas, etc); gastos com combustíveis; outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Da mesma forma, não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque, como destacado na decisão recorrida, esta não integra o custo de aquisição do produto, sendo cobrada em função do “exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo desse tipo de produto”. Por fim, no tocante ao material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura, estes podem ser considerados insumos (material intermediário), desde que demonstrado que: (i) são consumidos ou desgastados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e (ii) não apresentem vida útil superior a trezentos e sessenta e cinco dias. Presentes os requisitos acima, o direito ao crédito decorre do próprio art. 8º, § 4º, I, “a”, da IN SRF nº 404/2004: “Art. 8º. [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Portanto, não é necessário o consumo integral e imediato do bem no processo produtivo. Tais requisitos foram aplicáveis apenas ao IPI no período de vigência do art. 32, I, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902943/201132 Acórdão n.º 3802003.577 S3TE02 Fl. 99 7 do Decreto nº 70.162/1972 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), que restringia expressamente o direito ao crédito aos insumos que fossem “consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização”: “Art. 32. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse do imposto; I Relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, importados ou de fabricação nacional, recebidos para emprego na industrialização de produtos tributados, por estabelecimento industrial ou pelo estabelecimento a que se refere o inciso III do § 1º do artigo 3º, compreendidos, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização;” Desde o Decreto nº 83.263/1979, inclusive à luz do Regulamento do IPI em vigor (Decreto nº 7.212/2010, art. 226, I), não há mais exigência de consumo integral e imediato: “Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” Nesse linha, cumpre destacar o seguinte julgado da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu o direito ao crédito em relação ao IPI: “TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPOE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIARIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL.” (STJ. 2ª T. REsp 18.361/SP, Rel. Min. Hélio Mosimann. DJ 07/08/1995, p. 23026) É por esse motivo que, mesmo para quem interpreta o conceito de insumo a partir da IN SRF nº 404/2004, não cabe condicionar o crédito ao consumo integral e imediato do produto intermediário. Apesar disso, no presente caso, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil do material refratário utilizado ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Tratase de prova imprescindível, porque, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 como bem ressaltou a DRJ, o desgaste de refratários pode variar em função do tipo do material ou mesmo da região em que o mesmo se encontra. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979182/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 82 /2 00 9- 85 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 19,52, ocorrido em 15/05/2003, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 2490839705. 141105. 1.2. 049422,, relativo ao período de apuração abr/2003. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.003,19, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902950/2011-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto.
REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringe-se ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005).
PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.
LINGOTEIRA. INSUMO. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
A lingoteira, para que possa ser considerada insumo, é necessária a demonstração de que não se trata de bem do ativo imobilizado. Não havendo qualquer laudo te´cnico ou documento que comprove o prazo de vida útil da lingoteira utilizada ou ainda a periodicidade de realização desses gastos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringe-se ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. LINGOTEIRA. INSUMO. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. A lingoteira, para que possa ser considerada insumo, é necessária a demonstração de que não se trata de bem do ativo imobilizado. Não havendo qualquer laudo te´cnico ou documento que comprove o prazo de vida útil da lingoteira utilizada ou ainda a periodicidade de realização desses gastos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 29 50 /2 01 1- 34 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. LINGOTEIRA. INSUMO. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. A lingoteira, para que possa ser considerada insumo, é necessária a demonstração de que não se trata de bem do ativo imobilizado. Não havendo qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil da lingoteira utilizada ou ainda a periodicidade de realização desses gastos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. LINGOTEIRAS Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902950/201134 Acórdão n.º 3802003.584 S3TE02 Fl. 112 3 Lingoteiras são bens que se incorporam ao Ativo Imobilizado da empresa, ficando sujeitos à depreciação própria dos bens imóveis, não sendo considerados insumos para fins de creditamento. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. TAXA FLORESTAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Valores recolhidos a título de Taxa Florestal não integram o custo de aquisição dos produtos e subprodutos de origem florestal e não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. REEMBOLSO DE ICMS. Valores pagos a título de “reembolso de ICMS” não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao crédito relativo a supostos reembolsos de ICMS, ao pagamento de taxas florestais, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 80 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A ciência da decisão recorrida ocorreu em 22/07/2013 (fls. 78), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 21/08/2013 (fls. 84), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902950/201134 Acórdão n.º 3802003.584 S3TE02 Fl. 113 5 materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de instalações; peças/manutenção elétrica, gastos com consultorias, material de laboratório, assistência técnica, alimentação, assistência médica e social, treinamento de pessoal, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança e outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Tampouco há direito ao crédito de reembolso de Icms. O direito ao crédito da Cofins restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). Da mesma forma, não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque, como destacado na decisão recorrida, esta não integra o custo de aquisição do produto, sendo cobrada em função do “exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo desse tipo de produto”. Além disso, não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;” Por fim, no tocante a lingoteira, para que esta possa ser considerada insumo, é necessária a demonstração de que não se trata de bem do ativo imobilizado. No presente caso, entretanto, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902950/201134 Acórdão n.º 3802003.584 S3TE02 Fl. 114 7 prazo de vida útil da lingoteira utilizada ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Portanto, sem essa prova, não há como se reconhecer o direito ao crédito. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10660.001404/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/PASEP e da COFINS, deve ser cancelado o lançamento referente às receitas advindas da cessão de crédito, conforme permissivo introduzido no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ricardo Marozzi Gregório.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/PASEP e da COFINS, deve ser cancelado o lançamento referente às receitas advindas da cessão de crédito, conforme permissivo introduzido no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé.
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BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS. Os ganhos de capital decorrentes de cessão de direitos não constituem receita operacional, devendo ser adicionados à base de cálculo do IRPJ no regime do lucro presumido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/PASEP e da COFINS, deve ser cancelado o lançamento referente às receitas advindas da cessão de crédito, conforme permissivo introduzido no art. 26A do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 14 04 /2 00 9- 47 Fl. 959DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0928.939 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 846 e segs., em sessão de 08/04/2010, que julgou parcialmente procedente o lançamento nos termos da Ementa que ora transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS Os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto" não são válidos por si mesmos, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; e se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real, devem ser desconsiderados. SOLIDARIEDADE PASSIVA E RESPONSABILIDADE PESSOAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nos casos de fraude, simulação e prática de outros atos ilícitos os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias e penalidades. MULTA QUALIFICADA Ocorrendo simulação com evidente intuito de fraude, cabível o agravamento da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser cancelado o lançamento referente às receitas advindas da cessão de crédito, conforme permissivo introduzido no art. 26A do Decreto n° 70.235/72. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 4 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 1a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação. À DRF/VAR/MG para ciência, ressaltandose o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. Io da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, e demais providências cabíveis. (...) O Relatório do referido Acórdão assim dispôs: Relatório Para a empresa EXPORTADORA VARGINHA LTDA foram lavrados, em 10/12/2009, os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$1.657.986,00 (fls. 02 a 04), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$622.897,33 (fls. 05 a 08), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$207.632,35 (fls. 09 a 11) e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep, no valor de R$44.986,93 (fls. 12 a 14), totalizando crédito tributário no montante de R$2.533.502,61, com juros de mora calculados até 30/11/2009. As infrações apontadas nos autos de Infração são: IRPJ 001 RECEITA NÃO OPERACIONAL OMITIDA A PARTIR DO AC 93 OMISSÃO DE RECEITA DEMAIS RESULTADOS AC 2005 CSLL sobre omissão de receita não operacional CSLL sobre omissão de receita não operacional a partir do AC 97 COFINS Omissão de Receita PIS PIS sobre omissão de Receita Falta/Insuficiência do PIS A multa aplicada foi de 150%. Às fls. 16 a 32, encontrase o Termo de Verificação Fiscal TVF, do qual se destacam os trechos a seguir: 2. A diligência fiscal na Exportadora Varginha (MPFDiligência n° 06.1.06.002008005903) que posteriormente foi convertida em fiscalização, resultou do procedimento fiscal nos seus sócios ALYSON CARVALHO ROCHA, CPF 984.440.42668, e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, CPF 860.582.66653, relativo aos lucros e dividendos distribuídos por essa empresa. (...) 6. Da análise do Contrato Social e das respectivas alterações contratuais da EXPORTADORA VARGINHA, constatouse a realização de um procedimento de Fl. 961DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 5 4 cisão parcial envolvendo esta empresa e a empresa COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA (mesmos sócios da Exportadora Varginha ), CNPJ 20.694.816/000170, relativo ao anocalendário de 2005, conforme literalmente descrito abaixo: "Os sócios resolvem e deliberam, por acordo unânime, cindir o patrimônio da EXPORTADORA VARGINHA LTDA em R$ 3.318.816,00 (três milhões, trezentos e dezoito mil e oitocentos e dezesseis reais) vertendoo para as sociedades EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA LTDA, estabelecida na Rodovia BR 040 s/n, KM 517, Bairro Liberdade, Ribeirão da Neves/MG, CNPJ 19.166.917/000199, conforme laudo de avaliação e protocolo de cisão parcial firmado entre as sociedades em 12/12/2003" (3° Alteração EXPORTADORA VARGINHA)." "Os sócios resolvem e deliberam, por acordo unânime, cindir o patrimônio da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFE LTDA em R$ 1.708.545,00 (um milhão setecentos e oito mil quinhentos e quarenta e cinco reais) vertendoo para a sociedade EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA LTDA, estabelecida na Rodovia BR 040 s/n, KM 517, Bairro Liberdade, Ribeirão da Neves/MG, CNPJ 19.166.917/000199, conforme laudo de avaliação e protocolo de cisão parcial firmado entre as sociedades em 10/05/2005" (18a Alteração contratual da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA.). 20. Em resumo, com base nas informações analisadas nos tópicos anteriores acerca da distribuição de lucros no anocalendário de 2005, concluímos que: 1° A comprovação da distribuição de lucros pela empresa EXPORTADORA VARGINHA se efetuou através de transferências on line depositadas diretamente na conta corrente conjunta dos sócios da referida empresa, ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, não oriundas da EXPORTADORA VARGINHA, que segundo o contribuinte distribuiu lucros aos mesmos, mas sim originárias da empresa EMBRASILEMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA, de acordo com os esclarecimentos prestados e documentos bancários apresentados pelo próprio contribuinte, fls. 89 a 105. 2° Da análise dos livros contábeis da EXPORTADORA VARGINHA constatamos que os valores recebidos da EMBRASIL no anocalendário de 2005, não transitaram por sua contabilidade, já que foram depositados diretamente na conta corrente conjunta dos sócios, caracterizando uma omissão de receita, de acordo com os arts. 521 e 528 do RIR/99, considerando que essa receita se originou de uma real cessão de crédito e não de uma suposta cisão parcial. Concluiuse também pela caracterização da sujeição passiva solidária dos sócios da interessada Adriano Ferreira Sodré, CPF 860.582.66653, e Alyson Carvalho Rocha, CPF 984.440.42668, nos termos do CTN, arts. 124, e 135, tendo sido lavrado o termo correspondente (fls. 43/44). Inconformados com o presente lançamento, do qual tiveram ciência, por via postal, conforme Aviso de Recebimento ARs, fls. 664/665, a contribuinte e os sócios, na condição de responsáveis solidários, apresentaram, em conjunto, as alegações expendidas na peça impugnatória, fls. 668 a 728, distribuídas conforme tópicos abaixo: TEMPESTIVIDADE DOS FATOS Fl. 962DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 6 5 DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE NOS ATOS DE CISÃO PARCIAL DA EMPRESA IMPUGNANTE E A IMPOSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO DA MULTA DE 150% 3.1. DA LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO DE CISÃO SEGUIDA DE INCORPORAÇÃO. Da inexistência de simulação. Da ausência de fundamentação para desconsideração das operações de reorganização societária praticadas licitamente pela impugnante C) Do ato jurídico perfeito e do planejamento tributário D) Da inexistência de razões para agravamento da mulata no percentual de 150% da exação fiscal 3.2 DA UTILIZAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO PELA EMPRESA CESSIONÁRIA/INCORPORADORA. DA INEXISTÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS DA SOCIEDADE AUTUADA. DAS QUESTÕES DE MÉRITO DOS EFEITOS FISCAIS DA RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS INDEVIDAMENTE DA TRIBUTAÇÃO PREVISTA NO ADI SRF 25/2003 DOS JUROS COMPENSATÓRIOS E MORATÓRIOS DA INCONSTITUCIONALIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS RECONHECIDA PELO STF CONCLUSÃO DA ANÁLISE DE MÉRITO 6. DA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DO ARROLAMENTO ADMINISTRATIVO DE BENS 7. CONCLUSÃO E PEDIDO Nesse último tópico assim concluem e requerem as impugnantes: "Com suporte em suas razões de fato e de direito retroexpostas em que se demonstrou a ilegalidade e a nulidade do lançamento, a Impugnante pede aos Ilustres Julgadores de primeira instância a procedência de sua impugnação para decretar o cancelamento dos Autos de Infração, bem como a extinção do crédito indevidamente constituído e arquivamento deste processo e dos processos dele decorrentes, tais como a representação fiscal para fins penais e o arrolamento de bens.” Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, que recebeu o n° 10660.001715/200914. É o relatório. No voto, assim decidiu a DRJ: A impugnação é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 7 6 Das arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade De início esclareçase que, de acordo com art. 7o da Portaria MF n.° 58, de 17 de março de 2006, que disciplinou o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, o julgador deve observar as normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.° 8.112/90), bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal SRF, hoje RFB, expresso em atos normativos. É vedada, então, a extensão administrativa a partes não integrantes do processo judicial, quando aquelas decisões forem contrárias às normas e atos que vinculam os julgados desta instância, haja vista o disposto nos arts. 468 e 472 do Código de Processo Civil. E mais, citações de doutrinadores e acórdãos do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, embora inestimáveis fontes de consulta, igualmente não obrigam esta relatora. (...) Súmula CARF n" 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, está prejudicada a análise de alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas contidas na legislação tributária Da inexistência de fraude nos atos de cisão parcial da empresa impugnante e a impossibilidade de agravamento da multa de 150% Contra a impugnante foi constituído auto de infração por insuficiência de recolhimento e omissão de receitas, em razão da desconsideração de operação de reorganização societária, cisão seguida de incorporação, por se tratar de negocio jurídico simulado. Sustenta a impugnante que não há como acolher os argumentos de que as cisões parciais seguidas de incorporação teria sido "uma manobra para encobrir a real operação, que na verdade foi a cessão de crédito", afinal o negócio jurídico praticado pela Impugnante reuniu todos os elementos necessários à sua formação, debaixo de uma lei válida e lícita, e, portanto, gozam da proteção constitucional ao ato jurídico perfeito artigo 50, XXXVI, e que cabe ainda ser trazido à baila, o fato do presente Auto de Infração não trazer qualquer fundamentação legal que permitisse a mesma "desconsiderar" as operações de cisão seguida de incorporação, bem como de qual teria sido a suposta simulação e conluio que esta usou como pano de fundo para arbitrar de forma grosseira a multa impugnada. (...) Alega ainda que pretendeu transferir parte do seu patrimônio, legalmente contabilizado em seus documentos fiscais, consistente no direito aos créditos oriundos de recolhimento indevido a recuperar junto ao Fisco Federal, para a empresa Embrasil – Empresa Brasileira Distribuidora Ltda.. E uma vez transferido o patrimônio e este incorporado no patrimônio da empresa sucedida a ela cabe dar o destino que melhor lhes aprouver. Na realidade foi outra a constatação da fiscalização, conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls 16 a 32. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 8 7 18. Na verdade, o que se constata é apenas uma alteração qualitativa no patrimônio da cindida, já que o patrimônio vertido a EMBRASIL créditos a recuperar (ainda pendentes de decisão definitiva na Receita Federal) retorna ao patrimônio da cindida na mesma data e no mesmo ato na forma de numerário, com a imediata entrega do mesmo a seus sócios a título de lucro distribuído. O que se constata via de regra em procedimentos de cisão parcial, é a divisão de parte do patrimônio de uma empresa que se verte para empresa. A contrapartida dessa cisão parcial é a participação dos sócios da empresa cindida proporcionalmente ao patrimônio incorporado no capital social da outra empresa. No entanto, se a empresa cindida recebe de volta o correspondente a essa participação, na mesma data e no mesmo ato da cisão, é como se a cisão de fato não existisse, mas sim uma cessão do patrimônio, no caso os créditos a recuperar. Em resumo, se torna evidente, que a aquisição dessas empresas não tiveram como intuito principal continuar com as suas atividades próprias, e sim a obtenção do reconhecimento final dos seus créditos junto à Receita Federal, visando uma futura negociação dos mesmos com terceiros. 56.7 No Instrumento particular de Cessão de Créditos Tributários fica evidente que a suposta cisão parcial realizada seria uma opção, caso a cessão de crédito não viesse a ser concluída com sucesso, deixando clara a sua intenção original de cessão desses créditos. Cláusula Sétima — Condições Gerais — Parágrafo Terceiro Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e outras Avenças "A PROMITENTE CEDENTE (EXPORTADORA VARGINHA) autoriza a PROMITENTE CESSIONÁRIA (EMBRASIL), optar pela realização de incorporação dos referidos créditos, mediante comunicação formal e expressa, ficando a PROMITENTE CEDENTE obrigada a providenciar, em conjunto com a PROMITENTE CESSIONÁRIA, toda a documentação necessária à realização da cisão de parte dos créditos da PROMITENTE CEDENTE e de sua incorporação ao patrimônio das PROMITENTES CESSIONÁRIAS" (grifo nosso) 56.8 A diferença entre os valores recebidos da EMBRASIL e o valor nominal dos créditos transferidos, é oriunda de deságio, comum nesses tipos de negócio. No que concerne aos negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto", temse que eles não são válidos por si mesmos, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; e se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real, devem ser desconsiderados. A substancia dos atos deve prevalecer sobre a sua aparência ou sobre a forma em que se apresentam. Assim, é de se verificar que no caso concreto não havia realmente a intenção de cindir a empresa, mas apenas ceder os créditos, cuja utilização na compensação com débitos de terceiros é vedada em função do que dispõe o art. 74 da Lei n° 9430/96. Alega a impugnante que '''conforme reconhece seguidamente o Termo de Verificação Fiscal (item 56 do TVF), que no protocolo de cisão datado de 10/05/2005, há a redação expressa de que a Exportadora Varginha (cedente) não tendo como aproveitálo (os créditos) por intermédio próprio decidiu transferilo Fl. 965DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 9 8 para a Embrasil vertendo este ativo para a mesma já que não possuía débitos próprios suficientes para compensálos". Apesar do alegado, configurase como simulação, esse comportamento do contribuinte em que se detecta uma discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para a exteriorização dessa vontade, revelada pela inadequação ou inequivalência da forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta. Isso porque o propósito jurídico de uma reorganização societária é a sua conseqüente reorganização, o que não ocorreu, visto que os sócios saíram da sociedade no mesmo ato em que se deu a cisão seguida da incorporação, recebendo de volta o correspondente a essa participação, na mesma data e no mesmo ato da cisão, caracterizando a operação intitulada "casa/separa". Cita o posicionamento da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão proferido no processo n° 10882.002039/200398, em sessão realizada no mês de março de 2010 onde a Câmara recorrida afastou a multa aplicada no percentual de 150%, mesmo reconhecendo expressamente a ocorrência da operação conhecida como "casa/separa". (...) O negócio jurídico, para traduzirse em um comportamento elisivo, legalmente aceito, não pode fraudar o sistema normativo em que foi erigido. Sendo o propósito do negócio entabulado a economia tributária, revelada pela fiscalização, e burlar a vedação contida na norma legal, devese ignorar o negócio realizado. E nesse ponto se apoia a fiscalização para imputação do dolo na operação realizada pela impugnante. Sobre os motivos que levaram a impugnante a realizar os procedimentos de cisão parcial apresentados pela a autoridade fiscal, destacamse os seguintes: 22. A COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ, representada ainda pelos antigos sócios, em 08/01/2002, nomeou como seus procuradores os advogados ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, fls. 575, para especificamente promover processo administrativo de restituição/compensação de créditos relacionados às quotas de contribuição sobre a exportação de café,cuja inconstitucionalidade foi declarada pelo STF. 23. Em 16/01/2002, os procuradores acima referidos protocolaram, em nome da empresa, pedido de restituição dos pagamentos feitos a título de quota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (IBC), conforme processo administrativo no 10660.000339/200266. 24. Paralelamente, em 16/02/2002, os mesmos procuradores impetraram Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Medida Liminar n° 2002.38.00.002053, no Juízo de Varginha, no sentido de determinar que o Delegado da Receita Federal de Varginha não aplicasse os dispositivos da IN SRF 41/2000 ao processo n° 10660.000339/200266, e que recebesse os formulários "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros". previstos no Art. 15 da IN SRF 21/97, na época já alterada pela IN SRF 41/2000 Em 24/01/2002, a Liminar foi concedida, fls. 1001 a 1015. 25. A Receita Federal em Varginha, através do Despacho Decisório referente ao processo administrativo n" 10660.000339/200266, fls. 602 a 607, em 04/04/2002, indeferiu o pedido referente ao item 27 por ter considerado decaído o direito de pleitear tal restituição. Dessa decisão foi apresentada manifestação de inconformidade junto à DRJ. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 10 9 32. De acordo com a 15a alteração contratual da empresa, fls , em 19/11/2002, os antigos sócios se retiraram da sociedade, cedendo e transferindo suas quotas para os advogados até então procuradores da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, na proporção de 50%, passando ambos a exercer a administração da sociedade. (...) 28 No âmbito judiciário, a União interpôs Apelação em Mandado de Segurança, e o Tribunal Regional Federal da 1a Região, em 15/02/2004, deu provimento ao apelo com a consequente reforma da sentença e denegação da segurança. Inconformados, os agora novos sócios impetraram no Superior Tribunal de Justiça, o Recurso Especial no 653553/MG, que teve seu provimento negado em 14/08/2007, fls a, e depois Embargos de declaração no Recurso Especial, julgado em 27/11/2007, fls. a, e Embargos nos Embargos de declaração no Recurso Especial, julgado em 11/03/2008, fls 580 a 601. Atualmente o Recurso Extraordinário no 597668/MG aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal. (...) 32. Diante da falta de êxito quanto ao recebimento do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros" pela Receita Federal, da vedação contida na alínea "a" do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei 9.430/96 e na IN SRF 41/2000 em relação à impossibilidade de compensação desses créditos com débitos de terceiros, os novos sócios, ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, resolvem em 12/12/2003, de acordo com a 17a alteração contratual, fls , por uma via mais rápida de se obter indiretamente a cessão desses créditos, cindir o patrimônio da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ em RS 11.055.000,00 (onze milhões e cinqüenta e cinco mil reais) vertendoo para as sociedades: EMBRASILEMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ 19.166.917/000199 e EMBRAEX TRADING IMPORT EXPORT LTDA, CNPJ 05.525.999/000106, atualmente denominada COBIMEX CONNECT BRASIL IMPORT EXPORT LTDA, conforme laudo de avaliação e protocolo de cisão parcial firmado entre as partes, fls. 2. 33. E de acordo com a 18° alteração contratual, em 10/05/2005, fls., os sócios acima referidos resolvem, mais uma vez, em uma 2a Cisão parcial, dita complementar, cindir o patrimônio da empresa COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ em RS 1.708.545,00 (um milhão, setecentos e oito mil e quinhentos e quarenta e cinco reais) vertendoo, desta vez, apenas para a sociedade EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA, CNPJ 19.166.917/000199, conforme laudo de avaliação e protocolo/justificação de cisão parcial complementar firmado entre as partes, fls. . 34. Dos fatos acima narrados, ressaltamos que os antigos sócios antes de transferirem a COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ para os novos sócios, reduziram o seu capital social a um valor inferior em comparação ao seu valor original, havendo uma desativação quase que total da empresa, restando apenas em seu ativo a possibilidade de recuperação desses créditos referentes à Contribuição sobre Exportação de café, no valor de RS 8.476.868,29 (oito milhões quatrocentos e setenta e seis mil oitocentos e sessenta e oito reais e vinte e nove centavos), gerando como contrapartida desse pretenso direito um registro em conta de patrimônio líquido. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 11 10 38. Em resumo, se torna evidente, que a aquisição dessas empresas não tiveram como intuito principal continuar com as suas atividades próprias, e sim a obtenção do reconhecimento final dos seus créditos junto à Receita Federal, visando uma futura negociação dos mesmos com terceiros. 39. É importante destacar, que independentemente do reconhecimento ou não desses créditos pela Receita Federal, o que se questiona é a realização de dois procedimentos de cisão parcial para, na verdade, encobrir uma real cessão desses créditos. 40. Ressaltamos, que tanto a COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ quanto a EXPORTADORA VARGINHA encontramse atualmente, desde o ano calendário de 2006, inativas, corroborando ainda mais a idéia de que a aquisição das mesmas foi exclusivamente com intuito de negociação dos seus créditos. Acerca da conduta dolosa, afora todas as doutrinas e controvérsias existentes, podese satisfatoriamente colherse no direito positivo brasileiro o conceito jurídico de dolo. O Código Penal (DecretoLei n° 2.848/40) prevê as figuras do dolo direto e do dolo eventual; tendo adotado a "teoria da vontade" em relação ao dolo direto e a "teoria do assentimento" em relação ao dolo eventual. Segundo a teoria da vontade, age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. São elementos do dolo (a) a consciência, isto é, o conhecimento do fato, a ciência de que a conduta é a conduta típica; e (b) a vontade de realizar a conduta típica. Eis o "dolo direto": a vontade consciente de realizar a conduta típica. Em outras palavras, age dolosamente (dolo direto) quem age sabendo que está agindo e querendo agir dessa maneira, mesmo que ignore completamente o caráter ilícito dessa ação. (...). Devese divisar aqui que o dolo é um dolo natural e não se confunde com o chamado "dolus malus". A consciência da ilicitude não é elemento interno ao dolo. Não se exige o conhecimento de que a conduta é uma conduta típica; não se perscruta, aqui, se o sujeito tem consciência da ilicitude, se sabe que a conduta é criminosa (ou, in casu, se a conduta é ou não sonegação/fraude qualificadora da multa proporcional de ofício). Apenas se exige que o sujeito tenha consciência de que a conduta é a conduta. Já o dolo eventual, conforme a teoria do consentimento, existe quando o sujeito tem a previsão da possibilidade de acontecimento do resultado e ainda assim realiza a conduta, ainda que não queira o resultado. O agente consente em realizar o resultado, mesmo que não o queira (irrelevância da vontade, substituída pelo assentimento). E aqui a diferença fundamental em relação à "culpa consciente", que acontece quando o sujeito prevê a possibilidade do resultado, mas com ele não assente, porque ele acredita sinceramente que o resultado não acontecerá. Pois bem. Simulação e fraude são condutas dolosas (dolo direto ou eventual). Para qualificar a multa qualificada, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo. Diante de tudo que foi exposto no TVF, transcrições acima, constatase a intenção inequívoca de aquisição da empresa somente para recuperação do crédito e como, judicial ou administrativamente, resultou infrutífera a utilização do crédito para compensação com débitos de terceiros, em razão da vedação contida na Lei n° 9.430/96, a impugnante resolveu simular a reorganização societária para encobrir a cessão onerosa do crédito para outras, se furtando a recolher os tributos ora exigidos e burlando a legislação vigente. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 12 11 Comprovada a prática dolosa, visto que a impugnante agiu consciente e voluntariamente, a Fiscalização aplicou corretamente a multa de ofício qualificada, nos termos do art. 44,1 e § 1o, da Lei 9.430/1996, que determina a incidência do percentual de 150% nos lançamentos de ofício, nos casos definidos nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64. (...) Da leitura do ato normativo é de dizer que a vedação contida na IN SRF n° 41, de 2000, permaneceu quando das alterações na sistemática da compensação, veiculadas pela MP n° 66, convertida na Lei n° 10.637, ambas de 2002, e passou a constar expressamente do art. 74, § 12, II, da lei n° 9.430/96. Não é diferente o entendimento adotado no voto proferido no Recurso Especial n° 653.553 MG (2004/00575251) interposto junto ao STJ pela Comercial Beneficiadora de Café Ltda, na Ação de Mandado de Segurança, processo n° 2002.38.00.0020533/MG . Tal decisão assim dispõe: (...) Assim, é imperioso concluir que não há ilegalidade na vedação contida no art. 1o da Instrução Normativa 41/2000 da SRF, porquanto amparada no art. 74 da Lei 9.430/96 (redação vigente à época da impetração). Por fim, cabe frisar no tocante à nova redação do artigo acima referido, que "será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros" (art. § 12, II, "a", da Lei 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei 11.051/2004).Diante do exposto, deve ser negado provimento ao recurso especial. É o voto. Dessa forma, desde a edição da IN SRF 41, de 2000, a compensação intentada pela impetrante, de débitos de terceiros com créditos a ela pertencentes, é vedada. As mudanças acarretadas com a alteração promovida pela Lei 11.051/94 foram quanto aos efeitos, advindos da entrega da Declaração de Compensação após a edição da citada lei, que são consideradas não declaradas, e entre outros efeitos, não se submetem ao rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Da utilização do direito creditório pela empresa cessionária/incorporadora. No que tange às alegações acerca de Despacho Decisório aos DCOMPS apresentadas pela incorporadora, que foram trazidas à colação apenas como notícia a corroborar com a tese da impugnante de que não houve intenção dolosa na suposta cisão parcial, cumpre esclarecer que, embora o referido Despacho seja em virtude da compensação indevida dos créditos cedidos na referida operação, as matérias não guardam relação de causa e efeito entre si, razão pela qual não serão aqui apreciadas. Da inexistência dos pressupostos legais para a responsabilidade solidária e pessoal dos sócios da sociedade autuada A fiscalização imputou aos sócios responsabilidade solidária e pessoal em razão do interesse comum dos sócios, assim fundamentando no TVF: 59. Como os sócios da empresa ora fiscalizada, exercem a administração da sociedade em conjunto, ambos tiveram interesse comum na situação que constituiu Fl. 969DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 13 12 o fato gerador e por conseqüência tiraram o mesmo proveito econômico, devendo, portanto, serem incluídos na relação jurídico tributária solidariamente com a empresa que "produziu " o mesmo fato gerador. Dentro do ponto de vista da nãoexclusividade, a responsabilidade pessoal, de acordo com o inciso III do art. 135 do CTN (Lei 5.172/66), não exclui a responsabilidade solidária. Pois conforme os fatos apresentados, depreendese que os atos praticados pelos sócios em nome da sociedade, na. realização dessas operações elaboradas 63. Pois conforme os fatos apresentados, depreendese que os atos praticados pelos sócios em nome da sociedade, na. realização dessas operações elaboradas pelos mesmos, foram derivados comprovadamente de uma má gestão. Com o intuito deliberado de ocultar, de impedir total ou parcialmente o conhecimento por parte da Fazenda da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, através de procedimentos de cisões parciais para encobrirem reais cessões de créditos, neutralizando, assim, indiretamente a vedação imposta pela alínea "a" do inciso lido parágrafo 12 do art. 74 da Lei 9.430/96 e pela IN SRF 41/2000 e conseqüentemente lesando os cofres públicos. Esses fatos, portanto, configuram atos praticados com excesso de poderes, e, principalmente, com infração à lei, fundamentando a hipótese de responsabilidade prevista no art. 135 do CTN abaixo citado 64. O que se agrava ao considerarmos que nessas operações houve beneficio exclusivo dos sócios administradores, que receberam as receitas oriundas das cessões de créditos da empresa via isenção de lucros distribuídos. E que agindo de forma dolosa, se utilizaram da sociedade em seu detrimento, reduzindo seu patrimônio praticamente em sua totalidade, praticando assim um ilícito societário grave, que motiva a responsabilidade pessoal dos mesmos. Conforme ensinamento de José Eduardo Soares de Melo, no seu Livro Curso de Direto Tributário (3a edição, Dialética, 2002, pag.200): "A solidariedade tributária (na linha do direito privado art. 896, parágrafo único, do Código Civil) consiste na possibilidade de a Fazenda poder exigir o tributo de mais de uma pessoa vinculada ao fato gerador. Embora o natural devedor do tributo seja o contribuinte, em face de sua vinculação pessoal e direta com a materialidade do tributo, podem existir pessoas a ela vinculadas, e que tenham interesse no respectivo ônus". O conceito de responsabilidade previsto no CTN tem um sentido de garantir o crédito tributário, uma responsabilidade patrimonial exclusivamente processual, decorrente não da prática do fato gerador ou de sua designação por lei como sujeito passivo, mas apenas da necessidade de viabilizar a persecução do crédito e garantir seu adimplemento. O art. 124 do CTN determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Na medida em que o interesse dos sócios administradores era somente a recuperação do crédito e que os rendimentos provenientes da cessão dos créditos foram parar nas contas desses sócios, por meio de operação de reorganização societária para encobrir a real cessão do crédito, não resta dúvida do interesse comum dos sócios no fato gerador da obrigação tributária revelada pela fiscalização. De outro lado, os sócios, sem interesse na continuidade das atividades da empresa, deliberaram por simular uma cisão parcial, conforme amplamente descrito Fl. 970DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 14 13 nos autos, recebendo as receitas oriundas do negócio realizado via distribuição de lucros. Na presente situação, em que se utilizou fraudulentamente a empresa, os sócios respondem pessoalmente pelos danos causados, nos termos art. 135, III, do CTN. Por tudo que foi exposto, não se pode afastar a sujeição passiva, pessoal e solidária dos sócios Alyson Carvalho Rocha e Adriano Ferreira Sodré. Das questões de mérito dos efeitos fiscais da recuperação de tributos pagos indevidamente Nesse tópico serão examinados em conjunto os subitens "DA TRIBUTAÇÃO PREVISTA NO ADI SRF 25/2003" e "DOS JUROS COMPENSATÓRIOS E MORATÓRIOS" em razão de constituírem desdobramento do mesmo assunto. Acerca do citado Ato Declaratório Interpretativo ADI, ressalta a autuada que: A edição do Ato Declaratório Interpretativo da SRF n° 25/2003 trouxe alguns esclarecimentos sobre os efeitos patrimoniais decorrentes da devolução de tributos pagos indevidamente, inclusive dos valores relativos aos juros recebidos. Há entendimento no sentido de que a restituição será tributada pelo IRPJ e pela CSLL se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Isto porque embora não configurem receita propriamente dita devem ser adicionados ao Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real) funcionando, na verdade, como neutralizadores de despesas anteriormente consideradas para fins de tributação do IRPJ e da CSLL. E tomando por base o referido ADI, a impugnante conclui que o lançamento deve ser refeito, afastandose o principal, com base no seguinte argumento: "O Ato Declaratório Interpretativo n° 25/2003 é omisso a respeito do tratamento que deve ser dado sobre essa matéria pelos contribuintes do IRPJ e CSLL calculados com base no lucro presumido ou lucro arbitrado. Em tais casos entende a Impugnante que prevalece o entendimento de que os valores relativos ao principal não são tributáveis se o sujeito passivo não se beneficiou anteriormente da dedução da despesa, como no caso da Impugnante". A impugnante alega ainda que é duvidosa a exigência de tributos sobre o montante dos juros recebidos e computados sobre os valores relativos a tributos pagos ou recolhidos indevidamente. Ressalta que o pagamento a maior ou indevido se assemelha a uma desapropriação e que a indenização paga pelo bem expropriado, que decorre do direito fundamental à propriedade, nada mais é do que a restituição, em dinheiro, do exato valor deste, nem mais, nem menos, não havendo espaço para se falar em ágio ou deságio. E certo também que, dentro do "justo preço" pago na indenização, estão considerados eventuais juros moratórios e compensatórios, dada a natureza indenizatória que os permeia. Para deslinde da questão cumpre examinar o Ato Declaratório SRF n° 25, de 24 de dezembro de 2003, abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 53 da Lei n9.430, de 1996, e o que consta do processo n 13603.001166/200276, declara: Fl. 971DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 15 14 Art 1o Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Art 2o Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Art. 3o . Os juros incidentes sobre o indébito tributário é receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cqfins e a Contribuição para o PIS/Pasep. Art. 4o No caso de reconhecimento das receitas pelo regime de caixa, o indébito e os juros passam a ser receita tributável do IRPJ e da CSLL no momento do pagamento do precatório. Art. 5o Pelo regime de competência, o indébito passa a ser receita tributável do IRPJ e da CSLL no trânsito em julgado da sentença judicial que já define o valor a ser restituído. § 1 No caso de a sentença condenatória não definir o valor a ser restituído, o indébito passa a ser receita tributável pelo IRPJ e pela CSLL: na data do trânsito em julgado da sentença que julgar os embargos à execução, fundamentados no excesso de execução (art. 741, inciso V, do CPC); ou na data da expedição do precatório, quando a Fazenda Pública deixar de oferecer embargos à execução. § 2 A receita decorrente dos juros de mora devidos sobre o indébito deve compor as bases tributáveis do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para PIS/Pasep, observado o seguinte: I se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito já definir o valor a ser restituído, é, no seu trânsito em julgado, que passam a ser receita tributável os juros de mora incorridos até aquela data e, a partir dali, os juros incorridos em cada mês deverão ser reconhecidos pelo regime de competência como receita tributável do respectivo mês; II se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito não definir o valor a ser restituído, é no trânsito em julgado da sentença dos embargos à execução fundamentados em excesso de execução (art. 741, inciso v, do Código de Processo Civil), que passam a ser receita tributável os juros de mora incorridos até aquela data e, a partir dali, os juros incorridos em cada mês deverão ser reconhecidos pelo regime de competência como receita tributável do respectivo mês; III se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito não definir o valor a ser restituído e a Fazenda Pública não apresentar embargos à execução, os juros de mora sobre o indébito passam a ser receita tributável na data da expedição do precatório. Da leitura do citado ato, verificase as disposições nele contidas tratam da tributação de valores restituídos a título de tributo pago indevidamente e, por isso, referido ato não é aplicável ao presente caso, já que o presente lançamento cuida matéria tributável diversa, qual seja, a exigência de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep Fl. 972DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 16 15 sobre o recebimento de outras receitas, oriundas da cessão dos créditos pertencentes à impugnante, para outras empresas. A devolução desses créditos cedidos é objeto do processo de restituição n° 10660.000339/200266 e das Declarações de Compensação a ele vinculadas. Do mesmo modo, não cabe aqui discorrer sobre as alegações acerca da validade ou não da exigência de tributos sobre juros incidentes sobre o indébito tributário, já que não é esse o fato gerador da presente autuação. Quanto a isso não há reparos a fazer no presente lançamento. Da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS reconhecida pelo STF Os lançamentos de oficio relativos à Cofins e ao PIS/Pasep decorrem da tributação de receitas advindas da cessão de crédito relacionados às quotas, de contribuição sobre a exportação de café, cuja inconstitucionalidade foi declarada pelo STF. Contra o lançamento, a impugnante alega a inconstitucionalidade da base de cálculo da Cofins determinada pela Lei 9.718/98, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS é a receita bruta, considerada como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto na Lei n° 9.718/1998, nos seguintes termos Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, No entanto, no julgamento dos RE n°s 390.840, 346.084, 358.273 e 357.950, o STF considerou inconstitucional a alteração trazida pelo § Io do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, relativamente à definição da base de cálculo das contribuições, mantendo se, portanto, para este fim, o texto das normas anteriormente aplicáveis. Abaixo, transcrevemse as respectivas ementas: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3o, § Io, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ARTIGO 3o DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior Fl. 973DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 17 16 à Emenda Constitucional n" 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, Jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. E inconstitucional o § 1o do artigo 3o da Lei n" 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Sobre tal questão, aquele Tribunal, em decisão recente, manifestouse no seguinte sentido O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1°do art. 3o da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Eilen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (Grifouse) DJE n°119, divulgado em 26/06/2009 ' Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Acerca da aplicação, no âmbito administrativo, das decisões proferidas pelo Poder Judiciário, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o procedimento administrativo fiscal no âmbito da RFB, recentemente alterado pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, determina que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6a O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...) Analisandose as decisões acima transcritas, proferidas pelo plenário do STF, concluise que o entendimento fixado no julgamento dos RE n°s 390.840, 346.084, 358.273 e 357.950, relativamente à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) definido pelo § Io do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, encontrase pacificado naquela Corte, reconhecendo o Tribunal tratarse de matéria de repercussão geral, e reafirmando expressamente a jurisprudência acerca da questão, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante. O entendimento manifestado pelo STF autoriza, inclusive, a sua adoção pelos tribunais Fl. 974DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 18 17 inferiores, retratandose ou declarando prejudicados os recursos pendentes relativos à mesma matéria, nos termos da Lei n° 11.418, de 19 de dezembro de 2006. Observese, por fim, que, em consonância com o entendimento pacificado no âmbito do Poder Judiciário, foi editada a já citada Lei n° 11.941/2009, revogando expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98: Art. 79. Ficam revogados: (...) XII o§l° do art .30 da Lei n0 9.718, de 27de novembro de 1998; (...) Assim, devem ser cancelados os créditos tributários constituídos de ofício relativos à Cofins e ao PIS, apurados sobre as receitas oriundas da cessão de crédito, em razão das decisões proferidas pelo STF relativas à inconstitucionalidade do § Io do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, nos termos da legislação acima transcrita. Da ilegalidade e inconstitucionalidade do arrolamento administrativo de bens A contribuinte alega que "É patente a inconstitucionalidade do artigo 64 da Lei 9.532/97 e sua respectiva normatização administrativa (Instrução Normativa 264/02), relativo ao dever de arrolar os bens do contribuinte previamente, antes da constituição definitiva do crédito tributário, caracterizada como uma verdadeira constrição patrimonial administrativa, como conseqüência a ilegalidade do registro nos assentamentos administrativos imóveis e veículos arrolados, impossibilitando sua comercialização, ferindo o princípio da propriedade, devido processo legal, ampla defesa e contraditório.'''' Conforme dito no início do voto é defeso ao julgador de 1a instância manifestarse acerca de ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor. Registrese ainda que o arrolamento e a representação fiscal para fins penais são formulados em apartado e não compõem o presente processo de exigência de crédito tributário, não se inserindo no âmbito de competência deste colegiado, definida no art. 174 da Portaria MF n° 95, de 2007, o pronunciamento acerca da regularidade do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. Da tributação reflexa Aplicase às contribuições sociais reflexas (CSLL), no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Da conclusão Diante do exposto, voto pela parcial procedência parcial da impugnação para: exonerar o crédito tributário referente aos Autos de Infração de COFINS e PIS/PASEP exigir o crédito tributário referente aos autos de Infração de IRPJ e CSLL; e, manter os Srs. Alyson Carvalho Rocha e Adriano Ferreira Sodré como responsáveis solidários pela exigência fiscal. Em 16/04/2010 a empresa foi notificada da decisão (fls. 860) apresentando tempestivamente Recurso Voluntário – (fls. 861 e segs.) em 14/05/2010, em conjunto com os sócios Alyson e Adriano, reiterando os termos da exordial. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 19 18 Em data de 21/09/2010, a Recorrente e os sócios nas condições de responsáveis solidários apresentam Razões de Aditamento ao Recurso Voluntário juntando aos autos inteiro teor do Acórdão 0226.996 da 1a Turma da DRJ/BHE, sessão de 31 de maio de 2010, exarado no PTA no. 13609.001603/200978, de interesse da empresa Embrasil Empresa Brasileira Distribuidora Ltda. (a qual adquiriu os créditos tributários da Recorrente via cisão da mesma), que, ao analisar os negócios realizados entre a Embrasil e a recorrente, entendeu por não estar configurada a evidência do intuito de fraude, exigência legal para agravamento da penalidade, em total desacordo com o Acórdão recorrido no presente processo, que manteve o agravamento da multa em 150% ao considerar os mesmos fatos. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Conheço do recurso interposto pela Recorrente e por seus sócios, mantidos como responsáveis através de Termo de Sujeição Passiva Solidária, por ser tempestivo. A preliminar de nulidade dos Autos de Infração deve ser rejeitada, uma vez que não configurada qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pela não ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, tampouco se discute a competência para prática dos atos administrativos relacionados com a constituição dos créditos tributários. As demais preliminares (ausência de fundamentação legal para desconsideração da cisão; ausência de indicação do fato gerador, pela tributação de base negativa na cessão de crédito; ausência de prova da fraude para qualificação da multa) são matérias que se confundem com o exame de mérito e, dessa forma, serão consideradas no contexto da essência da controvérsia. Como se vê do relatório, a acusação que pesa contra a Recorrente – e também contra seus sócios,em relação aos quais foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária – é de ter omitido receitas no ano de 2005, relacionada com os valores recebidos pelos sócios naquele ano, proveniente da cessão de ativos– direitos de créditos de pagamento indevido da contribuição denominada quota de exportação de café que foi julgada inconstitucional pelo STF. Cumprindo o que estava ajustado em contrato particular firmado em 20/04/2005, por meio de cisão parcial realizada em 10/05/2005 esses ativos da autuada foram transferidos e incorporados ao patrimônio da cessionária, a pessoa jurídica EMBRASIL – Empresa Brasileira Distribuidora Ltda, com simultâneo aumento de capital pelo patrimônio vertido, cujas novas quotas foram atribuídas aos sócios da empresa cindida (Exportadora Varginha Ltda) que, simultaneamente se retiraram da sociedade incorporadora mediante alienação de suas quotas aos sócios remanescentes da EMBRASIL. Portanto, a controvérsia gira em torno do valor recebido pelos sócios ser proveniente da cessão de direitos pela pessoa jurídica, ou dos efeitos da cisão com posterior alienação da participação societária. A essência de todos os fatos acontecidos e da acusação Fiscal pode ser extraída do próprio Termo de Verificação Fiscal, que a seguir transcrevo: Fl. 976DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 20 19 “56.2. No protocolo de Cisão apresentado, datado de 10/05/2005, fls. /, há a redação expressa de que a EXPORTADORA VARGINHA “não tendo como aproveitálos (os créditos) por intermédio próprio decidiu transferilos para a EMBRASIL vertendo esse ativo para a mesma (...)”, já que não possuía débitos próprios suficientes para compensálos. 56.3. A comprovação de existir uma Cessão de Crédito ao invés de uma cisão parcial, é confirmada, de forma inconteste, pelo Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e outras Avenças, datado de 20/04/2005 (data anterior ao respectivo Protocolo de Cisão datado de 10/05/2005, reafirmando ainda mais a intenção original de cessão desses créditos), firmado entre as empresas abaixo citadas, que literalmente assim dispõe: “A PROMITENTE CEDENTE (Exportadora Varginha) deseja vender, e a PROMITENTE CESSIONÁRIA (Embrasil) deseja adquirir os referidos créditos para compensálos com seus próprios débitos ou mesmo com débitos de terceiros junto à União Federal.”(sublinhados são do original) Pelo que se vê do próprio relato fiscal, nada foi ocultado e não há qualquer subterfúgio na operação de transferência de ativos, seja ela considerada concretizada por cessão de direitos, ou pela questionada cisão parcial. Pelo contrário, extraise do próprio relato fiscal a transparência do negócio jurídico realizado e a clareza da intenção das partes, convergente com os atos firmados. Procurando dar relevância ao efeito da cessão de crédito pela pessoa jurídica, o AuditorFiscal transcreve a cláusula do mencionado Instrumento Particular de 20/04/2005 que confirma a possibilidade de cisão, como uma “opção” da cessionária, manifestandose o Fisco nos seguintes termos no referido Termo de Verificação Fiscal: “56.7. No Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários fica evidente que a suposta cisão parcial realizada seria uma opção, caso a cessão de crédito não viesse a ser concluída com sucesso, deixando clara a sua intenção de cessão desses créditos.” (grifos são do original) E, em seguida, o AuditorFiscal transcreve a cláusula do Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários que tem a seguinte redação: Cláusula Sétima – Condições Gerais – Parágrafo Terceiro Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avenças “A PROMITENTE CEDENTE (EXPORTADORA VARGINHA) autoriza a PROMITENTE CESSIONÁRIA (EMBRASIL) optar pela realização de incorporação dos referidos créditos, mediante comunicação formal e expressa, ficando a PROMITENTE CEDENTE obrigada a providenciar, em conjunto com a PROMITENTE CESSIONÁRIA, toda a documentação necessária à realização da cisão de parte dos créditos da PROMITENTE CEDENTE e de sua incorporação ao patrimônio das PROMITENTES CESSIONÁRIAS”. (fls. 16/18 do TVF grifos são do original) Portanto, os documentos atestam negociação às claras, pelo que está afastada qualquer intenção dolosa das partes na formatação do negócio jurídico efetivamente realizado. Não se pode esquecer que o instituto da cisão deve ser legitimado como instrumento hábil para alocação de patrimônio de empresa cindida – no caso, ativos tributários Fl. 977DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 21 20 – que podem ser transferidos para outra pessoa jurídica que os incorpora em seu patrimônio, conforme previsto no art. 229 da Lei 6.404/76, verbis: “Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão.” Portanto, ainda que exista compromisso particular para cessão de ativos de uma pessoa jurídica à outra, nada impede que essa cessão de parcela do patrimônio possa ser implementada pela via da cisão, dependendo dos ajustes firmados pelas partes. No caso dos autos, esse ajuste está expresso, tanto no contrato particular, como no próprio instrumento de cisão parcial. A propósito, esse Tribunal Administrativo já deliberou sobre essa possibilidade de transferência via cisão, como se vê do Acórdão 1401000.692 de 24/11/2011 que tem a seguinte ementa: “CISÃO. RESTITUIÇÃO DE CRÉDITOS DE TRIBUTOS PAGOS A MAIOR. POSSIBILIDADE. A cisão é uma das formas de sucessão, pelo que não há restrição de transferência de créditos da empresa originária para a empresa cindida, desde que devidamente discriminados nos atos societários que formalizaram a cisão”. Não cabe discutir nestes autos se os “créditos tributários” podem ou não ser transferidos de uma pessoa jurídica para outra, pois, sob o prisma eminentemente jurídico, são ativos sobre os quais se admite a livre disponibilização. Tampouco é pertinente questionar se esses créditos tributários podem, ou não, ser utilizados pela pessoa jurídica que os recebe (cessionária), se há ou não regra jurídica que veda a pretendida compensação, pois essa matéria está relacionada com a conduta da cessionária dos créditos, sem qualquer implicação para a pessoa jurídica que faz a transferência (cedente) que é a interessada autuada neste processo. Cabe registrar que há nos autos informação de que a pessoa jurídica cessionária (Embrasil) foi simultaneamente autuada pela Receita Federal, sob a acusação de indevida compensação desses créditos transferidos, impondo o Fisco igualmente a multa agravada de 150% com o mesmo fundamento de suposta conduta dolosa na compensação. Em razões aditivas protocolizadas em 21/09/2010, a Recorrente traz aos autos o inteiro teor do Acórdão 0226.996 da 1ª. Turma da DRJ/Belo Horizonte, que em sessão de 31 de maio de 2010 afastou a multa agravada de 150% aplicada à cessionária, reduzindoa para 75%, concluindo aquela Turma Julgadora que não houve dolo nem fraude, pois “os processos de cisão não foram omissos em relação às cessões de créditos previamente contratadas”. Tem peso essa avaliação efetuada pela DRJBelo Horizonte, ainda que relacionada com a conduta da empresa cessionária (Embrasil), pois envolveu análise do conteúdo do mesmo negócio jurídico tratado nestes autos, só que na perspectiva da empresa que recebeu os créditos. Logo, o atestado da DRJBelo Horizonte no sentido de que na operação não houve dolo, nem fraude, vale para ambas as partes, ou seja, também para a Cedente, e não só para a Cessionária. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 22 21 Saneado o problema da licitude e da possibilidade da operação de transferência de ativos, cabe analisar os efeitos da mencionada negociação e a exigência dos tributos (IRPJ e CSLL) formalizada pelo Fisco pelos questionados Autos de Infração. Relembrese que a Exportadora Varginha Ltda (autuada) estava submetida à tributação pela sistemática do Lucro Presumido, pelo que o AuditorFiscal concluiu a fiscalização incluindo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL todo o valor recebido pelos sócios, acusandoa de omissão de receitas, como se transcreve do Termo de Verificação Fiscal: “IX – Da infração Fiscal Apurada na Exportadora Varginha Da Omissão de Receita no AnoCalendário de 2005 67. As receitas relativas à suposta “cisão parcial” (real cessão de crédito) ocorrida em 10/05/2005, efetivamente recebidas da EMBRASIL no anocalendário de 2005, foram tributadas como omissão de receita, visto não terem transitado pela contabilidade da empresa EXPORTADORA VARGINHA., com base nos arts. 521 e 528 do RIR/99.” Nesse ponto, tem sentido a objeção da Recorrente, pois se os valores foram creditados nas contas correntes dos sócios que consideraram como provenientes de alienação de quotas de capital obtidas no processo de cisão, como atestado pelo Fisco, é natural que nem poderiam transitar pela contabilidade. Por outro lado, se o Fisco desconsidera os efeitos da cisão para acusar que houve negociação de ativos (“cessão de direitos”), o valor recebido na operação não se qualifica como “receita”. Pelo contrário, na alienação de bens e direitos de titularidade da autuada é pertinente a apuração de “ganho” ou “perda” de capital. Sendo a tributação pelo Lucro Presumido, só o eventual ganho apurado na negociação é que seria possível de ser adicionado na base de cálculo, nos termos do mesmo art. 521 do RIR/99 que está indicado no Auto de Infração do IRPJ. Essa é também a clara orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, como se depreende da Solução de Consulta publicada nos seguintes termos: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 137 de 12 de Novembro de 2012 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS. Os ganhos de capital decorrentes de cessão de direitos referentes a precatórios não constituem receita operacional da consulente, devendo ser integralmente adicionados à base de cálculo do IRPJ, no regime do lucro presumido. Importante observar o enfrentamento do tema por este Tribunal,a saber (Acórdão nº 130200.919, de 12/06/, 2ª. T.O. / 3ª C. / relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado): Fl. 979DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 23 22 [...] RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO. O estatuto social define de modo preciso e completo o objeto social da pessoa jurídica. A cessão de direitos creditórios decorrentes de ações transitadas em julgado, adquiridos de terceiros, além de não integrar o objeto social da recorrente, não tem a natureza de serviços prestados. Os créditos judiciais foram adquiridos e incorporados ao patrimônio da recorrente e revendidos a terceiros com ganhos. Assim, não compõem a receita bruta operacional. O ganho efetivo apurado nas respectivas operações deve ser tributado na forma estabelecida no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda.” Vêse que o resultado de alienação de um direito / ativo deva ser tratado através de tributação que incida sobre o efetivo ganho de capital, ou seja custo menos valor da operação de venda. E, no caso dos autos, ainda que prevalecesse a visão do agente fiscal, considerando referida “cessão de direitos” como outras receitas, somente o resultado positivo de tal operação (custo menos valor de venda = lucro) deveria ser tributável. No entanto, não foi esse o tratamento adotado pelo Fisco nos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL. Com efeito, relata o AuditorFiscal no mencionado Termo de Verificação que: “36. De acordo com a 3ª. Alteração contratual da EXPORTADORA VARGINHA, fls. –a , em 10/05/2005, os sócios ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, na busca de uma via mais rápida de obter indiretamente também a cessão dos créditos dessa empresa, resolvem cindir o patrimônio da sociedade em R$ 3.318.816,00 (três milhões, trezentos e dezoito mil e oitocentos e dezesseis reais), vertendoo para a sociedade EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA, conforme laudo de avaliação e protocolo/justificação de cisão parcial firmado entre as partes.” Interessante observar que os ativos transferidos tinham como valor contábil registrado R$ 3.318.816,00. A incorporadora de tais ativos – EMBRASIL – teria pago por esses o valor de R$ 2.292.437,40, ou seja, foi aplicado um deságio. Mesmo que fosse entendido como uma mera transação entre empresas para a venda de ativos, e não uma operação societária, o resultado reconhecido para essa foi negativo. Este fato vêse apontado no Termo de Verificação Fiscal, descrito como: “ocorrendo, no negócio, um deságio [...] correspondente a aproximadamente a 31% do patrimônio vertido” (item 16.2 do TVF).Concluiu o AuditorFiscal no mesmo Termo de Verificação: “56.8. A diferença entre os valores recebidos da EMBRASIL e o valor nominal dos créditos transferidos, é oriunda de deságio, comum nesses tipos de negócios.” Fl. 980DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 24 23 Como é conhecido, operações desta natureza ocorrem sem haver um ganho tributável pra quem vende. Digase, mesmo o agente fiscal reconhece isto como acima exposto. No quesito agravamento da multa, em meu sentir, os fatos foram todos postos e facilmente conhecidos pelo simples manuseio dos registros contábeis e societários da Recorrente. Quando muito, uma possível divergência de entendimento entre o agente fiscal (pela forma estima ser tributada tal operação) e o aplicado pela Recorrente. Mas mantendome sob o entendimento de que ocorreu uma operação de cunho societário onde temos uma cisão seguida de incorporação por terceira empresa, ficaria prejudicada a aplicação da multa. Na mesma esteira, entendo que não cabe aqui a manutenção dos Termos de Sujeição Passiva Solidária relacionados aos sócios Adriano Ferreira Sodré e Alyson Carvalho Rocha, (i) seja em decorrência da legitimidade da operação (cisão seguida de incorporação); (ii) seja porque todos os atos praticados estão registrados na Recorrente (empresa cindida ou “vendedora” de crédito declarado), não sendo constituída a figura delituosa. Tenham as cobranças de contribuições sociais reflexas, no que couber, o que está sendo aqui decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Por todo o exposto, voto em dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 19515.008056/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É DEFINITIVA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUANDO NÃO INTERPOSTO NO PRAZO LEGAL. Interposto o recurso voluntário fora do prazo, por força de lei deve dele não admitir e tomar conhecimento.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, deve-se exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou origem e oferecimento a tributação, portanto indevidamente incluído na base tributável.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação.
RECURSO DE OFÍCIO- Não merece reparos a decisão que enfrentou as questões com propriedade e dentro dos parâmetros da legislação pertinente, excluindo do acréscimo patrimonial valores não comprovados nos autos.
Numero da decisão: 1102-000.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, e negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Manoel Mota Fonseca
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É DEFINITIVA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUANDO NÃO INTERPOSTO NO PRAZO LEGAL. Interposto o recurso voluntário fora do prazo, por força de lei deve dele não admitir e tomar conhecimento. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, deve-se exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou origem e oferecimento a tributação, portanto indevidamente incluído na base tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. RECURSO DE OFÍCIO- Não merece reparos a decisão que enfrentou as questões com propriedade e dentro dos parâmetros da legislação pertinente, excluindo do acréscimo patrimonial valores não comprovados nos autos.
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADAS Recorrentes FAZENDA NACIONAL INTELIREDES LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É DEFINITIVA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUANDO NÃO INTERPOSTO NO PRAZO LEGAL. Interposto o recurso voluntário fora do prazo, por força de lei deve dele não admitir e tomar conhecimento. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, devese exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou origem e oferecimento a tributação, portanto indevidamente incluído na base tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. RECURSO DE OFÍCIO Não merece reparos a decisão que enfrentou as questões com propriedade e dentro dos parâmetros da legislação pertinente, excluindo do acréscimo patrimonial valores não comprovados nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 56 /2 00 8- 04 Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Manoel Mota Fonseca Relatório Tratase recurso voluntário interposto pela INTELIREDES LTDA. contra o Acórdão nº 1634.197, proferido pela 6ª Turma da DRJ/SP1 na sessão de 11 de outubro de 2011, o qual julgou pela PROCEDÊNCIA EM PARTE do crédito tributário formalizado através do processo nº 19515.008056/200804, conforme ementa a seguir: Acórdão 1634.197 6ª Turma da DRJ/SP1 Sessão de 11 de outubro de 2011 Processo 19515.008056/200804 Interessado INTELIREDES LTDA. CNPJ/CPF 03.310.518/000110 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 4 3 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, devese exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou ter integrado indevidamente na base tributável. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: A pessoa jurídica acima identificada foi submetida a procedimento de auditoria que redundou na lavratura de autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendário de 2003 a 2005, cuja exigência fiscal totalizou R$ 9.848.704,78, incluindo multa e juros calculados até 28/11/2008 (autos de infração e respectivos demonstrativos de cálculo encontramse anexados às fls. 1501/1539 as folhas do processo mencionadas neste relatório e no voto se referem à numeração digital). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1493/1500, a fiscalizada foi intimada e reintimada a identificar a origem dos valores lançados a crédito em suas contas correntes do HSBC Bank Brasil Ag.1652 Conta 16520941442, do Banco Bradesco Ag. 33804 Conta 165832, do Banco Daycoval Ag. Matriz Conta 0007009471, do Unibanco Ag. 7145 Conta 2623276 e do Banco Indusval Ag. 0001 – Conta 1647050000. No entanto, os esclarecimentos e documentos apresentados pela interessada não se afiguraram suficientes para comprovar a origem dos créditos lançados nas contas bancárias ou, quando comprovada a origem, evidenciaram não terem sido oferecidos à tributação, razão pela qual foram efetuados os lançamentos de ofício. As disposições legais encontramse citadas nos atos administrativos mencionados acima. A interessada tomou ciência desses autos de infração em 10/12/2008 (fl. 1541) e, em 09/01/2009, apresentou a impugnação de fls. 1545/1579, alegando, em síntese, que: Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 5 4 a) O procedimento de apuração fiscal é absolutamente nulo, pois peca pela presunção generalizada em detrimento da realidade fática demonstrada pelo contribuinte. b) Não só o procedimento é nulo, como a autuação em si, a qual é tomada por flagrante vício formal. Da leitura do auto de infração e também do termo de verificação e constatação fiscal que o acompanha, não épossível aferir quais efetivamente os valores tidos por omitidos pela empresa. O Auditor Fiscal apresenta um total mensal de receitas omitidas, sem se ocupar na individualização dos valores que comporiam esse total. Das informações apresentadas, não é possível identificar quais exatamente foram os lançamentos extraídos dos extratos bancários que deram azo à precipitada conclusão de omissão de receita. c) A falha é ainda mais inaceitável, ao lembrarmos que a empresa, optante do lucro real, está obrigada ao registro de suas receitas e despesas por regime de competência, de modo que não necessariamente as movimentações verificadas em suas contas bancárias representam receitas ou despesas do período. d) Certo é que se presumem verdadeiros os atos da administração, tais como autos de infração, por exemplo. Contudo, tais atos devem estar pautados pela total transparência, para possibilitar aos administrados apresentarem sua defesa, suas razões, seus documentos, etc. Tal transparência não ocorreu no presente caso, posto que esta sociedade está tendo que se defender de acusação cujo teor desconhece no detalhamento necessário; esta sociedade tem que impugnar o valor de R$ 1.670.528,06, por exemplo, mas não sabe como a Fiscalização chegou no mesmo, não sabe quais valores que foram somados para chegar a tal número. e) Do folhear destes autos, observase que há várias intimações lavradas pela Fiscalização solicitando esclarecimentos acerca de valores contidos nas contas correntes desta empresa; há também esclarecimentos prestados pela empresa em atenção a tais intimações; porém, não é possível compreender quais os esclarecimentos foram acatados e quais não foram. Não é possível averiguar quais os documentos apresentados foram aceitos e quais foram descartados na comprovação da origem dos ingressos apontados nos extratos bancários e, pior, o motivo de terem sido descartados. f) Uma vez que não permite o justo conhecimento dos fatos e elementos que levaram à conclusão da omissão da receita, especialmente porque a autuação sequer aponta individualmente as entradas que compuseram o saldo tido por omitido, temsepor certa a nulidade da autuação, a qual, da forma como apresentada, não possibilita que esta sociedade exerça sua defesa, ferindo, a toda evidência, o disposto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, o qual deve ser observado pela Administração, no caso, pela Receita Federal. g) Resta evidente, dessa forma, que o auto de infração combatido não tem condições de prosseguimento, pois que, da forma como apresentado, prejudica o exercício do direito de defesa da Impugnante. Ora, sem valores precisos e individualizados e sem as datas certas dos lançamentos, não há como a Impugnante se defender, com propriedade, sobre a origem dos valores tidos por omitidos. Nesse sentido, impera, pois, que seja reconhecida a sua nulidade formal. h) Caso, porém, a preliminar aqui suscitada venha a ser superada, o que somente se admite a título de argumentação, certo que é o lançamento perpetrado em desfavor da Impugnante ainda assim deverá ser anulado. Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 6 5 i) No tocante à imputação atrelada às vendas diretas, é importante destacar que a autuação sequer se ocupa em segregar a origem da suposta omissão de receitas em (i) omissão de receitas de vendas diretas e (ii)omissão de outras receitas de origem não comprovada; sendo, pois, impossível à Impugnante fazer tal identificação. Veja que, se as vendas foram comprovadas por meio da exibição de notas, então a origem das receitas a elas atinentes também são certas, logo, se é admitido pelo próprio fiscal que "a empresa mantém a escrituração contábil de forma regular ", não há que se cogitar qualquer omissão nesse ponto específico. j) Quanto aos contratos de mútuo, a Impugnante, por mais de uma ocasião, apresentou cópia de todos os contratos de mútuo firmados no período de 2003 a 2005, juntamente com planilha explicativa da origem de cada um dos lançamentos bancários questionados pelo Auditor Fiscal, bem como apresentou registro contábil. k) É importante dizer que os mútuos celebrados tiveram como justificativa a cooperação financeira e administrativa entre as empresas integrantes do Grupo Prolan, que à época enfrentavam período de sérias dificuldades financeiras. O fato de uma empresa ter emprestado dinheiro a outra para fazer frente às necessidades imediatas de caixa não significa que o dinheiro mutuado tenha representado acréscimo patrimonial à mutuária, pois esta última sempre se obrigou à devolução do dinheiro. Os valores recebidos a título de mútuo, portanto, embora tenham representado entradas no Caixa da Impugnante, não configuraram, em momento algum, receita própria desta, de modo que não podem ser considerados na base tributável da empresa, até porque já foram oferecidos à tributação pelas mutuantes. l) A Administração é regida por Princípios Básicos, como o da Oficialidade, da Verdade Material, da Moralidade, da Informalidade, da Eficiência, da Gratuidade e do Formalismo Moderado, além de outros. Em obediência a tais princípios, todos previstos na Constituição Federal e em outros diplomas legais, consoante já citado, devia a Fiscalização ter analisado, com calma e diligência, a documentação e as explicações fornecidas. m) Exemplificativamente, apresentamse planilha e documentos comprobatórios da efetiva remessa dos recursos ingressados em razão de mútuos. Também são juntados os extratos das contas contábeis de mútuos registradas nos Livros Razões da Impugnante. n) A fiscalização também não apontou quais as transferências entre contas que estariam sem a devida comprovação. Assim, a Impugnante se viu obrigada a fazer prova ampla de todas as transferências entre contas realizadas, o que toma tempo e exige o auxílio das instituições financeiras, que devem fornecer os extratos bancários pertinentes. o) Em relação aos valores não localizados na contabilidade, primeiramente, a fiscalização interpretou mal as explicações da autuada, pois o que se quis dizer é que não se sabia de onde os valores elencados pela fiscalização haviam sido tirados, já que não constavam do extrato bancário. p) Em nova análise das intimações e exigências, percebeuse que parte dos valores listados pela fiscalização como entradas/créditos, na verdade, era saldo do período, portanto, inaceitável a autuação. Por fim, a impugnante requer que seja reconhecida a nulidade dos autos de infração, pois, segundo seu entendimento, estariam maculados por vícios formais, Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 7 6 bem como teriam sido lavrados em desrespeito ao princípio da verdade material. Pede, ainda, que seja autorizada a posterior juntada de documentos e planilhas e que seja o julgamento convertido em diligência fiscal. Em 23/04/2009, a interessada , por meio da petição de fls. 1765/1770, requereu a juntada e apreciação dos documentos de fls. 1771/1813, 1816/2012 e 2015/2155 que, segundo alega, se refere a toda documentação que comprova a ocorrência dos mútuos citados, bem como a origem dos valores. Argumenta que alguns valores tomados como base de cálculo na autuação não são encontrados nos extratos apresentados, conforme tabela de fl. 1768, bem como é apresentado um detalhamento adicional de alguns lançamentos de acordo com a tabela de fls. 1768/1769. Em 15/10/2009, o processo foi baixado em diligência (fls. 2157/2162). O resultado dessa diligência encontrase consignado no Relatório de Atividades Fiscais de fls. 4132/4135 e nas planilhas de fls. 4136/4157. Concedido o prazo de 30 dias para a contribuinte se pronunciar, esta apresentou a manifestação de fls. 3792/3810, juntamente com documentação adicional. A fiscalização elaborou novo Relatório de Atividades Fiscais, onde observa que em face da manifestação da impugnante, com a inclusão de uma vasta quantidade de novos documentos, foi efetuada uma reanálise, ocasião em que se verificou algumas comprovações, sendo o resultado final apresentado nos Anexos integrantes a esse relatório (fls. 4158/4181). A impugnante apresentou aditamento (fls. 4182/4192) à manifestação anteriormente protocolada, bem como novos documentos (fls. 4193/4390), com o intuito de demonstrar a inexistência de omissão de receitas. Alegou ainda que aguardava os comprovantes bancários relativos ao Unibanco S/A (atual Banco Itaú S/A), razão pela qual protestou pela posterior juntada desses documentos. Em 22/08/2011, a impugnante protocolizou a petição de fls. 4394/4398, acompanhada dos documentos relativos ao Unibanco S/A (fls. 4399/4437). Finda a transcrição, continuase o relatório: No acórdão de 1ª instância, a DRJ/SP1 afasta as preliminares levantadas pela empresa quanto à (i) nulidade da ação fiscal embasada em presunção generalizada; (ii) vício formal por falta de individualização dos valores apresentados; considerando não estarem configuradas as hipóteses de nulidade na forma dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, bem como pelo permissivo de presunção legal contido no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ademais, assevera que a alegada dificuldade encontrada pela defendente na identificação dos créditos apontados pelo fisco como não comprovados deve ser considerada totalmente superada pelo trabalho fiscal efetuado quando da realização da diligência, posto que a autoridade tributária elaborou um levantamento detalhado, com a especificação da data, histórico e valor de cada um dos lançamentos analisados, além da menção dos documentos apresentados pela impugnante que foram analisados, distinção dos que foram aceitos e daqueles que deixaram de ser aceitos, bem como explanação do(s) motivo(s) de ter(em) ou não sido acatado(s). Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 8 7 Afasta a força probante dos contratos de mútuos apresentados pela recorrente, sob o argumento de que, de acordo com a norma emanada do art. 221 do Código Civil Brasileiro de 2002, para que um instrumento particular produza efeitos perante terceiros, este deverá possuir transcrição no registro público, requisito esse não observado na documentação acostada aos autos (fls. 4447). Ainda aduz que afigurase insuficiente a juntada de planilha de sua própria confecção e de livro contábil, cabendo lembrar que a escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, a teor do DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º (matriz legal do art. 923 do RIR/1999) (fls. 4447). Logo mais, esclarece que considerase prejudicada a análise das demais alegações apresentadas pela defendente na impugnação de fls. 1545/1579, em face desse reexame realizado pela fiscalização, cujo resultado encontrase consignado no Relatório de Atividades Fiscais e seguintes anexos (fls. 4158/4180) (fls. 4447): ANEXO I – Créditos baseados em emissão de Nota Fiscal ANEXO II – Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Soluções Integradas ANEXO III Créditos baseados em mútuo da empresa ALTA – América LatinaSoluções Avançadas ANEXO IV Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Equipamentos ANEXO V – Créditos/depósito não comprovados ANEXO VI – Nova base de cálculo do AI Em razão da diligência efetuada, exonera a recorrente da imposição fiscal correspondente de acordo com o demonstrado no Anexo VI (fls. 4180). Depois analisa um a um os períodos os quais restaram valores a comprovar: mar/03, abr/03, mai/03, jun/03, jul/03, nov/03, jan/05, fev/05, mar/05, jun/05, jul/05, nov/05, compondo nova base de cálculo para o auto de infração. A recorrente, em seguida, apresenta Recurso Voluntário, alegando (i) nulidade do lançamento por vício no procedimento, haja vista a não individualização dos valores e a temeridade do lançamento tributário com base em tão somente extratos bancários; (ii) a improcedência do lançamento sobre os valores tidos como não comprovados, considerando sua comprovação através da apresentação de todos os contratos de mútuo firmados , juntamente com planilha explicativa da origem de cada um dos lançamentos bancários questionados, bem como apresentou registro contábil dos mútuos formalizados. Contra os valores remanescentes, a recorrente reapresenta as provas que aduz serem comprovantes dos depósitos bancários. É o relatório. Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso não satisfaz os pressupostos recursais, uma vez que é intempestivo, portanto, dele não se toma conhecimento. O processo administrativo fiscal foi regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e tem status de lei ordinária. O prazo para a interposição do recurso voluntário está estabelecido no art. 33, deste diploma legal, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão"(... )(grifouse) Diversamente do alegado no recurso voluntário interposto, como apontado pelo despacho de encaminhamento (fls. 4727), o contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 30/01/2012 (segundafeira), conforme aviso de recebimento constante da fl. 4677 e extrato dos Correios presente às fls. 4720. Contandose o prazo a partir de 31/01/2012 (terçafeira), primeira dia útil seguinte, temse que o prazo findou em 29/02/2012 (quartafeira). O recurso voluntário foi interposto em 01/03/2012, conforme carimbo de protocolo constante da fl. 4472, razão pela qual resta intempestivo e, portanto, impossibilitado de conhecimento. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista que foi apresentado intempestivamente. RECURSO DE OFÍCIO Sendo o crédito exonerado em 1ª instância superior ao valor de alçada de R$ 1.000.000,00 determinado pela Portaria MF nº 3/2008, conhecese do recurso de ofício interposto. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1493/1500, a fiscalizada foi intimada e reintimada a identificar a origem dos valores lançados a crédito em suas contas correntes: · HSBC Bank Brasil Ag.1652 Conta 16520941442; · Banco Bradesco Ag. 33804 Conta 165832; · Banco Daycoval Ag. Matriz Conta 0007009471; Fl. 4735DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 10 9 · Unibanco Ag. 7145 Conta 2623276; · Banco Indusval Ag. 0001 – Conta 1647050000. Analisando toda a documentação acostada pela contribuinte como comprobatória dos depósitos bancários apontados, através das petições interpostas (fls. 504/984, fls. 985/1456, fls.1469/1492 fls.1765/2155, fls.2528/3791, fls.3792/4130), o Relatório de Atividades Fiscais final (fls. 4158/4181) conclui a comprovação parcial da origem dos depósitos, exonerando parcialmente a contribuinte dos créditos tributários impostos. O trabalhou foi didaticamente dividido em seis anexos, pelo quais se analisa um a um os depósitos das contas bancárias suprareferidas e a documentação comprobatória juntada pela contribuinte, conforme a seguir: ANEXO I – Créditos baseados em emissão de Nota Fiscal (fls. 4159 – 1469) ANEXO II – Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Soluções Integradas(fls. 4170 – 4176) ANEXO III Créditos baseados em mútuo da empresa ALTA – América Latina Soluções Avançadas(fls. 4177) ANEXO IV Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Equipamentos (fls. 4178) ANEXO V – Créditos/depósitos não comprovados (fls. 4179) ANEXO VI – Nova base de cálculo do AI (fls. 4180) Como apontou a autoridade administrativa, o ANEXO V identifica o montante mensal dos créditos/depósitos não comprovados, por instituição financeira, ao passo que o ANEXO VI apresenta, na coluna "NOVA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO", os valores da nova base de cálculo apurada pela fiscalização. A autoridade fiscal explica que, para definição dessa base de cálculo, considerou o montante apurado como origem não comprovada, descontado da Receita Bruta declarada pelo contribuinte. Esclarece ainda que os valores comprovados pela emissão de Nota Fiscal foram considerados como integrantes da Receita Bruta declarada. Assim, uma vez que, em razão da diligência efetuada, a fiscalização considerou parte da autuação como indevida (ANEXO VI), compete exonerar a impugnante da imposição fiscal correspondente. Neste ponto, considerando que a contribuinte apresentou documentação hábil e idônea para comprovação dos depósitos efetuados e tendo o acórdão recorrido se baseado em relatório de diligência fiscal no qual foi analisada e avalizada a documentação comprobatória dos depósitos, não há como subsistir os lançamentos tributários quanto a essas parcelas, razão pela qual se nega provimento ao recurso de ofício. Fl. 4736DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 11 10 O Relatório de Atividades Fiscais (fls. 4132 – 4157 / 4158 – 4181) demonstra com clareza e fundamentação a origem e natureza de cada depósito, havendo a coincidência de datas e valores dos documentos apresentados, quanto a: · Operações albergadas por notas fiscais; · Mútuos efetuados com a Prolan Soluções Integradas – PSI; · Mútuos efetuados com a ALTA – América Latina Soluções Avançadas Ltda.; · Mútuos efetuados com a PE Prolan Equipamentos Ltda. Entretanto, a impugnante contestou o trabalho fiscal (fls. 4182/4192) e apresenta, para cada um dos lançamentos bancários, sua justificativa acerca da comprovação da origem e destino dos valores. Como a maioria dos valores já havia sido aceita pela fiscalização, a análise do Acórdão de 1ª Instância se restringiu aos valores considerados não comprovados, que se encontram relacionados no ANEXO V (fl. 4179), com exceção dos períodos de apuração em que, em decorrência dos ajustes efetuados e demonstrados no ANEXO VI, não se constatou base tributável. Considerando a análise tão somente do recurso de ofício, o qual tem como único objeto as parcelas exoneradas do lançamento fiscal, e a acolhida das exonerações decorrentes do relatório de diligência fiscal, verificarseá tão somente a competência em que o acórdão recorrido reduziu ainda mais o feito. Baseandose no ANEXO VI, o Acórdão de 1ª Instância procedeu em reduções somente na competência de abril/2003. PERÍODO DE APURAÇÃO : abr/03 VALOR EM REAIS : 287.303,34 Este lançamento foi composto pelo depósito no HSBC Bank Brasil S. A. de R$ 146.303,34 e pelos depósitos de R$ 18.000,00, 111.000,00 e 12.000,00, efetuados na conta do Unibanco S/A. Quanto ao depósito de R$ 146.303,34, entendeuse que não restava devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, razão pela qual não merece mais comentários Por outro lado, os demais lançamentos que compõem o montante acima são (depósitos de R$ 18.000,00, 111.000,00 e 12.000,00, efetuados na conta do Unibanco S/A), foram devidamente comprovados, conforme se destacou no acórdão recorrido: Embora a interessada alegasse serem proveniente de empréstimos concedidos pela Prolan Soluções Integradas S/A, a fiscalização os considerou como não comprovados (ANEXO II – fl. 4175), pois os extratos de fls. 2110, 2112 e 2113, respectivamente, não identificam o destinatário. Fl. 4737DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 12 11 Contudo, a interessada juntou os demonstrativos de lançamentos (fls. 4409/4411), emitidos pelo Unibanco, em que se verifica que esses valores foram, de fato, transferidos para a impugnante por meio do HSBC, agência 1652, conta corrente 0384896, cuja titularidade é da pela Prolan Soluções Integradas S/, CNPJ 65.668.311/000179, conforme atestam os extratos de fls. 3548, 3551 e 3554, respectivamente. Destarte, em face da comprovação parcial, a base tributável desse período de apuração deve ser alterada para R$ 146.306,34, exonerandose o valor de R$ 143.000,00, haja vista a comprovação pelo contribuinte de sua origem mediante documentação hábil e idônea. Por estas razões, voto por não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, mantendose o acórdão recorrido incólume. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 4738DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Numero do processo: 12898.000161/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004
ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE.
A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.385
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, vencidos a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis e o conselheiro Thiago Taborda Simões que negavam provimento.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Relator e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente temporariamente, o presidente Julio César Vieira Gomes.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 61 /2 00 8- 91 Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, vencidos a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis e o conselheiro Thiago Taborda Simões que negavam provimento. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente temporariamente, o presidente Julio César Vieira Gomes. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 12898.000161/200891 Acórdão n.º 2402004.385 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/12/2008 (fls. 03) para exigir contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, no período de 04/2003 a 12/2004. De acordo com o item 3 do Relatório Fiscal, foi realizado o arbitramento com base no art. 33 da Lei nº 8.212/91, onde se confrontou os saldos constantes nas contas nº 411.01.08 e 421.01.08 “Serviços de Autônomo” com os valores lançados nas folhas de pagamento da matriz e filiais. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 130/1162) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro solicitou a comprovação da ciência do auto de infração pela empresa Estácio de Sá Participações S.A., responsável solidária por compor o mesmo grupo econômico (fls. 1165). A Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro informou que tal medida não é necessária, haja vista que as empresas possuem o mesmo quadro societário, na mesma proporção de participação do capital social (fls. 1166/1167). A d. DRJ no Rio de Janeiro informou que a coincidência da composição societária não retira a necessidade de intimação da empresa solidária, bem como determinou que os autos fossem encaminhados à Equipe de Controle de Débitos Previdenciários – EQCDP para providências (fls. 1170/1171). Intimada, a empresa Estácio Participações S.A. apresentou impugnação (fls. 1180/1357). A d. DRJ no Rio de Janeiro julgou a impugnação parcialmente procedente, sob o argumento de que: (i) os débitos exigidos até o período de 11/2003 se encontram decaídos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; (ii) a empresa Estácio Participações deve ser retirada do polo passivo da demanda; e (iii) o presente caso versa sobre a contribuição de segurados e não sobre a cota patronal, não havendo que se falar na isenção concedida às entidades beneficentes (fls. 1366/1380). A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1395/1406) alegando que: (i) só combateu os argumentos referentes à isenção pelo fato de o Relatório Fiscal levantar esse ponto, o que só demonstra o descompasso da fundamentação da autuação com os débitos exigidos, situação que configura cerceamento do direito de defesa e nulidade do auto de infração; (ii) não há qualquer discriminação do rol de empregados que supostamente não tiveram as contribuições recolhidas, não sendo possível apurar as contribuições que teriam sido recolhidas a menor, tampouco contestálas; (iii) o termo de arrolamento de bens é forma de Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 4 compelir o contribuinte ao pagamento do débito tributário, além de ofender ao disposto no art. 198 do CTN. É o relatório. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 12898.000161/200891 Acórdão n.º 2402004.385 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende que a fundamentação do lançamento está em descompasso com os débitos exigidos, situação que configura cerceamento do direito de defesa e nulidade do auto de infração. Compulsando os autos, verificase, em um primeiro momento, que não está clara qual contribuição se está exigindo (se cota patronal ou contribuição dos segurados), notadamente pelo fato de o auditor fiscal mencionar tratarse de contribuição previdenciária “incidente sobre as remunerações efetuadas aos segurados contribuintes individuais que lhes prestaram serviços” (fl. 85). Além disso, há farta fundamentação no sentido de destacar os motivos pelos quais a Recorrente não é uma entidade beneficente, o que sugere versar o processo sobre a exigência da cota patronal incidente sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Ao analisar o item 26, contudo, verificase que o agente fiscal aplicou a alíquota de 11% sobre a base de cálculo apurada, revelando ser a exigência de contribuição dos segurados. A d. DRJ esclarece esse ponto da seguinte forma (fl. 1368): “3. O Auditor Fiscal autuante desconsidera a isenção alegada pela empresa em relação às contribuições patronais, pelas razões que elenca e que deixamos de reproduzir, tendo em vista que o presente Auto de Infração referese a contribuições de segurados, não alcançadas pelo indigitado benefício fiscal.” Com base nesses fatos, é possível entender haver cerceamento do direito de defesa, na medida em que a linguagem adotada pela fiscalização para demonstrar a contribuição exigida está equivocada. Contudo, no presente caso, constatase outro problema de maior magnitude, senão vejamos. A autoridade fiscal aplicou a aferição indireta para exigir as contribuições previdenciárias, nos seguintes termos: “As bases de cálculo das contribuições foram aferidas, com base na Lei n. 8.212, de 24.07.91, artigo 33,§§, pelo valor dos saldos mensais das contas n° 411.01.08 e n° 421.01.08 "Serviços de Autônomo", em confronto com as bases de cálculos constante das folhas de pagamentos dos estabelecimentos matriz e filiais, estando tais valores claramente evidenciados no Demonstrativo Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES 6 do Débito Anexo I, parte integrante deste Relatório Fiscal Inicial, onde pode constatar, por estabelecimento, a Base de Cálculo Apresentada em Folha de Pagamento, a Base de Cálculo Contabilizada, a Base de Cálculo Aferida e a Contribuição do Segurado.” De acordo com o texto acima, é possível verificar como a fiscalização procedeu com o cálculo da exigência contrapondo contas contábeis com valores lançados nas folhas de pagamento. Constatase também que foi utilizada a alíquota de 11% de forma indiscriminada, tendo o lançamento resultado na apuração da planilha constante no ANEXO I (fl. 99). De acordo com a referida planilha, percebese que o agente fiscal utilizou aferição indireta de forma global, contrapondo os saldos totais das contas contábeis com as folhas de pagamento. No entanto, pela forma de apuração da base de cálculo (contas contábeis x folhas de pagamento), seria possível, em tese, averiguar a origem das diferenças entre as contas e apurar as contribuições efetivamente devidas pelos segurados, utilizandose as alíquotas corretas para cada um deles. Ocorre que, em momento algum a autoridade administrativa buscou fundamentar a necessidade de utilização do arbitramento e, consequentemente, a forma de apuração indiscriminada das contribuições dos segurados com base na alíquota máxima de 11%. Analisando o TIAF, TIAD e Termos de Intimação Fiscal (fls. 110/120), verificase que o fiscal não solicitou qualquer individualização dos valores contidos nas contas n° 411.01.08 e 421.01.08 "Serviços de Autônomo", de forma a realizar o cotejamento direto, por segurado, com as folhas de pagamento. Portanto, temse que a fiscalização instaurou o arbitramento sumariamente, o que não se admite. Vale dizer, assim, que os pressupostos de fato para a instauração do arbitramento não foram devidamente delineados no processo. Por esses motivos, entendo que o lançamento não foi devidamente fundamentado, deixando de apurar corretamente a matéria tributável, em ofensa ao art. 142 do CTN, em patente vício material. Este Conselho, em caso onde os pressupostos de fato levantados pela fiscalização, para fins de arbitramento, são deficientes, já entendeu pela nulidade do processo, senão vejamos: “ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO QUE CONDUZ À NULIDADE DO LANÇAMENTO. Em conformidade com o §6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 12898.000161/200891 Acórdão n.º 2402004.385 S2C4T2 Fl. 5 7 registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação do lançamento por vício material. QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. Lançamento Anulado.” (CARF, PAF nº 16682.720109/201217, Cons. Rel. Mauro José da Silva, Sessão de 12 de agosto de 2014) Desta forma, entendo que as contribuições ora exigidas devem ser anuladas, por vício material. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de que a presente exigência seja baixada, por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Numero do processo: 10907.000115/2010-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no pólo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto-Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Ivan Allegretti e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no pólo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 01 15 /2 01 0- 24 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Ivan Allegretti e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de auto de infração em que houve aplicação de multa sobre a Recorrente, em decorrência de verificação fiscal documental realizada no setor de exportação da Receita Federal, em que foi constatado o descumprimento do prazo estabelecido pela Receita. A auditoria relata (fls. 07/09) que, no período de setembro/2008 a junho/2009, a empresa protocolou doze pedidos de retificação dos Conhecimentos Eletrônicos ( CE), listados A fl. 07, para alteração de Transbordo/Baldeação no Exterior, NCM e Consignatário. No entanto, verificouse que já havia vinculação dos CE As Declarações de Importação (DI), descumprindose, desta forma, o prazo previsto nos artigos 22 e 50 daInstrução Normativa (IN) RFB n° 800, de 27/12/2007, com a redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. De acordo com o DecretoLei 37/1966, art. 107, IV, e); deixar de prestar informação sobre veiculo transportador ou carga nele transportada ou suas operações nos prazos estabelecidos pela RFB enseja multa de R$ 5.000,00. "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: • (DecretoLei 37/1996 com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Decretolei 37/1996 com redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12:2003) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 3403003.249 S3C4T3 Fl. 8 3 prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada & empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Devidamente cientificada a Recorrente apresentou Impugnação, em que alegou, inicialmente, que atuou como agente de navegação marítima de empresa transportadora, não podendo figurar no pólo passivo. Defende que não deixou de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, mas apenas retificou por solicitação do consignatário, posteriormente a sua informação, circunstância que não se encontra tipificada. Relata que somente a Lei, em sentido estrito, pode instituir penalidades, sendo que a penalidade que lhe foi aplicada encontra fundamento no parágrafo 1 , do artigo 45 da Instrução Normativa n 800/2007, que, de forma equivocada, definiu a conduta praticada como suscetível de penalidade. Defende que não houve qualquer prejuízo arrecadatório, conforme exige o § 2° do art. 113 do Código Tributário Nacional (CTN), o qual prevê que a obrigação acessória é instituída no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. Afirma que a sua conduta encontrase amparada pelo beneficio da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, já que as informações foram prestadas pela própria impugnante antes de qualquer procedimento administrativo ou medida fiscalizatória neste sentido. Alega que a intenção do legislador foi punir aquelas situações em que a falta de informações do transportador efetivamente causa algum embaraço à fiscalização, legitimando a sua cobrança, o que não ocorreu no caso em tela, pois somente houve o atraso na prestação das informações e que posteriormente foram prestadas espontaneamente. A DRJ decidiu que a Recorrente, mesmo na condição de agente marítimo representa o transportador estrangeiro, inclusive emitindo conhecimentos de embarque e fazendolhe as vezes, informando no Siscomex os dados relativos à mercadoria exportada. Aliás, descreve a DRJ que a Recorrente atuou também como empresa de navegação, em alguns dos transportes relacionados, além de, em todos, ter atuado como agência de navegação,conforme se observa nas Solicitações de Retificação e Consulta de Conhecimento e demais documentos juntados as fls. 12/134. Ora, o representante, no Pais, do transportador estrangeiro, segundo a DRJ, como é o caso da Recorrente, é expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação nos casos em que se opera a transferência de responsabilidade pelo pagamento desse imposto, nos termos do inciso II do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei n° 37, de 1966, com redação dada pelo DecretoLei n' 2.472, de 1988. Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal, já que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática, ou dela se beneficie. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Ainda, a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, ao tratar desta questão em seus artigos 4° e 5°, veio a corroborar expressamente que a empresa de navegação é representada no Pais por agência de navegação, também denominada agência marítima e que as referências normativas ali postas ao transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. A DRJ decidiu que a multa encontrase prevista legalmente, mais especificamente, no artigo 107, inciso IV, alínea 'e', do Decretolei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003. E que o artigo 22 da IN RFB n 800/2007, assim dispõe: Ressalta a DRJ que a própria Recorrente admitiu que prestou as informações corretas fora do prazo, e que a IN RFB n 800/2007 somente veio sobre o controle aduaneiro informatizado das embarcações A DRJ ainda decidiu que a penalidade encontrase prevista em Lei, sendo que o simples descumprimento da obrigação acessória constitui hipótese de sua aplicação, ressaltando inclusive que a responsabilidade tributário é objetiva. E quanto ao artigo 138, alegado pela Recorrente, a DRJ decidiu que a denúncia espontânea não alcança as penalidades aplicadas em razão do cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas. Pois a obrigação consiste em registrar no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos, de modo que o registro feito posteriormente não caracteriza a denúncia espontânia, mas sim a conduta infracional. O raciocínio da Recorrente retiraria qualquer eficácila da norma, visto que objetiva o registro na forma e no prazo assinados pela legislação. Dessa forma, a DRJ julgou improcedente a Impugnação, motivo pelo qual a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que repisa os seus argumentos. É o Relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 3403003.249 S3C4T3 Fl. 9 5 Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Sobre a preliminar arguida pela Recorrente, além dela figurar como transportadora em determinados casos, conforme relação constante no processo administrativo, o simples fato dela atuar como agente marítimo, representante da transportadora internacional, não faz com que ela não possa figurar no pólo passivo do auto de infração. Pelo contrário! A responsabilidade do representante do transportador encontrase prevista no inciso I, do artigo 95 do DecretoLei n 37/1966, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que concorra para a sua prática: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Dessa forma, a Recorrente é sim parte legítima a figurar no pólo passivo do auto de infração e no processo administrativo fiscal, tendo sido ela quem concorreu para a prática da infração. Com efeito, a multa aplicada sobre a Recorrente encontrase devidamente prevista na legislação, que, a seu turno, expressamente dispõe que a Secretaria da Receita Federal fixará a forma e o prazo estabelecidos para a prestação de informações, in verbis: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: • (DecretoLei 37/1996 com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Decretolei 37/1996 com redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12:2003) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada & empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O artigo 22 da IN SRF n 800/2007, regulamentando no âmbito da Receita Federal o dispositivo acima transcrito, dispõe que esse prazo seria de 48 (quarenta e oito) horas, prazo esse excedido pela Recorrente, conforme segue: Observese que o dispositivo legal em comento não prevê hipótese de relevação da multa por eventual não prejuízo ao Erário, não sendo esta uma condição para que a multa venha ou não a persistir no presente caso. Relativamente ao instituto da denúncia espontânea, entendo que o artigo 138 do Código Tributário Nacional poderia permitir, em determinados casos, a exclusão da responsabilidade mesmo nos casos de obrigação acessória, posto que o dispositivo estabelece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea.: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Contudo, não me parece a hipótese do presente caso, em que houve a prestação de informações fora do prazo legal, sendo este prazo justamente o fim almejado pelo dispositivo legal, de modo que a Aduana possa ter no Siscomex as informações atualizadas, de acordo com os parâmetros fixados. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 3403003.249 S3C4T3 Fl. 10 7 A denúncia espontânea, nessa hipótese, retiraria a eficácia da norma, obrigando a criação de um sistema de emissão de penalidades assim que o prazo fosse ultrapassado, caso contrário seriam poucos os contribuintes que observariam o prazo fixado pela legislação. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000415/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presume-se receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazê-lo, o contribuinte não comprova.
Numero da decisão: 1301-001.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente TIJOLO RIBEIRÃO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presumese receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 15 /2 01 0- 41 Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Depreendese do presente processo administrativo que Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração exigindolhe os impostos e contribuições do Simples, relativamente ao anocalendário 2006. Segundo reputou a Fiscalização foram constatadas as seguintes irregularidades: 1 Omissão de receitas não escrituradas; 2 Omissão de receita caracterizada por depósitos/créditos bancários de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; 3 – Insuficiência de recolhimento. Consta ainda, que em procedimento de diligência, a empresa foi intimada (fl. 24/25), em 15/10/2009, a apresentar em relação ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006 os seguintes documentos: 1) Cópias dos atos constitutivos, contrato social e alterações até a presente data; 2) Livro Diário; 3) Livro Razão; 4) Livro Caixa; 5) Livro Registro de Entradas de Mercadorias; 6) Livro Registro de Saídas de Mercadorias; 7) Livro Registro de Apuração de ICMS; 8) Livro Registro de Apuração de IPI; 9) Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência; 10) Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou de Serviços. Em atendimento à intimação de fls. 20/21, a empresa, por intermédio de sua sócia administradora ANDRESSA SAMPAIO DOS SANTOS, apresentou os seguintes documentos (fls. 28/396): Cópia do Contrato Social e Alteração Contratual 01, Livro de Registro de Entrada de Mercadorias, Livro de Registro de Saida de Mercadorias, Livro de Apuração do ICMS, Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência e solicitou prorrogação de prazo de 30 (trinta dias) dias para a apresentação dos itens 2 (dois) 3(três) e 4 (quatro) do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL e informou que deixava de atender o item 8 (oito) do Termo de Intimação por se tratar de uma empresa puramente comercial, estando assim desobrigada da escrituração do Livro de Apuração de IPI. Mediante análise da documentação apresentada cotejada com as informações constantes do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização constatou que na Declaração de Informações Econômico — Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2007, anocalendário 2006, a contribuinte declarou receita bruta anual de R$ 784.070,44 e, no entanto, de acordo com o banco de dados da Receita Federal do Brasil (DCPMF ano 2006), sua movimentação financeira foi de R$ 6.507.180,81. No Livro de Registro de Saídas do ano calendário 2006, a contribuinte escriturou uma receita bruta anual no montante de R$ 784.070,44, compatível com as notas fiscais apresentadas e com os valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS. Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 3 3 Considerada a movimentação financeira incompatível com a receita declarada, a diligência foi transformada em fiscalização e a intimada (fls. 398/399) a apresentar, no prazo de 20 dias: 1) Livro Diário, 2) Livro Razão; 3) Livro Caixa; 4) Livro Registro de Apuração de IPI; 5) Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou de Serviços; 6) Extratos das contascorrentes bancárias, em papel e em meio digital, movimentadas em instituições financeiras no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Em resposta, a empresa informou em 26/11/2009 que estava desobrigada da elaboração do Registro de Apuração de IPI e que já havia entregue as notas fiscais de saída de mercadorias e/ou de serviços em 15/10/2009. Em 07/12/2009 foi a empresa novamente intimada a apresentar os livros Diário, Razão e Caixa e os extratos das contascorrentes bancárias movimentadas em instituições financeiras no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Não tendo a empresa apresentado os extratos bancários, estes foram solicitados às instituições financeiras, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/01, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, cujos extratos estão anexados às folhas 420 a 433, 468 a 481, 486 a 504, 511 a 538, 542 a 582, 586 a 688. De posse dos extratos bancários, a fiscalização elaborou as planilhas de folhas 697 a 807. Na planilha 1 (fls. 698/747), a autoridade fiscal relacionou individualmente os depósitos/créditos bancários no montante anual de R$ 4.984.552,21 e informou ter excluído dos depósitos os valores relativos às transferências de mesma titularidade, estornos, empréstimos e demais créditos que não decorrentes da atividade comercial. Do montante de R$ 4.984.552,21, a fiscalização subdividiu os créditos de acordo com a sua natureza e os relacionou nas planilhas 2 a 6. Na planilha 2 (fls. 748/766) estão relacionados os créditos provenientes de vendas efetuadas através de cartões de créditos no montante de R$ 257.323,57. Na planilha 3 (fls. 767/769) estão relacionados os créditos provenientes de operações de desconto de cheques que importam um montante de R$ 581.633,15. Na planilha 4 (fls. 770/779) estão relacionados os créditos decorrentes de operações de cobranças bancárias e descontos de títulos e importam um montante de R$ 1.611.823,79. Na planilha 5 (fls. 697 e 780/782) estão relacionados os créditos efetuados pelos clientes da fiscalizada sob o histórico de " Recebimento Fornecedor", no montante de R$ 175.316,68. Na planilha 06 (fls. 783/807) estão relacionados os demais créditos no montante de R$ 2.358.455,02 que são principalmente depósitos e transferências. Em 26/05/2010 foi lavrado o TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL SEFIS n° 221/2010 (fls. 692/696), ciência em 01/06/2010, mediante o qual foi a empresa intimada a: 1 comprovar, no prazo de 20 dias, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrentes conforme planilha 1 em anexo de forma que possam descaracterizar a operação comercial; 2 apresentar, no prazo de 20 dias, os documentos hábeis e idôneos que deram origem aos créditos relacionados na planilha 2 decorrentes de vendas efetuadas através de cartões de crédito; 3 apresentar, no prazo de 20 dias, relação pormenorizada dos cheques descontados com a identificação do CNPJ/CPF conforme relacionado na planilha 3; 4 apresentar, no prazo de 20 dias, os documentos hábeis e idôneos (extratos/planilhas/border6s/boletos bancários/"francesinha") que deram origem as operações de cobranças e descontos de títulos de créditos relacionados nas planilha 4; 5 apresentar, no prazo de 20 dias, a relação de seus clientes, com a identificação do CNPJ/CPF que efetuaram os créditos relacionados na planilha 5; 6 identificar, no prazo de 20 dias, se for Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 o caso, quais dos créditos relacionados na planilha 6, que não são provenientes da sua atividade comercial. Em 22/06/2010 a contribuinte solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias, cujo pedido foi indeferido (fl. 783) sob a argumentação de que até aquela data a contribuinte nada havia apresentado, nem comprovado, sequer parcialmente atendeu ao Termo de Intimação Fiscal Safis n.º 221/2010 e, foi concedido prorrogação por mais 15 (quinze) dias, sendo que em 07/07/2010, manifestando a respeito do Termo de Constatação, a contribuinte apresentou uma planilha (fls. 784/787), acompanhada de cópia de canhotos de cheques (fls. 795/805), na qual relacionou os cheques que teriam sido emitidos pela contribuinte e depositados em outras contas correntes de mesma titularidade, no montante de R$ 341.300,00. A fiscalização, no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 982/991, assim se manifestou: “A fiscalização analisou e excluiu esses créditos do montante apurado (R$ 341.300,00), pois concluiu tratarse de transferências de mesma titularidade. Diante dos fatos e provas materiais a fiscalização concluiu que a fiscalizada auferiu no ano de 2006 receita bruta no montante de R$ 4.643.252,21 e, tendo em vista que, a fiscalizada emitiu, no ano de 2006, apenas cerca de 17% deste valor em notas fiscais, a diferença entre a receita apurada pela fiscalização e a declarada pela fiscalizada a SRF, compatível com as notas fiscais emitidas, só permite concluir que se trata de vendas efetuadas sem emissão de notas fiscais. 17Conforme relatado no item 12 a fiscalização apurou, conforme identificação das operações de créditos relacionadas nos históricos dos extratos bancários, que dentro da movimentação financeira da fiscalizada existem depósitos correspondentes a créditos por desconto de títulos (duplicatas), cobranças bancárias, descontos de cheques, vendas efetuadas através de cartões de créditos e, ainda, créditos remetidos por clientes da fiscalizada, as quais só podem se originadas em operações comerciais (venda de mercadorias). Portanto, a fiscalização conclui que a fiscalizada auferiu receitas de vendas, perfeitamente identificadas (a partir de suas operações de desconto, cobranças, recebimentos de clientes, recebimentos de vendas efetuadas através de cartões de crédito) no montante de R$ 2.626.097,19 (Planilhas de fls. 939 /960). Esses créditos estão discriminados na planilha anexa "Demonstrativo de receitas não escrituradas" (fls 913 a 934) e serão objeto de lançamento de omissão de receita na infração "receitas não escrituradas" Os demais créditos de origem não comprovada, no montante de R$ 2.017.155,02 relacionados na planilha "Demonstrativo dos depósitos bancários não escriturados" (Planilhas de fls. 961/977) serão objeto de lançamento de omissão de receita por presunção legal na infração "depósitos bancários não escriturados". 20 Os valores declarados pelo contribuinte foram deduzidos dos valores apurados conforme item 18 e estão demonstrados na planilha "Demonstrativo de valores tributáveis" (fls 952). Sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da omissão de receita não escriturada foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fundamento no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, por entender a autoridade fiscal que a contribuinte incorreu na prática de sonegação fiscal ao deixar de emitir notas fiscais, omitindo das apurações mensais da tributação para o Simples grande parte de suas receitas nos 12 (doze) meses do ano calendário 2006, com a intenção dolosa de se manter enquadrada neste sistema de tributação e de pagar menos tributo. Sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários não escriturados foi aplicada a multa de 112,50%, com fulcro no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que a contribuinte, apesar de intimada e reintimada, deixou de apresentar os livros Diário/Razão ou o livro Caixa juntamente com os extratos bancários. Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 4 5 A autoridade fiscal assim justificou a aplicação da multa: “Demonstrouse ao longo dos autos e pelos recortes legais, acima em destaque, que a fiscalizada cometeu crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal, ao omitir das apurações mensais da tributação para o SIMPLES grande parte das receitas auferidas em cada um dos doze meses do ano calendário de 2006 com a intenção dolosa de se manter enquadrada neste regime simplificado e favorecido de tributação. A linha de sonegação adotada pela fiscalizada foi efetuar vendas sem emissão de notas fiscais sendo afastada a possibilidade de que a omissão praticada tenha ocorrido por erro, pois a conduta de omissão de receitas, que implicou a apuração e o recolhimento a menor da contribuição para o SIMPLES foi reiterada, pois foi observada para todos os meses do ano de 2006 e confirmada pela apresentação da DIPJ/SIMPLES de 2007 anocalendário 2006. Portanto, face a todos os fatos revelados nos autos, que implicaram a prática de crime contra a ordem tributária na modalidade sonegação fiscal, e tendo em vista ainda o Inciso I, parágrafo 1º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27/12/1996, a multa de oficio referente a infração "receitas não escrituradas" será majorada para 150%. Considerando, ainda, que a fiscalizada, apesar de intimada e reintimada, deixou de apresentar os Livros Diário/Razão ou Caixa juntamente com os extratos bancários e tendo em vista o disposto no parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430 de 27/12/1996, a multa de oficio referente a infração "depósitos bancários no escriturados" será majorada para 112,5%. Consta ainda, que foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (fl. 909/912) em nome de THIAGO AUGUSTO SAMPAIO DOS SANTOS (CPF 270.896.398 86) e de ANDRESSA SAMPAIO DOS SANTOS (CPF 262.178.31805), ambos sócios administradores da empresa (fls. 33/34 e 23/32), pelo interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária, ou seja, o lucro, conforme art. 124, I, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), e também pela prática de sonegação fiscal, com fulcro nos arts. 135, III, e 137, I, do CTN. Devidamente cientificada dos autos de infração (fl. 966), a empresa, por meio da sócia, Andressa Sampaio dos Santos, apresentou Impugnação (fls. 968/977), alegando, preliminarmente, nulidade do Termo de Encerramento Fiscal sob o argumento de que a fundamentação legal citada pela autoridade fiscal (inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96), à fl. 957, item 22, para justificar a majoração da multa em 150% inexiste. Também, o citado inciso I do parágrafo 1º do art. 44 da legislação citada pelo agente fiscal, à fl. 959, item 27, para dar credibilidade e legalidade à majoração da multa foi revogado pela Lei nº 11.488/07. Quanto ao mérito alegou ter havido apuração de tributo em duplicidade, arrazoando que em relação às vendas com cartão de crédito, a quantia de R$ 257.323,57 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de vendas efetuadas sem escrituração através de cartão de crédito não corresponderia à realidade, na medida que registrou em duplicidade vários lançamentos na conta corrente do contribuinte. Segundo defendeu, o banco antecipava o crédito correspondente ao valor das vendas a prazo com cartão de crédito efetuadas pela empresa, mediante depósitos na conta corrente, cujo lançamento era denominado DESCONTO DE ORGPAG, e citou por exemplo o depósito no dia 23/01/2006 no valor de R$ 2.405,55 na conta mantida no Banco Bradesco (doc. 4 – fl. 1042/1215), cujo crédito antecipado foi considerado pela fiscalização no demonstrativo de receitas não escrituradas (fl. 925). Em seguida, a operadora de cartão creditava o valor das respectivas vendas nas contas correntes da empresa, cujo lançamento era denominado VENDA CARTÃO DE CRÉDITO, quantias essas, segundo alegou, já haviam sido consideradas pelo agente fiscal como crédito. Por fim, o banco debitava na conta corrente o valor por ele Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 antecipado e pago pela operadora de cartão de crédito, denominado DESCONTO COMERCIAL, encerrando, assim, o ciclo da venda a prazo por cartão de crédito. Citou, como exemplo, o valor de R$ 44,76 creditado em 03/01/2006 pela operadora de cartão e posteriormente debitado pela casa bancária. Alegou ainda, que a fiscalização adicionou e repetiu os mesmos valores em duplicidade na planilha que confeccionou (Demonstrativo de receitas não escrituradas), onerando a maior a contribuinte em R$ 51.944,64, conforme planilha anexa (doc. 5 – fls. 1216/1220) atribuindo vendas não escrituradas inexistentes. Solicitou a exclusão da quantia de R$ 51.944,64 capitulada como venda através de cartão de crédito tendo em vista a comprovação de lançamento em duplicidade. Quanto aos valores relacionados aos descontos de cheques, alegou que a quantia de R$ 581.633,15 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de operações de desconto de cheques não corresponderia à realidade, na medida que registrou em duplicidade vários depósitos e lançamentos na conta corrente do contribuinte. Segundo defendeu, primeiramente consta dos extratos desconto dos títulos e a impugnada fez o primeiro registro do crédito. Em seguida, caso a cártula fosse devolvida pelo banco sacado a quantia anteriormente adiantada pelo banco em forma de desconto de cheque era debitada da conta corrente da contribuinte e este, imediatamente, reapresentava o cheque. No caso, apesar de haver considerado cada um dos descontos iniciais efetuados pelo banco em favor da empresa autuada, o agente fiscal registrou NOVAMENTE todas as REAPRESENTAÇÕES efetuadas pela impugnante no Demonstrativo de Receitas não Escrituradas (fls. 924 e 935), de forma que agravou a situação da contribuinte em R$ 194.892,89, (fls. 1221/1227). Citou como exemplo o extrato da Caixa Econômica Federal (doc. 3), no qual, em 24/04/2006, com a titulação de Débito de Cheque, foi devolvido no valor de R$ 300,00 e posteriormente seguiuse a nova apresentação no dia 25/04/2006, com a denominação de Depósito CH 24 Horas, e o órgão fiscalizador considerou a primeira entrada denominada SICOBTD (Título dado pela CEF para a operação de desconto de títulos), bem assim a reapresentação. Solicitou a exclusão da quantia de R$ 194.892,89 capitulada como desconto de cheques tendo em vista a comprovação de lançamento em duplicidade. Quanto aos descontos de duplicatas, defendeu que a quantia de R$ 1.611.823,79 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de operações de cobrança bancária e desconto de duplicatas não corresponderia à realidade, na medida que registrou em duplicidade vários depósitos e lançamentos de entrada na conta corrente do contribuinte. Alegou que a simples leitura dos extratos acostados (doc. 4) e com o título de DESCONTO ESCRITURAL verificavase que a contribuinte mantinha relacionamento com vários bancos em parceria para o desconto de duplicatas. Segundo, afirmou, caso o título não fosse pago pelo sacado a quantia era subtraída da conta corrente da contribuinte com a denominação de DÉBITO DE DESCONTO DE DUPLICATAS, como ocorreu em 04 de janeiro de 2006 cujo valor do título somava R$ 65,23. Com o pagamento posterior pelo sacado ocorria novo lançamento a crédito na conta corrente, chamado de LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA, conforme ocorreu, dentre vários outros, na data de 09 de janeiro de 2006 no valor de R$ 67,30 e o órgão fiscalizador considerou o primeiro lançamento, bem como, o lançamento como crédito da liquidação de cobrança posterior, no momento que o sacado efetua o pagamento em atraso da duplicata (fls. 925 e doc. 3). Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 5 7 Concluiu alegando que em razão de ter considerado e registrado em duplicidade todos os lançamentos intitulados liquidação de cobrança junto aos bancos, mais uma vez teria agravado a situação da contribuinte em R$ 108.455,79, conforme prova acostada à Impugnação (fls. 1228/1234). Solicitou a exclusão da quantia de R$ 108.455,79 capitulada como desconto de duplicata tendo em vista a comprovação de lançamento em duplicidade. Quanto aos recebimentos de fornecedor, alegou que a quantia de R$ 175.316,68 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de recebimento fornecedor não corresponderia à realidade, uma vez que na data dos fatos a contribuinte era correspondente bancário do Banco Bradesco, portanto, a quantia de R$ 235,33 que foi creditada na conta corrente da impugnante não se caracteriza receita não escriturada, mas, recebimento de contas diversas. (fl. 1.236). Solicitou a exclusão da quantia de R$ 235,53. Quantos aos depósitos e transferências, alegou que a quantia de R$ 2.358.455,02 apurada pelo órgão fiscalizador supostamente provenientes de operações de depósitos e transferências não corresponderia à realidade, tendo em vista tratarse de transferências entre conta corrente da mesma titularidade do contribuinte, bem como, cheques inicialmente devolvidos pelo banco sacado e posteriormente reapresentados pela impugnante, conforme demonstram as planilhas acostadas (fls. 1279/1283). Solicitou a exclusão da quantia de R$ 93.011,35. Quanto às duplicatas extemporâneas, alegou que no cerne do procedimento fiscal investigativo a contribuinte necessitava de maior prazo para arrebanhar documentos e fundamentar sua pretensão e alegação quanto ao montante do suposto débito tributário perseguido. Nesse sentido postulou prazo de 60 (sessenta) dias diligenciar novas juntadas de instrumento probantes a seu favor. Contudo, foi indeferido, nos termos e visão explicitada no item 14 do Termo de Encerramento Fiscal. Segundo alegou, nesta data teria logrado êxito em relacionar as duplicatas que figuram nos extratos bancários ventilados pelo agente fiscal, falseando a verdade e induzindo o leitor à existência de operação de venda, mas que foram emitidas ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE para captar recursos em forma de capital de gira em momento de crise financeira, mas que no primeiro sinal de recuperação os respectivos pagamentos foram HONRADOS INTEGRALMENTE, conforme comprovam as autenticações bancárias nas originais das mesmas ora acostadas, cujo total soma R$ 793.296,26 (fls. 1242/1789), devendo ser excluída tal importância, pois se não houve venda, não há tributação. Solicitou a exclusão da quantia de R$ 793.296,26 tendo em vista que as duplicatas acostadas não representariam venda realizada, bem como, foram utilizadas para formação de capital de giro e posteriormente pagas pela contribuinte. Por fim, solicitou o parcelamento de eventual débito apurado com a consequente redução de 40% da multa. Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Analisando os autos, a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, por meio da Resolução 14.001.499 (fls. 1841/1847) de 25/03/2011, decidiu pela conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos: “Verificase que a ciência da intimação solicitando a comprovação da origem dos créditos bancários ocorreu em 01/06/2010 e em 22/06/2010 a contribuinte solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias, cujo pedido foi indeferido (fl. 783) sob a argumentação de que até aquela data a contribuinte nada havia apresentado, nem comprovado, sequer parcialmente atendeu ao Termo de Intimação Fiscal Safis n.º 221/2010 e, em razão disso, foi concedido prorrogação de apenas 15 (quinze) dias. Na peça impugnatória a contribuinte alegou que no cerne do procedimento fiscal investigativo a contribuinte necessitava de maior prazo para arrebanhar documentos e fundamentar sua pretensão e alegação quanto ao montante do suposto débito tributário perseguido e, nesse sentido, postulou o pedido de prorrogação de prazo de 60 (sessenta) dias para diligenciar novas juntadas de instrumento probantes a seu favor. Contudo, o mesmo restou indeferido, nos termos e visão explicitada no item 14 do Termo de Encerramento Fiscal. Analisando os autos notase a enorme quantidade de documentos e lançamentos em conta corrente que, sem sombra de dúvida, exigem trabalho e tempo para analisar e atender ao que foi solicitado pela fiscalização, o que justifica o pleito e a alegação da impugnante de que necessitava maior tempo para juntar documentos para fundamentar a sua pretensão. Por essa razão e considerando que a fiscalização não teve a oportunidade de tomar conhecimento dos documentos e esclarecimentos que só foram presentados na fase impugnatória e a fim de reunir as condições necessárias para um correto e justo julgamento do contencioso administrativo VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização se manifeste sobre os valores que a contribuinte diz ter sido computado em duplicidade na apuração da omissão de receita, bem assim, que registre o que entender de direito, cientificando a interessada. Após a devida análise e revisão dos lançamentos, se este for o caso, que seja a contribuinte cientificada dos termos lavrados para que, querendo, se manifeste”. A fiscalização, por sua vez, expediu intimação à contribuinte (fls. 1852/1855), ciência em 25/04/2011, nos seguintes termos: “5.1 apresentar documentação hábil e idônea que comprove que os lançamentos creditados em sua conta corrente do Bradesco sob o histórico de "desconto orpag" tratamse de vendas efetuadas através de cartões de crédito que foram adiantadas pelo banco e posteriormente creditadas sob o histórico "venda cartão de crédito, ou seja, comprovar que tais créditos referemse a mesma operação comercial. 5.2 apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem que os cheques descontados, que na data do vencimento foram devolvidos por falta de fundos, foram reapresentados Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 6 9 (comprovantes dos depósitos que identifiquem individualmente os cheques depositados). 5.3 apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem que os títulos descontados e não pagos no vencimento foram pagos e creditados novamente em suas contas correntes, ou seja, comprovar que tais créditos são produtos da mesma venda, da mesma operação comercial. 5.4 comprovar que o montante de R$ 235,53 são recebimentos por prestar serviços de correspondente bancário. 5.5 quanto as alegações de transferências de mesma titularidade, comprovar que os depósitos abaixo relacionados foram feitos de forma englobada, ou seja, que há cheques de sua titularidade depositados juntamente com cheques de terceiros: 5.5.1 dia 11/08/2006 — depósito de R$ 5.400,00 no banco 399 do qual, segundo o contribuinte, R$ 4.000,00 corresponderia a um cheque da caixa econômica federal de sua titularidade. 5.5.2 dia 17/11/2006 — depósito de R$ 11.656,00 no banco 237 do qual, segundo o contribuinte, dois cheques no valor de R$ 4.000,00 corresponderiam a cheques do Banco Itaú de sua titularidade. 5.6 comprovar a saída de recursos da conta corrente do contribuinte, coincidentes em datas e valores, que comprovem o efetivo pagamento dos recibos do sacado apresentados na impugnação como sendo documentos "emitidos única e exclusivamente para captar recursos em forma de capital de giro". caso se confirme o desembolso dos recursos, esclarecer: 5.6.1 de que forma foram obtidos os nomes dos sacados, bem como seus CPF/CNPJ e endereços havia concordância dos sacados para a emissão destes títulos? 5.6.2 quem foram os responsáveis pela determinação de emitir estes títulos?” Paralelamente à intimação feita ao contribuinte, para fins de esclarecer as operações de antecipação de vendas a prazo com cartões de crédito, as operações de desconto de duplicatas e de cobranças bancárias, a fiscalização oficiou os bancos Bradesco e Itaú. Foram solicitadas informações complementares ao Banco Bradesco (fl. 1857) nos seguintes termos: 1) Como são feitas as operações de antecipação dos créditos correspondentes às vendas a prazo com cartão de crédito e quais são os lançamentos efetuados a crédito e a débito nas contas correntes em decorrência destas operações? Por acaso são feitas da seguinte forma: quando o banco antecipa o crédito, é creditado o valor correspondente na conta corrente sob o histórico "DESCONTO DE ORPAG". A operadora de cartão de crédito credita o valor das respectivas vendas na conta corrente em questão sob o histórico "VENDA CARTÃO DE CRÉDITO", e então o banco debita na referida conta o valor por ele adiantado e pago pela operadora de cartão de crédito sob o histórico "DESCONTO COMERCIAL"? Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 2) Como são feitas as operações de desconto de duplicatas e quais são os lançamentos efetuados a crédito e a débito nas contas correntes em decorrência destas operações? Por acaso são feitas da seguinte forma: quando o banco antecipa o crédito, é creditado o valor correspondente na conta corrente sob o histórico "DESCONTO ESCRITURAL". Caso o titulo descontado não fosse pago pelo sacado, a quantia era subtraida da conta corrente sob histórico "DEBITO DE DESCONTO DE DUPLICATAS", e caso houvesse pagamento posterior pelo sacado ocorreria novo lançamento a crédito sob o histórico "LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA"? Em resposta, o Banco Bradesco informou (fls. 1860/1861): “que o Desconto de Duplicata referese a liberar recursos mediante a transferência ao Banco, de duplicatas de origem mercantil ou prestação de serviços, com dedução no ato dos juros, tarifas e IOF pactuados. O Banco antecipa o crédito, e o valor correspondente na conta corrente, correspondendo ao histórico de "Desconto Escritural", após o vencimento dos títulos e o não pagamento deste pelo sacado, o valor do título mais o acréscimo de mora é debitado na conta corrente do cedente sob o histórico "Débito de Desconto Escritural" mediante saldo disponível; o título retorna a carteira de cobrança principal do cliente de forma que se o sacado efetuar o pagamento ocorrerá o lançamento do crédito especificado como "Liquidação de Cobrança". Salientamos que informações sobre Operações de Antecipação de Crédito, deverão ser endereçadas à VISANET”. A fiscalização também intimou o Banco Itaú S/A (fl. 1862) a esclarecer “Qual a natureza das operações, ou seja, a que se referem as transações que originaram os lançamentos efetuados a crédito da conta acima referida sob os históricos " MOV TIT COBRANCA", "MOV TIT COB DISP", "MOVIMENT TITULO" e "LIQUID TITULO COBRANÇA" conforme planilha anexa (fls. 1863/1864). Em resposta, o Banco Itaú S/A informou (fl. 1870) que as operações descritas na planilha recebida em anexo ao oficio, referemse a movimentações de títulos e juntou as cópias dos títulos localizados (doc. de fls. 1872/1926). Foram enviados ofícios às empresas gestoras de cartão de crédito CIELO S/A (fl. 1929) e a REDEFCARD S/A (fl. 1931) a informar, em relação à TIJOLO RIBEIRAO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA EPP, “como são feitas as operações de antecipação de créditos referentes às vendas a prazo com cartão de crédito e quais são os lançamentos efetuados a crédito e a débito nas contas correntes em decorrência destas operações. Em resposta a CIELO S/A informou (fl. 1933) que o estabelecimento comercial TIJOLO RIBEIRÃO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA EPP, CNPJ/MF sob o nº 05.652.133/000166 NUNCA solicitou "antecipação dos créditos correspondentes às vendas a prazo com cartão de crédito", nas operações de Antecipação de Recebimento de Vendas junto a Cielo, conforme (fl. 1.935). Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 7 11 A REDECARD S/A informou que nas operações de antecipação de créditos referentes as vendas com cartão de crédito, relação na qual a Redecard é devedora do Estabelecimento, o Estabelecimento, no caso a TIJOLO RIBEIRÃO PRETO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA. EPP, recebe em sua conta corrente, em prazo acordado entre Redecard e Estabelecimento, o valor de seus créditos, descontados os custos da antecipação da obrigação. A contribuinte, em resposta à intimação de fls. 1852/1855, solicitou prorrogação de 60 dias para atendimento da intimação (fls 1924/1925), o que foi deferido. Decorrido o prazo, solicitou nova prorrogação de mais 30 dias, prazo que novamente foi deferido (fl. 1937). Em 12/08/2011 a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 1938/1941, acompanhados dos documentos de fls. 1942/2574, aduzindo, em síntese: Quanto ao item 5.1 alegou estar "impossibilitado de exercer o contraditório e comprovar o alegado por culpa de terceiros", uma vez que o Banco Bradesco só se pronunciaria após intimado a fazêlo. Quanto ao item 5.2 apresentou documentação denominada "DOC. 1" composto de planilhas e comprovantes de depósitos bancários efetuados em cheques com o fim de comprovar que o agente fiscal agravou a situação do contribuinte em R$. 194.892,89. Quanto ao item 5.3, apresentou documentação denominada "DOC. 2" composto de Extrato de Movimentação da Carteira de Desconto e do Extrato de Movimentação da Carteira de Cobrança com o fim que seja subtraída importância de R$ 59.460,63 atribuída em duplicidade pelo órgão fiscalizador como venda. Quanto ao item 5.4 alegou estar "impossibilitado de exercer o contraditório e comprovar o alegado por culpa de terceiros", uma vez que o banco só se pronunciaria após intimado a fazêlo. Quanto ao item 5.5, apresentou os documentos denominados "DOC. 3" e "DOC. 4" compostos de comprovantes de depósitos em cheques, efetuados de forma englobada, através dos quais comprova que dentre os cheques relacionados há cheques de sua titularidade. Quanto ao item 5.6, o contribuinte informa que na sua impugnação anexou as duplicatas, nas quais constam as autenticações bancárias, mas não comprovou o efetivo desembolso de suas contascorrentes que comprovariam que o pagamento foi por ele efetuado. Limitouse a alegar que não há o que provar, que "efetuou o pagamento dos respectivos títulos" e citou o artigo 320 do Código Civil. Declarou ainda que as informações cadastrais foram obtidas de seu banco de dados, que os sacados não tiveram conhecimento do fato e que os responsáveis pela emissão de tais títulos foram "os responsáveis pelo departamento financeiro na época". Após analisar os documentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação, quais sejam planilhas e canhotos de cheques, documentos apresentados em atendimento a intimação fiscal, nova análise dos extratos bancários, informações prestadas pelos bancos Itaú e Bradesco e pela Cielo e Redecard, a fiscalização concluiu que: Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 [...] 11 Em relação ao item 2.1, antecipação de créditos de vendas a prazo através de cartões de crédito, uma vez que o contribuinte, após decorridos 109 dias da ciência da intimação, não comprovou a sua alegação e, ainda com base nas informações prestadas pelo Bradesco, Cielo e Redecard, não há créditos cobrados em duplicidade e, portanto, não há o que se excluir. 12 Em relação ao item 2.2, reapresentação de cheques devolvidos e reapresentados, com base nos extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados pelo contribuinte, nos quais estão relacionados os cheques depositados, a fiscalização conclui que o contribuinte comprovou que há cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados e que devem ser excluídos conforme planilhas abaixo (fls. 2.579 2.580). 13 Quanto ao item 2.3 Desconto de Duplicatas, tendo em vista os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, os créditos efetuados na conta corrente do contribuinte do Bradesco sob o histórico "Liquidacão de Cobrança" que constam na planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal, que perfazem um montante de R$ 59.451,63 (fls. 2.582 – 2.585) devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização. 14 Quanto ao item 2.4 que alega que R$ 235,33 devese a prestação de serviço como correspondente bancário, mas não comprova, não há o que se excluir. 15 Quanto ao montante de R$ 93.011,35 que alega serem transferências de mesma titularidade e com base na cópia de cheque apresentado, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, e com base nos extratos bancários, a fiscalização conclui o seguinte: 15.1 Na planilha denominada "Doc. 9", apresentada na impugnação, os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, que o contribuinte alega terem sido depositados em sua conta do Bradesco, nessas datas, e que portanto, seriam transferências de mesma titularidade, não serão excluídos, pois no Bradesco no dia 28/08/2006 só houve um depósito de R$ 4.010,00, no dia 14/07/2006 só houve um depósito de R$ 3.089,30 e outro de R$ 151,95, e no dia 29/12/2006 não houve depósito algum. Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 8 13 A essa planilha foi acrescentada o cheque de R$ 3.500,00 de sua conta da CEF que o contribuinte comprovou, através do comprovante de depósito denominado "Doc, 4" apresentado em atendimento a impugnação, que foi depositado em sua conta corrente do Bradesco. Portanto os seguintes depósitos serão excluídos, pois ficou comprovado tratase de depósitos de mesma titularidade: 15.2 Na planilha denominada "Doc. 10", apresentada na impugnação, somente o lançamento creditado no dia 07/02/2006, no banco Itaú, no valor de R$ 1.800,00, não foi excluído pois tratase de um depósito efetuado em dinheiro e portanto não pode ser um depósito de cheque devolvido e que foi reapresentado, como alega o contribuinte. Os demais créditos foram excluídos e encontramse relacionados abaixo (fl. 2.586). 16 Quanto as duplicatas que alega terem sido emitidas única e exclusivamente para captação de capital de giro, uma vez que não comprovou a saída de recursos de suas contas correntes coincidentes em datas e valores, a fiscalização só pode concluir que tais duplicatas são provenientes de sua atividade comercial e, portanto, não há o que se excluir da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal. 17 Desta forma, a fiscalização conclui que da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas" deve ser excluído o montante de R$ 59.451,63 e da planilha "Demonstrativo de depósitos bancários não escriturados" o montante de R$ 190.548,95, de forma que o "Demonstrativo de valores tributáveis", que serviu de base para lançamento do Auto de Infração, ficará da seguinte forma (fl. 2.587). [...] Diante disso, a autoridade fiscal reduziu as “RECEITAS NÃO ESCRITURADAS” a serem tributadas para R$ 1.782.575,12 e os “DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS” para R$ 1.826.606,07. Reaberto o prazo para a contribuinte se manifestar, afirmou que reiterava os termos da impugnação (fl. 2.607). A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão nº 14 43.806, julgou o lançamento parcialmente procedente, rejeitando a preliminar de nulidade, porquanto verificouse ter sido aplicada a legislação vigente à época dos fatos geradores. Quanto ao mérito, relembrou as imputações da Fiscalização e a Diligência determinada, passando ao enfretamento de cada item. Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Relativamente ao item “Recebimento de vendas através de cartões de créditos”, assinalou a decisão recorrida que não ficou comprovada a alegação da recorrente ter sido computado crédito bancário em duplicidade, mantendo a exigência fiscal inalterada. Em relação ao item “Cheques descontados”, assinalou que a contribuinte solicitou a exclusão da quantia de R$ 194.892,89 sob a alegação de ter havido lançamento em duplicidade, contudo, examinando os extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados pelo contribuinte, restou comprovado e reconhecido pela fiscalização que houve cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados, nos montantes de R$ 62.361,24, R$ 23.260,00, R$ 21.016,36, relativamente às contas mantidas na Caixa Econômica Federal, Banco Itaú e Banco Bradesco, respectivamente, cujos valores individualizados estão relacionados às folhas 2.579 a 2.581, os quais deveriam ser excluídos da tributação, sendo que não haveriam provas para acolher integralmente a pretensão da contribuinte em excluir a quantia de R$ 194.892,89, uma vez que ficou comprovado lançamento em duplicidade de apenas R$ 106.637,60 (R$ 62.361,24 + R$ 23.260,00 + R$ 21.016,36) que devem ser excluídos da tributação. Já quanto ao item “Desconto de duplicatas”, considerados os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, entendeu a decisão recorrida que ficou comprovado e foi reconhecido pela fiscalização a duplicidade do valor alegado de R$ 59.451,63, os quais estão relacionados individualmente às folhas 2.582 a 2.585 e devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização, afirmandose, todavia, que em relação ao Banco Itaú não foi comprovada a alegação. Quanto ao item “Recebimento Fornecedor”, entendeu a decisão recorrida que as alegações da recorrente estariam desprovidas de provas. Relativamente aos “Depósitos e Transferências”, relembrou a decisão recorrida que a contribuinte pretendia a exclusão da quantia de R$ 93.011,35, supostamente provenientes de operações de depósitos e transferências, sob a alegação de esse montante corresponde a transferências entre conta corrente da mesma titularidade do contribuinte, bem como, cheques inicialmente devolvidos pelo banco sacado e posteriormente reapresentados pela impugnante, conforme demonstram as planilhas acostadas (fls. 1.279 – 1.283), sendo que nas referidas planilhas foram relacionadas as transferências entre conta corrente da mesma titularidade e os cheques reapresentados, nos montantes de R$ 30.000,00 e R$ 63.011,35, respectivamente. Dito isso, assentouse que analisando os extratos bancários, cópias de cheques, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, verificavase que dos valores relacionados pela contribuinte ficou comprovado e foi reconhecido pela fiscalização R$ 19.200,00 como sendo transferências entre contas de titularidade da empresa, acrescido R$ 3.500,00, correspondente à transferência da CEF para o Banco Bradesco, totalizando R$ 22.700,00, julgandose acertado o procedimento fiscal ao não excluir os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, que a contribuinte alega terem sido depositados nessas datas em sua conta do Bradesco, porquanto tal alegação não teria sido comprovada. Diante disso, concluiu a decisão recorrida que do valor pleiteado de R$ 63.011,35 que seria depósitos de cheques reapresentados, a fiscalização, corretamente, só não excluiu o crédito de R$ 1.800,00 no dia 07/02/2006, no Banco Itaú, por se tratar de depósito em dinheiro, devendo ser excluídos da tributação o montante de R$ 83.911,35 (R$ 22.700,00 + R$ 61.211,35). Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 9 15 Por fim, quanto ao item “Duplicatas Extemporâneas”, relembrou que a contribuinte solicitou a exclusão da quantia de R$ 793.296,26 tendo em vista que as duplicatas acostadas não representariam vendas realizadas e foram utilizadas para formação de capital de giro e posteriormente pagas pela contribuinte, porém, como ressaltado pela autoridade fiscal em sua Informação (fl. 2.585), a contribuinte não teria comprovado a saída de recursos de suas contas correntes, coincidentes em datas e valores. Diante disso, não haveria como acolher a pretensão da impugnante, concluindo a decisão recorrida que deveria excluir da tributação a importância de R$ 190.548,95 (106.637,60 + 83.911,35) a título de depósito bancários de origem não comprovada e a importância de R$ 59.451,63 a título de omissão de receita não escriturada, passando a omissão de receita. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a preliminar de nulidade e as razões de mérito. É o relatório. Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admito o para julgamento. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de autos de infração lavrados em desfavor da ora recorrente, na sistemática do SIMPLES, tendo a Fiscalização constatado a ocorrência de omissão de receitas não escrituradas e de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. A insurgência da contribuinte em sede de Recurso Voluntário aventa, substancialmente, as mesmas razões contidas na Impugnação, reputando nulas as exigências fiscais ao argumento de que a fundamentação legal citada pela autoridade fiscal (inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96), à fl. 957, item 22, para justificar a majoração da multa em 150% inexiste. Também, o citado inciso I do parágrafo 1º do art. 44 da legislação citada pelo agente fiscal, à fl. 959, item 27, para dar fundamentar a majoração da multa foi revogado pela Lei nº 11.488/07. Quanto ao mérito, de igual forma procurou defender que os valores exigidos não caracterizariam renda tributável, valendose dos fundamentos relatados acima e, diante da sistemática adotada, cumpre cindir o enfretamento. I – Nulidade A recorrente reputa que a fundamentação legal citada no Termo de Encerramento Fiscal, item 22, fl. 957 (inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430/96), para justificar a majoração da multa em 150% é inexistente, sendo que o aludido inciso I do parágrafo 1º do artigo 44 da lei citada pela fiscalização (fl. 959, item 27), para apoiar a majoração da multa foi revogado pela Lei n.º 11.488/07. Observase que a decisão recorrida, ao apreciar idêntica alegação, cuidou de delinear que os autos de infração contêm em sua fundamentação legal, relativamente às multas, a seguinte fundamentação: i) a de 75% art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96; ii) a de 150% art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/9; iii) a de 112% art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96. Igualmente se registrou, com acerto ao meu sentir, que também no Termo no Termo de Encerramento Fiscal, item 22, consta como fundamentação da multa de 150% o Inciso II, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, e no item 27 do mesmo Termo a autoridade fiscal faz referência ao o Inciso I, parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quanto ao argumento da contribuinte, de revogação dos citados dispositivos, importa registrar assiste também razão à decisão recorrida ao dispor que a Lei nº 11.488/07, manteve a multa de 75% para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata, e de 150% nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, ou seja, continuou apenando os casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, deslocando a previsão da penalidade qualificada do inciso II do caput para o § 1o do Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 10 17 citado dispositivo, mantendo a majoração em 50% das multas no caso de não atendimento à intimação no prazo marcado. Sendo assim, de rigor reconhecer que não houve qualquer erro de fundamentação e também não houve qualquer prejuízo para a defesa, ou incompetência da autoridade administrativa, casos que autorizariam a decretação da nulidade, consoante regra do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, devese lembrar que a contribuinte defendese dos fatos a ela imputados, de sorte que impõese a rejeição da preliminar de nulidade. II – Mérito Quanto ao mérito, a contribuinte torna a aduzir que os lançamentos a título de: vendas cartão de crédito; cheques descontados; desconto de duplicatas; recebimento fornecedor e duplicatas extemporâneas, contêm duplas exigências, mas nada acrescenta aos documentos que foram analisados em Diligência e na decisão recorrida. Sendo assim, importa consignar que o conteúdo decisório, que exonerou todos os itens lançados em duplicidade, o fez com amparo nas conclusões da Diligência, que após analisar os documentos apresentados pelo contribuinte, suas planilhas e canhotos de cheques, documentos apresentados em atendimento a intimação fiscal, nova análise dos extratos bancários, informações prestadas pelos bancos Itaú e Bradesco e pela Cielo e Redecard, concluiu que: [...] 11 Em relação ao item 2.1, antecipação de créditos de vendas a prazo através de cartões de crédito, uma vez que o contribuinte, após decorridos 109 dias da ciência da intimação, não comprovou a sua alegação e, ainda com base nas informações prestadas pelo Bradesco, Cielo e Redecard, não há créditos cobrados em duplicidade e, portanto, não há o que se excluir. 12 Em relação ao item 2.2, reapresentação de cheques devolvidos e reapresentados, com base nos extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados pelo contribuinte, nos quais estão relacionados os cheques depositados, a fiscalização conclui que o contribuinte comprovou que há cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados e que devem ser excluídos conforme planilhas abaixo (fls. 2.579 2.580). 13 Quanto ao item 2.3 Desconto de Duplicatas, tendo em vista os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, os créditos efetuados na conta corrente do contribuinte do Bradesco sob o histórico "Liquidacão de Cobrança" que constam na planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal, que perfazem um montante de R$ 59.451,63 (fls. 2.582 – Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 2.585) devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização. 14 Quanto ao item 2.4 que alega que R$ 235,33 devese a prestação de serviço como correspondente bancário, mas não comprova, não há o que se excluir. 15 Quanto ao montante de R$ 93.011,35 que alega serem transferências de mesma titularidade e com base na cópia de cheque apresentado, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, e com base nos extratos bancários, a fiscalização conclui o seguinte: 15.1 Na planilha denominada "Doc. 9", apresentada na impugnação, os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, que o contribuinte alega terem sido depositados em sua conta do Bradesco, nessas datas, e que portanto, seriam transferências de mesma titularidade, não serão excluídos, pois no Bradesco no dia 28/08/2006 só houve um depósito de R$ 4.010,00, no dia 14/07/2006 só houve um depósito de R$ 3.089,30 e outro de R$ 151,95, e no dia 29/12/2006 não houve depósito algum. A essa planilha foi acrescentada o cheque de R$ 3.500,00 de sua conta da CEF que o contribuinte comprovou, através do comprovante de depósito denominado "Doc, 4" apresentado em atendimento a impugnação, que foi depositado em sua conta corrente do Bradesco. Portanto os seguintes depósitos serão excluídos, pois ficou comprovado tratase de depósitos de mesma titularidade: 15.2 Na planilha denominada "Doc. 10", apresentada na impugnação, somente o lançamento creditado no dia 07/02/2006, no banco Itaú, no valor de R$ 1.800,00, não foi excluído pois tratase de um depósito efetuado em dinheiro e portanto não pode ser um depósito de cheque devolvido e que foi reapresentado, como alega o contribuinte. Os demais créditos foram excluídos e encontramse relacionados abaixo (fl. 2.586). 16 Quanto as duplicatas que alega terem sido emitidas única e exclusivamente para captação de capital de giro, uma vez que não comprovou a saída de recursos de suas contas correntes coincidentes em datas e valores, a fiscalização só pode concluir que tais duplicatas são provenientes de sua atividade comercial e, portanto, não há o que se excluir da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas", anexo do Termo de Encerramento Fiscal. Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15956.000415/201041 Acórdão n.º 1301001.627 S1C3T1 Fl. 11 19 17 Desta forma, a fiscalização conclui que da planilha "Demonstrativo de receitas não escrituradas" deve ser excluído o montante de R$ 59.451,63 e da planilha "Demonstrativo de depósitos bancários não escriturados" o montante de R$ 190.548,95, de forma que o "Demonstrativo de valores tributáveis", que serviu de base para lançamento do Auto de Infração, ficará da seguinte forma (fl. 2.587). [...] Está correta a decisão recorrida, destarte, ao dispor que relativamente ao item “Recebimento de vendas através de cartões de créditos”, não ficou comprovada a alegação da recorrente ter sido computado crédito bancário em duplicidade, situação afastada pela pelas informações prestadas pelo Banco Bradesco às folhas 1.860 em diante. Quanto aos cheques descontados, igualmente assiste razão à decisão recorrida ao verificar que os extratos bancários e comprovantes de depósitos em cheques apresentados comprovam apenas aquilo que já foi reconhecido pela fiscalização e exonerado pela DRJ, ou seja, os cheques que foram descontados e posteriormente reapresentados montavam R$ 62.361,24, R$ 23.260,00, R$ 21.016,36, relativamente às contas mantidas na Caixa Econômica Federal, Banco Itaú e Banco Bradesco, respectivamente, cujos valores individualizados estão relacionados às folhas 2.579 a 2.581, não havendo mesmo, provas para acolher integralmente a pretensão da contribuinte em excluir a quantia de R$ 194.892,89. Relativamente ao item “Desconto de duplicatas”, considerados os esclarecimentos prestados pelo Bradesco, novamente está correta a decisão recorrida ao pronunciar que foi comprovada a duplicidade do valor alegado de R$ 59.451,63, os quais estão relacionados individualmente às folhas 2.582 a 2.585 e devem ser excluídos das receitas omitidas apuradas pela fiscalização, afirmandose, todavia, que em relação ao Banco Itaú não foi comprovada a alegação, residindo aí a diferença de solução, o que não equivale a terse dois pesos e duas medidas, como alega a recorrente, sendo que o item “Recebimento Fornecedor”, está mesmo desprovidas de provas. No que toca aos “Depósitos e Transferências”, como bem relembrou a decisão recorrida, a contribuinte pretendia a exclusão da quantia de R$ 93.011,35, supostamente provenientes de operações de depósitos e transferências, sob a alegação de esse montante corresponde a transferências entre conta corrente da mesma titularidade do contribuinte, bem como, cheques inicialmente devolvidos pelo banco sacado e posteriormente reapresentados pela impugnante, conforme demonstram as planilhas acostadas (fls. 1.279 – 1.283), sendo que nas referidas planilhas foram relacionadas as transferências entre conta corrente da mesma titularidade e os cheques reapresentados, nos montantes de R$ 30.000,00 e R$ 63.011,35, respectivamente, ou seja, correta a decisão recorrida ao proclamar que a análise dos extratos bancários, cópias de cheques, comprovante de depósito em cheques efetuados de forma englobada, no qual há a discriminação dos cheques depositados e canhotos de cheques, verificase que dos valores relacionados pela contribuinte ficou comprovado e foi reconhecido pela fiscalização R$ 19.200,00 como sendo transferências entre contas de titularidade da empresa, acrescido R$ 3.500,00, correspondente à transferência da CEF para o Banco Bradesco, totalizando R$ 22.700,00, os quais já foram devidamente exonerados, mas está acertado o procedimento fiscal ao não excluir os cheques emitidos nos dias 28/08/2006, 14/07/2006 e 29/12/2006 nos valores R$ 5.000,00, R$ 3.800,00 e R$ 2.000,00, Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 respectivamente, que a contribuinte alega terem sido depositados nessas datas em sua conta do Bradesco, porquanto tal alegação não foi comprovada. Correta, portanto, a decisão recorrida ao concluir que do valor pleiteado de R$ 63.011,35 que seria depósitos de cheques reapresentados, a fiscalização, corretamente, só não excluiu o crédito de R$ 1.800,00 no dia 07/02/2006, no Banco Itaú, por se tratar de depósito em dinheiro, e excluindo da tributação o montante de R$ 83.911,35 (R$ 22.700,00 + R$ 61.211,35). Por fim, quanto ao item “Duplicatas Extemporâneas”, revelase o acerto da decisão recorrida ao dispor que, como ressaltado pela autoridade fiscal em sua Informação (fl. 2.585), a contribuinte não teria comprovado a saída de recursos de suas contas correntes, coincidentes em datas e valores. Diante disso, não há mesmo como acolher a pretensão da recorrente. Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10880.986224/2009-34
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913962/2009-62, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913962/200962, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 86 22 4/ 20 09 -3 4 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 127 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, requerido pela DCOMP 19976.54984.040106.1.3.041376, cujo crédito referese a suposto pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do período de apuração de 31/12/2004, no montante original de R$ 111.862,27, com débito de estimativa de CSLL do período de apuração de 31/12/2005 – valor do débito compensado atualizado de R$ 111.862,27. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/SP1, através do Acórdão 16 28.154, constante às efls 71/72: DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do PER/DCOMP de fls. 01/02, transmitido pela contribuinte em 04/01/2006, que indicava como crédito o pagamento indevido / a maior de CSLL no montante de R$ 111.862,27, a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 05, no qual não homologa a compensação declarada, em face de tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, por meio , de sua advogada,regularmente constituída, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 07/16, alegando, em síntese, o seguinte. No anocalendário de 2004, a contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.762.820,93, conforme linha 51 da Ficha 17A da DIPJ/2005. Em absoluta consonância com as melhores práticas, , houve o devido reconhecimento contábil do valor, como passível de recuperação. Do valor ao qual a contribuinte fazia jus à restituição, houve aproveitamento parcial, da ordem de R$ 1.296.878,00, por meio do PER/DCOMP no 40135.39057.070405.1.7.044590, transmitido em 07/04/2005, cuja compensação foi não homologada e cuja manifestação de inconformidade, ainda pendente de julgamento na presente data, é tratada no processo n° 10880.913962/200962. Dessa forma, o valor remanescente favorável à contribuinte, após a dedução do aproveitamento realizado no PER/DCOMP supracitado, totalizava, em valores históricos, R$ 465.942,93. Desse total foi utilizado o valor de R$ 354.080,66 no PER/DCOMP n° 29567.40890.070405.1.3.04.4217, tratado no processo n° 10880.936041/200978, em fase de julgamento. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 128 3 Do valor residual de R$ 111.862,27, foi utilizado para compensação o valor original de R$ 96.466,26, formalizado do presente PER/DCOMP, o qual teve Despacho Decisório desfavorável, originado o processo aqui em análise. Restou, assim, um valor residual de R$ 15.396,01, a ser aproveitado em outros PER/DCOMP. Vez que é incontestável a existência de valores favoráveis A contribuinte, devidamente construído com respaldo nos deveres instrumentais e contábeis, é que se pretende ver reformado o Despacho Decisório de maneira a se homologar a compensação tratada no PER/DCOMP objeto do presente processo. Ocorre que, motivado por erro administrativo cometido no preenchimento do PER/DCOMP, o campo que indica a origem do crédito foi erroneamente aplicado como se fosse "Pagamento indevido ou a maior de CSLL". Entretanto, de maneira alguma isso prejudicaria o pleito formulado pela contribuinte, dada a inconteste vinculação dos créditos reclamados com o saldo negativo de CSLL apurado na competência de 2004. O crédito favorável à contribuinte decorre de excesso de recolhimentos de CSLL durante o ano de 2004, que, dada a peculiaridade de ser originado no bojo de regime anual e de recolhimentos mensais do tributo, tal excesso é chamado de "Saldo Negativo" e não "Pagamento indevido ou a maior". Esse erro meramente formal na caracterização da origem do crédito foi, a nosso ver, o motivo determinante para a autoridade fiscal considerar não homologada a compensação. Todavia, em que pese essa decisão, diante dos elementos probantes acostados à defesa, não há como ser ignorado o fato de que se tratava, em verdade, de "Saldo Negativo", e por tal razão deve a verdade material preponderar, consoante reiteradas decisões nesse sentido. Por todo exposto, requer a contribuinte que: a) Seja a presente manifestação de inconformidade julgada procedente, para declarar a anulação do Despacho Decisório; b) Sejam determinadas as necessárias correções e adequações das informações constantes do PER/DCOMP, segundo a realizada dos fatos, devidamente comprovados pela documentação acostada aos autos; e c) Seja declarado extinto o débito compensado, com base no artigo 156, inciso II, do CTN. Caso a autoridade julgadora assim não entenda possível, requer, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, para a produção das demais provas que se entender necessárias. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pelo contribuinte, conforme sintetiza a Ementa constante às efls 70: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 129 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2005 PER/DCOMP. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Admitese a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo somente se estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão que julgou improcedente seu pleito em 26/01/2011, (comprovante de AR às efls 76) restou inconformada, pelo que interpôs Recurso Voluntário em 23/02/2011 (efls 77/84), alegando que o erro de fato no seu pedido não tem o condão de desqualificar seu direito creditório, pedindo ao final pelo reconhecimento de seu direito creditório e homologação da compensação. É o relato do essencial. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.986224/200934 Resolução nº 1802000.476 S1TE02 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente pleiteou compensação de crédito tributário decorrente de suposto Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contraindo erro material no Declaração de Compensação, enquanto informou se tratar de pagamento indevido / a maior. Em análise preliminar identificase que o crédito pleiteado por estes autos é decorrente (residual) das DCOMP 40135.39057.070405.1.7.044590 e 29567.40890.070405.1. 3.044217, constantes dos processos 10880.913962/200962 e 10880.936041/200978 respectivamente, conforme se extrai da própria declaração de compensação às efls 3. Referidos autos são de competência de uma das turmas ordinárias, em razão do valor do processo ser superior a R$ 1.000.000,00, (hum milhão de reais) sendo incompetentes as turmas especiais para julgamento, conforme Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 2°, §2° c/c a Portaria do Ministério da Fazenda n° 3, de 3 de janeiro de 2008, em seu art. 1°. Sendo a matéria em voga a mesma constante daqueles autos e mais, decorrente do mesmo direito creditório, sagaz que o presente processo seja juntado naqueles autos por dependência, prezando assim, pela uniformidade nas decisões. Ante o exposto, determino a juntada dos presentes autos por dependência aos autos do processo 10880.913962/200962, para que julgados conjuntamente. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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