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Numero do processo: 10467.720376/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. ATO CANCELATÓRIO. NULIDADE DO ATO CANCELATÓRIO: DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE DETERMINOU A OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 14, DO CTN. VÍCIO MATERIAL.
As nulidades estabelecidas pelo art. 59 do Dec. nº 70.235/72 são absolutas, ou seja, os atos maculados por vício subjetivo ou proferidos com preterição do direito de defesa devem necessariamente ser invalidados, uma vez que seus defeitos são considerados insanáveis. O rigor da sanção se justifica, pois a competência do agente e a influência do autuado são as principais garantias para que o lançamento chegue a sua finalidade. Além disso, os direitos ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo são constitucionalmente garantidos.
Assim, quando o lançamento for lavrado em desconformidade com o estabelecido no art. 142 do CTN ou art. 10 do Dec. nº 70.235/72, que dispõem sobre o conteúdo e a forma do ato, a decretação da nulidade é dever do julgador administrativo, eis que presente vício material.
Da análise dos autos restou patente que a autoridade fiscal deveria, por força de decisão judicial transitada em julgado, ter fundamentado o ato administrativo cancelatório e lançamentos que afastou a imunidade tributária prevista no art. 195, §7º, da CF/1988, por meio do preenchimento ou não dos requisitos dispostos no art. 14, do CTN, haja vista a declaração incidental da inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº. 8.212/91.
Dessa forma, quando do lançamento a Entidade encontrava-se, ou melhor, encontra-se albergada por decisão judicial transitada em julgado desde 2006, proferida nos autos do processo nº. 2000.82.0011706-5, que lhe declarou o direito à imunidade tributária em relação às contribuições sociais previdenciárias patronais, haja vista atender a todos os requisitos previstos na norma regulamentadora do §7º do artigo 195 da Constituição Federal, qual seja, o art. 14 do CTN, tendo declarado inclusive a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, tanto na redação original quanto a que lhe foi atribuída pela Lei nº. 9.732/98.
Assim, para o gozo da imunidade em questão, a Recorrente estaria adstrita tão-somente ao cumprimento dos requisitos do art. 14, do CTN, não podendo o Fisco exigir-lhe o cumprimento de nenhuma outra condição, sob pena de afronta à coisa julgada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. ATO CANCELATÓRIO. NULIDADE DO ATO CANCELATÓRIO: DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE DETERMINOU A OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 14, DO CTN. VÍCIO MATERIAL. As nulidades estabelecidas pelo art. 59 do Dec. nº 70.235/72 são absolutas, ou seja, os atos maculados por vício subjetivo ou proferidos com preterição do direito de defesa devem necessariamente ser invalidados, uma vez que seus defeitos são considerados insanáveis. O rigor da sanção se justifica, pois a competência do agente e a influência do autuado são as principais garantias para que o lançamento chegue a sua finalidade. Além disso, os direitos ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo são constitucionalmente garantidos. Assim, quando o lançamento for lavrado em desconformidade com o estabelecido no art. 142 do CTN ou art. 10 do Dec. nº 70.235/72, que dispõem sobre o conteúdo e a forma do ato, a decretação da nulidade é dever do julgador administrativo, eis que presente vício material. Da análise dos autos restou patente que a autoridade fiscal deveria, por força de decisão judicial transitada em julgado, ter fundamentado o ato administrativo cancelatório e lançamentos que afastou a imunidade tributária prevista no art. 195, §7º, da CF/1988, por meio do preenchimento ou não dos requisitos dispostos no art. 14, do CTN, haja vista a declaração incidental da inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº. 8.212/91. Dessa forma, quando do lançamento a Entidade encontravase, ou melhor, encontrase albergada por decisão judicial transitada em julgado desde 2006, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 03 76 /2 01 0- 91 Fl. 5828DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.829 2 proferida nos autos do processo nº. 2000.82.00117065, que lhe declarou o direito à imunidade tributária em relação às contribuições sociais previdenciárias patronais, haja vista atender a todos os requisitos previstos na norma regulamentadora do §7º do artigo 195 da Constituição Federal, qual seja, o art. 14 do CTN, tendo declarado inclusive a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, tanto na redação original quanto a que lhe foi atribuída pela Lei nº. 9.732/98. Assim, para o gozo da imunidade em questão, a Recorrente estaria adstrita tãosomente ao cumprimento dos requisitos do art. 14, do CTN, não podendo o Fisco exigirlhe o cumprimento de nenhuma outra condição, sob pena de afronta à coisa julgada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 5829DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.830 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela entidade Institutos Paraibanos de Educação contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento (Debcad nº 37.283.5589) das exigências de contribuições destinadas a terceiros (salárioeducação, INCRA, SESC e SEBRAE), nas competências 10/2006 a 13/2008. 2. O crédito tributário, consolidado em 06/12/2010, totalizava R$ 4.338.340,82 e teve como base de cálculo as remunerações feitas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais, sendo que as remunerações dos segurados empregados foram apuradas nas folhas de pagamentos e GFIP, bem como as remunerações dos contribuintes individuais constantes das folhas de pagamentos e não declaradas em GFIP, conforme demonstrado no quadro anexo (fl. 174). 3. Consoante ao Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls.33/125), os presentes autos versam sobre a suspensão da imunidade tributária da qual usufrui a recorrente, com a consequente exigibilidade das contribuições sociais previdenciárias devidas e não recolhidas no período fiscalizado, concernentes à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações realizadas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. 4. Ou seja, no procedimento fiscalizatório imputouse a entidade o descumprimento dos requisitos previstos na redação original do art. 55, da Lei nº 8.212/91, necessários à manutenção da imunidade tributária, de que trata o § 7º, do art. 195 da Constituição Federal, tendo sido o auto de infração lavrado com base no procedimento previsto na Lei nº 12.101/2009. 5. Para melhor evidenciar os fatos apontados pela fiscalização, trago à colação parte do relatório fiscal constante do acórdão recorrido (fls. 5391/5395): "(...). Prossegue a auditoria fiscal dizendo que, embora não seja portadora de ato declaratório de isenção de contribuições sociais, a instituição faz jus à imunidade, desde que cumpra os requisitos fixados no art. 55, da Lei n.º 8.212/91, na sua redação original, conforme decidido no acórdão do TRF 5.ª Região, proferido nos autos da ação declaratória nº 2000.82.00.117065. Segundo o Fisco, a instituição é possuidora de CEAS, fornecido pelo CNAS, com período a descoberto 01/01/2007 a 07/06/2007, tendo descumprido o requisito exigido pelo inciso II, do art. 55, da Lei n.º 8.212/91, para este período (fls. 137/138). (...). Fl. 5830DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.831 4 Da análise dos elementos, a auditoria verificou que a instituição remunerou os seus dirigentes e expressivo número de familiares próximos, em valores extremamente superiores aos demais professores e funcionários, constituindo claramente na remuneração dos dirigentes em decorrência desta condição e a distribuição disfarçada de lucros, em clara violação ao inciso IV, do art. 55, da Lei n.º 8.212/91. As folhas de pagamentos contemplam seis categorias de professores, não previstas nos estatutos, sendo que todos os professores enquadrados nestas categorias são associados fundadores ou seus parentes próximos, conforme listado no quadro XXI (f. 92). Além disso, os valores pagos a estas categorias especiais são extremamente superiores às demais categorias, conforme demonstrado nos quadros XXII a XXIV. Também as remunerações da associada Clemilde Torres Pereira da Silva, esposa de associadofundador, é extremamente superior aos demais ocupantes do mesmo cargo, cerca de 1000% a 2000%, conforme demonstrado nos quadros XXVI a XXVIII (f. 95). Os associadosfundadores e seus familiares representam 5% da quantidade de trabalhadores e 25% do total da remuneração paga. Tais fatos são uma demonstração de que a instituição remunera os seus dirigentes, não pelo exercício de alguma atividade profissional, mas pela condição de dirigente. O exame da contabilidade permitiu a constatação de que os dirigentes da entidade foram beneficiados com a concessão de vantagens tais como pagamento de viagens e planos de saúde em tratamento diferenciado em relação aos demais trabalhadores da entidade, caracterizando remuneração indireta e distribuição disfarçada de receitas. Apenas os dirigentes tinham as despesas com plano de saúde pagos pela entidade, já que para os demais empregados havia desconto em folha de pagamento. Intimado para apresentar os comprovantes de despesas superiores a R$5.000,00 relativas a viagens, a empresa somente apresentou os documentos do ano de 2006. Não apresentou comprovantes de que as viagens se relacionam com atividades da instituição. (...). Por todo o exposto, a Fiscalização entende que o sujeito passivo deixou de atender ao inciso IV, do art. 55, da Lei n.º 8.212/91, tendo em vista que a entidade remunerou e concedeu vantagens aos seus dirigentes e familiares. Fl. 5831DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.832 5 A auditoria fiscal conclui que deve ser suspensa a isenção do sujeito passivo porque: (a) no período de 01/01/2007 a 07/06/2007, deixou de atender ao inciso II, do art. 55, da Lei n.º 8.212/91, vez que o IPÊ não é portador de Certificado de Entidade de Assistência Social (CEAS), com validade neste período; (b) no período de 01/10/2006 a 31/12/2008, por descumprimento do inciso IV, do art. 55., da Lei n.º 8.212/91, tendo em vista que a instituição remunerou seus dirigentes, além de conceder vantagens/benefícios aos mesmos. Em conseqüência, atendendo ao disposto no art. 32 da Lei n.º 12.101/2009, a fiscalização lavrou o presente auto de infração, considerando o suspenso o direito à isenção, nos termo do §1.º do já citado artigo. 6. Do mesmo procedimento de fiscalização, em relação à obrigação principal, outros autos de infração foram lavrados, conforme apontados às fls 121, a saber: AI DEBCAD nº 37.283.5538, no valor consolidado de R$ 21.038.521,37 – Débitos referentes às Contribuições Sociais a cargo da Empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, relativas ao período de 01/10/2006 a 31/12/2008, em virtude da suspensão da isenção previdenciária; AI DEBCAD nº 37.283.5562, no valor consolidado de R$ 35.060,37 – Contribuições Previdenciárias referente a diferença da parte patronal (20%) incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais, relativas as competências de 03/2006 a 06/2006. 7. Após ser devidamente intimada, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido (fls. 5390/5406) restou assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 ISENÇÃO/IMUNIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. SUSPENSÃO. Demonstrado o descumprimento pela entidade dos requisitos legais para gozo da imunidade, deve ser mantido o auto de infração relativo ao período correspondente e considerase automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições previdenciárias. Fl. 5832DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.833 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 FISCALIZAÇÃO. NOVOS PROCESSOS. APLICAÇÃO IMEDIATA. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. INFORMAÇÕES. NÃO DIVULGAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Tendo em vista que não houve a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros, e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades, não se configura qualquer quebra de sigilo fiscal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." 8. Após terem sido cientificadas do referido acórdão, conforme AR dos serviços dos Correios (fl. 5409), tempestivamente (fl. 5825), a entidade interpôs recurso voluntário (fls. 5417/5457), sustentando, em síntese que: a) a cobrança das Contribuições em questão é indevida porque contrária a sentença judicial, transitada em julgado, onde se reconheceu a recorrente como entidade imune, nos termos do art. 195, §7º da Constituição, devendo o lançamento ser desconstituído; b) o art. 32 da Lei nº 12.101/09 não deve ser aplicado retroativamente ao caso, nos termos do art. 106, II, "c", do CTN; c) a decisão recorrida concluiu equivocadamente que, a entidade Recorrente deixou de atender ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, por não ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistente Social CEAS no período 01/01/2007 a 07/06/2007; d) os cargos da diretoria e dos conselhos fiscais, deliberativos e consultivos da entidade Recorrente (INSTITUIÇÃO MANTENEDORA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA UNIPÊ) não são remunerados nem contemplados com benefícios remuneratórios de qualquer espécie, ostentando caráter puramente filantrópico e voluntário. Ou seja, a remuneração de tais agentes NÃO se deu pelo exercício de cargos de direção e de representação da entidade Recorrente, mas unicamente em razão do exercício de atribuições do magistério e de outros cargos no âmbito da estrutura funcional da ENTIDADE MANTIDA (Centro Universitário de João Pessoa UNIPÊ), inexistindo assim distribuição disfarçada de lucros; e) o benefício de plano de saúde é concedido a todos os empregados; Fl. 5833DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.834 7 f) as despesas com viagens não se trata de remuneração indireta, mas de gastos com representação da entidade recorrente, notadamente com a execução de convênios de cooperação técnicocientifico por ela mantidos; g) a multa de ofício está sendo cobrada em duplicidade (já cobrado nos AIs nº 37.283.5570, 37.294.8626 e 37.283.5554.), quando sequer deveria existir, haja vista à ilegalidade consistente na cobrança de forma suplementar da cota patronal; 9. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 5834DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.835 8 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO DESRESPEITO À COISA JULGADA MATERIAL PROCESSO Nº 2000.82.00117065 2. A recorrente, em síntese, argumenta em sem seu recurso voluntário como sendo "inadmissível que se prospere o presente lançamento, eis que contrário à ordem judicial vigente, sendo mais grave a tentativa do relatório fiscal em impor condicionantes ao gozo da imunidade que não foram citados na sentença (grifei) confirmada pelo Tribunal regional Federal da 5ª Região" (fl. 5420). 3. A sentença a que se refere a recorrente foi exarada em primeira instância, nos autos do processo judicial nº 2000.82.00117065, nos seguintes termos: "Isto posto, com base no CPC, arts. 5º e 269, I, declaro incídenter tantum a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n.° 8.212/91, tanto na redação original quanto na que lhe foi atribuída pela Lei n. 9.732/98, declaro os INSTITUTOS PARAIBANOS DE EDUCAÇÃO desobrigados de contribuir para a seguridade social por estarem acobertados peia imunidade prevista no §7º do art. 195 da Constituição da República; ficam mantidos os efeitos da liminar anteriormente concedida." 4. Feitos os apontamentos iniciais, no que se refere ao presente caso, o que interessa é verificar a ocorrência de coisa julgada material, haja vista que se presente o referido instituto, tornase sem efeitos o lançamento tributário em análise. 5. A coisa julgada encontrase tutelada entre os direitos e garantias individuais previstos no art. 5º da Constituição Federal nos seguintes termos: "XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;" Fl. 5835DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.836 9 6. No que tange ao acima previsto, o CPC vigente, em seu art. 467 estabelece o seguinte: "Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário." 7. Explicitando melhor a definição que traz o art. 467 do CPC, na doutrina de Nelson Nery Júnior, " "Coisa julgada material (autorictas rei iudicatae) consiste na qualidade que torna imutável e indiscutível o comando que emerge da parte dispositiva da sentença de mérito não mais sujeita a recurso ordinário e extraordinário, nem a remessa necessária." 8. Apenas para argumentar e tornar claro a importância da coisa julgada, apontese que o art. 471 do CPC é cristalino no sentido de que é inadmissível a decisão pelo juiz de questões já decididas em relação à mesma lide, exceto em algumas hipóteses desnecessárias aqui tecer considerações. 9. Com relação à coisa julgada, esta já foi objeto de apreciação pelo CARF, em sessão de 03/12/2014, pela extinta 1ª Turma Ordinária, 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, cujo colegiado, à época, integrava este Conselheiro e teve como Relator do pertinente processo (10467.720375/201046) o Conselheiro Manoel Coelho de Arruda Júnior, oportunidade em que, por unanimidade devoto, foi dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte para, em razão de vício material, cancelar o lançamento, uma vez que o mesmo foi realizado em desacordo com o previsto no art. 142 do CTN. 10. A apreciação da coisa julgada a que se refere o item precedente, reitere se, deuse quando do julgamento do PAF nº 10467.720375/201046, relativamente ao AI DEBCAD nº 37.283.5538 (AIOP), apontado no item 6 do relatório destes autos, cujo lançamento foi efetuado pela autoridade fiscal no mesmo procedimento de fiscalização do qual resultou os autos ora analisados. 11. Assim, por se tratar ambos os atos de obrigação principal a cargo da recorrente, com a mesma motivação ou fundamentação para exigibilidade do crédito tributário, qual seja, descumprimento dos requisitos previstos na redação original do art. 55, da Lei nº 8.212/91, necessários à manutenção da imunidade tributária, de que trata o § 7º, do art. 195 da Constituição Federal, e, considerando que os recursos trazem idênticas argumentações de defesa, peço vênia aos demais integrantes deste colegiado para trazer à colação parte do voto que integra a decisão proferida no PAF nº 10467.720375/201046, cujo teor, por concordar este Conselheiro, também aplicase ao presente caso, in verbis: "(...). Registrese que, desde o protocolo da impugnação, a Recorrente suscitou que, não obstante a suspensão da imunidade, a Entidade encontravase albergada por decisão judicial transitada em julgado desde 2006, proferida nos autos do processo n. 2000.82.00117065, que lhe declarou o direito a Fl. 5836DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.837 10 imunidade tributária em relação às contribuições sociais previdenciárias patronais, haja vista atender a todos os requisitos previstos na norma regulamentadora do §7º do artigo 195 da Constituição Federal, qual seja, o art. 14 do CTN, tendo declarado inclusive a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n. 8.212/91, tanto na redação original quanto a que lhe foi atribuída pela Lei n. 9.732/98, conforme se observa da declaração prestada pela Procuradora Federal Zileida de V. Barros [fls. 138140]. Registrese, por oportuno, que diferentemente da conclusão apontada pela i. Procuradora Federal, verificase que, não obstante os recursos interpostos pela União, a sentença mantevese incólume: Vistos etc... Isto posto, com base no CPC, arts. 5o. e 269, I, declaro incidenter tantum a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei no. 8.212/91, tanto na redação original quanto na que lhe foi atribuída pela Lei no. 9.732/98, declaro os INSTITUTOS PARAIBANOS DE EDUCAÇÃO desobrigados de contribuir para a seguridade social, por estarem acobertados pela imunidade prevista no parágrafos 7o. do art. 195 da Constituição da República; ficam mantidos os efeitos da liminar anteriormente concedida. Com base no CPC, art. 20, parágrafo 4º., condeno os réus ao pagamento de honorários advocatícios, que arbitro em 10% do valor da causa, porque vencidas a Fazenda Publica e a Autarquia Federal. Custas ex lege. P.R.I. A propósito, tal conclusão foi ratificada em Acórdãos prolatados pela e. TRF da 5ª Região, conforme consulta ao sítio: Acórdão Desembargador(a) Federal Relator(a) [Publicado em 16/06/2009 00:00] [Guia: 2009.000674] (M604) EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO ACÓRDÃO. NULIDADE SÓ INVOCADA DEPOIS DE JÁ HAVER MANIFESTAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL EM FASE DE EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. OCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. A ausência de intimação válida do acórdão poderia, em princípio, caracterizar a ocorrência de nulidade processual insanável, por prejudicar o exercício do direito de defesa a ser eventualmente exercitado.Contudo, a situação particular presente nos autos não autoriza a decretação da nulidade invocada. O julgamento do feito ocorreu na sessão do dia 10/11/2005, tendo transitado em julgado o acórdão, após o que os autos baixaram à instância de origem, na qual a parte autora, ora agravada, deu início à fase de execução do julgado. Em petição protocolizada em 25/10/2006, sobreveio a primeira intervenção da Fl. 5837DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.838 11 Fazenda Nacional após a prolação do voto pelo órgão colegiado desta Corte. Alegou o Procurador subscritor do petitório, apenas, que não poderia dar cumprimento, de pronto, ao comando insculpido no acórdão, ao argumento de que teria, em seu favor, decisão transitada em julgado decorrente de outro feito (Proc. nº 99.52870), pedido esse que foi acolhido pela Juíza de Primeiro Grau, determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários constituídos contra a exequente. Portanto, na primeira oportunidade que lhe foi apresentada, a Fazenda Nacional, embora tenha manifestado plena ciência da decisão emanada desta Corte, não suscitou a ocorrência de qualquer nulidade processual decorrente de vício quando da intimação do acórdão, o que só veio a ser feito em petitório protocolizado em 24/10/2007, ou seja, aproximadamente seis meses após sua intervenção anterior. Do instituto da preclusão decorre a exigência de que a parte alegue a nulidade na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos, sob pena de ficarlhe preclusa a possibilidade de fazêlo tardiamente. "operase a preclusão temporal na hipótese em que a nulidade absoluta do processo não é alegada no primeiro momento em que a parte teve para se manifestar, mas apenas quatro anos após a publicação do acórdão, quando já preclusa a oportunidade." (RESP nº 207804/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJ 25/09/2006, p. 317, Sexta Turma, por unanimidade)Agravo regimental desprovido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Primeira Turma do egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos, que integram o presente julgado.Recife, 14 de maio de 2009 (data do julgamento).JOSÉ MARIA LUCENA, Relator. Despacho do Desembargador(a) Federal Vice Presidente Recurso Especial Não Admitido [Publicado em 28/08/2012 00:00] (M25) DECISÃO Em 10/11/2005, a egrégia Primeira Turma deste Tribunal decidiu, "por unanimidade, rejeitar a preliminar e negar provimento às apelações e à remessa obrigatória", nos termos do voto do eminente relator (fls. 209/217), confirmando, assim, a sentença da 1ª Vara Federal/PB, que declarou "os INSTITUTOS PARAIBANOS DE EDUCAÇÃO desobrigados de contribuir para a seguridade social, por estarem acobertados pela imunidade prevista no §7º do art. 195 da Constituição da República" (fls. 143/147).Depois de certificado o trânsito em julgado do referido acórdão, os autos foram remetidos ao juízo de origem, dandose início ao cumprimento do julgado (petição de fls. 222/227 e Fl. 5838DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.839 12 decisão de fl. 228).Intimada para cumprimento do acórdão, a União (Fazenda Nacional) peticionou alegando coisa julgada anterior, em sentido diametralmente oposto ao novo julgamento. Pugnou, ainda, pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário enquanto não fosse decidida a questão (fls. 240/241).Este pedido foi, em um primeiro momento, deferido pelo juízo do feito (fl. 288/289), que, posteriormente, acolhendo a manifestação da parte autora, rejeitou a alegação de coisa julgada, fixando o prazo de 15 (quinze) dias para o integral cumprimento do julgado (fls. 332/334).Ao ser intimada dessa decisão, a União peticionou alegando, em acréscimo, não ter sido validamente intimada do acórdão cujo cumprimento estava sendo determinado (fls. 338/339).Em vista dessa alegação, a insigne magistrada responsável pela condução do feito decidiu remeter os autos a este Tribunal, considerando ser este o órgão competente para apreciar a alegação de nulidade (fls. 389/390).Chegando os autos a esta Corte, o eminente Desembargador Federal José Maria Lucena, na condição de Relator do recurso de apelação, rejeitou a alegação de nulidade, com fundamento na preclusão (CPC, art. 245), em virtude de não ter sido ela suscitada pela parte interessada na primeira oportunidade em que lhe coube falar pela primeira vez nos autos (fls. 408/409).Contra essa decisão, a União interpôs agravo regimental (fls. 415/420) sustentando a impossibilidade de decretação de preclusão em matéria de ordem pública. Este agravo foi improvido pela eg. Primeira Turma (fls. 423/430), mantendose a decisão agravada por seus próprios fundamentos.Em face desse acórdão a União interpôs recurso especial (fls. 433/438), apontando violação ao art. 20 da Lei n.º 11.033/2004, ao art. 38 da Lei Complementar n.º 73/93 e ao art. 6º da Lei n.º 9.028/95. Este recurso ainda se encontra pendente de admissibilidade.Antes, porém, de virem os autos conclusos à VicePresidência para exame de admissibilidade do recurso especial, a União atravessou petição requerendo a "APRECIAÇÃO de ERRO MATERIAL E A INEFICÁCIA DA SENTENÇA EM VIRTUDE DA INEXISTÊNCIA DE APRECIAÇÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL PELA COL. TURMA DO Eg. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL" (fls. 442/447).Em seguida, a parte autora ofereceu contrarrazões ao recurso especial (fls. 623/635), vindo, então, os autos conclusos ao VicePresidente, que, verificando a pendência de pronunciamento da Primeira Turma acerca da petição mencionada no parágrafo anterior (fls. 442/447), determinou o retorno dos autos ao gabinete do Relator, Desembargador Federal José Maria Lucena (fls. 637/638).Ao apreciar essa petição, o insigne Desembargador Relator rejeitou monocraticamente a alegação de erro material e de ineficácia do julgado, Fl. 5839DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.840 13 indeferindo os pedidos nela veiculados (fls. 640/642). Outro agravo regimental foi interposto pelo ente público, ao qual a turma julgadora igualmente negou provimento, ficando afastada também pelo órgão colegiado a alegação de erro material no julgamento da apelação e de ineficácia desse julgado (fls. 657/663).Na sequência, abriuse vista dos autos à Procuradoria Regional Federal da 5ª Região (fls. 663verso), que peticionou informando a substituição de parte (INSS INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL pela UNIÃO) por disposição legal (art. 16 da Lei n.º 11.457/2007), noticiando ainda que a representação no feito desde então estaria na incumbência da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional (fls. 664).Nesse intervalo, a parte autora peticionou à VicePresidência alegando que a Fazenda Nacional estaria causando tumulto processual, levando em conta a sequência de incidentes pro ela provocados. Ao final, pugnou pela inadmissão do recurso especial entendendo terem sido praticados pela parte adversa atos incompatíveis com o direito de recorrer (fls. 665/673).Estando pendente de apreciação a petição em que se alegou equívoco na abertura de vista à Procuradoria Regional Federal da 5ª Região e a substituição de parte, o então VicePresidente determinou o retorno dos autos ao Desembargador Federal Relator por entender que a este competia a análise de tais questões (fls. 675/676). Inconformada com essa decisão, a parte autora interpôs embargos de declaração (fls. 678/688), sustentando que a intimação da União teria efetivamente ocorrido por intermédio da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional, apresentando como prova extrato de movimentação processual indicativa de que a Fazenda Nacional teria obtido vista dos autos em 10/03/2011(fl. 687). Os embargos de declaração foram rejeitados por esta VicePresidência por ausência de omissão, obscuridade ou contradição na decisão recorrida, determinandose o cumprimento da decisão que ordenou a remessa dos autos ao Relator (fls. 689/690).O pedido da Procuradoria Regional Federal da 5ª Região (fls. 664) foi oportunamente apreciado pelo Desembargador Relator, que considerou ter havido a intimação da União, através da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional, acerca do acórdão prolatado no julgamento do agravo regimental (fls. 657/663), mediante vista dos autos em 21/02/2011 (fl. 692). Nessa decisão, ficou determinada a correção da autuação, mediante substituição do INSS INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL pela FAZENDA NACIONAL.Após essa decisão, os autos vieram conclusos à VicePresidência para apreciação do recurso especial. Já estando os autos conclusos, a parte autora peticiona requerente a juntada de substabelecimento.Decido.Este breve resumo dos fatos serve para demonstrar que todos os incidentes suscitados pelas partes foram devidamente resolvidos, não havendo, Fl. 5840DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.841 14 pois, questões pendentes de apreciação pela turma julgadora. Resta, assim, à VicePresidência proceder ao juízo de admissibilidade do recurso especial de fls. 433/438 e da petição de substabelecimento de fls. 701/704.De início, examinando a alegação da parte autora formulada às fls. 665/673, entendo que os incidentes provocados pela União após a interposição do recurso especial não configuram atos incompatíveis com o direito de recorrer. Isso porque as controvérsias levantadas nas petições e nos agravos regimentais que lhe sucederam são distintas daquela que foi objeto do recurso especial.Observo, no entanto, que o recurso especial interposto pela União não goza de regularidade formal. Com efeito, constatase que as razões apresentadas no recurso especial estão dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido. Para tanto, basta verificar que, embora o agravo regimental tenha sido denegado com fundamento na preclusão do direito de alegar nulidade (CPC, art. 245), o recurso especial do ente público aponta ofensa ao art. 20 da Lei n.º 11.033/2004, ao art. 38 da Lei Complementar n.º 73/93 e ao art. 6º da Lei n.º 9.028/95.Incide na espécie, portanto, a aplicação analógica da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, conforme se extrai dos seguintes precedentes:AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO. BRASIL TELECOM S.A. RAZÕES DISSOCIADAS DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. SÚMULA N. 284/STF.1. A discrepância entre as razões recursais e os fundamentos do acórdão recorrido obsta o conhecimento do Recurso Especial, ante a incidência do teor da Súmula n. 284 do STF, segundo a qual "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia", aplicável, mutatis mutandis, ao conhecimento do agravo regimental.Precedentes do STJ.2. Agravo regimental não conhecido.(AgRg no AREsp 59.085/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 14/02/2012, DJe 23/02/2012)PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. INCONGRUÊNCIA COM A MOTIVAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. INCIDÊNCIA. INOVAÇÃO RECURSAL.VEDAÇÃO. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL.PREQUESTIONAMENTO.INVIABIL IDADE.1. A falta de impugnação da motivação expendida no acórdão recorrido, a par da apresentação de razões dissociadas do quanto decidido pelo tribunal de origem, revelam deficiência na fundamentação do especial, a impedir a exata compreensão da controvérsia.Incidência, por analogia, da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal.2. A matéria referente à inexistência de direito adquirido a regime jurídico foi levantada somente no agravo regimental, evidenciando hipótese de inovação Fl. 5841DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.842 15 recursal, vedada nesta fase processual.3. Afigurase inviável, em sede de recurso especial, a apreciação de ofensa a dispositivo constitucional, ainda que a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao STF, nos termos do art. 102, III, da Constituição Federal.4. Agravo regimental a que se nega provimento.(AgRg no REsp 1135973/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 07/02/2012, DJe 27/02/2012). Ante o exposto, INADMITO o recurso especial. Defiro a juntada do substabelecimento de fls. de fls. 701/704, devendo a Subsecretaria de Recursos Extraordinários, Especiais e Ordinários SREEO providenciar para que as novas intimações sejam realizadas exclusivamente em nome dos advogados ali mencionados.Cumprase. P. I.Recife, 16 de agosto de 2012.Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira VicePresidente do TRF da 5ª Região. Assinado Eletronicamente. [Grifo nosso] Dessa forma, quando do lançamento a Entidade encontravase, ou melhor, encontrase albergada por decisão judicial transitada em julgado desde 2006, proferida nos autos do processo n. 2000.82.00117065, que lhe declarou o direito a imunidade tributária em relação às contribuições sociais previdenciárias patronais, haja vista atender a todos os requisitos previstos na norma regulamentadora do §7º do artigo1 95 da Constituição Federal, qual seja, o art. 14 do CTN, tendo declarado inclusive a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n. 8.212/91, tanto na redação original quanto a que lhe foi atribuída pela Lei n. 9.732/98. Assim, para o gozo da imunidade em questão, a Recorrente estaria adstrita tãosomente ao cumprimento dos requisitos do art. 14, do CTN, não podendo o Fisco exigirlhe o cumprimento de nenhuma outra condição, sob pena de afronta à coisa julgada. O art. 5°, LV, estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Tributário. O Processo Administrativo Tributário é um instrumento de que se vale o Estado para aperfeiçoar as exigências fiscais. As exações devem ser perfeitas, ou seja, devese exigir do sujeito passivo exatamente o que é devido, nada mais nem menos, em observância aos princípios da legalidade tributária e da responsabilidade fiscal. Partese da premissa de que os atos administrativos podem conter defeitos e que, portanto, deve haver um mecanismo de correção. Fl. 5842DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.843 16 Neste contexto, se entende que o interessado deve ser chamado a contribuir, assegurandoselhe o direito da manifestar sua inconformidade, caso disponha de informações capazes de compor uma antítese à tese da Administração. Daí porque, nos despachos decisório sexemplos – o sujeito passivo não é simplesmente intimado a pagar, mas a pagar ou impugnar a exigência. Assegurar o contraditório consiste, portanto, em conduzir o processo de forma dialética, de tal sorte que o interessado tenha o direito de se manifestar sobre todas as teses e provas que a Administração trouxer aos autos. Dizer que o interessado tem direito à ampla defesa significa que ele pode defenderse livremente, sem qualquer limitação, salvo as que o próprio Direito impõe. A fixação de restrições ao direito de defesa justificase porque todo princípio está associado a um valor, e, como não existe valor absoluto, os princípios podem sofrer limitações em face de outros princípios e valores. Como é cediço, o processo não é um fim em si mesmo, mas um método, ou instrumento, para se alcançar determinado fim. Em abstrato, os requisitos formais estabelecidos para a prática dos atos existem como garantia de que o fim será atingido, embora, em concreto, tais exigências possam ter efeito justamente contrário, quando se perde de vista a instrumentalidade do processo, e as formas se degeneram em formalismo excessivo, deixando de ser garantia, para transformaremse em obstáculo à realização do direito material. Para evitar que se perca a visão do processo como instrumento e das formas como garantia, a LPA, no art. 2°, parágrafo único, incisos VIII e IX, prescreve que, no processo administrativo, serão observadas formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; e adotadas formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Quando o interessado opta por discutir a mesma questão pela via judicial, o interesse de agir na esfera administrativa desaparece, posto que a decisão administrativa perderá toda a utilidade que poderia ter para o interessado. A decisão administrativa, na parte em que for coincidente com a decisão judicial, será inútil, posto que desnecessária; e, na parte na que for conflitante, também não terá utilidade, uma vez que a decisão judicial, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas1. Segundo o art. 301, § 3°, do CPC, com redação dada pela Lei n° 5.925/1973, há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. 1 CPC, art. 468. Fl. 5843DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.844 17 Para Fredie Didier Jr., o entendimento majoritário da doutrina tradicional brasileira é o de que a coisa julgada representa a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial. Integram esta corrente, entre outros, Liebman, Dinamarco e Ada Pellegrini2. A obrigação tributária nasce com o fato gerador, 3 logo, desde o momento em que um fato amoldase à hipótese de incidência, já existe também um credor (sujeito ativo), um devedor (sujeito passivo) e uma prestação (de pagar). Ocorre que esta obrigação, por ser prevista em lei de forma geral e abstrata, depende de uma apuração para que se determinem os seus elementos, possibilitandose, assim, o pagamento ou, em caso de inadimplência, o ajuizamento de uma execução fiscal. O lançamento, apesar do que sugere a interpretação literal do texto normativo, não constitui o crédito tributário porque este surge com o próprio fato gerador, visto que não há obrigação de pagar sem crédito. Assim, o lançamento tem como finalidade imediata fixar os elementos da obrigação, identificando o sujeito passivo e apurando, ou liquidando, o crédito tributário. A legislação que rege o Processo Administrativo Tributário prevê a sanção de nulidade apenas para atos inquinados por vício de competência (falta de requisito subjetivo) ou lavrados com preterição do direito de defesa. O vício subjetivo (incompetência) e o cerceamento do direito de defesa ensejam a decretação de nulidades, conforme art. 59 do PAF, in verbis: CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As nulidades estabelecidas pelo art. 59 são absolutas, ou seja, os atos maculados por vício subjetivo ou proferidos com preterição do direito de defesa devem necessariamente ser invalidados, uma vez que seus defeitos são considerados insanáveis. O rigor da sanção se justifica, pois a competência do agente e a influência do autuado são as principais garantias para que o lançamento chegue à sua finalidade. Além disso, os direitos ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo são constitucionalmente garantidos. 2 DIDIER JR, Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil: Teoria da prova, direito probatório, teoria do precedente, decisão judicial, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela. 4. ed. rev., ampl. e atual. Salvador: JusPODIVM, 2009, vol. 2, p. 413415. 3 CTN, art. 113, § 1o: “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 5844DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.845 18 Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I – a identificação do sujeito passivo; II – a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III – a norma legal infringida; IV – o montante do tributo ou contribuição; V – a penalidade aplicável; VI – o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII – o local, a data e a hora da lavratura; VIII – a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Assim, quando o lançamento for lavrado em desconformidade com o estabelecido no art. 142 do CTN ou art. 10 do PAT, que dispõem sobre o conteúdo e a forma do ato, a decretação da nulidade é dever do julgador administrativo. Da análise dos autos restou patente que a autoridade fiscal deveria, por força de decisão judicial transitada em julgado, ter fundamentado o ato administrativo – cancelatório e lançamentos – que afastou a imunidade tributária prevista no art. 195, §7º, da CF/1988, por meio do preenchimento ou não dos requisitos dispostos no art. 14, do CTN, haja vista a declaração incidental da inconstitucionalidade do art. 55, da Lei n. 8.212/91. Dessa forma, constatado o vício quanto à aplicação da norma tida por infringida, entendo pela nulidade material da “suspensão da imunidade”. (...)." 12. Da decisão judicial prolatada em primeira instância, transitada em julgado, e, do acórdão proferido pelo e. TRF da 5ª Região, já anteriormente mencionado, em síntese, por decurso de prazo, prevaleceu ao exarado na instância judicial a quo, o que para tanto replico trecho do acórdão emanado da referida Corte Regional, verbis: Fl. 5845DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.846 19 "(...). O julgamento do feito ocorreu na sessão do dia 10/11/2005, tendo transitado em julgado o acórdão, após o que os autos baixaram à instância de origem, na qual a parte autora, ora agravada, deu início à fase de execução do julgado. Em petição protocolizada em 25/10/2006, sobreveio a primeira intervenção da Fazenda Nacional após a prolação do voto pelo órgão colegiado desta Corte. Alegou o Procurador subscritor do petitório, apenas, que não poderia dar cumprimento, de pronto, ao comando insculpido no acórdão, ao argumento de que teria, em seu favor, decisão transitada em julgado decorrente de outro feito (Proc. nº 99.52870), pedido esse que foi acolhido pela Juíza de Primeiro Grau, determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários constituídos contra a exequente. Portanto, na primeira oportunidade que lhe foi apresentada, a Fazenda Nacional, embora tenha manifestado plena ciência da decisão emanada desta Corte, não suscitou a ocorrência de qualquer nulidade processual decorrente de vício quando da intimação do acórdão, o que só veio a ser feito em petitório protocolizado em 24/10/2007, ou seja, aproximadamente seis meses após sua intervenção anterior. Do instituto da preclusão decorre a exigência de que a parte alegue a nulidade na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos, sob pena de ficarlhe preclusa a possibilidade de fazêlo tardiamente. "operase a preclusão temporal na hipótese em que a nulidade absoluta do processo não é alegada no primeiro momento em que a parte teve para se manifestar, mas apenas quatro anos após a publicação do acórdão, quando já preclusa a oportunidade." (RESP nº 207804/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJ 25/09/2006, p. 317, Sexta Turma, por unanimidade)Agravo regimental desprovido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Primeira Turma do egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos, que integram o presente julgado.Recife, 14 de maio de 2009 (data do julgamento).JOSÉ MARIA LUCENA, Relator." 13. Assim, não resta dúvidas de que por ocasião do lançamento a Entidade encontravase protegida por decisão judicial transitada em julgado, desde 2006, proferida nos autos do processo nº. 2000.82.00117065, que a declarou com direito a imunidade tributária em relação às contribuições sociais previdenciárias patronais, haja vista atender a todos os requisitos imunitórios de que trata o §7º do artigo1 95 da Constituição Federal, qual seja, o art. 14 do CTN, declarado inclusive a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, tanto na redação original quanto a que lhe foi atribuída pela Lei nº. 9.732/98. 14. Feitas as transcrições do voto antes referenciado, registrese que este relator está em linha com o ali exarado, inclusive, reiterese, com a afirmação de que ao se Fl. 5846DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10467.720376/201091 Acórdão n.º 2402005.046 S2C4T2 Fl. 5.847 20 constar vício de aplicação de norma tida como infringida, concluise pela nulidade material, no caso, da "suspensão da imunidade". CONCLUSÃO 15. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 5847DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 16327.001255/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Rogério Aparecido Gil. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado
.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Rogério Aparecido Gil. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado . (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 25 5/ 20 10 -2 7 Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Colhese da Resolução nº 1101000.053 o relato das ocorrências verificadas até a conversão do julgamento dos recursos em diligência: Em consequência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram lavrados, em 22.09.2010, contra a instituição financeira aqui identificada, os autos de infração a seguir discriminados, voltados a formalizar e cobrar os créditos tributários neles estipulados, no valor total de R$ 54.182.287,33, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31.08.2010: a) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fls. 462/473): Total do Crédito Tributário: R$ 45.704.748,17, sendo R$ 20.564.527,90 a título de COFINS; R$ 9.716.824, a título de juros de mora, calculados até 31.08.2010; e R$ 15.423.395,85 a título de multa proporcional de 75%; Fatos Geradores: 31.01.2005 a 30.04.2007; Enquadramento legal: artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02, e artigo 18 da Lei n° 10.684/03; b) Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) (fls. 475/487): Total do Crédito Tributário: R$ 7.434.118,05, sendo R$ 3.344.660,67 a título de PIS; R$ 1.580.961,99 a título de juros de mora, calculados até 31.08.2010; e R$ 2.508.495,39 a título de multa proporcional de 75%; Fatos Geradores: 31.01.2005 a 30.04.2007; Enquadramento legal: artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do Decreto n° 4.524/02; c) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real (fls. 489/494): Total do Crédito Tributário: R$ 767.221,40, sendo R$ 381.019,77 a título de IRPJ; R$ 100.436,81 a título de juros de mora, calculados até 31.08.2010; e R$ 285.764,82 a título de multa proporcional de 75%; Fato Gerador: 31.12.2005 e 31.12.2007; Enquadramento legal: DESPESAS INDEDUTÍVEIS: artigos 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 Decreto n° 3.000/99); d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 495/500): Total do Crédito Tributário: R$ 276.199,71, sendo R$ 137.167,12 a título de CSLL; R$ 36.157,25 a título de juros de mora, calculados até 31.08.2010; e R$ 102.875,34; Fato Gerador: 31.12.2005 e 31.12.2007; Enquadramento legal: artigo 2º e parágrafos da Lei n° 7.689/88; artigo 1º da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96 e artigo 6º da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. A ciência da autuação ocorreu na data da lavratura, conforme indicado às fls. 463, 476, 490 e 496. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 454/461), o i. auditor fiscal autuante, inicialmente, descreveu, em ordem cronológica, os termos de intimação lavrados. Em seguida, discorreu a respeito das matérias tributáveis apuradas durante a ação fiscal, nos seguintes termos: “1) Despesas de Captação De acordo com resposta do Termo de Intimação n° 8 o Citibank deduziu como ‘outras despesas operacionais captação PIS/COFINS’ valores pagos a seus clientes a título de bônus pela preferência. O banco oferece a esses clientes um produto de ‘Cash Management’, que é administração e execução de contas a pagar e a receber em nome dos clientes. Argumenta que esse produto gera diversos tipos de receitas tributáveis pela instituição, como tarifas pela prestação de serviços e a utilização de recursos administrados para a geração de operações ativas do próprio Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 4 3 banco O próprio Citibank reconhece que o produto é uma prestação de serviços, inclusive anexando modelo de ‘Instrumento Particular de Prestação de Serviços de Contas a Receber e a Pagar, Serviços Operacionais e Outras Avenças’ (fls. 296/299). Na leitura do próprio modelo de contrato fica evidente que se trata de prestação de serviços a Clientes e não contrato de captação de recursos. O Citibank argumenta que os contratos firmados possibilitam a cobrança de tarifas e a utilização de recursos que os clientes deixam disponíveis nas contascorrentes. Ou seja, os contratos geram receitas para o Citibank, receitas de prestação de serviços, e os valores pagos aos clientes se configuram como despesas relacionadas com a prestação dos serviços. Os valores pagos pelo Citibank representam uma reciprocidade do banco aos clientes e na realidade se configuram com despesas relacionadas com a prestação de serviços de cash management, cobranças e pagamentos e não despesas de captação. Captação é um termo que reflete uma das principais atividades das instituições financeiras. Essas instituições exercem papel de intermediação financeira entre os que possuem recursos e os que deles necessitam. Dessa forma, as operações passivas das instituições financeiras representam recursos captados junto a aplicadores, e depositantes para serem emprestados ou investidos a taxas mais elevadas. As operações passivas que implicam em captação de recursos são formalizadas através de depósitos, títulos e outras formas contratuais de obrigação como: a) depósitos à vista, a prazo, de poupança e outros depósitos; aceites cambiais, letras hipotecárias e debêntures; b) empréstimos, repasses, financiamentos e outros recursos; c) instrumentos híbridos de capital e dívida. As operações passivas implicam em ônus para as instituições financeiras, pois os aplicadores recebem remuneração para fazer a aplicações de recursos junto a elas, com exceção dos depósitos à vista, que não são remunerados. A COSIF contempla no grupo 8.1.1.00008 os encargos incorridos na captação de recursos junto a aplicadores. Nesse grupo são contempladas despesas referentes a passivos das instituições financeiras. As despesas incorridas pelo Citibank não se enquadram nas situações acima. Tratase de uma remuneração, uma reciprocidade aos clientes devido a benefícios que o banco obtém com os serviços de ‘Cash Management’. Tratase de despesas incorridas na prestação de serviços e não despesas incorridas na captação de recursos através de operações passivas. Pelas razões acima os valores deduzidos a título de ‘Outras Despesas de Captação’ não têm respaldo na legislação vigente e não serão considerados como deduções na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, que, conseqüentemente, serão reajustadas no período de janeiro de 2005 a abril de 2007 conforme tabela abaixo: (...) 2) Despesas Operacionais DIPJ Conforme respostas dos Termos números 8 e 10, o Citibank N. A. reconheceu como despesas dedutíveis de PIS e COFINS valores superiores aos apurados e declarados em DCTF, ocorrendo, dessa forma um excesso de despesas. Por essa razão, os valores abaixo serão adicionados na apuração do IRPJ e Base de Cálculo da CSLL nos anos calendário 2005 e 2007. Anocalendário Excedente de despesas PIS Excedente de despesas COFINS 2005 751.705,25 4.603.960,04 2007 355.751,96 1.821.503,93 Citibank NA apresentou Lucro Real e base de Cálculo da CSLL negativos no ano calendário de 2005. Por essa razão o Auto de Infração de I.R. e CSLL neste ano calendário implica na redução de prejuízo e de base de cálculo negativa de CSLL.” Irresignada com os lançamentos, a interessada, por seus advogados e procuradores (fls. 545/548), apresentou, em 22.10.2010, a impugnação de fls. 523/543, acompanhada dos documentos de fls. 545/1.596. Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 5 4 Preliminarmente, alegou a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento, em setembro de 2010, relativamente a créditos apurados nos meses de janeiro a agosto de 2005, tendo em vista o disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. Ponderou que, haja vista a existência de pagamento antecipado do PIS e da COFINS, a contagem do prazo decadencial, nos termos do § 4º, do artigo 150, do CTN, iniciase a partir da ocorrência dos seus fatos geradores ocorridos nos períodos de janeiro a agosto de 2005. Também alegou a impugnante que a autuação seria nula no que tange à exigência de parte dos débitos de PIS e COFINS dos anos de 2005 e 2006, uma vez que, consoante se observa dos comprovantes de arrecadação (Doc. 04 fls. 610/645) e dos PER/DCOMP (Doc. 05 fls. 647/676) ora acostados, nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio e junho de 2005, a Impugnante procedeu ao recolhimento destes tributos em quantia superior ao que fora apurado pela D. autoridade Fiscal. A Fiscalização teria ignorado os recolhimentos do PIS e da COFINS para os meses em questão (planilha à fl. 529). Reclamou a então defendente que a D. Autoridade Fiscal procedeu ao lançamento de oficio dos valores que já haviam sido extintos com a antecipação do pagamento, configurando o lançamento em duplicidade dos créditos tributários da contribuição ao PIS e da COFINS, referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, maio e junho de 2005 e maio de 2006. Invocando os princípios da verdade material, da segurança jurídica, da moralidade administrativa, da eficiência e da celeridade, a interessada concluiu pela insubsistência parcial do montante ora exigido, haja vista que os valores efetivamente apurados da contribuição ao PIS e da COFINS, nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio e junho de 2005 e maio de 2006, foram corretamente recolhidos e o credito tributário extinto, não havendo saldo remanescente. Quanto ao mérito, defendeu a dedutibilidade das despesas de “Cash Management”, junto às bases de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, argumentou que: o “Cash Management” é um produto que consiste na administração e execução de contas a pagar e a receber em nome dos clientes da Impugnante; os recursos captados com o "Cash Management" são utilizados para a geração de operações ativas da própria Impugnante e, em contrapartida, os clientes recebem um bônus de preferência pela disponibilização destes recursos; a captação de recursos pode ser realizada de diversas formas, seja através da emissão de debêntures, depósito a prazo, poupança ou pelos instrumentos híbridos de capital e dívida, e que estes últimos, inclusive, foram regulamentados pelo Banco Central do Brasil (Resolução n° 3.444/07 e Circular n° 3.343/07) e são representados por diversos tipos de títulos ou contratos emitidos para captação de recursos financeiros destinados à capitalização das instituições financeiras; a caracterização de uma operação de captação de recursos não está relacionada à sua forma, mas à utilização dos valores captados para a realização de novas operações relacionadas à atividade da instituição financeira; de fato, nas operações de captação, um terceiro concede à instituição financeira recursos que, posteriormente, deverão lhe ser devolvidos. E claro que, sem que seja oferecido algum beneficio ao terceiro, este não teria interesse em fazêlo, o que tornaria a captação de recursos inviável; por este motivo, as instituições financeiras podem, como no caso em tela, criar um sistema de pagamento de bônus, com o fito de recompensar e incentivar o terceiro, objeto de captação; as despesas com o pagamento aos clientes do “Cash Management” consistem em despesas de captação, eis que as receitas decorrentes deste produto são utilizadas em Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 6 5 operações ativas da Impugnante, o que as torna essenciais para o exercício de suas atividades; basta verificar nos Livros Razão acostados à presente (Doc. 07 fls. 682 a 1589) que as despesas com “Cash Management” geraram diversas receitas relacionadas à atividade da Impugnante, conforme planilha à fl. 534; resta patente que as despesas relativas ao “Cash Management” podem ser deduzidas da base de cálculo da contribuição ao PIS, conforme no artigo 1°, inciso “a”, da Lei n° 9.701/98, uma vez que consistem em despesas de captação; também podem ser deduzidas da COFINS, uma vez que o art. 3º, §5° da Lei n° 9.718/98 permite que sejam feitas na apuração da base de cálculo da COFINS as mesmas deduções previstas para a contribuição ao PIS; mesmo que se entenda que as despesas decorrentes do “Cash Managament” não se enquadrem como despesas de captação, o que se admite por amor ao debate, permanece a possibilidade de sua dedução da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, uma vez que podem ser consideradas como despesas de intermediação financeira, sendo permitida a sua dedução consoante art. 3º, § 6º, inciso I, alínea "a", da Lei n° 9.718/98; finalmente, mister ressaltar que as despesas do “Cash Management” são registradas na conta COSIF n° 8.1.9.99006, que tem como função registrar o valor das despesas operacionais que constituam despesa efetiva da instituição, sejam elas de captação ou intermediação financeiras, para cuja escrituração não exista conta específica, segundo o plano de contas contábeis estabelecido pelo BACEN; o direito tributário pode e deve se valer das normas monetárias, mas tão somente para pesquisa e definição de seus próprios conceitos e não para extrai r delas conseqüências tributárias, razão pela qual a suposta infração à legislação bancária não produz efeitos na área tributária; a classificação das despesas relativas ao “Cash Managament” em desacordo com as normas do BACEN que estabelecem o plano de contas das instituições financeiras não pode ensejar a sua descaracterização como despesa de captação, alterando sua natureza jurídica para fins de tributação; diante da dedutibilidade das despesas relativas ao “Cash Management”, mister se faz o cancelamento do auto de infração ora combatido. Sob o tópico “DA DEDUÇÃO DAS DESPESAS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSL” o contribuinte explanou que: a autoridade procedeu ao lançamento do IRPJ e da CSLL sob o argumento de que a Impugnante "(...) reconheceu como despesas dedutíveis de PIS e COFINS valores superiores aos apurados e declarados em DCTF, ocorrendo, dessa forma um excesso de despesas (...)"; A D. Autoridade Fiscal apurou o IRPJ e a CSL exigidos no presente auto de infração em razão da diferença verificada entre as despesas de PIS e COFINS informadas na DIPJ com o que fora informado pela Impugnante nas DCTFs dos anos de 2005 e 2007; Ressaltese que os valores de PIS e COFINS demonstrados na coluna "Despesas de PIS/COFINS DIPJ" foram devidamente recolhidos ou compensados conforme comprovantes de arrecadação (Doc. 04) e PER/DCOMPs (Doc. 05) ora acostados, da forma exposta nos quadros abaixo: Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 7 6 COFINS 2005 Fato Gerador DARF Compensação N° PER/DCOMP 31/1/2005 910.013,77 28/2/2005 413.702,08 138.061,02 11230.83394.150305.1.3.02 0716 31/3/2005 801.969,62 31/5/2005 269.174,68 30/6/2005 2.254.099,01 291.863,79 03630.13408.150705.1.3.038502 TOTAL 4.648.959,16 429.924,81 Somatório 5.078.883,97 COFINS 2007 Fato Gerador DARF COFINS FONTE jan/07 786.071,13 fev/07 mar/07 1.065.631,82 abr/07 31.296,21 mai/07 jun/07 172.235,22 jul/07 604.201,90 ago/07 413.856,97 380.946,44 set/07 out/07 32.121,14 nov/07 998.124,92 dez/07 289.966.17 T O T A L 3.789.303,58 Somatório | 4.774.451,92 PIS 2007 Fato Gerador DARF PIS FONTE jan/07 127.736,56 fev/07 mar/07 173.165,17 abr/07 5.085,63 mai/07 jun/07 27.988,22 jul/07 98.182,81 ago/07 13.889.66 115.265,99 set/07 out/07 5.219,69 nov/07 .168.649,71 dez/07 47.119.50 T O T A L 568.853,60 239.264,16 Somatório | 782.302,30 Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 8 7 Contribuições Sociais Retidas na Fonte Fonte Pagadora Rendimento CSRF 4,65% 00.006.878/000134 9.226.847,74 429.048,42 P1.425.787/000104 14.326.133,98 666.165,23 34.098.442/000134 18.841.221,08 876.116,78 42.394.202,80 1.971.330,43 COFINS 1.271.826,08 PIS 275.562,32 CSLL 423.942,03 assim, não obstante a divergência entre os valores lançados em DIPJ e DCTF, os valores deduzidos foram efetivamente pagos, o que possibilita a sua dedução como despesa; ainda que tal aspecto fosse desconsiderado, cumpre ressaltar que olvidouse a D. Autoridade Fiscal que a diferença entre os valores de PIS e COFINS de 2005 e 2007 foram retificados, gerando os valores informados na DCTF e produziram efeitos contábeis e fiscais nos anos de 2006 e 2008, respectivamente; as diferenças nas despesas de PIS e COFINS que acarretaram a presente autuação de IRPJ e CSLL foram ajustadas nos exercícios seguintes; o ajuste de 2005 foi contabilizado em 2006, ao passo que o ajuste de 2007 foi contabilizado em 2008. Os ajustes foram efetuados na própria conta de despesas de PIS e COFINS (Doc. 08 fls. 1591/1594) e devidamente tributadas posteriormente. Ressaltese que o ajuste de PIS e COFINS de 2005, foi contabilizado como receita no dia 28/04/2006, sob a rubrica de lançamento "Constituição de Crédito de PIS e COFINS 2005" (Doc. 09 fls. 1596); ao proceder ao ajuste contábil nos anos seguintes ao que deveria ter contabilizado, houve postergação do pagamento do tributo, nos termos do artigo 273 do RIR/99; destarte, tendo ocorrido a postergação do pagamento, a D. Autoridade Fiscal deveria, ao lavrar o auto de infração, exigir somente a multa e os juros moratórios, vez que a antecipação das despesas enseja a postergação do pagamento do imposto e não a ausência de recolhimento; Concluise, pois, que tratandose de postergação do tributo, de rigor a exclusão do valor principal, confinase o lançamento de oficio apenas à exigência dos eventuais encargos legais e não à exigência do montante principal, razão pela qual deve ser o auto de infração cancelado. A 8ª TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO – SP I, ao julgar a impugnação protocolada, houve por bem reputar parcialmente procedentes os autos de infração inaugurais, determinando o afastamento, por decaídas, das exigências relacionadas ao PIS e à COFINS dos meses de janeiro, fevereiro, março e maio de 2005, nos termos do aresto de fls. 1691/1711, assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/04/2007 DECADÊNCIA. Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante n° 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos. Quando se verificar o pagamento da contribuição a contagem do prazo ocorre a partir do fato Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 9 8 gerador. Quando não se verificar o recolhimento antecipado da contribuição, a contagem do prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a arguição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado o recolhimento parcial de contribuição lançada de ofício, deve ser afastada a exigência da multa proporcional correspondente à parcela comprovadamente quitada. CONTRATO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. BONIFICAÇÃO PELA PREFERÊNCIA. PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Por não se caracterizar como despesa de captação ou como despesa de intermediação, é indedutível da base de cálculo da contribuição, o valor pago a título de bônus pela preferência de o cliente ter escolhido a instituição financeira interessada para a prestação de serviço, posto que tal dispêndio não constitui despesa relacionada a operação passiva e, também, não decorre do cumprimento das obrigações estipuladas no contrato.” Cientificada desse acórdão em 02.05.2011 (fl. 1729), a interessada interpôs o Recurso Voluntário sob análise (fls. 1743/1789), formulando argumentos similares àqueles veiculados em primeira instância e postulando, ainda, por pretensa nulidade do aresto recorrido, forte em falhas na fundamentação decisória. Por conta dos cancelamentos perpetrados na instância inferior, foi interposto Recurso de Ofício a este colegiado. A d. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por sua vez, ofertou Contrarrazões ao Recurso Voluntário, às fls. 1834/1847. É o relatório. Na sessão de julgamento de 07 de agosto de 2012, este Colegiado assim decidiu: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, sendo que: 1) relativamente à exclusão de despesas de captação, decidiuse por voto de qualidade, vencido o Relator, Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior, que dava provimento ao recurso voluntário, acompanhado pela Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, e também divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso voluntário, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa e fazendo declaração de voto o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; e 2) relativamente à glosa de despesas tributárias, decidiuse por unanimidade de votos, fazendo declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. A turma decidiu que o recurso de oficio e as preliminares votadas em sessão anterior serão reapreciadas no retorno dos autos após a diligência. Na sessão de junho/2012, fizeram sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Marcos Vinícius Neder (OAB/RJ n. 33.988) e o representante da Fazenda Nacional, Procurador Rodrigo Macedo e Burgos O I. Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior restou vencido em seu entendimento de dar provimento ao recurso voluntário relativamente à dedução das alegadas despesas de captação na determinação da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, prevalecendo o entendimento desta Conselheira em favor da conversão do julgamento em diligência, nos termos do dispositivo do voto vencedor da Resolução nº 110100.053: Assim, reputo necessária a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam confirmadas as alegações da recorrente, no sentido de que não foram Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 10 9 cobradas tarifas de seus clientes que adquiriram o produto “Cash Management”, bem como para que seja aferida a forma de cálculo das bonificações pagas a estes clientes, de modo a identificar se tais valores, de fato, vinculamse exclusivamente aos recursos captados em razão dos serviços oferecidos pela instituição financeira. A interessada deverá ser intimada a provar os fatos acima, e a autoridade fiscal competente deverá elaborar relatório circunstanciado acerca dos elementos que lhe forem apresentados, disto cientificando a contribuinte para, em 30 (trinta) dias, complementar suas razões de defesa, antes do retorno destes autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com referência à dedução de despesas referentes à Contribuição ao PIS e à COFINS na apuração do lucro tributável dos anoscalendário 2005 e 2007, o I. Relator concordou com a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal apure a escrituração contábil e fiscal da contribuinte, e confirme se os valores glosados de 2005 a 2007 foram reconhecidos como receitas no momento da configuração dos correspondentes indébitos apurados pela contribuinte na alegada revisão de suas bases de cálculo. Veja a autoridade fiscal se houve recolhimento de IRPJ e CSLL nos períodos de apuração nos quais estes valores teriam aumentado o lucro tributável. O Relatório de Diligência às fls. 2640/2643 traz a descrição das investigações promovidas e esclarecimentos prestados, e relativamente à dedução de despesas de Contribuição ao PIS e de COFINS conclui que foram comprovados os estornos das despesas excedentes, com exceção das parcelas de R$ 3.561,75 (PIS 2005) e R$ 3.217,14 (PIS 2007). Com referência às alegadas despesas de captação, a autoridade fiscal assim expressou suas conclusões: O Citibank apresentou dois exemplos onde mostrou que não cobrou tarifas de seus clientes, Petrobrás e Coelba. Não comprovou que na totalidade das operações de "cash management" não foram cobradas tarifas. Também apresentou a forma de cálculo das bonificações pagas exclusivamente a estes dois clientes. Conforme exposto pelo próprio Citibank, o objetivo principal do instrumento financeiro "cash management" consiste numa forma de coordenação dos fluxos financeiros da carteira de contas a receber e a pagar e inclui a realização de cobranças, a efetivação de pagamentos, o envio de boletos e disponibilização de numerário (para a liquidação de pagamentos), entre outros recursos. É uma prestação de serviços e os clientes remuneram o banco por estes serviços. Como consequência do serviço de "cash management" o banco fica com os recursos disponíveis durante um período de tempo e se beneficia desses recursos. O bônus pela preferência é uma forma do banco dividir com seus clientes esse benefício. De acordo com as planilhas apresentadas (Doe. 17 e 18) 65% do ganho que o banco auferiu em janeiro de 2007 com os saldos mantidos pela Coelba foram repassados como "bônus de preferência" e 88% do ganho que o banco auferiu em janeiro de 2007 com os saldos mantidos pela Petrobrás foram repassados como "bônus de preferência" Os contratos firmados pelo Citibank N.A. e seus clientes tratam exclusivamente de prestação de serviços de contas a receber e a pagar, serviços operacionais e outras avenças. Não há nenhuma cláusula onde ficam estabelecidos valores que o cliente deposita, prazo da operação e remuneração pelos depósitos. Os recursos que o banco temporariamente tem à sua disposição resultam do serviço prestado dos fluxos de recebimentos e pagamentos de contas. Ao contrário que o Citibank afirma, o valor do bônus de preferência tem estreita vinculação com os serviços prestados, pois os valores que ficam em poder do banco Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 11 10 não resultam simplesmente de depósitos feitos pelos clientes. Os valores à disposição do banco são uma consequência da prestação de serviços de cash management, recebimento e pagamento de contas, e não objeto principal do contrato. A cláusula 9, das cópias dos contratos apresentados, dispõe que "por ter escolhido o Citibank para a prática dos serviços ora contratados, o cliente fará jus a uma bonificação calculada na forma ajustada pelas partes". A remuneração calculada não está vinculada a valores depositados e mantidos em contas de depósito à prazo. Está vinculada a valores que permaneceram no banco devido aos fluxos de pagamento e recebimento de contas. Não se trata de remuneração por depósitos à prazo, e sua dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS não tem respaldo legal. A Fiscalização mantém sua posição de que não se trata de uma operação que tem como objetivo a captação de recursos a prazo e os valores pagos aos clientes se configuram como uma divisão de benefícios oriundos dos valores mantidos em contas correntes, ou seja, despesas incorridas na prestação de serviços e não despesas incorridas na captação de recursos através de operações passivas. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte manifestouse às fls. 2655/2936, apenas relatando as exigências, respostas e conclusões fiscais acerca do estorno de despesas de Contribuição ao PIS e COFINS, e no que tange às alegadas despesas de captação juntando contratos com outros três clientes para evidenciar que não foram cobradas tarifas pelos serviços prestados, e defendendo que apresentou provas suficientes de que as despesas a título de "bônus de preferência" são despesas de intermediação financeira. Reitera que a premiação concedida tem como única finalidade a captação e manutenção dos recursos captados, integrando as atividades típicas e precípuas das instituições financeiras. Reportase ao parecer emitido pelo Professor Luciano Amaro, aos objetivos da CartaCircular 3.316/2008, e à essencialidade do bônus reconhecida no Parecer Normativo CST nº 26/1988. Enfatiza não ter como provar que não cobrou tarifas de seus clientes, e aborda as circunstâncias presentes nos contratos entregues à Fiscalização e juntados à defesa, destacando que o cálculo dos bônus tem por referência os Relatórios de Apuração de Float, esclarecendo que floating é o tempo de permanência dos recursos dos clientes na instituição financeira. Apresenta os cálculos dos bônus creditados aos clientes, já líquidos de imposto de renda retido na fonte, incidência esta decorrente do tratamento desta operação como depósito à prazo (CDB), ou seja, despesa de captação. Entende, assim, ter restado patente que o valor do bônus da preferência não tem vinculação com a natureza de um serviço prestado, porquanto é calculado conforme o tempo de permanência dos recursos depositados pelo cliente no Banco que é remunerado por uma taxa abaixo da CDI. Acrescenta, ainda, que o pagamento é feito pelo Banco em favor do cliente, o que o descaracteriza como remuneração por prestação de serviços, e evidencia que o cash manegement não se trata de mera prestação de serviços, sendo usual a dispensa de tarifas, e, quando estas são cobradas no caso, seus valores são ínfimos quando comparados aos bônus pagos aos clientes, consoante quadro que evidencia o percentual médio de 0,18% entre as grandezas referidas. Finaliza juntado a abertura de todos os clientes para os quais o Requerente pagou bônus pela preferência, utilizando os valores que a fiscalização se pautou para lavratura do auto de infração para confronto com os valores pagos e recebidos. Com o retorno dos autos a este Conselho, a relatoria dos recursos foi atribuída a esta Conselheira, que figurou como redatora do voto vencedor da Resolução nº 1101000.053. Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 12 11 VOTO VENCIDO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminares Colhese do voto vencido do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, integrado à Resolução nº 110100.053, as razões para rejeitar as arguições de nulidade da decisão recorrida e de decadência: (i) Preliminarmente: da arguição de nulidade do acórdão recorrido, por vício de fundamentação Em sede substancialmente preliminar – ainda que vertida em alegações topicamente meritórias –, a recorrente aventou a nulidade do aresto infirmado, sob pretexto de que este teria se equivocado a respeito do fundamento apontado para a manutenção de parcela das exigências, concernentes a glosas de despesas de valores de PIS e de COFINS deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, apuradas nos anos calendário de 2005 e 2007. Assim pugnou a autuada, in verbis: “(...) 108. Neste passo, vale ressaltar que a D. Autoridade Julgadora equivocouse ao abordar a impossibilidade de dedução do PIS e da COFINS referente ao ‘Cash Management’ por força do disposto no artigo 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95. 109. De fato, o objeto do Auto de Infração é o excesso de despesas de PIS e COFINS deduzidas nos anoscalendário de 2005 e 2007, matéria que foi devidamente impugnada pela Recorrente. 110. Como relatado acima e como se pode verificar facilmente do Auto de Infração, a dedutibilidade das despesas do PIS e da COFINS referentes às contribuições lançadas no Auto de Infração não é objeto da lide posta no presente processo administrativo. Ou seja, a D. Autoridade Julgadora proferiu decisão sem atentar ao real objeto da lide. 111. Ora, tratandose de decisão em que há o julgamento de recurso administrativo, a Autoridade Julgadora deve apreciar as razões de defesa abordadas na Impugnação, conforme se depreende do art. 31 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: (...)” (g.n.) Analisarei a correção destes lançamentos, referentes ao IRPJ e à CSLL, no momento oportuno. Adianto, em todo caso, que, de fato, pareceme ter o colegiado inferior se enganado, eis que as deduções perpetradas junto às bases imponíveis daquele imposto e daquela contribuição, objeto de hodiernas glosas, não se referem ao PIS e à COFINS lançadas de ofício nestes autos. Não há que se falar, efetivamente, em suspensão da exigibilidade das importâncias deduzidas, uma vez que o PIS e a COFINS expurgadas do lucro real e do lucro líquido ajustado foram apurados pelo próprio contribuinte – e não pelo i. agente fiscal, mediante o auto infracional em estudo. De toda maneira, isso não significa que o órgão a quo tenha deixado de fundamentar sua decisão, ou, eventualmente, tenha se abstido de analisar a totalidade dos argumentos manejados pela impugnação. Formação de juízo de convicção equivocado não representa, obviamente, situação de arbitrariedade ou de preterição de direito de defesa, ao contrário do que sustentou a peticionária. Motivação incorreta ou atécnica, noutras palavras, não é idêntica a falta de justificação. Entender na direção proposta pela autuada levaria, em situaçãolimite, à conclusão de que toda decisão merecedora de reparos meritórios seria nula, eis ter se procedido a análise errada a respeito dos subsídios fáticos e jurídicos que informavam a lide. Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 13 12 Lembrese, ademais, que as nulidades, no processo administrativo fiscal federal, só podem ser reconhecidas em hipóteses específicas, taxativamente arroladas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” O caso concreto não se subsume a qualquer das duas tipologias normativas suso elencadas. Inexiste falar em incompetência de autoridade ou, mais precisamente, em cerceamento de defesa. A claudicação do aresto de primeiro grau, conseguintemente, em obediência ao artigo 60 do Decreto nº 70.235/72, adiante enunciado, pode e deve ser reparada nesta instância, como adiante faremos: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Afastada está, pois, a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Passo a analisar, com isso, a outra alegação liminar suscitada pelo sujeito passivo, tendente a defender a decadência parcial dos lançamentos perpetrados. (ii) Ainda preliminarmente: da decadência de parte das exigências oficiosamente formatadas Em segundo lugar, a autuada assegurou ter ocorrido caducidade, em parte, do direito fazendário de formalizar os créditos tributários em cobro, a teor do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A aduzida decadência foi reconhecida em parte pela DRJ em virtude da averiguação de que as peças acusatórias foram cientificadas ao sujeito passivo somente em 22.09.2010 – mais de 05 (cinco) anos depois da ocorrência de alguns dos fatos imponíveis cuidados. O decisum proferido, mais especificamente, determinou o expurgo, dos autos infracionais, de todos os valores concernentes à COFINS e ao PIS pertinentes a janeiro, fevereiro, março e maio de 2005, nos moldes do supra reproduzido permissivo de lei complementar, dado ter sido possível constatar a ocorrência de pagamento parcial daquelas contribuições. Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 14 13 Ocorre, porém, que, em sentido contrário àquele pugnado pelo contribuinte, a inteligência manifestada na seara de julgamento predecessora não estendeu a declaração dos efeitos da caducidade ao PIS e à COFINS tocantes aos meses de abril, junho, julho e agosto de 2005. Para estas exigências, a d. Delegacia Regional de Julgamento cominou o critério do artigo 173, inciso I, do CTN, a seguir ilustrado, fundada no fato de inexistir prova de quaisquer adimplementos antecipados parciais: Nesse sentido, parecenos que a orientação do acórdão inferior, tendente a cancelar os lançamentos de PIS e de COFINS dos meses de janeiro, fevereiro, março e maio de 2005, não merece reprimendas, eis que perfeitamente demonstrada a existência de quitações parciais relativas a esses tributos, conforme documentos encartados às fls. 4574, 7987, 1630, 1631 e 1685. Merece o Recurso de Ofício, em tal ponto, ser, assim, denegado. Referentemente aos meses de abril, julho e agosto de 2005, de outro lado, não logrou a peticionária ilustrar qualquer recolhimento parcial – até porque, consoante se depreende do demonstrativo de fl. 458, tinha a recorrente apurado, para estes períodos, “bases negativas” de PIS e de COFINS. Logo, não há, aqui, outra exegese possível que não aquela determinante da aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. O lustro decadencial pertinente, com isso, acabou se iniciando somente em 01.01.2006, findandose em 31.12.2010 – depois da data de ciência dos autos de infração em tela. Já no que se reporta ao mês de junho de 2005 no tocante a COFINS, o tema ganha, em terceiro lugar, contornos bem específicos. A recorrente, para este interregno de apuração, alegou e demonstrou recolhimentos atinentes à COFINS (equivocadamente apontados, no Recurso Voluntário, como atrelados ao PIS), equivalentes a R$ 2.254.099,01 (dois milhões, duzentos e cinquenta e quatro mil, noventa e nove reais e um centavo). Este pagamento não foi reconhecido pelo acórdão inferior, em razão de os importes pagos constarem, nos sistemas fazendários (fl. 1686), como “bloqueados”, por vinculados ao processo administrativo nº 16327.000257/200701. A d. Delegacia Regional de Julgamento não conseguiu explanar a causa da indisponibilidade dos noticiados recolhimentos. Sequer conseguiu fazêlo o i. contra arrazoante. A despeito disso, podemos obter indícios do motivo para esta situação de represamento do pagamento efetuado. Em consulta rápida ao Sistema Comunicação e Protocolo da Receita Federal do Brasil – COMPROT, possível se faz constatar que o processo administrativo nº 16327.000257/200701, indicado à fl. 1686, versava sobre Declaração de Compensação, transmitida pelo próprio contribuinte. Segundo a última movimentação processual cadastrada, os autos processuais foram remetidos ao arquivo, em meandros do anocalendário de 2010, inexistindo pormenorização a respeito da solução dada àquela discussão. Tudo indica que o sujeito passivo tenha apurando um crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, optando por empregálo na compensação da COFINS de jun/05. Face à informação fiscal de que o pagamento não foi alocado para sua quitação, e frente à latente possibilidade de compensação daquelas importâncias, deveria o contribuinte ter demonstrado, em sentido contrário, a disponibilidade do quantum quitado – explanando, por exemplo, o resultado do processo administrativo nº 16327.000257/200701. Ao assim não se conduzir, o contribuinte deu azo à cominação do critério preconizado pelo artigo 173, inciso I, do CTN. Noutro sentido não podemos nos posicionar, reformando o aresto a quo, à falta de fundamentos para tanto. De mais a mais, a arguição de pagamento parcial do PIS tocante a junho de 2005 não merece melhor sorte. Afinal, como o próprio contribuinte admite, em sua peça recursal, Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 15 14 os PER/DCOMP’s nº 03630.13408.150705.1.3.038502 e 09017.05682.150705.1.3.02 4693, apontados como instrumentos de adimplemento daqueles passivos, foram supervenientemente cancelados (fl. 1688). Ora, se assim foi, não se há como defender tenha havido qualquer pagamento antecipado e válido. Imperiosa, mais uma vez, a consideração do discríminen estatuído pelo artigo 173, inciso I, do CTN, com a conseguinte conclusão pela inexistência de caducidade. Afastamse, portanto, as preliminares suscitadas – reexaminadas, por ora, mediante provocação dos Recursos Voluntário e de Ofício interpostos. Analisemos, então, ato contínuo, as ilações de mérito trazidas à superfície. (destaques do original) Adotando o entendimento assim exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida, bem como NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício interposto em razão do reconhecimento parcial da decadência. Quanto à arguição de decadência dos demais débitos lançados até agosto/2005, acrescentese que, para além da inexistência de recolhimentos, a autoridade julgadora de 1ª instância juntou aos autos as DCTF correspondentes, nas quais não há débitos declarados para aqueles períodos, assim como apurou que inexistiam compensações formalizadas para sua liquidação. Destacou, ainda, que o bloqueio do recolhimento de COFINS pertinente a junho/2005 foi integral (a exceção de 1 centavo 0%). Por sua vez, a homologação prevista no art. 150, §4º do CTN incide sobre a atividade de apuração do tributo realizada pelo sujeito passivo, mas desde que comunicada ao Fisco. E isto porque a interpretação do dispositivo legal em referência é afetada pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De fato, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 16 15 Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito, dado que ela também comunica ao Fisco a apuração antecipada do valor devido. Já no presente caso, ainda que o sujeito passivo tenha inicialmente promovido pagamento, ou apresentado DCOMP, como alega, o bloqueio do pagamento mormente em razão de sua destinação, como indébito, a uma compensação e o cancelamento das DCOMP, são condutas que desconstituem as atividades que poderiam se sujeitar a homologação, e por consequência afastam a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 17 16 Assim, com estes acréscimos, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de decadência veiculada em recurso voluntário. Observese, por fim, que a contribuinte também alegou, em impugnação, a existência de pagamentos pertinentes a tributos aqui exigidos, e a autoridade julgadora os admitiu apenas em relação ao período de apuração de maio/2006, nos seguintes termos: 6.4. Em relação às contribuições para o PIS e COFINS do mês de maio de 2006, os documentos de fls. 1631 e 1674, registram a realização de pagamento. Os documentos de fls. 1689 e 1690, apontam saldo disponível para utilização (alocação) nos valores de R$ 228.786,90 e R$ 1.407.919,39, respectivamente. 6.5. Em assim sendo, quanto a estes fatos geradores assiste razão à impugnante, devendose: a) alocar o saldo disponível do pagamento espelhado no documento de fls. 1689, no valor de R$ 226.475,49, para o lançamento da contribuição para o PIS referente ao fato gerador ocorrido em 31/05/2006 e exonerar a correspondente multa de ofício; e b) alocar o saldo do pagamento disponível espelhado no documento de fls. 1690. Ao valor de R$ 1.393.695,36, para o lançamento da COFINS referente ao fato gerador ocorrido em 31/05/2006 e exonerar a correspondente multa de ofício. A exoneração destas parcelas da multa de ofício, justificada por tais razões, também está sujeita a reexame necessário. Considerando que os pagamentos e sua disponibilidade está provada nos autos, não há reparos à alocação acima determinada, razão pela qual também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente às parcelas exoneradas em razão da existência de pagamentos. Dedução de despesas de "bônus de preferência" na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS Na sessão de julgamento de 07 de agosto de 2012, esta Conselheira redigiu o voto vencedor em favor de diligência para apuração dos seguintes aspectos concernentes à infração em epígrafe: No que tange às glosas das deduções, junto às bases imponíveis do PIS e da COFINS, dos “bônus de preferência” pagos a clientes, classificados, pela recorrente, como “despesas de captação”, reportome, inicialmente, ao desenvolvimento do procedimento fiscal que culminou na referida glosa. Após analisar a composição da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS nos períodos fiscalizados de 2005 a 2007, tendo em conta os Demonstrativos da Base de Cálculo de PIS e COFINS, conforme modelos instituídos pelas Instruções Normativas SRF nº 37/99 e 247/2002, a autoridade lançadora intimou a contribuinte a apresentar (fl. 288): 1) Outras Despesas Operacionais Captação PIS/COFINS. Explicar: a. Origens das despesas (operações) que deram origem aos valores; b. Apresentar as receitas referentes às operações acima com as respectivas contabilizações; c. Razões para as despesas não estarem contabilizadas no grupo "Despesas de Captação" 8.1.1.00008 do COSIF. Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 18 17 De fato, o Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, tendo em conta as disposições legais que regem a apuração da COFINS e da Contribuição ao PIS pelas instituições financeiras, vincula as deduções admitidas às correspondentes contas do Plano Cosif do Banco Central do Brasil, e assim cogita de deduções correspondentes a despesas de captação quando registradas na conta 8.1.1.00008. Identificada a incompatibilidade entre os registros contábeis desta conta e as deduções computadas pela contribuinte na apuração da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, necessário se fez o esclarecimento em referência. Após requerer prorrogações de prazo, a interessada informou que (fls. 291/292): A Despesa de Captação referida no Termo de Intimação n° 8/2010 está atrelada a produto oferecido pelo Citibank NA a diversos clientes. O citado produto está atrelado à otimização de contas a pagar e a receber de seus clientes, cobrança e DDA (conta corrente), etc, conforme modelo de contrato (Doc. 1). Tratase de um produto de "Cash Management", assim entendido com administração e execução de contas a pagar e a receber em nome do cliente. O presente produto gera diversos tipos de receitas tributáveis para a instituição, sendo desde uma tarifa pela prestação de serviço, bem como com a utilização dos volumes de recursos captados para a geração de operações ativas da própria Requerente. Por conta disso a Requerente paga, a título de despesa de captação, um bônus pela preferência para seus clientes. Esses pagamentos são os contabilizados nas subsidiárias demonstradas na planilha, vide "CD" em anexo(Doc. 2). Por sua vez, a citada despesa de captação gerou rendimento tributável, inclusive nas apurações de PIS e COFINS. [...] Para ilustrar e comprovar o todo o exposto, a Requerente anexa o controle da carteira dos clientes da instituição (Doc. 2), demonstrando os saldos médios movimentados mensalmente pela Requerente em nome de seus clientes do período compreendido entre os exercícios de 2005 a 2007. [...] Destaco que a fiscalizada afirmou que o presente produto gera diversos tipos de receitas tributáveis para a instituição, sendo desde uma tarifa pela prestação de serviço, bem como com a utilização dos volumes de recursos captados para a geração de operações ativas da própria Requerente. Ainda, na minuta do contrato apresentado, há um quadro ao final destinado à indicação das tarifas que seriam cobradas da contratante, de acordo com o item 7 do contrato (fls. 296/299): 7. Os serviços prestados serão pagos pelo CLIENTE de acordo com a tabela de tarifas que integra o presente. O CLIENTE pagará, também, os impostos e taxas incidentes sobre os serviços e sobre a movimentação dos recursos, assim como as contribuições e encargos sobre os mesmos devidos A despesa aqui em debate decorre da estipulação contida no item 9 do contrato: 9. Por ter escolhido o CITIBANK para a prática dos serviços ora contratados, o CLIENTE fará jus a uma bonificação calculada na forma ajustada pelas partes. O valor aqui previsto será pago mensalmente a crédito na conta corrente de titularidade do CLIENTE junto ao Banco Citibank S.A. e que venha a ser indicada pelo primeiro, líquido do imposto de renda de fonte, recolhido e pago na forma prevista na legislação em vigor. Frente a este contexto, a autoridade lançadora não admitiu a dedução das despesas em referência na apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, observando que: O Citibank argumenta que os contratos firmados possibilitam a cobrança de tarifas e a utilização de recursos que os clientes deixam disponíveis nas contascorrentes. Ou seja, os contratos geram receitas para o Citibank, receitas de prestação de serviços, e os Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 19 18 valores pagos aos clientes se configuram como despesas relacionadas com a prestação dos serviços. Os valores pagos pelo Citibank representam uma reciprocidade do banco aos clientes e na realidade se configuram com despesas relacionadas com a prestação de serviços de cash management, cobranças e pagamentos e não despesas de captação. Discorrendo sobre a caracterização de operações de captação e sua conexão com operações passivas, a autoridade lançadora não vislumbrou qualquer semelhança entre estas e as operações alegadas pela contribuinte. Entendeu que a despesa em debate decorreria de uma remuneração, uma reciprocidade aos clientes devido a benefícios que o banco obtém com os serviços de "Cash Management", ou seja, de despesas incorridas na prestação de serviços. Extraio, do exposto, que a autoridade lançadora vislumbrou nas operações questionadas uma forma de a instituição financeira auferir tarifas pela prestação de serviços de pagamento e recebimento de títulos de seus clientes, beneficiandose financeiramente de receitas que seriam compartilhadas com estes clientes, mediante a remuneração debatida. Constato, porém, que no contrato em questão não há referência ao cálculo desta bonificação, o que permitiu à Fiscalização valerse apenas do conteúdo que extraiu dos esclarecimentos prestados pela contribuinte para firmar a natureza dos valores por ela pagos a seus clientes. Por sua vez, tais cálculos em momento algum vieram aos autos. A tabela apresentada em recurso voluntário (fl. 1765), apenas aponta um percentual que teria sido apurado a partir dos valores captados, para fins de comparação com o custo de captação por meio de empréstimos interbancários (CDI), de modo a demonstrar as vantagens que existiriam nesta espécie de captação. Registro, ainda, que a recorrente, em sustentação oral, afirma que não foram cobradas tarifas dos clientes que contrataram o serviço de “Cash Management”. Concluo, de todo o exposto, que a contribuinte: 1) não contabilizou as despesas em referência como decorrentes de captação de recursos; 2) afirmou durante o procedimento fiscal que o produto oferecido aos clientes ensejava o recebimento de tarifas, além de se prestar à captação de recursos; 3) apresentou minuta de contrato que cogitava da possibilidade de cobrança de tarifas e não explicitava a forma de cálculo da bonificação em debate; 4) apresentou, em recurso, percentuais que representariam o custo de captação dos recursos decorrentes do produto assim oferecido, mas sem explicitar os parâmetros para determinação deste percentual. É razoável cogitar, neste contexto, que a contribuinte tenha se valido dos depósitos à vista, por ela indicados em seu recurso como a forma mais clássica de captação de recursos por parte dos bancos, para determinar os bônus que seriam devidos a seus clientes, o que permitiria vincular estes pagamentos à remuneração de valores captados pela instituição financeira, obviamente para destinação à intermediação financeira, sua atividade principal. Em conseqüência, entendo que não há elementos suficientes para desconstituir a exigência, mas há alegações consistentes e coerentes por parte da recorrente que não podem ser desconsideradas. Assim, reputo necessária a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam confirmadas as alegações da recorrente, no sentido de que não foram cobradas tarifas de seus clientes que adquiriram o produto “Cash Management”, bem como para que seja aferida a forma de cálculo das bonificações pagas a estes clientes, de modo a identificar se tais valores, de fato, vinculamse exclusivamente aos recursos captados em razão dos serviços oferecidos pela instituição financeira. A interessada deverá ser intimada a provar os fatos acima, e a autoridade fiscal competente deverá elaborar relatório circunstanciado acerca dos elementos que lhe forem apresentados, disto cientificando a contribuinte para, em 30 (trinta) dias, Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 20 19 complementar suas razões de defesa, antes do retorno destes autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este o entendimento majoritário deste colegiado acerca das glosas das deduções, junto às bases imponíveis do PIS e da COFINS, dos “bônus de preferência” pagos a clientes, classificados, pela recorrente, como “despesas de captação”. A decisão de converter o julgamento em diligência foi tomada por voto de qualidade. Restou vencido o Relator, Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior, que dava provimento ao recurso voluntário, acompanhado pela Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, e também divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso voluntário. Em seu voto vencido, o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, depois de discorrer sobre o procedimento fiscal e indicar a pretensão da recorrente de classificar tais despesas como incorridas nas operações de intermediação financeira (art. 3º, §6º, inciso I, alínea "a" da Lei nº 9.718/98), decidiu pelo cancelamento das exigências correspondentes com base nas razões assim expostas: A subsunção da espécie das “despesas de captação” ao gênero das “despesas de intermediação financeira” se subsidia na leitura da Carta Circular BACEN DENOR/BACEN nº 3.316/08, que assim dispõe: "Com base no art. 6º, inciso I, da Resolução nº 3.490, de 29 de agosto de 2007, o Indicador de Exposição ao Risco Operacional (IE), de que trata o art. 3o, inciso I, da Circular n° 3.383, de 30 de abril de 2008, deve ser composto por: (...) III— despesas de intermediação financeira, que correspondem ao somatório dos valores referentes a: a) despesas de captação; (...)” O Fisco, ao se deparar com esse cenário, creu estar diante de simples despesas suportadas para fins de prestação de serviços – expensas estas indedutíveis, por ausência de permissão legal, da receita bruta das instituições financeiras. Desencadeou, por isso, o labor de investigação que desembocou nas exigências oficiosas sob litígio. O contribuinte, em longo arrazoado, anteparado por parecer da lavra do i. professor Luciano Amaro, visou defenestrar a hermenêutica fazendária. Seus argumentos, em apertadíssima síntese, buscaram explanar que o “bônus de preferência” pago constituiria verdadeiro prêmio aos clientes que mantinham aplicados, junto à recorrente, seus recursos disponíveis. Em tais termos, o creditamento destes fees, em prol de terceiros, consubstanciaria suporte de despesas que, em realizada, serviriam a potencializar a captação de recursos no mercado. Pois bem! Entre a análise inicial do caso e a sessão de julgamento em que o mesmo foi inauguralmente debatido, pendi por encampar a tese fiscalista, interpretando o negócio jurídico “Cash Management” oferecido pela Recorrente como um simples contrato de prestação de serviço, cujo objetivo seria a otimização de contas a pagar e receber de seus clientes e não a alavancagem de suas operações financeiras, por meio da captação de recursos. Neste espectro, considerei para fins do juízo de mérito do lançamento guerreado que as despesas com “bonificações pela preferência” pagas a clientes em decorrência deste produto, nada mais seriam do que custo a ele inerente e, portanto, não poderiam ser tratadas como despesas para captação de recursos (espécie) nem mesmo despesas de Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 21 20 intermediação financeira (gênero) nos termos da legislação de referência, dedutíveis das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. No entanto, após a sustentação oral promovida pelas partes em litigio e os debates ocorridos em plenário, refleti sobre outros aspectos que ao meu sentir tornam necessário alterar minhas razões de convencimento, modificando, por conseguinte, o julgamento inicialmente aplicado ao caso. Explicome: É fato de que não me convencia o argumento da Recorrente de que o produto “Cash Management” seria simplesmente atividademeio, direcionada à captação de recursos no mercado, configurando mero atrativo para agente econômicos superavitários, capaz de fazer com que transferissem seus recursos para a instituição financeira recorrente. Em meu juízo pretérito não desconsiderava a premissa de que as instituições financeiras autorizadas a operar no Sistema Financeiro Nacional têm como objeto e atividadefim, por definição, a realização da indigitada tarefa de “intermediação financeira”, performada pelo binômio “captaçãoaplicação”, empreitada essa que se materializa de um lado, pela captação de recursos financeiros junto a agentes econômicos superavitários, e, de outro lado, pela oferta destes valores a players deficitários. A qualquer um é absolutamente claro, que o fim de lucratividade das instituições financeiras, é concretizado, em grande parte, por meio da realização da diferença a maior (“spread”) existente entre a remuneração exigida dos tomadores de recursos, turno um, e aquela paga aos ofertadores de moeda, turno outro. Por outro lado, apesar de a “intermediação financeira” ser o fim precípuo das entidades desta espécie não significa ser esta a única atividade desenvolvida por tais sociedades. De fato, além da atividade pura de intermediação, os bancos comerciais se especializaram em oferecer “serviços colaterais”, destinados a atender, competitivamente, a demandas específicas de sua clientela. Em decorrência da suposta vinculação causal destes préstimos obrigacionais à “intermediação financeira” propriamente dita, muito se debateu – e ainda se debate – acerca da possibilidade de os primeiros serem tomados como ontologicamente independentes da última, para todos os fins de direito – em especial, para fins de regulação de seu tratamento tributário. Especialmente no campo da incidência do ISS, as instituições financeiras sempre buscaram caracterizar seus serviços como simples “atividadesmeio”, vinculadas ao final préstimo intermediador. Desta maneira, carente de autonomia, o desenvolvimento daquelas primeiras obrigações de fazer não poderia, em tese, ser tributado, dado não caracterizar quaisquer atos jurídicos perfeitos e acabados. Em minha visão anterior, pareciame que o tópico em discussão resvalava nessa controvérsia. Acentuoume essa impressão, a resposta da Recorrente ao Termo de Intimação nº 08 às fls 291, onde esclareceu que “o presente produto gera diversos tipos de receitas tributáveis para a instituição, sendo desde uma tarifa pela prestação de serviço, bem como com a utilização dos volumes de recursos captados para a geração de operações ativas da própria Recorrente. Ao reanalisar o contrato de prestação de serviço juntado aos autos (fls 296 a 299), verificase tratar de simples minuta contratual, inominada em relação às partes, sem assinatura e, principalmente, com o anexo relativo a tabela de serviços, prescrito em seu item 7, completamente zerado. Referido documento opera em favor do contribuinte, pois como dito não demonstra os valores das tarifas praticadas, o que me leva a ter como não comprovado nos autos o efetivo recebimento de tais tarifas pela Recorrente. Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 22 21 O i.auditorfiscal não logrou minimamente promover a aferição de efetivos contratos celebrados entre a Recorrente e seus clientes bem como de seus respectivos registros contábeis, principalmente em relação as receitas auferidas, para coletar subsídios que ao meu modo de ver são fundamentais para justificar e manter a glosa. Resta nítido que faltou labor fiscal para apurar a efetiva remuneração desse contrato. Não é possível, por exemplo, saber se os custos incorridos com os “bônus pela preferência” são menores, iguais, ou maiores que as tarifas desembolsadas pelo cliente com base no contrato. Falo isto, haja vista soar surreal, por exemplo, ter situação na qual se apure que os pagamentos dos citados bônus a um cliente em determinado período sejam superiores aos valores recebidos pela Recorrente – se é que foram recebidos com as tarifas vinculadas ao contrato de prestação de serviços em debate, e ainda sim mediante tal constatação vincular o dispêndio como custo/despesa atrelado a uma mera prestação de serviço. A questão é que essa simples elocubração por mim conjecturada, sequer pode ser respondida, pois em sua ânsia, a fiscalização deixou de buscar elementos indispensáveis a resposta desta e de outras questões, necessárias a definitiva vinculação do dispêndio. Ainda nesta linha da falta de critério investigativo e cognitivo, necessária a concretude fática do lançamento outro questionamento se aponta: que tipo de relação contratual de prestação de serviço é a presente, na qual o prestador paga valores ao tomador em decorrência do serviço prestado? Há de se concordar que por se tratar de algo totalmente fora do padrão, tal peculiaridade é iniludivelmente carecedora de maiores esclarecimentos, todavia, não foi objeto de melhor apuração por parte da autoridade lançadora. Temse uma relação laboral de serviços na qual o prestador contratualmente se predispõe a remunerar o tomador pelo serviço contratado. Por quê? Até podemos imaginar diante do contexto fático que tal pagamento se dá em pró de bem maior para a Recorrente mas assim como a fiscalização, não tenho como justificar com elementos de prova suficientemente hábeis. Como não foi comprovado pela acusação fiscal que tal contrato gera tarifas para a recorrente, fato este que o igualaria aos demais serviços colaterais, e ainda, diante do fato que o prestador de serviço paga o tomador de serviço, estamos diante de uma relação jurídica distinta dos demais contratos de prestação de serviço, sendo imperioso concluir que a razão de existir do cash manegement é a captação de recursos, logo esse dispêndio deve ser enquadrado como despesa de captação financeira, autorizandose a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins nos termos da Lei 9.718/98. Não se trata de lançamento galgado amparado em presunção legal, não há inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte. Por tudo que foi posto, entendo que improcede a glosa fazendária perpetrada por falta de elementos aptos ao seu amparo. Frente a este contexto, cumpre inicialmente reafirmar a regularidade do procedimento fiscal do qual resulta a glosa em debate. Cabe ao sujeito passivo provar as deduções computadas na base de cálculo das contribuições lançadas. E, neste sentido, ao prestar declarações ao Fisco, a contribuinte indicou a dedução de despesas de captação que não foram contabilizadas no grupo 8.1.1.00008 do COSIF. No curso do procedimento fiscal, ao esclarecer este descompasso, a contribuinte informou que o produto cash management gerava receitas tributáveis de prestação de serviços, bem como permitia a captação de recursos para a geração de operações ativas. Analisando estas informações e os elementos apresentados, a autoridade lançadora concluiu que os bônus corresponderiam a uma reciprocidade aos clientes devido a benefícios que o banco obtém com os serviços de "Cash Management", ou seja, de Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 23 22 despesas incorridas na prestação de serviços. E esta constatação é válida especialmente porque na minuta de contrato apresentada à Fiscalização inexistia qualquer referência ao cálculo desta bonificação. Logo, a acusação fiscal tem em conta os esclarecimentos que lhe foram prestados pela contribuinte para justificar a dedução de uma despesa de captação não contabilizada como tal, além de vinculada a contratos de prestação de serviços. Inadmissível, portanto, o cancelamento da exigência apenas porque a Fiscalização não alcançou todos os aspectos das operações em questão. Cumpre sim, no contencioso administrativo, avaliar se a contribuinte logra provar que as despesas deduzidas na apuração da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS estão autorizadas por lei. Antes porém, é relevante consignar que a Resolução nº 110100.053 também foi integrada pela declaração de voto do Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que se manifestou contra a dedução das despesas decorrentes dos contratos de cash manegement: A autuação decorre de glosa de valores que o contribuinte deduziu na apuração da base de cálculo do PIS e COFINS como "outras despesas operacionais de captação". Tais valores são referentes a bônus, pago pelo contribuinte aos seus clientes de cash management. O fundamento da fiscalização foi considerar que tais dispêndios não eram despesas de captação de recursos. O contribuinte alega que as despesas com bonificação, decorrentes dos contratos de cash management, é despesa de captação e assim pode ser deduzida nos termos da alínea "a" do inciso III do art 1° da Lei n° 9.701, de 1998, e do § 5° do art. 3° da Lei n°9.718, de 1998. Adiciona, que se assim não for, tal despesa pode ser deduzida como despesa de intermediação financeira, nos termos da alínea "a" do inciso I do § 6° do art. 3° da Lei n° 9.710, de 1998. Estes são de modo resumido os pontos da lide. Para analisálos, cabe a transcrição da regras citadas pelo contribuinte. Conforme o contribuinte, a dedução de despesa de captação da base de cálculo do PIS é admitida conforme a alínea "a" do inciso III do art I° da Lei n°9.701, de 1998 (grifos para destacar): Art. 1° Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no art. 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: ... III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; ... Já a possibilidade de dedução da base de cálculo da COFINS decorreria do art. 2° e do § 5° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, in verbis: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu (faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 24 23 ... § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 12 do art. 22 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Como se percebe claramente nos dispositivos transcritos, são permitidas as deduções de despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro. Ou seja, despesas de captação ocorridas nas operações interbancárias, feitas entre instituições financeiras. Porém, as despesas que o contribuinte pretende deduzir decorrem de bonificação dada a cliente em razão de cash management. Assim, não é nestes dispositivos que reside a permissão alegada pelo contribuinte, pois não se tratam de operações interbancárias. No entanto, o contribuinte alega que, se não for em razão desses dispositivos, a possibilidade de dedução da despesa de bônus decorre do art. 2° e da alínea "a" do inciso I do § 6° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, abaixo transcritos (grifos para destacar): Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n" 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; Como se vê, o dispositivo em questão admite como dedutivel as "despesas incorridas na intermediação financeira". Assim, para a solução do caso em concreto, resta ver se os dispêndios com bonificação em razão do cash management são ou não classificáveis como despesa incorrida nas operações de intermediação financeira. A DRJ afasta tal entendimento após analisar a cartacircular BACEN n° 3.316, de 30 de abril de 2008. Diz que a bonificação não corresponde nem ao definido na alínea "a" e nem no definido na alínea "m" da regra do BACEN, abaixo transcrita: III despesas de intermediação financeira, que correspondam ao somatório dos valores referentes a: a) despesas de captação; b) despesas de obrigações por empréstimos e repasses; c) despesas de arrendamento mercantil; d) despesas de cambio; e) despesas com títulos e valores mobiliários e instrumentos financeiros derivativos; J) despesas de cessão de créditos de arrendamento; g) despesas de cessão de créditos decorrentes de contratos de exportação; h) despesas de cessão de operações de crédito; i) despesas de obrigações pot fundos financeiros e de desenvolvimento; Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 25 24 j) despesas com captação em títulos de desenvolvimento econômico; 1) dispêndio de depósitos intercooperativos; m) outras despesas operacionais originadas de operações que tenham como características: serem decorrentes de intermediação financeira ou de prestação de serviços; não serem decorrentes de operações relacionadas ao Ativo Permanente; não representem constituição de provisões; não representem despesas administrativas e não representem taxas pagas a prestadores de serviços terceirizados. O contribuinte refuta a DRJ alegando que as regras do BACEN não têm efeitos tributários e que a cartacircular BACEN n° 3.316, 2008, visa apenas detalhar o indicador de exposição ao risco operacional. Adiciona que o dispêndio com a bonificação é uma despesa de intermediação e pode ser classificada tanto como despesa de captação (conforme a alínea "a"), como despesa de natureza operacional (conforme a alínea "m"). Ao menos em um aspecto o contribuinte tem razão. A cartacircular BACEN n° 3.316, de 2008, não produz efeitos tributários. Mas, a cartacircular mencionada pela DRJ é útil na medida em que se verifica que as despesas de captação é um dos diversos tipos de despesas abrangidos pelo conceito de despesa de intermediação financeira. Assim, a análise da lide deve deixar de lado a cartacircular BACEN e deve se limitar a verificar se os gastos com a bonificação são ou não "despesas incorridas nas operações de intermediação financeira", tal como previsto na alínea "a" do inciso I do § 6° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Mais especificamente, se são ou não uma despesa de captação nas operações de intermediação financeira. O primeiro passo da análise consiste em observar a letra da lei. Conforme se constata no texto legal, a disposição é clara: as despesas admitidas são aquelas incorridas nas operações de intermediação. Por isso, só os gastos diretamente ligados com as operações de intermediação são dedutiveis. De modo algum se permite deduzir despesas indiretamente ligadas às operações de intermediação e muito menos as indiretamente ligadas à captação. Não se trata apenas de afastar os gastos vinculados a outras atividades ou outros serviços dos bancos, diferentes da intermediação. Tratase de afastar qualquer gasto que não esteja diretamente ligado à operação de intermediação. No caso especifico, tratase de afastar qualquer gasto que não esteja diretamente ligado à captação de recursos para intermediação. Vale notar que, além desta interpretação decorrer da letra da lei, pretender o contrário levaria a uma conclusão absurda. Isso porque, se for admitido que gastos indiretamente ligados a operações de intermediação sejam dedutíveis, se chegaria a conclusão de que todo e qualquer dispêndio do banco seria dedutível. Por exemplo, se poderia argumentar que despesas com brindes seriam dedutíveis porque colaborariam para a fidelização e, conseqüentemente, com a captação de recursos em depósitos a vista. Mas, por esta via se chegaria a distorção total da letra e sentido da lei. Inclusive, o dispositivo se tornaria totalmente desnecessário. Assim, tal como se depreende do texto legal, só os gastos diretamente decorrentes de intermediação são dedutíveis. Especificamente, tratandose de gastos relativos a captação, só os diretamente decorrentes de captação são dedutíveis. Deste modo, fixado o alcance da lei, cabe verificar se os gastos com a bonificação dos clientes de cash management são diretamente ligados com a intermediação de recursos. Um dos argumentos do contribuinte adota como premissa a idéia de que, como bancos têm por finalidade principal a intermediação de recursos, todos os seus gastos objetivariam em última instancia a captação de recursos. Não há dúvida de que tal Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 26 25 afirmação tem correspondência com a verdade. Mas, ela não permite concluir, como quer o contribuinte, que todos os gastos do banco sejam dedutíveis da base de cálculo do PIS e Cofins. Isso porque, como visto, a lei só permite deduzir as despesas diretamente decorrentes de captação e não qualquer despesas, mesmo que indiretamente resultem em uma maior massa de depósitos no banco. Assim, embora as bonificações em questão possam implicar em um estimulo para manter ou captar novos clientes ou ainda sirvam para incentivar que estes clientes aumentem suas operações feitas no banco, não é possível vincular de modo direto esses gastos com a captação de recursos para intermediação, mesmo supondo que o cash management implique em mais recursos a disposição do banco e que estes recursos poderiam ser emprestados para terceiros. Na verdade, os gastos com bonificações se justificam por diversas outras causas, sendo a captação de recursos apenas uma delas. Por exemplo, podese dizer que a se justifica para manter, para conquistar novos clientes, para aumentar os negócios com os clientes, para vender outros serviços, para aumentar o faturamento com tarifas (mesmo que momentaneamente os clientes de cash management estivessem dispensados de tarifa), para racionalizar do uso dos recursos humanos e físicos do banco pelo aumento da escala, etc. Portanto, não se pode dizer que os gastos com bonificação sejam gastos diretamente decorrentes da captação de recursos. Em outras palavras, tais gastos não se classificam como "despesas incorridas nas operações de intermediação financeira" e por isso não são dedutíveis. Por tal razão, voto para manter o lançamento neste aspecto da questão. Compartilhase, aqui, do entendimento de que as deduções em debate não encontram amparo no art. 1º, inciso III, alínea "a" da Lei nº 9.701/98, pois mesmo que se admita a classificação das despesas como de captação, elas certamente não foram realizadas no mercado interfinanceiro. Resta, portanto, avaliar se os bônus pagos aos clientes podem ser classificados como despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, na dicção do art. 3º, §6º, inciso I da Lei nº 9.718/98. No voto vencedor da Resolução nº 110100.053 cogitouse que a contribuinte poderia ter se valido dos depósitos à vista, por ela indicados em seu recurso como a forma mais clássica de captação de recursos por parte dos bancos, para determinar os bônus que seriam devidos a seus clientes, o que permitiria vincular estes pagamentos à remuneração de valores captados pela instituição financeira, obviamente para destinação à intermediação financeira, sua atividade principal. Todavia, além de aferir a forma de cálculo das bonificações, necessário também seria confirmar as alegações da recorrente, no sentido de que não foram cobradas tarifas de seus clientes que adquiriram o produto "Cash Management". No curso da diligência, a contribuinte alegou que não poderia fazer prova negativa da cobrança de tarifas, e em substituição apresentou dois contratos nos quais não houve esta cobrança. Ao se manifestar contra o relatório de diligência fiscal, juntou outros contratos nos quais também não foram cobradas tarifas pelos serviços prestados. Ocorre que a minuta do contrato de prestação de serviços cogita da cobrança de tarifas, e assim a prova de que elas não foram cobradas seria possível mediante a apresentação dos contratos vigentes no período fiscalizado. A contribuinte somente estaria dispensada desta prova se a minuta do contrato não cogitasse da cobrança de tarifas. Quanto ao cálculo das bonificações, a contribuinte demonstrou a remuneração a alguns de seus clientes com taxas variáveis, equivalente a um percentual do CDI (índice padrão Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 27 26 de remuneração para as operações interbancárias), aplicadas sobre o saldo diário apurado entre recebimentos e pagamentos do cliente. De toda sorte, analisando com maior profundidade a questão, não é possível desconsiderar o fato de o pagamento dos bônus de preferência ocorrer no âmbito de um contrato de prestação de serviços, que eventualmente beneficia a contribuinte com depósitos a vista em volume superior aos pagamentos diários. Ocorre que a finalidade primordial do contrato é o gerenciamento do fluxo de caixa dos clientes, e assim imputa à instituição financeira o dever de administrar os recebimentos e pagamentos do cliente, e assegura àquela instituição, caso queira, a cobrança de tarifas por estes serviços. E esta relação jurídica não pode ser classificada como intermediação financeira, cuja ocorrência se verifica entre a instituição financeira e seu cliente, e tem por objeto a captação e o empréstimo de recursos. Em verdade, a captação de recursos, no caso em referência, é uma consequência do contrato de prestação de serviços, mas não o objeto da relação jurídica por ele estabelecida. O bônus de preferência, neste sentido, é estipulado naquele contrato para incentivar o cliente a manter suas disponibilidades sem maior controle do saldo diário para sua eventual aplicação financeira, e a incerteza quanto à postura do cliente é incompatível com a classificação desta operação como de captação, de modo a caracterizar como intermediação financeira a atuação da contribuinte. Em outras palavras, para ser admitida como uma despesa de captação, e caracterizar uma dedução em razão de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, a remuneração paga ao cliente deve ser estipulada em um contrato no qual ele se obrigue a entregar à instituição financeira disponibilidades que ela possa destinar a terceiros, em operações outras, nas quais auferirá receitas. Ainda, embora seja possível admitir que, ao menos em relação às contratações provadas nos autos, valores a título de bônus de preferência não foram pagos aos clientes em razão da prestação de serviços, sua indicação no contrato a este título é um incentivo que não pode ser dissociado daquela atividade, e a captação daí advinda é mera decorrência do desinteresse do cliente em controlar seus saldos diários de disponibilidades, e não o objeto de um contrato de intermediação financeira, cuja formalização guarda os contornos bem descritos na acusação fiscal: Captação é um termo que reflete uma das principais atividades das instituições financeiras. Essas instituições exercem papel de intermediação financeira entre os que possuem recursos e os que deles necessitam. Dessa forma, as operações passivas das instituições financeiras representam recursos captados junto a aplicadores, e depositantes para serem emprestados ou investidos a taxas mais elevadas. As operações passivas que implicam em captação de recursos são formalizadas através de depósitos títulos e outras formas contratuais de obrigação como: a) depósitos à vista, a prazo, de poupança e outros depósitos; aceites cambiais, letras hipotecárias e debêntures; b) empréstimos, repasses, financiamentos e outros recursos; c) instrumentos híbridos de capital e dívida. As operações passivas implicam em ônus para as instituições financeiras, pois os aplicadores recebem remuneração para fazer a aplicações de recursos junto a elas, com exceção dos depósitos à vista, que não são remunerados. Sob esta ótica, a dedução de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, correspondentes à captação de recursos, guarda contornos próximos Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 28 27 aos delineados pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro em sua declaração de voto, mas com o acréscimo de que os gastos diretamente ligados com as operações de intermediação são, no caso, aqueles estipulados em contratos cujo objeto seja a captação de recursos. Como a captação alegada pela recorrente é uma decorrência incerta do contrato de prestação de serviços, os valores pagos aos clientes em razão de sua eventual ocorrência não podem ser classificados como despesas incorridas nas operações de intermediação financeira. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Considerando que, neste ponto da decisão, prevaleceu o entendimento do Colegiado em favor de nova conversão do julgamento em diligência, esta Relatora deixa de se manifestar acerca da outra infração que pende de apreciação, acerca da dedução das despesas de Contribuição ao PIS e de COFINS na apuração do IRPJ e da CSLL. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 29 28 VOTO VENCEDOR Conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Não obstante o brilhante voto da Relatora, ouso, dele, divergir, pelas razões a seguir expostas. Ao analisar o instrumento de contrato a fls. 2757 e segs., intitulado "Instrumento Particular de Prestação de Serviços de Contas a Receber e a Pagar, Serviços Operacionais e Outras Avenças", verifico que, na verdade, estamos diante de um único instrumento que abarca dois contratos, pois a Cláusula 9 guarda, em si, um contrato com objeto diferente daquele tratado nas demais cláusulas. Aliás, o próprio título do instrumento em tela já dispõe que ele tem por objeto outras avenças, além da prestação de serviços de contas a receber e a pagar. A Cláusula 9 do referido instrumento a fls. 2757 assim dispõe: "9. Por ter escolhido o CITIBANK para a prática dos serviços ora contratados, o CLIENTE fará jus a uma bonificação calculada na forma ajustada pelas partes. O valor aqui previsto será pago mensalmente a crédito na conta corrente de titularidade do CLIENTE junto ao Banco Citibank S.A. e que venha a ser indicada pelo primeiro, líquido de imposto de renda na fonte, recolhido e pago na forma prevista na legislação em vigor." Antes de perquirirmos a natureza de tal contrato, vale apontar que não resta dúvida de que se trata de cláusula que visa a captação de clientes por meio da aludida bonificação, pois tal desiderato está explicito ao ser dito que a bonificação era resultante do fato de o cliente ter escolhido a recorrente para prestarlhe o serviço de administração de contas a pagar e a receber (Cash Management). Por outro lado, apenas pelo que dispõe a Cláusula 9 na sua literalidade, dúvidas poderiam ser suscitadas se tal bonificação não seria apenas um desconto no preço do serviço a ser cobrado pelo recorrente do seu cliente. Ora, se assim fosse, seria apenas uma cláusula que combinada com a Cláusula 7 definiria o preço final do serviço prestado de Cash Management. No entanto, a recorrente apresentou memorial durante esta sessão de julgamento, o qual traz planilha (a fls. 2738 dos autos) que confronta os valores recebidos, pela recorrente, pela prestação de serviços de Cash Management com os valores, por ela pagos, a título de bonificação, os quais, sendo verídicos, não deixam dúvida de que estamos diante de um outro contrato, pois os valores recebidos pela prestação de serviços somam, segundo tal planilha, menos de 1% dos valores pagos a título de bonificação. Seria de todo absurdo entender que o prestador de serviços pagaria ao tomador um valor 100 vezes maior do que o preço do serviço prestado, apenas para captar o serviço de Cash Management. Por essa mesma razão, com a devida vênia, entendo desarrazoada a alegação da Autoridade lançadora de que os bônus corresponderiam a "uma reciprocidade aos clientes devido a benefícios que o banco obtém com os serviços de "Cash Management", ou seja, de despesas incorridas na prestação de serviços". Ora, seria difícil imaginar uma instituição financeira prestando um serviço, no qual apenas a despesa com bonificação representaria mais de cem vez o valor recebido pela Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001255/201027 Resolução nº 1302000.389 S1C3T2 Fl. 30 29 prestação do serviço. Assim, pela desproporção dos valores dos bônus pagos e receita de tarifas, apresentados na planilha a fls. 2738, caso verídicos os dados apresentados, fica evidente que a despesa com bonificação não é própria da prestação do serviço de Cash Management, mas de uma outra atividade da recorrente, ou seja, é um indício forte de que estamos tratando de intermediação financeira. Cabe, também, sustentar que mais importante do que verificar o propósito colateral a que serviu a despesa com bonificação, ou seja, se serviu para captar clientes, para captar recursos, para vender outros produtos como alega trecho do voto vencido, cabe perquirir qual a origem de tal despesa. Ou seja, cabe perquirir se a recorrente pagou a bonificação porque aplicou recursos depositados dos clientes, com a sua autorização, em operações ativas e, ao obter resultado, devolveu parte dele a título de bonificação. Se isso restar demonstrado nos autos, sustento que a bonificação tem natureza de despesa de intermediação financeira e logo é dedutível das bases da Cofins e do PIS com base no disposto no art. 2° e alínea "a" do inciso I do § 6° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Nesse sentido, em contraponto ao sustentado no voto da Relatora, entendo perfeita a cartacircular BACEN n° 3.316, de 30 de abril de 2008, quando coloca despesa de captação ou outras de prestação de serviços entre as espécies possíveis do gênero despesa de intermediação financeira. Assim sendo, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DEINF/SP: a) intime a recorrente a demonstrar, com os elementos que constam dos autos ou com outros que venham a ser juntados, ainda que por amostragem, a relação entre as despesas com bonificação e operações financeiras ativas de sua titularidade; b) ateste a veracidade dos dados constantes da Planilha a fls. 2738; e c) dê ciência à recorrente do relatório final de diligência, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado. Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10783.001446/98-78
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1998
Ementa: FATO MODIFICATIVO. ÔNUS DA
PROVA.
Compete a quem alega o fato comprovar a sua
veracidade. No caso dos autos competia ao
contribuinte demonstrar os valores dos créditos que
dispõe para compensar com os débitos objeto do auto
de infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSACÃO.
CRÉDITOS NÃO APURADOS EM
PROCEDIMENTO FORMAL.
Não se admite como matéria de defesa de auto de
infração supostos créditos do contribuinte ainda não
objeto do competente pedido de homologação
Precedentes.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12.545
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1998 Ementa: FATO MODIFICATIVO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem alega o fato comprovar a sua veracidade. No caso dos autos competia ao contribuinte demonstrar os valores dos créditos que dispõe para compensar com os débitos objeto do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSACÃO. CRÉDITOS NÃO APURADOS EM PROCEDIMENTO FORMAL. Não se admite como matéria de defesa de auto de infração supostos créditos do contribuinte ainda não objeto do competente pedido de homologação Precedentes. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-11T12:30:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-11T12:30:16Z; Last-Modified: 2009-08-11T12:30:16Z; dcterms:modified: 2009-08-11T12:30:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-11T12:30:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-11T12:30:16Z; meta:save-date: 2009-08-11T12:30:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-11T12:30:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-11T12:30:16Z; created: 2009-08-11T12:30:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-11T12:30:16Z; pdf:charsPerPage: 1270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-11T12:30:16Z | Conteúdo => • CCO2/CO3 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.= TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10783.001446/98-78 Recurso n'' 137.392 Voluntário soo de Contribuintes Matéria COFINS ww-seoundo cons . oficial 43 .ao Publicado no DiMss, de_D-L-1 Acórdão n° 203-12.545 Rumai Sessão de 20 de novembro de 2007 Recorrente COMERCIAL DE VEÍCULOS CAPIXABA LTDA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1998 Ementa: FATO MODIFICATIVO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem alega o fato comprovar a sua veracidade. No caso dos autos competia ao contribuinte demonstrar os valores dos créditos que dispõe para compensar com os débitos objeto do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSACÃO. CRÉDITOS NÃO APURADOS EM PROCEDIMENTO FORMAL. Não se admite como matéria de defesa de auto de infração supostos créditos do contribuinte ainda não objeto do competente pedido de homologação. Precedentes.MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRCONFERE COM O ORIGINALIBUINTES Recurso negado. Brasília jp_Licat_ Marikle Curst Oliveira S _acre 9/t3so Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. te0 • Processo n.° 0783.001446/98-78 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.545 Fls. 2 AIS ANTONIO ZERRA NETO Presidente , , ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Eanuel Carlos Dantas de Assis, Mauro Wasilewslci (Suplente), Luciano Pontes de Maya Gomes, Odassi guerzoni Filho e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente). MF-6EcuNoocoNSELHO DE CON RIB. CONFERE COM O ORIGIN-Air diNTES ElfaSflit_d_LJ CS '32e Maniete Curslno de Oliveira Mat. Sepe 91650 Processo n.° 10783.001446/98-78 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.545 Fls. 3 Relatório Trata-se de Recuso Voluntário contra o acórdão da DRJ do Rio de Janeiro, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por falta de não recolhimento da COFINS no período de 30/08/1997 a 30/01/198 oriunda do aproveitamento de créditos insuficientes do PIS obtidos por meio de decisão judicial e processos administrativos de restituição. A decisão recorrida foi vazada nos seguintes termos: "COFINS — COMPENSAÇÃO —Hipótese expressa na legislação de extinção do crédito tributário • a compensação exige comprovação por meio de documentos hábeis da efetividade daquele procedimento. PAGAMENTO — Extingue o crédito tributário o pagamento na forma do art. 156 do Código Tributário Nacional. PROVA DOCUMENTAL — A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual." Inconformada, vem a contribuinte reiterar seus argumentos da impugnação, quais sejam: a) que para o período de agosto/1997 o crédito que dispõe para compensar é de R$ 32.635,00 e não os R$ 27.109,09 apurados pela fiscalização; b) possui créditos oriundos de retenção de órgãos públicos; c) os débitos dos períodos de setembro/1997 a janeiro/1998 foram compensados através de créditos da CSLL e IRPJ através de competente processo administrativo. Com tais argumentos requer o provimento do recurso voluntário e a reforma da decisão. É o Relatório. MF-SEOUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília 41 I ("? Og Maldeu nodsOfive4re Mel Slape 91650 kW-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo n.° 10783.001446/98-78 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.545 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 4 Brusftla,___£.1 , Mote Curs) e Otivire Met. Siape 01650 eiraVoto O recurso satisfaz seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Os argumentos aqui trazidos é mera reiteração da manifestação de inconformidade, que foram superados inclusive pela realização de diligência, mas cujos fundamentos não foram rechaçados no presente Recurso Voluntário. Para tanto, passo a analisar e confrontar pontualmente os fundamentos da decisão recorrida e os argumentos do Recurso Voluntário. 1- DA DIFERENÇA DE CRÉDITOS COMPENSADOS EM SETEMBRO/97: — - - - - - - Em relação ao período de apuração setembro de 1997, a decisão recorrida, reportando-se a demonstrativo efetuado pela autoridade autuante, demonstrou que o valor do credito do PIS que efetivamente dispunha o Recorrente para compensar com a COFINS naquela data era de R$ 27.109,09 e não os R$ 32.635,00. Para rechaçar tais valores, vem o contribuinte simplesmente alegar que os valores apurados pelo Fisco não estão corretos porque divergem dum mero demonstrativo por ele elaborado e juntado a fl. 53. Contudo, no seu recurso não indica as razões ou critérios pelos quais tais valores teriam sido calculados erradamente pelo Fisco, aduzindo simplesmente que em tal caso deveria ter havido uma diligência para se apurar as razões da diferença, sob pena de cerceamento de direito de defesa. Tal argumento não tem qualquer fundamento. Os critérios utilizados pelo Fisco para o calculo dos credito do PIS estão claramente expostos nos demonstrativos de imputação de contribuição de fls. 24 a 30, bem como os seus índices de correção (fl. 32). Cabia ao contribuinte se insurgir contra tais critérios e não apenar mencionar os valores globais do seu suposto credito exposto na sua tabela de fl. 53. Ciente dos índices e da forma de cálculo, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa, mas sim inércia do contribuinte. 2- DOS SUPOSTOS CRÉDITOS RETIDOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. Aqui também insiste o contribuinte em aduzir que a responsabilidade pela comprovação dos créditos que supostamente dispõe em função de retenção indevida de tributos por órgãos públicos, que seriam suficientes para compensar os valores objetos do AI, seria da Autoridade "a quo" e não dele. Tal matéria se constitui em fato modificativo do direito exposto no Auto de Infração, em outras palavras, é o cerne da defesa do contribuinte, que como tal tem o ônus de comprovar o que alega. co • Processo n.° 10783.001446/98-78 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.545 Fls. 5 Ademais, já é pacifico neste colegiado que a mera assertiva de possuir credito, não objeto de procedimento de restituição ou compensação, não tem o condão de afastar a constituição de crédito objeto de auto de infração. 3— DAS SUPOSTAS COMPENSAÇÕES DOS PERÍODOS DE SETEMBRO DE 97 A JANEIRO DE 98. Por fim, insiste o contribuinte que em relação aos períodos de apuração em epigrafe o crédito objeto do AI foi extinto através de processos administrativos nos quais requereu a utilização de ciéditos do IRPJ e da CSLL. Tais argumentos foram categoricamente afastados pela diligência promovida na primeira instância e simplesmente não enfrentadas pelo contribuinte, razão pela qual peço vênia para transcrever as razoes da decisão recorrida, que não merecem reforma, verbis: _ "Quanto ao terceiro ponto elencado pelo contribuinte de que havia solicitado Pedido de Restituição/Compensação dos valores de setembro de 1997 a janeiro de 1998, a diligência perpetrada elucidou o tema ao relacionar que os processos es 13770.000318/97-91 e 13770.000320/97-32 tratam de pedidos de restituição da Contribuição Social sobre o Lucro e do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, respectivamente (fls.291/293), para ser compensado com o processo de parcelamento n° 13770.000122/93-45. No próprio sistema de controle dos processos fiscais — PROFISC - não constam débitos vinculados aos processos mencionados(fis.317/318). Aliás, frise-se que o próprio contribuinte desistiu do Pedido de Compensação formulado naqueles processos como podemos observar da petição acostada às fls.294, datada de 10/10/1997, bem anterior, inclusive, ao início do procedimento fiscal aqui tratado que ocorreu em 19/01/1998 (Termo de Início de Fiscalização de fls.01)." Por todo o exposto voto pelo não provimento do recurso, mantendo inalterada a decisão recorrida. É como voto. Sala de Sessões, 20 de novembro de 2007. Eric Moraes de Castro e Silva Relator. INF.6EGUNDO CONSELHO DE CONTRIEDINTES CONFERE COM O ORIGINAL EttasflIa,_44. oe Matiklio CtCde privei, Mat. &aos 91650 a Page 1 _0024300.PDF Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13890.000473/2003-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 11/09/1998 a 19/09/1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2201-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 04 73 /2 00 3- 22 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13890.000473/200322 Acórdão n.º 2201002.742 S2C2T1 Fl. 581 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/RPO (Fls. 103), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 17/06/2003, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), para exigir da autuada o recolhimento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 195,26, originado em rendimentos do trabalho sem vinculo de emprego, código de receita n° 0588, apurado na terceira semana de setembro de 1998, acrescido de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), na quantia de R$ 146,45 e juros de mora na importância de R$ 178,35 e também para exigir multa isolada, no valor de R$ 301.839,07 e complemento de multa de mora e juros moratórios, na importância de R$ 3.759,14 e R$ 186,60, respectivamente, em face de recolhimentos a destempo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) sem o pagamento da multa de mora, relativo a rendimentos do trabalho com e sem vinculo de emprego assalariado e em remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica, códigos de receita nos 0561, 0588 e 1708, respectivamente, apurados nas segundas, terceiras e quartas semanas de maio e agosto, quinta semana de agosto e primeira, terceira e quarta semana de outubro, sendo que a insuficiência da multa de mora diz respeito a recolhimento atinentes a rendimentos do trabalho sem vinculo de emprego, código de receita n° 0588, e se refere A. segunda semana de outubro, todos de 1988. Regularmente cientificada a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/87, por meio da qual fustiga a exigência do tributo argumentando, em síntese, que a mesma não procede em razão do recolhimento ter sido efetuado, conforme comprovante juntados. Relativamente à imputação de pagamentos efetuados a destempo aduz que os recolhimentos foram efetuados nos respectivos prazos de vencimento, observando que houve lapsos na confecção das DCTFs, consubstanciados no fato da indicação dos períodos de apuração do tributo terem se dado nas semanas subseqüentes àquelas informadas. Ao final, requereu o cancelamento do débito fiscal. A Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP analisou a impugnação e, após retificar de oficio o código de receita aposto no DARF apresentado, elaborou demonstrativo de alocação desse pagamento ao débito cobrado no item 4.1 do auto de infração, concluindo pela extinção dessa parcela, incluindo multa de oficio e juros incidentes, fls. 93/98. Contudo, não efetuou, de oficio, a revisão do lançamento. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13890.000473/200322 Acórdão n.º 2201002.742 S2C2T1 Fl. 582 3 Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/RPO entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: AUDITORIA INTERNA NA DCTF. IRRF. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. DÉBITO CONFESSADO. Identificado o pagamento informado na Declaração de Contribuições e Tributos Federais e encontrandose disponível, é de se afastar o quantum correspondente do crédito tributário lançado. Eventuais equívocos na DCTF de 1998 deveriam ser corrigidos pelos meios previstos na IN/SRF/N° 45, de 1998, a tanto admitido, igualmente, o contencioso administrativo. Na ausência de elementos probantes do alegado erro, ou ineficácia dos documentos apresentados, prevalecem os dados originariamente declarados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/05/1998 a 09/05/1998, 10/05/1998 a 16/05/1998, 17/05/1998 a 23/05/1998, 02/08/1998 a 08/08/1998, 09/08/1998 a 15/08/1998, 16/08/1998 a 22/08/1998, 23/08/1998 a 29/08/1998, 27/09/1998 a 03/10/1998, 04/10/1998 a 10/10/1998, 11/10/1998 a 17/10/1998, 18/10/1998 a 24/10/1998 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao,tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, "c"). Cientificada em 17/03/2008 (Fls. 115), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 17/04/2008 (fls. 120), argumentando em síntese: (...) II — O Direito Diante das circunstâncias e provas legais que tem existência objetiva e real apresentamos todos os DARF(s) de recolhimentos efetuados nos prazos estabelecidos, cópia do calendário do período em discussão; apresenta ainda cópia dos Livros de Contabilidade Razão , elemento contábilescritural que emb asa os fatos geradores sobre a retenção de IRRF sobre o trabalho sem vinculo empregatício COD REC 0588, identificado pelo pagamento, COD REC 1780, IRRF sobre a Remuneração de Serviços de Terceiros, identificado pelo Crédito (Lançamento Contábil), Resumo de Folhas de Pagamentos e Recibos de Pagamento de Ferias onde demonstra e firma os períodos dos fatos geradores sobre os Rendimentos do Trabalho COD REC 0561 identificado pela data do efetivo pagamento. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13890.000473/200322 Acórdão n.º 2201002.742 S2C2T1 Fl. 583 4 A declarante incidiu no equivoco da prestação de informações constantes em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) impossibilitada de alterar os dados informados conforme previsão da Instrução Normativa SRF no 45 de 05 de maio de 1998, pelos fatos já serem objeto de Auto de Infração contudo apresenta elementos que embasa o entendimento da inexistência de irregularidades para anulação das penalidades aplicadas pelo Auto de Infração. III — Conclusão À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao endereço da contribuinte, via correio, tendo sido recebida em 17/03/2008, conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls. 115. A peça recursal somente foi protocolizada em 17/04/2008, conforme atesta documento de fls. 120, portanto, fora do prazo fatal. Destaco que a DRFB lavrou, inclusive, termo de perempção.(doc. pág. 119 dos autos) Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Caberia à recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal que findou em 16/04/2008. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13890.000473/200322 Acórdão n.º 2201002.742 S2C2T1 Fl. 584 5 Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 596DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 14751.720031/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AFERIÇÃO INDIRETA. DEMONSTRAÇÃO DE EXCESSOS DO LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN.
O procedimento de arbitramento não subtrai o direito de o contribuinte comprovar excessos do lançamento. Todavia, a partir das ilicitudes que deram ensejo ao arbitramento, o ônus da prova passa a ser do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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DEMONSTRAÇÃO DE EXCESSOS DO LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. O procedimento de arbitramento não subtrai o direito de o contribuinte comprovar excessos do lançamento. Todavia, a partir das ilicitudes que deram ensejo ao arbitramento, o ônus da prova passa a ser do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 00 31 /2 01 1- 63 Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14751.720031/201163 Acórdão n.º 2401003.941 S2C4T1 Fl. 3.311 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.835 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Versa o Processo COMPROT no 14751.720031/201163, aos Autos de Infração AI, DEBCAD a seguir relacionados, lavrados pela fiscalização, contra a empresa acima identificada, conforme diversos discriminativos e Relatório Fiscal, de fls. 77/96, que constam dos autos: 37.308.3343, lavrado por descumprimento de obrigação principal, no período de 01/2007 a 12/2007 e competência 13/2007, compreendendo as seguintes contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, rubrica 12 Empresa, rubrica 13Sat/Rat, rubrica 36Juros s/recolhimento e rubrica 37Multa s/recolhimento, destinadas por lei à Previdência Social. Totaliza o valor de R$736.347,58 (setecentos e trinta e seis mil, trezentos e quarenta e sete reais e cinqüenta e oito centavos), consolidado em 25/05/2011, abrange os estabelecimentos CNPJ 01.840.291/0001 99 e 01.840.291/000270, e constituise nos levantamentos, a seguir, não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP: AF – REM EMPREGADOS (Vlr. Aferidos) (01 a 12/2007) AF1 – REM EMPREGADOS (Vlr. Aferidos) (13/2007) DAL – Diferença de Ac. Legais (03/2007, 07/2007 e 02/2009) 37.308.3351, lavrado por descumprimento de obrigação principal, no período de 01/2007 a 12/2007 e competência 13/2007, compreendendo a contribuição de segurado empregado, rubrica 11Segurados incidente sobre as respectivas remunerações e destinada por lei à Previdência Social. Totaliza o valor de R$180.336,76 (cento e oitenta mil, trezentos e trinta e seis reais e setenta e seis centavos), consolidado em 25/05/2011, abrange os estabelecimentos CNPJ 01.840.291/000199 e 01.840.291/000270, e constituise nos levantamentos, a seguir, não declarados em GFIP: AF – REM EMPREGADOS (Vlr. Aferidos) (01 a 12/2007) AF1 – REM EMPREGADOS (Vlr. Aferidos) (13/2007) 37.308.3360, lavrado por descumprimento de obrigação principal, no período de 01/2007 a 12/2007 e competência Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 13/2007, compreendendo a contribuições dos terceiros incidentes sobre a remuneração de segurados empregados (rubrica 15Terceiros) e destinadas por lei a outras entidades/fundos. Totaliza o valor de R$253.345,23 (duzentos e cinqüenta e três mil, trezentos e quarenta e cinco reais e vinte e três centavos), consolidado em 25/05/2011, abrange os estabelecimentos CNPJ 01.840.291/000199 e 01.840.291/000270, e constituise nos levantamentos, a seguir, não declarados em GFIP: AF – REM EMPREGADOS (Vlr. Aferidos) (01 a 12/2007) AF1 – REM EMPREGADOS (Vlr. Aferidos) (13/2007) As contribuições foram lançadas por arbitramento, incidindo sobre remunerações de segurados empregados apuradas por meio de aferição indireta, usandose como base de incidência as notas fiscais de serviço, de acordo com o art. 33, §6o, da Lei no 8.212/1991, posto que a fiscalização concluiu que a contabilidade não espelha a real situação econômicofinanceira da empresa, conforme irregularidades verificadas e relacionadas no referido Relatório fiscal. Noticia ainda o Relatório Fiscal, de fls. 77/96, que em 31/08/2008, por meio da 12. alteração contratual, houve uma cisão parcial da sociedade AMBIENTAL SOLUÇÕES LTDA, com transferência de 50% (cinqüenta por cento) do total de seus ativos, correspondentes à participação do sócio Alexandre Mariz Maia, para a empresa LÍDER LIMPEZA URBANA LTDA, CNPJ 10.317.529/000197, e assim de acordo com o art. 124, inciso I, do Código Tributário nacional – CTN, foi essa última arrolada como responsável solidária perante os créditos previdenciários acima mencionados. O sujeito passivo, devedor principal, AMBIENTAL SOLUÇÕES LTDA foi cientificado dos AI acima, em 30/05/2011, conforme folhas iniciais dos referidos Autos de Infração e o devedor solidário LÍDER LIMPEZA URBANA LTDA foi cientificado dos mesmos AI, em 06/06/2011, conforme comprovante, de fls. 595. Da Impugnação Em 28/06/2011, o sujeito passivo, devedor principal, AMBIENTAL SOLUÇÕES LTDA, interpõe a impugnação, de fls. 598/608, acompanhada dos anexos de fls. 609/1831. Inicia sua defesa fazendo um breve resumo dos fatos para depois apresentar os argumentos que transcrevo a síntese nos itens que seguem. Aduz que durante o procedimento fiscal teriam sido entregues para análise, todos os documentos solicitados, por meio dos quais a fiscalização poderia ter apurado com eficiência o faturamento mensal, o montante da remuneração paga aos segurados e os valores recolhidos em GPS e retidos em Notas Fiscais de serviço, do que conclui a autuada que a documentação apresentada seria suficiente para a apuração dos valores efetivamente devidos e mesmo diante das evidências de que a escrituração contábil, e demais documentos apresentados registrariam o movimento real das remunerações dos segurados Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14751.720031/201163 Acórdão n.º 2401003.941 S2C4T1 Fl. 3.312 5 a seu serviço e do faturamento, o autuante teria ignorado a escrituração contábil e adotado o procedimento especial de aferição indireta, baseado no que determina a Lei 8.212/91, art. 33, §§ 3. e 6., c/c os artigos 233 e 235, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99. Alega que não haveria de se falar em descaracterização da contabilidade, vez que a escrita contábil e os demais elementos apresentados seriam suficientes para a apuração das contribuições efetivamente devidas. Nesse sentido, argumenta que do exame dos Quadros VII e VIII, demonstrativos do Relatório Fiscal, seria observado que as remunerações declaradas em GFIP corresponderiam a uma média de 84% das remunerações apuradas nas notas fiscais, o que demonstraria a inexistência de sonegação de contribuições por parte da empresa. Assevera que nos procedimentos fiscais, em regra, a fiscalização ateriase à escrita contábil e demais documentos apresentados pela fiscalizada, excetuando a ocorrência de sonegação ou recusa de apresentação da escrita contábil e/ou os documentos pertinentes ou quando houver desconsideração do material apresentado por erro ou irregularidade insanável. Nesse sentido busca amparo na jurisprudência, transcrevendo ementas de julgados. Informa que no seu caso, a escrituração contábil teria sido desconsiderada sob o argumento de existência de irregularidades como, omissão e erros de lançamentos, valores de despesas lançadas exclusivamente nas contas de disponibilidades, saldos contábeis divergentes da realidade ou valores correspondentes a fatos geradores de contribuições lançados nas mesmas contas de valores onde não há incidência de contribuições. Inconformada a impugnante argüi que os problemas de ordem contábil levantados pela fiscalização seriam desprovidos de intensidade e relevância para atingir a validade de sua escrituração, posto que conforme Anexo I e Quadro V, elaborados pela auditoria, as diferenças apontadas entre os valores contidos nas folhas de pagamento e o registro contábil, não inviabilizariam a apuração dos valores efetivamente devidos e recolhidos pela empresa, que juntamente com as demais falhas apontadas como irregularidades não se configurariam em vícios inequívocos, posto que passíveis de regularização, sendo que o arbitramento puniria duplamente a empresa, onde não teria sido encontrado indício de sonegação fiscal. Nesse sentido referese ao Conselho Federal de Contabilidade, que manteria, regras de procedimentos técnicos a serem observadas quando da realização dos trabalhos contábeis, como é o caso da NBC T2.4, aprovada pela Resolução CFC no 596/85 que trata da retificação de lançamentos. Sendo assim, aduz que todas as falhas apontadas como vícios e irregularidades, já estariam devidamente regularizadas dentro Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 das normas e princípios legais que regem a matéria, não merecendo prosperar os lançamentos, posto que a empresa já teria oferecido à tributação previdenciária todas as remunerações pagas aos segurados empregados, cujos valores foram devidamente declarados em GFIP. Reportase aos quadros VII e VIII, do relatório fiscal, onde seria observado que as remunerações declaradas em GFIP, em várias competências extrapolariam as remunerações aferidas, conforme item 4.2Bases de Cálculo, do Relatório Fiscal. Alega a adoção do Regime de Caixa para registro dos seus recebimentos e pagamentos, e que como a maioria dos tomadores de serviço são compostos por órgão públicos passíveis de obediência aos trâmites legais para a realização de seus pagamentos, existiram meses onde não constou registro de recebimento de receitas o que não significaria o não oferecimento à tributação previdenciária de todos os valores das remunerações pagas aos segurados empregados, conforme GFIP, escrituração contábil e demais documentos da empresa, todos elaborados em conformidade com o que preceitua o inciso II, do art. 32, da Lei 8.212/1991, c/c com o artigo 225, incisos I e II, do Decreto n°. 3.048/1999. Por fim, requer que sejam considerados improcedentes os créditos lançados por aferição indireta, por falta de amparo legal, como medida de justiça e de direito. (…) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente e a devedora solidária foram cientificadas do julgamento, tendo apresentado a recorrente, tempestivamente, o recurso de fls. 1.852 e seguintes, no qual alega, apenas reprisa os argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14751.720031/201163 Acórdão n.º 2401003.941 S2C4T1 Fl. 3.313 7 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Arbitramento. Demonstração de Excessos. Ônus da Prova. Da análise dos autos, verifico que o lançamento foi feito por aferição indireta diante do fato de a escrituração contábil apresentada pela empresa (Livros Diário nos 12, 13 e 14 do exercício 2007 e Livro Razão do exercício 2007), não espelhar a sua real situação econômicofinanceira. O aludido Relatório Fiscal de fls. 77/96, entre outras informações, aponta em seu subitem 4.1.4, os diversos vícios encontrados na contabilidade, merecendo destacar: a) Na comparação entre os valores das remunerações constantes da folha de pagamento e os valores lançados na contabilidade, foram verificadas divergências em várias competências. Para efeito de demonstração foram relacionados alguns casos na Planilha Anexo I: CONCILIAÇÃO ENTRE FOLHA DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE. Foram juntadas cópias das folhas de pagamento no Anexo XI. b) Os valores das contribuições descontadas dos empregados nas folhas de pagamento (rubricas: 520 Desconto INSS e 525 Desconto INSS s/13o salário) são diferentes, em muitos casos, dos valores lançados na contabilidade (conta: 02.01.04.03.13 INSS A RECOLHER). Como exemplo foram citados os casos listados no Quadro V. c) Recibos de pagamentos a transportadores rodoviários autônomos foram lançados na conta 4.01.02.09.35 DESPESAS DE LOCAÇÃO pelo valor líquido. A título de exemplo foram destacados alguns casos na planilha ANEXO II: RECIBOS DE PAGAMENTOS LANÇADOS PELO VALOR LÍQUIDO. Foram juntadas cópias, por amostragem, desses recibos no ANEXO XII. d) Guias da Previdência Social GPS, foram pagas e não lançadas na contabilidade. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 2 (item 3), de 25/02/2001 e reintimado através do TIF n° 04, de 21/03/2011 a apresentar cópias das GPS e indicar as contas em que as mesmas teriam sidos lançadas. Em resposta dada em 28/03/2011, foi apresentada pelo contribuinte a planilha Anexo II (em meio papel e em arquivo digital) com informações sobre os lançamentos contábeis de parte dessas guias. As GPS relacionadas na planilha ANEXO III: GPS NÃO CONTABILIZADAS, elaborada pelo AFRFB, não foram localizadas na contabilidade. Foram juntadas cópias das GPS não contabilizadas no ANEXO XIII. e) Não houve o registro contábil dos valores recuperados pela empresa ao compensar os valores das retenções sofridas por Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 conta do art. 30 da Lei 8.212/91. Os dados foram declarados na GFIP (Quadro VI) e subtraídos dos recolhimentos feitos através de GPS. Não houve os lançamentos correspondentes na conta 01.01.02.11.26 INSS A RECUPERAR. Foi solicitado através do TIF n° 2, de (item 6), de 25/02/2001 e reiterado através do TIF n° 4, de 21/03/2011, que fossem informadoras contas e as datas dos lançamentos. Em resposta apresentada em 28/03/2011, foi afirmado que "por necessidade de conciliação e melhoresAinforrnações sobre os valores retidos pelos clientes e a efetiva compensação nas GFIP, foi transferido para exercício posterior o reconhecimento contábil das compensações". Foram juntadas cópias do Balancete Contábil no ANEXO XVIII. f) Analisandose a conta 1.01.01.01.01 CAIXA, foi constatado que ao longo do exercício 2007 houve crescente elevação do saldo (débitos) mediante saques diversos (créditos) na conta BANCOS, totalizando R$ 11.656.865,50. Como os históricos não descrevem as operações, foi solicitado através do TIF n° 2, de (item 1), de 25/02/2001 e reiterado através do TIF n° 4, de 21/03/2011, que o sujeito passivo explicasse o porquê do saldo tão elevado na conta CAIXA, identificasse os beneficiários dos pagamentos e apresentasse os documentos de suporte dos lançamentos. g) Foi apresentada resposta em 28/03/2011, cujas partes principais reproduzimos literalmente a seguir. Foi dito que "na contabilidade do ano calendário de 2007 foi utilizado a metodologia de centralizar todas as operações pela conta CAIXA"; foi feita apresentação da planilha Anexo I nos seguintes termos: "apresentamos planilha com identificação do destino dos cheques, alguns não contabilizados por questões da formalização dos documentos"; foi afirmado, ainda, que "parte dos cheques elencados no Anexo I do TIF 2, são distribuição de lucros para os sócios e foram depositados nas contas correntes dos sócios beneficiados, distribuição não sujeitas a tributação e passíveis de contabilização em períodos posteriores"; por fim, foi dito que "devido a sistemática bancaria de unificar diversos pagamentos originando saques na conta corrente, não é possível identificar os pagamentos realizados". h) Na planilha Anexo I (elaborada pelo sujeito passivo) foram identificados apenas R$ 3.360.620,22, ficando o montante de R$ 7.628.519,63 sem qualquer informação. Os valores identificados (R$ 3.360.620,22) referemse a despesas, como: água, energia, alimentação, aluguel, combustível, fretes, serviços pessoas físicas, pagamentos aos sócios, etc. Esses valores por não terem sido contabilizados como despesas não compuseram o resultado apurado. Os dados estão demonstrados na planilha ANEXO IV: VALORES DE DESPESAS QUE NÃO TRANSITARAM PELO RESULTADO. Foram juntadas, por amostragem, cópias de recibos no Anexo XIV. i) Como não houve o registro contábil das despesas mencionadas na letra "h", a conta CAIXA acumulou um saldo de R$ 10.324.475,76 até 28/12/2007. Nessa data foi feito um lançamento de R$ 10.002.372,57 a crédito da conta 1.01.01.01.01 CAIXA e a débito da conta 1.01.02.01.01CLIENTES DIVERSOS. Foi solicitado através do Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14751.720031/201163 Acórdão n.º 2401003.941 S2C4T1 Fl. 3.314 9 TIF n° 2 (item 1), de 25/02/2001 e reiterado através do TIF n° 4, de 21/03/2011, que o sujeito passivo explicasse, por escrito, a natureza da transferência de valores do CAIXA para CLIENTES DIVERSOS e informasse os beneficiários dos valores. Em resposta apresentada em 28/03/2001, foi informado que "o lançamento contábil de transferência do saldo de caixa para conta de clientes foi realizado para ajustar os saldos de caixa e bancos, grupo contábil de disponibilidade, na data do balanço e permitir posterior conciliação exercício social". Da resposta concluise então que foi mero artifício utilizado para baixar o saldo da conta CAIXA, visto que a empresa não dispunha daquele saldo em espécie. Tal situação denota que a conta CAIXA ao longo do exercício não espelhou a realidade financeira da empresa. Em decorrência do lançamento descrito na letra " i " , o saldo da conta 1.01.02.01.01 CLIENTES DIVERSOS alcançou o total de R$ 47.716.895,68, em 31/12/2007. Foi solicitado através do TIF n° 2 (item 2), de 25/02/2001 e reiterado através do TIF n° 4, de 21/03/201 que o sujeito passivo apresentasse um demonstrativo coma composiçãoção do saldo da conta, tais como: nomes dos clientes, números das notas fiscais, valores das notas fiscais e datas dos lançamentos contábeis. k) Foi apresentada em 28/03/2011 a planilha Clientes Diversos (em meio papel e arquivos digitais). Na planilha foi demonstrado que os valores a receber até 31/12/2007 seria de R$ 1.114.066,70. Assim, o próprio sujeito passivo informou que na verdade os créditos perante os clientes estariam em torno de 0,023% do saldo registrado na contabilidade. Ainda, assim, o saldo estaria incorreto. As notas fiscais 171, 758, 755 e 760 que estariam pendentes de recebimento, foram emitidas em 2008 e não estão lançadas na contabilidade em 2007. Assim, podese afirmar que o saldo da conta CLIENTES DIVERSOS em 31/12/2007 está completamente distorcido da realidade. I) Em apoio à contabilidade e com vistas à identificação dos pagamentos correspondentes aos lançamentos de CAIXA/BANCOS não identificados, no valor de R$ R$ 7.628.519,63 anteriormente descritos, foi apresentado em meio papel e em arquivos digital o relatório CONTAS PAGAS. O relatório é um controle gerencial dos pagamentos efetuados. Vários pagamentos listados nesse relatório não foram localizados na contabilidade. Foi solicitado através do TIF n° 6 (item 4), de 18/04/2011, que fossem indicadas as contas contábeis e as datas em que esses valores teriam sido escriturados. Como resposta foi apresentada em 27/04/2011, a planilha Anexo II. m) Da análise da planilha Anexo II, verificouse que parte significativa dos lançamentos ficou sem resposta. Na parte em que houve a indicação das contas, os lançamentos em muitos casos não foram confirmados nos Livros Diários. Como demonstrativo das situações encontradas foi elaborada, pelo AFRFB, a Planilha ANEXO V: VALORES DO RELATÓRIO Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 CONTROLE GERENCIAL CONTAS PAGAS (Análise da Resposta ao TIF n° 6). n) Também em apoio à contabilidade e com vistas à comprovação de valores pagos aos sócios, foi apresentado o relatório CONCILIAÇÃO BANCÁRIA. No relatório estão listados os pagamentos (data, n° de cheque, valor e banco) feitos aos sócios a título de antecipação de lucros. Nenhum dos valores listados no relatório foi localizado na contabilidade. Foi solicitado através do TIF n° 6 (item 2), de 18/04/2011, que o sujeito passivo vinculasse os valores pagos aos nomes dos sócios e indicasse as contas contábeis e as datas dos lançamentos. Na reposta apresentada em 27/04/2011, o sujeito passivo limitouse a relacionar os nomes dos sócios MAURO BEZERRA DA SILVA e ALEXANDRE MARIZ MAIA aos pagamentos e não fez qualquer referência à contabilização dos valores. Os dados estão consignados na planilha ANEXO VI: VALORES DO RELATÓRIO CONTROLE GERENCIAL CONCILIAÇÃOBANCÁRIA (Pagamentos aos Sócios). o) Por fim, verificouse na escrituração contábil, lançamentos envolvendo valores alvo de contribuição previdenciária, conjuntamente (mesmas contas) com valores sobre os quais não há incidência. Os lançamentos foram feitos na conta 04.01.02.01.22 – INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS, on e foram lançados os valores de férias proporcionais, férias indenizadas, 13° salário e saldo de salário em um único lançamento (valor bruto da rescisão), bem como, na conta – 4.01.02.09.35 LOCAÇÃO DE VEÍCULOS, onde foram lançados valores pagos a pessoas físicas e jurídicas. Como exemplo foram compilados no ANEXO VII: LANÇAMENTOS CONTÁBEIS EM TÍTULOS IMPRÓPRIOS, uma amostra dos lançamentos nessa situação. Foram juntadas também, por amostragem, cópias de rescisões de contrato de trabalho no ANEXO XVII. Assim sendo, a escrituração contábil foi desconsiderada, resultando na apuração por aferição indireta da remuneração dos segurados empregados, conforme Relatório Fiscal de fls. 77/96, com base nos valores das notas fiscais de serviço emitidas para os tomadores de serviço relacionados no Quadro IV, do Relatório Fiscal de fls. 77/96. Como se vê, o procedimento adotado pela autoridade fiscal está calcado em fatos pormonorizadamente descrito, restando, portanto, justificadas as razões do arbitramento. Notese que as irregularidades apontadas não foram sequer refutadas pela recorrente, que apenas as considera motivo insuficiente para a aferição indireta. O Fisco está autorizado a adotar tal procedimento com o fim específico de determinar a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas, conforme art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e do art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14751.720031/201163 Acórdão n.º 2401003.941 S2C4T1 Fl. 3.315 11 sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei n° 8.212/91 Art. 33. (...) (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Quanto ao fato das remunerações declaradas em GFIP, em várias competências extrapolarem as remunerações aferidas, conforme item 4.2 Bases de Cálculo, do Relatório Fiscal, ressaltese que tal ocorrência não constitui em óbice à utilização, pela fiscalização, do arbitramento pelo método da aferição indireta. Por fim, quanto à alegada adoção do Regime de Caixa para registro dos seus recebimentos e pagamentos, cumpre salientar que, conforme inciso I, do § 13 do artigo 255, do Regulamento de Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, os lançamentos escriturados nos livros Diário e Razão, deverão, obrigatoriamente atender ao princípio contábil do regime de competência. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10680.724720/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. PREVISÃO. CONCOMITÂNCIA DE INSTÃNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS NÃO CABÍVEIS SOBRE CRÉDITOS SUSPENSOS EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. INTELIGÊNCIA DAS SÚMULAS Nºs 17 e 5 DO CARF.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) pelo voto de qualidade, reconhecer a renúncia às instâncias administrativas em relação ao lançamento relativo ao tributo, com exigibilidade suspensa; vencidos, nessa questão, os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Luciana de Souza Espíndola Reis; (b) por unanimidade de votos, cancelar do lançamento a multa de mora, a multa de ofício e aos juros de mora, nos termos do voto do Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior, designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Sartori de C. Barbosa, OAB/MG 134.181.
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 16/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. PREVISÃO. CONCOMITÂNCIA DE INSTÃNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS NÃO CABÍVEIS SOBRE CRÉDITOS SUSPENSOS EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. INTELIGÊNCIA DAS SÚMULAS Nºs 17 e 5 DO CARF. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. 2. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial. 3. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 4. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) pelo voto de qualidade, reconhecer a renúncia às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 47 20 /2 01 0- 96 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 instâncias administrativas em relação ao lançamento relativo ao tributo, com exigibilidade suspensa; vencidos, nessa questão, os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Luciana de Souza Espíndola Reis; (b) por unanimidade de votos, cancelar do lançamento a multa de mora, a multa de ofício e aos juros de mora, nos termos do voto do Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior, designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Sartori de C. Barbosa, OAB/MG 134.181. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR Redator designado. EDITADO EM: 16/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724720/201096 Acórdão n.º 2301004.387 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI referente a diferença de contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP, conforme Relatório Fiscal de fls. 97/101. Consta do Relatório Fiscal que o crédito está sendo discutido judicialmente pela empresa no processo nº 2007.61.00.0200148 da 1ª vara da Justiça Federal de São Paulo, e foi depositado em juízo. A empresa apresentou IMPUGNAÇÃO de fls. 415/437, onde alega, em síntese: que a matéria argüida cingese aos efeitos da exigibilidade do crédito tributário constituído, bem como a incidência de penalidade e acréscimos moratórios; que os valores lançados constam depositados em juízo e caso se decida judicialmente que é legal a tributação, os depósitos serão revertidos em favor da União, razão pela qual o lançamento é improcedente; que o lançamento de ofício somente teria vez na hipótese de eventual diferença entre o valor depositado e o que o fisco entender ser devido, e isso não acontece no caso dos autos. Cita doutrina e jurisprudência; que cabe a discussão da matéria e cita Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e jurisprudência; que descabe o lançamento para evitar decadência tributária; e que ainda que se admitisse o lançamento para fins de evitar a decadência, estando suspensa a exigibilidade dos créditos tributários constituídos, afastase a incidência de multa de ofício e juros de mora. Cita decisões do CARF. Requer seja julgado improcedente o auto de infração e caso não seja acolhido esse pedido, pede que sejam afastados a multa e juros aplicados. É o Relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 17 de maio de 2012, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE (MG), exarou o Acórdão de n 02 39.113, fls 1.146 mantendo o crédito constituído bem como sobrestada a cobrança até que seja julgado o processo nº 2007.61.00.0200148. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A autuada , em 27 de julho de 2012, interpôs Recurso irresignandose contra a decisão a quo. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724720/201096 Acórdão n.º 2301004.387 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza. DA TEMPESTIVIDADE O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DOS CRÉDITOS CONSTITUÍDOS Consta às fls. 01 que os créditos foram constituídos pela valores abaixo transcritos: Valor atualizado: 1.741.310,37 Juros: 393.412,29 Multa de ofício: 418.409,39 Multa de mora: 284.023,59. DA MULTA DE MORA A autuada requereu tutela antecipada para que se observasse os efeitos do art. 151, V. Não obteve provimento e somente com interposição de agravo de instrumento logrou êxito em 12/02/2008. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (...) Pelo exposto, ausentes os requisitos do artigo 273 do Código de Processo Civil, INDEF1RO OS EFEITOS DA TUTELA ANTECIPADA. São Paulo, 5 de julho de 2007. (fls 175/179). AGRAVO DE INSTRUMENTO FLS. 184 EM 17 DE JULHO DE 2007 JULGADO RECURSO/AÇÃO (DECISÃO: "A Turma, por unanimidade, deu provimento ao agravo de instrumento, julgando prejudicado o agravo regimental, nos termos do voto do(a) Relator(a), que lavrará o acórdão (RELATOR P/ACORDÃO: JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA) (EM 12/02/2008). Até a decisão proferida em 12/02/2008, a autuada esteve a descoberto da previsão no §2° do art. 63 da Lei n 9.430/96 cujo comando revela que a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. DA MULTA DE OFÍCIO A legislação não trás nenhum suporte para isentar a autuada. DOS JUROS Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724720/201096 Acórdão n.º 2301004.387 S2C3T1 Fl. 5 7 A súmula 5 do CARF isenta a autuada na hipótese de existirem depósitos no montante integral como no caso em comento: A Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. DO TRÂNSITO EM JULGADO A consulta abaixo revela que o processo tomou nova numeração e não transitou em julgado: 1 "Momento da consulta: segundafeira, 2 de março de 2015 às 12:51 Número (CNJ, 20 dígitos) 008711071.2007.4.03.0000 Processo 2007.03.00.0871106 Número de origem 2007.61.00.0200148 Classe 310045 AI (AG) SP Vara 1 SAO PAULO SP Data de autuação 20/08/2007 Partes Nome Agravante FEDERACAO BRASILEIRA DE BANCOS FEBRABAN Advogado MARIA ISABEL TOSTES DA COSTA BUENO Agravado(A) Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) Relator JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA Assuntos Descrição Assunto Seguro acidentes do trabalho Contribuição Social Contribuições Direito Tributário Detalhe Suspensão da Exigibilidade Crédito Tributário Direito Tributário Fases Data Descrição Documentos 17/12/2013 CONCLUSOS GUIA NR.: 2013266402 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 09/12/2013 EXPEDIDO CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ Código verificador nº 3328949v5 21/11/2013 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2013245316 ORIGEM : Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª. REGIÃO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL MINUTA DE JULGAMENTO FLS. *** PRIMEIRA TURMA *** 2007.03.00.0871106 310045 AGSP PAUTA: 12/02/2008 JULGADO: 12/02/2008 NUM. PAUTA: 00120 RELATOR: JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA PRESIDENTE DO ÓRGÃO JULGADOR: DES.FED. LUIZ STEFANINI PRESIDENTE DA SESSÃO: DES.FED. JOHONSOM DI SALVO PROCURADOR(A) DA REPÚBLICA: Dr(a). ANDRÉ DE CARVALHO RAMOS AUTUAÇÃO AGRTE : FEBRABAN FEDERACAO BRASILEIRA DE BANCOS AGRDO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ORIGEM : JUIZO FEDERAL DA 1 VARA DE SAO PAULO>1ª SSJ>SP ADVOGADO(S) ADV : MARIA ISABEL TOSTES DA COSTA BUENO SUSTENTAÇÃO ORAL CERTIDÃO Certifico que a Egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Turma, por unanimidade, deu provimento ao agravo de instrumento, julgando prejudicado o agravo regimental, nos termos do voto do(a) Relator(a), que lavrará o acórdão. Votaram os(as) DES.FED. JOHONSOM DI SALVO e DES.FED. VESNA KOLMAR. Ausente justificadamente o(a) DES.FED. LUIZ STEFANINI. _________________________________ ELAINE A. JORGE FENIAR HELITO Secretário(a) 2007232122 AGRAVO DE INSTRUMENTO(ART.522) FEBRABAN FEDERACAO BRASILEIRA DE BANCOS 17/08/2007 2007260416 RESPOSTA AO AGRAVO Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) 21/09/2007 10/10/2007 2007260418 RECONSIDERAÇÃO Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) 21/09/2007 10/10/2007 2008068100 RECURSO ESPECIAL Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) 11/04/2008 18/04/2008 2008111181 CONTRARAZOES (RE/RESP/RO) FEBRABAN FEDERACAO BRASILEIRA DE BANCOS 06/06/2008 11/07/2008 Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724720/201096 Acórdão n.º 2301004.387 S2C3T1 Fl. 6 9 Fases Data Descrição Documentos 17/12/2013 CONCLUSOS GUIA NR.: 2013266402 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 09/12/2013 EXPEDIDO CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ Código verificador nº 3328949v5 21/11/2013 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2013245316 ORIGEM : ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 02/05/2011 INFORMAÇÃO RETIRADA DE COP POR MARCOS GALANTE 27/04/2011 INFORMAÇÃO CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ EXPEDIDA 08/09/2010 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2010179798 ORIGEM : SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 31/08/2010 CONCLUSOS GUIA NR.: 2010179798 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 27/08/2010 EXPEDIDO CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ 23/08/2010 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2010170841 ORIGEM : ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 20/08/2010 REMESSA GUIA NR.: 2010170841 DESTINO: SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 14/07/2008 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2008153855 ORIGEM : SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 14/07/2008 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF GUIA NR.: 2008153855 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 11/07/2008 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRARAZOES Petição Número 2008111181 12/06/2008 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP155468E 26/05/2008 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR L XII 1457 OAB: SP155468E 21/05/2008 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO VISTA PARA CONTRA RAZOES EXP.310BL.134366(P.24E) 23/04/2008 RECEBIDO PARA PROCESSAMENTO DE RECURSO(S) EXCEPCIONAL(IS) GUIA NR. : 2008084567 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA PRIMEIRA TURMA 23/04/2008 REMESSA Á UVIP 18/04/2008 JUNTADA DE PETIÇÃO DE RES Petição Número 2008068100 17/04/2008 RECEBIDO(A) ORIGEM UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) 08/04/2008 REMESSA GUIA NR.: 2008072402 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 04/03/2008 PUBLICADO NO DJU ACORDÃO SEÇÃO 2, FLS.342/356 Visualizar Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 22/02/2008 RECEBIDO COM ACORDÃO GUIA NR. : 2008036304 ORIGEM : GAB.JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA 20/02/2008 CONCLUSOS AO RELATOR PARA ACORDÃO GUIA NR.: 2008033594 DESTINO: GAB.JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA 15/02/2008 EXPEDIDO OFICIO COMUNICANDO DECISÃO 12/02/2008 JULGADO RECURSO/ACAO (DECISÃO: "A Turma, por unanimidade, deu provimento ao agravo de instrumento, julgando prejudicado o agravo regimental, nos termos do voto do(a) Relator(a), que lavrará o acórdão.¶") (RELATOR P/ACORDÃO: JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA) (EM 12/02/2008) 20/12/2007 PUBLICADO NO DJU DECISÃO/DESPACHO PAUTA 12/02/08 DJU 20/12/07 PAGS 28/33 07/12/2007 INCLUIDO EM PAUTA PEDIDO DE DIA PELO RELATOR DO DIA 12.02.2008 SEQ.: 120 (DO DIA 12/02/2008 SEQ: 120) 26/11/2007 RECEBIDO DO GABINETE PEÇO DIA (PAUTA PREVISTA 12/02/08) 10/10/2007 CONCLUSOS AO RELATOR GUIA NR.: 2007240355 DESTINO: GAB.JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA 10/10/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO SEM DESPACHO ART. 162, P. 4o., DO CPC Petição Número 2007260418 10/10/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO SEM DESPACHO ART. 162, P. 4o., DO CPC Petição Número 2007260416 10/10/2007 RECEBIDO(A) DA UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) 11/09/2007 REMESSA À FAZENDA NACIONAL 10/09/2007 EXPEDIDO OFICIO Nº 2725/2007 03/09/2007 EXPEDIDO FAX 31/08/2007 INTIMADO(A) CIÊNCIA DO ADVOGADO DO AGRAVANTE (DR. GUSTAVO PODESTÁ SEDRA), DA R. DECISÃO DE FLS.181/184. 31/08/2007 RECEBIDO(A) COM DESPACHO/DECISÃO ...DEFIRO A ANTECIPAÇÃO DA TUTELA RECURSAL PARA POSSIBILITAR O DEPÓSITO...INTIMESE...COMUNIQUESE... 24/08/2007 CONCLUSOS AO RELATOR GUIA NR.: 2007198535 DESTINO: GAB.JUIZ CONV. MÁRCIO MESQUITA DA DECADÊNCIA E DA AÇÃO JUDICIAL. Na forma do comando do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito é constituído pelo lançamento. Ocorrendo o Instituto da Decadência sem que o fisco tenha exercido seu direito potestativo de lançar, a preclusão pode ser arguída ainda que se observem depósitos judiciais integrais para o período decaído e existam matérias eventualmente sob discussão judicial. Assim é conservador e não fere direitos, proceder à constituíção do crédito para elidir hipótese decadencial Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724720/201096 Acórdão n.º 2301004.387 S2C3T1 Fl. 7 11 De tudo que foi exposto, mantenho a decisão a quo de aguardar o trânsito em julgado sobrestando a cobrança até que seja julgado o processo nº 2007.61.00.0200148.( numeração de origem) , 2007.03.00.0871106 ( numeração atual). DA MULTA DE MORA Cabe incidência até a competência 02/2008 na forma da previsão no § 2° do art. 63 da lei n 9.430/96 cujo comando revela que a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." DA MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício pressupõe a atividade, a iniciativa da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento de lei pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as penas legais. Não se vislumbra amparo legal para isentar do ônus como na multa de mora. DOS JUROS. A súmula n° 5 do CARF isenta a autuada na hipótese de existirem depósitos no montante integral como no caso em comento. CONCLUSÃO. Conheço do Recurso, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL desconstituindo a multa de mora até a competência 02/2008( inclusive), bem como os juros imputados. Outrossim, que se aguarde o trânsito em julgado sobrestando a cobrança dos créditos remanescentes até que seja julgado o processo nº 2007.61.00.0200148.( numeração de origem) , 2007.03.00.0871106 ( numeração atual). É como voto . Ivaccir Júlio de Souza Relator Voto Vencedor Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Redator. Discutese nestes autos o lançamento referente à diferença de contribuição social destinada à Seguridade Social correspondente à contribuição da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidente sobre valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP, conforme Relatório Fiscal de fls. 97/101.. Dispõe o Relatório Fiscal que o crédito objeto do lançamento está sendo discutido judicialmente pela empresa no processo nº 2007.61.00.0200148, em trâmite perante Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 a 1ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, com depósito integral dos valores, na forma disposta no art. 151 do CTN. Contudo, o fato de a matéria estar também em discussão perante o Poder Judiciário, não afasta a possibilidade de o Fisco efetuar o lançamento, notadamente para prevenir a decadência. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração, conforme dispõe o Enunciado nº 03 do CARF. Assim, nesse ponto, não se acolhe o Recurso Voluntário. In casu, restou mais do que evidenciado que o contribuinte, antes mesmo do lançamento, buscou o Poder Judiciário para garantir, segundo seus argumentos, direito líquido e certo de não recolher a diferença de contribuição social relativamente ao GILRAT. Tal providência, entretanto, implica na denominada concomitância de instância, de que trata a Súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial. Destarte, no que se refere ao GILRAT, tendo em vista a evidente configuração de concomitância de instância, este colegiado está impedido de analisar a matéria. Entretanto, no concernente à discussão da possibilidade de lançamento em relação à multa e juros, não sendo tais matérias objetos da demanda judicial, devem ser apreciadas. Quanto à alegação de impossibilidade de lançamento dos créditos em razão da suspensão da exigibilidade, tal pretensão não merece acolhida. O depósito judicial do valor integral do crédito tributário apenas elide a incidência de juros e multas, bem como evita a cobrança de tais créditos (art. 151, IV, c/c art. 206, do Código Tributário NacionalCTN), mas não impede a sua constituição para fins de interromper os prazos decadenciais. Quanto ao lançamento da multa e juros, os mesmo não são cabíveis, pois, como se pode verificar dos autos, o contribuinte comprova o depósito judicial integral dos créditos tributários reclamados pelo Fisco, antes mesmo do lançamento fiscal. Ou seja, a suspensão de exigibilidade na forma do art. 151, IV, do CTN, já operava em sua total amplitude, estando a possível dívida garantida. Assim, como acima fundamentado, o depósito judicial dos valores integrais do crédito, inclusive com acessórios moratórios, elidem a aplicação de juros e multas posteriores. Tal entendimento também está sumulado pelo CARF. No que tange a multa aplicase a Súmula CARF nº 17: Súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724720/201096 Acórdão n.º 2301004.387 S2C3T1 Fl. 8 13 No que se refere aos juros, o entendimento deve ser extraído da Súmula CARF nº 5, que apenas admite os juros de mora aplicados sobre os créditos que não foram integralmente pagos, mesmo que com exigibilidade suspensa, mas veda a sua aplicação quando há depósito do montante integral, in verbis: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso em tela, tendo em vista que houve depósito integral dos valores discutidos, antes mesmo do lançamento, não posso concordar com a solução encontrada pelo i. Relator. Dessa forma, neste ponto, o contribuinte tem razão, devendo ser excluídos do lançamento, multa e juros moratórios aplicados ao caso. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Reconheço a existência de concomitância de instância em relação à obrigação principal, conforme acima explicitado. Ademais, devem ser excluídos do lançamento, a multa de ofício e juros moratórios aplicados ao caso. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Redator. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/01/2016 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15540.000278/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/07/2003
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AJUSTE À DECISÃO JUDICIAL.
A compensação realizada em cumprimento a decisão judicial transitada em julgado deve ser analisada à luz dos fatores de atualização e da taxa de juros ali estabelecidos, não cabendo qualquer juízo de mérito quando ao acerto do decisório.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL devendo ser incluídos no cálculo da compensação os valores relativos às duas Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS) das competências 05/1993 e 01/1994.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Relator André Luís Mársico Lombardi
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 31/07/2003 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AJUSTE À DECISÃO JUDICIAL. A compensação realizada em cumprimento a decisão judicial transitada em julgado deve ser analisada à luz dos fatores de atualização e da taxa de juros ali estabelecidos, não cabendo qualquer juízo de mérito quando ao acerto do decisório. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL devendo ser incluídos no cálculo da compensação os valores relativos às duas Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS) das competências 05/1993 e 01/1994. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
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AJUSTE À DECISÃO JUDICIAL. A compensação realizada em cumprimento a decisão judicial transitada em julgado deve ser analisada à luz dos fatores de atualização e da taxa de juros ali estabelecidos, não cabendo qualquer juízo de mérito quando ao acerto do decisório. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo ser incluídos no cálculo da compensação os valores relativos às duas Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS) das competências 05/1993 e 01/1994. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 78 /2 00 7- 21 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.000278/200721 Acórdão n.º 2401003.971 S2C4T1 Fl. 599 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente (fls. 515 e seguintes). Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 516 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: 2. Conforme esclarece o relatório fiscal de fls. 24/29 : (...) 3. A empresa ajuizou ação ordinária nº 94.00344775 junto à 1ª Vara Federal de Niterói contra o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS com o escopo de obter declaração: 3.1. da inconstitucionalidade da expressão “avulsos, autônomos e administradores” contida no inciso I do artigo 3º da lei nº 7.787/89 e da expressão empresários, avulsos e autônomos”, contida no inciso I do artigo 22 da lei 8.212/91 e de reconhecimento de que a cobrança da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas a administradores, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos é indevida; 3.2. do direito à compensação dos valores pagos indevidamente, no período de 01/06/1992 a 08/06/1994, a título de contribuição social sobre os pagamentos realizados a trabalhadores autônomos, avulsos e administradores, nos termos das Leis 7.787/89 e 8.212/91, com parcelas de contribuição previdenciária incidentes sobre a folha de salários. 4. Em primeira instância, a sentença do juiz julgou procedente o pedido para reconhecer o direito à compensação, estabelecendo: “Tanto a correção monetária como os juros devem ser calculados do mesmo modo que o FISCO utiliza para correção dos tributos em atraso pelos contribuintes, na forma do artigo 54 da Lei 8.363/91. Por tratar de dívida em dinheiro, os juros devem ser computados a partir da propositura da ação, na base de 6% ao ano.” 5. O artigo 54 do mencionado dispositivo legal determina: “Art. 54. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, vencidos até 31 de dezembro de 1991 e não pagos até 2 de janeiro de 1992, serão atualizados monetariamente com base na legislação aplicável e convertidos, nessa data, em quantidade de Ufir diária. § 1º Os juros de mora calculados até 2 de janeiro de 1992 serão, também, convertidos em quantidade de Ufir, na mesma data. § 2º Sobre a parcela correspondente ao tributo ou contribuição, convertida em quantidade de Ufir, incidirão juros moratórios à razão Fl. 601DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 de um por cento, por mêscalendário ou fração, a partir de fevereiro de 1992, inclusive, além da multa de mora ou de ofício. § 3º O valor a ser recolhido será obtido multiplicandose a correspondente quantidade de Ufir pelo valor diário desta na data do pagamento.” 6. Os embargos de declaração, opostos à sentença pelo contribuinte, foram acolhidos parcialmente pelo Juiz Federal da 1ª Vara Federal de Niterói, que fez cosntar a inaplicabilidade das limitações contidas nas Leis 9.032/95 e 9.129/95 e alterações posteriores. 7. O INSS interpôs apelação cível nº 2000.02.01.0379406 no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Os membros da Quarta Turma do Egrégio Tribunal negaram provimento à apelação do INSS e deram parcial provimento à ação da autora. 8. O acórdão determinou a aplicação de juros de mora no percentual estipulado pela sentença (0,5% ao mês) a partir do seu trânsito em julgado, conforme regra contida no parágrafo único do artigo 167 do CTN. 9. Cabe acrescentar que o acórdão confirmou a inaplicabilidade do disposto no § 1º do art. 89 da Lei 8.212/91, por incompatibilidade com o disposto no art. 166 do CTN, bem como no disposto no § 3º do art. 89 da referida Lei 8.212/91, dado inexistir transferência de ônus ao contribuinte de fato. (...) 11. O Recurso Especial nº 2002/00325773 do Superior Tribunal de Justiça – STJ confirmou a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. 12. Conforme certidão apresentada pela Notificada, o processo transitou em julgado em 06/08/2002. 13. Os valores indevidamente recolhidos devem ser atualizados e corrigidos conforme os critérios de cobrança do INSS, explicados a seguir e detalhados nas planilhas “Anexo II – Correção Monetária – Valores Compensados” e “ Anexo III – Juros – Valores Compensados”. (...) 3. A Auditoria Fiscal informa de forma detalhada como foram corrigidos os valores recolhidos indevidamente, inclusive no que se refere ao cálculo dos juros de mora. Foram elaboradas planilhas explicativas, bem como foi informada ao Contribuinte a legislação aplicável. 4. A Auditoria informa que a empresa fiscalizada não apresentou ao Fisco a memória de cálculo da atualização monetária e dos juros incidentes sobre os valores recolhidos indevidamente. 5. Ressaltou a Auditoria que o método de atualização do Contribuinte gerou a capitalização de juros, o que não é permitido. 6. Informa ainda a Auditoria que: Fl. 602DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.000278/200721 Acórdão n.º 2401003.971 S2C4T1 Fl. 600 5 26. A empresa compensouse até 07/2003. Entretanto, o cálculo efetuado pela fiscalização demonstra claramente que a compensação somente poderia ter sido efetuada até 05/2002. Por este motivo, parte dos valores compensados em 05/2002 e o total dos valores compensados de 06/2002 a 07/2003 foram glosados e lançados como débito pela fiscalização, conforme a tabela a seguir: (...) 7. Cópias de peças referentes à ação judicial acima referida foram juntadas às fls. 30/75. 8. A Auditoria juntou aos autos planilha indicando os valores recolhidos pelo Contribuinte e as datas dos recolhimentos (ver fl. 76); planilha referente à correção monetária dos valores compensados (ver fl. 77); planilha explicativa sobre os juros aplicados sobre os valores compensados (ver fls. 78/79); demonstrativo dos índices aplicados sobre os valores compensados (ver fl. 80). Da impugnação 9. Intimada pessoalmente em 20/06/2005, a empresa autuada ingressou com a impugnação de fls. 84/96, encaminhada pelos Correios em 06/07/2005, conforme é possível verificar na fl. 168. (...) 16. Tendo em vista, principalmente, a alegação do Impugnante de que o período do recolhimento indevido que gerou a compensação corresponde a 09/1989 a 05/1994, o processo foi encaminhado à Auditoria através do despacho de fl. 170, para que a mesma apreciasse os argumentos da Impugnante. 17. A Auditoria se manifestou às fls. 172 a 173, tendo esclarecido que: 1. A empresa deixou de apresentar, durante ação fiscal referente ao MPF nº 09214394, emenda à petição inicial da ação ordinária nº 94.00344775 junto à 1ª Vara Federal de Niterói contra o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. Nesta emenda, o contribuinte solicitou a correção do período de apuração dos valores a serem compensados para 09/1989 a 05/1994. Esta omissão por parte do contribuinte acarretou um lançamento a maior dos valores a serem compensados na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.781.7133. Cabe acrescentar que, em sua defesa às folhas 90, o contribuinte mencionou indevidamente que o período de apuração foi ampliado para 09/1989 a 11/1994. Tal afirmativa é totalmente descabida, visto que a própria empresa anexou às folhas 130 cópia da emenda por meio da qual solicita a correção do período de apuração de 06/10/1989 até 08/06/1994.(observação nossa: a folha 130 mencionada pela Auditoria corresponde à folha 133 do eprocesso) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 2. Os valores lançados a maior na NFLD nº 35.781.7133 serão alterados segundo informações prestadas no Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos – FORCED, anexado ao término deste relatório. O valor da competência 05/2002 do levantamento GLC – Glosa de Compensação da referida NFLD será cancelado e o valor da competência 06/2002 será alterado para R$ 6.409,30. Os outros valores das competências 07/2002 a 07/2003 serão mantidos, porque a fiscalização entende que tais valores devem ser glosados pelos motivos expostos a seguir. 18. Em seguida a Auditoria expõe os critérios de atualização e cálculo dos acréscimos legais. Arrematando: 10. A partir dos cálculos efetuados nas planilhas acima mencionadas, ficou constatado que a compensação efetuada pela empresa nas competências 07/2002 a 07/2003 é indevida, devendo tais valores serem glosados, conforme lançamento efetuado na NFLD nº 35.781.7133. Além disso, só cabe ser compensado na competência 06/2002 o valor de R$ 39.590,70, devendo o restante (R$ 6.409,30) ser glosado. 20. Após o despacho foram juntados aos autos os seguintes documentos: FORCED (fls. 174/176); planilha com os valores recolhidos e datas de recolhimento (fls. 177/178); planilha de atualização monetária – BTNF ( fl. 179); planilha de atualização monetária – BTNF e UFIR ( fls. 180/181); planilha dos valores compensados, indicando o valor atualizado dos recolhimentos indevidos , os juros, o valor compensado e a data da compensação (fls. 182/184). 21. O Contribuinte foi intimado da manifestação da Auditoria, como é possível verificar na fl. 186, tendo se manifestado às fls. 190/194. (...) 26. Nova diligência foi determinada às fls. 202/203 chamando a Auditoria a se manifestar sobre os argumentos da Impugnante, especialmente sobre o período dos recolhimentos indevidos a ser considerado na compensação e sobre o índice de atualização dos recolhimentos indevidos no período de 02/1991 a 12/1991. 27. Na fl. 204, consta o seguinte despacho: 1. A Seção do Contencioso Administrativo da extinta Delegacia da Receita Previdenciária requisitou que fosse realizada diligência na empresa em epígrafe a fim de determinar os termos precisos em que foi prestada a tutela jurisdicional. Em cumprimento a esta solicitação, a fiscalização efetuou consulta à Procuradoria Federal Especializada junto ao Fl. 604DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.000278/200721 Acórdão n.º 2401003.971 S2C4T1 Fl. 601 7 INSS sobre a sentença judicial da ação ordinária nº 94.99344775 que autorizou a compensação dos valores indevidamente recolhidos pela empresa, a título de contribuição social sobre os pagamentos realizados a trabalhadores autônomos e administradores, nos termos das Leis 7.787/89 e 8.212/91, com parcelas de contribuição previdenciária incidentes sobre a folha de salários. 2. Com base na resposta da Procuradoria, concluí que o montante do valor devido lançado na NFLD nº 35.781.7133 deveria ser alterado para maior. Por este motivo, sugiro o encerramento da presente Diligência Fiscal e a abertura de Ação Fiscal com o intuito de lavrar NFLD complementar a referida Notificação. 3. Ao Chefe da EFI 02 para conhecimento e adoção de medidas cabíveis. 28. Em resposta à diligência a Auditoria Fiscal se manifestou às fls. 212/215, nos seguintes termos: (...) 2. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Niterói, pertencente à extinta Secretaria da Receita Previdenciária, solicitou à Seção de Fiscalização (17.423.2) a execução de diligência a fim de apurar os termos precisos da tutela jurisdicional. Em cumprimento ao pedido, a Seção de Fiscalização decidiu consultar a Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS a respeito de alguns pontos controversos da sentença, tais como: 1) período de apuração dos valores pagos indevidamente, (2) indexadores de atualização monetária e seus respectivos períodos de aplicação e (3) incidência de taxa SELIC e juros de mora. 3. Conforme cópia anexada ao término deste relatório, a Procuradoria assim se manifestou: 3.1. Os índices de atualização monetária aplicados sobre os valores indevidamente recolhidos são os mencionados na primeira parte do item 1 do questionamento, quais sejam: Bônus do Tesouro Nacional Fiscal (BTNF): 09/1989 a 01/1991; Unidade Fiscal de Referência (UFIR): 01/1992 a 12/1995. 3.2. Não haverá atualização monetária no período de 02/1991 a 12/1991. 3.3. A partir de 01/01/1996, o índice de atualização monetária e a taxa de juros aplicados serão a taxa SELIC, segundo o art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, pois, segundo o entendimento da Procuradoria, *a taxa SELIC possui duas funções econômicas, sendo ao mesmo tempo fator de atualização e de remuneração.” (in verbis) Fl. 605DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 3.4. Há, ainda, a previsão de aplicação da taxa de juros de 6% ao ano após o trânsito em julgado, que não devem ser cumulados com o percentual remuneratório da taxa SELIC. 3.5. O período correspondente à compensação ficou estabelecido entre 06/10/1989 e 08/06/1994. 4. Após a revisão do cálculo da compensação, com a aplicação dos índices de atualização monetária e da taxa de juros acima relacionados, a fiscalização verificou a necessidade de efetuar lançamento complementar à NFLD nº 35.781.7133. 5. As Planilhas Anexo I – Guias Recolhidas – DARP e Anexo II – Guias Recolhidas – GRPS relacionam os recolhimentos efetuados pelo contribuinte por meio de Documentos de Arrecadação da Receita Previdenciária – DARP e Guias de Recolhimento da Previdência Social – GRPS, respectivamente, no período de 09/1989 a 05/1994. Nestas tabelas, há as seguintes informações: 5.1. competência; 5.2. Salário de Contribuição dos trabalhadores empregados e dos autônomos e administradores/empresários (moeda da época); 5.3. valores originários (moeda da época) recolhidos pelo contribuinte a título de contribuição social, equivalentes à, no máximo, 20% (DARP) e 22% ou 23% (GRPS) do valor das remunerações pagas ou creditadas a trabalhadores empregados. 5.4. valores originários (moeda da época) recolhidos pelo contribuinte a título de contribuição social, equivalentes a, no máximo, 20% do valor das remunerações pagas ou creditadas a trabalhadores autônomos e administradores. 5.5. data em que o recolhimento foi efetuado. 6. Os valores do Salário de Contribuição dos autônomos e empregadores e da respectiva contribuição constantes das Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS) das competências 04/1993, 03/1994 (uma das GRPS), 04/1994 (as duas GRPS) e 05/1994 (as duas GRPS), marcadas em negrito na planilha Anexo II, foram corrigidas pela fiscalização, pois na NFLD nº 35.781.7133 foram adotados valores diferentes. 7. Além disso, duas Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS) das competências 05/1993 e 01/1994 não foram consideradas pela fiscalização, visto que não foram localizadas no Sistema de Arrecadação, conforme cópias das telas da Consulta ContaCorrente de Estabelecimento (CCOR), anexas aos autos. 8. Em decorrência deste fato, a fiscalização apreendeu as duas guias originais mediante a lavratura do Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos (AGD), conforme Fl. 606DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.000278/200721 Acórdão n.º 2401003.971 S2C4T1 Fl. 602 9 estabelecido no art. 607 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005. 9. Os documentos apreendidos, acompanhados da primeira via do AGD e do Relatório Fiscal, constarão de processo administrativo, que será instaurado com vistas à verificação de autenticidade do documento, confirmação do recolhimento e, se for o caso, apuração de irregularidades. 29. No referido despacho, mais especificamente nas fls. 213/214, a Auditoria informa os índices de atualização dos valores recolhidos indevidamente, e faz referência às planilhas que elaborou sobre o tema. Informa, ainda, a Auditoria ter verificado a necessidade de um lançamento complementar para a competência 05/2002, uma vez que deveriam ter sido glosados R$ 88.351,66 na referida NFLD, razão pela qual a diferença de R$ 19.668,82 foi lançada na NFLD nº 37.105.7329, consolidada em 31/03/2008. 30. A Auditoria elaborou as seguintes planilhas: “Anexo I – Guias Recolhidas – DARP” (que consta na fl. 216); “Anexo II – Guias Recolhidas – GRPS” (de fls. 217/218); “Anexo III – Atualização Monetária – BTNF” (de fl. 219); “Atualização Monetária –UFIR Diária” (de fls. 220/222); “Anexo V – Taxa SELIC – Valores Compensados” (de fls. 223/224). 31. A Auditoria juntou aos autos às fls. 225/226 consulta que efetuou à Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS indagando sobre os indexadores de atualização a serem utilizados; sobre os juros de mora que devem incidir sobre os valores recolhidos indevidamente; sobre a competência inicial e final do período de apuração dos valores pagos indevidamente. 32. Foi juntada aos autos, nas fls. 227/233, a resposta à consulta formulada pela Auditoria. 33. A Auditoria também juntou aos autos cópias dos seguintes documentos: auto de apreensão (às fls. 234/235); guias de recolhimento (às fls. 236/299); tela de consulta ao conta corrente do estabelecimento (na fl. 300/304); tela de consulta aos recolhimentos do contacorrente (às fls. 304/311); telas do CNIS (às fls. 312/329); telas de consulta à detalhes da GPS (às fls. 330/347); cópias do livro razão (às fls. 348/353); tabela de BTN Fiscal (às fls. 354/375); tabela da taxa SELIC (às fls. 376/377); atas de assembléia (às fls. 378/401). 34. O Contribuinte foi intimado da manifestação da Auditoria e das informações prestadas pela Procuradoria Federal Especializada, tendo tomado ciência em 16/05/2008 (como é possível verificar na fl. 406). Nova impugnação foi apresentada às fls. 410/420. (...) Fl. 607DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 43. O lançamento fiscal foi julgado procedente através do acórdão 1220.412 de 13/08/2008, que consta dos autos às fls. 433/442. 44. O Notificado foi cientificado do acórdão proferido em 10/09/2008, conforme é possível verificar na fl. 448, tendo ingressado com o recurso voluntário de fls. 449/465, protocolado em 09/10/2008. 45. Acompanham o recurso: identificações dos signatários da peça recursal (fls. 466/472); ata de reunião do Conselho de Administração (fl. 473); ata de assembléia (fls. 475/489). 46. Foi proferido o acórdão de fls. 495/505, no qual os membros da 3ª Turma Especial do CARF decidiram, por unaminidade, em dar parcial provimento ao recurso, para anular o acórdão 1220.412, devendo outra decisão ser lavrada, se manifestando acerca da procedência ou improcedência dos valores apurados, tendo em vista a decisão judicial transitada em julgado. 47. O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 13/02/2012, conforme consta na fl. 512. Como afirmado, a impugnação foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 539 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * utilização incorreta da moeda à época dos recolhimentos indevidos e das conversões para fins de compensação, além de ausência de atualização monetária no período de 02/91 a 12/91. Menciona supostos equívocos nas competências 09/1989 e 05/1993, sem mostrar claremente o motivo da irresignação, o que levaria à necessidade de perícia; * desconsideração das guias de 05/93 e 01/94; * indevida desconsideração dos recolhimentos relativos ao período de 06/94 a 11/94; É o relatório. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.000278/200721 Acórdão n.º 2401003.971 S2C4T1 Fl. 603 11 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Do período a ser compensado. Assinala o Defendente que o período dos recolhimentos indevidos, cuja compensação pleiteou judicialmente, compreende a apuração de setembro de 1989 a novembro de 1994 (ou seja, valores pagos em outubro de 1989 a dezembro de 1994). Com já decidido, esse questionamento foi objeto de consulta à Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, com o fim de que esta indicasse os termos precisos da tutela jurisdicional obtida pela Notificada. Entre os esclarecimentos prestados consta a indicação do período de apuração dos valores pagos indevidamente. Ao responder a consulta, através da manifestação de fls. 227/230, a Procuradoria informou que solicitou o desarquivamento dos autos judiciais, para poder informar com precisão o período de apuração dos recolhimentos indevidos. Porém, desde logo, esclareceu que “em face do princípio da correlação ou adstrição, inserto no parágrafo 128 do CPC e dos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada, insculpidos no artigo 468 do mesmo diploma legal, a decisão em análise tem seu período determinado nos estritos termos constantes da peça exordial ajuizada, em conformidade com os autos judiciais”. Posteriormente, em aditamento, à consulta anteriormente prestada, a Procuradoria se manifestou às fls. 232/233, informando que: Estabelecendo a complementação pendente e respondendo ao terceiro item da consulta realizada, temos que, em fls. 94/95 dos autos judiciais, o autor procedeu à emenda da inicial ajuizada. Destarte, na forma do artigo 294 do CPC, o período correspondente à compensação ficou estabelecido entre 06/10/1989 e 08/06/1994. (...) Portanto, não se mostra legítimo o pleito de compensar os recolhimentos concernentes às competências 06/1994 a 11/1994. Dos critérios de correção dos recolhimentos indevidos. Alega a recorrente que houve utilização incorreta da moeda à época dos recolhimentos indevidos e das conversões para fins de compensação, além de indevida ausência de atualização monetária no período de 02/91 a 12/91. Nesse aspecto, cabe ressaltar que a Auditoria Fiscal efetuou consulta à Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, a respeito de alguns pontos controversos das decisões judiciais, tais como: 1) período de apuração dos valores pagos indevidamente; 2) Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 indexadores de atualização monetária e seus respectivos períodos de aplicação; 3) incidência de taxa SELIC e juros de mora. O pronunciamento da Procuradoria, foi solicitado com o fim de que ficasse garantido o respeito aos exatos termos do pronunciamento do Poder Judiciário. Os parâmetros estabelecidos pelo Poder Judiciário estão expostos de forma clara e elucidativa pela Procuradoria, órgão mais abalizado para interpretar a decisão e garantir o seu rigoroso cumprimento. Transcrevemos o pronunciamento de fls. 227/230 e aditamento de fl. 232/233: (...) O MM Juiz determinou a aplicação de juros e correção monetária que devem ser calculados do mesmo modo que o fisco utiliza para correção dos tributos pagos em atraso pelos contribuintes, na forma do artigo 54 da Lei 8383/91. (...) O TRF 2ª Região reformou a sentença determinando que os juros devem ser computados a partir do trânsito em julgado da sentença. O STJ manteve a decisão proferida pelo TRF 2ª Região. O trânsito em julgado da sentença foi em 06/08/2002. A atualização monetária e os juros devem ser como determinado na sentença pelos mesmos índices e taxas das aplicadas pelo fisco na cobrança dos tributos em atraso pelo fisco. Destarte, entendemos que os índices a ser aplicados são os mencionados na primeira parte do item 1 do questionamento, excluindose a incidência do artigo 54 da Lei 8.383/91, quanto à UFIR, no que tange a período anterior a sua vigência. (Transcrevemos a primeira parte do item 1 do questionamento, que consta na fl. 225: “Tendo em vista que o crédito compensado pela empresa se refere ao período de 09/1989 a 05/1994, a fiscalização entendeu que os indexadores da atualização monetária deverão ser aqueles utilizados pelo Fisco na cobrança das contribuições sociais, conforme estabelecido na sentença, isto è: a) até 01/1991: BTNF; b) 02/1991 a 12/1991: sem atualização; c) 01/1992 a 12/1994: UFIR; d) de 01/1995 em diante: UFIR”. Quanto ao item 2 da requisição, temos a salientar que, a partir de 01/01/96, o índice de atualização e a taxa de juros aplicadas são as referentes às da lei 9.250/95, que instituiu a taxa SELIC. Assim, a mencionada taxa aplicarseia apenas ao período posterior a sua vigência, em sede de compensação, ou seja, às competências posteriores a 01/01/96. Ressaltese, por oportuno que a taxa SELIC possui duas funções econômicas, sendo ao mesmo tempo fator de atualização e de remuneração. No entanto, o MM. Juiz determinou a aplicação de taxa de juros de 6% ao ano e, também, iguais aos aplicados pelo fisco na cobrança de tributos em atraso pelo fisco. A partir daí, dois questionamentos se fazem: 1) A taxa Selic será aplicada, como índice de atualização monetária, antes do trânsito em julgado da sentença. Acontece Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.000278/200721 Acórdão n.º 2401003.971 S2C4T1 Fl. 604 13 que como salientado, anteriormente, a SELIC também é taxa de juros, e o acórdão determinou a aplicação de juros a partir do trânsito em julgado da sentença, ou seja, o contribuinte terá mais do que o determinado na sentença. Deve ser aplicada a Taxa Selic mesmo contrariando o acórdão em nosso prejuízo? 2) A sentença determinou a aplicação de juros de 6% ao ano. Ao aplicar somente a Taxa Selic estaremos descumprindo essa parte da sentença. Posso afastar os juros determinados pelo juiz, tendo em vista que o juiz na mesma sentença determinou a que os juros devem ser calculados do mesmo modo que o fisco utiliza para correção dos tributos pagos em atraso pelos contribuintes, na forma do artigo 54 da Lei 8383/91? Cremos quanto a estas indagações, que o acórdão reformou a sentença, pelo que deverá haver a aplicação da taxa de juros somente após o trânsito em julgado. Ademais, devese aplicar a taxa SELIC, desconsiderandose os percentuais remuneratórios, pois, como se demonstrou acima, a mencionada taxa tem dupla finalidade. Se cogitássemos de aplicar os percentuais e a taxa remuneratória, incorreríamos em odioso “bis in idem”, com inequívoco enriquecimento sem causa por parte do Autor. (...) Estabelecendo a complementação pendente e respondendo ao terceiro item da consulta realizada, temos que, em fls. 94/95 dos autos judiciais, o autor procedeu à emenda da inicial ajuizada. Destarte, na forma do artigo 294 do CPC, o período correspondente à compensação ficou estabelecido entre 06/10/1989 e 08/06/1994. Ressaltese que o trânsito em julgado da decisão verificarase em 06/08/02, conforme fls. 323. Os cálculos da Auditoria Fiscal foram efetuados com base nos parâmetros acima transcritos, o que caracteriza a observância dos critérios estabelecidos pelo Poder Judiciário. Resta analisar se os cálculos do Notificado obedeceram aos critérios impostos pela decisão judicial. Os cálculos do recorrente abrangem de forma indevida os recolhimentos concernentes às competências 06/1994 a 11/1994, o que causa distorção na apuração do crédito. Ademais, aplicou o IPC, de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991, contrariando dessa forma a decisão judicial, pois de acordo com esta não há atualização no período de 02/1991 a 12/1991. Por fim, para o período posterior ao trânsito em julgado, cumulou a taxa de juros de mora de 6% ao ano com a Taxa Selic, sendo que a Procuradoria deixou claro que, mesmo considerandose o teor da decisão judicial, não se poderia cumular a Taxa Selic (mais benéfica ao recorrente) com a taxa de juros de mora de 6% ao ano, mantendo a autoridade fiscal a Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 14 aplicação exclusiva da Taxa Selic como fator de atualização e como taxa de juros, como resta claro da resposta ao despacho de requisição de diligência de fls. 206 e seguintes. A recorrente menciona supostos equívocos nas competências 09/1989 e 05/1993, mas se trata de mero erro de compreensão das planilhas juntadas aos autos, devidamente explicadas na resposta ao despacho de requisição de diligência de fls. 206 e seguintes: o valor atualizado é obtido mediante a divisão do valor recolhido no período de 06/10/1989 a 08/01/1991 pelo índice BTNF do dia do recolhimento. O resultado desta divisão é multiplicado pelo índice BTNF do dia 31/12/1991 (126,8621). Este cálculo está detalhado na planilha Anexo Ill Atualização Monetária — BTNF. Da mesma forma que o índice BTNF, a atualização pela UFIR se dá pela divisão do valor indevidamente recolhido pelo valor da UFIR diária da data do recolhimento ou dia 02/01/1992 (597,0600). O resultado da divisão, por sua vez, é multiplicado pelo valor da UFIR fixado para 31/12/1995 (0,7952). Deste modo, todos os valores indevidamente recolhidos são convertidos para a moeda real (R$), conforme exposto na planilha Anexo IV Atualização Monetária — UFIR. Aplicandose tal método aos valores referidos nas competências 09/1989 e 05/1993, não se chega a qualquer conflito com a versão sustentada pela autoridade fiscal. Desconsideração das guias de 05/93 e 01/94. Quanto a este argumento, em razão de diligência anteirormente determinada por este mesmo Conselho, a autoridade fiscal manifestouse às fls. 585 e seguintes, informando que as mesmas devem ser consideradas no lançamento, razão pela qual, nesse aspecto particular, dou provimento ao recurso. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo ser incluídos no cálculo da compensação os valores relativos às duas Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS) das competências 05/1993 e 01/1994. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.000278/200721 Acórdão n.º 2401003.971 S2C4T1 Fl. 605 15 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10580.000693/2001-08
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/04/1999,
31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999,
30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999,
31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000,
31/05/2000, 30/06/2000, 31/08/2000, 30/09/2000
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO
TRIBUTÁRIO.
Cabe ao contribuinte apresentar suas razões de fato e
de direito, apresentando demonstrativos, provas e
tudo o mais que evidencie suposto equívoco do
lançamento. No caso, o contribuinte deixou de
comprovar, desde a fase de impugnação e até mesmo
em fase de realização de diligência, na qual não
atendeu as solicitações formuladas pelo fisco, que as
compensações efetuadas fossem capazes de elidir a
autuação.
PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO.
COMPENSAÇÃO COMO ARGUMENTO DE
DEFESA.
Comprovada a falta de recolhimento, é de ser
efetuado o lançamento de oficio e seus consectários
legais, sendo incabível alegar suposta compensação
como exceção de defesa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12.715
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Recorrida DRJ-SALVADOR/BA Fep.,os gundotoCo' lo i::::Cai o l iuoin.tes Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/08/2000, 30/09/2000 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Cabe ao contribuinte apresentar suas razões de fato e de direito, apresentando demonstrativos, provas e tudo o mais que evidencie suposto equívoco do lançamento. No caso, o contribuinte deixou de comprovar, desde a fase de impugnação e até mesmo em fase de realização de diligência, na qual não atendeu as solicitações formuladas pelo fisco, que as compensações efetuadas fossem capazes de elidir a autuação. PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO COMO ARGUMENTO DE • DEFESA. Comprovada a falta de recolhimento, é de ser efetuado o lançamento de oficio e seus consectários legais, sendo incabível alegar suposta compensação como exceção de defesa. Recurso negado. MF-SEGUNDO CONSELHO DF- CON-17.---:—RC ONFERE COM O 6RIGINP LIBUINTES ..../(9,ai O S) CIA-f Marlide C 0 de 01:velra Mat. Siape 9/650 Processo n.° 10580.000693/2001-08 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.715 Fls. 374 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. DALTO SAR ORD P O DE MIRANDA Vice-Presidente no exercício da Presidência fA ODASSI GUERZONI FI 0 • elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, José Adão Vitorino de Morais, Mauro Wasilewslci (Suplente) e Alexandre Kern (Suplente) Ausente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes ,AF-sEcurs:Go CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasília, J3 I OA 1 Matilde Cu no de Oliveira Mat. Siope 91650 Processo n.° 10580.000693/2001-08 MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.715 CONFERE COM O ORIGINAL Brasllia, 03 o 2 Fls. 375 Mande Cais= de 01Iveira Relatório Mat. Slape 91650 Trata-se o presente julgamento de matéria que depende de resultado de diligência determinada por meio da Resolução n° 203-00.757, desta Terceira Câmara, em Sessão de 24/08/2006, conforme transcrição abaixo (fls. 359/362): "Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 29/01/2001 para a exigência de PIS, tido como recolhido a menor nos períodos de apuração de março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1999, e janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto e setembro de 2000, no valor de R$ 54.855,36, que, acrescido de juros moratórios e a multa de oficio de 75%, atingiu a R$ 99.596,59 (fis. 3 a 5). A própria interessada reconheceu como certa a exigência da contribuição devida nos períodos de março de 1999 a janeiro de 2000, restando, controversa, portanto, a matéria relativa aos demais períodos - fevereiro a setembro de 2000 - já que a interessada considera indevida a cobrança sob a argumentação de que os débitos exigidos já teriam sido por ela quitados mediante o instituto da compensação tributária. Na sua peça impugnató ria de fl. 63 diz que, respaldada pela Resolução do Senado Federal de n° 49, de 10/10/1995, que considerou inconstitucionais os Decretos-leis tes. 2.445 e 2.448 de 1988, utilizou os créditos decorrentes de pagamentos do PIS feitos a maior nos períodos de apuração de maio, junho, agosto, setembro, outubro de 1991 e janeiro de 1992, para quitar os débitos do PIS das competências de fevereiro, março, abril, junho, julho, agosto e setembro de 2000. Registro, portanto, à luz de tal afirmativa e dos documentos apresentados às fls. 83 a 96 (listagens de créditos a recuperar), que não foi objeto da compensação o PIS do período de apuração do mês de maio de 2000. Esta Terceira Câmara já teve oportunidade de se manifestar sobre o processo, Acórdão n° 203-09.370, de 4/12/2003, por meio do qual proveu em parte o recurso voluntário, afastando a prejudicial da decadência da compensação feita pelo sujeito passivo e determinando que a Primeira Instância apreciasse os argumentos de mérito (lh. 290 a 293). Eis como foi ementado o referido Acórdão: "PIS. COMPENSAÇÃO COM PIS. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 09/10/95, publicada em 10/10/95, que suspende a execução da norma declarada inconstitucional. Assim, a partir da publicação, conta-se cinco anos até a data do protocolo do pedido (termo final). In casu, não ocorreu a decadência do direito postulado. Excluída a prejudicial de decadência devem os argumentos do mérito serem apreciados pela Primeira Instância. • .1F-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10580.000693/2001-08 i Brasília, 13i 0.3 / o 51 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.715 Fls. 376 4-, Matilde Cursino da Oliveira Mat. Sope 91650 Recurso Provido em parte." Cumprindo a referida determinação deste Colegiado, a DRJ em Salvador proferiu novo Acórdão, mantendo integralmente o lançamento fiscal, no valor de R$ 53.694,60, acrescidos dos juros de mora e multa de oficio, correspondente aos períodos de maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1999, e janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto e setembro de 2000 (fls. 296 a 305), por considerar que, "...uma vez não comprovada a regularidade dos recolhimentos do PIS que originaria os alegados créditos informados como compensados na DCTF, não há como homologar os procedimentos de compensação realizada pela interessada, uma vez que esta não demonstrou serem seus créditos líquidos e certos". Indeferiu o pedido de perícia formulado pela interessada, consistente na apuração da correção dos procedimentos de compensação, sob o argumento de que o processo contém todos os elementos para formação da sua livre convicção. Irresignada, a interessada recorreu novamente a este Colegiado, argumentando, em síntese, que há indubitável contradição entre a ementa da decisão recorrida e os seus fundamentos, já que esta, ao tempo em que afirma estarem presentes no processo todos os elementos para a formação de seu livre convencimento, em outro, diz que não foram apresentadas provas que pudessem revestir os créditos de liquidez e certeza. Alega ainda estar desobrigada, à época, de solicitar autorização da Secretaria da Receita Federal para proceder à compensação, em face do disposto no artigo 66 da Lei n°8.383/91, bem como de jurisprudência do STJ que traz à colação. O ponto central da divergência aqui estabelecido se encontra nos procedimentos de compensação que a interessada diz ter efetuado, mediante a utilização de créditos de PIS recolhido a maior com base nos DL 2.445 e 2448 de 1988, para a quitação dos débitos do PIS dos períodos de fevereiro a setembro de 2000, os quais, ao final, restaram exigidos por meio do auto de infração do presente processo. Em outras palavras, o Fisco considera que, não obstante as inúmeras oportunidades que teve para fazê-lo, a interessada não trouxe aos autos quaisquer provas no sentido de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Portanto, se procedente a compensação, restará indevida a exigência. O Acórdão recorrido indeferiu o pedido de perícia por considerar que os elementos do processo seriam suficientes para permitir a formação da convicção ao julgador, mas, entretanto, não enfrentou diretamente os argumentos da interessada de que seus créditos teriam sido o bastante para que não restassem em aberto os valores do PIS que estão sendo exigidos por meio do presente auto de infração. A leitura dos parágrafos "12", "13" e "14" (fi. 301) do Acórdão recorrido sugere que não se tomou conhecimento ou se ignorou por completo a existência de documentos trazidos pela interessada na fase impugnatória (fls. 83 a 96), denominados "Listagem de Créditos a Recuperar", os quais, senão bastantes para fornecer todos os e„./. D. • Processo n.° 10580.000693/2001-08 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.715 Fls. 377 elementos de convicção do julgador, no mínimo apontam para a origem do crédito utilizado na compensação e, portanto, merecem ser analisados mais detidamente. Num ponto tem razão o Acórdão recorrido: não se é capaz de aferir a liquidez e certeza dos créditos utilizados no encontro de contas promovido pela interessada, o que, a meu ver, somente será possível com o retorno do presente processo à DRF de origem para tal providência, que deverá consistir, dentre outras que considerar pertinentes, inclusive com solicitação de informações junto à recorrente, na análise detida dos documentos de fls. 57 (Planilha de Aproveitamento de Créditos), 83 a 96 (Listagem de Créditos a Recuperar), 97 (Darf do PIS dos períodos de apuração de junho e agosto de 1991), 99 a 104 (Declaração de IRPJ do Exercício Financeiro de 1992); 114 a 117 (Da/rf de recolhimentos complementares de PIS dos períodos de apuração de fevereiro a setembro de 2000); 121, 123, 146, 147, 173, 174, 175, 182, 184, 226, 227, 229, e 240 (todas, correspondentes às DCTF relacionadas ao PIS envolvendo os períodos de autuação). Voto, portanto, no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que, especificamente, seja confirmado, ou não, se a compensação efetuada pela interessada, mediante a utilização de créditos do PIS recolhido a maior com base nos DL 2.445 e 2.448, de 1988 durante os períodos de apuração de maio, junho, agosto, setembro, outubro de 1991 e janeiro de 1992, foi suficiente para quitar os débitos do PIS dos períodos de apuração de fevereiro a setembro de 2000, os quais estão sendo exigidos por meio de Auto de Infração. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2006." O processo foi encaminhado para a DRF em Salvador-BA, que, por meio do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, de 22/01/2007, solicitou os esclarecimentos e documentos à interessada. No entanto, passados cinquenta dias da data da ciência, aquela Unidade da Receita Federal do Brasil elaborou um "Relatório de Encerramento de Diligência", dando conta da não apresentação de qualquer resposta por parte da interessada à solicitação anteriormente feita. É o Relatório. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasnia, , 9 / 03 r (2 2 , Marlide Cu - o do Oliveira Mat. Slapo 91650 • - Processo n.° 10580.000693/2001-08 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.715 Fls. 378 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator Frustrada, portanto, a diligência demandada por esta Terceira Câmara, aparentemente, por absoluto desinteresse da interessada. Em face disso, invoco aqui entendimento deste Colegiado proferido em julgamentos anteriores sobre assunto semelhante a esse, qual seja, o de que a compensação não pode ser alegada como exceção de defesa, especialmente pelo fato de que, desde a fase de impugnação a autuada vem se esquivando de apresentar qualquer comprovação de que realmente efetuara a compensação. Mostrou-se, como dito acima, completamente desinteressada em atender à determinação deste Colegiado no sentido de comprovar as suas alegações, as quais, afinais, não passaram de alegações. Em face do exposto, ou seja, por não ter a interessada comprovado que a compensação efetuada teria sido capaz de elidir a presente exação, deve ser negado provimento ao recurso, mantendo-se intacta o Acórdão da DRJ de fls. 296/305. Sala das Sessões, e 14 de fevereiro de 2008 , ti 1, ODAS SI GUERZO FILHO MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Bre.sllia J9 / 0,3 1 ci 2 , i i Medido Cure o de Oliveira Mat. Siape 91650 , Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.727647/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.627
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado).
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Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 27 64 7/ 20 12 -1 3 Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.664 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0540.546 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP que julgou procedente as autuações: (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 51.014.2192 (parte Empresa); (ii) AIOP nº. 51.014.2206 (parte Segurados); (iii) AIOP nº. 51.014.2214 (Terceiros); (iv) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 51.014.2222 (CFL 78); (v) AIOA nº. 51.035.0119 (CFL 30); (vi) AIOA nº. 51.035.01279 (CFL 35); (vii) AIOA nº. 51.035.0135 (CFL 56); e (viii) AIOA nº. 51.035.0143 (CFL 91). O Relatório Fiscal destaca os quatro fundamentos do procedimento fiscal ensejadores das autuações realizadas: (i) A Tutela antecipada concedida {na Ação Popular n° 0003421 40.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217)} para suspender os efeitos da resolução 03/2009 do CNAS que renovou os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS da instituição com validade para os períodos de 01/01/2004 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 a 31/12/2009. Conseqüentemente, no Relatório Fiscal consta que foi atendida a determinação judicial por meio dos Autos de Infração de Obrigações Principais lavrados neste procedimento fiscal, abrangendo o período de 01/2008 a 12/2009. (ii) Os Autos de Infração também foram lavrados: por ter sido cancelada a isenção das contribuições da SCEI Sociedade Campineira de Educação e Instrução pelo INSS pelo Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004; (iii) pela SCEI não atender aos requisitos estabelecidos nos incisos VIII e XI do artigo 28 da MP 446/2008; (iv) pela SCEI não atender aos requisitos estabelecidos nos incisos V e VII do artigo 29 da Lei 12.101/2009. O Relatório Fiscal elenca, para as entidades beneficentes de assistência social, o quadro da legislação orientadora dos requisitos a serem atendidos para a isenção de contribuição para a seguridade social: Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.665 3 até 09/11/2008 – no artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; de 10/11/2008 a 11/02/2009 Medida Provisória nº 446, de 07/11/2008, publicada no DOU de 10/11/2008 (rejeitada); de 12/02/2009 a 29/11/2009 no artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991 a partir de 30/11/2009 – Lei nº 12.101, de 27/11/2009 O Relatório da decisão de primeira instância apresenta um resumo do procedimento fiscal: 1. Quanto à isenção das contribuições previdenciárias previstas no artigo 22 da Lei 8.212/1991, o lançamento fiscal fundamentase basicamente na aplicação das seguintes disposições legais, nos respectivos períodos: a) Até 09/11/2008 – artigo 55 da Lei 8.212/1991. b) De 10/11/2008 a 11/02/2009 – artigo 28 da Medida Provisória 446/2008. c) De 12/02/2009 a 29/11/2009 – artigo 55 da Lei 8.212/1991. d) A partir de 30/11/2009 – artigo 29 da Lei 12.101/2009. 2. Oportunamente, quanto aos requisitos legais necessários ao regular gozo do benefício, sob a égide da Lei 8.212/1991, o Relatório Fiscal destaca: 5.17 Na vigência do artigo 55 da Lei 8.212/1991, além do cumprimento de todos os requisitos estabelecidos nos incisos I a V, a isenção deveria ser requerida pela entidade ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, ressalvados os direitos adquiridos, conforme aponta o § 1º do artigo. A partir da criação da Receita Federal do Brasil – RFB, o requerimento passou a ser feito nesta Secretaria. 5.18 A fim de comprovar que permanecia cumprindo os requisitos legais exigidos para o gozo da isenção, a entidade estava obrigada a apresentar ao INSS ou à RFB (conforme o período), anualmente, até 30 de abril, relatório circunstanciado de suas atividades no exercício anterior. 5.19 Nos termos do § 4° artigo 55, o INSS (ou a RFB) cancelaria a isenção se verificado o descumprimento do disposto no artigo. (...). 5.21 Se a isenção havia sido cancelada anteriormente, nos moldes da Lei nº 8.212/1991 e do Decreto nº 3.048/1999, e a entidade não efetuou novo pedido de isenção, a EBAS certificada só poderia voltar ao gozo da isenção, caso tivesse cumprido, na vigência da MP nº 446/2008 ou a partir da Lei nº 12.101/2009, os requisitos previstos nos referidos atos Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.666 4 legais, nos quais não há exigência de requerimento para concessão da isenção. 3. Sob a Medida Provisória 446/2008 e a Lei 12.101/2009, o Relatório Fiscal ressalva as condições legais: 5.20 Na vigência da MP nº 446/2008 e a partir da Lei nº 12.101/2009 não há mais a exigência do requerimento ao órgão, pois as entidades beneficentes de assistência social EBAS fazem jus à isenção a contar da sua certificação pelo Ministério da área de atuação correspondente, desde que atendam cumulativamente aos requisitos exigidos na legislação. Os requisitos estão elencados no artigo 28 da MP nº 446/2008 e no artigo 29 da Lei nº 12.101/2009. 4. Em relação ao período sob a vigência da Lei 8.212/1991, ocorreu que o Contribuinte, anteriormente enquadrado na condição de entidade beneficente de assistência social no gozo da isenção prevista no artigo 55 da Lei 8.212/1991, teve esta condição revogada pela Administração Tributária, o que o Relatório Fiscal assim informa: 8.4. O ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/003/2004, expedido em 10/11/2004 pela então Gerência Executiva de Campinas/SP do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, cancelou, com base no disposto no § 8° do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1999, a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212 de 24/07/1991, concedida à SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO, por não atender aos requisitos constantes nos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 206 do RPS, pelos motivos especificados na Decisão Notificação – DN 21.424.4/002/2004 de 10/11/2004. 8.5 A matéria foi discutida administrativamente e os efeitos do referido Ato Cancelatório foram mantidos, conforme Acórdão nº 240, de 28/03/2006, exarado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em julgamento em última instância. 8.6 A partir do cancelamento da isenção, nenhum Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições foi novamente expedido em nome a SCEI, nos termos do § 1° do artigo 55 da Lei 8.212/1991, combinado com o § 2° o artigo 208 do RPS. Apesar do cancelamento da isenção e da inexistência de novo reconhecimento ao direito, a SCEI continuou não recolhendo as contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212 de 24/07/1991, fato que ensejou em ações fiscais anteriores a esta a lavratura de Notificações Fiscais de Lançamento de Débito e de Autos de Infração para a constituição do crédito relativo às contribuições que são objeto de fiscalização no presente procedimentos fiscal. 8.7 Portanto, relativamente ao período de apuração determinado pelo presente MPF, em todo o período de vigência do artigo 55 da Lei 8.212/1991, em decorrência do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção, a SCEI não fazia jus à isenção das contribuições patronais Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.667 5 de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/1991, a saber: de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009. 5. Ainda, quanto ao período de vigência da Lei 8.212/1991, e não obstante da Resolução nº. 3, de 23/01/2009 (DOU 26/01/2009), do Conselho Nacional de Assistência Social, que deferiu pedidos de renovação de Certificados de Entidades Beneficente de Assistência Social, na forma do artigo 37 da MP 446/2008 (abrangendo os períodos de 01/01/2004 a 31/12/2004 e 01/01/2007 a 31/12/2009), o Relatório Fiscal informa que: 8.11 Portanto, no período de apuração (01/2008 a 12/2009), a SCEI teve o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social renovado pela mencionada Resolução. 8.12 Entretanto, no Processo n° 000342140.2011.4.02.5102 (2011.51.02.0034217) – Justiça Federal – Seção Judiciária do Rio de Janeiro –1a Vara Federal de Niterói Cristiano Barretto Figueiredo ajuizou AÇÃO POPULAR, com pedido de antecipação de tutela, em face de SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO e da UNIÃO FEDERAL, objetivando a anulação da Resolução n° 03/2009, do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, que renovou os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS da instituição com validade para os períodos de 01/01/2004 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 a 31/12/2009. 8.13 Em Decisão de 30/03/2012 (anexada ao presente Processo cópia extraída do sítio da Justiça Federal do Rio de Janeiro), foi DEFERIDO o pedido de antecipação de tutela para SUSPENDER os efeitos da Resolução nº 03/2009 do Conselho Nacional de Assistência Social, itens 539 e 3.070, respectivamente, na parte em que conferiram à SCEI os certificados de entidade beneficente de assistência social, nos períodos de 01.01.2004 a 31.12.2006 e de 01.01.2007 a 31.12.2009, bem como foi DETERMINADO à Secretaria da Receita Federal do Brasil que promovesse o lançamento das contribuições de financiamento da seguridade social relativas aos fatos geradores compreendidos nos mesmos períodos, mantendo suspensa a exigibilidade dos referidos tributos, enquanto perdurasse a discussão judicial sobre a imunidade da entidade. 8.14 Dessa forma, estando até a presente data suspenso os efeitos da Resolução na parte em que conferiram à SCEI os Certificados, atende se à referida determinação judicial por meio dos Autos de Infração de Obrigações Principais lavrados neste procedimento fiscal, abrangendo o período de 01/2008 a 12/2009. Quanto à exigibilidade do crédito, no curso do processo devem ser verificados os aspectos apontados no Capítulo XV deste relatório. 6. O Contribuinte não teria, pois, direito, no período compreendido nos lançamentos fiscais, à isenção das contribuições previdenciárias, de que tratavam o artigo 55 da Lei 8.212/1991 e o artigo 28 da Medida Provisória 446/2008, e da qual ora trata o artigo 29 da Lei 12.101/2009. Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.668 6 Outrossim, no Relatório Fiscal, capítulo XIX, são destacadas os demais motivos, além da tutela antecipada concedida em Ação Popular que cancelou os efeitos da Resolução 03/2009 do CNAS em relação à Recorrente, que fundamentaram o procedimento fiscal e as autuações: 19.1 Conforme apontado na seção “CERTIFICAÇÃO” do Capítulo VIII, em Decisão de 30/03/2012 na ação popular – Processo n° 0003421 40.2011.4.02.5102 (2011.51.02.0034217), da 1a Vara Federal de Niterói, Seção Judiciária do Rio de Janeiro da Justiça Federal – foi deferido o pedido de antecipação de tutela para suspender os efeitos da Resolução nº 03/2009 do CNAS, itens 539 e 3.070, respectivamente, na parte em que conferiram à SCEI os certificados de entidade beneficente de assistência social, nos períodos de 01.01.2004 a 31.12.2006 e de 01.01.2007 a 31.12.2009, bem como foi determinado à Secretaria da Receita Federal do Brasil que promovesse o lançamento das contribuições de financiamento da seguridade social relativas aos fatos geradores compreendidos nos mesmos períodos, mantendo suspensa a exigibilidade dos referidos tributos, enquanto perdurasse a discussão judicial sobre a imunidade da entidade. 19.2 Todavia, no andamento do presente Processo Administrativo Fiscal deve ser analisado pelas autoridades administrativas se a exigibilidade dos tributos lançados deve ser mantida suspensa, uma vez que, além da decisão na ação popular que suspendeu os efeitos da Resolução nº 03/2009 do CNAS na parte que conferiram à SCEI os certificados, foram apurados pela fiscalização outros requisitos, também necessários para que a entidade fizesse jus à isenção das contribuições, abrangendo todo o período de apuração, que não foram cumpridos pela SCEI e que não guardam nenhuma relação com a matéria discutida na referida ação. 19.3 Os Autos de Infração também foram lavrados: por ter sido cancelada a isenção das contribuições da SCEI pelo INSS pelo Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais N° 21.424.1/003/2004; pela SCEI não atender aos requisitos estabelecidos nos incisos VIII e XI do artigo 28 da MP 446/2008; e pela SCEI não atender aos requisitos estabelecidos nos incisos V e VII do artigo 29 da Lei 12.101/2009. 19.4 Dessa forma, ainda que em decisão final sobre a matéria discutida na ação popular venham a ser restabelecidos os efeitos da Resolução nº 03/2009 do CNAS na parte que conferiram à SCEI os certificados de entidade beneficente de assistência social, esta eventual decisão não provocaria nenhuma alteração nos levantamentos, nos valores e na fundamentação legal dos Autos de Infração lavrados no presente Procedimento Fiscal. Conforme o Relatório Fiscal e o Relatório da decisão de primeira instância, temos uma breve descrição dos Autos de Infração lavrados: Em relação ao AIOP 51.014.2192 (parte Empresa): Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.669 7 a) Compreende contribuições da empresa sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (período de janeiro a dezembro de 2009). b) Inclui as remunerações pagas a médicos, informadas em DIRF e não declaradas em GFIP (levantamento “HM2”). c) Inclui, também, os valores pagos a título de “bolsa protocolo salarial”, que deixaram de ser incluídos nas remunerações dos respectivos segurados beneficiários (levantamento “PS2”). 11.1 O Auto de Infração AI DEBCAD n° 51.014.2192 referese a contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados, contribuição da empresa sobre a remuneração a contribuintes individuais, contribuição da empresa relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, adicional de RAT para financiamento da aposentadoria especial e contribuição da empresa para financiamento dos benefícios em razão de incapacidade laborativa, conforme fundamentação legal apresentada no relatório “FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO”, anexo ao auto. 11.5 Os fatos geradores das contribuições lançadas no presente Auto de Infração – AI DEBCAD 51.014.2192 são: ✔ as remunerações pagas aos segurados empregados de acordo com o especificado nos Levantamentos EE2 – EMPREGADOS EDUCAÇÃO e ES2– EMPREGADOS SAÚDE; ✔ as remunerações pagas aos segurados empregados sujeitos à aposentadoria especial de acordo com o especificado nos Levantamentos AE2 –ADICIONAL DE RAT EDUCAÇÃO e AS2 – ADICIONAL DE RAT SAÚDE; ✔ as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais de acordo com o especificado nos Levantamentos CE2 – CONTRIBUINTE INDIVID EDUCAÇÃO e CS2 – CONTRIBUINTE INDIVID SAÚDE; ✔ os valores brutos das notas fiscais, das faturas e dos recibos de prestação de serviços, relativamente aos serviços que foram prestados à SCEI por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho de acordo com o especificado nos Levantamentos TE2 – COOPERAT DE TRABALHO EDUCAÇÃO e TS2 – COOPERAT DE TRABALHO SAÚDE; ✔ as remunerações pagas aos segurados empregados a título de honorários médicos de acordo com o especificado no Levantamento HM2 –HONORÁRIOS MÉDICOS; e ✔ as remunerações pagas aos segurados empregados a título de “bolsa protocolo salarial” de acordo com o especificado no Levantamento PS2 – BOLSA PROTOCOLO SALARIAL Em relação ao AIOP 51.014.2206 (parte Segurados): Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.670 8 a) Compreende contribuições de segurados, cuja obrigação de arrecadação, mediante desconto nas respectivas remunerações recolhimento, é de responsabilidade da fonte pagadora (período de janeiro a dezembro de 2009). Em relação ao AIOP 51.014.2214 (Terceiros): a) Compreendendo contribuições da empresa para outras entidades: FNDE/salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE (período de janeiro a dezembro de 2009). b) Inclui as remunerações pagas a médicos, informadas em DIRF e não declaradas em GFIP (levantamento “HM2”) c) Inclui, também, os valores pagos a título de “bolsa protocolo salarial”, que deixaram de ser incluídos nas remunerações dos respectivos segurados beneficiários (levantamento “PS2”). Em relação ao AIOA 51.014.2222 (CFL 78): a) Trata do descumprimento de obrigação tributária acessória – apresentar GFIP com incorreções e omissões (falta de elaboração de GFIP distintas, por estabelecimento, a partir de 12/2008). b) O Relatório Fiscal esclarece que a aplicação da multa considerou, também neste caso, as mesmas premissas, quanto à aplicabilidade da legislação pertinente, relatadas no lançamento fiscal DEBCAD 37.367.9653. Em relação ao AIOA 51.035.0119 (CFL 30): c) Trata do descumprimento de obrigação tributária acessória – deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. d) Inclui os segurados (médicos), informadas em DIRF e não declaradas em GFIP. Os nomes dos segurados estão relacionados na planilha “Segurados não inscritos”. e) Inclui, também, os valores pagos a título de “bolsa protocolo salarial”, que deixaram de ser incluídos nas remunerações dos respectivos segurados beneficiários. f) O fato de ter deixado de inscrever alguns de seus estabelecimentos no CNPJ, deixando de alocálos, nas folhas de pagamentos para os correspondentes estabelecimentos também constitui falta enquadrável (e, portanto, considerada) neste auto de infração. Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.671 9 Em relação ao AIOA 51.035.0127 (CFL 35): a) Trata do descumprimento de obrigação tributária acessória – deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. b) O Relatório Fiscal assim contextualiza este lançamento: 8.83 A SCEI foi intimada e reintimada a prestar esclarecimentos sobre a “bolsa protocolo salarial” (dentre outras), que deveriam vir acompanhados de documentos que identificassem os beneficiários, as condições em que eram fornecidas, as rubricas da folha de pagamento e toda a documentação que comprovasse os lançamentos e as informações prestadas, conforme pode ser visto no TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL nº 5, no TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL nº 7, no TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL nº 2 e no TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL nº 8. Dentre a documentação apresentada não constou relação de pagamento ou fornecimento desta bolsa que permitisse a identificação individualizada do quanto foi pago ou fornecido por competência a cada segurado empregado beneficiado. Em decorrência, foi lavrado o Auto de Infração de Código de Fundamentação Legal n° 35 (AI DEBCAD 51.035.0127), por deixar a empresa de prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização. (...). Em relação ao AIOA 51.035.0135 (CFL 56): a) Trata do descumprimento de obrigação tributária acessória – deixar a empresa de inscrever o segurado empregado. b) Inclui os segurados (médicos), informadas em DIRF e não declaradas em GFIP. Os nomes dos segurados estão relacionados na planilha “Segurados não inscritos”. Em relação ao AIOA 51.035.0143 (CFL 91): a) Trata do descumprimento de obrigação tributária acessória – apresentar GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação (falta de elaboração de GFIP distintas, por estabelecimento, até 11/2008). g) O Relatório Fiscal esclarece que a aplicação da multa considerou, também neste caso, as mesmas premissas, quanto à aplicabilidade da legislação pertinente, relatadas no lançamento fiscal DEBCAD 37.367.9653. O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 01/2009 a 12/2009. Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.672 10 O contribuinte teve ciência das Autuações em 19.12.2012, conforme os autos. A Recorrente apresentou Impugnações tempestivas, na qual alega em síntese, conforme o apresentado resumidamente no Relatório da decisão de primeira instância: Em relação ao AIOP 51.014.2192 (parte Empresa): em sede Preliminar: (i) a nulidade do lançamento fiscal, vez que fundamentado em critérios imprestáveis para a aferição da base de cálculo dos tributos nele exigidos (ii) que, ao louvarse na decisão de Io grau proferida na ação popular, deixou de considerar a sentença proferida nos autos do mandado de segurança acima mencionado e, ao assim proceder, ofendeu a coisa julgada e, também, contrariou o entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a educação está integrada no conceito de assistência social, não merecendo prevalecer o trabalho fiscal No Mérito: (iii) o direito ao gozo da imunidade prevista no art. 195, §7° da CF. (iv) a ilegitimidade do adicional ao RAT; (v) a inconsistência das multas isoladas aplicadas pelo agente fiscal.; (vi) a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de juros equivalentes à taxa SELIC sobre o suposto crédito tributário. Em relação ao AIOP 51.014.2206 (parte Segurados): As razões apresentadas pela Impugnação são basicamente as mesmas formuladas na Impugnação relativa ao lançamento fiscal DEBCAD 51.014.2192, ressalvados apenas os acréscimos constantes do tópico “da exigência de contribuição sobre bolsa protocolo salarial”, que passo a abordar. Fazendo referência às diretrizes constitucionais do artigo 195 e da à Lei 8.212/1991 (artigos 30 e 33), a Impugnação suscita discussão acerca da “bolsa protocolo salarial”, sustentando que não haveria incidência de contribuições previdenciárias, já que “... essa verba não tem caráter retributivo e sim, instrumental”; que se trataria de “ ... investimento da entidade na qualificação de seus empregados, não podendo ser considerado salário in natura ...”; que o mesmo se aplicaria em relação aos dependentes dos funcionários; que, por se destinarem à capacitação, não estariam sujeitos à tributação; não traria vantagens ao empregador; teria “cunho cultural”; decorreria de convenção coletiva. Transcreve jurisprudência. Nestas circunstâncias – dado o alegado “descompasso com a jurisprudência dos nossos Tribunais” – teria havido “atentado ao interesse público primário”, importando em maiores ônus para o Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.673 11 Estado, em face da necessidade de acionamento das instâncias judiciais decisórias. Em relação ao AIOP 51.014.2214 (Terceiros): As razões apresentadas pela Impugnação são basicamente as mesmas formuladas na Impugnação relativa ao lançamento fiscal DEBCAD 51.014.2192, ressalvados apenas as seguintes arguições adicionais: 1. Contribuição ao FNDE/salárioeducação – sustenta, em síntese, que a cobrança não teria respaldo nas disposições constitucionais vigentes, em face do “perfil tributário” que teria adquirido na nova sistemática legal. 2. Contribuição para o INCRA – defende a inexigibilidade da cobrança, em face da atividade desenvolvida pelo Contribuinte e considerando que “... cessou a causa jurídica que legitimava a cobrança dessa exação”. 3. Contribuições para SESC, SEBRAE e SENAC – não seriam legítimas as cobranças, pois: i) SESC e SENAC, pelos fundamentos jurídicos que expõe, não seriam devidas pelo Contribuinte, que não é empresa comercial; ii) SEBRAE, pelas mesmas razões, já que se trataria de um adicional àquelas contribuições. Em relação ao AIOA 51.014.2222 (CFL 78): Argumenta que: ... por não estar sujeita ao recolhimento das contribuições devidas ao INSS, por ser entidade imune, nos termos do art. 195, § 7º CF, e restar indevida a obrigação principal, não está adstrita a cumprir a obrigação acessória. Segue, aduzindo que a ausência das GFIP não teria causado prejuízo à fiscalização, não se “legitimando” assim a penalidade imposta, já que os documentos teriam sido “supridos” por outros “registros”, igualmente capazes de fornecer as informações requisitadas. Acrescenta que as ausências de máfé e de prejuízo autorizariam a relevação da multa. Invoca o princípio constitucional da legalidade, “corolário do princípio da finalidade”, para atende ao “interesse público”. Além do mais, considerando seu montante, a multa seria “irrazoável” e “desproporcional”, especialmente considerando as finalidades institucionais do Contribuinte, sobre a qual passa, então, a discorrer, para repisar os argumentos que garantiriam a “imunidade” tributária do Contribuinte, quanto às contribuições previdenciárias questionadas. Ressalva que: “No caso presente, foi imposta multa (...) por ter, a impugnante emitido GFIP´s com incorreções referentes aos seus Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.674 12 estabelecimentos, quando, na realidade se referem a pagamentos que não ensejam qualquer recolhimento de INSS, uma vez que é, nos termos do art. 195 § 7º CF, imune às contribuições sociais”. Reitera a possibilidade de relevação da multa, em face das disposições do artigo 112 do CTN. Conclui, argumentando que teria havido “desprezo” à “... prova que lhe foi apresentada e criando uma série de requisitos, condições e impedimentos, sem qualquer respaldo legal, com o único intuito de aumentar a arrecadação”. Conclui pelo descabimento da multa aplicada. Em relação ao AIOA 51.035.0119 (CFL 30): Argumenta que constituiria objeto da penalização a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. E reconhece que “... não elaborou GFIP com relação aos segurados a seu serviço, uma vez que não está sujeita ao recolhimento das contribuições devidas ao INSS, por ser entidade imune ... Entende assim que, por ser indevida a obrigação principal, não está adstrita cumprir a obrigação acessória”. Repete os argumentos apresentados com a Impugnação relativa ao Auto de Infração 51.014.2222 (fls. 1961/1971): não ter causado prejuízo; não ter havido má fé; poder suprir a falta com outros registros; desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa; aplicação dos princípios constitucionais da legalidade, da finalidade e do interesse público. Em relação ao AIOA 51.035.0127 (CFL 35): Declara que: ... não há que se falar em falta de informação ou esclarecimentos insuficientes, senão vejamos. (...) ... é impossível, inventivo, injusto e improcedente a alegação de que a mesma deixou de prestar esclarecimentos. Declara que teria fornecido toda a documentação pedida e até mesmo “... além do necessário ...”. Por isso, seria “... absurdo dizer que tais informações não foram prestadas, pois além de o fiscal não apontar objetivamente a informação faltante para sua autuação, demonstrou cabalmente o contrário”. Acrescenta que seria responsabilidade da Fiscalização, se, acaso desejasse ver “... alguma planilha mais detalhada o mesmo deveria montála de posse das informações que já tinha, correlacionando dados da maneira como quisesse”. Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.675 13 Requer a anulação do auto, “... pela falta de indicação expressa da documentação faltante ou incompleta, seja pelo fato de que essa instituição apresentou e esclareceu tudo que pode”. Sustenta que eventuais faltas devem ser atribuídas, “... esses com certeza são aqueles que essa instituição não realizou por acreditar em sua isenção ...”. Além do mais, defende que, sendo devida alguma multa, esta deveria ser aplicada segundo seu “valor básico”, em face da ausência de circunstâncias agravantes (ressalva as disposições do RPS, artigo 292, II). Ressalva que a penalização não constituiria infração às estipulações da Lei 12.101/2009, o que, desde já, rechaça. Requer a anulação do auto, ou a diminuição da multa para “seu valor mínimo”. Em relação ao AIOA 51.035.0135 (CFL 56): Argumenta que: Como verificado na exposição dos fatos, os médicos não conveniados aos planos de saúde, não são inscritos como segurados, uma vez que esta instituição entende que a prestação desse serviço, que seja por funcionário ou autônomo, não ocorre para si, mas sim para satisfação do convênio havido com o plano de saúde. Faria apenas “repasses de valores”, pois: Essa sistemática só é realizada para facilitar a intermediação entre médicos não cooperados e UNIMED (por exemplo), uma vez que a real fonte pagadora desses serviços é a UNIMED à esses médicos” [sic]. E declarase “... [mera] intermediária e facilitadora dos negócios havidos entre as partes médico e planos de saúde ...”. Em razão do que, sendo “correto o procedimento”, não estaria cometendo irregularidades fiscais ou contábeis. Ressalva que a penalização não constituiria infração às estipulações da Lei 12.101/2009, o que, desde já, rechaça. Requer a anulação do auto. Em relação ao AIOA 51.035.0143 (CFL 91): Invoca as disposições do artigo 1.142 do Código Civil, para argumentar que estaria organizada de acordo com suas áreas de atuação: saúde e educação, em razão do que seria, pois, detentora de apenas duas inscrições no CNPJ, independentemente do número de fragmentações em lugares diferentes dos estabelecimentos. Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.676 14 A aplicabilidade das disposições do Código Civil à “seara tributária” devese à circunstância de ser apenas aquela lei a tratar de “estabelecimento”, sendo inviável que instruções normativas (norma infralegal) contrariem a lei. Argumenta que a Fiscalização deveria, nos termos da Instrução Normativa invocada, ter promovido a inscrição de ofício no CNPJ e não simplesmente impor a multa. Além do mais: ... a multa aplicada no presente auto de infração não corresponde ao referido ato infringido, uma porque a tipificação do auto de infração não foi detalhada na Instrução Normativa em comento, e outra porque na Instrução que trata do assunto não há qualquer imposição de multa para aquelas entidades q eu não realizem a abertura de CNPJ. Sendo assim, requer desde já a anulação do presente auto de infração por INCORRETA TIPIFICAÇÃO E INCORRETA APLICAÇÃO DE MULTA, uma vez que o RPS de nada dispõe sobre a abertura de CNPJ e sim a Instrução Normativa 1.183/11. Requer “... que esse ato não seja entendido como irregularidade fiscal e contábil, uma vez que entendendo a Receita Federal de maneira diversa a mesma deverá realizar o cadastro de ofício, o que também não o fez”. Ressalva que a penalização não constituiria infração às estipulações da Lei 12.101/2009, o que, desde já, rechaça. Requer a anulação do auto. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0540.546 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CTN ARTIGO 14 ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO. VÍCIOS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. CONTRIBUIÇÕES PARA O FNDE/SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SEBRAE E SESC/SENAC. ENTREGA DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.677 15 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE. Embora a Impugnação argua a constitucionalidade de algumas normas, com base nas quais se deu o lançamento, é vedado à presente instância administrativa de julgamento proferir decisões a respeito, em face das disposições do artigo 26A do Decreto 70.235/1972. ENTIDADES BENEFICENTES ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Carece de fundamento a tese de que as disposições constitucionais (artigo 195, parágrafo sétimo) assegurariam, por si só, o direito à isenção das contribuições previdenciárias, pois o direito ao benefício depende do cumprimento dos respectivos requisitos legais (segundo o correspondente período de vigência) da Lei 8.212/1991, da MP 446/2008 e da Lei 12.101/2009. CTN ARTIGO 14 ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não tem cabimento a assertiva de que a imunidade/isenção estaria assegurada pela conjugação das disposições da Constituição com as do artigo 14 do CTN, cujos dispositivos vedam, na realidade, a cobrança de impostos e o lançamento não cuida de tal modalidade de exação fiscal e, ainda assim, limita a vedação da cobrança daquela exação fiscal os impostos ao “patrimônio, renda e serviços”. As contribuições previdenciárias não se confundem com impostos e muito menos incidem sobre patrimônio, renda e serviços do Contribuinte. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO. A tese do “direito adquirido” das entidades beneficentes constituídas antes da Lei 8.212/1991, encontrase definitivamente superada, pela edição da Súmula 352 do Superior Tribunal de Justiça, que estabelece: “Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) Cumprimento dos Requisitos Legais Supervenientes. A obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes”. VÍCIOS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O Contribuinte limitase a declarações genéricas, quanto ao que denominou “vícios na base de cálculo”. Por isso, a questão somente pode ser apreciada nestas mesmas condições no âmbito das generalidades, não sendo possível identificar a ocorrência do cerceamento do direito de defesa, que é exercido, aliás, em face do próprio trâmite do processo administrativo fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. O parágrafo nono do mesmo artigo 28 da Lei 8.212/1991 enumera expressa e taxativamente os pagamentos realizados no âmbito da relação empregatícia que não se incluem na base de cálculo das Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.678 16 contribuições previdenciárias. Esta é a regra determinada pela Lei 8.212/1991, constituindose, pois a premissa, com base na qual devem ser analisados os pagamentos considerados no lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. O sistema de determinação dos parâmetros e critérios de incidência da contribuição para o seguro de acidente do trabalho (inclusive adicionais), por normas subsidiárias, expedidas pelo Poder Executivo, é estabelecido pela legislação vigente, sendo, inclusive, referendado pela jurisprudência mais recente dos Tribunais Superiores. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. A incidência da taxa SELIC tem amparo legal na legislação apontada no anexo “FLD” e, inclusive, se encontra presentemente pacificada pelo STJ. CONTRIBUIÇÕES PARA O FNDE/SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SEBRAE E SESC/SENAC. A incidência das contribuições para terceiros dáse conforme as respectivas legislações, indicadas no anexo “FLD”. A jurisprudência dos Tribunais Superiores atesta amplamente a viabilidade jurídica das cobranças das contribuições. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou inserir, na mesma Guia, dados incorretos que provoquem alteração no cálculo das contribuições devidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9a. Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedentes as Impugnações. Cientifiquese a interessada, ressalvandolhe o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.679 17 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em relação ao AIOP 51.014.2192 (parte Empresa): Em sede Preliminar: (i) da nulidade da decisão recorrida por deixar de apreciar os fundamentos aduzidos na Impugnação. A r. decisão recorrida, ao deixar de apreciar a matéria constitucional invocada na impugnação, cerceou o direito de defesa da recorrente, com ofensa aos princípios do contraditório e do devido processo legal, aplicáveis ao processo administrativo por força do art. 2o da Lei 9784/99 e do art. 5o, LIV e LV da CF. (...) No caso presente, não se trata de lei inconstitucional, mas de desrespeito a princípios constitucionais, razão pela qual diante da omissão da autoridade em apreciar os argumentos trazidos à colação pela Recorrente é de rigor a decretação da nulidade da decisão de Ia Instância Administrativa. Do Mérito (ii) Da decisão no MS 9476/DF emissão do CEBAS direito líquido e certo da Recorrente à isenção O v. acórdão recorrido afirma que a coisa julgada formada nos autos do MS 9476 em favor da recorrente apenas lhe garantiria a emissão do CEBAS e não, a imunidade. Ora, em momento algum a recorrente afirmou que a coisa julgada lhe garantiria imunidade, inclusive porque esse não era o pedido do mandado de segurança. Naquele feito se discutia a existência de direito liquido e certo da recorrente à isenção, instituto diverso da imunidade, para o qual são exigidos outros requisitos e que tem outro alcance. E, tendo havido o reconhecimento desse direito, como de fato houve, há de ser reformada a r. decisão recorrida. Mas, ainda que assim não fosse, e o certificado a que alude a Lei de 1959 pudesse ser tido como um dos requisitos para o gozo da imunidade introduzida em nosso ordenamento em 1988, o fato é que na vigência dele não pode, a fiscalização expedir ato cancelatório de isenção e com base nele pretender cobrar da recorrente contribuições as quais não está sujeita. (iii) Da competência privativa do CNAS para a expedição do CEBAS Assim, anteriormente à Lei 12101/2009 era competência privativa do CNAS Conselho Nacional de Assistência Social órgão que integra o Ministério da Previdência e Assistência Social, mas sem vinculação direta com o INSS, analisar se a entidade preenche todos os requisitos Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.680 18 para o gozo da imunidade de que cuida o art. 195 § 7o CF, determinando a expedição do CEBAS. (iv) Da emissão do Ato Cancelatório de isenção pelo INSS apenas se a entidade não fosse portadora do CEBAS Apenas ao CNAS competiria averiguar se a entidade preenche ou não os requisitos para o gozo da imunidade, o que é atestado positivamente com a expedição do CEBAS. O INSS só poderia emitir ato cancelatório de isenção se a entidade não fosse portadora do CEBAS. Isso porque, se o órgão competente do Ministério da Previdência e Assistência Social atesta que a instituição faz jus à imunidade, determinando, em conseqüência, a expedição do CEBAS, é defeso ao INSS pretender afastar, sem autorização legal, a desoneração que foi reconhecida pelo órgão autorizado a tanto. (v) Do direito da Recorrente ao gozo da imunidade do art. 195, § 7o da CF. Embora o dispositivo utilize o termo "isenção" ao indicar que as entidades beneficentes de assistência social são desoneradas de contribuição para a seguridade social, por se tratar de desoneração veiculada pelo próprio texto constitucional, a sua natureza jurídica é de verdadeira imunidade (...)Convém salientar que esse magistério doutrinário refletese na própria jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal, que já identificou na cláusula inscrita no art. 195, § 7°, da Carta Política, a existência de uma típica garantia de imunidade estabelecida em favor das entidades beneficentes de assistência social (RTJ 137/965, Rei. Min. MOREIRA ALVES). Sendo a uma limitação ao poder de tributar, a "lei" a que faz menção a parte final do § 7o, ou seja, a que pode estabelecer as exigências para o gozo do beneficio, há ser a lei complementar, por força do que estabelece o art. 146 II da CF, verbis: (...)Assim, até que sobrevenha lei complementar instituindo outras condições para o gozo da imunidade prevista no art. 195 § 7 da CF, tais dispositivos do CTN elencam as únicas que as entidades beneficentes de assistência social devem preencher para gozar da desoneração em tela, representando verdadeiras balizas a que se deve ater o legislador ordinário. (vi) A entidade atendeu não só ao art. 14 CTN, bem como o art. 55 da Lei 8212/91 (a) a entidade é reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal: Decreto Federal de 27 de maio de 1992 (DO 28.05.92 publicado no Diário Oficial da União, de 28 de maio de 1992), Decreto Estadual 40.685, de 06 de setembro de 1962, e Lei municipal n° 6801, de 04 de dezembro de 1991.(does 04 a 06) art. 55 Ida Lei 8212/91; Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.681 19 (b) desde 1971, a impugnante sempre obteve Certificado de Filantropia, hoje denominado Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social art. 55 II da Lei 8212/91(doc.07); (c) promoveu, no período fiscalizado, assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes (redação original do art. 55 III da Lei 8212/91, em vigor por força da liminar concedida nos autos da ADI 20285). As autoridades previdenciárias jamais questionaram que o Hospital Maternidade "Celso Pierro" HCMP presta relevantes serviços sociais para toda a região do Estado de São Paulo e ainda, para a região do sul do Estado de Minas Gerais, disponibilizando atendimento médico, de ótima qualidade, ao SUS, e quv > xíospital mantido pela impugnante, é uma entidade beneficente de assistência social, que supre as deficiências do Estado no cumprimento do seu dever constitucional de fornecer à população serviços médicos de primeira necessidade. Tampouco questionaram que essa também é a realidade da PUCCampinas, outra entidade mantida pela impugnante, dedicada ao ensino de graduação e pósgraduação, nas mais diversas áreas, contando com 10 cursos de Mestrado/Doutorado e 22 cursos de especialização, e ainda, faculdade voltada para a terceira idade. (d) não remunerou seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, como, tampouco, lhes concedeu quaisquer vantagens ou benefícios art. 55 IV da Lei 8212/91 e art. 14 I do CTN (art. 5o §§ Io e 2o dos estatutos), independente do fato, apontado pela autoridade fiscal, de ter sido paga gratificação a diretor do Colégio Pio XII, pela sua atuação profissional, na ocasião de sua aposentadoria, o que, conforme a própria jurisprudência administrativa e judicial, não constitui obstáculo ao gozo da isenção. (e) aplicou, integralmente, eventual resultado operacional na manutenção de desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS, relatório circunstanciado de suas atividades (art. 55 V da Lei 8212/91 e art. 14II CTN); (f) manteve escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, tal como exigido pelo art. 14 III CTN, cuidando, ainda, de divulgar publicamente seus resultados, fato reconhecido pela própria administração, à época. Outrossim, a impugnante apresentou ao INSS relatório circunstanciado de suas atividades, dandolhe a conhecer os serviços caritativos que desenvolveu no período. (vii) a ilegitimidade do adicional ao RAT (viii) Das multas Uma vez demonstrada a insubsistência do auto de infração, não podem prevalecer as multas aplicadas, já que não demonstrada a ocorrência da infração que lhes daria suporte. (ix) a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de juros equivalentes à taxa SELIC sobre o suposto crédito tributário. Em relação ao AIOP 51.014.2206 (parte Segurados): Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.682 20 Em sede Preliminar: (i) da nulidade da decisão recorrida por deixar de apreciar os fundamentos aduzidos na Impugnação. A r. decisão recorrida, ao deixar de apreciar a matéria constitucional invocada na impugnação, cerceou o direito de defesa da recorrente, com ofensa aos princípios do contraditório e do devido processo legal, aplicáveis ao processo administrativo por força do art. 2o da Lei 9784/99 e do art. 5o, LIV e LV da CF. (...) No caso presente, não se trata de lei inconstitucional, mas de desrespeito a princípios constitucionais, razão pela qual diante da omissão da autoridade em apreciar os argumentos trazidos à colação pela Recorrente é de rigor a decretação da nulidade da decisão de Ia Instância Administrativa. Do Mérito (ii) Da decisão no MS 9476/DF emissão do CEBAS direito líquido e certo da Recorrente à isenção O v. acórdão recorrido afirma que a coisa julgada formada nos autos do MS 9476 em favor da recorrente apenas lhe garantiria a emissão do CEBAS e não, a imunidade. Ora, em momento algum a recorrente afirmou que a coisa julgada lhe garantiria imunidade, inclusive porque esse não era o pedido do mandado de segurança. Naquele feito se discutia a existência de direito liquido e certo da recorrente à isenção, instituto diverso da imunidade, para o qual são exigidos outros requisitos e que tem outro alcance. E, tendo havido o reconhecimento desse direito, como de fato houve, há de ser reformada a r. decisão recorrida. Mas, ainda que assim não fosse, e o certificado a que alude a Lei de 1959 pudesse ser tido como um dos requisitos para o gozo da imunidade introduzida em nosso ordenamento em 1988, o fato é que na vigência dele não pode, a fiscalização expedir ato cancelatório de isenção e com base nele pretender cobrar da recorrente contribuições as quais não está sujeita. (iii) Da competência privativa do CNAS para a expedição do CEBAS Assim, anteriormente à Lei 12101/2009 era competência privativa do CNAS Conselho Nacional de Assistência Social órgão que integra o Ministério da Previdência e Assistência Social, mas sem vinculação direta com o INSS, analisar se a entidade preenche todos os requisitos para o gozo da imunidade de que cuida o art. 195 § 7o CF, determinando a expedição do CEBAS. (iv) Da emissão do Ato Cancelatório de isenção pelo INSS apenas se a entidade não fosse portadora do CEBAS Apenas ao CNAS competiria averiguar se a entidade preenche ou não os requisitos para o gozo da imunidade, o que é atestado positivamente com a expedição do CEBAS. O INSS só poderia emitir ato cancelatório de isenção se a entidade não fosse portadora do CEBAS. Isso porque, se o órgão competente do Ministério da Previdência e Assistência Social atesta que a instituição Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.683 21 faz jus à imunidade, determinando, em conseqüência, a expedição do CEBAS, é defeso ao INSS pretender afastar, sem autorização legal, a desoneração que foi reconhecida pelo órgão autorizado a tanto. (v) Do direito da Recorrente ao gozo da imunidade do art. 195, § 7o da CF. Embora o dispositivo utilize o termo "isenção" ao indicar que as entidades beneficentes de assistência social são desoneradas de contribuição para a seguridade social, por se tratar de desoneração veiculada pelo próprio texto constitucional, a sua natureza jurídica é de verdadeira imunidade (...)Convém salientar que esse magistério doutrinário refletese na própria jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal, que já identificou na cláusula inscrita no art. 195, § 7°, da Carta Política, a existência de uma típica garantia de imunidade estabelecida em favor das entidades beneficentes de assistência social (RTJ 137/965, Rei. Min. MOREIRA ALVES). Sendo a uma limitação ao poder de tributar, a "lei" a que faz menção a parte final do § 7o, ou seja, a que pode estabelecer as exigências para o gozo do beneficio, há ser a lei complementar, por força do que estabelece o art. 146 II da CF, verbis: (...)Assim, até que sobrevenha lei complementar instituindo outras condições para o gozo da imunidade prevista no art. 195 § 7 da CF, tais dispositivos do CTN elencam as únicas que as entidades beneficentes de assistência social devem preencher para gozar da desoneração em tela, representando verdadeiras balizas a que se deve ater o legislador ordinário. (vi) A entidade atendeu não só ao art. 14 CTN, bem como o art. 55 da Lei 8212/91 (a) a entidade é reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal: Decreto Federal de 27 de maio de 1992 (DO 28.05.92 publicado no Diário Oficial da União, de 28 de maio de 1992), Decreto Estadual 40.685, de 06 de setembro de 1962, e Lei municipal n° 6801, de 04 de dezembro de 1991.(does 04 a 06) art. 55 Ida Lei 8212/91; (b) desde 1971, a impugnante sempre obteve Certificado de Filantropia, hoje denominado Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social art. 55 II da Lei 8212/91(doc.07); (c) promoveu, no período fiscalizado, assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes (redação original do art. 55 III da Lei 8212/91, em vigor por força da liminar concedida nos autos da ADI 20285). As autoridades previdenciárias jamais questionaram que o Hospital Maternidade "Celso Pierro" HCMP presta relevantes serviços sociais para toda a região do Estado de São Paulo e ainda, para a região do sul do Estado de Minas Gerais, disponibilizando atendimento médico, de ótima qualidade, ao SUS, e quv > xíospital mantido pela impugnante, é uma entidade beneficente de assistência social, que supre as deficiências do Estado no cumprimento do seu dever constitucional de fornecer à população serviços médicos de primeira necessidade. Tampouco questionaram que essa também é a realidade da PUCCampinas, outra entidade mantida pela impugnante, dedicada Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.684 22 ao ensino de graduação e pósgraduação, nas mais diversas áreas, contando com 10 cursos de Mestrado/Doutorado e 22 cursos de especialização, e ainda, faculdade voltada para a terceira idade. (d) não remunerou seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, como, tampouco, lhes concedeu quaisquer vantagens ou benefícios art. 55 IV da Lei 8212/91 e art. 14 I do CTN (art. 5o §§ Io e 2o dos estatutos), independente do fato, apontado pela autoridade fiscal, de ter sido paga gratificação a diretor do Colégio Pio XII, pela sua atuação profissional, na ocasião de sua aposentadoria, o que, conforme a própria jurisprudência administrativa e judicial, não constitui obstáculo ao gozo da isenção. (e) aplicou, integralmente, eventual resultado operacional na manutenção de desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS, relatório circunstanciado de suas atividades (art. 55 V da Lei 8212/91 e art. 14II CTN); (f) manteve escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, tal como exigido pelo art. 14 III CTN, cuidando, ainda, de divulgar publicamente seus resultados, fato reconhecido pela própria administração, à época. Outrossim, a impugnante apresentou ao INSS relatório circunstanciado de suas atividades, dandolhe a conhecer os serviços caritativos que desenvolveu no período. (vii) Da inexigibilidade da contribuição sobre Bolsa Protocolo Salarial De acordo com o art. 195 I da CF e os arts. 30 I "b" e 33 "caput" da Lei 8212/91 c/c 216 I "b" e 229 do RPS, a contribuição exigida tem como base de cálculo "a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos o creditados a qualquer título, à pessoa física" que prestar serviços à empregador, "mesmo sem vínculo empregatício". A permissão constitucional é, portanto, limitada. A contribuição social em questão só pode alcançar rendimentos pagos pelo empregador em contraprestação a trabalho efetuado por pessoa física. Há nítido caráter retributivo entre o rendimento pago pelo empregador base de cálculo da contribuição social sobre a folha de salários e o trabalho efetuado. (...)Ainda que fosse exigível o recolhimento da contribuição a cota patronal sobre os valores que empregadores gastam com a educação de dependentes de seus funcionários, a cobrança em tela seria indevida, uma vez que tais despesas são suportadas pela recorrente não por sua liberalidade, mas por força de convenção coletiva de trabalho, conforme noticiado em sua defesa. (viii) Das multas Uma vez demonstrada a insubsistência do auto de infração, não podem prevalecer as multas aplicadas, já que não demonstrada a ocorrência da infração que lhes daria suporte. (ix) a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de juros equivalentes à taxa SELIC sobre o suposto crédito tributário. Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.685 23 Em relação ao AIOP 51.014.2214 (Terceiros): Os argumentos deduzidos pela Recorrente, anteriormente igualmente deduzidos em sede de Impugnação conforme o relatório da decisão de primeira instância, são os mesmos formulados no Recurso Voluntário, relativo ao lançamento fiscal AIOP 51.014.2192 (parte Empresa), acrescido dos tópicos: (i) Contribuição ao FNDE/salárioeducação – sustenta, em síntese, que a cobrança não teria respaldo nas disposições constitucionais vigentes, em face do “perfil tributário” que teria adquirido na nova sistemática legal. (ii) Contribuição para o INCRA – defende a inexigibilidade da cobrança, em face da atividade desenvolvida pelo Contribuinte e considerando que “... cessou a causa jurídica que legitimava a cobrança dessa exação”. (iii) Contribuições para SESC, SEBRAE e SENAC – não seriam legítimas as cobranças, pois: a) SESC e SENAC, pelos fundamentos jurídicos que expõe, não seriam devidas pelo Contribuinte, que não é empresa comercial; b) SEBRAE, pelas mesmas razões, já que se trataria de um adicional àquelas contribuições. Em relação ao AIOA 51.014.2222 (CFL 78): (i) da nulidade da decisão recorrida por deixar de apreciar os fundamentos aduzidos na Impugnação. A r. decisão recorrida, ao deixar de apreciar a matéria constitucional invocada na impugnação, cerceou o direito de defesa da recorrente, com ofensa aos princípios do contraditório e do devido processo legal, aplicáveis ao processo administrativo por força do art. 2o da Lei 9784/99 e do art. 5o, LIV e LV da CF. (...) No caso presente, não se trata de lei inconstitucional, mas de desrespeito a princípios constitucionais, razão pela qual diante da omissão da autoridade em apreciar os argumentos trazidos à colação pela Recorrente é de rigor a decretação da nulidade da decisão de Ia Instância Administrativa. (ii) Da emissão de GFIPs com incorreções pagamentos que não ensejam recolhimentos pois a entidade é imune. ... por não estar sujeita ao recolhimento das contribuições devidas ao INSS, por ser entidade imune, nos termos do art. 195, § 7º CF, e restar indevida a obrigação principal, não está adstrita a cumprir a obrigação acessória. Ressalva que: “No caso presente, foi imposta multa (...) por ter, a Recorrente emitido GFIP´s com incorreções referentes aos seus estabelecimentos, quando, na realidade se referem a pagamentos que Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.686 24 não ensejam qualquer recolhimento de INSS, uma vez que é, nos termos do art. 195 § 7º CF, imune às contribuições sociais”. Em relação ao AIOA 51.035.0119 (CFL 30): (i) da nulidade da decisão recorrida por deixar de apreciar os fundamentos aduzidos na Impugnação. A r. decisão recorrida, ao deixar de apreciar a matéria constitucional invocada na impugnação, cerceou o direito de defesa da recorrente, com ofensa aos princípios do contraditório e do devido processo legal, aplicáveis ao processo administrativo por força do art. 2o da Lei 9784/99 e do art. 5o, LIV e LV da CF. (...) No caso presente, não se trata de lei inconstitucional, mas de desrespeito a princípios constitucionais, razão pela qual diante da omissão da autoridade em apreciar os argumentos trazidos à colação pela Recorrente é de rigor a decretação da nulidade da decisão de Ia Instância Administrativa. (ii) Da incorreção das GFIPs Argumenta que constituiria objeto da penalização a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. E reconhece que “... não elaborou GFIP com relação aos segurados a seu serviço, uma vez que não está sujeita ao recolhimento das contribuições devidas ao INSS, por ser entidade imune ... Entende assim que, por ser indevida a obrigação principal, não está adstrita cumprir a obrigação acessória”. Repete os argumentos apresentados com a Impugnação relativa ao Auto de Infração 51.014.2222 (fls. 1961/1971): não ter causado prejuízo; não ter havido má fé; poder suprir a falta com outros registros; desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa; aplicação dos princípios constitucionais da legalidade, da finalidade e do interesse público. Em relação ao AIOA 51.035.0135 (CFL 56): (i) Da não inscrição de segurados médicos não conveniados a planos de saúde; (ii) Da não irregularidade fiscal e contábil; Em relação ao AIOA 51.035.0127 (CFL 35): (i) Da falta da entrega de documentos bolsa protocolo salarial fornecimento de outros documentos e esclarecimentos pessoais; (ii) da majoração da multa; Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.687 25 Em relação ao AIOA 51.035.0143 (CFL 91): (i) Da tipificação de estabelecimento pelo Código Civil abertura de CNPJs (ii) Da correta tipificação e imposição de multa; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.688 26 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo, conforme informação colhida dos autos. DO PROCEDIMENTO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0540.546 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP que julgou procedente as autuações: (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 51.014.2192 (parte Empresa); (ii) AIOP nº. 51.014.2206 (parte Segurados); (iii) AIOP nº. 51.014.2214 (Terceiros); (iv) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 51.014.2222 (CFL 78); (v) AIOA nº. 51.035.0119 (CFL 30); (vi) AIOA nº. 51.035.01279 (CFL 35); (vii) AIOA nº. 51.035.0135 (CFL 56); e (viii) AIOA nº. 51.035.0143 (CFL 91). O Relatório Fiscal elenca, para as entidades beneficentes de assistência social, o quadro da legislação orientadora dos requisitos a serem atendidos para a isenção de contribuição para a seguridade social: até 09/11/2008 – no artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; de 10/11/2008 a 11/02/2009 Medida Provisória nº 446, de 07/11/2008, publicada no DOU de 10/11/2008 (rejeitada); de 12/02/2009 a 29/11/2009 no artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991 a partir de 30/11/2009 – Lei nº 12.101, de 27/11/2009 O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 01/2009 a 12/2009. O contribuinte teve ciência das Autuações em 19.12.2012, conforme os autos. O Relatório Fiscal destaca os quatro fundamentos do procedimento fiscal ensejadores das autuações realizadas: (i) A Tutela antecipada concedida {na Ação Popular n° 0003421 40.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217)} para suspender os efeitos da resolução 03/2009 do CNAS que renovou os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS da instituição com validade para os períodos de 01/01/2004 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.689 27 a 31/12/2009. Conseqüentemente, no Relatório Fiscal consta que foi atendida a determinação judicial por meio dos Autos de Infração de Obrigações Principais lavrados neste procedimento fiscal, abrangendo o período de 01/2008 a 12/2009. (ii) Os Autos de Infração também foram lavrados: por ter sido cancelada a isenção das contribuições da SCEI Sociedade Campineira de Educação e Instrução pelo INSS pelo Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais N° 21.424.1/003/2004; (iii) pela SCEI não atender aos requisitos estabelecidos nos incisos VIII e XI do artigo 28 da MP 446/2008; (iv) pela SCEI não atender aos requisitos estabelecidos nos incisos V e VII do artigo 29 da Lei 12.101/2009. De início, é importante se observar do Relatório Fiscal que os Autos de Infração lavrados NÃO TIVERAM como fundamento a lavratura para se prevenir a decadência, nos termos do art. 86, do decreto 7.574/2011: Art.86.O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). §1oO lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). §2oO lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, continuemos. Observase que nos dois primeiros fundamentos em que baseou o procedimento fiscal aparece nos autos controvérsias judiciais a respeito, sem o devido trânsito em julgado. Senão, vejamos. Em relação ao fundamento (i) sobre a tutela antecipada concedida para suspender os efeitos do CEBAS: i) A Tutela antecipada concedida {na Ação Popular n° 0003421 40.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217)} para suspender os efeitos da resolução Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.690 28 03/2009 do CNAS que renovou os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS da instituição com validade para os períodos de 01/01/2004 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 a 31/12/2009. Conseqüentemente, no Relatório Fiscal consta que foi atendida a determinação judicial por meio dos Autos de Infração de Obrigações Principais lavrados neste procedimento fiscal, abrangendo o período de 01/2008 a 12/2009. A primeira fundamentação apontada no Relatório Fiscal se refere à tutela antecipada em Ação Popular para suspender os efeitos do CEBAS da instituição, com o conseqüente atendimento à determinação judicial de se lavrar as autuações fiscais. Nos autos, constam uma medida judicial que discute tal matéria acerca do direito da recorrente à manutenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS CEBAS: (a) A Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217), na qual se precisa determinar o trânsito em julgado. Ou seja, a partir do trânsito em julgado julgado e os efeitos no processo administrativo fiscal desta Ação Popular é que se poderá determinar, em sede Preliminar, se incorre em nulidade (total ou parcial, formal ou material), ou não, esta primeira fundamentação do procedimento fiscal que resultou na lavratura dos Autos de Infração. Em consulta, Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217), ao site do TRF da 2a Região (http://portal.trf2.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp), em 05.12.2015, constatase que o processo está concluso ao Relator desde 09.09.2014. Em relação ao fundamento (ii) sobre a expedição do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004: (ii) Os Autos de Infração também foram lavrados: por ter sido cancelada a isenção das contribuições da SCEI Sociedade Campineira de Educação e Instrução pelo INSS pelo Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004; A segunda fundamentação apontada no Relatório Fiscal se refere à expedição do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004. Nos autos, constam informações de duas medidas judiciais que discutes tal matéria acerca do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais: (a) O Mandado de Segurança impetrado no STJ, MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), na qual se reconhece o direito da impetrante à manutenção do CEBAS, anulandose o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004; Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.691 29 (b) Às fls. 1626 da Impugnação, temse referência ao Agravo de Instrumento AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 0008864 40.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região, na qual se discute a exigência de contribuição previdenciária incidente sobre remunerações pagas a autônomos, onde a Recorrente informa que se reconheceu judicialmente a "imprestabilidade" dos fundamentos do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004, além de lhe garantir o direito adquirido ao certificado de entidade filantrópica sem prazo determinado com a isenção da cota patronal. Ou seja, a partir do trânsito em julgado e os efeitos no processo administrativo fiscal do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012) e do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, é que se poderá determinar, em sede Preliminar, se incorre em nulidade (total ou parcial, formal ou material), ou não, esta segunda fundamentação do procedimento fiscal que resultou na lavratura dos Autos de Infração. Em consulta ao AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 0008864 40.2011.403.6105), ao site do TRF da 3a Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20110 3000249289), em 05.12.2015, constatase que, em 02.10.2004, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em consulta ao MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), ao site do STJ (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo= 200302372012&totalR), em 05.12.2015, constatase que a última movimentação ocorreu em 16.04.2010 com a certidão de objeto e pé. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, como prejudicial ao julgamento dos Autos de Infração temse, por óbvio, que se observar os seguintes trânsito em julgado e os efeitos neste processo administrativo fiscal: (i) da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; e (iii) do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região. Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.727647/201213 Resolução nº 2202000.627 S2C2T2 Fl. 3.692 30 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe (sendo que, após a conclusão das Diligências requeridas, a Unidade da Receita Federal do Brasil deverá intimar o contribuinte acerca do resultado das Diligências, abrindo o prazo de 30 dias para Manifestação com vistas ao contraditório e à ampla defesa): (i) o trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (iii) o trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; (iv) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012); (v) o trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região; (vi) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105; (vii) conclusivamente se, em função do resultado das diligências elencadas acima, a Recorrente possui direito à isenção de contribuições sociais previdenciárias no período 01/2008 a 12/2008; (viii) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10073.721246/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS - EFEITOS INFRINGENTES
Constatado que apesar de a razão social da pessoa jurídica de que trata o presente processo, ser idêntica à razão social da pessoa jurídica identificada no processo nº 10073.721242/2011-00, de fato, são pessoas jurídicas distintas com CNPJ diferente, portanto, cabível a retificação do Acórdão nº 1802-002.494 de 03/03/2015 que equivocadamente entendeu que se tratava da mesma pessoa jurídica e decidiu pelo cancelamento de exigência da multa por atraso na entrega da DCTF por haver duplicidade do lançamento com o mesmo objeto do processo 10073.721242/2011-00.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. IMUNIDADE. ISENÇÃO.
A teor do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 a pessoa jurídica imune ou isenta não fica desobrigada a entrega da DCTF. E, não comprovado nos autos que a pessoa jurídica se manteve inativa durante todo o ano calendário a que se refere a DCTF não se pode afastar a multa aplicada.
Verificado na Notificação de Lançamento que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 08/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, resta cabível a multa por atraso na entrega. Portanto, improcedente o recurso voluntário apresentado pela Recorrente.
Numero da decisão: 1201-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos inominados emprestando efeitos infringentes ao Acórdão nº 1802-002.493, de 03/03/2015, de modo a NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro (Presidente) Marcelo Cuba Netto, que não admitia os embargos.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS - EFEITOS INFRINGENTES Constatado que apesar de a razão social da pessoa jurídica de que trata o presente processo, ser idêntica à razão social da pessoa jurídica identificada no processo nº 10073.721242/2011-00, de fato, são pessoas jurídicas distintas com CNPJ diferente, portanto, cabível a retificação do Acórdão nº 1802-002.494 de 03/03/2015 que equivocadamente entendeu que se tratava da mesma pessoa jurídica e decidiu pelo cancelamento de exigência da multa por atraso na entrega da DCTF por haver duplicidade do lançamento com o mesmo objeto do processo 10073.721242/2011-00. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. A teor do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 a pessoa jurídica imune ou isenta não fica desobrigada a entrega da DCTF. E, não comprovado nos autos que a pessoa jurídica se manteve inativa durante todo o ano calendário a que se refere a DCTF não se pode afastar a multa aplicada. Verificado na Notificação de Lançamento que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 08/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, resta cabível a multa por atraso na entrega. Portanto, improcedente o recurso voluntário apresentado pela Recorrente.
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DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. A teor do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 a pessoa jurídica imune ou isenta não fica desobrigada a entrega da DCTF. E, não comprovado nos autos que a pessoa jurídica se manteve inativa durante todo o ano calendário a que se refere a DCTF não se pode afastar a multa aplicada. Verificado na Notificação de Lançamento que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 08/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, resta cabível a multa por atraso na entrega. Portanto, improcedente o recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos inominados emprestando efeitos infringentes ao Acórdão nº 1802002.493, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 12 46 /2 01 1- 80 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10073.721246/201180 Acórdão n.º 1201001.366 S1C2T1 Fl. 3 2 03/03/2015, de modo a NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro (Presidente) Marcelo Cuba Netto, que não admitia os embargos. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório O presente processo trata de Notificação de Lançamento relativa à multa de R$ 200,00 por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 2º semestre de 2009. Na descrição dos fatos, da mencionada Notificação de Lançamento consta o seguinte: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004. Por economia processual e considerar pertinente adoto parte do relatório da decisão recorrida que sintetiza a Impugnação da Recorrente que a seguir transcrevo: ... Na impugnação, a defesa alega: que a entrega da declaração decorre de intimação fiscal, mas a obrigação acessória é indevida; que o contribuinte é imune, desobrigandose de tal declaração. Ao final, requer o cancelamento da notificação de lançamento. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10073.721246/201180 Acórdão n.º 1201001.366 S1C2T1 Fl. 4 3 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a impugnação, mediante o Acórdão nº 1046.621, de 26 de setembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2009 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. Imunidade e isenção não desobrigam a entrega da DCTF. Cientificada da mencionada decisão em 08/01/2014, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 06/02/2014. Diz que, por ser uma entidade filantrópica, destinada ao serviço público na pregação da palavra de Deus, na assistência aos necessitados cumpre a sua responsabilidade social. Aduz que, diante do processo nº 10073.721247/201124 a 5ª Turma da DRJ/RJ1 deferiu a improcedência da multa da DCTF conforme cópia em anexo. Finalmente requer a improcedência da ação fiscal e que seja dado provimento ao recurso voluntário. Em sessão de 3 de março de 2015, mediante o Acórdão nº 1802002.493, os membros da extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso, nos termos do voto condutor do mencionado Acórdão ora embargado, assim ementado: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DUPLICIDADE. Constatado que a Notificação de Lançamento referese ao 2º (segundo) semestre de 2009 que tem o mesmo objeto do processo nº 10073.721242/201100, há que se cancelar a autuação, tratada nos presentes autos, diante da duplicidade de exigência da multa por atraso na entrega A DRF de Volta Redonda/RJ, constatando o erro/equívoco estampado no mencionado acórdão, expediu Despacho o qual esclarece que, embora as pessoas jurídicas tenham idêntica Razão Social, o CNPJ do presente processo é 05.519.817/000194 e o CNPJ do processo nº 10073.721242/201100 é 05.525.433/000184. Assim não há falar em duplicidade de lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF por se tratar de pessoas jurídicas distintas. É o relatório. Voto Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10073.721246/201180 Acórdão n.º 1201001.366 S1C2T1 Fl. 5 4 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Diante do despacho da DRF de Volta Redonda/RJ, cumpre ao presente voto verificar a correta pessoa jurídica autuada e que apresentara o Recurso Voluntário, considerando o Acórdão nº 1802002.493, de 3 de março de 2015, proferido pela extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF relativa ao 2° Semestre de 2009, de que trata a Notificação de Lançamento, na qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 200,00, com redução de 50%, ou seja, R$ 100,00 para ser pago até 30 dias após a data de entrega da DCTF e ciência da notificação de lançamento. A Recorrente não pagou o valor com a redução de 50%, optando por impugnar o lançamento tributário. Consta da mencionada Notificação de Lançamento que a DCTF em comento, tinha como prazo final para a entrega o dia 08/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, portanto, aplicada a multa mínima por atraso na entrega. Em sessão de 3 de março de 2015, mediante o Acórdão nº 1802002.493, os membros da extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso, nos termos do voto condutor do mencionado Acórdão, assim ementado: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DUPLICIDADE. Constatado que a Notificação de Lançamento referese ao 2º (segundo) semestre de 2009 que tem o mesmo objeto do processo nº 10073.721242/201100, há que se cancelar a autuação, tratada nos presentes autos, diante da duplicidade de exigência da multa por atraso na entrega A DRF de Volta Redonda/RJ, constatando o erro/equívoco estampado no mencionado acórdão, expediu Despacho o qual esclarece que, embora as pessoas jurídicas tenham idêntica Razão Social, o CNPJ do presente processo é 05.519.817/000194 e o CNPJ do processo nº 10073.721242/201100 é 05.525.433/000184. Assim, configurado o erro na identificação do sujeito passivo, não há falar em duplicidade de lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF por se tratar de pessoas jurídicas distintas. De fato, compulsandose a Notificação de Lançamento de que tratam os presentes autos verificase que a denominação da pessoa jurídica é a mesma de que trata o processo nº 10073.721242/201100, todavia o CNPJ (05.519.817/000194) é diferente, o que demonstra tratarse de pessoas jurídicas distintas. Com efeito, constatado que apesar de a razão social da pessoa jurídica de que trata o presente processo, ser idêntica à razão social da pessoa jurídica identificada no processo nº 10073.721242/201100, de fato são pessoas jurídicas distintas com CNPJ diferente, portanto, cabível a retificação do Acórdão nº 1802002.494 de 03/03/2015 que equivocadamente entendeu que se tratava da mesma pessoa jurídica e decidiu pelo Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10073.721246/201180 Acórdão n.º 1201001.366 S1C2T1 Fl. 6 5 cancelamento de exigência da multa por atraso na entrega da DCTF por haver duplicidade do lançamento com o mesmo objeto do processo 10073.721242/201100. Forçoso concluir, portanto, que o mencionado Acórdão foi lavrado com erro material. Logo, deve ser considerado o disposto no art. 32 do Decreto nº 70.235/72, que determina a correção de ofício de erros de escrita ou de cálculo contidos na Decisão, e ainda o art. 66 da Portaria MF 343/2015, que aprova o Regimento Interno do CARF, segundo o qual para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, será proferido novo acórdão. Desse modo, evidenciado o equivoco/erro no julgamento anterior, e tornando aquele Acórdão sem qualquer efeito legal, passase a análise do lançamento da multa por atraso na entrega de DCTF de que tratam os presentes autos. A multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de29/12/2004, que assim dispõe: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10073.721246/201180 Acórdão n.º 1201001.366 S1C2T1 Fl. 7 6 IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) ... Como se vê, a entrega da DCTF relativa ao 2º semestre de 2009, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de (2%) dois por cento ao mês calendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pagos, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e R$ 500,00 nos demais casos.(Inteligência do artigo 7º e seus parágrafos da Lei nº 10.426/2002). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10073.721246/201180 Acórdão n.º 1201001.366 S1C2T1 Fl. 8 7 O dispositivo legal acima transcrito não dispensa pessoas jurídicas imunes ou isentas de apresentar a DCTF. A IN SRF nº 695, de 14/12/2006, que trata das DCTF, dispõe o seguinte: Art. 1º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa a fatos geradores que ocorreram a partir de 1º de janeiro de 2006, são as estabelecidas por esta Instrução Normativa. (Grifei) (...) Art. 6º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: ... II – as pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o ano calendário a que se referirem as DCTF; ... § 4º Considerase inativa a pessoa jurídica que não realizar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial no curso do período. Não consta dos autos que a pessoa jurídica se encontrava na situação de inativa, e sim, que a DCTF fora apresentada (zerada) sem qualquer apuração de débitos sendo lhe aplicada a multa mínima de R$ 200,00 (menos severa) e não, a outra multa mínima de R$ 500,00. Desse fato, depreendese que o autuante aplicou a multa mínima de R$ 200,00 adotando interpretação benéfica com escora no artigo 112 do CTN que assim dispõe: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A Recorrente alega que, por ser uma entidade filantrópica, destinada ao serviço público na pregação da palavra de Deus, na assistência aos necessitados cumpre a sua responsabilidade social. De acordo com o parágrafo único do artigo 175 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional – CTN) “A exclusão do crédito tributário não Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10073.721246/201180 Acórdão n.º 1201001.366 S1C2T1 Fl. 9 8 dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente”. Com efeito, ainda que a Recorrente se encontre na situação de pessoa jurídica imune do pagamento de impostos (art.150, inciso VI, alínea “b”, da Constituição Federal) – templos de qualquer culto não está dispensada do cumprimento das obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2º e 3º do artigo 113 do CTN (como por exemplo: entrega de DCTF). Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Dessa forma, não havendo lei para a dispensa da penalidade, e, estando a interessada obrigada à apresentação da DCTF, e, sendo inconteste que, apresentou a declaração DCTF do 2º Semestre de 2009, com atraso, é de se manter a exigência da multa em análise. A Recorrente aduz que, diante do processo nº 10073.721247/201124 a 5ª Turma da DRJ/RJ1 deferiu a improcedência de multa da DCTF conforme cópia em anexo. Quanto a alusão feita ao mencionado processo, não se estende aos presentes autos a decisão a que se refere haver julgado o lançamento improcedente da multa referente a entrega de DCTF fora do prazo, pois depende de fatos discutidos no mencionado processo que podem ensejar conclusão diversa. Convém registrar que a jurisprudência citada pela Recorrente serve apenas como forma de defesa, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não tem eficácia normativa. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos inominados emprestando efeitos infringentes ao Acórdão nº 1802002.493, de 03/03/2015, de modo a NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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