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Numero do processo: 10240.002712/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, e idônea, a origem dos recursos.
PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo à contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos em lei.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A simples falta de pagamento de tributo não caracteriza, por si só, a responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN. Há que se averiguar a real comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE.
As informações, referentes à movimentação bancária da contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado.
MULTA QUALIFICADA.
A apresentação de declaração de inatividade caracteriza a subtração da informação por parte da autoridade fiscal, retardando ou impedindo o conhecimento dos resultados e receitas auferidos no desempenho ou não da atividade. Configurada a falsa declaração, tendente a retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, aplica-se a multa qualificada.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL PIS E COFINS.
Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.
Numero da decisão: 1202-001.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em manter a responsabilidade tributária da pessoa física arrolada e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, e idônea, a origem dos recursos. PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo à contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos em lei. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A simples falta de pagamento de tributo não caracteriza, por si só, a responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN. Há que se averiguar a real comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária da contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. MULTA QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 27 12 /2 00 8- 50 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 2 A apresentação de declaração de inatividade caracteriza a subtração da informação por parte da autoridade fiscal, retardando ou impedindo o conhecimento dos resultados e receitas auferidos no desempenho ou não da atividade. Configurada a falsa declaração, tendente a retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, aplicase a multa qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL PIS E COFINS. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em manter a responsabilidade tributária da pessoa física arrolada e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratamse esses autos de exigência de IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no montante de R$ 29.394,47; contribuição ao PIS, no montante de R$ 3.330,98; COFINS, no montante de R$ 15.374,00; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no montante de R$ 14.697,23, com fundamento em omissão de receitas identificado através de depósitos bancários de origem não comprovada. Os montantes já estão acrescidos de multa de ofício agravada de 150% e juros com base na taxa SELIC. Com fundamento legal nos artigos 27, I, e 42 da Lei nº 9430/96; , artigos 532 e 537 do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99 RIR/99; artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; artigo 24, §2º, da Lei 9249/95; artigo 2º, I, “a”, parágrafo único , II, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n. 4524/02; artigo 22 da Lei nº 10.684/03 e artigo 37 da Lei nº 10.637/02. Irresignada, o contribuinte apresentou impugnação, aqui transcrita do acórdão recorrido, para evitar repetições. 1) A impugnante não teve ciência nem do MPF nem dos Termos de Início de Fiscalização e de Intimação lavrados contra si; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 3 3 2) No caso sob litígio, a falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, na forma determinada pelo § 2° do art. 13 da Portaria SRF n° 3.007, de 26.11.2001, ofende os Princípios da legalidade e da Moralidade Administrativa, de sorte que o lançamento efetuado em tal circunstância padece de vários irremediáveis vícios, impondo, assim, a anulação do ato exacional; 3) O contribuinte está totalmente impossibilitado de se defender e oferecer os documentos requisitados pela Fiscalização, posto que não mais os tinha em sua guarda; 4) A impugnante realmente pensara que, pelo fato de estar inativa há muitos anos, não mais havia a necessidade de guardar consigo os livros e documentos. O simples fato de não mais estar em funcionamento, dificulta que se guarde documentos antigos; 5) Os Agentes Fiscais obtiveram, sem sua autorização, alguns extratos bancários relativos às contas que manteve nas instituições financeiras quando ainda estava em funcionamento; 6) Com relação à quebra de seu sigilo bancário pelos Agentes Fiscais dai Receita Federal do Brasil, a impugnante vem informar que não apresentou os extratos bancários solicitados por estar seguindo orientação de seus advogados; 7) Os lançamentos a crédito relacionados nos extratos bancários não representam a verdadeira base de calculo dos tributos em questão; 8) A impugnante quando apresentou declaração de inatividade à Receita Federal do Brasil, relativa ao ano calendário de 2004, tinha claro que o fato de ter emprestado suas contas bancárias para terceiros, não descaracterizaria sua condição de inativa; 9) Ao contrario do que afirmam os Agentes Fiscais, em seu Termo de Verificação, no ano calendário de 2003, a Impugnante não apresentou Declaração "com receita igual a O(zero)."; 10) Os valores relativos à impressão de livro devem estar fora do campo de incidência tributário, devendo também serem retirados dos Autos de Infração, até por já terem sido declarados; 11) Os Agentes Fiscais tributaram os valores quando foram creditados nas contas bancárias, lavrando autos de infração do SIMPLES, para o ano de 2003, e IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, para o ano de 2004; 12) Quando os recursos foram debitados, ou seja, saíram das contas bancárias, os Agentes Fiscais tributaram novamente, lavrando um auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte; 13) A todos parece justo que uma vez tendo os recursos sido tributados pelo Imposto de Renda e pelas Contribuições, ao ingressarem nas contas bancárias. ainda que discorde do Fl. 462DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 4 lançamento feito com base somente nos extratos bancários, esses mesmo recursos não poderiam ser novamente tributados quando deixaram as mesmas contas bancárias; 14) A impugnante não apresentou Declaração de Inativa com o objetivo de sonegar qualquer tributo, devendo ser desqualificada a multa de 150%; 15) No período fiscalizado não houve venda, não houve compra nem qualquer outra operação que diga respeito aos seus objetivos sociais. O fato de ter emprestado suas contas bancárias e nelas terceiros terem realizado depósitos e saques não configura movimento ou atividade Também o Sr. Antonio Spegiorin Tavares, apresentou impugnação, assim sintetizada pelo julgador de primeira instância: 1)O impugnante vem contestar a sujeição passiva solidária e reafirmar que o fato de possuir um instrumento de procuração não o torna responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica; 2) O impugnante reafirma que jamais foi sócio da empresa autuada; 3) Reafirma também que os reais atuais proprietários da empresa em questão são os Senhores UELITON DURVAL ATAIDE DE SOUZA, CPF 682.663.91220, e JOSÉ, RONALDO MELO DA CRUZ, CPF 675.422.98291, que foram encontrados pela fiscalização e responderam pela empresa; 4) Os referidos senhores adquiriram regularmente a empresa no dia 01/02/2007, conforme Décima Primeira Alteração do Contrato Social; 5) Por outro lado, os adquirentes não necessitavam possuir a quantia de R$ 55.000,00, conforme afirmam os Agentes Fiscais, pois tratase de uma empresa que não funciona mais, estando inativa há mais de 10 anos, sendo o valor de seu capital mera referência para efeitos de Registro do Comércio; 6) Está claro que ao gerenciar a sociedade, por conta e ordem de seus proprietários, o impugnante não incorre em nenhuma das duas situações previstas em Lei para a atribuição da Responsabilidade Solidária. A 1ª Turma da DRJ/BEL, julgou o feito no acórdão n. 0113.453 (fl. 272 e seguintes). Analisando a preliminar de nulidade de mandado de procedimento fiscal, diz que esta não pode prosperar. Salienta que houve a intimação regular e cientificação da interessada, especialmente do Termo de Início de Fiscalização e MPF. Aponta que as primeiras prorrogações do MPF foram determinadas pelas disposições da Portaria SRF nº 6087 de 21.11.2005, em seu artigo 13, de onde se extrai que as prorrogações são efetuadas por registro eletrônico, disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil RFB, por senha contida no MPF, com a indicação de cientificação da contribuinte quando do primeiro ato praticado pela autoridade após a prorrogação. Traz as disposições sobre as modalidades de intimação estabelecidas no Decreto nº 70.235/72, artigo 23, apontando que, no caso dos autos, foi efetuada a intimação no Fl. 463DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 4 5 domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo posteriormente efetuada por edital. Após, mediante diversas diligências, houve a ciência pessoal do MPF complementar e do Termo de Reintimação Fiscal nº 002, sendo que houve a intimação da substituição do MPF original pelo MPF 0250100 2008 001298, com fulcro na Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, em seu artigo 20. Ainda, houve a intimação da continuidade do procedimento fiscal em julho de 2008. Destaca que não houve o cumprimento estrito das disposições contidas no artigo 9º, parágrafo único da Portaria RFB nº 11.371/2007, eis que não houve a cientificação da contribuinte das prorrogações de prazo ocorridas em 8 de agosto e 7 de outubro de 2008. Porém, entende que este é um vício de pequena amplitude, destacando que: “uma vez que o fim máximo do MPF — sob a ótica do interesse do sujeito passivo — é assegurarlhe a transparência, a impessoalidade, a moralidade no trato com a Administração Fazendária. E esses fatores foram plenamente atingidos, pois a impugnante foi cientificada sobre a emissão do MPF no inicio da ação fiscal, de suas prorrogações e substituição. Qualquer que fosse a dúvida ou até mesmo a desconfiança do administrado sobre a lisura do procedimento fiscalizatório, teve plena oportunidade de verificar os dados do controle da Administração sobre a ação fiscal, especialmente mediante uma simples consulta ao sitio da RFB.” Aponta que, em 30.09.08, houve a eleição de domicílio da empresa para intimação, o que evidencia que esta ainda estava sob fiscalização. Disto, entende que a falta de ciência da prorrogação do prazo do MPF quando do primeiro ato de oficio da autoridade fiscal junto ao sujeito passivo não tem o poder de invalidar o procedimento, eis que não houve prejuízo à contribuinte ou extrapolou as delimitações impostas ao ato fiscalizatório, pelo que afasta a preliminar de nulidade argüida. Analisando a invocação de nulidade do procedimento por ausência de autorização judicial para a quebra de sigilo bancário, indica o julgador inicialmente que a obtenção de informações junto às instituições financeiras pela administração tributária não é quebra de sigilo bancário, mas sim mera transferência deste. Citando o histórico do tema, aponta o artigo 38 da Lei nº 4595/64, que exigia apenas um processo instaurado e a manifestação de autoridade competente, sem a necessidade de autorização judicial. Destaca que ao solicitar tais dados às instituições financeiras, valiase de meios legalmente previstos para dar eficácia a ação fiscal e demonstração da efetiva prática de omissão de receitas. Aponta que vedar tal informação seria impedir uma ação fiscal efetiva, no caso, ante as evidências trazidas por movimentação apontada pela CPMF. Ainda, aponta que todos os contribuintes são obrigados a prestar ao fisco informações sobre seus rendimentos e operações financeiras, cabendo auditoria destes, conforme artigo 927 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99 RIR/99, sendo que o fornecimento destas informações pelas instituições bancárias apenas substitui o dever a que estão sujeitos os contribuintes. Aponta que o CTN, artigo 197, II, impõe aos bancos e demais instituições financeiras tais deveres, sendo que o mero repasse dos dados não infringe o dever do sigilo bancário. A quebra do sigilo é a transferência destes dados a terceiros e, no procedimento administrativofiscal as informações são restritas ao fisco e aos contribuintes. Cita ainda o artigo 38 da Lei nº 4595/64, substituído pelo artigo 8º da Lei nº 8021/90, sobre o tema, sendo que sua utilização é obrigatória pelo caráter vinculado da função administrativa, não cabendo discussões sobre a inconstitucionalidade da legislação. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 6 Indica que Lei Complementar nº 105/2001 (LC 105/2001), com regulamentação de seu artigo 6º pelo Decreto nº 3724/2001, que em seu artigos 1º, §3º, VI, 5º e 6º, estabelecem os ditames para a obtenção das informações bancárias, indicando que estas foram todas respeitadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em violação à legislação vigente. Ainda, aponta que em relação à vedação contida no artigo 5º, §2º da LC 105/2001, não se aplicam ao caso sob análise, que se encontra em fase posterior do conhecimento, eis que: “já se tinha apurado que havia uma movimentação financeira incompatível com a receita declarada (fl. 197) decorrente das informações recebidas relativas a CPMF, nos moldes do §2° do art., 5°. No caso dos autos, os extratos bancários foram solicitados tendo em vista o disposto no § 4° do art. 5° da Lei Complementar 105 de 10 de janeiro de 2001, de que "recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos.” Assinala que a prerrogativa dada ao fisco é também uma imposição aos servidores para que mantenham o segredo em relação às informações confidenciais a eles repassadas por conta do dever de ofício, incluindo sanções administrativas e penais. Sobre o tema, cita os artigos 8º , 9º e 10 do Decreto nº 3724/2001, art. 325 do Código Penal, bem como artigos. 918, 998 e 999 do RIR/99. Destaca que tal possibilidade não afasta os princípios insculpidos no artigo 5º, X, da Constituição Federal, eis que obriga um comportamento ético profissional dos servidores que tenham contato com as informações prestadas, não havendo no caso analisado qualquer ilegalidade no procedimento de obtenção de informações bancárias, sendo as provas obtidas lícitas e legítimas para instruir o lançamento. Analisando a alegação de que os depósitos bancários não representam a verdadeira base de cálculo dos tributos em discussão, esclarece o julgador que, na hipótese de omissão de receitas detectada pela movimentação bancária, caberia à contribuinte a comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, o que não teria ocorrido. Cita o artigo 3º do DecretoLei nº 4657/42, indicando que não prosperam as alegações trazidas pela contribuinte no sentido de que por estar há muito inativa não guardou livros e documentos. Sobre a manutenção e guarda dos documentos e papéis que lastrearam a escrituração enquanto não decorrido o prazo decadencial e de prescrição de eventuais ações pertinentes, traz os artigos 190, 527 e 797 do RIR/99, mencionando também as orientações gerais da declaração simplificada da pessoa jurídica inativa, para o anocalendário de 2004. Esclarece que não foi juntado aos autos nenhum comprovante de depósito e somente isso seria suficiente para afastar o pleito da contribuinte, por entender que sem tal comprovante não há como determinar quando e por quem cada importância foi depositada, levando à presunção de omissão de receitas, estando à margem do faturamento da empresa. Após discorrer sobre as presunções, indica que estas são meios indiretos de provas, capazes de embasar o lançamento tributário, bastando para elas que seja comprovado o fato tipificado na norma, já que o legislador reconheceu a seu valor probante, dispensando outras evidencias. Aponta que no caso concreto, o lançamento foi fundamentado no artigo 42 da Lei nº 9430/96, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 5 7 dando aos depósitos bancários de origem não comprovada a condição de presunção legal de omissão de receitas. Por tal situação, ante a não comprovação da origem dos depósitos, afasta quaisquer alegações da contribuinte, indicando que caberia ao sujeito passivo de provas contrárias as determinações fiscais. Sobre a constitucionalidade do dispositivo invocado – artigo 42 da Lei nº 9430/96, aponta que as leis gozam de presunção de constitucionalidade, cabendo à administração tributária o dever de cumprir a norma da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional do agente público, nos termos do artigo 142 do CTN. Ainda, indica que as esferas administrativas de julgamento não possuem competência para apreciar pleito de inconstitucionalidade ou validade da legislação tributária que lastrearam os Autos de Infração, citando a Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, artigo 7º, e a Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (anexo I, art. 49 e 34) e a Súmula nº2 do Primeiro Conselho de Contribuintes e Súmula nº 2 do Segundo Conselho de Contribuintes. Disto destaca que o julgador administrativo deve tão somente verificar se o ato discutido encontra ou não fundamento de validade na legislação de regência. Sobre a aplicação da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, aponta os dispositivos contidos na Lei nº9430/96, artigo 44, §1º.. Destaca que, no caso dos autos, indica que a contribuinte apresentou declaração de inatividade para o anocalendário de 2004, sendo que os créditos em suas contas correntes atingiu o montante de R$ 166.237,00, provando máfé da contribuinte pela falsa declaração ao fisco. Logo, houve sim o intuito de subtrair da incidência tributária os resultados e as receitas auferidos no desempenho de sua atividade empresarial, mas permanecendo aparente situação regular perante o Fisco Federal. A entrega de declaração de inatividade configura ação dolosa com o intuito de retardar o conhecimento dos fatos geradores por parte da autoridade fiscal. Cita o julgador ainda que: “Vale lembrar que a impugnante erroneamente se defende de valores eventualmente lançados relativos ao anocalendário 2003, inclusive alegando que não apresentou declaração com receita igual a zero neste anocalendário. Como estes valores referentes ao anocalendário 2003, não constam deste processo e conseqüentemente não fazem parte da lide, os argumentos a eles relativos não podem ser aproveitados. No mais, quanto a alegação da contribuinte de que fora tributada duplamente, quando do crédito e quando do débito/pagamento, indica que os valores eventualmente lançados a título de IRRF não fazem parte deste feito, não cabendo sua análise.” Em relação aos tributos reflexos, de CSLL, PIS e Cofins, diz que comprovados os fatos em relação ao IRPJ, o decidido em relação a este tributo vale para os decorrentes. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 8 Aponta o Termo de Sujeição Passiva Solidária, que indica Antônio Spegiorin Tavares (CPF 328.331.72168) como sujeito passivo solidário do contribuinte indicado nestes autos, conforme o artigo 124 do CTN. Disto, diz o Sr. Antonio que não incorreu em nenhuma das situações previstas em lei que ensejassem a responsabilização solidária ao gerenciar a sociedade. Cumpre transcrever os elementos narrados no acórdão: Conforme descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, a empresa Montenegro funcionava no mesmo endereço da sede da empresa Rondoforms, cujo sócio (Sr. Antônio Spegiorin Tavares), consultado, informou ali trabalhar o contador Cláudio, também responsável pela empresa Montenegro. Na mesma data, a fiscalização, acompanhada por um funcionário da empresa Rondoforms, foi ao escritório de contabilidade do Sr. Cláudio, o qual apresentou a alteração contratual da empresa, de 01/02/2007. Os atuais sócios (Ueliton Dunml Ataide de Souza e José Ronaldo Melo da Cruz) foram admitidos em 05/04/2007, depois de iniciado o procedimento de fiscalização, sendo constatado pela fiscalização que estes não tinham à época qualquer condição financeira e/ou econômica para gerir a empresa, já que entregaram declarações de isentos ou ficaram omissos. A procuração, de fls. 73 e 74, evidencia que o Sr. Antônio Spegiorin Tavares geriu a empresa Montenegro, pelo menos de 22/04/2003 até 25/10/2007 já que possuía amplos e ilimitados poderes para livremente gerir e administrar a empresa; abrir contas bancárias e emitir cheques; inclusive representando e tratando de todos os assuntos pertinentes à fiscalizada. Por fim, destaquese que segundo "Cadastro de Clientes" de fls. 140 a 142, o Sr. Antônio Spegiorin Tavares aparece como diretor da empresa Montenegro e conforme descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 206 a 208, também aparece como a pessoa que assinou e autorizou todos os cheques emitidos pela fiscalizada. Ante tais elementos, entende como correto o procedimento adotado pelo Fisco. Cita a respeito do tema, as disposições do CTN, contidas nos artigos 121 e 124, apontando que, como se depreende do artigo 124, I, quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador, temse a solidariedade legal presumida. No caso, embora o Sr. Antonio Spegiorin Tavares não conste como sócio da empresa se caracteriza como responsável solidário, ante as provas, informações e elementos obtidos pela fiscalização que era o responsável pela administração das atividades comercial, financeira e administrativa da empresa da contribuinte. Assim, vota pela procedência dos lançamentos e pela manutenção do Sr. Antonio Spegionin Tavares no polo passivo. A contribuinte foi intimada em 30.04.09. (fl. 287) ? (documento rasurado), informa ter sido intimada em 12.05.09 e apresentou em 3 de junho de 2009 seu Recurso Voluntário (fl. 288/311). Fl. 467DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 6 9 Em apertada síntese, reitera os termos trazidos em sua impugnação. Pugna inicialmente pelo reconhecimento do cerceamento de defesa. Aponta que não teve ciência do termo de início do procedimento de fiscalização, do Termo de início da Ação fiscal e do Mandado de Procedimento Fiscal, tendo inicio do procedimento somente em 13.12.06, por edital e posteriormente, por nova intimação por edital referente ao Termo de Reintimação Fiscal em 08.02.07. Aponta que somente em 15.05.07 é que houve uma diligência para localização da contribuinte, sendo que antes de tal fato não era possível exigir documentos para instruir eventual ação fiscal. Destaca que somente em 13.12.06 é que se iniciou a Ação Fiscal, com a ciência da recorrente. Especificamente sobre o MPF, diz que este continha informação que somente o IRPJ seria fiscalizado, mas que ao final do procedimento foram lavrados Autos de Infração relativos ao Simples, IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e IRRF, sendo que prejudicou a falta de clareza e transparência da Receita Federal, já que não recebeu a informação adequada sobre os tributos fiscalizados. Sobre as prorrogações do MPF, diz que nos termos do art. 13, §2º da Portaria SRF n. 3007 de 26.11.01, com redação da Portaria SRF n. 1468 de 06/10/03, é obrigação dos agentes cientificar o contribuinte sobre cada uma das prorrogações de prazo, o que não ocorreu. Nova portaria, SRF n. 4328 de 05.09.05 e posterirormente a Portaria SRF nº 6087 de 21.11.05, mantiveram a obrigatoriedade e a Portaria RFB nº 11.371 de 12.12.07, calouse sobre o tema. Destaca que os fatos ocorreram sob a vigência da Portaria SRF nº 6087, de 21.11.05, e Portaria RFB nº 4066, de 2.05.07, de onde se tem a determinação de intimação a cada prorrogação de prazo, o que não ocorreu, pelo que a contribuinte pugna pela nulidade do procedimento fiscal. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema que busca amparar seu entendimento. Em conclusão, diz que a falta de comunicação das prorrogações do MPF ofende aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, incorrendo o lançamento em vícios irremediáveis que impõem a nulidade dos autos de infração. Traz tópico relativo à auditoria realizada fora da empresa, indicando que reportavase à Delegacia da Receita Federal DRF de Porto Velho, sendo os documentos encaminhados à RFB em Belém, onde foi realizada a auditoria, localizada a mais de 2500 km da recorrente, o que inviabilizou o acompanhamento pela contribuinte das etapas de análise do processo, trazendolhe diversos prejuízos, em desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Sobre o tema, traz o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, que indica que o auto deve ser lavrado no local da verificação da falta, citando também jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes, também indicativo da nulidade praticada. Sobre o Termo de Encerramento, diz que a pouca clareza dos auditores a “iludiram”, ao inserir elementos inexatos e impossibilitando o pleno exercício do seu direito de defesa. Diz que diferentemente do que constou, não houve análise documental por amostragem e todos os documentos que os agentes encontraram foram considerados para efeito do lançamento, apontando que uma sucessão de equívocos no procedimento causou a nulidade do trabalho, com o lançamento tributário indevido, pela falta de embasamento técnico contábil e amparo jurídico na legislação que rege a matéria. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 10 Tal situação traz ofensa ao contraditório e a ampla defesa, tendo havido mácula ao Decreto nº 70.235/72 e Decreto n. 3.000/99 (RIR/99) e a mencionada Portaria SRF n. 3007/01. No mérito, quanto aos autos de infração, aponta inicialmente que a fiscalização se deu a sua revelia, o que haveria trazido a impossibilidade de defesa e de apresentação dos documentos a ela necessários, pois não possuía mais aguarda destes. Neste ponto, reitera que pelo fato de estar inativa, acreditava que não mais havia a necessidade de guarda de livros e documentos, explicitando a pouca instrução dos sócios proprietários que não estavam atualizados com os procedimentos exigidos pelo fisco. Aponta que ao ter ciência do MPF, demonstrou sua boa vontade, dando conhecimento ao fisco de sua real situação, mas que, sem sua autorização, os agentes fiscais obtiveram alguns extratos bancários relativos às contas que manteve em instituições financeiras quando do seu funcionamento. Aduz que houve quebra de sigilo bancário pelos agentes fiscais da Receita Federal do Brasil, reiterando que não apresentou os extratos bancários seguindo orientação de seus advogados. Traz as disposições constitucionais acerca do tema, artigo 5º, X e XII, bem como doutrina da jurista Marilia Bugalho Pioli, destacando assim a necessidade de autorização judicial para o acesso aos extratos bancários, autorização que os agentes não possuíam. Indica que o sigilo bancário é garantia constitucional, somente afastado por ordem judicial e que ao não entregar tal documentação (os extratos bancários) agiu de acordo com a lei, não atendendo a ordem ilegal. Assim, indica que o lançamento foi determinado somente com base nos extratos bancários. Porém, argumenta que os lançamentos a crédito relacionados nos extratos bancários não representam a verdadeira base de cálculo da questão, citando Acórdãos do Conselho de Contribuintes neste sentido. Destaca que houve erro na análise de suas contas correntes, pela seguinte situação: “Ao analisar os extratos bancários relativos às contas correntes da Recorrente, os Agentes Fiscais verificaram a ocorrência de alguns depósitos. Como ficou devidamente demonstrado em sua impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém, esses depósitos ocorreram em função de a Recorrente ter emprestado as contas, considerando que a empresa estava inativa, para servidores da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia que as utilizaram por sua conta e risco. Em função desse erro material a Recorrente entende que não pode ser punida, respondendo pelos tributos incidentes sobre os referidos depósitos, pois, efetivamente, não se apropriou dos mesmos e está provado que esses valores não constituíram receita da pessoa jurídica não havendo hipótese de ocorrência da presunção legal de omissão de receitas.” Aponta que nesta hipótese, não cabe a presunção de omissão de receitas, já que comprovada a origem dos recursos que não se originaram da pessoa jurídica, sendo claro erro material. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 7 11 Quanto a este erro, pugna pelo respeito aos princípios da verdade material e da igualdade, preceitos constitucionais que devem nortear o processo administrativo, destacando que o fato de o trabalho dos auditores ter se desenvolvido em Belém prejudicou o contribuinte, que poderia ter modificado a forma de demonstrar tais depósitos. Discorre sobre os princípios em geral e sobre os princípios da verdade material e igualdade, cabendo à administração pública respeitálos, destacando que a autoridade não deve se restringir somente ao que foi trazido aos autos, mas sim devendo buscar todos os elementos que possam influenciar seu convencimento. No tema de pagamento a beneficiários não indicados, reitera os termos trazidos em sua impugnação, esclarecendo quanto ao empréstimo de suas contas correntes para uso dos servidores da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, que não utilizava tais recursos, indicando que seria mais adequada que o fisco identificasse cada uma destas pessoas. Destaca que se a contribuinte não tem condições de identificar com clareza quais são os beneficiários, não há de se falar em beneficiário não identificado. Traz a decisão contida no Acórdão nº 10515.518. Aponta que se o aludido pagamento não comprovado é um pagamento que não se realizou, patente é a improcedência da acusação. Indica ocorreu a lavratura do Auto de Infração sem que sequer se intimassem os servidores da Assembleia Legislativa que se utilizaram das contas. Prossegue, discutindo sobre a receita obtida com a impressão de um livro. Diz que o fato de ter emprestado suas contas bancárias a terceiros não modificaria o caráter de inatividade, destacando que contrariamente ao exposto pelos agentes, não foi a apresentada Declaração com receita igual a zero. Segundo consta do recibo de entrega da Declaração Anual Simplificada, foi informada a receita de R$ 484.245,00 no mês de agosto do anocalendário de 2003, sendo que foram emitidas apenas duas notas fiscais no período fiscalizado, que somadas, refletem exatamente o valor declarado. Destaca que mesmo sendo o livro e o papel destinados à confecção de livros, está imune de tributos, houve a declaração da receita. Aponta que do texto constitucional, temse o afastamento de impostos, permitindo a incidência de outras espécies tributárias, entendendo a SRF que a imunidade alcança somente os impostos objetivos, não alcançando o IRPJ e a CSLL. Sobre o tema, diz que o entendimento do judiciário é diferente. Ainda esclarece que a Lei nº 10.865/2004, artigo 28, IV, reduz a zero as alíquotas de PIS e Cofins para as receitas provenientes da comercialização no mercado interno de livro, indicando que há a incidência, mas com alíquota zero. Disto tudo, entende que uma empresa que atue no comércio de livros, exclusivamente para o mercado interno, seria tributada pelo IRPJ e CSLL (segundo entendimento da SRFB), e incidência do PIS e Cofins com alíquota zerada, que pode ser alterada a qualquer momento. Traz excerto de Sentença proferida pelo Juiz Zuudi Sakakihara, que dá ampla interpretação a palavra livro, considerando a receita de um CD como imune. Disto, entende a Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 12 contribuinte que os valores relativos à impressão de livro também devem estar fora do campo de incidência tributária, cabendo sua retirada do Auto de Infração, inclusive por já terem sido declarados. Passa a discorrer sobre a dupla tributação que lhe teria sido imposta, já que os agentes tributaram os valores creditados em contas bancárias, lavrando Autos de Infração de SIMPLES, para o ano de 2003 e IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para 2004 e, quando estes mesmos recursos foram debitados, houve nova tributação, lavrandose Auto de Infração de IRRF. Neste ponto, indica que estando os beneficiários indicados, não cabe a tributação pelo IRRF e que o ingresso de valores em conta corrente não é fato gerador dos tributos cobrados, a saber, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Aponta que foi tributada pelo Lucro Arbitrado para o anocalendário de 2003, citando a composição do lucro arbitrado, no art. 532 do RIR/99 e o conceito de receita bruta contida no art. 279 do mesmo dispositivo, de onde conclui que a receita bruta (base de cálculo do lucro arbitrado) é composta pela venda dos bens e pelo presto da prestação de serviços. Cita o art. 3º da Lei nº 9718, que iguala os conceitos de receita bruta e faturamento, bem como o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, apontando julgados. Assim, esclarece seu posicionamento: Ora, se a base de cálculo do Lucro Arbitrado é função da Receita Bruta se essa mesma Receita Bruta é igual a "Faturamento se faturamento corresponde a receita bruta derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviços e como os créditos encontrados no extratos bancários não foram derivados nem da venda de bens nem da prestação de serviços, não há que se falar em lançamento do IRPJ e das contribuições reflexivas. Passa a combater a multa imposta no patamar de 150%, destacando que no período de inatividade não realizou nenhuma atividade mercantil, exceto a citada impressão de livro. Destaca que o fato de ter emprestado suas contas bancárias e terceiros terem realizado depósitos e saques não configura movimento ou atividade. Nisto, a movimentação bancária foi tão pequena que abrangeu apenas a 43 lançamentos a crédito. Aponta que havia o intuito dos agentes desde momento inicial em aplicar a multa agravada, antes da realização do lançamento. Aduz que o art. 44 da Lei n. 9430/96 não prevê a aplicação da multa qualificada para a hipótese de não apresentação de livros e documentos, trazendo a definição contida nos artigos 71, 72 e 73 do CTN quanto a sonegação, fraude e conluio, de onde se observa que a contribuinte não incorreu em nenhum destes. Indica que não ocorreu o evidente intuito de fraude exigido pela lei para a aplicação da penalidade de 150%, e que ter apresentado declaração com movimento para o ano de 2003 e não apresentou movimento para 2004, não cabe se falar em declaração falsa à Receita Federal e assim cabendo afastar a penalidade imposta. Em 03.06.2009, Antonio Spegiorin Tavares apresentou Recurso Voluntário contra a decisão que lhe incluiu no pólo passivo da demanda, onde, em síntese, reitera os termos trazidos com sua impugnação. É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 8 13 Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso Voluntário apresenta os requisitos de admissibilidade, inclusive o temporal, portanto, dele tomo conhecimento. Tratamse esses Autos de Infração de cobrança de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS sobre receitas omitidas, as quais foram identificadas com base em extratos bancários obtidos através Requisição de Movimentação Financeira – RMF expedida pela DRF às instituições financeiras, com fundamento legal no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela existência de depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada. Por sua vez, a contribuinte foi solicitada a esclarecer as movimentações financeiras verificadas e, após várias tentativas de intimações, posteriormente através intimação por Edital, esclareceu que não guardou os livros e documentos por estar inativa e sem operacionalidade há bastante tempo. Em sede de preliminares, alega a contribuinte que houve cerceamento de sua defesa: i) por não ter tido ciência do procedimento de fiscalização desde o início, em 13/12/2006, teve ciência posteriormente por edital, cinco meses após o início, em 15/05/2007. Constatou, após sua ciência, que o documento não menciona o objeto da ação fiscal, qual sua abrangência e nem quais os tributos que seriam fiscalizados. Sem essas informações a Recorrente se viu “perdida ante o poder de império do Estado”. ii) pelo fato do Mandado de Procedimento Fiscal não constar que o único tributo a ser fiscalizado é o IRPJ, apurado sob o sistema do SIMPLES. Todavia, ao final do procedimento, viu que abrangeu a contribuição ao PIS, COFINS, CSLL e IRRF. Concluindo pela não transparência da autoridade fiscal na lavratura do Auto de Infração. iii) por não cumprir com os procedimentos de, formalmente, informar a Recorrente da prorrogação do MPF nos termos da Portaria SRF n° 6.087, de 21/11/2005, ou a Portaria RFB, n°4.066, de 02/05/2007. iv) por não ter acesso às autoridades fiscais no acompanhamento da realização dos trabalhos de fiscalização, uma vez que a Recorrente se reportava à DRF de Porto Velho, porém os documentos foram encaminhados à Superintendência da Receita Federal do Brasil de Belém para a realização da auditoria, fora das dependências da empresa; v) Por não incluir no Termo de Encerramento fatos verdadeiros que, de fato, ocorreram, pois foram incluídos elementos inexatos prejudicando o pleno exercício de seu direito de defesa. Consta nos autos, a evidência de que a autoridade fiscal tentou intimar e dar ciência do Termo de Início de Fiscalização no domicílio da Recorrente, posteriormente foi feito por Edital, sempre atendendo ao disposto no artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Em 14/05/2007 e 12/05/2007, após várias diligências realizadas, foi possível a ciência, como Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 14 descrito no "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" de fls. 197 a 204, do MPF complementar e do Termo de Reintimação Fiscal n° 002 (fls. 24 a 26). Pelos Autos, é possível inferir que o comando estrito referente à prorrogação do MPF de que trata o artigo 9º, parágrafo único, da Portaria RFB n° 11.371/2007, não foi totalmente aplicado pois a Recorrente não foi cientificada das prorrogações de prazo ocorridas em 8 de agosto de 2008 e 7 de outubro de 2008 (fl. 14). Todavia, o entendimento é que esse é um vício de pequena amplitude, uma vez que o MPF tem como finalidade assegurar que há a transparência, a impessoalidade, a moralidade no trato com a Administração Fazendária, fatores esses que foram atingidos. A Recorrente foi cientificada da emissão do MPF, do início da fiscalização, não tendo dúvida quanto à competência e legitimidade do auditor fiscal na realização dos seus trabalhos, quem não extrapolou no exercício de sua função das limitações impostas. Ademais, as prorrogações poderiam ser verificadas a qualquer momento em visita ao sítio da RFB. Também foi observado o artigo 142 do CTN bem como os artigos do Decreto nº 70235/1972, tendo a autoridade fiscal atendido aos ditames desses normativos no exercício de suas atividades de fiscalização. Ainda, a contribuinte demonstrou entendimento dos fundamentos Logo, não se podem invalidar os procedimentos pela falta de ciência de prorrogação, sendo que poderia ser constatada. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade arguida compactuo do posicionamento exposto pela DRJ. Sigilo Bancário Alega a Recorrente que há nulidade por não ter a autoridade fiscal autorização que ampare a quebra do sigilo de sua conta bancária. Cumpre mencionar que a discussão da legalidade do artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 encontrase em repercussão geral no STF, no RE nº 601.314/SP, conforme ementa a seguir transcrita: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL”. A Portaria MF nº 545 de 2013, revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, permitindo que o CARF passe a analisar assuntos pendentes de julgamento definitivo pelo STF sem a necessidade de sobrestamento dos respectivos processos. O artigo 42 da Lei 9.430/1996 dispõe sobre a construção de prova pelo Fisco para caracterizar a omissão de receita vinculada aos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não os comprove. Desse modo, com base na Lei n° 9.430/1996, a não comprovação dos recursos que transitaram em contacorrentes bancárias permite que o Fisco presuma existir omissão de receitas para fins de tributação pois presumese que deixaram de ser contabilizadas receitas omitidas. Ainda, dispõe o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 que: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 9 15 “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Ou seja, os agentes do Fisco podem ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso possa constituir violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei (artigo 6º da Lei Complementar 105/2001). Conforme elucidado no Acórdão recorrido, o STJ já se pronunciou sobre o assunto, uma vez que tal ato do Fisco encontra previsão legal: RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.665 SP (2009/00670344) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. (...) 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida Lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 16 gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: ‘Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (...) 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. (...) Conforme demonstrado acima, não há irregularidade do Fisco perante a norma tributária na lavratura do Auto de Infração. Esse é o atual entendimento do CARF. Vejamos: MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (2201 002.291 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 20.11.2013) Ademais, as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal estão presentes no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972, abaixo transcritos, e não foram observadas no presento processo: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 10 17 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Como visto na legislação supracitada, no âmbito do processo administrativo fiscal apenas há nulidade no caso de ato praticado por pessoa incompetente ou no caso de cerceamento do direito de defesa, o que não aconteceu no caso aqui sob análise. Sendo assim, é de se rejeitar a improcedência do Auto de Infração em função do sigilo bancário. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A contribuinte alega que os lançamentos a credito relacionados nos extratos bancários não representam a verdadeira base de cálculo dos tributos em questão, bem como que foi considerado como receita tributável a totalidade dos depósitos bancários, sem comprovar quais seriam de fato tributáveis e quais não seriam, ou mesmo a dedução das despesas. O artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, prevê que: Art 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4 Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 18 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Com base em referido artigo, depreendese que os depósitos constatados induzem à existência de receitas omitidas pela Recorrente. Assim, verificado tal fato, cabe ao Fisco apurar qual o montante da receita omitida (que em determinadas situações poderá até corresponder ao valor total bruto dos depósitos bancários não contabilizados). Como se percebe, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimento. Portanto, caso a Recorrente não comprove a origem dos créditos efetuados em contas bancárias, temse, assim, autorização legal para considerar ocorrido o fato gerado e aplicação do arbitramento. Em casos como esse há flagrante inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, razão pela qual cabe à Recorrente demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, com documentação hábil e idônea. Em síntese, tratase de presunção legal juris tantum, pela qual se inverte o ônus da prova, quando a autoridade fiscal fica dispensada de provar que depósito bancário não comprovado (fato indicativo) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário). Esse Colegiado já tem se posicionado nessa linha. Vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. (...) Recurso Voluntário provido parcialmente.” (não grifado no original) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Processo Administrativo nº 11020.003386/200855, Acórdão nº 1402 001.441; Relator Carlos Pela; Data de Publicação 26.03.2014) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 11 19 rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os cotitulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. (...) IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO.SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE GUARDAR DOCUMENTOS E DE PRODUZIR PROVAS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. O recorrente não comprovou a origem dos depósitos. As genéricas alegações de que não houve tempo suficiente para apresentar documentos não é corroborada pelos autos, mormente quando o recorrente não se aproveita dos prazos de impugnação e recurso voluntário para carrear as provas a seu favor. Outrossim, não deve prosperar a alegação de que já não dispunha da documentação relativa à movimentação financeira, pois o contribuinte tem o ônus de manter em boa guarda a documentação que suporta as informações prestadas nas Declaração de Ajuste Anual e de apresentar prova de suas alegações. Recurso voluntário negado.” (não grifado no original). (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Processo Administrativo nº 18471.001837/200699; Acórdão 2802 002.705; Sessão 18.02.2014; 2ª Turma Especial) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 20 fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Acórdão nº 1801 001.936, Relatora Maria de Lourdes Ramirez, Processo Administrativo nº 11060.003802/201063; Sessão 13.03.2014) Por todo o exposto, considerase legítimo o arbitramento do lucro nos moldes realizados pelo Fisco no presente caso, razão pela qual se mantém o lançamento nesse item. DA MULTA QUALIFICADA A Recorrente alega que a multa qualificada de 150% imposta pela Autoridade Fiscal não merece prosperar, em resumo, porque a entrega de declaração de inatividade não indica que houve uma das três hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502. Durante o anocalendário de 2004, houve créditos em sua contacorrente no montante de R$166.237,00, os quais não foram informados às autoridades fiscais, portanto, houve sim o intuito de retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fiscais. A determinação legal é que uma vez que configurada a hipótese prevista no art. 71, I da referida Lei, é aplicável a multa qualificada de 150%, conforme § 1º, I, da Lei 9.430 de 1996, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A intenção de impedir ou retardar o fisco, presente no art. 71 da Lei 4.502, 1964, ficou claramente demonstrada ao considerarmos que durante todo o anocalendário de 2004 foi entregue declaração de inatividade, sem qualquer informação. Portanto, caracterizado está a intenção de retardar ou impedir o conhecimento da informação por parte das autoridade fiscais, tanto que não foram concedidas. Esse também é o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. Presentes os elementos do dolo, que impliquem em sonegação ou fraude, aplicase a multa de ofício qualificada, de 150%, prevista o art. 44, da Lei 9.430/1996, por tipificar as ocorrências previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/1964. A conduta reiterada do contribuinte, consistente em omitir deliberadamente informações Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 12 21 que deveriam ser prestadas à Administração Tributária, ou inserir elementos inexatos nessas informações quando prestadas ao fisco, justifica a penalidade qualificada. Recurso Especial do Procurador provido.”(Acórdão nº 9101001.843, 1ª Turma, Sessão de 10.12.2013). Sendo assim, deve ser mantida a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430 de 1996. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. O Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 206 a 208) traz o Sr. Antônio Spegiorin Tavares, CPF. 328.331.72168 como sujeito passivo solidário da Montenegro Comércio e Serviços Ltda, nos termos do artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN. O responsável solidário, Sr. Antônio Spegiorin Tavares, em seu Recurso Voluntário, alega que realiza o gerenciamento da sociedade, por conta e ordem de seus proprietários, e não efetua nenhuma das duas situações previstas no artigo 124 que atribui a Responsabilidade Solidária. Ora, como descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, a Recorrente funcionava no mesmo endereço da sede da empresa Rondoforms, cujo sócio (Sr. Antônio Spegiorin Tavares), consultado, informou ali trabalhar o contador Cláudio, também responsável pela Recorrente. Na mesma data, a fiscalização, acompanhada por um funcionário da empresa Rondoforms, foi ao escritório de contabilidade do Sr. Cláudio, o qual apresentou a alteração contratual da empresa, de 1º/02/2007, onde constava como sócios atuais os Srs. Ueliton Dunml Ataide de Souza e José Ronaldo Melo da Cruz, admitidos em 5/04/2007 – isto é, após o início do procedimento de fiscalização. A fiscalização constatou que ambos não tinham à época qualquer condição financeira e/ou econômica para gerir ou adquirir a empresa, já que entregaram declarações de isentos ou ficaram omissos. Complementando, há uma procuração, fls. 73 e 74, que evidencia que o Sr. Antônio Spegiorin Tavares foi quem administrou a Recorrente, pelo menos de 22/04/2003 até 25/10/2007 já que possuía amplos e ilimitados poderes para agir livremente; abrir contas bancárias e emitir cheques; inclusive representando e tratando de todos os assuntos pertinentes à fiscalizada. Ainda, constatou a fiscalização que segundo "Cadastro de Clientes", fls. 140 a 142, o Sr. Antônio Spegiorin Tavares aparece como diretor da empresa Montenegro e conforme descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 206 a 208, também aparece como a pessoa que assinou e autorizou todos os cheques emitidos pela fiscalizada. Portanto, consideramos correto o procedimento adotado pela fiscalização em lavrar Termo de Sujeição Passiva Solidária ao Sr. Antônio Spegiorin Tavares, CPF. 328.331.72168. Por todo exposto, o voto é no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e negar provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente e do Sujeito Passivo Solidário. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 22 Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909567/2012-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 67 /2 01 2- 67 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16004.001695/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
FRAUDE.
Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
SONEGAÇÃO
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.
Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA Lei nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001.
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física.
AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa punitiva aplicada em razão do descumprimento de obrigação tributária principal e formalizada mediante lançamento de ofício.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento mantendo a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, devida por sub-rogação, conforme estabelecido no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pelo provimento do recurso voluntário, devido à ausência de previsão legal da exação lançada. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA Lei nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa punitiva aplicada em razão do descumprimento de obrigação tributária principal e formalizada mediante lançamento de ofício. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. FRAUDE. Configurase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 16 95 /2 00 8- 11 Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 2 impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA Lei nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituemse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa punitiva aplicada em razão do descumprimento de obrigação tributária principal e formalizada mediante lançamento de ofício. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.558 3 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento mantendo a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, devida por subrogação, conforme estabelecido no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pelo provimento do recurso voluntário, devido à ausência de previsão legal da exação lançada. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 4 Relatório Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006 Data da lavratura do AIOP: 03/12/2008. Data da Ciência do AIOP: 12/12/2008. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa que julgou procedente em parte a impugnação ofertada pelo Sujeito Passivo do crédito tributário objeto do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.5450, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a comercialização da produção rural, representada pela aquisição de gado bovino de produtores rurais pessoas físicas, devidas por subrogação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal a fls. 519/561, e anexos. No Termo de Constatação Fiscal são transcritos trechos do relatório da Polícia Federal, onde são expendidas considerações detalhadas sobre a operacionalização dos procedimentos efetuados, e apresentadas, dentre outras, as seguintes informações: · A partir de denúncias e informações de órgãos fiscalizadores foi deflagrada a operação “Grandes Lagos”, identificandose situações que, em tese, são caracterizadoras de crimes de sonegação, tendo sido expedidos pelo Poder Judiciário mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva, sendo determinada a instauração de inúmeras ações fiscais, dentre elas junto à autuada, pelo fato de adquirir notas fiscais “frias” de empresas “noteiras”, que efetuavam a venda de tais documentos fiscais visando a fraudar a administração tributária. · A fraude à administração tributária consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. · O gado era comprado, abatido e vendido pelo frigorífico cliente das empresas “noteiras”. No entanto, aparentemente a compra do gado e comercialização dos produtos do abate eram feitos pelas “noteiras” de acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas fiscais “frias” relativas à compra do gado e notas também “frias” de remessa desse gado ao frigorífico (cliente da “noteira”) para abate, seguindose a emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que, finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos. · Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras” foram constituídas com o único propósito de emitir notas fiscais ‘frias” para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto ao fisco e não despertar suspeitas sobre o verdadeiro faturamento desses “clientes”: (a) o patrimônio declarado das “noteiras” é insuficiente para Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.559 5 suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos declarados do sócio majoritário da “noteira” e as receitas declaradas da empresa no período; (c) a movimentação financeira desse sócio majoritário em valores muito superiores a seus rendimentos declarados; (d) a movimentação de contas bancárias da citada empresa por procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas – “clientes”); (e) transcrição de declarações de inúmeros produtores rurais no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”, mas com seus “clientes”. · A “noteira” “Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo”, além de vender notas fiscais “frias”, também comprava gado e vendia os produtos decorrentes do abate, sendo possível, mediante análise dos elementos apreendidos, identificar quais operações se subsumem a esta hipótese e quais eram os “clientes” relativos às demais (a fiscalização teve acesso a uma relação de códigos das notas fiscais emitidas que identificam as operações próprias e, distintamente, cada um dos “clientes”). · Foi elaborada planilha contendo os valores das operações referentes à autuada, na condição de “cliente” das “noteiras”, calculandose sobre este montante as contribuições devidas decorrentes da comercialização da produção rural de pessoas físicas, subrogadas à pessoa jurídica adquirente. · Representam fatos geradores das contribuições lançadas na presente autuação a produção rural adquirida de pessoa física com emissão de notas fiscais das “noteiras” (levantamento PR1). · Após minuciosa avaliação, os órgãos fiscalizadores fazendários decidiram pela inaptidão e cassação das inscrições das citadas empresas “noteiras”. · Posteriormente à deflagração da “Operação Grandes Lagos”, o Frigorífico Auriflama passou a declarar em GFIP os valores referentes à aquisição da produção rural do produtor pessoa física, o que se deve ao fato de a empresa “noteira” Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda ter encerrado suas operações. Ressalta que a autuada nunca teve como objeto social a prestação de serviços, mas sim frigorífico, e que os vendedores de gado à autuada eram os mesmos que antes realizavam as operações mediante a atuação da “noteira”. · Foi constatado que o Frigorífico Auriflama estava sob a administração dos Srs. Nelson Martins da Silva Jr. (CPF 047.863.90828) e Emerson Martins da Silva (CPF 076.542.63821). · Citando os artigos 121 e 124, I do Código Tributário Nacional – CTN, concluiu que as pessoas físicas mencionadas tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias objeto da autuação, sendo portanto, solidariamente obrigadas ao pagamento dos tributos, originando a lavratura dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária”. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 6 Irresignados com a autuação, os devedores principal e solidários apresentaram impugnação administrativa conjunta em face do lançamento, a fls. 575/664. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito da responsabilidade solidária atribuída aos sócios da empresa, conforme Despacho de Diligência, a fl. 680. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 684/693. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal antes mencionada, os devedores principal e solidários apresentaram, conjuntamente, no prazo que lhes fora assinalado, aditamento à impugnação a fls. 707/784. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1439.514 – 9ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 1470/1484, julgando procedente em parte o lançamento fiscal em debate, para fazer excluir, somente e tão somente, a responsabilidade solidária atribuída aos Srs. Nelson Martins da Silva Jr. e Emerson Martins da Silva, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de março de 2013, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 1489. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1492/1547, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Erro na identificação do Sujeito Passivo, em razão de os fatos imponíveis relativos às obrigações exigidas são estranhos à órbita jurídica do Recorrente; · Discorre sobre princípios constitucionais; · Que o Parágrafo Único do art. 116 somente terá aplicação após a edição de lei ordinária regulamentadora; · Que a multa aplicada tem natureza confiscatória; · Ilegalidade da multa do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91; Ao fim, requer a anulação do crédito tributário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.560 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A intimação definitiva consumouse em 25/03/2013. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 19/04/2013, há que se reconhecer sua tempestividade. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Alega o Recorrente a ilegalidade da multa do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. Tal alegação, no entanto, não poderá ser objeto de apreciação e deliberação por esta Corte Administrativa, eis que a matéria nela aventada não integra o litígio em julgamento. Registrese que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o Fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, a alegação deduzida pelo Recorrente no parágrafo preambular deste tópico. Com efeito, no lançamento em questão não se encontra contida qualquer parcela decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória a ensejar a imputação da penalidade prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 8 previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) Se, de fato, na mesma ação fiscal, houvese por lavrado eventual Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo da obrigação tributária prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a ensejar a aplicação da penalidade pecuniária prevista no §5º do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a procedência de tal autuação deve ser debatida nos autos do Processo Administrativo Fiscal que formalizou tal lançamento, e não neste, em razão da carência de competência deste Colegiado para decidir, neste Processo Administrativo Fiscal, sobre o litígio objeto de outro PAF diverso. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar a questão acima ventilada, eis que em seu obséquio não se houve por instaurado, nos vertentes autos, qualquer controvérsia ou litígio a ser dirimida por esta Corte Administrativa. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SUJEITO PASSIVO Alega o Recorrente erro na identificação do Sujeito Passivo, em razão de os fatos imponíveis relativos às obrigações exigidas são estranhos à órbita jurídica do Recorrente. Aduz que o Fisco efetuou o lançamento do crédito tributário em face do Recorrente o qual se faz pertinente a outra pessoa jurídica, a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO, sendo esta, a emitente das notas ficais e compradoras do gado relacionado no auto de infração, sendo esta detentora da responsabilidade tributária. Alega que a desconsideração da pessoa jurídica acima evidenciada para tributar, por via reflexa, a empresa requerente carece de razão jurídica e, também, da ação judicial necessária para anular o ato jurídico que atribuiu aos indicados a titularidade das compras e das notas fiscais emitidas. Acrescenta que o Fisco desbordou de suas competências para assumir as atribuições do Poder Judiciário ao qual compete, privativamente, pronunciarse sobre a nulidade dos negócios e dos atos que em tese tenham sido praticados com simulação. Não é o que dessai das provas dos autos. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.561 9 Em primeiro lugar, deve ser esclarecido que no presente lançamento não há qualquer procedimento de desconsideração da pessoa jurídica da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO. De maneira alguma. Por outro viés, deve ser relembrado que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal apenas apurou a efetiva ocorrência de fatos jurídicos praticados na realidade nua dos fatos pela empresa Recorrente, os quais se ajustam taylor made na hipótese de incidência tributária genérica e abstrata prevista em lei, configurandose situação necessária e suficiente caracterizadora de fato gerador da contribuição previdenciária objeto do lançamento em questão, consoante art. 116, I, do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 10 procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. No caso presente, tratandose de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios, in casu, a comercialização de produção rural. Merece ser relembrado que, em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos fatos que chegaram ao seu conhecimento sobre organizações criminosas estabelecidas na região de Jales SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública. A partir de denúncias e das informações prestadas pelos órgãos fiscalizadores das Receitas Federal, Estadual e Previdenciária, dando conta de um Mega esquema de sonegação fiscal envolvendo o segmento de frigoríficos, a Policia Federal deflagrou a Operação Grandes Lagos instaurando o Inquérito Policial n° 200008/06, através do qual foram identificadas inúmeras situações que, em tese, caracterizam a prática de crimes de sonegação de tributos e contribuições sociais, cujos agentes foram denunciados ao Ministério Público Federal que, a partir de então, instaurou o Processo n° 2006.61.24.0016662, lavrado em 18/10/2006. A Justiça Federal de Jales expediu mandados autorizando a busca e apreensão de documentos em vários locais, assim como a prisão preventiva de mais de cem pessoas envolvidas no esquema, e ainda, através dos Ofícios n°s 076 e 078/2006 GABjcs, determinou a instauração de procedimento de fiscalização em diversas pessoas físicas e jurídicas, entre elas a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175. A denominada "Operação Grandes Lagos", deflagrada pela polícia federal, por solicitação da Receita Federal, desbaratou uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, que vinha atuando na região de São José do Rio Preto havia muitos anos, tendo em vista que seria praticamente impossível para a Receita Federal identificar todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, sem um trabalho de inteligência da Polícia Federal, inclusive com interceptações telefônicas. A seguir transcrevemos a parte inicial do relatório da Policia Federal sobre a Operação Grandes Lagos: "Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS vêm recebendo denúncias de um megaesquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, sobretudo nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias, o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos. A partir destas denúncias, a Receita e o INSS iniciaram vários procedimentos fiscais contra várias empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema. Finalizadas as fiscalizações, foram lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais. No entanto, Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.562 11 invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava cobrar os tributos devidos, verificava que nem as empresas, nem seus sócios, possuíam qualquer patrimônio em seu nome para honra/os. No curso dos trabalhos de fiscalização, tanto a Receita Federal quanto o INSS se deparavam com evidências de que as pessoas que constavam do quadro societário destas empresas eram apenas "laranjas”, que se reportavam a um nível hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de sonegar tributos. Diante da dificuldade de comprovar o vinculo entre os verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas" para a prática de crimes conta a ordem tributária, e dadas as evidencias da existência de uma verdadeira organização criminosa por trás destas empresas, no final do ano de 2005 a Receita Federal solicitou formalmente o apoio da Polícia Federal em Jales/SP, para que as investigações fossem aprofundadas, de modo a se identificar com precisão todo o esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à julgamento pela Justiça." Nos trabalhos de investigação restou constatada a existência de uma grande organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, cujo modus operandi consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos e contribuições sociais, cujos interpostos movimentaram grande quantia de recursos por meio da rede bancária, mediante a abertura de contas em seus nomes, movimentando, porém, recursos pertencentes a terceiros, ou seja, aos titulares de fato. De acordo com a Delegacia de Policia Federal, em Jales/SP, compunham a estrutura da organização criminosa 159 empresas, incluindo suas filiais, e 173 pessoas que já haviam sido identificadas, das quais foram decretadas as prisões de 109 investigados. As funções de cada um no grupo variavam desde os "cabeças", os "laranjas", os "gerentes", os servidores públicos, os "facilitadores" e os "taxistas". Foram necessários cerca de 700 policiais federais, entre agentes, escrivães e delegados, para cumprir 109 mandados de prisão e 143 mandados de busca e apreensão. Neste contexto, a 1ª Vara da Justiça Federal em Jales/SP, através dos Ofícios n° 076 e 078/2006GABjcs, referentes ao Processo n° 2006.61.24.0016662, requisitou fiscalização junto às pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema, e formalizou o encaminhamento à Receita Federal e à Receita Previdenciária de CDROM contendo cópia do relatório parcial do inquérito policial nº 2006.61.24.0003631, para possibilitar o pleno conhecimento das peças que envolveram a operação. Posteriormente, a Justiça Federal, a pedido da Receita Federal, decidiu pela quebra do sigilo bancário de todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas na operação, determinando às instituições financeiras que fornecessem, diretamente Delegacia da Receita Federal, as informações e documentos então requisitados por meio da competente Requisição de Movimentação Financeira — RMF, Em decorrência do Oficio n° 37/07SEC/DPF/JLS/SP, de 28/03/2007, da Policia Federal de Jales, a Justiça Federal, através da lª Vara Federal de Jales, por intermédio do Oficio n° 618/2007SCmlc, de 29/03/2007, cientificou o Delegado da Receita Federal do Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 12 Brasil em São José do Rio Preto de sua decisão proferida no dia anterior, acolhendo representação da Autoridade Policial no sentido de que o acervo apreendido pela Policia Federal fosse disponibilizado para a Receita Federal, para fins de condução das competentes fiscalizações. O esquema de sonegação que deu origem à Operação Grandes Lagos é uma grande teia, revelando estreito envolvimento entre empresas e pessoas, dentro de uma inextricável conspiração representada por operações de inúmeras espécies, com o objetivo de ofuscar os olhos do fisco quanto os reais empreendedores e suas responsabilidades tributárias. Toda a complexidade implementada pelos sonegadores se transformou num grande mapa, que traz delineadas todas as operações realizadas, os caminhos percorridos, as pessoas envolvidas (tanto os "laranjas" quanto os titulares de fato), as empresas e os objetivos de cada um dos participantes, possibilitando, enfim, uma visão macro de toda a engrenagem do sistema. Transcrevemos, adiante, excertos constantes do Termo de Constatação Fiscal, a fls. 519/561, que bem ilustram o mecanismo engendrado no esquema de sonegação ora em realce: “A Policia Federal, em seu trabalho de inteligência, classificou o "Grupo dos Noteiros" como um dos elos da corrente criminosa, tendo sido constatado que este núcleo desenvolveu uma metodologia própria de sonegação, diferentemente de outros grupos melhor estruturados dentro da organização. Senão vejamos: “Grupo dos "Noteiros" A célula da organização criminosa que denominamos de Grupo dos 'Noteiros', diferentemente dos grupos Itarumã e Mozaquatro, não tem sua principal fonte de renda nos tributos que sonega, mas sim nos "serviços" que presta a sonegadores, que consistem em fornecer notas fiscais "frias" a frigoríficos e "taxistas" que, ao contrário dos grupos Itarumã e Mozaquatro, ainda não se sofisticaram a ponto de montarem e manterem sua própria estrutura de sonegação. Através dos depoimentos em anexo, efetuados pelos sócios e funcionários da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda à Policia Federal, tornase possível consolidar a constatação do perfil daquela empresa na condição de "noteira". Em especial, mediante os termos das declarações prestadas por Ana Claudia Valente Fioravante, funcionária da Distribuidora São Paulo, aos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, Paulo César Martinasso e Valmir da Cruz, em anexo às fls. 122 a 125. Cabe registrar que de tais declarações prestadas restou claro que o negócio da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175, era vender notas fiscais. Determinado trecho do Termo de Declarações merece ser transcrito aqui: "Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa, foi apresentada uma relação à declarante, extraída dos arquivos magnéticos apreendidos na Distribuidora São Paulo, na qual constam os códigos dos "clientes" (compradores Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.563 13 de notas) da Distribuidora São Paulo e dos frigoríficos onde eram realizados os abates. A declarante afirma, categoricamente, que a listagem corresponde com a situação de fato, ou seja, os códigos constantes da lista apresentada são os mesmos que ela utilizava na confecção das notas fiscais na Distribuidora São Paulo." (grifo nosso) Em seu Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado na Policia Federal em Jales/SP em outubro de 2006, constante nas fls. 126 a 129, Ana Claudia Valente Fioravante confirmou, com maior riqueza de detalhes, que o negócio da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175, era vender notas fiscais. Alguns trechos de seu depoimento merecem destaque: "(...) QUE perguntada qual é a atividade da distribuidora São Paulo informou ser 'tirar nota; QUE perguntada se esta atividade é lícita informou que achava que sim; QUE perguntada porque achava e não acha mais, respondeu que no sábado da semana passada a gerente da distribuidora, NINA, determinou que a interroganda levasse para sua casa as notas fiscais em branco que costumeiramente são preenchidas a posteriori por determinação de VALDER; QUE perguntada a razão pela qual deveria levar tais documentos para sua residência informou, ao que sabe, seu patrão, VALDER, obteve informação de que haveria uma fiscalização na distribuidora; (..) (grifo nosso) (...) QUE esta era uma prática na distribuidora, sendo certo que não havia qualquer controle de venda e entrega efetiva da mercadoria; QUE quem vendia realmente a carne eram os frigoríficos; (..) (..) QUE a BOI RIO hoje mudou o nome para COFERFRIGO e que lá também há o serviço de "tirar nota"; (...) (grifo nosso) (..) QUE apresentada a ligação 200607170848182 informou que ALCEU taxista que sempre pega nota com a distribuidora;" (..) (grifo nosso). No Relatório Eletrônico da Policia Federal (que contém 977 folhas) que foi repassado à Receita Federal para subsidiar as ações fiscais pertinentes, há muitas menções à "Distribuidora São Paulo", dentre as quais destacamos: (..) Alguns gerentes são auxiliados pelo que poderíamos chamar de "subgerentes; que têm poder de decisão bastante mitigado, apesar de conhecerem e praticarem as fraudes. Nina, da Distribuidora São Paulo, é auxiliada pela "subgerente" Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 14 Monique de Medeiros Venda; Karla, da Norte Riopretense, é auxiliada pela "subgerente" Jaqueline Vilches da Silva. Na verdade, tais pessoas praticam atos de execução, e não de gerenciamento propriamente dito. [fis. 2728/977] Representaremos pela prisão dos procuradores das empresas Coferfrigo, Distribuidora São Luiz, Norte Riopretense e Distribuidora São Paulo. Todas elas emitem notas fiscais "frias" para calçar operações comerciais de sonegadores e abriram contas para que "taxistas" possam movimentar sua produção sem que eles sejam detectados pelo fisco, como veremos adiante. [fis. 31/977] O fato de uma empresa declarar receita de atividade de R$ 172 milhões sem ter movimentado valores em instituições financeiras no período indica que ela foi constituída com o único propósito de emitir notas fiscais "frias" para calçar operações de compra e venda de terceiros que desejam se ocultar do fisco, assim como fazem as empresas do Grupo dos Noteiros, como a Distribuidora São Paulo, além de operações para gerar créditos fictícios de ICMS. [fis. 99/977] Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. A função da empresa no esquema A Distribuidora São Paulo é a principal empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para emissão de notas fiscais "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros frigoríficos e "taxistas" que desejam ocultar estas operações do fisco para não despertar suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento. As pessoas envolvidas nas fraudes da Distribuidora São Paulo Valder Antônio Alves (Macaúba) É o "cabeça" do esquema e o proprietário de fato e de direito da Distribuidora São Paulo, com 99% de participação no quadro societário. Tem amplo poder de decisão na empresa, contando com Maria dos Anjos de Medeiros como seu braçodireito. A folha de antecedentes criminais de Valder é extensa: foi indiciado em oito inquéritos policiais e denunciado em dezesseis processos criminais, respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de fogo, crime contra a saúde pública (art. 268, CP), perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132, CP), além de cinco processos por sonegação fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde pública e três vezes por crimes contra a ordem tributária. Luzia de Jesus Gonçalves "Laranja" com participação mínima de apenas R$ 10,00 na empresa, que permaneceu apenas cerca de um mês no quadro Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.564 15 societário. Sua função era apenas emprestar seu nome para que não fosse necessário registrar a empresa como firma individual. Cláudia Regina Barra Moreno "Laranja" que substituiu Luzia de Jesus Gonçalves na Distribuidora São Paulo, de modo que permanecesse viável o registro da distribuidora como uma sociedade limitada e não como uma firma individual. Cláudia chegou a ter apenas R$ 1,00 de participação, mas o valor foi alterado para os atuais R$ 500,00. No curso das investigações uma funcionária da distribuidora chegou a telefonar para Cláudia dizendo que se seu nome permanecesse inscrito nos serviços de proteção de crédito, Valder iria retirála da sociedade, colocando Vinícius dos Santos Vulpini em seu lugar. Maria dos Anjos de Medeiros (Nina) "Gerente" do esquema, é o braçodireito de Valder Antônio Alves na Distribuidora São Paulo, gozando de ascendência em relação aos demais funcionários. Flagrada em vários diálogos negociando notas fiscais "frias" e notas fiscais em branco da distribuidora para vários clientes da empresa. Cuida da movimentação de valores da organização em contas bancárias de "laranjas". Ana Cláudia Valente Fioravante É “gerente" da organização criminosa, embora subordinada a Maria dos Anjos de Medeiros. Flagrada em vários diálogos em que vende notas fiscais "frias" a clientes da Distribuidora São Paulo. Monique de Medeiros Venda Também atua como "gerente', ocupando uma posição subalterna em relação a Maria dos Anjos de Medeiros e a Ana Cláudia Valente Fioravante. Na verdade, executa tarefas de execução e não de gerenciamento propriamente dito, pois não comanda os negócios, apenas anota pedidos de notas fiscais "frias" dos clientes do esquema. Yuki Hilton de Noronha É contador da organização criminosa, mas eventualmente também negocia notas fiscais, como apontam os diálogos interceptados no curso da investigação. Yuki teve mandado de prisão preventiva expedido contra si pela 4ª Vara Criminal de São José do Rio Preto. Já foi preso em flagrante delito por tráfico de entorpecentes em Piracicaba, respondeu a outro inquérito policial por tráfico na delegacia de Laranjal Paulista e foi preso em flagrante pela delegacia de Guapiaçu por delito não discriminado no Infoseg. Foi Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 16 denunciado duas vezes por tráfico de entorpecentes, em São José do Rio Preto e em Piracicaba. Antônio Zanchini Júnior Contador da organização criminosa responsável pela Distribuidora São Paulo, atuando em conjunto com Yuki Hilton de Noronha. Leonardo Joaquim Duran Alves "Laranja" e irmão de Valder Antônio Alves. Empresta sua conta corrente para que valores da organização criminosa sejam movimentados. Alex Sandro Pereira da Silva Procurador da conta da Distribuidora São Paulo aberta no banco Bradesco. Foi funcionário do Frigorifico Baby Beef entre 1999 a 2001. É "gerente" da quadrilha. Ricardo Aparecido Quinhones Procurador da conta da Distribuidora São Paulo aberta no banco Bradesco. É funcionário registrado pelo Frigorifico Baby Beef desde 1999 até hoje. Concomitantemente a este registro, consta como empregado da Distribuidora São Paulo desde 2003. É "gerente" da quadrilha. Aletheia Aparecida Bagli Correia Procuradora da conta da Distribuidora São Paulo aberta no banco Bradesco. Era registrada como empregada pelo Frigorifico Baby Beef até 2001; em 2003, foi registrada pela Distribuidora São Paulo. É "gerente" da quadrilha. As provas do esquema de sonegação fiscal No cadastro da Distribuidora São Paulo na Receita Federal, Valder Antônio Alves, mais conhecido por Macaúba, consta como seu responsável. As informações da Receita Federal sobre a empresa, no entanto, estão incompletas, sem informações sobre seu quadro societário. O histórico de alterações societárias pode ser visto na sua ficha de breve relato. Lá consta que a empresa iniciou suas atividades em julho de 1992, com um capital social de Cr$ 1.500.000,00, dos quais 1.499.990,00 pertenciam a Valder Antônio Alves e os R$ 10,00 restantes pertenciam a Luzia de Jesus Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.565 17 Gonçalves, que apenas um mês depois foi substituída na sociedade por Cláudia Regina Barra Moreno. A função de Luzia e de Cláudia na sociedade é única e exclusivamente emprestar seu nome para que a Distribuidora São Paulo não se enquadre na classificação de firma individual, pois se assim fosse, o patrimônio pessoal de Valder responderia pelas dívidas da empresa. Em 26.10.1999 o capital social da empresa é alterado para R$ 3.000,00, dos quais R$ 2.999,00 pertencentes a Valder e o R$ 1,00 restante a Cláudia. Em outubro de 2001, a Distribuidora São Paulo é enquadrada como empresa de pequeno porte, condição que manteve até junho de 2005, quando alterou seu capital social para R$ 50 mil (99% de Valder e 1% de Cláudia). A quebra de sigilo fiscal da empresa mostra que, mesmo sendo enquadrada como empresa de pequeno porte, com um capital social de míseros três mil reais, entre os anoscalendário de 2001 a 2004, a Distribuidora São Paulo declarou mais de um bilhão e cem mil reais de receita de sua atividade, soma absolutamente incompatível com aquele valor. No período, nem um centavo dos tributos federais incidentes sobre a atividade da empresa foi recolhido aos cofres públicos. Em termo de informação fiscal encaminhado à Justiça, o auditor que examinou os números da empresa consignou que a Distribuidora São Paulo "não possui patrimônio declarado que suportaria tais operações" e que se trata de "empresa utilizada, provavelmente, para emissão de notas fiscais para suporte das operações de terceiros”: Pesquisas nos websites do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e do Tribunal Regional Federal da Terceira Região mostram que a Distribuidora São Paulo responde a dezenas de execuções fiscais, dentre outros processos. Também é objeto de investigação em inquéritos policiais. No relatório da Receita Federal que consolida as informações da renda e do patrimônio declarados e da movimentação bancária de Valder Antônio Alves saltam aos olhos várias discrepâncias que dizem muito sobre sua estratégia de sonegação fiscal e de blindagem patrimonial. Em primeiro lugar, vemos que entre os anoscalendário de 2001 a 2002, Valder declarou rendimentos de apenas R$ 26.390,00. A Distribuidora São Paulo, empresa da qual Valder detém 99% do capital social, declarou no mesmo período receita R$ 351.039.621,18. Em que pese o princípio contábil da entidade tomar por separado o capital da empresa e o de seus sócios, não é nem minimamente crível que o proprietário de um empreendimento que movimente mais de trezentos e cinquenta milhões de reais em dois anos viva com uma renda de pouco mais de mil reais mensais. E a movimentação financeira do investigado confirma a tese de que sua renda pessoal é maior do que a declarada à Receita Federal. Nos anos de 2001 a 2002, Valder Antônio Alves movimentou em sua Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 18 conta pessoa física R$ 1.992.420,02, ou 75 vezes o valor de seus rendimentos declarados. Entre 2003 a 2005, declarou rendimentos de R$ 275.643,63 e movimentou em bancos quinze vezes mais: R$ 4.361.736,83. Interessante notar que até o exercício de 2003, o patrimônio declarado Receita por Valder Antônio Alves era de insignificantes R$ 1,21; no exercício de 2005, declarou R$ 56.993,63, valor ainda assim muito inferior ao que se espera do patrimônio de alguém que detenha 99% de um empreendimento que em apenas quatro anos teve uma receita de um bilhão e cem mil reais. Ocorre que Valder não coloca bens em seu nome, pois se assim o fizesse, estaria sujeito ao seu bloqueio judicial para pagamento de débitos tributários. A Distribuidora São Paulo responde a dezenas de processos na Justiça, como pode comprovar uma simples consulta à página do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na Internet. Na Distribuidora São Paulo, Valder tem toda uma estrutura montada para atender aos clientes que adquirem notas fiscais "frias" da empresa. Lá trabalham diretamente com o fornecimento de notas fiscais, atendendo aos clientes da quadrilha, Maria dos Anjos de Medeiros (Nina), Monique de Medeiros Venda e Ana Cláudia Valente Fioravante. Na área contábil da empresa trabalham Antônio Zanchini Júnior e Yuki Hilton de Noronha. O Relatório do Banco Central encaminhado à Justiça em razão da quebra do sigilo bancário da Distribuidora São Paulo revela que a empresa mantém vínculos com oito instituições financeiras. Além dos sócios da empresa, sua conta no banco Bradesco é movimentada, por meio de procuração, por Aletheia Aparecida Bagli Correia, Alex Sandro Pereira da Silva e Ricardo Aparecido Quinhones. Aletheia foi funcionária do Frigorifico Baby Beef até 2001, e em 2003 era registrada pela Distribuidora São Paulo. Alex Sandro foi funcionário do Frigorifico Baby Beef nos anos de 1999, 2000 e 2001. Ricardo Quinhones consta como funcionário do Frigorifico Baby Beef; ininterruptamente, de 1999 a 2005. Concomitantemente, é funcionário registrado pela Distribuidora São Paulo desde o ano de 2003 até hoje. Também é procurador de conta da Norte Riopretense, como mostra relatório do Banco Central. As interceptações telefônicas trouxeram provas valiosas das fraudes perpetradas por Valder Antônio Alves e seus funcionários mediante a utilização da Distribuidora São Paulo. A seguir, indicaremos os principais registros das ligações interceptadas e faremos um breve resumo das conversas. Aqui serão resumidas as ligações em que não foi possível identificar quem é o cliente que está adquirindo as notas fiscais, com poucas exceções, em que o cliente foi identificado mas transcrevemos o registro também aqui por ser importante à compreensão do "esquema". Os registros de diálogos em foi possível identificar o cliente do esquema serão transcritos no item reservado aos "clientes de Valder Antônio Alves. A transcrição integral das conversas consta de item à parte no relatório." [fls. 131136/977] Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.566 19 Em seu Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado na Policia Federal em Jales/SP, no dia 17 de outubro de 2006, vide fls. 130 a 135, Monique de Medeiros Vendas, secretária da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175, também reforça a tese de que a "Distribuidora São Paulo" era uma distribuidora de notas fiscais. Alguns trechos de seu depoimento merecem transcrição: (...) Comércio de Carnes Boi Rio Ltda, sabendo afirmar que o escritório de "Macaúba" tirava nota para essa empresa, (...) [fls. 504] (...) Ricardo Aparecido Quinhones, funcionário do Baby Beef em Andradina; Aletéia Aparecida Barbi Correa, trabalha dentro do frigorifico Baby Beet; não sabe informar a função (...)" [fis. 504] Em seu Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado na Policia Federal em Jales/SP, no dia 07 de outubro de 2006, objeto das fls. 136 a 140, Maria dos Anjos de Medeiros, também conhecida pela alcunha "Nina", gerente administrativa da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNN 68.195.072/000175, também reforça e em muito a tese de que a "Distribuidora São Paulo" era uma distribuidora de notas fiscais. Alguns trechos de seu depoimento merecem transcrição: "(..) Questionada sobre de quem, na empresa, parte a ordem para não recolher os tributos incidentes nas operações da Distribuidora São Paulo, respondeu que é Valder Antônio Alves. Questionada se a Distribuidora São Paulo vende as notas fiscais que emite a empresas e pessoas físicas, respondeu que a distribuidora cobra uma "taxa" pela emissão de notas fiscais que embasam operações de terceiros. [fls. 506] (...) Questionada sobre quem faz a distribuição da carne abatida pelos frigoríficos aos supermercados e açougues, respondeu que são os próprios frigoríficos e "taxistas". Questionada sobre o que a Distribuidora São Paulo faz, se não abate gado, nem distribui carne, respondeu que ela apenas "emite notas". (grifo nosso) [fls. 508] (..) Questionada sobre o envio de notas fiscais em branco da Distribuidora São Paulo a outras empresas, respondeu que isso é feito "para facilitar o faturamento porque o frigorífico é longe, fora de Rio Preto”. Todas estas notas são registradas posteriormente, no final do mês. [fls. 508] (...) Notas fiscais em branco também são enviadas ao Frigorifico Baby Beef [fls. 508] (..) Questionada sobre o quanto é cobrado pelas notas fiscais emitidas, respondeu que pelo conjunto das notas de entrada, de remessa, de retorno e de venda é cobrado R$ 4,00 por cabeça Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 20 de gado bovino e R$ 2,00 em caso de gado suíno. Questionada sobre desde quando funciona o esquema de venda de notas fiscais, respondeu que desde que a interroganda trabalha na empresa, isto é, há dez anos." [fls. 509] Pelo "pacote" de serviços, ou seja, notas fiscais de entrada para acobertar as compras de gado; notas fiscais de remessa ao frigorifico para o abate do gado; e consequentes notas fiscais de saída para dar suporte às respectivas vendas da carne, a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. cobrava do cliente a quantia de R$ 4,00 (quatro reais) por cabeça de gado adquirida e abatida. Quando o abate era de suínos o preço era de R$ 3,00 (três reais) por cabeça, conforme evidências apuradas pela Policia Federal em seu trabalho de inteligência. Vejamos parte do seu relatório, quando se refere ao esquema dos "noteiros": Há grupos empresariais, no entanto, que não sofisticaram sua engrenagem de sonegação fiscal a ponto de constituírem suas próprias empresas em nome de "laranjas". Neste caso, para movimentar parte do seu faturamento sem despertar a atenção do fisco, os sócios destes empreendimentos se valem do know how de Valder Antônio Alves, vulgo Macaúba, "cabeça" dos "noteiros; que tem distribuidoras de carnes de fachada abertas com o propósito de emitir notas fiscais "frias" para embasar operações comerciais de compra e venda de gado e carne de terceiros. As interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça permitiram traçar com precisão o modus operandi de Valder Antônio Alves e de seus clientes. Quando um frigorífico ou um "taxista" adquire gado do produtor rural e não deseja emitir a nota de entrada da mercadoria para fugir do pagamento do tributo, ele entra em contato com Valder Antônio Alves e seus funcionários e encomenda a nota, que será emitida por uma das empresas de Valder: a “Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda” ou a “Norte Riopretense Distribuidora Ltda”. A primeira está registrada em nome do próprio Valder Antônio Alves e de uma sócia "laranja”. A segunda está registrada em nome da empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Luiz Ltda. e do "laranja" Vinícius dos Santos Vulpini. O pagamento é feito ao produtor rural pelo frigorifico ou pelo "taxista" que adquire o gado. A nota fiscal, no entanto, é emitida pela empresa de Valder, que, aos olhos do fisco, é quem fez a transação. Adquirido o gado do produtor, em geral ele é abatido pelo próprio frigorifico que o adquiriu, seja em suas próprias instalações ou em instalações arrendadas de terceiros, caso não possua planta industrial própria. No caso dos "taxistas”, como eles não possuem instalações para abate, o gado adquirido do produtor rural sempre é abatido em instalações de terceiros, que cobram uma "taxa" pelo serviço (daí a denominação "taxista”), em geral um percentual em dinheiro e mais o subproduto do abate (couro e sebo). Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.567 21 Abatido o gado, a carne será vendida pelo frigorifico ou pelo "taxista" a uma casa de carnes ou a um supermercado. A nota fiscal de saída também será emitida em nome de uma das empresas de Valder Antônio Alves, e não em nome de quem está vendendo a carne. O comerciante que adquire a carne do frigorifico ou do "taxista" fará o pagamento a eles, e não a Valder ou às suas empresas, que apenas emitirão a nota fiscal. Eventualmente, as empresas dos "noteiros" também emitem notas fiscais de simples remessa para o verdadeiro responsável pela operação. Assim, alegase que o frigorifico cliente do esquema apenas "prestou serviços de abate" às distribuidoras de fachada dos noteiros, mas não é o verdadeiro dono do gado e das carnes. Abaixo, o esboço do esquema, onde se pode ver claramente que a empresa de fachada ou "noteiro" apenas emite as notas fiscais da transação, mas o gado, a carne e o dinheiro são movimentados pelo frigorífico que usa dos seus "serviços". Os clientes dos "noteiros" pagam pelas notas fiscais "frias" emitidas quatro reais por cabeça de gado bovino e três reais por cabeça de gado suíno. As interceptações telefônicas comprovam que, aos clientes mais fiéis, que tem movimento maior e gozam de maior confiança de Valder Antônio Alves, são enviadas caixas de formulários contínuos, com notas fiscais em branco de suas empresas, que são preenchidas nas dependências das empresas que as adquirem, as quais acertam o pagamento pelos "serviços" de Valder posteriormente, dependendo do volume de gado negociado. Para evitar a prisão dos sócios por sonegação fiscal, as empresas do Grupo dos Noteiros não deixam de declarar ao fisco os tributos incidentes sobre suas operações simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual ação do fisco ou da Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens em seu nome." O Sr. Valder Antonio Alves, vulgo "Macaúba", em interrogatório à Policia Federal, questionado a quem a sua empresa emite formulário de nota fiscal em branco, informou que "é tirado o formulário contínuo mesmo e enviado em branco para o frigorifico", conforme consta nas fls. 141 a 148. [...] DOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS DO ESQUEMA Além dos documentos oficiais foram obtidos junto ao acervo apreendido na Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda determinados documentos extraoficiais, os quais relatam dados a respeito do modus operandi utilizado pelos fraudadores, dentre os quais destacamse : Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 22 · Sete folhas manuscritas através das quais a Faturista da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, Ana Claudia Valente Fioravante demonstra para outra funcionária de nome 3anaina os caminhos que devem ser tomados para a realização do faturamento de gado e da carne, especificando a transformação do peso do gado para peso em carne, o preço das partes do gado abatido, os critérios quanto a eventuais saldos entre um peso e outro, enfim, fazendo um "passoapasso" sobre o esquema. · Um caderno com folhas manuscritas (fls. 161 a 220) que servia para apontamento diário dos recados advindos de visitas e ligações telefônicas para o Sr. "Macaúba" (Valder Antonio Alves), onde muitos dos seus dados estabelecem associação aos nomes incluídos na relação dos "vendedores" da Distribuidora São Paulo. Tais anotações fazem referência apenas aos telefonemas não atendidos pelo Sr. Valder. Em determinados recados as pessoas anteciparam o assunto que desejavam tratar com o Sr. "Macaúba" (Valder Antonio Alves), tal qual ocorreu nos exemplos abaixo. Ressaltamos, porém, que os termos a seguir não dizem respeito à transcrição das conversações e sim aos recados anotados pela funcionária. "... Cosmo Vargas pediu p/ você ligar para ele a respeito de nota..."; "... Eder (Adamantina) quer conversar com você sobre notas"; "... Dito (Prudente) ligou, falou que não é para ligar no frigorífico é p/ ligar no celular dele ... se for a respeito de notas". · A listagem a que se referiu Ana Cláudia Fioravante Valente, funcionária da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, rotulada pela própria empresa de "Código dos Vendedores", contendo o número de cada um dos clientes da distribuidora, foi um dos documentos apreendidos na empresa, tanto em meio papel como em arquivo magnético. Os clientes ali relacionados são pessoas físicas ou jurídicas empreendedoras no segmento de frigoríficos, que praticaram as relações comerciais pertinentes ao seu ramo de negócios, notadamente as compras de gado e as vendas dos produtos advindos do seu abate, através de Notas Fiscais em nome da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, eximindose, portanto, dos encargos tributários decorrentes destas operações, uma vez que seus nomes não figuram em tais transações e sim o da distribuidora. Na referida listagem está inserido o cliente n° "6 — Auriflama". Nas fls. 224 e 225 temos os códigos dos frigoríficos onde se realizavam os abates e nas fls. 226 a relação dos clientes da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda, outra empresa "noteira" pertencente ao Sr. Valder Antonio Alves (Macaúba). O cliente pessoa jurídica se trata de um frigorifico normalmente regulamentado perante os órgãos de registro do comércio e da indústria, dotado, portanto, de inscrição junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ frente à Receita Federal do Brasil. Neste caso, em relação ao esquema dos "noteiros", a distribuidora fornece a Nota Fiscal de Entrada para acobertar a Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.568 23 compra do gado junto ao produtor rural (que de fato ocorreu), em cuja nota é apontado o frigorifico onde o mesmo será abatido (o próprio cliente da distribuidora). Na sequência a distribuidora emite Nota Fiscal de Remessa do gado para abate no frigorifico e o seu respectivo retorno (operações fictícias), e por fim as Notas Fiscais de Saída correspondentes venda dos produtos oriundos do abate (operações reais). Clientes com grande movimentação recebiam da distribuidora caixas de formulário contínuo de notas fiscais em branco para que eles próprios pudessem proceder as emissões necessárias. Quando pessoa física, o cliente é conhecido como "taxista" em razão de que paga uma taxa para um determinado frigorífico para desenvolver o abate do gado que adquire, uma vez que não possui estrutura própria para esse fim. Desta forma, a sequência de emissão de notas se dá nos mesmos moldes acima, entretanto, o frigorifico mencionado como local de abate será aquele determinado pelo "taxista". Em ambos os casos, ou seja, em sendo o cliente uma pessoa física ou jurídica, eles remuneram a distribuidora pelo fornecimento das notas fiscais à razão de uma determinada quantia por cabeça de gado. Conforme informações obtidas a partir das declarações e depoimentos, e sobretudo, com base em documentos apreendidos, identificamos esse valor como sendo de R$ 4,00 (quatro reais) por cabeça de gado bovino. O volume de notas fiscais emitidas pela Distribuidora São Paulo é algo assustador. Fosse ela uma empresa "de fato" e suas operações reais, seria uma das maiores da região dos Grandes Lagos em faturamento. Em relação ao período compreendido nesta ação fiscal detectamos que foram emitidas cerca de 2 milhões de notas fiscais, correspondendo a quase 200 mil notas por ano, 17 mil por mês, ou ainda, 600 por dia. Um talonário comum de nota fiscal geralmente contém 50 notas. Portanto, neste contexto, a Distribuidora São Paulo estaria consumindo algo em torno de 12 talões de notas fiscais por dia. Como controlar a conta de cada cliente diante de tamanho volume de notas? Muito simples; no rodapé de cada nota era mencionado o código do respectivo cliente, e a partir daí bastava alimentar um sistema informatizado para se obter a posição de cada um a qualquer tempo. A surpresa, entretanto, ficou por conta de que este aplicativo, juntamente com os documentos que forneceram os seus dados, fora apreendido pela Policia Federal e, por ordem judicial, disponibilizado à Receita Federal do Brasil para subsidiar a fiscalização que deu origem ao presente termo. No Anexo I do presente processo juntamos vários conjuntos de notas fiscais, demonstrando o esquema a partir da Nota Fiscal do Produtor (a ponta inicial de todo o processo), passando pela Nota Fiscal de Remessa para Abate (operação simulada), chegando até a Nota Fiscal de Saída (venda do produto oriundo do gado abatido). Cada conjunto de notas se refere a um determinado cliente da Distribuidora São Paulo, devidamente identificado pelos seus respectivos códigos, os quais se acham apontados no rodapé das notas fiscais da distribuidora. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 24 Portanto, ao analisar os exemplos das notas fiscais convém atentar para o detalhe da numeração consignada nos seus rodapés. Vêse que há um ciclo compreendendo a nota de entrada, às vezes congregando mais de uma nota de produtor, seguida da nota de remessa e das sucessivas notas de vendas. É possível notar, ainda, que na maioria dos exemplos a pessoa responsável pelo faturamento na distribuidora fazia um apontamento na Nota Fiscal do Produtor, identificando o número da Nota Fiscal de Remessa e o número correspondente ao código do "vendedor", ou seja, o verdadeiro titular da operação. Ao final da amostragem de cada cliente da distribuidora, juntamos um volume maior de documentos do mesmo gênero, os quais se relacionam exclusivamente com o cliente n° "6 — Auriflama". O Sr. Valder Antonio Alves, vulgo "Macaúba", também é sócio proprietário da empresa Norte Riopretense Distribuidora Ltda, atualmente denominada FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda, inscrita no CNRI sob n° 01.552.024/000116, uma vez que figura no quadro societário da Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Ltda, CNPJ 01.698.432/000180, sócia majoritária daquela empresa. Além disto, figura no Contrato Social da FriNorte como sóciogerente, na medida em que lhe foi atribuído poderes para substituir o Sr. Vinícius dos Santos Vulpini, no impedimento deste. De forma idêntica à adotada na Distribuidora São Paulo, a FriNorte também servia aos seus "clientes" notas fiscais "frias" para acobertar suas operações comerciais de compra de gado e venda de produtos, tendo sido constatado que vários "clientes" eram comuns às duas empresas. Demonstramos nas fls. 227 a 233, um documento de controle interno da "noteira", importante para corroborar com a tese da existência do esquema desbaratado pela Policia Federal. Tratase de um demonstrativo mensal referente à totalização dos quatro reais por cabeça, cobrado de um dos seus clientes, onde, claramente, se observa que em função das notas emitidas e do consequente número de cabeças que elas compõem, surgiu o débito do cliente perante a "noteira". Nada diferente, portanto, daquilo que a Policia Federal já havia detectado e que a Receita Federal do Brasil vem confirmar através deste procedimento fiscal. Verificase que no citado ajuste de contas havia o envolvimento de subprodutos. Esse fato era comum e justifica eventuais operações de dação em pagamento realizadas mediante notas fiscais da Distribuidora São Paulo, conforme se observa no conjunto das notas fiscais mencionado acima. Avulta das provas dos autos a efetiva ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias consistentes na comercialização de produção rural, cujas contribuições previdenciárias deles decorrentes não se houveram por recolhidas aos cofres públicos, na forma e nos prazos previstos em lei. De acordo com o art. 37 da Lei nº 8.212/91, sendo constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a Fiscalização tem, por dever de ofício, que lavrar a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme assim procedeu, no caso, a Autoridade Lançadora. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.569 25 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). A eleição do Sujeito Passivo a figurar no polo devedor da relação jurídico tributária é prerrogativa privativa da Autoridade Administrativa Fiscal, a teor do art. 142 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Conforme expressamente consignado no art. 121, I, do Código Tributário Nacional, considerase Contribuinte a pessoa obrigada ao pagamento do tributo que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da exação. Código Tributário Nacional CTN Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 26 No caso presente, a pletora documental presente nos autos demonstra que quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora lançado não era a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, mas, sim, os clientes dessa empresa “noteira”, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar do recolhimento de tributos. Transcrevemos, adiante, trechos do Termo de Constatação Fiscal que versa a respeito da identificação do Sujeito Passivo: “DA IDENTIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS O procedimento fiscal desenvolvido junto às distribuidoras "noteiras" teve como um dos principais objetivos a identificação dos seus "clientes", assim como o quantum que corresponderia a cada um, no que diz respeito às contribuições previdenciárias por eles devidas em decorrência das suas reais operações, ocultadas pelo esquema de sonegação então empreendido. O vocábulo "cliente" já foi bastante explorado neste termo, e como já vimos é utilizado quando nos referimos àquelas pessoas físicas ou jurídicas que adquiriram notas fiscais "frias" das distribuidoras para "esquentar" suas respectivas operações de compra de gado e venda dos produtos, os quais constam na relação de "vendedores" das distribuidoras. Sabese que cada cliente possuía um código específico, que servia para identificar as notas fiscais emitidas em decorrência de suas operações. A apreensão de documentos nos permitiu lançar mão não somente da relação contendo esses códigos, mas, principalmente, dos elementos que possibilitaram levantar a movimentação individual de cada cliente. Estes elementos são as próprias notas fiscais emitidas pela distribuidora, os arquivos magnéticos contendo o rico controle das movimentações, as notas fiscais emitidas pelos produtores rurais que venderam o gado para os clientes da distribuidora, tudo isto corroborado por livros fiscais e informações advindas das pessoas envolvidas no esquema. Restava, evidentemente, respaldar as informações junto às pessoas físicas que participaram das operações, ou seja, os produtores rurais que venderam o gado, especialmente pelo fato de que a contribuição previdenciária decorre destas transações. A partir dos dados constantes no arquivo magnético que servia de controle das notas emitidas, corroborados pelas próprias notas fiscais, foram instaurados centenas de procedimentos fiscais de diligências junto aos produtores rurais pessoas físicas, com o propósito de colher subsídios a fim de comprovar que as operações realizadas com notas fiscais da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda pertenciam de fato a terceiros. Os Termos de Intimação expedidos aos produtores rurais, bem como as suas respostas e os respectivos documentos por eles juntados, estão contidos no Anexo II deste processo. Além de tais diligências o Anexo II contempla, ainda, cópias de folhas do Livro Diário da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, onde podemos observar que os lançamentos de aquisição de gado foram efetuados em bloco, inviabilizando, de forma estratégica, eventual consistência individualizada, fato que inibe, portanto, a exigível transparência nos registros contábeis, de conformidade Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.570 27 com os princípios geralmente aceitos para fins da escrituração. Também foram juntados no Anexo II as GFIP — Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações Previdência Social do Frigorifico Auriflama Ltda, para que fique demonstrado que o contribuinte não declarou qualquer valor correspondente à aquisição de produtos rurais no período compreendido no presente lançamento. Em relação ao código "6 — Auriflama", as intimações realizadas junto aos produtores rurais, constantes no Anexo II, temos os seguintes destaques: a) A produtora rural Maria das Dores Campos Neder declarou que desconhece qualquer pessoa vinculada à Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda e que "os negócios eram tratados com uma pessoa de nome Aislan, pelos telefones (17) 3482 4567 e 34821554, do Frigorifico de Auriflama". Declarou, ainda, que os pagamentos eram efetuados a ela própria, no escritório do estabelecimento abatedor identificado no corpo das notas fiscais, na cidade de Auriflama. A partir de tais declarações nos cabe registrar que, em consulta ao sistema CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais, constatamos que o Sr. Aislan Antonio Martins Mazero teve até então três vínculos empregatícios, sendo dois com o Frigorifico Auriflama Ltda e um com a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. É importante salientar que na apuração dos fatos junto às empresas "noteiras" e seus clientes, por ocasião dos procedimentos fiscais requisitados pela Justiça Federal, identificamos várias situações em que a "noteira" assume o vínculo de empregado do seu cliente, permitindo a sonegação de encargos sociais também em relação à folha de pagamento, cujos fatos serão objetos de representação para fins de alcançar todos os sujeitos passivos solidários. No caso do Sr. Aislan podemos notar que em 05/10/2006 ele acompanhou o trabalho da Policia Federal na operação de busca e apreensão no Frigorifico Auriflama, quando estava registrado na Distribuidora São Paulo, vide fls. 46 a 64; b) O produtor rural Sr. Alcides de Oliveira Fernandes também declarou ter negociado com Sr. Aislan, pelo telefone (17) 3231 2005, no endereço Via de Acesso Luiz Bido, km 2, bairro Barreiro, na cidade de Auriflama SP, mesmo local do abate dos animais. Declarou, ainda, que os pagamentos eram feitos pelo Sr. Aislan, tanto no seu estabelecimento comercial em Santa Fé do Sul SP como no próprio frigorifico em Auriflama SP. Como já vimos acima, e agora corroboradas nestas informações, o Sr. Aislan de fato presta serviços ao Frigorifico Auriflama, conforme consta, inclusive, no Auto Circunstanciado da Policia Federal, às fls. 63, onde o frigorifico foi citado como sendo o seu local de trabalho; c) A produtora rural Sra. Dirce Alves Ferreira declarou que o comprador do gado era o Sr. Aislan Mazero, e que ele próprio realizava os pagamentos. Esta produtora foi a única a fazer menção a "Macaúba", o líder dos "noteiros". É compreensível, pois, a partir de 08/09/2003, ela passou a integrar o corpo societário do Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 28 Frigorifico Auriflama Ltda, fato que nos leva a crer que tinha conhecimento do "esquema"; d) Convém mencionar que em relação às declarações contidas no item "a" acima, comprovamos mediante um exemplar de envelope da empresa, objeto contido no Anexo II, que um dos números realmente se relaciona ao Frigorifico Auriflama. Registramos, ainda, que o local de abate mencionado nas notas era sempre o Frigorifico Auriflama, conforme se observa nas notas fiscais que compõem o Anexo II, em cujo local a produtora rural declarou ter recebido os pagamentos por conta das transações realizadas com notas da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. Não há pretensão de sustentar a titularidade de qualquer cliente da distribuidora frente à operação de compra de gado, apenas e tão somente em decorrência das informações colhidas junto aos produtores rurais. Da mesma forma não se pode pretender o esvaziamento da tese tendo como base unicamente esta fonte. O fator relevante advindo de tais procedimentos de diligências está, não só nas declarações dos produtores rurais, mas, sobretudo, no "encaixe" dos fatos diante do modus operandi já delineado no presente termo, em consonância com o que já havia sido apurado pela Policia Federal. Desta forma, atribuímos aos clientes da Distribuidora São Paulo as suas respectivas cotasparte, no que diz respeito ao lançamento dos créditos tributários decorrentes das operações de compra de gado junto a produtores rurais pessoas físicas. Grande parte destes terceiros se refere a empresas do segmento frigorífico que também se encontravam sob ação fiscal. Portanto, as informações alcançadas serviram para subsidiálas. Foi sugerido abertura de procedimento fiscal junto a outras empresas que ainda não estavam sob fiscalização, de forma a permitir a efetivação do competente lançamento do crédito tributário junto às mesmas. Conforme já aventamos, os clientes compradores de notas fiscais se utilizaram desse expediente também no momento de vender suas mercadorias, ou seja, a carne e outros produtos, frutos do gado abatido, ampliando assim a sua teia de sonegação, deixando de recolher não somente as contribuições previdenciárias como também outros tributos fazendários, tanto da esfera federal como estadual, razão pela qual as empresas e pessoas físicas envolvidas na Operação Grandes Lagos vêm sofrendo ações fiscais de tais gêneros. Em informação prestada pela Receita Federal, constante na folha 21 do relatório do Inquérito da Policia Federal, consta que a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda declarou num período de cinco anos receita na ordem de um bilhão e cem mil reais, que certamente se refere em grande parte ao fruto das vendas de seus "clientes". Dentre tantos os que colaboraram para o incremento de tais números, figura o cliente da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda n° "6 — Auriflama". Conforme os fatos narrados no presente termo, verificamos se tratar do contribuinte Frigorifico Auriflama Ltda, inscrito no CNPJ sob n° 68.059.195/000189. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.571 29 Dentre os registros de gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça Federal, a Polícia Federal incluiu em seu Inquérito Policial algo que reforça os indícios que nos leva à tese ora defendida. Senão vejamos: No registro 200607310846421, Emerson (Emerson Martins da Silva), do Frigorifico Auriflama, encomenda uma nota fiscal de venda de couro a Ana Cláudia Valente Fioravante, da Distribuidora São Paulo. Emerson é o dono da empresa. Objetivando consolidar o entendimento do esquema, ressaltamos que a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda também se aventurou nas atividades até então peculiares aos seus clientes, realizando, portanto, as operações de compra de gado e venda de produtos. Para tanto, possuía o código "0 — Próprio" e ainda o código "44 — Macaúba", inseridos no seu rol de "vendedores", portanto, a ela também foi atribuída a sua cotaparte. Vejamos o que disse o Sr. Valder Antonio Alves, vulgo "Macaúba", em parte das declarações prestadas a Auditores Fiscais da Receita Federal, vide fls. 234 a 237: "3. O Sr. Valder Antonio Alves, indagado sobre os fatos vinculados empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, informou: QUE a empresa surgiu quando adquiriu um açougue na Rua São Paulo, 1376, Jardim Paulista em São José do Rio Preto em 1992; QUE o código 138 — Caraguatatuba referese a um vendedor autônomo de carne que atuava em CaraguatatubaSP, não declinando o seu nome, não sendo exclusivo da São Paulo; QUE o código 129 referese a André Shalon, é um vendedor autônomo de São Paulo SP, não sendo exclusivo da São Paulo; QUE o código 137 — Sorocaba referese a um vendedor autônomo de carne que atuava em Sorocaba SP, não declinando o seu nome, não sendo exclusivo da São Paulo; QUE o código 044 — Macaúba referese a ele próprio, transação de responsabilidade da Distribuidora São Paulo; QUE utilizava os frigoríficos Auriflama, Viena, Boi Rio, Baby Beef; pouca coisa no Mozaquatro e outros; QUE reconhece os nomes e códigos das demais planilhas mostradas pela fiscalização; QUE no negócio de couro utilizava vários curtumes da região para a execução da industrialização; QUE funcionários da São Paulo levavam caixas de formulário continuo até os frigoríficos onde eram emitidas as notas dos abates do dia anterior, tendo sido os animais remetidos para abate com notas fiscais de remessa e GTA; (.„); QUE grande parte dos valores recebidos nas vendas de carnes repassava diretamente aos fornecedores/produtores..." (grifos nossos) Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 30 Além destes dois códigos, foram atribuídos à Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda outros códigos que se referem a clientes que não foram identificados à altura da necessidade processual, inviabilizando o lançamento do crédito tributário junto aos mesmos. Tratase de clientes com pouca ou esporádica movimentação, o que justifica a dificuldade na coleta de suas informações e comprovação dos fatos. Na verdade, este era o desejo de todos os envolvidos neste esquema, isto é, que os lançamentos tributários ocorressem todos contra a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, pois esse foi o objetivo principal da sua criação, qual seja, o de suportar o ônus advindo das operações fiscais de seus clientes. A exemplo disto anexamos às fls. 238 a 250 o resultado das pesquisas realizadas sobre execuções fiscais que figuram em nome das distribuidoras São Paulo e FriNorte, ambas pertencentes a "Macaúba". Felizmente, graças ao trabalho de inteligência da Policia Federal e ao suporte legal da Justiça Federal, que possibilitou a busca e apreensão de documentos, bem como a quebra de sigilo bancário, e consequentemente gerou a deflagração de operações no âmbito dos órgãos fiscalizadores, tanto federal como estadual, tornouse possível estabelecer a cada um dos sonegadores a sua real participação no esquema, de forma a permitir alcançar os valores base relativos à aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, e consequentemente as respectivas contribuições devidas à Seguridade Social. Conforme se extrai dos fatos expostos anteriormente, a empresa objeto do presente termo, ou seja, o Frigorifico Auriflama Ltda, inscrito no Ministério da Fazenda sob n° 68.059.195/000189, foi titular das operações de aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, realizadas pelo cliente n° 6 da lista de "vendedores" da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, as quais se acham relacionadas em planilha contida nas fls. 251 a 328. Sobre estes montantes incidiram as contribuições devidas à Seguridade Social, por se tratar de comercialização da produção rural de pessoas físicas, cujas contribuições são sub rogadas à pessoa jurídica adquirente. Não procede, portanto, a alegação de erro na identificação do Sujeito Passivo. A Fiscalização apurou que o Frigorífico Auriflama ltda não declarou em suas GFIP qualquer valor correspondente à aquisição de produtos rurais no período compreendido no presente lançamento. Na mesma toada, também a sua escrita fiscal não registra tais operações comerciais. Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que a Fiscalização inscreva de ofício a importância reputada como devida, mesmo que mediante a apuração, por aferição indireta, das bases de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.572 31 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Assim, considerando todo o conjunto probatório carreado ao presente processo, restou demonstrado que o vertente Auto de Infração de Obrigação Principal não se houve por lavrado apenas com base em indícios, suposições ou presunções. A fiscalização demonstrou, mediante minucioso procedimento investigativo, em conjunto com a Policia Federal, e sob os olhares da Justiça Federal, a ocorrência material dos fatos jurígenos tributários que integram o vertente lançamento, não logrando o Recorrente produzir os meios de prova hábeis a desconstituílo. Não procede, igualmente, a alegação de que não houve fraude tributária. · A fraude consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. · O gado era comprado, abatido e vendido pelo frigorífico cliente das empresas “noteiras”. No entanto, aparentemente a compra do gado e Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 32 comercialização dos produtos do abate eram feitos pelas “noteiras” de acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas fiscais “frias” relativas à compra do gado e notas também “frias” de remessa desse gado ao frigorífico (cliente da “noteira”) para abate, seguindose a emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que, finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos. · Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras” foram constituídas com o único propósito de emitir notas fiscais ‘frias” para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto ao fisco e não despertar suspeitas sobre o verdadeiro faturamento desses “clientes”: (a) o patrimônio declarado das “noteiras” é insuficiente para suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos declarados do sócio majoritário da “noteira” e as receitas declaradas da empresa no período; (c) a movimentação financeira desse sócio majoritário em valores muito superiores a seus rendimentos declarados; (d) a movimentação de contas bancárias da citada empresa por procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas – “clientes”); (e) transcrição de declarações de inúmeros produtores rurais no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”, mas com seus “clientes”. A fraude se manifesta na volitiva e consciente utilização de empresas “noteiras”, que realizavam em seu nome e sob sua responsabilidade tributária, sob o falso manto de legalidade, e mediante uma taxa proporcional à operação dissimulada, as operações de terceiros de compra e venda de produção rural, e movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de impedir, total ou parcialmente, na seara da responsabilidade dos titulares de fato das citadas operações comerciais a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude tributária se consuma, portanto, com o emprego de ardis e estratagemas visando a ludibriar o Fisco, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Fossem tais operações formalmente registradas sob a responsabilidade tributária da Autuada, como materialmente, de fato, eram, esta teria que arcar com os encargos previdenciários incidentes sobre a comercialização da produção rural. De outro canto, sendo tais operações registradas sob a responsabilidade tributária de empresas noteiras, as quais foram constituídas como sociedades por cotas de responsabilidade limitada, com capital social irrisório, e cujos sócios nenhum bem possuíam em seus nomes, a execução fiscal do crédito correspondente mostrase improfícua, como por diversas vezes assim se mostrou, resultando Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.573 33 em flagrante prejuízo patrimonial para Fisco, que não conseguiu, por inúmeras vezes, realizar o seu crédito tributário. Mediante tal conduta, a Autuada ardilosamente omitiu de sua responsabilidade tributária fatos geradores de contribuições previdenciárias da contabilidade e das GFIP, ao mesmo tempo em que promoveu prejuízo patrimonial ao erário, que não conseguiu realizar o seu crédito. Nestes casos, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de investigação policial e de Fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tiveram condições a Policia Federal e a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Reforça a compreensão acerca da existência de fraude o fato de a empresa “noteira” cobrar uma taxa pela emissão da nota fiscal “fria”, proporcional à operação dissimulada, e ser constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, mediante a utilização de sócio “laranja” com participação ínfima no capital social, o qual, por sua vez, também se revelava irrisório em comparação à movimentação financeira registrada, e que tais sócios não possuíam qualquer bem patrimonial em seus nomes, de maneira que qualquer execução fiscal ajuizada pelo Fisco se revelava improfícuo, em razão da ausência de patrimônio para honrar o crédito tributário reclamado. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar das empresas noteiras para assumir, aparentemente, a titularidade e responsabilidade das suas operações de comercialização de produção rural, a Autuada não efetuou qualquer declaração desses Fatos Jurígenos Tributários nos títulos próprios de sua contabilidade, tampouco em suas GFIP, excluindo dessarte da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da ocorrência desses fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 34 Assim, estando as empresa “noteiras” e os seus “clientes”, dentre os quais, a Autuada, mancomunados no fim específico de fraudar a Administração Tributária e de sonegar tributos, caracterizada também se revela a existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude, da sonegação e do conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Mas não é só. Há mais !!! O caso em tela também é representativo de simulação. Aqui, o ato jurídico real é deliberadamente dissimulado, recebendo a maquiagem de um ato aparente legal, a fim de representar externamente perante terceiros, in casu, o Fisco, uma outra realidade que não aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum resultado econômico favorável. Na definição de Clóvis Beviláqua, citado por Silvio Rodrigues (in Direito Civil Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado”. Segundo Orlando Gomes (in Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro : Forense, 1983, p. 374), ocorre a simulação quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros". A simulação, em resumo, consubstanciase numa deformação voluntária do ato jurídico com o intuito de fugir à disciplina normal prevista em lei, consistente num desacordo intencional entre a vontade interna das partes, efetivamente pretendida, e a formalmente declarada no ato simulado. O ato jurídico simulado ostenta formalmente uma aparência diversa do efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade, não intencionam nem desejam. A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico, considera serem simulados e passíveis de desconsideração pelo Fisco os atos e os negócios jurídicos praticados pelas partes com a intenção de enganar, ocultar, iludir, dificultar ou até mesmo tornar impossível a atuação fiscal. A simulação, portanto, traduzse pela falta de correspondência entre o ato praticado e o formalizado, encerrando uma declaração enganosa visando a produzir efeito diverso do fato ocorrido. No caso presente, a empresa “noteira” emitia, em seu nome, notas fiscais “frias” de comercialização de produção rural, com ilusória aparência de legalidade, encobrindo dissimuladamente os reais titulares da operação mercantil realizada, com o sinistro intuito de excluir destes a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes de tais operações, e causando ao Fisco um prejuízo patrimonial correspondente às contribuições devidas, eis que o esquema fraudulento houvese por idealizado e concebido com a constituição de empresas noteiras sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, com capital social irrisório, e com nenhum bem em nome dos sócios, circunstância que implica fracasso a qualquer tentativa de execução fiscal do crédito tributário devido. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.574 35 O dolo na conduta se manifesta, precisamente, pelo fato de a empresa noteira assumir em seu nome e responsabilidade a titularidade das operações de terceiros e estes terceiros, além de pagarem uma taxa pela emissão das notas “frias” proporcional à operação dissimulada, também não registrarem tais operações em sua contabilidade, tampouco em suas GFIP. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DAS NORMAS ANTIELISIVAS Alega o Recorrente que o Parágrafo Único do art. 116 somente terá aplicação após a edição de lei ordinária regulamentadora; A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no entanto, entende de modo diverso. Em primeiro lugar, reiterese que o vertente lançamento não tem por fundamento jurídico a norma antielisiva aviada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, como assim quer fazer crer o Recorrente. Conforme detalhadamente demonstrado no item 2.1. supra, a Fiscalização constatou, mediante procedimento investigativo realizado em conjunto com a Policia Federal, a efetiva ocorrência de Fatos Jurígenos Tributários, consistentes na comercialização de produção rural, cujas contribuições previdenciárias deles decorrentes não se houveram por recolhidas à Seguridade Social. Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 36 Com fulcro no art. 37 da Lei de Custeio da Seguridade Social, procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias devidas, atribuindo ao ora Recorrente, consoante competência privativa que lhe fora outorgada pelo art. 142 do CTN, a posição de Sujeito Passivo da relação jurídicotributária em questão, na condição de contribuinte de fato, em conformidade com o inciso I do Parágrafo Único do art. 121 do CTN, em razão de, na realidade nua dos fatos, ser o Frigorífico Auriflama ltda a pessoa jurídica que tem relação direta e pessoal com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora em debate. Em segundo lugar, a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.575 37 No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico, consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 38 ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só possam ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.576 39 Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014 No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Registrese, por relevante, que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 40 O fundamento do lançamento em questão, reiterese, assentase na efetiva ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, praticados na realidade nua dos fatos sob a responsabilidade tributária do Frigorífico Auriflama ltda, na condição de contribuinte, o quais fatos geradores não foram declarados nas GFIP nem lançados em títulos próprios da contabilidade, e cujas contribuições sociais deles decorrente não se houveram por recolhidas aos cofres previdenciários. No caso ora em foco, a lei ordinária nº 8.212/91 estabelece obrigações tributárias principal e acessórias às empresas, assim dispondo: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540/92) §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540/92) §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (Parágrafo acrescentado pela Lei n º 8.540/92) (...) §10. Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 3o deste artigo, a receita proveniente: (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). I – da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). II – da comercialização de artigos de artesanato de que trata o inciso VII do § 10 do art. 12 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). III – de serviços prestados, de equipamentos utilizados e de produtos comercializados no imóvel rural, desde que em atividades turística e de entretenimento desenvolvidas no Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.577 41 próprio imóvel, inclusive hospedagem, alimentação, recepção, recreação e atividades pedagógicas, bem como taxa de visitação e serviços especiais; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). IV – do valor de mercado da produção rural dada em pagamento ou que tiver sido trocada por outra, qualquer que seja o motivo ou finalidade; e (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). V – de atividade artística de que trata o inciso VIII do § 10 do art. 12 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). §11. Considerase processo de beneficiamento ou industrialização artesanal aquele realizado diretamente pelo próprio produtor rural pessoa física, desde que não esteja sujeito à incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI. (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 42 No que pertine a procedimentos e competências, o art. 33 da Lei de Custeio da Seguridade Social outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.578 43 pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Ainda em relação a procedimentos, o art. 37 da lei ordinária ora em realce estatuiu o poder/dever da fiscalização de lavrar ex officio o competente Auto de Infração, sempre que constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias não declaradas nas GFIP correspondentes. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Versando, ainda, sobre procedimentos, os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 autoriza aos agentes do Fisco a inscreverem de ofício a importância reputada como devida, ainda que mediante a apuração da base de cálculo por aferição indireta, sempre que houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, ou quando a Fiscalização, mediante o exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, revertendose em desfavor da empresa fiscalizada o ônus da prova em contrário. Dada à reconfiguração do ônus probante imposta pelo §§ 3º e 6º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, tem o Recorrente que demonstrar e comprovar ou o recolhimento das contribuições devidas ou que os fatos imputados pela Fiscalização não se configuram como fatos geradores de contribuições previdenciárias ou que estes escapam à sua responsabilidade tributária. Não logrou êxito, todavia, o Recorrente, nesse mister. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de direito que forneceram esteio ao lançamento em debate, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o provimento do pleito ora requerido pela empresa em epígrafe, em razão da carência de conjunto probatório robusto que dê esteio ao direito por si alegado. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 44 Nesse contexto, não havendo o sujeito passivo produzido qualquer indício de prova material com pujança bélica poderosa o suficiente a desintegrar os sólidos fundamentos do presente lançamento, este há de ser mantido. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, favorecendo, assim, a contradita dos termos do lançamento e o devido processo legal. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de nulidade sustentadas pelo Recorrente. 3.2. DO CONFISCO Argumenta o Recorrente que a multa aplicada tem natureza confiscatória. Não !!! Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta de 1988 obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.579 45 Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa moratória, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. O mesmo não ocorre com as multas de natureza punitiva, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa punitiva é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso a inflição de penalidade de tamanha onerosidade, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao empregar meios ardilosos para fugir da tributação, o Infrator volitivamente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito Pátrio que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Nesse sentido, no que é atávico ao Processo Administrativo Fiscal, determina o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ser vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 46 §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.580 47 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa punitiva, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 48 Declaração de Voto Por ocasião do julgamento da Turma foi proferido voto pelo Conselheiro Fábio Calcini cujas razões adotei como fundamento do meu. Nestes termos, transcrevo suas palavras: “Sem embargo ao respeitável voto vencedor, convém apresentar declaração das razões que me levam à divergência a respeito da matéria. O caso concreto envolve a exigência da contribuição previdenciária sobre a receita, denominada em geral de funrural, em razão de ter como adquirido como pessoa jurídica de produtor rural pessoa física empregador sua produção. Bem por isso, houve a exigência de tais contribuições da recorrente por não ter retido e recolhido tais valores, mesmo não sendo o contribuinte. Entendemos “data vênia” que inexiste previsão legal para impor a exigência de referida contribuição ao adquirente. Isto porque, decidiu o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, por seu pleno, em recurso extraordinário n. 363.852, já transitado em julgado, que: ‘RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária sub rogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.581 49 (STF, RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169)’ Ademais, para não restar dúvida, na parte dispositiva do acórdão o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL declara incidentalmente a inconstitucionalidade de diversos dispositivos legais: ‘O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010.’ Como sabemos a declaração de inconstitucionalidade reconhece a existência de vício na lei que gera sua nulidade. Mais do que isso, a nulidade gera efeitos retroativos (“ex tunc”), conforme iterativa jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Ademais, desde logo, vale lembrar que não houve qualquer tipo de modulação ou manipulação dos efeitos da decisão quanto à nulidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Para o caso concreto, ressaltese a existência de inconstitucionalidade expressamente declarada quanto ao art. 30, inciso IV, da Lei n. 8.212/91 e a Lei n. 8.540/92, bem como a redação dada pela Lei n. 9.528/97. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 50 Este ponto é de fundamental relevância para se compreender a inexistência de previsão legal que imponha a subrogação e, por conseguinte, a exigência dos créditos tributários em face do adquirente. Com a declaração de inconstitucionalidade, foi suprimida a previsão da subrogação prevista no art. 30, IV, da Lei n. 8.212/91, para que se permita a cobrança do funrural do adquirente. Deste modo, por efeito repristinatório da inconstitucionalidade, retornase à legislação anterior. Ocorre, porém, que a legislação anterior não possui previsão de subrogação para o funrural em tais hipóteses, pois foram estabelecidas pelas Leis n. 8540/92 e 9528/97, declaradas inconstitucionais. Daí porque, como ressalta a decisão do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, é preciso nova lei e posterior reinstituindo esta imposição legal. Todavia, a lei posterior que supostamente teria novamente instituído o funrural em momento algum em seus dispositivos institui novamente a subrogação legal, alterando o art. 30 da Lei n. 8.212/91, que permitiria impor a retenção, recolhimento e, o mais relevante, a exigência do crédito em face do adquirente, como é o caso da recorrente. Em síntese: não temos previsão em lei impondo a subrogação para o adquirente quanto ao funrural em operações de aquisição de pessoa física empregadora. Ora, conforme princípio da legalidade e, sobretudo, art. 128 do Código Tributário Nacional, a imposição de qualquer forma de responsabilidade tributária deve expressamente prevista em lei. Portanto, não se trata de declarar a inconstitucionalidade da Lei n. 10.256/2001, mas dar cumprimento à decisão do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, já que após seu julgamento com trânsito em julgado, inexiste previsão legal de subrogação no funrural. Seria a subrogação que permitiria ao fisco federal, mesmo que inexista de fato a retenção pelo adquirente nas operações com o produtor rural pessoa física empregador, exigir o crédito tributário daquele. Sem a subrogação, no máximo, o adquirente poderia ser considerado mero agente de retenção, como uma forma de antecipação do tributo. Daí porque, na ausência de retenção e recolhimento, caberia ao Fisco exigir o crédito do efetivo contribuinte, conforme jurisprudência do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.582 51 do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda” (CARF, 2ª Seção, AC. 2201 002.516). Em tais condições, diante da ausência de previsão legal da sub rogação, não se torna possível exigir o crédito tributário em face do adquirente, cabendo no máximo a imposição de alguma penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Bem por isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e reforma a r. decisão para cancelar os lançamentos lavrados no PAF nº 16004.001695/200811, uma vez que inexiste previsão legal de subrogação para se exigir o funrural do adquirente na hipótese de produtor rural empregador pessoa física.” Juliana Campos de Carvalho Cruz Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003205/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2004
RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2004 RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 32 05 /2 00 7- 25 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de processo administrativo para exigir contribuição previdenciária cota patronal, relativa à remuneração de serviços de segurados contribuintes individuais e a título de prólabore dos sócios, não declarados em GFIP, correspondente ao período de 01/09/1999 a 31/03/2004. A Recorrente apresentou impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 203/315), sob o argumento de que os valores dos créditos tributários exigidos na presente autuação teriam sido objeto de depósito judicial no curso do processo judicial nº 98.29397 da Justiça Federal. Defendeu, ainda, a decadência do direito de constituição do crédito tributário e a inconstitucionalidade da multa aplicada. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 509/517): (i) declarando a decadência apenas dos créditos tributários correspondentes ao período de 01/1999 a 07/2002, e (ii) mantendo em sua integralidade os créditos tributários correspondentes ao período de 08/2002 a 03/2004, visto inexistir nos autos provas documentais que comprovariam a conversão em renda ao fisco, dos depósitos judiciais realizados pela Recorrente no curso de processo judicial. Além disso, manteve a aplicação dos acréscimos legais, visto que cabe à autoridade fiscal a aplicação da multa sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos seus efeitos, uma vez que o lançamento é uma atividade vinculada. Intimado da referida decisão em 08/12/2008, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/01/2009 (fls. 530/547) alegando que: (i) o crédito tributário em questão já foi integralmente pago, conforme se verifica através das guias DARF juntadas aos autos pela Recorrente; bem como (ii) a inconstitucionalidade da multa aplicada, por ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É o relatório. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10510.003205/200725 Acórdão n.º 2402004.314 S2C4T2 Fl. 690 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pela Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, a Recorrente tomou ciência da decisão de 1ª instância em 09/12/2008 (fl. 527) e enviou o recurso voluntário pelos correios em 09/01/2009 (conforme carimbo dos correios à fl. 530), ou seja, após o prazo fatal, que ocorreu em 08/01/2009. Assim, não obstante o recurso ter sido recepcionado pela Receita Federal apenas em 16/01/09, o recurso foi considerado intempestivo desde a data de envio pelos correios (09/01/2009). Como é cediço, o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, contados do primeiro dia subsequente à data da ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim, resta evidente que a Recorrente interpôs o referido recurso depois do transcurso do prazo de 30 dias, motivo pelo qual a r. decisão recorrida se torna definitiva, nos termos do art. 42, inc. I, do Decreto nº 70.235/1972: “ Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...)” Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Ante todo o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005442/2008-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 01/09/2008
RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. DD EXPEDIDA COM AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE DO ATO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE QUE SE ESTENDE AO ACÓRDÃO DA DRJ.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o DD, de fls. 336 a 340, por ausência de fundamentação, que causa preterição do direito de defesa, anulando-se por consequência o Acórdão da DRJ 06-39.011, determinando a reanálise do pedido como se fosse a primeira, cientificando o contribuinte para dela participar, se quiser, seguindo-se a partir desta todos as fases e procedimentos legais. Sustentação oral Advogado Dr Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº52.658.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 01/09/2008 RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. DD EXPEDIDA COM AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE DO ATO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE QUE SE ESTENDE AO ACÓRDÃO DA DRJ. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o DD, de fls. 336 a 340, por ausência de fundamentação, que causa preterição do direito de defesa, anulando-se por consequência o Acórdão da DRJ 06-39.011, determinando a reanálise do pedido como se fosse a primeira, cientificando o contribuinte para dela participar, se quiser, seguindo-se a partir desta todos as fases e procedimentos legais. Sustentação oral Advogado Dr Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº52.658. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 01/09/2008 RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. DD EXPEDIDA COM AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE DO ATO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE QUE SE ESTENDE AO ACÓRDÃO DA DRJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o DD, de fls. 336 a 340, por ausência de fundamentação, que causa preterição do direito de defesa, anulandose por consequência o Acórdão da DRJ 06 39.011, determinando a reanálise do pedido como se fosse a primeira, cientificando o contribuinte para dela participar, se quiser, seguindose a partir desta todos as fases e procedimentos legais. Sustentação oral Advogado Dr Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº52.658. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 54 42 /2 00 8- 22 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 490 2 Relatório O presente processo administrativo fiscal encera o Requerimento de Restituição de Retenção, referente a retenção de 11%, da Lei 9.711/1998, para as competências 12/2006 a 08/2008 e o 13º/2007, conforme requerimentos, de fls. 01 a 05. Os requerimentos foram acompanhados dos documentos, de fls. 06 a 199; 202 a 301. A SAORT da DRF da circunscrição do contribuinte emitiu o despacho, de fls. 302 e 303, solicitando o pronunciamento da SACAT em relação a exclusão do contribuinte do sistema SIMPLES FEDERAL. O contribuinte apresentou a petição, de fls. 306, que se fez acompanhar dos documentos, de fls. 307. A DRF em Maringá – PR emitiu o Ato Declaratório Nº 10, de 16/03/2009, fls. 309, por intermédio do qual o contribuinte foi excluído do SIMPLES FEDERAL com efeitos retroativos a 01/01/2002, sob a justificativa de atividade vedada ao sistema. Consta, as fls. 311, despacho informando a constituição do processo 10950.001070/200946 – REPRESENTAÇÃO FISCAL – IMPOSTO SIMPLES, que se encontra na DRJ/CTA em razão da apresentação de impugnação. O contribuinte foi cientificado do Ato Declaratório Nº 10/2009, em 01/12/2009, conforme AR, de fls. 313. O contribuinte apresentou manifestação em razão da cientificação do ato declaratório, por meio da petição, de fls. 314 a 316, acompanhada dos documentos, de fls. 317 a 335 A SAORT emitiu o Despacho – Decisório – DD, datado, de 08/12/2011, fls. 336 a 340, por meio do qual deferiu parte do pedido de restituição, relativamente as competências 01/2007 a 06/2007; 08/2007 a 08/2008, no valor de R$ 73.684,18. O contribuinte foi cientificado dessa decisão, em 09/03/2012, AR, de fls. 351. O requerente protocolizou a petição, de fls. 365 a 370, acompanhada do documentos, de fls. 371 a 382, onde discorda da compensação de ofício, bem como a petição, de fls. 384 a 395, Manifestação de Inconformidade, acompanhada dos documentos, de fls. 396 a 405. O contribuinte apresentou novo petição, as fls. 409, acompanhada dos documentos, de fls. 410 a 423. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0639.011 5ª Turma da DRJ/CTA, em 18/01/2013, fls. 425 a 430, pelo qual a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 491 3 A empresa requerente tomou conhecimento do Acórdão, conforme AR, as fls. 432, recebido, em 05/02/2013. A empresa apresentou Recurso Voluntário, em 01/03/2013, conforme petição, de fls. 434, com razões recursais, as fls. 435 a 451, acompanhado dos documentos, de fls. 452 a 482. As razões recursais estão assim resumidas. Mérito. · que seja realizada a compensação de ofício dos créditos deferidos administrativamente; · que a apresentação de manifestação de inconformidade e recurso voluntário em face do Ato Declaratório n° 10/2009, que excluiu a recorrente do SIMPLES FEDERAL, possui efeito suspensivo dessa exclusão, sendo indevido a emissão do termo de perempção em razão da exclusão, pois a empresa apresentou recurso em 25/04/2012, doc. 04, não merecendo prosperar a alegação da DRJ de que tal recurso não tem efeito suspensivo, pois isso viola a ampla defesa e contraditório, art. 5º, LV, da CF/88, transcreve e cita doutrina, não podendo a recorrente sofrer os efeitos dessa exclusão, pois tal ato, ainda, não é definitivo; · que a recorrente não aquiesceu com a compensação de ofício da restituição com os débitos sobre a folha de salários, mas sim daquelas com possíveis débitos do SIMPLES NACIONAL, sendo a assertiva da DRJ incorreta; · que a compensação de ofício da restituição com os supostos débitos sobre folhas de salário decorrente da exclusão do SIMPLES NACIONAL é impossível, pois tais créditos não existem, uma vez que não foram lançados, art. 142 ou 150, §4º, ambos do CTN, sendo tal compensação arbitrária, pois os crédito não estão constituídos e não há previsão legal, ferindo, assim, o princípio da segurança jurídica; · que a jurisprudência do CARF sobre a matéria ampara o pleito da recorrente, cita e transcreve decisões sobre COFINS; PIS; PIS/PASEP não cumulatividade, sendo assim indevida a compensação de ofício, merecendo reforma o acórdão a quo; · Dos pedidos: a) recebimento, conhecimento e julgamento do recurso, dandolhe provimento ao final para reformar o acórdão recorrido; a1) para realizar a compensação de ofício dos créditos deferidos com os débitos do SIMPLES FEDERAL existentes e que não puderam ser compensados por problemas técnicos; a2) para que seja cancelado o Despacho – Decisório, de 08 de dezembro de 2011; a3) para que seja restituído 100% da retenção a maior realizada, ou seja, o importe de R$ 93.233,48. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 492 4 O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 484. O autos foram remetidos ao CARF, fls. 484. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 04, fls. 485. O contribuinte apresentou nova petição, as fls. 488, informando a renúncia ao mandato de um dos causídicos. É o Relatório. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 493 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da Lide. O pedido de compensação de ofício com créditos deferidos administrativamente, não serão apreciados por essa colegiado, haja vista que a matéria está fora da competência desse órgão, sendo exclusiva da autoridade da DRF, onde o pleito deve ser levado. Cabe ao colegiado apreciar recurso quanto a negativa de compensação, mas não o pedido de compensação, que é exclusivo da DRF. As teses relativas a manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário decorrentes do processo de exclusão do SIMPLES NACIONAL, não serão apreciadas nesses autos, pois tal exclusão não é competência desta Segunda Seção do CARF e deve ser objeto de processo especifico, como, aliás, está noticiado nos autos proc: 10950.001070/200946, que, atualmente, segundo consulta realizada e colacionada como anexo a esse acórdão, encontrase na Primeira Seção aguardando distribuição. Também, estão fora do âmbito de análise deste colegiado as questões decorrentes de inconstitucionalidade em razão de previsão expressa, como a seguir esclarecido. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 494 6 Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Mérito. A jurisprudência desse conselho é pacífica no sentido de que a apresentação de recurso em razão da exclusão do sistema SIMPLES não possui efeito suspensivo, observese a decisões transcritas. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. Não há suspensão dos efeitos do ato declaratório de exclusão pela apresentação de manifestação de inconformidade do excluído. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Processo: 11065.000543/200854. Acórdão 1302001.297. Cons. Eduardo de Andrade. Data 11/06/2014. Ementa Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.APRESENTAÇÃO DE GFIP INFORMANDO DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE ALIMENTAÇÃO. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. É devida a autuação da empresa por apresentar GFIP com informações não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (artigo 32, inciso IV e § 5° da Lei 8.212/91). Nesta espécie de autuação, a multa é fixada por competência e tem os valores correspondentes as contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP com a limitação prevista em lei. A Manifestação de Inconformidade ou o recurso contra a exclusão do Simples Federal não tem efeito suspensivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Processo: 10970.000453/200888. Acórdão: 2403001.865. Cons. Ivacir Júlio de Souza. Data 07/01/2014. (o dois destaques são meus). Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 495 7 Como esclarecido no tópico preliminar não abordaremos a questão da compensação de ofício, pois está fora do âmbito desse contencioso. Assiste razão a recorrente quando diz que não há créditos lançados em razão de sua exclusão do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o processo não notícia essa situação. Porém, é certo que quando o sujeito passivo é excluído do sistema SIMPLES pode e deve o órgão fiscal promover os lançamentos devidos, pois a empresa excluída se sujeita as determinações da Lei 9.317/96, abaixo transcrita. Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Todavia, não há informação nos autos sobre eventual lançamento de crédito em razão da exclusão ou por qualquer outro motivo. Assim, não é legitima a vedação da restituição solicitada, sem que haja débito exigível em face da empresa é o que diz a norma a seguir transcrita, pois não há o que compensar com a restituição pleiteada. IN/RFB 900/2008 SEÇÃO V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizá lo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes. § 1º Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. Não há nos autos notícia de lançamento em face da recorrente. Contudo, devido ao longo período decorrido, desde o requerimento de restituição e a presente decisão, tal lançamento pode ter ocorrido sem a informação efetiva nos autos. Assevera a recorrente que a DRF deferiu parcialmente sua restituição, pois estaria compensando de ofício parte de sua restituição com supostos créditos sobre a folha de pagamento decorrentes de sua exclusão do SIMPLES FEDERAL, parece ser isso que o DD indica em seu tópico 14, abaixo transcrito. 14. Decorrente da aplicação retroativa da exclusão do SIMPLES, o interessado passou a ter as contribuições patronais incidentes sobre a folha de pagamento destinado à Previdência Social, sobre a remuneração de empregados e outras entidades ou terceiros. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 496 8 Mas, em verdade não se pode ter certeza dessa assertiva, uma vez que a proposição e a decisão de restituição são omissas, quanto a motivo da glosa da restituição e seu deferimento parcial, observese. PROPOSIÇÃO 15. Diante do exposto e com fundamento no art. 57 da Instrução Normativa RFB n° 900 de 31/12/2008; proponho o deferimento parcial do pedido de restituição, para as competências 01/2007 a 06/2007 e 08/2007 a 08/2008, no valor de R$ 73.684,18 (Setenta e três mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e dezoito centavos). DECISÃO 19. Nos termos do inciso II do art. 96 da Instrução Normativa RFB 900, de 31/12/2008 e com fundamento nas competências a mim delegadas pelo inciso I do art. 2 o da Portaria DRF/MGA n° 17, de 22/02/2011; decido pelo deferimento parcial do pedido de restituição, conforme proposto. A título apenas argumentativo e considerando os resumos das folhas de pagamento do período de 07/2007 a 12/2007, fls. 106; 121; 135; 152; 170 e 197, somandose Empresa + Terceiros temse um valor devido de R$ 5.946,44; R$ 6.852,70; R$ 7.029,61; R$ 7.721,80; 6.683,78 e R$ 4.132,25, respectivamente, esse é o período que empresa informa que esteve fora do SIMPLES FEDERAL, fls. 06 e 323 a 327, dessa forma deveria contribuir como empresa em geral. Tomando como exemplo o mês de dezembro/2007 por ser o que apresenta menor valor a recolher na sistemática geral, a empresa deveria contribuir com o importe de R$ 4.132,25 e se multiplicarmos esse valor pelos meses que resultaria da exclusão do SIMPLES FEDERAL, data do ADE Nº 10 – 16/03/2009, fls. 309, retroagindose cinco anos em razão da decadência é possível considerar que o fisco poderia lançar em face da empresa valores para 02/2004 a 02/2009, ou seja, sessenta meses, multiplicandose isso pelo valor da competência 12/2007, teríamos um importe de R$ 247.935,00, isto é, não haveria o que restituir e a empresa, ainda, seria devedora de um valor significativo, isso é apenas um exemplo do que parece ocorrer. Penso com apoio no exemplo acima que a redução de R$ 19.549,30 na restituição não tem a ver com as contribuições devidas em razão da exclusão do sistema SIMPLES, pois a redução acima descrita está muito a quem do que deveria ser exigido, em face da exclusão. Entendo, que o DD, de fls. 336 a 340, é omisso e falho quanto a sua fundamentação e aos esclarecimentos necessários para a exata compreensão do que nele decidido. Assim sendo, nos termos do parágrafo, 2º, do inciso II, do artigo 59, do Decreto 70.235/72 declaro a nulidade do DD, de fls. 336 a 340, e de todos os atos dele decorrente, incluindo, o Acórdão da DRJ, salvo por óbvio este Acórdão, assim é o pensamento dessa casa. Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP OCORRÊNCIA INOBSERVÂNCIA DE PROVIMENTO JUDICIAL AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o Fl. 497DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 497 9 lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade do lançamento. A lavratura das autuações deve observar sentença judicial anteriormente prolatada, de forma a refletila na fundamentação sob pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido. Processo: 10830.724375/201291. Acórdão: 2303002.393. Cons. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Data: 03/07/2014. Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Não reconhecimento de direito creditório. Ausência de fundamentação. Nulidade Constatada a inexistência de fundamentação para o não reconhecimento do saldo do direito creditório pleiteado, incorre em cerceamento do direito de defesa e do contraditório do contribuinte, ensejando a nulidade da decisão. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão. Processo 11543.002309/200374. Acórdão 3101001.580. Cons. Rodrigo Mineiro Fernandes. Data 16/04/2014. (os dois destaques são meus). Irrelevante, no caso a fixação do tipo de vício, uma vez que o PAF não encerra lançamento tributário, o que não interfere na demarcação do prazo decadencial. Destarte, deve o setor competente da DRF – origem promover nova análise do pedido de restituição, se necessário for solicitando novos elementos ao peticionante, decidindo de forma conclusiva, clara, objetiva e fundamentada pelo existência ou não do Direito Creditório, seja, parcial ou total, bem como tomando todas as medidas necessárias para o cumprimento de todas as determinações legais sobre a matéria. Deve, ainda, ser dado amplo conhecimento deste ao contribuinte antes da efetiva tomada de qualquer providência sobre a reanálise, oportunizandolhe a participação no procedimento, caso queira, devendo ser seguido todos os trâmites legais como se fosse a primeira análise. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito darlhe provimento, ainda, que por motivos diversos, anulandose o DD, de fls. 336 a 340, por ausência de fundamentação, que causa preterição do direito de defesa, anulandose por consequência o Acórdão da DRJ 0639.011, determinando a reanálise do pedido como se fosse a primeira, cientificando o contribuinte para dela participar, se quiser, seguindose a partir desta todos as fases e procedimentos legais. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 498 10 Dados do Processo Número : 36592.000623/200791 Data de Protocolo : 22/06/2007 Documento de Origem : RQO09052007 Procedência : SRP APUCARANA Assunto : RESTITUICAO ASSUNTOS PREVIDENCIARIOS Nome do Interessado : JOSE ROBERTO DA SILVA & DELCIR AP DA SIL CNPJ : 01.711.823/000198 Tipo: Digital Sistemas Profisc: Não EProcesso :Sim SIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem : AG REC FED JANDAIA SULDRFMARINGAPR Órgão : CONSELHO ADMINIST RECURSOS FISCAISMFDF Movimentado em : 06/03/2013 Sequencia : 0010 RM : 10049 Situação : EM ANDAMENTO UF : DF Retornar Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10950.005442/200822 Acórdão n.º 2803003.627 S2TE03 Fl. 499 11 Processo Principal : 10950.001070/200946 Data Entrada : 05/03/2009 Contribuinte Principal : JOSE ROBERTO DA SILVA & DELCIR AP SILVA Tributo : Não informado Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 08/03/2013 RECURSO VOLUNTARIO Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 08/03/2013 DISTRIBUIR/SORTEAR 1ª Seção 08/03/2013 EM TRAMITAÇÃO Tipo de Recurso: RECURSO VOLUNTARIO Data de Entrada: 08/03/2013 Unidade: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF 08/03/2013 RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF Fl. 500DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10725.720112/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE.
Não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado..
Numero da decisão: 1401-001.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECERAM e REJEITARAM os embargos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, , Fernando Luiz Gomes de Mattos, Henrique Heiji Erbano, e Maurício Pereira Faro. Ausente justificadamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. Não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECERAM e REJEITARAM os embargos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, , Fernando Luiz Gomes de Mattos, Henrique Heiji Erbano, e Maurício Pereira Faro. Ausente justificadamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. Não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECERAM e REJEITARAM os embargos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, , Fernando Luiz Gomes de Mattos, Henrique Heiji Erbano, e Maurício Pereira Faro. Ausente justificadamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 12 /2 00 7- 43 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.248 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta. Nos embargos relativos aos processos nº 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720031/200743, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43, 10725,720113/200798 e 19404.000358/200298, a alegação é de que o crédito objeto de restituição já teria sido aproveitado no auto de infração 15521.000140/200751 Nos embargos constantes do processo nº 10725.720030/200707, aduz a Fazenda Nacional que o crédito objeto de restituição não seria líquido e certo tendo em vista a lavratura do auto de infração nº15521.000140/200751. Já no processo nº 10725.720109/200720, a alegação dos embargos é de que “as conclusões do v. acórdão passaram ao largo tanto das disposições legais que orientam a acusação fiscal, quanto dos negócios jurídicos que ensejaram o fato gerador”. Por fim, no processo nº 15521.000140/200751 (auto de infração), a Fazenda Nacional opõe Embargos Declaratórios com a alegação de obscuridade. Segundo alega, “o colegiado entendeu que o fiscal teria apurado o lucro real sobre as receitas omitidas. Todavia, a partir da leitura do relatório fiscal, de fls. 3658/3717, constatase que a autoridade arbitrou o lucro. Portanto, aparentemente, ao dizer que não haveria base legal para a o “arbitramento de receita”, quando não foi isso que aconteceu”. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.248 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Os embargos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos de lei, deles conheço. Embargos de declaração Processos nº 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720031/200743, 10725.720111/200707, 10725.720112/200743, 10725,720113/2007 98 e 19404.000358/200298 Aduz, a Fazenda Nacional, que o crédito objeto de pedido de restituição já fora apropriado para redução do auto de infração controlado pelo processo nº 15521.000140/200751. Referido auto de infração foi cancelado na mesma decisão que reconheceu o direito creditório. Assim, não merece acolhida a irresignação da Embargante. Embargos de Declaração – Processo nº 10725.720030/200707 Aduz, a Fazenda Nacional, omissão no julgamento dos processos em referência, uma vez que o fundamento da negativa de restituição dos valores postulados recai, exclusivamente, no fato de que os saldos negativo não serem líquidos e certos, tendo em vista ter havido a lavratura do auto de infração constante do processo nº 15521.000140/200751. Ocorre que referido auto de infração foi cancelado na mesma decisão que reconheceu o direito creditório objeto de restituição. Por óbvio, assim, que não há falarse em ausência de liquidez e certeza do crédito postulado. Embargos de declaração Processo nº 10725.720109/200720 A, a alegação da Fazenda Nacional que “as conclusões do v. acórdão passaram ao largo tanto das disposições legais que orientam a acusação fiscal, quanto dos negócios jurídicos que ensejaram o fato gerador” não são supríveis por meio de embargos de declaração. Na verdade, tratase de inconformidade com os fundamentos da decisão, conforme restará adiante demonstrado, não havendo qualquer complemento a ser feito na decisão. Embargos de Declaração 15521.000140/200751 (auto de infração) Aduz a Fazenda Nacional que houve erro no julgado, uma vez que o voto faz referencia ao arbitramento da receita da Contribuinte, quando em verdade o que teria ocorrido seria apenas arbitramento do lucro. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.248 S1C4T1 Fl. 5 4 Novamente, sem razão a Fazenda Nacional. Conforme se extrai da decisão embargada, a Fiscalização promoveu o arbitramento da receita da Embargada a partir dos contrato e pagamentos realizados pela Cayman Cabiúnas Investment & Co, conforme item 4.2.3 do termo de verificação fiscal do auto de infração, assim resumido: . Nos termos do TVF, “resumidamente, temse, em tese, o seguinte quadro: imputase à fiscalizada o percentual de 78,332% como participação nas receitas e custos/despesas do empreendimento. Como resultado, no que toca ao reconhecimento das receitas de todo o empreendimento, a fiscalizada deverá reconhecer, além daquelas relacionadas aos pagamentos que foram solicitados e efetuados em seu favor (já abordado acima), aquelas decorrentes da aplicação do percentual de 78,332% sobre os pagamentos solicitados e efetuados em favor de subcontratada” Nesse sentido, a decisão embargada entendeu errôneo o procedimento fiscal utilizado para se arbitrar a receita tributável e por isso a Turma Julgadora cancelou a autuação, cujos fundamentos não podem ser revistos em sede de embargos de declaração. Vejase o decidido por esta Turma Julgadora, in verbis: “Por outro lado, não se atribuiu, no Contrato EPC, qualquer ordem de execução concreta aos sócios Toyo Co. e Setal Overseas, ficando toda a responsabilidade pelo cumprimento do contrato apenas com a sociedade de propósito específico constituída para este fim, quem seja, a Toyo Setal, ora Recorrente. Na verdade, nem de poderia atribuir qualquer responsabildaide operacional as empresas estrangeiras, tendo em vista a vedação expressa nesse sentido constante do contrato EPC. Assim, se a Recorrente é a resultante da joint venture formada pela Toyo Co. e pela Setal Overseas, cabendo a ela o desenvolvimento e execução do Projeto Cabiúnas, entendo que a totalidade dos rendimentos decorrentes de referido contrato deveria ter sido aportado nessa empresa, ou seja, os U$590.631.845,14 deveriam ter sido pagos Toyo Setal do Brasil, no Brasil. De fato, a Recorrente é a única empresa, na resultante da associação da Toyo Co. e da Setal Overseas, que desenvolveu e executou o empreendimento no território nacional. A central de operações de todo o contrato, sob a ótica das Contratadas, se fixou no território brasileiro, nas mãos da Recorrente, sob supervisão e controle da Petrobras – tanto que, qualquer Fl. 385DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.248 S1C4T1 Fl. 6 5 alteração do projeto deveria ser previamente submetido a sua aprovação. Se foram necessárias importações de bens e serviços, quem as realizou foi a Recorrente, inclusive de sua coproprietária Toyo Co.. Se foram necessárias subcontratações, quem as realizou foi a Recorrente, ainda que de sua coproprietária Setal SP. Nesse contexto, conforme ensina Heleno Torres (Idem Ibidem, pg. 290), in verbis: Para o país de localização da corporated joint venture, pelo princípio da territorialidade, vigorará o regime de tributação ordinária sobre a renda de pessoas jurídicas, variando o tratamento impositivo conforme o tipo societário escolhido. Assim, para esta classe não se apresenta qualquer dificuldade para a definição do regime impositivo, devendo, apenas, ser compatível com o tipo de pessoa jurídica que venha a ser constituído. Quanto ao regime jurídicotributário aplicável aos venturers estrangeiros, possuidores de quotas ou ações da corporated joint venture, será o que for dispensado para os nãoresidentes. Dessa feita, a realização de pagamentos diretamente pela Cabiúnas Co. à jv Toyo Co. e Setal Overseas, remetidos para o Japão, é que constituem a receita omitida, posto que deveriam ter sido destinados à Recorrente, no Brasil, e posteriormente remetidos aos exterior, na forma de distribuição de lucros, ou dividendos (para os quais, inclusive, existe cláusula de tax sparing, nos termos do protocolo adicional da Convenção Brasil Japão para Evitar a Dupla Tributação). Todavia, não foi esta a receita omitida que sustentou a negativa da compensação ora em debate.” Mesmo porque, a se admitir a receita omitida da forma como posto no auto de infração, essa receita equivaleria a despesas de mesmo valor, o que, em apuração da renda pela sistemática do lucro real, anularia o efeito fiscal. Vejase a decisão: “O valor tido por omitido, assim, referese exclusivamente a recebimentos indiretos proporcionalmente apurados em relação ao pagamento, pelas Contratantes, das empresas sub contratadas Petrobras e Setal SP. Para que isso fosse possível, todavia, seria imperioso reconhecer que a omissão de receita, na hipótese, equivale exatamente ao montante destinado ao pagamento das subcontratadas, o que, para fins e apuração do lucro tributável da empresa optante pelo lucro real, tornase irrelevante. No lucro real, se a receita equivale à despesa, o resultado tributável para apuração do IRPJ e CSLL é zero. De fato, admitida, por hipótese, a imputação feita pela Autoridade Fiscal, o lucro tributável seria a receita considerada omitida subtraída das despesas reconhecidas (vez que, ao declarar o caráter de subcontratação daquelas operações, deve Fl. 386DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.248 S1C4T1 Fl. 7 6 se reconhecer o crédito e o débito inerentes ao contrato), sendo que o lucro apurado, para fins de tributação, seria nulo. Ou seja, a receita omitida equivaleria ao pagamento de despesas referentes ao desenvolvimento do próprio projeto. Se de um lado, a receita omita pela Recorrente referese a pagamentos por sua conta e ordem realizado à subcontratação no desenvolvimento do Contrato EPC, de outro há de ser reconhecido o pagamento, pela Recorrente, dessa mesma sub contratação, no âmbito daquele contrato. Não houve imputação de omissão de receitas decorrentes do pagamento realizado pela Cabiúnas Co. à Toyo Co., no Japão, e à Setal Overseas, estes sim capazes de interferir na composição do saldo negativo da empresa.” Por fim, a Turma Julgadora entendeu pela impossibilidade, nesta fase processual, da alteração do fundamento jurídico do lançamento, in litteris: “No entanto, os fundamentos jurídicos da imputação da omissão de receita tomadas pelo auto de infração são, no meu entendimento inconsistentes. De fato, como demonstrado, meu entendimento acerca dos fatos e do direito a eles aplicável não admite (i) a existência do consórcio; (ii) a segregação das receitas realizadas pela Auditoria Fiscal e (iii) o arbitramento da receita tomando por base critério jurídico não previsto em lei. Neste sentido, manter a autuação por fundamento jurídico diverso daquele utilizado como fundamento do lançamento encontrase inviável. Tenho entendimento consolidado que não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado, sendo que a imputação de omissão de receita, da forma como consignado no lançamento, não possui fundamento a sustentar a omissão de receita imputada à Recorrente. (...) Não se está autorizado, na ordem jurídica brasileira, à análise meramente econômica dos negócios empreendidos, de forma a permitir dizer que, se a totalidade das receitas decorrentes do Contrato EPC deveriam ter sido imputadas à Toyo Setal, a atribuição de parte dessas receitas também poderia possível quando o fundamento fático e jurídico que respaldam referidas imputações são diversos. Mormente no caso como o presente, em a imputação de receita omitida equivale aos valores que, em tese, também corresponderiam à despesa, nulificando o efeito fiscal, para fins de lançamento tributário, dos valores considerados segundo a versão fiscal que respalda o lançamento.” Fl. 387DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.248 S1C4T1 Fl. 8 7 Diante do exposto, conheço dos embargos de declaração e negolhes provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 388DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000378/2002-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO ORIUNDO DE AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
Restando comprovado que o contribuinte executou seu direito pela via dos precatórios, esvazia-se o processo administrativo de compensação, pela satisfação do direito creditório.
Numero da decisão: 3201-001.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO ORIUNDO DE AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Restando comprovado que o contribuinte executou seu direito pela via dos precatórios, esvazia-se o processo administrativo de compensação, pela satisfação do direito creditório.
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DIREITO CREDITÓRIO ORIUNDO DE AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Restando comprovado que o contribuinte executou seu direito pela via dos precatórios, esvaziase o processo administrativo de compensação, pela satisfação do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 03 78 /2 00 2- 40 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 01/1997 a 06/1997, declarados na DCTF pois foi constatado o “Proc jud não comprovado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls.11 e 12 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de ofício e juros de mora calculado até 30/11/2001, perfazendo o total de R$ 725.501,76 (setecentos e vinte e cinco mil, quinhentos e um reais e setenta e seis centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1° e 3°, alínea “b”, da Lei Complementar n° 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1°, L 9249/95; art. 2° e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1495/96ll e reed; art. 2 e inc. I e par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8, inc. I MP 1546/96 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada, a contribuinte protocolou em 08/01/2002, a impugnação de fl. 1 a 8 acompanhada dos documentos de fls. 9 36, na qual alega: 2.1. A ilustrada Dra. Maria Fernanda de Faro Santos, Digníssima Procuradora da Fazenda Nacional, na apelação apresentada nos autos do processo 93.00297309 (o mesmo que 0 Auditor lançou no Auto de Infração contra o qual se recorre), assim diz: “Cuidase de ação ordinária, no qual se postula a compensação das quantias pagas a maior a título de FINSOCIAL, com créditos tributários especificados na inicial, nos termos do artigo 66, caput, da Lei 8.383/91. O pedido foi julgado procedente, permitindose a compensação do FINSOCIAL no excedente a alíquota de 0,5%, observado a espécie tributária”. 2.2. A COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO não aceita pelo Auditor Fiscal, foi efetivada com fulcro na Lei 5.172, de 1966, que instituiu o CTN, exvi do artigo 156, II., que prevê a hipótese de extinção do crédito tributário. No âmbito federal, essa regulamentação encontra apoio no artigo 66 da Lei 8.383/91 conforme reproduzido. 2.3. O próprio Governo Federal aprimorou o instituto da compensação editando em 27/12/1996 a Lei 9.430, regulamentada pelo Decreto 2.138 de 29/01/1997, que em seu artigo 1° diz: Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13807.000378/200240 Acórdão n.º 3201001.749 S3C2T1 Fl. 94 3 2.4. Se já se reconheceu de longa data a inconstitucionalidade das sucessivas majorações de alíquota do Finsocial, correto o procedimento da ora impugnante em compensar os seus créditos decorrentes dos valores recolhidos indevidamente e a maior com o débito do PIS/ 1997, pois inexorável o direito da ora autuada em proceder à compensação tributária como fez. 2.5. Não se pode penalizar quem se valeu como a ora autuada ~ da prática compensatória amparada pela legislação acima citada, vez que realizada dentro da lei, afastando a possibilidade da autuação fiscal prosperar. 2.6. Verificase que tanto o artigo 66 da Lei 8.383/91, como o artigo 1°, do Decreto 2.138, estabeleceram importantes inovações no sentido de possibilitar a compensação automática, pelo contribuinte, dos valores pagos indevidamente ou a maior de tributos e contribuições federais. Da mesma forma, constata se que a lei, em nenhum momento, condicionou tais compensações à prévia autorização da RF. 2.7. Portanto, se a compensação constitui em extinção de obrigação, 'inexiste o débito lançado no Auto de Infração, em seu anexo III Valor do Principal Lançado pois, referido valor devida e regularmente compensado com o pagamento a maior do Finsocial e na correspondente e exata importância de R$ 269.833,63 e, não havendo débitos, inexistem as multas de ofício e os juros de mora que se pretende cobrar, pois o acessório acompanha a sorte do principal. 2.8. Por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da açao fiscal,espera e requer impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de ser determinar a total improcedência do feito com o consequente cancelamento do débito. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita FederalDERAT/EQAMJ em São PauloSP que exarou o Despacho em 12/05/2010 (il. 54) concluindo que: “De início registro que em sua impugnação o contribuinte menciona a Ação Ordinária n° 93.00297309, que trata de Finsocial e na qual não obteve êxito”. “Contudo, em DCTF os seis débitos foram declarados com vinculação a “outras compensações” indicando a Ação Ordinária n° 9200639763”. “A ação tratou de questionar PISDecretos 2.445 e 2.449, todavia é imprescindível destacar que a AO era de REPETIÇÃO DE INDEBITO”. “O acórdão do TRF 3, com trânsito em julgado em 13/02/1997, foi anexado às fls. 49/52 e em nenhum momento faz menção à compensação”. “O acompanhamento processual de 1a instância demonstra que houve fase de execução e que no ano de 2008 foi remetida ao Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 TRF 3 requisição de pagamento de precatório, com alvará para levantamento no ano de 2009”. “E mais, não se verifica nenhum pedido de desistência na Ação de Repetição de Indébito, o que indicaria a correção no procedimento de migração para a opção de compensação”. 3.1. Assim, o crédito tributário lançado no presente auto de infração permaneceu integralmente em litígio A Delegacia de Julgamento improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: AssUNTo: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO PROVA. No âmbito do lançamento por homologação, para que seja aceita a compensação alegada pela contribuinte, exigese prova do crédito líquido e certo contra a Fazenda. Assim, desacompanhada de qualquer prova documental tornase improfícuo. PIS EXECUÇÃO JUDICIAL IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇAO VIA ADMINISTRATIVA. Requerido pagamento de precatório, com alvará de levantamento, não resta possibilidade de compensação com débito via administrativa pela indisponibilidade de crédito líquido e certo. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. i.o auditor lançou no auto de Infração o processo judicial 93.00297309, mas consta no mesmo o processo 9200639763 em consequência de ter informado o número do referido processo na DCTF pela própria Recorrente; ii.o processo judicial 93.00297309 que está sendo questionado, constitui fato novo e nos termos da Apelação da Procuradoria da Fazenda Nacional São Paulo (fl. 29), trata Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13807.000378/200240 Acórdão n.º 3201001.749 S3C2T1 Fl. 95 5 se que Ação Ordinária pleiteando a compensação das quantias pagas a maior a título de FINSOCIAL, com créditos tributários especificados na inicial; iii. não obstante, a Recorrente não prova que na decisão judicial transitado em julgado permite a compensação do FINSOCIAL com o PIS; iv. ainda que houvesse tal direito, não comprova a compensação; v. quanto aos supostos créditos de FINSOCIAL recolhido a maior, não foi demonstrada e nem provada na impugnação a sua existência, o seu valor e a disponibilidade do saldo desses eventuais créditos para efetuar a compensação alegada. Assim, desacompanhada de qualquer prova documental; vi. não cabe imposição de multa de ofício fora dos casos mencionados, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II, “c”, do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada. No recurso voluntário apresentado, alega a Recorrente que através do disposto na Emenda Constitucional de n° 30, o precatório é perfeitamente passível de compensação com tributos, independente da espécie, e cita diversos precedentes judiciais, que discorrem sobre a possibilidade de opção entre a compensação e o regime de precatórios, no âmbito da execução da sentença em ação de repetição de indébito. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o Auto de Infração n° 0009750 foi lavrado para a cobrança de débitos de PIS do período de apuração de 1997 , pois teria declarado e não comprovado a existência de créditos , cuja origem seria a Ação Ordinária n° 9200639763. Não obstante, em sede de impugnação a ora Recorrente informa que seus créditos são oriundos da Ação Ordinária n. 93.00297309, referente a quantias pagas a maior a título de FINSOCIAL, com créditos tributários especificados na inicial, nos termos do artigo 66, caput, da Lei 8.383/91. Às efls.67 há despacho da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Sub Judice da Delegacia de São Paulo que informa que, de pesquisa realizada de página na internet do Tribunal Regional Federal da 3a Região, verificouse a Ação Ordinária n. 9200639763, informada em DCTF, transitou em julgado em 13/02/ 1997 e que, constatouse que o acompanhamento processual de 1a instância demonstra Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 que houve fase de execução e que no ano foi remetida ao TRF da 3° Região, requisição de pagamento de precatório, com alvará de levantamento no ano de 2009 (efls.59) . No tocante aos supostos créditos de FINSOCIAL recolhido a maior, no âmbito da Ação Ordinária n. 93.00297309, a Recorrente limitouse a juntar aos autos a peça de apelação da Fazenda Nacional, o que não é suficiente para a comprovação de suas alegações. Por outro lado, embora o § 2° do art. 66 da Lei n° 8.383/91 prevê a opção do contribuinte detentor de título judicial que declare o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de tributo, escolher entre a compensação ou a restituição por meio de precatório, como formas de execução de julgado, em ação ordinária condenatória, caso da ação de repetição de indébito, mas esta não é a hipótese dos autos, pois a Recorrente optou pela via dos precatórios para a satisfação de seu direito creditório. Em face do exposto, nego provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 19515.007362/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.128
Decisão: VISTOS, relatados e discutidos estes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o presente julgado, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o presente julgado, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 07 36 2/ 20 08 -1 5 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Para bem compreender as questões tratadas nestes autos, destaco os termos do relatório apresentado pela r. decisão de origem: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura dos autos de infração, relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, crédito tributário de R$ 33.184,13 (fls. 274 a 277); à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, crédito tributário de R$ 15.037,42 (fls. 282 a 285), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, crédito tributário de R$ 69.404,62 (fls. 290 a 293), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, crédito tributário de R$ 24.888,05 (fls. 297 a 300) relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2004. Os créditos tributários (incluídos a multa proporcional e juros de mora) lançados até 31/10/2008 e enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. Os enquadramentos legais correspondentes à multa e juros de mora constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. O procedimento de fiscalização foi detalhado no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária de fls. 256 a 268 que, em apertada síntese, é o que se segue. A DOS FATOS Conforme cadastro no CNPJ, a empresa possui dois sócios, ambos empresas estrangeiras argentinas: AVP ARGENTINE VENTURE PARTNERS S/A e COMPANIA INDUMENTÁRIA S/A. Na DIPJ 2005 informou que não auferiu receitas em qualquer mês do anocalendário 2004. Foram realizadas várias tentativas infrutíferas de ciência do Termo de Início de Fiscalização no endereço cadastral da empresa e do representante do contribuinte perante a RFB, Sr. Walter Douglas Stuber. Localizado o novo domicílio fiscal do Sr. Walter Douglas Stuber, este enviou carta esclarecendo que ele é apenas o procurador da empresa AVP ARGENTINE VENTURE PARTNERS S/A, consoante ficha cadastral emitida pela JUCESP, não figurando como diretor gerente ou representante da empresa fiscalizada. Foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal ao Sr. Walter Douglas Stuber, consignando se que ele é a pessoa física representante da empresa RAYMOND AND ROY COMERCIAL LTDA perante a RFB como informado nas últimas DCTF e DIPJ. Expirado o prazo nenhum esclarecimento/documento foi encaminhado. Diante disto ficaram configurados indícios de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não são os verdadeiros sócios e, portanto foi solicitada a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) às administradoras de Fl. 489DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 4 3 cartões de crédito, caracterizada a sua indispensabilidade pela ocorrência da hipótese estabelecida no inciso XI do artigo 3° do Decreto n° 3.724/2001. As administradoras de cartão de crédito encaminharam as respostas solicitadas, cujo resumo mensal de todos os repasses recebidos pelo contribuinte em 2004 estão relacionados no quadro abaixo (total mensal). B — DA IDENTIFICAÇÃO DOS GESTORES DA EMPRESA FISCALIZADA Na ficha cadastral da JUCESP, na última alteração referente ao quadro social ou gestão da empresa fiscalizada, foram identificadas quatro pessoas envolvidas de alguma forma com a administração da empresa: 1. WALTER DOUGLAS STUBER, CPF 516.014.94815, Representante do sócio estrangeiro AVP ARGENTINE VENTURE PARTNERS S/A; 2. ENRICO JUCA BENTIVEGNA, CPF 251.115.78889, Representante do sócio estrangeiro COMPASTIA INDUMENTÁRIA S/A; 3. ADEMAR DE PAULA SARAN, CPF 044.502.58835, Diretor Administrativo, assinando pela empresa; 4. ARNALDO DE MORAES FERREIRA, CPF 053.928.10853, Diretor Financeiro, assinando pela empresa. Todas as pessoas acima identificadas foram intimadas a apresentar os documentos relacionados no Termo de Início de Fiscalização e/ou prestar esclarecimentos referentes a operação da empresa. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 5 4 1. WALTER DOUGLAS STUBER Encaminhou uma carta reiterando os fatos já mencionados, ou seja, que era apenas procurador da empresa AVP ARGENTINE VENTURE PARTNERS S/A, consoante 111 ficha cadastral da JUCESP e que não figurava como diretor, gerente ou representante da fiscalizada. 2. ENRICO JUCA BENTIVEGNA Encaminhou uma carta prestando os seguintes esclarecimentos: a) nunca foi representante legal, sócio ou quotista da fiscalizada ou exerceu qualquer função diretiva; b) foi nomeado, no passado, juntamente com outro advogado (Sr. Walter Stuber), mero procurador, para fins societários da COMPANIA INDUMENTARIA S/A; c) os poderes outorgados diziam respeito à representação da sócia quotista estrangeira aqui no Brasil, sem indicação de qualquer poder de gerência ou administração das atividades da fiscalizada, conforme Procuração que anexou à carta; d) declara que é funcionário em período integral do escritório Pinheiro Neto Advogados desde 22/05/2000, não havendo qualquer possibilidade de ter exercido qualquer cargo de gerência ou administração no anocalendário de 2004. 3. ADEMAR DE PAULA SARAN Inicialmente encaminhou cópia da decretação de falência da empresa matriz da fiscalizada na Argentina — RAYMOND & ROY S/A, ocorrida em 18/07/2002. Compareceu à Delegacia para responder a questionamentos sobre as atividades da fiscalizada, lavrandose um Termo de Depoimento. 4. ARNALDO DE MORAES FERREIRA Compareceu àquela repartição, sendo lavrado um Termo de Depoimento, cujo teor foi resumido. Ao ser indagado sobre quem eram os reais sócios e diretores da empresa à época dos fatos relatou: 1) Sócios da fiscalizada: AVP ARGENTINE VENTURE PARTNERS S/A e COMPASIIA INDUMENTÁRIA S/A. 2) Diretores da fiscalizada: Ademar de Paula Saran — diretor administrativo. Que apesar de constar no contrato social como diretor da empresa, nunca exerceu tal função. Nunca assinou cheques, nem qualquer outro documento como diretor. Era sócio da empresa ADCCONT que era responsável pela contabilidade da fiscalizada. Que aceitou fornecer o seu nome como diretor financeiro, mesmo sem exercer esta função, a pedido do advogado da mesma Sr. Walter Stuber.Informou que nunca foi funcionário da empresa, apenas era o responsável pela contabilidade. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 6 5 Sobre a participação de outras pessoas relacionadas à empresa fiscalizada informou: Walter Douglas Stuber e esposa: eram advogados da empresa e representantes dos sócios argentinos; Enrico Juca Bentvegna: alega que não o conhece, assim como desconhece qualquer participação sua na administração da empresa; Ademar de Paula Saran: era o único responsável pela administração da empresa. Ele comprava, vendia, assinava cheques e demais documentos. Era a pessoa que encaminhava os documentos contábeis e fiscais para a escrituração do escritório ADCCONT. Informa que recebeu notas fiscais de venda para contabilização até o ano de 2002. Após esta data até 2005 apenas foram contabilizadas despesas e encargos com pessoal, que na realidade eram referentes ao salário do Sr. Ademar. Não havia registro de outros funcionários. Informou que os livros e documentos da fiscalizada ficaram em poder do Sr. Ademar de Paula Saran. Para comprovação, encaminhou o Distrato Social da fiscalizada com a assinatura do Sr. Ademar, onde este último se responsabiliza pela guarda dos livros e documentos da empresa. Em razão da não apresentação dos livros contábeis e fiscais houve o arbitramento do lucro com base nos repasses recebidos das administradoras de cartão de crédito. E tendo o contribuinte auferido receitas de vendas no período e não as declarando à RFB, ficou caracterizada sonegação fiscal nos termos do inciso I e caput do art. 71 da Lei n° 4.502/1964, com o agravamento da multa de ofício em 150%. Por fim, foram lavrados os autos de infração em nome da pessoa jurídica e considerou se pessoalmente responsável o contribuinte Ademar de Paula Saran, CPF 044.502.588 35 pelos créditos tributários constituídos. Cientificados das autuações lavradas, o representante do contribuinte perante a RFB — Sr. Walter Douglas Stuber (fl. 303) e o responsável tributário — Sr. Ademar de Paula Saran (fl. 304), somente este último se insurgiu contra as exigências fiscais, apresentando a impugnação de fls. 306 a 314, cujo teor se resume Por regra, as dívidas sociais devem ser exigidas da pessoa jurídica, podendo esta determinação ser suplantada nos casos expressamente admitidos em lei; A responsabilização de sócios e diretores deve estar embasada em prova contundente nos autos de que os mesmos tinham amplos poderes de decisão, agindo com autonomia em nome da empresa; A dificuldade da fiscalização em demonstrar que os atos do impugnante eram revestidos de sua função de diretor decorre do fato de que o impugnante era empregado da empresa, sem qualquer poder autônomo de gestão da empresa, conforme atestado pelo seu contrato de Trabalho a Título de Experiência (doe 2), por sua Carteira de Trabalho e Previdência Social (doe 3), bem como a Carta de Desligamento (doe 4); Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 7 6 Os comprovantes de pagamento de salário (doc 5) também evidenciam a condição do impugnante como empregado da fiscalizada; O impugnante tãosomente obedecia às determinações provenientes dos sócios da fiscalizada e não possuía autonomia alguma nas negociações e deliberações da empresa; Ainda que o cargo exercido tivesse a denominação de "diretor", é certo que suas efetivas atribuições não condiziam com o cargo. Por "diretor" há que ser entendido aquele que pratica atos de gestão, de gerência, com autonomia e poder de decisão. Não se exige do diretor autorização para a prática dos atos; As assertivas acima podem ser comprovadas por alguns emails trocados entre o impugnante e os sócios da empresa (doe 6); Não há prova que embase a atribuição de responsabilidade solidária ao impugnante, estando pautado em simples depoimento pessoal do impugnante, sem qualquer amparo em provas documentais de suas atribuições; As atividades prestadas pelo impugnante estavam restritas à área administrativa, em especial ao pessoal e comercial, na medida em que havia pessoa responsável pela contabilidade e cumprimento das obrigações fiscais da sociedade; O Sr. Arnaldo de Moraes Ferreira, era a pessoa que possuía toda a expertise para a apuração e recolhimento de tributos, apresentação de declarações e obrigações principais e acessórias. Em seu depoimento, o Sr. Arnaldo confessa ser responsável pela contabilidade da empresa; O impugnante não tinha acesso ao cumprimento efetivo das obrigações tributárias da empresa, era um executor das determinações dos sócios que atribuíram as obrigações fiscais à terceira pessoa; Considerando que a responsabilidade solidária é subjetiva, cabendo à administração provar o alegado, a simples colheita de depoimentos não pode ser prova considerada contundente para embasar a sua responsabilização solidária pelos créditos tributários apurados; A cobrança do crédito tributário não poderá ser acompanhada da multa agravada em 150%, prevista nos artigos 71 da Lei n° 4.502/64 c/c artigo 44, § 1° da Lei n° 9.430/96. A sonegação fiscal é configurada quando demonstrado o dolo do agente na prática do ato tendente a impedir ou retardar o conhecimento do tributo. Por dolo, devese entender a vontade efetiva de fraudar o fisco, fato não configurado; Isto porque em momento algum se furtou o impugnante de comparecer à DRF para prestar as informações solicitadas pela fiscalização; Inclusive naquela oportunidade, o impugnante pôde informar, pautado na boafé e determinação em contribuir para apuração da verdade, que os documentos fiscais ficaram na posse do Sr. Arnaldo de Moraes Ferreira; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 8 7 As infrações apuradas não foram praticadas de maneira reiterada, eis que, ocorreram somente no ano de 2004. E a prática reiterada é requisito para aplicação da multa agravada, conforme jurisprudência administrativa citada; A infração cometida, acaso comprovada, foi praticada em apenas 1 ano calendário, por equívoco nas informações prestadas pela contabilidade da empresa e longe do intuito doloso de fraude ao fisco. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela juntada de novos documentos que se fizerem necessários. A par dessas considerações, apreciando as razões da impugnação apresentada pelo responsável apontado, Sr. ADEMAR DE PAULA SARAN, concluiu a douta 1a Turma da DRJ São Paulo I (SP) pela procedência do lançamento, em acórdão que assim restou então ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 JUNTADA DE DOCUMENTOS. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora e de acordo com as condições legalmente previstas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DIRETOR ADMINISTRATIVO. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, inc. III do CTN, ao diretor administrativo da empresa fiscalizada, responsável pela administração e gerência da empresa, uma vez comprovado que este tinha conhecimento da situação contábil da empresa e somente ele assinava cheques e fazia pagamentos, tendo conhecimento dos fatos geradores da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Mantémse a multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte praticou a sonegação fiscal, pois obteve receitas de vendas em todo o período fiscalizado e não as declarou para fins de tributação. Lançamento Procedente Regularmente intimado, o responsável (Sr. Ademar de Paula Saran) interpõe, então, no dia 09/09/2009, o seu Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da r. decisão de origem e repisando, assim, todos os argumentos antes apresentados em sua impugnação. Esse é o relatório. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 9 8 VOTO Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A questão tratada nos autos, conforme aqui então devidamente apontado, refere se à efetivação de lançamentos fiscais contra a contribuinte, em decorrência da suposta omissão de receita verificada a partir da constatação da inexistência de inclusão em sua contabilidade de diversos créditos recebidos em suas contas bancárias, conforme informações obtidas a partir da emissão de RMF’s – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, expedidos contra diversos bancos, nos termos determinados pelas disposições do Art. 6o da Lei Complementar no 105/2001. Em que pese todas as matérias discutidas nos autos, verificase que, antes de sua regular apreciação, surge como de relevante destaque a discussão a respeito da validade do procedimento adotado para a informação das referidas informações, tema que, indubitavelmente, tangencia a constitucionalidade das disposições da apontada norma de regência. Apesar de não se mostrar admissível, per se, a discussão em sede administrativa – a respeito da (in)constitucionalidade de específicos atos legislativos, conforme, inclusive, expressamente contido nas disposições da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”), verificase que, recentemente, a matéria fora destacada como de “Repercussão Geral” pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, quando, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, fora reconhecida a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Observese a ementa da decisão: RE 601314 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Partes RECTE.(S) MARCIO HOLCMAN ADV.(A/S) RICARDO LACAZ MARTINS RECDO.(A/S) UNIÃO ADV.(A/S) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO | Garantias Constitucionais | Proteção da Intimidade e Sigilo de Dados EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 20/11/2009 ATA Nº 26/2009 DJE nº 218, divulgado em 19/11/2009 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 10 9 A partir dessas informações, verificase que a discussão travada nestes autos possui inteira relação com a matéria contida e discutida nos autos do mencionado RE 601314, atraindo, assim, especificamente, a aplicação das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF que, inclusive, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 543B do CPC, por sua vez, assim especificamente aponta a respeito do procedimento a ser observado ao tratamento dos feitos respectivos: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Da leitura dessas disposições, verificase que, a rigor, para que a decisão que reconhece a “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal possa acarretar a imediata suspensão do julgamento de todos os processos que tratem da mesma matéria neste Conselho, necessária seria, a princípio, que fosse expressamente determinada também pelo relator a suspensão de todos os demais processos que tratassem da mesma matéria, o que, a rigor, efetivamente não se verifica no caso apontado.. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 11 10 Ocorre que, considerando que a expressa disposição do caput do dispositivo colhido do codex processual indica a possibilidade/necessidade de regulamentação do procedimento de reconhecimento da repercussão geral e da suspensão dos demais recursos pelo Regimento Interno daquele próprio Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, em relação ao procedimento a ser observado em relação aos recursos que tiverem reconhecida a repercussão geral, assim especificamente aponta: Art. 322 . O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo. Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das partes. (...) Art. 325. O(A) Relator(a) juntará cópia das manifestações aos autos, quando não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu julgamento, após vista ao Procurador Geral, se necessária; negada a existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso. Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão, constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com menção clara à matéria do recurso. Art. 325A . Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuí dos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema. A partir dessas disposições, colhidas do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que aquela Corte, como regra, não promove a suspensão de seus próprios feitos, sendo a ‘prevenção’ do Ministro Relator a conseqüência própria e direta, decorrente do simples reconhecimento da apontada repercussão geral. Nesses termos, interpretando as disposições do Art. 62A do RICARF em consonância com as disposições do Art. 543B do CPC e, ainda, com as disposições próprias do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que o simples e direto reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário específico já impõe, per se, a impossibilidade de julgamento de todos os demais recursos existentes na Corte e, eventualmente, posteriormente recebidos, sendo, portanto, forçosa a conclusão de que, o simples reconhecimento da repercussão geral já seja perfeitamente suficiente para a aplicação daquelas disposições, e, portanto, a necessidade de sobrestamento do feito, nos termos ali então especificamente apontados. Diante dessas considerações, tendo vem vista que, conforme apontado, sendo a matéria discutidas nestes autos (regularidade da quebra de sigilo bancário promovida pelos agentes da Receita Federal com espeque nas disposições do Art. 6o da LC 105/2001) aquela mesma contida na discussão apontada do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI) aqui supra referenciado, perfeitamente aplicáveis se verificam, no caso, as Fl. 497DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.007362/200815 Resolução nº 1301000.128 S1C3T1 Fl. 12 11 disposições do Art. 62A do RICARF, importando, portanto, na necessidade de sobrestamento do feito até a ulterior apreciação do assunto por aquela suprema Corte, com a imposição, inclusive, da ulterior obrigatoriedade de reprodução de seus termos, conforme aqui, então, especificamente apontado. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a perfeita aplicabilidade das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF ao presente caso, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10283.721236/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento do lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei nº 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, quando a ausência dos livros contábeis obstar a apuração do lucro real.
RESPONSABILIDADE NO LANÇAMENTO. O lançamento efetuado pela autoridade administrativa deve identificar, dentre outras coisas, os sujeitos passivos da obrigação tributária, assim compreendidos tanto o contribuinte como o responsável tributário.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. O sujeito passivo solidário é parte legítima para compor o pólo passivo da obrigação tributária quando há provas inequívocas de sua participação na conduta que ensejou o lançamento.
Numero da decisão: 1301-001.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso de ofício e por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento do lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei nº 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, quando a ausência dos livros contábeis obstar a apuração do lucro real. RESPONSABILIDADE NO LANÇAMENTO. O lançamento efetuado pela autoridade administrativa deve identificar, dentre outras coisas, os sujeitos passivos da obrigação tributária, assim compreendidos tanto o contribuinte como o responsável tributário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. O sujeito passivo solidário é parte legítima para compor o pólo passivo da obrigação tributária quando há provas inequívocas de sua participação na conduta que ensejou o lançamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.721236/200873 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.612 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria IRPJ e reflexos Recorrente FAZENDA NACIONAL E MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA ME Recorrida MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA ME E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento do lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei nº 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, quando a ausência dos livros contábeis obstar a apuração do lucro real. RESPONSABILIDADE NO LANÇAMENTO. O lançamento efetuado pela autoridade administrativa deve identificar, dentre outras coisas, os sujeitos passivos da obrigação tributária, assim compreendidos tanto o contribuinte como o responsável tributário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. O sujeito passivo solidário é parte legítima para compor o pólo passivo da obrigação tributária quando há provas inequívocas de sua participação na conduta que ensejou o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso de ofício e por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso voluntário. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 36 /2 00 8- 73 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, pessoa física solidarizada em auto de infração lavrado no presente processo e, de Recurso de Ofício, ambos manuseados contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Belém/PA. Verificase pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da recorrente MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA ME., foram lavrados autos de infração (fls. 10/57), relativamente ao IRPJ e seus reflexos, em relação ao anocalendário 2003. Consta dos autos, que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação também foi atribuída às pessoas físicas SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA, CPF 336.561.18272 e PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, CPF 560.747.60225, e à pessoa jurídica CASA DA CARNE SOUZA LTDA., CNPJ 03.449.490/000104. O contribuinte e os sujeitos passivos solidários tomaram ciência do lançamento em 10/12/2008 (fls. 11, 34, 43 e 52). De acordo com a Descrição dos Fatos dos autos de infração, o contribuinte, juntamente ou por intermédio dos sujeitos passivos solidários, omitiu receitas, obtidas a partir do Livro de Registro de Saídas e de Apuração do ICMS. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de 150%. O sujeito passivo solidário CASA DA CARNE SOUZA LTDA apresentou Impugnação (fls. 248/279), alegando em síntese que, o auto de infração é nulo em razão da incompetência do agente fiscalizador que constituiu o crédito tributário, eis que o procedimento fiscal foi iniciado pelo MPFF nº 02201002005003471, expedido em 20/06/2005, com validade até 18/10/2005, sendo prorrogado dezesseis vezes (fl. 06) sem que o contribuinte tenha tomado ciência destas prorrogações. Reputou que a falta de ciência das prorrogações do MPF original resultou na sua extinção na forma do artigo 14, inciso II, c/c os artigos 11, inciso I, e 12 da Portaria RFB nº 11371/2007 e que O MPFF 0220100.2008007583 substituiu o MPF extinto, todavia, sem trocar a autoridade responsável pela execução do mandato, contrariando o que dispõe o art. 15, parágrafo único, da Portaria RFB nº 11371/2007. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10283.721236/200873 Acórdão n.º 1301001.612 S1C3T1 Fl. 3 3 Defendeu que a supressão da competência tem fundamento no art. 194 do CTN, devendo o lançamento ser considerado nulo na forma do art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72 e que sentido seria a jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Ademais, reputou ter ocorrido a decadência dos créditos tributários objetos do lançamento, estando os débitos parcialmente na forma do art. 150, § 4º do CTN, aplicável ao caso. Isto porque a fiscalização não alegou que a recorrente tenha agido com dolo, fraude ou simulação, reputando que não houve opção do contribuinte pelo lucro real anual. Dessa forma, como o lançamento se deu em 10/12/2008, os fatos geradores de IRPJ e CSLL relativos aos três primeiros trimestre de 2009 estão atingidos pela decadência, bem como os lançamentos de PIS e COFINS relativos aos meses de janeiro a novembro de 2009. No mais, defendeu a “impossibilidade de imputação da responsabilidade pela fiscalização”, eis que a despeito de não constar dos autos deste processo o “Termo de Sujeição Passiva Solidária” em seu desfavor, foi notificada dos Autos de Infração, o que, em tese a legitima a impugnar a exação. Aduziu assim, que a competência para imputação da responsabilidade pelo crédito tributário é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no curso da execução fiscal, sob pena de nulidade do ato administrativo que invadiu a competência alheia. Nesse sentido seriam os acórdãos do Conselho de Contribuintes. Reputou assim, que a confissão do sócio PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, acerca de sua participação no esquema de sonegação fiscal, só tem validade a seu desfavor, haja visa que a sociedade e o sócio terem personalidades jurídicas distintas e que o nome dela, recorrente, sequer consta dos depoimentos prestados à Polícia Federal. Sustentou ainda, que não consta do depoimento do sócio o início de sua participação no esquema, o que impossibilita a imputação da responsabilidade solidária no período referente a autuação, afirmando que nem o sócio PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA e nem a ela, recorrente, participaram de qualquer esquema fraudulento durante o ano calendário 2003, pois sequer mantiveram contato com a autuada e que a fiscalização deveria ter tentado provar sua efetiva participação no período de apuração, não apenas pelos extratos obtidos da operadora de cartão de crédito, mas também pela relação daqueles que pagaram com cartão de crédito pela compra das mercadorias. Defendeu ainda, que a omissão da fiscalização torna impossível a defesa, impedindoa de fazer prova de período de autuação não participava do esquema, porque, nesse caso, seria necessário produzir prova negativa. Insiste que a “FRIBOI”, seu principal fornecedor, citado no depoimento, não atuava em Manaus no período, conforme declaração e cadastros anexos e que a inexistência do envolvimento e da relação comercial com a autuada é corroborada mediante a juntada de cópia dos livros de entrada dos anoscalendário 2003, 2005 e 2006, nos quais somente é possível verificar a entrada de mercadorias adquiridas de autuada nos anos de 2005 e 2006 e que a fiscalização não instruiu a autuação com elementos que comprovem a participação sua impugnante no esquema criminoso. Alegou que, nos termos do Código de Processo Civil o ônus da prova cabe a quem alegar, no caso, o fisco e que não se eximirá de sua responsabilidade pelas infrações cometidas, contudo não pode admitir a responsabilidade pelo pagamento de um crédito que não Fl. 720DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 tem a menor relação com sua pessoa e que o fisco tentar imputar a responsabilidade pela totalidade do crédito tributário devido pela autuada, mesmo sabendo que várias pessoas participaram do esquema e não há prova do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e nem dispositivo legal que permita a atribuição da responsabilidade a recorrente. Sustentou a “ilegalidade da apuração com base no Lucro Real”, aduzindo que a fiscalização apurou o crédito tributário com base exclusiva na receita obtida a partir o livro de registro e de apuração do ICMS e que o próprio Auto de Infração descreve que o contribuinte não apresentou a documentação contábil e fiscal solicitada, relativamente ao ano calendário 2003 e que nesses casos, o art. 47 da Lei nº 8.981/95 prescreve a apuração com base no lucro arbitrado, sendo que a fiscalização jamais poderia ter apurado o crédito tributário mediante o lucro real porque não tinha sua disposição todos os dados necessários para apurar o crédito tributário efetivamente devido. No mais, assentouse que a autuação se revelaria ilegal porque a apuração não levou em conta os elementos que compõe a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como desprezou o disposto no art. 47 da Lei nº 8.981/95 e, acaso a fiscalização tivesse apurado o lucro real com base no lucro real, as bases de cálculo do CSLL e IRPJ seriam menores (9,6% e 12% sobre a receita omitida, para o IRPJ e CSLL, respectivamente) e o regime do PIS e COFINS seria o cumulativo, com alíquotas menores (0,65% para o PIS e 3,0% para a COFINS). Insurgiuse, por fim, contra a multa qualificada, eis que fundamentada na sonegação, o que somente pode ser aplicada à pessoa que praticou o fato, visto que nenhuma pena pode passar da pessoa do apenado, sendo que, dessa forma, em atenção ao princípio da tipicidade, a não pode participar do agravamento da pena, devendo ser reduzido seu o percentual da multa. Juntouse aos autos, às folhas 375 a 386, os Termos de Sujeição Passiva Solidário. Por meio do Acórdão nº 0115.590 – 1ª Turma da DRJ/BEL (fls. 387/395), de 12 de novembro de 2009, decidiuse: 1. Excluir a impugnante, CASA DA CARNE SOUZA LTDA, CNPJ 03.449.490/000104, do polo passivo da obrigação tributárias; 2. Manter o crédito tributário em sua totalidade, não passível de recurso voluntário, tendo em vista a exclusão da recorrente do polo passivo da obrigação tributária e a ausência de impugnação dos demais sujeitos passivos. Às folhas 535 a 566, foi juntada a Impugnação do sujeito passivo PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA, apresentada em 09/01/2009. Pelo que os autos do processo foram devolvidos para nova apreciação (fl. 581). Em sua impugnação, o sujeito passivo PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA repetiu os argumentos da CASA DA CARNE SOUZA LTDA, em especial aqueles que tratam de: i) a preliminar de nulidade; ii) a decadência; iii) a impossibilidade de imputação da responsabilidade pela fiscalização; iv) a ilegalidade da apuração com base no Lucro Real e v) a multa qualificada. No que tange à ausência de sua responsabilidade, o sujeito passivo assevera que, não obstante a confissão de participação no esquema de sonegação fiscal, não participou de qualquer esquema fraudulento durante o anocalendário 2003 pois sequer manteve contato com a autuada e que a fiscalização deveria ter tentado provar a efetiva participação no período Fl. 721DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10283.721236/200873 Acórdão n.º 1301001.612 S1C3T1 Fl. 4 5 de apuração não só através dos extratos obtidos junto a operadora de cartão de crédito, mas também pela relação daqueles que pagaram com cartão de crédito pela compra das mercadorias. Aduziu que a inexistência do envolvimento e da relação comercial com a autuada é corroborada mediante a juntada de cópia dos livros de entrada dos anoscalendário 2003, 2005 e 2006, nos quais somente é possível verificar a entrada de mercadorias adquiridas de autuada nos anos de 2005 e 2006 e que a fiscalização não instruiu a autuação com elementos que comprovem sua participação no esquema criminoso. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA, nos termos do acórdão e voto de folhas 82 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, e ratificou a primeira decisão que afastou a solidarização da impugnante “CASA DA CARNE SOUZA LTDA.”, e manteve a solidarização do ora recorrente PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA. Em síntese, concluiu a decisão recorrida que em relação à “CASA DA CARNE SOUZA LTDA.”, não haveriam provas que revelem, sem margem de dúvidas, sua participação nos fatos que motivaram no lançamento, de sorte que não se poderia mantêla no polo passivo da obrigação tributária. Quanto ao ora recorrente, “PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA”, entendeu a decisão recorrida que sua solidarização tem fundamento em seu depoimento transcrito, na qual confessa ter realizado compras de mercadorias para a sua empresa se utilizando da empresa MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA e que tal operação tinha o intuito de se livrar da tributação incidente sobre essas transações comerciais, e que se alegaria, entretanto, que as ditas operações não ocorreram no anocalendário do fato gerador do lançamento. Segundo entendimento firmando pela decisão recorrida, foi o próprio recorrente que confessou sua participação nas transações ilícitas e não limitou o lapso temporal de sua ocorrência, de sorte que os documentos apresentados fazem prova da existência das operações registradas, todavia não comprovam a inexistência de outras operações fora da escrita fiscal. Recordouse que o objetivo das transações ilícitas era justamente esconder da administração fazendária a ocorrência dos fatos geradores do imposto, e que o recorrente apresentou sua confissão no esquema de sonegação fiscal, razão pela qual, mantevese a responsabilização solidária do Sr. PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA. No mais, afastouse os alegados vícios no MPF, e que não se aplicaria, no cômputo da decadência, a regra do § 4º, do artigo 150, do CTN, ante a ausência de pagamento prévio, deslocandose para a regra geral do artigo 173, do CTN, pelo qual, não haveria falar em decadência. Quanto ao mérito, consistente na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, relembrou a decisão recorrida que se contestava a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro real, alegando que na falta de apresentação da documentação contábil e fiscal, a base de cálculo destes tributos deveria ser arbitrada e, aludindo ao disposto no artigo 530 do RIR/99, entendeuse que se cuida de norma de natureza procedimental aplicável aos fatos tipificados nos mesmo texto normativo, de sorte que o arbitramento do lucro, nas hipóteses de que fala o art. 530 do RIR/99, não é um ato discricionário, mas, sim, um ato vinculado da administração Fl. 722DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 tributária. E como ato vinculado, deve ser fielmente seguido pela autoridade administrativa, na forma art. 116, inciso III, da Lei n.º 8.112/1990, mormente quando do exercício do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do CTN), desde que atendido os requisitos do permissivo. Dito isso, assinalouse que o permissivo tem objetivo apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando a apuração do lucro real, ou do lucro presumido, se for o caso, tornase impossível ou deficiente, sendo que no caso concreto, a fiscalização teria levantado a diferença da receita tributável, e apurado o IRPJ e CSLL com base no lucro real, mesmo com a ausência dos livros contábeis, de sorte que assistiria razão à recorrente, já que a fiscalização considerou como lucro tributável, a totalidade da receita omitida pela recorrente, centenas de vezes superior à declarada, sendo que as apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL, efetuadas pela autoridade lançadora, revelemse irreais pois ignoram todos os dispêndios do sujeito passivo para a auferimento da receita. Por fim, registrouse que na hipótese de inviabilidade de apuração daquelas bases de cálculo, não restava alternativa à autoridade lançadora que não o arbitramento, nos termos do art. 530 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), razão porque se considerou o lançamento do IRPJ e da CSLL improcedente, por não observar a correta forma de apuração de suas bases de cálculo (art. 142 o CTN): o lucro arbitrado. Quanto ao PIS e à COFINS, registrou a decisão recorrida que por conta da necessidade do arbitramento, a recorrente reclama pela apuração do PIS e COFINS cumulativos, sendo que, em relação à COFINS, refutouse de pronto a alegação, vez que esta contribuição fora apurada pela sistemática da cumulatividade (fls. 45/48). No que se refere ao PIS, assentou que art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que instituiu o regime do PIS nãocumulativo, excluiu dessa forma de tributação as empresas submetidas ao arbitramento do lucro, de sorte que se o arbitramento do lucro era medida necessária para a apuração do IRPJ e da CSLL, a contribuição para o PIS deveria ser apurada pela sistemática da cumulatividade, na forma do art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002. O que não ocorreu, sendo improcedente a exigência. Ademais, mantevese a multa qualificada, ficando assim resumida a decisão: 1. Ratificar a decisão anterior de afastar a pessoa jurídica CASA DA CARNE SOUZA LTDA do polo passivo da obrigação tributária; 2. Manter a pessoa física PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA no polo passivo da obrigação tributária; 3. Cancelar os lançamentos de IRPJ, CSLL e PIS, por não observarem a correta forma de apuração do tributo. A pessoa física PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA interpôs Recurso Voluntário, sustentando sua ilegitimidade passiva para figurar no polo passivo das obrigações tributárias em questão. A decisão foi submetida a Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10283.721236/200873 Acórdão n.º 1301001.612 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Bem assim, o Recurso de Ofício atende aos pressupostos legais e regimentais. Admitoos para julgamento. I – RECURSO DE OFÍCIO De início é preciso salientar que a decisão recorrida julgou completamente insubsistentes as autuações relativas ao IRPJ, CSLL e PIS, mantendo apenas as exigências atinentes à COFINS. A fundamentação utilizada pela decisão recorrida, para os fins de julgar improcedentes as ditas exigências, foi de fato irrefutável, pois a fiscalização, no âmbito de uma operação nitidamente fraudulenta, de feições criminosas, inclusive, após relatar os fatos detidamente, lavrou as exigências fiscais com base no lucro real, extraindo a base de cálculo diretamente dos livros de apuração do ICMS, sem, contudo, promover o arbitramento do lucro, tampouco considerar qualquer despesa no auferimento do dito lucro real. Ou seja, diante de uma inegável hipótese de arbitramento do lucro, a fiscalização lavrou, inaceitavelmente, autos de infração pelo lucro real, considerando toda a apuração registrada para fins de ICMS, como base de cálculo. A rigor, portanto, o Recurso de Ofício não merece trânsito, eis que inaceitavelmente equivocado o procedimento de lançamento. Como pontuou a decisão recorrida, o arbitramento do lucro era medida que se impunha, ante a flagrante imprestabilidade da escrituração da contribuinte. No entanto, ante a inaceitável hipótese colocada pela fiscalização, de terse tributação pelo lucro real sem consideração de despesas, nem mesmo as evidentes e confessadas fraudes perpetradas podem dar guarida à prevalência dos autos de infração levados a efeito. Diante disso, o desprovimento do Recurso de Ofício é imperioso. II – RECURSO VOLUNTÁRIO Quanto ao Recurso Voluntário, conquanto tenha remanescido apenas a exigência reflexa relativa à COFINS, a matéria devolvida pelo recurso apresentado, pela pessoa física solidarizada, não discute a exigência, versando apenas insurgência contra a sua inclusão como contribuinte no presente auto de infração. Sendo assim, de rigor considerarse definitiva a exigência, passando apenas à análise da sujeição passiva do recorrente PAULO AFONSO JACOB DE SOUZA. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Como anotado pela decisão recorrida, a responsabilidade solidária do recorrente “PAULO AFONSO”, foi fundamentada em seu depoimento ao Ministério Público, no qual confessa ter realizado compras de mercadorias para a sua empresa, valendose da empresa MARIA ALCILENE GOMES DA SILVA, ora autuada, e que tal operação tinha o intuito de se livrar da tributação incidente sobre essas transações comerciais, ou seja, demonstra claro interesse na situação que constitui o fato gerador e revela relação direta e pessoal com tal situação (regra do 124 e 121 do CTN). Ocorrendo que o recorrente confessou sua participação nas transações ilícitas e não limitou o lapso temporal de sua ocorrência, entendo que procede a decisão recorrida ao imputarlhe a sujeição passiva solidário no anocalendário em discussão. Sendo assim, desprovejo o Recurso Voluntário, mantendo a sujeição passiva do recorrente. Por tudo que os autos constam, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Sala das Sessões, 26 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10245.720166/2008-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o seu consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-003.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o seu consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o seu consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 01 66 /2 00 8- 92 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) exigindo crédito tributário no montante total de R$ 24.168,71 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Santo Antônio II", com área declarada de 1.195,5 ha e cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o NIRF 6.858.5802, localizado no Município de Boa Vista/RR. A autoridade fiscal rejeitou o Valor da Terra Nua (VTN) informado de R$ 5.000,00, que entendeu subavaliado, alterandoo para R$ 536.349,12, em arbitramento realizado com base no VTN/ha médio apontado no Sistema de Preço de Terras (SIPT). No relatório da decisão atacada consta detalhadamente descrito o teor da impugnação vertida pelo contribuinte: Cientificado do lançamento, em 08/01/2009 (AR/cópia de fls. 17), o interessado, por meio de advogado e procurador legalmente constituído (às fls. 33/35 e 40), protocolou sua impugnação, em 06/02/2009 (às fls. 18/32), instruída com os documentos constantes do anexo I, quais sejam: Laudo de Imóvel Rural/Ano 2006, com ART devidamente anotada no CREA/RR; Mapa com Imagem de Satélite LandSat; Mapa com Carta do IBGE, Mapa de Uso do Solo e Tabelas de preços de terras do BASA e do INCRA. Em síntese, alega e requer o seguinte: • de maneira flagrante, houve violação à Constituição da República e às normas infraconstitucionais (inclusive a legislação relativa ao fato gerador do ITR), sendo desconsideradas as informações do DIAT/2006, arbitrando o VTN em valores muito superiores aos de mercado praticados no Estado de Roraima; • o lançamento de ofício foi realizado sem que o Contribuinte tenha sido intimado a comprovar o VTN declarado, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel. O Contribuinte somente tomou conhecimento do processo administrativo movido pela Receita Federal, com o recebimento da guerreada notificação; • assim, foi surpreendido com o lançamento a seu desfavor, no montante de R$ 24.168,71, sem ter exercido a oportunidade de poder comprovar por meio de Laudo de Avaliação do imóvel objeto da declaração. Por isso, entende por nulo o procedimento de notificação de lançamento, tendo em vista que não foi oportunizado o contraditório e a ampla defesa ao Contribuinte, como lhe é assegurado em Lei; • questiona o fato de a Notificação de Lançamento ter sido regularmente entregue, o mesmo não ocorrendo com a intimação para apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, antes do lançamento; • vem, agora, apresentar o referido Laudo de Avaliação do imóvel, realizado por Engenheiro Florestal cadastrado no CREA, segundo as normas da ABNT e, acompanhado da ART, juntamente com outros documentos de avaliação da média de preços de imóveis no Estado de Roraima, feitas pelo INCRA e pelo BASA; • o valor arbitrado, por hectare, de R$ 448,64, não condiz com a realidade dos preços de terras praticados no Estado de Roraima, conforme valores mínimos e máximos de pauta (respectivamente, de R$ 50,00 e R$ 600,00), fornecidos pelo BASA, referentes ao 3º trimestre de 2006; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720166/200892 Acórdão n.º 2802003.227 S2TE02 Fl. 118 3 • questiona o arbitramento realizado com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT, para se avaliar a propriedade do Contribuinte, pois são ignoradas as características regionais e as do imóvel em particular, invocando o disposto no art. 10 da Lei 9.393/96. No caso, o valor venal foi superado em muito pelo valor atribuído pela Receita Federal através do SIPT, perfazendose assim a injustiça fiscal que recai sobre o Contribuinte; • o Laudo de Avaliação, elaborado pelo Engenheiro Florestal Pedro Fernando Ferreira dos Santos, segue todas as recomendações e metodologias da NBR 14.653, com ART devida inscrita no CREA/RR, aponta o valor de R$ 55,00 para o hectare da Terra Nua da Fazenda Maringá, levando em consideração os fatores como área aproveitável, proximidade e outras variantes importantes; • entende que esse laudo, contendo o valor vernal do imóvel, juntamente com a Planta de Georreferenciamento devem ser utilizadas em conjunto para obtenção da área total da Fazenda Maringá, a área tributável e o valor da Terra Nua, preenchendo, portanto, os requisitos contidos na Lei 9393/96; • o INCRA também possui uma Tabela Referencial para Imóveis Rurais, com valores da Terra Nua em Roraima que, no ano de 2008, apresenta um valor mínimo de R$ 108,02/ha e máximo de R$ 251,93/ha. Podese observar, com base nessa tabela, que a avaliação do INCRA para o ano de 2008 é pelo menos 700% inferior ao arbitramento da Receita Federal para o ano de 2006; • conforme apurado no Georreferenciamento realizado sob as normas da ABNT, por profissional habilitado pelo CREA, documento inscrito no INCRA, foi constatado que a área total do imóvel é de 1.195,5 ha. Destes, 400,0 hectares são área de preservação permanente; 4,0 hectares ocupados com benfeitorias e 550,0 hectares correspondem a área utilizada para pastagens; • depois de transcrever o disposto no art. 10 da Lei 9.393/96, pede, com base nos referidos documentos de prova, uma revisão das áreas distribuídas e utilizadas do imóvel, informadas na DITR/2005, insistindo que as áreas demonstradas e pretendidas são bem mais exatas do que as declaradas no DIAT/2005; • também dever ser considerada, para fins de exclusão de tributação, a área de reserva legal, no percentual de 35%, que corresponde aproximadamente a 400,0 ha, passando o ITR a incidir apenas sobre a área restante; • a favor da sua tese, de que as áreas de reserva legal devem ser excluídas do cálculo do ITR, cita jurisprudência do STJ e do TRF 1ª Região; • volta a insistir na revisão do VTN arbitrado, que está hiperestimado, conforme consulta feita junto a diversos profissionais e instituições, tais como: engenheiros agrônomos e florestais, corretores imobiliários, INCRA e Banco da Amazônia, apresentando quadro comparativo do VTN/ha arbitrado com os valores mínimos e máximos, apresentados nas Tabelas Referenciais do INCRA e do Banco da Amazônia; • no que diz respeito a essa matéria, apresenta jurisprudência do TRF 1ª Região; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 • assim, os valores declarados apurados no DIAT/2006 são condizentes com o valor venal do imóvel, conforme apresentado no Laudo de Avaliação feito por Perito, com base nas citadas Tabelas Referenciais do INCRA e do BASA, e • por fim, requer: seja a notificação de lançamento nº 02601/00129/2008 declarada nula, por não ter sido o Contribuinte intimado para apresentar o Laudo de Avaliação do imóvel, sendo subtraída a oportunidade ao contraditório, antes do lançamento do imposto suplementar apurado; sejam observados os cálculos dos valores da Terra Nua do imóvel, feitos pelo Perito (Engenheiro Florestal) e ignorados os valores arbitrados via SIPT, e sejam refeitos os cálculos para que se proceda a nova apuração do ITR devido no ano de 2006, calculando o VTN do imóvel, com base no valor de R$ 55,00/ha, conforme Laudo de Avaliação anexo. A instância de primeiro grau manteve o lançamento, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à pretendida área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, em data anterior à do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, correspondente ao VTN/ha médio, constante do SIPT, para o município de localização do imóvel, exigese a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2006), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão pretendida. O contribuinte tomou conhecimento do teor da decisão da DRF/BSB em 16/7/2012 e, inconformado, o interpôs recurso voluntário em 16/8/2012, repisando as razões e o pedido formulado na impugnação. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720166/200892 Acórdão n.º 2802003.227 S2TE02 Fl. 119 5 A autoridade preparadora, após apontar em análise preliminar a intempestividade do recurso, encaminhouo para o CARF para apreciação, em virtude do disposto no art. 35 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 16/7/2012 (fl. 85), iniciando o prazo de trinta dias para interpor o recurso voluntário no dia seguinte, 17/7/2012, uma terçafeira, nos termos do art. 5º, c/c o art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O prazo em comento expirou em 15/8/2012, uma quartafeira, havendo sido protocolizado o recurso voluntário somente no dia 16/8/2012 (fl. 86), sem manifestação acerca de sua tempestividade por parte do autuado. Realizadas as devidas pesquisas na rede mundial de computadores, internet, constatouse que nos dias em referência não há notícia de ter ocorrido funcionamento anômalo da repartição de origem, seja por greves, paralisações ou face à existência de feriados locais. Tendo em vista a apresentação do recurso voluntário em 16/8/2012, após a expiração do prazo regrado pelo art. 33 do Decerto nº 70.235/72, deve ser reconhecida a sua perempção. Faltalhe, portanto, requisito essencial para a sua admissibilidade. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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