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Numero do processo: 10880.679918/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/05/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 18 /2 00 9- 18 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679918/200918 Acórdão n.º 3803006.306 S3TE03 Fl. 179 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 11/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 24 de janeiro de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23 de fevereiro de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679918/200918 Acórdão n.º 3803006.306 S3TE03 Fl. 180 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000920/2009-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.150
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2668/2698 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis (fls. 2621/2658), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 92 0/ 20 09 -0 4 Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.708 2 Nos termos do art. 530 do RIR/99, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. CHEQUES RECEBIDOS. No regime de caixa, as receitas devem ser reconhecidas no momento em que forem efetivamente recebidas, ainda que por meio de cheque. E ainda que o cheque seja "prédatado", sua natureza jurídica de ordem de pagamento A. vista não se altera, haja vista que o portador do cheque tem direito ao pagamento correspondente ainda que o apresente antes do dia indicado como data de emissão, nos termos do parágrafo único do art. 32 da Lei n2 7.357, de 2 de setembro de 1985. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em se verificando as circunstâncias de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer n a. apreciação destes, desde que não .presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Dos Fatos. A ação fiscal foi desencadeada a partir da "Operação OuroVerde" promovida pela Polícia Federal. No processo judicial nº 2006.72.00.0105098, da Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Santa Catarina, em representação da autoridade policial, foi autorizado o compartilhamento das informações obtidas nas buscas e apreensões entre o Departamento de Policia Federal e a Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Decisão proferida pela Juíza Federal Substituta Ana Cristina Kramer (fls. 265/271), relata que a empresa fiscalizada, COMPEF COMÉRCIO DE PNEUS E FILTROS LTDA (COMPEF), integra organização criminosa envolvida na prática de câmbio clandestino, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.709 3 Na esfera tributária, o Relatório de Atividade Fiscal de fls. 87/154 discorre sobre o resumo dos procedimentos investigatórios realizados pela Fiscalização: Dos procedimentos investigatórios realizados pela RFB no âmbito da "Operação OuroVerde" resultou o Relatório de Pesquisa e Investigação (RPI) que, sobre a empresa fiscalizada, discrimina as atividades ilícita (ao menos) em tese praticadas pela empresa. Seriam: a) evasão de divisas, com remessa de recursos ao exterior mediante operações dólarcabo; b) interposição fraudulenta na importação; c) contrabando/descaminho, tendo em vista o desvio da finalidade da importação de pneus usados que deveriam ser utilizados, segundo decisão judicial, apenas como matériaprima no processo de industrialização chamado remoldagem e que eram vendidos na mesma condição em que eram importados ao consumidor final; d) omissão de receitas com a prática de "Caixa 2"; e, por fim, e) formação de quadrilha, considerada as várias pessoas (físicas e jurídicas) que, tendo conhecimento ou razoável noção das irregularidades sendo levadas a cabo, participaram diretamente do esquema. Nesse contexto, foi identificada a ocorrência das seguintes infrações tributárias: 1) Não escrituração da movimentação financeira realizada em nome da empresa ao longo de todo o período sob fiscalização; 2) Falta de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL no 1° Trimestre de 2007, constatada no procedimento fiscal de verificações preliminares; 3) Omissão de Receita caracterizada por depósitos em contas bancárias para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a origem; 4) Omissão de Receita caracterizada por não contabilização de cheques recebidos, encontrados nas buscas e apreensões judiciais e pela não comprovação da origem, apesar da regular intimação; 5) Diferença do valor tributável do IRPJ referente à mudança do regime de tributação do que era antes realizada pelo contribuinte com base no Lucro Presumido para o regime do Lucro Arbitrado; 6) Reflexos da Omissão de Receita sobre os tributos que tem como base de cálculo a Receita Bruta (PIS, COFINS e CSLL). Foi arbitrado o lucro, com fulcro no art. 530, inciso II, alínea "a" do RIR/99 (escrituração com evidentes indícios de fraudes ou vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancaria); A multa de ofício foi qualificada (150%), por entender a autoridade autuante que nas infrações cometidas pela contribuinte, foram encontrados padrões de conduta tipificados no art. 71 da Lei n° 4.502/64 como sonegação. Foi relacionado como responsável tributário o sócioadministrador da fiscalizada Sr. Bruno César Heberle, com base no art. 124 do CTN, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 2517/2518. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.710 4 Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de fls. 07/86. A ciência para a COMPEF deuse por meio postal (“AR” fl. 2535), assim como para o responsável tributário (“AR” fl. 2537), em 01/07/2009. Da Fase Contenciosa. A COMPEF apresentou impugnação de fls. 2540/2563, que foi apreciada pela 3ª Turma da DRJ/Florianópolis, em sessão realizada no dia 09/03/2012. O Acórdão nº 0727.698, às fls. 2621/2658, julgou a impugnação procedente em parte, para afastar da base de cálculo dos lançamentos de ofício valores de cheques que foram computados em duplicidade ou que não se referiam à atividade comercial da contribuinte. Registra também a DRJ que não foi impugnada a responsabilidade tributária atribuída a Bruno César Heberle (fl. 2626). A decisão de primeira instância foi cientificada à COMPEF em 01/06/2012, por meio do “AR” de fl. 2666. Foi interposto pela COMPEF Recurso Voluntário em 03/07/2012 de fls. 2668/2698, no qual protesta sobre os seguintes aspectos: decadência dos tributos lançados por homologação; vício material na aplicação do coeficiente de arbitramento do lucro; ilegitimidade passiva da contribuinte (pessoa jurídica) em relação aos cheques encontrados no domicílio particular do sócioadministrador; aplicação de indevido arbitramento do lucro; incorreta apuração da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada; inexistência de omissão de receitas referente aos cheques apreendidos no estabelecimento da empresa e no domicílio dos sócios; inobservância do regime de caixa adotado pela pessoa jurídica; impossibilidade de cobrança de cheques ultrapassado o período de apresentação do título de crédito; apuração indevida da diferença de imposto regularmente recolhido durante o procedimento fiscal; inaplicabilidade da multa qualificada, em razão da inexistência de situação qualificadora e do lançamento amparado em presunções; afastamento dos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins, por seguirem o principal (IRPJ). É o relatório. Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.711 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso da pessoa jurídica COMPEF COMÉRCIO DE PNEUS E FILTROS LTDA foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Por outro lado, antes de apreciar a matéria devolvida, considero relevante tecer considerações sobre atos processuais concernentes ao responsável tributário e sócio administrador Bruno César Heberle. Isso porque não consta nos autos nenhuma ciência da decisão de primeira instância encaminhada especificamente ao sujeito passivo indireto. Observase que, no que se refere à ação fiscal, encontrou dificuldades a Fiscalização em dar ciência dos autos de infração, conforme relato no “TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL SAFIS/DRF/JOASC N° 257/2009) de fl. 2533. Tendo tentado estabelecer contato com o sócioadministrador da empresa fiscalizada, nesta data, para a realização da cientificação do auto de infração, e obtido como resultado o não atendimento ás chamadas telefônicas, procedi à visita ao estabelecimento sede da empresa para o fim da cientificação. Verifiquei, nesta data, que o estabelecimento sede da matriz da empresa fiscalizada encontravase, como de costume fechado, estivemos no endereço indicado pelo seu sócioadministrador como seu atual endereço de correspondência (sua residência): Av. XV de Novembro, 999, apto 01, Centro, Joaçaba/SC. Nesse endereço nos foi informado, pelo interfone, pela Srta. Franciele Besen, que o sócioadministrador e sua esposa (procuradora da empresa) não se encontravam, que estavam viajando. Solicitada a Srta. Francielle a se apresentar pessoalmente no portão para prestar informações, não compareceu. Em seu lugar apresentouse a Sra. Vânia Vaccari de Vasconcelos, que identificouse verbalmente como irmã da procuradora da empresa, solicitada a apresentar o documento de identidade disse não possuir o documento de identidade consigo. Informounos que o sócioadministrador e a esposa não se encontravam, mas que repassaria a informação de que estivemos procurando o sócioadministrador e sua esposa nesta data. Em seguida, consta nos autos ciência, por meio postal, dos autos de infração e do termo de responsabilidade solidária, tanto para a contribuinte quanto o sujeito passivo solidário (“AR” de fl. 2535 e 2537, respectivamente), ambas no endereço “AV. XV DE NOVEMBRO, N° 999, APTO 01 – CENTRO”, em Joaçaba. A contribuinte apresentou impugnação, assinada pelo sócioadministrador Bruno César Heberle. Por outro lado, o responsável tributário (Bruno César Heberle) não apresentou nenhuma defesa. Registrese que, mesmo na impugnação da pessoa jurídica, não consta nenhum tópico referente à responsabilização tributária. No que concerne à ciência da decisão de primeira instância, consta apenas “AR” de fl. 2666, para o destinatário COMPEF, em 01/06/2012, no endereço “RUA Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.712 6 INDEPENDÊNCIA, 190, SALA 01, CENTRO”, em Herval D’OesteSC. Ou seja, não se encontram nos autos qualquer referência à ciência ao responsável tributário. Não há como se inferir a razão pela qual o responsável tributário não foi intimado da decisão da DRJ. Poderseia especular que, na medida em que o sujeito passivo indireto não apresentou impugnação, entendeu a unidade preparadora que seria revel, e por isso deixou de ser comunicado dos atos processuais posteriores. Contudo, não parece ser o caso, vez que não foi lavrado nenhum termo de revelia, conforme prevê o art. 54 do Decreto nº 7.574 de 2011 (Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável ...). Por outro lado, foi precisamente o sócioadministrador, responsável tributário, quem assinou o recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica, sujeito passivo direto (fl. 2698). Ou seja, ainda que em nome da pessoa jurídica, o sr. Bruno César Heberle tomou ciência da decisão de primeira instância. Diante das especificidades do caso concreto, entendo que converter o julgamento em diligência, para solicitar à unidade preparadora que intime o sr. Bruno César Heberle sobre a decisão da DRJ/Florianópolis, seria medida redundante, porque, como já visto, o sócioadministrador tomou ciência do acórdão de primeira instância. Nesse sentido, passo à apreciação de prejudicial de mérito. Aduz a recorrente que, considerandose a ciência dos autos de infração em 01/07/2009 e a contagem prevista no art. 150, § 4º do CTN, os lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, compreendidos entre o período de 01/01/2004 a 30/06/2004 estariam fulminados pela decadência. Como não restou demonstrada a ocorrência de dolo, não haveria que se aplicar o art. 173, inciso I, do CTN. E, ainda que se considerasse a contagem prevista no art. 173, os fatos geradores relativos ao primeiro trimestre do IRPJ e CSLL e janeiro a maio de 2004 para o PIS e Cofins estariam decaídos, vez que a exegese da regra contida no artigo deve ser no sentido de que o “primeiro dia do exercício seguinte” seja entendido como o primeiro dia do “trimestre seguinte”, vez que, com o regime de apuração trimestral do IRPJ e CSLL os “exercícios” também passaram a ser trimestrais. Cumpre esclarecer, a princípio, que para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.713 7 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois os aspectos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.714 8 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543 C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Contudo, há que se fazer uma ressalta no caso de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Isso porque a Procuradoria da Fazenda Nacional já se pronunciou, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, no sentido de que, não constituindo crédito tributário, o valor apurado por estimativa a título de antecipação do tributo não pode ser inscrito em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liquidez, como se pode observar na ementa: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. São esclarecedores os fragmentos do parecer: 18. Daí que o valor apurado mensalmente por estimativa, a título de antecipação do tributo devido, não assume a natureza de obrigação e crédito tributários. (...) 22. É patente, assim, que, não constituindo crédito tributário, o valor apurado por estimativa a título de antecipação do tributo não pode ser inscrito em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liqüidez. (grifos originais) Assim, em se tratando de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, não basta que estejam confessadas por meio de DCTF, parcelamento ou declaração de compensação. Como não podem ser inscritas em Dívida Ativa, devem estar efetivamente extintas, o que ocorre por ocasião de, por exemplo, pagamento espontâneo ou compensação homologada, situação que autoriza a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.715 9 Enfim, há que se esclarecer que, ao contrário do que aduz a recorrente, não há que se confundir período de apuração com o termo “exercício” expresso no art. 173, inciso I, do CTN. A expressão “exercício” referese ao exercício financeiro, definido no art. 34 da Lei nº 4.320, de 1964, que se encerra ao final do anocalendário: TÍTULO IV Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Por outro lado, o período de apuração trata do aspecto temporal do fato gerador, sendo seu encerramento o momento em se consuma a hipótese de incidência prevista na norma tributária. A obra Hipótese de Incidência Tributária, do doutrinador Geraldo Ataliba (6ª edição, 11ª Tiragem, p. 94/95) esclarece: 35. Aspecto temporal 35.1 A lei continente na h.i. tributária traz a indicação das circunstâncias de tempo, importantes para a configuração dos fatos imponíveis. Esta indicação pode ser implícita ou explícita. Na maioria das vezes é simplesmente implícita. (...) 35.7 Pode a lei mencionar uma data (no caso dos impostos imobiliários), uma circunstância determinável no tempo; isto se dá com o imposto sobre operações mercantis (ICMS).Sua h.i. é ra realização, por comerciante ou equiparado, de operação jurídica mercantil que importe (impulsione, provoque) circulação –entendida juridicamente como mudança de titular – de mercadoria. O aspecto temporal da h.i. é explicitamente disposto pela lei como sendo a sua saída do estabelecimento do sujeito passivo. A referência à saída é uma indicação – não da materialidade da h.i. – mas do momento em que deve ser reputado consumado o fato imponível. Se a lei assim não dispusesse expressamente, o momento a ser considerado seria o da prática do ato jurídico mercantil posto como aspecto material da h.i. 35.8 Enfim, é o legislador que discricionariamente estabelece o momento que deve ser levado em consideração para se reputar consumado um fato imponível. E esta indicação legislativa (que pode ser, repitase, explícita ou implícita) recebe a designação de aspecto temporal da h.i. Portanto, no caso do IRPJ e da CSLL, optou o legislador em estabelecer expressamente o aspecto temporal do fato gerador, conforme se observa nos arts. 1º e 28 da Lei nº 9.430, de 1996: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (...) Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.716 10 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Assim, a opção da contribuinte pelo regime de tributação do lucro presumido para o IRPJ e CSLL implica em período de apuração trimestral. Para o PIS e a Cofins, o período de apuração é o mensal, consoante previsto no art. 74 do Decreto nº 4.524, de 2002: TÍTULO I APURAÇÃO E PAGAMENTO CAPÍTULO I PERÍODO DE APURAÇÃO Art. 74. O período de apuração do PIS/Pasep e da Cofins é mensal (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º). Não procede, portanto, interpretação apresentada pela recorrente, que confunde período de apuração com exercício. Esclarecidas questões de direito, podese avançar para a apreciação do caso concreto. Verificase que a ciência dos autos de infração deuse em 01/07/2009, conforme “AR” de fl. 2535/2536 (pessoa jurídica) e 2537/2538 (sóciogerente). A contribuinte, para os anoscalendário de 2004 a 2007, foi optante do lucro presumido, submetida ao regime de apuração trimestral para o IRPJ e a CSLL. Por sua vez, o PIS e a Cofins encontramse sob o regime de apuração mensal. Assim, caso se tomasse a contagem do art. 150, § 4º, do CTN, os lançamentos de IRPJ e CSLL, referentes ao primeiro e segundo trimestre de 2004, e de PIS e Cofins, relativos aos meses de janeiro a junho de 2004, estariam fulminados pela decadência. Portanto, há que se observar se, em tais casos, há que se falar na aplicação da contagem prevista no art. 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Na situação prevista no art. 173 do CTN, o termo inicial da contagem darseia no primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para o IRPJ e a CSLL do primeiro e segundo trimestres, e o PIS e a Cofins dos meses de janeiro a junho, o lançamento de ofício poderia ser efetuado ainda no decorrer do anocalendário de 2004, o que deslocaria o início da contagem para o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01/2005. Assim, o prazo decadencial se consumaria em 31/12/2009. Como a ciência à recorrente deuse em 01/07/2009, não haveria de se falar em decadência. E, como já visto, para se verificar o enquadramento ao art. 173, inciso I, do CTN, devese verificar, em um primeiro momento, se não houve pagamento espontâneo e tampouco declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. No caso do IRPJ, constatase, pelo “Demonstrativo de Apuração” de fls. 19/20 do Auto de Infração, que a autoridade autuante constatou a ocorrência de pagamentos ou confissão do imposto de renda, tendo deduzido os valores do lançamento de ofício. Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.717 11 Nesse caso, há que se confirmar a ocorrência da segunda hipótese, qual seja, se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que ensejou a qualificação da multa de ofício no presente caso, para que a contagem do prazo decadencial pudesse ser deslocada para o art. 173, inciso I, do CTN. Por outro lado, para a CSLL, PIS e Cofins, constatase que no “Demonstrativo de Apuração” de cada um dos tributos, a autoridade autuante não deduziu nenhum valor do lançamento de ofício. Ocorre que, na DIPJ/2005, referente ao anocalendário de 2004, às fls. 1794 (CSLL), fls. 1796/1801 (PIS) e fls. 1808/1813, informou a contribuinte que teria tributos a recolher. No extrato de DCTF de fl. 1738, constatase que foram encaminhadas declarações referentes ao primeiro e segundo trimestres de 2004. Contudo, não consta nos autos detalhamento das DCTF, que possibilitaria verificar quais tributos foram confessados. Também, há que se registrar que na infração tributária referente a verificações preliminares, constatouse diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado ou pago apenas para o segundo trimestre de 2006 e primeiro trimestre de 2007 para o IRPJ, primeiro trimestre de 2007 para a CSLL, e P.A. de março/2007 para o PIS e a Cofins. Ou seja, em tese, não foi encontrada nenhuma divergência entre valores escriturados e valores declarados ou pagos para o anocalendário de 2004, o que se mostra como forte evidência de que valores de CSLL, PIS e Cofins foram confessados ou pagos. E, nos autos, os registros contábeis disponibilizados pela contribuinte, em atendimento à intimação da Fiscalização, de fls. 632/679, encontramse em formato de código previsto para a leitura do arquivo digital do SINCO – Arquivos Contábeis, não permitindo a identificação manual de nenhum lançamento contábil. Portanto, não é possível constatar, pela análise dos documentos acostados aos autos, se houve ou não pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo para a CSLL, PIS e Cofins. Nesse sentido, para prosseguir a análise referente ao termo inicial da contagem decadencial, entendo que será necessária diligência, no sentido de se verificar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito de CSLL, PIS e de Cofins. A análise deverá ser estendida a todo anocalendário em debate, de 2004 a 2007. Para o período de janeiro a junho de 2004, será útil para verificar a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. E, para todo o período analisado, servirá para deduzir valores eventualmente pagos ou confessados dos lançamentos de ofício efetuados. A apreciação do segundo aspecto, referente à ocorrência da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a aplicação da contagem do art. 173, inciso I do CTN para a decadência, será realizada após o resultado da diligência. Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.718 12 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de encaminhar os autos para a unidade preparadora, no sentido de verificar, para cada um dos fatos geradores compreendidos entre 01/12/2004 a 31/12/2007, se houve débito de CSLL, PIS e de Cofins: (1) pago espontaneamente ou (2) compensado ou (3) confessado em DCTF ou (4) parcelado. Os resultados deverão ser apresentados em relatório fiscal, com quadro demonstrativo detalhando se houve pagamento ou confissão de débito, para cada fato gerador, e com as telas de consulta dos sistemas internos da Receita Federal. A Recorrente deve ser cientificada do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário, dispondo estritamente sobre o conteúdo diligenciado, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 16327.001732/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, se necessário na sede empresa e, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
documento assinado digitalmente
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, se necessário na sede empresa e, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 73 2/ 20 10 -5 4 Fl. 9015DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir e, em decorrência lavrados auto de infração relativo a IRPJ (R$ 60.428.800,43) e CSLL (R$ 21.754.368,13, incluídos juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício de 75%. 1. Da ação fiscal. A ação fiscal teve como objetivo verificar os valores informados na linha 30 – “Outras Despesas Operacionais” da ficha 05B – “Despesas Operacionais PJ Componente do Sistema Financeiro”, no valor de R$.2.503.606.463,14, da DIPJ do ano calendário 2005. A contribuinte foi intimada a apresentar a decomposição das contas que compõem o referido valor, e comprovar as despesas selecionadas em cada conta Cosif (relacionadas às fls.3134 e 5999). Após análise da documentação apresentada relativa às despesas operacionais em tela, a fiscalização constatou que a contribuinte não apresentou documentos que pudessem justificar os lançamentos nas correspondentes contas de despesas, ou então o fez de maneira insatisfatória. 2. Da não comprovação dos valores informados em “Outras Despesas Operacionais” Detalhase a seguir, as contas de despesas operacionais não comprovadas pela contribuinte (documentação em CD acostadas aos autos), com os respectivos valores por conta: 2.1) Conta Cosif 8.1.7.24.006 Despesas de Materiais. Relação (Rel.) 1: razão 0506, conta 00000116. Desp. Mat. Plásticos Outros Cart.(R$15.730.233,53): segundo a empresa, os valores referemse a apropriação de despesas pelas emissão dos cartões de crédito/débito dos clientes do Banco, tendo como contrapartida a conta do ativo de despesas antecipadas. Portanto, não se referem a provisões de despesas, mas ao registro contábil da despesa pelo regime de competência. A contribuinte apresentou Demonstrativos, fichas de controle de estoque (de parte dos valores) e notas fiscais de aquisição de materiais, as quais não correspondem aos valores contabilizados nessa conta. Rel. 2: razão 0506, conta 00000035. Despesas de Materiais Gráficos (R$229.786,30): segundo a empresa, os valores referemse a reclassificações contábeis entre as contas de despesas. Apresentou demonstrativos emitidos pelo Departamento de Cartões do Bradesco. Rel. 3: razão 0506, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$548.234,90): a empresa enviou documentos de uso interno, referentes a ajuste contábil, reclassificação de lançamento, estorno parcial de lançamento, transferência entre contas e contabilização de provisão. Fl. 9016DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 13 3 Rel. 4: razão 0506, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$8.399.849,11): segundo a empresa, os valores referemse ao consumo de materiais pela rede de agências e dependências administrativas do Banco. Apresentou extratos de contas contábeis, explicação da forma de contabilização e notas fiscais de entrada de estoque, todos sem relação com as despesas em tela. Posteriormente, a empresa enviou cópia do razão, notas fiscais e documentos referentes à aquisição de materiais, demonstração do fluxo contábil da aquisição, estoque e consumo dos materiais. Todavia: a) não foi apresentado o batimento do saldo de R$2.191.474,35 da conta Cosif 1.9.8.40.000 – “Materiais em Estoque” com as correspondentes notas fiscais de aquisição. b) não foram enviadas as notas fiscais que compõem esse saldo, nem as fichas de estoque por tipo de material (saldo em 03/01/2005) com os respectivos valores. c) não foram apresentadas todas as notas fiscais contabilizadas na conta de Material em Estoque, para comprovar a aquisição e dar suporte para as saídas através de requisições. A contribuinte apresentou apenas 31 notas fiscais, que envia a título de amostragem, as quais são escuras e contêm falhas, dificultando a leitura do inteiro teor desses documentos. d) não foram apresentadas fichas de estoque contendo a movimentação de entradas e saídas de materiais no ano de 2005, por tipo de material, cujos valores deveriam ser identificados com os contabilizados na conta Material em Estoque da agência 42307, razão 16/37, Conta 00000027. e) não foram apresentadas as requisições de materiais emitidas semanalmente pelas agências e dependências, as quais seriam consolidadas pelo Departamento de Materiais, conforme resposta da contribuinte às fls. 188. Rel. 5: razão 0505, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$325.345,59): segundo a empresa, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência em contrapartida à conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. A empresa enviou demonstrativo das contabilizações e respectivos razões contábeis. 2.2) Conta Cosif 8.1.7.66.002. Despesas de Transporte Rel. 6: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transp.de Valores (R$327.709,20): não foi atribuído pela empresa nenhum histórico para esta conta. A empresa apresentou cópia de fatura parcialmente ilegível, não fazendo prova desse lançamento. Rel. 7: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transportes de Valores (R$1.236.944,66): a empresa informou que contabilizou os serviços prestados em 12/2005 pelo regime de competência, ocorrendo os pagamentos em 2006. As notas fiscais anexadas pela empresa foram emitidas, em parte, no ano de 2006. tratandose de regime de competência, essas notas não podem ser aproveitadas no ano de 2005, pois referemse a outro período. Rel. 8: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transp. Valores (R$1.996.592,49): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, os documentos apresentados pela empresa estão parcial ou totalmente ilegíveis, ou não Fl. 9017DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 14 4 conferem com os valores dos lançamentos, ou já haviam sido aproveitados para comprovação do mesmo valor de outro período. Rel. 9: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transportes de Valores (R$10.886.387,19): segundo a contribuinte, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência à contrapartida de conta de provisão de despesas. No pagamento da despesa é revertido o lançamento. Apresentou notas fiscais, razões das contas “Provisão Outras Despesas Administrativas” e “Despesas de Transportes de Valores”, demonstrativo contendo os lançamentos nessas contas, e extrato da conta “Provisão Outras Despesas Administrativas”. A documentação apresentada comprovou parte dos valores, restando pendente de comprovação o valor de R$10.886.387,19. Rel. 10: razão 0573, conta 00000213 – Desps. C Contratação de Transportes (R$3.719.614,55): segundo a contribuinte, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência tendo como contrapartida a conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. Apresentou extrato contendo os lançamentos em questão. Rel. 11: razão 0573, conta 00000116 – Desp. Transp. Compensação Integra (R$24.188.926,89): a empresa informa que essa conta registra a despesa de malotes compartilhados relativos à compensação entre todas as instituições financeiras do território nacional. Anexou documentos, lançamentos contábeis e mapas de rateio da Febraban. A documentação apresentada não comprovou os lançamentos dessas despesas. Rel. 12: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transportes de Valores (R$7.343.330,78): segundo a empresa, os valores referemse a despesas de transporte de numerário. Portanto, não se referem a provisões de despesas, mas sim ao registro contábil da despesa pelo regime de competência. Anexa comprovantes das despesas, ficha contábil, boletos de transporte, relatórios e planilhas de controle interno. Rel. 13: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transportes de Valores (R$155.424,32): a contribuinte informa que houve reclassificação departamental, e apresentou documentos internos e extrato da conta Desp. de Transp. De Valores. Rel. 14: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transp. Valores (R$2.932.231,72): a contribuinte apresentou documentos de parte das despesas apenas. Além disso, os documentos apresentados pela empresa estão ilegíveis, impedindo sua análise. Posteriormente, a empresa informou que as despesas são contabilizadas pelo regime de competência debitandose a conta de despesa e creditandose a conta de provisão. Por ocasião do pagamento, os lançamento são revertidos. Apresentou documentação interna, relações, planilhas e estorno de provisão. Rel. 15: razão 0573, conta 00000213 – Desp. C Contrat. Transp. (R$332.108,88): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, alguns documentos não conferem com os valores dos lançamentos, ou já haviam sido aproveitados para comprovação do mesmo valor de outro período. Posteriormente, a empresa apresentou ficha de despesas, relatórios de despesas sem comprovantes, planilhas, mapas, relações, Contrato de Coleta e Entrega de Malotes Via Transporte Terrestre firmado entre Transmalotes São Judas Ltda e Federação Brasileira de Bancos – Febraban, de 17/10/2010, Fl. 9018DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 15 5 sem assinatura das partes, e extratos das contas “Desp. de Transp. de Valores” e “Desp. C/Contratação de Transp.”. 2.3) Conta Cosif 8.1.9.99.006 Despesas Diversas Rel. 16: razão 0505, conta 0256 – Despesas Gerais – Perdas Diversas (R$1.760.067,82): a empresa apresentou extrato p/simples conferência do razão” contendo lançamentos com o histórico “Despesas de Lctos Internos”, cujo saldo diverge do valor de R$1.760.067,82. Rel. 17: razão 0505, conta 0213 – Repasse de Anuidade Cartões Afin (R$500.000,00): tratase de contrato para emissão de cartões afinidade firmado com a empresa Four Team Ltda. Para tanto, foi paga a importância de R$500.000,00 como adiantamento da venda de 50.000 cartões, sendo a 1ª parcela de R$250.000,00 (nota fiscal de serviço nº 173, emissão de 01/07/2003) e a 2ª parcela de R$250.000,00 (nota fiscal de serviço nº 180, emissão 15/07/2003). A contribuinte contabilizou tais valores como antecipação e somente quando houve a rescisão do contrato firmado em 30/05/2003, através do Instrumento Particular de Quitação Recíproca, de emissão de 13/07/2005, baixou o valor de R$500.000,00 da conta que representa a antecipação para a conta de despesas de Repasse de Anuidade Cartões em 07/2005. Analisando correspondência interna Bradesco de 10/06/2005, verificase que o objetivo do desembolso era um adiantamento para venda futura de 50.000 cartões, porém só foram vendidos 128 cartões até a 05/2005. Assim, essa despesa não foi incorrida, por não haver existido. O que houve foi apenas o registro contábil como despesas antecipadas no ativo, quando do pagamento, mas seu fato gerador não ocorreu (não foram incorridas) pelo fato já citado, o que torna essa despesa indedutível para efeitos fiscais. 2.4) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Desp. Bônus – Cartão Crédito Rel. 18: razão 0581, conta 86 – Bônus Programa Cartão Platinum (R$959.981,34): a empresa enviou cópias de tela de “Gerenciador de contas contábeis”, de detalhes da operação e de histórico do processo, e extrato da conta “Bônus Programa Cartão Platinum”. Rel. 19: razão 0581, conta 27 – Bônus Cartão Volkscard (R$503.384,37): a empresa informa que os portadores desse cartão acumulam pontos, os quais são usados para quitar parte do pagamento de veículos da marca Volkswagem. A Bradesco Cartões efetua os pagamentos dos regates de Bônus por meio de TED, mediante relação fornecida pela Volkswagem do Brasil Ltda. contendo os dados dos clientes. Apresenta (i) demonstrativo no qual consta provisão mensal Cartão Volkscard dos valores contabilizados como despesas, (ii) solicitação do Departamento de Cartões dirigida à Diretoria do Bradesco para emissão de TED para ressarcimento de certificados resgatados no Programa de Bônus desse cartão. Posteriormente, apresentou cópia dos TED para a Volkswagen e Instrumento Particular de Contrato de Emissão de Cartão de Crédito, firmado entre o Bradesco e a Volkswagen do Brasil Ltda, contendo cláusula de “bônus de 5% sobre o valor das compras realizadas pelo Associado com o Volkscard, cujo bônus deverá ser utilizado na compra de um veiculo novo marca Volkswagen” e “o Banco provisionará internamente 1% do valor das compras efetuadas com o Volkscard e efetivamente pagas.” Na documentação apresentada, a contribuinte não informa os modos de aferição do bônus de 5% sobre o valor das compras efetuadas pelos associados, e da provisão de 1% sobre o valor das compras efetivamente pagas, bem como não disponibiliza a contabilização das mesmas. Além disso, os TED apresentados não espelham a realidade da Fl. 9019DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 16 6 despesa, e os valores contabilizados como despesa não conferem em data e valor com os respectivos TED. 2.5) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Desp. c/ Cartões Crédito Rel. 20: razão 5506, conta 19 – Desp. Taxa Interc. C. Crédito (R$4.196.391,63): segundo a empresa, a conta registra os pagamentos efetuados à bandeira “Cartões Visa”, relativos aos custos mensais incorridos pela utilização dos cartões de crédito Visa pelos clientes do Bradesco. A contribuinte registra mensalmente pelo regime de competência as despesas incorridas, ocorrendo os pagamentos no dia 15 do mês subseqüente mediante débito em conta corrente do Bradesco no exterior. Apresenta faturas da Bandeira Visa, relatórios e extratos bancários da conta corrente do Bradesco no exterior. Não há nesses documentos vinculação com as despesas em tela, nem comprovação do efetivo pagamento a título “Cartão Visa”, tampouco comprovação de fechamento de câmbio. Os documentos apresentados em língua estrangeira, para terem legitimidade, necessitam de tradução em língua portuguesa por tradutor juramentado, conforme art.157 do Código de Processo Civil. Rel. 21: razão 5506, conta 35 – Tx Trim Cart. Crédito Visa (R$5.321.194,29): a empresa apresentou planilhas, lançamentos contábeis, correspondência interna, documento de transferência financeira do exterior, tabelas e demonstrativos. As datas e valores constantes de tais documentos, cuja maior parte é de natureza interna, não coincidem com os lançamentos contábeis. Rel. 22: razão 5506, conta 43 – Desp. Tx Trim. C. Créd. Ma (R$2.395.406,42): a empresa apresenta extrato das contas 40258 “Desp. Taxa Trimestral C. Créd. Ma” e 40258 “Provisão Pagto. Efetuar Taxa Trimestral”, planilhas, correspondência interna, boletos de pagamento e notas fiscais. As datas e valores das notas fiscais apresentadas divergem dos contabilizados na conta em questão. Além disso, a contribuinte enviou notas fiscais emitidas em 2006, sendo que o solicitado foram documentos do ano de 2005. Rel. 23: razão 5506, conta 78 – Desp. Tit. Capital Cartão de Crédito (R$600.952,95): a empresa foi intimada a comprovar tais despesas porém não encaminhou nenhum documento comprobatório desses valores. Rel. 24: razão 5506, conta 124 – Tx S Serviço Isa Visa (R$570.660,63): a empresa enviou planilhas e lançamentos contábeis. 2.6) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Despesas Diversas Rel. 25: razão 0505, conta 00000302 Desp. Regularização Documentos (R$1.865,00): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, os documentos apresentados referemse a classificação contábil e reclassificação de contas. Rel. 26: razão 0505, conta 00001023 – Emolumentos Judiciais Cartorário (R$25.594,38): a empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. Rel. 27: razão 0505, conta 00001023 – Emolumentos Judiciais Cartorário (R$14.970,80): a empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. Rel. 28: razão 0505, conta 00001015 – Associações de classes (R$1.430.501,91): a documentação apresentada pela empresa relativa à contribuição Fl. 9020DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 17 7 extraordinária Projeto Cisternas 2004 – parcelas de R$839.999,01 e R$108.416,29 é insuficiente para comprovação da dedutibilidade dessas parcelas. As despesas, para serem dedutíveis, devem ser necessárias, usuais e ter estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Com relação aos valores de R$25.240,00 e R$456.846,61, não foi apresentado nenhum documento para comprovar os valores em tela, os quais foram feitos por liberalidade da empresa, não sendo despesas dedutíveis na forma do art. 13 da Lei n° 9.249/95. Rel. 29: razão 0505, conta 00000302 – Desp. Regularização Documentos (R$2.627.010,38): a contribuinte apresentou documentos relativos a pagamentos de taxas no Detran de veículos em nome de terceiros e documentos internos (listagem de pagamentos, relatório de pagamentos, planilhas e pesquisas). Para comprovarem as despesas em tela, os documentos contábeis e fiscais devem ser emitidos em favor de quem efetivamente contratou o serviço ou adquiriu a mercadoria, devendo o documento ser hábil, idôneo e coincidente em datas e valores com as despesas contabilizadas, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte também não comprovou a necessidade, usualidade ou normalidade dos valores em análise. Rel. 30: razão 0505, conta 00000280 – Desp. C Assim. P Consulta de Infor (R$164.290,80): a empresa informou essas despesas são apropriadas pelo regime de competência tendo como contrapartida a conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. A contribuinte não comprovou esse valor, limitandose a apresentar o extrato da conta Provisão Outras Despesas Administrativas e o fluxo de contabilização dessas despesas. 2.7) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Despesas de Perdas Diversas Rel. 31: razão 0528, contas: 006P – Desfalques c/c Ativa (R$1.626.371,75); 0426 Lançamentos Indev. em C/C (R$1.664.611,01); 5193 – DesfalquesTrib. e taxas s/CAG (R$1.219.178,36); e 5843 Furtos Recinto da AgênciaS/C AG (R$2.221.318,27): a empresa apresentou extrato contendo lançamentos e histórico “Bx.autorizada em Despesa”. A empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. No caso de desfalques ou furtos, há que ser observado ainda o art. 364 do RIR/99, que determina, para dedução dos prejuízos com desfalque, a apresentação de queixa perante a autoridade policial. Do exposto, constatase que, embora tenham sido dados prazos e condições suficientes para apresentação dos documentos solicitados, a empresa não comprovou, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores conforme determina a legislação de regência, os lançamentos efetuados nas referidas contas de despesas operacionais, no total de R$106.136.472,22. A manutenção da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais é condição necessária, mas não suficiente, para a dedutibilidade de despesas. É necessário que os valores registrados na contabilidade sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, conforme o art.2º do Decreto nº 64.567/69, sob pena de serem desconsiderados pela fiscalização. A contabilidade e sua aplicação têm como normas balizadoras a rigorosa fidelidade aos fatos de gestão da empresa e o embasamento obrigatório em documentação hábil e idônea, conforme o art. 264 do RIR/99. Cabe exclusivamente à empresa a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos fatos realmente ocorridos em sua gestão, com base em Fl. 9021DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 18 8 documentação hábil e idônea pertinente à matéria. Ressaltese que documentos internos não fazem prova a favor da contribuinte. Assim, tornase necessária a constituição do correspondente crédito tributário para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, em razão de constatação de infração à legislação do IRPJ e CSLL no ano calendário de 2005. Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 360/414, acompanhada dos documentos de fls. 415/8788, alegando em síntese que: 1. Do cerceamento de defesa e da nulidade dos autos de infração A impugnante entregou os livros balancetes diários do ano calendário 2005 à fiscalização em 08/06/2010, permanecendo até o momento na posse desses livros. A prova de determinada despesa tem por base o documento retido pela fiscalização, porém a fiscalização não juntou cópia integral dos livros aos autos, impedindo a análise dos documentos pela empresa, a fim de que esta compreendesse a matéria de fato, elaborasse a defesa e comprovasse fatos cuja prova estaria nos livros retidos pela fiscalização. Houve cerceamento de defesa, sendo nula a autuação, a teor do art.59 do Decreto nº 70.235/72. 2. Da juntada de documentos após a apresentação da impugnação No caso dos autos, a prova documental pode ser juntada posteriormente à impugnação por motivo de força maior, conforme art.16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, pois os livros estavam em poder da fiscalização, impedindo a empresa de juntálos à impugnação e de confrontar os lançamentos contábeis com os documentos apresentados à fiscalização. Assim, protesta a impugnante pela juntada de prova documental a posteriori, após a devolução de seus livros pela fiscalização. 3. Do mérito O método de trabalho adotado pela fiscalização fere a legislação. Documentos emitidos por terceiros foram tratados como se fossem emitidos pela própria impugnante, os quais foram considerados inidôneos por serem de emissão própria. A fiscalização pinçou lançamentos específicos, tirandoos do contexto da conta em que estão inseridos e exigindo comprovantes discretos. Isso fez com que lançamentos a crédito fossem glosados com despesa, e que em certa conta a glosa fosse maior que o saldo da conta levada ao resultado do exercício. Toda a despesa de transportes da impugnante com os malotes de compensação integrada foi glosada, demonstrando que a glosa é ilegal, pois algum custo esse transporte terá tido. A escrituração da impugnante merece credibilidade, fazendo prova a seu favor conforme o § 1º do art.9º do Decreto Lei nº 1.598/77, pois, do total de despesas lançado na linha 30 da ficha 05B da DIPJ (R$2.503.606.463,14), apenas 4,23% (R$106.136.47,22) foram glosadas. Fl. 9022DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 19 9 A fiscalização não auditou os fatos contábeis reais, considerando como sem comprovantes despesas que foram legitimamente provadas. A apropriação de despesas pelo regime de competência exige a contabilização dos desembolsos no ativo. À medida em que o consumo acontece, esses valores vão sendo apropriados gradualmente ao resultado do exercício. No caso dos materiais de consumo, o custo será igual ao estoque inicial mais compras menos o estoque final. As despesas são distribuídas pelas respectivas agências, de modo que a contabilidade possa servir também como ferramenta de gestão. Ao se apropriarem as despesas por competência, essas despesas têm que ser distribuídas corretamente pelas agências, para que a gerência do negócio possa saber o resultado em cada uma delas. Para contabilizar a aquisição de materiais ou serviços a prazo, a impugnante constituía uma provisão para o pagamento do respectivo valor, lançando a despesa em contrapartida ao registro da obrigação no passivo. Para materiais de consumo o registro era feito na conta de estoques do ativo, da mesma forma que os serviços aproveitáveis em mais de um exercício eram registrados em despesas antecipadas no ativo. Tal lançamento refletia a despesa incorrida, ainda não paga, aparecendo no histórico como “provisão”, sendo uma provisão para pagamento, e não uma provisão de despesa (essa já foi incorrida). No pagamento eram efetuados dois lançamentos, sendo que o primeiro (histórico “estorno”), estornava o lançamento original feito no recebimento da mercadoria ou serviço, creditandose a conta de despesa ou de ativo anteriormente debitada e debitandose o valor provisionado no passivo para pagamento. Ao final, o lançamento original se anulava, não havendo efeito no resultado do exercício. O segundo lançamento (histórico “Contas a pagar SAP”) decorrente do pagamento registrava a saída de caixa do valor pago, em contrapartida a um débito na conta creditada no lançamento anterior para restabelecer, à conta de despesas (ou de estoque ou de despesas antecipadas), seu valor real e efetivo, respeitando o regime de competência. A fiscalização selecionou lançamentos com a palavra provisão, sem levar em conta que se tratavam de lançamentos provisórios, estornados, sem efeito no resultado do exercício. Para comprovar as despesas em tela, a empresa apresentou à fiscalização o sistema contábil utilizado e o contexto no qual se inseria cada lançamento objeto da intimação, com os respectivos documentos. Mostrou ainda notas fiscais de compras, requisições dos materiais aos estoques e a apropriação das despesas nas respectivas agências. Colocouse à disposição da fiscalização para abrir todo o sistema e apresentarlhe cada um dos documentos que desejasse. Em se tratando do manuseio de centenas ou milhares de documentos, é impossível separar os documentos para uma centena de lançamentos, devendo a fiscalização ser feita no local onde estão os documentos, por amostras que possam dar respaldo e certeza sobre o sistema e os procedimentos adotados. A fiscalização não examinou o sistema da impugnante para controle das despesas apropriadas pelo regime de competência, exigindo o impossível da contribuinte, e impondo a exação. Esse procedimento foi realizado na apuração dos valores constantes de 11 relações de lançamentos (a saber, relações 1 a 5, 7, 9, 10, 12, 25 e 30), num total de Fl. 9023DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 20 10 R$48.565.882,41, cujas glosas são baseadas na ausência de documentação comprobatória emitida por terceiros. Não existe nota fiscal, recibo ou documento assemelhado para a despesa que é baixada do ativo por competência. A fiscalização deveria analisar as planilhas de apropriação apresentadas pela empresa com as notas fiscais de aquisição e as planilhas dos estoques iniciais e finais, verificando que esses lançamentos estavam estornados. Para as outras 20 relações de lançamentos (total de R$57.570.589,81), embora tenham sido apresentados documentos que permitem sua dedutibilidade, a impugnante apresenta documentos adicionais. A seguir, analisase cada relação de lançamentos: Relação 1: a intimação de fls. 29 a 33 demonstra que o total das despesas da conta 00000116 é de R$15.109.348,17, porém a glosa efetuada foi de R$15.730.233,53. A fiscalização não identificou como a empresa controla as despesas com materiais de consumo. As compras de materiais são debitadas em uma conta de estoque em contrapartida ao provisionamento para pagamento. Na sequência, consumindose a mercadoria nas agências, creditase a conta de estoque no ativo e debitase a conta de despesas, correspondente ao custo da mercadoria consumida. Nas compras a prazo, a formação do estoque passa por três lançamentos: o primeiro no recebimento do material, o segundo por ocasião de seu pagamento, estornandose o lançamento original, e o terceiro em seguida para refletir o custo incorrido e pago. As remessas de material para as agências não têm correspondência em quantidades com as notas fiscais de compras. As compras são feitas em grandes volumes para abastecer a empresa como um todo, sendo impossível fazer corresponder esses valores de custo e quantidades da mercadoria remetida para a agência, com uma nota fiscal específica de compras. Esta “amarração” só é possível via sistema, através dos relatórios renegados pela fiscalização, que se recusou a emprestarlhes força probatória, e não os auditou. A empresa colocou à disposição da fiscalização os documentos que demonstram seu sistema de contabilização (fls. 02209 do CD e fls.145149 deste processo) relativamente aos lançamentos constantes da Relação 1 do Termo de Verificação Fiscal. Ali constam cópias de notas fiscais de compra, do livro razão das contas envolvidas, das fichas de controle de estoque e das requisições de materiais ao estoque. O valor contabilizado como despesa neste tópico é correto, como se demonstrará a seguir. A ficha razão da conta de estoque desse tipo de material mostra os saldos iniciais e finais do estoque, no caso R$6.322.962,81 e R$6.266.872,62, respectivamente. O material consumido foi de R$20.575.636,31. As compras foram de R$23.017.509,42 e anexamos a relação de cada compra, especificando número de lançamento contábil, número da nota fiscal, data, valor e fornecedor. O razão dessa conta demonstra ter havido estornos de R$2.497.963,30. Assim, o valor registrado na conta “00000116” é de R$15.109.348,17, conta que recebeu parte do consumo total de material. A outra conta é a “00000108”, que recebeu o restante do encargo no valor de R$3.128.921,49. O valor de R$2.337.266,65 que sobram são valores reclassificados para outras agências, como demonstram os lançamentos de estorno nas duas contas aqui mencionadas. Portanto, os materiais saíram exclusivamente para as duas Fl. 9024DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 21 11 contas citadas. A impugnante junta, por amostragem, cópias das Notas Fiscais de origem do estoque, referente ao mês de outubro de 2.005 (fls. 437542). Do exposto, fica demonstrada a improcedência da glosa. Documentos às fls.48415051. Relação 2: os 24 valores que totalizam R$229.786,30 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Despesa de Materiais Gráficos, Razão 0573, Conta 000000035”, e consistem em reclassificação de contas de despesa. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a empresa atendido à fiscalização, entregando o solicitado. Documentos às fls.543603 e 50525084. Relação 3: os 5 valores que totalizam R$548.234,90 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, Despesa de Materiais, Razão: 0506, Conta: 000000019” e consistem em reclassificação de contas de despesa. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a empresa atendido à fiscalização entregando o solicitado. Anexa, por amostragem, cópias das Notas Fiscais de aquisição dos materiais que ensejaram a reclassificação das contas de despesa (fls. 604759). Documentos às fls. 50855114. Relação 4: os 57 valores que totalizam R$8.399.849,11 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40308, Despesas de materiais, Razão: 0506, Conta: 00000019”. A glosa correspondeu a lançamentos na conta cujo histórico era "gastos materiais agenc" e ocorreu por falta de análise da documentação apresentada. Os elementos foram colocados à disposição e ignorados por não ter a empresa apresentado notas fiscais correspondentes ao valor do estoque inicial e do estoque final. Mas esses saldos decorrem de um processo histórico, desde o início de operação da empresa, não existindo um conjunto de notas fiscais que batam com o valor do estoque inicial ou final. O sistema contábil da empresa está em conformidade com o art.294 do RIR/99. A impugnante listou todas as entradas/compras em seu estoque de materiais, nota a nota, designando para cada compra o número de lançamento contábil, número da nota fiscal, data, valor e fornecedor, no valor de R$35.675.858,11 (total de despesas contabilizados nessa conta). Todo o valor lançado em despesas está amarrado ao sistema contábil da impugnante e lastreado em notas fiscais emitidas por fornecedor. A fiscalização não quis ver as notas fiscais de compras, quis apenas as relativas ao estoque inicial e ao estoque final, razão pela qual não procede a glosa dos R$8.399.849,11. A impugnante junta, por amostragem, cópias de notas fiscais de compras. Documentos às fls. 760976 e 51155193. Relação 5: o valor de R$325.345,49 provém de um lançamento contábil da conta identificada como “Agência 42501, Despesa de Materiais, Razão: 0505, Conta: 000000019”. A impugnante lança o material comprado a prazo no estoque, em contrapartida da constituição de uma provisão para pagamento do fornecedor. No pagamento ocorre o estorno da provisão, creditando a conta de estoque e debitando a provisão, e há um novo lançamento a débito do estoque e a crédito do caixa. Portanto, o lançamento inicial na conta de estoque, com o histórico “Prov. Desp S/inc CPMF”, é anulado pelo pagamento da fatura, sendo substituído pelo novo lançamento de estoque contra caixa, e não tendo qualquer impacto no resultado do exercício. Fl. 9025DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 22 12 A glosa efetuada duplica o estorno da despesa, vez que este estorno já foi feito pelo próprio contribuinte, anulandose o lançamento (fls. 242). Documentos às fls.51945201. Relação 6: o valor de R$327.709,20 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 42528, Despesa de Transp Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”. A glosa foi efetuada por estar a nota fiscal rasurada e ilegível, de modo que a impugnante junta a nota fiscal legível e sem rasuras (fls. 978). Documentos às fls.52025203. Relação 7: o valor impugnado de R$1.236.944,66 consiste em lançamentos contábeis da conta “Agência 42528, Despesa de Transportes de valores, Razão: 0573, Conta: 00000035”. A glosa ocorreu porque a despesa foi apropriada em 12/2005 e as notas fiscais foram emitidas em 01/2006. Porém, embora as notas tenham sido emitidas em 01/2006, os serviços foram prestados em 12/2005, conforme informação constante das notas fiscais. Pelo regime de competência, o serviço efetivado em dezembro deve ser deduzido em dezembro, independente de seu pagamento. Além disso, mesmo se as despesas fossem dedutíveis em 2006, apropriálas antecipadamente apenas provocaria postergação de imposto. Documentos às fls. 52045386. Relação 8: o valor impugnado de R$1.996.592,49 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Despesa de Transp valores, Razão: 0573, Conta: 00000035”. A glosa ocorreu por não apresentação ou ilegibilidade dos documentos apresentados, de modo que a impugnante reapresenta os documentos legíveis e aptos à comprovação da despesa (fls. 979 1143 e 53875392). Relação 9: os 38 valores que totalizam R$10.866.387,19 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Desp. de Transportes de Val, Razão: 0573, Conta: 000000035”. O mecanismo de contabilização dessas despesas consta às fls.184185. Nos pagamentos a prazo, existem dois eventos: 1º) recebimento da fatura: a conta despesa com transporte de valores recebe um lançamento a débito com histórico “Prov Desp S/ CPMF"; 2º) pagamento da fatura: a mesma conta recebe dois lançamentos, sendo o primeiro, a crédito histórico é “Estorno Lanc”, e o segundo a débito, histórico “Contas a pagar SAP”. Esse débito é o que materializa a despesa, pois o primeiro débito é anulado com o crédito. Todos os lançamentos da relação 9 constituem o primeiro débito referente ao provisionamento da fatura, histórico “Prov Desp S/ CPMF”, ou seja, todos esses lançamentos foram anulados com o crédito, cujo histórico é “Estorno Lanc”, realizado por ocasião do pagamento da fatura. Assim, os valores glosados não tiveram impacto no resultado do exercício. Comparandose o valor total dos lançamentos de histórico “Prov Desp s/inc CPMF” com o valor total dos lançamentos de histórico “Estorno Lanc”, constatase que eles se anulam. No ano de 2005 os lançamentos com histórico “Prov Desp S/ inc CPMF” somaram R$24.842.243,89, e os de histórico “Estorno Lanc”, R$27.141.282,03. Portanto, o rol de lançamentos com este histórico não afetou o resultado do exercício, pois os lançamentos foram anulados. Os lançamentos da relação 9 são parte desses primeiros créditos que foram anulados. Não há nota fiscal ou comprovação para eles, pois tais lançamentos não compõem o resultado do exercício, são transitórios e foram anulados antes do fechamento do exercício. Os Fl. 9026DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 23 13 autos de infração glosam despesa que não foi apropriada, anulando uma despesa legítima da impugnante. Documentos apresentados às fls. 9793039 e 53935845. Relação 10: os 6 valores que totalizam R$3.719.614,55 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 48003, Despesa C contratação de Transportes, Razão: 0573, Conta: 000000213” e constituem uma provisão de despesa feita no recebimento de serviço de transporte de valores. Tais lançamentos serão estornados para contabilizar a despesa por ocasião do pagamento. A despesa é dedutível por ter sido incorrida, porém o vencimento das faturas ocorreu em 01/2006, quando foram efetuados os pagamentos, os estornos dos lançamentos apontados pela fiscalização e registrada a despesa. Cabe esclarecer que os documentos comprobatórios das despesas não são notas fiscais emitidas pelas empresas de transporte, mas sim comprovantes de pagamento (transferência bancária ao Banco do Brasil), em razão de convênio estabelecido com a Febraban. Documentos anexos às fls. 30403212 e 58465864. Relação 11: os 93 valores que totalizam R$24.188.926,89 são lançamentos contábeis da conta “Agência 48003, Desp. Transp compensação integra, Razão: 0573, Conta: 000000116”. Esse valor corresponde ao custo total que a impugnante teve com transportes para o serviço de compensação integrada dos cheques e ordens de pagamento. Esse serviço é coletivo e todos os bancos do sistema financeiro nacional participam, cada um assumindo parte do custo. A Febraban administra o sistema e o Banco do Brasil arca com os custos, repassando a cada banco o seu quinhão. É um serviço essencial à atividade bancária, de existência pública e notória. A Febraban cobra de cada banco seu quinhão, disponibilizando para cada banco os dados necessários ao pagamento através de sistema eletrônico, que emite um documento para funcionar como comprovação a cada participante. Os serviços são faturados pelos prestadores de serviço ao Banco do Brasil, que repassa a cada instituição financeira cópias das faturas. Mas o que cada banco paga é o valor demonstrado pela Febraban. Portanto, o Mapa de Malhas do Banco 237 não é um documento interno, é um documento eletrônico de emissão da Febraban como base da cobrança. A impugnante apresenta cópias dos convênios celebrados e relação dos pagamentos mensais efetuados ao Banco do Brasil (fls. 32133435). Comparandose os valores dos documentos eletrônicos emitidos pela Febraban com a relação de pagamentos emitida pelo Banco do Brasil verificase a correção do procedimento da impugnante. Documentos às fls.58656249. Relação 12: os 123 valores que totalizam R$7.343.330,78 são lançamentos contábeis da conta identificada “Agência 48003, Despesa de Transportes de Valores, Razão: 0573, Conta:000000035”. O valor dessa despesa na apuração de resultado do exercício foi de R$92.507.231,16, e o valor pago aos transportadores de numerários foi de R$96.340.622,93, conforme o razão apresentado à fiscalização, comprovando que o valor está coberto por documentos hábeis, consistentes nas notas fiscais dos transportadores emitidas contra a impugnante. A exigência da fiscalização de “amarrar” a despesa com a nota fiscal do fornecedor é uma exigência impossível, pois a nota fiscal agrupa muitos serviços prestados num período. Como a despesa é apropriada no período em que o serviço é prestado, e como a Fl. 9027DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 24 14 nota fiscal/fatura cobre todos os serviços de período determinado, não há correspondência entre o valor contabilizado em despesas e uma nota fiscal específica. Não há como questionar a dedutibilidade desses valores de uma instituição financeira, tratandose de serviço essencial à sua operação. Documentos às fls. 34364039 e 62506390. Relação 13: os 3 valores que totalizam R$155.423,52 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 492004, Conta: Desp de Transportes de Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”, consistindo em reclassificação de contas de despesa para alocálas de forma mais adequada aos centros de custo. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a impugnante atendido à fiscalização, entregando os documentos solicitados. Documentos às fls.63916418. Relação 14: os 8 valores que totalizam R$2.932.231,72 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 48003, Conta: Desp de Transp de Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”. Dos oito lançamentos dessa relação, seis são a crédito na conta da despesa (total de R$2.518.641,36). A impugnante não apresentou nota fiscal para esses seis lançamentos a crédito, pois crédito em conta de despesa é estorno. A glosa de lançamentos a crédito na conta de despesas aumenta as despesas, não havendo sentido no procedimento da fiscalização, sendo totalmente improcedente o lançamento efetuado. Com relação aos dois lançamentos a débito (total de R$413.590,36), são eles parte da despesa registrada em contrapartida aos serviços de fornecedores (valor de R$96.340.622,93 discutido na análise da Relação 12). A impugnante junta nota fiscal de R$262.762,28 (Relação 14 fls. 34364039 e 64196494). Relação 15: os 3 valores que totalizam R$332.108,88 são lançamentos contábeis da conta “Agencia 48003, Desp C Contrat de Transp, Razão: 0573, Conta: 000000213”. Os valores de R$74.623,24 e R$140.205,04 (histórico “Contas a pagar SAP”) consistem em reclassificação de contas de despesa para alocação mais adequada aos centros de custo, conforme esclarecido à fiscalização (fls. 211218), e devidamente comprovado. Nesses casos, o documento apresentado é o único (ficha de lançamento), não cabendo a glosa. Com relação ao valor de R$117.260,60, corresponde a pagamento de serviço de malote compartilhado pelos bancos na região metropolitana de São Paulo e cidades adjacentes, executado pelo Banco do Brasil e coordenado pela Febraban, conforme esclarecido no item 11. O comprovante da despesa é o Mapa de Malhas do Banco 237, de emissão da Febraban, que cobra a cota de participação da impugnante, bem como o comprovante de pagamento ao Banco do Brasil sendo impertinente essa glosa. Ainda com relação ao valor de R$117.260,60, a impugnante havia apresentado contrato sem assinatura à fiscalização, tendo agora localizado cópia da via assinada pela prestadora dos serviços, porém não localizando a via do contrato assinada pela Febraban. A impugnante solicitou cópia do contrato assinado por todas as partes à Febraban, e aguarda sua disponibilização para juntada aos autos. Documentos anexos às fls. 42944305 e 64956554. Relação 16: o valor de R$1.760.067,82 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 23720, Despesas Gerais Perdas Diversas, Razão: 0505, Conta: 000000256”, e corresponde ao valor de despesa registrada em contrapartida da constituição da Provisão para Contingências Trabalhistas. Tal valor foi adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro Fl. 9028DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 25 15 real, conforme fls. 5657, nada mais havendo para ser comprovado. Documentos às fls. 6555 6558. Relação 17: o valor de R$500.000,00 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40258, Repasse de Anuidade Cartões AFIN, Razão: 0505, Conta: 000000213”. A discussão é sobre a efetivação ou não dessa despesa, em razão do Contrato firmado com a empresa Four Team Ltda para emissão de cartões de crédito com a marca “Sandy e Júnior”. No entanto, as partes deramse quitação mútua na rescisão do contrato, encerrandoo sem que houvesse a devolução de quaisquer valores, ou obrigação da devolução, até porque não havia cláusula contratual que previsse a devolução do valor pela Four Team. Tal caso não configura liberalidade, apenas o negócio não deu o resultado esperado e foi menos oneroso encerrar que continuar, o que foi feito com a perda dos valores antecipados pela impugnante para a Four Team Ltda, sendo a perda registrada, comprovada e dedutível, pois inerente ao negócio. Portanto, tal despesa não é indedutível. Documentos às fls.43104329 e 65596575. Relação 18: os 7 valores que totalizam R$959.981,34 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Bônus Programa Cartão Platinum, Razão: 0581, Conta: 000000086”, e constituem despesas decorrentes do pagamento, a terceiros, de bônus obtidos pelos clientes pelo uso do cartão de crédito. Esse bônus tem finalidades promocional e de incremento no faturamento. A impugnante reunirá os comprovantes de pagamentos a terceiros e os juntará aos autos, mesmo após a impugnação. Documentos às fls. 65766590. Relação 19: os 4 valores que totalizam R$503.384,37 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Conta: Bônus Cartão Volkscard, Razão: 0581, Conta: 000000027”, e referemse a contrato celebrado entre a impugnante e a Volkswagen do Brasil Ltda, para emissão de cartão afinidade e concessão de bônus aos clientes possuidores do cartão, para aquisição de veículos dessa marca. O bônus tem finalidades promocional e de acréscimo ao faturamento. Documentos às fls. 65916680. Se a Volkswagen concedeu ou não o bônus ao cliente é assunto que foge aos interesses e ao controle da impugnante. A despesa é necessária e foi paga, há o contrato entre as partes e consta dos autos a “relação de certificados do programa Volkscard para reembolso”, relacionando o cliente final e identificadoo. Documentos às fls. 43304352 e 65916680. Relação 20: os 13 valores que totalizam R$4.196.391,63 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Desp Taxa Interc C Credito, Razão: 5506, Conta: 000000019”, e corresponde a uma taxa de uso da bandeira Visa pelos clientes da impugnante, sendo uma despesa necessária ao negócio de cartões de crédito desenvolvido pelo banco. A fiscalização alega que os documentos estão em língua estrangeira. Ocorre que os pagamentos dos valores foram feitos com débito em conta corrente da impugnante no exterior, e o documento comprobatório desse débito é o extrato da mencionada conta corrente. O extrato bancário não é um documento interno e pode ser compreendido sem conhecimento de língua estrangeira. Documentos às fls.43534401 e 66816936. Relação 21: os 9 valores que totalizam R$5.321.194,29 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, TX Trim Cart Credito Visa, Razão: 5506, Conta: 000000035” e correspondem a uma taxa trimestral pelo uso da bandeira Visa pelos clientes do impugnante, sendo uma despesa necessária ao negócio de cartões de crédito desenvolvido pelo banco. A fiscalização alegou que a comprovação teria ocorrido através de documentos internos. Entretanto, os pagamentos foram feitos mediante contratos de câmbio de remessa para o exterior (documentos anexos à resposta de fls. 195 e 196), contratados no Sistema Financeiro Fl. 9029DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 26 16 Nacional (Banco Central do Brasil), não sendo documentos de produção interna. Documentos às fls.44024441 e 69376968. Relação 22: os 11 valores que totalizam R$2.395.406,42 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Desp TX TRIM C CRED MA, Razão: 5506, Conta: 000000043”. Para essa despesa foram apresentadas à fiscalização as notas fiscais de prestação de serviço, os comprovantes dos pagamentos dessas notas, o razão da conta e quatro mapas demonstrando a "amarração" entre os valores da contabilidade, das notas fiscais emitidas pelo fornecedor e os respectivos pagamentos (fls. 21612164 do CD, cópias impressas às fls.4442 4577). Documentos às fls. 69697055. As notas fiscais emitidas e pagas nos primeiros dias de 2006 referemse aos serviços prestados no quarto trimestre de 2.005, estando claro que as despesas incorreram em 2005. Relação 23: o valor de R$600.952,95 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40258, Desp Tit Capital Cartão de Credito, Razão: 5506, Conta: 000000078”, e consiste em despesa de aquisição de títulos de capitalização da Bradesco Capitalização S/A. A impugnante junta contrato de aquisição, extrato da conta onde houve o débito do valor pago e respectivo relatório de resgate (fls. 45784588). Relação 24: os 2 valores que totalizam R$570.660,63 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, TX S Serviço ISA VISA, Razão: 5506, Conta: 000000124”. A empresa junta relatórios e correspondências emitidos pela Visa Internacional para comprovação dessa despesa (fls. 45894607 e 70567067). Relação 25: os 3 valores que totalizam R$1.865,00 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, iDesp Regularização Documentos, Razão: 0505, Conta: 000000302”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Documentos às fls. 70687078. Relação 26: o valor de R$23.594,38 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40401, Emolumentos Judiciais Cartorários, Razão: 0505, Conta: 000001023”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Relação 27: os 3 valores que totalizam R$14.970,80 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40401, Emolumentos Judiciais Cartorário, Razão: 0505, Conta: 000001023”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Relação 28: os 4 valores que totalizam R$1.430.501,91 são lançamentos contábeis da conta “Agência 41009, Associações de classes, Razão: 0505, Conta: 000001015”. Os valores de R$839.999,01 e R$108.416,29 foram glosados, segundo a fiscalização, porque os documentos apresentados não permitiram avaliar a necessidade da despesa para a atividade da impugnante. Os valores de R$25.240,00 e R$456.846,61 foram glosados em razão da não comprovação das despesas. As contribuições para o Projeto Cisternas da Febraban foram glosadas. Contudo, a fiscalização não analisou os termos do Comunicado FB105/2004, pois a contribuição glosada não era opção da associada, mas sim uma imposição estatutária. A contribuição para o Projeto Cisternas é necessária pois é condição para ser associado da Febraban, tratandose de imposição estatutária e não contribuição voluntária e facultativa. A glosa dos outros dois valores por falta de documento comprobatório também não tem procedência, pois a contabilização da despesa está escudada em notas de débito emitidas pela Fl. 9030DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 27 17 Febraban, conforme documento 17 confirmado pela fiscalização. Documentos às fls. 7079 7133. Relação 29: os 78 valores que totalizam R$2.627.010,38 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, Desp Regularização Documentos, Razão: 0505, Conta: 000000302”. Os documentos apresentados à fiscalização foram emitidos em nome de terceiros, e são comprovantes de pagamento de despesas de veículos financiados pela impugnante, cujo cliente não honrou os compromissos assumidos no contrato de financiamento, e a impugnante, como financiadora, exerceu seu direito sobre a garantia o próprio veículo financiado. A impugnante pagou taxas e regularizou a situação dos veículos, para poder alienálos, e parte dos documentos está vinculada aos leilões de venda desses veículos. Dessa forma, não há como se questionar a dedutibilidade desses valores, pois financiar é parte da atividade operacional da impugnante, não havendo como recolher, em nome da impugnante, tributos e taxas de veículos registrados em nome de terceiros e recuperados, sendo necessário o recolhimento em nome de quem o veículo esteja registrado, para regularização e posterior alienação do veículo. A impugnante junta, por amostragem, cópias dos autos de apreensão dos veículos e certificados de propriedade, em nome da impugnante, após a transferência, esclarecendose a razão do pagamento de despesas relativas a veículos em nome de terceiros (fls. 46084839 e 71348764). Relação 30: os 7 valores que totalizam R$164.290,80 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Desp C Assim P Consulta de infor, Razão: 0505, Conta: 000000280”. No recebimento do serviço, a impugnante constitui uma provisão para o pagamento, cujo histórico na conta de despesas é “Prov Desp s/ inc CPMF”. No pagamento, ocorrem dois lançamentos, um reverte o valor lançado em despesas (histórico “Estorno de Lançamento”), creditando a conta de despesa pelo valor da nota fiscal, e outro debita a conta de despesas em contrapartida à conta caixa (histórico “Contas a pagar SAP”). Essa conta recebeu débitos (“Prov Desp s/ inc CPMF”) de R$322.415,62, sendo glosado uma parte desse valor, e créditos de R$423.923,02 (“Estorno de lançamento”), sendo, portanto, estornado todo o valor da provisão. Assim, os valores glosados pela fiscalização também foram estornados. A impugnante anexa planilha para comprovar que os valores arrolados pela fiscalização foram estornados, não compondo o resultado do exercício. Documentos às fls. 11443039 e 8765 8783. A presente glosa distorce o resultado do exercício pois o valor que a fiscalização pretende expurgar do resultado já foi retirado pela contribuinte. Relação 31: os 4 valores que totalizam R$6.731.479,39 são lançamentos contábeis das contas “Desfalques C/C ativa, Lançamentos Indevidos em C/C, Desfalques Trib. e taxas” e decorrem de furtos e roubos havidos nas agências, desfalques ou débitos indevidos nas contas correntes dos clientes e desfalques nos pagamentos de taxas e tributos, tendo por finalidade ressarcir os clientes de danos sofridos, restituindolhes os valores subtraídos indevidamente. A impugnante somente contabiliza a despesa decorrente do prejuízo relacionado a desfalque, apropriação indébita ou furto após registrado o Boletim de Ocorrência, ou instaurado o competente inquérito trabalhista. A respectiva documentação será carreada aos autos em breve. Documentos às fls. 8784/8788. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI) decidiu a questão por meio do Acórdão 1634.453, de 27/10/2011 (fls. 8848 e seguintes), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 9031DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 28 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E USUALIDADE. A contribuinte deve comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, os valores lançados como despesas operacionais dedutíveis na DIPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descritos os fatos e apontadas pormenorizadamente as infrações que motivaram o lançamento fiscal, e tendo o sujeito passivo demonstrado pleno conhecimento das infrações ao impugnar o lançamento, não se verifica a nulidade por cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO À NORMA LEGAL. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. ESCRITURAÇÃO. PROVA. SUPORTE POR DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor da contribuinte, dos fatos nela registrados, se tais fatos forem comprovados por documentos hábeis e idôneos. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. TRADUÇÃO JURAMENTADA. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada. Fl. 9032DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 29 19 É o relatório. Passo ao voto. Fl. 9033DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 30 20 Voto ConselheiroRelator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal com algumas variações repete as argumentações trazidas na impugnação, aduzindo em relação a decisão da Delegacia de Julgamento que o Acórdão ignora todos os argumentos e documentos apresentados. Apresenta breve resumo da autuação que pretendeu glosar despesas no valor total de R$106.136.472,22, a qual inserida no universo analisado no total de R$2.503.606.463,14 lançado na Linha 30 da Ficha 5B (Despesas Operacionais) da DIPJ/2006, corresponde apenas a 4,23%, a qual, a seu ver, já demonstra o acerto e a absoluta regularidade da sua contabilidade. A glosa fiscal conforme descrita no TVF em 31 tópicos ou relação trazem como fundamentação ora a ausência de documentação probatória emitida por terceiros, ora a falta de documentação capaz de comprovar a necessidade da respectiva despesa. Sintetiza as referidas glosas em 05 grupos (1) despesas com a compensação integrada num total de R$27.908.541,44; (2) as despesas de transportes de valores totalizando R$25.280.729,24; (3) as despesas de materiais no montante de R$25.233.448,63; (4) despesas da operação cartão de crédito totalizando R$15.047.971,63 e (5) despesas diversas no valor total de R$.12.665.781,28. A seguir passa a discorrer sobre cada grupo, a saber: ia) Despesas com a compensação integrada: A compensação integrada, modalidade de serviço amplamente conhecida dentro e fora do mercado financeiro, em razão do aumento das transações eletrônicas, poderia, nos dias atuais, estar perdendo importância, mas, nos idos de 2005, época destes fatos, encontravase no auge. A compensação integrada de cheques em todo o território nacional é serviço essencial ao cidadão, serviço público, prestado pelo Estado. No Brasil, o serviço é disciplinado pelo Banco Central do Brasil, que emana suas regras e o controla. A execução do serviço está a cargo da Federação Brasileira de Bancos FEBRABAN sob a liderança do Banco do Brasil. Todo banco em funcionamento no território nacional, autorizado a funcionar pelo Banco Central do Brasil BACEN, tem que, necessariamente, aderir ao serviço de compensação e aceitar suas regras, regras essas, repetimos, emanadas pela autoridade do BACEN. A operacionalização do serviço de logística, extremamente complexa, em razão das distancias continentais do país e da segurança exigida pelo sistema como um todo, é feita pelo Banco do Brasil, que contrata os prestadores de serviço. Ao final do mês, repassa tais custos a todas às instituições financeiras participantes do sistema, na medida em que cada uma fez uso do serviço, através da Federação dos Bancos. Desde já, é possível imaginar os controles envolvidos, quer pelo Banco do Brasil, para distribuir adequadamente estes custos, quer pelo banco usuário do sistema, para que lhe seja atribuído o que de direito. Os serviços mensais são cobrados através de um sistema eletrônico mantido pela Federação dos Bancos e pagos ao Banco do Brasil por Fl. 9034DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 31 21 intermédio de transferência de reservas, que cada banco mantém no BACEN, o que gera um recibo de transferência interbancária. Pois bem, os autos de infração nascem do desconhecimento de tais fatos pela fiscalização. Temos neste processo afirmações de que o mapa pelo qual o Banco do Brasil, através da FEBRABAN, repassa os custos da compensação integrada de cheques ao banco participante do sistema é um mero documento de produção interna, feito pelo próprio fiscalizado, que o recibo interbancário, emitido pelo Banco do Brasil, atestando a transferência de reservas a seu favor, em reembolso dos custos que teve com o serviço, não configura um documento de pagamento emitido por terceiros, condição necessária à apropriação da despesa como dedutível. A fiscalização e a decisão recorrida queriam notas fiscais e cheques para aceitar a dedutibilidade dos valores registrados. Como poderia apresentar notas fiscais e cheques referentes a estas despesas? Exigiram do contribuinte o impossível. Destarte, começa a se explicar o elevado percentual de despesa sem suposta comprovação reportado pela fiscalização e pela decisão de primeira instância. Na verdade, não se trata de despesa sem comprovante, mas de um desconhecimento de fatos que era da sua obrigação conhecer. ib) Despesas de transportes de valores: / Neste grupo, encontramse as contas representativas dos custos da movimentação de moeda, seja para abastecimento de agências bancárias, caixas eletrônicos ou o movimento contrário de recolhimento de numerário em agências, postos ou caixas, serviço genericamente denominado de abastecimento de agências e PAB's. O serviço é complexo, na medida que sua execução demanda muitas modalidades de implementação do serviço e a segurança pertinente. O rol de prestadores de serviços é muito grande, e muito pulverizado, tudo sob um pesado sistema de controle, constituindose o sucesso ou o fracasso deste sistema um dos diferenciais da instituição. O princípio contábil/operacional do recorrente, por traz deste controle e do controle das despesas em geral, é a separação entre o momento da ocorrência da despesa e o momento do pagamento, com o sistema de contabilidade controlando os dois momentos. Um sistema contrata e atesta a execução do serviço, e o outro paga, liquida, funcionando o sistema contábil como elo de interligação entre ambos. Concretamente, na contratação e execução do serviço, o sistema contábil é alimentado mediante um lançamento à despesas com contrapartida numa conta de provisão para pagamento; quando o controle é passado para o sistema de contas a pagar, na sequência, quando o pagamento é feito, o sistema de contas a pagar reverte a despesa contabilizada pela provisão e registra a despesa, agora contra o pagamento efetivo. Na prática, a despesa registrada pelo departamento contratante é estornada e contabilizada de novo pelo contas a pagar. Assim sendo, cada despesa é contabilizada duas vezes, a primeira sendo estornada de modo a se levar ao resultado do exercício tão somente o valor efetivo da despesa incorrida e paga. A metodologia, que a primeira vista parece uma duplicação de trabalho, na verdade, permite uma divisão de tarefas, algo muito importante numa organização desse porte e um duplo controle sobre as despesas, algo também de fundamental importância, numa tarefa com esse tamanho e tantas pessoas envolvidas no processo. Esta a razão de tal metodologia. Fl. 9035DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 32 22 Na prática, para quem não está envolvido no sistema, se antevê muitas complicações para sua correta compreensão, sendo a primeira delas o fato que nem sempre o fornecedor faz a nota fiscal agrupando os serviços na forma que foram contabilizados, em geral, o faturamento tem a ver com o recebimento do preço dos serviços, portanto, é mais comum o fornecedor agrupar numa nota o que ele quer receber e tem direito pelo contrato, e não os serviços que prestou num mesmo momento e num mesmo lugar. Assim, não há uma relação unívoca e uniforme entre o primeiro lançamento, seu estorno e o novo lançamento, sobretudo quando se olha a posteriori sobre fatos consumados. Cabe ao sistema contábil garantir que a despesa contabilizada na sua ocorrência, seja estornada e contabilizada pela liquidação da fatura. Para quem olha os fatos a posteriori surge, ainda, um novo complicador que é a alocação das despesas pelos centros de gestão ou de custos. Quem analisa o razão de uma conta de despesa, vai encontrar alocado ali uma parte de uma nota. Quando um auditor externo pede que se comprove aquela despesa com uma nota fiscal, evidente que o valor não vai "bater", pois parte do valor da nota foi alocado num outro centro de custo. Mas não foi esse o grande problema enfrentado nesta fiscalização, relativamente a estas despesas. O problema foi que a fiscalização não entendeu, não acreditou, não aceitou o sistema do contribuinte. Não importa mais o motivo. Fato é que a fiscalização passou a exigir o impossível. [...] Em assim sendo, o modelo descrito e adotado respeita, integralmente, a lei. A mecânica do estorno e nova contabilização não interfere no resultado final do exercício, atendendo com perfeição a legislação em vigor, por ocasião dos fatos. [...] As notas fiscais entregues à fiscalização e outras, posteriormente, anexadas à Impugnação, não tiveram o objetivo de fazer comprovação em si dos lançamentos objeto das intimações, mas tinham sim o objetivo de mostrar o procedimento adotado pelo contribuinte, visando a que a fiscalização passasse a auditar a despesa efetiva e não lançamentos estornados. Quanto aos lançamentos objeto das intimações, não há como deles se fazer prova com notas fiscais, estas foram emitidas em data posterior e geraram o estorno dos débitos contra os quais a fiscalização se voltou. Ocorreram situações, inclusive, por coincidência de valores, em que a fiscalização deu lançamentos como comprovados com notas fiscais que na verdade eram comprovantes de outros débitos. Tomando estes débitos já estornados das contas de despesas, a fiscalização produziu um valor de glosa em cima das legítimas despesas, fazendo aparecer este disparate de afirmar que quase trinta por cento das despesas deste grupo são despesas sem comprovantes. Isto demonstra o absurdo da hipótese aventada pelos autos de infração e pela decisão de Primeira Instância. [...] No caso do sistema contábil em discussão, a palavra "provisão" fora usada para designar despesa incorrida e ainda não paga (uma previsão para desencaixe futuro). Dentro dos sistemas contábeis informatizados da época, os históricos tendiam a ser curtos e muito padronizados, assim, o lançamento da despesa incorrida, pelo serviço já ter sido executado, invariavelmente, tinha o histórico "Prov. Desp. S/inc. CPMF" o que Fl. 9036DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 33 23 chamou, sem dúvida, a atenção da fiscalização, e por isso a grande maioria dos valores intimados são, exatamente, estes lançamentos iniciais, que antes do encerramento do exercício foram estornados. Fato, contudo, é que tanto a fiscalização como a decisão de Primeira Instância se recusaram, terminantemente, a adentrar o sistema e os procedimentos adotados pelo contribuinte. Preferiram fazer glosas nas despesas do contribuinte calculadas com base em lançamentos já estornados. Do que ficou dito, o meio de prova do primeiro lançamento (depois estornado) não são notas fiscais, mas relatórios, boletins e contratos de prestação, emitidos pelos departamentos contratantes dos serviços. A nota fiscal, é, portanto, o instrumento que gerou o estorno do primeiro lançamento e a base do segundo. Assim, há nota fiscal para a totalidade do valor lançado como "despesa com transporte de valores", mas não existe nota fiscal para os lançamentos constantes das relações produzidas pela fiscalização.Atender, portanto, o que pediu a fiscalização, era impossível. ic) Despesas de Materiais: Neste grupo estão as contas representativas das despesas do contribuinte com material de expediente, papel, insumos de informática, o cartão plástico fornecido aos clientes e outros. Aqui a situação é muito parecida com a descrita no grupo anterior, no que tange ao sistema de contabilização e controle, a única diferença é que, neste grupo, as despesas referemse a mercadorias, enquanto que no grupo anterior, se tratava de serviços, e o serviço é de consumo instantâneo, enquanto a mercadoria permanece no estoque até seu efetivo consumo. Neste caso, para respeitar o mesmo regime de competência, há a necessidade de se criar um estoque dos insumos, para apropriálos a despesa, somente por ocasião do efetivo emprego do material. Com isto, a nota fiscal do fornecedor que, fisicamente, acompanha a entrega da mercadoria, é instrumento hábil para alimentar a entrada dos insumos nos estoques. Em empresas menores, com pequeno número de dependências, este tipo de material, em geral, é levado diretamente para despesa, pois não há sentido e se transforma num custo burocrático inútil o controle do material, e, neste caso, a nota fiscal que acompanha o produto funciona como comprovante da própria despesa. No caso do recorrente, contudo, em função do volume de materiais envolvidos, do número de dependências envolvidas, e do controle necessário, sobretudo para não faltar insumos, mormente, onde esteja envolvido atendimento diário ao público, bem como, para evitar o desperdício, há de haver uma sistematização mais sofisticada. A descrição do funcionamento não é complicada, embora a operacionalização não seja simples. Como já antecipamos, os insumos são adquiridos em lotes para atender a empresa como um todo. Na entrega do fornecedor, os produtos dão entrada, fisicamente, no estoque de materiais de expediente e são registrados contabilmente em conta de ativo representativa, justamente, deste estoque. Na medida que as dependências funcionais necessitam dos materiais, os requisitam a departamentos centralizadores que os remetem ao requisitante. Periodicamente, estes departamentos centralizadores agrupam requisições e dão baixa no sistema físico è contábil, em contrapartida ao registro da despesa correspondente, bem como providenciam o ressuprimento do estoque. Fl. 9037DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 34 24 Vêse, de pronto, que nesta sistemática a nota fiscal do fornecedor não é, por definição, o comprovante direto da despesa. Não haverá uma nota fiscal na quantidade e valor do insumo requisitada e remetida para a dependência, muito menos com essa data. Isso parece primário. Salvo uma coincidência absurda, ao se manusear o razão de uma conta de despesa com material de expediente, nunca se haverá de encontrar uma nota fiscal que "bata" com um débito nesta conta. Outra variável da sistemática, é a formação de estoques iniciais e finais do exercício. O estoque inicial corresponde aos insumos adquiridos em exercício anterior e não consumidos, por seu turno, o estoque final, são os insumos já \ adquiridos à disposição de exercícios subsequentes. Pedimos vênia por ter que recordar conceitos tão simplórios. Mas é possível ler ao longo dos presentes autos que a glosa se mantinha, pois havia se deixado de apresentar a nota fiscal comprobatória do valor lançado como estoque inicial. Afirmação deste teor é a própria negação da compreensão do sistema que está sob auditoria. id) Despesas da operação cartão de crédito: Neste grupo estão as contas representativas das despesas do contribuinte com a operacionalização dos cartões de crédito que disponibiliza a seus clientes. A maior parte das despesas deste grupo dizem respeito ao pagamento de direitos de uso de bandeira, feitos à Visa internacional. As despesas em si não sofrem qualquer questionamento feito pela fiscalização. Mais uma vez, a questão é o documento comprobatório, que num caso é um extrato bancário de uma conta que o recorrente mantinha, à data, em instituição financeira no exterior, e no outro, contratos de câmbio. Uma das despesas foi paga no exterior a partir de recursos lá depositados, do que faz prova o extrato da conta emitido pela instituição depositária do valor, o mesmo extrato que serviu de base para o recorrente contabilizar os recursos no seu ativo, diga se de passagem. A fiscalização no Termo de Verificação reconhece o extrato como comprobatório da despesa lançada, recusao, alegando que não serve de prova frente ao fisco do Brasil por estar vazado em língua estrangeira. Por seu turno e pela primeira vez, a decisão de Primeira Instância discorda do procedimento fiscal, afirmando que o valor do documento não corresponde ao valor do débito na conta de despesas, mas que mesmo que correspondesse não seria aceito por estar em língua estrangeira. Ocorre que, feitas as conversões cambiais corretas, os valores do débito na conta do recorrente e da despesa contabilizada são, absolutamente, equivalentes. Não se entende a diferença apontada na decisão recorrida, a menos que esta tenha considerado moedas diferentes como sendo a mesma. A outra despesa foi glosada porque os contratos de câmbio, regularmente emitidos dentro do sistema bancário brasileiro, foram celebrados pelo próprio Bradesco S/A, e, por este motivo, a fiscalização os viu como documento de produção interna. A decisão recorrida, mais uma vez, deu seu toque de originalidade e inovação, afirmando que os contratos de câmbio celebrados no sistema financeiro do Brasil eram Fl. 9038DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 35 25 documentos em língua estrangeira. Nem há como se comentar a assertiva da decisão recorrida. Resta a questão para nosso objetivo aqui, nos perguntar se um contrato de cambio celebrado regularmente no sistema bancário brasileiro pode ser tido como um documento de produção interna de uma empresa. Mais uma vez, não tem razão a fiscalização. Resumindo, os autos de infração, nos quatro tópicos analisados, diante dos procedimentos adotados pela fiscalização e pela decisão de Primeira Instancia, são, absolutamente, nulos, frente à nossa. legislação pátria, decorrendo a nulidade da insegurança na determinação da infração. A seguir a recorrente discorre individualizadamente (glosa a glosa), aduzindo que para facilitar a análise das trinta e uma relações objeto de questionamento fiscal, abordará em seis pontos que abrangem e resolvem todas as exigências para a dedutibilidade destas despesas, a saber: “Como forma de facilitar a análise deste E. Tribunal, para cada uma das trinta e uma relações objeto de questionamento fiscal, abordará o recorrente seis pontos que abrangem e resolvem todas as exigências para a dedutibilidade destas despesas: a) Será demonstrada a vinculação da despesa glosada com o histórico do lançamento com base no título da conta do razão contábil; b) Será demonstrada a necessidade da despesa para desenvolver a atividade fim da empresa, casa bancária autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil; c) Ficará evidenciada a forma de contabilização da despesa e o lançamento contábil do qual se exige o documento comprobatório; e) Evidenciarseá o atendimento ao regime de competência; f) Serão mostrados os documentos comprobatórios de cada um dos lançamentos questionados; g) Será feito um paralelo entre a atuação e a decisão de Primeira Instância.” Compulsando os autos verifico que o procedimento de fiscalização que resultou nos autos lavrados e constantes deste processo, constatase que, por meio do Termo de Intimação de 23/03/2010, (fls. 05) a contribuinte foi intimada a apresentar a decomposição das contas que compõem o valor de R$2.503.606.463,14, constante da DIPJ do ano calendário 2005 (Despesas Operacionais) e comprovar as despesas selecionadas em cada conta Cosif conforme relaciona e mais atos constitutivos, Livros de Apuração do Lucro Real e Razão do ano calendário de 2005. Em resposta a contribuinte apresenta: 1 Cópia dos Atos Constitutivos do Banco Bradesco; 2 Copia dos Livro de Apuração de Lucro Real do ano calendário de 2005; 3 Está a disposição desta fiscalização os 12 Livros Balancetes Diários ( Cada livro com aproximadamente 1.200 folhas ) do ano calendário de 2005. Fl. 9039DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 36 26 Quanto ao item 04 que solicita a composição da ficha 05B, Linha 30 Outras despesas operacionais no valor de R$ 2.503.606.463,14 do ano calendário de 2005, esclarecemos, que ainda não conseguimos concluir os arquivos, razão pela qual, solicitamos a prorrogação do prazo final para atendimento da citado item até o dia 15/04/2010. Em 15/04/2010 apresenta a planilha com a decomposição da conta Outras Despesas Operacionais (fls. 24/26). Em seguida (19/05/2010) vem novo Termo de Intimação Fiscal onde se requer com relação as contas relacionados no TVF o seguinte: Com base na análise inicial das contas COSIF do Razão ano calendário de 2005, encaminhadas em arquivo magnético através de sua correspondência de 15/04/2010, as quais totalizam o valor de R$.2.503.606.463.14 (Ficha 05Blinha 30 Outras Despesas Operacionais DIPJ/2006), selecionamos os valores relacionados abaixo, que deverão ser comprovados através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, inclusive deverá ser fornecido notas explicativas e demais elementos necessários à análise das citadas despesas contabilizadas durante o ano calendário de 2005. Em 08/06/2010 a contribuinte apresenta resposta entregando 12 Livros Balancetes Diários e Balanços (com aproximadamente 1200 folhas cada). Posteriormente complementado as Notas Explicativas (fls. 36/54). Adiante constatase novas intimações ao longo da auditoria fiscal. É certo que o contribuinte apenas pode deduzir despesas que estejam devidamente comprovadas e, que sejam necessárias à atividade da empresa, cabendo a ele efetuar tal comprovação perante a fiscalização. Também é certo que existem dois momentos distintos para a produção dos elementos probantes (o ônus da prova); da autoridade fiscal na ora de fazer a acusação, salvo nas presunções legais, quando prova somente o fato, ou do contribuinte fiscalizado no curso da própria auditoria fiscal e após a instauração do litígio (impugnação). Analisando a argumentação da contribuinte no sentido de que a escrituração faz prova a favor da empresa e que não foram auditados os fatos contábeis reais, cabe, aqui, reproduzir trechos do voto condutor da decisão recorrida: A respeito das alegações da empresa, frisese que o trabalho da fiscalização consistiu em verificar a veracidade dos valores informados na linha 30 (outras despesas operacionais) da ficha 05B (despesas operacionais) da DIPJ 2006, referente ao ano calendário 2005 (fls.2627). Para tanto, a empresa foi intimada e reintimada a apresentar comprovação dos valores selecionados pela fiscalização no curso dos trabalhos de auditoria. No entanto, como a empresa não apresentou os documentos que justificassem os lançamentos nas correspondentes contas de despesas e informados na ficha 05B da referida DIPJ, ou o fez de maneira insatisfatória, a fiscalização discriminou os valores não comprovados no Termo de Verificação Fiscal e efetuou o correspondente lançamento de ofício. Com o devido respeito, ouso discordar do pronunciamento acima, que a meu ver merece reparos, explicando: O próprio voto combatido expressamente assinala e enfatiza: Fl. 9040DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 37 27 Por sua vez, a apuração do lucro real feita pela empresa sujeitase à fiscalização pela autoridade tributária, o que inclui a verificação dos respectivos livros e documentos da escrituração, os quais deve ser conservados em ordem pela contribuinte. Nesse sentido, os artigos 264 e art.276 do RIR/99, a seguir, estabelecem que: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto lei nº 486/69, art. 4º). Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922. (art. 9º do Decreto lei 1.598/77). Portanto, a contribuinte é obrigada a manter em boa ordem tanto a escrituração dos fatos contábeis como a documentação que suporta esses lançamentos. {...} Às fls. 437/542 e 4841/5051 a empresa junta razão, demonstrativos, extratos, listagens, mensagens eletrônicas e notas fiscais. Analisandose as notas fiscais apresentadas, constatase que seus valores e datas não coincidem com os dos lançamentos nas contas de despesas. Por sua vez, os documentos internos apresentados não servem, por si só, de prova para atestar a necessidade, usualidade e normalidade das alegadas despesas, tampouco comprovam a compra do material em questão, nem esclarecem como surgiu cada valor lançado como despesa e glosado pela fiscalização. Além disso, as planilhas, relatórios e demonstrativos apresentados pela impugnante são inconclusivos. Os demonstrativos apresentados (fls.458/475) contém relações de lançamentos conjugados com os correspondentes pedidos de compra e respectivas notas fiscais. No entanto, com relação à conta “Material em estoque”, verificase que os lançamentos nº 747, 843, 1195 e 1217 (fls.463, 464, 467 e 468) não possuem a indicação dos correspondentes pedidos de compra e nota fiscal. Pontuese também que tais lançamentos não foram objeto de estorno, conforme indica o razão fornecido pela empresa às fls. 440/442. Constatase que a impugnante não apresentou os documentos que originaram os referidos lançamentos efetuados como despesa. Ressaltese que a contabilidade faz prova a favor da contribuinte, mas somente se suportada por documentos hábeis a comprovar os respectivos registros contábeis. Tal é o comando do art.9.º, § 1.º do Decreto Lei 1.598/77, insculpido no art.923 do RIR/99. Com efeito, ressaltese que a competência da autoridade administrativa “julgadora”, no âmbito do processo administrativo fiscal, é de revisão do ato praticado pela autoridade fiscal lançadora e, conseqüentemente, é dever no julgamento de primeira instância verificar se a imputação feita contra a contribuinte encontrase devidamente consubstanciada em documentação de suporte e, se o procedimento que levou a tal imputação foi executado com fiel obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, aqui utilizada de forma subsidiária. Fl. 9041DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 38 28 Importa salientar que as razões de defesa, tanto na fase de impugnação como em recurso voluntário (vejase descrição dos 05 Grupos acima sintetizados), as principais argumentações trazidas pela empresa autuada, estão relacionadas (primeiro) aos estornos de lançamentos contábeis referente a despesas incorridas “provisionados” e (segundo) pela não apresentação de documentação probatória. Confirmese os trechos abaixo reproduzidos: Para contabilizar a aquisição de materiais ou serviços a prazo, a impugnante constituía uma provisão para o pagamento do respectivo valor, lançando a despesa em contrapartida ao registro da obrigação no passivo. Para materiais de consumo o registro era feito na conta de estoques do ativo, da mesma forma que os serviços aproveitáveis em mais de um exercício eram registrados em despesas antecipadas no ativo. Tal lançamento refletia a despesa incorrida, ainda não paga, aparecendo no histórico como “provisão”, sendo uma provisão para pagamento, e não uma provisão de despesa (essa já foi incorrida). No pagamento eram efetuados dois lançamentos, sendo que o primeiro (histórico “estorno”), estornava o lançamento original feito no recebimento da mercadoria ou serviço, creditandose a conta de despesa ou de ativo anteriormente debitada e debitandose o valor provisionado no passivo para pagamento. Ao final, o lançamento original se anulava, não havendo efeito no resultado do exercício. O segundo lançamento (histórico “Contas a pagar SAP”) decorrente do pagamento registrava a saída de caixa do valor pago, em contrapartida a um débito na conta creditada no lançamento anterior para restabelecer, à conta de despesas (ou de estoque ou de despesas antecipadas), seu valor real e efetivo, respeitando o regime de competência. A fiscalização selecionou lançamentos com a palavra provisão, sem levar em conta que se tratavam de lançamentos provisórios, estornados, sem efeito no resultado do exercício. Para comprovar as despesas em tela, a empresa apresentou à fiscalização o sistema contábil utilizado e o contexto no qual se inseria cada lançamento objeto da intimação, com os respectivos documentos. Mostrou ainda notas fiscais de compras, requisições dos materiais aos estoques e a apropriação das despesas nas respectivas agências. Colocouse à disposição da fiscalização para abrir todo o sistema e apresentarlhe cada um dos documentos que desejasse. Em se tratando do manuseio de centenas ou milhares de documentos, é impossível separar os documentos para uma centena de lançamentos, devendo a fiscalização ser feita no local onde estão os documentos, por amostras que possam dar respaldo e certeza sobre o sistema e os procedimentos adotados. A fiscalização não examinou o sistema da impugnante para controle das despesas apropriadas pelo regime de competência, exigindo o impossível da contribuinte, e impondo a exação. Esse procedimento foi realizado na apuração dos valores constantes de 11 relações de lançamentos (a saber, relações 1 a 5, 7, 9, 10, 12, 25 e 30), num total de R$48.565.882,41, cujas glosas são baseadas na ausência de documentação comprobatória emitida por terceiros. Não existe nota fiscal, recibo ou documento assemelhado para a despesa que é baixada do ativo por competência. A fiscalização deveria analisar as planilhas de apropriação apresentadas pela empresa com as notas fiscais de aquisição e as planilhas dos estoques iniciais e finais, verificando que esses lançamentos estavam estornados. Fl. 9042DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 39 29 Para as outras 20 relações de lançamentos (total de R$57.570.589,81), embora tenham sido apresentados documentos que permitem sua dedutibilidade, a impugnante apresenta documentos adicionais. [...]Mais uma vez, simplista e pueril a decisão adotada pela Turma Julgadora, pois, repitase, todo o valor da provisão foi estornado. Tendo sido tempestivamente estornados os valores arrolados pela fiscalização, não mais poderia recair sobre eles uma glosa, pois não compõem o resultado do exercício, e sobre este fato quedouse silente a Turma Julgadora. No caso em análise a autoridade fiscal concluiu a auditoria nos termos das fls. 319/320 do TVF, assim redigido: Tendo em vista que foi dado ao contribuinte, condições e prazos suficientes para apresentação dos documentos solicitados, e uma vez que o mesmo não os apresentou, até a presente data, tornase necessário a constituição do correspondente crédito tributário para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, no que diz respeito ao instituto da decadência. Portanto, será constituído o correspondente crédito tributário discriminado acima, uma vez que foi verificada a existência de infração à legislação do IRPJ e CSLL, pela glosa das despesas no montante de R$.106.136.472,22 durante o ano calendário de 2005, conforme dispõem à legislação de regência. Com base nas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, se necessário na sede da empresa e, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, acerca dos seguintes itens: 1. comprovação documental, por amostragem dado ao grande volume de lançamentos e documentação apresentada, dos valores que constituíram o item OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS (FICHA 5A , linha 30, da DIPJ/2006). Inclusive, a análise da parcela no valor de R$.1.760.067,82, do Quadro Demonstrativo da Relação 16 (pagina 298 do processo) segundo a recorrente o valor referese a contrapartida da constituição da Provisão para Contingências Trabalhistas e foi adicionada ao lucro liquido por indedutível (Quadro Demonstrativo do LALUR demonstrado no item “Relação 16” do Recurso Voluntário); e 2. comprovação documental de que os montantes excluídos do lucro líquido a título de reversões contábeis de provisão para custo de ordem faturada em virtude de adição anterior, não afetaram o lucro real relativo ao ano calendário de 2005; 3. comprovação documental, mesmo de produção interna (planilhas, demonstrativos de compras e estoques, contratos, relatórios e extratos, etc), verificando se de fato as despesas lançadas são condizentes com a atividade da empresa ora recorrente. Fl. 9043DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 40 30 A contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. Em seguida retornese os autos do presente processo a esta Corte Administrativa para o julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 9044DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 15374.952947/2009-73
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausência justificada do conselheiro: Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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(Incorporada por ESHO EMPRESA DE SERVIÇOS HOSPITALARES S/A ) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 29 47 /2 00 9- 73 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausência justificada do conselheiro: Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 38) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de compensação materializada pela declaração (Per/DComp) de fls. 02/06, transmitida à base de dados da Receita Federal em 04/10/2006, na qual a interessada acima qualificada empregou alegado crédito, no valor de R$ 205.568,34, oriundo de pagamento indevido ou a maior e referente ao ano calendário 2003. A compensação declarada foi homologada em parte porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente (fls. 08), o pagamento informado teria sido parcialmente utilizado para quitação de outro débito. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos legais: art.165 e 170 da Lei n.º 5.172/66 (CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Inconformada com a denegação de seu intento, da qual tomou ciência em 01/09/2009 (fls. 07), a interessada interpôs, em 29/09/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 10, alegando, em síntese, que seu crédito não foi reconhecido por que fora produto de outra DComp, posteriormente cancelada. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1243.370, de 19 de janeiro de 2012 (fls.37/39), cientificado ao interessado em 05/03/2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.952947/200973 Acórdão n.º 1802002.345 S1TE02 Fl. 3 3 Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 05/03/2012. A Recorrente alega que: apurou em 27/02/2004 saldo negativo de CSLL a pagar, no valor total a época de R$220.494,86 por meio do PER/DCOMP 19670.47467.041006.1.3.04.0559, e, R$645.015,63, pela PER/DCOM 31442.68795.041006.1.3.04.3003 (sic); o despacho decisório entendeu que os créditos supra citados teriam em verdade sido utilizados como pagamento de tributo de mesma espécie em valores idênticos aos pleiteados nos respectivos PER/DCOMP's, de modo que restaria ainda um debito a ser recolhido pela ora recorrente nos respectivos valores principais de R$120.097,50 e R$45.927,87, o que não pode a recorrente anuir; os créditos reclamados são líquido e certo, sendo tão somente indeferidos em razão de uma seqüência de erros materiais plenamente justificáveis; em ambos os créditos pleiteados o que de fato ocorreu fora o equivocado cancelamento dos PER/DCOMP's originais pelos subseqüentes supra citados, ao invés destes serem retificadores; todo lastro probatório desse direito fora apresentado em sua impugnação, restando assim plenamente comprovados os créditos a compensar nos valores de R$220.494,86 com o debito de R$120.097,50, bem como o credito de R$46.370,39 a ser compensado com o debito de R$45.927,87, não havendo assim saldo devedor como entendido no ora recorrido acórdão decisório. A Recorrente conclui que a compensação por ela efetuada encontra respaldo no artigo 165 do CTN, no artigo 66 da Lei nº 8.383/91, no artigo 34 da IN nº 900/2008 e na doutrina que menciona. Finalmente requer provimento do recurso voluntário e informa que receberá intimações na pessoa de seu procurador, Sr.Alexandre Arruda de Jesus, na Av. das Américas 4.200, bloco 3, 4o andar, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro RJ que subscreve a peça recursal. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. De início, vale esclarecer que a Recorrente faz referência a dois PER/DCOMPs: 19670.47467.041006.1.3.04.0559 e 31442.68795.041006.1.3.04.3003, todavia, o presente processo tem origem apenas no PER/DCOMP nº 19670.47467.041006.1.3.04.0559 (fls.02/06), transmitido em 04/10/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 120.097,50, código 2484, relativo ao mês de Abril de 2004, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 205.568,34, código – 6773; Período de Apuração: 31/12/2003; Data de Arrecadação: 27/02/2004. O outro PER/DCOMP nº 31442.68795.041006.1.3.04.3003 é objeto do Processo nº 15374.952948/200918 que contém peça recursal semelhante ao recurso voluntário protocolizado nos presentes autos. Assim, a análise a seguir restringese aos fatos e documentos relativos ao PER/DCOMP nº 19670.47467.041006.1.3.04.0559. Consta do despacho decisório de fl.08, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP nº 19670.47467.041006.1.3.04.0559 de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 220.494,86, mas parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, no valor de R$ 220.494,85 restando saldo disponível de apenas R$ 0,01 para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PERDCOMP com a informação do débito constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação de apenas R$ 0,01. A Recorrente simplesmente alega que há equivoco no PERDCOMP em virtude de equivocado cancelamento dos PER/DCOMP's originais pelos subseqüentes ao invés destes serem retificadores; e que, todo lastro probatório desse direito fora apresentado em sua impugnação, restando assim plenamente comprovados os créditos a compensar nos valores de R$220.494,86 com o debito de R$120.097,50, bem como o credito de R$46.370,39 a Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.952947/200973 Acórdão n.º 1802002.345 S1TE02 Fl. 4 5 ser compensado com o debito de R$45.927,87, não havendo assim saldo devedor como entendido no ora recorrido acórdão decisório. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2004 e DCTF. Em sua defesa, a interessada alega que seu crédito advém de uma DComp cancelada, mas o Per/DComp que contém a compensação pretendida deixa claro que a fonte de tal direito seria um pagamento indevido ou a maior, e o contribuinte não demonstra cabalmente os equívocos dito cometidos. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 04/10/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 29/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. A Recorrente informa que receberá intimações na pessoa de seu procurador, que subscreve a peça recursal, Sr.Alexandre Arruda de Jesus, na Av. das Américas 4.200, bloco 3, 4o andar, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro RJ. Sobre o assunto, a Súmula CARF nº 9, é suficiente para o indeferimento do pleito, vejamos: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.952947/200973 Acórdão n.º 1802002.345 S1TE02 Fl. 5 7 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O domicílio fiscal da pessoa jurídica é o constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme Instrução Normativa (RFB) nº 1.183/2011. Assim, razão não há para que as intimações sejam encaminhadas para outros endereços que não seja o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte indicado no CNPJ. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 13153.000599/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE INSTRUMENTO JUDICIAL.
São dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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FALTA DE INSTRUMENTO JUDICIAL. São dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 3. 00 05 99 /2 00 7- 64 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13153.000599/200764 Acórdão n.º 2102002.573 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 34 a 37: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (folhas 03 a 05) lavrada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil João Rosa de Caravellas Neto no valor de R$ 5.304,93 consolidado em 09/2007, referente a Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2005, em razão de trabalho de malha onde foram verificadas as seguintes infrações: Dedução indevida de dependentes; Dedução indevida de pensão alimentícia judicial; Contribuinte intimado, não atendeu à intimação. Em sua impugnação de folhas 01 a 02, o interessado alega que: O valor correto pago a título de pensão alimentícia judicial é de R$ 14.290,10 e não 14.364,36, conforme comprova a cédula C onde consta o CPF dos dependentes; Encaminha documentos comprovando que Hyago Vinícius da Silva Cunha é filho legítimo e Regiane Fonseca da Silva é sua dependente; Em 07/11/2007, o escritório Alvorada fez retificação errônea dos valores na Declaração de Ajuste Anual de IRPF 2003; Assim, solicita o cancelamento da Notificação de Lançamento; É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo as glosas dos 2 dependentes, fls. 36/37. Na parte remanescente, manteve o crédito consignado no auto de infração, considerando que a ausência de cópia da decisão judicial ou da sentença homologatória do acordo judicial fixando o valor da pensão alimentícia judicial, impede o reconhecimento dessa dedução, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 DEPENDENTES Pode ser deduzido como dependente o cônjuge e a filha, o filho até 21 anos. Comprovada a relação de dependência a glosa deve ser cancelada. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Não tendo sido trazido aos autos a cópia do acordo homologado ou decisão judicial, a dedução da pensão alimentícia judicial não pode ser aceita. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13153.000599/200764 Acórdão n.º 2102002.573 S2C1T2 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 44 a 46, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo que sejam consideradas devidas as deduções de dependentes e de pensão alimentícia judicial. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Resta em litígio a questão da dedutibilidade de pensão alimentícia no valor de R$ 14.290,10, conforme mostra o Informe de Rendimentos de fl. 06: A DRJ indeferiu o pleito pela a ausência de cópia da decisão judicial ou da sentença homologatória do acordo judicial fixando o valor da pensão alimentícia judicial Cumpre destacar o que determina a legislação estabelecida no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Para suprir a falta indicada no acórdão recorrido, o interessado apresentou com o Recurso Voluntário os documentos de fls. 69 a 73; 74 e 75. No presente caso, concluo que os documentos acima juntamente com o Informe de Rendimentos de do Governo de Estado de Mato Grosso, fl. 06, compõem um conjunto probante suficiente para deferir o pleito do contribuinte, suprindo o requisitos legal, da prova do efetivo pagamento das pensões sob tutela judicial. Pelo exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso, para que seja aceita a dedução de R$ 14.290,10 a título de pensão alimentícia. Assinado digitalmente. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13153.000599/200764 Acórdão n.º 2102002.573 S2C1T2 Fl. 5 4 Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909596/2012-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 96 /2 01 2- 29 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16682.901843/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2009
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO.
O pedido de restituição de estimativa, se decorrente de pagamento a maior na apuração por balanço de suspensão/redução, pode ser processado nos termos da sumula CARF nº 84.
No entanto, se o valor pago pagamento a maior a título de estimativa integrar o ajuste anual, o pedido de restituição deve ser processado como pedido de restituição do saldo negativo, se este houver.
Numero da decisão: 1401-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Ferreira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2009 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. O pedido de restituição de estimativa, se decorrente de pagamento a maior na apuração por balanço de suspensão/redução, pode ser processado nos termos da sumula CARF nº 84. No entanto, se o valor pago pagamento a maior a título de estimativa integrar o ajuste anual, o pedido de restituição deve ser processado como pedido de restituição do saldo negativo, se este houver.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Ferreira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOBILIARIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2009 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. O pedido de restituição de estimativa, se decorrente de pagamento a maior na apuração por balanço de suspensão/redução, pode ser processado nos termos da sumula CARF nº 84. No entanto, se o valor pago pagamento a maior a título de estimativa integrar o ajuste anual, o pedido de restituição deve ser processado como pedido de restituição do saldo negativo, se este houver. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Ferreira Faro, Sérgio Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 18 43 /2 01 0- 13 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16682.901843/201013 Acórdão n.º 1401001.202 S1C4T1 Fl. 424 3 Relatório Trata o presente feito de recurso voluntário contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro, que negou a homologação das compensações postuladas pela Recorrente. Do relatório do processo extraise o seguinte: “O presente processo tem como objeto a declaração de compensação 09904.71692.020409.1.7.041721,retificadora da de nº 08728.74043.310309.1.3.040621, por meio da qual a interessada formalizou encontro de contas que envolve os seguintes débitos e créditos: Crédito: • Apurado pela incorporada de CNPJ 06.910.549/000108, valor original de R$ 1.865.682,57, parte integrante do darf no total de R$2.045.801,92, código 2484 (CSLL Estimativa),período de apuração MAR/2007, data de recolhimento 30/04/2007; Débito: • Valor original de R$ 2.216.436,76, código 239001– (IRPJ), período de apuração 2008; Em despacho decisório eletrônico (fls 07) do qual a interessada foi cientificada em 13/12/2010 (fls 11) a Administração Pública declarou não homologada a compensação declarada. O fundamento de assim decidir foi o fato de o crédito alegado ser oriundo de recolhimento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real. O dispositivo legal referido para fins de respaldar tal fundamento foi o art 10 da IN 600/2010. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 12, protocolada em 10/01/2011, na qual alega que: • O art 10 da IN 600/2005 contem restrição não prevista em Lei e foi revogado, na vigência da IN 900/08, não sendo, portanto, aplicável às declarações de compensação de que tratam os autos; • Apurou, no mês de março/2007, estimativa de CSLL no valor de R$180.119,35 e, por equívoco, recolheu R$ 2.045.801,92. Seu crédito, no valor de R$ 1.865.682,57, corresponde à diferença entre ambos os valores; • O débito de estimativa do mês de março/2007 pode ser confirmado pela única DIPJ entregue e, ainda, pela DCTF espontaneamente entregue; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 • O excesso pago não abateu o valor da CSLL apurada para o período (01/01/2007 a 30/08/2007). É o relatório”. Em julgamento, a decisão de origem entendeu por negar provimento ao recurso, no seguinte sentido, tendo a decisão sido assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2009 CRÉDITO ORIUNDO DE ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica que apurar eventuais créditos oriundos de estimativa mensal de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL somente poderá utilizar tal valor na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Inconformada com a referida decisão, a empresa fiscalizada interpôs o presente Recurso Voluntário, com fundamento no art. 33 do Decreto 70.235/72. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16682.901843/201013 Acórdão n.º 1401001.202 S1C4T1 Fl. 425 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, relator: O recurso voluntário é tempestivo e, atendidos os requisitos legais, dele conheço. A questão posta em julgamento não possui o sabor da novidade. Este Colegiado já pacificou entendimento de que os pedidos de compensação que tenham como crédito o pedido de restituição de estimativas deve ser processado como pedido de restituição do saldo negativo. No caso dos presentes autos, o voto vencido, proferido pela Auditora Fiscal Marcia Hartt, apurou o montante de referido crédito no seguinte sentido: 1. O encontro de contas que é objeto dos autos foi formalizado por declaração de compensação enviada eletronicamente em 31/03/2009 , posteriormente retificada em 02/04/2009. O crédito pleiteado é oriundo de estimava de CSLL correspondente ao período março/2007 e o fundamento do despacho recorrido foi, justamente, a impossibilidade de utilização de créditos de tal natureza para fins de compensação. A fim de respaldar tal fundamento foi citado , no referido despacho, o art 10 da IN 600/2005. 2. Dos fatos e datas acima expostos já é possível afirmar que são equivocados os fundamentos do despacho recorrido. O art 10 da IN SRF 600/05, cuja observância, pelos órgãos administrativos de julgamento, é obrigatória por força do art 7º, inciso V, da Portaria MF 341 de 12/07/11, vigorou até 31/12/2008, quando entrou em vigor a IN RFB 900/2008, sendo que a partir da vigência deste novo normativo não mais há óbice à compensação de créditos oriundos de recolhimentos de estimava. 3. Faço registro de que o processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas e não no momento de apuração do crédito, conforme considerou o despacho recorrido. A compensação tributária extingue o crédito tributário, sob condição resolutória , e as formas e possibilidades em que pode ocorrer são as contempladas na legislação vigente à época da extinção, isto é, à época da formalização do encontro de contas. Este é o entendimento que vem sendo adotado não só pelas instâncias Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 administrativas, mas também pelo STJ, conforme EREsp 977083/RJ, AgRg nos EREsp 546128/RJ, REsp 1100483/AL, entre outros. 4. Afastado o impedimento legal que fundamentou o despacho recorrido, passo a análise da liquidez e certerza do crédito pleiteado. Pesquisas aos arquivos eletrônicos da RFB permitiram o acesso às seguintes informações, relativamente a apuração realizada pela interessada para a CSLL, período de janeiro a agosto de 2007: 5. Em prosseguimento às pesquisas acima resumidas, constato que a interessada consignou, como CSLL a pagar, para o ano de 2007 (jan/ago), o valor de R$ 3.914.676,26 e que tal valor, integralmente quitado por recolhimento realizado em 28/09/07, foi assim apurado: CSLL apurada – R$ 6.076.258,00 () CSLL retida na fonte por órgãos públicos – R$ 859.861,81 () CSLL mensal paga por estimativa – R$ 1.301.719,93 (=) CSLL a pagar : 3.914.676,26 6. A dedução que consta do demonstrativo acima, no valor de R$ 1.301.719,93, a título de estimativas quitadas no período, foi apenas parcialmente confirmada pelos pagamentos vinculados no total de R$ 597.675,86 ( R$ 180.119,35 + R$ 417.556,51). Isto porque , as compensações formalizadas para os meses de abril, maio e junho, que totalizam R$ 704.044,07 ainda estão pendentes de análise, razão pela qual não se pode afirmar, de forma definitiva, que as respectivas estimativas estejam quitadas. 7. Diante do exposto, decorre que do valor de R$ 1.865.682,57, pleiteado pela interessada, só pode ser reconhecido, como crédito líquido e certo, o montante de R$1.161.638,50 (R$ 1.865.682,57 R$704.044,07), razão pela qual homologo a compensação pleiteada até o limite imposto por este valor. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16682.901843/201013 Acórdão n.º 1401001.202 S1C4T1 Fl. 426 7 8. É o meu voto. Diante do exposto, acompanhando o posicionamento transcritovoto dar provimento ao Recurso Voluntário, homologando a compensação objeto do presente processo, no limite do crédito supra reconhecido. (assinado digitalmente). Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000144/2007-60
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte.
MULTA PELO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. DIFERENÇA VERIFICADA APÓS O AJUSTE ANUAL. DIRPF.
Encerrado o ano calendário, não há o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, tem-se infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos, a multa devida seria a de ofício, incidente sobre o tributo devido e não pago. Art. 44, I da Lei nº 9.430/1996.
A norma do art. 146 do CTN complementa a irrevisibilidade por erro de direito regulada pelos arts. 145 e 149.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ 108.965,75 e cancelar a infração relativa a multa isolada. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte. MULTA PELO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. DIFERENÇA VERIFICADA APÓS O AJUSTE ANUAL. DIRPF. Encerrado o ano calendário, não há o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, tem-se infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos, a multa devida seria a de ofício, incidente sobre o tributo devido e não pago. Art. 44, I da Lei nº 9.430/1996. A norma do art. 146 do CTN complementa a irrevisibilidade por erro de direito regulada pelos arts. 145 e 149. Recurso Voluntário Provido.
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DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte. MULTA PELO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. DIFERENÇA VERIFICADA APÓS O AJUSTE ANUAL. DIRPF. Encerrado o ano calendário, não há o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos, a multa devida seria a de ofício, incidente sobre o tributo devido e não pago. Art. 44, I da Lei nº 9.430/1996. A norma do art. 146 do CTN complementa a irrevisibilidade por erro de direito regulada pelos arts. 145 e 149. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 44 /2 00 7- 60 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 366 2 108.965,75 e cancelar a infração relativa a multa isolada. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado, em 11/06/2007, Auto de Infração, conforme fl. 123 e seguintes, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2003, ano calendário de 2002, no valor de R$ 29.965,58 com multa proporcional de 75 % e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Também, foi lançada Multa Isolada, no percentual de 50% da infração constatada, importado em R$ 19.620,38. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou as seguintes infrações (fl. 5): 1 – Dedução Indevida de Base de Calculo. Pensão Judicial. Glosa de deduções com pensão judicial, pleiteada indevidamente, tendo em vista o contribuinte não ter apresentado ~4 cópia da da sentença judicial que determinou o pagamento de pensão judicial, não obstante ter sido intimado a fazêlo em cinco ocasiões. Os únicos documentos apresentados em relação a este assunto foram a cópia da petição inicial da ação de Separação Consensual(fls.12 a 14) e a cópia da Carta de Sentença da Ação de Separação Consensual(fls. 52). Tais documentos não substituem a Sentença Judicial,(...) Fato Gerador 31/12/2002. 2 – Falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão. Falta de recolhimento mensal obrigatório devido na forma estabelecida no art. 8º da Lei 7.713/88, apurada conforme Declaração de Ajuste Anual2003 apresentada pelo contribuinte(fls. 05 ). Importante destacar que não foram identificados no sistema da Secretaria da Receita Federal que controla os pagamentos de tributos efetuados, os valores informados pelo contribuinte em sua DIRPF2003 como pagos nos meses de janeiro e fevereiro de 2002, nos valores de R$ 4.114,42 para cada um destes períodos. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 367 3 .... Quanto aos demais meses, foram efetuados recolhimentos (fls. 69) a menor, os quais foram considerados no cálculo do imposto conforme fls. 66 e 67. Constam dos autos os Termos de Intimação (cinco) que foram enviados pela Fiscalização ao contribuinte, com Avisos de Recebimento e respostas. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 147), onde em suma argumenta que: a) Apensa a sua Impugnação cópia reprográfica das correspondências de atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e dos Termos de Intimação seguintes, nas quais teve oportunidade de apresentar os recibos de pagamentos mensais da pensão alimentícia e cópia da sentença que determinou seu pagamento; b) Comprovando o valor de pensão alimentícia pago, não teria que recolher qualquer valor a título de carnê leão. Conhecida a manifestação pela DRJ/RJO II, foi assim tratada, em resumo: 1 De acordo com os documentos juntados aos autos, não está correta a assertiva do impugnante de que teria apresentado, ainda durante o procedimento fiscal, a cópia da sentença que determinou o pagamento da pensão alimentícia. O interessado também não trouxe a sentença judicial quando da impugnação. 2 Uma vez que o interessado foi intimado diversas vezes a apresentar a cópia da sentença judicial que determinou o pagamento da pensão alimentícia e não o fez, nem na impugnação, concluise que a glosa deve ser mantida por falta de comprovação da determinação judicial para prestação de alimentos. 3 Não comprovada a dedução de pensão judicial, devem ser mantidos também os valores lançados a título de multa isolada pelo não recolhimento de carnêleão sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas. Foi mantido, portanto, o lançamento fiscal. Cientificado dessa decisão em 22 de fevereiro de 2010, conforme AR na folha 198, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/03/2010, protocolo na folha 201. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: 1 – Esclarece como se deu o processo judicial de separação consensual do Recorrente, passo a passo, anexando cópia integral das 17 folhas do mesmo, para concluir que houve homologação judicial da petição inicial, após vista do Ministério Público, fixandose então o valor de R$ 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais) mensais. (item 13 do recurso, fl. 211); 2 – Em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2002, efetuou pedido de parcelamento junto à repartição competente, relativo ao recolhimento do carnê leão, no valor total de R$ 8.228,84. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 368 4 3 – Discorre sobre a improcedência da aplicação da multa, e na eventualidade de assim não se entender, aduz que o valor aplicado fere princípios constitucionais, falando em confisco. Colaciona doutrina e jurisprudência e anexa novos documentos, como a cópia integral do processo de separação judicial, com a homologação do pedido das partes (fl. 291). É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). A principal controvérsia referese à possibilidade de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 108.965,75, glosada da DIRPF/2003 do contribuinte recorrente (cópia da declaração na folha 09). O valor foi integralmente glosado e o motivo expresso foi a não apresentação da determinação judicial ou acordo homologado judicialmente que comprovasse a obrigatoriedade do pagamento. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, em seu artigo 78, traz que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, reproduzindo a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II. Considerando que o artigo 73 do RIR/1999 comanda que todas as deduções pleiteadas na DIRPF estão sujeitas à comprovação e justificação, a juízo da autoridade lançadora, é possível identificar que sejam necessários documentos a comprovar o efetivo pagamento da pensão e que este se deu em virtude de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente, e não por mera liberalidade do alimentante. Nesse sentido, tem se posicionado esta Turma Especial. Vejamos nos vários Acórdãos, à guisa de exemplo: 2801003.350 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 369 5 Recurso Voluntário Negado 2801003.082 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de junho de 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Voto (...) Por ocasião da impugnação o Interessado já havia juntado aos autos os recibos de fls. 28/39, supostamente assinados por sua ex cônjuge, totalizando o montante de R$ 3.600,00 pagos a título de pensão alimentícia no decorrer do ano calendário de 2005 (12 recibos de R$ 300,00). Embora entendendo que os recibos apresentados não fazem prova inequívoca do efetivo pagamento da pensão alimentícia, penso que a glosa relativa à pensão da ex cônjuge Etelvina deve ser restabelecida, uma vez que, em relação a ela, a decisão de piso julgou improcedente a impugnação exclusivamente pelo fato de que não foi apresentada a cópia da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente,... 2801002.836 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. 2801002.925 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito à dedução de pensão alimentícia na Declaração Anual de Ajuste do alimentante é condicionado à prova inequívoca do cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente. 2801002.727 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2012 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 370 6 Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Voto (...) Apesar de o acordo homologado judicialmente ter determinado que os valores pagos ao cônjuge virago, a título de pensão alimentícia, também fossem depositados em conta corrente (fl. 14), o acórdão recorrido restabeleceu a glosa relativa a tais valores, que foram comprovados mediante a apresentação dos recibos de fls. 32/43. Satisfeita a Autoridade Fiscal no que diz respeito à comprovação do efetivo pagamento, resta verificar se esse se deu em face das normas do direito de família, por acordo homologado judicialmente. Concordo que o Contribuinte não haja apresentado a documentação correta até o recurso, como entendeu a Decisão recorrida. Contudo, juntamente com o recurso, trouxe a cópia integral do processo judicial de separação consensual e, na já citada folha 291, consta que a MM. Juíza “homologou por sentença”, em 05 de agosto de 1997, o acordo apresentado e ratificado. Em tal acordo, aliás como expressa o Recorrente, consta que deveria ser paga a importância de R$ 6.500,00 mensais “atualizada pelo índice geral de preços médias da FGV”. (FL. 267/9) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário , MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ e MARCELA CHEFFER BIANCHINI, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 371 7 Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) Entendo que seja o caso de se considerar a documentação trazida juntamente com o recurso, de análise direta e que não prejudica a marcha processual. Na folha 31 consta o recibo referente ao mês de janeiro/02, no valor de R$ 8.828,24 e, nas folhas seguintes, o valor de R$ 9.103,41/mensal, referente aos demais meses daquele ano. O somatório, portanto, importa em R$ 108.965,75. No cálculo que fiz com a ferramenta disponível em http://www.calculador.com.br/tabela/indice/IGPM (data de 24 de julho de 2014) utilizando os índices gerais de preços, encontrei valores compatíveis com os recibos, se corrigido o montante de R$ 6.500,00 a partir de agosto de 1997, data da definição da pensão, até janeiro/fevereiro de 2002, data que aqui interessa. O IGPM tem como base metodológica a estrutura do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), resultando da média ponderada de três índices de preços: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), o Índice de Preços ao Consumidor (IPCM) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCCM). À semelhança do IGPDI, a escolha desses três componentes do IGPM tem origem no fato de refletirem adequadamente a evolução de preços de atividades produtivas passíveis de serem sistematicamente pesquisadas ... (fonte: http://www1.fazenda.gov.br/spe/publicacoes/metodologia/Metod ologia_IGPM_FGV.pdf , pesquisa em 24/07/2014, 10:26) Assim, entendo pelo cancelamento da infração relativa à glosa de dedução com pensão alimentícia. DA MULTA PELO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. DIFERENÇA VERIFICADA APÓS O AJUSTE ANUAL. Encerrado o ano calendário, não há o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Se ao revisar a declaração a Autoridade Fiscal entende que o ajuste anual está errado, por ter considerado uma dedução indevida, deve recalcular o imposto e aplicar, eventualmente, a multa de ofício, prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430/1996. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 372 8 Quando se fala em multa isolada, esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnê leão devido durante o ano calendário. Sendo assim, entendo indevida a cobrança da multa isolada, que deve ter sua exigência cancelada. “Mudança de critério jurídico” empregado no lançamento não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito, embora a distinção, relativamente a este último, seja bastante sutil. “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja correta”, é o que leciona HUGO DE BRITO MACHADO ( in Curso de Direito Tributário, 33ª ed, Malheiros, 2012, p.180). Já o erro de direito ocorre quando não seja aplicada a lei ou quando a má aplicação dela seja notória e indiscutível. Creio que seja este o caso. Assim, verificandose o erro de direito, ocorrido na aplicação da lei ao caso concreto, é de ser citada a lição de RICARDO LOBO TORRES, referindose a artigos do Código Tributário Nacional CTN: “A norma do art. 146 ...complementa a irrevisibilidade por erro de direito regulada pelos arts. 145 e 149. Enquanto o art. 149 exclui o erro de direito dentre as causas que permitem a revisão do lançamento anterior feito contra o mesmo contribuinte, o art. 146 proíbe a alteração do critério jurídico geral da Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia para os fatos pretéritos” (in O Princípio da Proteção da Confiança do Contribuinte, RFDT 06/09, dez/03 citado em PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1049) DOS VALORES PARCELADOS. PEDIDO DE PARCELAMENTO. Quanto às importâncias que foram parceladas pelo contribuinte, se foram objeto de pedido de parcelamento, quanto a elas não existe litígio e, portanto, não devem ser tratadas no curso deste processo administrativo de contencioso fiscal. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 2801003.717 S2TE01 Fl. 373 9 movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Assim, pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ 108.965,75 e por cancelar a infração relativa a multa isolada. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000629/2003-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Embargos Conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dr. Mauricio Terciotti OAB/RJ 130273.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 458 1 457 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13709.000629/200385 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.480 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria IPI Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE SOLVENTES, TINTAS E VERNIZESTEMPO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos Conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dr. Mauricio Terciotti OAB/RJ 130273. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 06 29 /2 00 3- 85 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13709.000629/200385 Acórdão n.º 3402002.480 S3C4T2 Fl. 459 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.369/370) opostos pelo sujeito passivo, por supostas omissão no v. Acórdão nº 340200.596, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 357/363, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de relatoria do Ilustre Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos que, em sessão de 24/05/2010, fez constar da súmula do julgamento que, por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso, sendo que da respectiva Ementa constou o seguinte: NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 40 do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. IPI. CRÉDITOS. INSUMOS DE ALIQUOTA ZERO. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 10. Nos termos de Súmula Administrativa do Segundo Conselho de Contribuintes aprovada em sessão de 18 de setembro de 2007, "a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI". IPI CRÉDITOS SOBRE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IMPOSTO. INAPLICABILIDADE. Incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a entradas em que não houve o pagamento do imposto, por qualquer que seja o motivo, inclusive a isenção. NORMAS TRIBUTARIAS. RESSARCIMENTO. CÔMPUTO DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo previsão legal para a adição de juros a valores postulados em ressarcimento, não se pode deferilos por analogia ou equidade, nem sob o argumento de desnecessidade de lei por se tratar de atualização do valor do crédito. A taxa Selic não é índice de correção monetária mas sim taxa de juros prefixados. Recurso Negado. Entende a Embargante que a decisão embargada, contém omissão quando o Conselheiro Relator houve bem por bem negar provimento ao Recurso Voluntário considerando que os produtos não tributados ou tributados sob alíquota zero não geram direito a crédito, bem como que seria incabível o aproveitamento de crédito de IPI relativo às entradas que não houve pagamento de imposto, deixando de analisar a decisão judicial transitada em julgado proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00225317, que garantiu a higidez bem como a compensação dos referidos créditos. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Em face destes elementos, a Embargante requer que sejam acolhidos os embargos, para o fim de que seja declarada e sanada a omissão arguida. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13709.000629/200385 Acórdão n.º 3402002.480 S3C4T2 Fl. 460 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Os embargos são tempestivos, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade e desenvolvimento válido, pelo que deve ser conhecido pelo Colegiado. Analisando o conteúdo dos embargos, tenho que, no entanto, não merecem ser conhecidos dos mesmos, pois que não há a omissão apontada nos embargos, de que a decisão teria deixado de se manifestar sobre a existência de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00225317, impetrado perante a 16ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, que ascendera ao TRF da 2ª Região e após ao STJ, segundo cópias de fls. 371/418 (numeração eletrônica). Isto porque, referidos documentos jamais constaram dos autos, não se podendo apontar omissão do julgado em sobre eles se manifestar, se os mesmos não foram sequer citados nas oportunidades que o sujeito passivo deduziu seus pedidos e argumentos de defesa. Assim, em que pese até poder ter relevância para a causa, a verdade é que não se pode alegar, em sede de Embargos de Declaração, que teria havido omissão de se manifestar sobre documentos que não foram trazidos aos autos. Tratassese de documentos inexistentes quanto da propositura do recurso, tal poderia ser inclusive relevado em defesa da busca da verdade material. No entanto, tais documentos existiam e foram sonegados do conhecimento do julgamento do colegiado, pelo que não se pode, agora, em sede de Embargos, conhecer por omissão, contradição ou obscuridade, na estreita linha de cabimento desta espécie recursal. O professor Bernardo Pimentel, citado no voto exarado pelo Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, desta Turma, ao julgar os Embargos de Declaração no Processo nº 10882.002788/200404, trata das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, de sorte que trago seus ensinamentos para elucidar a matéria. Diz o autor: (...) Consiste a omissão no silêncio do órgão julgador sobre questão ou argumento suscitado pelas partes ou pelo Ministério Publico. Também configura omissão a inércia do órgão julgador diante de matéria apreciável de ofício. Padece de obscuridade o pronunciamento jurisdicional que não é claro, inteligível, compreensível. A obscuridade pode ter origem na transmissão das idéias pelo julgador, no momento da redação da decisão. A obscuridade pode estar relacionada a vício formal do pronunciamento jurisdicional, como no caso de superposição de linhas em decisão datilografada ou impressa. Também é possível a ocorrência de obscuridade quando a decisão é manuscrita pelo magistrado, cuja caligrafia produz textos que não são compreensíveis. Já a contradição consiste na incompatibilidade entre proposições constantes do julgado, que são incoerentes entre si. Realmente, a contradição reside na existência de Fl. 462DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 premissas ou conclusões inconciliáveis na decisão jurisdicional. Portanto, só há contradição interna, ou seja, entre proposições lançadas pelo juiz ou tribunal no bojo da decisão jurisdicional. Assim sendo, uma vez que não se deixou de analisar os pedidos e documentos constantes do processo, e dos argumentos articulados no pertinente Recurso Voluntário, assim como por terem ficado claros e expressos os fundamentos que conduziram o julgado, não há que se falar em omissão de apreciação de documentos estranhos aos autos, não havendo contradição, tampouco obscuridade ou erro material, e, consequentemente, não havendo como acolher os Embargos de Declaração, uma vez que ausentes os fundamentos do artigo 65, do Regimento Interno deste CARF. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10920.721362/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA MORATÓRIA.
Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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MULTA MORATÓRIA. Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 13 62 /2 01 2- 51 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10920.721362/201251 Acórdão n.º 2301004.197 S2C3T1 Fl. 240 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela FAMOSSUL MÓVEIS S/A., em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que, por unanimidade de votos, negou provimento a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. 2. Segundo o relatório fiscal, os autos em questão tratam de glosa de compensações de contribuições sociais efetuadas pela contribuinte, as quais, de acordo com a fiscalização, foram efetuadas nos períodos de 05/2003 a 10/2007 e 01/2008 a 03/2009. 3. Posteriormente, foram solicitados diversos documentos a empresa para melhor esclarecer a situação fática. No entanto, a empresa deixou de apresentar a folha de pagamentos do décimoterceiro de 2001, as notas fiscais de saída de 11/2001 e 10/2002 e na ausência das mesmas, os livros contábeis referentes aos anos de 2001 e 2002 devidamente registrados e com títulos próprios de vendas ao mercado interno e externo. 4. A fiscalização entende que a apresentação de tal documentação é estritamente necessária à comprovação do montante recolhido indevidamtne conforme algou a empresa e a verificação se, deste montante, após as devidas atualizações e encargos legais, se houve saldo suficiente para ser compensado nas GFIP’s do período fiscalizado, após todas as compensações das GFIP’s do período anterior e não fiscalizado: 08/2003 a 12/2006. 5. Trancrevo abaixo trechos do relato fiscal que descrevem o fato gerador da autuação: “1. A fiscalização constatou pelos sistemas da Receita Federal do Brasil que a empresa efetuou compensações que se iniciaram na GFIP de 05/2003 e se estenderam até a GFIP da competência 10/2007. Foram reiniciadas na GFIP de 01/2008 e se estenderam até a GFIP de 03/2009. Assim, contribuições previdenciárias deixaram de ser recolhidas. 2. Intimada sobre os valores dos créditos que justificassem as compensações, a empresa apresentou carta dirigida à Receita Federal do Brasil em 03/11/2001 (cópia em anexo), alegando que efetuou recolhimentos a maior no período de 12/2001 a 11/2002 atinentes às competências 11/2001 a 10/2002, em virtude de seu reenquadramento como agroindústria, cuja sistemática é a substituição das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a folha de salários pelas contribuições incidentes sobre a comercialização da produção. Somandose a este fato, a empresa também realiza exportação, cujas vendas estão imunes a esta incidência. 3. A substituição referida no item anterior está disciplinada no Artigo 22A da Lei 8212 de 24/07/1991, incluído pela Lei nº 10256 de 09/07/2001, e a questão da imunidade das receitas das exportações no Artigo 149, Parágrafo 2º, Inciso I, da Fl. 240DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10920.721362/201251 Acórdão n.º 2301004.197 S2C3T1 Fl. 241 3 Constituição Federal, previsão esta introduzida pela Emenda Constitucional nº 33 de 11/12/2001. 4. Constatouse pelos sistemas da Receita Federal do Brasil, que as GFIP atinentes a período 11/2001 a 10/2002 foram retificadas nos meses 10 e 11/2006. Confrontandose as novas GFIP com os recolhimentos efetuados, verificouse que houve “em tese” excesso de recolhimentos. 5. Pelo Termo de Intimação Fiscal de 08/12/2011, a empresa foi intimada a apresentar as folhas de pagamento e as notas fiscais de comercialização relativas às competências 11/2001 a 10/2002 para se apurar a veracidade dos créditos alegados e também demonstrativo de como as compensações foram procedidas. As folhas de pagamento estão atreladas às contribuições previdenciárias dos segurados e as notas fiscais, às contribuições previdenciárias patronais que incidem sobre comercialização da produção. Em resposta através de carta de 20/01/2012 (cópia em anexo), a empresa apresentou os demonstrativos das compensações (cópias em anexo), as folhas de pagamento solicitadas (cópias em anexo), à exceção da competência do décimo terceiro salário de 2001 e afirmou não mais possuir as notas fiscais de saída de 2001 e 2002. 6. Pelo Termo de Intimação Fiscal de 03/02/2012, intimouse a empresa para que complementasse os documentos de folhas de pagamento não apresentados em 20/01/2012 e para que apresentasse, caso não possuísse mais as notas fiscais, os livros contábeis devidamente registrados em órgão competente, relativos ao período em que houve recolhimentos a maior, desde que estes livros contivessem títulos separados atinentes a vendas ao mercado interno e externo. Em 06/03/2012, atendendo a esta intimação e a outra datada de 27/02/2012, foi apresentada carta datada de 06/03/2012 (cópia em anexo) com parte dos documentos solicitados pela fiscalização. Relativamente à folha de pagamento do décimoterceiro salário de 2001, foi apresentada somente cópia da GPSGuia da Previdência Social com o resumo prévio do cálculo da contribuição (cópia em anexo) e não a folha de pagamento propriamente dita. Com relação aos livros contábeis, foram apresentados somente extratos de sistemas internos da empresa (cópias em anexo) para demonstrar as informações de GFIP no tocante às contribuições previdenciárias incidentes sobre comercialização da produção. Não foram apresentados os livros contábeis devidamente registrados. 7. Como as compensações se iniciaram na GFIP de 08/2003, mas se estenderam nas GFIP que estão abrangidas pelo período fiscalizado (01/2007 a 12/2009), é necessária a análise de documentos hábeis que possam dar suporte às informações das GFIP do período de 11/2001 a 10/2002 para se comprovar que de fato houve excesso de recolhimentos. Dos documentos hábeis solicitados pela fiscalização, deixaram de ser apresentados: a folha de pagamento do décimoterceiro de 2001, as notas fiscais de saída de 11/2001 a 10/2002 e na ausência das mesmas, os Fl. 241DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10920.721362/201251 Acórdão n.º 2301004.197 S2C3T1 Fl. 242 4 livros contábeis referentes aos anos de 2001 e 2002 devidamente registrados e com títulos próprios de vendas ao mercado interno e externo. 8. É necessária a comprovação do montante recolhido indevidamente conforme alegou a empresa e a verificação se, deste montante, após as devidas atualizações e encargos legais, houve saldo suficiente para ser compensado nas GFIP do período fiscalizado, após todas as compensações das GFIP do período anterior e não fiscalizado: 08/2003 a 12/2006. Assim, a empresa não comprovou efetivamente os recolhimentos pagos indevidamente, o que justifica a glosa das compensações efetuadas nas GFIP das competências não abrangidas pela decadência: 01/2007 a 10/2007 e 01/2008 a 03/2009, sendo que as compensações indevidas das GFIP de 01/2007 a 10/2007 e 01/2008 a 12/2008, incluindo a do décimoterceiro salário de 2008, por medidas de operacionalização dos sistemas da Receita Federal do Brasil, são objeto de outro Auto de Infração, o de nº 37.275.3930, integrante do processo COMPROT 10920 721.349/201201.” (fls. 13/14) 6. A contribuinte foi devidamente intimada da constituição do crédito tributário e, por não se conformar, apresentou impugnação (fls.173/179) ao lançamento fiscal. 7. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), ao rejeitar os argumentos da impugnação da contribuinte, proferiu acórdão lavrado com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA MORATÓRIA. Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual.” (fls. 196/200). 8. A contribuinte foi intimada do referido acoórdão em 05/12/2013, conforme faz prova o termo de abertura de documento de fl. 204, tendo interposto o recurso voluntário de fls. 207/217. 9. Em seu recurso voluntário, a contribuinte alegou, em síntese, que: a) preliminarmente, requer a nulidade do acórdão proferido, por entender que o julgador de primeira instância não fundamentou a decisão de forma clara e coerente, além de restar contraditório o não reconhecimento da prescrição em relação à alegação de que o crédito não foi devidamente comprovado, tendo em vista que os documentos correspondentes não foram apresentados. Conclui arguindo que inexiste fundamentação adequada à denegação do pedido de compensação feito pela empresa na decisão; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10920.721362/201251 Acórdão n.º 2301004.197 S2C3T1 Fl. 243 5 b) no mérito, pugna pela redução da multa em 50% pois segundo ele os débitos foram declarados em GFIP, muito embora não nos moldes pretendidos pela fiscalização. Assim, o fato de ter sido declarado a menor não retira o direito de aplicação da multa reduzida; c) defende a necessidade de diligência in loco, para apurar de maneira clara e precisa a existência de créditos em favor da recorrente, possbilitando a compensação pleiteada; d) sustenta que não há que se falar em prescrição, uma vez que o fator determinante para a consideração prescricional precisa passar, necessariamante, pelas decisões do STJ, as quais garantiram o direito de aproveitamento dos créditos de até 10 (dez) anos passados, o que não foi alterado com o advento da LC nº 118/2005. 10. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos a este Colegiado para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10920.721362/201251 Acórdão n.º 2301004.197 S2C3T1 Fl. 244 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA PRELIMINAR 2. Preliminarmente, requer a nulidade do acórdão proferido, por entender que o julgador de primeira instância, ao considerar prejudicadas as alegações relativas ao prazo para aproveitamento de créditos, não fundamentou a decisão de forma clara e coerente. 3. Ocorre que equivocase a recorrente ao suscitar a nulidade do decisório, unicamente por não ter o julgador a quo se pronunciado quanto a sua alegação. 4. É cediço na jurisprudência do STJ e do STF que o julgador não é obrigado a se manifestar expressamente sobre todos os pontos levantados pelas partes. 5. Nesse sentido já se manifestou o Ministro Luiz Fux no Recurso Especial nº. 760.001, publicado no DJ em 23/08/2007, cuja ementa transcrevo abaixo. “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. FGTS. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. ÍNDICE DE 84,32%. INOCORRÊNCIA DE DECISÃO EXTRA PETITA. REEXAME DE PROVA. SÚMULA 07/STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. PRECEDENTES. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre a violação posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisat as questões relevantes para o deslinde da controvérsisa. 2. Decisão extra petita é aquela inaproveitável por conferir à parte providência diversa da almejada, como v.g., quando o acórdão confere pedido diverso ou baseiase em causa petendi não eleita. 3. A correção monetária integra o conteúdo implícito do pedido. Precedentes da Corte: RESP 641695/DF, DJ 29.11.2004; AgRg RESP 638537/RS, DJ 25.10.2004; RESP 632216/BA, DJ 11.10.2004. 4. No que atine à ausência de prova nos autos, referente ao pagamento do índice de 84,32% (IPC de março de 1990), ante a Fl. 244DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10920.721362/201251 Acórdão n.º 2301004.197 S2C3T1 Fl. 245 7 necessidade de análise do conjutno fáticoprobatorio carreado aos autos para acolher as razões recursais da recorrente, a sua cognição revelase insindicável ao STJ, em sede de recurso especial, em razão da incidência do verbete sumular nº 7, que assim determina: “ A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. 5. Precedentes: REsp 867863/ce, DJ 24.11.2006. EDcl no REsp 724154/CE, DJ 20.06.2005. 6. Agravo regimental desprovido”. 6. Assim, resta desnecessário o desdobramento da questão, uma vez que a recorrente, como será mostrado adiante, sequer empenhouse em comprovar a origem e legitimidade do crédito compensado. DA REDUÇÃO DA MULTA EM 50% 7. Pugna a recorrente pela redução da multa em 50%, pois apesar de não estarem nos moldes pretendidos pela fiscalização, os débitos foram declarados em GFIP. Sendo assim, o fato de ter declarado a menor as contribuições devidas não lhe retira o direito de aplicação da multa reduzida. 8. Nesse ponto, também sem razão o sujeito passivo, uma vez que o art. 89 §9º da Lei nº 8.212/1991 dispõe que os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios tratados no art. 35, in verbis: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c doparágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a tercerios, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996.” Ademais, o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 também dispõe que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições adminsitrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescido de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” 9. Dessa forma, correto o acórdão combatido, no que concerne à aplicação da penalidade, e, assim não merece reparo. DA DILIGÊNCIA 10. Nesse ponto defende a recorrente da necessidade de diligência in loco, para apurar de maneira clara e precisa a existência de créditos em seu favor e assim possbilitando a compensação pleiteada. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10920.721362/201251 Acórdão n.º 2301004.197 S2C3T1 Fl. 246 8 11. No caso dos autos o pedido não merece guarida, como pode ser visto na sequência. 12. Conforme art. 18 do Decreto nº. 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine 13. No presente caso, a realização de diligência, pelos motivos apresentados pela recorrente, não se sustenta, uma vez que – como bem consignou a decisão de primeira instância – por diversas vezes a interessada foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios do direito compensatório que alega ter e em momento algum assim procedeu. Ainda que entre o Termo de Início de Procedimento Fiscal e o Termo de Encerramento de Procedimento fiscal, tenham transcorridos mais de seis meses. 14. Ademais, a recorrente, transcorridos os seis meses de fiscalização, no momento da apresentação da impugnação, marco temporal hábil para apresentação de provas documentais, da mesma forma, quedouse inerte. 15. Dessa forma, diante do contexto no qual a própria recorrente em todos os momentos em que lhe foi oportunizada apresentar provas documentais do seu direito compensatório, deixou de apresentar a documentação solitada pela fiscalização, sem razão o pedido de realização de diligência. CONCLUSÃO 16. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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