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Numero do processo: 10935.906375/2012-30
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/04/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/04/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/04/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 75 /2 01 2- 30 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.823, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 28535.72231.110209.1.2.043019, rastreamento nº 041906899, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 5.070,55, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/03/2008, efetuado em 18/04/2008, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906375/201230 Acórdão n.º 3802002.673 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/04/2008 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906375/201230 Acórdão n.º 3802002.673 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906375/201230 Acórdão n.º 3802002.673 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906375/201230 Acórdão n.º 3802002.673 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10935.902437/2012-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 37 /2 01 2- 34 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.742, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 13093.28673.161107.1.2.046708, rastreamento nº 029224217, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.589,80, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/05/2004, efetuado em 15/06/2004, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902437/201234 Acórdão n.º 3802002.592 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/06/2004 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902437/201234 Acórdão n.º 3802002.592 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902437/201234 Acórdão n.º 3802002.592 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902437/201234 Acórdão n.º 3802002.592 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.720442/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. JUROS APLICADOS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São também indedutíveis os acréscimos de juros feitos às provisões contábeis de tributos com exigibilidade suspensa.
MULTA DE OFÍCIO. A eventual observância a atos normativos anteriores à edição da lei que fundamenta a exigência não se presta a excluir penalidades ou a cobrança de juros de mora.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ADMISSIBILIDADE. A jurisprudência administrativa já está pacificada no sentido de que devem ser apreciados os questionamentos dirigidos contra a aplicação de juros sobre a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
JUROS DE MORA. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1101-000.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. JUROS APLICADOS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São também indedutíveis os acréscimos de juros feitos às provisões contábeis de tributos com exigibilidade suspensa. MULTA DE OFÍCIO. A eventual observância a atos normativos anteriores à edição da lei que fundamenta a exigência não se presta a excluir penalidades ou a cobrança de juros de mora. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ADMISSIBILIDADE. A jurisprudência administrativa já está pacificada no sentido de que devem ser apreciados os questionamentos dirigidos contra a aplicação de juros sobre a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. JUROS DE MORA. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 42 /2 01 1- 94 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.115 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.116 3 Relatório BANCO DAYCOVAL S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/04/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 16.120.514,12. A presente exigência decorrente da glosa, na apuração da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário 2006 a 2008, de despesas correspondentes a tributos com exigibilidade suspensa, e referentes à sua atualização monetária, reduzidas pela receita de atualização monetária dos depósitos judiciais correspondentes. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 689/705, a autoridade lançadora, depois de demonstrar a origem dos valores glosados e a sua vinculação às ações judiciais propostas pela contribuinte, argumentou que os tributos com exigibilidade suspensa seriam indedutíveis em razão da previsão do art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, nela também enquadrados os juros provisionados sobre aqueles valores, dada sua natureza acessória. Citou jurisprudência administrativa neste sentido, bem como doutrina acerca da caracterização de provisões para riscos fiscais e outros passivos contingentes, descrevendo, também, ementa de solução de consulta em abono ao seu entendimento. Impugnada a exigência, foi ela integralmente mantida pela autoridade julgadora de 1a instância, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008 CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL E RESPECTIVOS JUROS DE MORA. INDEDUTIBILIDADE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os tributos e contribuições, bem como os juros de mora incidentes sobre tais tributos e contribuições, acessórios a estes, cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais não podem ser deduzidos para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. O tributo ou contribuição cuja exigibilidade estiver suspensa por medida judicial, e respectivos juros, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, visto que se referem a situação de solução indefinida, apresentando nítido caráter de provisão. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.117 4 A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/09/2011 (fl. 1007), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 05/10/2011 (fls. 1008/1076). Argúi a nulidade do lançamento, porque lavrado com capitulação legal incompleta, em prejuízo à sua defesa, na medida em que não foi apontado o dispositivo legal que permitira a exigência de CSLL sobre tributos com exigibilidade suspensa. Critica a decisão recorrida que reportouse a normas que justificariam esta incidência, e observa que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 e o art. 50 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004 não foram citados no lançamento, de modo que nada foi dito na impugnação a este respeito. Estaria, assim, patente o prejuízo ao seu direito de defesa. Opõese aos dispositivos legais citados na decisão recorrida, afirmando inexistir previsão legal para a exigência de CSL sobre os tributos com exigibilidade suspensa. O art. 57 da Lei nº 8.981/95 expressamente ressalva a especificidade da apuração da base de cálculo e da alíquota da CSLL, de modo que seria necessário lei a estender os efeitos do art. 41 da mesma lei para a apuração da CSLL. Cita jurisprudência neste sentido, e aborda outras hipóteses nas quais o legislador tratou especificamente da apuração da CSLL, ao instituir alterações da base de cálculo do IRPJ. Acrescenta que a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 extrapolou os comandos da Lei nº 8.981/95, em afronta ao princípio da legalidade, aduz que a Lei nº 7.689/88 estabelece o lucro contábil com base de cálculo da CSLL, e que na apuração deste os tributos, mesmo com exigibilidade suspensa, são despesas dedutíveis, enquanto inexistir norma específica que estabeleça o regime de caixa para sua dedutibilidade. Cita posicionamento da COSIT contrário aos efeitos, na apuração da base de cálculo da CSLL, da Lei nº 8.541/92 (que veiculou regra semelhante à contida no art. 41 da Lei nº 8.981/95), reproduz julgados do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes neste sentido, e observa que não há linha específica para esta adição à base de cálculo da CSLL, como existe na apuração do lucro real orientada na DIPJ. Discorda da argumentação fiscal no sentido de que tais valores constituiriam provisão por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, dado que a declaração dos tributos em DCTF tem caráter de confissão de dívida, e assim constituem verdadeira obrigação legal, um passivo, e não uma simples provisão destinada ao resguardo contra os efeitos patrimoniais de eventos futuros e incertos. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.118 5 Cita, especificamente, voto vencedor que integra o Acórdão nº 140100.058, acerca do conceito de provisões, o qual alinhase ao entendimento antigo do Primeiro Conselho de Contribuintes, desde a edição da Lei nº 8.541/92. Em suas palavras: Realmente, jamais existiu dúvida alguma, inclusive da parte da fiscalização, de que os tributos não pagos no vencimento ensejam automaticamente a incidência de juros de mora, sendo tanto o principal como os juros despesas incorridas dedutíveis pelo regime de competência. Tal dedutibilidade não é alterada pelo simples fato de o contribuinte ingressar com ação em Juízo questionando a exigência, posto que acaso negada eventual liminar pleiteada inexiste qualquer vedação à sua dedutibilidade, também não questionada pela fiscalização. Vale dizer, a prevalecer o entendimento da fiscalização, aquela despesa já incorrida se transformaria em provisão apenas a partir do momento em que eventualmente suspensa sua exigibilidade, e voltaria a ter a natureza de despesa acaso posteriormente cassada a liminar inicialmente concedida, o que obviamente é um absurdo. A natureza jurídica de despesa não se altera, o que se altera é exclusivamente o regime jurídico de sua dedutibilidade, nos limites do que estabelecido em lei. (destaques do original). Aborda aspectos do regime de competência e reportase ao art. 9o da Resolução CFC nº 750/93, bem como mais à frente a Interpretação Técnica IBRACON nº 02/2006, para afirmar que a despesa é considerada incorrida com o surgimento do passivo, ainda que com exigibilidade suspensa. Observa que em se tratando de tributos e contribuições a obrigação respectiva é “ex lege”, e eventual decisão judicial superveniente que declare o tributo indevido, se for assimilada como condição, seria uma condição resolutiva, e nunca suspensiva, na forma dos arts. 127 e 128 do Código Civil. Já as provisões são obrigações que ainda não nasceram para a sociedade, mas que em razão da possibilidade de surgirem são reconhecidas contabilmente. Aliás, se esta fosse a natureza dos registros de tributos com exigibilidade suspensa e respectivos juros, a norma do §1o do art. 41 da Lei nº 8.981/95 seria desnecessária, na medida em que desde a edição do Decretolei nº 1.730/79 (art. 3o), já existia a vedação à dedução, no lucro real, de provisões que não estivessem expressamente autorizadas em lei. Acrescenta que não pode o Fisco por obra de mera interpretação alterar a natureza das coisas. Transcreve lições de Luciano Amaro à época em que sem base em lei (como no caso concreto) o Fisco pretendia via mera interpretação glosar a dedutibilidade de tributos em discussão judicial, e cita, no mesmo sentido, o Parecer Normativo nº 58/77, concluindo que: Em sendo assim, a partir do momento em que ocorre o fato gerador da referida obrigação, já nasce para o Fisco o direito, porque como referido no PN 58/77 acima, já se verificaram todos os pressupostos materiais que o tornam incondicional, vale dizer, exigível independentemente de qualquer prestação por parte do respectivo credor. (destaques do original). Sendo a despesa incorrida certa e determinada, representando uma obrigação já existente, discorda de sua glosa a título de provisão. Opõese, ainda, à aplicação do art. 41, §1o da Lei nº 8.981/95, aos juros contingenciados, recordando que o art. 8o da Lei nº 8.541/92 expressamente vedava a dedução Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.119 6 não só dos tributos com exigibilidade suspensa, mas também de sua atualização monetária, juros e outros encargos, ao passo que a Lei nº 8.981/95 não trouxe estes acréscimos. Entende que não se pode presumir que quando a nova lei suprimir palavras que existiam na lei velha essa supressão seja inútil, e acrescenta que o MAJUR de 2006 a 2008 não faz qualquer referência à necessidade de adição dos juros decorrentes de tributos com exigibilidade suspensa, contrariamente ao que antes estava expresso no MAJUR do anocalendário 2004. Cita jurisprudência administrativa em favor de seu entendimento. Ressalta que os juros têm natureza diversa da obrigação principal, pois decorrem do inadimplemento do devedor. Aponta que o MAJUR do anobase de 1995 reconhece esta natureza distinta, ao admitir que fosse reconhecida por regime de competência correção monetária do principal dedutível pelo regime de caixa, e defende que esta interpretação ainda prevalece, pois não houve qualquer alteração na lei hoje em vigor. Ainda, para evitar arguição de preclusão, aborda a inconstitucionalidade da discriminação veiculada no art. 41, §1o da Lei nº 8.981/95, na medida em que resulta na tributação de algo que não é renda ou lucro, viola o princípio da isonomia, e indiretamente impede o livre acesso ao Judiciário, além de criar sanção imprópria para cobrança de tributos. Por fim, opõese: 1) à aplicação da multa de ofício e juros de mora em razão de sua conduta estar orientada por posicionamento da COSIT (Boletim Central Extraordinário COSIT nº 21/93 e MAJUR), consoante permite o art. 100, parágrafo único do CTN; 2) à exigência de juros sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal, citando entendimento adotado pela 1a Turma da CSRF em 08/11/2010, e outros julgados administrativos, bem como expressando sua interpretação acerca do alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96; e 3) à utilização da taxa SELIC para efeitos de cálculo dos juros de mora, também para evitar arguição de preclusão. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.120 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cabe apreciar a arguição de nulidade do lançamento. Como relatado, a exigência fiscal está fundamentada no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, e há motivação expressa da autoridade lançadora no sentido da submissão dos valores glosados à hipótese legal indicada. A alegação de capitulação legal incompleta, em verdade, decorre da ausência de referência, no ato de lançamento, a dispositivos legais que foram invocados pela contribuinte em impugnação para desconstituição da exigência, mas refutados na decisão recorrida. Inexiste, assim, qualquer cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, pois os acréscimos feitos pela autoridade julgadora nada mais são do que razões de decidir, as quais confirmam a fundamentação legal da exigência na medida em que afastam os argumentos deduzidos em impugnação para seu cancelamento. O presente voto, portanto, é no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, tem razão a recorrente quando observa que o art. 41 da Lei nº 8.981/95 tem efeitos, apenas, na apuração da base de cálculo do IRPJ, não se prestando o art. 57 da mesma lei a ampliar seus efeitos, de modo a alterar a apuração da base de cálculo da CSLL. Todavia, como já dito, o presente lançamento tem por fundamento o art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, e é sob a ótica deste que deve ser analisada a exigência. Diz a referida lei: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; [...] (negrejouse) A recorrente, porém, entende que os valores contabilizados constituem verdadeira obrigação legal, um passivo, e não uma simples provisão destinada ao resguardo contra os efeitos patrimoniais de eventos futuros e incertos. Acrescenta que a declaração dos tributos em DCTF tem caráter de confissão de dívida e debate o conceito de provisões, reportandose ao entendimento que prevaleceu no julgamento refletido no Acórdão nº 1401 00.058, de cuja ementa extraise: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – DEDUTIBILIDADE Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.121 8 Provisão passiva representa urna obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL. No voto condutor do referido acórdão, o I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata observa que provisão representa uma obrigação incerta ou certa mas ilíquida, e que a obrigação tributária, em razão da presunção de constitucionalidade e de legitimidade da lei, é certa e líquida enquanto não se der o trânsito em julgado favoravelmente ao contribuinte, o qual, em verdade, exige a reversão do passivo antes contabilizado. Discorda, assim, que o fato de se ingressar com ação judicial contra certa lei tributária ou contra a legalidade de uma obrigação tributária transforme o passivo representativo desta obrigação em provisão, e afirma o acerto o item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005. Referido Pronunciamento assim estabelece no Sumário que integra seu Anexo I: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. O termo provisão também tem sido usado no contexto de contas retificadoras, como depreciações acumuladas, desvalorização de ativos e ajustes de valores a receber. Esses ajustes aos valores contábeis de ativos não são abordados nesta NPC. iii. Provisões derivadas de apropriações por competência são passivos por mercadorias ou serviços que foram recebidos ou fornecidos, mas que não foram faturados ou acordados formalmente com o fornecedor, incluindo montantes devidos a empregados (por exemplo, os montantes relativos à provisão para férias), os devidos pela atualização de obrigações na data do balanço, entre outros. Embora às vezes seja necessário estimar o valor ou o tempo das provisões derivadas de apropriações por competência, o que poderia assemelharse conceitualmente a uma provisão, a diferença básica está no fato de que as provisões derivadas de apropriações por competência são obrigações já existentes, registradas no período de competência, sendo muito menor o grau de incerteza que as envolve. [...] vi. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. [...] Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.122 9 Ocorre que os conceitos de provisão e obrigação legal podem se tocar e se confundir em determinadas circunstâncias. O próprio Pronunciamento acima referido cogita desta possibilidade ao assim estabelecer, também no Anexo I: Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a. uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b. é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c. o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. Se qualquer uma dessas condições não for atendida, a provisão não deve ser reconhecida. É importante notar, por outro lado, a diferença existente entre provisões e outros passivos e contingências passivas, conforme os itens 7, 8 e os exemplos no Anexo II a esta NPC, notadamente aqueles incluídos no item 4. No presente caso, as decisões judiciais favoráveis à contribuinte afetam não só o direito do Fisco de exigir o crédito tributário, mas também suspendem a obrigação legal da contribuinte de pagálo. Há não só incerteza quanto ao seu recebimento por parte do Fisco, como também em relação ao seu pagamento por parte da contribuinte. Daí a possibilidade, como citado no voto do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, de reversão deste passivo ao final do litígio judicial, prática comum no âmbito das provisões. Caso se tratasse de uma obrigação legal, líquida e certa, a decisão judicial final favorável ao contribuinte ensejaria o reconhecimento de uma receita por insubsistência passiva, semelhante a um perdão de dívida, e não mera reversão de provisão. Quanto ao referido item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, não se vislumbra, ali, um reconhecimento explícito de que tributos com exigibilidade suspensa por decisão judicial seriam qualificados como obrigação legal e não como provisão. Vejase: ANEXO II EXEMPLOS DE TRATAMENTO A SER DADO ENVOLVENDO CONTINGÊNCIAS ATIVAS E CONTINGÊNCIAS PASSIVAS O objetivo deste anexo é auxiliar no entendimento da NPC sobre Provisões, contingências ativas e contingências passivas e deve ser lido no contexto completo da NPC, não devendo ser considerado isoladamente. [...] 4. Tributos a. A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC. Em uma etapa posterior, o advogado comunica que a ação foi julgada procedente em determinada instância. Mesmo que haja uma tendência de ganho, e ainda que o Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.123 10 advogado julgue como provável o ganho de causa em definitivo, pelo fato de que ainda cabe recurso por parte do credor (a União), a situação não é ainda considerada praticamente certa, e, portanto, o ganho não deve ser registrado. É de se ressaltar que a situação avaliada é de uma contingência ativa, e não de uma contingência passiva a ser revertida, pois o passivo, como dito no item anterior, é uma obrigação legal e não uma provisão ou uma contingência passiva. [...] c. Ao obter decisão final favorável sobre um ganho contingente, a entidade deverá observar o momento adequado para o seu reconhecimento contábil. Não havendo mais possibilidades de recursos da parte contrária, o risco da nãorealização do ganho contingente é considerado "remoto", e, portanto, a entidade deve reconhecer contabilmente o ganho quando a decisão judicial final produzir seus efeitos, o que ocorre, normalmente, após a publicação no Diário Oficial. Isso significa dizer que, a partir desse momento, o ganho deixará de ser contingente e se tornará um direito da entidade. Antes do registro do ganho contingente, porém, e periodicamente após seu registro, a administração da entidade deve avaliar a capacidade de recuperação do ativo, uma vez que a parte contrária pode tornarse incapaz de honrar esse compromisso, ou pode ser que sua utilização futura seja incerta. No primeiro contexto, abordado no item “a”, observase que, embora proposta uma ação judicial, nada se fala da existência de decisão hábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. O mesmo ocorre na seqüência do desenvolvimento do exemplo, no qual a análise tem em conta, apenas, decisões judiciais ainda não definitivas, sem qualquer referência acerca da eficácia imediata destes atos judiciais. De forma semelhante a questão também é abordada em artigo elaborado por Luciano da Silva Amaro, transcrito no recurso voluntário. Em tais condições, não há dúvida que o tributo devido representa uma obrigação legal da contribuinte, passível de exigência a partir de seu vencimento, e que pode vir a constituir um ganho futuro, caso haja certeza suficiente do sucesso da interessada na ação judicial proposta. Somente neste contexto podese vislumbrar, como quer a recorrente, a caracterização da decisão judicial final como condição resolutiva na forma do Código Civil: Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extinguese, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boafé. Aqui, porém, a incerteza está presente ante a existência de decisões judiciais hábeis a suspender a exigibilidade do crédito tributário, impedindo, por prazo indeterminado, que o Fisco receba ou execute seu direito que decorreria do fato gerador praticado, à semelhança do que previsto no art. 125 do Código Civil. Acrescentese que em nada favorecem a recorrente os esclarecimentos trazidos na Interpretação Técnica IBRACON nº 02/2006, que teve por objeto o Pronunciamento IBRACON NPC nº 22. Reportandose ao primeiro contexto abordado no item Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.124 11 4 do Anexo II do referido Pronunciamento, a recorrente destaca o seguinte excerto da Interpretação Técnica citada: Nesse caso, enquanto vigorar a lei, existe uma relação jurídica que estabelece uma obrigação legal entre o contribuinte e a União. Em razão da existência dessa relação jurídica, os respectivos efeitos produzidos pela vigência da norma devem ser registrados contabilmente como contas a pagar. A obrigação legal, anteriormente descrita, somente deixará de existir quando a relação jurídica que a originou deixar de produzir, definitivamente, os efeitos que lhe são pertinentes. Essa relação jurídica terminará quando houver decisão definitiva acerca de sua inconstitucionalidade proferida em instância competente, ou caso haja o seu efetivo cumprimento por meio de pagamento ou outra forma de extinção da obrigação tributária. Notese que a suspensão da exigibilidade do pagamento da obrigação tributária, provocada por meio de recursos legais iniciados pela entidade, não afeta a existência dessa obrigação. A obrigação legal existe, mas não é, no momento, exigível. Ocorre que não está em discussão a existência da obrigação, mas sim a sua certeza que decorre, justamente, de sua exigibilidade. Como dito, o passivo deve ser contabilizado, é originariamente uma obrigação legal, mas a retirada de um de seus atributos relevantes, que é a exigibilidade, altera sua natureza para provisão, e enseja a sua indedutibilidade no âmbito da apuração da CSLL. Pertinente a transcrição de excertos do voto da I. Julgadora Denise Freire Lorenzoni em decisão de 1a instância proferida nos autos do processo administrativo nº 16327.720407/201094, atacada por recurso voluntário também distribuído para relatoria desta Conselheira: Oportuno transcrever, neste ponto, doutrina invocada na decisão recorrida, extraída do Manual de Contabilidade Societária, da FIPECAFI, ed. Atlas, 2010, cap. 19 (Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes), p.p. 339/341. Os autores dessa obra, manifestandose precisamente sobre o exemplo 4a do Anexo II da NPC 22 do Ibracon, consignam que: Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. Isto porque, na introdução do tema, os autores comparam o Pronunciamento IBRACON NPC nº 22 com o entendimento expresso pelo IASB e assim concluem: Em primeiro lugar, a NPC deriva da IAS 37 emitida pelo IASB, e esta não contém o referido exemplo, e ele não se coaduna, no nosso julgamento, com o conteúdo das próprias normas, nem com a NPC 22 e nem com a IAS 37. No corpo da IAS 37 não há qualquer distinção entre "obrigação legal" e "obrigação não formalizada" (constructive obligation) para fins de reconheci mento de uma provisão. Vejase na parte inicial relativa às Definições, dentro do § 6a, da NPC 22: Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.125 12 “(v) Um passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. (vi)Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (vii)Uma obrigação não formalizada é aquela que surge quando uma entidade, mediante práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida por parte de terceiros e, por conta disso assume um compromisso.” A partir dessas três definições podese construir que: "Um passivo é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade." Ainda nas definições, há o conceito de provisão: "(ii) Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos." Substituindo a definição de passivo nessa da provisão, chegase então a: "Uma provisão é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, de prazo ou valor incertos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos." Nestes termos, portanto, obrigação legal não é um conceito excludente de provisão. É possível que uma obrigação legal represente uma provisão, caso seja incerto, como no presente caso, o prazo para seu pagamento. Logo, o fato de a doutrina mencionada afirmar que compete à administração da companhia avaliar a situação na qual está inserida e fazer refletir da melhor forma essa avaliação em suas demonstrações é irrelevante para alterar a natureza atribuída ao passivo aqui em debate. Acrescentese, ainda, a conclusão do outro texto doutrinário citado na decisão recorrida, elaborado por Ricardo Mariz de Oliveira (“O Alcance e o Sentido Sistemático da lndedutibilidade dos Depósitos de Tributos em Processos Fiscais – A Dedutibilidade dos Depósitos em Processos de Consignação em Pagamento”, in Direito Tributário Atual volume 12 IBDTUSP e da Resenha Tributária, 1995): [...] E nenhuma lógica existe na atitude do contribuinte, de dizer que não deve o tributo quando vierem lhe cobrar, mas dizer na contabilidade que o deve, assim como na declaração de rendimentos para deduzilo fiscalmente. Num primeiro momento ele opõe ao fisco suas razões para não reconhecer o débito, e num momento seguinte, que deveria ser conseqüente, ele, inconseqüentemente, opõe ao fisco o direito de deduzir o tributo, que só existe se este for devido. [...] Assim, se o contribuinte não reconhece o débito não deve registrálo pura e simplesmente como uma despesa a pagar, como o faria em circunstâncias normais. O que ele deve fazer é registrar o risco em reserva ou provisão, que é indedutível. [...] O essencial, portanto, dentro dos preceitos relativos ao chamado "regime de competência", é que a dúvida lançada sobre o débito redunda em reserva ou provisão indedutível, e não em conta de despesa devida e a pagar, correspondente à despesa fiscalmente dedutível. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.126 13 Neste contexto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime e posterior ao Acórdão nº 140100.058, posicionouse contrariamente à pretensão de contribuinte autuada, consoante expresso na ementa do Acórdão nº 910100.592: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Do voto condutor do I. Conselheiro Claudemir R. Malaquias extraise: O entendimento que tem se firmado neste Conselho é de que os tributos que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, devem ser provisionados contabilmente, não se confundindo, portanto, com o registro de despesas incorridas. Os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por uma das hipóteses previstas no citado art. 151 devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, considerados como despesa somente por ocasião de seu efetivo pagamento. Enquanto provisão, está vedada a sua dedução na apuração da base de cálculo de qualquer tributo, devendo, portanto, neste caso, serem integralmente adicionadas à base de cálculo da CSLL. Afinal, este é o disciplinamento previsto no art. 41, § 1o da Lei nº 8.981/95 e no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. Este posicionamento foi muito bem apresentado no voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortês, a quem peço vênia para sua transcrição: "(..) Entretanto, ao que pese o argumento despendido pela contribuinte, entendo que o mesmo não tem como prosperar, até porque, se a mesma entendesse que o crédito tributário questionado judicialmente era devido, não teria se aventurado a uma demanda judicial morosa e infrutífera. Se o fez, é porque entendia que as leis que instituíram ou majoraram as obrigações questionadas, traziam em seu bojo flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, e sendo assim, não há o que se falar em contas a pagar, até porque, tal obrigação nasce de modo incondicional, ao passo que as características dos tributos com exigibilidade suspensa, são obrigações fiscais condicionadas à exigência futura e incerta. Portanto, por configurar uma situação de solução indefinida a data do encerramento do anocalendário a que se refere, dependente de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsumese a uma situação de contingência que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, ou seja, à época do balanço, tal ganho ou perda é apenas potencial, não representando, evidentemente, uma obrigação incondicional. (...) Logo, decorre dai a necessidade da formação da provisão para o registro contábil dos tributos com exigibilidade suspensa em função de sua Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.127 14 contingência passiva em exercício futuro, cujos, valores, apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real, bem como para a determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. Nesta linha de argumentação, devese asseverar ainda que não encontra guarida no melhor direito a alegação da recorrente (fls. 369) no sentido de que a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa aplicarseia, exclusivamente, à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e não à CSLL. Com efeito, pelo disposto no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro restou vedada a dedução de quaisquer provisões. Nestas estão incluídas aquelas constituídas em função de tributo com exigibilidade suspensa, excetuandose apenas as provisões para pagamento de férias e décimoterceiro salário e as provisões técnicas exigidas pela legislação especial de determinadas instituições. Da análise efetuada, concluise com o mesmo entendimento do acórdão recorrido que decidiu pela impossibilidade de ser deduzida da base de cálculo da CSLL a parcela relativa às contribuições para o PIS objeto de questionamento judicial e com exigibilidade suspensa. A dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Acrescenta a recorrente que, a prevalecer o entendimento da fiscalização, aquela despesa já incorrida se transformaria em provisão apenas a partir do momento em que eventualmente suspensa sua exigibilidade, e voltaria a ter a natureza de despesa acaso posteriormente cassada a liminar inicialmente concedida, o que obviamente é um absurdo. Todavia, não se vê qualquer impropriedade na adequação dos registros contábeis aos novos fatos verificados no mundo real. Se a obrigação tributária foi contabilizada como despesa, e antes de seu vencimento, ou mesmo depois deste, a contribuinte é favorecida com decisão judicial que suspende sua exigibilidade, este passivo tem sua natureza alterada, e deve ser re classificado como provisão, com o conseqüente estorno de seus efeitos na apuração do lucro tributável no momento em que a suspensão da exigibilidade for verificada, para que a dedução somente se efetive quando a exigibilidade for restabelecida. Não se trata, como aventa a recorrente, de deixar de observar a orientação contida no art. 9o, §4o, inciso III da Resolução CFC nº 750/93, acercar do reconhecimento contábil de despesas. Não há dúvida que o surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo representa uma despesa. A discussão prendese à natureza do passivo contabilizado em contrapartida a esta despesa: se uma provisão ou uma obrigação legal líquida e certa. E esta natureza é necessariamente definida mediante interpretação. Afirmar que não pode o Fisco por obra de mera interpretação alterar a natureza das coisas equivale a dizer que conceitos contábeis não são construções humanas, mas sim verdades contidas na essência “das coisas”. A recorrente, assim como a Fiscalização, expôs sua interpretação dos fatos, e a análise destes argumentos resulta no convencimento desta Relatora de que as despesas tributárias contabilizadas revestem a natureza de provisão e são, assim, indedutíveis na apuração da CSLL. Menciona a recorrente que a se confirmar a caracterização dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão, desnecessária seria a norma do §1o do art. 41 da Lei nº 8.981/95, na medida em que o art. 3o do Decretolei nº 1.730/79 já vedava a dedução de provisões que não estivessem expressamente autorizadas em lei. Muito embora seja dispensável este debate, na medida em que a presente exigência tem por fundamento a Lei nº Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.128 15 9.249/95 e sua repercussão na base de cálculo da CSLL, cabe registrar que, como é sabido, a discussão judicial de leis tributárias, acompanhada de decisões que conferiam suspensão da exigibilidade ao crédito tributário, passou a ter relevância apenas a partir da Constituição Federal de 1988, mostrandose insuficiente a mera vedação dirigida às provisões para regular a dedutibilidade de despesas com significativo impacto na apuração do lucro real. Daí porque a Lei nº 8.541/92 veio a estabelecer como regra o regime de caixa para dedutibilidade de tributos, posteriormente afastado pela Lei nº 8.981/95 em outras hipóteses que não as dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Desta forma, a Lei nº 8.981/95 acabou por admitir que obrigações tributárias com exigibilidade suspensa por outras razões, embora também com o contorno de provisões, afetassem o lucro real. Por todo o exposto, mostrase inócuo: · invocar o Parecer Normativo CST nº 58/77, que trata da matéria em contexto legal completamente diverso do atual, apreciando apenas a dedutibilidade de despesas tributárias incorridas mas não pagas, sem perquirir da razão desta falta de pagamento; · comparar os textos da Lei nº 8.981/95 e 8.541/92, pois ainda que apenas esta última tenha se referido à vedação da dedução dos encargos vinculados aos tributos com exigibilidade suspensa, a abordagem genérica da Lei nº 9.249/95 é suficiente para afastar a dedutibilidade imediata, também, da atualização monetária aplicada sobre as obrigações com exigibilidade suspensa, pois se estas têm a natureza de provisão, o incremento que lhes é feito, também destituído de exigibilidade imediata, terá por contrapartida, necessariamente, despesa indedutível; · questionar a legalidade da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, se a vedação nela contida tem lastro na Lei nº 9.249/95, e não apenas no art. 41 da Lei nº 8.981/95. Além disso, é impróprio pretender, com fundamento no art. 100, parágrafo único do CTN, afastar a aplicação de multa de ofício e juros de mora em razão de a conduta da contribuinte orientada por posicionamento da COSIT (Boletim Central Extraordinário COSIT nº 21/93 e MAJUR). Isto porque a exigência fiscal tem por fundamento a Lei nº 9.249/95, e atos normativos anteriores jamais veiculariam interpretação que, seguida pelo sujeito passivo, pudesse afastar a caracterização de infração à legislação tributária editada posteriormente. No que tange à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, observese que, como eles integram o lançamento, e são motivados por evento posterior, sequer deveria ser apreciada esta matéria no contencioso administrativo fiscal. Contudo, admitese aqui o entendimento dos colegiados desta casa, no sentido de que deve ser apreciada esta matéria no julgamento administrativo dos autos de infração, para, no mérito, adotar as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.129 16 Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.130 17 A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.131 18 Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Rejeitase, portanto, a interpretação conferida pela contribuinte ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, admitindose a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, bem como sobre o principal lançado, em ambos os casos calculados com base na taxa SELIC, a teor da referida Súmula CARF nº 4. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720442/201194 Acórdão n.º 1101000.792 S1C1T1 Fl. 1.132 19 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10980.009821/2002-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de COFINS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por se tratar de matéria sumulada. Fez sustentação oral o Dr. Alexander Sandrini Ferreira, OAB/RJ nº 140.427, advogado do sujeito passivo.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de COFINS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por se tratar de matéria sumulada. Fez sustentação oral o Dr. Alexander Sandrini Ferreira, OAB/RJ nº 140.427, advogado do sujeito passivo. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 98 21 /2 00 2- 49 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 880 a 894) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 871 a 878) que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 1996 a setembro de 1997. Por bem resumir a controvérsia do presente recurso especial, e no que interessa ao seu deslinde, em razão de petição de desistência do contribuinte apresentada às fls. 918 a 920 para inclusão de débitos no REFIS da Lei nº 11.941/2009, em que se pleiteou a manutenção da discussão apenas quanto à decadência, transcrevo o seguinte excerto do relatório apresentado no v. acórdão recorrido, verbis: A ora recorrente foi autuada por insuficiência no recolhimento do PIS Faturamento, relativamente aos periodos de apuração de janeiro de 1996 a dezembro de 2000, com acréscimo dos consectários legais. A intimação do auto de infração ocorreu em 30 de setembro de 2002. De acordo com o contido no processo e resumido no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, a contribuinte, instada a justificar o estorno de lançamentos de receita relativamente aos períodos de apuração de 1996 a 1999 e os lançamentos de "outras receitas operacionais" no ano de 2000 alegou que tal procedimento decorreu da necessidade de identificar as receitas destinadas a prestadores de serviços de transporte por ele agenciados, tendo em vista a sua condição de pessoa jurídica dedicada aos serviços de transporte e de logística de transportes. Esclarece que, nesta condição, providencia o transporte de cargas contratados em veiculos de sua propriedade e em veículos de terceiros previamente contratados para prestar o serviço por ele agenciado. Com base em tal informação, os fiscais autuantes fizeram o levantamento dos valores e, com base na inexistência de previsão legal para a sua exclusão da base de cálculo do PIS Faturamento, lavraram o auto de infração. Em sua impugnação, a autuada, em preliminar, alega a decadência do direito de lançar o tributo relativamente aos fatos geradores de janeiro de 1996 a agosto de 1997. (...) Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009821/200249 Acórdão n.º 9303002.894 CSRFT3 Fl. 489 3 Por outro lado, para um correto entendimento das razões de decidir do v. acórdão recorrido, mister transcrever o seguinte trecho do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer, verbis: Como deflui do relatado, a discussão limitase à determinação da base de cálculo do PIS Faturamento em atividade de prestação de serviços de agenciamento de cargas, considerada pela autoridade fiscal como serviço de transporte próprio, sem prejuízo do julgamento da preliminar suscitada. Passo ao exame da preliminar de decadência: Efetivamente, no rastro da jurisprudência majoritária desta Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em vista da natureza tributária atribuída ao PIS Faturamento, o entendimento tem se pautado pela aplicação da regra insculpida no § 4º do art. 150 do CTN, principalmente quando, como in casu, houve antecipação de pagamento. Neste diapasão, declaro decaído o direito de a Fazenda Pública exigir o tributo relativo aos períodos de apuração de janeiro de 1996 a setembro de 1997, vez que a ciência do lançamento operouse em 30 de setembro de 2002. (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, violação ao disposto no § 4º do artigo 150 do CTN e no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 896 a 897. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional merece ser conhecido. No tocante ao mérito, todavia, melhor sorte não assiste à Recorrente. Com efeito, a matéria ora controvertida diz respeito, apenas, ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de COFINS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 10540.001171/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA. CHEQUES DEVOLVIDOS. Os cheques devolvidos representam estornos de depósitos anteriores (decréscimo patrimonial) e devem, portanto, ser excluídos da base de cálculo da omissão.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõem os artigos 142 do CTN e artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Provado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do CPC, no sentido de que a regra artigo 150 do CTN só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações, como a que se constata no caso em tela.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. FATO GERADOR. SÚMULA CARF nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF nº 26. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº 34. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
Recurso de Ofício e Voluntário Negados
Numero da decisão: 2102-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Sidnei de Sousa Pereira.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CRÉDITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA. CHEQUES DEVOLVIDOS. Os cheques devolvidos representam estornos de depósitos anteriores (decréscimo patrimonial) e devem, portanto, ser excluídos da base de cálculo da omissão. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõem os artigos 142 do CTN e artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Provado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do CPC, no sentido de que a regra artigo 150 do CTN só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações, como a que se constata no caso em tela. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. FATO GERADOR. SÚMULA CARF nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF nº 26. Para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 11 71 /2 01 0- 82 Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº 34. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Recurso de Ofício e Voluntário Negados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Sidnei de Sousa Pereira. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário em face do Acórdão nº 1525.760 (2089/2092), que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o Auto de Infração, para excluir os cheques devolvidos da base de cálculo da omissão por depósito bancário de origem não comprovada, que somaram no ano de 2005 o montante de R$ 1.674.265,34 e, consequentemente, reduziu a exigência do imposto suplementar apurado em R$ 460.422,97 e respectiva multa de ofício de 150% (R$ 690.634,45). Os valores exonerados do crédito tributário relativos a imposto e multa alcançam o montante de R$ 1.151.057,42. A infração indicada na descrição dos fatos do lançamento e os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte foram resumidos na decisão de primeiro grau nos seguintes termos: “O interessado contesta auto de infração do imposto de renda sobre rendimentos omitidos, correspondentes a depósitos de origem não comprovada, efetuados em 2005 em conta bancária de sua responsabilidade. O imposto resultante foi de R$ 2.249.526,77, elevandose a exigência para R$ 6.713.487,68 com o acréscimo de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, em virtude das evidências de prática de sonegação fiscal. O autuante em seu relatório narra as investigações e elementos que levaram a concluir que a titular da conta bancária em questão, Maria Lúcia Santos, humilde, analfabeta, sem recursos, servia como pessoa interposta para ocultar a movimentação financeira do autuando. Constatara que os recursos sacados se destinavam a pagamentos de contas do autuado e para realização de negócios de suas empresas, havendo provas de diversos cheques sacados por seu funcionário. Restara comprovado ainda, de acordo com o autuante, que o procurador nomeado para a movimentação da conta bancária, João dos Santos Santana, irmão da titular, também Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 3 3 funcionava como pessoa interposta, apesar de haver declarado que os recursos seriam da sua irmã, e que conhecia o autuado somente de nome. O autuante narra ainda as diversas dificuldades enfrentadas para conseguir que a instituição financeira, a Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis, fornecesse as informações bancárias requeridas, constatando ainda que esta havia emitido cheques simulando que o titular da conta seria pessoa jurídica, grafando nos cheques MLS Cia Ltda. Como responsável pela movimentação financeira, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos créditos, sendolhe enviado na ocasião extrato da conta (fls. 56/62). O lançamento foi efetuado sobre os depósitos de origem não comprovada, com base no art. 42. da Lei 4.930/1996. Os argumentos do impugnante são em síntese os seguintes (fls. 2027/2086): 1. Em 04/11/2010, quando fora notificado, já havia decaído o direito de lançamento sobre fatos ocorridos antes de novembro de 2005, uma vez que no lançamento por homologação o prazo decadencial é contado a partir da data do fato gerador do tributo. 2. Inválido o lançamento efetuado pela Delegacia da Receita Federal em Itabuna, pois os fatos foram verificados em Salvador, uma vez que este é o seu domicílio fiscal. 3. O prazo de trinta dias para impugnação é demasiado exíguo em um processo de mais de duas mil páginas. 4. Não teve acesso aos documentos da conta de Maria Lúcia Santos. Deveria comprovar a origem dos créditos, mas somente lhe foram informados os valores a débitos, isto é, aqueles que comprovariam a sua vinculação com esta conta. Nega que tenha recebido cópia dos extratos bancários, como afirma o termo de constatação fiscal que lhe foi enviado (fls. 56/62). 5. Não restou demonstrada a interposição de pessoas, limitandose o autuante a repetir documentos que não têm relação com o objeto investigatório. Para esta conclusão foram utilizados meros e insuficiente indícios. Nunca negou que tinha relação comercial com o João dos Santos Santana, mas daí não se pode concluir a interposição de pessoas, pois este aparece como representante de diversas empresas. Afirma que João dos Santos Santana mentiu ao afirmar que não o conhecia pessoalmente. 6. As investigações fiscais demonstraram que a movimentação da conta, em sua maior parte, se dá entre a sua empresa de factoring JLS Empresa de Fomento Mercantil Ltda e empresas das quais João dos Santos Santana era o procurador. Este, ao contrário do que afirma o autuante, não declarara que os recursos da conta seriam apenas da sua irmã, mas sim também dele próprio (fls. 51). 7. A empresa JLS é que deveria ser intimada pela fiscalização para fornecer informações sobre os créditos provenientes da conta de Maria Lúcia Santos, e não ele próprio. Apesar de sócio, não poderia fornecer documentos em nome da empresa, pois isto representaria quebra do sigilo da pessoa jurídica e de seus clientes. 8. As relações de João dos Santos Santana com empresas de titularidade do autuado, seja em nome próprio ou como procurador de terceiros, não podem servir como prova de que tenha sido utilizado como pessoa interposta, pois todas as empresas que o contribuinte possui estão em seu próprio nome, e são mais de vinte, que empregam centenas de pessoas. 9. Enumera e comenta quarenta e seis depoimentos prestados à fiscalização pelas diversas pessoas que receberam recursos da conta Maria Lúcia Santos e que afirmam tratarse de negócios com o autuado ou com suas empresas. Procura demonstrar que estas declarações não Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 permitem concluir, como pretende o autuante, que a conta tenha servido para movimentar recursos de sua responsabilidade. Em alguns casos nega os negócios mencionados; em outros, afirma que não foram identificados os cheques; outros teriam prestado informações infundadas. Um deles menciona empréstimo recebido de sua empresa, mas jamais poderia afirmar que ele próprio tenha assinado o cheque. Um outro empréstimo de sua empresa de factoring teria sido realmente efetuado com cheque da conta de Maria Lúcia Santos, mas neste caso a sua empresa teria recebido este cheque por quitação de dívida da empresa NODMEL, da qual João dos Santos Santana era procurador. Diversos outros pagamentos também teriam sido efetuados com cheques que recebera de João dos Santos em negócios de gado. 10. O autuante atribui significação exagerada a estas movimentações, que não chegam a 15% do total movimentado na conta. 11. Quanto aos diversos cheques sacados por seu funcionário Jailson Souza Nascimento, afirma que era empregado da JLS Fomento Mercantil, detendo inclusive procuração para assinar em nome da empresa. 12. Se ficasse caracterizada a interposição de pessoas, os próprios elementos colhidos pelo autuante ou o volume e perfil da movimentação bancária indicariam antes que o responsável pela movimentação seria a sua empresa de factoring JLS, ou então que a pessoa física deveria ser equiparada a pessoa jurídica, com a inscrição de ofício no CNPJ. 13. Apesar de haver sido excluído dos créditos na conta corrente os rendimentos declarados, não foram excluídos os rendimentos isentos da atividade rural, os cheques devolvidos e os regates de aplicação financeira. 14. Dos depósitos bancários não foi excluída a receita bruta de atividade rural, que comprova foi de R$ 2.080.386,52, sujeita à tributação beneficiada. 15. Não foram excluídos rendimentos recebidos da Igreja Internacional da Graça de Deus. (R$ 39.750,50). 16. Não foram excluídos os depósitos inferiores a R$ 12.000,00. 17. Não é cabível a multa qualificada de 150%. Não foi provada a interposição de pessoas nem se pode presumir o intuito de fraude. 18. Não se podem presumir rendimentos os créditos em contas bancárias se não forem analisados ao mesmo tempo os débitos e comprovados sinais exteriores de riqueza ou variação patrimonial. 19. Como é produtor rural, caberia presumir que os depósitos são receitas desta atividade, com o benefício da tributação sobre apenas 20% destes créditos.” Em seu apelo ao CARF (fls. 2567/2640), o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, na parte em que a decisão a quo lhe foi desfavorável: Pelo exposto, o Recorrente requer seja conhecido e provido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, reformando, EM PARTE, a r. decisão de Primeira Instancia para: I declarar nulo o Auto de Infração em questão, em face das preliminares retromencionadas, especialmente a de erro na edificação do sujeito passivo; II reconhecer a decadência dos tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até o dia 31 de outubro de 2005; Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 4 5 III revisar a base de calculo considerando o que segue: a) manter a decisão de exclusão do valor de R$ 1.674.265,34 (um milhão e seiscentos e setenta e quatro mil e duzentos e sessenta e cinco reais e trinta e quatro centavos) referentes a inclusão de cheques devolvidos na base de cálculo; b) a exclusão dos depósitos de valor individual inferior a R$ 12.000,00 da base de cálculo; c) deduzir do valor da base de calculo os valores previamente declarados na declaração anual de ajuste; d) o reconhecimento dos depósitos eventualmente não comprovados como receita de atividade rural ou de factoring, na forma exposta; IV declarar a inexistência de sonegação, fraude ou conluio, face à inexistência de provas, e mesmo da descrição fática que permita a contribuinte exercer seu direito de defesa, constitucionalmente garantido; V em face do reconhecimento do pedido anterior, julgar pela improcedência da multa de 150% sobre os valores não constantes na declaração entregue à Receita Federal, reduzindo tal percentual a 75%; VI que as demais publicações sigam o estabelecido pelo ilustre Auditor Fiscal, ou seja, sejam encaminhadas ao procurador habilitado, Dr. Luiz Carvalho Bernardes Neto, OAB/BA no 19.865, na Rua Marques de Paranaguá, n° 186, sala 112, Centro, Ilhéus (BA), CEP 45.653000, a quem devem ser dirigidas todas as intimações e notificações doravante, SOB PENA DE NULIDADE; É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. Os recursos atendem os requisitos de admissibilidade. Com efeito, o recurso de ofício foi interposto na própria decisão de primeiro grau, tendo em vista o montante exonerado de imposto e multa (R$ 1.151.057,42), nos termos do artigo 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993, e pelo artigo 2º da Portaria MF n° 003, de 03 de janeiro de 2008, que estabelece o limite de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) para interposição de recurso de oficio. Por óbvio, devese negar provimento ao recurso de ofício, pois os cheques devolvidos representam estornos de depósitos anteriores (decréscimo patrimonial) e devem, portanto, ser excluídos da base de cálculo da omissão. Se posteriormente foram depositados e compensados, nesta oportunidade é que poderão compor nova base de cálculo para tributação, se não tiverem sua origem comprovada. Se forem novamente devolvidos, nova exclusão deve ser efetuada. Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 No que tange ao recurso voluntário, conforme Despacho à fl. 2645 o processo em exame foi encaminhado para sorteio/distribuição, em cumprimento à decisão proferida pela 16ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal, que determinou ao CARF o recebimento do recurso voluntário apresentado como tempestivo (2662/2666). Inicialmente o recorrente alega que, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, estaria decadente o direito do Fisco de efetuar a constituição do crédito tributário relativo ao período de janeiro a outubro de 2005. Sabese que o fato gerador consiste na situação material descrita pelo legislador como capaz de suscitar a obrigação tributária. No caso do IRPF, o fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda (CTN, art. 43). Quanto ao tempo de ocorrência do fato gerador, a doutrina adotou a seguinte classificação: instantâneos, periódicos e continuados. Os fatos geradores periódicos, também denominados complexivos, são aqueles que se realizam ao longo de um intervalo de tempo, como é o caso do IRPF, que embora apurado mensalmente se sujeita ao ajuste anual e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Tal entendimento encontrase, inclusive, traduzido na Súmula CARF nº 38, abaixo transcrita, a qual cuida especificamente da data da ocorrência do fato gerador relativamente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, que é o caso destes autos: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.(Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Logo, temse que os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 2005 somente se completaram em 31/12/2005. Já no que se refere à contagem do prazo decadencial, cumpre observar que o Código Tributário Nacional CTN possui duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, § 4º). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, § 4º, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 5 7 No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, uma vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação ocorrem simultaneamente, tornouse impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração Tributária apenas o controle posterior. Por muito tempo as diversas correntes doutrinárias se digladiaram sobre qual das regras de decadência se deve utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação quando não há pagamento antecipado, sendo que, no âmbito da 2ª Seção de Julgamento do CARF prevalecia a idéia de que seria sempre a do art. 150, §4º, do CTN, pois se homologava a atividade, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente terá que mudar seu posicionamento, e adotar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. No caso em exame, mesmo que se desconsidere a existência de dolo, fraude ou simulação, e se aplique a norma do artigo 150 do CTN (pois houve antecipação do pagamento – fl. 06), o fato gerador encerrouse em 31/12/2005. O início do prazo decadencial darse em 01/01/2006 e, transcorridos cinco anos do fato gerador, o termo final para a realização do lançamento ocorreu em 31/12/2010. Portanto, na data da ciência do Auto de Infração (novembro de 2010 fls. 2024/2025), não havia decaído o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Perdeu o objeto a arguição de nulidade da intimação da decisão de primeiro grau e, consequentemente, o pedido do contribuinte pela devolução do prazo recursal, tendo em Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 6 9 vista que o próprio recorrente requereu fosse considerada a data de recebimento da cópia da decisão administrativa por seu procurador no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (21/11/2011 fl. 2643) como data da ciência da intimação da decisão, juntando aos autos na mesma oportunidade (21/12/2011) as razões recursais de fls. 2567/2640, apreciadas no julgamento que ora se realiza. Ao comparecer à repartição fiscal e tomar ciência da decisão a quo e solicitar fosse apreciada as razões do recurso, qualquer mácula, em tese existente, relacionada à intimação para ciência da decisão de primeiro grau, restou suprida. Alega, ainda, o recorrente, violação à ampla defesa e ao contraditório, pois a autoridade fiscal imputalhe a movimentação de conta bancária de interposta pessoa, sem, contudo, indicar os elementos de convicção. Aduz que somente a movimentação a débito da Sra. Maria Lúcia lhe foi fornecida e conclui que, para plena instrução da presente autuação é indispensável o lançamento a crédito, de modo a possibilitar apurar na escrita contábil a origem dos depósitos e/ou ativos financeiros. Tal circunstância viola a regra do ônus da acusação, a legalidade da autuação, o contraditório e a ampla defesa. Sem razão o recorrente. O Termo de Constatação Fiscal (fls. 56/62) relata minuciosamente os fatos que ensejaram a responsabilização do autuado pelos créditos ingressados na conta bancária de Maria Lúcia Santos na Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis Ltda: 1. No Procedimento Fiscal empreendido contra a contribuinte Maria Lúcia Santos, CPF 013.840.06524, respaldado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0510300 00034/2008, iniciado em 29/02/2008, constatamos a existência de conta bancária da fiscalizada na Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis Ltda, CNPJ n° 02.417.755/000111, com sede na Av. Porto Seguro, 718, térreo, centro Eunápolis BA, com os seguintes dados: Banco 756; Agência 3230; Conta 8001. Baseado nos procedimentos previstos pela Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, pela Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, pelo Decreto nº 3.724/2001 e pela Portaria SRF n° 180/2001, foi solicitada a expedição de RMF Requisição de Movimentação Financeira contra a representada. 2. No curso do procedimento fiscal citado no item anterior ficou evidenciado que os recursos movimentados naquela conta bancária são de titularidade de V.Sa., que utilizou interposta pessoa para movimentar os recursos ali existentes, visando simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Como comprovam os indícios coletados até o presente momento relacionados abaixo: 3. José Augusto Simão, CPF n° 195.974.01720, ao ser intimado a apresentar justificativa por ter efetuado TED no valor de R$ 156.000,00 para a conta em apreço, afirmou que o pagamento "se refere a gado bovino", "relativamente a 390 cabeças a R$ 400,00 por unidade", que o "gado foi efetivamente adquirido do Sr. José Luiz Santos" e que "este indicou que o pagamento fosse efetuado à Sra. Maria Lúcia dos Santos, salvo engano, sua esposa". Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 4. Um dos diligenciados no procedimento fiscal contra a Sra. Maria Lúcia, Sidney Izidório Cabral Júnior, CPF n° 690.129.70504, beneficiário de valores sacados através de cheque por ela emitido, informou, dentre outras coisas, que seu patrão, Geraldo Silva Lima, então secretário de desenvolvimento e planejamento do município de Eunápolis, ordenoulhe o saque de vários cheques, "inclusive o cheque citado" e que este dinheiro poderia ser proveniente de "empréstimo do Sr. Luiz da Cabrália", que segundo ele seria "sócio majoritário do banco". 5. Kleber Alessandro Pinto Macedo, CPF n° 655.995.78534, intimado a explicar o saque de R$ 50.000,00 da conta da fiscalizada, afirmou que os cheques foram derivado de um empréstimo contraído em Eunápolis pela empresa que trabalhava na época, Exportadora Macedo Pereira Ltda, CNPJ 40.478.372/000142. A viagem para desconto dos cheques foi feita em companhia do Sr. Luis José Freire Franco, que já havia sido intimado pelo mesmo motivo. 6. A este respeito, na resposta enviada por Luis José Freire Franco, CPF N° 008.385.60563, afirmou que os referidos cheques foram recebidos nas dependências da Cabrália Pneus, de propriedade de V.Sa. 7. Nunes Dantas & Cia. Ltda, CNPJ n° 16.149.619/000100, ao ser interpelada acerca do cheque de emissão de Maria Lúcia, por ela descontado, declarou: o referido cheque "referese a empréstimo contraído no Factoring do Sr. José Luiz Santos"; que desconhecia a emitente do cheque, e; "comumente" recorria "ao factoring para desconto de cheques e tomada de empréstimos conforme a necessidade da empresa, havendo talvez outros cheques emitidos pela Sra. Maria Lúcia Santos". 8. Cheque n° 493, no valor de R$ 17.892,00, sacado em 15/09/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um TEDDEC em dinheiro, cujo remetente é V.Sa. Logo após este lançamento, há um depósito para a conta n° 6050, do Posto São Miguel, nome de fantasia de Setúbal Derivados de Petróleo Ltda, CNPJ n° 34.240.994/000135, também de sua propriedade. 9. Cheque n° 436, no valor de R$ 36.543,58, sacado em 29/09/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um TEDDEC em dinheiro, cujo remetente é V.Sa. 10. Cheque n° 615, no valor de R$ 13.813,00, sacado em 30/09/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um TEDDEC em dinheiro, cujo remetente é V.Sa. 11. Cheque n° 654, no valor de R$ 9.045,00, sacado em 06/10/2005, em cujo verso há anotação da conta pertencente a V.Sa., de n° 6.6001, mantida junto à Credisul. Logo após este lançamento, existem depósitos para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 12. Cheque n° 969, no valor de R$ 6.000,00, sacado em 18/11/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um depósito na conta pertencente a V.Sa., de n° 6.6001, mantida junto à Credisul. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 7 11 13. Cheque n° 1096, no valor de R$ 22.000,00, sacado em 02/12/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um depósito na conta de n° 6.6001, pertencente a V.Sa. 14.Cheque n° 1191, no valor de R$ 20.000,00, sacado em 15/12/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um TEDDEC em dinheiro, cujo remetente é V.Sa. 15. Cheque n° 1205, no valor de R$ 13.000,00, sacado em 16/12/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um depósito na conta pertencente a V.Sa., de n° 3.3001. 16. Cheque n° 977, no valor de R$ 11.162,78, sacado em 23/11/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar depósitos nas contas 469, 2208 e 2305, pertencentes à V.Sa., Veruska Almeida Santos e Verônica Almeida, respectivamente. 17. Um dos cheques de números 579 e 580, ambos no valor de R$ 3.054,23, foi utilizado para fazer um depósito de valor correspondente na conta bancária de Verônica Almeida Santos, mantida na supracitada Cooperativa. Esta pessoa é filha do fiscalizado e sócia das empresas Friba e Veral, conforme fotocópias dos cheques e fitas de caixa onde constam o saque do cheque e posterior depósito em sua conta bancária. A fotocópia da fita de caixa apresentada não apresenta as operações após o depósito citado, razão pela qual não é possível averiguar se as operações seguintes se referem a esta mesma pessoa. 18. Cheque n° 60, no valor de R$ 3.054,22, depositado na conta 2305, cuja titular é Verônica Almeida Santos. 19. Cheque n° 731, no valor de R$ 3.054,24, sacado em 24/10/2005, em cujo verso há anotação da conta pertencente à Verônica Almeida Santos, 2305. 20. Cheque n° 1262, no valor de R$ 3.054,22, depositado na conta 2305, cuja titular é Verônica Almeida Santos. 21. Cheque n° 59, no valor de R$ 3.054,22, depositado na conta 2208, cuja titular é Veruska Almeida Santos, filha do fiscalizado. Logo após este lançamento, há um depósito para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 22. Cheque n° 361, no valor de R$ 11.570,00, sacado em 31/08/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2208, cuja titular é Veruska Almeida Santos. 23. Cheque n° 726, no valor de R$ 2.433,10, sacado em 20/10/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2208, cuja titular é Veruska Almeida Santos. 24. Cheque n° 820, no valor de R$ 13.192,50, sacado em 08/11/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2208, cuja titular é Veruska Almeida Santos. Antes e depois deste lançamento, existem depósitos para a conta da Cabrália Pneus Ltda. Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 25. Cheque n° 809, no valor de R$ 11.175,50, sacado em 07/11/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um TEDDEC em dinheiro, cujo remetente é Veruska Almeida Santos. 26. Cheque n° 967, no valor de R$ 10.000,00, sacado em 17/11/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2208, cuja titular é Veruska Almeida Santos. 27. Cheque n° 1201, no valor de R$ 6.833,32, sacado em 14/12/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2208, cuja titular é Veruska Almeida Santos. Logo após este lançamento, existe depósito para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 28. Cheque n° 732, no valor de R$ 3.054,24, sacado em 24/10/2005, em cujo verso há anotação da conta pertencente Veruska Almeida Santos, 2208. Logo após este lançamento, há um depósito para a conta do Posto São Miguel Ltda, filial da Setúbal Derivados de Petróleo Ltda, de propriedade de V.Sa. 29. Cheque n° 1116, no valor de R$ 12.495,00, sacado em 06/12/2005, em cujo verso há anotação da conta pertencente à Veruska Almeida Santos, 2208. Antes e após este lançamento, existem depósitos para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 30. Cheque n° 1261, no valor de R$ 3.054,26, sacado em 27/12/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2208, cuja titular é Veruska Almeida Santos. 31. Cheque n° 323, no valor de R$ 2.600,00, sacado em 24/08/2005, cujos recursos foram depositados na conta 1309, cuja titular é Cabrália Pneus Ltda, de propriedade de V.Sa. 32. Cheque n° 951, no valor de R$ 18.670,43 foi depositado pela Friba Ind. e Comércio de Carnes Ltda, pertencente à V.Sa. 33. Cheque n° 771, no valor de R$ 28.559,50, sacado em 20/10/2005, cujos recursos foram utilizados para efetuar um TEDDEC em dinheiro, cujo remetente é a Friba Ind. e Comércio de Carnes Ltda. 34. Cheque n° 33, no valor de R$ 3.609,38, endossado por Central de Combustíveis Ltda. Esta empresa foi beneficiária da quitação de empréstimo de sua responsabilidade contraído junto à Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis com os recursos da conta em análise. 35. Cheque n° 254, no valor de R$ 6.230,00, sacado em 17/08/2005, cujos recursos foram depositados na conta 4.0827, cuja titular é Veral Materiais de Construção Ltda, de propriedade de sua filhas, Verônica e Veruska. Logo após este lançamento, há um depósito para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 36. Cheque n° 530, no valor de R$ 5.558,00, sacado em 12/09/2005, cujos recursos foram depositados na conta 4.0827, cuja titular é Veral Materiais de Construção Ltda. Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 8 13 37. Cheque n° 494, no valor de R$ 2.379,00, sacado em 15/09/2005, cujos recursos serviram, dentre outros pagamentos, para fazer um depósito na conta 4.0827, da Veral Materiais de Construção Ltda. 38. Cheque n° 601, no valor de R$ 16.580,00, sacado em 29/09/2005, cujos recursos foram depositados na conta 4.0827, cuja titular é Veral Materiais de Construção Ltda. Logo após este lançamento, há um depósito para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 39. Cheque n° 679, no valor de R$ 2.380,00, sacado em 14/10/2005, em cujo verso há anotação da conta pertencente à Veral Materiais de Construção Ltda. 40. Cheque n° 833, no valor de R$ 4.555,00, sacado em 28/10/2005, cujos recursos foram depositados na conta 4.0827, cuja titular é Veral Materiais de Construção Ltda. 41. Cheque n° 844, no valor de R$ 2.290,00, sacado em 01/11/2005, em cujo verso há anotação da conta pertencente à Veral Materiais de Construção Ltda. 42. Cheque n° 902, no valor de R$ 4.780,00, sacado em 08/11/2005, cujos recursos foram depositados na conta 4.0827, cuja titular é Veral Materiais de Construção Ltda. 43. Cheque n° 973, no valor de R$ 12.950,00, sacado em 21/11/2005, cujos recursos foram depositados na conta 4.0827, cuja titular é Veral Materiais de Construção Ltda. 44. Cheque n° 1034, no valor de R$ 20.000,00, sacado em 25/11/2005, cujos recursos foram depositados na conta 4.0827, cuja titular é Veral Materiais de Construção Ltda. 45. Cheque n° 723, no valor de R$ 1.851,03, sacado em 19/10/2005, cujos recursos foram depositados na conta 3.1500, cuja titular é Cabrália Supermercados Ltda, cujo sócio administrador é V.Sa. 46. Cheque n° 1144, no valor de R$ 2.143,44, sacado em 12/12/2005, cujos recursos foram depositados na conta 3.1500, cuja titular é Cabrália Supermercados Ltda. 47.Cheque n° 812, no valor de R$ 1.179,17, sacado em 07/11/2005, cujos recursos foram depositados na conta 27707, cuja titular é Almeida Santos Supermercado Ltda, cuja sócia administradora é Verônica Almeida Santos, filha de V.Sa. 48. Cheque n° 1150, no valor de R$ 3.054,26, sacado em 12/12/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2100, cuja titular é Creuzeni Rosa de Almeida Santos, esposa de V.Sa. Imediatamente antes deste lançamento, há um depósito para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 49. Cheque n° 1206, no valor de R$ 7.551,33, sacado em 16/12/2005, cujos recursos foram depositados na conta 2100, Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 cuja titular é Creuzeni Rosa de Almeida Santos. Imediatamente após este lançamento, há um depósito para a conta da Cabrália Pneus Ltda. 50. Existiam na conta em análise investimentos financeiros da ordem de aproximadamente 700 mil reais, que foram resgatados no decorrer do mês de setembro de 2005 através de diversos cheques administrativos. A instituição financeira, ao ser intimada a apresentar os documentos que comprovassem o destino do dinheiro resgatado, apresentou contratos de empréstimos que segundo ela foram quitados com a referida quantia. 51. Os recursos foram destinados às seguintes Pessoas Jurídicas: Auto Posto Trancoso, nome de fantasia da filial 04 da empresa Central Brasil de Combustíveis Ltda, CNPJ 04.681.172/000471, R$ 160.390,00; Porto Grill Distribuidora de Carnes Ltda, CNPJ 02.554.015/000127, R$ 393.445,00; Veral Materiais de Construção Ltda, CNPJ 03.991.336/000151, R$ 98.500,00; Friba Indústria e Comércio de Carnes Ltda, CNPJ 05.873.918/000169, R$ 98.500,00. 52. Na resposta apresentada pela Cooperativa de Crédito Rural Eunápolis Ltda, apesar de vincular cada um dos cheques administrativos às empresas correspondentes, faz a observação de que as dívidas da Porto Grill, Veral e Friba foram consolidadas e somariam R$ 590.445,00, revelando o íntimo relacionamento entre as três. 53. As PJ Porto Grill e Friba, pertenciam no período em análise ao representado. A Veral pertencia no mesmo período a Veruska Almeida Santos, CPF 753.394.205 15, filha do representado. 54. Em resumo, todos os elementos aqui apresentados, quando analisados em conjunto levam à conclusão lógica de que os recursos movimentados na conta da fiscalizada pertenciam na verdade à V.Sa., que se utilizou terceiro com baixo grau de escolaridade e, provavelmente, poucos recursos financeiros, e ainda com a conivência do Sr. João dos Santos Santana, CPF n° 104.389.12500, procurador universal da fiscalizada, visando simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. 55. Diante das provas acima elencadas, intimo V.Sa. a, no prazo estabelecido, Diante de tais fatos, Intimo o fiscalizado identificado em epígrafe a, no prazo estabelecido: 56. Comprovar a origem dos valores creditados/depositados na conta bancária supracitada, constante do Anexo A deste Termo, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. 57. Juntamente com este Termo estão sendo enviados os extratos da conta bancária supracitada para facilitar o atendimento desta Intimação. 58. Estão sendo apresentadas fotocópias de todos os documentos citados neste Termo. Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 9 15 59. A não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados neste termo, na forma e prazo estabelecidos, ensejará lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849, do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. Como se vê, são robustos os fatos indicados no referido Termo de Constatação a relacionar o autuado como efetivo beneficiário dos créditos bancários tributados no lançamento em exame. Diferentemente do alegado pela defesa, cumprindo requisito fundamental para a aplicação válida da presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, juntamente com o Termo de Constatação foilhe enviado o Anexo A (fls. 66/84): listagem que contém os valores creditados na conta bancária da Cooperativa, com data, histórico e valor, cuja origem deveria comprovar mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Nesta mesma oportunidade foramlhe enviados também os extratos bancários e fotocópias dos documentos citados no Termo de Constatação. O Aviso de Recebimento à fl. 63 referese expressamente a tais documentos, que foram novamente anexados aos autos, apesar deles já constarem no processo. Tal repetição em nada prejudica a defesa do acusado, nem qualquer outro documento que não foi utilizado no lançamento em tela, que se circunscreve, tãosomente, aos créditos bancários listados no referido Anexo “A”. O autuado solicitou prorrogação de prazo para responder à intimação e não consta que tenha formalizado protesto quanto à inexistência da relação de créditos, o que seria de se esperar se de fato não houvesse recebido a listagem dos créditos mencionada na intimação. Com efeito, o lançamento em exame contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 142 do CTN e artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e também não ocorreram os pressupostos elencados no artigo 59 do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração: o auto de infração foi lavrado por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e a minuciosa descrição dos fatos no Relatório e Termo de Constatação Fiscal, respectivamente às fls. 10/15 e 56/62, possibilitou ao autuado pleno conhecimento da matéria tributável e o regular exercício do seu direito de defesa. De fato, os elementos colhidos e descritos detalhadamente pela fiscalização no seu Relatório às fls. 10/15 comprovam para além de qualquer dúvida que Maria Lúcia Santos e seu irmão, João dos Santos Santana, foram utilizados pelo contribuinte como pessoas interpostas, com o objetivo de ocultar a movimentação financeira de sua responsabilidade. A utilização de recursos da referida conta para pagamento de despesas e contas pessoais do contribuinte, e em favor de suas empresas e de familiares, reforça o entendimento de que andou bem a fiscalização em indicálo no pólo passivo da obrigação tributária em exame, pois efetivamente ele é o denominador comum de todas as pontas do quebracabeça. Esse é o ponto nefrálgico da questão: provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Como conseqüência, a Súmula CARF nº 34, vinculante para toda a Administração Fazendária, posto que aprovada pela Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010, dispõe que: nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Vêse, portanto, que a qualificação da multa efetuada pela fiscalização está inteiramente alinhada com a jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho sobre a matéria, em face das provas robustas colhidas pela fiscalização em procedimento de circularização (Acórdão nº 10617001, de 26/06/2008 Acórdão nº 10323507, de 06/03/2008 Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 16 Acórdão nº 10423212, de 28/05/2008 Acórdão nº 10616708, de 22/01/2008 Acórdão nº 107 09027, de 23/05/2007 Acórdão nº 10809286, de 25/04/2007 Acórdão nº 19500008, de 15/09/2008 Acórdão nº CSRF/0105820, de 14/04/2008). É claro que sempre haverá margem para negativas e evasivas, como sustentado pela defesa em sua peça recursal, quando analisa a questão da sujeição passiva, principalmente no caso em tela em que duas pessoas são interposta entre os fatos e o efetivo beneficiário (o laranja analfabeto, que fornece apenas o nome, representado pelo laranja procurador, que movimenta os recursos, de sorte que o efetivo beneficiário jamais aparece diretamente nas transações). Muitos processos que tramitam neste CARF têm esta característica. Já é matéria bem corriqueira, tanto assim que há súmula sobre o tema. É óbvio que deve haver confiança entre os envolvidos, principalmente entre o efetivo beneficiário e o laranja procurador. Tratase de uma arquitetura mais sofisticada, mas sempre há momentos em que a relação aparece, com o aproveitamento de parte dos recursos em favor dos interesses do efetivo beneficiário. No caso em exame, é realmente significativa, concordante e conclusiva as provas juntadas aos autos em relacionar o autuado à movimentação bancária em análise. Confirase os excertos extraídos do referido Relatório: 3. O início da Ação Fiscal foi formalizado através do Termo de Início da Ação Fiscal, datado de 28/07/2010, onde se intima o fiscalizado a explicar as relações comerciais que mantinha com Maria Lúcia Santos, suposta interposta pessoa a seu serviço. O documento foi enviado por via postal, cuja ciência se deu em 30/07/2010. 4. Em resposta à Intimação afirmou que não se recordava de relação comercial com Maria Lúcia Santos e de que não tinha conhecimento de qualquer conta bancária desta, mantida na Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis Ltda ou qualquer outra instituição financeira. 5. Termo de constatação Fiscal foi exarado em 30/08/2010, com prazo de 20 dias para atendimento, dandolhe conhecimento de que foi, em razão das provas apresentadas, responsabilizado como titular dos recursos movimentados na conta bancária de Maria Lúcia Santos mantida junto à Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis Ltda. Além disto, foi intimado a comprovar os recursos depositados na referida conta. O documento foi enviado por via postal, cuja ciência se deu em 31/08/2010. 6. Em 21/09/2010 solicitou postergação de 60 dias para resposta da Constatação Fiscal. Em razão do prazo de decadência próximo, foilhe concedido o prazo até o dia 20/10/10 para atendimento do Termo. 7. Em 20/10/2010 apresenta resposta no sentido de que os recursos constantes da conta não lhe pertenciam, mas que mantinha com o Sr. João dos Santos Santana, relação de confiança e que este, muitas vezes, intermediara compra e venda de gado de propriedade do fiscalizado. 8. Originalmente foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 051030000034/2008, iniciado em 29/02/2008, em nome da contribuinte Maria Lúcia Santos, CPF 013.840.06524, domiciliada à Avenida Guanambi, 1900, Brasil, Vitória da Conquista BA. No decorrer da investigação constatouse que o Sr. José Luiz Santos, identificado em Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 10 17 epígrafe, era o verdadeiro titular dos recursos movimentados na conta bancária da fiscalizada mantida junto à Cooperativa de Crédito Rural Eunápolis Ltda. 9. A Ação Fiscal contra a Sra. Maria Lúcia Santos, iniciada em fevereiro de 2008, foi marcada por vários problemas na coleta das informações necessárias ao seu andamento: Instituição financeira que não respondia aos RMF, ou quando o fazia era de forma incompleta; Não localização da fiscalizada gerando a necessidade de publicação de diversos editais de intimação; dificuldade na obtenção de respostas por parte de terceiros às diligências efetuadas em razão do período analisado (2005), especialmente quando os destinatários eram pessoas físicas. 10. Interessante observar que nos documentos contidos nas primeiras remessas enviadas pela Cooperativa de Crédito, não havia sequer um em que constava de forma expressa o nome do fiscalizado ou de pessoas físicas e empresas a ele ligadas. Somente após a lavratura de várias multas por descumprimento no atendimento de Requisição de Movimentação Financeira, a instituição financeira começou a enviar documentos úteis para identificar a real titularidade dos recursos movimentados nas contas supracitadas. 11. A fiscalizada foi autuada em 2007 pela DRF Itabuna, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, referente aos anoscalendário 2002 e 2003, consubstanciado no processo n° 13555.000097/200719. Naquela oportunidade a fiscalização não conseguiu configurar a figura da interposta pessoa. 12. Em diligência efetuada em março de 2008 no domicílio informado à RFB pela fiscalizada (Avenida Guanambi, 1900 Brasil Vitória da Conquista BA), apurouse as seguintes informações junto à pessoa que então residia naquele endereço: de que a fiscalizada não mais morava ali; que aquele imóvel pertencia à João dos Santos Santana; que a fiscalizada tinha problemas com álcool; que era pessoa humilde e com poucos recursos financeiros; que nunca havia pagado aluguel pelo uso do imóvel, pois o mesmo lhe era cedido pelo proprietário, e; que se encontrava em local ignorado. 13. Após outras tentativas infrutíferas de encontrar a fiscalizada por via postal e pessoal foi necessária a ciência dos termos da fiscalização por meio de editais. 14. Diante da omissão da fiscalizada em atender as intimações fiscais, não restou alternativa além da emissão de Requisição de Movimentação Financeira contra a Instituição Financeira onde era mantida a sua conta bancária, Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis Ltda. Várias RMF foram emitidas, muitas das quais com pedidos idênticos às anteriores. Há que se destacar que em todas as ocasiões a Cooperativa não atendeu as requisições de forma satisfatória. Foram emitidas 5 RMF: 05103002009000011 de 15/01/2009; 05103002009000070 de 23/03/2009; 05103002009 000437 de 22/07/2009; Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 18 05103002009000488 de 08/10/2009, e; 0510300201000001 1 de 09/02/2010. Até o presente momento a instituição financeira não entregou os documentos solicitados em sua integralidade, o que prejudicou a investigação sobremaneira. 15. Na análise preliminar dos documentos entregues pela instituição financeira em resposta ao RMF, encontraramse fortes indícios de que os recursos movimentados na conta bancária eram, de fato, pertencentes à outra pessoa. A procuração pública em que a fiscalizada, em 17/01/1997, outorgou poderes amplos e irrestritos ao Sr. João dos Santos Santana para gerir e administrar seus bens. Além da descoberta de que a fiscalizada, segundo informações contidas na própria procuração, seria analfabeta, reforçam esta suspeita. 16. Como comprovante de renda para abertura da conta bancária foi apresentado contrato particular de arrendamento de imóvel rural, cujos arrendatários seriam Maria Lúcia Santos e seu irmão João dos Santos Santana. Salientese que em tal contrato só consta a assinatura de João, que assina o documento em seu nome, como arrendatário, e em nome da fiscalizada, desta vez como procurador. A vigência do acerto, segundo o documento, estendiase entre 13 de janeiro de 1998 e 13 de janeiro de 2003. Respondendo intimação, João declara que o arrendamento se prolongou até 2005, mas sem apresentar nenhum documento que corroborasse sua afirmação. A análise da certidão de inteiro teor do imóvel fornecida pelo cartório de imóveis do município de Baianópolis revelou que os arrendadores, Ivo Manzoli e Maria Pinto Manzoli, venderam o referido imóvel em 22 de setembro de 1998, logo após o início da vigência do contrato. Além disso, a movimentação de recursos se estendeu pelo menos até o ano de 2006, coincidentemente, início da fiscalização empreendida pela DRF Itabuna contra a fiscalizada. 17. Intimado a apresentar considerações a respeito de seu vínculo com a fiscalizada e o representado, além da movimentação de recursos na conta bancária da fiscalizada, o Sr. João dos Santos Santana, CPF 104.389.12500, declara que os recursos pertenciam apenas a fiscalizada e que, eventualmente, movimentava valores naquela conta, mas que tais recursos pertenciam à fiscalizada. Declarou também que não conhecia pessoalmente o fiscalizado, mas que o seu nome lhe era conhecido. 18. Os extratos bancários revelaram intensa movimentação financeira na conta bancária da fiscalizada mantida naquela instituição. Da pouca documentação apresentada pela instituição financeira foi possível verificar pessoas que sacaram ou depositaram recursos naquela conta. Regularmente intimadas, algumas delas responderam e confirmaram as suspeitas que o real titular dos recursos movimentados na conta bancária da fiscalizada seria o representado, como explicitado no Termo de Constatação Fiscal de 30/08/2010. A vigência do acerto, segundo o documento, estendiase entre 13 de janeiro de 1998 e 13 de janeiro de 2003. Respondendo intimação, João declara que o arrendamento se prolongou até Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 11 19 2005, mas sem apresentar nenhum documento que corroborasse sua afirmação. A análise da certidão de inteiro teor do imóvel fornecida pelo cartório de imóveis do município de Baianópolis revelou que os arrendadores, Ivo Manzoli e Maria Pinto Manzoli, venderam o referido imóvel em 22 de setembro de 1998, logo após o início da vigência do contrato. Além disso, a movimentação de recursos se estendeu pelo menos até o ano de 2006, coincidentemente, início da fiscalização empreendida pela DRFItabuna contra a fiscalizada. 17. Intimado a apresentar considerações a respeito de seu vínculo com a fiscalizada e o representado, além da movimentação de recursos na conta bancária da fiscalizada, o Sr. João dos Santos Santana, CPF 104.389.12500, declara que os recursos pertenciam apenas a fiscalizada e que, eventualmente, movimentava valores naquela conta, mas que tais recursos pertenciam à fiscalizada. Declarou também que não conhecia pessoalmente o fiscalizado, mas que o seu nome lhe era conhecido. 18. Os extratos bancários revelaram intensa movimentação financeira na conta bancária da fiscalizada mantida naquela instituição. Da pouca documentação apresentada pela instituição financeira foi possível verificar pessoas que sacaram ou depositaram recursos naquela conta. Regularmente intimadas, algumas delas responderam e confirmaram as suspeitas que o real titular dos recursos movimentados na conta bancária da fiscalizada seria o representado, como explicitado no Termo de Constatação Fiscal de 30/08/2010. 19. Todos os elementos coletados no decorrer da investigação contra Maria Lúcia Santos, levaram a uma mesma conclusão: De que os recursos movimentados nas contas bancárias de Maria Lúcia, eram utilizados pelo ou em benefício do fiscalizado. 20. O Termo de Constatação Fiscal de 30/08/2010 traz mais de 50 evidências da titularidade do fiscalizado nas contas bancárias movimentadas por interpostas pessoas. 21. Na resposta enviada em 20/10/2010, o fiscalizado alega que alguns recursos movimentados na conta da Sra. Maria Lúcia Santos seriam derivados da compra e venda de gado, mas sem precisar quais seriam estas operações, nem tampouco apresentar documentos comprobatórios. 22. Para explicar a quitação de empréstimos de empresas de sua propriedade com os recursos advindos da referidas contas bancárias, Afirma que o Sr. João dos Santos Santana saldou empréstimos contraídos em sua empresa de factoring, sem anexar quaisquer provas de sua alegação. 23. Afirma ainda que não houve condições para explicar os lançamentos contidos nos extratos anexos ao Termo de Constatação. Ora, levandose em consideração que toda a movimentação financeira da Sra. Maria Lúcia Santos foilhe Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 20 fornecida juntamente com o demonstrativo contendo os ingressos de recursos que deveriam ser comprovados, a simples comparação de seu livro caixa da atividade rural com a movimentação financeira enviada traria elementos suficientes para comprovar qual parcela daqueles recursos não seriam de sua propriedade. 24. Documentos enviados em 01/10/2010 pela Cooperativa de Crédito de Eunápolis, após, portanto, à expedição do Termo de Constatação citado, trouxeram outras provas no mesmo sentido, corroborando as conclusões alcançadas. Como segue: a. Cheque n° 000101, no valor de R$ 1.039,41, sacado em 26/07/2005, serviu para pagar conta de energia elétrica em nome de José Luiz Santos; b. Cheque n° 000112, no valor de R$ 2.721,83, sacado em 03/08/2005, utilizado no pagamento, dentre outros, de contas de energia elétrica em nome de José Luiz Santos e Creuzeni Rosa Almeida Santos; c. Cheque n° 000338, no valor de R$ 5.259,96, sacado em 24/08/2005. Recursos utilizados na emissão de TED enviado pelo fiscalizado e pagamento de contas de energia elétrica, também do fiscalizado, dentre outros; d. Cheque n° 000562, no valor de R$ 3.852,10, sacado em 19/09/2005. Recursos utilizados na emissão de TED enviado pelo fiscalizado e pagamento de outras contas; e. Cheque n° 000582, no valor de R$ 19.779,41, sacado em 30/09/2005. Recursos utilizados na emissão de vários TED enviados pelo fiscalizado, além do pagamento de outras contas; f. Cheque n° 000415, no valor de R$ 17.284,35, sacado em 13/10/2005. Recursos utilizados no pagamento de título em nome do fiscalizado e pagamento de contas de telefonia, também do fiscalizado, dentre outros; g. Cheque n° 000418, no valor de R$ 4.587,06, sacado em 17/10/2005. Recursos utilizados na emissão de DOC enviados pelo fiscalizado, um deles como destinatário o sr. João dos Santos Santana, enviado a título de doação, além do pagamento de outras contas; h. Cheque n° 000419, no valor de R$ 4.850,00, sacado em 17/10/2005. Recursos utilizados na emissão de DOC enviado pelo fiscalizado, além do pagamento de outras contas; i. Cheque n° 000727, no valor de R$ 8.657,49, sacado em 21/10/2005, utilizado no pagamento, dentre outros, de contas de fornecimento de água em nome de José Luiz Santos; j . Cheque n° 000736, no valor de R$ 6.900,00, sacado em 25/10/2005. Recursos utilizados na emissão de TED enviado pelo fiscalizado, como anotado no verso do cheque; k. Cheque n° 001141, no valor de R$ 5.808,96, sacado em 07/12/2005. Recursos utilizados no pagamento de conta de Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 12 21 energia em nome do fiscalizado e conta de telefonia, em nome de Creuzeni Rosa de Almeida Santos, dentre outros; 1. Cheque n° 001202, no valor de R$ 1.867,47, sacado em 15/12/2005. Recursos utilizados na emissão de DOC enviado pelo fiscalizado, tendo como destinatário o sr. João dos Santos Santana, enviado a título de doação, além do pagamento de outras contas; m. Cheque n° 001203, no valor de R$ 1.693,99, sacado em 16/12/2005. Recursos utilizados no pagamento contas de telefonia, em nome do fiscalizado, dentre outros pagamentos; n. Cheque n° 001212, no valor de R$ 2.927,92, sacado em 20/12/2005. Recursos utilizados no pagamento de contas de energia em nome do fiscalizado e Creuzeni Rosa de Almeida Santos, dentre outros; o. Cheque n° 001218, no valor de R$ 7.126,54, sacado em 26/12/2005. Recursos utilizados no pagamento de boletos bancários em nome do fiscalizado, dentre outros; 25. Diversos cheques sacados por Jailson Souza dos Santos que, segundo anotações contidas em alguns dos cheques, como por exemplo o de n° 000727, era funcionário do fiscalizado. 26. Na análise das fitas de caixa onde constam saques em dinheiro de cheques emitidos pela interposta pessoa, observouse que existiam outras operações efetuadas por pessoas ou empresas ligadas ao fiscalizado, em operações anteriores ou posteriores aos citados saques, o que leva à dedução lógica de que em muitos dos casos apresentados não se tratavam apenas de coincidências, mas sim da possibilidade concreta de que as mesmas pessoas que efetuavam estas transações em benefício do fiscalizado eram também as sacadoras dos cheques. 27. Os contratos de prestação de serviço público de energia elétrica e fornecimento de água em nome dos envolvidos estão anexos. 28. Vários cheques foram emitidos nos exatos valores para pagamento de contas do próprio fiscalizado, de suas empresas ou de pessoas a ele ligadas. Esta constatação faznos deduzir que alguém a mando direto do fiscalizado preencheria estes cheques. Não seria um mero caso de alguém que intermedeia um bem de outra pessoa e apenas repassalhe o valor da venda subtraído de sua comissão, como alega o fiscalizado. 29. O fiscalizado é conhecido na região de Porto Seguro Eunápolis Santa Cruz de Cabrália, como "Luiz da Cabrália", alcunha que alguns dos diligenciados usaram ao se referir ao mesmo. A razão social de uma de suas empresas "Empreendimentos Imobiliários Luiz da Cabrália Ltda" nos traz a certeza de que "Luiz da Cabrália" e José Luiz Santos se referem à mesma pessoa. Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 22 30. Os cheques emitidos pela Cooperativa de Crédito Rural de Eunápolis em nome da interposta pessoa no ano de 2003 eram grafados com o nome "MLS Cia Ltda", como se pessoa jurídica fosse. A partir de 2005 as folhas de cheque eram grafadas apenas com as iniciais de seu nome "MLS". Sigla parecida com o nome de uma das empresas do fiscalizado, JLS EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL LTDA, CNPJ 00.878.897/000150. O Banco Central, após ser indagado a respeito da regularidade de grafarse nas folhas de cheque apenas as iniciais do nome de uma pessoa física, como fez a Cooperativa, recebemos a seguinte resposta: "Conforme disposto na Circular 3.284, de 2005, é obrigatório constar da folha de cheque, entre outras informações, o nome do correntista, o respectivo CPF ou CNPJ e os dados referentes ao documento de identidade constante da ficha proposta (o número, o órgão expedidor e a sigla da unidade da federação)." O fato de a Instituição financeira ter se submetido a emitir cheque de pessoa física com vistas a simular a aparência de um cheque de pessoa jurídica, além do comportamento de completo descaso evidenciado no atendimento das RMF emitidas demonstra a cumplicidade da Cooperativa no comportamento delituoso verificado no decorrer do procedimento fiscal. 31. Todos os elementos aqui apresentados, quando analisados em conjunto levam à conclusão lógica de que os recursos movimentados na conta da fiscalizada pertenciam na verdade ao fiscalizado, que se utilizou terceiro com baixo grau de escolaridade e, provavelmente, poucos recursos financeiros, com a conivência do Sr. João dos Santos Santana, procurador universal da fiscalizada, visando simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Desta forma, aplicase a multa agravada de 150% sobre o imposto apurado, na forma do art. 44, II, da Lei 9.430/1996, em razão da configuração de caso previsto nos arts. 71, 72 e 73, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Como bem analisado na decisão recorrida, os contratos, procurações e demais documentos assinados por João dos Santos Santana, anexados pelo impugnante para demonstrar que este agia por conta própria e como representante de terceiro, como documentos sem registro em cartório e firmados sem a presença de testemunhas, não têm em si poder de prova quanto à origem dos depósitos nem quanto à verdadeira titularidade da conta bancária, especialmente quando o testemunho do próprio João dos Santos Santana à fiscalização (fls. 51) os invalida e apenas confirma a situação irregular da conta bancária, quando afirma, sim, que os recursos seriam de sua irmã, e não dele próprio, e quando afirma não conhecer pessoalmente o impugnante. O interessado interpreta que João assim teria procedido para evitar problemas com o Fisco, como se uma pessoa sem qualquer outra qualificação que não a de "procurador", sem patrimônio declarado, sem rendimentos significativos, tivesse o que temer desta parte, sendo a explicação muito mais evidente e coerente a de que o Sr. João dos Santos Santana procurava ocultar, com tal declaração ao fisco, o verdadeiro responsável pela conta bancária, exercendo fielmente o papel que lhe fora designado, o de pessoa interposta, qual seja, o de confundir o Fisco. O volume de créditos considerado no lançamento (fl. 06), excluídos os cheques devolvidos, alcança o montante anual de aproximadamente R$ 6.500.000,00 e parece Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 13 23 bastante elevado, o que sugere não ser possível alguém confiar a um terceiro quantia tão vultosa. Ocorre que tal montante não foi entregue ao laranja de uma única vez. Diariamente ocorriam depósitos e também muitas retiradas, de sorte que, havendo um controle básico, o risco diário seria bem pequeno. Também não assiste razão ao contribuinte quanto requer a nulidade do lançamento alegando novamente erro na identificação do sujeito passivo, por entender que os recursos transitados em sua conta corrente pertenciam a pessoa jurídica, à qual entende deveriam ser imputados eventuais efeitos tributários decorrentes da movimentação bancária, como, por exemplo, a tributação do lucro não contabilizado vinculado à atividade de factoring. É jurisprudência deste Colegiado que a manifestação decidida do contribuinte, durante o procedimento de fiscalização, em esclarecer a matéria de fato é condição sine qua non para se reconhecer que a fiscalização errou em eleger o sujeito passivo da obrigação tributária. Não é possível, sem a colaboração do acusado, entender que a fiscalização poderia realizar o lançamento de forma diversa da maneira como procedeu. Se a origem dos créditos não foi comprovada, como deslocar a tributação do caput do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para o parágrafo 2º, que dispõe: os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A defesa entende que as mesmas provas utilizadas para imputarlhe a sujeição passiva devem valer para que se reconheça a origem como sendo da atividade de factoring ou da atividade rural ou valor recebido da Igreja Internacional da Graça de Deus. Contudo, não é possível identificar, sem a colaboração do contribuinte, quais créditos se relacionam a esta ou aquela atividade, sendo certo que cada atividade possui regra de tributação específica, com alíquotas, bases de cálculo e normas de incidência próprias. De fato, tal falha seria imediatamente alegada pela defesa se a fiscalização assim procedesse sem estar alicerçada em elementos de prova. O contribuinte não apresentou documentos hábeis e idôneos acerca da origem dos créditos, seja durante o procedimento de fiscalização ou em sede de impugnação ou recurso voluntário, razão pela qual entendo que a sujeição passiva deve ser mantida na pessoa do autuado. Cumpre esclarecer que as provas colhidas durante o procedimento de circularização não trabalha com o ingresso de recurso e, portanto, não tem o condão de comprovar a origem dos créditos bancários. Destinase a esclarecer quem era o efetivo beneficiário da conta, diante das evidências de que a titular e o procurador não tinham capacidade financeira para dar suporte àquela movimentação bancária. À fiscalização cumpre o ônus de provar que terceiro se beneficiava de recursos da conta bancária, e tal objetivo foi alcançado com a análise dos débitos, ou seja, com a auditoria dos cheques emitidos (saída de recursos), que são microfilmados e arquivados pela instituição financeira na qual a conta é mantida. Contudo, os cheques depositados foram emitidos por terceiros e têm origem em conta mantida em diversas instituições financeiras (cada banco tem milhares de agências), sendo inviável requerer de cada uma delas as fotocópias dos cheques pagos, para depois intimar os emitentes a apresentar documentos relativos à cada transação e, consequentemente, provar a origem do pagamento, e ainda verificar se tais valores foram oferecidos à tributação pelo beneficiário do crédito. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que este ônus – de ilidir a presunção de omissão de rendimentos caracterizado por depósito bancário sem origem comprovada, mediante a apresentação de documento hábil e idôneo – é do contribuinte. Da Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 24 parte da fiscalização foram identificados e listados individualizadamente cada depósito, com data, histórico e valor, e também juntados os elementos de prova da efetiva titularidade da conta bancária. No meu entender, e já me manifestei em diversos julgados deste Colegiado, só é possível excluir valores neste tipo de exação com prova específica para determinado crédito, submetendoo à tributação específica, se acaso houve omissão. Se a fiscalização excluísse um valor global, por entender comprovada a origem ou para tributála em separado, cercearia o direito de defesa do contribuinte e subtrairia do órgão julgador a análise do contencioso, pois não se saberia quais créditos especificamente ainda estariam relacionados a tal ou qual atividade. Com efeito, não basta o interessado alegar de maneira genérica acerca da possibilidade da movimentação bancária resultar de algumas atividades por ele exercidas ou de empresas a ele relacionadas, ou ainda que alienou patrimônio ou que declarou rendimento na DIRPF. É preciso especificar quais créditos decorrem de determinada atividade ou estão relacionados aos rendimentos declarados ou resultam da venda de bens, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, até porque o procedimento de fiscalização em exame não abrengeu as contas sob titularidade direta do autuado e das empresas a ele relacionadas. Em diversos processos que tramitaram por este Colegiado, com decisões favoráveis ao sujeito passivo, o esforço da defesa em verdadeiramente esclarecer a matéria tributável, durante o procedimento fiscalização, foi devidamente levada em consideração. A conversão do julgamento em realização de diligência, solicitada pela defesa, não se presta ao propósito de produzir prova ao encargo do sujeito passivo, que já deveria ter sido apresentada durante o procedimento de fiscalização. É ônus da defesa comprovar e especificar os créditos bancários que resultam da atividade de factoring de sua empresa. Ressaltese, por oportuno, que a lei não exime os produtores rurais da necessidade de comprovar a origem individualizada dos depósitos em suas contas bancárias, mesmo porque a prática de uma atividade econômica não exclui a possibilidade de outras fontes de rendimentos, permanecendo o ônus da prova com o beneficiário dos créditos. Admitir os argumentos do contribuinte seria admitir que os proprietários rurais possam utilizar as suas contas bancárias para a prática de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, bastando para tanto alegar, caso necessário, que estes recursos se originaram da atividade rural não declarada, o que lhes daria direito ilimitado de se beneficiar com a tributação de apenas 20% do total que lhes fora creditado. Não procede a alegação de que foram incluídos resgates de aplicações financeiras. No extrato, estes depósitos foram efetuados sob a rubrica "Resgate Depósito Aviso Prévio". Não consta que provenham de aplicações do próprio contribuinte, mesmo porque não há registro de contas a este título em seu nome ou em nome da pessoa interposta. A defesa alega que a jurisprudência deste CARF determina a exclusão da base de cálculo dos valores individuais inferiores a R$12.000,00. Sem razão o recorrente. A Súmula CARF nº 61, com suporte em mansa e pacífica jurisprudência, dispõe que somente os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 14 25 Com efeito, a exigência tributária em exame está devidamente alicerçada em norma legal válida e vigente: no artigo 42 da Lei n.º 9.430/1996, a seguir transcrito, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 26 se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme já destacado, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 15 27 presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da Republicano, nos termos do artigo 26A do Decreto 70.235/72, além de violar a jurisprudência uníssona deste Tribunal, materializada na Súmula CARF nº 2, segundo a qual não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciarse acerca da inconstitucionalidade de leis. A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional, nos termos dos artigos 333 e 334 do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. (grifos acrescidos). Convém, ainda, trazermos à baila os argumentos expostos por Hugo de Brito Machado (Imposto de Renda – Estudos, Editora Resenha Tributária, pág. 123: Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 28 5.6. Realmente, a existência de depósito bancário em nome do contribuinte,... é indício que autoriza a presunção de auferimento de renda. Cabe então ao contribuinte provar que os depósitos tiveram origem outra, que não seja tributável. Pode ser que decorra de transferências patrimoniais (doações e heranças), por exemplo, de rendimentos não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, ou mesmo de rendimentos tributáveis auferidos Há muito tempo, relativamente aos quais extinto já esteja, pela decadência, o direito de a Fazenda Pública fazer o lançamento do tributo, nos termos do art. 173 do Código Tributário Nacional. Ao contribuinte cabe o ônus da prova, que pode ser produzida antes ou durante o procedimento do lançamento, impedindo que este se consume, e pode até ser produzida depois, em ação anulatória. 5.7. Isto não significa considerar rendimentos os depósitos bancários. Tais depósitos são indícios, isto é, são fatos conhecidos que autorizam a presunção de existência de rendimentos, fatos sobre cuja existência se questiona. Ordinariamente a disponibilidade de dinheiro decorre de auferimento de renda. Por isso a existência de disponibilidade de dinheiro autoriza a presunção de auferimento de renda. Tudo de pleno acordo coma teoria das provas. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, a fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria, foi editada a Súmula de nº 26, restando inteiramente superada a jurisprudência colacionada no recurso voluntário, que tem suporte em legislação anterior à edição da Lei nº 9.430, de 1996. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Por fim, resta esclarecer que a apresentação de defesa oral prescinde de qualquer petição do interessado neste sentido ou notificação do CARF, sendo suficiente o comparecimento do interessado à sessão de julgamento, que é pública, nos termos do artigo 58 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. A pauta de julgamento é publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na internet, conforme determina o artigo 55 do RICARF: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; b) o número do processo; {2} e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.001171/201082 Acórdão n.º 2102003.131 S2C1T2 Fl. 16 29 Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. É usual no processo administrativo fiscal que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 23, inciso II e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Contudo, no caso em exame, por força da medida judicial de fls. 2662/2666, deve também o patrono do contribuinte ser intimado desta decisão. Em face ao exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10480.916100/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Conhecido e Provido.
Numero da decisão: 3801-003.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Conhecido e Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 61 00 /2 01 1- 19 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ RECIFE/PE, abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, protocolizada aos 19/01/2012 contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife DRF/ RECIFE/PE, do qual a contribuinte tomou ciência aos 22/12/2011, por meio do qual foi indeferido o Pedido de Restituição PER aqui tratado, em que é indicado suposto crédito, no valor de R$ 2.080,27, a título de pagamento indevido ou a maior realizado a título da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao período de apuração de setembro de 2000, no valor de R$ 2.080,27. 2. O indeferimento se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. 3. No recurso, a defendente solicita a reunião dos processos administrativos que relaciona, os quais alega ter o mesmo objeto e causa de pedir (restituição de conjecturados créditos, apurados em diversos meses, decorrentes de pagamentos indevidos da contribuição para o PIS/COFINS, pautados na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998). 4. Invoca, para amparar o pleito de reunião de processos que, na sua visão, impediria o risco de que neles fossem proferidas diferentes decisões , o princípio da economia processual, a otimização dos trabalhos da recorrente e da Administração Tributária, a determinação constitucional de razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88). Ademais, estriba o pedido na disposição contida no art. 103, do Código de Processo Civil –CPC e, ainda, em opiniões doutrinárias e em precedente do então 1º Conselho de Contribuintes. 5. Na seqüência, critica a defendente que, contrariamente ao disposto no art. 65, da Instrução Normativa IN nº 900, expedida aos 30/12/2008 pela RFB1, não fora intimada a 1 esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição seria deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito. 6. Argumenta que, nos termos do art. 142, do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916100/201119 Acórdão n.º 3801003.573 S3TE01 Fl. 12 3 7. Fala, ainda, que, como a Fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, imporseia a reforma do Despacho Decisório. 8. Adiante, tece considerações quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, declarada pela Suprema Corte, após o que aduz que, conquanto a inconstitucionalidade haja sido reconhecida no controle difuso, foi a questão decidida em sessão plenária do STF, razão por que os órgãos da Administração Tributária devem afastar sua aplicação, aos moldes do que determina o art. 26A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 59, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, disposição esta que também estava encartada no art. 49, parágrafo único, I, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes e, atualmente, está embutida no art. 62, §1º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 9. Destaca que o art. 62A, caput, do RICARF, vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B, do CPC, tal como ocorreu, na situação aqui tratada no RE nº 585.235 – o que reforçaria que o entendimento do STF quanto à citada inconstitucionalidade deve ser aplicado no caso dos autos. 10. Pondera, outrossim, que “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência” e que “seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento este que a recorrente escora em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que faz remissão. 11. Conclui a questão dizendo ser indubitável que o entendimento do STF nos recursos extraordinários por ela referidos deve ser empregado pelas autoridades administrativas em suas decisões. 12. Avante, diz a recorrente que na base de cálculo da contribuição aqui tratada “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços” e que, no caso concreto, tem direito ao crédito requerido no PER, correspondente ao valor desta contribuição que teria sido calculado sobre o montante não integrante de seu faturamento. 13. Sustenta que, para que não pairem dúvidas, anexa documentos hábeis a comprovar a higidez do crédito pleiteado. 14. No final da Manifestação de Inconformidade, a recorrente: (i) requer o acolhimento do recurso interposto; (ii) informa que a matéria discutida não foi submetida à apreciação judicial; e (iii) protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícias, a realização de diligência e a juntada de documentos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 15. Ao recurso a contribuinte anexou, além de documentos de representação processual: (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído; e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. 16. Este julgador anexou aos autos extratos emitidos no sistema DCTF/CONS. Analisando o litígio, a DRJ de Recife/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS RECEITAS QUE NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo a recorrente comprovado que o valor confessado em DCTF e por ela recolhido a título da Contribuição para o PIS/Pasep foi calculado sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços, resta incomprovada a realização de pagamento indevido ou a maior que devido sob o fundamento de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916100/201119 Acórdão n.º 3801003.573 S3TE01 Fl. 13 5 Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte, invocando o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuição ao PIS e da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, requereu a restituição dos valores indevidamente recolhidos. Sendo indeferido o pedido administrativo de restituição, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, à qual juntou aos autos, além de planilhas que supostamente comprovariam o seu direito creditório, os balancetes, com a segregação das receitas. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a delegacia de julgamento de Recife/PE alega que o contribuinte não comprovou o recolhimento indevido ou a maior dos créditos tributários invocados no pedido de restituição. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Sobre o princípio da verdade material, também ensina o ilustre professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916100/201119 Acórdão n.º 3801003.573 S3TE01 Fl. 14 7 em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido.(Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente e, além disso, as declarações enviadas à Receita Federal do Brasil. Como se não bastasse, na decisão recorrida, a Delegacia de Julgamento alega que não poderia deixar de aplicar o disposto na Lei 9.718/98, com relação ao alargamento da base de cálculo das mencionadas contribuições. Neste ponto, contudo, não devem prevalecer as conclusões da Delegacia de Julgamento de Recife (PE). O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao Fisco para que considerasse como base de cálculo da COFINS a receita bruta, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28/11/2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916100/201119 Acórdão n.º 3801003.573 S3TE01 Fl. 15 9 improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, as autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, observar o posicionamento da Corte Suprema. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o tema, ser improcedente a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita bruta, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, voto por julgar procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10935.906419/2012-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/09/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/09/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/09/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 19 /2 01 2- 21 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.867, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 02297.59990.181010.1.2.047167, rastreamento nº 041907506, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 25.219,53, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/08/2009, efetuado em 25/09/2009, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906419/201221 Acórdão n.º 3802002.717 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/09/2009 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906419/201221 Acórdão n.º 3802002.717 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906419/201221 Acórdão n.º 3802002.717 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906419/201221 Acórdão n.º 3802002.717 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12268.000136/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2010
AUXÍLIO-TRANSPORTE PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O valor do auxílio-transporte pago habitualmente em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. REPASSES DE VALORES A TÍTULO DE INTERCÂMBIO ENTRE AS COOPERATIVAS DE DESTINO E ORIGEM. ART. 22, IV, DA LEI 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA. Tendo em vista que os valores repassados entre as cooperativas de Origem (nas quais o beneficiário do serviço efetua a contratação do plano de saúde) e as cooperativas de Destino (nas quais o beneficiário usufrui dos serviços do plano de saúde), não podem ser considerados como fatos geradores da contribuição de 15% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, a fim de que se evite o bis in idem, bem como pela inexistência de prestação de serviços a este título entre as mesmas. Inteligência do art. 22, IV, da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O valor do auxíliotransporte pago habitualmente em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. REPASSES DE VALORES A TÍTULO DE INTERCÂMBIO ENTRE AS COOPERATIVAS DE DESTINO E ORIGEM. ART. 22, IV, DA LEI 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA. Tendo em vista que os valores repassados entre as cooperativas de Origem (nas quais o beneficiário do serviço efetua a contratação do plano de saúde) e as cooperativas de Destino (nas quais o beneficiário usufrui dos serviços do plano de saúde), não podem ser considerados como fatos geradores da contribuição de 15% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, a fim de que se evite o bis in idem, bem como pela inexistência de prestação de serviços a este título entre as mesmas. Inteligência do art. 22, IV, da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 01 36 /2 00 9- 12 Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 12268.000136/200912 Acórdão n.º 2402003.841 S2C4T2 Fl. 1.491 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por UNIMED CURITIBA SOCIEDADE COOPERATIVA DE MÉDICOS , em face de acórdão que manteve a integralidade dos seguintes Autos de Infração n. 37.191.6836, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, destinadas ao GILRAT, Consta do relatório fiscal que fato gerador das contribuições previdenciárias consiste na prestação de serviços remunerados por segurados empregados, à empresa notificada, através da contratação de serviços prestados por cooperados, através de cooperativas de trabalho, tendo sido realizados os seguintes lançamentos: a) VT – Remuneração Vale Transporte: valores pagos aos segurados empregados a título de vale transporte em dinheiro; b) PAN – Valores pagos a COPAN: trata da contribuição previdenciária de 15% (quinze por cento) a cargo da empresa, enquanto contratante dos serviços da COPAN —Cooperativa Paranaense dos Anestesiologistas Ltda. c) INT – Valores pagos em Intercâmbio – trata da contribuição previdenciária de 15% (quinze por cento) a cargo da empresa, enquanto contratante dos serviços das cooperativas de trabalho discriminadas nos relatórios anexos, por prestador de serviço. A prestação de serviços foi executada com base no intercâmbio entre as diversas cooperativas que fazem parte do sistema UNIMED, visando prestar atendimento aos usuários que se encontram fora da área de atendimento da cooperativa de origem. A referida contribuição encontrase prevista no artigo 22, inciso IV da Lei no 8.212/91, com as alterações da Lei no 9.876/99. O lançamento compreende o período de 03/2004 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 02/03/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 150/155), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a recorrente integra o sistema nacional UNIMED, o qual é constituído por 377 cooperativas médicas, dentre singulares, federações e confederação. No referido sistema, as cooperativas singulares atuam numa Area geográfica previamente definida, a qual abrange um ou mais municípios. A recorrente, por exemplo, atua em Curitiba e mais 24 Municípios da região metropolitana.; 2. que as cooperativas singulares do sistema UNIMED celebram contratos de plano de saúde com pessoas físicas e jurídicas, através dos quais 6 garantida a prestação, em todo o território nacional, de serviços Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 4 médicos, hospitalares, de diagnóstico e terapia. Considerando que o plano tem abrangência nacional, os referidos serviços são prestados pelos médicos cooperados e pelos estabelecimentos de saúde integrantes da rede credenciada de qualquer cooperativa do sistema UNIMED. Por tal razão, as mensalidades pagas pelos contratantes dos planos de saúde UNIMED abrangem a remuneração dos médicos associados e da rede credenciada de todas as cooperativas do sistema UNIMED, e não apenas dos cooperados e da rede credenciada da cooperativa que celebrou o contrato. 3. que o processo em que o beneficiário (contratante) de plano de saúde de uma cooperativa singular (por exemplo, (UNIMED CURITIBA) é atendido por médico cooperado de outra singular (por exemplo, UNIMED LONDRINA) é chamado de Intercâmbio. Tal processo, importante destacar, permite que as cooperativas singulares, ,que têm uma pequena Area de atuação, celebrem contratos que asseguram atendimento em todo o território nacional. No processo de intercâmbio, a cooperativa que firmou o contrato (UNIMED ORIGEM) faz o repasse da mensalidade arrecadada, total ou parcialmente, para a cooperativa (UNIMED DESTINO) em cuja Area de atuação foi prestado o atendimento médicohospitalar. A UNIMED DESTINO, por sua vez, efetua o pagamento do seu médico cooperado e dos estabelecimentos de saúde (hospitais, clinicas e laboratórios) que prestaram os serviços diretamente ao beneficiário do plano de saúde. 4. que a Central Nacional Unimed, da qual a recorrente é filiada, formulou consulta à Coordenação Geral de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social INSS receita Federal do Brasil em 27/02/2000, respondida no sentido de que processos de intercâmbio a UNIMED ORIGEM não está sujeita ao recolhimento da contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei .n.2 8.212/91 em relação aos valores repassados para a UNIMED DESTINO; 5. que a consulta invocada pela recorrente esclareceu que a contribuição do artigo 22, inciso IV, da Lei n.2 8.212/91 não incide sobre os valores que são repassados pela recorrente (UNIMED ORIGEM) para outras cooperativas do sistema UNIMED (UNIMED DESTINO) relativos aos serviços médicohospitalares, de diagnóstico e terapia prestados aos seus contratantes de pianos de saúde (intercâmbio). 6. que a edição da Instrução Normativa INSS/DC n.2 71/2002, ao contrário do que consta no acórdão recorrido, não teve o condão de tornar ineficaz a Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 12268.000136/200912 Acórdão n.º 2402003.841 S2C4T2 Fl. 1.492 5 consulta ora invocada, isso porque se trata de mero ato normativo regulamentar, o qual, em nenhuma hipótese, pode inovar o dispositivo legal regulamentado que foi objeto da consulta; 7. que segundo reiteradamente tem. decidido este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a resposta à consulta vincula a Administração Pública, que não pode negar validade ao procedimento que esteja em conformidade com a orientação recebida pelo contribuinte; 8. que nos processos de intercâmbio, os cooperados da UNIMED DESTINO não prestam serviços para a UNIMED ORIGEM, mas sim para o beneficiário (contratante) do plano de saúde. Em outras palavras, o contratante/tomador dos serviços prestados pela UNIMED DESTINO ê a empresa que firmou o contrato de plano de saúde, e não a recorrente (UNIMED ORIGEM), com o que não resta caracterizada a hipótese de incidência do artigo 22, inciso IV, da Lei n. 8.218/91; 9. quem toma tais serviços são as empresas contratantes de planos de saúde, as quais recolhem a contribuição previdenciária de 15% sobre o valor das mensalidades, mensalidades essas que englobam a remuneração dos cooperados de todas as cooperativas do sistema UNIMED, e não apenas da recorrente; 10. que a autuação caracteriza a ocorrência de bis In Idem, pois o mesmo fato (prestação de serviço pelo cooperado da UNIMED DESTINO) dará ensejo a recolhimento da mesma contribuição por duas pessoas jurídicas distintas, quais sejam, a empresa que contratou o plano de saúde (essa sim contribuinte) e a recorrente (UNIMED ORIGEM); 11. que a recorrente não tem como fazer prova do repasse da contribuição previdenciária para as empresas contratantes dos planos de saúde. E por uma razão muito simples: não há qualquer repasse, na medida em que tal contribuição é recolhida pela empresa contratante (sujeito passivo), e não pela recorrente. 12. que houve equívoco na base de cálculo das contribuições lançadas, na medida em que o auditor fiscal fez incidir a contribuição previdenciária de 15% sobre todos os valores repassados pela recorrente a titulo de intercâmbio, os quais incluem, além da remuneração dos médicos cooperados da UNIMED DESTINO, a Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 6 remuneração dos serviços prestados pela rede credenciada (hospitais, clinicas e laboratórios); 13. que a contribuição de 15% prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei n.2 8.212/91 incide somente sobre a remuneração dos cooperados, sendo que os planos de saúde UNIMED asseguram, além do serviço médico (prestado pelos cooperados), serviços hospitalares, de diagnóstico e terapia, os quais são prestados por estabelecimentos de saúde (hospitais, clinicas e laboratórios) credenciados pelas cooperativas 14. que a base de cálculo, nos termos do inciso II do artigo 291 da Instrução Normativa MPS/SRP n. 2 03/2005, é somente a remuneração dos serviços prestados pelos cooperados da UNIMED DESTINO, ou seja, excluídos os valores repassados para hospitais, clinicas e laboratórios; 15. que Conforme comprovam os documentos que instruíram a impugnação, os cooperados da recorrente, também cooperados da COPAN, enviam o relatório relativo aos serviços prestados aos beneficiários de planos de saúde UNIMED para a COPAN. Essa, por sua vez, consolida tais relatórios e os encaminha para a recorrente, que efetua o pagamento dos seus cooperados através de repasses para a COPAN. Em outras palavras, os cooperados anestesiologistas, ao invés de encaminharem sua produção diretamente A UNIMED CURITIBA, o fazem por meio da COPAN. E a recorrente, ao invés de pagar diretamente ao seu cooperado, o faz via COPAN. Com efeito, tal fato não caracteriza a contratação de serviços a serem prestados pela COPAN. Contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 1.450, alegando, em síntese: 1, Estão corretas a autoridade fiscal e a decisão recorrida no que toca a incidência da contribuição sobre os valores pagos pela recorrente a outras cooperativas sob a rubrica "intercâmbio". 2. que quando uma outra cooperativa emite nota fiscal discriminando os serviços prestados por seus cooperados, a fim de que a autuada faça o pagamento devido por esses serviços, está configurada a ocorrência do fato gerador 3. Conforme expõe a recorrente, o sistema UNIMED é formado por várias cooperativas de trabalho distintas, cada uma com sua personalidade jurídica, com seus próprios cooperados que prestam entre si serviços, de modo que cada uma delas obrigatoriamente emite nota fiscal/fatura relativa aos serviços prestados por seus cooperados.Nesse sentido, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária determinada pelo art. 22, IV da Lei n° 8.212/91 é Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 12268.000136/200912 Acórdão n.º 2402003.841 S2C4T2 Fl. 1.493 7 emissão de nota fiscal ou da fatura referente à prestação de serviços por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, conforme art. 71 da IN INSS/DC n° 100/03 4. que ao prestar os serviços que lhes são próprios, ocorre a subcontratação de associados de outra cooperativa, haverá a ocorrência de dois fatos geradores, quais sejam, a emissão da nota fiscal pela UNIMED DESTINO (empresa subcontratada), em razão da prestação de serviço dos seus cooperados, e a emissão da nota fiscal pela UNIMED ORIGEM (contratada) em relação As empresas contratantes (usuários) para cobrar pelos serviços prestados por ela através de subcontratação de terceiros. 5. que a emissão de duas notas fiscais distintas não reflete apenas um sistema de compensação entre as cooperativas: enquanto a nota fiscal emitida pela UNIMED DESTINO A UNIMED ORIGEM reflete os valores dos serviços médicos prestados pelo seu cooperado, a nota fiscal emitida por esta a seus contratantes sell composta de valores distintos, fixos ou variáveis, conforme estipulado no contrato de plano de saúde. 6. Desta forma, o modus operandi do sistema UNIMED não ilide o fato de que, pelo chamado intercâmbio, uma pessoa jurídica (UNIMED ORIGEM) contrata os serviços de um terceiro (médico da outra cooperativa UNIMED DESTINO) para suprir uma necessidade sua (conferir aos usuários/beneficiários do seu plano de saúde cobertura de abrangência nacional). Este terceiro, posteriormente, emite uma fatura através de sua cooperativa, para receber pelos serviços prestados. 7. Vêse que nesse caso, o cooperado da UNIMED DESTINO presta um serviço à UNIMED ORIGEM, com a qual não tem vinculo cooperativo, e não ao usuário/beneficiário do atendimento médico em si. 8. Assim, como tomadora de serviços de cooperados alheios, a fim de que possa oferecer a seus clientes/usuários cobertura nacional, a autuada deve recolher a contribuição prevista no artigo 22, IV da Lei 8.212/91. 9. que quanto A Solução de Consulta suscitada pela defesa, cabe mencionar que ela não mais tem vigência, eis que em 28 de maio de 2004, através da Solução de Consulta n.° 5 / 2004, a CoordenaçãoGeral de Tributação e Julgamento do lNSS, bem como a CoordenaçãoGeral de Arrecadação, concluíram que a partir da edição da Instrução Normativa INSS/DC n.° 71/2002 estabeleceuse entendimento expressamente diverso. 10. que caberia à autuada trazer à fiscalização prova idônea e suficiente dos valores efetivamente destinados a terceiros não cooperados por parte daquelas cooperativas, o que não ocorreu. E, nos termos do § 3o do art. 33 da Lei 8.212/91, com a redação vigente A época do fato gerador, "ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de oficio a importância devida, cabendo A empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário". Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 8 11. No que se refere a COPAN, , ao constituir nova cooperativa, por intermédio da qual passam a prestar, cobrar e receber pelos serviços prestados, os médicos da COPAN assumem situação idêntica à dos médicos cooperados de outras UNIMEDs. A recorrente apresentou razões aditivas ao seu recurso apontando que: “o § 42 do artigo 216 acima transcrito reconheceu que a contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91 não Incide sobre os valores que são repassados pela recorrente (UNIMED ORIGEM) para outras cooperativas do sistema UNIMED (UNIMED DESTINO) relativos aos serviços médic ohospitalares, de diagnóstico e terapia prestados aos seus contratantes de pianos de saúde (Intercâmbio entre cooperativas).” Após, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 12268.000136/200912 Acórdão n.º 2402003.841 S2C4T2 Fl. 1.494 9 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Dos valores pagos a título de Vale Transporte Mesmo que a recorrente tenha deixado de impugnar de forma específica a matéria, fato é que, sobre o assunto, a Advocacia Geral da União, seguiu orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou inconstitucional a cobrança previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. Sobre o assunto a AGU editou a Súmula 60, de 08/12/2011, a seguir: Súmula 60 : "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Logo, em face de referido entendimento, não há que ser mantido lançamento sobre este aspecto. Dos Valores pagos a título de intercâmbio Outro ponto que merece prévio esclarecimento é o de que o relatório fiscal faz alusão expressa de que o lançamento se fez sobre valores de intercâmbio, ou seja, relativamente a pagamentos efetuados pela recorrente a outras cooperativas da rede UNIMED, não havendo que se falar no presente lançamento de pagamentos efetuados por pessoas jurídicas efetuados pela contratação da UNIMED. Com o intuito de ainda mais pontuar a questão, transcrevo os fundamentos do relatório fiscal para concluir pelo lançamento da rubrica INT – Valores pagos em Intercâmbio: Cuida o levantamento acima da contribuição previdenciária de 15% (quinze por cento) a cargo da empresa, enquanto contratante dos serviços das cooperativas de trabalho discriminadas nos relatórios anexos, por prestador de serviço, no período de 03/2004 a 12/2006. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 10 A prestação de serviços foi executada com base no intercâmbio entre as diversas cooperativas que fazem parte do sistema UNIMED, visando prestar atendimento aos usuários que se encontram fora da área de atendimento da cooperativa de origem. A referida contribuição encontrase prevista no artigo 22, inciso IV da Lei no 8.212, de 24/07/1991, com as alterações da Lei no 9.876, de 26/11/99. Seguem anexas cópias do manual de intercâmbio versão 2004 e 2006, Notas Fiscais ou Faturas por amostragem, além de resumos contidos nos relatórios emitidos pela empresa, denominados "Relatório de Conciliação Contábil de Pagamento — Versão Financeira, Agrupado por Prestador". E ao indicar as alíquotas e bases de cálculo utilizadas, assim se manifestou o fiscal: No anexo denominado DAD — Discriminativo Analítico do Débito, que faz parte integrante do Auto de Infração estão configuradas as aliquotas aplicadas sobre as bases de cálculo do débito, que no presente caso consistem cm: 20% (vinte por cento) referente A contribuição da empresa, 2% (dois por cento) A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT/GILRAT) e 15% (quinze por cento) correspondente A contribuição previdencidria a cargo da empresa, sobre os valores faturados pelas cooperativas de trabalho que lhe prestaram serviços. Pois bem, fixados tais pontos, passo a análise das alegações recursais. Em suma são dois pontos sustentados no recurso voluntário: (i) a impossibilidade de tributação dos valores de intercâmbio e (ii) que o fiscal deixou de abater da base de cálculo o auditor fiscal fez incidir a contribuição previdenciária de 15% sobre todos os valores repassados pela recorrente a titulo de intercâmbio, os quais incluem, além da remuneração dos médicos cooperados da UNIMED DESTINO, a remuneração dos serviços prestados pela rede credenciada (hospitais, clinicas e laboratórios); No que se refere a impossibilidade de tributação dos valores de intercâmbio argumenta a recorrente que faz parte de uma rede de cooperativas que atendem em determinada região, efetuando contratos nestas regiões com pessoas físicas e jurídicas, mas que contratam a cobertura de seu plano de saúde para a prestação de serviços médicos, hospitalares, de diagnóstico e terapia com abrangência em todo o território nacional Explica que considerando que o plano tem abrangência nacional, os referidos serviços são prestados pelos médicos cooperados e pelos estabelecimentos de saúde integrantes da rede credenciada de qualquer cooperativa do sistema UNIMED e, que, por tal razão, as mensalidades pagas pelos contratantes dos planos de saúde UNIMED abrangem a remuneração dos médicos associados e da rede credenciada de todas as cooperativas do sistema UNIMED, e não apenas dos cooperados e da rede credenciada da cooperativa da localidade em que celebrou o contrato. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 12268.000136/200912 Acórdão n.º 2402003.841 S2C4T2 Fl. 1.495 11 Aponta que o processo em que o beneficiário (contratante) de plano de saúde de uma cooperativa singular (por exemplo, (UNIMED CURITIBA) é atendido por médico cooperado de outra singular (por exemplo, UNIMED LONDRINA) é chamado de Intercâmbio. Tal processo, esclarece, permite que as cooperativas singulares, ,que têm uma pequena área de atuação, celebrem contratos que asseguram atendimento em todo o território nacional. No processo de intercâmbio, a cooperativa que firmou o contrato (UNIMED ORIGEM) faz o repasse da mensalidade arrecadada, total ou parcialmente, para a cooperativa (UNIMED DESTINO) em cuja área de atuação foi prestado o atendimento médicohospitalar. A UNIMED DESTINO, por sua vez, efetua o pagamento do seu médico cooperado e dos estabelecimentos de saúde (hospitais, clinicas e laboratórios) que prestaram os serviços diretamente ao beneficiário do plano de saúde. E sobre os valores repassados é que o ilustre fiscal autuante entendeu pela incidência da contribuição de 15%, instituída pelo art. 22 , IV, da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). De fato, não tenho dúvidas de que a norma supra aponta que para a incidência da contribuição, devese tratar de uma nota fiscal relativa a prestação de serviços por cooperados, mediante uma cooperativa de trabalho. Ou seja, está evidente que para a subsunção da norma ao fato deve haver uma prestação de serviços contratada por intermédio de uma cooperativa de trabalho. E no caso dos autos, a fiscalização entendeu que os repasses a título de intercâmbio configuramse numa prestação de serviços médicos entre cooperativas de uma mesma rede, pois a cooperativa de DESTINO emite a nota fiscal contra a cooperativa de ORIGEM para receber pelos serviços que seus cooperados prestaram aos beneficiários do plano da cooperativa de DESTINO. Ou seja, em suma, o entendimento é de que o cooperado da cooperativa de DESTINO presta serviço a cooperativa de origem, motivo pelo qual deveria ter destacado no valor da nota o percentual de 15%. Não compartilho de referido entendimento. Ainda sobre o assunto, trago a baila o art. 216 da Instrução Normativa n. 971 de 13 de novembro de 2009 da Secretaria da Receita Federal, a seguir transcrito: Seção III Das Obrigações Específicas da Cooperativa de Trabalho e de Produção Art. 216. As cooperativas de trabalho e de produção são equiparadas às empresas em geral, ficando sujeitas ao Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 12 cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 47 e às obrigações principais previstas nos arts. 72 e 78, em relação: [...] VI à contribuição incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, quando contratarem serviços mediante intermediação de outra cooperativa de trabalho, ressalvado o disposto no § 4º. [...] § 4º O disposto no inciso VI do caput não se aplica à cooperativa de trabalho quando os serviços forem prestados à empresa contratante mediante intermediação de outra cooperativa, situação denominada como intercâmbio entre cooperativas, e deverá ser observado o que segue: I a cooperativa de origem, assim entendida aquela que mantém contrato com o tomador do serviço, deverá emitir a nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviço à empresa contratante, incluindo os valores dos serviços prestados pelos seus cooperados e os daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas; II o valor total dos serviços cobrados conforme inciso I constitui a base de cálculo da contribuição a cargo da empresa contratante; III os valores faturados pelas cooperativas de destino, cujos cooperados prestaram o serviço à cooperativa de origem, não constituem base de cálculo para as contribuições desta, uma vez que serão cobrados na forma do inciso II. Depreendese de referido artigo que as cooperativas, quando prestarem serviços prestados por intermédio de seus cooperados diretamente para outras cooperativas de trabalho deverá efetuar o destaque do percentual de 15% na nota fiscal. Todavia, o § 4o excetua os casos em que uma cooperativa de trabalho, no caso a de DESTINO, vier a prestar serviços diretamente à empresa contratante dos serviços mediante outra cooperativa, no caso a de ORIGEM, situação na qual não haverá incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores que forem repassados para a cooperativa de DESTINO. A Instrução Normativa 971/09, determina, pois, que o pagamento da contribuição, no caso, seja em relação aos cooperados da cooperativa de DESTINO, seja em relação aos cooperados da cooperativa de ORIGEM, deverá ser efetuada diretamente pela empresa contratante dos serviços, devendo a nota fiscal conter o valor total a ser faturado a ambas cooperativas. Ou seja, a meu ver, a legislação atual deixa clara a existência de duas situações: a) a primeira no sentido de que a cooperativa de ORIGEM é a própria tomadora de serviços; Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 12268.000136/200912 Acórdão n.º 2402003.841 S2C4T2 Fl. 1.496 13 b) a segunda no sentido de que a cooperativa de ORIGEM atua no mero repasse de valores a outras cooperativas (DESTINO) Todavia, em ambos os casos, a IN deixa claro que os valores da contribuição de 15% devem ser recolhidos pela empresa tomadora. E tal determinação se dirige inclusive a evitar uma bitributação dos valores pagos pelos usuários dos serviços, que necessitem tomálos em outra localidade, que não aquela onde efetuou o contrato. No caso dos autos, o relatório fiscal é claro ao frisar que se trata do exato caso do intercâmbio entre cooperativas, não havendo que se falar na prestação de um serviço no qual o beneficiário seja outra cooperativa do mesmo grupo, mas sim as empresas contratantes da cooperativa de ORIGEM. Ressalto que de fato a Instrução Normativa em comento não estava vigente a época da ocorrência dos fatos geradores das contribuições. Todavia entendo que sua aplicabilidade ao presente caso é possível diante daquilo o que preceitua o art. 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, pois verifico que a Instrução Normativa expressamente veio a regular matéria antes não expressamente regulada, mas no exato sentido de demonstrar que os repasses efetuados a título de intercâmbio deveriam sofrer a tributação exclusivamente quando do pagamento dos beneficiários efetivos da prestação dos serviços, o que não gera falta de pagamento do tributo. Confirase o teor do artigo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Mesmo se assim não o fosse, entendo que o presente caso, também não possui sequer fundamento de validade a partir da análise da redação contida no art. 22 da Lei 8.212/91. É que, conforme já apontado, referido artigo exige a efetiva prestação de serviços diretamente para a cooperativa de ORIGEM, agora na qualidade tomadora, para que então venha a ser exigida a tributação. E tal condição, no presente caso não fora verificada. Ademais, a título elucidativo, este Eg. Conselho, na análise de outros casos, já decidiu pela exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas repassadas a título Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 14 de intercâmbio em relação às cooperativas, por não estarem incluídas na base de cálculo de referidas exações, já que não são consideradas como faturamento. Confirase a ementa de referido julgado na parte em que se refere ao presente caso: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Período de Apuração: 01/02/1999 a 31/07/2002 [...] INTERCÂMBIO A PAGAR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os valores do intercâmbio a pagar devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições a partir de dezembro de 2011, por terem o mesmo tratamento contábil, nas operações entre cooperativas, das corresponsabilidades cedidas. [...] (Acórdão 330201.280, Sessão de 09/11/2001, Rel. Conselheiro José Antônio Francisco) Assim, entendo que tais valores devam ser excluídos do lançamento. Da rubrica PAN – Valores pagos a COPAN Pelos mesmos motivos acima e considerando, sobretudo, que a fiscalização tratou o relatório fiscal os pagamentos efetuados a COPAN como possuidores das mesmas características dos pagamentos efetuados a título de intercâmbio, sem apontar de forma cabal alguma diferenciação na sua contratação ou mesmo relativamente ao formato da constituição de referida cooperativa, não vejo outra conclusão possível, senão por também excluir tal rubrica do lançamento efetuado. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso para excluir as rubricas PAN e INT. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO
score : 1.0
Numero do processo: 16537.001267/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja informado, de maneira conclusiva, se houve a ciência do contribuinte quanto ao Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07 de agosto de 2003.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja informado, de maneira conclusiva, se houve a ciência do contribuinte quanto ao Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07 de agosto de 2003. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 37 .0 01 26 7/ 20 11 -6 7 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001267/201167 Resolução nº 2302000.337 S2C3T2 Fl. 203 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 Data da lavratura da NFLD: 10/10/2005. Data da Ciência da NFLD: 13/10/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 35.764.1612, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e aos sócios (segurados contribuintes individuais), a título de pro labore, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 44/47. De acordo com a resenha fiscal as contribuições sociais que compõem a presente NFLD decorrem de fatos geradores declarados pelo Notificado em suas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, porém não recolhidas nos prazos e na forma previstos na legislação previdenciária, estando apurados de acordo com os seguintes levantamentos: · ADM — REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES (DECLARADOS EM GFIP) Referese aos valores pagos, a titulo de pro labore, aos sócios Milton Ernst de Mello e José Antonio Barcellos de Mello Junior, durante o período de janeiro/2002 a junho/2005, valores estes declarados em GFIP. · RSE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS (DECLARADOS EM GFIP) Referese aos valores pagos a segurados empregados, no período de janeiro/2002 a junho/2005, declarados em GFIP. Informa a Autoridade Lançadora que a notificada era optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, do qual foi excluída, através de Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07/08/2003, da Delegacia da Receita Federal/Joinville—SC, a fl. 79, com efeitos a partir de 01/01/2002. No entanto, mesmo após a exclusão, continuou recolhendo suas contribuições sociais e prestando informações através de suas GFIP, como se ainda estivesse enquadrada no referido sistema. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001267/201167 Resolução nº 2302000.337 S2C3T2 Fl. 204 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 57/72. A Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 20.421.4/0406/2005, a fls. 96/101, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/01/2006, conforme Aviso de Recebimento a fl. 102. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 105/122, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade da exclusão do SIMPLES. Aduz nunca ter sido intimada do Ato Declaratório Executivo DRE/JOI n° 463.344, de 07 de agosto de 2003, que é o ato pelo qual teria sido excluída do SIMPLES; · Irretroatividade da Notificação de Exclusão do SIMPLES; · Ilegitimidade da cobrança de contribuição para o INCRA das empresas urbanas; · Que a multa moratória tem natureza confiscatória; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001267/201167 Resolução nº 2302000.337 S2C3T2 Fl. 205 4 2. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. . 2.1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/01/2006. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 13/02/2006, há que se reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, deste conheço. 2.2. DAS PRELIMINARES 2.2.1. DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO O Recorrente advoga a nulidade do ato de exclusão do SIMPLES. alega nunca ter sido intimado do Ato Declaratório Executivo DRE/JOI n° 463.344, de 07 de agosto de 2003, que é o ato pelo qual teria sido excluído do SIMPLES. Com efeito, nos termos do art. 37 da Carta de 1988, a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios tem que obedecer aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Constituição Federal de 1988 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) A doutrina, em geral, entende que a publicidade constituise condição de eficácia do ato administrativo e não elemento constitutivo deste. Advogam tal entendimento José Afonso da Silva (in Curso de direito constitucional positivo, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1990, p. 5645), Marino Pazzaglini Filho (in Princípios constitucionais reguladores da Administração Pública, São Paulo: Atlas, 2000, p. 30), Juarez Freitas (in O controle dos atos administrativos e os princípios fundamentais, São Paulo: Malheiros Ed., 1997, p. 70), Lúcia Valle Figueiredo (in Curso de direito administrativo, São Paulo: Malheiros Ed., 1995, p. 967), Canotilho (in Direito constitucional e teoria da Constituição, Coimbra: Livraria Almedina, 1997, p. 7713), dentre tantos outros. Hely Lopes Meirelles entende que a publicidade não é elemento formativo do ato, mas requisito de moralidade e eficácia, de tal sorte que atos irregulares não se convalidam Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001267/201167 Resolução nº 2302000.337 S2C3T2 Fl. 206 5 com a publicação e atos regulares não a dispensam para exequibilidade. Porém, entende que a omissão ou o desatendimento da publicidade necessária é causa de ineficácia e exposição à invalidação pela falta desse requisito de eficácia e moralidade (Hely Lopes Meirelles, Direito administrativo brasileiro, São Paulo: Malheiros, 1995, p. 88). Augustin Gordillo (in Tratado de Derecho Administrativo, 6ª ed., Belo Horizonte, Del Rey, 2003, p. 34) ressalta a opinião doutrinária majoritária, segundo a qual a publicidade não integra o ato, de modo que este aperfeiçoase quando da sua emissão, e que a publicidade constitui, sim, condição para sua eficácia, podendo ocorrer, inclusive, tempos depois daquela produção. Segundo Gordillo (op. cit. p. 35), a intimação do Ato Administrativo, para que produza seus efeitos jurídicos de estilo, pode ser realizada em sintonia com a previsão legal, por exemplo, mediante entrega pessoal, ao interessado, de cópia autêntica do ato, através de notificação pessoal de que o ato está à sua disposição, para vista, na repartição; comunicação postal pessoal da decisão, com aviso de recebimento; telegrama; email e até mesmo a apresentação espontânea do Interessado. Importante é que o particular, induvidosamente, tenha recebido a notificação do seu interesse, para validade da publicidade. No ordenamento jurídico brasileiro, vários são os exemplos em que diplomas normativos estatuem, expressamente, terem os atos de publicidade natureza jurídica de condição de eficácia do ato administrativo, conforme assim destacam o art. 41 da Lei nº 9.472/97, o art. 61 da Lei nº 8.666/93, o art. 8º da Lei nº 8.597/2003 do Estado da Bahia. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições inscritas no Decreto nº 3.969/2001, publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, as quais determinam que os procedimentos fiscais relativos à constituição de tributos federais previdenciários devem ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o qual se extingue pela conclusão do procedimento fiscal correspondente, registrado em termo próprio, ou, alternativamente, pelo decurso do seu prazo de validade, consideradas as prorrogações ocorridas. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. Não por outro motivo o art. 16 do Decreto nº 3.969/2001 autoriza a autoridade competente a emitir, mesmo após a extinção do MPF anterior pelo decurso de prazo, novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Naquilo que se conforma com o Processo Administrativo Fiscal, a Decreto nº 70.235/72 estatui, de maneira expressa, que a Intimação do Sujeito Passivo pode ser realizada, dentre outras maneiras, por via postal, com prova de recebimento, no domicilio tributário eleito pelo Contribuinte, assim entendido o endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001267/201167 Resolução nº 2302000.337 S2C3T2 Fl. 207 6 sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. §1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) De todo o exposto deflui que o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07 de agosto de 2003, somente terá eficácia perante o Sujeito Passivo a partir do momento em que se promover, a este, a devida ciência do ADE em exposição. O presente processo, todavia, não se encontra instruído com os indispensáveis elementos de prova aptos a consolidar a convicção de que o Notificado foi ou não devidamente intimado do o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07 de agosto de 2003. Por tais razões, pugnamos pela conversão do vertente julgamento em Diligência Fiscal, para que o órgão tributário competente informe, de maneira conclusiva, se houve a devida ciência da empresa INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE BORRACHA KP LTDA – ME a respeito do Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07 de agosto de 2003, a fl. 79, esclarecendo, se possível, a data e o endereço da intimação, domicílio tributário do Interessado à época da intimação, identificação da pessoa que recebeu a intimação, dentre outras que se julgar pertinentes. Por derradeiro, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deverá ser intimado o Sujeito Passivo para que tome ciência do resultado e conteúdo da diligência fiscal ora requestada, e lhe seja concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001267/201167 Resolução nº 2302000.337 S2C3T2 Fl. 208 7 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos formulados nos parágrafos acima. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722001/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Ementa:
À Primeira Seção de Julgamento do CARF cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, quando houver procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3402-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declinar competência para 1ª Seção.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 851 1 850 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722001/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.339 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente AFIGRAF COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. EPP Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Ementa: À Primeira Seção de Julgamento do CARF cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, quando houver procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declinar competência para 1ª Seção. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 01 /2 01 1- 06 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.722001/201106 Acórdão n.º 3402002.339 S3C4T2 Fl. 852 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foi constatada, no ano calendário (AC) de 2006, omissão de receitas proveniente da falta de comprovação da origem dos recursos depositados em conta bancária e de vendas de produtos de fabricação própria. Foi arbitrado o lucro com base no art. 530, III, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), uma vez que, sendo intimada a apresentar os livros contábeis e documentos de sua escrituração, a contribuinte deixou de fazêlo. Relata a autuante no Termo de Constatação que a contribuinte, por meio do processo nº 19515.005603/200972, foi excluída do Simples a partir de 01/01/2005, tendo em vista o excesso de receita em relação ao limite estabelecido para ingressar naquela sistemática e, por não ter apresentado manifestação de inconformidade, a referida exclusão tornouse definitiva. A Ditec cancelou as declarações do Simples apresentadas pela contribuinte, foram apresentadas novas DIPJ pelo lucro presumido. Informou a autuante que a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os livros Diário, Razão, Caixa, Lalur, Registro de Entradas, de Saídas e Inventário, contrato social e alterações, arquivos contábeis em meio magnético, e não atendeu a nenhuma das intimações. Foi, então, lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização, nos termos do art.33, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Posteriormente, a contribuinte apresentou somente os livros fiscais, faltando os demais livros, os documentos, extratos bancários. Sendo intimada a comprovar a origem dos valores creditados em contas correntes bancárias em 2006 a contribuinte não se manifestou. Analisando os créditos bancários a fiscalização constatou que, do total de R$ 9.046.562,57, R$ 7.114.234,33 são relativos à receita da atividade (cobrança), e deste último R$ 3.448.681,57 foram declarados em DIPJ pelo lucro presumido, e foi tributado no auto de infração com base no lucro arbitrado. Analisando os créditos bancários a fiscalização constatou que, do total de R$ 9.046.562,57, R$ 7.114.234,33 são relativos à receita da atividade (cobrança), e deste último R$ 3.448.681,57 foram declarados em DIPJ pelo lucro presumido, e foi tributado no auto de infração com base no lucro arbitrado. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.722001/201106 Acórdão n.º 3402002.339 S3C4T2 Fl. 853 3 Assim, R$ 3.665.552,76 foram tributados como omissão de receita da atividade (R$ 7.114.234,33 – R$ 3.448.681,57) e R$ 1.932.328,24 por presunção de omissão de receita sobre movimentação financeira (R$ 9.046.562,57 – R$ 7.114.234,33), aplicando a multa de ofício agravada (112,5%) sobre a omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada e a multa de ofício qualificada e agravada (225%) sobre os valores declarados e sobre a omissão de receita da atividade, uma vez que configurou em tese crime contra a ordem tributária. Sendo notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 709 a 746 (IPI), subscrita por Edison Freitas de Siqueira (fls.374/379), alegando: ∙ As impugnações são tempestivas; ∙ Ocorreu a decadência quanto aos fatos geradores dos tributos do período de 01/2006 a 11/2006; ∙ Apuração das receitas por amostragem. O fisco não apontou minuciosamente todos os quesitos que levaram a concluir o faturamento e a receita tributados. A verificação por amostragem é equivocada e traduzse em abuso de poder e lesividade ao contribuinte, devendo o auto de infração ser declarado nulo, uma vez que as receitas apuradas pela fiscalização não representam a realidade vivida pela empresa; ∙ O auto de infração não foi preenchido corretamente, requisito indispensável de validade, conforme determina o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O agente fiscal deixou de seguir os requisitos expressos no citado Decreto. As violações às garantias constitucionais, à legislação federal, à forma do estabelecimento do contraditório, produção de provas que provoquem o suprimento de um dos requisitos ou elementos no lançamento, etc., torna o auto nulo de pleno direito, pois que incompleto, não perfectibilizado, não gerando efeitos legais, e as obrigações dele decorrentes nascerão do arbítrio e da ilegalidade. Portanto, deve ser declarado nulo o presente auto de infração, eis que não observa os requisitos mínimos da legislação que regra o processo administrativo, bem como fere os princípios do contraditório e da ampla defesa e do devido processo legal; ∙ Na forma da lei, com o objetivo de se apurar o valor correto dos débitos, requerse desde já, o deferimento da produção de prova pericial; ∙ A multa aplicada é confiscatória, ilegal, desproporcional, ofende o princípio da capacidade contributiva. As multas que excedam 20% o que já é dez vezes o previsto no Código de Defesa do Consumidor, bem como excedam ao equivalente nos dias atuais a 4 ou 5 vezes a taxa de inflação anual do país, constitui confisco e expropriação patrimonial; Fl. 853DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.722001/201106 Acórdão n.º 3402002.339 S3C4T2 Fl. 854 4 ∙ Ilegalidade da taxa Selic. Tem caráter remuneratório, ofende os arts. 150, I, e 192 da Constituição Federal (CF) e o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional (CTN); ∙ Ocorrência de bis in idem, devido à incidência de juro moratório e multa moratória sobre um mesmo fato gerador; ∙ Solicitou que todas as publicações e notas de expediente sejam expedidas unicamente em nome do advogado Édison Freitas de Siqueira, com escritório na Rua Dom Pedro II, nº 1411, Bairro Higienópolis, Porto Alegre/RS, CEP 90550143, Fone (51) 3358 0500. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1438.652 de 20 de setembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo não tenha efetuado o pagamento antecipado e tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A aplicação da taxa Selic tem previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia ou diligência que deixe de atender os requisitos legais. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.722001/201106 Acórdão n.º 3402002.339 S3C4T2 Fl. 855 5 Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. IMPUGNAÇÃO. NEGAÇÃO GERAL. A impugnação deve ser específica e vir instruída com as provas que possam contrapor a autuação. SUSTENTAÇÃO ORAL. Inexiste previsão legal, na esfera do julgamento administrativo de primeira instância, para oferecimento de sustentação oral. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a apreciálos. Para passarmos à análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foram observados os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.722001/201106 Acórdão n.º 3402002.339 S3C4T2 Fl. 856 6 As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Retornando a lide, há informação nos autos de que foram lavrados autos de IRPJ e CSLL baseados nos mesmos fundamentos jurídicos do auto de infração ora em julgamento. Os autos de IRPJ e CSLL estão no processo administrativo nº 19515.721994/2011 91. Nos termos do art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que define a competência de julgamento da Primeira Seção de Julgamento, cabe aquela Seção apreciar recursos que versem sobre a aplicação da legislação do PIS e da Cofins quando os fatos jurídicos que serviram para a apuração das exações forem conexos aos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ. Neste norte, em vista da conexão relatada, não conheço do recurso por se tratar de matéria de competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF. É como voto. Sala das Sessões, em 26/02/2014. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 856DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.722001/201106 Acórdão n.º 3402002.339 S3C4T2 Fl. 857 7 Fl. 857DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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