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Numero do processo: 10183.004486/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA).
Por se tratar de áreas que independem do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento de APP e ARL declaradas em DITR. Precedentes.
RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO PRÉVIA NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA.
Tendo sido comprovada a prévia averbação de ARL na matrícula do imóvel, tal deve ser reconhecida e excluída da base tributável do ITR.
VALOR DA TERRA NUA - VTN ARBITRADO COM BASE NO SIPT. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. MANUTENÇÃO.
Não tendo sido impugnado o fundamento da decisão recorrida que confirmou o VTN arbitrado com base no SIPT, tal deve ser mantido para fins de cálculo do ITR, especialmente porque baseado na média por aptidão agrícola do município.
Numero da decisão: 2202-002.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer os valores declarados como Área de Preservação Permanente - APP e Área de Reserva Legal - ARL. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 12/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Por se tratar de áreas que independem do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento de APP e ARL declaradas em DITR. Precedentes. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO PRÉVIA NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA. Tendo sido comprovada a prévia averbação de ARL na matrícula do imóvel, tal deve ser reconhecida e excluída da base tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN ARBITRADO COM BASE NO SIPT. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. MANUTENÇÃO. Não tendo sido impugnado o fundamento da decisão recorrida que confirmou o VTN arbitrado com base no SIPT, tal deve ser mantido para fins de cálculo do ITR, especialmente porque baseado na média por aptidão agrícola do município. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer os valores declarados como Área de Preservação Permanente APP e Área de Reserva Legal ARL. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 44 86 /2 00 7- 92 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 14 2 (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 12/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (Fls. 0611), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercícios 2003 e 2005, no valor total de R$ 4.377.241,74, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário (Fls. 02) do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 1.595.3068, localizado no município de Santa Carmen – MT, sendo R$ 2.019.964,24 à título de imposto, R$ 842.304,32 à título de juros de mora e R$ 1.514.973,318 à título de multa. Na descrição dos fatos (Fls. 0810), o fiscal autuante relata a falta de recolhimento do ITR dos exercícios citados acima, apurados após a alteração da declaração do contribuinte, por não terem sido comprovadas as informações nela contidas. Ainda, que não houve a comprovação da solicitação de emissão do ADA – Ato Declaratório Ambiental, protocolizado junto ao IBAMA, sendo desconsiderada a Área de utilização Limitada. Também, que o contribuinte não teria apresentado o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua – VTN, sendo arbitrado o Valor da Terra Nua com base nas informações do SIPT – Sistema de Informações de Preços de Terras. Por fim, que não houve a apresentação de Laudo elaborado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, informando as áreas que se enquadrariam na legislação, nem a documentação exigida para comprovação das Áreas de Preservação Permanente, sendo estas também desconsideradas. Foi exarado Termo de Intimação Fiscal n° 01301/00045/2006 (Fls. 1314), intimando o contribuinte para a juntada dos seguintes documentos, dos anos de 2003 e 2005: Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do património natural ou de servidão florestal. Cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 15 3 Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico. Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Apresentada manifestação pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal (Fls.2324), requereu dilação de prazo para apresentação de documentos, mas apresentou Matrículas do Registro de Imóveis n.° 9.564 e 9.565, onde consta a averbação da área de reserva legal (Fl. 3136). Enviado Ofício ao Prefeito do Município de Santa Carmen (Fl. 4445), solicitando os valores de mercado, por hectare e por aptidão das terras de tal Município nas datas de 1º de janeiro de 2002 à 2006, houve resposta à Fl. 47. Impugnação Cientificado do Auto de Infração em 11/10/2007 (Fl. 54), a interessada apresentou a impugnação às fls. 5566. Inicialmente informa que a área total da fazenda é constituída das Matrículas 9.564 e 9.565, totalizando a área de 6.728,9ha. Alega que a Área de Reserva Legal declarada no ITR exercício de 2003 esta devidamente averbada as margens das Matrículas do Registro Imobiliário desde 17/07/1991, sendo esta de 5.553,1ha. Também, que a área de reserva legal declarada no ITR 2005, de mesmo modo, está devidamente averbada as margens das Matrículas, onde consta averbada a área de utilização limitada de 4.764,2ha. Quanto à Área de Preservação Permanente declarada no ITR do exercício 2005, de 264,2ha, localizada dentro das 2 matrículas, esta encontrase comprovada por meio de carta imagem georeferenciada com laudo técnico, a ser juntada no prazo de até 30 dias, assim como laudo com fotos devidamente assinado por engenheiro credenciado com ART. Discorda ainda da exigência de ADA, para fins de isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, uma vez que vai de encontro ao Princípio da Legalidade, afirmando ainda, se tratar de mero instrumento declaratório da existência de uma situação fática prévia, mas anexa o mesmo do ano de 2007 (Fls. 6869). Ainda, insurgese contra a aplicação da multa de ofício na ordem de 75%, uma vez que não subsiste qualquer imposto suplementar a ser objeto de lançamento. Por fim, quanto ao Valor da Terra Nua, solicita a dilação de prazo por 180 dias para elaboração e apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, impugnando também tal valor, por não retratar a realidade dos valores praticados na região durante os anos de 2003 e 2005, tendo em vista que à época desencadeou se várias operações de combate a extração ilegal de madeira, assim como a baixa do dólar e o aumento do preço dos insumos, fazendo despencar os preços dos imóveis na região. Também, pois não observadas as particularidades da Fazenda, sendo área de difícil acesso. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 16 4 Assim, requer a anulação do Auto de Infração lavrado, para que sejam excluídas de tributação as áreas declaradas como de reserva legal e preservação permanente. Colaciona vasta jurisprudência do CARF. Solicita a realização de vistoria técnica no imóvel, caso entenda a Receita necessário, para confirmação das informações. Intimado para apresentação de cópias do Estatuto Social (Fl. 89), juntou o contribuinte o mesmo e requereu prorrogação de prazo para apresentação do Laudo de avaliação do imóvel por mais 60 dias. Protocolada petição em 30/11/2007 pelo contribuinte (Fls. 116117), juntando Laudo Técnico de Constatação e comprovação da área existente de Utilização limitada, Reserva Legal e Preservação Permanente no imóvel, elaborado e assinado por Engenheiro competente e credenciado no CREA, dos anos de 2003 (Fls. 118124) e 2005 (Fls. 134140); Carta – Imagem de Satélite do ITR 2003 (Fl. 125) e 2005 (Fl. 141), elaboradas com a caracterização do imóvel, destacandose a área existente de Utilização limitada, Reserva Legal e Preservação Permanente; ART – Autorização de Responsabilidade Técnica devidamente recolhida (Fls. 126 e 142)); ADA – Ato Declaratório Ambiental de recibo n° 10751510136786 constando a área de Reserva Legal e Preservação Permanente (Fls. 149150); e requerendo nova dilação de prazo para apresentação de Laudo de avaliação do imóvel. Decisão da DRJ Considerada tempestiva, a impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 1ª Turma da DRJ de Campo Grande (Fls. 152162), mantendose o crédito tributário exigido. Quanto ao pedido de perícia, entendeu o órgão julgador, que a mesma não merecia deferimento, pois somente visaria corroborar informações que poderiam por este serem produzidas por outros meios. Quanto à nulidade do Auto, entendeu também o julgador que o mesmo contém todos os requisitos exigidos na legislação, havendo também a prévia intimação para apresentação da documentação exigida, não podendo a impugnante sequer alegar cerceamento de defesa. No mérito, não restou melhor sorte ao impugnante. No que concerne a multa, sendo esta decorrente de expressa previsão legal, não há autorização normativa para o julgador afastar ou reduzir a multa aplicada no lançamento. Que seriam imprescindíveis para a comprovação das referidas áreas, o ADA protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado e a averbação prévia da ARL, vez que decorrentes de lei, não se podendo levantar questionamentos acerca das legalidades de referidas exigências. Ainda que tenha sido trazido aos autos matrículas dos imóveis com averbação de “área de utilização limitada” desde 1991, bem como atualização da dimensão de área averbada como ARL em 2003, entendeu a DRJ que não teriam sido apresentados o ADA e a averbação tempestivos para os Exercícios do lançamento, não havendo, portanto, como se acatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal pretendidas. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 17 5 Por fim, quanto à utilização da tabela SIPT, afirma que este encontra amparo legal, e que somente é utilizado quando, após intimado o contribuinte, o mesmo não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, e, como não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não há de ser revisto o valor arbitrado. Recurso Voluntário De tal decisão, foi cientificado o contribuinte em 03/11/2009 (Fl. 169), tendo o mesmo interposto, em 23/11/2009, Recurso Voluntário (Fls. 172229), sob os seguintes argumentos: Que o Auto de Infração seria nulo, uma vez que não cita a área total da fazenda, composta pelas duas matrículas. Que constam nos autos o Laudo Técnico de Constatação e as cópias das Matrículas de Registro de Imóveis, os quais foram ignorados na decisão recorrida, em flagrante omissão; Que o ITR exigido sobre as Áreas de Reserva Legal é extralegal, uma vez que devidamente averbado na matrícula a condição limitadora de utilização, com averbação do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal; Que as Áreas de Preservação Permanente e as Áreas de Reserva Legal são isentas do recolhimento do ITR, independentemente da apresentação tempestiva do ADA; Que a entrega posterior do ADA não traz qualquer prejuízo ao Fisco Federal; Que não se mostra razoável o indeferimento da perícia pleiteada, em respeito a ampla discussão e investigação das questões concernentes; Colaciona vasta jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, STJ e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais corroborando com a suas teses. Ainda, junta novamente a documentação já apresentada, e mais cópias de Autorizações para Exploração de Plano de Manejo Florestal Sustentado. É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 18 6 O art. 10, § 1, II, da Lei 9.393/961, exclui do conceito de área tributável para fins de ITR, entre outras, as áreas de preservação permanente (APP), de reserva legal (ARL) e de interesse ecológico. Quanto às APP e ARL, suas definições estão previstas no art. 1º, § 2º, II e III, da Lei nº 4.771/65, devendo o contribuinte apenas declarálas em DITR, informação esta que “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis” (art. 10, § 7º, da lei 9.393/96). Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, devendo a Administração, em caso de dúvidas, demonstrar que o contribuinte incorreu em falsidade. No caso em questão, justamente em decorrência de dúvidas por parte da fiscalização acerca da veracidade das informações prestadas a título de ARL (DITR 2003 e 2005) e APP (DITR 2005), foi o contribuinte intimado a apresentar documentos que as corroborassem, tendo sido entregue, naquele momento, cópia das matrículas dos imóveis, nas quais constam averbação de áreas de utilização limitada desde o ano de 1991 (nos termos informados na DITR 2003) e retificação no ano de 2003 (nos termos informados na DITR 2005). Ainda, após a apresentação de sua impugnação, o contribuinte juntou aos autos Laudos Técnicos – referentes ao ITR de 2003 (Fls. 118124) e de 2005 (Fls. 134140) –, devidamente assinados por profissional qualificado e registrado junto ao CREA (Fls. 126 e 142), nos quais foi demonstrada a existência das APP e ARL declaradas. Após a detida análise dos autos, estou entendendo por discordar em parte da fiscalização e reformar parcialmente da decisão recorrida para que seja excluída a glosa das APP e ARL para fins de cálculo do ITR em questão, em especial observância à verdade da real. Com efeito, conforme se verifica da autuação lavrada (Fl. 08), a fiscalização fundamenta a glosa das APP e ARL no fato de não ter o contribuinte comprovado a apresentação de ADA, conforme exigiria o § 1º do art. 17O da Lei 6.938/812 (com a redação 1 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; redação vigente ao tempo do fato gerador b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; 2 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 19 7 dada pela Lei nº 10.165/00), segundo o qual, “a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Entretanto, entendo que tal disposição deve ser interpretada em harmonia e de forma sistemática com o caput do referido art. 17O. Neste ponto, ao determinar que “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ... taxa de Vistoria”, entendo que o aludido dispositivo está, no seu caput, admitindo que há casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA” (ou mesmo de outro ato ou reconhecimento do Poder Público), hipótese esta em que tal artigo de lei (em sua íntegra, logicamente) não se aplicará. Nesse mesmo sentido, aliás, entendendo que a exigência de ADA para fins de reconhecimento de APP e ARL somente se aplicaria aos casos em que a existência da área ambiental, para fins de redução de ITR, dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público, assim já entendeu esse Conselho, ao julgar, em 10/02/2011, o Processo nº 13161.000676/200604, por meio do Acórdão n.º 220100.985, cuja relatoria foi do eminente Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cabendo a transcrição do seguinte trecho do voto proferido: Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: (...) Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA, para todas as situações de áreas ambientais, como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in clariscessatinterpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe ou não a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 20 8 O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância relativa ao fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; (...) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 21 9 esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR, define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: (...) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: (…) Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 17O, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. E a resposta é negativa. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 22 10 Em conclusão, penso que o art. 17O da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. No caso dos autos, as APP e ARL se enquadram entre aquelas cujo reconhecimento da área, para fins de redução do ITR, independem de ato específico do Poder Público, não estando enquandradas no caput do art. 17O da Lei nº 6.938/81 e não lhes sendo aplicável, portanto, a exigência do seu §1º, restando afastada a exigência de entrega do ADA para permitir a exclusão das aludidas áreas do conceito de área tributável para fins de ITR. Ademais, especificamente em relação à Area de Utilização Limitada/ARL declarada nas DITRs de 2003 e 2005, também restou exigido pela fiscalização para o seu reconhecimento a prévia averbação na matrícula do imóvel. Nesse ponto, encontrase equívoco na decisão da DRJ ao afirmar que não foi providenciada averbação tempestiva para os Exercícios do lançamento (fl 161). Isso porque, conforme comprovam as cópias das matrículas juntadas aos autos: (i) no ano de 1991 (Fls. 31/32), foi feita averbação de “área de utilização limitada” relativamente aos 1.175,8 ha assim declarados em 2003, e (ii) em 2003 (Fls. 34/35) houve atualização de matrícula e averbação relativamente aos 3.588,43 declarados a mais em 2005 (exercício em que a ARL totalizou 4.764,2 ha). Dessa forma, independentemente do debate acerca da exigência ou não averbação de ARL na matrícula do imóvel para garantir o seu reconhecimento para fins de redução do ITR, tal requisito foi devidamente comprovado pelo contribuinte, justificandose, por mais esse fundamento, a exclusão da glosa de tal área feita pela fiscalização quando da lavratura da autuação. Por tais razões, visto que devidamente comprovada a existência de ARL e APP nos termos declarados pelo contribuinte, entendo que deva ser provido o recurso voluntário, para o fim de exclusão de tais áreas na apuração do ITR devido nos exercícios de 2003 e 2005. Valor da Terra Nua Quanto ao Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela Fiscalização no caso em tela, não houve insurgência do contribuinte em seu Recurso Voluntário. Nesses casos, o art. 17 do Decreto 70.235/72 dispõe expressamente que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) E neste sentido são as seguintes decisões deste Conselho: Processo nº 15758.000533/200952 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 23 11 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1202000.948 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2013 Matéria IRPJ AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes CSI CENTRO DE SERVIÇOS INTEGRADOS SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO EXOFFÍCIO. MULTA AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. Devese dar provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, quando a decisão recorrida decidiu, de forma equivocada, o não agravamento, em 50%, da multa de ofício aplicada, uma vez que ficou evidenciada a não prestação de esclarecimentos e a não entrega dos livros e documentos pelo sujeito passivo, no prazo marcado, quando regularmente intimado. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitivamente julgada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. (...) Processo nº 13866.000231/0021 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.936 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria RessarcimentoCrédito Presumido de IPI Compensação Recorrente NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 24 12 Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação retificadora e não da data do pedido de ressarcimento ou do pedido de compensação substituído. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT), por se encontrarem fora do campo de incidência do IPI, não podem ser considerados produtos industrializados. Por conseguinte, não podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. Portanto, só integram a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos consumidos na produção que entrem em contato direto com o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. CAL VIRGEM. A cal virgem, utilizada para alterar as características da cana de açúcar de modo evitar a proliferação de bactérias, caracteriza se como produto consumido no processo de fabricação de açúcar e álcool e, assim, como insumo, para efeito de crédito de IPI. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10183.004486/200792 Acórdão n.º 2202002.498 S2C2T2 Fl. 25 13 VARIAÇÕES CAMBIAIS. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. ACEITAÇÃO TÁCITA. Computase como acatada a decisão proferida em primeira instância administrativa julgadora quando não for expressamente confrontada no recurso. (...) Destaco, ainda, que, das informações constantes dos autos, não há indicação de que o VTN aplicado pela Fiscalização com base no Sistema de Preços da Terra SIPT tenha sido apurado a partir do universo de DITRs apresentadas para determinado município no mesmo exercício (caso em que seria vedada a sua utilização, conforme reiteradas decisões desse Conselho). Ao contrário, foi juntado ao processo VTN médio por Aptidão Agrícola (Fl. 5253), dos anos de 2003 e 2005 do Município de Santa Carmen. Sendo assim, neste ponto, entendo não merecer reparos a decisão da DRJ. Com base no exposto, voto pelo parcial provimento do Recurso Voluntário para o fim de determinar a exclusão das áreas de utilização limitada/ARL e APP na apuração do ITR devido nos exercícios de 2003 e 2005, mantendo o VTN arbitrado pela fiscalização. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 19515.002168/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado. (STJ, Resp 973.733/SC)
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
"Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
NULIDADES. INOCORRÊNCIA.
No caso de o enfrentamento das questões nas peças de defesa denotarem perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento fiscal não há que se falar em nulidade.
DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS.
As informações constantes da escrituração da pessoa jurídica fazem prova a favor do sujeito passivo quando a Fiscalização não consegue demonstrar a existência de vícios ou irregularidades.
Numero da decisão: 1302-001.284
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado. (STJ, Resp 973.733/SC) INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. "Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." NULIDADES. INOCORRÊNCIA. No caso de o enfrentamento das questões nas peças de defesa denotarem perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento fiscal não há que se falar em nulidade. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS. As informações constantes da escrituração da pessoa jurídica fazem prova a favor do sujeito passivo quando a Fiscalização não consegue demonstrar a existência de vícios ou irregularidades.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado. (STJ, Resp 973.733/SC) INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. "Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." NULIDADES. INOCORRÊNCIA. No caso de o enfrentamento das questões nas peças de defesa denotarem perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento fiscal não há que se falar em nulidade. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS. As informações constantes da escrituração da pessoa jurídica fazem prova a favor do sujeito passivo quando a Fiscalização não consegue demonstrar a existência de vícios ou irregularidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 68 /2 00 9- 24 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002168/200924 Acórdão n.º 1302001.284 S1C3T2 Fl. 63 3 Relatório Em procedimento de verificação fiscal, referente aos períodos de 2004 à 2007, verificou a fiscalização infrações que consistiam em despesas não comprovadas e diferença entre os montantes escriturados e recolhidos sendo a Contribuinte autuada no montante total de R$ 8.882.914,25 referente ao IRPJ, juros de mora e multa regulamentar de 75%. Da análise dos autos verificase que antes da intimação do Contribuinte do encerramento da fiscalização o lançamentos foi retificado pelo Termo de Reratificação de fls.49, que fez ajustes na base tributável, conforme descriminado na planilha de fls. 50/51, majorando o valor tributável em mais R$ 4.398.629,29. Cientificada do feito em 09/07/2009, o Contribuinte apresentou, em 10/08/2009, impugnação, arguindo, em síntese, o seguinte: decadência dos PA de 01 à 06/2004, nos termos do art.150, §4° e 156, II, V c VII do CTN, já que a ciência do Auto de Infração ocorreu somente em 09/07/2009. que a apuração do seu lucro é trimestral e não mensal como calculado pela autoridade fiscal. que diante da mudança de seu sistema contábil, ocorreram transposições incorretas de valores que a autoridade fiscal se utilisou para efetuar os lançamentos. que o lançamento é nulo em decorrência de apuração de tributos não prevista em lei e que ocorreu cerceamento de defesa. que a multa cominada nos autos fere o princípio da proporcionalidade. protesta finalmente pela realização de perícia e diligências fiscais, juntando escrituração contábil e outros documentos, os quais visam provar a improcedência dos valores lançados. Tendo em vista as divergências entre os valores apurados no Auto de Infração e as apontadas na documentação apresentada pela Contribuinte, a 7ª Turma da DRJ/RJ determinou a converção do julgamento em diligência para que fossem respondidos os seguintes quesitos: “A contribuinte apresentou escrituração contábil e outros documentos, os quais visam provar a improcedência dos valores lançados. Cabe consignar que, segundo a interessada, por motivo de mudança de sistema contábil, ocorreu a transposição incorreta de valores acumulado até o PA de 08/2004 lançandoa como "zero", assim,no PA de 09/2004, a autoridade fiscal lançou o tributo semlevar em consideração os montantes lançados até o referido período (doe.09). Nesse trimestre a contribuinte amargou prejuízo fiscal de R$ 850.777,92 (doe.03). Fl. 795DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Os itens seguintes resumem as discrepâncias entre análise fiscal em confronto com a documentação apresentada pela requerente em sua impugnação: • Quanto à escrituração contábil apresentada pela requerente, observase que nos documentos de fl. 176 o período abrangido compreende os P A de 01 a 08/2004, no entanto, o mesmo foi emitido com data de 30/06/2004, ou seja, em data anterior ao lapso temporal lançado na contabilidade. Ademais, o razão contábil de fls. 177/190 balancete de fls.191/199 e 202/234, os quais compreenderiam os PA de 01/09/2004 a 31/12/2007, foi emitido em 31/07/2009, sendo que como se sabe referido livro e balancetes devem ser escriturado anualmente com termos de abertura e fechamento. Outra observação a ser feita é a existência de débitos de IRPJ (fls.268/269), os quais se encontram extintos; outros débitos em cobrança (fls.273, 302/303), sendo que a contribuinte optou pelo parcelamento (fls.270 e 306/307). Os extratos de fls.270 e 306/307 informam a existência de processos de parcelamento, os quais devem ser verificados, pois podem estar relacionados aos débitos ora exigidos no presente Auto de Infração. • Quanto aos débitos exigidos e declarados em DCTF, os extratos de fls.318/319 relacionam débitos informados nas declarações e que compreendem os períodos analisados pela autoridade fiscal. Tendo em vista as divergências entre os valores apurados no Auto de Infração e as apontadas na documentação apresentada, tornase necessário converter o presente processo em diligência fiscal visando esclarecer, por meio de análise de documentação comprobatória em confronto com a escrita fiscal e pesquisas complementares, o qual comprove os valores lançados pela contribuinte em sua contabilidade, os seguintes pontos controversos: 1) 1º trimestre/2004: A autoridade fiscal apurou R$ 642.989,15, referente a apropriação de 15% sobre o lucro real e de R$ 422.659,43 de adicional calculado a 10%, subtraído de R$ 116.094,71 (compensação), resultando em R$ 949.553,87, declarado em DIPJ (doc.03) e DCTF (fl.07). Os lançamentos de janeiro (R$ 96.328,05), fevereiro (R$ 109.046,06) e março (R$ 100.613,83) referemse a multas e juros de IRPJ de períodos anteriores, não se tratando, portanto de IRPJ a pagar. 2) 2º trimestre/2004: No referido período de apuração houve apuração de prejuízo fiscal e, por isso, não há registros contábeis, sendo que a diferença apurada pela autoridade fiscal referemse a multas e juros de IRPJ de períodos anteriores contabilizados e declarados (doc.08), não se tratando, portanto de IRPJ a pagar; 3) 3º trimestre de 2004: No referido período de apuração houve apuração de prejuízo fiscal e, por isso, não há registros contábeis, sendo que a diferença apurada pela autoridade fiscal nos PA de 07e 08/2004 referem se a multas e juros de IRPJ de períodos anteriores contabilizados e declarados (doc.08), não se tratando, portanto de IRPJ a pagar; 4) janeiro a novembro de 2007: não há registros contábeis, pois foi apurado prejuízo fiscal (doe.06), o restante apurado pela fiscalização referese a multa e juros contabilizados e declarados (doc.08), não se tratando de tributo; Fl. 796DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002168/200924 Acórdão n.º 1302001.284 S1C3T2 Fl. 64 5 5) dezembro de 2007: Há apenas o lançamento de R$ 777.221,33 declarado em DIPJ (doe.06) e DCTF (doe.07), o qual se refere a multas e juros de períodos anteriores; 6) Contesta, ainda, os seguintes lançamentos (fis. 101/103): PA Balancete RFB Diferença Observaçõe Set/20 04 105.612 903.125 797.513 os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados e não pagos. Apurou prejuízo fiscal Out/2 004 102.337 27.330 (75.007) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Nov/2 004 99.062 33.677 (65.385) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Dez/2 004 1.091.577 33.369 (1.058.208) os valores registrados no balancete se referem a: a) R$ 989.240,19 de IRPJ apurado; e, multa e juros (R$ 102.336,87) contabilizados de tributos declarados. Jan/2 005 121.167 41.502 (79.665) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Fev/2 005 214.278 33.652 (180.626) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Mar/2 005 2.056.815 20.031 (2.036.784) Os valores registrados no balancete se referem a: a) R$ 1.902.450,90 de IRPJ apurado; e, multa e juros (RS 58.785,20) de IRRFcompensado; e multas e juros (RS 347^20,72) contabilizados de tributos declarados Abr/2 005 145.639 14.700 (130.939) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Mai/2 005 330.344 22.833 (307.510) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Jun/2 005 369.940 22.691 (347.249) Os valores registrados no balancete se referem a: a) RS 86.290,60 apurado; RS 64.171,31 de RRF compensado e, multa e juros (R$ 347.820,72) contabilizados de tributos declarados. Jul/20 04 178.903 13.660 (165.243) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Ago/2 005 168.884 12.818 (156.066) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributosdeclarados Set/20 05 593.690 14.113 (579.577) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados e não pagos, bem como de estornos efetuados. Neste trimestre, a impugnante apurou prejuízo fiscal. Out/2 005 165.630 27.011 (138.618) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Nov/2 005 155.692 38.332 (117.360) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Dez/2 005 152.379 40.099 (112.280) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Neste trimestre, a impugnante apurou prejuízo fiscal Jan/2 006 364.444 (346.444) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Fev/2 006 163.738 (163.738) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Mar/2 006 321.693 (321.693) Os valores registrados no balancete se referem a: a) R$ 190.015,81 de IRPJ apurado; e, b) multa e juros (R$ 131.677,37) contabilizados de tributos declarados. Abr/2 006 162.593 15.325 (147.268) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Mai/2 006 144.374 (144.374) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Jun/2 006 738.020 35.672 (702.347) Os valores registrados no balancete se referem a: a) R$ 570.213,37 de IRPJ apurado; e, multa e juros (R$ 167.806,42) contabilizados de tributos declarados Jul/20 06 137.735 28.697 (109.038) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Ago/2 006 200.226 69.228 (130.997) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Fl. 797DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Set/20 06 590.251 (590.251) Os valores registrados no balancete se referem a: a) R$ 381.830,48 de IRPJ apurado; e, multa e juros (R$ 208.420,94) contabilizados de tributos declarados Out/2 006 9.199 (9.199) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Nov/2 006 49.906 6.527 (43.379) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados Dez/2 006 46.930 29.673 (17.257) os valores registrados no balancete se referem a multa e juros contabilizados de tributos declarados. Neste trimestre, a impugnante apurou prejuízo fiscal Solicitase a elaboração de relatório conclusivo com o cálculo da nova base tributável, caso verificada, e dê ciência a contribuinte concedendo lhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei n° 9.784/99.” Em resposta ao pedido de diligência, a fiscalização elaborou o Relatório de fls. 668 à 670, que chegou a seguinte conclusão: que não procedem as alegações do Contribuinte, que em relação aos quesitos 1 à 6 e demais questionamentos, pois intimado a apresentar os DARFs que confirmassem as suas alegações, não comprovou. Há comprovantes de arrecadação encaminhados pela fiscalizada que se referem a pagamentos de tributos de outra empresa, a exemplo daqueles relativos à IRRF (cód. 0561 e 0588) de 2005, a saber: Companhia Geral de Melhoramentos em Pernambuco CNPJ 10.842.672/0001‐06. com relação às informações da DCTF, o Contribuinte retificoua já estando em procedimento fiscal, motivo pelo qual não foram considerados os valores retificados. ‐ considerando os fatos acima relatados, resta claro que as alegações apresentadas não fazem provas das alegações, motivo pelo qual conclui pela manutenção do crédito tributário. Intimado do relatório fiscal em 20/04/2011 a Contribuinte não se pronunciou. A 2ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento conforme ementa a seguir: DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS. As diferenças entre os valores declarados e os escriturados deverão ser comprovados por meio de documentação hábil e idônea sem a qual prevalesce o lançamento fiscal baseado na apuração das referidas inconsistências. Intimado da decisão em 05/07/2012, o Recorrente apresentou recurso voluntário em 03/08/2012, reiterando os argumentos da impugnação e aduzindo em síntese o seguinte: decadência dos PA de 01 à 06 de 2004, tendo em vista que só foi intimada em 09/07/2009 e não houve dolo, fraude nem simulação. Junta jurisprudência do CARF neste sentido. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002168/200924 Acórdão n.º 1302001.284 S1C3T2 Fl. 65 7 requer a nulidade do auto já que bastaria se verificar os balancetes e o razão, para verificar que os valores contabilizados nas contas de IRPJ, 2.1.1.05.02.0001 até agosto de 2004 e 2.1.1.05.03.0001 a partir de setembro de 2004, são extamente os declarados pelo Recorrente. nulidade do auto pelo cerceamento de defesa, tendo em vista os graves erros na autuação e por não saber a origem dos valores lançados que não saíram de sua contabilidade. que a fiscalização não atendeu aos termos da diligência já que não apreciou os documentos juntados e não demonstrou de onde levantou os valores lançados. que deveria a fiscalização ter verificado nos autos, os balancetes e o razão do Recorrente e demonstrar a origem dos valores utilizados para efetuar o lançamento. que o entendimento da DRJ é totalmente contrário a decisão proferida no processo do PIS 19515002169/200979. reitera que em setembro de 2004 mudou de sistema de contabilidade o que provocou erro nas informações prestadas. que diante deste erro em relação à setembro de 2004 o Recorrente foi autuado em R$ 903.124,88 quando teve prejuízo de R$ 850.777,92. Como já explicado este lançamento se deu porque o Contribuinte não transportou o saldo acumulado das contas até o mês de agosto de 2004 para o mês de setembro. que a fiscalização deveria ter observado que o Recorrente apresentou prejuízo fiscal no período, uma vez que vêse pelo razão que o saldo final no sistema Microsiga é de R$ 12.490.380,76 e que o saldo inicial de setembro no sistema Pirâmide deveria ser os mesmos R$ 12.490.380,76 e não zero. se o valor era R$ 12.490.380,76 porque o fisco lançou R$ 903.124,88, não se sabe da onde este valor surgiu. qualquer que seja o lançamento efetuado pela diferença a recolher nos períodos em que apresentou prejuízo fiscal, 2º e 3º trimestre de 2004, 3º e 4º trimestre de 2005, 4º trimestre de 2006 e janeiro à novembro de 2007, é improcedente já que a Recorrente apresentou prejuízos nestes períodos. que a fiscalização deveria ter verificado as contas nº 2.1.1.05.02.0001 (até agosto de 2004) e nº 2.1.1.05.03.0001 (a partir de setembro de 2004) de IRPJ que apresentaram os seguintes valores: 1º trimestre de 2004 – conforme o razão (doc. 08 da impugnação) constam 3 lançamentos de IRPJ em 31/03/2004. Dois a crédito: R$ 642.989,15 da apropriação de 15% sobre o lucro real R$ 422.659,43, referente a adicional de 10% sobre o lucro real, e um a débito: R$ 116.094,71 referente a compensação de IRRF. O saldo dos lançamentos é o IRPJ a recolher no trimestre: R$ 949.553,87, exatamente o valor declarado pela Recorrente em DIPJ e DCTF. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 os demais lançamentos efetuados (janeiro R$ 96.328,05, fevereiro R$ 109.046,06, março R$ 100.613,83) se referem a apropriação de multas e juros de IRPJ de períodos anteriores, que não compõem a base de cálculo do IRPJ do período, conforme razão analítico da conta de IRPJ que comprova o erro. 2º trimestre de 2004 – neste período não há registro contábil de IRPJ pois a Recorrente apurou prejuízo. Toda a suposta diferença lançada se refere a multa e juros de IRPJ de períodos anteriores. 3o trimestre de 2004 para esse trimestre também não há registros contábeis de IRPJ, pois a Recorrente apurou prejuízo fiscal. Para o período de Julho e Agosto de 2004, toda a suposta diferença lançada é referente a multa e juros de IRPJ de períodos anteriores. Período de setembro de 2004 a dezembro de 2006 Conforme já afirmado, a Recorrente não encontrou diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente declarados. que basta verificar nos balancetese no razão, para verificar que os valores contabilizados na conta de IRPJ n°. 2.1.1.05.03.0001 expressa fielmente os valores declarados pela Recorrente ao longo do respectivo período. Janeiro a novembro de 2007 não há registros contábeis de IRPJ a pagar, pois a Recorrente também apurou prejuízo fiscal no período. Toda a suposta diferença lançada pela RFB é referente a multa e juros de CSLL em períodos anteriores contabilizados e declarados. Dezembro de 2007 basta apreciar o razão de IRPJ do período para verificar que em 2007 só há um único lançamento em 31/12/2007, referente a reconhecimento do IR corrente, no valor de R$ 777.221,33, conforme declarado em DIPJ e DCTF, que os demais valores levantados pela fiscalização se referem ao compto, equivocado, da multa e do juros do IRPJ de períodos anteriores, como sendo tributo IRPJ. Dessa forma, esta claro o equívoco da fiscalização ao efetuar o lançamento de ofício de supostas diferenças naqueles períodos. que por isso requer a improcedência do Auto que cobra como tributo, a multa e juros contabilizados de tributos apurados, registrados contabilmente e não pagos pela Recorrente. que ao contrário do que afirma a fiscalização, a Recorrente não há diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente declarados. que a própria Turma Julgadora se limita a afirmar que não haveria como acolher as DCTF retificadoras porque foram apresentadas após o início da fiscalização, e mantém clara duplicidade de cobrança. que se deve observar o princípio da verdade material e da legalidade e se reconhecer a nulidade ou a improcedência do presente auto de infração. É o relatório. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002168/200924 Acórdão n.º 1302001.284 S1C3T2 Fl. 66 9 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Conheço do recurso voluntário por tempestivo e preencher todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Passo a analisar as questões preliminares de decadência e nulidade levantadas pelo Recorrente. Em relação a decadência, durante muitos anos, a jurisprudência predominante no CARF, foi no sentido de que, em se tratando de lançamento por homologação, o que definia se o termo inicial para a contagem da decadência era a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), ou, no caso de ser constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I do CTN). Na presença desses vícios, o termo inicial, sem voz dissonante, era fixado pelo art. 173, I do CTN. A divergência que havia era apenas para os casos em que, não presente dolo, fraude ou simulação, não tivesse havido o pagamento antecipado. Nesses casos, havia uma corrente que afastava a aplicação do art. 150, § 4º, deslocando o termo inicial para o art. 173, I. Com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comporta discussões, eis que foi objeto de decisão do STJ na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 973.333SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS RTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A partir desse julgamento, dando comprimento ao art. 62A do Regimento, o termo inicial para a contagem do prazo fatal para a Fazenda promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos que, por sua legislação específica, estejam sujeitos a lançamento por homologação, pode assim ser resumida: a) Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN); b) Não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação: b.1) Tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), b.2) Não tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN). Suscita a Recorrente que ocorreu o decurso do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos durante os PA de 01 a 06/2004, na forma do art. 150, § 4o, do CTN. Como demonstrado em se tratando de exigência de tributo submetido ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, em ocorrendo pagamento do tributo, porém no caso concreto, inexistiu pagamento a título de IRPJ referente ao valor objeto do Auto de Infração, e, desta forma, deve ser deslocado o termo incial para o parágrafo I do art. 173 do CTN, devendo ser totalmente afastada a alegada hipótese de decadência do presente lançamento. Em relação as alegadas nulidades acompanho a DRJ já que o Decreto n° 70.235/1972, através de seu artigo 59, estabelece todas as situações em que os atos administrativos venham a ser considerado como nulos, “in verbis”: "Art. 59. São nulos: I. os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II. os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Sendo assim, somente estes vícios determinariam a nulidade do ato administrativo. Como nenhum deles veio, efetivamente, a ocorrer no presente processo descarto a pretensão de nulidade. Depreendese da leitura das razões de impugnação e recurso que o Recorrente conhece plenamente todas as acusações as quais lhe foram atribuídas, tendoas rebatido, de forma meticulosa. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002168/200924 Acórdão n.º 1302001.284 S1C3T2 Fl. 67 11 Pelo que se extrai dos autos também inexistiu cerceamento de defesa por qualquer ato ou omissão das autoridades administrativas que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa. O Recorrente teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, tendo sido intimado de todos os atos praticados, inclusive quando o processo baixau em diligência quando já estava na DRJ para julgamento, e cientificado do Relatório de Conclusivo para se pronunciar não o fez. Quanto a multa aplicada, nada a acorrigir pois prevista no art. 44,1, da Lei n° 9.430/96, por imposição legal decorrente do lançamento de oficio, cobrada na forma prevista e em seu menor percentual. Com referência às arguições de violação aos princípios constitucionais, tais aferições só podem ser feitas pelo Poder Judiciário, cabendo ao Poder Executivo, e bem assim a todos os seus agentes, o estrito cumprimento dos atos legais regularmente editados, matéria consolidada na esfera administrativa conforme a súmula a seguir descrita. "Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." No que concerne às jurisprudências judiciais prolatadas pelos Tribunais Superiores, cumpre esclarecer que. nos termos do art. 4o do Decreto n° 2.346, de 10/10/1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, o que definitivamente não é o caso. Assim sendo, não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros. Outro argumento levantado pela Recorrente é que a apuração do lucro deve ser feita trimestralmente e não mensalmente como calculada pela autoridade fiscal, porém, como se pode observar no demonstrativo do Auto de Infração de fls. 70/74, a apuração do tributo se deu em base trimestral o que invalida este argumento. No mérito, constatase que a Fiscalização efetuou a apuração do IRPJ apurando valores totalmente diferentes daqueles informados pela Recorrente e essa diferença acarretou na conversão do julgamento em diligência para que as divergências fossem esclarecidas com base na escrituração fornecida. Porém o que se conststa dos autos é que a diligência fugiu totalmente ao escopo do requerido, quando o responsável se limitou a solicitar a desnecessária apresentação de DARFs. Ora, o cerne da diligência era o esclarecimento das divergências entre os valores apurados pelo Fisco e aqueles informados em DIPJ pelo Recorrente, esclarecimentos esses que deeveriam ter sido prestados a partir dos registros contábeis. A informação necessária que deveria ter sido apurada era o valor correto do IRPJ devido. A depender do relatório da diligência, como a interessada apresentou inúmeros DARFs de recolhimento, os valores informados na DIPJ deveriam ter sido objeto de verificação o que não ocorreu. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Fato inusitado é que mesmo diante das inconclusivas respostas da diligência, que não apurou o que foi pedido nem respondeu o solicitado, a DRJ manteve o lançamento. A meu ver como o relatório de diligência não trouxe qualquer argumento em contraponto à impugnação apresentada, os argumentos de defesa adquiriram valor probante, ainda mais quando o Recorrente afirma que a Fiscalização considerou como tributo juros e multa devidos de períodos anteriores e o exame dos registros indica exatamente o alegado. Além disso, os valores do IRPJ assumidos como devidos são exatamente aqueles indicados na escrituração e sob esta ótica, as informações declaradas em DIPJ devem ser tidas como corretas. Em sentido diverso ao posicionamento da decisão da DRJ, acompanho o entendimento do ilustre conselheiro Leonardo de Andrade Couto no julgamento decorrente da CSLL e entendo que a mudança na sistemática contábil ocorrida em setembro de 2004 está devidamente demonstrada o que pode ter causado engano na apuração do Fisco. Na folha do Razão na conta 2.1.1.05.03.0001 consta no primeiro dia de setembro o lançamento a crédito no valor de R$ 12.490.380,76, para restabelecer o saldo acumulado da conta em agosto que o sistema havia zerado. Diante do exposto, o valor do IRPJ devido deve ser apurado de acordo com o razão (fls. 176/179) e a DIPJ (fls. 131/166) e devem ser exigidos com multa de ofício e juros de mora, cabendo a fiscalização efetuar os controles para evitar a cobrença em duplicidade. Nos casos em que foi constatado que o valor lançado era inferior ao efetivamente apurado e declarado restou limitada a exigência ao valor lançado. Assim o IRPJ devido é: Fl. 804DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002168/200924 Acórdão n.º 1302001.284 S1C3T2 Fl. 68 13 Obs.: 4º trimestre/04 o valor lançado na contabilidade, declarado e devido era de R$ 989.240,19, no entanto o lançamento aponta o valor de apenas R$ 94.376,23, ficando limitada a exigência a este valor. 1º trimestre/05 o valor lançado na contabilidade, declarado e devido era de R$ 1.843.665,70, no entanto o lançamento aponta o valor de apenas R$ 95.184,81, ficando limitada a exigência a este valor. 2º trimestre/06 o valor lançado na contabilidade, declarado e devido era de R$ 570.213,37, no entanto o lançamento aponta o valor de apenas R$ 50.997,81, ficando limitada a exigência a este valor. 3º trimestre/06 o valor lançado na contabilidade, declarado e devido era de R$ 381.830,48, no entanto o lançamento aponta o valor de apenas R$ 97.925,25, ficando limitada a exigência a este valor. Especificamente em relação à multa, a entrega da DCTF após o início do procedimento de ofício não elide a exigência da penalidade. Em relação ao anocalendário de 2007, o lançamento foi formalizado sob a sistemática trimestral, enquanto o sujeito passivo efetuou a opção pela apuração anual, assumindo como devido o montante de R$ 0,00. Nesse caso, ao contrário dos demais períodos, a diferença na sistemática de apuração não permite a adequação da base de cálculo e a autuação não pode ser mantida. Entretanto, especificamente quanto a esse período é legítima a cobrança através da DCTF retificadora. Em resumo do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e a argüição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que a exigência seja adequada aos valores que foram comprovados nos autos constantes da tabela acima, exigíveis com multa de ofício e juros de mora. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator 1º trimestre/2004 949.553,87 2º trimestre/2004 3º trimestre/2004 4º trimestre/2004 94.376,23 1º trimestre/2005 95.184,81 2º trimestre/2005 22.119,29 3º trimestre/2005 4º trimestre/2005 1º trimestre/2006 2º trimestre/2006 50.997,81 3º trimestre/2006 97.925,25 4º trimestre/2006 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Fl. 806DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012328/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.
O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global de benefícios previdenciários pagos extemporaneamente. Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, sob a sistemática do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global de benefícios previdenciários pagos extemporaneamente. Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, sob a sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 23 28 /2 00 9- 11 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 151 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 102/106 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte Evaldo Gonçalves, CPF 092.146.31620, foi expedida Notificação de Lançamento, fls. 76 a 79, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, que apurou saldo de imposto suplementar a pagar no valor de R$ 6.960,61, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento reportase aos dados informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, entre os quais foram alterados: o valor de rendimentos tributáveis recebidos de R$ 9.399,12 para R$ 65.990,98 por ter sido verificada omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social INSS em virtude de ação judicial no valor de R$ 56.591,86; o valor de imposto de renda retido na fonte de R$ 0,00 para R$ 2.122,19, em virtude da inclusão do correspondente imposto de renda retido pelo INSS. Na Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2007 apresentada em 25/04/2007, fl. 27, foram informados, entre outros dados, rendimentos tributáveis no valor de R$ 65.936,68 e imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 2.122,19, tendo sido apurado saldo de imposto a pagar no valor de R$ 6.945,68. E na Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2007 apresentada em 07/01/2008 (fls. 23 a 26), foram informados, entre outros dados, rendimentos tributáveis no valor de R$ 9.399,12 e imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 0,00, não tendo sido apurado imposto a pagar ou a restituir. Cientificado em 16/06/2009 (fl. 54), o contribuinte apresenta em 08/07/2009, fl. 01, impugnação às fls. 01 a 11, instruída com os documentos de fls. 12 a 52, com as seguintes alegações, em síntese: Da Preliminar Preterição do Direito de Defesa é nulo o lançamento por inobservância do rito estabelecido no Decreto n° 70.235, de 1972, tendo em vista que não foi intimado para prestar esclarecimento; a intimação do sujeito passivo para prestar esclarecimento exigida pelos arts. 835 e 844 do Decreto n° 3.000, de 1999, não foi observada pela autoridade lançadora; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 152 3 patente, portanto, a nulidade do lançamento à vista do disposto no art. 59, inc. II, do PAF, já que ocorreu iniludível preterição do direito de defesa. Uso de Instrumento Inadequado o tributo foi lançado e a penalidade foi aplicada por meio de Notificação de Lançamento; quando houver necessidade de imposição de penalidade, o meio correto de lançamento fiscal é o Auto de Infração, nos precisos termos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 1999; de se lembrar que o Auto de Infração e a Notificação de Lançamento possuem requisitos diferentes, com ênfase para o fato de o Auto de Infração sempre exigir assinatura da autoridade; houve, portanto, erro procedimental e, via de consequência, inválida a Notificação de Lançamento, impondose a declaração de nulidade. Ausência de Formalização de Processo não foi formalizado processo administrativo fiscal, em manifesta afronta ao disposto no Decreto n° 70.235, de 1972, que determina que o lançamento deverá ser procedido de processo formalizado; o próprio Código Tributário Nacional chega a definir o lançamento como procedimento; portanto, resta nulo o lançamento, com a ressalva de acolhimento integral das razões de mérito. Do Mérito Neoplasia Maligna é portador de neoplasia maligna na próstata, conforme fazem prova os documentos em anexo, inclusive laudo pericial firmado por médico perito do INSS; o portador de neoplasia maligna faz jus à isenção de imposto de renda incidente sobre benefícios previdenciários e sobre os rendimentos recebidos acumuladamente referentes a proventos de aposentadoria, consoante legislação; eventual discordância da Administração Tributária só pode ocorrer no tocante ao termo inicial da moléstia para fins de isenção; à luz dos documentos acostados, resta claro que preexistia a doença anteriormente à percepção dos rendimentos; obedecido o requisito legal para comprovação de existência da doença (laudo médico oficial), o termo inicial da isenção pode Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 153 4 ser fixado pela autoridade administrativa à vista de elementos de convicção fornecidos pelo contribuinte; no caso, resta claro, pelos exames de PSA, que a moléstia teve início em 2005, haja vista o aumento significativo deste se comparado com o exame imediatamente anterior realizado em 2004; é sabido que a neoplasia não pode aparecer de um dia para o outro, sendo certo que já existia antes mesmo da biópsia efetuada no dia 20/06/2007; assim, a data da realização do exame em 2005 deve ser utilizada como março inicial da doença, visto que, sem dúvida, a doença surgiu entre novembro de 2004 e novembro de 2005, logo existia antes de 2006; o art. 30 da Lei n° 9.250, de 1996, não exige que a data de início da moléstia conste do laudo; o controle de legalidade não é só permitido, como imposto à Administração Pública, mormente quando aparelhada em instância revisora e julgadora; assim, deve esta DRJ considerar a moléstia como preexistente ao recebimento dos rendimentos; desta forma, correta se encontra a Declaração de Ajuste Anual apresentada, na qual constam, como isentos, os rendimentos recebimentos acumuladamente; logo, insubsistente é o lançamento, sendo devida, inclusive, restituição de tributo indevidamente pago. Apuração pelo Regime de Competência – Consequências o Ato Declaratório PGFN n° 01, de 27 de março de 2009, determina que, nos casos de recebimento acumulado de rendimentos, o cálculo do tributo deverá ser feito observando às épocas em que os rendimentos seriam recebidos; assim, é possível a isenção do valor total de rendimentos recebidos e, caso isto não ocorra, a alteração do valor de tributo efetivamente devido e o correspondente valor da multa a ser aplicado; Isenção se, por meio de cálculo do tributo observando às épocas próprias em que os rendimentos deveriam ser pagos pelo INSS, restar comprovado que o limite de isenção jamais foi extrapolado, igualmente se encontra perfeita a declaração dos rendimentos como isentos. Valor Devido e Multa Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 154 5 o cálculo do imposto de renda devido, levando em consideração as épocas em que os rendimentos deveriam ter sido pagos pelo INSS, altera o valor do lançamento, e consequentemente, da multa aplicada. Isenção dos Proventos dos Maiores de 65 Anos nos cálculos, também deve ser observado que o contribuinte completou 65 anos de idade em 24/04/2005. Do Pagamento Parcial houve o pagamento parcial do tributo, consoante documentos anexados; desta forma, deve ser aplicado o art. 150, § 3o , do Código Tributário Nacional que determina que o pagamento antecipado deve ser tomado em consideração no lançamento e no cálculo de eventual multa. Erro na Declaração Não Imposição da Multa o erro efetuado na declaração, caso assim seja reconhecido, não enseja a imposição da multa; isso porque a apresentação de Declaração de Ajuste Anual retificadora foi feita em obediência às instruções constantes no sítio da Receita Federal do Brasil, desta forma, na mais estrita boafé, tendo sido observada diretriz divulgada pela Administração, de forma que a entrega de citada declaração como meio de se proceder não pode culminar em multa; em atenção à boafé, deve ser aplicado o art. 100 ou mesmo o art. 138, ambos do Código Tributário Nacional, visto que o pagamento do tributo pode ser reconhecido como denúncia espontânea; ademais, verificado erro na declaração do contribuinte, deve ser retificado de ofício, nos termos do art. 147, § 2, do Código Tributário Nacional, sem imposição de penalidade; por derradeiro, não pode a Administração admitir Declaração de Ajuste Anual retificadora, e sem justificativa alguma, lançar de ofício, aplicando multa; daí porque não comprovando o erro anterior, cumpria ao fisco não admitir a Declaração de Ajuste Anual retificadora; assim, o procedimento correto seria rejeitar a Declaração de Ajuste Anual retificadora e cobrarse o montante declarado na declaração original ou procederse ao lançamento de oficio, sem imposição de multa. Das Provas requer dilação do prazo para juntar documentos pertinentes às datas em que os valores recebidos acumuladamente eram Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 155 6 devidos, inclusive, as peças dos autos do processo n° 2005.38.00.0024175; caso esta DRJ entender ser necessária confirmação acerca da neoplasia e da data de sua manifestação, requer a realização de perícia médica, com fundamento no art. 16, inc. IV, do Decreto n° 70.235, de 1972. Ao final, requer que sejam acolhidas as presentes razões, para declarar nulo o lançamento fiscal, determinandose que a autoridade administrativa proceda de acordo com as disposições legais pertinentes, possibilitando a ampla defesa, ou, no mérito, que seja reconhecido o direito à restituição do valor indevidamente recolhido e, sucessivamente, que seja recalculado o valor devido, observandose o disposto no AD PGFN n° 01/2009 e os pagamentos regularmente efetuados. Posteriormente, foram anexadas aos autos as memórias de cálculo de fls.63 a 66. A impugnação de fls. 2/11 que foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 101/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007 NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O total dos rendimentos recebidos acumuladamente pela pessoa física, até 31 de dezembro de 2009, deve ser tributado no mês do recebimento do crédito, nos termos do art. 12 da Lei n° 7.713, de 1988. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 156 7 O décimo terceiro salário sujeitase à tributação exclusivamente na fonte, logo não integra a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual do beneficiário. Cientificado da decisão em 12/04/2011 (fl. 122), o Interessado apresentou recurso em 29/04/2011, alegando, em síntese, que: NECESSIDADE DE PERÍCIA A autoridade julgadora não está autorizada a dispensar a perícia técnica, supostamente escudada no seu “livre convencimento”, quando o indeferimento puder causar preterição ao direito de defesa. Tal o caso dos autos: não obstante indeferida a pericia técnica, cujo escopo é comprovar a real data de início da doença que acomete o contribuinte neoplasia maligna, a autoridade julgadora, ignorando os argumentos lançados na impugnação, reconheceu como termo inicial da moléstia data diferente daquela defendida pelo contribuinte. ISENÇÃO DECORRENTE DE MOLÉSTIA GRAVE. TERMO INICIAL Nos termos do art. 5º, § 3º, da IN SRF nº 15/2001, os rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que referentes a proventos de aposentadoria, são isentos de incidência do IR, ainda que digam respeito a períodos anteriores à data de contração da doença. Todavia, persiste a discordância entre o contribuinte e a Administração quanto ao termo inicial da moléstia, para fins de isenção. Atendido o requisito legal para comprovação de existência da doença (laudo médico oficial), o termo inicial da isenção pode ser fixado pela autoridade administrativa à vista de quaisquer elementos de convicção fornecidos pelo contribuinte, sem a limitação aparentemente imposta pelo RIR, de que a data deve constar do respectivo laudo. Pelos dados dos demais exames, resta comprovado que a doença era preexistente ao recebimento dos rendimentos acumulados, pelo que faz o contribuinte jus ao reconhecimento da isenção desde 2005, ou, ao menos, desde antes de julho de 2006. Neste ponto, observese que o art. 39, §5°, do RIR viola a Lei nº 7.713/89 e a Lei nº 9.250/96, pois condiciona o reconhecimento pleno da isenção à fixação de data de início da doença no laudo pericial, exigência não constante de lei. TRIBUTAÇÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A suspensão do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 2331/2010, opera tão somente efeitos ex nunc. Não afeta os processos administrativos ou judiciais em curso quando da suspensão (isto é, quando já manifestada a pretensão do contribuinte em desfavor da União, quando já exercido o direito de ação ou de petição), em que a Fazenda Nacional fica vinculada ao referido ato normativo. O art. 62A do Regimento Interno do CARF o vincula às decisões do Superior Tribunal de Justiça STJ, quando proferidas com esteio no art. 543C do Código de Processo Civil – CPC. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 157 8 E este é precisamente o caso: o STJ julgou o Recurso Especial n°. 1.118.429/SP sob o rito do art. 543C do CPC, e reconheceu a impossibilidade de cobrança de imposto de renda sobre benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, justamente a matéria ora em litígio. ISENÇÃO Caso o cálculo do tributo relativamente às épocas próprias em que os rendimentos deveriam ter sido pagos pelo INSS determinar que o limite de isenção jamais foi extrapolado, igualmente perfeita a declaração dos rendimentos como isentos. VALOR DEVIDO E MULTA O cálculo do imposto de renda devido, tomandose em conta as épocas próprias em que os rendimentos deveriam ter sido pagos pelo INSS, altera o valor do lançamento e, consequentemente, da multa aplicada. Daí que o presente recurso deve ser provido para que o valor do tributo devido seja recalculado, seja de acordo com o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009, seja de acordo com o entendimento pacificado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.118.429/SP. ISENÇÃO DOS PROVENTOS DOS MAIORES DE 65 ANOS DE IDADE Para o cálculo do imposto, deverá ser observada a isenção do art. 39, XXXIV, do RIR (art. 6º, XV, da Lei n°. 7.713/88, observandose a redação vigente à época), visto que completei 65 anos de idade em 24/04/2005. A alegação da DRJ de que "não foi comprovada a inobservância pelo INSS do valor isento" não merece acolhida. O que o contribuinte pede é que isso seja observado, o que deverá ser feito quando dos cálculos a respeito do valor devido ou a restituir. DO CÁLCULO DO VALOR DEVIDO OU A RESTITUIR Os valores eventualmente devidos ou a restituir deverão ser calculados nos termos acima requeridos (observância do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009, ou do Recurso Especial nº 1.118.429/SP). ERRO NA DECLARAÇÃO NÃO IMPOSIÇÃO DE MULTA O recurso deverá ser provido ao menos para excluir a multa de ofício imposta, ao contrário do quanto decidido pela DRJ/BHE. Isso porque o erro efetuado na declaração, caso assim seja reconhecido, não enseja a imposição de multa. A apresentação de declaração retificadora foi feita em obediência às instruções constantes do sítio da RFB na internet, desta forma, na mais estrita boafé, tendo sido observada diretriz divulgada pela Administração, de forma que a entrega de declaração retificadora como meio de se proceder não pode culminar com multa. Devese, portanto, em atenção à boafé do contribuinte, dar aplicação ao art. 100, parágrafo único, do CTN, ou mesmo ao art. 138 do mesmo código, visto que o pagamento do tributo antes do lançamento pode ser reconhecido como denúncia espontânea. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 158 9 Ademais, verificado erro na declaração do contribuinte, deve ser retificado de ofício, nos termos do art. 147, § 2°, do CTN, sem imposição de qualquer penalidade. Não pode a Administração admitir declaração retificadora que vise a suprimir o dever de pagar tributo e lançar de ofício o valor, aplicandose multa. O procedimento correto é rejeitar a declaração retificadora, in totum, e cobrarse o quanto declarado na declaração original ou procederse ao lançamento de ofício com base na segunda declaração, sem imposição de multa. PEDIDO Ao fim, requer o recebimento e provimento do presente recurso, para anular o julgamento de primeira instância, para determinar a realização da perícia, ou, no mérito, para reconhecer o direito à restituição do quanto indevidamente recolhido, ou, sucessivamente, para recalcular eventual valor devido, observandose o AD PGFN nº 1/2009 e o Recurso Especial n°. 1.118.429/SP. Mantida a exigência fiscal, em qualquer valor, pede a exclusão da multa aplicada. Em 11/07/2012 o Recorrente apresentou a petição de fls. 136/138, onde faz longo relato sobre a tramitação do presente processo e solicita prioridade na solução da presente controvérsia. Em julgamento realizado em 17/10/2012 (Resolução 2801000.159) esta Turma Especial entendeu por bem sobrestar o julgamento do recurso voluntário, por força do disposto nos § 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Ocorre que os referidos parágrafos foram revogados pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no Diário Oficial da União D.O.U em 20 de novembro de 2013. Com a revogação dos dispositivos regimentais, que determinavam o sobrestamento de recursos sempre que o STF tomasse a mesma providência em relação aos recursos extraordinários que versassem a mesma matéria, os processos sobrestados foram redistribuídos aos respectivos relatores. Por essas razões, pedi a inclusão do presente processo em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Compulsando os autos verificase que o imposto de renda foi lançado sobre os rendimentos recebidos pelo Recorrente de forma acumulada (regime de caixa), face à decisão judicial que lhe reconheceu o direito à revisão de benefício previdenciário. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, em julgamento realizado em 24/03/2010, fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.012328/200911 Acórdão n.º 2801003.404 S2TE01 Fl. 159 10 incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Dessa forma, aplicase, à espécie, o disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse contexto, em que a base de cálculo do lançamento foi apurada em desarmonia com a forma estabelecida em decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ, na sistemática prevista no art. 543C do CPC, com repercussão na alíquota aplicável, entendo que o lançamento deve ser cancelado. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 14120.000119/2010-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 102 1 101 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000119/201019 Recurso nº 14.120.000119201019 Voluntário Acórdão nº 2803002.857 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RIBEIRAO AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 19 /2 01 0- 19 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000119/201019 Acórdão n.º 2803002.857 S2TE03 Fl. 103 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma a quo que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, Conforme o relatório fiscal da infração, mesmo após intimada a contribuinte deixou de apresentar notas fiscais de entrada e saída do período de 06.2006 e 12.2007, observando que podem representar operações que são fatos geradores de contribuições previdenciárias e a terceiras entidades. A ciência do lançamento deuse em 10.05.2010. Em recurso voluntário, tempestivo, apenas recorre alegando que as notas fiscais representam transferências de propriedade para fins integralização de capital de outra empresa, requerendo o cancelamento da multa. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000119/201019 Acórdão n.º 2803002.857 S2TE03 Fl. 104 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Está correto Auto de Infração, a obrigação de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização está estabelecida art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Indiferentemente, da possibilidade das notas fiscais não apresentadas representarem operações de comercialização de produtos, as mesmas também poderiam representar operações sobre as quais incidem contribuições previdenciárias (exemplo das dispostas nos dispositivos 2º da Lei n. 8540 e 25A da Lei n. 10.256), sendo passíveis de averiguação pela fiscalização, inclusive para afirmar que não são casos de incidência da norma tributária. Ainda, a contribuinte não trouxe aos autos quaisquer elementos que indicassem o cumprimento, mesmo que tardio da obrigação de apresentar os documentos solicitados. Não houve cerceamento de defesa, pois inclusive, como demonstrado nos autos foi ofertada várias oportunidades para cumprir o solicitado, não havendo prejuízo à defesa da parte, nos termos do art. 5º, IV, da Constituição Federal. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000119/201019 Acórdão n.º 2803002.857 S2TE03 Fl. 105 4 Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000850/2004-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:1999,2000,2001,2002
Ementa:
LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO.
As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exradao no RESp nº 1.116.399-BA, conforme art. 62-A do RICARF-Anexo II.
Numero da decisão: 9101-001.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em dar provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte para aplicação do coeficiente de 8% sobre as receitas sujeitas ao coeficiente.
(assinado digitalmente)
LUIS EDUARDO OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 06/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (suplente convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em dar provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte para aplicação do coeficiente de 8% sobre as receitas sujeitas ao coeficiente. (assinado digitalmente) LUIS EDUARDO OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 06/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (suplente convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez (Suplente convocado).
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SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exradao no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em dar provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte para aplicação do coeficiente de 8% sobre as receitas sujeitas ao coeficiente. (assinado digitalmente) LUIS EDUARDO OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 08 50 /2 00 4- 42Fl. 432DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 06/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (suplente convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez (Suplente convocado). Relatório O contribuinte teve sua manifestação de inconformidade negada pela DRJ de Ribeirão Preto/SP, consubstanciada no Acórdão n. 1416.909 3a Turma (de fls. 295300), cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. Constatandose que a contribuinte prestadora de serviços de análises clinicas não atende as condições para o enquadramento de suas atividades como serviços hospitalares, aplicase o coeficiente de 32% sobre a receita bruta, destinado As pessoas jurídicas prestadoras de serviços gerais. Não concordando com a decisão, o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário ao CARF. A Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho De Contribuintes julgou o Recurso voluntário de interesse de Laboratório de Análises Clínicas de Sorocaba S/C, e prolatou o a Acórdão nº 19100.100, em 19 de março de 2009 (fls. 343 a 357), pelo qual negou provimento ao recurso. O referdo Acórdão recebeu a seguinte ementa: Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Os serviços prestados pelos laboratórios de análises clínicas não se confundem com os serviços prestados pelos hospitais e as empresas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 32% para determinar o referido lucro. Somente com a nova redação dada pelo artigo 29 daquela norma tributária é que o favor fiscal, anteriormente excepcionado aos hospitais, foi estendido a outras prestadoras de serviços ligadas à saúde.” Inconformado com a decisão o contribuinte apresentou recurso especial pedindo a nulidade do auto de infração (fls. 456421), o qual foi admitido (despacho de fls. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000850/200442 Acórdão n.º 9101001.870 CSRFT1 Fl. 3 3 429431) apenas no que diz respeito à questão do enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tirbutação pelo lucro presumido. O recurso foi admitido pelo Presidente da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sem contrarrazões da PGFN. Cumpre observar que a exigência decorre de três infrações: aplicação indevida do coeficiente de 8% para apuração da base de cálculo do IRPJ na sistemática do lucro presumido nos anoscalendário 1999 a 2002; tributação parcial das receitas não operacionais nos anoscalendário 1999 e 2000 (inclusão indevida na receita bruta sujeita ao coeficiente de presunção), e CSLL reflexa. O contribuinte pediu parcelamento das exigências de CSLL (cujo débito foi transferido para o Processo n. 10.855.001051/200493), tendo a DRF apartado os débitos de CSLL parcelados (fl. 294)). No que tange ao IRPJ incidente sobre a segunda infração (tributação parcial de receitas não operacionais nos anoscalendário 1999 e 2000), o Contribuinte não pediu parcelamento, não traz qualquer razão de defesa e não é objeto admitido no seu recurso especial. Sendo portanto, objeto do presente recurso, apenas a prmiera infração. É o Relatório Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereria Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000850/200442 Acórdão n.º 9101001.870 CSRFT1 Fl. 4 5 benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10803.000127/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que, sendo o caso, permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e à transação que lhe deu origem.
Devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos cuja origem foi comprovada pelo Recorrente.
Recurso procedente.
Numero da decisão: 2802-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os depósitos de R$7.400,00 e de R$15.000,00, no ano calendário de 2004 e R$6.325,00, no ano calendário de 2005, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora) e Jaci de Assis Júnior que davam provimento em menor extensão. Designado (a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Julianna Bandeira Toscano.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
(assinado digitalmente)
Julianna Bandeira Toscano Redatora Designada
EDITADO EM: 27/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que, sendo o caso, permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e à transação que lhe deu origem. Devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos cuja origem foi comprovada pelo Recorrente. Recurso procedente.
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CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que, sendo o caso, permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e à transação que lhe deu origem. Devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos cuja origem foi comprovada pelo Recorrente. Recurso procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os depósitos de R$7.400,00 e de R$15.000,00, no ano calendário de 2004 e R$6.325,00, no ano calendário de 2005, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 27 /2 00 8- 01 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 21/11 /2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEIT E, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO 2 Fernandes Leite (relatora) e Jaci de Assis Júnior que davam provimento em menor extensão. Designado (a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Julianna Bandeira Toscano. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora (assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano – Redatora Designada EDITADO EM: 28/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/05, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 21.520,51, calculados até 31/10/2008. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: “ quanto ao depósito efetuado em 06/01/2004, no valor de R$ 14.000,00, no Banco Itaú, agência 0796, conta 50.5303 conta conjunta com Domingos Armando: o depositante foi seu pai, Armando Antonio, por meio de 04 cheques, cujas cópias são apresentadas, sendo 02 cheques do Banespa (ch 897746, de R$ 4.500,00 e ch 897747, de R$ 3.500,00) e dois cheques do Banco Nossa Caixa (ch 280, de R$ 2.000,00 e ch 281 de R$4.000,00). Tal valor se trata de reembolso de pagamentos efetuados a Fertilizantes Heringer Ltda., referente a faturas em nome de seu pai, que à época possuía uma lavoura e reembolso de fatura da empresa Partecal Partezani Calcários Ltda. e do depósito para a empresa Ferbella Agrícola Ltda. Assim, em outubro de 2003, foi despendido em nome de Armando Antonio R$ 20.044,00 (demonstrativo a fl. 429), sendo essa quantia reembolsada por vários cheques, sendo 04 cheques no valor de R$ 14.000,00 depositados em seu favor e de seus irmãos; Fl. 811DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 21/11 /2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEIT E, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO Processo nº 10803.000127/200801 Acórdão n.º 2802002.509 S2TE02 Fl. 575 3 depósito no valor de R$ 14.800,00, efetuado em 13/02/2004, no Banco Itaú, agência 0796, conta 50.5303, conjunta com Domingos Armando: foi efetuado pela Valpave Multimarcas, adquirente do veículo Corsa Wind, placa DAI13 73, de propriedade de.sua mãe, Yvonne de Negri; depósito no valor de R$ 15.000,00, efetuado em 14/12/2004, no Banco do Brasil, agência 03859, conta 21.6488, de titularidade exclusiva de Eunice Maria Armando referese a uma parcela da venda do veículo Fiat Palio Weekend, placa DFM5100, de propriedade de Armando Antonio a empresa Marila Fátima Arrabal Perazza Martins, depositada pela empresa, por meio de TED. No documento de transferência do veículo consta o nome da empresa acima citada, como adquirente do Palio, pelo valor de R$ 29.000,00, dos quais R$ 14.000,00 foi pago diretamente ao proprietário do carro, Armando Antonio. Ocorre que em outubro de 2004, a impugnante efetuou pagamentos de faturas emitidas em nome de Armando Antonio no valor total de R$ 22.960,00, as quais foram reembolsadas através do TED de R$ 15.000,00, efetuado pela empresa adquirente do veículo vendido por Armando Antonio e R$ 7.960,00 em moeda corrente; depósito no valor de R$ 12.650,00, efetuado em 03/11/2005, no Banco Itaú, agência 0383, conta 46.1233, conjunta com Antonio Armando Júnior tratase de devolução de montante fornecido a Antonio Armando Júnior, no mês anterior, para a compra do GOL MI, placa CNM3505, de propriedade de Roberto Merz, pelo valor de R$ 12.500,00, pago da seguinte forma: cheque 858556, no valor de R$ 5.300,00, do Banco do Brasil da conta de Eunice Maria Armando, em nome de Roberto Merz e transferência bancária no valor de R$ 7.200,00, efetuada através do Banco Itaú, ag. 0383, c/c 46.1233, em nome de Irene de Morais Merz, mãe do Roberto Merz, que após seu segundo casamento, passou a chamarse Irene de Morais Maffi; por fim, pede o cancelamento do auto de infração, pois não podem ser atribuídos como omissão de receitas, valores depositados em estabelecimentos bancários, comprovadamente oriundos de vendas de veículos de familiares, em pagamento de entregas efetuadas anteriormente ou outros acertos. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo II (SP) julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004, 2005 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. No entanto, deve ser corrigido o valor dos rendimentos quando, à vista dos documentos Fl. 812DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 21/11 /2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEIT E, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO 4 apresentados na impugnação, ficar comprovada a origem de parte dos depósitos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria que chega à apreciação deste Colegiado referese, basicamente, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário de 2004 e 2005. Importante registrar que o lançamento combatido amparase no art. 42 da Lei 9.430/1996 e os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte à Fiscalização, de forma que não há identidade em relação à discussão travada no Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF e conseqüentemente, nenhum óbice regimental ao prosseguimento do julgamento. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte, excluindo dos créditos não comprovados os valor de R$7.000,00 no ano calendário de 2004. Destarte, permanece o litígio em torno de R$22.400,00, no ano calendário de 2004 e R$6.325,00, no ano calendário de 2005. Entretanto, cabe registrar que a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem se a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Todavia, verificase um vício no lançamento. Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 06/11, constatase que foi apurada omissão de rendimentos de forma proporcional em relação as contas bancárias mantidas no Banco Itaú, agência 0796, conta 50.5300 e agência 0383, conta 46.1233 por se tratarem de contas conjuntas, na época do lançamento, com o Sr. Domingos Armando e Sr. Antônio Armando Junior, respectivamente. O fato é que, em momento algum, os co titulares (Sr. Domingos Armando e Sr. Antônio Armando Junior), foram chamados aos autos para justificarem ou informarem a respeito da movimentação que lhes cabia nas referidas contas bancária, o que macula o procedimento fiscal como um todo, para as contas mantidas em conjunto. Esse fato leva a aplicar a Súmula CARF nº 29 e afastar da autuação a omissão de rendimentos relativa ao Banco Itaú. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 21/11 /2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEIT E, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO Processo nº 10803.000127/200801 Acórdão n.º 2802002.509 S2TE02 Fl. 576 5 Eis o enunciado da citada súmula: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Assim, tornase desnecessária a análise das argumentações apresentadas pela recorrente, no que se refere aos valores creditados nas contas correntes, mantidas em conjunto, devendose afastar a presunção de omissão de rendimentos, no que diz respeito aos depósitos efetuados em 13/02/2004 e em 03/11/2005 nos valores de R$7.400,00 e R$6.325,00, respectivamente. Da omissão de rendimentos apurada com base depósitos bancários no valor de R$ 15.000,00, efetuado em 14/12/2004, na agência 03859 do Banco do Brasil, conta n.° 21.6488, entendeu a DRJ que não foi comprovada a origem por não haver coincidência de datas e valores nos elementos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação. Acerca dessa omissão de rendimentos caracterizada pelo depósito bancário de origem não comprovada, entendo procedente o lançamento tributário. Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº9.430/ 96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Desta forma, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A recorrente apenas ratifica as alegações já apresentadas, bem como reapresenta os mesmos documentos já apresentados em primeira instância Fl. 814DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 21/11 /2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEIT E, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO 6 Ocorre que a origem dos recursos depositados em contas bancárias deve ser comprovada através de documentação hábil e idônea. Desse modo, os documentos de fls.550/555 não são suficientes para comprovarem a origem do depósito efetuado na conta corrente da RECORRENTE Assim, não merece reparo o acórdão recorrido, nesse ponto Portanto, o voto é para que seja dado provimento parcial ao recurso voluntário a fim de excluir da R$7.400,00 no ano calendário de 2004 e R$6.325,00, no ano calendário de 2005. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Voto Vencedor A fim de propiciar um melhor entendimento da matéria em litígio, cumpre esclarecer que, conforme já relatado, a decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte, tendo permanecido o litígio em torno de depósitos não comprovados no valor de R$22.400,00, relativos ao ano calendário de 2004 e de R$6.325,00, relativos ao ano calendário de 2005. Não obstante o respeitável voto da Conselheira Relatora, que deu provimento em parte ao Recurso Voluntário, entendo que o conjunto probatório reunido nos autos permite afastar a presunção de omissão de rendimentos também com relação ao depósito bancário de R$15.000,00, efetuado em 14/12/2004. Senão, vejamos. Da omissão de rendimentos apurada com base no depósito bancário efetuado em 14/12/2004, na agência 03859 do Banco do Brasil, conta n.° 21.6488, no valor de R$15.000,00, entendeu a DRJ que não foi comprovada sua origem por não haver coincidência de datas e valores nos elementos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação. O Contribuinte esclarece em seu recurso voluntário que o valor foi recebido em pagamento a empréstimo feito a seu pai e se deu com recursos da venda de um automóvel de propriedade do mesmo, apresentando, às fls. 549/555, a documentação que suporta tal transação. Com efeito, conforme se depreende do extrato bancário de fls. 550 e das notas fiscais de fls. 551/552, é possível confirmar que o sujeito passivo emitiu cheques nos valores exatos das faturas que sustenta ter pago como forma de empréstimo a seu pai. Da mesma forma, o documento de fls. 555 comprova a transferência do veículo FIAT Palio, placa DFM5100, de propriedade do pai da recorrente para Marila de Fátima Arrabal Perazza Martins, em 13/12/2004, pela quantia de R$29.000,00. O extrato bancário e o email enviado pelo Banco do Brasil, fls. 553 e 554, confirmam o recebimento pela recorrente, em 14/12/2004, da quantia de R$15.000,00 por transferência eletrônica realizada por Marila de Fátima Arrabal Perazza Martins. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 21/11 /2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEIT E, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO Processo nº 10803.000127/200801 Acórdão n.º 2802002.509 S2TE02 Fl. 577 7 No caso, entendo que o conjunto probatório dos autos permite admitir a verossimilhança das alegações da recorrente, mormente por estar comprovado nos autos que o depositante do montante questionado foi justamente o adquirente do veículo de propriedade de seu pai, no dia seguinte à realização da venda. Ademais, em se tratando de transferência de recursos entre familiares, de valores razoáveis, este colegiado tem dispensado a exigência de comprovação da existência de contrato formal de mútuo: “IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” (Súmula CARF n. 26) IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO – Devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos de origem comprovada. IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA – Aceitase que a transferência de valores entre parentes próximos a título de empréstimo, em valores compatíveis, não seja formalizada por meios, afastandose a necessidade de comprovação por contrato de mútuo, mormente quando comprovado depositante dos valores.” (Acórdão nº 2201001.817, de 19 de setembro de 2012, 2ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro Gustavo Lian Haddad) Desta forma, é possível concluir que o depósito de R$15.000,00, efetuado em 14/12/2004 na contacorrente da recorrente corresponde ao pagamento de parte do empréstimo concedido a seu pai, tendo sua origem comprovada. Ante o exposto, o voto por dar integral provimento ao recurso voluntário, a fim de excluir reconhecer a comprovação da origem do depósito de R$15.000,00, efetuado no anocalendário de 2004, além dos valores de R$7.400,00 relativo ao ano calendário de 2004 e de R$6.325,00, relativo ao ano calendário de 2005, já reconhecidos pela ilustre Relatora. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Fl. 816DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 21/11 /2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEIT E, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979168/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/11/2004
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação de direito creditório.
Numero da decisão: 3803-004.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/11/2004 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação de direito creditório.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação de direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 68 /2 00 9- 81 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de São Paulo que indeferiu o pedido de compensação transmitido que tinha por objetivo extinguir o débitos de PIS com crédito da mesma contribuição recolhido em 15.12.2004. À fl. 03 está anexo o despacho decisório, que não homologou a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à fl. 08, sob argumento de que na qualidade de prestadora de serviços de transportes rodoviários está sujeita ao pagamento de pedágio. Afirmou que recebe dos contratantes valores para pagamento do pedágio, os quais são obrigatoriamente destacados em campo específico do conhecimento de transporte rodoviário. Deste modo, pretende que estes valores não integrem a base de cálculo da contribuição, com fundamento no parágrafo único do art. 2o da Lei nº 10.209/01, uma vez que esses valores recolhidos indevidamente não configuram receitas operacionais. Cumpre destacar que os autos foram instruídos com planilha contendo valores dos pagamentos de pedágio; números dos conhecimentos de transportes; data de emissão. Às fls. 13/16 sobreveio o acórdão n.º 1627.501 – 5º Turma da DRJ de São Paulo, que indeferiu o pedido sobre o pressuposto de que o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório, pois os julgadores de piso concluíram que a relação de conhecimentos de transporte não é suficiente para comprovar se pedágio integrou a base de cálculo do tributo. No recurso voluntário anexo às fls. 18/19, o contribuinte novamente reitera os argumentos já apresentados em sua manifestação de inconformidade e insiste em que os valores relativos ao pedágio constavam do referidos conhecimentos de transporte e foram tributados. Por fim, pleiteia a conversão do julgamento em diligência a fim de que seja apurada a existência do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O contribuinte afirma ter direito a compensação realizada, sob o argumento de que o artigo 2º da Lei n.º 10.209/2001 determina que o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional, assim por este motivo este não deve integrar a base de incidência de contribuições. Lei n.º 10.209/2001: Art.2º O valor do ValePedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.979168/200981 Acórdão n.º 3803004.686 S3TE03 Fl. 32 3 nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Parágrafo único. O valor do ValePedágio obrigatório e os dados do modelo próprio, necessários à sua identificação, deverão ser destacados em campo específico no documento comprobatório de embarque. Com efeito, de fato retirase da legislação acima citada que o pedágio não integra o valor do frete, logo num primeiro momento assiste razão ao contribuinte. Entretanto, o interessado, necessariamente, deve constituir prova do seu direito no processo administrativo fiscal, sob pena do colegiado indeferir o pleito formulado. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte insiste no fato de que a relação dos conhecimentos de transporte perfaz prova suficiente para demonstrar o seu direito. Contudo, compreendo que não lhe assiste razão, uma vez que é indispensável a apresentação do Livro Razão e do Livro Diário, justamente com o objetivo de comprovar a existência dos pagamentos indevidos, pois mera relação dos conhecimentos de transportes não são suficientes para apurar do crédito. Quanto ao pedido de diligência, cumpre lembrar que precluiu o direito do sujeito passivo, com fundamento no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ainda mais, quando o contribuinte não anexou nem mesmo indícios que lhes sejam favoráveis para que este relator se convencesse, ainda que ligeiramente, do direito creditório alegado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.902384/2009-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA DE CSLL
O quantum satis para a compensação, por meio de Dcomp, é a apuração de indébito de tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento. E pagamento a maior ou mesmo indevido de estimativa de CSLL como de IRPJ é passível de restituição.
SALDO NEGATIVO DE CSLL
Alegação da recorrente na fase contenciosa de que se cuida de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2004, e não de pagamento a maior de estimativa de CSLL. A recorrente não trouxe aos autos documentação comprobatória do saldo negativo de CSLL pretendido. Não exercício do onus probandi da recorrente para demonstração de sua pretensão.
Numero da decisão: 1103-000.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA DE CSLL O quantum satis para a compensação, por meio de Dcomp, é a apuração de indébito de tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento. E pagamento a maior ou mesmo indevido de estimativa de CSLL como de IRPJ é passível de restituição. SALDO NEGATIVO DE CSLL Alegação da recorrente na fase contenciosa de que se cuida de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2004, e não de pagamento a maior de estimativa de CSLL. A recorrente não trouxe aos autos documentação comprobatória do saldo negativo de CSLL pretendido. Não exercício do onus probandi da recorrente para demonstração de sua pretensão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA DE CSLL O quantum satis para a compensação, por meio de Dcomp, é a apuração de indébito de tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento. E pagamento a maior ou mesmo indevido de estimativa de CSLL como de IRPJ é passível de restituição. SALDO NEGATIVO DE CSLL Alegação da recorrente na fase contenciosa de que se cuida de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, e não de pagamento a maior de estimativa de CSLL. A recorrente não trouxe aos autos documentação comprobatória do saldo negativo de CSLL pretendido. Não exercício do onus probandi da recorrente para demonstração de sua pretensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 23 84 /2 00 9- 04 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.902384/200904 Acórdão n.º 1103000.980 S1C1T3 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.902384/200904 Acórdão n.º 1103000.980 S1C1T3 Fl. 51 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Tratase de processo sobre declarações de compensação, telas de relações de Dcomps e valor de crédito nas fls. 5 a 10 (numeração eprocesso). O despacho decisório de fl. 1 (numeração eprocesso) não homologou a compensação declarada na Dcomp n.º 05965.40072.300605.1.3.045615 transmitida em 30/6/2005. Isto porque foi verificada a inexistência do crédito pretendido referente a recolhimento de CSL de estimativa mensal (código 2484) em 30/6/2004, no montante total de R$ 21.428,67. Foi esclarecido em sede de despacho decisório que de fato houve referido pagamento, porém foi utilizado integralmente para quitação de débitos da recorrente, não havendo, assim, crédito para compensação dos débitos informados em Dcomp. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 8/5/2009, de fls. 11 a 12 (numeração eprocesso). Primeiramente, indica que os documentos transmitidos com incorreção e erro de fato ou material não alteraram o valor do tributo ou do crédito para compensação de débitos através de Dcomp. Isto porque, explicita a recorrente, o crédito a compensar destacado na Dcomp referiase a pagamento indevido ou a maior, mas na realidade dizia respeito a crédito decorrente de saldo negativo de CSL. Tal erro se deu porque, naquela época, não era possível a retransmissão da Dcomp por vedação do sistema, vez que a Medida Provisória 449/08 não permitiu mais a compensação de débitos de estimativa de IRPJ e da CSL. Assim, a recorrente fez juntar novo documento produzido para que se realizassem as correções necessárias, já que estava impedida de retificar a Dcomp original. Ressalta que, à época dos fatos, a legislação permitia a efetivação da compensação, mesmo se tratando de saldo negativo de CSL, e que a legislação posterior não teria alcance pretérito, ou seja, não poderia retroagir e prejudicar o direito da recorrente. Pede ao final que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade e o arquivamento do processo administrativo e, para tanto, protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.902384/200904 Acórdão n.º 1103000.980 S1C1T3 Fl. 52 4 DA DECISÃO DA DRJ Em 20/4/2011, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, em indeferir a juntada posterior de provas, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação declarada, conforme síntese que segue. Como a recorrente requereu provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE indicou que a recorrente deveria ter apresentado todas as provas documentais em sede da impugnação e que, posteriormente, só poderia fazêlo se: ficasse demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna; refira se a fato ou direito superveniente; ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Como não se encaixou em nenhuma das hipóteses acima referidas, a recorrente teve seu pedido indeferido. No que se refere à prova pericial, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE explicita que não se admite pedido genérico e, portanto, indeferiu a produção posterior de provas e perícia. No mérito, entendeuse que mesmo que se confirme a diferença entre o valor do débito de estimativa de CSL e o respectivo recolhimento, não se pode homologar a compensação pretendida na Dcomp em questão. Como o recolhimento indicado como a maior do que o devido tem código de receita 2484 referese, portanto, a antecipação mensal por estimativa. Outrossim, indica a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE que a legislação permite que o contribuinte suspenda ou reduza o pagamento da contribuição devida mensalmente, criando um sistema que possibilita administrar as antecipações para que seja quitado o valor mias próximo do tributo devido sobre o lucro real anual, mas não permite a imediata restituição de valores pagos a título de antecipação mensal. Ainda, aponta que apenas é possível avaliar a existência de crédito passível de restituição ou compensação, comparandose o valor do tributo apurado sobre a base de cálculo anual com as deduções da ficha 17 da DIPJ. Apurase a CSL anual e deduzse o valor da CSL mensal e calculase o saldo negativo de CSL a pagar. Esclarece, por fim, que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 não é aplicável, pois o recolhimento de antecipação mensal não caracteriza pagamento indevido ou a maior, que dê direito à restituição, invocando o art. 10 da IN SRF 460/04 e o art. 10 da IN SRF 600/05. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 33 a 35 (numeração do eprocesso), em 12/3/2013, reiterando o que alegado em sede de manifestação de inconformidade conforme segue. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.902384/200904 Acórdão n.º 1103000.980 S1C1T3 Fl. 53 5 Explicita que os créditos nunca foram usados em outra compensação, mas que na verdade ocorreu erro de fato ou material. Porém, tal incorreção não alterou o valor do tributo ou do seu crédito. Ainda, diz que a compensação revelouse indevida porque o crédito a compensar destacado na Dcomp referiase a pagamento indevido ou a maior, mas na realidade era crédito decorrente de saldo negativo de CSL, mas que não era possível a retransmissão da Dcomp por vedação do sistema, vez que a Medida Provisória 449/08 não permitiu mais a compensação de débitos de estimativa de IRPJ e da CSL. Entende ser um procedimento condenável e mesquinho o indeferimento de juntada posterior de provas, vez que a administração do tributo deve primar pela estrita legalidade e buscar a verdade. Indica que, de ofício, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE deveria ter revisto seus atos e sanado as ilegalidades, declarando as nulidades. Assim, ainda que o expire o prazo recursal, entende que o direito não pode deixar de ser conhecido. Requer o provimento do presente curso para homologação da compensação e arquivamento do processo administrativo. Mais uma vez, requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito permitidos, especialmente a perícia requerida antes e indeferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.902384/200904 Acórdão n.º 1103000.980 S1C1T3 Fl. 54 6 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Conquanto o acórdão a quo seja datado de 20/4/11, vêse que sua ciência se deu em 18/2/13, com recurso interposto em 12/3/13. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 31 e 33 – numeração eprocesso). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Como se viu do relatório, a questão em jogo se fixa na origem do direito creditório, que não é o pagamento a maior de estimativa de CSL de maio de 2004 como declarado na Dcomp (fl. 8), mas saldo negativo de CSL do anocalendário de 2004. De início, afasto o argumento deduzido pelo acórdão de origem, para manutenção do despacho decisório, de que é vedada a compensação de crédito por pagamento a maior de estimativa de CSL, com suporte no art. 10 da IN SRF 460/04 e no art. 10 da IN SRF 600/05. A lei (art. 74 da Lei 9.430/96) não interdita a compensação de crédito de pagamento a maior de estimativa de CSL ou de IRPJ. O quantum satis para a compensação, por meio de Dcomp, é a apuração de indébito de tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento (caput do art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação da MP 66/02 convertida na Lei 10.637/02). E pagamento a maior ou mesmo indevido de estimativa de CSL como de IRPJ é passível de restituição, e, claro, a CSL assim como o IRPJ são administrados pela RFB. A ilegalidade do art. 10 das INs SRF 460/04 e 600/05 é notória. Não por menos, a superveniente IN RFB 900/08 já não continha tal preceituação, tampouco a atual IN RFB 1.300/12. De mais a mais, essa questão foi inclusive sumulada pelo CARF. É a Súmula CARF nº 84, aprovada pela 1ª Turma da CSRF, na reunião de 10 e 11 de dezembro de 2012, conforme a Portaria CARF 27/12 e os arts. 20 e 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Encontrandose em jogo pretensão da contribuinte, é dela o onus probandi. No caso, o ônus da prova de que não há pagamento a maior de estimativa de CSL de maio de 2004, mas saldo negativo de CSL do anocalendário de 2004 é integralmente da contribuinte. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13603.902384/200904 Acórdão n.º 1103000.980 S1C1T3 Fl. 55 7 Mais. Como se trata de questão “nova”, vale dizer, de questão que emergiu com o inconformismo da recorrente – saldo negativo de CSL de 2004 – há lugar, inclusive, para questionamentos a serem feitos na fase de julgamento, pelo órgão julgador, como, por ex., a comprovação do oferecimento à tributação de receitas que dão causa a CSL na fonte que componham o saldo negativo. Mas tais questionamentos podem ter lugar, desde que haja apresentação de provas quanto à existência (an) e quantificação (quantum) do saldo negativo de CSL alegado e postulado. Por ex., cópia da DIPJ/05, dos informe de rendimentos e de retenção (havendo CSL retida na fonte), do Lalur relativo a 2004 contendo os ajustes ao lucro líquido e eventuais compensações de bases negativas de CSL e a indicação da conexão com a ficha 17 (apuração da CSL) da DIPJ/05, da DRE analítica com o plano de contas contábil, e conexão com as linhas da ficha 6 (apuração do lucro líquido) da DIPJ/05. No caso vertente, a recorrente se limita a alegar que há saldo negativo de CSL do anocalendário de 2004 – ao invés de pagamento a maior de estimativa de CSL de maio de 2004. Não trouxe aos autos, nenhuma documentação para comprovação do suposto saldo negativo de CSL. Diante disso, não há lugar sequer para questionamentos a serem feitos por este órgão julgador, com conversão do julgamento em diligência. Patente é o não exercício do onus probandi da recorrente para demonstração do alegadamente postulado. Por força dessas considerações e sob essa ordem de juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de dezembro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11516.722650/2011-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/09/2011
AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS; DO RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL; DO REQUERIMENTO DE ISENÇÃO; DO ATO DECLARATÓRIO; DA APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS ANUAIS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA TRIBUTÁVEL COMPROVADA. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DENTRO DO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/09/2011 AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS; DO RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL; DO REQUERIMENTO DE ISENÇÃO; DO ATO DECLARATÓRIO; DA APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS ANUAIS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA TRIBUTÁVEL COMPROVADA. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DENTRO DO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 50 /2 01 1- 87 Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.366 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.367 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.004.2660, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores considerados empregados, que prestaram serviços à recorrente, relativamente a parte patronal e ao SAT/RAT/GILRAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.004.2678, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores considerados empregados, que prestaram serviços à recorrente, relativamente aos créditos de outras entidades e fundos – terceiros, assim como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.004.2686, CFL.78, em razão de apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 79 a 85, com período de apuração de 01/2007 a 08/2011, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 57 e 58. O PAF é composto pelos levantamentos denominados F3 FOLHA DE PAGAMENTO APÓS 11/2008 e F3 – FOLHA DE PAGAMENTO APÓS 11/2008, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DD, de fls. 06 e 20, relativamente, aos dois DEBCAD’s de obrigação principal componentes deste PAF. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 19/12/2011, Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 05 e 19, respectivamente, DEBCAD 51.004.2660 e DEBCAD 51.004.2678, e, em razão do DEBCAD 51.004.2686, em 22/12/2011, fls. 32. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição e razões de defesa, as fls. 90 a 121, relativamente, ao DEBCAD 51.004.2660, recebida, em 20/01/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 122 a 1.146, bem como em relação ao DEBCAD 51.004.2678, apresentou sua defesa/impugnação petição e razões de defesa, as fls. 1.147 a 1.178, recebida, em 20/01/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 1.179 a 3.294. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 3.295. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0731.354 5ª, Turma DRJ/FNS, em 23/05/2013, fls. 3.296 a 3.305. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 12/06/2013, AR, de fls. 3.307. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 3.309 a 3.350, recebido, em 03/07/2013, conforme carimbo de recepção, as fls. 3.309, acompanhado dos documentos, de fls. 3.351 a 3.362. Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.368 4 Mérito. · que a Carta Magna concedeu imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social e de educação, não só as filantrópicas, sendo que nem toda entidade sem fins lucrativos é beneficente de assistência social, mas toda entidade beneficente de assistência social, obrigatoriamente, não tem fins lucrativos e deve prestar serviços de forma filantrópica ou parcialmente gratuita; · que a recorrente é entidade assistência social em fins lucrativos, devido as atividades que desenvolve junto à sociedade, possuindo o certificado do CMASF nº 160/2010 e sendo declarada de utilidade pública pela Lei 6.961/2006; · que as entidades beneficentes de assistência social são imunes de contribuição previdenciária patronal e das contribuições provenientes do faturamento e lucro; · que a CF/88 afastou a incidência de impostos as instituições de assistência social, artigo 150, VI, “c”, estando no artigo 203 o conceito de assistência social, estando a recorrente dentro dos parâmetros assistencialistas determinados na CF e apta a fruir a imunidade, uma vez que preenche os três requisitos para tal: a) não distribuição patrimonial; b) aplicação territorial e c) transparência, assim a recorrente é detentora da imunidade e não isenção como consta dos lançamentos, não ocorrendo nem a existência dos fatos geradores; · que o artigo 195, § 7º, da CF/88 cuida da imunidade em relação as contribuições previdenciárias, pois o 150, VI, “c”, só cuida dos impostos, possuindo assim a entidade imunidade constitucional, estando as informações dadas em GFIP corretas, não havendo omissão ou incorreção nestas e muito menos ausência de recolhimento; · que vários requisitos foram impostos pelo legislador ordinário para fruição da imunidade, mas estes desrespeitam a Constituição e o CTN, não podendo condicionar a imunidade ao certificado, a gratuidade e a exclusividade da prestação dos serviços e a não remuneração dos dirigentes, uma vez que não exigidos pela Constituição; · que inicialmente os requisitos à imunidade estavam no artigo 55, da Lei 8.212/91, revogado integramente em 2009 pela Lei 12.101, cuidando o artigo 18 desta da assistência social, encontrandose apta a recorrente a obter o registro e o certificado de entidade sem fins lucrativos, já estando inscrita no CMAS, tendo sido declarada de utilidade pública desde 2006, estando cumpridos os requisitos do Fl. 3368DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.369 5 artigo 18, da Lei 12.101/2009, estabelecendo o artigo 29, desta requisitos acessórios para as entidades usufruírem da imunidade, os quais a recorrente cumpre integralmente, apresentando junto à impugnação o Diário do período notificado, mas não possuindo registro na junta comercial o de 2009 e 2010, o que não lhes retiram a idoneidade, cita e transcreve decisões do STJ sobre a irregularidade na escrita fiscal, ficou demonstrado por todo o exposto que a recorrente preenche os requisitos da imunidade; · que apesar de não ser detentora do certificado CEBAS fornecido pelos Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome a recorrente é cadastrada no CMASF e reconhecida como de utilidade pública municipal, não tendo tal documento não por ausência dos requisitos, mas em razão do prazo para o pedido, pois a lei exige um período mínimo, tendo a recorrente que aguardar tal prazo para requerimento, mas que por descuido não o fez assim que cumprida a carência, não retirandolhe a qualidade de entidade assistencial sem fins lucrativos a ausência do certificado, ante o trabalho que desenvolve, não impondo a Constituição qualquer outro requisitos, salvo a de ser entidade assistencial, cita Sergio Sérvulo da Cunha · que o certificado tem mero cunho declaratório, pois é mera exteriorização da imunidade, não podendo sua ausência implicar em lançamento, assim comprovado os demais requisitos para obtenção do certificado a imunidade está garantida incorporandose tal direito ao patrimônio da entidade, não tendo o artigo 55, da Lei 8.212/91 ou a Lei 12.101/2009 o condão de conferir status à entidade filantrópica, mas apenas evidenciálo, esta a posição do judiciário, transcreve decisão do TRF4, não sendo a ausência do certificado óbice ao reconhecimento da imunidade; · que o artigo 195, § 7º, da CF/88 por cuidar de imunidade deveria ser regulado pelo artigo 14 do CTN, ou seja, Lei Complementar, que só exigi três requisitos e estando todos eles cumpridos tem direito a recorrente a imunidade, volta a citar decisão judicial, devendo tal imunidade ter seus efeitos declarados de forma retroativa ao registro no CMASF e Declaração de Utilidade Pública, pois, assim já decidiu o judiciário nos RESP 478.239/RS; 495.975/RS e RE n. 115.5108; · que caso mantido o lançamento, as atividades da recorrente estarão inviabilizadas; · que por ser ato administrativo o lançamento deve atender as determinações legais e havendo erros materiais em sua determinação este é invalido, sendo indispensável a identificação da matéria tributável, no aspecto material, espacial e temporal, pois sem o fato gerador não há obrigação e nem crédito, estando no caso errada a base de cálculo, ante a existência da imunidade, estando a determinação da matéria tributável e do suposto imposto devido eivado de incerteza e Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.370 6 iliquidez, vicio insanável, cita Alberto Xavier, não havendo base de cálculo em razão da imunidade o lançamento está viciado, cita acórdão do CARF; · que os artigo 10 e 11, do Decreto 70.235/72 trazem os requisitos formais do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento, sendo a base de cálculo um de seus requisitos sua ausência leva a nulidade do lançamento; · que o tributo não pode ser confiscatório e não pode prejudicar a sociedade, pois feriria o direito a propriedade, sendo a manutenção do tributo afronta aos princípios constitucionais, pois a sanção tributária deve ter a função de dissuadir o contribuinte de descumprir a norma tributária, não podendo a multa ser usada como meio de arrecadação, cita doutrinadores, sendo a capacidade contributiva um pressuposto da lei tributária, devendo ser utilizada sempre que possível para graduar a sanção, devendo usar o bom senso no emprego das sanções, pois do contrário as multa abusivas podem ser questionadas e declaradas inconstitucionais, sendo vedado o confisco em qualquer modalidade pelo ordenamento jurídicoconstitucional, estando nítido que a multa fixada é confiscatória, pois onera de forma brutal a recorrente, além do que se pode considerar razoável; · Do pedido – requer a recorrente: a) que seja dado provimento ao recurso para anular os créditos lançados, pois comprovada a imunidade, o erro na base de cálculo e a ausência de fundamento legal da imposição da multa aplicada. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 3.364. Os autos subiram ao CARF, fls. 3.364. É o Relatório. Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.371 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Ausente de dúvidas de que no período de 25/07/1991 a 29/11/2009, datas da entrada em vigor, respectivamente, da Lei 8.212/91 e da Lei 12.101/2009, a imunidade/isenção das contribuições sociais previdenciárias eram disciplinadas pelo artigo 55, da Lei 8.212/91, ressalvado o período de vigência da MP 446/2208. A imunidade/isenção do artigo 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil/88 era regulamentada pelo artigo 55, da Lei 8.212/91 e não pelo artigo 14, da Lei 5.172/66 em razão do critério da especialidade, bem como a alínea “c”, do inciso IV, do artigo 9º, da Lei 5.172/66 se aplica a impostos e não a contribuições sociais previdenciárias. A polêmica sobre a constitucionalidade ou não do artigo 55, da Lei 8.212/91 é irrelevante no âmbito administrativo, pois a lei era existente, vigente e eficaz e assim de observação obrigatória pelos agentes da administração. Aliás, o citado dispositivo nunca foi declarado inconstitucional e o próprio Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a validade da norma, ainda, que de forma reticente, observe o aresto. EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.372 8 embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. (ADI 2028 MC, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.373 9 Tribunal Pleno, julgado em 11/11/1999, DJ 16062000 PP 00030 EMENT VOL0199501 PP00113) (destaque meu). Ademais, em nosso sistema jurídico a regra é de que os projetos de veículos introdutores de normas que passaram pelo processo legislativo e alcançaram aprovação, promulgação e sanção são presumivelmente constitucionais, até prova em contrário, que no presente caso não existe em relação ao artigo 55, da Lei 8.212/91. Além do que dito, acima as contribuições previdenciárias foram excluídas da Ordem Tributária pela EC 0877 à EC 0169 (Constituição Federal de 1969) e assim mesmo readquirindo tal caráter com a CRFB/88, podese concluir da conjugação do artigo 195, § 7º com o artigo 150, § 6°, que só lei especifica poderia estipular esta limitação e tal lei só pode ser a Lei 8.212/91 e não a Lei 5.172/66, pois não atende ao critério constitucional exigido, sobre a perda da natureza tributária da contribuição social previdenciária, o Supremo Tribunal Federal – STF, conforme texto abaixo transcrito no RE 110.8282/SP, assim, posicionouse. Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.374 10 Aliás, no que se refere a imunidade/isenção nunca é demais lembrar que a entidade recorrente nunca, jamais em tempo algum foi detentora da condição de entidade beneficente de assistência social, pelo simples fato de que ela não possuía e nunca possuiu todos os requisitos exigidos em lei, o que a seguir será demonstrado. Ressalto, que o presente lançamento reportase ao período lançado de 01/2007 a 12/2008; 13º/2007 e 13º2008, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DD, relativamente, aos dois DEBCAD’s, bem como consta do item 2, do REFISC, de fls. 76, em relação aos AIOP’s que compõe este PAF. A própria entidade recorrente em seu recurso admite que apenas em 2010, com a obtenção do Certificado de Inscrição Nº 160/2010, emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social de Florianópolis passou a deter a condição de entidade de assistência social. Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.375 11 Em outras duas passagens de sua peça recursal a entidade diz o que segue. Noutra passagem volta a dizer que por estar inscrita no CMASF e ser declarada de utilidade pública detém a condição de entidade sem fins lucrativos. Esclareço que o reconhecimento como de utilidade púbica é apenas em relação ao nível municipal, não existindo nos autos o relativo a esfera federal, como mais a diante destacarei. Tal situação é patente da leitura da certificado, de fls. 143 e 1.199, do Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS, uma vez que tal documento deixa claro que a entidade recorrente só a partir de 28/01/2010, foi reconhecida como entidade de assistência social. Assim sendo, pelos próprios argumentos da entidade recorrente está não faria jus a imunidade/isenção até a data da certificação do CMAS, ou seja, 28/01/2010, como neste autos o lançamento se encera na competência décimo – terceiro (13/2008), a própria recorrente admite que o crédito é devido. Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.376 12 Todavia, não é só isso que impossibilitaria e impossibilitou o reconhecimento da imunidade/isenção da entidade recorrente, na época em que tal reconhecimento se fazia pelo INSS e Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB. Passo as demais limitações da entidade recorrente para fruição da imunidade/isenção, na vigência do Artigo 55, da Lei 8.212/91, analisandose os documentos anexados pela recorrente, junto à impugnação do DEBCAD 37.335.7869, fls. 121 a 1.134, bem como junto à impugnação do DEBCAD 37.335.7877, fls. 1.167 a 2.206, e, ainda os documentos anexos junto à peça recursal, de fls. 2.264 a 2.275, não verifiquei a existência e apresentação dos seguinte documentos, como exigido pela legislação de regência. · Decreto de reconhecimento de utilidade pública federal – inciso I, do artigo 55, da Lei 8.212/91; · Registro no CNAS – inciso II, do artigo 55, da Lei 8.212/91 ; · Certificado do CNAS – inciso II, do artigo 55, da Lei 8.212/91; · Ausência de comprovação da apresentação anual ao INSS do relatório circunstanciado de suas atividades – inciso V, in fine, do artigo 55, da Lei 8.212/91; · Ato declaratório de reconhecimento da isenção fornecido pelo INSS, após requerimento da entidade § 2ª, e, caput, do artigo 208, do Decreto 3.048/1999 c/c o § 1º, do artigo 55, da Lei 8.212/91. Contudo, explico, que a inexistência da certificação viabilizada pelo CEBAS por si só é situação que impossibilita a fruição do benefício constitucional pela requerente, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, veja, a transcrição, no presente caso não de cuida de renovação, mas simplesmente a inexistência da certificação, o que implica em jamais terem sido as exigências legais atendidas. EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.377 13 Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. (RMS 27093, EROS GRAU, STF.)(o destaque é meu). Na vigência da MP 446/2008 a entidade, também, não deteve tal imunidade, uma vez que não possui o CEBAS, aliás, como admite não possuir até o protocolo deste recurso. No que tange a interpretação da norma tributária esta deve ser literal nos termos dos artigos 195, §7º c/c o 150, § 6º, ambos, da CRFB/88 c/c os artigos 108, § 2° c/c o artigo 111, da Lei 5.172/66, não se conformando com este sistema a interpretação dos institutos da legislação de natureza civil, este é o pensamento do Pretório do Excelso, observe a decisão. EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência movimentações financeiras não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (RE 566259, RICARDO LEWANDOWSKI, STF.) (o destaque é meu). O fato da recorrente exercer atividade de beneficência não lhe atribuía anteriormente e, ainda, hoje, não lhe atribui de forma automática a imunidade/isenção da cota patronal da contribuição previdenciária para fazer jus a tal benefício a entidade deve atender a várias exigências legais. A Administração Pública deve aplicar a norma que rege a matéria que esta sendo ventilada na situação posta e como definido anteriormente esta não é o artigo 14 c/c o artigo 9º, ambos, da Lei 5.172/66, pelas várias razões já expostas. A observação dos requisitos de lei para a obtenção da imunidade/isenção são condições obrigatórias a serem atendidas, respeitadas e comprovadas para a fruição do benefício fiscal. O parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei 8.212/91 até sua revogação trazia exigência expressa de que a isenção, como diz a lei, deveria ser requerida ao INSS, obviamente apresentandose todas os documentos que demonstrassem o preenchimento do requisitos legais. A entidade recorrente por certo nunca requereu ao INSS e a SRFB até a revogação do artigo 55, da Lei 8.212/91 tal isenção, pois sabia que não a detinha, uma vez que não preenchia os requisitos de lei, como, hoje, ainda, não preenche, apesar de não ser mais da Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.378 14 competência desses órgãos, desde a entrada em vigor da Lei 12.101/2009, a solução de tal matéria. A recorrente deixa claro em seu recurso que não é detentora do certificado exigido pela lei, como a seguir transcrito. Ainda, que se possa dizer que a o certificado seja mero ato de cunho declaratório a verdade é que sob a égide do artigo 55, da Lei 8.212/91 como supramencionado a entidade nunca preencheu os requisitos para usufruir da imunidade/isenção. Como o lançamento constante deste PAF só abrange até a competência 13º/2008, ou seja, o décimo terceiro de 2008, todo o lançamento se subordina a legislação referenciada, artigo, 55, da Lei 8.212/91 e MP 446/2008, não tendo influência sobre este o que regulado pela Lei 12.101/2009, nestes termos, qualquer alegação que tenha esta lei como fundamento é inócua e desprovida de juridicidade, ocorrendo o que o Supremo Tribunal Federal – STF chama de divórcio ideológico. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Com o advento da Lei 12.101/2009 a SRFB deixou de ter competência para reconhecer a imunidade/isenção, devendo esta como determina a lei em seu artigo 21, a seguir transcrito requer tal benefício junto ao ministério adequado. Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.379 15 Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. Aliás, a citada lei determina que a imunidade/isenção apenas pode ser usufruída a partir da concessão da certificação, o que a própria recorrente declarou não possuir, veja o artigo transcrito. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. No caso em tela o órgão fiscal lançador apenas fez dar efetividade ao artigo 32, caput, da Lei 12.101/2009, observe o texto legal. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. Destarte, as alegações para reconhecimento da imunidade/isenção após a edição da novel texto legal é inócua e indevida, uma vez que nem a SRFB e muito menos o CARF detém competência para tal, sendo esta atribuída por lei a outro órgão, ocorrendo aqui novamente o chamado divórcio ideológico. A interpretação que a entidade pretende obter dos arestos transcritos ao longo de sua peça recursal, não se aplica ao caso e o motivo é muito simples, tais decisões não se amoldam aos defeitos e motivos pelos quais a recorrente não atende as exigências para usufruir da imunidade/isenção. O lançamento atende a todos os requisitos legais que regem a matéria não havendo o alegado erro material, por não identificação da matéria tributável em seu aspecto material, espacial, temporal, e muito menos erro na identificação base de cálculo. As alegações da entidade recorrente estavam lastreada na existência da sua suposta imunidade/isenção, mas como demonstrado pela autoridade fiscal lançadora a entidade recorrente não detém tal imunidade/isenção, pois não preenchia os requisitos legais à época dos fatos geradores lançados, estando plenamente satisfeitos os artigos 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 9º, do Decreto 70.235/72. O tributo em si ou propriamente dito não tem natureza confiscatória, uma vez que existente deste julho/1991 na atual configuração e jamais entendido pelo Supremo Tribunal Federal – STF como inconstitucional em razão desta característica. No presente lançamento não existe sanção com efeito confiscatório no DEBCAD 51.004.2660, a multa aplicada foi multa de ofício, instituída pela MP 449/2008 e Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.380 16 sua lei de conversão Lei 11.941/2009 no patamar de setenta e cinco por cento (75%), conforme DD, de fls. 07 a 12. No DEBCAD 51.004.2768, a multa aplicada, também, foi a multa de ofício do artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pela MP 449/2008 e sua lei de conversão Lei 11.941/2009, no patamar de setenta e cinco por cento (75%), conforme DD, de fls. 21 a 25. Os percentuais aplicados estão dentro do que o judiciário admite como possível e dentro do que determinou o legislador entendeu ser o necessário e suficiente à matéria. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Fl. 3380DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.722650/201187 Acórdão n.º 2803002.925 S2TE03 Fl. 3.381 17 Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) (os realces são nesse acórdão). Indefiro o pedido de intimação em nome dos causídicos e nos endereços destes, uma vez que o artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, do Decreto 70.235/72 não trazem tal hipótese e estabelecem as formas de comunicações ao sujeito passivo. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender os pleitos desta. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10880.976951/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. AUFERIMENTO DE RECEITA. CONTRIBUINTE. PAGAMENTO DEVIDO.
É contribuinte a pessoa jurídica que aufere a receita. Inexistindo responsabilidade ex lege pelo recolhimento da contribuição o pagamento feito por ele é devido, sendo indevido o pagamento dúplice efetuado pela empresa líder do consórcio, que é a legitimada para pleiteá-lo. Inexistindo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
Numero da decisão: 3803-004.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. AUFERIMENTO DE RECEITA. CONTRIBUINTE. PAGAMENTO DEVIDO. É contribuinte a pessoa jurídica que aufere a receita. Inexistindo responsabilidade ex lege pelo recolhimento da contribuição o pagamento feito por ele é devido, sendo indevido o pagamento dúplice efetuado pela empresa líder do consórcio, que é a legitimada para pleiteá-lo. Inexistindo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
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(SUCESSOR UNIVERSAL POR INCORPORAÇÃO DE FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. AUFERIMENTO DE RECEITA. CONTRIBUINTE. PAGAMENTO DEVIDO. É contribuinte a pessoa jurídica que aufere a receita. Inexistindo responsabilidade ex lege pelo recolhimento da contribuição o pagamento feito por ele é devido, sendo indevido o pagamento dúplice efetuado pela empresa líder do consórcio, que é a legitimada para pleiteálo. Inexistindo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 69 51 /2 00 9- 93 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 965.36409.141105.1.3.04358, fls. 2/6, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins cumulativa, relativa ao mês de março 2002, no valor de R$ 117.765,04, do DARF pago de R$ 314.898,02. Despacho Decisório eletrônico, de 24 de agosto de 2009, da Derat/São Paulo, fl. 7, não homologou a DComp pelo fato de o pagamento informado já ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 11/19, a Contribuinte argüiu que: a) incluiu na base de cálculo, indevidamente, a receita denominada REDECARD, contabilizada no mês de abril de 2002 (doc.5), na rubrica contábil 7.19.99.00.9 sub 57.199.900.939.8, o que resultou no pagamento da Cofins no valor de R$ 314.898,02; b) com a exclusão da dita receita, conforme planilha demonstrativa à fl. 47 (doc. 4), o tributo devido passou a ser de R$ 197.132,98, acarretando recolhimento a maior; c) tal receita foi gerada pela participação da Requerente no Consórcio, onde a REDECARD é a líder. Por força contratual, a FNC tem direito, a partir de 01 de dezembro de 1997, a 33,3333% das operações de desconto receptivo, licenciados e aluguel de POS (conforme 2ª Alteração do Contrato de Constituição do Consórcio REDECARD doc. 7), sendo que os tributos incidentes sobre a referida receita são recolhidos pela Líder do Consórcio, conforme cláusula quinta § 1° do contrato; d) ao fazer a inclusão da "Receita REDECARD" nas bases de cálculo do PIS e da Cofins essa receita acabou sendo tributada em duplicidade, pois foi objeto de tributação na REDECARD (vide bases de cálculo de Cofins e do PIS da REDECARD e DARF doc.8). Sendo assim, não há que se questionar a origem do crédito utilizado pela Requerente; e) a conduta da Administração Pública deve pautarse pelo princípio da legalidade previsto no art. 5o, II, e no art. 150, I, da CF/88, que veda a cobrança de tributos sem previsão legal. Dessa forma, para que exista cobrança de impostos é necessária a ocorrência do fato gerador e que todos os seus elementos estejam previstos em lei; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976951/200993 Acórdão n.º 3803004.696 S3TE03 Fl. 173 3 f) tratandose de fato gerador, vigora o princípio da verdade material, sendo que neste caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar a incidência tributária; g) ocorreu um equívoco no preenchimento da DCTF, um erro formal, na qual a empresa lançou como débito apurado valor maior que o devido, erro este que a Requerente se prontificou em retificar, mas ficou impossibilitada pois o recolhimento tem período de apuração de março de 2002. Em julgamento da lide a DRJ/São Paulo I: a) referiu acerca da certeza e liquidez que há de ter o crédito alegado, documentalmente comprovada. b) verificou que foram trazidos aos autos Contrato de Constituição de Consórcio REDECARD, planilha demonstrativa da base de cálculo, cópia simples de balancete e DARF da REDECARD Contudo, considerou que esses documentos não eram suficientes para fazer prova a favor da Manifestante, pois não comprovam o alegado erro na base de cálculo das contribuições, ou seja, que a Receita REDECARD tenha sido tributada em duplicidade. Aduziu que seria importante a apresentação prévia da DCTF retificadora, bem como da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, em obediência ao disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72; c) ressaltou o ônus da prova pertinente à Manifestante. Uma vez dele não se tendo desincumbido, não havia razão para deferir o pedido de diligência. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/04/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Cientificada da decisão em 25 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 103/115, em 22 de maio de 2012, em que reitera todos os fundamentos trazidos na manifestação de inconformidade, mencionando os mesmos documentos ali anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A origem do crédito de Cofins utilizado na declaração de compensação sob análise, conforme o alegado, é pagamento efetuado em duplicidade com o também feito pela empresa líder do Consórcio de que esta pessoa jurídica participa, denominado REDECARD. Argumenta a Recorrente que por força contratual, a FNC tem direito a um terço do resultado das operações decorrentes de desconto receptivo, licenciados e aluguel de POS, conforme 2ª Alteração do Contrato de Constituição do Consórcio REDECARD (doc. 6), sendo que os tributos incidentes sobre a referida receita deviam ser e foram recolhidos pela Líder do Consórcio, conforme cláusula quinta § 1° do referido contrato É fato que o Imposto de Renda Retido na Fonte e os demais tributos incidentes sobre as receitas devem ser retidas das consorciadas, conforme estipulação do parágrafo primeiro do Contrato de Constituição de Consórcio Redecard[1],.assim pactuado entre as Partes contratantes e formadoras do Consórcio. 1 PARÁGRAFO PRIMEIRO: O ISS, PIS, COFINS , Imposto de Renda na Fonte e quaisquer outros tributos incidentes sobre as receitas atribuídas às CONSORCIADAS serão retidos e recolhidos pela LÍDER DO CONSÓRCIO, sendo cada CONSORCIADA, relativamente às incidências tributárias que !he digam respeito, solidária com a LÍDER DO CONSÓRCIO na mesma proporção de cada participação nas receitas, como definido no Anexos I, II, III e1V deste contrato. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976951/200993 Acórdão n.º 3803004.696 S3TE03 Fl. 174 5 Os diversos documentos contábeis anexados à defesa foram considerados insuficientes para gerar a convicção do Colegiado de primeira instância quanto à certeza e liquidez do crédito da Pleiteante perante a Receita Federal do BrasilRFB, do que, com fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, o Colegiado a quo exarou sua decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade. Aduziu o Relator que “é de incumbência do contribuinte comprovar ter recolhido de forma indevida ou a maior que o apurado, em conformidade com as hipóteses disciplinadas pelo art. 165 do CTN”. Ressalvado o equívoco do voto condutor na apreciação dos documentos anexados à manifestação de inconformidade, no ponto em que não avalia o Razão da Recorrente em que registra a receita recebida da líder, REDECARD S.A., documento está titulado como balancete. Correta a posição adotada de não contemporizar com a falta do mesmo documento contábil (ou o Diário) da REDECARD S.A. em todos os processos, que visassem à comprovação da sua base de cálculo e, sequencialmente, da duplicidade do pagamento da contribuição. No recurso voluntário, a Recorrente nada mais acrescenta no tocante a documentos comprobatórios, pelo que, não pode ser outro o desfecho do presente conflito, confirmandose o desprovimento na primeira instância. De mais a mais, importa destacar que o direito à compensação de créditos do contribuinte perante a RFB, como é consabido, está regulado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Induvidosamente, a estipulação dessa norma encontra fundamento de validade no art. 170 do CTN citado pela decisão recorrida uma vez que o crédito apurado por contribuinte e utilizado na compensação unilateral de débito tributário que este promove com força extintiva vinculase aos pressupostos de certeza e liquidez. Estes dois atributos pressupostos do crédito apurado hão de ser posteriormente, em tese, objeto de verificação pela Fazenda, tendo em vista a homologação da compensação, momento em que o crédito poderá ser controvertido, não reconhecido e a compensação não homologada, pelo implemento da condição resolutiva. O crédito certo é aquele que é manifesto na sua existência e que se adere ao titular do direito subjetivo de repetilo, por decorrer de pagamento indevido ou a maior. Crédito líquido é aquele delimitado na sua extensão. Assim, líquido e certo é o crédito apto a ser exercitado no momento da sua apuração. O contribuinte só apura crédito perante a Fazenda à luz de um direito subjetivo que julga possuir, dimensionandoo a partir do critério quantitativo do fato gerador (base de cálculo e alíquota). A decisão recorrida ancorou a sua razão de decidir na falta da liquidez e certeza do crédito. No entanto, o fez sob o prisma da liquidez e ante a falta de documentos processualmente idôneos para comprovação das bases de cálculo, em especial da REDECARD Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 S.A.. Deixou de apreciar a questão relativa à certeza do crédito, quanto a sua existência e titularidade. Nesse caminho, cabe verificar se o sujeito passivo pode apurar o crédito que alega possuir para que venha à existência. Isso se faz discernindo que o sujeito passivo da obrigação de pagar a Cofins e a contribuição para o PIS é quem aufere a receita, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.718/98. Regida por esta lei a administração dessas contribuições e disciplinada pela Instrução Normativa SRF nº 247/2002 não há nela preceito elegendo responsável tributário na hipótese de operações realizadas por meio de consórcio. Noutra palavra, quem deve recolher as contribuições é cada consorciada, na razão de suas atividades e faturamento em atuação pelo consórcio. Disso se dessume que a FNC Comércio e Participações Ltda. pagou devidamente as contribuições sobre as receitas recebidas da REDECARD S.A.. Assim, se houve duplicidade de recolhimento quem nela incorrera indevidamente fora a REDECARD S.A, sendo sua a legitimidade de pleitear a repetição do indébito, não da FNC Comércio e Participações. Em que pese disciplina pontual desta matéria somente ter ocorrido com a edição da Instrução Normativa RFB nº 834, de 26 de março de 2008, sabese que regulamento não cria direito, mas dispõe sobre direito preexistente já regulado em lei, no caso a Lei nº 9.718/98, sob cujo regime operaram as empresas consorciadas até o mês de novembro de 2002, relativamente ao PIS e durante todo o ano de 2002 relativamente à Cofins. Os seus arts. 4º e 5º dispõem que: Art. 4º O faturamento correspondente às operações do consórcio será efetuado pelas pessoas jurídicas consorciadas, mediante a emissão de Nota Fiscal ou Fatura próprios, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. § 1º Nas hipóteses autorizadas pela legislação do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) e do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, a Nota Fiscal ou Fatura de que trata o caput poderá ser emitida pelo consórcio no valor total. ( Redação dada pela IN RFB nº 917, de 9 de fevereiro de 2009 ) § 2º Na hipótese do § 1º, o consórcio remeterá cópia da Nota Fiscal ou Fatura às pessoas jurídicas consorciadas, indicando na mesma as parcelas de receitas correspondentes a cada uma para efeito de operacionalização do disposto no caput do art. 3º. § 3º No histórico dos documentos de que trata este artigo deverá ser incluída informação esclarecendo tratarse de operações vinculadas ao consórcio. Art. 5º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins relativas às operações correspondentes às atividades dos consórcios serão apuradas pelas pessoas jurídicas consorciadas proporcionalmente à participação de cada Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976951/200993 Acórdão n.º 3803004.696 S3TE03 Fl. 175 7 uma no empreendimento, observada a legislação específica. Esta disciplina está reiterada atualmente na Instrução Normativa RFB nº 1.199, de 14 de outubro de 2011. Demais, reza o Código Tributário Nacional que as convenções particulares, tais como as firmadas mediante o contrato que rege o consórcio REDECARD, não podem ser opostas à Fazenda, segundo dispõe o art. 123, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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