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Numero do processo: 13819.002353/00-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-01.023
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Ivan Allegretti (Suplente).
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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(atual denominação de MERCEDES BENZ DO BRASIL S/A) : DRJ em Campinas - SP Processo 112 Recurso n2 Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO N° 202-01.023 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA. (atual denominação de MERCEDES BENZ DO BRASIL S/A). RESOLVEM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Ivan Allegretti (Suplente). Sala das essões, em 23 de maio de 2006. onto Carlos Atu Presidente MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conse1hn de Contribuintes CONFERE COM O 0 IGINAL7 Brasilia-DF, em I AY/0 euza akafuji Secretina da Segunda Camara Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Simone Dias Musa (Suplente), Antonio Zomer e Maria Teresa Martinez López. euza a afuji Secretária da Segunda Camara kl. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13819.002353/00-17 Recurso e : 133.307 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O QRIGIAL, Brasilia -DE. em / 5 170940 2, CC-MF Fl. Recorrente : DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA. (atual denominação de MERCEDES BENZ DO BRASIL S/A) RELATÓRIO Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte pela falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de apuração de fevereiro e março de 1998 e com o crédito tributário de R$ 3.523.560,35. Originariamente havia o lançamento do PIS e da Cofins no mesmo processo, do que decorreu a lavratura do Acórdão 511, de 18 de fevereiro de 2002, fls. 187/192, julgando procedente o lançamento referente ao PIS e procedente em parte em relação à Cofins, excluindo- se o valor de R$ 2.105.628,84 e mantendo o lançamento de R$ 364.781,65. Porém os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao analisar o Recurso Voluntário, no Processo n2 13819.003053/2002-80, entenderam que as exigências fiscais relativas ao PIS e à Cofins, objeto de dois Autos de Infração distintos e válidos não poderiam ser mantidos em um único processo administrativo e resolveram anulá-lo a partir da decisão singular, determinando que, após o apartamento dos autos de infração, fossem proferidas novas decisões, abrindo novamente prazo para a contribuinte apresentar recurso voluntário a este Conselho, conforme Acórdão n 2 202-14.932, de fls. 247/253, daquele processo cuja ementa se transcreve: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — AUTOS DE INFRA CÃO — CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS — Ent face do disposto no artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, devem ser apartadas, em processos distintos, as exigências de créditos tributários correspondentes a cada contribuição. Processo que se anula a partir da decisão de primeira instancia, inclusive." Assim, a DRF em São Bernardo do Campo - SP, atendendo à determinação do Conselho de Contribuintes, manteve o Auto de Infração do PIS no processo original, ou seja, no Processo n2 13819.002353/00-17 e transferiu o Auto de Infração da Cofms para o Processo n 2 13819.003053/2002-80. Regularmente intimada a contribuinte alegou que (fls. 276/277): "(..) 3.1. em 13/06/96 protocolou pedido administrativo n2 13819.001447/96-67 com vistas ao reconhecimento de seu direito a compensação integral dos valores pagos a titulo de PIS nos meses de outubro/9I a julho/94 em conformidade com os Decretos-Leis 11 2s 2.445/88 e 2.449/88, cuja inconstitucionalidade foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal e reconhecida em definitivo pela Resolução n 2 49/95 do Senado Federal com as parcelas vincendas da mesma contribuição, nos termos do art. 66, da Lei ,z2 8.383/91 c/c 39 da Lei n2 9.250/95; 3.2. tal processo foi indeferido na primeira insteincia e como conseqüência a contribuinte impetrou Mandado de Segurança tendo sido autorizada a compensação pretendida (11s. 99/102); Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo e : 13819.002353/00-17 Recurs° n2 : 133.307 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conseiho de Contribuintes CONFERE COM 0 ORIGiNAL Brasilia-DF, em / / 7,6eb, za akafuji Secretária da Segunda Câmara 22 CC-N1F Fl. 3.3. não obstante o direito a compensa cão procedida estar amparado por sentença concedida em Mandado de Segurança e pelos pleitos administrativos formulados a D. fiscalização lavrou o auto de infração, alegando compensação indevida, por ter a contribuinte se aproveitado de período já prescrito; 3.4. os valores compensados foram objeto de pedido administrativo apresentado em 13/06/96, Processo n2 13819.001447/96-67, sendo passível de compensação os valores recolhidos a partir de junho de 1991; 3.5. ainda que por absurdo se admitisse a possibilidade de lavratura de auto de infração, jamais poderia se imputar à impugnante multa de 75% e juros de mora, devendo as mesmas serem excluídas de imediato conforme estabelecido pelo art. 63 da Lei 112 9.430/96 e ADN-CST 1/97. 4. Tendo em vista as alegações da contribuinte esta autoridade julgadora remeteu o processo em diligência para que a repartição autuante verificasse o porque de não ter considerado a compensação nos termos do Processo n2 13819.001447/96-67, analisando e efetivando a planilha de compensação, se fosse o caso dando ciéncia a contribuinte. 5. Conforme o Termo de Diligência de fls. 184/185 o fiscal autuante informou que não tinha conhecimento do Processo n2 13819.001447/96-67 quando iniciou o procedimento de fiscalização determinado pelo MPF 0811900.2000-00255-4, iniciado em 15/06/2000, no qual se objetivava tão somente a verificageio da exatidão das compensações efetuadas e que redundou no Auto de Infração constante do presente processo, onde teria constatado além da compensação de pagamentos que se supunha atingidos pela decadência, também erros na planilha de compensação dos créditos conforme se observa na planilha por ele elaborada As fls. 60 e que agora retificada quando adota a data de 13/06/1991, para inicio do referido prazo decadencial, já que o protocolo do processo supra referido se deu em 13/06/96. 6. Dentro do procedimento de diligência fiscal a empresa foi intimada a apresentar Demonstrativos da base de cálculo do PIS de períodos anteriores a janeiro de 1992 e se fosse o caso retificar a planilha das diferenças do PIS a restituir/compensar. 7. Após analisar a documentação apresentada pela contribuinte as fls. 167/169 o fiscal constatou: "08) Comparando-se a planilha retificadora «Is. 173/174) com a elaborada anteriormente (vide fls. 60/61), constatamos: a) A compensação referente ao COFINS de agosto de 1997 que, conforme item 08-a do TERMO DE CONSTATAÇÃO de fls.10 (e demonstrativo de fls. 60) havíamos considerado a maior em RS 2.470.410,49 (dois milhões quatrocentos e setenta mil, quatrocentos e dez reais e quarenta e nove centavos), fica reduzido para RS 364.781,65 (trezentos e sessenta e quatro mil, setecentos e oitenta e um reais e sessenta e cinco centavos). b) Permanecem como indevidas as compensações (item 8.b e 8.c) referentes ao PIS de março de 1998 no valor de RS 605.949,33 e de abril de 1998 no valor de RS 939.196,75. 09) Desta maneira, propomos a autoridade julgadora a retificação do Auto de Infração referente a Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social, considerando como valor exigível a importância de RS 364.781,65 ('trezentos e sessenta e quatro mil setecentos e oitenta e um reais e sessenta e cinco centavos) ao invés da importância de RS 2.470.410,49 considerada no Auto lavrado em 27/10/2000 3 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo ri2 : 13819.002353/00-17 Recurso n : 133.307 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL, Brasilia-DF, ern_21_6_110, €1 46 ,--t - •• euza a 4 afuil Secretaria da Segunda Camara 2 CC-MF Fl. 8. A contribuinte recebeu cópia do Termo de Diligência conforme ciência de seu procurador àfl. 185." Remetidos os autos à DRJ em Campinas — SP, foi o lançamento julgado procedente em acórdão assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1998 a 31/03/1998 Ementa: ACRÉSCIMOS LEGAIS. Apurada falta ou insuficiência de recolhimento de PIS sem que a exigibilidade esteja suspensa, sua cobrança é devida com o acréscimo de multa de oficio e juros e mora. Lançamento Procedente". Inconformada, apresenta a contribuinte o Recurso Voluntário de fls. 283/300. o relatório. 4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13819.002353/00-17 Recurso n2 : 133.307 s Se bes Ti 23 de maio de 2006. A 0 KEAY ALENCAR MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conse1ho de Contribuintes CONFERE CON O 0_13IGINAL, Brasilia-OF. em / la2r40 euza a4fuji Secretaria da Segunda Câmara 22 CC-NIF Fl. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVO KELLY ALENCAR 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo Colegiado. Realmente, na planilha de fls. 56/60 foram incluídos valores que remontam ao período de apuração relativo a outubro de 1991. No Termo de Diligencia de fls. 184/185 a fiscalização reconheceu que o Processo n2 13819.001447/96-67 foi protocolado em 13/06/1996 e que a contribuinte teria direito a créditos por pagamento indevido, realizados a partir de 13/06/1991, o que leva à conclusão de que é possível considerar na compensação os valores relativos aos meses de outubro e novembro de 1991 que foram consignados na planilha acostada, os quais a contribuinte disse que, por lapso seu, deixara de incluir nas planilhas de fls. 167 a 173, as quais foram apresentadas em resposta A intimação de fl. 165. Ainda no Termo de Diligência de fls. 184/185, a fiscalização atestou no item 5 (fl. 185) que os valores apresentados na planilha de fl. 56 são corretos e aceitáveis pois foram conferidos com os documentos que lhe dão suporte. A fl. 165 constam períodos de apuração a partir de dezembro de 1991 e esta planilha totaliza 13.546.829,69 Ufir, que é o mesmo valor que a fiscalização afirmou ter considerado no Termo de Diligencia de fls. 184/185. Portanto, aparentemente, a contribuinte tem razão quanto ao erro que alegou ter cometido, qual seja, não ter mencionado os valores de outubro e novembro de 1991 nas planilhas que apresentou em resposta A intimação de fl. 165. Entretanto, a apuração do crédito e o procedimento de realizar a compensação destes créditos confrontando-os com os débitos da contribuinte é competência da Delegacia da Receita Federal, não podendo ser feita pelo Conselho de Contribuintes. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a DRF em Sao Bernardo do Campo - SP verifique e informe se na quantidade de 13.546.829,69 Ufir estão ou não estão considerados os créditos de outubro e novembro de 1991. Caso não tenham sido considerados aqueles créditos e restando confirmado o lapso cometido pela contribuinte, efetuar a compensação do crédito eventualmente existente, informando conclusivamente se os créditos de outubro e novembro de 1991 são suficientes para fazerem desaparecer o PIS que foi mantido pela DRJ em Campinas - SP. Após o atendimento das diligencias solicitadas, deve a contribuinte ser intimada a se manifestar, devendo os autos então retornar a esta Câmara para julgamento, oportunidade na qual serão apreciadas as demais matérias objeto do recurso. como voto. 5
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005924/2009-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica.
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.
São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.
A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.
DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.
Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.
A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.
Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
Numero da decisão: 9101-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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EM RECUPERACAO JUDICIAL. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 24 /2 00 9- 77 Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.031 2 A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.032 3 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte em epígrafe contra decisão constante do Acórdão nº 1101000.899, onde se analisou a legitimidade do lançamento do IRPJ e CSLL e multas de 150%, consumado por entender a fiscalização ser indedutível das bases dos referidos tributos a amortização fiscal do ágio gerado em operação de aquisição de participação societária de terceiros, através da constituição de empresas chamadas "veículo". No procedimento fiscal foram analisadas duas aquisições de participações societárias, por empresas do grupo da Contribuinte em questão de terceiros independentes, e a posterior incorporação das sociedades adquiridas. Verificase dos documentos constantes dos presentes autos que a operação realizada teve a participação das seguintes pessoas, que realizaram os seguintes atos: ü Do lado comprador, grupo Bellsouth, composto, no Brasil, pela AVERDIN, controladora da MKV e APENINA, e ALIENA, controlada pela APENINA; ü Do lado vendedor, grupo abril, controlador da sociedade adquirida Listel; ü As sociedades MKV, APENINA e ALIENA realizaram a aquisição da LISTEL, registrando ágio; ü LISTEL incorpora MKV, APENINA e ALIENA, passando a controlada de AVERDIN e amortizando fiscalmente o ágio. A Fiscalização concluiu que a operação entre LISTEL, APENINA e MKV ocorreu em circuito fechado. O adquirente, terceiro estranho à investida, nesta operação, seria a AVERDIN, representante no Brasil do Grupo BellSouth. Para qualificar a multa a fiscalização entendeu estar presente nos fatos narrados a fraude trazida no artigo 72, da Lei 4.502/64. Impugnado o Auto de Infração, a DRJ decidiu pela improcedência dos argumentos de defesa. Assim, tempestivamente foi aviado Recurso Voluntário. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.033 4 A Turma a quo, ao analisar o Recurso Voluntário do Contribuinte entendeu que a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio da investida, LISTEL, somente poderia surtir efeitos na apuração do seu lucro real caso se verificasse a extinção da investidora original (AVERDIN), mediante incorporação, fusão ou cisão entre elas promovida, por meio da qual o ágio subsistisse evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Concluiuse, ainda, que a criação da APENINA e da MKV teve por objetivo, apenas, construir um cenário que se assemelhasse à hipótese legal que autoriza a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos, circunstância que, infringe os incisos II e IV do art. 1° e o inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137/90; bem como o art. 72 da Lei n° 4.502/64. de modo que a multa qualificada deveria subsistir. Vale a transcrição da ementa da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. MULTA QUALIFICADA. Sujeitase a multa qualificada a exigência tributária decorrente da prática de negócio jurídico fictício, que se presta, apenas, a construir um cenário semelhante à hipótese legal que autoriza a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos de relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Cientificado dessa decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Desse modo, houve regular e tempestiva apresentação de Recurso Especial de divergência, objetivando discutir as seguintes matérias: (i) "Da amortização do ágio quando da incorporação reveersa por empresa controlada por investidora que Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.034 5 aportou capital que permitiu a compra do investimento com ágio"; (ii) "Da amortização do ágio participação de empresas distintas inexistência de simulação ou fraude"; (iii) "Da multa qualificada"; (iv) Aplicação de atos normativos da CVM a casos semelhantes; e (v) "Alteração dos fundamentos da autuação". O Recurso foi parcialmente conhecido pelo despacho de admissibilidade, reconhecendose apenas a divergência em relação à possibilidade de amortizar o ágio pago por empresa veículo (item i). O despacho de admissibilidade foi mantido pelo reexame necessário. Ato seguinte houve agravo, que foi rejeitado. Regularmente intimado da decisão e do Recurso d o Contribuinte a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo, em suma o não conhecimento do Recurso do Contribuinte e, se conhecido, seu não provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator CONHECIMENTO Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte pela Fazenda Nacional, fazse importante sua análise. Aduz a Fazenda que não há similitude fática entre o recorrido e o paradigma analisado pelo despacho. Isso porque, no presente caso concreto houve a constituição de duas empresas apenas com o fim de amortizar o ágio, o que não ocorreu na decisão citada como paradigma Analisando o paradigma, entretanto, percebo que trata da mesma situação em que determinado contribuinte se utiliza de empresa intermediária para aquisição de participação societária, com posterior incorporação reversa, vejamos trecho do relatório do Acórdão nº 1201001.242, indicado como paradigma pelo recorrente: Relatório “No que concerne à formação do ágio e sua amortização, é elucidativa a transcrição do seguinte trecho contido no TVF (fl. 1144): Em 30/11/2007, o Societê Brasil aportou capital na Trancoso, no valor exato de R$ 930.523.599, permitindo então que fosse pago Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.035 6 por esta empresa, na mesma data do aporte, o valor total de R$ 888.372.854,00 pela aquisição das quotas (100%) da CACIPAR, as quais tinham valor de patrimônio líquido de R$ 317.809.235,16 resultando um ágio de R$ 570.563.618,89. Além disto, aportou um aumento de capital na Trancoso, no valor de R$ 37.000.000,00 utilizados para pagamento de uma dívida que a CACIPAR tinha, resultando que o valor aportado pelo Societê Brasil na Trancoso foi o exato valor utilizado pela Trancoso na aquisição da CACIPAR. Em passo seguinte, em 31/10/2008, com base em balanço de 30/09/2008, a CACIPAR é incorporada pela investida Banco Cacique que também incorpora na mesma data a Trancoso. Tendose então por resultado, após as duas sucessivas operações de incorporações reversas, que o controle societário do Banco Cacique é transferido para o Societê Brasil e que o ágio pago pela Trancoso na aquisição da Cacipar é transferido por incorporação ao patrimônio do Banco Cacique, sendo amortizado no mesmo a uma razão de 1/120 mensais, sem adição ao lucro real. (...) Além disto, ficou comprovado que na verdade o adquirente do controle societário do Banco Cacique foi o Societê Brasil, sendo que as citadas operações de incorporação reversas tinham como intuito, única e exclusivamente, levar para a empresa investida Banco Cacique, parte do ágio, procedendo esta, em seguida, às conseqüentes amortizações do mesmo levando a uma diminuição indevida dos resultados nos próximos anos;” Como no caso do paradigma a glosa do ágio foi mantida, entendo estar comprovada a similitude fática e divergência de interpretação da legislação. Desse modo, conheço do Recurso do Contribuinte, nos termos do despacho de admissibilidade. MÉRITO POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO FISCAL DO ÁGIO EM OPERAÇÕES COM EMPRESA VEÍCULO No entender da fiscalização a grande razão a justificar a invalidação da amortização fiscal do ágio realizada pelo Contribuinte em questão foi a ausência de propósito negocial na criação de empresa holding, cujo único objetivo de nascimento foi de servir como meio para cumprimento de requisito legal para aproveitamento fiscal do ágio, mediante incorporação de sociedades. Penso que não assiste razão à fiscalização nessa interpretação dos fatos e das normas em análise. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.036 7 Em minha concepção o instituto doutrinário chamado propósito negocial vem sendo indiscriminadamente utilizado pelas fiscalizações, sem se observar os pormenores de cada situação. O propósito negocial, cuja discussão no Brasil foi inicialmente atribuída ao Professor Marco Aurélio Greco, teve seus contornos delimitados, com o fito de tratar qualquer operação que tivesse como objetivo principal a economia de tributos como inoponível ao fisco, admitindose a desconsideração de seus efeitos e a consequente cobrança dos tributos. Penso que essa posição deve ser vista com ressalvas, principalmente ao se considerar que essa teoria é oriunda de países da common law. Um exemplo clássico que entendo que essa doutrina deve ser reavaliada é no caso de operações societárias que admitem a utilização fiscal do ágio. A possibilidade de amortização fiscal do ágio gerado por rentabilidade futura, após absorção de patrimônio de uma sociedade por outra, mediante incorporação, fusão ou cisão, inclusive da investidora (chamada operação reversa), surgiu em nosso ordenamento jurídico com o advento da Lei 9.532/97, artigos 7º e 8º, abaixo transcritos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.037 8 Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Referida Lei veio ao mundo jurídico num contexto histórico de privatizações ocorridas no país. Como amplamente divulgado na época em que publicada a norma, o objetivo da permissão contida em seu inciso III, de amortização do ágio gerado com base em rentabilidade futura, era o de incentivar a aquisição de empresas públicas e sociedades de economia mista pelos investidores privados. Logo, no cálculo do retorno de seu investimento, no âmbito de sua análise de viabilidade, os investidores já contavam com o benefício fiscal. E nesse contexto, tal norma é tida como indutora de comportamentos dos contribuintes, na medida em que incentivou as operações de aquisições de empresas públicas, bem como as aquisições de participações em âmbito privado, tanto por investidores não residentes, que se interessaram enormemente por um mercado em recente abertura, como por investidores residentes no Brasil. E é aí que a teoria do propósito negocial deve ser vista sobre outro ângulo, afinal, como um investidor não residente poderia se valer de tal incentivo, sem se fazer presente no país através de uma sociedade aqui residente? Como sociedades nacionais reguladas por órgãos específicos poderiam usufruir do incentivo diante de proibição legal de incorporação de sociedades com outras atividades? Ora, excluir a possibilidade dessas pessoas e possibilitar outras a terem benefício fiscal seria ferir a isonomia. Logo, essas e outras sociedades tiveram que planejar a forma como seria possível investir no país e aproveitar o incentivo da amortização do ágio, nas mesmas condições que sociedades nacionais sem restrições assim o poderiam. Foi nesse contexto que se utilizaram de sociedades holdings, que lhes permitia organizar a etapa pré aquisição, bem como posteriormente se valer do incentivo de amortização fiscal do ágio. Tais sociedades foram informalmente denominadas "empresas veículo". Mas a questão que se põe é: a criação de empresas holdings para organização de investimentos e utilização de incentivos fiscais é um ato de evasão fiscal ou é lícita a economia fiscal mediante planejamento realizado previamente à ocorrência do fato gerador do tributo e estimulado por norma legal? Em minha concepção, mesmo dentro da teoria do propósito negocial a economia de tributos é permitida, desde que realizada mediante atos e negócios lícitos. E para mim não há qualquer ilicitude em se criar uma sociedade, efetuar sua capitalização, adquirir participação societária de terceiros e, posteriormente realizar as operações societárias induzidas pela lei para se obter a economia de tributos. Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.038 9 Economia de tributos é sim algo legitimamente objetivado pelos empresários, que buscam a maximização de lucros em seus negócios, desde que obtida mediante atos e negócios lícitos. O negócio jurídico pretendido, qual seja a aquisição de participação societária de fato ocorreu, ou seja, não há que se falar em simulação, seja ela absoluta, seja ela relativa. E aliese a isso, no caso de ingresso no país de sociedades não residentes, como o presente, o objetivo de explorar o mercado brasileiro e outros vizinhos, eventualmente. Não há como negar que o principal interesse de empresas multinacionais é a exploração de diversos mercados ao redor do mundo e, acessoriamente, havendo a possibilidade, de maximização de lucros através de utilização de incentivos fiscais, assim proceder. Sobre a legitimidade da utilização de "empresas veículos" para fins de amortização de ágio sábias foram as palavras do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, proferidas no acórdão 1201001.267, que abaixo tomo a liberdade de transcrever: São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. Quanto à falta de propósito negocial, há que se distinguir dentre as operações levadas a efeito pelos interessados, aquelas que tiveram por objetivo ocultar o ganho de capital auferido pelos alienantes, daquelas cujo objeto foi a transferência do ágio para a autuada. As primeiras não interessam ao presente processo, e são objeto do PA nº 10380.726.493/201018, que trata do ganho de capital. As últimas foram realizadas com o propósito do aproveitamento do ágio na aquisição da participação societária, e estão amparadas na interpretação que esta Turma vem emprestando aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, qual seja, a de que a finalidade daquelas normas é incentivar a absorção do patrimônio de empresas nacionais por outras, sejam nacionais, sejam estrangeiras. Em outras palavras, o propósito negocial foi exatamente o aproveitamento do ágio, propósito esse amparado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.039 10 "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. Todavia, tendo em vista que existem algumas decisões do CARF mantendo a glosa da amortização do ágio justamente pelo emprego de "empresa veículo" (vide, por exemplo, o Acórdão 1101001.113), entendo cabível o exame da matéria. Em breve síntese, aqueles que defendem a impossibilidade do aproveitamento do ágio nestas condições sustentam que o emprego de empresa veículo, que ao fim incorpora ou é incorporada pela investida, “oculta” o verdadeiro investidor, qual seja, aquele que fornece os recursos para que a empresa veículo faça o investimento. Desse modo, dizem eles, não há incorporação entre o “verdadeiro investidor” e a investida, sendo portanto inaplicável os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Pois bem, quanto a este argumento devese ter em conta que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram originalmente criados com a finalidade de incentivo à aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares, no âmbito do chamado Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 9.491/97). E uma vez que pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras têm direito a adquirir até 100% das ações ou quotas da empresa nacional objeto de desestatização (vide art. 12 da referida Lei nº 9.491/97), é de se perguntar: como poderia um investidor estrangeiro se beneficiar dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 senão por meio da constituição e capitalização de uma pessoa jurídica nacional que fizesse o investimento na empresa objeto da desestatização? Esse foi, de fato, o caminho adotado pelos investidores estrangeiros (vide também caso Celpe, Acórdão nº 120100.689). Ocorre que, de acordo com a teoria da "empresa veículo", ora sob exame, nem assim os investidores estrangeiros poderiam se beneficiar dos disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois a pessoa jurídica nacional por eles constituída e capitalizada não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Na mesma situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estaria, por exemplo, um grupo de pessoas físicas nacionais que desejasse adquirir as ações ou quotas de uma empresa objeto de desestatização. Se fizessem o investimento diretamente, as pessoas físicas não Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.040 11 poderiam se beneficiar das referidas normas (por óbvio, pessoa física não incorpora nem é incorporada por pessoa jurídica). A solução seria, novamente, a constituição e capitalização de uma pessoa jurídica justamente para que esta fizesse o investimento. Entretanto, de acordo com a aludida teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo grupo de pessoas físicas poderia se beneficiar do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Também em idêntica situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estariam as pessoas jurídicas nacionais que em razão de vedação contida em norma legal ou infralegal estejam impedidas de exercer atividades econômicas diversas daquelas previstas naquelas normas. Seria o caso, por exemplo, de um banco comercial adquirir as ações ou quotas de uma concessionária de energia elétrica. Tal aquisição é possível, desde que autorizada pelo Banco Central. O que não é juridicamente possível é a absorção do patrimônio da concessionária pelo banco comercial (ou viceversa) uma vez que o Banco Central proíbe que os bancos comercias exerçam atividades distintas daquelas previstas em Regulamento. A solução, mais uma vez, seria o banco comercial constituir e capitalizar uma pessoa jurídica a fim de que esta adquira as ações ou quotas da empresa objeto de desestatização. Ocorre que, segundo a mencionada teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo banco comercial poderia se beneficiar do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor". Os exemplos acima, que a outros poderiam se somar, demonstram que a propalada teoria da "empresa veículo" aplicada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ensejaria uma interpretação restritiva dessas normas no tocante à idéia de "verdadeiro investidor". Todavia, a interpretação restritiva, tal como as demais espécies interpretativas, não é fruto da vontade do intérprete. Ao contrário, deve ser juridicamente fundamentada. No caso dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 tal interpretação restritiva reduziria significativamente as hipóteses de aproveitamento fiscal da amortização do ágio ali prevista, algo que vai de encontro (e não ao encontro) à finalidade do Programa Nacional de Desestatização, o qual, como dito antes, incentiva a aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares. Em outras palavras, a teoria da "empresa veículo" defendida por alguns é frontalmente contrária à finalidade para à qual foram criados os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, daí porque não pode ser acolhida. Por tais razões, entendo que o ágio gerado no presente caso o foi de forma legítima. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.041 12 Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto o I. conselheiro, peço vênia para discordar em relação ao mérito, na matéria relativa a despesa de amortização de ágio. Para a devida apreciação, propõese, inicialmente, discorrer sobre uma análise histórica e sistêmica sobre o tema, para depois tratar do caso concreto. 1. Conceito e Contexto Histórico Podese entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros). Tratandose de investimento decorrente de uma participação societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial. O investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica, que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações da empresa B, avaliadas patrimonialmente em 60 unidades. A empresa C adquire, junto à empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. A empresa C é a investidora e a empresa B é a investida. Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio. Adotandose os padrões da ciência contábil, apesar das ações estarem avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, deveriam ainda ser objeto de majoração, ao ser considerar, primeiro, se o valor de mercado dos ativos tangíveis seria superior ao contabilizado. Assim, supondose que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades, o valor de mercado seria de 70 unidades, considerase para fins de apuração 70 unidades. Segundo, caso se constate a presença de ativos intangíveis sem reconhecimento contábil no valor de 12 unidades, temse, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre o valor pago (100 unidades) e o valor de mercado mais intangíveis (60 + 10 + 12 = 82 unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades. Ocorre que o legislador, ao editar o DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários. Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.042 13 Isso porque positivou no art. 20 do mencionado decretolei que o denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados: (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido e/ou (3) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, autorizaram a amortização do ágio nos casos (1) e (2), mediante atendimento de determinadas condições. Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos fundamentos econômicos, consolidouse a prática de se adotar, em praticamente todas as operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no caso (2): expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. O ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento. Assim, voltando ao exemplo, a empresa C, investidora, ao adquirir ações da empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades, poderia justificar o sobrepreço de 40 unidades integralmente com base no fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Na realidade, a legislação tributária ampliou o conceito do goodwill. E como darseia o aproveitamento do ágio? Em duas situações. Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao alienar a empresa B para uma outra pessoa jurídica. Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades. Isso porque, ao patrimônio líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades, perfazendo 50 unidades. Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação, fusão ou cisão), de modo em que passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia passar a ser amortizado, para fins fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar. Naturalmente, no Brasil, em relação ao ágio, a contabilidade empresarial pautouse pelas diretrizes da contabilidade fiscal, até a edição da Lei nº 11.638, de 2007. O novo diploma norteouse pela busca de uma adequação aos padrões internacionais para a contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre a forma e a orientação por princípios sobrepondose a um conjunto de regras detalhadas baseadas em aspectos de ordem escritural 1. Nesse contexto, houve um realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do conceito do goodwill. Em síntese, ágio contábil passa (melhor dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial justo dos ativos (patrimônio líquido ajustado pelo valor justo dos ativos e passivos). 1 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável às demais sociedades), 1ª ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31. Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.043 14 E recentemente, por meio da Lei nº 12.973, de 13/05/2014, o legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídicotributário do ágio com o conceito contábil da Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de análise do presente voto. Enfim, resta evidente que o conceito do ágio tratado para o caso concreto, disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, alinhase a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária. Tratase, portanto, de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. 2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses Apesar de já ter sido apreciado singelamente no tópico anterior, o destino que pode ser dado ao ágio contabilizado pela empresa investidora merece uma análise mais detalhada. Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço. Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). Podese dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente, com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida No primeiro evento, tratase de situação no qual a investidora aliena o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, arts. 391 e 426 do RIR/99: Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.044 15 Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (...) Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei) Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação. 4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida Já o segundo evento aplicase quando a investidora e a investida transformaremse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O ágio pode se tornar uma despesa de amortização, desde que preenchidos os requisitos da legislação e no contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e a investida. Contudo, sobre o assunto, há evolução legislativa que merece ser apresentada. Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.045 16 computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão 2. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. 2 Ver Acórdão nº 1101000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa., p. 15. Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.046 17 E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 1997 3, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI4 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. 3 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.047 18 Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista 5 que trabalhou na edição da MP 1.602, de 1997: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização. E qual foram as novidades trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997? Primeiro, há que se contextualizar a disciplina do método de equivalência patrimonial (MEP). Isso porque o ágio aplicase apenas em investimentos sociedades coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas. 5 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18024, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.048 19 As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora. Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) Resta nítida a separação dos patrimônios entre investidora e investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A investida, pessoa jurídica independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido em razão de resultados positivos, por meio do MEP há uma repercussão na contabilidade da investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é excluída na apuração do Lucro Real. Com certeza, não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.049 20 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (grifei) Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, conforme já dito, por ser a motivação adotada pela quase totalidade das empresas, todos os holofotes dirigemse ao fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do RIR/99. E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.050 21 segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(...) (grifei) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. 5. Amortização. Despesa. Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.051 22 § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99 6. Percebese que a despesa de amortização de ágio constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. 6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. 6 Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.052 23 Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especialmente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias ou meses, serem objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. A pessoa jurídica recebe tratamento diferenciado no sistema de tributação (com diferentes opções para apurar seus resultados) porque, essencialmente, tem um efeito multiplicador para a sociedade. A pessoa jurídica emprega pessoas, contrata fornecedores, movimenta a economia, multiplica os agentes de produção, e por isso dispõe de bases de cálculo e alíquotas diferentes das aplicadas para a pessoa física. Ora, as pessoas jurídicas devem fabricar produtos, e não despesas fictícias. Admitindose uma construção artificial do suporte fático, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes. 7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização. Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação. Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para o debate: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.053 24 por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) (grifei) Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 7. 7 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.054 25 Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.055 26 Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre o real investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI8, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente 8 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.056 27 do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveita se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Registrese que a consumação do aspecto temporal não se confunde com o termo inicial do prazo decadencial. Isso porque, partindose da construção da norma conforme operação no qual "Se A é, B deveser", onde a primeira parte é o antecedente, e a segunda é o consequente, a consumação da hipótese de incidência localizase no antecedente. Ou seja, "Se A é", indica que a hipótese de incidência, no caso concreto, mediante aperfeiçoamento dos aspectos pessoal, material e temporal, concretizouse em sua plenitude. Assim, passase para a etapa seguinte, o consequente ("B deveser"), no qual se aplica o regime de tributação a que encontra submetido o contribuinte (lucro real trimestral ou anual), efetuase o lançamento fiscal com base na repercussão que as glosas despesas de ágio indevidamente amortizadas tiveram na apuração da base de cálculo, e, por consequência, determinase o termo inicial para contagem do prazo decadencial. 8. Consolidação Considerandose tudo o que já foi escrito, entendo que a cognição para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontramse atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado. A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente neste momento, situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço? Respondo: a investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuado aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Podese dizer que, de acordo com as regras contábeis, em decorrência de reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.057 28 Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Isso porque se trata de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). Mostrase insustentável, portanto, ignorar todo um contexto histórico e sistêmico da norma permissiva de aproveitamento do ágio, despesa operacional, para que se autorize "pinçar" os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, promover uma interpretação isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos construídos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária. Caso superada a primeira verificação, cabe prosseguir com a segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja, se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do Decreto Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. Enfim, referese a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes, distante de situações que possam indicar ocorrência de negociações eivadas de ilicitude, que poderiam guardar repercussão, inclusive, na esfera penal, como nos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. 9. Sobre o Caso Concreto Feitas as considerações, passo a analisar o caso concreto. Tratase de operação envolvendo a aquisição do investimento LISTEL, por parte da AVERDIN, controlada pela BELLSOUTH (sede no exterior), com sobrepreço (ágio). Os fatos sob apreciação, em breve síntese, são os seguintes: A BELLSOUTH é controladora direta da AVERDIN; Em 17/03/1999 é constituída a MKV, com capital social de R$100,00; Em 14/05/1999 é constituída a APENINA, com capital social de R$100,00; Em 01/06/1999, a AVERDIN aumentou o capital social da MKV e da APENINA, passando a ser controladora das empresas. O capital social da MKV foi aumentado para R$96.778.950,00, e o capital social da APENINA é aumentado para R$100.204.750,00; Em 01/06/1999, com os recursos decorrentes do aporte financeiro promovido pela AVERDIN, a MKV e a APENINA fizeram a aquisição da LISTEL, com Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.058 29 sobrepreço, tendo sido apresentado laudo datado de 28/08/2000 para justificar o ágio na aquisição com base na rentabilidade futura do investimento; Em 31/07/2000 a LISTEL incorporou a empresa MKV; Em 31/12/2003 a LISTEL incorporou a APENINA. A partir de 2004, passa a LISTEL passa a amortizar a despesa de ágio. São os fatos. Diante de todo o escrito no presente voto, a operação em análise não passa pela primeira verificação (vide item 8 do voto). Quanto ao aspecto pessoal, cabe verificar quem é efetivamente a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida. A pessoa jurídica investidora é o AVERDIN, que efetuou o aporte de recursos para aquisição do investimento LISTEL com pagamento de sobrepreço, por ter sido realizado em valor superior ao do patrimônio líquido. É incontestável que foi a AVERDIN a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e desembolsou os recursos para a aquisição (vide item 7 do voto). Por sua vez, a pessoa jurídica investida foi a empresa LISTEL. Ocorre que os eventos de incorporação deramse entre a MKV e LISTEL e a APENINA e a LISTEL, ou seja, sem a presença da real investidora, o AVERDIN. O fato de as empresas MKV e APENINA terem recebido o aporte de recursos do investidor AVERDIN não lhe conferem, na acepção do dispositivo normativo em análise, em nenhum momento, a condição de investidora. Nesse sentido, o aproveitamento da despesa de amortização de ágio promovido pela Contribuinte deuse sem respaldo legal, vez que não se consumou a hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8·da Lei nº 9.532, de 1997. Por si só, tal aspecto já se mostra suficiente para restabelecer a glosa de despesa de amortização do ágio. De qualquer forma, merece registro a efemeridade e a artificialidade das empresas MKV e APENINA, que foram criadas com capital social de R$100,00, em 17/03/1999 e 14/05/1999, respectivamente. Ambas receberam aporte financeiro da AVERDIN em brevíssimo espaço de tempo, em 01/06/1999, e, na mesma data, promoveram a aquisição do investimento LISTEL. E, como já dito, posteriormente, a LISTEL incorporou tanto a MKV quanto a APENINA. Não restam dúvidas sobre utilização de empresas de papel (MKV e APENINA), com capital social ínfimo e sem quadro de funcionários necessário para promover um adequado funcionamento operacional, para consumar o aproveitamento de uma despesa fictícia. Empresa efêmera e sem nenhuma substância econômica. Há um completo desvirtuamento do instituto de pessoa jurídica, que foi criada apenas para fabricar uma Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.059 30 despesa. Ora, empresas não se prestam a fabricar despesas, mas sim a fabricar produtos, gerar empregos, prestar serviços, mediante consecução de atividades reais. Constatase, com nitidez, a construção artificial do suporte fático, para que se pudesse amoldar à hipótese de incidência de despesa de amortização do ágio (item 6 do voto). É incontroversa a utilização de empresas sem nenhuma substância, MKV e APENINA, com o deliberado intuito de fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3059DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.722798/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3302-005.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário interposto por Marco Aurélio Chionha e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento; em conhecer, parcialmente, dos recursos voluntários interpostos por Thiago Adorno e Marcos Rosendo e, na parte conhecida, em dar-lhes provimento; e em dar provimento aos recursos voluntários interpostos por Wilson Ignácio de Oliveira e Efrain Barcelos Gonçalves. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões, afastando a tese restritiva sobre a necessidade de o sujeito passivo solidário ter relação direta com o fato gerador da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: Walker Araujo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário interposto por Marco Aurélio Chionha e, na parte conhecida, em negarlhe provimento; em conhecer, parcialmente, dos recursos voluntários interpostos por Thiago Adorno e Marcos Rosendo e, na parte conhecida, em darlhes provimento; e em dar provimento aos recursos voluntários interpostos por Wilson Ignácio de Oliveira e Efrain Barcelos Gonçalves. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões, afastando a tese restritiva sobre a necessidade de o sujeito passivo solidário ter relação direta com o fato gerador da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 27 98 /2 01 2- 49 Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.847 2 Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 1.4731.491: A contribuinte acima identificada, teve contra si lavrado o auto de infração relativo à Cofins (AI e demonstrativos às fls. 2 a 35) em decorrência de insuficiência de recolhimento e declaração da referida contribuição incidente sobre valores contabilizados, relativos à aquisição de álcool de produtores e venda desse produto a terceiros. O lançamento resultou em R$ 531.943,25 de contribuição, R$ 398.957,47 de multa proporcional de ofício (75%) e R$ 85.367,08 de juros de mora calculados até junho de 2012. Foi também lavrado o auto de infração relativo à contribuição para o PIS/Pasep (fls. 36 a 68), sob o mesmo fundamento. O total do crédito tributário lançado e objeto deste processo é de R$ 1.237.404,95, incluídos os juros moratórios e as multas (fl. 2). Os valores individuais estão discriminados em cada auto de infração. A ciência da contribuinte, relativamente aos autos de infração, ocorreu, por via postal, em 19 de junho de 2012 (AR à fl. 273). Foram emitidos, também, Termos de Sujeição Passiva Solidária, juntados às fls. 638 a 653 dos autos do processo nº 10183.722797/201202, aos quais estes estão apensados, relativamente aos senhores: a) Marcos Rosendo da Silva; b) Maria Thereza Adorno Silva; c) Thiago Adorno Silva; d) Thadeu Adorno Silva; e) Ailto Alves de Lima Júnior; f) Marco Aurélio Chionha; g) Efrain Barcelos Gonçalves; e h) Wilson Ignácio de Oliveira. A ciência quanto a cada um desses termos ocorreu, respectivamente, em: a) 21 de junho de 2012 (AR à fl. 277); b) 20 de junho de 2012 (AR à fl. 278); c) 25 de junho de 2012 (AR a fl. 280); Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.848 3 d) 19 de junho de 2012 (AR à fl. 279); e) 23 de junho de 2012 (Histórico ECT à fl. 274); f) 23 de junho de 2012 (Histórico ECT à fl. 276); g) 21 de junho de 2012 (AR à fl. 275) e h) 22 de junho de 2012 (Histórico ECT à f. 281). Em 18 de julho de 2012 foi protocolado o documento de fls. 1.144 a 1.178, no qual é aduzido, em apertada síntese, que: a) o auto de infração é nulo pela imprecisão da base de cálculo; a.1) as informações de volume comercializado não podem ser consideradas como base de cálculo do tributo; a.2) o arbitramento só é possível mediante processo regular e, havendo contestação, desde que seja assegurada a avaliação contraditória, administrativa ou judicial; b) foram infringidos os princípios da ampla defesa e todos os seus desdobramentos, assim como o da verdade material e do devido processo legal; c) o que houve foram atos de elisão e não de evasão tributária; d) não pode haver lançamento tributário com base em presunções; e) no caso de arbitramento, deve ser observada a avaliação contraditória; f) houve cobrança em duplicidade, uma vez ter ocorrido o arbitramento de forma globalizada de toda a movimentação de créditos bancários, com o lançamento inclusive das contribuições (Cofins e PIS/Pasep) nos autos do processo nº 10183.722797/201202, devendo haver a dedução dos valores lançados neste processo daqueles constantes naquele sob pena de ser caracterizado o bis in idem; g) a multa a ser aplicada é a moratória, no percentual de 20%; h) a multa punitiva de 75% tem caráter confiscatório; i) houve contrato particular entre o senhor Carlos Sussumu Hasegawa que era detentor dos direitos sobre as cotas societárias havendo transferência diretamente para os atuais sócios Almir Pereira de Melo e Edson Carlos Ferreira dos Santos; j) não há responsabilidade dos senhores Wilson Ignácio de Oliveira, Sérgio Davi Bentlin e Alisson de Souza Santos, que são meros funcionários, sem poderes de gestão e administração e os demais são agentes e distribuidores, que igualmente não detêm tais poderes. Ao final é requerida a declaração de nulidade do auto de infração e o afastamento da multa confiscatória, com a aplicação da multa moratória de 20%. Também em 18 de julho de 2012 foram protocolados os documentos de fls. 290 a 1.142, relativamente aos impugnantes sujeitos passivos solidários Maria Thereza Adorno Silva, Thadeu Adorno Silva, Thiago Adorno Silva e Marcos Rosendo da Silva,, todos os documentos com o mesmo teor, nos quais foi alegado, resumidamente, que: Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.849 4 a) a venda da autuada Eldorado Combustível Ltda. foi efetuada legalmente em dezembro de 2008 ao senhor Carlos Sussumu Hasegawa, conforme cópia de instrumento anexo; b) segundo consta nesse instrumento, a posse seria assumida pelo senhor Carlos Sussumu “apenas após a assinatura da alteração do contrato social transferindo as quotas do capital social da empresa ao COMPRADOR, ou a quem indicar, que se dará no dia seguinte ao término do pagamento total deste contrato”, o que ocorreu somente em setembro de 2009; c) todos os órgãos públicos foram cientificados da transferência e, nessa data, a empresa autuada não possuía nenhum débito junto aos fiscos federal, estadual ou municipal; d) a responsabilidade dos impugnantes cessou em 13 de outubro de 2009; e) não há nenhuma norma jurídica que indique a responsabilização dos ex sócios por atos praticados após a saída deles do quadro societário da empresa; f) as pessoas jurídicas têm existência distinta de seus membros, nos termos do art. 20 do Código Civil; g) para que haja a responsabilização há a necessidade de que tenha havido abuso de poder ou excesso de mandato, o que não ocorreu; h) os fatos anteriores a 13 de outubro de 2009 foram colhidos pela decadência, nos termos do art. 1.003 do Código Civil. Por fim é requerida a anulação do auto de infração em relação aos impugnantes. Foi juntada às fls. 1.196 a 1.230 a impugnação protocolada por Marco Aurélio Chionha em 20 de julho de 2012, firmada por procurador (instrumento de mandato à fl. 1.231), em que é alegado, em resumo, que: a) “foi mero mandatário da empresa autuada, com quem manteve vínculos de representação comercial, mediante contrato expresso firmado e, em detrimento das atividades e representação a serem exercidas, foilhe outorgado procuração 'padronizada' por instrumento público, sendo limitada aos interesses de seus mandantes que, conferida em 06.11.2009, foi revogada em 20.06.2011, face à rescisão do seu contrato de serviços, em decorrência do 'cancelamento' da inscrição de contribuinte paulista, conferido à filial a que estava vinculado”; b) a autuada contratou a empresa PETRUS ÁLCOOL, de propriedade do impugnante, para agenciar venda e distribuição de etanol; c) toda a escrituração fiscal e contábil era efetuada no estabelecimento matriz da autuada em Várzea Grande – MT, inclusive no que tange à apuração e pagamento de tributos devidos pela filial de Paulínia; d) “o Defendente agenciava compra do produto etanol carburante, adquiridos pela contribuinte em usinas produtoras paulistas, gerindo os pagamentos e adimplementos destes contratos, realizando a distribuição ao mercado varejista e geria o recebimento dos haveres resultantes; encaminhando TODA DOCUMENTAÇÃO FISCAL à contribuinte que firmava a escrituração fiscal e gerenciava o pagamento dos tributários incidentes”; Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.850 5 e) para que pudesse haver a responsabilidade tributária, os atos praticados teriam de ocorrer com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos; f) “um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário”; g) “no entanto, não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tenha condições de pagar o débito apontado no auto de infração, inexistindo, portanto, demonstração de que os fatos correspondem ao descrito no artigo 135 do CTN e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador ou do procurador”; h) “mesmo portando procuração firmada por instrumento público padronizado, cuja finalidade era meramente para prática de atos administrativos e, principalmente, movimentação bancária, todos eram realizados em nome de terceiros e não em nome próprio, resguardando os interesses dos representados”; i) “é inaceitável que o Defendente. em nome próprio, responda por atos que tenha praticado em nome de terceiros, quiçá no presente caso em que sequer praticou os atos narrados como ilícitos e antijurídicos, estes praticados somente e diretamente pela mandante e seus sócios”; j) “no presente caso, não ocorreu alteração do quadro societário da contribuinte, mantendose incólume os sócios administradores e mandantes da procuração outorgada que, em primeira instância, são suscetíveis de responsabilização subsidiária, preferencialmente ao mandatário, ora Defendente”; k) é “utópico acreditar que poderia ser sócio da contribuinte, pois além de não deter as condições legais exigidas (mesmo as mínimas), está muito longe de deter capacidade financeira necessária. O Defendente detém apenas conhecimento solidificado na representação comercial em agência e distribuição de etanol carburante, pela larga experiência e carteira de clientes vinculados”; l) o auto de infração é nulo, por basearse em suposições, ou seja, valores depositados e creditados em conta bancária; m) os créditos bancários não se constituem em aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda; n) o fisco deve buscar a verdade material; o) não pode haver arbitramento sem o contraditório e a ampla defesa; p) as bases de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são insubsistentes, uma vez terem sido aferidas a partir de informações da ANP, sem contudo ser verificado o preço praticado nas vendas; q) houve cobrança em duplicidade, sendo que “os valores apontados nestes autos devem ser deduzidos dos valores pretendidos no processo n° 10183.722.797/201202, sob pena de cobrança em duplicidade ‘bis idem’” r) a multa a ser aplicada deve ser a moratória e não a de ofício, já que a apuração dos tributos Cofins e contribuição para o PIS/Pasep foi efetuada nos livros contábeis e fiscais; s) a multa aplicada tem caráter confiscatório. Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.851 6 Finalmente é requerido o afastamento do impugnante do pólo passivo e a declaração de nulidade do auto de infração. Na pior das hipóteses, que a multa seja reduzida ao percentual de 20%. As razões da impugnação do senhor Efrain Barcelos Gonçalves, em síntese, são as seguintes: a) nulidade dos lançamentos por não terem sido disponibilizados os documentos em que se basearam os autos de infração, tendo havido inclusive comparecimento pessoal do impugnante à DRF Cuiabá, o que restou improfícuo em face da falta da devida autuação processual, conforme documentos inclusos; b) o auditor autuante era incompetente para imputar responsabilidade a pessoa física com domicílio fiscal fora da sua área de atuação, tendo ocorrido flagrante cerceamento do direito de defesa; c) o impugnante foi incluído como sujeito passivo solidário das obrigações tributárias diante de meras conjecturas hipotéticas aventadas pelo autuante; d) não há prova de nenhum ato ou negócio irregular praticado pelo impugnante atuando como mandatário da contribuinte; e) não é aplicável ao caso o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Requerse, ao final, a declaração de nulidade dos lançamentos ou, caso isso ao ocorra, seja declarada a improcedência da inclusão do impugnante como responsável solidário. Às fls. 1.301 a 1.316 consta impugnação de Wilson Ignácio de Oliveira, representado por procurador (instrumento às fls. 1.319 a 1.320). Não há dados relativos à data de protocolo. Nela foi aduzido, em síntese, que: a) as planilhas relativas aos depósitos bancários que deram origem ao lançamento não foram disponibilizadas; b) o patrono diligenciou junto à DRF/Cuiabá, contudo não obteve êxito em obter os documentos acima referidos; c) o processo se encontrava no estado de Mato Grosso e o impugnante é residente em Guarulhos –SP, fato que dificulta o acesso e macula o processo; d) o auditor autuante era incompetente para imputar responsabilidade a pessoa física não residente em sua “jurisdição”, tendo ocorrido flagrante cerceamento do direito de defesa; e) “o Fisco pautouse em meras conjecturas hipotéticas para incluir do Defendente como suposto responsável solidário para obrigação tributária pretensamente descumprida pela empresa autuada, o que é inadmissível na hipótese vertente”; f) “o Defendente figura no polo passivo da autuação como responsável solidário simplesmente por ter sido procurador da empresa, eis que o Fisco não carreou aos autos (ou se carreou não entregou à defesa) qualquer prova, sequer indício que pudesse vincular a pessoa do Defendente a qualquer um dos supostos atos ou negócios jurídicos irregulares que ele (Fisco) alega terem sido praticados por interposta pessoa, por meio de simulação”; Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.852 7 g) o caso não se enquadra no art. 124, I, nos artigos 129 e seguintes, no art. 134, nem no art. 135 do Código Tributário Nacional; h) “tendo em vista que inexiste qualquer prova de que o Defendente tenha participado de qualquer ato ou omitido qualquer circunstância que esteja atrelado à ocorrência dos fatos geradores objeto do lançamento de oficio contra empresa ELDORADO COMBUSTÍVEIS LTDA., não há como o mesmo rebater as questões de mérito elencadas pelo Fisco como elementos que pretensamente caracterizaram o descumprimento de obrigação tributária pela empresa autuada”. Ao final é requerida a decretação de nulidade do trabalho fiscal ou, alternativamente, a exclusão do impugnante como responsável solidário pelas autuações lavradas contra a Eldorado Combustíveis Ltda. e, ainda, que as intimações sejam também efetuadas pessoalmente ao patrono do impugnante. Muito embora não conste neste processo, em 20 de julho de 2012 foi protocolada a impugnação de Ailto Alves de Lima Júnior que foi juntada às fls. 1.452 a 1.499 do processo nº 10183.722797/201202, tendo como signatários os mandatários relacionados no instrumento juntado às fls. 1.500 e 1.501 daqueles mesmos autos, sendo alegado o seguinte: a) o impugnante não recebeu qualquer intimação ou notificação a respeito do MPF, de forma a poder esclarecer alguma dúvida ou até mesmo exercer seu direito de defesa durante a fiscalização, sendo nulo portanto a sua inclusão no pólo passivo; b) foram violados os princípios da legalidade, finalidade, motivação, publicidade, devido processo legal e ampla defesa; c) “no caso do ora IMPUGNANTE, não há nenhuma descrição clara e objetiva do fato ou ato que denote vinculação com as infrações indicadas, tampouco justificativa para a atribuirlhe a condição de responsável solidário pelo suposto crédito tributário”; d) não há a descrição adequada da conduta que levou à aplicação das multas, sobretudo aquela no percentual de 150%; e) as multas aplicadas têm caráter confiscatório; f) “a ausência de descrição dos fatos assim como a absoluta ausência de prova direta contra o IMPUGNANTE, tal como um documento, confissão ou perícia, leva necessária e obrigatoriamente À NULIDADE do auto de infração”; g) “o AFRFB não demonstrou e tampouco provou qual o interesse comum que poderia atribuir vínculo entre o IMPUGNANTE e situações que constituíssem fatos geradores das obrigações tributárias da empresa autuada”; h) os “fatos e documentos deixam de forma absolutamente inequívoca o ‘erro’ em arrolar o IMPUGNANTE no rol de responsável solidário por um suposto ‘poder’, lembrando que era apenas para movimentar uma conta bancária da empresa ELDORADO, a qual, acrescentese, NUNCA TEVE NENHUMA RELAÇÃO COM O IMPUGNANTE”; i) “O IMPUGNANTE FOI UM MERO PRESTADOR DE SERVIÇOS que recebeu poderes através de uma procuração para efetuar pagamentos através de uma única conta bancária”; Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.853 8 j) “verificase que não é a simples constatação de infrações tributárias e a simples atuação do mandatário no exercício de poderes outorgados pelo mandante que se justifica a atribuição da responsabilidade solidária, sendo obrigatório à Autoridade Fiscal constatar e relatar os fatos e condutas que denotem dolo específico na prática de infrações tributárias”; k) “não há que se falar em responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário, eis que inexiste qualquer fundamento ou comprovação de que houve fraude tributáría ou sonegação fiscal”. Ao final é requerida a decretação de improcedência da autuação e, ainda, que as intimações sejam também efetuadas em nome do advogado. Houve diligência, conforme termo juntado às fls. 4.263 e 4.264 dos autos do processo nº 10183.722797/201202, para que os atuais sócios e o senhor Carlos Sussumu Hasegawa fossem incluídos no polo passivo da obrigação como responsáveis tributários, bem como para que o senhor Wilson Ignácio de Oliveira tivesse vista dos processos e pudesse complementar sua impugnação. Os termos constam às fls. 4.266 a 4.271 e 4.306 daqueles autos. A síntese do resultado da diligência efetuada (fls. 4.288 a 4.290 dos mesmos autos) indica que todos foram devidamente intimados mas que apenas o senhor Carlos Sussumu Hasegawa manifestouse conforme documento de fls. 4.272 a 4.285 (autos do processo nº 10183.722797/201202). Neste, foi aduzido, em síntese que: a) embora tenha sido detentor dos direitos sobre as cotas societárias da contribuinte, não chegou a transferilas para o seu nome, transferindo seus direitos diretamente aos atuais sócios; b) mesmo que se sócio tivesse sido, não houve conduta dolosa com a intenção de praticar atos com excesso de poderes; c) o fisco não logrou comprovar a irregular dissolução da sociedade ou que qualquer sócio ou procurador incorreu nas transgressões previstas no art. 135, incisos II e III, do CTN; d) a multa de 150% tem caráter confiscatório. Em 18 de junho de 2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminares arguidas pelas partes e, no mérito, julgou improcedentes as impugnações, para manter o crédito tributário e a sujeição passiva solidária, nos termos da ementa abaixo: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO. IMPRECISÃO. NULIDADE. Estando a matéria tributável baseada em informações fornecidas pelo próprio contribuinte e não tendo havido arbitramento ou presunção, não há que se falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedada aos órgãos julgadores administrativos a análise de alegações de inconstitucionalidade de normas, cabendo o fiel cumprimento daquelas em vigor. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.854 9 COBRANÇA EM DUPLICIDADE. ARBITRAMENTO. Créditos bancários cuja origem não for comprovada caracterizamse como omissão de receitas, não incluídas dentre aqueles valores já contabilizados. MULTA DE OFÍCIO. No caso de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de mesma natureza, no percentual de 75%, prevista expressa e especificamente pela legislação tributária. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Aplicamse ao lançamento do PIS/Pasep os mesmos argumentos esposados para a Cofins, em face da similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. INTIMAÇÕES. REMESSA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE OU DO RESPONSÁVEL. Não há previsão legal para a remessa de intimações ao patrono do contribuinte ou do responsável. A ciência dos contribuintes sobre a decisão recorrida ocorreu nas seguintes datas: Wilson Ignácio de Oliveira, 24.07.2013 (fls.1523); Thiago Adorno Silva, 24.07.2013 (fls.1524); Ailton Alves de Lima Júnior, 24.07.2013 (fls.1525); Marcos Rosendo da Silva, 24.07.2013 (fls.1526); Carlos Sussumu Hassegawa, 24.07. 2013 (fls.1527); Efrain Barcelos Gonçalves, 25.07.2013 (fls.1522); Maria Thereza Adorno Silva e Almir Pereira de Melo, 22.10.2013 (fls.1528); Eldorado Combustíveis e Thadeu Adorno Silva, 22.10.2013 (fls.1529); Edson Carlos Ferreira dos Santos, 08.11.2013 (fls. 1530); e Marco Aurélio Chionha, 08.11.2013, (fls.1531). Não se conformando com a decisão, os Recorrentes protocolaram recurso voluntário nas seguintes datas: Wilson Ignácio de Oliveira, 21.08.2013 (fls.15331545); Thiago Adorno Silva, 23.08.2013 (fls.16001635); Marcos Rosendo da Silva, 22.08.2013 (fls.15601596); Efrain Barcelos Gonçalves, 26.08.2013 (fls.16631675); e Marco Aurélio Chionha, 27.03.2015, (fls.17491779); reproduzindo, em síntese, as alegações de mérito apresentadas em sede de impugnação. Em 13.12.2013 (fls.1697) foi proferido despacho informando que "...apenas os solidários Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno da Silva e Efrain Barcelos Gonçalves apresentaram Recurso Voluntário, nos quais, além do Termo de Sujeição Passiva Solidária, impugnam o Auto de Infração em si". Já em 18 de janeiro de 2016, foi proferido voto declinando a competência em favor da 3ª Seção, pelos motivos e fundamentos explicitados na decisão carreada às fls.1824 1826. É o relatório. Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.855 10 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Os Recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira, Thiago Adorno Silva, Marcos Rosendo da Silva, foram intimados da decisão de piso em 24.07.2013 e, Efrain Barcelos Gonçalves foi intimado da decisão de piso em 25.07.2013, protocolaram Recurso Voluntário em 21.08.2013, 23.08.2013, 22.08.2013, 26.08.2013, respectivamente, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. O Recorrente Marco Aurélio Chionha foi intimado em 08.11.2013 e, protocolou Recurso Voluntário em 27.03.2015, fora do prazo previsto no dispositivo anteriormente, sendo que a questão envolvendo a tempestividade do referido recurso será analisada posteriormente. Já em relação aos demais contribuintes que, devidamente intimados, não apresentaram recurso voluntário, tornase definitiva a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I, do artigo 42, do Decreto nº 70235/72. Desta forma, considerando que os recursos interpostos Wilson Ignácio de Oliveira, Thiago Adorno Silva, Marcos Rosendo da Silva e Efrain Barcelos Gonçalves preenchem os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Prejudicial de mérito II.1 A intempestividade do Recurso Voluntário interposto por Marco Aurélio Chionha O Recorrente Marco Aurélio Chionha alegou nulidade da intimação realizado por edital pelos seguintes motivos: (i) a informação "mudouse" lançada no Aviso de Recebimento e falsa, posto que à época da intimação pessoal o Recorrente residia no local, conforme comprova o contrato de locação e escritura do imóvel residencial firmado em 19.02.2014; (ii) não há no Aviso de Recebimento o nome da pessoa que prestou a informação "mudouse", constando apenas "INFORMAÇÃO PRESTA PELO PORTEIRO OU SÍNDICO; (iii) o nome errado constante no Aviso de Recebimento Marco Aurélio Cunha ao invés de Marco Aurélio Chionha motivou a indicação de "mudouse"; (iv) cita o artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 para afirmar que no caso de recusa deve constar a declaração escrita de quem o intimar; que a constituição de mandatário é permitida para receber intimação, sendo este o pedido realizado na impugnação; (v) que não houve despacho determinando a intimação por edital; e (vi) que a intimação por edital deve ser feita somente quando esgotados os outros meios legais para tanto. Em que pese os argumentos explicitados pelo Recorrente, entendo que a intimação por edital, realizada nestes autos é válido e deve surtir seus efeitos. Isto porque, o Recorrente não fez prova de que, de fato residia no imóvel, considerando que o contrato de 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.856 11 locação previa o prazo de locação entre o período de 13 de maio de 2010 a 12 de novembro de 2012. Não obstante haja cláusula contratual dispondo sobre a prorrogação por prazo indeterminado da locação, fato é que o Recorrente não comprovou ter permanecido no imóvel após o término do contratual. Neste ponto, entendo que o Recorrente deveria ter comprovado sua residência através de contas pessoais ou por meio de recibos de pagamento do aluguel. O mesmo se diga a escritura do imóvel residencial firmado em 19.02.2014 e, juntada pelo Recorrente com a finalidade de comprovar que à época dos fatos residia no endereço diligenciado pelos correios. Seguindo na análise dos argumentos suscitados pelo Recorrente, não vejo que o erro constante no Aviso de Recebimento que fez constar Marco Aurélio Cunha ao invés de Marco Aurélio Chionha tenha motivado tanto o funcionário do correio, como o porteiro do condomínio lançar no Aviso de Recebimento a informação "mudouse", posto que não se trata de um equivoco capaz de obstar a identificação do correto destinatário da correspondência. Já em relação a observância ao inciso I, do artigo 23, do Decreto 70.235/72, entendo que a obrigação de constar declaração escrita se aplica somente quando houver recusa do mandatário ou preposto, o que não é caso dos autos. Por fim, o fato de inexistir despacho determinando a citação por edital não é suficiente para declarar a nulidade da intimação. Basta, no entendimento deste relator, que os fatos e documentos carreados aos autos demonstrem os motivos que levaram a fiscalização realizar a intimação da parte por edital, fato este que se verifica com o retorno do aviso de recebimento sem a intimação do Recorrente, por mudança de endereço e, sem que o contribuinte tivesse prestado a devida informação à Receita Federal do Brasil, justificando, assim, o procedimento adotado pela fiscalização de intimar a parte por edital. Assim, considerando o Recorrente Marco Aurélio Chionha foi intimado em 08.11.2013 e, protocolou Recurso Voluntário em 27.03.2015, fora do prazo previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72, entendo que a declaração de intempestividade é medida que se impõe ao presente caso. II.2 Decadência Os Recorrentes Thiago Adorno e Marcos Rosendo da Silva pleitearam a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 1.003 do Código Civil, que assim disciplica: Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade. Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. Referido dispositivo não é aplicável em matéria tributário, razão pela qual, deixo de acolher o pedido dos Recorrentes. II.3 Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.857 12 Neste tópico os Recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira e Efrain Barcelos Gonçalves arguiram nulidade do Termo de Sujeição Passiva por infringência ao artigo 10, do Decreto nº 70.235/72, considerando que não constou o prazo para Recorrer do lançamento ou opção de pagar ou parcelar a com redução de multa. Ao contrário do que argumentaram os Recorrentes, a ausência das referidas informações no Termos de Sujeição Passiva não acarreta nulidade no lançamento fiscal, posto que tais informações devem constar do Auto de Infração que foi entregue aos contribuintes, juntamente com Termo de Sujeição Passivo. Desta forma, estando o Auto de Infração devidamente lavrado, fica afastada as alegações dos Recorrentes. II.4 Nulidade pela falta de entrega de documentos Os Recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira e Efrain Barcelos Gonçalves alegam que houve cerceamento de defesa pelo fato da fiscalização não ter fornecido diversos documentos, privandoos de uma análise detalhada para contestar corretamente o lançamento fiscal. Sem razão aos Recorrentes. Os Recorrentes foram devidamente intimados do Auto de Infração e tiveram acesso à todos os documentos carreados autos, tanto é, que apresentaram defesa e contestaram o lançamento fiscal. Deste modo, deixo de acolher a pretensão dos Recorrentes. II.5 Da competência da autoridade fiscal Aqui os Recorrentes argumentam que o auditor autuante era incompetente para imputar responsabilidade a pessoa física com domicílio fiscal fora da sua área de atuação, tendo ocorrido flagrante cerceamento do direito de defesa. Cita artigos do Decreto nº 3.009/99 e do Decreto 5.844/43 para embasar seu pedido. Inicialmente, referidos decretos disciplinam matéria do Imposto de Renda e, não se confundem com as contribuições tratadas nestes processo. No mais, o fato do auditor fiscal ser de jurisdição diferente da jurisdição dos Recorrentes não acarreta cerceamento de defesa, considerando que o acesso ao processo, protocolo de defesas e recursos, pode ser realizada em qualquer Receita Federal do Brasil. Deste modo, afastase o argumento suscitado pelos Recorrentes. III Do Mérito. III. 1 Multa de 150% Os Recorrentes Thiago Adorno e Marcos Rosendo pedem o afastamento da multa de 150%, nos termos do parágrafo único do artigo 134, do CTN. Entretanto, a aplicação de multa de 150% é matéria estranha ao processo, posto que a multa aplicada aos autos é de 75%. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.858 13 Neste termos, deixo de conhecer dos argumentos explicitados pelos Recorrentes. III.2 Confisco Relativo a multas de ofício Pelos mesmos motivos, deixo de conhecer das alegações dos Recorrentes Thiago Adorno e Marcos Rosendo III.3 Da Sujeição Passiva Das Hipóteses de Responsabilização do artigo 124 do CTN Quanto a responsabilidade solidária das pessoas físicas, suscitadas pelos Recorrentes, adoto a razões de decidir do i. Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, nos autos do Processo Administrativo 10183.722797/201202 (acórdão 1302001.605) O AFRFB lavrou os termos de sujeições passivas (fls. 638/639; 642/643; 650/651; 652/653) em face dos recorrentes (Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves) tão somente em atenção ao disposto no art. 124, do Código Tributário Nacional, conforme pode ser vislumbrado nos termos abaixo (fls. 638): No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e ante o exposto na “descrição dos fatos” do auto de infração que segue em anexo, lavrado em decorrência do procedimento fiscal contra o sujeito passivo acima identificado, ficou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). No que se refere ao art. 124, prescreve o Código Tributário Nacional: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Dessa forma, temse que o dispositivo trata das pessoas que são responsáveis solidários em razão do “interesse comum”. Consoante entendimento que vem sendo adotado, exigese que a situação que consubstancia o fato gerador do tributo seja praticada pelos sujeitos cuja solidariedade se pretende atribuir. Exemplificando os casos de interesse comum, Leandro Paulsen afirma que “têm interesse comum aqueles que figuram conjuntamente como contribuintes, como os coproprietários de um imóvel relativamente ao IPTU ou à taxa de recolhimento de lixo”. (PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 5ª ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. p. 166). Mutatis mutandis, é o entendimento aplicado nos casos de empresas sobrepostas (mesma atividade, mesmo endereço, mesma finalidade, praticantes do mesmo fato gerador), ou seja, empresas que se escondem uma atrás da outra, o que não se confunde com o conceito amplo de “mesmo grupo econômico”, como demonstra o seguinte julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça: Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.859 14 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. (...) (STJ. AgRg no AREsp21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011). No mesmo caminho trilhou o Superior Tribunal de Justiça no julgado abaixo, em que o então Min. Luiz Fux, fundamentandose em doutrina abalizada, discorre sobre o termo “interesse comum”, observese: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA (LETRAS FINANCEIRAS DO TESOURO). AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. RECUSA. POSSIBILIDADE. MENOR ONEROSIDADE. ART. 620 DO CPC. SÚMULA 7/STJ. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) (...) (STJ. REsp 859.616/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 15/10/2007, p. 240) (grifo não original) Sendo assim, retornando ao caso dos autos, verificase que foram lavrados autos de infração de CSLL, PIS/Pasep, Cofins e IRPJ em razão de constatado enquadramento da pessoa jurídica autuada em prática de omissão de receita. Como se sabe, esses tributos possuem como fato gerador, de modo geral, o lucro e o faturamento (receita bruta). Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10183.722798/201249 Acórdão n.º 3302005.600 S3C3T2 Fl. 1.860 15 Nessa esteira, entendo que os recorrentes, pessoas físicas, ainda que possam ter alguma responsabilidade pelas irregularidades desvendadas pelos agentes fiscais, jamais poderia participar da realização dos fatos geradores acima mencionados, daí a impossibilidade de considerálo como responsável solidário pelo art. 124, do CTN. Assim, voto pelo afastamento do art. 124, inc. I, do Código Tributário Nacional e, consequentemente, afasto a sujeição passiva dos recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, em relação ao presente auto de infração. Desta maneira, em face da exoneração da responsabilidade tributária em relação aos recorrentes, deixo de analisar as demais matérias arguidas nos recursos voluntários por perda de objeto. IV Conclusão Diante do exposto, voto por: a) conhecer em parte do recurso voluntário interposto pelo Recorrente Marco Aurélio Chionha e, na parte conhecida negarlhe provimento; b) rejeitar as preliminares suscitadas pelos Recorrentes; c) conhecer em parte dos recursos voluntários interpostos pelos Recorrentes Thiago Adorno e Marcos Rosendo e, na parte conhecida darlhes provimento; e d) dar provimentos aos recursos voluntários interpostos pelos Recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira e Efrain Barcelos Gonçalves. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724549/2014-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
RECURSO DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO.
Não restando demonstrada a existência de interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, não prospera a responsabilização da incorporadora com respaldo no art. 124, inciso I do CTN.
APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO.
Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA.
A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO.
Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 2202-004.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 RECURSO DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. Não restando demonstrada a existência de interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, não prospera a responsabilização da incorporadora com respaldo no art. 124, inciso I do CTN. APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
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RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. Não restando demonstrada a existência de interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, não prospera a responsabilização da incorporadora com respaldo no art. 124, inciso I do CTN. APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 49 /2 01 4- 68 Fl. 2972DF CARF MF 2 AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.973 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9512 e nº 51.065.2735, referentes, respectivamente, à contribuição patronal de 20% sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, e às contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais (11%), sendo os lançamentos atinentes às competências 01/2010 a 12/2011, e aos levantamentos GA e GL. Foram responsabilizados solidariamente a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., a Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda., a Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda., e os sócios da recorrente Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini. Passase a transcrever, na sequência, o bem elaborado resumo do procedimento fiscal e dos termos da impugnação, levado a efeito pela instância de piso: (...) 2. O Relatório Fiscal, fls. 36/100, descreve a ação fiscal realizada no Contribuinte; a apuração das contribuições previdenciárias do período fiscalizado, os fatos e justificativas do lançamento e da caracterização da responsabilidade solidária de terceiros (os sócios, empresa e pessoas físicas, bem como as incorporadoras/construtoras contratantes da Autuada) frente ao crédito tributário constituído. Do referido relatório, destacamse as seguintes informações: 2.1. Em suma, constam informações dos elementos básicos dos créditos previdenciários lançados; relato dos procedimentos realizados, a documentação examinada, as diligências efetuadas, as conclusões e resultados advindos. Ressalta se que a atividade principal da Empresa é a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas. 2.1.1. Nesse sentido, descreve o fluxo da operação imobiliária de vendas da então Fiscalizada; a documentação entregue e os esclarecimentos prestados, ambos considerados insatisfatórios para justificar a versão dos fatos dados pela Interessada, porém comprobatórios de serviços prestados por contribuintes individuais à Empresa, incluindose os comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas, bem como um discriminativo dos valores pagos (identificando Nome, CPF, NIT, CRECI e Competência) aos corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas. 2.2. A então Fiscalizada, em resposta às intimações, apresentou esclarecimentos, destacandose que: (i) as autorizações de corretagem eram informalmente outorgadas pelas incorporadoras à LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda e que não localizou contratos escritos nos seus arquivos; (ii) assevera que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes, mas que os corretores eram contratados e remunerados diretamente pelos clientes, os compradores dos imóveis; (iii) ao explicar suas atividades, afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado; (iv) reforça que o corretor independente é quem faz a Fl. 2974DF CARF MF 4 intermediação da transação, associandose à LPS Brasília; (v) afirma que o comprador assume as seguintes obrigações distintas: de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. 2.2.1. Registrase que foram obtidos “instrumentos particulares de parceria comercial”, sendo a parceira empresa a LPS e o parceiro comercial o corretor pessoa física, parcialmente transcritos pela Autoridade Fiscal, com destaque para as cláusulas consideradas abusivas e de caráter unilateral, contendo previsões de poucos direitos, inúmeras obrigações e punições, próprias de subordinação, revelando que o contrato de prestação de serviço firmado entres as partes (LPS e Corretor) tem a natureza de típico contrato de adesão. 2.3. Durante o procedimento a Empresa foi alertada de que a não apresentação da documentação acarretaria no arbitramento do valor da remuneração reputada devida, mediante procedimento de aferição indireta e sem a observância do limite máximo do salário de contribuição no cálculo da contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais, como, de fato, ocorreu, pois a então Fiscalizada apresentou parte dos documentos e os esclarecimentos foram insuficientes e/ou insatisfatórios, conforme consta do Relatório Fiscal. 2.4. Assim, tendo em vista que os documentos e esclarecimentos fornecidos pela Empresa foram considerados insuficientes para comprovar a veracidade de suas afirmações de que não contratou/remunerou contribuintes individuais para auxiliála na intermediação de negócios imobiliários, a Autoridade Fiscal realizou diligências fiscais em 27 pessoas jurídicas (incorporadoras/construtoras), sendo que inicialmente no dia 07/03/2014 a fiscalização emitiu 06 (seis) Termos de Início do Procedimento Fiscal Diligência e posteriormente no dia 29/05/14 foram emitidas outras 21 intimações, através das quais requereu e obteve esclarecimentos e documentos do modus operandi das transações imobiliárias, de seus atores, funções, etc 2.5. Dos documentos e esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis apurado que: (i) os imóveis foram adquiridos com a intermediação da LPS Brasília; (ii) os corretores pessoas físicas que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília (em geral usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação da LPS Brasília); (iii) quando da venda o comprador emitia vários cheques para pagamentos diversos, relativos ao sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS) (apresentado e juntado ao processo a memória de cálculo da área financeira); (iv) as vendas eram realizadas nos estandes de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra e a conclusão do negócio, por vezes, na sede da LPS Brasília; (v) o valor do imóvel constante no contrato de compra e venda geralmente era inferior ao valor constante na proposta de compra e venda/tabela de preço, devido a não inclusão dos valores pagos a título de comissão/premiação aos intermediários. 2.6. Dos documentos e esclarecimentos prestados pelos coordenadores e diretores diligenciados, a fiscalização constatou a ocorrência de um procedimento de criação de sociedades simples e/ou individuais para prestação serviços, geralmente exclusivos, à empresa para quem já trabalhavam como pessoas físicas (Pjotização). 2.7. Os corretores corroboraram com as seguintes informações, acrescidas de documentação: (a) o corretor recepcionava toda a documentação e a LPS Brasília e/ou a incorporadora/construtora ficava com uma das vias da negociação e a outra era entregue ao comprador do imóvel; (b) toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.974 5 (construtora/incorporadora e o comprador) a área financeira da Lopes Royal entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos; (c) as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Brasília; (d) prestavam serviços com exclusividade, geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária, sob pena de desligamento do quadro das equipes de vendas. 2.8. O resultado obtido nas diligências fiscais realizadas junto às incorporadoras/construtoras, em especial revelou (a) a praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal da concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boafé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias; (b) a imobiliária prestava consultoria mercadológica à incorporadora, esta definia o preço do imóvel e o valor da corretagem, variando entre 3,5% a 5,0%; (c) a ligação incorporadora mercado é efetivada pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por corretores independentes; (d) esclarecem que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. 2.10. A Autoridade Fiscal identificou nos contratos celebrados entre a Fiscalizada e as incorporadoras cláusulas com as seguintes características, relevantes ao caso em apreço: (a) exclusividade na intermediação das unidades das incorporadoras pela contratada; (b) possibilidade de criação de campanhas de prêmios para estimular a comercialização das unidades, a serem pagos pelas incorporadoras à imobiliária (LPS Brasília) e aos profissionais que esta indicar (os corretores autônomos), cabendo à contratada a organização e distribuição dos prêmios; (c) previsão, em exceção à regra, de que os contratos de compra e venda determinem o pagamento das comissões diretamente à incorporadora, com o compromisso de repasse das comissões à imobiliária e aos profissionais participantes da intermediação da venda, indicados pela LPS. 2.11. Anotase que a Autoridade Fiscal registrou inúmeras empresas e corretores envolvidos, transcreveu trechos dos contratos e das informações obtidas quando das diligências, além de fazer referências aos anexos que contém a respectiva documentação e as planilhas que entabulam os dados obtidos. 2.12. Nas condições apuradas e, ainda, considerando os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, o AuditorFiscal conclui que a Empresa não só tinha o conhecimento como participava ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, desde o preenchimento da ficha cadastral, passando pela emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal; emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a finalização (assinatura) do contrato de compra e venda entre as partes. 2.13. Ademais, inferiu que a Fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, intencionalmente atua fragmentando as etapas da comercialização de imóveis (as denominadas “etapas da intermediação de operações imobiliárias”) por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de Fl. 2976DF CARF MF 6 aparentar a vinculação direta dos corretores autônomos com os compradores de unidades imobiliárias. 2.13.1. O vínculo contratual entre corretor e imobiliária fica confirmado tanto pelo cumprimento do objeto pactuado com incorporadoras/construtoras para a comercialização de imóveis quanto pelos documentos e esclarecimentos prestados pelos compradores e corretores de imóveis diligenciados. 2.14. Assevera, apesar das afirmativas em sentido contrário da Fiscalizada, que todo o complexo processo de intermediação é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, sendo também responsável pela estrutura e material de apoio aos profissionais pessoas físicas para a prestação de serviço de atendimento aos clientes compradores. 2.15. Conclui que a conduta da LPS caracteriza ato ilícito, com finalidade de sonegação de tributos, especialmente das contribuições previdenciárias incidentes sobres as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária prestados. 2.16. Registra que a LPS foi submetida anteriormente a fiscalizações e que, apesar das decisões desfavoráveis, continua infringindo a legislação tributária e demais leis que versam sobre a matéria aqui abordada e acrescenta que seu entendimento está alicerçado em decisões judiciais. 2.17. Destaca a falta de transparência na conduta comercial pelo fato de não ser dado antecipadamente ao adquirente conhecimento de todos de seus direitos e obrigações para a formação do livre convencimento, em especial quanto ao pagamento destacado da comissão informando somente no momento da assinatura da proposta de compra e venda, entendendo que os procedimentos adotados (pela incorporadora e/ou imobiliária) ferem a legislação tributária e o Código de Defesa do Consumidor (CDC: Lei n° 8.078/90: art. 6°, inciso IV e V; art. 7°, § único; art. 39, inciso I; art. 42, § único e art. 51, inciso IV). 2.18. Em suma, apurado o procedimento ilícito e lesivo do sujeito passivo em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para esses adquirentes, com o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no tocante às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada. 2.19. Ainda, afirma que tal procedimento caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. 2.20. Nas condições relatadas, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, etc) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. 2.21. Esclarecido que em razão da falta de apresentação de todos os documentos solicitados e pelos esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não merecem fé, quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis, a Autoridade Fiscal, com fundamento Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.975 7 no art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN), arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. 2.21.1. No presente processo, os valores aferidos como remunerações ficaram restritos aos lançamentos Lev GA e Lev GL que dizem respeito às Comissões de venda pagas ou creditadas a corretores de imóveis, cujos valores foram aferidos com base em 100% das comissões recebidas pela empresa auditada LPS Brasília e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas as intermediações imobiliárias realizadas para as empresas Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda, respectiviamente. 2.22. Para tanto, adotado o procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e por ela informados nas suas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Juntada respectiva planilha demonstrativa. 2.23. Ainda, considerada a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF) e, assim, a remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas teve o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa LPS registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na conta contábil mencionada. 2.24. Ressaltado que em razão dos valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não terem sido informados pela fiscalizada (nome, CPF, nº Creci e respectiva remuneração); não constarem das GFIP nem das folhas de pagamento, nem tampouco lançados em títulos próprios da contabilidade, o limite máximo do salário de contribuição não foi considerado no cálculo das contribuições dos segurados contribuintes individuais. O Relatório de Lançamentos RL, fls. 21/23, é no mesmo sentido de que a empresa não apresentou a relação individualizada dos corretores e demais membros da equipe. 2.25. O Relatório Fiscal informa toda a fundamentação legal dos créditos previdenciários, em reforço ao relatório específico, denominado Fundamentos Legais do Débito FLD, fls. 19/20. 2.25.1. Destacase que o enquadramento do contribuinte individual está previsto no art. 12, inciso V, alínea “g”, da Lei nº 8.212/91, enquanto que a hipótese de incidência se encontra disciplinada no inciso III do art. 28 da mesma lei e cita como obrigações da empresa aquelas previstas no art. 30, inciso I e § 4°, art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. 2.25.2. Ainda sobre este assunto, destacase que no Relatório Fiscal consta a justificativa do arbitramento por meio de aferição indireta de acordo com o art. 33, §§ 3°e 6°, da mesma lei e que, com relação ao desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas, aplicase o disposto no § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 4º da Lei nº 10.666/03. 2.25.3. Quanto à multa, informada a fundamentação legal com esclarecimento de que com a introdução do art 35A na Lei nº 8.212/91 pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, a partir da competência 12/2008 a multa de ofício do Auto de Infração passou a ser de 75% sobre o valor das contribuições previdenciárias apuradas e qualificada (150%) nos casos previstos nos arts. 71, 72 e Fl. 2978DF CARF MF 8 73 da Lei nº 4.502/64. Mencionada, também, a previsão do crime de sonegação de contribuição previdenciária nos termos do art. 337A do Código Penal (DecretoLei n° 2848/40), com a redação dada pela Lei n° 9.983/00. 2.26. Além disso, no tocante à multa, a Autoridade Fiscal detalhou sua aplicação e discorreu sobre os fundamentos da qualificação no caso concreto. Neste aspecto, considerou que o Contribuinte agiu no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores em questão e também com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, de modo a afetar sua obrigação tributária principal (deixou de pagar as contribuições previdenciárias). 2.26.1. Demonstrada, em tese, a ocorrência do crime de sonegação fiscal, tendo sido anotado pelo AuditorFiscal que a empresa LPS já incorreu no mesmo crime em fiscalizações realizadas anteriormente sobre o mesmo fato gerador dos créditos ora em questão. 2.26.2. Consequentemente, a multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada, 150%) sobre as contribuições previdenciárias apuradas nas competências 01/2010 a 12/2011, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 2.27. Apesar do presente processo cuidar do lançamento relativo ao descumprimento de obrigações principais, o Relatório Fiscal informa, descreve e detalha, em adição, as obrigações acessórias descumpridas que deram origem à lavratura de três Autos de Infração (Debcad nºs. 51.065.2867; 51.065;2875 e 51.065.2883) integrantes do processo nº 10.166.727336/201498. 2.28. Quanto à sujeição passiva solidária, indicados os dispositivos legais, art. 124, I e art. 135, III do CTN; art. 30, IX da Lei 8.212/91. 2.29. Informa que a LPS Brasil – Consultoria de Imóveis S/A (CNPJ 08.078.847/000109) é sócia majoritária da autuada (51% do seu capital social) e que também tem participação em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas, em vários Estados e no Distrito Federal, sendo, portanto, a fiscalizada LPS Brasília uma das integrantes desse grupo econômico. 2.30. Constatado que a principal atividade das empresas do referido grupo é a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos. Em comum entre a LPS Brasil e a LPS Brasília aponta o controle acionário, os administradores comuns e a atividade econômica. Também, considera que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. 2.31. Quanto aos demais sujeitos passivos, os sócios pessoas físicas, indicados como coresponsáveis Wildemir Antonio Demartini, sócio da autuada desde o início de sua atividade na qualidade de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini, atuando sempre no cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação nas comissões de vendas destinadas a LPS Brasília, conforme apurado nas diligências realizadas junto aos corretores e coordenadores/diretores. 2.32. Assim, os sócios acima mencionados (empresa e pessoas físicas) foram arrolados como responsáveis solidários dos créditos tributários constituídos, pois Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.976 9 participaram da administração da empresa LPS Brasília, inclusive quanto à ilegalidade e abusividade da transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos. 2.33. Ainda, indicados como responsáveis solidários as incorporadoras/construtoras contratantes dos serviços da imobiliária LPS Brasília que no preente processo são a Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda. 2.33.1. Destas, relatado objeto social, composição da sociedade e destacado, entre outras informações que foi constatado, por meio das informações mencionadas no Relatório e objeto de planilhas, que “o valor da comissão é deduzido do valor global de venda ao preencher o contrato de compra e venda de cada imóvel negociado, numa clara demonstração de que quem suportou o ônus do pagamento da comissão aos corretores foi o comprador”. 2.33.2. Sendo assim, por participarem da ilegalidade e abusividade na transferência para o comprador do imóvel da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, a Autoridade Fiscal considerou que tais pessoas jurídicas são responsáveis solidários. (...) 3. Tempestivamente, a autuada LPS Brasilia apresentou impugnação (fls. 1922/1980) alegando, em suma: 3.1. Inicialmente apresenta um relato sobre os fatos, afirmando que a autuação decorre da conclusão da Autoridade Fiscal de que a Impugnante teria tomado serviçosde contribuintes individuais (Corretores Independentes) e remunerado tais serviços, os quais constituem fatos geradores de obrigações previdenciárias, mas que não foram realizados os respectivos recolhimentos das contribuições previdenciárias (cota patronal e contribuição do segurado). 3.1.1. Ainda, que a falta de recolhimentos supostamente devidos à Previdência social foi considerada dolosa, razão da aplicação da penalidade agravada, de 150%, referenciada no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 3.2. Em seguida, passa a articular questões de mérito, iniciando pela apresentação de uma exposição sistematizada das “alegações e acusações” contidas no Relatório Fiscal, tendo em vista a estrutura repetitiva do referido documento. 3.2.1. Neste sentido, sua introdução registra e desenvolve os seguintes tópicos extraídos do Relatório Fiscal: a) fundamentos legais do Auto de Infração; b) teses centrais do Auto de Infração (tomada de serviços de contribuintes individuais, respectivo pagamento sem recolhimento das contribuições previdenciárias); c) justificativas da conclusão de que a impugnante teria realizado pagamentos de remunerações em benefício de corretores independentes; penalidade (multa de 150%); d) obrigações acessórias. 3.2.2. Em contrariedade à tese da Autoridade Fiscal, defende a ausência de prestação e tomada de serviços na relação jurídica estabelecida entre a Impugnante e Corretores Independentes, com fundamento no art. 6º da Lei nº 6.530/78 e art. 728 do Código Civil que formatam diversamente a interação entre imobiliárias (corretoras pessoas jurídicas) e corretores independentes (corretores pessoas físicas). 3.3. A fim de melhor expor seu entendimento explica a distinção entre corretagem e prestação de serviços em contraposição ao articulado no Relatório Fl. 2980DF CARF MF 10 Fiscal. Para tanto retroage à figura do agente auxiliar do comércio previsto no derrogado Código Comercial, entende ser pertinente ao corretor, à luz do art. 722 do Código Civil, ressaltando a atuação independente e imparcial deste perante as partes visando obter condições para o vínculo contratual entre as partes e não atuação em nome (mandato) ou por conta e ordem (comissão mercantil), nem tampouco “simplesmente realizar determinados atos a pedido de uma delas (caso em que há prestação de serviços)”..(fls. 1721), reforçando a inexistência de serviço, na corretagem. 3.4. A fim de melhor expor, narra a evolução histórica dos diversos tipos de corretagem, iniciando da figura do “preposto” na corretagem em geral. 3.5. Partindo do contexto narrado sobre preposto, defende que os Corretores Independentes não são prepostos da Impugnante. Da análise da Lei nº 6.530/78 resulta que não existe previsão de preposição na intermediação imobiliária, ao contrário da legislação atinente a outros ramos de corretagem, ressaltando que na referida lei que regula a corretagem imobiliária a relação entre os tipos distintos de corretores (pessoas jurídicas e físicas) é horizontal. 3.5.1. Coerentemente, o Decreto nº 81.871/78 também não revela preposição, pelo contrário, confirma a relação horizontal. 3.5.2. Ainda, com amparo em doutrina reproduzida e supondo, hipoteticamente, a figura do preposto na intermediação imobiliária, a conduta seria de mero “instrumento” e como tal também não se encaixaria, pois a atuação perante o público é de corretor de imóveis e não de “instrumento”, preposto. 3.6. Esquadrinhando a relação associativa que se institui entre imobiliária e Corretores Independentes, destaca o art. 728 do Código Civil com a previsão de rateio da remuneração entre corretores que atuam em associação, expondo neste sentido a relação existente entre os profissionais liberais e as imobiliárias, reafirmando que a imobiliária “patrocinadora” não responde pelos atos do corretor independente e que estes assumem todos os riscos inerentes à sua atividade, ratificando que não se trata de mera prestação de serviços nem o corretor é preposto. 3.6.1. Defende a existência de associação nas atividades, ainda que complementares, da imobiliária “patrocinadora” e do corretor independente que “atende” ao público, não há coincidência de atuação que ocorreria se fosse mera prestação de serviços. Descreve a atividade distinta e complementar de cada um. E afirma que a estrutura física e logística da imobiliária não implica em exclusividade dos corretores autônomos. 3.7. Ainda, discorre sobre a diferença entre “coordenação” e “controle” visando esclarecer que a Impugnante orienta, compartilha e ambos – imobiliária e corretores – estão direcionados para os objetivos comuns. Retoma a questão de que os riscos são assumidos bilateralmente, assim como a perspectiva de lucro. A atuação é colaborativa, colateral. 3.8. Afirma que a Impugnante não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os Corretores Independentes. Discorda da imputação de que remunera os corretores, justificando que se trata de mero rateio (de acordo com o art. 728 do CC) dos valores pagos pelos beneficiários da intermediação. 3.8.1. Examina a materialidade do fato gerador que indica a exigência de que o tomador de serviços seja a fonte de pagamento da remuneração alega que o AuditorFiscal não afirmou nem comprovou neste sentido. 3.9. Adicionalmente refuta com os seguintes argumentos: Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.977 11 3.9.1. Do livre convencimento dos compradores. Discorda de que o cliente não tinha consciência, tanto que receberam os respectivos recibos (RPA), o além do pagamento formaliza a relação de corretagem estabelecida, ressaltando que ainda que não fosse perfeitamente claro isto não implicaria em requalificação dos fatos ocorridos. Acrescenta que é incorreta a afirmação de que haveria dedução do valor venal do imóvel, pois os valores de corretagem são incluídos no custo do imóvel. 3.9.2. Quanto à formalização do contrato de corretagem, defendese no sentido de que nada impede que seja verbal, mas ainda que assim não fosse, seria passível apenas de sanção administrativa e não configuração de fato novo, o pagamento de remuneração a corretores independentes. 3.9.3. A questão da simulação abordada no Relatório Fiscal – aparente pagamento pelos compradores de imóveis encobrindo o negócio dissimulado dito como a Impugnante como efetiva pagadora das remunerações é combatida com a indicação de argumentação contraditória constante do mesmo Relatório, quanto à ilegal transferência de ônus de pagar a corretagem. A simulação requer conluio e não há prova da anuência dos clientes compradores, não fazendo sentido com outros argumentos da autoridade Fiscal. 3.9.4. Discorre sobre a “transferência” do ônus relacionado à corretagem afirmando, ao contrário da Autoridade Fiscal, que o entendimento judicial prevalente é no sentido de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador e o consequente pagamento da comissão por este. Reproduz julgado. 3.9.4.1. Reafirma que mesmo supondo a ilegalidade da prática comercial, isto não requalificaria os fatos de modo a caracterizar fato tributável, pagamento da corretagem pela imobiliária. 3.9.5. Combate a dita transferência da “sujeição passiva” afirmando, inclusive, falta de prova nos autos e de até antecedente lógico quanto à realização de pagamentos pela Impugnante e da alegada simulação. 3.9.6. Seguindo o mesmo raciocínio trata da prova da realização de pagamentos pelos compradores e, assim demonstrado, afirma que inexiste suporte fático para a incidência das contribuições previdenciárias lançadas. 3.9.7. Relata e reproduz posição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Colaciona acórdãos favoráveis ao seu entendimento. 3.10. A conclusão sobre o mérito do Auto de Infração da Impugnante é de inocorrência dos fatos geradores e improcedência da autuação. 3.11. Ainda e por consequência, defende que não devem persistir as exigências das Obrigações Acessórias. 3. 12. Lado outro, a impugnante discorre, também sobre o que considera Questões Subsidiárias. 3.12.1. Assim, articula sobre o limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração; a falta de base legal e incertezas da circularização; a opinião guiada pela “aparência” dos compradores de imóveis; as Declarações de Corretores Independentes e de Incorporadoras que infirmam o Auto de Infração. 3.12.1.1. Afirma que são opiniões e, ainda, assim revigoram a natureza de parceria e afastam o cunho de prestação de serviços. Cita, quanto às incorporadoras Fl. 2982DF CARF MF 12 a confirmação de contratos informais. Transcreve trechos dos depoimentos em sustentação à sua posição. 3.12.1.2. Quanto aos elementos probatórios colhidos mediante circularização, pretende o reconhecimento de que se tratam de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. 3.12.1.3. E, se assim não fosse, considerando hipoteticamente que o Auto de Infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidas pela Autoridade Fiscal, diversas declarações comprovam ao contrário da interpretação jurídica da Impugnante, afirmando ter sido inexplicavelmente ignoradas pelo Auditor Fiscal. 3.12.2. Em adição, também alega improcedência absoluta do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição. 3.12.3. Insurgese à não observância do limite do salário de contribuição na apuração da contribuição dos segurados, entende que no caso de falta de informações a Autoridade Fiscal pode valerse do arbitramento, observados os parâmetros legais, o que não a autoriza a descumprir o teto do salário de contribuição. 3.12.4. Contesta o fato da Autoridade Fiscal não ter calculado, com bases no número de operações registradas na contabilidade, o número de segurados, assim como do número médio que poderia ter sido obtido junto aos compradores diligenciados. 3.12.5. Acrescenta que neste momento não seria possível a revisão do lançamento, por força do art. 146 e 149 do CTN. 3.12.6. Assim, entende que foi desrespeitada a legalidade, o respectivo lançamento deveria ser cancelado. 3.13. Ademais, assevera ilegalidade do arbitramento por não ter sido observada a legislação de regência. Analisa o procedimento à luz do art. 148 do CTN, esquadrinha a aplicação, mencionando o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 e § 3º do art. 201 do Decreto nº 3.048/99. 3.13.1. Corrobora seu raciocínio com julgado do CARF no qual figura como autuada a ora Impugnante. 3.13.2. Ainda, aponta que o parâmetro de divisão paritária do valor da comissão com base na tabela do CRECI reforça o equívoco do AuditorFiscal, pois a referida tabela trata de rateio e não de pagamento de remuneração entre Imobiliária e Corretores Independentes. 3.13.3. Nestas condições, a remissão à referida tabela reforça a improcedência do Auto de Infração assim como, ao menos, expõe a ilegalidade da base de cálculo. 3.14. Trata da Dedução de 9% do saláriodecontribuição (cota do segurado) e articula no sentido de que deve ser reduzida a alíquota das contribuições supostamente não retidas dos Corretores Independentes de 20% para 11%. 3.15. Argumenta, ainda, quanto ao descabimento do Agravamento da Multa Qualificada, aplicada com base na acusação de suposto evidente intuito de fraude por parte da Impugnante. 3.15.1. Discorre sobre os elementos objetivo e subjetivo do ilícito tributário: o ilícito tributário (elemento objetivo) e a intenção de fraudar, o dolo (elemento subjetivo). Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.978 13 3.15.2. Discursa sobre a vontade consciente do sujeito passivo em cometer o ilícito tributário – o dolo – introduzido pelos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64 na seara tributária. 3.15.3. Assevera a importância do correto entendimento do dolo tributário no lançamento de ofício, tendo em vista ser causa da majoração da multa de ofício, observando que não se pode confundir a ocorrência do ilícito com a intenção em praticálo. 3.15.4. Neste sentido, registra a forma de apreciação da multa majorada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que tem a posição de rejeitar sua aplicação quando não demonstrada a ocorrência do dolo associado ao ilícito tributário. Colaciona julgados. 3.15.5. Aduz que a adoção de procedimento fiscal indevido, caso praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados, consiste no chamado “erro de proibição”, situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo, apesar de ciente da sua obrigação com o fisco, age de forma consciente com o objetivo de não recolher tributo que entende ser devido. Adiciona ementas de acórdãos. 3.15.6. Para o caso concreto, quanto ao procedimento da Impugnante e o descabimento da multa qualificada, retoma a situação fática sob sua ótica, acima narrada, reiterando a mera associação com os corretores independentes; afirma que sempre buscou apurar os seus tributos corretamente, refuta a existência de fato oculto, documento falso e assevera a adoção de conduta pautada em raciocínio jurídico plausível. 3.15.7. Afirma que o modelo de negócio adotado pela Impugnante trata de um uso consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos Corretores Independentes, contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. 3.15.8. Nesse contexto, entende inaplicável a majoração e caso persista o lançamento, o que considera hipótese remota, a multa deverá ser restabelecida em 75%. 3.16. Por fim, cuida da impossibilidade de Cobrança de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício. 3.16.1. No caso de ser mantido em todo ou em parte a autuação, o que admite para fins de argumentação, combate os juros, calculados pela taxa Selic, sobre a multa lançada de ofício. 3.16.2. Questiona o sentido de “crédito tributário” no art. 161 do CTN discorre sobre o tema à luz do art. 139 do CTN e conclui que deve ser restrito tal vocábulo, ou seja, de descumprimento da obrigação tributária. Reproduz julgados administrativos. 3.16.3. Conclui pela impossibilidade de cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. 3.17. Em suas conclusões repassa todos os pontos anteriormente mencionados e acima sumariados e, ante o exposto, em seu pedido, requer que o Auto de Infração seja julgado integralmente improcedente, protestando, ainda, pela produção de provas. Fl. 2984DF CARF MF 14 3.17.1. Acrescenta, ao final, a pretensão de que todas as intimações e comunicações sejam encaminhadas à Impugnante, em seu endereço e adicionalmente aos seus advogados, no escritório destes. 3.18. Acompanham a impugnação (fls. 1981/2002) as cópias do documento de identificação de seu Patronos; procuração; alteração de contrato social da Impugnante; Recibos de Corretagem Autônoma. 4. Também impugnaram a Autuação os responsáveis solidários. Os sócios da Autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, fls. 2003/2022; Wildemir Antonio Demartini, fls. 2100/2119 e Marco Antonio Moura Demartini, fls. 2074/2093. Lado outro e em conjunto, as construtoras/incorporadoras Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda., fls. 1744/1758. 4.1. Observase que as respectivas peças impugnativas dos responsáveis solidários sócios da Autuada e acima identificados são advindas do mesmo escritório de advocacia e contém razões de fato e de direito basicamente coincidentes. A argumentação, comum aos três e a diferenciada (indicada quando o caso), resumese em: 4.2. Inicialmente, consta a exposição dos Fatos com a mesma visão da Autuada, destacandose a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária que tem como fundamento legal o art. 124, I do CTN e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 (LPS Brasil); art. 124, I e art. 135, III, ambos do CTN (Wildemir e Marco Antonio). 4.2.1. Acrescentam que o mérito do Auto de Infração e as razões pelas quais deve ser cancelado constam da impugnação da LPS Brasília, razões estas incorporadas a esta por referência, visando, em primeiro plano, a impugnação de cada um dos supostos coobrigados combater o Termo de Sujeição Passiva Solidária. 4.3. Quanto ao mérito, discorrem sobre a inaplicabilidade do art. 124, I do CTN, destacam o interesse comum e sua inexistência no presente caso. Citam legislação, doutrina e jurisprudência. 4.3.1. Argumentam que a Autoridade Fiscal não comprovou que a Autuada e as Solidárias possuíam direitos e deveres iguais comuns na relação jurídica que ensejou a suposta incidência tributária. Destacam que a solidariedade não se presume. 4.3.2. Afirmam que não foi demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial e que a falta de prova da confusão patrimonial exclui a solidariedade. 4.3.3. Também alegam inexistência de comprovação de interesse que não seja meramente econômico na qualidade de sócias da LPS Brasília e desempenho de suas atividades. 4.3.4. Desta forma, afirmam não ter sido atendido o requisito de interesse jurídico comum no fato que constitui a hipótese de incidência tributária, como determina o art. 124, I do CTN. 4.3.5. O simples fato de figurarem no quadro societário da Autuada não ampara a imputação de solidariedade, por falta de previsão legal, reforçando que a Autoridade Fiscal não fez prova de qualquer das hipóteses de solidariedade. 4.3.6. Em decorrência, sem a presença dos requisitos previstos no art. 124, I do CTN, os Termos de Sujeição Passiva devem ser cancelados. Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.979 15 4.4. Ainda quanto ao mérito, a Impugnante LPS Brasil afirma a inaplicabilidade do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. 4.4.1. Argumenta que para a aplicação do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 deve estar presente a unicidade de poder decisório e administração do dito grupo econômico, acrescida da centralização sobre a realização – ou não – dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como das obrigações tributárias. 4.4.2. Destaca que segundo o referido dispositivo, não basta pertencerem a um grupo econômico, sendo determinante o poder decisório determinante e concreto sobre os atos ligados ao fato gerador e ao cumprimento das obrigações tributárias. 4.4.3. No presente caso, afirma que a Autoridade Fiscal não comprovou a caracterização de situação nos moldes anteriormente mencionados, motivo pelo qual não subsiste o fundamento de solidariedade com fundamento no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. 4.5. De outra banda, os sócios responsáveis solidários Wildemir e Marco Antonio, defenderam a inaplicabilidade do art. 135, III do CTN. 4.5.1. Argumentaram a incompatibilidade entre a acusação de responsabilidade solidária (art. 124, I do CTN) e a responsabilidade pessoal (art. 135, III do CTN) e também a ausência dos pressupostos de aplicação do art, 135 do CTN no caso em debate. 4.5.2. Afirmam inconsistência na simultânea responsabilização solidária e pessoal dos sócios pessoas físicas, considerando incompatível o art. 135, III do CTN com a responsabilidade da própria LPS Brasília. 4.5.3. Acrescentam que não constam provas de que os responsáveis solidários – sócios pessoas físicas – tivessem agido de forma ilegal ou com excesso de poderes ou de forma ao contrário social da LPS Brasília. 4.5.4. Reforçam que a Autoridade Fiscal pretendeu arrolar os sócios como responsáveis pelo crédito sem provar a ocorrência das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. 4.5.5. Portanto, a inexistência dos requisitos para aplicação do art. 124, I e do art. 135, III do CTN conduzem ao necessário cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária (dos sócios pessoas físicas). 4.6. A questão subsidiária trazida em comum pelas três solidárias impugnantes trata da impossibilidade de responsabilização por penalidades. 4.6.1. Refutam a imputação de devedora solidária da multa de ofício aplicada, vez que de acordo com o art. 124 do CTN a solidariedade alcança somente a obrigação tributária principal, com o que não inclui a multa. 4.6.2. Acrescentam que somente o agente infrator responde pela penalidade, sendo indispensável a comprovação da ocorrência de dolo específico, consoante art. 173 do CTN, situação não verificada no presente caso. 4.7. Por fim, nos moldes da impugnação da Autuada, apresentam suas conclusões onde repassam as questões acima mencionadas e, em seus pedidos, requerem a improcedência integral do Auto de Infração e protestam pela produção de provas. Fl. 2986DF CARF MF 16 4.7.1. Adicionalmente, pretendem que todas as intimações e comunicações sejam encaminhadas à (cada) Impugnante, em seu endereço, bem como aos seus advogados, no escritório destes. 4.8. Os documentos que acompanham as razões dos responsáveis solidários sócios da Autuada são os seguintes: 4.8.1. Responsável Solidária LPS Brasil: Ata de Assembleia da LPS Brasil e anexos, incluindo Estatuto Social; Ata de Reunião do Conselho de Administração da LPS Brasil, procuração e substabelecimento; documentos de identificação profissional dos Procuradores; fls. 2023/2073. 4.8.2. Responsável Solidário (sócio) Wildemir: procuração; documentos de identificação do sócio e de seus Procuradores; fls. 2120/2124. 4.8.3. Responsável Solidário (sócio) Marco Antonio: procuração; documentos de identificação do sócio e de seus Procuradores; fls. 2094/2099. 4.9. Os responsáveis solidários, conjuntamente, Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda. impugnaram as duas autuações que compõe o presente processo em peça única, fls. 1744/1758, articulando com os seguintes argumentos: (...) A exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeira instância (fls. 2160/2218), havendo sido excluídas do pólo passivo as responsáveis solidárias Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda. e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda., fato que motivou recurso de ofício forte no art. 34 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art. 1º da Portaria MF nº 03/08. A autuada interpôs recurso voluntário em 2/5/2016 (fls. 2264/23370), e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários respectivamente às fls. 2533/2554, 2457/2483, e 2563/2589. Nesses documentos, foram reprisadas, em linhas gerais, as aduções das peças impugnatórias mais acima minuciadas, bem como contestados certos pontos da argumentação da DRJ/SPO. Ademais, foram juntados parecer de jurista renomado, e dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria. Em 7/6/2017 apresentou a autuada petição (fls. 2640/2644) juntando documentos novos ao processo, e demandando a aplicação do decidido no RE [sic] 1.599.51/SP à controvérsia. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Do recurso de ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou as responsáveis solidárias Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda. e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda. em valor Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.980 17 superior a R$ 1.000.000,00 (contribuição mais multa), limite então estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 03/08, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/08: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9512 e nº 51.065.2735 veiculavam, como somatório de tributo e multa, respectivamente, R$ 2.018.855,43 e R$ 1.110.370,48, ver fl. 2. O total contribuição mais multa veiculado no processo atinge então a cifra de R$ 3.129.225,91. Constatase, portanto, que a exoneração promovida pela vergastada foi em montante superior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, devendo ser conhecido o recurso de ofício. De pronto, assinalese que, não discordando este relator dos fundamentos da decisão de piso quanto ao tema, passo a reproduzilos, adotandoos como razões de decidir (fls. 2207/2208): 18. A Autoridade Fiscal também entendeu pela responsabilidade solidária das CONSTRUTORA/incorporadoras Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda, fls. 09 e 10, as quais contestaram em conjunto, tudo conforme anteriormente relatado. 18.1. Importa relembrar em suma que, por um lado, alegam nulidade da fundamentação legal e, lado outro, atividades diversa da Autuada (venda x corretagem) e inexistência de interesse comum. 18.2. Inicialmente há que ser ponderado que a alegada ausência de fundamento legal para a inclusão das Impugnantes não merece acolhida. Nos Termos de Sujeição Passiva Solidária , fls. 09 e 10 constam a respectiva fundamentação legal, assim como nos demais termos e nos Autos de Infração. 18.3. A fundamentação existe e consta do processo, ainda que possa ser equivocada aos olhos das Impugnantes. 18.4. Entretanto, assiste razão às Impugnantes quanto à falta de interesse comum, pelo que consta no presente processo. 18.5. Os termos do art. 124, I do CTN assim determinam: Fl. 2988DF CARF MF 18 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (grifamos) 18.6. Há que se lembrar que a solidariedade não se presume e que no âmbito tributário a responsabilidade resulta da lei. Vale lembrar a lição de Hugo de Brito Machado no seguinte sentido: “A existência de interesse comum é situação de fato que somente em cada caso pode ser examinada. Independe de previsão legal.” 18.7. No presente caso, a situação que constitui fato gerador da obrigação principal não é a contratação, os ajustes efetuados entre as vendedoras e a imobiliária e não há elementos de sustentação para a sujeição passiva das construtoras incorporadoras. 18.8. Acrescentase que ainda que exista um ajuste entre vendedoras e imobiliária sobre o pagamento das comissões, a contratação dos corretores autônomos é de livre escolha e responsabilidade da imobiliária, a qual deve arcar com as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões dos corretores autônomos, objeto das autuações em apreço. 18.9. Neste sentido, bastante oportuna é a jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça8 a seguir colacionada que tem por fundamento a doutrina do renomado mestre Paulo de Barros Carvalho: Ementa: as pessoas expressamente designadas por lei." 7 . Conquanto a expressão"interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister proceder se a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade... (Grifos acrescidos ao original) 18.10. Nestas condições, não tem condições de prosperar a sujeição solidária passiva imputada às vendedoras; Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários Spe Ltda., razão pela qual devem ser excluídas do pólo passivo das autuações. Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.981 19 Nesses termos, nego provimento ao recurso de ofício. Dos recursos voluntários Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, cabendo ressalvar, contudo, não ser possível admitir a apreciação do documento intitulado "Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes", elaborado por empresa de consultoria, e "Laudo de Avaliação da LPS Brasília Auditores Independentes", ambos presentes nessas peças recursais. Tratase de material de nítido cunho probatório, restando precluso o momento processual para sua apresentação, ante o disposto no art. 16, inciso III e §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, caso se configurassem em documentos que por si só, apontassem de maneira segura e inquestionável a justa solução da lide posta, poderiam ser, em tese, superadas tais vedações, face a outros princípios que regem o contencioso tributário; não se trata em absoluto, porém, de tal caso. Já no que concerne ao parecer jurídico juntado pelos recorrentes, veiculando tal texto tese jurídica de caráter eminentemente opinativo, não há vedação a seu conhecimento, para fins de, eventualmente, fornecer subsídios à formação de convencimento do julgador. Também os documentos juntados em petição posterior ao ingresso do recurso voluntário, pelas mesmas razões mais acima vertidas, não merecem acolhimento. E, quanto à alusão ao recurso repetitivo mencionado nessa mesma petição, será tal decisão oportunamente abordada, até mesmo face aos cogentes regramentos do art. 62 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343/15). Sublinhese, em decorrência do explanado, que as alegações recursais pautadas em sua essência nos referidos documentos inadmitidos serão, consequentemente, não apreciadas. Ainda a título preliminar, deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, formulado nos recursos, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Nesse rumo, também é demandada a ciência pessoal do patrono dos recorrentes, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF. Do recurso voluntário da autuada As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei nº 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, Fl. 2990DF CARF MF 20 incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. Ao contrário, os princípios constitucionais da solidariedade e da equidade na participação do custeio atraem, inafastavelmente, a conclusão de que a prestação de serviços referenciada na norma previdenciária não se limita àquele estrito conceito tipificado no diploma civilista, mas tem seu alcance amplificado tal como acontece nas relações de consumo, vide o art. 3ª, § 2º do Código de Defesa do Consumidor: § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desses contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve no caput do seu art. 3º: Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. Ou seja, a despeito das peculiaridades da corretagem, para fins previdenciários ela se constitui sim, em prestação de serviços, devendo ser destacado que a interpretação das leis ordinárias deve ser sempre realizada sob o lume dos princípios constitucionais, com ênfase, no caso, nos já mencionados princípios da solidariedade e da equidade na participação do custeio (exvi dos arts. 3º, 194 e 195 da CF). Sob esse prisma, e analisando a atividade de corretagem no caso, de seguros o Ministro Herman Benjamim, como relator do voto condutor do REsp nº 519.260/RJ, em 9/4/2008 (1o qual deu origem à Súmula 458 do STJ), assim explicou: 1 Súmula 458 do STJ: A contribuição prevideinciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. (DJe 8/9/2010) Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.982 21 De outro lado, e como de conhecimento geral, toda e qualquer interpretação do direito infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República. Não é por outra razão que a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da equidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Vale dizer, as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social "independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" (Leandro Paulsen, Contribuições Custeio da Seguridade Social, 2007, pág. 22). Assim, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos corretores, em razão da intermediação que realizam, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da equidade na forma de participação no custeio (que, em última análise, configura desdobramento do princípio da isonomia), pois se criaria uma única categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Noutro giro, temse que a contribuinte alega que não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os corretores independentes, sendo a relação de corretagem estabelecida entre esses e os compradores dos imóveis. Seus clientes são, assevera, as empresas incorporadoras, não ditos compradores, conforme laudo de avaliação de composição patrimonial. Afirma, nesse passo, que o pagamento aos corretores é realizado pelos clientes adquirentes, como atestado pelos recibos colacionados. Também refere que parecerista contratado aduz que a maior parte das vendas não resulta do estande de vendas, mas sim de contrato prévio entre corretor e comprador, que integraria carteira de clientes daquele. Salientese, previamente, que as conclusões do indigitado parecerista, bem como da recorrente, amparamse em significativa medida em documento não conhecido pelo Colegiado Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes visto que apresentado em momento extemporâneo do contencioso. E, ainda que fosse conhecido, é de se ressaltar que não teria sido submetido ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios. Feitas essas necessárias ressalvas, cumpre frisar que não constam elementos nos autos a corroborar a narrativa da autuada. As diligências realizadas pela fiscalização por amostragem junto aos compradores de imóveis (Anexo III), trazem dados consistentes no sentido de que os corretores identificavamse sempre como representantes da imobiliária, trajando uniforme e portando crachás e cartões de visita para assim serem identificados. A transação acontecia geralmente em estandes de venda junto ao local da obra visitada pelo interessado. Contrariamente ao que aventa a peça recursal, na maioria dos casos não há qualquer sinal de que havia contato prévio entre compradores e corretores, antes da visita dos primeiros aos referidos locais. Muito menos existe evidência nos autos de que tais compradores pertenciam a lista de clientes cadastrados junto aos corretores, ou que estes teriam sido por aqueles contratados, formal ou informalmente. Fl. 2992DF CARF MF 22 Tais informações se coadunam com os depoimentos colhidos junto aos prestadores de serviço de intermediação imobiliária pessoas físicas (Anexo IV), de modo a permitir desvelar o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos estandes ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida, não escolhendo assim quem lhe atenderia. Como bem pontuado pela decisão de piso, e malgrado o entendimento da recorrente em sentido diverso, os corretores presentes nesses plantões, a despeito de sua pretensa autonomia, se traduziam, aos olhos dos potenciais adquirentes, em vendedores representantes da empresa face a sua identificação e atuação apresentando o produto, tabela de preços e condições/detalhes do empreendimento. Daí, caso pactuado o negócio, era firmada proposta de compra pelo valor total, com pagamento de sinal. Em momento posterior, o comprador assinava o instrumento de promessa de compra e venda propriamente dito, no qual o montante do negócio consta reduzido. Com efeito, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra, para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido; do valor inicial acertado eram assim descontadas as quantias associadas a esses cheques, pagos a título de comissão. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Eventual prejuízo em posterior alienação do bem quando de eventual apuração de ganho de capital, dada a corretagem não integrar o valor da aquisição, não prevalecia na realidade, provavelmente sequer era cogitado frente à satisfação auferida com a aquisição. Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. O fato é que os elementos dos autos, a experiência comum, bem como sucessivas decisões em sede judicial, reconhecem que nas vendas de imóveis em plantão o corretor que intermedia a transação, na ampla maioria dos casos, não realiza sua atividade em prol do comprador, mas sim opera tendo em vista aos interesse de seu contratante, a empresa imobiliária ou mesmo diretamente a incorporadora. A notoriedade dessa situação é atestada por uníssonos julgados, valendo transcrever a seguinte passagem do acórdão do REsp nº 1.599.511/SP, no qual o relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, após explicar que usualmente o incumbente no contrato de compra e venda de imóveis é o vendedor, passar a asseverar: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.983 23 Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. (...) Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até a contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). Cabe chamar a atenção, contudo, que nesse julgamento, realizado em 24/8/2016, restou assentada a seguinte tese (Tema nº 938) em sede de recurso repetitivo (art. 1.040 do CPC): 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de compra e venda de unidade imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. Considerando os termos do art. 62 do RICARF, não subsistem as alegações da fiscalização, bem como da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a comissão de corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, visto que superadas por essa decisão do STJ, a qual afastou, inclusive, as arguições de que estaria a ocorrer venda casada. Por outra via, mister frisar que tal percepção não afeta a responsabilidade tributária do tomador dos serviços de corretagem, posto que o art. 123 do CTN dispõe que Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Então, ainda que o pagamento dos serviços tenha sido realizado por terceiro que não o contratante dessa prestação, tal feito não influi na incidência das contribuições previdenciárias, não sendo relevante a origem do fluxo financeiro notese que pode ser quitado certo salário ou prestação de serviços com cheques de terceiros, sem alterar a relação jurídica tributária. Importa lembrar que a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras. Oportuno reproduzir os termos dos arts. 3º e 5º do Decreto nº 81.871/78, que regulamenta profissão de corretor de imóveis: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação Fl. 2994DF CARF MF 24 esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. (...) Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. De sua parte, os contratos firmados entre as incorporadoras e a autuada, conforme exemplos juntados aos autos, atribuem com exclusividade à recorrente a intermediação/mediação na venda dos imóveis construídos, sendo que alguns explicitam que tal incumbência de "corretagem imobiliária" se consubstancia em "serviços a serem prestados e desenvolvidos" de modo a ser auferida a devida remuneração pela contratada, a ser rateada entre a esta e os corretores autônomos, que, conforme descrito, restam por ser pagos diretamente pelos adquirentes. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo que poderia englobar consultoria e promotoria de vendas, pactuava a prestação de serviços de corretagem/mediação com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é compatível com o objeto social da empresa: "a atividade de prestação de serviços técnicos de planejamento, organização; compra e venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios". Tal prestação de serviços pois, como visto, para fins de incidência de contribuições previdenciárias a atividade de corretagem traduzse em modalidade de prestação de serviços era realizada mediante a contratação de corretores, em conformidade com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Nessa toada, as metas, as escalas de trabalho, os rateios de corretagem, eram aspectos essenciais das atividades desenvolvidas, e sobre os quais apenas uma das cogitadas 'parceiras', a imobiliária, tinha poder de disposição. Deve ser registrado que alguns depoentes confirmaram não ter relação de prestação de serviços com a autuada, mas sim de parceria comercial, o que por outro lado conflita com depoimentos em sentido diametralmente oposto, no sentido de que o vínculo tinha caráter de relação de emprego. Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.984 25 Tais diferenças parecem residir, em substancial medida, no grau hierárquico da função desempenhada pelo corretor coordenador, diretor ou mero corretor autônomo individual dentro da empresa. Ou seja, quanto mais alto o cargo exercido, mais o diligenciado tende a dissociar seu trabalho de uma prestação de serviços, identificandoa como parceria, ou havendo mesmo constituído pessoa jurídica para efetivar tal relação. Por outra via, na maior parte dos casos os corretores autônomos sem função adicional na imobiliária trazem versão diversa, inclusive asseverando terem firmado contrato de prestação de serviço, sendo que sua via deste não lhe era fornecida pelo empresa, aliás; ainda, há corretor depoente que alude à natureza de sua relação como sendo empregatícia. Cabe anotar ser natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc, bem como participação em treinamentos. Existe sim, o desempenho de uma atividade de coordenação por parte da empresa sobre a atividade dos corretores, visando padronizar os serviços prestados e transmitir credibilidade aos potenciais adquirentes. Porém o estabelecimento de sanções em caso de faltas, com a possibilidade de rescisão contratual, o regramento unilateral das condições da atividade por apenas um dos parceiros, sem a menor participação dos corretores, que meramente aderem às condições pré estabelecidas pela autuada, são características que revelam grau significativo de subordinação e controle dos corretores autônomos frente à imobiliária, grau esse o qual, ainda que não suficiente para atrair vínculo empregatício, afasta claramente a tese associativa ou de parceria dimensionada na peça recursal, remetendo claramente à realização de prestação de serviços. Reiterese que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam parte dos serviços objeto do contrato com a imobiliária por exemplo, a divulgação do lançamento na mídia não era realizada por corretores, logicamente, mas sim diretamente pela imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Em outros termos, a recorrente, para se desincumbir de seu dever de prestar o serviço de corretagem às incorporadoras comitentes, contratava corretores autônomos os quais poderiam realizar suas atividades como pessoa física ou jurídica, podendo ou não ter atribuições adicionais no âmbito da organização. Em regra, esses corretores atendiam aos potenciais adquirentes quando estes visitavam os plantões de vendas do empreendimento imobiliário. O pagamento do serviço prestado por esses corretores ao seu contratante direto, a imobiliária, era realizado não por essa tomadora imediata, mas pelos compradores de imóveis, mediante emissão de cheque à parte no nome daqueles, com a concordância dos envolvidos. Portanto, há que se concluir que a obrigação tributária da autuada, como contratante desses corretores, não resta modificada pelo acerto realizado quanto ao pagamento, forte no art. 123 do CTN; constatase então correta a imputação fiscal, no que se refere à Fl. 2996DF CARF MF 26 aferição de infringência ao disposto nos arts. 22, III; 28, III, 30, inciso I, § 4º; 32, inciso IV e 33, §§ 3º a 6º da Lei nº 8.212/91. No tocante ao tópico recursal denominado "O limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração", merece ser dito que a questão referente à circularização foi enfrentada à minúcia pela DRJ/SPO e, não se discordando das razões ali discorridas, pedese a devida vênia para que elas passem a integrar esta fundamentação: 8. O processo administrativo fiscal é composto por uma sequência de atos dentre os quais é possível identificarse duas fases distintas: a inquisitorial (preliminar) e a contraditória. 8.1. Na fase preliminar, investigativa, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditoria contábilfiscal e verifica a subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária. 8.2. Em tal fase, a indigitada Autoridade forma sua convicção com base nos elementos colhidos e análises efetuadas, não havendo, ainda, que se falar em processo nem, tampouco, em contraditório. 8.3. Efetuado o lançamento e, com isso, constituído o crédito tributário, nasce para o então sujeito passivo, após regular cientificação, a faculdade de provocar o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória – por intermédio da sua insurgência (Impugnação) contra o ato concreto resultante da primeira fase (lançamento). 8.4. Destarte, ratifiquese, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente ganha espaço após a formalização do lançamento regulamente cientificado ao contribuinte que, então, tem o direito de desafiálo com a interposição de defesa, com a exposição dos argumentos e provas que julgar pertinente para embasar suas alegações. 8.5. Assim, diante do sintetizado, as objetadas circularizações, consistentes em técnica de auditoria largamente utilizada, tratandose de coleta de dados e informações e, por corolário, abrangidas pela fase inquisitorial do procedimento, não estão sujeitas ao contraditório, haja vista que prévias ao atacado lançamento. 8.6. Lado outro, tendo sido levadas ao conhecimento do sujeito passivo, mediante relatório e termos acostados aos autos, sujeitas, por tanto, à contradita, referidas circularizações em nada se aproximam da ideia de provas obtidas ilicitamente, pois que não se desnudam contrárias à lei lato sensu, nem contrárias a procedimento. Ademais, há que se realçar que a ampla maioria dos depoimentos colhidos via circularização confirma de modo consistente as conclusões da fiscalização quanto aos fatos submetidos à investigação. Por exemplo, não se nega a possibilidade de que em determinadas circunstâncias, tenham havido contatos prévios entre corretores e compradores interessado, mas essas situações surgem, à toda vista, como exceção, não como regra. Também a maior parte dos corretores diligenciados corrobora a versão do Fisco de que prestavam serviços nos plantões de venda à autuada firmando inclusive contrato de prestação de serviços, do qual não lhes era fornecida cópia sob seu controle, orientação e regras fixadas unilateralmente, conforme abordado à saciedade, estando até mesmo sujeitos a sanções. E, como já referido, as alegações de parceria são ventiladas predominantemente por Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.985 27 corretores que também tinham competências funcionais/gerenciais outras dentro da empresa, cabendo cautela na apreciação de seus depoimentos. E o que a recorrente rotula como mera "opinião", guiada pela "aparência", dos compradores de imóveis, é na realidade bastante compatível a realidade documental espelhada nos autos, valendo sublinhar, uma vez mais, que os tribunais pátrios vem reconhecendo reiteradamente que a prestação de serviços em situações tais como a analisada se dá em benefício primeiro do contratante pessoa jurídica, não sendo o serviço de corretagem prestado aos compradores, ao contrário do que insistentemente aduzido no recurso. Melhor sorte não favorece a recorrente, no que diz respeito ao arbitramento realizado pela fiscalização. Com esteio no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, diante da apresentação deveras deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou as quantias devidas, arbitrando a remuneração paga aos corretores, base de cálculo das contribuições. O procedimento de aferição deuse tomando como base 100% das comissões recebidas pela autuada e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas às intermediações imobiliárias realizadas para as empresas Gold Amorgos Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda. e Gold Lyon Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda. (LEV GA e GL). A partir desses dados, foi então utilizada a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte. Argui a autuada que deveriam ter sido utilizados critérios outros, que reputa serem mais adequados, aludindo explicitamente aos constantes do art. 201, § 3º do Decreto nº 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social). Vejase, não obstante, que tal dispositivo é destinado especificamente aos segurados de que tratam as alíneas 'e' a 'i' do inciso V do art. 9º desse decreto, ou seja, titular de firma, diretor não empregado, sócio e ou associado de cooperativa, situações em nada assemelhadas às ora examinadas. Acrescentese que a fiscalização logrou demonstrar, via quadro Demonstrativo (fls. 84/85), que o critério de aferição foi inclusive benéfico à recorrente, posto que nos casos particulares nos quais se pôde chegar a números mais concretos, o percentual da corretagem destinado aos corretores pessoa física superava o pagamento da corretagem à pessoa jurídica. E anotese também que, a despeito de alguns corretores haverem formalizado pessoas jurídicas para realizar suas atividades, restou evidenciado, conforme argumentação desenvolvida supra, e em concordância com o entendimento da fiscalização, que a natureza dos serviços constituíase materialmente em prestação de serviços por pessoa física, verificados inclusive os vínculos de subordinação, ainda que mitigados relativamente ao vínculo empregatício, a justificar a utilização das tabelas da CRECI na espécie. Fl. 2998DF CARF MF 28 Constatase ser bastante proporcional e adequado o critério de aferição utilizado, portanto, e em consonância com as normas de regência. Quanto à suposta improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição, devese destacar que não foi possível à fiscalização, face à não colaboração da recorrente em apresentar os dados individualizados de pagamentos das comissões aos prestadores de serviços de corretagem, por operação de venda dados aos quais tinha decerto acesso, pois quedava com os cheques àqueles devidos, até a conclusão do negócio , discriminar por beneficiário a comissão a ele paga. Destarte, os valores lançados, por uma questão lógica, acabaram por superar o limite máximo de salário contribuição, pois estão vinculados ao conjunto das operações mensais realizadas para cada incorporadora no mês, não a um contribuinte individual determinado, situação na qual aí sim, o limite em questão não poderia ser ultrapassado. Para assim compreender, basta consultar o DD (Discriminativo do Débito) do lançamento. Também por essa via, então, não prosperam as alegações recursais. A recorrente se insurge, ainda, contra a qualificação da multa de ofício. Partilhase, nesse particular, do ponto de vista expresso na declaração de voto constante na decisão contestada. Explico. A fiscalização entendeu, ao justificar a qualificação questionada, que a autuada "atua no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...). Prossegue afirmando que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda para os compradores tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", com ênfase nas contribuições previdenciárias. Ora, a validade da precitada transferência de responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária contratante para o comprador do imóvel era matéria acerca da qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, nesta última especialmente sob o enfoque consumerista. Não obstante, consoante anteriormente explicitado, quedou assentado em 2016 pelo STJ em recurso repetitivo a validade desse tipo de cláusula contratual, desde que previamente informado o preço do total da aquisição ao comprador, com destaque do valor da comissão. À luz dessa decisão, resta bastante difícil sustentar a tese vertida pela fiscalização, de que se tal proceder teria natureza simulatória voltada para a elisão fiscal. Ainda que possa ter se originado em prática voltada para tais fins, o fato reconhecido judicialmente é que se trata de prática amplamente disseminada no mercado imobiliário, e que restou admitida como harmônica perante o ordenamento jurídico. Quanto ao aspecto da informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser elucidada caso a caso, o que extrapola os limites da presente lide. Assim sendo, e em que pese a multicitada transferência de pagamento não ter a repercussão pretendida pela recorrente, ou seja, ela não traz consequências no que tange ao fato jurídico anterior que acarreta sua sujeição passiva como contribuinte dos tributos exigidos, temse que não há elementos adicionais suficientes circunstanciados no auto de infração aptos a respaldar a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exonerada do lançamento. Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.986 29 Por fim, no que concerne aos juros sobre a multa de ofício, cabe lembrar o caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: Fl. 3000DF CARF MF 30 De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Do recurso voluntário da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., por ser esta sóciamajoritária da autuada com 51% do seu capital social, integrando grupo econômico formado por cerca de 23 empresas coligadas/controladas atuante no ramo imobiliário, o que atrai a incidência do art. 124, inciso I do CTN e do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no interesse comum carece, entendese, de elementos adicionais outros que não a mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra. Não obstante, é de ser salientado que a própria empresa tida como responsável admite no seu recurso fazer a autuada parte do grupo econômico por ela capitaneado. Diante de tal realidade, e a despeito das considerações vertidas pela recorrente, dado o princípio da legalidade aplicase de plano o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 2º, § 2º da CLT: Lei nº 8212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) X as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; DecretoLei nº 5.452/43 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.987 31 industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Convém registrar que o inciso IX do art. 30 da Lei de Custeio não traz ressalva alguma sobre a exclusão das penalidades da sujeição passiva solidária. De qualquer maneira, a multa de ofício, penalidade que restou mantida após o presente julgamento, não prescinde do dolo específico referido pela recorrente,para sua aplicação, pois decorre do descumprimento objetivo do dever de pagar ou recolher a contribuição, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo observado a autoridade fiscal a legislação supra explicitada, não prospera o recurso da pessoa jurídica responsável solidária. Dos recursos voluntários de Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini A atribuição de responsabilidade solidária aos epigrafados, amparada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Bom, conforme mencionado linhas acima, não se concebe que a mera participação no quadro societário de empresa ampare a imputação de solidariedade conforme previsto no art. 124, inciso I do CTN. Por outro lado, o que aparenta ser a justificativa para a aplicação do art. 135, inciso III do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos está contida na passagem acima 'participarem conjuntamente com a empresa autuada da iliegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos'. Ora, como dantes abordado, o próprio intérprete máximo da legislação infraconstitucional, em sede de recurso repetitivo, já firmou não haver ilegalidade, a princípio, nesse gênero de transferência. Fl. 3002DF CARF MF 32 Adicionalmente, anotese que não restou apontada qualquer outra violação legal, contratual ou estatutária. Frente a tais constatações, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária aos referidos sócios da autuada. Ante o exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso de ofício e de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Parabenizo o i.Cons. Relator pelas bem expostas palavras, pormenorizada análise dos autos e fundamentada argumentação jurídica. A verdade, entretanto, é que divirjo na própria essência da causa, razão pela qual apresento a seguir os fundamentos do meu voto. Conforme o relatório apresentado, tratase de lançamento de Contribuições Previdenciárias em função de a Contribuinte ter tomado serviços de intermediação imobiliária de segurados contribuintes individuais, especificamente pelo pagamento de remuneração a título de comissão ou prêmio de vendas de imóveis. Em outras palavras, o "serviço" que a autoridade lançadora indica ter sido exercido pelos corretores pessoas físicas à Contribuinte foi a intermediação na venda/compra dos imóveis, i.e., na corretagem propriamente dita. Acontece que o contrato de corretagem, especificamente intermediação imobiliária identificada pela autoridade lançadora, é ato comercial autônomo do profissional perante as partes que almejam o contrato envolvendo o imóvel, seja vendedorcomprador, seja locadorlocatário, seja ainda permutantes ou contrato de qualquer outra natureza. Especificamente, observase que a Recorrente não é nenhuma desses, mas sim corretora, de forma que entre eles não houve sequer contrato de corretagem, mas sim outro, seja empregatício, seja associativo. Em qualquer deles, entretanto, certo é que não há prestação de serviços na intermediação imobiliária. Essa matéria não é nova nesse Conselho. O CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. A título exemplificativo, convém apresentar precedentes em ambos os sentidos. A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.988 33 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO Fl. 3004DF CARF MF 34 CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil expressamente afirma que não tem essa natureza. É imperioso registrar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, estabelece que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado. Se nem mesmo a "Lei tributária" pode alterar esses conceitos, com ainda mais razão é possível afirmar que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.989 35 interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária porquanto estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 , com ainda mais razão se nega ao intérprete tal poder. Esse motivo é, por si só, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pode deixar de aplicar a Lei o que é expressamente vedado , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é contratado por outra, o incumbente, para encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não tendo poder para representar o incumbente nem para firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor, contratado sem nenhuma cláusula acessória, nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se este encontrar um negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pela intermediação do corretor, inclusive imobiliário, independente de estar dias a fio à disposição do incumbente, buscando encontrar negócio, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem comparecer única vez in loco, encontra um negócio para o incumbente. Diferente é a hipótese em que, ao contrato de corretagem, acrescentamse outras obrigações, acessórias ou mesmo principais, alterando a natureza do negócio jurídico. Efetivamente, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 2 2 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 3006DF CARF MF 36 Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site ou outdoor; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas, a atender o telefone, a panfletar etc. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem alterase, podendo, ou não, perder a sua essência. Nessa senda, não custa relembrar a lição de PONTES DE MIRANDA que aponta as diversas correntes possíveis em relação à natureza do contrato de corretagem. In verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 3 3 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.990 37 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor, que fica obrigado a anunciar que encontrou um negócio, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte da essência do negócio. Ainda assim, é necessário distinguir a causa (antecedente jurídico) do pagamento ao corretor: se o pagamento é pela corretagem propriamente dita, ou seja, por ter encontrado um negócio, então as obrigações acessórias não são remuneradas; se, de outro lado, o pagamento é pelo adimplemento das obrigações acessórias descritas permanecer no stand de vendas, fazer ligações ou propaganda etc. , então sim é que o pagamento decorre da prestação de serviços. Neste caso, porém, o pagamento será devido independente de ter ou não encontrado o negócio. Nesse sentido, inclusive, com grande simplicidade, o incomparável PONTES DE MIRANDA: "O corretor é remunerador pelo resultado. O locador de obra ou de serviço, pela obra ou pelo serviço."4 Frisase: o corretor pode prestar serviços. São exemplos exatamente o "ficar à disposição do incumbente", o "panfletar", o "elaborar laudo de avaliação do imóvel" etc. Nestes casos o pagamento é pelo serviço prestado, e naturalmente está dissociado da conclusão de um negócio envolvendo o imóvel (venda, locação, permuta etc.). Esses serviços são inconfundíveis com o ato comercial de intermediação. Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Em que pese tenha identificado algumas obrigações acessórias, reconhece que a base de cálculo é composta pelos pagamentos efetuados a título de corretagem, e não como contraprestação por essas outras obrigações. Ainda que se pudesse configurar a corretagem como hipótese de prestação de serviço do corretor em prol do incumbente, o que já foi afastado acima, é necessário analisar ainda outra questão que, ab ovo, fere de morte o presente lançamento: qual a relação entre os contribuintes autônomos corretores pessoas físicas e a Recorrente? Concluiu a autoridade lançadora que, tendo a Contribuinte exercido atividade de intermediação, e não estando os corretores pessoas submetidos às regras da relação de trabalho, então estavam prestando serviços. Excluiu, contudo, a possibilidade de que os corretores pessoas físicas estivessem atuando em parceria com as corretoras pessoas jurídicas. A verdade é que o Código Civil estabeleceu que: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. 4 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 430. Fl. 3008DF CARF MF 38 Percebese que a Lei estabeleceu a presunção de que o vínculo entre dois corretores é de parceria. Tratase de uma norma dispositiva: presumese existir parceria, mas esse vínculo pode ser afastado ou alterado, desde haja ajuste em contrário. Em outras palavras, não apenas é plenamente possível que dois ou mais corretores atuem em parceria como, na falta de provas de que as partes e não um terceiro, como é a autoridade lançadora estipularam em contrário, essa é a natureza da relação entre si. Mais uma vez, socorremonos da doutrina: "Na hipótese de ser a corretagem conjunta, ou seja, mais de um corretor intermediar a realização do negócio, o preço da mediação será dividido em partes iguais, pelo número de corretores participantes, salvo expressa disposição contratual em contrário." 5 E "Se forem vários os corretores a participação da intermediação, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. É comum que negócios de grande e médio porte tenham participação de vários corretores. Divergindo eles sobre a partilha da comissão, cabe ao comitente consignála em juízo. No caso concreto, pode ser necessário averiguar a participação efetiva de cada corretor em cada intermediação e se não foi estabelecido percentual diverso para cada um." 6 Assim, não bastava demonstrar que os corretores pessoas físicas tinham algum vínculo com a Contribuinte; deveria a autoridade lançadora ter demonstrado que a Contribuinte atuava como tomadora do serviço, enquanto as pessoas físicas lhe prestavam serviços, eram suas subordinadas, jamais podendo estar alçadas ao patamar de parceiras. E, mais, que a remuneração era devida em função do serviço, e não pela corretagem. Ora, ainda que se entendesse que a corretagem é prestação de serviço e que houve tomada de serviço in casu o que passaria pela necessária análise da efetiva intermediação de negócios imobiliários pela Contribuinte , o que justifica a afirmação de que foi a Contribuinte quem tomou o serviço dos corretores pessoas físicas? O fato de que ela é uma empresa e eles pessoas físicas? Poderseia argumentar o inverso: que foram eles, pessoas físicas, quem tomaram serviço da Contribuinte, pessoa jurídica; que eles a remuneram, com parte da comissão recebida, pelo trabalho de prospectar incumbentes, de instalar e manter equipamentos, de fazer a panfletagem, de planejar a melhor estratégia de marketing etc. Pode se argumentar que se tratam de serviços que eles, pessoas físicas, tomaram dela, imobiliária, em prol da atividade deles, que é intermediar compra e venda de imóveis. Eles, corretores pessoas físicas, podem tomar esse serviço de qualquer imobiliária ou mesmo fazêlo por conta própria enquanto ela, Contribuinte, é quem dependeria deles, os corretores, na figura de seus clientes, para auferir receita. Podese argumentar que sem a comissão da venda efetuada pelos corretores pessoas físicas, a Contribuinte não sobreviveria. Para que não restem dúvidas: nas relações privadas em sentido amplo, tanto a pessoa física pode prestar serviços às pessoas jurídicas, como estas podem prestar aquelas. Assim, a empresa toma serviços do advogado, do contador, do pintor, mas também o hóspede toma serviço do hotel, o viajante da transportadora, a platéia do cinema etc. Ou seja, não se pode pular à conclusão de que é a pessoa jurídica que toma o serviço da pessoa física 5 CORNETTI, Marcelo Tadeu, Direito comercial direito de empresa, São Paulo, Saraiva, 2009, p. 161 6 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 686. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10166.724549/201468 Acórdão n.º 2202004.570 S2C2T2 Fl. 2.991 39 simplesmente porque serem, respectivamente, jurídica e física. É necessário buscar extrair quem exerce a atividade e quem remunera. No caso do corretor pessoa física e da imobiliária exatamente por ser um contrato de parceria é possível identificar que ambos exercem atividades: a pessoa física é quem conclui o negócio, com contata o cliente final etc.; a pessoa jurídica é quem encontra o negócio, quem organiza a propaganda, quem cuida das formalidades. Novamente: é plenamente admissível observar o negócio assim: o corretor pessoa física, profissional que é, precisa de um espaço físico, de estrutura de atendimento etc., mas, não desejando despender tempo nem dinheiro com esses investimentos, prefere remunerar uma imobiliária pelo direito de usar suas estrutura. Inclusive, o parecer jurídico anexado aos autos relata que, em pesquisa de mercado, foi identificado que a maior parte dos negócios não é concluído no stand de vendas, mas sim pela carteira de clientes privada do corretor. Ainda que compartilhe das ressalvas do relator em relação aos dados concretos alcançados, percebese que a experiência prática leva a conclusões dessa natureza: é comum em visitas a stand de vendas que os corretores ali presentes busquem firmar um vínculo com o cliente, e que apresentem outros imóveis sempre que perceberem que aquele não é melhor negócio desejado pelo potencial comprador. Nessa senda, percebese que o corretor pessoa física é o principal beneficiário dos "serviços" prestados pela imobiliária, e não o inverso. Mais: ainda que se aceite que o ato de encontrar um negócio é um serviço, em favor de quem é prestado esse serviço? Da pessoa que deseja concluir o negócio, pessoa essa denominada incumbente (porque incumbe o corretor de encontrar o negócio). Quem é o incumbente no caso de compra e venda de imóveis? O comprador ou o vendedor do referido imóvel. Podese imaginar que outro corretor (pessoa física ou jurídica), enquanto corretor, seja incumbente? Não faz sentido, uma vez que esse outro corretor, stricto sensu, não tem poder de concluir o negócio, não representa as partes e nem tem mandato, de forma que somente o incumbente (vendedor ou comprador) é quem pode efetuar a venda ou a compra. Na dúvida, portanto, ainda que se concebesse que a corretagem prestada pelos contribuintes autônomos fosse considerada prestação de serviço, essa prestação não teria sido realizada em prol da Recorrente, verdadeiramente uma parceira, e sim das incumbentes (os proprietários dos imóveis ou dos compradores). Ora, reforçase a tese de que haveria parceria, no caso concreto, o fato de que, tal como descrito no transcrito art. 728, a remuneração (corretagem) era repartida entre os corretores e a Recorrente. Mais uma vez, enquadrase perfeitamente na hipótese do art. 728, i.e., parceria ou associação. Voltando assim à leitura da Lei, é perceptível que apesar da clareza solar dos arts. 722 e 728 do CC/2002 os aplicadores do direito continuaram extrair uma natureza prática do vínculo diversa daquela expressamente definida no CC/2002. Exatamente para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis, amiudando a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora pessoa jurídica). Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Fl. 3010DF CARF MF 40 Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, se não for empregado hipótese em que fará jus a salário, não dependendo exclusivamente da corretagem , o corretor pessoa física será associado a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação. Configurase, portanto, contrato de associação, e não de prestação de serviços. Não há, nesta última hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. E, novamentem em conformidade com o art. 728 do CC/2002, tendo atuado em conjunto, os corretores (pessoas físicas e jurídicas) fazem jus ao compartilhamento da corretagem. Não à toa foi imputado aos corretores pessoas físicas parte das corretagens, e não a sua integralidade. Essa natureza associativa só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. Em suma, corretagem não configura prestação de serviço. Ainda que assim não fosse, a Contribuinte não é a incumbente, e sim parceira dos corretores pessoas físicas, de forma que não é ela quem remunera eles, mas sim compartilha a remuneração paga pelo incumbente seja o comprador, seja o vendedor do imóvel. Concluise, portanto, que não há o fato gerador e, subsidiariamente, que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente autuação. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 3011DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000173/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 73 /2 00 9- 15 Fl. 1202DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10932.000173/200915 Acórdão n.º 2202004.380 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1204DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10932.000173/200915 Acórdão n.º 2202004.380 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1206DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10932.000173/200915 Acórdão n.º 2202004.380 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1208DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720734/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
BASE DE CÁLCULO. IRPJ. LUCRO ARBITRADO.
Enseja o arbitramento do lucro, que deve ter por critério preferencial a receita bruta, quando esta é conhecida, o fato de o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado por diversas vezes, bem como o de sua escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL
Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reitera-se a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito.
DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reitera-se a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito.
DO LANÇAMENTO DECORRENTE. COFINS.
Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reitera-se a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF n 4
A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados, e, em relação ao recurso voluntário da pessoa jurídica, rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 BASE DE CÁLCULO. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. Enseja o arbitramento do lucro, que deve ter por critério preferencial a receita bruta, quando esta é conhecida, o fato de o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado por diversas vezes, bem como o de sua escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reitera-se a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reitera-se a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. DO LANÇAMENTO DECORRENTE. COFINS. Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reitera-se a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF n 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados, e, em relação ao recurso voluntário da pessoa jurídica, rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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IRPJ. LUCRO ARBITRADO. Enseja o arbitramento do lucro, que deve ter por critério preferencial a receita bruta, quando esta é conhecida, o fato de o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado por diversas vezes, bem como o de sua escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reiterase a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reiterase a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. DO LANÇAMENTO DECORRENTE. COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 34 /2 01 6- 11 Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.212 2 Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reiterase a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF n 4 A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados, e, em relação ao recurso voluntário da pessoa jurídica, rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.213 3 Relatório UNYTERSE SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA EPP, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (efls. 954 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte e manteve o lançamento nos seguintes valores: de R$17.381.121,02 (IRPJ), R$5.257.639,90 (CSLL), R$1.189.949,96 (PIS), R$5.492.078,71 (Cofins) e R$15.449.288,41 (IRRF), totalizando R$44.770.078,00, com juros de mora e multa qualificada de 150%, bem como não conheceu da impugnação da responsável tributária Sra. Maria Neusa Guerra Mortari. Do Lançamento O lançamento se deu em razão de omissão de receitas apurada pela diferença entre as receitas declaradas e efetivamente auferidas, apuradas através das notas fiscais eletrônicas bem como através dos depósitos bancários sem comprovação de origem, nos anos calendários de 2011 e 2012. Houve a emissão de Termo de Sujeição Passiva Solidária contra as pessoas dos sócios da empresa: Sra. Maria Neusa Guerra Mortari, Sr. Dalmir Mortari e a Sra. Maria Alves de Oliveira, todos pelo art. 135, III, do CTN. Valhome do Relatório de Acórdão recorrido, colacionada abaixo, de efls. 954 e ss, bem como do Termo de Constatação Fiscal (fls. 689/703). Segundo a autoridade tributária autuante, durante os anoscalendário de 2012 a 2013, a autuada auferiu receitas não declaradas em DCTF e também não informadas em DIPJ e DACON. 2.1 Verificamos que, no cumprimento da obrigação tributária acessória foi entregue tempestivamente a DIPJ/2012 e a DIPJ/2013, no entanto todas apresentam valores "zerados", inclusive as linhas referentes às receitas, mesmo a empresa tendo faturamentos nos anos calendários de 2011 e 2012, no valor de R$ 30.495.959,84 e de R$ 16.642.636,89, respectivamente, apurados pelo fisco através das notas fiscais eletrônicas emitidas, eliminandose as canceladas, conforme abaixo se demonstra. Desta forma, sonegou de maneira dolosa, informações que levariam à apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ. 2.2 Adotou o mesmo procedimento quanto à apresentação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), ou seja, apresentou tempestivamente, porém, com todos os valores zerados, omitindo de forma fraudulenta informações da base de cálculo para a apuração do PIS e da COFINS, que seriam os faturamentos abaixo descritos. (...) 2.3 Em decorrência da não apuração da base de cálculo do imposto (IRPJ) e das contribuições (CSLL, PIS e COFINS), constatamos que, os efetivos débitos fiscais não foram confessados em DCTF. Destarte, fica caracterizado e constatado a intenção deliberada da empresa, na pessoa de seus sócios, de se eximir do pagamento de tributos decorrente da não apresentação e/ou entrega com vícios, dos livros contábeis, como também, o envio à Receita Federal de declarações fraudadas com informações de valores "zerados" e/ou ínfimos, impedindo a ocorrência do fato Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.214 4 gerador e não cumprindo as determinações da legislação tributária, deixando de impender as obrigações tributárias principal e acessória, definidas no art. 113, parágrafos 1°., 20. e 30., do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei 5172/66 (...) 2.4 A utilização dos artifícios de declarar valores zerados e/ou ínfimos, além da intenção de sonegar os tributos, teve, também, a finalidade resoluta de evitar que a empresa não ficasse omissa perante ao cadastro da Receita Federal, por falta de apresentação das declarações (DIPJ/DACON/DCTF), com a intenção de obter as certidões fornecidas pelo Órgão aos contribuintes em dia com as obrigações acessórias e, apresentálas aos seus clientes, tendo em vista tratarse de empresas de grande porte, inclusive estatais que provavelmente exigiam a apresentação de tais documentos. 2.5 Confrontando os valores dos créditos e débitos bancários registrados no Balancete (ECD) do ano de 2011, com as informações obtidas dos e extratos bancários, constatase uma contabilidade viciada, tendo registrado valores de movimentação financeira totalmente divergente, conforme a seguir se demonstra: 2.6 Portanto, com a apresentação da ECD 2011 com irregularidades, verificouse que, a empresa não mantinha escrituração na forma das leis comerciais e fiscais e, assim, fez com que esta autoridade administrativa tornasse a ECD imprestável e, ainda, com a não entrega da ECD 2012, o fisco ficou impedido de auditar a apuração do efetivo lucro real, dos anos calendários em questão. A autoridade autuante efetuou o cálculo do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado e a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins pelo regime cumulativo. 3.1 Sendo assim, não restou outra alternativa a esta autoridade fiscal senão, a de efetuar o lançamento do crédito tributário através do arbitramento do lucro, estabelecido nos artigos abaixo descritos, constantes do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99. (...) 3.2 O lucro arbitrado será apurado utilizandose a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), acrescida de 20% (vinte por cento), determinada pelo art. 519, inciso III, alínea "a" cc art. 532, ambos do RIR/99, ou seja, 38,40% (trinta e oito, quarenta por cento), que será aplicada sobre a base de cálculo, composta pelo valor mensal da receita de prestação de serviço apurado através das notas fiscais eletrônicas não contabilizadas e seus valores não declarados na DIPJ e DACON, dos anos calendários de 2011 e 2012, a seguir demonstrado: Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.215 5 3.3 Com a não comprovação da origem dos créditos bancários intimados, constantes do Demonstrativo de Créditos Bancários a Comprovar, ficou caracterizada e constatada, omissão de receita, cujos valores mensais abaixo demonstrados, extraídos do Demonstrativo citado, comporão também, os valores para obtenção do lucro arbitrado, consoante mencionado no item anterior, nos termos do que prescreve o art. 287 e parágrafos, do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. (...) A autoridade então autua a contribuinte por omissão de receita referente às notas fiscais emitidas e em relação aos créditos bancários de origem não comprovada. 4.1 Destarte, será efetuada a apuração do lucro arbitrado, aplicandose a alíquota de 38,40% sobre o valor das receitas conhecidas não declaradas, referentes às notas fiscais eletrônicas de prestação de serviço, caracterizadas como omissão de receita e sobre as receitas conhecidas decorrente dos créditos bancários de origem não comprovada, como presunção de omissão de receita e, assim, efetuar os lançamentos do pertinente crédito tributário com aplicação das alíquotas incidentes do imposto de renda (IRPJ) e das contribuições sociais (CSLUPIS/COFINS), constituído através da lavratura dos competentes autos de infração, acrescentando se, a eles, os devidos acréscimos legai(sic): Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.216 6 (demonstrativos da fl. 697) 4.2 Será, lavrado também, auto de infração, para se exigir o pertinente crédito tributário relativo ao imposto de renda retido na fonte (IRRF), em decorrência de pagamento sem causa, caracterizado e constatado quando da intimação efetuada à empresa para que esta justificasse e comprovasse a motivação das transferências bancárias, com documentação hábil e idônea, relativas aos débitos constantes do Demonstrativo de Débitos Bancários a Justificar e Comprovar Motivação do Pagamento e, após transcorrido o prazo para atendimento não logrou fazêlo. Sendo assim, apuramos os valores diários, abaixo mencionados, retirados do demonstrativo em tela, que servirão de base de cálculo para aplicação da alíquota do IRRF, obtendo assim o imposto devido adicionandose, a ele, os devidos acréscimos legais, a saber: (demonstrativo da fl. 698) A autoridade qualifica a multa de ofício por entender que a autuada incorreu nas condutas tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro 1964. 5.1 Com tudo acima relatado, o que se demonstrou foi a intenção deliberada da empresa em dificultar o desenvolvimento dos procedimentos fiscais com, a entrega da contabilidade (ECO) do ano de 2011 com vícios e, além disso, a não apresentação da contabilidade de 2012, bem como a apresentação incompleta dos extratos bancários. Prestou, também, informações falsas à Receita Federal em suas declarações, omitindo valores reais relativos à base de cálculo dos tributos e, consequentemente, a não apuração e confissão dos verdadeiros débitos fiscais que a empresa deveria ter recolhido nos anos fiscalizados. 5.2 Além dos fatos e constatações narrados, foi possível verificar a prática reiterada de sonegação dos tributos apurados neste procedimento fiscal, tendo em vista que, a empresa emitiu notas fiscais eletrônicas no montante de R$ 30.495.959,84 e de R$ 16.642636,89, nos anos de 2011 e 2012, respetivamente, tratandose de receitas de prestação de serviço omitidas, não declaradas ao fisco intencionalmente com o propósito de evitar o pagamento de tributos, 5.3 Os elementos acima, provam de forma irrefutável que a empresa esteve sempre em plena atividade, contudo apresentou de forma continuada, declarações (DIPJ) com informações falsas nos dois anos fiscalizados (2011 e 2012) o que, já havia ocorrido nos três anos anteriores (2008 a 2010), restando desta forma, configurada a reiterada prática dolosa de fraude e sonegação fiscal. 5.4 Destarte, as infrações cometidas, constantes do presente Termo, tipifica, em tese, crime contra a ordem tributária, no estrito termo do que preceitua os instrumentos legais descritos a seguir: Lei N°4.502/64 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: l da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo e reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Lei N°8.137/90 Art 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: 1 omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.217 7 5.5 Portanto, a multa de ofício aplicada, será de 150% (cento e cinquenta por cento) nos termos do que determina o Art. 44, Inciso I, § 1º, da Lei 9430 de 27/12/1996, com nova redação dada pela Art. 14 da Lei No. 11.488/07, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) § 100 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) A autoridade autuante efetuou a responsabilização solidária de todos os sócios sob o argumento de que, conforme o contrato social, todos eram administradores à época da ocorrência dos fatos geradores e praticaram condutas configuradas como contrárias à lei, conforme afirma: 6.2 Todos os sócios exerciam a administração da sociedade de forma individualizada, portanto, todos legalmente responsáveis pelas movimentações financeiras/bancárias praticadas pela empresa, conforme 10a alteração contratual apresentada pela mesma, a saber: CLÁUSULA SÉTIMA — Administração A Administração e a representação da sociedade caberão a todos os sócios, que assinarão isoladamente todos os atos da sociedade, com os poderes e atribuições de: apresentação da empresa em juízo ou fora dele, ativa ou passivamente, inclusive perante quaisquer repartições públicas federais, estaduais e municipais, prática de todos os atos necessários ao seu funcionamento regular podendo assinar isoladamente quaisquer documentos, mesmo quando importem em responsabilidade ou obrigação da sociedade, inclusive escrituras de dívidas cambiais, cheques, ordens de pagamento, aberturas de contas em bancos, receber citação judicial; autorizado o uso do nome empresarial, vedado, no entanto, em atividades estranhas ao interesse social ou assumir obrigações seja em favor de qualquer dos quotistas ou de terceiro, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, sem autorização do outro sócio. 6.3 Considerando que a UNYTERSE realizou operações bancárias com a empresa UNIMAN MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA., CNPJ 08.988.223/000110, que apresenta o mesmo quadro societário da fiscalizada, recebeu desta o valor de R$ 6.6.534.108,00 e pagou para a mesma o valor de R$ 4.333.980,90, todas transferências realizadas sem o devido registro contábil e sem comprovação da finalidade do recebimento e do pagamento. 6.4 A UNYTERSE repassou recursos para a empresa VITOR HUGO MORTARI ME, CNPJ 13.404.600/000167, no valor de R$ 4.797.618,09, cujo sócio tem vínculo de parentesco (filho) com dois sócios da UNYTERSE e, também, esses repasses não foram registrados contabilmente e nem foi comprovada a motivação dos pagamentos. 6.5 O próprio filho, VITOR HUGO MORTARI, CPF 392.619.93850, recebeu da UNYTERSE, o valor de R$ 78.939,44 e transferiu para a mesma, o valor de R$ 5.500,00, da mesma forma sem comprovação e sem registro contábil. 6.6 A sócia MARIA NEUSA GUERRA MORTARI, CPF 008.852.54813, repassou o valor de R$ 256.000,00 para UNYTERSE, da mesma maneira, o valor não foi registrado e nem comprovado. 6.7 O que se denota, é que os sócios administradores não tinham nenhuma preocupação em controlar as movimentações financeiras, que deveriam estar sustentadas em documentos comprobatórios, devidamente registradas na contabilidade, repassando e recebendo numerários às pessoas físicas e jurídicas vinculadas com a empresa que administravam, como se fosse uma única sociedade. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.218 8 6.8 Houve conduta dolosa dos administradores da fiscalizada, acima qualificados, no sentido de omitir da administração tributária federal as receitas decorrentes da emissão de notas fiscais eletrônicas de prestação de serviços, com o envio da DIPJ e DACON com valores zerados (fraude) e, de evitar o pagamento do tributo sobre estas receitas (sonegação), bem como a não elaboração de escrituração contábil e/ou elaboração com vícios, em desacordo com a legislação comercial e fiscal. 6.9 Quanto a escrituração contábil, temos ainda a acrescentar que é dever dos administradores da empresa de zelar pela correta elaboração dos livros contábeis e fiscais, inclusive mediante a apresentação dos documentos que suportam sua escrituração, conforme o disposto nos artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil, in verbis: Art. 1.011. O administrador da sociedade deverá ter, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios. Art. 1.193. As restrições estabelecidos neste Capítulo ao exame da escrituração, em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendá rias, no exercício da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das respectivas leis especiais. Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papeis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. 6.10 Tais condutas, configuramse atos praticados com infração de lei, sujeitando os agentes à responsabilização solidária, nos termos do art. 135 do CTN, mais precisamente, constatado, em tese, crime contra a Ordem Tributária Lei n° 8.137/90, pela utilização de declaração falsa à fiscalização federal para se eximir do pagamento de tributos, comprovandose a conduta ilícita intencional por parte da sociedade, na pessoa de seus gestores, razão pela qual devem eles responder, também, pessoalmente pelas obrigações tributárias resultantes destes atos. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 879/900, que aduziu os seguintes argumentos: Em preliminar, solicita a nulidade da autuação, em síntese, pela alegação de que autoridade fiscal tributou a totalidade dos valores disponíveis em conta e ainda sem a individualização dos depósitos bancários considerados como receita omitida, nos termos, com grifos no original: 1.1 – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – CAPITULAÇÃO INDEVIDA– TÍTULO ILÍQUIDO E INCERTO – APLICAÇÃO DE MULTA SOBRE VALOR QUE NÃO FOI ALVO DE APURAÇÃO – ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PARA APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA (...) De modo que estamos diante de duas graves irregularidades: A primeira está no fato de que houve aplicação de multa por imposto e rendimento que não era alvo de fiscalização, já que foi reconhecida a sua retenção na fonte e correta escrituração. Perceba que, quando da aplicação de multa e apuração da base de cálculo, levouse em consideração a totalidade dos valores disponíveis em conta, o que, conforme demonstrado, é irregular. A segunda, é que não existe a individualização de quais depósitos foram considerados como receita omitida, sendo que, para fins de apuração da base de cálculo foram considerados todos os valores existentes em conta bancária. Houve, em resumo, dupla tributação! Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.219 9 (...) Em resumo, a DD. Fiscalização utilizou a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias da Impugnante, relativamente ao período objeto de lançamento como base de cálculo (lucro tributável) do IRPJ e da CSLL, o que, conforme amplamente demonstrado é completamente ilegal. Portanto, seja por qual ângulo se analise a questão posta, verificase que o r. Auto de Infração não reúne condições mínimas para servir de base para a formação de um futuro crédito tributário, razão pela qual deverá ser considerado efetivamente NULO, com a conseqüente determinação da extinção do procedimento fiscal instaurado, por ser de direito. No mérito, procura trazer alegações contra o como foi realizado o arbitramento. 1.1 – DA APURAÇÃO DA BASE CÁLCULO – ILEGALIDADE NA APURAÇÃO COM BASE EM TODOS RECEBÍVEIS – AFASTAMENTO DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL PELA OBTENÇÃO DA TOTALIDADE DOS VALORES CONSTANTES EM EXTRATO BANCÁRIO – ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO (...) Não se está aqui a afirmar que não se pode cumular omissão de receitas com arbitramento. O que não se admite é fazer coincidir a receita omitida oriunda de depósitos com o próprio lucro arbitrado. A receita omitida detectada pela fiscalização deve compor a receita bruta, base para apuração do lucro arbitrado. Porém, não pode ser considerada como sendo o próprio lucro arbitrado. Vêse, pois, que a atuação tal como tirada é completamente irregular, já que além de confundir receita com lucro, ainda é certo que arbitrou o lucro levando em consideração a totalidade dos depósitos em conta, quando, na verdade, isso não se trata efetivamente de ganho real. Por fim, alega o caráter confiscatório da multa de ofício. 1.2 – DA APLICAÇÃO DE MULTA – VALOR EXORBITANTE – CARÁTER CONFISCATÓRIO – ANULAÇÃO OU REDUÇÃO E conclui: Desta feita, aguarda a Impugnante que seja acolhida a preliminar de NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, ou, caso assim não entendam, no mérito, que sejam acolhidas as razões que fundamentam a presente medida e, por conseguinte, que seja determinado o ARQUIVAMENTO do presente feito, haja vista a demonstração da realidade fática. De todos os responsáveis solidários, apenas a interessada, MARIA NEUSA GUERRA MORTARI, CPF nº 008.852.54813, impugna sua responsabilização solidária realizada pela autoridade fiscal, em síntese, sob as alegações transcritas a seguir: De modo que, seja por qual ângulo analisese a questão, o caso é de anulação do termo, já que: 1) Os bens do sócio não se confundem com os bens da pessoa jurídica; 2) A responsabilidade do sócio é meramente subsidiária e não solidária, conforme quer fazer crer a fiscalização; 3) Não há nos autos nenhum elemento ou indício que demonstre excesso de poderes, ou gestão fraudulenta que possa implicar em qualquer responsabilidade solidária do sócio; 4) Não existe previsão legal para arrolamento de bens do sócio, já que a MP nº 449, de 2008 não foi convertida em Lei; 5) A partir da entrada em vigor da Lei nº 11.941/09, a Lei nº 9.532/97 não mais contemplou a possibilidade de arrolamento de bens e direitos dos responsáveis tributários; Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.220 10 As impugnantes não anexam qualquer documentação comprobatória às suas peças. Em julgamento realizado em 22 de junho de 2017, a 1ª Turma da DRJ/JFA, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0963.600 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 BASE DE CÁLCULO. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. Enseja o arbitramento do lucro, que deve ter por critério preferencial a receita bruta, quando esta é conhecida, o fato de o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado por diversas vezes, bem como o de sua escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reiterase a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reiterase a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011, 2012 Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.221 11 DO LANÇAMENTO DECORRENTE. COFINS. Não havendo mais argumentos específicos, no que diz respeito aos lançamentos decorrentes, reiterase a aplicação do que foi decidido quanto à exigência principal (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. É cabível o lançamento do IRRF sobre os valores pagos a beneficiários não identificados ou cuja causa o contribuinte não logrou comprovar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIO GERENTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN, resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN. MULTAS E JUROS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. À autoridade tributária em procedimento fiscal cabe o estrito cumprimento das determinações legais. À autoridade tributária não cabe declarar a inconstitucionalidade de normas legais no intuito de afastar sua aplicação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA REPRESENTATIVIDADE. NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE Verificada a lacuna na comprovação da representatividade da pessoa física autuada e esta, após intimação para o saneamento da falha processual, não o providencia, tornase revel, uma vez que a lide sequer fora instaurada. IRRF. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. COBRANÇA IMEDIATA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, devendo ser objeto de cobrança imediata em autos apartados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.222 12 A contribuinte, os responsáveis solidários Maria Neusa Guerra Mortari e o Sr. Dalmir Mortari apresentaram juntos um Recurso Voluntário às efls. 1.144 e ss, atendose aos seguintes pontos: da preliminar de nulidade do auto de infração; do mérito da ilegitimidade constitucional e incompatibilidade com o art. 43 do CTN; da inaplicabilidade da Taxa Selic; Arquivamento do auto de infração. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 16/03/2018. É o relatório. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.223 13 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, relativo ao anocalendário de 2011 e 2012, totalizando o crédito tributário de R$44.770.078,00, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. Ela e os responsáveis solidários foram cientificados do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimados ao recolhimento dos débitos em 30/08/2017 (efls. 1141) e em 18/08/2017 (efls. 1138/1140), e apresentou em 13/09/2017, recurso voluntário. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Entretanto, importante de início ressaltar que, em que pese o Recurso Voluntário apresentado tenha sido em nome da contribuinte e de dois responsáveis solidários, Sra. Maria Neusa Guerra Mortari e Sr. Dalmir Mortari, nenhuma das razões deve ser conhecida, primeiro porque o Sr. Dalmir não apresentou impugnação, e segundo porque a impugnação apresentada pela Sra. Maria Neusa não foi conhecida pela DRJ e nas Razões Recursais não há um parágrafo sequer acerca da responsabilidade. Assim, quanto aos responsáveis solidários não há o que se analisar. A ação fiscal identificou omissão de receitas em razão de receitas auferidas e não tributadas em 2011 e 2012. Preliminar de nulidade do auto de infração Alega a recorrente em sede de preliminar, que o auto de infração é nulo pois padece de especificação descritiva do enquadramento legal, sem a tipicidade para o caso. Tanto o Auto de Infração, quanto o Termo de Constatação Fiscal bem explicam os fatos e o enquadramento legal que geraram o lançamento, assim, não entendo que tenha ocorrido nenhum tipo de cerceamento de defesa ou falta de fundamentação legal que levasse a isso, ou à nulidade do lançamento. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo ou do lançamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.224 14 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, deixo de conhecer da preliminar argüida. Do mérito O procedimento fiscal teve início em razão de movimentações financeiras incompatíveis, já que para os anos de 2011 e 2012 a recorrente apresentou DIPJs, DCTF e DACON zeradas. Intimado do início do procedimento fiscal, por meio de seus sócios, uma vez que seu endereço cadastral não estava atualizado. Ela apresentou o livro de ISS em folhas soltas de alguns períodos, o que motivou a solicitação dessas informações à Prefeitura Municipal de Santo André. Intimada a apresentar extratos bancários faltantes e ECDs de 2011 e 2012, mesmo reintimada por duas vezes não respondeu de forma plena, entregou um pen drive com planilhas preenchidas como se extratos fossem, e entregou apenas a ECD de 2011 com informações diversas das constantes na DIMOF, levando a fiscalização a emitir o Termo de Constatação e Embaraço à Fiscalização, emitindose as RMF´s na sequência. Posteriormente, com os extratos, após análises e conciliações, verificouse a existência de créditos bancários de origem não identificada e de origem da própria empresa, depósitos em dinheiro, de pessoas físicas e jurídicas vinculadas à fiscalizada, de tal forma que ela foi intimada a justificar e comprovar com documentação hábil e idônea tais origens. Transcorrido o prazo, a fiscalizada não apresentou nenhuma documentação nem solicitou prorrogação de prazo. Constatouse que as DIPJs de 2011 e 2012 foram entregues zeradas, sendo que através da análise das notas fiscais eletrônicas emitidas pela própria empresa chegouse ao faturamento de R$30.495.959,84 e R$16.642.636,89, respectivamente, eliminandose as notas canceladas. De igual forma com a DACON, apresentadas todas zeradas. Bem como a não confissão de nenhum débito em DCTF. O que caracterizou a intenção deliberada da empresa, de se eximir do pagamento de tributos, bem como apresentação de livros contábeis com valores ínfimos ou zerados. Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.225 15 Conforme consta do TCF, a utilização dos artifícios de declarar valores zerados e/ou ínfimos, além da intenção de sonegar tributos, teve a finalidade de evitar que a empresa não ficasse omissa perante o cadastro da RFB, por falta de apresentação das declarações, com a intenção de obter as certidões fornecidas pelo órgão aos contribuintes em dia com as obrigações acessórias e, apresentálas aos seus clientes, que se mostram serem empresas de grande porte, inclusive estatais que provavelmente exigiam tais documentos. Abaixo, a divergência entre os extratos bancários e a própria ECD apresentada: Diante das divergências, bem como não da não entrega da ECD de 2012, não restou outra opção à fiscalização senão o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, I do RIR/99. Dessa forma, correta a aplicação do art. 530, I do RIR, o lucro arbitrado: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º ): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; A autoridade tributária apura trimestralmente o lucro arbitrado com base na receita bruta conhecida, em consonância com as determinações legais consolidadas nos arts. 530 e 532 do RIR/99. Veja que não há na legislação tributária qualquer impedimento para o arbitramento de ofício com base na receita bruta conhecida. Pelo contrário, quando possível, esse deve ser o critério preferencialmente adotado, a teor dos arts. 16 da Lei n.º 9.249/95 e 27 da Lei n.º 9.430/96 e dos arts. 532 e 535 do RIR/99. Assim, não há que se falar em nulidade no arbitramento realizado. Quanto ao mérito propriamente dito, a recorrente alega que os depósitos não podem servir de base para o lançamento pois não se perfazem em renda nos termos do art. 43, do CTN, bem como de que os depósitos bancários não estariam individualizados. A DRJ em sua decisão já afastou tal alegação: Quanto à alegação de que a autoridade fiscal não individualiza os depósitos bancários objetos da autuação, verificamos, conforme item 3.3 (fl. 696) do Termo de Constatação Fiscal e Responsabilidade Tributária, que o montante objeto de lançamento foi obtido por meio do Demonstrativo de Créditos Bancários a Comprovar, anexo ao Termo de Intimação Fiscal, fls. 629/652, Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.226 16 o qual não foi respondido pela autuada. Neste demonstrativo constam todos os créditos individualizados por lançamento, banco, data etc. Portanto, não procede a alegação da contribuinte. Ademais, conforme relata em seu Termo de Constatação Fiscal e Responsabilização Solidária, efetua as intimações com a devida atenção aos procedimentos prescritos nos manuais de fiscalização, oportunizando por mais de uma vez a contribuinte a apresentar sua documentação contábil e fiscal, bem como a prestar os necessários esclarecimentos a respeito de sua movimentação financeira. No que tange à omissão de receitas propriamente dita, a recorrente não comprovou a origem dos recursos, em sua alegação afirma que o ônus da prova é do Fisco. Ademais, no que tange à presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96, diversamente do alegado pela recorrente de que não haveria respaldo legal, cabendo a comprovação ao contribuinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 19515.720734/201611 Acórdão n.º 1301003.222 S1C3T1 Fl. 1.227 17 § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, sem trazer nenhuma comprovação da origem dos depósitos, de se manter o lançamento. Da inaplicabilidade da taxa Selic Também é sedimentado o entendimento acerca da aplicabilidade da taxa Selic, nos termos da Súmula CARF 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da natureza Confiscatória da Multa Alega ainda excesso de penalidade, e pugna pela aplicação tãosomente de 20%, penalidade moratória. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário apenas da pessoa jurídica, afastar a preliminar arguida e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003948/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
O artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE.
Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei, por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Todavia, se não devidamente comprovada tal situação, descabe a responsabilização solidária.
Numero da decisão: 1402-003.214
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, negar o pedido de diligência, e no mérito dar provimento parcial, afastando a responsabilidade solidária do Sr. Gustavo Carvalho Valverde. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei, por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Todavia, se não devidamente comprovada tal situação, descabe a responsabilização solidária.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei, por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Todavia, se não devidamente comprovada tal situação, descabe a responsabilização solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, negar o pedido de diligência, e no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 48 /2 00 7- 20 Fl. 435DF CARF MF 2 mérito dar provimento parcial, afastando a responsabilidade solidária do Sr. Gustavo Carvalho Valverde. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.003948/200720 Acórdão n.º 1402003.214 S1C4T2 Fl. 436 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 10a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte acima mencionado. O recurso voluntário foi apresentado por um dos responsáveis solidários arrolados na autuação fiscal, Sr. Gustavo Carvalho Valverde. Tanto a pessoa jurídica, contribuinte principal e o outro responsável solidário não apresentaram recurso voluntário. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa Integração Social PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e Contribuição para Financiamento Seguridade Social Cofins, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002 e 2003, acrescidas de multa qualificada e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 4.351.636,45, entre principal, multa e juros corrigidos até dezembro/2007. Em essência, decorreram de depósitos bancários não comprovados sua origem, que ensejaram além do lançamento fiscal, o arbitramento do lucro. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativamente aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2002 e 31/12/2003 (fls. 157 a 195). No Termo de Constatação Fiscal nº 003 (fls. 151 a 156), a fiscalização relata que a contribuinte em epígrafe se encontra na situação cadastral INAPTA desde 07/04/2005, por prática de irregularidades no comércio exterior (fls. 10). Acrescenta que ela foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização em 15/09/2006 por meio do Edital nº 66/2006 (fls. 06), visto que a correspondência enviada ao endereço cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB retornou à fiscalização (fls. 07). Informa ainda que, no referido termo, constava intimação para apresentação de livros contábeis e fiscais, além de extratos de contas bancárias (fls. 05). Considerandose a falta de atendimento à intimação, não restou alternativa à fiscalização senão solicitar as informações bancárias da empresa por meio da Fl. 437DF CARF MF 4 Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF nº 08.1.90.00 2006006425, dirigida ao Banco do Brasil S/A (fls. 25 e 26). Com base nos extratos bancários fornecidos pela instituição financeira (fls. 54 a 124), a fiscalização relacionou os valores creditados na conta corrente e intimou a empresa a justificar a origem desses créditos, por meio do Edital nº 45/2007, afixado na Defis/SPO em 24/04/2007, visto que a correspondência encaminhada ao representante legal da contribuinte retornou à fiscalização (fls. 125 a 145). Não tendo a contribuinte se manifestado, restou caracterizada a omissão de receitas, conforme previsão contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro, com base no art. 530, III, do Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), visto que a contribuinte não apresentou os livros contábeis e fiscais quando intimada. Além disso, a empresa apresentou Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica, nas quais informou ter permanecido inativa nos períodos fiscalizados (fls. 15 a 19). De acordo com a Ficha Cadastral fornecida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP (fls. 09), a fiscalizada tem como sócias duas empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, a saber: Muro Holdings Inc e Zimani Investments Inc, sendo o Sr. João de Moura Soares procurador de ambas as empresas. Por sua vez, a instituição financeira Banco do Brasil S/A encaminhou a documentação relativa ao cadastro da empresa, na qual constam: i) cartão de autógrafos relativos à conta corrente da fiscalizada com assinaturas do Sr. João de Moura Soares (fls. 28); ii) tradução juramentada de procurações que nomeiam o Sr. João de Moura Soares procurador das empresas Muro Holdings Inc. e Zimani Investments Inc., conferindolhe amplos poderes de gestão (fls. 32 a 41); iii) procurações outorgadas ao Sr. Gustavo Carvalho Valverde, dandolhe poderes para efetuar movimentações financeiras em nome da fiscalizada (fls. 29 a 31). Assim, a fiscalização imputou a responsabilidade tributária solidária ao Sr. João de Moura Soares e ao Sr. Gustavo Carvalho Valverde, nos termos dos artigos 124, 135 e 137 do Código Tributário Nacional – CTN e do art. 210, inciso V e parágrafos, do RIR/99, tendo lavrado os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 199 a 206). Diante dos fatos acima expostos, foram lavrados autos de infração para a exigência dos tributos, juros de mora e multa de ofício, nos valores a seguir discriminados: (...) A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 18/12/2007 por meio do Edital nº 163/2007, afixado em 03/12/2007 na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – Defis/SPO (fls. 207). O responsável solidário Gustavo Carvalho Valverde foi intimado por via postal em 12/12/2007, de acordo com o aviso de recebimento de fls. 203, e o responsável solidário João de Moura Soares foi intimado pelo Edital nº 164/2007, afixado em 04/12/2007 na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – Defis/SPO (fls. 206). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.003948/200720 Acórdão n.º 1402003.214 S1C4T2 Fl. 437 5 Nos autos do presente processo consta uma única impugnação, apresentada pelo responsável solidário GUSTAVO CARVALHO VALVERDE em 11/01/2008 (fls. 212 a 228). O impugnante alega ser indevida sua indicação como responsável solidário pelos créditos tributários lançados, visto que era apenas funcionário da empresa autuada, não possuindo poderes de gerência e administração. Acrescenta que não restou caracterizada a hipótese prevista no art. 135 do CTN, pois não agiu com excesso de poderes nem cometeu infração à lei ou ao contrato social. O impugnante também alega nulidade dos autos de infração por eles terem se baseado exclusivamente em depósitos efetuados em contas bancárias da pessoa jurídica. Argumenta que os depósitos não constituem fatos geradores dos tributos exigidos, sendo imprescindível a comprovação de que os valores depositados foram utilizados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Alega também que não possui qualquer documento relativo à empresa autuada e requer que a mesma seja intimada para a apresentação dos documentos contábeis pertinentes, sob pena de nulidade do processo administrativo por cerceamento do direito de defesa. O impugnante também se insurge contra a exigência da multa de ofício no percentual de 150%, alegando que tal exigência constitui afronta aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Ante o exposto, o impugnante requer seja afastada sua responsabilidade tributária, reconhecendose sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo deste processo administrativo. Caso não seja acolhido tal pedido, requer seja acolhida a preliminar de nulidade dos autos de infração por terem sido efetuados exclusivamente com base em depósitos bancários, ou, ao menos, seja reduzida a multa aplicada e determinada intimação à pessoa jurídica para comprovar a origem dos depósitos. Por fim, requer sejam julgados improcedentes os autos de infração, cancelandose os créditos tributários e arquivandose o presente processo administrativo. Encontrase apenso a este, o processo administrativo nº 19515.003950/2007 07, relativo à Representação Fiscal para Fins Penais. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de receita Fl. 439DF CARF MF 6 com base nos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei, por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. DILIGÊNCIA. A diligência requerida na impugnação pode ser indeferida pela autoridade julgadora de primeira instância se esta a considerar prescindível ou impraticável. Lançamento Procedente. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: em preliminar, decidiu pela admissibilidade da legitimidade do responsável solidário para se manifestar nos autos, com base na Lei nº 9.784/1999, nos seus arts. 9º e 58. Tal lei subsidia o DecretoLei nº 70.235/1972, em que neste inexistiria previsão para tal legitimidade; negou pedido formulado pelo responsável que a empresa seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios da origem dos depósitos bancários, já que não os tem, pois é um exfuncionário da mesma. A autoridade julgadora a quo entendeu que tais provas documentais deveriam ter sido apresentadas durante o procedimento fiscal ou juntamente com a impugnação, além do mais consta nos autos que empresa não foi localizada, está na condição de inapta no cadastro da RFB e entregou declaração de inativa, e seus sócios são duas pessoas jurídicas sediadas no exterior. Os autos já tem o bastante para formação da convicção necessária; os Srs. João de Moura Soares, e Gustavo Carvalho Valverde, foram arrolados como responsáveis solidários, nos termos dos art. 124, 135 e 137 do CTN. Apenas o Sr. Gustavo apresentou impugnação, na qual contesta o auto de infração e sua condição de responsável. O Sr. Gustavo, que apresentou impugnação, era o responsável pela movimentação financeira da empresa em foco, com procuração, cujos sócios eram de paraísos fiscais. Destarte, entendeu correta a imputação de responsabilidade tributária; quanto à alegação de que houve nulidade da autuação fiscal por terem sido baseados exclusivamente em depósitos, o v. acórdão rechaçou por entender que o art. 42 da Lei Fl. 440DF CARF MF Processo nº 19515.003948/200720 Acórdão n.º 1402003.214 S1C4T2 Fl. 438 7 nº 9.430/1996 dá amparo legal necessário para a presunção legal. De resto, totalmente procedente o lançamento tributário; da multa de ofício qualificada, alegou a impugnante que seria inconstitucional, o que não entendido que não caberia ao órgão julgador administrativo apreciar tal tipo de pleito. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 11/03/2009, o responsável solidário, Sr. Gustavo Carvalho Valverde apresentou recurso voluntário em 09/04/2009. Tanto a recorrente, pessoa jurídica, quanto o Sr. João de Moura Soares não apresentaram recurso voluntário. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: requer nulidade da notificação de lançamento efetuado contra ele, pessoa física, pois se trataria de um exfuncionário, o que não poderia lhe ser imputado a responsabilidade em relação aos débitos tributários da pessoa jurídica. Argui que não houve tentativa de ciência da pessoa jurídica e seus sócios, e que o dirigente da empresa é o Sr. João de Moura Soares, e foi quem lhe outorgou procuração, com poderes limitados; houve nulidade do auto de infração, por usar como critério da apuração da base de cálculo exclusivamente os depósitos bancários, o que violaria o princípio da tipicidade fechada. No seu entender, seria pacífico que não se pode constituir crédito tributário baseado apenas em depósitos bancários, remetendo a citação de decisões na sua peça impugnatória; informa que não teve acesso às informações contábeis da pessoa jurídica autuada, porque apenas trabalhou na mesma por um curto período de tempo, e requere que seja determinado a intimação da pessoa jurídica ou suas sócias para apresentem os documentos contábeis pertinentes; a multa aplicada seria abusiva e inconstitucional, indo de encontro ao princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Ao final, pede: À vista do exposto, requer seja conhecido e provido na sua totalidade o Recurso Voluntário ora interposto, a fim de que seja acolhida a preliminar de nulidade da notificação de lançamento efetuado contra o exfuncionário, na qualidade de mandatário GUSTAVO CARVALHO VALVERDE, reconhecendose, conseqüentemente, a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo do processo administrativo fiscal sob julgamento. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, apresentado exclusivamente por um dos responsáveis solidários arrolados na autuação fiscal, Sr. Gustavo Carvalho Valverde, foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de receitas omitidas, decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002 e 2003. Houve o arbitramento do lucro, foi aplicada multa qualificada e foram arrolados como responsáveis solidários os Srs. Gustavo Carvalho Valverde e João de Moura Soares. A peça impugnatória foi apresentada apenas pelo Sr. Gustavo, em que se insurge da sua indicação como responsável solidário pela autuação fiscal. Argui que o auto de infração seria nulo, por se basear em depósitos bancários. Alega não possuir qualquer documento da pessoa jurídica, e requer que seja intimada a mesma para apresentação dos documentos contábeis. Evoca a inconstitucionalidade da multa aplicada. A instância a quo decidiu em negar provimento integral à peça impugnatória, negando a diligência requerida, mantendo o auto de infração e as responsabilidades atribuídas, bem como a multa qualificada. Na peça recursal apresentada pelo Sr. Gustavo, repisa praticamente os mesmo argumentos e elementos da sua peça impugnatória, não havendo nenhuma diferenciação a se destacar. Das questões suscitadas na peça recursal do recorrente, Sr. Gustavo Carvalho Valverde, atribuído como responsável solidário: Preliminares das nulidades invocadas na peça recursal Primeiramente, na sua peça recursal, o Sr. Gustavo alega como nulidade o fato de estar atribuído como responsável tributário e o critério de apuração da base de cálculo com base em depósitos bancários. Entendo que tais matérias são inerentes à completude e adequação dos autos de infração aplicados, e serão analisados não como preliminares. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.003948/200720 Acórdão n.º 1402003.214 S1C4T2 Fl. 439 9 A questão da responsabilidade tributária se sujeita ou não a questão de exoneração de responsabilidade, e o critério da apuração da base de cálculo com base em depósitos bancários é uma questão de fundo material da autuação fiscal. Para tanto, REJEITO AS PRELIMINARES de nulidade suscitadas. requerimento de diligência perante a pessoa jurídica O recorrente responsável solidário informa que não teve acesso às informações contábeis da pessoa jurídica autuada, porque apenas trabalhou na mesma por um curto período de tempo, e requere que seja determinado a intimação da pessoa jurídica ou suas sócias para que apresentem os documentos contábeis pertinentes. Contudo, a autuação fiscal envolve presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, em que envolve inversão do ônus da prova, cabendo a demonstração que os valores a crédito na contacorrente não são receitas ao contribuinte. No caso, tal direito foi oferecido ao contribuinte, contudo, não restaram respondidos, até porque a pessoa jurídica está na condição cadastral de inapta, não sendo localizado no seu endereço informado na Secretaria da Receita Federal. Os sócios são pessoas jurídicas sediadas no exterior, e o seu representante legal da empresa, residente no Brasil, Sr. João de Moura Soares não foi localizado. Todos acabaram sendo cientificados via edital, após tentativas frustradas de serem localizados via intimação postal, conforme consta nos autos. O único localizado e que recebeu o auto de infração foi o Sr. Gustavo, após ser identificado ter procuração para movimentação bancária junto à instituição financeira que a pessoa jurídica detinha conta corrente. Tal situação foi entendida pela autoridade fiscal como ensejadora de uma responsabilidade maior do mesmo na pessoa jurídica autuada, e para tanto foi arrolado também como responsável solidário. De certa maneira, a autoridade fiscal autuadora estava correta em assim agir, pois o Sr. Gustavo acabou se manifestando nos autos, tanto no sentido de buscar a exoneração da sua responsabilidade quanto no mérito da autuação fiscal. Assim, restaria improdutiva, conforme demonstrado nos autos, nova intimação fiscal, que já foi feita pela autoridade fiscal, para apresentar os documentos contábeis pertinentes. Ademais, os elementos necessários para formação de convicção do julgamento já constam nos autos. Por conseguinte, INDEFIRO o pedido de diligência suscitado pela recorrente responsável solidária. alegação de nulidade do critério de apuração da base de cálculo com base em depósitos bancários Fl. 443DF CARF MF 10 Alega a recorrente responsável solidária que seria nulo o auto de infração, por usar como critério da apuração da base de cálculo exclusivamente os depósitos bancários, o que violaria o princípio da tipicidade fechada. No seu entender, seria pacífico que não se pode constituir crédito tributário baseado apenas em depósitos bancários, remetendo a citação de decisões na sua peça impugnatória. Como já mencionado anteriormente, entendo que o caso não é de nulidade e sim de mérito, e como nulidade já o rejeitei. No mérito, não coaduno com tal alegação, pois a natureza dos valores autuados é de receita omitida, decorrente de depósitos bancários não comprovados sua origem, e sua aplicação está regrada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração da feita da Lei nº 9.481/1993, em que versa já no caput e § 1º, o seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Ou seja analisandose a autuação, foi aplicado pela Autoridade Fiscal uma presunção prevista em lei para apuração dos valores omitidos. Esta presunção acarreta na situação da inversão do ônus probatório, devendo o contribuinte demonstrar que os valores creditados não são receitas omitidas. A jurisprudência suscitada na sua peça recursal é baseada em fatos geradores anteriores à edição da Lei nº 9.430/1996, e não são aplicáveis ao caso concreto. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. alegação da indevida responsabilidade atribuída A recorrente responsável solidária requer nulidade da autuação fiscal efetuada contra ela, pessoa física, pois se trataria de um exfuncionário, o que não poderia lhe ser imputado a responsabilidade em relação aos débitos tributários da pessoa jurídica. Argui que não houve tentativa de ciência da pessoa jurídica e seus sócios, e que o dirigente da empresa é o Sr. João de Moura Soares, e foi quem lhe outorgou procuração, com poderes limitado. Como já exposto anteriormente, não entendo a análise deste ponto como de nulidade, e já o rejeitei nas preliminares. Parto para a análise se cabe ou não a sujeição passiva solidária do Sr. Gustavo. Sobre o tema, o termo de constatação fiscal versa o seguinte: 6 Procuradores junto ao Banco Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.003948/200720 Acórdão n.º 1402003.214 S1C4T2 Fl. 440 11 Os trabalhos foram desenvolvidos focalizados na empresa já declarada anteriormente como "INAPTA", em razão de trabalho anterior ter assim concluído pela não localização da empresa e seus sócios. Após havermos obtido cópia de procuração junto ao Banco do Brasil S.A, pudemos conhecer os responsáveis pela movimentação de recursos, ou seja, quem assinou os cheques e outros documentos junto ao aludido banco. Pelas cópias das procurações traduzidas pela sra. NICOLA JEAN SHELLARD, Tradutora Pública Juramentada, matricula 1502, JUCESP, (fls. 32/41), as sócias estrangeiras "MURO HOLDINGS INC" e "ZIMANI INVESTMENTS INC" nomearam para representálas, o sr. JOÃO DE MOURA SOARES, passaporte brasileiro n° CH752775. O referido procurador, outorgou procurações ao sr. GUSTAVO CARVALHO VALVERDE, CPF 055.533.26591, (fls.29/31) com diversos poderes, incluindo movimentação de conta bancária, com prazo de 2001 até 31122004. 7 Responsabilidade solidária Tratandose de empresa não localizada, cujos sócios inclusos no contrato social, "MURO HOLDINGS INC" e "ZIMANI INVESTMENTS INC" são sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, restou a imputação de responsabilidade aos representantes nomeados por procurações. As procurações outorgadas pelas sócias, "MURO HOLDINGS INC" e "ZIMANI INVESTMENTS INC", ao sr. JOÃO DE MOURA SOARES, prescrevem: "1. transacionar, gerenciar, executar e tratar de todos e quaisquer assuntos comerciais e coisas necessárias ou de qualquer forma que seja relacionados ou referentes aos negócios e assuntos da Empresa, e para tais propósitos conduzir toda a correspondência pertinente a tais negócios e assuntos." As procurações continuam relacionando os poderes outorgados, chegando a 25 (vinte e cinco) itens. Transcrevemos apenas o primeiro item, pois o mesmo demonstra a amplitude de poderes outorgados, inclusive mencionando expressamente a palavra "gerenciar". Fica patente que o procurador nomeado assumiu toda responsabilidade em nome da empresa. Além do referido cidadão, encontramos o nome do Sr. GUSTAVO CARVALHO VALVERDE, que recebeu procuração com diversos poderes, inclusive tendo assinado a maioria dos cheques emitidos no período. Portanto, nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo) c/c os arts. 135 (Responsabilidade de Terceiros) e 137 (Responsabilidade por Infrações) do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66 e art. 210, inciso V, e parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99) e ante os fatos descritos no presente termo, tipificados, em tese, como Crimes contra a Ordem Tributária na Lei n° 8.137/90, arts 1o e 2o, restou caracterizada a sujeição passiva solidária de cada um dos procuradores, abaixo identificados, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa "ZWROX DISTR.DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA" CNPJ 01.633.178/0001 32. Fl. 445DF CARF MF 12 Nome/Nome empresarial CPF/CNPJ JOÃO DE MOURA SOARES 161.858.20544 GUSTAVO CARVALHO VALVERDE 055.533.26591 Para as formalidades legais, os responsáveis acima, serão CIENTIFICADOS em apartado pelo "Termo de Sujeição Passiva Solidária" da exigência tributária decorrente dessa ação fiscal relativamente aos tributos: IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente termo serão entregues em anexo. O recorrente responsável já suscita nulidade de tal posicionamento na peça acusatória na sua peça impugnatória, o qual foi decidido pela instância a quo nos seguintes termos: Nesse ponto, é importante esclarecer que, paralelamente à fiscalização que originou o presente processo, foram também fiscalizadas as empresas Sttutgart Química Ltda. e Welston do Brasil Ltda., conforme informado na Representação Fiscal para Fins Penais (fls. 1 a 8 do processo apenso nº 19515.003950/200707). Esses procedimentos fiscais deram origem aos processos administrativos para exigência de créditos tributários de números 19515.003947/200785 e 19515.003949/200774 e às respectivas Representações Fiscais para Fins Penais, formalizadas nos processos de números 19515.003951/200743 e 19515.003952/200798. Tais processos estão sendo julgados nesta mesma sessão de julgamento. Relata a fiscalização que o procedimento fiscal foi efetuado em face da apuração de fraudes e sonegação por um grupo de empresas do setor de produtos químicos. Acrescenta que “a característica comum as empresas do grupo, revestese na constituição de empresas com sede em paraíso fiscal (Ilhas Virgens Britânicas) e a nomeação de ‘interpostas pessoas’, funcionando por um pequeno período, deixando de recolher os tributos devidos.” (fls. 03 do processo apenso nº 19515.003950/200707). Ressaltese que o impugnante era o responsável pela movimentação financeira das três empresas: Zwrox Distribuidora de Produtos Químicos Ltda, Sttutgart Química Ltda e Welston do Brasil Ltda, conforme se verifica nas cópias de procurações extraídas dos processos de números 19515.003947/200785 e 19515.003949/200774 (fls. 270 e 271). Assim, resta evidenciado, que, ao contrário do que alega, o impugnante não era mero funcionário da autuada com a função de operacionalizar determinadas atividades, mas era o responsável pela sua movimentação financeira. Na sua peça recursal, a atribuída como responsável solidária reitera o seu posicionamento da peça impugnatória, informando, sucintamente, o seguinte: não houve tentativa de ciência da pessoa jurídica, ZWROX; que o dirigente da ZWROX era o Sr. João de Moura Soares, que assinou procuração para ele, e sua relação seria de cunho meramente trabalhista; não teria poderes de gerência e administração, mas apenas os restritos ao instrumento de mandato com validade até 31/12/2004; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 19515.003948/200720 Acórdão n.º 1402003.214 S1C4T2 Fl. 441 13 além do mais, se não bastasse o fato de nunca ter sido administrador e nem sócio, não poderia lhe ser atribuída responsabilidade com base em excesso de poderes, infração à lei ou contrato social. Compulsando os autos, verifico e entendo que não restou satisfatoriamente comprovada a responsabilidade solidária do Sr. Gustavo Carvalho Valverde . O fato de ser procurador da empresa e responsável pela movimentação na contabancária, entendo, por si só e baseado com que consta nos autos, não autoriza a concluir que seria o Sr. Gustavo o preposto nas operações ou até mesmo partícipe e beneficiário dos resultados advindos da pessoa jurídica autuada. Deveria a autoridade fiscal autuadora ter aprofundado nas análises e provar, ao menos, por amostragem, que ele era o verdadeiro responsável pela operação da empresa, ou que recebia participação nos resultados. Contudo, não foi trazido aos autos vínculos maiores do responsabilizado, sejam contratos com terceiros, cópia de cheques por eles emitidos com finalidades especificas e irregulares, ou em benefício próprio. Por conseguinte, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item, afastando a responsabilidade do Sr. Gustavo Carvalho Valverde. alegação da multa qualificada abusiva e inconstitucional Na sua peça recursal, alega a recorrente responsável solidário que a multa seria abusiva e inconstitucional, indo de encontro ao princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Todas as alegações pertinentes a esta imputação se centram nesta linha de defesa, do âmbito constitucional da multa aplicada, e em nenhum momento rechaça porque seria indevido a atribuição de multa qualificada. Nesta linha de defesa, exclusivamente adotada na sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO desta matéria do recurso voluntário. Fl. 447DF CARF MF 14 Conclusão: Voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário, rejeitar as preliminares, negar o pedido de diligência, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, afastando a responsabilidade solidária do Sr. Gustavo Carvalho Valverde. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904655/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2003
DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento.
INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIREITO.
O contribuinte tem direito à repetição/compensação de indébito tributário decorrente de erro na apuração, declaração e pagamento da contribuição devida mensalmente, devidamente comprovado mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2003
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL
Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp) apresentada/transmitida pelo contribuinte, homologa-se a compensação do débito fiscal declarada até o limite do crédito financeiro suplementar que lhe foi reconhecido.
Numero da decisão: 9303-006.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2003 DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIREITO. O contribuinte tem direito à repetição/compensação de indébito tributário decorrente de erro na apuração, declaração e pagamento da contribuição devida mensalmente, devidamente comprovado mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/09/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp) apresentada/transmitida pelo contribuinte, homologa-se a compensação do débito fiscal declarada até o limite do crédito financeiro suplementar que lhe foi reconhecido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIREITO. O contribuinte tem direito à repetição/compensação de indébito tributário decorrente de erro na apuração, declaração e pagamento da contribuição devida mensalmente, devidamente comprovado mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp) apresentada/transmitida pelo contribuinte, homologase a compensação do débito fiscal declarada até o limite do crédito financeiro suplementar que lhe foi reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 46 55 /2 00 9- 61 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10530.904655/200961 Acórdão n.º 9303006.850 CSRFT3 Fl. 254 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380303.063, de 24/05/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, conforme ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 COFINS CUMULATIVA. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. INAPLICABILIDADE DE LEI. A Cofins instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. Tratase de matéria objeto de repercussão geral já admitida pelo STF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2003 REPERCUSSÃO GERAL. RE nº 585.235. Consoante o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática prevista no art. 543B da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF." O Colegiado da Câmara baixa, por unanimidade de votos, reconheceu o direito de o contribuinte repetir/compensar o valor de R$ 11.922,96, decorrente do pagamento indevido da Cofins sobre receitas não operacionais e decidiu, por unanimidade de votos "DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, no sentido de acatar a compensação do indébito decorrente de recolhimentos da Cofins incidente sobre receitas financeiras e sobre outras receitas, até o limite do saldo do pagamento que restar após a quitação integral da Cofins incidente sobre o faturamento". No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra a homologação parcial da Dcomp, sob o fundamento da ausência do requisito essencial à sua validade, ou seja, a equivalência entre as informações prestadas na DCTF e na Dcomp apresentadas. No seu Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10530.904655/200961 Acórdão n.º 9303006.850 CSRFT3 Fl. 255 3 entendimento, a DCTF retificadora apresentada depois da intimação do contribuinte, do respectivo despacho decisório que não homologou a Dcomp, não produz efeitos. Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 213/217, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional e, caso seja conhecido, neguelhe provimento, mantendose o acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme consta do despacho decisório recorrido, a DRF homologou parcialmente a compensação sob o fundamento de que o crédito financeiro indicado para a compensação foi utilizado, na sua quase totalidade, para a extinção do débito da própria Cofins declarado na respectiva DCTF, remanescendo saldo disponível de apenas R$ 140,85 que foi então utilizado para compensar parte do débito declarado. Nos julgamentos de processos de Dcomp, a questão de mérito restringese à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. Ao julgar o recurso voluntário, o Colegiado da Terceira Turma Especial analisou os documentos apresentados pelo contribuinte, juntamente com a manifestação de inconformidade, dentre eles, cópia da DCTF retificadora (mês de setembro/2002), demonstrativo de apuração da contribuição sobre as receitas não operacionais (financeiras) e cópia do balancete contábil do mês setembro de 2003, concluiu que esses documentos provam o erro no preenchimento da DCTF para aquele mês¸ ou seja, no valor da Cofins devida e, consequentemente, um indébito tributário, no valor original de R$11.922,96, passível de repetição/compensação. Assim, embora a DCTF tenha sido retificada depois da intimação do contribuinte, do respectivo despacho decisório, levandose em conta o princípio da verdade material, a retificação da declaração deve ser aceita e, consequentemente, reconhecido o direito de ele repetir/compensar o indébito tributário apurado no acórdão recorrido pelo Colegiado da Câmara baixa. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10530.904655/200961 Acórdão n.º 9303006.850 CSRFT3 Fl. 256 4 extinção, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a documentação apresentada pelo contribuinte, juntamente com a manifestação de inconformidade, comprovou o erro no preenchimento da DCTF e, consequentemente, a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. À luz do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911417/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Numero da decisão: 1302-002.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 17 /2 00 9- 16 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 03 53.915, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 4 3 O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp), por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, relativo ao 3º trimestre de 2004, com débitos relativos à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de outubro de 2007. Por meio do Despacho Decisório, a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito, uma vez que o pagamento invocado se encontraria inteiramente utilizado para quitação de débito confessado pelo sujeito passivo. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência de erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao 4º trimestre, e que o valor efetivamente devido teria sido informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2004. Informa, ainda, que promoveu a retificação da citada DCTF, para informar o valor do débito que entende correto. Pediu, por fim, a concessão de prazo adicional de 15 (quinze) dias, para apresentação de "maiores informações e documentos", bem como o direito a produção de provas, com anexação de novos documentos e, inclusive, perícia contábil. O Acórdão recorrido entendeu que a mera alegação de erro, juntamente com a retificação da DCTF, mas desacompanhada da escrituração contábilfiscal e dos documentos hábeis e idôneos que a embasaram, não é capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito informado. Registrou, ainda, que o prazo solicitado pelo sujeito passivo para a apresentação de informações e documentos se esgotou sem que qualquer novo elemento tenha sido anexado aos autos. Regularmente intimado por via postal, em 15/02/2014, da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou Recurso, em 05/03/2014, por meio do qual sustenta que: a) apurou e pagou a maior o IRPJ relativo ao referido trimestre, o qual teria sido corrigido por meio de DIPJ retificadora, juntamente com a apresentação de PER/DComp, na qual compensou o suposto indébito; b) após a não homologação da compensação, promoveu a retificação da DCTF, de modo a compatibilizála com a DIPJ; c) tendo em vista a decisão da DRJ, que considerou insuficiente como prova a DIPJ retificadora, apesar de apresentada antes do PER/DComp, juntou ao Recurso Voluntário outros documentos de amparam seu pleito (Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, bem como Termo de Abertura e Encerramento do referido Livro, contemporaneamente registrado na Junta Comercial); d) as normas que tratam da restituição do imposto pago a maior ou indevidamente não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência do direito creditório, ficando a depender do caso concreto; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 5 4 e) no caso sob análise, o Julgador considerou insuficiente a apresentação da DIPJ e não requereu as diligências necessárias para a produção de provas ou mera confirmação dos créditos, como determina a lei; f) os novos documentos juntados fariam prova da existência do crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.890, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.906679/2009 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, inicialmente, como parte da solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.890), relativamente à preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo: "Ousase discordar do ilustre relator1 no ponto em que entendeu pela impossibilidade de o contribuinte juntar documentos aos autos, após a apresentação da impugnação administrativa. É que, o processo administrativo fiscal é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive, de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou 1 do Acórdão Paradigma. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 6 5 impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que, como mencionado, ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 7 6 efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................. ......................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Não se pode olvidar que, no processo administrativo, não há a formação de uma lide propriamente dita. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. O que não restou feito no presente processo. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 8 7 PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devese admitir a juntada de documentos, que, supostamente, confirmariam o direito creditório do contribuinte. Por todo o exposto, voto por afastar a preliminar suscitada de ofício pelo relator, para conhecer dos documentos acostados aos autos pelo contribuinte quando da apresentação do Recurso Voluntário." Relativamente à admissibilidade do recurso e às questões de mérito, transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, que prevaleceu no voto do relator do Acórdão nº 1302002.890: "I DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31 de janeiro de 2014 [...], tendo apresentado recurso em 05 de março de 2014 [...], dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996, uma vez que os dias 3 e 4 de março de 2014 foram ponto facultativo, conforme Portaria MPOG nº 2, de 3 de janeiro de 2014. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído [...]. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 9 8 Conforme explicitado pela própria Recorrente, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de PER/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. [...] A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da DCTF retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na DIPJ, e que alega ser o correto; além de cópias dos comprovantes de arrecadação dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. [...] Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada. [...] Não procede, também, a alegação trazida no Recurso Voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 10 9 Os dispositivos invocados (arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972) revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando este entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Portanto,[...] concluo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. O Julgador não poderia ter agido de outro modo, frente à ausência de demonstração do crédito invocado pelo sujeito passivo. [...] Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, [...] os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples dos Termos de Abertura e Encerramento de Livro Diário; cópia simples de uma folha (supostamente do referido Livro), na qual se apresenta a Demonstração do Resultado do trimestre relativo ao suposto crédito; cópia simples de uma folha do Livro de Apuração do Lucro Real do referido trimestre; e cópia do recibo de entrega e das Fichas 09A e 12A da DIPJ relativas ao ano calendário de 2004. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária, já que deveriam estar acompanhados das demais folhas do Livro Diário (e do Livro Razão) que comprovassem os valores que compõe a Demonstração do Resultado; do Livro de Apuração do Imposto sobre Mercadorias e Serviços que demonstrasse o montante de receitas auferidas no trimestre em questão; além dos esclarecimentos relativos ao erro supostamente cometido, uma vez que é gigantesca a disparidade entre os valores inicialmente confessados e aqueles posteriormente retificados, e isso para os 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2004. Assim, [...]terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10580.911417/200916 Acórdão n.º 1302002.896 S1C3T2 Fl. 11 10 de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada no PER/Dcomp apresentado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660444/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 44 /2 01 2- 36 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660444/201236 Acórdão n.º 3401004.845 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660444/201236 Acórdão n.º 3401004.845 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660444/201236 Acórdão n.º 3401004.845 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660444/201236 Acórdão n.º 3401004.845 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660444/201236 Acórdão n.º 3401004.845 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660444/201236 Acórdão n.º 3401004.845 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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