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Numero do processo: 10240.001850/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Ementa
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.NÃO CONHECIMENTO.
Numero da decisão: 1202-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer os embargos por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integra o presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.NÃO CONHECIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer os embargos por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integra o presente processo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolado pela contribuinte Rondônia Mercantil Distribuidora Importadora e Exportadora de Produtos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 18 50 /2 00 9- 01 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.150 S1C2T2 Fl. 4 2 Gênero Alimentício e outro, referente ao acórdão nº 1202.000716, proferido em 14/03/2012 por esta câmara. O AR enviado para ciência da decisão proferida em Recurso Voluntário, foi recebido em 22/02/2013, sexta feira (fl. 961), tendo iniciado o prazo para interposição dos Embargos de Declaração em 25/02/2013, segunda feira, imediatamente subsequente à ciência do Contribuinte. Neste sentido, o prazo para interposição dos Embargos de Declaração findou se em 1º de Março de 2013. Do carimbo de recebimento da peça ora analisada pelo Sr. Vagner Jager Limeira de Castro (fl.985), Agente da Receita Federal em Ariquemes, verificase que a mesma foi protocolizada em 05/03/2013, portanto, intempestiva. De outro lado, consta nos autos, certificação da própria Receita Federal em Ariquemes, a certificação de que o documento fora recebido dentro do prazo, em 05/03/2013 (fls. 997). É o Relatório. Voto Os Embargos de Declaração tem um prazo legal de 5 dias para ser protocolizado apontado a omissão, contradição ou obscuridade, conforme o art. 65, § 1º do Regimento Interno e do art. 536 do Código de Processo Civil, que transcrevo abaixo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: e; Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo. (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 1994) A Contribuinte foi intimada em 22/02/2013 da decisão do Acórdão nº 1202.000716, proferido por este Conselho Administrativo, conforme aviso de recebimento juntado à fl. 961. Todavia protocolizou Embargos de Declaração, somente em 05/03/2013, quando este deveria ser protocolizado no dia 01/03/2013, restando certificada a intempestividade. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.150 S1C2T2 Fl. 5 3 No caso em tela, pela análise das datas constantes do processo o protocolo se deu após este lapso temporal, o que o torna intempestivo. Diante do fato demonstrado, votase no sentido de não conhecer do recurso de embargos, por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 13019.000155/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF:
O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF: O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF: O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 9. 00 01 55 /2 00 5- 10 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, intempestivamente, pela contribuinte ITAPINUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRA LTDA. contra o Acórdão nº. 220100.067 (fls. 701/707) deste Colegiado que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto. 2. Transcrevo a ementa da decisão embargada, in verbis: “Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de PIS por falta de previsão legal nesse sentido. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETES VINCULADOS A SUPOSTAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A documentação apresentada pela contribuinte não comprova cabalmente a natureza das operações e, consequentemente, não comprova o direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.” 3. Em suas razões de Embargos Declaratórios (fls. 1117/1122), a contribuinte esclarece que o recurso é tempestivo em razão de ter tomado conhecimento da decisão da qual recorre apenas em 03 de fevereiro de 2012. 4. No mérito, aponta que o acórdão recorrido merece reparação sob o argumento de que o transporte entre filiais para atingir o objetivo social da empresa gera direito de crédito da Cofins nãocumulativa. Cita o acórdão nº 340100.708, que entende ratificar sua tese. 5. Discorre que suas mercadorias eram vendidas para clientes domiciliados no exterior. Enfatiza que a tradição das mercadorias, que se destinavam unicamente à comercialização para o mercado externo, se dava no porto de embarque. 6. Indica, ainda, que o transporte entre as filiais era feito com único objetivo de exportação. 7. Em seu pedido, postula a total procedência do recurso com o consequente reconhecimento do seu direito ao crédito da Cofins nãocumulativa em relação ao custo do frete pelo transporte entre filiais. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 13019.000155/200510 Acórdão n.º 3401002.411 S3C4T1 Fl. 1.137 3 1. Os Embargos de Declaração têm um prazo inadiável de 5 (cinco) dias para ser interposto mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, de acordo com o §1º, do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, transcrito a seguir: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão.” 2. De igual modo, o art. 536, do Código de Processo Civil, prevê o mesmo prazo de 5 (cinco) dias para a interposição dos Embargos Declaratórios. Confirase abaixo: “Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo.” (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 1994) 3. No caso em tela, o protocolo se deu após este lapso temporal, sendo assim intempestivo. A Contribuinte foi intimada da decisão do Acórdão proferido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 06.10.2009, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 710, entretanto, só protocolizou o seu embargo, em 17.02.2012, (fls. 1117), quando este deveria ser protocolizado até o dia 12.10.2009. 4. Impende destacar que a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a si imposto de demonstrar que tomou conhecimento do acórdão recorrido apenas em 03.02.2012, conforme discorre em seu recurso (fls. 1119). 5. Deste modo, não conheço do recurso, por sua intempestividade. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 4 É como voto. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
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Numero do processo: 10680.933033/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
Ementa:
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. (RE nº 566621- RS, de 04/08/2011 - Relatora Ministra Ellen Gracie)
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3402-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira, Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira, Raquel Motta Brandão Minatel.
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(RE nº 566621 RS, de 04/08/2011 Relatora Ministra Ellen Gracie) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira, Raquel Motta Brandão Minatel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 33 /2 00 9- 26 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O interessado transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 31/12/2002. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Alega que a compensação realizada não contempla as situações impeditivas previstas no art.74 parágrafo 3o da Lei n° 9.430, de 1996, e que tem o direito de retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais obrigações acessórias. Requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0234843, de 26 de setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retifícadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 206 3 Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que possui direito ao crédito pleiteado, seja em razão da DCTF retificadora encaminhada, seja em face do seu crédito decorrer do recolhimento a maior, pois o recorrente incluiu erroneamente na base de cálculo do PIS e da Cofins o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, tributandoos, indevidamente, à alíquota de 3% e 0,65%. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, reconhecendo o direito da recorrente à restituição pleiteada. Alternativamente, requer a anulação da decisão da primeira instância e a determinação de diligência para apuração da base de cálculo da exação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Impende suscitar, preliminarmente, uma matéria que prejudica a análise do mérito. Entendo que estamos diante de pedido de restituição prejudicado pelo instituto da decadência, senão vejamos: É de conhecimento geral que o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou a questão da decadência e definiu que o prazo reduzido para repetição do indébito só seria aplicado às demandas protocoladas a partir de 09 de junho de 2005, no acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 566621 RS, de 04/08/2011. Segue o voto condutor do acórdão que fechou a questão do dies a quo e do prazo de repetição do indébito tributário, in verbis: Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamentos por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 § 4º, 156, VII e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 207 4 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Consoante noção cediça, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo artigos 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, por força regimental, sou obrigado a rever minha posição e aplicar a decisão da mais alta Corte Judiciária. Retornando aos autos, o pedido de restituição foi protocolado em 08/04/2009, após a data definida pelo STF para aplicação da LC 118/08, o que determina a observância do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário para fins de decadência do direito à repetição de indébito. Compulsando os autos, identifico que o recolhimento do valor pleiteado deu se em 15/01/2003 e a o pedido de restituição foi transmitido em 08/04/2009. Diante destes fatos jurídicos, é lícito concluir que na data de transmissão do PER/DCOMP estava extinto o direito à restituição do valor relativo ao recolhimento do PIS efetuado em 15/01/2003, objeto desta lide, em face da decadência. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 208 5 Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Diante dessa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Assim sendo, como todo o valor pleiteado foi fulminado pelo instituto da decadência, deixo de apreciar as demais matérias ventiladas no recurso em face da prejudicial de mérito. Por todos os fundamentos expostos, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 28/01/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 209 6 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10930.002166/2003-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 531 1 530 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.002166/200374 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.536 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2014 Assunto IPIRESSARCIMENTO Recorrente MILENIA AGRO CIÊNCIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de IPI (fl. 461), no valor de R$ 1.074.610,14 (R$ 366.254,18 referentes a saldo credor art. 11 da Lei no 9.779/99, e R$ 708.392,08 relativos a crédito presumido Portaria MF no 38/1997), cumulado com declarações de compensação (fl. 4 e fls. 137 a 140). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .0 02 16 6/ 20 03 -7 4 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 532 2 A unidade local, alicerçada no Parecer de fls. 164 a 166, emite o despacho decisório de fl. 167, em 14/05/2008, deferindo parcialmente o pedido (no montante de R$ 831.849,78), que é utilizado na compensação de fl. 4 (totalmente homologada), e na de fls. 137 a 1410 (parcialmente homologada, indicandose restar débito de R$ 324.939,70). No Termo de Diligência Fiscal de fls. 141 a 150, informase que houve acolhida total dos créditos derivados da Lei no 9.779/99, e que, em relação aos demais, fundados na Lei no 9.363/1996, com opção e cálculo pela Lei no 10.276/2001, houve glosa de revendas, pois o crédito é para utilização em processo produtivo. Cientificada do despacho em 29/05/2008 (AR à fl. 236), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 30/06/2008 (fls. 237 a 246), alegando que informou de forma equivocada o período dos créditos (Lei no 10.276/2001) que acabaram indeferidos, que não eram do 1o Trimestre de 2003, mas do 4o Trimestre de 2002, e que devem ser observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, não podendo o erro formal se sobrepor ao direito creditório. Por fim, tendo em conta que o pedido de ressarcimento foi efetuado em 16/06/2003, pede atualização pela Taxa SELIC “do período compreendido entre o direito ao crédito e a sua utilização”, invocando precedentes judiciais. O julgamento de primeira instância ocorre em 15/02/2012 (fls. 310 a 317), decidindo a DRJ unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade. Diante da ausência de impugnação sobre a glosa para operações de revenda, a DRJ considera a matéria incontroversa. No que se refere ao crédito presumido referente ao 4o Trimestre de 2002, afirma que somente o crédito presumido apurado e escriturado no trimestre pode ser ressarcido/compensado, e que não é possível saber se tal crédito já não foi objeto de outro pedido de ressarcimento / compensação (e, ainda que fosse permitido o aproveitamento, a empresa não trouxe documentos necessários à comprovação do direito creditório). Sobre a atualização, a DRJ sustenta que não se aplica a créditos escriturais, na linha adotada na Solução de Consulta COSIT no 19/2002 e nas últimas instruções normativas que disciplinaram a matéria (IN SRF no 900/2008, art. 72; e IN SRF no 600/2005, no 460/2004 e no 210/2002), e que mesmo as atualizações concedidas administrativa e judicialmente partem da data de protocolo dos pedidos, e não da data do crédito. Cientificada da decisão da DRJ (em 27/02/2012, conforme AR de fl. 320), a empresa apresenta recurso voluntário em 23/03/2012 (fls. 321 a 334, com os anexos de fls. 335 a 528), reiterando as considerações sobre o erro formal cometido, e agregando que: (a) é absurda a argumentação de que o fisco não tem como saber se foi feito outro pedido de ressarcimento, pois o próprio sistema da RFB permite a verificação; (b) o recurso tem por objeto o crédito presumido de IPI não reconhecido referente ao 4o Trimestre de 2002, no montante de R$ 232.812,29; (c) a escrituração do crédito no Livro Registro de Apuração só passou a ser exigida com o advento das IN SRF no 419, de 10/05/2004 (crédito da Lei no 9.363/1996) e no 420, de 10/05/2004 (crédito da Lei no 10.276/2001), não podendo a falta de escrituração motivar o indeferimento; (d) o DCP relativo ao 4o Trimestre de 2002 pode excepcionalmente ser entregue no prazo concedido para o 1o Trimestre de 2003 (IN SRF no 314/2003, art. 3o); (e) os documentos que comprovam o valor do crédito estão nos próprios sistemas da RFB, havendo solicitação de cópia pela empresa, sem sucesso; (f) houve erro no cálculo do crédito glosado no DARF que veio anexo ao acórdão da DRJ, restando o valor incompatível com os constantes no processo; e (g) cabe a atualização pela SELIC “sobre todos os créditos do pedido de ressarcimento/compensação, no período compreendido entre a apuração do crédito presumido e a data de protocolo do pedido”. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 533 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O Pedido de Ressarcimento, após sua retificação (fls. 46), se refere tanto a créditos do art. 11 da Lei no 9.779/1999 (R$ 366.254,18, que, deduzidos de R$ 36,12 referentes a operações tributadas, resultam em R$ 366.218,06, integralmente acatados pelo fisco, e que não são objeto de contencioso), quanto a créditos presumidos referenciados à Portaria MF no 38/1997 (dos R$ 708.392,08 demandados no pedido, foram acatados R$ 383.452,38, restando débito a compensar de R$ 324.939,70), e indica, no canto superior direito, que o pedido se refere ao 1o Trimestre de 2003. No Termo de Diligência Fiscal de fls. 141 a 150, narrase que a empresa apresentou cópia de DCP, memórias de cálculos e ficha do razão referente aos períodos solicitados, juntandose ainda cópias do balancete do período analisado. E que no DCP indica se crédito presumido ao final do trimestre de R$ 475.579,79. São glosadas operações de R$ 568.483,17 indevidamente incluídas na conta Receita de Exportação, por estarem em desacordo com a Lei no 9.363/1996 (art. 1o), visto se tratarem de operações de revenda. A glosa fez com que o valor de R$ 475.579,79 resultasse em R$ 465.631,72), e não é objeto de contestação pela recorrente. Portanto, há ausência de litígio à parcela de R$ 9.948,07. O despacho decisório, assim, acolhe quase em sua plenitude as informações registradas pela empresa: dos R$ 366.218,06, acatase tudo, e dos R$ 475.579,79, acatase R$ 465.631,72. Contudo, somando os R$ 366.218,06 com os R$ 475.579,79, chegase a R$ 841.797,90, distante R$ 232.812,30 do valor de R$ 1.074.610,14, demandado no Pedido de Ressarcimento. O despacho decisório foi, assim, corretamente emitido diante das informações prestadas pela postulante. Ocorre que o pedido de ressarcimento excedeu em R$ 232.812,30 os registros contábeis e fiscais do 1o Trimestre de 2003. É somente na manifestação de inconformidade que se descobre o porquê da diferença. Vejase que na peça de defesa a recorrente discute somente e exatamente a quantia de R$ 232.812,30, defendendo que: “...os créditos foram indicados como sendo todos do 1o Trimestre de 2003. Contudo, tal indicação foi efetuada de forma equivocada pela requerente, pois parte destes créditos referese ao 4o Trimestre de 2002, conforme se pode observar dos documentos anexos. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 534 4 Ou seja, a parte não reconhecida como Crédito Presumido de IPI referese, em verdade, ao 4o Trimestre de 2002, motivo pelo qual a Administração Fazendária não reconheceu o crédito pleiteado. Os documentos anexos ao presente demonstram com clareza solar a legitimidade e a origem do crédito presumido de IPI, oriundo do quarto trimestre de 2002. Outrossim, como se observa às fls. 130 a 134 do presente processo administrativo, o crédito tributário referente ao quarto trimestre vinha sendo apresentado para fins de compensação.” (grifo nosso) Há aqui duas informações relevantes. A primeira de que houve um erro no pedido já efetuado e, por consequência, que não se está emendando o pedido (o que seria incabível em tal fase processual). De fato, o valor indicado para o 4o Trimestre de 2002 pela empresa (R$ 232.812,29) difere em um centavo do excesso verificado no Pedido de Ressarcimento (R$ 232.819,30). E os documentos indicados como fls. 130 a 134 (fls. 152 a 156 na paginação eletrônica) mostram que o saldo de R$ 232.812,29 foi apresentado a compensação (embora também na DCOMP a indicação fosse de 1o Trimestre de 2003). A segunda é de que a documentação anexa demonstra a legitimidade e a origem do crédito presumido de IPI oriundo do 4o Trimestre de 2002. São anexados à manifestação de inconformidade (além das identificações e comprovações de representação) os seguintes documentos: (a) cópia recibo de entrega de DCOMP (fl. 306); e (b) cópia de extrato da ficha 07E do Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido de IPI DCP (fl. 307). Não nos parece que as duas folhas de documentos apresentadas demonstrem, ainda mais com “clareza solar”, como alega a recorrente, a legitimidade e a origem do crédito. Quando muito, servem para endossar a coincidência aritmética à qual chegamos anteriormente, no sentido de que deve a empresa ter realmente incluído indevidamente créditos do 4o Trimestre de 2002 no pedido que se referia a créditos do 1o Trimestre de 2003. E a coincidência de montantes, aliada à verdade material, seria caracterizadora de situação a demandar diligência, para verificação do direito creditório, nos mesmos moldes da verificação efetuada para o 1o Trimestre de 2003. Mas não foi esse o entender do julgador de piso. A DRJ, relacionando dispositivos da IN SRF no 33/1999 (que trata de créditos derivados da Lei no 9.779/1999), e as IN SRF no 21/1997, no 210/2002, no 460/2004 e no 600/2005 (que disciplinam em diferentes períodos o ressarcimento, em geral), conclui que apenas os créditos presumidos apurados no trimestrecalendário podem ser objeto de pedido de ressarcimento, e alicerça sua conclusão ainda no art. 11 da Lei no 9.779/1999, afirmando que “tratase de um caso onde a materialidade está subordinada à legislação, mormente a relativa ao período de apuração do IPI e ao próprio texto do artigo 11 da Lei no 9.779/99”. O equívoco agora é do julgador: os créditos derivados do art. 11 da Lei no 9.779/1999 não estão mais em discussão no presente processo. Restaram contenciosos somente os créditos presumidos derivados da Portaria MF no 38/1997 (em verdade, das Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001). O crédito presumido demandado pela empresa é o alternativo, da Lei no 10.276/2001 (art. 1o): Fl. 534DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 535 5 “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. (...)” (grifo nosso) E a Lei no 9.363/1996 dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art.4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2o do art. 2o, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Art.6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” Com a autorização expressa da Lei no 9.363/1996 é editada então a Portaria MF no 38/1997 (posteriormente revogada pela Portaria MF no 64/2003, que já contemplou o crédito presumido alternativo, da Lei no 10.276/2001, por sua vez revogada pela Portaria MF no 93/2004, que, alterada pela Portaria MF no 253/2011, atualmente disciplina a matéria), que consta na motivação do pedido de ressarcimento, datado de 13/06/2003 (fl. 46). Nessas normas se deve buscar, como afirma a lei, “os requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento”. Há confusão, assim, na argumentação do julgador de piso, quando mescla disposições referentes a créditos de natureza distinta. E, sobre as Instruções Normativas gerais Fl. 535DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 536 6 que tratam de ressarcimento (essas sim abarcando ambos os tipos de crédito) não se encontra vedação à operação: os créditos apurados no trimestrecalendário (no caso, 4o Trimestre de 2002) podem ser objeto de ressarcimento se condizentes com as informações constantes em DCP e DCTF do trimestrecalendário de escrituração. A pergunta a ser efetuada, basicamente, é a seguinte: fosse o pedido, desde o início, desmembrado em 4o Trimestre de 2002 (R$ 232.812,29), e 1o Trimestre de 2003 (R$ 366.218,06 + R$ 475.579,79), o que parece ter sido o objetivo da recorrente (embora tenha se equivocado formalmente) faria a empresa jus ao ressarcimento de R$ 232.812,29? Caso a resposta seja positiva, temos que o direito creditório existe , e está sendo negado tão somente por erro formal no pedido. Em relação ao 1o Trimestre de 2003, é preciso recordar que resta incontroverso o direito ao crédito de R$ 366.218,06 e a parte do crédito de R$ 475.579,79 (no valor de R$ 465.631,72). E é essa pergunta que norteia nossa convicção pela necessidade de diligência. A unidade local não analisou qualquer ressarcimento relativo ao 4o Trimestre de 2002 (basicamente porque não percebeu que estava sendo solicitado tal ressarcimento – não por culpa dela, mas por erro formal do postulante). E não se pode afirmar que a demanda em relação aos R$ 232.812,29 constitui um novo pedido, não contemplado no de fl. 46, pois tal valor já estava ali inserido. Os parcos documentos acostados em sede de manifestação de inconformidade são certamente insuficientes à comprovação do direito creditório, mas são aptos a introduzir razoável dúvida no julgador, em virtude da coincidência aritmética de valores. Em sede de recurso voluntário são juntados ainda outros documentos/cópias: DCTF original e retificadora referentes ao 4o Trimestre de 2002 (fls. 338 a 492), PER/DCOMP original e retificadora referentes ao 1o Trimestre de 2003 (fls. 493 a 511), DCP original e solicitação de cópia de retificadora referente ao 4o Trimestre de 2002 (fls. 513 a 522), cópia de folha do Razão contábil (fl. 524) e demonstrativo de cálculo de glosa (fl. 526). A recorrente agrega a ainda a seu recurso voluntário o DARF apresentado para pagamento, que indica, a título de principal, R$ 324.939,70, informando estar incorreto tal valor. Há realmente questão a ser esclarecida sobre o DARF: o pedido de ressarcimento (fl. 46) se refere a R$ 1.074.610,14, dos quais são reconhecidos R$ 366.218,06 (crédito básico) e R$ 465.631,72 (crédito presumido), totalizando R$ 831.849,78 (valor que confere com o deferido no despacho decisório de fl. 167). Subtraindo o valor reconhecido daquele pedido, chegase a R$ 242.760,36, que é exatamente o resultado da soma da glosa pacífica do 1o Trimestre de 2003 (R$ 9.948,07) com o valor que se atribui ao crédito presumido do 4o Trimestre de 2002 (R$ 232.812,29). Esse o montante de crédito indeferido: R$ 232.812,29. Por que então o valor a título de principal no DARF é R$ 324.939,70 e não R$ 242.760,36? Essa é a pergunta da recorrente. A resposta parece derivar da imputação dos créditos às compensações com os débitos, cf. cálculos de fls. 159 a 161, mas tais cálculos não foram suficientemente detalhados. Pelo exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade local conclusivamente verifique a existência de crédito presumido (Lei n. 10.276/2001) em relação ao 4o Trimestre de 2002 que supedaneie o ressarcimento, especificamente no que se refere ao montante de R$ 232.812,29 (pois a tomada em conta de valor que supere tal montante extrapolaria o pedido de ressarcimento de fl. 46, configurando Fl. 536DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 537 7 um novo pedido, que não é passível de análise nessa fase processual), e sua eventual utilização em outra oportunidade (ou disponibilidade), permitindo a resposta à pergunta efetuada há cinco parágrafos, neste voto, e agregando ainda outras considerações que entender necessárias. A verificação deverá tomar em conta os mesmos critérios usados para a análise dos créditos referentes ao 1o Trimestre de 2003 (salvo determinação expressa decorrente de alteração legislativa no período). Por fim, deve a unidade local detalhar matematicamente a motivação da diferença entre o valor a título de principal no DARF apresentado para pagamento e aquele indeferido no pedido de ressarcimento. Após a emissão do relatório de diligência, dêse ciência à recorrente, observandose os ditames do parágrafo único do art. 35 do Decreto no 7.574/2011, para que se manifeste em trinta dias, devolvendose os autos a este colegiado. Rosaldo Trevisan Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000821/2010-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM FOLHA DE PAGAMENTO X GFIP X RAIS X DIRF AO INVÉS DE OMISSÃO DE RECEITA. PROVA. ÔNUS DA RECORRENTE. DIREITO MODIFICATIVO, EXTINTIVO E IMPEDITIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO RESPONSABILIDADE E RISCO DO CONTRIBUINTE RECORRENTE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADOS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM FOLHA DE PAGAMENTO X GFIP X RAIS X DIRF AO INVÉS DE OMISSÃO DE RECEITA. PROVA. ÔNUS DA RECORRENTE. DIREITO MODIFICATIVO, EXTINTIVO E IMPEDITIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO RESPONSABILIDADE E RISCO DO CONTRIBUINTE RECORRENTE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADOS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 08 21 /2 01 0- 37 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 121 2 Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 122 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.258.8077, que objetiva o lançamento das contribuições devidas a terceiros outras entidades e fundos, decorrente da remuneração paga devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados e dos trabalhadores temporários, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 48 a 55, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 23 e 24. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/10/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. O PAF é composto pelos seguintes levantamentos: a) F51 – FOLHA PAGAMENTO FPAS 515; F61 – FOLHA DE PAGAMENTO FPAS 655 e SE1 – SALÁRIO EDUCAÇÃO. Consta, as fls. 56, Termo de Juntada de Processo Secundário pelo qual o presente processo teria sido juntado ao processo nº 11052.000819/201068, em 27/10/2010. O contribuinte apresentou sua defesa, em 22/11/2010, as fls. 59 e 60, acompanhada dos documentos, de fls. 61 a 68. Segundo informação, de fls. 69, o presente crédito encontrase incluído no parcelamento especial da Lei 11.941/2009. As folhas, 70, consta despacho que remeteu o presente a equipe de parcelamento. Informa esta equipe, as fls. 74, que o parcelamento foi cancelado em razão da não apresentação das informações de consolidação e retornou os autos ao contencioso. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 75 e 76. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1551.566 11ª, Turma DRJ/RJ1, em 20/12/2012, fls. 80 a 87. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 01/02/2013, conforme AR, de fls. 90. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 92 a 96, recebido, em 05/03/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 92, acompanhado dos documentos, de fls. 97 a 99; 102 a 104; 114. · que o auto de infração é nulo, pois Leandro Paulsen, René Ávila e Ingrid Sliwka, asseveram que quando indicados inúmeros dispositivos, sem indicações dos especificamente infringidos e a extensão da infração, ocorre cerceamento de defesa, sendo que a Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 123 4 tentativa de listar dispositivos impertinentes a infração demonstra a nulidade do lançamento; · que o auto de infração foi lavrado sobre o instituto da presunção de omissão de receita, porém qual dispositivo legal autoriza apuração de contribuição social previdenciária sob esta justificativa, uma vez que o artigo 18, da Lei 9.317/96 traz os meios, mas não os efeitos desta presunção, sendo tal instituto tratada em lei, pois não há certeza de receita auferida; · que a falta de anexação de documentos relevantes ao processo, também, e causa de nulidade, pois a recorrente deixou de apresentar boa parte da documentação solicitada, tendo em vista que ela se encontrava de posse do fisco municipal, sendo o auto nulo, pois o artigo 9º, do Decreto 70.235/72 diz que é imprescindível a anexação de todos os documentos; · que é garantia fundamental do contribuinte a inafastabilidade da jurisdição, como faculdade de impugnar o ato administrativo por meio de um procedimento ou ir ao judiciário, observando o devido processo legal, a legalidade objetiva, ampla defesa e contraditório, conforme doutrina citada, tendo a CF/88 colocado à disposição dos interessados quase todas as garantias concedidas na via judicial, também, na via administrativa; · que apesar de ser meio informação o procedimento administrativo deve respeitar o devido processo legal, a legalidade objetiva, ficando o poder público impedido de aumentar tributo sem lei anterior que o estabeleça, atendendo, ainda, a ampla defesa e ao contraditório, devendo as garantias fundamentais estarem à disposição dos lesados ou dos ameaçados de sofrerem lesão ao seu direito; · Do pedido: requer a recorrente: a) provimento ao recurso, para reformar a decisão a quo, anulandose o auto de infração, devido a falta de possibilidade de anexação de documentação relevante, notas fiscais em poder do fisco municipal. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 118. Os autos subiram ao CARF, fls. 118. É o Relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 124 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, separando por rubricas a legislação aplicável ao caso de lançamento de contribuição destinada a outras entidades e fundos terceiros em seus vários períodos de regulação, tendo em vista que o lançamento pode retroagir até cinco anos antes a data da lavratura do crédito, sendo que a legislação nacional é fértil em suas alterações e modificações, dando ao contribuinte toda a visibilidade necessária a cumprir os princípios da legalidade, publicidade e impessoalidade do artigo 37, caput, da CRFB/88. No entanto, o Relatório Fiscal REFISC, se destina à narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal e discrimina de forma mais contundente os dispositivos aplicados ao lançamento. Não assistindo razão a recorrente na alegação de excesso de fundamentação legal e muito menos que esta seja impertinente, pois cada qual serve a um fim específico, complementandose, não só a fundamentação como os relatórios. Aliás, a judiciário federal assim já asseverou veja o excerto da aresto transcrito. AGRAVO INOMINADO EXECUÇÃO FISCAL EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE PRESCRIÇÃO INOCORRÊNCIA ART. 174, CTN LANÇAMENTO DE OFÍCIO DESPACHO CITATÓRIO CDA NULIDADE NÃO CONFIGURADA ART. 204, CTN MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO.. . . . 9. A CDA acostada aos autos especifica a natureza do crédito, bem como menciona claramente o embasamento legal em que o mesmo se encontra fundado. Tal inscrição goza de presunção "juris tantum" de liquidez e certeza, ainda identifica de forma clara e inequívoca a dívida exeqüenda, pois discrimina as diversas leis que elucidam a forma de cálculo dos consectários legais. . . . 15.Agravo inominado improvido.(AI 00124249820134030000, DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:06/11/2013 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 125 6 FONTE_REPUBLICACAO:.) (o destaque é meu). Equivocase a recorrente a lavratura do auto infração não esta fundada em presunção de omissão de receita, uma vez que a contribuição para outras entidades e fundos terceiros não depende de receita, mas sim da folha de pagamento, nos termos do artigo 195, I, “a”, da CRFB/88. Aliás, o agente fiscal lançador deixa isso bem claro ao dizer, o que a seguir transcrevo, REFISC, de fls. 48 a 55. 4. O sujeito passivo identificado em epígrafe está sendo notificado, em decorrência da prerrogativa da Receita Federal do Brasil de arrecadar e fiscalizar contribuições devidas às Outras Entidades e Fundos (OEF), as quais se aplicam as regras gerais da contribuição previdenciária, porquanto comuns à base de cálculo, privilégios e garantias conferidos por lei às espécies tributárias, a recolher as contribuições de OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, que lhes prestaram serviços, na forma do artigo 33, par. I o da Lei 8.212, de 24/07/1991, a saber 21. As divergências relativas ao batimento efetuado entre os valores lançados nas folhas de pagamento e os declarados em GFIP são mostrados na Planilha 2 Omissões em GFIP,anexa. Foram utilizados neste batimento os valores de salário de contribuição dos segurados empregados constantes da tabela Mestre da Folha e os descontos de segurados constantes da tabela Itens da Folha, ambos extraídos dos arquivos digitais apresentados pela empresa, atendendo o termo inicial da fiscalização. 22. Na Planilha 2, a coluna "DIVERG BC" lista, por empregado e por competência, as diferenças entre os salários de contribuição registrados nas folhas de pagamento e os declarados em GFIP. Tais diferenças, não declaradas em GFIP ou declaradas com informações inexatas, incompletas ou omissas, constituem as bases de calculo lançadas para levantamento do presente crédito previdenciário. A apresentação dos documentos solicitados pelo fisco no curso da ação fiscal é responsabilidade do contribuinte, não cumpre e não é função do fisco buscar provas para o contribuinte que supostamente estejam na mão de terceiros, pois como disse o órgão julgador de primeiro grau, não há prova de retenção de tais documentos apenas de solicitação pelo fisco municipal, bem como deixou a empresa de apresentar a escrita fiscal que deveria conter as informações das notas. 21. Ressaltese que embora as Notas Fiscais, conforme demonstra a documentação apresentada, estivessem sob fiscalização da Secretaria Municipal de Fazenda quando a Impugnante foi intimada à apresentálas, não existe nenhuma comprovação de que a Secretaria havia retido as mesmas. A documentação apenas comprova que foi solicitada a sua apresentação. Além disso, a autuação da Secretaria se deu em Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 126 7 14/10/2010 e não existe justificativa para que, após a autuação, a Secretaria ainda permanecesse de posse da documentação da empresa. 22. Ademais, não se pode esquecer da obrigatoriedade da empresa em manter em dia os seus livros contábeis e que essa contabilidade deveria espelhar os valores das notas fiscais, bem como das retenções sofridas, o que permitiria à fiscalização uma apuração mais criteriosa. No entanto, também não foram apresentados à fiscalização os livros contábeis. Portanto, foi a própria Impugnante quem deu causa ao que ela alega ter comprometido o presente lançamento. Enfatizese que ela foi autuada pela falta de apresentação das notas fiscais e dos livros contábeis. Além do que dito acima, verificase dos autos que o fisco municipal pelo Termo de Início/Prorrogação de Fiscalização Nº 44069, fls. 63, estabeleceu o período da fiscalização como sendo, 23/06/2010 a 21/08/2010, sendo que a Notificação Fiscal – Auto de Infração Municipal foi recebida pela recorrente, em 14/10/2010, fls. 70. Ocorre porém que o procedimento fiscal federal foi iniciado, em 12/04/2010, conforme TIPF, de fls. 23 e 24, tendo sido solicitado por este termo os Livros Diário e Razão, balancetes e plano de contas. Pelo Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 1, de fls. 25 e 26, datado de 14/06/2010, a solicitação anterior para apresentação dos Livros Diário e Razão, balancetes e plano de contas foi reiterada. O agente fiscal lançador mais uma vez e desta pelo Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 02, de fls. 27 e 28, datado de 06/08/2010, reiterou o pedido anterior em razão dos Livros Diário e Razão, balancetes e plano de contas e pela primeira vez solicitou as notas fiscais de prestação de serviços. Verificase que em dois momentos anteriores ao início da fiscalização municipal o contribuinte recorrente pode apresentar os documentos contábeis os Livros Diário e Razão, balancetes e plano de contas ao fisco federal não o fez por sua livre e espontânea vontade e sob sua conta e risco. Além disso, o período de fiscalização municipal terminou em 21/08/2010, sendo que a Notificação Fiscal – Auto de Infração Municipal foi recebida pela recorrente, em 14/10/2010, fls. 70, e o fisco federal só emitiu este auto, em 27/10/2010, tendo assim doze (dias) entre o término de um e o lançamento do outro para informar que estava de posse dos documentos e que ia apresentálos. Passado este momento e efetivado o lançamento o contribuinte recorrente teve até o final do prazo de impugnação, ou seja, 26/11/2010, para apresentar os documentos, artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72, mas nada apresentou, preferindo dizer que não apresentou os documentos, pois estavam de posse do fisco municipal, deixando de cumprir com seu ônus processual de fazer prova ao seu favor, artigo 333, II, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 127 8 Todavia, não é só isso poderia o contribuinte na fase recursal valerse do artigo 16, parágrafo 4º, alínea “a” e apresentar a prova na fase recursal já que entendia e alegava que não o fez por estar impossibilitado. A recorrente apresentou o recurso, em 05/03/2013, fls. 92, e, ainda, assim, nada apresentou, fica evidente que a alegação e protelatória, descabida e infundada. O crédito fiscal está constituído com todos os elementos de prova que o agente lançador entendeu necessários em razão das rubricas e valores lançados a não apresentação de qualquer elemento por responsabilidade do contribuinte não é imputável ao fisco. O contribuinte está tendo garantido o exercício da “jurisdição administrativa” e este Processo Administrativo Fiscal – PAF é prova cabal disso, a lei não lhe assegura um resultado que lhe agrade, mas apenas que ele contribuinte pode exercer o seu direito de contestar o lançamento, cumprido o devido processo legal, e lhe sendo atribuída a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, podendo este fazer ou não uso desse direito, pois é uma faculdade e não obrigação do contribuinte. Contudo, o fisco cumpriu a sua obrigação chamando o contribuinte e lhe oportunizando todos os prazos e meios disponíveis, já a sua adequada utilização é responsabilidade do contribuinte recorrente e não do fisco. A ente tributário com capacidade ativa não aumentou ou exigiu tributo sem lei anterior que o estabeleça, pois a contribuição para outras entidades ou fundos – terceiros vem autorizada, pelos artigos 212, § 5º e 240, da CRFB/88, bem como pelas leis aplicáveis a cada um dos destinatários e descrita no Fundamentos Legais do Débitos – FLD. Destarte, todos os principais informadores do procedimento e do processo administrativo fiscal estão contemplados e respeitados no presente PAF não havendo violação a qualquer um deles. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000821/201037 Acórdão n.º 2803003.154 S2TE03 Fl. 128 9 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725451/2010-09
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 421 1 420 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725451/201009 Recurso nº Resolução nº 2801000.289 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 18 de março de 2014 Assunto IRPF Recorrente ALDO HEY NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte supraidentificado foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF de fls. 293 a 298, do qual fazem parte o demonstrativo de apuração de fl. 288, o demonstrativo de apuração da multa exigida isoladamente (carnêleão) de fls. 289/291, o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 292, o termo de verificação e de encerramento de ação fiscal, fls. 277 a 284, o termo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 25 45 1/ 20 10 -0 9 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.725451/201009 Resolução nº 2801000.289 S2TE01 Fl. 422 2 encerramento de fl. 299 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 1.204.548,06, sendo R$ 567.889,17 de imposto, R$ 425.916,87 de multa de ofício de 75% e R$ 225,51 de multa exigida isoladamente por falta de recolhimento do carnêleão, além de R$ 210.516,51 de juros de mora calculados até 30/11/2010. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 277/284 e 295/298, apurou acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 2.053.942,17, dedução indevida de dependente de R$ 1.516,32, dedução indevida de contribuições à previdência privada de R$ 9.593,04 e falta de recolhimento do carnêleão, gerando multas isoladas que totalizaram R$ 225,51 Cientificado do lançamento, em 09/12/2010 (fl. 299), o contribuinte apresentou, em 10/01/2011, a impugnação de fls. 301/349. Em síntese dos fatos, faz demonstrativo dos acréscimos patrimoniais a descoberto apontados pelo auto de infração e informa que não abordará a multa exigida isoladamente, “a qual será recolhida no termo final desta Impugnação”. Em tópico que denomina “Das Questões Jurídicas Relevantes”, aborda o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de agosto de 2006, informando, inicialmente, que houve busca e apreensão em sua residência por parte da Polícia Federal e o valor apreendido constituiu base para exigência de imposto, multa e juros. Acrescenta que é réu em ação penal que tramita na Justiça Federal de Santa Catarina, decorrente da operação da Polícia Federal denominada “Dilúvio”, da qual resultou sentença condenatória e perdimento dos bens que foram apreendidos. Com isso, afirma que o lançamento procura “utilizar o tributo com efeito de confisco, pois o lançamento referente ao fato gerador de 31/08/2006 nada mais significa que a tributação de algo que a própria justiça entendeu como não pertencente ao acusado, como se depreende da denúncia criminal (documento já anexado ao MPF)”. Cita trechos da sentença de primeiro grau que demonstrariam isso. Diz que a questão posta, “é mais profunda que a separação de índole processual e administrativa” e a matéria tributável deve sujeitarse aos princípios constitucionais da tributação, que enumera. Contesta a separação de instâncias preconizada pela autoridade lançadora, pois ela “não suprime a questão nuclear do lançamento relativo ao mês de agosto de 2006”, pois “não se pode atribuir à parte Impugnante a sujeição passiva tributária, pois os valores que estavam guardados em suas residências, conforme a decisão judicial de primeira instância ainda pendente de recurso, seriam pertencentes à tal organização criminosa. Não se pode inferir, da decisão judicial, que os valores apreendidos nas residências do requerente constituam acréscimo patrimonial no exercício de 2006”. Acrescenta que o dinheiro apreendido nunca foi seu patrimônio pessoal, mas foram amealhados por organização criminosa, de forma coletiva , e não pode a Receita Federal “ultrapassar os limites da pena de perdimento imposta pela Justiça Federal e tentar abarcar um patrimônio que ultrapassa os limites legais da base de cálculo tributável, pois que, se o dinheiro foi perdido, importa dizer que o imposto, a multa e os juros Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.725451/201009 Resolução nº 2801000.289 S2TE01 Fl. 423 3 têm natureza confiscatória, haja vista que se pautam em rubricas que não fazem parte do patrimônio do sujeito passivo”. Diz que o lançamento violou o artigo 3º do Código Tributário Nacional, que estabelece que o tributo não pode se constituir em sanção de ato ilícito, pois a tributação de “numerário que foi objeto de pena de perdimento é utilizar o tributo como sanção de ato ilícito, é infringir o direito de propriedade e o princípio da pessoalidade da pena previsto no art. 5º, incisos XXII e XLV da Constituição da República”. Cita doutrina e repisa o argumento de que os numerários apreendidos não ingressaram em seu patrimônio, pois foram apreendidos e decretados perdidos pela Justiça, logo, não “houve, à moda da doutrina mais tradicional, fato gerador do imposto de renda”. Repete o argumento do efeito confiscatório da exigência e que foram omitidos pontos importantes da realidade objetiva e cita algumas decisões administrativas que versam sobre acusação imprecisa, cerceamento de defesa e nulidade de auto de infração, asseverando que atendeu todas as solicitações da fiscalização e não há justificativa para “as conclusões infundadas que acompanham o auto de infração, assim como a desconsideração da realidade processual penal relevante, citando decisões judicial e administrativa. Faz uma extensa análise do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, com fulcro em doutrina, concluindo que no “caso em exame é simples verificar a natureza confiscatória da medida fiscal a partir do arrolamento administrativo dos bens, da renda anual da parte Reclamante e do valor absurdo da autuação (aproximadamente R$ 1.200.000,00). O referido auto de infração é um exemplo extremo e identificável de confisco, pois a Receita Federal do Brasil, não satisfeita com a pena do perdimento judicial, pretende expropriar, à luz da medida fiscal, o restante do patrimônio do sujeito passivo”. Alega a eleição errônea do sujeito passivo, pois o lançamento se deu sobre valores pertencentes a uma organização criminosa, constituída em quadrilha ou bando, havendo uma multiplicidade de sujeitos passivos tributários e “o numerário aprendido não retornou ao patrimônio do agente e nem sequer veio a ingressar o patrimônio do agente”. Discorre sobre os corolários do devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, para dizer que a autoridade fiscal usou o argumento de separação de instâncias e não prestou “atenção em detalhes processuais mais apurados”, e apesar da separação propalada, fez uso de prova emprestada. Aduz que “se numerário inexistia no início de 2006 e igualmente não existia no início de 2007, em função da apreensão, é de presumirse que tal numerário não é rendimento, mas tão somente prova indiciária de suposto crime”. Indaga: dinheiro aprendido, “cuja propriedade não é atribuída ao sujeito passivo, objeto de pena de perdimento, é, para efeitos fiscais, rendimento?” . Requer reparação da medida fiscal, pois “se está a tributar produto de apreensão de numerário como se isto fora rendimento, assim como há imprecisão na determinação exata do sujeito passivo da obrigação tributária”. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.725451/201009 Resolução nº 2801000.289 S2TE01 Fl. 424 4 Em tópico sobre o conceito de rendimento e a pena de perdimento na esfera penal, alega que a exigência tributária depende da decisão a ser dada no processo penal, defendendo que “só integrará o pólo passivo da relação jurídica tributária se o Poder judiciário assim julgar o numerário como sendo de sua propriedade, de forma a concretizar o fato gerador do acréscimo patrimonial”. Cita o Regulamento Aduaneiro e decisão judicial, para defender a aplicação, ao imposto de renda, da mesma sistemática aplicada ao imposto de importação, onde não há a incidência do imposto sobre mercadoria que sofreu pena de perdimento. Aduz que o numerário apreendido não representa aquisição de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Na fixação da base de cálculo, contesta a conversão das moedas apreendidas com base no valor do dólar, afrontando a sistemática do mercado de taxas de câmbio flutuantes. Discorre sobre o mercado de câmbio de taxas flutuantes brasileiro, aduzindo que o lançamento deveria ter respeitado “o valor da moeda estrangeira – convertida para o real – na data da autuação e jamais na data da apreensão, pois não foi dado uso à moeda, esta se encontra retida. Ressaltese, mesmo se admitindo tal ‘alienação cogente’, não se pode inferir acerca de sua correção” Cita decisões judiciais sobre apreensão de moeda estrangeira. Argúi que, mesmo “que se entendesse possível a tributação, fica indefinida a questão da mora do contribuinte. Se a moeda estrangeira nem sequer foi utilizada, tendo sido simplesmente apreendida como prova indiciária de crime qualquer, qual seria o dies a quo da mora? Não há mora, pois não houve evento tributável. A tributação do numerário em espécie, que não constitui moeda nacional, só deveria ser realizada por força de ordem judicial e não por ‘alienação cogente da Sra. Auditora”. Fala sobre a forma de tributação dos ganhos obtidos com a alienação de moeda estrangeira. Acrescenta que, “se as circunstâncias da apreensão ainda estão sendo discutidas no Poder Judiciário, assim, como a própria origem do numerário e sua titularidade, falece mérito na fixação de uma base de cálculo que tem por supedâneo o valor histórico da moeda na data de sua apreensão”. Contesta o valor de aquisição do conjunto comercial nº 1404 e da garagem nº 19 do Edifício Empresarial Hanover atribuído pelo lançamento, de R$ 86.000,00, pois declaração de Fernando Aguiar Prates, reconhecida em cartório e a escritura pública averbada no registro de imóveis apontam o valor de R$ 60.000,00. Diz que o documento que deu base ao valor de R$ 86.000,00 usado pelo Fisco, encontrado na casa do impugnante, é proposta de compra e venda que “nem sequer foi assinada pela parte impugnante, não se podendo inferir de sua legitimidade, apesar de assinada pelos proponentes vendedores”. Também contesta a capacidade probante da mensagem eletrônica, apreendida na sua residência, trocada entre a funcionária do vendedor e Julio Costa Barreto, em que há a proposta de venda do imóvel por R$ 86.000,00, aduzindo que não tem conhecimento dela e não é de sua autoria. Diz que é inadmissível o uso, na instância administrativa, dessas provas colhidas em inquérito policial, fazendo extensa exposição teórica sobre isso, com fundamento no direito estrangeiro, acabando por citar trechos de votos e decisões judiciais Fl. 424DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.725451/201009 Resolução nº 2801000.289 S2TE01 Fl. 425 5 que sustentariam a sua tese. Conclui que não poderia ter sido usada prova emprestada de inquérito policial para lançar tributo. Com relação ao lançamento de agosto de 2006, diz que “11.800 euros e 600 libras esterlinas são referentes a sobras de numerário de viagens que a parte Impugnante fez à Europa em companhia de amigo inglês, o Sr. James Charles Gillespie”. Diz que declarou esses valores extemporaneamente na DIRPF/2007, esclarecendo que a doação é ato jurídico que não depende de formalidade especial. Informa que está fazendo “prova destas transferências de numerário por amostragem (doc. 5), que diz respeito a transferências de numerário via Western Union, na data de 03/05/2004. Nesta data, a parte Impugnante teria recebido U$ 1.197,57 do Sr. James Charles Gillespie, para acompanhálo em viagem à Europa; o passaporte de James Charles Gillespie (doc. 6) faz prova que o mesmo veio reiteradas vezes ao Brasil”. Acrescenta que James é seu amigo pessoal, pessoa privilegiada por morar num país de moeda supervalorizada, e patrocinava viagens suas, das quais havia sobras de numerário que foi acumulando, sendo classificadas como doações e isentas do imposto de renda. Apenas estariam sujeitas ao ITCMD, tributo de competência estadual. Diz que a atitude fiscal afronta o artigo 110, do CTN. Discorre sobre a legislação do ITCMD, concluindo que era devedor desse tributo pelos numerários recebidos em doação. Alega que há necessidade de se considerar a renda auferida nos exercícios anteriores para fins do levantamento do acréscimo patrimonial, esclarecendo que os acréscimos patrimoniais a descoberto apurados nos meses de janeiro, abril, maio e julho de 2008, “constituem reservas de caixa dos exercícios anteriores, não houve falta de pagamento do imposto de renda para tais rubricas no exercício de 2006, mas sim, erro formal no preenchimento das declarações anteriores, as quais não consignaram, paulatinamente e ao longo do tempo, tais sobras de caixa”. Concorda com “o lançamento (dezembro/2006) referente à glosa de deduções constante da página 8 de 8 do termo de verificação e encerramento da ação fiscal no que diz respeito à dedução indevida de previdência privada (VGBL). Em relação à dedução indevida no pai do autuado, cumpre observar que a parte Impugnante não tinha conhecimento da DIRPF apresentada em separado pelo seu pai, já em idade avançada, uma vez que o seu pai consta como seu dependente junto ao órgão previdenciário do Governo do Estado do Paraná (Paraná Previdência)”. Contesta a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, aduzindo que o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não autoriza essa cobrança. Pugna pelo sobrestamento do processo de exigência, para aguardar a decisão definitiva quanto à pena de perdimento dos numerários apreendidos e que fazem parte do lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em 08/2006, com o fim de preservar os interesses do Fisco e do contribuinte. Por fim, requer, em relação ao fato gerador ocorrido em agosto de 2006, nulidade, por ilegitimidade passiva; cancelamento da exigência Fl. 425DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.725451/201009 Resolução nº 2801000.289 S2TE01 Fl. 426 6 em relação a esse fato gerador, por decretação judicial da pena de perdimento da moeda apreendida que lhe deu suporte; e aplicação correta da taxa de cambio; em relação aos fatos geradores dos meses de 04 e 05/2006, o cancelamento da exigência por uso indevido de prova emprestada; cancelamento da exigência decorrente da apreensão de 11.800 euros e 600 libras esterlinas, por serem valores recebidos por doação; cancelamento das exigências referentes aos acréscimos patrimoniais a descoberto referentes aos meses de janeiro, abril, maio e julho de 2006, acobertados pelos rendimentos dos exercícios anteriores; exclusão dos juros aplicados sobre a multa de ofício; e sobrestamento do feito até julgamento da ação penal. Também pede a improcedência do auto de infração, com o seu imediato arquivamento, e a produção genérica de provas. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 377/391, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MULTAS EXIGIDAS ISOLADAMENTE. CARNÊLEÃO. GLOSA. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Considerase não impugnada a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifesta expressamente, ou com a qual concorda. NULIDADES. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Caracteriza a omissão de rendimentos a constatação de variação patrimonial em relação à qual o contribuinte não apresenta recursos declarados ou comprovados que lhe dê suporte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MOEDA EM ESPÉCIE. PROPRIEDADE. A posse de moeda nacional e estrangeira, comprovada em operação de busca e apreensão judicial, configura aquisição de disponibilidade financeira, sendo computada na planilha de apuração do acréscimo patrimonial como aplicação. BEM. PROCESSO PENAL. PERDIMENTO. A decretação de pena de perdimento de bem, por ser oriundo de suposta atividade ilícita, em decorrência de processo penal, não modifica o fato gerador do imposto de renda, que ocorreu em momento anterior e já havia se aperfeiçoado, tornando exigível a obrigação tributária correspondente. BEM. PROPRIEDADE. PROCESSO PENAL. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.725451/201009 Resolução nº 2801000.289 S2TE01 Fl. 427 7 Não modifica a titularidade do bem, encontrado em poder do contribuinte, a sentença que apenas afirma se tratar de produto de atividade de organização criminosa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 04/11/2011 (fl. 404), o Interessado, representada por seu advogado (fl. 403), interpôs recurso voluntário de fls. 406/419 em 05/12/2011. Em sua defesa, apresenta as razões de defesa, sintetizadas a seguir: · Requer seja restabelecida a dedução de dependente referente ao seu genitor, que percebe valores inferiores ao limite mensal e faz declaração em separado dentro desses parâmetros, conforme prevê a lei, tendo em vista o auxílio que lhe presta, inclusive incluindoo como dependente em sua carteira de previdência.; · Aduz que a fiscalização, baseada em prova emprestada, tomou como certo e definitivo a compra de um imóvel comercial, no local denominado Hannover pelo valor total seria de R$ 86 mil, sendo que o negócio foi concretizado por valor menor, por mútuo consentimento conforme foi registrado em cartório, pagos os impostos devidos, e regularmente declarados por todos; · Afirma que a fiscalização lhe imputou indevidamente, no mês de julho de 2006, a aplicação no valor de R$ 3 mil, por conta de aquisição da tela denominada "O Gato", uma vez que a referida tela foi objeto de apreensão pela Polícia Federal, e na sentença houve decretação de perdimento do referido bem; · Sustenta que não procede a omissão de rendimentos lhe imputada caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apurado, no mês de agosto de 2006, em decorrência da apreensão de numerários em sua residência pela Polícia Federal, pois tais recursos não lhe pertencem, devendo ser de titularidade de suposta organização criminosa, conforme consta da sentença judicial, ou de terceiro que estava morando no local à época; · protesta pela anulação de todo e qualquer ato posterior, que tenha emanado das informações extraídas do Termo de Apreensão efetuado pela Polícia Federal, dentro de Inquérito e Processo Criminal, sigilosos, ao menos até que fique esclarecido a forma de acesso, legal, dos mesmos. Caso contrário, protesta pela anulação do auto de infração, em vista da suposta e por ora verificada ilegalidade da recepção e utilização de documentos e informações; · Alega que os recursos foram apreendidos, portanto, não há que se falar em disponibilidade, para aplicação de tese de ocorrência do fato gerador. A disponibilidade se deu pela indisponibilidade. O conhecimento da autoridade foi ocasionado pela indisponibilidade (apreensão); Fl. 427DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.725451/201009 Resolução nº 2801000.289 S2TE01 Fl. 428 8 · Repete os argumentos da impugnação no que se refere ao recebimento da doação de 11.800 euros e 600 libras esterlinas, e relativamente à necessidade de se considerar a renda auferida nos exercícios anteriores para fins do levantamento do acréscimo patrimonial. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A omissão de rendimento caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de agosto de 2006 é decorrente, em grande parte, dos valores apreendidos em operações de busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal. O Recorrente protesta pela anulação de todo e qualquer ato posterior, que tenha emanado das informações extraídas do Termo de Apreensão efetuado pela Polícia Federal, dentro de Inquérito e Processo Criminal, sigilosos, ao menos até que fique esclarecido a forma de acesso, legal, dos mesmos. Face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência, à unidade de origem para que sejam prestadas informações sobre como as provas do processo criminal foram transferidas para a Receita Federal e, ainda, sobre o seu andamento. Também deve ser informado se, durante o procedimento fiscal, foi examinada a declaração do Contribuinte Julio Cezar da Costa Barreto, referente ao exercício de 2007, tendo em vista que ele franqueou o acesso aos policiais no imóvel situado em Curitiba quando do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão que foi objeto do presente lançamento. Ademais, considerando que o contribuinte afirma que o Contribuinte Julio Cezar da Costa Barreto residia naquele imóvel à época, é necessário informar se o referido endereço consta indicado no cadastro da Receita Federal como seu domicílio tributário. Após tais providências e ciência ao Contribuinte (para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado), devem os autos retornar a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 428DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10935.904540/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/01/2008
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 40 /2 01 2- 19 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904540/201219 Acórdão n.º 3801002.342 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904540/201219 Acórdão n.º 3801002.342 S3TE01 Fl. 66 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904540/201219 Acórdão n.º 3801002.342 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904540/201219 Acórdão n.º 3801002.342 S3TE01 Fl. 68 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000437/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2007, 2008
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas expressamente em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-000.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER das razões de mérito aduzidas pela contribuinte em seu recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época do julgamento), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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MULTA ISOLADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas expressamente em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER das razões de mérito aduzidas pela contribuinte em seu recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 04 37 /2 00 8- 30 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10240.000437/200830 Acórdão n.º 1102000.807 S1C1T2 Fl. 9 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época do julgamento), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CATARINENSE COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém do Pará – PA assim ementado, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2006, 28/02/2007, 31/03/2007, 31/05/2007, 31/07/2007 Ementa: VEDAÇÃO AO CONFISCO E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não têm competência para apreciar as razões que levaram a unidade de origem a considerar não declarada a declaração de compensação formulada na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 288292, relativo à Multa Isolada, com crédito total apurado no valor de R$ 1.704.036,22. Também integra os Autos de Infração o Termo de Constatação e Verificação Fiscal de folhas 293303. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na seguinte infração: compensação indevida de valores nas declarações de compensação. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10240.000437/200830 Acórdão n.º 1102000.807 S1C1T2 Fl. 10 3 Para justificar a exação a autoridade lançadora assevera que: “[...] o contribuinte pretendia compensar os créditos que dispunha em decorrência da cobrança do já extinto "Empréstimo Compulsório sobre o consumo de Energia Elétrica", instituído em 1962 em favor da ELETROBRAS com débitos dos tributos de códigos 8109, 2172, 2089, 2372, 2100 e parcelamento do código 7122. [...] o empréstimo compulsório citado, instituído pela Lei n° 4.156, de 28 de novembro de 1962, em favor da ELETROBRAS, não atribuiu a administração deste empréstimo compulsório à Secretaria da Receita Federal, o que se pode notar também pela leitura do Art. 66, §1°, do Decreto n° 68.419, de 25/03/1971, que estabelece que as condições em que será processada a restituição do empréstimo compulsório, instituído sobre a energia elétrica, será fixada pela própria ELETROBRAS. [...] fazse necessário ainda mencionar que o inciso IV do § 3 o do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 11.051/04 que dispõe que não podem ser objeto de compensação débitos consolidados em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal. O Art. 74, § 12, inciso II, alínea "e", da Lei 9.430, de 1996, dispõe que será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito não se refira a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal (alteração introduzida pela Lei 11.051, de 2004), o que determina o exame prévio da questão. Assim, conforme determina o Art. 2 o , § 3o , da Norma de Execução Cosit/Corat 5, de 29/12/2005, que dá competência ao grupo de ações judiciais para a análise prévia citada anteriormente, foi remetida a documentação referente aos processos em análise para a SAORT, para que emitisse parecer sobre o assunto. Os seguintes Pareceres foram enviados ao chefe da SAORT com as seguintes propostas de tratamento às DCOMPS: (...) Com base nos pareceres citados, foram emitidos os Despachos Decisórios, posteriormente encaminhados a esta Seção de Fiscalização, acatando o tratamento proposto nos Pareceres da SAORT para as DCOMPS. [...] O Art. 74, §13° da Lei 9.430, de 1996, determina que o disposto nos §§ 2 o e 5 o a 11 do mesmo artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12, dessa forma, as Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10240.000437/200830 Acórdão n.º 1102000.807 S1C1T2 Fl. 11 4 compensações consideradas não declaradas não extinguem os débitos sob condição resolutoria, tampouco cabe manifestação de inconformidade sobre os débitos não compensados. O Art 18 da Lei 10.833/2003 em seu parágrafo 4º diz que a multa prevista no caput do artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Após a Lei 11.051, as compensações com créditos decorrentes de tributos não administrados pela Secretaria da Receita Federal passaram a fazer parte das hipóteses em que poderia se declarar a compensação como não declarada. Deste modo, tanto as declarações de compensação consideradas como de compensação vedada como as consideradas não declaradas, ensejam a aplicação de multa isolada como determina o art. 18 da Lei 10.833/2003, no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atualizada até a Medida Provisória 351 de 22 de janeiro de 2007 em seu Art. 14. Verificase que o tratamento dado às DCOMPS com compensação vedada e às consideradas como não declaradas é o mesmo, uma vez que a Lei 11.051 de 29 de dezembro de 2004 apenas mudou a sua nomenclatura. Contudo, ressaltese também que existe uma hipótese em lei específica relativa às contribuições previdenciárias que afasta a compensação nos moldes do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, utilizandose da Declaração de Compensação. Tratase do art. 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, transcrito a seguir: [...] Portanto, quanto à imposição da multa isolada, esta não se aplica em relação às contribuições previdenciárias, uma vez que a capitulação legal correta atribuída para a compensação não declarada é o inciso I e não o inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, ficando impossibilitada a aplicação da multa amparada pelo § 4 o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. [...]” O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 12/03/2008 (fl. 307) e apresentou peça impugnatória, em 11/04/2008 (fls. 310324), no qual alegou em síntese que: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10240.000437/200830 Acórdão n.º 1102000.807 S1C1T2 Fl. 12 5 1. Pela leitura do parágrafo 4º do artigo 18 da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 117 da Lei nº 11.196/05, notase que em nenhum caso o procedimento compensatório da Impugnante encaixouse como indevido, sendo que jamais poderia ter sido aplicada qualquer tipo de multa ou mesmo considerada não declarada a compensação efetivada; 2. A compensação foi realizada nos termos da legislação vigente, com crédito exclusivamente de origem tributária; 3. A multa é estratosférica e desproporcional num patamar judiciário, mormente pelo Supremo Tribunal Federal, em patente transferência inconstitucional do patrimônio do contribuinte; 4. A Receita Federal é competente para processar e julgar pedido de restituição/compensação envolvendo empréstimo compulsório com débitos fiscais do contribuinte, conforme entendimento novel, pacificado do Superior Tribunal de Justiça (REsp 587019/PR); 5. Nessa mesma esteira, posicionamento recente daquela Corte, asseverando que não há mais que se impor limites à compensação, em razão da nova legislação que rege a espécie (REsp 737936); 6. Não se pode cogitar a idéia de que a Eletrobrás é o único órgão responsável pela restituição dos valores oriundos do empréstimo compulsório sobre energia elétrica, sendo, pois, a União coresponsável solidária pela satisfação do crédito (AgRg no Ag 657472/PR); 7. Os créditos tributários, sujeitos ao regime de lançamento por homologação, estão extintos pela compensação administrativa e com sua exigibilidade suspensa, sendo desnecessária para a confluência dos efeitos legais, a prévia manifestação da autoridade fazendária ou de decisão judicial transitada em julgado; 8. Os créditos tributários advenientes dos processos administrativos coligidos aos autos, não possuem requisitos mínimos de exequibilidade, mormente por sua inexistência; 9. Uma vez considerada não declarada a compensação, os débitos fiscais informados e objeto do encontro de contas, não podem ser constituídos em definitivo sem que antes seja dada a oportunidade de ampla defesa ao contribuinte contra ilegalidades e inconstitucionalidades, ou seja, não devem ser cobrados antes da oportunidade de discussão administrativa sob pena de cerceamento de defesa: 10. O art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, prevê a possibilidade de restituição de receitas não administradas pela SRF, o que a despeito da competência Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10240.000437/200830 Acórdão n.º 1102000.807 S1C1T2 Fl. 13 6 do Conselho de Contribuinte e entendimento jurisprudencial do STF e STJ sobre a matéria de empréstimo compulsório, demonstra a viabilidade da restituição/compensação de receitas de outros órgãos ou entidades que não a SRF; 11. A multa aplicada ofende o princípio da capacidade administrativa e do não confisco. É o relatório.” O acórdão acima ementado não conheceu das razões aduzidas pelo Contribuinte sobre a possibilidade de compensação de tributos com créditos provenientes de empréstimo compulsório feito à Centrais Elétricas Brasileiras Eletrobrás S.A., sob o fundamento de que tal matéria não se submeteria ao rito do Decreto n. 70.235/1972 conforme disposto no art. 74, § 13 da Lei n. 9.430/1996. Na parte conhecida da impugnação (“do confisco e da capacidade contributiva”), o acórdão recorrido rejeitou os fundamentos de mérito aduzidos pela Contribuinte, sob o fundamento de que seria “inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício”. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, especialmente no que se refere a (i) impossibilidade de aplicação de multa e juros de ofício no caso em virtude da regularidade da compensação realizada, a teor do art. 100 do CTN; (ii) legitimidade da compensação de tributos federais com créditos decorrentes do recolhimento de empréstimo compulsório à Centrais Elétricas Brasileiras – Eletrobrás S.A.; e (iii) à impossibilidade de exigência de multa de ofício isolada no montante imposto pela Fiscalização em homenagem ao princípio da capacidade contributiva e vedação ao confisco. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Embora seja tempestivo e interposto por parte legítima, entendo que as razões de mérito recursais não merecem ser conhecidas. Preliminarmente, digase que as matérias aduzidas nos itens 1 (“Suspensão do Crédito Tributário”) e 6 (“Direito Subjetivo às Certidões”) do recurso não merecem maiores considerações por não se tratarem de questões relativas à exigência do crédito tributário em sentido estrito, matéria de cognição deste Colegiado, mas sim de mero reflexo do que denomina ordinariamente de “situação do débito” perante a Receita Federal do Brasil. Tais matérias são de interesse exclusivo da unidade de origem da Receita Federal do Brasil e eventualmente da Procuradoria da Fazenda Nacional enquanto entidades executoras de eventual crédito tributário e emissoras das certidões citadas. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10240.000437/200830 Acórdão n.º 1102000.807 S1C1T2 Fl. 14 7 Conforme se depreende do relatório acima, as multas aplicadas têm origem em decisões da unidade de origem da Receita Federal do Brasil que considerou as declarações de compensação (dos processos nº 10830004.353/200663, 10830000.951/200744, 10830006.763/200720, 10830006.761/200731, 10830006.760/200796, 10830006.759/200761, 10830005.502/200792, 10830004.973/200783, 10830002.549/200702 e 10830001.273/200737) não declaradas, na forma do art. 74, §12, da Lei nº 9.430/96. Por meio de citadas declarações de compensação, a Contribuinte pretendia fazer valer pretenso direito de compensação de créditos provenientes do recolhimento de empréstimo compulsório à Centrais Elétricas Brasileiras S.A. com débitos correntes de tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Como bem reconhecido pelo acórdão recorrido, as razões de mérito aduzidas sobre a regularidade e legitimidade da compensação de créditos de empréstimo compulsório Eletrobrás com débitos de tributos federais não podem ser analisadas por este Colegiado,em virtude dos expressos termos do art. 74, caput, §§ 11o,12o, II, alíneas “a”, “c” e “e” e 13o da Lei n. 9.430/96, os quais, respectivamente (i) qualificam como não declaradas as compensações realizadas com créditos de terceiros, consubstanciados em títulos públicos e/ou de natureza distinta da de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; e (ii) excluem do âmbito de cognição dos processos administrativos submetidos ao rito do Decreto 70.235/72 as hipóteses de compensação não declaradas. Verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos nossos) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10240.000437/200830 Acórdão n.º 1102000.807 S1C1T2 Fl. 15 8 Assim, ficam prejudicadas as razões de mérito relativas à “indevida aplicação de multa e juros” (item 2 do recurso) e à legitimidade da compensação de tributos federais com créditos decorrentes do recolhimento de empréstimo compulsório à Centrais Elétricas Brasileiras – Eletrobrás S.A (itens 3, 4 e 5 do recurso), por pressuporem o conhecimento da matéria relativa à regularidade das compensações realizadas e objeto dos processos administrativos acima citados. Por fim, as razões aduzidas pela Contribuinte em relação à ilegitimidade da multa isolada aplicada por violação aos princípios da capacidade contribuinte e ao nãoconfisco também não merecem ser apreciadas por este Colegiado em virtude de sua índole eminentemente constitucional, ante: (i) a expressa disposição legal que determina a imposição de multa isolada nas hipóteses de compensações tidas por não declaradas pela Receita Federal do Brasil (Lei n. 10.833/2003, art. 18, § 4o, com redação dada pela Lei n. 11.196/05, art. 117); (ii) o teor da Súmula Vinculante STF n. 10, que estabelece caracterizar controle de constitucionalidade o afastamento de incidência de lei vigente, no todo ou em parte, ainda que não haja expressa declaração de sua inconstitucionalidade; e (iii) o teor da Súmula CARF n. 2, aprovada pela Portaria n. 52, de 21.12.2010, que assenta o entendimento também vinculante de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a (in)constitucionalidade da lei tributária. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de não conhecer das razões de mérito aduzidas pela Contribuinte em seu recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 14367.000144/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. RETENÇÃO DE 15% SOBRE A FATURA DE COOPERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA. COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. NÃO ENQUADRADAMENTO.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A cooperativa de Trabalho é regulada pela Lei nº 12.690/2012 e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 -Código Civil. Estão excluídas do âmbito desta norma as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; Tanto sob o enfoque do critério material, quanto sob o ângulo do critério pessoal, trata-se de serviços prestados por cooperados de cooperativa de saúde, a qual legalmente não é considerada como de trabalho, não ocorrendo, portanto, a hipótese de incidência tributária da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. RETENÇÃO DE 15% SOBRE A FATURA DE COOPERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA. COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. NÃO ENQUADRADAMENTO. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A cooperativa de Trabalho é regulada pela Lei nº 12.690/2012 e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Estão excluídas do âmbito desta norma as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; Tanto sob o enfoque do critério material, quanto sob o ângulo do critério pessoal, tratase de serviços prestados por cooperados de cooperativa de saúde, a qual legalmente não é considerada como de trabalho, não ocorrendo, portanto, a hipótese de incidência tributária da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que entendem pela cobrança da contribuição social relativa aos serviços prestados por cooperados de cooperativa de trabalho médico de saúde. O Conselheiro Fl. 337DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 338 2 Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2º e art. 4º inciso II da Lei 12.690/2012. O art. 1º, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere, tão somente, à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS). Não há previsão legal para tratamento diferenciado da cooperativa de trabalho médico de saúde em relação às demais cooperativas de trabalho, quanto às obrigações das contribuições previdenciárias, em especial do não recolhimento da contribuição patronal da contratante dos serviços (15% do valor da prestação do serviço). A Seguridade Social é financiada pela empresa e entidade a ela equiparada (art. 195, I, CF/88). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em seu benefício e dos segurados (empregado e contribuinte individual). A função social da empresa é garantir o bemestar dos trabalhadores visando melhor competitividade e maior lucratividade da atividade econômica, bem como, a distribuição da riqueza gerada ao Estado (na forma de tributos), aos trabalhadores (na forma de remuneração) e prestar contas à sociedade (retorno da atividade econômica à sociedade). A cooperativa de trabalho não é diferente (art. 2º da lei 12.690/2012). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 339 3 Relatório 1. A ora recorrente foi atuada por não honrar com as Contribuições Sociais Previdenciárias Patronais devidas á Seguridade Social no importe de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura da prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho no período de 01/2005 a 12/2005. 2. O lançamento ora impugnado teve como base os montantes pagos referentes á prestação de serviços médicos celebrados, em 30 de novembro de 1997, com Cooperativa de Trabalho Médico (Unimed Manaus) mediante celebração de Contrato Particular de Prestação de Serviços Médicos e Hospitalares (Uniplan Módulo Básico Empresário) entre a recorrente e a cooperativa. A autoridade fiscalizadora também computou os montantes pagos referentes à prestação de serviços odontológicos celebrados com a Uniodonto Manaus, nos mesmos moldes do contrato celebrado com a Unimed. 3. O débito total apurado foi de R$ 137.557,40 (cento e trinta e sete mil, quinhentos e cinquenta e sete reais e quarenta centavos). 4. Devidamente intimada da autuação, a recorrente apresentou tempestiva impugnação, aduzindo, em apertada síntese, que: a) os serviços prestados pela UNIMED e UNIODONTO, não são executados diretamente para a recorrente, mas sim aos seus dirigentes e associados; b) a autoridade administrativa lançou o tributo de forma contrária a lei, violando o princípio constitucional da legalidade. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) não acolheu as alegações da recorrente, julgando a impugnação apresentada improcedente, em acórdão que restou assim ementado (fls. 250/257): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AIOP nº 37.180.5279. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SUJEITO PASSIVO. CONTRATANTE. COOPERATIVA DE TRABALHO. Sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre o valor da prestação de serviços realizados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho é a pessoa jurídica que figurar como contratante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 6. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 282/299), reiterando a tese trazida em sede de impugnação, destacando que os serviços foram prestados em prol de seus associados e não em prol da associação autuada. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 340 4 7. Sem contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, foram os autos encaminhados a este Conselho. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 341 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE SERVIÇOS DE COOPERATIVA MÉDICA 2. Cingese a controvérsia dos autos em apurar se a recorrente deveria ter recolhido aos sofres públicos a retenção de 15% sobre o valor da fatura de cooperativa de trabalho, em decorrência da celebração de dois contratos de assistência de em benefício de seus colaboradores, dependentes e agregados destes, por todo o período de verificação da auditoria, com a UNIMED MINAS e UNIODONTO, cooperativas de trabalho médico e odontológico. 3. Fundamentouse a autuação fiscal no art. 22, inc. IV da Lei nº 8.212/91 que prevê que a contribuição a cargo da empresa, seria de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, in verbis: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei nº 9.317, de 05 de Dezembro de 1996) (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26 de Novembro de 1999)" 4. No entanto, entendo que no caso específico das cooperativas de trabalho que prestam serviços médicos, estas não estão sujeitas à incidência de contribuição previdenciária (retenção de 15% sobre a fatura), pelos argumentos que irei expor adiante. 5. Não obstante à previsão do artigo mencionado alhures a referida lei não definiu o conceito de cooperativa de trabalho em nenhum dos seus dispositivos. Tal definição ficou a cargo a Lei nº 12.690/11 que consolidou o conceito de cooperativa de trabalho para todos os fins de direito. Notese que ao realizar essa delimitação conceitual, a referida norma exclui do rol das cooperativas de trabalho aquelas destinadas à assistência a saúde e que operam planos de saúde na forma da legislação de saúde complementar. "LEI Nº 12.690, DE 19 DE JULHO DE 2012. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 342 6 Dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei no 5.452, de 1o de maio de 1943. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Art. 1o A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Art. 2o Considerase Cooperativa de Trabalho a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. (grifei)" 6. A sistemática em debate é simples. Ora, a cooperativa operadora de planos de saúde não presta serviços de saúde, mas de organização de sistema de custeio para demandas de serviços de saúde dos usuários dos planos com a exclusiva finalidade de garantir demanda de serviços médicos prestados por seus sócios. Concluise: o plano é apenas um sistema de cobertura financeira dos custos dos serviços. 7. A cooperativa tão somente estrutura tal atividade com o objetivo de criar um fluxo constante e estável de demandas de serviços médicos, para seus sócios por meio do direcionamento do atendimento a rede formada por estes. Ao passo que o cooperado, por sua vez, presta o serviço médico e recolhe seus tributos no âmbito de seu consultório na forma da legislação. 8. Todavia, em que pese a IN 971/09 ter se equivocado quanto a classificação das cooperativas operadoras de planos de saúde na condição de cooperativa de trabalho – pelo Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 343 7 fato destas cooperativas não serem de trabalho –, ela acertou na exclusão das operações de intercambio, pois, incluir tal operação como base de calculo desta contribuição seria um erro. 9. O intercâmbio ocorre no momento em que um cliente de uma cooperativa operadora de plano de saúde é atendido pelo sócio de outra cooperativa operadora de planos de saúde integrante de um mesmo sistema. Sendo assim, ainda que se admitisse que tal cooperativa fosse de trabalho, ao cobrar no intercambio tributarseia duas vezes sobre a mesma operação, pois a retenção dos valores devidos já teria sido recolhida pelo usuária no ato do pagamento do plano. 10. Assim, pela inadequação das cooperativas de saúde suplementar ao conceito de cooperativa de trabalho na forma prevista na Lei 12.690/12, não há incidência dos 15% de INSS previstos no Art. 22, IV da Lei 8.212/91. 11. Destaco ainda que, tais cooperativas nunca foram cooperativas de trabalho e a Lei 12.690/12 não alterou o conceito e nem a realidade do que vem a ser uma cooperativa de trabalho, apenas declarou com força normativa uma situação fática. 12. Ademais, para tal análise, ainda que sumária, ela deve ser feita sob o enfoque da regra matriz de incidência, a qual, como norma jurídica de comportamento, regula ou disciplina a conduta do sujeito passivo, portanto, devedor da prestação fiscal, perante o credor desta mesma prestação. 13. A regra matriz de incidência ou norma tributária, de acordo com a melhor doutrina, é formada classicamente por dois termos, a saber: antecedente e consequente, sendo o primeiro o descritor da norma que anunciam os critérios para reconhecimento do fato, critérios estes o material, onde necessariamente há de fazer referência a um comportamento da pessoa física ou jurídica, invariavelmente ligado um verbo, e, o espacial e temporal. Já no segundo termo consequente da norma – têmse os dados necessários ao estabelecimento do vínculo jurídico, possibilitando com isso o reconhecimento dos sujeitos envolvidos na relação obrigacional tributária e evidenciação do objeto que é o comportamento imposto pela norma. É no consequente, portanto, onde se identifica, dentre outros aspectos, o pessoal ou a sujeição passiva da relação jurídica tributária. 14. Advirtase que, para o surgimento da obrigação tributária em análise, primeiro há que se constatar a ocorrência do fato previsto hipoteticamente na norma veiculada no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sendo que a aplicabilidade dessa norma deve se dar de forma inteira, assim considerada em todos os seus critérios (1) material, (2) temporal, (3) espacial, (4) e quantitativo, assumindo relevo, no caso, os aspectos material e pessoal. 15. Dito isto, para melhor compreensão passo a decompor a regra matriz de incidência prescrita no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, quais sejam: (I) Critério material: ser tomador de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; (parte final do inc. IV, do art. 22). (II) Critério espacial: território nacional. (III) Critério temporal: a contribuição incidirá sobre os valores pagos ou creditados, a cada mês, a cooperativa de trabalho, a título de remuneração, conforme nota fiscal Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 344 8 ou fatura de prestação de serviços decorrente das obrigações indicadas no aspecto material (parte inicial do inc. IV, do art. 22). (IV) Critério pessoal: sujeito ativo é a União; sujeito passivo é a empresa que tomar os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (V) Critério quantitativo: a base de cálculo é o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços pagos, a cada mês, a cooperativa de trabalho; a alíquota é de 15%. 16. Da decomposição da regra matriz de incidência, conforme item precedente inferese que não ocorrendo o fato jurídico ou critério material ser tomador de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – não há o que se falar em nascimento da relação jurídica tributária. 17. Vejase que, conjugandose os critérios material e pessoal, por via de consequência estará sujeito ao cumprimento da obrigação tributária apenas aquele em que a lei o determine como sujeito passivo ou substituto na relação jurídica tributária. 18. Ainda, apenas para facilitar a compreensão, aqui lembro que no caso das empresas que, formalmente, contratam serviços das cooperativas de saúde UNIMED, em muito se assemelham ao papel que fazem as estipulantes de apólices de seguro coletivo para seus empregados, onde, embora formalmente exista um contrato de seguro entre elas e as seguradoras, em realidade são meras intermediárias, pois, num caso concreto de sinistro todo o proveito econômico quem usufrui são os endossantes dessa mesma apólice e não a estipulante. 19. Digo isto porque nos casos de planos de saúde contratados pelas empresas em benefícios de seus empregados, dentre outras possibilidades, poderiam tais serviços serem disponibilizados por intermédio de uma administradora (geralmente não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares, por exemplo), cooperativa médica ou mesmo por meio de apólice de seguro saúde, emitida exclusivamente por seguradora. 20. Notese que, independentemente de serem os serviços de saúde disponibilizados para empregados por esses ou outros meios, percebese que o papel da empresa empregadora é sempre de mera intermediária, não sendo ela a tomadora dos serviços e sim os seus empregados. 21. É oportuno observar que a não ocorrência do fato jurídico ou critério material ser tomador de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – impossibilitado estará esse mesmo fato de se ajustar ao disposto no art. 142 do CTN, e, é o caso em análise, razão pela qual está eivado de vício material o lançamento, implicando em sua nulidade. 22. A assertiva apontada no item precedente apóiase na doutrina predominante, segundo a qual o vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. Ou seja, o vício material, diz respeito à existência da dívida, a exemplo da inocorrência da hipótese de incidência ou identificação errônea dos sujeitos da relação jurídica tributária. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14367.000144/200968 Acórdão n.º 2803003.175 S2TE03 Fl. 345 9 23. Aliais, na busca de diferenciar vício formal de vício material, destacase a doutrina de Leandro Paulsen (In, Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 24. Destarte, inferese que a situação analisada caracterizase como vício material, pois se refere ao conteúdo do ato administrativo e não a questões relacionadas a sua forma, o que implica, reiterese, pela nulidade do lançamento. 25. Assim, do acima exposto, quer sob o enfoque do critério material, quer sob o ângulo do critério pessoal, entendo que assiste razão à recorrente, uma vez que se trata o presente caso de serviços prestados por cooperados de cooperativa de saúde, a qual legalmente não é considerada como de trabalho, não ocorrendo, portanto, a hipótese de incidência tributária da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, bem como o cumprimento de obrigações acessórias dessa exação decorrentes. CONCLUSÃO 26. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, nos termos acima expostos. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 19515.000043/2005-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/01/1998 a 30/06/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Embargos Conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Esteve presente no julgamento a procuradora da recorrente Ana Paula s. Wi, OAB 157658/SP.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/1998 a 30/06/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos Conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Esteve presente no julgamento a procuradora da recorrente Ana Paula s. Wi, OAB 157658/SP. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 43 /2 00 5- 36 Fl. 830DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA Fl. 831DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 19515.000043/200536 Acórdão n.º 3402002.355 S3C4T2 Fl. 831 3 Relatório Trata o processo de lançamento de ofício lavrado em desfavor do sujeito passivo a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor consolidado e originário de R$ 16.924.322,17 (dezesseis milhões, novecentos e vinte a quatro mil, trezentos e vinte e dois reais e dezessete centavos), sendo R$ 5.948.53,38 a título de principal, R$ 6.508.071,70 referente aos juros de mora, e R$ 4.467.720,17 a título de multa proporcional, relativamente ao período de 01/1998 a 06/2002. Após julgamento dos autos neste Conselho, foram opostos Embargos de Declaração (fls. 814 a 818 – numeração eletrônica) pela Fazenda Nacional, por suposta omissão contida no v. Acórdão nº. 3402001853, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 801/820 – n. e) de minha relatoria que, em sessão de 19/07/2012, por maioria de votos deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte ora Embargado, nos termos da ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/1998 a 30/06/2002 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. JULGAMENTO POR DELEGACIA DE JULGAMENTO DE REGIÃO DIVERSA DO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. ATO ADMINISTRATIVO DE TRANSFERÊNCIA DE COMPETÊNCIA. REGULARIDADE. Inexiste nulidade formal no julgamento de impugnação efetivado por Delegacia de Julgamento de outra região fiscal, que não aquela em que fiscalmente domiciliado o contribuinte, quando se constata que houve, por ato administrativo interno expresso, transferência da competência de julgamento para outra região fiscal. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do DecretoLei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável, o seu direito de defesa. NULIDADE. VÍCIOS DO MPF. INOCORRÊNCIA. Se houver a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF), no curso do procedimento que houvera sido inicialmente deflagrado pela diligência determinadas de outro processo, relativo a apuração de créditos do contribuinte, mas que conteve a outorga dos poderes de fiscalização que coincidem Fl. 832DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 4 com a matéria tributário objeto de futuro lançamento, sendo regularmente cientificado ao contribuinte antes do ato de lançamento, não há que se acolher a nulidade do lançamento por vício no MPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62A, do RICARF. PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. EXTENSÃO. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1°, I, do RICARF. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, exigidas na égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3º, §1º, declarada do em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. O STJ igualmente pacificou que as receitas provenientes do recebimento de Juros sobre o Capital Próprio JSCP estão afastadas da tributação das citadas contribuições na vigência do art. 3º, I, da Lei n° 9.718/98. Aplicação do art. 62 do RICARF. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Entende a Embargante que a decisão adotada não foi clara em expor sobre a integralidade da decisão do STF utilizada como fundamento para determinar a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da Contribuição lançada, asseverando que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei 9.718/98 apenas excluiu as receitas chamadas “operacionais”, sem, contudo, excluir de plano deste conceito “toda e qualquer receita”. Afirmou ainda que, a rigor da atividade principal da Embargada (operações de cunho financeiro), as receitas financeiras deveriam compor a base de cálculo das contribuições, sendo necessário que se estabeleçam quais os motivos pelos quais as mesmas deveriam ser Fl. 833DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 19515.000043/200536 Acórdão n.º 3402002.355 S3C4T2 Fl. 832 5 desconsideradas, a fim de enriquecer eventual discussão da questão em sede de Câmara Superior de Recursos Fiscais. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem ser conhecidos, e, no mérito, não merecem ser acolhidos. Isto porque, apesar de afirmar a Embargante, que a decisão embargada não teria esclarecido quais os fundamentos que levaram a conclusão de que as receitas financeiras, para o caso do contribuinte em questão, estariam contempladas na exclusão efetivada pela decisão do STF, na realidade tal não ocorreu. E isto porque, a decisão embargada traz expressamente o entendimento de que o caso em concreto se subsume no caso julgado pelo STF, quanto as receitas financeiras, em geral, e do STJ, em sede de Recurso Repetitivo, para o caso dos Juros Remuneratórios do Capital Próprio. Constatase do contexto dos autos, que o objeto social do contribuinte é amplo, abrangendo desde a representação por conta de terceiros, intermediação, de “factoring”, estruturação e assessoramento, até a participação em outras sociedades. Logo, a decisão embargada interpretou que o sujeito passivo não tem atividade própria de “instituição financeira”, não havendo, assim, omissão ou obscuridade a ser saneada. Assim sendo, uma vez que não se deixou de analisar os pedidos do Recurso Voluntário, não há que se falar em omissão, tampouco obscuridade, contradição, não havendo como acolher os Embargos de Declaração, uma vez que ausentes os fundamentos do artigo 65, do Regimento Interno deste CARF. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 835DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR
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