Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (17,076)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,633)
- Segunda Turma Ordinária d (15,570)
- Primeira Turma Ordinária (15,424)
- Primeira Turma Ordinária (15,364)
- Segunda Turma Ordinária d (14,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,855)
- Segunda Turma Ordinária d (12,110)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,186)
- Quarta Câmara (83,129)
- Terceira Câmara (64,792)
- Segunda Câmara (53,333)
- Primeira Câmara (17,991)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,186)
- 1ª SEÇÃO (6,736)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (119,455)
- Segunda Seção de Julgamen (111,340)
- Primeira Seção de Julgame (73,849)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,435)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,113)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,481)
- HELCIO LAFETA REIS (3,274)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,823)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,597)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,397)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,949)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,880)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2025 (17,368)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 15540.000194/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LEGISLAÇÃO DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SITUAÇÕES PRÓPRIAS DOS REGIMES GERAIS DE TRIBUTAÇÃO.
A empresa optante pelo Simples tem como base de cálculo para recolhimento dos tributos alcançados na sistemática a receita bruta decorrente do produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Situações particulares dos regimes gerais de tributação não são aplicáveis à sistemática do Simples.
ALÍQUOTAS DO SIMPLES. FRACIONAMENTO DA RECEITA.
Os valores devidos ao Simples decorrem da aplicação de uma alíquota sobre as receitas auferidas. Tal alíquota não se fraciona em função dos tributos que a sistemática engloba. O que se fraciona é o destino da arrecadação. Portanto, as alíquotas do Simples não se submetem ao princípio da noventena estabelecido no art. 195, §6°, da Constituição.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passou-se a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Trata-se de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Somente são eliminadas as transferências bancárias entre as contas objetos da autuação.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de naturezas constitucionais.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL.
Apurada receita acima do limite legal, o contribuinte será excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte em que foi apurado o excedente.
Numero da decisão: 1402-002.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do regime do Simples e os lançamentos efetuados.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 LEGISLAÇÃO DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SITUAÇÕES PRÓPRIAS DOS REGIMES GERAIS DE TRIBUTAÇÃO. A empresa optante pelo Simples tem como base de cálculo para recolhimento dos tributos alcançados na sistemática a receita bruta decorrente do produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Situações particulares dos regimes gerais de tributação não são aplicáveis à sistemática do Simples. ALÍQUOTAS DO SIMPLES. FRACIONAMENTO DA RECEITA. Os valores devidos ao Simples decorrem da aplicação de uma alíquota sobre as receitas auferidas. Tal alíquota não se fraciona em função dos tributos que a sistemática engloba. O que se fraciona é o destino da arrecadação. Portanto, as alíquotas do Simples não se submetem ao princípio da noventena estabelecido no art. 195, §6°, da Constituição. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passou-se a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Trata-se de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Somente são eliminadas as transferências bancárias entre as contas objetos da autuação. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de naturezas constitucionais. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o contribuinte será excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte em que foi apurado o excedente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15540.000194/2010-93
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5870853
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.993
nome_arquivo_s : Decisao_15540000194201093.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 15540000194201093_5870853.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do regime do Simples e os lançamentos efetuados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7328639
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309073305600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 582 1 581 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000194/201093 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.993 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria IRPJ Recorrente CANTINA DO MIMO SAO FRANCISCO LTDA.ME Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LEGISLAÇÃO DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SITUAÇÕES PRÓPRIAS DOS REGIMES GERAIS DE TRIBUTAÇÃO. A empresa optante pelo Simples tem como base de cálculo para recolhimento dos tributos alcançados na sistemática a receita bruta decorrente do produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Situações particulares dos regimes gerais de tributação não são aplicáveis à sistemática do Simples. ALÍQUOTAS DO SIMPLES. FRACIONAMENTO DA RECEITA. Os valores devidos ao Simples decorrem da aplicação de uma alíquota sobre as receitas auferidas. Tal alíquota não se fraciona em função dos tributos que a sistemática engloba. O que se fraciona é o destino da arrecadação. Portanto, as alíquotas do Simples não se submetem ao princípio da noventena estabelecido no art. 195, §6°, da Constituição. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Somente são eliminadas as transferências bancárias entre as contas objetos da autuação. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 01 94 /2 01 0- 93 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 583 2 Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de naturezas constitucionais. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o contribuinte será excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte em que foi apurado o excedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do regime do Simples e os lançamentos efetuados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 584 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração (anocalendário 2006), por meio dos quais são exigidos do interessado o IRPJ (Simples), no valor de R$ 45.424,52 (fls. 4/8 e 31/35; demonstrativos de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta e diferenças apuradas às fls. 13/30; termo de constatação fiscal às fls. 9/12), o Pis (Simples), no valor de R$ 33.300,67 (fls. 39/48), a CSLL (Simples), no valor de R$ 46.386,66 (fls. 49/58), a Cofins (Simples), no valor de RS 136.528,87 (fls. 59/68), e o INSS (Simples), no valor de R$ 392.460,94 (fls. 69/78), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. Em decorrência da constatação da omissão de receita tais valores forma acrescentados ao lucro bruto e o interessado foi excluído da sistemática do Simples devido ter ultrapassado o limite previsto em lei para tal regime de tributação (fls. 176/178). O Auto de Infração trata de omissão de receita, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, constatada por meio de extratos bancários, onde constam depósitos sem origem comprovada. O AI arbitrou o imposto a pagar por meio da receita bruta da Recorrente que era optante do Simples Nacional Federal. A receita bruta foi encontrada da seguinte forma: O interessado foi intimado em 22/12/2009 e 2/2/2010 para esclarecer e comprovar a origem de valores depositados nas suas contas bancárias (fls. 100/123). Na resposta datada de 22/4/2010 alega que alguns valores tratavamse de operações não relacionadas às receitas auferidas (fl. 127/139). Acatada as exclusões propostas pelo interessado, os depósitos bancários sem comprovações das origens foram considerados como “receita total auferida” (R$ 5.671.137,82). Desse montante, foi excluída a “receita declarada” (R$ 1.023.415,40), tributandose a diferença como “receita omitida” (R$ 4.647.722,42 fls. 10/11). Em decorrência disso, o interessado foi excluído do Simples por ter ultrapassado o limite anual da receita (fl. 178), com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2007. No mais, para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido: 3 Ao impugnar as exigências, fls. 185/224 (documentos de fls. 225/246 e 248/251), o interessado alega, em síntese, que: é nulo o ato declaratório de exclusão do Simples, por falta de intimação para prestar todos os esclarecimentos. Tal intimação se faz necessária diante do princípio do contraditório assegurado pela constituição; Fl. 585DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 585 4 a exclusão do Simples não poderia retroagir a 1 de janeiro de 2007, mas sim a partir da sua notificação; a autuação foi efetuada unicamente com base na movimentação financeira, sem que fosse questionada a origem e destinação da suposta quantia considerada como omissão de receita; o levantamento foi feito por amostragem, sem analisar a real origem e destinação das operações financeiras; a composição da base de cálculo dos tributos exigidos se dá mediante a inclusão de valores referentes a operações realizadas em conta de terceiros, que não configuram receita; tributouse transações entre contas correntes, além de empréstimos; dos valores recebidos são efetuadas deduções lógicas e necessárias que não foram consideradas pela autuação, como valores devidos aos garçons, encargos de financiamento, taxa de administração e transferências entre contas correntes da mesma empresa e entre sócios; na conta corrente com o Banco Itaú verificase a existência de transferência, no valor de R$ 1.847.332,30 (contas n°s 00.0025 e 038397, a agência n° 4821); não se pode admitir a inclusão dos 10% devidos aos garçons; se insurge contra a cobrança do Simples sobre os valores que recebe das administradoras de cartões de crédito e não sobre os valores que cobra de seus clientes. Os valores recebidos das administradoras de cartões são inferiores ao que se cobrou dos seus clientes, regra geral, 5% a menos; o valor do ICMS não constitui sua receita; está desonerada do pagamento da Cofins e do Pis incidentes sobre a receita bruta auferida sobre a venda de bebidas; as receitas advindas das vendas de arroz, feijão e queijo, por estarem sujeitas à alíquota zero, são desoneradas do Pis e da Cofins; admitese a compensação dos valores pagos antecipadamente a título do Pis e da Cofins monofásico, além da desoneração dos valores relativos ao Pis e à Cofins dos produtos isentos das mencionadas contribuições; houve ampliação da receita bruta e majoração das alíquotas do Simples, por meio da MP n° 225 de 2005, convertida na Lei n° 11.196/2005. As novas alíquotas resultantes das alíneas “j” a “t” fixadas pela MP n° 255/2005, convertida na Lei n° 11.307, de 19/5/2006, devem respeitar o princípio da noventena para as contribuições sociais, especialmente a contribuição previdenciária, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006; Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 586 5 o Ato Declaratório Executivo n° 59, de 13/5/2010, não poderia gerar exigência fiscal retroativa, sob pena de violar o princípio da irretroatividade; não há motivo determinante para a presunção de receita bruta nos patamares da autuação, tampouco da sanção aplicada, tendo em vista que não houve a conduta tipificada; as multas aplicadas representam a utilização da tributação com efeito confiscatório; fazse necessária a realização de perícia, pois não foram consideradas exclusões de valores repassados a terceiros, a exemplo de ICMS, 10% dos garçons e 5% do financiamento do cartão de crédito. Apresenta quesitos e nomeia seu perito; 4 Resignado parcialmente, em 30/6/2010 o interessado apresenta a petição de fls. 252/253 (documentos de fls. 254/256), em que: dada a impossibilidade de se comprovar toda a sua movimentação financeira, e certa de que restará prejudicada sua defesa, em razão da indevida inversão do ônus probante, confessa que auferiu receitas na ordem de R$ 1.127.552,50 durante todo o ano de 2006, em complemento ao valor inicialmente declarado de R$ 1.023.415,60, perfazendo o montante total, no ano de 2006, de R$ 2.150.967,50; renuncia expressamente à discussão administrativa relativa ao crédito tributário original, no valor de R$ 112.677,63, acrescido de multa e juros. Esse montante será consolidado no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009; pugna pelo prosseguimento da impugnação quanto aos valores remanescentes e indevidamente lançados no auto de infração. 5 Em decorrência da confissão parcial dos valores lançados, a parte não litigiosa foi transferida para o processo n° 10730.720151/201077 (fls. 257/265). 6 Verificado que não se achavam reunidos todos os elementos para formar a convicção, o julgamento foi convertido em diligência (fl. 267). Em resposta, juntaramse os documentos de fls. 269/307. 7 Cientificado da diligência o interessado aditou razões de defesa, alegando, em síntese, que (fls. 309/310): não concorda com a juntada posterior de documentos formados unilateralmente pelo fiscal após a defesa da empresa autuada; houve preclusão para a juntada de documentos pela autoridade fiscal. O art. 16 do PAF demonstra que ocorre preclusão para o contribuinte pela não juntada de documentos no momento da impugnação, assim como para o fisco, que também só poderia acostar documentos até a lavratura do auto de infração; Fl. 587DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 587 6 mantém parcial discordância dos valores lançados através do procedimento fiscal, retificando todos os termos da impugnação dantes apresentada, excetuandose os créditos tributários relativos ao Simples no ano de 2006 já confessados e parcelados, nos valores de R$ 1.127.552,50 e R$ 1.023.415,60, esse valor já declarado, no montante de R$ 2.150.967,50; renuncia à discussão administrativa relativa ao crédito tributário original, no valor de R$ 112.677,63, acrescido de multa e juros, que está sendo pago no âmbito do parcelamento decorrente da Lei 11.941/2009. As fls. 252/266, a Recorrente apresenta petição informando que os créditos não impugnados, no importe de R$ 1.127.552,50, serão consolidados no âmbito do Parcelamento previsto na Lei 11.941/2009. Em seguida, a DRJ do Rio de Janeiro converteu o julgamento em diligência para que a autoridade autuante informe e demonstre o seguinte (fl. 267): informar se no termo de intimação fiscal n° 2 (fls. 100/101) a planilha 1 (fls. 102/107) possuía a discriminação de todos os depósitos dos meses de junho a dezembro. Em caso afirmativo, juntar aos autos do processo as folhas faltantes; demonstrar, por mês e por banco, relacionando cada depósito bancário, a receita total apurada no ano (R$ 5.671.137,82 fls. 10/11), de forma igual a adotada na intimação de fls. 100/120. As fls.269/308, o Auditor Fiscal respondeu a Resolução de fls.267 da seguinte forma: 1 Tratase de atendimento ao disposto na Resolução n° 98 da 2 Turma da DRJ/RJ1. 2 Informamos que, por problemas de impressão, ficaram faltando 06 folhas da planilha l do Termo de Intimação Fiscal que, neste momento, foi anexada na íntegra (12 folhas) ao presente processo. 3 Foram igualmente anexadas 03 planilhas contendo, de forma individualizada, os créditos bancários das instituições bancárias HSBC, ITAU e REAL, considerados na apuração do Auto de Infração, conforme totalizado abaixo. Após ter sido intimada a Recorrente apresentou manifestação em relação aos novos documentos juntados aos autos pela Fiscalização, reiterando os argumentos da impugnação e a adesão da parte do crédito ao parcelamento. (fls.309/310) Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 588 7 Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente o Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Descabe a realização de prova pericial no caso de inexistência de pontos duvidosos que exijam conhecimento técnico especializado. JUNTADA DE DOCUMENTOS EM DECORRÊNCIA DA DILIGENCIA. É lícita a juntada de documentação complementar pela fiscalização em atendimento à diligência solicitada pelo órgão julgador. LEGISLAÇÃO DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SITUAÇÕES PRÓPRIAS DOS REGIMES GERAIS DE TRIBUTAÇÃO. A empresa optante pelo Simples tem como base de cálculo para recolhimento dos tributos alcançados na sistemática a receita bruta decorrente do produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Situações particulares dos regimes gerais de tributação não são aplicáveis à sistemática do Simples. ALÍQUOTAS DO SIMPLES. FRACIONAMENTO DA RECEITA. Os valores devidos ao Simples decorrem da aplicação de uma alíquota sobre as receitas auferidas. Tal alíquota não se fraciona em função dos tributos que a sistemática engloba. O que se fraciona é o destino da arrecadação. Portanto, as alíquotas do Simples não se submetem ao princípio da noventena estabelecido no art. 195, §6°, da Constituição DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Somente são eliminadas as transferências bancárias entre as contas objetos da autuação. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de naturezas constitucionais. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 589 8 EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o contribuinte será excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte em que foi apurado o excedente. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 590 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. 1 Nulidade do Auto de Infração: Inicialmente, insta ressaltar que a parcela do crédito que foi incluída no parcelamento e não foi contestada na impugnação não faz parte da matéria a ser analisada em sede deste Recurso Voluntário, devendo ser julgado por este D. Colegiado o restante dos créditos que foram impugnados e recorridos. Também é importante ressaltar que conforme apontado pela DRJ, na Resolução de fls. 267, a autuação deixou de juntar todas as folhas referentes aos meses de junho à dezembro de 2006 da planilha 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 2 (fls. 100/101), onde deveria discriminar todos os depósitos do referido ano (de janeiro a dezembro) que ocorreram apenas no Banco HSBC. Ou seja, constava nos autos (fls. 100/101), a individualização dos depósitos feitos no Banco HSBC dos meses de janeiro até maio de 2006, faltando os demais meses até dezembro. Tal lacuna afetou a correta demonstração da receita total apurada no ano de 2006, no importe de R$ 5.671.137,82 (fls. 10/11) eis que os depósitos que ocorreram no Banco HSBC não restaram apontados em sua totalidade, de forma individualizada, por mês e por banco, como foi feito nas fls. 100/120 para os depósitos encontrados nos demais Bancos. Após a diligência, as folhas que faltavam referentes aos depósitos do Banco HSBC dos meses de junho até dezembro de 2006 da Intimação Fiscal 2, foram acostadas aos autos (fls.269/308) restando a acusação devidamente fundamenta com todos os documentos necessários. Sendo assim, não verifico a nulidade alegada pela Recorrente de que o trabalho fiscal e o Auto de Infração está eivados de vício insanável, passível de anulação/cancelamento total do lançamento. 2 Do pedido de nulidade do v. acórdão recorrido por ter deixado de analisar todos os argumentos da impugnação. Em relação a alegação de nulidade do v. acórdão por ter deixado de analisar todos os argumentos de defesa da Recorrente, entendo que não deve ser provida. O v. acórdão recorrido analisou e fundamentou adequadamente todos os argumentos postos na impugnação. O fato de a Recorrente não concordar com a fundamentação e o resultado do julgamento, não acarreta em qualquer nulidade da decisão "a quo". Fl. 591DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 591 10 Sendo assim, deixo de acolher a alegação de nulidade do v. acórdão recorrido, tendo a vista a inexistência de qualquer falha ou equívoco na decisão. 3 Da impossibilidade da tributação por amostragem. Em relação a alegação de impossibilidade da tributação imposta no lançamento de ofício ter sido baseada por amostragem, entendo que também não deve ser acolhida. A autuação foi feita com base em depósitos individualizados e separados por Bancos, sendo que todos foram listados e a Recorrente foi intimada a comprovar a respectiva origem. Desta forma, a autuação não foi feita por amostragem conforme alega a Recorrente, não restando alternativa senão deixar de acolher mais este pleito. Pois bem, passo a analisar o mérito. Em relação a alegação de cerceamento do direito de defesa, entendo que também não deve ser acolhida. A acusação está bem instruída com os documentos necessários para demonstrar a infração a legislação tributária de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 (287 do RIR/99), sendo que neste caso, a Recorrente é quem tem o ônus de provar que tal diferença não se refere a receita tributável, inexistindo assim o alegado cerceamento ao direito de defesa. Em relação as alegações de inconstitucionalidade da legislação referente ao Simples, insta esclarecer que nos termos da Súmula 2, este E. Tribunal não tem competência para analisar ou afastar aplicação de lei por entendêla inconstitucional. O contribuinte é optante do Simples que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos, por meio da aplicação e percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta, que é considerado nos termos do artigo 186 do RIR/99 como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressalvadas essas exclusões, é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente procederse a qualquer outra exclusão ou individualização em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção, aplicáveis as demais pessoas jurídicas não optantes ao Simples (Lei no 9.317 de 1996, art. 2°, § 2° e IN SRF n° 250/2002, art. 40, §1°, e art. 1'). Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 592 11 Assinalese que a base de cálculo do Simples não é o acréscimo patrimonial, o resultado ou o lucro, ainda que este seja diminuto em comparação com a receita bruta, mas sim esta última, que no caso da autuada foi constatada por meio dos créditos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada. Observese que os conceitos de renda, acréscimo patrimonial ou lucro não interessam aos optantes do Simples, quer exista ou não lançamento de ofício, pois a base de cálculo dos tributos devidos em conformidade com este sistema simplificado de tributação é a receita bruta, conforme previsto no art. 5º da Lei nº 9.317/1996. Portanto, a base de cálculo para optantes do Simples é a totalidade das receitas auferidas pela empresa, não admitindo a exclusão dos valores relativos a gastos efetivados ou depósitos cuja a origem não foi identificada, bem como a individualização das bases tributáveis por imposto ou contribuição. De resto, para complementar a fundamentação do meu voto, colaciono parte do texto do v. acórdão recorrido que trata sobre a sistemática do Simples. 15 Da tributação pela sistemática do Simples. 16 O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples foi instituído pela Lei n° 9.317/1996, com a finalidade de reduzir a carga tributária e simplificar o recolhimento de tributos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte, garantindo tratamento diferenciado, conforme previsão constitucional. 17 A empresa optante pelo Simples recolhe mensalmente os seguintes tributos federais, de forma unificada: IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, IPI e a contribuição para a seguridade social (parte do empregador) INSS. 18 Nos termos do art. 5° da Lei n° 9.317/1996, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, de um percentual progressivo fixado em lei. O conceito de receita bruta pode ser obtido no art. 2°, §2°, dessa lei: “§ 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos íncondícionaís concedidos. " 19 Portanto, a empresa optante pelo Simples, possui um regime próprio de tributação. Não se fala mais de legislações específicas de cada tributo, muito menos das particularidades de cada um, como por exemplo, exclusões de bases de cálculos, alterações de alíquotas e deduções de despesas. Empresas que pretendem apurações próprias em cada tributo, não podem optar pelo Simples. 20 Assim, as questões de desonerações ou compensações do Pis e da Cofins para determinadas mercadorias e exclusão das despesas 'cobradas pelas administradoras de cartões de créditos não podem ser tratadas no âmbito dos optantes pelo Simples. Da mesma forma a dedução do ICMS e das gorjetas da base de cálculo não estão previstas na legislação do Simples. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 593 12 21 A partilha dos valores em função dos recolhimentos, disposta na Seção III, art. 23, da citada lei, visa atender questões constitucionais que destinam as receitas da União, inclusive com repartições com os outros entes govemamentais. Tal dispositivo não trata de alíquotas de cada tributo, pois o Simples, como dito no §17 acima, é uma forma unificada de recolhimento de tributos. 22 Por ser uma forma unificada de recolhimento, as alterações promovidas pela Lei n° 11.196/2005, que aumentaram os limites das receitas brutas das micro e empresas de pequeno porte, bem como a MP n° 275 de 2005 (convertida pela Lei n° 11.307/2006) que adequou as alíquotas do Simples aos novos patamares da receita bruta, com vigência a partir de 2006, não se submetem ao princípio da noventena estabelecido no art. 195, §6°, da Constituição. As alíquotas do Simples não são fracionadas em função da composição dos tributos. O que se fraciona é o destino da arrecadação. Dando continuidade ao raciocínio, a autuação trata de omissões de receita de microempresas e empresa de pequeno porte, onde existe o artigo 18 da Lei 9.317/1996 que determina que aplicamse as presunções de omissão de receita existentes nas legislações específicas de regência dos impostos e contribuições. Vejamos o texto do dispositivo: “Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. " Sendo assim, foi correta a aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96 quando caracterizado a omissão de receita com base em depósitos bancários não escriturados e sem a comprovação de sua origem. Aos contribuintes cabe demonstrar com documentos idôneos e hábeis o registro e a origem do depósitos não escriturados, quando questionados pela fiscalização, sob pena de serem considerados receita tributável. O interessado foi intimado para comprovar as origens dos depósitos (fls. 100/123), tendo apresentado as explicações de fls. 127/139, que foram parcialmente acatadas pela fiscalização. Entretanto, os valores indicados às fls. 10/11, 269 e 295/307 não foram justificados, caracterizandose como receitas omitidas. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, a que o contribuinte recebeu depósitos, não os escriturou e eximiuse de comprovar depósito por depósito mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta está a autuação. Ademais, entendo importante ressaltar que os depósitos bancários que foram utilizados como instrumento para encontrar os rendimentos presumidamente omitidos nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 (objeto da infração 1), também serviram como base de cálculo para a infração 2 do Auto de Infração de insuficiência do valor recolhido, apurada de acordo com a recomposição da receita bruta mensal auferida no período e os percentuais Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 594 13 progressivos fixados em relação a receita bruta acumulada, nos termos do artigo 188 do RIR/991. Ao enquadrar os depósitos bancários não escriturados como acréscimo à receita bruta declarada pela Recorrente; logo como aumento da base de cálculo; verificouse também um novo enquadramento da alíquota do SIMPLES, ou seja, os valores originalmente recolhidos foram insuficientes, ensejando também a cobrança complementar devido a insuficiência de recolhimentos, conforme demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, que faz parte do presente processo de débito. Desta forma, não verifico que as duas infrações constantes no Auto de Infração estão imputando a Recorrente dupla tributação, eis que na primeira foi recomposta a receita bruta mensal com base nos depósitos bancários não escriturados e, na segunda, foram aplicados os percentuais progressivos fixados na legislação que prevê exceção para as microempresas e empresas de pequeno porte inscritas no Simples, em relação a receita bruta acumulada. Sendo assim, entendo que ambas infrações indicadas no Auto de Infração estão corretas, devendo ser mantida a acusação fiscal em seus termos. Nulidade do ato declaratório retroativo que excluiu a Recorrente do Simples. A Recorrente afirma que não foi intimada para apresentar esclarecimentos sobre o Ato Declaratório de exclusão do Simples numero 59 (fl. 179) e por isso alega que tal ato é nulo. A Recorrente foi intimada a apresentar explicações sobre a origem dos depósitos que acarretaram nas infrações indicadas no Auto de Infração e não se desincumbiu de comprovar a procedência de tais valores, sendo, por consequência, mantidas as exigências fiscais relativas a cobrança da diferença do imposto. Assim, ao serem incluídos na receita bruta tais valores, ultrapassouse o limite previsto em lei, acarretando na exclusão da empresa do Simples. Desta forma, o ato de exclusão decorre do excesso de receita apurada no lançamento de ofício, cujo pedido de esclarecimento ocorreu com a intimação para comprovar as origens dos depósitos bancários. O art. 15, IV, da Lei n° 9.317/1996, determina de forma expressa que a exclusão do Simples surtirá efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que for 1 Este artigo 188 do RIR/99 preve exceção de como será determinada a receita bruta para as microempresas e empresas de pequeno porte inscritas no SIMPLES, conforme pode se verificar em seu texto abaixo colacionado. "art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5, e seus parágrfos, da Lei 9.317/96, observado, quando for o caso, o disposo nos arts. 204 e 205." Fl. 595DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 595 14 ultrapassado o limite estabelecido nessa lei. Portanto, o ato de exclusão está em conformidade com a lei. (janeiro de 2007). Desta forma, por mais que não compartilhe com a determinação prevista na legislação, entendo que a retroatividade do Ato Declaratório constante nos autos está em conformidade com o dispositivo legal. Sendo assim, em relação a alegação de nulidade do ato declaratório de exclusão da Recorrente do Simples, entendo que não deve ser acolhida. Da falta de exclusão de transferência bancária entre contas correntes do mesmo titular. (ver fls. 345/346 do RV). A Recorrente foi intimada para comprovar as origens dos depósitos (fls. 100/123), tendo apresentado as explicações de fls. 127/139, que foram acatadas pela fiscalização e não fizeram parte da autuação. Entretanto, os valores indicados às fls. 10/11, 269 e 295/307 não foram devidamente justificados, caracterizandose como receitas omitidas. Em relação a alegação da Recorrente de que o montante de R$ 1.847.332,20 deve ser excluído da autuação pois transitou entre contas de sua titularidade no Banco Itaú, entendo que não deve ser acolhida, pois além de não estar devidamente comprovada sua origem nos autos, não se pode afirmar que tais valores foram transferidos entre contas da mesma titularidade. Nos documentos acostados aos autos após o Recurso Voluntário de fls. 154 do volume A1V1, onde constam os extratos bancários do Banco HSBC e Itaú, não é possível verificar que são os mesmos valores dos depósitos exigidos na autuação. Também, não é possível confirmar com base nos documentos dos autos que se trata de transferências bancárias originárias das outras contas da Recorrente que ela tem no Banco Real ou no Banco HSBC, objetos da autuação, sendo que só devem ser eliminadas as transferências bancárias entre contas que serviram de base na autuação, evitandose dupla tributação. Ou seja, além de tal transferência não fazer parte da autuação, não consta na lista dos valores indicados às fls. 10/11, 269 e 295/307 que o imposto referente a tal valor está sendo exigido em duplicidade. Desta forma, nego provimento a esta alegação da Recorrente. Da nulidade do v. acórdão recorrido devido ao indeferimento do pedido de perícia. Em relação ao pedido de perícia, também nego provimento, pois com a determinação do cumprimento da diligência feita nos autos já é possível formar a convicção. Ademais, perícia se defere em caso que se exija conhecimento técnico especializado, que não é o caso sob exame. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 596 15 Sendo assim, não verifico qualquer nulidade no v. acórdão recorrido ou no processo devido ao fato de ter sido negada a elaboração da perícia. Em relação aos demais argumentos de defesa da Recorrente, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido. [...] 12 Da juntada de documentos na diligência. 13 O art. 29 do Decreto n° 70.235/1972 dispõe que o julgador pode determinar o cumprimento de diligência, quando entender necessária. Como tal, se a documentação juntada pela fiscalização na elaboração do auto de infração foi insuficiente, a lei dá ao julgador o poder para saneamento, de fonna que os fatos sejam corretamente apurados. Portanto, não ocorre preclusão para a juntada de documentos, para que o julgador forme livremente sua convicção. 14 Ao caso, os documentos juntados em cumprimento à diligência não prejudicaram em nada a ampla defesa. O interessado sequer notou falhas na autuação pois sequer apresentou questionamentos. 15 Da tributação pela sistemática do Simples. 16 O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples foi instituído pela Lei n° 9.317/1996, com a finalidade de reduzir a carga tributária e simplificar o recolhimento de tributos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte, garantindo tratamento diferenciado, conforme previsão constitucional. 17 A empresa optante pelo Simples recolhe mensalmente os seguintes tributos federais, de forma unificada: IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, IPI e a contribuição para a seguridade social (parte do empregador) INSS. 18 Nos termos do art. 5° da Lei n° 9.317/1996, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, de um percentual progressivo fixado em lei. O conceito de receita bruta pode ser obtido no art. 2°, §2°, dessa lei: “§ 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos íncondícionaís concedidos. " 19 Portanto, a empresa optante pelo Simples, possui um regime próprio de tributação. Não se fala mais de legislações específicas de cada tributo, muito menos das particularidades de Fl. 597DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 597 16 cada um, como por exemplo, exclusões de bases de cálculos, alterações de alíquotas e deduções de despesas. Empresas que pretendem apurações próprias em cada tributo, não podem optar pelo Simples. 20 Assim, as questões de desonerações ou compensações do Pis e da Cofins para determinadas mercadorias e exclusão das despesas 'cobradas pelas administradoras de cartões de créditos não podem ser tratadas no âmbito dos optantes pelo Simples. Da mesma forma a dedução do ICMS e das gorjetas da base de cálculo não estão previstas na legislação do Simples. 21 A partilha dos valores em função dos recolhimentos, disposta na Seção III, art. 23, da citada lei, visa atender questões constitucionais que destinam as receitas da União, inclusive com repartições com os outros entes govemamentais. Tal dispositivo não trata de alíquotas de cada tributo, pois o Simples, como dito no §17 acima, é uma forma unificada de recolhimento de tributos. 22 Por ser uma forma unificada de recolhimento, as alterações promovidas pela Lei n° 11.196/2005, que aumentaram os limites das receitas brutas das micro e empresas de pequeno porte, bem como a MP n° 275 de 2005 (convertida pela Lei n° 11.307/2006) que adequou as alíquotas do Simples aos novos patamares da receita bruta, com vigência a partir de 2006, não se submetem ao princípio da noventena estabelecido no art. 195, §6°, da Constituição. As alíquotas do Simples não são fracionadas em função da composição dos tributos. O que se fraciona é o destino da arrecadação. [...] 29 Da multa aplicada. 30 A alegação da multa ser confiscatória não é oponível à instância administrativa, por ser matéria constitucional reservada aos órgãos judiciais. Neste sentido o art. 26A do Decreto n° 70.23 5/1972 que trata do processo administrativo fiscal, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. " (Redação dada pela Lei 11.941/2009) 31 A multa aplicada está de acordo com a lei validamente promulgada e até pronunciamento em contrário do Poder Judiciário, a lei goza da presunção de constitucionalidade. Portanto, não cabe ao órgão administrativo deixála de cumprir. No mais, mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado aos lançamentos de PIS, Cofins, CSLL e INSS, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15540.000194/201093 Acórdão n.º 1402002.993 S1C4T2 Fl. 598 17 Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720386/2012-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA.
Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
Numero da decisão: 3002-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17437.720386/2012-94
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860071
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.093
nome_arquivo_s : Decisao_17437720386201294.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 17437720386201294_5860071.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7268639
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309079597056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17437.720386/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.093 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente INESA BRASIL INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 03 86 /2 01 2- 94 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 17437.720386/201294 Acórdão n.º 3002000.093 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de IPI vinculado à importação no valor de R$ 5.151,42, relativo ao imposto devido em importações realizadas no 1º trimestre/2007 e lançado por meio de auto de infração em 2010. O pedido foi formalizado em novembro/2012 (fl. 2). Ao invés de utilizar o programa Per/Dcomp, o contribuinte apresentou um formulário, sob a alegação de que os valores a compensar não constavam de notas fiscais, mas haviam sido identificados em procedimento fiscal, que constatou erro na classificação da mercadoria, e foram exigidos mediante auto de infração, situação essa que gerou erro impeditivo de transmissão do PER. O pedido foi instruído com documentos de identificação/procuração e contrato social (fls. 3 a 14), Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fl. 15), tela de Aviso de Erro do Per/Dcomp (fl. 16), Auto de Infração/Processo nº 11041.000869/201074 – juntado até a parte que atinge o montante deste processo (fls. 17 a 21). Por meio do Relatório de Verificações Fiscais e do Despacho Decisório IRF/BG nº 9/2013 (fls. 31 a 36), a Delegacia da Receita Federal em Bagé decidiu pela denegação do pedido de ressarcimento, por entender tratarse de uma solicitação de restituição de valores já utilizados em compensação, o que significaria utilização em duplicidade dos créditos, não prevista em legislação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que o ressarcimento que solicitava era relativo à diferença de IPI exigida por meio de auto de infração e “paga” com créditos de IPI que havia pedido anteriormente. Uma vez que essa diferença era relativa a importações de folhas para a fabricação de latas, e que o produto acabado era vendido com suspensão de IPI para uma empresa exportadora, entendia que tinha direito ao ressarcimento do IPI (fls. 43 e 44). Instruiu sua manifestação de inconformidade com identificação e contrato social (fls. 45 a 54). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 48.827 (fls. 62 a 65), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a recorrente falhou em provar que não estava requerendo ressarcimento em duplicidade, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 75DF CARF MF Processo nº 17437.720386/201294 Acórdão n.º 3002000.093 S3C0T2 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 14/03/2014, conforme ciência pessoal na Comunicação nº 2/037/2014 constante à fl. 70, e protocolizou seu recurso voluntário em 15/04/2014, conforme carimbo do protocolo no Recurso à fl. 71. Em seu recurso voluntário a recorrente repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. O cerne deste julgamento consiste em definir se o contribuinte solicitou ressarcimento de um crédito que já havia utilizado em uma compensação, ou seja, se ele tenta usar o mesmo crédito uma segunda vez e, para tanto, fazse necessário recompor a cronologia dos eventos a partir das informações de que se dispõe neste processo. O contribuinte realizou diversas importações de tampas de folha de flandres para a fabricação de latas de conserva para o acondicionamento de alimentos com alíquota menor do que a devida, acarretando um recolhimento a menor de IPI, PIS e Cofins. Para fins de lançamento no auto de infração, foram consideradas as importações realizadas entre 01/01/2007 e 31/07/2009. O valor do IPI devido para todo o período, sem considerar juros e multa, foi de R$ 126.752,58. O procedimento de revisão aduaneira iniciouse em outubro/2010, com a devida ciência do contribuinte. Entretanto, anteriormente ao início dessa revisão, no ano de 2009, o contribuinte entrou com um pedido de ressarcimento de IPI (PER nº 34797.31655.090609 1.1.016094). Não se sabe a data de registro desse PER6094, sabese apenas que foi em 2009 pelo número do processo ao qual está vinculado (processo nº 11041.000306/200942). Do Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fl. 15), proferido em resposta ao PER6094, destacamos: (...) RECONHEÇO o direito creditório no valor de R$ 223.516,65 (duzentos e vinte e três mil, quinhentos e dezesseis reais e sessenta e cinco centavos) a título de ressarcimento de IPI referente ao 1º trimestre de 2009, solicitado através do Pedido de Ressarcimento nº 34797.31655.090609.1.1.016094, havendo uma glosa de R$ 319,83 (trezentos e dezenove reais e oitenta e três centavos) do valor solicitado e HOMOLOGO a compensação de débitos constantes das Declarações de Compensação nº 31986.51404.210111.1.3.010991 e 18048.9833.210111.1.3.010316, conforme demonstrativo abaixo, restando após compensação das declarações saldo Fl. 76DF CARF MF Processo nº 17437.720386/201294 Acórdão n.º 3002000.093 S3C0T2 Fl. 5 4 credor de R$ 41.557,66 (quarenta e um mil, quinhentos e cinquenta e sete reais e sessenta e seis centavos): (grifado) Desse parágrafo extraemse informações que nos permitem fazer algumas inferências sobre o caso. Primeiro, o PER6094, que já sabemos ter sido registrado antes do início da revisão aduaneira, referiase exclusivamente a um crédito do 1º trimestre/2009, confirmando que não guardava, portanto, relação com o que se apurou no auto de infração. Segundo, foi solicitada a compensação do débito exigido por auto de infração com o crédito de IPI reconhecido no PER6094 – naturalmente que essa solicitação foi posterior à ciência do auto de infração, por uma questão de lógica. Essa compensação foi declarada por meio da DCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.010991. Assim, temos o PER 6094 registrado em 2009 e a DCOMP0991 registrada em algum momento após a ciência do auto de infração e o ano de 2012, quando é proferida decisão sobre os pedidos. Partindo agora para o Relatório de Verificações Fiscais que embasou o Despacho Decisório IRF/BG nº 9/2013 (fls. 31 a 36), que denegou o PER s/nº que inaugura o presente processo, vemos que a Delegacia reconheceu a procedência da alegação de que foi lançada a diferença de IPI vinculado à importação e de que tal débito foi extinto com créditos do PER6094, sendo tal compensação expressamente homologada pela Delegacia em Pelotas: De fato, analisandose o auto de infração do processo nº 11041.00869/201074 anexado aos autos, verificase que o contribuinte à época beneficiouse da alíquota de 5% de IPI até 12/05/2008 e de 0% a partir de 13/05/2008, tendo em vista erro de classificação fiscal das mercadorias importadas. Através deste auto de infração, foi feito o lançamento dos valores devidos após as autoridades fiscais constatarem que a alíquota correta seria a de 10%. Não tendo sido apresentado o correspondente recurso, tal lançamento foi definitivamente constituído na esfera da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Estes valores inicialmente lançados no processo nº 11041.00869/201074 foram compensados na PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 0991 sendo tal compensação homologada pelo Despacho Decisório DRF/PEL SAORT nº 31, de 28 de maio de 2012, todos anexados aos autos. (grifado) Estes valores pleiteados pelo contribuinte foram compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, conforme consta neste documento. (grifado) Todavia, a partir desse ponto, percebese um equívoco no raciocínio desenvolvido. Apontase para a exata correspondência entre os débitos compensados na DCOMP0991 e os créditos para os quais se solicita ressarcimento no presente processo, concluindo que seriam pedidos em duplicidade: Em anexo a este relatório consta um resumo deste PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991 onde verificase a exata correspondência dos valores trimestrais declarados com aqueles da tabela constante no item 1 deste relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 17437.720386/201294 Acórdão n.º 3002000.093 S3C0T2 Fl. 6 5 Logo, concluise que todos os pedidos de ressarcimento tratados são na realidade solicitações de restituição de valores compensados. E estas solicitações não se enquadram em nenhuma hipótese previstas no art. 165 da Lei nº 5.172/66 (CTN) repetidas no art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 900/08, em vigor à época do protocolo destes pedidos: (...) Em outras palavras, o contribuinte solicita “ressarcimento” de valores provenientes de auto de infração compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, resultando na duplicidade deste crédito já usado, caso isto fosse possível. Ademais, não se pode esquecer que a declaração de compensação, e aqui referese a PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991, constituise confissão de dívida, conforme § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei 10.833/03:(...) Entendo que não há duplicidade. Em um primeiro momento, esses valores aparecem como débitos na DCOMP0991, a serem compensados com os créditos do PER 6094. Em um segundo momento, após a homologação da compensação, tais valores passam a representar IPI pago e, por esse motivo, são informados como créditos no PER s/nº que inaugura o presente processo. É claro que são os mesmos valores, mas com uma natureza diferente: o débito de IPI transformase em crédito após a compensação – e ele foi compensado com um crédito que não guarda relação com o auto de infração. Vejamos o Demonstrativo de Apuração do auto de infração (fl. 20). Há 3 colunas: imposto devido (calculado com a alíquota correta, após a reclassificação fiscal), imposto recolhido (imposto pago no momento do registro da declaração de importação) e diferença apurada (valor de IPI lançado pela fiscalização e que foi compensado por meio da DCOMP0991, homologada expressamente). Seguem os valores totais do período: Imposto Devido Imposto Recolhido Diferença Apurada 10.302,82 5.151,40 5.151,42 Em suma, o que o contribuinte pleiteia é que se reconheça o direito ao crédito da “diferença apurada”, no que, entendo, lhe cabe razão. A Delegacia de Julgamento tomou a mesma direção da unidade de origem, acrescentando como motivação a falta de prova, como se vê no trecho a seguir do Acórdão DRJ: Destarte, se a fiscalização, após exame da documentação apresentada pelo contribuinte conclui que o pedido de ressarcimento foi feito em duplicidade, caberia a defesa contrapor provas contra tal conclusão, a simples alegação de que o IPI pago na importação confere direito ao crédito não é suficiente para afastar o fundamento do Despacho Denegatório. (grifado) Em relação ao ônus da prova, entendo ter o contribuinte se desincumbido de sua tarefa, pois juntou à manifestação de inconformidade cópia do auto de infração, que é a Fl. 78DF CARF MF Processo nº 17437.720386/201294 Acórdão n.º 3002000.093 S3C0T2 Fl. 7 6 origem do imposto, e a homologação expressa da compensação, que é a prova da quitação do débito. Tais documentos, considerados conjuntamente, demonstram que o IPI decorria da importação de matériaprima para industrialização e que o crédito tributário exigido foi extinto por meio de compensação, configurando hipótese para creditamento prevista no RIPI/2010: Art.226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: (...) V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; É certo que a diferença apurada em revisão aduaneira não foi paga no desembaraço aduaneiro, mas incorporase ao que foi pago originalmente, é a diferença que faltou pagar quando do desembaraço e foi exigida em procedimento de revisão aduaneira. Neste caso, dadas as suas particularidades, não há que se falar na exigência de nota fiscal ou de livro contábil para demonstração do direito creditório. Concluise que a recorrente demonstrou o seu direito ao crédito relativo à diferença de IPI exigida em auto de infração, excluídos a multa e os juros de mora, condicionado o ressarcimento à verificação pela unidade de origem da quitação de impostos e contribuições federais do interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000016/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO
Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento.
MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS À TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO.
O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
Numero da decisão: 2202-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19311.000016/2010-17
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861676
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.354
nome_arquivo_s : Decisao_19311000016201017.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 19311000016201017_5861676.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7280291
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309090082816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.257 1 1.256 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000016/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.354 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA Recorrente IVETE ROVERE CHIQUETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 16 /2 01 0- 17 Fl. 1257DF CARF MF 2 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0264.197, proferido pela 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Foi lançado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, decorrente de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo ao ano calendário 2008, no Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.258 3 montante de R$ 2.235.214,63 (dois milhões, duzentos e trinta e cinco mil, duzentos e quatorze reais e sessenta e três centavos), incluídos multa de ofício e juros de mora. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte relativa ao procedimento fiscal: Do Procedimento Fiscal De acordo com o TVF a ação fiscal teve origem depois de analisada a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, na qual a contribuinte informou ter recebido no anocalendário 2008 como rendimentos isentos e não tributáveis a importância de R$8.866.175,97. Procedeuse então à intimação da contribuinte em 28/10/2009, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 446 e 447, para apresentar diversos documentos relacionados aos rendimentos declarados. Em 16/11/2009 a fiscalizado protocolou na DRF/Jundiaí o documento de fl. 449 a 463 no qual esclarece que os rendimentos declarados como isentos na DAA/2009 são originários da venda de participações societárias nas sociedades Comercial Guilherme Mamprim Ltda (posteriormente denominada Comercial Frango Assado), Centro de Serviços Frango Assado Norte Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Suleste Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Sudoeste Ltda e Carvalho Pinto Automotivos e Conveniências Ltda. Para fins de melhor entendimento as referidas empresas serão aqui tratadas respectivamente como: “COMERCIAL”, “FRANGO ASSADO NORTE”, “FRANGOASSADO SUDOESTE”, “FRANGO ASSADO SULESTE” e “CARVALHO PINTO”. Na resposta discorreu sobre o histórico da participação na COMERCIAL e sua cisão parcial, com reversão de parte do capital social para criação da Frango Assado Empreendimentos e Participações S/A (FASPAR), do ingresso nas outras quatro sociedades e da alienação das participações nas empresas. Juntou contratos, alterações contratuais e asseverou que o ganho de capital obtido na alienação está protegido pelo manto da isenção prevista no artigo 4º, alínea “d” do DecretoLei 1510/76 e nem mesmo com a revogação do dispositivo pela Lei 7.713/88 ele teria perdido o direito alegado. No item 3.2 e subitens do TVF a autoridade lançadora tece considerações acerca da inexistência de direito adquirido e conclui que o ganho de capital auferido corresponde a rendimento que deveria ter sido oferecido à tributação. Informa a fiscalização que buscou identificar qual parcela e quantidade do montante total de cotas possuía a contribuinte no momento da alienação e que havia cumprido a condição do artigo 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76, durante sua vigência. Fl. 1259DF CARF MF 4 Esta apuração consta da Tabela 1 Evolução do Capital Social da COMERCIAL, fl. 977. Da análise dos dados examinados conclui que a grande maioria do capital social da COMERCIAL é composta por quotas que não compunham o patrimônio da fiscalizada na vigência do citado dispositivo legal, uma vez que foram subscritas e integralizadas posteriormente à revogação daquele normativo. As sociedades FRANGO ASSADO NORTE, FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE foram constituídas em 09/10/1998, com capital vertido da COMERCIAL (conforme 32a alteração contratual da COMERCIAL, de 09/10/1998,e contratos sociais de constituição das pessoas jurídicas). A CARVALHO PINTO foi constituída em 01/02/1999, conforme contrato social de constituição da pessoa jurídica. Os sócios fundadores da pessoa jurídica são Gabriel Alfio Tomaselli, CPF 365.992.55868, e Márcia Galucci Tomaselli, CPF 258.301.718 26, e seu capital social, de R$12.000,00, foi integralizado em moeda corrente por tais sócios.Apenas em 29/11/2005 a empresa foi adquirida pela FASPAR. A autoridade lançadora refutou a tese apresentada, segundo a qual, apesar de constituídas após a revogação do DecretoLei 1.510/76, as participações nas empresas mencionadas anteriormente também estariam abrangidas pela isenção daquele dispositivo legal, uma vez que a FASPAR originouse de cisão parcial da COMERCIAL e que as outras sociedades empresárias possuíam como sócio principal a FASPAR, tendo sido mantida a mesma proporção de participação de cada sócio. A não aceitação desse argumento reside no fato de que no universo decotas da COMERCIAL, somente pequena parcela enquadravase no dispositivo citado, pois de acordo com a Tabela 1, as cotas cindidas para a formação do capital social da FASPAR não gozavam da isenção. Ressalta a autoridade fiscal que do total de cotas alienadas, 15.770.000,apenas 436 cumpriam o prazo de cinco anos descrito no citado DecretoLei. Ainda que o contribuinte possuísse as ações por mais de 5 (cinco) anos no inicio da vigência da Lei 7.713,de 1988, se ele não alienou a participação societária até esse momento, não ocorreu o fato gerador do IRPF. Conforme documentação apresentada pela fiscalizada verificou a autoridade autuante que a planilha de fl. 458 contém a correta apuração do ganho de capital obtido por ele na operação objeto do procedimento fiscal com base no Contrato de Compra e Venda de Quotas e outras Avenças, firmado em 23 de setembro de 2008 entre a contribuinte e os demais sócios, de um lado, e Yami Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 07.757.091/000153, de outro, onde constam os valores da operação, a corretagem paga pela intermediação do negócio e o montante recebido pelo fiscalizada, na proporção de sua participação societária. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.259 5 Sociedade Empresária Preço de Alienação (RS) Custo de Aquisição (RS) Comissão (RS) Ganho de Capital (RS) Comercial Frango Assado 6.697.000,00 765.500,00 119.147,47 6.082.352,53 Frango Assado Norte 596.500,00 8.350,00 10.493,66 577.656,34 Frango Assado Sudoeste 586.000,00 5.950,00 10.520,72 569.529,28 Frango Assado Suieste 342.500,00 8.100,00 4.756,82 329.643,18 Carvalho Pinto 433.000,00 600,00 7.531,33 424.868,67 Total 8.925.000,00 788.500,00 152.450,00 7.984.050,00 Cientificado da autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 985/1148), que foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, cuja decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSIDADE DE SER ACOMPANHADA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO. O instituto da denúncia espontânea está previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional e exige que esta seja acompanhada, se for o caso, do pagamento devido e dos juros de mora. Na ausência do pagamento do tributo devido fica descaracterizada a denúncia espontânea. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o Fl. 1261DF CARF MF 6 lucro auferido, ainda que,na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4ºdo Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. CUSTO DE AQUISIÇÃO. QUOTAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. No caso de quotas distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade de leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 19/03/2015, foi emitida a Intimação SECAT 214/15LFAC (fls. 1178), a fim de dar ciência à contribuinte da decisão da DRJ/BHE. A recorrente apresentou Recurso Voluntário em 10/04/2015 (fls. 1181/1226), repisando os argumentos da impugnação, que são por ela resumidos nos seguintes trechos: 2.1. A nulidade "ab initio" do Auto de Infração, via acolhimento das seguintes preliminares arguidas: a) Cerceamento do direito de defesa em face da impossibilidade de compreensão e entendimento da metodologia e critérios técnicos utilizados na elaboração da Tabela 1 anexa ao Termo Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.260 7 de Verificação Fiscal, intitulada "Evolução do Capital Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda", devendo o Auto de Infração ser cancelado em sua totalidade pela cominação de nulidade; b) Ilegitimidade da aplicação das multas moratórias e das multas punitivas, correspondentes à multa de ofício de 75% e aos juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC, mormente por estarem presentes os pressupostos necessários para acionamento do benefício fiscal emergente do instituto jurídico da denúncia espontânea, devendo o Auto de Infração ser cancelado ou refeito, para exclusão de tais valores do crédito tributário reclamado no referido Auto de Infração; c) Anulação integral do lançamento fiscal em caso de reconhecimento do "direito adquirido" ao não pagamento do IRPF, restando (i) afastada qualquer possibilidade de nulidade parcial do lançamento; e (ii) prejudicada qualquer análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados. 2.2. Caso não seja esse o entendimento dos E. Julgadores, o que nos afigura improvável "venia máxima rogata", quanto ao mérito, via acolhimento das razões de reforma articuladas, requer seja decretada a nulidade ou a extinção do Auto de Infração ora inquinado, com o conseqüente cancelamento do débito fiscal reclamado. 2.3. Com base no instituto jurídico da preclusão, requer seja reconhecida a perda do direito da Fazenda Nacional em realizar qualquer exame ou questionamento quanto (i) à eventual existência de novas subscrições ou aquisições ocorridas a partir de 25/09/1996 e suas respectivas bonificações, tratandose de período não considerado no Auto de Infração ora inquinado; (ii) à qualquer outro ato, evento ou operação ocorrido a partir de 25/09/1996, que implique na eventual descaracterização dos requisitos exigidos para enquadramento na condição insculpida no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510/76, ensejando a perda do benefício fiscal previsto naquele diploma legal. Em relação ao mérito, em apertada síntese, os argumentos da recorrente foram desenvolvidos nos seguintes tópicos: · Do direito adquirido à isenção (ou não pagamento) do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido na alienação das "participações societárias" · Da aplicação do disposto no art. 178 do CTN, visto tratarse "in casu" de isenção onerosa. concedida por prazo certo e em função de determinadas condições · Das bonificações e filhotes adquiridas a custo zero. e que se referem às aquisições e subscrições originariamente havidas em agosto de 1983 Fl. 1263DF CARF MF 8 · Da preclusão quanto ao direito da fazenda nacional examinar e/ou questionar as aquisições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 · Dos aumentos de capital e das aquisições e subscrições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 · Das mutações ocorridas no quinhão societário do contribuinte no período de 08/08/1983 a 25/09/1996 · Das bonificações adquiridas a custo zero e que são decorrentes das mesmas aquisições e subscrições ordinariamente havidas em agosto de 1983. Dos pedidos A recorrente requer reforma da decisão recorrida; nulidade do auto de infração e cancelamento do débito fiscal; caso prevaleça o lançamento, que seja refeito o cálculo para incluir o valor de R$ 2.128.926,12, corrigido e atualizado até 09/2008, no custo de aquisição das quotas alienadas; intimação no endereço do advogado; consideração dos argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Tempestividade e Admissibilidade Não consta nos autos o comprovante de ciência ao contribuinte, do acórdão nº 0264.197, proferido pela 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE). Entretanto, como a Intimação SECAT 214/15 LFAC foi emitida em 19/03/2017, e a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 10/04/2017, considero suprida a falta de comprovante da ciência da decisão da DRJ/BHE, e tempestivamente apresentado o recurso, pois da data de emissão da Intimação SECAT à data de apresentação do recurso, contamse menos de 30 dias, prazo que teria o sujeito passivo para apresentar recurso, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235/76. Portanto, o Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares. Nulidade. Inocorrência Cerceamento do direito de defesa. Preterição do direito de defesa Aduz a recorrente que a decisão da DRJ/BHE concordou que a Tabela 01 “Evolução do Capital Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda.” foi elaborada de forma equivocada. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.261 9 Diz que nem o julgador conseguiu entender e explicar a metodologia e os critérios técnicos utilizados pelo Auditor Fiscal na elaboração da Planilha, e mesmo assim faz ilações para disfarçar sua incompreensão, ignorando que essa confusa e inexplicável tabela impossibilitou seu direito de defesa e contraditório. Acrescenta que ficou sem saber como o autuante chegou à conclusão de que apenas 436 quotas estavam enquadradas nas regras de isenção, e que o valor do capital inicial considerado em um período não coincide com o valor do capital social final do período anterior, mesmo após a conversão da moeda, havendo dificuldade em reconstituir os quantitativos de quotas, inclusive para apurar a ocorrência de novas subscrições ou aquisições. Assevera que o Auditor Fiscal utilizou critério subjetivo inservível como elemento de prova. Infirma que se uma quota cumpriu os requisitos de isenção, por lógica todas cumpriram. Aduz que aparentemente o autuante dividiu quantitativos de quotas por índices de conversão da moeda vigente no país, o que é inadmissível, e que não sabe porque ele utilizou como fator de redução o índice de 2,75, para chegar às 436 quotas, que nada mais é que um fator de conversão da moeda, decorrente dos diversos planos econômicos. Faz algumas indagações: Porque adotou como ponto de partida o capital social vigente em 01/10/1993, e não o capital social existente em 1983, quando originariamente as quotas foram havidas pelo Contribuinte? Porque não aplicou este fator sobre o capital social de CR$ 300.000.000,00, existente em 1983? Ou então, porque não retroagiu à data de aquisição ou subscrição das quotas para fins de demonstrar fundamentadamente a evolução do capital social e as mutações patrimoniais ocorridas nas quotas detidas pelo Contribuinte? Qual o embasamento técnicojurídico e legal para se aplicar índices de conversão da moeda sobre quantidades de quotas? Como pôde afirmar, com tão mínima e ilegítima fundamentação, que as restantes 3.839.564 quotas (considerando o montante de 3.840.000 quotas existente em 25/09/1996) não estariam legalmente referenciadas às quotas havidas originariamente pelo Contribuinte em agosto de 1983? Afirma que a quantidade de quotas foi obtida, pelo Auditor Fiscal, por simples cálculo matemático, e que a tentativa para apurar o enquadramento das quotas na condição prevista no art. 4º, alínea “b”, do Decretolei nº 1.510/76 deveria levar em conta a data em que as quotas foram originariamente adquiridas ou subscritas (08/08/1983), para verificar a sua permanência no patrimônio do contribuinte pelo período condicional de 5 (cinco) anos. Ressalta que o desconhecimento do contribuinte sobre a razão de as únicas quotas por ele subscritas ou adquiridas de 08/1983 a 09/2008 não estarem enquadradas na condição de isenção do imposto de renda, pela forma de elaboração da tabela, prejudicou seu exercício ao contraditório e ampla defesa, sendo nulo Auto de Infração por ter sido lavrado sem clareza a matéria fática que o ensejou. Nesse sentido cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Fl. 1265DF CARF MF 10 Sem razão a recorrente. Percebese que o cerceamento de defesa alegado por ela, está baseado na tabela 1 (fls. 977), ao afirmar que esta é incompreensível, não demonstrando de onde o Auditor Fiscal tirou os valores, para fins de lançamento fiscal. Pois bem, então vamos à análise da tabela, motivo de insatisfação da recorrente. Analisando os documentos apresentados pela recorrente durante a fiscalização, às fls. 464/955, percebese que a tabela a que ela se refere apenas resume as alterações contratuais desses documentos, com os exatos números e valores das quotas pertencentes aos sócios da empresa, de acordo com cada mutação contratual, pois a primeira parte da tabela repete os valores constantes às fls. 467/469: SITUAÇÃO EM 08/08/1983 COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA. COTAS VALOR (CR$) PARTICIPAÇÃO CAPITAL TOTAL 30.000.000 300.000.000,00 ANA THOMÉ MAMPRIM 3.750.000 37.500.000,00 12,50% ARNALDO MAMPRIM 7.500.000 75.000.000,00 25,00% JOSE CESAR TRIVELATO 5.000.000 50.000.000,00 16,67% SIMONE ROSA TRIVELATO 2.500.000 25.000.000,00 8,33% ANTONIO ROMILDO ROVERE 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IVONE ROVERE 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IVETE ROVERE CHIQUETTO 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IZILDINHA ROVERE CHIQUETTO 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IVANA ROSA ROVERE ZILLETI 1.500.000 15.000.000,00 5,00% EDNA MARIA MAMPRIM BRUNELLO 937.500 9.375.000,00 3,13% ELINOR CELIA MAMPRIM MARINI 937.500 9.375.000,00 3,13% MARLENE MAMPRIM FORATO 937.500 9.375.000,00 3,13% VALMIK ANTONIO MAMPRIM 937.500 9.375.000,00 EUNICE ROSA MAMPRIM MIRIAM THIVELATO VALOR UNITÁRIO DA COTA CR$ 10,00 A tabela discrimina por sócio, a quantidade de quotas, o valor delas e o percentual de cada sócio no patrimônio da sociedade. Além disso, o Auditor Fiscal esclarece na própria tabela que essa era a situação em 08/08/1983. Assim, para a determinação do custo de aquisição o autuante considerou as quotas desde a aquisição (08/08/1983), ao contrário do que afirma a recorrente. A tabela é bem didática, pois separa as quotas que a recorrente tinha antes da revogação do Decretolei, e na sequência as compara de acordo com os aumentos de capital ocorridos em 01/10/1993 e 25/09/1996. Pela tabela vêse que o capital social da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, em 08/08/1983 era constituído por 30 (trinta) milhões de quotas, no valor de CR$ 10,00 cada uma. Continuemos a análise pela segunda parte da tabela: AUMENTO DE CAPITAL OCORRIDO EM 01/10/1993 AUMENTO DO CAPITAL CAPITAL APOS AUMENTO VALOR ORIGINAL EM CRUZEIROS VL. CONVERTIDO P/ CRUZEIRO REAL COTAS ORIGINAIS ISENTAS VALOR COTAS VALOR COTAS PART. 1.200.000.000,00 1.200.000,00 120.000 46.800.000,00 4.680.000 48.000.000,00 4.800.000 150.000.000,00 150.000,00 15.000 5.850.000,00 585.000 6.000.000,00 600.000 12,50% 300.000.000,00 300.000,00 30.000 5.700.000,00 570.000 6.000.000,00 600.000 12,50% 200.000.000,00 200.000,00 20.000 3.800.000,00 380.000 4.000.000,00 400.000 8,33% Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.262 11 100.000.000,00 100.000,00 10.000 3.900.000,00 390.000 4.000.000,00 400.000 8,33% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 6.000.000,00 600.000 6.000.000,00 600.000 12,50% 4.000.000,00 400.000 4.000.000,00 400.000 8,33% CR$ 10,00 Neste ponto, cabe abrir um parêntese para observar que na primeira parte da tabela o capital social era de Cr$ 300.000.000,00, e na segunda parte da tabela, aparece no valor de Cr$ 1.200.000.000,00. Isso ocorreu em função da alteração contratual de 06/10/1992 (fls. 404), na qual o capital social foi elevado a esse patamar. Aliás, às fls. 436/442, é possível ver os aumentos de capital social, desde 08/06/1970, partindo de NCr$ 280.000,00, em sequência 5.600.000,00 (18/03/1976), 14.000.000 (13/04/78), 41.400.000,00 (28/09/79), 60.000.000,00 (23/10/80), 76.000.000,00 (02/10/81), 150.000.000,00 (01/09/1982), 300.000.000,00 (06/06/1983), 600.000.000,00 (30/07/1984), 1.200.000.000 (20/06/1985), NCZ$ 480.000,00 (15/08/1989), CR$ 120.000.000,00 (24/09/91). Essa informação é importante porque a recorrente alega que o Auditor Fiscal deveria levar em conta a data em que as quotas foram originariamente adquiridas ou subscritas (08/08/1983). E o pequeno histórico demonstra que isso foi considerado pela fiscalização. A segunda parte da tabela resume o aumento do capital social (fls. 477) de Cr$ 1.200.000.000,00 (um bilhão e duzentos milhões de cruzeiros) para CR$ 48.000.000 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais), decorrente do aproveitamento das cotas de lucros acumulados representadas por 4.800.000 cotas ao valor de CR$ 10,00, conforme trecho abaixo, fls. 477: 1) O capital social inteiramente realizado fica aumentado de Cr$ 1.200.000,000,00 (hum bilhão e duzentos milhões de cruzeiros) para CR$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais) com aproveitamento das cotas de lucros acumulados representadas por 4.800.000 de cotas no valor de CR$ 10,00 cada uma, distribuídas na proporção de suas cotas a saber: Fl. 1267DF CARF MF 12 Como se vê, o Auditor Fiscal converteu as quotas antigas que valiam Cr$ 1.200.000,000,00 (um bilhão e duzentos milhões de cruzeiros) para cruzeiros reais (CR$) que resultou no valor de CR$ 1.200.000,00 (um milhão de duzentos cruzeiros reais), conforme consta na tabela. Veja que o Auditor é didático ao apresentar que 1.200.000.000,00 cruzeiros era o valor original, e na coluna ao lado ele coloca esse mesmo valor só que convertido para 1.200.000,00 cruzeiros reais, ou seja, para que não reste dúvidas: Cr$ 1.200.000.000,00 = CR$ 1.200.000,00. Na coluna seguinte ele conclui que o número de quotas isentas era 120.000, POR QUE? Porque a empresa estipulou, conforme trecho acima transcrito, que o valor de cada quota era CR$ 10,00, e para que não reste dúvidas 1.200.000,00/10,00 = 120.000. Assim, se CR$ 1.200.000,00 era o valor das quotas antigas, então 120.000 era o número de quotas antigas, existentes ANTES do aumento de capital social para CR$ 48.000.000,00, proveniente dos lucros acumulados. Veja que se a empresa tem CR$ 1.200.000,00 de capital social e o aumenta para CR$ 48.000.000,00, o valor acrescido ao capital existente é CR$ 48.000.000,00 1.200.000,00 = 46.800.000,00, conforme demonstrado na tabela. Aliás o Auditor Fiscal separa muito bem esses valores, ao apresentar na tabela o VALOR DO AUMENTO DO CAPITAL e o VALOR DO CAPITAL APÓS O AUMENTO: E dessa forma ele discrimina as QUOTAS ISENTAS, que correspondiam aos CR$ 1.200.000,00 existentes antes da capitalização, e QUOTAS NÃO ISENTAS, decorrentes da capitalização de 46.800.000,00, que somadas resulta no valor do capital social da empresa em 01/10/1993: 48.000.000,00. E, por que o Auditor Fiscal chamou de isentas as 120.000 quotas? Porque elas representavam os Cr$ 1.200.000.000,00 (um bilhão e duzentos milhões de reais) existentes antes de 01/10/1993. Veja que o DecretoLei nº 1.510/76 foi revogado em 22/12/1988, então se a empresa tinha as quotas desde 08/08/1983 ela permaneceu com elas por mais de 5 anos que era a condição para a isenção. Como o aumento decorreu de lucros acumulados é certo que houve aumento do valor de quotas. Se antes existiam 120.000 quotas, depois da distribuição de lucros acumulados passou a existir 4.800.000, dentro das quais 4.680.000 foram consideradas pela fiscalização como quotas não isentas, porque emitidas após a revogação do DecretoLei de isenção. Agora vamos para a terceira parte da Tabela: AUMENTO DO CAPITAL OCORRIDO EM 25/09/1996 COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA. VALOR CONVER TIDO PARA AUMENTO DE CAPITAL CAPITAL TOTAL VALOR COTAS ISENTA S VALOR DEMAIS COTAS COTAS ISENT AS DEMAIS COTAS Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.263 13 REAL CAPITAL TOTAL 17.454,55 3.822.545,45 3.840.000,00 436,36 3.839.563,63 436 3.839.564 ANA THOMÉ MAMPRIM 2.181,82 477.818,18 480.000,00 54,55 479.945,45 55 479.945 ARNALDO MAMPRIM 2.181,82 477.818,18 480.000,00 109,09 479.890,91 109 479.891 JOSE CESAR TRIVELATO 1.454,55 318.545,45 320.000,00 72,73 319.927,27 73 319.927 SIMONE ROSA TRIVELATO 1.454,55 318.545,45 320.000,00 36,36 319.963,64 36 319.964 ANTONIO ROMILDO ROVERE 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 IVONE ROVERE 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 IVETE ROVERE CHIQUETTO 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 ZILDINHA ROVERE CHIQUETTO 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 IVANA ROSA ROVERE ZILLETI 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 EDNA MARIA MAMPRIM BRUNELLO 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 ELINOR CELIA MAMPRIM MARINI 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 MARLENE MAMPRIM FORATO 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 VALMIK ANTONIO MAMPRIM 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 EUNICE ROSA MAMPRIM 2.181,82 477.818,18 480.000,00 0,00 480.000,00 0 480.000 MIRIAM THIVELATO 1.454,55 318.545,45 320.000,00 0,00 320.000,00 0 320.000 VALOR UNITÁRIO DA COTA 1,00 Veja que ela apresenta o aumento de capital ocorrido em 25/09/1996. Lembro que a unidade monetária dessa época era o Real. Por consequência, os CR$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais) quando convertidos para reais, resultaram em R$ 17.454,55 (dezessete mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos), que é o mesmo valor que aparece na tabela, e consta na 26ª alteração contratual (fls. 493/494): "CLÁUSULA PRIMEIRA" DO AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL (I) Resolvem os atuais sóciosquotistas, por unanimidade, aumentar o Capital Social da Sociedade, que é atualmente de R$ 17.454,55 (dezessete mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos) para R$ 3.840.000,00 (três milhões, oitocentos e quarenta mil reais), ou seja, um aumento de R$3.822.545,45 (três milhões, oitocentos e vinte e dois mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos) totalmente integralizado neste ato mediante o aproveitamento e capitalização dos recursos e reservas abaixo identificados, apurados de conformidade com o Balanço Patrimonial e demais Demonstrações Financeiras encerrado em 31/08/96, a saber: (a) R$ 1.693.619,33 (um milhão, seiscentos e noventa e três mil, seiscentos e dezenove reais e trinta e três centavos) do saldo existente na conta de "Reservas de Capital C. Monetária do Capital Social". (b) R$ 352,10 (trezentos e cinquenta e dois reais e dez centavos) do saldo existente na conta de "Lucros Acumulados" de exercícios anteriores a 1989; e Fl. 1269DF CARF MF 14 (c) R$ 2.128.574,02 (dois milhões, cento e vinte e oito mil, quinhentos e setenta e quatro reais e dois centavos) de parte do saldo existente na conta de "Lucros Acumulados" de exercícios posteriores a 1.989. (Grifei) Pelo trecho acima transcrito, a própria empresa converteu o valor de CR$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais) para R$ 17.454,55 (dezessete mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos). Portanto, O Auditor Fiscal procedeu da mesma forma que ela; ele converteu os valores de cruzeiros reais para reais, mantendo o custo originário, tanto é que o valor das quotas isentas que era de CR$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil cruzeiros de reais) virou R$ 436,36 (quatrocentos e trinta e seis reais, e trinta e seis centavos), que é o valor que a recorrente diz não saber de onde veio. Veja ainda que, o aumento de capital ocorrido em 25/09/1996, no valor de R$ 3.822.545,45 (três milhões, oitocentos e vinte e dois mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos) foi posterior à revogação do Decretolei de isenção, por isso, o Auditor Fiscal não considerou que as quotas emitidas em decorrência desse aumento estavam amparadas pela isenção, razão pela qual as QUOTAS ISENTAS aparecem separadas das DEMAIS QUOTAS (quotas não isentas), cujo somatório resulta no valor do capital total da empresa. Portanto, como se vê a tabela que a recorrente diz ser incompreensível, só contém valores constantes, nos próprios arquivos societários da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda. Reproduzindo os exatos termos do Contrato e Alterações Contratuais. Além disso, a metodologia utilizada pela fiscalização para determinação do custo de aquisição das quotas, foi o mesmo utilizado pela empresa, qual seja, converteu o valor do capital social à unidade monetária vigente à época dos aumentos de capital. E mais, a recorrente diz não saber de onde o autuante tirou o índice de 2,75, para chegar às 436 quotas. Ora, a resposta está contida na própria 26ª Alteração do Contrato Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, fls. 494: (II) Em face do aumento do Capital Social efetivado na forma do TÍTULO (I) desta "CLÁUSULA PRIMEIRA", e, considerando se ainda as alterações havidas na política econômicamonetária do país, a qual Implementou o "Programa de Estabilização Econômica" alterandose a Unidade do Sistema Monetário Nacional, a qual passou a denominarse o "REAL R$" a partir de 1º de Julho de 1.994, observada a paridade de CR$ 2.750,00 (dois mil, setecentos e cinquenta cruzeiros reais) para cada "UM REAL" (ou) para cada uma URV), o Capital Social de RS 3.840.000,00 (três milhões, oitocentos e quarenta mil reais), totalmente integralizado, representado por 3.840.000 (três milhões, oitocentas e quarenta mil) quotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, fica distribuído e detido pela própria Sociedade (quotas mantidas em tesouraria) e pelos atuais SÓCIOSQUOTISTAS componentes de cada "GRUPO FAMILIAR", da seguinte forma: (Grifei). Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.264 15 Aqui, retomando os questionamentos da recorrente no início deste tópico, entendo que a fiscalização adotou como ponto de partida o capital vigente em 1983. Verificase do histórico de aumentos de capital que a própria empresa já aplicava o fator de conversão das moedas a cada alteração contratual, até chegar ao valor de Cr$ 1.200.000.000,00 (06/10/1992) apresentado na tabela, e utilizado pelo Auditor Fiscal para demonstração das parcelas que estavam inclusas na isenção. Não foi utilizado o índice de conversão sobre o número de quotas, mas sobre o valor das quotas, e a partir dele, encontrado o número de quotas pela divisão do valor total delas, pelo valor unitário atribuído pela própria empresa. Por fim, a demonstração de que as 3.839.564 quotas não estavam abrangidas pela isenção, está apresentada na tabela, conforme exposto ao longo deste tópico. Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, disposto no inciso LV do art. 5º, da Constituição Federal de 1988, tem por finalidade possibilitar aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa e ao contraditório. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, em hipótese alguma, pode ser acusada de negar ao contribuinte o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, concluise que não houve qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa, pois os Autos de Infração foram lavrados em obediência ao princípio da estrita legalidade, expondo com objetividade e clareza a origem do lançamento de crédito, sua composição, bem como os dispositivos legais e os documentos que o fundamentaram, atendendo a todos os dispositivos normativos sobre a matéria, permitindo assim, o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. Anulação integral do lançamento fiscal em face do reconhecimento do "direito adquirido" ao não pagamento do IRPF. Inocorrência A recorrente pugna pela nulidade total do lançamento, e diz que o Auditor Fiscal se limitou a: [...] analisar a evolução do capital social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, apenas no período de 08/08/1983 a 25/09/1996, deixando de examinar e/ou de questionar as alterações contratuais e/ou as mutações patrimoniais ocorridas nas participações societárias do Contribuinte posteriormente à 25/09/1996, ou seja, desde 25/09/1996 até setembro de 2008 (data de alienação das quotas). Portanto, está precluso o direito da Fazenda Nacional questionar eventual descumprimento da condição prevista no art. 4º. alínea "d", do DecretoLei 1.510/76, em relação às mutações patrimoniais ocorridas nas participações societárias a partir de 25/09/1996, isto é, a partir do quantitativo equivalente a 3.840.000 quotas. Acrescenta que se reconhecido o direito adquirido ao não pagamento de IRPF, fica prejudicado o questionamento sobre existência de novas subscrições, aquisições ou Fl. 1271DF CARF MF 16 eventos ocorridos a partir de 25/09/1996, que levem à perda do benefício fiscal da isenção. Cita jurisprudência do STJ sobre a impossibilidade de nulidade parcial quando o vício compromete todo o lançamento, e diz que se reconhecido direito adquirido nulo estará todo o lançamento. Requer sejam considerados os argumento constantes no item 3.1, subitem 3.1.1 da impugnação (3.1.1. DA CONFUSA E FANTASIOSA TABELA 1 ANEXA AO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL:), fls. 1022/1029. Ora, a alegação da recorrente não tem qualquer fundamento, dado que o Auditor Fiscal apresentou a evolução do capital da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, para demonstrar quais quotas estavam albergadas pela isenção e quais as que não estavam. E, a partir dela efetuou o lançamento de acordo com o custo de aquisição declarado pela recorrente. Ademais, qualquer análise posterior para verificação da isenção arguida pela recorrente, não pode deixar de considerar o histórico de evolução das quotas da empresa, a fim de apurar o custo de aquisição das cotas e do respectivo ganho de capital na alienação delas. Ressalto que, o processo administrativofiscal de exigência de crédito tributário referente às contribuições previdenciárias é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a nulidade dos atos nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse aspecto, o Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172/66, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. A questão do direito adquirido, por se referir ao próprio mérito, será analisada, em momento oportuno. Denúncia espontânea. Multa de ofício. Juros à taxa Selic A recorrente arrazoa que, antes do início do procedimento fiscal declarou expressamente a alienação da totalidade das quotas e participações societárias que detinha nas sociedades do Grupo “Frango Assado”, e a comissão paga à “IGC Partners”, tendo apurado e informado corretamente o ganho de capital decorrente da operação, que foi lançado como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme Declaração de Ajuste Anual do Ano Calendário de 2008, e não agiu com máfé, por entender que tinha direito adquirido à isenção do imposto de renda, nos termos do art. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 27/12/1976, e ainda com a existência de decisões administrativas e judiciais reconhecendo seu direito adquirido ao benefício fiscal decorrente desse dispositivo legal, não podendo ser penalizada com aplicação de multas confiscatórias e juros de mora. Cita o art. 138 do CTN, e interpreta que não há obrigatoriedade de pagar o tributo declarado para que reste caracterizada a denúncia espontânea, e a expressão "se for o caso", não tem o significado dado pelo julgador a quo, nem concorda com a afirmação deste de que teria efetuado a classificação indevida de rendimentos, e diz não se aplicar ao caso a norma do art. 841 do RIR, porque não fez declaração inexata, nem omitiu qualquer elemento sobre a alienação de quotas e participações societárias, e deixou de efetuar o recolhimento porque baseado em dispositivo legal, doutrina e jurisprudência. Transcreve jurisprudência e doutrina Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.265 17 sobre denúncia espontânea e inexigibilidade de multa punitiva, e sobre o entendimento de que a multa moratória tem natureza punitiva. Arrazoa ser ilegítima a aplicação da multa de ofício de 75% e aos juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC. Não assiste razão à defendente, a perda da espontaneidade se deu em 28/10/2009, data em que a recorrente tomou ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 448), nos termos do parágrafo único do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972: Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Grifouse) Decreto nº 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:(Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Grifouse) Portanto, conforme dispositivos acima transcritos, enquanto estiver abrigado sob o manto da espontaneidade, o sujeito passivo poderá confessar débitos não declarados, retificar declarações e formular consultas, ficando a salvo da imposição de multa de ofício desde que efetue o recolhimento dos tributos devidos com os acréscimos moratórios cabíveis. Excluída, por outro lado, a espontaneidade do interessado, ele ficará sujeito à imposição de multa de ofício, ainda que reconheça a procedência do lançamento. Da mesma forma, não serão acolhidas como eficazes as declarações entregues após o início da ação fiscal, conforme art. 147, § 1º do CTN: “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. Fl. 1273DF CARF MF 18 Portanto, o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade em denunciar irregularidades para os fins de declarar e retificar declarações referentes aos tributos objeto do procedimento fiscal a que está submetido. A recorrente, ao informar em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), como isento rendimento que não estava alcançado pelo instituto da isenção, deixou de oferecêlo à tributação, e, consequentemente, não houve o recolhimento do imposto devido, portanto, não se trata de caso de denúncia espontânea. Esclarecese ainda à recorrente que, a responsabilidade por infrações fiscais independe da intenção do agente, conforme art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Em relação ao argumento da recorrente de que é ilegal a multa de ofício, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do mérito Da aplicação do disposto no art. 178 do CTN, visto tratarse "in casu" de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições A recorrente argumenta que quando da publicação da Lei nº 7.713/88, já possuía as participações societárias por mais de 5 anos, tendo direito adquirido ao benefício fiscal conferido pelo Decretolei nº 1.510/76, independente da data de alienação das participações societárias. Assevera que se implementada a condição à isenção antes da revogação da lei, a isenção se mantém mesmo se a alienação ocorrer na vigência da lei revogadora, pois no caso se trata de isenção concedida sob condição onerosa. Cita Súmula nº 544/STF, e diz que o caso se amolda a ela, sendo vedada a revogação dessa isenção, acrescenta jurisprudência do STJ sobre cumulação dos requisitos previstos no art. 178 do CTN para se considerar a isenção irrevogável, e julgados do CSRF sobre direito adquirido à isenção em decorrência do Decreto Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.266 19 Lei nº 1.510/76 (102134080, CSRF/0400.215, CSRF/0103.266, CSRF/0102.973, CSRF/01 02.974, CSRF/01 03.349 e CSRF/0103.725). Discorre sobre o caráter de onerosidade da isenção pleiteada, acrescentando julgados do Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Regionais Federais, e CARF (acórdãos 2102002.966, 2102002.967, 2202002.468, 9202003.542, 9202002.805). A controvérsia cingese à extensão da isenção concedida pelo Decretolei nº 1.510/76, revogada pela Lei nº 7.713/88, quanto às quotas alienadas em períodos em que vigia a lei revogadora, sendo esse o objeto do lançamento fiscal. Então vamos analisar essa isenção: Decretolei nº 1.510/76 Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. A Lei nº 7.713/88 revogou expressamente os dispositivos acima transcritos: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. [...] § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. [...] Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65 e 66 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do Decreto Fl. 1275DF CARF MF 20 Lei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12 e 13 do DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15 e 100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do DecretoLei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7º do DecretoLei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. (Grifei) O art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), dispõe sobre a possibilidade da revogação da isenção nos seguintes termos: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104.(Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) Como a recorrente se firma no direito adquirido à isenção, entendo que o art. 178 do CTN claramente derruba essa tese, à exceção de a isenção ter sido por prazo certo E sob determinadas condições. Em função da exceção disposta no CTN, é oportuno analisar se a isenção de que tratava a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 atendia aos requisitos para que essa isenção não fosse revogada a qualquer tempo. Ora, não vejo no trecho do DecretoLei qualquer dispositivo que diga por quanto tempo essa isenção se estenderá, o que diz o Decreto Lei é que as quotas tinham que ficar em poder dos sócios por 5 anos, para que tivessem direito à isenção, mas não diz, por exemplo, que a isenção albergada em função desse dispositivo vigorará por 5, 10 ou 20 anos, assim, não havia um tempo estimado para que a pessoa física gozasse dela. De outro lado, vejo apenas presente o segundo trecho do CTN, sob "determinadas condições", sendo esse, de caráter oneroso, porque, se quisesse gozar da isenção, a pessoa física ficaria impedida de alienar as participações por um determinado prazo, ou seja, ela não teria as participações disponíveis para venda. Assim, não estando presentes todos os elementos para impedir que a isenção pudesse ser revogada ou modificada a qualquer tempo, entendo que não há direito adquirido a essa isenção. Aliás esse foi o entendimento dos acórdãos 9202004.507 e 9202004.506, ambos de 25/10/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4o do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei n° 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1o de janeiro de 1989 (vigência da Lei n° 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Recurso Especial Negado. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.267 21 Acrescento que, a lei vigente à data da alienação das participações societárias era a Lei nº 7.713/88, e, portanto, nos termos do art. 144 do CTN, era ela que deveria ser aplicada. Em relação à Súmula nº 544/STF, citada pelo recorrente, ela foi aprovada na Sessão Plenária de 03/12/1969, portanto, anterior à nova redação do art. 178 do CTN, dada pela Lei Complementar nº 24, de 07 de janeiro de 1975. Dessa forma, só pode ser interpretada diante do novo texto, pois Súmula do STF não pode vir em contrariedade à Lei. Aliás, uma simples leitura ao art. 178 do CTN antes e depois da Lei Complementar 24/75 já demonstra a nova interpretação que deve ser feita à Súmula citada pelo recorrente: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo ou em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do artigo 104. (Ressaltei) Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) (Ressaltei) Neste ponto, esclareço que a auditoria considerou que as quotas isentas, conforme demonstrado nas tabelas acima, por terem sido alienadas após a revogação da Lei de isenção não gozavam do instituto do direito adquirido. Portanto, o lançamento fiscal se refere ao imposto sobre ganho de capital na alienação das participações societárias adquiridas: 1) após a revogação da Lei de isenção, 2) antes da revogação da Lei de isenção; nos dois casos alienadas após essa revogação, pois como visto acima é perfeitamente possível a revogação de isenção que não seja concedida por prazo certo E sob determinadas condições. Portanto, não cabe a aplicação da referida Súmula ao presente caso. Das bonificações e filhotes adquiridos a custo zero, e que se referem às aquisições e subscrições originariamente havidas em agosto de 1983 A recorrente arrazoa não proceder o argumento do julgador a quo "que as disposições do Parecer Normativo CST nº 68/77 não se aplicam às bonificações emergentes das aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983, mesmo que se tratem de bonificações decorrentes de aumento de capital ocorrido após a vigência da Lei revogadora, ou seja, após a vigência da Lei nº 7.713/88". Diz que o parecer teve por objetivo esclarecer as questões sobre as bonificações decorrentes das participações societárias enquadradas na isenção aqui discutida, acrescentando que o parecer: [...] é absolutamente claro quanto à definição para efeitos da tributação do Art. 1º do referido DecretoLei, que as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, estendendose tal definição para todas e quaisquer bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, mesmo aquelas havidas após a sua revogação, mas originárias das participações societárias mantidas pelo Contribuinte desde 1983. Fl. 1277DF CARF MF 22 Com efeito, se o recebimento das bonificações relativas às aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 está isento do imposto nada mais racional tenha o DecretoLei nº 1.510/76 disposto que elas só podem ser computadas a custo zero, ou seja, tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. Por sua vez, não se aplica ao presente caso, a alegação do D. Julgador "a quo" de que, em face do disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95, no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Sem razão a recorrente. A meu ver correto o entendimento do julgador a quo, o Parecer Normativo CST nº 68/77, que tinha caráter interpretativo, considerou as regras vigentes à época de sua emissão. Não se pode esquecer que a cada alteração da legislação há necessidade de nova interpretação à luz dos dispositivos então vigentes. E nesse aspecto, estou de acordo com os argumentos esboçados no acórdão recorrido, por isso, adotoos como razões de decidir: Verificase que a autuada considerou que as bonificações, mesmo que distribuídas posteriormente a 31/12/1983, estariam isentas por terem origem daquelas que supostamente gozavam de isenção. De fato, o artigo 5o do Decretolei nº 1.510/1976 trazia regramento para apuração do ganho de capital, especialmente sobre o rateio das bonificações, tanto que remetia ao artigo 1o, ambos revogados pela Lei nº 7.713/1988. Já o Parecer Normativo CST nº 68/1977, ato normativo de caráter interpretativo, tinha o propósito de esclarecer o tratamento a ser dado às bonificações recebidas e a forma de cômputo delas na apuração de eventuais ganhos de capital. Referido artigo definia que para efeitos da tributação do artigo 1o do mesmo DecretoLei, as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, mas a validade do dispositivo perdurou até a vigência da lei revogadora, Lei nº 7.713/1988. Portanto, desde 1º de janeiro de 1989 o tratamento tributário a ser considerado em relação às bonificações possui regramento nos §§ 3o e 4o do artigo 16 da Lei nº 7.713/1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: (...) § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.268 23 § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Por sua vez, o parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995 estabelecia a forma de cálculo do custo de aquisição das ações distribuídas em decorrência do aumento do capital por incorporação do lucro e de reservas, como segue: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Disto depreendese que não há qualquer razão legal para ratear as bonificações adquiridas posteriormente a 31/12/1983 na forma estabelecida pelo Decretolei nº 1.510/1976 visto que no regramento tributário atual as bonificações/quotas distribuídas pela empresa mediante incorporação de lucros ou reservas são consideradas ações novas cujo custo de aquisição é dado em função da origem das reservas que resultaram na distribuição das ações a titulo de bonificação. (grifei) Acrescento que, se compararmos os trechos do revogado art. 5º do Decreto lei nº 1.510/76, e os parágrafos 3º e 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/1988, iremos ver que a troca da palavra "bonificações" por "participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação", nos dará a certeza de que esses aumentos de capital originam novas participações, e não são filhotes, como entende a recorrente. Decretolei nº 1.510/76 Lei nº 7.713/1988 Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art. 16 [...] § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Fl. 1279DF CARF MF 24 O argumento da recorrente, de que as bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, eram computadas a custo zero, e que isso se estenderia às bonificações decorrentes daquelas participações, mesmo após a revogação do DecretoLei de isenção, fazme relembrar o histórico da legislação sobre a tributação dos lucros distribuídos, brilhantemente narrado pelo ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202 003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, e que aqui é trazido para esclarecer à recorrente da razão de àquela época as bonificações serem computadas a custo zero, e porque, posteriormente, passaram a compor o custo das participações pelo valor da capitalização decorrente dos lucros acumulados: Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 — lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de periodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no Pais, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1o, 2.065/83, art. 1o, 1, a, e 2.303/86, art. 7oparágrafo único): ... (b) Art. 810 — o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital... § 2o O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, §4e): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.269 25 participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. [...] Reparase. da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Como se percebe, as bonificações tinham um motivo para serem computadas a custo zero, que era permitir a tributação dos lucros quando as participações societárias fossem alienadas; posteriormente quando o lucro distribuído passou a ser isento, o custo de aquisição das participações decorrentes dos aumentos de capital por incorporação de lucros passou a ser a parcela do lucro capitalizado, ou seja elas deixaram de ser computadas a custo zero. Essa disposição também constava nos revogados arts. 1º e 5º do DecretoLei nº 1.510/76: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Veja que, o custo zero a que se refere o art. 5º é aplicável para os efeitos do art. 1º, que tratava da tributação do lucro auferido pelas pessoas físicas, e não à alínea "d" do art. 4º desse Decretolei. Portanto, não vejo fundamento na afirmação da recorrente de que o Fl. 1281DF CARF MF 26 DecretoLei tenha estabelecido que as bonificações decorrentes de aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 devem ser computadas com custo zero e por isso não poderiam ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. O que entendo é que, a lei revogadora trouxe uma nova sistemática para a apuração do custo de aquisição das participações societárias e respectivo ganho de capital quando da alienação dessas participações, e foi justamente a legislação vigente à época dos fatos geradores que o Auditor Fiscal corretamente aplicou, qual seja, o § 3º do Art. 16 da Lei nº 7.713/1988, que também está disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95. Da preclusão quanto ao direito da Fazenda Nacional examinar e/ou questionar as aquisições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 A recorrente arrazoa que, como o Auditor Fiscal se limitou a analisar a evolução do capital social do período de 08/08/1983 a 25/09/1996, estaria precluso o direito de o julgador a quo realizar qualquer exame quanto às eventuais novas subscrições ou aquisições a partir de 25/09/1996, que implicasse em descaracterizar os requisitos para gozo da isenção do art. 4º, alínea "d", do Decretolei nº 1.510/76. Sem razão a recorrente, conforme debatido quando da análise das preliminares, o Auditor Fiscal apenas discriminou na tabela 1, a evolução do capital social, de acordo com as alterações contratuais, como forma de demonstrar as quotas que estavam amparadas pela isenção pleiteada pela recorrente, não estabelecendo qualquer limite ao julgador a quo, para analisar se as quotas adquiridas após 25/09/1996 estavam ou não isentas, e o custo de aquisição considerado pela fiscalização, de acordo com o que estabelece a legislação vigente a respeito, conforme debatido no tópico anterior. Aliás, insta lembrar que o lançamento teve como partida, o custo de aquisição informado pela própria recorrente, e constante nos arquivos societários da Comercial Guilherme Mamprim Ltda. Dos aumentos de capital e das aquisições e subscrições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 A recorrente aduz ter se retirado da Comercial Guilherme Mamprim Ltda. em 30/12/1996, e a partir dessa data não recebeu bonificação nos aumentos de capital dessa empresa, não fez subscrição, aquisição de novas quotas, aporte ou injeção de recursos, e não possui créditos ou adiantamento para aumento de capital nessa empresa, e considera que os eventos ocorridos a partir dessa data são de exclusiva titularidade da controladora FASCAR, que não se confundem com as mutações ocorridas no patrimônio da recorrente. Acrescenta que: [...] no período de 25/09/1996 a 11/08/2008, as únicas quotas recebidas em bonificação pelo Contribuinte, oriundas da capitalização de lucros acumulados, foram decorrentes do aumento de capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM ocorrido conforme 26a. Alteração Contratual, firmada aos 25/09/1996, o que nos leva à inevitável conclusão de que: • O valor de R$ 2.128.926,12, oriundo da capitalização de lucros acumulados não representa, em hipótese alguma, quaisquer outras subscrições ou aquisições de novas quotas, tratandose "in casu" de filhotes ou bonificações adquiridas a custo zero. • As referidas quotas recebidas em bonificação, em virtude da capitalização de lucros, adquiridas a custo zero, são decorrentes Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.270 27 de aumento de capital, não por subscrição pública ou particular de quotas, mas por força de simples capitalização de lucros e/ou reservas, com aumento ou ajuste nos quantitativos de quotas, as quais foram atribuídas ao Contribuinte sem a necessidade de aportes de capital e na mesma proporção do número de quotas que possuía (art. 169 da Lei das Sociedades Anônimas). Assevera que se o valor de R$ 2.128.926,12 for considerado como subscrição e aquisição de novas quotas, ele deverá ser computado no custo de aquisição das participações/quotas alienadas e deduzido do ganho de capital auferido pela contribuinte. Sem razão a recorrente, observase que, o lançamento fiscal foi efetuado com as informações prestadas pela própria recorrente durante a ação fiscal, onde ela aponta qual o valor do ganho de capital obtido com a alienação de suas participações societárias, conforme fls. 976. O aumento de capital de R$ 2.128.926,12 já está incluso no custo de aquisição apurado pela recorrente, pois, conforme se verifica às fls. 493/494, pela 26ª Alteração Contratual da Comercial Guilherme (25/09/1996), houve um aumento no capital social para R$ 3.840.000,00. Ocorre que, em 11/08/2008 houve outro aumento de capital de 14.740.000,00 para 15.310.000,00 (fls. 733), sendo que desse valor, R$ 765.500,00 é o valor das quotas da recorrente, que foi utilizado por ela para apuração do custo de aquisição, e também da fiscalização (fls. 976). Portanto, nenhum recálculo tem que ser feito no lançamento fiscal, visto que o custo de aquisição está de acordo com o declarado pela recorrente e de acordo com os contratos sociais e alterações contratuais. Demais argumentos · Das mutações ocorridas no quinhão societário do contribuinte no período de 08/08/1983 a 25/09/1996: Aduz que em relação aos 5% de participação societária que tinha no Grupo Frango Assado, em 08/08/1983, equivalente às 1.500.000 quotas, entre essa data e 25/09/1996 não ocorreram quaisquer atos ou eventos que implicassem na mutação desse percentual, sendo que as havidas decorreram de adequação do capital social à unidade monetário vigente no país e/ou são filhotes ou bonificações adquiridas a custo zero, face a capitalização de lucros e ou reservas. Todas as participações societárias alienadas em 2008 (788.500) já faziam parte de seu patrimônio em 08/1983, e eram isentas pelo Decretolei nº 1.510/76, e se referem às mesmas 192.000 quotas que ele detinha em 25/09/1996, que por sua vez são as 1.500.000 quotas que tinha em 08/1983. · Das bonificações adquiridas a custo zero, e que são decorrentes das mesmas aquisições e subscrições originariamente havidas em agosto de 1983: Cita Parecer Normativo CST nº 68. de 23/09/1977 e Parecer Normativo CST nº 39, de 19/10/1981, e diz que eles deixam claro que as bonificações decorrentes de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou reservas constituídas com esses lucros não são consideradas nova aquisição ou subscrição de quotas, para que fossem deveria haver dupla transferência, das reservas da sociedade para os sócios, a título de dividendos e destes para a sociedade a título de novos Fl. 1283DF CARF MF 28 aportes. Os aumentos de capital corridos na Comercial Guilherme decorreram de incorporação de Reserva de Correção Monetária do Capital Social e de Reservas de Lucros. Cita art. 2º da Lei nº 9.064/95, que alterou a Lei nº 8.849/94. Requer consideração do item 3.1, subitem 3.1.2 da Impugnação (3.1.2. DAS BONIFICAÇÕES E FILHORES (sic) ADQUIRIDAS A CUSTO ZERO, E QUE SE REFEREM ÀS AQUISIÇÕES E SUBSCRIÇÕES ORIGINALMENTE HAVIDAS EM AGOSTO DE 1983:), fls. 1024/1029. Os argumentos já foram analisados ao longo deste voto, de onde se conclui que a isenção pleiteada pela recorrente não se aplica à alienação de participações societárias adquiridas após a revogação da alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76. Intimação no endereço do advogado Por fim, a recorrente requereu que todas as intimações atinentes ao recurso voluntário fossem realizadas em nome de seu advogado no endereço lá constante. O artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. O inciso II considera que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário apenas do sujeito passivo. Já o § 4º dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser apenas em dois locais: no endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ou no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. De tais regras, concluise pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo. Assim, a intimação via postal, no endereço dos procuradores, não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3º e 4º, do Decreto n° 70.235/72. Sendo assim, é de indeferir o pleito da recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, rejeitar as preliminares, e no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 19311.000016/201017 Acórdão n.º 2202004.354 S2C2T2 Fl. 1.271 29 Fl. 1285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913705/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.913705/2009-33
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861532
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.895
nome_arquivo_s : Decisao_10480913705200933.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10480913705200933_5861532.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7279495
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309114200064
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-14T13:42:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-14T13:42:00Z; Last-Modified: 2018-05-14T13:42:00Z; dcterms:modified: 2018-05-14T13:42:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:b9248c41-b04f-4810-95d6-d54377d57bdd; Last-Save-Date: 2018-05-14T13:42:00Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-14T13:42:00Z; meta:save-date: 2018-05-14T13:42:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-14T13:42:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-14T13:42:00Z; created: 2018-05-14T13:42:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-05-14T13:42:00Z; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-14T13:42:00Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.913705/200933 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301002.895 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente ENIIL EMPRESA NACIONAL DE IRRIGACAO E INSTALAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 37 05 /2 00 9- 33 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP, o qual visa compensar crédito de CSLL com débito de sua responsabilidade, a título de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurada. A DRF, por meio de Despacho Decisório, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que não há crédito disponível para compensação dos débitos informados no pedido de compensação, tendo em vista que os pagamentos foram integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que apurava o imposto e a contribuição com o percentual presumido de 32%, enquanto o correto seria de 8% e 12%, respectivamente. Dessa forma, o contribuinte requer a homologação dos despachos decisórios, bem como o devido reconhecimento dos recolhimentos antecipados e a inclusão da DCTF retificadora para o processo do crédito. A decisão da DRJ prolatou o Acórdão mantendo a negativa em relação a compensação, uma vez que constatou que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando, destacando o seu equívoco quando da apuração de base de cálculo do IPRJ e CSLL, o que não obstaria o seu direito creditório. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.889, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.913699/200914, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.889): Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação em que se almeja a extinção de débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme DARF e DCTF apresentada. Ocorre que, a Fiscalização, após realizada análise das bases dos sistemas disponíveis da Receita Federal, verificou que os pagamentos tidos como indevidos ou a maior foram utilizados integralmente para a extinção anterior de débito do contribuinte, não havendo direito creditório em favor do contribuinte. Ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, a decisão de primeira instância concluiu o quanto segue: A DRF/Recife constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito da CSLL apurado no 4º trimestre do anocalendário de 2007, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Dessa forma, não poderia a autoridade a quo ter reconhecido crédito algum, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) nessa esteira, em vão a discussão acerca dos índices de presunção. Por fim, não é possível observar a declaração retificadora para efeito de reconhecimento da disponibilidade do crédito, pois que apresentada após o despacho decisório uma vez que a disponibilidade do crédito é pressuposto da homologação da compensação, o despacho decisório não prescinde de seu prévio reconhecimento. Em sua defesa, a Recorrente se insurge alegando que apurou de modo equivocado toda sua base de cálculo de IRPJ e CSLL do período da autuação, no percentual de 32%, tanto para serviços realizados com emprego de materiais como para os realizados sem materiais não fazendo assim a devida distinção entre eles, para fins apuração do imposto e contribuição devida, conforme o arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95, in verbis: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 5 4 Com base na leitura supra, a Recorrente alega que, em regra, aplicamse os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, às pessoas jurídicas optantes ao lucro presumido ou estimado. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 6 5 Adiante, colaciona o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 06/97 , que interpretou o art. 15 da Lei 9.249/95, ao declarar que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo para o imposto de renda será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a" deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Destacou que a partir de 1ª de janeiro de 1999, o emprego de materiais pelas empreiteiras passou a não mais constituir impedimento à opção das empresas pela tributação através do lucro presumido, como estabelece o art. 14 da Lei 9718/98. Assim, a vedação para a opção do lucro presumido contida no ato normativo supracitado, em seu inciso II, foi extinta a partir dessa data. Assim, trouxe aos autos, que a Recorrente obteve a Solução de Consulta nº 41 SRRF/4ª RF/DISIT de 19 de agosto de 2008, estabelecendo que a pessoa jurídica que apure o IRPJ e CSLL com base no resultado presumido e que exerça a atividade construção por empreitada, com emprego de mãodeobra e materiais, em qualquer quantidade, deverá aplicar os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida, na determinação da base de cálculo do imposto e da contribuição (DOC 02 do Recurso). Com efeito, a Recorrente informa retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório emitido pela DRF competente, o que impossibilitou o agente fiscal a verificar o pagamento a maior de forma eletrônica. Juntou a DCTF retificada (DOC 03 do Recurso) para visualização do crédito pleiteado (DOC 04 do Recurso) que consubstanciou a DCOMP (DOC 05 do Recurso), visando a sua homologação, conforme se extrai da tabela abaixo: [...] Adicionalmente, pugnou pela verdade material relativa aos fatos tributários, de modo que juntou provas que corroboram suas alegações. Pois bem, o cerne da questão cingese no direito creditório pleiteado pela Recorrente gerado por ocasião da retificação da DCTF, quando a alíquota de presunção de sua atividade para fins de IRPJ seria a de 8%.(atividade de mão de obra e materiais) e 12% (sobre a receita bruta auferida) em vez de Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 7 6 32%, conforme orientação jurisprudencial dos tribunais superiores. Inicialmente entendo pela possibilidade de retificação da DCTF, posto que a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. Ressaltase ainda que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos autos nenhuma prova do alegado erro do percentual de presunção, de forma a evidenciar suas receitas individualmente, permitindo o confronto com sua alegação. Nesse ponto, ressalvo que a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do Auto de Infração. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte poderá apenas negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação, incumbindolhe produzir provas somente para consubstanciar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No caso concreto, incube a Recorrente o ônus da prova, isto é, o dever de prova existência do crédito pleiteado, por meio de documentos hábeis e idôneos. Entendo, pois, não restou provado a alegação do erro do percentual de presunção. Diante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 9 8 Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000335/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. PREVISÃO CONTRATUAL.
Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita.
REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS.
É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços.
GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS.
Face à comprovação parcial, mantém-se parcialmente a autuação.
MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105.
As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2003, 2004
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1301-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar em parte a infração 002 e integralmente a infração 003, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo designado redator do voto vencedor sobre o tema o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PREVISÃO CONTRATUAL. Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita. REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS. É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS. Face à comprovação parcial, mantém-se parcialmente a autuação. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15521.000335/2008-81
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861243
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.917
nome_arquivo_s : Decisao_15521000335200881.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 15521000335200881_5861243.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar em parte a infração 002 e integralmente a infração 003, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo designado redator do voto vencedor sobre o tema o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7273150
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309116297216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 9.839 1 9.838 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000335/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.917 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2018 Matéria IRPJ Recorrente ENSCO DO BRASIL PETRÓLEO E GÁS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PREVISÃO CONTRATUAL. Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita. REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS. É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS. Face à comprovação parcial, mantémse parcialmente a autuação. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 35 /2 00 8- 81 Fl. 9839DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.840 2 Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar em parte a infração 002 e integralmente a infração 003, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo designado redator do voto vencedor sobre o tema o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 12082.466, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJO, na sessão de 17 de junho de 2016, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente, entendendo procedente o lançamento tributário efetuado. Fl. 9840DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.841 3 Por bem descrever o ocorrido, valhome parcialmente do relatório confeccionado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementando ao final: Trata o processo dos autos de infração de fls. 1.739 a 1.757, exigindo da Interessada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa do IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), e a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa da CSLL, respectivamente, nos valores de R$7.912.886,19, R$2.822.868,49, R$2.865.919,02 e R$1.471.792,91, acrescidos em cada um dos tributos, de multa de ofício de 75%, e juros de mora. O enquadramento legal consta nos respectivos autos de infração. A descrição dos fatos aponta três infrações: Infração 001. Omissão de receitas de exportação; Infração 002. Glosa de custos; Infração 003. Falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL. No Termo de Verificação Fiscal, fls.1.758 a 1804, consta que: na prestação de serviços com a PETROBRÁS foram firmados dois contratos distintos, um com a controladora localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, PRIDE INTERNATIONAL LTD, específico para o afretamento de embarcações, e outro com a controlada, (a Interessada), que alcança efetivamente a prestação dos serviços; o valor do primeiro contrato, (afretamento de embarcações), corresponde a em torno de 90% do total do valor contratado; conforme contrato, cabe à empresa localizada no exterior, proprietária da plataforma, manter tanto a plataforma quanto os seus pertences arcando com os custos dali advindos; a Interessada tinha a obrigação de prestar os serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou “workover” de poços de petróleo e/ou gás na plataforma fretada, responsabilizandose com os padrões internacionais de segurança e despesas de pessoal; no caso de fornecimento de materiais e contratação de serviços de terceiros, deveria haver prévia aprovação da PETROBRÁS, que, então, iria reembolsála; o que efetivamente ocorreu, foi que a Interessada arcava com todos os custos e despesas, incluindo os de responsabilidade contratual da empresa estrangeira, intrínsecos às plataformas; Fl. 9841DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.842 4 para adimplir estes gastos, a controladora PRIDE INTERNATIONAL LTD enviava mensalmente valores elevados a título de empréstimos; este artifício permitiu o envio pela PETROBRÁS de altas somas à controladora, (PRIDE INTERNATIONAL LTD), já que dessa maneira foi possível enquadrar quase que a totalidade do valor (soma dos valores dos contratos com a empresa estrangeira e com a controlada) sob o alcance da alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações, conforme Lei nº 9.481 de 1997, artigo 1º., inciso I; a empresa do grupo PRIDE, responsável pela plataformas operadas no Brasil, é a PRIDE FORAMER SAS, situada em Velizy/França; a partir de setembro de 2002 foi elaborado um contrato de prestação de serviço entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, (fls.5500 a 5568); o objetivo de tal contrato foi o de respaldar a Interessada a arcar com todos os gastos necessários para manter as plataformas da PRIDE FORAMER, assim, o dinheiro passou a entrar no Brasil como receita de exportação; foram solicitados, dentre eles, relatórios mensais que deveriam segregar os custos e despesas referentes ao mencionado contrato de prestação com base ; às fls.1762, consta que o contrato previa que cabia à Interessada todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das embarcações, sendo que a PRIDE FORAMER outorgou todos os poderes necessários à Interessada para a efetivação de quaisquer pagamentos de despesas em seu nome, (PRIDE FORAMER); o contrato previa que os honorários corresponderiam ao somatório dos custos diretos com 30% de margem, despesas com sub contratação de terceiros, despesas e gastos de capital, e outras despesas necessárias; concluiu a Fiscalização que o referido contrato foi elaborado com a finalidade de amparar os gastos que a Interessada já estava efetuando e cuja obrigatoriedade contratual, conforme os contratos de afretamento entre a PRIDE FORAMER e a PETROBRAS era da empresa estrangeira; às fls.1.763, consta que a Interessada respondeu que era impossível segregar os custos e despesas incorridos em nome da PRIDE FORAMER e os relacionados aos serviços prestados à PETROBRAS; a Fiscalização com base nos contratos elaborados entre a Interessada, a PRIDE FORAMER e a PETROBRAS, concluiu da possibilidade de haver a segregação de, pelo menos, alguns daqueles gastos; Fl. 9842DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.843 5 às fls.1764, item 8, consta que da análise da conta 311000.01 Salário de expatriados, verificouse que os débitos ali contabilizados em 31/01/2002, referentes ao INSS de janeiro das quatro plataformas e o débito contabilizado em 28/02/2002 referente à parte do INSS de fevereiro, os quais totalizaram R$ 427.750,48, foram transferidos para a conta INSS Previdência Social 312000.01; com base nestas constatações a Interessada foi intimada a apresentar manifestações acerca das constatações acima descritas, (detalhadas nos itens l a 7 de fls.1.762 a 1.764); também foi intimada a apresentar documentação comprobatória dos lançamentos discriminados no item 8, acima mencionado, bem como todos os comprovantes de despesas de INSS referente aos Expatriados, que tenham sido lançados nesta conta, durante o anocalendário 2002, agrupandoos mensalmente e demonstrando seus lançamentos no Razão; da mesma forma, a Interessada foi intimada a informar sobre a possibilidade de segregar os custos e despesas referente aos serviços prestados à PETROBRAS dos gastos efetuados em nome da PRIDE FORAMER, em conformidade com o contrato firmado com esta última; às fls.1.605/1.608, consta que a Interessada respondeu que as obrigações comuns foram por ela assumidas, sendo que o método utilizado não causou prejuízo ao Fisco; a Fiscalização intimou a Interessada a apresentar as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas às fls.1.617, conforme termo de intimação de fls.528/533; com base nas cláusulas do contrato de prestação de serviços assinado em setembro de 2002, entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, descritas às fls.1.625/1.638, a Fiscalização concluiu que a Interessada arcou com custos e despesas sem possuir receita correspondente, sendo que tais custos foram incorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS; desta forma, considerouse como omissão de receita de exportação, as diferenças apuradas entre os valores reais a serem faturados, baseados em custos incorridos no interesse da empresa estrangeira, (PRIDE FORAMER SAS), em comparação com os valores efetivamente apurados em sua contabilidade a título de receita de exportação, (Infração 001); as diferenças ocorreram porque a Interessada não considerou todos os custos ocorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS como receita de exportação, mas, sim, como sendo reembolso; às fls.933 e 1.624, consta que a Interessada solicitou à Fiscalização que os saldos credores de IRPJ e CSLL não fossem utilizados para dedução de tributos em possível lançamento de Fl. 9843DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.844 6 ofício, uma vez que os referidos saldos já foram utilizados em DCOMPs; às fls.1.628, consta que a Interessada contabilizou gastos a serem reembolsados na conta 316103.07 “Custos de Drydock Transferidos”; as diferenças entre os valores dos custos referentes aos serviços prestados pela Interessada no interesse da PRIDE FORAMER SAS e os reconhecidos como receita de exportação, estão demonstrados às fls.1.640/1.641 e Anexos A e B de fls.1.645/1.655; registrou a Fiscalização que, pelo fato de os gastos realizados em determinado mês terem as respectivas notas fiscais emitidas apenas no mês seguinte, a diferença apurada no mês de dezembro de 2002, foi lançada no mês de janeiro de 2003; como as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas às fls.1.617, não foram apresentadas, operouse a glosa conforme fls.1.642/1.643, (Infração 002); também foram lançadas multas em decorrência do não recolhimento do IRPJ e CSLL calculados com base no balanço de suspensão/redução recalculados, conforme demonstrado no Anexo C, (Infração 003). Os formulários FAPLI, FACS e demonstrativos de compensação de bases negativas e de prejuízos fiscais estão às fls.1.581/1.589. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 12122008, (fls.1.580), a Interessada apresentou em 12012009, (fls.1.704), a impugnação de fls.1.947 a 1.985, alega em síntese, o que segue: firmou com a PETROBRÁS contratos de prestação de serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou “workover” de poços de petróleo e/ou gás; a PRIDE FORAMER SAS firmou com a PETROBRÁS contratos de afretamento de plataformas, (embarcações), para que fossem utilizadas nos serviços acima mencionados; em meados 2002, celebrou com a PRIDE FORAMER SAS, um contrato de prestação de serviços para que ela possa prestar a esta serviços de apoio logístico necessários para que as plataformas possam desempenhar seu papel no afretamento os contratos de afretamento, de perfuração e este de prestação de serviços de apoio logístico não se confundem; as empresas atuaram dentro dos limite dos seus respectivos contratos; os preços praticados em todos os contratos foi o de mercado; Fl. 9844DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.845 7 a PETROBRÁS participou e assinou os contratos, concordando com tudo que foi praticado; não houve conluio com a PETROBRÁS conforme sugerido pela Fiscalização; o Decreto nº.2.745, de 1998, a Lei do Petróleo e os Regulamentos de Procedimento Licitatório com base em regulamentos e decretos é que impõem a celebração de dois contratos distintos: um com a empresa estrangeira cujo objeto é o afretamento da embarcação, (em que o pagamento representa 85 % a 90% do valor total do contrato) e outro com a empresa brasileira cujo objeto é a prestação de serviços, (em que o pagamento representa 15% ou 10% do valor total do contrato); é equivocada a exigência que os dois contratos firmados pela PETROBRÁS deveriam ser um só; as diversas situações verificadas neste tipo de atividade justificam a segregação adotada: há um negócio essencialmente local, que é a prestação de serviços de perfuração, e um negócio essencialmente internacional, que é o afretamento das plataformas; é equivocado o entendimento que arca com os custos de ambos os contratos; conforme demonstrado às fls.1.899, e DIPJs, auferiu nos períodos lucro operacional, tendo havido prejuízo fiscal apenas por razões extra operacionais, quais sejam, variações cambiais decorrentes da flutuação da taxa de conversão da moeda nacional em dólar norte americano; portanto, o lançamento deve ser anulado por vício de motivo, conforme doutrina e Lei nº.9.784, de 1999; a Fiscalização não provou que houve omissão de receita, portanto, ocorreu erro no enquadramento legal, uma vez que os dispositivos ali mencionados referemse a situações em que restou comprovada a omissão de receita; ocorreu inadequação do enquadramento legal uma vez que a Fiscalização utilizou normas de preços de transferência, tendo sido também violado o artigo 19, da Lei nº.9.430, de 1996, devendo o lançamento por mais esta razão ser anulado; aliese a isto o fato de a Fiscalização não ter mencionado o enquadramento legal das alíquotas, e de ter citado, em relação à CSLL, dispositivo já revogado; houve a segregação na contabilidade dos pagamentos recebidos da PRIDE FORAMER pelos serviços prestados por ela (Interessada), tendo sido os mesmos reconhecidos como receitas; os pagamentos recebidos da PRIDE FORAMER que se destinaram a lhe ressarcir das despesas pagas em nome da Fl. 9845DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.846 8 PRIDE FORAMER, não constituem receita, pois, foram meros reembolsos; as cláusulas 1.01 e 1.02 do seu contrato de prestação de serviços com a PRIDE FORAMER SAS, transcritos às fls.1.733, confirmam que os pagamentos efetuados a título de reembolso destinaramse a lhe ressarcir das despesas pagas em nome daquela empresa estrangeira; a cláusula 1.03, transcrita às fls.1.737, do mesmo contrato, deixa claro que atuou na condição de mera mandatária da PRIDE FORAMER SAS, os artigos 653 e 676, do Código Civil deixa claro que os pagamentos referemse a reembolso do mandante ao mandatário; ocorreram erros na apuração do crédito em decorrência de falhas na análise de cada uma das rubricas de gastos: salários, encargos sociais, materiais, utilidades, uniformes, impostos, taxas, transportes de equipamentos e pessoas, despesas operacionais com veículos, aluguéis, seguros, gastos com expatriados; tais falhas decorreram do fato de ter se utilizado valores referentes a reembolso no cálculo das rubricas de gastos, bem como, de ter se utilizado o método de amostragem no lançamento de tributo; ao interpretar de forma abusiva o contrato de prestação de serviços, classificou como componente do preço valores referentes a reembolso; a cláusula 2.02.c do contrato ao fixar que as despesas e gastos de capital relacionados às plataformas da PRIDE FORAMER SAS devem ser cobradas desta, mas sem a margem de 30%, também deixa claro que se trata de reembolso, já que a margem somente se aplica à alínea “a” da mesma cláusula; a amostragem, por sua vez, restringese à demonstração da ocorrência das infrações, e seu uso indevido levou a que o lançamento tenha sido feito com base em mera presunção; ela e a PRIDE FORAMER SAS adotaram o critério simples e objetivo de utilizar a receita obtida com o contrato de perfuração com a PETROBRÁS como a base para o rateio dos custos após a retirada dos valores que se referiram a reembolso; a Fiscalização, lado outro, pretendeu sustentar que seria necessário um cálculo detalhado, linha a linha, e pretendeu realizar tal cálculo; contudo, deixou de efetuar rateios para valores que demandariam tal providência, sendo que, para os poucos casos em que se propôs a ratear, aplicou critérios insustentáveis; Fl. 9846DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.847 9 quanto as despesas referentes a salários, ordenados, encargos sociais, e outros benefícios, além de a amostragem ter se referido a alguns meses, selecionou aleatoriamente, sem nenhum critério objetivo, os cargos cujos salários foram utilizados para fins de rateio dos custos; às fls.1.955, apresenta planilha em que consta os cálculos por ela realizados e os feitos pela Fiscalização; a glosa de custos decorrente da intimação reportada pela Fiscalização no termo de verificação fiscal, e reproduzida na sua impugnação, foi indevida, pois, o simples fato de não ter apresentado algumas notas fiscais não seria suficiente para a glosa; tais despesas podem ser provadas por outros meios de provas além de notas fiscais, conforme jurisprudência transcrita às fls.1.957 a 1.958; contudo, a Fiscalização limitouse a requerer somente a apresentação de notas fiscais, houvesse intimado a apresentar outros documentos a conclusão teria sido diferente; assim, às fls.1.961, produz quadro vinculando cada uma das contas de despesas/custos glosadas com os documentos de fls.2.197/2.249, que apresenta; no que se refere a concomitância de multas isoladas e multa proporcional, não cabe a cumulação de penalidades para o mesmo fato, caracterizando “bis in idem” de natureza de confisco, conforme doutrina e jurisprudência; às fls.1.964, produziu demonstrativo mostrando a coincidência das bases de cálculo sobre as quais incidiram as duas multas; com base na CRFB/1988 e artigo 161, do CTN, não cabe a incidência de juros moratórios sobre as penalidades pecuniárias, por, dentre outras razões ser matéria de lei complementar, conforme doutrina e jurisprudência; não cabe a aplicação da Selic; finalizou requerendo a produção de prova pericial e diligência, indicando o perito às fls.1.822 e quesitos no Anexo F; Às fls.4.533, consta petição na qual requer a juntada de versão traduzida e juramentada dos documentos em língua estrangeira acostados anteriormente. Os documentos com tradução juramentada estão às fls.4.538 a 5.561. Nas fls. 9625 a 9655 está inserto o Acórdão 1201001.096– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, que anulou o Acórdão 1227.124 de 13/11/2009 proferido pela 8ª Turma da DRJ/RJO. Na ementa consta que não foi analisado o item 10 “Outras Despesas”. Por fim informa que nesse novo julgamento deve ser analisado a exclusão de prejuízo fiscal, considerando que receita não foi faturada e não houve pagamento de tributo. Fl. 9847DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.848 10 Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, que julgou improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2016 NULIDADE DE ACÓRDÃO. Decretada a nulidade de Acórdão pelo CARF devido a falta de análise de algum item da autuação, deve ser elaborado novo Acórdão com a análise deste item. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PREVISÃO CONTRATUAL. Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita. REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS. É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS. Face a falta de comprovação, mantémse a autuação. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A Lei nº.9.430/1996 ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição definitivos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não são excludentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003,2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Fl. 9848DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.849 11 Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa autuada foi intimada em 08/07/2016, através de sua caixa postal eletrônica (fls. 9708), e inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, apresentou, em 05/08/2016 (9837), tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. I. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatado, tratase o presente PAF de autos de infração com o escopo de constituir créditos tributários referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004. Denotamse dos autos que a Pride Foramer SAS, instituiu no Brasil a controlada Pride do Brasil Serviços de Petróleo Ltda, ora recorrente. Para que estas empresas prestassem serviços junto à Petrobrás, foram firmados dois contratos, um com a empresa estrangeira Pride Foramer SAS, específico para o afretamento de embarcações, e outro com a controlada brasileira Pride do Brasil, relativo ao serviço de perfuração, que alcançava efetivamente a prestação de todos os serviços de que necessitava a Petrobrás. O contrato de afretamento envolvia grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos, enquanto o contrato firmado com a empresa brasileira previa pagamentos da ordem de 10% da soma dos dois contratos. Assim, na ótica do fisco, apesar de os contratos firmados com a Petrobrás preverem que 90% dos pagamentos efetuados iriam para a empresa estrangeira pelo afretamento de suas plataformas, a controlada brasileira prestou a quase totalidade dos serviços contratados, inclusive a administração de plataformas, de tal sorte a arcar com os custos e despesas, incluindo os de responsabilidade contratual da empresa estrangeira, sem possuir uma receita correspondente, o que fez com que apurasse prejuízos consecutivos. Desta forma, segundo ainda a fiscalização, para que fosse possível a adimplência de tais gastos, a Pride Foramer SAS celebrou com a Pride do Brasil um contrato de prestação de serviços e, com base nele, a empresa estrangeira remeteu vultosos valores para Fl. 9849DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.850 12 a coligada brasileira, escriturados por esta última, não como receitas da sua atividade, mas sim como reembolso de custos e despesas realizados por ordem e conta da Pride Foramer SAS. Assim, concluiu a fiscalização que não haveria que se falar em reembolso de despesas, mas em verdadeira auferição de receitas por parte da Pride do Brasil, que, contudo, foram omitidas de sua contabilidade. Por outro lado, após argüir hipóteses de nulidade do auto de infração e acórdão a quo, aduz o contribuinte licitude dos procedimentos adotados, dada a existência de uma motivação operacional a justificar a segregação dos contratos de afretamento e perfuração, além de apontar a existência de erros na apuração do crédito tributário e impossibilidade de se utilizar o método da amostragem para quantificar o tributo decorrente da infração porventura detectada. Por fim, alega ainda a ilegalidade da cumulação de multa de ofício e isolada (estimativas) sobre a mesma base e impossibilidade de incidência da Taxa Selic sobre as penalidades pecuniárias. Pois bem. Passo a analisar argumentos suscitados. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO A QUO. De acordo com sua peça recursal, alega o contribuinte que não foram analisadas as contas contábeis levantadas pela fiscalização relativas a: outros custos diretos, segurança, impostos e taxas, e outras despesas. Em que pese suas alegações, entendo que elas não merecem ser acolhidas. Conforme constatase no TVF (fl. 1.632), a conta contábil denominada "outros custos diretos", referese às despesas com "Combustíveis e Lubrificantes". Ao contrário do que aduz, o acórdão recorrido tratou sim do tema, dedicando, inclusive, tópico específico: 2.5.2. Combustíveis e lubrificantes. A cláusula 4.6.3 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a PRIDE FORAMER SAS, (Anexo I, fls.15, 178, 397 e 820), e a cláusula 3.23 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a Interessada, (Anexo I, fls.83, 308, 630 e 722), impunham que tais despesas eram obrigação de ambas as empresas. Portanto, como a Interessada não cumpriu o dever jurídico de segregar estas despesas, haveria de se determinar um critério para rateálas. É assente na jurisprudência administrativa que, em não havendo a correta contabilização das despesas, não cabe ao fisco o ônus de refazer a escrituração para segregar as despesas, sendo correto ratear os custos e despesas com base em cláusulas contratuais firmadas anteriormente pelas partes envolvidas. Portanto, atuou corretamente a Fiscalização quando rateou as despesas em epígrafe com base nos percentuais de receitas previstas nos contratos firmados com a PETROBRÁS (fl. 4.988). Fl. 9850DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.851 13 Assim resta claro que o tema supostamente omitido foi objeto de indeferimento específico por parte da DRJ, não havendo que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Com referência aos itens "segurança (correspondente ao item 7 do TVF) e "outras despesas" (item 14 do TVF), também não há que se falar em omissão, vez que essas matérias não foram objeto de irresignação por parte da ora recorrente, não havendo se instaurado litígio quanto a elas. Se tais matérias não eram objeto de controvérsia, pois não foram contestadas, não havia porque sobre elas se manifestar o acórdão proferido pela DRJ. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Em sede de preliminar, argüiu a recorrente que o auto de infração questionado é nulo, haja vista a atipicidade da conduta a ele atribuída (omissão de receita) e também pela ausência de diploma legal que a fundamente. Segundo entende, o tipo "omissão de receita" é totalmente inaplicável ao caso concreto na medida em que não há indícios de que houve uma receita efetivamente auferida pela recorrente e, ato contínuo, omitida. Ainda de acordo com a recorrente, a fiscalização teria, também, mencionado regras relativas a preços de transferência, sem que, todavia, qualquer menção a preços de transferência fosse feita em qualquer parte dos autos, e sem que qualquer dos métodos de apuração do preço médio fosse cogitado, mencionado ou calculado. Outrossim, estaria ausente a indicação dos dispositivos atinentes à alíquota a ser aplicada no caso da IRPJ, dos dispositivos que legitimam a incidência adicional do imposto, sua alíquota e base de cálculo. Também não há como concordar com tais argumentos. Da leitura do TVF, resta claro os fatos imputados à empresa autuada, qual seja, omissão de receitas típicas de sua atividade. Vejase que, à despeito e tal conclusão, a fiscalização enquadrou tal constação na previsão contida no artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, o qual é repetido pelo artigo 288 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/99. Esses dispositivos assim prevêem: Lei nº 9.249/1995 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Fl. 9851DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.852 14 § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º Para a determinação do valor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep, na hipótese de a pessoa jurídica auferir receitas sujeitas a alíquotas diversas, não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a esta a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse ao recolhimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, calculadas por unidade de medida de produto, não sendo possível identificar qual o produto vendido ou a quantidade que se refere à receita omitida, a contribuição será determinada com base na alíquota ad valorem mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º Na determinação da alíquota mais elevada, considerarse ão: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – para efeito do disposto nos §§ 4o e 5o deste artigo, as alíquotas aplicáveis às receitas auferidas pela pessoa jurídica no anocalendário em que ocorreu a omissão; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – para efeito do disposto no § 5o deste artigo, as alíquotas ad valorem correspondentes àquelas fixadas por unidade de medida do produto, bem como as alíquotas aplicáveis às demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) RIR/99 Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Dessa forma, labora em equívoco o contribuinte quando afirma que a omissão de receitas teria lugar somente no caso das hipóteses por ele referidas. Os artigos 281 a 287 do RIR/999 tratam do lançamento relativo à omissão de receitas por presunção legal, hipótese diversa da contida nos autos onde a infração foi apurada por prova direta. Com efeito, uma vez tendo verificado in loco a omissão de receita da atividade pelo sujeito passivo, haja vista que ele escriturou como reembolso de despesas Fl. 9852DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.853 15 valores que recebeu em razão de contrato de prestação de serviços celebrado com sua coligada no exterior, outro não podia ser o enquadramento legal aplicado senão o do artigo 24 da Lei 9.249/1995, o qual é repetido pelo artigo 288 do RIR/99. Logo, não há como acolher sua argüição de nulidade, pois a fiscalização apontou de forma clara e objetiva a conduta imputada à recorrente, possibilitando, assim, exercer de forma irrestrita o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Vale dizer, o lançamento atendeu a todas as exigências constantes no artigo 10 do Decreto 70.235/72, que prevê: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Todos os elementos essenciais ao auto de infração estão presentes, não estando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa que possa ensejar a decretação de nulidade. DO MÉRITO. DA INFRAÇÃO 001. DA OMISSÃO DE RECEITAS Segundo constatou a fiscalização, a apuração de omissão de receita decorreu do fato do contribuinte ter contabilizado grande parte das receitas advindas dos serviços prestados à sua coligada Pride Foramer SAS como reembolsos de custos e despesas realizados em nome desta. Considerouse, assim, como omissão de receita de exportação as diferenças apuradas ente os valores reais a serem faturados, baseados em custos ocorridos no interesse da empresa estrangeira, em comparação com os valores efetivamente apurados em sua contabilidade a título de receita de exportação. Por sua vez, alega a recorrente licitude dos contratos e procedimentos adotados, assim como a insubsistência da qualificação jurídica atribuída pela fiscalização aos elementos de fato colhidos durante os trabalhos fiscais. O cerne da questão referese à análise da natureza jurídica dos ingressos de recursos em questão. Assim, impõese determinar se os valores ingressaram nos cofres da Fl. 9853DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.854 16 recorrente a título de reembolso de despesas, ou como pagamentos pelos serviços prestados com base no contrato celebrado entre o contribuinte e a Pride Foramer SAS. A solução da presente controvérsia devese pautar, então, pela análise dos contratos de afretamento (celebrados entre Pride Foramer SAS e Petrobrás), de perfuração (celebrados entre Pride do Brasil e Petrobrás) e de prestação de serviços (celebrado entre Prime do Brasil e Pride Foramer SAS), tendo como destaque as cláusulas relativas aos objetos de cada um desses contratos. Os contratos de afretamento tinham por objeto básico o afretamento, à Petrobrás, de plataforma de petróleo,a fim de serem utilizadas na perfuração e/ou avaliação e/ou complementação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás na plataforma continental brasileira ou em águas internacionais (vide Anexo I). No objeto dos contratos estava incluída a execução, pela contratada (Prime Foramer SAS), de todas e quaisquer operações necessárias ao perfeito cumprimento do afretamento objeto do contrato, tais como execução e supervisão do posicionamento, lastreamento e movimentação da unidade. Os contratos de prestação de serviços de perfuração, por seu turno, tinham por objeto essencial a prestação, pela Pride do Brasil, dos serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás natural, na plataforma continental brasileira. Do confronto entre tais contratos, podese observar a existência de algumas obrigações comuns, como por exemplo: (i) providenciar, antes do início do contrato, um teste geral das condições operacionais de todos os equipamentos da unidade e (ii) planejar e conduzir as operações destinadas a evitar e combater erupções de petróleo, gás, incêndios ou outros acidentes. Tais obrigações em comum, contudo, refletiam aspectos meramente acessórios aos verdadeiros objetos contratados. Havia, por outro lado, uma série de obrigações que incumbiam de modo exclusivo a cada uma das contratadas, podendose enumerar, quanto aos contratos de afretamento, como responsabilidade da Pride Foramer SAS: i. o dever de responder pela operação, supervisão, direção técnica e administrativa e pela tripulação necessária à eficiente e completa execução do afretamento contratado, como única responsável; ii. o dever de arcar com o custo de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao adequado funcionamento da unidade, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza nos equipamentos cuja responsabilidade pelo fornecimento seja sua. Como bem ressaltado pelo acórdão proferido pela DRJ, nos contratos de afretamento "também consta que a FORAMER deveria manter, às suas custas, além da Unidade, toda a tripulação adequada e suficiente à sua operação, arcando com todas as obrigações trabalhistas, gastos com movimentação da tripulação e que deveria manter uma identificação especial para essa tripulação de modo a distinguila do pessoal da PETROBRÁS e de outras empresas que, eventualmente, atuassem em outros serviços ligados ao objeto do contrato” (fls. 4.9824.983). Fl. 9854DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.855 17 Uma primeira conclusão que se pode retirar da comparação entre os contratos de afretamento e de perfuração é a de que, apesar de existirem algumas obrigações em comum, tais contratos contemplam obrigações bastante distintas e plenamente segregáveis. Finalmente, no que se refere ao contrato de prestação de serviços celebrado entre a recorrente e a Pride Foramer SAS, seu objeto consistia na prestação de serviços pela Pride do Brasil à Pride Foramer SAS "com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto dos contratos no Brasil, incumbindo à prestadora todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das referidas embarcações". A prestação contratada, bem se vê pelos termos empregados, foi a mais ampla possível, de modo que ficou a empresa brasileira, ora recorrente, incumbida de levar a cabo praticamente todas as atividades inerentes ao serviço de afretamento. Tal constatação, aliás, não e sequer negada pela recorrente, que, em suas razões de recurso voluntário, chega a afirmar que, em virtude de as plataformas serem bens cuja logística de operação demanda a contratação de serviços e atividades locais e tendo em vista ainda o fato de que a Prime Foramer não dispunha de pessoal próprio no Brasil, "optouse por atribuir à RECORRENTE a responsabilidade contratual pela consecução de tais atividades" (fl. 5.076). Nesse momento, é importante firmar mais uma inafastável premissa para a solução da presente controvérsia: a Pride do Brasil, por força do contrato de prestação de serviços celebrados com a Pride Foramer SAS arcava efetivamente com os custos tanto dos contratos de afretamento (que tinham como partes a Petrobrás e a Pride Foramer), quanto dos contratos de perfuração. Em que pese essa cumulação de obrigações na recorrente pudesse conduzir à conclusão da impossibilidade de separação dos gastos incorridos para dar cumprimento ao contrato de perfuração e dos gastos incorridos "em benefício" da Pride Foramer para a consecução do afretamento, devese ter em mente que referidos contratos, como já assentado anteriormente, contemplam obrigações bastantes distintas e plenamente segregáveis. Avancemos, então, na análise de algumas cláusulas específicas que regiam o contrato de prestação de serviços originalmente celebrado entre a recorrente e a Pride Foramer SAS. São elas: 1. SERVIÇOS 1.01 O objeto do presente contrato é a prestação de serviços pela PRESTADORA à TOMADORA com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto dos Contratos no Brasil, incumbindo à PRESTADORA todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das referidas embarcações. 1.02 Qualquer pagamento de despesas pela PRESTADORA em nome da TOMADORA, no âmbito deste contrato, será reembolsado pela TOMADORA em conformidade com as previsões contidas no item 2. 1.03 Para os fins deste contrato, a TOMADORA outorga à PRESTADORA todos os poderes necessários para a efetivação Fl. 9855DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.856 18 dos referidos pagamentos e para a negociação com terceiros, relativamente a qualquer aspecto relacionado às despesas, interesse da TOMADORA. ............................................................................................... HONORÁRIOS E CUSTOS 2.01 Em conformidade com os serviços a serem prestados pela PRESTADORA no âmbito do presente contrato, a partir da data mencionada no item 5.01 abaixo, a TOMADORA concorda em pagar honorários profissionais de acordo com as previsões desta cláusula. 2.02 Os honorários mencionados na cláusula anterior serão correspondentes ao somatório dos seguintes valores: a) custos diretos (basicamente, custo de matériasprimas, suprimentos, encargos trabalhistas, gastos com reparos e manutenção, desembolsos de aluguel, transporte e seguros, além de gastos com combustíveis e lubrificantes), sobre os quais se aplicará um percentual de margem correspondente a 30% (trinta por cento); b) despesas com subcontratação de terceiros para desempenhar os serviços contratados; c) despesas e gastos de capital relacionadas às plataformas da TOMADORA; d) outras despesas necessárias à consecução dos serviços. (negrito acrescido). A partir de 1º de julho de 2004, com a redação vigente durante todo o período remanescente fiscalizado, o item 2.02, "a", da cláusula referente aos honorários e custos foi modificado, de modo a reduzir para 20% (vinte por cento) o percentual de margem a ser aplicado. Ao interpretar as disposições em comento, aduz a recorrente que as cláusulas 1.01 e 1.02 estabelecem previsão específica de reembolso para as hipóteses em que tenha arcado com despesas em nome da Foramer. Argumenta, ademais, que as hipóteses de reembolso estão relacionadas aos casos em que tenha agido como mandatária da Foramer, encontrandose rigidamente definidas nas alíneas "b", "c" e "d" da cláusula 2.02. Não há como concordar com suas razões. Em primeiro lugar porque a cláusula 2.02 do contrato em nenhuma hipótese estipula que os valores a serem recebidos sem margem teriam a natureza de reembolso. Por outro lado, se algo está dito de modo claro, rígido e expresso na referida cláusula é que todos os valores ali descritos integram os honorários profissionais devidos pela Pride Foramer à Pride do Brasil. Em segundo lugar porque nada há nos autos leva a crer que a recorrente, em qualquer momento que seja, tenha atuado como mandatária da Prime Foramer SAS. Fl. 9856DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.857 19 O contrato de mandato, nos termos do art. 1288 do Código Civil de 1916 e do art. 653 do novo diploma, operase quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome (do mandante), praticar atos ou administrar interesses, sendo a procuração o instrumento do mandato. Dessa forma, sem exceção, entendo que todas as despesas assumidas pela recorrente o foram sempre em nome próprio, não se identificando nos autos uma única nota fiscal que tenha sido faturada em nome da Prime Foramer SAS. Igualmente, não existe nos autos um único contrato, seja de compra e venda de mercadorias, seja de seguro ou de prestação de serviços, em que a recorrente tenha, em nome da Pride Foramer, assumindo algum tipo de obrigação. Entendo ainda que nem mesmo as chamadas "autorizações para Despesas" (Authorizations for Expenditure AFE) prestamse para tal finalidade. Com efeito, a leitura do "Manual de Gestão de Qualidade" emitido pela Pride Internacional, cuja versão devidamente traduzida se encontra às fls. 4.353 a 4.370, revela que tais "Autorizações para Despesas" refletem em verdade uma política interna vigente em todo o Grupo Pride, com vistas a racionalizar o acompanhamento de todos os investimentos realizados, não guardando nenhuma relação com a alegada investidura de poderes para que uma empresa do grupo (no caso a Pride do Brasil) realizasse despesas em nome de outra (Pride Foramer SAS.) Logo, tendo em vista a completa ausência de elementos que demonstrem a efetiva atuação da recorrente na condição de mandatária da Pride Foramer SAS, temse que todas as despesas realizadas com vistas a levar a cabo o afretamento das plataformas de petróleo foram feitas a título de prestação de serviços. E o próprio contrato é muito claro nesse sentido, ao determinar que os serviços a serem prestados pela Pride do Brasil seriam remunerados por meio de honorários profissionais correspondentes ao somatório dos valores referentes a custos diretos (custo de matériasprimas, suprimentos, encargos trabalhistas, gastos com reparos e manutenção, desembolsos de aluguel, transporte e seguros, além de gastos com combustíveis e lubrificantes), sobre os quais recairia um percentual de margem correspondente a 30% (trinta por cento), despesas com subcontratação de terceiros para desempenhar os serviços contratados, despesas e gastos de capital relacionadas às plataformas da tomada e outras despesas necessárias à consecução dos serviços. Diante da clareza do contrato e falta de quaisquer elementos que apontassem alguma atuação da recorrente na qualidade de mandatária, devese manter as conclusões do acórdão recorrido: O que se conclui da interpretação conjunta das cláusulas 1.02 e 2, acima transcritas, é que todos os gastos que representassem custos diretos ou despesas mencionadas na cláusula 2, caracterizariam honorários profissionais. A letra “d” do item 2.02 da cláusula 2 do contrato, fls. 1.501, do Anexo 1, acima transcrita, deixa claro que quaisquer despesas necessárias à consecução dos serviços contratados seriam suscetíveis de incorrer em honorários. Fl. 9857DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.858 20 Portanto, independente de haver cláusula contratual prevendo que determinadas despesas ou gastos deveriam ser cobrados com ou sem a margem de 30%, o fato é que as regras acima expostas deixam claro que todas elas comporiam os honorários profissionais. Deflui do exposto, que a cláusula 1.03, do mesmo contrato, referese tãosomente a situações ligadas a gastos extraordinários que não estejam incluídos na esfera de custos e despesas assinalados na cláusula 2, acima analisada (fls. 4.9844.985). O fato apurado pela fiscalização, não se perca de vista, foi a omissão de receita decorrente da atividade da empresa. Se, por força do contrato de prestação de serviços celebrado com a Pride Foramer SAS, a recorrente, como atividade própria, executou uma série de atividades e incorreu em custos e despesas variados, também fez jus ao ingresso de diversos valores a título de receitas, sendo inquestionável a legitimidade da tributação desses valores. Notese que ao atribuir a qualificação de meros reembolsos a valores que na verdade constituíram receita de sua atividade, o contribuinte autuado manipulava sua contabilidade, escriturando como custos e receitas o que bem queria com o fito de direcionar o resultado do seu estabelecimento ao objetivo pretendido. Conforme ressaltado pelo lançamento, por meio de tal procedimento, o contribuinte conseguia manter um constante prejuízo fiscal ao longo dos anos. DA LEGALIDADE DO LEVANTAMENTO POR AMOSTRAGEM Além de defender a natureza de gastos reembolsáveis dos valores considerados pela fiscalização como sendo gastos faturáveis, a recorrente se insurge contra o método adotado pelo fisco para segregar, com base nas atividades de afretamento e de perfuração, as despesas de salários e encargos. No entender da recorrente, a autoridade fiscal não poderia ter eleito, por amostragem, apenas algumas competências abrangidas no período autuado para decompor a folha de salários global das plataformas de acordo com os cargos que julgou serem vinculados ao afretamento e à perfuração. Mais uma vez, contudo, o direito não socorre às pretensões do contribuinte. De fato, a existência de levantamento por amostragem, por si só, não torna precário o lançamento, e, no caso dos autos, isto efetivamente não ocorreu, tendo o agente fiscal procedido dentro do âmbito de suas atribuições, identificando com clareza a infração, cuja origem não dependia da análise de cada uma das competências abrangidas na autuação. O lançamento foi efetuado dentro da normalidade legal, com todos os elementos necessários e suficientes, como determinam os artigos 142 a 146 do CTN, e obedecidos os ditames contidos no artigo 10 do Decreto 70.235/72. Assim, voto pela manutenção desta infração. Fl. 9858DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.859 21 DA INFRAÇÃO 002. DA GLOSA DE CUSTOS Relatou a fiscalização que intimou a interessada a apresentar as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas no termo de intimação de fls. 529/530 e no termo de constatação às fls. 1.617, glosadas conforme fls. 1.642/1.643. A interessada às fls. 1.798, produziu quadro vinculando cada uma das contas de despesas; custos glosadas com os documentos de fls. 2.030/2.082. Tendo como referência o demonstrativo de fls. 1.642/1.643, produzido pela fiscalização, e o termo de intimação de fls. 529/530, do exame dos documentos apresentados (fls. 2.030/2.082), constatase que todas as despesas foram comprovadas, exceto as abaixo assinaladas: Registrese que constam às fls. 2.030/2.082, notas fiscais dos fornecedores acima mencionados, porém de períodos diversos daqueles referenciados no demonstrativo de fls. 1.642/1.643, que apontou as glosas. Voto pela manutenção parcial desta infração. DA INFRAÇÃO 003. DA ILEGALIDADE DA CUMULAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO COM MULTA ISOLADA A questão que se põe diz respeito à possibilidade ou não de cominação da multa isolada por não pagamento da CSLL calculada com base no regime de estimativas mensais, ao final do ano calendário e concomitantemente com a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo ao final dos anoscalendário 2003 e 2004, fundamentadas nos artigos 44, inciso I e parágrafo 1º., IV, da Lei n. 9430/96., cuja redação original assim versava: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 9859DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.860 22 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. (…)” Tratase de matéria objeto da Súmula n. 105 deste Conselho Administrativo, redigida com os seguintes termos: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (grifouse) Sua aplicação não leva a maiores discussões por se tratar de penalidades aplicadas nos anoscalendário de 2003 e 2004 e, portanto, anteriores à edição da própria súmula e, principalmente, das alterações promovidas no referido artigo 44 da Lei n. 9.430/96 pela Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488, do mesmo ano, deixandolhe como nova redação. Portanto, aplicase a Súmula CARF n. 105 para afastar a imputação da multa isolada fundamentada no artigos 44, parágrafo 1º., IV, da Lei n. 9430/96., em função de sua concomitância com a multa de ofício. Assim, dou provimento ao recurso voluntário, quanto a este item. DOS JUROS SOBRE A MULTA Com referência à alegação de exclusão dos juros sobre a multa, alinhome às razões da recorrente, no sentido de entender que a incidência de juros sobre a multa de ofício viola o princípio constitucional da legalidade. De fato, não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa. O § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determina que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 9860DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.861 23 À evidência, a expressão “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora ...”, que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. Basta ver que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430 está assim redigido: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (...), não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (...)” Resta evidente que o “débito” a que se refere a lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Posteriormente ao vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros. Falta, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, o que viola, segundo meu entender, o princípio da legalidade. Corrobora tal entendimento o votocondutor do ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido, verbis: “Entendo caber razão à recorrente quanto à não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nem mesmo no percentual de 1%. Reproduzo parte dos argumentos de defesa esposados pela recorrente. O artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”, nos termos do parágrafo 3º do citado artigo 113. Assim, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. É somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não integralmente paga no respectivo vencimento podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não pode incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo Fl. 9861DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.862 24 dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.”. Corrobora tal entendimento o voto condutor do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, nos autos do recurso nº 125.436, que deu origem ao acórdão 202 16.397: Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelo quê, entendo não ser cabível a cobrança de juros moratórios, à taxa de 1% ao mês, sobre a multa de ofício imposta no lançamento.” (Processo n. 16327.004079/200275, Acórdão n. 10196.008, sessão de 01 de março de 2007). Assim, dou provimento ao recurso voluntário, quanto a este item. DA CSLL No julgamento do IRPJ foi reconhecida a procedência parcial. Procede, portanto, parcialmente, a autuação da CSLL em virtude da relação de causa e efeito que os une. DA CONCLUSÃO Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, de forma a: manter a infração 001; manter parcialmente a infração 002; afastar a infração 003 e os juros sobre a multa (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 9862DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.863 25 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado Juros de mora sobre a multa No que concerne à incidência de juros de mora sobre a multa aplicada em lançamento de ofício, peço licença para divergir do ilustre Conselheiro relator, malgrado seu brilhante voto. A matéria já foi diversas vezes trazida à apreciação desta turma ordinária, que sistematicamente vem decidindo pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a chamada multa de ofício. Para tanto, o fundamento legal estaria no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de forma a abarcar nessa categoria tanto o tributo propriamente dito, quanto a multa. Também esse é o entendimento que tem prevalecido na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, do qual é exemplo o Acórdão nº 9101003.369, cuja ementa, na parte relativa aos juros de mora, foi assim redigida: Juros sobre Multa de Ofício. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Sobressaem, no voto condutor da decisão, os seguintes fundamentos: Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: (...) A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); Fl. 9863DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.864 26 b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estado credor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. (...) Do preceito acima invocado (art. 61 da Lei nº 9.430), destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” (grifo do original) Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Com esses fundamentos, indeferese a pretensão da recorrente de impedir a exigência de juros de mora calculados sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 9864DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17698.001108/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS.
A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do ano-calendário subseqüente, sujeitando-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação.
A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub-contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub-contratou.
A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada.
Cobra-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior.
Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender.
Numero da decisão: 1402-002.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do ano-calendário subseqüente, sujeitando-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub-contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub-contratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. Cobra-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17698.001108/2008-87
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862276
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.974
nome_arquivo_s : Decisao_17698001108200887.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EVANDRO CORREA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 17698001108200887_5862276.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7283084
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309124685824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 881 1 880 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17698.001108/200887 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.974 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente GANDINI & GONÇALVES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do anocalendário subseqüente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 11 08 /2 00 8- 87 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 882 2 A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 883 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. CONFISCO. A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do anocalendário subseqüente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 884 4 Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. A vedação deve ser dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo, in verbis: "A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.02.002008002430, que culminou com a formalização de lançamento de ofício no auto do processo administrativos fiscal n° 17698.001108/200887 (o presente processo) e o de representação fiscal de n° 11040.001397/200862. Ou seja, o AuditorFiscal, após iniciar os trabalhos de fiscalização na empresa originalmente optante pelo SIMPLES: a) realizou lançamento de ofício para fatos geradores ocorridos em 2004, na modalidade SIMPLES, nos autos do processo n° 17698.001108/200887: b) deu continuidade à auditoria fiscal no processo n° 11040,001397/2008 62. onde consta a formalização do Ato Declaratório Executivo de n° 003, por meio do qual procedeuse à exclusão do contribuinte do sistema SIMPLES a partir de 2005; A manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório (fls. 779/798), cujo objeto é exclusivamente a discussão acerca da exclusão da SIMPLES, constava do processo n° 11040.001397/200862 que foi apensado aos presentes autos, haja vista a identidade de provas entre ambos, conforme orienta a Portaria SRF n° 6.129/2005. 1 Da exclusão de ofício do SIMPLES A autoridade fazendária promoveu a exclusão de ofício do contribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de 2005, em virtude de a empresa ter auferido receita bruta em valor superior ao limite a que se refere o inciso II do art. 9o, artigo 12, inciso I do 14, inciso IV Fl. 884DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 885 5 do artigo e 15, da Lei n° 9.317/1996, com suas alterações, bem como nos artigos 20', inciso 11, 21, 23, inciso I, e 24 inciso IV da Instrução Normativa SRF n° 355/2003, conforme apurado no processo Administrativo n° 11040.001397/200862. O contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório Executivo n° 003/2009 da DRF/Pelotas, em 26/01/2009 (fls. 775) e, por meio da manifestação de inconformidade apresentada em 19/02/2009 (fls. 800) o contribuinte reclama, fundamentalmente o que segue: a) que o ato de exclusão do Simples tem amparo nas informações colhidas no processo n° 17698.001108/200887, em virtude de suposta diferença entre a receita de serviço de transporte de cargas constante na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ e os valores escriturados no Livro Registro de Saídas, correspondente aos conhecimentos de transportes rodoviários de carga; b) a diferença acima descrita não compõem a receita bruta de seus serviços, pois decorrem de agenciamento de frete, constituindose em meros ingressos não contabilizáveis para fins de apuração da base de cálculo dos tributos abrangidos pelo Simples; c) discorre sobre base de cálculo, receita bruta, capacidade econômica/contributiva, valepedágio, vedação ao confisco e o tratamento diferenciado a ser dispensado às micro e pequenas empresas, reafirmado na Lei n° 9.317/1996; d) considera indispensável para o conhecimento da receita efetiva do contribuinte, conceituar "meras entradas", assim considerados os valores que, embora transitando graficamente pela contabilidade da empresa, não integram seu patrimônio; e) cita decisões do Conselho de Contribuintes sobre fato gerador, base de cálculo, agenciamento de cargas, relacionados aos tributos PIS e COFINS; f) sua principal atividade consiste na intermediação de transporte de carga, aproximando a tomadora dos serviços de transporte de cargas do transportador que detenha veículo compatível com a mercadoria a ser transportada, não possuindo frota própria para o desenvolvimento da atividade de transporte propriamente dita; g) do valor recebido, paga o valor do frete aos agenciados e fica com a diferença do valor da nota fiscal de serviço; e h) comprovada que parcela dos ingressos pertencem a esfera jurídica de outros contribuintes, à título de repasse pelo valor do frete, permanecendo no patrimônio apenas o valor das comissões, deve ser afastada a glosa dos valores supostamente subtraídos à tributação, apurados em virtude da diferença entre os valores declarados em DSPJ e aqueles constantes das Guias Informativa do ICMS, segundo os termos do auto de infração. Requer, ao final, seja anulado o ADE 003/2009, afastando a exclusão do Simples a partir de janeiro/2005. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 886 6 2 Do litígio pertinente ao lançamento de ofício fatos geradores ocorridos em 2004 A matéria em litígio teve origem na fiscalização inaugurada.com â emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 1010200.2008.00243, após observada divergência entre os valores de tributos devidos informados nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica 2005 DSPJ e nas Guias Informativas do ICMS que correspondiam ao registrado no Livro Caixa da Empresa, que culminou com o lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos em 2004, de acordo com o artigo 18 da Lei n° 9.317/1996. O lançamento de ofício está consubstanciado nos autos de infração Simples: Imposto de Renda Pessoa Jurídica.(fls. 22 a 30), Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 31 a 39 ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 40 a 48 ), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ( fls. 49 a 57 ) e Contribuição para Seguridade Social INSS ( fls. 58 a 66 ), apurando o crédito tributário total no valor de R$ 1.824.690,91 ( um milhão, oitocentos e vinte e quatro mil, seiscentos e noventa reais e noventa e um centavos ), aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 29/08/2008. A omissão de receitas está devidamente evidenciada no quadro de fls. 07. O contribuinte declarou à SRF uma receita, para o ano de 2004, no valor de R$ 686.198,40, não obstante ter registrado nos livros do ICMS e no Livro Caixa receitas no montante de R$ 5.876.400,58 no período. A partir desta ação fiscal, constatouse que a empresa auferiu, no ano calendário de 2004, receita bruta total muito superior ao declarado na DSPJ, e os percentuais progressivos aplicáveis às receitas declaradas foram inferiores aos devidos. Sendo assim, foram adequados os percentuais utilizados pelo contribuinte, levandose em consideração a receita bruta efetivamente auferida (escriturada). A ciência ao contribuinte ocorreu em 17/09/2008. A descrição dos fatos está complementada no Relatório da Ação Fiscal de fls. 03/07. Em 14/10/2008 o contribuinte apresenta sua impugnação, alegando: a ) tratase de empresa de pequeno porte, optante pelo Simples no ano da autuação, tendo pleiteado sua inclusão em tal sistema de arrecadação e admitida a sua opção pela Receita Federal, após verificação do cumprimento dos critérios necessários; b ) as atividades da empresa consistem na intermediação entre a pessoa ou a empresa que possui uma carga para ser transportada e entre outra pessoa ou empresa que possui o veículo compatível ao transporte da referida carga. Apenas viabiliza o processamento do transporte: é responsável pela emissão de documentos que possibilitam o trânsito de mercadorias e responsável pela integralidade da carga até a entrega em seu destino; c ) a impossibilidade de ser tributado de modo excessivo, a ponto de ter subtraído a própria fonte geradora da riqueza tributável ( princípio da vedação ao confisco ); Fl. 886DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 887 7 d ) o legislador deve exigir tributos na medida da capacidade econômica de quem é chamado a contribuir ( princípio da capacidade contributiva ); e ) os valores cobrados não condizem com a realidade da empresa, já qué, em todos os anos de suas atividades, sequer chegou a apurar tal valor como receita suscetível de transformarse em riqueza ou patrimônio. Tributar a empresa pelo total em seu caixa, sem considerar a natureza com que se dão tais ingressos, implica que duas pessoas sejam oneradas pela mesma receita: a transportadora e aquele que efetivou o transporte; f ) a maior parte do montante recebido constitui receita de terceiro, qual seja, aquele que possui o veículo capaz de transportar a carga e que efetivamente a transporta, todavia, sob sua responsabilidade; g ) anexa cópia de alguns Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, todos emitidos em seu nome, querendo comprovar que os recolhimentos se basearam na receita que efetivamente pertence à empresa; h ) não condiz com a realidade o argumento trazido pela agente fiscal de que há divergência entre a escrituração dos livros fiscais e os valores apurados para o cálculo do Simples: no Livro de Apuração do ICMS constam todas as entradas no caixa da empresa, porque tais entradas precisam ser analisadas para conclusão a respeito da incidência ou não do ICMS; no Livro de Saídas constam os valores repassados aos terceiros que efetivamente realizaram o transporte e, no Livro Caixa, encontramse as referidas entradas e saídas; e i ) a própria servidora fiscal alegou, quando da assinatura da autuação fiscal, que a empresa deveria ter recolhido seus tributos pelo Lucro real e estava inscrita em sistema de apuração de tributos incorreta, mostrando desta forma a exorbitância dos valores presentes na autuação, extrapolando a realidade. Isto decorre da leitura da letra fria da lei, ao conceituar receita bruta para fins da tributação pelo Simples. Ao final requer seja declarado insubsistente o auto de infração, arquivandoo, para que o ideal da justiça fiscal possa ser alcançada. É o relatório." Do Recurso Voluntário O recorrente apresentou recurso voluntário, reforçando os argumentos utilizados em primeiro grau, alegando que " o conceito de receita bruta é aquela efetivamente percebida pela empresa, e não àquelas que sequer passam pelo seu caixa. E que tal entendimento não for considerado procedente, estarseia tributando duas empresas sobre o mesmo fato gerador, qual seja : "recebimento" de valores a título de pagamento por transporte rodoviário.". O recorrente pleiteou a reforma do Acórdão da 6ª Turma da DRJ/POA, conforme as razões de fato e de direito a seguir expostas: Suporte Jurídico do Simples Fl. 887DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 888 8 1. Receita bruta se constitui do produto da venda de bens e serviços nas operações de contra própria, do preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia. 2. Ou seja, integra para cálculo todos os valores auferíveis como ganhos de capital que entram para a conta do sujeito passivo apontado na norma tributária. Somente aqueles valores que se somem aos já existentes conceito de acréscimo patrimonial poderão representar suporte à aptidão de contribuir. 3. Podese asseverar, então, que é tributável toda aquela parcela de direitos efetivamente acrescidos ao patrimônio do sujeito alvo da lei tributária, deixando exposto, por sua vez, toda a sua capacidade efetiva de ser tributado. Do fato gerador de cálculo dos tributos compreendidos no Simples 4. Receita bruta é todo aquele rendimento auferido pela empresa que pode ser considerado como acréscimo patrimonial, integrado e somado na conta da pessoa jurídica. Por outras palavras, dar possibilidade financeiro econômica de disponibilidade patrimonial. 5. Resta evidente e cristalino, por sua vez, que consoante o já esposado qualquer valor que transite pela conta do contribuinte não integra a base de cálculo no conceito de receita bruta. Da atividade desenvolvida pela empresa 6. Cabe salientar, ainda, para reforçar a tese da empresa, que sua principal atividade é a intermediação de transporte de cargas. Por não possuir frota própria, seu papel é de aproximar a tomadora dos serviços de transporte de cargas com o prestador que detenha veículo compatível com a mercadoria a ser transportada. 7. As cópias dos conhecimentos de transporte e os respectivos recibos de frete dão conta de que a empresa requerente pratica agenciamento de negócios entre as pessoas físicas (transportadores autônomos) e as empresas tomadoras de serviços de transporte de cargas. Fica sob a responsabilidade desse a responsabilidade o pagamento do valor do frete aos transportadores autônomos, reservando somente com a diferença do valor indicado na nota fiscal de serviços. 8. Melhor observando os referidos documentos em anexo e os recibos de frete, identificase claramente que há contratos firmados entre a empresa recorrente e os agenciados motoristas que transportam as cargas não havendo razão, portanto, para a autoridade fazendária desconsiderar a hipótese em comento. 9. Logo, de acordo com todos os documentos juntados ao processo, está comprovada que parcela dos ingressos pertencem a esfera jurídica de outros contribuintes, a título de repasse pelo valor do frete, permanecendo Fl. 888DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 889 9 no patrimônio apenas o valor do agenciamento, descontado o repasse ao frentista. Mister seja afastada a glosa de valores supostamente subtraídos à tributação, apurados em virtude da diferença entre os valores declarados em DSPJ e aqueles constantes nas GIAs, segundo os termos do auto de infração. Da nulidade da autuação 10. O procedimento adotado pela Fazenda Federal viola os preceitos fundamentais de nossa Constituição. Isso porque no mesmo ato da autuação da empresa, excluindoa do SIMPLES, a fiscal da receita já realizou procedimento para apurar eventuais débitos desconsiderando o contraditório e a ampla defesa. 11. O fisco deveria ter adotado o procedimento de, primeiro, apurar valores que pudessem ser incluídos na base de cálculo no conceito de receita bruta e depois de verificado que a empresa tivesse ultrapassado o valor limite para permanecer no SIMPLES, então excluíla e notificála. 12. E sobre o processo de exclusão, ato contínuo, deveria transcorrer toda a fase administrativa neste sentido, cujo objeto de discussão seria o conceito de receita bruta, conforme aqui já debatido, para então saber se efetivamente a empresa ultrapassou o limite fiscal desse regramento diferenciado. 13. Aí sim, em segundo passo, depois de sedimentada e bem resolvida tal discussão, é que se poderia abrir o processo administrativo para apurar eventuais valores de impostos que não compreenderam o enquadramento pelo SIMPLES, e efetivamente autuar com multa e todos os consectários legais. 14. O procedimento adotado foi totalmente diverso, pois, além de excluir a empresa do SIMPLES, de plano, apurou os impostos supostamente devidos. 15. A fiscal da receita, além de considerar subsistente a autuação para excluir o contribuinte do SIMPLES, avançou no sentido de já apurar eventuais valores impagos pelos impostos supostamente não recolhidos, ferindo de forma frontal e direta os preceitos constitucionais de ampla defesa, direito ao contraditório e quiçá a presunção de inocência. 16. Logo, se depreende claramente que, mesmo se fosse procedente a exclusão do SIMPLES, primeiramente, deveria ter havido procedimento administrativo no sentido de excluir a empresa do regime diferenciado para, só então, apurar eventuais débitos. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 890 10 Do Pedido O recorrente em seu pedido, requer que seja acolhido o recurso voluntário para reconhecer a nulidade do auto de infração e, por conseqüência, seja a empresa devolvida ao status quo ante para voltar a integrar o SIMPLES; bem como que seja extinto o débito fiscal lançado de ofício. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 891 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminares Da nulidade do auto de infração O recorrente argumenta que o procedimento adotado pela .Fazenda Federal viola os preceitos fundamentais de nossa Constituição. Isso porque no mesmo ato da autuação da empresa, excluindoa do SIMPLES, a fiscal da receita já realizou procedimento para apurar eventuais débitos desconsiderando o contraditório e a ampla defesa. Notase que os procedimentos não se deram na ordem alegada pela recorrente, primeiro foi apurado a omissão de receitas, em ato contínuo procedeuse à exclusão do SIMPLES. Verificase corretos os procedimentos efetuados pelas Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento de tributos sob o regime de apuração do SIMPLES e a conseqüente exclusão da recorrente desse regime, conforme consta na decisão da Instância a quo: "Registrado pelo órgão fazendário a existência de causa ensejadora de vedação à opção da empresa pelo Simples, correto procedimento de excluílo a partir do exercício seguinte ao da constatação dessa ocorrência e autuálo na condição de optante, para o anocalendário de 2004. De acordo com o art. 16 da lei n° 9.317/1996, a empresa sujeitarseá às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, somente a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão." Conforme relatado, a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório (fls. 779/798), cujo objeto é exclusivamente a discussão acerca da exclusão da SIMPLES, constava do processo n° 11040.001397/200862 que foi apensado aos presentes autos, haja vista a identidade de provas entre ambos, conforme orienta a Portaria SRF n° 6.129/2005. Ao contrário do alegado pelo recorrente não faz parte do presente auto de infração a apuração de tributos que não compreenderam o enquadramento do SIMPLES. Mesmo que esses tributos tivessem sido lançados, da mesma forma poderiam fazer parte de um mesmo processo, considerando a identidade de provas entre eles, conforme disposto no §1º do Art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, transcrito a seguir. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou Fl. 891DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 892 12 penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Ressaltase que o recorrente teve oportunidade pudesse se defender tanto do lançamento efetuado no regime do SIMPLES quanto da sua exclusão desse regime, que dependiam dos mesmos elementos de provas. Portanto não houve violação ao contraditório e a ampla defesa. Mérito A fiscalização constatou omissão de receita, apurada pelas diferenças entre os valores das receitas registradas nos Livros de Registro de Saída e Apuração do ICMS e valores informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES (anocalendário de 2004) . Verificouse que as receitas escrituradas pela empresa são superiores àquelas informadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) retificadora, referente ao anocalendário 2004. A omissão foi tributada segundo o regime adotado pela recorrente no ano calendário de 2004 (SIMPLES). A recorrente contesta o montante considerado como receita bruta na apuração dos tributos e contribuições, sustentando sua atividade principal é a intermediação de transportes de cargas, contratando com clientes fretes a serem executados por motoristas autônomos. Alega que as provas decorrem dos conhecimentos de transportes e os respectivos recibos de frete juntados aos autos. Sustenta que poderiam ser deduzidos daquela receita os valores repassados aos caminhoneiros autônomos. Todavia, em que pesa a alegação da recorrente, depreendese dos autos que o serviço prestado não é de mera intermediação ou agenciamento de cargas, que seria remunerado através de comissões, mas de transporte de cargas, com remuneração integral pelo transporte. Considerandose que a recorrente presta serviços de transportes de cargas a terceiros, por sua conta e risco, sendo remunerada pelos serviços efetivamente prestados, a apuração de sua receita bruta deve obedecer às normas relativas a cada forma de tributação adotada. O conceito de receita bruta utilizado na sistemática de tributação do SIMPLES é previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 9.317/96, que o considera como sendo “o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços Fl. 892DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 893 13 prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos”. Portanto não há amparo legal para a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 893DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913817/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.913817/2012-33
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861222
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.561
nome_arquivo_s : Decisao_10680913817201233.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10680913817201233_5861222.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7273129
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309129928704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.913817/201233 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.561 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de março de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente M.I. MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.520, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 31/10/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 7/ 20 12 -3 3 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913817/201233 Resolução nº 1302000.561 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913817/201233 Resolução nº 1302000.561 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913817/201233 Resolução nº 1302000.561 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724670/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos aos processos nº 15504.724669/2011-58 e 15504.724671/2011-27.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.724670/2011-82
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861606
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-000.304
nome_arquivo_s : Decisao_15504724670201182.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 15504724670201182_5861606.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos aos processos nº 15504.724669/2011-58 e 15504.724671/2011-27. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7280000
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309130977280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 427 1 426 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.724670/201182 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.304 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 03 de abril de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS/MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos aos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 377/389) apresentado em face do Acórdão nº 0249.997, da 8ª Turma da DRJ/BHE (fls. 365/372), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo (fls. 310/325) aos autos de infração pelos quais são exigidas contribuições para outras entidades e fundos FNDE e INCRA (Debcad 37.322.3137 fls. 3/45) e multa pelo descumprimento de obrigação acessória (Debcad 37.322.3153 fls. 46/48). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 24 67 0/ 20 11 -8 2 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 428 2 Segundo o relatório preparado pela autoridade fiscal (fls. 49/73), o lançamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos se justificaria em face do pagamento, na competência 03/2007, de valores a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR em desacordo com a legislação de regência, uma vez que o instrumento de negociação conteria a previsão de pagamento mínimo, independentemente do atingimento de qualquer resultado ou meta. Já a constituição do crédito tributário relativo ao descumprimento de obrigações acessórias foi assim justificado pela autoridade lançadora (fl. 55): 34. A empresa deixou de registrar no campo “Remuneração sem 13º salário” da GFIP, nas competências de 03/2007 e 08/2007, os seguintes dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, que resultaram em declaração a menor do valor devido correspondente ás contribuições para a Previdência Social: • Pagamentos feitos a empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica ( Lei 10.101/2000) (Levantamento PL) • Pagamento de Participação nos Lucros para diretores não empregados – (Levantamento PD) • Pagamento de Previdência Privada para os diretores da empresa – (Levantamento PR e PR1) • Pagamento de verbas remuneratórias em Processos Trabalhistas movidos contra a auditada (Levantamento RT e RT1) A impugnação ao lançamento deu origem ao Acórdão nº 0249.997, da 8ª Turma da DRJ/BHE, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária, apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com os processos principais os processos vinculados por conexão. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 429 3 A contribuinte tomou ciência dessa decisão em 15/11/2013 (fls. 376) e apresentou, tempestivamente, em 29/11/2013, o recurso voluntário (fls. 377/389). Em suas razões de recorrer, a empresa alega, em síntese, que: 1. O lançamento do crédito principal é improcedente, uma vez que os pagamentos de PLR foram feitos de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, na qual "a existência de um programa de metas e resultados não é condição sine qua non para que a verba seja desvinculada da remuneração". 2. Não houve descumprimento de obrigações acessórias, já que as parcelas consideradas pela autoridade fiscal como geradoras dessa obrigação não compõem o salário decontribuição dos respectivos beneficiados. 3. A legitimidade da pretensão fiscal está sendo discutida no âmbito dos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127, cujo julgamento favorável à recorrente pode tornar indevida a penalidade aqui exigida. Nesse caso, seria essencial que este Conselho determinasse o sobrestamento do presente processo ou que o julgue em conjunto com aqueles. 4. Mantido o crédito tributário, a multa aplicada deve ser revista em atenção ao princípio da retroatividade benigna. Com base no exposto, formula os pedidos que são textualmente transcritos abaixo: (a) seja declarada a improcedência do lançamento fiscal, cancelandose o DEBCAD nº 37.322.3137, que exige contribuições destinadas a outras entidades e fundos (salárioeducação e INCRA) sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados aos seus empregados; (b) seja determinado o sobrestamento do DEBCAD nº 37.322.3153, que exige multa isolada pela suposta apresentação de GFIP's com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ou, subsidiariamente, seja efetuado o seu julgamento em conjunto com os PTA's nº 15504.724.669/201158 e nº 15504.724.671/2011 27. (c) subsidiariamente, se restar mantido o crédito tributário principal, o que se admite para argumentar, seja revista a penalidade imposta neste auto de infração, para que seja aplicada a multa mais beneficia (em atenção ao princípio da retroatividade benigna), prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Chegando a este Conselho, o processo em análise compôs lote sorteado a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 430 4 O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Em sede preliminar, deve ser analisada a alegação da recorrente quanto à necessidade de julgamento conjunto com os processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. O processo em análise está composto por dois autos de infração: o Debcad nº 37.322.3137, relativo a contribuições para outras entidades e fundos FNDE e INCRA, que tem por base de cálculo os valores pagos a título de PLR no mês de março de 2007; e o Debcad nº 37.322.3153, pelo qual se exige multa pelo descumprimento de obrigação acessória em função da declaração a menor do valor devido a título de contribuição à previdência social. A declaração a menor da contribuição previdenciária decorreria da não inclusão, em sua base de cálculo, os seguintes pagamentos: 1. Aos empregados a título de PLR; 2. PLR para diretores não empregados; 3. Previdência Privada a diretores não empregados 4. Verbas remuneratórias em processos trabalhistas. Ocorre que a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre esses pagamentos está sendo discutida no âmbito dos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. Neste caso, a decisão desses processos constitui matéria prejudicial à análise deste: ...as questões prejudiciais são aquelas que, além de constituírem premissas lógicas da sentença, reúnem condições suficientes para ser objeto de ação autônoma. (...) Por uma questão de lógica, havendo suspensão entre dois processos em razão de prejudicialidade externa, é natural que seja suspenso processo prejudicado à espera do julgamento do processo prejudicial. Havendo tal espécie de prejudicialidade, suspendese o processo no qual a relação jurídica controvertida é discutida incidentalmente enquanto o processo no qual a mesma relação jurídica é discutida de forma principal não é decidido. (Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil. Salvador: ed. JusPodivm, 2017, p. 574/575). Do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, extraise o seguinte artigo: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato Fl. 430DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 431 5 idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Em análise ao sistema eprocesso, vêse que os processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127 encontramse na unidade de origem em virtude de pedido de desistência parcial do recurso para adesão à parcelamento especial. Verificandose o histórico de sua movimentação, constatase que nenhum deles chegou a ser distribuído, o que caracteriza a prevenção desta Conselheira. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 432 6 Conclusão Pelas razões expostas, proponho que o julgamento deste processo seja convertido em diligência para que a unidade preparadora efetue sua vinculação aos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000193/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2008
ATO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. LOCAÇÃO MÃO-DE-OBRA. CABIMENTO
Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra.
Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva.
Numero da decisão: 1301-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2008 ATO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. LOCAÇÃO MÃO-DE-OBRA. CABIMENTO Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra. Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13982.000193/2009-81
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5872830
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.083
nome_arquivo_s : Decisao_13982000193200981.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13982000193200981_5872830.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7341244
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309142511616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 174 1 173 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.000193/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.083 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria EXCLUSÃO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA Recorrente CLEMENTE GALON EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2008 ATO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. LOCAÇÃO MÃODEOBRA. CABIMENTO Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra. Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 01 93 /2 00 9- 81 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 175 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0127.573, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 67/84) protocolizada em 17/07/2009, contra Exclusão do Simples Nacional – ADE n.° 020, de 08 de abril de 2009, que retificou o Ato Declaratório n.° 014, de 23 de março de 2009, e contra Exclusão do Simples Federal Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n.° 013, de 23 de março de 2009. 2. A exclusão deuse em face ao disposto nos artigos 9o , inciso XII, “f”, e art. 16 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, observadas as alterações posteriores, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra) e de acordo com o disciplinamento constante do art. 17, XII, da Lei Complementar 123/2006, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra). 3. Segundo Representação Administrativa (fls. 01/08) para exclusão do Simples, a locação de mão de obra ficou caracterizada devido ao contrato de prestação de serviços com a empresa STARKFEST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DO VESTUÁRIO LTDA CNPJ n° 73.650.939/00017 e aos fatos de qualificam a subordinação dos empregados da contratada aos ditames da contratante: “(...) A empresa acima referenciada legalmente constituída, estabelecida à Rua Aracaju, 113, Centro, em Pinhalzinho/SC, tem como atividades econômicas principal e secundária, descritas na Declaração de Firma Mercantil Individual: "indústria de confecções em geral" e "prestação de serviço de facção", respectivamente. A empresa exerce, de fato, a atividade de "prestação de serviços". Optou pelo SIMPLES FEDERAL em 17/03/1997 e excluído em 30/06/2007. Incluído no SIMPLES NACIONAL em 01/07/2007. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 176 3 (...) 2) Em procedimento fiscal na empresa CLEMENTE GALON MPF n° 0920300.2008.00633 foram constatados como seguem: O prédio onde está localizado a Empresa é de propriedade da empresa STARKFEST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DO VESTUÁRIO LTDA CNPJ n° 73.650.939/000175. O endereço social da empresa Clemente Galón é Rua Aracaju, mesmo endereço da Starkfest, com numeração diferenciada, pois tratase de prédios separados, mas dentro do mesmo lote urbano n° 01, da quadra n° A6, conforme podemos certificar através da Certidão juntada à fls. 17 a 20 e da fotografia constante à fls. 37. Ficou comprovado por esta fiscalização e demonstrado nas fotografias, constantes à fls. 38, que somente a empresa STARKFEST possui placa de identificação da empresa situada na parte interna do prédio. As empresas CLEMENTE GALON e STARKFEST IND. E COM. DO VESTUÁRIO LTDA apresentam todos os seus funcionários, inclusive sóciosgerentes, trabalhando no mesmo local, ou seja, no mesmo endereço da STARKFEST. Podemos verificar através da foto juntada à fls. 39 a existência de uma rampa de ligação entre as empresas, o que demonstra que essas empresas se fundem num só estabelecimento. O Sr. ANECLETO GALON efetuou um "CONTRATO DE COMODATO'' em 02/07/1999, cópia anexo às fls 13 e 14, no qual dá em comodato à empresa CLEMENTE GALON, um barracão industrial, em alvenaria, com área aproximada de 240,00 m2, localizado no mesmo lote da quadra onde se localiza a empresa STARKFEST. (vide fotografia fls. 37); Consultando o sistema informatizado da Receita Federal Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (cópias anexas às fls. 11 e 12), constatamos que a descrição das atividades econômicas, principal e secundária, de ambas as empresas (CLEMENTE GALON e STARKFEST) é a mesma: "Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida" e "facção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas", respectivamente. O controle de ponto das duas empresas (CLEMENTE GALON e STARKFEST) é realizado por meio eletrônico, através da impressão digital. Esse equipamento que controla a entrada e saída dos empregados encontrase próximo à entrada do prédio onde funciona a empresa CLEMENTE GALON, (ver fotografias às fls. 40). Constatamos através dos documentos apresentados que, nas notas fiscais e faturas (cópias anexas, por amostragem, às fls. 22 a 36), houve prestação reiterada de serviços exclusivamente para a empresa STARKFEST IND. E COM. DO VESTUÁRIO LTDA. As notas fiscais em questão se referem a prestação de serviços conforme estabelecido em contrato; Assim, solicitouse a Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 177 4 apresentação do contrato de prestação de serviços estabelecido entre a empresa tomadora (STARKFEST) e a prestadora (CLEMENTE GALON), o qual foi anexado por cópia ao processo, às fls. 15 e 16. Essa prática evidencia que se trata apenas de uma situação de "burla" à Lei do SIMPLES, prejudicando sobremodo os cofres da Previdência Social, além das Terceiras Entidades vinculadas às atividades do comércio. Conforme Contrato de Prestação de Serviço (cópia às fls. 15 e 16) todo o material utilizado para confecção das peças, tais como: modelagem, tecido, etc..será fornecido pela contratante STARKFEST. Bem como as despesas de água, energia elétrica e telefone serão suportadas pela STARKFEST. Ressaltamos que não há lançamentos contábeis na empresa CLEMENTE GALON, referentes às despesas básicas e indispensáveis, como por exemplo: material de limpeza, material de higiene, tesouras, agulhas, linhas, papéis, canetas, arquivos, etc... Curioso é que a empresa Clemente Galon possui contabilizado um computador e uma impressora e não existem registros contábeis de aquisição de papéis, cartuchos para impressora e outros materiais inerentes ao funcionamento desses equipamentos. Ressaltamos também que o mesmo escritório contábil presta serviço para as duas empresas: CLEMENTE GALON e STARKFEST, sendo que a empresa CLEMENTE GALON não registra despesas com pagamentos de honorários contábeis. Dessa forma, podemos afirmar que as despesas registradas na contabilidade da empresa CLEMENTE GALON são basicamente os salários, encargos, impostos e despesas bancárias, não havendo registros contábeis das demais despesas operacionais. É relevante mencionar que as receitas auferidas pela empresa CLEMENTE GALON são resultantes exclusivamente da prestação de serviço à empresa STARKFEST. Observamos, conforme leitura ao Contrato de Comodato, constante às fls. 13 e 14, que na cláusula 4a ficou estabelecido que: "A COMODATÁRIA é obrigada a conservar, como se seu fosse o imóvel cedido a título de empréstimo gratuito, devendo ressarcir o COMODANTE pelos danos que causar". No entanto, em todo período fiscalizado (01/01/2004 a 31/12/2007) não encontramos nenhuma despesa referente à manutenção do imóvel. Verificamos também que esse contrato de comodato é apenas do imóvel e analisando os lançamentos contábeis verificamos que a empresa CLEMENTE GALON possui em seu Ativo Imobilizado Conta n° 1.3.2.01.01.003 Máquinas e Equipamentos, o seguinte: 02 (duas) unidades automáticas para costurar tecidos, uma máquina para costurar debrum e uma máquina de cortar tecido, máquinas essenciais para o desenvolvimento da atividade fim da Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 178 5 empresa. O que nos causa estranheza é que a empresa possui em média 90 empregados e apenas quatro instrumentos de trabalho. Isso nos leva a crer que as demais máquinas e equipamento são fornecidos pela empresa STARKFEST Verificamos através das demonstrações contábeis que a empresa CLEMENTE GALON não contabilizou as despesas provenientes da manutenção de máquinas e equipamentos, para os exercícios de 2004 a 2006. Observamos que a empresa contabilizou no exercício de 2007 apenas duas notas fiscais, no montante de R$ 686,00. Constatamos que a empresa CLEMENTE GALON, no período verificado por esta fiscalização (01/01/2004 a 31/12/2007), não efetuou distribuição de lucro e tampouco há pagamento de pró labore ao dirigente. Salientamos que a empresa apurou um prejuízo acumulado em 31/12/2007, de R$ 209.669,28. Analisando os registros contáveis verificamos que o capital social integralizado da empresa é de R$ 90.000,00, resultando dessa forma um Passivo a descoberto de R$ 119.669,28; Entre os empregados que compõem ou compuseram a folha de pagamento da empresa CLEMENTE GAOLN os seguintes empregados também fizeram parte dos quadros da empresa STARKFEST . Conforme demonstrativo abaixo, os empregados deixavam os quadros da empresa STTARKFEST e eram imediatamente admitidos, na mesma função, na empresa CLEMENTE GALON: (...) Ao se cotejar as relações de cargos e funções das empresas verificamos que os empregados da empresa CLEMENTE GALON e STARKFEST exercem diversas funções ligadas à atividadefim da "empresa contratante" (STARKFEST). A título de exemplo podemos citar as funções de supervisor, confecções de roupas, costureiras, operador de máquinas de bordado e escriturários. Outro fato que nos causa estranheza é que a empresa STARKFEST atualmente não possui empregados na área administrativa. Os empregados que executam essa tarefa (parte administrativa) são registrados na empresa CLEMENTE GALON. Enfim, a empresa STARKFEST (empresa não optante do SIMPLES) possui número reduzido de empregados, que citamos como exemplo o mês de competência 12/2007, apenas 05 empregados, enquanto que a empresa CLEMENTE GALON, nesse mesmo mês possui 93 empregados. 2.16 A empresa é "Firma Individual" em nome do Sr. CLEMENTE GALON, irmão do Sr. Anecleto Galon, sócio majoritário da empresa STARKFEST. 2.17 Salientamos que a empresa CLEMENTE GALON nomeou e constituiu sua Procuradora, conferindo plenos poderes a Srta. FRANDRIÉLI GALON, filha do Sr. Anecleto Galon, conforme Procuração registrada na folha n° 139 do Livro n° 05 do Tabelionato Rui Rolim de Moura, em Águas Frias/SC (cópia à Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 179 6 fls. 21 e verso), "para o fim especial de gerenciar a empresa outorgante, podendo para tanto: pagar e receber contas, promover cobranças amigáveis e judiciais, assinar recibos e quitações, movimentar contas bancárias em quaisquer estabelecimentos de crédito, emitir e endossar cheques, depositar e retirar quaisquer quantias, verificar saldos bancários , requerer talonários, abrir e encerrar contas bancárias, endossar e assinar duplicatas e descontálas; endossar cédulas de crédito comercial, duplicatas mercantis, e de prestação de serviço, letras de câmbio e quaisquer outros títulos de crédito, inclusive na forma de contratos, autorizar a emissão de ordens de pagamento, transferências interbancárias de recursos, assinar correspondências, requerimentos e outros papéis decorrentes da atividade de gestão que envolvem a função sóciogerente, admitir e despedir empregados, representar a empresa em quaisquer repartições públicas federais, estaduais, municipais e autarquias, e bem perante o Instituto Nacional de Previdência Social, Receita Federal, Empresa Brasileira e Correios e Telégrafos, inclusive perante as empresa concessionárias de serviços públicos em geral; representála em juízo, instâncias ou tribunal, inclusive Justiça do Trabalho; constituir procuradores com poderes para o foro em geral inclusive os da cláusula ad e extrajudicia, propor e variar de ações, acordar, transigir, recorrer, interpor recursos, e ainda, para requerer falências, conceder ou embargar concordatas, fazer declarações de crédito, desistir, firmar compromisso e praticar enfim tudo o mais que preciso for, mesmo aqui omitido, para o bom, fiel e integral desempenho do presente mandato (grifamos)." Como depreendemos da leitura dos poderes conferidos à outorgada, a efetiva administração da empresa CLEMENTE GALÓN era e é exercida pela Srta Franciéli Galon, filha do Sr. Anecleto Galon, sóciogerente da empresa STARKFEST. 2.18 É importante destacar ainda, que mesmo se não houvesse esses vínculos familiares entre os sócios das empresas, e a "estranha" coincidência no endereço de ambas as empresas, a empresa CLEMENTE GALON desde o início de sua prestação de serviços exclusiva à empresa STARKFEST, conforme constatou esta fiscalização, estaria de pronto executando atividade vedada pelo artigo 9o, XII, alínea "f” da Lei n° 9.317/96 (LEI DO SIMPLES) e art. 17, inciso XII da Lei Complementar n° 123/2006, pois é nítida que a prestação dos serviços é dada por locação de mãodeobra, a medida que todo o potencial de mãodeobra está à disposição da contratante (STARKFEST), e em suas dependências físicas. 3) Deste modo, resta evidente a intenção da empresa não optante pelo SIMPLES de EVADIRSE de suas obrigações previdenciárias ao constituir uma empresa optante pelo SIMPLES, simulando a existência desta, ou seja, SIMULAR significa aparentar algo que não existe. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 180 7 Esta prática se utiliza dos artifícios que emprestam às simuladas empresas características aparentemente legais, o que permite gozar do tratamento tributário especial estabelecido pela Lei n. 9317/96, de 05/12/1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES e da Lei Complementar n° 123/2006, exonerandoas das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários cota patronal. A Constituição Federal prevê o tratamento tributário especial apenas às micro e pequenas empresas. Este tratamento não alcança aquelas empresas que se utilizam de artifícios ilícitos para alcançar suas benesses 4) A atividade desenvolvida pelo sujeito passivo (CLEMENTE GALON) praticante dos fatos ora representados, em relação à tomadora de serviços TARKFEST IND. E COM. DO VESTUÁRIO LTDA, caracteriza cessão de mãodeobra, nos termos do § 3.° do art. 31 da Lei 8.212/1991, in verbis: "§ 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação." De fato, são prestados serviços contínuos, há colocação de segurados à disposição da empresa tomadora de serviços e tal prestação se dá nas dependências da contratante. 5) Dispõe a Lei 9.317/96: "Art. 9 ° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (...) que realize operações relativas a(...) f) prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra". Do mesmo modo dispõe a Lei Complementar n° 123/2006: "Art. 17 Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; 6) Diante do exposto e evidências podemos reforçar o pedido de exclusão do SIMPLES também pela "constituição de empresa por interposição de pessoas", como dispõe a legislação a seguir: Lei n° 9:317/1996, art. 14, inciso IV: "constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou titular, no caso de firma individuar Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 181 8 Lei Complementar n° 123/2006, art. 29, inciso IV: "a sua constituição por interpostas pessoas" Segundo o "Aurélio", interpostas, são aquelas que, sem ter o legítimo interesse, aparecem em um ato jurídico como parte, a fim de ocultar o verdadeiro interessado, que por motivos quase sempre ilícitos, não quer aparecer. Pelo exposto acima, a empresa tratada na presente representação pratica, pois, atividade vedada à opção pelo SIMPLES. De acordo com a Lei 9.317/199&~a pessoa jurídica que praticar atividade vedada à opção pelo SIMPLES deverá solicitar sua exclusão do Sistema; caso não o faça, deverá ser excluída de ofício, conforme segue: "Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) § 1º A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral.(...) § 3º No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: (...) b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2o do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...)" 9) Dispõe também a Lei Complementar n° 123/2006: "Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 182 9 II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; 10) Diante do exposto, requer o acolhimento desta representação.” 4. O contribuinte, cientificado em 22/06/2009 (fl. 65), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 67/84) protocolizada em 17/07/2009, através da qual vem alegar, em resumo, que: “ (...) O contribuinte em tela, quando do seu registro como firma mercantil individual, na data de 25/02/1997 Registro junto a JUCESC sob n. 42102704478 de 17/03/1997 se encontrava em determinada situação e local. O desenvolvimento da atividade iniciouse no endereço situado na Rua João Pessoa, s/n, Edif. Rogério Rolim de Moura, Bairro Centro, na cidade de Pinhalzinho, Santa Catarina. No seu objeto social, quando do seu registro como Firma Mercantil Individual, já prestava serviço de facção e industria de confecção em geral, não alterando até a presente data. Ocorre que com o passar do tempo, começou prestar serviço de facção, ou seja, prestação de serviço de costura industrial por encomenda. Como o local onde desenvolvia a atividade era locado e já prestava serviço para a empresa Starkfest, surgiu a oportunidade de não pagar mais locação e ampliar a sua atividade econômica. Assim, foi feito um contrato de comodato com um barracão de 240 m2 da empresa Starkfest, que é separado do barracão da sede da empresa Starkfest, tem acesso pra rua, alvará de localização, tudo regularizado, veja que se fosse pagar o aluguel e as demais despesas, se deveria embutir no custo e transferilo no valor da prestação de serviço. Por um lado a empresa recebe o valor da locação e por outro, paga o aluguel e as despesas embutido na prestação do serviço. No tocante ao imobilizado, a autoridade fiscal não empreendeu todas as diligências que lhe cabia. Bastava verificar in loco os equipamentos que existiam no barracão sede que existiam mais equipamentos do que os encontrados na contabilidade. Estes equipamentos, também foram cedidos na forma de comodato, conforme se extrai da cópia dos contratos em anexo. 0 que ocorreu de fato, é que logo após a transferência da firma mercantil para o endereço atual, o titular e empresário Clemente Galon, começou a ter problemas de saúde e não pode continuar a frente do seu negócio, outorgando procuração. O titular começou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 183 10 a ter problemas relacionados com o sistema cardíaco, efetuou tratamento por um longo período, culminando com intervenção cirúrgica na data de 22 de abril de 2009, conforme pode ser demonstrado com cópia do atestado em anexo. Certo é, que em face desta ausência, os negócios não andaram como deveria, mas sempre honrou com os compromissos, basta se verificar que não há nenhum titulo protestado, débito tributário pendente ou ação de cobrança ou execução em andamento. Desta forma, necessário se fazia a nomeação de um procurador para a administração do negócio, perfeitamente adequado ao ordenamento jurídico vigente. Ocorre, que por uma interpretação pura e simples do ponto de vista formal da ordem tributária, destoada em relação às demais circunstâncias, se interpreta que o fato do Senhor Clemente Galon ser irmão do sóciogerente da empresa Starkfest e a Senhora Franciele Bugnotto ser filha do sóciogerente da Starkfest, tudo é uma única coisa. Ocorre, que se considera locação de mãodeobra, quando uma empresa locadora coloca seus empregados à disposição da locatária para executar trabalhos temporários, em local por esta determinado. No caso concreto, não há por parte da empresa Starkfest uma determinação do local onde os funcionários devam prestar o serviço, assim não está caracterizado a locação de mão deobra . O imóvel onde o contribuinte está localizado é de propriedade da empresa Starkfest, que o cedeu ao Contribuinte sob o regime de comodato, mas esta não possui nenhuma gerência no imóvel e sobre os seus funcionários. Não se caracterizando locação de mãodeobra, não merecendo prosperar o Auto de infração. No tocante a cessão de mãodeobra, as normas específicas a respeito dessa matéria foram disciplinadas pela Ordem de Serviço INSS/DAF N° 209, de 20/05/1999. O Regulamento da Previdência Social define cessão de mãodeobra como sendo a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019/74. Enquadramse como serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: limpeza, conservação e zeladoria; vigilância e segurança; construção civil; serviços rurais; digitação e preparação de dados para processamento; acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; cobrança; Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 184 11 coleta e reciclagem de lixo e resíduos; copa e hotelaria; corte e ligação de serviços públicos; distribuição; treinamento e ensino; entrega de contas e documentos; ligação e leitura de medidores; manutenção de instalações, de máquinas e equipamentos; montagem; operação de máquinas, equipamentos e veículos; operação de pedágios e terminais de transporte; operação de transporte de cargas e passageiros; portaria, recepção e ascensorista; recepção, triagem e movimentação de materiais; promoção de vendas e eventos; secretaria e expediente; saúde; e telefonia, inclusive telemarketing. Em nenhum destes trabalhos, está incluído a costura industrial por encomenda, e também não ficou caracterizado, que a empresa Starkfest comandava os funcionários do contribuinte. O STJ vem entendendo, que não se configura a cessão de mão deobra se ausentes os requisitos de colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao poder de comando deste (art. 31, § 3°, da Lei 8.212/91). Precedente: EDcl no AgRg no REsp 584.890, Relator Ministro Luiz Fux, Ia Turma, D.J. de 28". 02.2005. O § 4º do art. 31 da Lei 8.212/91, dispõe que se enquadram na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974. No regulamento Decreto 3.048/99, através da redação do parágrafo 2 ° do art. 219, em nada inovou em termos de inclusão de outras atividades, senão vejamos: "Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 185 12 VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing". Desta forma, consideramse cessão de mãodeobra, somente estas atividades para efeito tributário. O STJ vem firmando entendimento, que apesar do rol de atividades elencadas no art. 31, § 4 °, da Lei n° 8.212/91 (alterada pela Lei n° 9.711/98) não ser taxativo, a inclusão de novos serviços como cessão de mãodeobra somente pode darse por lei ou ato normativo interno do poder público (REsp 587577/RS, Francisco Falcão, DJ de 17.12.2004) . Desta forma, tanto pela concepção de locação de mãodeobra, como pela cessão de mãodeobra, não pode prosperar os respectivos Atos declaratórios, pois em ambas as situações, não se configura a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional. (...) Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 186 13 Não há em toda a fundamentação que sustenta a locação de mão deobra, desde quando o contribuinte teria infringido a legislação do Simples. A única referência que encontramos, referese ao inciso II, do § Io do art. 24 da IN SRF n. 608/06 e com base nisso, afirma que a exclusão deve reportarse a 01/01/2002. Como afirma a autoridade fiscal, o contribuinte estava enquadrado no Simples Federal desde 17/03/1997. Portanto, o contribuinte no período de 17/03/1997 a 31/12/2001 estava enquadrado no Simples Federal. O Inciso I, do Art. 14 da lei. 9317/96, dispõe que a exclusão dar seá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das hipóteses de exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2 ° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; A letra "a" do inciso II do Art. 13, dispõe que a exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá obrigatoriamente, quando incorrer em qualquer das situações excludente constantes do art. 9°. Como se extrai da representação Safiz 002/2009, o motivo do desenquadramento é exercer atividade de locação de mãodeobra, que é impeditiva no enquadramento no Simples. No objeto social da declaração de empresário, não consta à prestação de serviço mediante locação de mãodeobra como atividade a ser implementada pelo contribuinte, assim deveria a autoridade fiscal detalhar desde quando o contribuinte exerce essa atividade. O inciso II do artigo 15 da Lei 9.317/96, dispõe que o efeito do desenquadramento seria a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º. Caso venha se configurar a locação de mãodeobra, como não está descrito quanto o contribuinte incorreu na situação excludente, o efeito deve ser considerado a partir do ato declaratório, não podendo retroagir, pois não há nenhuma referência no tocante desde quando o contribuinte começou desenvolver atividade vedada pelo Simples Federal e Nacional. 3. No relatório, item 19, foi mencionado que configurouse evidente intuito de fraude, afastandose a aplicação do disposto no § 4° do art. 15 do CTN, e levandose a contagem do prazo decadencial para efetivação do lançamento e ofício para o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, para fins de afastamento do art. 150, § 4º do CTN na contagem do prazo decadencial. E a RFFP, por sua vez, é comunicação de ocorrência em tese de crime contra a ordem tributária para encaminhamento ao Ministério Público, que muitas vezes irá argüir o dolo elementar na conduta. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 187 14 Dessa forma, se a autoridade lançadora utilizou o art. 173, I, do CTN, para fins de decadência, sob a justificativa de evidente intuito de fraude, haveria de estar demonstrada nos autos as circunstâncias que conduziram a essa conclusão. (...) No presente caso, como o lançamento foi realizado em 17/06/2009 e abrange o período de 01/2004 a 10/2008, temse que as competências anteriores a julho de 2004 são decadentes por qualquer um dos dispositivos do CTN que tratam da matéria. Assim, conforme o entendimento manifestado no parecer PGFN/CAT N° 1617/2008 acima, por ter havido antecipação de pagamento conforme documentos em anexo, a elas se aplicam a regra contida no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, como o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/06/2009, as contribuições devidas e não recolhidas, referentes às competências anteriores a junho/204, encontramse decadentes, sendo dever de ofício da autoridade administrativa reconhecer esse fato e excluir essas competências deste lançamento.” Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, pela 2ª Turma da DRJ/BEL, com o seguinte ementário: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 EMENTA Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra. Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Após intimada (efls. 128), empresa autuada apresenta, tempestivamente, seu respectivo Recurso Voluntário, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 188 15 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Como relatado, através do Ato Declaratório nº 013, de 23 de março de 2009, e do Ato Declaratório nº 020, de 8 de abril de 2009 (que retificou o Ato Declaratório nº 014, de 23 de março de 2009), a recorrente foi excluída do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, por configurarse a situação impeditiva prevista nos artigos 9º , inciso XII, “f”, e art. 16 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, observadas as alterações posteriores, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra) e de acordo com o disciplinamento constante do art. 17, XII, da Lei Complementar 123/2006, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra). Segundo a acusação fiscal, a locação de mãodeobra ficou caracterizada devido ao contrato de prestação de serviços com a empresa STARKFEST (optante pelo lucro presumido) e aos fatos que qualificam a subordinação dos empregados da recorrente (optante pelo SIMPLES) aos ditames da STARKFEST. De acordo com a fiscalização, através dos documentos coletados (notas fiscais e faturas fls. 22 a 36), ficou constatado que houve prestação reiterada de serviços exclusivamente para a empresa STARKFEST, sendo que as notas fiscais em questão se referem a prestação de serviços, conforme estabelecido em contrato. Da análise deste Contrato de Prestação de Serviços (fls. 15 a 16), assinado em 07/07/1999, todo o material utilizado para confecção das peças, tais como: modelagem, tecido, etc., seria fornecido pela contratante STARKFEST, bem como as despesas de água, energia elétrica e telefone também seriam suportadas pela STARKFEST. Constatouse ainda que não havia lançamentos contábeis na empresa CLEMENTE GALON, referentes às despesas básicas e indispensáveis, como por exemplo: material de limpeza, material de higiene, tesouras, agulhas, linhas, papéis, canetas, arquivos, etc., como também o mesmo escritório contábil prestava serviços para as duas empresas: CLEMENTE GALON e STARKFEST, sendo que a empresa GALON não registrava despesas com pagamentos de honorários contábeis. Observase ainda, da leitura de um Contrato de Comodato (fls. 13 a 14), também assinado entre as partes, em especial na cláusula 4ª, estabeleceuse que a recorrente seria obrigada a conservar, como se fosse seu o imóvel cedido a título de empréstimo gratuito, porém em todo período fiscalizado (01/01/2004 a 31/12/2007), não foi encontrado nenhuma despesas referente à manutenção do imóvel. Assim, de uma forma geral, as despesas registradas na contabilidade da recorrente eram basicamente os salários, encargos, impostos e despesas bancárias, não havendo registros contábeis das demais despesas operacionais. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 189 16 No que diz respeito às receitas auferidas pela CLEMENTE GALON, verificouse que eram resultantes exclusivamente da prestação de serviços à empresa STARKFEST. Entre os empregados que compõem ou compuseram a folha da empresa CLEMENTE GALON, verificouse que alguns (vários) deles também fizeram parte dos quadros da empresa STARKFEST. Conforme quadro elaborado pela fiscalização, os empregados deixavam os quadros da empresa STARKFEST e eram imediatamente admitidos, na mesma função, na empresa CLEMENTE GALON. Ao se cotejar as relações de cargos e funções das empresas, a fiscalização constatou ainda que os empregados da empresa CLEMENTE GALON e STARKFEST exercem diversas funções ligadas à atividadefim da "empresa contratante" (STARKFEST), e que esta empresa (STARKFEST) não possuía, no período, empregados na área administrativa, sendo que os empregados que exerciam esta tarefa eram registrados na empresa CLEMENTE GALON, que possuía, no mês de competência 12/2007, 93 (noventa e três) empregados, enquanto a empresa STARKFEST nesse mesmo mês possuía apenas 05 (cinco) empregados. Em sede de recurso, afirma a recorrente existir erros na descrição do relatório do Parecer SAFIS nº 002/2009, e entende cruciais para o deslinde da causa. Inicialmente consigna que apenas mudouse para a Rua Aracaju, n. 113, na cidade de Pinhalzinho, Santa Catarina, na data de 05.05.2005, não merecendo prosperar, portanto, o desenquadramento retroativo a data de 05.05.2005 Alega que afirmações consignadas no referido Parecer são incorretas, sobretudo quanto aos endereços das empresas aqui referidas. No entender da fiscalização, declinado no referido Parecer, elas estariam situadas em um mesmo endereço, diferenciando apenas o número (vide CNPJ folhas 11 e 12, porém, conforme se verifica na Certidão juntada as folhas 17 a 20 e na fotografia da folha 37, tratase do mesmo terreno (lote Urbano n. 01 da Quadra n. A6), com dois prédios separados. Por outro lado, a defesa faz juntada de Certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Pinhalzinho, dizendo que o imóvel matrícula 7.148, situado no lote Urbano n.01 da Quadra n. A6, seria de propriedade de Galon S/A Participação e Investimento, CNPJ: 09.409.214/000190 e de Fábio Zordan Fraracio, CPF: 099.654.05808, e que antes de ser cientificada de sua exclusão, foi protocolada junto a JUCESC a sexta alteração contratual da STARKFEST, onde em sua cláusula 01, dispõe que os sócios por decisão unânime decidiram que a sociedade passou a partir daquela data (18.03.2009) a estabelecerse na Rua Aracaju, n. 203, Bairro Centro, na Cidade de Pinhalzinho, /estado de Santa Catarina. Aduz ainda que procurou saber quem seria o proprietário do imóvel onde passou a STARKFEST estabelecerse, sendo informada pelo Município de que o proprietário desse imóvel seria a empresa CB LUX, o que comprova, em sua ótica, a impossibilidade de se encontrar todos os empregados trabalhando em um mesmo local. Dessa forma, ainda de acordo com suas razões de recurso, não haveria como se admitir que os fatos e documentos juntados pela Autoridade Fiscal mereçam fé, pois, sequer Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 190 17 n. predial 113 estaria localizado no referido lote Urbano n. 01 da Quadra A6, não havendo prova nos autos de que o endereço da recorrente realmente se localizava neste lote. Em que pese suas ponderações, entendo que não lhe assiste razão. A discussão acerca de endereço onde se encontram estabelecidos as empresas locatária e locadora de mãodeobra, não é o centro da controvérsia destes autos. Controverte se nos autos a existência ou não da prática de atividade vedada, qual seja, a locação de mãode obra. Neste tipo de atividade, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade, sendo, assim, responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), para execução dos serviços em sua sede, ou em outro local, porém, a seu mando, independente se o estabelecimento do prestador se encontra situado nas proximidades físicas do estabelecimento do tomador. Importa ao caso que a empresa tomada detenha o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. No caso dos autos, a locação de mãodeobra restou caracterizada devido à notas fiscais emitidas e ao contrato de prestação de serviços com a empresa STARKFEST, e aos fatos que qualificam a subordinação dos empregados da contratada aos ditames da contratante. Esta mantinha o controle do imóvel e do acesso dos funcionários, era proprietária da maior parte das máquinas utilizadas no trabalho, enfim, detinha a locatária o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Portanto, sendo o caso de locação de mãodeobra, entendo correta a expedição do Ato Declaratório Executivo em referência, pois não há que se falar em adesão ao Simples nesta hipótese (artigos 9º, inciso XII, “f”, e art. 16 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e art. 17, XII, da Lei Complementar 123/2006). Quantos aos efeitos da exclusão do Simples, também não há reparos a fazer do que restou decidido pelo Colegiado da DRJ, que manteve os efeitos consignados nos Atos Declaratórios atacados pelo sujeito passivo. Assim, mesmo observando que no objeto social da declaração de empresário não constava a prestação de serviço de locação de mãodeobra, esta de fato era a atividade do contribuinte desde 1999, conforme contrato celebrado e datado de 02/07/1999 (fls. 15 e 16) e demais razões consignadas acima. Conclusão Portanto, correta a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 020 (que retificou o Ato Declaratório nº 014, de 23 de março de 2009) e Ato Declaratório Executivo nº 13, e os efeitos decorrentes, pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC, excluindo a empresa recorrente do Simples Federal e Nacional. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 191 18 Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904223/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.303
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10746.904223/2012-20
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860141
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.303
nome_arquivo_s : Decisao_10746904223201220.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10746904223201220_5860141.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7268810
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309148803072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904223/201220 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.303 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 23 /2 01 2- 20 Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.872, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.597. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1244DF CARF MF
score : 1.0
