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Numero do processo: 19708.000080/2008-20
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2008
Multa Isolada. Dimob. Regime de Tributação. Lucro Presumido.
O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados a DIMOB sujeita-se, por apresentação extemporânea, multa isolada de R$500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido.
Numero da decisão: 1801-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa isolada para R$ 1.500,00. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que votou pela redução da multa para R$ 4.500,00. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2008 Multa Isolada. Dimob. Regime de Tributação. Lucro Presumido. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados a DIMOB sujeita-se, por apresentação extemporânea, multa isolada de R$500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido.
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DIMOB. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados a DIMOB sujeitase, por apresentação extemporânea, multa isolada de R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa isolada para R$ 1.500,00. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que votou pela redução da multa para R$ 4.500,00. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 8. 00 00 80 /2 00 8- 20 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 101 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 38, com a exigência do crédito tributário no valor de R$15.000,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 07.05.2008 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2007, cujo prazo final era 29.02.2008. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0216, com as alegações a seguir transcritas: 1 SÍNTESE DOS FATOS A impugnante é empresa atuante no ramo da construção civil, além de prestar serviços de consultoria na área de projetos de engenharia. Na atividade de construção civil, o foco da empresa recai sobre a construção de unidades imobiliárias de padrão popular com o objetivo de venda. Em virtude desta atividade, dentre outras obrigações tributárias de cunho acessório cabelhe o dever de entregar, anoaano, a Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias — DIMOB, onde se informam todas as operações imobiliárias realizadas por pessoas físicas ou jurídicas. Ela foi instituída visando informar á Receita Federal as operações imobiliárias realizadas por sujeitos de direito decorrentes da compra, venda e locação de imóveis. Como empresa de construção de imóveis que os comercializa por conta própria, portanto, a impugnante tem o dever de entregar a DIMOB, detalhando as operações imobiliárias realizadas, indicando, entre outras informações, os O compradores do imóvel, o valor da comercialização, o local e a data do negócio, etc. Com base nisto, no decorrer do ano de 2008 a empresa deveria ter entregado a DIMOB até 31 de março — último dia útil do mês de fevereiro —, relativo às operações realizadas ao longo do ano de 2007. Entretanto, atrasou a entrega até 07 de maio de 2008, quando, então, entregou a respectiva declaração (doc. 0608). Em razão deste atraso, imediatamente foi lavrada a Notificação de Lançamento n. 68163771205342, em epígrafe, que lhe aplicou multa de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), resultante da quantia de R$5.000,00 (cinco mil reais) multiplicada pela quantidade de meses de atraso na entrega da declaração (03 meses), nos termos do Art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 (doc. 09). Na DIMOB entregue pela impugnante constam todas as operações de venda de unidades imobiliárias por ela realizadas no ano de 2007. Basicamente, foram vendidas apenas 02 (duas) unidades imobiliárias, à quantia de R$31.000,00 (trinta e um mil reais) cada uma, conforme se vê do documento (docs. 0608). Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 102 3 Deste modo, uma vez que a impugnante não concorda com a penalidade pecuniária aplicada, insurgese contra a exigência dos valores, conforme os argumentos jurídicos a seguir expostos. Com base neles, esperase a anulação da exigência fiscal, pois totalmente descabida. 2 FUNDAMENTOS JURÍDICOS A tese jurídica ora desenvolvida fundase em dois argumentos: (i) na desproporcionalidade da sanção pecuniária aplicada, por ofensa ao primado da proporcionalidade, conforme Art. 1° e Art. 5°, LIV, da Constituição de 1988 e no Art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n. 9.784/99; e (ii) na ilegalidade da obrigação de entrega da DIMOB, por afronta ao Art. 16 da Lei n. 9.779/99. De antemão, devese expressar que não se cogita, neste caso, da inconstitucionalidade deste ou daquele dispositivo normativo. Em verdade, o que se pretende no caso é a anulação da exigência fiscal plasmada na notificação de lançamento em epígrafe, ou seja, quer o reconhecimento da inaplicabilidade da sanção pecuniária contida no Art. 57, I, da Lei nº 9.779/99 sobre a impugnante, por absoluta falta de prejuízo ao Fisco Federal em virtude do brevíssimo atraso na entrega da DIMOB. 2.1 DA OFENSA AOS POSTULADOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. SANÇÃO PECUNIÁRIA EXCESSIVA E DESMEDIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, I, DA LEI N. 9.779/99 AO CASO CONCRETO. A administração pública existe para a consecução de certos fins, metas que por ela devem ser atingidas. Estes objetivos são aqueles definidos pela Constituição e pelo ordenamento jurídico em geral. Além de realizar os fins que a ordem jurídica lhe comete, cabe a administração pública, ainda, proteger os direitos dos administrados, conforme expressa previsão do Art. 1° da Lei n. 9.874/99. Referida lei, como é cediço, estabelece as normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da administração federal direta e indireta. Para tanto, ela fixa o dever de observância, por parte da administração, dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme Art. 2°, caput, da mesma Lei n. 9.874/99. Vêse, com isto, que a atuação da administração pública, no exercício do seu mister, não deve obediência apenas à lei e suas previsões. Ao contrário, deve a administração pública pautarse pela promoção dos diversos princípios que informam a sua atuação, isto 6, no exercício de aplicação da lei de oficio — sentido comumente atribuído a "administrar" — devese sopesar as características e nuances do caso concreto e, assim, aplicar ou não o comando legal que melhor realize o interesse público. O interesse público não consiste apenas no cumprimento puro e simples dos fins da Administração, senão também na proteção dos direitos dos administrados, pelo que se vincula sua atuação aos diversos princípios constitucionais e legais precitados, de modo que, como bem pontuou o Terceiro Conselho de Contribuintes, em voto proferido no Recurso Voluntário n. 131.326, de relatoria do Conselheiro Nilton Luiz Bartoli: Assim, por vezes, nos esquecemos que nossa atividade não está exclusivamente vinculada ao princípio da legalidade, mas também a outros Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 103 4 princípios reguladores da atuação administrativa, dentre os quais, as regras da razoabilidade e da proporcionalidade. 1 No âmbito da administração tributária federal, a arrecadação e a fiscalização dos tributos deve levar em conta, indiscutivelmente, os referidos princípios informadores da atuação administrativa. Por esta razão, no caso ora em discussão a exigência da multa pecuniária de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) é indevida, pois irrazoável, desproporcional e excessiva em vista das circunstâncias do caso concreto, ofendendo, assim, o Art. 1° e Art. 50, LIV, da CF/88 e o Art. 20, caput e parágrafo único, inciso VI, da Lei n. 9.784/99. Em outros termos, é inaplicável ao caso em tela o comando contido no Art. 57, I, da Lei n. 9.779/99, tal como pretendido pela autoridade fiscal autuante, pois considerando as circunstâncias deste caso concreto, a penalidade pecuniária aplicada revelase irrazoável, desproporcional e excessiva. Explicase. Muito embora sejam vistos como princípios constitucionais direcionados ao legislador, em verdade, a razoabilidade e a proporcionalidade consistem em postulados normativos aplicativos vertidos ao aplicador do direito —Executivo e Judiciário — como leciona com percuciência Humberto Avila, pois eles, junto com outras regras e princípios informadores da Administração Pública, conformam o agir administrativo, inclusive em matéria tributária, que não é diferente. Esta afirmação é comprovada, por primeiro, pela previsão do Art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n. 9.784/99, cujo enunciado expressamente prevê que "nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". Secundariamente, é da conceituação de razoabilidade — entendido como diretriz que estrutura a aplicação de outras normas, princípios e regras, notadamente as regras — e de proporcionalidade — entendido como critério de adequação da relação entre meios e fins — que se comprova serem dirigidos ao aplicador da lei, em especial a autoridade fiscal. Portanto, estes postulados impõem (i) o dever de harmonização entre a norma geral (a lei) com o caso individual (a situação concreta), na perspectiva da razoabilidade como eqüidade, e (ii) de proporção entre o fim almejado pela administração e os meios por ela empregados, na ótica da proporcionalidade. Melhor dizendo, o alcance dos fins da administração devese realizar por intermédio de meios proporcionais e razoáveis, sendo 'proibida a aplicação de sanções desmedidas, excessivas, que não sejam estritamente imprescindíveis A realização dos fins públicos. Destarte, para ser tido por razoável como eqüidade, deve o aplicador do direito harmonizar a lei (norma geral) ao caso concreto. Vale dizer, impõese autoridade que descortine as individualidades e circunstâncias do caso concreto a fim de mostrar sob qual perspectiva a norma geral (a lei) deve ser aplicada ao caso ou em quais hipóteses o caso deixa de se enquadrar na norma geral, não sofrendo as conseqüências nela previstas. 3 Por outro lado, o ato de aplicação da lei será tido por proporcional se observar três requisitos, como ensina Humberto Avila: (i) adequação; (ii) necessidade; e (iii) proporcionalidade em sentido estrito. A adequação será observada quando o meio empregado efetivamente contribuir para a promoção do fim objetivado pela norma, pois se sua utilização só é justificada pelo fim, não sendo ele promovido, o uso do meio acaba não mais possuindo justificativa. A necessidade da medida será atendida quando o meio empregado para a realização do fim for o menos restritivo dos direitos individuais, pois o Estado não apenas tem Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 104 5 a obrigação de atingir seus fins próprios, mas, também, tem a obrigação de proteger ao máximo os direitos dos particulares. Por fim, o meio utilizado será proporcional em sentido estrito se resultar em vantagens superiores ás desvantagens, pois o Estado, tendo obrigação de realizar todos os princípios constitucionais, não pode adotar um meio que termine por restringilos mais do que promovêlos em seu conjunto. No caso específico da administração tributária, por evidente, o objetivo primordial é a arrecadação de tributos (obrigação tributária principal) com vistas ao abastecimento dos cofres públicos: Os meio empregados para que isto se efetive: as obrigações tributárias acessórias, instituídas com vistas ao interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme Art. 113, §2°, do CTN. Assim, expondose os contornos do caso em tela, verificarseá que o agir estatal na aplicação da multa pecuniária levada a efeito via notificação de lançamento não tomou por base as circunstancias do caso concreto, resultando em inadequação entre os fins pretendidos e os meios empregados, e excessiva, irrazoável e desnecessária imposição de sanção. A entrega anual da DIMOB — obrigação acessória — foi instituída com o escopo de assegurar que a Receita Federal tenha conhecimento das operações imobiliárias — compra, venda e locação — realizadas por pessoas físicas e jurídicas (função fiscalizatória), a fim de arrecadar os tributos porventura devidos em razão destes negócios efetuados (função arrecadatória). Percebese, assim, que a instituição da DIMOB (meio), como dever instrumental, objetiva garantir a função de fiscalização e arrecadação dos tributos federais decorrentes das operações imobiliárias — compra, venda e locação (fim). Então, devese perguntar: sendo a DIMOB um dever instrumental cujo fim especifico é assegurar que a Receita Federal tome ciência das operações imobiliárias realizadas por pessoas físicas e jurídicas, de modo que possa exigir os tributos devidos em virtude desta operação, é proporcional e razoável a aplicação da multa pecuniária à quantia de R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês de atraso se os tributos devidos tiverem sido recolhidos corretamente, sem prejuízo ao fisco? A resposta à pergunta formulada é NEGATIVA, pois indubitável que o atraso de 03 (três) meses na entrega da aludida declaração não importou, definitivamente, em qualquer prejuízo ao fisco federal; nem mesmo teve o condão de criarlhe qualquer dificuldade ou embaraço no exercício da função fiscalizatória, pois ainda que entregue a destempo, ela — a DIMOB — efetivamente foi entregue, e os valores recebidos a titulo de receitas da atividade foram informados via DCTF e efetivamente pagos conforme documentos anexos (docs. 1024). Em outras palavras, não obstante a conduta da impugnante, os tributos devidos por conta das vendas imobiliárias realizadas foram efetivamente pagos (docs. 1024), não sobejando qualquer prejuízo ao erário. Assim, o interesse público foi atendido expressamente, sendo, por conseguinte, desproporcional, irrazoável e excessiva a exigência do pagamento da multa pecuniária, cuja importância ultrapassa em muito o valor dos tributos devidos pelas operações realizadas, importando em excessiva restrição ao direito de propriedade e liberdade de iniciativa da impugnante sem finalidade aparente. Ou seja, a penalidade é irrazoável e desproporcional, pois ainda que a impugnante tenha atrasado a entrega da DIMOB, esta falta não comprometeu os fins que justificam a obrigatoriedade de sua entrega, isto 6, o controle fiscalizatório sobre as operações imobiliárias realizadas e, principalmente, a arrecadação dos tributos devidos. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 105 6 Em outros termos, há uma evidente inadequação entre o fim a ser atingido — que, digase, já o fora — e o meio empregado — a entrega da DIMOB —donde resulta em imposição de sanção em medida superior à estritamente necessária ao atendimento do interesse público, em afronta direta aos postulados da proporcionalidade e da razoabilidade previstos no Art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n. 9.874/99. [...] Deveras, é absolutamente irrazoável e desproporcional a imposição de sanção pecuniária de cunho moratório —multa pelo atraso na entrega da DIMOB — de R$15.000,00 (quinze mil reais), se o tributo devido por conta das operações imobiliárias efetuadas atingiu a importância de R$4.935,59 (quatro mil novecentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e nove centavos) e foi pago, conforme documentos anexos. Vejase que neste caso em especial, a penalidade moratória equivale á 3x (três vezes) o valor do tributo devido (e que, reiterese, foi recolhido). Podese dizer, assim, que a multa de mora é igual a 300% (trezentos por cento) do valor do tributo devido em virtude das operações, o que, per si, revela a irrazoabilidade e a excessividade da sanção pecuniária aplicada, sem que a conduta da impugnante tenha causado qualquer dano ou prejuízo ao erário, ou mesmo tenha demandado qualquer ato fiscalizatório — a notificação de lançamento é emitida automaticamente pelo próprio programa (software) de entrega da DIMOB. Por fim, tendo isto em vista, fica evidente a inaplicabilidade da sanção pecuniária prevista no Art. 57, I, da Lei nº 9.779/99 ao caso concreto da impugnante, tendo em vista a absoluta falta de razoabilidade e proporcionalidade na penalidade imposta, o que contraria os princípios regentes da atividade administrativa, consoante Art. 2°, caput, e parágrafo único, VI, da Lei nº 9.784/99. Assim, por conseguinte, deve a notificação de lançamento em epígrafe ser anulada para afastar a exigência fiscal nela consubstanciada. 2.2 DA ILEGALIDADE DA OBRIGAÇÃO DE ENTREGA DA DIMOB, POR AFRONTA AO ART. 16 DA LEI N. 9.779/99. Labora em favor da impugnante, ainda, no sentido de anular a cobrança da multa exigida na notificação de lançamento em epígrafe, a vitanda ilegalidade da Instrução Normativa n. 304/2003 e da Instrução Normativa n. 694/2006, as quais fundamentam a exigência da DIMOB. A IN n. 304/2003 instituiu a DIMOB — Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias, dever instrumental que impõe a obrigação de as construtoras, incorporadoras e também as imobiliárias de informar os imóveis vendidos e também aqueles locados, identificando adquirentes e contratantes, datas, locais e valores. Sendo que atualmente é a IN n. 694/2006 quem dispõe a respeito deste assunto. Analisandose o preâmbulo das respectivas instruções normativas, verificase que o Secretário da Receita Federal, ao editálas, estaria, supostamente, valendose da disposição contida no Art. 16 da Lei n. 9.779/99, que lhe autorizaria a criar novas obrigações acessórias. Nada mais equivocado e ilegal. Com efeito, prescreve o citado Art. 16 da Lei n. 9.779/99 que: "Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 106 7 impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". Ora, a toda evidência que o citado comando legal não autoriza Receita Federal, ou qualquer outro órgão integrante da estrutura da administração tributária federal, competência para instituir novas obrigações, mesmo de cunho acessório, uma vez que as obrigações tributárias, quaisquer que sejam elas, obrigatoriamente devem ser veiculadas pela via da lei stricto sensu, conforme prevê o CTN — Art. 113, § 2° — e em subordinação à própria determinação constitucional. Em verdade, o que o dispositivo precitado faz, e isso não se nega, é atribuir à Secretaria da Receita Federal o poder para dispor a respeito das obrigações acessórias relativas aos tributos sob sua administração e não propriamente criálas, institui Ias. Em outros termos, uma vez que instituídas as obrigações acessórias pela via legislativa, caberia à Receita Federal normatizar sua regulamentála, vale dizer, regular a forma, o prazo e as condições para o seu cumprimento, conforme nitidamente prevê o citado dispositivo legal. Assim, não lhe foi atribuída função de instituir nova obrigação acessória, senão apenas regulamentar as formalidades necessárias à fiel execução e cumprimento daquelas que porventura tenham sido criadas por lei; ou seja, não lhe foi dado, portanto, inovar a ordem jurídica. Até porque, consoante expressa previsão do Art. 5°, II, da Constituição de 1988, "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei'. [...] Posto isto, evidenciase a ilegalidade da exigência da DIMOB, razão pela qual também não há que se falar em multa pelo atraso na sua entrega, uma vez que inválida a obrigatoriedade de entrega. Desta forma, também por este motivo a notificação de lançamento merece ser anulada, afastandose a exigência da penalidade pecuniária. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ante o exposto, e por tudo mais que será suprido pelo elevado saber jurídico dos ilustres julgadores, vem o impugnante REQUERER que a presente impugnação seja admitida, vez que tempestiva, e, ao final, acolhendo as alegações feitas e reconhecendo a legitimidade dos documentos acostados, venha a ser julgada PROCEDENTE para o fim de anular a notificação de lançamento n. 68163771205342, em epígrafe, afastandose, assim, a exigência fiscal consubstanciada na multa pecuniária de R$15.000,00 (quinze mil reais). Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, notadamente pela juntada de novos documentos, acaso necessário. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0419.996, de 26.03.2010, fls. 6668: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 107 8 Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB. MULTA POR ATRASO NA.ENTREGA. ESPONTANEIDADE. Comprovada que a declaração foi entregue fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, é de se manter a multa aplicada. Notificada em 12.04.2010, fl. 73, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.05.2010, fls. 7593, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta I. SÍNTESE DOS FATOS 1.1. Em sessão realizada em 26 de março de 2010, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande, MS — DRJ/CGE, por meio da 2a Turma de Julgamento julgou procedente a autuação lavrada contra o ora recorrente, mantendose o crédito tributário exigidos, após a análise das razões aduzidas. Em consequência, indeferiu a impugnação administrativa apresentada. 1.2. Referida autuação foi lavrada em razão da recorrente ter entregado a Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias — DIMOB relativa ás operações realizadas em 2007 com atraso. Deveria a recorrente ter encaminhado o documento até o fim de março de 2008, porém só o fez em 07 de maio de 2008. Por conta deste atraso, imediatamente foi lavrada a Notificação de Lançamento n. 68163771205342 que aplicou multa de R$15.000,00 (quinze mil reais), resultante da quantia de R$5.000,00 (cinco mil reais) multiplicada pela quantidade de meses de atraso na entrega da declaração (03 meses), nos termos do Art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001. 1.3. A recorrente, então, impugnou a autuação alegando em seu favor que a entrega com breve atraso da DIMOB não causou qualquer prejuízo à Fazenda Pública, porquanto os tributos devidos decorrentes das operações imobiliárias foram total e integralmente pagos. Além disso, argumentou que o valor da multa pelo mero descumprimento de dever formal excede, e muito, o valor do tributo devido sobre as operações realizadas, revelando o descompasso, a desproporcionalidade na aplicação da penalidade pecuniária, o que viola o Art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n. 9.784/99, além e a jurisprudência iterativa sobre a situação. 1.4. Ainda, a recorrente alegou a ilegalidade da obrigação de entrega da DIMOB, por afronta ao Art. 16 da Lei n. 9.779/99. 1.5. A justificar a decisão que' julgou improcedente a impugnação administrativa, a autoridade de julgamento consignou, [...]. 1.6. Assim, por entender que a decisão ora recorrida não foi acertada, e que os argumentos que a sustentou são insuficientes a contrapor a fundamentação aduzida na impugnação, é que se interpõe este recurso, no intuito de reformar a decisão administrativa ora objurgada. 2. AS RAZÕES PARA A REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 108 9 2.1. Ab initio, devese afastar a fundamentação contida na decisão recorrida de que, por conta da Súmula n. 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim como em vista de pareceres da Receita Federal e da PGFN, não haveria a possibilidade de apreciarem a desproporcionalidade, irrazoabilidade e excessividade na aplicação da multa pecuniária, objeto da autuação, por ausência de competência para se "pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 2.2. Diante da situação, percebese que a autoridade de julgamento confunde a "declaração de inconstitucionalidade de lei tributária" com a "aplicação, razoável e proporcional de lei tributária". A alusão, feita pelo recorrente, ao postulado da proporcionalidade e da razoabilidade como justificativa para o pedido de afastar a sanção imposta, não se baseia na inconstitucionalidade do Art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001, até porque tal disposição é formal e materialmente válida. Ao contrário, a tese fundase na impossibilidade de aplicação deste dispositivo ao caso concreto da recorrente por ser desproporcional, irrazoável e excessiva a sanção aplicada diante da situação concreta e tendo em conta o interesse público envolvido, o que viola a previsão do Art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n. 9.784/99. 2.3. Para melhor entender a tese, e dar a solução do caso de maneira consentânea com a Constituição de 1988 e as regras gerais de direito, é importante fazer algumas distinções conceituais, mormente em relação à figura da aplicação das normas. [...] 2.4. Inferese destas ideias que o ato de aplicar uma norma pressupõe a (i) análise do caso concreto como (ii) da adequação da norma aplicável. No que concerne,a este último ponto, é possível afirmar que uma norma é inadequada no sentido de ser juridicamente inválida, como no de ser inadequada a disciplinar a situação tratada, isto 6, quanto a reger fatos determinados. 2.5. Assim, é certo que uma norma pode deixar de ser aplicada porque se pressupõe seja inconstitucional, quando viola a Constituição Federal, como também por vicio de ilegalidade, caso em que a norma jurídica ofende disposições legais, infraconstitucionais. Nestes casos, antes de aplicar a norma o aplicador faz uma análise de sua adequação ao sistema jurídico, vale dizer, verifica sua condição de validade formal (se foi editada pelo órgão competente e observou o procedimento juridicamente adequado a sua edição) e material (se possui conteúdo compatível e aceito pelo sistema jurídico posto). O processo aplicativo da norma segue um percurso simples: analisando a adequação da norma jurídica, o aplicador do direito, entendendoa inválida, porque ilegal ou, o que é pior, inconstitucional, deixa de aplicála, determinando, assim, a aplicação de outra norma jurídica, consentânea com o ordenamento. 2.6. Mas uma norma jurídica também pode deixar de ser aplicada uma questão de regência normativa, pois inadequada à espécie, como lembrou o Min. Marco Aurélio, nos debates ocorridos no Supremo Tribunal Federal quando da aprovação da Súmula Vinculante n. 10. Nestes casos, o problema tem me ver com as peculiaridades do fato jurídico concretamente analisado. O processo de aplicação normativa é mais complicado: há mais de uma norma adequada, estas são válidas, não possuindo qualquer vicio que as maculem, mas o que dita o emprego desta ou daquela regra de direito a incidir ao caso são suas peculiaridades e circunstâncias. Por esta razão, deixase de aplicar uma norma em favor de outra, não por motivo de invalidade (inconstitucionalidade ou ilegalidade), mas de regência. 2.7. É exatamente o problema do caso em tela. Não se trata de pedido de reconhecimento de inconstitucionalidade desta ou daquela norma, pois não se Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 109 10 cogitou, em nenhum momento, da invalidade do Art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001, que fixa sanção de R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês de atraso. 2.8. Pediuse, ao revés e com base nos princípios que informam a atividade administrativa, especialmente os postulados da proporcionalidade e o da razoabilidade, que se afastasse a aplicação da penalidade pecuniária ao caso, em atenção ao que determina o Art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n. 9.784/99, porquanto inexistiu qualquer prejuízo ao erário, de modo que a finalidade para a qual a DIMOB foi instituída restou ampla e eficazmente atendida. Assim sendo, o fato de ter havido brevíssimo atraso na entrega da DIMOB não resultou a qualquer prejuízo ao Fisco Federal, nem prejudicou os interesses fiscalizatórios e arrecadatórios federais, de modo que, ao invés incidir o dispositivo sancionatório, atraise, pelas suas características, a aplicação do Art. 2° da Lei n. 9.784/99. 2.9. Ainda, devese recordar, como já exposto na impugnação, que a administração pública existe para a consecução de certos fins, isto 6, para a realização do interesse público, que consiste, basicamente, nos objetivos definidos pela Constituição e pelo ordenamento jurídico em geral. E no âmbito da Administração Pública Federal, a realização do interesse público deve guardar sintonia com a proteção dos direitos dos administrados (Art. 1° da Lei n. 9.784/99) e sua atuação deverá obedecer, além do primado da legalidade, também o da • finalidade, da motivação, da razoabilidade, da proporcionalidade, da moralidade, da ampla defesa, do contraditório, da segurança jurídica, e da eficiência, conforme Art. 2°, caput, da mesma Lei n. 9.874/99. 2.10. Muito embora sejam vistos como princípios constitucionais direcionados ao legislador — como, ademais, anotou a autoridade de julgamento —,em verdade, a razoabilidade e a proporcionalidade consistem em postulados normativos aplicativos direcionados ao aplicador do direito Executivo e Judiciário — como leciona com percuciência Humberto Ávila, pois eles, junto com outras regras e princípios informadores da Administração Pública, conformam o agir administrativo, inclusive em matéria tributária, que não é diferente. 2.11. Estes "princípios" consistem, assim, em normas jurídicas que direcionam a atuação das autoridades administrativas no exercício de suas funções, como se infere da própria redação da Lei n. 9.784/99. Esta afirmação é importante para afastar, desde logo, o argumento consignado na decisão recorrida, de que os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade são destinados ao legislador e não ao aplicador da lei. E mais do que isso, de que as disposições contidas na referida Lei n. 9.784/99 não são aplicáveis ao caso, por regrarem questões meramente procedimentais do processo administrativo em geral. 2.12. Ressaltese que os incisos I a XIII do parágrafo único do Art. 2° da Lei n. 9.784/99 fixam os critérios que deverão orientar a atuação da autoridade administrativa no exercício de suas funções. E dentre outras, a prescrição contida no inciso VI, determina expressamente: "nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e Sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". 2.13. Vêse, com isto, que a atuação da administração pública, no exercício do seu mister, não deve obediência apenas à lei, mas, também, deve a administração pública pautarse pela promoção dos diversos princípios que informam a sua atuação. Logo, no exercício de "aplicação da lei de oficio" devese sopesar as características e nuances do caso concreto e, assim, aplicar ou não o comando legal que melhor realize o interesse público. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 110 11 2.14. Não se trata, aqui, de "deixar de observar norma legal por entendêla em desconformidade com a Constituição", como imaginaram as autoridades de julgamento da DRJCGE. Referese, mesmo, a uma questão de regência, isto 6, a possibilidade e a necessidade de aplicação da lei ao caso especifico, em razão da constatação de que o fato praticado não é exatamente aquele que se pretende disciplinar, como já esclarecido. 2.15. Isto tudo é relevante para o deslinde do caso, pois, como ficou assentado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, em voto proferido no Recurso Voluntário n. 131.326, de relatoria do Conselheiro Nilton Luiz Bartoli: "Assim, por vezes, nos esquecemos que nossa atividade não está exclusivamente vinculada ao principio da legalidade, mas também a outros princípios reguladores da atuação administrativa, dentre os quais, as regras da razoabilidade e da proporcionalidade". 2.16. No âmbito federal, a arrecadação e a fiscalização dos tributos deve levar em conta, indiscutivelmente, os referidos princípios informadores da atuação administrativa. Por esta razão, no caso ora em discussão a exigência da multa pecuniária de R$15.000,00 (quinze mil reais) é indevida, pois irrazoável, desproporcional e excessiva em vista das circunstâncias do caso concreto, ofendendo, assim, o Art. 2°, caput e parágrafo único, VI, da Lei n. 9.784/99; e, indiretamente, o Art. 1° e Art. 5°, LIV, da Constituição de 1988. Em outros termos, é inaplicável ao caso em tela o comando contido no Art. 57, I, da MP n. 2.158 35/2001, tal como pretendido pela autoridade fiscal autuante. 2.17. Razoabilidade é entendida como diretriz que estrutura a aplicação de outras normas, princípios e regras, notadamente as regras; proporcionalidade, por sua vez, significa critério de adequação da relação entre meios e fins. Portanto, estes postulados impõem (i) o dever de harmonização entre a norma geral (a lei) com o caso individual (a situação concreta), na perspectiva da razoabilidade como eqüidade, e (ii) de proporção entre o fim almejado pela administração e os meios por ela empregados, na ótica da proporcionalidade. 2.18. O alcance dos fins da administração devese realizar por intermédio de meios proporcionais e razoáveis, sendo proibida a aplicação de sanções desmedidas, excessivas, gue não sejam estritamente imprescindíveis realização dos fins públicos (Art. 2°, parágrafo único, VI, Lei n. 9.784/99). 2.19. Destarte, para ser tido por razoável como eqüidade, deve o aplicador do direito harmonizar a lei (norma geral) ao caso concreto. Vale dizer, impõese A autoridade que descortine as individualidades e circunstâncias do caso concreto a fim de mostrar sob qual perspectiva a norma geral (a lei) deve ser aplicada ao caso ou em quais hipóteses o caso deixa de se enquadrar na norma geral, não sofrendo as conseqüências nela previstas. 2.20. Por outro lado, o ato de aplicação da lei será tido por proporcional se observar três requisitos, como ensina HUMBERTO AVILA: (i) adequação; (ii) necessidade; e (iii) proporcionalidade em sentido estrito. A adequação será observada quando o meio empregado efetivamente contribuir para a promoção do fim objetivado pela norma, pois se sua utilização só & justificada pelo fim, não sendo ele promovido, o uso do meio acaba não mais possuindo justificativa. A necessidade da medida será atendida quando o meio empregado para a realização do fim for o menos restritivo dos direitos individuais, pois o Estado não apenas tem a obrigação de atingir seus fins próprios, mas, também, tem a obrigação de proteger ao máximo os direitos dos particulares. Por fim, o meio utilizado será proporcional em sentido estrito se resultar em vantagens superiores ás desvantagens, pois o Estado, Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 111 12 tendo obrigação de realizar todos os princípios constitucionais, não pode adotar um meio que termine por restringilos mais do que promovêlos em seu conjunto. 2.21. No caso especifico da administração tributária, por evidente, o objetivo primordial é a arrecadação de tributos (obrigação tributária principal) com vistas ao abastecimento dos cofres públicos. Os meio empregados para que isto se efetive: as obrigações tributárias acessórias, instituidas com vistas ao interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme Art. 113, §2°, do CTN. 2.22. In casu, constatase que o agir estatal na aplicação da multa 110 pecuniária aplicada à recorrente não tomou por base as circunstâncias do caso concreto, resultando em inadequação entre os fins pretendidos e os meios empregados, sendo, portanto, excessiva e desproporcional a imposição da sanção. 2.23. A DIMOB — obrigação acessória — foi instituída com o escopo de assegurar que a Receita Federal tenha conhecimento das operações imobiliárias — compra, venda e locação — realizadas por pessoas físicas e jurídicas (função fiscalizatória), a fim de arrecadar os tributos porventura devidos em razão destes negócios efetuados (função arrecadatória). Percebese, assim, que a instituição da DIMOB (meio), como dever instrumental, objetiva garantir a fiscalização e a arrecadação dos tributos federais decorrentes das operações imobiliárias (fim). 2.24. Então, devese perguntar: sendo a DIMOB um dever instrumental cujo fim especifico é assegurar que a Receita Federal tome ciência das operações imobiliárias realizadas por pessoas físicas e jurídicas, de modo que possa exigir os tributos devidos em virtude desta operação, é proporcional e razoável a aplicação da multa pecuniária a quantia de R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês de atraso se os tributos devidos tiverem sido recolhidos corretamente, sem prejuízo ao Fisco e sem que tenha implicado em redução da base de cálculo do imposto? E ainda: é proporcional e razoável, no caso em tela, a aplicação da multa pecuniária no valor total de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), considerandose que o tributo efetivamente devido pelas operações realizadas totalizou o importe de R$4.935,59 (quatro mil novecentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e nove centavos), inclusive já tendo sido pago ao tempo da entrega da DIMOB? 2.25. A resposta é NEGATIVA a ambas as perguntas. É indubitável que o atraso de 03 (três) meses na entrega da aludida declaração não importou, definitivamente, em qualquer prejuízo ao fisco federal; nem mesmo teve o condão de criarlhe qualquer dificuldade ou embaraço no exercício fiscalizatório, pois ainda que entregue a destempo, ela — a DIMOB — efetivamente foi entregue, e os valores recebidos a titulo de receitas da atividade foram informados via DCTF e efetivamente pagos conforme documentação que acompanha a impugnação. 2.26. Assim, o interesse público foi atendido expressamente, sendo, por conseguinte, desproporcional, sem razão jurídica e excessiva a cobrança da multa pecuniária, cuja importância ultrapassa em muito o valor tributário devido pelas operações realizadas, importando em excessiva restrição ao direito de propriedade e liberdade de iniciativa da impugnante sem finalidade aparente. 2.27. Em resumo: a penalidade é irrazoável e desproporcional, posto, go a impugnante tenha atrasado a entrega da DIMOB, esta falta não comprometeu, nem violou, os fins que justificam a obriqatoriedade de sua entrega, isto é, o controle fiscalizatõrio sobre as operações imobiliárias realizadas e, principalmente, a arrecadação dos tributos devidos. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 112 13 2.28. Em outros termos, há uma evidente desproporção na aplicação da multa pecuniária, pois, a despeito da adequada entre para atingir o fim (facilitar o controle arrecadatório e fiscalizatório dos tributos e desmotivar a nãoentrega da declaração), ela é desnecessária, pois a multa em valor menor do que aquele previsto, ou mesmo uma pena pecuniária vinculada, em percentual, ao valor do crédito tributário devido, é também adequada a promover o fim pretendido, sem ser tão restritiva ao direito de propriedade e liberdade da recorrente. Ademais, a multa 110 pecuniária em questão 6, igualmente, desproporcional em sentido estrito, na medida em que inexiste harmonia, proporção entre a vantagem que a multa encerra e a intensa restrição causada ao direito de propriedade e o livre exercício da atividade econômica da recorrente, ou seja, não há proporção entre o valor da promoção positiva da pontualidade e o desvalor da restrição negativa da propriedade e da liberdade". 8 2.29. Por esta razão, a imposição da multa ocorre em medida superior àquela estritamente necessária ao atendimento do interesse público envolvido, o que confronta que a proporcionalidade que deve orientar a aplicação da lei tributária, conforme previsto no Art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n. 9.874/99. 2.30. Ainda, é evidente que a aplicação da multa pecuniária de R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário de atraso é irrazoável e excessiva, na medida em que ela não guarda relação de congruência com o critério que lhe fundamenta, ou seja, ela não leva em conta a gravidade da falta cometida9, motivo porque viola, igualmente, o postulado da razoabilidade, a teor do Art. 2°, caput, e parágrafo, único, inciso VI, da Lei n. 9.784/99. 2.31. Enfim, como Luciano Amaro recorda: "... a multa não pode ser transformada em um instrumento de arrecadação; pelo contrário, devese graduar a multa em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a arrecadação de tributos". 1° 2.32. A propósito, o Segundo e o Terceiro Conselho de Contribuintes, em casos onde foram suscitados exames de razoabilidade e de proporcionalidade, manifestaramse no sentido de que a autoridade administrativa, tanto a fiscalizadora como a de julgamento, devese pautar não apenas pela legalidade, mas também por estes critérios, tendo em vista que a ordem jurídica comete à Administração Tributária a consecução de alguns fins e, por isto, a aplicação das leis deve tornálos em conta, além do que se tornam desarrazoados e desproporcionais [...]. 2.34. Assim, é absolutamente irrazoável e desproporcional a imposição de sanção pecuniária de R$15.000,00 (quinze mil reais) pelo atraso de 03 (três) meses na entrega da DIMOB, se o tributo devido por conta das operações imobiliárias • efetuadas atingiu a importância de R$4.935,59 (quatro mil novecentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e nove centavos) e foi pago. 2:35. A penalidade, in casu, equivale à 3x (três vezes) o valor do tributo devido (e que, reiterese, foi recolhido), equivalente, portanto, a 300% (trezentos por cento) do valor do tributo devido em virtude das operações, o que, per si, revela a irrazoabilidade e a excessividade da sanção pecuniária aplicada, sem que a conduta da recorrente tenha causado qualquer dano ou prejuízo ao erário. 2.36. Por fim, tendo isto em vista, fica evidente a inaplicabilidade da sanção pecuniária prevista no Art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 ao caso concreto, tendo em vista a absoluta falta de razoabilidade e proporcionalidade na penalidade imposta, o que contraria os princípios regentes da atividade administrativa, consoante Art. 2°, caput, e parágrafo único, VI, da Lei n. 9.784/99. 3. INVALIDADE JURÍDICA DA IN 30412003. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 16 DA LEI N. 9.779199. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 113 14 3.1. Não fossem suficientes os argumentos antes aduzidos, ainda verificase a ilegalidade da Instrução Normativa n. 304/2003 e da Instrução Normativa n. 694/2006, as quais fundamentam a exigência da DIMOB, por violação ao Art. 16 da Lei n. 9.779/99. 3.2. A IN n. 304/2003 instituiu a DIMOB, dever instrumental que impõe a obrigação de as construtoras, incorporadoras e também as imobiliárias de informar os imóveis vendidos e também aqueles locados, identificando adquirentes e contratantes, datas, locais e valores. Sendo que atualmente é a IN n. 694/2006 quem dispõe a respeito deste assunto. 3.3. Analisandose o preâmbulo das respectivas instruções normativas, verificase que o Secretário da Receita Federal, ao editálas, estaria, supostamente, valendose da disposição contida no Art. 16 da Lei n. 9.779/99, que lhe autorizaria a criar novas obrigações acessórias. Nada mais equivocado e ilegal. 3.4. Com efeito, o Art. 16 da Lei n. 9.779199 prescreve que: "Compete 5 Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". 3.5. Ora, o enunciado normativo em questão não autoriza à Receita Federal, ou qualquer outro órgão integrante da estrutura da administração tributária federal, instituir novas obrigações, mesmo de cunho acessório, uma vez que as obrigações tributárias, quaisquer que sejam elas, obrigatoriamente devem ser veiculadas pela via da lei stricto sensu, conforme prevê o CTN — Art. 113, §2° — e em subordinação A própria determinação constitucional. 3.6. Em verdade, o que o dispositivo precitado faz, e isso não se nega, é atribuir A Secretaria da Receita Federal o poder para dispor a respeito das obrigações acessórias relativas aos tributos sob sua administração e não propriamente criálas, instituílas. Em outros termos, uma vez que instituídas as obrigações acessórias pela via legislativa, caberia à Receita Federal regulamentálas, vale dizer, regular a forma, o prazo e as condições para o seu cumprimento, conforme nitidamente prevê o citado dispositivo legal. 3.7. Assim, não lhe foi atribuída função de instituir nova obrigação acessória, senão apenas regulamentar as formalidades necessárias á fiel execução e cumprimento daquelas que porventura tenham sido criadas por lei; ou seja, não lhe foi dado, portanto, inovar a ordem jurídica. Até porque, consoante expressa previsão do Art. 5°, II, da Constituição de 1988, "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei'. [...] 3.10. Posto isto, evidencia se a ilegalidade da exigência da DIMOB, razão pela qual também não há que se falar em multa pelo atraso na sua entrega, uma vez que inválida a obrigatoriedade de entrega. Também por este motivo, portanto, a decisão ora recorrida deve ser reformada, anulandose a autuação e, consequentemente, afastandose a exigência da penalidade pecuniária. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 114 15 4.1. Pelo exposto, vem a recorrente requerer que o presente recurso seja admitido, vez que tempestivo, e, ao final, seja PROVIDO, para reformar a decisão objurgada, acolhendo as alegações feitas e, consequentemente, anulandose a autuação, de modo a afastar a exigência da penalidade pecuniária no caso em tela, por ser desproporcional, irrazoável e excessiva. Termos em que pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrado sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 115 16 a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 116 17 realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal5. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 6, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 5 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 6 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 7 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 117 18 CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). Até 05.12.2005 A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), cuja apresentação é obrigatória para as seguintes pessoas jurídicas: I construtoras ou incorporadoras, que comercializarem unidades imobiliárias por conta própria, que devem deverão identificar o adquirente e a unidade imobiliária comercializada, bem assim informar a data, o valor total da operação e o valor recebido no ano; e II imobiliárias e administradoras de imóveis, que realizarem intermediação de compra e venda ou de aluguel de imóveis em relação à intermediação de compra e venda de imóveis, identificar as partes contratantes, o imóvel objeto da venda, bem assim informar a data e o valor total da operação e o valor da comissão percebida pela intermediação, bem como em relação à intermediação de aluguel de imóveis, identificar as partes contratantes e o imóvel locado, bem assim informar o valor do aluguel percebido pelo locador e o valor da comissão percebida pela intermediação. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 118 19 A Dimob deve ser apresentada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, até o último dia útil do mês de março, em relação ao anocalendário anterior, por intermédio de aplicativo a ser disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br>. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. No período de 06.12.2005 a 29.12.2010 A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim apresentando apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; ou III constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio de seus condôminos ou sócios. A Dimob deverá ser apresentada pelo estabelecimento matriz, em relação a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com as informações sobre: I as operações de construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, no ano em que foram contratadas; II os pagamentos decorrentes de locação e intermediação de locação ocorridos no ano, independentemente do ano em que essa operação foi contratada. A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 119 20 II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. A partir de 20.12.2010 A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim apresentando as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios. A Dimob deve ser apresentada pelo estabelecimento matriz, em relação a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com as informações sobre: I as operações de construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, no ano em que foram contratadas; II os pagamentos efetuados no ano, discriminados mensalmente, decorrentes de locação, sublocação e intermediação de locação, independentemente do ano em que essa operação foi contratada. A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Para a apresentação da Dimob referente aos fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital, exceto para as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). O recibo de entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo com termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 120 21 II 5% (cinco por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta8. Até 27.12.2012 o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados e (b) cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001). A partir de 28.12.2012, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito às seguintes multas por apresentação extemporânea (a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido, (b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento, (c) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mês calendário e (d) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Repisando, a partir de 28.12.2012 o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito a multa por apresentação extemporânea no valor de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real. Não há nos autos comprovação de que a Recorrente tenha optado por regime de tributação diverso. Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 121 22 O presente Parecer Normativo cuida em analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário. 2. Antes da publicação da Lei nº 12.766, de 2012, assim dispunha o art. 57 da MP nº 215835, de 2001: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 122 23 II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital1 por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004? 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 123 24 e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (eLalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. 6.1.2. Quanto à IN RFB nº 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB nº 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. 6.2. É de se questionar se houve revogação tácita dos arts. 7º e 8º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, na redação dada pelas Leis nºs 11.051, de 2004, 11.727, de 2008, e 11.941, de 2009, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; do art. 7º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, do inciso II do art. 9º da Lei nº 11.371, de 28 de novembro de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, pelo novo art. 57 da MP nº 2.158 35, de 2001. Segue a redação dos dispositivos: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 124 25 Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo; e(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1 Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2 Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 125 26 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Lei nº 10.637, de 2002: Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I R$ 50,00 (cinqüenta reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 1º O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. § 2º As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 126 27 § 3º Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Lei nº 8.212, de 1991: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Lei nº 9.393, de 1996: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 127 28 Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Lei nº 11.371, de 2004: Art.9oA inobservância do disposto nos arts. 1º e 8º desta Lei acarretará a aplicação das seguintes multas de natureza fiscal: I 10% (dez por cento) incidentes sobre o valor dos recursos mantidos ou utilizados no exterior em desacordo com o disposto no art. 1ºdesta Lei,sem prejuízo da cobrança dos tributos devidos; II 0,5% (cinco décimos por cento) ao mêscalendário ou fração incidente sobre o valor correspondente aos recursos mantidos ou utilizados no exterior e não informados à Secretaria da Receita Federal, no prazo por ela estabelecido, limitada a 15% (quinze por cento). §1ºAs multas de que trata o caput deste artigo serão: I aplicadas autonomamente a cada uma das infrações, ainda que caracterizada a ocorrência de eventual concurso; II na hipótese de que trata o inciso II do caput deste artigo: a)reduzidas à metade, quando a informação for prestada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; b) duplicada, inclusive quanto ao seu limite, em caso de fraude. §2ºCompete à Secretaria da Receita Federal promover a exigência das multas de que trata este artigo, observado o rito previsto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Lei nº 11.033, de 2004: Art. 5º (...) § 2º O descumprimento do disposto neste artigo sujeita a entidade à multa de 30% (trinta por cento) do valor do imposto devido. 6.2.1. O novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, aplicase para qualquer declaração, demonstrativo ou escrituração digital, enquanto a Lei nº 10.426, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a Lei nº 10.637, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) e a Declaração de Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 128 29 Operações com Cartão de Crédito (Decred), a Lei nº 8.212, de 1991, aplicase para a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a Lei nº 9.393, de 1996, aplicase para a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), a Lei nº 11.371, de 2004, aplicase para a Declaração sobre a Utilização dos Recursos em Moeda Estrangeira Decorrentes do Recebimento de exportações (Derex) e a Lei nº 11.033, de 2004, aplicase para a Declaração de Transferência de Titularidade de Ações (DTTA). 6.2.2. Há uma antinomia entre as normas. O art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, sanciona as condutas pela não entrega, em sentido lato, de declarações digitais. As normas acima mencionadas tratam do descumprimento das obrigações específicas contidas na própria lei. Ocorre uma antinomia entre uma norma geral e outra específica, devendo, nesses casos, prevalecer a última, conforme ensinamento de Norberto Bobbio: O terceiro critério, chamado precisamente de lex specialis, é aquele com base em que, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda; lex specialis derogat generali. Também nesse caso a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que derroga uma lei mais geral, ou seja, que subtrai a uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diversa (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa (que contenha um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que contenha uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, entendida como igual tratamento de pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral para a regra específica corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. Ocorrida ou descoberta a diferenciação, a persistência da regra geral implicaria o tratamento igual de pessoas que pertencem a categorias diversas e, portanto, uma injustiça. (grifouse) (BOBBIO, Norberto. Teoria geral do direito. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 253) 6.2.3. Se as obrigações contidas nas leis acima transcritas foram consideradas tão importantes pelo legislador ao ponto de dar embasamento legal específico à sanção pelo seu descumprimento, (a despeito de legislação tributária, em sentido amplo, poder gerar tal obrigação), não é isonômico não aplicar as multas específicas para as declarações específicas, em prol da multa genérica do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. É, conforme ensinamento de Bobbio, uma violação à isonomia que determina dar tratamento desigual a pessoas em situações distintas. 6.2.4. No presente caso, não se deve esquecer que o legislador foi quem alterou a norma então existente (genérica) e criou uma mais específica, mas deixou aquelas outras ainda mais Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 129 30 específicas incólumes (ele poderia muito bem têlas revogado expressamente). Se não o fez, as multas mais específicas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. As IN que tratam do assunto, portanto (RFB nº 1.110, de 2012, RFB nº 1.264, de 2012, RFB nº 1.015, de 2010, SRF nº 197, de 2002, RFB nº 811, de 2010, SRF nº 341, de 2003, RFB nº 971, de 2009, RFB nº 1.279, de 2012, RFB nº 726, de 2007 e RFB nº 892, de 2008) devem continuar a ser aplicadas sem nenhuma alteração. 6.2.5. Quanto aos prazos, não há alteração para a entrega ordinária das declarações. O prazo mínimo de quarenta e cinco dias aplicase apenas para a apresentação dessas declarações numa fiscalização ou para prestar esclarecimentos sobre alguma dessas declarações. E com a ressalva que a entrega de recibo ou comprovante de entrega da declaração não se subordina ao prazo de quarenta e cinco dias, conforme já explicado no item 5.1. Consta na Descrição dos Fatos, fl. 38, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Multa por atraso na entrega da declaração Código 6680 Apuração de Crédito Tributário R$5.000,00 x Número de meses em atraso [3] Valor da Multa por atraso na entrega da declaração [R$15.000,00] Ainda vale mencionar excerto do Voto condutor da decisão de primeira instância de julgamento, fls. 6668, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos também cabem ser adotados de plano: A impugnante, por meio de bem articulada argumentação, aduziu inicialmente que não obstante clamar pela violação dos postulados constitucionais e legais (Lei n° 9.784/1999) da proporcionalidade, legalidade, finalidade, razoabilidade, dentre outros, não estava arguindo a constitucionalidade da exigência fiscal. Contudo, com a devida vênia, não concordamos com essa alegação, pois ainda que de forma indireta tal argumentação vis desiderato. Ora, não cabe discussão da legalidade e constitucionalidade em sede administrativa consoante estabelecem o Parecer Normativo CST/SRF n° 329/1970, o Parecer PGFN/CRF n° 439/1996 e Parecer PGFN/CAT n° 1.649/2003. A esse respeito é a Súmula n° 2 de jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, que estabelece: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desde logo, é de se rejeitar tais preliminares suscitadas. Acresce, outrossim, que a Lei n° 9.784/1999 disciplina de forma ampla o processo administrativo em geral, e as normas ali postas dizem respeito ao caráter procedimental do processo administrativo, sem qualquer pertinência com a norma de direito material que regula a aplicação de penalidade. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 130 31 Cumpre dizer, por outro lado, que no âmbito do processo administrativo, não cabe examinar a alegada violação aos princípios da vedação ao confisco e da proporcionalidade, razoabilidade etc. Referidos princípios são destinados ao legislador e não ao aplicador da1ei, a quem, exercendo atividade vinculada, não se permite deixar de observar a norma legal por entendêla em desconformidade com a Constituição, pois, consoante ensinamento de Seabra Fagundes, administrar 'é aplicar a lei de oficio. Acresce, ainda, que a responsabilidade por infração é objetiva, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, "sendo impertinente qualquer discussão sobre o prejuízo ou não da Administração" icom a 'falta cometida pela contribuinte ao entregar com atraso a declaração, bastando, park tanto, o simples descumprimento para a incidência da penalidade. Por último, não cabe nesta sede qualquer apreciação quanto à validade das instruções administrativas que estabeleceram a obrigação acessória e disciplinaram a apresentação da referida declaração, em face do disposto no art. 100, I, do CTN e do art. 7° da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006 (DOU de 21/03/2006). No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 07.05.2008 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do ano calendário de 2007, cujo prazo final era 29.02.2008. Diferente do entendimento da Recorrente, além disso, na vigência da Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, da Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, ou da Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010, o valor da multa era a mesma, ou seja, R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo com termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DIMOB. Ademais, em relação a esses atos administrativos normativos, quando foram formalmente revogadas, não houve expressamente interrupção de sua força normativa, de modo que com as alterações desses atos administrativos não houve inovação na matéria legislativa na ordem jurídica. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária9. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 10 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. 9 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 131 32 Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$1.500,00 por mêscalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. Assim, a exigência do crédito tributário deve ser reduzida para o valor total de R$4.500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 07.05.2008 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2007, cujo prazo final era 29.02.2008. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como procedente em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Voto Vencedor Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19708.000080/200820 Acórdão n.º 1801001.933 S1TE01 Fl. 132 33 A legislação que trata a respeito da matéria em litígio dispõe: Lei nº 12.766, de 2012 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (grifos não pertencem ao original) Compulsando os autos, em vistas, verificase que a recorrente recolhe IRPJ manifestando a sua opção pelo regime de tributação para apurar o lucro na forma presumida – fls. 43, 48, 53, 56 e cópias de Darf pagos. Daí a divergência deste colegiado com o voto da Conselheira Relatora que, entre os dois valores preceituados na norma de regência (R$ 500,00 ou R$1.500,00) entendeu que deve ser aplicado o maior. A norma é explícita. O valor da multa isolada, no presente caso, é de R$500,00 por mês ou fração. Destarte, a multa aplicada deve ser reduzida para R$1.500,00. É como voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19515.003978/2010-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. INOCORRÊNCIA. CONEXÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA DECORRENTE DO PAGAMENTO DE PRÓ-LABORE COMPROVADO. ABDICAÇÃO DO PRÓ-LABORE. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. ESCRITURA FISCAL. DEFEITUOSA. LANÇAMENTO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBSERVAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. JUROS MORATÓRIOS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF E STJ. SUSPENSÃO DOS JUROS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. INOCORRÊNCIA. CONEXÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA DECORRENTE DO PAGAMENTO DE PRÓLABORE COMPROVADO. ABDICAÇÃO DO PRÓLABORE. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. ESCRITURA FISCAL. DEFEITUOSA. LANÇAMENTO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBSERVAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. JUROS MORATÓRIOS E MULTA DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE RECONHECIDA PELO STF E STJ. SUSPENSÃO DOS JUROS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 78 /2 01 0- 31 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 454 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 455 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.255.8402, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração/retribuição/honorários pagos aos trabalhadores da empresa da categoria de contribuintes individuais parte patronal, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 286 a 293, com período de apuração de 01/2006 a 12/2006, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 18 e 19. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/11/2010, conforme AR, de fls. 17. O Auto de Infração é composto pelo levantamento – CI – PAGAMENTO A CONTRIB INDIVIDUAL e CI1 – PAGAMENTO A CONTRIB INDIVIDUAL. O contribuinte apresentou sua defesa, em 27/12/2010, as fls. 324 a 328, acompanhada dos documentos, de fls. 329 a 388. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 389 e 390. Foi apensado a este auto de infração o processo 19515.003979/201086, em 21/12/2011. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 16037.815 14ª, Turma DRJ/SP1, em 19/04/2012, fls. 396 a 413. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 06/11/2012, conforme AR, de fls. 418. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 421, recebido, em 05/12/2012, com razões recursais, as fls. 422 a 448, desacompanhado de qualquer documento. Mérito. · que a autuação do presente processo decorre de tributação reflexa em razão do PAF 19515.003983/201044 existindo conexão entre este e os autos 19515.003979/201086; 19515.003980/201019; 19515.003979/201086 e o próprio PAF 19515.003983/201044, sendo todos lavrados com base nos fundamentos dos autos 19515.003428/201012 (IRPJ e seus reflexos), onde o agente laçador entendeu haver, por presunção suposta omissão de receita em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal, fato este, que está atestado pela I. julgadora, decorrendo a conexão do fato de que todos os autos foram lavrados na mesma ação fiscal com base no mesmo MPF; Fl. 474DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 456 4 · que em razão da suposta omissão de receita, por presunção, o fisco entendeu que tais valores deveriam ser atribuídos como prólabore dos sócios, o que gerou a presente autuação, sendo tal lançamento inaceitável; · que o presente lançamento decorre do fato de ter o fisco descaracterizado todo o lucro distribuído na forma da lei, considerandoo como prólabore, sendo isso totalmente improcedente, conforme provado e comprovado pelas demonstrações contábeis nos processo 19515.003983/201044; · que em 2006 a recorrente estava vinculada ao regime de tributação do lucro presumido, artigo 516, e seus parágrafos, do Decreto 3.000/99 – RIR, sendo que tal distribuição respeitou todas as prescrições legais, conforme demonstrações contábeis e balanço patrimonial; · que a alegação da I. Relatora a quo de que o demonstrativo de resultado e o balanço patrimonial realizado em 31/12/2006 não comprova o lucro efetivo e que só o exame da contabilidade permite tal apuração está equivocada, pois não é isso que dizem os artigos do CC sobre a matéria, sendo que o balanço patrimonial e a DRE, sintetizam todos os fatos contábeis, estando o lucro apurado de R$ 394.259,75 está comprovado na DRE, no processo 19515.003983/201044; · que a distribuição de lucros de 2006 está lastreada no lucro do exercício R$ 394.259,75 e mais o lucro acumulado de R$ 39.385,28, o que totaliza R$ 433.645,03, entendendo a recorrente de forma diferente da relatora que não se fazia necessário juntar toda a escrituração contábil/fiscal para justificar o lucro/2006, sendo que as DRE’s são disciplinadas pela Lei 6.404/76, que cita; · que a base da distribuição de lucros é o lucro contábil, podendo aquele ser superior a este se houver reservas de lucros de exercícios anteriores; · que o lucro é uma das finalidades da atividade empresarial e a inexistência de empregados não impede que os sócios habilitados prestam tais serviços; · que o fato de constar do contrato social a existência de retirada pró labore e distribuição de lucro nada impede que o sócio abdique do prólabore em favor da distribuição de lucros, o qual é isento de IRPF, sendo absurdo o pensamento do fisco de que valores que excederam o lucro presumido sejam considerados remuneração do trabalho do sócio e não remuneração do capital, sendo um contrassenso pensar que o sócio preferira prólabore a distribuição de lucros, pois o primeiro e tributado e o segundo não, devendo este ser declarado improcedente e reformada a decisão guerreada; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 457 5 · que o cidadãocontribuinte tem o direito de requerer diligências, perícias, a apresentação e juntadas de documentos, buscando todos os meios de provas lícitas na defesa de seus direitos e interesses, sendo isso norma constitucional que se sobrepõe as normas infraconstitucionais, o que foi solicitado com base na Lei 9.784/99; · que a SELIC não deve ser usada na seara tributária, cabendo a limitação dos juros moratórios a 1% ao mês; · que os juros moratórios não devem incidir no curso do PAF, pois a Administração Tributária é incapaz de julgar o feito com celeridade, não tendo sido o ponto atacado frontalmente pela I. Julgadora a quo; · que o artigo 27, do Decreto 70235/72 determina que os procedimentos sejam julgados na ordem e nos prazos estabelecidos por ato do Secretário da Receita Federal, estando tal prioridade regulada pela Portaria 454/2004 da SRFB, mas não regulou o artigo 27, citado; · que da impugnação a cientificação da decisão de primeiro grau decorreu 1 ano 10 meses e 09 dias, porque deve o contribuinte arcar com juros moratórios neste interregno se a mora é da Administração? Ocorrendo o mesmo entre o recurso e o conhecimento de sua decisão, cabendo a aplicação dos princípios constitucionais da CRFB/88 e do artigo 2º, da Lei 9.784/99, tais como: moralidade administrativa; segurança jurídica; eficiência e interesse público, que para ser atendido deve ocorrer no menor prazo possível, evitandose aplicar juros moratórios/SELIC de forma escorchante; · que a recorrente só tem trinta dias para aviar o recurso, mas o fisco tem tempo indeterminado para o julgamento deste, o que é um desequilíbrio em relação a igualdade de direitos e para evitar esta distorção o legislador vem fixando prazo para a Administração, mas estes não foram regulamentados, devendo, assim ser suspenso o computo dos juros moratórios no curso do PAF; · Do pedido: a recorrente requer: a) acolhimento do recurso, com declaração de improcedência do auto de infração; b) caso mantido o auto, ainda, que parcialmente que a cobrança da SELIC seja afastada; c) sucessivamente, que os juros moratórios não incida no trâmite do PAF desde a protocolização desta impugnação até a decisão final deste contencioso administrativo; d) protestado com base na Lei 9.784/99 pela produção de novos argumentos de fato e direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 451. Os autos subiram ao CARF, fls. 451. É o Relatório. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 458 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Não assiste razão a recorrente, pois no campo da contribuição social previdenciária não existe tributação reflexa, uma vez que ela possui sua própria definição, regulamentação jurídica, bem como elementos e critérios específicos de determinação. O fato da ação ou procedimento fiscal ter se iniciado em razão do IRPJ e neste ter sido verificado a ocorrência de pagamento de prólabores a sócios, por meio de depósito bancário com o nome “PGTO SALÁRIOS” não torna a contribuição social previdenciária devida reflexo de eventual IRPJ. Os autos de infração representado pelo processo 19515.003428/201012 (IRPJ) nada tem a ver com as contribuições sociais previdenciárias, não havendo relação de conexão, bem como não foi lançado na mesma ação fiscal, basta ver o Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF, de fls. 321. Quanto aos quatro créditos de cunho previdenciário emitidos ao final da ação fiscal, também, não há relação de conexão entre estes, pois eles são representativos de contribuições sociais previdenciárias distintas ou abrigam o lançamento de multas distintas, decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, deveres instrumentais distintos, veja a descrição, conforme item 10. Conclusão do REFISC, de fls. 293, pois o presente crédito DEBCAD 37.255.8402, exige contribuição patronal 20% sobre a remuneração do contribuinte individual. 10.1. Além deste Auto de Infração foram lavrados os seguintes documentos de débito referentes as contribuições previdenciárias: a) Auto de Infração — AI n° 19515.003979/201086 Debcad n° 37.255.8410, referente a contribuição do segurado contribuinte individual; b) Auto de Infração AI n° 19515.003980/201019 Debcad no 37.255.8429 — CFL 68, referente a ocorrência de infração ao disposto no art. 32, inciso IV e parágrafo 5 0 , da Lei n° 8.212/91 apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; c) Auto de Infração Al n° 19515.003982/201008 Debcad n° 37.255.8437 — CFL 35, referente ocorrência de infração ao disposto no art. 32, inciso III e §11, da Lei n° 8.212/91 — Deixar a empresa de apresentar à RFB todos os documentos e esclarecimentos necessários fiscalização; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 459 7 Fica evidente, assim, a inexistência da alegada conexão, pois as questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresentam na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. A omissão de receita não é suposta, a origem desta foi determinada pelo agente fiscal no curso do procedimento, bem como ficou constatado que a empresa distribuiu lucros aos sócios acima do permissivo legal e que a parte excedente deste lucro foi considerada remuneração prólabore dos sócios, mas não todo o lucro como diz a recorrente, observese as transcrições. 5.1.1. No decorrer do procedimento fiscal, através da analise dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, durante todo o ano calendário de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/c 1045783, com o histórico "PGTO SALARIOS", apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social. 5.1.2. Considerandose, ainda, que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, o contribuinte foi Intimado a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações em anexo, tratarse de transferências feitas aos sócios a titulo de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos dos extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3 — LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 460 8 5.1.5. Ao compararmos o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatamos que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido. 5.1.6. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a titulo de "prolabore", pelo serviço prestado à empresa. O fisco não descaracterizou todo o lucro distribuído tal afirmação carece de base, pois apenas foi tributado pela contribuição social previdenciária o excesso de lucro distribuído e que não possui comprovação na escrituração contábil, conforme consta do REFISC. 5.2. Da base de cálculo das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais sócios 5.2.1. 0 crédito apurado corresponde, em cada competência, ao montante das contribuições previdenciárias devidas pelo empregador, sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais — sócios da empresa, no período de 01/2006 a 12/2006. 5.2.2. Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando os Valores Distribuídos a maior, conforme demonstrado abaixo: As demonstrações financeiras juntadas pelo contribuinte recorrente, quando da impugnação de primeiro grau não comprovam o que ele pretende e essa constatação é de fácil verificação, basta observar que o levantamento fiscal com base nos extratos bancários apura lucro distribuído a maior que o lucro do exercício e o valor de distribuição de lucros permitido pela lei é bem inferior ao efetivamente distribuído, observe a tabela, constante do REFISC. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 461 9 Não fosse isso suficiente o agente fiscal consignou que a empresa não registra em sua contabilidade o movimento real de suas operações, assim as demonstrações realizadas a partir de escrituração fiscal deficiente não se mostra adequada a comprovar a favor do contribuinte. No contesto abaixo descrito as DRE’s não são aptas a prova pretendida. Termo de Constatação e Intimação Fiscal, d e fls. 274 a 278. 2.4.2 Considerandose que a empresa adota o regime de tributação pelo lucro presumido, apresentou o livro Caixa sem contemplar toda a movimentação financeira, não possui escrituração contábil, informou que os pagamentos eram transferências a titulo de distribuição de lucros aos sócios, não possuía empregados, o serviço era prestado pelos próprios sócios e que os lucros diminuídos de todos os impostos e contribuições excede o valor distribuído, concluímos que a empresa deveria reter na fonte o imposto de renda incidente sobre os valores distribuídos a maior além de tributálos para efeito das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos. REFISC. 5.1.8, Diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, conforme declaração do contribuinte e, considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos de prestação de serviço e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta com base no art. 33, §§ 3° e 6° da Lei n°8.212/91. (os destaques são meus). Assiste razão a recorrente ao dizer que o objetivo de qualquer atividade empresarial é o lucro, bem como que a inexistência de empregados não impede que os sócios prestem por si só os serviços, mas isso em nada muda a situação da distribuição de lucros sem respaldo na legislação e a maior do que permitido em lei. Assim como o objetivo de toda atividade empresarial é o lucro, o objetivo de todo trabalhador ao exercer o seu mister é a retribuição pelo serviço prestado, aliás, nos termos do artigo 594, da Lei 10.406/2002 essa é obrigatória. Nos termos do artigo 123, da Lei 5.172/66 as convenções particulares não obrigam o fisco o que disser da reserva mental, pois se estipulado prólabore no contrato social Fl. 480DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 462 10 sua abdicação deve ter se dado por reserva mental, uma que não há alteração no contrato social, visando a eliminação do prólabore, daí temse que a remuneração é inerente ao trabalho. No presente caso a preferência é a da lei e não a do contribuinte. O cidadão contribuinte tem o direito de requer o quem bem entender para a proteção de seus direitos e demonstração de suas alegações, mas o julgador não tem a obrigação de concedêlas, realizálas ou procedêlas, uma vez que estas são para permitir que o julgador forme seu livre convencimento e se esse já está suficientemente convencido estas providências são dispensáveis, desnecessárias ou protelatórias, vejo o que o judiciário diz sobre isso. HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (o grifo é meu). A legislação suscitada pela recorrente não tem aplicação no âmbito do PAF, bem como os requisitos, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, relativamente, ao pedido de diligência não foram atendidos, o que, também, por si só seria causa impeditiva da realização da providência, observe a ementa transcrita. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA Fl. 481DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 463 11 LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 464 12 protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 465 13 confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 466 14 própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Equivocase a recorrente ao dizer que a I. Julgadora a quo não refutou suas alegações de maneira frontal, basta ler o acórdão para ver isso, visando maior clareza, transcrevo o trecho daquele que cuida de tal assunto. 6.44. Na impugnação apresentada no processo nº19515.00.3983/201044, a autuada solicita, ainda, a não incidência dos juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da sua protocolização até decisão final na esfera administrativa. 6.45. Em relação a este pleito da Autuada, de pronto sobressai a absoluta ausência de amparo legal e como foi acima salientado, a incidência de juros moratórios nos casos de inadimplemento da obrigação tributária, não visa majorar tributos, mas sim remunerar o capital do Estado que está em poder do contribuinte em virtude do não pagamento do tributo na época devida. 6.46. Por outro lado, da análise do artigo 161, caput, do CTN, já transcrito, vem a imediata ilação de que o motivo que determinou o pagamento em data posterior ao seu vencimento é absolutamente irrelevante: “O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta(...)” 6.47. Tratase de regra geral, que admite exceções, desde que, obviamente, expressas. Uma exceção presente na legislação tributária é aquela contida no parágrafo 2º do próprio artigo 161 do CTN, que assim dispõe: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 467 15 “§ 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” 6.48. Dessa forma, ainda que houvesse prazos estabelecidos em legislação ordinária, o seu eventual descumprimento somente poderia ter como conseqüência a suspensão da incidência dos juros moratórios mediante previsão expressa nesse sentido. 6.49. Tal conclusão óbvia pode ainda ser reforçada pela própria natureza jurídica dos prazos impostos aos órgãos judicantes da Administração e do Poder Judiciário: salvo disposição legal em contrário, são prazos impróprios, que podem, no máximo, determinar a responsabilização funcional. Assim, o seu descumprimento não cria, modifica ou extingue direitos ou deveres existentes entre a Administração e os administrados. 6.50. Quanto ao contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96, trazido pela Impugnante, tratase de hipótese de suspensão da incidência da multa de mora sobre tributo suspenso por medida judicial, não guardando relação alguma com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por reclamações e recursos na esfera administrativa ou com os juros moratórios. Quanto a estes últimos, no caso de suspensão de exigibilidade por medida judicial, aplicase a norma contida no art. 5º do Decretolei nº 1.736/79, que assim dispõe: “Art. 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial.” Aos argumentos expedidos pela julgadora de primeiro grau, agrego os meus. Inicialmente a lei determina a aplicação de juros moratórios em pagamento realizado com atraso artigo 34, da Lei 8.212/91 à época das competências fiscalizadas e artigo 35, da Lei 8.212/91 com a redação da Lei 11.941/2009 à época do lançamento. Além disso, no regime jurídico administrativo a que se submete o fisco este só pode fazer ou deixar de fazer algo em virtude de lei e não existe tal previsão legal. Por outro lado, a CRFB/88 veda essa hipótese, sem a existência de lei específica sobre o tema, uma vez que deixar de exigir os juros moratórios seria uma espécie de remissão desta parcela, veja o que diz o artigo 150, § 6º, transcrito. § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (o realce é meu). Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 468 16 Podese dizer, ainda, que o prazo para julgamento ser ultrapassado não implica em sanção alguma, pois a lei é uma lei imperfeita neste aspecto e o prazo tal qual no judiciário é impróprio. Aliás, uma decisão do STJ que transcrevi acima também cuida do tema, volto a transcrever só o trecho especifico. 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. E este tribunal vem apenas determinando a fixação de prazo para o julgamento e nada mais. Além do que, os juros moratórios é apenas uma recomposição do capital do credor na mão de devedor além do prazo legal, veja o diz o item do parecer abaixo transcrito. ADVOCACIAGERAL DA UNIÃO PROCURADORIAGERAL FEDERAL Parecer nº 24/2008/DICON/CGCOB/PGF/AGU, de 18 de dezembro de 2008. Ref.: 00407.009410/200817 Ass.: Termo inicial para incidência dos acréscimos moratórios 12. Os juros moratórios têm natureza e função diferentes daquelas da multa moratória. Sobre os primeiros, ensinam Gustavo Tependino, Heloisa Helena Barbosa e Maria Celina Bodin de Moraes (Código Civil Interpretado Conforme a Constituição da República, Vol. 1, p. 739): "A obrigação de pagamento dos juros moratórios, em virtude do retardamento no cumprimento da obrigação principal, independe da alegação de prejuízo. Tal previsão decorre da própria natureza do juro, consistente no preço da utilização do capital. Desta forma, a retenção indevida pelo inadimplente do capital pertencente ao credor importa na privação temporária da disponibilidade de sua riqueza, impondose a incidência dos juros moratórios, sem que se necessite demonstrar o prejuízo efetivamente causado. A rigor, o juro moratório é devido a partir do instante em que se configura o retardamento. (os destaques são meus). Podese dizer, ainda, que esta possibilidade poderia ser causadora de grave distorção do ordenamento jurídico, ao permitir o uso da torpeza em benefício próprio. Um exemplo talvez possa esclarecer a questão. Ex: um contribuinte deixa deliberadamente de pagar o tributo, no prazo legal e fica esperando o fisco promover o lançamento e tão logo este lançamento é feito, ele impugna e transcorre de forma protelatória todas as etapas do processo administrativo fiscal. Suspensa a aplicação dos juros moratórios, o valor que o Estado teria direito ficará a cada dia que se passa desatualizado e é a sociedade como um todo que vai sair perdendo, em favor de um único contribuinte, o omisso e inadimplente. O que lhe permitiria Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003978/201031 Acórdão n.º 2803003.181 S2TE03 Fl. 469 17 um enriquecimento ilícito ou sem causa em razão de sua torpeza em face de uma sociedade de forma integral. Outro motivo para que tal suspensão não ocorra é o princípio da isonomia e igualdade de tratamento. Caso o contribuinte recolha um tributo sem que o deva ou que o deve,mas recolha a maior este poderá pedir restituição e essa restituição será corrigida pela SELIC não importando o tempo que se passou, desde que não prescrito o direito. Como as leis dizem que a restituição deve ser feita nos mesmos moldes da cobrança, no caso descrito deixaria de haver correção para o contribuinte. Estes são os argumentos que somo aos da I. Julgadora Relatora a quo que bem esclarecem a impossibilidade de suspender a incidência de juros de mora, independentemente, de qualquer prioridade de julgamento, prazo de julgamento e etc. O PAF se desenvolve dentro do devido processo legal estabelecido pelo poder legislativo competente e em respeito a determinação da CRFB/88 e não cabe ao fisco discutir o que determinado em lei, mas apenas cumprilo, artigo 37, caput, da CRFB/88. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente e rejeito todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13819.001478/2001-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1992, 01/10/1992 a 31/05/1993
DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62-A do RICARF, devem ser observados no julgamento deste Tribunal Administrativo.
A contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em havendo pagamento antecipado e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, rege-se pelo disposto no §4o do art. 150 do CTN.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Ausente momentaneamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente substituto
JOEL MIYAZAKI - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (substituta convocada) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente substituto).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1992, 01/10/1992 a 31/05/1993 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do RICARF, devem ser observados no julgamento deste Tribunal Administrativo. A contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em havendo pagamento antecipado e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, regese pelo disposto no §4o do art. 150 do CTN. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Ausente momentaneamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente substituto JOEL MIYAZAKI Relator. EDITADO EM: 19/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 14 78 /2 00 1- 73 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (substituta convocada) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, com as devidas adições: Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe (fls. 141/148), ciência em 05/07/2001 relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no período de abril/1992 a julho/1992 e outubro/1992 a maio/1993, no montante de R$ 18.189,09. Na Descrição dos fatos, à fl. 147, o auditor fiscal informa: 2.1. a contribuinte impetrou mandado de segurança a fim de não recolher as parcelas relativas à Cofins, nos termos da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Em 13/10/1992, foi negada a liminar em primeira instância. Com isso, a contribuinte interpôs mandado de segurança no TRF da 3a Região contra o juízo da 9a Vara Federal. Pelo acórdão de 30/06/1993, o TRF concedeu a segurança. Em 11/02/1994, foi publicada a sentença de primeira instância denegando a segurança e, em 29/07/1994, os autos foram arquivados; 2.2. constatouse insuficiência de recolhimento nos períodos de 04/92 a 07/92, 10/92 a 01/94. "Nos períodos de apuração de 10/92 a 01/94, o contribuinte não efetuou os recolhimentos correspondentes, só o fazendo em 17/03/1994. Aplicandose retroativamente o § 2°, art. 63, da Lei n0 9.430/96, a medida liminar interrompe a incidência de multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão que considerar devido o tributo ou contribuição. Desta forma, sendo a liminar concedida em 30/06/1993, os débitos apurados no período de 10/92 a 05/93, estão sujeitos ao lançamento de multa de oficio, por terem sido recolhidos sem a multa de mora. Os débitos do período de apuração de 06/93 a 01/94, não estão sujeitos à multa de oficio, uma vez que a decisão que considerou devida a contribuição foi publicada em 11/02/1994, sextafeira, e os dias 14 a 16/02/1994 não foram de expediente normal, nos termos do parágrafo único, do art. 5° do Decreto 70.235/72, fazendo com que o prazo de 30 dias para o pagamento sem multa de mora tivesse inicio em 17/02 e terminasse em 18/03/1994;" 2.3. conseqüentemente, foi efetuado o lançamento de ofício das diferenças apuradas. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.001478/200173 Acórdão n.º 9303002.863 CSRFT3 Fl. 426 3 3. Inconformada com o procedimento fiscal, a interessada interpôs impugnação, em 06/08/2001, às fls. 152/162, na qual argumenta, em síntese e fundamentalmente, que: 3.1. os períodos abrangidos pela presente autuação fiscal encontramse alcançados pelo instituto da decadência, nos termos do art. 150 da Lei ri° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN); 3.2. com relação ao período de outubro/92 a maio/93, recolheu os valores devidos sem incidência de multa de mora, porque os efeitos da liminar concedida ficaram em vigor desde a data da impetração do mandado de segurança até a sentença denegatória e também porque se está diante de denúncia espontânea, com a qual não é devida a multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. "Dessa forma, à exceção dos juros de mora, que tem como finalidade indenizar o Erário pelo inadimplemento do tributo no prazo previsto, nenhuma penalidade pode ser imposta à impugnante" (f1. 161). A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse por meio do Acórdão DRJ/CPS n° 3902, de 20/04/2003, julgando procedente em parte o lançamento, ementando sua decisão nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1992, 01/10/1992 a 31/05/1993 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído, entendimento esse consolidado no art. 95 do Regulamento do PIS/Pasep e da Cofins, Decreto n°4.524, de 2002. MULTA DE MORA. MEDIDA LIMINAR. A concessão de medida liminar interrompe a incidência da multa de mora até trinta dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devida a contribuição. Lançamento Procedente em Parte. A contribuinte tomou ciência do teor do referido Acórdão em 06/07/03, fl. 241, e, inconformada com o julgamento proferido interpôs, em 12/08/03, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, fls. 242/255, no qual reitera suas razões apresentadas na inicial. Segundo documento de fl. 340 a recorrente apresentou arrolamento de bens, fl. 322, permitindo o seguimento do recurso interposto. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O Colegiado a quo, decidindo o feito, negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA EXONERADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Não há de se conhecer em fase recursal de matéria de defesa argüida pela contribuinte na fase impugnatória e acatada pela instancia a quo, quando da decisão que exonerou a parcela da exigência impugnada, não foi interposto recurso de ofício, tornando, portanto, tal decisão definitiva na esfera administrativa. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS. DECADÊNCIA. 0 prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo á Cofins é de dez anos. Recurso negado. A contribuinte apresentou seu recurso especial às fls. 354 a 415 (numeração do processo papel) em que pleiteia a aplicação da decadência conforme dispotos no § 4o do art. 150 do CTN, qual seja, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Exame de admissibilidade que deu seguimento ao especial às fls. 417 . Intimada, a PGFN deixou de apresentar contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria trazida ao debate diz respeito unicamente ao prazo decadencial para constituição da contribuição para a Cofins. A decisão recorrida entendeu que o prazo era de dez anos, conforme disposto no art. 45 da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991. O contribuinte pleiteia o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Esta questão já foi pacificada com a edição da Súmula Vinculante no. 8 do STF, abaixo reproduzido. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Superada a questão quanto ao prazo, resta saber de que forma se conta o prazo de cinco anos. Esta matéria foi julgada pelo STJ, no REsp Nº 973.733 SC Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.001478/200173 Acórdão n.º 9303002.863 CSRFT3 Fl. 427 5 (2007/01769940), em sede de recurso repetitivo e em obediência ao art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Naquele julgamento, o STJ, decidiu que o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não se constatando dolo, fraude ou simulação, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No presente caso, houve pagamento parcial e os fato geradores ocorreram no período de abril/1992 a julho/1992 e outubro/1992 a maio/1993. A ciência do auto de infração deuse em 05 de julho de 2001, mais de oito anos após o fato gerador mais recente, logo o crédito tributário deve ser inteiramente desonerado por motivo de decadência. Com estas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte. Joel Miyazaki Relator Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.009747/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
JUROS COMPENSATÓRIOS OU MORATÓRIOS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO.
São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis.
Numero da decisão: 2102-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 97 47 /2 00 5- 16 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/200516 Acórdão n.º 2102002.916 S2C1T2 Fl. 107 2 Relatório Contra JUDITH MARIA DOS SANTOS FREITAS foi lavrada Notificação de Retificação de Ofício da Declaração, fls. 03, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2001, exercício 2002, para alteração do saldo do imposto a restituir de R$ 562,35 para R$ 7.570,82. No lançamento foram promovidas as seguintes alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), fls. 45/46, original, apresentada em 27/02/2002: rendimentos tributáveis de R$ 19.619,22 para R$ 149.247,20 e imposto retido na fonte de R$ 1.147,23 para R$ 42.940,80. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/02, que está assim resumida no Acórdão DRJ/SDR nº 1513.961, de 11/10/2007, fls. 76/78: Cientificada, a Contribuinte refere na impugnação que não fora considerada a retificadora apresentada em 26/8/2005, na qual declarou como rendimentos isentos e não tributáveis as verbas ditas de caráter indenizatório (juros e auxílio funeral), no valor de R$ 79.039,93 (setenta e nove mil, trinta e nove reais e noventa e três centavos), com base em sentença judicial. Nesta retificadora apurou imposto a restituir, no valor de R$ 27.612,47 (vinte e sete mil, seiscentos e doze reais e quarenta e sete centavos). Acresce que também não foram abatidos dos rendimentos tributáveis os valores pagos a advogados e relacionados em campo próprio da declaração. Junta os documentos às fls.9 a 27 e requer que a retificação de oficio seja desconsiderada por tais motivos. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, sob a seguinte fundamentação, a seguir parcialmente transcrita: Relativamente aos rendimentos auferidos da ação trabalhista, a Contribuinte oferecera à tributação em declaração retificadora apenas o valor de R$ 42.124,21 (quarenta e dois mil, cento e vinte e quatro reais e vinte e um centavos). Excluíra indevidamente uma parcela de rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 79.039,93 (setenta e nove mil, trinta e nove reais e noventa e três centavos), valor que não se confirma pelos documentos que instruem a ação judicial. O valor líquido efetivamente pago à Contribuinte, em decorrência da ação judicial trabalhista, consta do documento acostado à fl.13 R$ 115.924,64 (cento e quinze mil, novecentos e vinte e quatro reais e sessenta e quatro centavos). Esse valor é Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/200516 Acórdão n.º 2102002.916 S2C1T2 Fl. 108 3 o resultado do resumo geral do cálculo à fl.12, assim demonstrado: VALOR (R$) Total da pensão 151.199,38 Total do auxílio funeral 5.945,09 Total geral bruto 157.144,46 () Imposto de renda 41.219,83 Total geral líquido (efetivamente creditado) 115.924,44 A legislação tributária dispõe que são tributáveis no mês do efetivo recebimento e na declaração de ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, inclusive os respectivos juros e correção monetária. Na retificação de ofício fora acrescido aos rendimentos já declarados apenas o valor relativo à pensão determinada judicialmente (sem o auxíliofuneral), deduzidos os pagamentos efetuados a título de honorários advocatícios, declarados pela Contribuinte e confirmados nos documentos às fls.14 a 25. O quadro a seguir demonstra a composição dos rendimentos tributáveis constantes da retificação de oficio notificada à Contribuinte: VALOR (R$) Rendimentos Petrobrás 14.625,06 Rendimentos Petros 19.619,22 Rendimentos Petrobrás (ação judicial) 151.199,38 Subtotal 185.443,66 () honorários advocatícios 36.196,44 Total de rendimentos tributáveis 149.247,22 Do que se conclui corretos os rendimentos tributáveis constantes da retificação de oficio, com a dedução devida dos honorários advocatícios, prevista expressamente para a hipótese de rendimentos decorrentes de ação judicial. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/11/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 83, a contribuinte apresentou, em 05/12/2007, recurso voluntário, fls. 89/96, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que os valores retidos para pagamento do tributo foram equivocados, tendo em vista que a retenção foi feita com base no valor total do crédito trabalhista, sem abater os valores indenizatórios, os juros moratórios e honorários de advogado; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/200516 Acórdão n.º 2102002.916 S2C1T2 Fl. 109 4 que o Fisco desconsiderou o pedido de restituição com relação ao auxílio funeral e valores indenizatórios recebidos no processo trabalhista; que o valor base para a tributação deveria levar em consideração os valores não tributáveis na ordem de R$ 79.039,93, relativos à parcela indenizatória do processo trabalhista, bem como os valores relativos aos dependentes e despesas com instrução, cujo valor total comprovado foi de R$ 4.920,00. Conforme Despacho, fls. 104, de 02/07/2012, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Ocorre que o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento que resultou da revisão da DAA original apresentada pela contribuinte, sendo certo que antes da lavratura da Notificação de Retificação de Ofício da Declaração, fls. 03, a contribuinte apresentou uma DAA retificadora. Todavia, o fato de o lançamento ter tomado por base os valores declarados na DAA original não causou nenhum prejuízo à contribuinte, posto que a Notificação apenas reduziu o valor da restituição pleiteada pela recorrente, de sorte que não houve a cobrança de multa de ofício e de juros de mora. Vejase, a seguir, quadro comparativo entre os dados informados pela recorrente em suas DAA original e retificadora e aqueles tomados pela autoridade fiscal no lançamento: DAA original DAA retificadora Notificação Rend. Recebidos de PJ 19.619,22 76.368,49 149.247,20 Dependente 4.320,00 4.320,00 4.320,00 Despesas com instrução 600,00 600,00 600,00 Imposto retido na fonte 1.147,23 42.940,80 42.940,80 Imposto a restituir 562,35 27.612,47 7.570,82 Do demonstrativo acima, verificase que no lançamento, ao contrário do afirmado pela recorrente, foram considerados, para fins de cálculo do imposto devido e Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/200516 Acórdão n.º 2102002.916 S2C1T2 Fl. 110 5 conseqüentemente da restituição, os valores relativos aos dependentes e despesas com instrução, conforme pleiteado pela contribuinte em suas Declarações original e retificadora. A contribuinte afirma também que os valores retidos para pagamento do tributo foram equivocados, posto que a retenção do imposto foi feita com base no valor total do crédito trabalhista, sem abater os valores indenizatórios, os juros moratórios e honorários de advogado. Ocorre que, ainda que a retenção do imposto de renda tenha incidido em valores não tributáveis, fato é que a totalidade do imposto retido na fonte foi compensado quando do cálculo do imposto devido, de modo que neste aspecto nenhum prejuízo teve a recorrente. Diz, ainda, a defesa que o Fisco desconsiderou o pedido de restituição em relação ao auxílio funeral e valores indenizatórios recebidos no processo trabalhista. Da decisão recorrida restou perfeitamente demonstrado que o valor corresponde ao auxílio funeral e os honorários advocatícios foram excluídos da tributação. Do documento, fls. 12, observase que a contribuinte recebeu um total bruto de R$ 157.199,38, sendo R$ 5.945,09 de auxílio funeral e R$ 151.199,38 de pensão, sendo certo que deste valor foram excluídos os honorários advocatícios de R$ 36.196,44. De modo que a quantia levada à tributação, relativamente à ação trabalhista foi de R$ 115.002,94, que somado aos rendimentos recebidos da Petrobrás (R$ 14.625,06) e da Petros (R$ 19.619,22) perfaz o total de R$ 149.247,22, que corresponde exatamente ao valor adotado no lançamento. Nestes termos, está mais uma vez demonstrado que o auxílio funeral e os honorários advocatícios foram excluídos da tributação. Já no que concerne à alegação de que a autoridade fiscal não teria observados quando do lançamento os valores indenizatórios, cumpre dizer que dos documentos acostados aos autos verificase que a contribuinte recebeu em decorrência da ação reclamatória trabalhista quantias correspondentes à pensão e auxílio funeral, sendo certo que os valores de pensão são tributáveis nos termos do disposto no art. 43, inciso XI do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Digase, ainda, que a contribuinte menciona que o lançamento não teria considerado os valores indenizatórios, sem, contudo, indicar que valores seriam estes e tampouco a natureza dos mesmos. Por fim, no que concerne aos juros moratórios recebidos pela recorrente, importa trazer a lume o art. 55, inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art.55.São também tributáveis (Lei nº4.506, de 1964, art. 26, Lei nº7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Do artigo acima reproduzido, verificase que a incidência ou não do imposto de renda sobre os juros moratórios acompanha o principal. Ou seja, se a verba é tributável os juros de mora também o são e, ao contrário, se a verba é isenta os juros de mora também serão isentos. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/200516 Acórdão n.º 2102002.916 S2C1T2 Fl. 111 6 No presente caso, os juros incidentes sobre o auxílio funeral não foram levados à tributação, posto que no valor de R$ 5.945,09, já estão incluídos os juros correspondentes à parcela do auxílio funeral, conforme se infere do demonstrativo, fls. 11. Já os juros moratórios incidentes sobre a pensão são tributáveis, nos termos da legislação acima reproduzida. Logo, correto o lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10925.907283/2012-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/12/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 30/12/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 83 /2 01 2- 96 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 14.763,37, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/01/2005. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907283/201296 Acórdão n.º 3803005.781 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907283/201296 Acórdão n.º 3803005.781 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907283/201296 Acórdão n.º 3803005.781 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10510.723656/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ADE. EFEITOS.
A matéria controvertida constante destes autos diz respeito à exclusão da empresa do sistema Simples Nacional, ocorrida em 08/09/2011, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 25.
Como é sabido, um dos efeitos acarretados pela exclusão, é a sujeição da empresa às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, ao invés do pagamento dos tributos de forma simplificada e com alíquotas bem menores, a empresa excluída retorna à regra geral, devendo pagar seus tributos do mesmo modo que as empresas que não integram o referido sistema.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.220
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ADE. EFEITOS. 1. A matéria controvertida constante destes autos diz respeito à exclusão da empresa do sistema Simples Nacional, ocorrida em 08/09/2011, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 25. 2. Como é sabido, um dos efeitos acarretados pela exclusão, é a sujeição da empresa às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, ao invés do pagamento dos tributos de forma simplificada e com alíquotas bem menores, a empresa excluída retorna à regra geral, devendo pagar seus tributos do mesmo modo que as empresas que não integram o referido sistema. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 36 56 /2 01 1- 69 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/201169 Acórdão n.º 2803003.220 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/201169 Acórdão n.º 2803003.220 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições sociais destinadas aos Terceiros, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 11 de junho de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Outros Tributos e Contribuições Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). INCIDÊNCIA. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art. 3º, da Lei n. 11.457, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Havendo exclusão do Simples Nacional, a empresa excluída sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, tornandose, portanto, descabida a suspensão do julgamento do processo de exigibilidade do crédito tributário não levado à tributação. GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A constituição de várias empresas que ocupam um mesmo espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social (ensino), utilizam o mesmo corpo funcional e bens móveis e imóveis, estão sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, e cujos sócios possuem grau de parentesco ou afinidade entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e pulverizar receitas, caracteriza constituição de grupo econômico. Caracterizado o grupo econômico de fato, deve ser observado se o valor da soma das receitas brutas auferidas pelas empresas envolvidas ultrapassa o limite de que trata o inciso II do caput do art. 3º da Lei Complementar 123/2006, sob pena de ficar evidenciado o exercício ilegal da opção pelo Simples Nacional. Extrapolado o limite, ficam as empresas integrantes do grupo econômico excluídas do Simples Nacional. As contribuições devidas a outras entidades ou fundos não estão inseridas na responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30 da lei 8.212, de 24/07/1991, pois as Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/201169 Acórdão n.º 2803003.220 S2TE03 Fl. 5 4 mesmas foram instituídas por leis específicas e não pela Lei nº 8.212, de 24/07/1991. DESCRIÇÃO PRECISA DO FATO GERADOR. A exata determinação do fato gerador evita entendimentos contraditórios a seu respeito, deixando de gerar insegurança e incerteza para o contribuinte, permitindo que este, sem qualquer restrição, exerça seus direitos de defesa. OMISSÃO EM GFIP. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. A omissão de informações relativas a segurados contribuintes individuais nas GFIP apresentadas autoriza a exclusão de ofício do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir do próprio mês em que a empresa incorreu em tal situação. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142, do CTN. O julgador de instância administrativa não possui competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade da legislação previdenciária. A autoridade administrativa está adstrita aos atos normativos elaborados pelo Poder Executivo, não sendo de sua competência discutir sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade dos mesmos. EXCESSO DE EXAÇÃO. Não comete excesso de exação a autoridade fiscal que age nos termos da legislação tributária, comprovando a ocorrência do fato gerador, bem como a base de cálculo do tributo cobrado. JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. Com a publicação da MP 449, de 04.12.2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, a taxa SELIC passou a ser aplicada a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento. Apenas no mês de pagamento o percentual de juros de mora corresponderá a 1% (um por cento). CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA E DOS JUROS. A vedação de confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO. A Lei nº 8.212 de 24/07/1991, art. 35A, combinado com o art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 27/1296, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.951, de 27/05/2009, estabelece que nos casos de lançamento de ofício relativo às contribuições sociais, aplicase multa de ofício no percentual de 75%. Impugnação Improcedente Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/201169 Acórdão n.º 2803003.220 S2TE03 Fl. 6 5 Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Conforme se infere do teor do acórdão proferido, a impugnação apresentada pelo recorrente fora julgada improcedente, mantendose por consequência de maneira integral os lançamentos tributários, com os acréscimos legais correspondentes inclusive as multas de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). O auto de Infração ora guerreado foi lavrado ao argumento de que há diferença nos valores que deveriam ter sido recolhidos em razão da exclusão do SIMPLES NACIONAL pelo Ato Declaratório Executivo nº 25, de 08/09/2011. No entanto, de logo, convém frisar que o referido processo de exclusão do SIMPLES (10510.723287/201112) encontrase em grau de recurso no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Portanto, a decisão de exclusão não possui caráter definitivo, sendo que o crédito tributário dela decorrente está, por força de lei, com a sua exigibilidade suspensa, razão pela qual não pode e não deve ser cobrado pela administração fazendária. Ocorre que o Auditorfiscal houve por bem desconsiderando o fato de que a decisão de exclusão ainda não é definitiva, vindo a exigir os créditos tributários sob a alegação, equivocada de que não houve o recolhimento integral dos tributos devidos. A recorrente está sendo autuada duas vezes pelos mesmos fatos e pelo mesmo período. A recorrente já foi autuada pelos fatos e período aqui discutidos no processo nº 10510.723655/201114. A autoridade fiscal ao fiscalizar o contribuinte optante pelo Simples é obrigada a dispensar, por força de lei, um tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte. é nulo o Auto de Infração, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por não haver a justa causa para a sua lavratura contra o recorrente, tendo em vista inexistir qualquer ilicitude, muito menos a indicada no Auto de Infração. A multa de 75% é ilegal, confiscatória, abusiva e imoral. A taxa SELIC é manifestamente inconstitucional. Diante do exposto, data vênia, requerse o provimento do presente recurso, a fim de que sejam acolhidas as preliminares arguidas, decretandose a nulidade plena do Auto impugnado (sobretudo pela duplicidade da autuação com relação ao processo nº 10510.723655/201114), onde a recorrente já foi autuada pelo período e pelos fatos aqui debatidos), mas, no caso de serem ultrapassadas, no mérito deverá ser provido/julgado procedente o presente recurso, para fins de reconhecer a ocorrência de nulidade absoluta do Auto de Infração por exigir recolhimento de crédito tributário em desacordo com o mandamento legal do art. 151, III, do CTN, além da jurisprudência pacífica do CARF e; caso Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/201169 Acórdão n.º 2803003.220 S2TE03 Fl. 7 6 mantido o acórdão recorrido, a sua suspensão deverá ser decretada por força do que determina o aludido art. 151, III; extinguindo, assim, definitivamente o crédito tributário exigido. Em caso de manutenção da exigência fiscal, requerse a redução da multa para índice inferior 20% (vinte por cento), tendo em vista que o patamar estabelecido pela multa fiscal é considerado como sendo de natureza confiscatória no entendimento do supremo Tribunal Federal, bem como seja adequada a taxa de juros de mora ao percentual estabelecido no art. 59 da Lei 8.383/91 (1% a.m.), taxa esta que deverá incidir até a data do efetivo pagamento. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/201169 Acórdão n.º 2803003.220 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria controvertida constante destes autos diz respeito à exclusão da empresa do sistema Simples Nacional, ocorrida em 08/09/2011, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 25. Como é sabido, um dos efeitos acarretados pela exclusão, é a sujeição da empresa às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, ao invés do pagamento dos tributos de forma simplificada e com alíquotas bem menores, a empresa excluída retorna à regra geral, devendo pagar seus tributos do mesmo modo que as empresas que não integram o referido sistema. Outro importante efeito da decisão de exclusão é a bifurcação de recursos que a empresa é obrigada a manejar para não ter que pagar a tributação maior imposta pelo ordenamento jurídico. Ou seja, o contribuinte, nessas condições, acaba tendo que se defender especificamente dos efeitos da exclusão, matéria que será discutida, em segundo grau administrativo, na 1ª Seção do CARF, como também, em segundo grau administrativo, terá que se defender do lançamento da diferença perante a 2ª Seção do CARF. Assim sendo, apesar de os assuntos serem discutidos, em segundo grau administrativo, no mesmo conselho, devese destacar que, para a situação concreta, os recursos não têm efeito suspensivo. Contudo, na hipótese de a empresa recuperar as prerrogativas de optante do Simples Nacional na decisão que será prolatada na 1ª Seção do CARF, tal fato, por óbvio, deverá ser observado pela autoridade administrativa quando os autos baixarem à origem. Destarte, a questão de a decisão sobre a exclusão ainda não ser definitiva, não constitui fato impeditivo para o prosseguimento do julgamento do tributo lançado. De outra parte, também é irrelevante a informação de que a empresa foi autuada duas vezes pelos mesmos fatos e pelo mesmo período (Processo nº 10510.723655/201114). Nestes autos se discute as contribuições sociais destinadas aos Terceiros, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. No processo 10510.723655/201114, em trâmite perante a 4ª Câmara da Segunda Seção do CARF a discussão versa sobre as contribuições relativas à cota patronal, bem como a dos segurados. Vêse, portanto, que apesar de se tratar de um mesmo período, as verbas constantes de cada um dos processos são distintas, situação que afasta completamente o argumento do contribuinte. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/201169 Acórdão n.º 2803003.220 S2TE03 Fl. 9 8 Como se pode observar, não existe qualquer hipótese de anulação do auto de infração, como pretende o contribuinte. O lançamento foi realizado em perfeita harmonia com a legislação em vigor, em especial o art. 142 do CTN. No que se refere à multa aplicada, o contribuinte afirma que ela é ilegal, confiscatória, abusiva e imoral. No ponto, nada a prover. Na aplicação da multa, a autoridade administrativa já observou a regra estabelecida na MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Sobre a suposta inconstitucionalidade da taxa SELIC, também não vislumbro qualquer possibilidade de alteração do que consta nos autos. De acordo com a Súmula CARF nº 4: “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Tendo em vista o acerto da fiscalização na constituição do crédito tributário ora em discussão, bem como os corretos apontamentos contidos na decisão recorrida, nego provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003650/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I (SPO1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 65 0/ 20 07 -1 0 Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 3 2 Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. Sendo o lançamento datado de 30/11/2007, concluise que ocorreu a decadência em relação aos períodos anteriores a 30/11/2002. Preliminar deferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DILIGÊNCIA. Não é necessária a realização de diligência em terceiro para apurar fatos relativos a este processo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A instância administrativa não se manifesta a respeito de supostas inconstitucionalidades e/ou ilegalidades da legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PAGAMENTOS SEM CAUSA. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Os pagamentos à administradora de sistemas de incentivo a empregados que supostamente pagaria prêmios por produtividade e/ou desempenho a funcionários do interessado configuram pagamentos sem causa, pois não há prova da efetiva prestação e tampouco dos resultados individuais que justificariam os prêmios, e também pagamentos a beneficiários não identificados, pois os reais recebedores dos supostos prêmios não foram identificados. Lançamento Procedente em Parte.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O interessado foi autuado no IRRF sobre pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados, à alíquota de 35% sobre a base de cálculo reajustada, em 30/11/2007, relativamente a fatos geradores dos anoscalendário de 2002 a 2005, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 11.420.867,32, incluindo imposto, multas de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2007 (fis. 1 a 398). A causa da autuação foi a constatação, por parte da fiscalização, da existência de pagamentos à empresa "Incentive House Prom. Ser. Ltda.", no total de R$ 8.627.826,85, anos em tela, sem que o interessado identificasse os beneficiários dos cartões "Flexcard”, as funções de cada um, os objetivos dessas despesas e sua real necessidade, de forma que restaram caracterizados pagamentos sem causa a beneficiários não identificados (fls. 379 a389). O auto de infração de IRRF foi lavrado com fundamento legal no art. 674 e seus parágrafos do RIR/99. Houve autuação, no IRPJ e na CSLL, com glosa dessas despesas, no processo de n.° 19515.003649/200795. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 4 3 A empresa apresentou impugnação, em 27/12/2007 (fls. 402 a 409), por meio de seu procurador (fls. 409 a 422), alegando, em resumo, que: 1 é preciso realizar diligência na contratada para responder a alguns quesitos apontados; 2 ocorreu a decadência em relação aos fatos geradores de 2002, com base nos argumentos de praxe; 3 os pagamentos têm destinatário identificado e causa conhecida, pois os pagamentos à empresa "que presta os serviços motivacionais por meio de sistemas de premiação aos funcionários que alcançam maior produtividade" foram contabilizados com base em notas fiscais regulares e tais serviços contribuíram para a impugnante atingir suas metas de vendas, de forma que foram "concedidos prêmios pelo maior desempenho" de funcionários da impugnante, prêmios que, no seu entender e no da contratada, "não têm natureza de remuneração e por isso não estão sujeitos à tributação", pois "prêmios eventuais não podem ser equiparados à remuneração, que pressupõe habitualidade, vinculação hierárquica, etc."; 4 o Fisco presumiu que os valores dos pagamentos efetuados à contratada tiveram como destinatários funcionários que teriam sido beneficiados com verbas sujeitas à tributação; 5 a base legal da autuação fere os arts. 30 e 43 do CTN, pois imposto não é penalidade e pagamento não é renda; portanto, a multa representa um "bis in idem"; 6 não pode haver presunção de pagamento indireto, nem de que o beneficiário seja pessoa distinta da indicada na escrituração contábil e na documentação fiscal; 7 não cabe aplicar diretamente a base legal em tela quando existe indicação do beneficiário do pagamento, bem como indicação da causa da operação, exceto se o Fisco houvesse desqualificado tais elementos, o que não ocorreu, mas que teria exigido provas diretas e não presunção; 8 a aplicação indireta dessa base legal, para atingir as supostas remunerações, corresponde a mera presunção; 9 a empresa contratada é que deveria ser o alvo do Fisco para descobrir a relação dos funcionários que receberam os prêmios, pois somente ela possui essa relação.” O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em síntese, (i) reconheceu a decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários anteriores a 30.11.2002, considerada a ciência do lançamento ocorrida em 30.11.2007; e (ii) manter os demais créditos tributários lançados (posteriores a 30.11.2002), por ausência de prova a respeito da causa e da identificação dos beneficiários dos pagamentos realizados a título de programa de incentivo. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à nulidade dos lançamentos, em razão da impossibilidade da dupla qualificação do mesmo fato, tendo em vista que, por um lado, a Fiscalização Previdenciária teria caracterizado os valores pagos pela Contribuinte como remuneração dos seus empregados, e, por outro lado, a Fiscalização do Ministério da Fazenda entendeu que tais valores seriam "pagamentos a beneficiários não identificados”; (ii) o art. 61 da Lei nº 8.981/95 teria instituído uma penalidade, dissimulada como imposto de renda na fonte, para punir o "pagamento a beneficiário não identificado", em contrariedade ao art. 3º do Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 5 4 CTN e caracterizando, em conjunto com a multa de ofício, "bis in idem" na penalização do contribuinte; (iii) o Fisco não poderia presumir a ocorrência de pagamento a beneficiário não identificado; (iv) os pagamentos contabilizados teriam beneficiário identificado (a empresa Incentive House) e causa igualmente conhecida, qual seja, o programa de incentivo aos funcionários da Contribuinte; (v) a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95 exigiria a desqualificação da contratação entre a Contribuinte e a empresa Incetive House, o que não aconteceu no caso. Segundo a Contribuinte, o art. 61 da Lei nº 8.981/95 teria sido aplicado "indiretamente: sem prova da ausência de efetividade da operação contratada"; (vi) a Fiscalização deveria ter intimado a empresa Incentive House para que fosse disponibilizada a relação de funcionários que receberam os prêmios; (vii) como a empresa Incentive House teria sido contratada para gerir o programa, seria cabível a realização de diligência para que fossem identificados os funcionários beneficiários dos incentivos; e (viii) com base nos documentos anexados ao recurso voluntário, os beneficiários teriam sido identificados. Esse processo foi originariamente distribuído para exame da 2a Turma Ordinária, da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, a qual declinou da respectiva competência por meio do Acórdão n. 2102002.468, assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRRF.INFRIGÊNCIA À LEGISLAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DAS TURMAS DA 1ª SEÇÃO DO CARF. É de competência das Turmas da 1ª Seção do CARF os litígios envolvendo o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso voluntário que deve ser enviado para a 1ª Seção do CARF, para sorteio. Recurso não conhecido no âmbito das Turmas da 2ª Seção do CARF.” É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, o lançamento de IRRF objeto deste PA decorre do fato de que a Contribuinte não teria identificado os beneficiários, a causa e o efetivo pagamento (a esses beneficiários) de valores objeto do contrato de prestação de serviços e outras avenças celebrado com "Incentive House Prom. Ser. Ltda.", cujo objeto é a prestação de serviços de incentivo e fidelização, mediante utilização do cartão eletrônico denominado Cartão Flexcard. (que seria entregue aos beneficiários em contrapartida ao cumprimento de metas de trabalho e performance). Vejase, nesse sentido, trecho do termo de verificação fiscal, verbis: Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 6 5 “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e dando seqüência aos exames fiscais iniciados em 28/02/07, bem como à Intimação de 05/04/07, verifiquei que a empresa em epígrafe utilizouse do cartão Flexcard com pagamentos à Incentive House Prom.Serv. Ltda., num total de R$ 8.627.826,85, para os anoscalendário de 2002 a 2005, conforme relação em anexo fornecida pelo contribuinte. Em expediente de 12/06/07, o contribuinte informa que ainda não localizou os documentos necessários e que haviam sido solicitados na Intimação de 05/04/07, quais sejam: beneficiários dos cartões Flexcard, o valor colocado à disposição do usuário, as funções de cada um na empresa, os objetivos dessas despesas e sua real necessidade para as atividades da empresa. Tendo em vista que até o momento a empresa não identificou os beneficários, fica constatado que tais despesas são desnecessárias às atividades do contribuinte, posto que se referem a pagamentos sem causa, bem como a não identificação dos beneficiários, nos termos dos arts. 304 e 674, parágrafos 1o, 2° e 3°, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim expressos:” Em impugnação e recurso voluntário, a Contribuinte traz notícia da lavratura de lançamento para a exigência de contribuições previdenciárias sobre esses mesmos valores (DEBCAD n. 37.013.5237 e Auto de Infração n. 37.013.5245, de 26.10.2006). Paradoxalmente, a acusação fiscal nesse lançamento previdenciário, lavrado anteriormente ao lançamento objeto deste PA, é o efetivo pagamento de remuneração (indireta) a beneficiários que prestaram serviços à Contribuinte no período respectivo. O acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre a intuitiva “contradição” entre as acusações acima citadas. Ao contrário, negou expressamente que o Fisco tivesse reconhecido o destino dos recursos aos funcionários1. Sem adentrar ao exame do mérito do recurso, é seguro afirmar que uma de duas: (a) ou bem os pagamentos em referência foram feitos em contrapartida à prestação de serviços por trabalhadores pessoas físicas (empregados ou não) perfeitamente identificados, o que poderia levar à procedência do lançamento previdenciário mas, em contrapartida, à improcedência dos autos de infração objeto desse PA (já que, nessa hipótese, não haveria que se falar em pagamento a beneficiário não identificado); (b) ou bem os pagamentos em referência não foram destinados a beneficiários pessoas físicas que prestaram serviços à Contribuinte, o que poderia levar à procedência dos autos de infração sob julgamento, mas certamente implicaria insubsistência do lançamento previdenciário. Nesse sentido, ante a contradição levada a efeito pela própria RFB e demais elementos constantes dos autos, indispensável a conversão do julgamento em diligência para que seja adotada pela E. Delegacia da Receita Federal da jurisdição da Contribuinte as seguintes providências: ( i ) sejam juntados aos autos cópia integral do Processo Administrativo relativo aos lançamentos de contribuições previdenciárias, cujo traslado deverá fazer especial destaque aos documentos que serviram de base para a RFB constituir créditos de contribuições previdenciárias; ( ii ) seja intimada a Contribuinte e a Incentive House para que esta informe a relação discriminada de todos os beneficiários aos quais foram 1 "É improcedente o argumento de que o Fisco presumiu que os valores dos pagamentos efetuados à contratada tiveram como destinatários funcionários, pois a própria impugnante sustenta o fato, embora sem quaisquer provas. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/200710 Resolução nº 1102000.235 S1C1T2 Fl. 7 6 entregues os Cartões Flexcard de que trata o contrato de prestação de serviços objeto desse processo administrativo, com (a) identificação de nome, CPF e endereço; (b) indicação de datas e valores, acompanhada dos respectivos comprovantes de entrega ou qualquer outro elemento de prova que comprove tal entrega e (c) indicação do vínculo respectivo do beneficiário com a Contribuinte. Caso os cartões sejam entregues diretamente à Contribuinte para repasse aos beneficiários, intimar a Contribuinte para que forneça os comprovantes de entrega dos cartões aos beneficiários ou qualquer outro documento que lhes faça as vezes; ( iii ) verificar e atestar, de forma conclusiva e fundamentada, em diligência perante a Contribuinte, Incentive House e, a critério da Fiscalização, os beneficiários, (a) a correção dos dados informados pela Contribuinte na planilha de que trata o item (ii) supra; e (b) quais beneficiários possuem vínculo de trabalho (com vínculo de emprego ou não) com a Contribuinte, indicando especificamente em relação a cada um deles a natureza do respectivo vínculo, as datas e os valores por eles recebidos por força dos Cartões Flexcard, cotejando as informações com as notas fiscais emitidas pela Incentive House. ( iv) Para a providência solicitada no item (iii) supra pedese sejam verificados também extratos dos cartões e outros documentos bancários que possam comprovar as informações constantes da planilha referida no item (ii) e a efetiva fruição dos valores pelo respectivo beneficiário. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004178/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA
É improcedente a legação de utilização de prova ilícita, quando restar demonstrado que os documentos originários da investigação policial foram desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em litígio.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. TRIBUTAÇÃO.
O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o Lucro Líquido e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin (Relatora) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao ano-calendário de 2006. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA É improcedente a legação de utilização de prova ilícita, quando restar demonstrado que os documentos originários da investigação policial foram desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em litígio. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. TRIBUTAÇÃO. O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o Lucro Líquido e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado
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UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA É improcedente a legação de utilização de prova ilícita, quando restar demonstrado que os documentos originários da investigação policial foram desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em litígio. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. TRIBUTAÇÃO. O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o “Lucro Líquido” e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado “Lucro Depois do Imposto de Renda”. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 78 /2 00 9- 82 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 507 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin (Relatora) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao anocalendário de 2006. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/FNS/SC. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Mediante auto de infração de folhas 273 a 280, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 168.105,87 de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, relativo aos anoscalendários de 2006 e2007. Conforme consta do referido auto de infração, os fatos que o originou foram: 1) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não identificada, no valor de R$ 155.185,67, creditados em contacorrente no ano de 2007, e 2)omissão de rendimentos, mantidos à margem de tributação, no importe de R$ 463.623,37, relativa ao anobase de 2006. Do procedimento fiscal: De acordo com os Termos de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 281 a 292), os autuantes relatam, em resumo, o que segue: Pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 0920400.2008.002822, foi determinado à realização de procedimento de fiscalização no contribuinte em epígrafe, tendo Fl. 507DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 508 3 por escopo o tributo IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Ulteriormente, o período abrangido pelo procedimento foi alterado, com a inclusão do ano de 2006 no escopo da verificação. A instauração efetiva do procedimento processouse pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, por meio do qual foram demandadas as informações e/ou elementos reputados necessários ao desenlace da investigação. Além deste termo, também foram lavradas quatro intimações fiscais contra o fiscalizado, visando à obtenção de documentos e/ou esclarecimentos acerca de possíveis fatos geradores de imposto de renda, bem como intimações em desfavor de terceiro: TC Transporte e Logística Ltda. Na esteira dos procedimentos realizados, restaram configuradas às infrações a seguir explicitadas: 1) Rendimentos Tributáveis Não Oferecidos à Tributação Após as intimações realizadas, com os respectivos atendimentos, verificaramse adiantamentos ao sócio Joaquim nos valores de R$ 763.775,03 e de R$ 235.561,27 (R$ 152.187,07 + 1/3 de R$ 250.122,59), nos anos de 2006 e 2007, respectivamente, que, em princípio, não integravam a sua Declaração de Ajuste Anual. A propósito de informar ao beneficiário os valores assim levantados, dentre outros, foi produzida a Intimação Fiscal n° 04 (fls. 228 a 231). por meio da qual o contribuinte foi instado a confirmar, ou não, os eventos especificados, bem como a esclarecêlos à luz das suas declarações de ajuste. Em resposta, o interessado confirmou o recebimento. No entanto, a despeito dos adiantamentos efetivamente consignados ao sócio Joaquim, por ocasião dos lançamentos de baixa nada lhe foi atribuído, consoante evidenciam os razões contábeis acostados às fls. 251 a 262. Além disso, a distribuição ao final registrada também se apresenta absolutamente incongruente, notadamente em relação à participação no capital social, que não respeitava o percentual de participação de cada sócio. A empresa, em esclarecimento à fiscalização, alegou que utiliza critérios diversos da proporcionalidade. Em face das circunstâncias suso explicitadas, restou demonstrado que não são dignos de fé os lançamentos consignados a título de distribuição de lucro, na escrita comercial da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Além dos valores citados, a TC Transportes e Logística ainda lhe atribuiu, no ano de 2006. pagamentos registrados sob as rubricas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros" (fl. 245). O contribuinte em atenção à intimação fiscal, ratifica o auferimento das quantias, todavia asseverando que dizia respeito à antecipação de lucros. No cenário delineado, foi apurada a distribuição de lucros de acordo com proporcionalidade da participação no capital social. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 509 4 Sob esta regra, considerando que o lucro total distribuído no ano de 2006, na forma do razão contábil acostado às fls. 257, foi de R$ 650.000,00; e, a participação no capital de 35%; apurou se o lucro do sócio Joaquim no valor de R$ 227.500,00 (R$ 650.000,00 X 35%). Desse modo, o valor efetivamente auferido pelo sócio Joaquim foi de R$ 618.123,37, considerando que dos R$ 763.775,03, foram devolvidos R$ 145.651,66, além do montante de R$ 73.000,00, lançado nas contas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros". Assim, o valor total efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, é de R$ 691.123,37, que correlacionado com o lucro que lhe corresponde, mensurado em R$ 227.500,00, evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37 (R$ 691.123,37R$ 227.500.00). Nesse compasso, inferiuse que os valores efetivamente pagos, no ano 2006 e que excedem os lucros mensurados, representam rendimentos que ensejam tributação, 2) Omissão de Rendimentos Créditos Bancários Não Comprovados Analisada a movimentação bancária do sujeito passivo em pauta, foi o contribuinte instado a comprovar, por documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos/depósitos então especificados. Todavia, o fiscalizado logrou identificar apenas a procedência de alguns créditos, notadamente das empresas TC Transportes e Logística Ltda e Prolift. Em relação aos demais, consignou que ainda não havia identificado os remetentes. Assim, onde constou a informação de remetente ainda não identificado, a origem efetivamente restou não comprovada, em virtude do que foi alvo de tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Afora isso, é importante deixar assentado que, no curso do procedimento fiscal realizado, foram analisados documentos carreados no bojo do Inquérito Policial n° 0184/2008. Todavia, adveio decisão judicial, na qual se reconheceu a nulidade de toda prova oriunda da interceptação telefônica realizada nos autos n° 2007.72.00.0139465, bem como a imprestabilidade como prova dos documentos apreendidos. Assim, em homenagem à decisão judicial, os elementos originários da investigação policial foram desconsiderados/inutilizados, não mais integrando o procedimento administrativo ora levado a cabo. Outrossim, a fiscalização informou ainda que, ante a identificação de situações que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, foi providenciada à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 510 5 Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta, mediante procurador (folha 293), a impugnação de folhas 297 a 323, na qual expõe suas razões de contestação: No primeiro tópico da impugnação Dos fatos Da origem do auto de infração, narra que em 14.04.2008 foi instaurado o inquérito policial n° 184/08, para investigar suposta organização criminosa com atuação em Itajaí, Balneário Camboriú e Blumenau, em face de notíciacrime verbal do Auditor Fiscal da Prefeitura Municipal de Itajaí, informando irregularidades no recolhimento do ISS. Não obstante inexistir qualquer procedimento administrativo fiscal deflagrado contra o impugnante, a autoridade policial requereu, em 07.05.08, dentre inúmeros pedidos dirigidos a MM. Juíza da Vara Federal Criminal em Florianópolis, mandados de busca e apreensão em alguns endereços residenciais e comerciais, bem como a quebra do sigilo bancário e fiscal da impugnante, e o compartilhamento de dados com a Receita Federal, inclusive, "o fornecimento de cópias de peças e material cognitivo produzidos nestes autos". Após a manifestação favorável do representante do Ministério Público Federal, a MM. Juíza, em 16.06.08, deferiu a quebra do sigilo bancário e fiscal do impugnante, bem como mandado de busca e apreensão. Cumpridos os mandados de busca e apreensão e autorizadas as quebras dos sigilos bancários e fiscais, foram os documentos encaminhados à Delegacia da Receita Federal, que deu início à fiscalização junto à impugnante. Refere que apresentou à fiscalização justificativa acerca da impossibilidade de cumprimento das exigências formuladas, em face das buscas e apreensões, deflagradas pela autoridade policial, que apreenderam inúmeros documentos, que, frisese, não foram devolvidos ainda à impugnante, e requereu a dilação do prazo para a apresentação dos documentos exigidos. Ao final do procedimento, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, em 16.07.09, originando o Auto de Infração, ora esgrimido (ciência em 20.07.09), em face de não oferecer à tributação rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. Todavia, assevera que a pretensão fiscal não há que prosperar, porquanto não foram respeitados os mais comezinhos princípios de direito quando da análise dos documentos que puderam ser apresentados, aliado à impossibilidade de utilização de documentos obtidos por força de mandado de busca e apreensão, cuja decisão foi revogada. Na seqüência, apresenta preliminar, sob o título DAS PROVAS ILÍCITAS DOCUMENTOS OBTIDOS POR FORÇA DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DEFERIDAS NO INQUÉRITO POLICIAL N° 184/08 (2008.72.00.0067446) DECISÃO DA MM. JUÍZA DA VARA FEDERAL CRIMINAL QUE REJEITOU A DENÚNCIA E INDEFERIU O PEDIDO DE COMPARTILHAMENTO DAS INFORMAÇÕES Fl. 510DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 511 6 IMPRESTAB1L1DADE DOS DOCUMENTOS APREENDIDOS PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO. Nesse tópico, defende a nulidade o Auto de Infração, devido à declaração de ilegalidade da operação policial conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal (Inquérito Policial n° 2008.72.00.0067446/SC) e decorrente anulação de todas as provas obtidas naquelas operações. Ressalta a impugnante que, embora a autoridade fiscal informe que teria expurgado dos autos as provas ilícitas, o início da fiscalização está amparado nos mandados de busca e apreensão deflagrados contra ela e que só foi alvo de fiscalização por força da decisão judicial já revogada. Portanto, tendo a MM. Juíza da Vara Federal Criminal indeferido o compartilhamento dessas informações, vez que não podem servir para qualquer finalidade, seja criminal, civil ou administrativa, o presente AI é nulo, porque sua origem foi assim declarada. Invoca o art. 5º, LVI da Constituição Federal, que consagra a necessidade da licitude dos meios de prova utilizados nos processos, aduzindo que na esfera do processo administrativo tributário a proibição da prova ilícita está expressamente prevista no art. 30 da Lei n° 9.784, de 1999. Cita doutrina sobre o assunto e transcreve trechos da decisão que reconheceu a nulidade da prova oriunda da interceptação telefônica realizada nos autos n° 2007.72.00.0139465. No tópico destinado as alegações de mérito, o impugnante tece as seguintes considerações. Discorre acerca da infração "001 Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada". Destaca que, para que um determinado valor de depósito seja considerado "omissão de receitas" forçosamente teria de restar inequívoca a ausência de "capacidade econômica" do contribuinte em arcar com o referido valor. Nesse tocante, em nenhum momento, os agentes fiscais empreenderam qualquer demonstrativo e/ou levantamento tendente a demonstrar a ausência de "disponibilidade econômica" dos valores depositados e/ou de que tais valores depositados não se referem a "Rendimentos contidos dentre aqueles declarados em sua DIRPF", ou dentre aqueles adiantados pela "TC Transportes e Logística Ltda" já que, nesse sentido, no mesmo relatório, os agentes fiscais descrevem que o contribuinte, durante 2006 recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 618.123,32 (o valor correto é R$ 620.473,37Anexo II) e que durante 2007 recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 235.561,27 (o valor correto é R$182.178,47 Anexo II). No que se refere ao item "002 Omissão de Rendimentos", o defendente pondera que em todos os documentos contábeis apresentados pela empresa "TC Transportes e Logística Ltda" é clara a indicação dos valores entregues ao impugnante a título Fl. 511DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 512 7 de adiantamento de lucros no anocalendário de 2006, exceto o valor de R$ 44.000,00 lançado por engano na conta "Despesas de Fretes Pessoa Jurídica" e o valor de R$ 29.000,00, lançado por engano na conta "Comissões sobre Fretes", e estes valores não são o objeto da inusitada conclusão do agente fiscal. Ressalta que os citados R$ 73.000,00 foram lançados indevidamente como despesa pela "TC Transportes e Logística Ltda" (R$ 44.000,00 Despesa de Frete e R$ 29.000,00 Comissões s/ Frete), e justamente por não se referirem a despesas efetivas, são meros adiantamentos de lucros ao sócio. No que toca à descaracterização das importâncias creditadas ao impugnante como adiantamento de lucro, protesta quanto ao procedimento adotado, no seu ver, não cabe ao agente fiscal o arbítrio quanto ao valor da parcela de lucros que caberia a cada um dos sócios/quotistas, muito menos no caso concreto, tendo em mira que claramente os ilustres agentes fiscais desconhecem os critérios de cálculo, dos quais não lhe é facultado discordar do critério que lhe foi explicitado já nas respostas à intimação. Prossegue aduzindo que para que os referidos valores sejam tratados na beneficiária como receita (valores definitivamente recebidos pelo sócio por conta de remuneração de seus serviços prestados à sociedade), esses mesmos valores deveriam ser admitidos como despesa dedutível na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. o que não ocorreu. Por fim, arremata que não há nos autos documentos e/ou provas que sustentem o alegado valor da suposta "omissão de rendimentos" no valor de R$ 403.623,37, conforme consta do item "002 Omissão de Rendimentos", até porque, diante de tudo o que foi descrito, tecnicamente não se pode sequer afirmar que houve o alegado "excesso de antecipação de lucros" em relação ao lucro gerado em 2006, pois a intenção dos ilustres agentes fiscais formalizada em Auto de Infração específico, é a glosa de mais de R$ 11.000.000,00 de despesas, cuja alegação é a de não terem sido comprovadas as referidas despesas, e cujo único destino contábil possível é a conta de lucros acumulados, visto que pretensamente incluídas na base de calculo de IRPJ e CSLL, os quais deveriam ser somados aos R$ 650.000,00 de lucros distribuídos em 2006, e aplicados o percentual de 35% de participação desse sócio no capital social.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 392/403, que restou assim ementado: ALEGAÇÃO DE USO DE PROVA ILÍCITA Não configura uso de prova ilícita quando toda informação, documentação e escrituração físcalcontábil que fundamentou o lançamento foi apresentada pelo sujeito passivo ou pela fonte pagadora, diretamente à autoridade fiscal, em procedimento diverso daquele que foi objeto da manifestação judicial. Ademais, o procedimento fiscal prescinde de qualquer elemento Fl. 512DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 513 8 de prova, ou indício, de ocorrência de infração fiscal para ser deflagrada. DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. A fim de não restar caracterizada a omissão de rendimentos, por se tratar de presunção legal, compete ao depositário dos recursos, demonstrar a origem dos valores creditados em sua contacorrente, e não ao fisco. EXCESSO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. A distribuição de lucros em valores acima dos lucros auferidos pela sociedade empresária é considerada fato gerador de Imposto de Renda Pessoa Física. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO E FORMALIZAÇÃO DO ACORDO ENTRE OS SÓCIOS. Não há óbice para a distribuição desproporcional de lucros, em relação ao percentual de quotas que cada sócio possui, desde que o acerto referente à distribuição seja devidamente formalizado, por instrumento próprio. Regularmente cientificado daquele acórdão em 10/03/2011 (fl. 406), o contribuinte, representado por seu advogado (fl. 293), interpôs recurso voluntário de fl. 407/434, em 11/04/2011, no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação. Conforme Resolução nº 2801000.240 (fls. 437/444), o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fossem anexados aos autos a decisão definitiva proferida no Processo 11516.004211/200974 e o detalhamento dos cálculos para ajuste do AI à decisão definitiva. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 446/505, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, é de se rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, pois ao contrário do que afirma o peticionário, ficou esclarecido no Termo de Verificação Fl. 513DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 514 9 Fiscal (fl. 289), que em cumprimento à decisão do poder judiciário, os elementos originários da investigação policial foram desconsiderados/inutilizados, não mais integrando o procedimento administrativo ora levado a cabo. Foi informado, ainda, que, a rigor, apenas um único documento da investigação policial havia sido utilizado, notadamente a tabela de preços anexada a Intimação Fiscal n° 02, como parte integrante do seu item 4. Observase que a referida tabela foi usada na intimação para demonstrar inconsistências concernentes aos valores dos imóveis declarados pelo contribuinte em sua DIRPF/2007. Como se verifica nos autos, não houve apuração de qualquer infração correlacionada com tal questão. Ademais, como bem registrou a decisão recorrida, o recorrente não apontou especificamente quais provas, que fundamentaram o lançamento, tiveram origem na operação policial conjunta com Secretaria da Receita Federal do Brasil e que foram consideradas inválidas na decisão do Inquérito Policial. Portanto, não há que se falar em utilização ilícita de documentos no presente caso. No mérito, relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, não merece reparos a decisão de primeira instância, que já excluiu a parcela lançada indevidamente e cujo entendimento, transcrito a seguir, adoto como razões de decidir: “Com fulcro na legislação colacionada, apesar de não impugnado pelo contribuinte, conforme Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, de fls. 281 a 293, verifico que o somatório dos créditos bancários sem origem comprovada de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, relativos ao anocalendário de 2007, atingiu o montante anual de R$ 53.551,29, abaixo do valor de R$ 80.000,00, previsto no art. 4o da Lei n° 9.491/1997; portanto, tais créditos bancários, mesmo sem sua origem integralmente comprovada, devem ser excluídos do montante da infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". Quanto aos demais créditos obtidos, em que pese às alegações do contribuinte, a infração restou caracterizada. No caso em comento, a simples falta de comprovação da origem dos créditos, é suficiente para se configurar a omissão de rendimentos, sendo desnecessária a comprovação por parte do fisco da ausência de capacidade econômica. Este é o reflexo do instituto da presunção legal. Além disso, é de se assinalar que, conforme descreve o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal, somente foram considerados para a apuração do débito, o depósitos, de fato, não identificados pelo fiscalizado. Aqueles em que o contribuinte identificou como sendo depositado pela Fl. 514DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 515 10 empresa TC Transportes e Logística Ltda. ficaram afastados de incidência do imposto de renda (fls. 224 a 227).” Importa, ainda, salientar que a tributação dos depósitos bancário já é matéria sumulada de forma diversa ao entendimento do recorrente, pela Súmula CARF nº 26, a saber: “ A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Assim, restando não comprovada a origem dos recursos depositados nas contascorrentes de titularidade da contribuinte, considerase acertada a tributação do total dos depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996. Na presente autuação também se apurou omissão de rendimentos de valores efetivamente pagos, no ano de 2006, e que excederam os lucros mensurados da empresa TC Transportes e Logística Ltda., da qual o contribuinte é sócio, tendo em vista as inconsistências evidenciadas no âmbito dos registros da fonte pagadora e nas informações constantes da respectiva DIRPF do contribuinte. Ocorre que a referida empresa foi autuada, consoante lançamento de ofício constante do Processo 11516.004211/200974, que resultou na alteração/acréscimo do seu lucro real do anocalendário 2006. Portanto, o que for decidido naquele processo poderá ter efeitos no exame da infração de excesso de lucros distribuídos em questão. Assim, considerando esses fatos como óbice para prosseguir com o julgamento, o processo foi convertido em diligência à unidade de origem, para que fossem anexados aos autos a decisão definitiva proferida no Processo 11516.004211/200974, bem como o detalhamento dos cálculos para ajuste do AI à decisão definitiva. Em atendimento à solicitação de diligência, foram juntados ao presente processo os documentos de fls. 446 a 504, referentes ao processo administrativo nº 11516.004211/200974 em nome de TC Transportes e Logística Ltda. À fl. 505, a autoridade responsável pela realização da diligência informou que o referido processo administrativo foi encaminhado pela ARF/Itajaí para inscrição em Dívida Ativa da União, visto que não houve por parte da empresa interposição de recurso especial ou pagamento/parcelamento do crédito tributário mantido após os julgamentos de 1ª e 2ª Instâncias. De acordo com os documentos apresentado em decorrência do procedimento diligência, verificase que o resultado definitivo da base tributável/lucro real apurado no Processo 11516.004211/200974, referente ao anocalendário de 2006, corresponde ao montante de R$ 12.687.582,27 (valor lançado R$12.792.818,18 menos os valores cancelados nos julgamentos de 1ª instância R$ 50.535,91 e 2ª instância R$ 54.700,00). Considerando que houve um incremento de R$ 12.687.582,27 no lucro real da empresa, conforme apuração decorrente do mencionado procedimento de ofício, não há que se falar que os valores efetivamente pagos ao contribuinte (R$ 691.123,37), no anocalendário de 2006, excedem em R$ 463.623,37 os lucros mensurados, consoante proporcionalidade da Fl. 515DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 516 11 participação do contribuinte (35%) no capital social da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Portanto deve se cancelada a correspondente omissão de rendimentos, pois são rendimentos isentos os lucro distribuído aos sócios pela pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real até o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica deduzido dos tributos correspondentes. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao anocalendário de 2006. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado Quanto à infração de “Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada”, acompanho a Ilustre Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Permitome discordar, no entanto, em relação à infração de ‘Omissão de Rendimentos Não Oferecidos à Tributação”, pelos motivos que passo a expor. Os fundamentos utilizados para dar provimento parcial ao recurso estão explicitados nos seguintes excertos do voto da Relatora, verbis: De acordo com os documentos apresentado em decorrência do procedimento diligência, verificase que o resultado definitivo da base tributável/lucro real apurado no Processo 11516.004211/200974, referente ao anocalendário de 2006, corresponde ao montante de R$ 12.687.582,27 (valor lançado R$12.792.818,18 menos os valores cancelados nos julgamentos de 1ª instância R$ 50.535,91 e 2ª instância R$ 54.700,00). Considerando que houve um incremento de R$ 12.687.582,27 no lucro real da empresa, conforme apuração decorrente do mencionado procedimento de ofício, não há que se falar que os valores efetivamente pagos ao contribuinte (R$ 691.123,37), no anocalendário de 2006, excedem em R$ 463.623,37 os lucros mensurados, consoante proporcionalidade da participação do contribuinte (35%) no capital social da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Portanto deve se cancelada a correspondente omissão de rendimentos, pois são rendimentos isentos os lucros distribuídos aos sócios pelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real até o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica deduzido dos tributos correspondentes. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 517 12 Entendeu a Nobre Relatora que o incremento verificado no lucro real da empresa que efetuou os pagamentos ao Recorrente, em decorrência do procedimento fiscal contra ela instaurado, fariam com que os valores recebidos pelo Interessado não excedessem os lucros mensurados consoante proporcionalidade no capital da empresa TC Transportes e Logística Ltda. De conseguinte, os rendimentos seriam isentos, porquanto não alcançariam o valor que serviu de base de cálculo para o IRPJ, estando albergados pela norma isentiva do art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de novembro de 1995. Ocorre que os valores supostamente recebidos a título de distribuição de lucros pelo Interessado, em face da sua qualidade de cotista da empresa, foram expurgados no cálculo do valor tributado, sobejando tão somente valores passíveis de tributação, conforme passo a demonstrar. Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 279/290 deste processo digital, que no anocalendário de 2006, sob a rubrica “ADIANTAMENTO A DIRETORES", o valor total pago ao sócio Joaquim foi de R$ 763.775,03. Por conta de registro de devolução na contabilidade, no montante de R$ 145.651,66, o valor efetivamente auferido, confirmado pelo Recorrente, foi de R$ 618.123,37 (R$ 763.775,03 R$ 145.651,66). O Interessado ratificou, também, o recebimento de R$ 73.000,00, lançado nas contas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros". Assim, o valor total efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, foi de R$ 691.123,37 (R$ 618.123,37 + R$ 73.000,00), que diminuído do lucro que lhe corresponde, mensurado em R$ 227.500,00 (35%), evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37 (R$ 691.123,37 R$ 227.500,00). Confira: Sob esta regra, considerando que o lucro total distribuído no ano de 2006, na forma do razão contábil acostado às fls. 257, foi de R$ 650.000,00; e, a participação no capital de 35%; apurase o lucro do sócio Joaquim no valor de R$ 227.500,00 (R$ 650.000,00 x 35%). (...) Compulsando o lucro assim determinado, com os pagamentos efetivamente lhe realizados, resultam diferenças pagas a maior. No anocalendário de 2006, sob a rubrica "45 ADIANTAMENTO A DIRETORES", na forma do demonstrativo constante às fls. 245 a 247, o valor total pago ao sócio Joaquim foi de R$ 763.775,03. Não obstante, em 20/12/2006 consta o registro de devolução no valor de R$ 145.651,66, de forma que o valor efetivamente auferido é de R$ 618.123,37 (763.775,03 145.651,66). Além deste montante ainda recebeu pagamento de R$ 73.000,00, lançado nas contas de custo/despesa intituladas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" (fls. 244) e "Comissão a Terceiros" (fls. 245). Assim, o valor total efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, é de R$ 691.123,37, que correlacionado com o lucro que lhe corresponde, mensurado em R$ 227.500,00, evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37 (R$ 691.123,37 R$ 227.500,00). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 518 13 A leitura dos trechos em destaque demonstra que o incremento no lucro decorrente da ação fiscal levada a cabo na pessoa jurídica não poderia ser considerado para justificar a isenção sobre os “rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação”, porquanto a parcela de lucros isenta fora excluída do cálculo dos valores tributáveis. Em outras palavras: o lucro líquido da empresa, seja qual for o seu valor, não tem o condão de isentar os “rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação”, haja vista que estes rendimentos não estão contemplados na distribuição de lucros isentos do imposto de renda. Esmiuçando mais este entendimento: a Autoridade lançadora entendeu que o total do lucro distribuído foi de R$ 650.000,00. Considerando a participação no capital do Recorrente, no percentual de 35%, apurou o lucro do Interessado em R$ 227.500,00 e o exclui da base de cálculo do lançamento. Assim, pouco importa o quantum do lucro apurado na pessoa jurídica, pois qualquer que fosse ele seria excluído da base de cálculo dos rendimentos não oferecidos à tributação, haja vista que estes (os rendimentos não oferecidos à tributação) não revestem a natureza jurídica de distribuição de lucros pagos a cotistas e que estão isentos do imposto de renda. É o que se verá a seguir. Importante distinguir, por primeiro, a participação nos lucros destinada a administradores da distribuição de lucros ofertada aos sócios cotistas ou acionistas, esta isenta, aquela tributável pelo imposto de renda. Nas Ciências Contábeis são identificadas cinco acepções para a palavra "lucro", a depender da fase em que se encontra na apuração do resultado do exercício. A demonstração do resultado incorpora todas as receitas e despesas de um determinado exercício e os lucros estão nela dispostos em cinco etapas, evidenciadas, com precisão, por José Carlos Marion (Contabilidade empresarial, 12ª edição, Atlas, 2006, p. 112 e ss.): a) Lucro Operacional Bruto ou, simplesmente, Lucro Bruto; diferença da receita líquida (receita oriunda da venda de mercadorias desconsiderandose os abatimentos, as devoluções e os impostos) e o custo das mercadorias vendidas; b) Lucro Operacional Líquido ou, simplesmente, Lucro Operacional (corresponde ao lucro relacionado ao objeto social da empresa): é o Lucro Bruto subtraído das Despesas Operacionais da empresa (despesas da empresa com a sua atividadefim); c) Lucro Antes do Imposto de Renda: é o Lucro Operacional somado ao Resultado não Operacional da empresa (Receitas não Operacionais menos Despesas não Operacionais), a partir do Lucro Antes do Imposto de Renda é que se apura, em separado, o Lucro Real base de cálculo do imposto de renda; d) Lucro Depois do Imposto de Renda: é o Lucro Antes do Imposto de Renda subtraído do valor a ser pago a título de Imposto de Renda; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 519 14 e) Lucro Líquido: é o Lucro Depois do Imposto de Renda subtraído das participações previstas nos estatutos, de debêntures, de empregados, de administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados. Configura a sobra líquida que será posta à disposição dos sócios ou acionistas, ou será apropriada em reserva, ou será capitalizada pela sociedade. Das definições acima delineadas colhese que o lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o “Lucro Líquido” e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado “Lucro Depois do Imposto de Renda”. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Dito de outra forma: quando se fala em distribuição de lucros aos sócios ou acionistas, está se falando na obtenção de lucros tendo por base de pagamento o Lucro Líquido, último item da Demonstração do Resultado do Exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Com efeito, somente o sócio ou acionista tem capital aplicado. O administrador somente o terá se revestir também a qualidade de um dos dois, hipótese em que poderá receber a participação nos lucros ou a distribuição de lucros, ou ambas as parcelas. O que se está querendo dizer é que o administrador, ao contrário do sócio ou acionista, não tem o seu quinhão fixado em decorrência do número de suas cotas ou da qualidade de suas ações, mas sim vinculado ao seu cargo na empresa, atrativo adicional da sua remuneração, verdadeiro pro labore, inconfundível com a distribuição de lucros destinada aos cotistas ou acionistas em geral e objeto da Lei nº 9.249/1995. Admitir que a participação paga ao administrador goza da isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/1995 significaria fomentar o comportamento elisivo constante em substituir a remuneração do administrador (tributada na fonte pelo imposto de renda) pela distribuição de lucros aos sócios ou acionistas (isenta de imposto de renda). Não parece ter sido este o escopo da lei. Ao isentar os lucros ou dividendos recebidos pelos sócios ou acionistas o legislador intencionou fomentar a atividade empresarial estimulando o comportamento daqueles que assumem riscos, inserindo capital na sociedade. Pois bem. No caso concreto, o Livro Razão de fls. 249/260 deste processo digital revela que o Interessado recebeu, em 2006, rendimentos lançados a débito da rubrica “45 Adiantamentos a Diretores”. Por outro lado, a rubrica “142 Lucros Acumulados” evidencia, no ano de 2006, que apenas os valores da distribuição de lucros a Carlos Alberto Wanzuit e a Reidil Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Acórdão n.º 2801003.387 S2TE01 Fl. 520 15 Cleber Cesca (demais sócios) foram baixados, em 31/12/2006, tendo como contrapartida a rubrica “45 Adiantamentos a Diretores”. Os valores pagos a Joaquim Roberto Vanhoni, sob a denominação de “Adiantamento a Diretores”, diferentemente do que ocorrera com os outros dois sócios, não foram baixados no final do exercício em contrapartida à conta de “Lucros Acumulados”. Significa dizer os valores recebidos pelo sócio Joaquim, ora Recorrente, eram, em verdade, rendimentos pagos pelo exercício da função de diretor, e não distribuição de lucros isenta do imposto de renda, pelo que são tributáveis, a teor do que dispõe o art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (Enquadramento Legal, à fl. 277), assim descrito: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Esclareço, por fim, que o sócioadministrador pode muito bem ser simultaneamente remunerado por parcelas isentas de tributação (derivadas da obtenção de lucro pela pessoa jurídica) e parcelas tributáveis (derivadas da obtenção de renda em decorrência das atividades de administrador). Na espécie, o Livro Razão não deixa nenhuma dúvida de que os rendimentos não oferecidos à tributação decorreram da atividade de administrador do Recorrente, porquanto não baixados, no final do exercício, contra a rubrica contábil (Lucros Acumulados) na qual são apropriados os valores que serão distribuídos a título de lucro aos sócios e que são isentos de imposto de renda. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 11065.002706/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO.
Comprovado nos autos que o trânsito em julgado das decisões judiciais desfavoráveis ao contribuinte foi certificado anteriormente à ciência dos autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício.
Numero da decisão: 1103-000.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do ano-calendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do ano-calendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Serviços hospitalares Recorrente ECOCLÍNICA ECOGRAFIA CLÍNICA S/S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. A base de cálculo do imposto será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta auferida, para as atividades de prestação de serviços hospitalares (art.15, §1º, III, a, da Lei nº 9.249, de 26/12/95). No caso concreto, o fato de haver decisão transitada em julgado em tal sentido, quanto às receitas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, afasta a aplicação da nova interpretação do Superior Tribunal de Justiça, adotada sob a sistemática do art.543C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta auferida, para as atividades de prestação de serviços hospitalares (art.20 c/c art.15, §1º, III, a, da Lei nº 9.249, de 26/12/95). No caso concreto, o fato de haver decisão transitada em julgado em tal sentido, quanto às receitas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, afasta a aplicação da nova interpretação do Superior Tribunal de Justiça, adotada sob a sistemática do art.543C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 06 /2 00 9- 14 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.426 2 MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. Comprovado nos autos que o trânsito em julgado das decisões judiciais desfavoráveis ao contribuinte foi certificado anteriormente à ciência dos autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do anocalendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.427 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL (4º trimestre de 2004, 1º a 4º trimestres de 2005 a 2008), no valor total de R$ 1.629.480,93 (um milhão, seiscentos e vinte e nove mil, quatrocentos e oitenta reais e noventa e três centavos) sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.113/147). A ciência do sujeito passivo ocorreu em 1º/12/09 (fls.130 e 143). A infração foi assim descrita nos campos “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”: IRPJ “001 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93. APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. Aplicação incorreta do coeficiente de presunção de lucro sobre as receitas de prestação de serviços de execução de exames ecográficos, interpretação e parecer. O contribuinte ingressou na Justiça para ter reconhecido o direito de ter as receitas de sua atividade tributadas à alíquota de 8%, como se sua clinica fosse enquadrada no conceito de hospitaldia, porém não logrou êxito, decidindo a Justiça, com trânsito em julgado, pela manutenção da alíquota de 32%. Todos os valores pagos, ou declarados, com base no percentual de 8% foram considerados neste auto de infração, para o correto lançamento da parcela do tributo não declarada. Fica fazendo parte do presente auto de infração o Termo de Constatação, o qual o contribuinte tomou ciência em 16 de novembro de 2009, onde estão demonstrados todos os cálculos referentes ao presente lançamento.” CSLL “O contribuinte ingressou com ação judicial visando ter reconhecido o direito de tributar a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com base no lucro presumido, pelo percentual de presunção de lucro de 12%, como se fosse hospitaldia, porém não logrou êxito em sua pretensão, tendo a Justiça decidido, com trânsito em julgado, pelo percentual de 32% aplicado a todas as prestadoras de serviço. Todos os valores pagos, ou declarados, com base no percentual de 12% foram considerados neste auto de infração, para o correto lançamento da parcela do tributo não declarada. Fica fazendo parte do presente auto de infração o Termo de Constatação, o qual o contribuinte tomou ciência em 16 de novembro de 2009, onde estão demonstrados todos os cálculos referentes ao presente lançamento.” Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.428 4 A Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS) decidiu: (a) não conhecer das razões de defesa relacionadas às exigências com fatos geradores entre 31/12/04 e 31/03/06, haja vista a discussão judicial da matéria; e (b) não acolher as alegações relativas aos demais fatos geradores. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa (fls.1.352/1.380): PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. DILIGÊNCIAS E OITIVAS DOS DIRETORES TÉCNICOS E DO AUTUANTE. INDEFERIMENTO. Incabível a realização de diligências e oitivas para agregar ao processo provas que poderiam ser obtidos pelo interessado e apresentadas com a impugnação, por falta de previsão legal aplicável para o processo administrativo fiscal. PERÍCIA PARA VERIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS REALIZADOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. Na apuração do lucro presumido, aplicase o percentual de 32% sobre as receitas da prestação de serviço, quando a pessoa jurídica dedicada a atividades da área médica não satisfaz os requisitos para se enquadrar como prestadora de serviços hospitalares. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. MULTA DE OFICIO. EXIGIBILIDADE. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração ao dispositivo legal detectada pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Devidamente cientificado em 4/4/13 (fl.1.385), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 2/5/13 (fls.1.387/1.420), em que alega, em síntese: Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.429 5 Da classificação da atividade do contribuinte mesmo antes da alteração do seu contrato social, já vinha prestando serviços médicos (ecografias, tomografias computadorizadas, mamografias e densitometrias), como atestam notas fiscais acostadas aos autos; e atuava em dois hospitais especializados em diagnósticos por imagem; atualmente, prestaria ainda outros serviços médicos (biópsias, punções, drenagens, ecocardiografiatransesofágica, amniocentese, agulhamentopré e cintilografias) que exigiriam corpo médico, enfermeiros, técnicos, leitos e salas de recuperação, similares à estrutura de um hospital, razão pela qual são executados no Hospital de Canoas, como comprovariam as faturas e o endereço de sua filial; disporia de estrutura necessária para atendimento de emergência médica; Da definição de serviços hospitalares nos termos da Lei nº 9.249/96, no cálculo da base de cálculo do IRPJ, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, advinda da prestação de serviços hospitalares, seria 8% (oito por cento); os limites semânticos do termo “serviços hospitalares” foram definidos por meio das Instruções Normativas SRF nº 306/03, 480/04, 539/05 e 791/07, que estabeleceram algumas obrigações a serem cumpridas pelos contribuintes, que extrapolariam o sentido posto na lei; a desoneração dos serviços hospitalares visaria à preservação da vida, de forma que “...Não faria nenhum sentido tratar distintamente os serviços praticados dentro de um hospital, com alíquotas reduzidas, e todos os mesmos serviços, se praticados em outra localização, perdessem tal incentivo”; Da observância às decisões emanadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) de acordo com o art.62A do Regimento Interno do CARF, decisões proferidas pelo STF e STJ deveriam ser reproduzidas nos julgamentos administrativos; o sentido da expressão “serviços hospitalares” fora definida pelo STJ, em Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.116.399BA, sob a sistemática de recurso repetitivo, quando se entendeu que as restrições impostas pelas Instruções Normativas não deveriam prevalecer. De acordo com tal julgado, contemplaria aquelas atividades que se vinculam aos hospitais, mas não necessariamente prestadas em tais estabelecimentos. Além disso, “...o decisum determinou que as modificações determinadas pela lei 11.727/08, relativamente à alíquota de 8% para o Imposto de Renda e 12% para a Contribuição Social sobre o Lucro, não se aplicam aos litígios anteriores a 2009, dado que esta lei teve sua vigência prescrita para 01 de janeiro de 2009”; Da orientação da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos recursos repetitivos a partir da Portaria PGFN nº 294, de março de 2010, os Procuradores da Fazenda Nacional teriam deixado de interpor recursos em caso de decisão final proferida nos termos dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (CPC); por meio da Orientação nº 52, a PGFN explicitara o resumo do julgamento do REsp nº 1.116.399/BA; Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.430 6 Da jurisprudência administrativa o acórdão nº 10709.476, que tratou de caso similar, confirmara que os serviços prestados pelo contribuinte seriam de natureza hospitalar, bem como a Solução de Divergência nº 11/03 e a Solução de Consulta nº 10/03; Do período abrangido pelas decisões judiciais o cancelamento da cobrança justificarseia pelas seguintes razões: (a) a PGFN renunciou à tese quanto aos contribuintes que prestaram idênticos serviços hospitalares; (b) ainda que tenha restado vencida na esfera judicial, tal decisão apenas abrangeria os serviços de ecografia, sendo o acórdão da DRJ claro a respeito; somente os fatos comprovados no mandado de segurança estariam acobertados pela coisa julgada; o acórdão transitado em julgado colocaria em dúvida a natureza dos serviços, pela limitação documental, concluindo pela negativa por falta de convencimento fático, não por questões de mérito; “...não basta alegar a coisa julgada e lançar todas as notas fiscais de todos os serviços de certo período, quanto nos processos judiciais foram apresentadas algumas notas fiscais de ecografia, e o contribuinte se viu neles vencido porque os tribunais não se sentiram seguros em lhe dar o direito às alíquotas reduzidas de IR/CSLL”; “...Em virtude dos mandados de segurança terem expressado ressalvas sobre os documentos comprobatórios da RECORRENTE, esta tem aptidão para reabrir a discussão fática nas vias ordinárias”; Da multa de oficio revelarseia descabida a multa de oficio relativa ao período abrangido pelas decisões judiciais, vez que o trânsito em julgado do acórdão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região ocorrera em 4/11/09, após a autuação. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso. Da autuação de das decisões judiciais Discutese nos autos qual o coeficiente de presunção aplicável na apuração do lucro, levandose em consideração as receitas auferidas pelo contribuinte. No Termo de Constatação Fiscal (fl.110) discorreuse, in verbis: “[...] 1. Para cálculo do lucro presumido nos anoscalendário de 2004 a 2008, aplicou a alíquota de 8% às suas receitas de prestação de serviços, quando o correto seria o percentual de Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.431 7 32%. Assim, procedemos ao cálculo do imposto de renda devido com base no percentual de 32%, resultando nas diferenças trimestrais transcritas no ‘DEMONSTRATIVO DE IRPJ E CSLL’, em anexo a este Termo, o qual é parte integrante deste. 2. Para cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido nos mesmos períodos, o contribuinte aplicou a alíquota de 12% às suas receitas de prestação de serviços, quando o correto seria o percentual de 32%. Assim, procedemos ao cálculo da contribuição social devida com base no percentual de 32%, resultando nas diferenças trimestrais transcritas no ‘DEMONSTRATIVO DE IRPJ E CSLL’, em anexo a este Termo, o qual é parte integrante deste.” A fiscalização, conforme Demonstrativo de IRPJ e CSLL (fl.111), adotou, na apuração das bases de cálculo, as receitas declaradas nas DIPJ (fls.6/47), à exceção da informada no 2º trimestre de 2005, quando adotou um valor menor (R$1.240.748,47 em vez de R$1.241.362,27). Noticiou, ainda, que o contribuinte ingressou judicialmente com Mandados de Segurança para fins de reconhecimento do direito à aplicação de índices de presunção reduzidos, não tendo obtido êxito, conforme decisões transitadas em julgado, o que a levou a aplicar o percentual de 32% (trinta e dois por cento). Em primeira instância, a Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS) entendeu, acerca dos fatos geradores ocorridos até 31/3/06, que a discussão se deslocara para o âmbito judicial, o que a impediu de conhecer as respectivas alegações de defesa. Contudo, na compreensão daquele colegiado, o quadro fático inicial, definido no momento das impetrações, modificarase com a Alteração de Contrato nº 10 (fls.779/785), de 10/2/06, arquivada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Canoas (RS) no mesmo mês de fevereiro de 2006, quando se ampliou o objeto social para “Prestação de Serviços de ecografia, clínica médica, tomografia computadorizada, densitometria óssea, mamografia e medicina nuclear”, dispondo o acórdão a quo: “[...] A impugnante, durante a tramitação dos processos judiciais, alterou seu objetivo social. Inicialmente prestava serviços de ecografia e clínica médica (fl.1153), mas com a alteração contratual de 10/02/2006, passou a prestar serviços de ecografia, clinica médica, tomografia computadorizada, densitometria óssea, mamografia e medicina nuclear. Os lançamentos abrangem fatos geradores ocorridos no período de 31/12/2004 a 31/12/2008 (datas finais dos trimestres de apuração do IRPJ e da CSLL). Diante do exposto, entendese que o litígio deve ser julgado da seguinte forma: 1. Fatos geradores ocorridos até o primeiro trimestre de 2006 (31/03/2006), inclusive – períodobase de apuração do IRPJ e da CSLL em que ocorreu a alteração contratual: • Devese aplicar a orientação contida no Ato Declaratório Normativo (Cosit) n.º 03/1996, pois o ‘objeto’ da ação judicial e a impugnação é o mesmo e a decisão judicial definiu que a autuada não presta serviços hospitalares. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.432 8 2. Fatos geradores ocorridos a partir do 2º trimestre de 2006 – de 01/04/2006 até 31/12/2008: • O litígio relativo ao período em destaque deve ser apreciado, pois o requisito ‘ação judicial com o mesmo objeto’ não está atendido. Na apreciação judicial, não foi considerada a alteração do objeto social da autuada. Assim, devese apreciar a questão que envolve os percentuais aplicáveis para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no período compreendido entre 01/04/2006 a 31/12/2008, tendo em vista a adoção do lucro presumido.” Esse é o quadro posto. Às fls.48/64 consta cópia da petição do Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0044799, relacionado ao IRPJ, impetrado em 17/5/05 (fl.787), em face de ato do Sr. Delegado da Receita Federal em Novo Hamburgo (RS). Como causa de pedir, expôs o impetrante que “...é pessoa jurídica regularmente constituída e exploradora do ramo de serviços de ecografia e clínica médica”, e que, “desde o anobase de 2000, passando por 2001; 2002; 2003; 2004, além do corrente ano, tem o direito de ver alterado o índice a ser utilizado na determinação de seu Imposto de Renda Jurídica, calculado pelo sistema de presunção de lucro”. No pedido, igualmente mencionou que era “prestadora de serviços hospitalares”. No acórdão da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região (fls.65/69), transitado em julgado, não obstante a redação da ementa, que pode passar a impressão de que na análise o alcance do conceito de “serviços hospitalares” limitouse à prestação de serviços relacionados a exames de ecografia, no voto do Relator, Des. Federal Joel Ilam Paciornik, restou evidente que aquele colegiado também decidiu sobre os serviços de clínica médica, como não poderia ser diferente, pois o acórdão baseouse no contrato social acostado à petição inicial, sem a ampliação do objeto outrora mencionada. Vejamos: Ementa “TRIBUTÁRIO. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI N° 9.249/95, ART.15, §1°, III, ALÍNEA A. 1. Justificase a alíquota menor na apuração da base de cálculo do lucro presumido, para as atividades de serviços hospitalares, em razão da margem de lucro dessas instituições ser menor do que a de outros estabelecimentos de saúde, por abarcar custos diversos e mais onerosos. 2. A lei escolheu como único critério distintivo a natureza da atividade prestada, não importando o local onde é prestado o serviço. O exegeta não pode elastecer o significado da expressão ‘serviços hospitalares’ de tal forma a abarcar atividades que não correspondam à assistência plena e integral na área de saúde, com instalações adequadas para internação de pacientes, garantia de atendimento básico de diagnóstico e tratamento, equipe clinica organizada e apoio permanente prestado por médicos. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.433 9 3. A atividade de prestação de serviços de ecografia não se enquadra no conceito de serviços hospitalares. 4. Apelação da União e remessa oficial providas. Prejudicada a análise do apelo da autora.” (destaquei) Voto “[...] o enquadramento na condição de instituição prestadora de serviços hospitalares sustentase unicamente na natureza dos serviços prestados, circunstância de cunho objetivo, cuja caracterização, segundo o caso concreto, prescinde ou depende de dilação probatória. Geralmente, basta a análise do objeto social da instituição de saúde para verificar se é ou não prestadora de serviços hospitalares, pois o objeto da sociedade já delimita o âmbito de atividades realizadas, ou seja, é inerente à própria atividade prestar (ou não) serviços hospitalares. Por vezes, não é possível firmar convencimento a respeito da questão, porquanto o objeto social, em tese, comportaria tais serviços, mas despontam dúvidas se a empresa possui estrutura condizente para efetivamente os prestar. No caso dos autos, as provas coligidas aos autos permitem firmar juízo quanto a ausência de prestação de serviços hospitalares pela autora. A empresa se dedica à prestação de serviços de ecografia e clínica médica (fl.84), a qual não condiz com o atendimento a pacientes internos ou externos em atividades diretas, visando promover, prevenir ou recuperar a saúde, com equipe clinica organizada, admissão e assistência permanente prestada por médicos que garanta o atendimento básico de diagnóstico e tratamento. ..... Por fim, cumpre mencionar que recentemente a Primeira Seção desta Corte, por unanimidade, modificou o entendimento firmado a respeito do enquadramento das clinicas medicas como prestadoras de serviços hospitalares, em julgamento por mim capitaneado (Embargos Infringentes no 2005.70.00.016081 7, julgado em 04/06/2007). Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento à apelação da União e à remessa oficial, restando prejudicada a análise do apelo da autora.” (destaquei) Conforme resultado do julgamento, o voto do Relator foi seguido à unanimidade (fl.155): “Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar provimento ao apelo da União e à remessa oficial, restando prejudicada a análise do apelo da impetrante, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado”. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.434 10 No contrato social (fls.70/74), consta como objeto social “...a prestação de serviços de ecografia e clínica médica”, e exatamente esta informação é a que foi considerada pela Primeira Turma do TRF – 4ª Região. A folha 84 mencionada pelo Relator contempla a Cláusula Segunda do contrato social, o que confirma que não apenas as atividades de ecografia foram excluídas do conceito de “serviços médicos”. Na realidade, desde a sentença (fls.923/931), vêse com clareza que a decisão não restringiu a análise aos exames de ecografia, conforme se extrai do seguinte excerto: “[...] Cabe analisar se os serviços de ecografia e clínica médica, prestados pela impetrante, se enquadram na categoria de ‘serviços hospitalares’ para fins de gozar do regime diferenciado” ... Assim, uma vez que os serviços de diagnóstico são considerados serviços hospitalares, é de ser reconhecido o direito da impetrante ao recolhimento do IRPJ com base de cálculo reduzida”. (destaquei) Com o Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0044775, referente à CSLL, impetrado em 17/5/05 (fl.1.077), os acontecimentos não ocorreram diferentemente. O Impetrante reafirmou ser “...explorador do ramo serviços de ecografia e clínica médica”. Na sentença, igualmente se assentou “...Cabe analisar se os serviços de ecografia e clínica médica, prestados pela impetrante, se enquadram na categoria de ‘serviços hospitalares’ para fins de gozar do regime diferenciado” (fls.1.166/1.173). A ementa do acórdão da Primeira Turma do TRF – 4ª Região restou assim redigida (fl.1.205/1.209): “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. IRPJ. CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ARTS. 20 E 15, § 1°, III, 'A' DA LEI 9.249/95. NATUREZA DAS ATIVIDADES. ENQUADRAMENTO. RECEITA BRUTA. REDUÇÃO DE PERCENTUAL. 1. A atividade desenvolvida pela impetrante não encontra enquadramento no conceito de serviço hospitalar, para o fim de incidência do IRPJ e a CSLL com percentuais de 8% e 12%, respectivamente, sobre a renda bruta, para a formação da base de cálculo destes tributos. 2. No caso do autos, as atividades da empresa não se enquadram no conceito de serviços hospitalares, para efeito de incidência da Lei n° 9.249/95, remanescendo aqueles concernentes à hemodiálise. 3. Posicionamento pessoal destronado em virtude do julgamento da 1ª Seção desta Corte, em 10 de junho de 2006, nos Embargos Infringentes em Apelação Cível n° 2003.71.00.0311590. 4. Apelação da União e remessa oficial providas para julgar improcedente o pedido, e apelação da impetrante improvida.” Notase, do respectivo voto condutor (fls.1.206/1.209), que também a decisão foi baseada no contrato social: Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.435 11 “[...] As alterações do contrato social juntadas (fls.19/24), não trazem o objeto social da impetrante, mas sua razão social ‘Ecoclínica Ecografia Clínica S/A Ltda’ sugere que presta serviços de ecografia. Igualmente, os demais documentos juntados pela impetrante (Guias DARF de recolhimento de IRPJ e CSLL) não têm condão de enquadrála como prestadora de serviços médicos hospitalares.” Feitas tais considerações, não se sustentam, portanto, as alegações do Recorrente no sentido de que a discussão judicial limitarase ao percentual de presunção aplicável aos serviços de ecografia, ainda que, como afirma, tenham sido anexadas aos Mandados de Segurança “algumas notas fiscais de ecografia”. Em suma, as decisões judiciais transitadas em julgado fixaram que os serviços de ecografia e clínica médica não se enquadram no conceito de “serviços hospitalares” para fins de aplicação do percentual de presunção na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal norma, estabelecida definitivamente pelo Judiciário para o caso concreto, deve ser prestigiada, aplicada pela Administração tributária. Assim, somente sobre as receitas advindas da realização de exames de ecografia e serviços de clínica médica deve, necessariamente, incidir o percentual de 32% (trinta e dois por cento), em todo o período autuado. Notase, de acordo com os Demonstrativos de IRPJ e CSLL (fl.111), que o contribuinte permaneceu, não obstante as impetrações em maio de 2005, apurando as bases de cálculo valendose dos percentuais reduzidos, muito provavelmente confiando na reversão dos primeiros pronunciamentos do TRF – 4ª Região, que apenas transitaram em julgado em 18/2/09 e 4/11/09. Reafirmese, tratase de cumprimento de decisões judiciais definitivas, ainda que a jurisprudência do STJ tenha se consolidado, posteriormente, em sentido diverso, como se verá adiante. Daí não se concordar, concessa venia, com o acórdão da DRJ quanto à conclusão sobre a concomitância. Respeitosamente, o caso seria de não se acolherem as alegações do Impugnante exatamente em razão de a fiscalização ter cumprido as decantadas decisões judiciais. Assim, não subsiste mínima dúvida de que os serviços prestados pelo sujeito passivo, de ecografia e clínica médica, não podem, em prestígio à coisa julgada, ser considerados como hospitalares, tudo e, unicamente, em razão das decisões judiciais definitivas que estabeleceram no caso concreto a norma aplicável (percentual de presunção de 32% sobre as respectivas receitas auferidas). Quanto ao percentual incidente sobre as receitas auferidas com a execução de outros exames, a controvérsia demanda distinta solução, a seguir definida. Dos efeitos da decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 1.116.399/BA) Como relatado, a fiscalização considerou, conforme decisões judiciais definitivas, que os serviços prestados pelo contribuinte não se enquadravam no conceito de “serviços hospitalares”. Viuse, entretanto, que o entendimento do TRF – 4ª Região levou em conta tãosomente a execução de exames de ecografia e os serviços de clínica médica. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.436 12 No acórdão ora recorrido, após análise das razões de fato e de direito suscitadas na impugnação, alguns requisitos postos em legislação infralegal (Instruções Normativas SRF nºs 306/03, 480/04, 539/05 e 791/07; e ADI SRF nº 18/03), que autorizariam enquadrar os serviços como hospitalares, foram considerados não preenchidos. Em resumo: prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia; prestação de atendimento imediato de assistência à saúde; prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação; prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia; comprovação de estrutura física, conforme disposto no item 3 da Parte II da Resolução – RDC nº 50, de 2002, da Anvisa; comprovação relativa à existência de estrutura material e de pessoal destinada a atender à internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. O acórdão a quo ainda fixou: “[...]Notese que as decisões judiciais anteriormente transcritas concluíram que os serviços prestados pela impugnante não condizem com o atendimento a pacientes internos ou externos em atividades diretas, visando promover, prevenir ou recuperar a saúde, com equipe clinica organizada, admissão e assistência permanente prestada por médicos que garanta o atendimento básico de diagnóstico e tratamento. A alteração contratual efetuada em 2006 não propiciou alterações na forma da prestação dos serviços, que pudessem transformálos em serviços hospitalares. Ainda, o fato das instalações estarem anexas a hospital não tem o condão de transferir a ela as características aptas a definir como serviços hospitalares as atividades que exerce, pois serviços hospitalares são prestados por hospital. Acrescentese que no período em questão vige o disposto no ADI 18/2003, relativamente a consideraremse serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. ..... No presente caso, da documentação acostada aos autos, verifica se que a natureza jurídica da contribuinte é a de sociedade simples, conforme cláusula do contrato social. Além disso, não há qualquer evidencia que a impugnante tenha montado quadro técnico estruturado para desempenho de sua atividadefim. Pelo que consta no contrato social, ocorre a parceria entre os sócios médicos para a prestação de serviços na Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.437 13 área de saúde – todos os médicos que prestam serviços na clínica são sócios da autuada (fls.777780 e 792). Assim, também não foi observada a orientação contida no ADI SRF nº 18, de 2003. Notese que não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo.” Não obstante as inúmeras interpretações veiculadas por normas infralegais, com a menção a vários requisitos, devidamente adotadas pelo acórdão da DRJ, pois àquelas se vincula, no presente caso a particularidade de o STJ ter definido o alcance da expressão “serviços hospitalares”, para fins de aplicação do art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249, de 26/12/95, não confere mais qualquer margem aos membros do CARF para rediscutir a matéria. Por força do art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que impõe a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas, por exemplo, pelo STJ na sistemática do art.543C do CPC (regime de recurso repetitivo), adotase o entendimento fixado no julgamento do REsp nº 1.116.399/BA, de 24/2/10, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.438 14 (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. 3. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do §2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. No julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em 29/9/10, reiterou a Primeira Seção do STJ que “são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas”. A respectiva ementa restou assim redigida: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.439 15 ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art.535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam:(i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, ‘a’, da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: ‘Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico’. 6. Embargos de declaração rejeitados. Tal acórdão transitou em julgado em 3/11/10, conforme informação constante do sítio do STJ na internet. Não obstante o paradigma eleito por aquela Corte tratar de pessoa jurídica que prestava serviços laboratoriais, as premissas definidas aplicamse a outras hipóteses. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.440 16 Conforme o entendimento acima, a expressão “serviços hospitalares” deve ser interpretada de maneira objetiva, sob a perspectiva da atividade realizada, não se considerando, por ausência de previsão legal, a característica ou a estrutura do contribuinte em si. À exceção das consultas médicas, consideramse como tais os serviços que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. No respectivo voto condutor, de lavra do Min. Benedito Gonçalves, confirmouse a orientação fixada no REsp nº 951.251PR, quando se entendeu que: “...a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pela contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou o contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), que é, inclusive, alçado à condição de direito fundamental. Ademais, consignouse que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. Dessa forma, ficou assentado que devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. Ressaltouse ainda que as alterações preconizadas pela Lei 11.727/08 aos dispositivos legais em discussão apenas devem ser aplicadas a demandas ajuizadas após a sua vigência, não possuindo efeito retroativo.” Com isso, os requisitos previstos nas normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não prevalecem frente à lei, que contemplou, no entender do STJ, a natureza do serviço prestado, qual seja, assistência à saúde. Por conseguinte, não prevalecem os requisitos mencionados no acórdão recorrido, estabelecidos em atos infralegais, que impediram, no entender da DRJ, caracterizar os serviços prestados como hospitalares. Merece, contudo, análise particular, o requisito de que os serviços hospitalares devem ser aqueles prestados por estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Em que pese a decisão da DRJ ancorarse no ADI nº 18/03, o fato de a prestadora dos serviços ser necessariamente organizada sob a forma de sociedade empresária Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.441 17 passou a ter estatura legal com a Lei nº 11.727, de 23/6/08, que, por meio do artigo 29, conferiu a seguinte redação ao art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249/95: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;” Acontece que, como visto anteriormente, nos termos da decisão do STJ (Resp nº 1.116.399/BA), as alterações preconizadas pela Lei nº 11.727/08 não se aplicam retroativamente. Em que pese a Lei nº 11.727/08 ter entrado em vigor na data de sua publicação, o seu art.29 passou a produzir efeitos, conforme art.41, VI, “...a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei”, ou seja, a partir de 1º/1/09. Logo, no caso concreto, o requisito da organização da prestadora dos serviços sob a forma de sociedade empresária também não consiste em fator impeditivo para que os demais serviços prestados (retirandose os de prestação de exames de ecografia e clínica médica), relacionados à promoção da saúde, sejam considerados como hospitalares, haja vista os fatos geradores dos créditos tributários, ocorridos até o 4º trimestre do anocalendário 2008. Considerando o objeto social do Recorrente, bem como as “Notas Fiscais de Serviços” e “Relação de Exames Realizados”, acostadas à impugnação, além dos serviços de realização de exames de ecografia e dos serviços de clínica médica, o sujeito passivo executava outros, vinculados a atividades desenvolvidas por hospitais, e nitidamente voltados diretamente à promoção da saúde. Quanto a estes, não prevalecem, na caracterização dos serviços, para fins de aplicação dos percentuais de presunção, os requisitos impostos pela legislação tributária infralegal e por interpretação particular da RFB. Acrescentese que, seguindo a interpretação estabelecida no Resp nº 1.116.399/BA, o STJ passou a decidir que estão compreendidos no conceito de “serviços hospitalares”, por exemplo, a realização de exames de diagnósticos por imagem, serviços oftalmológicos e exames cirúrgicos: Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.442 18 RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido. (Primeira Seção, REsp 837913/SC, julgado em 10/11/10, Dje 19/11/10, Rel. Min. Hamilton Carvalhido) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, §1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. 1. A agravante requer que "se deixe expresso que a redução da alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa genericamente considerada, mas sim àquela receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte nos exatos termos do § 2º, do artigo 15, da mencionada lei" (fls. 226227). 2. A decisão monocrática considerou que a "redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo" (fl.217), nos termos do EREsp 925.126/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 18/09/2009 e do REsp 1.116.399/BA, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 24/02/2010, que seguiu o procedimento previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Agravo regimental não provido. (Segunda Turma, AgRg no REsp 1147620/RS, julgado em 14/9/10, Dje 24/9/10, Rel. Min. Castro Meira) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 98/STJ NA HIPÓTESE. SUBSISTÊNCIA DA MULTA. SERVIÇO HOSPITALAR. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM. ENQUADRAMENTO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. DEPÓSITO JUDICIAL. LEVANTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. PRECEDENTES. [...] 2. A Primeira Seção desta Corte, em sessão realizada no dia 28.10.2009, quando do julgamento do REsp n. 1.116.399/BA, pelo regime do art. 543C, do CPC, adotou, por maioria, entendimento no sentido de que as empresas que prestam serviços médicos laboratoriais desempenham atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.443 19 realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, razão pela qual fazem jus ao benefício fiscal de redução das alíquotas do IRPJ e da CSLL, o qual não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício, nos termos do § 2º do art. 15 da Lei n. 9.249/95 [...] 4. Recurso especial parcialmente provido. (Segunda Turma, REsp 1200788/MG, julgado em 2/9/10, Dje 4/10/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLÓGICOS E EXAMES CIRÚRGICOS. ATIVIDADES ABRANGIDAS. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. "Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 2. Precedente representativo da controvérsia: REsp 1.116.399/BA, DJe 24/02/2010. 3. Os serviços médicos oftalmológicos, bem como a realização de exames cirúrgicos, estão abarcados pelo conceito de "serviços hospitalares" para fins de recolhimento do IRPJ e CSSL sob a base de cálculo reduzida. 4. "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". Inteligência da Súmula 98/STJ. 5. Recurso especial provido. (Segunda Turma, Resp 1165921/MA, julgado em 5/8/10, Dje 1/9/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) Portanto, à exceção das receitas auferidas em decorrência da realização de exames de ecografia e da prestação de serviços de clínica médica, as demais devem ser consideradas como oriundas da prestação de serviços hospitalares, para fins de definição dos percentuais de presunção, conforme interpretação firmada pelo STJ em sede de recurso repetitivo, repitase, de observância obrigatória pelos membros do CARF, autorizando, portanto, a incidência do percentual de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. Da multa de ofício Acerca do lançamento da multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento), o Recorrente sustentou a improcedência com base nos seguintes fundamentos, in verbis: “79. Revelase descabida a multa de ofício sobre o período coberto pelos processos judiciais, não só pelos argumentos de mérito acima desenvolvidos, mas por outro fato que restou desprezado pelo Sr. AFRFB. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.444 20 80. É que a autuação foi intimada em 7.10.2009, enquanto um dos processos judiciais transitou em julgado em 4.11.2009. 81. Ocorre que as sentenças desses processos foram favoráveis à RECORRENTE e delas resultou Apelação da União sem efeito suspensivo, como é da natureza do mandado de segurança; 82. Somente o trânsito em julgado do acórdão TRF4 desconstituiu os efeitos suspensivos da sentença. 83. E estes se deram depois da autuação, razão pela qual esta não poderia ter imposto a multa de ofício, dado que a sentença do mandado de segurança ainda estava valendo. 84. Quanto à multa do período após processos judiciais reitera a RECORRENTE os argumentos desenvolvidos na Impugnação, bem como sobre o principal dos tributos, neste Recurso.” Em suma, sustenta a defesa que a multa não poderia ser aplicada, pois quando dos lançamentos teria a seu favor sentença judicial. Dispõe a Lei nº 9.430, de 27/12/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (destaquei) O não cabimento da multa de ofício, quando suspensa a exigibilidade na forma dos incisos IV e V do art.151 do CTN foi ratificada na Súmula CARF Vinculante nº 17: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.”. Porém, no caso concreto, como relatado, a ciência do contribuinte quanto aos autos de infração ocorreu em 1º/12/09 (fls.130 e 143), não em 7/10/09, como sustenta o Recorrente. Notese, quanto ao MS nº 2005.71.08.0044799, que o acórdão da Primeira Turma do TRF da 4º Região foi proferido em 27/6/07 (fl.980), sendo que, a partir de tal data, as decisões subsequentes não o alteraram, tendo sido, inclusive, negado provimento ao recurso especial do contribuinte pelo STJ em 12/12/08. A Certidão de Trânsito e Termo de Remessa, Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103000.988 S1C1T3 Fl. 1.445 21 expedida pelo STJ, foi datada de 18/2/09 (fl.1.076), constando do sítio daquela Corte na internet a confirmação de tal data como sendo a do trânsito em julgado1. Acerca do MS nº 2005.71.08.0044775, o acórdão do TRF da 4ª Região, que deu provimento à apelação da União e à remessa oficial, foi proferido em 3/10/07 (fl.1.210), não tendo, a exemplo do que se passou com o mandamus referente ao IRPJ, reversão de tal decisão. A Certidão de Trânsito e Termo de Remessa, expedida pelo STJ, relativa à apreciação de agravo regimental contra decisão que negou provimento ao agravo de instrumento interposto contra a não admissibilidade de recurso especial, foi datada de 4/11/09 (fl.1.283), constando do sítio daquela Corte na internet a confirmação de tal data como sendo a do trânsito em julgado2. Logo, não há se falar em decisão favorável, vigente quando da autuação, que tenha suspendido a exigibilidade dos créditos tributários apurados nos moldes em que foram constituídos. Cabível, portanto, a multa de ofício, nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para todo o período autuado. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro 1 http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/detalhe.asp?numreg=200801819022&pv=010000000000&tp=51. Consulta em 11/2/14. 2 http://www.stj.jus.br/webstj/Processo/justica/detalhe.asp?numreg=200801061285. Consula em 11/2/14. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10825.002403/2001-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula nº 15, do CARF:
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA POR DECISÃO LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA.
Conforme a Súmula nº 5, do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3401-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula nº 15, do CARF: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA POR DECISÃO LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA. Conforme a Súmula nº 5, do CARF, “são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 24 03 /2 00 1- 32 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori Relatório Trata o presente processo de auto de infração eletrônico (fl. 32) pelo qual foi lançado o IPI não recolhido em operações no ano de 1998. O imposto, os juros e a multa totalizaram a exigência no valor de R$ 5.133.629,02 (cinco milhões, cento e trinta e três mil, seiscentos e vinte e nove reais e dois centavos). A ciência foi dada em 04/12/2001 (fl.46). A Contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/12), mas a DRJ em Rio Preto/SP manteve o lançamento parcialmente, ao considerar que o lançamento para prevenir a decadência acompanhada dos juros é legal, contudo, neste caso, não se pode aplicar a multa de ofício. Por essa razão, a DRJ cancelou somente o lançamento da multa de ofício. A DRJ submeteu seu acórdão ao recurso de ofício quanto à parte exonerada. A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ em 29/02/2008 (fl.483) e interpôs recurso voluntário 24/03/2008 (fls.485/492), alegando, em suma, que obteve, nos autos dos Mandados de Segurança nºs 97.00069729, 98.00173960 e 98.00149546, medidas liminares para não ser compelida ao destaque/recolhimento do IPI quando das operações de saída de açúcar. Assim, nunca esteve em mora, de modo que não deve os juros. Ao fim, a Recorrente pediu o provimento do recurso, a fim de que sejam afastados os juros. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso de ofício preenche os requisitos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72 e do art. 1º, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008; e o recurso de voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deles tomo conhecimento. Em 1997, pelo Mandado de Segurança nº 97.00069710, a Recorrente conseguiu liminar pela qual foi suspensa a exigibilidade do IPI sobre nas saídas do açúcar correspondentes à safra 1997/1998 (fls. 156/164). Contudo a Delegacia de origem lavrou o auto de infração para prevenir a decadência. A DRJ em Rio Preto/SP exonerou o lançamento da multa e suspendeu a exigibilidade do crédito até o trânsito em julgado da decisão judicial, mas manteve os juros Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A Processo nº 10825.002403/200132 Acórdão n.º 3401002.471 S3C4T1 Fl. 514 3 lançados, o que está sendo combatido, no recurso voluntário, pela Contribuinte. Desse modo, temos as seguintes matérias a serem apreciadas: Recurso de ofício: multa de ofício no lançamento para prevenir a decadência; Recurso voluntário: juros de mora em lançamento com exigibilidade suspensa por decisão judicial. Nos autos, não consta a atual situação do processo judicial, mas isso não prejudica a análise deste processo administrativo. Limitadas essas questões, podemos passar à análise. 1. Do Recurso de Ofício: Multa de ofício em lançamento para prevenir a decadência. Esse tema não merece delonga, já que é objeto da Súmula nº 17, do CARF, cujo texto é o seguinte: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. A liminar foi concedida no ano de 1997, antes da lavratura do auto de infração e a exigibilidade suspensa com base no inciso IV, do art. 151, do CTN. Logo, é plenamente aplicável a Súmula nº 17, neste caso, de modo que deve ser mantida a exoneração da multa de ofício. 2. Recurso voluntário: juros de mora em lançamento com exigibilidade suspensa por decisão judicial. Nesse tópico, o cerne da questão limitase à possibilidade do cabimento dos juros de mora em relação aos tributos com exigibilidade suspensa por medida liminar. A presente matéria já está pacificada, vez que o objeto da Súmula nº 5, do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A 4 Como no presente caso não houve o depósito do montante integral, é correto o lançamento acompanhado dos juros. Ex positis, nego provimento ao recurso ofício, mantendo a exoneração da multa de ofício. Também nego provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento em relação aos juros de mora. Todavia, a exigibilidade mantemse suspensa até a decisão final do processo judicial. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A
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