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Numero do processo: 10380.724592/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE.
O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.
Numero da decisão: 1301-001.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Wilson Fernandes Guimarães
Redator
Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado).
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 45 92 /2 01 0- 65 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 99 2 Relator Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 100 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE. Depreendese pela análise do processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foi lavrado auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 02 – 10), afetos aos anoscalendário 2006 e 2007, no valor originário de R$ 15.634.776,54 (quinze milhões, seiscentos e trinta e quatro mil, setecentos e setenta e seis reais e cinquenta e quatro centavos). Na pertinente descrição dos fatos fez ver a Fiscalização que a contribuinte deixou de recolher e mesmo de declarar em DCTF, nos anoscalendário em questão e sendo intimada a justificar a falta de recolhimento, alegou que está exonerada das obrigações de recolher e de declarar a CSLL por se encontrar amparada por decisão judicial transitada em julgado, em 11/05/2001, que declara inconstitucional a Lei nº 7.689/88, conforme processo 89.00925466, sendo, portanto, defeso a cobrança da Contribuição Social em apreço. Frisou a Fiscalização, no entanto, que desde a decisão no julgamento do Recurso Extraordinário nº 138284CE, a jurisprudência passou a reconhecer a constitucionalidade da citada lei, exceto do seu artigo 8º, pela ofensa ao princípio da anterioridade nonagesimal, e por tratarse de relação tributária continuativa não cabe alegar “trânsito em julgado” como impeditivo de exação de tributos, mormente quando a lei anteriormente questionada sofreu modificações ao longo do tempo e a cobrança diz respeito a períodos subsequentes, assinalando ser este o entendimento do STF expresso na decisão do RE nº 109.073SP, cujo relator foi o Min. Ilmar Galvão – 11.02.1993. Citou o Parecer PGFN/CRJN/1.277/94, e efetuouse o lançamento tomando por base os dados consignados pelo contribuinte nas DIPJ. Devidamente cientificada (fl. 88), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 90 – 125), alegando em síntese, dispor de provimento jurisdicional assentando a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza (fls. 144 – 156), e o acórdão ficou assim ementado: [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CONCESSÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. INCONSTITUCIONALIDADE LEI 7.689/88. TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 101 4 Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que a imutabilidade diz respeito apenas aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, afastando a incidência da Lei nº 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente em face da existência de pronunciamento posterior do STF, em sentido contrário. [...] Devidamente cientificada da decisão desfavorável, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário insistindo na improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 102 5 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A Recorrente foi autuada por não ter recolhido ou confessado CSLL relativa ao anocalendário 2005, tendo argumentado, em seu socorro, que dispõe de provimento jurisdicional transitado em julgado no mandado de segurança n° 89.00925466, que tramitou perante a 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Já a Fiscalização sustenta, por seu turno, que as alterações supervenientemente promovidas na citada lei se encarregaram de vulnerar a coisa julgada, dado a natureza da própria obrigação tributária. Afigurase, portanto, questão que envolve a análise dos limites objetivos da chamada “coisa julgada material”, perquirindo a eficácia de um provimento jurisdicional definitivo, já que transpostos todos os prazos recursais bem como esgotado o limite para propositura de ação rescisória. Sem desconhecer os precedentes do antigo Conselho de Contribuintes e do próprio CARF, consagradores de que não há coisa julgada material em ação declaratória que ventile matéria tributária de alcance em relações futuras, bem como sem olvidar o pronunciamento do STF acerca da constitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro constitui autêntica “modificação do estado de direito”, a justificar a aplicação do art. 471, I, do CPC, não se pode perder de vista o julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do Recurso Especial nº 1.118.893MG, julgado na forma do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, como Recurso Repetitivo, como se constata dos trechos a seguir reproduzidos: REsp 118893/MG –Recurso Especial 2009/00111359 Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima Órgão Julgador: Primeira Seção Data do Julgamento: 23/03/2011 Data da ublicação: 06/04/3011 Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 103 6 OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela. (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 104 7 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha, Hamilton Carvalhido e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentaram, oralmente, os Drs. Jose Marcio Diniz Filho, pela recorrente, e Alexandra Maria Carvalho Carneiro, pela recorrida AgRg no REsp 1176454 / MG AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2010/00113508 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 14/04/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 28/04/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. COISA JULGADA. ALCANCE DA SÚMULA 239/STF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. Se a decisão que afasta a cobrança do tributo se restringe a determinado exercício (a exemplo dos casos onde houve a declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n. 7.689/88), aplicase o enunciado n. 239 da Súmula do STF, por analogia, in verbis: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". 2. Contudo, se a decisão atacar o tributo em seu aspecto material da hipótese de incidência, não há como exigir o seu pagamento sem ofender a coisa julgada, ainda que para Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 105 8 exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. Precedente: EREsp Nº 731.250 PE, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, julgado em 28.5.2008; e REsp Nº 731.250 PE, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.4.2007. 3. Situação em que o acórdão que transitou em julgado declarou a inconstitucionalidade material de toda a Lei n. 7.689/88 (argumento de que a forma de arrecadação do tributo e a sua destinação não foram as constitucionalmente previstas, descaracterizandoo como contribuição e impossibilitando o seu tratamento como imposto) e formal do seu art. 8º (fundamento de violação ao princípio da anterioridade). Sendo assim, atacou o tributo também em seu aspecto material da hipótese de incidência, não havendo como exigir o seu pagamento (enquanto o critério material da hipótese de incidência for o mesmo sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. 4. Na assentada do dia 23 de março de 2011, ao julgar o REsp 1.118.893/MG, sob a relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima e de acordo com o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a Primeira Seção acabou por confirmar a orientação predominante nesta Corte a respeito da controvérsia sobre os limites objetivos da coisa julgada, dadas as alterações legislativas posteriores ao trânsito em julgado de sentença declaratória de inexistência de relação jurídica tributária no tocante à contribuição social instituída pela Lei 7.689/88. 5. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque." Os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha, Castro Meira, Humberto Martins (Presidente) e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Sendo assim, conquanto reconheça que diversos foram os casos submetidos a este Conselho cujo objeto era exigência da CSLL em face de pessoas jurídicas beneficiárias de sentença judicial transitada em julgado com a declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, e que se consagrou entendimento de que não acataria a coisa julgada em matéria tributária, bem como de que a ordem jurídica foi inovada com a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade da exação, de sorte que mesmo as pessoas jurídicas beneficiadas com decisão transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade da exação estariam sujeitas à CSLL quanto aos fatos geradores ocorridos após a decisão do STF (RE 138.284CE Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28/02/92), não se pode ignorar que o Regimento Interno do CARF, no seu artigo 62A, estatui que as decisões definitivas de mérito, Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 106 9 proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante disso, considerada a vinculação regimental, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário, assegurando a proteção da coisa julgada, tal como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça. Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 107 10 Voto Vencedor Divergiu o Colegiado do Ilustre Relator, relativamente à matéria posta em discussão, qual seja, a imutabilidade da decisão judicial transitada em julgado que declarou inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Quanto a esta matéria, por entender que não merece reparo, sirvome, por empréstimo, das conclusões apresentadas no voto condutor do Acórdão nº. 10516.745 da Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em que foi relator o ilustre Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello. Ali restou consignado: [...] A matéria de mérito não é consensual, tendo havido oscilação tanto na doutrina como na jurisprudência judicial e administrativa sobre o tema. Para solucionar a presente lide é necessário que se estabeleça os limites da coisa julgada em matéria tributária. Os fatos geradores objeto do lançamento sob exame ocorreram em 31 de dezembro de 2002 e 31 de março de 2003, (item 01 do auto de infração) e 31/12/2002 e 31/03/2003 (item 02 do auto de infração), fora de proteção da coisa julgada. Nos anos calendário de 2002 e 2003, a Impugnante não estava beneficiada com a decisão judicial e é exatamente o que se discute nestes autos: a aplicabilidade da decisão judicial transitada em julgado numa relação jurídica continuada. Desde a decisão do STF, no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 1382848CE, a jurisprudência pátria passou a reconhecer a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, com a exceção do seu art. 8º. É que o Supremo Tribunal Federal, como é de geral conhecimento, declarou a constitucionalidade da contribuição instituída pela Lei nº 7.689/88, afastando apenas sua exigência no ano de 1988. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias, de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou não se aplicar exceção de coisa julgada quando se verificar mudança no estado da relação jurídica de trato sucessivo. A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Sua eficácia deve ficar restrita ao período de incidência e à legislação que fundamentaram a busca da tutela jurisdicional. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 108 11 Certo é que o julgado não tem caráter de imutabilidade para os eventos fiscais futuros. A coisa julgada faz lei entre as partes, sendo o ‘mesmo estado de fato e de direito’. As modificações legislativas, a aplicação da lei nova sobre novo fato gerador afasta os efeitos da coisa julgada. Ocorrendo alterações das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes, não é cabível, no caso, a alegação da exceção da coisa julgada em relação a fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas, sendo do interesse público o lançamento e a cobrança administrativa ou judicial dos créditos decorrentes. O Conselho de contribuintes também tem decidido na mesma direção: Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 10283.008183/9940 Ementa: CSLL "COISA JULGADA" EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA ALCANCE Tratandose de Ação Declaratória de Inexistência da Relação Jurídica pesam contra a perenidade da decisão: a) a alteração superveniente da legislação (art. 471, I, do Código de Processo Civil); e b) a superveniência da Declaração de Constitucionalidade, exarada pela Suprema Corte. No caso concreto, foi isso que ocorreu: houve alteração legislativa posterior e também houve manifestação do STF considerando constitucional a Lei 7.689, não sendo aceitável a continuidade dos efeitos da decisão que favoreceu o contribuinte para períodos subseqüentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário no que se refere aos efeitos da coisa julgada da decisão obtida pelo contribuinte na ação 91.00065986, considerando que tal decisão não alcança os períodos objeto desta autuação. [..] Destaco que a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção deste Colegiado, em sessão realizada em 13 de maio de 2009, apreciando o recurso voluntário nº. 160.898 (processo administrativo nº. 10380.011051/200697), acolheu, por unanimidade, as razões expendidas no voto condutor. Ali, o ilustre Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno assinalou: ... De fato, a matéria, objeto de recurso voluntário, se cinge a discussão relativa os efeitos da decisão judicial, em sede de mandado de segurança processo n° 89.00925466 ao declarar inconstitucional a CSLL criada pela Lei n° 7.689/88, desobrigando o contribuinte essa exigência a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 109 12 partir de 11 de julho de 1989, uma vez transitada em julgado em 04/11/1992, conforme acima relatado. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já firmou entendimento sobre tal matéria. Vejase o Acórdão CSRF/0105.402, de 20/05/2006, cuja ementa diz. "CSLL LIMITES DA COISA JULGADA Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que, a imutabilidade diz respeito, apenas, aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei nº 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando o pronunciamento posterior ao definitivo do STF, em sentido contrário, cuja eficácia tornouse "erga omnes" pela edição de Resolução do Senado Federal." A elucidar o quanto decidido, e como abrange a matéria ora discutida, extraio importante trecho do r. acórdão acima aludido. Assim, o relator, em seu voto, assevera: "A respeito dos efeitos da coisa julgada em matéria tributária, este Primeiro Conselho de Contribuintes tem apreciado constantemente recursos que tratam da matéria, especialmente a respeito da constitucionalidade da contribuição social sobre o lucro das empresas. A sentença judicial resolve questão com respeito a aplicação da regra jurídica a fatos concretos já ocorridos, declara a inexistência de relação jurídica que se pretende já existente, não alcançando exercícios futuros. É claro que não se questiona a autoridade da coisa julgada, que não é atingida por decisão posterior do Supremo Tribunal Federal. Apenas seus efeitos se delimitam para os fatos já ocorridos, não se projetando para os fatos futuros que vierem a ocorrer. Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40212 Sobre essa matéria o E. Supremo Tribunal Federal assim decidiu: "ICM Coisa julgada. Declaração de intributabilidade. Súmula 239 A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 110 13 tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. Recurso extraordinário conhecido e provido." (RE 99435M). No voto, o relator Ministro Rafael Mayer, assim se manifestou: " Na verdade, a declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e normatividade a abranger os eventos futuros. A exigência de tributos advinda de fatos imponíveis posteriores aos que foram contemplados em determinado julgado, embora se verifique entre as mesmas partes, e seja o mesmo tributo, abstratamente considerado, ou não apresenta o mesmo objeto e causa de pedir que a demanda anteriormente decidida. Esse o sentido da Súmula 239, com a qual conflita o acórdão recorrido." Na Ação Rescisória n° I.3499MG, relativa à mesma lide, o relator, Ministro Carlos Madureira se pronunciou: A solução, ademais, encontrada pelo v. acórdão rescindendo, está em perfeita consonância com a doutrina mais moderna a respeito da coisa julgada que, segundo ensinamento ministrado pelo em. Ministro Soares Munoz, "restringe seus efeitos aos fatos contemporâneos ao momento em que foi prolatada a sentença", acrescentando S. Exa. em voto proferido no RE 87.3660: "A força da coisa julgada material, acentua James Goldschmidt, alcança a situação jurídica no estado em que se achava no momento da decisão, não tendo, influência sobre fatos que venham a ocorrer depois (in Derecho Processual Civil, pag. 390, tradução espanhola de 1936)" Ementário 1.1432). Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40213 Ainda sobre o alcance dos efeitos da "coisa julgada" de sentença em ação declaratória relativa à inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro, o Juiz Paulo Roberto de Oliveira Lima, do TRF da 5ª Região, ao negar liminar em ação cautelar incidental a ação rescisória proposta pela Fazenda Pública, assim se pronunciou: "Mas o que de fato ocorre não foi objeto de manifestação expressa da autora. É que o Supremo Tribunal Federal, como é de geral sabença, declarou a constitucionalidade da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, afastando apenas sua exigência no ano de 1989. É questão tormentosa, em casos assim, responder se a coisa julgada decorrente da sentença original apanha os exercícios futuros, ou se limita aos lucros anteriores à sua prolação. No meu sentir, malgrado as valiosas opiniões em contrário, a sentença não pode apreciar fatos ulteriores a seu comando. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 111 14 Seria até proveitoso que pudesse ser de modo contrário, principalmente em lides que resolvem relações jurídicas continuativas. Mas o sistema jurídico atual não reconhece tal possibilidade. A sentença não elege determinada interpretação para uma norma, nem define um modo de ser da relação jurídica. Seu dispositivo, único aspecto abrangido pela coisa julgada, resolve questão prática de aplicação de regra jurídica a fatos concretos já verificados. Assim, no caso em tela, a sentença se limitou a reconhecer a inexistência de relação jurídica que, na data de sua edição, obrigasse a autora a pagar a contribuição sobre o lucro. A eventual incidência da lei sobre fatos futuros, verificados em exercícios outros mais modernos, não poderia merecer a apreciação da sentença. Logo, penso que a autora, mesmo que rejeitados os embargos infringentes e mencionados no relatório, não se põe eternamente a salvo da incidência da Lei 7.689, exceto no que respeita aos exercícios financeiros anteriores ao julgado. Pelo exposto, nego a liminar." (D.J.U. 2 de 2 5/04/97, p. 27710). Caso idêntico já foi objeto de julgamento na Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 09 de julho de 2002, Acórdão n° 10193.879, relator o eminente Conselheiro Kazuki Shiobara, cuja ementa tem a seguinte redação: Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40214 "COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA FISCAL. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de fatos geradores de natureza continuada, não se projeta para fatos futuros, a menos que assim expressamente determine em cada caso o Poder Judiciário." Tomo a liberdade de transcrever os ensinamentos daquele voto: "Partindo da premissa de que a sentença resolve questão prática de aplicação de regra jurídica a fatos concretos já verificados, sua eficácia e a respectiva autoridade da coisa julgada não alcança exercícios futuros. Não se questiona, pois, a autoridade da coisa julgada, que não é atingida por decisão posterior do Supremo Tribunal Federal. Apenas se delimitam os seus efeitos, que não se projetam para fatos futuros, ainda não acontecidos. Assim, os efeitos da coisa julgada que ainda acobertam a defendente não se projetam além do início do ano de 1992, quando foi provavelmente publicado o acórdão do TRF da 1ª Região que declarou a inconstitucionalidade da Lei n° 7689/88. Os fatos geradores objeto do lançamento sob exame ocorreram nos anoscalendário encerrados em 31 de dezembro de 1992 a 1994, bem fora do guardachuva de proteção da coisa julgada, que se estendeu até o início de 1992. Ausentes, na espécie, qualquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade prevista no Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 112 15 artigo 151 do CTN, o crédito tributário assim constituído é perfeitamente exigível, procedendo a cobrança de juros de mora e multa. O artigo 63 da Lei n° 9.430/96 aqui não se aplica, porque está condicionada a prévia suspensão da exigibilidade. O artigo 112 do CTN também não se aplica, porque inexiste dúvida quanto à tipificação do ilícito tributário. Tratase de falta de recolhimento da CSLL sem respaldo legal ou judicial. O artigo 138 do C7'N também não se aplica, porque a denúncia espontânea tem de vir acompanhada do recolhimento do tributo e acréscimos devidos antes do início do procedimento de oficio, recolhimento esse não realizado no caso em apreço. Assim, no caso vertente, concluo que o lançamento não desrespeitou o principio constitucional da coisa julgada. Mas tenho presente que a última palavra no caso será a do STJ ou mesmo do STF, a quem incumbirá inclusive delimitar os efeitos dos acórdãos rescindendos." Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40215 Do Sr. Ministro do STF, Moreira Alves, no RE 100.8881, destacase o seguinte trecho: A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. Na mesma diretriz, a manifestação unânime da Primeira Turma do Colendo Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o REsp. 194276/RS relativamente ao processo n.° 98/00824162, DJ de 29.03.1999, de cujo voto condutor do eminente Ministro José Delgado extraise a seguinte ementa: 1. (...) 2. A Súmula n.° 343, do STF, há de ser compreendida com a mensagem especifica que ela contém: a de não ser aplicada quando a controvérsia esteja envolvida com matéria de nível constitucional. 3. A coisa julgada tributária não deve prevalecer para determinar que o contribuinte recolha tributo cuja exigência legal foi tida como inconstitucional pelo Supremo. O prevalecimento dessa decisão acarretará ofensa direta aos princípios da legalidade e da igualdade tributárias. 4. Não é concebível se admitir um sistema tributário que obrigue um determinado contribuinte a pagar tributo cuja lei que o criou foi julgada definitivamente inconstitucional, quando os demais contribuintes a tanto não são exigidos, unicamente por força da coisa julgada. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 113 16 Do voto do relator, colacionase o seguinte trecho: A soberania do Poder Judiciário em construir a coisa julgada não é absoluta. Ela há de ser exercida até os limites postos pela Carta Magna. Não entendendose assim, se outorgar ao juiz força maior do que a possuída pela Constituinte, por se reconhecer que a decisão por ele, juiz, proferida, mesmo contrária à Constituição, prevalecerá. Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40216 Venho afirmando em meus escritos e decisões, com a devida vênia dos que têm entendido diferente, que a função do direito aplicado pelo Poder Judiciário é, exclusivamente, a de ordenar, impondo segurança e confiabilidade nas relações jurídicas. Essa missão tornase mais categórica quando o Poder Judiciário é chamado para regular relações jurídicas de direito público, em face de não lhe ser possível criar comportamentos que fujam dos limites impostos pela legalidade objetiva e prestigiada pela CF. Não concebo o atuar de qualquer ordenamento jurídico que não seja na forma de Sistema. Se assim não atuar não é ordenamento e não expressa função harmonizadora a ele exigida. Impossível, conseqüentemente, que uma decisão judicial importe em criar privilégios no âmbito das relações jurídicas, impositivos tributários, permitindo que uma empresa não pague determinado tributo, mesmo que o seja por período certo, enquanto outras empresas são obrigadas a pagálo, apenas, porque, de modo contrário ao assentado pelo Supremo Tribunal Federal, uma decisão judicial assim impõe. O prevalecimento da sentença transita em julgado, em tal hipótese, quando atacada por ação rescisória, seria provocar um desrespeito à ordem jurídica, cuja estrutura e finalidade estão voltadas para a promoção da justiça. Esta, por sua vez, só será alcançada se a todos for emprestado o sentimento da igualdade e de segurança. Não se invoque, como é comum se fazer, a segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada. A segurança jurídica, por ela tratada é a de natureza processual, isto é, a surgida em decorrência do pronunciamento judicial, não sujeita, portanto, a modificações se não existir uma razão superior de ordem constitucional a descaracterizar essa força. É de ser lembrado que a Constituição Federal, fiel a esse sistema hierárquico que se acaba de demonstrar, protege a coisa julgada, apenas, face aos efeitos de lei ordinária a ele posterior. Essa característica bem demonstra o cunho processual da segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada, tornandose instável perante a vontade legislativa, por se prestigiar a independência do Judiciário como poder, não se permitindo que outra lhe tire os efeitos de suas decisões. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 114 17 Não me impressiona, nem me influencia a alegada aplicação da Súmula n.° 343 do STF, sobre a questão em debate. Entendo que ela, em se tratando de tema envolvendo constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não tem eficácia. Outrossim, ela só se faz presente, ao meu pensar, quando se trata de texto legal de interpretação controvertida nos tribunais e referente a relações jurídicas de direito privado. Estas, como é sabido, não estão sujeitas a princípios cogentes, presentes no corpo da Carta Magna, salvo o concernente ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e a coisa julgada. No trato de confronto de lei com a Constituição Federal, de acordo com o nosso sistema imposto pela nossa Carta Magna, só o Supremo Tribunal Federal tem competência absoluta para se pronunciar, declarando, com força obrigatória, a sua constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Processo n°: 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.40217 A declaração de inconstitucionalidade assumida pelos tribunais de segundo grau, não tem a mesma potencialidade de imperatividade da oriunda pelo Supremo Tribunal Federal pela ausência de efeito definitivo absoluto e por aqueles não terem a competência outorgada pela Carta Magna de serem obrigados a guardarem a Constituição, como a possuída pela Colenda Corte (art. 102, CF)." E mais a frente, no mesmo acórdão, ainda conclui: "Processo n": 10283.008181/9914 Acórdão n°: CSRF/0105.402 20 "Como corolário, a coisa julgada resta descaracterizada pela tangência de dois vetores indissociáveis: lei superveniente e fatos de natureza diversa. A Lei n.° 8.034, de 13.04.1990, ao erigir uma nova base de cálculo para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, dramaticamente distante da regida pela Lei n.° 7689/88, manifestamente atendeu ao dualismo que se aponta indispensável. Trago à colação, o magistério do ínclito tributarista José Carlos Barbosa Moreira, em artigo publicado na Revista Forense, vol. 246, pág. 31: A título de ilustração, vale a pena aplicar a algumas hipóteses o princípio expressamente consagrado pelo novo código. O contribuinte X propõe contra o Fisco ação declaratória negativa de dívida tributária, em relação a determinado exercício, argüindo a inconstitucionalidade da lei que instituíra o tributo. O juiz acolhe o pedido, por entender que tal lei era realmente inconstitucional. A solução dessa questão de direito constitui motivo da decisão: sobre ela se forma a coisa julgada. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 115 18 Com referência a outro exercício e a outra dívida , é lícito ao órgão judicial reapreciar a questão, eventualmente para considerar constitucional a mesma lei e julgar, por isso, que o tributo é devido por X. Das lições do eminente doutrinador, professor Gilmar Ferreira Mendes, extraio o seguinte trecho de seu estudo sobre "Coisa Julgada e Efeitos Vinculantes": A declaração de nulidade de uma lei não obsta à sua reedição, ou seja, a repetição de seu conteúdo em outro diploma legal.Tanto a coisa julgada quanto a força de lei especifica (eficácia "erga omnes") não lograram evitar esse fato. Ainda que no limite extremo do hipotético prevalecessem os argumentos expendidos pela contribuinte, essa não ficaria a salvo eternamente da obrigação tributária a que recusa submissão, a não ser com um abominável desrespeito ao principio pétreo da igualdade o qual consiste em dar tratamento igual aos iguais. Enfim, o julgado não tem caráter de imutabilidade para os eventos fiscais futuros, frisese. Destarte, a coisa julgada em destaque não se correlaciona com a exação imposta, pois o seu caráter não se irradia a outros exercícios e nem ataca lei nova, conforme é assente na jurisprudência administrativa mas se contém na dimensão temporal da sentença contemplativa dos exercícios abarcados pela Lei nº 7.689/88; melhor dizendo: goza de eficácia no ano base de 1988, limite do pedido do contribuinte. Ademais, a Lei n.° 4.657, de 04 de setembro de 1942 (LICC), em seu artigo 1°, f, par. 4º, salienta que as correções a texto de lei já em vigor consideramse lei nova. Dessa forma, resulta despicienda qualquer apreciação acerca da ação rescisória ou dos seus efeitos temporais, pois não se acha sob debate a lei fulminada pelo trânsito em julgado." Em face ao entendimento supra exposto, o qual acolho pelos seus próprios fundamentos, reportandome também ao quanto decidido em primeira instância, sou por negar provimento ao recurso voluntário. Em convergência com tudo que até aqui foi exposto, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN nº 492, de 2011, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda e publicado no Diário Oficial da União em 26 de maio de 2011, do qual releva transcrever as seguintes conclusões: 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 116 19 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4. A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. No que diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso, reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, não o fazendo, apenas, em relação ao art. 8º do referido diploma (RE 146733SP, cuja ementa reproduzo abaixo). RE 146733/SP – SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO RELATOR: Min. MOREIRA ALVES JULGAMENTO: 29/06/92 ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO EMENTA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. AO DETERMINAR, POREM, O ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 QUE A CONTRIBUIÇÃO EM CAUSA JÁ SERIA DEVIDA A PARTIR DO LUCRO APURADO NO PERÍODOBASE A SER ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988, VIOLOU ELE O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CONTIDO NO ARTIGO 150, III, "A", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, QUE PROÍBE QUE A LEI QUE INSTITUI TRIBUTO TENHA, COMO FATO GERADOR DESTE, FATO OCORRIDO ANTES DO INÍCIO DA VIGÊNCIA DELA. RECURSO Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 117 20 EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO COM BASE NA LETRA "B" DO INCISO III DO ARTIGO 102 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, MAS A QUE SE NEGA PROVIMENTO PORQUE O MANDADO DE SEGURANÇA FOI CONCEDIDO PARA IMPEDIR A COBRANÇA DAS PARCELAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CUJO FATO GERADOR SERIA O LUCRO APURADO NO PERÍODO BASE QUE SE ENCERROU EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 Em conformidade com o Parecer PGFN nº 492, de 2011, “possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: ... quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte”. Podese afirmar que a constitucionalidade declarada no RE 146733/SP foi confirmada em julgados posteriores da Suprema Corte, seja em razão do RE 138284 – CE (ementa abaixo reproduzida), seja em virtude da própria ADIn 152 DF, de 14/06/2007. RE 138 284/CE 01/07/1992 RELATOR: CARLOS VELLOSO TRIBUNAL PLENO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. Lei n. 7.689, de 15.12.88. I. Contribuições parafiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção e contribuições corporativas. C.F., art. 149. Contribuições sociais de seguridade social. C.F., arts. 149 e 195. As diversas espécies de contribuições sociais. II. A contribuição da Lei 7.689, de 15.12.88, é uma contribuição social instituída com base no art. 195, I, da Constituição. As contribuições do art. 195, I, II, III, da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do parag. 4. do mesmo art. 195 é que exige, para a sua instituição, lei complementar, dado que essa instituição deverá observar a técnica da competência residual da União (C.F., art. 195, parag. 4.; C.F., art. 154, I). Posto estarem sujeitas a lei complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não são impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146, III, "a"). III. Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV. Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa é que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 1.). V. Inconstitucionalidade do art. 8., da Lei 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade (C.F., art, 150, III, "a") qualificado pela inexigibilidade da contribuição dentro no prazo de noventa dias da publicação da lei (C.F., art. 195, parag. 6). Vigência e eficácia da lei: distinção. VI. Recurso Extraordinário conhecido, mas improvido, declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8. da Lei 7.689, de 1988. Na referida ADIn 152 DF restou assinalado: “A lei 7.689, de 15.12.88, já foi examinada à exaustão neste Tribunal. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 118 21 No RE 146733 (Moreira Alves, J. 26.6.92, DJ 6.11.92), o Plenário examinou alegações semelhantes à desta ação direta e concluiu pela constitucionalidade da lei impugnada, com exceção do art. 8º. Eis a ementa: ...” Nos termos do consignado pelo Ministro Sepúlveda Pertence na ADIn 152, o plenário da Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade do artigo 8º da Lei nº 7.689, de 1988, e comunicou a decisão ao Senado Federal, que, por meio da Resolução nº 11, de 1995, suspendeu os efeitos desse dispositivo. [...] nos termos do art. 48, item 28 do Regimento Interno, promulgo a seguinte RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL 11/95 O SENADO FEDERAL resolve: Art. 1º É suspensa a execução do disposto no art. 8º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Art. 2º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Revogamse as disposições em contrário. Senado Federal, 4 de abril de 1995. Inaplicável, a meu ver, as disposições do art. 62A do Regimento Interno deste Colegiado com base no pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça por meio do REsp 1118893/MG, em que restou consignado que “o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade”. Aqui, acolho o entendimento esposado pela Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira nas contrarrazões apresentadas nos autos do processo administrativo nº 10680.721852/201147. Ali, restou consignado, in verbis: [...] Todavia, não possui o REsp 1.118.893/MG o alcance ad aeternum que pretende a recorrente. Segundo esclarecido no Parecer PGFN/CRJ 975/2011, a demanda que deu origem ao REsp 1.118.893/MG foi de Embargos à Execução Fiscal (Processo Originário 1997.38.00.0604543/MG), em que se questionou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL, instituída pela Lei 7.689/88, ano calendário 1991, para contribuinte que possuía sentença judicial transitada em julgado em que fora declarada a inconstitucionalidade formal e material da exação sob a égide da citada Lei 7.689/88, e a consequente inexistência de relação jurídico tributária. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 119 22 O STJ deu provimento ao recurso especial ora em análise, julgando procedente o pedido formulado nos Embargos à Execução Fiscal para anular a CDA 60.6.96.00474909. Nos termos do REsp 1.118.893/MG (Relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima), constatouse que a Primeira Seção do STJ encampou a tese de não ter havido alteração substancial no regramento da CSLL a justificar o afastamento do decidido na sentença transitada em julgado favorável à contribuinte, conforme ementa abaixo: [...] Ocorre que a questão discutida se restringiu ao caso concreto de contribuinte que pugnou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL segundo a Lei 7.689/88, no exercício de 1991, em virtude de possuir decisão transitada em julgado de reconhecimento da inconstitucionalidade de cobrança de CSLL, nos moldes da Lei 7.689/88. Entre suas razões de decidir, conforme transcrito na ementa supra, a Primeira Seção manifestou o entendimento quanto à impossibilidade da decisão do STF no julgamento da ADI n° 152/DF ocorrida em 2007 (DJ 31/08/2007), que decidiu pela constitucionalidade da Lei 7.689/88, com exceção de seus arts. 8° e 9°, atingir o caso ora em análise (CDA 60.6.96.00474909), referente à cobrança de CSLL segundo a Lei 7.689/88, no exercício de 1991. Esclarecendo, a Primeira Seção do STJ se manifestou obter dictum pela impossibilidade de decisão posterior do STF proferida na ADI 152/DF, publicada no DJ 31/08/2007 retroagir e alcançar decisão judicial transitada em julgado que declarou a inexistência de relação jurídicotributária aplicável ao exercício de 1991. Em outras palavras, o STJ firmou a impossibilidade de uma decisão posterior do STF (2007) atingir uma situação jurídica anterior (1991); consolidada anteriormente à decisão do STF. Todavia, a Primeira Seção do STJ no REsp 1.118.893/MG não analisou os efeitos prospectivos da eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado contrárias à posterior decisão do STF. Ora, este não era o tema em julgamento, já que o fato gerador analisado era de 1991, anterior à decisão do STF acerca da constitucionalidade da Lei 7.689/88 instituidora da CSLL, seja em controle difuso (RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), seja em controle concentrado de constitucionalidade (ADI n° 152/DF ocorrida em 2007 DJ 31/08/2007). No caso vertente, os lançamentos tributários alcançaram os fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006 e de 2007 e a ação judicial impetrada pela contribuinte, embora tenha transitado em julgado em 11 de maio de 2001, está representada por Mandado de Segurança PREVENTIVO, impetrado em 28 de abril de 1989, por meio do qual foi suscitada a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988. Em vista do exposto, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/201065 Acórdão n.º 1301001.355 S1C3T1 Fl. 120 23 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11080.722127/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS. ADMINISTRAÇÃO. INEQUÍVOCO CONHECIMENTO.
O comando do art. 100, III do CTN aplica-se somente a casos em que a Administração tenha inequivocamente tomado conhecimento da prática.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS.
Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos.
Numero da decisão: 3403-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, deu-se provimento para excluir da base de cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais; (ii) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, e negou-se provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii) por voto de qualidade, negou-se provimento quanto às bonificações e descontos, vencido o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, deu-se provimento para excluir da base de cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais; (ii) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, e negou-se provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii) por voto de qualidade, negou-se provimento quanto às bonificações e descontos, vencido o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator. ROSALDO TREVISAN - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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RECEITA. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto. COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 27 /2 01 1- 18 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS. ADMINISTRAÇÃO. INEQUÍVOCO CONHECIMENTO. O comando do art. 100, III do CTN aplicase somente a casos em que a Administração tenha inequivocamente tomado conhecimento da prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, deuse provimento para excluir da base de cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais; (ii) por maioria de votos, deuse provimento para excluir os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, e negouse provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii) por voto de qualidade, negouse provimento quanto às bonificações e descontos, vencido o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de recurso contra a decisão que manteve o lançamento que constituiu crédito tributário relativo a contribuições para COFINS e o PIS/PASEP do período de apuração de 01.01.2006 a 31.12.2006, incidente sobre possíveis receitas não incluídas na base de cálculo. Transcrevese o relatório da decisão recorrida por refletir bem a situação dos autos. “Relatório. Conforme o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 10.1.01.002009008086 e suas diversas prorrogações foi realizada fiscalização na empresa qualificada em epígrafe abrangendo o PIS e a COFINS no período referente ao ano de Fl. 983DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 982 3 2006. A ação fiscal iniciou em 29/06/2009 e em seu curso identificou que a empresa Zaffari Comércio e Indústria Ltda. não incluiu na base de cálculo dessas contribuições determinadas rubricas que teriam incidência tributária, o que resultou no Auto de Infração aqui em litígio. A autuada é empresa que atua na exploração do ramo de supermercados, compreendendo o comércio de gêneros alimentícios em geral e demais mercadorias passíveis de venda nesse tipo de estabelecimento. O Relatório da Ação Fiscal (fls. 22 a 38) inicialmente descreve a forma adotada para operacionalizar os acordos feitos pelos grandes varejistas (supermercados) com os fornecedores, em práticas denominadas genericamente de “RAPEL/PEDÁGIO” (imposição pelas grandes redes de supermercados de diversas exigências aos fornecedores, retribuída em dinheiro ou em mercadorias, sobre as compras que aqueles fazem dos seus produtos; melhor disposição da mercadoria dentro da loja – prateleira, publicidade, etc), ilustrando por meio de reportagens e investigações realizadas pelo executivo ou legislativo de diferentes Estados a realidade que vem acontecendo em tais relações comerciais. O lançamento decorreu da não inclusão na base de cálculo dessas contribuições de importâncias cobradas dos fornecedores com origem nessas práticas – “rapel e pedágio”, regra por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos fornecedores, especificamente em três contas: propaganda; descontos obtidos; e mercadorias bonificadas. Essas contas contábeis objeto de tributação são detalhadas no Relatório Fiscal, com seus valores apresentados em planilhas demonstrando como se chegou aos lançamentos efetuados. O crédito tributário apurado com multa e juros atingiu o montante de R$ 14.582.197,86 a título de COFINS e R$ 3.165.871,71 a título de PIS. A ciência foi dada ao contribuinte em 31/03/2011 (fl. 21). A impugnação foi apresentada tempestivamente em 29/04/2011. Cabe registrar que a impugnação juntada às fls. 688 a 830 nada tem a ver com esse processo, tratando se de contestação de outros tributos (IRPJ e CSLL – ágio de amortização) Referentes ao processo nº 11080.722179/201115, e, dessa forma, não foram aqui passíveis de análise para esse julgamento. A impugnação que diz respeito ao Auto de Infração de PIS e de COFINS se encontra nos autos a partir da fl. 831 e é essa que passaremos a reproduzir. Primeiramente aduz o impugnante que o Auditor Fiscal foi induzido a conclusões precipitadas, face práticas (“rapel e pedágio”) demonstradas pela mídia e por CPIs, com notícias Fl. 984DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 que nunca envolveram a Cia. Zaffari, concluindo que inexistindo provas cabais de que o aqui impugnante teria efetivamente adotado tais práticas, os argumentos do Auto de Infração não teriam a mínima sustentação. Sobre as contas de sua contabilidade entendidas pela fiscalização como tributáveis, fez as seguintes alegações sobre cada uma: Mercadorias Bonificadas No tocante a essa rubrica, afirma o impugnante que contabiliza em uma conta as bonificações que recebe em dinheiro e em outra conta as bonificações que recebe em mercadorias, por entender se tratar de situações distintas. Entende que o AFRFB desconsiderou sua contabilização, baseando se simplesmente em presunção. Ter acordos comerciais que importem na entrega de produtos além dos adquiridos a título de bonificação, não revela uma conduta ilegal ou tampouco abusiva. Os fornecedores são livres para vender ao varejo seus produtos; e podem muito bem optar por não fornecer. Essa conta Mercadoria Bonificada seria integrante do custo de aquisição de mercadorias, sendo redutora das demais compras. De acordo com o seu fluxo de contabilidade, tais mercadorias somente seriam tributadas pelo PIS e pela COFINS ao tempo de sua venda. Caso contrário essas contribuições incidiriam duas vezes sobre as mercadorias de bonificação – no recebimento do fornecedor e na venda ao consumidor final –, caracterizando bis in idem. Menciona o “Perguntas e Respostas” da Receita Federal, assim como Solução de Consulta, onde estaria disposto que quando as bonificações forem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos não seriam tributadas. As indenizações por perdas ou avarias também devem ser excluídas da base de cálculo, pois nesse caso o impugnante é ressarcido de duas formas: parte para que possa adquirir produto similar perdido, e parte como ressarcimento das despesas com o descarte dos produtos perdidos ou avariados. Descontos Obtidos Tal conta seria integrante das receitas financeiras e referese a descontos pelo pagamento antecipado de obrigações; abatimento pelo recebimento de mercadorias com avarias; e descontos relativos a acordos comerciais de fornecimento de mercadorias. Entende que tais lançamentos a crédito não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS de acordo com o inciso V, art. 1º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (descontos incondicionais concedidos). Cita o “Perguntas e Respostas” da Receita Federal onde seria dito que os descontos obtidos seriam tributados à “alíquota zero” para o PIS e para a COFINS, conforme determina o art. 1º, do Decreto nº 5.442/2005. Propaganda Afirma que os valores lançados a crédito nessa conta não constituem receitas, e teriam origem em três situações distintas: a) Transferência de Tablóides: quando da transferência do depósito central desses tablóides para as filiais, é contabilizado a crédito a conta fornecedores. Tratarseia de uma operação Fl. 985DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 983 5 interna de transferência de material publicitário do depósito para as lojas não tributada pelo PIS e pela COFINS. b) Distribuição do reembolso de fornecedores a cada loja: o impugnante em seus acordos comerciais é reembolsado por propagandas que ele contrata para os fornecedores. Tais reembolsos são transferidos para cada uma de suas lojas, e, portanto, retrataria uma operação interna de mero rateio do depósito para as lojas, não se podendo confundir com receitas auferidas. c) Recebimento de reembolso dos fornecedores – Novamente o impugnante tem acordos comerciais com empresas fornecedoras, onde é reembolsado por propagandas que ele contrata para os fornecedores. Esses reembolsos possuem caráter indenizatório, pois tem por finalidade o pagamento de parte dos gastos efetuados com publicidade para as marcas que o impugnante revende. Um consumidor pode se interessar pelo produto anunciado, mas não adquirilo no Zaffari;, todavia o interesse virá daquele anúncio. Por isso é que se exigiria tal reembolso, e tais valores não seriam receitas auferidas, no seu entender, mas sim ingressos indenizatórios. Por fim, o contribuinte requer que seja reconhecida a insubsistência do lançamento, com a conseqüente anulação do Auto de Infração, devido à demonstração de não sujeição das bonificações recebidas, descontos concedidos e dos créditos decorrentes de ajustes na escrituração contábil à tributação do PIS e da COFINS. E em não entendendo pela anulação total do auto, requer que sejam ajustadas as bases, conta a conta, bem como expurgada a multa e os juros, face o conteúdo normativo do art. 100, do CTN, e da prática reiteradamente observada, inclusive apontada pela Administração Tributária no sentido de não tributação de tais rubricas. É o relatório”. Em síntese, a discussão se refere a: a) Despesas de Propaganda volume de débitos e créditos referentes à conta no 3.1.07.30, discriminando todos os meses de 2006 (fl. 30); b) Descontos Obtidos valores mensais lançados a crédito discriminando mês a mês o ano de 2006, no tocante a conta no 3.4.01.06, especificando os valores que foram ou não considerados como tributáveis (fl. 33); e c) Mercadorias Bonificadas valores mensais lançados a crédito discriminando mês a mês o ano de 2006, no tocante a conta no 5.1.01.23, especificando os valores apurados (fl. 34). Requerse ajuste à base de cálculo conta a conta, bem como, observância das disposições do artigo 100 do CTN. É o relatório. Voto Vencido Fl. 986DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, o que impõe o seu conhecimento. A controvérsia decorre da não inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS de importâncias ou mercadorias exigidas dos fornecedores prática essa conhecida ou denominada de “rapel e pedágio”, regra por meio da qual há redução dos valores efetivamente pagos aos fornecedores relativamente aos itens: propaganda; descontos obtidos e mercadorias bonificadas. A prática denominada de rapel ou pedágio encontrase consolidada no segmento varejista de produtos alimentares e de supermercados, há tempos configurando uma praxe. Com a concentração de grandes conglomerados no setor varejista após a década de 90 surgiu a praxe de obtenção de descontos desproporcionais, investimentos compulsórios e ônus de custos vinculados ao marketing, em regra com a participação financeira dos fornecedores. O poder de mercado alcançado pelas grandes redes varejistas tornouse matéria discutida pela literatura antitruste, pois o poder de compra do varejo desafia a livre concorrência. Esse assunto já extrapola as paredes do ambiente de relação varejistas e fornecedores e chega ao conhecimento do CADE, que passou analisar o processo de concentração. Têmse notícias de que grandes varejistas obrigam seus fornecedores a conceder descontos desproporcionais e outros benefícios contrários a livre concorrência. Em contrapartida disponibiliza aos parceiros, se desejar: volume de compras, conjunto distintivo de condições particulares, exibição e vendas de produtos, condições particulares de logística. Nesse cenário surgem os pactos, escritos, verbais, todos restritos às relações comerciais dos hipermercados e supermercados com seus fornecedores. No caso concreto, foram apontados os ganhos relacionados com propaganda, descontos obtidos e mercadorias bonificadas como sendo receitas excluídas da base de cálculo das contribuições, referentes ao lançamento. O entendimento da decisão de piso e da fiscalização é de que se trata de receita, e, independemente de tratar de ingresso em moeda corrente do país ou em mercadorias (bonificação), o fato gerador seria a incorporação ao patrimônio do beneficiário dessas vantagens., motivo pelo qual deveriam as receitas ter sido incluídas à base de cálculo. Impõe examinar os temas (propaganda e publicidade, descontos obtidos e mercadorias bonificadas) pelo conceito contábil, diante da natureza de serem receita e custo/despesa. Propaganda e Publicidade. Essas são sempre consideradas despesas, ora de vendas, e, em certas circunstâncias administrativas. Naturalmente estão vinculadas às campanhas de vendas de produtos. Por natureza são sempre apropriadas a despesas. Descontos obtidos. O tratamento contábil dispensado aos descontos obtidos conforme a melhor classificação é como redução de custos e não como receita financeira, em face do vínculo direto com aquisição de produtos ou serviços. Recomendase que nos casos dos abatimentos e descontos obtidos, devam ser contabilizados diretamente na conta que registrou a aquisição do produto ou do serviço. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 984 7 Bonificações. Devem ter o mesmo tratamento contábil dispensado aos descontos obtidos, pois devem ser contabilizadas como redução de custo em decorrência do vínculo direto com aquisição dos produtos ou serviços. A mim parece que os custos relacionados com propaganda, publicidade, descontos obtidos e bonificações de mercadorias em momento algum podem ser considerados como vantagens pecuniárias, mas sim redução de custo e despesa. Não se podem fechar os olhos aos acordos comerciais existentes para o incremento de vendas, onde o comprador (supermercados) pactua com o fornecedor campanhas promocionais com o objetivo de incrementar os negócios, dividindose proporcionalmente entre eles os custos. O reembolso, necessariamente, não precisa ser pecuniário, pode vir em forma de bonificação, isto é, entrega de mais produtos a custo zero, o que proporciona a recuperação dos gastos com publicidade e propaganda por meio da receita advinda da comercialização, que por seu turno sofre a incidências dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Tanto para bonificações, quanto para despesas de propaganda e descontos obtidos, a natureza é sempre de reembolso, o que implica tornar embolsar, reaver o que foi desembolsado ou emprestado, ficar novamente na posse. Em síntese, são artifícios, componentes ou elementos de acordos comerciais, e, mesmo para aqueles que os veem como prática predatória à livre concorrência e ao consumidor, não se pode transformálos em receita capaz de suportar incidência tributária. Esses mecanismos utilizados são para proporcionar ao fornecedor venda substancial com garantia de continuidade (fidelidade), divulgação do produto, logística capaz de minimizar os custos de frete, tornando a mercadoria mais competitiva; e, do outro lado, o supermercadista ganha em escala de venda. Assim, para mim são sempre redutores de custos, e, não ingressos de receitas, pois diferenciados do conceito de receita. O contrário violaria o princípio da capacidade contributiva. Oportuno trazer à baila a lição a respeito de ingressos recebidos a título de reembolso pelo Conselheiro do CARF Sólon Sehn, ao falar de PISCOFINS na não cumulatividade e Regimes de Incidência: “INGRESSO RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO”. “Uma vez delimitado o conceitobase de incidência da Cofins não cumulativa e, sobretudo, fixada a premissa que receita é acréscimo ao patrimônio líquido, sem reservas, condicionamento ou correspondências no passivo inconfundível, portanto, com a noção neutra de ingressos de caixa , não há dúvidas de que tais tributos não incidem sobre reembolsos”. Continua: “Afinal o reembolso constitui um ingresso sem repercussão patrimonial positiva, que apenas recompõe o patrimônio da Fl. 988DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 pessoa jurídica em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. “Não há, destarte, a entrada de riqueza nova ou incremento patrimonial, razão peça qual não ocorre à incidência da contribuição...” Finalmente diz: “Interpretação dessa natureza, além contrária ao conceito de receita, viola claramente o princípio da capacidade contributiva, que veda a incidência de tributos não vinculados sobre fatos não reveladores de riqueza”. (PISCOFINS não cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 170). Com essas considerações sou inclinado a prover o recurso e modificar a decisão de piso para acolher a tese de que bonificações, despesas de propaganda e descontos obtidos têm natureza de recuperação de custo e não podem ser interpretados como receitas capazes de suportar incidência de tributos. Em sendo assim, conheço do recurso e dou provimento para afastar da base de cálculo os reembolsos nominados como bonificações, despesas de propaganda e publicidade, bem como os descontos obtidos da base de cálculo das contribuições aqui tratadas. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 989DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 985 9 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Tendo em vista terem sido acolhidas unanimemente a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais, e majoritariamente os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, incumbiuseme a redação de voto vencedor em relação à negativa de provimento em relação aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda (vencido o relator) e quanto às bonificações e descontos obtidos (vencidos o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti). Antes de ingressar na análise dos dois tópicos destacados (despesas com propaganda, e bonificações e descontos obtidos), convém destacar o que dispõem as leis que regem as contribuições na sistemática da não cumulatividade: Iniciemos pela Lei no 10.637/2002, que rege a Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (...)” (grifo nosso, e redação vigente ao tempo da autuação) De modo absolutamente idêntico dispõe a Lei no 10.833/2003, que rege a COFINS, na mesma sistemática: “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (...)” (grifo nosso, e redação vigente ao tempo da autuação) Cabe ainda sinteticamente recordar as principais teses expostas no curso do contencioso, sobre os temas em análise: A autuação, em ambas as contribuições, fulcrase na não inclusão de rubricas referentes a propaganda (conta no 3.1.07.30), descontos obtidos (conta no 3.4.01.06) e mercadorias bonificadas (conta no 5.1.01.23). Na conta referente a despesas com propagandas, constavam valores a crédito, a título de reembolso de despesas de marketing e de transferência de tablóides. Tais valores, entendidos pela recorrente como reembolso, são na verdade receitas (pedágio), não guardando relação direta com as despesas da empresa. Na conta que engloba descontos obtidos, do grupo receitas financeiras, e referentes a diversos fornecedores, constatouse que não há relação dos descontos com antecipação de pagamento, pois mesmo os valores pagos após o vencimento faziam jus aos descontos, cabendo destacar que não fizeram parte da autuação os valores referentes a efetivos descontos financeiros. Em relação à conta mercadorias bonificadas, também foi percebido expressivo lançamento de valores a crédito, tendo como contrapartida as contas de compra. Os lançamentos em tal conta se referem a bonificação, reembolso de custos de logística, e quebras de estoque. Destaquese que foram incluídas pela empresa na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de bonificações sobre promoções de vendas, sobre as quais estão sendo efetuados depósitos judiciais (conta no 4.1.70.08). Na impugnação esclarecese que a rubrica despesas com propagandas representa três situações distintas: transferência de tablóides para as filiais operação interna (cuja exclusão da base de cálculo das contribuições foi acolhida majoritariamente pela turma, inclusive pelo relator original), distribuição de reembolso a fornecedores operação interna de rateio do depósito para as lojas (cuja exclusão da base de cálculo das contribuições foi unanimemente acordada pela turma), e recebimento de reembolso dos fornecedores (única questão referente à rubrica despesas com propagandas que resta a discutir no presente voto vencedor). Ainda na impugnação, caso se entendam como receitas os valores em discussão, invocase subsidiariamente o art. 100 do CTN, especificamente no que se refere a prática reiterada da Administração Tributária (inciso III). No julgamento de piso, chamase a atenção para o fato de a autuada ter sido intimada por diversas vezes a apresentar os contratos vinculados aos créditos de propaganda, descontos obtidos e mercadorias bonificadas, e sequer ter feito menção a nenhum dos contratos com seus fornecedores, como indicado no relatório fiscal anexo à autuação (registrando que a omissão continua na impugnação). Repara o julgador a quo que a recorrente indica por Fl. 991DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 986 11 diversas vezes em sua impugnação a existência de tais contratos, mas jamais os apresenta, e que não seria crível que em transações deste porte o contrato se desse de forma verbal. Também assenta o julgador de piso a incoerência lógica em se oferecer à tributação as bonificações de mercadorias em dinheiro (em que pese estarem sendo judicialmente depositadas), excluindose as mercadorias recebidas em espécie, e que tais bonificações, para exclusão, deveriam constituir descontos incondicionais, expressos na nota de venda (o que não ocorreu). Assim, e restando as bonificações contabilizadas em conta de resultado, caracteriza se em todas as visões do fenômeno a percepção de receita, não havendo bis in idem na tributação de operação posterior (que pode nem vir a ocorrer) de venda das mercadorias recebidas em bonificação. Também em relação aos descontos obtidos, compreendidos pela empresa às vezes como receitas financeiras, outras como descontos incondicionais, restou claro ao julgador não ter ocorrido nem uma nem outra situação. Sobre as despesas com propaganda abarcadas por este voto vencedor (recebimento de reembolso dos fornecedores), atestou o julgador a quo que não se apresenta nenhuma correspondência direta entre os custos de propaganda e tais reembolsos. Em seu recurso voluntário, a empresa alega que os contratos com os fornecedores se davam de maneira verbal, caso a caso, como aceito pela legislação civil, visando ao estabelecimento de descontos incondicionais, e que a simples inexistência de contrato escrito não pode ensejar a desconfiguração da operação realizada. Sobre as bonificações, informa que não há provas na autuação de que os fornecedores eram compelidos a pagar remuneração à recorrente, e que a própria RFB reconhece tratamento diferenciado para bonificações em espécie e em mercadorias (cf. Perguntas e Respostas IRPJ 2004). Sobre os descontos obtidos, de natureza financeira, é contraditório o fisco desejar tributálos ainda que incondicionais, pois são gênero da espécie bonificação. No que se refere a despesas com propaganda, são de caráter indenizatório. Isto posto, e como a legislação de regência das contribuições, exposta ao início, não trata de conceito restrito, mas alargado de “receitas”, o que deriva de sua simples leitura (“receita bruta de venda de bens e serviços” e “todas as demais receitas auferidas”) há que se aclarar que, para efeito de tributação, mesmo os descontos incondicionais constituem “receitas”. Tanto que são expressamente excluídos da tributação, mas não do conceito de “receitas”. Assim, se as contas se referem a descontos incondicionais, elas constituem receita (porque a lei expressamente o estabelece). Vejase o § 3o do art. 1o de qualquer das leis de regência transcritas, que explicitamente afirma que não integram a base de cálculo as receitas referentes a descontos incondicionais concedidos. A lei inegavelmente estabeleceu que a base de cálculo das contribuições abarca todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e que poderiam ser excluídas de tal base as receitas referentes a descontos incondicionais. Tanto as bonificações quanto os descontos obtidos são enquadrados pela recorrente em tal incondicionalidade, em que pese não atenderem aos pressupostos estabelecidos pelo fisco (como a informação específica em nota fiscal, que se soma à independência de evento posterior). O fisco logra atestar que os ingressos constituem receitas (dentro do conceito acima exposto), inclusive afastando da autuação os descontos para os quais se comprova a origem financeira. E, tanto no que se refere às bonificações quanto aos descontos obtidos (ambos tidos como incondicionais), busca oportunizar à recorrente comprovar o registrado em Fl. 992DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 sua contabilidade durante o procedimentos fiscal, mediante a apresentação dos contratos por meio dos quais tais descontos são concedidos. No entanto, há reiterada omissão na apresentação de tais contratos, seguida da afirmação de que são celebrados na forma verbal. A exemplo do que se concluiu no julgamento de piso, não nos convence a argumentação de que uma grande rede de supermercados conceda incondicionalmente descontos a seus fornecedores, sempre mediante contratos verbais, não se preservando de forma alguma o registro histórico de tais operações de modo a verificar a que título se deu o desconto. Atenta contra a razoabilidade (e contra o caráter sinalagmático de tais contratos) crer que em um contrato entre supermercado e fornecedor, este conceda reiteradamente descontos incondicionais, de forma verbal, sem obter contraprestação alguma. É contraditório afirmar a recorrente que a fiscalização poderia ter circularizado a investigação, tentando obter dos fornecedores tais contratos, quando ela própria afirma que são “verbais”. Seria, em outras palavras, tentar obter a prova impossível. E, nessa esteira, qualquer desconto poderia ser contabilizado impunemente como incondicional, visto que não haveria meios de verificar a condicionalidade, sendo os contratos de fornecimento efetuados de forma verbal. Em suma, a forma verbal asseguraria a impossibilidade de verificação objetiva da (in)condicionalidade. Nesse contexto, a recorrente identifica eventual carência probatória na autuação, que foi por ela própria ocasionada. Percebase que a recorrente teve, no curso de todo o contencioso, a possibilidade de contrapor os argumentos do fisco, demonstrando claramente porque contabilizou como incondicionais as receitas obtidas, e não o fez a contento, principalmente por não restar em nenhum momento de forma objetiva como e em que circunstâncias tais descontos eram concedidos. Sendo inequívoco que constituem receitas as rubricas em discussão, e não restando caracterizada a contento a situação de receitas provenientes de descontos incondicionais, voto pelo não provimento do recurso nesses tópicos (descontos obtidos e mercadorias bonificadas). No que se refere ao recebimento de reembolso dos fornecedores por despesas com propaganda, igualmente voto pelo não provimento, por entender que não restou minimamente comprovada pela recorrente sua alegação de que tais despesas possuíam caráter indenizatório, seja mediante planilha na qual minuciasse as despesas e a fórmula de rateio, seja rebatendo a planilha apresentada pelo fisco que demonstra não haver correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. Por fim, em relação ao art. 100 do CTN, especificamente em seu inciso III, alegado subsidiariamente, incumbe ressaltar que resta ostensivamente claro que o comando não se aplica a práticas infracionais que não tenham sido detectadas pela Administração, como a tratada neste processo. Raciocínio contrário nos levaria ao desparate de crer que qualquer conduta irregular ou até ilícita constituiria uma norma complementar se o infrator a cometesse durante algum tempo sem ser descoberto pela fiscalização. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando da exigência os valores das seguintes despesas classificadas como “de propaganda”: redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais (distribuição de reembolso a fornecedores) e reembolso de despesas com tablóides (transferência de tablóides). Fl. 993DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/201118 Acórdão n.º 3403002.520 S3C4T3 Fl. 987 13 Rosaldo Trevisan Fl. 994DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10469.725077/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 77 /2 01 1- 11 Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife PE assim ementado, verbis: “NULIDADE. CERCEAMENTO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando os demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal estão detalhados, assim como amparados em documentos e demonstrativos presentes nos autos, que permitem o perfeito entendimento dos resultados apurados. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ISENÇÃO/REDUÇÃO. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUÇÃO COM INCENTIVO EM MONTANTE SUPERIOR À CAPACIDADE INCENTIVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ISENÇÃO/REDUÇÃO. RECEITAS DE ALUGUEL E LUVAS. RELEVÂNCIA. RELATIVIZAÇÃO DO ESTATUTO SOCIAL. RECEITA BRUTA. Em que pese a atividade de locação de imóveis não constar expressamente como objeto do sujeito passivo em seu estatuto social, o teor deste deve ser relativizado diante da caracterização nos autos da relevância dessa atividade para o sujeito passivo. Há que se concluir que de fato a locação de imóveis faz parte do conjunto de atividades principais da empresa e, por conseguinte, integra a sua receita bruta. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NO AJUSTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONTENCIOSO INSTAURADO. CONFIRMAÇÃO PELA DRJ. Não é passível de dedução no ajuste anual estimativa que tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que instaurado o contencioso, quando a DRJ já tiver se pronunciado pela confirmação da decisão da autoridade administrativa da unidade local. GLOSA DE DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NO AJUSTE. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Devido afastar a glosa da dedução da estimativa no ajuste anual para o anocalendário em que o sujeito passivo carreou aos autos provas suficientes para indicar que a mesma foi efetivamente paga: por recolhimentos via Darf, por deduções de Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 4 3 IRRF e por compensações (homologadas e/ou ainda pendentes de apreciação) MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. É possível a aplicação conjunta de multa isolada sobre a falta de pagamento de estimativa e multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Somente há possibilidade da compensação ser realizada por iniciativa da autoridade administrativa quando, antes de proceder à restituição ou ressarcimento de tributo em função de pleito de contribuinte, verificar a existência de débito em nome deste. Nas demais hipóteses compete ao sujeito passivo efetuar a compensação via apresentação de declaração de compensação.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de multa isolada sobre a insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ, consubstanciados no auto de infração às fl. 02 a 16, referentes aos anoscalendário 2006 a 2009, com crédito tributário total de R$ 29.662.184,84, assim composto: Imposto R$ 12.563.318,40 Juros de Mora R$ 4.140.800,51 Multa de Ofício (vinculada) R$ 9.422.488,80 Multa Isolada R$ 3.525.577,13 2. As infrações apuradas foram as seguintes: 2.1. dedução a maior no ajuste anual de valor relativo a isenção/redução do IRPJ para empresas instaladas na área da Sudene – lançamento de IRPJ – fatos geradores: 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008 e 31/12/2009; 2.2. dedução a maior no ajuste anual dos valores do imposto de renda mensal pago por estimativa – lançamento de IRPJ – fatos geradores: 31/12/2007 e 31/12/2009; 2.3. falta de pagamento do IRPJ incidente sobre base de cálculo estimada com base em balanços de suspensão ou redução – lançamento de multa isolada – fatos geradores mensais ocorridos entre 2006 e 2009; Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 5 4 3. Os fatos, constatações e descrições das infrações estão detalhados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal às fl. 17 a 31, parte integrante do auto de infração, cujo teor é resumido a seguir: 3.1. é cediço que as receitas de operações alheias às atividades expressamente contempladas pelos atos concessivos não integram o lucro da exploração. Logo, no preenchimento da DIPJ, as receitas de aluguéis e luvas de imóveis (que não são incentivadas) devem ser informados na linha relativa a “Locação de Bens Móveis e Imóveis, para compor a receita líquida das atividades; 3.2. nos assentamentos contábeis da fiscalizada consta que foram auferidas receitas de atividades não incentivadas. Destas, as receitas de aluguéis de imóveis (Conta 73001), decorrentes de aluguel de imóvel à controlada Lojas Riachuelo S/A, e as receitas de direitos comercias (conta 73010002), decorrentes de luvas sobre imóveis alugados à controlada Midway Shopping Center Ltda, ), não integraram a receita líquida total, tendo sido lançadas como “outras receitas operacionais” na apuração do lucro operacional; 3.3. as receitas decorrentes de luvas mencionadas acima recebidas em 2006 foram declaradas corretamente na linha 06 da Ficha 06A da DIPJ, como “Receita da Locação de Bens Móveis e Imóveis”, compondo a receita líquido total. Em relação aos imóveis locados à Midway, o sujeito passivo também recebeu valores a título de aluguel, que integraram corretamente a receita líquida total. Então, a fiscalizada, ora alocou as receitas de aluguéis e luvas à receita líquida total, ora às receitas operacionais; 3.4. o fato das receitas de atividade da empresa relatadas no parágrafo 3.1. acima, habituais e relevantes, terem sido consideradas como outras receitas operacionais, reduziu indevidamente o valor da receita líquida total. Isto não implicou em alteração do lucro líquido, mas acarretou uma apuração a maior do lucro da exploração das atividades incentivadas (Ficha 08 – Demonstração do Lucro da Exploração), aumentando o resultado do incentivo fiscal (Ficha 10 – Cálculo da Isenção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real) e, por conseguinte, dedução a maior do que o devido do imposto devido no ajuste anual. 3.5. além disso, a fiscalizada auferiu receitas de venda de bens de sua produção, objeto de isenção e redução conforme atos concessórios, em montantes superiores às capacidades incentivadas. Estes excedentes não gozam dos benefícios de isenção/redução, devendo compor a receita líquida total do período. Como conseqüência disso, houve uma dedução a maior indevida a título de incentivo. 3.6. a apuração do lucro da exploração das atividades incentivadas foi feita com base na proporção que a receita líquida de cada atividade representa em relação à receita Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 6 5 líquida total, haja vista que a contabilidade da fiscalizada não oferecia condições para apuração do lucro por atividade. O contribuinte adotou também esta forma de apuração conforme se verifica nas DIPJ apresentadas; 3.7. essas duas infrações acarretaram a glosa de parte da dedução a título de isenção/redução no ajuste anual, bem assim a verificação de falta de pagamento do IRPJ mensal por estimativa, vez que interferiram nos resultados mensais estimados, razão pela qual foi exigida multa isolada de 50% sobre o valor não recolhido; 3.8. outra irregularidade foi verificada no preenchimento da linha 17 (“Imp. De Renda Mensal Pago por Estimativa”) da ficha 12ª das DIPJ referentes aos anoscalendário 2007 e 2009. Os valores deduzidos foram superiores aos apurados pela fiscalização, razão pela qual foi efetuada a glosa parcial de tais deduções. 4. Cientificado do auto de infração e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal pessoalmente em 30 de junho de 2011, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 1196 a 1239 em 29 de julho de 2011, instruída com os documentos às fl. 1240 a 1406, onde discorreu o que segue: 4.1. em preliminar – nulidade decorrente da ausência de demonstração do cálculo da glosa das deduções supostamente a maior do IRPJ mensal pago por estimativa. Não há nos autos qualquer demonstrativo que explicite a origem dos valores incluídos na tabela de cálculo utilizada para a glosa (“apuração das estimativas mensais e da multa isolada”). O Auditor Fiscal limitou a asseverar que as informações teriam origem em Darf recolhidos, no Lalur, e nas DIPJ, DCTF e PER/Dcomp apresentadas. Com isso não é possível aferir o procedimento adotado para o cálculo, além do que a ausência de documentos que fundamentam a exigência enseja violação ao art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Isto é causa de nulidade do auto de infração, tendo em vista o desrespeito ao art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), conforme jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim como ao art. 5º, incisos II, LIV e LV, da Constituição Federal, por estar presente o cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios do devido processo legal, da legalidade e do contraditório. Embora a fiscalização aponte no auto de infração que os valores trazidos em suas planilhas baseiamse em documentos apresentados pelo contribuinte e obtidos no sistema da Receita Federal, estes não foram trazidos aos autos do processo. Devido a nulidade na forma dos art. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972; 4.2. no mérito 4.2.1. fez um estudo quanto à natureza jurídica dos incentivos fiscais concedidos na região da Sudene, para concluir ao final que os incentivos possuem natureza jurídica de intervenções estatais sobre a ordem econômica para reduzir as desigualdades regionais, razão pela qual a interpretação da Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 7 6 norma deve ser feita à luz de todos os métodos de hermenêutica, com ênfase ao fim objetivado por esta. 4.2.2. fez um estudo quanto ao alcance do lucro de exploração, concluindo ao final, com base na Lei nº 4.293, de 1963, no Decretolei nº 1.598, de 1977, no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e na IN SRF nº 267, de 2002, que os incentivos fiscais dos quais é beneficiárias devem observar o seguinte: (a) incidência sobre o lucro da exploração, que é o lucro líquido ajustado, correspondente aos resultados operacionais excluídos de parte das receitas financeiras e dos rendimentos e prejuízos das participações societárias; (b) no caso de pluralidade de estabelecimentos, alcança o lucro da exploração dos estabelecimentos instalados na área da atuação da Sudene; (c) nas hipóteses em que não é possível apurar, com clareza e exatidão, o lucro da exploração de cada um dos estabelecimentos com incentivos diferentes, devese calcular o lucro da exploração da pessoa jurídica como um todo e, após, verificar, percentualmente, quanto cada uma das atividades ou cada um dos estabelecimentos com incentivos fiscais diferentes representa em relação ao lucro da exploração total; 4.2.3. fez um estudo quanto ao alcance do lucro da exploração sob o enfoque da interpretação teleológica, para concluir ao final que, sob este prisma, de garantir uma maior eficácia ao objeto fundamental das isenções concedidas na região da Sudene, o conceito de lucro de exploração engloba outras receitas operacionais auferidas pela pessoa jurídica, à exceção daquelas excluídas expressamente, desde que referidos recursos, acessórios à atividade principal, sejam revertidos ao capital social da pessoa jurídica e, destarte, inteiramente destinados às atividades produtivas incentivadas; 4.2.4. as receitas de aluguéis e luvas, sendo operacionais, integram o lucro da exploração, conforme explicado a seguir: 4.2.4.1. os resultados operacionais dizem respeito à atividade normal, ordinária, da pessoa jurídica, correspondente ao seu objeto social (art. 11 do Decreto –lei nº 1.58, de 1977 e art. 277 do RIR/99). Nesse contexto se inserem as receitas de aluguel de bens, conforme opinião de José Luiz Bulhões Pedreira;4.2.4.2. consoante Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, ao definir o conceito de “outras receitas e despesas operacionais, aduz “passam a ser reconhecidas como outras receitas e despesas operacionais os ganhos ou perdas que decorram de transações que não constituam as atividades ordinárias de uma entidade. Ou seja, o conceito de lucro operacional engloba os resultados das atividades principais e acessórias, e outras receitas e despesas operacionais são atividades acessórias do objeto da empresa”. Nesse sentido, e contrariamente ao esposado no auto de infração, a Receita Federal tem determinado aos contribuintes que classifiquem como receitas operacionais aquelas decorrentes de “aluguel de bens” (orientação de preenchimento da linha 30 da ficha 6A da Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 8 7 DIPJ/2006. Tal entendimento é corroborado por Gerd Willi Rothmann; 4.2.4.3. as luvas percebidas na locação de bens próprios à controlada Midway Shopping Center Ltda também gozam da mesma natureza jurídica de receita operacional. Estas compõem o preço do aluguem em imóveis comerciais instalados em shopping centers, como parcela de remuneração pela fruição do fundo de comércio estabelecido pelo empreendimento. Nesse sentido, decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ao tratar do recurso de ofício nº 164.156. 4.2.5. reconheceu, no lucro da exploração, apenas os rendimentos operacionais produzidos em suas entidades produtivas incentivadas de Fortaleza e de Natal, procedimento legítimo ressaltado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 4.2.6. observou os critérios previstos no 3º do art. 549 do RIR/99 e no §4º do art. 62 da IN SRF nº 267, de 2002, razão pela qual o rateio previsto deve ser aplicado sobre o montante integral do lucro de exploração, aproveitandose, para este fim, as demais receitas operacionais (acessórias), tais como aluguéis e luvas revertidos integralmente na atividade incentivada; 4.2.7. a par da nulidade argumentada em preliminar, entende que não houve violação do art. 231, II e IV, do RIR/99, ou seja, não ocorreu dedução a maior no ajuste anual dos valores do imposto de renda mensal pago por estimativa: 4.2.7.1. no tocante ao ano calendário 2007, com base nos documentos carreados no anexo Doc 02 (Darf, Demonstrativo de retenção de IRRF e PER/Dcomp), houve um recolhimento total de R$ 15.593.700,95, inclusive superior ao declarado; 4.2.7.2 quanto ao anocalendário 2009, os documentos demonstram pagamento dos R$ 13.693.461,08, superior ao declarado; 4.2.8. descabimento da multa isolada aplicada: 4.2.8.1. pela impossibilidade de cobrança cumulativa desta e da multa vinculada (bis in idem). Trouxe doutrina e jurisprudência do Carf, onde, entre outros argumentos, foi defendida a aplicação do princípio da consunção; 4.2.8.2. a autoridade fiscal desconsiderou que os recolhimentos a maior efetuados no período fiscalizado superam o montante que supostamente deixou de ser recolhido a título de IRPJ. Não houve ofensa ao bem jurídico tutelado pelo art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que os valores recolhidos antecipadamente a maior ultrapassam o somatório que deixou de ser recolhido, garantindo, efetivamente, o fluxo de caixa do governo. Cita jurisprudência do Carf; Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 9 8 4.3. protesta pelo deferimento de prova documental suplementar em virtude do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, §4º, “a”, do Decreto nº 70.235, de 1972. 5. A Delegacia da Receita Federal em Natal (DRF/NAT) pronunciouse pela tempestividade da impugnação, encaminhando os autos para julgamento por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (DRJ/REC), conforme despacho à fl. 1410. O acórdão recorrido (a) entendeu não impugnada a matéria relativa à não inclusão na linha “Receita Líquida das Demais Atividades” do montante das receitas de vendas de bens de produção do contribuinte, objeto de isenção e redução, que ultrapassou a capacidade incentivada; e (b) julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Sobre o item (a) em referência, entendeu o acórdão, verbis: Conforme detalhado no relatório que acompanha este voto, a glosa da dedução a maior no ajuste anual de valor relativo a isenção/redução decorreu da verificação de duas situações entendidas pela autoridade fiscal como caracterizadoras de infração: 8.1. inclusão indevida de receitas auferidas a título de aluguel e luva em “outras receitas operacionais”, quando deveriam ter integrado a receita bruta do contribuinte e, por conseguinte, sua receita líquida total; 8.2. no demonstrativo do lucro da exploração da DIPJ, não foi incluído na linha “Receita Líquida das Demais Atividades” o montante das receitas de vendas de bens de produção do contribuinte, objeto de isenção e redução, que ultrapassou a capacidade incentivada, conforme tabela abaixo: (...) Toda a argumentação carreada pelo sujeito passivo em sua impugnação preocupouse tão somente com a primeira irregularidade apontada, não havendo, em momento algum, contestação expressa quanto à segunda infração acima tratada. 10. Então, uma vez que o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, estabelece que matéria não expressamente contestada deve ser considerada não impugnada, compete à unidade preparadora, nos termos do art. 21 da mesma norma, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, providenciar a formação de autos apartados para a imediata cobrança do imposto de renda e seus acessórios (juros de mora e multa de ofício vinculada). A parcela da multa exigida isoladamente decorrente desta infração não poderá ser objeto de cobrança, haja vista que o sujeito passivo atacou a possibilidade de exigência desta.” (...) Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 10 9 Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à (i) nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, já que todas as matérias citadas no auto de infração teriam sido objeto de impugnação; e (ii) improcedência dos lançamentos, ante (a) correção dos procedimentos da Contribuinte na apuração do montante do lucro da exploração e benefício fiscal correspondente no período assinalado; (b) legalidade do procedimento adotado pela recorrente relativamente às receitas de aluguel; (c) inexistência de violação no caso ao art. 231, III e IV do RIR/99, (d) ilegitimidade da exigência de multa de ofício isolada concomitante com a multa de ofício aplicada no lançamento de IRPJ e (v) da ilegitimidade da incidência de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, tratam os autos de lançamentos de IRPJ e reflexo (multa isolada por alegada ausência de recolhimento de estimativas) sob acusação de que: (a) teria ocorrido inclusão indevida de receitas auferidas a título de aluguel e luvas em “outras receitas operacionais”, quando, segundo a Fiscalização, deveriam ter integrado a receita bruta do contribuinte (relacionada a atividades não incentivadas); e (b) não teriam sido incluídas no demonstrativo do lucro da exploração da DIPJ, na linha “Receita Líquida das Demais Atividades” o montante das receitas de vendas de bens de produção do contribuinte, objeto de isenção e redução, que teria ultrapassado a capacidade incentivada. Em exame à impugnação da Contribuinte, o acórdão recorrido considerou como não impugnada a matéria citada no item (b) acima (não inclusão no demonstrativo do lucro da exploração da DIPJ dos valores das receitas de bens de produção que teria ultrapassado a capacidade incentivada). Determinouse, por conseguinte, “nos termos do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, a formação de autos apartados para a imediata cobrança do IRPJ respectivo e seus acessórios (juros de mora e multa de ofício vinculada)”. Ainda segundo o acórdão, “o referido crédito tributário é definitivo, não havendo possibilidade de recurso ao Carf”. Em sede recursal, insurgese a Contribuinte sob o fundamento de que o acórdão não teria considerado suas razões de defesa quanto à regularidade do procedimento contábil e fiscal adotado e consequente correção da apuração do lucro da exploração, do montante do benefício e do imposto recolhido. Vejase, nesse sentido, trecho do recurso da Contribuinte, verbis: “Em outras palavras, e tendo em vista os objetivos do incentivo concedido, minuciosamente explicitados nos tópicos posteriores, apontouse, expressamente, que a restrição do incentivo fiscal não se refere ao local, ou mesmo à própria origem de rendimentos decorrentes, apenas, da atividade principal (incentivada), mas às receitas operacionais dos estabeleciomentos instalados e que operam na área de atuação da SUDENE, revertendose o proveito econômico dos incentivos em prol dos estabelecimentos e atividades incentivadas. O entendimento, ora reiterado e melhor explicitado a seguir, pode ser extraído de diversos trechos da peça impugnatória, entre os quais, a título exemplificativo, destacamse os itens III.2 e III.3, além das letras “B” e “C” do item III.4 da defesa. Na realidade, a essência do entendimento esposado implica, necessariamente, o reconhecimento da regularidade do procedimento em relação à fruição do benefício concernente à Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 12 11 produção acima da capacidade instalada quando deferido o incentivo fiscal. Notese que o procedimento da Recorrente, adotado em estrita observância do quanto disposto no art. 549 e parágrafos do RIR/99 (“B” e “C” do item III.4 da impugnação) não limita a isenção à capacidade instalada/incentivada, determinando, de outra sorte, que a isenção estaria limitada limitada à proporção entre as receitas líquidas das atividades incentivadas, sem qualquer menção à capacidade instalada, e as demais receitas líquidas de vendas (art. 62, §4o, da IN 267/2002 c/c art. 549, §3o, do RIR/99). O incentivo, assim, como demonstrado, abrange a atividade em si mesma, bem como demais rendimentos considerados operacionais (lucro da exploração), e não à capacidade de produção existente no momento de deferimento do benefício fiscal. Com fulcro nos pontos ora mencionados, não restam dúvidas de que a matéria relativa à limitação dos benefícios em relação à capacidade incentivada foram devidamente rebatidos, na medida em que houve expressa manifestação do contribuinte quanto à aplicabilidade da isenção em relação aos valores componentes do lucro de exploração, bem como do condicionamento de sua fruição à aplicação dos benefícios em prol de estabelecimentos situados na região da SUDENE, cuja atividade principal seja aquela incentivada. Além disso, o próprio pedido inserido na impugnação afasta qualquer dúvida que porventura remanescesse acerca da impugnação integral de todos os tópicos do auto de infração, ao se requerer, ao final, “o acolhimento da presente defesa, anulandose, destarte o presente auto de infração” (item 150 da impugnação). Por força de todo o exposto, (...), verificase, de forma irrefutável, o cerceamento de defesa na hipótese (...),” Com razão a Contribuinte. Os arts. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/72 devem ser interpretados com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e a busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à cognição e instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. No caso, se por um lado se compreende o entendimento do acórdão recorrido no sentido de que não haveria controvérsia sobre o item relativo à não inclusão no demonstrativo no lucro na exploração dos valores de receitas que teriam superado a capacidade instalada da Contribuinte (ante a ausência de capítulo específico sobre a matéria), por outro lado não é possível negar à Contribuinte o direito de ver a matéria em referência examinada considerada a assertiva de que (a) defende incondicionalmente os procedimentos contábeis e fiscais adotados e a apuração do benefício e dos tributos recolhidos (cf. nos itens II.2, III.3, III.4, B e III.4.C da impugnação); e (b) requer ao final o cancelamento integral do auto de Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/201111 Acórdão n.º 1102000.874 S1C1T2 Fl. 13 12 infração. De fato, depreendese da leitura da peça impugnatória que a Contribuinte sustenta reiteradamente que observa a legislação para apuração do lucro de exploração e o benefício fiscal correspondente, notadamente o art. 549 do RIR/99 e o art. 62 da IN 267/2002. Conforme jurisprudência pacífica dessa Corte, a ausência de exame pelo Julgador a quo de questões jurídicas e/ou documentos que tenham relação com os lançamentos acarreta a nulidade do ato decisório respectivo, por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Vejase, nesse sentido, ementa de acórdão proferido pela 2a. Turma da 3a. Câmara (Acórdão 130200.668), verbis: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÕES E DOCUMENTOS TRAZIDOS POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. ANÁLISE. AUSÊNCIA. NULIDADE. A ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa. (CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130200.668 em 03/08/2011) No mesmo sentido: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Caracterizada a preterição do direito de defesa pela decisão de primeira instância que ignorou a ausência nos autos de elemento de prova essencial para o desfecho da lide, comprovadamente apresentado pelo contribuinte durante a ação fiscal, deve ser declarada a nulidade da decisão para que sanado o vício e proferida nova decisão. (CARF 2a. Seção / 1a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 2201 00.777 em 29/07/2010) Por tais fundamentos, oriento voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte para acolher a preliminar de nulidade da decisão recorrida suscitada e, conseqüentemente, declarar a nulidade da decisão de primeiro grau para que outra seja proferida na boa e devida forma, restando prejudicadas as demais questões de mérito versadas no recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 11633.000502/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/04/2008
EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL.
In casu, a Contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal, não pediu prorrogação do prazo e nem justificou os motivos impeditivos de apresentação dos documentos, restando configurado o embaraço à ação fiscal.
Numero da decisão: 3401-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 44 1 43 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11633.000502/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.472 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CARLOS ANTÔNIO TONDELLI & CIA LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/04/2008 EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. In casu, a Contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal, não pediu prorrogação do prazo e nem justificou os motivos impeditivos de apresentação dos documentos, restando configurado o embaraço à ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 3. 00 05 02 /2 00 8- 76 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls.02/04), cuja ciência foi dada por AR em 05/05/2008 (fl.10), pelo qual foi lançada multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em razão de suposto embaraço à ação fiscal. A autoridade fiscal descreveu o seguinte: “No dia 02/04/2008 foi lavrada intimação, objeto do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09102002008005142, solicitando apresentação de documentos (Notas Fiscais de Entrada; Notas Fiscais de Saídas e Cópia dos Livros ContábeisRegistro de Saídas e Entradas), no prazo de 10 dias, cuja ciência foi dada pessoalmente ao contribuinte na data de 03/04/2008. Até a presente data (29/04/2008), passados mais de 25 dias, não houve qualquer manifestação por parte do intimado”. A Autuada apresentou impugnação (fl.11), mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o lançamento (fls. 25/28) por considerar que a alegação da Contribuinte, de que sofreu furto, não é suficiente para afastar o lançamento, pois no boletim de ocorrência apresentado não consta o furto de documentos, mas apenas de documentos eletrônicos; além disso, a DRJ fundamenta que a Contribuinte não justificou a impossibilidade de apresentação dos documentos posteriores ao furto. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 03/02/2012 (fl.31) e interpôs recurso voluntário em 28/02/2012 (fls. 33/39), alegando, em suma, apoiado no dicionário Aurélio, que não houve embaraço; que a autoridade fiscal não provou a existência de embaraço à ação fiscal; que a multa aplicada é desproporcional; e que não foi lavrado termo de embaraço. Ao fim, a Recorrente pediu o cancelamento do auto de infração. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente devese destacar que na impugnação a Recorrente não suscitou a desproporcionalidade da multa aplicada e a falta de termo de embaraço fiscal, razão pela qual não conheço dessa matéria, para gerar supressão de instância. Assim, cabe analisar somente se existiu ou não embaraço à ação fiscal. A autoridade fiscal fundamentou o embaraço à ação fiscal no fato de que a Recorrente foi intimada a apresentar documentos, mas não os apresentou. Na impugnação, a Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11633.000502/200876 Acórdão n.º 3401002.472 S3C4T1 Fl. 45 3 Recorrente chegou a sustentar que não apresentou os documentos porque eles foram furtados, mas não manteve essa alegação em sede de recurso, o que impede de ser analisado. Assim, os fatos que se têm incontroversos é que a autoridade fiscal intimou a Recorrente para apresentação de documentos fiscais, mas essa não cumpriu a intimação. O embaraço à fiscalização e sua multa estão previstos no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em pleno vigor, com a seguinte redação: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal;(grifo nosso) Pelo que consta nos autos, dentro do prazo dado pela autoridade fiscal, a Recorrente não pediu prorrogação nem justificou a impossibilidade de apresentação dos documentos solicitados. Portanto, diante de todos os fatos apresentados, não há como cancelar o lançamento da multa. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11610.005502/2003-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Deve ser anulada a decisão de primeira instância que não enfrentou todos os argumentos e questões de mérito trazidos na Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte possui o direito subjetivo de questionar os montantes que não foram aceitos, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
Numero da decisão: 1201-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que não enfrentou todos os argumentos e questões de mérito trazidos na Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte possui o direito subjetivo de questionar os montantes que não foram aceitos, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 55 02 /2 00 3- 16 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 521 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de pedido de compensação de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de períodos relativos aos anos de 1999 e 2000, com o saldo negativo do IRPJ (ano calendário de 2002) e da CSLL (anocalendário de 1998), conforme apurados nas respectivas declarações. A Recorrente apresentou, em 22 de abril de 2003, Declaração de Compensação – DCOMP, em que aponta os débitos objeto de compensação e informa os saldos negativos de IRPJ (2002), no valor de R$ 1.550.860,92, e da CSLL (1998), no valor de 1.474.685,90. Em 07 de abril de 2004, a DERAT de São Paulo, mediante Despacho Decisório, deferiu parcialmente o crédito requerido na forma do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002 e indeferiu o crédito requerido na forma de saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1998, pelos seguintes motivos, a saber: a) IRPJ o contribuinte teve reconhecido seu direito à estimativa apurada no mês de junho de 2002, no valor de R$ 29.864,42, que foi compensada com o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo, e ao IRRF deduzido na apuração do imposto de renda sobre o lucro real anual, no montante de RS 342.991,47, totalizando um saldo negativo total de IRPJ de RS 372.855,89. b) CSLL Só foi apurada estimativa no mês de novembro de 1998, no valor de R$ 1.474.685,90, tendo sido informada compensação total (tipo: OUTRAS). Foi, todavia, feito recolhimento por meio de DARF, em 31/07/2002, que poderia, eventualmente, consubstanciar pedido de restituição ou compensação de indébito tributário, mas não foi aproveitado para caracterizar a extinção, tempestiva, da CSLL em questão. Isso porque só há sentido em se falar de CSLL a pagar por estimativa, para fins de dedução da CSLL a pagar apurada no ajuste anual, se os valores de estimativa tivessem sido efetivamente pagos até o implemento do referido ajuste. Logo, não restou consignada a apuração de saldo negativo de CSLL relativo ao exercício de 1999, anocalendário 1998. Nesse sentido, a DERAT reconheceu o direito creditório da Recorrente, contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 372.855,89, correspondente ao saldo negativo (saldo credor) de IRPJ efetivamente apurado, após ajustes, na DIPJ/2003, anocalendário 2002; foram acrescentados aos valores reconhecidos os juros equivalentes à taxa SELIC, conforme legislação em vigor. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 522 3 Por fim, homologou as compensações declaradas até o limite dos créditos reconhecidos. A Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório no dia 24 de maio de 2004 e apresentou Manifestação de Inconformidade em 22 de junho de 2004, com os seguintes argumentos: 1. Que concorda com a decisão acerca do pedido de compensação do crédito de CSLL e renuncia expressamente ao seu direito de recorrer, nos termos do que estabelece o artigo 51, da Lei n° 9.784/99; 2. Que apresentará nova declaração de compensação deste crédito, desta vez consignando que se trata de pagamento indevido; 3. Que se equivocou ao informar que a totalidade do crédito advém do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002; 4. Que, na verdade, somente a quantia de R$ 1.382.710,62 corresponde ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002; 5. Que em razão deste erro de fato requerse, com base no artigo 149 do Código Tributário Nacional, a retificação de ofício da DCOMP, para que seja desmembrada a origem dos saldos negativos de IRPJ que se pretende compensar; 6. Que também se equivocou na menção à Linha 18, da Ficha 12A de sua DIPJ/2003, pois o valor do saldo negativo não seria de R$ 1.550.860,91, mas sim R$ 1.382.710,62, conforme se verifica pelos comprovantes de IRFonte; 7. Por se tratar de típica hipótese de erro de fato, no que tange ao preenchimento da DIRJ/2003, está claro que a totalidade do crédito apurado pela Requerente (R$ 1.550.860,92) constitui saldo negativo de IRPJ do anobase de 1998 (R$ 168.150,29) e 2002 (R$ 1.382.710,62), passível de compensação na forma pleiteada nos autos deste e de outros processos. Requereu o conhecimento da Manifestação de Inconformidade e o deferimento da Declaração de Compensação apresentada, no que tange aos valores dos saldos negativos do IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 2002, para que se homologue o procedimento adotado. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo, ao analisar a impugnação apresentada pelo contribuinte, decidiu, em 22 de novembro de 2007, por unanimidade de votos, não conhecer a Manifestação de Inconformidade. Os julgadores entenderam que não há possibilidade de acolhimento da Manifestação de Inconformidade, nem mesmo quanto às alegações relativas ao saldo negativo de IRPJ, pois a DCOMP encontrase homologada, se considerado o valor efetivamente considerado para fins de compensação pela DIORT. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 523 4 Com relação aos outros débitos, ressaltaram que a compensação a pedido do contribuinte se faz válida somente pela entrega de DCOMP, conforme dispunha, à época dos fatos, o § 1° do art. 35 da IN SRF 210/2002. Por fim, concluíram que as DCOMPs já apresentadas, relativas a este mesmo saldo negativo, se excederem o saldo disponibilizado pelo Despacho Decisório constante dos autos deverão ser analisadas em outro momento e em processo específico que as discutir. Por fim, como a situação do processo no SIEF não permitia a atualização do resultado do julgamento, os autos foram encaminhados à DERAT/ECRER/SP para que a providência fosse realizada e, assim, restasse cumprido o determinado no acórdão. O Recorrente foi intimado da decisão em 09 de janeiro de 2008 e interpôs Recurso Voluntário, em 24 de janeiro de 2008, no qual alega, em síntese, que: 1. O Despacho Decisório proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (“DIORT”) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (“DERAT”) entendeu que o valor pleiteado a título de saldo negativo de CSLL do ano de 1998 não poderia ser assim caracterizado, uma vez que as respectivas estimativas não foram pagas dentro do próprio anocalendário (1998); 2. O Despacho Decisório concluiu que a DCOMP deveria ter sido preenchida de outra forma e, por este motivo, foi totalmente indeferido o crédito de CSLL no valor de R$ 1.474.685,90; 3. A decisão da DIORT deferiu apenas a parcela de R$ 372.855,89 dos R$ 1.550.860,92 pleiteados, tendo em vista que, somente se pôde constatar a quantia de R$ 342.991,47 retida na fonte a título de imposto de renda e o montante de R$ 29.864,42 recolhido por estimativa; 4. A Secretaria da Receita Federal do Brasil determinou a compensação dos débitos de CSLL referentes ao anocalendário de 1999, apurados com base no lucro real trimestral e a exclusão, no PROFISC, dos débitos de CSLL referentes ao ano base de 2000, uma vez que não há que se falar em cobrança, após ajuste anual, das estimativas não pagas; 5. Em razão desta determinação, o saldo de IRPJ parcialmente deferido (R$ 372.855,89) foi suficiente para a extinção, pela compensação, dos débitos de CSLL Trimestral que foram mantidos (R$ 11.604,51 e R$ 51.695,89); 6. A manifestação de inconformidade apresentada contestou apenas o deferimento parcial do saldo negativo de IRPJ e concordou com a natureza de pagamento indevido dado ao saldo negativo da CSLL; 7. Antes de ser proferida a decisão da DRJ/SP, informou que o valor total do saldo negativo de IRPJ (R$ 1.550.860,92), o qual foi objeto da Manifestação de Inconformidade, havia sido utilizado para a quitação dos seguintes débitos: Fl. 525DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 524 5 a) CSLL período de apuração 03/1999, no valor de R$ 11.604,51 (que, atualizado, representou R$ 21.116,72) e da CSLL período de apuração 06/1999, no valor de R$ 51.695,89 (que, atualizado, representou R$ 91.305,27), cujas compensações foram deferidas nestes autos; b) CSLL Estimativa de janeiro/1999, no valor de R$ 311.752,30 (que, atualizado, representa a quantia de R$ 541.201,99), pois, embora tivesse sido excluída do sistema PROFISC pela RFB, deveria configurar hipótese de pagamento por compor o saldo negativo da CSLL do ano de 2000 (discutido no processo administrativo no 13807.007541/200203); c) IRPJ (código 29170), período de apuração: 30/06/1999, decorrente do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 20.909,83, que, atualizado, representa a quantia de R$ 46.158,45; d) IRPJ (código 29170), período de apuração: 30/09/1999, decorrentes do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 30.343,62, que, atualizado, representa a quantia de R$ 65.636,29; e) IRPJ (código 29170), período de apuração: 31/12/1999, decorrentes do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 197.952,13 que, atualizado, representa a quantia de R$ 419.381,38; f) Juros Isolados (IRPJ art. 43, da Lei 9.430/96, código 6570 0), período de apuração: 31/12/1999, decorrentes do auto de infração objeto do processo administrativo no 19515.00696/200434, no valor de R$ 462,58; 8. A decisão da DRJ/SP não merece prosperar, pois, ainda se encontra pendente de análise a questão referente à valoração do saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 1.550.860,92, o qual foi objeto de análise na decisão proferida pela DIORT; 9. Relativamente ao saldo negativo de IRPJ, embora a quantia reconhecida pela RFB tenha sido suficiente para a quitação da parte dos débitos os quais, a juízo da RFB, eram os únicos a serem cobrados, houve manifestação expressa da Administração Pública contestando a sua composição e indeferindo parcialmente o crédito pleiteado; 10. Não poderia se manter inerte e aceitar tacitamente os créditos reconhecidos e que, por isso, apresentou a Manifestação de Inconformidade e o presente Recurso; 11. A homologação das compensações não exaure seu julgamento acerca do objeto do processo administrativo em questão, pois, tais homologações envolvem outras apreciações de mérito, que se manifestaram tanto pela suposta Fl. 526DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 525 6 improcedência dos débitos de CSLL Estimativa, como pela alegada inexistência de saldo negativo de IPRJ no montante pleiteado; 12. Diante das premissas adotadas pela RFB, as quais apenas envolveram análise de mérito com relação aos débitos compensados e forma de composição dos saldos negativos pleiteados, não se mostra razoável que a Manifestação de Inconformidade apresentada não tenha sido conhecida pela DRJ/SP; 13. Concordou com o entendimento, relativo ao crédito de CSLL, no sentido de que os pagamentos que somaram a quantia de R$ 1.474.685,90 poderiam ensejar pedido de restituição por pagamento indevido, o que levou à desistência expressa de seu direito de recorrer, nos termos do art. 51, da Lei no 9.784/99; 14. Não concordou com o deferimento parcial do crédito com relação ao IRPJ pela DIORT/EQPIR; 15. Apurou prejuízo fiscal e registrou um saldo negativo no ano base de 1998, no valor de R$ 15.430.746,82; 16. Solicitou a restituição deste valor, mediante o protocolo de pedido de restituição que gerou o processo administrativo nº 10880.005515/9987; 17. Destes R$ 15.430.746,82, o montante de R$ 168.150,29, a título de saldo negativo, foi incluído na DCOMP que gerou o presente processo; 18. Equivocouse ao preencher a DCOMP e informar que a totalidade do crédito adviria de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002; 19. Na verdade, somente a quantia relativa ao montante de R$ 1.382.710,62 é que corresponde ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002; 20. Em razão deste erro, requereu, com base no artigo 149 do Código Tributário Nacional, a retificação de ofício da DCOMP, para que seja desmembrada a origem dos saldos negativos de IRPJ que se pretende compensar; 21. Informou que também se equivocou na menção na Linha 18, da Ficha 12A de sua DIPJ/2003, pois o valor do saldo negativo não seria de R$ 1.550.860,91, mas sim R$ 1.382.710,62, conforme se verifica pelos comprovantes de IRFonte. 22. Por se tratar de típica hipótese de erro de fato, no que tange ao preenchimento da DIRJ/2003, está claro que a totalidade do crédito apurado pela Requerente (R$ 1.550.860,92) constitui saldo negativo de IRPJ do anobase de 1998 (R$ 168.150,29) e 2002 (R$ 1.382.710,62), passível de compensação na forma pleiteada nos autos deste e de outros processos; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 526 7 Requereu, além da reforma da decisão da DRJ/SP, a retificação de oficio da DIPJ, nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, como também, o reconhecimento da totalidade crédito. Os autos foram remetidos ao CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida – Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Como não há matéria preliminar a ser enfrentada, passamos ao mérito. O ponto de controvérsia nos autos diz respeito à necessidade ou não de se analisar o mérito relativo aos créditos informados pelo Contribuinte na Declaração de Compensação que foi apreciada e parcialmente deferida pela DERAT/SP. Conquanto a D. Turma Julgadora de primeira instância tenha deixado de apreciar o mérito da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, sob o fundamento de que não haveria débito informado a ser compensado, entendo que tal argumento merece reparos. Isso porque, conforme se depreende do Despacho Decisório proferido pela DERAT/SP, houve indeferimento parcial do crédito de IRPJ pleiteado pela Recorrente, com a respectiva readequação dos valores por ela apurados na Ficha 12A da DIPJ/2003. Embora o valor parcialmente reconhecido pela Administração tenha sido suficiente para a compensação dos débitos mantidos, creio que a Recorrente possui o direito subjetivo de questionar os montantes que não foram aceitos, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 2002 DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PERDA DE OBJETO. IRPJ. CSLL. Não deve ser conhecida manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que homologou a DCOMP, não restando débito informado a ser compensado. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 527 8 Impugnação não Conhecida Entendo que a conclusão exarada na decisão da DRJ poderia mitigar ou mesmo obstaculizar o direito de defesa da Recorrente, notadamente em razão do fundamento apresentado para a negativa, a seguir transcrito: Assim, as DCOMPs, porventura já apresentadas, relativas a este mesmo saldo negativo, se excederem o saldo disponibilizado pelo Despacho Decisório constante dos autos, deverão ser analisadas em outro momento e em processo específico que as discutir. Parece lógico que para a homologação, ainda que parcial, das compensações pleiteadas pelo interessado se faz necessária, como antecedente causal, a análise dos créditos porventura existentes e o seu enquadramento nos parâmetros legais. Sem tal providência, obviamente prévia, não há de se falar em homologação ou não das compensações. Embora não exista dissensão quanto à compensação da CSLL apurada em novembro de 1998, ante o pedido de desistência formulado pela Recorrente, esta alega que o crédito relativo ao IRPJ, parcialmente deferido, foi compensado, em outros processos administrativos, com valores diversos, o que torna essencial a análise jurídica sobre a procedência daquele valor. Ademais, como houve deferimento parcial das compensações, restou em aberto o debate sobre a parte divergente, e é justamente esse ponto que precisa ser enfrentado pelo julgador administrativo, até porque a sua solução possui relevantes consequências para o saldo dos créditos porventura existentes. Tendo em vista que houve, no Despacho Decisório, reconhecimento e homologação parcial do crédito pleiteado pela Recorrente, entendo que a Manifestação de Inconformidade deva ser apreciada pelo órgão julgador de primeira instância. Portanto, entendo que cabe às autoridades julgadoras de origem analisar e decidir acerca da pertinência, legitimidade e procedência dos créditos pleiteados pela Recorrente, à luz dos documentos e informações acostados aos autos, inclusive em relação aos alegados erros de fato que teriam sido cometidos pela Recorrente. A simples negativa em conhecer a impugnação não encontra amparo no ordenamento jurídico, especialmente na seara dos processos administrativos, que exige o exame de todos os pontos formulados pelo interessado, conforme dispõe o artigo 31 do Decreto n. 70.235/72: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (grifamos) Mandamento semelhante pode ser encontrado no artigo 50 da Lei n. 9.784/1999, que trata do processo administrativo federal: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 528 9 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados.(grifamos) Por óbvio que no caso dos autos a Delegacia de Julgamento de origem fundamentou, ainda que sucintamente, a sua decisão de não apreciar a manifestação de inconformidade e, por decorrência, as alegações relativas ao saldo negativo de IRPJ. Contudo, o próprio argumento utilizado pelos julgadores parece contrariar a conclusão firmada, conforme se pode perceber: Com relação aos outros débitos, apresentados às fls. 402/403, cumpre observar que a compensação a pedido do contribuinte se faz válida somente pela entrega de DCOMP, conforme dispunha, à época dos fatos, o § 1° do art. 35 da IN SRF 210/2002: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. Ora, os autos tiveram origem justamente com a Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte, na qual constavam os créditos relativos ao IRPJ que foram parcialmente deferidos pela DERAT/SP. Assim, não creio ser razoável exigir do interessado a apresentação de “nova declaração de compensação”, quando os créditos já consignados ainda carecem de decisão quanto à pertinência e possibilidade de aproveitamento. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 11610.005502/200316 Acórdão n.º 1201000.877 S1C2T1 Fl. 529 10 Em razão disso, penso que ainda não é o momento deste Conselho se manifestar acerca da matéria, a fim de se evitar a supressão de instância administrativa, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição. Por fim, quanto à possibilidade de análise dos supostos erros de fato, com remessa dos autos para a primeira instância, esta Turma já se manifestou favoravelmente, conforme se depreende do Acórdão nº 120100520, prolatado em 27 de maio de 2011, cuja ementa transcrevemos abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXERCÍCIO: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. Provada a existência de notório erro de fato cometido pela interessada no preenchimento de sua declaração de compensação (DCOMP), relativo ao período de apuração do saldo negativo de IRPJ ali informado, por ser de fácil verificação pela autoridade de primeira instância e não depender de dilação probatória, deve ser por esta reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para análise das questões de mérito. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito DOULHE provimento, para anular a decisão de primeira instância e remeter os autos à Delegacia de Julgamento de origem, para que sejam apreciadas todas as questões de mérito suscitadas pelo Contribuinte na Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto aos alegados créditos relativos ao IRPJ. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904598/2012-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 98 /2 01 2- 62 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904598/201262 Acórdão n.º 3801002.385 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 11080.729107/2011-78
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
DIVERSAS VERBAS PAGAS À TÍTULO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA; BOLSA-AUXÍLIO ESTAGIÁRIOS; BOLSA DE ESTUDO/AUXILIO-EDUCAÇÃO; DIFERENÇAS DE 13º SALÁRIO E 13º RESCISÓRIO; DIFERENÇAS SEM IDENTIFICAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. DESPESAS DE VIAGEM. CARTÃO CORPORATIVO. PLANO DE SAÚDE. DESPESAS PESSOAIS DOS SÓCIOS E DESPESAS SEM COMPROVAÇÃO. VALORAÇÃO DA PROVAS E APLICAÇÃO DA MULTA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar:
I - a exclusão dos levantamentos FC, FC1 e FC2 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD's 37.349.640-0 e 37.349.641-9;
II - a exclusão dos levantamentos SA, SA1 e SA2 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD 37.349.640-0;
III - a exclusão dos levantamentos SC e SC1 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD 37.349.640-0;
IV - a aplicação do artigo 35, incisos II e III, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99 que estavam em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores, pois são mais benéficas e assim nos termos do artigo 144 c/c o artigo 106, II, "c", ambos, da Lei 5.172/66 é quem deve disciplinar a multa, salvo se esta atingir a oitenta por cento, conforme alínea c, do inciso III, citado, ocasião em que passa a ser mais benéfica a nova multa do artigo 35 -A, introduzido na Lei 8.212/91, pela Lei 11.941/2009, conversão da MP 449/2008, respeitando o artigo 106, II, c, da Lei 5.172/66, tudo conforme o momento do pagamento ou parcelamento ou execução, em relação aos DEBCAD 37.349.640-0. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima quanto aos levantamentos SC e SC1 e Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 DIVERSAS VERBAS PAGAS À TÍTULO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA; BOLSAAUXÍLIO ESTAGIÁRIOS; BOLSA DE ESTUDO/AUXILIO EDUCAÇÃO; DIFERENÇAS DE 13º SALÁRIO E 13º RESCISÓRIO; DIFERENÇAS SEM IDENTIFICAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. DESPESAS DE VIAGEM. CARTÃO CORPORATIVO. PLANO DE SAÚDE. DESPESAS PESSOAIS DOS SÓCIOS E DESPESAS SEM COMPROVAÇÃO. VALORAÇÃO DA PROVAS E APLICAÇÃO DA MULTA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar: I a exclusão dos levantamentos FC, FC1 e FC2 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD's 37.349.6400 e 37.349.6419; II a exclusão dos levantamentos SA, SA1 e SA2 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD 37.349.6400; III a exclusão dos levantamentos SC e SC1 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD 37.349.6400; IV a aplicação do artigo 35, incisos II e III, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99 que estavam em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores, pois são mais benéficas e assim nos termos do artigo 144 c/c o artigo 106, II, "c", AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 91 07 /2 01 1- 78 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.079 2 ambos, da Lei 5.172/66 é quem deve disciplinar a multa, salvo se esta atingir a oitenta por cento, conforme alínea c, do inciso III, citado, ocasião em que passa a ser mais benéfica a nova multa do artigo 35 A, introduzido na Lei 8.212/91, pela Lei 11.941/2009, conversão da MP 449/2008, respeitando o artigo 106, II, c, da Lei 5.172/66, tudo conforme o momento do pagamento ou parcelamento ou execução, em relação aos DEBCAD 37.349.6400. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima quanto aos levantamentos SC e SC1 e Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.080 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.349.6400, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa das categorias de empregados e contribuintes individuais, parte patronal; SAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.349.6419, que objetiva o lançamento das contribuições para outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 90 a 102, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 134 e 135. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 07/10/2011, conforme AR, de fls. 624. O PAF é compostos pelos seguintes levantamentos por DEBCAD: a) DEBCAD 37.349.6400, constantes do DD – Discriminativo do Débito, de fls. 03 a 05. No que tange ao DEBCAD 37.349.6419 os levantamentos estão listados no DD – Discriminativo do Débito, de fls. 55 e 56. O contribuinte apresentou sua defesa, em 08/11/2011, as fls. 644 a 666, acompanhada dos documentos, de fls. 667 a 851. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 852; 853 e 854. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1037.120 7ª, Turma DRJ/POA, em 28/02/2012, fls. 855 a 874. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 12/03/2012, conforme AR, de fls. 877. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 878 a 906, recebido, em 11/04/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 878, desacompanhado de qualquer documento. Mérito. · que em relação aos levantamentos APs, ASs e SSs, assistência médica de empregados e dirigente, planilhas 2, 3 e 11, o lançamento foi efetivado em razão de interpretação literal do dispositivo, sendo esta insuficiente ao trato da matéria como assevera doutrina e jurisprudência – Luciano Amaro, Leandro Pausen e STJ; Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.081 4 · que os serviços são terceirizados e prestados por duas empresas especializadas em assistência a saúde e fornecidos a todos os empregados e dirigentes necessitados compreendidos na sua área de abrangência, sendo que os não atendidos não o são por absoluta impossibilidade circunstancial, não podendo a empresa ser punida por buscar atender um dever constitucional do Estado, a prestação de assistência a saúde, devendo esta parte ser cancelada; · que deve ser aplicado ao levantamento ES1 – Bolsa Auxílio – planilha 4, a Lei 11.788/2008 nos termos do artigo 106, II, do CTN por ser mais benéfica, bem como cumpre a recorrente toda a legislação de regência do estágio, dando a seus estudantes/estagiários condição de aprendizagem social, profissional e cultura, tendo firmado Termo de Compromisso com os estagiários, servindo este de prova da inexistência de vínculo empregatício, estando os valores pagos autorizados em lei e tornados obrigatórios com a Lei 11.788/2008, caso da bolsa auxílio; auxíliotransporte; alimentação e saúde, adotando a recorrente o pagamento de algumas contraprestações atribuídas aos empregados para os seus estagiários, com amparo no artigo 4, da Lei 6.494/77, estando elas convalidadas pelos artigo 12 a 14, da Lei 11.788/08, ante o que dispões o artigo 106, II, “b”, do CTN, cita decisões do TRF4; · que a fiscalização e a decisão de primeiro grau fundam o lançamento não ausência de acompanhamento e avaliação dos estagiários pela instituição de ensino, bem como em razão da percepção por alguns estagiários de gratificação de vendas e pagamento de horas extras, sendo este improcedente; · que a semelhança da saúde a educação é dever do Estado, valendose aqui tudo o que lá dito, não podendo ser considerada remuneração o valor de auxílioeducação, concedido ao empregado, pois o artigo 195, da CF/88 só autoriza a tributação dos rendimentos do trabalho e o artigo 28, I, da Lei 8.212/91 o da retribuição do trabalho e o auxílio – educação é pago como aperfeiçoamento intelectual do empregado é verba empregada para o trabalho e não pelo trabalho, sendo que o artigo 458, § 2º, da CLT, diz que os valores pagos a título de ensino não é salário, cita o STJ, entendendo o julgador a quo que os curso de graduação e pósgraduação não estão abrangidos pelo artigo 28, § 9º, alínea “t”, sendo caso de nãoincidência e não isenção; · que as diferenças apuradas a título de 13º salário; 13º salário rescisão e diferenças não identificadas são resultado de equívocos nos levantamentos, sendo inexistente, a exemplo, da filial Pelotas – CNPJ 88.712.955/001356, comp. 09/2007, onde o valor de R$ 259,46 se refere ao menor aprendiz (Alex do Carmo Gouvêa); · que em relação à diferença de 13º salário, tal resulta de equivoco do fisco na forma da apuração, exemplificandose 12/2007 – filial Pelotas – R$ 83,74 diferença de 13º salário e R$ 259, 46, relativo ao Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.082 5 menor aprendiz (Alex do Carmo Gouvêa) – total R$ 343,20, e a parcela do 13º tratase de adiantamento não deduzido pelo fisco, o que já teve o valor recolhido em GPS junto com a segunda parcela do 13º, estando lançado novamente para fins rescisórios, conforme documentos anexos, repetindose isso para todos os meses onde constam tais diferenças, mantidas no lançamento sob a alegação de ausência de comprovação, mas, também é dever do fisco fazer prova e não só ônus da recorrente; · que o diretor presidente, os vices e os demais diretores exercem a administração dos negócios que contam com a sede e 33 filiais, espalhadas em P. Alegre, pelo interior do RS e SC, sendo necessário viagens a essas localidades, com ocorrência de despesas imprevistas em razão da natureza dos cargos, inclusive, em viagens ao exterior; · que combatese a glosa das despesas com alimentação do Diretor Presidente Silvio Sibemberg, que são decorrente de suas funções e atuações, tais como as notas de 14/09/2007 e 14/04/2008, que incluem despesas com veículos e que não foram tributadas, limitandose a manter a exação o órgão julgador inicial, sob a alegação de falta de prova, como se tal ônus fosse só do contribuinte e não do fisco, que não provou a desnecessidade das despesas e sua desproporcionalidade, devendo, assim, ser cancelada; · que diversas despesas realizadas com o cartão corporativo e lançadas no levantamento SCs – planilha 9 foram consideradas gastos pessoais dos diretores e tributadas, entretanto outras despesas realizadas da mesma forma, foram consideradas como despesas normais da atividade empresarial e assim devem ser, também, consideradas as despesas que foram tributadas, pois todas foram realizadas para e no desenvolvimento da atividade e para se manter a empresa no auge do mercado, descrevendo parte das despesas e como realizadas, sendo que a decisão recorrida não abordou estas razões, havendo incoerência no procedimento fiscal e decisório de primeiro grau, pois das oito despesas elencadas três foram tidas como normais e não tributadas, mas cinco foram objeto de tributação e todas se referem ao desenvolvimento da atividade empresarial, cabendo assim a exclusão da rubrica; · que as despesas lançadas no levantamento SD’s – planilha 10 – inicialmente contém um erro, uma vez que lançados o valor de R$ 5.500,15, relativo a despesa de viagem e que foi objeto de contestação no item próprio, sendo as demais despesas referentes aos veículos dos sócios, tais como: multas de trânsito; conserto de carros e IPVA, realizadas em razão do veículo placa IIP 7007 de Silvio Sibemberg, salvo as do período de 03/2007 a 12/2008 referente ao veículo IUX 7007 da sócia Rosemary Sibemberg, tendo sido decidido pela diretoria que os deslocamento seriam feito pelo veículo IIP 7007 e não sendo isso possível, cada um utilizaria seu próprio veiculo com despesas ressarcidas, tendo sido as despesas realizadas nas atividades Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.083 6 sociais da empresa e não particulares dos sócios não há porque incluí las como prólabore; · que no levantamento SVs despesas sem comprovação – planilha 12 os valores fr R$ 2.852,52 e R$ 8.064,05, competência 05/2008 e 06/2008 devem ser excluídas, pois lançadas em duplicidade, bem como a situação é idêntica a relativa a planilha 9 despesas de viagem do sóciodirigente Silvio Sibemberg, tendo este usado o seu cartão de crédito pessoal e não o corporativo, porque as administradores destes não concederem direito a milhagem, mas os gastos são decorrentes das atividades sociais, elencando as situações; · que o julgador pode entender que as provas são insuficientes, mas como base em sua própria avaliação e não com base na decisão do agente lançador, que não aceitou os documentos apresentados pela autuado, o que ocorreu várias vezes no julgamento a quo, esperado a recorrente o segundo grau, considere as despesas plausíveis e adequadas as atividade e proporcional as despesas das faturas, pois muito menores que aquelas, devendo ser cancelada a exigência; · que a multa aplicada, conforme planilha 13 a 15, seria a mais benéfica segundo o fisco, porém a multa de mora relacionada ao não recolhimento do tributo em sua parte litigiosa, deve ficar suspensa até definitiva decisão em razão deste recurso; · Por fim pleiteia a recorrente: a) determinação de cancelamento da parte litigiosa do lançamento. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 911. Contudo, os autos foram devolvido a DRF origem, fls. 912, para emissão de GPS, uma vez que a recorrente reconheceu expressamente parte do débito. Devido a este reconhecimento os debcad’s originais foram desmembrados criandose dois novos créditos para receberem os lançamentos incontroversos, que foram objeto do pedido do pedido de pagamento, conforme documentos, de fls. 933 a 1.073, compondo outro processo, conforme despacho, de fls. 1.076. É o Relatório. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.084 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. No que tange aos lançamentos relacionados a assistência prestada por serviço médico e odontológico próprio ou conveniado só não ocorrerá a incidência da contribuição previdenciária se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. No caso em tela nos vários levantamentos ocorridos e a seguir descritos o agente lançador deixou claro que a abrangência dos vários planos de saúde não atinge a totalidade dos empregados e dirigentes, ficando sem cobertura trabalhadores (comuns) de diversas lojas, enquanto que outros trabalhadores de um nível funcional mais elevado possuíam tal cobertura, observese o que a seguir extrai do REFISC. · Levantamentos AP, AP1 e AP2, item 8.2, do REFISC, fls. 90 a 102 disponível apenas para Porto Alegre, Canoas e Cachoeirinha. · Levantamentos AS, AS1 e AS2, item 8.3, do REFISC, fls. 90 a 102 não disponível para os funcionários do interior do RS e SC, salvo gerentes de loja. · Levantamentos SS, SS1 e SS2, item 8.11, do REFISC, fls. 90 a 102 não disponível para os funcionários, uma vez que só disponível aos ocupantes de cargos estratégicos, a exemplo: sócios da empresa; gerentes de loja; gerentes comerciais; gerentes de compra; gerentes de vendas, assessor de compras; coordenadores de departamento e outros. A própria recorrente reconhece que não presta assistência à totalidade de seus trabalhadores e isso viola a norma legal, veja o que diz a recorrente. Dessa forma, os ainda, não atingidos pelos serviços não o são por qualquer ato de vontade da impugnante, mas por absoluta impossibilidade circunstancial, até o momento. Irrelevante se a empresa está a auxiliar o Estado em sua missão de prestar saúde, pois escolhido o caminho, não pode o empregador escolher quem por este caminho passará, pois se assim o fizer estará beneficiando alguns trabalhadores em detrimento de outros e todos os trabalhadores devem receber o mesmo tratamento. Não fornecido o plano de saúde a totalidade dos empregados e dirigentes tal valor se reveste de natureza salarial sofrendo a incidência da contribuição previdenciária. Equivocase a recorrente, pois não cabe a aplicação do artigo 106, II, da Lei 5.172/66 quando a finalidade é excluir o pagamento de tributo em si, observese a lei. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.085 8 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (grifo meu) A interpretação e aplicação que o contribuinte deu a Lei 6.494/77 e seu decreto regulamentador, no caso dos estudantes/estagiários foi o que possibilitou o não adimplemento da contribuição e assim a retroatividade benigna não se aplica, pois no caso em tela deve ser aplicado o artigo 144, da Lei 5.172/66. A autoridade fiscal lançadora deixou claro em seu relatório que a empresa recorrente descumpria a legislação no tocante ao estágio e em realidade promovia o pagamento de diversas verbas aos estudantes/estagiários a semelhança de seus empregados, inclusive, demonstrando que em diversas ocasiões e processos, a justiça obreira (Justiça do Trabalho) considerou os contratos como de trabalho e não de estudantes/estagiários. O não acompanhamento dos estudantes/estagiários foi só mais um elemento da convicção do lançador, mas, ainda, que excluído em nada mudaria o lançamento ante as demais irregularidades em especial o não atendimento ao que determinado pelo lei do estágio. Irrelevante se a empresa esta a auxiliar o Estado em sua missão de prestar educação, pois escolhido o caminho, não pode o empregador escolher quem por este caminho passará, pois se assim o fizer estará beneficiando alguns trabalhadores em detrimento de outros e todos os trabalhadores devem receber o mesmo tratamento. No caso de pagamento de curso superior o agente lançador deixou claro que isso não ocorre em razão da totalidade dos empregados e dirigentes, veja o que ele diz. A empresa reembolsa a alguns funcionários parte dos valores despendidos em curso de graduação. A concessão do reembolso está condicionada, conforme informado pela empresa no documentos em anexo – “DOC9_FC”, os seguinte critérios: O agente lançador obteve junto à recorrente o documento, de fls. 218 a 227, no qual constam as condições para a concessão do benefício, ficando evidenciado que este benefício está totalmente condicionado ao interesse da empresa, conforme segue. · vontade de estudar em uma área de interesse da empresa; · disponível a todos que se enquadrem no perfil desejado pela empresa – dentre estes: assiduidade; força de vontade; capacidade produtiva; maturidade profissional e pessoal; indicação do superior hierárquico e outros eventuais elementos a critério da diretoria responsável; Todavia, o agente lançador não fundamentou seu lançamento na situação acima descrita, mas sim no que a seguir transcrevo. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.086 9 Somente os cursos profissionalizantes de nível superior, graduação e pósgraduação de que trata o inciso III, § 2º, art. 39 da Lei 9394, de 1996, introduzido pela lei 11.741, de 2008 são passíveis de não incidência de contribuição previdenciária. O custo relativo aos demais cursos de educação superior (graduação e pósgraduação), integra o saláriodecontribuição, uma vez que não está alcançado pela exclusão prevista na alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91, pelo que se enquadra como valor pago, devido ou creditado a “qualquer título”, conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei nº 8212/91. A redação do dispositivo na Lei 8.212/91 durante todo o período fiscalizado e na data do lançamento era o que a seguir consta. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20 de Novembro de 1998) Desta forma, verifico que não há na lei previdenciária de regência da isenção da contribuição a restrição contida no lançamento, de que apenas os cursos citados no inciso III, do parágrafo 2º, do artigo 39, da Lei 9.394/96 e que são passíveis da isenção. Assim sendo, devido ao erro formal na fundamentação da exigência fiscal, entendo que esta rubrica é nula, devendo ser excluídos os levantamentos FC, FC1 e FC2. No caso específico da filial CNPJ 88.712.955/001356, comp. 09/2007 e 12/2007 relativa ao menor aprendiz Alex do Carmo Gouvêa, consta da GFIP anexada pela recorrente, as fls. 843 a 847, que o mesmo é da categoria 7, ou seja, menor aprendiz, conforme Lei 10.097/2000 e assim deve contribuir na categoria de empregado. Registro que a citada GFIP não tem o recibo de entrega e que apesar de datada de 03/10/2007, usa tabelas 20.0 (21/01/2010) e versão do programa SEFIP 8.30 (30/10/2008), com isso seria possível? Veja a reprodução do cabeçalho da GFIP. Nos termos do artigo 147, § 1º, da Lei 5.172/66 o era na declaração deve ser acompanhado de provas idôneas e antes e feita antes do lançamento. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.087 10 O adiantamento de 13º salário não sofre incidência da contribuição previdenciária no mês de sua efetivação tal parcela só será objeto de desconto no mês de dezembro assim o alegado erro do fisco que não exclui do cálculo o adiantamento do 13º realizado é desprovido de juridicidade, pois inexistente contribuição anterior. Não há por que lançar adiantamento de 13º em outra competência ou código ou rubrica como sendo 13º rescisório, pois esse só nasce na efetiva dispensa de algum empregado e com a consequente liquidação dos haveres, ainda, que pagos, devidos ou creditados. Nos termos do artigo 9º, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 333, I, da Lei 5.869/73 o agente lançador juntou diversos documentos e planilhas, as fls. 02 a 631, que visam comprovar suas afirmações, conclusões, procedimentos e lançamentos. O agente lançador exigiu no presente lançamento contribuição previdenciária relativa a alimentação dos diretores, que segundo consta ocorrem em viagens a trabalho, bem como com tele entrega em sua residência. Ausente de dúvidas, conforme documentação nos autos Notas Fiscais, de fls. 745 a 749; 751 a 759; 761 e 762, planilha fiscal 8, de fls. 588 a 591, e, item 8.8 do REFISC, que transcrevo, que tais valores são realizados em razão de alimentação in natura. 8.8 Levantamento SA, SA1, SA2 – Estes levantamento destinam se ao lançamento das contribuições previdenciárias referentes à parcela patronal incidentes sobre valores pagos ao sócio Silvio Sibemberg a título de alimentação, conforme contabilizado na conta “320103010175668 – Lanches e Refeições” e discriminado na Planilha 8, constante do CD em anexo. Destarte, como demonstrado acima deve incidir na espécie o ato declaratório a seguir transcrito, conforme preconiza o artigo 62, II, “a”, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.088 11 JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Assim, os levantamentos SA, SA1, SA2 devem ser excluídos da autuação. O levantamento SC; SC1 – planilha 9 gastos pessoais dos diretores efetuados por intermédio de cartão corporativo, conforme item 8.9, do REFISC, de fls. 90 a 102, fica evidenciado que as informações foram obtidas nas notas fiscais/faturas dos cartões de crédito e que a base de cálculo foi presumida, tal atitude implica na utilização do instituto da aferição indireta – arbitramento da base de cálculo. Todavia, não se vê no relatório Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 51 a 53, bem como do REFISC, de fls. 90 a 102, a respectiva e devida fundamentação da aferição, uma vez que a documentação utilizada não se reveste da fonte direta e adequada a obtenção de salários, assim, conforme tem decidido este conselho, a ausência da fundamentação acarreta a nulidade do lançamento, referente ao levantamento em comento, observe a transcrição. Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA. A lavratura do lançamento deve ser feita de modo a fornecer claramente, e com base em provas, a fundamentação fática. Na ausência desta, deve o lançamento ser anulado. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPRESA. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. No Auto de Infração deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na constituição do crédito tributário acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. A violação dessas regras é vicio insanável, configurando a sua nulidade. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Damião Cordeiro De Moraes. Proc: 2304.031562/200283. Acórdão 2301003.402, Data 13/03/2013. Desta maneira, os levantamentos SC e SC1 devem ser excluídos do lançamento em razão do vício formal na fundamentação. Contudo, podendo a exclusivo critério da autoridade fiscal ser relançado. Passo ao levantamento SD1 e SD2, item 8.10, do REFISC, objeto de apuração junto à contabilidade. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.089 12 O possível equivoco da inclusão da despesa de viagem nesta levantamento em nada afeta o presente, uma vez que a despesa existiu era tributável e a recorrente muito bem identificou o lançamento, o que não lhe causou nenhum prejuízo. O pagamento pela empresa de gastos que deveriam ser suportados pelas pessoas físicas suas sócias em razão de suas despesas pessoais são considerados prólabore e assim objeto de tributação para a contribuição previdenciária, não havendo reparo a fazer no lançamento neste ponto. Para os levantamentos SV e SV1 despesas sem comprovação e que foram apuradas na contabilidade conta 3201010300172551 – Viagens e Estadias, apesar da alegação de duplicidade de lançamento após análise das planilhas e documentos não verifiquei está ocorrência, sendo tal alegação improcedente. As despesas ressarcidas ao sócio e não comprovada sua finalidade, constituemse em base de cálculo da contribuição previdenciária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALORES PAGOS PELA EMPRESA A TERCEIROS EM FAVOR DOS SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE CONTRATO DE MÚTUO. INVALIDADE DO DOCUMENTO. As despesas pessoais incorridas pelos sócios e suportadas pela empresa constituem base de cálculo da contribuição do segurado contribuinte individual. O contrato de mútuo firmado entre as partes, sem comprovação de quitação do negócio jurídico, não é válido para se afastar o caráter remuneratório dos valores disponibilizados aos sócios indiretamente, através do pagamento de despesas por eles contraídas junto a terceiros. Recurso Voluntário Negado. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Proc: 10167.001209/200726. Acórdão: 2402001.468. Data: 02/12/2010. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE AUTÔNOMOS E AUXÍLIOCRECHE. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. DESCABIMENTO. INDENIZAÇÃO DE DESPESAS DE EMPREGADO COM VIAGEM DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA 1. São inconstitucionais os dispositivos das Leis 7.787/1989 e 8.212/1991, que tratavam da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração de autônomos RE 166772/STF. 2. O auxíliocreche ou auxíliobabá não corresponde a nenhuma contraprestação laboral do empregado; ao contrário, configura verba paga pelo empregador para indenizar a ausência de fornecimento de creche para filhos de seus empregados, com observação dos os termos do acordo ou da convenção coletiva de trabalho REsp 1146772. 3. Não existe amparo legal para a cobrança em duplicidade perpetrada pelo Fisco Federal, incidente sobre valores pagos a empregados do contribuinte por força de sentença exarada na Justiça do Trabalho. 4. A ausência de comprovação da natureza indenizatória do reembolso de despesa de viagem autoriza a plicação do art. 28, I, da Lei 8.212/1991. 5. Apelações e remessa Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.090 13 oficial a que se nega provimento. (AC 200701000369359, JUIZ FEDERAL UBIRAJARA TEIXEIRA (CONV.), TRF1 OITAVA TURMA, eDJF1 DATA:01/07/2011 PAGINA:415.) (o realce é meu). Desta forma, o levantamento deve ser mantido. Não há nenhuma irregularidade ou mácula na decisão administrativa que decide a questão dando sua solução ao caso, com base em relatórios ou pareceres anteriores exarados por outros membros ou órgãos da Administração. Aliás, essa é a posição do Supremo Tribunal Federal – STF. EMENTA Habeas corpus. Processual penal. Acórdão que adotou como razões de decidir o Parecer do Ministério Público estadual. Alegação da falta de fundamentação. Inocorrência. Precedentes de ambas as Turmas desta Suprema Corte. 1. A adoção do parecer do Ministério Público como razões de decidir pelo julgador, por si só, não caracteriza ausência de motivação, desde que as razões adotadas sejam formalmente idôneas ao julgamento da causa. 2. Decisão impugnada que se encontra em perfeita consonância com a pacífica jurisprudência desta Suprema Corte. 3. Habeas corpus denegado. (HC 94164, MENEZES DIREITO, STF) EMENTA Habeas corpus. Processual penal e constitucional. Adoção dos fundamentos da sentença de 1º grau pelo acórdão de Segunda Instância como razões de decidir. Não violação da regra do art. 93, inc. IX, da Constituição Federal. Precedentes. 1. O entendimento esposado na decisão do Superior Tribunal está em perfeita consonância com o posicionamento desta Suprema Corte, no sentido de que a adoção dos fundamentos da sentença de 1º grau pelo julgado de Segunda Instância como razões de decidir, por si só, não caracteriza ausência de fundamentação, desde que as razões adotadas sejam formalmente idôneas ao julgamento da causa, sem que tanto configure violação da regra do art. 93, inc. IX, da Constituição Federal. 2. Habeas corpus denegado.(HC 94384, DIAS TOFFOLI, STF) (os destaque são meus). No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria do levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 07/10/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2007 a 12/2008,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 134 e 135. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.091 14 Desta forma, para o período de 01/2007 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois esta já se encontrava em vigor. Assim com esses esclarecimentos rejeito parte das alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, para determinar: I – a exclusão dos levantamentos FC, FC1 e FC2 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD’s 37.349.6400 e 37.349.6419; II – a exclusão dos levantamentos SA, SA1 e SA2 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD 37.349.6400; III – a exclusão dos levantamentos SC e SC1 do lançamento que compõe o presente PAF, em relação aos DEBCAD 37.349.6400; IV – a aplicação do artigo 35, incisos II e III, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99 que estavam em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores, pois são mais benéficos e assim nos termos do artigo 144 c/c o artigo 106, II, “c”, ambos, da Lei 5.172/66 e quem deve disciplinar a multa, salvo se esta atingir a oitenta por cento, conforme alínea “c”, do inciso III, citado, ocasião em que passa a ser mais benéfica a nova multa do artigo 35 A, introduzido na Lei 8.212/91, pela Lei 11.941/2009, conversão da MP 449/2008, respeitando o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo conforme o momento do pagamento ou parcelamento ou execução, em relação aos DEBCAD 37.349.6400. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.729107/201178 Acórdão n.º 2803003.006 S2TE03 Fl. 1.092 15 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10950.722628/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Descabe alegar quebra de sigilo bancário sob o argumento de ausência de autorização judicial, eis que a legislação tributária autoriza o fisco ao acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras.
SIGILO BANCÁRIO. APURAÇÃO. BASE LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE.
Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional.
EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. PAGAMENTOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte relativamente à matéria indicada no Termo de Início de Fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%.
Justifica-se a qualificação da multa de ofício no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características.
Numero da decisão: 1402-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Alkmin Teixeira.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez, Alexandre Alkmin Teixeira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Constatado, mesmo após a apresentação das declarações retificadoras, que a contribuinte não teria oferecido a totalidade das receitas à tributação e, não tendo ela logrado afastar a omissão de receitas, mantêmse as correspondentes exigências. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. A recusa da contribuinte em optar pela forma de tributação desejada e a sua exclusão ao Simples por excesso de receitas no ano calendário imediatamente anterior, remete o fisco à adoção do arbitramento do lucro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Descabe alegar quebra de sigilo bancário sob o argumento de ausência de autorização judicial, eis que a legislação tributária autoriza o fisco ao acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras. SIGILO BANCÁRIO. APURAÇÃO. BASE LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 26 28 /2 01 1- 45 Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.830 2 para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. PAGAMENTOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte relativamente à matéria indicada no Termo de Início de Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. Justificase a qualificação da multa de ofício no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Alkmin Teixeira. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez, Alexandre Alkmin Teixeira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.831 3 Relatório Comércio de Frutas Thomaz & Cia Ltda – ME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/MGA n° 40 (fl.2.625), de 19/08/2011, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Federal, desde 01/01/2007; b) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/MGA n° 41 (fl.2.626), de 19/08/2011, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Nacional, desde 01/07/2007, em face da extrapolação do limite de receitas; c) a impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2006 e; d) a impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007 (fls. 2.6432.756). Dos atos de Exclusão ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 40, DE 19/08/2011 O ADE n° 40, de 19/08/2011 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 2.6212.624, onde restou demonstrado que a contribuinte em análise, auferiu no ano calendário de 2006 receita no importe de R$3.136.268,98, com base na escrituração por ela mantida e na movimentação bancária, sendo que deste montante, ofereceu à tributação apenas R$2.369.100,38, tendo sido omitido o importe de R$767.168,60. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 9°, inciso II e artigo 13, inciso II, alínea "a" ambos da Lei n° 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2007. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 41, DE 19/08/2011 O ADE n° 41, de 19/08/2011 foi expedido em face da Representação Fiscal já mencionada, tendo em vista a ocorrência da hipótese de exclusão obrigatória do Simples Nacional, prevista no artigo 12, inciso I da Resolução CGSN n° 04, de 30 de maio de 2007 e artigo 5°, inciso XI da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007, por excesso de receita bruta em relação ao limite de R$2.400.000,00 no ano calendário de 2006. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no inciso II do artigo 3° da Lei Complementar n° 123, de 2006, combinado com os já mencionados artigo 12, inciso I da Resolução CGSN n° 04, de 30 de maio de 2007 e artigo 5°, inciso XI da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007, sendo que os efeitos obedecem ao disposto no artigo 6°, inciso VII da Resolução CGSN n° 15, de 2007. Foi cientificada das exclusões em 26/08/2011, fl.2.758, oportunidade em que também recebeu o Termo de Verificação Fiscal e os Autos de Infração de que trata este procedimento. Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.832 4 Das autuações DO LANÇAMENTO PELO SIMPLES Dando prosseguimento à ação fiscal, em 24/08/2011, foram lavrados os autos de infração de fls. 2.6432.716, onde se exige o crédito tributário de R$8.223,60 a título de Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples (fl.2.643), R$6.051,65 de Contribuição ao PISSimples (fl.2.672), R$8.223,60 de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoSimples (fl.2.682), R$24.298,66 de CofinsSimples (fl.2692), e, R$70.196,22 de Contribuição ao INSSSimples (fl.2.702), referente aos fatos ocorridos no ano calendário de 2006, todos acrescidos de multa de ofício à razão de 150% e juros de mora, totalizando R$353.979,50. As infrações que estão sendo imputadas ao sujeito passivo estão minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls.2.6282.642 e qualificamse por omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados e, insuficiência de recolhimentos decorrente da alteração da faixa de tributação. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; § 2° do art. 2°, alínea "a" do § 1° do art. 3°, inciso II, § 1° do art. 5° e, §1° do art. 7°, todos da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, e; art. 186, 188 e 199 do RIR/99; b) para o PIS, a alínea "b" do art. 3° da Lei Complementar n° 07, de 07 de julho de 1970, art. 1° e parágrafo único da Lei Complementar n° 17 de 1970, art. 2°, inciso I, 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2°, § 2°, 3°, § 1°,alínea "b", 5° e 7° § 1°, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; .o § 2° do art. 2°, alínea "c" do § 1° do art. 3°, inciso II, § 1°, do art. 5°, art. 5°, 7°, 17, 18, 19 e 23 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 1991; o § 2° do art. 2°, alínea "d" do § 1° do art. 3°, inciso II e § 1° do art. 5°, art. 6°, 7°, 17, 18, 19 e 23 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998 e; e) para a Contribuição ao INSS, o § 2° do art. 2°, alínea "f" do § 1° do art. 3°, inciso II e § 1° do art. 5°, art. 6°, 7°, 17, 18, 19 e 23 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998. A razão utilizada para o calculo da multa de ofício é 150% e está amparada no art. 44, inciso I e § 1° da Lei n° 9.430, de 1996, combinado com o art. 19 da Lei n° 9.317, de 1996. DO ARBITRAMENTO Também foram lavrados os autos de infração de fls. 2.7172.756, onde se exige o crédito tributário de R$58.362,47 a título de Imposto de Renda Pessoa Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.833 5 Jurídica (fl.2.717), R$35.859,58 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fl.2.725), R$21.586,28 de contribuição ao PIS (fl.2.735) e, R$99.212,97 de Cofins (fl.2.746) e, com base no arbitramento do lucro, acrescidos de multa de ofício à razão de 150% e juros de mora, totalizando R$3.314.851,90. O suporte legal para a exigência dos tributos obedece ao seguinte: a) IRPJ artigos 27, inciso I e 42 da Lei n° 9.430, de 1996, artigos 532 e 537 do RIR/99; b) CSLL artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988, art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, art. 29 da Lei n° 9.430 de 1996, artigo 37 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002 e art. 3° da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo artigo 17 da Lei n° 11.727, de 2008; c) PIS base legal os artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 7 de 07/09/1970, art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995 e, artigos 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 17/12/2002 e; d) COFINS artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 17/12/2002. Aqui, está sendo imputada omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O sujeito passivo foi cientificado da exigência em 26/08/2011, conforme AR de fl. 2.758. Impugnação Na impugnação apresentada em 22/09/2011, fls. 2.7612.765, alega há que se distinguir rendimento das transferências de capital, que depósitos bancários por si só não são indicativos de fato gerador de imposto e que caberia ao fisco provar tratarse de receita e que o ônus da prova, mesmo em matéria de Direito Tributário, segue o princípio geral de Direito, que incumbe a quem alega ou a quem aproveita, assim, a sua inversão constitui procedimento ilícito. Sustenta que, no caso em pauta, o fato gerador do tributo foi reconhecido por ocasião da reconstituição da escrita produzida pela impugnante, com a inclusão dos valores que tinham sido omitidos, antes da lavratura do auto de infração, portanto, sanada a problemática relativa ao fato gerador dos anos calendário fiscalizados. Afirma que não consta dos autos qualquer labor probatório por parte da autoridade fiscal tendente a conferir os dados da atividade comercial da reclamante com os novos dados inseridos na reconstituição da escrita, motivo pelo qual a obrigação tributária revelase em duplicidade tendo em vista que a reconstituição gerou oferecimento de recolhimento da diferença de imposto, cujo recolhimento por parcelas mensais, vem sendo realizado e que, deveria ter sido compensado com a apuração presente, o montante já recolhido. Defende que inexistem circunstâncias em que o dolo esteja comprovado, a fim de justificar o agravamento da multa, principalmente porque com a reconstituição da escrita muito antes da lavratura do auto de infração, eliminouse a omissão do conhecimento do fato gerador à autoridade fazendária e a tributação oferecida supera e elimina a tributação presuntiva da lei em questão. Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.834 6 Invoca a inconstitucionalidade da tributação indiscriminada dos depósitos bancários porque: "se o depósito bancário pode ser elevado à categoria de fato gerador de imposto de renda, é absolutamente perceptível que se trata de fato gerador capenga, aleijão jurídico, porque não é tributo geral e universal, não atingindo a todos por igual, passando a constituir tributo de exceção epor isso, plenamente ilegal". Ao final, pede que os autos de infração sejam julgados improcedentes. Juntou os documentos de fls. 2.7662.791.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 0637.814 (fls. 2.7932.809) de 16/08/2012, por unanimidade de votos, declarou procedentes os atos declaratórios que determinaram a exclusão da contribuinte ao Simples Federal e Simples Nacional e, no mérito, considerou improcedente a impugnação apresentada, com a conseqüente manutenção do crédito tributário lançado. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 RECEITA BRUTA. LIMITE LEGAL. A empresa optante do Simples que no anocalendário aufere receita bruta em valor superior ao limite legal estabelecido para a micro empresa, estará automaticamente excluída do sistema no anocalendário subsequente. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. Deve ser mantido o Ato Declaratório de exclusão do Simples expedido pela unidade da Secretaria da Receita Federal que a jurisdiciona, em face da ocorrência de situação que a Lei a autoriza, assegurados o contraditório e a ampla defesa OMISSÃO DE RECEITAS. Constatado, mesmo após a apresentação das declarações retificadoras, que a contribuinte não teria oferecido a totalidade das receitas à tributação e, não tendo ela logrado afastar a omissão de receitas, mantêmse as correspondentes exigências. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. A recusa da contribuinte em optar pela forma de tributação desejada e a sua exclusão ao Simples por excesso de receitas no ano calendário imediatamente anterior, remete o fisco à adoção do arbitramento do lucro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.835 7 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Discussões acerca da constitucionalidade, legalidade ou eqüidade das leis exorbitam da esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. PAGAMENTOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO. Iniciado o procedimento fiscal, fica o contribuinte com a espontaneidade afastada relativamente à matéria indicada no Termo de Início de Fiscalização e objeto de Termos posteriores, cientificados em intervalos inferiores a 60 (sessenta) dias, sujeitandose ao lançamento de ofício do tributo, juntamente com as demais cominações legais dele decorrentes. A cobrança do lançamento, contudo, fica limitada aos valores não recolhidos, resultantes de imputação proporcional dos pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal aos débitos lançados, acrescidos de multa de ofício reduzida ao percentual previsto para pagamento no prazo de impugnação. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A conduta da contribuinte de utilizarse de contas dos sócios para pulverizar a movimentação bancária dos valores auferidos na atividade mercantil, sem que nenhuma razão plausível para tanto seja apresentada, justificam a aplicação da multa qualificada, por impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 13/09/2012 (A.R. de fl. 2.818) a interessada interpôs recurso voluntário em 08/10/2012 (fls. 2.8202.825) onde apresenta os argumentos a seguir sintetizados: . que seria inconstitucional a quebra do seu sigilo bancário pela Delegacia da Receita Federal, por meio do Requerimento de Informação Sobre Movimentação Bancária (RMF); . que o Fisco não teria levado em consideração recolhimentos a título de imposto de renda efetuados antes da lavratura do auto de infração, caracterizando, no seu entender, procedimento equivocado, já que estaria espontânea à época desses recolhimentos; . que não há prova material relativamente aos montantes de depósitos bancários remanescentes, objeto do lançamento; Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.836 8 . que não há prova material relativamente aos montantes de depósitos bancários remanescentes, objeto do lançamento; e . que seria incabível a qualificação da multa de ofício. No que tange à quebra do sigilo bancário e a argumentação quanto a constitucionalidade dos correspondentes diplomas normativos, há que se ressaltar que, na análise de admissibilidade do Recurso Extraordinário nº 601314, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria, nos termos dos art. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Sobre o assunto, dispunha o Regimento Interno do CARF, em seu art. 62A, § 1º que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do Código de ProcessoCivil.” Nessa esteira, o presente processo foi sobrestado até que sobreviesse pronunciamento do STF sobre o tema. Entretanto, a Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.837 9 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Histórico A ação fiscal foi deflagrada inicialmente em 11/09/2009 (fl.2.049), em nome dos sócios da pessoa jurídica e, posteriormente, redirecionada para a Autuada. Com o Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 0708 (30/11/2010), que redirecionou a ação fiscal para a pessoa jurídica, foi solicitada a apresentação do contrato social e alterações, Livro Registro de Entradas, Saídas e Apuração do ICMS, Livros Diário e Razão ou Livro Caixa, que demonstrasse a movimentação da pessoa jurídica, inclusive a financeira, por meio de extratos bancários, além de outros documentos ali enumerados. Na mesma ocasião foi disponibilizado para que fizesse a recomposição da escrita, posto que parte das receitas eram desviadas para as contas correntes dos sócios e de terceiro (cônjuge de um deles), fl.s. 0708. O primeiro contato da pessoa jurídica com o fisco ocorreu em 20/12/2010, quando foram entregues o contrato social, e livros registro de Entrada, Saída e Apuração do ICMS, Diário e Razão auxiliar referentes aos períodos de apuração 2006 e 2007 (fls. 241.785). Ante a falta de apresentação espontânea dos extratos bancários, foram esses requisitados diretamente às instituições financeiras (fls. 1.7861.966). A contribuinte foi intimada a comprovar por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas correntes bancárias, tendo em vista que as pessoas físicas Antonio Pirolla Filho, CPF 173.565.04987 e Alciene Rodrigues Thomaz, CPF 474.348.48987, declararam que as movimentações financeiras existentes em seus nomes pertenciam de fato, à pessoa jurídica Comércio de Frutas Thomaz & Cia Ltda. Comprovada a informação, foi a contribuinte novamente chamada a recompor a escrita contábil pela modalidade do Lucro Real (fl.19671.968). Num segundo contato, argumenta a empresa que os depósitos estariam vinculados às notas ficais que foram apresentadas, ou seja seriam decorrentes de sua atividade empresarial e, em relação à recomposição da escrita, afirmou que a movimentação financeira da empresa dos períodos sob ação fiscal não ultrapassaram o limite de R$ 2.400.000,00 e que a contabilidade teria sido recomposta para incluir a movimentação ocorrida nas contas das pessoas físicas já mencionadas sendo que os débitos decorrentes já teriam sido parcelados junto à PGFN, conforme documentos que anexa (fls. 1.9701.973). Em 17/03/2011 foi intimada a justificar algumas transferências entre a empresa e as pessoas envolvidas (fls. 1.9741.976), ao que respondeu não ter condições de demonstrar o que foi solicitado (fls. 1.9771.978). Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.838 10 Nova intimação (11/05/2011) foi feita para que confirmasse se todos os créditos eram de titularidade da empresa e, se fossem, que apresentasse comprovação da origem daqueles recursos. Em 21/06/2011 apresentou a resposta de fls.2.0162.018, onde afirma ter retificado a escrita para incluir todos os recursos recebidos e que parcelou os débitos, sendo que em decorrência disso, requer o encerramento da ação fiscal. A resposta veio acompanhada dos documentos de fls. 2.0192.037. Em 30/06/2011 a contribuinte foi intimada a optar pela forma de tributação pretendida. Na resposta não faz nenhuma opção (fls. 2.0452.046). Na seqüência, fls. 2.0472.620, estão anexados todos os documentos angariados enquanto a ação fiscal estava restrita à figura dos sócios da pessoa jurídica Sérgio Thomaz, CPF 359.725.13900 (fl.2.047) e Antonio Pirolla Filho (fl.2.517) que declarararam que os valores que circulavam por suas contas correntes pertenciam à pessoa jurídica. Naquela oportunidade a ação também foi estendida ao cônjuge de Sérgio Thomaz, Aliciena Rodrigues Thomaz (fl.2.562) que admitiu que seu movimento bancário pertencia à empresa Comércio de Frutas Thomaz. Em 16/08/2011 ocorreu a representação para fins de exclusão da contribuinte ao Simples e, em 19/08/2011 foram expedidos os dois atos de exclusão, conforme anteriormente relatado. A autuação em relação ao ano calendário de 2006 obedeceu à opção da contribuinte pelo Simples e, em relação a 2007 ela foi efetuada pelo lucro arbitrado. A autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada pelo fato de a pessoa jurídica ter utilizado a conta corrente dos sócios e de terceiro (Aliciene Rodrigues Thomaz) para movimentar valores que, em verdade, pertenciam à pessoa jurídica caracterizando, assim, a tentativa de ocultar do conhecimento do fisco parte da receita auferida. Passo à análise. Dos Atos Declaratórios de exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL Consignase, de início, que a empresa não apresentou inconformidade contra os atos declaratórios de exclusão da sistemática simplificada, quer seja em sede de impugnação ou recurso. São definitivas, portanto, essas exclusões (do SIMPLES e, posteriormente, do SIMPLES NACIONAL), independente da análise neste Voto. Da alegação de quebra do sigilo bancário sem autorização judicial Alega a Recorrente que seria inconstitucional a quebra do seu sigilo bancário pela Delegacia da Receita Federal, por meio do Requerimento de Informação Sobre Movimentação Bancária (RMF). Nesse sentido, cumpre recordar que a utilização de RMF tem suporte jurídico no art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, abaixo transcrito, que legitima a análise com base em depósitos bancários. Tal comando legal condiciona o acesso do Fisco aos dados bancários Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.839 11 somente à existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, há que se entender a inconformidade da Recorrente como alegação de inconstitucionalidade do dispositivo legal supra. Nesse sentido, devese ponderar que as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A exceção se da nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Constatase, para o caso da quebra de sigilo bancário pelo Fisco, que a constitucionalidade do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF), havendo, inclusive, decisão do Plenário (dando provimento ao Recurso Extraordinário nº 389.808/PR). A matéria, porém, ainda não transitou em julgado naquela Suprema Corte. Assim, não é possível afastar a aplicação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 acima transcrito. Entendo, por conseguinte, não haver necessidade de autorização judicial para que os bancos enviem as informações quando requisitadas pelo fisco, haja vista a existência de dispositivo legal a embasar tal procedimento. Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.840 12 Nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Da alegação de espontaneidade. Argumenta a Recorrente que o Fisco não teria levado em consideração recolhimentos a título de imposto de renda efetuados antes da lavratura do auto de infração, caracterizando, no seu entender, procedimento equivocado, já que estaria espontânea à época desses recolhimentos. Muito embora a Recorrente não tenha sido direta em suas palavras, inferese que ela, por ter refeito em parte sua escrituração e ter efetuado recolhimentos declaradamente relativos aos valores omitidos, teria regularizado sua situação, já que tais ações teriam sido praticadas espontaneamente. Há que se esclarecer, nesse ponto, que a teor do art. 7o do Decreto nº 70.235/72, a espontaneidade é excluída com a abertura do procedimento fiscal, que tem início com o primeiro ato de ofício praticado pelo Fisco. Art. 7o. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II ... §1°. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Nesse sentido, o primeiro ato de ofício praticado pela fiscalização foi o termo de início de fiscalização e não o auto de infração. As requisições para recomposição da escrita da Recorrente foram solicitadas, portanto, já no decorrer da ação fiscal, quando a autuada não mais detinha a espontaneidade. Na mesma linha, a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo está também prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional como segue: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." (destaques incluídos) Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.841 13 Nego provimento ao recurso nesse ponto. Da alegação de inexistência de prova material para a autuação Alega a autuada que não há prova material relativamente aos montantes de depósitos bancários remanescentes, objeto do lançamento. Com efeito, a argumentação trazida aos autos nesse ponto é vazia. A autuação foi levada a termo tendo por base extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, cotejados com a escrituração fiscal, declarações, valores recolhidos e diversos outros documentos, tudo conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.628 a 2.642. Nego provimento ao recurso quanto a esse ponto. Da qualificação da multa de ofício Alega a Recorrente não ser cabível a aplicação da multa de ofício ao percentual de 150%. Entende não haver comprovação de fraude e/ou conduta dolosa de sua parte. Passo à análise desse ponto. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, assim prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Assim, nos termos do § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Vejase esses últimos dispositivos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.842 14 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Portanto, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. No caso concreto, a fiscalizada utilizouse das contas correntes pertencentes a pessoas físicas, o que comprova a intenção de ocultar do Fisco o conhecimento da verdadeira movimentação de recursos da empresa. Entendo, dessa forma, configuranda a intenção dolosa em sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características. Em outras palavras, a conduta da contribuinte de utilizarse de contas dos sócios e de terceiro para pulverizar a movimentação bancária dos valores auferidos na atividade mercantil, justificam a aplicação da multa qualificada, por impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Nego provimento ao recurso nesse ponto. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10950.722628/201145 Acórdão n.º 1402001.561 S1C4T2 Fl. 2.843 15 Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13506.000044/2008-56
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. ISENÇÃO PARA MAIORES DE 65 ANOS.
A isenção sobre proventos de aposentadoria e/ou pensão de declarantes com 65 anos ou mais é incidente sobre o total de rendimentos auferidos e limitada à tabela anual progressiva.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (02/04/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. ISENÇÃO PARA MAIORES DE 65 ANOS. A isenção sobre proventos de aposentadoria e/ou pensão de declarantes com 65 anos ou mais é incidente sobre o total de rendimentos auferidos e limitada à tabela anual progressiva. Recurvo Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (02/04/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 6. 00 00 44 /2 00 8- 56 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000044/200856 Acórdão n.º 2801002.880 S2TE01 Fl. 40 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: A contribuinte foi notificada do lançamento relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2006, anocalendário 2005 (fls.2 a 4), por meio do qual formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$3.749,69, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até janeiro de 2008, totalizando um crédito tributário, até a data da notificação, de R$ 7.360,63. O lançamento foi motivado por dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$25.643,75, por falta de comprovação. A contribuinte não contesta a dedução indevida, mas requer seja considerada isenta a parcela a que faz jus por ser maior de 65 anos, inclusive que seja reclassificado como tal o valor equivocadamente declarado no campo de isenção por moléstia grave (fl.l). Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. ISENÇÃO PARA MAIORES DE 65 ANOS. A isenção sobre proventos de aposentadoria e/ou pensão de declarantes com 65 anos ou mais é incidente sobre o total dos rendimentos auferidos e limitada à tabela progressiva anual aplicável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Doravante, houve a interposição de recurso voluntário da contribuinte, reiterando os argumentos já suscitados em Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000044/200856 Acórdão n.º 2801002.880 S2TE01 Fl. 41 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase, na origem, de revisão de ofício procedida com relação à DIPF apresentada pelo Recorrente no Exercício 2006, tendo em vista a glosa de despesas médicas declaradas pela contribuinte, no montante de R$ 25.643,75. A Recorrente, como se vê da sua Impugnação e Recurso Voluntário, não contesta a glosa das despesas médicas, limitandose a dizer que, em razão de possuir mais de 65 anos, seriam isentos do IRPF os proventos de aposentadoria percebidos. Além do que, em Recurso Voluntário, alega suposta nulidade do Auto de Infração. Inicialmente, cumpre afastar a alegação de nulidade, na medida em que não procede a insinuação da Recorrente de que o Princípio da Ampla Defesa fora malferido ao longo do procedimento fiscal. Como se denota do simples compulsar dos autos do processo, vêse que houve a intimação de todas as fases processuais e, em grande parte delas, a Recorrente manifestouse. Logo, não há a nulidade apontada pelo Recorrente. Passo a frente, também não deve prosperar o argumento de improcedência do Auto de Infração sob o argumento de que a Recorrente seria isenta do IR em razão de possuir mais de 65 anos. Isso porque, como se sabe, referida isenção é parcial, limitada a um montante anual.(R$ 13.968,00 para o ano de 2005) estipulado em norma própria. A parcela excedente, por sua vez, deve ser plenamente tributada. Levandose em consideração que a Fiscalização já havia observado esse limite de isenção ao lavrar o Auto de Infração, o mesmo não merece reparos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000044/200856 Acórdão n.º 2801002.880 S2TE01 Fl. 42 4 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/04/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 16641.000149/2010-63
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. PENALIDADE..
No que concerne à falta cometida constatou-se no Relatório Fiscal da Infração que a empresa apresentou GFIP com informações incorretas ou omissas. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32-A, I, e § § 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, respeitado o disposto no ar. 106, II, c, da Lei nº 5.172/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.066
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. PENALIDADE.. No que concerne à falta cometida constatou-se no Relatório Fiscal da Infração que a empresa apresentou GFIP com informações incorretas ou omissas. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32-A, I, e § § 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, respeitado o disposto no ar. 106, II, c, da Lei nº 5.172/66. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. PENALIDADE.. No que concerne à falta cometida constatouse no Relatório Fiscal da Infração que a empresa apresentou GFIP com informações incorretas ou omissas. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32A, I, e § § 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, respeitado o disposto no ar. 106, II, “c”, da Lei nº 5.172/66. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 49 /2 01 0- 63 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000149/201063 Acórdão n.º 2803003.066 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa apresentou as GFIP`s das competências 09/2008, 10/2008 e 11/2008 após 03/12/2008, já na vigência da MP 449/2008 e antes do início do procedimento fiscal. Informou indevidamente nas referidas GFIP`s ser optante pelo Simples, omitindo as contribuições patronais e a contribuição referente ao RAT, incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 23 de maio de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2008 a 30/11/2008 AI Debcad nº 37.296.6780 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR A GFIP COM INFORMAÇÕES CORRETAS E SEM OMISSÕES. CERCEAMENTO DE DEFESA. MULTA. PRODUÇÃO DE PROVAS. A apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissões configura infração à legislação previdenciária. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. A multa por descumprimento de obrigação acessória definida na legislação tributária não pode ser reduzida ou dispensada. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Inexiste previsão legal para a produção de prova testemunhal no processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Nulidade do acórdão. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000149/201063 Acórdão n.º 2803003.066 S2TE03 Fl. 4 3 A recorrente reitera e ratifica as arguições, suscitadas, em preliminar e no mérito, na impugnação apresentada, as quais, inclusive, se reporta, requerendo que sejam consideradas como se aqui, também, estivessem transcritas, o que não ocorre, apenas, para evitar tautologia, considerandose a estas alturas, a própria singeleza da matéria. Entretanto, em virtude, data vênia, das estranhas interpretações, contidas no v. acórdão recorrido, entendese que, efetivamente, restou cerceado o direito de defesa da recorrente e, sem dúvida alguma, violação aos princípios do contraditório e de ampla defesa, consagrados no inciso LV, do artigo 5º da Constituição da República. É evidente que não mais encontramse em vigor as disposições do Decreto nº 70.235/72, que colidem com dispositivos da Carta Magna e da Lei nº 9.784/96. Como é pacífico, na doutrina e na jurisprudência, a eventual manutenção, na esfera administrativa, do impugnado “Auto e Infração”, resultará na emissão da Certidão de Dívida Ativa – CDA, que se constituiria em título executivo fiscal. Ora, se o título louvouse em situação irregular, por que continuar, sem antes permitir ao contribuinte o sagrado direito de defesa? Onde encontrase escrito que, ao requerer na defesa administrativa, a realização de perícia contábil, o contribuinte já deverá indicar assistente técnico e formular quesitos? Em decorrência do acima articulado, deverá – o que se requer – ser decretada a nulidade do processo administrativo, reabrindose os prazos, inclusive, para realização de perícia e juntada de novos documentos, conforme suscitados e requerido na defesa, que ora se reitera, para todos os efeitos legais. Mérito. Admitindose ad argumentandum que não seja acolhida a preliminar de nulidade, no mérito propriamente dito, está a merecer reparo o v. Acórdão recorrido. As multas aplicadas são descabidas. Face ao exposto, com amparo nos dispositivos legais citados, entre outros, cabíveis e aplicáveis à espécie, espera a recorrente, que seja dado provimento ao presente recurso e reformado o v. acórdão recorrido, para que não se perpetue flagrante injustiça, acolhendose todas as arguições, aí compreendida a de nulidade do impugnado Auto de Infração e da rejeição das compensações efetuadas. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000149/201063 Acórdão n.º 2803003.066 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte reitera e ratifica as arguições suscitadas em preliminar apresentada na impugnação, às quais se reporta, e requer que tais arguições sejam consideradas como se estivessem transcritas em sua pela recursal. No ponto, não vislumbro a possibilidade de acatamento do pleito formulado pelo contribuinte, tendo em vista que a sua argumentação é contrária às determinações do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Por outro lado, também não entendo que as interpretações contidas no acórdão recorrido cercearam o direito de defesa do contribuinte, violando, assim, o inciso LV do art. 5º da Constituição da República. De igual modo, não há como sustentar que disposições do Decreto nº 70.235/72 não estão mais em vigor por colidirem com dispositivos da Constituição, bem como da Lei nº 9.784/96. As alegações contidas no parágrafo anterior, como se pode observar, são aleatórias, pois o contribuinte não especifica quais disposições do Decreto nº 70.235/72 estão colidindo com a Constituição e com a Lei nº 9.784/96. Há de convir que, alegações aleatórias, como é o caso, são totalmente desprovidas de juridicidade e, portanto, devem ser rejeitadas. Notase, portanto, que a manutenção do auto de infração é medida que se impõe, independentemente da futura emissão de CDA – Certidão da Divida Ativa para embasar execução fiscal. O título, quando emitido, não estará embasado em situação irregular como alega o recorrente. Destarte, não que se falar em nulidade do acórdão recorrido. No que concerne à falta cometida constatouse no Relatório Fiscal da Infração que a empresa apresentou GFIP com informações incorretas ou omissas. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32A, I, e § § 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, respeitado o disposto no ar. 106, II, “c”, da Lei nº 5.172/66. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000149/201063 Acórdão n.º 2803003.066 S2TE03 Fl. 6 5 Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais referidos no parágrafo anterior. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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