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Numero do processo: 10925.903980/2012-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 80 /2 01 2- 78 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 3.663,10, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/04/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903980/201278 Acórdão n.º 3803005.732 S3TE03 Fl. 73 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903980/201278 Acórdão n.º 3803005.732 S3TE03 Fl. 74 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903980/201278 Acórdão n.º 3803005.732 S3TE03 Fl. 75 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.002902/2006-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Depósitos Bancários. Contas CC5
Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996)
Numero da decisão: 1801-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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CONTAS CC5 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 02 /2 00 6- 11 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 7a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPI que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Por muito bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em São Paulo/SPI: Observo, inicialmente, que a numeração das folhas do processo às quais faço referência no Relatório e no Voto é aquela decorrente da digitalização dos presentes autos com vistas à sua inclusão no eprocesso, e não a do processo físico. Tratase de autos de infração à legislação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, lavrados em 12/12/2006, pela Delegacia de Fiscalização de São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 798.048,30, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas, no anocalendário de 2002, e assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 123 e seguintes, parte integrante da peça acusatória: 1) Em decorrência dos trabalhos realizados, a "Promotoria do Distrito de Nova Iorque EUA (District Attorney of the County of New York)" disponibilizou mídias computacionais e documentos financeiros do "Beacon Hill Serviçe Corporation" ao "Departamento de Policia Federal", por solicitação do "Juízo da 2° Vara Criminal Federal de Curitiba PR", após decisão judicial da "Justiça da Suprema Corte nos EUA" (Order To Disclose) de 29/08/03, com base no "Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal MLAT"; 2) Os referidos documentos, apresentados pela "Promotoria do Distrito de Nova Iorque EUA (District Attorney of the County of New York)", trazidos para o Brasil pela referida autoridade policial, e, em 20/04/04, conforme decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba PR", houve a transferência dos dados à Receita Federal; 3) Com base nos referidos documentos, constatouse que o contribuinte em tela efetuou no período de 01/01/2001 a 31/12/2002 diversas transações financeiras, tendo como preposto bancáriofinanceiro a empresa "Beacon Hill Serviçe Corporation", sediada em Nova Iorque EUA, como segue; [demonstrativo por data credit name e valor em US$ das operações] 04) constam das DIPJ 2002 (anocalendário 2001) e DIPJ 2003 (ano calendário 2002), que o contribuinte ofereceu à tributação seguintes valores: 2001/MES RECEITA BRUTA Janeiro 2.016,80 Fevereiro 241,00 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 3 3 Março 1.814,90 Abril Maio 1.880,90 Junho 1.530,60 Julho 1.480,20 Agosto 1.618,40 Setembro 1.344,80 Outubro 1.600,10 Novembro Dezembro 2002/MES RECEITA BRUTA Janeiro 2.016,80 Fevereiro 241,00 Março 1.814,90 Abril Maio 1.880,90 Junho 1.530,60 Julho 1.480,20 Agosto 1.618,40 Setembro 1.344,80 Outubro 1.600,10 Novembro Dezembro Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 05) Nos termos da legislação vigente e, conforme dispõe a IN/SRF/041 de 19 de abril de 1999 em seu artigo 1°, para fins de conversão dos recursos movimentados no exterior em Reais utilizase a cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de cambio ou, se maior, da operação de câmbio em si; 06) Visando apurar a efetiva escrituração dos valores acima citados, lavrou se em 25/10/06 o "Termo de Início de Fiscalização" que, pelo fato do contribuinte não ter sido localizado em seu domicilio fiscal, foi enviado via AR e recebido pelo representante legal do contribuinte em 31/10/06; 07) Consta do referido "Termo de Inicio de Fiscalização" que o contribuinte foi intimado a apresentar e comprovar os seguintes elementos (referentes ao período de 01/01/01 a 31/12/02): 7.a "Livro Diário" e "Razão Auxiliar"; 7.b "Livro Caixa 7.c justificar a origem e/ou comprovar a escrituração e tributação, dos recursos financeiros movimentados no exterior, através de conta mantida no banco "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation"; 08) Conforme declaração (datada de 07/11/06) apresentada em pelo contribuinte, em resposta ao citado "Termo de Início de Fiscalização" e, conforme "Termo de Constatação Fiscal" (lavrado em 09/11/06), o contribuinte alega que não movimentou e desconhece quem tenha movimentado os recursos constantes do "Termo de Início de Fiscalização"; 09) Considerando as provas de movimentação de recursos no exterior transferida para a SRF, conforme descrito nos itens 01, 02 e 03 deste termo e nos termo da legislação vigente, a remessa de recursos ou exterior sem a devida escrituração e/ou a comprovação dos recursos, por presunção legal, caracterizase "Omissão de Receitas" 10) Posto isto, comparandose a movimentação de recursos no exterior (item 03 deste termo), convertidas em moeda nacional (item 05 deste termo), como os valores oferecidos à tributação (item 04 deste termo), apurouse o que se segue: [demonstrativo, por data, valor em dólar, cotação, valor em reais, valor da receita informado na DIPJ e valor da omissão da receitas] 11) Faço constar que os valores escriturados no livro "Modelo 51 – Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados" (apresentado pelo contribuinte) estão divergentes dos valores oferecidos à tributação, sendo considerado para fins de apuração de divergência acima, somente os valores consignados nas DIPJ 2002 e 2003, respectivamente nos anoscalendário 2001 e 2002; 12) Conforme consta do "Termo de Inicio de Fiscalização", o contribuinte foi cientificado que, nos termos do § 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (redação dada pelo art. 70 da Lei n° 9.532/97), o não atendimento à intimação ensejaria, na hipótese de lançamento do ofício, o agravamento da multa prevista nos incisos I e II do caput do mesmo artigo 44; 13) A falta de escrituração de pagamentos efetuados ou a movimentação de recursos financeiros não contabilizados caracterizase, por presunção legal, OMISSÃO DE RECEITAS, sujeitas à tributação, nos termos da legislação vigente e dos artigos 197, 204, 281, inciso II, 528, 845 e 849 do RIR/99 (Decreto n° 3000, de 26/03/99) e do artigo 40 da Lei n° 9430, de 27/12/96. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 4 5 Cientificada dos lançamentos, em 13/12/2006, a contribuinte, por intermédio de seu sócio administrador (cf. Cópia de Alteração de Contrato Social de fls. 200), protocolizou a impugnação de fls. 186 e seguintes, em 08/01/2007, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Nas preliminares, contesta o procedimento fiscal, na medida em que, intimada a apresentar a documentação e a escrituração relativa a operações financeiras, apesar de ter esclarecido desconhecer tais movimentações de recursos, foi autuada, sem que sua petição fosse levada em conta, ou qualquer informação lhe fosse apresentada que lhe permitisse saber sequer do que estaria sendo acusado. Afirma que a acusação seria baseada em prova ilícita, papéis apócrifos, e sem fundamentação, a impossibilitar a defesa, com base nas presunções de a movimentação financeira ser de titularidade da pessoa jurídica, e configurar seu faturamento. Sob o tópico do devido processo legal, diz que a CPI do Banestado teria ordenado a quebra de sigilo bancário da empresa Beacon Hill e diversas empresas que nela mantinham subcontas. Entretanto, “entre essas empresas, não se encontra a Contribuinte, sendo que se a Receita teve acesso a dados que seriam de movimentações financeiras suas (o que se nega, mas é o que alega o zeloso auditor fiscal), dentro da investigação determinada pelo Congresso, estas provas nunca poderiam ser utilizadas contra a Contribuinte, sob pena de abuso de poder e da permissão de quebra de sigilo. Isto porque a permissão de violação do direito constitucional à intimidade foi concedida para o fim exclusivo de investigar a empresa Beacon Hill, das empresas que nela mantinham subcontas, e das pessoas nominadas pela CPI. Ora, a Contribuinte não se enquadra em nenhum destes casos”. Com base nos referidos documentos, o Fisco teria intimado a contribuinte a fornecer a documentação comprobatória da regularidade fiscal das operações, providência reputada como de impossível realização, uma vez que as operações não foram reconhecidas pela pessoa jurídica, a qual nunca teria sido titular de conta corrente no exterior. Como os registros contábeis mantidos pela contribuinte somente diziam respeito às operações por ela realizadas, a empresa não teria como comprovar que não realizou as operações referidas pela fiscalização. Diante do princípio da presunção de inocência e do ônus da prova da fiscalização em provar a ocorrência do fato jurídico tributário, rechaça a exigência de prova negativa – prova da inexistência de um ato ou a sua não autoria. Reputa ilegal a autuação do sujeito passivo por não ter feito a contribuinte o impossível, qual seja, provar que não realizou operações sobre as quais não tem conhecimento, assinalando que o caso não se enquadraria em qualquer das hipóteses legais de inversão do ônus da prova. Requer, por conseguinte, a nulidade do lançamento, uma vez que a motivação essencial de sua lavratura seria ilegítima. No mérito, diz que não haveria nos autos qualquer prova contra a contribuinte. Nos arquivos magnéticos recebidos pela Receita Federal, o nome da pessoa jurídica foi citado diversas vezes, mas (i) em nenhum dos documentos apresentados teria sido identificada conta corrente, no País ou no exterior, de titularidade da empresa, na qual pudesse ter remetido ou recebido as quantias envolvidas; (ii) não há referência a nome de qualquer sócio ou preposto da empresa; e (iii) não há também Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 qualquer documento assinado autorizando movimentações, ou permitindo movimentação por intermédio de contato telefônico. Nas palavras da defesa: Na verdade, não há qualquer documento que comprove a participação da Contribuinte em qualquer dos ilícitos apontados, a não ser uma lista confusa de pretensas operações, que não identificam de que conta sai o dinheiro, ou para qual vai, ou mesmo o nome dos ordenantes e recebedores das quantias. Certamente, se o nome da Contribuinte realmente aparece nos referidos arquivos magnéticos, lá foi colocado, apenas como cortina de fumaça, para ocultar os verdadeiros beneficiários e mandantes das eventuais operações. Notese que o que se apresenta contra a Contribuinte é tão precário que, inclusive impede a articulação de defesa específica. Que bancos teriam movimentado tais quantias? Estas somas teriam saído (caso existissem) de que contas para quais contas? Ora, ninguém faz operações de remessa internacional de valores baseado apenas em nomes, o dinheiro sempre vai de uma conta para outra, passando de um banco para outro, utilizandose de dados muito claros e objetivos! A única documentação apresentada pelo Fisco foi uma lista de nomes de bancos, datas e valores que não faz absolutamente qualquer sentido, não importa por qual ângulo seja analisada. Desqualifica juridicamente a documentação fornecida pela Promotoria da Cidade de New York, à CPI do Banestado, e obtida pela Receita Federal, a partir de mandado judicial, nos seguintes termos: Tratase de listagem eletrônica contendo alguns detalhes sobre algumas operações sobre a qual não se sabe quais os critérios utilizados para a elaboração, quem lá colocou os dados, qual o suporte documental dos mesmos. Não se tratam de extratos bancários, ou de documentos contábeis, são no máximo uma declaração unilateral sem qualquer fé pública, ou condição de que se examine a veracidade de seu conteúdo. Faltam nele dados essenciais como, por exemplo, os nomes das pessoas físicas que teriam autorizado as referidas movimentações, ou o suporte físico das mesmas, falta indicação de fichas de cliente, ou mesmo qualquer dado que comprove que os nomes das empresas citadas não são apenas fachada para encobrir o nome dos verdadeiros beneficiários. Sequer os critérios de elaboração dos referidos documentos são claros. Não existe previsão legal para a autuação baseada neste tipo de documento apenas. Quando muito ele poderia ser indício a permitir uma futura ação fiscal, investigando as contas mencionadas, requisitando fichas bancárias, extratos etc. Notese, que o problema é tão crítico que o próprio auditor fiscal, contrariando o mandamento legal, deixou de detalhar qual o critério utilizado para arbitrar os valores lançados, limitandose a citar, de modo genérico o dispositivo legal o que, por si só é motivo para a nulidade do auto. Para a defesa, a fiscalização teria feito confusão na qualificação das operações. Em suas palavras: O senhor Auditor Fiscal, em que pese sua extraordinária competência, teve por missão lavrar auto com base em quase nenhum material. Certamente premido pelo tempo e pelo excesso de trabalho, não notou quão pobre eram os documentos fornecidos pelo Instituto Nacional de Criminalística. Notese que mesmo que se considerasse que as provas são válidas (e não são), e que efetivamente poderiam provar que a Contribuinte pagou, ordenou o pagamento, ou recebeu as quantias elencadas no laudo (e claramente são Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 5 7 insuficientes para isso), não é possível, apenas pela movimentação financeira arbitrar os lançamentos como fez o Fisco, sem o estabelecimento de um procedimento probatório, onde se apurasse se estes valores imaginados são da Contribuinte, ou de terceiros, se ela agiu em nome próprio, ou como mandatária, se os mesmos valores foram e voltaram, se saíram do país, ou sempre estiveram fora etc. Arbitraramse lançamentos sem que se identificasse sequer as operações! Possivelmente devem existir nos documentos apresentados elementos suficientes para que o Fisco procedesse a uma rigorosa apuração, verificando quem foram os beneficiários das operações referidas (como por exemplo, número de contas bancárias, nomes de pessoas e empresas etc). Apesar disto, optouse pela saída mais cômoda: autuar a todo aquele cujo nome aparecesse, mesmo que sem qualquer prova! Invoca as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, para requerer a realização de perícia e/ou diligência. Em face do princípio da verdade material, defende que tais meios de provas seriam um direito para o contribuinte são, mas mandatórios para o Julgador. Requer diligência a fim de que sejam examinadas as movimentações de todas as contas citadas nos documentos que se apresentam como prova, bem como a titularidade das mesmas, de modo a que se prove a inocência da Defendente. (...) Depois de levantadas estas provas adicionais, apontase o próprio Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal — Paraná, cujo endereço é público, como competente para examinar as provas levantadas e afeito à matéria, uma vez que vem examinado a matéria relativa aos documentos levantados pela CPI do Banestado, em especial o Sr. Perito Federal Eduardo Vitor Poy, o qual poderá responder aos seguintes quesitos: • existe prova inequívoca de que a Defendente tenha movimentado recursos através da empresa Beacon Hill? • existem cartas, fichas de assinatura, ordens escritas assinadas, autorizações para ordens verbais que mostrem que a empresa Defendente tinha qualquer relação com a entidade Beacon Hill; • alguma das contas mencionadas nos documentos que serviram de base à autuação é de titularidade da Recorrente; • em caso positivo, é possível determinar se estes recurso seriam próprios ou de terceiros? • é possível determinar, qual parte das quantias movimentadas nas relações que serviram de base à autuação quais delas integrariam o faturamento da Defendente? • existem valores apontados em duplicidade no Laudo pericial que fundou este procedimento, ou há alguma forma de distinguir os lançamentos em tudo idênticos que lá aparecem? Anota a defesa que estas provas só poderiam ser produzidas pela Receita Federal, órgão com poder de requerer os dados e documentos às diversas instituições financeiras envolvidas. Conclui requerendo a anulação do auto de infração, em síntese: (i) pela ilegalidade e falta de conclusividade das provas em que se fundou; (ii) pela Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 inexistência de fundamentação lógica ou falta de base legal para o lançamento; e (iii) pela inconsistência na determinação da base de cálculo, devido a erros grosseiros na apuração dos valores e enorme quantidade de valores repetidos. Alternativamente, requer que sejam realizadas as diligências e perícias para provar a regularidade fiscal da empresa. Em 02/10/2008, esta 7ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I julgou procedente lançamento, com base no Acórdão nº1618.843, com ementa de seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 REMESSA DE NUMERÁRIO AO EXTERIOR. A pessoa jurídica identificada como ordenante de remessas de numerário ao exterior, não justificando o motivo dessas remessas, presumese omissão de receitas, pela falta de escrituração de pagamentos efetuados. Lançamento Procedente Em 11/11/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. Em 28/06/2011, a Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF declarou a nulidade da decisão da DRJ São Paulo I, no Acórdão nº 180100.610, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Cumpre também transcrever o voto da Ilma. Conselheira Relatora Ana de Barros Fernandes: Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso, por tempestivo. Da análise dos fatos, questão preliminar surge que impede a apreciação de outras preliminares e mérito das autuações em causa, por este órgão de julgamento de segunda instância. Verificase que a decisão proferida em primeiro grau não apreciou a contento as argüições de defesa da recorrente, embora tenha as relatado com certa eficiência. Dispõe o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 6 9 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Defendo a tese de que a autoridade julgadora não está vinculada a argumentar sobre todo o feixe de contestações que o contribuinte desenvolva, mas, por outro lado, também não pode passar ao largo das razões de defesa, como no presente caso. Neste sentido é a redação do dispositivo supra transcrito ao impor que sejam relatadas as razões de defesa da impugnante, visando a vinculação às razões de decidir a serem proferidas. A decisão de primeira instância observou o preceito acima reproduzido, no que concerne ao relato (resumido) das razões de defesa da impugnante, mas para fundamentar o voto meramente transcreveu quatro artigos: dois referentes ao indeferimento da diligência/perícia solicitada pela impugnante – arts 18 e 28 do PAF; um referente à autuação imposta contra o contribuinte – art. 281, II, RIR/99 e o artigo 288 sobre omissão de receitas em geral, sem tecer as considerações que fariam o nexo com as razões de defesa relatadas. Não verifico no voto nenhuma das argüições relatadas ser contraditada, ainda que de forma sumária. O voto, pois, limitouse a justificar os lançamentos tributários, por restarem devidamente formalizados. Destarte, considero cerceamento de defesa a fundamentação precária do voto, sem fazer o devido nexo com as razões de defesa suscitadas (e rejeitadas), pelo que mister é devolver os autos àquela turma julgadora para enfrentálas, sob pena de suprirse instância de julgamento e desprestígio ao duplo grau de jurisdição, nos termos do artigo 59, inciso II, do PAF: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Voto em dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para apreciação das razões de defesa veiculadas na impugnação. Novo Acórdão foi proferido pela 7a. Turma da DRJ em São Paulo/SPI, anexado às fls. 300/317 do processo digital. Em preliminares aquela Turma Julgadora indeferiu o pedido de diligência/perícia ao argumento de que a situação não estaria a exigir conhecimentos técnicos ou científicos especializados e por se mostrar suficiente a documentação acostada aos autos para o deslinde da questão. A alegação de cerceamento do direito de defesa foi afastada sob a justificativa de que no processo administrativo fiscal o contencioso é instaurado com a impugnação tempestiva e que o procedimento de auditoria fiscal é meramente inquisitório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 No mérito aquela autoridade rechaçou a afirmativa da defesa no sentido de que autuação estaria fundamentada em “papéis apócrifos, e sem fundamentação” observando que o Complemento n° 1 da Representação Fiscal n° 455/04, de fls. 75/116, elaborada pela Coordenação Geral de Fiscalização – Cofis, teria decorrido de um procedimento mais amplo de investigações vinculadas às contas mantidas na agência Banestado em Nova Iorque em nome de Beacon Hill Service Corporation,, citando trechos da descrição contida no Processo nº 2003.70000303334 (Inquérito 207/98) do Exmo. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba, cópias às fls. 37 e ss. Nesse contexto teria sido decretada a quebra do sigilo bancário sobre as contas e subcontas titularizadas pela Beacon Hill, sem prejuízo do rastreamento do destino final do numerário, caso fossem descobertas novas contas destinatárias, uma vez que descobriuse que a Beacon Hill, em conjunto com outras empresas e doleiros brasileiros e off shore em paraísos fiscais, teriam sido beneficiadas com a remessa de recursos mantidos em extinta agência do Banestado, que por sua vez teriam sido abastecidas por contas mantidas por pessoas jurídicas fictícias ou “laranjas”. Salientou que não houve quebra de sigilo bancário da Switzerland Turismo e Câmbio Ltda, mas que, na verdade, a quebra de sigilo bancário da Beacon Hill Service Corporation – BHSC e de outras empresas que atuavam da mesma forma é que teria propiciado a identificação da autuada como ordenante ou remetente de recursos ao exterior que circularam naquelas contas, totalizando entre os anos de 2000 e 2002 a importância de US$ 3.390.980,50, sobre a qual a autuada não logrou comprovar a origem. Concluiu, assim, que o confronto entre os montantes movimentados ao exterior e os valores declarados pela empresa na sistemática do Simples fariam prova da omissão de receitas. Notificada da decisão, em 15/02/2012, como demonstra a cópia do AR à fl. 323 do processo digital, a interessada apresentou novo recurso voluntário, em 29/02/2012 (fls. 324/339 p. d.), no qual reproduz as razões de defesa deduzidas nas peças de defesa anteriormente apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 7 11 1.1 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A recorrente afirma que houve cerceamento no seu direito de defesa pela negativa da Turma Julgadora de 1a. Instância em deferir o seu pedido para realização de perícia técnica. Ao mesmo tempo, alega não ter como provar que não realizou as operações financeiras a ela imputadas, o que parece contraditório. Se a recorrente não possui quaisquer documentos, livros, notas, arquivos, escrituração ou outro meio físico em que possam estar retratadas as suas afirmações, não há o que ser periciado. Por outro lado, se a recorrente deseja que a perícia recaia sobre as provas produzidas pela auditoria fiscal e que já se encontram anexadas aos autos, não se vislumbra necessidade de análise técnica específica sobre tais elementos, eis que cabe a esta autoridade julgadora a avaliação das provas constantes dos autos. Ademais, não se configura cerceamento de defesa o indeferimento de pedido de perícia técnica formulado pela defesa, uma vez que tal negativa se insere no campo da competência e da livre convicção da autoridade que julga o caso. Da mesma forma deve ser afastada a alegação de que não foi respeitado o devido processo legal. Como já assinalou a Turma Julgadora de 1a. Instância é a impugnação tempestiva que instaura a fase litigiosa no contencioso administrativo fiscal. Antes disso, a fase de auditoria propriamente dita, se desenvolve no contexto de um procedimento meramente inquisitório não havendo possibilidade, durante essa fase, de desrespeito ao devido processo legal, pois sequer processo há. Resta assinalar que no presente feito foram observados os requisitos legais pertinentes à constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como foram atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato de lançamento praticado no presente processo se revestiue de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa, plenamente exercido no curso do presente contencioso administrativo fiscal. Não se verifica, igualmente, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância, ou que a decisão daquela autoridade tenha sido proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação das exigências pela DRJ em São Paulo/SPI também faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, assim, não pode ser motivo para anulação de decisão. Mérito. A recorrente afirma não haver nos autos a prova efetiva de sua participação nas citadas operações de transferências de recursos para o exterior. Nesse aspecto devese consignar o equívoco da defesa. A auditoria fiscal apresentou densa documentação dando conta de que a empresa ordenou remessas de recursos ao exterior que totalizaram, entre os anos de 2001 e 2002, a quantia de US$ 3.390.980,50. Atendose somente àqueles que citam expressamente o nome da recorrente e os valores envolvidos, foram mais de 40 (quarenta) folhas anexadas aos autos. Somandose aqueles documentos produzidos pelas demais esferas governamentais do Brasil e dos Estados Unidos da América (fls. 29 a 74 do p.d.), a documentação passa de 80 (oitenta) folhas anexadas aos autos. Observese que a defesa tenta invalidar os elementos apresentados pela auditoria fiscal com a mera alegação de serem apócrifos documentos produzidas pelo Instituto Nacional de Criminalística, Coordenação Geral de Fiscalização da Receita Federal do Brasil, Departamento da Polícia Federal do Ministério da Justiça no Paraná, 2a. Vara Criminal da Justiça Federal no Paraná, Juízo da Suprema Corte de Nova Iorque Estados Unidos da América. Em que pese afirmar, em extenso arrazoado, que toda essa documentação é apócrifa, a recorrente em nenhum momento aponta qual elemento encontrado na documentação a tornaria inválida. Por outro lado constatase da documentação acostada ao processo que o procedimento fiscal tratado nos autos se insere num contexto mais amplo de investigações desenvolvidas em conjunto pela Promotoria Pública do Estado de Nova Iorque – EUA, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 8 13 Ministério da Justiça do Brasil, por meio do Departamento da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística, e Ministério da Fazenda, por meio da Receita Federal do Brasil. Como já observou a Turma Julgadora de 1a. Instância, descrição contida no Processo nº 2003.70000303334 (Inquérito 207/98) do Exmo. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba, (fls. 37 e ss) descreve as investigações vinculadas às contas mantidas na agência Banestado em Nova Iorque em nome de Beacon Hill Service Corporation. Não é por demais transcrever, uma vez mais, os seguintes trechos: Foi constatada pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal a remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu. Há suspeita fundada de ilicitude de boa parte dessas remessas, visto que, em muitas, para se burlar a fiscalização do Banco Central, o titular do numerário não depositava diretamente na conta CC5, assim agindo apenas através de interposta pessoa, um ‘laranja’ que abria conta fraudulenta em uma instituição financeira, normalmente também em Foz do Iguaçu. Ainda no decorrer das investigações, foi constatado, podendo ser citado como prova o exame levado a cabo no laudo pericial de fls. 747/776, que boa parte do numerário teve como destino contas mantidas na agência do Banestado em Nova Iorque. Para descobrirse o destino final de tal numerário e possivelmente seus verdadeiros titulares foi decretada a quebra do sigilo bancário das movimentações bancárias daquela agência, cf decisões de fls. 805/808 e ainda 982/987. A quebra de toda a movimentação bancária mostrouse necessária até para a separação dos ativos lícitos dos ilícitos, visto que o mero fato da manutenção da conta no exterior não é, por si só, crime. Salientese que, apesar da quebra global, os exames periciais consubstanciados no laudo 675/02 detiveramse apenas sobre as contas sobre as quais recaiam maiores suspeitas por serem titularizadas por pessoas com documentos de constituição registrados fora dos EUA, especialmente offshore. .................................................................................................................. É evidente a necessidade de rastreamento do numerário remetido através das contas suspeitas da agência de Nova Iorque no Banestado. Só assim serão descobertos seus verdadeiros titulares e provavelmente quem remeteu o numerário através de meios fraudulentos no Brasil. .................................................................................................................. O laudo 1392/03 (fls. 26672736) revela que foram remetidos US$ 24.059.631.860,24 ao exterior via contas CC5 mantidas nas instituições acima mencionadas no período de 22/04/96 a 31/01/2000 (fls. 2673). O que revela toda a investigação relativa às contas CC5 em trâmite por este Juízo é que parte dos recursos foi enviada ao exterior de forma fraudulenta, sendo destacado um elevado percentual de depósitos efetuados nessas contas através de contas laranjas .................................................................................................................. O Departamento da Polícia Federal do Ministério da Justiça informou às autoridades norte americanas em ofício, que a empresa Beacon Hill Service Corp (BHSC), em Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 conjunto com outras pertencentes a conhecidos doleiros brasileiros e algumas offshore com sede em paraísos fiscais teriam sido beneficiadas por recursos oriundos de contas mantidas na (extinta) agência do Banco do Estado do Paraná S.A. – Banestado/NY, que por sua vez teriam sido abastecidas por valores originados de contas mantidas por pessoas jurídicas fictícias ou ‘laranjas’, com rendas incompatíveis com a movimentação financeira, que em alguns casos atingiu valores superiores a US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos). Assim, em decisão proferida em 14/08/2003, foi decretada a quebra de sigilo e deferido o acesso à Receita Federal à diversas contas mantidas no exterior que teriam recebido recursos de contas da agência do Banestado em Nova Iorque, dentre elas as contas e subcontas mantidas pela Beacon Hill Service Corporation mantidas nos bancos JP Morgan Chase. Através do Ofício 797/04PF/FT/SR/DPF/PR, a prórpria autoridade policial que recebeu das autoridades norte americanas documentos e arquivos eletrônicos relativos à movimentação da Beacon Hill solicitou o seu compartilhamento com a Receita Federal, Banco Central e COAF Depois de analisada toda essa documentação remetida pela Justiça norte americana o Ministério da Justiça Brasileiro, por meio do Instituto Nacional de Criminalística produziu o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n º 1248/04 – INC , que registra os parágrafos adiante reproduzidos (fls. 69, 70 p. d.): 8. Cumpre observar que os exames ora desenvolvidos restringiramse às mídias de movimentação financeira, em meio computacional. 9. Inicialmente, cabe esclarecer que as transferências de ordens de pagamentos (Fund Transfer/Wire Transfer) no sistema financeiro dos Estados Unidos da América envolvem dois sistemas: FedWire e Clearing House Interbank Payments Systein (C.H.I.P.S). 10. O Fedwire é operado pelo United States Federal Reserve System e atende às ordens eletrônicas primárias. Nesse sistema, as instituições financeiras têm suas reservas no Federal Reserve Bank (FED) sensibilizadas em tempo real, por ocasião do processamento da ordem de pagamento. 11. O CHIPS é meio de compensação eletrônica de ordens de pagamento internacionais em dólares americanos, utilizado por bancos que tenham agência nos Estados Unidos da América. Grande parte das transações realizadas por meio do CHIPS é originada do Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (S.W.I. F.T). 12. Quanto ao SWIFT, tratase de sistema de transmissão de mensagens eletrônicas codificadas, relacionado à transferência internacional de fundos, sem, no entanto, liquidálas ou compensálas. 13. Com relação aos dados disponibilizados pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, foram analisadas as ordens de pagamento recebidas e ordenadas das contas correntes da empresa Beacon Hill e administradas por ela, operacionalizadas pelo sistema no Chase Payments System (C.P.S.), que operava as ordens ou mensagens do Fedwire, CHIPS e SWIFT. 14. Segundo informações do próprio Chase, os dados contidos nos arquivos objeto de exame representam transações que foram efetivamente realizadas em suas respectivas contas, quer seja a crédito ou a débito. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 9 15 13. Para operacionalização das transferências de recursos de seus clientes a Beacon Hill recebia as instruções de duas formas principais; por telefone e por fax. As instruções eram transmitidas pelo cliente (ordenante), depois registradas no sistema online do Chase por funcionário da Beacon Hill, resultando na efetiva transferência dos recursos. ... 18. Cabe esclarecer que foram identifiCadas duas situações distintas quanto a administração de recursos pela Beacon Hill: . 1) Subcontas: 19. As denominadas subcontas são aquelas que tinham a movimentação dos recursos realizada por meio da contamãe 4192033 Beacon Operanting Account no Banco JP Morgan Chase, em que a Beacon Hill atuava como ,"agente" controlando, administrando e se responsabilizando junto àquele banco pelas transações nelas ocorridas. 20. Em razão da ausência de uniformização no conteúdo dos campos analisados, foram adotados, para extração das transações de cada subconta, critérios de consulta que abrangessem o nome e o número da subconta, nos campos ORDER CUSTOMER, ACC PARTY, ULT BENE e DETAIL PAYMENT. A titulo de exemplo de termos pesquisados teríamos: "BASILEIA" e "3*10501". 21. Após a seleção dos dados inerentes à cada subconta pesquisada, procedeuse à verificação geral de tais dados a fim de identificar possíveis inconsistências, procurando eliminar transações pertencentes a terceiros que contivessem termos comuns à pesquisa. ... 23. Após exame e processamento dos dados apurados nos arquivos disponíveis, foi possível segregar a movimentação de cada conta ou subconta em questão; e consolidálas na tabela abaixo: Seguese tabela contendo as subcontas identificadas, entre elas a subconta TAFECA n º 310085, com movimentação apurada de 10/1997 a 12/2002. Da análise das operações financeiras da subconta TAFECA n º 310085 foram identificadas as remessa de recursos ordenadas pela empresa recorrente Switzerland Turismo e Câmbio, CNPJ 67.624.486/000100. Em relação a toda essa farta e robusta prova, a recorrente se limita a alegar desconhecer qualquer uma dessas operações. Apesar da negativa da Impugnante, o fato é que a sua razão social, e em alguns casos, o seu endereço, estão expressamente consignados na identificação dos ordenantes das remessas, por intermédio das contas da Beacon Hill Service, nos Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística – INC. O Fisco fez a prova documental que lhe competia fazer. Provou documentalmente que a empresa recorrente aparece como ordenante de remessas de recursos ao exterior. Caberia à recorrente a prova documental em sentido contrário. A prova no sentido de que não teria sido ela, a empresa recorrente, a ordenante de tais remessas. Mas essa prova não foi apresentada pela defesa. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 De fato, como se verifica da situação descrita no presente processo, as operações de remessa e recebimento de recursos do/e para o exterior ocorreram no âmbito da ilegalidade. As pessoas jurídicas e físicas envolvidas nessas operações não tinham qualquer intenção de noticiálas aos competentes órgãos reguladores ou de fiscalização nacionais. Não se desejou que o numerário envolvido nas remessas fosse revelado. Tudo foi acobertado. Por essa razão essas operações e os valores nelas envolvidos não foram objeto de qualquer registro, seja contábil, fiscal, financeiro ou similar. E eis aí a razão de não haver qualquer elemento físico que demonstre que a recorrente, ordenante das remessas dos recursos ao exterior, de fato não ordenou as referidas remessas. Cumpre ressaltar que em momento algum a auditoria fiscal classificou a empresa recorrente como “doleiro”. Quem mencionou esse termo foi a própria defesa ao afirmar que nesse caso, “do volume total de operações teria apenas ficado com um percentual a título de corretagem, pelo que poderia ser autuada.” Mas nem isso a recorrente provou. Quanto ao argumento no sentido de que não se admite a prova emprestada no direito pátrio, cumpre assinalar que a restrição aplicase unicamente ao caso em que são trasladadas apenas conclusões. O caso em questão não trata de empréstimo das conclusões, na medida em que todas as imputações fiscais, decorrentes da comprovação da participação da recorrente nas operações sob suspeita, estão respaldadas nos laudos periciais elaborados pelo INC, nos autos do inquérito policial instaurado justamente para a identificação dos remetentes dos recursos que transitaram pelas contas sob investigação. A falta de escrituração de pagamentos, nos termos do artigo 40 da Lei n º 9.430, de 1996, é presunção legal de omissão de receitas, que foi apurada através do confronto entre os valores envolvidos nas operações de remessas de recursos ao exterior e aqueles declarados na sistemática do Simples. Nessas condições, deve ser mantida a autuação. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 364DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 10 17 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726617/2011-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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score : 1.0
Numero do processo: 10675.000905/2007-85
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO OMISSÃO DE RECEITAS.
A receita apurada nos registros que controlam as contas bancárias do sujeito passivo, por meio de procedimentos de auditoria que levam em consideração todos os aspectos da movimentação dessas contas, devidamente deduzida da receita declarada, admitida prova em contrário, caracteriza omissão de receitas.
Numero da decisão: 1803-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. ADMISSIBILIDADE. “Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos.” (STJ Recurso Repetitivo) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO OMISSÃO DE RECEITAS. A receita apurada nos registros que controlam as contas bancárias do sujeito passivo, por meio de procedimentos de auditoria que levam em consideração todos os aspectos da movimentação dessas contas, devidamente deduzida da receita declarada, admitida prova em contrário, caracteriza omissão de receitas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 09 05 /2 00 7- 85 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 541 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 542 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 429 e 430): Contra o interessado foi lavrado auto de infração de SIMPLES no valor total de R$ 145.050,29 (fls. 04, 12, 20, 28 e 30), em função de omissão de receitas, apurada por meio de depósitos bancários não escriturados; A empresa apresenta impugnação (fls. 301 e seguintes), na qual alega que: a) “o lançamento é totalmente nulo, já que a fiscalização utilizouse de procedimento ilegal e inconstitucional para apurar o suposto crédito tributário, quebrando o sigilo bancário do impugnante sem qualquer autorização judicial”; b) “os depósitos bancários, por si só, não autorizam o lançamento efetuado, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizarem disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por consequência, caracterizar sinais exteriores de riqueza. Assim, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida”; c) “a grande maioria dos depósitos realizados na conta da impugnante, conforme se vê na relação de cheques que deram origem ao presente lançamento, em anexo, foram originados de desconto de cheques, cobrança, operação de títulos descontados que nada mais são do que empréstimos. Dessa forma, não podem ser considerados como receitas”; d) [...]; e) “outros depósitos considerados pela fiscalização foram originados de transferência de outras contas da própria empresa, o que pode ser verificado nos extratos anexados ao processo pela fiscalização”; O processo foi baixado em diligência por meio do Despacho nº 39/2009; A autoridade fiscal efetuou a diligência solicitada, sendo que a empresa apresentou razões adicionais, nas quais apenas reafirma itens já apresentados na impugnação. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada(fls. 428): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIGILO BANCÁRIO. TRANSFERÊNCIA. Nos termos da Lei Complementar nº 105/2001, atendidos os requisitos legais, quando da obtenção da relação de movimentação financeira do contribuinte, não existe violação do sigilo bancário, e sim a sua transferência da instituição financeira para a autoridade fiscal, que fica obrigada a conservar em sigilo o resultado dos Fl. 542DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 543 4 exames, as informações e os documentos recebidos, observada a legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. A legislação de regência estabelece que “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 16/11/2009 (fls. 438), a tempo, em 15/12/2009, por via postal (fls. 460), apresenta a interessada Recurso de fls. 441 a 459, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que as informações de que vários depósitos são referentes a empréstimos constam do próprio relatório da fiscalização, o que pode ser confirmado pelos extratos bancários anexados, não precisando de nenhuma outra prova, como entende o julgador de 1ª instância; b) que consta no histórico dessas entradas que são referentes a desconto de cheques, cobrança, operação de títulos descontados, e não depósitos, estando claro que são empréstimos; c) que, dessa forma, tais depósitos não podem ser considerados como receitas, devendo tais valores ser retirados do levantamento do fisco; e d) que, se o extrato é tido como prova de todo o lançamento, deve ser aceita a origem da operação que ele mesmo descreve como de empréstimo. 4. Consta, de fls. 468, despacho pelo qual foi efetuado o sobrestamento do presente julgamento, nos termos do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). 5. Tendo, porém, a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogado os §§ 1º e 2º do referido art. 62A do RICARF, retorna o processo para prosseguimento do julgamento, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 544 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do lançamento fiscal 7. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 8. Relativamente à questão da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu Fl. 544DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 545 6 que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de Fl. 545DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 546 7 investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores. (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. (REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Fl. 546DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 547 8 9. Por outro lado, tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 10. Não procede, portanto, a preliminar arguida de nulidade do lançamento fiscal. Depósitos bancários não escriturados 11. A existência de depósitos bancários não escriturados, bem que não seja prova de auferição de rendimento ou receita, é um indício da provável existência de lucro omitido à tributação. 12. Tal indício convertese em comprovação de renda, se o contribuinte, devidamente intimado, não explica a origem da disponibilidade econômica que incontestavelmente possuiu. 13. Assim, a prova indiciária de omissão de receitas que repousa sobre a existência de depósitos bancários não contabilizados tornase completa ao tempo que, devidamente intimada a empresa a esclarecer e comprovar a origem dos recursos que possibilitaram aqueles depósitos, esta não logra fazêlo. 14. O pressuposto dessa prova indiciária, como já se disse, é a falta de comprovação, perante o Fisco, da efetiva origem dos recursos ingressados em conta bancária, e não a mera existência dessa conta, não contabilizada. 15. Os lançamentos fiscais assim efetuados não são propriamente sobre os depósitos bancários, em tal qualidade; mas, sim, sobre os rendimentos omitidos à declaração, quando neles inequivocamente espelhados. 16. Os depósitos apurados constituem, pois, somente elementos dos quais se infere a omissão de rendimentos, pelo contribuinte, em sua declaração, ao tempo que este não fornece explicações quanto à sua origem. 17. Dessa forma, a receita apurada nos registros que controlam as contas bancárias do sujeito passivo, por meio de procedimentos de auditoria que levam em consideração todos os aspectos da movimentação dessas contas, devidamente deduzida da receita declarada, admitida prova em contrário, caracteriza omissão de receitas. 18. Afirma a Recorrente que vários depósitos, considerados pela fiscalização, são referentes a desconto de cheques, cobrança e operação de títulos descontados, que nada mais seriam do que empréstimos. 19. Sucede que esses “empréstimos”, na realidade, nada mais são do que adiantamentos bancários provenientes de receitas auferidas pela Recorrente por meio de operações a prazo (cheques prédatados, títulos a receber, duplicatas a receber), decorrentes de suas operações comerciais. 20. Não se caracterizam, portanto, como efetivos empréstimos bancários. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.000905/200785 Acórdão n.º 1803002.087 S1TE03 Fl. 548 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 548DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10467.005200/95-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos.
Numero da decisão: 3403-002.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3403002.525, de 22/10/2013, em face de “omissão”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 00 52 00 /9 5- 41 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 A PGFN alega nos embargos (fls. 427 a 431, com protocolo de 04/02/2014) que não foi cientificada do acórdão anteriormente proferido por este CARF (nº 320100.126), que declarou a nulidade do julgamento de primeira instância. Aponta a Fazenda que o feito teve prosseguimento, apesar da nulidade processual, e que o segundo acórdão proferido pelo CARF (acórdão embargado) omitiuse ao não se manifestar sobre a nulidade. Pede, assim, a nulidade de todos os atos proferidos após o acórdão nº 320100.126, com abertura de prazo para interposição de embargos/recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Há que se analisar, preliminarmente, a tempestividade dos embargos interpostos pela Fazenda. À fl. 432, há cópia de tela de relação de movimentação (RM) do processo, da PGFN para o CARF, em 31/01/2014. Novamente não há registro no processo da data de ciência da PGFN, o que nos levou a efetuar busca no sistema COMPROT (público, em comprot.fazenda.gov.br), verificando que as últimas movimentações do processo foram as seguintes: (a) em 31/01/2014, da PGFN para o CARF; e (b) em 08/01/2014, do CARF para a PGFN. A ciência em processos digitais/digitalizados, por parte da PGFN, pode ser expressa ou presumida. A ciência presumida ocorre na forma do art. 7o da Portaria MF no 527/2010 (30 dias da data de envio à PGFN). Tendo sido enviado o processo à PGFN em 08/01/2004, tempestivos os embargos apresentados. No mérito, a omissão apontada se refere a matéria sequer suscitada até o presente momento, no processo: a ausência de ciência, pela PGFN, ao acórdão anterior do CARF, que anulou a decisão de primeira instância inicialmente exarada no processo. Como relatado no acórdão embargado, o acórdão anteriormente exarado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF (em 21/05/2009 fls. 370 a 380) anula o processo a partir da decisão da DRJ, por ter havido supressão de instância, retornando os autos para julgamento por aquele tribunal de piso. E, na sequência do processo (fl. 381), há um termo de juntada, datado de 15/07/2009, determinando o envio à “DRF de origem”. Efetivamente, não consta no processo ciência expressa da PGFN. E, verificandose o mesmo Sistema COMPROT, nas datas próximas ao Acórdão nº 320100.126, não há qualquer registro de envio do processo à PGFN. Sendo incontroversa a tempestividade dos embargos apresentados e a matéria fática (ausência de ciência do acórdão anteriormente exarado pelo CARF, por parte da PGFN), passase à analise do direito. Como relata a embargante, pelo regimento interno deste tribunal administrativo vigente à época, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25/06/2007 (art. 61, § 3o do regimento dos Conselhos de Contribuintes e art. 48, § 3o do regimento da CSRF), os Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.841 S3C4T3 Fl. 438 3 Procuradores da Fazenda deveriam ser intimados dos acórdãos “contrários aos interesses da Fazenda Nacional”, “sob pena de nulidade”. Ainda, nas palavras da embargante: “É indubitável que acórdão que proclama a nulidade de decisão que julgou procedente o lançamento pode ser entendido como ‘acórdão contrário aos interesses da Fazenda Nacional’” (...) Caso se entenda pela efetiva existência do referido vício, é imperiosa a necessidade de se chamar o feito à ordem, determinandose a anulação dos atos processuais, sobretudo os decisórios, praticados após o julgamento proferido pela 2a Câmara da 1a Turma Ordinária do CARF (sic), facultandose à Fazenda Nacional a interposição de recurso especial ou embargos de declaração em face do acórdão nº 320100.126.” (grifo nosso) Cabe, contudo, registrar nossa divergência em relação a ambas as afirmações, iniciando pela segunda, que encontra expressa oposição no mesmo regimento interno da CSRF, citado nos embargos (art. 7o, § 3o): “Art. 7 o (...) (...) § 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância.” (grifo nosso) E vejase que o Acórdão nº 320100.126 anula a decisão de primeira instância ao analisar a preliminar de concomitância, conforme excertos do voto condutor, unanimemente acolhido pela Turma: “Cingese a presente controvérsia quanto (sic) ao não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte, ora recorrente, às fls. (...), sob o argumento de que houve concomitância entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança no 98.00055703. (...) ‘Ex positis’, não houve concomitância entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança no 98.00055703, em trâmite perante a Justiça Federal da Paraíba, uma vez que neste está sendo discutida a homologação das compensações efetuadas, enquanto no processo judicial o recorrente requer, com base no andamento processual (fls. 342), a correção monetária. (...) Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Portanto, uma vez afastada, pelas razões acima, a concomitância alegada, e demonstrada qual é a controvérsia nos autos, entendo que os autos deverão ser remetidos para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, a fim de que esta se manifeste sobre (...) (...) Advêm que, no presente caso, como exposto, não houve julgamento em primeira instância administrativa, sendo direito do contribuinte a efetividade do duplo grau de jurisdição quanto ao exame da matéria de mérito que resultou em exigência de crédito tributário” (grifo nosso) Assim, não haveria que se falar em recurso especial do Acórdão nº 3201 00.126. Também não aponta a PGFN omissão, contradição ou obscuridade naquele acórdão, limitandose a afirmar que “contraria os interesses da Fazenda Nacional”. E aí reside nossa segunda discordância. Não entendemos que o acórdão que anula uma decisão de primeira instância, por falta de análise de mérito pela DRJ (que havia identificado preliminar de concomitância), seja indubitavelmente contrário aos interesses da Fazenda Nacional. Por óbvio, é interesse da Fazenda Nacional que sejam discutidos todos os tópicos contenciosos, inclusive para que ela própria possa eventualmente argumentar em sentido diverso. Não se crê que seja de interesse da Fazenda Nacional evitar o julgamento de mérito, sob o manto de uma preliminar rechaçada pela decisão de segunda instância. Assim, o Acórdão nº 320100.126 não decidiu contrariamente aos interesses da Fazenda Nacional (aliás, sequer se manifestou sobre o mérito), mas tão somente anulou decisão de piso, por afastamento de preliminar de concomitância, demandando nova decisão pela DRJ, assim como nova análise pelo CARF, que acabou sendo empreendida no nº 3403 002.525, ora embargado. Daí, inclusive, a impossibilidade de recurso especial, regimentalmente fixada. Os embargos, contudo, são dirigidos contra o Acórdão nº 3403002.525, que, agora sim, efetivamente decide no mérito, de forma contrária à sustentada pela fiscalização (o que poderia se traduzir indubitavelmente em contrariedade aos interesses da Fazenda Nacional). São pressupostos regimentais dos embargos: (a) existência de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos; e (b) omissão de ponto sobre o qual deveria se manifestar a Câmara. No presente caso, não é identificada pela Fazenda nenhuma obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos. A omissão identificada antecede a decisão (Acórdão nº 3403002.525) e sequer consta de seus fundamentos. E sucede a decisão anterior (Acórdão nº 320100.126), que, assim, também não seria atacável via embargos nesse sentido. Resta assim verificar se houve omissão de ponto sobre o qual deveria se manifestar a Câmara. E esse ponto seria a alegada nulidade decorrente da ausência de ciência da decisão anterior à PGFN. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10467.005200/9541 Acórdão n.º 3403002.841 S3C4T3 Fl. 439 5 Como destacado pela embargante, contudo, a nulidade ocorreria se fosse o acórdão anterior (Acórdão nº 320100.126) contrário aos interesses da Fazenda Nacional. No entanto, aquele acórdão, como aqui se esclareceu, não garantiu qualquer crédito à recorrente, ou retirou qualquer centavo dos cofres da Fazenda, mas tão somente demandou a edição de novo julgamento de primeira instância, porque o julgador de piso partiu do pressuposto equivocado de concomitância entre o processo administrativo e a discussão travada em juízo. Estaríamos de acordo com a invocação de nulidade se estivéssemos aqui a tratar de ausência de ciência ao acórdão embargado (nº 3403002.525), por que este sim emitiu decisão que foi desfavorável à Fazenda. Assim, não houve omissão sobre ponto a respeito do qual deveria ter se manifestado o colegiado, pois a ausência de intimação referida pela embargante não é ensejadora de nulidade. Como visto, não houve qualquer prejuízo à Fazenda com aquela decisão. Pelo contrário, a nulidade do acórdão de piso serviu para que a Fazenda, em eventual recurso, agora possa sustentar seu argumento em relação à totalidade da matéria contenciosa, e não somente em relação à preliminar. Pelo exposto, voto pela rejeição dos embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 460DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10950.004524/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS. ISENÇÃO.
Para garantir a isenção do imposto de renda em verbas originárias de reclamatória trabalhista é preciso que esteja evidenciado nos autos que a verba principal foi recebida em virtude de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e/ou que os juros recebidos incidiram sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da tributação o valor de R$205.170,41 (duzentos e cinco mil, cento e setenta reais e quarenta e um centavos), tributado como omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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JUROS. ISENÇÃO. Para garantir a isenção do imposto de renda em verbas originárias de reclamatória trabalhista é preciso que esteja evidenciado nos autos que a verba principal foi recebida em virtude de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e/ou que os juros recebidos incidiram sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da tributação o valor de R$205.170,41 (duzentos e cinco mil, cento e setenta reais e quarenta e um centavos), tributado como omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 45 24 /2 00 8- 50 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Por bem resumir a matéria discutida nos presentes autos, abaixo se transcreve o inteiro teor do relatório descrito no Acórdão nº 0631.130, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA: Tratase da Notificação de Lançamento n° 2005/609451059245127, lavrada contra o contribuinte acima identificado, para exigência do crédito tributário a seguir discriminado: IRPF (sujeito à multa de ofício) R$ 21.366,33 Multa de Ofício R$ 16.024,74 Juros de Mora (calculados até 30/06/2008) R$ 9.134,10 Total do Crédito Tributário Apurado R$ 46.525,17 A exigência é decorrente da revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do contribuinte, relativa ao Exercício de 2005, AnoCalendário de 2004, na qual foram constatadas as seguintes irregularidades: • Omissão de R$ 206.926,32 de rendimentos tributáveis recebidos em ação trabalhista movida contra o Banco do Brasil S/A. • Omissão de R$ 21.608,52 de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (PREVI). O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 01 a 11), com as alegações a seguir sintetizadas: Alega que o valor de R$ 30.213,61, discriminado nos cálculos da reclamação trabalhista como "reflexos de horas extras sobre férias", não é passível de incidência do imposto de renda, pois têm natureza indenizatória. Nesse sentido, menciona acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Contesta a incidência de imposto sobre a parcela de R$ 251.829,89 recebida a título de juros moratórios, argumentando que se trata de mera atualização monetária do crédito trabalhista, de cunho nitidamente indenizatório, que visam apenas à recomposição do prejuízo sofrido pelo trabalhador que não recebeu seus proventos na época própria. Cita diversos julgados do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Afirma que uma parcela de R$ 193.410,63 do crédito trabalhista não chegou a integrar seu patrimônio, pois foi transferida à sua excônjuge Sra. Marli Cabulan Fantin em virtude de ordem judicial proferida nos autos de Medida Cautelar de Arrolamento de Bens. Destaca que o fato gerador do imposto de renda é a disponibilidade econômica ou jurídica decorrente do acréscimo patrimonial, conforme disposto no art. 43 do Código Tributário Nacional, e conclui que neste caso quem efetivamente experimentou acréscimo patrimonial foi a sua excônjuge, que é quem deveria suportar a incidência do imposto. A DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, fls. 123 a 125, por entender que: a) relativamente à Incidência de imposto de renda sobre férias, a regra estabelecida no art. 43, inciso II do RIR/1999 tem sido mitigada pela Secretaria da Receita Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004524/200850 Acórdão n.º 2802002.820 S2TE02 Fl. 174 3 Federal do Brasil e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em algumas situações, em face da existência de jurisprudência consolidada dos tribunais superiores. “Essas situações especiais estão previstas nos seguintes atos declaratórios exarados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: Ato Declaratório n° 4, de 12/08/2002, publicado no DOU em 15/08/2002: autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da "cobrança, pela União, do imposto de renda sobre o pagamento in pecunia de férias não gozadas por necessidade do serviço pelo servidor público, desde que inexista qualquer outro fundamento relevante ". Ato Declaratório n° 1, de 18/02/2005, publicado no DOU em 22/02/2005: autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "com relação às decisões que afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de licença prêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, na hipótese do empregado não ser servidor público ". Ato Declaratório n° 5, de 16/11/2005, publicado no DOU em 17/11/2006: dispensou a apresentação de contestação e interposição de recursos e autorizou a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda sobre férias proporcionais convertidas em pecúnia". Ato Declaratório n° 6, de 16/11/2005, publicado no DOU em 17/11/2006: dispensou a apresentação de contestação e interposição de recursos e autorizou a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda sobre o abono pecuniário de férias de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 12 de maio de 1943". Ato Declaratório n° 06, de 01/12/2008, publicado no DOU em 11/12/2008: autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais nas quais se discuta a não incidência do imposto de renda sobre o adicional de um terço previsto no art. 7º, inciso XVII, da Constituição Federal, quando agregado a pagamento de férias simples ou proporcionais vencidas e não gozadas, convertidas em pecúnia, em razão de rescisão do contrato de trabalho". Ato Declaratório n° 14, de 01/12/2008, publicado no DOU em 11/12/2008: autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a tributação do imposto de renda sobre os valores pagos pelo empregador, a título de férias em dobro ao empregado na Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 rescisão contratual, sob o fundamento de que tal verba possui natureza indenizatória". Observou o relator do acórdão de primeira instância que, no presente caso, analisando os documentos extraídos do processo trabalhista, especialmente a conta de liquidação elaborada pelo perito nomeado pela Justiça do Trabalho (fls. 48 a 60), há discriminação de valores pagos a título de reflexos de horas extras sobre férias, mas não há nada que indique que as férias em questão sejam "não" gozadas por necessidade dos serviço", "férias proporcionais", "abono pecuniário de férias" ou "férias pagas em dobro". Nesse contexto, concluiu o julgador de primeiro grau que se deve entender, até prova em contrário, que os valores recebidos consistem em reflexos sobre férias integrais gozadas pelo contribuinte notificado, verba que se sujeita normalmente à incidência do imposto de renda, nos termos do art. 43, II, do Regulamento do Imposto de Renda, pois tratase de hipótese que não está contemplada em nenhum dos atos declaratórios acima mencionados. b) no que diz respeito à incidência de imposto de renda sobre juros de mora, a decisão de primeira instância manteve a exigência tributária fundamentandose nas disposições expressas no art. 43, § 3º e no art. 56, ambos do RIR/1999. Este último regulamenta a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. c) A alegação de que parte do crédito trabalhista seria rendimento de sua ex cônjuge não foi acatada pela DRJ/CTA ao argumento de que “o contribuinte não apresentou prova de que o valor destacado do crédito trabalhista foi revertido em favor de sua exesposa, nem demonstrou qual seria a motivação jurídica da solicitação feita pela Vara de Família”. Postada a intimação para a ciência de tal julgamento em 17/06/2011, fls. 140, o interessado ingressou recurso voluntário em 15/07/2011, fls. 141 a 148, no qual alega, em síntese, que: O valor de R$ 30.213,61, discriminado nos cálculos do processo trabalhista como "reflexos de horas extras sobre férias", não se refere a gozo de férias, mas sim à indenização pecuniária. Destaca que o valor de R$ 8.773,67 referese a pagamento de férias proporcionais de natureza indenizatória Nesse sentido, transcreve ementas de acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes e acórdão do Tribunal Regional Federal. Cita o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2141/2006, que alega haver conclusão no sentido de não interposição de recurso sobre verbas pagas a empregados. Contesta a incidência de imposto sobre a parcela de R$ 251.829,89 recebida a título de juros moratórios, argumentando que estes possuem cunho nitidamente indenizatório, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que destaca em seu recurso voluntário. Fundamentandose no Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no art. 19, § 5º, da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, na pergunta nº 232 do Perguntas e Respostas publicado no sitio da RFB, em decisão proferida pela DRJ de Juiz de Fora e na Solução de Consulta nº 11, de 09/08/2010, requer que seja aplicado ao rendimento recebido as tabelas e alíquotas das épocas próprias em que eram devidos tais rendimentos recebidos acumuladamente. Este processo foi sorteado a este Conselheiro na sessão de agosto/2013, conforme despacho datado de 15/08/2013, fls. 167. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004524/200850 Acórdão n.º 2802002.820 S2TE02 Fl. 175 5 O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 19 de setembro de 2013, tendo esse Colegiado proferido a Resolução nº 2802000.184, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 169 a 172. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro em 23/11/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Inicialmente, cumprese registrar que o litígio instaurado nos presentes autos se encontra limitado à matéria intitulada pela Notificação de Lançamento como sendo “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista” movida contra o Banco do Brasil. De acordo com a referida Notificação de Lançamento, fls. 87 a 92, o contribuinte teria auferido (após a dedução das verbas consideradas não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, bem como das despesas com o pagamento de honorários advocatícios) a importância de R$428.851,38, considerada passível de tributação pelo imposto de renda. Como o interessado só havia declarado o valor de R$ 223.680,97 como representativo daquilo que teria recebido em razão da citada causa trabalhista, o lançamento considerou como omissão de rendimentos o valor da diferença correspondente, ou seja, R$205.170,41. Cumprese ressaltar que, conforme constou da Resolução nº 2802000.184, proferida por este Colegiado, o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, haja vista corresponder a rendimentos recebidos de forma acumulada. Diante dessa circunstância, ficou definido que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento. Até a vigência do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, havia previsão para que os julgamentos dos recursos interpostos no âmbito dos processos administrativos fiscais fossem sobrestados sempre que o e. STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Com a revogação dessa regra pela Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, e diante do fato de os RE nº 614232 e 614406 ainda se encontrarem pendentes de julgamento pelo STF, cabe a esse Colegiado examinar a matéria à luz da legislação tributária vigente. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Ainda no que diz respeito ao assunto relacionado com parcelas recebidas de forma acumulada, observese que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, caberia, em princípio, a sua reprodução no julgamento dos recursos que versem sobre essa mesma matéria, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Contudo, no caso concreto dos presentes autos, convém que seja, primeiramente, apreciada a alegação do contribuinte quanto ao fato de que os juros de mora, que foram calculados e homologados pela Justiça do Trabalho, no valor de R$251.829,89, seriam isentos do imposto de renda por serem de natureza indenizatória. De início, percebese que, conforme mencionado anteriormente, como o valor da matéria tributada, objeto de litígio (R$205.170,41), é inferior ao valor dos alegados juros de mora, a concequência lógica disso, caso se confirme a alegação do recorrente, resulta necessariamente no cancelamento do respectivo crédito tributário. Passase, então, ao exame da natureza tributável dos juros de mora alegados pelo recorrente. O artigo 55, XIV, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999) dispõe expressamente que os juros moratórios e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento integram os rendimentos tributáveis recebidos com atraso: “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” Tratandose de juros moratórios, é de se aplicar, com fulcro no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 2010, o decidido por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10950.004524/200850 Acórdão n.º 2802002.820 S2TE02 Fl. 176 7 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28/09/2011, pela não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, é preciso esclarecer que, para que se aplique à hipótese o entendimento ventilado no referido Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, tornase necessário que dos autos fique evidenciado que se trata de verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Sobre tal aspecto, o próprio o STJ esclareceu que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória, a teor da seguinte ementa proferida em julgamento realizado em 14/03/2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1163490/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/03/2012, DJe 21/03/2012) O julgado demonstra a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, qual seja: o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória. Portanto, os juros só são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR. É bom lembrar que o julgamento, apesar de não ter se dado no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do CPC, fixou interpretação para o precedente em recurso representativo da controvérsia (REsp nº 1.227.133), a fim de orientar os tribunais de segunda instância. Em seu voto, o relator, ministro Mauro Campbell Marques, destacou que a regra geral (prevista no artigo 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64) é a incidência do IR sobre os juros de mora, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória. Entretanto, segundo o ministro, há duas exceções. A primeira: são isentos de IR os juros de mora pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. A segunda: quando incidentes sobre verba principal isenta ou Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (segundo a regra de que o acessório segue o principal). Segundo, ainda o ministro, no caso de perda do emprego o objetivo da isenção é “proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável”, razão pela qual incide a previsão do artigo 6º, V, da Lei nº 7.713, de 1988. Nessas situações, os juros de mora incidentes sobre as verbas pagas ao trabalhador em decorrência da perda do emprego são isentos de tributação, independentemente da natureza jurídica da verba principal (remuneratória ou indenizatória) e mesmo que essa verba principal não seja isenta. Portanto, no caso dos presentes autos, para garantir a isenção em reclamatória trabalhista é preciso que esta se refira às verbas decorrentes da perda do emprego, conforme já decidiu o STJ no julgamento do REsp nº 1.227.133. Do demonstrativo elaborado pela 1ª Vara do Trabalho de MaringáPR, fls. 66 do processo digital, verificase que, de fato, o valor calculado para fins de execução daquela ação trabalhista os juro de mora atingiram a importância informada pelo Recorrente, qual seja: R$251.829,89. Por sua vez, constatase do resumo da conta de liquidação, elaborada pelo perito nomeado nos autos da ação reclamatória trabalhista, fls. 55 do processo digital, que a verba FGTS integra o montante recebido pelo contribuinte. Nesse sentido, por se tratar de verba devida somente em decorrência da perda do emprego, forçoso concluir que a causa trabalhista movida contra o Banco do Brasil pelo contribuinte ocorreu no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Portanto, configurado que os juros de mora recebidos pelo contribuinte são isentos do imposto de renda, há que ser excluída do lançamento a parcela de R$205.170,41, tributada a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação trabalhista movida contra o Banco do Brasil S/A. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da tributação o valor de R$205.170,41, tributado como omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722160/2012-25
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. SITUAÇÃO QUE VEDA ADENTRAR AO MÉRITO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. SITUAÇÃO QUE VEDA ADENTRAR AO MÉRITO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 60 /2 01 2- 25 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.722160/201225 Acórdão n.º 2803002.997 S2TE03 Fl. 385 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.355.2289, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de contribuintes individuais, parte patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.355.2297, que objetiva o lançamento das contribuições próprias dos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 19 a 35, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 142 e 143. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 20/03/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02 e 10, respectivamente. O PAF é composto pelos seguintes levantamentos por DEBCAD: a) DEBCAD 37.355.2289: PF – PAGAMENTO A PESSOA FÍSICA e PR PRO – LABORE. No DEBCAD 37.355.2297 os levantamentos são: PF – PAGAMENTO A PESSOA FÍSICA. O contribuinte apresentou sua defesa, em 23/04/2012, as fls. 286 a 308, acompanhada dos documentos, de fls. 309 a 323. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 325. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1532.681 7ª, Turma DRJ/SDR, em 03/06/2013, fls. 326 a 345. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 02/08/2013, conforme AR, de fls. 381. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 366 a 379, recebido, em 17/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 366, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais não serão sumariadas, o que explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a INTEMPESTIVIDADE do recurso, fls. 382. Os autos subiram ao CARF, fls. 382. É o Relatório. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.722160/201225 Acórdão n.º 2803002.997 S2TE03 Fl. 386 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é INTEMPESTIVO e, ainda, que preenchido os demais requisitos de sua admissibilidade ele não merece ser apreciado. O contribuinte recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ/SDR, em 02/08/2013, conforme AR, de fls. 381, todavia só aviou o Recurso Voluntário, em 17/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 366. A autoridade preparadora reconheceu a INTEMPESTIVIDADE da peça recursal, despacho, de fls. 382. Desta forma, não ultrapassado o requisito de admissibilidade recursal, o mérito não deve ser apreciado. Esta é a razão pela qual não sumariamos as teses recursais. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por não conhecer do recurso, em razão de sua INTEMPESTIVIDADE. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.929146/2009-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 46 /2 00 9- 59 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929146/200959 Acórdão n.º 3803005.966 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 11 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço predeterminado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929146/200959 Acórdão n.º 3803005.966 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929146/200959 Acórdão n.º 3803005.966 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929146/200959 Acórdão n.º 3803005.966 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929146/200959 Acórdão n.º 3803005.966 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904569/2012-09
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 69 /2 01 2- 09 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904569/201209 Acórdão n.º 3801002.366 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904569/201209 Acórdão n.º 3801002.366 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904569/201209 Acórdão n.º 3801002.366 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904569/201209 Acórdão n.º 3801002.366 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904480/2012-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 80 /2 01 2- 84 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904480/201284 Acórdão n.º 3803004.830 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904480/201284 Acórdão n.º 3803004.830 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904480/201284 Acórdão n.º 3803004.830 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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