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Numero do processo: 10932.000261/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Documento Assinado Digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente Substituto.
(Documento Assinado Digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Documento Assinado Digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente Substituto. (Documento Assinado Digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno
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Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Documento Assinado Digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto. (Documento Assinado Digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .0 00 26 1/ 20 10 -4 2 Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 10932.000261/201042 Resolução nº 1202000.187 S1C2T2 Fl. 2.475 2 Relatório e voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Recebido o processo para relato, realizei um exame preliminar que indicou estar apto ao julgamento, tendo sido incluído em pauta da sessão de abril de 2013. Ocorre que posterior exame detalhado dos autos para elaboração do relatório e voto demonstrou que, entre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, está a questão inerente ao acesso aos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Tratase, entre outras infrações, de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em conta corrente cuja origem não foi comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. Para ter acesso à conta bancária da Recorrente foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) diretamente às Instituições Financeiras, de maneira que teria ocorrido, em tese, uma possível quebra de sigilo bancário. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme se passa a demonstrar. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi recorrido por Embargos de Declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 09/11/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, é dever deste E. Conselho sobrestar o julgamento dos processos que tratam sobre a matéria, conforme dispõe o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, transcrito abaixo: Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 10932.000261/201042 Resolução nº 1202000.187 S1C2T2 Fl. 2.476 3 Art. 62 [....]§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspenderem o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida, exatamente o caso dos autos. Diante de todo o exposto, manifestome pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720066/2012-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35-A, da Lei n. 8.212-1991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32-A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 66 /2 01 2- 39 Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.177 3 Relatório O presente recurso voluntário busca a revisão dos seguintes lançamentos que foram parcialmente mantidos pela decisão a quo, compostos pelos seguintes AutosdeInfração – AI: DEBCAD 37.369.5314: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, inclusive alíquota RAT (Lei 8.212/91, artigo 22, I e II) e sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais (Lei 8.212/91, artigo 22, III), totalizando R$ 457.470,83 (quatrocentos e cinqüenta e sete mil, quatrocentos e setenta reais e oitenta e três centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 37.369.5322: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, não retidas nem recolhidas pela empresa na forma da lei, totalizando R$ 148.990,45 (cento e quarenta e oito mil, novecentos e noventa reais e quarenta e cinco centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 37.369.5330: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pela empresa e destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEST/SENAT, e SEBRAE),incidentes sobre as remunerações dos segurados, totalizando R$ 79.181,28 (setenta e nove mil, cento e oitenta e um reais e vinte e oito centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multas de ofício e de mora. Desses lançamentos, a decisão recorrida reformou parcialmente os lançamentos com base no levantamento PS deve ter seus valores alterados para os Debcad 37.369.5314 e 37.369.5322, conforme planilhas de fls. 11211123 dos presentes autos digitais. O fundamento de retificação por ter entendido que o levantamento da fiscalização por amostragem, em especial desconsiderando pagamentos, não pode ser aceita, mantendo somente ao créditos efetivamente demonstrado nos autos. Rememorando o Relatório Fiscal, citado pela decisão recorrida: “(...)o início da ação fiscal foi levado ao conhecimento do sujeito passivo em 21/11/2011 mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF entregue ao contador, intimando a empresa à exibir no prazo de 20 (vinte) dias úteis livros fiscais e contábeis, arquivos magnéticos, documentos, informações e esclarecimentos necessários. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Em 06/12/2011, foram apresentados pela empresa os documentos solicitados referentes ao período de 01/2008 a 12/2008. Após, em 26/01/2012, foi dada ciência ao sujeito passivo da inclusão na fiscalização do período de 04/2007 a 12/2007 e 01/2009 a 12/2010, tendo sido intimado a apresentar os documentos do período, também no prazo de 20 (vinte) dias úteis. Conforme quadro apresentado no Relatório Fiscal, novos termos de intimação para apresentação de documentos foram levados à ciência do sujeito passivo em 29/02/2012, 12/03/2012 e 23/03/2012, todos eles concedendo prazo de 05 (cinco) dias úteis. Com base nos elementos apresentados, a fiscalização apurou e lançou as contribuições incidentes sobre os seguintes fatos geradores: Ajuda de Custo: apurada no período de 04/2007 a 12/2008 conforme folhas de pagamento e contabilidade (Anexo I). Valores pagos mensalmente, de forma fixa, contínua, habitual, assumindo feições de verba de natureza salarial de caráter remuneratório, não se aplicando a regra do artigo 457, § 2o da CLT. Honorários Contábeis: apurados além dos valores declarados em GFIP, conforme Anexo II, mediante a análise dos lançamentos contábeis e do “Contas a Pagar”, cópias de cheques nominais e recibos de pagamentos para o período de 04/2007 a 12/2008. Complementos de Salários: apurados no período de 04/2007 a 12/2008, com base em folhas de pagamento, recibos de pagamento, cópias de cheques e contabilidade (Anexos VII e XIII) e também referente a aferição indireta dos complementos salariais dos motoristas e empregados do setor administrativo (Anexos V, VIII, XIV, XVIII), apurados com base em cópias de cheques, recibos de pagamentos e no relatório interno da empresa denominado “Contas a Pagar”. Remunerações de Contribuintes Individuais: apuradas no período de 04/2007 a 12/2008 conforme folhas de pagamento, recibos de pagamento, TED, cópias de cheques e contabilidade (Anexos IV e XIII). Distribuição de Lucros – Pro labore: apuração no período de 04/2007 a 12/2008, conforme contabilidade, recibos de pagamentos, cópias de cheques, contrato social e DIPJ (Anexos VI e XVI). Foi constatada a distribuição em percentual maior que o estabelecido no contrato social, que previa 70% para o sócio Luiz Carlos e 30% para o sócio Paulo Eduardo, sendo que em 2007 e 2008 os lucros distribuídos foram destinados integralmente ao sócio Luiz Carlos (em valores de R$ 135.000,00 e R$ 70.648,61, respectivamente). Assim, foi considerado pro labore o valor excedente a 70% pago ao sócio Luiz Carlos. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.178 5 Prossegue a fiscalização informando que efetuou aferição indireta da base de cálculo das contribuições lançadas, com base na contabilidade da empresa, controle interno denominado “contas a pagar”, cópias de cheques e recibos de pagamentos. Não foram apresentados pelo sujeito passivo folhas de pagamento, recibos de pagamentos e todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis. Também relata a lavratura em 21/03/2012 de Auto de Embaraço decorrente da não apresentação dos elementos constantes na intimação e imprescindíveis às necessárias análises da auditoria. Os fatos que ensejaram a aferição indireta foram: a não apresentação de todos os documentos e os pagamentos habituais a título de complementos salariais. Assim, apresenta detalhes relacionados aos procedimentos utilizados pela empresa para o pagamento dos Complementos de Salários dos motoristas e empregados da administração, explicitando também os critérios utilizados na aferição indireta. Quanto à multa aplicada, discorre a respeito das alterações promovidas pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável a partir da competência 12/2008 e, caso se mostre menos gravosa ao sujeito passivo, também para as competências anteriores (nos termos termos do artigo 106, II, “a” do CTN). Menciona o “Demonstrativo Comparativo da Multa Menos Severa em face da MP 449/2008”. Expõe detalhes quanto aos elementos que integram as autuações e discorre especificamente acerca de cada AI que compõe o processo. Quanto à multa qualificada (aplicada apenas na competência 12/2008), justifica sua aplicação ante a não apresentação de todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis, não juntar às cópias de cheques os documentos correspondentes e adulterar documentos contábeis mediante cortes e rasuras, com a intenção de suprimir ou reduzir tributo ou acessório. Apresenta informações finais, inclusive quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP lavrada, e presta esclarecimentos quanto ao exercício do direito de defesa pela empresa autuada. Merece detalhe, antes do julgamento de primeira instância, foi realizada diligência que gerou informações complementares, com concessão de manifestação da contribuinte por 30(trinta) dias, sendo o fez complementando e ratificando a defesa inicial. Em recurso voluntário tempestivo, a parte alega o seguinte: nulidade do lançamento por ter sido o Termo de Início de Procedimento de Fiscalização (TIPF) entregue a pessoa não autorizada para representar a contribuinte, nulidade por não concessão de prazo hábil para apresentar os documentos solicitados em face dos princípios da ampla defesa, razoabilidade e proporcionalidade; nulidade por não disponibilização em prazo hábil dos documentos referentes aos autos de infração após a sua ciência; que a natureza dos valores a Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 título de “ajuda de custo” paga aos funcionários, desconsideradas pela fiscalização, condizem com a verdade, não merecendo a incidência da norma tributária; inexistência de pagamentos de complementação de salário e pagamento a contribuintes individuais (transportadores e honorários contábeis), não havendo elementos probatórios levantados para tanto, bem como houve aferição indireta por amostragem, o que não seria possível no presente caso, da mesma forma quanto aos levantamentos por pagamentos de prólabore disfarçado de distribuição de lucros, que não fora feito em desconformidade com o contrato social, mas apenas referiase a distribuição de anos anteriores, ilegalidade das multas de aplicadas, inexigibilidade dos juros moratórios, e indevida representação fiscal para fins penais. Os autos foram remetidos à esta turma especial do CARF/MF para sua apreciação. É o relatório. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.179 7 Voto O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. 1) Quanto à primeira preliminar, de que a pessoa cientificada do TIPF (Sr. Édson) não tinha poderes para tanto, em concordância do julgamento anterior, não se vê vício insanável ao presente caso, pois não houve demonstração de prejuízo. Observese que a empresa, pela mesma pessoa (Sr. Édson), entregou e recebeu em devolução os documentos para fiscalização, em que pese em parte. A própria defesa busca fundamentos nesta entrega para fins de questionar a utilização de amostragem, e, sequer, questiona a origem dos documentos. Ou seja, ao longo da fiscalização, demonstrouse plena ciência da empresa quanto tais procedimentos. Ainda, a Súmula 9 do CARF/MF, no caso das intimações postais, em determinar como válida a intimação fiscal feita acompanhada de Aviso de Recebimento no domicílio fiscal do contribuinte. 2) Quanto à segunda preliminar, a não concessão de prazo hábil para apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, a mesma também deve seguir o entendimento do julgamento anterior. Todos os pedidos da fiscalização concederam 20(vinte) dias, ou em alguns casos 5(cinco), que são prazos definidos pela própria legislação, respeitando o mínimo. Em momento, algum foi apresentado pedido de dilação de prazo por qualquer razão, o que poderia fundamentar tal aumento de prazo. Assim, não houve desrespeito à razoabilidade ou proporcionalidade, bem com ao direito de defesa, pois esse se dedica principalmente ao momento contencioso. 3) Quanto à terceira preliminar, por não disponibilização em prazo hábil dos documentos referentes aos autos de infração após a sua ciência, caso não tivesse sido aberto novo prazo para manifestação, após as informações complementares, efetivamente teria ocorrido um prejuízo à defesa. Entretanto, como relatado, a contribuinte teve nova oportunidade de manifestação, no prazo de 30(trinta) dias, com disponibilização completa dos autos, assim, foi saneada justamente a nulidade argüida em primeiro grau, conforme autoriza o 18, §3º, do Decreto 70235. 4) Iniciado o mérito, quanto à alegação da natureza indenizatória dos pagamentos a título de ajuda de custo, não merece acolhimento. Como observado pela fiscalização, os valores com tais títulos eram repetidos nos períodos de lançamento, de forma igual, em que sequer a empresa apresentou algum documento probatório de que se tratava de ajuda de custo com atividades da mesma ou mudança de endereços, na forma do art. 457, §2ª, da CLT ou art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/1991. Fatos esses que deveriam ter a hipótese de não incidência minimamente demonstrada nos autos, para contrastar a repetição de valores por cada colaborador mês a mês,fatos que levam a conclusão de se tratar de remuneração, logo base de cálculo da contribuição previdenciária, na forma do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 5) No mérito, quanto à alegação de inexistência de pagamentos de complementação de salário e pagamento a contribuintes individuais (transportadores e honorários contábeis), não havendo elementos probatórios levantados para tanto, bem como houve a necessidade de aferição indireta, utilizandose a amostragem para suprir as lacunas, em que houve a não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, devese observar que houve clara dissonância entre os valores declarados em GFIP e registrado nos documentos autuados, em especial cheques, recibos e folhas de pagamento. Fatos que ficaram claros pela fiscalização. Inclusive, efetivamente não houve arbitramento ou aferição indireta, sim coleta de dados que foram diretamente utilizados para a obtenção dos eventos tributados e bases de cálculos dos tributos cobrados. A utilização da obtenção de amostragem, não se refere a utilização de métodos de cálculo, mas sim como forma de observação das diferenças entre os valores informados e os efetivos pagamentos de verbas. Quanto a mesma não foi efetivamente apresentada, a decisão a quo excluiu o lançamento do lançado sem efetiva base documental. Ao alegar que a aplicação do art. 33, §3ª, da Lei n. 8.212/1991, permite a aplicação e utilização de outros documentos para o levantamento do crédito tributário, nos casos em que verificase a dissonância, inclusive por arbitramento indireto. Para evitar a repetição dos fortes fundamentos da decisão a quo, transcrevem se trechos determinantes da mesma, aos quais acolhemos quanto sua interpretação dos fatos: Posta a controvérsia, para o deslinde da questão é necessário analisar a documentação constante nos autos e, ao contrário do que sustenta a impugnante, existe prova suficientemente robusta à demonstrar que os pagamentos em questão foram realizados e possuem a natureza atribuída pela autoridade fiscalizadora. Quanto aos lançamentos contábeis listados pela fiscalização no Anexo VII, considerandose os esclarecimentos prestados pela Informação Fiscal emitida, resta prejudicada a análise desse item vez que o lançamento referente a essas contribuição não foi efetuado neste processo, mas sim no processo complementar (15868.720131/201315), onde o tema deverá ser analisado. Quanto aos documentos trazidos aos autos pela fiscalização, é oportuno registrar no presente Voto que, parte desses documentos são relativos a período diverso daquele englobado no presente processo, conforme restou esclarecido na Informação Fiscal. Assim, o procedimento fiscal abrangeu o período de 04/2007 a 12/2010, no qual foi verificada a ocorrência dos mesmos fatos que se repetiram durante todo o período. Porém, em virtude das alterações legais promovidas pela Medida Provisória 449/2008, o lançamento foi feito em dois processos distintos, um deles para o período posterior à MP (processo 15868.720065/201294) e o presente para o período anterior à MP. Com isso, para constituir um conjunto probatório consistente, justificase a utilização de documentos de todo o período fiscalizado para a comprovação dos fatos ocorridos, Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.180 9 independente da divisão do lançamento em dois processos ocasionada pela alteração legislativa ocasionada pela MP 449/2008. Essa é a correta interpretação que deve ser dada aos elementos probatórios trazidos aos autos, os quais, ainda quando sejam referentes a período não incluído no presente processo, devem ser considerados, pois, vistos em um contexto único, demonstram a ocorrência dos fatos geradores e a existência de pagamentos irregulares efetuados pela autuada durante todo o período fiscalizado. E quanto aos TED em favor dos Srs. Antonio César Boldorini e Antonio Carlos de Oliveira, constante no Anexo XIII, apesar da alegação de que se trata de despesas com conserto de veículos, a autuada não procedeu a juntada de qualquer elemento comprobatório nesse sentido, prevalecendo o entendimento que o pagamento feito ao empregado – dada à natureza sinalagmática do contrato de trabalho referese à remuneração pelos serviços prestados. Quanto à aferição indireta da remuneração complementar de motoristas e empregados do setor administrativo, não se pode acolher a alegação de que os relatórios “Contas a Pagar” devem ser desconsiderados por se tratar de elementos sem valor e meros rascunhos, já que foram elaborados espontaneamente pela empresa e representam mecanismo de controle de suas despesas. As cópias de cheques também devem ser levadas em conta, pois tratase de documentos ordinariamente elaborados pelas empresas e que registram os fatos ocorridos para fins de controle de seus administradores As cópias usualmente relacionamse aos cheques emitidos e não apenas a rascunhos prévios. Eventualmente, os cheques emitidos podem ser cancelados, mas no presente caso, caberia à empresa o ônus de demonstrar tal situação, esta sim excepcional. Ademais, os recibos com valores e datas coincidentes às cópias de cheques corroboram sua veracidade. Alega a impugnante que era comum a emissão de cheques sacados pelo sócio da empresa para suprimento da conta Caixa e que não há cheques em favor dos supostos beneficiários para comprovação dos pagamento. Porém, os mencionados cheques em favor dos beneficiários não podem ser considerados elementos indispensáveis à comprovação dos pagamentos de complementos salariais dos empregados. Devese levar em conta que se trata de valores adicionais, à margem dos pagamentos regularmente efetuados e por isso, não se pode exigir toda a comprovação documental das operações regulares. Não seria crível esperar que, em se tratando de pagamentos irregulares, estes restassem documentados por meio Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 10 de cheques emitidos em favor de seus beneficiários ou que outras formalidades fossem preenchidas. A fiscalização descreveu em detalhes o procedimento da empresa, com a emissão de cheques para si própria e o saque em dinheiro para o pagamento dos complementos salariais com tais numerários, identificando, quando possível, os seus beneficiários e, mesmo quando não individualizados tais beneficiários, não se deve desconsiderar os pagamentos, vez que, por se tratar de operações irregulares, a formalização das operações não preenche todos os requisitos formais e, muitas vezes, a comprovação documental, embora demonstre o efetivo pagamento da remuneração ao segurado, não permite a identificação do beneficiário. Os anexos V e VIII são compostos por planilhas referentes a este complementos, apurados com base nas cópias de cheques trazidas nos autos em valores e datas coincidentes com os recibos firmados pelos beneficiários e constantes nos mesmos anexos e também com os valores constantes no “Contas a Pagar”. A fiscalização destacou ter procedido a juntada dos documentos por amostragem, o que em conjunto, mostrouse suficiente para se observar a constância nos pagamentos. Assim, quanto aos empregados do setor administrativo, verifica se que no “Contas a Pagar” (Anexo XV) de 06/03/2008 consta a previsão dos pagamentos em 10/03/2008 de R$ 2.800,00 e R$ 1.000,00, com o registro no histórico do nome da autuada no campo “fornecedor” e de “FP” no campo de discriminação dos pagamentos. Já com relação ao mês seguinte, consta no Anexo XVII cópias de cheques e recibos de pagamentos aos empregados do setor administrativo em valores correspondentes. Quanto aos motoristas, do mesmo modo, os pagamentos no “Contas a Pagar” de 11/03/2008 nos valores de R$ 4.821,04 e R$ 4.850,00 (cinco vezes), com o nome da autuada no campo “fornecedor” e “FP C MOT” no campo de discriminação dos pagamentos, corresponde às cópias de cheques do Anexo XVIII. Dessa maneira, observase que a empresa efetuava pagamentos complementares mensais em valores fixos aos seus empregados, não se podendo acolher o argumento da impugnante de que inexistiu habitualidade e periodicidade, muito menos de que os cheques que trouxe aos autos prestamse a comprovar seus argumentos. Os pagamentos possuem caráter remuneratório, vez que não incluídos nas exceções trazidas pelo artigo 28, § 9o da Lei 8.212/91 que trata das verbas que não integram o saláriodecontribuição. Também está correto o procedimento fiscal ao imputar nos meses em que não teve acesso aos documentos comprobatórios os valores correspondentes aos meses anteriores, dada a constância observada e à fundamentação legal que assim o autoriza a proceder, Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.181 11 estando o caso concreto, ao contrário do que alega a impugnante, enquadrado nas disposições contidas nos §§ 3o e 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91 (ambos citados nos FLD –Fundamentos Legais do Débito que integram o processo), pelos quais a fiscalização deverá apurar por aferição indireta as contribuições devidas e efetuar o lançamento de ofício, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, ou ainda quando observar irregularidades na contabilidade ou na documentação da empresa. Desse modo, não merece reparo o lançamento efetuado quanto às contribuições incidentes sobre os complementos salariais pagos pela autuada. Assim, neste pontos não há o que retocar a decisão recorrida. 6) No tangente sobre os créditos lançados oriundos do pagamento irregular de distribuição de lucros e resultados, pela conclusão da decisão a quo este voto se alia. Observase que no lançamento os lucros foram distribuídos de forma diversa do que estabelecido no contrato social da contribuinte. conforme informou a fiscalização, o capital societário estava distribuído na proporção de 70% para o sócio Luiz Carlos e 30% para o sócio Paulo Eduardo, e esses percentuais não foram observados para a distribuição dos lucros no período de 2007 e 2008. Logo a fiscalização teve que considerar os valores excedentes como pagamentos a título de pro labore, por não se enquadrarem nas causas de nãoincidência e exclusão, do art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991, e enquadrando como fato gerador disposto no caput do mesmo dispositivo. Em que pese a possibilidade de operação pela empresa de atuar de tal forma, em caso de não previsão de tal procedimento, a decisão dos sócios deve ser deve ser documentada com as devidas atas exigidas pelo próprio Direito Civil. Ou que tais valores referiamse a exercícios anteriores, também poderia ter sido demonstrado, mediante a escrituração contábil, ou mesmo pelo balanço da contribuinte. Efetivamente, não há incidência de tributos sobre a distribuição de lucros, contudo no momento em que a mesma não for realizada conforme previsto legislação e no contrato social, será enquadrado como remuneração a prestação de serviço/trabalho dos sócios à pessoa jurídica. Interessante é que a defesa deixa claro que tais valores tem correlação à atividades dos sócios à empresa. Não foi juntado qualquer documento referente à tal distribuição de lucros, pela recorrente (art. 16, do Dec 70235), tornando vazias as suas alegações. 7) Quanto às alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade das multas e juros aplicados, devese observar que conforme o art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF, o CARF não tem competência para afastar a aplicação da lei em razão de alegação de inconstitucionalidade, salvo no caso das exceções daqueles dispositivos, o mesmo está consolidado na Súmula 1, do CARF. Logo, não deve ser apreciado. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 12 8) Entretanto, entendo que a fiscalização aplicou de forma equivocada o art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.182 13 Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. 9) Quanto às alegações da parte de não ser devida a Representação Penal Para Fins Penais, devese observar que o CARF não têm competência para análise de sua apreciação, sendo competência da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Poder Judiciário. A sua emissão é ato totalmente vinculado, tanto que o CARF já consolidou o entendimento da matéria na Sumula 28: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais” Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 18159.000474/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS EMPRESAS URBANAS.
Consoante a jurisprudência dominante, é legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, a qual tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico e não foi extinta pelas Leis n. 7.787/1989 e n. 8.212/1991.
CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. LEGALIDADE.
Não fere o princípio da legalidade a exigência das contribuições ao SEST/SENAT das empresas do ramo de transporte.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS QUE CONTRIBUEM AO SESC/SENAC, SESI/SENAI e SESNAT/SENAT. POLO ATIVO DA RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA.
O tributo arrecadado para custear o SEBRAE é devido por todas as empresas que se sujeitam ao recolhimento sobre as contribuições ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SESNAT/SENAT, consistindo em um adicional sobre essas.
O INSS recebeu da União por lei a capacidade tributária relativa à contribuição destina ao SEBRAE, podendo assim, figurar no polo ativo da relação jurídico-tributária relativa a este tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
VENCIMENTO DO PRAZO PARA RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. DIA 02 DO MÊS POSTERIOR À COMPETÊNCIA DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Não representa ilegalidade ou inconstitucionalidade a fixação como data para recolhimento das contribuições o dia 02 do mês subsequente à prestação dos serviços remunerados.
INCLUSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS EM PARCELAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A empresa embora alegue, não trouxe qualquer elemento hábil a comprovar o parcelamento de parte das contribuições lançadas.
Numero da decisão: 2401-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) reconhecer a decadência até competências 04/2000; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. EXIGUIDADE DO PRAZO PARA IMPUGNAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se verificou cerceamento ao direito de defesa pelo fato da administração haver facultado ao sujeito passivo o prazo de quinze dias, contados da intimação da exigência, para que este impugnasse o lançamento, uma vez que esse lapso era o previsto na legislação processual vigente quando da ciência da lavratura. IMPROCEDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS OU DOS SEUS CONSECTÁRIOS. MATÉRIA DE MÉRITO. NULIDADE. DESCABIMENTO. As matérias relativas à improcedência das contribuições e/ou dos juros e multa aplicados são tratadas na apreciação do mérito, jamais como vícios que possam acarretar a nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 15 9. 00 04 74 /2 00 9- 60 Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. REPRESENTANTES LEGAIS. A relação apresentada nos anexos “Relação de Corresponsáveis”; “Relação de Vínculos” ou “Relatório de Representantes Legais” não têm como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas listam todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. ARROLAMENTO DE BENS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004 INOCORRÊNCIA DE EQUÍVOCO NA APURAÇÃO. DESNECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Não tendo o sujeito passivo demonstrado que o fisco incorreu em equívoco na apuração das contribuições, descabe a retificação do crédito. CONTRIBUIÇÃO AO RAT. LEGALIDADE. Os tribunais pátrios têm reconhecido a legalidade da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VENCIMENTO DO PRAZO PARA RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. DIA 02 DO MÊS POSTERIOR À COMPETÊNCIA DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Não representa ilegalidade ou inconstitucionalidade a fixação como data para recolhimento das contribuições o dia 02 do mês subsequente à prestação dos serviços remunerados. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.409 3 INCLUSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS EM PARCELAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A empresa embora alegue, não trouxe qualquer elemento hábil a comprovar o parcelamento de parte das contribuições lançadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS EMPRESAS URBANAS. Consoante a jurisprudência dominante, é legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, a qual tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico e não foi extinta pelas Leis n. 7.787/1989 e n. 8.212/1991. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. LEGALIDADE. Não fere o princípio da legalidade a exigência das contribuições ao SEST/SENAT das empresas do ramo de transporte. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS QUE CONTRIBUEM AO SESC/SENAC, SESI/SENAI e SESNAT/SENAT. POLO ATIVO DA RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. O tributo arrecadado para custear o SEBRAE é devido por todas as empresas que se sujeitam ao recolhimento sobre as contribuições ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SESNAT/SENAT, consistindo em um adicional sobre essas. O INSS recebeu da União por lei a capacidade tributária relativa à contribuição destina ao SEBRAE, podendo assim, figurar no polo ativo da relação jurídicotributária relativa a este tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) reconhecer a decadência até competências 04/2000; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.410 5 Relatório ratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação n. 11.424.4/0022/2005 da então Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária em Governador Valadares (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.786.3879. O crédito tributário diz respeito à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos, além da contribuição dos segurados, incidentes sobre parcelas remuneratórias a seguir: a) diferença entre o valor da remuneração obtido da contabilidade e as bases de cálculo constantes em NFLD que contempla as quantias lançadas em folhas de pagamento (competências 01/998 a 03/1998, 01/1999 a 09/1999, 11/1999,12/1999, 02/2000, 03/2000, 05/2000 a 07/2000, 09/2000, 11/2000, 12/2000, 03/2001, 05/2001 a 07/2001, 09/2001, 10/2001 e 13/2001); b) diferenças entre as remunerações constantes na contabilidade e aquelas declaradas na GFIP (competências: 13/2002 a 05/2003, 07/2003 a 11/2003, 13/2003, 01/2004 a 13/2004); c) remunerações relativas a segurados empregados, declaradas em GFIP, no período de 01/2002 a 12/2004, inclusive 13. salário. Inconformada com a decisão do órgão de julgamento de primeira instância da Previdência Social, a empresa recorreu ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, todavia, o recurso não teve seguimento, por ser considerado deserto. A empresa recorreu ao Judiciário e teve a sua pretensão acolhida, para que o recurso fosse processado independentemente do depósito de 30% do valor da exigência. Os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Passamos agora, em síntese, a descrever as questões suscitadas no recurso voluntário. Alega ser inconstitucional o art. 45 da Lei n. 8.212/1991, o que leva a decadência de parte do crédito lançado. Sustenta que a apreciação das questões constitucionais é obrigatória, mesmo em julgamentos na seara administrativa. Para a recorrente, o lançamento ofendeu aos princípios da isonomia processual, da proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 posto que a empresa não teria como apresentar em 15 dias defesa contra o trabalho do fisco que foi desenvolvido durante mais de um ano. Afirma que há nulidade por vício material existente no objeto da NFLD, eis que foram incluídos no lançamento valores indevidos a título de contribuições previdenciárias, juros de mora, bem como de multa. Outra causa de nulidade suscitada pelo sujeito passivo seria a indicações dos seus sócios cotistas como corresponsáveis pelo crédito. Deve ser desconsiderado, afirma, o Termo de Arrolamento de Bens em razão da sua patente nulidade. Como matéria de mérito arguiu que não há qualquer diferença nos valores contabilizados das folhas de pagamento dos segurados empregados e os declarados em GFIP. Assevera que procedeu, a titulo de amostragem, a conferência dos valores lançados na contabilidade e os que foram declarados em GFIP, referente à competência 13/2004. Dessa análise, pode constatar o erro cometido pela autoridade lançadora, que apontou diferença de R$ 1.408.984,51, imputando à empresa o pagamento de contribuição previdenciária incidente sobre o referido montante. No entanto, tal diferença sequer existe. Pelo contrário, o valor declarado na GFIP relativa ao período de 13/2004 é até maior do que aquele contabilizado na folha de pagamento dos segurados empregados. Assim, diante desse equívoco da auditoria, devese determinar a revisão de todos os valores que integram o lançamento, mediante perícia técnica. Afirma ser ilegal e inconstitucional a contribuição para o RAT. A recorrente questiona o lançamento da contribuição ao INCRA. Afirma que não foi recepcionada pela Constituição de 1988, por absoluta falta de compatibilidade com o novo sistema tributário, além de não haver a definição legal do seu fato gerador. Advoga que esta contribuição não poder ser exigida das empresas urbanas. A exigência das contribuições ao SEST/SENAT, no entender da recorrente, representam afronta ao princípio da legalidade, posto que as alíquotas, bases de cálculo e sujeitos passivos foram instituídos pelo Decreto n. 1.007/1993. Defende também a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição destinada ao SEBRAE. A recorrente assevera que o artigo 149 da Carta Maior é taxativo. Somente a União Federal poderia, além de criar a contribuição ao SEBRAE, atendidos os requisitos do artigo 146, inciso II e artigo 150, inciso I e II ambos da Carta Magna, cobrála, arrecadála, fiscalizála e, somente após, repassála à entidade beneficiária. Concluise que jamais poderia o Instituto Nacional do Seguro Social e muito menos o SEBRAE figurarem no polo ativo da obrigação tributária. Questiona também o caráter confiscatório da multa e a impossibilidade de utilização da taxa SELIC para fins tributários. A empresa contesta a data de vencimento do tributo no dia 02 do mês subsequente a ocorrência dos fatos geradores, por entender que a lei não autoriza a antecipação da cobrança do tributo antes da ocorrência do fato gerador. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.411 7 Garante que parte das contribuições lançadas foi incluída em programa de refinanciamento de dívidas tributárias. Por fim, insiste na realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.412 9 fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Verificase que a ciência do lançamento ocorreu em 13/05/2005, fl. 02. Assim, para o período que vai de 01/1998 a 11/1999, quer pelo § 4. do art. 150, quer pelo inciso I do art. 173, todas as competências estariam decadentes. Para o período de 12/1999 a 04/2000, verificase a existência de recolhimentos, conforme se observa na planilha de fls. 141/150. Ali, nas notas explicativas lançadas ao final, indicase que nas competências onde consta a coluna “SC NFLD” houve lavratura de NFLD em fiscalização anterior com análise de folha de pagamento e guias de recolhimento. Observase que para esse período em todas as competências consta valores na coluna menciona. Assim, para essas competências a decadência deve ser aferida pela regra do § 4. do art. 150 do CTN. Para o período posterior não se completou o quinquídio previsto no CTN, independentemente da norma que seja usada para sua contagem. Assim,devemos afastar por decadência o período até 04/2000. Apreciação de inconstitucionalidade Para enfrentar as alegações de inconstitucionalidade presente ao longo do recurso, é necessário uma análise da compatibilidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco com a Carta Magna, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência por afronta à Constituição. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei trazidas pela recorrente, as quais estão distribuídas ao longo de todo a peça recursal. Exiguidade do prazo para apresentação da defesa Inicialmente cabe ressaltar que não procede o argumento da empresa de que o fisco levou mais de um ano para concluir os trabalhos fiscais. A fl. 68 consta cópia do Mandado de Procedimento Fiscal n. 09212313, do qual a empresa teve ciência em 30/12/2004. Considerandose que a ciência do lançamento, como vimos, ocorreu em 13/05/2005, o argumento do sujeito passivo de que a auditoria durou mais de um ano está divorciado da realidade. De outra banda, nunca existiu na legislação processual pátria norma que fixasse o prazo de defesa em razão da duração do procedimento fiscal. Até porque os documentos que o fisco analisa na edificação do lançamento são aqueles fornecidos pela própria empresa auditada, não cabendo o argumento de que o sujeito passivo teve que apreciar provas inéditas. Notese que o prazo oferecido pela administração tributária no processo em tela encontravase em perfeita consonância com o que dispunha a legislação que regia a matéria. O parágrafo único do art. 37 da Lei n. 8.212/1991, que regulava o prazo para apresentação de defesa contra NFLD, estabelecia em 15 dias, contados da intimação da exigência, o lapso fatal para impugnar o crédito. Descabe, portanto, o inconformismo da recorrente, posto que contraria dispositivo literal de lei vigente à época do recebimento da NFLD. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.413 11 Nulidade por vício material no objeto do lançamento A nulidade a que se refere o sujeito passivo é por nós tratada como improcedência do lançamento. Assim, caso se verifique na análise meritória que as contribuições são indevidas ou mesmo que os consectários legais foram aplicados em dissonância com as normas de regência, há de se determinar a improcedência total ou parcial da lavratura, não cabendo a análise dessas questões em sede de preliminares. Essa Turma tem reconhecido as nulidades de lançamento apenas nas situações previstas no art. 59 do Decreto n. 70.235/1972 ou quando a lavratura contém mácula que comprovadamente prejudique o direito de defesa do administrado. Assim, não se tendo observado que a lavratura foi efetuada por agente incompetente ou que tenha ocorrido preterição do direito de defesa da empresa, não há o que se falar em nulidade, ficando a análise das questões apontadas como vícios materiais para o momento da apreciação do mérito da causa. Corresponsáveis A nulidade decorrente da exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da entidade autuada. Os administradores, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores/sócios, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Essa questão inclusive já se encontra pacificada no CARF, conforme a súmula abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Arrolamento de Bens e Direitos Assevera o sujeito passivo que o arrolamento de bens e direitos antes do trânsito em julgado do processo administrativo fere o seu direito de propriedade, além de que o registro daquele no cartório de imóveis atenta contra o sigilo fiscal. Pede o cancelamento do Termo de Arrolamento. Vejamos se tem razão. O arrolamento de bens e direitos se constitui em medida de caráter administrativo relativo à tutela da satisfação dos interesses do Estado, na medida em que visa Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 informar a situação patrimonial do sujeito passivo, no tocante aos bens por ele titularizados, com vistas à futura satisfação do crédito tributário. Ressaltese que o referido Termo não promove a indisponibilidade do bem arrolado. O procedimento é legal e está previsto nos artigos 64 e 64A da Lei 9.532/97, constituindose em obrigação do agente fiscal. Nesse sentido, descabe a esse colegiado, como visto acima, apreciar a suposta afronta à Constituição por esse diploma legal. De outra banda, as considerações feitas pelo recorrente em relação ao arrolamento de bens não podem ser objeto de apreciação pela autoridade julgadora administrativa, eis que não se circunscrevem ao delimitado no Decreto nº 70.235, de 1972, isto é, não dizem respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Inexistência de diferenças a recolher Contrapondose ao argumento da empresa de que inexistiriam as diferenças apontadas pelo fisco, mormente em relação à competência 13/2004, o órgão recorrido assim se pronunciou: “48.1. Conforme já mencionado no item 41.2 retro, letra "b", na amostragem feita pela lmpugnante foi utilizado valores declarados em GFIP de todas as suas filiais, sendo que no Relatório Fiscal (item 2.2) e no ANEXO II os Auditores notificantes deixaram bem claro que o levantamento FL1 se refere apenas ao estabelecimento 25.100.223/000151 (coluna CNPJ).” Desta forma, não houve tributação por presunção, mas sim apuração de crédito previdenciário com base nos próprios documentos fornecidos pela Impugnante em confronto com os dados declarados em GFIP.” A empresa ao tratar dessa matéria no recurso simplesmente reproduziu as alegações apresentadas na impugnação. De fato, verificase do Discriminativo Analítico do Débito – DAD, fl. 10, que na competência 13/2004, a diferença apontada entre a folha e a GFIP (Levantamento FL1) corresponde ao valor de R$ 1.408.984,51, conforme apontado na defesa/recurso. Todavia, como bem explanado na decisão recorrida, tal diferença foi apurada apenas do estabelecimento CNPJ 25.100.223/000151. Assim, não tem sentido o cálculo apresentado pela empresa em que foram computadas as GFIP apresentadas para todos os seus estabelecimentos. Portanto, inexiste a incorreção que apontada pela recorrente, levandome à conclusão de que o lançamento deve ser mantido, posto que o único questionamento da empresa acerca da apuração fiscal não procede. Contribuição ao RAT A alegação de inconstitucionalidade dessa contribuição não merece apreciação, em razão da incompetência do CARF para enfrentar matéria atinente a compatibilidade da legislação com a Carta Magna, conforme visto acima. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.414 13 Por outro lado, a suscitada ilegalidade da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, SAT ou RAT não encontra razão de ser. A jurisprudência tem reconhecido a sua legalidade, inclusive a fixação da alíquota aplicável por meio de ato do Poder Executivo. Colaciono Julgado do STJ que bem retrata essa questão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT). GRAU DE PERICULOSIDADE E ALÍQUOTAS FIXADAS POR DECRETO. LEGALIDADE. VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO DE CADA EMPREGADO. IMPOSSIBILIDADE. VERBETES SUMULARES 7 E 351/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é legal a fixação, por decreto, dos níveis de periculosidade e das alíquotas do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT). 2. A verificação da atividade que cada empregado desenvolve, além da inviabilidade da sua análise em sede especial, por implicar reexame fático probatório (Súmula 7/STJ), contraria a jurisprudência consolidada no enunciado sumular 351/STJ, segundo a qual apenas o CNPJ ou a atividade preponderante desenvolvida pela empresa constituem meios idôneos para legitimar o enquadramento do referido seguro. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 85569 / BA, Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe. 13/09/2012) Contribuição ao INCRA A alegação de inconstitucionalidade contra esta contribuição não será enfrentada pela razão já exposta. Para afastar essa tese da sua ilegalidade, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, a qual pode ser exigida também das empresas urbanas. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência do STJ sedimentou o entendimento de que a contribuição ao INCRA é legítima e pode ser exigida também das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. Ressaltese que a decisão acima, por ter sido adotada na sistemática dos recursos repetitivos, deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos órgão do CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Contribuições ao SEST/SENAT No mesmo sentido, as contribuições destinadas ao SEST/SENAT estão previstas no art. 7° da Lei 8.706/1993, e nos arts. 1° e 2° do Decreto 1.007/1993, afastandose assim a alegação de ilegalidade. Assim tem decidido o STJ: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SEST E SENAT – EMPRESA DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO – INCIDÊNCIA – PRECEDENTES. 1. Os argumentos apresentados pelo agravante são insuficientes para fazer prosperar o presente recurso, pois, ao contrário do que alegado é legal o recolhimento de contribuição para o SEBRAE pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.415 15 2. Inviável, outrossim, conforme consignado na decisão agravada a irresignação recursal no que se refere à fixação dos honorários advocatícios, pois esta envolve amplo exame de questões de fato, observadas as peculiaridades de cada caso concreto, o que é inviável nesta instância, nos termos do enunciado 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 958188 / PR, Segunda Turma, Relator Ministro Humberto Martins, Dje 14/04/2008). Descabe, portanto, o argumento da ilegalidade das contribuições ao SEST/SENAT. Contribuição ao SEBRAE Também não merece sucesso o argumento relativo à ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição destinada ao SEBRAE. A nossa Corte Máxima já se pronunciou sobre a questão no julgamento do RE n. 635.682, de Relatoria do Ministro Gilmar Mendes, cujo Acórdão foi assim ementado: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. É assim que reiteradamente decidido o STJ, conforme decisão relativa a uma situação de empresa integrante do ramo de transportes, no qual se insere a notificada. Vejamos: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SEST E SENAT – EMPRESA DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO – INCIDÊNCIA – PRECEDENTES – AUSÊNCIA DE ARGUMENTO QUE PUDESSE INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que a Lei n. 8.706/93, em seu art. 7º, I, ao transferir as contribuições do SESI/SENAI para o SEST/SENAT, não criou novos encargos nem alterou o sistema de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. 2. Assim, é legal o recolhimento de contribuição para o SEBRAE pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 3. Estando a decisão recorrida em consonância com a jurisprudência desta Corte e não tendo a agravante trazido qualquer argumento que pudesse infirmar a decisão agravada, esta deve ser mantida íntegra, por seus próprios fundamentos. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1124758 / PE, Segunda Turma, Relator Ministro Humberto Martins, Dje 18/03/2010). Inconteste, então, a cobrança da contribuição para o SEBRAE na presente NFLD. Em relação a esta contribuição, o sujeito passivo alega ainda que somente poderia figurar no polo ativo da relação jurídicotributária a União, a qual jamais poderia ser substituída pelo INSS ou pelo SEBRAE. Percebese aí que a recorrente faz confusão entre os institutos jurídicos da competência tributária e da capacidade tributária. Enquanto a primeira, que é indelegável, referese à faculdade outorgada pela Constituição às pessoas políticas (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) para que estas possas criar através de lei os tributos, a capacidade contributiva diz respeito à prerrogativa de arrecadar, fiscalizar e cobrar, a qual pode ser delegada pela pessoa detentora da competência tributária. É isso que ocorre com a contribuição ao SEBRAE, a qual enquadrase dentre as contribuições de intervenção no domínio econômico previstas no art. 149 da Constituição Federal, cuja competência é exclusiva da União. A Lei n. 8.029/1990 transformou o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa CEBRAE em Serviço Social Autônomo – o SEBRAE e definiu seu custeio como um adicional das contribuições do SESI, SESC, SENAC e SENAI. Essa contribuição tem como destinação legal dotar o SEBRAE de recursos para planejar, coordenar e orientar programas técnicos, projetos e atividades de apoio às micro e pequenas empresas, em conformidade com as políticas nacionais de desenvolvimento, particularmente as relativas às áreas industrial, comercial e tecnológica. O art. 94 da Lei n. 8.212/1991 repassou ao INSS as atribuições para arrecadar, fiscalizar e cobrar todas as contribuições destinadas aos terceiros, inclusive aquela destinada ao SEBRAE. Assim, enganase o sujeito passivo ao afirmar que o INSS não poderia figurar no polo ativo da relação jurídico de tributária de exigência da contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao SEBRAE. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.416 17 vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, conforme já frisei, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Antecipação do vencimento da obrigação de recolher as contribuições Carece de razão a empresa ao afirmar que o estabelecimento do dia 02 do mês seguinte à prestação de serviços como prazo legal para recolhimento das contribuições afrontaria a legislação. Na verdade, as contribuições previdenciárias, cujo regime de apuração é mensal, tem como fato gerador a prestação de serviço remunerado. Assim, com o encerramento do período de apuração, qual seja o último dia do mês da prestação de serviços, temse o nascimento da obrigação tributária. Assim, o estabelecimento do dia 02 do mês seguinte à competência da prestação de serviço como data do vencimento da obrigação de recolher o tributo está em perfeita sintonia com a sistemática de sua apuração. É de se notar que, quando a Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT fixa o prazo máximo para pagamento do salário como o 5. dia útil do mês posterior ao da prestação dos serviços, está determinando que o pagamento seja feito até aquele momento e não a partir daquele marco. Isso conduz ao entendimento de que o pagamento ao obreiro é devido desde o término do período de trabalho, ou seja, a partir do 1. dia do mês subsequente e deve ser pago no máximo até o dia 05 do mês subsequente. Conforme mencionou a decisão recorrida, o Egrégio STJ já se manifestou sobre o tema em decisão que carrega seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O PAGAMENTO DE SALÁRIOS. FATO GERADOR. DATA DO RECOLHIMENTO. 1. O fato gerador da contribuição previdenciária do empregado não é o efetivo pagamento da remuneração, mas a relação laborai existente entre o empregador e o obreiro. 2. O alargamento do prazo conferido ao empregador pelo art. 459 da CLT para pagar a folha de salários até o dia cinco (05) do mês subseqüente ao laborado não influi na data do recolhimento da contribuição previdenciária, porquanto ambas as leis versam relações jurídicas distintas; a saber: a relação tributária e a relação Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000474/200960 Acórdão n.º 2401003.565 S2C4T1 Fl. 1.417 19 trabalhista. 3. As normas de natureza trabalhista e previdenciária revelam nítida compatibilidade, devendo o recolhimento da contribuição previdenciária ser efetuado a cada mês, após vencida a atividade laborai do período, independentemente da data do pagamento do salário do empregado. 4. Em sede tributária, os eventuais favores fiscais devem estar expressos na norma de instituição da exação, em nome do princípio da legalidade. 5. Raciocínio inverso conduziria a uma liberação tributária não prevista em lei, toda vez que o empregador não adimplisse com as suas obrigações trabalhistas, o que se revela desarrazoado à luz da lógica jurídica. 6. Recurso desprovido. Resp419667/ DJ 10.03.2003.(grifei). A luz desse entendimento descabe o argumento do sujeito passivo quanto à ilegalidade da fixação do vencimento da obrigação no dia 02 do mês subsequente à prestação dos serviços. Inclusão dos débitos em parcelamento Ao se deparar com o argumento de que grande parte das contribuições lançadas teriam sido objeto de parcelamento, o órgão de primeira instância assim se manifestou: “60.1. Falta com a verdade o notificado quando alega que no REFIS/PAES foram incluídos a totalidade dos valores devidos ao INSS, inclusive parte do montante constituído através da presente NFLD. 60.2. Os valores constituídos por intermédio da presente NFLD jamais poderiam ter sido incluídos no REFIS/PAES, por um simples motivo: à época em que a notificada aderiu aos referidos programas estes créditos ainda não eram exigíveis, não estavam constituídos e nem constavam dos sistemas do INSS, motivo pelo qual não poderiam estar englobados no REFIS. 60.3. Ademais, todos os valores recolhidos pela empresa foram abatidos das contribuições devidas, conforme relatado pelos Auditores Fiscais no Relatório da NFLD (fls. 133/139), itens 2.3.2 a 2.3.4. Os valores abatidos constam do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA (fls. 45/55) e Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls.05/25).” A empresa, não conseguiu se contrapor a essas ponderações e simplesmente reproduziu no recurso os argumentos apresentados em sede de defesa. Nenhuma comprovação foi apresentada para demonstrar a inclusão dos valores lançados em qualquer programa de refinanciamento de passivos tributários. Assim, não merece guarida este argumento. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Prova pericial Quanto ao pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Assim, não há de ser deferido o pedido de perícia técnica, posto que não tem utilidade para o deslinde da contenda. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência para as competências até 04/2000. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 12898.000181/2009-42
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2008
ESPETÁCULO DESPORTIVO. CLUBE DE FUTEBOL. INGRESSOS DE CORTESIA. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA QUE DEIXA DE OCORRER. A ENTREGA DE INGRESSOS PELA ENTIDADE PROMOTORA DO ESPETÁCULO. SEM QUE HAJA PREVISÃO LEGAL PARA TAL E SEM QUE ESSA SEJA A BENEFICIÁRIA DA RENDA DO ESPETÁCULO, ESTÁ FORA DO SEU CAMPO DE AÇÃO. AS RENÚNCIAS DE RECEITA DOS EVENTOS ESTÃO PREVISTAS EM LEI, SENDO VEDADO SEU ALARGAMENTO POR CONVÊNIO OU QUALQUER OUTRA FORMA FORA DA PREVISÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior. Declaração de voto Gustavo Vettorato. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões. Sustentação oral Advogada Dra Vivian Cassandra de C. Esmenazi, OAB/RJ nº128.556.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente FEDERAÇÃO DE FUTEBOL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2008 ESPETÁCULO DESPORTIVO. CLUBE DE FUTEBOL. INGRESSOS DE CORTESIA. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA QUE DEIXA DE OCORRER. A ENTREGA DE INGRESSOS PELA ENTIDADE PROMOTORA DO ESPETÁCULO. SEM QUE HAJA PREVISÃO LEGAL PARA TAL E SEM QUE ESSA SEJA A BENEFICIÁRIA DA RENDA DO ESPETÁCULO, ESTÁ FORA DO SEU CAMPO DE AÇÃO. AS RENÚNCIAS DE RECEITA DOS EVENTOS ESTÃO PREVISTAS EM LEI, SENDO VEDADO SEU ALARGAMENTO POR CONVÊNIO OU QUALQUER OUTRA FORMA FORA DA PREVISÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior. Declaração de voto Gustavo Vettorato. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões. Sustentação oral Advogada Dra Vivian Cassandra de C. Esmenazi, OAB/RJ nº128.556. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 81 /2 00 9- 42 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 537 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 538 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.201.4631, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da receita bruta de espetáculo desportivo de que participa, no território nacional, associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 35 a 44, com período de apuração de 01/2008 a 07/2008, conforme Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 22 e 23. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 28/12/2009, conforme Histórico de Objeto, de fls. 86. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 88 a 100, estando acompanhada dos documentos, de fls. 101 a 224. Nos termos do despacho, de fls. 288, a cientificação do lançamento foi considerado ocorrida, na forma do artigo 214, § 1º, da Lei 5.689/73. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1253.830 11ª, Turma DRJ/RJ1, em 18/03/2013, fls. 290 a 296. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 22/05/2013, conforme AR, de fls. 298. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 411 e 412, recebida, em 21/06/2013, com razões recursais, as fls. 413 a 429, acompanhado dos documentos, de fls. 430 a 531 e 533, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Pressuposto de admissibilidade. · que o recurso é tempestivo, pois cientificado, em 22/05/2013, da decisão a quo, seu prazo foi até 21/06/2013; Mérito · que a decisão da DRJ não deve prosperar, pois a apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária está correta, uma vez que os ingressos cortesias e o ingressos vendidos com desconto, aos torcedores do time mandante não compõe a base de cálculo, tendo em vista a inexistência de receita auferida com a venda desses ingressos; · que é indevida a exigência da contribuição previdenciária sobre a receita dos espetáculos desportivos, pois não houve omissão, uma vez Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 539 4 que a recorrente sempre ofereceu a renda à tributação, quando determinado por lei, só não declarando esses valores em GFIP, quando não eram fato gerador; · que a Lei 8.212/91, no artigo 22, §§ 6º a 9º, cuida da contribuição previdenciária para a associação desportiva que mantém equipe de futebol, estando estes dispositivos reproduzidos no Decreto 3.048/1999 e na IN/SRF 971/2009, prevendo com clareza esses dispositivos, o que é a renda dos espetáculos esportivos (jogos de futebol); · que a contribuição de 5%, artigo 22, §6º é do clube de futebol, cabendo a este informar o valor da receita bruta a entidade promotora, artigo, 22, § 8º, visando possibilitar que a entidade promotora faça o desconto e recolhimento, artigo 22, §7º; · que a federação não mantém equipe de futebol, figurando apenas como promotora do evento, cabendo a ela descontar 5% da receita bruta e promover o recolhimento, não se aplicando a ela o contido no artigo 22, §6º, da Lei 8.212/91, sendo a federação mera responsável tributária; · que a recorrente é responsável apenas por descontar e recolher a contribuição sobre a receita bruta informada pelo clube de futebol e caso exista divergência entre o valor informado e o apurado pela fiscalização, tal informação equivocada é responsabilidade do clube de futebol; · que a autoridade julgadora manteve a contribuição em razão de ingressos cortesia, concedidos por força de convênio e ingressos vendidos com descontos para os torcedores do time mandante, sob o argumento de que só a lei pode promover exclusão da base de cálculo, tendo a fiscalização recalculado a renda de todos os jogos, incluindo esses ingressos, porém tal operação não possui conteúdo econômico e nem se ajusta a hipótese de incidência da tributação, cita AF e GA; · que não ocorreu o aspecto material da hipótese de incidência, que diz respeito a base de cálculo, cita AAB, não existindo tributo se não houver base de cálculo e no caso essa base é a receita bruta proveniente da venda de ingressos; · que no caso de ingresso cortesia, concedido em razão de convênio, bem como dos ingressos vendidos com desconto para os torcedores do time mandante, não há remuneração em razão do ingresso cortesia, pois não há venda e no caso dos ingressos vendidos com desconto esses estão incluídos no cálculo da receita bruta, não havendo base de cálculo, não ocorre a hipótese de incidência, valendo citar o que diz a doutrina sobre a não tributação do ISS no caso de serviço cortesia, ficando claro que não havendo base de cálculo se violaria a capacidade contributiva e a proibição do confisco; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 540 5 · que os ingressos cortesia são distribuídos em razão do convênio 001/2008 com a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Lazer, estando neste especificado as quantificadas e sem que haja receita com os ingressos cortesia e com os ingressos vendidos com desconto, não há base de cálculo e por consequência não há fato gerador é o que diz o STF no RE 112.9239 e seguido pelo TACSP; · que com amparo na doutrina e na jurisprudência não havendo base de cálculo, não se pode falar em contribuição previdenciária sobre ingressos cortesia e o desconto sobre os ingressos vendidos aos torcedores do time mandante, devendo ser a decisão reformada; · Do pedido: a) que o recurso seja admitido b) que seja dado provimento ao recurso, reformandose a decisão a quo. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 534. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despachos de fls. 534. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, fls. 535. É o Relatório. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 541 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A questão versada nos autos é muito simples apesar da longa peça recursal apresentada pela recorrente. Inicialmente, esclareço que a questão decorrente da venda de ingressos com desconto não será analisada e a razão, também, é muito simples. Verificase do Discriminativo de Débito – DD, de fls. 04 a 06, que os dois levantamentos constantes do lançamento são denominados de L3 – CORTESIA VENC MESMO MES e L4 CORTESIA VENC PROXIMO MÊS. Idêntica situação se verifica da leitura do REFISC, de fls. 35 a 44, o que se transcrevo abaixo. 3. As contribuições lançadas neste débito foram agrupadas no seguinte levantamento: a) L3 CORTESIA VENC MESMO MÊS Período: 01/2008 a 07/2008. b) L4 CORTESIA VENC PRÓXIMO MÊS Período: 01/2008; 03/2008 E 06/2008. 9. Os fatos geradores das contribuições sociais lançadas neste AI nos levantamentos L3 e L4 ocorreram com a realização de espetáculos desportivos de futebol profissional entre associações desportivas, em relação aos ingressos de cortesia. (grifos do original). Desse modo, fica evidente que não existe nos presentes autos lançamento decorrente de ingressos vendidos com desconto para os torcedores do time mandante. Assim sendo, as alegações dessa natureza são dissociadas da realidade dos autos, configurandose em hipótese de divórcio ideológico, o que não permite o acolhimento das teses. É isso que diz o E. Supremo Tribunal Federal – STF, observese a transcrição. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 542 7 DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) No entanto, outra visão decorre dos lançamentos em razão do ingresso cortesia. A distribuição de ingresso cortesia, ainda, que por determinação de convênio entre a entidade promotora do espetáculo desportivo e a entidade administradora do estádio de futebol, não tem amparo na lei e não pode alterar a relação tributária criada por lei, veja o que diz o STJ. EMEN: TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA REMUNERAÇÃO PAGA AOS ÁRBITROS, AUXILIARES DE ARBITRAGEM, DELEGADOS E DEMAIS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS LEI 8.212/91, ART. 22, III RESPONSABILIDADE DA ENTIDADE PROMOTORA DO EVENTO (FEDERAÇÃO, CONFEDERAÇÃO OU LIGA DE FUTEBOL) APLICAÇÃO DO CÓDIGO DESPORTIVO DA FEDERAÇÃO IMPOSSIBILIDADE CTN, ART. 123 PRECEDENTE. Em se tratando de partidas de futebol, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração auferida pelos árbitros, auxiliares de arbitragem, delegados e fiscais de cada espetáculo desportivo, bem como por aqueles que realizam o exame antidopping, bilheteiros, porteiros, maqueiros, seguranças, gandulas, etc, é da entidade promotora do evento (federação, confederação ou liga de futebol). A existência de Código Desportivo da Federação Catarinense de Futebol e de estatuto, atribuindo a responsabilidade à associação desportiva (time da casa), não tem o condão de modificar o sujeito passivo da contribuição previdenciária, em face do regramento contido no art. 123 do CTN. Recurso especial conhecido, mas desprovido. ..EMEN: (RESP 200300196571, FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJ DATA:01/02/2005 PG:00479 RSTJ VOL.:00187 PG:00239 ..DTPB:.) Realizar espetáculo desportivo com os portões abertos ou com os portões fechados ou com filantropia é uma coisa, realizar o espetáculo desportivo de forma normal e regular e conceder ingressos sem custo para os beneficiários fora das hipóteses legais não encontra amparo na lei, pois a lei prevê quando tais situações podem e devem ocorrer. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 543 8 O TRF1 possui o julgado abaixo transcrito sobre o assunto, o qual admite de forma clara que na inexistência de renda não há incidência da contribuição, pois essa não incide sobre base de cálculo hipotética. TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA ESPETÁCULO DESPORTIVO LEI Nº 8.212/91, ART. 22, § 6º EVENTO REALIZADO SEM VENDA DE INGRESSOS RECEITA INEXISTENTE INCIDÊNCIA SOBRE RENDA, HIPOTETICAMENTE, AUFERIDA IMPOSSIBILIDADE SEGURANÇA CONCEDIDA. a) Recurso Apelação em Mandado de Segurança. b) Decisão de origem Denegada a Segurança. 1 Haverá incidência da Contribuição Previdenciária nos casos em que o espetáculo desportivo produzir renda, tãosomente, não cabendo cobrança da aludida contribuição com base na receita bruta que, hipoteticamente, seria auferida se vendidos ingressos. 2 Embora a Contribuição Previdenciária incida, também, sobre a receita decorrente "de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos" (Lei nº 8.212/91, art. 22, § 6º), a discussão, na espécie, restringese a arbitramento da sua base de cálculo com espeque em estimativa da renda bruta que seria auferida se houvesse venda de ingressos. 3 Recurso de Apelação provido. 4 Sentença reformada. 5 Segurança concedida. (AMS 200633000177523, DESEMBARGADOR FEDERAL CATÃO ALVES, TRF1 SÉTIMA TURMA, eDJF1 DATA:30/07/2010 PAGINA:239.) Mas da leitura do relatório da decisão judicial citada acima, verificase que a situação é a que relatei linha atrás, ou seja, não há renda o clube abre não desta em favor da coletividade, mas na situação dos autos foi a Federação que não é a destinatária da renda por meio de ajuste com uma outra entidade, no caso a administradora/detentora da arena desportiva que por meio de convênio abriram mão da renda, renda essa que não pertencem a essas entidades, mas ao clube de futebol e com isso reduziram a base de incidência da contribuição sem respaldo na lei, o que no caso não é possível. 1 A FEDERAÇÃO BAHIANA DE FUTEBOLFBF, qualificada nos autos, impetrou MANDADO DE SEGURANÇA para impugnação de ato praticado pela DELEGADA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM SALVADOR/BA, pretendendo compelila a absterse de exigirlhe “a retenção e o repasse ao INSS das contribuições previdenciárias devidas pelos Clubes de Futebol quando da realização de espetáculos esportivos através(sic) de jogos com ‘portões abertos’, portões fechados ou por filantropia”, “ante a inexistência de receita bruta que é o fato gerador das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o art. 22, §§ 6º e 7º, da Lei nº 8.212/91”.APELAÇÃO CÍVEL (AMS) Nº 2006.33.00.0177523/BA (MS – 4.181279 1993.8781.8901812010) (o destaque é meu). Nos termos do artigo 22, § 8º, da Lei 8.212/91 a entidade responsável pelo recolhimento da contribuição deve verificar se o borderô, registra todas as receitas auferidas pelo clube com o espetáculo. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 544 9 As diversas jurisprudências e doutrinas suscitadas não se aplicam, embora até pareça haver uma similitude da situação, mas que na realidade não ocorre e os motivos são simples. Em primeiro lugar, o ISS e a contribuição social previdenciária não possuem os mesmos pressupostos legais, tendo elementos e critérios distintos, inclusive, quanto a finalidade, objetivo e destinação. Em segundo lugar, no ISS o próprio beneficiário, ou seja, o prestador do serviço abre mão da remuneração por motivo de seu interesse e no caso dos ingressos cortesia é a federação que em acordo/ajuste/convênio com outra entidade que abrem mão da renda que não é dela promotora dos espetáculo, mas sim dos clube envolvidos naquele espetáculo. Aliás, a Lei 10.671/2003 estabelece as regras e a responsabilidade pela emissão e venda dos ingressos que é sempre da entidade desportiva com mando de campo. Art. 21. A entidade detentora do mando de jogo implementará, na organização da emissão e venda de ingressos, sistema de segurança contra falsificações, fraudes e outras práticas que contribuam para a evasão da receita decorrente do evento esportivo. Art. 22. São direitos do torcedor partícipe: (Vigência) I que todos os ingressos emitidos sejam numerados; e § 2o A emissão de ingressos e o acesso ao estádio nas primeira e segunda divisões da principal competição nacional e nas partidas finais das competições eliminatórias de âmbito nacional deverão ser realizados por meio de sistema eletrônico que viabilize a fiscalização e o controle da quantidade de público e do movimento financeiro da partida. (Redação dada pela Lei nº 12.299, de 2010). Art. 24. É direito do torcedor partícipe que conste no ingresso o preço pago por ele. § 1o Os valores estampados nos ingressos destinados a um mesmo setor do estádio não poderão ser diferentes entre si, nem daqueles divulgados antes da partida pela entidade detentora do mando de jogo. § 2o O disposto no § 1o não se aplica aos casos de venda antecipada de carnê para um conjunto de, no mínimo, três partidas de uma mesma equipe, bem como na venda de ingresso com redução de preço decorrente de previsão legal. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 545 10 Declaração de Voto Em Voto Vista. Gustavo Vettorato Conselheiro Com a devida licença do nobre Conselheiro Eduardo, venho a discordar de seu voto. Verificase nos autos, que indiferentemente das causas de isenção expressas em lei, no caso presente entendo que a doação de ingressos, a título de cortesia, não pode ser considerado como fato gerador das contribuições previdenciárias, na forma prevista no art. 22, § 6º, da Lei n. 8.212/1991, como passo a discorrer. Como premissa do juízo, o aspecto quantitativo da hipótese impositiva descrita na norma de incidência tributária é a “receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos”. Conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal, indiferente de algumas variações, a definição de “receita bruta” é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto). No caso em discussão, os ingressos fornecidos em cortesia, em especial à Superintendência de Desportos da Secretaria do Estado do Rio de Janeiro, não geram receita para o espetáculo, ou se geram a título por fixação de preço simbólico, a receita bruta será reduzida em razão disso, e conseqüentemente o crédito tributário também o será, sob pena de abalroar a proporcionalidade e dimensão quantitativa do fato gerador ocorrido no mundo real. Entendimento contrário, utilizandose por fato gerador a “emissão de ingressos” é modificar sem autorização legal o fato gerador. Ainda, o caráter e capacidade econômica do evento (art. 145, §1º, da CF/1988) de doação ou oferta por cortesia do ingresso é limitado pelo seu próprio ato, ou seja, ele não gera receita, não gerando receita bruta não há ocorrência da hipótese da norma tributária. Mais, nenhuma contribuição previdenciária tem autorização constitucional de recair sobre doação (art. 195, da CF/1988). Os arts. 108 e 110, do CTN, são claros em vedar que a lei ou sua interpretação altere a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias, em especial para, resultar a exigência de tributos. Buscar forçar a incidência do tributo em questão, por supor que houve ingressos de receitas oriundas das cortesias a mais do que os ingressos poderiam expressar, é descumprir com o Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 546 11 próprio princípio da legalidade, pois os ingressos não vendidos, estariam no campo de não incidência tributária. Ou seja, a interpretação fiscal extrapola os limites da interpretação jurídica em matéria tributária, o que por sua vez viola o disposto no art. 142, do CTN, em que o lançamento deve ter a devida motivação aceita pelo ordenamento jurídico. O entendimento acima, em que somente pode incidir a contribuição previdenciária sobre os ingressos ao evento esportivo somente quando houve receita oriunda de sua venda, é consonante com a jurisprudência, como citase trecho da decisão monocrática do Desembargador Catão Alves, nos autos do AI n. 004262914.2006.4.01.0000, de 23.11.2016: 4 Verificase, pelo exame dos autos, que o Agravado pretende exigir da Agravante, ainda que não haja venda de ingressos para os espetáculos esportivos, a apresentação de boletim financeiro, que deverá considerar o público presente e o valor estimado da receita bruta do evento em razão do preço do ingresso normalmente cobrado nos jogos que ela promove, para cobrança da contribuição previdenciária. 5 Prescreve o art. 22, § 6º, do da Lei nº 8.212/91,com a redação dada pela Lei nº 9.528/97:"§ 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo,corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo o território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade,PODER JUDICIÁRIO AG nº 2006.01.00.0441598/BA (decisão)TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO fls.2/3TRF1ª REGIÃO/IMP.150204 D:\Carga_Dec_Mono\GravaPDFs\PDFS\200601000441598_8. DOCpropaganda e de transmissão de espetáculos desportivos." (Grifei.) 6 Entendo, data venia, que deverá haver incidência da contribuição previdenciária apenas nos caso sem que o espetáculo desportivo produza renda, não havendo que se falar em cobrança dessa contribuição com base em valor estimado da receita bruta que poderia ter sido obtida se os ingressos tivessem sido vendidos. 7 Assim, a contribuição previdenciária somente pode ser exigida quando o espetáculo produzir receita com a venda de ingressos e a associação desportiva participar de eventos oficiais promovidos pela Federação, que será responsabilizada apenas se deixar de recolhêla.8 Outro não é o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça:"TRIBUTÁRIO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA.RENDA LÍQUIDA DOS ESPETÁCULOS. LEI3.807/60 (ART. 69). LEI 5.939/73 (ART. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/200942 Acórdão n.º 2803003.438 S2TE03 Fl. 547 12 2ºE § 1º). LEI 6251/75 (ART. 2º). DECRETO77.210/76 (ART. 3º).1. A substituição da contribuição estabelecida no art. 69, III, Lei3.807/60, pelo percentual de 5% previsto no art. 2º, Lei 5.939/73, pressupõe que a associação desportiva participe de espetáculos oficiais promovidos pela Federação respectiva e que produzam renda, a fim de que, sobre esta última(renda líquida) incida a aludida per centagem, a ser recolhida "pela federação promotora da partida" (art. 2º,Lei 5.939/73).2. Conquanto a Federação promotora da partida seja diretamente responsável pelo recolhimento e a Confederação subsidiariamente por essa obrigação, a dívida é dos clubes ou associações. AFederação só é responsável se, existindo renda, deixar de proceder o desconto ou,se procedendo, deixar de efetivar o recolhimento.3. A Autora não faz jus às substituição prevista no art. 2º, Lei5939/73, sujeitandose ao pagamento da contribuição objeto da demanda.4. Precedente jurisprudencial.PODER JUDICIÁRIO AG nº 2006.01.00.0441598/BA (decisão)TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO fls.3/3TRF1ª REGIÃO/IMP.150204 D:\Carga_Dec_Mono\GravaPDFs\PDFS\200601000441598_8. DOC5. Recurso provido." (Grifei.) (RESPnº 241.129/PR Relator Ministro MiltonLuiz Pereira STJ Primeira Turma Unânime D.J. 06/5/2002 pág. 248.) Inclusive, com a devidas escusas, a interpretação do voto inicial para o julgado do AMS 200633000177523, referido pelo Relator, desconsiderou que o caso foi entendido que há incidência sobre a renda bruta, entendido sobre todos os valores efetivamente arrecadados no evento (ingressos, publicidade, direitos de arena), não cabendo cobrança de contribuição previdenciária sobre valores hipoteticamente cobrados de ingressos não vendidos, somente os que foram efetivamente cobrados. Isso posto, voto para dar provimento ao recurso voluntário, cancelando o lançamento e respectivo crédito tributário. É como voto. Gustavo Vettorato Conselheiro Fl. 547DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digital mente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13652.000113/99-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/05/1999
Supressão de instância - Aplicação do artigo 62-A do RICARF.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Numero da decisão: 3101-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para aplicação do art. 62 A do RICARF e determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais questões.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES
Presidente Substituto
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Recurso Voluntário Provido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para aplicação do art. 62 – A do RICARF e determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais questões. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Presidente Substituto VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios. Relatório O presente processo já esteve nessa instância administrativa, resultando no acórdão nº 30234812 da 2ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes que por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 2. 00 01 13 /9 9- 78 Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES Processo nº 13652.000113/9978 Acórdão n.º 3101001.648 S3C1T1 Fl. 32 2 maioria de votos foi dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte reconhecendo o direito a restituição dos valores pagos a título de quota de contribuição de café. Porém, o referido julgamento foi anulado para que outra decisão seja proferida, observando os princípios do duplo grau de jurisdição e do devido processo legal conforme voto vencedor da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho de fls. 982 a 984 do CSRF – Recurso Especial do Procurador – Acórdão 930300.465 – 3ª Turma em sessão de 18/11/2009. Assim, tratase de pedido de restituição, fls 01, no valor de R$ 97.361.499,05 (atualizado até junho /99), protocolado em 30 de junho de 1999, relativo aos recolhimentos da quota de contribuição sobre exportação de café, do período de outubro/88 a maio de 1990. A Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas/MG proferiu despacho decisório (fls.829/830) indeferindo o pedido de restituição, tendo em vista que “não havendo receita a anular, a restituição das rendas extintas será efetuada com recursos das dotações consignadas no orçamento da despesa da União”. Em acórdão proferido às fls. 843/848, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de que os efeitos da declaração de inconstitucionalidade obtida pelo controle difuso restringemse apenas aos participantes da ação judicial e somente produzirá efeitos em relação a terceiros após resolução do Senado suspendendo a execução da lei ou do ato normativo declarado inconstitucional, ou de ato especifico do Secretário da Receita Federal, no âmbito de sua competência, com tal finalidade (Lei n°. 9.430/96, art. 77 e Decreto n'. 2.346/97). Em sessão realizada no dia 06/06/2001, pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do voto do Ilustre Conselheiro Helio Fernando Rodrigues Silva, foi dado provimento ao Recurso Voluntário por maioria de votos, tendo o julgamento a seguinte ementa: "COTA DE CONTRIBUIÇÃO AO IBC. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO JULGAR PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO COM BASE EM DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELA VIA INDIRETA. Tendo o Superior Tribunal Federal declarado a inconstitucionalidade de lei por via indireta (controle difuso), esta perde sua presunção de constitucionalidade. E sendo assim, os órgãos de julgamento da Administração, responsáveis pelo controle da legalidade dos atos da própria Administração, devem apreciar pedidos de restituição de valores de tributos pagos em razão de lei declarada inconstitucional, ainda que pela via indireta. Recurso Voluntário Provido.” Finalmente, a Recorrente, veio aos autos mais de uma vez requerer a inclusão do processo em questão para aplicação do art. 62A do RICARF. Esse é o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES Processo nº 13652.000113/9978 Acórdão n.º 3101001.648 S3C1T1 Fl. 33 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tendo em vista a superação das questões de análise de constitucionalidade do dispositivo legal e a questão da supressão da instância e a conseqüente anulação do acórdão da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, já relatado, passo ao julgamento novamente do Recurso Voluntário do contribuinte para uma nova decisão do agora CARF. Também, entendo não ser o caso de julgar sobre a constitucionalidade da lei, mas sim de aplicar o julgamento do STF, que, inclusive, já foi convalidado pelo Senado Federal e pela própria União Federal que em Medida Provisória acatou a inconstitucionalidade da exação. Essa questão, inclusive já foi em muito comentado e destacado nos presentes autos desse processo, portanto, entendo desnecessário repetila, por demais conhecida por todos. Assim, entendo que ficou substanciado na decisão de anulação do acórdão da 2ª Câmara do Terceiro Conselho que houve supressão de instância sobre a veracidade e autenticidade dos pagamentos e da indicação dos índices de correção, bem como prescrição e decadência, se houve, ou seja, faltou a 1ª instância analisar outros pressupostos necessários a apuração dos valores a ser restituído pelo contribuinte. Isto posto, Dou Provimento Parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do art. 62A do RICARF e determinar que o processo volte a DRJ competente, para análise dos demais pressupostos do direito e de fato do pedido de restituição do contribuinte. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por RODRIGO MINEIRO F ERNANDES
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Numero do processo: 10730.904489/2009-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
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ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 44 89 /2 00 9- 46 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Tratase do Despacho Decisório n° 831660963, de 20.04.2009 (fls.46), emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em NiteróiRJ, que, sob o fundamento de que o darfcrédito fora integralmente utilizado na quitação de débitos do interessado, não homologou a seguinte compensação declarada: Quadro 1 CRÉDITO DECLARADO: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DÉBITO COMPENSADO Dcomp N° do Pgto. Receita código Apuração Arrecadação Valor Receita Apuração Vencto. Valor Principal 29069.43966.101006.1.3.04 0730 (fls.50/54) 3407461778 IRPJ5993 31.03.2002 e 30.04.2002 44.728,40 IRPJ 5993 Mai/2003 e 30.06.03 45.576,30 (1) (1) Mais multa e juros de mora. Enquadramento legal: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e art. 74 da Lei n° 9.430, de 27.12.1996. 2. Na Dcomp, a utilização do crédito foi informada assim: Quadro 2 (página 2 da Dcomp, às fls.51) Valor original do crédito inicial 44.728,40 Crédito original na data da transmissão 44.728,40 Selic acumulada 77,92% Crédito atualizado 79.580,77 Total dos débitos desta Dcomp 79.580,77 Total do crédito original utilizado nesta Dcomp 44.728,40 Saldo do crédito original 0,00 3. Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.3/4), o interessado alega que "houve de fato um pagamento indevido e um equívoco no preenchimento da DCTF, confessando indevidamente o débito". 4. Diz que "tratase de um darf de IRPJ cujo código é 5993, referente ao período de 03/2002, no valor de R$ 44.728,40, se comparado a DCTF Retificadora com a DIPJ, veremos que este débito Não é de fato devido”. 5. Acrescenta que “ para a confirmação do alegado, juntamos à presente cópia da DCTF retificadora, cópia da DIPJ, cópia do Per/Dcomp e cópia do Darf”. 6. Pede "a homologação total do crédito para quitação total do débito na Per/Dcomp acima descrita, tendo em vista que o crédito é sem dúvida existente”. 7. Com a Manifestação de InconformidadeMI vieram os documentos de fls.5/45. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.61/109. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1237.623, de 31 de maio de 2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904489/200946 Acórdão n.º 1802002.268 S1TE02 Fl. 3 3 Anocalendário: 2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. As alegações desprovidas de provas não produzem efeitos em sede de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DCOMP. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não produz efeitos no julgamento do direito creditório alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRPJ. CÓDIGO 5993. ESTIMATIVAS MENSAIS. CRÉDITO UTILIZADO. DÉBITO NÃO ELIDIDO. Mantémse o Despacho Decisório se não provado que o débito que deu causa à não homologação da compensação era indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da mencionada decisão em 17/11/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/12/2011, no qual alega que: discorda da decisão recorrida ao entender que o contribuinte deixou de juntar provas (escriturais e documentais) do direito alegado, pois o crédito existe, conforme pagamento indevido feito no valor de R$ 44.728,40, recolhido em 30/04/2002, que gerou um crédito a favor da requerente, como pode ser verificado na DIPJ 2003, Ficha 11, mês março/2002, como demonstrado na memória de cálculo do mês de março/2002, com valores retirados do balancete e do LALUR, não há que se falar em pagamento de IRPJ, pois o resultado foi de “Prejuízo Fiscal” no valor de R$ 121.394,00: Prejuízo Liquido (balancete) Adições Exclusões Compensação 30% Prejuízo Fiscal (130.542,45) 9.148,45 (121.394,00) a retificação da DCTF ocorrida após ciência do despacho decisório, foi feita para simples correção do erro de preenchimento. Desta forma, a retificação da DCTF em nada afetou o direito creditório, pois este sempre existiu, permanecendo intocável desde o pagamento indevido. o entendimento do julgador de que o crédito utilizado na Dcomp nº 29069.43966.101006.1.3.04 0730 (fls.50/54) tem origem no pagamento de Estimativa Mensal Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 e que este só poderia ser restituído /compensado ao final do período de apuração, sob a forma de Saldo Negativo, com fundamento na IN SRF 460/2004, é equivocado, uma vez que a Lei não faz restrição a compensação de estimativas mensais, assim como a IN RFB 900/2008 não traz mais esta restrição, cabendo ressaltar ainda, que já há decisão proferida em sede de julgamento, no âmbito da Receita Federal do Brasil, mantendo o entendimento de que os pagamentos de estimativas mensais são passíveis de compensações como modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido, conforme o Acórdão 12.39.032 4a Turma da DRJ/RJ1 de 27/07/2011. Finalmente a Recorrente requer seja acolhido o presente recurso para fim de ser HOMOLOGADO O CRÉDITO. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 29069.43966.101006.1.3.04 0730 (fls.50/54), transmitido em 10/10/2006, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 44.728,40, período de apuração: 31/03/2002, arrecadação: 30/04/2002, com débito de IRPJestimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Mai/2003 e VENCIMENTO: 30/06/2003). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.13, emitido em 20/04/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Os fundamentos expendidos na decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1237.623, de 31 de maio de 2011, são, no essencial, os seguintes: ... 35 Temse, então, que as alegações do interessado, em sede deste processo administrativo fiscal, não podem produzir efeitos porque desacompanhadas das provas (escriturais e documentais) do direito alegado. 36 Mas, ainda que assim não fosse, o crédito alegado é concernente a pagamento de estimativa mensal, que, na forma da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004), não comporta restituição, e só pode ser restituí do/compensado ao final do período de apuração, porém, sob a forma de saldo negativo, senão vejamos: ... Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904489/200946 Acórdão n.º 1802002.268 S1TE02 Fl. 4 5 O fundamento para rejeitar a manifestação de inconformidade, no sentido de que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário, não pode prosperar, pois, de fato, como bem argumentado pela Recorrente, a Instrução Normativa RFB n° 900/08 não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De sorte que, a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Como visto, o segundo fundamento para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, não encontra amparo na norma legal que rege a matéria. A Turma julgadora de primeira instância apesar de indeferir o pleito da Recorrente, por falta de provas escriturais e documentais, faz as seguintes observações no voto condutor do Acórdão recorrido: ... 13 Pois bem. Relativamente ao anocalendário de 2002, o interessado entregou, nas datas abaixo, duas Declarações de Informações EconômicoFiscaisDIPJs, e, com relação ao primeiro trimestre, duas DCTFs: Quadro 3 DCTF (fls.68) DIPJ (fls.61) 14.05.2002 18.06.2003 26.05.2009 10.10.2006 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904489/200946 Acórdão n.º 1802002.268 S1TE02 Fl. 5 7 14 O débito de acordo com o corpo do Despacho Decisório ao qual o darfcrédito foi alocado, foi confessado na DCTF entregue em 14.05.2002 e foi vinculado a pagamento de igual valor (fls.69/70). ... 38 Deve ser observado, por fim, à autoridade lançadora, para as providências que reputar cabíveis, que, em face do processamento da DCTF Retificadora entregue em 26.05.2009, passou a figurar "saldo", na consultaSief às fls.109. 39 Observese, também, para as providências revisionais que julgar cabíveis, que, nas consultasSief, às fls.73, os darfs arrecadados (IRPJ5993, de 01.01.2002 a 31.01.2003) somam R$ 196.104,10, e, os débitos (após DCTF Retificadora), R$ 34.061,98 (fls.74). ... É certo que a DCTF retificadora fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório, porém, a DIPJ/2003 retificadora fora apresentada antes da ciência do Despacho Decisório. Do Despacho Decisório da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Niterói (fl.13) não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ/2003 em confronto com a DCTF. Conforme consignado acima, constam no voto condutor do acórdão recorrido observações para providências revisionais pela autoridade administrativa emitente do Despacho Decisório. Cabe a análise da DIPJ/2003 e DCTF(s), bem como os Balancetes de Suspensão/Redução do ano calendário de 2002, comprovados mediante escrituração contábil e fiscal, para se verificar se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 31/03/2002 é maior que o devido e ainda se não fora utilizado para compor o saldo negativo de 31/12/2002. Assim, afastado o óbice escorado no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, que também serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, e, para que não se alegue supressão de instância, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Niterói/RJ) para análise do PER/DCOMP em comento, e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado à Recorrente para sua manifestação se interessar. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10925.000359/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3401-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, exceto quanto aos fretes entre estabelecimentos da mesma empresa quando o destinatário não seja o estabelecimento produtor. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori que davam provimento também quanto a essa matéria. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. Para definir o conceito de insumo na COFINS nãocumulativa, é necessário constatar a essencialidade do bem ou do serviço ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito da COFINS nãocumulativa somente as despesas com materiais e serviços considerados essenciais. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. INSUMO. DELIMITAÇÃO. Os fretes incidentes sobre o transporte entre estabelecimentos da pessoa jurídica qualificamse como prestação de serviços aplicados na produção, enquadrandose como insumo, a teor do art. 3º, II da Lei nº 10.833/03, todavia, aludido direito de crédito está limitado às transferências de insumos e produtos em elaboração, não se estendendo aos produtos acabados. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃOCUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 59 /2 00 9- 55 Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Nos pedidos do ressarcimento, cabe ao contribuinte a constituição das provas que demonstram a existência do crédito. A falta dessas provas leva ao indeferimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, exceto quanto aos fretes entre estabelecimentos da mesma empresa quando o destinatário não seja o estabelecimento produtor. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori que davam provimento também quanto a essa matéria. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente). Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa vinculada à exportação do terceiro trimestre de 2007 para compensar com diversos débitos do ano de 2008. A PER/DCOMP foi transmitida em 06/08/2007 (fls.02/53). Na análise do crédito (fls.1.314/1.333), a delegacia de origem glosou os créditos com as seguintes origens: · Aquisições de bens para revenda; · Aquisições de bens não considerados insumos pela autoridade fiscal: material de uso geral (arruela, parafuso, bucha, tubo galvanizado, tubo PVC etc), material de embalagens e etiquetas; peças de reposição e serviços gerais; material de segurança, material de conservação e limpeza, material de manutenção predial; ovos incubáveis (adquiridos de pessoas físicas); fretes; outros itens (lavagem de uniforme, cimento, conserto de lava a jato, pintura etc). · Despesa de armazenagem e frete na operação de venda; · Crédito presumido de atividades agroindustriais; · Créditos a descontar na importação – COFINS paga. Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10925.000359/200955 Acórdão n.º 3401002.675 S3C4T1 Fl. 656 3 Com essas glosas, do valor de R$ 3.300.606,99 pleiteado pela Contribuinte, foram reconhecidos somente R$ 2.251.892,08 (fls. 1.334/1335). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.1.339/1.362), mas a DRJ manteve as glosas ao prolatar acórdão (fls. 1.749/1.780) com a seguinte ementa: REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Os créditos de Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep objeto de ressarcimento não enseja atualização monetária ou incidência de juros. (...) PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 10/05/2012 (fl.1.783) e interpôs recurso voluntário em 06/06/2012 (fls. 1.784/1807), com as alegações resumidas abaixo: 1 Os bens para revenda glosados pela fiscalização, na verdade, consistem em suínos, mas eles não foram adquiridos para revenda e sim para reprodução de animais, o que autorização a geração do crédito; 2 A glosa quanto ao serviço de transporte é incorreta, pois foi considerado transporte de transferência de mercadoria entre estabelecimentos da Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10925.000359/200955 Acórdão n.º 3401002.675 S3C4T1 Fl. 657 5 mesma empresa, quando, na verdade, eram fretes sobre compra de mercadoria; 3 Nas glosas em relação à aquisição de bens que a autoridade fiscal não considerou como insumo, por ter utilizado o conceito de insumo de forma restrita. Todos os bens glosados fazem parte do processo produtivo e, por isso, geram crédito. 4 O crédito presumido da agroindústria pode ser utilizado para compensação de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; 5 O crédito presumido deve ser calculado com alíquota de 60% sobre o valor das aquisições, vez que a Recorrente produz produtos de origem animal, e não 35%, como considerou a autoridade fiscal; 6 Parte do crédito foi negado porque a autoridade fiscal entendeu que não foram pagos PIS e COFINS na importação, em razão de ter sido realizada na modalidade Drawback. Não obstante, o que aconteceu, na realidade, é que nos meses de janeiro a março de 2007 a Recorrente não incluiu a totalidade das DI’s registradas no período. Essas DI’s também não foram computadas pela autoridade fiscal na apreciação do pedido de ressarcimento. Essas DI’s não tratam de importação com suspensão do tributo, por isso devem ser consideradas para o cálculo do crédito. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que o crédito seja reconhecido. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteia o ressarcimento de três tipos de créditos da COFINS, a saber: da nãocumulatividade, presumido atividade agroindustrial e o crédito descontado em importações. O crédito pleiteado foi parcialmente negado, sendo devolvida para apreciação deste Conselho se as glosas foram corretas. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 1. Do crédito da nãocumulatividade A Lei nº 10.833/03, que instituiu a COFINS nãocumulativa, autoriza o aproveitamento de crédito pelo contribuinte em algumas situações previstas no seu art. 3º, in verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10925.000359/200955 Acórdão n.º 3401002.675 S3C4T1 Fl. 658 7 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifo nosso) Assim sendo, o direito ao crédito e glosas praticadas pela autoridade fiscal devem ser analisadas com base no texto transcrito acima. No que concerne às glosas do crédito da nãocumulatividade, elas foram as seguintes: (1) Aquisições de bens para revenda; (2) Aquisições de bens não considerados insumos pela autoridade fiscal: material de uso geral (arruela, parafuso, bucha, tubo galvanizado, tubo PVC etc), material de embalagens e etiquetas, peças de reposição e serviços gerais, material de segurança, material de conservação e limpeza, material de manutenção predial, ovos incubáveis (adquiridos de pessoas físicas), fretes, outros itens (lavagem de uniforme, cimento, conserto de lava à jato, pintura etc); (3) Despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A seguir, serão analisadas essas glosas. 1.2 Aquisição de bens para revenda Segundo consta no relatório fiscal, essa glosa ocorreu por duas razões, quais sejam: os bens foram adquiridos de pessoas físicas e o aproveitamento de crédito em relação ao transporte entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Segundo a Recorrente, essa aquisição é referente a suínos reprodutores e ela apropriouse, indevidamente, de crédito no patamar de 9,25%. Todavia, esses suínos não eram para revenda, mas sim reprodução, sendo permitida a geração do crédito com base no art. 8, da Lei nº 10.925/04. Nesse ponto, a Recorrente confirma que fez o aproveitamento indevido do crédito. Além disso, muito embora alegue que os suínos foram adquiridos para reprodução, ela não apresentou nenhuma prova de sua alegação. Se não bastasse, o pedido de ressarcimento de um crédito e posterior mudança para outra modalidade de crédito, como pretende a Recorrente, configura inovação no pedido, o que não é permitido. A Recorrente também não provou que o frete relacionado à aquisição dos suínos era do transporte entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Por essa razão, foi correta a glosa. 1.3 Bens não considerados insumos Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 Nesse ponto, a autoridade fiscal glosou vários itens, classificados do seguinte modo: a) Material de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, paraf. i. sext, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado, tubo PVC etc; b) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão e etiquetas de uso interno; c) Peças de reposição e serviços gerais: peças para máquinas e equipamentos, peças de manutenção, peças e serviços torno, serviço de conserto de equipamento, serviço de lavação de roupas, serviço de locação de guindaste, serviço de manutenção máquinas, serviço em peças, serviço instalação de equipamentos etc; d) Material de Segurança: avental, bota, botina, capacete, protetor auricular, protetor facial, compras de botas sete léguas etc; e) Conservação e limpeza: desinfetante, detergente, vassouras, serviços de ajardinamento e limpeza, serviço de conserto de bens móveis, serviço de lavanderia etc; f) Manutenção predial: argamassa, calcário, tintas, tomadas, torneira, compra de concreto, usina, serviço de construção civil etc. g) Ovos incubáveis, adquiridos de pessoas físicas; h) Fretes; i) Outros itens: Lavagem de uniforme, cimento, conserto de “lava a jato”, pintura etc. O inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.883/03, autoriza o aproveitamento de crédito da COFINS nãocumulativa em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Dessa forma, para verificar se determinada aquisição gera ou não o crédito, é necessário que se saiba se ela é insumo. Ocorre que para o PIS e a COFINS nãocumulativos, o conceito de insumo não é simples. Enquanto no IPI existem critérios objetivos para saber se determinado item é um insumo (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), no PIS e na COFINS, essa definição sofre contornos subjetivos. Para saber o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, é necessário saber se o bem é essencial ao processo produtivo, ainda que dele não participe diretamente. Conforme consta no relatório fiscal (fl.1.322), a Recorrente se dedica à fabricação de produtos de carne. Nessa linha, cabe ao contribuinte demonstrar a função de cada bem cujo reconhecimento como insumo é pretendido e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10925.000359/200955 Acórdão n.º 3401002.675 S3C4T1 Fl. 659 9 1.3.1 Material de uso geral Segundo a Recorrente, no tocante a esse item, além de excluir arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC, a Autoridade Fiscal também excluiu avental plástico, bota de borracha, camisa e camiseta impermeável, calça proteção, creme protetor microbiológico, detergente, lenha de eucalipto, luva, óleos lubrificantes, papel toalha, peças para máquinas, protetor auricular, correias industriais, etc. A Recorrente não despendeu tempo explicando a utilização de cada item, razão pela qual, na maioria, não restou demonstrada a essencialidade do bem à sua atividade. Todavia, por se tratar de agroindústria que produz alimentos, parecer ser óbvio que alguns itens são indispensáveis à atividade, pois necessários à higiene para produção de alimentos e proteção dos seus trabalhadores. Por essa razão, devem ser excluídas as glosas sobre a aquisição dos seguintes itens: avental plástico, bota de borracha, camisa e camiseta impermeável, calça proteção, creme protetor microbiológico e luvas. 1.3.2 Material de Embalagens e Etiquetas A Recorrente sustenta que a embalagem utilizada não é somente para transporte, mas também é essencial para proteger o alimento de contaminação. Neste ponto, não vejo motivo para glosa do material de embalagem, pois, mesmo que a finalidade fosse unicamente o transporte, isso não seria motivo para geração do crédito. Se a embalagem gera custo para o contribuinte e é necessária à atividade, ainda que seja para transporte, gera o crédito da COFINS nãocumulativa, pois o conceito de insumo da nãocumulatividade da COFINS e do PIS não é o mesmo do IPI. No IPI, a embalagem somente gera crédito se for para apresentação ao consumidor final, não obstante, para o PIS e para COFINS, a exigência é que seja essencial à atividade da pessoa jurídica. No caso em tela, é inviável a atividade da contribuinte, produção de alimento, sem que se utilize embalagem para transporte e apresentação ao seu consumidor. Nesse sentido, demonstramse decisões do CARF: NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.INSUMOS. CONCEITO Para fins de geração de créditos da Cofins no regime da nãocu mulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de be ns ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou pr odutos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 10 em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE INTERNO. REMOÇÃO DE RES ÍDUOS. Consideramse insumos os materiais de embalagem incorporados ao ativo circulante utilizados para a eliminação dos resíduos da produção ou para o transporte de produtos dentro da unidade fabril. (3ª SJ, 2ª Cam, 1ª TO, Processo 11686.000028/200848, julgado em 24/09/2013. Rel. Cons.Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto) “INSUMOS. TERMO. ALCANCE. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operaç ão de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito. (3ª SJ. 3ª TE. Processo 13981.000030/200746. Julgado em 25/09/2012. Rel. Cons. João Alfredo Aduão Ferreira) Assim, também deve ser excluída a glosa em relação ao material de embalagem. 1.3.3 Das peças de reposição e serviços gerais Como já amplamente demonstrado, para ser considerado insumo para fins de PIS e COFINS nãocumulativos, o bem adquirido deve ser essencial para a atividade econômica do contribuinte. No tocante às peças de reposição, a Recorrente apenas alega que a utilização delas serve para manter os bens de produção em condições eficientes de operação. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10925.000359/200955 Acórdão n.º 3401002.675 S3C4T1 Fl. 660 11 Todavia, a Recorrente não logrou demonstrar com clareza em que máquinas essas peças serão repostas, como elas serão utilizadas. Em suma, não demonstrou a essencialidade ao seu objeto social. No tocante aos serviços gerais, a Recorrente também não demonstrou a essencialidade. Por essa razão, deve ser mantida a glosa quanto às máquinas e reposição e serviços gerais. 1.3.4 Material de Segurança: avental, bota, botina, capacete, protetor auricular, protetor facial, compras de botas sete léguas etc. Quanto ao material de segurança, também é possível notar a essencialidade em razão do tipo de atividade da Recorrente, vez que o material glosado é necessário para a manipulação dos animais em todo processo produtivo. Assim sendo, deve ser cancelada a glosa sobre o material de segurança 1.3.5 Conservação e limpeza Nesse item, foi glosado o seguinte: desinfetante, detergente, vassouras, serviços de ajardinamento e limpeza, serviço de conserto de bens móveis, serviço de lavanderia etc. Considerando que a atividade da Recorrente envolve a produção de alimentos, é intuitivo que a higiene do local seja essencial, pois, se não fosse assim, certamente a linha de produção seria lacrada na primeira fiscalização dos órgãos competentes. Desse modo, seguindo a linha da essencialidade e considerando a atividade da empresa, in casu, deve ser reconhecido o direito creditório em relação à aquisição de material para limpeza: desinfetante, detergente e vassoura. Por outro lado, não vejo essencialidade no tocante aos serviços de ajardinamento, serviço de conserto de bens móveis e lavanderia, de modo que devem ser canceladas somente as glosas referentes à aquisição de desinfetante, detergente e vassoura. 1.3.6 Manutenção predial: argamassa, calcário, tintas, tomadas, torneira, compra de concreto, usina, serviço de construção civil etc. Esses itens não apresentam nenhuma relação de essencialidade com a atividade da Recorrente, levando, assim, à manutenção das glosas. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 12 1.3.7 Ovos incubáveis, adquiridos de pessoas físicas O valor foi glosado por ser considerado aquisição de serviço de pessoa física, mas a Recorrente sustenta que, apesar de ter o contrato de parceria para incubação dos ovos, a remuneração dos parceiros, pessoas físicas, é um percentual dos ovos, e que os parceiros vendem esses ovos de volta à Recorrente, sendo o valor glosado relativo à compra dos ovos. Nos autos ,foi apresentado o contrato de parceria (fls. 1.650/1.653), no qual consta na cláusula segunda, parágrafo segundo, o seguinte: “Ajustam as partes, para a efetivação da parceria, que 88% (oitenta e oito por cento) dos ovos provenientes de cada lote de aves entregues, é de propriedade da PARCEIRA, sendo o saldo remanescente de 12% (doze por cento), de propriedade do MATRIZEIRO”. Já o parágrafo primeiro, da cláusula quinta, assim estabelece: “Em relação ao percentual de 12% (doze por cento) dos ovos produzidos, de propriedade do MATRIZEIRO, comprometese este em dar à PARCEIRA preferência na sua compra, cujas condições serão dispostas em documento específico”. As notas fiscais de fls. 1.654/1.659, que acobertam as aquisições de ovos férteis, são de compra e venda. Logo, é forte o indício de que a alegação da Recorrente é verdadeira. Todavia, esses valores foram analisados como crédito da não cumulatividade, por aquisição de insumo, mas, no recurso voluntário, para a mesma aquisição, a Recorrente sustenta tratarse de crédito presumido. Ocorre que, além de se tratar de inovação, o crédito presumido pode ser utilizado somente para dedução e não para ressarcimento, conforme será esmiuçado adiante. 1.3.8 Fretes A autoridade fiscal entendeu que não geram direito ao crédito o serviço de frete para transporte de documentos, insumos, matériasprimas e produtos em elaboração entre filiais. A Recorrente alega não se tratar de transporte para documentos, mas sim de frete sobre a venda a clientes, fretes entre o estabelecimento produtor e estabelecimento produtor da mesma empresa e frete entre estabelecimento produtor e estabelecimento comercial. Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10925.000359/200955 Acórdão n.º 3401002.675 S3C4T1 Fl. 661 13 O inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, autoriza a geração de crédito relativo ao frete na operação de venda, quando esse custo for suportado pelo vendedor. As fls. 1521/1637 demonstram que o frete na venda quase sempre era ônus da Recorrente, de modo que, nesses casos, deve ser reconhecido o direito ao crédito. Quanto aos fretes relativos a transporte entre filiais, por compor custo para venda, também geram o crédito. 1.3.9 Outros itens: Lavagem de uniforme, cimento, conserto de “lava a jato”, pintura etc. No que concerne às glosas deste tópico, percebese essencialidade somente na lavagem do uniforme, por se tratar de cooperativa agropecuária que produz alimentos com carne e cuja higiene é indispensável. No tocante aos demais itens, não geram crédito por não estarem relacionados à atividade da Recorrente. Portanto, deve ser cancelada a glosa somente da lavagem de uniforme. 2. Do crédito presumido de atividade agroindustrial Em relação ao crédito presumido da agroindústria, o cerne da questão consiste em saber se esse crédito pode ser utilizado para compensação de outros débitos administrados pela Receita Federal do Brasil ou se ele pode ser utilizado somente para abatimento da própria COFINS. O art. 8º e o § 1º, da Lei n° 10.925/2004, que prevê o crédito presumido do PIS, assim determinam: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 14 § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)”. Todavia, o § 4º, também do artigo 8º, trouxe vedação ao aproveitamento do crédito pelas cooperativas agropecuárias da seguinte forma: “§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” No fim de 2004, mais precisamente em 22/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe no seu art. 17 a seguinte redação, na qual se apoia a Recorrente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§ 4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004) traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra específica. Portanto, a vedação do § 4º, também do artigo 8º, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito presumido do PIS, pelas cooperativas, em relação às vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas, para compensar com outros tributos. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10925.000359/200955 Acórdão n.º 3401002.675 S3C4T1 Fl. 662 15 3. Dos créditos descontados em importações A Recorrente pretende o aproveitamento dos créditos descontados em importações, não obstante a autoridade fiscal glosou os créditos em relação às importações cuja COFINS não foi efetivamente recolhida em razão da operação de Drawback. A Recorrente, por sua vez, alega que ocorreu equívoco no pedido de ressarcimento e não incluiu todas as DI’s do primeiro trimestre de 2007, o que ocasionou a divergência de valores. Apesar da alegação, a Recorrente não apontou quais as DI’s deixaram de ser apresentadas, muito menos as juntou ao recurso voluntário, de modo que não se pode deferir o pedido de inclusão dos valores da DI’s não incluídas no pedido de ressarcimento. 4. Conclusão Diante da análise acima, devem ser canceladas as seguintes glosas: · Aquisição de insumos – avental plástico, bota de borracha, camisa e camiseta impermeável, calça proteção, creme protetor microbiológico e luvas, desinfetante, detergente e vassoura; · Frete – transporte para venda quando suportado pela Recorrente e transporte entre filiais da Recorrente de matériaprima e de produtos acabados; · Serviço de lavagem de uniforme. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer parcialmente o crédito pleiteado. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado. A presente manifestação, a bem da verdade, não representa um genuíno “voto vencedor”, mas sim, a delimitação do direito conferido pelo eminente Conselheiro Relator. Dessarte, no tópico específico, o direito à apropriação dos créditos referentes aos fretes entre estabelecimentos não alcança a amplitude pretendida pelo recorrente, eis que não abrange, p.e, as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, porquanto, nestes casos, não haveria a prestação de um serviço diretamente no Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 16 processo produtivo, que já encerrou, mas simples custo comercial decorrente de opção logística do contribuinte, que, no entanto, não possui respaldo legal para o creditamento rogado. Consoante legislação de regência das contribuições não cumulativas, a única espécie de frete expressamente admitida na apuração diz respeito àqueles incidentes diretamente nas operações de venda, ainda assim quando suportados pelo vendedor, a teor do art. 3º, IX da Lei nº 10.833/03. As demais espécies (incorridos nas aquisições de insumos, quando suportados pelo adquirente; nas transferências de insumos entre estabelecimentos, etc.) somente são admitidas por força de interpretação analógica. Dessa maneira, os fretes incorridos nas aquisições de insumos, suportados pelo adquirente, a despeito de não previstos na legislação, são aceitos na condição de “custos de aquisição”, como reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. Os fretes incidentes nas transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica, por seu turno, qualificamse como serviços prestados no processo de produção, enquadrandose no art. 3º, II da Lei nº 10.833/03, daí porque devem se limitar à movimentação de insumos e produtos em fase de elaboração. Para reforçar o raciocínio, repito que os fretes referentes às transferências de produtos acabados devem ser excluídos do cálculo, pois nesta etapa a produção já se encerrou, cuidandose meramente de opção logística de distribuição de mercadorias/produtos, ou seja, um custo comercial do contribuinte, para o qual não há previsão para aproveitamento de créditos. Em síntese, no caso vertente, o direito à apropriação de créditos sobre os fretes está adstrita às transferências de insumos e produtos em elaboração entre os estabelecimentos da pessoa jurídica. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 16327.915364/2009-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LÍQUIDO. CERTO.
Os créditos a serem utilizados em compensação devem estar revestidos de certeza e liquidez. Confirmado a existência do crédito, liquidez e certeza por meio de diligência fiscal, há de assegurar o direito do contribuinte ver compensado os débitos até o limite do crédito.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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CRÉDITO. LÍQUIDO. CERTO. Os créditos a serem utilizados em compensação devem estar revestidos de certeza e liquidez. Confirmado a existência do crédito, liquidez e certeza por meio de diligência fiscal, há de assegurar o direito do contribuinte ver compensado os débitos até o limite do crédito. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 53 64 /2 00 9- 90 Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão da instância inferior que manteve na integra o indeferimento de aproveitamento de crédito decorrente de pagamento a maior para a CPMF, relativo a setembro, ano calendário de 2007. Aduz o Recorrente que o erro no preenchimento da DCTF decorre de retenção equivocada sobre operações não tributadas em razão da natureza do cliente, Associação Jesuíta de Educação e Assistência Social, por se tratar a mesma de instituição beneficente e, portanto, imune à tributação, inclusive pela CPMF, conforme prescrição do artigo 195, §7° da Constituição Federal, reiterada pelo artigo 3º, inciso V, da Lei n° 9.311, de 24.10.1996. Diz que a Resolução n° 07, de 03/02/2009, comprova a natureza jurídica de entidade beneficente da Associação Jesuíta de Educação e Assistência Social. De modo que, a retenção da CPMF da conta de titularidade de tal entidade deuse equivocadamente, razão pela qual a Recorrente efetuou o estorno do respectivo valor, como evidenciado no extrato anexado. Afirma também que foi o Recorrente quem assumiu o encargo financeiro do pagamento da CPMF, uma vez que o valor retido a tal título foi devidamente estornado na respectiva conta, conforme extrato anexado. Diz, ainda, que o referido crédito foi devolvido aos clientes, para tanto, incluiu extrato das contas correntes e cartões CNPJ que comprova atividade econômica sujeitas à alíquota zero da CPMF. Sustenta tratarse de erro material e as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas porque demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. A negativa decorreu do fato de que o pagamento discriminado no PER/DCOMP embora tivesse sido localizados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, de modo a não restar saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Autoridade julgadora fundamenta de que se trata de declaração eletrônica e o exame dáse de forma eletrônica, constando inexistência de saldo credor relativo aos DARF informados, há que se indeferir o pleito. Entendeu essa Turma por meio da Resolução nº 3403.000.449, fls. 83/85, que fosse juntado cópia da DCTF retificadora e fosse verificada na contabilidade em conta do CPMF a literalidade do montante devolvido pela Instituição ao cliente. Estes autos retornam com o resultado da diligência, juntado os documentos de fls. 91 a 136, nela detalhada a cobrança do CPMF dos clientes nas operações listadas, bem como o estorno destes valores na conta dos clientes, no valor total de R$ 13.259,35. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.915364/200990 Acórdão n.º 3403003.110 S3C4T3 Fl. 5 3 O Despacho Decisório foi emitido em 01 de outubro de 2009, e, a DCTF original foi retificada em 30/09/2009. Decidiu o Colegiado em baixa o feito em diligência, os documentos carreados autos resultado da diligência confirmou o estorno do valor R$ 13.259,35 (treze mil reais, duzentos e cinquenta e nove reais e trinta e cinco centavos), o que é suficiente para acolher o pleito. No caso desse processado a DCTF retificadora foi apresentada, visto tratarse de Despacho eletrônico, deixouse de observar apresentação da retificadora. Embora o entendimento dessa Turma tenha sido no sentido de que apresentação retificadora não é relevante para acolher ou não o pedido de compensação. Este Colegiado recentemente teve oportunidade de examinar casos parecidos com o trazido neste caderno. O entendimento é de que o fato da DCTF não ter sido retificado ou retificado após o Despacho Decisório temse decido, reiteradamente, no sentido de que essa circunstância, de ordem meramente formal, não afasta a existência do pagamento indevido e, tampouco, impede o reconhecimento dos direitos de crédito e de compensação. De modo que, tomo emprestado parte do voto do Conselheiro Marcos Ortiz Tranchesi, com objetivo motivar a razão de decidir, o qual transcreve abaixo: “A matéria não é nova, e resumese em decidir qual o desfecho do pedido de compensação cujo crédito está vinculado a débito confessado em DCTF previamente transmitida e não retificada. “A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF é inconsistente e excessivamente formal. Distanciase do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF nº 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Esta imperfeição procedimental, contudo, não é, a meu ver, drástica o bastante para nulificar a decisão. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Penso assim porque o processo administrativo serve justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material aludida acima. A teor dos arts. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e 14 do Decreto nº 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase litigiosa do processo administrativo de compensação, a partir da qual os princípios do contraditório e ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento administrativo, que atende às conveniências da própria Administração apenas. Nesse sentido, a lição precisa de James Marins: “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao processo administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of Law, confundem momentos logicamente distintos” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001. p.222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento administrativo”, conclui este mesmo doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a colheita de provas, por iniciativa do Fisco, antes do indeferimento da Dcomp seja recomendável e até sugerida pelo art. 65 da IN/RFB nº 900/08, tratase de providência sob juízo de conveniência da Administração” O caso tratado nestes autos se refere ao fato do Recorrente ter identificado em sua contabilidade retenção de CPMF indevido de alguns clientes, por trataremse Fundos de Investimentos estarem sujeitos à alíquota zero conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 9.311/96. Procedendo ao estorno e devolvendo os valores indevidamente descontados, retidos e declarados em DCTF, ajustou a contabilidade, momento que identificou ter declarado valor maior do que o devido e retificou as declarações originais, ajustando desse modo o valor devido. O despacho decisório, como menciona a decisão de piso, por tratarse de decisão “eletrônica”, parametrizada, o sistema informatizado não visualizou em seus arquivos à presença das declarações retificadoras. E, desse modo, constatou que os DARF pagos e localizados no sistema tinha sido todos locados a débitos declarados, motivo pelo qual não enxergou saldo credor decorrente dos pagamentos indicados em DCOMP. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.915364/200990 Acórdão n.º 3403003.110 S3C4T3 Fl. 6 5 A negativa no caso específico desses autos se atém ao valor original do débito declarado e pagamento indicado em DCOMP, erro material retificável, cuja correção é autorizada pela legislação instituidora da DCTF. Se a rejeição amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar o débito confessado em DCTF é inconsistente e excessivamente formal, o contrário, isso é, quando há a retificadora do débito para menos e negase o direito ao crédito pleiteado. Extraíse dos ensinamentos de Marcos Vinicius Neder e Teresa Maria López da obra “Processo Administrativo Fiscal Federal, comentado. 3a ed., 2010, p. 305), que se transcreve novamente a título de convencimento do desacerto da Administração em negar o reconhecimento do direito e da legitimidade do crédito pleiteado quando há retificadora: “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). A verificação nesses casos, havendo indícios de pedido de compensação de saldo credor decorrente de pagamento a maior do que o devido, não vinculado, é direito e obrigação da Administração, o que não se pode é negar o direito sem profundada análise dos fatos. Cito também a título convencimento o argumento contido no Acórdão 3403001.732 COELBA de lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que assegura: “Relativamente ao fato da DCTF não ter sido retificada, este Colegiado tem decidido reiteradamente no sentido de que essa circunstância, de ordem meramente formal, não afasta a existência do pagamento indevido e, tampouco, impede o reconhecimento dos direitos de crédito e de compensação”. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para modificar a decisão da instância inferior e deferir o direito do crédito pleiteado. Domingos de Sá Filho Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11065.003833/2004-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 03 83 3/ 20 04 -2 6 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/01/201 4 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS 2 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provê o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita. A PGFN apresentou Recurso Especial argumentando que o acórdão deve ser reformado porque não há previsão legal para que os valores obtidos com a cessão de créditos de ICMS gerados de operações de exportação não integrem a base de cálculo da Cofins. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Em julgamento ocorrido em 01/07/2010, foi reconhecida a repercussão geral e sobrestamento do RE 606107/RS, que trata da trata da inclusão das receitas auferidas integrarem ou não a base de cálculo da contribuições PIS e Cofins não cumulativas. Eis a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida. Desta forma, nos termos do art. 62A do RICARF é imperioso que seja aguardado o julgamento final do processo em tramitação no E. STF. Assim, tendo em vista a inexistência de trânsito da referida decisão judicial, com repercussão geral, entendo ser necessário sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, conforme dispõe o § 1º, do art. 62A do RICARFs até que seja proferida decisão definitiva, pelo STF, no Recurso Extraordinário (RE) acima mencionado. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/01/201 4 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS Processo nº 11065.003833/200426 Resolução nº 9303000.080 CSRFT3 Fl. 178 3 Isto posto, e na forma do disposto no inciso II, do § 1º, do art. 2º, da Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 206DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/01/201 4 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS
score : 1.0
Numero do processo: 10660.723978/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/11/2002
IPI. ISENÇÃO. VEÍCULO. LEI 8.989/1995. ARTRITE REUMATÓIDE. AUSÊNCIA DE PROVA. NÃO RECONHECIMENTO.
A artrite reumatoide, de acordo com a Portaria nº 66/2006, pode assumir grau leve, moderado ou grave. A apresentação de laudo atestando a ocorrência, sem especificar o grau, não é suficiente para a habilitação ao benefício da isenção do IPI previsto no art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003, uma vez que este pressupõe deficiência física severa ou profunda, bem como de alteração total ou parcial de segmento do corpo humano, com comprometimento da função física, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 10/11/2002 IPI. ISENÇÃO. VEÍCULO. LEI 8.989/1995. ARTRITE REUMATÓIDE. AUSÊNCIA DE PROVA. NÃO RECONHECIMENTO. A artrite reumatoide, de acordo com a Portaria nº 66/2006, pode assumir grau leve, moderado ou grave. A apresentação de laudo atestando a ocorrência, sem especificar o grau, não é suficiente para a habilitação ao benefício da isenção do IPI previsto no art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003, uma vez que este pressupõe deficiência física severa ou profunda, bem como de alteração total ou parcial de segmento do corpo humano, com comprometimento da função física, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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ISENÇÃO. VEÍCULO. LEI 8.989/1995. ARTRITE REUMATÓIDE. AUSÊNCIA DE PROVA. NÃO RECONHECIMENTO. A artrite reumatoide, de acordo com a Portaria nº 66/2006, pode assumir grau leve, moderado ou grave. A apresentação de laudo atestando a ocorrência, sem especificar o grau, não é suficiente para a habilitação ao benefício da isenção do IPI previsto no art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003, uma vez que este pressupõe deficiência física severa ou profunda, bem como de alteração total ou parcial de segmento do corpo humano, com comprometimento da função física, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 39 78 /2 01 0- 11 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), assim ementado (fls. 32): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/10/2010 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores restringe se às hipóteses citadas em seu art.1°, bem como àquelas previstas no Decreto n° 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2°, §1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A aplicabilidade da isenção foi indeferida pelo despacho decisório de fls. 19, com fundamento em laudo emitido pelo NUSAP/MF. A DRJ manteve a decisão por entender que, de acordo com o referido laudo, a “redução bem como subluxação interfalangeanas” (CID10 M12.8) não estaria prevista no art. 4°, I, do Decreto n° 3.298/1999, com redação do Decreto n° 5.296/2004, nem no art. 1°, § 1°, da Lei n° 8.989/1995. A Recorrente, em suas razões recursais de fls. 39, alega ser deficiente física, “tendo mobilidade reduzida e precisando muito de um automóvel equipado com direção hidráulica, pois o mal que acomete minhas mãos não me deixa manobrar, estacionar, enfim, faço tudo com muita dificuldade, provando depois fortes dores em meus ombros e mãos”. Anexa laudos e radiográficas das mãos, punhos e joelhos, bem como exames de sangue que provariam ser portadora de artrite reumatoide de alto grau. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 26/09/2011 (fls. 38) e o protocolo do recurso, em 26/10/2011 (fls. 39). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.723978/201011 Acórdão n.º 3802003.025 S3TE02 Fl. 61 3 Os requisitos para a aplicabilidade da isenção do IPI encontramse previstos no art. 1o, IV, § 1º, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei no 10.690/2003, bem como no art. 4º, I, do Decreto nº 3.298/1999, que assim estabelecem: “Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) [...] IV pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003).” “Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004)”. No caso em exame, a habilitação ao benefício foi indeferida com fundamento no Parecer MédicoPericial nº 057210, segundo o qual, “do ponto de vista médico, o requerente não preenche os critérios para o enquadramento no benefício pleiteado”. Cumpre registar ainda que, antes do julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ determinou ao Chefe da SAORT/DRFVARGINHA/MG a intimação da interessada para “apresentar novo laudo (nos moldes do anexo IX da IN SRF nº 988/2009), que analise as sequelas das artroses e as enquadre na codificação CID10. Além disso, que se Fl. 63DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 leve em conta, no novo laudo, as denominações que constam da Lei nº 8989/95 como deficiências passíveis de concessão do benefício (paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia ou hemiparesia)” (fls. 27). A interessada, no entanto, não atendeu à referida intimação. Após a decisão da DRJ, a Recorrente instruiu o processo com novos laudos, um dos quais no modelo do Anexo IX da IN SRF nº 988/2009, descrevendo o tipo de doença como sendo a prevista no Código M05.3 da classificação internacional de doenças (“artrite reumatoide com comprometimento de outros órgãos e sistemas”) (fls. 40). Referido estudo foi assinado pelos mesmos signatários do laudo de avaliação que instruiu o pedido inicial de habilitação (fls. 05) e que, na época, descreveram a doença por meio dos códigos M19.9 (“artrose não especificada”) e M12.8 (“outras artropativas especificadas não classificadas em outra parte”), levando ao indeferimento com base no Parecer MédicoPericial nº 057210. Entendo, porém, que, mesmo diante desse laudo, bem como dos demais exames anexados na fase recursal, não há como prover o recurso voluntário. Com efeito, a doença alegada pela Recorrente, de acordo com a Portaria nº 66/2006, que estabelece o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o tratamento da Artrite Reumatóide, pode assumir diferentes graus: “Artrite reumatóide (AR) é uma desordem autoimune, de etiologia desconhecida, caracterizada por poliartrite periférica, simétrica, que leva a deformidade e destruição das articulações devido à erosão da cartilagem e osso. Quando apresenta envolvimento multissistêmico a morbidade e a gravidade da doença são maiores. A maioria dos pacientes apresenta um curso clínico flutuante, com períodos de melhora e exacerbação dos sintomas articulares. A prevalência mundial estimada é de 1 %.13. [...] Quanto à severidade da doença, a artrite reumatóide costuma ser dividida em: a.leve: paciente apresenta artralgias, pelo menos 3 articulações com sinais de inflamação, nenhuma doença extraarticular, fator reumatóide costumeiramente negativo, elevação dos reatores de fase aguda e nenhuma evidência de erosão ou perda de cartilagem ao estudo radiográfico; b.moderada: entre 6 e 20 articulações acometidas, comumente doença restrita a articulações, elevação de reatores de fase aguda, positividade do fator reumatóide, evidência de inflamação a radiografia; c.grave: mais de 20 articulações persistentemente acometidas, elevação dos reatores de fase aguda, anemia de doença crônica, hipoalbuminemia, fator reumatóide positivo, radiografias demonstrando erosões e perda de cartilagem e doença extraarticular.” A doença, portanto, pode apresentar diferentes graus de severidade, ao passo que, de acordo com art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003, a habilitação ao benefício da isenção do IPI pressupõe a prova de que o interessado é portador de deficiência física severa ou profunda. Além disso, nos termos do § 1º, aplicase a isenção nos casos de alteração total ou parcial de segmento do corpo humano, com comprometimento da função física, sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.723978/201011 Acórdão n.º 3802003.025 S3TE02 Fl. 62 5 No presente caso, parte dos laudos apresentados pela Recorrente não atendem às exigências da IN SRF nº 988/2009 (vide fls. 42, 43 e 45). Um destes, inclusive, está com o carimbo e a assinatura do profissional invertida (foi assinado de pontacabeça), o que, com o devido respeito, compromete a sua eficácia jurídicaprobatória. Por sua vez, os que atendem (fls. 40 e 05) às exigências da IN, além de divergentes e com assinatura de profissional não médico (enfermeiro), não fazem referência inequívoca ao grau de severidade da doença nem tampouco às deficiências passíveis de concessão do benefício (paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia ou hemiparesia). Não há, assim, ao menos nesta fase procedimental, prova inequívoca do enquadramento da doença na hipótese legal do incentivo do IPI. Por fim, devese destacar, de acordo com a Portaria nº 66/2006, a artrite reumatoide apresenta um curso clínico flutuante. Portanto, o não reconhecimento da isenção no presente processo não impede que a Recorrente apresente um novo requerimento, desde que demonstre a presença dos requisitos da Lei nº 8.989/1995 e, no tocante ao laudo médico, atenda as regras das IN SRF nº 988/2009. Assim, voto pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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