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Numero do processo: 10880.685289/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de São Paulo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte por força da não homologação de declaração de compensação (PER/DCOMP, transmitido em 13/10/2009), cujo crédito decorreria de pagamento indevido de Contribuição ao Programa de Integração Social PIS/PASEP (valor original de R$105.115,00, do período fevereiro/2008). Conforme o despacho decisório de fls 7, a não homologação foi motivada da seguinte forma: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 85 28 9/ 20 09 -6 5 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.685289/200965 Resolução nº 3402001.185 S3C4T2 Fl. 334 2 identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Inconformada, a Contribuinte apresentou manifestação de Inconformidade (fl. 10), acompanhada de documentos, informando erro no preenchimento de sua DCTF original, posteriormente retificada, o que justificaria o crédito pleiteado. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de São Paulo, cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008 DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a fundamentar a nãohomologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP devida pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Os recursos recebidos, pelo Município, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Ainda irresignada com a negativa do direito ao crédito, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 107 a 117, pela qual coloca que: i) a turma julgadora de primeiro grau negou provimento à manifestação de inconformidade com base em fundamento distinto daquele constante no despacho decisório, qual seja, a natureza contábil dos valores repassados pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB); Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.685289/200965 Resolução nº 3402001.185 S3C4T2 Fl. 335 3 ii) mesmo que fosse levado em consideração tal motivo, não poderia prosperar a decisão da DRJ, eivada de erro material. Isto porque o julgamento equivocadamente considerou que a Municipalidade paulistana teria efetuado redução da base de cálculo da Contribuição ao PIS/PASEP, o que não ocorreu; iii) subsidiariamente, caso o CARF ratifique esse ponto da decisão recorrida, eventuais diferenças não poderiam ser cobradas por meio de lançamento tributário, haja vista a ocorrência da decadência de tal direito, com fulcro no artigo 173 do Código Tributário Nacional; iv) os documentos apresentados desde a manifestação de inconformidade (cópia da DCTF retificadora encaminhada em 10/11/2009, e cópia da Declaração de Compensação do valor de R$ 105.115,00, utilizado em maio de 2008 e encaminhada em 09/02/2009) são suficientes para comprovador a liquidez e certeza do crédito requerido; É o relatório. Resolução Notificado do julgamento a quo em 17 de junho de 2015, conforme AR de fls 105, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 14 de julho de 2015. Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Com relação ao ponto levantado pela DRJ acerca da natureza contábil e jurídica dos valores repassados pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) ao Município de São Paulo; com sua consequente submissão à incidência da Contribuição ao PIS/PASEP com base na Lei n. 9.715/98; culminando em um suposto débito em nome da Reccorrente, tratase de questão que não tem espaço no presente processo. Isto porque, aqui, a discussão material e processual restou circunscrita ao motivo adotado pelo Despacho Decisório (fls 7) para a não homologação da PER/DCOMP transmitida pela Recorrente, vale dizer, a inexistência de crédito disponível para a compensação pretendida, pois este já teria sido consumido em sua integralidade para quitar outros débitos. Essa motivação adotada pela Administração Tributária impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. Pois bem. Com relação ao que efetivamente é objeto do presente caso crédito pretendido para fins de compensação , a Recorrente informa que quando do recolhimento do da Contribuição ao PIS/PASEP referente aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 2008, foram utilizados valores provisórios de receita como base de cálculo. No momento em que os valores definitivos da receita se tornaram conhecidos, constatouse que havia sido recolhido valor a maior no montante de R$ 105.115,00 (fevereiro de 2008), que foi utilizado para efeito de compensação na competência de abril de 2008. Assim, na emissão da DCTF referente ao 1º semestre de 2008, teria ocorrido o lançamento incorreto dos débitos e Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.685289/200965 Resolução nº 3402001.185 S3C4T2 Fl. 336 4 créditos relativos à citada compensação, razão pela qual foram transmitidas DCTF retificadora em 10/11/2009 (fls 30, 63 e 155). De acordo com a consulta à relação de declarações prestadas pela Recorrente referente ao primeiro semestre de 2008 (fls 63), efetivamente foram transmitidas DCTFs retificadoras em 10/11/2009 (Declaração n. 1002.008.2009.2040392983), 29/03/2010 (Declaração n. 1002.008.2010.2050393925) e 03/05/2010 (Declaração n. 1002.008.2010.2020417306). Ocorre que a decisão a quo desconsiderou tais documentos retificadores e demais provas apresentadas pela Recorrente, por utilizar como marco temporal a data da ciência do despacho decisório, 06/11/2009. Em outras palavras, o acórdão recorrido entende que a retificação, para fins de comprovação do direito creditório, não poderia ser adotada pela empresa após o despacho decisório. Por isso, utilizou como base a DCTF transmitida pela Recorrente em 17/07/2009 (Declaração n. 1002.008.2009.2050376387, fls 63 e 64). Ademais, a Recorrente apresentou em sede de Recurso Voluntário novos documentos que corroboram os anteriormente apresentados, tudo no intuito de demonstrar o indébito tributário alegado. Resguardando o julgamento futuro deste Colegiado acerca das citadas questões, entendo ser necessária a conversão do presente julgamento em diligência, como requer o artigo 18 caput do PAF, para a conclusão do convencimento sobre o crédito tributário discutido nos presentes autos. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) intimar a Recorrente a fazer prova cabal de sua alegação de existência de pagamento indevido, de acordo com o que consta em sua DCTF retificadora; ii) analisar o crédito pleiteado pela Recorrente, levando em consideração a DCTF retificadora e as provas trazidas aos autos, tanto antes como depois da presente Resolução, a respeito dos créditos; iii) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, apresentar parecer circunstanciado com suas considerações sobre o crédito pleiteado, bem como quaisquer outras informações pertinentes; iv) dar ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar de 30 dias para manifestação, e; v) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000336/2008-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Por outro lado, nos casos em que não foi constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e que há pagamento antecipado ou declaração prévia do débito, o prazo decadencial é contado da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN). Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Por outro lado, nos casos em que não foi constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e que há pagamento antecipado ou declaração prévia do débito, o prazo decadencial é contado da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN). Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Por outro lado, nos casos em que não foi constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e que há pagamento antecipado ou declaração prévia do débito, o prazo decadencial é contado da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN). Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 36 /2 00 8- 01 Fl. 836DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 110300.094, de 08/12/2009, por meio do qual a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, entre outras questões, acolheu preliminar de decadência para parte do crédito tributário exigido nos presentes autos a título de IRPJ, CSLL e IRfonte (fatos geradores anteriores a 31/07/2003). O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: GLOSA DE DESPESAS COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS NOTAS EMITIDAS POR PESSOA DECLARADA INAPTA. Os documentos emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada inapta não produzem efeitos tributários em favor de terceiros interessados, conforme a norma legal de regência. Há presunção relativa ilidível pelo tomador de serviços que comprove a efetivação do pagamento do preço e a utilização dos serviços (inversão do ônus da prova). Diante dos elementos indiciários postos, vale dizer, do conjunto de elementos documentais carreados aos autos, não há dados suficientes a infirmar a presunção relativa de que os serviços foram efetivamente tornados ou utilizados pela contribuinte. O fato de haver sido retido o imposto de renda à alíquota de 1,5%, por si, é insuficiente para comprovar Fl. 837DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 4 3 que os serviços foram concretizados, porquanto o valor é pouco representativo em hipótese de se pretender encobrir pagamento sem causa declarável. IRRF POR PAGAMENTO SEM CAUSA. Consectário lógico ao juízo precedente é o de que resulta tipificado o pressuposto legal de pagamento sem causa, para exigência de IRRF exclusivo na fonte à alíquota majorada de 35%. Impõese deduzir, por outro lado, a parcela de IRRF já retida pela contribuinte. MULTA QUALIFICADA. Para se imputar a multa qualificada seria imperioso que se demonstrasse que a contribuinte agiu em conluio com a pessoa jurídica declarada inapta (emissora das notas fiscais), para a prática infracional por essa perpetrada. Nada há nos autos que conduza à conclusão de tal comportamento por parte da contribuinte. DECADÊNCIA. Afastada a multa qualificada, é aplicável o prazo decadencial do art. 150, §4°, do CTN como contraface da homologação tácita. Esta Turma e esta Câmara têm consagrado o entendimento de que o referido preceito incide mesmo quando não haja nenhum pagamento. Impõese reconhecer a decadência de créditos de IRPJ, CSL e IRRF cujos fatos geradores ocorreram antes de 31/07/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, reconhecer a decadência para lançar crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 31/07/2003 e, no mérito, DAR provimento parcial para deduzir do IRRF a parcela já retida pelo sujeito passivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva e Alexandre Barbosa Jaguaribe que cancelavam a exigência de IRRF. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: de uma leitura do v. acórdão ora recorrido, observase claramente que restou assentado o entendimento de que, ainda que não haja recolhimento prévio do IRPJ, o prazo decadencial a ser utilizado é o do artigo 150, par. 4º do ctn (fls. 754), litteris: [...]; diversamente, temos o paradigma oriundo da colenda 1ª turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual analisando a mesma questão atinente à decadência, se posicionou no sentido de que não havendo o pagamento prévio, a regra a ser aplicada é a do artigo 173, inciso I, do CTN e não a do artigo 150, par. 4º, do CTN, como concluiu o v. acórdão ora recorrido. O trecho confrontante do paradigma é o seguinte, litteris: Fl. 838DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 5 4 "DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes do STJ, nos termos do RESp n. 973.733SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (Acórdão n. 910100.460, doc.1) tecidas tais considerações, passemos a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser reformado o v. acórdão ora recorrido no ponto em discussão; basicamente, há duas modalidades de lançamento que decorrem da iniciativa do contribuinte: o lançamento por declaração e o lançamento por homologação; o que distingue o lançamento por homologação do lançamento por declaração é que, no primeiro, o sujeito passivo calcula e paga o tributo antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento dessa atividade, ao tempo que, no segundo, a participação do sujeito passivo se resume em prestar as informações sobre a matéria de fato, só ficando, este, obrigado ao recolhimento do tributo depois de realizado o lançamento pela autoridade administrativa, que se completa com a notificação do sujeito passivo; bem que a legislação ordinária seja mais ou menos ambígua, a situação ou se enquadra na categoria de lançamento por homologação, ou na categoria de lançamento por declaração: não há uma modalidade híbrida; ao intérprete impende buscar o elemento capaz de distinguir uma categoria da outra. E esse elemento é sem sombra de dúvidas, o pagamento; sempre que ocorrer pagamento antecipado, sem prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento assume a característica de lançamento por homologação; daí se conclui que só se pode identificar lançamento por homologação quando existir um pagamento prévio, ou que somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, bem que parcialmente, por via do pagamento; o art. 150, par. 4º, do Código Tributário Nacional (CTN) pressupõe tal pagamento prévio e, em contrapartida, estabelece um prazo mais curto, a contar da ocorrência do fato gerador, isto é o último dia do período de apuração do imposto; já o art. 173 do CTN, ao revés, pressupõe não ter havido pagamento prévio, e, em contrapartida, alonga o prazo para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, com a ressalva de seu parágrafo único; é que, "quando não se efetua o pagamento antecipado exigido pela lei, não há possibilidade de lançamento por homologação, pois simplesmente não há o que homologar; a homologação não pode operar no vazio. Tendo em vista que o art. 150 regulou a hipótese, e o art. 149 diz apenas que impende lançamento de ofício (item V), ao tempo que, obviamente não extinto o direito do Fisco, o prazo a ser aplicado para a hipótese deve seguir a regra geral do art. 173, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que (à Fl. 839DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 6 5 vista da omissão do sujeito passivo) o lançamento de ofício poderia ser feito." (Luciano da Silva Amaro, Direito Tributário Brasileiro, São Paulo, Editora Saraiva, 1997; pág. 382); temse que o pagamento antecipado pelo obrigado extingue o crédito, sob condição resolutiva da ulterior homologação do lançamento (art. 150, §1º); assim, o ato administrativo de homologação do lançamento é condição para que o pagamento antecipado produza o efeito que lhe é peculiar: extinguir o crédito Tributário (art. 156, I); viceversa, o pagamento antecipado é pressuposto de existência do ato administrativo de homologação do lançamento (art. 150, par. 4º); assim, se o sujeito passivo não efetua nenhum pagamento, a hipótese não mais é de homologação, pelo simples motivo de que não há nada a ser homologado; inexistindo qualquer pagamento, a hipótese passa a ser de lançamento de ofício, qualquer que seja o tributo e sua disciplina originária; nesse sentido é o atual posicionamento da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), unificando o entendimento das Primeira e Segunda Turmas sobre a matéria: [...]; não tendo havido antecipação de pagamento, não há que se falar em fato homologável, e o prazo decadencial para constituição do crédito Tributário obedece, nesse caso, ao disposto no art. 173, I, do CTN, sendo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho n° 1101 365, de 05/12/2014, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), em face do Acórdão nº 110300.094, por meio do qual, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, reconhecida a decadência para lançar crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 31/07/2003 e, no mérito, dado provimento parcial para deduzir do IRRF a parcela já retida pelo sujeito passivo. A decisão foi ementada nos seguintes termos: [...] Insurgese a Procuradoria contra a parte da decisão em que foi reconhecida a decadência para lançar crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 31/07/2003. A controvérsia suscitada reside no entendimento de que em não havendo pagamento o prazo decadencial para tributo sujeito ao lançamento por homologação regese pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º. [...] Fl. 840DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 7 6 Para examinar o dissídio, passo à análise da decisão paradigma, cujo trecho trazido á comprovação do dissídio reproduzo a seguir: [...] O recurso foi apresentado no ano de 2010 e a questão já foi amplamente discutida. Assim, pelo tão só confronto de ementas, podese constatar a divergência de entendimentos argüida pela Fazenda Nacional. Pelo exposto, considero que as pretensões da Recorrente quanto à existência de divergência foram atendidas. A matéria decidida no acórdão combatido e nos paradigmas apresenta similitude fática, tendo os resultados sido díspares. Em vista disso, considero preenchidos os requisitos previstos no RICARF à ensejar a subida dos autos à CSRF. IV Conclusão Em razão de terem sido preenchidos os requisitos do art. 67 do RICARF, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. Em 25/02/2015, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 110300.094, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso. Tempestivamente, em 10/03/2015, ela apresentou (por via postal) contrarrazões, com os argumentos descritos a seguir: a recorrente apresenta recurso especial requerendo a reforma parcial do v. acórdão proferido, contestando, única e exclusivamente, a aplicação da decadência do crédito tributário nos períodos cujos fatos geradores ocorreram entre 03/2003 e 07/2003; ocorre, todavia, que a recorrente não fundamenta seu recurso com base nos fatos existentes no processo administrativo, mas sim, e equivocadamente, com base em suposta, porém inexistente, divergência de entendimento jurisprudencial entre a colenda 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento e essa colenda Câmara Superior; o entendimento contraditório citado pela Recorrente não se aplica ao caso em questão, considerando o fato de que neste se comprova (e o Recorrente não contesta) que a contribuinte reteve e pagou, antecipadamente, parte do IRRF exigido na decisão recorrida, senão vejase: [...]; ora, a decisão recorrida foi proferida no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, mantendo a glosa das despesas abatidas pela recorrida (não obstante a prova inequívoca de pagamento do preço), afastandose, todavia, a multa qualificada (uma vez que não demonstrado que o contribuinte agiu em conluio com a pessoa jurídica declarada inapta), impondose a dedução da parcela de IRRF já retida e paga pela recorrida, e declarando a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram entre 03/2003 e 07/2003, "pois o lançamento se precipitara em 31/07/7008 (fl. 547)", na forma e em consonância com o disposto no artigo 150, §4º, do CTN; ao contrário do que se entendeu nas razões do recurso especial interposto, a decisão recorrida está em total consonância com a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser aplicável a regra contida no artigo 150, §4º do CTN, Fl. 841DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 8 7 quando exista, ainda que parcialmente, o pagamento antecipado do imposto bem como com a firmada por esse Egrégio Tribunal, conforme se verifica, entre tantas outras, da decisão proferida no julgamento do processo administrativo nº 19515.005115/200965, por unanimidade, pela Segunda Seção de Julgamento/1ª Turma Especial, cuja Ementa foi assim transcrita: [...]; por todo o exposto, e considerando que a decisão recorrida, em aplicando corretamente o direito aos fatos, decidiu em consonância com a jurisprudência firmada por essa Egrégia Corte e pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, é a presente para requerer seja negado seguimento ao Recurso Especial interposto, na forma preconizada no artigo 67, §2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministério da Fazenda. É o relatório. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL e IRRF sobre pagamento sem causa), com fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003. De acordo com a peça fiscal, a contribuinte efetuou pagamentos para empresa inapta. A contribuinte comprovou a realização dos pagamentos, mas não a efetividade da prestação dos serviços, o que caracterizou a hipótese de pagamento sem causa. As despesas referentes a esses pagamentos foram glosadas, com impacto na apuração do IRPJ e da CSLL (lucro real trimestral). Além disso, foi exigido o IRRF sobre pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei 8.981/1995. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, mas a decisão de primeira instância reduziu a multa ao percentual de 75%. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) manteve a redução da multa e reconheceu a decadência de parte do crédito tributário, cujos fatos geradores ocorreram antes de 31/07/2003. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial sobre a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Em seu recurso especial, a PGFN defende o entendimento de que, por não ter havido pagamento, a decadência deveria ser contada pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, §4º, do mesmo código. A contribuinte, por meio de contrarrazões, apresenta preliminar de não conhecimento do recurso, alegando que ele não se fundamenta nos fatos existentes no processo; que a divergência suscitada é inexistente, uma vez que houve retenção e pagamento antecipado de parte do IRfonte, como reconheceu o próprio acórdão recorrido; e que a decisão recorrida está em total consonância com a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser aplicável a regra contida no artigo 150, §4º do CTN, quando exista, ainda que parcialmente, pagamento antecipado do imposto. A preliminar de não conhecimento do recurso é improcedente. O acórdão recorrido não reconheceu a decadência dos créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRRF com fatos geradores anteriores a 31/07/2003 por ter identificado pagamentos parciais para esses tributos e períodos. Não é esse o fundamento do acórdão recorrido, no que toca à decadência. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 10 9 A tese adotada pelo acórdão recorrido é de que, uma vez afastada a multa qualificada, deveria ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN, "mesmo quando não haja pagamento algum". E é sobre esse ponto que repousa a divergência suscitada pela PGFN. O acórdão recorrido realmente deu um comando para que fossem deduzidos do IRRF (obviamente para a parte mantida da exigência, aquela que não foi atingida pela decadência) as parcelas já retidas pela contribuinte, mas esse comando, específico para o IRRF, não influenciou em nada o reconhecimento da decadência pelo acórdão recorrido, não se referiu ao IRPJ e à CSLL, e nem mesmo apresentou qualquer especificação dos períodos em que houve retenção. Examinar se houve ou não algum pagamento referente aos créditos tributários considerados decaídos é matéria de mérito do presente recurso especial, e é nesse seara que deve ser analisada a questão suscitada pela contribuinte em sede de contrarrazões. A preliminar de não conhecimento, portanto, deve ser rejeitada. Quanto ao mérito dessa questão sobre decadência, cabe registrar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 11 10 De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, aplicando o prazo do art. 150, §4º, do CTN, reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos antes de 31/07/2003. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 31/07/2008. Compulsando os autos (vol. 1, efls. 19/28), constato que a contribuinte apurou em sua declaração DIPJ bases de cálculo positivas para o IRPJ e para a CSLL em todos os trimestres de 2003. A quitação do IRPJ nos dois primeiros trimestres de 2003 (atingidos pela decadência) se deu por deduções a título de "Imposto de Renda Retido na Fonte" e PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). Em relação à CSLL, a declaração indica valores de "CSLL A PAGAR". O Decreto nº 3.000/1999, que aprova o atual Regulamento do Imposto de Renda, traz inúmeros comandos para que o imposto descontado na fonte seja considerado como antecipação do imposto devido pela pessoa jurídica. E as retenções na fonte, não apenas configuram antecipação de pagamento do imposto, como também devem ser computadas até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do RIR/1999: CAPÍTULO IV DO LANÇAMENTO DO IMPOSTO Seção I Disposições Gerais Art.836. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (Lei nº 5.172, de 1966, art. 142). Fl. 845DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 12 11 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (Lei nº 5.172, de 1966, art. 142, parágrafo único). Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Art. 838. O contribuinte será notificado do lançamento no local onde estiver seu domicílio fiscal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 82). (grifos acrescidos) Vêse também que o lançamento abrangeu apenas a parte relativa à glosa das despesas. Ou seja, não houve lançamento sobre os tributos apurados pela contribuinte, constantes da referida declaração (IRPJ e CSLL), evidenciando que esses tributos ou estavam pagos, ou pelo menos tinham sido declarados/confessados em instrumento hábil à execução. Do contrário, a autoridade fiscal também teria realizado lançamento sobre os tributos apurados pela contribuinte em sua DIPJ, já que essa declaração tem conteúdo meramente informativo. Aliás, no cálculo do adicional do IRPJ constante do auto de infração (vol. 3, efls. 136/137), a Fiscalização deveria ter considerado o lucro real apurado pela própria contribuinte, em vez de simplesmente deduzir R$ 60.000,00 das bases trimestrais do adicional, como se a contribuinte não tivesse apurado nenhum lucro real nesses períodos. Se o cálculo do adicional tivesse sido feito corretamente, ficaria mais evidente que houve pagamento ou declaração/confissão de parte do IRPJ (e também de parte da CSLL) nos períodos em questão. Quanto ao IRRF sobre pagamento sem causa, os demonstrativos feitos pela Fiscalização (vol. 3, efls. 119/126 e 131) informam que a contribuinte fazia retenções sobre os pagamentos que geraram a autuação, no percentual de 1,5%. Demonstram também que o lançamento do IRRF (com alíquota de 35%) se deu sobre o valor líquido dos pagamentos (com reajustamento de base de cálculo), descontadas as retenções. O acórdão recorrido, por sua vez, determinou que essas retenções fossem deduzidas do IRRF sobre pagamento sem causa. Assim, no contexto destes autos, para cada pagamento sem causa, houve retenção e recolhimento de parte do IRRF exigido neste processo. É esse o quadro que ficou retratado no acórdão recorrido, de modo que não há como negar que já houve pagamento de uma parte desse tributo (correspondente às parcelas retidas, no percentual de 1,5%). A conclusão, portanto, é de que a contribuinte pagou ou pelo menos confessou uma parte dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 31/07/2003 (que são objeto do recurso especial da PGFN), o que implica na contagem da decadência pela regra do art. 150, §4º, do CTN, conforme o referido entendimento pacificado pelo STJ. Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 846DF CARF MF Processo nº 19740.000336/200801 Acórdão n.º 9101003.239 CSRFT1 Fl. 13 12 Fl. 847DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002861/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESCABIMENTO.
Não comprovado o dolo, deve ser afastada a multa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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DESCABIMENTO. Não comprovado o dolo, deve ser afastada a multa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 28 61 /2 00 7- 02 Fl. 480DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infração – Multa Regulamentar, em virtude da compensação indevida de débitos próprios, referentes aos períodos de 11 a 12/2005 e 02 a 07/2006, com crédito inexistente. (fls. 04/07) O valor do crédito tributário apurado perfaz um total de R$ 993.885,00. A capitulação legal da autuação se encontra à folha 06. A contribuinte manifesta impugnação ao auto de infração de multa isolada (fls. 25/57), alegando, em síntese, que: A multa é ilegal e inconstitucional; A Medida Provisória 1.212/1995 e reedições perdeu a eficácia; O parcelamento só é confissão de dívida válida se houver um mínimo de legalidade regendo o parcelamento. No caso, o parcelamento importa em confissão de dívida invalida. Além disso, tem créditos que estão fora do parcelamento (pagamentos normais do período); A multa é incabível por ausência de fraude, não há o elemento objetivo (infração à lei, qualificada pelo prejuizo à União), nem o subjetivo (máfé), nem está demonstrado a intenção de prejudicar, simplesmente pleiteou urna compensação; Houve violação do princípio da irretroatividade da lei maléfica, da proporcionalidade e razoabilidade (confisco), estando o lançamento incorreto, o que gera nulidade; Requer julgamento simultâneo ao de compensação não homologada, processo 10120.720027/200794. Observo que a ciência do lançamento se deu em 22/06/2007 (fl. 22). A DRJ/Brasília/DF, por meio do acórdão 0323.811, de 21/12/2007, decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 Multa Isolada – Compensação Indevida – Crédito Inexistente de Fato – Evidente Intuito de Fraude O lançamento de ofício relativo a declaração de compensação indevida sujeitarseá à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizar evidente intuito de fraude, na hipótese em que o crédito oferecido à compensação seja inexistente de fato. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10120.002861/200702 Acórdão n.º 3201003.246 S3C2T1 Fl. 480 3 Constitucionalidade e/ou legalidade de Normas Legais A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou legalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. A recorrente interpõe então o Recurso Voluntário, no qual reapresenta as razões de defesa. Acrescenta pedido de nulidade do acórdão recorrido, porque não teria enfrentado diversas questões argüidas. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira – Marcelo Giovani Vieira O recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Alega a recorrente que a decisão recorrida não enfrentou diversas questões argüidas, cerceando seu direito de defesa. Reclama do fundamentação da decisão, que absteve se que discutir a constitucionalidade da multa. Aduz (fl. 428): “Data vênia, a fundamentação de 1ª instância é uma excrescência! Ora, a Carta da República diz, no seu art. 5º, LV, que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a elas inerentes” (negritos nossos). A expressão “em processo judicial ou administrativo” no mesmo inciso coloca processo juficial e processo administrativo em total paridade judicante, só não havendo, no administrativo, o atributo da definitividade.” (...) Isso significa, por outro lado, que não só o julgamento foi nulo por violação do direito à ampla defesa, mas o próprio lançamento é, manifestamente, nulo por não se ter analisado aspectos constitucionais na sua formalização, com está confessado pelo Fisco.” Fl. 482DF CARF MF 4 Não assiste razão à recorrente. Resta pacífico que as instâncias julgadoras administrativas não devem afastar disposição legal ou de decreto por alegação de inconstitucionalidade. Resulta inclusive positivado no PAF, art. 26A: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, afasto a preliminar suscitada. Mérito No mérito, discutese a validade da aplicação da multa por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei 10.833/2003, caput, e §2º. As PERD/COMP em foco foram transmitidas nas seguintes datas e valores de débitos: Nº PERD/COMP Vr. Débitos Dt. Transmissão 39096.55160.151205.1.3.044988 78.000,00 15/12/2005 18580.91850.170306.1.3.040753 100.800,00 17/03/2006 22235.53574.170306.1.3.048502 48.410,00 17/03/2006 19118.51400.150406.1.3.040243 120.000,00 15/04/2006 24730.71067.150506.1.3.049176 75.000,00 15/05/2006 13293.00777.290606.1.3.046633 83.830,00 29/06/2006 40167.12587.150806.1.3.048574 78.780,00 15/08/2006 40048.96474.150806.1.3.044761 77.770,00 15/08/2006 A redação do art. 18 da Lei 10.833/2003, nessas datas de transmissão de Per/Dcomp, era a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10120.002861/200702 Acórdão n.º 3201003.246 S3C2T1 Fl. 481 5 lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) E o Art. 90 da MP 2.15835/2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Conforme fl. 6, a tipificação da conduta infracional foi aquela aplicada a casos de falsidade da declaração. Todavia, entendo que não restou comprovado o elemento subjetivo do dolo. Assim o auditorfiscal descreve as circunstâncias (fl. 6): “ A contribuinte acima identificada efetuou compensaçãoes indevidas de valores conforme declarações prestadas nos PER/DCOMP nºs (...), o que resultou no Despacho Decisório DRF/GOI nº 468, de 30 de abril de 2007, cuja cópia passa a integrar o presente auto. Consoante explicado no referido Despacho Decisório, as compensações foram consideradas não homologadas, pelo fato de estar sendo utilizado um crédito inexistente, que segundo o sujeito passivo estaria presente no processo de parcelamento nº 13133.000582/9503. Ocorre que, nesse processo, os valores satisfeitos foram suficientes somente para a quitação das parcelas efetivamente devidas, não remanescendo qualquer valor que se poderia tratar como crédito e a citação do número do processo nos PER/DCOMP demonstra cristalinamente a prática de fraudes, Fl. 484DF CARF MF 6 no sentido de se furtar ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Em razão do que foi aduzido, a multa aplicada é a prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, “caput”, e §2º, com as alterações realizadas pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, no percentual cominado no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, ou seja, 150% (cento e cinqüenta por cento) do total dos débitos indevidamente compensados.” Essa descrição não esclarece qualquer elemento de motivação do contribuinte. Conforme relatado, a recorrente tinha a tese de que a MP 1.212/95 perderia a eficácia a cada reedição, em vista do prazo de anterioridade nonagesimal. Tal tese foi intensamente discutida no Poder Judiciário até que definitivamente julgada no Resp 1136210/PR, em desfavor dos contribuintes. Este Resp transitou em julgado em 08/03/2010, portanto, após a tentativa da recorrente de obter indébito. Assim, entendo que não resta comprovado o elemento do dolo, a ensejar a aplicação da multa por infração prevista nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. Observo ainda que não se constitiu a multa com base no §4º do mesmo artigo 18 – compensação não declarada , e que o Despacho Decisório decidiu pela não homologação da compensação, e não por considerar a compensação não declarada, nos termos do §4º. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa aplicada. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000727/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ
Ano calendário:1999
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Estando o contribuinte sujeito à
apuração anual do Lucro Real, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o 1° dia após a data da apuração anual, mesmo sendo o caso de lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
DESPESAS ESCRITURADAS. COMPROVAÇÃO.
A escrituração das despesas deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, com a autuada figurando como beneficiária dos serviços e/ou adquirente das mercadorias/ produtos, e que tenha elementos suficientes para demonstrar estarem tais gastos com estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa.
Lançamento Procedente.
Numero da decisão: 1401-000.773
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Ano calendário:1999 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Estando o contribuinte sujeito à apuração anual do Lucro Real, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o 1° dia após a data da apuração anual, mesmo sendo o caso de lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. DESPESAS ESCRITURADAS. COMPROVAÇÃO. A escrituração das despesas deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, com a autuada figurando como beneficiária dos serviços e/ou adquirente das mercadorias/ produtos, e que tenha elementos suficientes para demonstrar estarem tais gastos com estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Lançamento Procedente.
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Recorrente ALBARINO COMERCIAL E IMPORTADORA DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Estando o contribuinte sujeito à apuração anual do Lucro Real, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o 1° dia após a data da apuração anual, mesmo sendo o caso de lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. DESPESAS ESCRITURADAS. COMPROVAÇÃO. A escrituração das despesas deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, com a autuada figurando como beneficiária dos serviços e/ou adquirente das mercadorias/produtos, e que tenha elementos suficientes para demonstrar estarem tais gastos com estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Lançamento Procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 505DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Karem Jureidini Dias. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 506 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 188.716, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Santa Maria/RS, que, por unanimidade de votos, decidiu: a) JULGAR PROCEDENTES EM PARTE os lançamentos do IRPJ, no valor de R$ 109.717,46 e da CSLL, no valor de R$ 60.170,12, acrescidos da multa de ofício de 75% c dos juros de mora regulamentares. b) JULGAR IMPROCEDENTES os lançamentos do PIS e da COFINS. c) NÃO CONHECER da reclamação que contesta a limitação percentual de 30% imposta à compensação de prejuízos fiscais, na apuração do lucro real, e à compensação da base de cálculo negativa de períodos anteriores na apuração da CSLL, segundo disposições dos as. 42 e 58 da Le n 8.981, de 1995, e depois reiteradas nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 1995, declarando a definitividade, na esfera administrativa, da exigência relativamente a essa matéria, forte no AD (N) n° 3, de 1996. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, transcrevo o relatório e os fundamentos do acórdão elaborado pela DRJ: Contra a interessada, antes qualificada, foram lavrados Autos de Infração com anexos para a exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), referentes a fato gerador ocorrido em 31.12.1999 (fls. 235252). Também foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal (fls. 230 234). De acordo com os autos, os lançamentos ocorreram porque foram constatadas as seguintes infrações fiscais: 1. Omissão de receitas Passivo fictício R$ 586.605,00 O Autuante constatou a existência de saldo irreal da conta Fornecedores, em 31/12/1999, em nome de Mosel Imp. Exp. Ltda., tendo em vista que os valores das duplicatas já estavam quitados e não baixados na contabilidade, por falta de saldo contábil suficiente na conta Caixa/Bancos, conforme demonstrativo de fl. 231. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 A fundamentação legal descrita nos autos é a seguinte: art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 40 da Lei n°9.430, de 1996; arts. 247, 248, 249, II, 251 e Parágrafo único, 277, 278, 279, 280, 281, II, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR199) 2. Glosas de despesas R$ 871.110,89 Despesas lançadas na conta "Despesas Diversas" com histórico "Pg. Caixinha", tendo como contrapartida a conta "Banco Safra Trianon" contacorrente. Diz o Autuante que esses valores não espelham dispêndios de pequeno valor e contrariam o disposto no art. 299 do RIR199, que trata das despesas necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Consta, também, no Termo de Constatação Fiscal (fl. 233) que o Contribuinte não atendeu intimação fiscal para apresentar documentos coincidentes em datas e valores relativos às despesas registradas como "Caixinha". A glosa ocorreu porque foi constatada "a existência de despesas nãonecessárias e nãocomprovadas" e a fundamentação legal citada é a seguinte: art. 242, 243 e 195, I, do RIR/94; arts. 249, I, 251 e Parágrafo único, 299 e 300 do RIR/99. Os valores lançados são os seguintes: 1. IRPJ: R$ 272.373,34 conforme enquadramento legal acima descrito. 2. Contribuição para o PIS R$ 3.812,93 Enquadramento Legal: arts. 1° e 3º, da Lei Complementar 07, de 1970; art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; art. 2°, inciso I, 8°, I, e 9° da Lei n° 9.715, de 1998; arts. 2° e 3' da Lei n° 9.718, de 1998. 3. COFINS: R$ 17.598,15 Enquadramento Legal: art. 1º da Lei Complementar n° 70, de 1991; art. 24, § 2', da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 1998, com alterações da MP n° 1.807, de 1999, e suas reedições, com as alterações da Lei n° 1.858, de 1999 e reedições. 4. CSLL: R$ 119.531,97 Enquadramento Legal: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n°9.430, de 1996; art. 6° da MP n°1.858, de 1999, e reedições. Os valores acima estão acrescidos da multa de oficio com o percentual de 75%. Enquadramento legal: art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. Também foram lançados os juros de mora com base no art. 6°, § 2°, e 61, § 3°, da Lei n° 9430, de 1996. O total do crédito tributário do processo é de R$ 872.620,77 (fl. 4), até a data da autuação. Em 30/04/2004, a autuada, tempestivamente (conforme despacho de ii. 353), por meio de seu advogado (procuração à 11. 358), impugnou os lançamentos (fls. 269279) juntando os documentos de 11s. 280351. Posteriormente, em 09/02/2005, foram anexados os documentos de fls. 356365, que se referem à Fl. 508DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 507 5 juntada de nova procuração. Na defesa, em síntese, sob os seguintes títulos/subtítulos, consta o seguinte: 1. Preliminar decadência dos créditos fiscais Parte do suposto crédito fiscal exigido diz respeito a fatos ocorridos durante os meses de janeiro e fevereiro de 1999, períodos atingidos pela decadência, já que a intimação do auto de infração ocorreu em 31.03.2004. Registra que se considera homologado o procedimento feito pelo contribuinte após o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador, não podendo mais a Fazenda Pública efetuar o lançamento Em apoio aos seus argumentos estão citados os arts. 156, V, e 150, § 4% do CTN, e ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e da CSRF. 2. Mérito 2.1 Omissão de receitas por passivo fictício Nos termos do que foi afirmado no Termo de Constatação Fiscal, a impugnante teria mantido em seu passivo débitos relativos a duplicatas, constando no verso dessas a data do pagamento. A fiscalização também identificou os números de cheques de contacorrente do impugnante no Banco Safra que foram emitidos para efetuar o pagamento de tais passivos. Então, se não houve pagamento com receitas omitidas, está afastada a presunção de omissão de receitas. O que ocorreu, diz a defesa, foi um mero erro contábil. Em apoio aos argumentos apresentados estão transcritas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. 2.2 Glosa de despesas Nesse caso, diz a impugnante, as despesas lançadas com o título de despesas gerais com o histórico "caixinha" representam um lançamento provisório posteriormente adequado em razão de seu verdadeiro motivo era feito um estorno na conta "despesas diversas", reduzindo seu montante. Assim, diz a defesa: Os estornos realizados constam dos Livros Diário e Razão do contribuinte (doc. 2). Podese ver claramente os estornos realizados nos meses de/unha de 1999, no valor de R$ 1.412.373,82 (fl. 181 do Livro Razão), de setembro de 1999, no valor de R$ 1.012.292,52 (fl. 184 do Livro Razão), e de dezembro de 1999, nos valores de R$273.294,83 e 224.167,13 (ff 186 do Livro Razão). Todos esses estornos foram, como deveriam, ser lançados a crédito da conta, em oposição aos lançamentos originais da conta "despesas diversas, inclusive com o histórico "caixinha", todas a débito. No ano todo de 1999, foi lançado a crédito, revertendo os lançamentos originais na conta de "despesas diversas", o valor de R$ 2.922.843,30. Como os lançamentos a crédito foram de R$ Fl. 509DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 3.123.978, 57, o valor final da conta "despesas diversas" foi de apenas R$ 207.135,27. [...] com a devida vênia, que não poderiam ser glosas "despesas diversas" no montante de R$ 871.110,89 [...] se o total dessas das despesas, ao final do ano, foi inferior. Por tal motivo, diz a defesa, o auto de infração deve ser cancelado. homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(Grifouse) É o caso das contribuições destinadas ao orçamento da seguridade social, que se sujeitam às disposições da Lei n°8.212, de 1991, por força do que determinam seus arts. 10, 11 e 33 conjugados com o art. 195, inciso 1, da Constituição Federal. Assim dispõe a Lei n°8.212, de 1991: Art. 10. A Seguridade Social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos t_112 aro 195 da Constituição Federal e desta Lei mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de contribuições sociais. (Grifouse) Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; II receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; e) e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. [...] Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas de e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001). Fl. 510DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 508 7 Registrese que, tendo em vista o art. 22 da Lei ri° 11.457, de 16 de março de 2007, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, h e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. O art. 195 da Constituição Federal de 1988 (com a redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 15/12/98), assim estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Como já foi observado, o que se tem, é que a norma faculta à lei a prerrogativa de estipular, de modo específico, prazo diverso para a ocorrência da extinção do direito da Fazenda Pública, sendo aplicável, então, o art. 45 da Lei n°8.212, de 1991, que fixou o prazo de decadência das contribuições para a Seguridade Social em 10 (dez) anos: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. (Grifouse) Não há, pois, que se falar em decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999, uma vez que autuada foi cientificada em 31/03/2004 (fls. 242, 246 e 250), e nessa data ainda não havia transcorrido o prazo decadencial de dez anos, expressamente autorizado pelo CTN. Dessa forma, á de se rejeitar a preliminar de decadência argüida pela impugnante. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 8 2. Mérito. Inicialmente, registrese que a controvérsia aqui envolve a análise das provas, e o Processo Administrativo Fiscal, no art. 29 do Decreto n°70.235, de 1972, assim dispõe sobre tema: Art. 29 Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências as diligências que entender necessárias. Este artigo apenas consagra um dos princípios do Direito Probatório, qual seja o da livre convicção na apreciação da prova. O julgador é livre para formar sua convicção, ao examinar as provas juntadas aos autos. Por oportuno, transcrevemse ementas de acórdãos do Conselho de Contribuinte/MF que tratam desse tema : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JULGAMENTO DE 1º GRAU RECURSO DE OFICIO Na apreciação da prova, a autoridade julgadora poderá formar livremente sua convicção. Se a autoridade julgadora de 1 grau examinou criteriosamente as provas apresentadas pela impugnante, após confirmada a autenticidade dos documentos pela autoridade fiscal que procedeu a diligencias, confirmase a decisão recorrida. (Grifouse Ac. 10192619, Sessão de 18/03/1999 da Primeira Câmara do 1° CC) PROVA PRODUÇÃO A produção de provas que objetivem desfazer a imputação irrogada é atribuição de quem as alega, [...]. ACATAMENTO PELO JULGADOR À autoridade julgadora é concedido o poder de formar livremente a sua convicção quanto à verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos fatos e firmará a sua convicção livremente quanto à verdade dos mesmos (art. 29 do Decreto nº 70.235/72). (Grifouse Ac. 201 73740, Sessão de 12/04/2000, da 1ª Câmara do 2° CC) Como se percebe, as normas de processo administrativo tributário não contêm qualquer dispositivo que regule a natureza formação, requisitos, valor relativo e apreciação da prova, podendose afirmar que o principal meio de provar determinado ato é a prova documental, pois os documentos provam a história dos fatos econômicos e permitem a descoberta da verdade. É o ensinamento de Paulo Celso Bergstrom Bonilha na obra "Da Prova no Processo Administrativo Tributário", Editora LTr, 1992, pág. 105: A própria documentação histórica dos fatos tributáveis, relacionados com fatos econômicos e que podem ocorrer em grande número (operações comerciais, industriais e financeiras, por exemplo), demanda a utilização de documentos em larga escala, seja por parte do contribuinte, seja por parte do fisco. Inevitavelmente, as controvérsias deduzidas no processo administrativo tributário necessitarão de provas dessa natureza, justificandose a afirmação de que aprova documental tem importância quantitativa e qualitativa, pois a descoberta da verdade dependerá, fundamentalmente, do exame dessa prova. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 509 9 2.1. Omissão de receitas por passivo fictício R$ 586.605 00 O autuante relacionou nos autos (fl. 231) os documentos fiscais, datas, valores, números dos cheques que quitaram a dívida, e também indicou a folha do livro diário onde estão contabilizados os respectivos pagamentos. Analisandose os lançamentos contábeis, vêse que os valores dessas notas fiscais foram debitados na conta "despesas diversas" e a crédito da conta "Banco Safra Trianon", tendo em vista a emissão dos correspondentes cheques para pagamento da dívida Diante desses documentos, podese concluir que a autuada registrou em duplicidade o valor das compras: primeiramente a crédito da "Conta Fornecedores" (compra a prazo), porque o valor estava pendente em 31/12/99 (fl. 130 dos autos, no valor de R$586.530.63) e, depois, no momento do pagamento — débito na conta "despesas diversas" a crédito da conta "Banco Safra Trianon". O que se tem, então, não é passivo fictício, mas o registro indevido de despesas/compras. Assim, devese admitir que dessa forma não ocorre a omissão de receitas prevista no art. 281, III, do RIR199, devendose excluir o respectivo valor tributável. 2.2 Glosa de despesas R$ 871.110,89 Os valores glosados correspondem aos lançamentos contábeis registrados na conta "4211.0149 Despesas diversas" histórico: "Pg. Caixinha", conforme está no quadro resumo de fl. 232, com contrapartida na conta "112.0150 Banco Safra Trianon". A defesa, por outro lado, alega que a escrituração com o histórico "caixinha" representa um lançamento provisório, que depois é estornado, conforme está transcrito no relatório. Analisandose os documentos juntados na impugnação cópias do razão da "conta despesas diversas" (fls. 317326) e do livro diário (fls. 329331) vêse que, efetivamente, há lançamentos dos valores indicados pela defesa a crédito da conta "despesas diversas", resultando num saldo inferior ao :valor tributável acima indicado. Esse valor também pode ser visto à fl. 137verso (R.$ 201.135,27). Em resumo, o que se vê, é que o valor foi "diminuído" da conta "despesas diversas", mas integrou outra "conta de resultado", somando na formação do prejuízo do exercício demonstrado às fl. 329 e 101verso. As questões relevantes para a solução do litígio, já identificadas pelo autuante, estão listadas à fl. 233: 1. O contribuinte alega que alguns cheques eram lançadas à conta de Despesas Diversas (histórico "Caixinha') e que Fl. 513DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 10 posteriormente eram estornados. Tal afirmativa não se confirma pois os valores debitados foram efetivamente confirmados (e sacados) da conta Banco Safra Ag. 01800 Contacorrente n° 016.1954, e, portanto, coincidentes com os valores lançados nos Livros Diário e Razão. Os extratos bancários do Banco Sqfra, anexos ao Termo de Intimação n°04 confirmam nossa afirmação.(Grifouse) 2. [..] 3. [...] o contribuinte não atendeu ao Termo de Intimação n°04 no que se refere à apresentação de documentos comprobatórios, coincidentes em datas e valores, relativo ás despesas com "Caixinha". Limitouse apenas a responder de forma genérica e apenas com base em suposição, não apresentando porém nenhum documento das despesas pagas através dos cheques, que efetivamente saíram do saldo de sua conta bancária, e que em momento nenhum foram estornados. (Grifouse) Na impugnação, a situação acima descrita persiste: a) não há provas que os valores sacados da contacorrente foram estornados; b) não foram apresentados os comprovantes que embasariam os lançamentos de "Despesas Diversas (Caixinha)", conforme está no QuadroResumo de fl. 232. O art. 299 do RIR199, assim dispõe sobre "despesas": Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47).(Grifouse) § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3° O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Além disso, acrescentese que todos os fatos contabilizados e comprovados fazem prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário, fazem prova contra, nos termos do art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Assim, a escrituração das despesas deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, com a autuada figurando como beneficiária dos serviços e/ou adquirente das mercadorias/produtos, e que tenha elementos suficientes para demonstrar estarem tais gastos com estrita Fl. 514DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 510 11 conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Portanto, as exigências fiscais sobre esse valor tributável devem ser mantidas. 2.3 Quanto à dedutibilidade da COFINS e da contribuição para o PIS Observese, inicialmente, que esses valores de PIS e COFINS decorrem da omissão de receitas caracterizada pelo passivo fictício, que neste caso está sendo julgada improcedente. Em conseqüência, não há necessidade que se aprecie os argumentos da defesa sobre o tema. No entanto, devese registrar que valores não escriturados não podem ser deduzidas na apuração do lucro real. Em relação ao assunto, o art. 251 do RIR/1999, assim dispõe: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decretolei n° 1.598/77, art. 7º) Parágrafo único A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 25). Assim, somente os valores escriturados, com observância da legislação comercial e fiscal é que devem compor os resultados apurados pela pessoa jurídica em suas atividades. 2.4 Compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL sem o limite de 30% Alega a impugnante que tem o direito de realizar a compensação integral de seus prejuízos fiscais e de bases negativas da Contribuição Social, pois estaria amparada em decisão judicial Mandado de Segurança Processo 97.00459306 – 10ª Vara Civil Federal da Primeira Subseção Judiciária de São Paulo Sentença prolatada em 23/04/2003 (fls. 333344), e sujeita a duplo grau de jurisdição, nos termos do art. 12 da Lei n° 1.533, de 1951. Analisandose, agora, a ementa do Acórdão proferido pela Terceira Turma do TRF da 3ª Região (fl. 368), em 25 de agosto de 2004, vêse que o julgado decidiu "dar provimento à remessa oficial" confirmando o limite de 30% para compensação desses valores. Por outro lado, devese esclarecer que o Ato Declaratório (N) nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, da Secretaria da Receita Federal, publicado no Fl. 515DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 12 Diário Oficial da União de 15 de fevereiro de 1996, assentou o entendimento de que a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial (por qualquer modalidade processual), antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Nesses casos, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, na parte em que há identidade de objeto, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, como é o caso dos autos. Por este motivo coincidência entre os objetos da ação judicial e da exigência fiscal esta Turma de Julgamento não deve tomar conhecimento da reclamação que questiona a limitação percentual de 30% imposta à compensação de prejuízos fiscais, na apuração do lucro real (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas), como também da contestação ao limite percentual de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores, relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, segundo disposições dos arts. 42 c 58 da Lei n°8.981, de 1995, e depois reiteradas nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065,de 1995. 2.5 Quanto à aplicação dos juros SELIC Com fundamento nos arts. 6°, § 2°, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, em decorrência da inadimplência quanto ao recolhimento de imposto e contribuições em favor da Fazenda Nacional, está citada a taxa SELIC como juros de mora, ou seja, a aplicação da taxa SELIC decorre de lei, não havendo possibilidade de afastar sua aplicação nesta apreciação administrativa, que se limita a cumprir os atos legais vigentes. A matéria já se encontra pacificada na esfera administrativa, conforme consolidado na Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SEL1C para títulos federais. (publicada no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Com referência à decisão judicial que trata da aplicação da taxa SELIC, onde a interessada não demonstra ser parte integrante, é de se observar o disposto no Código de Processo Civil, art. 472, que determina que a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Assim, não sendo parte no referido litígio judicial, a interessada não pode usufruir os efeitos da decisão ali prolatada, uma vez que os efeitos são inter partis e não erga omnes. Quanto aos argumentos da defesa entendendo que os dispositivos legais que amparam a exigência de juros SELIC padecem de vícios jurídicos, devese esclarecer que a autoridade administrativa não pode se afastar da aplicação da norma legal validamente editada de acordo com o processo legislativo Fl. 516DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 511 13 constitucionalmente estabelecido, o que somente pode acontecer se as leis forem afastadas do mundo jurídico pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Senado Federal. Boa ou má, justa ou injusta, a lei vigente foi editada por quem detém competência para tal, e vincula a atuação do agente administrativo, que dela não pode se afastar sem ver maculado de vício o ato que negar eficácia plena a seus dispositivos literais. Assim tem decidido o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONAL IDADE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I "a" e 111, "h" da Constituição Federal. No âmbito administrativo fica vedado aos órgãos julgadores afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. (Acórdão 10808276, Sessão de 14/04/2005, da Oitava Câmara do 1° CC). Vêse que é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. Portanto, estando o lançamento dos juros de mora em perfeita harmonia com os preceitos legais que regem a matéria, essa exigência também deve ser mantida. 2.6 Resumo do valor tributável. R$ 1. Prejuízo do período (fl. 10) (107.011,06) 2. Omissão de receitas ‐ passivo fictício 0 3. Glosa de despesas 871.110,89 4. Resultado antes da compensação 764.099,83 5. Redução 30% (Prejuízo Fiscal ‐ IRPJ; base de cálculo negativa ‐ CSLL) (229.229,94) 6. Valor tributável 534.869,89 3. Recálculo dos valores devidos Em conseqüência desse novo valor tributável devem ser recalculados os valores do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (lançamento principal), como também das contribuições devidas (lançamentos decorrentes), tendo em vista que estas exigências Fl. 517DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 14 decorrem das mesmas infrações. Assim, a solução deve ser idêntica em face da estreita relação de causa e efeito. 3.1 IRPJ Lucro Real 3.2 Contribuição para o PIS 3.3 COFINS 3.4 – CSLL (*) Conforme demonstrativo de fl. 256. 4. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedentes os lançamentos de PIS e COF1NS, e procedentes em parte os lançamentos do IRPJ e CSLL, conforme os valores constantes nos demonstrativos acima, acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora regulamentares. É como voto. Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, no qual reiterou os mesmos fundamentos da sua impugnação e que, neste momento, passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. Valor Tributável Alíquota Valor devido Valor lançado Valor indevido R$ 534.869,89 15% 80.230,48 10% 29.486,98 Totais 109.717,46 212.373,34 102.655,88 Valor Tributável Alíquota Valor devido Valor lançado Valor indevido Zero 0,65% zero 3.812,93 3.812,93 Valor Tributável Alíquota Valor devido Valor lançado Valor indevido zero 3% zero 17.598,15 17.598,15 Valor Tributável Alíquota Valor devido Valor lançado Valor indevido R$ 534.869,89 8% 42.789,59 Adicional (*) 17.381,13 Totais 60.170,72 119.531,97 59.361,25 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 512 15 É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 16 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A presente autuação tinha por objeto a tributação de omissão de receitas e a glosa de despesas. Quanto ao primeiro fundamento (omissão de receitas), tendo a fiscalização constatado a existência de saldos irreais, no montante da conta Fornecedores, em 31/12/1999, lavrou Auto de Infração para a cobrança do crédito tributário devido ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e dos tributos reflexos. A presunção de omissão de receitas, segundo a Autoridade Fiscal, foi caracterizada pelo fato de a Recorrente manter em sua contabilidade passivo inexistente (passivo fictício), ou seja duplicatas de fornecedores já liquidadas mas não baixadas na contabilidade por falta de saldo contábil suficiente na conta Caixa/Bancos. Entretanto, submetida a matéria à apresentação da DRJ, esta houve por bem afastar as exigências atinentes à omissão de receita, concluindo em seu acórdão que “a autuada registrou em duplicidade o valor das compras: primeiramente a crédito da ‘Conta Fornecedores’ (compra a prazo), porque o valor estava pendente em 31/12/99 (fl. 130 dos autos, no valor de R$586.530.63) e, depois, no momento do pagamento — débito na conta ‘despesas diversas’ a crédito da conta ‘Banco Safra Trianon’. O que se tem, então, não é passivo fictício, mas o registro indevido de despesas/compras. Assim, devese admitir que dessa forma não ocorre a omissão de receitas prevista no art. 281, III, do RIR199, devendose excluir o respectivo valor tributável.” Desse modo, persiste a autuação no que diz respeito à suposta falta de comprovação das despesas, resultando na sua glosa por parte da Autoridade Fiscal, conforme razões expostas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 329/333: Dessa forma, em 22/03/2004, emitimos o Termo de Intimação nº 04 onde solicitamos ao contribuinte a apresentação dos documentos comprobatórios, coincidentes em datas e valores, relativo as despesas lançadas na conta 4211.0149 – “Despesas Diversas” (Histórico: "Pg.Caixinha"), com contrapartida na conta Conta 112.0150 "Banco Safra Trianom"). Na mesma intimação anexamos cópias dos extratos bancários onde comprovamos que os valores realmente saíram do banco Safra, Ag. 01800 Contacorrente n° 016.1954, e portanto, coincidentes com os valores lançados nos Livros Diário e Razão. (...)Analisando a resposta acima, informamos: 1. O contribuinte alega que alguns cheques eram lançados à conta de Despesas Diversas (histórico "Caixinha") e que posteriormente eram estornados. Tal afirmativa não se confirma pois os valores debitados foram efetivamente confirmados (e sacados) da conta Banco Safra Ag. 01800 Contacorrente n° 016.1954, e portanto, coincidentes com os valores lançados nos Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 513 17 Livros Diário c Razão. Os extratos bancários do Banco Safra, anexos ao Termo de Intimação n°04 confirmam nossa afirmação. 2. Quanto à afirmação de que os valores não foram integralmente utilizados como "Despesas Diversas" por ser o valor de R$ 871.110,89 superior ao saldo da conta de "Despesas Diversas" também não prevalece, pois o contribuinte não comprova os lançamentos de estorno, tratandose de mera tentativa de minimizar, contabilmente, suas despesas. 3. Para finalizar, o contribuinte não atendeu ao Termo de Intimação n°04 no que se refere à apresentação de documentos comprobatórios, coincidentes em dates e valores, relativo às despesas com "Caixinha". Limitouse apenas a responder,de forma genérica e apenas com base em suposição, não apresentando porém nenhum documento das despesas pagas através dos cheques, que efetivamente saíram do saldo de sua conta bancária, e que em momento nenhum foram estornados. A autuação permanece, portanto, apenas em relação à glosa de despesas, no montante de R$871.110,89, escrituradas pela contribuinte na conta de “despesas diversas”, com o histórico de “caixinha”. De acordo com a Recorrente, “as despesas lançadas com o título de despesas gerais com o histórico de ‘caixinha’ representavam um lançamento provisório posteriormente adequado em razão de seu verdadeiro motivo. Assim, era feito um estorno do registro na conta de ‘despesas diversas’, que reduziam seu montante.” Depois de esclarecer que os lançamentos realizados na mencionada conta eram provisórios e que posteriormente seriam ajustados em razão de seu verdadeiro motivo, a Recorrente buscou justificar as imperfeições do lançamento, demonstrando que a Autoridade Fiscal efetuou a glosa sobre um saldo de conta inexistente, eis que foram realizados diversos estornos na conta “despesas diversas” e, por esse motivo, o seu saldo final seria muito inferior ao total glosado. Para melhor compreensão, confirase o trecho abaixo extraído do Recurso Voluntário de fls. 494/499: “Os estornos realizados constam dos Livros Diário e Razão do contribuinte (doc. já juntado aos autos). Podese ver claramente os estornos realizados nos meses de junho de 1999, no valor de R$ 1.412.373,82 (fl. 181 do Livro Razão), de setembro de 1999, no valor de R$ 1.012.292,52 (fl. 184 do Livro Razão), e de dezembro de 1999, nos valores de R$ 273.294,83 e R$ 224.167,13 (fl. 186 do Livro Razão). Todos esses estornos foram, como deveriam ser, lançados a crédito da conta, em oposição aos lançamentos originais da conta ‘despesas diversas’, inclusive com o histórico ‘caixinha’, todos a débito. No ano todo de 1999, foi lançado a crédito, revertendo os lançamentos originais na conta de "despesas diversas", o valor de R$ 2.922.843,30. Como os lançamentos a débito foram de R$ 3.123.978,57, o valor final da conta de "despesas diversas" foi de apenas R$ 207.135,27. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 18 Ou seja, é certo, com a devida vênia, que não poderiam ser glosadas ‘despesas/diversas’ no montante de R$ 871.110,89, como a Fiscalização pretendeu, se o total dessas despesas, ao final do ano, foi inferior. Em síntese, o Auto de Infração procura glosar um montante de despesas superior ao que foi efetivamente levado a resultado no final do ano, o que não é possível. (...) O acórdão DRJ ora recorrido reconhece que o valor final da conta de ‘despesas diversas’ foi de apenas R$ 207.135,27. Entretanto, tergiversa sobre o assunto, afirmando que ‘o valor foi 'diminuído' da conta 'despesas diversas', mas integrou outra conta de resultado, somando na formação do prejuízo do exercício demonstrado às fl. 329 e 101verso’. O posicionamento adotado pela DRJ desconsidera a realidade dos fatos, na medida em que o auto de infração glosou supostas despesas incomprovadas (contabilizadas na rubrica de ‘despesas diversas’) no montante de R$ 871.110,89, ao passo que o total dessas despesas, ao final do ano, foi inferior (apenas R$ 207.135,27). (sem destaques no original) Feitas essas considerações, é importante estabelecer as seguintes premissas na condução do presente julgado: (i) A contribuinte foi intimada a apresentar dos documentos comprobatórios, coincidentes em datas e valores, relativos às despesas consignadas na conta “despesas diversas”, com o histórico “caixinha”, a fim de demonstrar o atendimento aos critérios de dedutibilidade, demonstrando a sua necessidade e usualidade para manutenção da fonte produtora; (ii) Em resposta ao Termo de Intimação (fl. 325), a contribuinte apenas informou que a contrapartida para os lançamentos na conta “despesas diversas” (débito) seria a movimentação bancária (crédito), por meio de cheques. No entanto, em razão do estorno de alguns desses cheques, lançavase um crédito na conta examinada, estornandose as despesas. Confirase o trecho da resposta da contribuinte: “constituíase de lançar contra a conta de ‘Despesas Diversas’, alguns cheques, os quais transitavam por esta conta, sendo posteriormente estornados, conforme demonstrado atreves de lançamento de estorno diretamente realizado na conta de ‘Despesas Diversas’, não coincidindo os valores dos respectivos cheques às despesas efetivas.” (iii) Contudo, os cheques lançados foram efetivamente confirmados (e sacados) da conta Banco Safra Ag. 01800 Contacorrente n° 016.1954, e portanto, coincidentes com os valores lançados nos Livros Diário e Razão, conforme se verifica dos extratos bancários juntados aos presentes autos. Assim, fica evidenciado que ocorreu o lançamento contábil referente ao crédito da operação (redução da conta Banco). (iv) Em obediência ao método das partidas dobradas (em que todo lançamento contábil deve evidenciar a origem e a aplicação do recurso e, portanto, a todo crédito existe um débito correspondente), concluise que, se houve efetivamente a saída do Banco e não houve o estorno do lançamento representativo do crédito, há de se buscar qual teria sido o débito correspondente a esta operação. Se a Recorrente alega que o lançamento devedor inicial (débito na conta de “Despesas Diversas”) foi estornado, qual teria sido o débito correspondente ao lançamento credor (saída do recurso do banco)? Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.000727/200457 Acórdão n.º 1401000.773 S1‐C4T1 Fl. 514 19 (v) Neste ponto, fazse necessário ressaltar que a Recorrente não trouxe qualquer documento que comprove que o estorno na conta de “Despesas Diversas” (lançamento credor) não teve contrapartida em outra conta de resultado. Lado outro, a própria Recorrente afirma que os lançamentos realizados na conta “Despesas Diversas” eram provisórios e que posteriormente seriam ajustados em razão do seu verdadeiro motivo. A única interpretação do alegado pela Recorrente, salvo melhor juízo, é que as despesas ocorridas eram alocadas provisoriamente na conta de “Despesas Diversas” e que, posteriormente, eram transferidas para as contas de despesas que refletissem o verdadeiro conteúdo daquela despesa. (vi) Embora a contrapartida para os estornos da conta “despesas diversas” não seja a conta “movimentações bancárias”, fato é que foram registrados alguns estornos na conta objeto de glosa (“despesas diversas”), mas que não tiveram a sua contrapartida comprovada pela Recorrente. Esse é o principal ponto a ser examinado nesse julgamento. Das demonstrações contábeis verificase que houve, efetivamente, a saída de recursos do banco e a correspondente alocação na conta de “despesas diversas”. Do mesmo modo, também está comprovado foram realizados estornos na conta “despesas diversas”. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a verdadeira contrapartida para esses estornos (já que, como dito, não prosperam os argumentos de que eles ocorrem contra banco). Ora, se a própria Recorrente afirma que as movimentações na conta “despesas diversas” são “lançamentos provisórios posteriormente adequados em razão de seu verdadeiro motivo”, qual seria o verdadeiro motivo para os estornos na referida conta, com o intuito de ajustála? Se os estornos representam um crédito na conta “despesas gerais”, em qual conta foi realizada a contrapartida a “débito”? Foi em alguma conta patrimonial ou em conta de resultado? O simples fato de a Recorrente ter creditado a sua conta de “despesas diversas” não significa que não houve impacto no resultado. Diante dessa situação, caberia à contribuinte duas alternativas: 1) comprovar a necessidade e usualidade das despesas, demonstrando o preenchimento dos seus requisitos de dedutibilidade; ou, então, 2) comprovar que a contrapartida dos estornos não influenciou no resultado. A Recorrente poderia, por exemplo, ter demonstrado que creditou a conta “despesas gerais” e debitou alguma do passivo e que, portanto, aquele valor reduzido da conta de “despesas gerais” não influenciou a formação do resultado. A produção dessas provas incumbia à contribuinte, que, em nenhum momento, cuidou de demonstrar a real motivação daqueles estornos. Ela apenas se limitou a insistir no cancelamento da autuação, ao fundamento de que é impossível a Fiscalização efetuar uma glosa sobre uma despesa inexistente (ou existente em montante inferior àquele glosado). O fundamento da autuação é a redução indevida do resultado tributável, diante da ausência de comprovação da necessidade e usualidade das despesas lançadas. O fato de a despesa ter sido alocada inicialmente como “despesas gerais” e posteriormente o lançamento ter sido estornado não altera a redução indevida do resultado tributável. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 20 A DRJ, ao entender que o contribuinte não apresentou argumentos suficientes que demonstrassem que o valor glosado não reduziu indevidamente o resultado tributável, vez que o crédito na conta de “despesas gerais” teria como contrapartida o débito em outra conta de resultado, não tem o condão de alterar o critério jurídico do lançamento, que foi a glosa de despesas. O fato de o contribuinte comprovar que a conta específica glosada foi reduzida mas sem evidenciar a contrapartida dessa redução (sendo que restou comprovada a saída dos recursos na conta Banco e que o estorno do lançamento na conta de despesa não teve como contrapartida a conta Banco) e, ainda, ao alegar que a conta de “despesas gerais” era estornada para que o lançamento fosse adequado em razão do verdadeiro motivo, nos leva a crer apenas que as despesas eram lançadas na conta geral e posteriormente alocada em conta de despesa específica àquele gasto. Entendo que o cancelamento do Auto de Infração, nesse caso, não merece acolhida, haja vista que não apresentou qualquer documento que explicasse a necessidade e usualidade das despesas e, ainda, não esclarecer o verdadeiro motivo para os estornos, sem demonstrar que eles não impactaram o resultado. Por fim, cumpre mencionar que, embora não seja objeto do recurso examinado, em 16/07/2008, a Recorrente apresentou petição nos autos do processo administrativo (fls. 492/493), pedindo para que fosse reconhecida a decadência dos créditos tributários abrangidos pela decadência, tendo em vista a aprovação, pelo STF, da súmula vinculante nº 08, que declarou a inconstitucionalidade do disposto nos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, mesmo diante dessas considerações, entendo que não é o caso de decadência. Tratase de contribuinte sujeito à apuração anual do Lucro Real, e, sendo assim, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o 1° dia após a data da apuração anual, mesmo na perspectiva mais otimista do lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Assim, para os fatos geradores ocorreram em 31/12/1999, temse que o prazo decadencial somente se encerrou em 31/12/2004. Como a Recorrente foi intimada do lançamento em 31/03/2004, não há que se falar em decadência. Pelo exposto, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
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Numero do processo: 15504.721559/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECISÃO RECORRIDA. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. NULIDADE.
Os argumentos capazes de, em tese, infirmar parte da decisão recorrida, devem ser enfrentados pelo órgão de julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão recorrida, restituindo-se os autos à DRJ/JFA para que esta profira novo julgamento, manifestando-se a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas indenizatória, conforme suscitado na impugnação.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão recorrida, restituindo-se os autos à DRJ/JFA para que esta profira novo julgamento, manifestando-se a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas indenizatória, conforme suscitado na impugnação. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.721559/201304 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.029 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL Recorrente VALE DO OURO TRANSPORTE COLETIVO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECISÃO RECORRIDA. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. NULIDADE. Os argumentos capazes de, em tese, infirmar parte da decisão recorrida, devem ser enfrentados pelo órgão de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 15 59 /2 01 3- 04 Fl. 648DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão recorrida, restituindose os autos à DRJ/JFA para que esta profira novo julgamento, manifestandose a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas indenizatória, conforme suscitado na impugnação. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 15504.721559/201304 Acórdão n.º 2402006.029 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Tratase de processo de Autos de Infração lavrados em razão do descumprimento de obrigações tributárias do período de 01 a 12/2008, conforme a seguir discriminado, por número DEBCAD: 1) AI DEBCAD 37.373.2694, [...], relativo às contribuições previdenciárias patronais, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; 2) AI DEBCAD 37.373.2708, [...], relativo às contribuições dos segurados, descontadas de sua remuneração; 3) AI DEBCAD 37.373.2716, [...], relativo às contribuições dos segurados, não descontadas de sua remuneração; 4) AI DEBCAD 37.373.2724, [...], relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE); 5) AI DEBCAD 37.373.2732, [...], relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, por deixar de declarar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da administração tributária (FL 68). [...], constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 2.1.1 Remuneração paga ou creditada a segurados empregados, constantes em folha de pagamento, no período de 01/2008 a 12/2008, inclusive décimoterceiro salário de dezembro/2008; 2.1.2 Valores pagos a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Abono, sob o código: 196 Abono Especial CCT 2008, no período de 07/2008 a 11/2008, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e Terceiros; 2.1.3 Valores pagos a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Alimentação, sob os códigos: 065 Ajuda de Custo Alimentação, 174 Ajuda de Custo Alimentação, 186 Diferença Ajuda de Custo Alimentação e 229 Ajuda de Custo Mês Anterior no período de 01/2008 a 12/2008, Fl. 650DF CARF MF 4 não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e Terceiros; 2.1.4 Remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual SócioAdministrador, a título de retirada prólabore, no período de 01/2008 a 12/2008; 2.1.5 Remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais – pessoas físicas que prestaram serviços à empresa sem vínculo empregatício, no período de 04/2008, 06/2008, 07/2008, 08/2008 e 10/2008; 2.1.6 Valores pagos a segurados empregados, em processos trabalhistas, no período de 06/2008 a 12/2008. A respeito da REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA A SEGURADOS EMPREGADOS, o Relatório Fiscal esclarece que foi apurada diferença entre os valores constantes das Folhas de Pagamento da empresa e as GFIP entregues, incluindo décimo terceiro salário, a qual foi discriminada mensalmente, por segurado empregado, no ANEXO I. [...], no AI DEBCAD 37.373.2708, foram consignadas as contribuições dos segurados, correspondentes à diferença entre o total das contribuições descontadas das remunerações, constantes em Folha de Pagamento, e as recolhidas em Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS), deduzidos os valores de saláriofamília, saláriomaternidade e de retenção sofrida sobre as notas fiscais de prestação de serviços emitidas. Os empregados e suas respectivas contribuições foram relacionados no ANEXO II. O desconto da contribuição não recolhida caracteriza a prática, em tese, de crime de Apropriação Indébita Previdenciária, previsto no art. 168A do DecretoLei nº 2.848, de 1940, que enseja a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. A respeito da verba ABONO, a autoridade lançadora esclarece que os valores pagos a esse título, apurados de 07 a 11/2008, foram extraídos das Folhas de Pagamentos, código: 196 – Abono Especial CCT 2008. Citando a legislação de regência, afirma que, para que tais valores não integrem o salário de contribuição, devem ser pagos em virtude de lei. No caso, o referido abono foi pago em cumprimento à cláusula 2.3 do Acordo Coletivo de Trabalho de 2008, firmado em 18/04/2008, entre o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de MG (SINDPAS), representando as empresas e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Ouro Preto, representando os trabalhadores, encontrandose discriminados, por segurado empregado, no ANEXO III. No ANEXO IV estão relacionados os valores residuais da contribuição dos segurados devida e a memória de cálculo. Também foram apurados os valores relativos a AJUDA DE CUSTO ALIMENTAÇÃO, pagos em dinheiro aos empregados, no período de 01 a 12/2008, em cumprimento do Acordo Fl. 651DF CARF MF Processo nº 15504.721559/201304 Acórdão n.º 2402006.029 S2C4T2 Fl. 4 5 Coletivo de Trabalho de 2008 já mencionado, constantes das Folhas de Pagamento, códigos 065 – Ajuda de Custo Alimentação, 174 Ajuda de Custo Alimentação, 186 Diferença Ajuda de Custo Alimentação e 229 Ajuda de Custo Mês Anterior. Citando a legislação de regência, a autoridade lançadora afirma que, para que tais valores não integrem o salário de contribuição, devem ser pagos em conformidade com o programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. No ANEXO III também estão discriminados os valores relativos à referida rubrica Ajuda de Custo Alimentação. Foi apurada ainda a REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL SÓCIO ADMINISTRADOR, Fabiano Caixeta Avellar, a título de prólabore, no período de 01 a 12/2008, constante das Folhas de Pagamento. O desconto da contribuição do segurado foi verificado no exame das referidas Folhas de Pagamento e Livros Diários e Razão. Também foram apuradas contribuições incidentes sobre a REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS – Pessoas físicas sem vínculo empregatício nas competências 04/2008, 06/2008, 07/2008, 08/2008 e 10/2008, extraídas dos recibos de pagamento apresentados e da contabilidade, nas contas de despesa: Honorários Advocatícios, Honorários Contábeis e Serviços de Terceiros. As contribuições dos segurados contribuintes individuais não foram retidas de sua remuneração e foram discriminadas no ANEXO V. O Relatório Fiscal informa que foram verificados valores pagos em processos trabalhistas aos empregados, no período de 06 a 12/2008, extraídos da contabilidade e apresentados pela empresa, tendo sido apuradas as contribuições devidas a outras entidades e fundos. Os referidos processos trabalhistas foram discriminados no ANEXO VI, com indicação da data de contabilização, conta debitada, reclamante e valor pago. Por sua vez, o AI 37.273.2732 foi lavrado por ter a empresa omitido das GFIP os seguintes dados: [...] Ainda conforme o Relatório Fiscal, os valores omitidos foram apurados verificandose as GFIP, Folhas de Pagamento, Recibos de Pagamentos, Processos Trabalhistas, Livro Diário nº 34, e Livro Razão, relativos ao período de 01/2008 a 12/2008, analisados durante a ação fiscal, correspondendo as contribuições previdenciárias devidas, parte patronal e dos segurados, relativas aos subitens 3.1.2.1 a 3.1.2.6 aos fatos Fl. 652DF CARF MF 6 geradores omitidos, conforme indicado mensalmente no ANEXO VIII. Tendo em vista a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, e o disposto no art. 106, II, “c” do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte. [...] Cientificado em 08/03/2013, conforme Aviso de Recebimento de fls. 412, o autuado apresentou impugnações em 09/04/2013 [...]. Nelas alega, inicialmente, a decadência dos valores lançados relativos às competências 01 e 02/2008, em razão do disposto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN), citando entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ainda, diz ser inaplicável o disposto no art. 173, I, do mesmo Código, pelo fato de ter havido pagamento de contribuições nessas competências. Em seguida, contesta lançamentos relativos a cada autuação lavrada, [...]. Dos AI 37.373.2694, AI 37.373.2708, AI 37.373.2716 O impugnante defende a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas a seguir indicadas, conforme entendimentos judiciais que menciona: o abono especial concedido por Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a título indenizatório, uma vez que tal verba não ostenta natureza salarial; o auxílioalimentação, concedido por CCT, com expressa menção à sua natureza indenizatória; o terço constitucional de férias, citando o §11 do art. 201 da Constituição da República, de 1988, afirmando que tais valores não se destinam a remunerar o trabalho prestado, não integrando o conceito de remuneração, e não se caracterizam como ganhos habituais, não incorporando, por conseguinte, a remuneração para fins de aposentadoria; o auxíliodoença pago pelo empregador, relativo aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, por entender tratarse de verba destituída de de natureza salarial, que não consubstancia contraprestação por serviço prestado; o aviso prévio indenizado, que não se enquadra na definição de salário de contribuição, contida no inciso I do art. 28 da Lei n º 8.212, de 1991, por não se tratar de rendimento pago como contraprestação do trabalho, muito embora o período a ele relativo ser computado no tempo de serviço para todos os efeitos legais e não obstante a revogação do art. 214, §9º, V, “f” do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, uma vez que o conceito de salário de contribuição não pode ser alterado por decreto, sob pena de afronta ao principio da legalidade; Fl. 653DF CARF MF Processo nº 15504.721559/201304 Acórdão n.º 2402006.029 S2C4T2 Fl. 5 7 a hora extra e o respectivo adicional, por se destinarem a indenizar o trabalhador pelo emprego de sua força de trabalho na jornada extraordinária, tratandose de parcela extraordinária, não habitual, que não se incorpora aos proventos de aposentadoria, conforme §11 da CRFB, de 1988. Por outro lado, argui a inexigibilidade da multa de mora prevista no art. 35, II, “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, dada sua revogação pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Diz que a multa atual, de 20% (vinte por cento), deve ser aplicada, nos moldes autorizados pelo art. 106, II, “c”, do CTN e artigos 2º e 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Em seguida, argui a impossibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa de mora, sobre o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo, sob pena de bis in idem, conforme decisões administrativas que cita, pelo que uma delas deve ser excluída. Ao fim, requer a procedência da impugnação e desconstituição do lançamento ou, ao menos, a exclusão das parcelas manifestamente indevidas e a redução das penalidades aplicadas. Do AI 37.373.2724 Nesta impugnação, além dos argumentos acima apresentados, o impugnante alega a nulidade do Auto de Infração e a inexigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos através de processos trabalhistas, por amostragem. Nesse sentido, afirma que, conforme consta do Relatório Fiscal (item 2.2.6.5), as contribuições devidas a outras entidades e fundos, exigidas sobre os valores pagos pela impugnante aos seus empregados, em decorrência de decisão judicial, foram arbitradas com base em cópias, por amostragem, dos processos trabalhistas. Entende que tal procedimento eivou de nulidade a autuação, uma vez que a incidência das contribuições previdenciárias sobre a integralidade dos valores pagos em decorrência de decisão judicial condenatória ou homologatória de acordos trabalhistas somente é possível nos casos em que não haja discriminação da natureza desses valores, conforme jurisprudência que cita. Diz não ter como aferir a validade da cobrança sem que tenham sido juntados aos autos todas as decisões e acordos trabalhistas que atraíram a incidência das contribuições previdenciárias exigidas, pelo que a autuação é nula, nos termos do incido II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Do AI 37.373.2732 Fl. 654DF CARF MF 8 Nesta impugnação, o impugnante alega a inexigibilidade da multa aplicada com ofensa ao princípio da legalidade e o descabimento da aplicação de critérios previstos em ato emanado pelo Poder Executivo. Isso porque o art. 97, V, do CTN, estabelece que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades. Todavia, o valor mínimo previsto no art. 92 da Lei nº 8.212, de 1991, foi fixado em R$1.171,38 por ato do Poder Executivo, a Portaria Interministerial MPS/MF nº 15 de 10/01/2013, art. 8º, IV, o que caracteriza ofensa ao principio da legalidade e enseja a declaração de nulidade do lançamento. Requer, ao fim, a procedência da impugnação, o cancelamento da multa aplicada ou sua redução a patamares que não afrontem o principio da vedação ao confisco. As impugnações foram julgadas parcialmente procedentes pela DRJ, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deve reter e recolher, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, nos termos da legislação tributária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. FATOS GERADORES. OMISSÃO. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O auxílioalimentação pago em desacordo com a lei específica integra o saláriodecontribuição. ABONO ÚNICO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ATO DECLARATÓRIO DO PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL APROVADO PELO MINISTRO. As unidades da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito judiciais,o qual, em virtude de Fl. 655DF CARF MF Processo nº 15504.721559/201304 Acórdão n.º 2402006.029 S2C4T2 Fl. 6 9 jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, seja objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Diante do montante exonerado, não houve a interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 04/04/2014 (fl. 620), através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário mediante envio de correspondência à Agência da Receita Federal de Ouro Preto (fls. 639 e 623/638), no qual afirmou basicamente o seguinte: a) que incluiu parte de seus débitos na reabertura da Lei 11941/09, de forma que o objeto recursal seria apenas o período de 12/2008; b) o acórdão de impugnação foi omisso em relação a diversos aspectos controvertidos: não incidência de contribuições sobre verbas indenizatórias, tais como terço constitucional de férias, auxíliodoença, aviso prévio indenizado, hora extra e o respectivo adicional; c) a incidência de contribuições sobre estas verbas é indevida, conforme jurisprudência dos tribunais; d) ainda que pago em dinheiro, não incide contribuição sobre o auxílio alimentação; e) na medida em que acolheu parcialmente as alegações da contribuinte, as multas também deveriam sofrer redução proporcional; f) as multas de mora e de ofício não poderiam ser cumuladas; g) o percentual de incidência de multa deveria ser aquele mais benéfico ao contribuinte. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 656DF CARF MF 10 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O sujeito passivo interpôs seu recurso através do envio de correspondência postal à agência da Receita Federal do Brasil em Ouro Preto. Entretanto, o envelope da correspondência não está datado e não há nenhum registro nos autos sobre a data efetiva da interposição recursal. Em sendo assim, considerarseá que o mesmo foi interposto em 02/05/2014, quando ele foi impresso e assinado pelos advogados da contribuinte, sendo, pois, tempestivo. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, deve o recurso ser conhecido. 2 Da omissão Preliminarmente, a contribuinte afirma que o acórdão de impugnação foi omisso, uma vez que não teria enfrentado o ponto atinente à não incidência de contribuições sobre verbas indenizatórias, tais como terço constitucional de férias, auxíliodoença, aviso prévio indenizado, hora extra e o respectivo adicional. Tal tese, de fato, foi ventilada em sede de impugnação, e o próprio relatório da decisão recorrida deixa isso claro. Ao julgar tal questão, a DRJ assim o fez: Do adicional de um terço de férias, dos pagamentos dos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, do aviso prévio indenizado, da hora extra e seu adicional O impugnante alega fundamentalmente a natureza indenizatória das verbas indicadas. Todavia, não consta dos autos que tais verbas tenham sido objeto das autuações ora discutidas. Isso porque a autuação relativa à diferença entre o valor constante das folhas de pagamento e o valor declarado em GFIP foi efetuada pela diferença entre a base de cálculo de uma e outra, por empregado e por competência, conforme discriminado no Anexo I. Além disso, o impugnante não demonstrou que a diferença apurada se refere, entre outras, às referidas verbas. Como já explicitado, o entendimento judicial apresentado pelo impugnante não se opõe ao presente lançamento, que constitui atividade plenamente vinculada. O acórdão de impugnação não julgou as alegações de mérito a respeito da não incidência de contribuições sobre tais rubricas, ao argumento de que não teria constado nos Fl. 657DF CARF MF Processo nº 15504.721559/201304 Acórdão n.º 2402006.029 S2C4T2 Fl. 7 11 autos que tais verbas teriam sido objeto de autuações; e que o impugnante não teria demonstrado que a diferença apurada a elas se referiria. Ocorre que os lançamentos também tomaram por base as remunerações declaradas em folhas de pagamento além das demais rubricas identificadas em sede de fiscalização (abono, auxílioalimentação e valores pagos em reclamatórias trabalhistas) , as quais contemplaram as verbas discriminadas e discutidas pelo contribuinte em sede de defesa administrativa. Os resumos das folhas de pagamento anexados aos autos (vide fls. 374 e seguintes) e utilizados pela própria fiscalização dão conta de adimplementos realizados a título de terço de férias, aviso prévio indenizado, horas extras, etc, os quais compuseram a base de cálculo dos lançamentos, na forma dos anexos que integram os autos. A propósito, é sabido que a fiscalização defende a tese da incidência de contribuições sobre tais montantes, de forma que o acórdão de impugnação está equivocado. Lembrese que não se considera fundamentada a decisão que não enfrenta os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada. Nesse contexto, a DRJ deveria ter se pronunciado sobre tais alegações de mérito formuladas em sede de impugnação, de forma que o recurso deve ser provido, a fim de declararse nula a decisão recorrida, para que seja proferida nova decisão. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário e ACOLHER A PRELIMINAR de nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13767.000104/2003-55
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002,2003, 2004
PER/DCOMP. CANCELAMENTO.
A Per/DComp regularmente entregue produz efeitos na ordem jurídica, uma vez que para afastá-la deve ser cancelada no modo, no tempo e na forma prescritos em lei.
Numero da decisão: 1801-001.215
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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materia_s : IRPJ - restituição e compensação
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002,2003, 2004 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. A Per/DComp regularmente entregue produz efeitos na ordem jurídica, uma vez que para afastá-la deve ser cancelada no modo, no tempo e na forma prescritos em lei.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
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CANCELAMENTO. A Per/DComp regularmente entregue produz efeitos na ordem jurídica, uma vez que para afastála deve ser cancelada no modo, no tempo e na forma prescritos em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 01 04 /2 00 3- 55 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13767.000104/200355 Acórdão n.º 1801001.215 S1TE01 Fl. 495 2 A Recorrente apresentou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) em 15.05.2003, fls. 0104, 209226, 276, utilizandose dos créditos relativos aos saldos negativos relativamente aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, respectivamente, de: (a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) nos valores de R$110.989,21, R$158.537,54 e R$265.299,35; e (b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos valores de R$67.171,73, R$94.596,74 e R$133.286,72. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 335344, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido nos seguintes termos Destarte, é de meu parecer que: 1. deverá ser reconhecido o direito creditório no valor de R$32.787,80, referente ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2001, e homologada as compensações declaradas de IRPJ para os meses de outubro a dezembro do ano de 2002, conforme folha 03 do presente processo. 2. deverá ser reconhecido o direito creditório no valor de R$168.291,82, referente ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, e homologada as compensações declaradas de IRPJ para os meses de janeiro a outubro do ano de 2003, conforme as PERDCOMP de folhas 209 a 226. 3. deverá ser reconhecido o direito creditório no valor de R$261.149,03, referente ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2003, e homologada as compensações declaradas de IRPJ para os meses de janeiro a julho do ano de 2004, conforme as PERDCOMP de folhas 237 a 263. 4. não deverá ser reconhecido o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do ano de 2001, não devendo ser homologada as compensações declaradas de CSLL para os meses de outubro a dezembro do ano de 2002, conforme folha 01 do presente processo. 5. deverá ser reconhecido o direito creditório no valor de R$36.348,27, referente ao saldo negativo de CSLL do ano de 2002, e homologada as compensações declaradas de CSLL para os meses de janeiro a novembro do ano de 2003, conforme as PERDCOMP de folhas 276 a 299. 6. deverá ser reconhecido o direito creditório no valor de R$43.686,65, referente ao saldo negativo de CSLL do ano de 2003, e homologada as compensações declaradas de CSLL para os meses de janeiro a julho do ano de 2004, conforme as PERDCOMP de folhas 300 a 326. Restou ementado: IRPJ/CSLL — SALDO NEGATIVO A pessoa jurídica tributada com base no lucro real, optante pelo pagamento do imposto de renda e a contribuição social mensal calculado por estimativas, poderia compensar, assegurada a alternativa de restituição dos valores pagos a maior, a diferença negativa, verificada entre o imposto de renda e a contribuição social Fl. 582DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13767.000104/200355 Acórdão n.º 1801001.215 S1TE01 Fl. 496 3 devidos na declaração anual e o imposto e a contribuição pagos referentes aos meses do períodobase anual, com o imposto mensal e a contribuição social a serem pagos dos anos subseqüentes. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA ATE O LIMITE DO CREDITO ORA RECONHECIDO. Cientificada em 25.10.2006, fl. 439, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 24.11.2006, fls. 444447, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita apresenta a peça de defesa tempestivamente e que os débitos estão com a exigibilidade suspensa, (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Argui que insurgirse contra a nãohomologação do pedido de compensação e contra a cobrança em questão, já que, na prática, o saldo negativo do ano de 2004 impede a exação de IRPJ e CSLL, razão pela qual o débito é inexistente. Conclui Inicialmente, REQUER o contribuinte e ora peticionário, seja tornado ineficaz o despacho decisório que determinou a cobrança de saldos devedores de IRPJ e CSLL para o ano calendário de 2004; bem como seja reconhecido o direito creditório no valor de R$43.686,65, referente ao saldo negativo de CSLL do ano de 2003, e homologadas as compensações declaradas de CSLL e IRPJ para os meses de janeiro a julho do ano de 2004, conforme as PERDCOMP de folhas 300 a 326. Nestes termos, pede deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ, de 30.04.2007, fls. 458459: Vistos e examinados os autos do presente processo, no qual o interessado acima qualificado manifesta inconformidade em relação ao decidido no Parecer SEORT no 497/2005 de folhas 335 a 344 e verificando não se acharem ainda reunidos todos os elementos de que necessito para formar convicção acerca das matérias descritas nos autos, sugiro, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, converter este julgamento em diligencia, a fim de que o SEORT da DRF/Vitória/ES esclareça o seguinte. No item 6 do referido Parecer, a DRF reconhece o direito creditório no valor de R$43.686,65 referente ao saldo negativo de CSLL do ano de 2003 e homologa as compensações declaradas de CSLL para os meses de janeiro a julho do ano de 2004, conforme PERDCOMP de folhas 300 a 326. No entanto, o crédito reconhecido é muito menor do que o total das compensações declaradas e isto é demonstrado quando da cobrança (anexa) em que figuram saldos a serem exigidos, a partir dos meses 03 a 07/2004. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13767.000104/200355 Acórdão n.º 1801001.215 S1TE01 Fl. 497 4 No entanto, o despacho desta DRF afirma no item 6 que as compensações estão homologadas. Na eventual constatação de erros no parecer e no despacho decisório, solicitamos que sejam efetuadas as devidas correções. Cientifiquese o interessado dessa resolução e do inteiro teor das provas ou fatos que, em decorrência da diligência ora determinada, venham a ser trazidos aos autos, concedendolhe, expressamente, o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa relativamente à matéria complementada. Foi proferido o Despacho, fls. 465468, em que restou evidenciado: A presente análise é pontual e não tem o condão de revisar os valores dos créditos tributários já reconhecidos ou as compensações, de fato, já homologadas. 0 que se busca nestes fólios é apenas sanear a ausência de informação que possa ter ocasionado imprecisões quanto ao que determinou o Despacho Decisório n° 13767.000104/200355, amparado pelo Parecer SEORT no 497/2005, sobretudo e muito principalmente, quanto a dúvidas atinentes ao limite da homologação das compensações de CSLL dos meses de 01/2004 a 07/2004 declaradas nas PERDCOMP's às fls. 300/326, assunto tratado no item 6 do Despacho Decisório. A decisão desta DRF, ao reconhecer o crédito de saldo negativo de CSLL referente ao exercício 2004, no valor de R$43.686,65 (quarenta e três mil, seiscentos e oitenta e seis reais e sessenta e cinco centavos), informou a homologação das compensações declaradas de CSLL para os meses de janeiro a julho do ano calendário 2004, sem consignar que as compensações estavam homologadas apenas até o limite do crédito reconhecido, como registrou em todas as outras homologações (vide itens 01 a 03 e 05). E bem verdade que é patente a desinformação. Contudo, as compensações declaradas de CSLL de janeiro a julho de 2004 só poderiam ser homologadas até o valor de R$43.686,65, crédito de saldo negativo de CSLL do exercício 2004 reconhecido. Vêse, inclusive, que no âmbito da própria DRF/VIT apenas foram realizados os procedimentos de compensação até o limite do crédito deferido, fls. 427/428 e 460/464. Nesse sentir, prestase este despacho para aclarar a DRJ/RJO I que as compensações declaradas de CSLL dos meses de janeiro a julho de 2004 (PERDCOMP's às fls. 300 a 326) foram homologadas APENAS até o limite do crédito de saldo negativo de CSLL do exercício 2004 reconhecido, qual seja, R$43.686,65 (quarenta e três mil, seiscentos e oitenta e seis reais e sessenta e cinco centavos). [...] Em razão das conclusões acima expostas, com as quais concordo, DECIDO remeter os autos a Sra. Delegada da Receita Federal em Vitória autoridade competente para apreciar processos atinentes à restituição e compensação para confirmação de que compensações de CSLL de janeiro a julho de 2004 estão homologadas até o limite do crédito de saldo negativo de CSLL do exercício 2004 já reconhecido no Despacho Decisório 13767.000104/200355. A Recorrente foi regularmente noticiada em 26.06.2005, fl. 47053, porém permaneceu silente. Consta no Voto condutor Fl. 584DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13767.000104/200355 Acórdão n.º 1801001.215 S1TE01 Fl. 498 5 Conforme se pode observar dos pedidos efetuados pelo interessado, os créditos apresentados como líquidos e certos, a serem aproveitados na compensação dos débitos constantes deste processo, estão definidos as folhas 02, 04, 210 a 225, 238 a 262, 277 a 298 e 301 a 325. Nestes, não estão incluídos os saldos negativos de IRPJ e CSLL que poderiam vir a existir ao final de 2004. Até porque, a transmissão da última PERDCOMP existente no processo se deu em 02/09/2004 (fl. 324). Nesta data não havia a certeza e liquidez sobre qualquer crédito passível de restituição/compensação a ser constituído em 31/12/2004. [...] Os pedidos de compensação foram julgados com os documentos existentes neste processo. Se o interessado entende possuir mais créditos de IRPJ e CSLL ao final de 2004; estes devem ser pleiteados através de uma nova PERDCOMP que será objeto de nova análise pela Delegacia de Vitória. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1217.565, de 19.12.2007, fls. 472477:“Solicitação Indeferida”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS NÃO APRESENTADOS EM PER/DCOMP. Quando os créditos apresentados pelo interessado em PERDCOMP não são suficientes para liquidar os débitos objeto do pedido de compensação, os saldos não compensados poderão ser objeto de futuros pedidos em outros processos, desde que existam créditos líquidos e certos para as compensações. Não existe previsão legal para homologação de compensação de débitos apresentados em DCOMP, quando não há indicação pelo interessado do crédito original para esta compensação. Notificada em 09.06.2008, fl. 480, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.07.2008, fl. 481485, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta Em 27.07.2005, foi proferido Despacho Decisório pelo qual foi reconhecido o direito creditório e analisada a existência e necessidade de cobrança de saldos devedores do anocalendário de 2004. Senão vejamos: "Para os saldos devedores de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2004, deverão ser objeto de cobrança.." (sem grifos no original). Nesse contexto, resta clarividente que, ao contrário do alegado pela decisão recorrida, a compensação dos débitos referentes ao anocalendário de 2004 foi Fl. 585DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13767.000104/200355 Acórdão n.º 1801001.215 S1TE01 Fl. 499 6 debatida e solicitada nos presentes autos [ e ainda que] necessário ainda esclarecer que os presentes autos estão devidamente instruídos com TODA a documentação necessária à análise da existência ou não de créditos a serem compensados no ano calendário de 2004 o que, por si só, já justifica a apreciação dos requerimentos de compensação, sob pena de onerar desnecessariamente a máquina administrativa. [...] Frisese que, embora a decisão recorrida tenha afirmado que a compensação do anocalendário de 2004 deve ser pleiteada através de nova PER/DCOMP, tal afirmação não deve prosperar eis que os documentos que instruem os presentes autos são suficientes para constatar que foi apurada BASE DE CALCULO NEGATIVA no período em questão. Ante o exposto, necessária a reforma da decisão que não homologou o pedido de compensação e manteve a cobrança em questão, já que, na prática, o saldo negativo do ano de 2004 impede a exação de IRPJ e CSLL, razão pela qual o débito é inexistente. Conclui Inicialmente, REQUER o contribuinte e ora recorrente, a reforma da decisão de fls. 472/477 para autorizar e proceder a anulação da cobrança de débitos referentes ao anocalendário de 2004 tendo em vista a apuração de base de cálculo negativa, conforme comprovam os documentos que instruem os presentes autos, em especial a DIPJ datada de maio de 2005, e as fichas 6A e 9A apresentadas à Receita em 16.05.2005. Termos em que Pede e espera deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente suscita que devem ser anulados os débitos de IRPJ e CSLL calculados sobre a base de cálculo estimada do anocalendário de 2004, por serem inexistentes, uma vez que não apurou valor devido destes tributos em 31.12.2004. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 586DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13767.000104/200355 Acórdão n.º 1801001.215 S1TE01 Fl. 500 7 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional1. A RFB, no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, determina que esta declaração não pode ser retificada caso a sua análise não mais se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O valor do direito creditório deve ser acrescido de juros equivalentes à taxa Selic a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente em relação aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados anualmente. O cancelamento do pedido de restituição ou da compensação pode ser requerido pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB deste pleito gerado a partir do programa Per/DComp2. Analisando a situação fática temse que nas Per/DComp, fls. 237263 e 300 326 estão regularmente confessados pela Recorrente os débitos de IRPJ e CSLL calculados sobre a base de cálculo estimada do anocalendário de 2004. Estes documentos estão produzindo efeitos na ordem jurídica, uma vez que não foram por ela cancelados no modo, no tempo e na forma prescritos em lei. Por esta razão, a alegação da defesa na fase litigiosa de que estes débitos são inexistentes não pode prosperar, haja vista que a Recorrente não adotou as providência normativas pertinentes para tanto. Além disso, os eventuais saldos negativos de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2004 porventura existentes, não podem ser analisados como direito creditório nesta instância de julgamento por não serem pedidos formalizados nos presentes autos oportunamente. Por seu turno, o art. 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, prevê que aos Delegados da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente decidir sobre a revisão de ofício, a pedido do contribuinte ou no interesse da administração, inclusive quanto aos créditos tributários lançados, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, e ainda decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações. Vale esclarecer que os pedidos de cancelamento das Per/DComp não podem ser regimentalmente apreciados pelo CARF e devem ser solicitado à autoridade preparadora que jurisdiciona a Recorrente, em procedimento de revisão de ofício no âmbito da DRF/Vitória/ES. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal: art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13767.000104/200355 Acórdão n.º 1801001.215 S1TE01 Fl. 501 8 (assinado digitalmente) Fl. 588DF CARF MF Impresso em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.012700/2010-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 27 00 /2 01 0- 16 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 9202006.085 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 9202006.085 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 9202006.085 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 9202006.085 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 9202006.085 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 9202006.085 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 9202006.085 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000579/2003-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES . INAPLICABILIDADE NO CASO ESPECÍFICO DA SÚMULA CARF N.º 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, a fim de elidir autuação, com base na presunção legal de omissão de receitas. In casu, houve a comprovação de que o cônjuge, respondendo desde o início a procedimento fiscal similar foi que, em sua quase totalidade responsável pela prestação de informações. Devolva-se a câmara a quo para apreciação das questões não apreciadas.
Numero da decisão: 9202-006.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.839, de 08/03/2016, corrigir o lapso manifesto constante do voto, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES . INAPLICABILIDADE NO CASO ESPECÍFICO DA SÚMULA CARF N.º 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, a fim de elidir autuação, com base na presunção legal de omissão de receitas. In casu, houve a comprovação de que o cônjuge, respondendo desde o início a procedimento fiscal similar foi que, em sua quase totalidade responsável pela prestação de informações. Devolva-se a câmara a quo para apreciação das questões não apreciadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.839, de 08/03/2016, corrigir o lapso manifesto constante do voto, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.134 1 1.133 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10925.000579/200393 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202006.271 – 2ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARIA SALOME MARIA DIAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DOS COTITULARES . INAPLICABILIDADE NO CASO ESPECÍFICO DA SÚMULA CARF N.º 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, a fim de elidir autuação, com base na presunção legal de omissão de receitas. In casu, houve a comprovação de que o cônjuge, respondendo desde o início a procedimento fiscal similar foi que, em sua quase totalidade responsável pela prestação de informações. Devolva se a câmara a quo para apreciação das questões não apreciadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202003.839, de 08/03/2016, corrigir o lapso manifesto constante do voto, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 05 79 /2 00 3- 93 Fl. 1134DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de inominados por conselheiro, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, da CSRF. para o acórdão nº 9202003.839 – 2ª Turma CSRF (efl. 1108), cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas Nos embargos é apontada inexatidão no acórdão: os conselheiros teriam decidido por dar provimento integral ao recurso da Fazenda Nacional, mas tanto a ementa quanto a parte dispositiva voto condutor do acórdão da CSRF evidenciariam situação diversa. É assim argumentado nos embargos: A ementa, ao revés da decisão, revela a necessidade de intimação de todos os titulares da conta bancária para a comprovação da origem dos depósitos nela efetuados na fase que precede a lavratura do auto de infração. Já na parte dispositiva do voto condutor do acórdão, mesmo se concluindo pela inexistência de cerceamento do direito de defesa, o entendimento propugnado pela relatora é de que seja dado provimento parcial ao recurso da Fazenda, devolvendose os autos à turma a quo para análise de toda a argumentação que deles consta . Vejamos: Entretanto, neste em apartado, mas informado neste processo entendese que supre a exigência do art. 42, da Lei 9.430 por não ter havido CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a apresentação da Impugnação do Auto de Infração, haja vista que, no decurso da ação fiscal, não existe litígio ou contraditório, pelo menos não pelo contido nos autos, que em dado momento, somente traz explicitações e comprovações do cônjuge, não havendo em qualquer momento, menção à intimação do dependente do cônjuge da contribuinte, que inclusive recebe em doação valores que são considerados de origem não comprovada. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 9202006.271 CSRFT2 Fl. 1.135 3 mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Assim, não obstante ser pacífico no âmbito deste Conselho que nos procedimentos fiscais que tenham por objeto a análise das contas mantidas em instituições financeiras, todos os titulares da(s) conta(s) devem ser devidamente intimados, sob pena de nulidade do lançamento, objeto da Súmula CARF nº 29 (Vinculante), de 08/12/2009: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Entendo deva ser dado parcial provimento ao Recurso da Fazenda, devolvendo à turma a quo para análise de toda a argumentação que dos autos consta, inclusive e especialmente, se houve ou não intimação válida do dependente do cônjuge da contribuinte neste processo se existentes, entre TODOS os co titulares. Por oportuno, importa esclarecer sobre a desnecessidade de intimação do dependente do cônjuge da Recorrente, pois, consoante se esclareceu acima, o crédito tributário lançado decorre de depósitos não declarados em conta bancárias cujos cotitulares são tãosomente a autuada e seu cônjuge. Além disso, no que respeita à distribuição do ônus decorrente dos depósitos não identificados proporcionalmente aos cotitulares das contas objeto dos referidos créditos bancários, a própria fiscalização deixou consignado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal que “o valor dos rendimentos está sendo imputado a contribuinte na proporção de 50%, sendo que os outros 50% serão (foram) lançados em nome de seu cônjuge Sedenir Tavares Dias”. De se asseverar ainda que as evidentes divergências contidas no acórdão (ementa, decisão e parte dispositiva do voto) dificultam sobremaneira a tomada de decisão pelo Colegiado ordinário, pois não se sabe se o recurso da Fazenda Nacional foi total ou parcialmente provido e, em caso de provimento parcial, quais das razões recursais teriam sido acatadas ou rejeitadas pela CSRF. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 1136DF CARF MF 4 Perfeitamente delineada a contradição da decisão da turma com relação ao acórdão como publicado, entendo seja necessário rever a decisão, em especial, a Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DOS COTITULARES . INAPLICABILIDADE NO CASO ESPECÍFICO DA SÚMULA CARF N.º 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, a fim de elidir autuação, com base na presunção legal de omissão de receitas. In casu, houve a comprovação de que o cônjuge, respondendo desde o início a procedimento fiscal similar foi que, em sua quase totalidade responsável pela prestação de informações. Devolvase a câmara a quo para apreciação das questões não apreciadas. Importa, por evidente equívoco, suprimir do voto o seguinte parágrafo Entendo deva ser dado parcial provimento ao Recurso da Fazenda, devolvendo à turma a quo para análise de toda a argumentação que dos autos consta, inclusive e especialmente, se houve ou não intimação válida do dependente do cônjuge da contribuinte neste processo se existentes, entre TODOS os cotitulares. Motivo pelo qual, para que não restem dúvidas sobre o encaminhamento, segue o voto retificado: Inicialmente, cumpre ressaltar que a admissibilidade do presente recurso foi firmada com fundamento no artigo 15, §§ 1° e 6°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. A matéria em questão é a aplicabilidade ou não da Súmula CARF nº 29 (Vinculante), de 08/12/2009, que reproduzo: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória, a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração violou as disposições do caput do artigo 42 e § 6°, da Lei n°. 9.430, de 1996, que fixa os requisitos necessários que devem ser observados para que os depósitos creditados em conta corrente possam ser presumido omissão de rendimentos. Não basta intimar um dos cotitulares, pois o fato deste não saber a origem dos recursos justifica, com mais ênfase, a necessidade de intimação dos demais correntistas para, só a partir de tal ato, se formar a presunção de que se tratam de rendimentos cuja origem não foi comprovada. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 9202006.271 CSRFT2 Fl. 1.136 5 A declaração em separado não é óbice ou requisito para a conclusão de que a não intimação dos cotitulares eiva de nulidade todo e qualquer lançamento nos termos da lei. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, incumbe à fiscalização identificar perfeitamente o sujeito passivo da obrigação tributária, com base em provas robustas lastreadas por documentos hábeis e idôneos, não podendo se apoiar em presunções e/ou meros indícios. A presunção legal de omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, prescrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não tem o condão de suplantar o dever legal de a autoridade fiscal identificar todos titulares dos valores concernentes à movimentação bancária objeto do lançamento. In casu, deixando a fiscalização de intimar um dos cotitulares da conta corrente para, igualmente, comprovar a origem dos depósitos bancários, malferiu o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, ensejando a improcedência total do feito, conforme jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula n° 29 do CARF, a qual é de observância obrigatória. Em que pese este posicionamento, da maioria do colegiado entende que somente é obrigatória a intimação de cotitulares que apresentem declaração de irpf em separado. Entretanto, neste processo, houve informação de processo administrativo do cotitular nas fls. 85 e ss dos autos o que entendo que supre a exigência do art. 42 da Lei 9.430 por não ter havido CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a apresentação da Impugnação do Auto de Infração, haja vista que, no decurso da ação fiscal, não existe litígio ou contraditório, pelo menos não pelo contido nos autos, que em dado momento, somente traz explicitações e comprovações do cônjuge, não havendo em qualquer momento, menção à intimação do dependente do cônjuge da contribuinte, que inclusive recebe em doação valores que são considerados de origem não comprovada. Assim, não obstante ser pacífico no âmbito deste Conselho que nos procedimentos fiscais que tenham por objeto a análise das contas mantidas em instituições financeiras, todos os titulares da(s) conta(s) devem ser devidamente intimados, sob pena de nulidade do lançamento, objeto da Súmula CARF nº 29 (Vinculante), de 08/12/2009 : Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Há, in casu, um diferencial relevante, que consequentemente elide a aplicação da súmula. Por oportuno, importa esclarecer sobre a desnecessidade de intimação do dependente do cônjuge da Recorrente, pois, consoante se esclareceu acima, o crédito tributário lançado decorre de depósitos não declarados em conta bancárias cujos cotitulares são tão somente a autuada e seu cônjuge. Além disso, no que respeita à distribuição do ônus decorrente dos depósitos não identificados proporcionalmente aos cotitulares das contas objeto dos referidos créditos bancários, a própria fiscalização deixou consignado no Termo de Verificação Fl. 1138DF CARF MF 6 e Encerramento de Ação Fiscal que “o valor dos rendimentos está sendo imputado a contribuinte na proporção de 50%, sendo que os outros 50% serão (foram) lançados em nome de seu cônjuge Sedenir Tavares Dias”. Assim, voto em conhecer e acolher os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para, reratificando o Acórdão nº 9202003.839, de 08/03/2016, corrigir o lapso manifesto constante do voto, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720826/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Numero da decisão: 1301-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 26 /2 01 3- 01 Fl. 284DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10830.720826/201301 Acórdão n.º 1301002.634 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da manifestação de inconformidade e dos incidentes ocorridos até então: Trata o presente processo da Dcomp nº 19639.21713.311008.1.3.039607, transmitida pela contribuinte em referência com base em direito creditório decorrente de saldo negativo informado na DIPJ 2008, ano calendário 2007, a qual foi homologada parcialmente pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) da DRF Campinas, conforme relatado a seguir. Depois de juntar aos autos, dentre outros elementos, telas do sistema SCC, a DIPJ, o Termo de Verificação Fiscal referente ao auto de infração objeto do Processo n° 10830.727787/201283 (fls. 20/44) e os extratos de cobrança dos processos em que se buscavam compensar estimativas que contribuíram para a formação do saldo negativo da contribuição ora em análise, informou a Autoridade Tributária que a interessada havia declarado na Dcomp o saldo negativo no montante de R$ 16.626.566,35. No entanto, segundo relata a Autoridade competente, no já mencionado auto de infração, o AuditorFiscal autuante, “concluiu cabalmente pela escrituração indevida das rubricas Despesa com Royalties, Gasto com Demissão de Empregados – Recolocação e Gastos com Demissão de Empregados Bônus Especial”, o que levou ao ajuste da base de cálculo da CSLL. Além disso, procedeuse com “a glosa de R$ 10.396.290,62 da rubrica CSLL Mensal Paga por Estimativa (Ficha 17, Linha 59), por constarem as respectivas estimativas arroladas em Declarações de Compensação nãohomologas ou homologadas em parte, não constituindo, por conseguinte, antecipações dotadas de certeza e liquidez, condição sine qua non para utilização na formação do saldo credor”. O saldo negativo apurado, destarte, passou a ser o que se segue: Ante o exposto, decidiu a Autoridade Tributária homologar parcialmente a compensação até o limite do crédito acima reconhecido. Fl. 286DF CARF MF 4 Da Manifestação de Inconformidade Irresignada com a homologação parcial da compensação declarada, a interessada ofereceu sua manifestação de inconformidade, juntada aos autos a fls. 63/83. Após descrever os fundamentos da decisão questionada e confirmar que havia declarado na DIPJ o saldo negativo de R$ 16.626.566,35, argumenta que: os valores eventualmente devidos em virtude da glosa das deduções já estão sendo exigidos no auto de infração que integra o Processo nº 10830.727787/2012 83; há equívocos quanto os valores referentes às estimativas compensadas não homologadas ou homologadas em parte e as decisões que não homologaram as compensações das estimativas estão sendo questionadas administrativamente, “sendo de rigor o sobrestamento deste processo até o julgamento final dos processos administrativos n.°s 10830.902963/201019, 10830.902964/201055, 10830.902965/201008 e 10830.721021/201112”. Da glosa de parte do crédito em razão de ajuste na base de cálculo da CSLL efetivado em auto de infração Neste tópico, depois de enfatizar que as Autoridades Tributárias não se limitaram a verificar as parcelas que compuseram o saldo negativo, mas adicionaram as despesas consideradas indedutíveis no auto de infração nº 10830.727787/201283, assevera que não concorda com o procedimento, visto que resulta em duplicidade de cobrança dos valores em questão. Uma vez que o despacho decisório questionado tem como premissa a majoração da base de cálculo da CSLL tratada no auto de infração objeto do Processo nº 10830.727787/201283, sustenta que o resultado da lide está vinculado ao julgamento final da autuação. Com isso, requer o apensamento do presente processo ao de nº 10830.727787/201283 ou que seja realizado o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo da autuação. Argumenta, ainda, que, se for decidida a improcedência da autuação, deve ser reconhecida a base tributável da CSLL por ela indicada na DIPJ. Se, por outro lado, prevalecer o lançamento fiscal, a Administração Tributária deve agir de “de forma que não haja constituição de créditos tributários em excesso”. Aduz que a Autoridade Fiscal lavrou o auto de infração “com base tão somente no valor das despesas glosadas”, desconsiderando “as estimativas mensais e as retenções na fonte”. Além disso, alega que “o Despacho Decisório em exame indeferiu, parcialmente, o crédito da Defendente decorrente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007 sob o argumento de que, com a majoração da base de cálculo em virtude da glosa de despesas, as retenções de CSLL na fonte e as estimativas de CSLL seriam parcialmente consumidas na dedução da CSLL apurada no auto de infração e. o crédito de saldo negativo de CSLL a recuperar reduzido”. O quadro abaixo ilustraria a situação descrita: Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10830.720826/201301 Acórdão n.º 1301002.634 S1C3T1 Fl. 4 5 Argui que a tabela acima evidencia a necessidade de se darem soluções absolutamente coerentes nas lides administrativas e revela a absurda situação em que se encontraria, pois “a Receita Federal do Brasil exige o recolhimento da CSLL sobre a glosa de despesas de royalties e com a demissão de empregados e indefere parcialmente o saldo negativo de CSLL do período, o que está resultando na absurda exigência de R$ 4.803.799,14 a título de CSLL, quando somente seriam devidos R$ 2.401.899,57”. Para evitar a duplicidade dos efeitos da glosa de despesas, propõe que “ou as exigências fiscais do auto de infração são recalculadas, de forma a considerar as retenções e as estimativas mensais, inexistindo CSLL a cobrar e os saldos negativos são indeferidos ou as exigências fiscais do auto de infração são mantidas sobre o valor da glosa das despesas e o saldo negativo de CSLL é reconhecido, com base nas informações prestadas na DIPJ”. Reconhecendo a inexistência de norma específica que regule a questão colocada, defende a aplicação subsidiária do disposto no artigo 104 do Código de Processo Civil (CPC), que trata da contingência entre processos, concluindo pela necessidade de julgamento simultâneo dos feitos. Alternativamente, requer a suspensão do julgamento até que seja proferida a decisão administrativa final acerca da legitimidade da autuação, nos termos do inciso IV do artigo 265 do CPC, e transcreve ementa de acórdão proferido pelo CARF em que se decidiu pela suspensão de processo com base no citado preceito legal. Finaliza a questão discutindo uma série de possíveis decisões proferidas no Processo nº 10830.727787/201283 e a consequente repercussão no presente processo: (i) caso os valores exigidos através do auto de infração de CSLL forem definitivamente mantidos em esfera administrativa, a Declaração de Compensação objeto do Despacho Decisório ora combatido deve ser homologada. Dessa forma, a despeito de as deduções da CSLL não terem sido consideradas para fins de cálculo das exigências fiscais consubstanciadas no auto de infração, com o cancelamento do Despacho Decisório, o saldo negativo de CSLL apurado em DIPJ seria aprovado e, assim, a exigência fiscal “líquida” seria correspondente ao valor devido com base na reapuração da escrita fiscal da Defendente; (ii) caso os valores exigidos através do auto de infração sejam definitivamente cancelados em esfera administrativa, as Declarações de Compensação objeto do Despacho Decisório ora combatido devem também ser homologadas. Nesse contexto, considerando que a glosa de despesas terá sido cancelada, não haverá que se falar na recomposição da escrita fiscal da Defendente Fl. 288DF CARF MF 6 e, consequentemente, devese reconhecer o saldo negativo de CSLL declarado em DIPJ; e (iii) caso a glosa das despesas seja mantida, mas os valores exigidos através do auto de infração sejam reduzidos em esfera administrativa para refletir os elementos que compõem o cálculo dos valores devidos de CSLL de 2007, quais sejam as estimativas mensais e as retenções na fonte, o Despacho Decisório em exame poderá ser mantido. Da glosa das estimativas mensais compensadas A impugnante inicia este assunto, expondo que, no ano calendário 2007, apurou antecipações mensais de CSLL, pagandoas ou compensandoas. Quanto às compensações, as quais não foram integralmente reconhecidas pela Autoridade Fiscal, apresenta o quadro abaixo: Segundo informa a interessada, do valor total acima indicado o despacho decisório questionado reconheceu R$ 4.501.218,71, não aceitando a extinção de R$ 10.396.290,62. Alega que, “apesar de aludido despacho não identificar quais compensações foram homologadas ou não, por cálculos aritméticos chegase à conclusão de que as dd. Autoridades fiscais teriam considerado como homologadas as compensações das estimativas do mês de março, que somadas representam o montante de R$ 4.501.218,71”. No entanto, ao analisar o extrato do processo de cobrança nº 10830.720424/201055, relacionado à compensação, verificou que a parcela de R$ 57.087,78 não foi homologada, contrariando o disposto no despacho decisório: A seu ver, houve equívoco, também, na estimativa de junho, pois, do montante de R$ 373.721,14, R$ 213.091,93 foram homologados, restando um saldo de R$ 160.629,21, conforme extrato do processo nº 10830.721010/201124: Por conseguinte, o valor total das estimativas reconhecidamente compensadas totalizaria R$ 4.657.225,86, restando uma pendência de R$ 10.240.283,47. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.720826/201301 Acórdão n.º 1301002.634 S1C3T1 Fl. 5 7 Requer, destarte, que seja feita a imediata correção dos valores envolvidos a fim de se manter coerência entre as decisões proferidas pela RFB. Discorre, na continuação, acerca da situação em que se encontram os diversos processos administrativos em que se discutem as compensações das estimativas em questão: Em apertada síntese, os processos relacionados às compensações cujo direito creditório se fundamenta em crédito de IPI foram suspensos pelo CARF a fim de se aguardar o deslinde do Processo nº 10830.014190/201011, o qual versa sobre o auto de infração que reconstituiu a escrita fiscal do IPI e reduziu o excedente de créditos declarados pela interessada, diminuindo o saldo disponível para ressarcimentos e compensações. Transcreve parte do despacho do Conselheiro Relator proferido nos autos do processo em que se discutem as compensações: Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de beneficio fiscal e que resultou na reconstituição de oficio dos saldos credores apurados pela interessada. (...) Em face de todo o exposto, encaminho meu voto pela conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem aguarde a decisão definitiva na esfera administrativa, assim entendida aquela contra a qual não caiba mais nenhum tipo de recurso, do processo n° 10830.014190/201011, de modo que, somente após, com a sua juntada, o presente processo retorne a julgamento neste Colegiado. Expõe que o saldo negativo de CSLL depende diretamente dos resultados dos julgamentos dos processos nos 10830.902963/201019, 10830.902964/201055 e 10830.902965/201008 e indiretamente do resultado do processo 10830.014190/201011 e vislumbra dois desfechos possíveis: se a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 10830.014190/201011 for favorável à Defendente, o direito ao benefício do IPI será confirmado, o saldo credor de IPI será confirmado, os créditos de IPI pleiteados por meio de Pedido de Ressarcimento serão reconhecidos e as respectivas Declarações de Compensação serão homologadas. Nesse caso, as estimativas mensais de CSLL do anocalendário de 2007 serão definitivamente extintas, por compensação. Nessa hipótese, é evidente que tais estimativas mensais deverão compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007. se a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 10830.014190/201011 e nos processos de compensação for desfavorável à Fl. 290DF CARF MF 8 Defendente, a Defendente será compelida a realizar o pagamento das estimativas mensais, que, assim como ocorreria na situação descrita acima, irão compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007. Qualquer que seja o resultado final, no seu entender, as estimativas mensais serão extintas quer por compensação quer por pagamento, permanecendo intocado o saldo negativo de CSLL. Defende que a Administração não pode prosseguir com a discussão em tela enquanto não forem julgados definitivamente os processos nos 10830.014190/2010 11, 10830.902963/201019, 10830.902964/201055 e 10830.902965/201008, o que afastaria qualquer possibilidade de proferimento de decisões contraditórias. Conclui que “resta clara a necessidade do imediato sobrestamento deste processo, tal como determina o artigo 265, IV, a, do Código de Processo Civil”. No que tange às compensações de estimativas de CSLL de 2007 com créditos de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 2006, informa que a homologação parcial decorreu da reapuração da base de cálculo da CSLL no auto de infração objeto do processo 10830.008091/200878. Explica que na referida autuação foram glosados “custos supostamente não comprovados relativos a quebras e perdas de bens em estoque deteriorados ou obsoletos, no anocalendário de 2006”, resultando na adição à base de cálculo da CSLL no montante de R$ 35.002.888,79, que reduziu o saldo disponível para compensação de R$ 3.349.634,93 para R$ 199.374,94 e levou à homologação parcial da compensação objeto do processo nº 10830.721021/201112. Informa que o processo que trata da autuação aguarda decisão do CARF e o relacionado à compensação encontrase pendente de julgamento na DRJ Campinas. Vislumbra duas possibilidades de solução das lides administrativas em questão: se a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 10830.008091/200878 for favorável à Defendente, a dedutibilidade dos custos será confirmada e o crédito de saldo negativo de CSLL de 2006 utilizado para compensação será reconhecido, as Declarações de Compensação serão homologadas e, consequentemente, as estimativas mensais de CSLL do anocalendário de 2007 serão definitivamente extintas, por compensação. Nessa hipótese, é evidente que tais estimativas mensais deverão compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007. se a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 10830.008091/200878 e no processo de compensação n° 10830.721021/201112 for desfavorável à Defendente, a Defendente será compelida a realizar o pagamento das estimativas mensais, que, assim como ocorreria na situação descrita acima, irão compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007. Raciocina que, qualquer que seja o resultado final, as estimativas mensais serão extintas quer por compensação quer por pagamento, restando intocado o saldo negativo de CSLL. Entende que a Administração não pode prosseguir com a discussão em tela enquanto não forem julgados definitivamente os processos nos 10830.014190/2010 11, 10830.902963/201019, 10830.902964/201055 e 10830.902965/201008, o que afastaria qualquer possibilidade de proferimento de decisões contraditórias. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10830.720826/201301 Acórdão n.º 1301002.634 S1C3T1 Fl. 6 9 Conclui, novamente, que “resta clara a necessidade do imediato sobrestamento deste processo, tal como determina o artigo 265, IV, a, do Código de Processo Civil”. Ante o exposto, requer: retificação do despacho decisório a fim de que os valores glosados sejam ajustados; apensamento do presente processo aos autos dos processos nos 10830.727787/201283, 10830.902963/201019, 10830.902964/201055 e 10830.902965/201008 e 10830.721021/201112, em decorrência da contingência entre eles verificada; subsidiariamente, o sobrestamento do presente processo até o desfecho dos processos acima indicados. Da diligência fiscal Em sessão realizada em 28 de junho de 2013, a 1ª Turma da DRJ Campinas acolheu o voto deste relator no sentido de se baixarem os autos em diligência a fim de que a DRF competente se manifestasse especificamente a respeito do valor total das estimativas que deveria ser glosado por falta homologação das compensações, uma vez que os extratos apresentados pela interessada não condiziam com os fatos narrados no Despacho Decisório. Caso a DRF concordasse com os argumentos apresentados pela manifestante sobre o erro na apuração das quantias não homologadas, solicitouse que os cálculos do saldo negativo de CSLL fossem providenciados, levando em consideração o Acórdão nº 05040.911, que retificou a base de cálculo discutida no Processo nº 10830.727787/201283 de R$ 170.572.844,82 para R$ 170.556.435,59. As Autoridades Fiscais competentes reconheceram o equívoco na apuração das estimativas que deveriam ser consideradas extintas por compensações homologadas e retificaram o saldo negativo de CSLL da seguinte forma: Cientificada da conclusão da diligência, a manifestante considerou sanados os equívocos, reiterando os demais argumentos expedidos na manifestação de inconformidade. Fl. 292DF CARF MF 10 A decisão da autoridade de primeira instancia julgou em 29/10/2013 procedente em parte a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, cuja acórdão encontra se as fls. 220 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para efeito de determinação do saldo negativo de CSLL a ser restituído ou compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago mensalmente por estimativa bem como o imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Confirmada efetivamente a realização de tais antecipações, estas podem ser computadas na formação do saldo negativo. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez de algumas antecipações que compõem o crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação da compensação em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório oriundo destes valores. AUTO DE INFRAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. OBJETOS DISTINTOS. DÉBITOS DISTINTOS. Embora a infração detectada no período, com o consequente aumento da base de cálculo, seja fundamento tanto para a exigência do imposto, como para o reconhecimento apenas parcial do direito creditório utilizado em DCOMP, o processo de Auto de Infração objetiva a formalização de exigência no período autuado, enquanto que o processo de Despacho Decisório objetiva a análise de declarações de compensação (Dcomp) pelas quais compensados débitos de outro período. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão de primeira instancia em 10/12/2013, conforme comprovante às fls. 241, a empresa apresentou, fl. 259 e segs, em 01/04/2015, o recurso voluntário reiterando os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.720826/201301 Acórdão n.º 1301002.634 S1C3T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 10/12/2013 pela abertura dos arquivos correspondentes no portal virtual do eCAC, conforme comprovante às fls. 241: Houve interposição de recurso voluntário em 01/04/2015, conforme verifica se do Termo de Analise de Solicitação de Juntada (fl. 258), em que a empresa apresenta alegações de defesa, não se manifestando, no entanto, em relação a tempestividade de tal peça recursal. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 294DF CARF MF 12 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) O inciso III do art. 23 do Decreto 70.235/1972 exige apenas a prova de que a intimação de ciência da decisão, quando realizada de forma eletrônica, como o caso ora analisado, foi recebida mediante envio ao domicilio tributário do contribuinte, considerandose feita na data em que o sujeito passivo efetuar consulta ao endereço eletrônico do mesmo. Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (...) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Na espécie, o Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 10/12/2013 (terçafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 11/12/2013 (quartafeira). O trigésimo dia ocorreu em 10/01/2014. Entretanto o recurso somente foi apresentado ao Fisco em 01/04/2015, portanto, fora do prazo recursal. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10830.720826/201301 Acórdão n.º 1301002.634 S1C3T1 Fl. 8 13 Nesse sentido, resta claro que a Recorrente não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal que seria o dia 10/01/2014 e não o dia 01/04/2015 como fora apresentado. Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso de fls. 259 e segs. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910623/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 27/03/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.511
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 27/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 27/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 23 /2 01 1- 19 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910623/201119 Acórdão n.º 3402004.511 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.756, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 27/03/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910623/201119 Acórdão n.º 3402004.511 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910623/201119 Acórdão n.º 3402004.511 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 93DF CARF MF Processo nº 16327.910623/201119 Acórdão n.º 3402004.511 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 94DF CARF MF
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