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Numero do processo: 13710.004470/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
INTIMAÇÃO. MANDATO.
É plenamente válida a intimação pessoal de mandatário da empresa com poderes específicos para o recebimento de intimações e notificações exarados em procedimento administrativo.
PRAZO. TEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal.
Numero da decisão: 3402-004.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 INTIMAÇÃO. MANDATO. É plenamente válida a intimação pessoal de mandatário da empresa com poderes específicos para o recebimento de intimações e notificações exarados em procedimento administrativo. PRAZO. TEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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MANDATO. É plenamente válida a intimação pessoal de mandatário da empresa com poderes específicos para o recebimento de intimações e notificações exarados em procedimento administrativo. PRAZO. TEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 44 70 /2 00 2- 58 Fl. 344DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Declaração de Compensação de fl. O1, em formulário, protocolizada em 26/11/2002, por meio da qual se pretendeu a extinção de débito da Matriz, relativo ao IRPJ, PA 10/2002, no valor de RS 3.085.659,71, utilizandose de crédito originário de Ressarcimento de IPI (fl. 02) relativo ao trimestre 3°/2002, apurado pelo CNPJ 34.274.233/026675 (estabelecimento detentor do crédito), filial situada em Duque de CaxiasRJ. A DRF/NOVA IGUAÇU/RJ, por meio do Parecer/Despacho Decisório de fls. 89/91, tomando por base as observações constantes do Relatório Fiscal de fls. 86/87 no sentido de que a maioria dos produtos industrializados pela requerente apresentaria na TIPI a notação NT ou alíquota positiva, concluir que o crédito oferecido na compensação carece dos pressupostos legais de liquidez e certeza e, conseqüentemente, não homologar a compensação declarada. Irresignado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 97/107) alegando: I)adquiriu, com incidência do IPI na entrada, insumos utilizados na industrialização de lubrificantes, produtos imunes à incidência do IPI por força do art. 155, §3°, da CF/88; II) a motivação do indeferimento foi a não tributação dos produtos na saida; III) o pleito tem por fundamento o art. 11 da Lei n° 9.779/99, o art. 4° da IN SRF n° 33/99 e o princípio da nãocumulatividade do IPI; IV) o dispositivo em questão reconheceu 0 direito de crédito pela aquisição de insumos utilizados na industrialização, mesmo que o produtor seja desonerado da obrigação de pagar o imposto relativo ao produto final; V) tanto o art. 4° da IN SRF n° 33/99 quanto o art. 195, §2° do RIPI/2002 reconhecem do direito de aproveitamento do crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos imunes, isentos ou alíquota zero; VI) o Conselho de Contribuintes vem reconhecendo o direito de crédito mesmo que o produto final seja desonerado da obrigação de pagar por força da imunidade, a exemplo do Ac. n° 203 07817; , 0 o direito ao crédito é uma decorrência da não cumulatividade, e continua sendo assegurado a todos os contribuintes do IPI, ainda que as operações subseqüentes sejam imunes, isentas ou alíquota zero; VII) tal entendimento já foi esposado pela própria SRF por intermédio de diversas Soluções de Consulta (DISIT/SRRR/06 n° 83/2003 e 127/2003) e Ac.n° 10185/2005 da DRJ/RPO; . VIII) ADI SRF n° 05/2006, que informa não ser possível o aproveitamento do crédito quando o produto está amparado pela Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13710.004470/200258 Acórdão n.º 3402004.613 S3C4T2 Fl. 3 3 imunidade, e' inaplicável, por violaçãoà regra da não cumulatividade instituída pela Constituição da República; IX) diante da flagrante ilegalidade desse ato normativo o SINDICON Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis, do qual e' afiliada, impetrou o MS preventivo coletivo n° 2007.37.00.0310118, tendo sido concedida antecipação de tutela recursal no agravo de instrumento n° 2007.0l.00.049200l/DF suspendendo para as distribuidoras filiadas os efeitos do ADI SRF n° 05/2006; tal agravo ainda não foi definitivamente julgado, de modo que a decisão encontrase em pleno vigor; A DRJ julgou improcedente a Impugnação em acórdão assim ementado: IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. PRODUTOS NT. O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2° do RIPI/2002 (Decreto n° 4.544, de 2002). Não estando inscrito na regra beneficiadora (a Lei n° 9.7 79/99) que na saída dos produtos nãotributados (no caso, em razão da imunidade objetiva) podemse aproveitar os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. I IN SRF n° 33/99. IMUNIDADE. ALCANCE ' A imunidade prevista no art. 4° da Instrução Normativa n° 33/99 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, §3°, do a.rt.153 da Constituição Federal, cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IP1 relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na sua industrialização é assegurado pelo art. 5° do DecretoLei n° 491, de 1969. COMPENSAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar o débito objeto da DCOMP em análise, cabe a não homologação da compensação sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando as razões de sua impugnação, com tópico específico relativo a tempestividade do mesmo. É o relatório, em síntese. Fl. 346DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Inicialmente, devese enfrentar a questão da tempestividade do Recurso Voluntário do Contribuinte. A empresa foi intimada pessoalmente da decisão da DRJ em 08/01/2010, através de sua procuradora Selma Vieira de Melo, conforme termo de ciência de pg.258: Frise que na página seguinte (fl. 259) há procuração específica outorgada pelo então Diretor da Recorrente, o Sr. Nestor Cerveró, em 12/12/2008, com poderes específicos para: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13710.004470/200258 Acórdão n.º 3402004.613 S3C4T2 Fl. 4 5 Como se vê na procuração, no item 3, foram expressamente vedados os poderes para recebimento de citação, notificação e intimação, de modo que, ao subscrever o termo de ciência ela claramente extrapolou dos poderes que lhe foram outorgados. A respeito da extrapolação dos poderes do mandato, prescreve o art. 662 do Código Civil de 2002: Art. 662. Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar. Diante disso, a solução óbvia seria reconhecer que tal "ciência" não seria válida em relação à Recorrente. TODAVIA, compulsando os demais documentos do processo, verificamos que a mesma Sra. Selma Vieira teve vista do processo em 09/03/2010, conforme termo de fl. 265, ocasião em que apresentou procuração a ela outorgada em 06/02/2009, vigente à época da intimação inicial da decisão da DRJ, cujo rol dos poderes é o seguinte: Como se vê, a procuração vigente à época da intimação dava poderes específicos para o recebimento de intimações de natureza administrativafiscal, de modo que não é o caso de aplicação do art. 662 do Código Civil, visto que a ciência foi plenamente válida e dentro das balizas do mandato então existente. O argumento trazido no Recurso Voluntário, apresentado em 21/05/2010, do contribuinte foi o seguinte: Todavia, tal argumento muito dista da procedência, visto que por duas oportunidades, uma mandatária da Recorrente, com poderes específicos para o recebimento de Fl. 348DF CARF MF 6 intimações, teve inequívoca ciência do acórdão da DRJ: a) a primeiro com a intimação no dia 08/01/2010; b) a segunda com a vista dos autos no dia 09/03/2010. Desse modo, por flagrante intempestividade, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.658698/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 86 98 /2 01 2- 94 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.658698/201294 Acórdão n.º 1401001.944 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.658698/201294 Acórdão n.º 1401001.944 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.658698/201294 Acórdão n.º 1401001.944 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001325/2001-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE
Constatada contradição e obscuridade no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
DECADÊNCIA.
A Fazenda dispõe do prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário quando tratar-se de tributos sujeito homologação, condicionado à existência de pagamento antecipado. Inexistindo recolhimento antecipado, aplica-se a regra do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 3302-004.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Charles Pereira Nunes Relator
Participaram do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Ausente justificadamente a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo.
Nome do relator: CHARLES PEREIRA NUNES
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CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE Constatada contradição e obscuridade no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. DECADÊNCIA. A Fazenda dispõe do prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário quando tratarse de tributos sujeito homologação, condicionado à existência de pagamento antecipado. Inexistindo recolhimento antecipado, aplicase a regra do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes – Relator Participaram do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Ausente justificadamente a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo. S3C3T2 Fl. 2 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 13 25 /2 00 1- 55 Fl. 862DF CARF MF Relatório Com arrimo no art. 65 inc. III do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF nº 343, de 2015, a FAZENDA NACIONAL embargou o Acórdão 3302003.370, de 27 de setembro de 2016. Esse julgado recebeu a seguinte ementa e dispositivo acordado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. A Fazenda dispõe do prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário quando tratarse de tributos sujeito homologação, condicionado à existência de pagamento antecipado. Inexistindo recolhimento antecipado, aplicase a regra do art. 173 do CTN. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999 CONSULTA. EFEITOS. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. DESCABIMENTO. Inaplicável ao caso o § 12 do art. 48 da Lei n° 9.430, de 1996 para afastar a exigência da Cofins referente aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1996, visto que restou demonstrado que não houve mudança de entendimento da Administração Tributário sobre a espécie consultada. ACORDO OU TRATADO INTERNACIONAL ENTRE O CHILE E BRASIL, APROVADO PELO CONGRESSO NACIONAL SOBRE INEXIGIBILIDADE DA COFINS. INEXISTENTE. Restou constatado que ambas as decisões objeto da consulta, originária e reformulada tiveram a mesma razão decisória, a inexigibilidade da Cofins, sobre as receitas oriundas da atividade de transporte aéreo internacional era condicionada à existência de Acordo ou Tratado Internacional entre o Chile e Brasil, aprovado pelo Congresso Nacional. O Acordo por Notas, firmado entre o Brasil e o Chile em 1976, aplicavase apenas ao Imposto de Renda e nesse caso, conforme disposição legal expressa a isenção prendese apenas à comprovação de reciprocidade, não sendo necessária a existência de acordo internacional formalmente aprovado e ratificado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Processo nº 13808.001325/200155 Acórdão n.º 3302004.904 S3C3T2 Fl. 3 2 Fl. 863DF CARF MF Consta do acórdão da decisão o seguinte dispositivo: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário no período de 01.04.1992 a 30.11.1995, parcialmente vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator, que afastava a incidência da Contribuição também para os fatos geradores ocorridos até 31.12.1996. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. A Fazenda Nacional acusa a decisão do vício de contradição entre o dispositivo do acórdão e o voto condutor, requerendo, “...a fim de evitar dúvidas ou tergiversações no momento da execução do julgado...”, que o Colegiado se manifeste sobre o vício apontado e proceda à devida retificação no acórdão a fim de sanálo, esclarecendo o período abrangido pela decadência. Os embargos foram admitidos nos seguintes termos: "Contradição Compulsando o Acórdão embargado, constato que o Colegiado 3302 declarou a decadência do direito de constituir o crédito tributário no período de 01.04.1992 a 30.11.1995. O voto vencido, condutor da decisão para a matéria da decadência, assim tratoua, fls. 846, sublinhado na transcrição. Decadência. Exame de Ofício. Cabe examinar de oficio a decadência do direito da Fazenda lançar período superior ao interregno de 05 (cinco) anos. Como é de conhecimento geral expirado esse prazo decai o direito de constituir o crédito tributário dos tributos sujeitos a homologação, § 4o do art. 150 do CTN, quando constatado a inexistência de recolhimento, aplicase a regra prevista no art. 173 do CTN. Essa matéria encontra pacificada pelo Colendo STF. No caso concreto, a toda evidência não ocorreu pagamento da contribuição, razão pela qual o prazo decadencial conta pela norma do art. 173 do CTN, isso é, do primeiro dia seguinte ao exercício social que poderia ter sido lançado. A ciência do auto de infração aconteceu em 23 de março de 2001, em sendo assim, a Fazenda Federal perdeu o direito de lançar as contribuições do período de apuração de 01.04.1992 a 28.02.1996, inclusive. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para reconhecer, no caso a perda do direito da Fazenda Nacional de lançar as contribuições do período de apuração de 01.04.1992 a 28.02.1996, inclusive, bem como reconheço aplicação do § 12° do art. 48 da lei n° 9.430/96 para afastar a exigência da contribuição para a COFINS dos fatos geradores Processo nº 13808.001325/200155 Acórdão n.º 3302004.904 S3C3T2 Fl. 4 3 Fl. 864DF CARF MF até 31 de dezembro de 1996, exigindo a partir de janeiro de 1997. É como voto." A transcrição acima evidencia a contradição entre o teor do acórdão e o fundamento do voto, ou, no mínimo, a obscuridade deste. Os vícios merecem saneamento." É o relatório Voto Conselheiro Charles Pereira Nunes A fim de evitar dúvidas ou tergiversações no momento da execução do julgado quanto ao período abrangido pela decadência o período sujeito a lançamento, reconheçase a contradição apontada, a qual passo a corrigir. Assim, onde está escrito no voto vencido: A ciência do auto de infração aconteceu em 23 de março de 2001, em sendo assim, a Fazenda Federal perdeu o direito de lançar as contribuições do período de apuração de 01.04.1992 a 28.02.1996, inclusive." Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para reconhecer, no caso a perda do direito da Fazenda Nacional de lançar as contribuições do período de apuração de 01.04.1992 a 28.02.1996, inclusive, bem como reconheço aplicação do § 12° do art. 48 da lei n° 9.430/96 para afastar a exigência da contribuição para a COFINS dos fatos geradores até 31 de dezembro de 1996, exigindo a partir de janeiro de 1997. Leiase: "A ciência do auto de infração aconteceu em 23 de março de 2001, em sendo assim, a Fazenda Federal perdeu o direito de lançar as contribuições do período de apuração de 01.04.1992 a 30.11.1995, inclusive." Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para reconhecer, no caso a perda do direito da Fazenda Nacional de lançar as contribuições do período de apuração de 01.04.1992 a 30.11.1995, inclusive, bem como reconheço aplicação do § 12° do art. 48 da lei n° 9.430/96 para afastar a exigência da contribuição para a COFINS dos fatos geradores até 31 de dezembro de 1996, exigindo a partir de janeiro de 1997." Processo nº 13808.001325/200155 Acórdão n.º 3302004.904 S3C3T2 Fl. 5 4 Fl. 865DF CARF MF Aproveitando, corrigese também a inexatidão material constante no dispositivo do voto vencedor da Conselheira Maria do Socorro, para incluir a manutenção da autuação entre o período de 01.12.1995 a 31.12.1996. Assim, onde está escrito no voto vencedor: "Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter a incidência da Contribuição também para os fatos geradores ocorridos até 31.12.1996." Leiase: ''Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter a incidência da Contribuição para os fatos geradores ocorridos entre 01.12.1995 até 31.12.1996.' Quanto ao dispositivo do Acórdão nada há para retificar. Conclusão Isto posto, acolho os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado nos termos acima. Charles Pereira Nunes Relator Processo nº 13808.001325/200155 Acórdão n.º 3302004.904 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 866DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001437/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2004
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão (Lei 9.249, de 1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981, de 1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do contribuinte, apenas quanto à dedutibilidade de despesas com tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento, os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2004 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão (Lei 9.249, de 1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981, de 1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do contribuinte, apenas quanto à dedutibilidade de despesas com tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento, os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.031 1 1.030 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001437/200611 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.069 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2017 Matéria DEDUTIBILIDADE. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Recorrente BV LEASING ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2004 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão (Lei 9.249, de 1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981, de 1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do contribuinte, apenas quanto à dedutibilidade de despesas com tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento, os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 37 /2 00 6- 11 Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.032 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração (Efls. 206 ss.), cientificado à contribuinte em 22.09.2006, para a exigência de créditos de CSLL, multa proporcional e juros de mora, sob a acusação fiscal de não adição da CPMF na base de cálculo da contribuição apurada nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2004, cuja exigibilidade encontravase suspensa em razão de discussão judicial acerca da inconstitucionalidade da EC 21/98, como resumido pelo relatório da decisão da DRJ, cujo trecho transcrevese abaixo: “2. A empresa impetrou o MS 1999.61.00.0278280 com pedido liminar, objetivando reconhecimento de inexigibilidade da CPMF, alegando inconstitucionalidade da EC 21/99. A liminar foi concedida e a sentença concedeu a segurança. Os autos subiram ao TRF que negou provimento à remessa oficial e rejeitou embargos de declaração (fls. 19). A União opôs recursos especial e extraordinário, os quais não foram admitidos. A impetrante interpôs agravos contra essa decisão. O STJ deu provimento ao agravo porém retornou o processo à instância anterior tendo em vista julgamento de processo conexo que negou provimento a recurso especial da mesma empresa. No STF foi negado seguimento ao agravo, havendo no sítio da instituição notícia de trânsito em julgado dessa decisão (fls. 185196). 2.1. Posteriormente, a autuada impetrou o MS 2002.61.00.0119750 com pedido liminar, objetivando reconhecimento de inexigibilidade da CPMF, alegando inconstitucionalidade da EC 37/2002. A liminar foi concedida para reconhecer o direito da impetrante à alíquota zero da CPMF, tendo a União oposto agravo de instrumento requerendo efeito suspensivo contra a liminar, o qual foi deferido. Em agravo de instrumento oposto pela impetrante foi deferido efeito suspensivo para autorizar a realização de depósitos das quantias questionadas. A sentença reconheceu o direito da impetrante à alíquota zero, e posteriormente houve decisão Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.033 3 deferindo o levantamento dos depósitos, tendo a União interposto agravo regimental (fls.2021). Apelando a União, os autos subiram ao TRF que deu parcial provimento à remessa oficial, porém negando provimento à apelação e ao agravo regimental, incluindo como sujeitas à alíquota zero da CPMF as atividades que especifica (fls. 198204).” A contribuinte apresentou Impugnação (Efls. 83 ss.) sustentando o pagamento de parte do débito e defendendo, principalmente, a natureza de despesa e não de provisão dos tributos com exigibilidade suspensa, razão pela qual deveriam ser considerados dedutíveis da base de cálculo da CSLL, como também resume o relatório produzido pela DRJ, o qual se aproveita: “3.1. Afirma que, para o anocalendário de 2004, considerou o valor de CPMF na base de cálculo da CSLL, de acordo com o art. 50 da IN 390/2004, efetuando recolhimento em 11/05/2005 com juros e multa, conforme Darf de fls. 186. Aduz, então, ser improcedente o lançamento para o período 02 a 12/2004, por ter sido efetuado o recolhimento correspondente. 3.2. Diz que a base de cálculo utilizada para o lançamento do ano de 2004 está equivocada, pois é a mesma que suportou o recolhimento de IRPJ, referindose ao ano todo, quando deveria se referir apenas ao período de 02 a 12/2004, eis que a IN 390/2004 foi publicada somente em 02/02/2004, passando a vigorar no mês de 02/2004, razão pela qual não atinge os períodos anteriores autuados. 3.3. Afirma que, apesar de a autoridade fiscal considerar que o tributo com exigibilidade suspensa possui característica de provisão, adicionandoo na base de cálculo da CSLL, tal entendimento não encontra previsão em lei, constituindo ofensa ao princípio da estrita legalidade (art. 97 do C'TN). Explica que tais valores não caracterizam provisões, mas sim despesas da empresa. Expõe jurisprudência, decisões do Conselho de Contribuintes e CSRF e a doutrina sobre o tema. Menciona art. 242 do RIR/94, art.16 do Decretolei 1.598/77 e artigos 7º e 8º da Lei 8.541/92. Cita o § 1º do art. 41 da Lei 8.981/95, o qual entende vedar a dedução de despesa de tributos apenas para efeito do lucro real, mas não para o lucro líquido. Diz que o art. 57 da mesma lei determina a manutenção da base de cálculo da CSLL prevista na legislação em vigor, de forma que não se sustenta o entendimento de que as normas de apuração da base de cálculo do IRPJ seriam aplicáveis à CSLL. 3.4. Repisa que a natureza dos tributos é de despesa, certa e determinada, mesmo que sua exigibilidade esteja suspensa. Afirma que o tributo levado ao crivo do Judiciário é considerado devido antes que decidido de maneira contrária. Conclui que, ocorrida a situação que originou a despesa, a mesma será computada pelo regime de competência, assim como as receitas, mesmo que o desembolso para seu pagamento efetivo aconteça posteriormente. Discorre sobre despesas e provisões. Transcreve item de Boletim Central da COSIT nº 21 de 25/02/93, no sentido de que tributos e contribuições não dedutíveis para efeitos de IRPJ, por força do art. 7º da Lei nº 8.541/92, não serão adicionados para efeitos da base de cálculo da CSLL. 3.5. A adição dos valores de tributos com exigibilidade suspensa à base de cálculo da CSLL não deriva de lei, violando o art. 97 do CTN e 150, I, da CF. 3.6. Explica que, para haver incidência da CSLL, é necessário haver acréscimo patrimonial e, sendo o tributo verdadeira despesa, sua adição na base de cálculo dessa contribuição extrapola a delimitação de lucro, estipulado como materialidade pela CF (art.195). Dessa forma, conclui que houve violação à materialidade da CSLL. 3.7. Alega que a incidência da CSLL sem a dedução da despesa em debate, sobre um valor que não representa lucro, implica ferir a capacidade contributiva da empresa, indo além do lucro tributável. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.034 4 3.8. Cita jurisprudência, decisões do Conselho de Contribuintes e a doutrina sobre o tema. 3.9. Pede o cancelamento da exigência, eis que a vedação à dedução da base de cálculo da CSLL de tributos com exigibilidade suspensa, além de não ter amparo legal, afronta vários preceitos constitucionais, inclusive o fato imponível da própria contribuição.” A autuação foi parcialmente mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (Efls. 436 ss.), (i) prosseguindose no entendimento de que os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais não podem ser deduzidos para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, (ii) sustentando a incompetência da autoridade administrativa para verificações de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas e, por fim, (iii) determinando a alocação de um pagamento e exoneração da multa correspondente à parcela recolhida, como se pode observar do seguinte trecho: “8.1. Segundo o termo de verificação de fls. 1317, a empresa foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, esclarecimentos sobre como estavam sendo adicionados na base de cálculo da CSLL os valores referentes aos tributos com exigibilidade suspensa. Às fls. 4041 constam cópia da DIPJ anocalendário 2004 e tabela contendo o valor da CPMF com exigibilidade suspensa. Verificase que o auto de infração utilizou como base de cálculo da CSLL para 2004 o mesmo valor informado em tais documentos (fls. 04). Aplicandose a alíquota da CSLL para os valores da CPMF suspensa referentes ao período de 02/2004 a 12/2004 temse o valor de R$ 144.793,12, mesmo valor depositado para o principal no DARF de fls. 181. Tal valor foi recolhido após o prazo de vencimento da contribuição, com acréscimos legais, porém não foi declarado pela empresa em sua DCTF (fls.214). 8.2. Assim, deve ser exonerada a multa de oficio lançada para o período de 02/2004 a 12/2004, referente à parcela da CSLL recolhida, conforme tabela: (…) 9. Ante o exposto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, de conformidade com o Demonstrativo de Crédito Tributário Exigido, Exonerado e Mantido a seguir: (…)” Insurgindose contra a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 293 ss.), basicamente reiterando as razões de defesa veiculadas em sua impugnação administrativa, com exceção da questão do pagamento, apenas com a ressalva quanto a um equívoco de cálculo cometida pela d. Autoridade julgadora, mas percebido e corrigido pela Administração na sequência. Do julgamento do recurso resultou o Acórdão n. 180300.895 (Efls. 465 ss.), que lhe negou provimento, em razão de considerar que “por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apresentando nítido caráter de provisão.” Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.035 5 A contribuinte então interpôs Recurso Especial (Efls. 479 ss.) (i) defendendo a dedutibilidade das despesas correspondentes a tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, apresentando como paradigmas os acórdãos n. 1401 00.058 e 19800099, com as razões já conhecidas descritas nos recursos anteriores. Aduziu, ainda, (ii) que obteve sentenças favoráveis transitadas em julgado nos Mandados de Segurança n. 1999.61.00.027828 e n. 2002.61.0011975, pela inexigibilidade da CPMF cuja dedutibilidade ora se discute, e baixou a dívida que estava registrada em seu passivo e ofereceu tais valores à tributação pela CSLL. Assim requereu que, caso se entenda devido algum valor sobre tal montante, seja considerado acréscimo legal decorrente da postergação do pagamento da CSLL e de forma alguma o seu principal com acréscimos sobre a totalidade do valor como objetiva a cobrança. Por fim, (iii) sustenta que por se tratar de matéria suscetível de reconhecimento de ofício e em função da busca da verdade material, deveria ser reconhecida a decadência do lançamento da CSLL referente ao ano calendário de 2000, aplicandose o art. 150, parágrafo 4o., considerandose que a ciência do auto de infração ocorreu em 22.09.2006. Na sequência, a recorrente protocolizou petição (Efl. 571 ss.) requerendo a juntada dos balancetes contábeis e analíticos mensais referentes ao período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009, que consubstanciariam prova da inclusão da CMPF na base de cálculo da CSLL, requerendo, na hipótese de mantida a glosa, seja reconhecida a postergação do pagamento da CSLL, quando do trânsito em julgado das sentenças dos referidos processos, com a revisão do lançamento, excluindose o principal e acréscimos legais até a quantia considerada devida em função da postergação, reiterandose o pedido relativo à decadência do ano de 2000. O recurso foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 1009 ss.) que se deteve sobre os dois acórdãos paradigmas apresentados, delimitando o presente julgamento à dedutibilidade ou não da base de cálculo da CSLL de despesas correspondentes a tributos com exigibilidade suspensa. A Fazenda Nacional, por sua vez, ofereceu Contrarrazões (Efls. 1018 ss.) suscitando algumas questões quanto aos paradigmas apresentados pela recorrente – que serão abordadas oportunamente na análise de conhecimento – e defendendo a indedutibilidade das despesas correspondentes a tributos com exigibilidade suspensa. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da contribuinte. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.036 6 Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, alguns pontos merecem ser esclarecidos, para além da divergência em torno da dedutibilidade de despesas com tributos com exigibilidade suspensa, no que se segue o despacho de admissibilidade, para se conhecer o recurso especial quanto a este aspecto, adiantase. Primeiramente, manifestase sobre as considerações da Fazenda Nacional quanto aos paradigmas apresentados, conforme mencionado no relatório acima. Leiase: “Inicialmente, cumpre ressaltar que o acórdão de nº 19800.099, já foi reformado pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, na sessão de 20 de novembro de 2012, por meio do acórdão nº 9101001.512. Como o acórdão paradigma foi reformado posteriormente à interposição do recurso especial pelo contribuinte, este deve ser admitido, mas, é importante salientar que a tese defendida pelo contribuinte já se encontra superada. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.037 7 Outrossim, quanto ao acórdão nº 140100.058, melhor sorte não socorre ao recorrente. Apesar de ter sido afastada a exigência de CSLL decorrente da não adição do montante de tributos com exigibilidade suspensa, o contribuinte expressamente renunciou ao direito ao qual se fundava a ação, com a consequente desistência total da lide, em razão da adesão a parcelamento. Os embargos de declaração opostos à época pela Fazenda sequer foram conhecidos, em face da renúncia ao direito nos limites do processo. Em face da renúncia ao direito, restou impossível a interposição de recurso especial pela União, no que toca à indedutibilidade de tributos/contribuições com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. No entanto, salientase que havia enorme chance de êxito em eventual recurso especial, caso interposto pela União, tendo em vista a jurisprudência firmada na Primeira Turma da Câmara Superior pela indedutibilidade na base de cálculo da CSLL de tributos/contribuições com exigibilidade suspensa (Nesse sentido, acórdãos nº 9101 00.592, 9101001.512).” Entendese que a Fazenda Nacional enumera diferentes possibilidades, mas que não passam de especulações do que poderia ter ocorrido, sem trazer nenhuma situação concreta, efetiva, que impeça o julgamento do recurso especial, razão pela qual se mantém a decisão pelo seu conhecimento. Um outro ponto referese à apreciação do pedido quanto à decadência de ofício. É verdade que noutros julgamento já se votou por essa possibilidade. Ocorre que no caso concreto a Recorrente não envidou qualquer esforço em demonstrar divergência ou desenvolver seu recurso nesse sentido, provavelmente porque isso não seria possível já que o acórdão recorrido não tratou do tema, porque não foi veiculado durante todo o processo, só sendo aventada com o recurso especial e uma petição posterior. Nesse sentido, não se conhecerá deste tópico nesta oportunidade, por se compreender que também existem regras que regem o processo e não podem ser mitigadas por uma pretensa busca da verdade material, como sugeriu a recorrente. Assim, votase por CONHECER O RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. MÉRITO 1. Dedutibilidade de despesas com tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL Conforme a análise de conhecimento procedida, devolvese, então, ao julgamento deste Colegiado a questão em torno da dedutibilidade de despesas com Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.038 8 tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, para o que adoto como razões de decidir o voto vencedor do ilustre Conselheiro Marcos Takata, em relação ao voto da ilustre Conselheira Relatora Albertina Silva Santos de Lima, no acórdão n. 1401 00.058, inclusive utilizado como paradigma pela ora recorrente: “Conselheiro — MARCOS SHIGUEO TAKATA, Redator designado. Peço vênia à nobre relatora, mas divirjo de seu entendimento quanto à indedutibilidade das despesas com tributos com exigibilidade suspensa, pelo fundamentos que passo a deduzir. Sem dúvida que as provisões, ou melhor, as contrapartidas das provisões são despesas indedutíveis, seja na determinação do lucro real como para a apuração da base de cálculo da CSL, conforme o art. 13, I, da Lei 9.249/95. Nos moldes do mesmo preceito, as provisões, cujas contrapartidas sã despesas dedutíveis, limitam se às provisões técnicas de entidades de previdência complementar, de companhias seguradoras e de capitalização, além das constituídas para pagamento de férias de empregados e 13º salário (embora as duas últimas, a bem ver, não tenham a natureza propriamente de provisões). A regra geral, pois, é a indedutibilidade das despesas de provisões. O que faz todo o sentido, na medida em que se compreenda o caráter das provisões. Qual é o caráter da provisão? Em matéria de passivo e é do que se cuida no caso vertente o que caracteriza urna provisão é a incerteza ou a iliquidez da obrigação. Ou seja, a tradução jurídica do caráter de urna provisão passiva é que esta representa uma obrigação incerta, ou mesmo uma obrigação certa mas ilíquida, ao passo que uma obrigação certa e líquida representa um contas a pagar. Juridicamente, essas são as notas distintivas de uma provisão do passivo. Ora, se uma obrigação é incerta, ou uma obrigação é certa mas ainda ilíquida, é de todo compreensível que a lei determine, como regra geral, a indedutibilidade da contrapartida do registro desse passivo, i.e., a indedutibilidade da despesa de provisão. Imaginese que um empregado demitido supostamente por justa causa ingresse com uma reclamação trabalhista, alegando que a demissão fora sem justa causa, postulando, ainda, que deveria receber remuneração equiparada à outro funcionário, incorporação de certos valores ao salário, etc. Para o empregador, tratase obrigação incerta e o passivo registrado tem caráter de provisão. Sua contrapartida é uma despesa de provisão, indedutível. Imaginese, ainda, que a ação tenha transitado em julgado, mas não tenha sido liquidada a sentença, sobre o que ainda se controverte. Para o empregador a obrigação é certa, mas ilíquida: o passivo registrado tem caráter de provisão e sua contrapartida é uma despesa indedutível. Só com a liquidação da sentença transitada em julgado terseá uma obrigação líquida e certa, e, pois, sua contrapartida representará uma despesa dedutível, ou excluível do lucro líquido, caso não represente despesa “adicional” (exclusão do valor adicionado anteriormente, pela transformação da provisão em contas a pagar). Agora, suponhase que fora sancionada determinada lei tributária cujo efeito é a majoração de certo tributo. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade, por mais flagrante que possa ser ou aparentar ser inconstitucional. Esse atributo da lei, presunção de constitucionalidade e de legitimidade, é do que desfruta a obrigação ex lege tributária. Aqui, a obrigação é certa e líquida. Ainda que o contribuinte ingresse com ação judicial, enquanto não se der o trânsito em julgado favoravelmente ao contribuinte, a obrigação não se torna “incerta nem ilíquida”. A obrigação ou suposta obrigação que veiculei no exemplo anterior só desfruta do Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.039 9 atributo de certeza e liquidez com o trânsito em julgado inclusive da liquidação da sentença. Exatamente o oposto do que se dá com uma obrigação tributária ou uma suposta obrigação tributária. Ainda que o contribuinte maneje ação discutindo a constitucionalidade da lei tributária, obtenha uma liminar, uma sentença ou mesmo um acórdão favorável, somente com o trânsito em julgado com o decreto de inconstitucionalidade da lei, a obrigação irradiada – ipso facto com a incidência daquela deixa de ser urna obrigação certa e líquida. Só nesse momento o passivo deixa de representar obrigação certa e liquida, e deixa de exprimir inclusive urna obrigação. Só nesse momento posso dizer que não há obrigação certa e líquida, que não há obrigação. Tenho para mim ser muito claro que o fato de se ingressar com ação judicial contra certa lei tributária ou contra a legalidade de uma obrigação tributária, mesmo que esta se encontra com sua exigibilidade suspensa, não transforma o passivo representativo de obrigação líquida e certa (contas a pagar), em obrigação incerta ou certa mas ilíquida (provisão). É certo, portanto, que a obrigação tributária com exigibilidade suspensa, por ex., por liminar ou tutela antecipada, não representa contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar. É ainda obrigação certa e líquida: para falar “didaticamente”, o passivo registrado passa a representar uma obrigação incerta, somente com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte. Disse “didaticamente”, pois, por óbvio que aí e nesse momento o passivo deixa de representar obrigação: não há mais esse passivo, que então será revertido; não há obrigação a ficar registrada a partir de então. Uma vez traduzido juridicamente o caráter de provisão, e acentuada a presunção de legitimidade e de constitucionalidade do ato legal (a lei, cuja incidência irradia, ipso facto, o nascimento da obrigação tributária), tornase fácil ver o acerto do que dispõe o item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM 489/05. O item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, ao versar sobre o passivo de tributos, deixa claro que a obrigação tributária é urna obrigação legal e que deve figurar como tal até o desfecho final da causa. O fato de a ação intentada pelo contribuinte ser julgada procedente em determinada instância não permite que a obrigação legal deixe de ser registrada como tal. Além de o passivo de tributos com exigibilidade suspensa não ter caráter de provisão, entendo que aquele não se coloca sob a incidência do art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95, para fins de CSL. Notadamente a partir da Lei 8.541/92, a lei, quando quis prescrever certo tratamento para a determinação do lucro real e também para a da base de cálculo da CSL, ela o fez expressamente. Isso fica mais evidente na Lei 8.981/95 e nas leis posteriores. Dispunha o art. 42 da Lei 8.981/95: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subsequentes. Os arts. 57 e 58, dessa lei preceituam: CAPÍTULO IV DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.040 10 legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Vejase a dicção do art. 41 da Lei 8.981/95: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. § 2º Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. § 3º A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto. § 4º Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Por óbvio que os parágrafos de um artigo se subordinam a seu caput, que, no caso (art. 41 da Lei 8.981/95), trata da determinação do lucro real, além do que o § 2° repete o endereçamento. Nem o § 1° do art. 41, nem os demais parágrafos, nem o caput tratam da incidência da regra do § 1° do art. 41 para a determinação da base de cálculo da CSL. O art. 57 dessa lei é claro ao dizer que são mantidas a base de cálculo e as alíquotas da CSL, com as alterações introduzidas por essa lei. Esta lei introduziu diversas alterações na determinação da base de cálculo da CSL, entre as quais não se inclui o regramento previsto no art. 41, § 1º, retrodescrito. Se a lei (art. 57, caput) fala expressamente que ficam mantidas a base de cálculo da CSL e suas alíquotas, exceto quando ela disponha de forma diversa, não vejo como se possa aplicar à CSL regra prescrita para a determinação do lucro real sem existir tal previsão para a determinação da base de cálculo da CSL. O art. 57, caput, da Lei 8.981/95 chega a ser tautológico, mas tem a virtude de erradicar qualquer dúvida que pudesse emergir quanto à aplicabilidade de norma endereçada ao IRPJ, sem remissão à CSL. Os §§ 1° e 2° do art. 57 e o art. 58 da lei em questão trazem as alterações aplicáveis à determinação da base de cálculo da CSL. Ora, se ainda assim fosse concluível que o preceito contido no art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95 seria aplicável na determinação da base de cálculo da CSL, entendo que seria forçoso se concluir, com identidade de razões, que, por ex., as normas sobre tributação do lucro em bases universais eram aplicáveis à CSL, mesmo sem o preceito contido no art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 (pelo qual se passou a prever a tributação do lucro em bases universais para fins de CSL). Nem se diga que se houvesse artigo nessa medida provisória prevendo expressamente que o mencionado art. 21 só entraria em vigor a partir de certa data a questão não se colocaria, pois isso é de absoluta imprestabilidade para a interpretação em discussão. A questão é ser aplicável o regime de tributação em Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.041 11 bases universais para a CSL, mesmo sem o art. 21 dessa medida provisória. Bem se sabe que concluir pela tributação da CSL em bases universais antes do advento do art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 constituiria absurdo. Argumento ab absurdo, que comete à evidência não ser aplicável, na determinação da base de cálculo da CSL, a regra do art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95, preceituada para o lucro real. A pertinência lógica e sistemática da interpretação me conduz a dizer igualmente que, se o art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95 fosse aplicável à CSL, também lhe seriam aplicáveis as regas dos arts. 32 e 33, do Decretolei 2.341/87, mesmo sem ou antes do advento do art. 22 da Medida Provisória 2.158/01, que preconiza a aplicação da preceituação dos arts. 32 e 33, do Decretolei 2.341/87 à CSL: Art.22. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. Mas, sabidamente o art. 22 da Medida Provisória 2.158/01 inovou o ordenamento jurídico, i.e, sua preceituação à CSL só teve cabimento a partir da introdução desse dispositivo, mediante o art. 20 da Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho de 1999 (atual art. 22 da Medida Provisória 2.158/01). Para uma interpretação sistemática, trago à colação mais algumas normas legais, corno os arts. 12, 15 e 16, da Lei 9.065/95: Art. 12. O disposto nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 1995, vigorará até 31 de dezembro de 1995. Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subsequentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. O art. 32 do Decretolei 2.341/87 passou a prever que a pessoa jurídica não poderá compensar seus prejuízos fiscais se, entre a apuração e a compensação, houver ocorrido, cumulativamente, mudança de controle societário e de ramo de atividade. O art. 33 desse decretolei é um complemento ou apêndice ao anterior, ao vedar a sucessora por incorporação, fusão ou cisão de compensar os prejuízos fiscais da sucedida. Também, o art. 13, I, da Lei 9.249/95, que versa sobre as provisões: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.042 12 a elas aplicável; Na mesma linha, os arts. 10 a 30, 50 a 14, 17 a 24, 26, 28 a 30, 55 e 71, da Lei 9.430/96, e mesmo os arts. 24A e 24B, dessa lei, e assim por diante. Entendo, pois, que as interpretações literal, lógica e sistemática não permitem extrair a exegese de que o art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 seja aplicável à CSL. Por essa ordem de considerações, meu voto é para dar provimento ao recurso para afastar a exigência da CSL decorrente da não adição do montante de tributos com exigibilidade suspensa.” Por essas razões, votase POR DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.043 13 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Redator Designado Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto à dedutibilidade de tributos com a exigibilidade suspensa, relativamente à base de cálculo da CSLL. A questão sobre a dedutibilidade de tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa, no que toca à base de cálculo da CSLL, gira em torno da incidência ou não do inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, que veda a dedução de provisão que não esteja expressamente autorizada: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável;(Vide Lei 9.430, de 1996) Em relação a esse ponto, é relevante destacar que o conceito de provisão abarca situações variadas. O que caracteriza uma provisão é sua correspondência a situações sobre as quais paira algum grau de incerteza quanto à existência, ao valor, ao vencimento, etc., de uma obrigação ou de uma perda patrimonial. As provisões não abarcam apenas registros de “riscos” de perda patrimonial, como a “provisão para créditos de liquidação duvidosa”. Há também provisões para encargos sociais e trabalhistas. Há ainda a própria “provisão para o imposto de renda” constituída no encerramento do período de apuração, quando já consumado o fato gerador. O próprio texto legal do inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, não restringe o conceito de provisão às provisões para risco de perda patrimonial, que normalmente apresentam um maior grau de incerteza. Nesse passo, não se pode negar que uma obrigação tributária que está sendo discutida em juízo pelo sujeito passivo e que está com a exigibilidade suspensa no contexto de um processo judicial, possui a característica essencial de uma provisão, que é, no caso, a incerteza quanto à sua própria existência. É até contraditório que o sujeito passivo questione a existência da obrigação tributária, suspendendo inclusive a sua exigibilidade, e ao mesmo tempo defenda sua dedutibilidade como sendo uma obrigação certa. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.044 14 Não há dúvida de que o mesmo questionamento que resultou na suspensão da exigibilidade da obrigação tributária, poderá também resultar na sua própria extinção. Eis aí a incerteza em relação à existência da obrigação, que o Recorrente procura negar. Em reforço ao que está sendo dito, registro o conteúdo do voto que orientou o Acórdão nº 130100.794, de 17/01/2012, exarado pelo conselheiro Waldir Veiga Rocha, que também colaciona variada jurisprudência sobre o tema: O ponto central da discussão é a natureza das despesas com provisões para pagamento de tributos discutidos em juízo e cuja exigibilidade estava suspensa, se despesas efetivamente incorridas, como quer a interessada, ou se provisões, como entende o Fisco. Como corolário dessa questão, discutese também a dedutibilidade, ou não, de tais despesas (ou provisões) para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. A matéria é bastante conhecida, e já foi objeto de apreciação por este colegiado, quando do julgamento dos processos nº 16327.000028/200517 e nº 16327.001299/200671, também sob minha relatoria, resultando, respectivamente, nos acórdãos nº 130100.275, de 09/03/2010, e nº 1301 00.642, de 04/08/2011. Por bem refletir meu entendimento sobre o assunto, transcrevo, a seguir, excerto do voto proferido no primeiro processo e reproduzido no segundo, sendo, em ambas as ocasiões, acompanhado à unanimidade pela Turma. [...] Com efeito, as despesas com tributos, na situação em que estes estão submetidos ao crivo do Poder Judiciário e com exigibilidade suspensa, não se revestem da certeza e da liquidez indispensáveis a que sejam consideradas despesas incorridas a pagar. Em conseqüência, suas contrapartidas, registradas no passivo, se caracterizam como provisões para fazer face a evento futuro e incerto. Não se discute a correção do registro contábil, pertinente à luz dos princípios e convenções da contabilidade, especialmente aquele do conservadorismo. Também não se trata de glosa de despesas tidas por desnecessárias ou não usuais. O ponto central é que as despesas discutidas são incertas tanto para o contribuinte, que as considera indevidas e as discute judicialmente, quanto para o ente tributante, que se vê na dependência de manifestação do Poder Judiciário para que possa exigir o tributo. Isso ficou bem claro no voto condutor do acórdão recorrido, no trecho a seguir transcrito: 13 A obrigatoriedade de pagar os valores dependem de eventos futuros e incertos, ou seja, dependem de decisão judicial. Se for incerto, não pode ser classificado como contas a pagar, que por sua natureza, impõe liquidez e certeza. A provisão, por sua vez, não possui um dos elementos, quais sejam liquidez e certeza, pois se assim fosse, um termo seria sinônimo do outro. 14 Ao interpor a ação judicial, o interessado pretende se ver dispensado do recolhimento do tributo. Para a administração tributária, demonstra que, segundo seu entendimento, o valor não é devido, como também Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.045 15 demonstra, para seus sócios e terceiros, que luta para não recolher o tributo. Em suma, tanto o interessado, quanto a administração tributária, não têm certeza sobre seus direitos. Ambos aguardam o pronunciamento do poder judiciário. Demonstrada a natureza de provisão dos valores ora discutidos, impõese sua adição para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, ex vi do art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Tal foi exatamente o procedimento do Fisco, o qual reputo correto. [...] A jurisprudência administrativa é farta nessa linha, como se verifica das ementas a seguir transcritas, a título exemplificativo: CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Ac. 10194.491, de 29/01/2004. Rec. 136.214. Rel. Cons. Valmir Sandri) (No mesmo sentido, Ac. 103 23.053, de 13/06/2007, Rec. 156.141. Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto) (No mesmo sentido, Ac. 10517.358, de 17/12/2008. Rec. 164.752. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello) CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10195.727, de 20/09/2006. Rec. 135.395. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) IRPJ — CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.046 16 determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais a seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10196.008, de 01/03/2007. Rec. 151.401. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ANOCALENDÁRIO 1998. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II a IV, do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL. (Ac. 10323.031, de 24/05/2007. Rec. 156.083. Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) PROVISÕES — Provisões somente podem ser deduzidas das bases de cálculo da CSSL se assim a lei expressamente autorizar. Classificamse como tais, os elementos do passivo, cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. Assim, valores registrados como tributos, contribuições e demais acréscimos, não passíveis de serem exigidos por força de medida judicial, quadramse nesta classificação e devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, se seu registro contábil reduziu o resultado do exercício. (Ac. 10323.037, de 24/05/2007. Rec. 156.322. Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) CSLL — BASE DE CÁLCULO — DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. (Ac. 10808.126, de 02/12/2004. Rec. 139.544. Rel. Cons. Luiz Alberto Cava Macieira) Esta Primeira Turma da CSRF também já manifestou entendimento de que os tributos com exigibilidade suspensa têm caráter de provisão e, como tais, não são dedutíveis na apuração da CSLL, conforme os seguintes julgados: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.047 17 determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. O mesmo ocorre com a provisão para juros sobre contingências fiscais os quais, por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, devem seguir a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 910101.214, de 18/10/2011). CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Acórdão 9101 001.512, de 20/11/2012). Mesmo aderindo ao entendimento de que os tributos com exigibilidade suspensa têm caráter de provisão, o que já seria suficiente para o deslinde da controvérsia, há ainda outro aspecto a ser examinado. É que a questão sobre a dedutibilidade de tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa, no que toca à base de cálculo da CSLL, também costuma ser abordada no contexto das regras previstas no art. 41, § 1º c/c art. 57, ambos da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. [...] Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Há uma linha de entendimento, adotada inclusive pelo voto da relatora, que vê as referidas regras da Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981, de 1995 (art. 41, § 1º, e art. 57) como hipóteses excludentes e antagônicas. Ou seja, o tributo com exigibilidade suspensa configuraria efetiva obrigação tributária, e não mera provisão. E nesse passo, como obrigação tributária, a regra que poderia incidir seria aquela prevista na Lei 8.981, de 1995, e não a da Lei 9.249, de 1995. O problema, conforme apontado no voto da relatora, é que o art. 41, § 1º, da Lei 8.981, de 1995, só é aplicável ao IRPJ, de modo que nenhuma restrição legal haveria para que os tributos com exigibilidade suspensa fossem deduzidos da base de cálculo da CSLL pelo regime de competência. Entretanto, também divirjo da relatora quanto a esse tipo de entendimento. Não estamos aqui diante de uma situação em que se pretende estender para a CSLL alguma regra que trata de item específico da base de cálculo do IRPJ. Não é esse o caso. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 9101003.069 CSRFT1 Fl. 1.048 18 Sabese muito bem que as obrigações tributárias configuram despesa dedutível tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL, e que essa possibilidade de dedução é prevista individualmente, tanto nas regras que tratam da base de cálculo do IRPJ, quanto nas regras que tratam da base de cálculo da CSLL. O § 1º do art. 41 da Lei 8.981, de 1995, não criou nenhuma dedução específica para o IRPJ. Esse dispositivo simplesmente definiu um regime (regime de competência ou regime de caixa) para o tipo de despesa que está sendo aqui tratado (despesa com tributos), levando em conta que essa despesa pode estar relacionada a uma obrigação tributária com exigibilidade suspensa. A questão da definição de regime para o reconhecimento de receitas e despesas é tipicamente uma “norma de apuração”, e se encaixa exatamente no escopo do art. 57 da Lei 8.981, de 1995. Basta ver que, quando é adotado o regime de caixa para o IRPJ (na apuração do lucro presumido, por exemplo) este mesmo regime é adotado para a CSLL, também por força do art. 57 da Lei 8.981, de 1995, e ninguém pensa em alegar que esse dispositivo estaria sendo utilizado para desvirtuar a base de cálculo da CSLL, para acrescentar elementos na base de cálculo da CSLL que não estavam previstos nas suas próprias normas, etc. Assim, a regra do art. 41, § 1º, da Lei 8.981, de 1995 é perfeitamente aplicável à CSLL. Não há nenhum antagonismo entre as referidas regras da Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981, de 1995 (art. 41, § 1º, e art. 57). É preciso ter em mente que a palavra do legislador muitas vezes não esgota as possibilidades de sentido que pode ser a ela atribuído. É sempre a interpretação das normas que dá o seu conteúdo ao longo do tempo, compondo as aparentes contradições e os excessos normativos. E quanto à matéria em questão, o sentido das regras contidas na Lei 8.981, de 1995 (art. 41, § 1º) e na Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) é exatamente o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720161/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.517
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Fazenda Nacional Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem sintetizar os momentos processuais e os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente dos lançamentos de ofício relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS não cumulativa – fls. 1654 a 1674) e ao Programa de Integração Social (PIS não cumulativo – fls. 1675 a 1695) referentes ao anocalendário de 2008. O lançamento das contribuições para os diversos períodos somou R$ 91.725.912,82 (COFINS) e R$ 19.914.178,43 (PIS), valores acompanhados de multa de ofício de 75% e juros moratórios, totalizando R$ 199.950.427,82 e R$ 43.410.290,22, respectivamente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 16 1/ 20 12 -4 0 Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.078 2 A autuada é empresa que atua na exploração do ramo de supermercados, com sede em São Paulo e ampla rede de lojas espalhada pelo Brasil, compreendendo o comércio de gêneros alimentícios em geral e demais mercadorias passíveis de venda nesse tipo de estabelecimento. Apura o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pelo Lucro Real e o PIS e COFINS pela sistemática não cumulativa. No Termo de Verificação e Encerramento – PIS e COFINS (fls. 1616 a 1653) está descrito o procedimento realizado e as conclusões obtidas. Os auditoresfiscais efetuaram a verificação do cumprimento das obrigações relativas ao PIS e a COFINS, intimando a empresa para apresentar a documentos, livros contábeis e explicações pertinentes, prorrogando os prazos de cumprimento quando solicitado. O lançamento fiscal decorreu da não inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS de lançamentos contábeis em contas diversas decorrentes de valores cobrados dos fornecedores, via de regra por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos mesmos. O Relatório descreve a forma adotada para operacionalizar os acordos feitos com os fornecedores, procurando sintetizar elementos relevantes dos contratos firmados e a prática operacional. Por variados motivos, os contratos estabelecem contrapartidas a serem pagas pelos fornecedores à empresa Carrefour Com. e Ind. LTDA, usualmente denominadas “bonificações”. A fiscalização constatou lançamentos contábeis que ocasionaram saldos negativos (devedores) em contas de receitas. O procedimento adotado pela empresa, ainda em conformidade com o Termo, se assemelhou ao de obtenção de um “resultado operacional” das bonificações. Foi constatado que a empresa reduziu a base de cálculo do PIS e COFINS, no grupo correspondente às receitas de bonificações, por meio de lançamentos no fechamento mensal das contas. Valores foram transferidos para contas contábeis não submetidas à tributação, a saber: conta de receitas financeiras (alíquota zero) e conta de despesas (redução do saldo devedor). Foram analisados os contratos com os fornecedores, que estabelecem as obrigações financeiras destes para com a rede supermercadista. A fiscalização discorre sobre a base legal do PIS e COFINS, estabelecida especialmente nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, como o total de receitas auferido, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, constatando a inexistência de fundamento para a exclusão de tais valores da base de cálculo das referidas contribuições. Desse modo, foi refeita a apuração, expurgando os efeitos dos lançamentos contábeis que resultaram em saldo devedor nas contas de receitas e considerando os valores de bonificações das contas que deveriam ser submetidas à tributação. O contribuinte foi cientificado em 19/12/2012. Em 15/01/2013, foi apresentada impugnação ao lançamento (fls. 1703 a 2473). A impugnante discorre sobre a prática de relacionamento com fornecedores estabelecida no ramo em que atua, no qual, visando atingir objetivos comuns, de exposição, divulgação dos produtos e crescimento das vendas, são feitos acordos comerciais (prática “trade marketing”), pelos quais os fornecedores concedem “bonificações” aos supermercados. Explica que não há bonificações em mercadorias. Tratamse de bonificações em dinheiro e bonificações com descontos. Os valores recebidos em dinheiro são submetidos à tributação do PIS e COFINS. No caso das bonificações com descontos, os valores acordados são reduzidos pela empresa nos pagamentos das duplicatas aos fornecedores. Considera que o Fisco tributou os valores sem analisar a natureza das contas em questão. Contesta o lançamento, em síntese, pelo seguinte: • As bonificações com desconto não podem ser consideradas “receita”. São, em geral, redutoras dos custos das mercadorias ou do passivo com veículos de comunicação e publicidade. Estão relacionadas à exposição dos produtos (gôndolas, Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.079 3 espaços privilegiados), garantia de margem mínima em promoções de venda e a divulgação de materiais publicitários; • As bonificações com desconto são registradas temporariamente em contas de receita de bonificações e, após, debitadas; • No caso das bonificações com desconto em geral, houve erro nos lançamentos contábeis durante o ano de 2008. Foi creditada corretamente a conta “70.290.400 – Receitas Financeiras de Bonificação”, mas o débito deveria ter sido na conta “53.100.100 – Garantido Nacional”. Por isso, restaram saldos devedores nas contas de receita de bonificação (Bonificação Nacional e Bonificação Margem Garantida). Dessa forma, o resultado final das contas de receita de bonificação ficaria inalterado. Não houve lesão ao fisco; • Na conta Receitas Financeiras de Bonificação foram lançados valores descontados nas duplicatas pagas aos fornecedores. Se tais valores forem entendidos como receita, possuem natureza financeira. As receitas financeiras tiveram a alíquota do PIS e COFINS reduzida a zero pelo Decreto 5.442/05. Os descontos correspondem, em última instância, a reduções nos preços das mercadorias. Caracterizamse como redutores dos custos de aquisição, não representando acréscimo patrimonial; • No grupo de contas correspondentes as bonificações com desconto decorrentes de inserção comercial ocorreu algo semelhante. As bonificações são temporariamente registradas na conta de receita “53.400.000 – Inserção Comercial”. Após, é feito o débito e creditada a conta de despesa “61.400.300 – Mídia Cooperativa – Repasse Fornecedores”. O saldo devedor na primeira decorreu de erro, ao ser lançado em duplicidade o débito. Não há efeito fiscal, uma vez que houve correspondente redução de despesa; • A conta Mídia Cooperativa contém valores de reembolso de despesas de publicidade e propaganda, descontados dos fornecedores nos pagamentos efetuados a eles, como recuperação de custos. Não se tratam de ingressos definitivos e, portanto, não estão abarcados pelo conceito de receita; • Alternativamente, se considerados receita, então os correspondentes gastos de publicidade e propaganda poderiam ser considerados créditos na sistemática não cumulativa. Podem ser caracterizados como insumos, tratandose de despesas essenciais e necessárias à consecução das atividades da requerente; • Em ambos os grupos de contas, se mantido o lançamento, houve duplicidade de tributação, uma vez que a base de cálculo contemplou o saldo negativo nas contas de receita, mais a integralidade dos valores nas contas em que ocorreram os respectivos creditamentos. A empresa protesta, ainda, contra a imposição dos juros pela aplicação da taxa Selic, uma vez que o STJ já tem reconhecido a sua improcedência para fins tributários. Também questiona a abusividade da multa de ofício aplicada. Por fim, questiona a incidência de juros Selic sobre a multa. Solicita a realização de perícia, indicando Perito e quesitos, que abordam, entre outros, a natureza das contas objeto do lançamento e a existência ou não de duplicidade de imposição tributária no auto de infração. Requer o acolhimento integral da impugnação e a declaração da improcedência da exigência fiscal. O processo foi distribuído a esta DRJ/POA para apreciação. Constatouse que a matéria em litígio estava bem delimitada. Entretanto a alegação de duplicidade parcial Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.080 4 no lançamento mereceria melhor avaliação. As alegações na impugnação, referenciadas em documentação contábil, indicavam a possibilidade de existência da reclamada duplicidade, em particular no grupo de contas referenciado como bonificações com descontos em geral (que possuíam contrapartida de receitas em “receitas financeiras de bonificação” – 70.290.400). A empresa apresenta a correspondência entre os valores lançados a crédito na conta 53.100.100 – Garantido Nacional, e o débito de “fechamento” efetuado “por equívoco” na conta 53.100.000. – Bonificações Nacionais, tendo como consequência o saldo negativo gerado. Ficou evidenciada a necessidade de verificação adicional, em procedimento de auditoria, de modo a apurar o alegado pela empresa e os valores envolvidos. A impugnação se submete ao rito do Decreto 70.235/72 (que possui hierarquia de lei), estando revista a realização de diligências ou perícias nos seus arts. 18 e 29. Mais recentemente, o Decreto 7.574/11 também tratou do Processo Administrativo Fiscal, dispondo sobre o assunto em seus arts. 35 a 37. Desse modo, o processo foi remetido em diligência à Unidade jurisdicionante, para (fls. 2479 a 2484): a) Informar se existem outros lançamentos contábeis nas contas nºs 70.290.400 (Receitas Financ. S/ Bonif. Incondic.) e 61.400.300 (Mídia Coop. – Repasse Fornecedores) que deveriam ser considerados para fins de tributação, ou somente aqueles realizados contra as contas nºs 53.100.000 (Bonificações Nacionais), 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida), 53.100.100 (Garantido Nacional) e 53.400.000 (Inserção Comercial); b) Se pronunciar sobre a alegação da interessada de duplicidade na base de cálculo apurada em relação aos saldos devedores (negativos) das contas 53.100.000 (Bonificações Nacionais), 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida) e 53.400.000 (Inserção Comercial) e os valores considerados para as contas 70.290.400 (Receitas Financ. S/ Bonif Incondic.) e 61.400.300 (Mídia Coop. – Repasse Fornecedores); c) Caso se entenda existente a duplicidade na apuração da base de cálculo, refazer a apuração do valor tributável e do principal das contribuições, extirpada a duplicidades verificada; Também foi determinada a ciência da empresa da diligência e de seu resultado, com a reabertura posterior do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação sobre a matéria objeto da diligência. A empresa foi intimada a apresentar documentação comprobatória, tendo entregue manifestação acompanhada de Parecer Técnico de Natureza Contábil e arquivos de registros contábeis. Os auditoresfiscais designados, da DemacSPO, bem se desincumbiram da diligência, que resultou no Relatório Conclusivo de Diligência das fls. 2754 a 2765. A partir dos elementos apresentados na impugnação e dos arquivos contábeis, foi refeita a apuração, comprovando, em grande parte, o alegado quanto ao grupo de contas correspondente aos “descontos em geral”. Os débitos efetuados na conta 53.100.000 (Bonificações Nacionais) que correspondiam aos créditos da conta 53.100.100 (Garantido Nacional) foram redirecionados, corrigindo o erro apontado pela empresa em seus lançamentos contábeis. Com isso, restaram alterados os saldos devedores da primeira conta. Em alguns meses, ficaram saldos devedores, bem inferiores aos inicialmente constatados, agora na conta 53.100.100. Com relação às contas correspondentes as bonificações com desconto de inserção comercial e a alegada reversão do saldo negativo em dezembro, foi feito ajuste reduzindose o saldo positivo no mês subsequente ao de julho, para o qual haveria saldo negativo. Assim, mantevese inalterado o total anual. Porém, considerouse que há contrapartida para os lançamentos Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.081 5 que geraram saldos negativos (devedores) em conta de passivo, 45.340.020 – Propaganda Cooperada, que não transitou por resultado. As respostas aos itens da Diligência constam assim redigidas (fl. 2763): Resposta ao item (a): “Todas as partidas registradas nas contas contábeis 70.290.400 e 61.400.300 tiveram como contrapartidas as contas 53.100.000, 53.200.000, 53.100.100 e 53.400.000, vide quadros constantes às fls. 1.643/44 e 1.646/47”; Resposta aos itens (b) e (C): “A teor do relatado acima, os saldos negativos restantes após a correção dos erros cometidos pela empresa nos registros dos créditos e débitos entre as contas 53.100.000 e 53.100.100 não foram criados em razão de contrapartidas em contas incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS e, portanto, a glosa não resulta em duplicidade de tributação. Tendo em vista que os valores lançados se alteram, apresentamos a seguir os valores, mês a mês que indevidamente reduziram a receita tributável”. Os Quadros da fl. 2764 apresentam os novos valores apurados nas contas contábeis abrangidas. O Quadro da fl. 2765 apresenta a base tributável recalculada correspondente a infração objeto do lançamento. Cientificada, a empresa se manifesta às fls. 2767 a 2823. Em anexo, apresenta Parecer Técnico de Natureza Contábil, crítico ao relatório conclusivo de diligência. De início, considera acertada a redução da base tributável da conta 53.100.000 (reduzida de R$ 222.606.930,19 para R$ 15.174.534,05). Com fundamento no Parecer Técnico, ressalta que os saldos das contas 53.100.100 e 53.200.000 tiveram como contrapartida a conta 70.290.400, que foi integralmente tributada pela fiscalização, caracterizando bis in idem. No que respeita à conta 53.400.000, aponta que o relatório de diligência deixou de examinar o efetivo ajuste positivo feito ao final do ano calendário, que reduziu o saldo para R$ 35.260.610,22. Além disso, aponta que os valores tiveram como contrapartida a conta 61.400.300, tributada no mesmo auto de infração. Se insurge contra a modificação do critério de aferição na diligência, que teria gerado agravamento da exigência em relação às contas 53.200.000 e 53.400.000. Argumenta que o verificado não é hipótese de revisão do lançamento prevista no art. 149 do CTN e que o Decreto 70.235/72 prevê tal exigência mediante Auto de Infração ou Notificação de Lançamento complementar. Para tal exigência, já teria se operado a decadência, uma vez que se trata de períodos de 2008. O Parecer técnico, por sua vez, explicita que está tratando dos valores redutores (base de cálculo da exigência de R$ 364 milhões), sendo que a impugnação já atacou a tributação das receitas de bonificações (R$ 636 milhões das bonificações em geral e R$ 210 milhões das bonificações de inserção comercial). Sobre a conta 53.400.000, indica que na apuração original não haviam sido incluídos valores até novembro, que na diligência somaram o valor de R$ 96 milhões, mais do que os R$ 84 milhões do mês de dezembro do original. Inovaria também a diligência ao efetuar ajustes que aumentaram a base na conta 53.200.000, que teriam majorado a exigência no mês de julho em R$ 143.703,76. Outro equívoco do relatório estaria em afirmar que não foram contestados os saldos negativos das contas 53.200.002 e 53.900.100, uma vez que nem foram objeto do auto de infração. Entende não terem sido examinados os lançamentos contábeis em Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.082 6 profundidade, não se sustentando o argumento sobre os saldos não terem contrapartida nas contas 70.290.400 e 61.400.300. Sobre as respostas objetivas do relatório conclusivo de diligência, entende que a primeira confirmou o alegado, enquanto a segunda decorreria do exame superficial do apresentado. Apresenta demonstração, referendada no Parecer Contábil anterior, indicando que os movimentos contábeis positivos e negativos demonstram o efetivo saldo das contas e que a glosa dos valores negativos acabou por efetuar tributação em duplicidade. Após manifestação, o processo retorna a esta DRJ para julgamento. Cumpre informar, ainda, que é possível constatar que houve lançamento anterior para a mesma empresa, controlado no processo 16561720.008/201212, envolvendo a matéria aqui abordada. O CARF baixou o processo em diligência em fevereiro de 2014. A decisão de piso, no acórdão 1052.164, da 2ª Turma da DRJ/POA, julgou parcialmente procedente a impugnação, acolhendo o resultado da diligência, conforme sintetiza a ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COFINS. VALORES RECEBIDOS SOB TÍTULOS DIVERSOS. INCIDÊNCIA. A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de descaracterizála como receita ou excluíla do campo de incidência da contribuição. DESCONTOS CONDICIONAIS RECEBIDOS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA NO ATIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. A base de cálculo da COFINS inclui os descontos condicionais recebidos de fornecedores e não informados nas notas fiscais, por implicarem em redução do passivo sem contrapartida no ativo. Descontos incondicionais poderão ser excluídos da base de cálculo pelo vendedor/fornecedor, quando constarem dos documentos fiscais e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE FORNECEDORES. Os valores recebidos de fornecedores, seja como contrapartida a espaços privilegiados, garantia de margem ou participação em propaganda e divulgação, mesmo que implementados através do desconto em duplicatas pagas aos mesmos, dissociadas do momento da venda e recebimento dos produtos, compõem o conceito de receita na sistemática nãocumulativa das contribuições. ERRO CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. REAPURAÇÃO. Equívoco contábil que originou lançamento a maior pode ser corrigido pela via da diligência. Cabe à autoridade fiscal proceder nova apuração da base tributável e a consequente revisão do cálculo se contatados valores a maior no lançamento original, não se constituindo em inovação, a qual somente estaria caracterizada se matéria nova fosse introduzida no novo exame. Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.083 7 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado e não pago é constituído de ofício, com o acréscimo da multa de 75% do valor da contribuição não recolhida. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. A incidência de juros moratórios sobre débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, conforme previsto na lei, abrange a multa de ofício não paga até a data do seu vencimento. (...) Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ determinou o reajuste das bases de cálculo, após a diligência, para o seguinte: Logo, diante da exoneração foi interposto recurso de oficio. Por outro lado, inconformada, a empresa apresentou seu tempestivo recurso voluntário, efls. 28603032, requerendo a improcedência do lançamento, ratificando as mesmas razões de sua impugnação. Em especial: · Houve agravamento da exigência sem a lavratura de novo auto de infração. O relatório conclusivo de diligência, adotado pela DRJ, aumentou a exigência fiscal relativa às contas contábeis 53.200.000 e 53.400.000. Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.084 8 · As bonificações em dinheiro foram incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS. · As bonificações em descontos possuíam duas naturezas distintas: a) bonificações com descontos em geral, em razão da exposição de produtos em gôndolas e da garantia de uma margem mínima para a recorrente, independente de promoções realizadas no ponto de venda; e b) bonificações com descontos decorrentes da exposição dos produtos em materiais publicitários divulgados pela recorrente. · As bonificações com descontos em geral são redutoras do custo das mercadorias vendidas e, por essa razão, não são consideradas receitas tributáveis. Já as bonificações com descontos decorrentes de inserção comercial são redutoras de um passivo da recorrente contra as agências de publicidade e veículos de comunicação. Na qualidade de mera redução de custos, também não devem compor a base de cálculo das contribuições. · O saldo negativo em contas de receita de bonificação não gerou redução do imposto a pagar. Saldo devedor na conta 53.200.000 (bonificação margem garantida): a documentação acostada aos autos demonstra que houve mero equívoco de classificação contábil, que não alterou a receita bruta consolidada da sociedade (base de cálculo das contribuições). A diligência fiscal, no entanto, analisou a documentação de forma equivocada, mantendo, no ponto, a exigência fiscal. Nos termos do parecer técnico, foi demonstrado que todos os valores registrados na conta 53.200.000 – bonificações nacionais tiveram como contrapartida um registro credor na conta 70.290.400 – receita financeira de bonificações, ou seja, os valores foram transferidos de uma conta para outra. Logo, é evidente que a contrapartida final dos valores credores registrados na conta 53.200.000 corresponde à conta contábil 70.290.400, que foi objeto da presente autuação. Caso a exigência sobre o saldo da conta 53.200.000 seja julgada procedente, haverá flagrante duplicidade de PIS e COFINS. · O saldo devedor na conta 53.400.000 (inserção comercial): conforme parecer técnico apresentado, ficou demonstrado que os valores apenas transitaram temporariamente pela conta 45.340.020, retornando para a conta 53.400.000. Os demais valores registrados nessa conta (53.400.000) tiveram como contrapartida a conta 61.400.300, cujo saldo foi integralmente tributado pela fiscalização. A decisão recorrida, no entanto, ignora as evidências apresentadas e conclui que o simples fato de existirem contrapartidas para a conta 45.340.020 – propaganda cooperada, seria prova cabal da inexistência de lançamentos em duplicidade. Ao exigir PIS e COFINS sobre a integralidade do saldo negativo da conta 53.400.000 sem atentar que a sua contrapartida final foi a conta 61.400.300 houve cobrança em duplicidade. · Não incide PIS e COFINS sobre as bonificações em descontos, porque não são receitas, não houve acréscimo patrimonial. Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.085 9 · Caso prevaleça o entendimento de que são receitas, o que admite apenas para argumentar, tratase de receita com natureza financeira, sujeita à alíquota zero do PIS e da COFINS. · Não incide PIS e COFINS sobre as bonificações com descontos decorrentes de inserções comerciais, registradas na conta 61.400.300 (mídia – repasse fornecedores): na consecução de suas atividades, a recorrente elabora ou contrata agência para elaborar material publicitário com a divulgação dos produtos comercializados em suas lojas. Tais propagandas geram benefícios diretos e indiretos para a recorrente e seus fornecedores. Como resultado dessa geração de benefícios mútuos, a recorrente estabelece contratualmente com seus fornecedores a obrigação de reembolso dos custos de publicidade e propaganda. A forma de pagamento destas obrigações é por meio da concessão de descontos no pagamento de duplicatas devidas aos fornecedores. A decisão merece reforma pois: i) as bonificações correspondem a mera redução de custo das mercadorias; ii) caso assim não se entenda, resta claro que estas bonificações representam mero reembolso de despesas com publicidade e propaganda incorridas em benefício de terceiros, iii) caso se entenda que estes ingressos possuem a natureza de receita, as respectivas despesas de publicidade e propaganda são insumos utilizados na revenda de produtos, devendo ser consideradas como créditos de PIS e COFINS. · É inaplicável a taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para essa finalidade. · É abusiva a multa de ofício aplicada. · Não incide juros Selic sobre a multa de ofício. A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, efls. 30413063. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Os recursos de ofício e voluntário cumprem os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. A Recorrente expressamente discorda do relatório de diligência fiscal quanto às contas contábeis 53.200.000 e 53.400.000, diligência, cujo relatório foi acolhido no acórdão da DRJ. Para a empresa, nessas duas contas remanescem equívocos contábeis que acarretam a duplicidade na exigência de PIS e de COFINS sobre um mesmo fato. Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201240 Resolução nº 3301000.517 S3C3T1 Fl. 3.086 10 Ressalto que constam nos autos dois laudos técnicos de perícia contábil, contratados e juntados pela empresa, os quais atestam a ocorrência desses desacertos. Então, os argumentos podem ser assim resumidos: I O Parecer Técnico demonstrou que todos os valores registrados na Conta 53.200.000 tiveram como contrapartida um registro credor na Conta Contábil 70.290.400, ou seja, os valores foram transferidos da Conta Contábil 53.200.000 – Bonificações Nacionais para a Conta Contábil 70.290.400 – Receita Financeira de Bonificações. Portanto, para a empresa, restaria evidente que a contrapartida final dos valores credores registrados na conta contábil 53.200.000 é a Conta 70.290.400, que fora objeto do auto de infração. II Com relação à Conta 53.400.000, o Parecer demonstrou que houve um equívoco, pois a Recorrente debitou valores da Conta 53.400.000 contra a Conta 61.400.300 (Mídia Coop – Repasse Fornecedores), o que resultou que: (i) a Conta 53.400.000 ficou com o saldo devedor (negativo); e (ii) o passivo registrado na Conta 61.400.300 foi reduzido. Ademais, os valores apenas teriam transitado temporariamente pela Conta 45.340.020, retornando para a Conta 53.400.000. E, os demais valores registrados nesta conta (53.400.000) tiveram como contrapartida a Conta 61.400.300, cujo saldo foi integralmente tributado no auto de infração em comento. Penso que os pontos elencados pela empresa são importantes e demandam investigação, a despeito do r. trabalho anterior de diligência fiscal. Isso porque, remanescem dúvidas quanto à composição da base de cálculo do auto de infração, no tocante a essas duas contas contábeis, sendo, por conseguinte, imperiosa a apuração e verificação desse quantum, nos termos que proponho a seguir. Assim, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem manifestese sobre a duplicidade de lançamentos nas contas 53.200.000 e 53.400.000, em face da controvérsia entre o relatório da diligência fiscal anterior e o parecer técnicocontábil da contribuinte. Solicitase à autoridade fiscal que elabore relatório conclusivo quanto à existência ou não de duplicidade na apuração das bases de cálculo. Consequentemente, que refaça a apuração do valor tributável e do principal de PIS e COFINS, excluindo as duplicidades identificadas. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência. Após, vista à Fazenda Nacional, também para manifestação. Por fim, que sejam os autos devolvidos ao CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 3086DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.723074/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2009
FALTA DE INTERESSE RECURSAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU MANTIDA.
Inexiste interesse recursal, quando a decisão de piso já acolheu as pretensões deduzidas no recurso, inexistindo, assim, motivos para pleiteá-las novamente.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-004.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 13/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU MANTIDA. Inexiste interesse recursal, quando a decisão de piso já acolheu as pretensões deduzidas no recurso, inexistindo, assim, motivos para pleiteálas novamente. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 30 74 /2 01 2- 63 Fl. 247DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 221224: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep relativa ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. O autuante informa às folhas 03/05 que as bases de cálculo do PASEP foram apuradas a partir dos demonstrativos mensais da receita obtidos através de consulta aos dados informados pela contribuinte ao Tribunal de Contas do Estado de Sergipe – Sistema SISAP, aplicandose a alíquota de 1% no cálculo da contribuição apurada. No levantamento dos valores a lançar de ofício, foram deduzidos os valores do Pasep retidos pela União das transferências de receitas extraídos do sítio do Banco do Brasil na internet. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação alegando que os valores da Contribuição para o Pasep do período de janeiro de 2006 a maio de 2010 foram objeto de parcelamento nos autos do processo administrativo nº 13573.000108/201030, não levado em consideração pelo auditor fiscal quando do lançamento em questão, razão pela qual a sua cobrança é indevida. Em 28/03/2013 a contribuinte apresentou desistência da impugnação por pretender incluir os débitos do Auto de Infração no parcelamento previsto na Medida Provisória nº 589, de 2012, não acatada, entretanto, pela Unidade de origem em virtude de os débitos do Pasep não estarem abrangidos pela referida MP. Em 13 de novembro de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação e, manter em parte o crédito tributário lançado de ofício, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2009 PARCELAMENTO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO São excluídos do lançamento os valores de tributos que tenham sido objeto de pedido de parcelamento anteriormente ao início do procedimento fiscal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO, MAS NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10510.723074/201263 Acórdão n.º 3302004.898 S3C3T2 Fl. 3 3 totalidade, exonerandose a contribuinte da multa de ofício proporcional à parcela paga. Intimada da decisão de piso em 27.11.2014 (fls.227), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.12.2014 (fls.233235), reproduzindo os argumentos explicitados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 27.11.2014 (fls.227) e protocolou Recurso Voluntário em 22.12.2014 (fls.233235)dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito Inicialmente é imperioso destacar os fundamentos apresentados pela Recorrente em seu recurso: Na r. decisão o Julgador a quo levou em consideração o parcelamento realizado anteriormente ao início do procedimento fiscal, para excluílo do lançamento, entretanto, entendeu que na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerando apenas o Recorrente da multa de ofício proporcional à parcela paga. Contudo, Nobres Conselheiros é cediço que o parcelamento realizado no processo administrativo nº 13573.000108/201030 já está praticamente no fim, tendo sido pago mais de 80% (oitenta por cento). Nesse sentido, o parcelamento realizado no processo administrativo assinado acima deve ser considerado em sua totalidade, haja visa que ele foi devidamente formalizado, exonerando ainda a multa proporcional às parcelas pagas. Pelo que se percebe, Eméritos Conselheiros, a r. decisão de Primeira Instância Administrativa entendeu em parte as considerações que fora alegado na impugnação nas razões de decidir. Assim, após a análise criteriosa, ficará constado que não há como prosperar o entendimento firmado pelo Julgador a quo, que o crédito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 249DF CARF MF 4 tributário pago, mas não confessado em DCTF, deve ser ele constituído de ofício. Do se extrai dos argumentos anteriormente citados é que o Recorrente pleiteou (i) seja considerado a totalidade dos valores pagos, exonerando a multa proporcional às parcelas pagas; e (ii) que o crédito tributário pago, mas não confessado em DCTF, não deve ser constituído de ofício. Em relação aos pedidos realizados pela Recorrente, entendo que a decisão de piso (abaixo) já os acolheu, inexistindo, assim, motivos para pleiteálos novamente. Portanto, tendo a contribuinte solicitado o parcelamento de débitos relacionados ao presente lançamento, confessando a dívida, e o fez de forma espontânea antes do início da ação fiscal, os valores parcelados devem ser excluídos do Auto de Infração. No que tange aos DARF, temse que parte dos valores do Pasep lançados de ofício, apesar de não confessados em DCTF, já haviam sido espontaneamente recolhidos pela contribuinte. (...) Portanto, no que tange aos valores recolhidos nos DARF 3703, deve ser mantida, em sua totalidade, a contribuição para o Pasep lançada de ofício, quanto ao seu principal, exonerandose, no entanto, a multa de ofício proporcional à parcela paga, devendo a autoridade competente, na disponibilidade dos DARF, providenciar a devida alocação dos valores pagos ao crédito tributário ora constituído: (...) Não bastasse isso, verifica que o Recorrente não apresentou nenhuma justifica plausível para embasar seu pedido em relação a impossibilidade de constituir o débito de ofício, na hipótese do pagamento do crédito não ter sido confessado em DCTF, obstando, este julgador de analisar tal matéria. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903027/2009-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 27 /2 00 9- 13 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 9303005.962 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.722, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 9303005.962 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 9303005.962 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 9303005.962 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 9303005.962 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10675.903027/200913 Acórdão n.º 9303005.962 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 358DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.728606/2015-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO: 2014 Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 86 06 /2 01 5- 71 Fl. 44DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento relativa à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente a MARÇO de 2014, no valor de R$10.998,59. Em sua impugnação, o recorrente alegou, em síntese, que foi excluído do Simples Nacional em, 25/09/2014, pela Receita do Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio do Termo nº 00248/14, tendo sido determinado que os efeitos desta exclusão retroagiriam a 01/11/2013. Defendeu que entregou as suas declarações a partir da comunicação de sua exclusão, entendendo estar dentro do prazo legal Protestou pela impossibilidade do efeito retroativo das normas tributárias, alegando ofensa ao art. 5º da CF e pedia a exclusão da multa. Na ocasião, a DRJ publicou o seguinte acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2014 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa a cada tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inicialmente, cabe esclarecer que alegações de inconstitucionalidade, ofensa a princípios constitucionais e ilegalidade não merecem consideração por parte desta turma de julgamento. É impossível discutir constitucionalidade de lei em julgamento administrativo. O julgador administrativo não tem competência para afastar a aplicação de lei legitimamente posta no ordenamento, ainda que a pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Posta a lei, cabe tão somente aplicála. O controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Tal entendimento está consolidado no âmbito dos tribunais administrativos, havendo, inclusive, súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11080.728606/201571 Acórdão n.º 1001000.085 S1C0T1 Fl. 3 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os julgadores da Receita Federal devem, inclusive, aplicar o entendimento manifestado em atos normativos aos quais estão vinculados. A Lei Complementar 123/2006, que institui o Simples Nacional, em seu artigo 28, parágrafo único, determina que cabe ao Comitê Gestor regulamentar as regras relativas à exclusão do Simples Nacional, nos seguintes termos: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. A legislação é clara ao determinar que o contribuinte excluído, nos períodos em que se processem os efeitos da exclusão, deve se submeter às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (§ 3º, do art. 76, da Resolução CGSN nº 94, de 2011). O Termo de Exclusão do Simples Nacional nº 00248/14, que excluiu a contribuinte do Simples Nacional indica que a exclusão ocorreu em virtude de falta de comunicação obrigatória por ter incorrido na vedação prevista no inciso V do § 4º do artigo 3º da LC 123/2006 e define a data de início dos efeitos da exclusão como 01/11/2013. No caso da contribuinte, os efeitos dessa exclusão operamse, como visto, a partir de 01/11/2013, configurandose, por conseguinte, a obrigatoriedade de entrega da DCTF a partir do mês de novembro de 2013. Tendo entregado a declaração em atraso, sujeitouse à incidência da multa. Diante do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação para manter a exigência lançada. . Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Tratase de recurso voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inconformada com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde alega, basicamente,a s mesmas razões apresentadas quando da impugnação ao auto de infração: Fl. 46DF CARF MF 4 DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA DA IMPOSSIBILIDADE DE EFEITO RETROATIVO DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS Conforme a própria DRJ mencionou, em seu acórdão, não cabe à autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas, conforme a súmula do CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A legislação de regência é clara quanto à aplicação das normas de tributação, em caso de exclusão do Simples Nacional (LCP 123/2006, art.32) O Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN, no parágrafo 3°, ao art. 76, da Resolução 94, dispões que: §3° A ME ou EPP excluída do Simpes Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de trbutação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei Complementar n°123, de 2006, art. 32, caput). Assim, a decisão da DRJ é irretocável. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho o crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.723342/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendo-se a decisão embargada que negou provimento ao recurso voluntário.
SAÍDA DE PRODUTO SEM SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO.
A hipótese que concede a suspensão do IPI nas saídas de produtos com destino às montadoras de veículos, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.826/99, alcança somente o estabelecimento industrial (caput) e o estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o art. 17 da MP nº 2.189-49/2001 (§ 6º).
A falta de recolhimento do Imposto atrai a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96
ERRO DE FATO. ART. 60, DECRETO Nº 70.235/72 (PAF).
Constatado lapso material na redação do dispositivo do acórdão, importa sua retificação para adequá-lo ao que restou decidido e às manifestações expressas dos julgadores, cuja nova redação será:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário, que davam provimento integral ao recurso. Por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário, Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os conselheiros Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário apresentarão declaração de voto.
Embargos Acolhidos Parcialmente
Numero da decisão: 3201-003.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão do Acórdão. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que acolhiam totalmente os embargos para afastar a exigência da multa de ofício.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Constatada omissão no acórdão, acolhem-se parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendo-se a decisão embargada que negou provimento ao recurso voluntário. SAÍDA DE PRODUTO SEM SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. A hipótese que concede a suspensão do IPI nas saídas de produtos com destino às montadoras de veículos, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.826/99, alcança somente o estabelecimento industrial (caput) e o estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o art. 17 da MP nº 2.189-49/2001 (§ 6º). A falta de recolhimento do Imposto atrai a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 ERRO DE FATO. ART. 60, DECRETO Nº 70.235/72 (PAF). Constatado lapso material na redação do dispositivo do acórdão, importa sua retificação para adequá-lo ao que restou decidido e às manifestações expressas dos julgadores, cuja nova redação será: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário, que davam provimento integral ao recurso. Por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário, Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os conselheiros Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário apresentarão declaração de voto. Embargos Acolhidos Parcialmente
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Interessado PIRELLI PNEUS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Constatada omissão no acórdão, acolhemse parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendose a decisão embargada que negou provimento ao recurso voluntário. SAÍDA DE PRODUTO SEM SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. A hipótese que concede a suspensão do IPI nas saídas de produtos com destino às montadoras de veículos, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.826/99, alcança somente o estabelecimento industrial (caput) e o estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o art. 17 da MP nº 2.18949/2001 (§ 6º). A falta de recolhimento do Imposto atrai a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 ERRO DE FATO. ART. 60, DECRETO Nº 70.235/72 (PAF). Constatado lapso material na redação do dispositivo do acórdão, importa sua retificação para adequálo ao que restou decidido e às manifestações expressas dos julgadores, cuja nova redação será: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário, que davam provimento integral ao recurso. Por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário, Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 33 42 /2 01 3- 87 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201003.165 S3C2T1 Fl. 3 2 conselheiros Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário apresentarão declaração de voto. Embargos Acolhidos Parcialmente Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão do Acórdão. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que acolhiam totalmente os embargos para afastar a exigência da multa de ofício. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, em face do Acórdão 3201002.067, prolatado por esta Turma na sessão de 24/02/2016. O acórdão embargado negou provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. As hipóteses de saídas dos componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados com suspensão do imposto não alcançam os estabelecimentos equiparados a industrial, excetuandose disposição expressa em lei. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício no percentual de 75% do imposto que deixou de ser lançado está prevista em lei, não cabendo à autoridade administrativa afastar sua aplicação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201003.165 S3C2T1 Fl. 4 3 respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento integral ao recurso. Por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário, Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os conselheiros Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário apresentarão declaração de voto. Cientificado da decisão, o sujeito passivo interpôs embargos de declaração, sustentando que a decisão recorrida contém omissões ao deixar de se manifestar acerca de argumentos de defesa apresentados em recurso voluntário, os quais reputa essenciais ao julgamento do feito. Em síntese aduz: 1. O estabelecimento comercial, localizado em Ibirité/MG, nada mais é do que o prolongamento das atividades da empresa iniciadas em Campinas/SP, devendo, por tal razão, ser a ele aplicada a suspensão do IPI prevista no artigo 5º da Lei nº. 9.826/99; 2. O estabelecimento autuado presta atividades semelhantes às atividades de um depósito fechado ou de um armazém geral, pois foi criado para possibilitar a armazenagem dos pneus que serão fornecidos à montadora FIAT. Desta forma, o art. 43, II do RIPI justifica a interpretação de que é aplicável o regime de suspensão do IPI do art. 5º da Lei nº. 9.826/99; 3. Existência de omissão no acórdão recorrido, que não enfrentou os argumentos suscitados em recurso voluntário para decidir pela manutenção da multa de ofício e dos juros de mora, uma vez que o fundamento do acórdão embargado foi o da inconstitucionalidade de lei; 4. O vício da contradição em razão do entendimento da Turma que os comprovantes de recolhimento do IPI realizado por terceiro (clienteadquirente) não interfere no julgamento e não justifica o pedido de diligência para a produção de provas (comprovação dos recolhimentos), contudo, manteve a autuação contra o sujeito passivo por falta de recolhimento do mesmo imposto. Além dos vícios apontados, suscitou ainda erro de fato no dispositivo, pois quanto aos conselheiros vencidos que davam provimento integral ao recurso voluntário deixou de mencionar a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. No despacho de admissibilidade (fls. 483/488), atestouse a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu em parte os embargos, apenas em relação à matéria relativa à aplicação da multa de ofício de 75%, vez que somente em relação a tal matéria mostrouse procedente a alegação de omissão, restando improcedentes as demais alegações da embargante. Quanto ao erro de fato não se manifestou o Presidente da Turma em seu despacho de admissibilidade. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201003.165 S3C2T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Conforme relatado, os embargos foram admitidos exclusivamente em relação à aplicação da multa de ofício de 75%, não sendo admitido quanto às demais matérias embargadas. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. De fato, a embargante em seu recurso voluntário alegou a inaplicabilidade da multa de ofício de 75%, exigida em razão da falta de lançamento do IPI, pois entende que o pagamento do imposto devido na saída de pneus de seu estabelecimento para a adquirente a FIAT, foram recolhidos (pela FIAT) na saída de seus produtos (veículos), o que faz suprir a falta da embargante, em face do princípio da não cumulatividade do IPI. Assim, o argumento não é a inaplicabilidade da multa pela falta do recolhimento de imposto, previsto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, mas sim, por entender que o IPI é indevido na saída do estabelecimento da autuada (PIRELLI) para o adquirente (FIAT), pelo simples fato de que o pagamento do IPI na saída do veículo fabricado (FIAT), engloba também aquele devido em relação ao pneu. Tais argumento encontramse nos excertos do recurso voluntário (fls. 411/412): 200. É importante frisar que, ao contrário do que foi dito na r. decisão recorrida, o que se requer não é simplesmente a não aplicação da multa. 201. O que se requer é que não seja aplicada a multa de 75%, com base no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96, já que a premissa sob a qual se funda qual seja, o não recolhimento do tributo é inexistente. 202. A multa aplicada pela Fiscalização nos autos, exclusivamente com base no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96, tem como premissa a ausência de recolhimento do IPI. 203. Ocorre que não houve ausência de recolhimento do IPI que possa autorizar a imposição de multa de 75%, devendo a penalidade aplicada ser totalmente cancelada. 204. Isso porque, conforme já mencionado neste Recurso, bem como na Impugnação apresentada (itens 166 a 194), a Fazenda Pública não pode exigir o IPI sobre as saídas de pneus da Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201003.165 S3C2T1 Fl. 6 5 Recorrente à montadora FIAT, tendo em vista que esse valor, em conformidade com o princípio da nãocumulatividade, já foi pago quando da saída dos veículos da montadora (que calculou o IPI sobre o valor total do veículo, incluindo, por óbvio, o pneu). 205. Fica claro, assim, que não há base legal para a aplicação da multa em questão. 206. Dessa forma, a Recorrente requer que seja reformada a r. decisão da C. DRJ, para reconhecer a insubsistência da multa aplicada no percentual de 75%, já que não houve ausência de recolhimento do IPI que possa autorizar a sua imposição. No voto, o relator tratou a insurgência da ora embargante em relação à aplicação da multa de ofício sob a ótica da constitucionalidade do art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Ou seja, deixou de apreciar os fundamentos da matéria trazida no recurso voluntário, enfrentado à luz de argumento não suscitado. Eis presente a omissão em relação aos fundamentos para aplicação da multa de ofício; o que passo a enfrentar. A falta de pagamento do IPI nas saídas de pneus de estabelecimento da autuada, da qual decorre a aplicação da multa de ofício, foi assim explicitado pela fiscalização: Quando obtidos os dados do Sped Fiscal da Pirelli, detectouse que os produtos vendidos para a Fiat Automóveis são recebidos pelo estabelecimento filial, diretamente de outros estabelecimentos da empresa que os fabrica e transfere com suspensão do imposto. (...) (...) os códigos e as descrições das mercadorias que foram recebidas em transferência de outros estabelecimentos da empresa correspondem aos produtos vendidos para a Fiat, demonstrando que não houve qualquer processo que caracterize industrialização nos mesmos. Além disso, não foram encontrados registros que demonstram qualquer existência de atividade de industrialização na filial de Betim, tais como notas fiscais de entradas escrituradas nos CFOP 1.101 ou 2.101(...) O CNAE cadastrado no CNPJ é “comércio por atacado de pneumáticos e câmaras de ar”, demonstrando claramente não se tratar a filial de estabelecimento industrial, mas mero revendedor para a Fiat de produtos recebidos de outros estabelecimentos da mesma empresa (...) (...) Analisandose os dispositivos legais acima citados, constatamos que com o advento da Lei nº 10.485, de julho de 2002, houve extensão das saídas com suspensão do IPI para os Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201003.165 S3C2T1 Fl. 7 6 estabelecimentos equiparados a industrial (que não eram contemplados com a Lei nº 9.826, de agosto de 1999), conforme § 6º que foi acrescentado. Portanto, devese levar em conta a alteração sofrida pela Lei nº 10.485/2002, em abril de 2004, com a promulgação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, especificamente no seu artigo 33, (...) A partir da edição destes atos(1º/05/2004), entendese que quando uma filial recebe de outro estabelecimento da mesma empresa o produto já industrializado e só comercializa, não pode dar saída desse produto com suspensão do IPI. Além do estabelecimento industrial, somente a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, resultantes da industrialização por encomenda, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, também poderia dar saída com suspensão do imposto. (...) Concluise, então, com base nas informações fiscais coletadas e analisadas pela presente fiscalização e nas informações prestadas pela fiscalizada em resposta à intimação fiscal quando do início da ação fiscal, detalhada nos FATOS PRELIMINARES do presente relatório fiscal, que a Pirelli Pneus Ltda, filial de CNPJ 59.179.838/004124, quando promove a venda de pneus já industrializados e recebidos em transferência de outro estabelecimento da empresa, deve recolher o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre tais transações. Entendo não assistir razão aos argumentos da embargante de que não é devido o IPI nas saídas de pneus. A hipótese que concede a suspensão do IPI nas saídas de produtos com destino às montadoras de veículos, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.826/99, alcança somente o estabelecimento industrial (caput) e o estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o art. 17 da MP nº 2.18949/2001 (§ 6º). O estabelecimento autuado não se enquadra em nenhuma das modalidades de estabelecimento contemplado com operações de saída passíveis de suspensão do IPI. Tratase de uma filial que não pratica qualquer atividade considerada pela legislação do Imposto como industrial ou possui os requisitos exigidos no art. 17 da MP nº 2.18949/2001 para que seja considerada equiparada; ao contrário, caracterizase como estabelecimento comercial. Ora, não sendo contemplado com a suspensão do IPI nas saídas promovidas, acertada a exigência do IPI, o qual deveria lançar em seus documentos fiscais e escrituração, falta que atrai a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201003.165 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, resta a questão relacionada ao erro de fato no dispositivo que omitiu o nome de conselheira vencida que dava provimento integral do recurso voluntário. Em que pese não ter o despacho de admissibilidade enfrentado tal alegação, entendo que por força do art. 60 do Decreto nº 70.235/721 pode a Turma decidir pela correção por se tratar efetivamente de mero lapso material do dispositivo do acórdão quando se observa o teor da declaração de voto da Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario que expressamente declinou seus motivos para o provimento integral ao recurso quanto à aplicação da regra de suspensão do IPI, e não somente acerca da multa de ofício e juros de mora como consta no acórdão embargado. A conclusão exposta pela conselheira em sua declaração de voto: Diante do exposto, com base naquela que entendo ser a melhor interpretação a ser dada ao art. 5º da Lei nº 9.826/99, obedecendo primordialmente ao critério teleológico, entendo ser cabível a aplicação da regra da suspensão do IPI aos estabelecimentos equiparados a industriais. Assim, dáse nova redação ao dispositivo do acórdão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cassio Schappo,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário, que davam provimento integral ao recurso. Por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário, Cassio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os conselheiros Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário apresentarão declaração de voto. Conclusão Por todo exposto, voto por acolher parcialmente os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, (i)ratificandose o teor da ementa no Acórdão nº 3201002.067, para acrescentar tãosomente os fundamentos e razão de decidir quanto à imposição da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, que decorre da falta de lançamento do IPI, uma vez que às operações do sujeito passivo não se aplica a suspensão do Imposto prevista no art. 5º da Lei nº 9.826/99, (ii) manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso, e (iii) retificar a redação do dispositivo do acórdão para a 1 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13603.723342/201387 Acórdão n.º 3201003.165 S3C2T1 Fl. 9 8 incluir a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario como vencida na negativa de provimento ao recurso voluntário Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904422/2011-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2005
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Em face de a DCTF retificadora ter a mesma natureza e efeitos da declaração original, é imprestável os fundamentos do despacho decisório proferido com fundamento nesta última, quando consta dos autos a informação de que a DCTF retificadora fora entregue a tempo de se proceder à sua regular auditoria de procedimentos.
Numero da decisão: 3001-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2005 DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Em face de a DCTF retificadora ter a mesma natureza e efeitos da declaração original, é imprestável os fundamentos do despacho decisório proferido com fundamento nesta última, quando consta dos autos a informação de que a DCTF retificadora fora entregue a tempo de se proceder à sua regular auditoria de procedimentos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Em face de a DCTF retificadora ter a mesma natureza e efeitos da declaração original, é imprestável os fundamentos do despacho decisório proferido com fundamento nesta última, quando consta dos autos a informação de que a DCTF retificadora fora entregue a tempo de se proceder à sua regular auditoria de procedimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 41 a 50) interposto contra o Acórdão 02 41.016, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE (fls. 34 a 36), que, na sessão de 23.10.2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 11/12), não reconhecendo o direito creditório postulado e não homologando a compensação declarada, mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição fiscal de origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 44 22 /2 01 1- 70 Fl. 53DF CARF MF 2 Do pedido de ressarcimento/compensação O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação" PER/DCOMP 28459.50968.290108.1.3.043507, transmitido em 20.12.2007 (fls. 02 a 06), que dispõe: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior Informado em Processo Administrativo Anterior: NÃO Número do Processo: Natureza: Informado em Outro PER/DCOMP: NÃO Nº do PER/DCOMP Inicial: Nº do Último PER/DCOMP: Crédito de Sucedida: NÃO CNPJ: Situação Especial: Data do Evento: Percentual: Grupo de Tributo: COFINS Data de Arrecadação: 15/12/2005 Valor Original do Crédito Inicial 13.684,40 Crédito Original na Data da Transmissão 13.684,40 Selic Acumulada 26,38% Crédito Atualizado 17.294,34 Total dos débitos desta DCOMP 7.594,85 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 6.009,53 Saldo do Crédito Original 7.674,87 Darf COFINS 01.Período de Apuração: 30/11/2005 CNPJ: 23.360.605/000199 Código da Receita: 5856 Nº de Referência: Data de Vencimento: 15/12/2005 Valor do Principal 21.088,61 Valor da Multa 0,00 Valor dos Juros 0,00 Valor Total do DARF 21.088,61 Data de Arrecadação: 15/12/2005 DÉBITO IRPJ Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13603.904422/201170 Acórdão n.º 3001000.160 S3C0T1 Fl. 54 3 Débito de Sucedida: NÃO CNPJ: 23.360.605/000199 Grupo de Tributo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS Código da Receita/Denominação: 022001 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Balanço trimestral Período de Apuração: 4º Trim. / 2007 Data de Vencimento do Tributo/Quota: 31/01/2008 Débito Controlado em Processo: NÃO Número do Processo: Principal 7.594,85 Multa 0,00 Juros 0,00 Total 7.594,85 DEMONSTRATIVO CRÉDITO CNPJ do Crédito: 23.360.605/000199 Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Ação Judicial: NÃO Informado em Processo Administrativo Anterior: NÃO Informado em PER/DCOMP Anterior: NÃO Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 6.009,53 DÉBITOS COMPENSADOS CNPJ do Débito: 23.360.605/000199 Grupo de Tributo: IRPJ Código da Receita: 022001 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Balanço trimestral Período de Apuração/Exercício/AnoCalendário: 4º Trim. / 2007 Data de Vencimento: 31/01/2008 Número do Processo: Principal 7.594,85 Multa 0,00 Juros 0,00 Total 7.594,85 Fl. 55DF CARF MF 4 TOTAL 7.594,85 Do despacho decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 952424906 (fl. 07): (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 13.684,40 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2011. PRINCIPAL MULTA JUROS 7.594,85 1.518,97 2.901,99 Para verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro" opção "PER/DCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Da manifestação de inconformidade Diante da decisão supra, cientificada em 23.09.2011, o contribuinte apresentou, em 19.10.2011, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese, que: (i) informou indevidamente na DCTF o valor do imposto código 5856 (Cofins não cumulativo), tendo posteriormente, em 29.10.2009, corrigido o valor conforme retificadora anexada aos autos; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13603.904422/201170 Acórdão n.º 3001000.160 S3C0T1 Fl. 55 5 (ii) considera que realizou os procedimentos necessários para a compensação dos valores pagos indevidamente; (iii) demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório, requer seja acolhida a impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o referido despacho decisório. Da decisão de 1ª instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do já referido acórdão vergastado, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário, que veio a reprisar, em suma, os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Os trechos a seguir transcritos confirmam essa identidade, vejamos, que: (...) (i) apurou os créditos e através do PERDCOMP pediu a compensação dos mesmo. Via de consequência, existindo o crédito não apropriado serodiamente, os valores informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e aquele recolhido tempestivamente no DARF a época do fato gerador estão além daquele efetivamente devido; (ii) a simples alegação de que o quantum declarado e aquele recolhido estavam corretos, não pode inviabilizar a compensação/ressarcimento de valores que à época foram recolhidos a maior em razão da não apropriação; (iii) a manutenção do argumento constante no acórdão esvazia o princípio da presunção relativa, retirando do Contribuinte a possibilidade de rever valores recolhidos a maior, ferindo a capacidade contributiva e ainda dando azo ao odioso confisco ao apropriar de valores recolhidos sem causa; (iv) a retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado; Fl. 57DF CARF MF 6 (v) o procedimento adotado e a origem do crédito é idêntica. Não há que se falar inexistência de crédito liquido e certo. A divergência quanto aos créditos apontados refletem exatamente o valor pleiteado; (vi) se o valor foi informado incorretamente na DTCF e posteriormente corrigido através de retificação do documento, o direito da recorrente é inconteste; (vii) espera a reforma da decisão cotejada no acórdão recorrido, declarando, por conseguinte, o direito a compensação dos valores pagos indevidamente e via de consequência julgando improcedente o lançamento que exige o recolhimento dos valores compensados. Apresenta, juntamente com o recurso voluntário, a cópia do Acórdão 02 41.016, da 2ª Turma da DRJ/BHE, cuja decisão foi proferida na sessão de julgamento de 23.10.2012, referente ao processo 13603.904423/201114 e cópia do "Extrato do Processo" 13603904.710/201124, que informa que o crédito exigido foi extinto por compensação, cujo valor originário era de R$ 5.036,53, com vencimento em 30.04.2008, referente ao tributo de código de receita 0220, do trimestre calendário de 01/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na DRF/CONTAGEMMG, em 01.04.2013 (segundafeira). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme carimbo aposto no Aviso de Recebimento "AR" (fl. 39), ocorreu em 18.04.2013 (quintafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno Antes de tratarmos da questão de fundo do presente litígio, em vista dos documentos acostados à peça de defesa recursal do contribuinte, faço questão de esclarecer, de antemão, que quanto ao mencionado "Extrato do Processo 13603904.710/201124", consultando o sistema eprocesso colhese a informação de que inexiste registro do mencionado processo, e quanto ao Acórdão 0241.017, cuja decisão foi proferida pela mesma turma julgadora e na mesma data em que exarada a decisão ora sob exame, é suficiente para demonstrar o equívoco interpretativo do contribuinte trazer à colação o trecho do mencionado julgado que evidencia quais foram os fundamentos e razão de decidir naquele litígio. Vejamos: (...) O contribuinte, visando à comprovação do direito creditório, anexou aos autos cópia da DCTF retificadora apresentada em 07/05/2009. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13603.904422/201170 Acórdão n.º 3001000.160 S3C0T1 Fl. 56 7 A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior, confirmando os dados informados na DCTF retificadora. Temse ainda que, no sistema de processamento mantido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o crédito apurado está reservado para o presente processo e para a DComp relacionada. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...) Portanto, diferentemente da situação posta nos autos do presente processo, no caso do processo 13603.904423/201114 Acórdão 0241.017 a turma julgadora constatou que (i) a apuração do PIS e da Cofins estava consolidada no respectivo Dacon), (ii) o valor apurado no Dacon, apresentado antes da ciência do despacho decisório, evidenciava a existência de pagamento indevido ou a maior, (iii) tais informações foram confirmadas com os dados informados na DCTF retificadora, (iv) no sistema de processamento da RFB referido crédito apurado encontravase, justamente reservado para aquele processo e para a DComp nele relacionada; ou seja, tudo o que o contribuinte não logrou demonstrar e/ou comprovar nos autos do presente processo, conforme veremos em seguida. Do mérito A questão fulcral que se apresenta no presente processo diz respeito a existência de uma DCTF retificadora transmitida em data anterior à PER/DCOMP, que no seu entendimento atesta a existência de crédito da COFINS pelo pagamento a maior/indevido, que não foi levada em consideração quando da emissão do despacho decisório em apreço. Salientese que a divergência apontada pelo tribunal a quo somente passou a existir com a recepção pelo fisco da DCTF retificadora, quando comparados a DACON original com a DCTF retificadora. A 3ª Turma da CSRF no Acórdão 9303005.396, de 25.07.2017, já firmou entendimento ao confirmar a decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, de “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. outro norte, temse o Acórdão 3201003.071, de 27.07.2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Processo 19740.900036/200904, da lavra do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujas razões de decidir passo a adotar para fundamentar o presente voto: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do Fl. 59DF CARF MF 8 despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13603.904422/201170 Acórdão n.º 3001000.160 S3C0T1 Fl. 57 9 compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Fl. 61DF CARF MF 10 Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Da conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 62DF CARF MF
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