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Numero do processo: 16832.000851/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Não merece reparos a decisão de primeira instância que determina a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dis tributos lançados sob acusação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada.
MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declará-las à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificando-se a qualificação da penalidade.
DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Reconhecida a ocorrência de dolo, aplica-se ao caso o prazo decadencial na forma do art. 173, I do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2.
Numero da decisão: 1102-000.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer a multa qualificada e afastar a decadência. O Conselheiro José Sérgio Gomes acompanhou o restabelecimento da multa qualificada, pelas conclusões. 2) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Não merece reparos a decisão de primeira instância que determina a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dis tributos lançados sob acusação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declará-las à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificando-se a qualificação da penalidade. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Reconhecida a ocorrência de dolo, aplica-se ao caso o prazo decadencial na forma do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2.
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Não merece reparos a decisão de primeira instância que determina a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dis tributos lançados sob acusação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declarálas à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificandose a qualificação da penalidade. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Reconhecida a ocorrência de dolo, aplicase ao caso o prazo decadencial na forma do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 08 51 /2 00 9- 46 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.284 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer a multa qualificada e afastar a decadência. O Conselheiro José Sérgio Gomes acompanhou o restabelecimento da multa qualificada, pelas conclusões. 2) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NULIDADE Comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, descabem as alegações do interessado. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.285 3 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, exvi do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, o direito de a Fazenda Nacional constituir o lançamento extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. MULTA QUALIFICADA Incabível a aplicação de multa qualificada quando não caracterizada nos autos a pratica de dolo, fraude ou simulação. A presunção legal de omissão de receita por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica, por si só, a aplicação de multa exacerbada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO COMPROVADO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA Configurase omissão de receita o ingresso de numerários em conta corrente bancária do contribuinte, quando não comprovada a origem desses valores mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, não obstante as intimações efetuadas. Nos termos do art.42, §3°, I, da Lei n° 9.430, de 1996, para efeitos de determinação da receita omitida, devem ser excluídas as transferências bancárias entre contas de mesma titularidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente a decisão prolatada em relação à exigência principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DEFIC/RJ, relativos ao ano calendário de 2004, por Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.286 4 meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 12.993.589,06 (fls. 500/508), a contribuição para o programa de integração socialPIS, no valor de R$ 859.160,83 (fls.509/516), a contribuição social sobre o lucro liquidoCSLL, no valor de R$ 4.686.392,06 (fls. 517/522) e a contribuição para financiamento da seguridade socialCOFINS, no valor de R$ 3.811.229,97 (fls. 523/530), acrescidos de multa de oficio de 150% e de encargos moratórios. 2. Conforme Termo de Verificação FiscalTVF de fls. 496/498, o interessado foi intimado a apresentar os extratos bancários das contas bancárias mantidas no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco ABN Amro Real S.A, Unibanco S/A, Banco Nossa Casa S.A, Banco had S.A, Banco Bradesco S.A e Banrisul S.A. 3. A DIPJ/2005, ano calendário 2004, apresentada indicava receita declarada igual a ZERO, contrastando com a movimentação financeira apurada pelo Fisco na grandeza de R$ 43.000.000,00. A DIPJ retificadora foi apresentada no transcorrer da auditoria fiscal, porém, em face ao disposto no § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235/1972, não foi considerada pela fiscalização. 4. Procedida a análise dos extratos bancários, a fiscalização elaborou demonstrativos de valores creditados, que serviram , como base para solicitações de esclarecimentos quanto A sua origem, consoante termos de intimação de fls. 67, 70 e 72. 5. Em resposta às intimações, a fiscalização alega que o interessado atevese a elencar valores depositados no Banco do Brasil S/A, Banco hall S/A, Banco Real S/A e a relacionar recebimentos de diversos clientes no ano de 2004, considerados insuficientes para comprovação do feito, o que resultou na presunção legal de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 6. Ainda de acordo com o TVF, como a infração apurada enseja a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido pelos arts. 1° e 2° da Lei n°8.137/1990, foi aplicada multa de oficio de 150%, conforme art. 957, II, do RIR/1999. 7. Em decorrência, foram ainda efetuados lançamentos de PIS, CSLL, e COFINS Enquadramento legal As fls. 512, 520 e 525. 8. Irresignado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 543/572, acompanhada dos documentos de fls. 573/823, alegando, em síntese, o que se segue: nulo, por cerceamento de defesa, visto que jamais se negou a prestar esclarecimentos solicitados; os pedidos de prorrogação de prazo deveuse A demora dos bancos para entregarem as cópias solicitadas e a dificuldade para localizar documentos que estavam de posse do antigo contador já falecido; Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.287 5 houve precipitação do auditor ao tributar totalidade dos depósitos bancários, impedindoo de apresentar a documentação necessária; foi infringido o dispositivo legal inserido no art. 42, § 3 0, I, da Lei n° 9.430/1996, solicitando a comprovação de diversos depósitos agrupados e não individualizados, como determina a citada lei; a jurisprudência é ampla no sentido de que não se pode lançar tributo baseado apenas em indícios ou presunções; a súmula 182 do extinto Tribunal de Recursos TFR restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 colide com a diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois se constata que inexiste liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido; possui escrituração no ano calendário de 2004, conforme livro Diário n° 22, todavia a fiscalização optou por uma maneira menos trabalhosa, se negando a comparar os depósitos bancários com as receitas lançadas nos livros contábeis e fiscais; na precipitação de autuar, não considerou as transferências entre as contas correntes do Banco Bradesco; aplicação de multa agravada de 150% é uma aberração fiscal, visto que os depósitos estão lançados no livro Diário e receita devidamente computada nos livros fiscais, não sendo possível alegar intuito de fraude; somente em caso de comprovação, poderá ser imposta sanções qualificadas, agravadas; cita diversos julgados dos tribunais afastada, outras em que foi mantida pelo Fisco, do intuito sonegador, fraude, administrativos em que a penalidade foi mantida.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, julgou parcialmente procedente a impugnação da Contribuinte, sob os fundamentos de que: (i) não haveria prova nos autos de que a Contribuinte teria tido violado seu direito de defesa, o qual se aplica para circunstâncias posteriores à lavratura do lançamento. A fase de constituição do crédito tributário se dá no regime inquisitorial, “podendo o autuante solicitar documentos e informações ao autuado ou a terceiros, aceitando ou não as justificativas, sem necessidade de conceder explicações ou aguardar informações do autuado”. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.288 6 (ii) conforme consta no TVF de fls.496/449, ainda que intimado a justificar a origem de diversos valores creditados em suas contas bancárias mantidas na Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real S.A, Banco Nossa Caixa S/A; Banco Itaú S.A, Unibanco, Banco Bradesco, Banrisul e Banco do Brasil o interessado não logrou êxito em comprovála, restando, assim, configurada a presunção de omissão de receita na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96, cuja observância é obrigatória pela Fiscalização e julgador administrativo; (iii) não haveria infração ao disposto no art. 42. § 3o da Lei n 9.430/96, pois, embora a sistemática da Fiscalização “não se coadune completamente com a norma legal1, é possível identificar com facilidade, nos extratos bancários, quais os valores que correspondem ao total lançado no demonstrativo (a coluna intitulada " histórico" permite identificar a origem da transação). Prova de que não houve cerceamento ao direito de defesa extraise dos extratos bancários parcialmente juntados Pelo interessado na fase impugnatória (fls.701/749), onde o próprio identifica (anotações à lápis) os valores que somados correspondem ao valor cuja origem deveria comprovar”; (iv) é correta a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade prevista no art. 42, I da Lei n. 9.430/96; (v) não existiriam nos autos elementos suficientes para comprovar o evidente intuito de fraude, pois “não obstante, anteriormente ao inicio do procedimento fiscal, o interessado tenha apresentado DIPJ zerada, procedeu ao recolhimentos de tributos, conforme já apurado as fls. 831/840, e entregou regularmente as DCTF (f1.841). Uma vez intimado, apresentou o livro Diário contendo as operações do ano calendário de 2004 (fl.388), livro de Registro de Saídas (fl.403), bem como cópia dos balanços e demonstrativos de resultados do exercício apurados trimestralmente (fls.474/495), onde se constata que foram contabilizadas, no ano, receitas operacionais na ordem de R$ 33.000.000,00”; (vi) afastadas a sonegação e a fraude, impõese reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos até 30.06.2004 para o IRPJ e CSLL e dos fatos geradores ocorridos até 31.08.2004 para a COFINS e o PIS, a teor do disposto no art. 150, § 4o do CTN. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, seja no tocante à preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa (sob 1 Conforme anotado pelo acórdão recorrido, na elaboração dos demonstrativos dos depósitos/créditos a serem comprovados, por instituição bancária, discriminados dia a dia, com totalização mensal, a Fiscalização, no caso de duas ou mais transações com o mesmo histórico, em um mesmo dia, optou por lançar, no demonstrativo, o valor consolidado do dia. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.289 7 alegada precipitação da Fiscalização em autuála sem que fosse concedido prazo suficiente para a apresentação de documentação relativa ao pretenso débito), seja no tocante ao mérito sob a alegação de que (a) não seria cabível o lançamento de IRPJ e reflexos com base em meros indícios ou presunções mesmo após a edição do art. 42 da Lei n. 9.430/96; e (b) a aplicação da multa qualificada pressupõe a demonstração da ocorrência de fraude, o que não ocorre no caso. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Recurso de Ofício O recurso de ofício atende os pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado linhas acima, o recurso de ofício versa sobre 3 (três) matérias distintas, quais sejam: (i) exclusão de valores de transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dos tributos lançados, cf. art. 42, I da Lei n. 9.430/96; (ii) qualificação da penalidade de ofício; e (iii) decadência. Quanto ao primeiro item, o recurso merece ser rejeitado, ante os termos da citada legislação e a prova constante dos autos (extratos bancários, com a indicação no próprio extrato da natureza da operação realizada entre os bancos. O recurso deve ser provido quanto aos demais itens. Filieime no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração “zerada” pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anoscalendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, pareceme que a prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. No caso, nada obstante tenha movimentado volume significativo de recursos, a Contribuinte apresentou declaração “zerada” ao Fisco Federal. Apenas após seis meses do início de Fiscalização, a Contribuinte preocupouse em apresentar declaração retificadora, e, ainda assim, apurando valor de tributos devidos em valor bastante inferior àqueles que são devidos considerados os montantes de receita apurados no anocalendário fiscalizado. Não bastasse, o Contribuinte deixou de comprovar a origem de aproximadamente algumas centenas de depósitos bancários dos mais variados valores no período em referência. Essa conduta da Contribuinte levou a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96, assim redigido à época dos fatos, verbis: Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.290 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Por sua vez, dispõem os arts. 71, 72 e 73, da Lei n. 4.502/64, verbis: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Desinfluentes os fatos de (a) a contacorrente em que verificados os depósitos ser de titularidade do próprio contribuinte, (b) o lançamento tributário ter sido lavrado em virtude da presunção legal de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n. 9.430/96, e (c) a Fiscalização ter sido realizada em apenas um anocalendário. No meu entender, a utilização de interposta pessoa ou a dita “conduta reiterada” são apenas algumas das inúmeras formas de o julgador inferir a presença de dolo do agente no caso concreto. Na hipótese, (a) a quantidade e relevância dos depósitos cuja origem não foi comprovada, (b) os montantes apurados pela Fiscalização, (c) a entrega de declaração “zerada” ao Fisco Federal e (d) a ausência de justificativa pela Contribuinte no tocante à acusação de omissão de receitas são indicativos seguros da intenção deste de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador; conduta esta tipificada no art. 71 da Lei n. 4.502/64. Citese, por oportuno, ementa de acórdão proferido pela extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.291 9 IRPJ DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, deslocase do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entendese por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o anocalendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia se 1º de janeiro de 2001. CSLL DECADÊNCIA A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO VALIDADE É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO PATENTE Auferir vultosas receitas de exportação sem declarálas à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.292 10 Reconhecida a ocorrência de dolo e restabelecida qualificação da multa de ofício, impõese a retificação do acórdão recorrido também quanto ao reconhecimento da decadência, a teor do disposto no art. 173, I do CTN. Por conseguinte, considerada a data de ciência do lançamento pelo contribuinte (22.09.2009) e a data de ocorrência dos fatos geradores (anocalendário de 2004), afastase a preliminar de decadência. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. A preliminar de nulidade dos lançamentos por cerceamento do direito de defesa merece ser rejeitada. A uma, pois não há comprovação nos autos sobre o alegado prejuízo ao direito de defesa da Contribuinte pela conduta da Fiscalização; a duas, pois o exercício pleno de defesa é exercido ao longo do contencioso administrativo – iniciado por intermédio de impugnação apresentada pelo contribuinte – e não no curso da fase de fiscalização, que possui natureza inquisitorial, conforme mencionado pelo acórdão recorrido. No caso, a Contribuinte exerceu seu direito de defesa mediante apresentação de extensos impugnação e recurso voluntário, além da apresentação dos documentos que entendia próprios para sustentar suas razões. No mérito, a Contribuinte sustenta que os lançamentos não poderiam ter como base apenas o valor dos depósitos em contacorrente constantes em extratos bancários, pois tais depósitos não constituíram fato gerador de tributos. Alegou a Contribuinte, nesse sentido, a ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Ainda quanto à ilegitimidade desta exigência, a Contribuinte assevera ter efetuado a comprovação da origem dos valores relativos aos depósitos bancários em referência, mediante a apresentação de notas fiscais de serviços, entre outros documentos. Após a edição da Lei n. 9.430/96 (art. 42), não há dúvidas a respeito da legitimidade do procedimento fiscal de presumir a omissão de receitas ou rendimentos tributáveis quanto a valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse sentido, é a remansosa jurisprudência dessa Corte Administrativa, verbis: Número do Recurso: 139536 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 13808.005672/200157 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: PLAYCENTER S.A. Recorrida/Interessado: 10ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão: 10/08/2005 00:00:00 Relator: José Carlos Teixeira da Fonseca Decisão: Acórdão 10808430 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OCORRÊNCIAS ANTERIORES A Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.293 11 1997 – A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, só produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 1997, conforme disposto no artigo 87 deste mesmo diploma legal. No mesmo sentido: Número do Recurso: 144253 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10875.000137/200461 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: HIKARI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 22/02/2006 01:00:00 Relator: José Carlos Passuello Decisão: Acórdão 10515528 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o lançamento apoiado em valores de depósitos bancários cuja intimação para comprovação foi devidamente formalizada e que constam de anexo ao termo de constatação, somente por não ter havido ciência individual na planilha que os demonstra, mas tendo firmada a expressa ciência, tanto nas intimações quanto no termo de constatação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃODE RECEITAS O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 erigiu em legal a antiga presunção simples de que a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária do contribuinte, objeto de expressa intimação para sua comprovação, o que não logrou fazer ou mesmo tentar, reflete omissão de receitas. (...) A Contribuinte foi intimada por diversas vezes para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos à fiscalização relativos à matéria tributada. Particularmente no que se refere aos depósitos/créditos bancários, a Fiscalização encaminhou à Recorrente intimações específicas para viabilizar o exercício do direito de defesa pela Contribuinte, pela qual detalhou as operações que estavam sendo consideradas para fins de incidência tributária e cuja origem deveria ser comprovada pela Contribuinte para ilidir o lançamento. Tais intimações encontram se arroladas no TVF de fls. 496 e seguintes dos autos. Em resposta a tais intimações, a Recorrente não logrou comprovar a origem dos valores depositados/creditados em contas bancárias de sua titularidade mantidas perante os bancos relacionados nas intimações, justificandose, assim, a procedência dos lançamentos. Conforme comezinhas lições de direito processual, “provar” não significa tãosomente trazer aos autos “elementos ou meios de prova”, mas sim compreende a atividade da parte de demonstrar a plena conexão entre o meio de prova (um documento, por exemplo) e o fato que se pretende ver provado. Trazer o documento aos autos é necessário para a atividade de provar, contudo não é suficiente. É indispensável, como se disse, indicar a relação plena entre este meio e o fato a ser provado. No caso, não basta ao Contribuinte juntar aos autos Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.294 12 centenas de folhas de documentos sem neles indicar minimamente onde residem suas razões de defesa e/ou as incorreções das conclusões da Fiscalização sobre a autuação. Esse é exatamente o caso dos autos. Em sede de impugnação e em recurso voluntário, a Contribuinte faz referência a “vasta documentação” para demonstrar a pretensa ilegalidade dos lançamentos, sem qualquer preocupação em relacionálos com os fatos objeto do processo (no caso, com os depósitos bancários cuja origem deveria comprovar). Em sede de recurso voluntário, a despeito de reiterar a juntada de documentos, também não houve manifestação sobre o conteúdo dos meios de prova acostados e sua pertinência com os fatos a serem provados na lide. O confronto detalhado a que se refere a Contribuinte deveria ter sido feita por ela própria, em sede de impugnação e em recurso, em virtude do ônus da prova a ela imposto face à presunção legal de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n. 9.430/96. Não cabe falar em compensação dos tributos recolhidos no caso, já que as receitas objeto de lançamento não compreendem a integralidade das receitas da Contribuinte no período fiscalizado. Por fim, as razões aduzidas pela Contribuinte em relação à ilegitimidade da multa de ofício não merecem ser apreciadas por este Colegiado em virtude de sua índole eminentemente constitucional, ante: (i) a expressa disposição legal que determina a imposição de multa de ofício (Lei n. 9.430, art. 44); (ii) o teor da Súmula Vinculante STF n. 10, que estabelece caracterizar controle de constitucionalidade o afastamento de incidência de lei vigente, no todo ou em parte, ainda que não haja expressa declaração de sua inconstitucionalidade; e (iii) o teor da Súmula CARF n. 2, aprovada pela Portaria n. 52, de 21.12.2010, que assenta o entendimento também vinculante de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a (in)constitucionalidade da lei tributária. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de (a) conhecer do recurso de ofício para darlhe parcial provimento para afastar a preliminar de decadência e restabelecer a qualificação da multa de ofício; (b) conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 10480.722559/2009-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PRELIMINARMENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFRONTA AO ART. 42, DA LEI Nº 9.430/96.
Legítimo o trabalho fiscal apurado com base em relatório individualizado da movimentação financeira.
MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, b, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta.
CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
PROVA PERÍCIA.
É incabível a realização de prova pericial sobre contabilidade que se prova imprestável.
CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO.
É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, b, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável.
Numero da decisão: 1103-001.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PRELIMINARMENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFRONTA AO ART. 42, DA LEI Nº 9.430/96. Legítimo o trabalho fiscal apurado com base em relatório individualizado da movimentação financeira. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, b, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. PROVA PERÍCIA. É incabível a realização de prova pericial sobre contabilidade que se prova imprestável. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, b, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFRONTA AO ART. 42, DA LEI Nº 9.430/96. Legítimo o trabalho fiscal apurado com base em relatório individualizado da movimentação financeira. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, “b”, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. PROVA PERÍCIA. É incabível a realização de prova pericial sobre contabilidade que se prova imprestável. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, “b”, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 59 /2 00 9- 39 Fl. 5709DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.710 2 Acordam os membros do colegiado, dar provimento, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 5710DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.711 3 Conforme Relatório de Fiscalização (fls. 4.677/4.700), a recorrente foi autuada em face do cometimento das seguintes infrações: “3.1 Depósitos bancários não contabilizados = IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). 3.1.1 Base de Cálculo, Créditos Tributários e Fatos Geradores Omissão de Receitas Operacional caracterizada pela falta de contabilização dos depósitos bancários existente nos extratos do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 226114 e do Bradesco Ag 34533 C/C 120294 e Ag. 10618 C/C 233773. Para lançar os valores omitidos da escrituração, solicitamos ao contribuinte que comprovasse a origem das entradas nas contas bancárias não escrituradas através do Termo de Solicitação de Esclareci mento nº 0003 e determinasse os valores que deveriam ser estornados, como devoluções, valores creditados indevidamente, etc...O contribuinte, por sua vez, confirmou que os créditos daquelas contas se originaram da sua atividade fim e apresentou tabela com a identificação dos estornos a serem excluídos da receita omitida, porém, analisando tal documentação, não há informações que comprovem a ligação entre as devoluções e estornos a créditos dos extratos não escriturados. (...) 3.1.2 Enquadramento legal A cobrança do IRPJ com base na omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários tem como base legal o art. 24 da Lei nº 9.249/95, art. 42 da Lei nº 9.430/96, e os arts. 249, inciso II e parágrafo único, 251, 279, 287, e 288 do RIR/99: (...) 3.2 Insuficiência de recolhimento ou declaração de IRPJ = IRPJ não recolhido nem declarado. 3.1.2 Base de Cálculo, Créditos Tributários e Fatos Geradores Insuficiência de recolhimento ou declaração de imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com aqueles declarados e recolhidos, conforme batimento dos dados da DCTF do contribuinte e dos seus pagamentos efetuados com os valores encontrados em sua escrituração. Os valores indicados como receita no Livro Razão do contribuinte, não indicaram todas as suas vendas contabilizadas nas suas contas “Diversos” e “Caixa”, contas estas cujo somatório anual se aproxima do valor total dos depósitos bancários dos extratos já escriturados, entregues inicialmente. Consideramos estas contas como sendo base para o total real de sua Receita Bruta. Fl. 5711DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.712 4 Consideramos, ainda, o total do CMV de R$ 9.805.636,74, conforme tabela abaixo, pois, como o próprio contribuinte informa que os seus estoques lançados no Razão não reportaram corretamente a realizada, consideramos a conta do passivo “TIM” para usar como base de cálculo do CVM, já que o contribuinte apenas trabalha com aquela operadora, e que os valores daquela conta coincidem com os estoques do contribuinte. Além disso, utilizamos as contas registradas também na conta “TIM” para calcular os créditos mensais de PIS e COFINS do contribuinte, que totalizaram R$ 183.066,47 e R$ 843.215,26, respectivamente. Ressaltamos que não foi considerado o pagamento com destinatário diverso da TIM (R$ 90.000,00 de 05/12/2005 através do Banco Bradesco, C/C 148652). As Despesas Operacionais e Outras Despesas Financeiras continuam as mesmas já identificadas na DIPJ, ou seja, R$ 281.300,01 e R$ 35.565,70. (...) 3.3 Falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada = Multa isolada sobre o IRPJ não recolhido. 3.3.1 Bases de Cálculo, Créditos Tributários e Fatos Geradores Falta de pagamento do imposto de renda pessoa jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada e/ou balanços de suspensão ou redução, considerando os valores encontrados como Receita Bruta na escrituração do contribuinte e nos depósitos bancários não escriturados. (...)” No que tange à CSLL e reflexos, os mesmos critérios foram aplicados no lançamento fiscal, sendo também exigido da recorrente, multa de ofício. A recorrente ofertou Impugnação (fls. 1631/1650), a qual foi julgada improcedente, sendo mantido o Recurso de Ofício. A recorrente, inconformada, ofertou Recurso Voluntário (fls. 4.855/4.889), aduzindo, em síntese: i. Preliminarmente: a) Nulidade do lançamento fiscal, por afronta ao art. 42, da Lei nº 9.430/96, c.c. art. 10, do Decreto nº 70.235/72, sem prejuízo ao desrespeito aos princípio da ampla defesa e do contraditório, na medida em que a autoridade fiscal não teria individualizado as receitas omitidas. ii. Mérito: Fl. 5712DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.713 5 a) Nulidade do lançamento de ofício, por afronta ao art. 142, CTN: diz a recorrente que, na época dos fatos, a sua contabilidade era imprestável, devendo o lançamento ser realizado pelo método do Lucro Arbitrado; b) Nulidade do lançamento de ofício, por afronta ao princípio da verdade material: apesar da recorrente não ter trazido aos autos documentos que comprovassem o custo das mercadorias vendidas, sabendose que sua receita decorre de um percentual fixo de venda, disposto no contrato que mantém com a TIM, é fácil concluir que a diferença entre os valores que recebe com a sua atividade e as comissões recebidas, dão a exata dimensão dos bens adquiridos para o exercício das suas finalidades sociais; c) Direito à perícia; d) Ilegalidade da cumulação da multa de ofício e da multa e a multa isolada. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 5713DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.714 6 Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. Preliminarmente. Aduz a recorrente, nulidade do lançamento de ofício, porque a autoridade fiscal, contrariamente do que dispõe o art. 42, §3o, da Lei nº 9.430/96, não teria individualizado as receitas omitidas. Analisandose os autos, verificase que a predita nulidade não se configura, na medida em que nas fls. 917/1.628, estão discriminados os lançamentos bancários, individualizados, omitidos. Também no “Termo de Verificação Fiscal” há planilha discriminando, ainda que de maneira consolidada, as receitas mensalmente omitidas no período. Dessa forma, não se vislumbra a apontada nulidade. II. Mérito. Consta do “Relatório de Fiscalização”, fls. 4.677/4.700, que: “A presente ação fiscal, foi motivada por seleção interna deste órgão, determinada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.1.01.002008009008 e teve sua origem no indício de movimentação financeira incompatível com receita apresentada pela empresa na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue em 2006, referente ao ano calendário de 2005, já que ele movimentou neste ano R$ 18.974.523,41 enquanto declarou R$ 357.194,90 de Receita Bruta na DIPJ. Abaixo listamos as informações coletadas sobre o contribuinte nos sistemas da RFB: (...) Os valores acima conferem com a DIPJ apresentada, exceto os de IRPJ e CSLL, pois apenas constam no Razão os valores referentes aos meses de abril e maio de 2005. As Cópias do Livro de Registro de Saídas e de Apuração de ICMS trouxeram os valores contábeis e de tributos zerados, justificados pelo Convênio ICMS 126/98 que determina que a empresa de telecomunicação deverá manter apenas um de seus estabelecimentos inscrito no Cadastro de Contribuintes do ICMS, sendo dispensados dessa exigência os demais locais onde exercer suas atividades; e que a escrituração fiscal e o recolhimento de ICMS sejam centralizados, sendo o ICMS apurado e recolhido por meio de um só documento de arrecadação pelo estabelecimento centralizador. Em síntese, o convênio demonstra que o recolhimento do ICMS deverá se dar Fl. 5714DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.715 7 através de regime de substituição tributária pelas empresas centralizadoras do serviço público de telecomunicações, no caso em questão, a Telasa Celular S/A CNPJ 02.328.592/000109, a Telpe Celular S/A CNPJ 02.336.993/000100, a Telpa Celular S/A CNPJ 02.322.271/000199, a Telern Celular S/A CNPJ 02.332.973/000153, a Teleceará Celular S/A CNPJ 02.338.114/000171, a Telepisa Celular S/A CNPJ 02.368.412/000104, que em conjunto foram denominadas TIM", conforme Contrato de Intermediação de Serviço de Distribuição de Recarga e de Habilitação de Prépagos apresentados posteriormente a esta fiscalização. Enviamos, portanto, o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n°0001 ao contribuinte, que o recebeu através do Aviso de Recebimento dos Correios n° SQ 24529470 2 BR no dia 15/09/2008, com a solicitação de prestação de esclarecimentos sobre as diferenças entre os valores de CPMF constantes dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte e os valores de CPMF indicados pelos Bancos, assim como de apresentação de extratos bancários diversos dos já entregues, caso existam. Em resposta ao supracitado Termo, o contribuinte apresentou nos os seguintes documentos: Extratos bancários, em papel, das contas do Banco do Brasil, Ag. 36994, C/C 226114 e Banco Bradesco, Ag. 3453, C/C 120294 e Ag. 10618, C/C 233773; e, Carta enviada a esta fiscalização, com esclarecimentos sobre diferenças de CPMF, e explicando os seguintes pontos: Que é uma empresa atacadista distribuidora de recargas para celulares pré pagos da operadora TIM que tem como clientes o varejo em geral (bancas de revistas, farmácias...); Que vende recargas físicas e eletrônicas para celulares adquiridas pela distribuidora Link Celulares junto à operadora de telefonia Tim Telecomunicações S/A; Que "as compras e vendas dos produtos virtuais não foram lançadas nos livros Diário e Razão", pois não foram faturadas pela operadora TIM Nordeste S/A para a Link Celulares; Que apresentou os seguintes valores não lançados na contabilidade: Custos das compras não lançadas: R$ 8.076.338,25 Faturamento não lançado: R$ 8.469.914,95 Despesas operacionais não lançadas: R$ 376.046,71 Receita Bruta não lançada: R$ 393.576,70 Receita Líquida não lançada: R$ 17.529,99 5 Que pagaram em 2005 os seguintes valores de impostos resultando no total de R$ 22.313,53: PIS: R$ 3.332,05 Fl. 5715DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.716 8 COFINS: R$ 15.432,03 IR: R$2.218,41 CSLL: R$ 1.331,04 Após a análise das informações acima, têmse as seguintes conclusões: Os novos extratos bancários apresentados zeram as diferenças antes verificadas, ou seja, só agora temos todos os extratos bancários do contribuinte em questão, conforme quadro abaixo. Além disso, verificamos também que o livro razão do contribuinte apenas considerou as contas bancárias do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 200093 e do Bradesco Ag. 34533 C/C 148952, faltando escriturar os extratos das contas bancárias do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 226114 e do Bradesco Ag. 34533 C/C 120294 e Ag. 10618 C/C 233773. (...) O contribuinte apresentou valores de faturamento que não foram lançados em seus livros. Além disso, os valores indicados como pagamentos não conferem com o total verificado nos sistemas RFB. Continuando a fiscalização enviamos o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n°0002 ao contribuinte, que o recebeu através do Aviso de Recebimento dos Correios n° SQ 24529492 3 BR no dia 11/11/2008, com a solicitação de prestação de esclarecimentos, entre os quais, sobre as vendas que não foram faturadas pela Tim Nordeste S/A para a Link Celulares apesar de terem sido depositadas na conta corrente desta empresa e sobre a receita bruta declarada em DIPJ. Em resposta a este último Termo, o contribuinte apresentounos os seguintes esclarecimentos em carta: Que os recursos de vendas de recargas, mesmo sem serem faturadas pela operadora Tim Nordeste S/A, eram depositados nas contascorrentes da Link Celulares, conforme extratos apresentados; e, Que o valor de R$ 357.194,95, constante na DIPJ, já é o valor do faturamento total menos os custos de compras das mercadorias (cargas de celulares). Indicou novamente os valores de faturamento não lançado de R$ 8.469.914,95 e de custo de compras não lançados de R$ 8.076.914,95. Posteriormente, o contribuinte ainda nos apresentou, através de carta do dia 27/11/2008, o custo de compras de mercadorias de R$ 5.777.455,65 que, retirado do total de faturamento considerado na escrituração R$ 6.134.650,55, resultou na receita bruta de R$ 357.194,90 declarada; além disso, nos entregou também o Contrato de Intermediação de Serviços de Distribuição de Recargas celebrado entre a TIM Nordeste Telecomunicações S/A e a Link Celulares, a carta da TIM referente à alteração de política c ^e' ,al, com a mudança de percentual de desconto concedido aos clientes da Link Celulares (pontos de vendas) e outra com a mudança do percentual de desconto concedido na compra de recargas junto a TIM Fl. 5716DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.717 9 Nordeste Telecomunicações S/A. O contrato com a TIM apresenta o percentual de 15% nas compras a prazo e de 16,27% nas compras a vista a ser pago ao distribuidor (Link Celulares) pela TIM como remuneração pela comercialização e distribuição de Cartão pré pago, PIN number e recarga on line, percentuais estes que incidirão sobre o valor de venda de cada produto ao cliente final. As cartas de alteração de política comercial alteram de 15% para 12% o valor do desconto para o distribuidor exclusivo da TIM, tanto para pagamentos a vista ou a prazo e determinam como valor obrigatório do desconto a ser observado pelo distribuidor no repasse ao revendedor seja de 8% para as vendas a vista de 7,5% para as vendas a prazo, sobre o valor de face do cartão. Após a análise dos esclarecimentos acima, têmse as seguintes informações: 1 O faturamento de R$ 8.469.914,95 declarado como não lançado pelo contribuinte não confere com o somatório dos créditos não escriturados, efetuados nas contas correntes apresentadas posteriormente pelo contribuinte no valor de R$ 8.933.967,21 (depósitos dos Extratos Bancários do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 226114 e do Bradesco Ag. 34533 C/C 120294 e Ag. 10618 C/C 233773); 2 0 valor de Receita Bruta declarada de R$ 357.194,90 não coincide com o somatório dos valores encontrados no livro razão de R$ 11.656.730,84 (Conta Diversos) acrescido de R$ 23.640,00 (Conta Caixa), que totaliza R$ 11.680.370,84. (...) Analisando as informações finalmente apresentadas pelo contribuinte temos as seguintes conclusões: Quanto aos valores de depósitos bancários já escriturados na contabilidade: O valor total de Receita Bruta a ser considerado é de R$ 11.680.370,84, considerando R$ 11.656.730,84 do total da conta "Diversos" do livro Razão do contribuinte, somado a R$ 23.640,00 do total de entradas no "Caixa" referente a vendas realizadas. O total do CMV considerado foi de R$ 9.805.636,74, pois, como o próprio contribuinte informa que seus estoques escriturados no Razão não reportaram corretamente a realidade, consideramos a conta do passivo "TIM" para usar como base de cálculo do CMV, já que o contribuinte apenas trabalha com aquela operadora, e que os valores daquela conta coincidem com os estoques do contribuinte. Além disso, utilizamos as compras mensais registradas na conta "TIM" do passivo para calcular os créditos de PIS e COFINS do contribuinte, que totalizaram R$183.066,47 e R$ 843.215,26, respectivamente. Ressaltamos que não foi considerado o pagamento com destinatário diverso da TIM (R$90.000,00 de 05/12/2005 através do banco Bradesco, C/C 148652). Fl. 5717DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.718 10 As Despesas Operacionais e Outras Despesas Financeiras continuaram as mesmas já identificadas na DIPJ, ou seja, R$ 281.300,01 e R$ 35.565,70, respectivamente. Quanto aos valores de depósitos bancários não escriturados na contabilidade: O valor total de R$ 8.933.967,21, relativo aos créditos registrados nos extratos bancários posteriormente entregues, não foi escriturado no livro Razão, nem foi utilizado no cálculo dos tributos já declarados. Os descontos acaso cabíveis foram identificados pelo contribuinte, mas não foram devidamente comprovados no decorrer da presente ação fiscal, não há como achar o crédito específico de cada estorno ou devolução pois não houve documentação suficiente para tal comprovação. (...)” Destacamos. Inicio por consignar que a autoridade fiscal, ao realizar o lançamento de ofício, deverá nele consignar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso e propor a aplicação da penalidade cabível. Esse o mandamento legal do art. 142, CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O fato gerador do imposto sobre a renda, nos termos do Código Tributário Nacional, com fundamento de validade no art. 153, III, da Constituição da República, é: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se Fl. 5718DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.719 11 dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo”. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RE nº 117.8876SP) pacificou o entendimento de que não é qualquer renda ou provento que importada em fato gerador do tributo, “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, provento, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. E a base de cálculo do tributo, ainda conforme as regras do CTN, art. 44, é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. O lucro real, ao qual optou a recorrente, é o lucro líquido, conforme dispõe o art. 247, RIR/99: “Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). §3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º)” Da leitura do texto do texto de lei acima mencionado, verificase que a “base de cálculo do IRPJ é formada por uma multidão de fatos que devem ser qualificados e registrados pela contabilidade, de modo esta é a fonte formal de quase todos os elementos necessários à determinação do lucro real. É por essa razão que o denominado ‘fato gerador’ do imposto de renda é considerado é considerado complexo na medida em que se forma e se aperfeiçoa com a conjunção de inúmeros fatos que devem ser capitados pela contabilidade, essa por sua vez, serve como fonte de produção dos principais elementos que são reunidos para a apuração do lucro real.” (FILHO, Edmar oliveira Andrade. Imposto de renda das empresas – CSLL, operações de hedge, preço de transferência, planejamento tributário, reorganizações societárias, aspetos contábeis e jurídicos. São Paulo: Atlas, 2013, 10a ed. P. 72). Portanto, é a contabilidade que irá indicar a base de cálculo do tributo. Fl. 5719DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.720 12 A inexatidão da contabilidade do contribuinte, que impossibilita a apuração do lucro real, implica no dever da autoridade fiscal de promover o lançamento por arbitramento: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário” Da leitura do “Relatório de Fiscalização” concluise que a contabilidade da recorrente não registra a sua movimentação de bancos e também o seu registro contábil não é seguro quanto as despesas incorridas nas suas operações: “ O total do CMV considerado foi de R$ 9.805.636,74, pois, como o próprio contribuinte informa que seus estoques escriturados no Razão não reportaram corretamente a realidade, consideramos a conta do passivo "TIM" para usar como base de cálculo do CMV, já que o contribuinte apenas trabalha com aquela operadora, e que os valores daquela conta coincidem com os estoques do contribuinte. Além disso, utilizamos as compras mensais registradas na conta "TIM" do passivo para calcular os créditos de PIS e COFINS do contribuinte, que totalizaram R$183.066,47 e R$ 843.215,26, respectivamente. Ressaltamos que não foi considerado o pagamento com destinatário diverso da TIM (R$90.000,00 de 05/12/2005 através do banco Bradesco, C/C 148652). Fl. 5720DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.721 13 (...) Quanto aos valores de depósitos bancários não escriturados na contabilidade: O valor total de R$ 8.933.967,21, relativo aos créditos registrados nos extratos bancários posteriormente entregues, não foi escriturado no livro Razão, nem foi utilizado no cálculo dos tributos já declarados. Os descontos acaso cabíveis foram identificados pelo contribuinte, mas não foram devidamente comprovados no decorrer da presente ação fiscal, não há como achar o crédito específico de cada estorno ou devolução pois não houve documentação suficiente para tal comprovação.” Logo, a contabilidade da recorrente é imprestável para a determinação do lucro real, i.é, não é competente para o lucro real. E, sendo assim, o lançamento por arbitramento é medida de rigor, como já foi decido por esta Corte Julgadora, Proc. 13971.004154/200809, de relatoria do ilustre conselheiro, Orlando José Gonçalves Bueno: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. E, ainda que válida a contabilidade, o montante das receitas que transitaram na conta bancária da recorrente não teriam, na sua totalidade, natureza de receita. Há que se considerar, por outro lado, que a receita bruta, conforme texto do art. 44, da Lei nº 4.506/64, é composta: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; Fl. 5721DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.722 14 IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” Consta dos autos que os valores recebidos, por força do contrato firmado com a TIM, a comissão por ela recebida, varia, dependendo da operação comercial, de 7,5%, 8%, 15% e 16,27%, como se verifica do “Termo de Verificação Fiscal”: “O contrato com a TIM apresenta o percentual de 15% nas compras a prazo e de 16,27% nas compras a vista a ser pago ao distribuidor (Link Celulares) pela TIM como remuneração pela comercialização e distribuição de Cartão pré pago, PIN number e recarga online, percentuais estes que incidirão sobre o valor de venda de cada produto ao cliente final. As cartas de alteração de política comercial alteram de 15% para 12% o valor do desconto para o distribuidor exclusivo da TIM, tanto para pagamentos a vista ou a prazo e determinam como valor obrigatório do desconto a ser observado pelo distribuidor no repasse ao revendedor seja de 8% para as vendas a vista de 7,5% para as vendas a prazo, sobre o valor de face do cartão.” Ensina José Luiz Bulhões Pedreira, que nas operações de conta alheia, como as desenvolvidas pela recorrente, “a receita bruta operacional não é constituída pelo preço dos bens ou serviços vendidos por conta de terceiros, mas da comissão ou remuneração que a empresa aufere”. (Imposto de renda. Rio de Janeiro: Justec, 1971. p. 67). Ou seja, os valores que transitam pela conta bancária não refletem a sua receita bruta. Nesse passo, como bem exposto no brilhante voto exarado pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos autos do Proc. nº 10909.003278/200824, se deve considerar para fins da apuração do lucro real apenas os valores que integram a sua receita bruta: Não há como conceber que a receita da atividade de factoring seja o total dos depósitos bancários, com expurgo de transferências entre contas de mesma titularidade e eventualmente de créditos captados (com a exceção já apreciada alhures). Não resulta dúvida de que a receita de factoring decorrente da aquisição de créditos é a diferença entre o valor a receber ou recebido e o preço pago pela aquisição dos créditos (mesmo no maturity factoring, que não tem prática no País, predomina a doutrina de nele há transferência do risco de crédito: a diferença com o convencional é o pagamento do preço de aquisição se dar só no vencimento dos créditos). Diversamente às atividades de vendas de mercadorias ou de pura prestação de serviços ou da combinação de ambos, na atividade de factoring, o valor dos créditos bancários não representa, nem presumidamente, receita bruta. Na venda de mercadorias, receita bruta é o preço de venda, de modo que é concebível presumir os créditos bancários como a receita bruta não só auferida como recebida. Fl. 5722DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.723 15 O custo das mercadorias é contabilmente registrado em conta de resultado devedora, a conta de CMV (custo de mercadorias vendidas), ou seja, distinta do da receita. O mesmo se processa, com as devidas adaptações, na prestação de serviços pura ou mesmo na combinação dessa com a venda de mercadorias. Não por menos que o coeficiente de arbitramento do lucro (IRPJ), na venda de mercadorias (excetuados combustíveis) é de 8% da receita conhecida acrescidos de 20%. O coeficiente de lucro presumido é de 8% da receita bruta, para fins de IRPJ. Já, na prestação de serviços, em geral, o coeficiente de presunção de lucro é de 32% da receita bruta, e o de arbitramento é de 32% acrescidos de 20% (IRPJ). Não é o que se processa com a atividade de factoring, seja econômica, como contabilmente. A receita bruta da atividade de factoring decorrente da aquisição de créditos é a diferença entre o valor de face dos títulos de crédito e o preço pago por eles. É óbvio que, a par do preço de aquisição das duplicatas, que não é despesa nem custo da factoring, mas compõe a apuração da própria receita bruta dela (representada pela diferença entre o valor de face das duplicatas e o preço por elas pago), há despesas nas quais a factoring incorre. Daí que o coeficiente de presunção do lucro das factorings, independentemente de haver de receita de prestação de serviços típica de factoring (gerenciamento dos recebíveis das empresas, cuidando de seus fluxos de caixa, inclusive da cobrança de duplicatas que não sejam adquiridas pela factoring), é de 32% da receita bruta. E, portanto, o coeficiente de arbitramento do lucro, para apuração do IRPJ, é de 38,4% (32% acrescidos de 20%). (...) De todo o exposto, não vejo como se possa considerar como receitas presumidamente omitidas o total dos créditos bancários, impondose interpretar a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96 em seus devidos termos, de molde a não colidir com a realidade incontestável. Aliás, a presunção legal em questão é relativa, e no caso vertente, de atividade de factoring essa presunção se estabelece nos moldes do que se possa presumivelmente, com o perdão da redundância,considerar receita bruta. Assim, o que se pode presumir como receita omitida é o valor dos créditos bancários, feitos os devidos expurgos, com aplicação do Fator Anfac. Ou seja, é o resultado da aplicação do Fator Anfac nas suas média trimestrais sobre o valor dos créditos bancários referidos trimestrais. Portanto, sobre a questão que ora se discute, assiste razão à recorrente” Fl. 5723DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.724 16 Nessa linha de raciocinar, o lançamento de ofício que considerou receita bruta o montante integral dos valores omitidos se distancia do permissivo legal. Ao considerar a totalidade das receitas que transitaram pela conta da recorrente como receita operacional bruta, exigiuse da recorrente tributo em valor superior ao permitido por lei . Portanto, não se vislumbra outro caminho que não seja a declaração de nulidade do lançamento de ofício sob julgamento. Como conseqüência, no que se refere às contribuições ao PIS e à COFINS, deverseia aplicar o regime cumulativo, conforme mandamento da Lei nº 10.637/02, art. 8o, II, e Lei nº 10.833/03, art. 10, II, em vista do arbitramento. Este fato não ocorreu no caso dos autos, razão pela qual o lançamento reflexo também deve ser anulado. No que tange à perícia requerida pelo recorrente, fundamentada no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, para fins de apuração do lucro real, julgoo improcedente, em razão da imprestabilidade de sua contabilidade para este fim. Quanto à incidência cumulativa de multa de mora e de multa de ofício, é ilegal a sua exigência, sobre a mesma base de cálculo, conforme jurisprudência deste Conselho: “Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9A30, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art, 44, da Lei n 9,430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. Número do Recurso: 106131314 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10510,000679/200219 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPF Recorrente:FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CARLOS ROBERTO DA SILVA Data da Sessão: 15/06/2004 09:30:00 Relator(a): Leila Maria Scherrer Leitão Acórdão: CSRF/0104.987 Decisão: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.” Fl. 5724DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.725 17 Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.” Desta forma, recebo o recurso voluntário, por preencher os requisitos legais, para, AFASTAR A PRELIMINAR ARGÜIDA e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO, para anular o lançamento de ofício. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 5725DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 10850.721622/2011-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 16 22 /2 01 1- 89 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 10.87.39.71.09.8230, no valor de R$ 71.919,73, lavrada em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do segundo semestre de 2008. A interessada foi cientificada da exigência fiscal em 10/06/2011 e apresentou, em 27/06/2011, impugnação cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada alega nulidade da exigência por ter havido cerceamento de direito de defesa. Diz que o auto de infração não foi devidamente instruído com os documentos que o motivaram e nem mesmo com a DCTF que originou o ilícito tributário. Alega que sem o documento fiscal que motivou a presente multa não pode se defender da autuação. Argumenta que houve cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela anulação da multa aplicada. No mérito reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66). Sustenta que apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano de 2007 e que recolheu todos os tributos devidos que foram declarados na DCTF. No tópico seguinte a contribuinte sustenta a ilegalidade da multa por atraso da DCTF. Diz que somente a Lei pode criar obrigações acessórias e que a exigência de apresentação da DCTF, bem como a imposição de multas, não têm fundamento em lei. Na seqüência a interessada discursa sobre a natureza jurídica das obrigações acessórias, combate a delegação de competência procedida por meio do DecretoLei nº 2.124/84, dizendo que a mesma afronta os princípios da legalidade, da separação dos poderes e da indelegabilidade da competência tributária, e sustenta que as Instruções Normativas que instituem e obrigam a apresentação da DCTF não encontram amparo no ordenamento jurídico. Por fim, no último tópico, a interessada transcreve jurisprudências que, em seu entendimento, sustentam os posicionamentos por ela defendidos. Diante do exposto requer o acolhimento da impugnação, o reconhecimento da nulidade do lançamento e a suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do inciso III, art. 151. do CTN.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a denúncia espontânea, a teor do artigo 138 do CTN, não se presta ao afastamento de multa decorrente de não cumprimento ou cumprimento em atraso de obrigação acessória. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10850.721622/201189 Acórdão n.º 1801001.574 S1TE01 Fl. 3 3 Regularmente intimada a Recorrente apresenta Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos lançados em sua impugnação, requerendo ainda subsidiariamente a aplicação de penalidade mínima por não haver imposto a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Afasto a preliminar de nulidade por suposto cerceamento de defesa. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tendo possibilitado à Recorrente o oferecimento de ampla defesa. O fato de a DCTF apresentada em atraso, objeto da multa, não ter sido anexada ao auto de infração não compromete em nada a defesa da Recorrente, por tratarse de documento do qual possui pleno conhecimento. No mérito a matéria tratada nos autos já foi pacificada nesta turma, assim como sumulada nesta 1º seção, conforme transcrição do voto da Ilustre Relatora, Ana de Barros Fernandes, lançado no acórdão 1801001.523. “O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade de multa, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. “ Quanto à aplicação da penalidade mínima por suposta ausência de valor a pagar na DCTF observase que a multa foi corretamente aplicada tendo por base o valor declarado na respectiva declaração, ainda que integralmente pago. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Este é o disposto no artigo 10 da IN 695/2006: Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I – de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 º ; . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 13603.002967/2003-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
NORMAS PROCESSUAIS - PRECLUSÃO.
A não apresentação de recurso voluntário torna definitiva a decisão de primeira instância, precluindo o direito de apresentação de recurso especial.
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL.
A perfeita comprovação do dissídio jurisprudencial é requisito inafastável para legitimar o recurso especial, sem a qual não pode o recurso ser conhecido.
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Se os autos indicam a ocorrência de pagamento, o termo inicial a ser considerado é a data do fato gerador.
ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - COMPETÊNCIA DO CARF PARA JULGAMENTO. A identificação de co-responsáveis pelo crédito tributário constituído mediante lançamento de oficio remete o exame da atribuição de responsabilidade para o âmbito do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/72, cujo julgamento em segunda instância compete ao CARF
Numero da decisão: 9101-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Eduardo Alckmin OAB-DF 2977.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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José Marcelino de Araújo Clésio Wagner de Araújo ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO. A não apresentação de recurso voluntário torna definitiva a decisão de primeira instância, precluindo o direito de apresentação de recurso especial. NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL. A perfeita comprovação do dissídio jurisprudencial é requisito inafastável para legitimar o recurso especial, sem a qual não pode o recurso ser conhecido. DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Se os autos indicam a ocorrência de pagamento, o termo inicial a ser considerado é a data do fato gerador. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPETÊNCIA DO CARF PARA JULGAMENTO. A identificação de co responsáveis pelo crédito tributário constituído mediante lançamento de oficio remete o exame da atribuição de responsabilidade para o âmbito do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/72, cujo julgamento em segunda instância compete ao CARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 29 67 /2 00 3- 30 Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Eduardo Alckmin OABDF 2977. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Neste processo administrativo discutese exigência da contribuição para o PIS dos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, exigida mediante auto de infração lavrado contra a empresa Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda., pela constatação de falta de recolhimento. Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 4 3 Foram arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário, os sócios José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. Do mesmo procedimento de fiscalização resultaram, também, autos de infração relativos a IRPJ e CSLL (Processo nº 13603.002968/200384, principal) e de Cofins (Processo nº 13603.002966/200395). Inicialmente, apresentaram recurso voluntário, nos três processos PLR (dizendose sucessora de Garantia), Clésio e José Marcelino. Anulados os atos processuais (nos três processos) a partir da decisão de primeira instância, inclusive, foi prolatada uma segunda decisão. Dessa segunda decisão apresentaram recurso voluntário: (i) no processo de IRPJ/CSLL, PLR e José Marcelino; (ii) nos processos de PIS e COFINS, apenas Garantia. Nos três processos apresentaram recurso especial Garantia, José Marcelino e Clésio. Os atos processuais assim se desenvolveram Quando do julgamento da impugnação apresentada pela autuada e pelos responsáveis solidários, primeiramente a DRJ em Belo Horizonte o converteu em diligência com a finalidade de ser verificado se se consolidara a incorporação da empresa Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. pela empresa PLR Comércio e Importação Ltda., tendo a autoridade fiscal encarregada da sua realização chegado à conclusão de que a referida incorporação não se consumara. A partir das informações constantes do relatório da diligência então realizada, a DRJ em Belo Horizonte considerou procedente o lançamento, consoante Acórdão DRJ/BH n° 10.080/2005, tendo a extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, mediante Acórdão n° 10322.807, de 06 de dezembro de 2006, anulando essa decisão para que outra fosse proferida, por considerar caracterizado o cerceamento do amplo direito de defesa e do contraditório, em virtude de não ter sido dada ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, impossibilitando sua manifestação a respeito, se fosse do seu interesse. Nova decisão foi prolatada pela DRJ/BH, através do Acórdão n° 02 14.552/2007, mantendo o mesmo entendimento da decisão anterior e, dentre outras matérias, apreciou a responsabilidade pelo crédito tributário sob a égide dos artigos 124, I e 135, II e III, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Dessa nova decisão, apenas a empresa autuada, Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda., apresentou recurso voluntário. Os arrolados em termo de responsabilidade não apresentaram recurso. Em sessão de 26 de junho de 2008 os membros da extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 10196.812 acordaram em, (i) por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, e ACOLHER a decadência quanto aos fatos geradores até o mês de novembro de 1998, inclusive. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio a 75%. Em face dessa decisão, a representação da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 1.975/77), sendo os mesmos rejeitados por meio do Despacho em Embargos n° 462 (fl. 1.993). Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 5 4 Passo seguinte, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial questionando a decisão no que se refere à decadência. Alega a PGFN que, tendo sido verificada total ausência de pagamento quanto aos créditos tributários em questão, a contagem do prazo decadencial deveria ter sido realizada com base no disposto no art. 173, I, do CTN, e não no art. 150, § 4º do mesmo diploma legal. Junta aos autos, como prova da divergência jurisprudencial alegada, as ementas de dois acórdãos exarados por outros colegiados do Conselho de Contribuintes (Ac. 20401182 e Ac. 10321.025), ambos manifestando a interpretação de que, havendo absoluta falta de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deve ser realizada com base no disposto no art. 173, I, e não no art. 150, § 4º, ambos do CTN. O recurso especial da PGFN foi admitido, conforme despacho de fls. 2015. Ciente da decisão do Conselho, Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. ingressou recurso especial nos seguintes termos: “Como razões de Recurso Especial, informa a recorrente que se reporta às razões apresentadas em recurso voluntário e que foi vencida no acórdão recorrido. 0 presente feito tratase de exigência de PIS via tributação reflexa, cujos autos principais são o de número 13603.002968/200384 (IRPJ/CSLL), que ainda se encontram em tramitação perante o CARF, conforme movimentação processual em anexo. Informa a empresa recorrente que as razões de Recurso Especial serão ofertadas quando da interposição de Recurso Especial nos autos principais. “ Nas razões de recurso especial apresentadas pela autuada no processo de IRPJ, alega a recorrente divergência do acórdão recorrido com acórdãos paradigmas, no que tange ao arbitramento de lucros. Diz que “ O acórdão recorrido entendeu que o arbitramento de lucros era possível diante da falta de apresentação de notas fiscais de entrada, restando inviabilizada a verificação do custo das mercadorias vendidas.”, aduzindo que “No acórdão paradigma (em anexo), verificase que a dedutibilidade das despesas deve ser restaurada quando apresentados os documentos fiscais hábeis para tal.” Anexou o Acórdão 110100.069. Aviaram embargos de declaração os responsabilizados José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo, sendo os mesmos rejeitados. Tais sujeitos passivos também aviaram recursos especiais de divergência, além de contrarrazões, requerendo o improvimento do REsp da Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso especial de divergência dos arrolados como sujeitos passivos solidários foi apresentado em conjunto, numa mesma peça, para os três processos (principal, de IRPJ e CSLL, e decorrentes, de PIS e de Cofins), suscitando 4 matérias, cujas interpretações postulam serem levadas à CSRF para uniformização, a saber: . (i) falta de apresentação de recurso voluntário pelo Sr. Clésio Wagner de Araújo; (ii) não conhecimento das razões de recurso do Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 6 5 Sr. José Marcelino de Araújo referentes à declaração de nulidade do Termo de Responsabilidade; (iii) apuração do crédito tributário por arbitramento versus glosa de custos; (iv) eleição da base de cálculo do PIS e da Cofins por dispositivo declarado inconstitucional pelo STF. Pelo despacho 110100.043, de 08/07/2011 (fls. 2153 e seguintes), o Presidente da 1º Câmara da 1ª SEJUL, inicialmente, negou seguimento ao recurso especial das pessoas físicas. Ante o pedido de revisão do despacho, que reclamou de a apreciação dos processos (matriz e decorrentes) ter sido feita de forma independente, o novo Presidente da 1ª Câmara encaminhou os autos ao antigo presidente, prolator do despacho agravado, solicitando sua manifestação a respeito. O autor do despacho agravado proferiu despacho saneador conjunto para os três despachos anteriores, propondo sua anulação, por ter a análise da admissibilidade sido realizada como se autônomos fossem, pois “admitida a decorrência, aplicarseia aos procedimentos reflexivos, no que couber, a mesma decisão dada ao processo matriz.” Afinal, assim se manifestou: “ (...) entendo que o Despacho n° 1101 00.044, datado de 08/07/2011, deve ser retificado apenas quanto à. constatação de que se trata do processo matriz, cuja decisão, quanto à. admissibilidade do recurso especial, no que couber, deve ser estendida aos processos decorrentes, acima enumerados, permanecendo inalterada a rejeição ao seguimento da 4ª divergência, supra transcrita, por falta de previsão regimental, devendo o novo Despacho dessa Presidência da 1ª Câmara instruir o processo principal e os decorrentes.” Aduziu considerações a respeito da 4ª divergência, pela importância do tema, mesmo sem a matéria ter sido préquestionada (inaplicabilidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998). Pondera que é inquestionável o motivo regimental que impõe a inadmissibilidade, mas que também inquestionável o direito que os recorrentes têm de se ver desonerados de ônus fiscal sabidamente indevido. Sugeriu que as autoridades competentes reflitam sobre a viabilidade da regulamentação desse procedimento, que poderia ser feita através da introdução de dispositivo regimental. E assim concluiu seu despacho: Feitas essas considerações, entendo que à luz do atual Regimento Interno do CARF não deve ser dado seguimento à divergência em causa, mantendose o que foi posto no precitado Despacho n° 110100.044, quanto a esse aspecto. O Presidente da 1ª Câmara concordou com o parecer em todos os seus termos, e manteve a decisão exarada no Despacho n° 110100.044, de 08/07/2011, quanto ao seguimento parcial do recurso especial, negando seguimento apenas à 4ª divergência, pela falta de previsão regimental, determinado que o Despacho saneador instruísse os processos decorrentes, aplicandoselhes o mesmo juízo de admissibilidade do processo matriz, no que couber. Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Do Recurso da Fazenda Nacional. O recurso da Fazenda Nacional atende os pressupostos que o legitimam, devendo ser conhecido. A Fazenda Nacional se insurge contra o acórdão na parte que assim decidiu: “ (...) com a exclusão da multa qualificada, viuse que restou afastada a hipótese de ocorrência de "dolo, fraude ou simulação" prevista no art. 150, § 4°, do CTN, o que remete o termo inicial da contagem do prazo decadencial para a data da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no mesmo dispositivo legal. Assim, considerandose que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 19/12/2003, devese reconhecer a decadência do direito de constituir o credito tributário relativo aos fatos geradores até novembro de 1998. “ Assenta o voto condutor que o Conselho acolhe o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que o direito do Fisco de constituir o crédito tributário é regulado pelo comando do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. Demonstra a PGFN que essa interpretação diverge da assumida por outros colegiados, que entendem que, na ausência de pagamento, mesmo em se tratando de tributos cuja legislação específica preveja lançamentos por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o previsto no art. 173, I, do CTN. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontrase totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 8 7 I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II Nas demais situações: II.a Se houve pagamento antecipado: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); II.b Se não houve pagamento antecipado: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); No caso concreto, o crédito relativo aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1998 poderiam ser lançados nesse mesmo ano, e o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o dia 1º de janeiro de 1999, esgotandose em 31/12/2003. Uma vez que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 19/12/2003, temse por não materializada a decadência, devendo ser provido o recurso da Fazenda Nacional. Do Recurso de Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. O recurso especial interposto por Garantia Indústria e Comércio Ltda. se reporta às razões declinadas no processo matriz, que tratam de arbitramento dos lucros, não tendo pertinência com a exigência discutida neste processo. Isto posto, não conheço do recurso especial. Do Recurso interposto por José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. As pessoas físicas arroladas como responsáveis não apresentaram recurso voluntário. Dispõe o inciso I do art. 42 do Decreto nº 70.235. de 1972, que são definitivas as decisões de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Em princípio, não haveria como conhecer do recurso especial interposto pelas pessoas físicas, uma vez que para elas operouse a preclusão. Ocorre que, no despacho saneador do exame de admissibilidade, admitiuse inadequada a tramitação dos autos de infração matriz e decorrentes em processos separados, e determinouse que o mesmo juízo de admissibilidade do processo matriz fosse aplicado nos decorrentes, no que couber. Assim, aplicando o princípio da decorrência a solução adotada deve ser a mesma do processo matriz, a saber: Não conhecer o recurso especial interposto por Clésio, em razão da preclusão. Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 9 8 Quando ao recurso de José Marcelino, não conhecer no que se refere á primeira matéria (falta de apresentação de recurso voluntário pelo Sr. Clésio Wagner de Araújo) e conhecer e julgar procedente o recurso quanto à segunda matéria (não conhecimento das razões de recurso referentes à declaração de nulidade do Termo de Responsabilidade). A terceira matéria (lucro arbitrado versus glosa de custos) não tem pertinência como o auto de infração de PIS. A quarta matéria (eleição da base de cálculo do PIS e da Cofins por dispositivo declarado inconstitucional pelo STF) não foi admitida , descabendo qualquer análise. Contudo, registro que a matéria arguida não tem pertinência fática com o lançamento litigado, uma vez que os valores que serviram de base de cálculo para o PIS e a COFINS, conforme planilhas constantes dos autos de infração, são aqueles escriturados nos Livros Diário e Razão como receita de venda de mercadorias e de prestação de serviços, e estão de acordo com os valores informados nas DIRPJ. Os valores referentes a “outras receitas”, considerados para fins de lançamento do IRPJ e da CSLL, não foram computados na base de cálculo do PIS e da COFINS. Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para declarar não ocorrida a decadência, não conheço dos recursos interpostos por Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. e por Clésio Wagner de Araújo, e conheço e dou provimento ao recurso de José Marcelino de Araújo quanto à responsabilização, determinando o retorno dos autos à 1ª SEJUL, para apreciar essa matéria. É como voto. BrasíliaDF, em 15 de maio de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 19515.002188/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os depósitos ou investimentos existentes na instituição financeira em relação aos quais o responsável pelo depósito, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os depósitos ou investimentos existentes na instituição financeira em relação aos quais o responsável pelo depósito, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 88 /2 00 3- 18 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ de Salvador/BA, que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, do exercício 1998, sobre (a) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e (b) omissão de rendimentos de aluguéis. Autuação a fls.361 a 366. Termo Fiscal a fls. 354 a 360. Decisão recorrida a fls. 415 a 420 manteve a autuação, com a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. RETROATIVIDADE. As normas que autorizam a comunicação à Receita Federal de informações bancárias e a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário, referindose à produção de provas e aos poderes de investigação, aplicamse aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário a fls. 431 a 452, onde sustenta, em preliminar, nulidade e caducidade da autuação pela falta de observância dos prazos de reintimação do MPF a cada 30 dias, previsto pela Portaria SRF n. 3007/01, quebra do sigilo bancário e decadência. No mérito, sustenta ilegalidade da tributação dos depósitos bancários por não constituírem renda e confisco na fixação da multa. Anoto que o recurso foi admitido e sobrestado na forma do Par. 1º e 2º, do art.62A, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho. Com a revogação desse dispositivo, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Tratase de autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, do exercício 1998, sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos de aluguéis. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.002188/200318 Acórdão n.º 2201002.375 S2C2T1 Fl. 3 3 A decisão recorrida manteve a autuação. Não se questiona no recurso a omissão de rendimento de alugueis. Vamos ao exame da omissão de rendimento caracterizada pelos extratos bancários, fornecidos pelo autuado (fls. 23 e sgts. e 171 e segts.) e obtidos por meio de requisição, via Requisição de Movimentação Financeira MPF (fls. 47/48). Em preliminar, sustenta a) nulidade e caducidade da autuação pela falta de observância dos prazos de reintimação do MPF a cada 30 dias, previsto pela Portaria SRF n. 3007/01, b) quebra indevida do sigilo bancário e decadência. Não há qualquer nulidade da autuação pela inobservância dos prazos de intimação da Requisição de Movimentação Financeira RMF. É formalidade que não traz prejuízo ao autuado, pelo menos nada é alegado e demonstrado nesse sentido. E não se pronuncia nulidade sendo ela relativa, isto é que não depende para sua validade da substancia do ato, se dela não resultar prejuízo ao autuado. Também não há nulidade pela quebra do sigilo bancário, matéria de índole constitucional. As Súmulas 2 e 35 deste Conselho afastam a existência de qualquer nulidade no âmbito da administração. Confirase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 35 (Vinculante): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Afastadas as prejudiciais ao desenvolvimento válido e regular do processo, passase ao exame da decadência, preliminar que envolve o próprio mérito. A exigência é do IRPF, sujeito a ajuste anual, do ano calendário de 1998. A notificação do lançamento (autuação) ocorreu em 16.06.2003 (fls. 360) O início do prazo decadencial, com a existência de pagamento, é o dia 01.01.1999. Confirase: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Entre 01.01.1999 e a notificação do lançamento, em 16.06.2003, mesmo que se admita haver pagamento, prazo mais favorável ao autuado, não transcorreu lapso temporal superior a cinco anos para se operar a decadência. Afasto assim a decadência. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 4 No mérito, faz diversas e exaustivas considerações doutrinárias para sustentar a ilegalidade da tributação da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários, por não constituírem renda. Os depósitos bancários podem até não constituir renda, mas se o contribuinte, intimado, não comprovar a origem desses depósitos temos a presunção legal que caracteriza renda, mediante a inversão do ônus da prova, na forma do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. Confirase na Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem Não é necessária toda digressão doutrinária feita pelo autuado, a matéria é unicamente de fato, basta comprovar que os depósitos não correspondem a rendimento tributável para se eximir da autuação, mas nada fez, preferiu o poder da exaustiva argumentação sem qualquer comprovação. A multa também não possui reparo. A análise do confisco da multa envolve, necessariamente, o exame constitucionalidade da sua instituição, matéria que foge ao âmbito de competência deste Conselho, a teor da Sumula 2, confirase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, pelo meu voto, nego provimento ao recurso. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000126/99-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 47 .0 00 12 6/ 99 -5 9 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 297 2 RELATÓRIO Em 21/12/1999, o contribuinte protocolizou o pedido de compensação, fls. 01/02, com créditos de PIS no valor de R$ 10.613.598,10, para compensar com débitos de IPI vinculado a importação e do imposto de importação que relaciona em seus pedidos. O pedido de compensação veio cumulado com a formulação de denúncia espontânea, fls. 04/11, por meio do qual solicita a extinção das obrigações tributárias, excluindo inclusive a multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. Informa que questionou judicialmente a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, obtendo êxito nos autos da Ação Rescisória nº 95.01.262545/DF. Contudo como não houve a devolução espontânea dos valores recolhidos indevidamente, a contribuinte ingressou com a ação declaratória cumulada com repetição de indébito, processo nº 1999.34.000201702/DF. A Inspetoria da Receita Federal em Monte Dourado/PA, por meio do Despacho Decisório nº 006/2000, indeferiu o pedido de compensação com a constatação de que o contribuinte não teria obtido a antecipação de tutela no processo nº 1999.34.000201702/DF e também que no processo administrativo nº 10247.000023/9754, o contribuinte pede os mesmos créditos de PIS para os períodos de maio/92 a março/95. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade ressaltando o seu direito, garantido por decisão judicial. A DRJ/Belém do Pará, após solicitar diligências a respeito do andamento do processo judicial, indeferiu a manifestação de inconformidade proferindo acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1999. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto f 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). ASSUNTO: NORMAS ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1999 COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO JUDICIAL. Se a decisão judicial limitou a possibilidade de compensação com débitos alusivos exclusivamente ao PIS, não pode o contribuinte requerer administrativamente a compensação com débitos do Imposto de Importação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1999 DATA DA DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. MANDADO DE SEGURANÇA. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 298 3 O artigo 170A do CTN (incluído pela Lei nº Complementar n° 104, publicada em 11/01/2001) veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão jurisdicional. Tal dispositivo do CTN tem natureza processual, pois criou uma uma nova hipótese de efeito suspensivo aos recursos judiciais. Logo, possui aplicabilidade imediata. Nesse passo, as unidades da Receita Federal devem admitir a compensação autorizada por decisão judicial vigente, proferida a partir de 11/01/2001, e ainda não transitada em julgado, apenas quando a referida decisão possuir cumulativamente os seguintes requisitos em sua parte dispositiva: (a) determinação do direito ao crédito do sujeito passivo para com a União relativo a tributo administrado pelo fisco federal; (b) reconhecimento, de forma expressa, do direito à compensação de débitos com o referido crédito, antes do trânsito em julgado, ou seja, com o afastamento da aplicação do artigo 170A do CTN.Caso contrário, a compensação deve esperar o trânsito em julgado. Solicitação Indeferida Não concordando com citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, reafirmando o seu direito alegando em síntese que tem decisão judicial favorável ao seu direito, que o art. 170A não estava em vigor quando apresentou o pedido de compensação. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 299 4 VOTO Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Consultando o site do STJ, constatei que o processo judicial do contribuinte teve o trânsito em julgado em 12/02/2009, sendo válida a decisão do TRF cuja ementa transcrevese abaixo: "TRIBUTÁRIO. PIS. INEXIGIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO.PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que o direito de pleitear a compensação, ou a restituição do indébito, ocorrerá após cinco anos do fato gerador, acrescidos de mais cinco a partir da homologação tácita. 2. As controvérsias acerca da constitucionalidade das alterações introduzidas pelos Decretosleis n. 2.445 e n. 2.449/88 foram dirimidas pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE n. 148.7542/RJ, DJ 10.09.93, Relator Ministro Carlos Velloso. 3. A base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, conforme redação do parágrafo único do art. 6º da LC 7/70, até a edição da MP 1.212/95. 4. O Superior Tribunal de Justiça entendeu ser possível ao poder judiciário declarar a compensação entre créditos relativos ao pagamento de indébito tributário com débitos oriundos de outros tributos. 5. Por não ser a correção monetária um plus, devem incidir os chamados expurgos inflacionários. 6. Apelação da União e remessa oficial providas, em parte. 7. Recurso adesivo dos autores desprovido." (fl. 264) Em verdade o provimento judicial, smj, foi dado no sentido de reconhecer a não exigibilidade do PIS nos termos dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e o reconhecimento do direito à compensação das diferenças pagas a maior da exação em comparação com as regras previstas na Lei Complementar nº 07/70, até o período de fevereiro/96, quando entrou em vigor a MP nº 1.212/95. Também o reconhecimento do prazo prescricional de dez anos para o pedido de restituição do indébito, contados a partir do fato gerador. Sem dúvida a jurisprudência deste tribunal administrativo já vem reconhecendo pacificamente esses direitos, conforme se depreende de recente Acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, processo de relatoria do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 300 5 complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recursos negados.(Acórdão CSRF nº 9303002.304 3ª Turma, 20/06/2013). Em relação à forma de apuração do PIS devido nos termos da Lei Complementar nº 07/70, matéria já pacificada por meio da Súmula Carf nº 15: Súmula CARF nº 15 (VINCULANTE): A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Portanto o contribuinte protocolou o presente processo de pedido de compensação em 21/12/1999, alegando a existência de créditos de PIS recolhidos indevidamente com base nos Decretos Leis declarados inconstitucionais pelo STF. Estes créditos de PIS seriam referentes aos períodos de apuração de julho/1988 a setembro/1995. No caso o contribuinte só teria direito a pedir os valores pagos a maior a partir do fato gerador de dezembro/1989 até setembro/1995, em face do prazo prescricional de 10 anos. Quanto ao pedido formulado pelo contribuinte, de afastamento das multas de mora, relativas aos débitos tributários a serem compensados, manifesto inicialmente minha discordância, porém esta questão será objeto de deliberação desta turma por ocasião do retorno do processo da diligência. De acordo com o caput do art. 170 do CTN para que a autoridade administrativa possa autorizar a compensação é necessário a existência de créditos líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Compulsando os autos constatase que não há nenhuma prova de que os créditos tributários demandados pelo contribuinte sejam líquidos e certos. Pelo contrário há informações do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação de que o contribuinte havia pedido créditos dos mesmos fatos geradores no processo administrativo nº 10247.000023/9754. Assim, com o objetivo de resguardar eventuais direitos do contribuinte e também no sentido de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, voto no sentido de transformar o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade preparadora tome as seguintes providências: 1) intimar o contribuinte a apresentar planilha demonstrativa detalhada dos valores pagos a maior do PIS do período solicitado. Esclarecendo inclusive os critérios de apuração dos valores, fazendo acompanhar de todos os elementos comprobatórios suficientes à verificação e conferência das bases de cálculo e pagamento. Esta providência é de suma importância para verificação da liquidez e certeza do crédito tributário objeto do pedido de compensação; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 301 6 2) de posse das informações apresentadas pelo contribuinte em atenção ao item 1, elaborar relatório circunstanciado no sentido de verificar se os valores apresentados pelo contribuinte são consentâneos com a realidade e, em havendo créditos favoráveis ao contribuinte se são suficientes para quitar os débitos constantes do pedido de compensação. Conferir se esses créditos não foram objetos de compensação em outros processos administrativos a exemplo do processo administrativo nº 10247.000023/9754, noticiado pelo Despacho Decisório de origem; 3) Dar ciência ao contribuinte do relatório circunstanciado do item 2, abrindo lhe prazo para manifestação complementar, se assim lhe convier. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.901826/2006-73
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 26 /2 00 6- 73 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 89/94 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. DARF DE FILIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO Não podem ser aproveitados em compensação com débitos da matriz os DARF recolhidos no CNPJ da filial, quando se referem a débitos desta última e a eles se acham alocados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901826/200673 Acórdão n.º 3802003.342 S3TE02 Fl. 130 3 b) que embora tenha recolhido com o CNPJ da filial o DARF que gerou o crédito utilizado no PER/DCOMP, informouo nessa declaração com o CNPJ da matriz porque o sistema de compensação não permitia preencher manualmente o campo reservado ao número do CNPJ, indicando de forma automática o CNPJ da matriz; c) que não lhe foi permitido nem retificar o DARF (pelo fato de a operação ter mais de 5 anos) nem o PER/DCOMP (por já ter sido objeto de decisão administrativa); d) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; e) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; f) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; g) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 08/07/2011 nos termos do despacho acostado aos autos (fls. 126). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/08/2011, o recurso voluntário de fls. 96/116, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901826/200673 Acórdão n.º 3802003.342 S3TE02 Fl. 131 5 Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Também comungo com as razões de decidir da instância a quo em relação aos pedidos de retificação de DARF e de PER/DCOMP, que devem ser dirigidos à unidade jurisdicionante do sujeito passivo, sendo digno de nota o fato de o recolhimento indicado no PER/DCOMP (DARF de filial) já ter sido alocado, não estando, pois, disponível para compensação. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10280.720211/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome,- Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos De Lima (Presidente à época do julgamento), Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre dos Santos Linhares .
.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome, Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos De Lima (Presidente à época do julgamento), Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre dos Santos Linhares . . RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002, 2003, 2004 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 21 1/ 20 07 -0 0 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 334 2 diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. RECEITA FINANCEIRA. As receitas das aplicações financeiras integram o resultado operacional da pessoa jurídica ao final do período de apuração. Eventual acordo ou contrato entre o aplicador e terceiros, a respeito do destino da receita financeira, não pode modificar as características da relação jurídica tributária expressamente definidas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Nos termos do relatório do acórdão recorrido, referida decisão teve por base os seguintes fatos: “Relatório Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 120129, 135146, 153167 e 174183, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Imposto de Renda Retido na FonteIRRF, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2002, 2003 e 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 2.251.002,99, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 29/06/2007. De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o(s) sujeito(s) passivo(s) incorreu(am) na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; omissão de receitas financeiras. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de oficio 75 %. Também integram os Autos de Infração o Demonstrativo do Valor Fl. 406DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 335 3 Tributável — IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 189190) e o Demonstrativo de Valor Tributável de Receitas Financeiras não Contabilizadas (fls. 191194). Os lançamentos foram efetuados sob o albergue do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0210100.2006.000691, que autorizou a ação fiscal do IRPJ e IRRF. Do mesmo procedimento fiscal resultou também o lançamento do IRRF e acréscimos, e mais juros e multa isolados, objetos do processo 10280.720112/200746. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 11/07/2007 (fls. 125, 135, 154 e 175) e apresentou sua impugnação em 09/08/2007 (fls. 201221), na qual alegou em síntese que: 1. Apresenta duas impugnações de idêntico teor: a deste processo e ao de n° 10280.720212/200746, que trata do lançamento de IRRF; 2. Que a prova apresentada serve para as duas impugnações; 3. A fazenda Fernão Dias está inativa desde 1999, quando foi invadida por "semterras", e assim permanece até hoje; 4. O endereço na Rua Independência (domicilio fiscal) deixou de existir a mais de 20 anos; 5. Os livros sociais e fiscais ficaram na sede da empresa, estando, portanto, inacessíveis; 6. O único movimento contábil ocorrido nos últimos 04 anos foi o depósito para aumento de capital feito pelo acionista controlador Fernando Vergueiro (doc 04), com a intenção de atestar a capacidade financeira da empresa no projeto de industrialização do dendê proposto perante a SUDAM; 7. Com a substituição da SUDAM pela ADA, não foram aprovados novos projetos. Assim, o dinheiro passou a ser retirado pelo acionista conforme sua necessidade; 8. O contabilidade não foi feita regularmente porque somente consiste de lançamentos para aumento de capital e retiradas por conta do acionista; 9. O depósito para aumento de capital foi feito sob a condição de que, enquanto não efetivado o aumento de capital o dinheiro do acionista deveria ser aplicado no mercado de capital e retirado na medida da necessidade do acionista; 10. Os valores depositados tem origem na importância recebida pela desapropriação judicial de um imóvel de propriedade do acionista, que foram e transferidos, por ordem do depositante, para a empresa (doc. 4); 11. Não tem nenhuma relação com as pessoas que receberam os pagamentos; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 336 4 12. A inatividade física, contábil e fiscal endossa a versão da impugnante de que os valores movimentados na sua conta são do acionista depositante; 13. Era mera depositária da acionista, nos termos do art. 629 do CC; 14. A integralidade dos valores recebidos pelas aplicações foram creditadas ao acionista, que arcou com todos os custos, inclusive como o IRRF; 15. Seria inconcebível que um investidor (o acionista) deixasse seu capital sem remuneração; 16. Não há motivos para uma empresa inerte receber capital sem perspectiva de uso; 17. A fiscalização não justificou porque a operação entre a empresa e o acionista, a titulo de depósito (art. 629, CC), estaria errada; 18. A empresa autuada é isenta do imposto de renda por ser conseqüência de um projeto aprovado pela SUDAM; 19. Não recolheu o IRRF sobre os pagamentos efetuados por entender que não era fonte pagadora; 20. A contabilidade entregue A fiscalização comprova que a "conta depósito para aumento de capital" foi debitada a cada entrega de numerário; 21. Os recibos e as declarações dos beneficiários comprovam a causa do pagamento; 22. No "Demonstrativo do Valor Tributável do IRRetido na Fonte" anexado pela fiscalização, constam os nomes dos beneficiários dos pagamentos; 23. Os pagamentos foram efetuados através de cheques nominais; 24. Os beneficiários dos pagamentos são credores do acionista, e, não, da recorrente; 25. Não há qualquer impedimento legal para o procedimento realizado; 26. O crédito do acionista é liquido e certo, atende a preceito legal, e não se confunde com a finanças do acionista; 27. O acionista esta livre para retirar seu dinheiro, no momento que quiser, e indicar o destinatário dos valores; 28. A auditoria não sugere que os valores entregues a terceiros dizem respeito aos negócios da empresa, nem os beneficiários revelam qualquer identidade com os interesses da impugnante; 29. Inexiste contrato entre os beneficiários e a empresa porque esta estava absolutamente inativa; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 337 5 30. Quem deveria recolher o imposto devido pelos pagamentos seriam os seus beneficiários ou o acionista majoritário; 31. A autuação, baseada no art. 674 do RIR, exige que a origem valor do pagamento não seja conhecida, que haja relação entre o pagamento efetuado e as atividades da empresa, e que o beneficiário não seja identificado. Todavia, nenhum desses requisitos foram preenchidos porque a origem foi demonstrada, não há qualquer relação entre a autuada e os beneficiários dos pagamentos, vez que aquela encontrava se inativa, e os beneficiários foram identificados; 32. A auditoria nunca contestou a existência do depósito para o aumento de capital; 33. Na autuação sobre os rendimentos da aplicação falta o nexo da razoabilidade, pois não é possível entender que alguma pessoa física deixaria tanto tempo inativo o valor de um depósito para o aumento de capital; 34. A prova da capacidade financeira é um fato rotineiro no projetos de incentivos fiscais; 35. O lançamento de PIS e a COFINS 6 indevido porque não existe receita da recorrente; 36. O PIS e COFINS não incide sobre a receita financeira, conforme jurisprudência pacifica do STF; 37. O PIS e a COFINS estão incluidas no isenção da SUDAM conforme Resolução n° 84 CONDEL/SUDAM (doc 8); 38. A cobrança dos "juros isolados" representam uma cobrança em dobro, eis que na mesma autuação são cobrados os juros sobre o tributo e a multa que não teriam sido pagas; 39. Devem ser deduzidas da autuação os pagamentos da despesas pessoais, profissionais e da família do acionista Fernando Vergueiro, tendo em vista que isso não poderá ser considerado pagamento a beneficiário não identificado ou operação sem origem; 40. Também devem ser excluídas as despesas bancárias e demais despesas de legitimidade incontestável, constantes do Demonstrativo de Valor Tributável do IR Retido na Fonte; 41. Requer: a. Diligência na Fazenda Fernão Dias para que seja constatada a sua inatividade e inacessibilidade dos representantes da empresa ao estabelecimento; b. Expedição de oficio ao MM Juizo da Vara da Comarca de ToméAçu para informar se foi feita a desocupação da Fazenda Fernão Dias; c. Expedição de oficio á. Junta Comercial do Estado do Pará para comprovar que o aumento de capital jamais foi incorporado à empresa. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 338 6 A recorrente também pede que as matérias decorrente da ação fiscal (processos n° 10280.720211/200700 e 10280.720112/200746) sejam analisadas em um único processo. Os documentos trazidos através da peça impugnatória foram juntados ao processo n° 10280.720112/200746 que trata do lançamento do IRRF e dos juros e multa isolados — na seguinte disposição. • Doc's 2 e 3 — Petição e sentença liminar da ação de reintegração de posse (fls. 199215 do processo n° 10280.720112/200746); • Doc 4 Mandados de Levantamento Judicial e comprovantes de transferências interbancária (fls. 216227 do processo n° 10280.720112/200746); • Doc 5 — Projeto de atividade agropecuária destinado A. SUDAM (fls. 228315 do processo n° 10280.720112/200746); • Doc 6 — Escritura de constituição da recorrente (fls. 316327 do processo n° 10280.720112/200746); • Doc 7 — Protocolo de documentos e extrato de arrecadação da JUCEPA (fls. 328329 do processo n° 10280.720112/200746); • Doc 8 Resolução SUDAM n° 84/68, que aprovou o Projeto agropecuário Femão Dias Agropecuária S A (fls. 330333 do processo n° 10280.720112/200746); • Doc 9 — Extratos, comprovantes de movimentação e aplicação financeira, recibos, contas diversas, etc. (fls. 3345446 do processo n° 10280.720112/200746) Através de correspondência posterior a recorrente pede que as comunicações a sua empresa sejam encaminhadas para o endereço citado na página 223. Anexei às folhas ___ deste processo, cópia dos documentos de folhas 216227 e 330333 do processo n° 10280.720112/200746 que versam sobre (i) os Mandados de Levantamento Judicial e comprovantes de transferências interbancária, relativos as desapropriações alegadas pela recorrente, e (ii) a Resolução SUDAM n° 84/68 — que serão utilizados neste processo. É o relatório.” Ao julgar a Impugnação apresentada pelo Recorrente, o acórdão recorrido, preliminarmente, indeferiu o pedido de que os processos decorrentes da ação fiscal (n° 10280.720211/200700 e 10280.720112/200746) fossem juntados em único processo, restringindo o objeto do litígio aos argumentos relacionados às infrações de omissão de receita, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, e omissão de receitas financeiras. No mérito, julgou IMPROCEDENTE a Impugnação, mantendo o crédito tributário, por entender, em síntese, que: A presunção legal de omissão de rendimento prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 faz inverter o ônus da sucumbência, nos termos do artigo 333 e 334 do Código de Fl. 410DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 339 7 Processo Civil, cabendo ao Recorrente e não ao Fisco provar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, mediante documentação hábil e idônea. Depósitos sem origem comprovada presumemse receitas omitidas, devendo, portanto, serem tributados; No caso vertente, o Recorrente apenas justificou que os depósitos bancários objetivariam o aumento da capacidade financeira da empresa e que o numerário seria oriundo da desapropriação do imóvel do acionista Fernando Vergueiro. Entretanto, comparando os créditos oferecidos à tributação por meio de omissão de receitas com os demonstrativos de transferência bancária trazidos pela Recorrente, verificase que ambos não guardam relação entre si, bem como não se vislumbra qualquer vínculo dos depósitos no Demonstrativo de Movimentação Financeira – Créditos (fl. 79) com o sócio Fernando Vergueiro; A atividade da pessoa jurídica não se restringe a atividade do estabelecimento empresarial, alcança também as atividades financeiras e quaisquer outras atividades que importem em mutação patrimonial da empresa, de modo que a inatividade operacional da sede da fazenda seria irrelevante ao caso; A Recorrente alega que as receitas financeiras auferidas pela empresa foram creditadas ao sócio Fernando Vergueiro como forma de remunerar o capital empregado por este na empresa, porém, não há nos autos qualquer documento que comprove sua obrigação de remunerar o suposto capital aplicado pelo sócio; Se tivesse creditado os rendimentos das aplicações financeiras ao sócio com o fim de remunerar o capital por ele aplicado, deveria ter efetuado a retenção e o recolhimento do IR incidente sobre estes créditos, porém, também não faz prova a tal título; Os rendimentos das aplicações financeiras são de titularidade da pessoa jurídica, ainda que decorrente de aporte de capital do sócio e creditados contabilmente àquele sócio, não podendo eventual acordo ou contrato entre o aplicador e terceiro, a respeito do destino da receita financeira, modificar as características da relação jurídica tributária expressamente definidas em lei; Não há como deixar de considerar os rendimentos das aplicações financeiras da Recorrente (fls. 107119) como receita operacional, nos termos do artigo 373 e 770 do RIR/90, tendo em vista a pessoa jurídica (i) quem, por autonomia própria, realizou os investimentos perante as instituições financeiras; (ii) foi beneficiária imediata dos rendimentos das aplicações; (iii) gozou do arbítrio de dispor dos rendimentos, tanto que optou por remunerar o capital empregado pelo sócio; Não procede a alegação da Recorrente ser beneficiária da isenção do Imposto de Renda pelo fato de suas atividades serem consequentes de projeto aprovado pela SUDAM, em suma, por três aspectos: (i) não traz laudo de reconhecimento do benefício válido para os anos calendários 2002, 2003 e 2004 e a Resolução n° 84 CONDEL/SUDAM de 1968, trazida aos autos pela Recorrente, não estende qualquer benefício a esses anoscalendários; (ii) ainda que tivesse laudo válido, não há nenhum vínculo comprovado entre as receitas tributadas e qualquer atividade incentivada; (iii) a receita omitida não justifica a recomposição do lucro da exploração de atividade incentivada; Os efeitos das decisões judiciais proferidas em sede de controle difuso só alcançam as partes no processo, de modo que, muito embora o STF nos autos do RE n° Fl. 411DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 340 8 390.8405/MG tenha afastado a tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras e demais receitas que não se incluíssem nas atividades de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, referida decisão não se aplica à Recorrente; Salvo nos casos de súmula vinculante, as decisões judiciais proferidas em sede de controle difuso não vinculam a Administração Pública em relação aos demais administrados, por não fazer parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional; Denegado pedidos de diligência porque prescindíveis para o julgamento da lide, uma vez que a comprovação da ocupação da fazenda e da falta de registro do aumento do capital são irrelevantes para afastar as infrações de omissão de receitas. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega, em síntese: “49. O auto de infração é nulo desde o início, por preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto n. 70.235/72), antes de mais nada pelo fato de não ter sido determinada pela fiscalização a intimação do acionista da Recorrente, Fernando Vergueiro, já no momento da lavratura – intimação necessária pois o Sr. Fernando Vergueiro é o único e verdadeiro titular dos recursos que transitaram nas contas bancárias da Recorrente (que sempre foi mera depositária), nos termos do art. 42, par. 5°, da Lei n. 9.430/96, c.c. Súmula CARF n. 32. 50. Operouse, de qualquer forma, a decadência parcial em face dos créditos tributários perseguidos no auto de infração, correspondentes aos fatos geradores anteriores a 11.7.2002, na forma do art. 150, par. 4°, do CTN. 51. Não houve omissão de receitas por parte da Recorrente em relação as receitas financeiras havidas nos investimentos onde aplicados os recursos depositados pelo acionista da empresa, Sr. Fernando Vergueiro, pois no âmbito do contrato de depósito a Recorrente era mera depositária dos recursos, devendo devolver ao depositante o valor a ela confiado acrescido dos respectivos frutos (art. 629 do Código Civil). 52. Da mesma forma, inocorreu omissão de receitas no tocante aos estornos de tarifas bancárias e outros creditados na conta da Recorrente (por não representar receita), bem como no que se refere ao resgate de aplicações financeiras (por representar singela realocação do capital investido) e nas transferências entre contas da Recorrente.” É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10280.720211/200700 Resolução nº 1102000.142 S1C1T2 Fl. 341 9 VOTO Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Segundo consta dos elementos dos autos, a Contribuinte foi intimada do Acórdão n° 0116.761 em 09.07.2010, conforme se verifica à fl. 258, tendo interposto seu recurso voluntário em 11.08.2010 (fl. 264) quando já findo o prazo recursal (10.08.2010). Contudo, na sessão de julgamento ocorrida nessa data, a Contribuinte comparece à sessão para informar que realizou a postagem do recurso voluntário tempestivamente, em data anterior ao decurso do prazo para a prática do ato processual. Nesses termos, impõese a conversão do julgamento em diligência para que a D. Autoridade Fiscal informe, justificadamente, se procede a alegação do Contribuinte, intimandoa para a apresentação dos documentos correspondentes, inclusive, caso entenda necessário. Após tais providências, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a esse Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 413DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 10768.901847/2006-99
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. Recurso a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 47 /2 00 6- 99 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 118/122 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Sobre o débito vencido incidem juros e multa de mora, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação, a qual foi homologada apenas parcialmente, uma vez que o crédito indicado pela empresa foi insuficiente para quitar totalmente os débitos indicados do PER/DCOMP. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que o que fundamenta o referido despacho é o fato de a requerente haver entregue declaração de compensação relativa a tributo já vencido; c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901847/200699 Acórdão n.º 3802003.354 S3TE02 Fl. 158 3 A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 05/07/2011 (fls. 155). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/08/2011, o recurso voluntário de fls. 124/144, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação integral da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda se restringe à contestação da incidência de juros de mora e de multa de mora, uma vez que o tributo já se encontrava vencido quando da formalização do PER/DCOMP. Tal incidência é legítima, como demonstraremos a seguir. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. No que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento integral do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento integral do tributo ou de sua quitação completa via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Por fim, com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901847/200699 Acórdão n.º 3802003.354 S3TE02 Fl. 159 5 reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação integral pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários em aberto, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10920.911180/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 80 /2 01 2- 71 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911180/201271 Acórdão n.º 3801003.377 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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